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	<title>Agência Pública</title>
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	<description>A primeira e mais premiada agência de jornalismo investigativo do Brasil.</description>
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	<title>Agência Pública</title>
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		<title>TOC, TOC, TOC! Quem está batendo é o Super El Niño, eleitores</title>
		<link>https://apublica.org/2026/08/toc-toc-toc-quem-esta-batendo-e-o-super-el-nino-eleitores/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Amaral]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
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					<description><![CDATA[Impacto do fenômeno pode mexer com o eleitorado, atingido por chuvas torrenciais, ondas de calor e seca]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
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</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Estou esperando pra ver o efeito do Super El Niño nas próximas eleições brasileiras, embora até o momento o tema “clima” não tenha tido destaque nos debates eleitorais. Quanto mais perto estivermos das urnas, maiores devem ser os impactos do fenômeno, intensificado pelas mudanças climáticas, na vida dos brasileiros, que no momento parecem mais preocupados com temas como segurança pública e economia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas como será quando as chuvas torrenciais começarem a cair no Sul do Brasil, a seca abater o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste do país, e as ondas de calor extremo e falta de água tornarem a vida ainda mais difícil nas metrópoles do Sudeste? Como estará o humor do eleitor quando o preço dos alimentos subir e a fumaça dos incêndios florestais encobrir as capitais da Amazônia?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Se em 2024, sofremos com as inundações no Rio Grande do Sul, secas e incêndios florestais de proporções inéditas na Amazônia, a previsão é que os efeitos sejam ainda maiores neste ano</strong>. De acordo com a atualização de 10 de agosto da NOAA (sigla em inglês da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), o fenômeno, que já vem sendo sentido com o aquecimento do Pacífico, que já ultrapassa 1,8 grau a temperatura média (subiu 0,6 grau em menos de um mês), tem <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/super-el-nino-chega-a-95-as-chances-de-um-evento-fortissimo-no-fim-de-ano/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">95%</a> de chance de atingir o ápice entre outubro e dezembro, superando os registros históricos dos últimos 60 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A visita desse convidado indesejável pode ter o condão de despertar a população para a importância de priorizar a emergência climática e cobrar a conta nas urnas</strong>. Segundo uma pesquisa divulgada em abril pelo Instituto Ipsos, <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/urgencia-climatica-cai-7-pontos-no-brasil-mostra-pesquisa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">70%</a> dos eleitores dizem que é preciso agir imediatamente para evitar impactos para as próximas gerações. Se isso ainda é insuficiente para pressionar os políticos, talvez a coisa mude quando os eventos extremos estiverem em curso como deve ocorrer nas próximas eleições. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto do Super El Niño pode ser mais imediato nas candidaturas dos governadores candidatos à reeleição. <strong>Somente quatro estados brasileiros &#8211; Minas Gerais, Pará, Pernambuco e Piauí contam com planos robustos de adaptação climática</strong>, segundo um <a href="https://climainfo.org.br/2026/03/19/somente-quatro-estados-brasileiros-tem-planos-de-acao-climatica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a> do Instituto Clima e Sociedade (ICS) publicado em março deste ano. Outros oito estados contam com planos, mas baseados apenas no fortalecimento da defesa civil, o que é útil, mas insuficiente, segundo os pesquisadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Seria ótimo que, além de punir quem não fez a lição de casa, os eleitores usassem o critério ambiental para escolher deputados e senadores para que o Congresso pare de destruir as leis</span>, como fez com a aprovação do pacote da Destruição (Lei Geral do Licenciamento Ambiental), agora com a constitucionalidade em julgamento no STF (sobre isso leia a <a href="https://apublica.org/2026/08/uma-lei-que-parcela-prejuizos-na-conta-de-todos-os-brasileiros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">coluna</a> de Gustavo Faleiros desta semana) assim como a lei do Marco Temporal, que <a href="https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2026/08/12/indigenas-bloqueiam-br-101-em-alagoas-em-protesto-contra-julgamento-do-marco-temporal.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">voltou</a> ao STF depois de o próprio tribunal ter se pronunciado no sentido contrário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabemos que as opções não são muitas &#8211; daí o destaque dado pela imprensa especialista no tema à candidata ao Senado, Marina Silva. <strong>Mas quem se preocupa com o clima, o ambiente e a democracia no país, tem alternativas de escolha para a Câmara Federal e Assembleias Legislativas </strong>&#8211; a começar pelas <a href="https://apublica.org/2026/06/bancada-do-cocar-indigenas-lancam-47-pre-candidaturas-em-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">candidaturas</a> indígenas já anunciadas para concorrer a cargos de deputado estadual e federal, além de outros candidatos com histórico confiável na área ambiental em partidos como Rede, PSOL, PCdoB e PT.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já em relação à presidência, as opções se afunilam. Em uma conversa social, outro dia, ouvi de uma pessoa que não quer reeleger Lula, mas se considera democrata, feminista e ambientalista, o nome de Ronaldo Caiado, que anda circulando em algumas rodas “climáticas” como confirmei com outras pessoas envolvidas com o tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma surpresa e tanto para essa jornalista com mais de 40 anos de profissão, que lembra do atual governador de Goiás como fundador da UDR &#8211; União Democrática Ruralista &#8211; em 1985, inaugurando as milícias armadas no campo na redemocratização &#8211; e também da bancada ruralista, até hoje a principal articuladora de pautas contra a fiscalização e a proteção ambiental e o respeito aos direitos indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O próprio candidato continua a ostentar orgulhosamente seu compromisso com o agronegócio, responsável pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa no país, e, para não deixar margem à dúvida, colocou o ex-comunista Aldo Rebelo, como coordenador de sua campanha</strong>. Rebelo vem se posicionando contra o ambiente desde que foi relator do Código Florestal, quando atuou para flexibilizar regras sobre o desmatamento e para anistiar criminosos ambientais, alegando que a culpa pelas infrações dos produtores rurais eram as leis excessivamente rigorosas (!). Depois passou a perseguir ONGs ambientalistas e indígenas na Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Caiado também não pode ser considerado um democrata, não apenas pela violência contra agricultores familiares sem terra e indígenas, por ele defendida já na fundação da UDR, mas também pelas atitudes tomadas como governador. Desde a violência policial, que esteve sempre acima da média nacional durante o seu mandato, até a decisão de transformar o estado em laboratório das big techs ao aprovar em 48 horas leis regulamentando temas que o Congresso Nacional ainda discute &#8211; minerais críticos, datacenters e inteligência artificial, como <a href="https://apublica.org/2026/08/candidato-a-presidencia-caiado-transformou-goias-em-laboratorio-de-leis-para-big-techs/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">revelou</a> a <strong>Agência Pública</strong> nesta semana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Isso sem falar que, assim como Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, também inimigos da proteção ambiental e adeptos ferrenhos da economia predatória como já demonstraram na prática, Caiado defende a anistia para os golpistas</strong>. O negacionismo climático, assim como o autoritarismo, o desprezo pelos direitos humanos e pelo multilateralismo &#8211; sem os quais não se constroem políticas climáticas &#8211; são característicos da extrema direita. Donald Trump e Jair Bolsonaro estão aí para nos lembrar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para quem se julga ambientalista e não quer reeleger Lula, como disse minha interlocutora, a situação não está fácil. <strong>Meu conselho é: caprichem nas escolhas para o Legislativo. </strong>Embora Lula, entusiasta do petróleo, não seja nenhuma Marina Silva, ao menos teve a coragem de colocá-la como ministra, reduzindo drasticamente o desmatamento na Amazônia e recolocando o país como liderança climática global.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vamos ver como ficará a temperatura do debate eleitoral quando o El Niño bater à porta, trazendo tempestades, seca, ondas de calor.</strong> Afinal, até agora, mesmo com bons resultados para mostrar, nem o governo colocou o clima como bandeira eleitoral. É hora de se comprometer.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&#x23f0; Lembrete: O podcast <a href="https://apublica.org/podcast/2024/08/bom-dia-fim-do-mundo/" data-type="link" data-id="https://apublica.org/podcast/2024/08/bom-dia-fim-do-mundo/">Bom Dia, Fim do Mundo</a> estará de volta na próxima quinta-feira (20) para discutir clima e eleições nesse período de extremo calor no planeta e na política. Não percam!</p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Quem está falando de política com a Gen Z? &#8211; com Lau Schultz</title>
		<link>https://apublica.org/podcast/2026/08/podcast-pauta-publica/quem-esta-falando-de-politica-com-a-gen-z-com-lau-schultz/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea DiP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[infância e juventude]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[Criadora de conteúdo, Lau Schultz, fala sobre desafios para comunicar sobre política com o eleitorado jovem brasileiro]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O Brasil tem entre 45 e 50 milhões de jovens, pessoas com idade entre 15 e 29 anos, segundo o último levantamento do <a href="https://www.ibge.gov.br/" data-type="link" data-id="https://www.ibge.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">IBGE</a>. Uma população diversa, majoritariamente preta ou parda e urbana. Mas como é a relação desses jovens brasileiros com a política? Como pensa uma geração tomada pela falta de perspectiva e que cresce em meio a múltiplas crises e incertezas sobre o futuro?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para tentar entender esses cenários e paradoxos envolvendo um afastamento e tentativas de aproximação dessa <a href="https://apublica.org/2025/05/ujl-quem-sao-e-como-pensam-os-jovens-liberais-que-querem-disputar-cargos-na-une/" data-type="link" data-id="https://apublica.org/2025/05/ujl-quem-sao-e-como-pensam-os-jovens-liberais-que-querem-disputar-cargos-na-une/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">juventude com a política</a>, o Pauta Pública recebe a Lau Schultz, criadora de conteúdo digital e especialista em Direito do Estado. Na conversa com Andrea Dip, ela fala sobre os caminhos para disputar o imaginário político, afetos e linguagem da geração Z e destaca o papel das redes sociais nessa relação.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Sob Lula, assassinatos de indígenas sobem 22% em 2025 e superam média da era Bolsonaro</title>
		<link>https://apublica.org/2026/08/sob-lula-assassinatos-de-indigenas-sobem-22-em-2025-e-superam-media-da-era-bolsonaro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rafael Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 18:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[conflitos no campo]]></category>
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					<description><![CDATA[Após queda em 2023, número de mortos volta a subir e chega a 258; Marco Temporal é parte do problema, diz Cimi]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Em 10 de março de 2025, mais de 300 lideranças indígenas dos povos Pataxó e Tupinambá estavam em Brasília (DF) para participar de uma audiência pública, agendada para o dia seguinte, na sede da Procuradoria-Geral da República. O objetivo era discutir soluções para fazer avançar a demarcação de terras no sul da Bahia, uma das regiões mais violentas do Brasil para os povos indígenas. Naquele mesmo dia, em Porto Seguro, na Terra Indígena (TI) Barra Velha do Monte Pascoal, pistoleiros deram mais uma demonstração da urgência da discussão, assassinando o Pataxó Vitor Braz, de 51 anos, em um ataque atribuído por organizações locais a fazendeiros contrários à demarcação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vitor Braz é uma das 258 pessoas indígenas assassinadas em 2025, de acordo com o relatório <a href="https://cimi.org.br/2026/08/lancamento-relatorio-violencia-2025/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Violência contra os Povos Indígenas no Brasil – 2025”</a>, lançado em 13 agosto pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), e ao qual a <strong>Agência Pública</strong> teve acesso. O número de assassinatos registrado pelo Cimi no ano passado representa um aumento de mais de 22% em relação a 2024, quando 211 indígenas foram mortos. É uma cifra maior do que as registradas ao longo do governo Bolsonaro, em que uma média de 199 indígenas foram assassinados por ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas não foi só o número de indígenas mortos que cresceu, mostra o relatório. Nas três categorias de violência sistematizadas pela organização, contra a pessoa (que incluem assassinatos), contra o patrimônio e por omissão do poder público, houve aumento em comparação com o ano passado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o Cimi, mais uma vez, a recorrência de ataques aos direitos territoriais indígenas no Congresso Federal e a falta de uma decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) quanto à lei 14.701/2023, que instituiu o Marco Temporal, foram centrais para a manutenção e o crescimento dos casos de violência contra os povos originários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tese do Marco Temporal, que considera que só devem ser demarcadas as terras em que havia ocupação por indígenas na data de promulgação da Constituição de 1988, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2023, mas virou lei em dezembro do mesmo ano, depois de o Congresso Federal derrubar vetos do presidente Lula (PT).