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		<title>Gato escaldado</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 03:32:10 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Perguntou-me de você e eu, feito um gato escaldado, pulei e cuspi uma resposta automática. Às vezes, eu esqueço que o tempo caminhou e nossos círculos de convivência foram se desenlaçando. Nossas interseções, hoje, não passam de linhas tênues que se cruzam no último ponto possível de contato. Ele queria saber se você é um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Perguntou-me de você e eu, feito um gato escaldado, pulei e cuspi uma resposta automática. Às vezes, eu esqueço que o tempo caminhou e nossos círculos de convivência foram se desenlaçando. Nossas interseções, hoje, não passam de linhas tênues que se cruzam no último ponto possível de contato. Ele queria saber se você é um bom profissional. Eu disse a verdade: sim, muito bom. E o assunto morreu dissolvido na histeria educada e sem noção causada pela necessidade de um keynote bem organizado. Tornei-me essa abóbora corporativa e os keynotes me deprimem. Fosse ele alguém mais familiar com a nossa história, teria facilmente percebido, antes mesmo de dizer a quarta letra da sua etiqueta nomesobrenome, que minhas bochechas se haviam ruborescido e minha respiração estava completamente fora de controle. Não sei você, mas quando alguém se refere a mim assim, por nomesobrenome, eu me sinto um número. A verdade é que ele notou sim a alteração imediata no meu comportamento, mas contentou-se em analisar somente meu apavorado pulo para trás e assim, ignorou todas as outras evidências e concluiu que o motivo da reação era um motivo pequeno e mundano. Foi quando notei como o intrincado roteiro da nossa comédia se tinha tornado um argumento banal. Fiquei triste e ri. Ninguém quer saber o que acontece depois dos créditos, quando a música acaba e as luzes se acedem. Mas a verdade é que, infelizmente, a vida real segue após o &#8220;Fim&#8221;. Eu segui, você seguiu. E acredito que a vida tenha ficado mais leve para nós dois. Quase sempre, ao ouvir seu nome, eu entro em pânico. Sempre acho que o destino vai fazer uma das suas trapaças e colocar nossos caminhos para se cruzarem novamente. Eu sinto muita saudade e isso me deixa profundamente vulnerável &#8211; não posso dar-me ao luxo nem mesmo do menor gosto de presença. Eu nunca mais me apaixonei, o que é um pessimo sinal. Um sinal que me faz crer que mesmo depois de anos, quando o assunto é você, eu não posso confiar muito em mim. Tem vezes que eu quase lhe esqueço, até que alguém me lembra. Dói por umas horas, de vez em quando a dor dura uns dias. E da mesma forma que surgiu, a dor passa. Eu achava que tinha cavado um buraco na minha alma quando decidi que era hora, que eu estava cansada, que para mim chegava. Hoje, prefiro crer que abri uma vaga &#8211; que ainda está vaga. Ele diz seu nomesobrenome, eu vejo uma lacuna na minha vida onde cabe exatamente aquele número de  letras. Arrepiam-se os pelos da minha nuca, o coração ameaça sair-me pela boca. Respiro fundo e agarro-me nessa difusa esperança de que as letras, um dia, sejam outras.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2012, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Modus Operandi</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Apr 2012 21:39:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[De tempos em tempos, eu surto. Teço teorias monumentais. Considero o macro, o prazo, o micro, os assets, a possibilidade de um Tsunami, o budget e a influência da vida sexual dos envolvidos no desenrolar do processo. Verbalizo questionamentos sobre o grupo e sobre personalidades individuais quando minhas dúvidas, em sua maioria, dizem respeito a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De tempos em tempos, eu surto. Teço teorias monumentais. Considero o macro, o prazo, o micro, os assets, a possibilidade de um Tsunami, o budget e a influência da vida sexual dos envolvidos no desenrolar do processo. Verbalizo questionamentos sobre o grupo e sobre personalidades individuais quando minhas dúvidas, em sua maioria, dizem respeito a mim mesma. </p>
<p>Bla bla bla bla bla bla. Por quê? Por quê? E,se? Mas&#8230; </p>
<p>Só acaba quando cai a ficha de que eu não estou fazendo o menor sentido. De que não tem bicho no armário nem embaixo da cama. De que não tem jeito de entender todos os motivos e de que há coisas que não me cabe saber.</p>
<p>Nessa hora, eu me dou um ou dois tabefes na cara e me ordeno: cala a boca e faz o seu, neguinha! </p>
<p>(Muitas vezes, merecia uns tabefes de terceiros)</p>
<p>Enfim, eu me calo. E aí eu volto a ser um colaborador funcional dentro da organização.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2012, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Contra-mão</title>
