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	<title>Agência Pública</title>
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	<description>A primeira e mais premiada agência de jornalismo investigativo do Brasil.</description>
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	<title>Agência Pública</title>
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		<title>Levantamento exclusivo: Brasil e EUA protagonizam debate sobre racismo argentino nas redes</title>
		<link>https://apublica.org/2026/07/brasil-e-eua-protagonizam-debate-sobre-racismo-argentino-nas-redes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Aline Gatto Boueri]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 18:18:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[Racismo contra influenciador IShowSpeed desencadeou onda de acusações contra argentinos; Brasil e EUA lideraram posts]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Falta de sintonia cultural, tradução automática da plataforma X, receio de um quarto título mundial argentino, ofensas racistas contra um influenciador negro dos EUA, vista grossa para o racismo em outros países. Com mais emoções que argumentos, esses elementos fomentaram o debate que misturou história e futebol nas últimas semanas, com a superficialidade e virulência características das redes sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um levantamento exclusivo da <strong>Agência Pública, </strong>realizado entre 1 e 21 de julho, nas redes sociais X, Facebook e Instagram, mostra que a agressão racista de um torcedor do país sul-americano ao influenciador dos EUA IShowSpeed, no jogo contra Cabo Verde, coincide com o início da avalanche de posts, vídeos e comentários sobre racismo na Argentina. A seleção de Messi ganhou a partida por 3 a 2 na prorrogação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">IShowSpeed reúne mais de 55 milhões de seguidores no YouTube. Ele se tornou popular pelas transmissões de jogos de videogame e de ligas desportivas dos EUA, como a NBA. Ele quase foi banido da transmissão de jogos da Riot Games por comentários machistas durante uma partida de jogos online, em 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No X, onde IShowSpeed tem mais de 5,4 milhões de seguidores, <span class="highlighter">a maioria dos posts que relacionavam a Argentina ao debate sobre racismo veio de contas dos EUA (21%) e do Brasil (18%)</span>. A própria Argentina só aparece em terceiro lugar, empatada com a Colômbia, ambas com 12% das menções. Adversários dos argentinos na final, os espanhóis só aparecem em quinto lugar, responsáveis por 7% das postagens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O maior engajamento dos estadunidenses pode ser explicado pela origem do burburinho, mas a onda de críticas à Argentina parece ter se espalhado pelo mundo inteiro com a ferramenta de tradução automática do X. Ela consegue verter um post de um idioma a outro, mas é incapaz de trazer nuances e tem potencial para produzir distorções e disseminar desinformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Taís Seibt, líder do Núcleo de Estudos em Jornalismo de Dados e Computacional &#8211; DataJor (IDP/CNPq) e pesquisadora de Cultura Digital da Unisinos, lembra que estudiosos da área apontam que o <em>mistranslation</em> ou erro de tradução aumenta a tração de conteúdos que mexem com paixões e ódio, como a rivalidade histórica entre Brasil e Argentina no futebol.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“As traduções automáticas nas redes desconsideram fatores culturais e contextos locais, trazem imprecisões, que vão levar a interpretações equivocadas e podem reforçar preconceito e xenofobia”, explica Seibt, que estuda <em>fact checking</em> e desinformação desde 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o levantamento, em dois de cada cinco posts no X sobre racismo na Argentina, o povo é taxado de racista de forma generalista. Ainda que as agressões tenham sido praticadas por alguns torcedores, há um recorte específico de classe e raça: aqueles que podem assistir a um jogo da Copa do Mundo em meio à crise econômica que atinge o país.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Um em cada quatro comentários no X associa a Argentina a insultos contra pessoas negras</span>, uso de termos raciais, gestos imitando macacos, ofensas a brasileiros e discriminação contra outros latino-americanos. Muitos usuários tratam esses episódios como recorrentes e afirmam que o problema ultrapassa casos isolados, aparecendo em estádios, redes sociais, viagens e situações cotidianas.</p>


	<div class="py-4 px-0 px-md-4">
		<div class="bg-primary py-2 px-4">
			<h2 class="h5 m-0 fw-bold text-dark text-uppercase">Por que isso importa?</h2>
		</div>
		<div class="bg-light border p-4 border-1 border-primary">
			<ul class="m-0"><li>A Federação Internacional de Futebol (FIFA) aprovou em maio de 2024 seu Posicionamento Global contra o Racismo para combater o racismo no futebol.</li><li>A iniciativa envolve novas regras e sanções em campo, denúncias, acesso a informações e opinião dos jogadores.</li></ul>		</div>
	</div>
	


<p class="wp-block-paragraph">Os ataques contra IShowSpeed durante jogos do Mundial representam uma de cada seis postagens sobre racismo na Argentina no X. As mensagens repercutem insultos, cânticos, objetos arremessados e expressões como “volte para casa” e “vá chorar no zoológico”, dirigidas ao streamer. O que é possível concluir pelo levantamento, é que parte dos usuários interpreta os atos como racismo explícito. Outra sustenta que a hostilidade ocorreu porque Speed provocava Messi e torcia contra a Argentina, e não teria motivação racial.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Instagram e Facebook: Argentinos se defendem e brasileiros estão divididos sobre racismo no país vizinho</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em duas redes da Meta, Facebook e Instagram, que reúnem 91,6 milhões e 96,4 milhões de usuários no Brasil, respectivamente,&nbsp;<span class="highlighter">42% das contas brasileiras analisadas identificam os argentinos como racistas, enquanto 39% defendem os vizinhos sul-americanos das acusações de racismo.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os comentários e postagens no Facebook e Instagram atribuem o racismo à torcida, aos jogadores, à sociedade argentina ou ao país de maneira geral, além de apontar apagamento racial, omissão de Messi e recorrência de manifestações racistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os argentinos, 67% se defendem das críticas nas plataformas da Meta, com mensagens que negam o racismo, relativizam os casos como comportamentos individuais, destacam a miscigenação, a imigração e a integração de estrangeiros, ou transferem a acusação para EUA, Europa e Brasil. Entre os 25% que reconhecem o problema, há menções a gestos e cânticos no futebol, discriminação contra negros, indígenas, bolivianos, paraguaios e argentinos do Norte, além do uso normalizado de expressões raciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os brasileiros que defendem os argentinos rejeitam a generalização, classificam os casos como atitudes de uma minoria, comparam a situação ao racismo no Brasil e na Espanha, acusam as publicações de xenofobia e desinformação, ou contestam a interpretação dos gestos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um exemplo desse último caso é a alegação que existe confusão entre um gesto racista e a comemoração Topo Gigio, que o volante argentino Enzo Fernández reproduziu depois de marcar o gol que deu início à virada da Argentina contra a Inglaterra na semifinal da Copa. O festejo, que significa, segundo argentinos, algo como “quero ver falar agora”, foi eternizado em 2001, por Juan Roman Riquelme, ex-jogador e atual presidente do Boca Juniors. Depois de marcar um gol em uma partida do time, ele usou o gesto para provocar o então presidente do Boca e ex-presidente argentino, Mauricio Macri.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Copa de 2022, Messi também comemorou um gol contra a Holanda com o gesto do Topo Gigio, mas não chegou a receber críticas. Já em 2026, Enzo Fernández vinha marcado pela publicação em suas redes sociais de um vídeo da seleção argentina entoando cantos racistas e homofóbicos contra jogadores da França depois da conquista da Copa América, em 2024. Enzo se retratou e o subsecretário de Esportes de Javier Milei foi demitido depois de sugerir um pedido formal de desculpas à seleção francesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O elemento qualitativo está fora da lógica das plataformas, que têm uma engrenagem movida por discurso de ódio. Certamente <span class="highlighter">não é o espaço mais saudável para debates complexos como esse</span>, que exigiria tempo para uma conversa sobre estrutura racial e compreensão de questões culturais mais amplas”, pondera Seibt.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisadora lembra que a rivalidade histórica e o mau momento da seleção brasileira, em contraste com o bom momento do time argentino, já seriam suficientes para gerar engajamento em posts e mensagens que mexessem com essas paixões. Mas <span class="highlighter">a lógica de funcionamento das plataformas distribui melhor o conteúdo que simplifica o debate e aprofunda a violência.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">“A simplificação do discurso quando o ritmo de engajamento já está acelerado — porque só se falou em Copa do Mundo — vai reforçar aquilo que o usuário está condicionado a defender, pela própria lógica algorítmica. É um reforço constante de preconceitos e tendências, que cegam o usuário por conta das convicções e fortalecem o entendimento que ele já tem sobre a realidade”, alerta Seibt.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Embaixador brasileiro: &#8220;Se 10 mil viajam para ver jogo e três imbecis fazem gestos racistas, há tendência de generalização”</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">E é na realidade que a lógica de enfrentamento fomentada pelas redes começa a produzir vítimas. Depois da final entre Argentina e Espanha na Copa do Mundo, agressões e ameaças a argentinos que vivem em diferentes países — entre eles o Brasil — viraram notícias em português e espanhol.</p>



<p>A<strong> Pública</strong> revelou que <a href="https://apublica.org/nota/copa-e-xenofobia-universitarios-brasileiros-ameacados-na-argentina/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudantes brasileiros que moram na Argentina foram ameaçados de morte</a> e tiveram dados pessoais expostos depois de publicar comemorações pela derrota da Argentina em suas redes sociais.<p><!-- alsoRead --></p></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, afirma que a orientação tem sido buscar a polícia argentina e formalizar uma denúncia ou buscar assistência nos consulados brasileiros em casos de ameaças e agressões, mas questiona a amplitude da hostilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“<span class="highlighter">Nas redes sociais, a tendência é que as coisas ganhem uma dimensão maior do que mereceriam ter.</span> Por enquanto, estamos tratando de casos que, com toda gravidade que têm — e são distintas as gravidades — ainda são relativamente isolados”, avalia. Ele afirma que a Embaixada acompanha a situação, que existe cooperação técnica, mas que a questão ainda não exige uma ação política conjunta dos governos de Brasil e Argentina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bitelli também lamenta, sem citar nomes, que “alguns setores políticos tentam surfar em cima disso.” É o caso do deputado estadual da província de Buenos Aires, Agustín Romo, do partido do presidente Javier Milei (La Libertad Avanza).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem mencionar explicitamente estudantes brasileiros, Romo fez referência a “estrangeiros que moram na Argentina, estudam grátis na Argentina, têm atenção gratuita em hospitais da Argentina, mas odeiam a Argentina” quando anunciou em suas redes sociais que apresentaria um projeto de lei que obriga estrangeiros sem residência permanente a pagar por saúde e educação na província. No entanto, em 23 de julho, dois dias depois do anúncio, o PL ainda não estava listado na base da <a href="https://www.hcdiputados-ba.gov.ar/index.php?page=proyectos&amp;search=busquedaGeneral" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Assembleia Legislativa de Buenos Aires</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O embaixador <span class="highlighter">reconhece que o Brasil tem muito a contribuir com o debate sobre racismo na Argentina</span>, e que o futebol apresenta uma oportunidade para conversar com dirigentes argentinos e criar ações conjuntas de conscientização de torcedores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É preciso um trabalho didático para explicar por que o Brasil tem uma legislação para lidar com a questão do racismo. Às vezes, eles não entendem muito bem, dizem que é coisa de futebol, uma brincadeira. É preciso explicar aqui que não é brincadeira, que não é exagero, que é muito sério e que é um crime no Brasil”, conta Bitelli.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, o embaixador pondera que “se 10 mil torcedores viajam para assistir a um jogo no Brasil e três imbecis fazem gestos racistas, há uma tendência de generalização, de dizer que os argentinos são todos racistas. Não são”, conclui.</p>



<div class="wp-block-pb-accordion-item c-accordion__item js-accordion-item no-js" data-initially-open="false" data-click-to-close="true" data-auto-close="true" data-scroll="false" data-scroll-offset="0"><h2 id="at-2601540" class="c-accordion__title js-accordion-controller" role="button"><strong>Metodologia</strong></h2><div id="ac-2601540" class="c-accordion__content">
<p class="wp-block-paragraph">O levantamento foi feito a partir da coleta de ocorrências nas plataformas X, Instagram e Facebook no período pré-determinado entre os dias 01/07 e 21/07. Respeitando as limitações das APIs (Application Programming Interface), foram analisadas publicações e comentários referentes às conversações sobre racismo e Argentina, bem como suas variáveis. Em seguida, as ocorrências coletadas foram classificadas e analisadas a partir dos dados amostrais.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Período da coleta: 1.º de julho até 21 de julho de 2026.</li>



<li>Período de análise no Google Trends: últimos três meses.</li>



<li>Coleta no mar aberto no X: 2,7 milhões de ocorrências.</li>



<li>Coleta no debate interno argentino no Facebook e Instagram: 12 mil ocorrências.</li>



<li>Coleta no debate interno brasileiro no Facebook e Instagram: 10,3 mil ocorrências.</li>
</ul>
</div></div>
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		<title>Letalidade policial na Baixada Fluminense dispara em 2025, mesmo com queda nas operações</title>
		<link>https://apublica.org/2026/07/letalidade-policial-na-baixada-fluminense-dispara-em-2025-mesmo-com-queda-nas-operacoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maira Escardovelli]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 16:08:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
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		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[Região com 13 municípios foi alvo de 5.298 operações policiais em cinco anos, segundo pesquisa; 282 pessoas foram mortas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Ao contrário do que se pode concluir, menos operações policiais em comunidades não significam, necessariamente, uma redução no número de mortes ocasionadas nessas ações. Isso porque a letalidade das incursões policiais vai além do número de operações realizadas. É o que está demonstrado no estudo da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial) que levantou as causas e consequências das operações policiais realizadas na região da Baixada Fluminense entre 2020 e 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos três anos do período analisado, as incursões das forças de segurança Militar e Civil na região diminuíram, indo de 1.233 em 2023 para 655 em 2025; o número de mortes, no entanto, saltou de 22 para 46, respectivamente, resultando em uma taxa de letalidade de 7% no último ano.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a série histórica, o maior número de mortes ocasionadas por policiais proporcionalmente às ações, teve seu pico em 2020 (15,8%) e 2021 (11,8%). A letalidade começou a cair em 2022 (4,50%), chegando ao menor número em 2023 (1,70%). Mas, nos dois anos seguintes, volta a crescer: 2,80% em 2024 e 7% em 2026. <span class="highlighter">No total, foram realizadas 5.298 operações policiais (Civil e Militar) em comunidades da Baixada, que deixaram 282 mortos, 652 feridos, 5.783 pessoas presas e 41 adolescentes apreendidos.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">O alto número de operações com produção de mortes acontece à revelia da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, popularmente conhecida como ADPF das Favelas. A ação tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2019 e estabelece diretrizes para a intervenção policial nas comunidades, entre elas o uso proporcional da força conforme o contexto e a preservação dos direitos humanos.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a6450808e433&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a6450808e433" class="alignleft size-full is-resized wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" width="640" height="1149" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/1-Letalidade-policial-na-Baixada-Fluminense-dispara-em-2025-mesmo-com-queda-nas-operacoes.jpg?resize=640%2C1149&#038;ssl=1" alt="Leila de Souza Oliveira e o filho Lucas, morto em uma operação da Polícia Militar de 2022, em Tarumã-Queimados
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Leila de Souza Oliveira e o filho Lucas, morto em uma operação da Polícia Militar de 2022, em Tarumã-Queimados<br></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">No entanto, ações policiais que muitas vezes resultam em pequenas apreensões feitas com o uso desproporcional da força seguem ceifando vidas como a de Lucas de Souza Oliveira. Ele foi morto aos 21 anos, no dia 13 de maio de 2022, durante o patrulhamento de uma corporação militar na comunidade de Tarumã-Queimados, na Baixada Fluminense. A intervenção pelos policiais militares terminou com a apreensão de R$ 20 reais com o jovem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mãe de Lucas, Leila Carla de Souza Oliveira, contou à <strong>Agência Pública</strong> que identificou já no reconhecimento do corpo, feito no Instituto Médico Legal (IML), que o filho tinha sido executado. Na época, ela havia acabado de passar no concurso da Polícia Civil e seria investigadora. Segundo o laudo da necrópsia, Lucas foi morto com um tiro no queixo, em pé, com a arma encostada direto na pele.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os policiais militares que participaram da intervenção registraram boletim de ocorrência, assumindo a autoria do disparo, com o argumento de que teriam sido recebidos a tiros quando entraram na comunidade. Munida do laudo que atesta que o filho foi executado, Carla segue confrontando a versão apresentada pela polícia. Ela acionou o Ministério Público do Rio de Janeiro e o caso está sob investigação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“[Os policiais] disseram, no boletim de ocorrência, que eles foram recebidos a tiros na comunidade e que o Lucas foi morto nessa troca de tiros. <span class="highlighter">Mas, o perito que examinou o corpo do Lucas escreveu: ‘executado’. Não sou eu que estou dizendo, foi um laudo que diz que o meu filho foi executado”</span>, conta Leila Carla.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tiro que Lucas recebeu, vindo do queixo para cima, é, para Carla, a explicação de que ele já estava rendido pelos policiais. &#8220;Ninguém se abaixa para colocar uma arma nessa posição. Se você estiver ajoelhada, vai botar ao contrário [a arma, em direção ao chão]. Meu filho estava de pé, de frente, provavelmente, [com] os braços presos. Ele estava rendido. Por que não prenderam o Lucas? Por que não levaram o Lucas para que ele fosse conduzido e respondesse pelo que ele estivesse fazendo?&#8221;, questiona a mãe.</p>


