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	<title>Amálgama</title>
	
	<link>http://www.amalgama.blog.br</link>
	<description>Atualidade e cultura</description>
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		<title>Mera coincidência</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/em-que-coincidentemente-se-reincide-leila-de-souza-teixeira/</link>
		<comments>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/em-que-coincidentemente-se-reincide-leila-de-souza-teixeira/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 May 2012 16:20:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Tardivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Leila de Souza Teixeira]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Os contos deste volume nos mostram que a linguagem existe justamente ao não existir</p><p>--<i> leia mais de <a rel="author" href="http://www.amalgama.blog.br/por/renato-tardivo/">Renato Tardivo</a> </i>--
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_9501" class="wp-caption alignnone" style="width: 210px"><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8562757667" target="_blank"><img class="size-full wp-image-9501 " title="Em que coincidentemente se reincide" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/05/emque.jpg" alt="" width="200" height="296" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Em que coincidentemente se reincide&quot;, de Leila de Souza Teixeira</p></div>
<p>Chama a atenção nesta coletânea de contos da escritora Leila de Souza Teixeira o fato de que, embora seja o seu primeiro livro individual, ele em nada parece uma estreia. E isso não é uma coincidência: a autora foi premiada em concursos importantes, além de já ter publicado contos em coletâneas. <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8562757667" target="_blank">Em que coincidentemente se reincide</a></em> não tem ares de estreia basicamente por dois motivos: o projeto que norteia o livro e o domínio da técnica que a escritora demonstra possuir.</p>
<p>O título, o projeto gráfico (destaque para a capa) e o sumário dão indícios de que a temática do duplo atravessará os onze contos que compõem o volume, o que se dá do seguinte modo: o primeiro conto se corresponde com o sétimo, o segundo com o oitavo, o terceiro com o nono, o quarto com o décimo e o quinto com o décimo primeiro.</p>
<p>Há ainda uma narrativa, a sexta – “Noctiluca” –, o ponto médio do livro, que é o espelho central desse jogo de espelhos: “Escrevo deste modo convulso para tentar mostrar a sucessiva e ininterrupta troca entre deslumbramento e decepção de que sou feito”, confessa o narrador. E arremata: “Não estou acabando por aqui. Apenas desisto da palavra. Desisto dela, mesmo que, sem ela, eu não exista”. É muito bem sucedida a transição em direção à primeira reincidência. A palavra debruça-se sobre si mesma; simetricamente, o livro avança ao retornar: “os ciclos são similares, mas não idênticos”, diz a narradora em “Doutrina dos ciclos” – conto, em si mesmo, especular.</p>
<p>A estrutura do livro lembra, em certa medida, os romances <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8520002986" target="_blank">O jogo da amarelinha</a></em>, do argentino Julio Cortázar, e <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8535906290" target="_blank">Avalovara</a></em>, do brasileiro Osman Lins – a propósito, um dos prêmios vencidos pela autora foi justamente o concurso Osman Lins (coincidência?). Nessas obras, o leitor decide que ordem a leitura irá seguir. Nessa medida, o próprio livro passa a ser um dos assuntos importantes, senão o principal. Tarefa ousada, sobretudo para uma estreia.</p>
<div id="attachment_9502" class="wp-caption alignnone" style="width: 234px"><img class=" wp-image-9502  " title="Leila Teixeira (foto: Divulgação)" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/05/leila-teixeira.jpg" alt="" width="224" height="272" /><p class="wp-caption-text">-- A autora --</p></div>
<p>Não é aleatória, nesse contexto, a presença maciça da metalinguagem: o livro falando do livro (referências ao próprio título e número de contos), histórias dentro das histórias, a palavra referindo-se a si mesma e a outras linguagens (audiovisual, fotografia, teatro). A autora também se utiliza com sucesso da intertextualidade – Hemingway, Borges, entre outros – e as narrativas abordam questões existenciais com as quais o leitor toma contato por meio da fruição estética, uma vez que estas são trabalhadas no plano da ficção.</p>
