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		<title>Quilombolas lutam por território ancestral contra imobiliária no interior de São Paulo</title>
		<link>https://apublica.org/2026/09/quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-sao-paulo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Matheus Santino]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[conflitos no campo]]></category>
		<category><![CDATA[escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas]]></category>
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		<category><![CDATA[violência]]></category>
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					<description><![CDATA[Descendentes de escravizados disputam título de terra contra empresa e denunciam ação da polícia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No interior de São Paulo, uma antiga disputa de quilombolas para conseguirem o título de suas terras teve novos capítulos. Na madrugada do último dia 5 de setembro, o Quilombo Revolucionário do Carmo, em São Roque, realizou uma ocupação na Fazenda Icaraí. <span class="highlighter">De um lado, os moradores pressionam para conseguirem a titulação das suas terras junto aos órgãos públicos; do outro, a empresa imobiliária Privillagio Empreendimentos e Participações defende que tem escritura das terras e que irá permanecer dona da área.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">O município é palco de outra disputa que também envolve os quilombolas: um mega empreendimento imobiliário, o condomínio Patrimônio do Carmo, que chegou na região na década de 1970 e hoje ocupa uma área de cerca de 10 mil metros quadrados, com casas vendidas por mais de R$ 2 milhões. A <strong>Agência Pública</strong> <a href="https://apublica.org/2024/05/condominio-de-luxo-avanca-contra-quilombo-em-sao-roque-sp/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">contou essa história</a> em 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">O território da fazenda Icaraí foi reconhecido como ancestral por um Relatório Técnico de Identificação e Delimitação</span> (RTID) publicado em 2024 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas, hoje, é propriedade da Privillagio, que tem sede no bairro do Bom Retiro, na capital paulista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isaque da Cruz, presidente da Associação do Território Quilombola do Bairro do Carmo (ATEQUIBACA) e liderança do Quilombo do Carmo, diz que o terreno da fazenda era arrendado pela empresa para criação de gado, mas estava abandonado há cerca de 1 mês após expulsão do locatário por falta de pagamento. Ele argumenta que a Privillagio alugava o terreno para dizer que estava cumprindo função social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É um território muito grande que estava sendo visado para condomínios e campo de golfe em padrão de luxo. É uma jogada para tentar supervalorizar a área e dificultar a indenização pelo Governo Federal”, diz.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6ab7f474b9229&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6ab7f474b9229" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo-1.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Área da fazenda que foi ocupada pelos quilombolas foi reconhecido como ancestral pelo Incra, mas propriedade segue da imobiliária" class="wp-image-265897" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo-1.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo-1.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo-1.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo-1.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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<div class="block-importantpoints py-4 px-0 px-md-4" style="">
				<div class="bg-primary py-2 px-4 d-flex justify-content-between align-items-center">
				<h2 class="h5 m-0 p-0 fw-bold text-dark text-uppercase">Por que isso importa?</h2>
				<span><i class="fa-solid fa-star"></i></span>
			</div>
				<div class="bg-light border p-4 border-1 border-primary">
		<ul class="m-0"><li>A disputa em territórios que foram tradicionalmente ocupados por quilombolas é uma tentativa de reparação dos crimes da escravidão, já que os descendentes dessas pessoas não tiveram acesso à terra e as riquezas que foram construídas pelo trabalho escravizado dos seus antepassados.</li></ul>	</div>
</div>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Associação denuncia ação da polícia sem mandado</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de 40 pessoas da comunidade quilombola do Carmo participaram da ocupação, que foi encerrada no mesmo dia após pressão da Polícia Militar. <span class="highlighter">O presidente da associação quilombola denuncia que a polícia atuou sem mandado judicial, usando apenas a matrícula do imóvel como justificativa.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Horas depois do início da ocupação, Cruz foi conduzido até a Delegacia de Polícia de São Roque, que ainda estava fechada no momento e sem delegado ou escrivão de plantão. Uma funcionária da recepção foi responsável por registrar o Boletim de Ocorrência, que foi classificado como “Esbulho possessório”, utilizado em casos de invasão de terreno.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6ab7f474ba30a&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6ab7f474ba30a" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto2-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Policiais militares vão até a ocupação sem ordem judicial, munidos apenas da matrícula do imóvel" class="wp-image-265898" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto2-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto2-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto2-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto2-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Policiais militares vão até a ocupação sem ordem judicial, munidos apenas da matrícula do imóvel</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Para Eduardo Baker, Defensor Público do Estado de São Paulo e Coordenador-Auxiliar do Núcleo Especializado de Promoção da Igualdade Racial e Defesa dos Povos e Comunidades Tradicionais (NUPIR), a alegação de esbulho é discutível. “Depende da apreciação judicial de conflito fundiário complexo envolvendo território tradicional quilombola, não podendo servir, por si só, como fundamento para remoção coercitiva da comunidade por atuação policial sem ordem judicial”, explica. Ele acrescenta que a ação policial de remoção forçada de pessoas deve ser, em regra, precedida de ordem judicial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O enquadramento da retomada como crime de &#8220;esbulho possessório&#8221; pela Polícia Civil de São Roque contraria entendimento histórico do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Desde 1997, no julgamento do <em>Habeas Corpus nº 5.574/SP</em>, a Corte fixou que ações coletivas de pressão por direitos constitucionais e regularização fundiária não configuram crime contra o patrimônio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lideranças que estavam no local relatam que, na saída da delegacia, Júlio Meneguesso, advogado da Privillagio, teria conversado reservadamente com os policiais e tentado intimidar Cruz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O capitão da PM conversou com ele e o cenário mudou totalmente. O capitão fez ligações e falou com o major que estava no quilombo. Quando ligamos para o pessoal no território, soubemos que a polícia não tinha ido embora, pelo contrário, chegaram mais viaturas e o Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) estava lá”, diz Cruz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vídeos gravados pela comunidade no local mostram policiais dizendo que, caso chegasse a ordem de reintegração e eles não saíssem, iriam utilizar gás lacrimogêneo e balas de borracha. Quando as lideranças voltaram da delegacia, a tropa de choque estava preparada para entrar na fazenda e chegou a estourar o cadeado de um portão de entrada próximo.</p>