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A novela em relação à tese, que já se arrastava há anos, ganhou um novo capítulo quando o ministro Gilmar Mendes, relator das ações que questionam a lei, resolveu manter a vigência do Marco Temporal e estabelecer uma Câmara de Conciliação, <a href="https://apublica.org/nota/movimento-indigena-se-retira-de-conciliacao-forcada-criada-por-ministro-do-stf/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">rechaçada</a> por lideranças indígenas. No final de 2025, o STF <a href="https://apublica.org/2025/12/stf-rejeita-marco-temporal-mas-direito-indigena-segue-ameacado/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">declarou novamente</a> a inconstitucionalidade da tese, mas vários pontos vistos como problemáticos pelo movimento indígena foram mantidos e seguem em discussão no Tribunal. Ao mesmo tempo, tramita no Congresso Federal uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para incorporar o Marco Temporal na Constituição, o que pode gerar mais um capítulo na interminável batalha jurídica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para fazer frente à essa realidade, os povos indígenas têm buscado ampliar sua representatividade nos espaços de poder. Em 2026, a “Bancada do Cocar” lançou 46 pré-candidaturas espalhadas pelo país, como <a href="https://apublica.org/2026/06/bancada-do-cocar-indigenas-lancam-47-pre-candidaturas-em-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mostrou</a> a <strong>Pública</strong>. Atualmente, há cinco parlamentares autodeclarados indígenas no Congresso Nacional, todos eles na Câmara dos Deputados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Procurados, a Funai e o Ministério dos Povos Indígenas afirmaram que uma das prioridades do governo federal foi a retomada, em 2023, da política de demarcação de Terras Indígenas, além de ações de proteção e combate às invasões e às atividades ilícitas nestes territórios. Leia <a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/PDF_Integra-da-resposta-da-Funai-e-do-Ministerio-dos-Povos-Indigenas.pdf" data-type="link" data-id="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/PDF_Integra-da-resposta-da-Funai-e-do-Ministerio-dos-Povos-Indigenas.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> a íntegra da resposta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mortes de crianças por doenças evitáveis sobem 18%</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como em 2024, os estados de Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37) concentram os casos de indígenas assassinados, com quase dois terços do número total. Em todos eles, o número de mortos cresceu em relação ao ano anterior. A Bahia, onde Vitor Braz foi assassinado, teve 19 mortes. A organização indigenista também registrou 18 ameaças de morte e 38 tentativas de assassinato. Ao todo, foram 474 casos de violência contra a pessoa, um aumento de cerca de 12% em comparação com 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do assassinato do indígena Pataxó da TI Barra Velha do Monte Pascoal, o relatório também destaca outros dois casos de violência contra a pessoa, em diferentes regiões do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um deles ocorreu logo nos primeiros dias de 2025, quando quatro indígenas do povo Avá-Guarani foram baleados em um ataque armado na TI Tekoha Guasu Guavirá, no oeste do Paraná – região que é presença constante no relatório do Cimi por conta da recorrência da violência contra os povos originários.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O segundo caso, em 16 de novembro, também ocorreu em área marcada por ataques contra indígenas, a TI Iguatemipegua I, em Iguatemi, no sul do Mato Grosso do Sul. Na ocasião, o Guarani Kaiowá Vicente Fernandes foi assassinado em um ataque realizado contra uma retomada. Outros quatro indígenas ficaram feridos.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Os três casos, exemplos trágicos de situações registradas ao longo de todo o ano em diversas regiões do Brasil, ocorreram em Terras Indígenas já oficialmente delimitadas pelo Estado, mas cujos processos demarcatórios se estendem há mais de uma década. Uma longa espera prolongada, em 2025, por atos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário”, aponta o relatório.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O texto acrescenta que “enquanto os povos indígenas em luta pela terra sofrem com a violência e a vulnerabilidade, em terras demarcadas as ações de invasores não cessaram, apesar de operações de desintrusão efetuadas pelo governo federal – grande parte delas por determinação judicial do Supremo Tribunal Federal (STF).”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na categoria de violência por omissão do poder público, entre desassistência geral, na área de educação, na área da saúde, disseminação de álcool e outras drogas e mortes por desassistência na saúde, o Cimi contabilizou 366 casos, um aumento de quase 18% em comparação com 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mesma categoria, a entidade registrou 215 casos de suicídio entre indígenas, mais de um terço deles (77) concentrados no Amazonas, estado que historicamente registra os maiores índices, como <a href="https://apublica.org/2015/05/sao-gabriel-e-seus-demonios/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">já mostrou</a> a <strong>Pública</strong>. Foram sete casos a mais do que em 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a violência por omissão do poder público também engloba casos de mortalidade na infância. Em 2025, segundo o relatório, 1.024 crianças indígenas entre 0 e 4 anos morreram, sendo que 586 (57% do total) foram por causas evitáveis, como gripe, pneumonia, doenças infecciosas intestinais e desnutrição. As mortes na infância aumentaram cerca de 11%, enquanto as mortes nessa faixa etária por causas evitáveis aumentaram quase 18%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados do Cimi são colhidos pelas equipes missionárias da entidade ao redor do país e junto a meios de comunicação, organizações da sociedade civil e órgãos como o Ministério Público Federal (MPF). Também são compiladas a partir de bases de dados públicas, como o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), junto a secretarias estaduais de saúde, à Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai) e por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Demarcação caminha lentamente e garimpo segue vitimando</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Mais uma vez, o avanço no processo de demarcação foi considerado insuficiente pela organização indigenista – a despeito da <a href="https://youtu.be/R4BIOgGtrcQ?si=rJJVL7rkC1ZdUxZe" target="_blank" rel="noreferrer noopener">promessa de Lula</a>, feita durante o Acampamento Terra Livre de 2023, de demarcar todas as terras até o final de seu mandato. De acordo com o relatório, 897 das 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas existentes no Brasil ainda não tiveram sua demarcação concluída; destas, 582 não tiveram nenhuma providência administrativa adotada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo do ano, sete terras indígenas foram homologadas e cinco registradas como patrimônio da União &#8211; o que representa a conclusão do processo de demarcação. Outras nove tiveram Relatórios Circunstanciados de Identificação e Delimitação (RCIDs) publicados pela presidência da Funai, dez tiveram portarias declaratórias emitidas pelo Ministério da Justiça e 16 tiveram Grupos Técnicos (GTs) criados. Além disso, dez novas reservas indígenas foram constituídas pela Funai.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os números do processo demarcatório em 2025, semelhantes ao do ano anterior, fazem com que a média de novas terras homologadas na terceira gestão de Lula seja de 7,5 ao ano, cifra inferior ao de seus dois primeiros mandatos, quando 79 TIs foram homologadas ao longo de oito anos (9,9 por ano).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de 897 casos de violência relacionados à omissão e morosidade na regularização de terras, a categoria de violências contra o patrimônio também inclui 169 a conflitos relativos a direitos territoriais e 210 relacionados a invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio indígena. Os 1.276 casos representam um aumento de 2% em comparação com 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa categoria, o Cimi destaca o caso da Terra Indígena Sararé, localizada no oeste do Mato Grosso, próxima à fronteira com a Bolívia. Demarcado desde 1985, o território habitado pelos Nambikwara vem sofrendo com mais uma onda de invasões de garimpeiros. Uma imagem da destruição do território indígena pelo garimpo é capa da edição de 2025 do relatório do Cimi, repetindo algo que já havia ocorrido em 1996.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença da mineração ilegal na TI Sararé voltou a crescer a partir de 2015, quando o território foi apontado como uma “nova Serra Pelada”, mas ainda era diminuta quando comparada com outras terras indígenas. Com ações de desintrusão em territórios marcados pelo garimpo ilegal, como as TIs Yanomami, Munduruku e Kayapó, nos primeiros anos do governo Lula, a atividade criminosa migrou e a Sararé foi um dos principais alvos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como <a href="https://apublica.org/2025/04/garimpo-ilegal-migra-na-amazonia-e-dispara-na-ti-sarare-mt-alerta-greenpeace/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mostrou</a> a <strong>Pública</strong> no ano passado, a presença garimpeira no local disparou entre 2023 e 2024, quando a área destruída dobrou, chegando a quase 1.200 hectares – o equivalente a mais de sete vezes o tamanho do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Desde então, apesar de medidas pontuais do poder público, a situação <a href="https://apublica.org/2025/12/sonhos-ouro-e-a-dura-realidade-das-mulheres-no-garimpo-ilegal-do-sarare/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">continuou piorando</a>, inclusive com a instalação de facções criminosas na região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso da Sararé, aponta o relatório, “é simbólico da incapacidade do Estado em manter os invasores fora das terras indígenas” e exemplifica uma situação recorrente, em que TIs invadidas passam por grandes operações de desintrusão, mas, assim que o poder público deixa o local, os invasores retornam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A situação da terra do povo Nambikwara sintetiza os efeitos graves e sistêmicos do garimpo, que transforma florestas e rios em desertos de lama revolvida, desestrutura comunidades, amplia a exposição a doenças e drogas e instaura a insegurança dentro dos próprios territórios”, afirma o Cimi.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<h3 class="wp-block-heading"><strong>Confira os relatórios anteriores</strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Relatório 2024: <a href="https://apublica.org/2025/07/no-primeiro-ano-sob-o-marco-temporal-211-indigenas-foram-assassinados-aponta-cimi/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">No primeiro ano sob o Marco Temporal, 211 indígenas foram assassinados, aponta Cimi</a></li>



<li>Relatório 2023: <a href="https://apublica.org/2024/07/roraima-lidera-assassinatos-de-indigenas-com-47-mortes-diz-relatorio-do-cimi/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Roraima lidera assassinatos de indígenas com 47 mortes, diz relatório do Cimi</a></li>



<li>Relatório 2022: <a href="https://apublica.org/2023/07/quase-800-indigenas-foram-assassinados-durante-governo-bolsonaro-aponta-relatorio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Quase 800 indígenas foram assassinados durante governo Bolsonaro, aponta relatório</a>&nbsp;</li>
</ul>
</blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Capa-Sob-Lula-assassinatos-de-indigenas-sobem-22-em-2025-e-superam-media-da-era-Bolsonaro.jpg" length="482165" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">262385</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Uma lei que parcela prejuízos na conta de todos os brasileiros</title>
		<link>https://apublica.org/2026/08/uma-lei-que-parcela-prejuizos-na-conta-de-todos-os-brasileiros/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Faleiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Licenciamento ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?p=262367</guid>

					<description><![CDATA[A constitucionalidade do PL da Devastação, que dilacera a avaliação de impacto ambiental, será julgada pelo STF]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Quer receber os textos desta coluna em primeira mão no seu e-mail? Assine a newsletter Ligando os pontos, enviada toda quinta-feira. Para receber as próximas edições, <a href="https://newsletter-ligando-os-pontos.gr-site.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">inscreva-se aqui</a>.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Estava marcado para ontem, dia 12 de agosto, no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento de ações diretas de inconstitucionalidade contra a Lei Geral do Licenciamento Ambiental <a href="https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-15.090-de-8-de-agosto-de-2025-647407023" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(Lei 15.090/2025)</a>, que entrou em vigor em fevereiro. A matéria está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que deve avaliar se a legislação está de acordo com o Artigo 225 da Constituição, segundo o qual cabe ao poder público e à coletividade &#8220;o dever de defender o meio ambiente e preservá-lo para as presentes e futuras gerações&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das expectativas da sociedade civil pelo julgamento, as três ações foram retiradas das pautas sem explicações e não há, por enquanto, informações de quando voltarão ao plenário do STF. O tema, entretanto, é urgente, uma vez que a legislação em vigor já está causando danos reais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto tramitava no Congresso, o texto da nova lei do licenciamento foi apelidado de “Projeto de Lei da Devastação” e ficou conhecido como “a mãe de todas as boiadas”. Isso porque seu potencial destrutivo é enorme, já que elimina várias etapas de avaliação dos impactos ambientais de grandes obras. Estamos falando de projetos de infraestrutura, como estradas e hidrelétricas, ou a instalação de empreendimentos de mineração e exploração de petróleo, que agora podem ser aprovados sem estudos e sem medidas compensatórias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O afrouxamento da lei foi negociado pelas bancadas retrógradas do Congresso sob a relatoria do ruralista Zé Vitor (PL-MG) na Câmara e apoio direto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União -AP). Este, claro, está de olho nos benefícios da exploração de petróleo na costa de seu estado, o Amapá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao sancionar a nova lei, o presidente Lula vetou vários artigos, mas eles foram derrubados pelo Congresso. Na prática, o que está valendo agora no Brasil é quase um auto-licenciamento, desprezando consulta às comunidades afetadas e a proteção de áreas protegidas ou de biomas sensíveis como a Mata Atlântica. No momento em que apresentaram a ação de inconstitucionalidade no STF, o Observatório do Clima junto ao PSOL, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e outras 11 organizações apontaram este <a href="https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/acao-pede-ao-stf-suspensao-imediata-do-novo-licenciamento-ambiental" target="_blank" rel="noreferrer noopener">como o maior retrocesso ambiental em 40 anos</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O atropelo revelou o profundo conflito que historicamente existe por trás do licenciamento ambiental no Brasil. Instituído pela Política Nacional do Meio Ambiente em 1981 <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(Lei 6938)</a>, o instrumento foi sempre demonizado por presidentes da República, parlamentares e claro, pelo setor produtivo, que o consideravam como uma barreira ao desenvolvimento e ao crescimento econômico. Tanto foi criticado que, com a atualização da lei, congressistas armaram verdadeiros golpes baixos, criando mecanismos como a Licença Ambiental Especial, que estabelece prazos irreais aos órgão reguladores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Falar ao Ibama que deve aprovar <a href="https://www.in.gov.br/web/dou/-/lei-n-15.300-de-22-de-dezembro-de-2025-677650947" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em 12 meses</a> uma estrada cortando a floresta amazônica é fácil. Mas em nenhum momento se discutiu a aprovação de orçamentos maiores para capacitar os órgãos ambientais ou contratar mais servidores. Ao longo dos últimos anos, a queda no quadro de fiscais e servidores do Ibama foi brutal. Em comparação a 2014, o <a href="https://noticias.r7.com/brasilia/numero-de-servidores-do-ibama-e-quase-30-vezes-menor-hoje-que-em-2014-30082025/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">número de funcionários é 30% menor</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nunca fui funcionário público, mas muitas vezes me peguei pensando como me sentiria se fosse um servidor do Ibama e as autoridades de ocasião resolvessem jogar no lixo os meus pareceres técnicos. Penso nisso porque essa tem sido uma prática comum, não importa a cor do governo: durante a avaliação de um projeto, os técnicos indicam vários problemas, mas esses alertas são desconsiderados e, num canetaço, um ministro, presidente ou governador decide que obra vai em frente. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Vimos, seja nos governos de Lula, Dilma, Temer ou Bolsonaro, que a política e os interesses econômicos se impõe às análises objetivas. O problema é que, ao desrespeitar o rito de avaliação dos impactos ambientais, gestam-se consequências duríssimas. São hidrelétricas que funcionam com metade da capacidade de geração de energia, povos indígenas que perdem áreas de pesca e caça e populações deslocadas por enchentes descomunais, só para mencionar alguns efeitos irremediáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A minha empatia por esses servidores do Ibama começou há vinte anos quando ocorria a grande polêmica em torno do licenciamento das hidrelétricas no rio Madeira, em Rondônia. Num parecer, os técnicos da casa apontaram que a construção de represas no maior afluente do Amazonas causaria danos às espécies de peixes migradores e afetaria diretamente a vida das pessoas vivendo às margens do rio. O presidente <a href="https://oeco.org.br/reportagens/1920-oeco_21677/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lula se revoltou com aquela avaliação</a> contrária ao empreendimento e forçou a mão. Teve dança das cadeiras no Ministério do Meio Ambiente e as licenças, ao final, foram todas concedidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Passadas duas décadas desde a polêmica, o que aconteceu? Os peixes estão <a href="https://brasil.mongabay.com/2026/04/peixes-migratorios-colapsam-e-colocam-a-amazonia-no-centro-da-crise/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">desaparecendo do rio Madeira</a> e os períodos de cheia <a href="https://www.bncamazonas.com.br/municipios/alerta-em-rondonia-rio-madeira-ja-esta-a-4-metros-da-maior-cheia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">têm batido recordes</a>, levando caos e danos econômicos às populações ribeirinhas e da capital Porto Velho. Tão grande é o problema das enchentes no rio Madeira que já se moveu uma ação judicial contra uma das empresas concessionárias por danos morais e materiais causados aos moradores afetados. O Tribunal Regional de Rondônia <a href="https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/tj-ro/1319611978" target="_blank" rel="noreferrer noopener">julgou improcedente a demanda</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, se a lei anterior – e mais rigorosa –  de licenciamento ambiental já deixou muita gente e bicho na pior, podemos esperar muito desastre pela frente com a nova legislação. Em apenas poucos meses com as novas regras, temos exemplos patentes de desrespeito, eu diria mesmo inconstitucionalidade. Por exemplo, o projeto de mineração de ouro no rio Xingu, da empresa canadense Belo Sun, <a href="https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/governo-do-para-desconsidera-impactos-e-emite-licenca-de-instalacao-de">conseguiu após an</a><a href="https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/governo-do-para-desconsidera-impactos-e-emite-licenca-de-instalacao-de" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a><a href="https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/governo-do-para-desconsidera-impactos-e-emite-licenca-de-instalacao-de">s de resistência a licença de instalação</a>. Isso apenas foi possível porque, com a nova legislação, a empresa pode prescindir do parecer da Fundação Nacional do Índio (Funai).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se uma bacia hidrográfica como a do rio Xingu, já brutalmente afetada pela construção de Belo Monte há cerca de dez anos, pode continuar recebendo empreendimentos de alto impacto sem consultar as comunidades que vivem nela, eu diria que os governos, as empresas e os investidores estão abraçando a barbárie. Antes, a discussão era como mitigar e compensar os impactos. Agora, vale tudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Provavelmente a maioria das pessoas nunca ouviu falar de Avaliação Ambiental Estratégica. Faz sentido, pois ela anda mesmo sumida dos debates públicos. Este foi um instrumento colocado sobre a mesa para melhorar o licenciamento ambiental não faz tanto tempo assim.  Lá pelos idos de 2004, 2005, no momento em o primeiro governo Lula apresentava o então desconhecido Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), alguns quadros do alto escalão do governo tentaram emplacar essa ideia básica: antes de iniciar qualquer Estudo de Impacto Ambiental de um projeto, deve haver uma avaliação integrada de toda uma bacia, território ou ecossistema. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A Avaliação Ambiental Estratégica era uma boa ideia, mas que morreu antes mesmo de se tornar realidade. Pior: agora que o Congresso aprovou mudanças radicais no Licenciamento Ambiental, a possibilidade de um olhar profundo sobre o território tornou-se ainda mais improvável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No portfólio de obras do PAC estavam grandes projetos planejados ainda nos gabinetes da ditadura militar – Belo Monte entre elas. Como sabemos, assim como ocorreu no rio Madeira, sua construção foi feita à revelia de vários alertas sobre a capacidade de geração de energia em um rio com tantas variações em sua vazão. Isso tende ainda piorar com as mudanças climáticas e eventos extremos como o Super El Niño.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para fazer jus ao nome desta newsletter, devo dizer que decisões como essa – a de construir a qualquer custo uma hidrelétrica de grande porte como Belo Monte – afeta a todos. Sem capacidade de entregar a energia prometida e impactada pelas mudanças climáticas, Belo Monte virou um prejuízo parcelado na conta de luz de todos os brasileiros. Problemas como esse estão dormentes na próxima obra aprovada sem respeitar o direito constitucional de um meio ambiente preservado, para nós e para as futuras gerações. </p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/02/Capa-Lei-de-licenciamento-ambiental-entra-em-vigor-sob-questionamentos-na-justica.jpg" length="108690" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">262367</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Corrida por Data Centers gera denúncias de violações trabalhistas em São Paulo</title>
		<link>https://apublica.org/2026/08/corrida-por-data-centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-sao-paulo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Naira Hofmeister]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>
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					<description><![CDATA[Trabalhadores relatam assédio, acidentes e adoecimento. Empresas alegam cumprir lei trabalhista e normas de segurança]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Um “inferno”. Era assim que Francisco Rodrigues, 39 anos, ouvia seus colegas se referirem ao trabalho de construção e montagem do maior campus de data center do Brasil, mantido pela empresa Scala Data Centers, em Barueri, São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eles falavam que queriam ir embora daquele inferno. Eu até consegui suportar, mas teve momentos em que pensei em desistir”, conta o ex-montador, que diz ter enfrentado jornadas de setenta horas semanais ao longo de um mês — o que ultrapassa o limite que qualquer brasileiro pode trabalhar segundo a legislação, mesmo recebendo horas extras.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Um Data Center é um edifício ou um conjunto deles ocupados por computadores que armazenam e processam informações, dados e imagens disponíveis na internet. Eles também são a casa onde as respostas de ferramentas de inteligência artificial (IA) como o ChatGPT são processadas.</span> Agora, com a demanda por IA cada vez maior, Data Centers se tornaram uma infraestrutura essencial no planeta. Isso porque um software de inteligência artificial exige muito mais poder de processamento do que uma operação simples de busca no Google ou envio de e-mail, por exemplo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O complexo da Scala em Barueri ocupa uma faixa de cerca de 600 metros às margens do Rodoanel Mario Covas. São nove edifícios, alguns com vários andares, que atendem “clientes de elite do setor” — entre eles a Amazon e a Oracle, conforme informações corporativas da empresa.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f334282a69&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f334282a69" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/1-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="‘Teve momentos em que pensei em desistir’, relata Francisco Rodrigues, que enfrentava jornadas de 70 horas semanais" class="wp-image-262339" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/1-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/1-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/1-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/1-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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<p class="wp-block-paragraph">O Brasil é o principal mercado de Data Centers da América Latina. E a expectativa do governo federal, que trabalha pela aprovação de um <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/172786" target="_blank" rel="noreferrer noopener">projeto</a> de lei que concede isenções fiscais para esses empreendimentos no país, é atrair R$ 2 trilhões em investimentos privados ao longo de dez anos, para a expansão do setor.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">A promessa de geração massiva de empregos virou um argumento poderoso para essa indústria</span>, não só no Brasil, mas em todo o planeta. Em Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul, onde a Scala pretende construir uma “cidade de IA”, a <a href="https://scaladatacenters.com/com-investimento-inicial-de-r-3-bilhoes-governo-do-rs-e-scala-data-centers-assinam-acordo-para-o-maior-projeto-de-infraestrutura-digital-do-estado/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">promessa</a> da empresa é de gerar 3 mil postos de trabalho na primeira fase da construção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas <span class="highlighter">a corrida por data centers está levando essa mão de obra ao esgotamento, segundo análise de 11 processos na Justiça do Trabalho</span>, entrevistas com trabalhadores e sindicalistas e consultas feitas ao Ministério Público do Trabalho pela <strong>Agência Pública</strong>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Procurada pela reportagem, a Scala disse, em nota, que prioriza “a segurança, a saúde e o bem-estar das pessoas em todas as suas operações” e que exige o mesmo padrão de seus fornecedores e parceiros. “A companhia adota rigorosos processos que colocam a preservação da vida e da saúde das pessoas em primeiro lugar e constituem um dos pilares fundamentais da qualidade de suas operações”. A íntegra pode ser lida no final da reportagem.&nbsp;</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f334282fc1&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f334282fc1" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/2-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Fachada do edifício da Scala Data Centers" class="wp-image-262340" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/2-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/2-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/2-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/2-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Fachada do edifício da Scala Data Centers</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Pedia a Deus pra me mandarem embora”</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">“No começo, eu levantava feliz para ir trabalhar, mas depois de um tempo, pedia para Deus para que eu não tivesse mais que ir no Data Center, que eles me mandassem embora”</span>, lembra um homem de 44 anos que trabalhou como montador nas obras da Scala em Barueri e não quer revelar seu nome por medo de retaliações. <span class="highlighter">Ele deixou o serviço depois de um ano com gastrite crônica. “Eu estava no limite, aquilo estava me fazendo muito mal”, completa, referindo-se à pressão que sofria por produtividade</span>, o que incluía estender as jornadas além do combinado e negligenciar obrigações de segurança do trabalho para entregar tarefas mais rápido, segundo relata.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Scala Data Centers é uma das líderes no mercado de Data Centers na América Latina: responde por aproximadamente um quarto da capacidade instalada no Brasil segundo seu demonstrativo financeiro (cerca de 200 MW do total de 800 MW <a href="https://www.cgi.br/media/docs/publicacoes/6/pt-br/20251209175312/psi-a17-n4-data_centers_no_brasil.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">distribuídos</a> em todos os empreendimentos do tipo instalados em território nacional) e possui unidades também no Chile, no México e na Colômbia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Seu plano de expansão inclui um estoque de terrenos de 1,2 mil hectares já adquiridos para a construção de novas unidades.</span> Apenas a unidade prevista para ser construída em Eldorado do Sul (RS), apelidada de “cidade dos data centers” ou “cidade da IA”, pode chegar à capacidade total de 4.750 MW — seis vezes mais do que todos os Data Centers instalados no Brasil até esse momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Scala tem uma estratégia corporativa para crescer com essa velocidade. Conforme a empresa explica em seus balanços, “com o intuito de atingir seu plano de expansão executando obras em menor prazo, <span class="highlighter">a companhia implementou a solução FastDeploy” — em tradução literal, “implantação rápida”. A <a href="https://scaladatacenters.com/en/scala-data-centers-launches-innovative-fastdeploy-solution-to-support-strategic-growth-of-hyperscale-customers-in-latin-american-new-markets/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">técnica</a> garante que novos Data Centers sejam feitos em um tempo 50% menor do que o habitual.</span></p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f334283542&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f334283542" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/3-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Scala Data Centers já responde por um quarto da capacidade instalada no Brasil e tem plano de expansão veloz" class="wp-image-262341" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/3-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/3-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/3-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/3-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Scala Data Centers já responde por um quarto da capacidade instalada no Brasil e tem plano de expansão veloz</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Para isso, a Scala utiliza na construção e montagem dos novos prédios empresas terceirizadas que podem ser mobilizadas e desmobilizadas conforme a sua necessidade. Os cinco trabalhadores entrevistados para esta reportagem atuavam todos nesta condição de mão de obra terceirizada. Alguns deles incluem a Scala como co-responsável pelos abusos sofridos nos processos que movem na Justiça do Trabalho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A empresa também responde a ações movidas por empregados diretos — e as queixas são semelhantes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">A reportagem analisou 11 processos, no total. Quase todos cobram horas extras trabalhadas e não pagas e adicionais por periculosidade e insalubridade no trabalho. Alguns mencionam ainda desvio de função, falta de equipamentos de proteção individual e pedem inclusive o pagamento de danos morais por assédio sofrido.