<p>De modo geral, os contos da primeira parte possuem um caráter mais aberto do que os da segunda – naquela, as reincidências permanecem sugeridas; nesta, elas se concretizam. Talvez por isso, o impacto de algumas narrativas da segunda parte seja amortecido. Mas, em outros contos, as histórias são boas o suficiente para que a cadeia de reincidências se mantenha, mesmo que (ou justamente porque) deságuem na morte – destaque para o excelente “Oito” e para o último texto, “Processo desconstrutivo”.</p>
<p>É com a morte da palavra que o livro termina: “Na verdade, nem comecei a escrevê-lo”. <em>Em que coincidentemente se reincide</em> nos mostra com originalidade, pela e na literatura, algo que já sabíamos: que a linguagem existe justamente ao não existir; que, quando vamos apreendê-la, já passou. Mera coincidência&#8230;</p>
<p>::: <strong><em>Em que coincidentemente se reincide</em></strong> :::<br />
::: <strong>Leila de Souza Teixeira</strong> :::<br />
::: <strong>Dublinense</strong>, <strong>2012</strong>, <strong>96 páginas</strong> :::<br />
::: <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8562757667" target="_blank">compre na Livraria Cultura</a> :::</p>
<p>--<i> leia mais de <a rel="author" href="http://www.amalgama.blog.br/por/renato-tardivo/">Renato Tardivo</a> </i>--
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		<title>Um moderno e cativante romance sobre a perda</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/entrevista-fal-azevedo-sonhei-que-a-neve-fervia/</link>
		<comments>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/entrevista-fal-azevedo-sonhei-que-a-neve-fervia/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 May 2012 16:30:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Biajoni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[entrevistas com autores brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[fal azevedo]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Entrevista com Fal Azevedo, autora de "Sonhei Que a Neve Fervia"</p><p>--<i> leia mais de <a rel="author" href="http://www.amalgama.blog.br/por/luiz-biajoni/">Luiz Biajoni</a> </i>--
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_9505" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-9505" title="Fal Azevedo" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/05/fal.jpg" alt="" width="400" height="348" /><p class="wp-caption-text">-- Fal Azevedo durante lançamento do novo livro em São Paulo (foto: Karen Bassetti) --</p></div>
<p>Na noite de 27 de Agosto de 2007, uma segunda-feira, o marido da blogueira e escritora Fal Azevedo, Alexandre, morreu, por volta de nove da noite, em seus braços, vítima de um infarto fulminante. Eles formavam um casal feliz e estavam juntos há oito anos. A perda repentina foi um choque para Fal e ela contou sobre a morte quase imediatamente na internet. Sua postagem gerou uma avalanche de reações, e-mails, comentários, mensagens. Seu amplo círculo de amigos na rede serviu de amparo para aquele momento difícil pelo qual ela passava. E ela teve que cuidar das coisas práticas da vida, das tarefas, da tentativa de assimilação da perda – e contou com a ajuda desses amigos. Essa é a história de <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8532526594" target="_blank">Sonhei que a neve fervia</a></em>, que Fal Azevedo lança agora.</p>
<p>Não é um livro linear, embora seja quase um diário. Ela vai apresentando, dia a dia, durante exato um ano, o que falou ou escreveu ou pensou, os e-mails e mensagens que recebeu e enviou, alguns telefonemas e, especialmente, os recados que ela escrevia para o marido morto, como se ele ainda fosse vivo, contando sobre suas tarefas prosaicas e sobre a impossibilidade de esquecê-lo.</p>
<p>Não é um livro alegre, embora seja leve. A Fal conseguiu leveza com um tema tão duro, tão pungente, que é a morte real e física de nosso grande amor. É um livro sobre a perda insuperável, sobre o fim. Mas o olhar espirituoso e autocomplacente dela, suas observações sobre o cotidiano – os gatos, os filmes na TV, as contas pra pagar, as mensagens que chegam pelo computador, os trabalhos que se acumulam – tornam seu drama mais real; pra longe daqueles dramalhões carregados nas tintas, onde só há espaço para lágrimas e dor.</p>
<p>Moderno, podemos dizer que <em>Sonhei que a neve fervia</em> é até um trabalho colaborativo, já que vários trechos foram escritos por amigos e conhecidos da autora.</p>
<p>Abaixo, uma breve entrevista que fiz com ela por e-mail.</p>
<p style="text-align: center;">*</p>
<p><strong>Como surgiu a ideia para o livro?</strong><br />
