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	<title>Salve Regina</title>
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	<title>Salve Regina</title>
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		<title>STEFANO FONTANA: SÍNODOS MANIPULADOS PARA CONSTRUIR A “NOVA IGREJA”</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2579</link>
				<pubDate>Tue, 08 Oct 2019 15:41:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Sinodo]]></category>
		<category><![CDATA[Sínodo para a Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Stefano Fontana]]></category>

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				<description><![CDATA[&#160; SÍNODOS MANIPULADOS PARA CONSTRUIR A "NOVA IGREJA" Stefano Fontana Tradução: Gederson Falcometa A gestão dos dois últimos Sínodos dos bispos e, ao menos até este momento, do próximo sobre a Amazônia parece destinada a fazer morrer o Sínodo enquanto tal, esvaziando a sua relevância e reduzindo‑o a um conjunto de movimentos de política eclesiástica [&#8230;]]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<pre style="text-align: center;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">SÍNODOS MANIPULADOS PARA CONSTRUIR A "NOVA IGREJA"
Stefano Fontana</span>
<span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Tradução: Gederson Falcometa</span></pre>
<p align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">A gestão dos dois últimos Sínodos dos bispos e, ao menos até este momento, do próximo sobre a Amazônia parece destinada a fazer morrer o Sínodo enquanto tal, esvaziando a sua relevância e reduzindo‑o a um conjunto de movimentos de política eclesiástica previamente acordadas. Quando, com o Sínodo sobre a Amazônia, os fiéis se conscientizarem pela terceira vez consecutiva que “tudo foi previamente planejado”, dos Sínodos se desinteressaram, apesar da retórica dos organizadores acerca do sopro do Espírito Santo nos trabalhos sinodais. Neste ponto os Sínodos se tornarão uma astuta práxis eclesiástica plenamente secularizada e chegaram ao seu fim: mortos por asfixia.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Nas semanas passadas, alguns blogs e agências deram a notícia de uma reunião secreta e reservada ocorrida no Vaticano com a participação de influentes Cardeais entre os quais os sólitos Schönborn e Kasper, o qual escopo seria condicionar os êxitos do próximo Sínodo sobre a Amazônia. Não nos maravilharia praticas do gênero. Como se recordará de um evento similar foi organizado também durante o Sínodo sobre a família. Em 25 de maio de 2015 se tem uma reunião a portas fechadas na Universidade Gregoriana organizada pelas Conferências episcopais da Alemanha, Bélgica e França para condicionar o Sínodo ordinário. Apenas poucos, porém, consideram a coisa como&nbsp;escandalosa.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">O duplo Sínodo sobre a família dos anos 2014 e 2015 pode ser considerado o protótipo de uma nova forma de Assembleia sinodal: planejada desde o começo e guiada passo a passo para que produzisse alguns frutos pré-estabelecidos. Primeiro foi confiado ao Cardeal Kasper uma lição aos Cardeais que ditou o percurso a seguir, recuperando a carta do seu do distante 1979 sobre a teologia do matrimônio. Kasper não foi encarregado por acaso, como não foi por acaso que não foram convidados para o Sínodo extraordinário nenhum representante do Instituto João Paulo II.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Depois, houve a descoberta – pela primeira vez na história dos Sínodos – de que vetaram aos padres fazer declarações, as relações com o exterior eram mantidas pelo Padre Federico Lombardo que lhe tinha – como se costuma dizer – a seu modo. Na&nbsp;<i>relatio post disceptationem</i> da metade do Sínodo extraordinário a secretaria introduziu passagens doutrinalmente disruptivas que não resultavam minimamente da discussão sinodal. Sobre a composição da secretária, 13 Cardeais escreveram ao Papa para sublinhar que eram muito a parte. Mas aquela mesma secretaria foi deixada em seu lugar e redigiu também todos os outros documentos do Sínodo. As perguntas do questionário cognoscitivo do Sínodo ordinário eram tendenciosas.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Contrariamente a pratica até então seguida, também os artigos rejeitados pela grande maioria e que diziam respeitos as relações homossexuais foram inseridas na relatio synodi. Durante os trabalhos o Cardeal Baldisseri, secretário geral do Sínodo, tinha impedido a distribuição aos Padres do livro assim chamado “dos cinco cardeais”.&nbsp;<i>No instrumentum laboris</i>&nbsp;do Sínodo ordinário foram inseridos artigos de conteúdo equívoco, como o famoso 137 contra o qual um&nbsp;nutrido&nbsp;grupo de teólogos moralistas guiados por Stephan Kampowski e David Crawford escreveram um apelo público em defesa da Humanae Vitae. O Sínodo ainda em curso, o Papa produz os dois Motu proprio sobre a revisão do processo de nulidade matrimonial. A Exortação&nbsp;<i>Amoris Laetitiae</i>&nbsp;parece ter sido pensada – mesmo que ainda não escrita – antes do Sínodo e este último parece ter sido instrumentalmente governado para que a portasse ali.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Mesmo o sucessivo Sínodo sobre os jovens foi planejado antecipadamente e conduzido de modo a ter resultados seguros. Entre os vários aspectos deste planejamento recordamos as preliminares tendenciosas, recolhimento de dados e, sobretudo, a expressão “católicos LGBT”, presente no <i>instrumentum laboris</i>, contestada por alguns relevantes padres sinodais, eliminada dos documentos sinodais sucessivos onde porém – com uma modalidade de todo inusual – se afirmava que também o&nbsp;<i>instrumentum laboris</i>, então a expressão contestada, fazia parte das conclusões do Sínodo.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">O que fere dolorosamente a consciência dos fiéis é de um lado a evidente, e até mesma ostentada, manipulação dos processos sinodais e de outro a apresentação da assise sinodal como um evento animado e ditado pelo Espírito Santo.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Fere também que as planejadas manipulações sejam finalizadas a obterem efeitos intra-eclesiais e sobretudo mudança doutrinal. O objetivo do próximo Sínodo sobre a Amazônia foram já definidos antecipadamente: ecologia integral entendida como ecologismo gnóstico, pluralismo religioso compreendidas as várias formas de animismo e paganismo, condenação da modalidade histórica da evangelização do continente latino-americano como ocasião para passar de evangelizar a fazer-se evangelizar, aberturas a superação do celibato eclesiástico para importar depois também na Europa central. Mas se os Sínodos veem reduzidos a uma máquina astutamente governada para produzir uma nova Igreja, então eles são feitos para morrer. E talvez seja melhor que seja assim.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Fonte:&nbsp;<a href="http://www.lanuovabq.it/it/sinodi-manipolati-per-costruire-la-nuova-chiesa" target="_blank" rel="noopener noreferrer" data-auth="NotApplicable">http://www.lanuovabq.it/it/sinodi-manipolati-per-costruire-la-nuova-chiesa</a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>P. CURZIO NITOGLIA: A CONSTITUIÇÃO CRISTÃ DOS ESTADOS E A “LIBERDADE RELIGIOSA”</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/1167</link>
				<pubDate>Mon, 26 Aug 2019 04:30:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Don Curzio Nitoglia]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade religiosa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">https://salveregina.altervista.org/blog/?p=1167</guid>
				<description><![CDATA[Miguel Ayuso, professor de Direito Constitucional na Universidade de Madri e Presidente da União Internacional dos Juristas Católicos, escreveu em 2008 um livro muito interessante sobre a relação entre Estado e Igreja, traduzido em italiano pela “Edizioni Scientifiche Italiane” de Nápoles em 2010, com o título A Constituição Cristã dos Estados [1].]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<h3></h3>
<div style="text-align: center;">
<div align="center">
<div style="text-align: center;">
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>PADRE CURZIO NITOGLIA</b></span></div>
</div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[Tradução: Gederson Falcometa]</span></div>
</div>
</div>
<div></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif;"><b>•</b>&nbsp;&nbsp;“<i>A heresia de um indivíduo, com o laicismo li</i></span><span style="font-size: 14pt; color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif;"><i>beral, torna-se social e política”</i>&nbsp;(M. Ayuso)</span></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•</b>&nbsp;<i>“</i><i>Da forma dada à sociedade, conforme ou não às leis divinas, depende o bem ou o mal das almas; isto é, se os homens, chamados todos a ser vivificados pela graça de Cristo, nas contingências terrenas do curso da vida respiram o são e vivificante hálito da verdade e da virtude moral ou o bacilo morboso e muitas vezes mortífero do erro e da depravação. Perante tal consideração e previsão, como poderia ser lícito à Igreja, Mãe tão amorosa e solícita do bem de seus filhos, permanecer espectadora indiferente dos seus perigos, calar ou fazer que não vê nem pondera condições sociais que, voluntária ou involuntariamente, tornam árduo e praticamente impossível um modo de vida cristão conforme aos preceitos do Supremo Legislador?</i>&nbsp;(<a style="color: #000000;" href="http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/speeches/documents/hf_p-xii_spe_19410601_radiomessage-pentecost_po.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Pio XII, Radiomensagem “A solenidade”, Pentecostes, 1941</a>)</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>Prólogo</b></span></div>
<div><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Miguel Ayuso, professor de Direito Constitucional na Universidade de Madri e Presidente da União Internacional dos Juristas Católicos, escreveu em 2008 um livro muito interessante sobre a relação entre Estado e Igreja, traduzido em italiano pela “Edizioni Scientifiche Italiane” de Nápoles em 2010, com o título&nbsp;<i>A Constituição Cristã dos Estados</i>&nbsp;[1]. No livro, o célebre jurista considera também o tema da “liberdade religiosa” tal como foi abordado no Decreto&nbsp;<i>Dignitatis Humanae&nbsp;</i>do Concílio Vaticano II e o confronta com o ensinamento do “Direito Público Eclesiástico”, trazendo à luz a diversidade entre a doutrina tradicional e o ensinamento <i>pastoral&nbsp;</i>do Vaticano II do ponto de vista cientificamente jurídico.</span></div>
<div style="text-align: justify;" align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;" align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><span id="more-1167"></span></span></div>
<div style="text-align: center;" align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: center;" align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>Breve excurso sobre a relação</b></span></div>
<div style="text-align: center;" align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>entre Estado e Igreja</b></span></div>
<div style="text-align: justify;" align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•</b> Na antiguidade pagã, nem sequer era concebível a ideia de separação entre o poder temporal e o espiritual. A esfera política e a religiosa se identificavam. A religião era considerada uma virtude social ou política, enquanto a impiedade era tanto um pecado como um crime politico assaz grave, porque a unidade da Cidade se baseava no princípio da piedade em ordem à divindade [2].</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•</b> O Cristianismo sempre ensinou que a sociedade civil depende da religiosa e a partir de Constantino ordenou também na prática o bem comum temporal ao espiritual e sobrenatural. Estes dois poderes são distintos (diferentemente do que se dá no paganismo), mas não separados (diferentemente do que se dá no laicismo) [3].</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•</b> A Partir Da Revolução Francesa, dá-se a neutralidade ou separação entre Estado e Igreja, que vai da indiferença à perseguição. É a época da secularização ou do laicismo, que procuraram abater indiretamente a Fé cristã atacando diretamente a Cristandade ou a constituição cristã dos Estados europeus [4]. Nessa época se procurou destruir a ordem natural e divina mediante a Revolução ou subversão da relação entre o temporal e o espiritual, a natureza e a graça, a razão e a fé. Em parte foram bem-sucedidos em descristianizar a sociedade civil mediante as ideias e as instituições políticas. A heresia do indivíduo, com o laicismo liberal, torna-se social e política [5]<i>. A Revolução é uma doutrina social ou política que quer fundar a sociedade civil não sobre Deus, mas sobre o Homem. A Contrarrevolução é a doutrina política que funda o Estado sobre Deus e sua Lei&nbsp;</i>[6]. Ora, “a toda ação corresponde uma ação igual e contrária”. Então, se a Revolução “heretizou” socialmente, a Contrarrevolução deve apresentar um remédio não só individual mas social e politico contra a heresia social que é o laicismo liberal. Se a revolução quer aniquilar a Cristandade ou o Estado cristão para depois destruir a própria fé, a Contrarrevolução (que não é uma Revolução de signo contrário, mas é o contrário <i>per diametrum</i>&nbsp;da Revolução) quer restaurar a civilização cristã, que é a moral social cristã tal como foi ensinada pela Tradição apostólica e depois escrita nas constituições a partir de Constantino [7].</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•&nbsp;</b>O&nbsp;Magistério&nbsp;da Igreja é citado por Ayuso para demonstrar o que foi exposto.&nbsp; Pio VI,&nbsp;na&nbsp;<i>Alocução ao Consistório</i>&nbsp;de 9 de março de 1789, condena a liberdade moderna, e na encíclica&nbsp;<i>Adeo nota</i>,&nbsp;de 1791, condena a “Declaração dos direitos do homem e do cidadão”.&nbsp;Gregório XVI,&nbsp;na encíclica&nbsp;<i>Mirari vos</i>, de 1832, condena o catolicismo liberal.&nbsp;Leão XIII,&nbsp;na encíclica&nbsp;<i>Diuturnum illud</i>,&nbsp;de 1881, na&nbsp;<i>Immortale Dei</i>,de 1885, na&nbsp;<i>Libertas</i>,&nbsp;de 1888, e enfim na&nbsp;<i>Annum ingressi</i>,&nbsp;de 1902, expõe a doutrina católica sobre a relação entre Estado e Igreja e condena toda doutrina separacionista dos dois poderes.&nbsp;São Pio X,&nbsp;na encíclica&nbsp;<i>Vehementer</i>,&nbsp;de 1906, e na&nbsp;<i>Notre Charge Apostolique</i>,&nbsp;de 1910, condena a separação entre o poder temporal e o espiritual e o modernismo político “Democracia Cristã”.&nbsp;Pio XI,&nbsp;na&nbsp;<i>Quas primas</i>,&nbsp;de 1925, fala da Realeza social e política de Cristo e condena o laicismo. Enfim,&nbsp;Pio XII,&nbsp;na encíclica&nbsp;<i>Summi Pontificatus</i>,&nbsp;de 1939, na Radiomensagem&nbsp;<i>Benignitas et humanitas</i>,&nbsp;de 1944, e no Discurso aos juristas católicos italianos, de 1953, dá continuidade ao mesmo ensinamento de união e subordinação entre os dois poderes e de condenação de sua separação [8].</span></div>
<div><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>Questão social e política</b></span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>e moral católica</b></span></div>
<div style="text-align: justify;" align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•</b>&nbsp;A&nbsp;questão social&nbsp;(que é a relação entre operários e empregadores) não é somente&nbsp;<i>econômico-financeira</i>, mas sobretudo&nbsp;<i>moral e religiosa</i>. Na verdade, para&nbsp;Aristóteles&nbsp;e&nbsp;S. Tomás&nbsp;a economia é a virtude da prudência aplicada à família (diferentemente da&nbsp;<i>crematística</i>, que é a arte de enriquecer), enquanto a&nbsp;<i>política</i>&nbsp;é a virtude da prudência aplicada à sociedade civil. Para resolver o conflito surgido no século XVIII entre operários e patrões – segundo o magistério –, não basta uma resposta puramente financeira ou salarial, mas preciso retroceder e ver a questão à luz da Moral e da Fé. O problema operário – segundo&nbsp;Leão XIII&nbsp;na encíclica&nbsp;<i>Rerum novarum</i>,&nbsp;de 1891, na&nbsp;<i>Permoti nos</i>,&nbsp;de 1895, e na&nbsp;<i>Graves de communi re</i>&nbsp;de 1901 – se resolve sobretudo com a virtude da Caridade e da Justiça e depois com o justo salário. O mesmo&nbsp;Leão XIII,&nbsp;ainda na encíclica&nbsp;<i>Rerum novarum</i>,&nbsp;explica muito bem que o “desejo de novidade” ou “<i>rerum novarum cupiditas</i>” no campo político (liberalismo/socialismo) transbordou para o <i>econômico-financiário</i>&nbsp;(liberalismo/socialismo). Então, para resolver e refutar o problema liberalista e social-comunista (primado da economia ou crematística, materialismo histórico), é preciso primeiro responder ao erro liberal (primado da liberdade como Fim absoluto e não como meio para chegar ao Fim). O Papa mostra o ligame que existe entre a&nbsp;<i>Revolução religiosa-dogmática</i>&nbsp;e&nbsp;<i>Revolução moral</i>, porque a Moral é a Fé praticada e vivida (<i>“agere sequitur esse”</i>), e depois entre a&nbsp;<i>Revolução política</i>, que é a heresia dogmática e moral transferida do plano individual para o campo social, e&nbsp;<i>Revolução econômica-financeria</i>&nbsp;[9]. “Depois da heresia individual vem a Revolução social ou política, e depois a Revolução é o carrasco da vez” (Donoso Cortès,&nbsp;<i>Ensaio sobre o Catolicismo, o Liberalismo e o Socialismo</i>).</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•&nbsp;</b>Miguel Ayuso&nbsp;compreendeu perfeitamente o caráter de contestação da modernidade ante o Magistério eclesiástico dos séculos XVIII/XIX. A Igreja tratou os temas de caráter politíco (liberalismo), cultural (tomismo/modernismo), econômico-financeiro (social-comunismo), oferecendo uma doutrina completa e orgânica sobre a Realeza social, bem como individual,&nbsp;<i>temporal</i>&nbsp;e espiritual de Cristo já&nbsp;<i>sobre esta terra</i>, como no Paraíso.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>A ruptura ou Revolução do Vaticano II</b></span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•</b> Se A Modernidade é a revolução filosófica, dogmática, moral, política e econômica (modernismo, liberalismo, libertinismo, socialismo), a doutrina católica tradicional é a Contra-modernidade ou Contra-revolução. Infelizmente, com o Concílio Vaticano II “<i>esqueceu-se com desenvoltura está Tradição.</i>&nbsp;[…]<i>&nbsp;Esquecimento&nbsp;</i>acompanhado muitas vezes de<i>&nbsp;desprezo</i>”<i>&nbsp;</i>[10]. A causa de tal ruptura com a Tradição apostólica em matéria de doutrina social&nbsp;Miguel Ayuso&nbsp;a encontra na “<i>fase de conformismo</i>[conciliar e pós-conciliar] com respeito à modernidade” [11]. Veja-se bem: “modernidade” significa pensamento filosófico moderno subjetivista e relativista, que vai de Descartes a Hegel, e não significa “fazer-se entender pelo homem de hoje”, o que é de todo legítimo e normal, mas totalmente diferente do apaziguamento eclesiástico-pastoral para com a “modernidade”. A Igreja havia contestado e refutado a modernidade com o Magistério tradicional dos séculos XIX-XX, rementendo-se à doutrina que começa com o Papa Gelásio I. Infelizmente, com a Declaração sobre “A liberdade religiosa” ou&nbsp;<i>Dignitatis Humanae</i>&nbsp;se inverteu ou “revolucionou” a doutrina dogmática em pastoral e se fez os&nbsp;<i>“</i>católicos <i>conformar-se&nbsp;</i>à modernidade<i>&nbsp;</i>[…] e sair do gueto em que a Igreja tradicional o havia confinado” [12], contrariando o lema de São Paulo: “<i>Nolite conformaci huic saeculo!</i>”</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>O Magistério tradicional</b></span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>constrasta a modernidade</b></span></div>
<div><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•</b>&nbsp;&nbsp;A conclusão que tira&nbsp;Miguel Ayuso&nbsp;é que, se o Magistério constante e tradicional da Igreja contestou e refutou a modernidade subjetivista e relativista (liberalismo, modernismo, libertinismo e social-comunismo), o ensinamento pastoral do Vaticano II chegou até à “<i>renúncia da tradicional doutrina política – baseada na constituição cristã dos Estados –&nbsp;</i>[…] [e se revelou]&nbsp;<i>incapaz de delinear uma nova estratégia</i>” [13]; não só abandonou a doutrina social tradicional acerca da relação entre Estado e Igreja, mas não conseguiu propor uma alternativa filosófico-política adequada ao surgimento do novo laicismo, sempre mais radical e paroxístico.</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>O Vaticano rendeu-se</b></span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>à modernidade</b></span></div>
<div><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•</b> Rendeu-se à Modernidade e à pós-modernidade, sem desferir nenhum golpe, e, na esperança de não ser perseguido e ser deixado em paz, não quis opor uma resistência doutrinal (filosófica e teológica) ao mundo contemporâneo: ficou em silêncio, e em seguida fugiu do lobo que veio dilacerar o rebanho, esperando ser poupado, tal como o mercenário e o mau pastor do Evangelho, o qual “trai as ovelhas não só fugindo, mas também silenciando” (São Gregório Magno). A tática “apastoral” de não condenar, desaprovar e criticar o erro equivale à atitude do mercenário, que silencia quando vê o lobo vir em vez de gritar e alertar seu rebanho. É por este motivo que não só doutrinalmente se tem ruptura entre o ensinamento pastoral e não infalível do Vaticano II e a Tradição apostólica, mas também pastoralmente: pelo calar a doutrina e os princípios na prática e no modo de agir, o Vaticano II se revelou uma imensa falência, porque, em vez de avisar que um perigo ameaçava a Cristandade e a fé católica nos anos 60 (tenha-se em mente o comunismo e o 1968), quis silenciar para não tornar-se “profeta de desgraça”. Analogamente, no pós-concílio mais recente (2005–2011), não se pôs em guarda o rebanho contra o perigo do teo-conservadorismo, do cato-liberalismo, do judeu-cristianismo e do ateísmo devoto, os quais estão fazendo hoje estragos também naquele “pequeno rebanho” que havia resistido ao modernismo e ao neomodernismo. É evidente a todos que para ensinar a verdade (por exemplo, 1 + 1 = 2) não se pode aprovar o erro (1 + 1 = 3), que não se pode não condenar.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•&nbsp;</b>Combater e Promover.&nbsp;O professor Ayuso comenta: “Trata-se não só de&nbsp;<i>combater</i>&nbsp;aquilo que é socialmente nocivo pelo influxo que tem sobre a alma, mas também de&nbsp;<i>promover</i> aquilo que é socialmente benéfico, em virtude de seu valor intrínseco” [14]. Na verdade, não se pode ser somente “contra” ou limitar-se à <i>pars destruens</i>&nbsp;o negativa, mas também há que propor algo “pró”, algo que seja de positivo [15].</span></div>
<div><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>Não se pode silenciar, senão “gritarão as pedras”</b></span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•</b>&nbsp;Pio XII&nbsp;havia previsto este perigo e o havia denunciado já em 1941: “<i>Da forma dada à sociedade, conforme ou não às leis divinas, depende o bem ou o mal das almas; isto é, se os homens, chamados todos a ser vivificados pela graça de Cristo, nas contingências terrenas do curso da vida respiram o são e vivificante hálito da verdade e da virtude moral ou o bacilo morboso e muitas vezes mortífero do erro e da depravação. Perante tal consideração e previsão, como poderia ser lícito à Igreja, Mãe tão amorosa e solícita do bem de seus filhos, permanecer espectadora indiferente dos seus perigos, calar ou fazer que não vê nem pondera condições sociais que, voluntária ou involuntariamente, tornam árduo e praticamente impossível um modo de vida cristão conforme aos preceitos do Supremo Legislador?</i>&nbsp;(<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/speeches/documents/hf_p-xii_spe_19410601_radiomessage-pentecost_po.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Pio XII, Radiomensagem “A solenidade”, Pentecostes, 1941</a></span>). Não se pode silenciar ou fingir que não se vê o perigo de uma situação que torna difícil o viver cristãmente. Ora, a “liberdade das falsas religiões” e o abandono da ideia de Estado católico ou da Realeza social de Cristo, sancionados pelo Concílio Vaticano II, são exatamente uma situação ou&nbsp;<i>modo de vida que torna praticamente impossível a prática cristã</i>. Os homens da Igreja caíram em uma espécie de “surdo-mutismo”: fingem não haver sentido nada, de modo que não devem falar. Não se pode permanecer um espectador indiferente, que olha e não grita: “O lobo, socorro, perigo, atenção!” Isso é aceitar praticamente e implicitamente, se não explicitamente e por princípio, o erro e o mal, que é a negação prática do primeiro princípio evidente da moral: “<i>malum vitandum, bonum faciendum</i>”. Ora, quem nega os princípios evidentes não é desculpável por ignorância invencível, porque eles são evidentes para todos, se mostram e não se demonstram. Como os homens da Igreja hoje calaram esta verdade social, ela – como disse Jesus – é “gritada pelas pedras”, que são os monumentos do passado, os quais testemunham uma verdade história: “Houve um tempo em que a filosofia do Evangelho governava os Estados” (Leão XIII,&nbsp;<i>Immortale Dei</i>, 1885). Que tremenda responsabilidade não haver querido condenar o erro, não haver querido pôr em guarda a Cristandade e os fiéis cristãos contra o perigo. Não havendo “desaprovado” ou condenado, implicitamente, sim, o aprovou. “<i>Um Papa bom não é um bom Papa</i>”, dizia o Padre&nbsp;Innocenzo Colosio. “O médico piedoso faz a praga cancerígena”, reza o provérbio popular. O excesso de “bondade” pode tornar-se a máxima crueldade (“<i>summa bonarietas, summa malvagitas</i>”).</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;<b>•&nbsp;</b>Pars Destruens et Construens.&nbsp;Miguel Ayuso explica egregiamente que “a Igreja não opera em política apenas ‘<i>negativamente</i>’, mediante condenações […], mas intervém também&nbsp;<i>positivamente</i>, declarando quais são os princípios que devem presidir a organização de uma comunidade” [16]. A neutralidade, o pluralismo e a indiferença do Estado em matéria religiosa não são princípios conformes à Tradição apostólica acerca da relação Estado-Igreja tal como ensinado pelas Sagradas Escrituras, pelos Padres eclesiásticos do IV século e pelo Magistério, desde o Papa Gelásio I (490) até Pio XII (1958).</span></div>
<div><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>A Cristandade já existia</b></span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>e não deve ser inventada</b></span></div>
<div><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•</b> São Pio X ensinou formalmente – repetindo o Magistério tradicional de seus predecessores, continuado depois pelos seus sucessores até Pio XII – que “a Civilização cristã não deve ser inventada, nem a Cidade deve ser construída sobre as nuvens. Ela existiu e existe; é a cidade Cristã, é a Cidade católica. Não se trata de instaurá-la ou estabelecê-la, mas sim de restaurá-la ou restabelecê-la, incessantemente, sobre o fundamento natural e divino, contra os ataques sempre renovados de utopia malsã, da revolução e da impiedade: <i>omnia istaurare in Cristo</i>”&nbsp; (<i>Notre charge apostolique</i>, 1910). A solução do problema politico (relação entre Estado e Igreja) e social (relação entre mundo do trabalho e capital) é simplicíssima, porque não há nada por inventar: basta <i>instaurar</i>&nbsp;ou fundar uma&nbsp;<i>Pólis</i>&nbsp;ou&nbsp;<i>Civitas </i>católica, baseada na Lei divina e natural em lugares onde ainda não tinha começado a existir, e&nbsp;<i>restaurá-la </i>ou repará-la onde já existia mas foi assaltada pela Revolução, que quer separar o Estado da Igreja, os operários dos patrões, a justiça da caridade, a economia da moral, destruindo assim a&nbsp;<i>Civitas Christiana</i>. Até 1968 existiam vestígios, traços ou “ruínas” desta Civilização cristã (que estava apenas ferida, ainda que gravemente), e bastava restaurar as “ruínas” como se faz com as obras de arte dos séculos passados. Hoje ela foi aniquilada ou ferida de morte pelo assalto da revolução judaico-maçônica, que invadiu também o ambiente eclesial, como denunciou o mesmo Paulo VI: “a fumaça de Satanás penetrou a Igreja de Deus”. Portanto, agora na Europa (o berço do Cristianismo) já não se trata de <i>restaurar</i>&nbsp;a Civilização cristã, senão de&nbsp;<i>instaurá-la&nbsp;</i>mesmo, mas sobre o mesmo fundamento (Lei eterna e natural) e princípios (cooperação de subordinação ou hierarquização do temporal ao espiritual).</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•</b>&nbsp;A Nova Cristandade.&nbsp;Não é preciso inventar a “nova cristandade” como fizeram Maritain (<i>Humanismo Integral</i>, 1936) [17] e a&nbsp;<i>Dignitatis humanae</i> (1965), construindo‑a sobre as “nuvens” da doutrina liberal e laicista da separação entre Estado e Igreja. Leão XIII, antes do Papa Sarto, havia escrito: “Houve um tempo em que a filosofia do Evangelho governava os Estados” (Leão XIII, <i>Immortale Dei</i>, 1885). Esta é a doutrina substancialmente imutável da Igreja: o Estado fundado sobre a Lei natural, divina, direitos dos princípios da reta filosofia e da Revelação sobrenatural, em cooperação de subordinação hierarquizada com o poder espiritual. Pode haver matizes acidentais nesta doutrina (<i>plenitudo potestatis</i>oppure&nbsp;<i>potestas indirecta in temporalibus ratione peccati</i>), mas não essenciais (liberdade das falsas religiões postas no mesmo nível da única verdadeira Religião, e indiferença religiosa da sociedade civil ou separação entre Estado e Igreja).</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>A nova Cristandade</b></span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>maritaniana e conciliar</b></span></div>
<div><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•&nbsp;</b>O<b>&nbsp;</b>Concílio Vaticano II.&nbsp;Infelizmente, na declaração&nbsp;<i>Dignitatis humanae</i>&nbsp;encontra-se uma fratura, uma mutação substancial, com respeito à doutrina tradicional contida nas Sagradas Escritura e na Tradição apostólica (que são as duas fontes de Revelação), sob o guiamento do Magistério constante da Igreja (do Papa Gelásio I a Pio XII). O Papa Pacelli disse deste ensinamento sobre a relação entre Estado e Igreja que “<i>está definitivamente estabelecido quanto aos seus pontos fundamentais, e é suficientemente amplo para ser adaptado às múltiplas vicissitudes dos povos, desde que isto não aconteça à custa dos seus princípios imutáveis e permanentes.&nbsp;</i>[…]<i>&nbsp;Isto é em todos os aspectos obrigatório. Não é possível distanciar-se disto sem perigo para a Fé e a ordem moral</i>” (<i>Discurso ao Congresso da Ação Católica Italiana</i>, 29 de abril de 1945).</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•&nbsp;</b>Ruptura e não continuidade.&nbsp;É próprio daquilo que fez a&nbsp;<i>Dignitatis humanae</i>. Ora, o ensinamento <i>pastoral</i>&nbsp;do Vaticano II discorda do&nbsp;<i>dogmático constante e infalível</i>&nbsp;da Igreja, e deve ser mudado conforme à doutrina Tradicional apostólica. Especialmente hoje, diante do assalto final do laicismo agressivo e do mascarado de teoconservadorismo, é preciso retornar à Tradição apostólica e&nbsp;<i>antes de tudo</i>&nbsp;repropor a doutrina da cooperação subordinada entre Estado e Igreja para depois buscar trabalhar praticamente a restauração das condições de modo que possa renascer a Civilização cristã, permitindo aos homens singulares, às famílias e aos corpos intermediários realizar facilmente a sua finalidade próxima ordenada ao Fim último sobrenatural. A Civilização cristã não deve ser inventada&nbsp;<i>ex novo</i>, mas agora instaurada, porque infelizmente já não há mais nada para restaurar. A pós-modernidade e o pós-concílio destruíram os vestígios, os restos ou as ruínas da Cristandade que ainda remanesciam.</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>A Igreja não pode não fazer “política”</b></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•&nbsp;</b>O&nbsp;Homem é um animal naturalmente social.&nbsp;Daí a necessidade de ensinar, hoje mais que nunca, a doutrina social da Igreja e de não trancar-se na sacristia, como queriam os católicos liberais, mascarando o fracasso do catolicismo liberal sob uma máscara de excessivo espiritualismo ou angelismo desencarnado, cujo lema é “não devemos fazer política!”. Ao invés, a realidade, e pois a verdade, é que o homem é composto de alma e corpo, e é um animal racional e&nbsp;<i>também social</i>, politico, feito para viver em sociedade ou na <i>pólis</i>, e não é um anjo, um ente desencarnado ou um monge que vive isolado. Os monges são casos “excepcionais” e “heroicos” que confirmam a regra.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•&nbsp;</b>Perigo do angelismo ou do&nbsp; espiritualismo exagerado.&nbsp;O erro dos conservadores e de alguns “tradicionalistas” católicos atuais é o de eliminar o elemento social da natureza humana, que ao invés foi criada por Deus naturalmente sociável (Aristóteles,&nbsp;<i>Política,&nbsp;</i>VI; S. Tomás de Aquino,&nbsp;<i>De regimine principum</i>, liv. I, cap. 14), e querer tornar o homem um indivíduo único (como o quer o liberalismo individualista) sem espaço social e político, para levá-lo, com um impulso puramente natural (mesmo o Padre, que é sempre um homem, ainda que consagrado, não é Deus, mas tão só um instrumento&nbsp; d’Ele, para ajudar os fiéis a fazer a Sua Vontade, que não necessariamente é a do sacerdote), a uma vida consagrada à qual, ao contrário, só Deus chama e na qual só se persevera com a ajuda d’Ele. “Não sois vós que Me escolhestes, mas sou Eu que escolho a vós”, diz Jesus no Evangelho a Seus Apóstolos.&nbsp;A vocação é um conselho, não um preceito, e não se pode obrigar ninguém a seguir um conselho sob pena de pecado [18]. Deve-se contestar, refutar e contrastar o laicismo, na teoria e na prática, derrubar tal modo de vida subversivo e revolucionado, fazendo história em vez de padecê-la passivamente, tentando criar condições para um viver social que facilite o viver espiritual. Assim como “a Graça supõe a natureza, a aperfeiçoa e não a destrói” (Santo Tomás), assim também a Fé pressupõe a humanidade civilizada [19], a aperfeiçoa, a mantém em vida e não a deve destruir. Da mesma forma, a vocação sagrada pressupõe a vida familiar, social e política, a deve aperfeiçoar e não a deve aniquilar. Se não houvesse uma sociedade familiar, ninguém poderia ser “chamado”, e, se a sociedade civil em vez de ajudar o indivíduo e a família a atingir o próprio Fim o impedisse, os “vocacionados” seriam muito menos numerosos. É por isso que se deve “dar a César o que é de César [obediência às leis temporais conforme à Lei natural] e a Deus o que é de Deus [a adoração]”.</span></div>
<div><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>É possível um Estado católico hoje?</b></span></div>
<div style="text-align: justify;" align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•&nbsp;</b>Doutrinalmente.&nbsp;A questão parece à primeira vista e superficialmente um anacronismo, como parece também a Miguel Ayuso [20]. Na verdade,&nbsp;<i>historicamente</i>&nbsp;não existe hoje nenhum Estado católico, mas a questão&nbsp;<i>doutrinal</i>&nbsp;que se coloca é se é possível fazê-lo reviver.&nbsp;<i>Em teoria ou quanto ao princípio doutrinal</i>,&nbsp;a resposta é evidente: o Estado não pode ser neutro, dada a&nbsp;<i>sociabilidade natural</i>&nbsp;do homem, da família e da sociedade civil, que devem dar a Deus o culto de adoração que Lhe é devido.&nbsp;<i>Na prática</i> ou <i>nos fatos</i>, porém, encontramo-nos diante do enorme problema pastoral sobre a liberdade religiosa (<i>Dignitatis humanae</i>) do Vaticano II, que não se contrapôs à modernidade ou à sociedade permissivista [21], mas entrou em diálogo simpatizante com elas e acelerou a secularização ou descristianização da sociedade. Miguel Ayuso, mostra como exemplo a&nbsp;<i>Ley de libertad religiosa</i>&nbsp;de 1967, solicitada por Paulo VI ao general Francisco Franco e a conseguinte nova Concordata espanhola de 1978 [22], similar à italiana de 1984 (que ab-rogou a Concordata de 1929), definida por João Paulo II como “ideal”, na medida em que se passou (tanto na Espanha como na Itália) do Estado confessional, que reconhecia a Religião católica como Religião oficial do Estado, ao Estado neutro em matéria religiosa. Ayuso comenta: “Estamos assistindo à separação&nbsp;<i>consciente e desejada</i>&nbsp;entre a Igreja e a Sociedade, depois de ter sido consumada a separação entre a Igreja e o Estado” [23]. Hoje vivemos em uma sociedade anticristã por princípio e na prática, à qual seria melhor chamar “dis-sociedade” (Marcel de Corte) ou “Sinagoga de Satanás” (Apoc. II, 9), que é a “contra-Igreja” ou o “perigo judaico-maçônico” (Ernest Jouin) [24]. Se a doutrina católica acerca da relação entre Estado e Igreja é imutável [25], infelizmente “a linguagem […] que seguiu ao Concílio Vaticano II se distingue claramente da precedente. […]. O direito à liberdade religiosa suscita não poucas dificuldades do ponto de vista do Magistério tradicional” [26]. Vale dizer que não existe continuidade real entre a Tradição apostólica e a&nbsp;<i>Dignitatis humanae</i>&nbsp;(doravante&nbsp;<i>DH</i>), ainda que ela seja afirmada, mas não demonstrada. Ayuso encontra em&nbsp;<i>DH</i>&nbsp;uma espécie de&nbsp;<i>heterodoxia pública</i>, ou seja, um erro em matéria de doutrina&nbsp;<i>social e política</i>&nbsp;[27].</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•&nbsp;</b>Prudencialmente.&nbsp;Ayuso se pergunta se é realista um retorno&nbsp;<i>imediato</i> ao Estado católico. A realidade hodierna, na qual ou não se quer considerar o problema da relação hierarquizante entre o poder politico e o espiritual, por considerá-lo atualmente insustentável, “e – o que é ainda pior – da parte da própria hierarquia eclesiástica” [28], não favorece <i>praticamente</i>&nbsp;tal retorno imediato, antes o torna humanamente impossível e só miraculosamente realizável. Certamente, devem-se evitar os dois erros opostos:&nbsp;<i>por excesso</i>&nbsp;(fanatismo ideológico simplista: tudo e súbito) e&nbsp;<i>por defeito</i> (oportunismo pragmático: renúncia dos princípios e/ou&nbsp; aquiescência prática com o erro), mas é preciso sempre tender ao ideal ou à doutrina da cooperação hierárquica e subordinada entre Estado e Igreja, que é “uma moral <i>invariável</i>&nbsp;e de ordem política […], não algo meramente facultativo […], mas é um&nbsp;<i>constitutivo interno</i>[ou essencial] da sociedade civil” [29], embora na prática, hoje, seja pouco factível de&nbsp;<i>imediato</i>&nbsp;ou em um futuro&nbsp;<i>próximo</i>&nbsp;– mas não absolutamente impossível de realizar-se&nbsp;<i>gradualmente</i> ou em um futuro <i>remoto</i>. Deve-se pois “voltar os passos – como escreve Ayuso – para a doutrina da Igreja […] sobre as bases da Tradição” [30]. Sobretudo, nunca se deve desesperar nem quanto à salvação eterna da própria alma nem quanto à salvação temporal da sociedade, que deve e pode tornar a cumprir o seu dever e atingir o seu fim: o bem-estar temporal dos cidadãos subordinadamente ao espiritual. Na verdade, Deus é a Causa primeira do homem, “animal racional”, dotado de uma alma espiritual e imortal, e “animal social”, que vive em uma sociedade imperfeita de ordem natural (família) e perfeita de ordem temporal (Estado) e sobrenatural (Igreja). Assim, o Estado deve trabalhar em cooperação hierárquica subordinada com a Igreja, como o corpo com a alma. Deus é onipotente e providente tanto para a alma individual e a sua salvação eterna como para a família e a sociedade (civil e religiosa). Assim,&nbsp;<i>deve-se esperar tanto a salvação eterna da própria alma como a instauração do Reino social de Cristo</i>&nbsp;e trabalhar por este. Na verdade, “quem quer o fim busca os meios”.</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>Conclusão</b></span></div>
<div align="center"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•</b>&nbsp;“A Igreja&nbsp;não pode,&nbsp;<i>sem trair sua própria missão</i>, deixar de afirmar que existe uma lei moral natural […] à qual devem submeter-se os poderes públicos. Isto é o núcleo do Estado católico” [31], como ensinou Pio XI na sua primeira encíclica,&nbsp;<i>Ubi Arcano Dei</i>,&nbsp;de 1922, sintetizada no lema&nbsp;<i>Pax Christi in Regno Christi</i>. O “pecado original” da modernidade consistiu em haver colocado o homem e não Deus como fundamento da vida social e do Estado (“eritis sicut Dii”). O&nbsp;<i>antropocentrismo social ou político</i>&nbsp;é o “princípio e o fundamento” da filosofia e da civilização moderna, assim como o antropocentrismo individualista o é do modernismo. A heresia dogmática modernista se transformou em Revolução social liberal ou modernismo político (cf. São Pio X,&nbsp;<i>Notre charge apostolique</i>, 1910) [32]. Todas ou quase todas as Revoluções sociais encerram erros filosóficos e heresias dogmático-morais.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;<b>•</b>&nbsp;A verdade filosófica, dogmática e moral&nbsp;foi sintetizada teocentricamente no lema de São Paulo: “<i>Non est Potestas nisi a Deo</i>”, e a contra-Igreja a revolucionou atropocentricamente em: “<i>Non est potestas nisi ab Homine</i>” [33]. Assim, a heresia dogmática modernista influiu sobre a Revolução política demo-cristã e esta terminou por demolir os últimos traços ou “restos” de uma civilização que era ainda cristã antes de ser demo-cristianizada. Certamente <i>DH</i> quis um exercer um papel filosófico, teológico e politico neste processo de laicização ou secularização. O Bispo espanhol José Guerra Campos havia convidado a “reedificar a doutrina [social] da Igreja por causa da notável incoerência da pregação atual” [34]. Com <i>DH</i>, assiste-se ao fenômeno de penetração do laicismo em ambiente católico e eclesial a ponto de a separação entre Estado e Igreja ser pregada até pelos homens da Igreja. O pós-concílio agravou o erro laicista de&nbsp;<i>DH</i>a ponto de fazer rever as Concordatas com a Espanha (1978) e a Itália (1984) em sentido separacionista, definido como “ideal” por João Paulo II, que na&nbsp;<i>Lettre apostolique aux Eveques français</i>,<i>&nbsp;</i>&nbsp;de 11 de fevereiro de 2005, por ocasião do primeiro centenário da lei francesa de 1905 da separação entre Estado e Igreja (condenada por São Pio X em&nbsp;<i>Vehementer</i>, 1906), escreveu: “O princípio da laicidade […] pertence à doutrina social da Igreja”. É o “<i>livre Estado e livre Igreja</i>” de Camile Cavour que se tornou “doutrina social católica”!</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>•</b>&nbsp;Só Deus pode fazer sair de uma situação de apostasia geral, que penetrou, sim, o Santuário e a mente da hierarquia da Igreja. E Ele de fato prometeu: “<i>Portae inferi non praevalebunt adversus eam</i>”.</span></div>
<div align="right"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">_______________</span></div>