<figure class="wp-block-video"><video height="850" style="aspect-ratio: 478 / 850;" width="478" controls src="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Video-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo.mp4"></video></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Cruz, a ordem foi que, se a comunidade não saísse em 5 minutos, as tropas iriam avançar. “O Major falou: ‘Se tiver mulheres e crianças, vocês que colocaram eles em risco’. Não tinha ordem judicial nenhuma, eles estavam munidos apenas da matrícula do imóvel. Diante da agressão psicológica, decidimos recuar temporariamente para a sede do quilombo, mas mantendo a luta pelo território”, diz a liderança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O defensor explica que a ação só seria cabível em casos restritos, como para a garantia da integridade física de alguém ou em resposta a um flagrante delito. “Vamos requisitar maiores informações à Polícia Militar, Polícia Civil e à Secretaria de Segurança Pública, mas, ao menos até o momento, não é possível identificar a base legal que justificaria a ação sem ordem judicial”, completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de 10 dias após essa ação, houve uma blitz de fiscalização em uma estrada de terra que dá acesso ao quilombo. Segundo os relatos da comunidade, foi uma ação de intimidação. Na área da Fazenda Icaraí, aumentaram a segurança, que agora usa a fazenda como base e não só faz vigilância em rondas como era de costume. Além disso, foram implementadas placas pela fazenda com aviso de entrada proibida.</p>



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<figcaption class="blocks-gallery-caption wp-element-caption">Empresa instalou placas proibindo a entrada no local</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Outro lado</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em nota enviada para a reportagem, o advogado Júlio Meneguesso afirmou que a Privillagio tem escritura do imóvel devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis de São Roque e efetua o pagamento dos impostos territoriais rurais incidentes sobre o imóvel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Júlio ponderou que, embora reconheça o direito das comunidades quilombolas como originário e fundamental, o procedimento legal precisa ser respeitado, lembrando que o processo administrativo no órgão federal tramita há 20 anos sem a emissão de título de domínio. Com base no Artigo 13 do Decreto nº 4.887/2003, o advogado sustentou que, caso o Incra confirme a inclusão do imóvel no perímetro quilombola, caberá à União realizar a vistoria e a desapropriação da área mediante o pagamento de prévia e justa indenização à empresa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reportagem também tentou contato por e-mail e telefone registrados como contato da Privillagio, mas não obteve respostas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também em resposta à reportagem, Júlio diz que compareceu à delegacia para proceder à lavratura do B.O. Segundo o advogado, em nenhum momento houve conversas reservadas e ele não foi o responsável por chamar a polícia. Júlio também afirma que em nenhum momento houve postura ostensiva ou tentativa de intimidação e que seu comparecimento na Delegacia foi em exercício da sua atividade profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Pública</strong> também enviou perguntas para a Polícia Militar através da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), pedindo esclarecimentos quanto à conduta dos policiais na Fazenda Icaraí, as denúncias de ameaças contra quilombolas e o processo de desocupação sem ordem judicial, mas não obteve respostas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reportagem também questionou a SSP e a Polícia Civil sobre o B.O. feito na delegacia sem delegado e qual critério jurídico utilizado para registrar a ocorrência como esbulho possessório, mas não teve respostas até o momento da publicação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como funciona o processo de titulação de uma comunidade quilombola</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">A titulação de terras quilombolas segue um rito específico e precisa passar por diversas etapas até ser concluída.</span> O primeiro passo é um pedido de autorreconhecimento na Fundação Cultural Palmares, com esse certificado, começa a elaboração de um RTID do território. O RTID do território quilombola do Carmo teve início em 2006, processo que até a data de sua publicação demorou 18 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O documento é importante porque é a partir dele que se define o território da comunidade em um estudo multidisciplinar. O relatório elaborado em convênio do INCRA com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), delimitou a área do território quilombola do Carmo em 347 hectares, dividas em 10 glebas, separadas por áreas de servidão de estradas, ferrovias ou matrículas.&nbsp;</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6ab7f474bc7ae&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6ab7f474bc7ae" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto3-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Após a certificação do Fundação Palmares, o Quilombo do Carmo iniciou o processo de reconhecimento do território em 2006" class="wp-image-265899" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto3-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto3-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto3-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto3-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Após a certificação do Fundação Palmares, o Quilombo do Carmo iniciou o processo de reconhecimento do território em 2006</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O terreno da Fazenda Icaraí engloba 3 dessas glebas, sendo a gleba 1 a maior entre todas, com 127 hectares. Estas glebas estão sob propriedade da Privillagio. No total, a área da empresa que se sobrepõe ao território quilombola reconhecido pelo INCRA é de 202 hectares. A matrícula do terreno foi o único documento apresentado para a desocupação da comunidade no último dia 5.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto a comunidade cobra rapidez e a empresa alega ausência de desapropriação concluída, o processo de titulação do Quilombo do Carmo atravessa uma etapa decisiva de análise técnica no Incra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a chefe da Divisão de Territórios Quilombolas da autarquia em São Paulo, Maria Cristina, o órgão está finalizando o exame individual das contestações apresentadas por proprietários notificados no prazo legal de 90 dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A conclusão dessa fase é o passo que antecede a emissão das portarias declaratórias, medida que dará respaldo institucional definitivo ao perímetro delimitado antes das vistorias de avaliação financeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Uma vez publicada a portaria, ocorre a avaliação das áreas e a aferição da cadeia dominial, para saber se os títulos das pessoas que se dizem proprietárias são válidos, pois serão pagos com dinheiro público.</span> “Sendo o título válido, o Incra vai com uma equipe de avaliadores e agrônomos para fazer a avaliação desse território a preço de mercado”, diz Maria Cristina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Havendo interesse da parte em vender pelo preço da avaliação, ela pode oferecer para venda. Se não houver interesse, o processo vai para um decreto de desapropriação por interesse social. Deposita-se o dinheiro em juízo e, havendo o depósito e o levantamento, o Incra obtém a posse.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">A comunidade só é titulada quando o Incra adquire a área e passa a titulação coletiva em nome da associação da comunidade.</span> “É uma propriedade para sempre, inalienável, imprescritível e indivisível, que não pode ser fatiada em lotes”, completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isaque da Cruz, líder do Quilombo do Carmo, espera que o processo seja cumprido para que, finalmente, os quilombolas consigam a titulação das terras. “As portarias aumentam a força institucional do processo para que o Governo Federal possa fazer a avaliação e a proposta de indenização aos proprietários”, diz.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>História de luta contra a herança da escravidão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Os moradores do bairro do Carmo e as pessoas que hoje formam o Quilombo Revolucionário do Carmo são descendentes dos escravizados que pertenciam à Ordem de Nossa Senhora do Carmo, da Província Carmelita Fluminense (PCF).</span> Em 1912, a PCF dividiu as terras da fazenda do Carmo em lotes com o intuito de vendê-las, desconsiderando os direitos dos negros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, como os remanescentes de quilombo alegaram seus direitos, a Ordem foi obrigada a negociar um acordo em juízo, e, nesse acordo, as terras dos negros foram reduzidas à quarta parte do terreno – o equivalente a 384,5 alqueires (cerca de 930,4 hectares) -, e o restante foi “liberado” para ser vendido, segundo Ferreira (s/d) e Stucchi (2010), segundo informações do <a href="https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/sp-quilombolas-do-carmo-lutam-para-que-seja-concluido-o-rtid-e-seus-direitos-territoriais-sejam-respeitados-de-fato/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mapa dos Conflitos</a>.</p>