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dos 11 processos, seis tiveram desfecho: um trabalhador conseguiu um acordo e cinco foram derrotados — dois deles decidiram recorrer. As demais seguem tramitando na Justiça do Trabalho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o Ministério Público do Trabalho (MPT) confirmou para a reportagem que <span class="highlighter">há três investigações abertas contra a Scala Data Centers na procuradoria de Barueri.</span> Os procedimentos estão em fase de colheita de provas e aguardando laudo da fiscalização. <span class="highlighter">As denúncias envolvem jornadas extenuantes de trabalho, com horas além do permitido e sem intervalos de descanso obrigatório; locais de trabalho insalubres; negligência no uso de equipamentos de proteção individual e inclusive um acidente de trabalho que terminou com um colaborador queimado</span> — que ainda é alvo de esclarecimentos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suas demonstrações financeiras mais <a href="https://estadaori.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/04/scala-data-centers-sa-balanco-2026-04-09_00-16-06.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">recentes</a>, a Scala informa que os processos trabalhistas contra a empresa somam R$ 1,6 milhão em demandas. “Consistem, principalmente, em reclamações de empregados vinculadas a disputas sobre o montante de compensação pago nas demissões”, diz o documento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resposta à <strong>Pública</strong>, a Scala diz que a existência de demandas trabalhistas “por si só, não constitui conclusão quanto a irregularidades ou ao descumprimento da legislação” e que trata individualmente cada reclamação no âmbito do poder judiciário. Além disso, ressalta que “prestará todos os esclarecimentos que venham a ser solicitados pelas autoridades competentes”, como o Ministério Público do Trabalho.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Laços internacionais</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A Scala registra em suas informações corporativas a existência de contratos com Big Techs como a Oracle e a Amazon — esta última é ré em um dos processos trabalhistas consultados pela <strong>Pública</strong> para esta reportagem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso judicial, o trabalhador reclama horas extras trabalhadas e não pagas na montagem do Data Center, acúmulo de funções e adicionais de periculosidade e insalubridade pelo trabalho em altura e com uso de equipamentos cortantes. Ele foi formalmente contratado por duas terceirizadas, mas, “durante toda a contratualidade, sempre laborou desempenhando atividades essenciais ao desenvolvimento econômico da terceira e quarta reclamadas” — no caso, a Scala e a Amazon.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, “na qualidade de tomadoras dos serviços, [as empresas] respondem subsidiariamente pelos créditos trabalhistas devidos à parte autora”, anotam os advogados. Uma primeira audiência, em maio, na qual compareceram os advogados de todas as empresas processadas e o trabalhador, terminou sem acordo. Mas a juíza determinou a realização de uma segunda audiência em setembro. A Amazon foi procurada pela reportagem, mas preferiu não comentar. A Oracle não respondeu nossas tentativas de contato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo já tendo entre seus clientes grandes empresas de tecnologia, a Scala está buscando ampliar seu portfólio de clientes. Em abril, anunciou que estava <a href="https://finance.yahoo.com/sectors/technology/articles/scala-data-centers-taps-us-122139720.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">prospectando</a> novos contratos tanto nos EUA quanto na China.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f334283c2a&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f334283c2a" class="wp-block-image alignfull size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="424" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/5-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo.jpg?resize=640%2C424&#038;ssl=1" alt="Trabalhador entrevistado relata violações trabalhistas" class="wp-image-262342" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/5-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/5-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo.jpg?resize=800%2C530&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/5-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo.jpg?resize=150%2C99&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/5-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Trabalhador entrevistado relata violações trabalhistas</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A empresa tem sede no Brasil, mas avança graças ao capital internacional. Foi fundada em 2020 pela DigitalBridge, uma gestora de fundos norte-americana criada por um amigo do presidente Donald Trump e recentemente adquirida por capital japonês do <a href="https://www.estadao.com.br/einvestidor/cenarios-e-mercado/softbank-digitalbridge-compra-us4-bi-data-centers-telecom" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SoftBank</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros <a href="https://scaladatacenters.com/sustentabilidade/governanca-corporativa/investidores/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">financiadores da empresa</a> são a International Finance Corporation (IFC), um braço do Banco Mundial, o fundo de investimentos Coatue — que tem sedes nos Estados Unidos, Hong Kong e Londres — e o fundo de pensões canadense IMCO, além do Olayan Group, empresa multinacional “com uma carteira multibilionária e global de investimentos”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, o BNDES já emprestou R$ 300 milhões diretamente para a empresa, enquanto o Banco do Brasil aprovou um financiamento de 21,6 milhões de dólares para impulsionar a fabricação de módulos pré-fabricados de Data Centers. Já os bancos Bradesco, Itaú, Santander e UBS participaram dos lançamentos e títulos de dívida da empresa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Solicitamos comentários a todas as empresas financiadoras, mas apenas IFC, BNDES, UBS e Santander retornaram, salientando suas políticas de cuidado com a saúde e segurança dos trabalhadores. As manifestações podem ser lidas ao final deste texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Graças aos laços com Big Techs e o setor de tecnologia, Data Centers são celebrados como empreendimentos inovadores. “É a oportunidade de transformar o Rio Grande do Sul no novo Vale do Silício no Brasil”, <a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/04/cidade-data-centers-rs-energia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">comemorou</a> o então secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Ernani Polo (PP), em outubro de 2024</span>, quando foi assinado o protocolo de intenções entre o Estado do Rio Grande do Sul e a Scala S/A em que são prometidos 3 mil empregos. O governo, por sua vez, promete isenção de impostos e a simplificação do licenciamento ambiental, para acelerar a implantação do campus de data centers.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o resultado final pode frustrar expectativas. Em suas demonstrações contábeis, a Scala informa que seus projetos envolveram “<a href="https://estadaori.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/04/scala-data-centers-sa-balanco-2026-04-09_00-16-06.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mais de 20 mil trabalhadores</a>”, que priorizam fornecedores e mão de obra locais e promovem a capacitação das comunidades do entorno dos empreendimentos. Mas em seu perfil verificado no Linkedin, a empresa diz que tem um “altamente qualificado time de mais de mil profissionais”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um relatório da subcomissão dos data centers da Assembleia Legislativa do RS estima em cerca de 100 postos de trabalho em uma unidade de 20 MW. “Ou seja, <span class="highlighter">a implantação [do Data Center] pode gerar volume, mas tende a ser temporária e sensível ao ciclo de obras; por isso, não deve ser entendida como componente de uma política de emprego”</span>, diz o <a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/SubData-_-Relatorio-Final-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">relatório</a>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os Data Centers dizem que trazem muita vaga de emprego, mas é até terminar a construção. Depois que terminar a construção, acredito que fecha 90% das vagas”, calcula Francisco.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Choque em serviço sem autorização</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Como abrigam dados sensíveis, Data Centers são ambientes ultrasseguros em que é muito difícil entrar. Depois que são “comissionados”, ou seja, estão em uso, há um protocolo de segurança rigoroso que inclui treinamento para abrir e fechar portas em poucos segundos e uma máquina para triturar celulares caso alguém burle os sistemas de segurança e entre com um deles nas salas que abrigam os servidores.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f334284284&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f334284284" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="417" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/6-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=640%2C417&#038;ssl=1" alt="Trabalhadores terceirizados recebem orientações de que celulares são proibidos no ambiente dos data centers" class="wp-image-262343" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/6-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/6-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=800%2C522&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/6-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=150%2C98&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/6-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Trabalhadores terceirizados recebem orientações de que celulares são proibidos no ambiente dos data centers</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O relato é de trabalhadores entrevistados pela <strong>Pública</strong> que atuaram em reparos nesta etapa dos data centers da Scala, em Barueri. Eles eram funcionários terceirizados de uma empresa chamada Multiway, cuja página web <a href="https://multiwayinfra.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">propagandeia</a>: “pensou Data Center, pensou Multiway”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um deles é <span class="highlighter">Anderson Soares, 27 anos, que levou um choque elétrico que o deixou desnorteado ao fazer uma manutenção no forro de um dos data centers da Scala em Barueri. Na ocasião, Anderson e seus colegas alegam que ele não tinha assinado formalmente a permissão de trabalho, que, entre outras coisas, avalia a segurança da operação.</span></p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f334284745&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f334284745" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/7-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Anderson Rodrigues mostra foto do ambiente de trabalho; ele levou um choque elétrico ao subir no forro" class="wp-image-262344" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/7-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/7-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/7-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/7-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Anderson Rodrigues mostra foto do ambiente de trabalho; ele levou um choque elétrico ao subir no forro</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">“A gente estava no prédio 10 e fomos levados para o 8 para fazer esse serviço. Aí não deu tempo de assinar a permissão. O certo era ter assinado, mas para não atrasar o serviço deles, os encarregados mandaram a gente antes”</span>, relata Francisco Rodrigues, que testemunhou o acidente do colega e o socorreu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A gente deveria esperar o técnico de segurança liberar para subir, mas nesse dia, o encarregado falou para o Anderson: ‘Vai lá, é rapidinho e você resolve’”, corrobora o ex-montador que pediu anonimato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Multiway, empresa responsável pelo serviço, diz que suas “obras contam com acompanhamento de profissionais de Segurança do Trabalho e as atividades são precedidas das avaliações de risco pertinentes”. “A Multiway não orienta seus colaboradores a iniciar atividades em desacordo com os procedimentos de segurança aplicáveis”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A empresa observa ainda que a etapa da montagem dos data centers que executa é anterior à energização, e que, por isso, “a descrição apresentada não corresponde ao escopo normal das atividades executadas pela Multiway”. A íntegra pode ser lida <a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Outros-lados-Agencia-Publica-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o relato dos trabalhadores, o Data Center já estava quase em operação, havia guardas nas portas de acesso às salas, mas as placas do forro térmico se movimentavam indevidamente com a pressão dos fluxos de ar quente e frio que regulam internamente a temperatura dessas imensas estruturas tecnológicas — um problema que os montadores atribuem ao modo “a jato” de construção adotado pela Scala. Segundo eles, muitas vezes a técnica projetada não funcionava conforme a expectativa e era preciso refazer o trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No dia do acidente, Anderson e sua equipe foram levados às pressas para o Data Center prestes a ser entregue para refazer o serviço de fixação das placas. “Já tínhamos terminado várias salas e na última foi onde aconteceu”, recorda o trabalhador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Nessa sala, a gente tinha que engatinhar sobre o forro, não dava para ficar em pé. Fui me mexer e encostei [na máquina], aí eu só senti a eletricidade puxando meu braço”, complementa, recordando o formigamento no corpo e as “estrelinhas” em sua visão após o choque.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Não houve registro de CAT — comunicação de acidente de trabalho —, uma notificação compulsória que as empresas devem fazer ao Ministério do Trabalho. “Ele desistiu de registrar por medo de ser mandado embora”, relata Francisco, informação confirmada por Anderson. Os trabalhadores dizem também que foram coagidos a assinar a permissão de trabalho com data retroativa ao dia do acidente, forjando o registro obrigatório.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre a CAT, a Multiway observa que o registro pode ser feito pelo próprio trabalhador acidentado, seus dependentes, entidade sindical competente, médico que o assistiu ou autoridade pública. E que “possui procedimento para comunicação dos acidentes de trabalho de que tenha conhecimento e que se enquadrem nas hipóteses legais”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Risco à vida sem compensação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quase todos os 11 processos judiciais consultados pela <strong>Pública</strong> demandam das empresas envolvidas na construção de Data Centers o pagamento de adicionais de periculosidade. Segundo a lei, o adicional de periculosidade é devido a todos os trabalhadores expostos a instalações ou equipamentos elétricos capazes de oferecer risco, ainda que eles não sejam eletricistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">“Quantas vezes a gente voltou para cima do forro do Data Center para consertar alguma coisa já com as máquinas ligadas, com eletricidade correndo?”, recorda Anderson.