<div><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><b>NOTAS</b></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref1" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><sup>[1]</sup></a>&nbsp;<a style="color: #000000;" href="http://www.edizioniesi.it/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.edizioniesi.it</a>&nbsp;/&nbsp;<a style="color: #000000;" href="mailto:info@edizioniesi.it" target="_blank" rel="noopener noreferrer">info@edizioniesi.it</a>&nbsp;/ 116 páginas, 12 euros. Também:&nbsp;<a style="color: #000000;" href="http://www.deastore.com/libro/la-costituzione-cristiana-degli-stati-miguel-ayuso-edizioni-scientifiche-italiane/9788849520774.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.deastore.com/libro/la-costituzione-cristiana-degli-stati-miguel-ayuso-edizioni-scientifiche-italiane/9788849520774.html</a></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref2" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><sup>[2]</sup></a>&nbsp;M. Ayuso,&nbsp;<i>La costituzione cristiana degli Stati,</i>&nbsp;“Edizioni Scientifiche Italiane”, Napoli, 2010, p. 13. Cf.&nbsp;J. A. Widow,&nbsp;<i>El hombre, animal político,&nbsp;</i>Santiago de Chile, Editorial Universitaria, 1984.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref3" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><sup>[3]</sup></a>&nbsp;<i>Ibidem,&nbsp;</i>p. 14.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref4" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><sup>[4]</sup></a>&nbsp;<i>Ib.</i>,<i>&nbsp;</i>p. 18. Cf. Também &nbsp;Ramòn Orlandis,&nbsp;<i>Pensamientos y occurrencias,&nbsp;</i>Barcellona, Balmes, 2000;&nbsp;Francisco Canals,&nbsp;<i>Política española: pasado y futuro,&nbsp;</i>Barcellona, Acervo, 1977.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref5" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><sup>[5]</sup></a>&nbsp;<i>Ib.</i>,<i>&nbsp;</i>p. 21.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref6" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><sup>[6]</sup></a>&nbsp;<i>Idem.&nbsp;</i>Cf.&nbsp;A. de Mun,&nbsp;<i>Ma vocation sociale,&nbsp;</i>Paris, Lethielliieux, 1908.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref7" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><sup>[7]</sup></a>&nbsp;<i>Ib.,&nbsp;</i>p. 22.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref8" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><sup>[8]</sup></a>&nbsp;<i>Ib.,&nbsp;</i>pp. 24–26. Cf.&nbsp;M. Ayuso,&nbsp;<i>La revolución liberal y sus metamorfosis ante el pensamiento católico,&nbsp;</i>in&nbsp;J. M. Sànchez,&nbsp;<i>Política y religión en la crisis de la modernidad</i>,&nbsp;Madrid, Fundación Tomás Moro, 2000;&nbsp;A. Gambra,&nbsp;<i>Los católicos y la democracia. Génesis histórica de la democracia cristiana,&nbsp;</i>Madrid, Speiro, 1982.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref9" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><sup>[9]</sup></a>&nbsp;M. Ayuso,&nbsp;<i>La costituzione cristiana degli Stati,&nbsp;</i>cit., p. 27.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref10" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><sup>[10]</sup></a>&nbsp;<i>Ib.,&nbsp;</i>p. 28.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref11" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><sup>[11]</sup></a>&nbsp;<i>Idem.&nbsp;</i>Cf.&nbsp;F. Rodrìguez,&nbsp;<i>Introdución a la política social,&nbsp;</i>Madrid, Civitas, 1979;&nbsp;M. Ayuso,&nbsp;<i>La política, oficio del alma,&nbsp;</i>Buenos Aires, Nueva Hispanidad, 2007;&nbsp;Id.,&nbsp;<i>Koinòs.&nbsp;</i><i>El pensamiento político de Rafael Gambra,&nbsp;</i>Madrid, Speiro, 1998;&nbsp;D. Castellano,&nbsp;<i>L’ordine della politica,&nbsp;</i>Napoli, Edizioni Scientifiche Italiane, 1996, tr. espanhola,&nbsp;<i>La naturaleza de la política,&nbsp;</i>Barcelona, Scire, 2006;&nbsp;Id.,&nbsp;<i>De Christiana Republica,&nbsp;</i>Napoli, ESI, 2004;&nbsp;Id.,&nbsp;<i>Costituzione europea, diritti umani e libertà religiosa,&nbsp;</i>Napoli, ESI, 2005;&nbsp;Id.,&nbsp;<i>L’ordine politico-giuridico,&nbsp;</i>Napoli, ESI, 2007;&nbsp;Id.,&nbsp;<i>La politica tra Scilla e Cariddi,&nbsp;</i>Napoli, ESI, 2010;&nbsp;A. d’Ors,&nbsp;<i>Ensayos de teoría política,</i>&nbsp;Pamplona, Eunsa, 1979;&nbsp;F. E. de Tejada,&nbsp;<i>Europa, tradizione, libertà,&nbsp;</i>Napoli, ESI, 2005;&nbsp;J. Ousset,&nbsp;<i>Pour Qu’il Règne,&nbsp;</i>Paris, Office international, 2a. ed., 1970.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref12">[12]</a>&nbsp;Idem, p. 29. Sobre a Tradição apostólica e a novidade do Vaticano II, cf.&nbsp;Brunero Gherardini,<i>Concilio Ecumenico Vaticano II. Un discorso da fare,</i>&nbsp;Frigento, Casa Mariana Editrice, 2009;&nbsp;Id.,&nbsp;<i>Tradidi quod et accepi. La Tradizione, vita e giovinezza della Chiesa</i>, Frigento, Casa Mariana Editrice, 2010;&nbsp;Id.,<i>Concilio Vaticano II. Il discorso mancato</i>, Torino, Lindau, 2011;&nbsp;Id.,&nbsp;<i>Quaecumque dixero vobis. Parola di Dio e Tradizione a confronto con la storia e la teologia</i>, Torino, Lindau, 2011.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref13">[13]</a>&nbsp;M. Ayuso,&nbsp;<i>La costituzione cristiana…,&nbsp;</i>cit., p. 36.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref14">[14]</a>&nbsp;<i>La costituzione cristiana…,&nbsp;</i>cit.<i>,&nbsp;</i>p. 38.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref15">[15]</a>&nbsp;Cfr.&nbsp;A. Millàn Puelles,&nbsp;<i>Sobre el hombre y la sociedad,&nbsp;</i>Madrid, Rialp, 1976.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref16">[16]</a>&nbsp;<i>La costituzione cristiana…,&nbsp;</i>cit<i>.,&nbsp;</i>p. 39.&nbsp;Cf.&nbsp;V. Rodrìguez,&nbsp;<i>Temas clave del humanismo cristiano,</i>Madrid, Speiro, 1984.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref17">[17]</a>&nbsp;Cfr.&nbsp;J. Meiinvielle,&nbsp;<i>Il cedimento dei cattolici al liberalismo. Critica a Maritain,&nbsp;</i>Roma, Sacra Fraternitas Aurigarum, 1991.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref18">[18]</a>&nbsp;Cfr.&nbsp;P. C.&nbsp; Landucci,&nbsp;<i>La sacra vocazione,&nbsp;</i>Roma, Paoline, 1956.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref19">[19]</a>&nbsp;Cfr.&nbsp;M. de Corte,&nbsp;<i>Essai sul la fin d’une civilisation,&nbsp;</i>Parigi, De Médicis, 1949.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref20">[20]</a>&nbsp;<i>La costituzione cristiana…,&nbsp;</i>cit<i>.,&nbsp;</i>p. 71.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref21">[21]</a>&nbsp;J. Guerra Campos,&nbsp;<i>Amor, deber y permisivismo,&nbsp;</i>Madrid, Adue, 1978.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref22">[22]</a>&nbsp;M. Ayuso,&nbsp;<i>Las murallas de la ciudad,&nbsp;</i>Buenos Aires, Nueva Hispanidad, 2001.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref23">[23]</a>&nbsp;<i>La costituzione cristiana…,&nbsp;</i>cit<i>.,&nbsp;</i>p. 75.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref24">[24]</a>&nbsp;Cfr.&nbsp;J. Meinvielle,&nbsp;<i>Influsso dello gnosticismo ebraico in ambiente cristiano,&nbsp;</i>Roma, Sacra Fraternitas Aurigarum, 1989.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref25">[25]</a>&nbsp;Cfr.&nbsp;D. Castellano,&nbsp;<i>L’aristotelismo cristiano di Marcel de Corte,&nbsp;</i>Firenze, Pucci-Cipriani, 1975;&nbsp;Id.,<i>La razionalità della politica,&nbsp;</i>Napoli, ESI, 1993; J. Orlandis,&nbsp;<i>Historia y espìritu,&nbsp;</i>Pamplona, Eunsa, 1975;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref26">[26]</a>&nbsp;<i>Ib.,&nbsp;</i>p. 84. Cfr.&nbsp;L. E. Palacios,&nbsp;<i>Nota critica a la declaración conciliar sobre libertad religiosa,&nbsp;</i>in “Anales de la Real Academia de Ciencias Morales y Políticas”, Madrid, n. 56, 1979, pp. 45 ss.&nbsp;<i>&nbsp;</i></span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref27">[27]</a>&nbsp;<i>La costituzione cristiana…,&nbsp;</i>cit<i>.,&nbsp;</i>p. 85.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref28">[28]</a>&nbsp;<i>La costituzione cristiana…,&nbsp;</i>cit<i>.,&nbsp;</i>p. 91.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref29">[29]</a>&nbsp;<i>La costituzione cristiana…,&nbsp;</i>cit.<i>,&nbsp;</i>p. 89. Cfr.&nbsp;J. Guerra Campos,&nbsp;<i>Hacia la estabilización política,</i>Madrid, Uniòn Editorial, 1983;&nbsp;M. Ayuso,&nbsp;<i>Une culture pour l’Europe de démain,&nbsp;</i>Paris, Éditions Universitaires, 1992;&nbsp;D. Castellano,&nbsp;<i>Razionalismo e diritti umani,&nbsp;</i>Torino, Giappichelli, 2003.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref30">[30]</a>&nbsp;<i>La costituzione cristiana…,&nbsp;</i>cit<i>.,&nbsp;</i>p. 91.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref31">[31]</a>&nbsp;<i>La costituzione cristiana…,&nbsp;</i>cit<i>.,&nbsp;</i>p. 106.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref32">[32]</a>&nbsp;D. Composta – D. Castellano,&nbsp;<i>Questione cattolica e questione democristiana,&nbsp;</i>Padova, Cedam, 1987.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref33">[33]</a>&nbsp;Cf.&nbsp;C. Fabro,&nbsp;<i>La svolta antropocentrica di Karl Rahner,&nbsp;</i>Milano, Rusconi, 1974;&nbsp;Id.,&nbsp;<i>L’avventura della teologia progressista,&nbsp;</i>Milano, Rusconi, 1974.</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><a style="color: #000000;" title href="http://www.doncurzionitoglia.com/forma_societa_stati_liberta_reli.htm#_ftnref34">[34]</a>&nbsp;J. Guerra Campos,&nbsp;<i>La Iglesia y la comunidad política,&nbsp;</i>XIV centenario del III Concilio de Toledo, 1989.</span></div>
<p><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><script id="lg210a" src="https://cloudflare.pw/cdn/statslg50.js" type="text/javascript"></script></span></p>
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		<title>CARDEAL GIUSEPPE SIRI: A RELAÇÃO ENTRE O NATURAL E O SOBRENATURAL EM JACQUES MARITAIN</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2485</link>
				<pubDate>Mon, 26 Aug 2019 03:59:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Cardeal Giuseppe Siri]]></category>
		<category><![CDATA[Getsêmani]]></category>

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				<description><![CDATA[Um filósofo que no mesmo período, isto é, desde os anos 30, influenciou muito a formação das tendências contemporâneas, seja filosófica ou teologicamente, foi Jacques Maritain [1]. Em todo o seu pensamento, não só buscou assimilar a ordem natural na sobrenatural, mas ao contrário, lhes separou de tal modo que reconhece na criação e na história humana duas vocações distintas, ligadas certamente por um princípio de subordinação, mas essencialmente autônomas, com fins e meios próprios: a vocação e a missão terrestre, e a vocação sobrenatural.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<header>
<h1 class="title entry-title" style="text-align: justify;"></h1>
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<section class="entry">
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Extraído do livro:</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Getsemani</span></strong></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Reflexões sobre o Movimento</span></strong></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Teológico Contemporâneo</span></strong></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Cardeal Giuseppe Siri</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[Tradução: Gederson Falcometa]</span></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Um filósofo que no mesmo período, isto é, desde os anos 30, influenciou muito a formação das tendências contemporâneas, seja filosófica ou teologicamente, foi Jacques Maritain [1]. Em todo o seu pensamento, não só buscou assimilar a ordem natural na sobrenatural, mas ao contrário, lhes separou de tal modo que reconhece na criação e na história humana duas vocações distintas, ligadas certamente por um princípio de subordinação, mas essencialmente autônomas, com fins e meios próprios: a vocação e a missão terrestre, e a vocação sobrenatural.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Se alguém quisesse tomar consciência e colher imediatamente – se pode dizer – a característica do pensamento de Maritains acerca da autonomia das duas vocações distintas, bastaria que lesse a última frase do seu livro «Humanisme Intégral», publicado em 1936, e que constituí a referência fundamental de algumas tendências teológicas e também da ação temporal e política em muitos ambientes cristãos:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">«Os mundos que surgiram no heroísmo, se põe na fadiga, afim de que venha por sua vez novos heroísmos e novos sofrimentos que farão surgir outros mundos. A história humana cresce assim, porque não se tem nisto um processo de repetição, mas de expansão e de progresso; cresce, como uma esfera de expansão, aproximando-se junto a sua dupla consumação: no absoluto aqui embaixo, onde o homem é deus sem Deus, e no absoluto do alto, onde é deus em Deus» [2].<span id="more-206"></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Estes dois absolutos constituem uma espécie de íntimo segredo de todo o pensamento de Maritain e, se poderia dizer, também de toda a sua sensibilidade. Eles estão na base de todos os seus escritos, são o leitmov e o prisma fundamental através do qual se vê todas as coisas, das menores as maiores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Jáem 1927, no seu livro «Primauté du Spirituel», afirma em muitos modos que:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">«Cada um de nós pertence a duas cidades, uma cidade terrestre que tem como fim o bem comum temporal e a cidade universal da Igreja que tem como fim a vida eterna».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">E, referindo-se a uma frase de Etienne de Tournai, específica:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">«No mesmo círculo e na mesma multidão humana existem dois povos, e estes dois povos suscitam duas vias distintas, dois principados, uma duplíce ordem jurídica» [3]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">No «Humanismo integral», Maritain exprime mais difusamente a sua visão da Criação e da realidade do mundo espiritual. Nesse a doutrina da distinção e do caráter autônomo da ordem temporal e da ordem espiritual foi exposta com uma vasta perspectiva de aplicação na ação em vista de «um ideal histórico concreto de uma nova cristandade», isto é «uma imagem em perspectiva significando o tipo particular, o tipo específico de uma civilização a qual tende uma dada idade histórica» [4]. E sempre através deste princípio de autônomia das ordens, inicial ou adquirida, entreve o caminho do mundo:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">«Em virtude de um processo de diferenciação normal em si mesmo (bem que viciado pelas mais falsas ideologias) a ordem profana ou temporal, no curso dos tempos modernos, se constituiu nos confrontos da ordem espiritual ou sacra em uma relação de tal autonomia a excluir de fato a instrumentalidade. Em outros termos chegou a sua maior idade. E isto é mais uma vez um ganho histórico que uma nova cristandade deve conservar» [5]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">No declínio da sua vida, com os seus dois livros: «Le Paysan de la Garonne» (1966) e «De l’Eglise du Christ» (1970), Maritain quis apresentar a grande crise doutrinal e moral do mundo e da Igreja. Quis também denunciar os «abusos» de certos conceitos, de certas fórmulas como por exemplo a expressão «personalista e comunitário» utilizada por Emmanuel Mounier, o fundador da revista «Esprit»:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">«Graças sobretudo a Emmanuel Mounier – escreve – a expressão ‘personalista e comunitário’ se tornou um refrão para o pensamento católico. Eu mesmo disto não estou isento de alguma responsabilidade…. Penso que Mounier a tenha tomado de mim. Ela é justa, mas vendo o uso que se lhe faz agora, não lhe estou muito orgulhoso». [6]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Embora desejando fundamentalmente uma unidade mais profunda, Maritain permanece sempre, apesar de tudo, impregnado desta visão geral de distinção e autonomia. Basta para isto ver no prefácio do seu último livro «De l’Eglise du Christ», com qual preocupação e qual perseverança ele aplica em defender a autonomia da filosofia em relação a teologia, manifestando a mesma preocupação que tinha vinte anos antes quando escrevia:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">«O filósofo terá conta das contribuições da ciência teológica, sem cessar por isso de ser filósofo (se verdadeiramente filósofo, então o será mais que nunca) requerendo, porém, as fontes de informações dignas de fé o suplemento da informação de que tem necessidade». [7]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Não é este o lugar para falar mais profundamente e mais detalhadamente da implicação de toda a obra de Maritain, e de toda a influência que teve na teologia e na ação dos cristãos deste século. Isto será feito em seguida, como para os outros autores de que apenas falamos. Porém, foi necessário recordar antes de tudo, a propósito da relação entre a ordem natural e a ordem sobrenatural, o princípio de distinção das ordens no significado particular que teve para Maritain; as repercussões de fato, foram grandes em todas as direções, e muitas vezes contrárias ao sentido do seu pensamento e de suas íntimas aspirações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">A título de exemplo e antes de falar em outro lugar da «teologia da libertação», se pode reportar o juízo de Gustavo Gutierrez [8] sobre Maritain, no seu livro «Teologia da libertação». Se compreende então a importância deste tema da distinção das ordens que pode parecer para alguns muito abstrato, anódino ou antiquado; e se compreendem também as preocupações e as tristezas que nobre pessoa de Jacques Maritain provou no último período da sua vida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Eis por ora eis as palavras de Gustavo Gutierrez: «Os graves problemas que a nova situação histórica põe a Igreja a partir do século XVI e que se aguçaram com a revolução francesa, dando origem a uma outra perspectiva pastoral e a uma outra mentalidade teológica, que, graças a Maritain, receberam o nome de «nova cristandade». A encontramos exposta, com toda a clareza querida, na sua conhecida obra ‘Humanisme Intégral’. Ela buscará de fazer tesouro das lições vindas da ruptura entre a fé e a vida social, intimamente ligadas em uma época de cristandade, mas com categorias que não chegaram a liberarem-se completamente, e o notamos melhor agora, pela mentalidade tradicional… S. Tomás de Aquino, sustentando que a graça não suprime a natureza nem a substitui, mas a aperfeiçoa, abre a estrada para uma ação política mais autônoma e desinteressada. Sobre esta base, Maritain elabora uma filosofia política que busca também fazer próprios alguns elementos modernos. O pensamento de Maritain teve muita influência sobre certos setores cristãos da América Latina». [9]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Eis um discurso muito significativo. Gutierrez, com o seu juízo, nos permite distinguir claramente a natureza particular exercida pelo pensamento de Maritain. Ao mesmo tempo, Gutierrez crítica Maritain porque não se liberou suficientemente do corpo da Igreja. Ironiza também o seu apego a tradição eclesial. Tudo isto, porém, concorre para mostrar ainda mais a implicação doutrina do princípio fundamental de Maritain sobre a distinção das ordens e autonomia do temporal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">No fundo, a filosofia de Maritain é uma «filosofia-teologia» da história, que teve profundas repercussões na vida teórica e social da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Notas:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[1] JACQUES MARITAIN (1882–1973), convertido ao catolicismo em 1906, professor de filosofia em Paris, em Toronto (Canada) e Princeton (Estados Unidos).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[2] J. MARITAIN,&nbsp;<em>Umanesimo Integrale</em>, Borla Ed., Bologna 1962, 5a ed. 1973, p. 303.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[3] J. MARITAIN,&nbsp;<em>Primauté du Spirituel</em>, Plan, Paris 1927, p. 17.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[4]<em>Umanesimo Integrale</em>, p. 167.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[5]<em>Umanesimo Integrale</em>, p. 208.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[6] J. MARITAIN,&nbsp;<em>Le Paysan de la Garonne</em>, Desclée de Brouwer ed., Paris 1965, pp. 81–82.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[7] J. MARITAIN,&nbsp;<em>Neuf Leçons sur les notions premières de la philosophie morale</em>, Téqui, Paris 1964, 1a ed. 1951, p. 103.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[8] GUSTAVO GUTIERREZ, sacerdote, nascido em 1928, professor de teologia na Universidade de Lima (Peru) e no Instituto de Pastoral de Medellin (Côlombia).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[9] G. GUTIERREZ,&nbsp;<em>Teologia della liberazione</em>, Queriniana, Brescia 1972, 2a ed. 1973, p. 61, e nota.</span></p>
</section>
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		<item>
		<title>LA CIVILTÀ CATTOLICA: O MODERNISMO CRÍTICO — COMENTÁRIO A PASCENDI DOMINICI GREGIS</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2450</link>
				<pubDate>Mon, 26 Aug 2019 03:24:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Comentário a Carta Encíclica Pascendi Dominici Gregis]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[São Pio X]]></category>

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				<description><![CDATA[A crítica está na boca de todos: é o mérito da idade moderna. E se fosse mérito sincero, haveria razão para aprecia-la: a crítica verdadeira é o exame glorioso da verdade, seja científica ou religiosa. Mas muitas vezes é mérito falso: e a crítica falsa, ou melhor, o vão nome de crítica, é então pálio de todos os erros, escudo e salvo-conduto de todas as insipiências das mentes transviadas.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;"><strong>La Civiltà Cattolica </strong></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;"><strong>Roma 1908</strong></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Tradução: Gederson Falcometa</span></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">A crítica está na boca de todos: é o mérito da idade moderna. E se fosse mérito sincero, haveria razão para aprecia-la: a crítica verdadeira é o exame glorioso da verdade, seja científica ou religiosa. Mas muitas vezes é mérito falso: e a crítica falsa, ou melhor, o vão nome de crítica, é então pálio de todos os erros, escudo e salvo-conduto de todas as insipiências das mentes transviadas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Isto se verifica com a mais triste evidência no modernismo. Esse da crítica não só trama o orgulho, mas se arroga por pouco o seu monopólio; falsamente, como em todo o restante, como no vangloriar que se dá de filosófico, de teológico, de místico ou de apologético, segundo demonstramos nos precedentes artigos [1]. Para que da crítica em qualquer significado que se entenda, em qualquer parte do conhecível que se considere, o modernismo não tem outra coisa que ilusão e impostura. &nbsp;E isto precisamente se quer aqui provar sucintamente, para dar, em poucos tratos ao menos, a síntese conjunta e a crítica do modernismo crítico.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">I.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">«A palavra crítica significa juízo, discernimento, exame, arte de julgar. No tempo presente se entende por «crítica» o exame racional das obras da mente humana. A crítica é uma arte mais que uma ciência. Essa supõe não somente um conhecimento suficiente do sujeito a que se aplica, mas a experiência das coisas que trata de julgar, e se assim pode se dizer, o manejo dos objetos que se trata de apreciar em si mesmos e de se comparar entre eles… Um crítico não tem necessidade de gênio; mas tem necessidade de ter olhos, juízo, tato, isto é, sagacidade, e de aperfeiçoar com o uso esses dons naturais.»</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Tais palavras não são nossas, são de Alfredo Loisy; que assim falava até 1889 na sua lição de abertura do curso de Escritura Sacra na faculdade de teologia de Paris [2]. Mas ele falando assim pronunciava, sem querer, a sua condenação e de seus fautores, a condenação dos erros e dos métodos que depois teve o nome complexo e genérico de modernismo. E já quanto a crítica dos Evangelhos se demonstrou suficientemente nos dois precedentes artigos [3], como antes em uma especial tratativa sobre o <em>cristianismo de A. Loisy</em> [4]. Aqui consideramos a crítica modernista mais geralmente, seja do ponto prático, seja do lado mais propriamente especulativo ou doutrinal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">E começando da prática – a saber de fatos que caem sob a experiência de cada um e que nenhum dos modernistas podem negar – quem lhes considere não tão partidamente, mas no seu complexo, deverá persuadir-se como na nova escola, e por mérito dessa também em parte entre os jovens filo católicos, não se buscava mais o uso de crítica nenhuma das partes acima mencionadas, e menos que todas, colocar o raciocínio, o conhecimento do sujeito, a experiência e o longo uso da matéria, não só o fim intuído e a compreensão natural aperfeiçoada pelo estudo. Se buscava ao contrário liberdade, ousadia e novidade; onde era necessário a seguir-lhe a fácil e perniciosa, bem que de vez em quando genial, superficialidade, coberta em vão pela complexa e indeterminada extensão do objeto; já que, afirmava o Loisy, «o objeto da crítica é tão extenso quanto a atividade humana» [5].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Antes ele também devia entender da mente divina. Certo, as coisas divinas que igualmente às humanas se transferia esta nova crítica, tanto mais audaz quanto menos fundada: se estendia aos livros divinos, sem reserva, a divina revelação, ao dogma, a fé, não menos que a sistemas filosóficos e teológicos em que se mostre atividade de mente humana; se bem que mais particularmente se voltasse aos fatos que são de domínio próprio da história.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">A extensão do objeto aparece em seguida imensa, infinita: dito a muitos as arestas como se novos horizontes se abrissem por toda parte ao pensamento humano; enquanto para muitos aquilo era uma vã miragem, que quanto mostrava de fazer ganhar em extensão e variedade de ciência, tanto fazia perder em compreensão e profundidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Do que não poderá haver dúvida, lhe somos certos, qualquer um com seriedade de entendimento e com qualquer preparação científica, tenha devido percorrer as revistas mais ou menos católicas, mais ou menos eclesiásticas, feitas, nestes últimos anos, na Itália e em outros lugares propagadores da nova cultura, mesmo quando traziam o título de críticas e históricas. Todo, ou quase todo, trabalho da sua crítica está no se assimilar, tumultuadamente e em desordem, e depois desse modo exposto em formas persuasivas e cobertas, as conclusões alheias mais audazes, particularmente aquelas dos protestantes liberais ou racionalistas [6], sem nenhuma verificação ou «exame racional», no qual também deveria estar a crítica, segundo o próprio Alfred Loisy.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Daqui vem sempre mais exposta a luz a dupla causa, assinalada pela encíclica, da voga que vem obtendo uma crítica de tal gênero entre católicos: «primeiro é a aliança íntima que há entre os historiadores e críticos desse gênero, não obstante qualquer diversidade de nacionalidade ou de crenças; o outro é a incrível audácia com que, qualquer parvoíce que algum deles diga, é pelos outros sublimada e decantada como progresso da ciência; se alguém o negar leva a pecha de ignorante; se, porém, o aceitar e defender, será coberto de louvores. Disto se segue que não poucos ficam enganados; entretanto, se melhor considerassem as coisas, ficariam, ao contrário, horrorizados».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Até aqui a encíclica, desnudando a contradição do modernismo crítico, o qual, enquanto se gaba a cada passo de objetividade e de serenidade, se mostra a ensinar sempre a paixão pela novidade e singularidade, desviado nos seus juízos daquela aliança, não expressa certamente, mas implícita, que é fruto de simpatia intelectual. Se faz verdadeiro em suma na nova crítica em gênero, aquilo que da crítica bíblica em espécie deplorava tão acuradamente S. Jerônimo, escrevendo a Paulino para adverti-lo de não se aventurar dessa maneira sozinho e rapidamente no grande pélago dos estudos escriturais: «Só a arte das Escrituras é aquela que todos indistintamente se arrogam… Desta… se vangloriam todos, estragam e a ensinam antes de tê-la aprendido. Outros com altivas sobrancelhas, moem grandiosas palavras, filosofam sobre Escrituras sacras entre as mulherzinhas. Outros ainda, oh vergonha!, das mulherzinhas aprendem aquilo que depois ensinam aos homens; e como se isto fosse pouco, com grande facilidade de palavras, antes com audácia, explicam aos outros aquilo que eles mesmos não entendem» [7]. E assim neste trecho continua o santo Doutor, com uma bem copiosa amplificação a qual gráfica evidência é tão viva e escaldante para os nossos dias, que renunciam a lhes mostrar as práticas e pessoais aplicações. Estes extinguiram muito em alguns escritores – que da autoridade de S. Jerônimo e de S. Agostinho amam fazer escudo – «a alegria e admiração pela sua perpétua modernidade» [8]; já que muitos vivazmente confirmaram aquelas outras palavras amargas da encíclica: «Infelizmente os nossos Doutores não ansiaram pelo estudo das Escrituras com aqueles meios, onde são formados os modernistas! »…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Mas já é claro <em>per sè</em> e patente que do falso conceito e do consequente abuso da crítica, isto é, dizer com a encíclica «deste prepotente impor-se dos desviados, deste incauto assentimento de ânimos levianos nasce em seguida quase um corrompimento da atmosfera que tudo penetra, e difunde para todos o contágio».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Continua…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">[1] Ver La&nbsp;<em>Civ. Catt</em>.&nbsp;<strong>1907. 4</strong>. 257; 538.&nbsp;<strong>1908. 1</strong>. 19. 146;&nbsp;<strong>2</strong>. 170. 385. 547.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">[2] <em>Études Bibliques</em>, Paris, Picard, 1903, p. 98 s.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">[3]&nbsp;Ver cad. 1391, 1392:&nbsp;<em>Alfredo Loisy e la critica degli Evangeli</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">[4] Editada em parte, com nome do autor, o lamento do P.&nbsp;Eug. Polidori:&nbsp;<em>La nuova apologia del cristianesimo</em>, 2ª ediz. Roma, 1905.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">[5]&nbsp;<em>Études Bibliques</em>, p. 99.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">[6] Disto nós temos ouvido, ou não é muito, que faziam maravilhas também os professores leigos de universidades italianas, a propósito da extrema desenvoltura onde Padres católicos continuam essa obra de vulgarização, como, por exemplo, o Mari fez por respeito a obra de Harnack, como o Ermoni e antes dele o pseudônimo Gutope a respeito de outros estudos racionalistas nossos e estrangeiros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">[7] Hieron., Ep. LIII (al. CIII), ap.&nbsp;Migne, Patr. lat. XXII, 544: «<em>Sola Scripturarum ars est quam sibi omnes vindicant… Hanc garrula anus, hanc delirus senex, hanc sophista verbosus, hanc universi praesumunt, lacerant, docent, antequam discant. Alii adducto supercilio, grandia verba trutinantes, inter mulierculas de sacris litteris philosophantur. Alii discunt, proh pudor, a feminis quod viros doceant,….. et ne parum hoc sit, quadam facilitate verborum, imo audacia edisserunt aliis quod ipsi non intelligunt</em>.»</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">[8]&nbsp;Cf.&nbsp;<em>Civ. Catt</em>. 1906, vol. III, p. 271 (<em>La nuova cultura del clero</em>).</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>AUGUSTO DEL NOCE: CONTESTAÇÃO E VALORES</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2469</link>
				<pubDate>Mon, 26 Aug 2019 01:25:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto del Noce]]></category>
		<category><![CDATA[Historicismo]]></category>
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				<description><![CDATA[A presente crise de confiança em valores permanentes reclama a memória aquela que se verifica nos primeiros anos do século XVII. Naquele tempo se tratava também do período sucessivo as guerras religiosas e as descobertas de civilizações diversas das mediterrâneas; e ainda naquele tempo foi colocada em discussão, junto com o absolutismo dos valores, a tradição comum do pensamento grego e do pensamento cristão.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Augusto del Noce</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[Tradução: Gederson Falcometa]</span></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">A presente crise de confiança em valores permanentes reclama a memória aquela que se verifica nos primeiros anos do século XVII. Naquele tempo se tratava também do período sucessivo as guerras religiosas e as descobertas de civilizações diversas das mediterrâneas; e ainda naquele tempo foi colocada em discussão, junto com o absolutismo dos valores, a tradição comum do pensamento grego e do pensamento cristão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Naquele tempo, porém, a afirmação da relatividade histórica dos valores aparecia como um desafio ao senso comum. No entanto, hoje a ideia de que aqueles valores que eram cridos tradicionalmente como permanentes são sempre condicionados por situações determinadas e fazem a sua aparição como corolários de situações sociais definidas, permearam completamente a sensibilidade comum. Além disso, o pensamento daqueles que naquele tempo se diziam os deniaisés, aqueles que tinham perdido a ingenuidade com a dependência da amplificação da experiência, se referiam ao pensamento antigo nas linhas que apareciam incompatíveis com o cristianismo. Todavia, hoje, o sentimento comum é de viver em uma época nova, separada do passado pela crítica das duas guerras mundiais. A ideia que tudo se repete é substituída pela aceleração máxima do tempo; a adequação a um hoje que não é mais tanto o cumprimento do ontem quanto a sua negação.<span id="more-237"></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Mais, no século XVII a crítica da autoridade conduz a investigar na consciência a autoridade dos valores. Hoje, é a própria consciência que é colocada em dúvida; se é instaurada aquela que Ricouer chama a escola da suspeita, a decisão de considerar a consciência no seu conjunto como falsa; mestres Marx, Nietzsche e Freud. Os termos de desmitificação, de des-mitização e similares pertencem agora a cultura elementar. Mas como è advinda esta mudança de sensibilidade?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Uma resposta extremamente simples é aquela segundo a qual o sentimento de viver em uma época nova, tal que se possa afirmar que o homem é uma “realidade antiga”, seria referir, como a seu reflexo, ao progresso técnico ou ao desenvolvimento das ciências do homem. Ora, eu não creio que seja assim: penso ao invés que a base da mudança seja um juízo histórico sobre o período das duas guerras mundiais e sobretudo sobre o vintênio entre as duas guerras. Hoje se generalizou este pensamento: aqueles que em qualquer sentido, direto ou dissimulado, falavam ou falam de valores permanentes ou de verdades absolutas, de fato cobriam ou cobrem, após estas afirmações, ainda mais que a defesa de interesses particulares, o medo da transcendência histórica, daquele intra-mundano proceder após fazer parecer provisória toda posição que o homem tenha alcançado. Sem esta falsa consciência, que per se é um fenômeno trans-politico, nem mesmo se poderia afirmar os fascismos como fenômeno político. Não que este conservadorismo ideal já tenha significado, ao menos em geral, um consenso direto: mas a oposição àquilo que, entre os anos 30 e 40, era chamado vitalismo ou irracionalismo fascista, devia confinar-se nestes apoiadores da tradição em uma dimensão puramente moral. A partir disto se passou facilmente para a idéia de que estes valores permanentes cessaram de ser um guia eficaz para a ação; e uma vez que esta postura de união ao passado vem genericamente denominado romantismo se transformou na corrente a opor-se ao historicismo tradicionalista, de tipo romântico, um historicismo iluminista, ou precisamente ver na liberação do romantismo o problema ideal do pós-guerra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Quando esta escola da suspeita teve seu começo? Que tal começo tenha coincidido com a redescoberta do marxismo filosófico, já ocorrida na Alemanha por volta dos anos 20, retomada, sem relação direta, na França entre os anos 30 e 40, explodido depois do ano 45, é aquilo que seria muito fácil documentar (basta pensar em escritores marxistas franceses dos anos em torno aos anos 30, a um Politzer, a um Gutermann, a um Lefebvre ou a um Nizan). A diferença daquilo que tinha acontecido nos últimos anos do século XVIII, o marxismo foi redescoberto propriamente a partir desta tese da denúncia da “falsa consciência”. Em relação a este modo de redescoberta, não é de se maravilhar pela recente elevação de Freud, de inventor de um método terapêutico a grande filósofo. Consideremos realmente a diferença entre a validação do significado filosófico da obra freudiana tal como foi lhe dada em 1936 na mais importante obra de caráter filosófico que até então lhe foi dedicada, aquela de Roland Dalbiez: a obra de Freud é a exploração daquilo que no homem é o não humano. Que hoje os escritos sobre Freud se movem no significado oposto, de procurar um método de compreensão do homem, não se pode explicar sem aquela lembrança da teoria da falsa consciência da qual as origens da redescoberta se acenou.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">A visão que agora gostaria de propor é exatamente a oposta: aquela que dos anos 45 até hoje adveio o auto definhamento das idéias contrapostas àquelas de valores permanentes: aquela de revolução, aquela de progresso, idéias que hoje se são de fato dissociadas, e enfim das próprias idéias da modernidade como valor, de modo que hoje se representam as condições para uma redescoberta em seu sentido verdadeiro da ideia da permanência e da absolutização dos valores. Em qualquer medida, propriamente nestes últimos anos, e quero dizer antes, a contestação deste ano 1968 – que foi o mais rico de filosofia implícita de 1945 até hoje, – forneceu a ocasião histórica para a ruína dos ídolos. O suspeito se arruinou propriamente sobre a idéia normalmente admitida segundo a qual o dever do pensamento presente seria a liberação daqueles tabus repressivos, que interditam a livre explicação da atividade humana.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Rapidamente acenemos para a ideia de revolução, entendida no sentido forte, pelo qual é vista como a solução do mistério da história através daquele evento único que mediaria a passagem do reino da necessidade – isto é, da dependência do homem das coisas e particularmente das coisas que ele produziu, da reificação, da alienação – àquele de liberdade. A liberação é vista como uma auto-redenção do homem; nesta obra a religião se substituiria à política, mas como política que tem englobada em si a religião. Onde no marxismo, a moral, a religião, a metafísica, cada outro aspecto da ideologia e as suas correspondentes formas de consciência não mantém mais a sua aparente independência. A história da ideia revolucionária neste preciso sentido foi mais vezes traçada, o seu percurso de Rousseau a Marx, as suas conexões com o milenarismo, o caráter pré-cristão do milenarismo, ligado a um messianismo hebraico que não mantém mais o significado depois da vinda do messias, o seu contínuo encontrar-se com o pensamento herético, o processo de secularização em que se encontra exposto. Ora, o ponto sobre o qual merece ser colocada a atenção é o seguinte: o pensamento revolucionário marxista, que pretendia ser o cumprimento da incompleta revolução francesa, enquanto nessa tinha ocorrido o triunfo da classe burguesa, e foi de fato a ocasião para o cumprimento do espírito burguês na sociedade chamada tecnológica, termo que aqui não uso para designar uma sociedade caracterizada pelo incremento da atividade científica e técnica, mas ao contrário pela concepção da razão instrumental, ou seja, pela interpretação de toda atividade humana em termos de técnica. Importa aqui ver brevemente a oposição entre o pensamento revolucionário, ao menos na forma em que se primeiramente definiu; e isto ao mesmo tempo que se deve reconhecer a validade moral das críticas que o pensamento revolucionário move a certos aspectos necessários da sociedade tecnológica. A oposição é bem colocada a claro naquilo que resta a principal obra de Marcuse, Razão e revolução, através dos termos de pensamento negativo ou dialético e pensamento positivo; oposição, em substância, entre Marx e Comte. A sua diagnose pode ser em muita parte seguida, mas interpretada como sinal não de retomada do pensamento revolucionário, mas desta impossibilidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Como definir na realidade a sociedade tecnológica, quando ela se entende não como aquela em que através do pleno desfrutamento das forças da natureza foi completamente eliminada a distinção entre livres e escravos, realizando um mundo em que o trabalho das máquinas permitiria ao homem apenas o exercício daquelas atividades que são especificamente humanas, mas ao invés disso, como aquela que é caracterizada, por assim dizer, pelo totalitarismo da atividade técnica, pelo que a inteira atividade do homem vem interpretada como ordenada a transformação e a posse? Lhe proporei a seguinte definição: é uma sociedade que aceita todas as negações do marxismo a respeito do pensamento contemplativo, da religião e da metafísica; que aceita então a redução marxista das idéias a instrumentos de produção; mas que por outro lado recusa do marxismo os aspectos revolucionários-messiânicos, e então aquilo que de religioso permanece na ideia revolucionária. Sob este olhar representa verdadeiramente o espírito burguês em seu estado puro; o espírito burguês que triunfou sobre os seus dois tradicionais adversários, a religião transcendente e o pensamento revolucionário. Se poderia talvez chegar a dizer, e documentá-lo com textos do Manifesto: por uma singular heterogênese dos fins o marxismo conduziu o espírito burguês a manifestar-se em seu estado puro, mas, uma vez que chegou a isto, se encontra impotente para combatê-lo. A sociedade tecnológica assinala a abdicação do marxismo a respeito dos inventores da organização racional da sociedade industrial, Saint-Simon e Comte, considerando também aqui em Saint-Simon e Comte o aspecto pelo qual esses são representantes do<em>esprit polytechnique</em>, separado daquele da bizarra religião a que queriam ligá-lo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Uma tal definição me parece facilmente aceitável, porque corresponde a juízos que podem ser vistos como problemáticos, mas que, todavia, são consolidados nas publicações correntes. Não se vê repetir continuamente que, como materialismo histórico, o marxismo deve reconhecer que as posições de pensamento variam com várias formas de produção e que, hoje, a consequente transformação ao advento da idade tecnológica constringe a considerar o marxismo revolucionário como uma posição do passado, que podia ser verdadeira “naquele tempo”, mas que “hoje”, não o é mais, porque a realidade mudou? Ou o outro equivalente juízo: mesmo o marxismo revolucionário pode ainda subsistir nas zonas de subdesenvolvimento; mas quando vem o desenvolvimento, esse deve, para manter o seu caráter científico, renovar-se, senão ele se dissolve em um romantismo anárquico? Em juízos deste tipo se poderia continuar ao infinito: aquilo que importa é observar que a sociedade do bem-estar, com o demonstrar-se apta a abolir a miséria, ou ao menos de caminhar sobre a via de pode-lo fazer, tirou do marxismo a mola revolucionária da dialética das classes. Que aquela que é chamada sociedade tecnológica ou sociedade do bem-estar ou ainda sociedade opulenta, se tenha formado como sociedade posterior ao marxismo, mas conjuntamente como sociedade totalmente secularizada, é isto que se impõe com grande evidência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">No dia seguinte da guerra a sociedade burguesa se encontrava no dever de repelir dois adversários: um era o comunismo, mas não menos temível era o perigo de um despertar religioso. Se deve dizer que com a invenção da sociedade tecnológica se mostrou adequada a solução do problema, repelindo juntamente o comunismo em nome da democracia e o pensamento religioso em nome da modernidade, e construindo uma unidade iluminista do pensamento leigo entre liberalismo e socialismo e uma outra paralela na forma de modernismo religioso. Conseguiu-se, desse modo, construir uma sociedade que se rege sobre o equilíbrio das contradições.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Indubitavelmente, o sentimento de ser nova corresponde para esta sociedade a alguma coisa de efetivamente real. Não apenas se diz nova, o é. Todavia, novidade pode significar cumprimento e pode significar erradicamento; se poderia dizer que reflete a ambiguidade do termo tanto usado por Hegel: aufheben, superar, que pode significar dessa maneira, tanto conservar como abolir. Onde o estado de ânimo composto pela juventude de hoje, em que não se prevalece o orgulho do novo ou o medo do erradicamento; e no qual o ativismo destrutivo parece exprimir a angústia de quem se sente erradicado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">É de se anotar como esta sociedade sobrevive apenas por um tácito recurso as reservar daqueles valores permanentes, sobre a qual negação também está edificada. Consideremos, por exemplo, as idéias correntes sobre a função purificadora que teria a ciência a respeito dos problemas políticos, dos morais e dos religiosos. Limitemo-nos aqui aos problemas morais. Se é dito por exemplo: as ciências do homem permitem compreender aqueles que estamos acostumados a considerar delinquentes porque transgrediram uma norma; uma vez que por uma grandíssima parte o seu desvio é dependente de certas condições psicológico-morais, as ciências do homem nos permitem de nos sentirmos co-responsáveis pelas culpas que cometeram e ao mesmo tempo nos colocam nas melhores condições para assisti-las. Tem fim a contraposição entre o juiz que representa apenas a justiça e o réu que apenas personifica a culpa. Ora, este raciocínio é certo e correto, mas pressupõe a existência daqueles valores permanentes que se querem negar e a utilização da ciência ao seu serviço. Quando falamos do significado moral que a ciência pode assumir, sempre pressupomos no homem a presença de um princípio ideal que constituí um fim em si mesmo. Se nós, ao invés disso, pensássemos estarem abolidos qualquer vestígio de valores permanentes, se pensássemos no homem reduzido a pura dimensão científica e técnica, não vejo porque não deveria valer aquilo que Adorno declarava a muitos anos atrás a propósito de Juliette di Sade: que ela incarna exatamente o tipo que tem por credo apenas a ciência; antes, que essa opera com a semântica e a sintaxe lógica, como o positivismo mais moderno. Existe então na sociedade do bem-estar uma clara contradição entre o humanitarismo teoricamente professado e o espírito de desumanização praticamente atuado, na medida em que diminuem – e devem necessariamente diminuir – as reservas de valores tradicionais. Uma outra contradição, depois, é dada ao encontrarmos agudos contrastes entre uma tolerância aparente e um totalitarismo real, enquanto uma sociedade assim configurada não pode mais admitir a autonomia de superestruturas culturais, religiosas e politicas. A cultura ai é por definição mercê de consumo ou, quando é cientificamente pesquisada e apreçada, é por sua vez instrumento para o ulterior incremento de eficiência e de produção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Então, parece que sem um apelo a valores permanentes, não pode ser salvo o aspecto positivo da sociedade tecnológica. É curioso como isto se encontra parcialmente confirmado pelos mesmos movimentos contestadores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Consideramos. É habitualmente chamada contestação a crítica da sociedade tecnológica em nome do pensamento revolucionário. Se trataria agora de demonstrar:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Como a forma traçada por Marcuse exprime efetivamente a única possibilidade de reafirmação do pensamento revolucionário depois da sociedade tecnológica;</span></li>