Bia, eu escrevo. Escrevo compulsivamente, escrevo todo o tempo, escrevo sempre. Então, quando A. morreu, escrevi. Todos os dias, muito, muito mesmo. Depois de seis meses que A. tinha morrido, minha editora perguntou o que eu estava fazendo. Mostrei. Ela gostou e disse: é livro, segue por mais seis meses. Ao completar um ano de escrita, mandei para ela, e a Rocco resolveu fazer. Não houve um momento de decisão: &#8220;Vou fazer um livro&#8221;. A coisa foi tomando forma e&#8230; e foi assim.</p>
<p><strong>O romance usa a técnica do <em>cut-up</em>, que parece voltar com força. Quando houve a decisão de formatar o livro dessa forma e não contar a história de maneira mais, digamos, linear?</strong><br />
Bão, nunca escrevi de forma linear. Quando descobri os blogs, em 2002, foi exatamente isso que me encantou. Em 2009, lancei um livro independente (o maior encalhe da literatura mundial), que tinha crônicas e <em>drops</em>. Eu fazia blog e nem sabia. O livro seguinte, foi assim também, e depois, o <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8532523552" target="_blank">Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite</a></em>, meu livro de estreia na Rocco, seguiu esse caminho. A fragmentação me é muito, muito natural, penso nessa formatação. O contrário, a história linear, longos capítulos concatenadinhos, isso é o que eu teria que planejar e ensaiar e racionalizar para usar ao contar uma história.</p>
<p><strong>A inescapável pergunta: quanto do livro é real e quanto é ficção? (Em determinado trecho do livro você escreve que tudo o que é escrito deixa de ser real e se torna ficção.)</strong><br />
Digo isso sempre. Botou no papel, é ficção. Antes ainda, racionalizou, é ficção. Tudo que cada um de nós tem é uma versão. Aquilo aconteceu, minha vida, meus amigos, meus cães, minha mudança, minhas dores, meu medo e minha falta. Mas claro, se você pedir para qualquer outra pessoa contar, vai ser diferente. Porque somos diferentes, fazemos diferentes registros, prestamos atenção em coisas diferentes.</p>
<p><strong>No livro, alguns nomes aparecem completos, outros apenas com o primeiro nome, e muitos somente com as iniciais. Você consultou cada um? Imagino que tenha dado um trabalhão.</strong><br />
Tentei usar nomes, primeiros nomes. Não quis ninguém muito marcado, reconhecível. Todos temos um Daniel, uma Gabriela, um Marcos. A narradora não tem nome, o marido morto para quem ela escreve, também não.</p>
<p><strong>Para você, o livro foi uma maneira de digerir a tragédia?</strong><br />
Foi. Escrever é jeito de&#8230;. bom, de tudo, na minha vida. Passa tudo pela escrita.</p>
<p><strong>Literariamente falando, quais são suas influências?</strong><br />
Verissimo, pai e filho. Você. Almeida Reis. Bombeck. Salinger. Cortázar. Melville. Mansfield. Bryson. Jane Austen. E Stanislaw Ponte Preta. Acabo sempre voltando pro Stanislaw.</p>
<p><strong>De onde vem esse seu carisma?</strong><br />
Do fato de não me conhecerem bem.</p>
<p style="text-align: center;">*</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8532526594" target="_blank"><img class="size-full wp-image-9507 aligncenter" title="Sonhei que a neve fervia" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/05/sonhei-capa.jpg" alt="" width="300" height="455" /></a></p>
<p>--<i> leia mais de <a rel="author" href="http://www.amalgama.blog.br/por/luiz-biajoni/">Luiz Biajoni</a> </i>--
<br>
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		</item>
		<item>
		<title>Carta a Juca Kfouri</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/juca-kfouri-times-do-interior/</link>
		<comments>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/juca-kfouri-times-do-interior/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 28 May 2012 16:50:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Scalzilli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[futebol brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Juca Kfouri]]></category>
		<category><![CDATA[times do interior]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Repudio sua afirmação de que os interioranos vampirizam a “elite”, pois ocorre justamente o contrário</p><p>--<i> leia mais de <a rel="author" href="http://www.amalgama.blog.br/por/guilherme-scalzilli/">Guilherme Scalzilli</a> </i>--
<br>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-9536" title="Torcida da Ponte chega ao estádio" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/05/torcida-ponte.jpg" alt="" width="500" height="317" /></p>
<p>Prezado Juca,</p>
