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	<title>Ambidestria</title>
	
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	<description>um projeto de muitas mãos.</description>
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		<title>Ambidestria</title>
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		<title>Uma Microscopia do Crepúsculo</title>
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		<comments>http://ambidestria.wordpress.com/2009/11/09/uma-microscopia-do-crepusculo-2/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 23:09:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>andrebacciottinogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Bacciotti Nogueira]]></category>
		<category><![CDATA[Tetras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ambidestria.wordpress.com/?p=1064</guid>
		<description><![CDATA[ALBA

[INTERLÚDIOS PARA JUNHO]
*
Astro, branco e frio
[cisne no confim]
e luas mil esmaltadas pela bruma
&#160;
Que madrugada em sua alma&#8230;
E dentes no covil de sua boca.
*
&#160;
Vinha, da extensa boca aberta
a barcaça
Sonhando,
e vivendo em parte fantasma
nas ranhuras dos espíritos que respirava.
*
Garrafa de luz,
vens rasgar a madrugada
que esvoaça ferida sob a seta da tua raia
num flanco cândido da alcoólica vidraça.
*
Pequenina [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1064&subd=ambidestria&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><h3>ALBA</h3>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1065" title="E lá fora..." src="http://ambidestria.files.wordpress.com/2009/11/e-ela-fora.jpg?w=360&#038;h=516" alt="E lá fora..." width="360" height="516" /></p>
<h3>[INTERLÚDIOS PARA JUNHO]</h3>
<h3>*</h3>
<h3>Astro, branco e frio<br />
[cisne no confim]<br />
e luas mil esmaltadas pela bruma
<p>&nbsp;</p>
<p>Que madrugada em sua alma&#8230;</h3>
<h3>E dentes no covil de sua boca.</p>
<p>*
<p>&nbsp;</p>
<p>Vinha, da extensa boca aberta<br />
a barcaça</p>
<p>Sonhando,<br />
e vivendo em parte fantasma<br />
nas ranhuras dos espíritos que respirava.</p>
<p>*</p>
<p>Garrafa de luz,<br />
vens rasgar a madrugada<br />
que esvoaça ferida sob a seta da tua raia<br />
num flanco cândido da alcoólica vidraça.</p>
<p>*</p>
<p>Pequenina calhandrina –<br />
voas – e vejo os nós das asas em fuga</p>
<p>E, pelas lascas douras das guedelhas<br />
tuas, as garras tanto espelhadas em fagulhas.</p>
<p>*</p>
<p>Um dia<br />
mais claro que a oliva dos mapas<br />
na tua vista –</p>
<p>Nas quebradiças, duas –<br />
folhas mistas – íris tuas<br />
–</p>
<p>antiquários do Outono tu tremulas.</p>
<p>*</p>
<p>Menina<br />
que chora, pequenina,<br />
sob a sombra de um boneco de Olinda.</p>
<p>Há rostos tristes nos presépios, ainda.</p>
<p>*</p>
<p>Arei as trastes<br />
trêmulas da tarde [gris –<br />
mas inclinada à negra uva<br />
noturna]</p>
<p>E estria tua face<br />
e o cacho que lagrimas<br />
[Desatado<br />
de minhas ternuras pastoris].</p>
<p>*</p>
<p>Nāo páras de chorar<br />
a voz dos outros, viola.</p>
<p>Encheram-te<br />
os sons do mar e vivem-te aedos<br />
revividos –<br />
E amarram sonhos bons<br />
a pesadelos&#8230;</p>
<p>*</p>
<p>E lá fora,<br />
tudo abrolhando.</p>
<p>Ela,<br />
na caixa escura da sala,<br />
fica a coser em seu piano<br />
árias com a fibra aérea<br />
que fabrica luas e sono,<br />
Ela</p>
<p>E lá fora,<br />
tudo abrolhando.</p>
<p>*</p>
<p>Dê-me os dedos, querida –<br />
Deixa ver!</p>
<p>Da linda lira desse aedo<br />
há trechos n’ água cinza<br />
inquietos na poça mista – elos<br />
de versos e música:</p>
<p>Onde descansa a sua lágrima,<br />
Ó chuva,<br />
as argolas que casaram<br />
esses bens – ficam ali expostas</p>
<p>Faz noite<br />
e os navios saem<br />
e vāo cantar e os guia<br />
no transbordo desse corpo seu,<br />
oferecido –<br />
Seu sacrifício! –</p>
<p>Pois, lá descansa sua lágrima,<br />
Ó chuva –</p>
<p>Querida,<br />
me dê os dedos!<br />
Deixe já a lira dos aedos!</p>
<p>*</p>
<p>Na lagoa, luas mil –<br />
sinos repousados em seu lúcido prato</p>
<p>Esmaltados nas sombrias<br />
e auras águas – amora que sangra</p>
<p>E desabrochando em sua garganta<br />
aquela rosa de pétalas opostas</p>
<p>Sua alma – aurora!</h3>
<h3>(André Nogueira, 2007).</h3>
Posted in André Bacciotti Nogueira, Tetras  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ambidestria.wordpress.com/1064/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ambidestria.wordpress.com/1064/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ambidestria.wordpress.com/1064/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ambidestria.wordpress.com/1064/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ambidestria.wordpress.com/1064/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ambidestria.wordpress.com/1064/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ambidestria.wordpress.com/1064/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ambidestria.wordpress.com/1064/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ambidestria.wordpress.com/1064/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ambidestria.wordpress.com/1064/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1064&subd=ambidestria&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">andrebacciottinogueira</media:title>
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			<media:title type="html">E lá fora...</media:title>
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		<item>
		<title>Olhando para fora dos nossos umbigos</title>
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		<comments>http://ambidestria.wordpress.com/2009/11/08/olhando-para-fora-dos-nossos-umbigos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 19:15:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Ishida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cybernet]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Ishida]]></category>

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		<description><![CDATA[Olhamos para nosso mundinho e esquecemos que existem pessoas, diferentes de nós, que não podem realizar um processo de comunicação como nós fazemos. É algo para se pensar e refletir.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1062&subd=ambidestria&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Fui no <a href="http://www.intercon2009.com/programacao/">Intercon 2009</a> no hotel Renaissance e uma das coisas que mais me chamou a atenção foi esse vídeo, vindo da palestra sobre Acessibilidade como Fator de Inovação, de <a href="http://twitter.com/horaciosoares">Horácio Soares</a>.</p>
<p>Essa palestra me fez encarar a comunicação de uma nova forma. Já me tinha passado, certa vez, as dificuldades que portadores de deficiência passavam para se comunicar ou para ser comunicado. Mas nunca tinha tido um contato mais aprofundado com esse problema. E me fez pensar: será que o conceito de comunicação <span style="font-style:italic;">(= uma ação para tornar comum)</span> está sendo realmente aplicado?</p>
<p>Na palestra, Horácio mostrou como os sites-padrões são pensados para o público majoritário-privilegiado: com uso de um software que anuncia, em voz, o conteúdo mostrado, o site demonstrou uma grande imprecisão para a leitura dos links. É praticamente inacessível, para um deficiente visual, acessar o site.</p>
<p>Horácio ainda citou o exemplo de sites de compras, que seriam muito úteis e atraentes para os deficientes visuais, mas que são muito pouco acessíveis para esse público. Seria uma comodidade e facilidade se esse tipo de deficiente pudesse comprar o que eles necessitam sem sair de casa. Mas parece que ninguém pensou nisso. Nesse mesmo ponto, incluo os idosos, cujos sites poluídos de informação são pouco convidativos.</p>
<p>E nesse assunto, relembro uma frase que, cada vez mais, entendo sua extensão: &#8220;O mundo é muito maior do que nós pensamos&#8221;.</p>
<p>Post originalmente extraído de <a href="http://midializado.blogspot.com" target="_blank">Midializado</a>.</p>
Posted in Cybernet, Gabriel Ishida  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ambidestria.wordpress.com/1062/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ambidestria.wordpress.com/1062/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ambidestria.wordpress.com/1062/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ambidestria.wordpress.com/1062/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ambidestria.wordpress.com/1062/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ambidestria.wordpress.com/1062/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ambidestria.wordpress.com/1062/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ambidestria.wordpress.com/1062/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ambidestria.wordpress.com/1062/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ambidestria.wordpress.com/1062/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1062&subd=ambidestria&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>O, então, purê de batatas.</title>