<div class="wp-block-jetpack-slideshow aligncenter" data-effect="slide" style="--aspect-ratio:calc(1400 / 788)"><div class="wp-block-jetpack-slideshow_container swiper"><ul class="wp-block-jetpack-slideshow_swiper-wrapper swiper-wrapper"><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="360" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-265900" data-id="265900" data-aspect-ratio="1400 / 788" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Slide-1-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo.jpg?resize=640%2C360&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Slide-1-Quilombolas-lutam-por-territorio-ancestral-contra-imobiliaria-no-interior-de-Sao-Paulo.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, 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<p class="wp-block-paragraph">Há cerca de 25 km do centro de São Roque, o Quilombo do Carmo ocupa hoje um espaço às margens da estrada Aguassaí, enquanto as terras ancestrais estão em posse de grandes empresas, como a Privillagio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2024, a <strong>Pública</strong> foi até a cidade e mostrou como um condomínio de luxo, chamado Patrimônio do Carmo, <a href="https://apublica.org/2024/05/condominio-de-luxo-avanca-contra-quilombo-em-sao-roque-sp/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estava avançando</a> sobre as terras quilombolas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na ocasião, os proprietários do condomínio ergueram um muro nos limites do território que estava sendo pleiteado no RTID e avançava pelo terreno de algumas casas dos quilombolas, invadindo parte do território que eles reivindicam como tradicional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a publicação, Cruz conta que alguns moradores do condomínio reagiram afirmando que a atitude não refletia a opinião de todos e pediram para &#8220;não generalizar&#8221;. No entanto, ele diz que, para a comunidade, a situação continuou sem resolução e o muro continua no local.</p>
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		<title>No adeus a Zuenir, mestre também no humor</title>
		<link>https://apublica.org/2026/09/no-adeus-a-zuenir-mestre-tambem-no-humor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Viel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?p=266024</guid>

					<description><![CDATA[Zuenir brincava com semelhança com Millôr, Drauzio e Saramago. O chiste do português era, de todos, o mais engraçado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Nome maior do jornalismo brasileiro, Zuenir Ventura morreu esta semana, aos 95 anos, no Rio de Janeiro. Nas redes sociais, no rádio, nos jornais e na tv, colegas de profissão se despediram do autor de <em>1968: o Ano que Não Terminou</em> com palavras de carinho e admiração. Quem teve a sorte de trabalhar ao seu lado ressaltou também a sua doçura, paciência e disposição para ajudar e ensinar. Muitos jornalistas o chamavam de Mestre Zu.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em mais de meio século de ofício, Zuenir se debruçou sobre assuntos que definem o Brasil como nação (a violência urbana, o desrespeito à democracia, a obscena desigualdade social). É autor de algumas reportagens e livros que fazem parte da história do jornalismo no país, como <em>Chico Mendes: Crime e Castigo</em> e <em>Cidade Partida</em>. Recebeu importantes prêmios e reconhecimentos como jornalista, escritor e defensor dos direitos humanos. Ocupava, desde 2015, a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do instinto de repórter, do olhar jornalístico apurado e da elegância na escrita, Zuenir tinha um sentido de humor delicioso. E era um maravilhoso contador de histórias. Quando não estava fazendo jornalismo, permitia-se acrescentar uma pitadinha (ou várias) de ficção às suas narrações – sempre sem maldade, para prender a atenção e divertir quem ouvia.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;galleryId&quot;:&quot;6ab7f474bff48&quot;}" data-wp-interactive="core/gallery" class="wp-block-gallery alignwide has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6ab7f474c0224&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6ab7f474c0224" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" data-id="266028" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Capa-No-adeus-a-Zuenir-mestre-tambem-no-humor.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Sessão de homenagem a Zuenir Ventura no 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo (28/06/2018)" class="wp-image-266028" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Capa-No-adeus-a-Zuenir-mestre-tambem-no-humor.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Capa-No-adeus-a-Zuenir-mestre-tambem-no-humor.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Capa-No-adeus-a-Zuenir-mestre-tambem-no-humor.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6ab7f474c0679&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6ab7f474c0679" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" data-id="266030" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1-No-adeus-a-Zuenir-mestre-tambem-no-humor.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Sessão de homenagem a Zuenir Ventura no 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo (28/06/2018)" class="wp-image-266030" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1-No-adeus-a-Zuenir-mestre-tambem-no-humor.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1-No-adeus-a-Zuenir-mestre-tambem-no-humor.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1-No-adeus-a-Zuenir-mestre-tambem-no-humor.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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<figcaption class="blocks-gallery-caption wp-element-caption">Sessão de homenagem a Zuenir Ventura no 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Provavelmente o seu melhor parceiro na arte de fazer graça tenha sido o amigo Luís Fernando Veríssimo. Durante décadas dividiram palco, compartilharam mesas em eventos culturais e fizeram a alegria de quem, em festas e jantares, os teve por perto. Formavam uma dupla perfeita, que se conhecia de olhos fechados. O mineiro era mais falastrão; o gaúcho soltava a palavra certa na hora certa. Um ajudava o outro a brilhar. Os vi contar a mesma anedota, em lugares diferentes, mudando só o protagonista: uma vez tinha passado com um, na outra o protagonista era o outro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos cenários recorrentes desses “causos” de Zuenir era Paraty e a sua festa literária (a Flip). Certa feita, dizia, uma jovem se aproximou pedindo um autógrafo. Enquanto procurava uma caneta, ele quis saber qual era, entre os livros que tinha escrito, o que ela mais gostava. “O Menino Maluquinho”, respondeu a moça, sem titubear. Para não estragar a ilusão da admiradora de Ziraldo, Zuenir escreveu: “Para Fulana, minha fã, um beijo”. E assinou assim: Z. Às vezes, contava essa mesma história, substituindo a leitora pelo funcionário de um hotel em Paraty. Quando publicou um livro intitulado <em>Inveja – mal secreto</em>, contou que, certa vez, viu o amigo Ziraldo ser aplaudido por 20 mil pessoas no Maracanãzinho ao ser apresentado como jurado do Festival Internacional da Canção. Quando encontrou o cartunista, disse-lhe: “Você saiba que tinha um sujeito lá em cima que estava te vaiando, eu vi”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Zuenir gostava de brincar com a sua semelhança com outros escritores altos, esguios e carecas. Contava ter sido confundido na Flip várias vezes com Millôr Fernandes e com Drauzio Varella. E uma vez com José Saramago. O chiste envolvendo o português era o mais hilariante e funcionava mais ou menos assim: Zuenir sai da pousada onde está hospedado e é cercado por um enxame de fãs. As leitoras – todas mulheres – começam a elogiá-lo e a dizer que adoram os seus livros. Perguntam se podem tirar uma foto, ele assente, e é abraçado pelo grupo. Sente que finalmente tem o reconhecimento que merece, seu ego está nas alturas. Até que uma das moças grita para outra que vem dobrando a esquina: “Fulana, vem aqui conhecer o Saramago”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até quando foi dado como morto, vítima de uma notícia falsa, Zuenir não perdeu o humor. Num dia de 1999, um jovem repórter procurou na agenda do jornal o número de telefone do escritor e ligou. Queria que ele comentasse sobre a morte de uma figura conhecida. Acontece que fazia anos que aquele número já não era mais o de Zuenir. A senhora que atendeu, sabe-se lá por que cargas d’água, achou que era uma boa ideia inventar que o jornalista tinha acabado de