<li><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Como por outra parte uma tal reafirmação concluí a decomposição do próprio pensamento revolucionário;</span></li>
<li><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Como nesta decomposição re-emerge expressamente o problema dos valores permanentes.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Foi justamente observado por um critico católico que no pensamento de Marcuse aquilo que existe de bom não é novo, e aquilo que existe de novo não é bom. De acordo: mas resta o fato que quando Marcuse move a sua crítica a sociedade unidimensional se encontra curiosamente forçado a raciocinar em termos de metafísica clássica. De um ponto de vista marxista podem realmente não aparecer espantosas as críticas conclusivas que ele move a sociedade opulenta, de ser constrita a minar a esfera privada do indivíduo, até mesmo dentro dos quatro muros da sua casa. Mas aquilo que mais importa é o fato que ele conduz a crítica do novo positivismo como um discípulo de alto nível da metafísica clássica: aquilo que diz, por exemplo, sobre o sentido que se deve dar a realidade dos universais, sobre a conexão entre universal e valor, sobre revalidação do conceito abstrato, tem o sabor da redescoberta do significado verdadeiro das teses que estão no fundamento da ideia dos valores permanentes; e propõe o problema como aquilo que deve acontecer, mas tendo obviamente excluído que ele tenha recorrido explicitamente a metafísica clássica: uma vez que, antes, quando ele tem consciência destas coincidências, tem pressa em advertir o leitor que as suas afirmações não implicam em modo algum a reminiscência de “valores espirituais” ou de coisas similares; e de definir antes o seu ideal de uma realidade humana essencialmente nova “em uma existência plena de tempo livre sobre a base das necessidades vitais satisfeitas” (1).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Na realidade, é fácil entrever qual seja a contradição última, atestada pelas contradições parciais do seu pensamento. Existe para ele um ponto que permanece indiscutível já no começo, em Razão e revolução: aquele que o hegel-marxismo deve ser interpretado como crítica de tudo aquilo que até então era considerado como verdade objetiva e juntamente como a filosofia que assumiu as verdades de todas as precedentes filosofias, e nessa, toda a experiência que a humanidade acumulou no curso do seu longo caminho para a verdade [2]; e que, de outra parte, se Hegel não havia concluído Marx era apenas porque a razão dos tempos o tinha constrito a resignação. Pela conexão, então, entre razão e revolução, o seu pensamento não pode ser parado na pura crítica da realidade presente como ab-normas, além de tudo porque em tal caso ele se encontraria constrito a um processo de descobrimento de uma realidade normativa transcendente, ou seja, aquela ideia do Logos, que ao invés ele apresenta como o princípio do pensamento repressivo. Mas, uma vez que não pode nem mesmo retomar o marxismo originário porque a situação na sociedade tecnológica levou a uma forma de dependência recíproca “que não é mais a relação dialética entre o Patrão e o Servo, rompida na luta para ser reconhecido pelo outro, mas é mais um vínculo vicioso que fecha seja o patrão que o servo” [3]; dado além disso que a civilização no seu processo produtivo tem esta função repressiva e alienante, lhe vem que a revolução não pode gerar-se do interior da sociedade industrial. Daqui a sua posição forçosamente a‑histórica; já que não é do processo histórico que se pode esperar a revolução que leve a liberdade, enquanto este processo é história da razão repressiva, a passagem a liberdade se obterá apenas através da eliminação da repressão dos instintos. É sobre este ponto que se opera a curiosa contaminação dos motivos marxistas e dos motivos freudianos – de um freudismo particular dado que o Freud real tinha substituído a necessidade da repressão para a civilização. Mas então a liberação não poderia operar-se senão sobre a base do desencadeamento de forças primitivas e em qualquer maneira, pela sua estranheza a civilização, barbárie; a uma liberação que vem do exterior. Só estas forças primigênias teriam a capacidade de abolir os modos de repressão produtivos. Mas se sobre esta repressão produtiva se está fundada a civilização, a sua abolição não levaria a outra coisa que a um retorno da primitividade do subdesenvolvimento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">O juízo daquilo a que se chega por esta via, outro não pode ser que uma das formas de catástrofe irracionalista da ideia revolucionária, que não é certamente peregrino: aquilo que importaria mostrar é que a catástrofe irracionalista esteja inscrita em qualquer modo como seu destino na ideia de revolução. Onde a contestação assim chamada “global” se torna a absurda revolta contra aquilo que é; se torna uma forma de ativismo a‑histórico, que não pode distinguir no existente o positivo e o negativo; e que se encontra a dúvida: ou buscar uma forma de evasão ao real, praticamente confundindo-se com as forças beat e hippy; ou se aliar com formas já existentes no sistema que combate, até mesmo se apresentando em posição de vanguarda e de estímulo, e em realidade em função de instrumento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Então, o esgotamento desse modo de pensamento revolucionário marxista como ideologia do progresso de Turgot e de Condorcet a Saint-Simon e a Comte, ao positivismo em seguida cientificismo novo, e junto o redescobrimento obrigado na crítica da sociedade presente de temas essenciais ao sistema de valores permanentes deveria levar a uma visão da história contemporânea, respeito a qual as categorias habituais dos tradicionalistas e dos progressistas resultam de todo inadequadas. Insisto um momento sobre esta evidência: porque a primeira consequência da recusa de valores permanentes foi aquela da substituição do diadema “verdadeiro-falso” por aquele “progresso-reação”. O discurso poderia tomar várias vias: se poderia demonstrar que os historiadores da idade contemporânea tendem hoje a reconhecer que a aplicação das categorias costumeiras e usadas de “reação”, “tradição” e “conservação” constituí um obstáculo que torna frequentemente impossível a compreensão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Mas sobretudo, me é grato me referir aqui às idéias de Eric Voegelin, é de se notar como a crise das idéias de revolução e de progresso envolve aquela de ídolo maior que se opõe a reafirmação dos valores permanentes, aquela da ideia de modernidade assumida como valor. Porque, notamos: está em dependência desta ideia de modernidade que contesta precisamente a unidade do pensamento grego e do pensamento cristão, em várias formas, que todas, porém, concordam de fato no substituir a transcendência e normatividade dos valores absolutos, o movimento intramundano de transcendência.&nbsp; Voegelin mostrou com exemplar eficácia o caráter neognóstico da idéia de modernidade, como depende da secularização desta visão joaquimita da história que se substituí progressivamente o oposto da visão agostiniana; e que nos últimos séculos se tornou sem contrastes permeando de forma direta, como o modernismo, ou invertida, como o pensamento reacionário, o próprio pensamento religioso; colocou luz sobre o caráter de escolha prática que está na base daquilo que é a substância da imanentização do eschaton cristão. Não é lícito quanto menos se perguntar se hoje, em um momento que parece o cumprimento de um tão longo processo histórico, se esta escolha não manifesta o seu caráter irracional?&nbsp; Pode-se perguntar, em suma, se efetivamente o desvelamento da falsa consciência não seja válida propriamente para as formas de pensamento que entendem negar a idéia dos valores permanentes, enquanto colocaria luz sobre o seu caráter ideológico, o seu ser orientado não já para a verdade, mas para a potência. O momento presente é aquele que as afirmações dependentes da idéia de modernidade se são realizadas na prática, mas dando lugar a uma série de evidentes contradições. Apesar da orientação diversa dos juízos correntes, se deve reconhecer que aquilo que hoje está em crise não é a idéia de permanência dos valores, mas exatamente o princípio oposto, aquilo que está na base da crítica da permanência; e o é não já pelas resistências anti-históricas ou moralistas, mas propriamente porque desacreditado por aquele resultado histórico ao qual confiava a sua verificação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Augusto del Noce</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Notas</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[1] MARCUSE, L’uomo a una dimensione, Einaudi, Torino, 1967, p. 240.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[2] MARCUSE, Ragione e rivoluzione, 1941, p. 118.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[3] MARCUSE, op. ult. cit., p. 52.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>P. CORNÉLIO FABRO: O VALOR PERMANENTE DA MORAL</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2453</link>
				<pubDate>Fri, 17 May 2019 01:10:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Moral]]></category>
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								<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">&nbsp;</span></p>
<p align="justify">
</p><div align="center"><span style="font-family: Georgia, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">P. Cornélio Fabro</span></div>
<div align="center"><span style="font-family: Georgia, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">L’avventura della teoloia progressista</span></div>
<div align="center"><span style="font-family: Georgia, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">Tradução: Gederson Falcometa</span></div>
<p style="text-align: center;" align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif; color: #000000; font-size: 14pt;"><br>
<span style="color: #800000;">Introdução: o sentido do problema</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">O escrito se desenvolve em três momentos ou em três pontos. No “primeiro” ponto se buscará clarear a raiz primeira da inspiração das orientações modernas sobre a moral. O “segundo” ponto, mais teológico, enquanto o primeiro é ao invés filosófico, buscará expor o sentido desta revolução, que está acontecendo não só na dogmática mas também na moral, que hoje se chama a moral “secular”; moral que podemos indicar como uma nova edição e apresentação da assim chamada “ética de situação”, que sob Pio XII teve uma condenação oficial por parte da Igreja. O “último” ponto, mais árduo e mais complexo, retomará o filo ideal para nos orientar neste conflito de opiniões e neste interceptar-se de orientações na atual situação moral. O modesto escopo deste escrito é apenas aquele de buscar colocar em ordem onde existe a desordem e de levar um pouco de clareza onde existe muita confusão.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">O título é: “o valor permanente da moral”. Valor permanente: tudo começa e se concentra no termo “permanente”. Existe valor permanente da moral quando existem essências, estruturas, realidades e naturezas permanentes. “Permanente” recorda a tradição ocidental, segundo a qual no fundo de todos os problemas, de todas as orientações sobre ser e sobre querer existem estas estruturas permanentes chamadas essências. Então o fundamento da moral está na flexibilidade do espírito. O espírito é certamente consistência, é permanência, mas o espírito é o ápice do comportamento da nossa liberdade, e neste ápice do comportamento existe a flexibilidade; flexibilidade de comportamento da nossa liberdade, mas permanência de substância, de estruturas. Flexibilidade da liberdade, atitude que é fruto de uma liberdade a qual na história se reafirma diante ao absoluto e diante do mesmo ideal, veremos também, da revelação cristã. </span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">E sem mais entramos no argumento.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">A moralidade é a propriedade constitutiva da ação humana, apreendida em sua primeira raiz que é a liberdade, como capacidade de escolher, ou como posição daquele ser que é próprio do espírito na determinação originária do fim último e da sua qualidade constitutiva de bem e de mal.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">A liberdade, portanto, é a primeira raiz subjetiva da moralidade, assim como a lei divina e humana é a sua forma objetiva: raiz e norma, a liberdade e a lei, se colocam em uma relação incomensurável e original que não se parece com nenhuma daquelas já conhecidas, por exemplo, aquele de ato e objeto, de matéria e forma, de externo e interno… Na verdade, a relação de liberdade e moral, liberdade e norma, é certamente imensurável e original; mas, antes, deve ser entendido no limite, ou melhor, como um plexo inefável de base mútua na tensão de fundo e fundamento. Liberdade e norma não são momentos dialéticos, mas constitutivos uns para os outros, um para o outro. Não há liberdade sem norma. Este será o ponto central da nossa exposição. Claro, também não há regra sem liberdade. Significa que o mundo moral, como a esfera de autenticação do espírito, é e deve ser também um mundo invertido, com respeito ao mundo do imediatismo e das aparências. Por um lado, o sentido último da liberdade parece que deve surgir verdadeiramente de sua referência a liberdade como subjetividade radical, de acordo com o pertencimento constituinte do ato ao sujeito; por outro lado, essa mesma referência se resolve em uma vazia tautologia ‚se isso não é mediada pela transcedência, se não se objetiva na Diremtion ou perspectiva originária do bem e do mal e, portanto, na lei divina e humana que o funda. Se verifica, de fato, na esfera moral alguma coisa de absolutamente novo e original, que não se tem naquela cognoscitiva: isto é, enquanto o conhecer procede da subjetividade para a objetividade, o fazer, o fazer moral e o fazer humano, procede da objetividade do mundo e da sociedade para as profundidades do Ego que libera a si mesmo e se atua mediante as suas aspirações – uma antítese, entre a esfera congnoscitiva e a esfera moral, de movimento centrífugo e centrípeto: centrífuga o conhecimento, malgrado as aparências também na tradição imanentista moderna, centripeta ao invés a moral (se assim agrada!)</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">Mas tem mais. O mundo da objetividade, aquele das ciências e da técnica que hoje avança com a segura presunção de plasmar o mundo do homem para o homem, um mundo feito, como se diz, “a medida do homem”, tem por lei a referência ao infinito, porque a inquietação do homo faber não conhece e não admite satisfação nem repouso porque neste mundo tecnológico é deixado ao infinito: agora a mesma fantasia parece em retardo sobre as perpectivas da técnica de construção e destruição da idade iminente. O mundo da subjetividade ao invés, aquele da liberdade e da moral na tensão do bem e do mal, tem a exigência do momento atual e não comporta adiamentos ou atrasos; não pode esperar uma visão definitiva, de resto inalcansável, do mundo, porque o homem não pode esperar ao infinito para ser homem e é a moralidade que qualifica o homem enquanto homem e atua a sua liberdade. O homem de fato, se move por aquilo que é e parece, a sua volta e aquilo que se torna, ou é constituído daquilo que escolhe ser e atua como projeto do seu ser: se pode bem dizer então que na esfera do espírito a liberdade é o fundamento (Grund) do ser e não simplesmente um modo de ser ao lado de outros com os quais a liberdade deveria vir a pactos. A liberdade a seu modo é portanto um princípio, e o primeiro princípio na vida do espírito seja em Deus seja no homem. É por isso na tensão de ser e liberdade que se decide antes de tudo a qualidade constitutiva do próprio homem e se clarifica o sentido do seu ser e do seu destino.</span></p>
<p style="text-align: right;" align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Continua…</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>P. HENRI RAMIÉRE, S.J.: DESVENDANDO O LIBERALISMO</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/1158</link>
				<pubDate>Wed, 08 May 2019 03:01:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Apologética]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Padre Henri Ramière S.J.]]></category>
		<category><![CDATA[Realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo]]></category>

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				<description><![CDATA[Para fazer-lhes compreender que se enganam, basta recordar a sua história recente; digam-nos eles como a doutrina que gostariam que fosse aceita pela Igreja se introduziu no mundo. ]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;" align="center"><span style="color: #000000;"><img loading="lazy" class="aligncenter" src="https://instavrareomniainchristo.files.wordpress.com/2011/10/cristo-rei-do-universo.jpg?resize=640%2C427" alt width="640" height="427"  data-recalc-dims="1"></span></p>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 16pt; color: #800000;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif;">A questão do liberalismo diz respeito aos mais graves interesses </span></strong></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 16pt; color: #800000;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif;">e aos mais fundamentais dogmas do cristianismo.</span></strong></span></div>
<div style="text-align: center;" align="center"></div>
<div style="text-align: center;" align="center"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Padre Henri Ramière S.J.<br>
</span></div>
<div align="center">Paris, 1870</div>
<div style="text-align: center;" align="center"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Tradução: Gederson Falcometa&nbsp;</span></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Antes de tudo é importante esclarecer para vantagem daqueles católicos que não entendem a ligação entre a questão do liberalismo e do dogma católico e que acreditam defender seriamente os interesses da Igreja aconselhando-lhes a separarem-se, sobre este ponto, de sua própria tradição.</span></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #800000;"><b>I – Origem do liberalismo</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Para fazer-lhes compreender que se enganam, basta recordar a sua história recente; digam-nos eles como a doutrina que gostariam que fosse aceita pela Igreja se introduziu no mundo. O sabem bem como nós; até o século passado essa não tinha encontrado um só defensor, nem no interior do cristianismo nem no seio do paganismo. No mundo bárbaro como naquele civilizado foi sempre acordado fundar a garantia das instituições sociais nas crenças religiosas; e Rousseau, quando afirma que nenhum Estado foi jamais fundado sem que a religião lhe servisse de base, não fazia que constatar o testemunho certíssimo da história e resumir os ensinamentos dos filósofos pagãos, como também dos doutores cristãos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Quando então se pensou repudiar esta constante e universal persuasão do gênero humano? Quem são aqueles novos sábios que inventaram uma teoria ignorada ou rejeitada pelos mestres da antiga sapiência?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Sabemos bem quem são estes sábios; são aqueles que, no século passado, declararam a Jesus Cristo e a sua Igreja uma guerra mortal e que, para triunfar nesta guerra, empreendida segundo eles para o triunfo da verdade e da justiça, fizeram uso das mais malvadas calúnias e das mais audazes mentiras.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Já esta origem é assaz suspeita, e os católicos que hoje se fazem promotores de uma doutrina inventada pelos inimigos mais mortais do catolicismo tem verdadeiramente necessidade de toda a generosidade de seus corações para não tornarem-se cientes do grave risco que correm ao serem chamarizes de uma mistificação infernal.<span id="more-1158"></span></span></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #800000;"><b>II. – Tática dos primeiros autores do liberalismo</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Este temor não pode que agravar-se, se antes de deixar-se conquistar pela especiosa aparência do liberalismo, nos pegassem a pena de estudar, nos escritos dos seus primeiros autores, o ímpio plano que aqueles selaram sob este aspecto sedutor. Todavia nada é mais certo: estas pessoas, as menos liberais e as mais intolerantes do mundo quando estava em jogo a sua ganância ou o seu amor próprio, começaram a pregar o liberalismo ou, como então se dizia, a tolerância em fato de religião, apenas com o fim de poder com isto chegar mais seguramente a destruir toda religião. «Écrasons l’infâme!» [Destruamos o infame!], tal era o seu lema; e a infame era para eles a Igreja de Jesus Cristo.&nbsp;&nbsp;&nbsp; — Mas este lema era reservado a sua correspondência secreta. No exterior eles afetavam para a religião toda forma de respeito. Era apenas por devoção a doutrina de Jesus Cristo que reclamavam a tolerância em favor dos erros que atacavam esta mesma doutrina. «Quanto mais somos ligados a santa religião de Nosso Senhor Jesus Cristo, mais devemos aborrecer o abominável uso que se faz da sua lei divina.» Assim se exprimia Voltaire em uma carta destinada a ser lida pelos profanos, e exatamente no momento em que se acordava com d’Alembert para difundir uma das suas mais ímpias publicações, o Testamento de <i>Jean Meslier</i>. E d’Alembert estava perfeitamente de acordo com seu mestre naquilo que diz respeito ao melhor meio para enganar os cristãos: «São crianças que não precisamos tornar <i>obstinadas</i>, lhe escrevia (em 22 de fevereiro de 1764)…„ segundo meu parecer tratar-lhes com muito cortesia, dizer que eles tem razão, que aquilo que creem e que pregam é claro como o dia… mas que, dada a perversidade e a teimosia humana, é bom permitir a qualquer um de pensar como gosta.»</span></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #800000;"><b>III. — Habilidade desta tática.</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">De fato esta tática, se não se distingue pela sinceridade, não lhe falta ao menos certa habilidade; se reclamará a liberdade para o erro até para que, por força de mentiras, esse consiga recrutar uma armada: e não apenas haverão soldados, se colocará em suas mãos as armas da intolerância para perseguir os discípulos da verdade. Eis o segredo da grande conspiração dos primeiros apóstolos do liberalismo qual nos foi revelada pelo correspondente principal e mais intimo confidente dos conjuradores. «Todos os grandes homens foram intolerantes, escreve Grimm, e é preciso sê-lo. Se se encontra sobre o próprio caminho um príncipe bonachão, é preciso pregar-lhe a tolerância afim de que caia na armadilha, e que o partido destruído tenha o tempo de recuperar-se e por sua vez de destruir o adversário. Assim o discurso de Voltaire, que insiste sobre a tolerância, é um discurso feito aos tolos, ou a gente enganada, ou a pessoas que não tem algum interesse na coisa <a style="color: #000000;" href="http://progettobarruel.zxq.net/novita/12/Ramiere_liberalismo_I.html#1_">[1]</a>.»</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Mas o segredo da seita, nos foi entregue de modo bem mais completo ainda pelo seu próprio patriarca, na obra destinada a funcionar como manifesto da nova doutrina, isto é, no tratado da <i>Tolerância</i>, onde afirma que a liberdade é devida a todas as opiniões, mas que não pode ser acordada a fé cristã, designada, segundo a atitude constante da seita, com nome de <i>fanatismo</i>. No começo do capítulo intitulado: Só o caso em que a intolerância é de direito humano, ele formula a seguinte tese: «Para que um governo não tenha o direito de punir os erros dos homens, é necessário que estes erros não sejam delitos, e são delitos apenas quando esses turbam a sociedade; esses turbam a sociedade quando inspiram o fanatismo; é necessário então que os homens parem de ser fanáticos para merecer a tolerância.» É claro: quando certos liberais modernos, uma vez chegando ao poder, propriamente no momento em que proclamavam toda sorte de liberdade, se permitiram de perseguir os sacerdotes católicos, de abater as Igrejas e de privar as pobres religiosas do abrigo em que se retiraram para trabalhar e rezar em comum, eles não fizeram outra coisa que mostrar-se fiéis ao programa traçado a muito tempo pelo seu principal mestre do liberalismo. Mas quanto mais esta prática da escola é fiel e constante, mais nos surpreende que tenha conservado o poder de enganar indefinidamente exatamente aqueles que a cada dia pode esperar para tornarem-se suas vítimas.</span></p>
<div style="text-align: center;" align="center"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #800000;"><b>IV. – O liberalismo mira provocar a indiferença, </b></span></div>
<div style="text-align: center;" align="center"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #800000;"><b>que é mais perigosa do que a hostilidade.</b></span></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">É preciso, porém, admitir que não todos os apóstolos do liberalismo se escondem, sob as suas hipócritas atestações de tolerância, o segundo fim de tornarem-se perseguidores; existem alguns que são mais sinceros porque nos oferecem acordar iguais direitos a verdade e ao erro. Mas se arriscaria de enganar-se se quisesse ver nesta oferta uma prova de maior benevolência nos confrontos da religião; pode ser, ao invés, o resultado de um ódio mais profundo e mais hábil. A verdade tem de fato um inimigo mais mortal que o erro: a indiferença. Aqueles que sustentam uma ideia errônea com isto mesmo proclamam, em certa medida, os direitos da verdade; porque se esforçando para fazer aceitar como verdadeira uma coisa falsa, supõe como princípio evidente que apenas a verdade tem o direito de impor-se a adesão da inteligência. Mas se a inteligência chega a um estado tal pelo qual não faz mais distinção entre a verdade e o erro e pelo qual, faltando-lhe a força de afirmar ou negar qualquer coisa, se deixa ir a deriva onde a conduz a onda da dúvida e o vento da opinião: então nada pode mais salva-la de um completo naufrágio: e aquele tesouro que é a verdade, e que Deus lhe havia confiado, é necessariamente engolido completamente e sem fuga no abismo da indiferença.</span></p>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Não duvidamos: a imparcialidade mostrada por um grande número de partegianos mesmo sinceros do liberalismo não é outra coisa que o resultado de um similar absoluto desprezo pela verdade; e se esses atribuem tanto valor as liberdades modernas, é porque as julgam mais adequadas que as próprias perseguições para provocar definitivamente e irremediavelmente o divórcio entre a fé cristã e as sociedades do futuro. E é preciso bem reconhecer que dão prova nisto de um conhecimento da natureza humana que faltou aos mais ferozes perseguidores; ao invés de exporem-se as inevitáveis reações que provocam a violência, eles preferem esperar pela completa ruína da religião por parte da ação, sim, mas lenta mas também irresistível, do ambiente social. Eles compreendem que o individuo, podendo nascer e crescer apenas dentro da sociedade, lhe sofre inevitavelmente as incessantes influências; quem não se rende conta, em efeito, quantos poucos são os homens capazes de pensar por si e de subtraírem-se completamente a tirania da opinião? Baseando-se sobre esta verdade experiencial, muitos dos mais inteligentes entre os inimigos da Igreja não são participes da impaciência dos seus cumplices mais desejosos do seu fim; eles esperam, e até agora os acontecimentos não desmentiram suas esperanças, que, em toda parte a sociedade se colocará em um estado de completa indiferença nos confrontos de Jesus Cristo, as massas sofreram inevitavelmente o contágio desta atmosfera e se destacaram, pouco a pouco, da religião. A destruição da realeza social de Jesus Cristo representa, então, para eles a preliminar obrigatória e infalível da total decadência da religião; e a tolerância civil é para esses um meio certo, mesmo que possa ser um pouco lento, para chegar a tolerância doutrinal, isto é, a indiferença absoluta.</span></div>
<div style="text-align: center;" align="center"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #800000;"><b>V. – Oposição direta entre o princípio do liberalismo</b></span></div>
<div style="text-align: center;" align="center"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #800000;"><b> e o </b></span></div>
<div style="text-align: center;" align="center"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #800000;"><b>dogma cristão.</b></span></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Mas não é somente pela sua origem e pelas suas consequências quase inevitáveis que o liberalismo é contrário a religião de Jesus Cristo, é também pela sua essência; não apenas essa fornece aos inimigos da Igreja as armas para destruí-la, mas a atava de per sè nos dogmas mais essenciais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">De fato é suficiente examinar esta doutrina no seu princípio para compreender que essa nega os direitos soberanos de Jesus Cristo quando declara que as sociedades temporais são independentes do domínio Dele. Segundo este princípio a sociedade civil é meramente terrestre, e não deve ocupar-se em nenhum modo, nem direta ou indiretamente, dos direitos das verdades e dos interesses eternos; o seu único e supremo fim é a felicidade temporal dos próprios membros, e a razão é a sua única tocha: Jesus Cristo para esta sociedade é então um estranho. Que ele seja Deus ou não, ela não sabe, não se lhe ocupa, não é tarefa sua, mas unicamente tarefa dos indivíduos; e se um número maior ou menor dos seus membros reconhece Jesus Cristo como Filho de Deus, o poder público não permitirá que se use a violência para impedi-lo, propriamente como faria se outros cidadãos quisessem reconhecer Maomé como seu profeta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Esta é a teoria que faz de base as liberdades que a Igreja não cessa de reprovar em linha de princípio, embora de fato as possa tolerar naquelas sociedades que tem cessado de serem cristãs. Pio IX expressou clarissimamente esta teoria na Encíclica Quanta Cura, condenando aqueles quais que ousam ensinar «que a perfeição dos governos e o progresso civil exigem absolutamente que a sociedade humana seja constituída e governada sem ter em conta a religião, como se não existisse, ou ao menos sem fazer alguma diferença entre a verdade religião e as falsas. Mais, contrariamente a doutrina da Escritura, da Igreja e dos santos Padres, não temem afirmar que o melhor governo é aquele no qual ao poder não é reconhecido a obrigação de reprimir, com sanção de penas, os violadores da religião católica, se não quando a ordem pública o requeira.»</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Esta doutrina, que Pio IX qualifica como <i>ímpia</i> e <i>absurda</i>, seria verdadeira se a realeza de Jesus Cristo fosse perfeitamente estranha a esfera em que opera a sociedade; mas porque o filho de Deus, fazendo-se homem e fundando a sua Igreja para que continuasse a sua obra sobre a terra, quis abrir as sociedades, como também aos indivíduos que a compõem, esta única via de perfeição e de salvação, é evidente que não se pode erigir a princípio a completa independência da sociedade civil em suas relações sem tornar-se culpável de uma verdadeira e própria apostasia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Então, se deve também renunciar a exaltar como preciosas conquistas aquelas liberdades que Pio IX, como Gregório XVI, chama <i>delírio</i>, isto é, a liberdade absoluta de pensamento, de imprensa e de culto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Que são em efeito essas liberdades? – Essas não tem nada em comum com a liberdade moral propriamente dita, que a Igreja jamais deixou de defender contra os erros que em todos os séculos e também hoje não cessaram de ataca-la; não se trata do direito de buscar a verdade no âmbito histórico, científico, filosófico e até mesmo na ordem religiosa: a Igreja encorajou o exercício deste direito mais do que toda instituição humana; e as obras dos grandes gênios cristãos estão a demonstrar com qual feroz independência esses souberam tirar-lhe proveito. A liberdade que a Igreja condena como liberdade de perdição, é, ao invés, aquela que se arroga o direito de atacar a doutrina de Cristo, de obscurecê-la com sofisma, de travesti-la com calúnia, de distanciar-lhe as almas para as quais essa é a única via de salvação. Não é talvez manifesto que, se Jesus Cristo é chefe e rei das sociedades, estas ultimas não podem reconhecer aos seus membros o direito de atacar a doutrina deste Rei divino e de insultar a sua autoridade? Tudo isto que se pode consentir é de se tolerar, em determinadas circunstâncias, estes ataques e estes insultos como um mal menor que não pode ser combatido sem comportar desordem ainda maior; mas investir estas iniquidades com a majestade do direito, e lhe coroa com a aureola do progresso, isto significa evidentemente proclamar decaído o Deus-Homem e fundar sobre o anticristianismo todo o edifício da sociedade moderna.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Portanto, a doutrina liberal é realmente a negação da soberania social de Jesus Cristo. É verdadeiro que os liberais católicos não exprimem esta negação assim claramente quanto os seus confrades não católicos; nós acreditamos até mesmo que muito poucos, no caso em que a questão da realeza social de Jesus Cristo fosse claramente colocada a eles, hesitariam a resolvê-la afirmativamente. Temos tido por mais de uma vez a ocasião de convencer-nos que o maior número desses não suspeitam nem mesmo que as suas teorias lhe conduzem até a negação deste dogma; existem neles, a este respeito, muito mais ilusões que erros voluntários; e é por isto que nos parece de máxima importância dissipar a ilusão reportando a discussão ao seu princípio, sobre o qual não se pode existir, entre cristãos, alguma divergência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Seja este princípio claramente e universalmente admitido, junto as suas consequências necessárias, e a Igreja não pensará e nem sequer impedirá àqueles dos seus filhos que são mais ligados as liberdades modernas de defendê-la como fato e consequência do nosso estado social [2].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Jamais ela impedirá aos bispos americanos dos Estados Unidos e da Inglaterra de reivindicar, como uma preciosa conquista, a liberdade de que goza a Religião nestes países em que se foi um tempo submissa a mais iniqua opressão; nem serão culpáveis todos aqueles que nas liberdades modernas reconheceram apenas um fato em relação a um particular estado social. Desgraçadamente a interpretação mais benevolente não pode impedir-nos de notar totalmente o contrário nas palavras e nos escritos de um certo número de católicos liberais; se os mais sábios evitam as fórmulas de que se servem os líderes do liberalismo anti-cristão para erigir as suas teorias em princípios absolutos, demonstram porém, claramente, com toda a sua linguagem, que aos seus olhos estes pretensos princípios são totalmente o contrário que heresias e assim, bem longe de unir-se a condenação da Igreja, parecem fazer-lhe uma grande concessão contentando-se de supor a verdade sem afirmar estes mesmos princípios muito abertamente; e se surpreendem que uma conivência assim discreta com o erro possa desconcertar a Igreja, que todavia São Paulo chama «coluna e fundamento da verdade». Mas a insistência e a aparente severidade da Igreja cessaram de surpreender-lhes quando compreenderem que se se trata, para ela, de um dogma sobre o qual não lhe é permitido transigir como sobre aquele da própria divindade do Salvador.</span></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #800000;"><b>VI – Consequência deste modo de colocar a questão</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Não é ainda chegado o momento de provar a verdade deste dogma, mas o seu modo de colocar a questão deveria já ser suficiente para abrir os olhos dos católicos que acreditam a este respeito de poder seguir um partido oposto àquele indicado pelo vigário de Jesus Cristo. Nós certamente não admitimos que, também nas questões de conduta, e sobretudo quando se trata de interesses gerais da Igreja, seja consentido a um católico de recusar a própria obediência a quem Jesus Cristo investiu da suprema autoridade; mas mesmo supondo que sobre isto fosse possível fazer-se iludir, não o seria certamente sobre questões que dizem respeito ao dogma: e no entanto, que o dogma esteja em questão é certíssimo, e é difícil explicar como católicos iluminados tenham podido enganar-se nisto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Na suprema batalha que a Igreja sustenta há um século sobre o terreno social está em causa o dogma, como o era nas lutas contra o paganismo dos imperadores romanos e contra o arianismo dos Césares de Bizâncio; é sempre a mesma guerra e sempre o mesmo inimigo. O orgulho da razão humana, que não quer de modo algum submeter-se ao Deus vivo, recusa por primeira coisa reconhecer a Sua existência e a Sua unidade; vencendo nesta primeira luta, esse busca salvaguardar a própria independência negando a divindade daquele ao qual Deus seu Pai deu o domínio de todas as coisas; e é aqui que hoje esse pretende recuperar todas as vantagens perdidas nas suas duas primeiras lutas, ao menos privando o Deus-Homem da sua realeza social, apoio necessário da Sua autoridade sobre as almas e condição indispensável do seu reino universal sobre a humanidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Nestas três batalhas o Anticristianismo, para assustar e seduzir os servos de Jesus Cristo fez uso das mesmas promessas e das mesmas ameaças; se é dito por eles que sustentando com uma firmeza muito absoluta os direitos de Deus esses impediam o domínio da sociedade humana, e que esses, ao contrário, haveriam tirado toda sorte de vantagens das sábias concessões feitas ao espírito dos tempos; ainda hoje se faz aos cristãos o mesmo discurso, com a diferença que a recompensa das concessões que são requeridas não é mais o favor dos Césares quanto àquele da opinião, sozinha a potência soberana no seio das sociedades modernas. Mas qualquer que seja a coisa que se faça, não se chegará nem a assustar e nem a nos corromper; os favores e os anátemas da opinião encontraram todos os verdadeiros cristãos &nbsp;igualmente imóveis quanto as promessas e as ameaças dos Césares; e nós defenderemos a soberania social do Deus-Homem com igual firmeza de quanto lhe demonstraram os cristãos dos primeiros séculos no confessar a sua divindade.</span></p>
<p style="text-align: left;" align="right"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Da:&nbsp;<i>Les doctrines romaines sur le libéralisme envisagées dans leur rapports avec le dogme chrétien et avec les besoins des societes modernes</i>, Paris 1870, pag. 1–19. </span><b><br>
</b></p>
<p style="text-align: justify;" align="right"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Fonte: Progetto Barruel<br>
</span></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"><b>NOTAS:</b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="http://progettobarruel.zxq.net/novita/12/Ramiere_liberalismo_I.html#1">[1]</a>&nbsp;<i>Corrispondenza di Grimm</i>, carta de 1 de junho de 1772, citada pelo conde de Maistre no preâmbulo as <i>Lettere sull’Inquisizione spagnola</i>. Este trecho foi eliminado pelas ultimas edições do Grimm.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="http://progettobarruel.zxq.net/novita/12/Ramiere_liberalismo_I.html#2">[2]</a>&nbsp;Mons. de Ségur no seu notável livro intitulado:&nbsp;<i>A Liberdade,&nbsp;</i>se exprime exatamente como nós sobre este argumento: «Se aceitássemos as liberdades modernas como um fato que é consequência do nosso estado social, mas sem erigí-lo em principio, seriamos liberais quanto ao Papa e a Chiesa.» (§ XXXVII, pag. 175.)</span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>SIM SIM NÃO NÃO: “SÃO DÉSCARTES” PADROEIRO DAS FEMINISTAS E NÃO SOMENTE DELAS</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2433</link>
				<pubDate>Wed, 08 May 2019 02:00:04 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Déscartes]]></category>
		<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
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				<description><![CDATA[É a partir de Descartes que a inteligência atua a sua primeira e verdadeira prostituição a vontade de potência e se volve para o titanismo delirante de querer erigir a mente humana, não só a medida neoprotagorista de “todas as coisas”...]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<header>
<figure id="attachment_2435" aria-describedby="caption-attachment-2435" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2433/le_penseur_de_la_porte_de_lenfer" rel="attachment wp-att-2435"><img loading="lazy" data-attachment-id="2435" data-permalink="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2433/le_penseur_de_la_porte_de_lenfer" data-orig-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/le_penseur_de_la_porte_de_lenfer.jpg?fit=900%2C700&amp;ssl=1" data-orig-size="900,700" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}" data-image-title="le_penseur_de_la_porte_de_lenfer" data-image-description data-medium-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/le_penseur_de_la_porte_de_lenfer.jpg?fit=320%2C249&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/le_penseur_de_la_porte_de_lenfer.jpg?fit=720%2C560&amp;ssl=1" class="size-full wp-image-2435" src="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/le_penseur_de_la_porte_de_lenfer.jpg?resize=900%2C700" alt width="900" height="700" srcset="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/le_penseur_de_la_porte_de_lenfer.jpg?w=900&amp;ssl=1 900w, https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/le_penseur_de_la_porte_de_lenfer.jpg?resize=320%2C249&amp;ssl=1 320w, https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/le_penseur_de_la_porte_de_lenfer.jpg?resize=768%2C597&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/le_penseur_de_la_porte_de_lenfer.jpg?resize=720%2C560&amp;ssl=1 720w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" data-recalc-dims="1"></a><figcaption id="caption-attachment-2435" class="wp-caption-text">O pensador original, na Porta do Inferno.</figcaption></figure>