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		<comments>http://ambidestria.wordpress.com/2009/10/31/o-entao-pure-de-batatas/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 17:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emvôo Verme</dc:creator>
				<category><![CDATA[Emvôo Verme]]></category>
		<category><![CDATA[Pretérito mais que Imperfeito]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ambidestria.wordpress.com/?p=1021</guid>
		<description><![CDATA[- uma história completa do final sem começo!<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1021&subd=ambidestria&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div>&#8230;sozinha, resta ela na mesa de sua casa na hora do jantar. Quando uma estridente e rápida campainha soa. Ela, visivelmente abatida, levanta-se de sua cadeira e caminha até o microondas; lá de dentro tira uma tigela de vidro com BATATAS assadas&#8230; Começa então a amassá-las. No começo com calma, mas então gradativamente com força, com muita força, com muita raiva. Quando de súbito ela para em um estado de choque com lágrimas escorrendo pela face. Por um instante, apática. Sabia agora que seu problema havia acabado, então, pela primeira vez na história, ela sorri. Um sorriso doentio, psicótico. Ela, ainda com o coração a mil por hora, senta-se. E, em uma sarcástica gargalhada, dá a primeira garfada, levando à boca aquele, agora, então, purê de batatas<span style="color:#ff0000;">.</span></div>
Posted in Emvôo Verme, Pretérito mais que Imperfeito  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ambidestria.wordpress.com/1021/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ambidestria.wordpress.com/1021/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ambidestria.wordpress.com/1021/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ambidestria.wordpress.com/1021/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ambidestria.wordpress.com/1021/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ambidestria.wordpress.com/1021/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ambidestria.wordpress.com/1021/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ambidestria.wordpress.com/1021/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ambidestria.wordpress.com/1021/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ambidestria.wordpress.com/1021/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1021&subd=ambidestria&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Emvôo Verme</media:title>
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		<item>
		<title>à flor da pele</title>
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		<comments>http://ambidestria.wordpress.com/2009/10/19/aflordapele/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 02:58:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aline</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aline Alvarenga]]></category>
		<category><![CDATA[Tentativa]]></category>

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		<description><![CDATA[SÍNDROME DO PÂNICO.  capítulo 83412.
Parece contraditório &#8211; as horas mais especiais dos meus dias são aquelas em que estou semi-consciente do que se passa à minha volta, e ao mesmo tempo atento como nunca. O torpor é incontrolável, tarde demais quando sinto sua presença. A dormência chega, as veias do pescoço começam a latejar e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1049&subd=ambidestria&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>SÍNDROME DO PÂNICO.  capítulo 83412.</p>
<p style="text-align:justify;">Parece contraditório &#8211; as horas mais especiais dos meus dias são aquelas em que estou semi-consciente do que se passa à minha volta, e ao mesmo tempo atento como nunca. O torpor é incontrolável, tarde demais quando sinto sua presença. A dormência chega, as veias do pescoço começam a latejar e o mundo(?) forma-se sob uma nova ordem em minha mente. O medo nunca vai embora; medo bom, às vezes. Minha vista fica borrada e o tempo parece não fazer mais sentido. O sentido parece não fazer mais tempo.<br />
Os pés se enroscando em sincero carinho, no chão sujo, as mãos segurando firme nos canos presos ao teto, a janela aberta e o vento e a fumaça já com ar de familiariedade. Os pelos, os dentes, as roupas, o cheiro, tudo grita pra mim, enquanto tento acordar deste sonho que não poderia ser mais real.<br />
No concerto não foi muito diferente. Nomes estranhos, harmonias desconhecidas e a luta para continuar sóbrio, para não me perder dentro de mim mesmo. Fecho os olhos para tentar entender a música, mas não consigo. Toca-se uma partitura que ficou perdida por oitenta anos em uma biblioteca dinamarquesa. Bohuslav Martinu encontrou seu &#8220;filho perdido&#8221;. Continuo não entendendo nada. Aprecio enquanto há tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">~</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Morrer. Deixar de existir. O que isso realmente significa?&#8230; Gostaria de saber por que continuo me preocupando tanto com isso, mesmo que não passe de uma preocupação inconsciente, involuntária, uma doença que se desenvolveu em mim e a que reagi passivamente, como um câncer. Estou impregnado de pânico, e temo a insanidade. Assumindo meu estado como tal, aceito qualquer ajuda. Anseio pela volta dos tranqüilos dias de minha amada rotina, que sempre tanto estimei. Anseio a volta de mim mesmo. Em algum passo contra o vento minha personalidade se desgrudou de mim e não pude fazer nada a não ser vê-la indo embora e fechar-me numa breve despedida. Vazio.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">~</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">(pensando alto)<br />
a mulher que me inspira está morta.<br />
todos aqueles que me inspiram, dão-me sensação de prazer ou o toque a uma parte ínfima do saber estão mortos.</p>
<p>e não há nada que eu possa fazer em relação a isso. apenas aceitar, transcender, acreditar. reler os textos, ouvir as músicas, assistir aos filmes e me apegar religiosamente aos registros deixados. como se fossem a única prova legítima de que já existiram, por um curto período de tempo, estes seres. o vestígio daquilo que me fez quem sou hoje, as partículas que se unem e formam a minha matéria (in)consistente.</p>
Posted in Aline Alvarenga, Tentativa  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ambidestria.wordpress.com/1049/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ambidestria.wordpress.com/1049/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ambidestria.wordpress.com/1049/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ambidestria.wordpress.com/1049/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ambidestria.wordpress.com/1049/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ambidestria.wordpress.com/1049/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ambidestria.wordpress.com/1049/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ambidestria.wordpress.com/1049/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ambidestria.wordpress.com/1049/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ambidestria.wordpress.com/1049/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1049&subd=ambidestria&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Aline</media:title>
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		<title>Anfang Herbst</title>
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		<comments>http://ambidestria.wordpress.com/2009/10/18/anfang-herbst/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 19:11:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raoni Duran</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pescadores]]></category>
		<category><![CDATA[Raoni Duran]]></category>

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		<description><![CDATA[Ele estava gozando e o pau era tão grande que passava do umbigo e a porra caía no abdomen perfeito de menino (contraído pela dor do orgasmo) e a pele tão branca que eu gostava de cheirar para que quando eu me voltasse de novo para o sorriso ele estaria sorrindo para mim.