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		<comments>http://www.anamangeon.com/blog/2012/04/20/contra-mao/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 20 Apr 2012 13:58:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>

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		<description><![CDATA[O sinal fecha. Eu olho. Ele desvia. Eu olho de novo. Ele baixa o resto de janela que permanecia fechado e me diz: -Sorry girl, I&#8217;m gay. Acho que ainda não me habituei com o cosmopolitismo paulistano. Sorrio e respondo: - Does it make you less worthy of a look? Ele ri sem jeito. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O sinal fecha. Eu olho. Ele desvia. Eu olho de novo. Ele baixa o resto de janela que permanecia fechado e me diz:<br />
-Sorry girl, I&#8217;m gay.<br />
Acho que ainda não me habituei com o cosmopolitismo paulistano. Sorrio e respondo:<br />
- Does it make you less worthy of a look?</p>
<p>Ele ri sem jeito. O sinal abre. Ele segue e eu também sigo, só que na direção oposta.</p>
<p>Sobe BG. Corta.</p>
<p>Muitas vezes, as cenas da vida real superam de longe as cenas que eu escrevo.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2012, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Intervenção</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2012 03:34:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Peguntou-me o que era, então, estar em paz. Bebi um gole curto de vinho procurando no fundo da taça uma definição que fizesse sentido. Sem sucesso, acabamos mudando de assunto e partindo para outras filosofias. No caminho de casa, eu ainda não sabia definir o que era estar em paz mas pensava insistentemente naqueles dias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Peguntou-me o que era, então, estar em paz. Bebi um gole curto de vinho procurando no fundo da taça uma definição que fizesse sentido. Sem sucesso, acabamos mudando de assunto e partindo para outras filosofias. </p>
<p>No caminho de casa, eu ainda não sabia definir o que era estar em paz mas pensava insistentemente naqueles dias ensolarados e extremamente frios, quando eu não precisava parecer nada e isso me permitia ser tudo o que eu quisesse.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2012, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Sala 309</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Mar 2012 21:57:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrei na antesala e senti um cheio com um tom meio laranja pastel e este era um cheiro bom. Combinava com a decoração e com a meia luz discreta. Um aparelho de som de design arrojado tocava alguma coisa que não me recordo mas gostaria que fosse algo com violinos delicados que eu não conseguisse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrei na antesala e senti um cheio com um tom meio laranja pastel e este era um cheiro bom. Combinava com a decoração e com a meia luz discreta. Um aparelho de som de design arrojado tocava alguma coisa que não me recordo mas gostaria que fosse algo com violinos delicados que eu não conseguisse identificar. Espero que não fosse Enya. Abriu a porta da sala principal. Era uma sala ampla, de janelas grandes e bem iluminada com duas cadeiras circulares de frente para porta, um divã ao fundo, que uma terceira cadeira diametralmente oposta às outras duas onde ela se sentou. Ela não influenciou de nenhuma forma minha escolha de onde ficar, eu sabia que tinha algumas rápidas decisões a tomar; encarar ou não o olhar? Encurtar ou não a distância. Preferi a intimidade do olhar em detrimento a da proximidade embora soubesse eu que ia passar a maior parte do tempo olhando para cima ou para minhas mãos sempre gesticuladoras. Eu havia optado por uma distância que era incomodamente grande, maior que a de uma entrevista de trabalho por exemplo. Senti vontade de arrastar a cadeira para frente algumas vezes, mas me contive achando que todo aquele tapete entre mim e ela era um simbolismo pertinente e uma proteção necessária &#8211; para ela e para mim.</p>
<p>(Antes que eu esqueça, não acredito em terapeutas que ouvem New Age, me desculpem.)</p>
<p>Ela sentou-se e sorriu. Eu sorri de volta. Fizemos uns cinco segundos de silêncio. Não era a primeira sessão de terapia da minha vida mas acho que pela primeira vez eu estava realmente aberta a ela. Eu sabia que eu tinha que começar a falar; por onde? Honestamente não lembro exatamente a primeira coisa que eu disse, mas sei que logo nos primeiros minutos eu falei que estava ali porque, por muito tempo, escrever me havia sido suficiente. Escrevendo eu quase sempre encontrava meus motivos e aí era decisão minha solucionar ou não meus problemas. Só que, de repente, eu não consegui mais escrever. E eu sabia que isso acontecia porque tinha algo em mim que eu não queria encarar. E ela me perguntou o que era e eu disse que era essa pergunta que eu esperava que ela me ajudasse a responder.</p>