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Trabalhadores que andaram nestas estruturas energizadas relatam sentir os pés tremendo ao pisar sobre os cabos, tamanha a potência elétrica do local.</span> “Tinha áreas onde eram 380 volts, 480 volts ou até mais”, exemplifica Francisco. “Para entregar o serviço, a gente se arriscava muito”, conclui.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma norma do Ministério do Trabalho estabelece que tensões superiores a 50 volts já representam risco significativo ao trabalhador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a Scala não pagou adicional de periculosidade sequer para uma pessoa contratada diretamente pela empresa como encarregada de instalações elétricas em sua unidade em São João de Meriti, no Rio de Janeiro. <span class="highlighter">Após um laudo pericial da Justiça concluir que o trabalhador estava exposto a “agentes perigosos tanto de natureza elétrica quanto inflamável” e que “os EPIs (equipamentos de proteção individual) não possuem capacidade de eliminar totalmente o risco”, a Scala fechou um acordo com o trabalhador para pagar uma indenização de R$ 120 mil em março deste ano.</span></p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f334284ed4&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f334284ed4" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="408" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/8-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.png?resize=640%2C408&#038;ssl=1" alt="Trecho do laudo que constatou periculosidade na Unidade de São João do Meriti (RJ)" class="wp-image-262345" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/8-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.png?w=1538&amp;ssl=1 1538w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/8-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.png?resize=800%2C510&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/8-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.png?resize=1536%2C979&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/8-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.png?resize=150%2C96&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/8-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.png?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Trecho do laudo que constatou periculosidade na Unidade de São João do Meriti (RJ)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Entre os terceirizados, vários relatam ausência ou uso parcial de equipamentos de proteção, ou EPIs. Dizem ainda que os treinamentos devidos não eram realizados de maneira rigorosa.</span> “Eu cortava ferro a seis metros de altura, em espaço confinado, com a máquina no meio das pernas. Mas só tinha luva e óculos para proteger”, relata Rafael Suriano, 34 anos, ex-montador terceirizado nos Data Centers da Scala em Barueri.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo alegam seus advogados em um processo em que foi derrotado na Justiça do Trabalho, além de atuar em altura, “muitas vezes em estruturas elevadas e instáveis, sem qualquer capacitação prévia exigida pelas normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho”, ele não recebeu EPIs nem “treinamentos ou medidas que garantissem a segurança física e psicológica do trabalhador nas referidas atividades”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">“Tal conduta o expôs à situação de grave risco à sua integridade física e à sua vida, gerando-lhe constantes episódios de angústia, medo e sofrimento psicológico.</span> Tais sentimentos foram agravados pelo descaso da empresa frente às reiteradas reclamações do Reclamante sobre a ausência de segurança e de treinamento adequado”, argumentaram.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f3342853c3&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f3342853c3" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/9-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Rafael Suriano alega que não recebia EPIs adequados para o trabalho, mas sua demanda foi rejeitada pela Justiça" class="wp-image-262346" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/9-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/9-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/9-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/9-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Rafael Suriano alega que não recebia EPIs adequados para o trabalho, mas sua demanda foi rejeitada pela Justiça</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Alguns entrevistados chamaram a atenção para o improviso com que a linha de vida era instalada dentro da obra do Data Center.</span> Linha de vida é um equipamento de proteção imprescindível para trabalhos em altura: um sistema de cabos que ancora o trabalhador a um ponto firme, impedindo-o de se chocar contra o solo em caso de queda.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Esse equipamento precisa estar preso a um ponto estável e capaz de suportar o peso de uma queda — mas, segundo os relatos ouvidos pela <strong>Pública</strong>, em alguns casos, as linhas de vida eram presas em máquinas que elevavam os trabalhadores até o teto, ou na própria estrutura do forro que estavam construindo.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Essa estrutura não é para segurar nenhum tipo de peso. Mas a gente adaptava, colocava a linha de vida nela. Em um acidente, você corria o risco de [a estrutura] soltar e você cair”, observa Francisco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É, o que eu sei, quando você trabalha em altura, tem que ter uma linha de vida. Não tinha linha de vida. A gente prendia o cinto na plataforma elevatória, mas essa máquina não pode passar em áreas inclinadas porque tomba. Se isso acontecesse, e ela virasse, não tinha onde a gente se segurar”, complementa o montador que não quer ser identificado. Ele lembra de um episódio em que três colegas estavam sobre uma plataforma e ela bateu em outra máquina, balançando muito. “Pela graça de Deus não chegou a virar, porque se vira, tinha matado os três meninos, entendeu?”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">“Eles não queriam instalar [a linha de vida corretamente], não queriam gastar tempo com isso. E acabava que a gente se arriscava muito”, conclui Francisco.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Multiway diz que “não orienta ou autoriza a execução de atividades sem os equipamentos de proteção exigidos para os riscos identificados”. E complementa: “para trabalhos em altura, são observados os requisitos pertinentes da NR-35, incluindo capacitação, análise de risco, sistemas de proteção contra quedas e condições de ancoragem”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Provas questionadas&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Nos processos judiciais consultados pela reportagem, as empresas contestam as afirmações dos trabalhadores</span>, alegando que distribuíam os EPIs corretamente e ofereciam os treinamentos devidos. Em cinco casos a Justiça acolheu os argumentos das contratantes. Em dois, os trabalhadores recorreram e o processo segue em andamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A Multiway mantém registros dos treinamentos realizados e das qualificações necessárias às atividades desempenhadas”, diz a empresa terceirizada, em nota enviada à reportagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Mas os trabalhadores ouvidos pela reportagem são unânimes em dizer que as provas apresentadas pelas contratantes na Justiça não correspondem ao que efetivamente ocorria no ambiente de trabalho.</span> “Tudo o que eles falam é mentira, é ao contrário do que dizem”, assevera um dos trabalhadores. <span class="highlighter">“Você entra lá, eles te dão um papel para você assinar dizendo que fez curso, mas não teve curso. Eles fazem integração dizendo que não pode isso, não pode aquilo, mas na hora do trabalho, nada disso acontece.</span> É só peão louco, peão se machucando”, completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em alguns casos, <span class="highlighter">eles dizem que os cursos aconteceram, mas apenas depois que os trabalhadores já estavam desempenhando as atividades abordadas nos treinamentos — ou seja, uma parte do trabalho foi feita antes de eles serem capacitados para essa finalidade.</span> Em outros casos, eles reclamam que não havia aula prática, apenas uma “palestra on-line” — insuficiente para incorporar as orientações na rotina de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eu passei um bom tempo sem o treinamento da NR-12, que você faz para poder usar máquinas rotativas, como o martelete ou a lixadeira, que é uma das ferramentas mais perigosas, usada para cortar ferro. Depois de um tempo eles deram, mas eu usei as ferramentas por um tempo sem ter a permissão”, explica Francisco. O trabalhador observa que depois que fez a capacitação, se deu conta dos erros que cometia, como cortar o material de trabalho puxando o disco em direção ao seu peito, e não o contrário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Você não pode puxar o disco pro seu lado, porque se quebrar ou se você perder o controle, ele vem pra cima de você. Eu não tinha essa ideia antes do treinamento”, admite.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Foi quando estava operando o martelete para instalar o forro de um Data Center que Renato Gonçalves, 37 anos, diz ter ficado parcialmente surdo.</span> “Na hora, eu só ouvi um barulho muito forte, um estrondo mesmo”, relata o trabalhador, que não estava usando corretamente os EPIs no momento do acidente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele havia sido contratado pela Multiway poucos meses antes para atuar nas obras da Scala em Barueri e diz que seu treinamento de segurança não incluiu nenhuma hora de prática. Poucos meses depois do início de seu contrato, ele foi levado para trabalhar durante 15 dias na construção do data center da Equinix no Rio de Janeiro. Foi nessa unidade que ele sofreu o acidente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Segundo seus advogados, a empresa que o contratou “não emitiu CAT, nem ofereceu suporte”, e, após apresentação de atestados médicos, o demitiu</span>, “fato que configura dispensa discriminatória por motivo de doença ocupacional”. O processo foi remetido a uma vara judicial diferente e não foi possível consultar sua tramitação. A surdez, segundo o trabalhador, é parcial e reversível, e ele está na fila do SUS para fazer uma cirurgia de correção. “Também estou juntando dinheiro para ver se consigo fazer no particular”, acrescenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Multiway diz que “realiza capacitações relacionadas à utilização segura de máquinas e equipamentos, inclusive nos termos da NR-12 quando aplicável, além dos treinamentos e orientações previstos pelas demais normas de Segurança e Saúde do Trabalho pertinentes à atividade”. Quanto à alegação específica de perda auditiva alegada pelo trabalhador entrevistado, “a empresa não considera adequado confirmar uma relação causal apenas a partir de uma declaração unilateral, sem a correspondente avaliação técnica”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Equinix, por sua vez, diz que exige “contratualmente de seus parceiros e fornecedores o cumprimento rigoroso das normas” de segurança no trabalho, o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e a realização de treinamentos de segurança adequados. “A companhia fiscaliza continuamente a conformidade dessas diretrizes em suas instalações”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A íntegra das respostas pode ser lida <a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Outros-lados-Agencia-Publica-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Ponto britânico”</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os trabalhadores também afirmam que o sistema de ponto era mal feito e não registrava realmente o número de horas trabalhadas. “A gente não batia ponto, era tudo no ‘fio do bigode’, como a gente diz. Tudo no WhatsApp. E teve muitas horas extras que eles não pagaram”, reclama <span class="highlighter">Anderson, que chegou a fazer jornadas que começavam às 7h da manhã e só terminavam às 4h da manhã do dia seguinte. Ele também alega que não gozava o descanso mínimo obrigatório entre um dia e outro de trabalho.</span> “Teve vezes que saí de lá às 2 horas da manhã e estava de volta às 9 horas para começar o turno seguinte”, assegura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Multiway diz que “mantém software contratado de primeira linha, específico para esse registro [de ponto]”. E que é o próprio trabalhador quem faz o registro, “com a devida assinatura”.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f334285cb0&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f334285cb0" class="wp-block-image alignfull size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/10-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Registros de ponto mostram sempre os mesmos horários de entrada e saída, uma pontualidade fora do comum" class="wp-image-262347" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/10-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/10-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/10-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/10-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Registros de ponto mostram sempre os mesmos horários de entrada e saída, uma pontualidade fora do comum</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A queixa pelo excesso de horas extras é recorrente entre os trabalhadores entrevistados e corroborada por processos judiciais aos quais a <strong>Pública</strong> teve acesso. Além das jornadas extenuantes, há reclamações de que elas não eram contabilizadas corretamente e muitas vezes não eram pagas ou compensadas com folgas, conforme prometido pelos encarregados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Verifica-se, portanto, que o Reclamante prestava uma média de 78 horas extras por mês, bem como uma média mensal de 13 horas de labor extraordinário em feriados, as quais não foram pagas corretamente”, diz a inicial de um dos processos acessados pela <strong>Pública</strong>, aberto por um homem que era auxiliar de monitoramento eletrônico na Scala.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até mesmo nos casos em que os trabalhadores foram derrotados na Justiça, os juízes reconhecem que há algo de estranho nas provas apresentadas pelas empresas. “As folhas de ponto colacionadas pela reclamada apresentam marcações simétricas e com contornos de uniformidade (horários britânicos)”, observou a sentença de um dos processos consultados pela <strong>Pública</strong>, referindo-se a uma pontualidade fora do comum. Apesar disso, a juíza do caso entendeu que os depoimentos de representantes da empresa feitos em audiência validaram os registros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Os trabalhadores também dizem que, além de passarem muitas horas no serviço, em muitos casos não podiam usar o banheiro nem beber água para não atrasar o andamento das entregas.</span></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Muita pressão por resultado”, diz sindicato</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região confirma que recentemente cresceu o número de queixas sobre a alta rotatividade de funcionários em empresas prestadoras de serviços para Data Centers, com jornadas estendidas muito maiores do que o permitido, além de assédio moral. O presidente da entidade, Gilberto Almazan, o Ratinho, salienta ainda que há problemas com as instalações de apoio, como banheiros e refeitórios.