Eu estou com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1047&subd=ambidestria&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Ele estava gozando e o pau era tão grande que passava do umbigo e a porra caía no abdomen perfeito de menino (contraído pela dor do orgasmo) e a pele tão branca que eu gostava de cheirar para que quando eu me voltasse de novo para o sorriso ele estaria sorrindo para mim.</p>
<p>Eu estou com saudade dele. Saudade de tudo que poderia ter sido. Mas é uma série de razões e pináculos e estruturas fechadas e extasiantes que não são nem más nem misericordiosas. É só o simples não. Tão leve que não me dói. Me dói mais o pensar de como vou fazer para voltar pra ele.</p>
<p>Eu sou um vagabundo. Não gosto de acumular. Me felicito em jogar fora, em dizer adeus, em escutar as últimas músicas dos CDs. Sou o príncipe que está saindo pela porta. O valete brilhante e negro dos finais, da morte e da destruição. E assim da beleza.</p>
<p>Mas ele é tão doce. Ele é como o reflexo perfeito de mim que eu amo mas tão outro. E ele ainda não sabe dos meus segredos. Pela primeira vez em muito tempo eu tenho medo de revelar meus segredos e não o orgulho exibicionista de quem tem o trunfo na manga. Tenho o medo infantil pré-contar-pra-mamãe-que-eu-sou-gay que ele pare de gostar de mim quando souber quem eu sou.</p>
<p>Mas porque eu sinto que ele já me conhece já. Ele já sabe de todos os mistérios. Ele viu no meu rosto no momento que nos conhecemos. No meu olhar baixo, no meu sorriso depois do nosso primeiro beijo que durou uma eternidade inteira e que fez toda a balada parar de ódio porque &#8220;quem são esses dois meninos que pararam de dançar?&#8221;</p>
<p>Como eu sinto que já conheço ele, que ele é transparente, que há coisas nele que eu não sei que sei. O mistério, o mistério, o mistério. O mistério da minha carne. O mistério de mim. E agora o mistério de você. Que veio como rainha cavalgando e clamando o trono. E eu não posso dizer não.</p>
<p>&#8220;Entre, querido, tem alguém te esperando&#8221;.</p>
Posted in Pescadores, Raoni Duran  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ambidestria.wordpress.com/1047/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ambidestria.wordpress.com/1047/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ambidestria.wordpress.com/1047/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ambidestria.wordpress.com/1047/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ambidestria.wordpress.com/1047/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ambidestria.wordpress.com/1047/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ambidestria.wordpress.com/1047/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ambidestria.wordpress.com/1047/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ambidestria.wordpress.com/1047/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ambidestria.wordpress.com/1047/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1047&subd=ambidestria&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Um pouco de cinema: “Todos os filmes são estrangeiros”</title>
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		<comments>http://ambidestria.wordpress.com/2009/10/18/um-pouco-de-cinema-todos-os-filmes-sao-estrangeiros/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 17:31:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Ishida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cybernet]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Ishida]]></category>

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		<description><![CDATA[Todos filmes que vemos são estrangeiros, sob o ponto de vista do realismo e ato fílmicos. <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1045&subd=ambidestria&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>*Esse post foge da linha que costumo publicar por aqui, mas achei interessante replicá-lo no Ambidestria pois trata de um assunto que envolve territorialização em um mundo cada vez mais globalizado. Sem falar que cinema é algo apaixonante para a maioria das pessoas.&#8221;</p>
<p><em><strong>&#8220;Todos os filmes são estrangeiros&#8221;</strong></em></p>
<p>Essa afirmação vem do título do artigo de Arlindo Machado para a revista Matrizes, edição 3, produzido pela Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA &#8211; USP.</p>
<p>O sentido de estrangeiro tem uma conotação diferente do exótico. Exótico é um estranhamento positivo, quando você se interessa por algo por ele ser diferente do seu habitual. Estrangeiro é derivado direito do estranho e aqui a conotação tem um sentido negativo. Estrangeiro é algo desconhecido, que impõe medo justamente por sua imprevisibilidade.</p>
<p>Tomando esse conceito, Machado defende que a &#8220;estrangeirização&#8221; dos filmes vêm em duas ocasiões: <span style="font-weight:bold;">na legendagem e principalmente, na dublagem</span>.</p>
<p>A legendagem atua na estrangeirização do ato fílmico. O cinema é audiovisual. A experiência de ser envolvido pelas imagens e pelos sons é interrompido por uma concentração em seguir as legendas presentes na tela. Será que a experiência com e sem legendas é a mesma coisa?</p>
<p>A dublagem é a estrangeirização principal. É uma questão de desterritorialização da diegese fílmica. Como um filme, feito sob uma diegese indígena, as falas estão em inglês ou em português, como é nosso caso? Nesse ponto, vejo que Machado segue uma linha bem semelhante à defendida por André Bazin, em que o realismo fílmico deve ser seguido com o máximo rigor. Nesse caso, Machado defende um &#8220;cinema de sotaques&#8221;, ou seja, a plena autenticidade dos fatos lingüísticos e também sociais.</p>
<p>Machado, ao mesmo tempo que defende essa autenticidade bazaniana, também encontra dificuldades em estabelecer uma solução que não comprometa o entendimento fílmico pelo público globalizado. Uma das soluções apontadas por ele é incorporar esses &#8220;estrangeirismos&#8221; na linguagem fílmica, ou seja, transformar legendas e dublagens em elementos da própria diegese fílmica.</p>
<p>Post originalmente extraído de <a href="http://midializado.blogspot.com" target="_blank">Midializado</a></p>
Posted in Cybernet, Gabriel Ishida  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ambidestria.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ambidestria.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ambidestria.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ambidestria.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ambidestria.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ambidestria.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ambidestria.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ambidestria.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ambidestria.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ambidestria.wordpress.com/1045/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1045&subd=ambidestria&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">gabrielishida</media:title>
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		<item>
		<title>A concorrência entre as redes sociais</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/ambidestria/~3/i0TmGfe0z04/</link>
		<comments>http://ambidestria.wordpress.com/2009/10/14/a-concorrencia-entre-as-redes-sociais/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 02:03:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Ishida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cybernet]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Ishida]]></category>