	<div class="py-4 px-0 px-md-4">
		<div class="bg-primary py-2 px-4">
			<h2 class="h5 m-0 fw-bold text-dark text-uppercase">Por que isso importa?</h2>
		</div>
		<div class="bg-light border p-4 border-1 border-primary">
			<ul class="m-0"><li>A Baixada Fluminense reúne 13 municípios e cerca de 3,5 milhões de moradores, segundo o IBGE.</li><li>Segundo dados do Censo de 2022, 69% da população da Baixada Fluminense se declara negra. O número coloca a região entre as maiores concentrações de pessoas pretas ou pardas do Rio de Janeiro e da região Centro-Sul do país.</li></ul>		</div>
	</div>
	


<p class="wp-block-paragraph">O boletim de ocorrência é assinado por dois policiais que pertencem ao 15º Batalhão da PM da Baixada Fluminense. De acordo com o estudo do IDMJRacial, este foi o batalhão que mais matou nos últimos cinco anos, com 71 vítimas. Para Leila Carla, a morte de seu filho e a brutalidade da polícia nos últimos cinco anos, apenas neste batalhão, demonstram a negligência do Estado do Rio de Janeiro na Baixada Fluminense.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">&#8220;No estado do Rio de Janeiro, todo mundo sabe que a Baixada Fluminense está abandonada; lá acontece o que quiser. Ou seja, a polícia lá está reinando; é como um policial falou para mim [quando Carla foi denunciar a morte de Lucas no Ministério Público] lá mora um bicho-papão e ninguém vai mexer com eles”, conta.</span></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Metade das mortes causadas pela Polícia Civil na Baixada em cinco anos ocorreram em 2025</strong>&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos três anos, a taxa de letalidade das operações da Polícia Civil na Baixada Fluminense aumentou em cerca de 400%, enquanto as incursões caíram de 117 em 2022, para 66 em 2025. Este, porém, foi o ano em que a corporação mais provocou mortes: do total de 24 assassinatos na série histórica, 12 ocorreram em 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além do resultado quantitativo, a pesquisa chama atenção para uma mudança na prática da própria corporação, que foi criada para investigações criminais. O patrulhamento ostensivo em territórios cabe à Polícia Militar. A IDMJRacial, no entanto, identificou 739 operações executadas por policiais civis, alcançado o pico em 2024, com 336 incursões. A série histórica revela um salto de 614% no período, cerca de 7 vezes a mais do que em 2020. Em 2025, o número cai para 66, mas a letalidade, por sua vez, foi de 2% em 2024, para 18% no ano seguinte.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">“A Polícia Civil está deixando de ser apenas investigativa e está seguindo para um caminho de violência territorial e de ocupação territorial”</span>, analisa Kharine Gil, professora da Escola de Serviço Social da UFRJ e analista de dados da IDMJR. Segundo Gil, a mudança no órgão está relacionada à conjuntura política do Rio de Janeiro, que frequentemente tem um discurso de combate ao crime voltado para o âmbito da violência, com ações truculentas que levam a produção de morte.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela relembra, inclusive, as falas de aprovação do ex-governador da cidade, Cláudio Castro, sobre a chacina ocorrida nos Complexos da Penha e do Alemão, em outubro de 2025. Na ocasião, Castrou classificou a ação realizada em conjunto com a Polícia Civil e a Militar como um “sucesso” e um marco no combate ao crime organizado. As operações deixaram mais de 120 mortes.&nbsp;</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a6450808e9ca&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a6450808e9ca" class="wp-block-image alignfull size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/2-Letalidade-policial-na-Baixada-Fluminense-dispara-em-2025-mesmo-com-queda-nas-operacoes.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Operação Contenção nos Complexos da Penha e do Alemão em 2025 deixou mais de 120 mortos" class="wp-image-260120" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/2-Letalidade-policial-na-Baixada-Fluminense-dispara-em-2025-mesmo-com-queda-nas-operacoes.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/2-Letalidade-policial-na-Baixada-Fluminense-dispara-em-2025-mesmo-com-queda-nas-operacoes.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/2-Letalidade-policial-na-Baixada-Fluminense-dispara-em-2025-mesmo-com-queda-nas-operacoes.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/2-Letalidade-policial-na-Baixada-Fluminense-dispara-em-2025-mesmo-com-queda-nas-operacoes.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Operação Contenção nos Complexos da Penha e do Alemão em 2025 deixou mais de 120 mortos</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">“Existe um discurso político no estado do Rio de Janeiro em geral que aprova todas essas ações e aprova o aumento de operações policiais, aprova que a polícia atire antes de saber quem é. Com certeza, a maneira como a polícia civil no último ano diminuiu a quantidade de operações, mas aumentou a proporção de mortes provocadas, está relacionada à forma como o Poder Executivo [do Estado] literalmente permite e declara verbalmente que isso é possível de ser feito e é a melhor forma de resolver o problema do Rio de Janeiro”, explica Kharine.&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">O IDMJRacial identificou, inclusive, que a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil tem o maior grau de letalidade policial das unidades especializadas da corporação, apesar de figurar entre as repartições com menor atuação registrada. Na Baixada Fluminense, a DRE é responsável por 46% das mortes provocadas pela Polícia Civil. Na visão da pesquisadora, a questão mostra que as incursões policiais têm sido mais concentradas e com o objetivo estratégico de produção de mortes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A arma mais apreendida nas operações é a pistola, que é uma arma de médio porte. O segundo objeto mais apreendido é um radiocomunicador, que nem é letal. O veículo mais apreendido são motocicletas. A justificativa do uso da força e dessa guerra, desse arsenal bélico muito grande que a polícia diz encontrar nas favelas, e que por isso precisa agir para matar mesmo. Os dados têm mostrado que a gente não tem visto isso na realidade”, explica Kharine Gil. “Por isso a DRE se justifica enquanto a delegacia especializada da Civil que mais mata, porque segue exatamente o discurso da guerra às drogas a partir de uma produção da violência e de mortes”, completa.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Apreensão de adolescentes&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda de acordo com o levantamento, foram apreendidos 41 adolescentes nos últimos cinco anos. <span class="highlighter">Em 2025 houve um disparo nessas apreensões, com 31 jovens detidos, 75,6% do total.</span> Entre os municípios da Baixada, Belford Roxo responde por 35% das apreensões de adolescentes em 5 anos, a cidade é a única que possui Unidade Socioeducativa para medida privativa de liberdade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O relatório lembra que, em 2019, o Centro de Atendimento Intensivo Belford Roxo (CAI-Baixada) estava superlotado, o que levou 67 adolescentes internados a terem a medida socioeducativa substituída por outra, de meio aberto, ou transferência para a internação domiciliar. Na sequência, a Diretoria de Estudos e Pesquisas de Acesso à Justiça e a Coordenadoria dos Direitos da Criança e do Adolescente (Defensoria Pública do Rio de Janeiro) realizaram um levantamento com todos os adolescentes beneficiados, e identificaram que após o cumprimento da medida socioeducativa nenhum deles voltou a ser apreendido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Desde 2024 o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Estado do Rio de Janeiro não pode apreender ou conduzir à delegacia menores de idade sem que haja flagrante de ato infracional ou cumprimento de ordem judicial escrita. Por esta razão, <span class="highlighter">os dados de 2025 se mostram ainda mais graves, pois demonstram que o Estado ignora a experiência com os adolescentes de 2019, e caminha na contramão das garantias obtidas, preferindo a manutenção de um sistema socioeducativo historicamente falido e superlotado”</span>, aponta o IDMJRacial no relatório.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dados do levantamento apontam, também, que as comunidades de Duque de Caxias, Belford Roxo, São João de Mereti, Nova Iguaçu e Queimados figuram no ranking como as cinco que mais concentram o número de mortes e feridos. Duque de Caxias responde pelo maior número: foram 66 mortos e 160 feridos nos últimos cincos anos.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Operação Barricada Zero</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as principais justificativas das operações policiais, estão a apreensão de drogas e retirada de barricadas em áreas de facções de tráfico específicas. Esta última motivação trata-se de uma nova política criada pela gestão do ex-governador Cláudio Castro, a Operação Barricada Zero, com foco na Baixada Fluminense e outros municípios do entorno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Instalada em novembro de 2025, a operação é uma parceria entre o governo do Estado com&nbsp; a Polícia Militar e tem o objetivo de retirar barricadas de organizações criminosas que bloqueiam vias públicas em territórios de favelas e periferias. <span class="highlighter">Desde 2022, foram investidos pela Secretaria de Estado da Polícia Militar (SEPM) R$ 11 milhões na aquisição de kits de demolição (retroescavadeira, caminhões, rompedores hidráulicos e outras ferramentas)</span> para a retirada de barricadas em territórios de favelas e periferias.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Na avaliação de Gil, o programa, porém, não é efetivo. “A presença de polícia no território, a partir desse modelo de ação truculenta, resulta em conflito e em violência. Uma operação para remoção de barricada é feita hoje, mas, no dia seguinte, vai ter uma outra barricada ali no mesmo lugar”, explica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o relatório, conforme a Lei Orçamentária Anual de 2026, foi destinada uma verba específica de R$ 300 milhões para ações de retomada dos territórios. A preocupação de Gil é entender se os gastos públicos com um projeto como esse produzem uma melhora. “A gente entende que [a Operação Barricada Zero] não tem efetividade, porque é um dinheiro público muito considerável sendo gasto [&#8230;]&nbsp; por exemplo, para compra de equipamentos, para compra de caminhões, compra de tratores. E aí, a gente se questiona [se] esse valor altíssimo, inclusive para a formação de policiais, retorna para os moradores desses lugares?”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Outro Lado</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A Polícia Militar e a Civil da Baixada Fluminense foram procuradas pela <strong>Pública</strong> para comentar os números apresentados pela série histórica do IDMJRacial. A Polícia Civil respondeu via nota que não tem conhecimento da metodologia utilizada na pesquisa e da possibilidade de rastreabilidade dos dados, mas destaca que “quem escolhe pelo confronto é criminoso, que ataca agentes de segurança e coloca em risco a população para tentar impedir a atuação policial. Quando um policial é atacado por criminosos armados e revida para salvar a própria vida ou a vida de outras pessoas, isso é legítima defesa, prevista em lei. Tratar esses casos simplesmente como ‘letalidade policial’ passa a falsa impressão de que toda morte durante uma operação ocorreu por iniciativa da polícia, quando, na verdade, começam porque criminosos decidem atirar contra os agentes do Estado.” <a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Nota-na-integra-da-Policia-Civil_-Letalidade-policial-na-Baixada-Fluminense-dispara-em-2025-mesmo-com-queda-nas-operacoes.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">[leia nota na íntegra]&nbsp;</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Polícia Militar, em <a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Nota-na-integra-da-Policia-Militar_.pdf">nota</a>, afirmou à <strong>Pública</strong> que não comenta dados ou levantamentos produzidos por instituições externas “que não utilizem a base oficial de registros da Polícia Militar”, reiterando que a “distribuição das ações policiais decorre da necessidade operacional de enfrentamento à criminalidade e da proteção da sociedade. A Corporação ressalta, ainda, que toda intervenção policial deve observar os protocolos operacionais vigentes e a legislação em vigor, sendo eventuais ocorrências com resultado morte rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes, com acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário, quando cabível.”</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Capa-Letalidade-policial-na-Baixada-Fluminense-dispara-em-2025-mesmo-com-queda-nas-operacoes.webp" length="42384" type="image/webp" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">260069</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Michelle Bolsonaro e o voto das mulheres conservadoras &#8211; com Jacqueline Teixeira</title>
		<link>https://apublica.org/podcast/2026/07/podcast-pauta-publica/michelle-bolsonaro-e-o-voto-das-mulheres-conservadoras-com-jacqueline-teixeira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea DiP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Michelle Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[Antropóloga Jacqueline Teixeira analisa a atuação das mulheres conservadoras na política]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Em meio às articulações para a definição dos candidatos às <a href="https://apublica.org/tag/eleicoes-2026/" data-type="link" data-id="https://apublica.org/tag/eleicoes-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">eleições de 2026</a>, o nome da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro ganhou destaque nas últimas semanas. Mesmo aparecendo em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para o Senado no Distrito Federal, e após ter seu <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/zema-nega-ter-convidado-michelle-bolsonaro-para-ser-vice/" data-type="link" data-id="https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/zema-nega-ter-convidado-michelle-bolsonaro-para-ser-vice/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nome especulado</a> como possível vice do governador Romeu Zema em uma chapa presidencial (hipótese que ela própria negou), a ex-primeira-dama segue afirmando que ainda não decidiu se será candidata. Independentemente do desfecho, a especulação sobre sua candidatura estimulou o debate sobre a participação das mulheres conservadoras na política e sobre a forma como a própria direita reage ao protagonismo feminino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para discutir o papel cada vez mais relevante das mulheres conservadoras na política, o Pauta Pública recebe a professora e antropóloga Jacqueline Teixeira. Na conversa com Andrea Dip, ela analisa as pautas em torno das quais elas têm se mobilizado, e mostra que compreender esse fenômeno é fundamental para entender a direita brasileira.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/capa_episodio_226.png" length="791006" type="image/png" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">259990</post-id>	</item>
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		<title>Decisão do STF sobre a Abin Paralela deixa rastros até na bancada evangélica</title>
		<link>https://apublica.org/2026/07/decisao-do-stf-sobre-a-abin-paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Caio de Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 17:00:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Abin]]></category>
		<category><![CDATA[bancada evangélica]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
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					<description><![CDATA[PF suspeita que ex-assessor do atual líder evangélico no Congresso criou dossiês falsos usados pela Abin em 2019]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Demorou um ano e oito dias até que o caso da <a href="https://apublica.org/2025/06/abin-paralela-como-tudo-se-conecta-espionagem-firstmile-bolsonaros-e-ramagem/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Abin Paralela</a> tivesse novidades significativas. Esse foi o tempo entre a entrega do relatório final pela Polícia Federal (PF), que apontou a existência de uma “organização criminosa” na cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) do governo Jair Bolsonaro (PL), e a decisão do ministro relator <a href="https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6601613" target="_blank" rel="noreferrer noopener">do caso no Supremo Tribunal Federal (STF)</a>, Alexandre de Moraes, no último dia 20 de julho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Moraes decidiu arquivar as investigações contra o ex-presidente, o ex-diretor da Abin e ex-deputado federal foragido Alexandre Ramagem (PL), além de parte da atual cúpula do órgão de inteligência.</span> Por decisão do STF, os casos de 28 dos 36 indiciados pela PF <a href="https://static.congressoemfoco.com.br/attachment/2025/06/20/4329f9_2023.0022161-RELAT%C3%93RIO_FINAL.pdf?_gl=1*pad8uw*_ga*NDI4MzM5ODU3LjE3ODQ3MzI5MzI.*_ga_V46CYWTD2Z*czE3ODQ3MzU3OTgkbzIkZzAkdDE3ODQ3MzU3OTgkajYwJGwwJGgw" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em 12 de junho de 2025</a> seguem em aberto, a cargo da presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a6450809052e&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a6450809052e" class="wp-block-image alignwide size-large wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/1-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica-1600x1067.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="O então diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem Rodrigues" class="wp-image-259939" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/1-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?resize=1600%2C1067&amp;ssl=1 1600w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/1-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/1-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?resize=1536%2C1024&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/1-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/1-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?w=2047&amp;ssl=1 2047w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/1-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/1-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">O então diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem Rodrigues</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Engana-se quem acha que<a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/STF_Abin-Paralela-manda-1a-instancia_20jul2026-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> a decisão do STF</a> conclui o caso, segundo a <strong>Agência Pública </strong>apurou junto a fontes ligadas às investigações e a documentos oficiais relacionados ao inquérito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda restam diversas pontas soltas na Abin Paralela. Uma delas se refere às circunstâncias por trás da suposta <span class="highlighter">produção de dossiês falsos contra ministros do Supremo em 2019 por Ricardo Wright Minussi, ex-assessor parlamentar do atual líder da Frente Parlamentar Evangélica, o deputado Gilberto Nascimento (PSD).</span> A PF alega que parte do material foi produzida por Wright Minussi num “terminal informático” do gabinete do líder evangélico no Congresso Nacional, a despeito da Polícia Federal não apontar relação direta de Nascimento com os dossiês.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O episódio aparece indiretamente na decisão de Alexandre de Moraes quando ele se refere a Wright Minussi – “mencionado em razão de sua suposta participação na elaboração ou circulação” de “conteúdos em redes sociais, campanhas de desinformação e divulgação de dossiês políticos”, segundo o ministro.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a645080908dc&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a645080908dc" class="wp-block-image size-large wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="425" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/2-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica-1600x1062.jpg?resize=640%2C425&#038;ssl=1" alt="Advogado Ricardo Wright Minussi Macedo" class="wp-image-259941" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/2-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?resize=1600%2C1062&amp;ssl=1 1600w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/2-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?resize=800%2C531&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/2-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?resize=1536%2C1020&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/2-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/2-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?w=2047&amp;ssl=1 2047w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/2-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/2-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Advogado Ricardo Wright Minussi Macedo</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Perícias realizadas pela PF ao longo das investigações apontam que <span class="highlighter">Wright Minussi seria o responsável por dossiês que municiaram relatórios oficiais da Abin contra ministros do STF e parlamentares de esquerda, falsamente ligando ambas as partes ao Primeiro Comando da Capital, o PCC.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Como revelado por Alice Maciel e Amanda Audi <a href="https://apublica.org/2024/02/campanha-de-bolsonaro-pagou-pai-de-autor-de-dossie-que-tentou-ligar-stf-ao-pcc/">aqui na</a><a href="https://apublica.org/2024/02/campanha-de-bolsonaro-pagou-pai-de-autor-de-dossie-que-tentou-ligar-stf-ao-pcc/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> </a><a href="https://apublica.org/2024/02/campanha-de-bolsonaro-pagou-pai-de-autor-de-dossie-que-tentou-ligar-stf-ao-pcc/"><strong>Pública</strong></a>, o pai de Wright Minussi era dono de uma produtora de vídeo contratada pela campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2022. Segundo prestação de contas à Justiça Eleitoral, a campanha de Bolsonaro pagou R$ 36,8 mil à produtora, “para eventos de promoção da candidatura”, no dia 27 de outubro de 2022 – às vésperas do 2º turno das eleições, no dia 31 daquele mesmo mês.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A PF aponta que o caso envolvendo Wright Minussi teve início em agosto de 2019, com a ação de inteligência “Portaria 157”, sob o comando do então agente da Abin Alan Oleskovicz. “O objetivo da operação era obter informações sobre a atuação da ONG Anjos Da Liberdade, que seria financiada por organizações criminosas para agir contra a Portaria nº157/2019 do Ministério da Justiça e Segurança Pública”, segundo o relatório final da PF.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a investigação, agentes tinham de coletar dados, “identificar contatos”, “alvos para recrutamento” e “membros ligados a lideranças criminosas” que teriam relação com esta ONG. Mas <span class="highlighter">“a inicial legitimidade da ação acabou por ser desvirtuada em face da agenda político-ideológica de Alan Oleskovicz, que recebeu ‘inteligência’ do assessor parlamentar Ricardo Minussi cujo teor tentava vincular Ministros do STF ao PCC”, segundo a PF.</span></p>