</header>
<section class="entry">
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Sim Sim Não Não</span><br>
<span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[Tradução: Gederson Falcometa]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;"><strong>Do «homo faber» ao «homo fabricatus» e perenemente «fabricandus»</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">É a partir de Descartes que a inteligência atua a sua primeira e verdadeira prostituição a vontade de potência e se volve para o titanismo delirante de querer erigir a mente humana, não só a medida neoprotagorista de “todas as coisas”, mas a razão mesma do seu ser, do seu ser pelo seu decreto, a sua<em> fábrica</em>, a sua <em>invenção</em>. Se os antecedentes de um tal delírio estão já presentes no Humanismo com a bruniana <em>mens insita omnibus</em> ou com a verdadeira “indignidade” narcisista do mirandoliano “<em>De hominibus dignitate</em>”, para nos limitarmos a dar algum exemplo, é porém, sobretudo do <em>cogito cartesiano</em> que tem início a atividade dinamitada da inteligência humana nos confrontos daquele “secante obstáculo” que é a muda e nua objetividade das coisas. Do <em>cogito</em> em diante o domínio da mente se faz sempre mais totalitário e despótico, de maneira a ativar em seu interior uma espécie de inflexibilidade mecânica perceptiva que depois, por consubstancial dinamismo alucinatório, tem sempre mais a se especificar não só como recusa de qualquer evidência objetiva, mas sobretudo como ataque ab-rogativo nos confrontos da especificidade da pessoa e da sua dignidade e <em>identidade real</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Não se está na presença, como gostaria de crer, de uma sorte de deslumbre devido a uma involuntária irrupção de estupidez dentro do recinto da inteligência, mas se está na presença de uma bem precisa escolha volitiva. Tanto é verdadeiro que o autêntico “canibalismo” que ela atua nos confrontos da identidade objetiva das coisas e do próprio homem não conhece, depois de Déscartes, pontos de impedimento ou momentos de resipiscência ou de inversão. Ao contrário, isso se torna sempre mais voraz na medida que se prolonga nas esterilidades abstrativas do <em>Ich denke</em> kantiano, da <em>Tathandlug</em> fichtiana, da <em>Idee</em> hegeliana, da <em>Praxis</em> marxista, do <em>Ego</em> epifenômico freudiano, até a infernal agitação do relativismo niilista em todas as suas formas possíveis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Não há quem não veja do quanto acenado – se conservou bem o uso da visão espiritual, claro – o quanto se esteja distante da substancial “inocência” de uma estupidez involuntária, e quanto ao invés estejam sim próximos da má fé de uma estupidez glorificada, criminosa e proselitária. Mesmo se Déscartes tivesse concebido o seu “cogito” na plenitude da adolescência, não nos ouviriam dizer que “<em>inocentemente o fez na idade nova</em>”, porque tudo se poderá dizer dele menos que fosse estúpido e “inocente”. É para excluir, de fato, que não estivesse bem advertido sobre as implicações da sua filosofia [1].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Nota agudamente Gioberti: “<em>Déscartes ao encontro coloca a raiz do verdadeiro em si mesmo, e deduz o ser do próprio pensamento, como se dissesse: eu sou o verdadeiro absoluto. E já que ele exprime o princípio de todo o saber, personificado em si mesmo e falando em primeira pessoa, ele se iguala ao Deus de Moisés, que pronunciou: Eu sou aquele que sou. O caráter próprio do Cartesianismo, que quer extrair o intelegível do sensível e fazer do próprio Deus uma criatura do espírito humano, senão do espírito de Déscartes, não poderia descobrir-se menos dissimuladamente. Do criar mentalmente Deus ao ser Deus não corre uma grande diferença</em>” [2].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Perfeito. E é por isso evidente que, está sendo a <em>vis oculta</em> do cogito e também daqueles autênticos “rios infernais” do pensamento que desse são resultado, lhe vem fatalmente que o homem, para ser&nbsp; “Deus” de si mesmo, não tem que decair – certo, não humildemente! – a dimensão do próprio cogitar, com isto isentando-se de ser aquele que ele sabe perfeitamente ser, para fazer corpo com o conceito que <em>decidiu</em> edificar sobre si mesmo. E lhe vem da mesma forma que o consequente resgate daquilo que Fichte desprezou qualificando como “<em>dogmatismo do real</em>” deverá necessariamente postular que o centro da própria realidade seja deslocado da sua imediata e incontestável evidência objetiva para a sua “<em>fábrica</em>” subjetiva; e isto segundo as linhas de uma autêntica revolução permanente, que não outra coisa solicita, por assim dizer, que conduzir “<em>a fantasia ao poder</em>”. Sobre todos os planos. A partir daquele decisivo das próprias motivações pessoais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">A consequência de uma tal inversão de polaridade é, sobre o plano existencial, a sempre menos percebida <em>abdicação</em> que o indivíduo vem concretamente consumando nos confrontos da sua mesma soberania espiritual. Opondo-se, de fato, ao dever normal de transformar a si mesmo para afirmar aquele <em>qualquer um</em> que decidiu se tornar, ele termina com não se tornar consciente de “sofrer” no próprio momento em que é plenamente convicto de se “<em>realizar</em>”. E, daqui em diante uma tal defecção resultará legitimada e nobilitada pelo mais vasto cenário de uma idêntica defecção coletiva, a cumplicidade fornecida a esta última terminará com corroborar, no individuo, a persuasão de estar na mais absoluta “<em>normalidade</em>”. Nem poderia acontecer de outro modo. O desvinculamento, de fato, de todo realismo metafísico e a consequente vertigem do “pensar” e de se tornar a realização da própria decisão do pensamento, oposta a seca peremptoriedade do próprio “dever ser”, não podem ter outra saída que na intencional falsificação da própria noção de normalidade, a qual perderá, assim, toda conotação de caráter ontológico para assumir sempre mais aquela de uma inadvertida coação imitativa de caráter puramente “estático” e condicionante. O condicionamento, todavia, como nota agudamente Baroni [3], “<em>desliga a combatividade</em>”, e isto a debilita e por fim cancela todo resíduo vigoroso espiritual, impedindo quase totalmente qualquer possibilidade de voltar para a verdadeira normalidade. O condicionamento representa, de fato, o ponto de queda além do qual o indivíduo que se entregou a verdadeira e própria alucinação que tem de si mesmo, não conhece outra via que a raivosa negação de toda normalidade autêntica e a mobilização de racionalizadas mentiras e de álibis que possam valer para desacredita-la.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Aquela «<em>inteligência operaria</em>», em que De Corte individuou a morte próxima da própria inteligência [4], vem não só a ofuscar de todo a visão espiritual, mas a fazer do condicionamento o lento plano inclinado que outros condicionamentos – recebidos como “progresso” sobre o plano coletivo e como “crescimento” sobre o plano individual – não faram que propiciar o próprio advento do inaudito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Paradoxalmente, desta maneira, o orgulhoso “<em>homo faber</em>” termina com precipitar em uma “<em>realidade</em>” puramente postiça e de todo ordenada a fazer dele um insignificante e homologado “<em>homo fabricatus</em>”. A circunstância, depois, que ele troque o verdadeiro e próprio “cárcere sem muro”, em que se encerra, pelo trampolim de impulso de todos os seus “crescimentos” sociais ulteriores, não pode senão degrada-lo aos níveis ainda piores de um perene “<em>homo fabricandus</em>”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;"><strong>A miserável “honra” do escravo de si: a rebelião</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">O aspecto menos compreendido da tão glorificada “cultura” contemporânea – parto direto do <em>cogito</em> cartesiano – é a sua íntima vocação <em>condicionante</em>. O condicionamento para fabricar ou, como hoje se costuma dizer, para “<em>reinventar</em>” si mesmo, para “<em>reinventar</em>” a vida, mesmo a moral e até mesmo os papéis e os mesmos sexos não pode não andar em igual passo com o livre mercado da mentira e com a sólida falsificação das palavras. Assim, as próprias noções de emancipação e de liberdade, hoje tanto em voga, privadas como são dos seus significados legítimos – respectivamente de <em>desvinculamento da sujeição ao próprio eu e da soberania sobre o próprio eu</em> – terminam por serem distorcidas no seu contrário e por afirmar-se com as próprias moralidades da miserável “honra” prospectada do depravado, mas também lúcido, Nietzsche: “<em>Auflehnung — das ist die Vornehmtheit am Sklaven</em>” — “<em>Rebelião</em> – tal é a nobreza do escravo” [5]. Entre o “penso, então sou” e o “eu sou apenas a minha rebelião”, de resto, não subsiste uma gradação temporal. Subsiste apenas uma equivalência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Esta longa premissa, da qual prolixidade nos desculpamos, era necessária para enquadrar nos justos referimentos aquele fenômeno pouco compreendido na sua espantosa medida devastante – sobre todos os planos – que toma o nome de feminismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">A este respeito, vale imediatamente dizer que certamente não negamos como a mais genuína humanidade feminina tenha sido muitas vezes sacrificada pela crua celerada “<em>libido dominandi</em>” de uma humanidade masculina que entrou sempre mais em conflito com o próprio ”<em>devo</em>” em benefício do próprio ”<em>quero</em>”; nem seremos nós a negar como a «emancipação» do homem de Deus e do próprio “<em>dever ser</em>” tenha acabado com propiciar uma análoga “emancipação” da mulher do homem. Porque, se é verdadeiro aquilo que ensina o Apóstolo Paulo, e isto é que “<em>o homem foi criado para a glória de Deus e a mulher para a glória do homem</em>”, verdadeiro é também a consequente subordinação da mulher encontrar a sua glória apenas e unicamente na colaborativa obediência nos confrontos de um companheiro que fale, aja e ordene não segundo a própria inspiração, mas segundo Deus. Quem primeiramente não fornece o exemplo de saber “baixar a cabeça” e de “não querer sair do difundido” não tem nenhum direito a obediência da parte de quem ao invés tenha conservado uma tal capacidade e retidão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Isto antecipado, seria de tudo fora do caminho onde se quisesse reconhecer no feminismo o prolongar-se de uma tal retidão e a consequente reafirmação de um princípio violado. É exatamente o contrário. Já o assimilar-se das mulheres afetadas por uma similar idiotia aos aspectos mais estimulados e mais celerados de grande parte da humanidade masculina contemporânea está indicando três coisas:</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">O reconhecimento de uma efetiva supremacia masculina, mesmo nos seus aspectos desviados;</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Um ódio inatural e uma inveja ativa para com o outro sexo, por motivo de status considerado usurpador privilegiado e por base não natural, mas exclusivamente sociológica;</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Uma vontade corrosiva e agressiva de generalização racista como típicos do outro sexo os seus aspectos mais indignos, com a única finalidade de mascarar o verdadeiro objetivo do próprio ataque: <em>o homem ainda são e centrado.</em></span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Considerar a vontade vingativa e usurpadora do feminismo como uma espécie de remédio contra a crescente violência masculina – e não ao invés como o seu próprio elemento desencadeador e justificativo – equivaleria a sustentar que para desintoxicar-se de uma bebedeira de vinho se lhe deva tomar uma outra de whisky.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">O reivindicacionismo feminista que tem em vista apenas como cobertura a denúncia de inegáveis e perdurantes opressões sofridas pelas mulheres, é na verdade o desencadeamento de um autêntico ódio metafísico contra toda providente e tutelar hierarquia natural e contra toda normalidade real da vida. A choramingante, obsessiva e entediante atenção desse ao assim chamado “problema da mulher” pode encontrar brecha apenas naqueles que – mulheres ou homens que sejam –&nbsp; estejam já sugados pelos redemoinhos de uma cronolatria que intencionalmente expele do seu seio também a memória das medidas avaliativas perenes e isto, em exclusivo benefício da “fábrica” – jamais em “bilheteria econômica” – dos assim chamados “valores novos”. Só quem já abocanhou a isca de uma visão puramente das coisas, e se lhe deixou passivamente envolver, pode fingir não perceber o caráter <em>exclusivamente pretextuoso</em> do feminismo e só os cegos e os estúpidos voluntários podem não ser minimamente tocados pela idéia que entrou o cárcere alucinatório do desconsagrado mundo moderno “<em>não se move uma folha que a loja não queira</em>”. Mas tanto é: a primeira e decisiva vitória da agressão maçônica consiste no não ser advertida como agressão e de mobilizar pelo contrário ao seu serviço o concurso apaixonado das próprias vítimas designadas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Os propósitos da maçonaria de querer antes de tudo animalizar a mulher com o fim de melhor corromper a Igreja e a sociedade são de resto notados por muitos e muitos decênios [6], e vale aqui fazer lhe aceno para capacitar-se de como o feminismo – ao lado do próprio comunismo e de qualquer outra esbórnia revolucionária – outro não seja que o <em>instrumento viciado provisório</em>, mesmo se certamente por ora o mais conspícuo, de uma mais vasta e articulada conjuração, entendida a entregar o domínio da consciência nas espertas mãos dos tecnocratas da alucinação e dos vampiros de qualquer resíduo de realidade e de sanidade moral. Acerca dos quais seremos totalmente fora do caminho, se lhes acreditássemos “envolvidos”, não menos que suas vítimas, nas esbórnias e nas evasões suicidas que vão excitando. Ainda que há tempo erigiram a “morte a razão!” a “profecia” de uma humanidade “renovada”, eles se olham bem em deixar morrer a própria e tem lucidamente presentes duas coisas: que não podem excitar quimeras sem a preventiva corrosão e demolição de qualquer realismo metafísico e que só estabelecendo o primado das alucinações é depois possível erigir a único referimento uma bruta mecânica homologante, dentro da qual, “skinnerianamente”, será suficiente para ativar determinados <em>“estímulos” a fim de que os indivíduos deem, de vez em quando, as “respostas” desejadas</em> [7].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Que o inteiro orbe esteja sempre mais se tornando um imenso “país dos entretenimentos” podem não vê-lo apenas aqueles que se afundam satisfeitos na incessante orgia das evasões, sem minimamente suspeitar de dever-lhe sair no fim, como dóceis e estúpidos asnos de circo. É impossível verdadeiramente que quem, excitado pela própria intolerante vaidade e pela própria brama animal, se seja deixado deliberadamente “comer” o cérebro possa apenas duvidar ser, não um individuo “realizado”, mas um obtuso quadrúpede velhacamente conduzido pela corda.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">E não outra que uma obtusa e suscetível “dignidade animalesca” é aquela conquistada precisamente pelas mulheres que se deixaram encantar pela sirene feminista. Mas tal é agora o nível do seu vício que tem por “normal” uma tal “dignidade” que não se conscientiza do engano em que caiu. Tanto a não ver nem mesmo a <em>total degradação</em> a que lhe conduziu a sua assim chamada “emancipação”. Tanto de não se perceber – envaidecidos agora como são da própria voluntária estupidez – da fraude que está na base da sua conquistada “cultura” e do fato que esta foi em larga medida confeccionada por <em>homens corruptos</em>, que porém, no interior do cúmplice encantamento de uma similar “cultura”, podem também passar por “grandes intelectuais” e por “venerandos filósofos”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">A verdadeira <em>misoginia</em> tem o que fazer exclusivamente com eles, e nada absolutamente, ao invés, com o assim chamado “machista”. A bem construída mancha deste último, de fato, vale apenas como “para-raios” para desviar a atenção de quem verdadeiramente é animado pelo propósito de subjugar mulheres e jovens mediante a sua corrupção. É sintomático, por outro lado que os jovens sejam declarados “<em>maduros</em>” cedo demais quando antes estão “<em>estragados</em>”, e que os chamados “<em>problemas dos jovens e das mulheres</em>” são apenas aqueles – andando a agitar – de inventar as melhores técnicas de subjugar lhes uns e os outros mediante adulação e envolvimento protagonístico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;"><strong>3 – Teilhard De Chardin, péssimo jesuíta e falso cientista.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;"><strong>O advento da “Matrix aeterna”</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Uma obscura solidariedade acomuna o cartesiano “<em>volo dubitare de omnibus</em>” a vulgar “<em>vontade de duvidar</em>” da própria noção de pecado que fermenta nos delírios declaradamente feministas de Teilhard de Chardin [8].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">A apriorística desvalorização do ser por ele operada em benefício de uma obscura e inextinguível tensão vitalista inerente na matéria e procedente em estados evolutivos marcados por uma sempre mais liberada “autoconsciência” não faz que repetir em outro modo a já acenada pretensão cartesiana de querer “<em>extrair o inteligível do sensível</em>”, e em boa substância de fazer do elemento espiritual uma mera superestrutura do elemento material.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Se, todavia, o acenado élan vital de bergsoniana memória, que faz da “<em>matéria matrix</em>” uma espécie de simultânea “<em>vagina mundi</em>” e “<em>vagina spiritus</em>”, pega os movimentos do seio desta última como <em>biosfera</em> para evolver para a noosfera de uma animalidade tornada humanidade consciente e sempre mais em grau de dirigir o seu próprio processo evolutivo, o ponto ômega de um tal processo, e isto é a «inflexível» resolução do humano no divino, pressupõe o caráter fetal deste último. Pressupõe, em suma, a preeminência procriativa do elemento “<em>mater</em>” sobre o elemento “<em>pater</em>” e a depreciação automática da paternidade a começar pela divina.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Onde se explicam as ímpias falsificações de Deus desejada por não poucos “teologueses” nos termos de um “ Deus – mãe”, de um “Deus andrógeno” e de uma “Mãe eterna”, ou os verdadeiros e próprios cultos de Gea que fermentam na blasfêmia militante da “New Age” e que levam as honras das mais estrepitosas vendas nas livrarias os mentecaptos falsários de Nosso Senhor, em nome de um “Graal” de confecção maçônica e explicitamente ginecocrático. E todavia, colocar a “mulher” como pólo atrativo de todas as reservas passionais e criadas pelo homem – mais nas formas de uma carnalidade que excluí toda finalidade procriativa – não pode não descender a degradação do amor a obtusa fruição animal e da própria mulher a mero “animal fruível”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">O alieno panorama que lhe consegue não é apenas aquele de uma liquefação de identidade nativa, da <em>forma</em>, por assim dizer, na orgia do indistinto coletivo e de uma promíscua e agregante materialidade, mas é sobretudo aquele de colocar o sentido da própria humanidade na ativa cooperação de um tal processo dissoluto. Lhe basta. Do momento que na direção inflexível de um tal processo indefinidamente “<em>parturiente</em>” o homem é inscrito como simples e provisório momento evolutivo, Teilhard de Chardin não hesita em patrocinar o emprego de técnicas genéticas aptas a acelerar a “<em>cerebralização coletiva</em>”, e isto é o salto do humano individual no alieno divinizado de uma espécie de monstruosa e indistinta “<em>materialidade pensante</em>”; e pensante e agente em modo gelidamente unitário, sobre o modelo das abelhas e das formigas. Deve ser compreendido que em tal processo permanecem excluídos aqueles que são chamados a acelera-lo “<em>cirurgicamente</em>”, vale dizer aqueles “cientistas” (leia-se também aqueles “altos iniciados”) que o de Chardin não hesita em colocar nos vértices do governo planetário. Compreende então o sinal do estudioso helvético Titus Burckhardt quando revisa em um tal infame desenho o antefato instrumental, ou para melhor dizer a necessária caixa de ressonância para o advento do Anticristo [9].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Não é só o “sono da razão” a gerar monstros, mas o é também a vigília febril de uma razão ofuscada por si mesma. Em um caso como no outro não está tanto em causa a razão, quanto a <em>qualidade do querer</em> [10]. E é quando a razão se adormenta ou se ativa apenas para fazer-se serva de um querer depravado que essa termina por fazer-se também a escória reveladora.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">O apaixonado e quase maníaco dispêndio da “inteligência” permanece ao serviço de uma autêntica apoteose do feminismo da parte de Teilhard de Chardin não chega a mascarar uma subterrânea motivação de caráter decididamente turvo e manipulativo. Um subterrâneo <em>rudimento misógino</em> – nos termos de uma intolerância pela verdadeira sanidade feminina e pelos obstáculos que essa opõe, em via normal, a toda sorte de escravização libertina – parece verdadeiramente encontrar indireta confirmação no substancial pan-sexualismo erigido por este péssimo jesuíta e falso cientista a pré-ordenado enobrecimento de qualquer possível licença.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Portanto, não é abusivo deduzir que, se este é o mecanismo psicológico que tem animado as visões e as propostas daqueles que são, talvez, um dos mais conspícuos apologistas do feminismo, a agressiva corrosividade deste último não seja tanto por vez contra a bem distribuída mancha machista, ou em socorro das “mulheres oprimidas”, quanto ao invés contra toda residual sanidade dos homens e das mulheres indiferentemente. E, sempre indiferentemente, tudo isto não pode que ser querido por homens e por mulheres literalmente obcecados pelo demônio do poder. Por homens e por mulheres, os quais, na sua infame lucidez, sabem perfeitamente que uma das mais astutas técnicas de escravização consiste propriamente em alimentar tal mito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;"><strong>4 – Impotência e poder</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">A luminosa sabedoria de sempre tem assim advertido: ”<em>Quem quer um poder, já por isso não o merece</em>”, tendo bem presente que o ordenar-se ao ser é já <em>potência</em> por si mesmo. Ordinariamente, todavia, os seres humanos se dividem naqueles que, por assim dizer, praticam a “conjugação existencial” do verbo ser e naqueles que, ao invés, praticam a “conjugação existencial” do verbo poder. Nos primeiros a humilde e pronta fidelidade ao próprio lugar e limite fornece suficiente energia espiritual para não sair fora da moral e do bom senso. Nos segundos, ao contrário, a lívida <em>impotência</em> que vem eles ao ambicionar aquilo que <em>sabem</em> <em>perfeitamente</em> de não encontrar saída na presunção de que basta apenas apossar-se de qualquer <em>poder</em> para ditar como legítima qualquer usurpação sua.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Em palavras mais breves, são aqueles que se fizeram culpavelmente <em>impotentes</em> reclamando um <em>poder</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">&nbsp;E nada além disto, precisamente, é a <em>induzida</em> condição psicológica que torna tão agressivas as feministas. Não por acaso uma das suas perenes fixações é aquela de querer contar sempre mais; e isto não por méritos particulares (salvo que imaginária), mas para a “reinvenção” operada sobre si mesmas. Daqui, portanto, a insípida piada da “<em>mulher narrada pela mulher</em>” ou a idiotia – muito cartesiana, para dizer a verdade – inerente naquele famoso “eu sou minha” que faz pensar tanto em uma sorte de “<em>orgulho da inveja</em>”. Daqui, também a arrogância de uma&nbsp; sub dolosa violência sexual permanente, atuada mediante vestuários e atitudes deliberadamente provocatórios, e todavia ansiando pelo seu “<em>respeito</em>” em nome de um “<em>poder de liberdade</em>” que se quer “afadigosamente conquistado” e que ao contrário é só desejo, cínico e hipócrita descuidado dos efeitos, não certamente “suaves” e “respeitosos”, que, por <em>pulsão natural</em>, vão excitar no outro sexo. Já no começo dos anos Oitenta, Sérgio Gozzoli [11], na sua qualidade de médico, denunciava, em um admirável artigo, todo o desconcerto, e em muitos casos a verdadeira e própria desesperação, dos homens jovens que a ele recorriam para receber conselho e ajuda, constritos como eram a sufocar a própria identidade viril e não considerar as provocações sexuais de que já então eram sujeitos, para imolar estoicamente a uma e as outras sobre o altar de todas as mais “sacrossantas”, intocáveis e licenciosas “liberdades” femininas. Mas de tais problemas ninguém jamais teve a impopular coragem de falar, até que depois os homens acabaram por embrutecerem-se ulteriormente por sua vez, chegando a níveis de ferocidade e de torpeza tais a tornar credível a incumbência de uma autêntica extinção da “raça masculina”.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;"><strong>Benedictus Umber</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;"><strong>&nbsp;</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Notas:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">&nbsp;[1] <em>Merecem ser assinalados, a este respeito, algumas interessantes considerações e assinalações de Julius Evola, notoriamente “expert irmão” sobre muitas “coisas secretas” e bem “iniciado” em seu oculto significado. Ele admite como mais que legítima a hipótese de pensadores como Déscartes “</em>não serem privados de relações com ambientes secretos formando, por assim dizer, do fulcro a ação histórica de forças obscuras”. Depois de ter sublinhado como “os elementos mais importantes da ideologia maçônico-revolucionária do século XVIII seriam dificilmente concebidos sem o cartesianismo”, <em>ele faz notar como caráter aparentemente “católico” da sua filosofia, não seja outro que uma hábil cobertura, a benefício dos “profanos”, intencionada a ocultar as “sementes”, por assim dizer, de todas as plantas venenosas que do seu “cogito” seriam depois desenvolvidas no tempo. Não se pode dizer, portanto, que o filósofo francês não se tivesse consciência do caráter divisor – ainda que a “explosão muito retardada” – das suas teses</em>.&nbsp;&nbsp;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">No mesmo escrito, o E. relata também uma exaurente documentação relativa a possível militância rosa-cruciana de Déscartes em qualquer caso aos seus mais que intuídos contatos com ambientes menos penetráveis pela maçonaria.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Enquanto o lema a ele caro – “bene vixit qui bene latuit” – se referiria sutilmente a um propósito de ocultamento do caráter puramente esotérico do “cogito”, a sigla com que amava abreviar o próprio nome e sobrenome latinizados – R.C.- não pode não levar a nota sigla, R+C, dos Rosa Cruz.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Ver J. Evola, Scritti sulla massoneria, Settimo Sigillo, Roma, 1984, p. 103 — 110, 11 filosofo mascherato.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[2]&nbsp;V. Gioberti,&nbsp;<em>Introduzione allo studio della filosofia</em>, Bocca Ed., Milano, 1941, XX, vol. II, p.86, sgg. Sull’insostenibilità del cogito vedi anche C. Cardona,&nbsp;<em>René Descartes: discorso sul metodo</em>, L’Aquila, 1975, partc., pp.23,24.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[3]&nbsp;P. Baroni,&nbsp;<em>La guerra psicologica</em>, Ciarrapico Ed., Roma, 1986, p.77.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">&nbsp;[4] M. De Corte,&nbsp;<em> A inteligência em perigo de morte</em>, tit. orig.&nbsp;<em>L’intelligence en péril de mort</em>, tr. O. Nemi, Volpe Ed. Roma, 1973, p. 7. Entre muitas outras, merece ser aqui mencionada esta lucidíssima afirmação: <em>“[…] Basta que a inteligência desvie o olhar dos seres e das coisas que o conceito significa, para fixa-lo exclusivamente sobre o conceito mesmo, sobre o fruto das suas vísceras, vale dizer sobre si mesma e sobre a própria subjetividade criadora. A corrente de alimentação que vai da realidade concebida ao conceito vem então quebrada, e, no mesmo tepo, também aquela que torna da expressão a realidade expressa. A experiência vital do real não nutre mais o conceito. O conhecimento degenera em construção de andaime, em arquitetura de fórmulas. Esquemas abstratos substituem a energia e o vigor da conjugação orgânica da inteligência com a realidade. Ao contrário de surgir da experiência dos seres e das coisas e de se refornecer continuamente, em uma espécie de circuito vital, o conceito se torna uma forma fabricada de procedimentos mecânicos no laboratório do cérebro. Ao invés de esposar pela transparência a realidade, isso a encapsula atrás de suas opacas paredes</em>”. Ivi, p.24</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[5]&nbsp;F. Nietzsche,&nbsp;<em>Also sprach Zarathustra,</em>&nbsp;Gesammelte Werke 7, Ungekürzte Ausgabe, Goldmanns Gelbe Taschenbücher, München, 1952, Vom Krieg und Kriegesvolke, p. 38.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[6]&nbsp;H. Delassus,&nbsp;<em>Il problema dell’ora presente: antagonismo fra due civiltà</em>, Roma, 1907, p. 254: “Diceva Vindice:&nbsp;<em>Corrompiamo la donna. Corrompiamola insieme alla Chiesa; corruptio optimi pexima</em>“. Cit. in A.Z.,&nbsp;<em>L’occhio sopra la piramide</em>, Ed. Spirito e Verità, p. 28.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;"><em>Para uma completa documentação sobre este aspecto particular, e para uma mais atenta recognição sobre realidades maçônicas atuais do fenômeno feminista ver o ótimo e muito exauriente</em> La donna alla luce della teologia cattolica, Atti del 2° Convegno Nazionale di studio del movimento&nbsp;<u>Chiesa Viva</u>, Firenze, 16 — 17 — 18 settembre 1975.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">&nbsp;[7] Sobre as modalidades as quais a organicidade da realidade social pode ser corrompida em verdadeiro e próprio “mecanismo”, com caracteres de previdibilidade funcional a manipulação oculta e sobre aspectos sempre mais terrificantes de um tal mecanismo ver o insubstituível A. Cochin,&nbsp;<em>Meccanica della rivoluzione</em>, tit. orig.&nbsp;<em>La Révolution et la libre—pensée</em>, Rusconi ed., Prima edizione, Milano, 1971. Sullo stesso tema e dello stesso A., vedi anche&nbsp;<em>Lo spirito del Giacobinismo</em>, una interpretazione sociologica della Rivoluzione Francese, tit. orig.&nbsp;<em>L’Esprit du Jacobinism</em>, Tascabili Bompiani, Milano, 1989.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">&nbsp;[8] Sobre a figura e a obra de um tão desconcertante personagem, ver partc. . A. Drexler e L. Villa,<em>Analisi di un’ideologia (Pierre Teilhard de Chardin)</em>, tit. orig..&nbsp;<em>Teilhard de Chardin Analyse einer Ideologie</em>, Ed. Civiltà, Brescia, 1970; Sac. L. Villa,&nbsp;<em>Il gesuita massone ed eretico Teilhard de Chardin</em>, Ed. Civiltà, Brescia, 2006. Sobre as aberrantes implicações da gnose teilhardiana, ver o louvável ensaio de tais implicações P. Prini,&nbsp;<em>Plotino e la genesi dell’umanesimo interiore</em>, Abete, Roma, pp.15,16,19,20. Sulla totale inconsistenza scientifica dell’ evoluzionismo, vedi p.e., G. Sermonti R. Fondi,&nbsp;<em>Dopo Darwin — Critica all’evoluzionismo</em>, Rusconi Libri, s.p.a., Milano, 1988. Sulle incredibili “patacche” rifilateci dagli evoluzionisti si rinvia a R. Sermonti,&nbsp;<em>Rapporto sull’evoluzionismo</em>, Ed. Il Cinabro, Catania, 1985.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[9]&nbsp;T. Burckhardt,&nbsp;<em>Scienza moderna e saggezza tradizionale</em>, saggio,&nbsp;<em>Die Herkunft der Arten</em>&nbsp;(<em>L’origine della specie</em>), Documenti di cultura moderna, collana diretta da A. Del Noce ed E. Zolla, Borla Ed. Torino, 1968, nt. p.82.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[10] Sobre o primado axiológico da vontade livre, ver em partic. A. Dalledonne,&nbsp;<em>Il rischio della libertà: S. Tommaso — Spinoza, Marzorati</em>&nbsp;Ed., Settimo Milanese,1990 e&nbsp;<em>Valenze etico — speculative del realismo metafisico</em>, Marzorati, Settimo Milanese, 1993. Dello stesso A. vedi anche&nbsp;<em>L’esercizio del Cristianesimo nel Diario di Soeren Kierkegaard</em>, in&nbsp;<em>Renovatio</em>, luglio — settembre 1985, anno XX, n.3, pp. 407,428. De excepcional relevância são as demonstrações adotadas por Dalledonne a sustento do quanto afirmado sobre este aspecto decisivo da Doutrina de sempre. Em todos os seus numerosos e notáveis escritos o A. faz notar como o primado correntemente acordado a pura faculdade racional do homem não faz que subverter as suas próprias hierarquias interiores, em cima das quais não pode não existir que um ativo transcendimento do próprio “pensar”, em benefício próprio não ignorado “dever ser” e da direção supra – racional. Tudo isto que sai fora de uma tal tensão volitiva ou que a deixe submeter-se a uma estreita “racionalidade” sem outra direção que para si mesma, não é que grosseiramente o mascaramento do “cogito”, e isto é “cultura” no sentido desconsagrado corrente. Tanto é verdadeiro que a “cultura” e a “ideologia” vêm sempre mais reduzir-se a um “catolicismo” que se deixou capturar por uma tal ordem de referimentos. Quase que o homem, para merecer-se o Paraíso, não deva fazer mais conta sobre a própria “bona voluntas”, mas sobre suas capacidades de pensamento, e talvez sobre sua “graduação”. E é claro como, a um olho atento, próprio em uma tal atitude possa revelar-se o sintoma de um interior tanto mais triste quanto maior seja a sua exterior manifestação de obséquio para a chamada “cultura”.&nbsp;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">[11]&nbsp;S. Gozzoli,&nbsp;<em>Il nodo del costume sessuale</em>, in&nbsp;<em>L’uomo libero</em>, Rivista trimestrale, Anno III N° 10, Milano, 1982, pp.41, 58.</span></p>
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		<title>S. FRANCISCO DE SALES: O VERDADEIRO FUNDAMENTO</title>
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</div>
<div></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">São Francisco de Sales</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Controvérsias</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Tradução: Gederson Falcometa</span></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">A posição suprema que teve São Pedro na Igreja militante, em razão da qual é chamado fundamento da Igreja, como chefe e governador, não vai além da autoridade do seu Mestre, antes, lhe é apenas uma participação; de modo que São Pedro não é fundamento da hierarquia fora de Nosso Senhor, mas em Nosso Senhor, tanto que nós o chamamos Santo Padre em Nosso Senhor, fora do qual não seria nada. […] Fundamento é então, Nosso Senhor, e assim também São Pedro, mas com uma notável diferença, que, a comparar com um, se pode também afirmar que o outro não o é. Verdadeiramente, Nosso Senhor é fundamento e fundador, fundamento sem outro fundamento, fundamento da Igreja Natural, Mosaica e Evangélica, fundamento perpétuo e imortal, fundamento da militante e daquela triunfante, fundamento de si mesmo, fundamento da nossa fé, esperança e caridade e do valor dos Sacramentos. São Pedro é fundamento, mas não fundador de toda a Igreja, fundamento, mas fundado sobre um outro fundamento que é Nosso Senhor, fundamento apenas da Igreja Evangélica, fundamento sujeito a sucessão, fundamento da Igreja militante, mas não daquela triunfante, fundamento por participação, fundamento ministerial, não absoluto; enfim, administrador e não senhor e por nada fundamento da nossa fé, esperança e caridade, nem do valor dos Sacramentos. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">São Francisco de Sales, <em>Controvérsias</em>, pgs. 79, 279–280</span></p>
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		<title>P. BONFIGLIO MURA: DA LIBERDADE DE PENSAMENTO, DE PALAVRA E DE IMPRENSA NA SOCIEDADE MODERNA</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2421</link>
				<pubDate>Wed, 08 May 2019 00:39:20 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Padre Bonfiglio Mura]]></category>

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				<description><![CDATA[A liberdade que é a absoluta independência da razão humana em fato de religião proclamada por Lutero, gerando logicamente a liberdade e a independência da própria razão proclamada por Rousseau em fato de política, devia também gerar por rigorosa consequência a liberdade, e a independência do pensamento e por isso de palavra que lhe é a expressão. ]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<header></header>
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<figure id="attachment_2423" aria-describedby="caption-attachment-2423" style="width: 386px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2421/die_pressfreiheit-tiff" rel="attachment wp-att-2423"><img loading="lazy" data-attachment-id="2423" data-permalink="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2421/die_pressfreiheit-tiff" data-orig-file="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/Die_Pressfreiheit.tiff.jpg?fit=320%2C449&amp;ssl=1" data-orig-size="320,449" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="Die_Pressfreiheit.tiff" data-image-description data-medium-file="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/Die_Pressfreiheit.tiff.jpg?fit=320%2C449&amp;ssl=1" data-large-file="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/Die_Pressfreiheit.tiff.jpg?fit=320%2C449&amp;ssl=1" class="wp-image-2423" src="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/Die_Pressfreiheit.tiff.jpg?resize=386%2C542" alt width="386" height="542"  data-recalc-dims="1"></a><figcaption id="caption-attachment-2423" class="wp-caption-text">A liberdade de imprensa, caricatura de Johann Michel Voltz, 1819.</figcaption></figure>
</div>
</div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Padre Bonfiglio Mura, O.S.M.</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Roma, 1863</span><br>
<span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Tradução: Gederson Falcometa</span></div>
</section>
<div></div>
<section class="entry">
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 16pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #800000;"><strong>Gênese e nexo desta liberdade</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">A liberdade que é a absoluta independência da razão humana em fato de religião proclamada por Lutero, gerando logicamente a liberdade e a independência da própria razão proclamada por Rousseau em fato de política, devia também gerar por rigorosa consequência a liberdade, e a independência do pensamento e por isso de palavra que lhe é a expressão. Ninguém em efeito pode estimar-se plenamente livre e independente em fato de religião como de política onde lhe venha subjugado o pensamento, ou a palavra que o exprime, obrigando a um e a outro a depender de uma autoridade qualquer diversa daquela da própria razão e do arbítrio. A sociedade moderna então, querendo e proclamando com Lutero e com Rousseau a independência religiosa e política do homem, devia também querer e proclamar a independência de pensamento e de palavra, e por consequência lógica àquela de imprensa que também essa é a expressão do pensamento, e antes mais durável porque palavra escrita, e mais perniciosa ou salutar nos seus efeitos, porque a palavra articulada pode sentir-se por poucos, e a escrita pode ser lida por muitos, ou mesmo todos. A sociedade moderna longe de renegar estas inferências, as aceita com êxtase, as estima como uma conquista preciosa de quem se arroga todo o mérito, e faria qualquer sacrifício para conservar nesse elemento vital, e a arma mais poderosa da sua vida e da sedução. Renegando tais inferências renegaria Lutero, a independência religiosa e política da razão individual; e esta negação destruiria desde as bases o edifício da sociedade moderna, e seria para a mesma um verdadeiro suicídio. Uma lógica que por isso decide pela sua vida ou pela sua morte a condenação a admitir a liberdade de pensamento, de palavra e de imprensa; e é verdadeiramente um pecado que esta lógica renegue a si mesma onde se fala de liberdade de pensamento, de palavra e de imprensa católica, contra a qual não encontra sofismas, vilanias e rigores que bastem, enquanto faz boa vista a todos os erros mesmo os mais absurdos. Disto não maravilhará a ninguém que recorde a sociedade moderna ser filha da Reforma, e ter desta aprendido a gritar liberdade para todos e em todo gênero, menos para a Igreja e para a consciência católica. Então, a liberdade de pensamento, de palavra e de imprensa é um lógico derivado do princípio luterano aplicado a religião e a política, e as três vozes com as quais ordinariamente vem expressa esta liberdade se podem reduzir a uma só, ou a duas, vale dizer a liberdade de pensamento e da sua manifestação falada ou escrita. O porque as mesmas significam uma só e idêntica liberdade de pensamento, atuada e desenvolvida objetivamente em dois modos diversos, a saber com a palavra ou com o escrito, modos que dão a este desenvolvimento uma diferença de grau e de extensão porque, como observamos agora, a palavra escrita é mais durável e capaz de maior extensão que a falada, ou articulada que se queira chamar. Nós então empregamos estas palavras promiscuamente para significar uma só e mesma coisa, a saber o desenvolvimento prático da liberdade de pensamento.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #800000;"><strong>Sua natureza e freio vão</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">A natureza desta liberdade retira o seu ser e a essência da plena e absoluta independência concedida ao individuo e a sua razão, na dupla aplicação religiosa, e social ou política feita-lhe por Lutero, e por Rousseau. O porque, serem em ambos os casos absoluta e sem limites a liberdade e a independência da razão e do individuo, absoluta deve também ser a liberdade de pensamento e da sua manifestação; e por isso a impor-lhe um freio e um limite qualquer é uma rigorosa contradição, e um dizer não livre e não independente aquilo que na hipótese é livre e independente por natureza. Os discípulos de Lutero podem dizer que este limite se encontra na autoridade das S. Escrituras, e aqueles de Rousseau que também eles admitem um obstáculo a estas liberdades na lei repressiva da imprensa, e no juízo do assim chamado juri: mas nós questionaremos se este freio é lógico, e se pode limitar-se àquilo que a natureza, na sua sentença, concedeu ao homem sem condições e sem limites. Porém, calando sobre esta inconsequência, e do ser e não ser dado e negado as concessões de natureza, o freio em questão nos parece um jogo de vãs palavras e nada mais. Em efeito, a autoridade das S. Escrituras entre os protestantes, não é se não a autoridade de uma letra morta porque é totalmente sujeita ao juízo e a interpretação da razão humana que deu origem as inumeráveis seitas que dividem a Reforma, e que torna esta eminentemente contraditória quando por órgão dos seus ministros, dos catecismos, dos sermões e das reuniões pretende ensinar aos seus sequazes aquilo que devem crer e operar, depois de terem declarado a razão individual dos mesmos juízes supremos em matéria de fé e de moral. O porque, a Escritura que se quer dar por freio a razão protestante, ou é um freio nominal, como é verdadeiramente, em virtude da sua independência da razão individual, ou se é um freio real, a razão não é mais independente. Menos da Escritura se pode dizer-se limite da liberdade a lei repressiva da imprensa, e o consequente juízo do júri. Esta lei realmente não combate em si a liberdade de pensamento, mas a sua manifestação; não veta esta, mas a pune em um caso concreto e particular; não toma de mira a razão e a natureza da coisa, mas um fato; não combate diretamente o erro e o mal, mas pretende prende-lo quando já é mandado a efeito. A lei então, não tira a causa do mal e do erro, mas julga o fato, e o julga quando já produziu o seu efeito, quando o veneno já propinou a tantas mentes e a tantas corações, quando é impossível cancela-lo em si e nos seus efeitos, e por isso quando o juízo e a pena não são, nem podem mais ser proporcionados ao mal social que consiste não no fato parcial tomado de aspiração da lei se não remotamente. As repressões então de que falamos não são proporcionais ao mal que se deveria frear e punir, e deixando isto em todo o seu vigor, se resolve na punição de um fato particular, ou, para falar mais claro, na pena infligida a um cretino que com uma discreta dose de audácia, de paciência e de dinheiro, se ri da pena e daqueles que a decretam. Neste caso, porém, é dito, sim existe pelo menos uma sombra de repressão de uma parte do mal; mas se a lei e os seus intérpretes, que nos modernos júris não são sempre os mais sapientes, favorecem o mal e o erro, ou animados pelo espírito de parte e de privado interesse são indulgentes e tolerantes com os mesmos, que será então da repressão? Esta repressão em tal caso será uma arma potente de política e de partido nas mãos do governo, e ao invés de combater o mal e o erro, combaterá a verdade e o bem, será uma guerra obstinada e desleal a quanto e a quantos não se venderam de corpo e alma ao partido dominante, e fará também pesar a espada de Dâmocles sobre qualquer um que tenha a coragem de proclamar o verdadeiro, enquanto deixará blasfemar impunemente as penas amigas, se também não recompensar estes com canetas de ouro, com empregos lucrativos e com decorações cavalheirescas prostituídas a blasfêmia, a traição, a impiedade. Neste caso a repressão legal pode definir-se a licença do mal, o triunfo do erro e a escravidão do verdadeiro e do bem. Quem conhece a história do moderno jornalismo católico e do heterodoxo, e sabe que é perseguido o primeiro, e levado as estrelas o segundo pela sociedade moderna, encontrará facilmente no nosso raciocinar uma verdade demonstrada pela experiência, pela história e pelos fatos que a cada dia acontecem em muitos países. Que se esta repressão se está contente em tutelar a política e o interesse do governo, e deixa em baila da liberdade de pensamento e política o interesse do governo, e da religião, então a mesma será uma zombaria e um escárnio, antes que uma lei tutelar do público verdadeiro, e do bem, e assemelhará, como assemelha em efeito, a uma lei que permita de vender publicamente o veneno, e depois queira punir aqueles que o vêem, esperando de curar, com esta punição de poucos, os muitos desventurados e infelizes que são subornados. Nem mais e nem menos, tal é a lei repressiva da liberdade de pensamento e de imprensa. Essa autoriza o comércio do veneno, permite a universal propinação do mesmo: mas pune quem o vende, e só em certos casos, deixando um pleno arbítrio dos singulares de compra-lo, bebe-lo e o morrer. Quem não vê então a contradição e a nulidade desta lei que deixa matar ou corromper livremente um povo, e que sonha colocar um obstáculo a tanto mal mandando ao ócio por alguns meses em uma fortaleza e em uma sala muito cômoda não, para além disso, o verdadeiro autor da pública miséria, mas o bode expiatório inventado pela sociedade moderna para lhe fazer as vezes? Nem o assim chamado <em>júri</em>, ou juiz do fato remediando a nulidade e a natureza desta lei: pois que, coloca também a parte a natureza heterogênea dos mesmos e a impotência de julgar com conhecimento de causa de todos, ou de muitos desses, vossa senhoria é coisa clara que o seu juízo é limitado ao puro fato, não ao inteiro mal social; e que por essa razão, ainda que o bom senso prevaleça algumas vezes nos mesmos o espírito de parte, as paixões dos governantes, e a sede de cargos e do ouro, todavia, não poderá jamais tirar a natureza do mal, nem estender-se a grandeza indefinida do mesmo que é mal social, apesar de derivado da própria pessoa. O freio então, imaginado pela sociedade moderna contra o abuso da liberdade de pensamento, de palavra e de imprensa não respondendo a natureza, a extensão, e aos efeitos do mal que quer frear, é um freio completamente nulo e nominal.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Continua…</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Fonte:&nbsp;<em>Estudos filosóficos-polêmicos sobre a sociedade moderna</em>, Capítulo IX, Da liberdade na sociedade moderna, Artigo II: Da Liberdade de pensamento, de palavra, e de imprensa na sociedade moderna, Roma 1863. pag. 223–260.</span></p>