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		<description><![CDATA[As velhas leis de mercado ainda prevalecem no novo cenário da internet, mesmo que tentemos fugir delas. <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1043&subd=ambidestria&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Incrível como as leis de mercado também se aplicam para as redes sociais. Durante algum tempo, acreditava que havia um desdobramento, até mesmo no nível de estrutura, dessas leis de mercado que conhecemos (<span style="font-style:italic;">= oferta, demanda e valor de troca</span>), mas agora vejo que não há um desdobramento, é apenas uma adequação para os novos tempos que vivemos.</p>
<p>Até mês passado, não havia uma concorrência clara entre o Facebook e o Orkut, isso no nosso âmbito nacional (já que o Orkut só é majoritário no Brasil e na Índia). Lá fora, havia uma rivalidade não-direta entre Facebook e MySpace, apesar de ambos serem, na teoria, diferentes enquanto recursos. Mas últimas pesquisas indicam uma queda no MySpace e um crescimento do Facebook.</p>
<p>Ao que percebo, o Facebook possui uma infinidade de possibilidades e esse leque é mais atrativo do que redes especializadas e focadas, como o MySpace. Além disso, o MySpace sofre com o crescimento do Twitter, já que o Twitter anda servindo como um canal/painel dos artistas/celebridades para direcionar o tráfego para seus sites/blogs pessoais, dispensando canais intermediários como MySpace e Youtube.</p>
<p>E no começo do mês, o Facebook lançou uma clara tentativa de migração do Orkut para sua rede social: agora existe a possibilidade de você descobrir se algum contato do Orkut possui Facebook e assim, adicioná-lo. Eu mesmo usei esse recurso e funciona. Quase tripliquei meus amigos no Facebook.</p>
<p>O objetivo disso é claro: utilizar a rede social mais popular no Brasil para conseguir mais hábito de uso no Facebook. É lógico, se uma rede social tem mais amigos, eu vou utiliza-la com mais freqüência. E o troco do Orkut vem logo mais: um novo visual, com recursos muito parecidos com o do Facebook, como aquela barra de compartilhamento, ao estilo de Twitter. E o grande atrativo é a possibilidade de personalização do seu perfil, com cores e templates novos.</p>
<p>E para quê toda esse investimento em abocanhar mais tráfego e uso? Simples, atrair receita publicitária. É naquela velha lei da televisão: audiência = publicidade = dinheiro.</p>
<p>É, certas coisas não mudam.</p>
Posted in Cybernet, Gabriel Ishida  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ambidestria.wordpress.com/1043/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ambidestria.wordpress.com/1043/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ambidestria.wordpress.com/1043/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ambidestria.wordpress.com/1043/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ambidestria.wordpress.com/1043/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ambidestria.wordpress.com/1043/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ambidestria.wordpress.com/1043/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ambidestria.wordpress.com/1043/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ambidestria.wordpress.com/1043/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ambidestria.wordpress.com/1043/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1043&subd=ambidestria&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>MEU FAUSTO</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/ambidestria/~3/D9sN1Y6jTSI/</link>
		<comments>http://ambidestria.wordpress.com/2009/10/05/meu-fausto/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 23:53:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>andrebacciottinogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Bacciotti Nogueira]]></category>
		<category><![CDATA[Tetras]]></category>

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		<description><![CDATA[NOTAS PRELIMINARES:
Meus caros compatriotas. Certos motivos podem os fazer me perdoar esse último texto que quero compartilhar convosco. Temos, para resolver, o impasse em que caiu o nosso gênero, uma espécie de autismo que nāo se manifesta mais em patamares muito superiores das côrtes e dos ateliês, mas sim em lugares como esse, mesmo porque, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1035&subd=ambidestria&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><h3>NOTAS PRELIMINARES:</p>
<p>Meus caros compatriotas. Certos motivos podem os fazer me perdoar esse último texto que quero compartilhar convosco. Temos, para resolver, o impasse em que caiu o nosso gênero, uma espécie de autismo que nāo se manifesta mais em patamares muito superiores das côrtes e dos ateliês, mas sim em lugares como esse, mesmo porque, com base em uma „libertaçāo“, as artes foram renegadas dos patamares superiores e já nem se conseguem mais erguer dos lugares indignos em que caíram. Pode-se dizer que o rei que perde o trono ganha sua – libertaçāo? O gênero, pois, vagou lugar, e toda sorte de ratos, culturais e nāo-culturais, o ocupou. Uma peça tem de ser um revólver bem-calibrado – tem de estar apontada para o alvo correto, e disposta a disparar. Assim sāo as melhores críticas à tradiçāo e à política. É, porém, de se considerar a importância de dar a essa crítica a preciosidade e o polimento que merece e que a faz merecer o nome de arte – é a parte do bem-calibrado que diz respeito apenas ao amor ao calibre. Um erro, porém, seria calibrar a arma, por mais amor que se possa ter ao calibre, sem no entanto querer mais atirar. E, porque nāo tem mais propósito, porque, embora se tenha dedicado ao calibre toda uma atençāo especial, o calibre só tem para quê se for para dar mira ao alvo – nesse caso, para quê – calibrar? Os artistas se esquecem, mesmo, do perigo que podem representar – Deverá ser uma questāo de baixa auto-estima. Parece-me propício dizer aos amigos compatriotas: Vamos fazer uma coisa perigosa, vamos provocar, mexer – água parada é nicho de mosquiteiros – tenhamos a língua afiada com serpentes, e o chocalho e afiados também os dentes. Se, agora, ficamos renegados à posiçāo de bôbos da côrte, melhor – o bôbo da côrte diz o que quer para o rei.</h3>
<h3>Acho ruim falar sozinho – costuma-se ligar esse vício a distúrbios mentais. Por esse motivo, ter um blog pessoal parece corroborar com esses distúrbios. Esse espaço, onde porém esperei encontrar idéias que se tangenciassem – menos, quem sabe, que um tiroteio, esse pega de raspāo – e poder corroborar um pouco com isso, esse espaço, na verdade, menos que uma reuniāo de blogs pessoais, é como uma para-olimpíada da literatura – e o principal defeito – surdez e mudez. Por essa razāo, abri māo da ordem cronológica com que eu havia de início me proposto postar meus textos, para escolher um texto de briga, escandaloso. Espero, em carência de meus compatriotas, que isso possa ser divisor de águas entre minha participaçāo e minha nāo-participaçāo;</h3>
<h3>Quis, nesse poema, mencionar certas coisas urgentes, como a compra dos jatos Rafale que o nosso governo pretende fazer dos franceses – para quem pensou que o ano da França no Brasil realmente tinha motivaçoes culturais; o vigor da lei que re-obriga nossos colegiais a cantarem o hino nacional – como amá-lo? O futuro dos homens de barro, os nativos das margens do rio Omo, que vāo ser relocados dos seus recantos de argila devido à construçāo de uma usina hidrelétrica nesse rio. De fundo, o jantar de Trimalciāo e Petrônio que, com um jantar, decidiu celebrar seu próprio fim entre os homens. O episódio do exorcismo de Legiāo para os porcos – epígrafe do Novo Testamento, usada por Dostoievsky em „Demônios“. Um pouco de contos de fada. Rosa Luxemburgo, que tinha na cabeça os suaves versos de Goethe – até lhe ressoarem o fuzil nos tímpanos.</h3>