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f334286249&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f334286249" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/11-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e região, Ratinho, confirma que queixas trabalhistas aumentaram no setor de data centers" class="wp-image-262348" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/11-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/11-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/11-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/11-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e região, Ratinho, confirma que queixas trabalhistas aumentaram no setor de data centers</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">“Há muita pressão pelo [resultado do] trabalho. Então, o trabalhador começa a ser pressionado a ficar até mais tarde. Mas uma coisa é você fazer um dia, dois dias, uma semana…. Outra é a empresa não ter trabalhador suficiente e colocar todo mundo numa escala de trabalho com 10 horas por dia, o mês inteiro, dois meses, três meses. Aí a pessoa começa a ficar fadigada, não aguenta”, observa Ratinho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das empresas mencionadas nas denúncias se chama Modular — é uma irmã da Scala, propriedade do seu CEO, Marcos Peigo. É ela quem desenvolve a tecnologia FastDeploy, de construção rápida, construindo os módulos dos Data Centers em sua unidade em Santana do Parnaíba e depois apenas montando nas instalações da Scala.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o sindicato, a Modular saltou recentemente de 300 funcionários para quase mil, tornando-se a segunda ou terceira maior empregadora do setor na região. “Quando uma empresa está crescendo rápido assim, aparecem um monte de problemas”, observa Ratinho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reportagem solicitou às empresas que comentassem esse ponto em específico, mas a Scala não abordou o tema em sua resposta. A Modular não retornou nossas tentativas de contato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eu achei que trabalhar num Data Center iria me abrir portas”, observa o ex-montador Renato Gonçalves, que ficou parcialmente surdo. “Mas aconteceu o contrário e hoje minha condição física me impede de conseguir certos trabalhos”, completa. “Me entristece muito”.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Outros lados</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A reportagem entrou em contato com todas as empresas mencionadas no texto. A IFC diz tratar “com seriedade as preocupações relativas à saúde e segurança dos trabalhadores e examina quaisquer alegações apresentadas por meio de seu processo de supervisão”. Segundo o financiador, como condição para o investimento, a Scala foi demandada a atualizar sistemas, incluindo itens relacionados às condições de trabalho dos trabalhadores, além do aprimoramento do mecanismo de reclamações para fornecer aos trabalhadores um canal eficaz para o registro de reclamações/queixas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O BNDES informa que não é investidor nem acionista da Scala Data Centers e que “o relacionamento existente decorre de duas operações de financiamento (crédito)”. Além disso, afirma que verifica a existência de processos trabalhistas em trâmite antes da assinatura dos contratos. “No caso específico da Scala, consoante relatórios e pesquisas processuais empreendidas, não houve o reconhecimento de dano ou assédio moral nos processos em que houve sentença”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O UBS e o Santander disseram que não comentam operações e transações específicas de clientes. A íntegra das manifestações pode ser <a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Outros-lados-Agencia-Publica-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">lida aqui.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Leia abaixo a íntegra da resposta da Scala Data Centers.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Scala Data Centers tem a segurança, a saúde e o bem-estar das pessoas como prioridades absolutas em todas as suas operações e exige o mesmo padrão de seus fornecedores e parceiros. A companhia adota rigorosos processos de governança, compliance e gestão de Saúde, Segurança e Meio Ambiente (EHS), que colocam a preservação da vida e da saúde das pessoas em primeiro lugar e constituem um dos pilares fundamentais da qualidade de suas operações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação aos questionamentos sobre demandas trabalhistas, a Scala esclarece que tais demandas são tratadas individualmente no âmbito do Poder Judiciário e que sua existência, por si só, não constitui conclusão quanto a irregularidades ou ao descumprimento da legislação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No presente momento, a companhia não mantém qualquer negociação ou tratativa em curso com o Ministério Público do Trabalho relacionada aos fatos objeto dos questionamentos encaminhados pela reportagem e, como sempre, prestará todos os esclarecimentos que venham a ser solicitados pelas autoridades competentes.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Capa-Corrida-por-Data-Centers-gera-denuncias-de-violacoes-trabalhistas-em-Sao-Paulo-1.jpg" length="387878" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">262317</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Fazer falar os ossos: a rotina de quem procura os desaparecidos da ditadura</title>
		<link>https://apublica.org/2026/08/fazer-falar-os-ossos-a-rotina-de-quem-procura-os-desaparecidos-da-ditadura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Thiago Domenici]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>
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					<description><![CDATA[Mostra no Centro MariAntonia (USP), em São Paulo, expõe o trabalho de peritos na identificação dos mortos na ditadura]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre uma toalha azul, os ossos ficam dispostos em fileiras, alguns identificados por tiras de fita adesiva branca. São fêmures alinhados por tamanho, vértebras em sequência, alguns crânios. Ao fundo, a parede exibe retratos de pessoas em preto e branco e traz a pergunta: “Onde estão os nossos desaparecidos?”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cenário faz parte do dia a dia do laboratório do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (<a href="https://unifesp.br/reitoria/caaf/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CAAF</a>) da Universidade Federal de São Paulo que, desde 2022, tem filmado essa rotina dos peritos de luva que medem, giram e descrevem em voz alta fragmentos exumados de valas comuns. Agora, o material será parte de uma exposição inédita: “Fazer falar os ossos: engajamentos presentes com o passado”, que abre as portas em 14 de agosto no <a href="https://www.mariantonia.prceu.usp.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Centro MariAntônia, da USP</a>, e fica em cartaz até 27 de setembro em São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A curadoria é das linguistas Lorenza Mondada, de Basileia, e Fernanda Cruz, da Unifesp, e do filósofo Edson Teles, também da Unifesp. O que eles propõem ao visitante não é olhar para os mortos, mas sim para o trabalho de quem os procura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os ossos nunca são apresentados de forma sensacionalista”, diz Lorenza Mondada à <strong>Agência Pública</strong>. “Eles só são visíveis indiretamente, por meio de vídeos que mostram esse trabalho.” A violência, argumenta a curadora, está no contexto: “a ditadura brasileira que torturou, matou e desapareceu pessoas”. O manuseio dos ossos pelos peritos é “um trabalho cotidiano, técnico e científico que se conecta com a história de um fragmento de osso, com a busca dos familiares e com o modo de funcionamento da repressão, da produção de falsos laudos, do silêncio do Estado”, explica. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A mostra nasceu do projeto homônimo, o Making Bones Talk, conduzido pela Unifesp e pela Universidade de Basileia, na Suíça, com financiamento da Fapesp e da Swiss National Science Foundation.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fazer falar os ossos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O método por trás das filmagens tem tradição acadêmica: etnometodologia e análise da conversa, campos que estudam como as pessoas produzem sentido nas interações cotidianas. Aplicada a um laboratório forense, a situação desloca a atenção do resultado (o laudo, a identificação etc.) para o processo. As imagens são transcritas em detalhes, como, por exemplo, o modo como duas pessoas seguram o mesmo osso. É daí que sai a estética da exposição, avalia Mondada: “na possibilidade de olhar o gesto repetido das mãos; no azul contrastante da toalha anatômica que também deixa ver detalhes nos ossos; na leitura em voz alta sobre o desaparecimento sem pistas de um militante em um documento de arquivo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta do cartaz, “Fazer falar os ossos”, organiza a mostra: “É uma pergunta dos familiares, mas não só. Ela passa também a ser uma pergunta nossa, enquanto sociedade que se quer democrática e mais justa”, argumenta Fernanda Cruz.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f334289005&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f334289005" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="400" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/2-Fazer-falar-os-ossos-a-rotina-de-quem-procura-os-desaparecidos-da-ditadura.jpeg?resize=640%2C400&#038;ssl=1" alt="Banner de divulgação da mostra “Fazer falar os ossos”, do centro MariAntonia (USP)" class="wp-image-261117" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/2-Fazer-falar-os-ossos-a-rotina-de-quem-procura-os-desaparecidos-da-ditadura.jpeg?w=1600&amp;ssl=1 1600w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/2-Fazer-falar-os-ossos-a-rotina-de-quem-procura-os-desaparecidos-da-ditadura.jpeg?resize=800%2C500&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/2-Fazer-falar-os-ossos-a-rotina-de-quem-procura-os-desaparecidos-da-ditadura.jpeg?resize=1536%2C960&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/2-Fazer-falar-os-ossos-a-rotina-de-quem-procura-os-desaparecidos-da-ditadura.jpeg?resize=150%2C94&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/2-Fazer-falar-os-ossos-a-rotina-de-quem-procura-os-desaparecidos-da-ditadura.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Banner de divulgação da mostra “Fazer falar os ossos”, do centro MariAntonia (USP)</figcaption></figure>



<p class="has-central-palette-1-background-color has-background wp-block-paragraph"><strong><em>Serviço</em></strong>: Centro MariAntonia (USP), rua Maria Antônia, 258, São Paulo. Abertura em 14 de agosto, às 18h; visitação até 27 de setembro, de terça a domingo, das 10h às 18h. <strong>Entrada gratuita</strong>. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A dívida impagável</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Edson Teles conhece a pergunta por dentro. Filho de militantes presos e torturados, foi levado, ainda criança, ao DOI-Codi de São Paulo com a irmã. Hoje coordena o CAAF, o centro que examina os ossos. Para ele, o que emerge das valas, 40 anos depois, diz mais sobre o presente do que sobre a morte. “Quando uma sociedade não pode se despedir de seus mortos, os corpos ganham uma multiplicidade de sentidos”, afirma à <strong>Pública</strong>. Os restos que reaparecem agora “dizem muito sobre o quanto o país tem uma dívida histórica com as vítimas da violência de Estado e sobre como esta dívida, praticamente impagável, expõe a baixa qualidade de nossa democracia”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comparação com os vizinhos da América do Sul mede o tamanho do buraco. Argentina e Chile julgaram agentes de Estado, criaram programas permanentes de busca e abriram arquivos militares. No Brasil, nenhum agente da ditadura foi condenado, não há programa institucional de busca, os arquivos das Forças Armadas seguem fechados e o estatuto das instituições militares nunca foi revisto. Dos mais de 200 desaparecidos políticos reconhecidos oficialmente, os identificados cabem em uma curta lista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi na ausência do Estado que as famílias construíram os primeiros acervos de prova, explica Teles: “Apesar de todos os bloqueios, conseguiram reunir uma extensa documentação sobre as vítimas, ainda sem a participação dos profissionais das ciências forenses”. Dessa mobilização nasceu o CAAF, instalado numa universidade pública, com estrutura permanente, que investiga e forma pesquisadores ao mesmo tempo — um arranjo que Teles descreve como único na América Latina e que manteve o trabalho de identificação de pé, pela autonomia universitária, mesmo durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, defensor do período de exceção.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f33428938c&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f33428938c" class="wp-block-image alignfull size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="360" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2023/06/Capa_ditadura_CSN-1-1-1.png?resize=640%2C360&#038;ssl=1" alt="Na imagem, pessoas rendidas e chaminés de indústria, ao lado uma caveira esmagada e um tanque de guerra, representando a repressão da ditadura militar brasileira" class="wp-image-129391" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2023/06/Capa_ditadura_CSN-1-1-1.png?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2023/06/Capa_ditadura_CSN-1-1-1.png?resize=800%2C450&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2023/06/Capa_ditadura_CSN-1-1-1.png?resize=150%2C84&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Ditadura deixou dívida histórica impagável: Brasil ainda não puniu agentes nem identificou todos os desaparecidos</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Do laboratório às empresas cúmplices da ditadura </strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O mesmo CAAF produziu outra frente de prova. Com 55 pesquisadores e em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), o centro investigou a responsabilidade de empresas por violações de direitos durante o regime. Os resultados foram antecipados pela <strong>Pública</strong> no especial <a href="https://apublica.org/especial/as-empresas-cumplices-da-ditadura-militar/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Empresas Cúmplices da Ditadura”</a>, que mostrou a sala de interrogatório da Fiat em Betim, o monitoramento de funcionários pela Petrobras e as listas sujas da Mannesmann. Em maio deste ano, as <a href="https://apublica.org/2026/05/ditadura-donas-de-belgo-mineira-e-mannesmann-tentam-tac-com-mps/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">controladoras</a> da Mannesmann e da Belgo-Mineira passaram a negociar um termo de ajustamento de conduta com o MPF e o MPT. O levantamento traz outras empresas, como a Fiat, Companhia Docas de Santos, Itaipu, Josapar, Paranapanema, Cobrasma, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Aracruz e Folha de S. Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A antropologia forense, observa Teles, não serve só ao tribunal: alimenta “diferentes níveis do debate social e político”, do luto das famílias ao dever de memória e ajuda a mostrar o método, não só o desfecho. Durante o período de exposição haverá exibição de filmes, debates sobre a chamada virada forense, um curso aberto e uma mesa-redonda com familiares de desaparecidos. As mesmas pessoas que, há meio século, começaram a juntar as provas.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Vale do Silício tenta vender a cristãos que Inteligência Artificial é plano divino</title>