morrer em um acidente na Lagoa Rodrigo de Freitas. Sem confirmar a veracidade, o rapaz publicou a informação, que rapidamente se espalhou. Vivinho da Silva, Zuenir estava numa cerimônia cheia de gente importante (incluindo Fernando Henrique Cardoso, então Presidente da República) no Instituto Moreira Salles (IMS). O evento era vedado à imprensa – Zuenir ia na qualidade de convidado – e contava com um forte esquema de segurança. Do lado de fora, a notícia da morte começou a circular entre os jornalistas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Lá pelas 9 horas da noite — eu tinha morrido às 16h — a imprensa descobriu que eu estava no IMS e não no IML. Do lado de fora, dezenas de repórteres e fotógrafos aguardavam o presidente atrás de um cordão de isolamento. Veio então uma ordem das redações para que falassem comigo; não valia mais a versão; eu tinha que ser ouvido ao vivo, se é que a expressão ainda se aplicava a mim. Naquele momento, eu era mais importante do que o presidente, o governador, o prefeito e quem mais estivesse lá dentro. Afinal, não é todo dia que se vê alguém morrer e ressuscitar em cinco horas. O recorde era três dias, mas fora batido há muito tempo”, contou Zuenir numa deliciosa coluna n’O Globo dias depois. “Já de madrugada, abri o computador e vi a descrição da minha morte; era tão precisa que não tive dúvida: devia ser verdade. Uma agência séria não colocaria no ar um boato desses.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desta vez, infelizmente, foi verdade. Zuenir se foi, o Brasil fica sem um dos seus melhores jornalistas. E perde também um exímio contador de histórias, dono de um sentido de humor de dar inveja.&nbsp;</p>
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		<title>Lula proíbe bets e cita relato de mãe que perdeu o filho para apostas ao assinar Medida</title>
		<link>https://apublica.org/2026/09/lula-proibe-bets-e-cita-mae-de-rafael-ao-assinar-medida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Solange Guimarães]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 01:18:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[apostas online]]></category>
		<category><![CDATA[bets]]></category>
		<category><![CDATA[Governo Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[Vânia Borges, que perdeu o filho para as apostas online, esteve com o presidente após matéria da Pública com seu relato]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-columns has-small-font-size is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%"><div class="wp-block-image text-decoration-none">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><a href="https://apublica.org/especial/jogo-perigoso-o-brasil-das-bets/" target="_blank" rel=" noreferrer noopener"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="335" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Logo-teste-1-bets-e1782405395221.png?resize=640%2C335&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-253718" style="aspect-ratio:1.5392252459888307;width:182px;height:auto" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Logo-teste-1-bets-e1782405395221.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Logo-teste-1-bets-e1782405395221.png?resize=800%2C419&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Logo-teste-1-bets-e1782405395221.png?resize=150%2C78&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /></a></figure>
</div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">Esta reportagem é parte de uma investigação especial da <strong>Agência Pública</strong> financiada pelos nossos Aliados, sem nenhum dinheiro de bet. Apoie mais reportagens como essa <a href="https://apoie.apublica.org/?utm_source=site&amp;utm_medium=boxabre&amp;utm_campaign=bets1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">clicando aqui.</a></p>
</blockquote>
</div>
</div>



<p class="wp-block-paragraph">Com efeito imediato, o presidente Lula assinou nesta sexta-feira, 25 de setembro, a Medida Provisória (MP) que proíbe apostas digitais, as bets, de funcionar no Brasil. Durante a cerimônia em São Paulo, Lula afirmou que conversou com pessoas que “estavam devendo por causa das bets e que os depoimentos foram estarrecedores”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem citar o nome, o presidente incluiu nesse rol de relatos a “mãe que perdeu o filho de 26 anos”. Trata-se de Vânia de Souza Borges, cujo filho, Rafael Borges Amaral, tirou a própria vida, exatamente aos 26 anos, após ser severamente pressionado por dívidas decorrentes do vício em apostas virtuais. <a href="https://apublica.org/2026/09/mae-que-perdeu-o-filho-para-as-bets-pede-proibicao-em-encontro-com-lula/">Lula e Vânia estiveram juntos no domingo, dia 12 de setembro</a> e, segundo a professora, que mora em Uberlândia (MG), esse foi seu pedido ao presidente: proibir as casas de apostas online no Brasil.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Capa_Mae-que-perdeu-o-filho-para-as-bets-pede-proibicao-em-encontro-com-Lula.jpeg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-265215" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Capa_Mae-que-perdeu-o-filho-para-as-bets-pede-proibicao-em-encontro-com-Lula.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Capa_Mae-que-perdeu-o-filho-para-as-bets-pede-proibicao-em-encontro-com-Lula.jpeg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Capa_Mae-que-perdeu-o-filho-para-as-bets-pede-proibicao-em-encontro-com-Lula.jpeg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><figcaption class="wp-element-caption">Professora Vânia Borges esteve com Lula após sua busca por Justiça pela morte do filho repercutir e inspirar projeto de lei</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O <a href="https://apublica.org/2026/07/mae-perde-filho-para-as-bets-e-luta-para-ver-influenciadores-na-justica-sao-traficantes/">caso de Rafael foi apresentado ao país</a> em reportagem da <strong>Agência Pública</strong> que integra o especial <a href="https://apublica.org/especial/jogo-perigoso-o-brasil-das-bets/">Jogo Perigoso: O Brasil das Bets</a>. Durante as investigações, a equipe de reportagem da Pública encontrou no relatório da CPI das Bets, que foi arquivado pelo Congresso Nacional, uma carta de Vânia contanto sobre a perda de Refael, e entrou em contato.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><!-- alsoRead --></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na entrevista, Vânia Borges afirmou que a atuação de influenciadores foi crucial no aprofundamento da crise financeira do filho e na transformação de uma tentativa de aumentar a renda, em ludopatia, o vício em apostas. Segundo Vânia, os influenciadores atuavam “como traficantes”. A comparação também foi usada por Lula na tarde desta sexta-feira, 25. “Me lembrou um pouco o começo do crack nesse país”, disse o presidente ao se referir aos casos de vício que estão ocorrendo no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Às vezes, as pessoas entram no descompasso de fazer dívida de forma desordenada e depois não consegue pagar mais”, acrescentou Lula no ato de assinatura da MP.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como ficam as bets agora?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A medida, que já vinha sendo esperada nos últimos dias, determina que os apostadores terão até o dia 5 de outubro para resgatar eventuais saldos nas contas dos sites de jogos e, a partir do dia 6, os sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar definitivamente. A devolução integral dos saldos para os apostadores será efetuada pelo CPF dos usuários nos bancos cadastrados. Os valores dos cadastrados que não forem localizados serão encaminhados para a Caixa Econômica Federal, onde poderão ser sacados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A publicidade de bets também está proibida a partir de 5 de outubro, tanto online como em meios físicos. Da mesma forma, as empresas de bets devem deixar de ser patrocinadoras, como de times de futebol, a partir de 5 de outubro. Isso inclui a necessidade de mudança, inclusive, nas camisas dos times até a data limite.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Medida Provisória tem validade de 120 dias e para se tornar lei precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional. O governo federal deve enviar, além da MP, um projeto de lei ao legislativo sobre a proibição e as penalidades para quem atuar de forma ilícita no país.</p>


<div class="block-importantpoints py-4 px-0 px-md-4" style="">
				<div class="bg-primary py-2 px-4 d-flex justify-content-between align-items-center">
				<h2 class="h5 m-0 p-0 fw-bold text-dark text-uppercase">Por que isso importa?</h2>
				<span><i class="fa-solid fa-star"></i></span>
			</div>