<p>Tento decifrar os rótulos pejorativos que <a href="http://sergyovitro.blogspot.com.br/2012/05/juca-kfouri-o-final-do-estadual.html" target="_blank">você anexa ao Campeonato Paulista</a> e só consigo entendê-los como sintoma de algum ódio reprimido aos clubes do interior. Não imagino que outra nefasta particularidade explicaria apenas os estaduais merecerem críticas tão equivocadas e injustas. Por isso, atingido no orgulho de pontepretano brioso, dirijo-lhe esta humilde contestação.</p>
<p>Imoralidades diversas, oportunismo eleitoral e abuso de bens estatais são corriqueiros no universo futebolístico, e agravam-se na medida em que aumenta o poder financeiro dos envolvidos. Também a mediocridade técnica ultrapassa bandeiras e raízes, considerando o nível do futebol brasileiro em geral. Segundo tal critério, deveríamos chamar o torneio nacional de “<a href="http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2010/12/brasileirinho.html" target="_blank">Brasileirinho</a>”, em referência aos longos meses de pasmaceira suportados até que os mesmos clubes mais ricos terminem nas melhores posições. Ademais, se os atletas dos rincões fossem inferiores ao padrão dominante, não comporiam os milionários elencos sediados nas capitais.</p>
<p>Um preconceito muito em voga, o suposto desinteresse das platéias interioranas, pede primeiro um contraponto matemático. Apesar de todo o glamour da Série A, as maiores torcidas do país são incapazes de ultrapassar a média de quinze mil pagantes por jogo. O peso desse público num conjunto urbano de vários milhões de habitantes não alcança a mesma proporção observada nas cidades menores.</p>
<p>Mas quem disse que a bilheteria deve constituir um objetivo central do esporte? É evidente que a natureza capitalista dos clubes tem certos limites, pois no mundo cruel dos negócios as empresas mal administradas desaparecem muito antes que suas dívidas cheguem a centenas de milhões de reais. A transcendência sócio-cultural do futebol, por definição, está acima do gosto hegemônico e das modas passageiras. Os mais restritos círculos religiosos, criativos, étnicos ou políticos merecem tratamento honroso e igualitário, mas os futebolísticos precisam ser legitimados por fatores mercadológicos?</p>
<p>Repudio sua afirmação de que os interioranos vampirizam a “elite”, pois ocorre justamente o contrário. Os clubes poderosos sempre exploraram os menos prestigiados, cooptando sua mão-de-obra capacitada e barata (depois lucrando com ela), desviando recursos a que tinham direito e usando a conseqüente penúria para sufocá-los nos <a href="http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2012/05/satisfeitos.html" target="_blank">viciados bastidores das federações</a>. Espelhando um notório mecanismo da geopolítica, as tradições dos “grandes” foram construídas com o sacrifício histórico dos “pequenos”.</p>
<p>Os analistas esportivos das metrópoles, eternos cúmplices da pilhagem, agora defendem que as agremiações coadjuvantes sumam dos últimos torneios sérios de que ainda participam. Todos sabem que <a href="http://www.guilherme.scalzilli.nom.br/Artigos/Caros%20Amigos/Textos/2009/Exterminadores%20de%20times.html" target="_blank">o golpe aniquilaria os excluídos</a>, mas disfarçam a ânsia genocida com placebos retóricos do tipo fundos emergenciais e regulamentos anódinos. Tentam, assim, fazer os torcedores dos “grandes” que vivem nas cidades menores pensarem que a agonia dos times locais só atinge quem sofre por eles. Não se reconhecendo vítimas desse menosprezo e incapazes de antever seus graves efeitos colaterais, as platéias distantes ignoram que são usadas pelo marketing da homogeneidade, que visa apenas lucrar à custa da audiência massificada.</p>
<p>Algo muito importante, que ninguém parece notar, é o prejuízo causado pela decadência do interior a todo o futebol nacional, inclusive os poderosos “favoritos” da mídia. Os <a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2011/07/quack.html" target="_blank">recentes fracassos da seleção</a> e dos representantes brasileiros em disputas internacionais refletem a pobreza de uma estrutura viciada nas glórias fáceis e imediatas dos seus protagonistas. Beneficiados pela miséria dos adversários regionais e iludidos com a equivalência dos concorrentes diretos, os times vitoriosos se acomodam a uma superioridade artificial, que só faz sentido num ambiente esportivo menos qualificado.</p>
<p>Suponhamos que minha leitura esteja errada, caríssimo Juca, e que você queira realmente lutar pela dignidade dos “pequenos”. Sugiro-lhe então liderar uma campanha para que as verbas televisivas de qualquer campeonato sejam repartidas igualmente por todos os competidores. Aposto que não faltaria base constitucional para reivindicação dessa natureza. E que tal defender também que a insossa e onerosa Copa do Brasil passe a abrigar os melhores de cada estado que <em>não disputam a Série A</em>, dando vagas na Sul-Americana ao campeão e ao vice? O calendário da “elite” ficaria enxuto e dinâmico, o prestígio dos estaduais aumentaria, os “pequenos” investiriam nas categorias de base e o mercado conheceria milhares de bons profissionais que hoje vivem no ostracismo.</p>