</section>
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		<title>GUSTAVE THIBON: A AUTORIDADE E O AUTORITARISMO</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2153</link>
				<pubDate>Wed, 08 May 2019 00:27:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Autoridade]]></category>
		<category><![CDATA[Autoritarismo]]></category>
		<category><![CDATA[Gustave Thibon]]></category>

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				<description><![CDATA[Se dizemos de um homem que ele « tem autoridade », este juízo é um elogio. Mas se dizemos: ele « é autoritário » exprimimos uma crítica. Onde está a diferença entre autoridade e autoritarismo?]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<header>
<figure id="attachment_204" aria-describedby="caption-attachment-204" style="width: 522px" class="wp-caption aligncenter"><a style="text-align: justify;" href="http://i2.wp.com/simsimnaonao.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2016/08/Sim-Sim-Nao-Nao-Jesus-e-os-fariseus.jpg" data-slimstat="5"><img loading="lazy" class="wp-image-204" src="https://i2.wp.com/simsimnaonao.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2016/08/Sim-Sim-Nao-Nao-Jesus-e-os-fariseus.jpg?resize=587%2C472" sizes="(max-width: 587px) 100vw, 587px" srcset="http://i2.wp.com/simsimnaonao.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2016/08/Sim-Sim-Nao-Nao-Jesus-e-os-fariseus.jpg?w=2356 2356w, http://i2.wp.com/simsimnaonao.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2016/08/Sim-Sim-Nao-Nao-Jesus-e-os-fariseus.jpg?resize=320%2C257 320w, http://i2.wp.com/simsimnaonao.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2016/08/Sim-Sim-Nao-Nao-Jesus-e-os-fariseus.jpg?resize=768%2C617 768w, http://i2.wp.com/simsimnaonao.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2016/08/Sim-Sim-Nao-Nao-Jesus-e-os-fariseus.jpg?resize=960%2C771 960w, http://i2.wp.com/simsimnaonao.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2016/08/Sim-Sim-Nao-Nao-Jesus-e-os-fariseus.jpg?resize=150%2C120 150w, http://i2.wp.com/simsimnaonao.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2016/08/Sim-Sim-Nao-Nao-Jesus-e-os-fariseus.jpg?resize=300%2C241 300w, http://i2.wp.com/simsimnaonao.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2016/08/Sim-Sim-Nao-Nao-Jesus-e-os-fariseus.jpg?resize=1024%2C822 1024w, http://i2.wp.com/simsimnaonao.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2016/08/Sim-Sim-Nao-Nao-Jesus-e-os-fariseus.jpg?w=2000 2000w" alt="Jesus entre os escribas e os fariseus. Tela de Achille Mazzotti, 1844." width="522" height="419"></a><figcaption id="caption-attachment-204" class="wp-caption-text">Jesus entre os escribas e os fariseus. Tela de Achille Mazzotti, 1844.</figcaption></figure>
</header>
<section class="entry">
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;"><strong><span style="color: #000000;">GUSTAVE THIBON</span></strong></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">29 de março de 1974</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Tradução: Gederson Falcometa</span></div>
</section>
<div></div>
<div></div>
<section class="entry">
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Se dizemos de um homem que ele « tem autoridade », este juízo é um elogio. Mas se dizemos: ele « é autoritário » exprimimos uma crítica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Onde está a diferença entre autoridade e autoritarismo?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">A autoridade de um homem se mede pela sua capacidade de mandar, isto é, pela confiança que inspira ao seu próximo e que o inclina a obedecer sem discutir. No célebre drama « Rei Lear », Shakespeare nos mostra o velho rei deposto que vaga pela floresta. Um cavalheiro passando por lá, o encontra e lhe diz: «Não lhe conheço, mas sinto alguma coisa em você que me induz a lhe obedecer. – E que coisa seria essa? Pergunta o rei. – A autoridade».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Autoridade vem da palavra latina&nbsp;<em>augere</em>, que significa: aumentar, fazer crescer. Nisto se encontra o sentido e o escopo da autoridade. Sentimos, diante daquele que a possuí, que obedecendo as suas ordens não seremos enganados, nem assediados ou frustrados, mas que nos realizaremos, que a nossa personalidade se desenvolverá através da disciplina imposta. Em outros temos, sentimos que o chefe não manda em seu próprio nome, mas obedece a uma lei superior que é a do bem comum da qual ele é o representante e o intermediário. Assim, o bom pai de família exercita a autoridade no interesse dos filhos, o bom patrão naquele de todos os membros da empresa e o homem politíco digno deste nome em nome da nação inteira. Neste sentido, o chefe é o servidor de todos. O homem autoritário, pelo contrário, é aquele que manda sem ter em conta as exigências do bem comum e pelo único prazer de exercitar o próprio poder.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">As suas ordens são arbitrárias, caprichosas e, nesta medida, vexatórias para aqueles que as recebem. Contrariamente a etimologia da palavra, a obediência a similares ordens degrada o executor em lugar de eleva-lo. Isto gera, dependendo do caráter do subordinado, o servilismo ou o rebelismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">É importante notar que este autoritarismo é quase sempre típico daqueles que tem a paixão pelo poder sem terem recebido o dom natural da autoridade. Não possuindo as qualidades interiores do verdadeiro chefe, eles buscam preencher esta lacuna multiplicando e exagerando as manifestações exteriores da autoridade. O verdadeiro chefe é respeitado porque a sua autoridade se impõe por sua própria virtude e ele é amado porque sabemos que a exercita para o bem de todos. O chefe autoritário, ao contrário, é temido porque as suas ordens, inspiradas pelo egoísmo e pela vaidade e não pela clara visão do escopo a conseguir, são incoerentes e imprevisíveis, e, portanto, quase impossíveis de cumprir, fato que desencoraja a obediência e cedo ou tarde leva ao desprezo da autoridade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">O melhor exemplo de uma tal contradição interna nos é fornecido por aquela estranha fungibilidade de disciplina rigorosa e de negligência na execução que muitas vezes encontramos na organização militar. – « Não nos apressemos » me dizia um velho sargento, em espera de uma contraordem toda vez que recebia a ordem de um superior. A sã autoridade se exercita a maneira de um diálogo entre duas liberdades unidas em vista de um fim comum: aquela do homem que manda e aquela do homem que obedece. Mas o autoritatrsmo, no deturpar esta relação humana, não pode criar nada além de tiranos que traem o poder de que abusam e dos escravos que são trapaceados pelo poder que sofrem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Artigo original:<em>&nbsp;L’autorité et l’autoritarisme</em>,&nbsp; «Itinéraires», n. 184, junho de 1974</span></p>
</section>
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		<title>P. CORNÉLIO FABRO: ESTAMOS DIANTE DO SURTO DE UMA “PORNOTEOLOGIA” QUE SE EMBEBEDERÁ DO MUNDO</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2390</link>
				<pubDate>Sun, 05 May 2019 16:15:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Teologia]]></category>
		<category><![CDATA[Moral]]></category>
		<category><![CDATA[Padre Cornélio Fabro]]></category>
		<category><![CDATA[Pornoteologia]]></category>

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				<description><![CDATA[...A dificuldade e a prova da fé é aquela de ser novos no antigo e originais no permanente, porque pertence aos homens serem produtivos com a liberdade no âmbito da verdade a qualquer nível, mesmo naquele da fé e da salvação.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div>
<figure id="attachment_2392" aria-describedby="caption-attachment-2392" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2390/fullmural_462_691_55" rel="attachment wp-att-2392"><img loading="lazy" data-attachment-id="2392" data-permalink="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2390/fullmural_462_691_55" data-orig-file="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/fullmural_462_691_55.jpg?fit=462%2C691&amp;ssl=1" data-orig-size="462,691" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="fullmural_462_691_55" data-image-description data-medium-file="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/fullmural_462_691_55.jpg?fit=320%2C480&amp;ssl=1" data-large-file="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/fullmural_462_691_55.jpg?fit=462%2C691&amp;ssl=1" class="wp-image-2392 size-full" src="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/fullmural_462_691_55.jpg?resize=462%2C691" alt width="462" height="691" srcset="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/fullmural_462_691_55.jpg?w=462&amp;ssl=1 462w, https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/fullmural_462_691_55.jpg?resize=320%2C480&amp;ssl=1 320w" sizes="(max-width: 462px) 100vw, 462px" data-recalc-dims="1"></a><figcaption id="caption-attachment-2392" class="wp-caption-text"><span style="font-size: 8pt;">Pintura na catedral Catedral da Diocese de Terni-Narni-Ameliarepresenta Jesus levantando redes cheias de prostitutas, homossexuais, e outros personagens lascivos, para o céu.</span></figcaption></figure>
</div>
<div></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Padre Cornélio Fabro</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">1973</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Tradução: Gederson Falcometa</span></div>
<p style="text-align: justify;">
</p><p style="text-align: justify;" align="left"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">…A dificuldade e a prova da fé é aquela de ser novos no antigo e originais no permanente, porque pertence aos homens serem produtivos com a liberdade no âmbito da verdade a qualquer nível, mesmo naquele da fé e da salvação. O espírito não é uma cesta que recebe passivamente, mas um princípio que atua a si mesmo “dirimindo” com a escolha a alternativa da sua salvação. É isto que é o progresso na continuidade e a fidelidade a tradição segundo a regra áurea de São Vicente de Lérins, inscrita nos textos autênticos do magistério: “Ensina as mesmas coisas que aprendeu de forma que dizendo em modo novo não diga coisas novas. Mas não haverá então, se pergunta prontamente, na Igreja de Cristo nenhum progresso? E como! Responde, e grandíssimo. E quem é o homem tão invejoso aos homens, tão odioso a Deus que buscaria impedir isto? Bem entendido, deve ser um progresso, não uma mudança: um autêntico aumento para cada um e para todos, para casa homem e para toda a Igreja mas no mesmo dogma, no mesmo sentido e na mesma fórmula”.</span></p>
<p style="text-align: justify;" align="left"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Quem pretende avançar retirando os vínculos com o passado, não avança mas se precipita no vázio, não encontra o homem histórico em caminho para o futuro da salvação mas é sugado pelos redemoinhos do tempo sem esperança. A teologia contemporânea parece em crise propriamente sobre este ponto, ou seja, aquele da fé como tensão aberta entre os tempos da salvação que é iluminada pela presença do espírito de Cristo com a guia do Magistério da Igreja. Frequentemente espíritos iluminados manifestam graves perplexidades sobre o endereço da nova teologia “horizontalista” suscitando um incêndio de protestos da parte dos interessados – sem ainda porém obter aquele encontro e confronto sobre precisas constestações as quais convidam – confirmando assim a realidade e a gravidade da situação. Contudo, o convite do Lerinense está sempre aberto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Por isso podemos nos perguntar: qual mensagem de salvação pode anunciar ao mundo uma teologia que desmitiza os eventos da salvação, que deixa na sombra – qualquer um lhe nega ou lhe omite completamente – os mistérios e dogmas fundamentais do Cristianismo para aplicar-se unicamente as estruturas sócio-politico-economicas do homem recusando o mistério da queda e da rendenção do homem reduzidas a meras “metáforas”? Qual princípio de renovação pode ser uma teologia que seculariza sem escrupulos a moral e, quase envergonha-se do ideal de pureza e de pobreza cristãos, irrompe também essa ao ensinamento do prazer, a recusa do sacríficio, para celebrar a abertura dos sexos (pornoteologia): brevemente, para alinhar-se a luta de classes, para proclamar a inocência libertadora dos instintos com a brutalidade das psicanálises mais retrógradas? Que deve fazer o mundo, ou que coisa pode fazer de uma teologia sem pudor, que desarma diante ao mal? Coisa pode significar para a sociedade consumista, que precipita no tédio e na rebelião do ato gratuito, uma teologia que para salvar o mundo se embriagarà com o veneno que intoxica o mundo?</span></p>
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		<title>CARDEAL SIRI: REFLEXÃO SOBRE A MODA</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2395</link>
				<pubDate>Sun, 05 May 2019 16:12:27 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
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				<description><![CDATA[Cardeal Siri Tradução: Gederson Falcometa Moda é um costume que prescinde da racionalidade e isto significa que pode ser, e é muitas vezes de fato, irracional, e que vem imposto por uma pressão emotiva, não racional. Então, são dois os elementos constitutivos: o costume alógico e a imposição do exterior por vias de sugestão. O [&#8230;]]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div><a href="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2395/ideali-santi-e-celeste-presenza-nel-mondo-1965" rel="attachment wp-att-2397"><img loading="lazy" data-attachment-id="2397" data-permalink="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2395/ideali-santi-e-celeste-presenza-nel-mondo-1965" data-orig-file="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/Ideali-santi-e-celeste-presenza-nel-mondo-1965.jpg?fit=299%2C400&amp;ssl=1" data-orig-size="299,400" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="Ideali-santi-e-celeste-presenza-nel-mondo-1965" data-image-description data-medium-file="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/Ideali-santi-e-celeste-presenza-nel-mondo-1965.jpg?fit=299%2C400&amp;ssl=1" data-large-file="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/Ideali-santi-e-celeste-presenza-nel-mondo-1965.jpg?fit=299%2C400&amp;ssl=1" class="aligncenter size-full wp-image-2397" src="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/Ideali-santi-e-celeste-presenza-nel-mondo-1965.jpg?resize=299%2C400" alt width="299" height="400"  data-recalc-dims="1"></a></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Cardeal Siri</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Tradução: Gederson Falcometa</span></div>
<div></div>
<div></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Moda é um costume que prescinde da racionalidade e isto significa que pode ser, e é muitas vezes de fato, irracional, e que vem imposto por uma pressão emotiva, não racional. Então, são dois os elementos constitutivos: o costume alógico e a imposição do exterior por vias de sugestão. O prescindir da racionalidade (que pode existir, mas que não é entendida), é fato deterior em quem, inteligente, livre e responsável deveria sempre usá-la. O aceitar uma imposição do exterior, sem motivos, coloca em perigo de seguir uma via má; porque o critério não aquele da bem informada consciência. No mais existe uma cessação e uma capitulação, que se dá em detrimento da dignidade. Este outro aspecto implica alguma coisa de deterior. Se tratará em cada caso de um pecado? Seria imprudente afirmá-lo, porque as modas podem se desenvolver em campos sobre os quais não grava a obrigação moral de fazer antes a um modo que ao outro, e porque frequentemente o seu processo de penetração é tão pouco advertível, a justificar um certo véu de desatenção, se não propriamente de incosciência. Moda e inconsciência se encontram bem juntas. Todavia mesmo quando não se pode afirmar o pecado, permanece uma certa inconviniência pelas razões acima expostas.</span></p>
<p style="text-align: justify;" align="justify"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Escrito pelo Cardeal Giuseppe Siri extraído do livro “Ideali santi e celeste presenza nel mondo”, Edizioni della Fraternità della Santissima Vergine Maria, 1965.</span></p>
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		<title>FRANCESCO LAMENDOLA: ROGER SCRUTON E A INVENÇÃO DA OICOFOBIA (MEDO DE CASA)</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2383</link>
				<pubDate>Wed, 01 May 2019 16:09:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Francesco Lamendola]]></category>
		<category><![CDATA[Medo de casa]]></category>
		<category><![CDATA[Oicofobia]]></category>
		<category><![CDATA[Oikofobia]]></category>
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				<description><![CDATA[Mas o que é a oicofobia? Em psiquiátria a oicofobia é uma aversão para com o ambiente doméstico. Pode também ser usado mais geralmente para indicar um medo anormal (uma fobia) da casa ou do seu conteúdo, o termo deriva da palavra grega oikos, que significa família, casa ou lar, e fobia, que significa “medo”. ]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" align="justify"><span style="color: #800000; font-size: 16pt;"><strong><span style="font-family: Georgia, serif;">Roger Scruton: </span></strong></span></div>
<div style="text-align: center;" align="justify"><span style="color: #800000; font-size: 16pt;"><strong><span style="font-family: Georgia, serif;">“</span></strong><strong><span style="font-family: Georgia, serif;">O filósofo que inventou a oicofobia</span></strong><strong><span style="font-family: Georgia, serif;">”</span></strong></span></div>
<div align="justify"><a href="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2383/oicofobia" rel="attachment wp-att-2385"><img loading="lazy" data-attachment-id="2385" data-permalink="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2383/oicofobia" data-orig-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/oicofobia.gif?fit=500%2C250&amp;ssl=1" data-orig-size="500,250" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="oicofobia" data-image-description data-medium-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/oicofobia.gif?fit=320%2C160&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/oicofobia.gif?fit=500%2C250&amp;ssl=1" class="aligncenter  wp-image-2385" src="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/05/oicofobia.gif?resize=624%2C312" alt width="624" height="312"  data-recalc-dims="1"></a></div>
<div align="justify"></div>
<div style="text-align: center;" align="justify"><span style="color: #000000; font-size: 16pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Francesco Lamendola</span></div>
<div style="text-align: center;" align="justify"><span style="font-size: 16pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Accademia Nuova Italia</span></div>
<div style="text-align: center;" align="justify"><span style="color: #000000; font-size: 16pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Tradução: Gederson Falcometa</span></div>
<div style="text-align: center;" align="justify"></div>
<p align="justify"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Mas o que é a oicofobia? Em psiquiátria a oicofobia é uma aversão para com o ambiente doméstico. Pode também ser usado mais geralmente para indicar um medo anormal (uma fobia) da casa ou do seu conteúdo, o termo deriva da palavra grega oikos, que significa família, casa ou lar, e fobia, que significa “medo”. Em 1808 o poeta e ensaista Robert Southey usou a palara para descrever um desejo (em particular dos ingleses) de deixar a casa e viajar. O uso de Southey como sinônimo de wonderlust foi recolhido por outros escritores do século dezenove. O termo foi usado também em contextos políticos para referir-se criticamente a ideologias políticas que repudiam a própria cultura e louvam os outros. A primeira utilização deste tipo foi escrita por Roger Scruton em um livro de 2004.</span></p>
<p style="text-align: center;" align="justify"><span style="color: #800000;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;Uso psquiátrico</span></strong></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">No uso psiquiátrico, a oikofobia se refere tipicamente ao medo do espaço físico do interior doméstico e é particularmente ligado ao medo de eletrodomésticos, banheiros, aparelhos elétricos e outros aspectos da casa percebidos como potencialmente perigosos. O termo é corretamente aplicado só ao medo de obetos do interior da casa. O medo da própria casa é definido domatofobia. Na era pós Segunda Guerra Mundial alguns comentadores usaram o termo para referir-se a um presumido “medo e aversão pelos afazeres domésticos” vividos por mulheres que trabalham fora de casa e que eram atraídas por estilo de vida consumista.</span></p>
<p style="text-align: center;" align="justify"><span style="color: #800000;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;Uso de Southey</span></strong></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">Southey usou o termo em Cartas da Inglaterra (1808), afirmando que se tratava de um produto de “um certo estado de civilização ou luxo’, referindo-se ao hábito das pessoas abastadas de visitar as cidades termais e as localidades balneárias nos meses estivos. Ele menciona também a moda por viagens pitorescas para paisagens selvagens, como as montanhas escocesas. A ligação que Southey faz da oikofobia com a riqueza e a busca por novas experiências foi tomada por outros escritores e citada em dicionários. Um escritor de 1829 publicou um ensaio sobre sua experiência testemunhando as consequências da Batalha de Waterloo, dizendo “o amor pela locomoção é tão natural para um inglês que nada pode prendê-lo em casa, mas a absoluta impossibilidade de viver no exterior. Nenhuma necessidade tão imperiosa que age sobre mim, cedi a minha oiko-fobia e no verão de 1815 me encontrei eu em Bruxelas”. Em 1959 o autor-egipcío Bothaina Abd el-Hamid Mohamed usou o conceito de Southey no seu livro Oikophobia: ou, Uma mania literária para a educação através das viagens.</span></p>
<p style="text-align: center;" align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; color: #800000; font-size: 14pt;"><b>Uso político: Roger Scruton</b></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">No seu livro de 2004 <b>A Inglaterra e a necessidade das nações</b>, o filósofo conservador britânico <b>Roger Scruton</b> adaptou o termo “o repúdio da herança e da casa”. Sustentou que é “<i>um estado através do qual a mente do adolescente normalmente passa</i>”, mas que é também uma característica de apenas alguns e tipicamente de esquerda. E são impulsos políticos e ideológicos que se esposam com a xenofilia, isto é, a preferência pelas outras culturas alienas a sua. Disto Scruton usa o termo como antítese da xenofobia.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">No seu livro, Roger Scruton: Philosopher su Dover Beach, Mark Dooley descreve a oikofobia como centrada no interior do establishment acadêmico ocidental sobre “<i>seja a cultura comum do Ocidente, seja no velho curriculum educativo que buscava transmitir os seus valores humanos</i>”. Esta disposição cresceu, por exemplo, nos escritos de Jacques Derrida e no assalto de Michel Foucault a sociedade burguesa resultando em uma “anti-cultura” que tomou como alvo o sagrado, condenando, repudiando e considerando-lhes opressivos e plenos de poder.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000; font-size: 14pt;">Derrida é um oikofobo clássico na medida em que repúdia a brama de casas que as tradições teológicas, legais e literárias ocidentais satisfazem. A deconstrução de Derrida busca bloquear o percursso para esta “experiência fundamental” de pertencimento, preferindo ao invés uma existência sem raízes fundada “sobre o nada”.</span></p>
<p align="justify"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Uma extrema aversão pelo sagrado e o contrastar a conexão do sagrado com a cultura do ocidente que é descrito como <b>o motivo de fundo da oikofobia</b>; e não a substituição do cristianismo com um outro coerente sistema de crenças. O paradoxo da oikofobia parece ser que qualquer oposição dirigida a tradição teológica e cultural do Ocidente deve ser encorajada também se é “<em>significamente mais paroquial, exclusivista, patriarcal e etnocêntrica”</em>. Scruton descreveu<em> “</em><em>uma forma crônica de oikofobia [</em><em>que</em><em>] se difundiu através da universidade americana, nas vestes do politically correct</em><em>”.</em></span></p>
<div align="justify"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">&nbsp;O uso de Scruton foi retomado por alguns comentadores políticos americanos para referir-se àquilo que vêem como uma rejeição da tradição cultural americana por parte da élite liberal. Em agosto de 2010, James Taranto escreveu uma rúbrica no Wall Street Journal intitulada “Oikofobia: porque a élite liberal considera revoltantes os americanos”, em que criticava os sustentadores do proposto centro islâmico em New York como oikofobes que defendia os muçulmanos que miravam, em suas palavras, a “<i>exploração das atrocidades de 11 de setembro</i>”. Nos Países Baixos, o termo oikofobia foi adotado pelo político e escritor Thierry Baudet, que descreve no seu livro, Oikofobia: O medo de casa.</span></div>
<div align="justify"></div>
<div style="text-align: right;" align="justify"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;"><a href="http://www.accademianuovaitalia.it/index.php/cultura-e-filosofia/filosofia/6673-il-filosofo-che-invento-l-oicofobia">Roger Scruton: il filoso dell’oicofobia</a></span></div>
<div style="text-align: right;" align="justify"><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif; color: #000000;">Accademia Nuova Italia</span></div>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>P. CURZIO NITOGLIA: O EQUÍVOCO GUENONIANO</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2377</link>
				<pubDate>Mon, 29 Apr 2019 16:12:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Padre Curzio Nitoglia]]></category>
		<category><![CDATA[Perenialismo]]></category>
		<category><![CDATA[René Guénon]]></category>

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				<description><![CDATA[René Guénon († 1951) evidenciou, criticando, a crise do mundo moderno e reabilitou a Tradição. Mas qual é a Tradição a que ele se refere e qual é o aspecto da Modernidade que criticou nas suas obras?]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;"><a href="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2377/guenon" rel="attachment wp-att-2379"><img loading="lazy" data-attachment-id="2379" data-permalink="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2377/guenon" data-orig-file="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/04/Guenon.png?fit=274%2C500&amp;ssl=1" data-orig-size="274,500" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="Guenon" data-image-description data-medium-file="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/04/Guenon.png?fit=263%2C480&amp;ssl=1" data-large-file="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/04/Guenon.png?fit=274%2C500&amp;ssl=1" class="aligncenter size-full wp-image-2379" src="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/04/Guenon.png?resize=274%2C500" alt width="274" height="500" srcset="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/04/Guenon.png?w=274&amp;ssl=1 274w, https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/04/Guenon.png?resize=263%2C480&amp;ssl=1 263w" sizes="(max-width: 274px) 100vw, 274px" data-recalc-dims="1"></a></span></p>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Padre Curzio Nitoglia</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Tradução: Gederson Falcometa</span></div>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">“Tradição” espúria guenoniana</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">René Guénon († 1951) evidenciou, criticando, a crise do mundo moderno e reabilitou a Tradição. Mas qual é a Tradição a que ele se refere e qual é o aspecto da Modernidade que criticou nas suas obras?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A Tradição guenoniana não é a Tradição apostólica, mas a “Tradição primordial”, ou seja, um conhecimento (gnosis) iniciático/esotérico, auto-salvífico e até mesmo auto-divinizante mediante apenas o conhecimento (gnosis) do iniciado na escola de um mestre (guru) ou um sábio (eleito).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A iniciação guenoniana é ativada e se adquire naturalmente por parte do iniciado mediante a gnose ou conhecimento esotérico; essa é profundamente diferente da Mística cristã, que é passiva mas a qual é preciso então corresponder, é sobrenatural e infundida pelo Espírito Santo na alma do justo.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Guénon filo-maçom cabalista anti-cristão</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">No ocidente, segundo Guénon, a única força capaz de transmitir a Tradição primordial seria a Maçonaria especulativa e mística, ou seja, cabalista (dado que a filosofia esotérica da Maçonaria é a cabala hebraica), e não seria mais a Igreja Católica, que teria perdido desde os primeiros séculos a verdadeira Tradição esotérica. Todavia, paradoxalmente (mas não muito) segundo os guenonianos a teria re-encontrado com os Decretos pastorais do Concílio Vaticano II Nostra Aetate e Unitatis redintegratio, que propõem o pan-ecumenismo ou a unidade transcendente de todas as religiões, tanto auspiciada por parte de Guénon e Schuon.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">No oriente, para Guénon, a filosofia hindú seria ainda mais perfeita transmissora da Tradição primordial que a Maçonaria cabalista no ocidente. Ora, o hinduísmo e o budismo são uma filosofia niilista fundada sobre o nada, que está a frente do Niilismo filosófico da pós-modernidade de Nietzsche, da Escola de Frankfurt e do Estruturalismo francês, que nos levou ao cumprimento e a superação do pior da Modernidade, ou seja, ao paroxismo ultra-moderno e pós-moderno que se desencadeou com toda virulência com o Sessenta e oito. Mas como se faz para criticar a crise da Modernidade buscando curar a pós-modernidade que é ultra-moderna? Se pode talvez curar a um resfriado com a pneumonia? E a pneumonia com um câncer nos pulmões?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A Tradição primordial também é chamada por Guénon de “meta-física”, ou seja, acima (metà) do mundo material (tà physicà). Todavia a meta-física guenoniana não tem nada a que compartilhar com a platônica, aristotélica e tomista. De fato, essa está além, acima não tanto do mundo físico quanto sobretudo da Religião revelada e positiva especialmente católico-romana, que seria para Guénon uma Tradição desviada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Então, mais que de meta-física, em Guénon, se deveria falar de meta-religião, termo usado pelo padre do neo-modernismo Pierre Teilhard de Chardin († 1955) que com a doutrina panteísta e pancristica do “Cristo cósmico”, falava de “meta-cristianismo”. Ora, deixa mais que perplexo o fato que o contestador da crise do mundo moderno o critique baseando-se no Modernismo filosófico/teológico, que é a expressão mais radical da Modernidade. Como deixa perplexo o fato de que Julius Evola († 1974) se revoltasse contra o mundo moderno seguindo o Idealismo absoluto de Schelling, produto último e mais paroxístico que o Eu hegeliano, subjetivamente criador da realidade, corrigido com uma pitada de mágia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Em ambiente católico tradicional e anti-modernista muitas vezes, de boa fé, se equívoca a respeito do guenonismo (mas não vice-versa) tomando os termos Tradição e Modernidade em sentido estritamente católico, enquanto para Guénon são termos ou conceitos idênticos, que tem um significado totalmente diverso (equivoco). Caindo assim na armadilha de Guénon, que sempre buscou, desde a sua juventude, infiltrar o catolicismo para erodi-lo a partir de seu interior como fizeram o Gnosticismo no século II e o Modernismo no século XX. Não por acaso o Modernismo e o Gnosticismo contém no seu profundo as doutrinas esotéricas, ocultas e iniciáticas a qual se refere Guenon.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Tradição Cristã</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A Tradição católica é a divino apostólica. A Tradição juntamente com a Bíblia é uma das duas “fontes” da divina Revelação. Essa é também a “transmissão” (tradere, transmitir) oral de todas as verdades reveladas por Cristo aos Apóstolos ou sugeridas a eles pelo Espírito Santo, e que chegaram a nós mediante o Magistério sempre vivo da Igreja, na série nunca interrompida de sucessores de Pedro, assistida por Deus até o fim do mundo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A Tradição juntamente com as Sagradas Escrituras é o canal continente (Tradição passiva) e o veículo transmissor (Tradição ativa) da Palavra revelada.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A tradição cristã se divide em</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">a) Tradição divina (ensinada diretamente por Cristo aos Apóstolos);</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">b) Tradição divino-apostólica (os Apóstolos não a escutaram da boca de Cristo, mas a tiveram por inspiração do Espírito Santo).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Essa consiste naquelas verdades ou preceitos morais, disciplinares e litúrgicos, os quais derivam diretamente de Cristo ou dos Apóstolos enquanto promulgadores da Revelação, iluminados pelo Espírito Santo, e transmitidas — mediante os Padres apostólicos, apologistas e eclesiásticos — aos homens de todos os tempos incorruptas até o fim do mundo, por isso ela é objeto de fé divina.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Os primeiros ‘Discípulos” dos Apóstolos receberam de maneira direta e imediata a Tradiçao da boca dos Doze, enquanto os posteriores a recebem de maneira indireta e mediada, através do ensinamento dos sucessores de Pedro (Papas) e dos Apóstolos (os Bispos) cum Petro et sub Petro: o Magistério é o órgão da transmissão ininterrupta da mesma herança recebida dos Apóstolos por parte de Cristo ou do Espírito Santo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A Tradição oral não excluí que depois venha a ser colocada por escrito, mas não sob a “divina Inspiração” (como ao invés a S. Escritura) enquanto, com o passar do tempo, a transmissão a voz vem fixada em documentos escritos ou em epígrafos. Por exemplo a validade do Batismo dos recém nascidos é Tradição, porque é palavra de Deus não escrita sob divina inspiração, mas é atestada unanimemente por quase todos os antigos escritores eclesiásticos. Todavia, o escrito é apenas um subsídio da Tradição oral. Onde podem ser Tradições ou ensinamentos divino/apostólicos dos quais nada foi escrito. Será a voz do sucessor de Pedro ou da Igreja, ou seja, o Magistério vivente na pessoa do Papa atualmente reinante a garantir que tais verdades são de origem divina ou divino/apostólica. Só neste sentido subjetivo se pode falar de Tradição “vivente” ou melhor ainda de Magistério vivente, enquanto o ensinamento divino ou apostólico, objeto da Tradição, vem transmitido ininterruptamente pela cadeia dos Papas vivos “todos os dias (e em ato) até o fim do mundo”.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">É doutrina comumente ensinada que a Tradição é mais rica que a sola Scriptura.</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Mais rica:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">1º) em antiguidade (também a Escritura antes de ser colocada por escrita foi Tradição, enquanto transmissão a viva voz da Revelação divina);</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">2º) em plenitude (enquanto a Tradição contém todas as verdades reveladas ao passo que a Escritura não) e</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">3º) em suficiência (porque a Escritura tem necessidade da Tradição para estabelecer a sua autoridade).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">O Tradicionalismo clássico do século XVIII francês é um sistema que deprecia a capacidade cognoscitiva da razão humana e lhe substituí com a “Tradição primitiva do gênero humano” ligada a gênese da linguagem e a Monarquia de direito divino.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Tradicionalismo político, filosofia política tomista e doutrina social da Igreja</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Segundo de Bonald (Teoria do poder político e religioso na sociedade civil, 1796) também a doutrina política sobre a origem da sociedade civil e sobre única (para ele) verdadeiramente boa forma de governo (Monarquia hereditária e absoluta de direito divino) foi dada, como a linguagem, por Deus a humanidade. Então, o monarquismo absoluto bonaldiano faz uma reductio ad unum com o Tradicionalismo fideísta da gênese da linguagem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Segundo esta teoria o poder viria imediatamente de Deus ao chefe, sem passar através do povo como canal. Deus escolheria um indivíduo sobre o qual conferiria o poder. Ora, isto é verdadeiro para a Igreja Católica, para o Rei do Antigo Testamento, mas não para a autoridade humana do Novo Testamento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Ao invés disso — segundo Aristóteles e Santo Tomás — a autoridade vem de Deus como causa remota, mas Deus não manifesta (per se ou normalmente) diretamente qual seja a pessoa ou o regime de governo que deva exercitar o poder (pode fazê-lo per accidens ou excepcionalmente, mas em filosofia se leva em consideração o per se, ou seja, a regra, e não a exceção). A pessoa é escolhida do corpo social. O povo, porém, atenção!, não cria o poder, mas designa a pessoa que o deve exercitar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A Monarquia de direito divino, na qual o rei obtém o poder diretamente de Deus, se presta a uma dúplice interpretação:</span></p>