<p>Ela ainda voltou umas duas vezes nisso: o que é? Mas eu, realmente, ainda não sei. Ou talvez eu ainda não tenha encontrado as palavras que me permitirão saber dizer. </p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2012, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<item>
		<title>Sumiço</title>
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		<comments>http://www.anamangeon.com/blog/2012/02/26/ciranda/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 26 Feb 2012 03:59:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[suspiros]]></category>

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		<description><![CDATA[Se eu sumir mais do que estou sumida, pode ser que você me encontre aqui : http://cowbird.com/author/anamangeon &#169; 2012, anamangeon. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se eu sumir mais do que estou sumida, pode ser que você me encontre aqui : <a href="http://cowbird.com/author/anamangeon">http://cowbird.com/author/anamangeon</a></p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2012, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<title>Como termina um amor platônico?</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/anamangeon/~3/tk10568OdPA/</link>
		<comments>http://www.anamangeon.com/blog/2012/01/29/como-termina-um-amor-platonico/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 29 Jan 2012 09:15:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Não dizíamos nada como se fizéssemos um elogio ao nosso silêncio. Era muito raro ficarmos assim, calados; nem um som, nem um gesto, nenhuma alteração reveladora na respiração. Nada. Creio que, diferente de mim, ele estava em paz. Eu nunca soube estar em paz. Desconfio que desenvolvi algum tipo raro de alergia a ela. Basta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não dizíamos nada como se fizéssemos um elogio ao nosso silêncio. Era muito raro ficarmos assim, calados; nem um som, nem um gesto, nenhuma alteração reveladora na respiração. Nada. Creio que, diferente de mim, ele estava em paz. Eu nunca soube estar em paz. Desconfio que desenvolvi algum tipo raro de alergia a ela. Basta estar tudo em ordem que me dá um comichão. Ele parecia relaxado em contraponto a minha tensão. Em cólicas, eu esperava uma palavra, qualquer uma, mas ele permanecia ali, deitado na minha cama, olhando fixamente para o teto com um olhar sem expressão, a mão esquerda apoiando a cabeça, a mão direita brincando com os ralos pelos de seu próprio peito. E assim ficamos por eternos cinco minutos.</p>
<p>Enfim, ele se girou preguiçoso para o lado e alcançou o maço de cigarros olhando para mim como quem pede permissão. Eu fiz que sim fechando os olhos de leve. Eu não fumo dentro de casa, mas para ele eu poderia abrir uma exceção. Eu podia abrir todas as exceções. O isqueiro fez aquele clique de quem fuma com estilo. Ele deu um trago longo e soprou na direção da janela. Eu olhava. Tenho um fetiche estranho com homem fumando, uma amiga diz que eu tenho Síndrome de Homem de Malboro. Ei, cowboy. No que você está pensando? Quis perguntar, mas não perguntei. Esse é o tipo de pergunta que toda mulher tem a obrigação de engolir em seco e eu engoli. Preferi não verbalizar minha insegurança. Ele sempre me achou mais forte que eu sou, ia entrar por um ouvido e sair pelo outro de qualquer maneira. E, puta merda, como ele ficava bonito nesses momentos de introspecção. Eu, ao contrário, parecia um bichinho assustado e havia escondido meus complexos embaixo das cobertas mais que rápido, no acender do abajur. Eu era uma criaturinha patética, extasiada com silhueta nua do homem que eu amava. Do homem. Do amor.</p>
<p>(Porgy, I is your woman now.)</p>
<p>Estendeu-me o cigarro sabendo que eu fumaria e eu me desembrulhei mostrando os peitos. Minha maquilagem toda borrada, minha cabeça doendo; eu, fatalmente, parecia vulgar. Deitou-se novamente do meu lado. Eu soprei a fumaça para cima mentalizando que aquele Carlton era um baseado forte que me roubaria uma risada, que romperia com aquele silêncio constrangedor. Eu sempre nos achei muito íntimos, mas essa noite provara que não. Éramos muito íntimos das idealizações que fazíamos um do outro. E isso eu entendi no momento que ele pigarreou duas vezes e finalmente disse:<br />
- Você tinha tanta coragem. O que eu mais gostava em você era sua liberdade.</p>
<p>Eu poderia explicar que eu nunca fui livre, que eu sempre estive em fuga. Contudo, limitei-me a devolver o cigarro com um sorriso que significava qualquer coisa e fui procurar um último abrigo em seu peito.  Ele deu um trago final e ficou olhando a brasa ainda um tempo antes de amassar a bituca no cinzeiro. Deu-me um beijo carinhoso na cabeça e adormeceu brincando com meus cabelos.</p>
<p>O que ele mais gostava em mim, era a distância. </p>