<p>Se tais ideias soam alucinógenas é porque de fato salvariam os clubes menores. Porque a cúpula do futebol, mídia inclusa, tem horror de um cenário com torneios imprevisíveis e dezenas de times competitivos roubando os triunfos, a visibilidade e os lucros do cartel predominante. É essa arrogância monopolista que gera a depreciação da única oportunidade que têm os desfavorecidos de conhecer algum sucesso, <a href="http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2012/04/agradecimento.html" target="_blank">mesmo “fortuito” e “circunstancial”</a>, para usar seus discutíveis adjetivos. Não por acaso, os ataques aos estaduais costumam acompanhar elogios ao <a href="http://www.guilherme.scalzilli.nom.br/Artigos/Caros%20Amigos/Textos/2010/Time%20pobre%20nao%20tem%20vez.html" target="_blank">tendencioso sistema de pontos corridos</a>, fórmula de manipulação classificatória baseada no privilégio econômico.</p>
<p>Finalizo deixando um apelo para que você repense a mania de chamar de cegos e provincianos os pontos-de-vista discordantes. Não há nada mais provinciano que louvar a supremacia de apenas quatro times num estado com população equivalente à de países europeus. Só bairristas obtusos ignoram a imensa riqueza regional brasileira, querendo reduzi-la a um punhado de referências construídas e disseminadas pela imprensa das capitais e por seus anunciantes. Os inimigos de tamanho empobrecimento adotam visão contrária, que respeita a diversidade, a integração e o equilíbrio de forças.</p>
<p>Embora desunidos e submissos, os clubes interioranos ainda podem escapar da morte que seus detratores anunciam. Quando parlamentares, governantes e dirigentes conhecerem as dimensões da tragédia, imediatamente buscarão evitá-la. Mas para tanto é necessário que a crônica esportiva deixe as paixões na arquibancada e trate de fazer jornalismo, para variar um pouco.</p>
<p>Deixo-lhe um abraço de admirador.</p>
<p>--<i> leia mais de <a rel="author" href="http://www.amalgama.blog.br/por/guilherme-scalzilli/">Guilherme Scalzilli</a> </i>--
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		</item>
		<item>
		<title>Nick Cohen no Fórum da Liberdade de Oslo</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/nick-cohen-forum-da-liberdade-oslo/</link>
		<comments>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/nick-cohen-forum-da-liberdade-oslo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 May 2012 22:37:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amálgama</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[censura]]></category>
		<category><![CDATA[censura no século 21]]></category>
		<category><![CDATA[Nick Cohen]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Vídeo com a participação do autor de "You can't read this book: Censorship in an age of freedom"</p><p>--<i> leia mais de <a rel="author" href="http://www.amalgama.blog.br/por/amalgama/">Amálgama</a> </i>--
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Segue a fala do jornalista e escritor britânico <a title="Nick Cohen" href="http://www.amalgama.blog.br/por/nick-cohen/" target="_blank">Nick Cohen</a> no <a href="http://www.oslofreedomforum.com/" target="_blank">Fórum da Liberdade de Oslo</a>, realizado na segunda semana de maio. Nick acabou de lançar <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=0007308906" target="_blank">You can&#8217;t read this book: Censorship in an age of freedom</a></em>.  Temos uma informação de que o livro pode sair no Brasil por uma grande editora, mas não antes de 2014, então vá lendo mesmo a edição em inglês. Altamente indicado é também o livro de 2007 do Nick, <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=0007229704" target="_blank">What&#8217;s Left? &#8211; How the Left lost its way</a></em>. O autor gentilmente autorizou o Amálgama a traduzir seus artigos, o que fazemos <a title="Nick Cohen no Amálgama" href="http://www.amalgama.blog.br/por/nick-cohen/" target="_blank">na medida do possível</a>.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/hlivh__wKP0?rel=0" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Crianças massacradas por artilharia na Síria</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/massacre-hula-siria/</link>