				<div class="bg-light border p-4 border-1 border-primary">
		<ul class="m-0"><li>As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões no ano passado segundo estimativa do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz)</li><li>O mesmo estudo aponta que entre outubro de 2024 e março de 2026, os gastos médios foram estimados em R$ 4,7 bilhões por mês.</li></ul>	</div>
</div>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Desenrola 3</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">No mesmo ato desta sexta-feira, Lula apresentou o programa de combate ao superendividamento, Desenrola 3. O programa é voltado para famílias com dívidas em atraso de 2 a 4,5 anos na faixa de R$ 10 mil e traz uma proposta diferente das duas edições anteriores. Neste novo modelo, o governo fará leilões com os bancos para comprar pacotes de dívidas com deságio de 90% e fará o repasse integral deste desconto para o dono da dívida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Esse <a href="https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/09/25/desenrola-30-mira-r-150-bilhoes-em-dividas-veja-como-vai-funcionar.ghtml" data-type="link" data-id="https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/09/25/desenrola-30-mira-r-150-bilhoes-em-dividas-veja-como-vai-funcionar.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Desenrola 3</a> é melhor que os outros porque, nos outros, as pessoas é que tinham que ir individualmente aos bancos. Agora é o governo que vai comprar a dívida e vai acertar a dívida com as pessoas”, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o governo, o Desenrola 3 terá alcance de 50% das dívidas elegíveis, que hoje somam cerca de R$ 150 bilhões, e custará aos cofres públicos em torno de R$ 15 bilhões. O foco é atender quem está com pendências no cartão de crédito, tanto rotativo como parcelado, e no crédito pessoal sem consignação em folha. O primeiro leilão deve ocorrer ainda em novembro deste ano, segundo o presidente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>As bets no Brasil</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A explosão das apostas online no Brasil aconteceu a partir da Lei 13.756, aprovada em dezembro de 2018, no apagar das luzes do governo de Michel Temer. A lei criou a modalidade de lotérica de &#8220;quota fixa&#8221; para apostas esportivas e determinava um prazo de dois anos, prorrogáveis por mais dois, para que o Ministério da Fazenda estabelecesse as regras de taxação, fiscalização e proteção ao consumidor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O prazo expirou durante a gestão de Jair Bolsonaro, sem que qualquer regra fosse criada. No vácuo da fiscalização, empresas sediadas em paraísos fiscais inundaram o mercado de publicidade no Brasil. A Copa do Mundo de 2022 funcionou como a grande chave de virada e consolidação: o futebol brasileiro tornou-se financeiramente dependente do setor, com transmissões e camisas de clubes integralmente tomadas pelas marcas ligadas às apostas online.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o governo Lula assumiu em 2023, a estratégia inicial foi a da tributação. O Ministério da Fazenda desenhou uma regulamentação focada em arrecadar com as outorgas e impostos sobre os prêmios. Contudo, a velocidade do endividamento da população e a multiplicação de fraudes atropelaram os planos econômicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Celebridades digitais transformaram-se nos principais canais de escoamento de jogos de azar maquiados como investimentos. Investigações parlamentares posteriores revelaram contratos abusivos em que influenciadores recebiam comissões baseadas nas perdas financeiras de seus próprios seguidores. Na esteira das denúncias de manipulação de resultados e lavagem de dinheiro, o Congresso instalou a CPI das Bets, mas o relatório foi arquivado sem que as investigações fossem finalizadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mudança de postura do Executivo, migrando da taxação para a proibição absoluta, ganhou força após revelações do impacto social do vício, a ludopatia. Ao lado da mobilização social e do aumento do endividamento no país, denúncias&nbsp;como o especial <em><a href="https://apublica.org/especial/jogo-perigoso-o-brasil-das-bets/" data-type="link" data-id="https://apublica.org/especial/jogo-perigoso-o-brasil-das-bets/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jogo Perigoso: O Brasil das Bets</a></em>, da <strong>Pública</strong> também foram importantes nesse processo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em julho deste ano, após a repercussão do relato de Vânia, a deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) protocolou o Projeto de Lei 3.613/26, batizado de &#8220;PL Rafael&#8221; em homenagem ao filho da professora mineira. O projeto prevê a responsabilização solidária de toda a cadeia de divulgação, incluindo grandes plataformas de tecnologia e influenciadores, por danos ao consumidor, além de proibir repasses financeiros atrelados ao prejuízo dos usuários.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Block do Tigrinho</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1_Lula-proibe-bets-e-cita-relato-de-mae-que-perdeu-o-filho-para-apostas-ao-assinar-Medida.jpeg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-266227" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1_Lula-proibe-bets-e-cita-relato-de-mae-que-perdeu-o-filho-para-apostas-ao-assinar-Medida.jpeg?w=667&amp;ssl=1 667w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1_Lula-proibe-bets-e-cita-relato-de-mae-que-perdeu-o-filho-para-apostas-ao-assinar-Medida.jpeg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 2400px" /><figcaption class="wp-element-caption">Lula esteve em ato de campanha no Rio de Janeiro com artistas onde afirmou que pretendia proibir bets no Brasil</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A pressão das famílias ganhou eco na classe artística e na sociedade civil através do movimento &#8220;Block do Tigrinho&#8221;, liderado pela produtora cultural Paula Lavigne. Em articulação direta com o governo, o movimento levou ao Planalto, no início de setembro deste ano, artistas como o rapper Emicida e o perfil Melted Videos (Yuri Zero).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O grupo argumentou que, enquanto grandes artistas podiam recusar patrocínios milionários de jogos, a base da cultura independente e influenciadores menores estavam se tornando reféns desse capital. O coletivo exigiu regras para impedir o uso indireto de marcas de apostas em fundos de fomento público, como a Lei Rouanet.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://apoie.apublica.org/?utm_source=site&amp;utm_medium=rodape&amp;utm_campaign=bets1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="178" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Banner-especial-bets-2026.png?resize=640%2C178&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-258897" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Banner-especial-bets-2026.png?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Banner-especial-bets-2026.png?resize=800%2C222&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/07/Banner-especial-bets-2026.png?resize=150%2C42&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /></a></figure>
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		<item>
		<title>Paulo Gonet segue no caso Master após decisão do Conselho do Ministério Público Federal</title>