<p>Escapei de seu braço com cuidado para não acordá-lo. Eu queria me vestir e ir embora, mas a casa era minha. Fiquei, então, na sala, contemplando o nada pela janela. Fiquei esperando a Cidade acordar, mas já era dia e tudo continuava quieto. Entediada, voltei para a cama.  </p>
<p>Talvez a Cidade me estivesse mandando embora ou seu silêncio fosse, na verdade, um acalanto para sono que nunca vem. Talvez a Cidade me estivesse dando um recado. Talvez a Cidade me dissesse para destruir de vez a fantasia. Talvez.</p>
<p>Encaixei-me nele para me despedir do seu corpo. Ele disse adeus me abraçando apertado. Adormeci.</p>
<p>Eu sabia. Ele sabia. A Cidade sabia.</p>
<p>Era dezembro. Faltava ainda um bocado para o Carnaval. Mas aquela era uma quarta-feira de cinzas. Ele acordou fagueiro, falando pelos cotovelos. Entrou no banheiro, mijou de porta aberta, vestiu-se apressado. Eu ria uma risada de fachada.  </p>
<p>Chamou o elevador, imprensou-me na parede e beijou-me alisando minhas coxas. Ainda tentei empurra-lo de volta para o quarto mas ele se desvencilhou. Saiu pela porta com aquela cara abobada de quem trepou. Disse que voltava, mas nunca voltou. Na verdade, ele nunca esteve por inteiro.</p>
<p>Deixou seu cheiro impregnado nos lençóis, na minha pele. E nossa história terminou onde deveria começar. Agora eu sabia o gosto do seu corpo e era um gosto humano demais para o meu gosto.</p>
<p>Aquele amor se havia tornado matéria, matéria orgânica. E aconteceu que nem bem eu havia trancado a porta, o amor começou a se decompor. </p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2012, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<item>
		<title>Outono/Inverno</title>
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		<comments>http://www.anamangeon.com/blog/2012/01/06/um-poema-por-dia-mentira-dia-3/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 20:27:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Tema: &#8220;erramos de sombra&#8221; Sugestão de Lois Lancaster A alma outonal visita antigas paisagens onde folhas e ondas dançavam ignorando minha ansiedade. Eu lembro da espera. Eu lembro da longa espera. E pensando em nós, nos revisito. O perfume dos cabelos escondidos. as mãos suadas, renegando as luvas. Nossos lábios salivantes rachados pela temperatura. Espíritos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Tema: &#8220;erramos de sombra&#8221;<br />
Sugestão de Lois Lancaster</em></p>
<p>A alma outonal<br />
visita antigas paisagens<br />
onde folhas e ondas<br />
dançavam<br />
ignorando minha ansiedade.</p>
<p>Eu lembro da espera.<br />
Eu lembro da longa espera.<br />
E pensando em nós,<br />
nos revisito.</p>
<p>O perfume dos cabelos escondidos.<br />
as mãos suadas, renegando as luvas.<br />
Nossos lábios salivantes<br />
rachados pela temperatura.</p>
<p>Espíritos nus sob a lã escura<br />
em busca de qualquer poesia,<br />
de alguma outra verdade,<br />
que nos fizesse possíveis</p>
<p>Penso nos passos<br />
Ouço a crocância das folhas secas<br />
Lembro da arvore infinta<br />
que nos ouviu declamar todos Beats<br />
e testemunhou todas as nossas juras.</p>
<p>Dizem que na nossa ausência<br />
apodreceu e ruiu.<br />
deixando um toco incomodo,<br />
relutante, emergindo da terra.<br />
E sua silhueta triste, tatuada<br />
naquele chão onde a grama nunca cresceu.</p>
<p>Um tanto como nós,<br />
Um tanto como esse<br />
nosso sentimento inerte<br />
cravado no peito<br />
jazendo ao sabor do tempo.</p>
<p>Mas nós não deixamos marcas<br />
Não deixamos nenhum legado.<br />
E sucumbimos estragados,<br />
mas sem causar grandes estragos.</p>
<p>Penso.</p>
<p>Penso em nós<br />
Nos outonos de nós.<br />
No que ficou de nós<br />
E concluo:<br />
Acertamos de árvore<br />
Mas erramos de sombra.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2012, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<item>
		<title>Um poema por dia – Dia 2</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 17:13:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[1 poema por dia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Tema: pessoas que falam a mesma língua mas não se entendem (metaforicamente ou não) Sugestão do Zeh Fernando. Ruídos de comunicação Eu flerto com rima maluca Ele responde em dialeto aramaico Eu armo meu verso arapuca: &#8220;Eu te amo&#8221;- no melhor grego arcaico Ele pensa saca o que eu digo Eu me iludo que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tema: pessoas que falam a mesma língua mas não se entendem (metaforicamente ou não)<br />
Sugestão do Zeh Fernando.</p>
<p><strong>Ruídos de comunicação</strong></p>
<p>Eu flerto com rima maluca<br />
Ele responde em dialeto aramaico<br />
Eu armo meu verso arapuca:<br />
&#8220;Eu te amo&#8221;- no melhor grego arcaico</p>
<p>Ele pensa saca o que eu digo<br />
Eu me iludo que o compreendo<br />
Que bom seria entender-mo-nos falando<br />