		<comments>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/massacre-hula-siria/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 May 2012 17:53:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juan Cole</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura na Síria]]></category>
		<category><![CDATA[Hula]]></category>
		<category><![CDATA[intervenção na Síria]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>O resultado foi tão horrível que pode revirar os estômagos dos sírios em cima do muro</p><p>--<i> leia mais de <a rel="author" href="http://www.amalgama.blog.br/por/juan-cole/">Juan Cole</a> </i>--
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			<content:encoded><![CDATA[<p>No sábado, <a href="http://www.csmonitor.com/World/Middle-East/2012/0526/Syria-massacre-raises-pressure-for-international-response" target="_blank">o exército sírio bombardeou a cidade de Hula</a>, província de Homs, matando 90 pessoas, incluindo dezenas de crianças, segundo fontes da oposição.</p>
<p>O regime Baath na Síria tem sobrevivido apesar de 14 meses de manifestações populares, passeatas e revoltas, porque pelo menos metade dos sírios, especialmente em grandes cidades como Alepo e a capital, Damasco, teme mais uma tomada de poder por fundamentalistas do que a continuação de uma ditadura de partido único.</p>
<p>As duras repressões das forças de segurança a manifestações civis pacíficas e o emprego de franco-atiradores contra elas fez com que alguns mudassem de opinião, e os recentes ataques do governo a manifestações de estudantes universitários em Alepo provocaram significativos protestos naquela cidade.</p>
<p>O exército Baath normalmente só emprega artilharia contra bairros dominados por homens armados e desertores que formaram o Exército Sírio Livre, e meu palpite é que ele estava tentando retomar Hula do ESL. Barragens de artilharia lhe permitem evitar as muitas baixas que teria em batalhas corpo a corpo em vielas estreitas.</p>
<p>Mas artilharia é um armamento cego, e se ela atinge prédios cheios de não-combatentes, pode causar um massacre. Acredito que bombardear um bairro habitado é quase sempre um crime de guerra, uma vez que as baixas civis são eminentemente previsíveis.</p>
<p>O resultado em Hula é tão horrível que pode revirar os estômagos dos sírios restantes em cima do muro, e produzir uma nova reação contra o regime. A revolução na Síria é uma competição entre o regime por um lado, e por outro os revolucionários (que têm uma ala civil e uma ala militar que raramente estão em acordo). Os revolucionários continuam a mais de um ano firmes em face de enorme brutalidade. Sua resolução parece forte. O regime parece ser popular em cada vez menos lugares; a disposição de todos em seus quadros, com exceção dos mais devotados, está sendo abalada.</p>
<p>O núcleo interno do Partido Baath é incapaz de sentir remorso ou assumir responsabilidade. Mas ele depende do apoio ou ao menos aquiescência de milhões de pessoas comuns, que provavelmente serão sensibilizadas por Hula. Assim como o público dos EUA começou a se virar contra a Guerra do Vietnã por causa de eventos como o <a href="http://www.pbs.org/wgbh/amex/vietnam/trenches/my_lai.html" target="_blank">massacre de My Lai</a>, Hula poderia ser um ponto de virada.</p>
<p>A Al Jazeera em inglês tem um vídeo (advirto que o conteúdo é forte):</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/H9B24_eOwcc?rel=0" frameborder="0" width="500" height="281"></iframe></p>
<p>O Exército Sírio Livre, em seguida, levou observadores da ONU para Hula para ver a carnificina (mais uma vez, o vídeo é perturbador):</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/iZlKiKYEPtk?rel=0" frameborder="0" width="500" height="375"></iframe></p>
<p>Hula poderia igualmente ter um impacto no Conselho de Segurança da ONU. Parece cada vez mais claro que o plano de Kofi Annan de encher o país com observadores para incentivar a adesão a um cessar-fogo é letra morta. A questão na ONU tem que ser, &#8220;o que vem depois?&#8221;.</p>
<p>Aqueles que ridicularizam a ideia de uma responsabilidade internacional em proteger civis como um simples pretexto para neoimperialismo, por favor tenham ao menos a decência de denunciar o regime Baath por este banho de sangue.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>No ritmo de Poe</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/o-corvo-filme/</link>
		<comments>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/o-corvo-filme/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 May 2012 16:24:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Al Izdihar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Edgar Allan Poe]]></category>