		<link>https://apublica.org/nota/paulo-gonet-segue-no-caso-master-por-decisao-do-conselho-do-mpf/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maira Escardovelli]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 22:11:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[MPF]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[Indícios de irregularidades na relação do PGR com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foram desconsideradas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Após 24 dias que as mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro <a href="https://apublica.org/tag/daniel-vorcaro/" data-type="link" data-id="https://apublica.org/tag/daniel-vorcaro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Daniel Vorcaro</a> citando o procurador-Geral da República, Paulo Gonet, se tornaram públicas, o Conselho Superior do Ministério Público Federal decidiu, por unanimidade, nesta sexta-feira, 25 de setembro, manter o chefe do órgão à frente dos casos relacionados ao banco Master.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As conversas entre o ex-dono do Master e o advogado Ciro Soares revelaram menções ao PGR, motivo pelo qual parlamentares do partido Novo apresentaram uma representação pedindo a análise do Conselho sobre a substituição do PGR nas apurações do Master e a abertura de uma investigação interna sobre a sua conduta no caso. Em relação a este segundo tema, foram cinco votos por não seguir com o procedimento. No total, nove conselheiros participaram da análise.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PGR foi citado em conversas entre o advogado Ciro Soares e Vorcaro. Em uma delas, ocorrida em 15 de março de 2025, Soares, apontado como um interlocutor de Gonet, envia uma foto ao lado do procurador-geral e em seguida escreve para o empresário “Liga aqui. Ele quer falar com você”. Depois, o ex-banqueiro liga cinco vezes para Soares. A quinta chamada tem duração de três minutos e 49 segundos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já em 28 de março de 2025, o advogado enviou mensagens atribuídas a Gonet: “Que bom! Estou na torcida por vocês!”, “Já estou com saudades de você! Estou embarcando para Roma”. Os diálogos indicam ainda que o procurador-geral viajaria com o grupo a Londres para o 2º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, evento patrocinado pelo ex-banqueiro. No dia seguinte, Soares disse a Vorcaro que Gonet pediu se o filho poderia participar da viagem. Vorcaro respondeu: “Óbvio né”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um ano antes dessa conversa, em abril de 2024, o ex-banqueiro e o procurador-geral estiveram juntos em um evento em Londres. O encontro foi revelado por uma foto, também extraída do celular de Vorcaro pela Polícia Federal. Na imagem, os dois aparecem sentados à mesa com diversos copos geralmente utilizados para tomar whisky, e acompanhados de mais dois homens. Eles estão sorrindo e Gonet segura um charuto nas mãos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em novembro de 2025, quando o Master já estava na mira das investigações do Banco Central e da Polícia Federal, há uma nova citação a Gonet em mensagens do celular de Vorcaro. Dessa vez, em um diálogo com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, dois dias antes de ser preso pela primeira vez. “Não podemos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso”, escreveu o ex-banqueiro. Além de Paulo Gonet, a fala faz referência ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quinze dias antes, porém, Vorcaro já tinha solicitado o mesmo tipo de interferência. De acordo com o relatório da corporação, ele teria enviado a Moraes as mensagens: &#8220;É importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A análise do Conselho</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em seu voto, o relator, subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino, entendeu que as menções a Gonet não são suficientes para comprovar a proximidade com Vorcaro, se posicionando contra a abertura de uma investigação sobre o PGR. Ele foi seguido pelos conselheiros Alexandre Camanho de Assis e Celso de Albuquerque Silva e pelo vice-procurador Hindenburgo Chateaubriand.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Votaram para instaurar uma apuração as subprocuradoras Janice Agostinho Barreto Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski e Ana Borges Coelho Santos, além do conselheiro José Adônis Callou de Araujo Sá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na visão do relator, há uma ausência de materialidade ou autoria de crime que possa ser atribuída ao PGR. Sanseverino citou, inclusive, que a Polícia Federal não encontrou o número de telefone do PGR no celular do ex-banqueiro. “O investigado Daniel Vorcaro não tinha o nome de Paulo Gonet na sua lista de contatos. Há o registro de conversas entre Daniel Vorcaro e Ciro Soares, mas não há qualquer registro de conversa entre o investigado Daniel Vorcaro e Paulo Gonet”, argumentou Sanseverino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda de acordo com o subprocurador, “não se pode examinar frases ou troca de mensagens de forma isolada e/ou descontextualizada” para que não seja criada uma “situação artificial e que não corresponda à realidade dos fatos”. Já sobre o encontro entre Vorcaro e Gonet ocorrido durante evento em Londres, em abril de 2024, Sanseverino minimizou o fato e afirmou que &#8220;tratou-se de fato isolado, em encontro superficial e social e na presença de diversas pessoas”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o relator destacou que cabe ao <a href="https://www.estadao.com.br/politica/ministros-do-stf-elogiam-decisao-do-conselho-do-mpf-de-arquivar-pedido-de-investigacao-a-gonet/" data-type="link" data-id="https://www.estadao.com.br/politica/ministros-do-stf-elogiam-decisao-do-conselho-do-mpf-de-arquivar-pedido-de-investigacao-a-gonet/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">STF</a> a determinação de um possível afastamento ou impedimento do procurador-geral no caso. Em seu voto, ele foi acompanhado por todos os conselheiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Não cabe ao Conselho Superior, nem a qualquer outro órgão do Ministério Público Federal, fazer o controle disciplinar sobre o conteúdo de atos ou manifestações de agentes do Ministério Público no exercício de suas funções”, avaliou Sanseverino.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Nossa Senhora Aparecida: boato sobre padroeira domina redes e chega ao TSE</title>
		<link>https://apublica.org/nota/nossa-senhora-aparecida-boato-sobre-padroeira-chega-ao-tse/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Thiago Domenici]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 21:40:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
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					<description><![CDATA[Tema viraliza associado a Flávio Bolsonaro e ministro André Mendonça concede liminar à campanha do candidato]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Um projeto de lei engavetado há 18 anos levou Nossa Senhora Aparecida ao centro da campanha presidencial e, nesta sexta-feira, 25 de setembro, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O vice-presidente do Tribunal, ministro André Mendonça, determinou que o humorista Antonio Tabet apague do X (antigo Twitter) uma publicação que acusava a família de Flávio Bolsonaro (PL) de atacar a santa. Na postagem, com a imagem da padroeira, o humorista escreveu: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">A decisão proíbe novas postagens com a mesma acusação, sob multa de R$ 30 mil.</span> Segundo Mendonça, os documentos apresentados pela campanha de Flávio indicam que o candidato não propôs nem apoiou a iniciativa de retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nota, “A defesa de Antonio Tabet repudia veementemente a decisão liminar proferida pelo Ministro André Mendonça que determinou a remoção de uma de suas publicações na plataforma X. A ordem judicial de exclusão atinge uma manifestação que em momento algum citou o nome do candidato Flávio Bolsonaro. A principal (mas não única) fragilidade jurídica da decisão reside na presunção de que uma crítica genérica teria um destinatário certo, referendando um curioso fenômeno de autoidentificação. A postagem limitou-se a afirmar, acompanhada de uma imagem da padroeira, que ‘A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!’. O fato de o representante ter se reconhecido de forma tão imediata nessa exata descrição é revelador, mas vestir a própria carapuça não deveria fornecer o alicerce jurídico para a decretação de censura”. Leia a <a href="https://x.com/antoniotabet/status/2103598762337636409" target="_blank" rel="noopener">íntegra</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como o tema explodiu</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Existe um projeto de lei sobre o assunto, mas ele não tem relação com Flávio.</span> É o PL 2.623/2007, do então deputado Professor Victório Galli (PP-MT), pastor evangélico, arquivado há muitos anos. O texto alterava a redação da Lei 6.802/80, do feriado de 12 de outubro, trocando “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Galli invocava a laicidade do Estado, mas o projeto foi rejeitado na Comissão de Educação e Cultura e arquivado em agosto de 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta quinta-feira, 24 de setembro, no entanto, Maria Cristina Fernandes fez um comentário na <em>GloboNews</em> afirmando que haveria uma reação da Igreja Católica a evangélicos que estariam mobilizando o projeto, o que poderia favorecer Lula. A fala, que não mencionava <a href="https://apublica.org/tag/flavio-bolsonaro/" data-type="link" data-id="https://apublica.org/tag/flavio-bolsonaro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Flávio</a>, foi tirada de contexto e passou a viralizar como se ele estivesse por trás da ideia. Após a repercussão, a <em>GloboNews</em> fez uma retratação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Redes e reações de lado a lado</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Levantamento da Palver mostra que o assunto chegou a 735 menções a cada 100 mil mensagens nesta sexta-feira, 25. Um relatório da própria campanha, entregue ao TSE, contabilizou 2.086 publicações de 1.674 contas, com mais de 21 milhões de visualizações. <span class="highlighter">No <a href="https://trends.google.com.br/home" data-type="link" data-id="https://trends.google.com.br/home" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Google Trends</a>, as buscas pela santa atingiram o nível mais alto em três meses.