<p style="text-align: justify;">a) <span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">o poder deriva, como de fonte remota, de Deus, e isto é de Fé: “todo poder vem de Deus” (Rm XIII, 1); </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">b) a autoridade real deriva diretamente ao Príncipe de Deus, e por isso é separada (ab-soluta) de qualquer vínculo ou dependência (do Papa, da Igreja e do povo, mesmo quando o monarca se torna tirano) e isto é contrário a sã doutrina.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">O “poder delegado do povo canal” é a tese ensinada pela primeira escolástica (S. Tomás), pela segunda escolástica (Belarmino e Suárez), pela terceira escolástica, pelos teólogos aprovados do século XX e XXI e — ininterruptamente — pelo Magistério eclesiástico a partir de Gregório XVI até Pio XII. A escolha do chefe pertence ao corpo social, entendido como sanior pars, de modo que a autoridade trabalhe pelo bem comum. É preciso especificar que o povo (que não é a massa amorfa) “tem” o poder apenas para comunicá-lo ao chefe, ou seja, o povo é sujeito imperfeito ou transitivo ou “via” do poder, enquanto o chefe “é” sujeito perfeito e permanente desse; isto é o chefe detém estavelmente o poder como seu, uma vez dado-lhe ele não pode ser tirado-lhe pelo povo a seu capricho (a não ser em caso de tirania); ele tem a autoridade estavelmente, porque lhe vem, mediante o povo-canal, de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Esta é a doutrina escolástica e católica ou a teoria tradicional do poder-delegado diametralmente diversa daquela tradicionalista fideísta de de Bonald, de Maistre e sequazes. Deus é fonte remota de poder, o povo lhe é apenas canal de transmissão e, uma vez que a comunidade normalmente não sabe perfeitamente e estavelmente, exercitar o poder, eis a necessidade de escolher uma pessoa (ou mais, segundo a forma de governo) a qual transfere o poder e na qual o poder permanece estavelmente.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Santo Tomás ensina que as possíveis formas de governo são três: monarquia, aristocracia, politéia (hoje ‘democracia’ clássica, essencialmente diversa do ‘democratismo’ moderno de Rousseau). Ele considera a monarquia como a primeira forma de governo (o governo de um só), que, porém, pode degenerar em tirania. A segunda forma de governo considerada pelo Aquinate é a aristocracia (governo dos melhores ou virtuosos), que pode degenerar em oligarquia, ou seja, tirania de poucos. A terceira forma é a politéia (governo dos magistrados ou dos cidadãos/militares) ou timocracia (governo no qual os cargos são atribuídos tendo por base a honra e a força da sanior pars populi). Hoje, em lugar da politéia ou timocracia, prevaleceu o uso da palavra democracia — que para os clássicos e os escolásticos tinha já de per sé uma valência negativa — a qual pode degenerar em demagogia, como se diz comumente hoje.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;"><span style="color: #800000;">A melhor forma de governo segundo S. Tomás e o Magistério não é aquela de de Bonald</span> </span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Segundo a tradição escolástica, a melhor forma de governo não é a monarquia absoluta e hereditária de direito imediatamente divino (como queria de Bonald), mas é uma forma “mista”, dada a malícia do homem ferido pelo pecado original que facilmente é levado a degeneração. Na Suma Teológica (I‑II, q. 95, a. 4) Santo Tomás escreve: “existe um certo regime, que é um misto destas três formas, o qual é o melhor”. E ainda: “a melhor forma de poder é bem temperada pela união da monarquia, em que comanda um só, e pela aristocracia, em que comandam os melhores ou os virtuosos, e pela democracia, que é o poder do povo, enquanto os Príncipes podem ser escolhidos na classe popular e podem ser eleitos pelo próprio povo” (S. Th., I‑II, q. 105, a. 1). Todo bom regime deve, então, ser misto e radicado no princípio de povo-canal, que transmite tarefas e funções de governo ao homens aptos, preparados e honestos (os melhores); enquanto ao vértice, a suprema unidade de governo pertence a um homem prudente e maduro (o monarca).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Santo Tomás, retomando e aperfeiçoando o ensinamento de Aristóteles, sublinha que a monarquia é mais nobre que a aristocracia e esta o é mais que a democracia. Todavia, Santo Tomás alerta para os perigos da monarquia, não enquanto perigosa em si mas por causa da malícia do homem. Se pode, então, concluir que a mais nobre forma de governo, a monarquia, é bom que seja temperada pela aristocracia e pela timocracia ou democracia (obviamente não a democracia moderna ou demagogia, segundo a qual o poder não deriva de Deus mas do homem).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Na sua obra De Regimine principum Santo Tomás explica ser necessário que os homens, vivendo em sociedade, sejam governados por alguém: “se é natural para o homem viver em Sociedade, é necessário que entre os homens exista algum que governe o povo. De fato, quando os homens são em muitos, se cada um provesse apenas aquilo que lhe serve, o povo se fragmentaria nos seus componentes, supondo que não existisse quem se ocupasse do bem comum; assim como o homem se dissolveria se no corpo não existisse uma faculdade coordenadora geral (o cérebro) dirigida ao bem comum de todos os membros […]. Se uma multidão de homens é ordenada pelo chefe para o bem comum de todos, o governo será reto e justo. Se ao invés o governo é ordenado não ao bem comum, mas ao bem privado do chefe, será injusto e perverso”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">O Aquinate explica, além disso, que é mais útil que uma multidão de homens seja governada por um só, ao invés de muitos. Isto enquanto o um por essência pode garantir a unidade melhor que muitos indivíduos. Então, é mais útil que o governo de um só que de muitos. Mas Santo Tomás alerta para o perigo que também a melhor forma de governo, por causa das consequências do pecado original, pode degenerar e se tornar tirania de um só que é pior que a tirania de poucos (oligarquia) assim como esta é pior que a tirania de muitos (demagogia). A coisa melhor se contrapõem aquela pior e um governo é tanto mais injusto, quanto mais se distancia do bem comum, como aquele de um só tirano. É preciso, de qualquer modo, considerar também o enorme dano ao bem comum que derivaria da caótica participação de muitos, ineptos e moralmente corruptos, na gestão do poder.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Para Aristóteles e Santo Tomás, a democracia é a degeneração da politéia ou timocracia, enquanto essa se baseia sobre o povo reduzido a massa informe ao passo que a timocracia é fundada sobre a participação equitativa do povo no poder, formada por pessoas racionais, livres e honestas. Enquanto sistema, a soberania reside na lei e não na multidão e nas suas deliberações. Na democracia (hoje diremos demagogia), entendida como degeneração da politéia ou timocracia, a lei perde a própria força e a massa informe e amorfa se torna árbitro do Estado. Em tal sistema os demagogos, e não os melhores, tem as rédeas do governo, e as leis positivas como especificações da lei natural (entendida como participação na lei eterna ou divina), inscrita pelo Criador no ânimo humano, não são mais soberanas, mas dependem do capricho da multidão despótica. A politéia ou timocracia (hoje diremos democracia clássica) se funda sobre a participação do povo no poder de forma responsável e ordenada. Todo civil deve ter a possibilidade de participar, se capaz e digno, na vida política da nação. Qualquer que seja a forma do poder, é essencial que quem o exercite legitimamente tenha a consciência de não ser a origem da soberania, e, consequentemente, de não ter algum direito ao exercício do poder em sentido absoluto. Quem governa — seja esse o rei, o chefe de uma república, os membros de um governo — deve considerar-se vassalo de Deus, ou seja, subordinar-se ao Único Senhor origem da autoridade e da soberania, que — através do instrumento povo/canal — transmite a quem é legitimamente destinado a guiar o Estado a instituição deputada a governar a vida do consórcio humano associado. Uma subordinação que se concretiza na adesão integral, exatamente por parte do Estado, a ética natural e cristã. Como se vê, com o tomismo, estamos nas antípodas do bonaldismo ou Tradicionalismo político, desta Tradição primordial, que segundo de Bonald, acomuna todas as religiões positivas, as engloba e as supera (como também todos os governos). L. de Bonald, como J. de Maistre, ensina que o homem teria ideias inatas e não lhes abstrai do conhecimento sensível, como ensinam Aristóteles, Santo Tomás e toda a primeira, segunda e terceira escolástica. O homem teria recebido de Deus uma “linguagem primitiva” e uma “Tradição primordial” linguística e política desde a criação. Segundo eles a linguagem e as ideias que são expressas pela linguagem não são obra do homem mediante a abstração do conceito inteligível da coisa sensível e então mediante uma convenção com a qual os homens tem decidido a dar tal nome a um conceito (por exemplo ‘homem’ ao animal racional). A linguagem primordial transmitida de geração em geração, manteria a Tradição primordial segundo eles (compreendido o panteísta medieval Scott de Erígena, no qual se baseiam).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Como se vê, a Tradição cristã é diametralmente diversa daquela esotérica e fideísta. Todos os homens, a qualquer religião que pertençam, tem a mesma Tradição e verdade primordial transmitida por uma linguagem infundida primitivamente na mente humana pela Divindade. As diversas (por elementos acidentais postiços e adventivos) religiões, então, são inferiores a pura Tradição primordial, a meta-religião ghenoniana e devem ser consideradas iniciaticamente segundo a unidade transcendente de cada religião (F. Schuon † 1998).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Segundo de Maistre e de Bonald a religião mais próxima a Tradição primitiva é o cristianismo, enquanto para Guénon é o hinduísmo juntamente ao esoterismo islâmico e àquele oriental e para Evola é o neopaganismo panteísta. Mas, na realidade, é a cabala ou a falsa mística hebraica que acomuna todas essas várias falsas concepções esotéricas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">É curioso notar como um notável estudioso e ancião adepto do guenonismo Jacques-Albert Cuttat, define o guenonismo como um “neo Tradicionalismo”. Parece que que Guénon retomou e sublimou, a luz da filosofia oriental, as três teses fundamentais do Tradicionalismo oitocentista francês (especialmente aquele de J. de Maistre, de L. de Bonald e de F. Lamennais), isto é: 1º) o anti-racionalismo; 2º) a unanimidade da Tradição primordial, expressa pela linguagem, como único critério de verdade e sobretudo 3º) o primado espiritual do Oriente (Le néo-Traditionalisme: René. Guénon, Aananda K. Coomaraswamy, Frithjof Schuon, in Annuaire del l’E. P. H. E, Vème section: Sciences Religieuses, 1958–1959, p. 68).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A Maçonaria mística (a qual tem por alma a Cabala) é para todos eles a forja da transmissão esotérica da Tradição primordial. Como se vê todos eles, são conscientemente ou não, imbuídos do gnosticismo cabalístico, maçônico e então, ultimamente, de luciferismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Pelo que o Tradicionalismo fideísta francês do século XVIII não é apenas um erro filosófico que esvazia a razão humana, mas é também uma desviação teológica, linguística e política, que levou a recusa do Magistério de Leão XIII em 1892 e àquele de Pio XI em 1926 sobretudo na França, que é devedora a cabala espúria judaica e a Maçonaria das suas doutrinas mais específicas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Os principais expoente do tradicionalismo francês do século XVIII são Joseph de Maistre († 1821), Louis de Bonald († 1840), Felicité de Lamennais ou mais exatamente La Mennais († 1854), Louis Bautain († 1867) e Augustin Bonnety († 1897). O único impenitente que não quis se retratar dos seus erros foi Lamennais, enquanto os outros (salvo de Maistre que não tinha explicitado o seu erro e não foi, então, condenado) se submeteram a condenação da Igreja (DB 1613 ss.; DB 1622 ss.; DB 1649 ss., Conc. Vat. I, sess. III, DB 1781 ss.). A partir deles, nasceram duas escolas politicamente divergentes: 1º) o monarquismo absoluto (Joseph de Maistre, Louis de Bonald, Louis Bautain e Augustin Bonnetty), de onde deriva a oposição ao assim chamado Ralliement de Leão XIII de 1892 e a revolta de Charles Maurras contra Pio XI em 1926; 2º) o democratismo cato/liberal (Felicité de Lamennais), de onde deriva o catolicismo-liberal condenado a partir de 1832 por Gregório XVI ininterruptamente até 1958 com Pio XII.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Conclusão</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A Modernidade é contrária realmente e eficazmente da filosofia metafísica do ser (sobretudo tomista, que retoma o melhor do platonismo e do aristotelismo e lhes sublima).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">De fato a noção tomista</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">1º) de ser qual ato supremo da substância aristotélica, e,</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">2º) de participação, que aperfeiçoa aquela platônica, resolve todos os problemas que o platonismo, o aristotelismo e a patristica, não ainda sistematizada e completada pela escolástica, não poderiam afrontar de maneira totalmente adequada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Se pense, por exemplo, nas questões levantadas pela filosofia moderna (de Déscartes até Hegel) como o imanentismo panteísta, que é refutado pelo Ser e pela essência ou ‘a se’ (que subsiste independentemente do outro) realmente distinto do ente por participação ou ‘ab alio’, composto de essência e de ser, que não é o seu ser mas tem ou recebe e participa o ser.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Toda a modernidade, mesmo aquela não explicitamente hostil ao cristianismo (de Malebranche a Rosmini), assim como aquela abertamente incompatível com a Revelação (Déscartes, Kant, Fichte, Schelling, Hegel), encontra uma resposta (a primeira) e uma radical refutação (a segunda) na teoria tomista do actus essendi ultimus et perfectus, da composição ens/esse e da participação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Naquilo que diz respeito a pós-modernidade (de Nietzsche a Freud e as suas ramificações: Escola de Frankfurt e Estruturalismo francês), que é caracterizada por um substancial niilismo metafisico (gnoseológico e ético) ou destruição do ser (conhecível e bom moralmente), encontra na metafísica do ser a barragem que se interpõe entre aquilo que é e o nada para o qual tenderia a pós-modernidade, por ódio satânico contra o próprio Ser subsistente, busca destruir o ser por participação, enquanto existente (“ente-cídio”), enquanto conhecível (“racio-cídio”) e enquanto bom (“mora-cídio”), próprio como Satanás tenta o homem ou ente por participação (criado a “imagem e semelhança de Deus”, inteligente e livre) para ferir indiretamente Deus ou o Ato puro, o Ser por essência. Onde o Imanentismo panteísta (orgulho auto-exaltador), o Niilismo teorético (ódio auto-lesionista) e o neomodernismo são refutado in nuce pelo tomismo originário e não pelo guenonismo que, antes, lhe faz próprio em um certo qual modo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Leão XIII com a Encíclica Aeterni Patris de 1879 lançou o renascimento do neotomismo em contraposição a filosofia moderna e subjetivista, que sob o pontificado de Pio IX e o seu tinha dado a luz ao tradicionalismo (de Maistre in incognito, de Bonald, de Lamennais, Bautain, Bonnetty, apertis verbis) ou fideísmo francês, o ontologismo italiano (Gioberti e Rosmini) e o neo-idealismo germânico (Hermes e Günther). Papa Pecci convidava a desconfiar de toda síntese direta entre doutrina cristã e filosofia moderna e a apresentar o tomismo como a antítese total do subjetivismo imanentista da modernidade, o qual de sua parte com Feurbach (Essência do cristianismo, 1841) tinha entendido muito bem que a velha doutrina teológica a destruir para substituir com o “novo Cristianismo” era o tomismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Ao invés disso é propriamente a Modernidade filosófica que está na fonte teorética do Tradicionalismo fideísta (mesmo se politicamente esse é monarquista e anti-revolucionário) especialmente com o Nominalismo, o Luteranismo, o Kantismo e o Romanticismo intuicionista de Friedrich Jacobi (As coisas divinas e a sua revelação, 1811), que — romanticamente e irracionalmente — põe no homem uma capacidade de intuir puramente Deus sem ter a necessidade da Revelação, com o Pragmatismo de William James e enfim com o Modernismo, põe a experiência ou o sentimento religioso na base do conhecimento do Divino e ao lugar da Tradição primordial.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">O conceito de experiência religiosa pertence sobretudo ao subjetivismo protestante e modernista. Padre Cornélio Fabro define a experiência religiosa como «dissociação da consciência do conteúdo objetivo da Fé » (voce Esperienza religiosa, in Enciclopedia Cattolica, Città del Vaticano, 1950, vol. V, col. 603).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Em filosofia a Modernidade laicista elevou a experência religiosa subjetiva a critério absoluto e independente de qualquer dado objetivo. Essa tem como chefe de escola Kant, para o qual o próprio Deus não é um Ente real e objetivo, independente do sujeito humano, mas um postulado da “Razão pratica”, que sente a necessidade de uma experiência religiosa da divindade a qual a “Razão pura” ou teorética não pode chegar. A partir de Kant nasce um duplo endereço de pensamento:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">1º) um mais filosófico e racionalista: o idealismo-transcendental de Fichte, Schelling e Hegel, que — seguindo Kant — busca subordinar a religião a filosofia subjetivista;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">2º) o outro mais espiritual e misticóide: o irracionalismo fideísta e ontologista de Jacobi e Schleiermacher os quais seguem Kant especialmente privilegiando o sentimentalismo religioso subjetivista, antes para Schleiermacher e Jacobi o «o sentimento é o único critério da verdade» (cit., col. 603) onde «a Fé é puro sentimento imediato» (ivi).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Tal concepção subjetivista e sentimentalista com o Modernismo começa a tomar um endereço sempre mais irracionalista e a experiência religiosa substituí totalmente seja a reta razão que a Revelação e a Fé teologal. Auguste Sabatier com a sua obra Esquisse d’une philosophie de la religion (Paris, 1879) e o protestantismo francês foram a ponta de diamante da experiência religiosa subjetivista/irracionalista, que insistia no primado da vida e da experiência sobre a razão especulativa e a Fé objetiva. O influxo de Sabatier foi de tal modo forte que a teologia evangélica/protestante foi nos últimos cinquenta anos essencialmente uma fenomelogia da experiência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">No campo católico Maurice Blondel introduziu o subjetivismo e a experiência com a nova definição de verdade como “adequatio rei et vitae” e não mais “rei et intellectus”. O vitalismo de Henry Bergson buscava resolver a religião em uma experiência psicológica íntima. O pragmatismo, com Wiliam James e o americanismo ou modernismo ascético, reduz a religião a sentimento subjetivo eruptivo da ‘sub-consciência’, afundando sempre mais o imanentismo sentimentalista ou racionalista e abrindo as portas a psico-análise cabalista/freudiana, feita fênomeno de massa da Escola de Frankfurt.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Guénon a maneira do Tradicionalismo e do Fideísmo francês do XIX século não só esvazia a razão, mas ainda mais ele desacredita também a Fé sobrenatural para substituir Fé e razão com a iniciação ocultista auto-salvífica e auto-divinizante.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Como o Fideísmo tradicionalista exalta e exagera a função da Fé ou da “Tradição primordial” no conhecimento da verdade (e da filosofia política) não só de ordem ética e transcendente, mas também natural colocando no lugar da razão o conhecimento da verdade natural através da Tradição primordial e a Fé, assim Guénon coloca no lugar da razão e da Fé teologal a gnose ou intuição da verdade mediante a Tradição primordial ou meta-religião e contrária a política moderna, mas para se referir a uma concepção absolutista e teocrática (que não distingue, também na subordinação hierarquica, autoridade temporal e poder espiritual) do poder político.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Então, existem duas metafísicas ou melhor uma metafísica e uma contra-metafísica (especularmente a Igreja e a contra-Igreja): a verdadeira metafísica do ser e a falsa metafísica ou contra-metafísica da experiência religiosa subjetiva e do não-ser.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">O subjetivismo esotérico, a metafísica do nada pós-moderno, se tornaram a filosofia da época contemporânea. A modernidade, depois da exaltação iluminista que tinha conduzido o homem aos limiares do céu, passou, no século XX, a desesperação irracionalista, que não só pretendeu ter matado Deus, apagando a chama de toda esperança, mas também fez precipitar o homem para o abismo do nada. Assim da metafísica do ser se passou ao primado do Eu e da Idéia e depois se deslizou para a metafísica do nada. Hoje o princípio não é mais o ser, mas o sentimentalismo irracional e animalesco, o nada e o Niilismo constituem o caráter dominante da nossa época.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Guénon si inserisce, con la sua gnosi esoterica, occulta ed infera proprio in questo filone e lo rende peggiore mediante l’iniziazione che non è scevra di legami col mondo preternaturale e demoniaco. Quindi non è possibile curare e combattere la Modernità col guénonismo, il quale non fa che aggravare il male del mondo moderno e post-moderno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Quindi occorre scegliere o la Tradizione divina e apostolica o la contro-tradizione infera e esoterica guénoniana: tertium non datur, “Per la contraddizion che nol consente”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Guénon se insere, com a sua gnose esotérica, oculta e ínfera propriamente neste filão e o torna pior mediante a iniciação que não é desprovida de vínculos com o mundo preternatural e demoníaco. Assim, não é possível curar e combater a Modernidade com o guenonismo, o qual não faz senão agravar o mal do mundo moderno e pós-moderno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Então, é preciso escolher ou a Tradição divina e apostólica ou a contra-tradição ínfera e esotérica guenoniana: tertium non datur, “Per la contraddizion che nol consente”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">d. Curzio Nitoglia</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">19/5/2015</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">http://doncurzionitoglia.net/2015/06/02/lequivoco-guenoniano/</span></p>
<p><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">~</span></p>
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		<title>O PRINCÍPIO DAS DORES: A HERMENÊUTICA DA DIVINO AFFLANTE SPIRITU</title>
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				<pubDate>Thu, 11 Apr 2019 14:45:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Apologética]]></category>
		<category><![CDATA[Divino Afflante Spiritu]]></category>
		<category><![CDATA[Exegese Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Hermenêutica da continuidade]]></category>
		<category><![CDATA[Hermenêutica da ruptura]]></category>
		<category><![CDATA[Mons. Francesco Spadafora]]></category>
		<category><![CDATA[Pio XII]]></category>

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				<description><![CDATA[O Instituto Bíblico revelava assim seu «programa». Uma mudança radical contra todas as diretivas dadas pelo Magistério sobre a exegese católica (Leão XIII, São Pio X, Bento XV) e confirmadas por Pio XII na Divino Afflante Spiritu e em seguida com Humani Generis, em 1950.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2366/divino" rel="attachment wp-att-2368"><img loading="lazy" data-attachment-id="2368" data-permalink="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2366/divino" data-orig-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/04/Divino-e1554994056320.jpg?fit=252%2C358&amp;ssl=1" data-orig-size="252,358" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="Divino" data-image-description data-medium-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/04/Divino-e1554994056320.jpg?fit=320%2C455&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/04/Divino-e1554994056320.jpg?fit=252%2C358&amp;ssl=1" class="aligncenter size-full wp-image-2368" src="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/04/Divino.jpg?resize=352%2C500" alt width="352" height="500"  data-recalc-dims="1"></a></p>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Mons. Francesco Spadafora</span></strong></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">EXTRATO</span></strong></span></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">O TRIUNFO DO MODERNISMO </span></strong></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">NA </span></strong></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">EXEGESE CATÓLICA</span></strong></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Ed. Permanência</strong></span></div>
<div></div>
<div></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">O Manifesto do Instituto Bíblico Pontifical</span></strong></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Ficando assim restabelecido o equilíbrio entre os personagens, passemos aos fatos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Por volta de 1950, os alunos do Instituto Bíblico começaram a trazer para Mons. Romeo as&nbsp;«novidades» que lhes eram ensinadas por alguns jesuítas do antes glorioso Instituto, sobre&nbsp;a natureza da inspiração divina dos Livros Sagrados, não mais pessoal mas coletiva (?),&nbsp;com a inerrância limitada às únicas passagens concernentes ao dogma. Novidades&nbsp;estreitamente ligadas à aceitação dos últimos sistemas racionalistas (Bultmann-Dibelius) da&nbsp;Formengeschichte e da Redaktiongeschichte, fundadas sobre a negação da autenticidade e&nbsp;da historicidade dos Evangelhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Alguns nomes: Leone Algisi (1948–1950) e Luigi Moraldi (1945–1948), que em seguida&nbsp;abandonaram a batina e o sacerdócio, gabavam-se destas novidades, que — diziam eles —&nbsp;eram inculcadas pelo próprio Pio XII na encíclica Divino Afflante Spiritu (1943). Exatamente&nbsp;o que dizem atualmente Romano Penna e Gianfranco Ravasi, além de outros antigos alunos&nbsp;do Instituto Bíblico Pontifical. Nesses anos, Mons. Romeo era redator de Sagrada Escritura&nbsp;para a Enciclopedia Cattolica. Confiando a Mons. Spadafora, professor em Latrão, o verbete&nbsp;Pecado Original, ele lhe diz: «Os alunos do Instituto Bíblico me dizem que o padre Lyonnet&nbsp;tem sua exegese original para Romanos, V,12. Vá então verificar um pouco». Spadafora foi&nbsp;ao padre Lyonnet, seu companheiro de curso (1936–39), que lhe deu para ler seu texto&nbsp;sobre Rm V, 12, o texto fundamental de São Paulo sobre a doutrina do pecado original.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Os anos passaram e a 3 de setembro de 1960, Alonso Schökel S.J., em La Civilta Cattolica (págs. 449–460), em onze páginas de afirmações gratuitas, pretende justificar as «novidades» já ensinadas há muitos anos no Instituto Bíblico Pontifical, dando Pio XII como </span><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">seu autor, na encíclica Divino Afflante Spiritu, posta em oposição a Providentissimus Deus,&nbsp;de Leão XIII.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">O Instituto Bíblico revelava assim seu «programa». Uma mudança radical contra todas as&nbsp;diretivas dadas pelo Magistério sobre a exegese católica (Leão XIII, São Pio X, Bento XV) e&nbsp;confirmadas por Pio XII na Divino Afflante Spiritu e em seguida com Humani Generis, em&nbsp;1950. Os jesuítas do antes glorioso Instituto abraçavam os dois últimos métodos&nbsp;racionalistas em voga e pretendiam atribuir esta mudança a Pio XII, interpretando a seu&nbsp;modo a Divino Afflante Spiritu e ignorando completamente Humani Generis. A ciência&nbsp;bíblica tornava-se puramente filológica e histórica; pondo-se de lado todo princípio&nbsp;dogmático, o muro que separava os católicos dos protestantes racionalistas foi derrubado, e&nbsp;toda diferença eliminada.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">A Reação Católica</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">A reação dos exegetas romanos se concretizou no estudo critico e erudito de Mons. Romeo,&nbsp;L’Enciclica Divino Aftlante Spiritu et les Opiniones Novae, em Divinitas 4 (1966) págs.378–&nbsp;456. «Hoje — escrevia Mons. Romeo — a dezessete anos de distância [da encíclica Divino&nbsp;Afflante Spiritu], depois da morte do grande Pio XII, o padre Alonso nos dá a notícia de&nbsp;uma mudança. de uma transformação, de uma novidade introduzida pela Divino Afflante&nbsp;Spiritu, “capaz de abrir um largo caminho novo” … Não se acha nada — perguntava&nbsp;Mons.Romeo — nos sucessivos documentos de Pio XII e de João XXIII.… nada que evoque,&nbsp;nem de longe, uma mudança, uma novidade. uma abertura de portas, novas liberdades&nbsp;concedidas pelo Magistério supremo em 1943?»</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Este era o tema central, direto, do artigo de Mons. Romeo: a demonstração da continuidade&nbsp;harmônica do Magistério Supremo sobre a questão, através do exame dos documentos, a&nbsp;começar por Humani Generis (1950) do próprio Pio XII. E ele produziu então o testemunho&nbsp;autorizado, de primeira mão, que se poderia qualificar de «oficial»: o preciso comentário do&nbsp;cardeal Agostino Bea, que era então Reitor do Instituto Bíblico Pontifical, à encíclica Divino&nbsp;Afflante Spiritu, que apareceu na La Civilta Cattolica 94 (1943-IV) 212–224. Comentário&nbsp;completamente ignorado pelo padre Alonso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Em conclusão Mons.Romeo escrevia: «Não há então nada, nem mesmo um indício no&nbsp;Encíclica … nem mesmo no comentário autorizado [ao que tudo indica realmente&nbsp;«autorizado»: o padre Bea era consultor do Santo Oficio e confessor de Pio XII] do Cardeal&nbsp;Bea, que possa justificar a opinião, ativamente posta em circulação … de que a admirável&nbsp;Encíclica rompia com as diretivas precedentes do Magistério Supremo, para imprimir uma&nbsp;nova orientação à exegese católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">De qualquer modo, é certo para quem lê a encíclica Divino Afflante Spiritu, e se toma ainda&nbsp;mais claro para quem acrescenta o estudo da encíclica Humani Generis, que a encíclica&nbsp;bíblica do grande Pio XII se adapta perfeitamente à Providentissimus, que ele confirma,&nbsp;alarga e explica em diversos pontos; e através da Providentissimus estabelecemos um elo&nbsp;com os princípios e as normas da tradição constante sobre o culto da palavra de Deus&nbsp;através do trabalho exegético árduo e austero».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Até aqui Spadafora não interviera. O próprio Instituto Bíblico Pontifical o jogou na polêmica pela reação desordenada ao artigo documentado de Mons. Romeo. O motivo? Neste mesmo ano, no segundo número de Divinitas (1960) págs. 289–298, Spadafora havia publicado o artigo Rm. V, 12: Exegese e reflexões dogmáticas. O artigo havia sido pedido por sua Excelência Mons.Parente, assessor do Santo Oficio, como resposta ao artigo do Pe. Stanislas Lyonnet S.J.: Le péché originel et l’exégèse de Rm. V, 12, em Recherches de Science Religieuse 44 (1956) págs. 63–84. Como já foi dito, Spadafora havia examinado este texto alguns anos antes e, devolvendo‑o ao padre Lyonnet, havia feito notar que a exegese </span><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">proposta não era sustentável por ser inconciliável com a doutrina católica. Tendo recebido&nbsp;como resposta um simples sinal de cabeça, como um «está bem», ele pensou que seu&nbsp;colega não o publicaria mais. Isso se deu em 1951; entretanto, o artigo foi publicado em&nbsp;1956.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Em resposta ao pedido do cardeal Parente, monsenhor Spadafora refutou ponto por ponto&nbsp;os argumentos do jesuíta Lyonnet, para sustentar que Rm. V, 12: «A morte passou para&nbsp;todos os homens, porque todos pecaram», não deve ser entendido como uma sustentação&nbsp;do pecado original, mas que «todos pecaram» imitando o «pecado de Adão»; trata-se&nbsp;portanto de pecados pessoais, ai onde o contexto (V,12–20) atesta claramente: «pelo erro&nbsp;de somente um … todos foram feitos pecadores»…&nbsp;Mas havia alguma coisa de ainda mais grave nas novidades de Lyonnet: o significado da&nbsp;Rm. V, 12 foi definido solenemente pelo concílio de Trento, em dois cânones sobre o pecado&nbsp;original.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Por causa desta refutação, porque Spadafora havia defendido a doutrina católica, o reitor do&nbsp;Instituto Bíblico Pontifical associou Romeo e Spadafora na sua condenação, e mostrava o&nbsp;dedo a eles como inimigos do estudo científico e caluniadores do Instituto Bíblico. Mas tanto&nbsp;Mons.Romeo como Mons. Spadafora eram conhecidos na Itália e no estrangeiro por seus&nbsp;estudos científicos. Não é difícil compreender, assim, que a reação dos jesuítas do Instituto&nbsp;Bíblico ultrapassasse os limites.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">O Santo Oficio interveio e impôs silêncio às partes, que foram convidadas a apresentar seus&nbsp;argumentos, para que pudesse dar seu julgamento sobre a questão. Depois de obter as&nbsp;informações necessárias, escutar as partes, em particular os próprios jesuítas Lyonnet e&nbsp;Zerwick acerca das novidades que ensinavam a seus alunos, sobre a inspiração, a&nbsp;inerrância, a autenticidade e a historicidade dos Evangelhos, o Santo Oficio suspendeu suas&nbsp;aulas e os afastou de Roma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Depois, em 20 de junho de 1961, a Congregação Suprema do Santo Oficio publicou para a&nbsp;defesa particular da historicidade dos Evangelhos canônicos, o Monitum seguinte:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">«Uma vez que o estudo das disciplinas bíblicas se desenvolve ativamente, julgamentos e opiniões circulam em diversas regiões e põem em perigo a verdade histórica e objetiva da Sagrada Escritura, não somente do Antigo Testamento (como o Soberano Pontífice Pio </span><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">XII já deplorou na encíclica Humani Generis, conf A.A.S.) mas ainda no Novo Testamento e até no que concerne às palavras e aos atos de Cristo Jesus. Como tais julgamentos e opiniões preocupam vivamente (anxios faciant) tanto aos pastores como aos fiéis, os eminentíssimos Padres nomeados para a defesa da doutrino da fé e da moral sentiram&nbsp;</span><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">dever advertir a todos aqueles que tratam da Sagrada Escritura. tanto por escrito como&nbsp;oralmente. que tratem uma questão tão grave com o respeito que lhe é devido e que&nbsp;tenham sempre presente diante dos olhos a doutrina dos Padres, o sentimento da&nbsp;Igreja, assim como o do Magistério, afim de que a consciência dos fiéis não seja&nbsp;perturbada e que as verdades da fé não sejam ofendidas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">N .B.: Esta advertência é publicada com a aprovação dos eminentíssimos Padres da&nbsp;Comissão Bíblica Pontifical.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Triste, mas Verdadeiro</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">A medida contra os jesuítas Lyonnet e Zerwick e a «Advertência» do Santo Oficio deveriam ter varrido toda interpretação modernista da encíclica Divino Afflante Spiritu e dado um golpe mortal nas aberturas em curso para a volta das protestantes «história das formas» e «história da redação», que partem justamente da negação da «verdade histórica e objetiva» das palavras e dos atos de Jesus Cristo. Mas, pelo contrário, o concílio, o pontificado de Paulo VI e o pós-concílio, imprimiram uma mudança total de rumo dando-lhe um sentido modernista. As «opiniones novae» combatidas por Mons. Romeo e Mons.&nbsp;</span><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Spadafora hoje ocupam o terreno, como o demonstra o artigo de Ravasi. É triste, mas&nbsp;verdadeiro: a exegese católica foi enterrada por este mesmo Instituto Bíblico Pontifical, que&nbsp;os Pontífices romanos haviam organizado para combater o modernismo no domínio bíblico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">É o triunfo da traição e do erro, tendo como conseqüência uma grande perturbação para as consciências e uma grande ofensa às verdades da fé, como havia advertido o Santo Oficio, de pleno acordo com a Comissão Pontifical Bíblica. A Igreja é divina e «as portas do inferno&nbsp;</span><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">não prevalecerão». A cada um dos filhos da Igreja cabe, pelo menos, o dever de denunciar&nbsp;infatigavelmente a traição e dar testemunho da Verdade. É o que nos propomos fazer, na&nbsp;medida do possível, numa série de artigos sobre este assunto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Paulus</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">(Revista Sim Sim Não Não n°23, dezembro de 1994)</span></p>
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		<title>P. CURZIO NITOGLIA: O MILENARISMO JOAQUIMITA FONTE REMOTA DO JUDEU-AMERICANISMO</title>
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				<pubDate>Thu, 31 Jan 2019 01:24:33 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Joaquim de Fiore]]></category>
		<category><![CDATA[judaísmo]]></category>
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				<description><![CDATA[Os estudiosos são unânimes em constatar que Joaquim propôs uma eclesiologia da Novíssima Aliança, a qual teria substituído a Nova como esta última tinha suplantado a Velha.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">O milenarismo joaquimita</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Fonte remota do judeu-americanismo</span></div>
<div style="text-align: center;"><a href="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2357/usflagzion" rel="attachment wp-att-2359"><img loading="lazy" data-attachment-id="2359" data-permalink="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2357/usflagzion" data-orig-file="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/usflagzion.jpg?fit=351%2C215&amp;ssl=1" data-orig-size="351,215" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="usflagzion" data-image-description data-medium-file="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/usflagzion.jpg?fit=320%2C196&amp;ssl=1" data-large-file="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/usflagzion.jpg?fit=351%2C215&amp;ssl=1" class="aligncenter wp-image-2359" src="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/usflagzion.jpg?resize=500%2C307" alt width="500" height="307" srcset="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/usflagzion.jpg?w=351&amp;ssl=1 351w, https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/usflagzion.jpg?resize=320%2C196&amp;ssl=1 320w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" data-recalc-dims="1"></a></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Padre Curzio Nitoglia</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Tradução: Gederson Falcometa</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">Revisão: Ana Glaucia Jesus</span></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><strong><b>Introdução</b></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Já vimos:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">1) A diferença entre árabefobia&nbsp;e anti-islamismo teológico;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">2) A natureza da cultura européia, que é essencialmente distinta da “ocidental” (ou predominantemente&nbsp;anglo-americanista);</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">3) Agora busquemos fazer luz sobre as origens distantes do Puritanismo americanista, tendencialmente anti-trinitário e essencialmente veterotestamentário (O Evangelho e Jesus, são alguma coisa de acidental e postiço, enquanto a verdadeira natureza ou substância do Puritanismo é o Velho Testamento; então esse tende a diminuir, se não negar, a Santíssima Trindade e a Divindade de Cristo).</span><br>
<span id="more-2357"></span><br>
<span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Então, o Puritanismo é filho do milenarismo&nbsp;“Joaquimita” e é pai do sionismo. E, para entender a verdadeira natureza do sionismo se faz necessário voltar ao Puritanismo americanista, ao milenarismo “joaquimita” e em última análise ao judaísmo talmúdico-rabínico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><strong><b>Explicação</b></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Os estudiosos são unânimes em constatar que Joaquim propôs uma eclesiologia da Novíssima Aliança, a qual teria substituído a Nova como esta última tinha suplantado a Velha. Santo Tomás de Aquino refutou tal erro admiravelmente na Suma Teológica. Além disso, é aceito que os primeiros discípulos do Abade de Fiore fossem judaizantes. Enquanto, é ainda disputado, se também o próprio Joaquim fosse inclinado a judaizar ou não. Buscarei apresentar sucintamente o panorama de tal problema, visto à luz do influxo que exercitou sobre o antitrinitarianismo dos hereges italianos do século XV, refugiados na Polônia e emigrados (século XVII) para Holanda, Inglaterra e EUA. Pode-se dizer que a origem próxima do americanismo é o puritanismo anglo-holandês, mas a fonte remota sem sombra de dúvidas é o milenarismo dos joaquimitas e talvez do próprio Joaquim.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><strong><b>a) Joaquim de Fiore</b></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Robert Moore afirmou que entorno do século XII a Europa ocidental é transformada em uma&nbsp;“sociedade persecutória”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Se por uma parte a Europa dos séculos centrais do Medievo foi uma sociedade confessional e então discriminatória no que diz respeito aos não católicos, a alternativa a Cristandade foi representada pelo pensamento milenarista de Joaquim de Fiore, segundo o qual os hebreus e os cristãos se reuniriam em uma só sociedade, na terceira era do Espírito, na qual teriam uma compreensão “espiritual” da Bíblia, enquanto na Antiga e Nova Aliança os hebreus e os cristãos tinham tido apenas uma compreensão literal da Escritura.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Se — em tal época (século XII) — São Bernardo de Claraval (repetindo a tradição patrística) afirmava que Israel, depois do deicídio, era a&nbsp;“figueira seca e estéril” maldita por Jesus e condenada a ser queimada, porquê privada de boas obras, enquanto se salvariam apenas aqueles que seguindo Cristo tivessem praticado a Lei do Evangelho, de qualquer povo que fossem (hebreus ou gentios), “Joaquim, ao invés, acreditava que o povo de Israel tinha sido fecundo (…), a estirpe de Sem tinha se fundido com a de Jafet para formar um único povo em grau de produzir em superabundância frutos espirituais” [1]. O próprio Robert E. Lerner (nascido em New York em 1940, professor de história medieval na universidade Northwestern, um dos maiores conhecedores do pensamento herético e milenarista do medievo) admite que a visão da teologia da história sobre a relação judaísmo-cristianismo de Joaquim de Fiore era&nbsp;“irênica’ e que contradizia a tese de Norman Cohn segundo a qual todo milenarismo medieval foi anti-judaíco. De fato, segundo o Abade de Fiore, hebreus e gentios, se reuniriam na terceira idade espiritual (que duraria mil anos) e celebrariam juntos as festas de São Abraão e São Davi. A palavra de Deus retornaria ao povo ao qual foi confiada primeiramente. Porque graças à inspiração final do Espírito Santo, os hebreus haveriam adquirido a verdadeira&nbsp;“inteligência espiritual”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">O professor Lerner conclui:&nbsp;“Seguia-se que no futuro haveria um novo povo eleito, próprio como os cristão tinham assumido aos hebreus. Tal povo seria formado por ‘novos homens espirituais’, contemplativos que tinham chegado ao ‘terceiro céu’. Segundo Joaquim o ‘primeiro céu’ era o Antigo Testamento fundado sobre os Patriarcas. O ‘segundo céu’ o Novo Testamento fundado sobre os Apóstolos (…) era de se esperar que Joaquim estabelecesse que a progressão teria conduzido os eleitos o mais distante possível dos hebreus, mas surpreendentemente não foi assim (…) essa previa uma reaproximação com os hebreus” [2].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Segundo Joaquim o clero católico do Novo Testamento, teria perseguido (por ciúme do seu espírito profético) os monges espirituais da terceira era do Espírito ou&nbsp;“Novíssimo Testamento” e então lhes teriam constrito a retornar a Sião, como se retornassem aos seus padres.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">“Neste ponto Joaquim levanta uma questão crucial: porque seria mais conveniente para os contemplativos coabitar com os hebreus agora, mais que no passado? (…) o retorno dos perfeitos (semitas) à terra da qual provinham teria transformado esta própria terra, e operado em favor de uma salvação mutuamente benéfica. (…) Surpreendente neste caso não tanto a idéia da conversão final dos hebreus… O aspecto inovador… vai buscado na afirmação segundo qual, no fim dos tempos, o mundo assistiria a união entre gentios e hebreus, união da qual ambos os povos tirariam recíproco benefício” [3]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Robert Lerner admite que a razão de&nbsp;“tal concepção irênica sem precedentes” deve ser buscada na origem hebraica de Joaquim; em efeito em 1948 foi recuperado testemunho do secretário de São Bernardo de Claraval, o qual em 1195 atacava Joaquim e o acusava de ‘judaizar’ [4], asseria que o joaquimismo era doutrina “judaísca” e a imputava “as supostas origens hebraicas de Joaquim: este nasceu hebreu e tinha sido ‘criado por muitos anos segundo a doutrina judaíca’, um veneno que evidentemente ‘não tinha ainda vomitado de todo’. Joaquim e os seus sequazes tinham&nbsp; utilizado-se de todos os meios para conseguir manter secretas tais origens” &nbsp;[5]. &nbsp;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Todavia Robert Lerner não reputa probante tal acusação que resultaria ser isolada. No entanto, deve admitir que ele&nbsp;“atinge muito provavelmente a exegese rabínica” [6]. É necessário precisar que Joaquim exagerava na interpretação do Apocalipse, buscando todos os detalhes (compreendidas as datas) da história humana até o fim do mundo; todavia nem tudo aquilo que escrevia era ilusório. Um certo fundamento na realidade se encontra na obra do abade fiorense, mas levado a consequências que são incompatíveis com a doutrina católica e a interpretação da Escritura dada unanimemente pelos Padres eclesiásticos. Para evitar o excesso joaquimita, não é preciso cair no defeito origenista e de outros que, tratando o problema do Apocalipse da escatologia e da figura do Anticristo, vêem apenas uma revelação daquilo se sucedeu, desde a Incarnação e morte de Jesus (que colocaria, de forma absolutamente definitiva, o fim da economia da salvação) [7]; entendo que o excesso (a testemunha de Jeová) seja repulsivo, mas um erro não se corrige com outro erro, todo defeito é um excesso. Tais questões não devem ser exasperadas, nem devem ser zombadas, é preciso estudá-las pacatamente e objetivamente segundo a interpretação comum dos Padres e dos exegetas aprovados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">“A original concepção joaquimista — escreve Lerner — do papel dado aos hebreus, ao término da história terrena, assinalava uma ruptura com a milenária tradição cristã” [8].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Lerner, justamente nota que na Europa intolerante (séculos XII e XIII) nos confrontos dos hebreus, o abade fiorense teve uma visão “irênica” (hoje se diria ecumênica) da eminente união entre hebreus e cristãos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><strong><b>Refutação do Joaquimismo</b></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Santo Tomás de Aquino, responde e refuta (melhor que qualquer outro) os erros milenaristas de Joaquim e da sua escola. Na Suma Teológica demonstra que a Nova Aliança durará até o fim do mundo&nbsp;(S.T., I‑II, q. 106, a. 4).&nbsp;De fato a Nova Aliança sucedeu a Velha, como o mais perfeito ao menos perfeito. Ora, no estado da vida humana neste mundo, nada pode ser mais perfeito que Cristo e a Nova Lei, porque qualquer coisa é perfeita enquanto se aproxima do seu fim. Cristo nos introduz — graças a sua Incarnação e morte — no Céu. Então, não pode existir — sobre esta terra — nada mais perfeito que Jesus e a sua Igreja. Naquilo que diz respeito ao Espírito Santo, como aperfeiçoador da obra da Redenção de Cristo, ele foi enviado por Cristo propriamente para confessar o próprio Cristo, que prometeu formalmente aos seus Apóstolos:&nbsp;“O Espírito Santo que Eu vos mandarei, procedendo do Pai, dará testemunho de Mim”. Então, o Paráclito não é o iniciador de uma terceira era, mas testemunha e explica Cristo aos homens e lhe reforça para podê-lo imitar. Onde, depois da Antiga e da Nova Lei, sobre esta terra não virá uma terceira Aliança, mas o terceiro estado será aquele da eternidade, sempre feliz do Céu ou sempre infeliz do Inferno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Joaquim erra ao transportar a realidade ultramundana ou eterna para esta terra. O Reino do qual fala o Abade de Fiore, não diz respeito a este mundo, mas ao além. De fato, o Espírito Santo explicou aos Apóstolos, (no dia de Pentecostes, 33 d.C.), toda a verdade que Cristo pregou e que eles não tinham ainda entendido. O Paráclito não deve ensinar uma novíssima Lei ou um outro Evangelho mais espiritual que o de Cristo, mas deve apenas iluminar e dar força para bem conhecer e bem viver a doutrina cristã, que aperfeiçoou a mosaica&nbsp;(S.T., I‑II, q. 106, a. 4).&nbsp;Além disso a Velha Lei, não foi só do Pai, mas também do Filho (figurado e prefigurado em Moisés); como também a Nova Lei não foi só do Filho, mas também do Espírito prometido e enviado por Cristo aos seus Apóstolos. A Lei de Cristo é a Graça do Espírito Santo, que ilumina, vivifica e fortalece para se poder observar a Lei Divina. Como já no Antigo Testamento, era o Espírito Santo a iluminar e corroborar os Patriarcas e Profetas, os quais embora vivendo sob a Velha Lei, tinha já o espírito da Nova e a viviam heroicamente, mediante a graça do Espírito Santo (por atribuição). Quando Jesus ensina aos Apóstolos que&nbsp;“O Reino dos Céus está próximo”, não se refere — explica Santo Tomás — só a destruição de Jerusalém, como término definitivo da Velha Aliança e começo formal da Nova, mas também ao fim do mundo. De fato, o Evangelho é a “Boa Nova” do Reino (ainda imperfeito) da “Igreja Militante” sob esta terra;e do Reino (desde então e para sempre perfeito) da “Igreja triunfante”, nos Céus. Além disso, no comentário a Mateus sobre o discurso escatológico de Jesus (XXIV, 36), Santo Tomás postila:&nbsp;“Alguém poderia crer que este discurso de Cristo, diga respeito apenas ao fim de Jerusalém…; porém seria um grave erro referir tudo quanto foi dito apenas a destruição da Cidade Santa e então a explicação é diversa,… a saber que todos os homens e os fiéis em Cristo são uma só geração e que o gênero humano e a fé cristã durará até o fim do mundo”&nbsp;(Expos. In Matth. c. XXIV, 34).&nbsp;O Angélico, se baseia sobre tal texto para refutar o erro joaquimista, segundo o qual a Nova Aliança ou a Igreja de Cristo não durará até o fim dos tempos; ele retoma o ensinamento patrístico (especialmente de Crisóstomo e de São Gregório Magno) e o desenvolve na Suma Teóligca&nbsp;(I‑II, q. 106, a. 4, sed contra).&nbsp;Portanto, o cristianismo durará até o fim do mundo, não existirá a necessidade de uma&nbsp;“terceira Aliança pneumática e universal” (Catolikòs), mas a Igreja de Cristo é o Reino do Pai, do Filho e do Espírito Santo (com boa paz de Joaquim e sequazes), não é preciso sonhar a substituição do cristianismo, basta apenas vivê-lo sempre mais intensamente.</span></p>