<div class="wp-block-jetpack-slideshow aligncenter" data-effect="slide" style="--aspect-ratio:calc(685 / 366)"><div class="wp-block-jetpack-slideshow_container swiper"><ul class="wp-block-jetpack-slideshow_swiper-wrapper swiper-wrapper"><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="342" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-259942" data-id="259942" data-aspect-ratio="685 / 366" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/4-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?resize=640%2C342&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/4-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?w=685&amp;ssl=1 685w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/4-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?resize=150%2C80&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 2400px" /></figure></li><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="1009" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-259943" data-id="259943" data-aspect-ratio="672 / 1059" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/3-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?resize=640%2C1009&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/3-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?w=672&amp;ssl=1 672w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/3-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?resize=381%2C600&amp;ssl=1 381w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/3-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?resize=150%2C236&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 2400px" /></figure></li></ul><a class="wp-block-jetpack-slideshow_button-prev swiper-button-prev swiper-button-white" role="button"></a><a class="wp-block-jetpack-slideshow_button-next swiper-button-next swiper-button-white" role="button"></a><a aria-label="Pause Slideshow" class="wp-block-jetpack-slideshow_button-pause" role="button"></a><div class="wp-block-jetpack-slideshow_pagination swiper-pagination swiper-pagination-white"></div></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Os investigadores recuperaram relatórios da Abin com parte do conteúdo falso produzido pelo então assessor de Gilberto Nascimento. “Tais documentos revelaram o desvio da ação de inteligência pelo coordenador da equipe [Oleskovicz]”, diz a PF, que destaca que “os metadados destes arquivos revelam sua produção em terminal informático pertencente à Câmara dos Deputados”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Os metadados analisados pelos peritos levaram ao nome de Ricardo Wright Minussi Macedo, alguém “que tinha relação com servidores da Abin e com a assessora parlamentar do deputado Gilberto Nascimento” à época, ainda segundo a PF.</span> As suspeitas dos investigadores motivaram <a href="https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/DecisaoABINPET12027.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">um pedido de busca e apreensão contra Wright Minussi</a>, autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito da “Operação Vigilância Aproximada”, em janeiro de 2024 – <a href="https://apublica.org/2024/01/caso-first-mile-derruba-membro-da-atual-diretoria-da-pf-por-suposta-espionagem-ilegal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">como reportado pela <strong>Pública</strong></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depoimentos colhidos pelos investigadores sugerem que a “assessora parlamentar” em questão seria Lia Noleto, que tinha proximidade tanto com Wright Minussi, quanto com o atual líder da bancada evangélica. Atuante há mais de 20 anos no Congresso, Noleto trabalha como secretária-executiva da Frente Evangélica. Procurada pela reportagem, ela preferiu não se manifestar.</p>



<div class="wp-block-jetpack-slideshow aligncenter" data-effect="slide" style="--aspect-ratio:calc(676 / 890)"><div class="wp-block-jetpack-slideshow_container swiper"><ul class="wp-block-jetpack-slideshow_swiper-wrapper swiper-wrapper"><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="843" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-259944" data-id="259944" data-aspect-ratio="676 / 890" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/6-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?resize=640%2C843&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/6-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?w=676&amp;ssl=1 676w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/6-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?resize=456%2C600&amp;ssl=1 456w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/6-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?resize=150%2C197&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 2400px" /></figure></li><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="749" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-259945" data-id="259945" data-aspect-ratio="712 / 833" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/5-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?resize=640%2C749&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/5-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?w=712&amp;ssl=1 712w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/5-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?resize=513%2C600&amp;ssl=1 513w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/5-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.png?resize=150%2C175&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 2400px" /></figure></li></ul><a class="wp-block-jetpack-slideshow_button-prev swiper-button-prev swiper-button-white" role="button"></a><a class="wp-block-jetpack-slideshow_button-next swiper-button-next swiper-button-white" role="button"></a><a aria-label="Pause Slideshow" class="wp-block-jetpack-slideshow_button-pause" role="button"></a><div class="wp-block-jetpack-slideshow_pagination swiper-pagination swiper-pagination-white"></div></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">À <strong>Pública</strong>, Gilberto Nascimento já declarou que “não possui qualquer envolvimento com os fatos e não responde a inquérito ou a indiciamento”, alegando que Wright Minussi prestava “serviços” de “apoio à pauta legislativa” de seu mandato. O relatório final da PF fortalece a posição do deputado, destacando que o hoje líder da bancada evangélica não teria relação com a produção de dossiês no caso “Portaria 157”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A reportagem tentou contato com as defesas do ex-assessor Ricardo Wright Minussi e do agente Alan Oleskovicz, mas não obteve resposta. O espaço para manifestação segue aberto</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Integral conexão” com o Gabinete do Ódio mantém Carlos Bolsonaro na mira</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A recente decisão de Alexandre de Moraes começou a tomar forma em 18 de junho, quando, a pedido do ministro, o procurador-geral da República (PGR) <a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/PGR_manifestacao-antes-decisao-minAlexandre_18jun2026-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">se manifestou no caso.</a> Paulo Gonet opinou por mandar o inquérito para a 1ª instância, defendendo a medida como necessária para “a apreciação dos fatos remanescentes” – supostos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, entre outros – “ainda não denunciados” pela PGR.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A posição de Gonet deu base <a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/STF_Abin-Paralela-manda-1a-instancia_20jul2026-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">à decisão de Moraes</a>, de enviar o inquérito para a presidência do TRF-1 e arquivar os casos envolvendo Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem e membros da atual cúpula da Abin. Ao todo, o STF determinou o arquivamento do inquérito para seis dos 36 indiciados pela PF.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na decisão, Alexandre de Moraes apontou uma “integral conexão” da Abin Paralela com o “<a href="https://apublica.org/2024/02/um-carnaval-sem-odio-para-todas-nos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gabinete do Ódio</a>”, mantendo em aberto o inquérito contra o pré-candidato ao Senado por Santa Catarina Carlos Bolsonaro (PL). Ele é tido como um dos líderes do grupo acusado de produzir e espalhar <em>fake news </em>contra opositores e até mesmo ministros do Supremo diretamente do Palácio do Planalto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Moraes, Carlos Bolsonaro “é apontado como integrante do denominado ‘núcleo político’, sendo-lhe atribuídas condutas relacionadas à coordenação do chamado ‘Gabinete do Ódio’, participação em campanhas de desinformação, difusão de informações sigilosas e ataques ao sistema eleitoral, ao Supremo Tribunal Federal e a opositores políticos”. O ministro destacou ainda a suspeita sobre a participação de uma “assessora” do filho do ex-presidente no “núcleo político” da “organização criminosa”.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a6450809116c&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a6450809116c" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/7-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado Federal pelo estado de Santa Catarina pelo Partido Liberal (PL)" class="wp-image-259948" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/7-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/7-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/7-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado Federal pelo estado de Santa Catarina pelo Partido Liberal (PL)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o ministro, ficou provada “a existência de uma organização criminosa que monitorava adversários políticos, inclusive com a estratégia de atentar contra o Poder Judiciário, desacreditando a Justiça Eleitoral, o resultado das eleições de 2022 e a própria Democracia”. Para Moraes, as atividades da Abin Paralela serviram “para contribuir com a implementação de um projeto golpista e com fins antidemocráticos” no país.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A reportagem também tentou contato com a defesa de Carlos Bolsonaro, sem resposta até o fechamento deste texto. O espaço segue aberto para a posição do filho do ex-presidente</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Faz parte do processo”</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O ministro do STF foi além do pedido da PGR, arquivando também os inquéritos contra a cúpula da Abin no governo Lula (PT) – o atual diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, o atual corregedor, o policial federal José Fernando Chuy, e também o ex-diretor-adjunto Alessandro Moretti, <a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2024/01/30/governo-exonera-o-numero-2-da-abin-alessandro-moretti.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">demitido em janeiro de 2024 sob a acusação de tentar interferir no caso</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A PF havia pedido o indiciamento dos três por supostamente terem atrapalhado as investigações, algo visto por fontes ligadas ao caso como o ápice de uma disputa nos bastidores do caso. Meses antes da conclusão do relatório final da PF, <a href="https://apublica.org/2025/04/sem-rastro-material-disputa-vazamentos-o-que-atrasa-a-conclusao-do-caso-abin-paralela/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a <strong>Pública</strong> já havia mostrado</a> como atritos entre membros da corporação e da Abin atrasavam a conclusão do inquérito – que, à época, já se arrastava havia mais de dois anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Moraes, não há “indícios suficientes” contra Corrêa, Chuy, Moretti e outros dois membros da cúpula da Abin – Luiz Carlos Nóbrega e Lúcio de Andrade, chefe de gabinete e coordenador de operações de busca do órgão, respectivamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o ministro, o relatório trouxe “conclusões genéricas” sobre a “suposta participação dos requeridos em atos de embaraço à investigação”, “sem a demonstração” dos <a href="https://static.congressoemfoco.com.br/attachment/2025/06/20/4329f9_2023.0022161-RELAT%C3%93RIO_FINAL.pdf?_gl=1*m2fi75*_ga*NDI4MzM5ODU3LjE3ODQ3MzI5MzI.*_ga_V46CYWTD2Z*czE3ODQ3MzU3OTgkbzIkZzAkdDE3ODQ3MzU3OTgkajYwJGwwJGgw" target="_blank" rel="noreferrer noopener">crimes atribuídos a eles pela PF</a> – como prevaricação e embaraço às investigações.</p>