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Flávio Bolsonaro chamou o conteúdo de fake news, disse que é evangélico, mas respeita todas as religiões. “Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto”, afirmou em um vídeo publicado na noite de ontem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou, em suas redes sociais, ter recebido mensagens de católicos preocupados e garantiu que as tradições religiosas serão preservadas. Na última quarta-feira, 23 de setembro, o presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Spengler, reiterou que a Igreja não declara voto e criticou a mistura entre religião e política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A controvérsia surge num momento em que bispos e arcebispos católicos têm se manifestado publicamente em defesa da soberania nacional e dos mais pobres, bandeiras que coincidem com o discurso de campanha de Lula. A cúpula da Igreja, porém, reafirma que não apoia candidatos nem partidos.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Capa_Nossa-Senhora-Aparecida-boato-sobre-padroeira-domina-redes-e-chega-ao-TSE.jpg" length="469024" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">266198</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Análise da Abin aponta extrema-direita no Brasil como “facilitadora” de ofensiva de Trump</title>
		<link>https://apublica.org/2026/09/analise-da-abin-aponta-extrema-direita-no-brasil-como-facilitadora-de-ofensiva-de-trump/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dyepeson Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 17:30:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Abin]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[extrema direita]]></category>
		<category><![CDATA[segurança]]></category>
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					<description><![CDATA[Desde novembro de 2025 análises sobre risco “crítico” de interferência vem sendo produzidos pela agência de inteligência]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Sentado, de mãos cruzadas e com olhar sério para a câmera, o embaixador dos Estados Unidos no Panamá, Kevin Cabrera, anuncia, em vídeo publicado no canal do Departamento de Estado no YouTube em 13 de agosto de 2026: “Agora, a América tem a oportunidade de estabelecer uma nova ordem”. A frase ecoa a Doutrina Monroe, do princípio do século 19, que tratava o continente americano como área de influência dos EUA. O presidente Donald Trump a resgatou para justificar interferências políticas, militares e econômicas em outros países. Um dos alvos é o Brasil, em pleno ano eleitoral. A <strong>Agência</strong> <strong>Pública</strong> apurou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tem monitorado a situação por meio de relatórios internos que classificam os discursos de figuras da extrema-direita no Brasil como “facilitadores” de ataques à soberania nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente, num relatório entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Polícia Federal (PF), a Abin classificou como “crítico” o risco de interferência e influência dos EUA nas eleições brasileiras. O conteúdo do documento foi revelado pela jornalista Mônica Bergamo, da <em>Folha de S.Paulo</em>. A <strong>Pública</strong> apurou que relatórios semelhantes vêm sendo produzidos desde novembro de 2025, quando a gestão de Trump passou a ampliar o plano de hegemonia na América Latina. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Parte da extrema-direita no Brasil tem visões ideológicas alinhadas à gestão trumpista. Essa ala extremista é observada, nas análises da Abin, como colaboradora dos interesses americanos no país. Os países latino-americanos já foram definidos como “quintal” de Washington pelo Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Peter Hegseth, em entrevista à Fox News no ano passado. A ascensão desta narrativa trumpista foi rebatida pelo presidente Lula em seu último discurso, na abertura da Assembleia Geral da ONU, na última terça-feira, 22 de setembro. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou o presidente, que também é candidato à reeleição. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Fontes da Abin contaram à reportagem, sob reserva, que o cerne do interesse dos EUA estaria na extração de terras raras — mais de 20% das reservas mundiais de terras raras estão no solo brasileiro. A <strong>Pública</strong> mostrou que, no início do mandato, Trump assinou um <a href="https://apublica.org/2026/04/terras-raras-mineradora-em-goias-vira-negocio-bilionario/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decreto</a> para acelerar a produção de minerais críticos e reduzir a dependência do governo chinês. “(&#8230;) Minerais críticos são essenciais para a prontidão militar americana, já que eles são componentes-chave de jatos, satélites, submarinos, bombas e sistemas de mísseis guiados”, registra um trecho do decreto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Pública</strong> também apurou que a embaixada dos EUA no Brasil procurou o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcanti (RJ), para que ele recebesse dois enviados do Departamento de Estado. Segundo a apuração, a missão da dupla era lançar dúvidas sobre as urnas eletrônicas. O Itamaraty negou os vistos a Riley Bernes e Samuel Samson.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em meio à tensão diplomática, o Ministério das Relações Exteriores ainda não deu aval à indicação de Donald Trump para a embaixada dos EUA no Brasil. O indicado foi o representante da Flórida  — equivalente a um deputado estadual —, Daniel Perez, cujo nome foi aprovado pelo Senado americano em 7 de agosto. Contudo, ele não pode assumir o cargo sem o <em>agrément</em> — norma da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961. O <em>agrément</em> é a aceitação do país que vai receber o indicado e vem antes da indicação, o que não ocorreu no caso brasileiro. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O parlamentar é fiel ao movimento nacionalista Make America Great Again (MAGA), amigo pessoal e integrante do mesmo grupo político de Marco Rubio. A <strong>Pública</strong> <a href="https://apublica.org/2026/08/daniel-perez-o-deputado-escolhido-por-trump-para-embaixada-no-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mostrou</a> que Perez é peça importante no projeto expansionista de Trump e que seria uma figura relevante na tentativa de interferência no Brasil, inclusive no auxílio à formulação de leis no Congresso Nacional.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Discursos intervencionistas no radar da Abin</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O monitoramento da Abin abrange ainda discursos intervencionistas que possam “causar impacto nas instituições” e obter apoio popular e político para uma interferência americana. O acompanhamento dos agentes de inteligência é constante e poderia incluir políticos com mandatos e posicionamentos radicais, bem como pessoas com poder de mobilização, como influenciadores digitais de extrema-direita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“As eleições brasileiras não têm, como há quatro anos, um cenário de abolição do Estado Democrático de Direito. Agora é um cenário de interferência externa em que o governo dos EUA tem preferência pelo campo opositor e vê nesse campo um facilitador de seus interesses unicamente americanos”, frisou uma fonte da Abin, sob condição de anonimato.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ações para estimular o apoio à interferência americana foram intensificadas em 2026. Entre elas, a protagonizada por Marco Rubio em 16 de julho, quando convocou 66 países a se unirem a um projeto de combate ao que classificou como “terrorismo de extrema esquerda”. Sem provas, Rubio — filho de cubanos conservadores e integrante de uma elite econômica estabelecida na Flórida — acusou Cuba de espionagem e de infiltração no território americano.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dois meses depois, em 22 de setembro, os 14 países da América Latina, membros do “Escudo das Américas” — aliança bélica criada por Donald Trump — assinaram um acordo para impor sanções às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), a exemplo do congelamento de bens e de restrições à imigração e a vistos.&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Capa-Analise-da-Abin-aponta-extrema-direita-no-Brasil-como-facilitadora-de-ofensiva-de-Trump.jpg" length="478783" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">266159</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Na corrida pela notícia, imprensa entrega o “ouro” para as redes</title>