		<link>https://apublica.org/2026/08/vale-do-silicio-tenta-vender-a-cristaos-que-inteligencia-artificial-e-plano-divino/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea DiP]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
		<category><![CDATA[lobby]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Nomes como Peter Thiel estão tentando engajar lideranças cristãs para defender a inevitabilidade da adoção da tecnologia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">“Se Deus tem usado o rádio, a televisão, as redes sociais e tantos outros meios tecnológicos para alcançar pessoas, por que não utilizaria também as IAs? Com certeza, Ele as utilizará!”. A frase é do pastor William E. Timm, coordenador de evangelismo digital na Rede Novo Tempo, publicada na Revista Adventista.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cada vez mais, a indústria da tecnologia tenta vender a ideia de que a Inteligência Artificial (IA) e seus desdobramentos são inevitáveis e necessários</strong> – para criar respostas, pensar por nós, dar conta de produzir dentro do tempo acelerado do capitalismo neoliberal que nos esmaga, solucionar crises e, no fim das contas, atuar como um oráculo do qual, em um futuro próximo, vamos precisar tanto quanto necessitamos de água ou luz.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mas tem um campo que ainda precisa ser totalmente convencido pelos “tech bros”: o da direita cristã, que ainda está… dividida.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E é isso que alguns círculos do Vale do Silício estão tentando fazer, como mostra uma reportagem recente </strong><a href="https://www.motherjones.com/politics/2026/04/ai-religious-right-christianity-thiel-katherine-boyle-trae-stephens/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>da revista Mother Jones</strong></a><strong>.</strong> A jornalista Kiera Butler, que assina o texto, lembra que em 2025, durante a Conferência Nacional de Conservadorismo que acontece anualmente nos Estados Unidos (e que reúne um grupo que se consolidou como uma forte influência nas decisões políticas do governo Trump), o professor de psicologia da Universidade do Novo México, Geoffrey Miller confrontou o diretor de tecnologia da Palantir, Shyam Sankar, em uma discussão acalorada, dizendo que a indústria de IA, é “globalista, secular, liberal, feminizada e transumanista. Eles querem explicitamente o desemprego em massa, planejam um comunismo baseado na Renda Básica Universal e veem a espécie humana como um &#8216;carregador de inicialização&#8217; biológico, como eles dizem, para a superinteligência artificial”. Sankar ficou visivelmente desconfortável.   </p>



<p class="wp-block-paragraph">Miller não está sozinho, <strong>há toda uma leva de cristãos ultraconservadores dizendo por aí que a IA é o anticristo e que o plano “woke” não vai parar na transição de gênero, mas que o objetivo final é transicionar de humano para máquina.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Também não ajuda o fato de que alguns porta-vozes como Sam Altman, cofundador da OpenAI, amam declarações apocalípticas como a de que a IA “provavelmente levará ao fim do mundo</strong>, mas, enquanto isso, haverá grandes empresas”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por isso, alguns oligarcas do Vale do Silício estão tentando intermediar a discussão entre esses dois campos emergentes na direita religiosa: de um lado, dos admiradores da IA, de outro, seus céticos.</strong> Figuras como Peter Thiel, aliado do vice-presidente JD Vance e dono da Palantir, e outros entusiastas da tecnologia ligados à religião, como Katherine Boyle, uma das principais vozes da chamada “direita tecnológica”, católica e também próxima de Donald Trump e J.D Vance, e Trae Stephens, cofundador e presidente executivo da empresa de tecnologia de defesa Anduril Industries, sócio da Founders Fund, empresa de capital de risco de Peter Thiel, <strong>estão liderando um esforço para defender que a IA é mais comparável a um “ente salvador”, até mesmo a um messias semelhante a Cristo.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Assim, os cristãos têm sido convocados não só a abraçar a tecnologia, mas teriam a obrigação de fazê-lo, porque o progresso em si seria um bem moral.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A mensagem é sedutora para todo mundo porque promete para os pregadores da tecnologia uma legitimidade moral e, para os setores religiosos, a mesma tecnologia oferece poder, dinheiro e alcance no mundo contemporâneo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma pesquisa do Pew Research Center mostrou que, <strong>em 2023, 52% dos americanos diziam estar mais preocupados do que entusiasmados com a inteligência artificial; em 2025, esse número caiu para 50%</strong>, mas a desconfiança continua alta. <strong>Por isso a legitimidade espiritual, que exige menos fatos concretos e mais a subjetividade da fé, se encaixa como uma luva.</strong> É uma tentativa de “reencantar a máquina”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, esse movimento também cresce. O país tem cerca de 47 milhões de evangélicos, o equivalente a 27% da população, enquanto os católicos seguem como maioria, com 57%. E 95% dos brasileiros acessam a internet diariamente, segundo dados recentes do IBGE. E aí, claro: um país que é ao mesmo tempo massivamente cristão e massivamente conectado, se torna um laboratório perfeito para plataformas que transformam experiência religiosa em mercado digital.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Os cristãos no Brasil já abraçam a tecnologia. O Hallow, aplicativo de oração mais popular do mundo, afirma ter 24 milhões de downloads em 150 países. No Brasil, superou 4,8 milhões de downloads desde 2022</strong> e, entre janeiro e abril de 2026, gerou US$400 mil em receita no país, segundo dados da AppMagic.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A IA também já tem sido usada por aqui para criar sermões para criar vídeos de Jesus, para “ouvir” e “interagir” com pecados que os crentes não têm coragem de contar aos seus líderes religiosos</strong>, <a href="https://apublica.org/2026/03/fe-e-ia-como-as-tecnologias-estao-transformando-as-experiencias-religiosas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">como mostramos no podcast Pauta Pública</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Igreja Adventista do Sétimo Dia, por exemplo, investiu em ferramentas como o chatbot Esperança e o 7chat.ai. Em um único mês, o 7chat.ai registrou 94,5 mil interações com fiéis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A teologia da prosperidade e a teologia “coaching” propagada por influenciadores como Pablo Marçal também unem elementos a essa fórmula. Se nessas duas vertentes a ideia principal é a de que se você seguir um código divino e de conduta você desbloqueia bens materiais e prospera, <strong>no arranjo que agora se desenha entre cristianismo e Vale do Silício, a mensagem passa a ser algo como “adote a tecnologia certa, alinhe-se ao progresso e isso também será sinal de virtude espiritual”.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“No século 21, o Anticristo é um ludita” (luditas foram trabalhadores ingleses do setor têxtil que protestavam contra a substituição da mão de obra humana por máquinas na Revolução Industrial, sobretudo quebrando máquinas) afirmou Peter Thiel <a href="https://www.washingtonpost.com/technology/2025/10/10/peter-thiel-antichrist-lectures-leaked/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">durante encontros secretos vazados</a> em outubro de 2025, publicados pelo Washington Post.  Segundo o jornal, Thiel fez uma série de quatro palestras particulares em São Francisco, chamadas &#8220;O Anticristo: Uma Série de Palestras em Quatro Partes&#8221;. Para ele,  no século 21, o Anticristo não seria mais um cientista ambicioso ou um agente do caos, mas sim aqueles que tentam impedir o progresso tecnológico, incluindo a ativista ambiental Greta Thunberg. Assim, o que ele está fazendo é deslocar um conflito econômico e regulatório para o terreno da fé cega. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E aí esse projeto também produz obviamente efeitos políticos. <strong>Imaginem se os “tech bros” conseguem, com todo o dinheiro que têm à mão, emplacar a IA como bem moral e expressão da criatividade divina? Isso vai reduzir o espaço a críticas sobre concentração de poder, precarização do trabalho, vigilância, desinformação, crise climática, impacto ambiental de data centers, e levar a uma nova “inquisição” contra quem questionar não só o “progresso”, mas a vontade de Deus. Que perigo.&nbsp;</strong></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Iniciativas de jornalismo lançam coalizão para investigar desinformação eleitoral</title>
		<link>https://apublica.org/2026/08/iniciativas-de-jornalismo-lancam-coalizao-para-investigar-desinformacao-eleitoral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[Agência Pública, Amado Mundo, Aos Fatos e Núcleo Jornalismo lançam o LIE- Laboratório de Investigação Eleitoral]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Como nos anos anteriores, as eleições de 2026 prometem ser competitivas e polarizadas – mas os desafios em termos de desinformação devem ser ainda maiores.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Regras eleitorais ainda pouco claras, compromissos reduzidos por parte das plataformas tecnológicas e o uso disseminado de Inteligência Artificial prometem ampliar a quantidade de conteúdos inautênticos e enganadores, piorando a qualidade do debate público em um momento crucial para a democracia brasileira.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, quatro premiadas organizações de jornalismo resolveram unir forças para fazer uma cobertura colaborativa sobre a desinformação eleitoral. Trata-se do LIE – Laboratório de Investigação Eleitoral. Participam a Agência Pública, a mais premiada agência de jornalismo investigativo do Brasil; o canal <a href="https://amadomundo.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Amado Mundo</a>, lançado há um ano e que conta com jornalistas em diferentes cidades do Brasil e do exterior; <a href="https://www.aosfatos.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Aos Fatos</a>, organização jornalística pioneira no desenvolvimento de tecnologias e linguagens para o combate à desinformação no ambiente digital e nas políticas públicas e <a href="https://nucleo.jor.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Núcleo Jornalismo</a>, organização de jornalismo e comunidade que cobre o impacto da tecnologia na vida das pessoas.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Juntos, eles terão uma equipe especializada, com editores, repórteres, analistas de inteligência e dados para investigar as principais campanhas desinformativas nas <a href="https://apublica.org/tag/eleicoes-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">eleições de 2026. </a></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Durante as eleições de 2022, desenvolvemos a primeira versão deste laboratório investigativo, produzindo reportagens que tiveram impacto não só durante a campanha, mas também nos desafiadores meses seguintes. Estamos juntos novamente porque acreditamos no valor da cooperação para contar histórias relevantes e fazer a diferença em momentos decisivos”, afirma Tai Nalon, diretora executiva do Aos Fatos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Essa colaboração potencializa a nossa cobertura eleitoral, nos permite alcançar novos públicos e aumenta a nossa capacidade de gerar impacto real na sociedade por meio do nosso jornalismo”, explica Jade Drummond, diretora-executiva do Núcleo. Natalia Viana, diretora executiva da Agência Pública, concorda: “O desafio da desinformação neste ciclo eleitoral é gigante e é preciso que cada vez mais as redações colaborem para poder fazer uma cobertura de impacto”.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É fundamental discutir e acompanhar o desenrolar do período eleitoral em uma disputa polarizada e com uso e abuso de inteligência artificial. O combate à desinformação é uma meta de todos os veículos envolvidos em fazer um bom jornalismo. A cobertura colaborativa veio somar esforços para produção de material investigativo de alta qualidade em várias plataformas”, explica Angelina Nunes, editora de projetos especiais do canal Amado Mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As pautas serão realizadas de maneira colaborativa. Com o <em>Radar</em>, ferramenta e núcleo de inteligência do Aos Fatos, a iniciativa vai monitorar o fluxo de informações e dados nas plataformas digitais, de modo a identificar o impacto e a abrangência de campanhas de desinformação e influência que desafiem o sistema eleitoral — e se antecipar a elas. Também durante o período, o Núcleo vai disponibilizar para as organizações parceiras acesso às ferramentas próprias Botponto, que monitora vídeos no YouTube e encontra o minuto exato em que palavras-chave são ditas, e Legislatech, que monitora documentos públicos diariamente. A Agência Pública disponibilizará um dashboard de dados de desinformação sobre soberania nas redes sociais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados das investigações podem ser acompanhados em todos os sites e no videocast Matinal, do Amado Mundo, disponível diariamente ao vivo no YouTube, às 8h30, ou, a partir das 10h, no Spotify.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maior parte das reportagens estará disponível para republicação nos sites das organizações participantes. Sugestões de pautas e dicas sobre conteúdos desinformativos são bem-vindos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O projeto também contará com o apoio do NetLab, laboratório de pesquisa da Escola de Comunicação da <em>Universidade Federal do Rio de Janeiro</em> (ECO – <em>UFRJ</em>) dedicado a diagnosticar o fenômeno da desinformação digital e suas consequências.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Laboratório de Investigação Eleitoral</title>
		<link>https://apublica.org/especial/laboratorio-de-investigacao-eleitoral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[Cobertura colaborativa para acompanhar, investigar e revelar como a desinformação atua nas eleições de 2026]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As eleições de 2026 acontecem em um cenário de forte polarização, avanço da inteligência artificial e circulação cada vez maior de conteúdos enganosos. Para investigar como a desinformação influencia o debate público e o processo eleitoral, Agência Pública, Amado Mundo, Aos Fatos e Núcleo Jornalismo se uniram no Laboratório de Investigação Eleitoral (LIE).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A iniciativa monitora redes e plataformas digitais, identifica campanhas de desinformação e investiga seus impactos nas eleições. Leia as reportagens do LIE e acompanhe as principais investigações sobre desinformação eleitoral em 2026.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow block-visibility-hide-large-screen block-visibility-hide-medium-screen block-visibility-hide-small-screen">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Expediente</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Reportagem:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Edição: </strong></p>
</blockquote>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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		<item>
		<title>“Onde tem malária, tem garimpo”: cinta larga aguardam decisão do STF sobre mineração</title>
		<link>https://apublica.org/2026/08/povo-cinta-larga-relatorio-inedito-liga-garimpo-a-adoecimento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leandro Barbosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[garimpo]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mineração]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