<div class="wp-block-jetpack-slideshow aligncenter" data-effect="slide" style="--aspect-ratio:calc(799 / 533)"><div class="wp-block-jetpack-slideshow_container swiper"><ul class="wp-block-jetpack-slideshow_swiper-wrapper swiper-wrapper"><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" alt="Diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-187415" data-id="187415" data-aspect-ratio="799 / 533" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/04/Foto3_PL-avanca-sobre-Comissao-de-Inteligencia-em-meio-a-nova-crise-na-Abin.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/04/Foto3_PL-avanca-sobre-Comissao-de-Inteligencia-em-meio-a-nova-crise-na-Abin.jpg?w=799&amp;ssl=1 799w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/04/Foto3_PL-avanca-sobre-Comissao-de-Inteligencia-em-meio-a-nova-crise-na-Abin.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 2400px" /><figcaption class="wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption">Diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa</figcaption></figure></li><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" alt="Delegado federal José Fernando Chuy" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-188392" data-id="188392" data-aspect-ratio="1200 / 800" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/04/Foto5_Sem-rastro-material-disputa-vazamentos-o-que-atrasa-a-conclusao-do-caso-Abin-Paralela.jpeg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/04/Foto5_Sem-rastro-material-disputa-vazamentos-o-que-atrasa-a-conclusao-do-caso-Abin-Paralela.jpeg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/04/Foto5_Sem-rastro-material-disputa-vazamentos-o-que-atrasa-a-conclusao-do-caso-Abin-Paralela.jpeg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/04/Foto5_Sem-rastro-material-disputa-vazamentos-o-que-atrasa-a-conclusao-do-caso-Abin-Paralela.jpeg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><figcaption class="wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption">Delegado federal José Fernando Chuy</figcaption></figure></li><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="426" alt="Alessandro Moretti, ex-diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-188391" data-id="188391" data-aspect-ratio="1023 / 681" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/04/Foto4_Sem-rastro-material-disputa-vazamentos-o-que-atrasa-a-conclusao-do-caso-Abin-Paralela.jpg?resize=640%2C426&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/04/Foto4_Sem-rastro-material-disputa-vazamentos-o-que-atrasa-a-conclusao-do-caso-Abin-Paralela.jpg?w=1023&amp;ssl=1 1023w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/04/Foto4_Sem-rastro-material-disputa-vazamentos-o-que-atrasa-a-conclusao-do-caso-Abin-Paralela.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/04/Foto4_Sem-rastro-material-disputa-vazamentos-o-que-atrasa-a-conclusao-do-caso-Abin-Paralela.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><figcaption class="wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption">Alessandro Moretti, ex-diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)</figcaption></figure></li></ul><a class="wp-block-jetpack-slideshow_button-prev swiper-button-prev swiper-button-white" role="button"></a><a class="wp-block-jetpack-slideshow_button-next swiper-button-next swiper-button-white" role="button"></a><a aria-label="Pause Slideshow" class="wp-block-jetpack-slideshow_button-pause" role="button"></a><div class="wp-block-jetpack-slideshow_pagination swiper-pagination swiper-pagination-white"></div></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Procurados pela reportagem, a atual direção-geral da Abin e o ex-diretor-adjunto Alessandro Moretti preferiram não se manifestar sobre a decisão do STF. Já a defesa do corregedor da Abin disse que “destacou todos os pontos de ilegalidade em memoriais juntados aos autos”, alegando se tratar de “uma investigação ilegal”. “Aguardamos o cumprimento da decisão pela Polícia Federal”, disse a defesa de José Fernando Chuy.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo apurado pela <strong>Pública</strong>, pessoas ligadas à investigação enxergaram a decisão de Alexandre de Moraes como algo que “faz parte do processo”. “Temos nosso entendimento, mas respeitamos a decisão do ministro”, afirmou, sob reserva, um dos envolvidos nas apurações. A mesma pessoa disse ainda que não foi “nenhuma surpresa” o envio do que resta do caso ao TRF-1, pois “a investigação se iniciou na 1ª instância”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tom foi o mesmo adotado pela Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), que destacou que o arquivamento dos casos contra a atual cúpula da Abin ocorreu pela “<a href="https://web.adpf.org.br/noticia/noticia/a-associacao-nacional-dos-delegados-de-policia-federal-adpf-no-exercicio-de-suas-atribuicoes-estatutarias-comunica-a-decisao-proferida-pelo-supremo-tribunal-federal-stf-nos-autos-da-peticao-no-1/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ausência de justa causa para o prosseguimento das investigações</a>”. Já a PF disse que “não se manifesta sobre decisões judiciais”.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a6450809173b&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a6450809173b" class="wp-block-image alignfull size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="480" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/10/Foto2-EUA-gastaram-milhoes-para-cooptar-PF-ha-20-anos-processo-nao-foi-julgado.webp?resize=640%2C480&#038;ssl=1" alt="Fachada do Prédio da Polícia Federal em Brasília" class="wp-image-203887" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/10/Foto2-EUA-gastaram-milhoes-para-cooptar-PF-ha-20-anos-processo-nao-foi-julgado.webp?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/10/Foto2-EUA-gastaram-milhoes-para-cooptar-PF-ha-20-anos-processo-nao-foi-julgado.webp?resize=800%2C600&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/10/Foto2-EUA-gastaram-milhoes-para-cooptar-PF-ha-20-anos-processo-nao-foi-julgado.webp?resize=320%2C240&amp;ssl=1 320w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2025/10/Foto2-EUA-gastaram-milhoes-para-cooptar-PF-ha-20-anos-processo-nao-foi-julgado.webp?resize=150%2C113&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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<p class="wp-block-paragraph">Pelo lado dos servidores da Abin, a decisão do STF já está sendo utilizada como argumento para a aprovação do projeto de lei nº <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/172067" target="_blank" rel="noreferrer noopener">6423/2025</a> no Senado Federal, onde foi apelidado de Novo Marco Legal da Inteligência. Proposto pela Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), o projeto tramita em regime de urgência desde abril, mas ainda não há consenso sobre a matéria – que já teve sua <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/07/08/senado-adia-votacao-de-projeto-que-regulamenta-atividade-de-inteligencia" target="_blank" rel="noreferrer noopener">votação adiada duas vezes</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por meio de <a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/INTELIS_nota-pos-decisao-minAlexandre-20jul_21jul2026-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpeg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nota divulgada à imprensa</a>, a União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) alega que a decisão do STF de manter o inquérito da Abin Paralela em andamento no TRF-1 mostra que “questões institucionais evidenciadas pelas investigações permanecem atuais e exigem respostas urgentes”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a Intelis, casos como esse “evidenciam fragilidades no modelo de governança” do órgão – o que, segundo a organização, reforça a “necessidade de aperfeiçoar a governança da atividade de inteligência” no Brasil.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a64508091a95&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a64508091a95" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2023/04/Capa_Maior-contrato-secreto-da-Abin-permite-vigilancia-ilegal-sobre-alvos-nao-investigados-pela-justica.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Fachada da prédio da Abin" class="wp-image-124964" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2023/04/Capa_Maior-contrato-secreto-da-Abin-permite-vigilancia-ilegal-sobre-alvos-nao-investigados-pela-justica.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2023/04/Capa_Maior-contrato-secreto-da-Abin-permite-vigilancia-ilegal-sobre-alvos-nao-investigados-pela-justica.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2023/04/Capa_Maior-contrato-secreto-da-Abin-permite-vigilancia-ilegal-sobre-alvos-nao-investigados-pela-justica.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Fachada da Abin em Brasília</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Como pano de fundo, há uma tensão constante desde o início do governo Lula (PT) <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2026/07/indiciados-no-caso-abin-paralela-seguem-em-postos-de-comando-do-orgao.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">entre os oficiais</a><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2026/07/indiciados-no-caso-abin-paralela-seguem-em-postos-de-comando-do-orgao.shtml"> de inteligência e a atual cúpula da Abin</a> – em parte pelo fato do atual diretor, Luiz Fernando Corrêa, ser mais um ex-policial federal a comandar o órgão, ao invés de um oficial de carreira da Abin, como há anos defende a categoria. Por outro lado, a diretoria atribui as críticas internas a <a href="https://www.gov.br/abin/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/abin-divulga-relatorio-de-gestao-correcional-2025" target="_blank" rel="noreferrer noopener">medidas de correção e fiscalização</a> sobre as atividades do órgão, conforme apurado pela <strong>Pública</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Capa-Decisao-do-STF-sobre-a-Abin-Paralela-deixa-rastros-ate-na-bancada-evangelica.jpg" length="262303" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">259894</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Hoje, cadeias de abastecimento se tornaram armas de guerra</title>
		<link>https://apublica.org/2026/07/hoje-cadeias-de-abastecimento-se-tornaram-armas-de-guerra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Faleiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[Enquanto estreito de Ormuz afeta preço de alimentos, tarifaço de Trump mira produtores da Amazônia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Quer receber os textos desta coluna em primeira mão no seu e-mail? Assine a newsletter Ligando os pontos, enviada toda quinta-feira. Para receber as próximas edições, <a href="https://newsletter-ligando-os-pontos.gr-site.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">inscreva-se aqui</a>.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No começo deste ano, durante o encontro anual de Davos, nos Alpes Suíços, o discurso do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, teve grande repercussão. Poucas semanas depois da invasão da Venezuela pelos Estados Unidos, o liberal canadense resumiu com palavras fortes o que estava na cabeça de todos: a chamada ordem mundial estava rompida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele se referia principalmente ao fato de que Donald Trump tomara a decisão de bombardear Caracas e <a href="https://apublica.org/2026/02/como-estao-os-militares-na-venezuela-apos-o-sequestro-de-maduro/" data-type="link" data-id="https://apublica.org/2026/02/como-estao-os-militares-na-venezuela-apos-o-sequestro-de-maduro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sequestrar o presidente Nicolás Maduro</a> sem consultar o Congresso ou seus principais aliados na OTAN e na Europa. As regras de cooperação internacional estão desaparecendo, disse Carney, e “os fortes fazem o que querem, enquanto os fracos precisam aguentar o que devem.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Naquele discurso, pouca gente notou, mas me chamou a atenção sua menção sobre as vulnerabilidades econômicas das cadeias de abastecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Mais recentemente, as grandes potências passaram a utilizar a integração econômica como arma, as tarifas como meio de pressão, a infraestrutura financeira como forma de coação e as cadeias de abastecimento como pontos fracos a serem explorados”, disse. Vale ver o discurso inteiro, de 17 minutos, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=sFBkNX1-cbg">aqui.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu discurso, agora, soa profético se pensarmos no que está acontecendo no D.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fechamento de uma das principais rotas de petróleo do mundo, graças à guerra iniciada por Estados Unidos e Israel, jogou a economia global em uma turbulência inesperada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em todo lado, o preço da gasolina e do diesel segue aumentando. O combustível mais caro afeta diretamente a inflação dos alimentos – tema que já se mostra central nas eleições deste ano no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estamos falando dos impactos diretos dos conflitos armados. Mas as guerras que estamos vivendo vão muito além dos mísseis e dos drones.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As escaladas tarifárias que Trump iniciou contra a China, o Brasil e, vejam só, até mesmo contra o Canadá, que recebeu nada menos que 50% sobre suas importações nesta semana, também terão impacto sobre as pessoas e o meio ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso do Brasil, as tarifas de importação americanas para diversos produtos foram elevadas a 25%. A Confederação Nacional da Agricultura calculou que o setor agropecuário vai perder 36%, ou cerca de 4,5 bilhões de dólares, em exportações. Um dos argumentos utilizados para impor as tarifas sobre o Brasil é que as cadeias de produção daqui estão contaminadas por crimes ambientais, além dos apontamentos sobre trabalho análogo à escravidão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O documento da investigação que orientou a sobretaxa afirma que o Brasil obtém vantagens injustas ao não aplicar a lei. Na avaliação do Escritório para o Comércio dos EUA (USTR), a produção em terras invadidas e desmatadas é uma forma de competição desleal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parece um contrassenso imaginar que a sanção ao Brasil parta dos Estados Unidos, país com as maiores emissões de gases de efeito estufa em todo mundo e que se retirou do Acordo de Paris contra a emergência climática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A contradição não é simples e não deve ser atacada com argumentos nacionalistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a investigação do governo americano seja <em>basicona</em> quando aponta os problemas da produção agropecuária no Brasil (qualquer um de nós poderia fazer uma investigação dessas apenas lendo notícias locais), não é possível ignorar os problemas. Eles existem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das razões para impor tarifas há poucos dias ao Canadá, de acordo com Trump, seria a fumaça dos incêndios florestais que chegaram às principais cidades dos Estados Unidos na semana passada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é, portanto, uma loucura imaginar que a guerra comercial, ou mesmo a hostilidade dos EUA com relação ao Brasil possam ser recrudescidas com argumentos de proteção à Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E nossos produtores estão dando motivos para isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta semana, <a href="https://wwf.panda.org/wwf_news/press_releases/?16055941/ASM-science-research-paper" target="_blank" rel="noreferrer noopener">um artigo publicado na revista Science</a> mostrou que a falta de compromisso&nbsp;dos produtores brasileiros em produzir soja apenas em áreas livres de desmatamento deve causar uma destruição adicional de 1,4 milhões de hectares na Amazônia, ou um aumento de 17% na taxa de desmatamento em uma década.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A moratória da soja era considerada um exemplo exitoso de um acordo voluntário entre empresas, governos e ONGS Ambientalistas. Desde 2006, as associações de produtores de soja &#8211; especialmente a do Mato Grosso, juntamente com as maiores traders de grãos e os compradores finais (incluindo o McDonald´s!) estavam comprometidas com uma cadeia livre de desmatamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, em janeiro desse ano, questionando a validade de barreiras não comerciais, a <a href="https://www.biodieselbr.com/noticias/meioambiente/natureza/entidades-criticam-saida-da-abiove-e-empresas-da-moratoria-da-soja-030226" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove)</a>, entidade que reunia as principais tradings participantes, liderou uma debandada do pacto. Empresas como Cargill e Bunge, além da chinesa Cofco, deixaram o acordo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A soja não está entre os produtos exportados do Brasil aos Estados Unidos. Os países competem nesse mercado. Por isso mesmo, ao jogarem um pacto de desmatamento zero no lixo, os produtores brasileiros estão dando mais argumentos para as sanções americanas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seria ganância ou burrice?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na minha opinião, um pouco dos dois: com o crescente domínio da China no mercado da soja, os produtores brasileiros parecem não se preocupar que sanções socioambientais possam afetar o seu lucro. Por outro lado, esta sanha não permite enxergar que compradores chineses e os europeus já questionam a sustentabilidade da produção brasileira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As guerras, sejam as comerciais ou não, parecem cada vez mais perto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Capa_Hoje-cadeias-de-abastecimento-se-tornaram-armas-de-guerra.png" length="1281424" type="image/png" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">259661</post-id>	</item>
		<item>
		<title>As duas faces das mortes violentas no Brasil: feminicídios e ações policiais</title>
		<link>https://apublica.org/2026/07/feminicidios-e-acoes-policiais-elevam-mortes-violentas-no-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rafael Custódio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[feminicídio]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma em cada seis mortes violentas foram causadas por policiais; Nordeste concentra as 10 cidades com maiores índices]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">A letalidade policial e os feminicídios são duas pedras no caminho da redução de mortes violentas intencionais no país</span>, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, divulgado nesta quinta-feira, 23 de julho, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O documento, que consolida dados de 2025, aponta uma redução de homicídios de 8,2%, em relação a 2024, mas ressalta o crescimento dos feminicídios e alerta que o “Brasil continua sendo um país cujas polícias matam muito”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os homicídios por intervenção policial representaram 16,2% de todas as mortes violentas intencionais no ano passado, o que significa que, <span class="highlighter">uma em cada seis mortes violentas intencionais no país foram de autoria de policiais civis e militares.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">A violência policial, que resultou na maior chacina da história do país em 2025, durante a “<a href="https://apublica.org/2026/06/massacre-do-rio-era-pra-ser-o-morto-123/" data-type="link" data-id="https://apublica.org/2026/06/massacre-do-rio-era-pra-ser-o-morto-123/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Operação Contenção</a>”, no Rio de Janeiro, com mais de 120 mortes em dois dias, registrou o maior índice da série histórica. No ano passado, as mortes cometidas por policiais em serviço ou fora de serviço chegaram a 6.602 registros, um aumento de 5,4% em relação ao ano anterior.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a64508095099&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a64508095099" class="wp-block-image alignfull size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="396" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto3-Massacre-do-Rio-Era-pra-ser-o-morto-123-e1780589866829.jpg?resize=640%2C396&#038;ssl=1" alt="Operação Contenção resultou em 121 mortos e é considerada a mais letal das ações policiais da história do Rio de Janeiro" class="wp-image-252432" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto3-Massacre-do-Rio-Era-pra-ser-o-morto-123-e1780589866829.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto3-Massacre-do-Rio-Era-pra-ser-o-morto-123-e1780589866829.jpg?resize=800%2C495&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto3-Massacre-do-Rio-Era-pra-ser-o-morto-123-e1780589866829.jpg?resize=150%2C93&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto3-Massacre-do-Rio-Era-pra-ser-o-morto-123-e1780589866829.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Operação Contenção resultou em 121 mortos e é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Nordeste no topo do ranking</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Como já havia sido observado no relatório do ano anterior, todas as <span class="highlighter">10 cidades com maiores índices de mortes violentas intencionais estão localizadas na região Nordeste. A região mantém as maiores taxas desde 2020.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dos primeiros colocados, considerando o número de mortes violentas a cada 100 mil habitantes, cinco ficam na Bahia: Eunápolis (85,1), Porto Seguro (71,2), Simões Filho (68,1), Jequié (67,4) e Juazeiro (55,8). Outros três são os municípios cearenses de Maranguape (100,3), Maracanaú (80,7) e Caucaia (66,6). Cabo de Santo Agostinho (65,1), em Pernambuco, e Santa Rita (60,9), na Paraíba, também fazem parte do ranking.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas cidades com maiores índices de mortes violentas intencionais, Eunápolis, a 648 quilômetros da capital Salvador, com pouco mais de 120 mil habitantes, teve a taxa puxada pela disputa de grupos faccionais rivais e pelas mortes decorrentes de intervenções policiais. <span class="highlighter">Ao menos 35% das mortes violentas por lá ocorreram em ações de agentes de segurança pública.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">O mesmo se repete na vizinha Porto Seguro, no litoral sul baiano. A cidade, famosa por suas belas praias e paisagens naturais, que atraem milhares de turistas, registrou 71,2 mortes a cada 100 mil habitantes. Ao todo, foram 130 mortes violentas na cidade em 2025, sendo 45% delas cometidas por policiais, de acordo com o relatório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Isso mostra que as mortes violentas e intencionais na Bahia têm uma participação muito grande das mortes decorrentes de internação policial. Isso é muito sintomático, <span class="highlighter">é uma evidência muito forte de que o uso da força letal pela estrutura de segurança pública da Bahia é uma prática normalizada e aplicada em várias regiões do estado, como se fosse uma prática institucional</span>, [que] não é localizada. A gente está vendo isso acontecer em diferentes cidades da Bahia”, diz o&nbsp;coordenador do Fórum Brasileiro de Segurança, Leonardo Silva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de 28% das 82 mortes violentas em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, foram causadas por policiais, o que colaborou para a elevação da taxa de mortes violentas, que ficou em 68,1 a cada 100 mil habitantes, colocando o município de 120 mil habitantes na quinta colocação entre os mais violentos do Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Pelo segundo ano consecutivo, Maranguape</span>, cidade da Região Metropolitana de Fortaleza e com 105 mil habitantes, <span class="highlighter">apresentou o maior índice de mortes violentas do Brasil</span>, com 100,3 mortes a cada 100 mil habitantes. Na prática, isso significa um alarmante índice de <span class="highlighter">um assassinato na cidade a cada mil pessoas</span>, o que torna a rotina de violência mais próxima do dia a dia dos moradores. A taxa aumentou em 25,5% se comparada com o relatório divulgado no ano passado, com dados de 2024, quando o município liderou as mortes violentas intencionais com 79,9 mortes a cada 100 mil habitantes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Feminicídios cresceram mais na região Norte</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na contramão dos homicídios, os feminicídios apresentaram alta de 4,4% de 2024 para 2025, segundo o levantamento do Anuário, totalizando 1.571 mulheres assassinadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“[O feminicídio é] entendido como a morte de mulheres em razão da condição do sexo feminino, seja em contexto de violência doméstica e familiar, seja por menosprezo ou discriminação à condição de mulher”, destaca o Anuário.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Os estados do Norte lideram os índices de crescimento dos feminicídios no país. O Amapá teve uma alta de 347,7%, seguido por Rondônia com 66% e Tocantins, com 52,8% de aumento.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas são os estados do Sudeste que apresentam os maiores números absolutos de vítimas. São Paulo está no topo da lista, com um crescimento de 253 casos em 2024 para 270 em 2025, uma alta de 6%. Em seguida,&nbsp;Minas Gerais saiu de 169 para 177 mulheres mortas, com uma alta de 4,4%, sucedido pelo Rio de Janeiro, que diminuiu de 107 para 105 feminicídios, uma queda de 1,9%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mulheres negras são 65,1% das vítimas de feminicídios, enquanto 34% eram brancas. Mulheres indígenas e amarelas somam quase 1%. As principais vítimas tinham entre 25 e 29 anos, representando 17,2% do total das mulheres mortas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Isso sugere que o feminicídio está particularmente associado ao período do ciclo de vida em que as mulheres se encontram mais frequentemente inseridas em relações conjugais ou afetivas estáveis, convivência doméstica e processos de separação e dissolução de relacionamentos &#8211; contextos tradicionalmente associados ao risco feminicida”, pontua o relatório.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Conflitos entre facções</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a pesquisa, as mortes violentas intencionais no país também são explicadas pelos conflitos entre facções. No Nordeste, que concentra os dez municípios com maiores taxas, há “um padrão histórico de disputas por cidades cortadas por importantes rodovias, em cidades do interior, que funcionam como corredores logísticos para o escoamento interno do tráfico de drogas”. Outra questão é a disputa dos grupos criminosos pelo controle de cidades litorâneas, que também são importantes corredores do tráfico internacional, especialmente de cocaína, além do consumo interno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sete dos 10 municípios nordestinos no topo do ranking deste ano já tinham aparecido na mesma lista no relatório do ano passado, entre eles: Maranguape, Jequié, Cabo de Santo Agostinho, Juazeiro, Simões Filho, Caucaia e Maracanaú.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maranguape, no Ceará, conhecida por ser a terra natal do icônico comediante brasileiro Chico Anysio, se mantém entre as 10 cidades com maiores índices de mortes violentas desde 2023, conforme a análise da <strong>Agência Pública</strong> nos relatórios anteriores do Anuário. Segundo o relatório deste ano, os números são “fortemente influenciados por disputas faccionais pelo território”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As disputas entre as facções envolvem o Comando Vermelho, conhecido como CV, nascido no Rio de Janeiro. Outra facção que consolida o confronto pelo território na região é a cearense Guardiões do Estado, que se <a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2025/10/25/avanco-da-faccao-tcp-faz-ce-reproduzir-guerra-do-rj-contra-comando-vermelho.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">fundiu</a> ao Terceiro Comando Puro (TCP), também nascido em terras fluminenses.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a64508095601&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a64508095601" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem2_As-duas-faces-das-mortes-violentas-no-Brasil-feminicidios-e-acoes-policiais.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259841" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem2_As-duas-faces-das-mortes-violentas-no-Brasil-feminicidios-e-acoes-policiais.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem2_As-duas-faces-das-mortes-violentas-no-Brasil-feminicidios-e-acoes-policiais.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem2_As-duas-faces-das-mortes-violentas-no-Brasil-feminicidios-e-acoes-policiais.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Praça pública em Maranguape (CE), um dos municípios com maior taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes do país</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O Anuário diz que essas disputas são motivadas pela localização estratégica da cidade, que está situada entre a CE-065 e a BR-222, rodovias que interligam a capital Fortaleza com a região metropolitana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maranguape não é a única cidade da Região Metropolitana de Fortaleza no ranking. A vizinha Maracanaú, com pouco mais de 250 mil habitantes, é a terceira colocada da lista nacional de mortes violentas e a segunda do estado do Ceará, com uma média de 80,7 mortes a cada 100 mil habitantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O relatório aponta que as duas cidades possuem “uma geolocalização similar” e, além disso, Maracanaú é “mais próxima ao aeroporto internacional”, um posicionamento estratégico para rotas de tráfico. O município também é ponto de disputa entre facções criminosas nacionais, entre elas o CV e o TCP, o que eleva os seus índices de criminalidade.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Big Food: Judiciário vira arma nas mãos de empresas de ultraprocessados na América Latina</title>
		<link>https://apublica.org/2026/07/america-latina-como-as-big-food-usam-a-justica-para-evitar-limites/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Rincón]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 10:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[lobby]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?p=259811</guid>