Tão bem quanto nos entendemos fazendo.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2012, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<item>
		<title>Um poema por dia – Dia 1</title>
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		<comments>http://www.anamangeon.com/blog/2012/01/02/um-poema-por-dia-dia-1/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 19:20:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[1 poema por dia]]></category>

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		<description><![CDATA[Tema: Pum no elevador Sugerido por Marlos Oliveira 25º andar Ansiava, eu, pela viagem Da terra rumo ao firmamento E a contagem regressiva anunciava O pouso da nave, ali, a qualquer momento. Abriram-se as portas. Atropelou-me, a manada. E chacoalhado pelo movimento, eu rodopiava franzino. Puxou-me pela mão, minha mãe, irritada &#8220;-Se mexe ou eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tema: Pum no elevador<br />
Sugerido por Marlos Oliveira</p>
<p><strong>25º andar</strong></p>
<p>Ansiava, eu, pela viagem<br />
Da terra rumo ao firmamento<br />
E a contagem regressiva anunciava<br />
O pouso da nave, ali, a qualquer momento.</p>
<p>Abriram-se as portas. Atropelou-me, a manada.<br />
E chacoalhado pelo movimento, eu rodopiava franzino.<br />
Puxou-me pela mão, minha mãe, irritada<br />
&#8220;-Se mexe ou eu te largo aí, fiapo de menino!&#8221;</p>
<p>Em silêncio, os passageiros viajavam;<br />
olhos para o chão, abstração dos artelhos<br />
Eu, miúdo, seus rostos mirava<br />
do meu ângulo, à altura de seus joelhos.</p>
<p>Aproximava-se, o nosso destino.<br />
Eu percebi uma mudança no ar.<br />
E quando eu já nem podia respirar<br />
todos notaram o odor assassino.</p>
<p>A moça gorda, colou-se na porta<br />
na esperança de salvadora brisa<br />
O executivo levantou a gola<br />
para filtrar o ar com a camisa.</p>
<p>A madame reclamava entre os dentes<br />
&#8220;-Eta povinho mal educado!&#8221;<br />
Entreolhavam-se, agonizando, os presentes<br />
tentando encontrar um culpado.</p>
<p>Um velho tossia de quando em quando<br />
feito um peixe que pulou do aquário.<br />
&#8220;-Só mas um pouco, estamos chegando&#8221;<br />
minha mãe dizia, agarrada ao rosário.</p>
<p>Tocou a sineta. “-Chegamos!&#8221;<br />
vibrou com emoção, o velho sufocado<br />
Saímos todos juntos, um bloco humano<br />
com futum de lixo compactado.</p>
<p>Minha mãe, aliviada, agora ria<br />
perguntando-se que fedentina era aquela.<br />
Foi aí que eu, orgulhoso da picardia,<br />
mostrei-lhe a minha mão amarela.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2012, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<item>
		<title>Bem…</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/anamangeon/~3/C9VnJhJUkt8/</link>
		<comments>http://www.anamangeon.com/blog/2011/12/24/bem/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 24 Dec 2011 02:18:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[eu tentei escrever algo sobre 2011, mas a única palavra que me me ocorre é &#8220;ok&#8221;" E &#8220;ok&#8221; é uma paz sem fim. &#169; 2011, anamangeon. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>eu tentei escrever algo sobre 2011, mas a única palavra que me me ocorre é &#8220;ok&#8221;"</p>
<p>E &#8220;ok&#8221; é uma paz sem fim.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/anamangeon/~4/C9VnJhJUkt8" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Sem Título</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/anamangeon/~3/zfY27ydiL5E/</link>
		<comments>http://www.anamangeon.com/blog/2011/12/04/sem-titulo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Dec 2011 16:51:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Insônia, jazz, torpor, violão Mentiras brancas com rimas de ocasião. &#169; 2011, anamangeon. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Insônia,<br />
jazz,<br />
torpor,<br />
violão</p>
<p>Mentiras brancas<br />
com rimas de ocasião.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/anamangeon/~4/zfY27ydiL5E" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Equações Noturnas</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/anamangeon/~3/1bQ_knGzBKg/</link>
		<comments>http://www.anamangeon.com/blog/2011/11/28/equacoes-noturnas/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 04:17:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões]]></category>
		<category><![CDATA[suspiros]]></category>

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		<description><![CDATA[{rivobanzo > minhocas na cabeça ⇔ ∄ sono ∈ Ana} &#169; 2011, anamangeon. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>{rivobanzo > minhocas na cabeça ⇔ ∄ sono ∈ Ana} </p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/anamangeon/~4/1bQ_knGzBKg" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Desmedida</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/anamangeon/~3/TSyJ9xu2L24/</link>