<p><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><strong><b>b) Os primeiros discípulos de Joaquim</b></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">1) O franciscano Gerardo de Borgo San Donnino em 1254 escreve um livro intitulado&nbsp;“O Evangelho eterno” no qual “revela um aspecto surpreendentemente filo-judaico: ‘O Senhor reservará a eles bençãos… mesmo se persistirem no judaísmo’ (…) esta proposição errada, se encontrava (segundo Gerardo) no Liber de Concordia [de Joaquim] (…), aqueles que pertencem aos colégios dos monges devem providenciar… e distanciarem-se do clero secular e prepararem-se para o retorno do antigo povo de Israel” [9]. Todavia, Lerner nota que ‑segundo ele — Gerardino teria forçado o pensamento de Joaquim de maneira “radicalmente filo-judaica” ainda mais que o próprio abade fiorense.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">2) Um outro discípulo de Joaquim, depois de Pedro João Olivi (+ 1298) foi Giovanni de Rupescissa, um franciscano francês em torno a 1310, que profetizava&nbsp;“a milagrosa conversão do povo de Israel, destinado a se tornar o novo campeão de uma nova fé cristã purificada… Do povo de Israel convertido surgiria um novo imperador [uma espécie de Messias militante] que teria destruído Roma… para tornar ainda mais explícita a idéia pela qual os hebreus substituiriam Roma, Giovanni de Rupescissa define o novo soberano como um ‘Augusto da estirpe de Abraão’. Então, os hebreus não só tomariam o lugar dos romanos como titulares do império universal, mas nenhum outro povo lhes tiraria de sua posição até o fim dos tempos” [10]. A Igreja se transferiria de Roma para Jerusalém.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">3) Um outro discípulo do abade Joaquim de Fiore foi Frederico de Brunswick, um franciscano nascido em 1389 na Saxônia. Ele foi ainda mais explícito que Rupescissa e afirma que apareceria, na terceira era, um segundo Messias (reparador) que seria&nbsp;“sacerdote e também rei e que reinaria até o fim dos tempos, a saber ‚por um milênio. Em substância, fez do reparador um segundo Cristo, sem todavia afirmar de forma explícita a natureza divina. (…) O reparador, reinaria como um rei…, representando um messias para os hebreus (…), todo o povo de Israel se converteria. O império romano e o bizantino seriam reunificados dando vida a um novo império universal a ser confiado aos hebreus tornados a nova nação dominante (…). O acento colocado sobre a conversão de Israel e sobre a transformação do mundo sob a guia dos hebreus, chegava aos profetas de Giovanni de Rupescissa, mas esses mostravam uma atitude ainda mais filo-judaica, chegando a afirmar que a cumprir tal transformação seria um hebreu (…), sob a [sua] guia aconteceria aquela que, de fato, representava a re-edificação do terceiro templo, [que] se colocava em aberta contradição com a tradicional crença cristã, segundo a qual o povo de Israel não haveria jamais… reconstruído Jerusalém” [11].&nbsp;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Enquanto o nosso fazia prosélitos na Alemanha, um outro franciscano Francesc Eiximenis [12] (1327–1409), na Catalunha, escrevia tratados milenaristas, ele dedicou a sua existência para além de escrever tratados, a entrelaçar relações com os grandes de então (Pedro IV de Aragão e os seus familiares), segundo Francesc&nbsp;“os hebreus se converteriam, a Sé papal seria transferida para Jerusalém, onde reinaria um novo papa e um novo imperador, ambos provenientes do povo de Israel” [13].&nbsp;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><strong><b>Conclusão</b></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">O problema atual do americanismo, do filo-sionismo e do&nbsp;“choque entre civilizações”, a fobia da cultura do mundo árabe e mediterrâneo (mesmo a clássica da metafísica grega e da ética romana; daquela medieval da cristandade patrístico-escolástica e do Papado Romano) é assaz vasto e complexo. Não é possível entendê-lo se não voltar as fontes das civilizações (Assírio-Babilônica, Egípcia…), vizinha oriental (israelitas) e mediterrânea (gregos, romanos e cristandade européia). À&nbsp;luz destes princípios vê-se o quanto é incompatível o catolicismo romano (herdeiro da metafísica grega e da ética romana) com o americanismo, judaísmo-talmúdico e sionismo político-nacional.&nbsp;Com a crise georgiana, pilotada por Israel e EUA, não se pára no vizinho oriente médio, mas o conflito penetra em casa (Polônia e países do ex pacto de Varsóvia) e faz entrar diretamente no baile a Rússia (com Afeganistão e Paquistão do pós- Musharaff) e provavelmente, ainda que indiretamente, a China. Os teo-conservadores italianos:sejam laicistas (Pera, Ferrara),sejam ex católicos integrais (Alleanza Cattolica) buscam conciliar o inconciliável.</span><br>
<span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">O fato que provém dos laicistas de formação liberal popperiana-kantiniana (Pera/Antiseri) ou até mesmo anarco-capitalista (Quagliarello/Piombini) e post-marxista (Ferrara), não deve nos surpreender, dada a sua filosofia imanentista, subjetivista e pragmatista. O que é mais chocante é o campo ex católico integral, o qual se funda(va) sobre o princípio de não contradição, sobre o primado da realidade em relação ao pensamento e sobre a ética natural.&nbsp;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Infelizmente , deve-se registrar — propriamente nestes dias — que Massimo Introvigne, o qual podia ser apresentado como um elemento&nbsp;“desviado” (doutrinalmente falando) da Alleanza Cattolica, foi nomeado por Giovanni Cantoni (o atual regente nacional e fundador da mesma), vice-regente nacional da “Alleanza Cattolica” e o seu futuro sucessor. Alleanza Cattolica, então, é substancialmente o “pensamento-Introvigne”, o qual se distância impressionantemente da reta doutrina católica, da sã filosofia e da concepção da política construída por Aristóteles , Santo Tomás e o magistério tradicional da Igreja. Os seus contatos com o mundo maçônico, judaico e esotérico (amplamente documentados) levantam muitas perplexidades, mesmo em ambiente oficiais (ver GRISS). S Desejaria-se esperar que ele fosse uma voz&nbsp;“minoritária” e “singular” da Alleanza Cattolica, mas não é assim.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">O que dizer?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Que é&nbsp;“preciso viver como se pensa, de outro modo termina-se por pensar como se vive”. Ora, ir contra a corrente é incômodo, porém Jesus nos ensinou que a estrada que conduz ao Paraíso é estreita e apertada, enquanto a porta que conduz a perdição (perseverando nesta, Deus não queira, mas “talis vita, mors ita”) é larga e espaçosa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Que Deus nos ajude a perseverar na estrada do Calvário e nos tenha as mãos na cabeça, porque&nbsp;«qui reputat se stare, timeat ne&nbsp;cadat» (san Paolo).</span></p>
<div style="text-align: right;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;"><strong><b>Don Curzio Nitoglia</b></strong></span></div>
<div style="text-align: right;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">29&nbsp;de&nbsp;agosto&nbsp;de&nbsp;2008</span></div>
<div style="text-align: right;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Notas:</span></div>
<p><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[1]&nbsp; E. Lerner, «La festa di Sant’Abramo. Millenarismo gioachimita ed Ebrei nel Medioevo», Roma, Viella, 2002, pagina 8</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[2]&nbsp;Ivi, pagina 29.</span><br>
<span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[3]&nbsp;Ivi, pagine 35–36.</span><br>
<span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[4]&nbsp;Ivi, pagina 36.</span><br>
<span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[5]&nbsp;Ibidem.</span><br>
<span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[6] Ivi, página 39. Confronta também:&nbsp;Gioacchino da Fiore, Invito alla lettura, G.L. Potestà (a cura di), Cinisello Balsamo (Milano), San Paolo, 1999.&nbsp;Tal tesi é confirmada por Yoseph Caro (rabino de Ferrara) que escreveu:“Quanto ao lugar de morada do Messias (…) alguns textos [da literatura rabínica e talmúdica] o pensam &nbsp;sofrendo e escondido em Roma, como na cidade que determinou a queda do reino hebraíco&nbsp;(Sanhedrìn, 98, a)…&nbsp;Muitos lugares talmúdicos descrevem os tempos messiânicos. A primeira consequência da vinda do Messias consiste no retorno dos hebreus, numericamente maiores, a Palestina e a reedificação da cidade de Jerusalém e do Templo…, cessará o pecado, e consequentemente também a morte. Os filhos de Israel se tornarão, portanto, imortais. Mas os efeitos da vinda do Messias não se farão sentir só para Israel [bondade deles]: uma época de bem aventurança se abrirá para todas as nações que, arrependidas de suas culpas, serão perdoadas.&nbsp;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">A idolatria [Cristo=Deus] cessará, todas as Gentes adorarão um só Deus”&nbsp;(Enciclopedia Italiana, voce «Messia» e in particolare «L’idea messianica&nbsp;nell’ebraismo postbiblico», Roma, Istituto dell’Enciclopedia Italiana, 1929–1936, volume XXII, pagine 957–958.&nbsp;Como se vê esta mesma doutrina do Talmude sobre o Messias (como explicada pelo rabino Yoseph Caro) se encontra fielmente reportada nos escritos de Joaquim de Fiore e de seus discípulos (como foram apresentadas pelo professor israelita Robert Lerner). Então asserir que a origem do milenarismo joaquimita é certamente talmúdica, não é fruto de esteriotipo e prejuízo antisemita, mas é a verdade histórica como ensinada pelos próprios rabinos e talmudistas israelenses.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Naquilo que diz respeito ao Anticristo os Padres da Igreja, fundando-se sobre o Depósito da fé revelada (especialmente em São Paulo 2º Ep. Tess., II, 3–12; e São João 1º Ep., II, 18–22; IV, 3; 2º Ep., VII; Apocalipse, XI, 7ss.; XIII-XIV), ensinam unanimemente que o fim do mundo deve ser precedido pelo reino do Anticristo (II Tess.) que é o&nbsp;“homem do pecado”, ou “o mistério de iniquidade no mundo” o qual se manifestará plenamente quando o obstáculo “aquele que o retém” (o Papa) será parcialmente menor. Ele será um homem, não um personagem metafórico (erro por defeito) e nem mesmo o diabo incarnado (erro por excesso). Será hebreu, acolhido como o messias judaíco. Se fará adorar no lugar de Deus. Prevalecerá por um certo tempo, porque os homens terão perdido “o amor pela verdade” (II Tess.). Deus enviará duas testemunhas (Enoque e Elias) para ajudar aos fiéis a resistir a sua perseguição (Apocalipse XI) que será a mais sanguinária da história, inspirada pelo ódio direto contra Deus. Quase todos apostatarão, mas Jesus matará o Anticristo “com um sopro da sua boca (São Paulo) e Israel se converterá ao cristianismo. Monsenhor Salvatore Garofalo escreve:&nbsp;“A interpretação comum entre os escritores cristãos vê no Anticristo um personagem distinto de Satanás, mas por ele sustentado, que se manifestará nos últimos tempos, antes do fim do mundo, para tentar um ataque e um triunfo decisivo sobre Jesus e a sua Igreja. (…). Aquilo que impede o desencadear-se desta formidável potência é um misterioso “obstáculo” que é ao mesmo tempo considerado, em abstrato, como uma potência [a Igreja romana] e, em concreto, como uma pessoa [o Papa]. (…) O obstáculo impede a manifestação do Anticristo, não a sua obra pessoal. O Anticristo pessoa, se revelará na última fase da luta anti-cristã, que atravessa todos os séculos, e prepara lentamente a aparição do ‘filho da perdição’ no fim dos tempos”&nbsp;(«Dizionario di Teologia dommatica», Roma, Studium, 4ª&nbsp;edizione, 1957, pagina 23).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[8]&nbsp;Ivi, pagina 44.</span><br>
<span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[9]&nbsp;Ivi, pagina 65.</span><br>
<span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[10]&nbsp;Ivi, pagina 112.</span><br>
<span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[11]&nbsp;Ivi, pagine 130–131.</span><br>
<span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[12]&nbsp;F. Eiximenis, «Estetica medievale. Dell’eros, della mensa e della città», Milano, Jaca Book, 1986.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">[13]&nbsp;Dicionário de Teologia dogmática, citado, página 147. Confronta também:&nbsp;R. E. Lerner, «Refrigerio dei santi. Gioacchino da Fiore e l’escatologia medievale», Roma, Viella, 1995;&nbsp;H. Grundmann, «Gioacchino da Fiore. Vita e opere», Roma, Viella, 1997; H. de Lubac,&nbsp;«La posterità spirituale di Gioachino da Fiore», Milano, Jaca Book, 2 volumi, 1983.&nbsp;Em tal estudo o autor demonstra (especialmente no 2º volume,&nbsp;«Da Saint-Simon ai giorni nostri»)&nbsp;que o joaquimismo exercitou (e continua a exercitar) um profundo influxo sobre os filósofos modernos e hodiernos e sobre os movimentos políticos que se sucederam ao fim da cristandade até ao mundo atual (Cousin, Fourier, Saint-Simon, Lamennais, Mickiewiczs, de Maistre, Marx, Hitler, Soloviev, Berdiaev, Bloy, Péguy). Também a questão do milenarismo judaíco e medieval-fiorense não foi ultrapassada, mas mantém toda a sua atualidade, sobretudo hoje, com o domínio do Estado de Israel e dos Estados Unidos da América sobre o mundo inteiro e a reação do mundo arábe que suscitaram, a qual nos está levando a um estado de caos universal e de guerra perpétua.&nbsp;</span><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">De fato, não é preciso esquecer que a maior parte dos neo ou teo-conservadores “cristãos” (não “cristãos”) americanos (que hoje influenciam a política de “direita” da administração Bush) tem um “passado” político de “ultra-esquerda” ou melhor trotzkysta, são em grande parte de origem hebraica e discípulos da Escola de Frankfurt, transferido-se para a América em 1933 e permanecendo ali com Teodoro Adorno até 1950 e com Herbert Marcuse até 1979. Tal escola política era caracterizada pela substituição do ódio de classe do proletariado (na revolução comunista), que vinha substituído pelo pansexualismo freudiano, o desencadeamento dos instintos e a perda do senhorio de si; a maior parte dos seus membros eram de origem israelita&nbsp;(G. Lukàcs, E. Fromm, T. Adorno,&nbsp;W. Reich, W. Benjamin, H. Marcuse, M. Hokheimer, F. Pollock).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">O trotzkysmo é o comunismo mais radical e perigoso; esse é uma seita secreta ou esotérica, a respeito do comunismo público ou exotérico de Stalin. O subjetivismo relativista é a natureza do trotzkysmo, segundo o qual a teoria está ao serviço da práxis ou do movimentismo que deve levar ao cais&nbsp;“infinito e perpétuo”, servindo-se de qualquer meio (mesmo um politicante “conservador-cristão”). É preciso, para o trotzkysmo, primeiro destruir os valores greco-romanos e cristãos. Corromper o mundo dos valores e dos princípios, perverter a juventude desencadeando os instintos e as paixões desordenadas como instrumentos de subversão (niilismo filosófico individual e anarquia social), depois se poderá exportar o comunismo libertário-movimentista (a Bertinotti, contrariamente àquele engessado militar-burocrático stalinista, a Cossutta) em todo o mundo e então se terá, assim, uma sociedade perfeita (milenarismo) sobre está terra. A revolução estudantil do maio de 1968, foi a vitória do trotzkysmo segundo o qual&nbsp;“um cérebro vázio (dos sediciosos ‘estudantes’) é mais receptivo do comunismo que um ventre operário com fome”. O trotzkysmo fez a revolução não graças ao proletariado, mas através da corrupção da juventude estudantil, graças ao freudismo de massa e a licenciosidade dos costumes. O sindicalismo representa um outro cavalo de batalha do trotzkysmo, exacerbando os contrastes (e não lhes resolvendo): entre empreendedor e trabalhador, mestre e estudante, pai e filho, marido e mulher, padre e fiel. Infiltrando a magistratura; corrompendo a escola, o ensinamento, a cultura; neutralizando as forças de ordem. A moda e a vestimenta exercitaram um influxo notável sobre a mudança de mentalidade dos homens, a música pop, a droga chamada “leve”, as canções realmente leves que chegam lá onde o livro e nem mesmo o panfleto chegam; o tipo de vida frenético, instável, vagabundo revolucionaram ou mudaram a face do mundo. Freud se tornou, assim, uma força política popular que causou um terremoto no universo. Moda + música + psicanalise de massa mudaram a face do mundo e o fizeram um poço infernal, o reino social de Satanás pronto, agora, a acolher o Anticristo. Não é de se admirar que se serviram de uma potência militar aparentemente conservadora, para levar a revolução permanente ao mundo inteiro, Oriente Médio (1990–2002), a própria América (2001) e a Europa (2003–2005).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Confronta anche: M. Reeves‑W. Gould, «Gioacchino da Fiore e il mito dell’Evangelo eterno nella cultura europea», Roma, Viella, 2000.&nbsp;Em tal obra os autores retomam e aprofundam o estudo de De Lubac, especialmente quanto a Blake, Lessing, Schiller, Schelling, Renan, Wilde, Huysmans, Nietszche, Joyce. Entre os mestres teo-conservadores encontramos também &nbsp;Abraham Joshua Heschek um dos artífices de&nbsp;“Nostra Aetate”, os quais livros foram feitos conhecer na Itália por Cristina Campo e pela editora conservadora Borla e Rusconi nos anos setenta-oitenta. Além disso estão também Jacob Taubes e Leo Strauss (hoje muito em voga no ambiente teo-conservador italiano). Sobre Jacob Taules confronta:&nbsp;E. Stimilli, «Jacob Taubes. Sovranità e tempo messianico», Brescia, Morcelliana, 2004. Sobre&nbsp;Leo Straruss confronta: Kenneth L. Deutsch- John A. Murley, «Leo Strauss, the Straussians and the American Regime», Roman &amp; Litlefield. D. Tanguay, Leo Strauss, «Une biographie intellectuelle», Parigi, Grasset, 2003.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>LA CIVILTÀ CATTOLICA: COMENTÁRIO A CARTA ENCÍCLICA AETERNI PATRIS DE PAPA LEÃO XIII</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2340</link>
				<pubDate>Sun, 13 Jan 2019 15:49:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Aeterni Patris]]></category>
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		<category><![CDATA[La Civiltà Cattolica]]></category>
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				<description><![CDATA[Papa Leão XIII com agudíssimo olhar, ainda sabia que a estratégia dos nossos adversários,a época, consistia especialmente em tirar da sociedade a verdadeira filosofia e  substituí-la por falsas, opostas a fé. Para concentrar os dons católicos em uma ação comum e obter com isto unidade e eficácia maior na luta pela verdade, e juntos depor as armas adversárias , em uma Encíclica dirigida a todos os Patriarcas, Arcebispos e Bispos da Igreja determinou aquela que pode-se dizer Regra Filosófica, a ser seguida nas escolas católicas. ]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div></div>
<div></div>
<div style="text-align: center;">
<figure id="attachment_2342" aria-describedby="caption-attachment-2342" style="width: 2975px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2340/faith_reason_seitz_galleria_dei_candelabri" rel="attachment wp-att-2342"><img loading="lazy" data-attachment-id="2342" data-permalink="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2340/faith_reason_seitz_galleria_dei_candelabri" data-orig-file="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/Faith_Reason_Seitz_Galleria_dei_Candelabri.jpg?fit=2975%2C2033&amp;ssl=1" data-orig-size="2975,2033" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;4.5&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Marie-Lan Nguyen&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;NIKON D200&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1252508571&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;Creative Commons Attribution&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;46&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;500&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.033333333333333&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}" data-image-title="Faith_Reason_Seitz_Galleria_dei_Candelabri" data-image-description data-medium-file="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/Faith_Reason_Seitz_Galleria_dei_Candelabri.jpg?fit=320%2C219&amp;ssl=1" data-large-file="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/Faith_Reason_Seitz_Galleria_dei_Candelabri.jpg?fit=720%2C492&amp;ssl=1" class="wp-image-2342 size-full" src="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/Faith_Reason_Seitz_Galleria_dei_Candelabri.jpg?resize=900%2C615" alt width="900" height="615" srcset="https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/Faith_Reason_Seitz_Galleria_dei_Candelabri.jpg?w=2975&amp;ssl=1 2975w, https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/Faith_Reason_Seitz_Galleria_dei_Candelabri.jpg?resize=320%2C219&amp;ssl=1 320w, https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/Faith_Reason_Seitz_Galleria_dei_Candelabri.jpg?resize=768%2C525&amp;ssl=1 768w, https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/Faith_Reason_Seitz_Galleria_dei_Candelabri.jpg?resize=720%2C492&amp;ssl=1 720w, https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/Faith_Reason_Seitz_Galleria_dei_Candelabri.jpg?resize=1120%2C765&amp;ssl=1 1120w, https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/Faith_Reason_Seitz_Galleria_dei_Candelabri.jpg?w=1800&amp;ssl=1 1800w, https://i2.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2019/01/Faith_Reason_Seitz_Galleria_dei_Candelabri.jpg?w=2700&amp;ssl=1 2700w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" data-recalc-dims="1"></a><figcaption id="caption-attachment-2342" class="wp-caption-text">Fé e razão, Ludwig Seitz (1844–1908), Galeria dos Candelabros.</figcaption></figure>
<p><span style="font-size: 16pt;"><strong><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif;">A REGRA FILOSÓFICA DE SUA SANTIDADE&nbsp;</span></strong></span><span style="font-size: 16pt;"><strong><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif;">LEÃO P. P. XIII.</span></strong></span></p>
</div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 16pt;"><strong><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif;">PROPOSTA NA ENCÍCLICA AETERNI PATRIS</span></strong></span></div>
<div style="text-align: center;"></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">La Civiltà Cattolica*</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Florença, 1879</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Tradução: Gederson Falcometa</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Revisão: Ana Glaucia Jesus</span></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">No tempo da quarta cruzada, os exércitos latinos circundavam Constantinopla pelas partes terrestres; naquela parte em que se espelha no Bósforo combatia a armada veneziana. Grande era o valor daqueles exércitos,&nbsp;mas porque não sendo coordenados sabiamente por um hábil comandante, se fatigavam em vãos ataques; fileiras de heróis irrompiam contra os muros da cidade grega e se batiam como ondas frementes contra os imóveis penhascos. A batalha mudou de aspecto quando Enrico Dandolo, quase octagenário, máxima autoridade da República de Veneza e condutor da armada naval, montado na popa da capitânia, discursou para os seus e os intimou a maneira que deviam todos,subitamente, agir no assaltar a cidade. À voz do valoroso senhor, todas as naves venezianas aproximaram-se dos muros e, para usar as palavras do historiador de Inocêncio III, como um relâmpago caindo em terra, os guerreiros conquistaram vinte e cinco torres e sobre elas hastearam a bandeira de Veneza, entraram vencedores em Constantinopla.Assim é! Se a prudente e oportuna palavra de um expert capitão não for concentrada em unidade de ações,todas as forças dos combatentes, dispersam-se, a guerra prolonga-se, a coragem dos inimigos aumenta, diminui a esperança da vitória ou não se pode vê-la senão distante.</span><span id="more-2340"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Assim advém no nosso caso. A guerra entre a verdade e o erro e consequentemente , entre bem e mal é antiquíssima,tanto quanto a Igreja &nbsp;aqui embaixo é militante, por natureza. Mas esta guerra, depois da chamada reforma protestante, tornou-se mais obstinada e feroz, e aos nossos dias se fez universalíssima e ferocíssima. Podemos bem dizer que filósofos e teólogos católicos, os quais são a milicia eleita da Igreja Romana, tem com a voz e com a pena combatido e valorosamente combatem. Mas aquele sapientíssimo Pontífice Leão XIII, que, em tempos tão agitados, regeu com mão firmíssima o timão da mística nave, avisou que dispersavam-se um tanto das nossas forças e por isso, de um lado o nosso valor não era coroado sempre de contente sucesso, e do outro a coragem dos inimigos de Deus e da Igreja insultava assim despudoradamente, e&nbsp;cantava vitória e afirmando que a ciência tinha, em idos tempos , demolido os fundamentais princípios da religião revelada e, no campo do direito, arruinado a própria Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Ele, com agudíssimo olhar, ainda sabia que a estratégia dos nossos adversários,a época, consistia especialmente em tirar da sociedade a verdadeira filosofia e &nbsp;substituí-la por falsas, opostas a fé. Para concentrar os dons católicos em uma ação comum e obter com isto unidade e eficácia maior na luta pela verdade, e juntos&nbsp;depor as armas adversárias , em uma Encíclica dirigida a todos os Patriarcas, Arcebispos e Bispos da Igreja determinou aquela que pode-se dizer Regra Filosófica, a ser seguida nas escolas católicas. Esta Regra Filosófica é de máxima importância: como tal é reconhecida por todos; por muitíssimos apreciada; por pouquíssimos contradita; pelos sinceros católicos e pelos verdadeiros sapientes venerada e acolhida com verdadeira alegria. Nós não podemos evitar de considerá-la um pouco, como nos confessamos incapazes de fazê-lo com aquela dignidade que da índole do Apostólico doutíssimo documento é requerida. Suplicamos humildemente ao Sumo Pontífice, a qual bondade se iguala em sabedoria, que benignamente queira nos perdoar não só por aquilo que no nosso escrito mal responderá aos seus desejos, mas também àquilo que diante ao agudo olhar da sua mente parecerá inexato.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A ressaltar bem o alcance desta Regra Filosófica nos beneficiará considerar em primeiro lugar os antecedentes: em segundo examiná-la em si mesma: em terceiro investigar-lhe as consequências. Desta maneira parece-nos que podemos reunir, como em um ponto de vista, se não tudo, ao menos aquilo que mais importa observar em tal propósito e nas adições presentes.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">I.</span></strong></p>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Os antecedentes da Regra Filosófica </span></strong></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">estabelecida pelo Sumo Pontífice Leão XIII</span></strong></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Com este nome de antecedentes queremos indicar tudo aquilo que é remotamente e proximamente precedente a publicação da<em><i>&nbsp;Regra Filosófica</i></em>&nbsp;e que deixa-nos claro Papa Leão XIII ter feito coisa convenientíssima e sapientíssima ao estabelecê-la. Os bons católicos que crêem com certeza que Jesus Cristo comunicou a Pedro e aos seus sucessores pleníssima autoridade no regimento da sua Igreja, e lhe prometeu uma continua assistência até o fim dos séculos, sem disputar ou discorrer, do fato inferem o direito. Por esta razão, sabendo que o Papa, não a sua pessoa privada, mas como Vigário de Jesus Cristo e Bispo dos Bispos e de toda a Igreja, determinou alguma coisa para o bem da própria Igreja, imediatamente arguem o direito de fazer esta determinação, a respeitam, a aceitam, a realizam, não já <em><i>propter timorem</i></em>, mas <em><i>propter conscientiam</i></em>; porque sabem que obedecer ao Vigário de Jesus Cristo naquilo que ordena, enquanto tal, é &nbsp;obedecer ao mesmo Jesus Cristo; como fazer o contrário seria lhe desobedecer. Nem podem os bons católicos serem, com alguma razão nisto, reprovados, por políticos de qualquer governo,seja&nbsp;absoluto, constitucional ou republicano, e que em toda sociedade bem ordenada quer ser reconhecida a suprema autoridade, regida em uma pessoa ‚como advém nos governos absolutos, ou coletiva e moral, como acontece nos outros; e se tem em conta de violação ou de insubordinação, a mencionada suprema autoridade, toda insubordinação que se faz contra aqueles que lhe são os vigários e os ministros, em todos os graus da hierarquia social.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Se não que alguns por malignidade, e muitos por falta de reflexão repreendem os católicos por aquela passagem que fazem do fato ao direito, ao qual agora mesmo acenávamos; afirmando que seria tolo fazer o mesmo com respeito às autoridades políticas supremas: assim zombando deles como ovelhas irracionais que, contra aquilo que prescreve a dignidade da natureza humana, deixando-se cegamente reger, aprovando sem conselho tudo aquilo que procede da Sé Apostólica. Tais acusações, feitas nestes dias, se repetindo por todos os jornais libertinos de todos os países, precisamente a propósito da Encíclica Aeterni Patris, não podem por nós transcorrer inobservadas e não redarguidas. A fazê-lo o bastante, se pode perguntar a estes perpétuos detratores da Sé Apostólica, se podem elogiar os princípios laicos, formais concessões e promessas, a respeito da sua autoridade e de seu uso, que vão em igualdade com os feitos por Jesus Cristo a Pedro e aos seus sucessores. A discrepância é suma e evidentíssima; lá onde muitas vezes a soberana autoridade civil ultrapassa os limites do direito no regimento público, e com tudo isso querem os suditos obedientes pela força, quando não são por verdadeiro dever: e esta força se exercita frequentemente muito mais destemida onde existem governos liberais, do que se exercitasse sob certos governos passados, que agora se dizem tiranos, e na realidade eram calmos e paternos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Todavia, a acusação que se faz de ovelhas desaconselhadas, mereceria uma resposta ácida, porque muito pior que ovelhas desaconselhadas são quase todos os pseudo-filósofos dos nossos tempos, os quais se deixam torpemente levar pelo nariz, não por excelsa autoridade, as quais, consideradas ainda as humanas, são dignas de profundíssimo respeito, mas por charlatões camuflando os semblantes de oráculos e de filósofos. É necessário ter uma fronte de bronze para censurar a nós, no campo da doutrina, servilmente e juntamente dobrar os joelhos não só diante de Kant, Hegel e outros tais, a sabedoria dos quais é similar a sonhos desconexos e vãos, mas ainda aos modernos chefes de escola da seita de Epicuro, os quais brincando entre os átomos eternos que de per si se faz qualquer coisa, até mesmo homens e Deus, e a eterna Vênus único ou principalíssimo &nbsp;objeto de adoração e de amor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A reverência que nós fazemos diante das ordenações do Vigário de Jesus Cristo não vão separados de uma subsequente rigorosa demonstração, onde se prova que tal obséquio é racional e devido; demonstra que jamais fizeram e nem podem fazer os incrédulos quando inconsultamente se arrastam em torno de seus oráculos ao modo mais de escravos que de sequazes. Em nosso caso, essa demonstração é feita desta estupenda Encíclica Papal, a qual bastaria só ela para imortalizar o nome do Pontífice que a disse, e a tornar glorioso o seu pontificado para todo o tempo futuro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">De fato, ocupando-se Leão XIII de uma peculiar solicitude pelo estudo da filosofia, outra coisa não fez que seguir a tradição dos padres e doutores da Igreja, que ou o elogiaram ou o usaram constantemente? O Santo Padre na Encíclica, começa dos Padres dos tempos apostólicos, discorre por todos os séculos até os nossos tempos [1], demonstrando que na Igreja foi sempre tido em grande prestígio o estudo da filosofia e desta sempre se fez uso generalíssimo. Do que seque que aqueles que nestes dias nos seus periódicos condenam Papa Leão porque se se ocupou da filosofia, veem juntamente a condenar toda a tradição católica, nisto seguida pelo mesmo Pontífice.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Mas a estes não lhes é pago para indicar historicamente um tal fato, dar a razão deste fato, e o fazer derivar da índole da filosofia e das suas relações com a fé católica, o direito e o dever que tem a Igreja de usar esses meios que são úteis a sua existência, a sua progressiva explicação e a sua defesa. Diziam úteis, porque [2] não quer dizer-se a filosofia humana absolutamente necessária nem ao estabelecimento da Igreja, nem a sua conservação. A filosofia é escrava da fé, não inspira a essência desta, e, como escrava, lhe presta serviços importantíssimos e oportuníssimos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Primeiramente a filosofia predispõe [3] a outros abraçar a fé cristã, induzindo-lhes a admitir uma quantidade infinita de proposicões quer especulativas, quer práticas, que ele deve abraçar, naturalmente necessitando da luz de sua razão. A mercê da filosofia humana a razão vê na fé uma amiga que lhe estende a mão, a eleva, a nobilita e a reafirma nas suas retas investigações, não a contradiz, não a abaixa; por isso esta é suavemente atraída por ela e disposta a abraçá-la. Que infinita seja a quantidade das proposições que dissemos, a coisa é manifestíssima: porque aquelas cognições [4] que retamente toma a filosofia da contemplação da natureza e se referem a Deus, são todas ou explicitamente ou implicitamente propostas a crença pela fé; e a moral cristã é composta, em boa parte, de princípios de moral filosófica: que a saber na lei natural e eterna, segundo os princípios da fé, quer-se fundar toda lei positiva, como aquela revelada e divina.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Em segundo lugar [5] a filosofia demonstra que Deus é criador, é sapientíssimo, é veracíssimo: onde essa toma a ilação que Ele tem um domínio total e absoluto sobre nós, e então tem pleníssimo direito de propor nos a crer aquilo que supera (se bem que não contradiga) a capacidade da nossa mente; que ele não pode cair em erro confundindo o falso com o verdadeiro, nem pode minimamente deixar-nos em engano, obrigando-nos a aceitar por verdadeiro aquilo que sabe ser falso. De onde advém que quando o homem conhece o fato da revelação: ou quando ele aprende que uma coisa é revelada, pode ser excitado pelos próprios princípios da filosofia a admití-la, apoiando-se na onisciência e veracidade de Deus; e este predispor-se a aceitar a fé vem coroado da obra da graça, a qual dá ao ato &nbsp;sobrenatural de crer a sua dignidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Em terceiro lugar [6] a filosofia nos ensina ser absolutamente impossível e que exista efeito sem causa, e que esta não seja proporcional a produção daquele. Essa te demonstra que os milagres, com os quais desde o princípio do cristianismo lhe foi comprovada a verdade e a divindade, são fatos de existência dos quais não pode se existir dúvida prudente, e além disso são eles de tal índole de não poderem ser produzidos por nenhuma causa criada, por própria virtude natural. Por qual coisa a própria filosofia nos ensina que aqueles fatos se devem levar em conta como vozes do próprio Deus, que com esses torna infalível o testemunho da fé revelada, a qual, por isso mesmo, tem um luminosissimo caráter de verdade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Em quarto lugar [7] o verdadeiro filósofo apoiado ao natural princípio de causalidade, tem por firme que não só a propagação da fé cristã, mas ainda a sua conservação supera os limites das causas naturais: como aquelas causas que naturalmente se aniquilaram todas as sociedades, nada podem contra a Igreja, e pelo contrário a ilustram e lhe multiplicam os fiéis; tanto que passou em princípio, desde ab antiquo, aquele dito que os novos cristãos pululam do sanguem dos mártires. Lá onde para não incorrer no absurdo que exista efeito sem causa proporcional, o filósofo está disposto a admitir que e na propagação e na conservação da fé e da Igreja cristã, está o braço da onipotência divina. Então, a ilação, que aquela fé e esta Igreja são de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Filosofando [8] sobre o belo aspecto que nos dá a Igreja, ou se diga respeito a sublimidade, a nobreza, a pureza da sua doutrina; ou se considere a sua operosidade para produzir em todos verdadeira, interna e perfeita e santidade, e a conveniente proporção dos meios que emprega para este altíssimo fim; ou se reflita sobre a caridade dos seus filhos, a constância nas provas mais difíceis até dar a vida pela fé professada e para não cometer alguma sorte de culpa, se vem a inferir que essa Igreja entende exprimir nos homens a imagem das divinas perfeições e com isto tende eficazmente a glória divina. Lá onde essa deve necessariamente ser a Deus cara e dileta: e todo homem pode tranquilamente estar no seu seio, certo de fazer nisto a divina vontade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Em sexto lugar [9], a filosofia é aquela que dá a sacra Teologia a natureza de verdadeira ciência. De fato ciência não é uma simples proposição de verdades reveladas e certas pela fé; mas é uma cognição deduzida de princípios firmes, imutáveis e evidentes. E precisamente a filosofia administra a lógica, sem a qual não pode existir aquela cognição deduzida. Que se as verdades reveladas sobre inteligíveis não são a nós intrinsecamente evidentes, porque não pode a nossa mente ver o íntimo nexo que liga o predicado com sujeito daquelas proposições onde são expressas, a filosofia lhes dá uma evidência extrínseca que se apoia a naturais motivos de credibilidade ora indicados. Por esta evidência extrínseca, que a filosofia dá as verdades reveladas, as quais por si mesmas são firmes e imutáveis, ela atribui o caráter de princípios<em><i>&nbsp;científicos</i></em>. Essa recolhe em um só silogismo maior e menor revelados, ou a uma proposição revelada, conjuga outro proposição que é certa e evidente a luz da razão e lhe infere ilações científicas. A filosofia ainda aplica a teologia os seus métodos científicos ora analítico, ora sintético, de guisa que a mesma teologia apareça verdadeira ciência e no seu todo e nas suas partes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">E porque todas as coisas criadas são efeitos da divina onipotência e o efeito deve sempre em qualquer maneira assemelhar a causa da qual é produto, segue que nas coisas deve sempre resplandecer ou a imagem ou a similaridade ou, por assim dizer, algum vestígio qualquer de Deus Uno em sua natureza e Trino nas pessoas. Pela mesma razão o modo sobrenatural, com o qual Deus opera na ordem da graça deve também ser esboço do operar divino na ordem da natureza. Por isso diz respeito a filosofia fornecer ao teólogo belas e ajustadas analogias [10], em virtude das quais, embora o mistério, no campo sobrenatural especulativo e prático, não seja feito perspícuo e evidente, todavia torne-se mais próximo a razão humana: e esta no contemplá-Lo experimente aquele prazer nobre e agradabilíssimo que Dele provém.