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					<description><![CDATA[Julgamento nesta quinta-feira, 13, pode abrir caminho para mineração em terras indígenas entre Rondônia e Mato Grosso]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Os indígenas Cinta Larga estão divididos sobre a regulamentação da mineração em suas terras, e o tema pode ter uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que julga nesta quinta-feira, 13, o Mandado de Injunção 7.516, que cobra a regulamentação da mineração no território a partir de uma demanda apresentada por uma associação do povo Cinta Larga (Patjamaaj). O pedido da associação a Dino vai na direção contrária ao posicionamento de outras organizações indígenas, como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas vésperas do julgamento, um relatório do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Vilhena, obtido com exclusividade pela <strong>Agência</strong> <strong>Pública</strong>, revela o impacto da exploração mineral no território localizado entre Rondônia e Mato Grosso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O documento registra 133 casos de malária em 2026, segundo o Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena (Siasi) e mostra que diabetes e hipertensão cresceram dezenas de vezes desde 2000. No período, os casos de diabetes entre os Cinta Larga saltaram de 2 para 107 (alta de 5.250%), enquanto os registros de hipertensão passaram de 4 para 131(alta de 3.175%). A escalada incide sobre uma população de mais 1600 indígenas, distribuídos em 59 aldeias nas Terras Indígenas Roosevelt, Parque do Aripuanã e Serra Morena e Aripuanã.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os registros aparecem tanto em aldeias quanto em áreas identificadas como garimpos, entre elas Ouro Preto, Laje Roosevelt, Flor do Prado e Madalena. Para o DSEI Vilhena, a sobreposição entre áreas de transmissão e localidades submetidas à atividade garimpeira é um achado epidemiologicamente relevante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vinculado à Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, o DSEI Vilhena é responsável pela atenção à saúde indígena na região e acompanha os Cinta Larga. Procurado pela <strong>Pública</strong>, o Ministério da Saúde informou que não comentaria os dados apresentados no relatório.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f33428c4bd&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f33428c4bd" class="wp-block-image size-large wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="424" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto1_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.png?resize=640%2C424&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-262151" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto1_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.png?resize=1600%2C1060&amp;ssl=1 1600w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto1_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.png?resize=800%2C530&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto1_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.png?resize=1536%2C1018&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto1_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.png?resize=150%2C99&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto1_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.png?w=2010&amp;ssl=1 2010w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto1_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.png?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto1_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.png?w=1920&amp;ssl=1 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">O território dos Cinta Larga, que totaliza 2,7 milhões de hectares na divisa do Mato Grosso com Roraima, fica em uma das maiores jazidas do mundo de kimberlito — rocha que forma diamantes </figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Cinta Larga: “Onde tem malária, a gente sabe que tem garimpo”</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma indígena Cinta Larga, ouvida pela reportagem sob condição de anonimato, afirma que a repetição de casos de malária já pode ser observada entre crianças e adolescentes. “Já encontrei a situação de um adolescente de 14 anos que passou por vários e vários tratamentos para malária. Faz o tratamento, toma o remédio, cura a malária, aí vai novamente para a região onde estão ocorrendo os casos e adquire a doença novamente. E isso vai danificando o corpo, causando outras problemáticas”, relata. “Onde tem malária, a gente sabe que tem garimpo. Você chega no território e já está cheio de casos. Então, já não se consegue trabalhar com a prevenção, apenas com o tratamento da doença”, explica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somente no primeiro trimestre de 2026, um surto na Terra Indígena Roosevelt registrou 62 casos confirmados, incluindo crianças e gestantes. O relatório ajuda a explicar por que a doença se torna persistente em áreas de exploração mineral. O DSEI classifica a malária como o achado epidemiológico de “maior relevância” para compreender a relação entre o território e a saúde dos Cinta Larga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O documento ressalta que os dados disponíveis não permitem estabelecer uma relação causal entre cada caso individual de malária e a atividade garimpeira. Mas considera que a concentração territorial da doença, associada às alterações ambientais e à mobilidade populacional características do garimpo, sustenta a necessidade de tratar a atividade como um importante elemento do contexto de risco e de vulnerabilidade para a transmissão.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f33428c858&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f33428c858" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="426" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto2_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.jpg?resize=640%2C426&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-262152" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto2_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto2_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.jpg?resize=800%2C532&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto2_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Dados disponíveis não permitem estabelecer uma relação causal entre cada caso individual de malária e a atividade garimpeira.</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Cinta Larga: aumento da diabetes</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A malária representa apenas uma parte de uma transformação mais ampla no perfil de saúde dos Cinta Larga. Em 2000, havia dois registros de diabetes e quatro de hipertensão. Em 2025, eram respectivamente 86 e 111. Na atualização de 2026, os números voltaram a subir: são 107 indígenas registrados com diabetes e 131 com hipertensão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, o número de pacientes com hipertensão corresponde a pouco mais de 8% dos 1.606 Cinta Larga registrados pelo DSEI. Os pacientes com diabetes representam cerca de 6,7% dessa população. Os percentuais não representam necessariamente a prevalência epidemiológica, pois se referem aos registros de pacientes acompanhados pelo sistema, mas ajudam a dimensionar a carga das doenças crônicas sobre uma população relativamente pequena.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O DSEI ressalta que não é possível estabelecer uma relação causal direta entre o garimpo e cada diagnóstico de hipertensão ou de diabetes. As duas doenças têm múltiplos fatores de risco. O documento, porém, chama a atenção para as transformações sociais, territoriais e alimentares que acompanham a exploração dos territórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ocupação e degradação de áreas tradicionalmente utilizadas para caça, pesca, coleta e agricultura podem comprometer práticas de subsistência e a segurança alimentar, favorecendo maior dependência de alimentos adquiridos fora das aldeias, inclusive de produtos industrializados com altos teores de açúcar, sódio e gordura — os chamados ultraprocessados. Conflitos, insegurança territorial e a maior circulação de pessoas externas também podem gerar estresse e mudanças nos modos tradicionais de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Com o acesso de garimpeiros e madeireiros às aldeias, há maior circulação de doenças nos territórios. Isso é um fato. O acesso facilitado a alimentos que não são costume dos indígenas, como o sal e o açúcar, elevou o número de hipertensos e diabéticos do povo Cinta Larga”, explica a indígena ouvida pela reportagem.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O julgamento do caso Cinta Larga no STF</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse cenário que o Supremo discute o futuro da exploração mineral nas terras dos Cinta Larga. No Mandado de Injunção 7.516, o ministro Flávio Dino concedeu, em 3 de fevereiro de 2026, uma decisão liminar que reconheceu mora legislativa (autorização temporária) na regulamentação dos dispositivos constitucionais sobre mineração em terras indígenas e estabeleceu prazo de 24 meses, até fevereiro de 2028, para que o Congresso aprove uma legislação sobre o tema. A decisão do ministro Dino estabelece limite de 1% do território, prioridade para cooperativas indígenas, estudos de impacto ambiental e consulta livre, prévia e informada às comunidades. A decisão também determinou à União a retirada do garimpo ilegal das Terras Indígenas Roosevelt, Aripuanã, Parque Aripuanã e Serra Morena.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a7f33428cc13&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a7f33428cc13" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="480" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto3_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.webp?resize=640%2C480&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-262153" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto3_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.webp?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto3_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.webp?resize=800%2C600&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto3_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.webp?resize=320%2C240&amp;ssl=1 320w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/08/Foto3_Onde-tem-malaria-tem-garimpo-cinta-larga-aguardam-decisao-do-STF-sobre-mineracao.webp?resize=150%2C113&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption"><em><em>A decisão do ministro Dino estabelece limite de 1% do território, prioridade para cooperativas indígenas, estudos de impacto ambiental e consulta livre, prévia e informada às comunidades</em></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A discussão sobre a exploração mineral, no entanto, está longe de produzir consenso entre os próprios Cinta Larga. Gabriela Sarmet, pesquisadora sobre conflitos por terra causados pela mineração e Coordenadora Executiva da cosmopolíticas – rede de advocacy e solidariedade internacional que tem apoiado a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em pesquisa e incidência sobre mineração em terras indígenas – afirma que a defesa da regulamentação por parte de alguns Cinta Larga precisa ser compreendida a partir de décadas de garimpo ilegal e da ausência do Estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eles já vivem há mais de 30 anos com um garimpo ilegal que causa uma série de violações de direitos no território deles, além de contaminação, exploração de mulheres, enfim, vários problemas”, afirma a pesquisadora, que também é mestra em Violência, Conflito e Desenvolvimento pela SOAS, University of London.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Sarmet, parte dos indígenas vê a regulamentação como uma forma de romper com uma atividade hoje dominada por redes clandestinas e, ao mesmo tempo, de obrigar o Estado a assumir responsabilidades pelo território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eles entendem que existe uma grande omissão por parte do Estado em dar retorno a esse povo em termos de presença estatal e que, se a mineração é a forma pela qual o Estado consegue ter essa presença, eles preferem que a atividade seja regulamentada. Porque continuar na ilegalidade é continuar nas mãos de redes e práticas criminosas que estão destruindo o território e o próprio povo Cinta Larga.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa relação tem raízes antigas. Documento apresentado pela Apib ao STF aponta que o garimpo de diamantes se consolidou na região por volta de 2000, embora existam registros da atividade desde a década de 1940. O texto cita pesquisa da antropóloga Melissa Curi Volpato, segundo a qual os Cinta Larga aceitaram acordos com garimpeiros diante da omissão do Estado em apresentar alternativas econômicas e em garantir condições de subsistência física e cultural às comunidades. O retorno financeiro, porém, não compensaria a degradação socioambiental causada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após um confronto de 2004, que terminou com a morte de 29 não indígenas, o debate sobre a exploração de diamantes pelos próprios Cinta Larga passou a atravessar internamente o povo. É essa reivindicação de parte das lideranças que está na origem do Mandado de Injunção analisado pelo Supremo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sarmet alerta, entretanto, que retirar a mineração da ilegalidade não significa eliminar seus impactos ambientais e sociais. Ela também chama a atenção para outro risco: uma eventual empresa ou cooperativa indígena não possuir recursos financeiros, tecnologia e conhecimento técnico suficientes para realizar sozinha a pesquisa e a exploração mineral, tornando-se dependente de grandes mineradoras. “Acaba virando uma mercantilização do direito sobre o território e do direito de atuar sobre os bens minerais ali”, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro das próprias comunidades, há indígenas que defendem alternativas econômicas que não dependam da extração de minérios. Sarmet relata ter acompanhado manifestações de Cinta Larga que apontam atividades relacionadas à sociobioeconomia, especialmente a coleta e a comercialização da castanha, como possibilidade de geração de renda. “Há quem diga: ‘se a gente tivesse apoio para a nossa sociobioeconomia de castanhas, a gente optaria por isso, porque isso não destrói o território, isso não contamina’”, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a Cinta Larga ouvida pela <strong>Pública</strong>, apresentar a mineração como saída para as dificuldades econômicas enfrentadas pelas comunidades cria uma falsa escolha. “Os nossos parentes estão se iludindo com algo de que ‘a gente vai conseguir sair da miséria’. E a gente pode sair desse quadro de escassez de outra forma.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela teme que uma eventual regulamentação aumente ainda mais a pressão sobre os territórios indígenas. “Com a mineração, a gente corre um grande risco de perder os nossos territórios devido à ganância que existe hoje no mundo por ter demais, por querer demais, e a gente está esquecendo do nosso futuro.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A conclusão do documento do DSEI Vilhena, obtido pela <strong>Pública,</strong> sintetiza o que está em jogo às vésperas do julgamento no Supremo: a proteção da saúde dos Cinta Larga está “intrinsecamente relacionada” à preservação das condições ambientais, territoriais, sociais e culturais necessárias à manutenção de seus modos de vida e ao bem-estar das atuais e futuras gerações.</p>
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