		<comments>http://www.anamangeon.com/blog/2011/11/21/desmedidas/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 14:45:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.anamangeon.com/blog/?p=1648</guid>
		<description><![CDATA[Eu que sempre fui balança, arreio, bússola, termostato, régua e conta-gotas esqueci-me das medidas. Fiz-me um cata-vento e, contente, fui para a rua ignorando que o vento não avisa quando vai mudar de direção. &#169; 2011, anamangeon. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu que sempre fui<br />
balança, arreio, bússola,<br />
termostato, régua e conta-gotas<br />
esqueci-me das medidas.<br />
Fiz-me um cata-vento<br />
e, contente, fui para a rua<br />
ignorando que o vento<br />
não avisa quando vai mudar de direção.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/anamangeon/~4/TSyJ9xu2L24" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Ideia, produção e tempo</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/anamangeon/~3/5_KMwctShdM/</link>
		<comments>http://www.anamangeon.com/blog/2011/11/04/ideia-producao-e-tempo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 Nov 2011 20:21:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[suspiros]]></category>
		<category><![CDATA[Videos]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha questão é toda essa, meninos. O que fazemos com a ideia. A ideia é fagulha que pode eventualmente surgir sob pressão. Tem gente que funciona assim, então não faz sentido generalizar. Nascida a ideia, a fórceps ou a Macunaíma, é que começa o que vai fazer diferença no final. O processo de transformar essa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha questão é toda essa, meninos. O que fazemos com a ideia.</p>
<p>A ideia é fagulha que pode eventualmente surgir sob pressão. Tem gente que funciona assim, então não faz sentido generalizar. Nascida a ideia, a fórceps ou a Macunaíma, é que começa o que vai fazer diferença no final. O processo de transformar essa fagulha em projeto, demanda tempo. E tratar o projeto para que ele se torne algo absolutamente foda, é ourivesaria.</p>
<p>O rush-rush virou a regra no nosso mercado. Criamos clientes impacientes e voluntariosos. Perdemos um bocado do controle sobre nosso ofício. Somos pasteleiros com muito mais frequência que ourives. E são raríssimos os casos em que, colocando na ponta do lápis, não constatamos que para cada cem pastéis entregues, a gente faz uma jóia &#8211; na verdade, em certos lugares, nem isso. Aquela ideia incrível até faz bonito no ambiente controlado do vídeo case. A gente tenta enganar os coleguinhas e fingimos que eles nos enganam. Mas a gente sabe muito bem distinguir ouro, bijuteria e chapeado safado da vinte e cinco. Seja no trabalho alheio ou no nosso, a gente sempre sabe. Tem gente que não liga. Felizes deles e seus leões. Eu confesso que me dói muito quando eu vejo uma boa ideia virar um video-case lindo sabendo que ela foi pra rua torta (nem vou entrar no mérito dos jobs sobrenaturais, esse assunto tão démodé). Ansiedade, estratégia, necessidade, frenesi, conta para pagar ou que cazzo seja nunca serão justificativas que me consolem. Não sei vocês, mas toda vez que uma ideia boa resulta em uma entrega meia boca eu fico com dó. Acredito que a ideia, uma vez considerada boa e plausível, merece ser tratada com carinho.</p>
<p>A realidade é que incontáveis vezes não damos à ideia o carinho que ela merece depois de aprovada. Carinho demais é conta que não fecha. Na minha humilde opinião conta que não fecha ou é megalomania ou problema de gestão em alguma etapa do processo. E a parte da megalomania, 99.9% das vezes, é culpa dos criativos : mea culpa. Acontece que, como nosso nível de exigência com a qualidade final do trabalho tende a ser muito maior que a dos clientes mesmo, a gente cede à urgência. Sabemos que poderia ficar muito melhor, mas o mais ou menos é suficiente para ele bater a meta, fazer bonito com o chefe. Além disso, ele tem pressa; o cliente SEMPRE tem muita pressa.</p>
<p>Sei que é preciso entender &#8211; entender não, aceitar &#8211; que  quase sempre vamos ter que fazer o melhor que podemos, a toque de caixa, com o lapis 2B e seguindo fielmente linhas pré-traçadas, não importando que a caixa de lápis de cor esteja ali, cheia de possibilidades, ao alcance das mãos. Não há tempo a perder.</p>
<p>O deadline que deveria ser o final feliz de uma jornada divertida, vira um monstro bizarro que tentamos agarrar à unha. Ele corre rápido. A gente até que consegue alcançar o infeliz no sprint final. Ganhamos por um nariz e de tão exaustos, nem conseguimos comemorar a vitória.</p>