<h3>Á, meus compatriotas, nessas coisas, que parecem nascer duma descrença minha ao que quer que pareça humano, nessas coisas, invés disso, há – muito humanismo. Quem escreve nunca descrê! O humanista nāo precisa amar ninguém – pode ser, eu nāo ame ninguém e seja inclusive indiferente à dor dos meus próximos. Mas me compadecerei dessa dor assim que me pareça ter sua origem numa injustiça – porque é a justiça que eu amo. Posso ter horror ao povo. Mas tenho amor à justiça, o que inclui ter amor ao povo, ou – piedade. O homem, porém, que é vítima da injustiça, ah, esse homem é, também, o seu – autor. Foi, portanto, em nome do homem que escrevi esse poema, e – contra o homem!           </h3>
<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1036" title="136040662_14859fe516" src="http://ambidestria.files.wordpress.com/2009/10/136040662_14859fe516.jpg?w=325&#038;h=500" alt="136040662_14859fe516" width="325" height="500" /></p>
<h2>                                               MEU FAUSTO<br />
 Sátira-escarra, em único ato e único &#8211; fôlego.</h2>
<h2>Para narradores, trombone, caixa,<br />
rádio-gravador, mega-fone, banda de carnaval,<br />
quebra-nozes, bobos de côrte, etc&#8230;</h2>
<h2> &#8230;</h2>
<h2>OS PERSONAGENS:<br />
o Repórter; o Presidente; o Diabo;<br />
o Decoro; a Princesa; Brutus;<br />
e Vocês, companheiros.</p>
<p>I. PRÓLOGO<br />
 </h2>
<h2>O REPÓRTER:<br />
Senhores,<br />
creiam-me, senhores;<br />
Sem opçāo,<br />
me intrometi em uma<br />
encrenca enorme,<br />
incrível, &#8211; Nāo<br />
estou mentindo,<br />
nāo! É<br />
o meu escopo ver<br />
no zooscópio o proceder<br />
dos jacarés, no<br />
chafariz da praça da<br />
bandeira, que fazem<br />
guarda à queda d’ água,<br />
em rodízio<br />
a tarde inteira de papo<br />
pro ar, o ar de – caça,<br />
garras e presas pros<br />
otários – que aqui é<br />
fácil:<br />
só esperar os peixes<br />
lhes caírem na bocarra.<br />
O preço? É<br />
de graça. Mas meu<br />
ofício é sempre uma<br />
surpresa – Fofocar, é<br />
pouco – De primeira<br />
o ba-<br />
fafá, é obra-<br />
prima – “A<br />
verdade<br />
sobre a praça da<br />
bandeira”. Vou contar e,<br />
pra me crerem,<br />
mediante a<br />
contribuiçāo, três<br />
ou quatro anos de<br />
preito e garantia – com<br />
direito à devoluçāo!<br />
Podem pasmar –<br />
imparcial, é pro<br />
repórter ser que ao<br />
conseguir a<br />
bom-<br />
ba vira herói<br />
e segue a corda<br />
bam-<br />
ba – o seu impasse,<br />
a sua – ordem!<br />
Isso que é amar o<br />
reino animal!<br />
Entoquei-me em sua<br />
gruta, e lhes toquei com<br />
um graveto;<br />
O véu d’ água<br />
se abriu em fechadura<br />
e eu pus<br />
o flash e disse –<br />
- Broncos seres<br />
d’ água, jacarés! Sorri e<br />
dizei xis! Captura- vos<br />
o juízo, o popul-<br />
acho, o cor<br />
no chafariz, trás do<br />
biom-<br />
bo, &#8211; Bu!<br />
E, súbito,<br />
escureceu-se tudo,<br />
e, eis, eu vi – Era<br />
o Diabo! – Xô, urubu! – por<br />
entre a fechadura, de<br />
repente nessa<br />
câmara escura, trás<br />
do espelho; À frente,<br />
a se olhar e se<br />
vestir, ali estava – o<br />
Presidente!<br />
Xi! Tirei o boné,<br />
nāo é mais<br />
um chafariz, e nem se<br />
trata, só, de jacarés&#8230;<br />
Isso vai dar<br />
num qüiproquó!<br />
O Diabo<br />
e o Presidente, ali<br />
estavam, lado<br />
a lado! Dizem<br />
que<br />
uma imagem<br />
diz bem mais que<br />
mil palavras, mas,<br />
eu vou dizer<br />
assim:<br />
Rasguei a foto que<br />
bati, &#8211; As coisas<br />
que eu ouvi é que<br />
parecem ser<br />
o espinheiro e mais<br />
pentelhos ter que em<br />
meu rabo e mais<br />
votos<br />
que uma urna –<br />
Em frente, o Presidente;<br />
o Diabo, atrás e,<br />
dentre –<br />
um espelho, e eu<br />
dentro da furna – Flash!<br />
O PRESIDENTE:<br />
Eita! O que<br />
é isso? És o Diabo?<br />
Chispa que eu sou o<br />
Presidente, ôxe,<br />
te avexe!<br />
Nāo queira ver<br />
o cabra macho dentre<br />
a gente!<br />
O DIABO:<br />
O mais macho é<br />
vossa alteza,<br />
certamente&#8230; Mas, nāo se<br />
embraba, ouve só<br />
que eu<br />
trouxe uma surpresa, &#8211; é<br />
um presente&#8230;<br />
O PRESIDENTE:<br />
Ô, ô, nāo sei,<br />
nāo sei, o que é que<br />
é?<br />
O DIABO:<br />
Seu reino, ave Cesar,<br />
evoés! A princesa,<br />
o rocim, e o pa-<br />
lácio, a mesa cheia,<br />
os fins como<br />
se os meios nāo<br />
faltassem, e mais:<br />
pouco trabalho, muito<br />
ouro, e mais –<br />
esgrima, tênis,<br />
pôquer, robes, gente –<br />
nobre, &#8211; Ócio, Ó,<br />
porque o que<br />
lhe trago é<br />
o melhor, vai ver,<br />
você<br />
por cima: Presidente?<br />
Rei! Eu,<br />
no inferno; Vós mercê –<br />
no inteiro orbe!<br />
O PRESIDENTE:<br />
Ô, ô, eu sei, eu<br />
sei como os negócios<br />
funcionam – eu uso<br />
terno. Mais<br />
sensatez, meu bode.<br />
O DIABO:<br />
O preço? Uma<br />
merreca: Vós mercê a pôs<br />
no pal-<br />
etó, junto com o<br />
lenço – eca! – de<br />
nariz, sujo<br />
com muco – Mais apreço<br />
vós tereis por esses<br />
brindes:<br />
um ponteiro cuco-<br />
cuco, um espelho<br />
zooscópico, e,<br />
meu índio, se puser o<br />
dedo aqui no mesmo<br />
instante, receber em seu<br />
proveito por<br />
escambo essa pena<br />
esferográfica que<br />
sabe, por si só,<br />
grafar seu nome em<br />
pentagramos&#8230;<br />
O PRESIDENTE:<br />
Feito!<br />
O REPORTER:<br />
Senhores,<br />
pacto de sangue é<br />
pacto de sangue&#8230;<br />
Mas nāo dói: É só<br />
picar. Já vou<br />
embora. Se nāo em<br />
queche, agora<br />
mesmo, após em<br />
cheque, mas – cê vai<br />
pagar! É o que fia essa<br />
manche-<br />
te, é o que fia<br />
o meu – segredo –<br />
nāo espalha! Ouro<br />
é ouro,<br />
palha é palha. De<br />
garantia? Dou-lhes um<br />
dedo, pois a al-<br />
ma – eu já<br />
nāo tinha!</h2>
<h2>II. BURLESQUE</h2>
<h2>1.UMA BRIGA EM RONDÓ:<br />
 <br />
O DECORO:<br />
Obedecer aos bodes.<br />
Deus – é muito<br />
esnobe. Honrar aos seus;<br />
os outros – muito pobres!<br />
Coroa tropicana –<br />
Louros de ananás e de<br />
bananas –<br />
a exuberante burca<br />
sicofante! Esse coro<br />
nāo é como era<br />
o coro grego, esse coro é –<br />
negro,<br />
esse coro é bem<br />
posterior a Aristófanes<br />
e Dante, um coro em off,<br />
é – bastidor!<br />
é espiāo: Disfarça,<br />
mas apita na hora agá,<br />
faz arruaça,<br />
carnavais, e brande a<br />
periquita, bate o<br />
tambor,<br />
dobra o trombone como<br />
a cadeira<br />
de praia e – Adeus!<br />
Obedecer aos bodes!<br />
Deus é – muito esnobe!<br />
O PRESIDENTE,<br />
em frente ao computador:<br />
Espelho, espelho meu&#8230;<br />
Existe alguém<br />
mais bonito do que<br />
eu? – curto-circuito!<br />
O DECORO:<br />
Deus – desdém.<br />
O bode – Esfinge.<br />
Pode perguntar! Um<br />
trombone, mil trombones,<br />
muito orgulho – Um só<br />
homem.<br />
A tropa – batalhāo,<br />
trovāo – a exuberância<br />
natural.<br />
Míssil, canhōes – Diz,<br />
o desdém – Sāo mil<br />
festins de carnaval – É<br />
o bem, o que me<br />
quer, e nāo o mal – o<br />
mal, aos seus;<br />
o bem, aos meus,<br />