					<description><![CDATA[Investigação mapeou 239 ações em 6 países e mostra como tribunais foram usados para atrasar regulações de saúde pública]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Uma menina de seis anos de Bogotá sofreu um colapso após uma semana de prisão de ventre crônica, em 2025. Sua avaliação nutricional revelou que a constipação havia sido causada pelo consumo diário de produtos ultraprocessados, alimentos e bebidas prontos para o consumo e que costumam conter altos níveis de açúcares, gorduras e sódio, além de baixo teor de fibras e nutrientes. A opção dela quase sempre era pelos embalados, como salgadinhos, biscoitos e lanchinhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando fizemos a análise, descobrimos que a menina praticamente não comia comida de verdade, apenas ultraprocessados, porque a mãe acreditava que essa era a forma de mantê-la feliz; ela acabou ficando viciada nesses produtos. Quase precisou ser operada, e não era uma criança obesa”, explicou o nutricionista Rubén Orjuela Agudelo, ex-diretor nacional de Nutrição do Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF).</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a645080969ae&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a645080969ae" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem1_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259821" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem1_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem1_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem1_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Normas contestadas pelas gigantes da alimentação regulariam rótulos, alertas sanitários e publicidade visando a saúde de crianças e adolescentes</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">O desafio de saúde pública diante de um cenário em que os ultraprocessados já dominam mais da metade da dieta dos consumidores contemporâneos tem relação direta com a dominância por parte das gigantes da alimentação, as chamadas Big Food.</span> Saúde pública é uma questão política, mas, em toda a América Latina, apesar de existirem inúmeras legislações para apertar o cerco da regulação quanto ao consumo e publicidade de ultraprocessados, companhias de grande porte – e poder aquisitivo maior ainda – travam uma intensa batalha no campo judicial e costumam ganhar, nem que seja tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma investigação transnacional proposta pela Lighthouse Reports e uma coalizão de parceiros — Cuestión Pública (Colômbia), Quinto Elemento Lab (México), Follow The Money (Holanda), Il Fatto Alimentare (Itália), L’Espresso (Itália), O Joio e o Trigo (Brasil), The Guardian (Reino Unido) e The Wire (Índia) — mapeou as tentativas de instrumentalização da Justiça visando impedir regulações, no especial <strong>O Povo contra as</strong> <strong>Big Food</strong>.</p>



<figure class="wp-block-image alignfull size-full"><a href="https://apublica.org/2026/07/o-povo-contra-as-big-food-como-setor-alimenticio-impediu-regulacao-de-publicidade-no-pais/"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="357" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra1_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C357&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259831" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra1_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra1_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=800%2C447&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra1_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=150%2C84&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Ao todo, 239 casos de litigância foram identificados no Brasil, na Colômbia, nos Estados Unidos, na Índia, no México e no Reino Unido entre 2010 e 2025, tendo os órgãos reguladores ou o próprio governo como alvos de contestações judiciais por parte de empresas de alimentação ou seus aliados.</span> Um terço dessas ações foram movidas por apenas nove companhias, com destaque para empresas ligadas a corporações como Coca-cola, Pepsico e Mondelez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A América Latina está na linha de frente das políticas de saúde pública nas últimas décadas, e a regulamentação dos alimentos ultraprocessados seguiu um modelo semelhante ao adotado anteriormente no controle do tabaco em países como Chile e Brasil.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a64508096e8e&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a64508096e8e" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="841" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra2_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C841&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259818" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra2_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1354&amp;ssl=1 1354w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra2_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=456%2C600&amp;ssl=1 456w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra2_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=913%2C1200&amp;ssl=1 913w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra2_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=1168%2C1536&amp;ssl=1 1168w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra2_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=150%2C197&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra2_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A América Latina tem sido uma líder mundial na adoção de algumas das primeiras políticas robustas para promover ambientes alimentares mais saudáveis, tornando-se um importante campo de testes tanto para a inovação em saúde pública quanto para a resistência da indústria. Observamos padrões semelhantes durante a implementação das leis de controle do tabaco, quando a Austrália enfrentou inúmeras ações judiciais e contestações ao introduzir embalagens padronizadas e outras medidas eficazes de controle do tabagismo&#8221;, afirmou Katherine Shats, especialista jurídica da Seção de Nutrição e Desenvolvimento Infantil da Unicef.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">A América Latina concentra 95% dos processos identificados pela reportagem como casos de alta relevância. A base regulatória vigente difere bastante entre as nações analisadas, mas entre elas há um destino comum: o recurso à litigância por parte de corporações.</span> Isso fica evidenciado nos diferentes alertas nutricionais nas embalagens dos produtos de uma mesma empresa em territórios distintos, incluindo a restrição de cores ou personagens animados, visando o público infantil, o que ainda não é proibido por lei no Brasil e na Colômbia.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;galleryId&quot;:&quot;6a64508096fb4&quot;}" data-wp-interactive="core/gallery" class="wp-block-gallery alignwide has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a645080971bc&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a645080971bc" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="361" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" data-id="259822" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem3_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C361&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259822" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem3_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem3_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=800%2C450&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem3_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=150%2C85&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a6450809745d&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a6450809745d" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="480" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" data-id="259823" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem4_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C480&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259823" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem4_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem4_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=800%2C600&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem4_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=320%2C240&amp;ssl=1 320w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem4_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=150%2C113&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button></figure>
<figcaption class="blocks-gallery-caption wp-element-caption">Fabricantes mantêm identidade na América Latina, mas se adaptam às restrições de cada país. No México, a caixa do Sucrilhos (Zucaritas) já não pode mais exibir o mascote colorido explicitamente</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">O México é o país na liderança dessas disputas judiciais, com 193 processos identificados (80% do total identificado). Enquanto isso, o Brasil se destaca por ter as disputas judiciais mais longas do gênero</span>, com uma média de oito anos e meio de espera por uma resolução pela mais alta corte do país – em um dos casos mais emblemáticos, ainda sem previsão de resolução, já são 16 anos de contestação da autoridade sanitária brasileira por conglomerados de empresas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A avalanche judicial testemunhada pelos mexicanos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O <a href="https://quintoelab.org/project/mexico-campo-batalla-alimentos-ultraprocesados-bebidas-amparos-demandas">Méx</a><a href="https://quintoelab.org/project/mexico-campo-batalla-alimentos-ultraprocesados-bebidas-amparos-demandas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">i</a><a href="https://quintoelab.org/project/mexico-campo-batalla-alimentos-ultraprocesados-bebidas-amparos-demandas">co</a> se transformou, nos últimos anos, em um dos principais laboratórios mundiais de políticas públicas voltadas ao combate de doenças associadas à alimentação e à regulação dos produtos ultraprocessados. Impostos sobre bebidas açucaradas e alimentos com alto teor calórico, restrições à publicidade dirigida ao público infantil, um sistema de rotulagem frontal de advertência — selos que alertam para o excesso de açúcar, gordura, sódio e outros aditivos —, assim como a proibição de venda nas escolas, colocaram o país como uma referência internacional na adoção de medidas regulatórias voltadas à saúde pública, experiência reproduzida também no Brasil, no Chile e em diversos outros países da América Latina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As regulamentações, no entanto, desencadearam uma enxurrada de ações judiciais. <span class="highlighter">A rotulagem frontal foi a regulamentação que mais provocou resistência da indústria. Dos 193 processos apresentados aos tribunais mexicanos nos últimos 15 anos, 80% tiveram como alvo a medida.</span> Em menor proporção, também foram movidas ações contra as restrições à publicidade dirigida a crianças e adolescentes, contra o aumento dos impostos especiais sobre bebidas açucaradas e contra a proibição da venda desses produtos nas escolas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do total de ações judiciais documentadas por esta investigação no México, 154 tiveram decisão favorável ao interesse público, duas foram decididas em favor da indústria alimentícia, três tiveram resultado pouco claro, 15 foram retiradas pelas empresas autoras e 19 continuam pendentes de julgamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo ativistas que acompanharam esses processos, a avalanche de litígios tem um duplo objetivo: retardar a implementação das leis no México e enviar um recado a outros países que possam seguir o mesmo caminho, mostrando que a adoção de regulamentações semelhantes os exporia a uma cascata de ações judiciais.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a64508097908&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a64508097908" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="480" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem5_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C480&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259824" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem5_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem5_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=800%2C600&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem5_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=320%2C240&amp;ssl=1 320w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem5_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=150%2C113&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Alertas em rótulos de alimentos também variam de país para país, incluindo alertas octogonais (México), semáforos nutricionais ou lupas (Brasil)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O coordenador jurídico da organização da sociedade civil El Poder del Consumidor, Javier Zúñiga, explica a estratégia por trás dos litígios: “Eles pegam dois ou três argumentos jurídicos e os exploram em todos os lugares. Apresentam esses argumentos aos legisladores como uma questão política, ao Poder Executivo como uma questão regulatória e, depois, aos tribunais como uma questão jurídica.” E acrescenta: “Algo que os casos contra a rotulagem confirmam é que as indústrias sabem que vão perder essas ações e, mesmo assim, decidem apresentá-las”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Entre 2011 e 2024, engarrafadoras e marcas ligadas à Coca-Cola foram as mais ativas na promoção de ações judiciais no México, concentrando pelo menos 24 dos processos apresentados contra as novas medidas de saúde pública.</span> Em seguida aparecem empresas como Pepsi, Mondelez, Ferrero e Danone, entre outras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O assessor de nutrição e atividade física da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Fabio Gomes, afirma que esse é o manual de atuação das empresas produtoras de ultraprocessados: “Elas têm recursos suficientes para fazer isso, inclusive para perder dinheiro nesses litígios. Parece fazer parte do modelo de negócios delas. Em qualquer etapa do ciclo das políticas públicas, investirão o que for necessário para manter o mercado desregulado e alinhado aos seus interesses.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os argumentos jurídicos das empresas incluíram alegações que os juízes rejeitaram por falta de fundamento. Por exemplo, a Jugos del Valle afirmou que a rotulagem representava uma interferência nas decisões das famílias. A Coca-Cola sustentou que os selos nas embalagens desestimulam o consumo sem considerar a dieta completa das pessoas. Uma engarrafadora local da Pepsi argumentou que, em determinadas áreas rurais do México, era mais seguro consumir refrigerantes do que a água disponível. Já a Yoli de Acapulco, uma fabricante de refrigerantes associada à Coca-Cola, alegou que o imposto sobre bebidas açucaradas violava o direito ao livre desenvolvimento da personalidade ao limitar a escolha dos hábitos alimentares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As empresas também afirmaram que não existe evidência suficiente sobre os danos associados aos adoçantes e aos açúcares, nem sobre o impacto da publicidade dirigida a crianças e adolescentes.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a64508097c96&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a64508097c96" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem7_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259825" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem7_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem7_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem7_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Embalagens e propagandas são alvo da maior parte dos litígios, especialmente no Máximo, que concentra a maioria dos casos</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Segundo consta nas decisões judiciais, alguns desses argumentos foram rejeitados pelos tribunais por entenderem que determinados direitos invocados pertencem às pessoas físicas, e não às pessoas jurídicas.</span> Ainda assim, os processos prolongaram por anos as disputas regulatórias e mostram como o sistema de Justiça se tornou um espaço relevante para discutir o alcance das políticas de saúde pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2019, o México ocupava a quarta posição entre 80 países em vendas varejistas per capita de produtos ultraprocessados, de acordo com a OPAS. O consumo médio anual de bebidas açucaradas chega a 166 litros de refrigerante por pessoa, mais até que os Estados Unidos, cujo consumo per capita é de 131,7 litros. Além disso, os gastos das famílias com esses produtos cresceram 29% entre 2006 e 2022, substituindo progressivamente os alimentos naturais, segundo o Banco do México.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">O impacto sobre a saúde é direto: mais de um terço das crianças em idade escolar no México vive com excesso de peso; entre os adolescentes, essa proporção chega a 41%</span>, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição de 2022. Se essa tendência não for revertida, a obesidade poderá reduzir a expectativa de vida em mais de quatro anos até 2050, a projeção mais alta entre os países da OCDE. Enquanto isso, o diabetes afeta quase um em cada cinco adultos mexicanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das tentativas de barrar essa política, nos quatro primeiros anos de vigência da rotulagem frontal nos produtos ultraprocessados, 52% das pessoas mudaram seus hábitos de compra e 30% preferiram não adquirir produtos com selos de advertência, de acordo com a mais recente Pesquisa Nacional de Saúde de 2024.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a64508097fd9&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a64508097fd9" class="wp-block-image alignfull size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="357" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/1-Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C357&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259896" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/1-Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/1-Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=800%2C447&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/1-Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=150%2C84&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>No Brasil, empresas se beneficiam de processos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Diferentemente do México, a litigância envolvendo a regulação de ultraprocessados no Brasil não envolve as empresas de modo direto. <span class="highlighter">Dos 17 processos identificados no país, 16 foram movidos por associações empresariais, algumas do ramo alimentício, outras do ramo de radiodifusão, interessada nas regras de publicidade no país.</span> O movimento de manter as marcas longe dos tribunais segue o exemplo dos Estados Unidos, em que os processos são movidos por organizações empresariais. Doze desses processos, no entanto, dizem respeito a apenas uma questão: a RDC 24.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há 16 anos, uma norma brasileira criada para exigir alertas sanitários na publicidade de alimentos ricos em açúcar, gordura e sódio está paralisada na Justiça. A resolução, aprovada em 2010 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nunca chegou a entrar em vigor. Seu percurso se tornou um exemplo duradouro de como setores empresariais podem retardar e esvaziar regulações de saúde pública antes mesmo que elas sejam julgadas de forma definitiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">A RDC 24 determinava, entre outros pontos, que anúncios de produtos com altos teores de açúcar, gordura saturada, gordura trans ou sódio trouxessem advertências sobre riscos associados ao consumo frequente.</span> A medida seguia uma lógica conhecida em outras áreas da saúde pública: garantir que a comunicação comercial viesse acompanhada de informações claras sobre potenciais danos à saúde.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a6450809830c&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a6450809830c" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="341" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem8_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C341&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259826" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem8_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem8_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=800%2C426&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem8_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=150%2C80&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">RDC 24 segue sem decisão definitiva no STF sob relatoria do ministro Cristiano Zanin</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A disputa voltou a andar no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2025, por meio de uma ação apresentada pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). A entidade questiona a constitucionalidade da RDC 24 e de outra norma da Anvisa, voltada à propaganda de medicamentos. O ponto central é saber se a agência sanitária tem competência legal para regular a publicidade de produtos que podem afetar a saúde da população ou se esse tipo de regra dependeria exclusivamente do Congresso Nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso segue sem decisão definitiva. Sob relatoria do ministro Cristiano Zanin, o STF realizou uma audiência pública em agosto de 2025 e, depois, abriu uma tentativa de conciliação entre a Abert e a União. Uma nova audiência está marcada para 17 de agosto de 2026. Enquanto isso, a RDC 24 continua sem produzir efeitos concretos, e o principal mecanismo de controle da publicidade de alimentos no Brasil permanece sendo a autorregulação exercida pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), órgão do próprio setor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira proposta da Anvisa, submetida à consulta pública em 2006, tinha como prioridade proteger crianças e adolescentes, considerados mais vulneráveis às estratégias de marketing. O texto original previa alertas sanitários, restrições a mensagens enganosas e limites à propaganda dirigida ao público infantil, incluindo restrição à publicidade televisiva entre 6h e 21h. Entidades da indústria de alimentos, bebidas, publicidade e comunicação atuaram contra a amplitude da norma e a proposta, progressivamente desidratada, só foi aprovada de modo reduzido em 2010, abandonando boa parte das restrições que previa.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a64508098616&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a64508098616" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="442" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem9_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C442&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259827" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem9_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem9_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=800%2C553&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem9_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=150%2C104&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Anvisa perdeu gerência de propaganda após ter competência questionada na Justiça em 2010 &#8211; e até hoje não ter decisão final</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Ex-dirigentes da agência afirmam que a pressão não vinha apenas da indústria de alimentos, mas também dos meios de comunicação, diretamente afetados por qualquer regra que incidisse sobre anúncios.</span> “A Anvisa tinha um passivo de multas e coisas contra a Rede Globo, contra a revista Veja, ou a Editora Abril como um todo”, lembra o ex-presidente da Anvisa Dirceu Barbano, sobre os três principais conglomerados de mídia brasileiros na década de 2000.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo dos anos, a controvérsia produziu um vácuo regulatório e sem uma definição definitiva, a RDC 24 permaneceu suspensa na prática. Para organizações de saúde e defesa do consumidor, esse resultado beneficiou o setor regulado: alimentos ultraprocessados continuaram sendo anunciados sem os alertas previstos, enquanto a própria capacidade institucional da Anvisa para atuar sobre publicidade foi enfraquecida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na audiência pública realizada pelo STF, a disputa apareceu em termos claros. Representantes da publicidade, da radiodifusão e da indústria alimentícia defenderam que a autorregulação já seria suficiente. A indústria também questionou o uso do conceito de ultraprocessados e afirmou que advertências genéricas não seriam capazes de melhorar a saúde da população.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o pesquisador e professor da Universidade de São Paulo (USP) Diogo Rosenthal Coutinho, é perceptível que boa parte dos processos movidos pela iniciativa privada são desfavoráveis a ela, bem como que a chance de uma agência pública litigar em pé de igualdade com as empresas seria menos provável, mas há ganhos indiretos envolvidos, facilmente reconhecíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">“É legítimo questionar no Judiciário tentativas regulatórias ou leis novas que surjam, mas você já embute nessa estratégia um certo tempo e, se a regulação lhe é desfavorável, é interessante que demore [no caso da indústria]. Ela sabe que vai ganhar tempo.</span> Pode ser que a litigância, para além do efeito ponta do lápis, ainda que lhe seja desfavorável, o atraso, a morosidade, pode beneficiá-la. Os ganhos são indiretos”, afirma o professor.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a64508098970&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a64508098970" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="479" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem10_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpeg?resize=640%2C479&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259828" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem10_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpeg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem10_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpeg?resize=800%2C600&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem10_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpeg?resize=320%2C240&amp;ssl=1 320w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem10_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpeg?resize=150%2C112&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Dezesseis anos depois, a RDC 24 segue sem efeito, mas sua história já produziu consequências: desmobilizou uma estrutura de fiscalização, deslocou a atuação da Anvisa para outras agendas e consolidou a judicialização como instrumento capaz de adiar decisões de saúde pública por tempo indeterminado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto a RDC 24 permanece sem ser implementada, o consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil aumentou ao longo do tempo. Segundo um levantamento nacional sobre hábitos alimentares, os brasileiros obtinham 12,6% da ingestão diária de calorias a partir de alimentos ultraprocessados em 2002. Em 2018, essa proporção havia subido para 18,4%. A tendência de crescimento parece ter continuado, mas a próxima Pesquisa Nacional de Alimentação só deve ser publicada em 2027.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto isso, a proporção de adultos com sobrepeso e obesidade no Brasil aumentou 118% entre 2006 e 2024, de acordo com o Ministério da Saúde.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Colômbia: Primeiro política e publicidade, depois proteger o povo</strong></h2>