<p>Acontece em todos os lugares. Grandes e pequenos. Acontece e aconteceu onde eu trabalhei antes, e antes do antes. E antes do ante-antes. Em proporções maiores ou menores, não importa. E por mais que nós tentemos &#8211; vez ou outra com significativo sucesso &#8211; elevar a publicidade ao status de arte, no seu cerne, ela não é. Publicidade é business. É negócio. E essa frustração é uma manga passada que a gente &#8211; entenda-se criativos com a mão na massa &#8211; tem que chupar com cada vez mais frequência.</p>
<p>Aí, o que nos resta é seguir rodando os pratos e tentando encontrar atalhos que nos permitam fazer jóias em tempo recorde. E ter a manha de escolher recheios exóticos para os pastéis diários que pagam nossas contas e caprichos.</p>
<p>Não vejo outra opção senão aceitar e me adaptar a essa realidade &#8211; desistir, abandonar e/ou enlouquecer não são opções, pelo menos não por ora. Mas uma coisa é certa: eu nunca vou me conformar em entregar trabalhos dos quais eu não morro de orgulho porque, em algum momento do processo, alguém superestimou a capacidade dos braços ou subestimou a impertinência do tempo.</p>
<p>(Esse mimimi todo começou por conta<strong><a title="desse" href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&amp;v=jgvx9OfZKJw#!" target="_blank"> desse</a></strong> vídeo)</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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		<item>
		<title>Rosário</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/anamangeon/~3/-TNPfmX6Fok/</link>
		<comments>http://www.anamangeon.com/blog/2011/10/09/rosario/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 09 Oct 2011 22:06:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Confissões]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Com a conta na ponta dos dedos, feliz e ao pecado entregue, rezo a Deus para que assim me guarde e peço ao Diabo lhe carregue. &#169; 2011, anamangeon. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com a conta na ponta dos dedos,<br />
feliz e ao pecado entregue,<br />
rezo a Deus para que assim me guarde<br />
e peço ao Diabo lhe carregue.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/anamangeon/~4/-TNPfmX6Fok" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title />
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/anamangeon/~3/lO_vPIudcLE/</link>
		<comments>http://www.anamangeon.com/blog/2011/10/05/1638/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 05 Oct 2011 00:37:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Confissões]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Aí, me bate aquela saudade da vida como ela era. Ou como não era mas, quem dera, fosse. &#169; 2011, anamangeon. All rights reserved.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aí,<br />
me bate<br />
aquela saudade<br />
da vida<br />
como ela<br />
era.</p>
<p>Ou como<br />
não era<br />
mas,<br />
quem dera,<br />
fosse.</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/anamangeon/~4/lO_vPIudcLE" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<feedburner:origLink>http://www.anamangeon.com/blog/2011/10/05/1638/?utm_source=rss&amp;utm_medium=rss&amp;utm_campaign=1638</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Vitória e eu</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/anamangeon/~3/SCiCxbmc4Sc/</link>
		<comments>http://www.anamangeon.com/blog/2011/09/12/vitoria-e-eu/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 12 Sep 2011 22:02:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Há dias que penso incansavelmente em Vitória Régia. Vitória Régia é um personagem. Um personagem com início e fim. Sem meio. Eu nunca soube direito o que aconteceu com ela depois daquela noite, em janeiro de 2007, quando eu passei longas horas observando-a ser derrotada pelo temporal e pelo medo. O fato é que Vitória [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há dias que penso incansavelmente em Vitória Régia. Vitória Régia é um personagem. Um personagem com início e fim. Sem meio.</p>
<p>Eu nunca soube direito o que aconteceu com ela depois daquela noite, em janeiro de 2007, quando eu passei longas horas observando-a ser derrotada pelo temporal e pelo medo. O fato é que Vitória ficou ali, passava das duas da manhã, e ela ficou ali. Sua silhueta longelínea cambaleando ao vento para direita e para esquerda, a saia longa colada nas coxas e os cabelos grudados no rosto. Até que um motorista apressado, borrifou-lhe a camiseta com um esguicho de lama e ela saiu do transe. Não reclamou. Apenas desgrudou os cabelos da testa e levantou os olhos em direção ao relógio da rua. Então, fez sinal para um taxi e voltou para casa.</p>
<p>Eu sei que ela havia recebido notícias de alguém retornava e que ela não sabia se queria de volta. Ainda assim, ela se lembrava bem dos gostos dele e prontificou-se a fazer o melhor jantar de suas vidas. E, por isso, saiu na chuva, de madrugada, para fazer compras. Sei também que ela entrou em casa sem acender as luzes e sem receio de molhar o tapete. Colocou as sacolas no chão, arrancou os sapatos, despiu-se inteira. Acendeu um cigarro, ficou flertando com São Paulo pela janela e não atendeu o telefone que insistiu tocando até a secretária eletrônica entrar.</p>