o bem – a mim!<br />
O PRESIDENTE:<br />
Espelho, espelho meu,<br />
existe alguém&#8230;<br />
O DECORO:<br />
Sim, Ergueu-se da<br />
nevasca,<br />
vestiu casaca – a<br />
ban-<br />
deira, outra vez –<br />
vermelha<br />
a guerra – acaba?<br />
Ou se ergueu<br />
do<br />
barro, ou – era o<br />
cabra-macho, o<br />
escarro, era – um piolho;<br />
olho por olho, seu<br />
presidente, era – um<br />
mosquito – dente por dente!<br />
O PRESIDENTE:<br />
Espelho, espelho meu,<br />
existe alguém mais&#8230;<br />
bonito?<br />
O DECORO:<br />
Te dou um pito!<br />
O PRESIDENTE:<br />
Nāo suja<br />
de vermelho o meu<br />
sofá. Espelho, meu<br />
espelho, o jantar –<br />
com sal a gosto.<br />
A bandeira – com meu<br />
rosto. O cravo – bem<br />
temperado. A rosa<br />
– ao meu lado.<br />
Eu sempre a quis –<br />
imperatriz. No<br />
bulevar, o chá; o<br />
bolinar que<br />
ferve, o Diabo que –<br />
mexe, uma peça e – o rei<br />
em xeque.<br />
Sem pressa – esse jogo<br />
é pra pensar; nāo me<br />
escape, eu tenho um ás&#8230;<br />
O DIABO:<br />
E eu tenho um zape!<br />
O PRESIDENTE:<br />
Tudo o que eu faço<br />
o Diabo também faz!<br />
 <br />
2.UMA OFENÇA À NAÇAO:<br />
 <br />
O DECORO:<br />
Corte cerce meio ao ventre<br />
enroscado de<br />
lingüiças – Clava<br />
forte cerce por justiça!<br />
Melhor senado –<br />
o que me esquece!<br />
Entre si, os porcos<br />
que chafurdem<br />
no chiqueiro, alhures<br />
cheiro de xixi,<br />
no – xilindró – melhor. As<br />
pérolas – procura?<br />
Bananas – busca?<br />
Quero-as!<br />
Porco – corpo<br />
impávido, impávido<br />
col-<br />
osso, pro – al-<br />
moço! Se ao pó vos<br />
retornardes –<br />
amigo, um só; sócios,<br />
à parte. Pra mim,<br />
nem jóia, eu<br />
digo, nem vintém,<br />
- no campo,<br />
uma cabana, e passo<br />
bem. Aqui, meu sítio;<br />
ali – a câmara.<br />
Aqui, meu sítio;<br />
Ali – banana! no céu,<br />
bandeira com luar<br />
e firmamento e um faixa –<br />
Desvenda-nos!<br />
É o fim da brincadeira,<br />
a – cobra-cega – Sim,<br />
perpétuo xilindró<br />
pros impropéricos<br />
progressos<br />
financeiros, gratificaçōes e<br />
propinas – té voltar ao<br />
pó por revoltar a<br />
parcimônia.<br />
No espírito – legiāo;<br />
no sítio – batalhāo;<br />
no rodapé – o<br />
grampo, a escu-<br />
ta telefônica;<br />
na gruta – o jacaré;<br />
no céu:<br />
O PRESIDENTE:<br />
Espelho, espelho meu&#8230;<br />
sempre que eu<br />
o vejo, quem<br />
eu vejo é o Demônio.<br />
O DECORO:<br />
Ouve melhor a<br />
parcimônia! Al-<br />
egria?<br />
Uma ode – ao<br />
ódio!<br />
 <br />
3. UMA OPÇAO, UMA DEFESA.<br />
 <br />
O PRESIDENTE:<br />
E, após<br />
a briga, cê diz tudo pro<br />
seu homem, sobra<br />
um silvo, um – si.<br />
Faça – “peguei!”,<br />
ou “gol!”, ou “ei!”, ou<br />
“ow!”, e “eia!”,<br />
nāo fique em si. No<br />
touro mecânico,<br />
no pique-escon-<br />
de, o pique,<br />
outro, o pique – nike!<br />
Nāo crie pânico,<br />
é o Silvio<br />
Santos – nāo o<br />
silvo – da escopeta;<br />
No microscópio é –<br />
um micróbio, nāo escamas<br />
na corcova do Diabo,<br />
o próprio. Russa<br />
– montanha, nāo<br />
roleta. As bujigangas<br />
no escam-<br />
bo e, por razāo de<br />
sua foto, arranco<br />
-lhe os olhos e o enforco<br />
em suspensórios.<br />
Suba<br />
no porco<br />
que o seu rabo é mo-<br />
la, está<br />
compressa e se<br />
solta e o arremessa prás<br />
estrelas:<br />
“Ow!”&#8230; “Eia!”</h2>
<h2>4.GENEALOGIA DO ROMANCE<br />
 <br />
O PRESIDENTE, ao<br />
pé do ouvi-<br />
do:<br />
Vem cá,<br />
meu bem, sou<br />
bom partido, meu amor.<br />
Careca? Nunca.<br />
Eu vou – usar peruca.<br />
Os dentes – brancos,<br />
de isopor. O mun-<br />
do é meu repouso.<br />
A alma,<br />
eu vou repôr, Deus<br />
nos acuda, vá<br />
com cal-<br />
ma! O corpo –<br />
very good, thank<br />
you&#8230;<br />
Vem cá, meu<br />
bem – poder e um bem<br />
querer:<br />
Romeo e<br />
Julieta, Jerusalém<br />
e – Roma; Isolda e<br />
Tristan, o Volga<br />
e – Gengis Kan; Dante<br />
e Beatriz, a imperatriz<br />
e seu – amante??<br />
 <br />
[A investir<br />
contra o espelho]<br />
 <br />
É o Diabo, no outro ouvi-<br />
do, a pedir a sua<br />
māo! Você<br />
’tá&#8230;<br />
O DIABO: Obrigado!<br />
O PRESIDENTE:<br />
Atrevido! Te arreb-<br />
ento, meu – irmāo!<br />
 <br />
[A Dama<br />
sai de cena]<br />
 <br />
Espere!<br />
Rose, Rosimere! E meu –<br />
rebento?<br />
 </h2>
<h2>5. ANTECIPAR O APOCALIPSE:<br />
 <br />
Turbinas de<br />
energia – Itaipu!<br />
Maior barragem da<br />
usina – o arquivo pátrio:<br />
nāo meta essa buzina<br />
onde nāo foi<br />
chamado! Arqui-rival<br />
que vá dizer pro Super-<br />
homem: Ô, Sétimo<br />
selo é – confidencial!<br />
Como um pássaro<br />
no céu, como – buzina<br />
no céu,<br />
olha<br />
onde mete esse<br />
bedelho! Espelho, meu<br />
espelho, você<br />
é – eu??<br />
O pé de bode é o rei do<br />
orbe? O Diabo<br />
e eu somos<br />
o mesmo, o Bel-<br />
zebu<br />
e eu, o presidente, seu el-<br />
eito? Somos o<br />
mesmo – par-perfeito??<br />
Rex<br />
urubu, é o que és,<br />
um – traidor:<br />
Papo-par-propôr<br />
um trato – Pu!<br />
Itaipu! Des-<br />
comuna ca-<br />
choeira, chafariz dos<br />
deuses to-<br />
dos, presa por meus –<br />
êxitos? Dei-<br />
ta as tuas águas,<br />
vou abrir – nao<br />
me provoque! –<br />
a maçane-<br />
ta!     <br />
Ô, Abre a-<br />
las que eu os ferro!<br />
Refletores para o céu – é<br />
show do rei<br />
do rock. O seu berro<br />
é a buzina<br />
do juízo, &#8211; Onde é<br />
que está meu sucessor<br />
nesse rodízio?<br />
Na Terra inteira<br />
berram os<br />
bueiros, nos banheiros,<br />
nas banheiras – jacarés;<br />
no palco – „Oh yeah“ e, lá<br />
no alto – o fim do<br />
mundo;<br />
Mas eu expl-<br />
odo essa usina<br />
e ponho fim<br />
ao mundo todo!<br />
Abre a-<br />
las que eu vou –<br />
ferrar com tudo!<br />
 <br />
[No céu, fechou-se<br />
a fechadura. No orbe<br />
abriu-se a<br />
usina Furnas.]</h2>
<h2> </h2>
<h2>III. EPÍLOGO.<br />
O CARNAVAL DO „TUDO IGUAL“<br />
 </h2>
<h2>O DECORO:<br />
Uma peixeira – um<br />
preá. Sua princesa –<br />
impressionar.<br />
com on-<br />
ze dedos – Rachmanínov,<br />
na casa dos Virguinsky.<br />
Engravidar, ter<br />
um menino.<br />
Arrancar-lhe os den-<br />
tes, pro colar.<br />
Veio crescen<br />
-do, porém, o seu<br />
rebento e<br />
- eis! Já quer tornar-se,<br />
como o pai, um<br />
presidente e reaver<br />
den-<br />
te por dente<br />
e o enforcar em seu co-<br />
lar!<br />
BRUTUS:<br />
Mas, ora pois, na-<br />
da me impede,<br />
quero ser rei! Sujar as<br />
māos do<br />
assassínio? Limpar,<br />
das māos, o tédio!<br />
Primeira dama,<br />
como Édipo, ofereço-me<br />
inteiramente a seu<br />
serviço.<br />
O preço é ter você<br />
na cama. Rosa<br />
Luxem-<br />
burgo, o mun-<br />
do é isso: é –<br />
lingüiça, hambúrguer<br />
e miúdos demiúrgos.<br />
Se estiver vivo,<br />
coma. Se nāo,<br />
deixe que comam,<br />
feche o livro, ferva o chá –<br />
chacrona. Faça<br />
bom proveito! Assassínio<br />
de verdade, só se me<br />
mostrar os peitos!<br />
Liberté, Igualité, Frater&#8230;<br />
O PRESIDENTE:<br />
Vamos brindar, be-<br />
bamos vinho.<br />
 <br />
[E esten-<br />
de-lhe uma taça pro<br />
espelho, o Demo a sua<br />
taça ao Presidente,<br />
que no vidro se estilhaça<br />
e as lentes do espelho<br />
e sobre o piso a<br />
esparramar<br />
sangue vermelho.]<br />
 <br />
BRUTUS:<br />