		<category><![CDATA[James McTeigue]]></category>
		<category><![CDATA[John Cusack]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.amalgama.blog.br/?p=9467</guid>
		<description><![CDATA[<p>Poe é personagem de uma trama em que um assassino usa seus contos como inspiração para matar</p><p>--<i> leia mais de <a rel="author" href="http://www.amalgama.blog.br/por/ana-al-izdihar/">Ana Al Izdihar</a> </i>--
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-9469" title="O Corvo" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/05/o-corvo.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p style="text-align: right;">“<em>Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!</em>”<br />
(The Raven, Edgar Allan Poe, 1845)</p>
<p>Desconfio que muitos críticos chatos e puristas irão torcer o nariz para este filme. Afinal, onde já se viu profanar um dos maiores cânones da literatura mundial com um filme infame e comercial hollywoodiano cheio de efeitos especiais?</p>
<p>Mas espere, Edgar Allan Poe também era americano e foi famoso em sua época (coisa que alguns autores só atingem depois que partem) e sabia como ninguém usar “efeitos especiais” de escrita para popularizar seus contos publicados em jornais. Teve uma vida de cão, cheia de infortúnios, bêbado, com suspeitas de ataques psicóticos e uma morte misteriosa. Foi um típico escritor romântico do século 19, com uma trajetória brilhante intelectualmente falando, não somente pelo conteúdo gótico de suas narrativas, mas principalmente por seu estilo único, inovador. Lembre-se que ele praticamente inventou as regras do conto moderno. E tendo tido um destino triste, repleto de acontecimentos dramáticos, ele teve sim uma vida digna para virar um filme.</p>
<p><em>O Corvo</em> de James McTeigue não é propriamente sobre a vida do escritor – o que, sim, por um lado é uma pena; também gostaria de ver uma biografia cinematográfica de Poe sendo estrelada pelo ótimo John Cusack –, mas a ideia é interessantíssima mesmo assim: Poe é personagem de uma trama em que um assassino usa seus contos como inspiração para matar, e por isso é chamado pela investigação para ajudar na solução dos casos.</p>
<p>E quem pode dizer que Allan Poe não iria gostar desta grande homenagem?Acredito que ele iria adorar. Iria amar ser pop. Mas fugindo do impossível – que é adivinhar o que se passaria na cabeça de um autor de ficção –, continuemos sobre o filme. A produção é dinâmica, rápida, com efeitos especiais fantásticos e que não prejudicam a qualidade dramática da referência aos contos de Poe – pelo contrário, lhe dão vida sem descaracterizá-los. A linguagem dos diálogos é bonita, formal, sem ser pedante, mostrando-se necessária para entendermos a cabeça de Poe. Lidar com as palavras de maneira brilhante e apaixonadamente dramática lhe coloca em nível de identificação com o autor. Em ritmo alucinante, Poe vive a tortura de um gênio incompreendido, não reconhecido pelos compatriotas e desrespeitados pelos colegas, e ao mesmo tempo um criador magnífico que vê suas obras virarem realidades assombrosas.</p>
<p>Se você nunca leu nada de Poe, bem, paciência, que pena, mas conseguirá apreciar o filme assim mesmo. Já para os leitores do americano, este é um filme para degustar e que já lança a brincadeira para o espectador logo no começo, antes dos créditos. A narrativa dá um tempinho ínfimo na descrição dos assassinatos para que você, espectador-leitor, diga o nome da obra antes do próprio Poe! É tudo muito rápido, mas divertido. A única coisa que pode frustrar é justamente o fato de ser rápido, e você ficar com aquela sensação de que queria ter visto as torturas macabras se estenderem um pouco mais.</p>
<p>Você vai se deparar com <em>Assassinatos na rua Morgue</em>, <em>O poço e o pêndulo</em>, <em>A máscara de morte </em>e outros sendo transformados em imagens concretas, com aqueles olhos brilhantes de fã. Intrigante também foram as amarras feitas no enredo que ligam a ficção a alguns dados da vida real de Poe, nos dando aquele frio na barriga, aquele aperto no coração, mesmo sabendo que é tudo mentira.</p>
<p>John Cusack arrasa na interpretação, como sempre, e escolhe mostrar um Allan Poe mais brigão e arrogante do que aquele que lemos a respeito nos livros, geralmente pintado como melancólico e somente um sofredor.</p>
<p>Fiquei foi curiosa em saber o que minha querida professora Odila Watzel – de Literatura Americana da UFMT – vai achar deste filme, já que foi ela quem plantou <em>seeds of evil</em> na minha cabecinha, transformando-me numa zumbi sedenta por narrativas góticas de qualquer meio, livro ou filme. Assisti a <em>O Corvo</em> lembrando dela e da vontade em voltar no tempo, viver no século 19, em uma cidade sombria e nebulosa, e morrer congelada numa praça, após tomar um absinto com láudano e ser encontrada com um manuscrito de um poema suicida nas mãos.</p>