<p>Aí, Vitória sumiu. Perdeu-se nas muitas coisas que eu tinha a fazer. Nos trabalhos. Nas tantas tarefas muito mais importantes que pegá-la pela mão e guiá-la até seu destino.</p>
<p>A verdade é que eu conhecera Vitória dois anos antes desse dia de temporal. Eu não sabia seu nome, mas sabia que ela esperava por alguém sentada no escuro da sala de estar de sua casa &#8211; uma sala de estar que hoje se parece tanto com a da minha casa. Eu não sabia seu nome, mas sabia que ela estava disposta a morrer de amor, e por isso, não me assustei quando aquela mulher vomitou seu coração nas mãos e ficou segurando ali, ele pulsando, pulsando até que ela se cansou e rompeu a dente as artérias que lhe pendiam da boca, libertou as borboletas do estômago e adormeceu suavemente antes que pudesse testemunhar a delicada sincronia entre a campainha que tocava e o coração que preguiçosamente escorria pela suas mãos para partir-se em cacos pelo chão.</p>
<p>Vitória é um personagem. Um personagem que já sabe seu fim. Um vulto pálido de pé no tapete da sala fitando-me sem expressão, um fantasma que me pede uma história que a faça crer que morrer de amor vai valer a pena.</p>
<p>Essa é a grande questão; foi por isso que aprisionei Vitória nesse canto escondido da memória. Para que ela não se aproxime muito. Para que ela não me assombre demais. Para não dar a ela a oportunidade de me perguntar “Vale?’ e ter que confessar que eu já não sei.</p>
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		<title>Idas e Vindas no Terminal Pirituba</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Aug 2011 14:34:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Histórias Reais]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;-Qual o lado bom de ser gay?&#8221; pergunta o motorista ao cobrador, um senhor de uns 60 anos que tirava uma sonequinha tranquilamente. &#8220;Ele ainda tá vivo?&#8221; replica o cobrador, abrindo apenas o olho esquerdo para observar a imagem do colega no retrovisor central.&#8221;Quem tá vivo, rapaz?&#8221; grita o motorista, confuso. &#8220;O Serguei ué&#8230;ele ainda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;-Qual o lado bom de ser gay?&#8221; pergunta o motorista ao cobrador, um senhor de uns 60 anos que tirava uma sonequinha tranquilamente. &#8220;Ele ainda tá vivo?&#8221; replica o cobrador, abrindo apenas o olho esquerdo para observar a imagem do colega no retrovisor central.&#8221;Quem tá vivo, rapaz?&#8221; grita o motorista, confuso. &#8220;O Serguei ué&#8230;ele ainda tá vivo?&#8221; &#8220;Caramba&#8230;Vou perguntar de novo: qual é o lado bom de s-e-r g-a-y?&#8221;</p>
<p>O cobrador pensa um pouco coçando o farto bigode grisalho. &#8220;Ter orgulho.&#8221; responde, finalmente.</p>
<p>O motorista repete a pergunta 12 vezes. Obtendo a mesma resposta sempre, desiste da piada que pretendia fazer.</p>
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		<title>Sobre medos e movimentos</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 01:57:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anamangeon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Devo-lhe dizer que eu não sou uma pessoa dotada de muita paciência. Talvez em algum momento tenha sido, mas, se fui, isso é algo que se perdeu nas intempéries dessa vida. Eu tenho muita ansiedade. Uma pressa que me faz as pernas trôpegas e uma sede de goladas largas que sempre me leva ao engasgo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Devo-lhe dizer que eu não sou uma pessoa dotada de muita paciência. Talvez em algum momento tenha sido, mas, se fui, isso é algo que se perdeu nas intempéries dessa vida. Eu tenho muita ansiedade. Uma pressa que me faz as pernas trôpegas e uma sede de goladas largas que sempre me leva ao engasgo. Eu não sei aguardar os tempo das coisas. Eu colho os frutos ainda verdes. Eu  leio a última página dos livros antes da primeira. Escrevo poemas que sempre começam pelo verso final. Eu tenho essa pretensão de sempre saber como tudo termina e essa compulsão por construir meios e inícios que façam parecer que valeu a pena.</p>
<p>Devo-lhe dizer que estou com medo. Medo de não saber me portar. Medo de não saber esperar.  Medo de que não haja no fundo nada a aguardar. Medo das peças que minha mente dada a fantasias possa me pregar. Medo, eu devo lhe dizer que estou morta de medo.</p>
<p>Mas também lhe devo segredar que é um medo muito gostoso pois tem gosto de vida.</p>
<p>(E o bom dos medos saborosos é que eles assustam mas nunca imobilizam.)</p>
<p style='text-align:left'>&copy; 2011, <a href='http://www.anamangeon.com/blog'>anamangeon</a>. All rights reserved. </p>
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