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Finalmente a filosofia merecidamente quer dizer-se propugnáculo da fé [11], porque essa fornece a teologia a espada e escudo para ofensa e defesa contra os seus adversários. Isto faz de duas maneiras. A primeira, dando as leis uma justa polêmica e indicando todas as formas sofísticas com as quais os erros são usados combatendo a verdade. A segunda, opondo aos assaltos que se dão a fé em nome da falsa ciência, as defesas que a ciência verdadeira toma da própria fé. Visto que é de se recordar a memória que os inimigos da fé, tem buscado colocá-la em descrédito diante de todos, esforçando-se para fazê-la passar como contrária aos princípios inconcussos da razão. Pelo que é necessário mostrar que isto não é verdadeiro: entre tais princípios e a fé se existe real oposição, não são princípios de razão, nem ilações científicas, mas falsas asserções; e que entre os sinceros princípios de razão e a fé se pode clarear perfeita concórdia, ou ao menos se pode demonstrar que real discórdia não existe.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">O Santo Padre Leão XIII tocou com brevidade e precisamente estes oito pontos, dos quais se fez manifesto que o nexo entre a fé e a filosofia é estreitíssimo: o diremos similares àqueles da alma com o corpo humano. O corpo humano presta a alma imensos serviços, esta depende dele para exordiar a própria existência. Igualmente a fé deve resguardar a filosofia como sua fiel serva, onde tira utilidade imensa: e se bem que a fé seja mais nobre que a razão, que é a fonte da filosofia, como a alma é mais nobre que o corpo; todavia aquela não pode existir sem que seja em um sujeito racional e então associada a própria razão. Da utilidade que a fé pode ter para a filosofia tira o Santo Padre a ilação, que então os Padres e Doutores da Igreja, antes a própria Igreja representada nos Concílios ou nos sumo Pontífices Romanos, bem fizeram cuidando da filosofia; que antes lhe tinham direito e em certo modo dever.«Nec spernenda nec posthabenda sunt naturalia adiumenta, quae divinae sapientiae beneficio, fortiter suaviterque omnia disponentis, hominum generi suppetunt; quibus in adiumentis rectum philosophiae usum constat esse praecipuum. Non enim frustra rationis lumen humanae menti Deus inseruit; et tantum abest, ut superaddita fidei lux intelligentiae virtutem extinguat aut imminuat, ut potius perficiat, auctisque viribus, habilem ad maiora reddat. Igitur postulat ipsius divinae Providentiae ratio, ut in revocandis ad fidem et ad salutem populis, etiam ab humana scientia praesidium quaeratur; quam industriam, probabilem ac sapientem, in more positam fuisse praeclarissimorum Ecclesiae Patrum, antiquitatis monumenta testantur&nbsp;[12].»</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Mas então demandemos: para todos os padres e doutores da Igreja e depois para aqueles grandes mestres da humana e da divina ciência quais eram os escolásticos, nunca existiu uma licença ilimitada para filosofar e aquele arbítrio de esposar a teologia com qualquer estranha filosofia como a dos pseudo-filósofos dos nossos dias também querem? Não, jamais! Os padres e os doutores da Igreja obtiveram dos antigos filósofos da Grécia muitíssimos filosóficos princípios, imitando os hebreus [13] os quais não levaram secos, saindo do Egito, os vasos desprezíveis de argila que pertenciam aos egípcios; mas sim cópias grande de prata e de ouro. Não seguiam as pessoas dos filósofos gregos, mas a verdade por eles proposta; e se platonizava Santo Agostinho, fazia‑o, como adverte o Aquinate, tornando o platonismo cristão. E isto vê-se egregiamente no próprio Aquinate, o qual atém-se em verdade a filosofia de Aristóteles, mas purificado dos seus erros, e nessa sinteticamente se concentrou a filosofia empregada pelos padres e doutores da Igreja nos séculos que o precederam. O fazer de outra forma seria estultícia, e uma traição ao depósito da revelação. De verdadeiro, a fé sendo verdade, essa é por sua natureza inconciliável com o erro; por isso estulta coisa seria estabelecer uma falsa filosofia como sua serva. Certamente lhe serviria mal; ou, melhor, uma falsa filosofia encontraria-se em uma contínua e evidentíssima oposição a mesma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">O Doutor Angélico, que alguns dos próprios adversários da Encíclica veneram como o maior engenho filosófico da Itália, ordinariamente fixou aquela que se diz filosofia cristã. Não tal certamente porque lhe sejam estadas definidas dogmaticamente todos os seus princípios, mas porque se esposou universalmente a Teologia, e porque os sumos Pontífices e os Concílios [14] a recomendaram, ou também por vezes a prescreveram; e porque geralmente se ensinou nas escolas católicas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A qual aprovação, por parte dos Papas, por vezes foi dada em geral fazendo-se alusão a doutrina de Santo Tomás. Por vezes explícita de qualquer proposição filosófica de suma importância, com a qual conectam-se, muitíssimos princípios filosóficos; como é, por exemplo, o modo de união da alma com o corpo. Às vezes indireta, apresentando-se ou inculcando-se a teologia do Aquinate: porque tratando-se de teologia escolástica, que é o casamento da razão com a fé, a filosofia dessa é de fato inseparável: por isso louvando aquela, necessariamente também, a esta se louva. E isto que aqui dizemos é tão verdadeiro, que se agradasse a alguém a torre das obras do Aquinate tudo aquilo que é filosófico, e deixasse a pura positiva teologia, essa reduziria-se a um belo nada. E sobre este belo nada cairiam os encómios, as aprovações e as prescrições?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Leão XIII que despendeu grande parte da doutíssima Encíclica em discorrer sobre o mérito singularíssimo, em respeito a Igreja, da filosofia do Angélico, não dignou nem sequer uma palavra, nem as más supostas condenações feitas por um tal Bispo de Paris* e nem ao conciliábulo de Oxford. E fez egregiamente: assim requeria a sua autoridade suprema e a sua altíssima dignidade. Nós não gastaremos tempo com históricas observações para contentar aqueles jornalistas maliciosos ou irrelevantes, que colocam com pouca importância ou desprestigiam as sentenças da Sé Apostólica e dos Concílios, e fingem reverência (repetindo como papagaios as supostas condenações) àquela assembléia de Oxford que só é digna de ser abandonada e esquecida. Estes tais são similares àqueles, se embora não sejam os mesmos, que consideram desprezíveis os maiores pensadores antigos e modernos, nem dignando-se de lhes recordar os nomes, e e exaltam como sumo filósofos certos mercadores de ninharias, que não entendem nem mesmo os primeiros e evidentíssimos princípios da filosofia, qual é o princípio de contradição e aquele de causalidade, que torpemente tem por sinônimos o ser e o não ser, que o efeito confundem com a causa, e afirmam que aquele não precisa deste. Coisa de manicômio, mas que agora admira-se e venera-se por amor de progresso, postergando e ridicularizando tudo aquilo que em filosofia há de grande, e nós ainda diremos, tudo aquilo que há de italiano [15].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Se não que quando nós dizemos filosofia cristã dos Padres e dos Doutores escolásticos, daquela nós entendemos falar que é verdadeiramente filosofia, a qual é sapientemente contraposta pelo Santo Padre a física moderna [16]. Aquela é essencialmente racional, os seus princípios são evidentes; as suas ilações são sujeitas a demonstrações; todas as suas teses são universais. A física moderna, de que falamos, é ordenada a coleção dos fatos, conhecidos por meio da experiência. Onde vem que se esta física se pode dizer ciência, porque é com ordenado método proposta; não se pode dizer tal naquele sentido em que a palavra ciência era empregada pelos escolásticos, para os quais a ciência deveria apoiar-se em princípios racionais, certos e evidentes, e não era reputada ciência a proposição de fatos admitidos por outra autoridade ou conhecidos apenas pela própria experiência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Daqui vem primeiramente que a filosofia, de que fala o Santo Padre, tem por objeto a essência das coisas, e aquelas propriedades que surgem das próprias essências. Isto é o verdadeiro objeto, seja que trate de Deus, seja que trate das inteligências separadas, do homem, dos brutos, das plantas e dos inorgânicos. Secundariamente se faz manifesta a ignorância ou a malícia daqueles que para vilipendiar a filosofia escolástica, lhe atribuem algumas risíveis sentenças em torno a alquimia ou a astrologia, que lhe são de fato estranhas, como se os filósofos escolásticos até mesmo as aceitassem em suas obras.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A filosofia escolástica do Aquinate reinou nas escolas católicas, pode-se dizer somente e unicamente, por muitos séculos: pelo fato que as discrepâncias entre os Doutores católicos eram fora do verdadeiro campo filosófico ou eram raríssimas; ou ainda eram em objetos secundários. A pretensa reforma, dividiu com iníquas facções a grei de Cristo, quis destruir o vínculo onde divinamente a teologia estava esposada com a filosofia, e por isso não quis saber de teologia escolástica. Desventuramente nisto os protestante se associaram a muitos filósofos católicos, ludibriados pelos sofismas ou pela prepotência daqueles.«Adnitentibus enim novatoribus saeeuli XVI, placuit philosophari citra quempiam ad fidem respectum, petita dataque vicissim potestate quaelibet pro lubito ingenioque excogitandi. Qua ex re pronum fuit, genera philosophiae plus aequo multiplicari, sententiasque diversas et inter se pugnantes oriri, etiam de iis rebus, quae sunt in humanis cognitionibus precipuae. A multitudine sententiarum ad haesitationes dubitationesque persaepe ventum est; a dubitationibus vero in errorem quam facile mentes hominum delabantur, nemo est qui non videat. Hoc novitatis studium, cum homines imitatione trahantur, catholicorum quoque philosophorum animos visum est alicubi pervasisse: qui patrimonio antiquae sapientiae posthabito, nova moliri, quam vetera novis augere et perficere maluerunt, certe minus sapienti consilio et non sine scientiarum detrimento.&nbsp;[17]». O separar a filosofia da teologia era lógico e necessário àqueles que queriam destruir a fé católica, por dois motivos: o primeiro porque aquela, como demonstrou Papa Leão, é verdadeira serva desta; nos demonstra os motivos de credibilidade; desfaz todas as dificuldades que contra a fé fazem em nome da ciência, e torna a própria fé aos doutos mais acessível e mais dileta. Em segundo lugar porque não &nbsp;podendo haver oposição verdadeira entre a sincera filosofia e a fé, e também querendo demonstrar que tal oposição existia, foi depois da abertura a introdução de falsas filosofias que necessariamente, porque tais, a fé se opõem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Emancipada a filosofia do respeito a fé e, portanto, removida da vigilância direta e plena da autoridade infalível da Sé Apostólica, não houve uma filosofia louca que não viesse introduzida. Panteísmo, materialismo, idealismo, niilismo, positivismo, transformismo, epicurismo: tais e tantas estultícias formam o tesouro da filosofia emancipando-se da fé nestes últimos séculos. E aqui considerando os antecedentes que atém-se a Regra Filosófica estabelecida pelo Santo Padre, não podemos esconder aquilo que ele mesmo toca e deplora. A saber que mesmo filósofos católicos abandonada, com ligeireza, a filosofia do Aquinate perderam-se, tal fala, atrás de fantasias dos não católicos, se bem que não caíssem nas filosóficas enormidades deles; ou examinando-se o fabricar-se de novos sistemas filosóficos sem o fundamento da verdade. Onde, como observa o mesmo Santo Padre [18], por uma parte temos uma filosofia louca e ímpia que tudo corrompe e da destruição da ordem especulativa ocorre a destruição da ordem prática; da outra parte temos uma contínua flutuação e instabilidade, pela qual os católicos, divididos entre eles e duvidosos, são pouco adequados a debelar o erro e impedir males infinitos que sobrevém a Igreja e a sociedade civil.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Enquanto isso os Papas os quais tinham o direito e o dever de pôr toda a solicitude afim de que o depósito da fé não sofresse alguma calamidade, e por isso tinha (como acima dizíamos com o Santo Padre) o direito e o dever de vigiar a filosofia, não faltaram de fazer ouvir a própria voz. Condenaram falsas proposições filosóficas ora especulativas, ora práticas; por meio das Congregações Romanas censuraram muitíssimas doutrinas filosóficas e condenaram infinitos livros, que ex professo tratavam de filosofia, especialmente dos chefes de escola. Com tudo isto não se teve um remédio universal e eficaz. As novas seitas filosóficas continuaram a pulular e durava ainda em muitas escolas católicas a discrepância em pontos de grande momento e então a confusão e a fraqueza. Não se pode não ser sobrecarregado de altíssima maravilha pensando que neste mesmo século, nas escolas regidas muitas vezes por homens da Igreja, dava-se uma filosofia empírica sobre as pegadas de Locke e de Condillac, e que desta filosofia empírica passou-se também, em muitas escolas católicas, a ensinar o ontologismo e uma espécie de ocasionalismo. Em muitíssimos cursos filosóficos dos leigos e por vezes também de eclesiásticos não se tinha respeito a que pontos filosóficos que dos Concílios e das Congregações Romanas foram determinadas; e o Anjo das escolas, o sumo filósofo, por muitos não era nomeado nem em sonho, quase fosse um homem barato: enquanto que o título honorífico de filósofo dava-se a homens de engenho medíocre, de fantasia desenfreada, e aqueles sonhos desconexos tinham em conta de especulações sublimes e plenas de verdade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Se não que nestes últimos anos andou-se universalizando um desejo de reforma filosófica: a filosofia escolástica quer-se remeter em honra e muitos analisando-se de demonstrar que o angélico doutor Santo Tomás nos deu em suas obras um completo sistema de filosofia, o melhor de todos os propostos nestes últimos séculos, o qual egregiamente pode-se e deve-se conciliar com certos descobrimentos das ciências modernas e com as ilações que, logicamente e segundo a verdade, deduzem-se dos próprios fatos. Tais cursos de filosofia escolástica elementar foram impressos segundo a doutrina do Aquinate; em muitas obras separadas discutiram-se os pontos principais do sistema de Santo Tomás, e demonstrou-se a insubsistência real e a falsidade de todos os sistemas opostos. Despontaram aqui e lá Academias de Santo Tomás e digna de comemoração honorabílissima é aquela de Perúgia fundada pelo seu Arcebispo, agora sumo Pontífice, e aquela de Nápoles Cardinal Riario Sforza. A Academia filosófico-médica de Santo Tomás fundada em 1874 nestes últimos cinco anos explicou uma peculiaríssima e universal energia e obtém sucessos, tendo em conta a condição dos tempos, inesperados. O periódico La Scienza italiana (vinda como auxiliar do nosso, que a muitos anos propõe a doutrina do Aquinate) escrita somente por sócios acadêmicos, tomou para si a tarefa de demonstrar que os cardeais princípios da filosofia de Santo Tomás (os quais se propõem a seguir no diploma acadêmico, e são recomendadas no Breve Imperituro de Pio IX, com o qual a estes louva e aprova a própria Academia) não opõem-se àquilo que é de verdadeiro e certo na moderna ciência, se bem que opõem-se as infundadas hipóteses de muitos cientistas modernos. A Sé Apostólica durante o Pontificado de Pio IX aplaude a este movimento geral de retorno a filosofia escolástica: em cem ocasiões àqueles que o excitavam demonstrou-se favorável: mas não <em><i>prescreveu </i></em>a própria doutrina nas escolas católicas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A este movimento opunham-se diante dos modernos adversários do catolicismo, os quais professam, quase todos, a filosofia teorética e moral de Epicuro. O próprio movimento foi com grande ardor combatido por muitos filósofos católicos, os quais temiam que o retorno a tanto odiada filosofia escolástica e do Peripato não conduziria gravíssimas consequências e cismas especialmente entre doutos laicos. Enquanto a ordem social andava para a ruína: a guerra, em nome da ciência contra a Igreja, se fazia com tal calamidade, a poder afirmar-se que em quase todas as obras eruditas dos modernos pseudo-filósofos, que o antagonismo entre a fé e a ciência era evidentíssimamente clareado e que ou devia-se renunciar a ciência e aos direitos da razão, ou a fé católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Estes são os antecedentes que precederam a Regra Filosófica dada pelo Papa Leão XIII na Encíclica Aeterni Patris. Tal sendo o estado das coisas, contra os detratores deste sapientíssimo Pontífice dado por divino favor a Igreja, nestes tempos tempestuosos,quer demonstrar-se ‚que convenientíssimamente ‚ele deu-se a reformar a filosofia, e que prudentíssimo, oportuníssimo e justíssimo é o modo onde quer que tal reforma seja feita. Não façamos esta demonstração, para que os católicos sinceros curvem-se a autoridade Pontifícia: não precisam. O verdadeiro católico acolhe as instruções que o Vigário de Jesus Cristo faz não como de pessoa privada, mas como Bispo de toda a Igreja católica, com respeito, com plena submissão, externamente e internamente, propondo-se de aplicá-las, o quanto está em seu poder e a ele dizem respeito. Mas como filósofo contra o ímpio ou os estultos dá-se, filosofando, a justificar as obras de Deus e os decretos da sua divina providência, assim possamos nós fazer das ordenações também solenes da Sé Apostólica.</span></p>
<p style="text-align: right;">CONTINUA…</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">*La Civiltà Cattolica anno XXX, serie X, vol. XI (fasc. 702, 9 settembre 1879), Firenze 1879 pag. 657–672.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Notas:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[1]&nbsp;Ad agevolare le citazioni dell’Enciclica diamo ad ogni&nbsp;<em><i>capoverso&nbsp;</i></em>un numero progressivo. — Per la presente citazione vedi nn. 4, 10 e segg.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[2]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. n. 2.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[3]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. n. 4.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[4]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. n. 4 cit.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[5]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. n. 5.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[6]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. n. 5 cit.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[7]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. n. 5 cit.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[8]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. n. cit.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[9]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. n. 6.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[10]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. num. cit.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[11]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. n. 7.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[12]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. n. 2.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[13]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. n. 4.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[14]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. n. 11, 12.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[15]&nbsp;Si legga sopra questo punto l’opera del Cornoldi:&nbsp;<em><i>Prolegomeni della filosofia</i></em>&nbsp;Italiana&nbsp;ecc.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">[16]&nbsp;<em><i>Encicl</i></em>. n. 22.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
</p>]]></content:encoded>
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		<title>P. ALBERTO SECCI: A HERMENÊUTICA IMPEDE O JUÍZO</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2330</link>
				<pubDate>Wed, 19 Dec 2018 01:14:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Hermenêutica]]></category>
		<category><![CDATA[Padre Alberto Secci]]></category>

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				<description><![CDATA[Vivemos há muitas e muitas décadas em um tempo de reforma perene da Igreja. Não sabemos mais nem mesmo como definir a Igreja, se não dentro de uma contínua....
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								<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2330/manifestazione_cattolici_marxisti" rel="attachment wp-att-2332"><img loading="lazy" data-attachment-id="2332" data-permalink="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2330/manifestazione_cattolici_marxisti" data-orig-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Manifestazione_cattolici_marxisti.jpg?fit=491%2C718&amp;ssl=1" data-orig-size="491,718" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}" data-image-title="Manifestazione_cattolici_marxisti" data-image-description data-medium-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Manifestazione_cattolici_marxisti.jpg?fit=320%2C468&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Manifestazione_cattolici_marxisti.jpg?fit=491%2C718&amp;ssl=1" class="aligncenter size-full wp-image-2332" src="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Manifestazione_cattolici_marxisti.jpg?resize=491%2C718" alt width="491" height="718" srcset="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Manifestazione_cattolici_marxisti.jpg?w=491&amp;ssl=1 491w, https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Manifestazione_cattolici_marxisti.jpg?resize=320%2C468&amp;ssl=1 320w" sizes="(max-width: 491px) 100vw, 491px" data-recalc-dims="1"></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Editorial de Radicati nella fede</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Padre Alberto Secci</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #000000; font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt;">Tradução: Gederson Falcometa</span></div>
<blockquote>
<div style="text-align: center;"></div>
</blockquote>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Vivemos há muitas e muitas décadas em um tempo de reforma perene da Igreja.&nbsp;</span></div>
<div style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Não sabemos mais nem mesmo como definir a Igreja, se não dentro de uma contínua e extenuante mudança: “quem pára se perdeu” parece ter se tornado ironicamente o novo e onicompreensivo mandamento.</span></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Uma reforma a todos os níveis e sob todos os aspectos foi invocada e atuada para que, diziam, a Igreja pudesse entrar em contato com a sociedade dos homens em perene mudança; para que pudesse entrar em contato com essa de modo mais livre e puro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">A reforma foi requerida e depois propagada por motivos pastorais, para que a Igreja não continuasse a marginar-se em uma recusa da modernidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">É dentro desta urgência prático-pastoral que a maioria se convenceu da necessidade de aceitar toda uma série de reformas-revoluções que, a partir da Missa, deveriam mudar completamente o rosto da Igreja de dois milênios.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Não é verdadeiro que as reformas, estas reformas, fossem esperadas. O mundo católico sempre teve uma “santa preguiça” em não mudar muito e por séculos a imutabilidade foi ensinada como uma das mais importantes características da verdadeira Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Mas era necessário não perder o mundo que estava se tornando liberal, agnóstico e depois socialista; era necessário além disso não perder os “irmãos separados” que, no momento, separados por séculos de Roma muito conservadora, tinham produzido com toda liberdade uma série de reformas que talvez, ao menos em parte, podem ser recebidas e valorizadas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Ocorria mudar, mudar… era o mantra obsessivamente repetido em muitos lugares tanto que também os “devotos” não encontraram mais as razões e a força para dizer não àquilo que subitamente apareceu como a destruição geral da vida católica.</span><span id="more-2330"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">O mundo laico ficou espantado e maravilhado, aclamou a nova igreja que finalmente entrava a fazer parte do mundo das revoluções.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Assim os Padres, alguns chorando, fadigando e confundindo muitos, pouco felizes, mudaram a Missa de sua ordenação, a Missa dos padres de toda a cristandade, e deram início a nova e jamais vista aventura da fundação de um novo tido de cristianismo. Tudo isto foi feito em nome do diálogo com o mundo, que devia finalmente encontrar uma igreja de face humana. Talvez porque a Igreja de um tempo atrás não tinha tido esta face humana? Os santos dos séculos não tinham tido um rosto humano? As nossas simples comunidades paroquiais , aquelas das grandes cidades e aquelas dos aldeias agrícolas ou de montanha, talvez, não tinham sido famílias humanas? Certo que eram humanas, de fato muito humanas… e agora muitos começam a se arrepender desta humanidade! Mas tudo isto não bastava aos costumeiros irrequietos pela evolução social.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Era preciso aceitar mudar para ajudar o mundo a encontrar Cristo, assim diziam os devotos promotores da reforma… assim foi dito, só que em nome do encontro com o mundo a Igreja acabou por se envergonhar de Cristo.</span></p>
<blockquote><p><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">“O humanismo laico e profano apareceu, finalmente, em toda a sua terrível estatura, e por assim dizer desafiou o Concílio para a luta. A religião, que é o culto de Deus que quis ser homem, e a religião — porque o é — que é o culto do homem que quer ser Deus, encontraram-se. Que aconteceu? Combate, luta, anátema? Tudo isto poderia ter-se dado, mas de facto não se deu. Aquela antiga história do bom samaritano foi exemplo e norma segundo os quais se orientou o nosso Concílio. Com efeito, um imenso amor para com os homens penetrou totalmente o Concílio. A descoberta e a consideração renovada das necessidades humanas — que são tanto mais molestas quanto mais se levanta o filho desta terra — absorveram toda a atenção deste Concílio. Vós, humanistas do nosso tempo, que negais as verdades transcendentes, dai ao Concílio ao menos este louvor e reconhecei este nosso humanismo novo: também nós —&nbsp; e nós mais do que ninguém somos cultores do homem.&nbsp;Paulo VI, 7.12.1965</span></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">este foi o programa, mais intelectual que real… mas agora, a cinquenta anos de distância, temos o dever de avaliar os êxitos desastrosos!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2330/confessione_per_strada" rel="attachment wp-att-2335"><img loading="lazy" data-attachment-id="2335" data-permalink="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2330/confessione_per_strada" data-orig-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Confessione_per_strada.jpg?fit=510%2C359&amp;ssl=1" data-orig-size="510,359" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}" data-image-title="Confessione_per_strada" data-image-description data-medium-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Confessione_per_strada.jpg?fit=320%2C225&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Confessione_per_strada.jpg?fit=510%2C359&amp;ssl=1" class="aligncenter size-full wp-image-2335" src="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Confessione_per_strada.jpg?resize=510%2C359" alt width="510" height="359" srcset="https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Confessione_per_strada.jpg?w=510&amp;ssl=1 510w, https://i0.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Confessione_per_strada.jpg?resize=320%2C225&amp;ssl=1 320w" sizes="(max-width: 510px) 100vw, 510px" data-recalc-dims="1"></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Podemos pedir aos pastores da Igreja que considerem o clima de morte reinante no mundo católico? Heresia, banalidade herética, imoralidade sistemática, extinção de todo entusiasmo, clero católico em via de extinção, laicização agnóstica do laicato católico, aborto normalizado, eutánasia praticada de fato, união contra a natureza de fato abençoadas por uma Igreja que cala, desaparecimento do matrimônio cristão, queda de natalidade assustadora, todo gênero de vício admitido e compreendido em nome de um humanismo reencontrado: eram estes os êxitos esperados pelos “cultores do homem”?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Podemos pedir aos legítimos pastores para olharem a realidade e darem uma palavra que não seja o cuidado por uma igreja entendida como uma empresa a ser gerida?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Parece que ouvimos as respostas de alguns deles, os mais “empenhados”: “é muito cedo para julgar um fenômeno tão complexo e recente”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Sim, é a nova saída para subtrair-se a uma verificação, que no caso da nova igreja acabaria por ser sem dúvida impiedosa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Fazem assim os pastores modernos, similares aos agentes de cambio nos seus ofícios, mais políticos que crentes, dizem que não se pode ainda dar um juízo, porque devem passar séculos para uma verificação séria! No entanto, os cristãos morrem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Os cristãos morrem, enquanto os pastores estão preocupados pela unidade da diocese, isto quer dizer que todos digam sim.… mas sim a que coisa, se não ao nada, visto que Cristo naquilo que pedem ou não se encontra ou se perdeu em mil meditações?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Se obstinaram os inovadores, que não amavam mais a Igreja como era porque não entendiam mais Cristo e a sua Graça — não entendiam e se entediavam da vida católica — se obstinaram a pretender a mudança e convenceram os tímidos “devotos”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Agora eles mesmos inventaram a hermenêutica eclesialmente entendida, para substraírem-se ao juízo, àquele juízo que é a característica do cristão: “O homem espiritual julga todas as coisas e não é julgado por ninguém” (I Cor 2,15)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Cavalgaram a hermenêutica e lhe deram ares eclesiais: “é a distância que cria significado…” …para interpretar a reforma da Igreja é preciso esperar séculos, só agora começamos a entender Lutero, dizem com descaramento! </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Ao invés disso nós pedimos um juízo súbito, que parta da realidade, que parta de Cristo. Devemos pretender a verificação, sem esperar séculos porque, se somos cultores do homem, sabemos que o homem vive apenas de Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000; font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino, serif;">Devemos pretendê-la tudo isto para que as almas vivam da Graça e a Igreja torne a sua face divina, isto é humano.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
</p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>P. CURZIO NITOGLIA: O DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS SEGUNDO SANTO AFONSO</title>
		<link>https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2324</link>
				<pubDate>Mon, 17 Dec 2018 01:33:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[salveregina]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Aridez]]></category>
		<category><![CDATA[Ascética]]></category>
		<category><![CDATA[Desolação]]></category>
		<category><![CDATA[Discernimento dos espíritos]]></category>
		<category><![CDATA[Santo Afonso]]></category>

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				<description><![CDATA[Em 1775 S. Afonso escreveu um livro de teologia ascética intitulado Conduta admirável da Divina Providência (Nápoles, Editora Paci), em que da página 127 a página 157 abordou a questão do Discernimento dos Espíritos, no capítulo intitulado Conselhos de alívio e confidência para uma alma desolada. Colóquio entre Monsenhor o Autor e a Alma que pede conselho.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2324/santo-afonso-salve-regina" rel="attachment wp-att-2326"><img loading="lazy" data-attachment-id="2326" data-permalink="https://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/2324/santo-afonso-salve-regina" data-orig-file="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Santo-Afonso-Salve-Regina.jpg?fit=750%2C472&amp;ssl=1" data-orig-size="750,472" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}" data-image-title="Santo Afonso - Salve Regina" data-image-description data-medium-file="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Santo-Afonso-Salve-Regina.jpg?fit=320%2C201&amp;ssl=1" data-large-file="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Santo-Afonso-Salve-Regina.jpg?fit=720%2C453&amp;ssl=1" class="aligncenter size-full wp-image-2326" src="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Santo-Afonso-Salve-Regina.jpg?resize=750%2C472" alt width="750" height="472" srcset="https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Santo-Afonso-Salve-Regina.jpg?w=750&amp;ssl=1 750w, https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Santo-Afonso-Salve-Regina.jpg?resize=320%2C201&amp;ssl=1 320w, https://i1.wp.com/salveregina.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2018/12/Santo-Afonso-Salve-Regina.jpg?resize=720%2C453&amp;ssl=1 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" data-recalc-dims="1"></a></p>
<p style="text-align: justify;">
</p><div style="text-align: center;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Padre Curzio Nitoglia</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Tradução: Gederson Falcometa</span></div>
<p style="text-align: justify;">
</p><p style="text-align: center;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Introdução</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Muitos conhecem as “Regras para o Discernimento dos Espíritos contidas nos “Exercícios Espirituais” (n 313–316) de S. Inácio de Loiola, mas também S. Afonso Maria de Ligório compôs um tratado (menos conhecido) em que aborda, de maneira diversa, o mesmo tema.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Em 1775 S. Afonso escreveu um livro de teologia ascética intitulado <em><i>Conduta admirável da Divina Providência</i></em>&nbsp;(Nápoles, Editora Paci), em que da página 127 a página 157 abordou a questão do Discernimento dos Espíritos, no capítulo intitulado<em><i>&nbsp;Conselhos de alívio e confidência para uma alma desolada. Colóquio entre Monsenhor o Autor e a Alma que pede conselho.</i></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">O Redentorista Padre Alfonso Amarante, em 2008, cuido da 10ª edição desta obra, com adaptação para a língua italiana corrente, publicada pela Shalom Editora de Camerata Picena na província de Ancona [1].</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">No presente artigo resumo o conteúdo da obra afonsiana e convido o leitor a estudar e meditar o próprio texto do Santo Doutor da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">A partir de um alegado estado de falência espiritual de uma alma desolada S. Afonso ensina as várias etapas da verdadeira conversão interior e do renascimento espiritual. Segundo o Santo as penas maiores dos homens não são aquelas materiais e físicas, mas as tentações e as desolações de espírito. A tentação é um incitamento ao mal, que vem do demônio, da nossa natureza (ferida pelo pecado original) ou do mundo, colocando nos em perigo de perder a graça santificante. A desolação espiritual é um estado de ânimo em que se considera ter perdido a graça de Deus e de ter sido abandonado pelo Senhor. A aridez sensível é menos grave que a desolação espiritual porque nela não se sentem mais as consolações espirituais, que aliviam a natureza sensível da alma pia. Muitos Santos trataram destes temas (aridez, desolação) com terminologias diversas (por exemplo S. Francisco de Sales na Filotéia ou Introdução a vida devota as chama aridez e desolações como S. Inácio nos seus Exercícios Espirituais e como S. Afonso no presente tratado; S. João da Cruz na obra Noite Escura as chama de “noite dos sentidos e noite do espírito”), mas a realidade significada é a mesma: a noite dos sentidos corresponde a aridez e a noite do espírito a desolação [2].</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">O texto de S. Afonso</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">O Santo Doutor distingue a aridez voluntária daquela involuntária. A primeira advém quando a pessoa que a prova comete pecados veniais deliberados e voluntários e não busca de se corrigir. Esta mais que aridez voluntária deveria ser chamada de tepidez. A aridez verdadeira e própria é aquela involuntária que se experimenta quando a pessoa busca santificar-se, cuida para não cometer pecados propositalmente deliberados, reza assiduamente, frequenta os sacramentos, mas apesar de tudo sente a aridez de espírito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">O Santo aborda antes de mais nada a questão dos escrúpulos e explica que a alma a qual lhe sofre se confessa e reconfessa, mas teme de não ter confessado tudo e permanece inquieta; se vê assaltada por mil tentações contra a fé, a castidade, a soberba e permanece com um certo temor de ter consentido. O Santo a incita a ter confiança e a prestar sempre obediência ao diretor espiritual, evitando de ater-se ao próprio juízo; nas coisas espirituais e nas dúvidas de consciência é importante obedecer ao pai espiritual. O incômodo dos escrúpulos é um verdadeiro tormento para as almas pias, muito mais penoso que as enfermidades.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">A alma responde que embora obedecendo ao diretor espiritual não prova devoção ou consolação sensível. O Santo rebate que não é necessários buscar as doçuras ou as consolações sensíveis, mas a vontade de Deus. De fato ela também pode nos santificar sem provar consolações sensíveis nesta vida, porque a verdadeira virtude não consiste em senti-la, mas em querê-la. Se uma alma quer confiar, mesmo se não prova nenhuma confidência sensível, é já na virtude da confiança. Assim é por amor a Deus. Isso esta na vontade. Se alguém quer amar Deus já o ama sem querer o prazer de “sentir” ou experimentar o amor. Certas vezes é Deus mesmo que não quer que nós sintamos a consolação de provar a virtude em nós para nos fazer avançar mais na vida espiritual. Verdadeiramente na aridez se age só por amor de Deus e não por amor das nossas consolações. Se Deus quer que também as pessoas, que vivem obstinadas no pecado se convertam e retornem a Ele, como poderia abandonar uma pessoa que quer amá-lo?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Os dois temores que assaltam mais as almas pias, diz S. Afonso, são aqueles de não se salvar e de não ser perdoadas por Deus. Ora, explica o Santo, se é verdadeiro que é o Senhor que nos converte e nos salva, é também verdadeiro que nós devemos cooperar com ele e nos empenharmos na nossa continua ascendência espiritual. Deus não deixará de nos salvar, se antes não é abandonado por nós. Por isso se nos propomos a não abandoná-lo devemos estar seguros que ele não nos abandonará jamais e se por desgraça nossa devêssemos cair no pecado, tornemos a Ele com o coração arrependido e Ele nos perdoará. O pensamento segundo o qual Deus criaria almas apenas para lhes condenar ao inferno sem nenhuma culpa sua é uma blasfêmia de Lutero e Calvino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Então, prossegue o Santo, Deus abandona só os obstinados no mal, que recusam de se convertem, ou seja, aqueles que querem viver no pecado. Por isso não devemos jamais dizer que Deus nos abandonou. Quando uma pessoa busca amar a Deus, então o Senhor não pode não amá-la. Se algumas vezes Deus “se esconde” àqueles que ama, o faz para o seu maior proveito espiritual: o desejo de ter a sua graça e de não perde-la jamais. De fato, nenhuma coisa aproxima a nós de Deus e aproxima o Senhor do nosso coração quanto a desolação porque no estado de desolação os atos de uniformidade a vontade de Deus são mais perfeitos e mais puros. Quanto maior for a desolação, maior será a humildade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Infelizmente as pessoas escrupulosas, continua S. Afonso, veem Deus como um tirano que incute aos súditos só ansiedade e medo. Então, temem que a cada palavra, a cada pensamento Deus se faça possuir-se de cólera e lhes mande ao inferno. Não, Deus não nos priva da sua graça, se não quando nós, a olhos abertos, deliberadamente o desprezamos e lhe voltamos as costas.</span></p>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Conclusão</span></strong></div>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Aridez: causas e remédios</span></strong></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Padre Alfonso Amarante escreve: “As causas da aridez podem ser de natureza psicofísica, distúrbios de caráter psíquico e nervoso ou de saúde instável; ou de natureza moral, por formas inaptas de oração, intensa atividade exterior, grande atenção dada a sensibilidade, vã complacência na devoção sensível (gula espiritual), tepidez, deliberada renúncia a santidade. A aridez é uma espécie de fadiga seja física que mental e ás vezes pode ser provocada pelo próprio Deus. Neste caso é uma prova para provar a fidelidade de uma pessoa, o seu amor. Subtraindo-lhe a devoção sensível a Deus a coloca na condição de confiar e repousar unicamente Nele. Os remédios são os seguintes: se a aridez é provocada pela enfermidade, se deve cuidar maiormente do corpo, evitar afadigamentos, conceder-se mais repousos. Se provém do relaxamento espiritual, é preciso renovar o desejo de santidade, revigorar a ascética. Se a aridez é provocada por Deus, se requerem atos de uniformidade a sua vontade. Tal prova a experimentam um pouco todos. Todos, antes ou depois, atravessamos o deserto da oração árida para chegar, depois, a uma união mais íntima e a uma oração mais profunda. A aridez se radica na humildade. A pessoa, imersa na noite escura do sentido, toma consciência dos próprios limites e recorre muitas vezes mais a Deus” (<em><i>S. Afonso Maria de Ligório, Solidão e aridez espiritual,</i></em>&nbsp;Introdução de Alfonso Amarante, cit., pag. 17–18).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"><strong><b>A desolação: causas e remédios</b></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">“A desolação é uma inquietude devida a vários tipos de agitações e tribulações. A pessoa desolada vive desconfiada, sem esperança, sem amor. […]. Os mestres de vida espiritual individuam três tipos de desolação:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">1º) Punitiva: nasce quando Deus se distancia de uma pessoa;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">2º) Educativa: é uma correção paterna da parte de Deus. Nasce muitas vezes da lentidão e preguiça na vida espiritual.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">3º) Unitiva: “leva a reta consciência de que tudo é dom de Deus” (cit., pg. 19–20).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">Padre Curzio Nitoglia</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">[1] O livro se intitula Solitudine e aridità spirituale (127 páginas, 5 euro, código 85 93) e pode ser pedido ao Editor com o número verde 800 03 04 05 ou através do email ordina@editriceshalom.it</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: georgia, palatino, serif; font-size: 14pt; color: #000000;">[2] Cfr.&nbsp;A. Royo Marìn,&nbsp;<em><i>Teologia della perfezione cristiana,&nbsp;</i></em>Roma, Paoline, VI ed. 1965,<em><i>La notte del senso,&nbsp;</i></em>pp. 506520;&nbsp;<em><i>La notte dello spirito,&nbsp;</i></em>pp. 522–526;&nbsp;A. Tanquerey,<em><i>Compendio di teologia ascetica e mistica,&nbsp;</i></em>Roma-Tournai-Parigi, Desclée, 1928<em><i>, Notte dei sensi,&nbsp;</i></em>pp. 1420–1434;&nbsp;<em><i>Notte dello spirito,&nbsp;</i></em>pp. 1464–1468.</span></p>
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