<p>Logo vem aí <em>Sombras da noite</em>, da dupla Depp-Burton, baseada num antigo seriado, sendo uma comédia gótica. Só mesmo o Burton para fazer uma dessas. E nos encontramos aqui novamente, para ir ao nebuloso, gótico, só que então tragicômico século 19.</p>
<p>[<strong>trailer</strong>]<br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/JABhHHIU9oc?rel=0" frameborder="0" width="500" height="284"></iframe></p>
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		</item>
		<item>
		<title>É só abrir a porta</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/chao-de-aquarela/</link>
		<comments>http://www.amalgama.blog.br/05/2012/chao-de-aquarela/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 May 2012 16:20:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.amalgama.blog.br/?p=9462</guid>
		<description><![CDATA[<p>O que temos é uma música do interior e, por isso mesmo, uma música muito brasileira</p><p>--<i> leia mais de <a rel="author" href="http://www.amalgama.blog.br/por/lucio-carvalho/">Lucio Carvalho</a> </i>--
<br>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-9464" style="border: 1px solid black;" title="Chão de Aquarela" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/05/chao.jpg" alt="" width="300" height="300" /></p>
<p>Bem distante do tempo que discos eram peças gráficas e objetos de coleção, conheci <em>Chão de Aquarela</em>, registro que uniu mais uma vez as vozes e o trabalho das cantoras e compositoras Simone Guimarães e Cristina Saraiva. Agora arranjei um problema sério: preciso logo de um meio de guardar aqueles arquivos que me chegaram pelo iTunes entre os registros daquele tempo já meio que remoto, no qual os discos ocupavam, além do espaço afetivo, o espaço físico da casa da gente. Pois <em>Chão de Aquarela</em> só conta com a segunda parte desse problema, o primeiro já está bem guardado e, creio eu, em excelente companhia.</p>
<p>A falta de ficha técnica de um arquivo digital ou de um encarte de um disco que pode inclusive ser adquirido faixa a faixa guarda, por sua vez, outro tipo de mistério. Faz a gente imaginar, por exemplo, ao invés do nome de quem toca o fagote em &#8220;Desafios&#8221;, faixa de abertura do CD, na ideia dessa sonoridade em uma letra cheia de uma dureza ao mesmo tempo tão delicada. Bota a gente a pensar onde está afinal Mauricio Maestro, parceiro no disco, e em quem teve a ideia, se Simone ou Cristina, de trazer Renato Braz para cantar em &#8220;Relento&#8221;, que faz a alma da gente ficar pequena como uma joaninha aninhada numa rosa de janela, num desses milagres que a sensibilidade de Simone é capaz de criar (&#8220;Rosa na janela&#8221; é uma canção que não integra o novo disco mas que pode ser ouvida no &#8220;Radinho da Simone&#8221;, como carinhosamente chamei a coleção de preciosidades que se pode <a href="http://www.reverbnation.com/simoneguimarães" target="_blank">ouvir livremente aqui</a>).</p>
<p>O rascar da viola caipira que percorre muitas das faixas até pode dar a crer, num breve momento, que estamos diante de um registro do sertanejo, mas o que temos é uma música do interior e, por isso mesmo, uma música muito brasileira. Do interior que ecoa não na paisagem, mas no sentimento. Interior que cabe em qualquer lugar, desde que pertença ao cenário afetivo de cada um. Interior que não é geográfico, mas emocional. Não a caricatura retirante de quem se abandona a uma nostalgia sem lugar, mas a um estado de espírito que evoca simplicidade, esta sim (e que triste sentir que isso possa ser verdade) talvez hoje sem lugar&#8230;</p>
<p>Para quem conhece os registros anteriores dessa parceria, reencontrar &#8220;Estrela do Meu Bem Querer&#8221; e &#8220;Olhos de Fogo&#8221; não deve soar um exagero, sequer uma sobreposição. São composições que dão lógica ao conteúdo desse novo trabalho exatamente porque reafirmam a necessidade daquele mesmo tipo de expressão que iniciaram há mais de 15 anos, ao colaborarem em &#8220;Visita&#8221;, de Cristina e em &#8220;Aguapé&#8221;, de Simone. As novas canções eu diria que não valem sequer uma visita rápida porque, como a boa gente do interior, são elas que vêm nos visitar. É só abrir a porta.</p>
<p>Ouça uma prévia do disco ou o adquira <a href="http://itunes.apple.com/us/album/chao-de-aquarela/id505601194" target="_blank">no iTunes</a>.</p>
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