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<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a64508098cf0&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a64508098cf0" class="alignleft size-large wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="853" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem11_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C853&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259830" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem11_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=900%2C1200&amp;ssl=1 900w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem11_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=450%2C600&amp;ssl=1 450w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem11_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=1152%2C1536&amp;ssl=1 1152w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem11_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C853&amp;ssl=1 640w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem11_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=150%2C200&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem11_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">O presidente eleito Abelardo De La Espriella comemora sua vitória ao lado da família segurando uma caixa de Zucaritas com o tigre, ícone que se tornou o principal símbolo de sua campanha</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">A indústria de alimentos ultraprocessados transformou crianças e adolescentes em seus principais consumidores na <a href="https://cuestionpublica.com/que-hay-detras-de-la-lonchera-de-tus-hijos-exceso-de-azucar-y-un-negociazo-para-los-partidos/">Colômbia</a>, desenvolvendo produtos irresistíveis e associados ao aumento de doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade. Para isso, impulsionou uma estratégia agressiva de marketing. O presidente recém-eleito, Abelardo De La Espriella, chegou a adotar o tigre dos cereais Sucrilhos, da Kellogg&#8217;s, como um dos símbolos de sua campanha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resposta, organizações da sociedade civil e alguns parlamentares apresentaram propostas para limitar o impacto da indústria na saúde pública: restringir a publicidade voltada ao público infantil, retirar esses produtos das escolas, adotar a rotulagem frontal de advertência e criar impostos sobre produtos prejudiciais à saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Embora as duas últimas medidas tenham se transformado em lei (Lei 2.120/21 e Lei 2.277/22), um arsenal de ações judiciais, lobby para sabotar projetos de lei e um robusto financiamento eleitoral colocam sua efetividade em xeque.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">A disputa contra a regulamentação não terminou quando entraram em vigor a lei da rotulagem frontal de advertência — que instituiu selos para alertar sobre produtos com alto teor de açúcares adicionados, sódio e gorduras trans — e os chamados impostos saudáveis, criados pelo artigo 54 da Reforma Tributária (Lei 2.277 de 2022).</p>



<div class="wp-block-group alignwide"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="flourish-embed flourish-cards" data-src="visualisation/29755034"><script src="https://public.flourish.studio/resources/embed.js"></script><noscript><img decoding="async" src="https://public.flourish.studio/visualisation/29755034/thumbnail" width="100%" alt="cards visualization" /></noscript></div>
</div></div>



<p class="wp-block-paragraph">A batalha migrou para os tribunais. <span class="highlighter">Entre janeiro de 2023 e agosto de 2025, foram apresentadas 17 ações de inconstitucionalidade para derrubar ou modificar essas medidas. A indústria de ultraprocessados está presente em 53% das ações.</span> O padrão foi identificado via automatização e análise, com inteligência artificial, de mais de 900 páginas de petições. A investigação mostrou que as multinacionais não apresentaram diretamente as ações para derrubar as leis que as afetavam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os processos foram movidos por advogados de escritórios que prestaram serviços para algumas dessas empresas, como o Gómez-Pinzón, responsável por estruturar a estratégia jurídica que permitiu à família Gillinski — uma das mais poderosas famílias de banqueiros da Colômbia — assumir o controle da Nutresa, líder colombiana no setor de alimentos processados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de 82% das ações de inconstitucionalidade tinham como alvo os impostos saudáveis, que o vice-presidente eleito José Manuel Restrepo, candidato na chapa do novo presidente de ultradireita, Abelardo De la Espriella, prometeu revogar.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Financiamento eleitoral: um sabor irresistível</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Em 2022, ano em que os impostos saudáveis foram debatidos e aprovados, empresas de bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados doaram 5,7 milhões de dólares aos partidos políticos. Esse valor representou 40% de todas as doações recebidas pelas legendas naquele ano.</span> Os principais financiadores foram Postobón, Gaseosas Lux (ambas pertencentes à Organização Ardila Lülle) e Bavaria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na última década, este projeto identificou 20 iniciativas legislativas destinadas a regulamentar bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados. As propostas buscavam restringir a publicidade dirigida a crianças e adolescentes, limitar a venda desses produtos nas escolas, criar tributos e tornar mais visíveis os ingredientes prejudiciais à saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessas iniciativas, apenas duas foram aprovadas, incluindo os impostos saudáveis, inseridos na Reforma Tributária. Todas as demais foram bloqueadas, de diferentes formas, pelos partidos que mais receberam doações da indústria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Um dos partidos que exerceram maior influência sobre a tramitação das propostas foi o Centro Democrático. Entre 2016 e 2018, diversos parlamentares — entre eles o então senador Álvaro Uribe — apresentaram pareceres contrários a três projetos de lei ainda na primeira etapa de tramitação.</span> Os debates tratavam da rotulagem de advertência e da criação de um imposto sobre produtos ultraprocessados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2018, quando o partido chegou à presidência com Iván Duque, a estratégia pareceu mudar. Os interesses da indústria passaram a ser incorporados diretamente aos projetos de lei ou, simplesmente, os debates deixaram de ser pautados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, surgiu um último padrão. Depois que a Reforma Tributária, com os impostos saudáveis, foi aprovada e as ações perante a Corte Constitucional fracassaram, a estratégia passou a ser apresentar novos projetos de lei para revogar os impostos ou isentar determinados produtos.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a645080991f8&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a645080991f8" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem12_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259829" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem12_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem12_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Imagem12_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Cores, desenhos e alta concentração de açúcar, sódio ou gordura formam um combo que vem sendo normalizado culturalmente na América Latina, mesmo que índice de obesidade sigam aumentando</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Desafio da saúde infantil vai além da América Latina</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Desde 2025, pela primeira vez, o número de crianças com excesso de peso e obesidade supera o número de crianças desnutridas no mundo.</span> Segundo o relatório “<a href="https://www.unicef.org/reports/feeding-profit" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Alimentando o Lucro: Como os Ambientes Alimentares estão Falhando com as Crianças</a>”, a prevalência de desnutrição na população de 5 a 19 anos caiu de 13% em 2000 para 9,2%, enquanto as taxas de obesidade no mesmo período aumentaram de 3% para 9,4% e já atinge 188 milhões de crianças e adolescentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda em 2019, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) haviam alertado para uma epidemia de obesidade na América Latina e o Caribe, onde a prevalência triplicou em quatro décadas e essa condição já atingiria quase 60% da população, atrás apenas da América do Norte.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a64508099546&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a64508099546" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="735" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra3_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=640%2C735&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259819" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra3_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1354&amp;ssl=1 1354w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra3_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=522%2C600&amp;ssl=1 522w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra3_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=1044%2C1200&amp;ssl=1 1044w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra3_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=1337%2C1536&amp;ssl=1 1337w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra3_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?resize=150%2C172&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Ilustra3_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Já o Atlas Mundial da Obesidade de 2025 aponta que 98 milhões de crianças no mundo já apresentavam doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, 47 milhões tinham triglicerídeos elevados, 34 milhões sofriam de hipertensão e 14 de hiperglicemia, uma associação clara de que a obesidade infantil é diretamente associada a riscos de condições cardiovasculares e diabetes desde os primeiros anos de vida. <span class="highlighter">A publicação ainda alerta que 120 milhões de crianças em idade escolar ainda poderão apresentar sinais precoces de doenças crônicas ligadas ao Índice de Massa Corporal (IMC) elevado.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é o desafio que une os países da América Latina, sobre o qual é necessário legislar, um lembrete de que no cenário de litigância predatória na América Latina, o “outro lado” não se restringe a governos ou órgãos regulatórios, mas também se concretiza na própria saúde da população, em especial a de crianças e adolescentes.</p>



<div class="wp-block-pb-accordion-item c-accordion__item js-accordion-item no-js" data-initially-open="false" data-click-to-close="true" data-auto-close="true" data-scroll="false" data-scroll-offset="0">

  <h2 id="at-2531141" class="c-accordion__title js-accordion-controller" role="button" style="background:#9696B3; color:#000000;">
    Para não restarem dúvidas
  </h2>

  <div id="ac-2531141" class="c-accordion__content" style="border: 2px solid #9696B3;">

    <p><b>1. Como as grandes indústrias de alimentos usam a Justiça na América Latina?</b></p>

    <p>Grandes corporações de alimentos ultraprocessados recorrem sistematicamente aos tribunais para frear leis de rotulagem, impostos e restrições de publicidade. Essas ações prolongam por anos decisões que poderiam proteger a saúde da população. A reportagem <i>O povo contra as Big Food</i> mostra como a litigância virou uma arma central da indústria na região.</p>

    <p><b>2. O que são Big Food e por que elas preocupam especialistas em saúde?</b></p>

    <p>Big Food é o conjunto das maiores empresas de ultraprocessados — refrigerantes, snacks, biscoitos e produtos prontos — que dominam grande parte da alimentação atual. Seu poder econômico se traduz em forte influência política e jurídica contra regulações de saúde. A investigação revela como esse grupo atua nos bastidores das políticas públicas.</p>