Ergue-se a<br />
bandeira, soa um<br />
trompete – estrangeiro,<br />
a tropa – range:<br />
é o invasor<br />
ou – o justiceiro?<br />
Acerte – e fature um<br />
milhāo! Ajuste o<br />
cronômetro e<br />
pressione o primeiro<br />
botāo! É um, é dois&#8230;<br />
O DECORO:<br />
Afaste-se, nāo<br />
vou, você que pensa!<br />
 <br />
[E as excel-<br />
ências ambas<br />
se despencam para o<br />
val-<br />
e sombra e<br />
morte,<br />
corda bam-<br />
ba, clava forte – A<br />
estrela é marte!]<br />
 <br />
BRUTUS:<br />
Se estiver mal-<br />
uco, cuco, se<br />
entrar em parafuso,<br />
o parafuso vai entrar em&#8230;<br />
O DECORO:<br />
Pára!<br />
BRUTUS: Nāo é<br />
tortura, é cadeira de den-<br />
tista – o imperativo<br />
terapêutico, o el-<br />
etro-choque pinça o cu<br />
de um porco à<br />
pururuca.<br />
O show persiste:<br />
O rei do rock e os fios<br />
dos microfones,<br />
saxofones, vibra-<br />
fones, raios-laser,<br />
microchips,<br />
shoppings, robocopes,<br />
pôquer, robes,<br />
Hebes e Mercedes<br />
conversíveis,<br />
clepsidras anti-aérias,<br />
mísseis,<br />
por fios a uma rede<br />
de fusíveis nacionais<br />
a começar na<br />
hidrenér-<br />
gea Itaipu<br />
e correr por mil ventosas<br />
dos mil braços de um<br />
Kraken<br />
que abraçam o Brasil, até<br />
vir desaguar no cu de –<br />
seu jantar!<br />
Oito braços e um<br />
botāo – Pois,<br />
aquiesça,<br />
ponha a bo-<br />
ca no trombone, bo-<br />
te pra quebrar!<br />
É um&#8230; é dois&#8230;<br />
é três e&#8230;<br />
               BUM!!!!<br />
             ..     ..<br />
         ..               ..<br />
    ..                         ..<br />
 <br />
 <br />
O REPÓRTER:<br />
Da mesa super<br />
de Trimal-<br />
ciāo, supremo<br />
rei, ex-camponês,<br />
do ven-<br />
tre d-<br />
um impávido – leitāo<br />
bem-rechea-<br />
do em<br />
dinamites, irrompe um<br />
cogume-<br />
lo<br />
de<br />
neon que diame-<br />
tral-<br />
mente emite<br />
esse mítico ce-<br />
nário que é, porém,<br />
familiar a quem<br />
se habi-<br />
tuou a ter o O-<br />
limpo como lar<br />
cesáreo – Começam<br />
a reviver na névoa, na<br />
caverna, os jacarés<br />
papo-amare-<br />
lo,<br />
os cantores e atores<br />
da TV usam roupāo,<br />
cach-<br />
imbo e chine-<br />
los e crachás da<br />
Onu, o povo<br />
do rio Omo – nao;<br />
a praça da ban-<br />
deira vira um circo,<br />
um – cal-<br />
deirao, o povo bate<br />
palmas, re-aquecem-se<br />
as al-<br />
mas,<br />
purpurinas<br />
e confetes, dan-<br />
çarinas e chacre-<br />
tes fuxiqueiras e<br />
pandeiros,<br />
bumbos,<br />
bombas, reco-<br />
reco, cuco-<br />
cuco, vuvo-vuco, o muco,<br />
Gol! o mico, eia,<br />
pôneis, cisnes e<br />
sereias, olímpicos<br />
golfinhos<br />
de biquine ao<br />
molho pomodoro,<br />
um zepelim de condom<br />
e os brindes consagra-<br />
dos<br />
do chapéu<br />
do mestre-cuca.<br />
O pior – sao os<br />
piolhos na peruca!  <br />
A onça<br />
e a preguiça, o rei da<br />
França<br />
e o Rafa-<br />
le iça, no varal<br />
de Capricórnio, uma faixa<br />
sob o céu<br />
de ab-<br />
domen – verme e<br />
cisto –<br />
„Relaxa, homem!<br />
Tenha fé<br />
em Jesus Cristo!“<br />
Arreta,<br />
a vida segue no seu<br />
curso. Uma pena,<br />
só, apenas, o<br />
poeta ter<br />
cortado, já, os próprios<br />
pul-<br />
sos!<br />
 </h2>
<h2>FIM</h2>
<p align="center"><img class="aligncenter size-full wp-image-1037" title="kraken1" src="http://ambidestria.files.wordpress.com/2009/10/kraken1.jpg?w=305&#038;h=274" alt="kraken1" width="305" height="274" /> </p>
<p style="text-align:left;"> André Nogueira, 2009.</p>
<p align="center"> </p>
<p align="center"> </p>
<p align="center"> </p>
<p align="center"> </p>
Posted in André Bacciotti Nogueira, Tetras  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ambidestria.wordpress.com/1035/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ambidestria.wordpress.com/1035/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ambidestria.wordpress.com/1035/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ambidestria.wordpress.com/1035/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ambidestria.wordpress.com/1035/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ambidestria.wordpress.com/1035/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ambidestria.wordpress.com/1035/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ambidestria.wordpress.com/1035/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ambidestria.wordpress.com/1035/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ambidestria.wordpress.com/1035/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1035&subd=ambidestria&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	<feedburner:origLink>http://ambidestria.wordpress.com/2009/10/05/meu-fausto/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>A questão da censura – o caso Resenha em 6 e o Boteco São Bento</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/ambidestria/~3/bajTDYqxtz4/</link>
		<comments>http://ambidestria.wordpress.com/2009/10/04/a-questao-da-censura-o-caso-resenha-em-6-e-o-boteco-sao-bento/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 22:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Ishida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cybernet]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Ishida]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ambidestria.wordpress.com/?p=1033</guid>
		<description><![CDATA[Caso do post polêmico do Resenha em 6 sobre o boteco São Bento. Óbvio que sou contra qualquer censura e esse post é a favor da liberdade de expressão. Incluo o post, já excluído no blog original, reclamando do tal boteco.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1033&subd=ambidestria&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Um requisito antes de ler esse post: que os leitores tenham pelo menos ter ouvido falar desse caso que aconteceu há mais ou menos uma semana. Quem não está sabendo, clique <a href="http://www.brainstorm9.com.br/2009/09/29/resenha-em-6-x-boteco-sao-bento-mais-um-episodio-para-aprender/" target="_blank">aqui</a>, que vai direcioná-lo para o post sobre o assunto no blog Brainstorm #9.</p>
<p>Um absurdo censurar um blog por falar qualquer coisa, inclusive criticar algum estabelecimento. Então quer dizer que não posso dar uma opinião ou constatar uma reclamação? Se fosse assim, a Telefônica precisaria anular um milhão de blogs que reclamam de seus serviços. Cadê a liberdade de expressão?</p>
<p>Há outras variantes nesse caso, pois alguns comentários, aparentemente, pertenciam aos proprietários do boteco, que faziam até ameaças aos blogueiros do Resenha em 6. Parece-me que é um microcaso no microuniverso (da blogosfera, o que não é tão micro assim) de uma censura autoritária, como nos tempos da ditadura. O incrível é que o blog teve que retirar o post tão polêmico sobre o tal boteco.</p>
<p>Acho que a maioria da blogosfera apóia o Resenha em 6. E espero que o boteco São Bento (que eu nunca fui e nem sei aonde é) pare de tentar silenciar e abra diálogo, pois fiz uma rápida pesquisa no Google digitando boteco São Bento e das 10 primeiras pesquisas que aparecem na primeira página, 6 são posts reproduzindo o post do blog Resenha em 6.</p>
<p>E contribuindo para o pedido do Cardoso em seu blog <a href="http://www.contraditorium.com/2009/09/29/boteco-sao-bento-o-pior-bar-do-sistema-solar/" target="_blank">Contraditorium</a>, reproduzo o post do blog Resenha em 6. Que o boteco São Bento tenha bastante trabalho pra fechar todos os blogs que reclamarem do seu bar.</p>