    <p><b>3. Por que a América Latina concentra a maioria dos processos das Big Food?</b></p>

    <p>Estudos recentes mostram que cerca de 95% das ações judiciais da indústria contra normas de saúde em grandes mercados mundiais se concentram na América Latina. A região combina avanço regulatório com sistemas jurídicos permeáveis à pressão empresarial. A reportagem <i>O povo contra as Big Food</i> explora esse contexto e seus efeitos para a população latino-americana.</p>

    <p><b>4. Como a indústria de ultraprocessados atrasa leis de rotulagem e publicidade?</b></p>

    <p>Quando governos tentam adotar rótulos frontais de advertência ou limitar anúncios de produtos nocivos, empresas acionam a Justiça alegando violação da liberdade econômica e de outros direitos. Mesmo quando perdem, ganham tempo, atrasando a implementação das normas. O texto mostra casos emblemáticos em que anos de litígio enfraquecem políticas de saúde.</p>

    <p><b>5. Qual é o papel das associações empresariais nos processos contra regulações?</b></p>

    <p>Em países como o Brasil, a maior parte das ações não é assinada diretamente pelas marcas, mas por associações empresariais de alimentos, bebidas e radiodifusão. Essa estratégia protege a imagem das empresas e replica modelos vistos nos Estados Unidos. A reportagem explica como essas entidades funcionam como braços jurídicos da Big Food.</p>

    <p><b>6. O que é a RDC 24 e por que ela está travada há tantos anos no Brasil?</b></p>

    <p>A RDC 24 foi criada para exigir advertências sanitárias em propagandas de produtos ricos em açúcar, gordura e sódio. Desde então, enfrenta uma ofensiva judicial que a mantém sem efeito concreto por mais de uma década e meia. A investigação usa esse caso como exemplo duradouro de como setores empresariais conseguem bloquear regulações antes do julgamento final.</p>

    <p><b>7. Qual é o papel da autorregulação da publicidade de alimentos no Brasil?</b></p>

    <p>Com a RDC 24 paralisada, o controle da publicidade de alimentos depende sobretudo da autorregulação, liderada por um conselho criado pela própria indústria. Nesse modelo, as empresas definem e fiscalizam suas próprias regras, em vez de seguir normas estatais mais rígidas. A reportagem <i>O povo contra as Big Food</i> discute como isso favorece a Big Food e fragiliza a proteção ao consumidor.</p>

    <p><b>8. Como a Big Food atua nos tribunais do México contra leis de alimentos ultraprocessados?</b></p>

    <p>O México se tornou um dos principais campos de batalha da indústria global contra rótulos frontais, impostos sobre bebidas açucaradas e restrições de marketing. Centenas de ações contestam medidas que buscam reduzir o consumo de produtos não saudáveis. A reportagem mostra que, mesmo com resistência, a regulação mexicana já mudou hábitos de compra de parte da população.</p>

    <p><b>9. Que tipo de ações ligadas a bebidas açucaradas existem hoje na Colômbia?</b></p>

    <p>Na Colômbia, empresas de bebidas e grupos ligados ao setor contestam na Justiça impostos chamados de &#8220;saudáveis&#8221;, que incidem sobre refrigerantes e outros ultraprocessados. As ações invocam argumentos como impacto no emprego e na livre iniciativa para tentar suspender ou adiar a vigência dos tributos. A investigação regional mostra que estratégias similares aparecem em outros países latino-americanos.</p>

    <p><b>10. Onde encontrar uma investigação completa sobre Big Food e Justiça na América Latina?</b></p>

    <p>Quem busca uma visão aprofundada sobre como grandes empresas de ultraprocessados usam tribunais para frear políticas de saúde encontra na Agência Pública uma série de reportagens dedicadas ao tema. O trabalho reúne dados de dezenas de processos em países como Brasil, México e Colômbia. É leitura essencial para jornalistas, pesquisadores e cidadãos preocupados com alimentação saudável.</p>

  </div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Capa_Big-Food-Judiciario-vira-arma-nas-maos-de-empresas-de-ultraprocessados-na-America-Latina.jpg" length="239521" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">259811</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Tarifaço: Como a medida de Trump divide trabalhadores e empresários do setor de calçados</title>
		<link>https://apublica.org/2026/07/tarifaco-divide-trabalhadores-e-empresarios-do-setor-de-calcados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maira Escardovelli]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 20:23:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?p=259797</guid>

					<description><![CDATA[Sindicatos contestam pessimismo de entidades patronais, mas dados mostram desafios que ultrapassam Estados Unidos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No dia seguinte ao anúncio do governo norte-americano sobre a nova <a href="https://apublica.org/2025/08/tarifaco-trump-secao-301-e-imposto-a-100-dos-eua-ha-40-anos/" data-type="link" data-id="https://apublica.org/2025/08/tarifaco-trump-secao-301-e-imposto-a-100-dos-eua-ha-40-anos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">tarifa</a> de 25% imposta a produtos brasileiros, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma nota manifestando “extrema preocupação” com a medida. Segundo a entidade, o tarifaço agrava um cenário já pressionado e “amplia a insegurança para empresas” do Brasil e dos Estados Unidos. Os cálculos são de que, após o anúncio da primeira sobretaxa em 2025, as exportações de companhias brasileiras diminuíram 13%, uma queda de 2,6 bilhões de dólares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), liderada por Paulo Skaff, lamentou a medida, sob a justificativa de que a nova tarifa impacta “significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais”. A Abicalçados, que representa a indústria calçadista, um dos setores afetados, também revisou sua projeção para o ano, calculando uma queda média de 7,1% nas exportações do produto, o dobro do previsto antes da sobretaxa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presidente da entidade, Haroldo Ferreira, esteve, inclusive, em reunião com integrantes do governo federal nesta terça-feira, 21 de julho, em Brasília, para discutir propostas para diminuir o impacto no setor calçadista, que detém cerca de 280 mil empregos no Brasil. Na mesa de negociação, a possibilidade de concessão de linhas de crédito e de menor custo para a indústria, além da ampliação do retorno da alíquota sobre produtos exportados pelo país. Além da Abicalçados, estiveram com o governo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e representantes dos setores da indústria automotiva, de plástico e eletrônica.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a6450809bfbd&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a6450809bfbd" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="480" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Capa_Tarifaco-trabalhadores-e-empresarios-discordam-sobre-tamanho-da-crise-no-setor-calcadista.jpg?resize=640%2C480&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259798" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Capa_Tarifaco-trabalhadores-e-empresarios-discordam-sobre-tamanho-da-crise-no-setor-calcadista.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Capa_Tarifaco-trabalhadores-e-empresarios-discordam-sobre-tamanho-da-crise-no-setor-calcadista.jpg?resize=800%2C600&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Capa_Tarifaco-trabalhadores-e-empresarios-discordam-sobre-tamanho-da-crise-no-setor-calcadista.jpg?resize=320%2C240&amp;ssl=1 320w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Capa_Tarifaco-trabalhadores-e-empresarios-discordam-sobre-tamanho-da-crise-no-setor-calcadista.jpg?resize=150%2C113&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Abicalçados, que reúne as indústrias do setor, aumentou a projeção de queda nas exportações em 2026 para 7,1%</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A aflição do empresariado, entretanto, não encontra eco entre os trabalhadores do chão de fábrica. Ao menos não do setor de calçados. Segundo apurou a <strong>Agência Pública</strong>, <span class="highlighter">sindicatos e associações de duas das principais regiões produtoras de sapatos para exportação do país, Rio Grande do Sul e interior paulista (representado pela cidade de Franca) avaliam que, na realidade, “não há motivo para desespero</span>”, uma vez que as empresas do segmento já encontraram, há algum tempo, outros caminhos para além da venda aos Estados Unidos. Um deles foi o acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia, que passou a valer de forma provisória em maio deste ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Desde os primeiros sinais [do tarifaço] que foi dado pelos Estados Unidos, as empresas que exportam não têm 100% de trabalho de exportação. Elas exportam só uma parte do produto”, explica João Nadir Pires, presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Calçado e do Vestuário do Estado do Rio Grande do Sul. <span class="highlighter">“Claro que faz falta, mas as empresas já estão preparadas com as suas inteligências, com seus analistas de mercado, procurando já há tempos outros caminhos”</span>, completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os mercados que aparecem como solução, de acordo com Nadir, estão a Colômbia, Peru, Equador e a própria Argentina, que, segundo dados da Abicalçados, é o segundo principal destino do calçado brasileiro. Relatório da mesma entidade mostra, inclusive, que as exportações brasileiras de calçados em 2025, 2024 e 2023 tiveram a vizinha Argentina como principal comprador em volume, com 13,7 milhões de pares e participação de 13,2% do total exportado no ano passado. A preocupação maior, segundo João, é a concorrência com a China.</p>


	<div class="py-4 px-0 px-md-4">
		<div class="bg-primary py-2 px-4">
			<h2 class="h5 m-0 fw-bold text-dark text-uppercase">Por que isso importa?</h2>
		</div>
		<div class="bg-light border p-4 border-1 border-primary">
			<ul class="m-0"><li>Além do Brasil, taxado em 25%, os EUA anunciaram tarifas extras de 50% aos produtos do Canadá</li><li>Também entraram na &#8220;punição&#8221; norte-americana países como Indonésia, México e Paquistão, mas com taxas menores, de 10%.</li></ul>		</div>
	</div>
	


<p class="wp-block-paragraph">Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Franca, Wellington Paulo de Oliveira, o tarifaço também não inicia um movimento de possíveis demissões. Segundo ele, acontece outro problema na cidade, que é o segundo maior polo calçadista do Estado de São Paulo, com 28,7% da produção: falta mão de obra especializada, que geralmente têm migrado para empregos no setor de construção civil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já na avaliação do economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul, Giovani Baggio, as demissões do setor já estão ocorrendo. Ele cita os resultados do CAGED, do governo federal, que mostram que, até o acumulado de 2026, a indústria do segmento de couro e calçados no Rio Grande do Sul perdeu 3.382 postos de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">“A gente precisa intensificar a busca de novos mercados no sentido de fazer novos acordos comerciais. O Brasil, nos últimos anos, tem conseguido isso, teve o andamento do acordo do Mercosul e da União Europeia</span>, nós temos um acordo com Singapura que está para entrar em vigor em 1.º de agosto. Nós temos um acordo com o EFTA [Associação Europeia de Livre Comércio] também, países como Noruega, Islândia, que está em vias finais de aprovação, além do início de negociações com o Japão. Mas, contando, a ficha número um seria tentar algum acordo com o governo americano”, analisa Baggio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta quarta-feira, 22 de julho, o governo federal anunciou a terceira fase do Plano Brasil Soberano, criado em 2025 para preservar empresas e empregos afetados pelas tarifas comerciais dos EUA. <span class="highlighter">Com a nova etapa, serão destinados R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento. Do total previsto para o Plano Brasil Soberano III, serão R$ 13,5 bilhões de recursos do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).</span></p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a6450809c429&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a6450809c429" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="391" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Foto1_Tarifaco-trabalhadores-e-empresarios-discordam-sobre-tamanho-da-crise-no-setor-calcadista.jpg?resize=640%2C391&#038;ssl=1" alt="Em foto, presidente Lula comenta sobre Plano Brasil Soberando para afetados pelo Tarifaço" class="wp-image-259799" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Foto1_Tarifaco-trabalhadores-e-empresarios-discordam-sobre-tamanho-da-crise-no-setor-calcadista.jpg?w=1023&amp;ssl=1 1023w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Foto1_Tarifaco-trabalhadores-e-empresarios-discordam-sobre-tamanho-da-crise-no-setor-calcadista.jpg?resize=800%2C489&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Foto1_Tarifaco-trabalhadores-e-empresarios-discordam-sobre-tamanho-da-crise-no-setor-calcadista.jpg?resize=150%2C92&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Governo federal dirigiu recursos do Plano Brasil Soberano para setores afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o governo, o financiamento poderá ser utilizado para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além de prospecção e abertura de novos mercados. A primeira etapa do Brasil Soberano disponibilizou R$ 16 bilhões em apoio. A segunda, anunciada em 2026, tem orçamento de R$ 21 bilhões e já contabiliza R$ 19,5 bilhões em pedidos protocolados.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que dizem os dados</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo relatório da Abicalçados, que cruza dados fornecidos pelo IBGE, as exportações de calçados em 2025 totalizaram o montante de 958 milhões de dólares e 103,9 milhões de pares. Em torno de 30% das vendas aos Estados Unidos, no entanto, não foram concluídas devido ao primeiro tarifaço anunciado por Donald Trump.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a6450809c74c&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a6450809c74c" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Foto2_Tarifaco-Como-a-medida-de-Trump-divide-trabalhadores-e-empresarios-do-setor-de-calcados.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-259804" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Foto2_Tarifaco-Como-a-medida-de-Trump-divide-trabalhadores-e-empresarios-do-setor-de-calcados.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Foto2_Tarifaco-Como-a-medida-de-Trump-divide-trabalhadores-e-empresarios-do-setor-de-calcados.jpg?resize=800%2C534&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Foto2_Tarifaco-Como-a-medida-de-Trump-divide-trabalhadores-e-empresarios-do-setor-de-calcados.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Política tarifária do presidente norte-americano Donald Trump impôs redução na venda de produtos, diz Abicalçados</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A projeção para 2026, segundo a entidade, é de queda. As estimativas apontam que os embarques brasileiros de sapatos possam variar entre uma diminuição de 4,1% e queda de 8,9%. O contexto para a retração, porém, não leva apenas em conta a relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Esse cenário de incerteza é influenciado por diversos fatores do contexto internacional. O conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã aumenta a imprevisibilidade em relação ao preço do petróleo, às taxas de câmbio globais e valor do frete marítimo, variáveis que afetam diretamente o comércio internacional e levam a uma desaceleração da economia mundial, com impactos sobre as exportações”, pondera a Abicalçados em relatório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator para a queda está na Argentina, “que apresenta sinais de desaceleração nas compras, ao mesmo tempo em que se observa maior competitividade de países asiáticos”. Na sequência, a entidade menciona a “incerteza quanto à política comercial e tarifária dos Estados Unidos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a organização, a diminuição das exportações no formato “private label”, que significa utilizar uma empresa fabricante terceirizada, vem ocorrendo desde 2023, sendo, portanto, anterior às sobretaxas aplicadas pelo governo norte-americano.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">“A queda registrada no principal mercado importador de calçados brasileiros esteve diretamente ligada à redução das exportações totais do Brasil entre os anos de 2023 e 2025. Isso demonstra que não foi um problema isolado, mas sim parte de um cenário mais amplo de enfraquecimento das vendas externas do setor”</span>, identifica a Abicalçados no documento. A entidade cita, em seguida, que houve quedas nas exportações também para outros sete dos principais destinos do calçado brasileiro: Argentina, Equador, França, Peru, Chile, Espanha e Uruguai.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o relatório da Abicalçados, a questão indica que a retração “afetou, de forma geral, mercados importantes e estratégicos para a indústria nacional de calçados”. Apenas duas nacionalidades registraram crescimento relevante em entre 2024 e 2025: Paraguai e Colômbia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como chegamos até aqui</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O assombro do tarifaço é um tema recorrente na diplomacia brasileira, desde que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos. <span class="highlighter">Não só o Brasil, mas diversos outros países sofreram com sobretaxas e falas frequentes de Trump, que se justifica com o argumento de que há práticas desleais de comércio por outras nações, além do déficit norte-americano.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi no dia 2 de abril de 2025, que Donald Trump impôs sua primeira tarifa global, de 10% para todos os produtos importados pelos EUA de outros países, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês). Pouco mais de três meses depois, em 9 de julho, o tarifaço foi agravado para o Brasil, com o anúncio da imposição de uma taxa de 50% sobre os produtos nacionais exportados para o governo norte-americano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa vez, a justificativa teve base política: o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Em uma carta dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump criticou o julgamento e afirmou se tratar de uma “caça às bruxas que precisa ser encerrada”. A medida foi articulada pelo filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, que se mudou para os EUA em fevereiro daquele ano, com o pretexto de defender o pai das acusações. Apesar da pressão exercida por Trump que chegou a aplicar a Lei Magnitsky contra ministros do STF, a Corte condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As tarifas de 10% foram retiradas em novembro, após o encontro na Malásia de Lula com Trump. Em seguida, houve o anúncio de que a sobretaxa de 40% também seria excluída. No ano seguinte, já em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos retirou as tarifas globais. Trump, por sua vez, retoma com uma nova sobretaxa, também de 10%, mas justificada pela seção 122 da Lei de Comércio de 1974.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em junho, o governo norte-americano finalizou a investigação da seção 301 da lei comercial, aberta contra o Brasil em julho de 2025. Apesar das tratativas diplomáticas do governo brasileiro, Trump impôs a nova sobretaxa de 25% aos produtos brasileiros, com início para esta quarta-feira, 22 de julho.</p>
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		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Foto3_Tarifaco-Como-a-medida-de-Trump-divide-trabalhadores-e-empresarios-do-setor-de-calcados-2.jpg" length="251588" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">259797</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Jornalistas e imprensa sofreram 204 ataques em 2025, aponta relatório da Abraji</title>
		<link>https://apublica.org/2026/07/jornalistas-e-imprensa-sofreram-204-ataques-em-2025-aponta-relatorio-da-abraji/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ludmila Pizarro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 17:22:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?p=259769</guid>

					<description><![CDATA[Tipo mais comum de ataques foram insultos verbais, escritos e digitais, seguidos por agressões físicas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Fazer jornalismo no Brasil continua gerando perseguição e não há uma melhoria estrutural nas condições de segurança em 2025 na comparação com um ano antes. Essa é a conclusão da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) no relatório &#8220;Ataques gerais e violência de gênero contra jornalistas no Brasil&#8221; que registrou nacionalmente 204 alertas de ataques contra jornalistas e meios de comunicação no ano passado. <span class="highlighter">Os principais alvos, 68,6% do total, foram pessoas físicas, jornalistas ou analistas.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2024, o número de ataques foi um pouco maior, 210, o que na avaliação da Abraji significa uma estabilidade após o recorde documentado em 2022, último ano do governo de <a href="https://apublica.org/tag/jair-bolsonaro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jair Bolsonaro</a> e de eleições, quando foram registradas 557 agressões. “O que a organização destaca é a persistência da violência em um patamar preocupante contra profissionais da imprensa”, aponta o levantamento, que será divulgado pela Abraji no dia 23 de julho e a&nbsp; <strong>Agência Pública</strong> adianta com exclusividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As agressões a jornalistas e órgãos de imprensa mais comuns no ano passado foram as verbais, escritas e digitais, representando 36,3% dos alertas de violações à liberdade de imprensa acompanhados pela Associação. <span class="highlighter">A violência física foi a segunda mais frequente, com 27%, seguida pelo discurso estigmatizante presente em 25% do total.</span> Outros registros incluem assédio judicial, restrições no acesso à informação, violências mediante o uso de tecnologia digital, violência sexual, detenção arbitrária e uso abusivo do poder estatal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o relatório, a esfera digital tem sido um campo de surgimento e repercussão das violências contra jornalistas, uma vez que <span class="highlighter">55,4% dos alertas tiveram origem ou repercussão no ambiente online, o que dificulta “a identificação dos agressores” e prolonga a “exposição das vítimas”.</span> A cobertura ambiental no ano passado, quando o Brasil recebeu a COP30 em Belém, também gerou uma parte dessas agressões. “Foram 12 ataques relacionados a temas ambientais e climáticos, dos quais 75% ocorreram a partir de setembro, período de maior mobilização em torno da conferência”, explica o levantamento.&nbsp;</p>


	<div class="py-4 px-0 px-md-4">
		<div class="bg-primary py-2 px-4">
			<h2 class="h5 m-0 fw-bold text-dark text-uppercase">Por que isso importa?</h2>
		</div>
		<div class="bg-light border p-4 border-1 border-primary">
			<ul class="m-0"><li>Ataques a jornalistas dificultam que a população possa acessar informações de interesse público, por exemplo, sobre decisões do governo, políticas públicas e interesses privados.</li></ul>		</div>
	</div>
	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Violência de gênero</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os alvos dos ataques que compõem o relatório de 2025 e tiveram o gênero identificado, 30,2% eram mulheres. Já a violência de gênero foi identificada em 15,2% do total de alertas. <span class="highlighter">Entre as agressões explicitamente de gênero, 77,4% eram comentários machistas, misóginos ou LGBTfóbicos</span>, enquanto 16,1% envolveram atos discriminatórios diretos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Por outro lado, os agressores que tiveram o gênero identificado, a grande maioria, 87,8%, eram homens.</span> Atores não estatais representaram, em 2025, 44,6% dos autores dos ataques seguidos de perto por agentes estatais, com 43,6%. “A proximidade entre os percentuais mostra que a violência contra jornalistas é reproduzida tanto por estruturas institucionais quanto por cidadãos comuns, grupos organizados, autoridades, figuras públicas e atores difusos”, diz a pesquisa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">São Paulo foi o estado com maior número de alertas, 39, registrados em 2025, seguido pelo Rio de Janeiro e pelo Distrito Federal, 26 e 20 casos registrados, respectivamente. O único estado brasileiro que não registrou nenhum alerta no ano passado, foi Roraima.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ferramentas de segurança e denúncia</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A Abraji no relatório aponta alguns cuidados tanto no ambiente digital como no presencial. No primeiro, são elencados pela associação:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Ativar a autenticação em dois fatores em e-mails, redes sociais e aplicativos de mensagens </li>



<li>Usar senhas fortes e gerenciadores de senhas</li>



<li>Evitar clicar em links suspeitos</li>



<li>Proteger informações pessoais e familiares</li>



<li>Restringir dados de localização</li>



<li>Separar perfis profissionais das contas pessoais </li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Em coberturas presenciais, várias orientações podem ser aplicadas em manifestações, eventos esportivos, conflitos locais, operações policiais, pautas ambientais ou outras situações de maior tensão, tanto para redações como jornalistas. Entre elas: avaliar os riscos; definir rotas de entrada e saída; estabelecer protocolos de comunicação e de tomada de decisões; sempre que possível, evitar que profissionais atuem sozinhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A associação salienta que <span class="highlighter">“redações e empresas de comunicação também têm responsabilidade direta na proteção de suas equipes. É necessário adotar protocolos de segurança e oferecer treinamento para coberturas de risco”.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Também é importante preservar evidências. Em casos de ameaças, campanhas de&nbsp;assédio, exposição de dados pessoais, mensagens ofensivas ou ataques coordenados, jornalistas devem guardar capturas de tela, links, datas, horários, perfis envolvidos e qualquer outra informação que possa auxiliar na documentação do caso”, explica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as ferramentas, as organizações Abraji, Artigo 19 e Repórteres Sem Fronteiras (RSF) disponibilizam quatro materiais com orientações e recomendações para fortalecer a segurança física, digital e jurídica de jornalistas e veículos de comunicação.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.abraji.org.br/publicacoes/guia-de-seguranca-para-comunicadores-em-coberturas-politicas-artigo-19" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Guia de segurança para comunicadores em coberturas políticas (Artigo 19)</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.abraji.org.br/publicacoes/guia-de-protecao-e-seguranca-para-comunicadores-e-defensores-de-direitos-humanos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Guia de proteção e segurança para comunicadores e defensores de direitos humanos</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.abraji.org.br/cartilha-aborda-principios-de-seguranca-para-jornalista-freelance?utm_source=facebook&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=facebook&amp;utm_term=facebook&amp;fbclid=IwAR070HpWKxYHwfQUGHX44_czHi4mhsHHmAlTaA1KSV0U4RC7pRFZzM_XLdo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cartilha aborda princípios de segurança para jornalista freelance</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.abraji.org.br/noticias/seguranca-digital-para-jornalistas-como-se-defender-de-ameacas-online" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Segurança digital para jornalistas: como se defender de ameaças online</a>&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A Abraji conta com um Programa de Proteção Legal para Jornalistas, com assistência jurídica gratuita a profissionais que sofrem constrangimentos por meio de ações judiciais ou que buscam responsabilizar civilmente seus agressores. Profissionais que se enquadram nos critérios do programa podem entrar em contato por <a href="mailto:programadeprotecao@abraji.org.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">e-mail</a>.&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Capa-Jornalistas-e-imprensa-sofreram-204-ataques-em-2025-aponta-relatorio-da-Abraji.jpg" length="395678" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">259769</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Trump sonha com “G.I. Joe” cheios de testosterona</title>
		<link>https://apublica.org/2026/07/trump-sonha-com-g-i-joe-cheios-de-testosterona/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea DiP]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[feminicídio]]></category>
		<category><![CDATA[machismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Nos EUA, militares fazem exame para medir hormônio e start-ups oferecem festas que incentivam “macheza biológica”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, assinou na última semana uma determinação bastante sintomática desses tempos, com retrogosto de projeto nazista: todos os militares na ativa e na reserva, com 30 anos ou mais, deverão passar por exames anuais de rastreio de déficit de testosterona. Se a taxa estiver baixa, poderão iniciar um protocolo de incremento do hormônio. Usando o slogan “High-T Department of War” ou Departamento de Alta Testosterona, Hegseth afirmou que o novo exame vai garantir que os “guerreiros” – não soldados, não militares; guerreiros – “tenham os níveis corretos de testosterona para operar no seu melhor nível possível”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes disso, Trump já havia ordenado o desligamento e a proibição da entrada de pessoas trans nas forças armadas, sob o argumento de que a medida garantiria a “força de combate mais letal do mundo”, buscando eliminar o que chamou de “ideologia transgênero”, no meio de uma série de decretos que retiram direitos de pessoas trans, inclusive à hormonização em casos em que o protocolo é recomendado e acompanhado por médicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <em>testosteronização</em> não parou por aí. Entre 2025 e 2026, a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) também revisou os rótulos dos medicamentos à base de testosterona para remover um aviso sobre o aumento dos riscos de ataque cardíaco ou derrame, e tomou uma série de medidas para remover restrições e facilitar o acesso ao protocolo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bem, em primeiro lugar, é preciso dizer que, após a declaração do secretário de Defesa, muitos profissionais da área médica se pronunciaram publicamente, dizendo que não há base científica para essa medida e que ela pode não apenas não surtir efeito nenhum, como o uso indiscriminado e desnecessário do hormônio pode aumentar o risco de infertilidade, fraturas ósseas e problemas no coração. Outros riscos incluem espessamento ⁠do sangue, problemas na próstata, acne, queda de cabelo, crescimento do tecido mamário, instabilidade de humor, com mais agressividade e libido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As implicações psicológicas disso então são imensuráveis, sobretudo para soldados em situação de pressão, estresse e sob essa prerrogativa de que precisam performar cada vez mais essa masculinidade extrema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas essa fixação com a maximização da performance do corpo masculino leva a um buraco muito mais fundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os Estados Unidos já dominam o uso de testosterona, em um mercado global que passou de 18 milhões de dólares anuais no final da década de 1980 para quase 2 bilhões de dólares em 2025. Em muitos casos, dizem as pesquisas, esse crescimento foi impulsionado pelo marketing direto ao consumidor, sistemas de prescrição online, comunidades de bem-estar e influenciadores digitais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Vale do Silício, isso tem levado a um <em>boom</em> de “T Parties”, festas promovidas por startups, em que homens cis se reúnem para medir seus níveis de testosterona, falar sobre contagem de esperma, começar protocolos de hormonização e de “longevidade extrema”. Chama-se isso de biohacking: uma prática de otimizar o corpo e a mente através de mudanças no estilo de vida, tecnologia e biologia, tratando o organismo como um sistema a ser melhorado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um destes entusiastas é o empresário americano Bryan Johnson, de 48 anos, que gasta milhões de dólares anuais no projeto “Blueprint”, consumindo mais de 100 pílulas diárias e passando por terapias de luz LED na pele para reverter a idade biológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Obviamente, essa obsessão cada vez maior com a macheza se encontra com o ódio às mulheres e à comunidade LBTQIA+, cada vez mais desavergonhado, violento e propagado por pessoas como Mark Zuckerberg, que, em entrevista a um podcast em 2025, lamentou o surgimento de empresas “culturalmente neutras” que se distanciaram da “energia masculina” e afirmou que é bom quando uma cultura “celebra um pouco mais a agressividade”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa linha, também entra a tendência dos “healthmaxxers” e dos “looksmaxxers”, homens que buscam a “maximização da aparência” e que promovem o que dizem ser formas de se tornar mais masculino, mais bonito, mais saudável e “ascender”, um termo usado nos fóruns incel quando um indivíduo consegue ter sucesso afetivo e sexual, ou perde a virgindade com uma mulher.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do uso indiscriminado do hormônio, esses influenciadores propõem coisas como bater nos ossos do próprio rosto e criar microfraturas para esculpir o maxilar, o uso de anfetaminas para emagrecer, dão dicas do que comer, como treinar pesado (sem qualquer embasamento profissional) e afirmam que “o único objetivo de verdade é ficar mais bonito – não importa o que seja necessário.” (lembra que eu falei de retrogosto nazista lá no começo?).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com uma pesquisa realizada pela Movember, uma entidade voltada para a saúde mental masculina, quase dois terços dos rapazes e homens entre 16 e 25 anos no Reino Unido, EUA e Austrália assistem e leem regularmente conteúdos de influenciadores de masculinidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos influenciadores redpill mais famosos é <a href="https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/mundo/influenciador-andrew-tate-e-seu-irmao-sao-presos-em-miami-1.1732264" data-type="link" data-id="https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/mundo/influenciador-andrew-tate-e-seu-irmao-sao-presos-em-miami-1.1732264" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Andrew Tate</a>, que foi preso junto ao irmão mais novo, Tristan, no sábado, 18 de julho, em Miami, a pedido do Reino Unido, para responder a acusações de estupro, tráfico de pessoas para exploração sexual e agressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) disse em 2024 que o Brasil precisa de homens “com testosterona”, citando o ex-presidente Jair Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia como exemplos a serem seguidos. “Este país não precisa de mais projetos de lei. Este país não precisa mais de emenda. Este país precisa de homens com testosterona. É isso que esse país precisa. E eu tenho certeza que é o que esses 2 homens representam”, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão é que a administração Trump <a href="https://apublica.org/2026/07/o-plano-de-donald-trump-para-interferir-nas-eleicoes-dos-eua/" data-type="link" data-id="https://apublica.org/2026/07/o-plano-de-donald-trump-para-interferir-nas-eleicoes-dos-eua/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sabe muito bem o que está fazendo</a>. Entende a linguagem da machosfera e seu apelo. Numa mensagem publicada recentemente pelo departamento de defesa norte-americano sobre as capacidades do Exército, estas foram as palavras escolhidas para acompanhar uma fotografia de um militar: “Low cortisol. Locked in. Lethalitymaxxing.” Algo como “baixo cortisol. Totalmente focado. Letalidade máxima”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa não é uma escolha aleatória de palavras, não é uma coincidência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas as ações do departamento de defesa pouco têm a ver com estratégia ou defesa. Sobretudo porque hoje as guerras não são mais combatidas na espada, os “guerreiros” não matam olhando no olho dos oponentes. Eles apertam botões, programam inteligências artificiais para escolher alvos e matam a uma distância cada vez maior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mensagem fala de um corpo, de uma imagem, de uma performance. É um projeto estético.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Walter Benjamin diagnosticou no fascismo dos anos 1930 a estetização da política. Em seu ensaio A Obra de Arte na Época de Sua Reprodutibilidade Técnica, de 1936, ele escreveu que a resposta do fascismo à entrada das massas na política foi a organização de um espetáculo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o nazismo, por exemplo, o “belo” – que aliás é um termo cada vez mais usado pela nova extrema direita – era ferramenta eugênica; o corpo ariano musculoso e a maternidade sadia funcionavam como o espelho da “pureza racial” e como justificativa estética para eliminar o “degenerado” e o “impuro”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que observamos hoje, do &#8220;High-T Department of War&#8221; às &#8220;T Parties&#8221; do Vale do Silício, é a reedição dessa filosofia, agora acelerada por algoritmos que monetizam a insegurança masculina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se produz um ideal de beleza, de corpo, de performance, que é ao mesmo tempo um critério de exclusão. Enquanto celebram o “guerreiro saudável, viril, com altos níveis de testosterona”, expulsam os corpos que não se encaixam, como os de pessoas trans que foram banidas das Forças Armadas, e rejeitam a ideia de um homem que não seja esse de masculinidade maximizada e agressiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto o Reich tinha as estátuas de corpos masculinos musculosos esculpidos por Arno Breker, nós teremos os corpos esculpidos a socos pelos influencers redpill e a fantasia de G.I. Joes, ou Comandos em Ação, aqueles bonequinhos de soldados estadunidenses musculosos criados na década de 60 – cheios de testosterona de Trump.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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