<div><img style="max-width:800px;" src="http://www.contraditorium.com/wp-content/uploads/2009/09/saobento.jpg" alt="" /></div>
<div><em>Depois da Faixa de Gaza e do Acre, este é o<br />
pior lugar do mundo para você ir com os amigos. Caro, petiscos sem<br />
graça e, principalmente, garçons ultra-power-mega chatos: você toma<br />
dois dedos do seu chopp, quente e azedo que nem xoxota nos tempos dos<br />
vikings, eles já colocam outro na mesa. E se você recusa, eles ainda<br />
ficam putos. Só tulipadas diárias no rabo para justificar tamanha<br />
simpatia no atendimento. </em></div>
<div>
<ul>
<li><em>Fui no da Vila Madalena. Dizem que o do Itaim é ainda pior.<br />
</em></li>
<li><em>Para dicas de botecos que valem a pena, leia outras resenhas <a href="http://resenhaem6.blogspot.com/search/label/boteco">aqui</a><br />
</em></li>
<li><em>Siga o <a href="http://twitter.com/resenhaem6">Resenha pelo Twitter</a> antes que eu bote outro link na mesa.</em></li>
</ul>
</div>
<p><em><br />
Resenhado por<br />
Raphael Quatrocci</p>
<p>às<br />
<a title="permanent link" href="http://resenhaem6.blogspot.com/2009/09/boteco-sao-bento-o-pior-bar-do-sistema.html">23:22</a></em></p>
Posted in Cybernet, Gabriel Ishida  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ambidestria.wordpress.com/1033/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ambidestria.wordpress.com/1033/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ambidestria.wordpress.com/1033/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ambidestria.wordpress.com/1033/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ambidestria.wordpress.com/1033/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ambidestria.wordpress.com/1033/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ambidestria.wordpress.com/1033/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ambidestria.wordpress.com/1033/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ambidestria.wordpress.com/1033/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ambidestria.wordpress.com/1033/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1033&subd=ambidestria&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>O xixi</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 04:28:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claudiamm</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cláudia Munhoz]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Quando criança competia consigo mesma, apostava que conseguia ser mais rápida que si, que conseguia até segurar o xixi. Houve um dia em que parou de apostar, um dia em que não conseguiu segurar o xixi – mas talvez tenha parado de apostar apenas no dia seguinte. A professora lha havia encarregado de lavar as escovinhas de dente dos poucos alunos com quem dividia a classe, ela estava tão apertada! Apostou que conseguia lavar as escovinhas antes de fazer xixi. Ela abriu a torneira, meteu as escovinhas debaixo da água que escorria com aquele barulhinho traiçoeiro, as perninhas mexiam-se como numa dança frenética, os joelhinhos batiam-se, e então ela sentiu o líquido quente escorrendo pelas pernas. Sentiu-se tão estúpida por ter brincado assim com si mesma, tentou parar enquanto abaixava as calças azul-marinho do uniforme, não conseguiu. Tentou limpar-se o mais rápido possível para que sua demora no banheiro não chamasse a atenção da professora, ela tinha apenas cinco anos, mas já era orgulhosa o bastante para não querer se expor ao ridículo a que se expunham diariamente aquelas crianças idiotas que se mijavam na escola e tinham de pedir outra calça à professora. Queria evitar a humilhação, limpou-se como pode no tempo que se permitiu.</p>
<p style="text-align:justify;">Voltou para a sala com os olhos baixos, como se por não olhar ninguém nos olhos ninguém repararia em suas calças. Sentou-se silenciosamente em sua carteira fazendo tudo para não chamar a atenção, mas ao sentar-se sentiu o contato com a calça molhada e aquilo a enojou. Fingindo estar sentada, ela mantinha-se, na verdade, a um centímetro da cadeira, apoiando eventualmente parte das coxas miúdas na ponta da cadeira. Suas perninhas tremiam com o esforço de sustentar-se em tal posição, e ela tinha vontade de chorar, chorar de humilhação, de raiva de si mesma, de dor, de louca vontade de voltar para casa com sua mãe. Mas não derramou sequer uma lágrima, e orgulhou-se disso.</p>
<p style="text-align:justify;">O tempo se estendia, o sinal não tocava nunca, ela apressava-se por terminar as lições que a professora copiava na lousa, como se terminar a lição mais rápido fosse acelerar o tempo. Permaneceu muda até a hora da saída, suas pernas doíam, e ela sentia-se ridícula e enojada pelo contato constante com o xixi já gelado nas calças.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando sua mãe estacionou finalmente o carro no portão da escola, ela não correu para o carro, ela nem mesmo sorriu. Mas ao entrar nele, teve de conter humilhada uma explosão de choro enquanto contava o acontecido.</p>
<p style="text-align:justify;">- Promete, mãe? Promete que não conta pra ninguém? Nem pro papai? Nem pra empregada?</p>
<p style="text-align:justify;">Sua mãe prometeu e ela se tranqüilizou, queria livrar-se logo das calças molhadas e não mais pensar no assunto. Tinha conseguido! Ninguém na escola havia percebido, ninguém saberia! O esforço de manter-se duas horas fingindo estar sentada, o esforço de manter-se muda dentro da calça nojenta, todo o esforço valera a pena. Estava até orgulhosa de si por ninguém ter desconfiado. Não queria parecer-se com as crianças a quem desprezava, ela não fazia nem xixi na cama!</p>
<p style="text-align:justify;">No dia seguinte estava anônima em uma das várias filas de alunos que esperavam no pátio pelo chamado da professora de sua série. Não gostava muito de sua professora, ela apareceu ali com sua voz potente de adulto, falando daquele jeito que intimida as crianças. Estava com uma expressão contrariada. Então a professora achou seu rosto dentre todos os rostos da escolinha, chamou seu nome, todos se viraram para ela.</p>
<p style="text-align:justify;">- Por que você não me disse ontem que fez xixi na calça?</p>
<p style="text-align:justify;">Ela permaneceu muda, algo se quebrou dentro dela.</p>
<p style="text-align:justify;">- Da próxima vez me avise que te dou uma calça.</p>
Posted in Cláudia Munhoz, Detalhes  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ambidestria.wordpress.com/1028/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ambidestria.wordpress.com/1028/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ambidestria.wordpress.com/1028/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ambidestria.wordpress.com/1028/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ambidestria.wordpress.com/1028/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ambidestria.wordpress.com/1028/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ambidestria.wordpress.com/1028/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ambidestria.wordpress.com/1028/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ambidestria.wordpress.com/1028/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ambidestria.wordpress.com/1028/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ambidestria.wordpress.com&blog=3155592&post=1028&subd=ambidestria&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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