		<link>https://apublica.org/2026/09/na-corrida-pela-noticia-imprensa-entrega-o-ouro-para-as-redes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Amaral]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[Sem dar sentido aos fatos, a mercadoria “notícia” vira combustível para desinformação ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
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</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Achei muito interessante o episódio apresentado por Fábio Porchat, criado e produzido pelo podcast “Calma Urgente”, sobre as relações entre os Vorcaro, a Igreja da Lagoinha e os Bolsonaro. Mais do que as tiradas divertidas do humorista, <strong>o que me impressionou foi a capacidade de dar sentido aos fatos, com uma narrativa acessível e precisa sobre o que significa o escândalo do Master e quem são seus reais protagonistas.&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O projeto une artistas e jornalistas e parece ter encontrado uma forma eficiente de dialogar com o público nessas eleições tão complexas, infiltradas por <a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/24/tudo-indica-que-recursos-que-financiaram-filme-dark-horse-pode-vir-do-crime-organizado-diz-ministro-da-fazenda.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">recursos</a> de organizações criminosas e ameaçadas por Donald Trump, aliado e beneficiário das Big Techs.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Notem: os fatos que embasam a história contada por Porchat não são “furos”, mas foram amarrados de forma a torná-los compreensíveis para o leitor sem descambar na propaganda. Talvez seja esse o motivo pelo qual o perfil “Revelando” &#8211; que divulga os episódios &#8211; tenha sido <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/09/meta-derruba-perfil-de-serie-com-porchat-sobre-relacoes-entre-master-e-igreja-lagoinha.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">censurado</a> (e depois liberado) pela Meta quando já alcançava 6 milhões de visualizações (e o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mj6Il4NWieA" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vídeo</a> 5,4 milhões de views no YouTube até o momento em que escrevo, quando um novo episódio já está sendo lançado). </p>



<p class="wp-block-paragraph">O que vale uma reflexão sobre o jornalismo, sobretudo aquele que continua repetindo métodos (como os vazamentos seletivos), fontes e formatos (a notícia-mercadoria) sem compreender a mudança de seu papel no novo ecossistema informativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tenho cá para mim que a expectativa dos donos das empresas jornalísticas não vai além de conseguir negociar com as Big Techs para obter pagamentos em troca das notícias que entregam de graça como combustível para as redes &#8211; pelo menos até que a inteligência artificial se encarregue de criá-las ao gosto do freguês. Afinal, não se pode esperar muito de quem não vê contradição entre defender o interesse público e lucrar com anúncios de bets &#8211; prática rejeitada por cem veículos digitais em <a href="https://apublica.org/2026/09/cem-veiculos-digitais-disseram-nao-as-propagandas-de-bets/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">manifestação</a> liderada pela <strong>Agência</strong> <strong>Pública.</strong> Hoje (24), o presidente Lula deve assinar uma <a href="https://www.uol.com.br/esporte/colunas/alicia-klein/2026/09/24/mp-de-lula-proibira-todas-as-bets-no-brasil-e-deve-ser-assinada-amanha.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">MP</a> proibindo as bets no país. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Para nós, jornalistas, a batalha é outra. <strong>Se queremos cumprir nosso papel na garantia ao direito à informação da população, temos que preservar o “ouro” do jornalismo: o sentido dos fatos, o que começa pela leitura política da realidade.</strong> Como já dizia o mestre Cláudio Abramo: “O jornalismo não pode ser despido de opinião política. Deve-se sim ter opinião, saber onde ela começa e acaba, onde ela interfere nas coisas ou não. É preciso ter consciência. O jornalista não pode ser ingênuo, deve ser cético. Ele não pode ser impiedoso com as coisas sem um critério ético”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se isso já era importante há 40 anos, imagine agora em que o produto do nosso trabalho está sujeito a uma mega manipulação de significado e sentido, a depender de quem se aproveita dele. Quanto mais “objetiva” a pauta, e mais “isento” o conteúdo, maior o poder nas mãos dos que controlam as redes.<strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Há que ter um ponto de vista, que nasce do próprio conhecimento dos jornalistas sobre a realidade, o contexto histórico e os personagens envolvidos, e que muitas vezes se perde na ânsia pela entrega da “mercadoria”.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, como observou <a href="https://www.intercept.com.br/2026/09/21/imprensa-caso-master-escolhe-sombra/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fabiana Moraes</a>, parte da imprensa continua a repetir os erros cometidos na cobertura da Lava Jato, quando os jornalistas reproduziam as informações vazadas pela força-tarefa (havia até coletiva em off), selecionadas conforme os interesses dos envolvidos: o juiz Sérgio Moro (depois ministro da Justiça de Bolsonaro) e procuradores como Deltan Dallagnol, que quase conseguiu garfar 2,5 bilhões de reais de um acordo entre a Petrobrás e o Departamento de Justiça dos EUA para criar uma fundação privada. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A Lava Jato só revelou seu real sentido para o país quando os jornalistas do Intercept Brasil demonstraram como esses interesses levaram a ilegalidades que comprometeram o processo. Fato que de certo modo se repetiu nessas eleições, quando o mesmo veículo expôs as relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro nos áudios do Dark Horse. Até então, o que se tinha eram os vazamentos seletivos de André Mendonça contra Alexandre de Moraes e “Lulinha”, motivados pelo desejo de eleger Flávio Bolsonaro &#8211; como se tornou explícito com a crise no STF e o 7 de setembro em São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Houve outro erro, que também já foi apontado por Fabiana, ainda em 2018, que foi tratar Jair Bolsonaro com complacência, sem identificá-lo claramente como de extrema direita nem chamar a atenção do perigo que representava para a democracia. Agora boa parte da imprensa não apenas demorou a reconhecer a interferência dos Estados Unidos nas eleições, o fato mais importante desta votação, como falhou na cobertura do lobby de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo para prejudicar o país, acompanhado desde o início pela <strong>Pública</strong>. Não é à toa que a <strong>Pública</strong> e a jornalista Natalia Viana, que lidera as investigações, se tornaram alvos de <a href="https://apublica.org/2026/08/paulo-figueiredo-e-eduardo-bolsonaro-voltam-a-atacar-agencia-publica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ataques</a> misóginos e mentirosos da dupla de lobistas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Vemos agora um movimento no noticiário apontando uma suposta liderança de Flávio nas pesquisas eleitorais, apoiando-se em pequenas oscilações de uma eleição acirrada. Na quarta-feira (23), um título na página principal do UOL sobre a pesquisa Atlas/Intel anunciava: “Flávio cresce e encosta em Lula no primeiro turno”, enquanto os números mostravam que ambos os candidatos tinham crescido e a diferença se mantinha rigorosamente a mesma da pesquisa anterior. Um erro crasso, <a href="https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2026/09/23/atlasintel-flavio-cresce-e-encosta-em-lula-no-1-turno-ha-empate-no-2.ghtm?cmpid=copiaecola" target="_blank" rel="noreferrer noopener">corrigido</a> algum tempo depois, mas que pode ser lido por essa lente &#8211; menos conspiracionista e mais reveladora do comportamento de “boiada” que contamina com frequência o noticiário de “consenso”.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">No começo da semana houve grande alvoroço com a oscilação de um ponto positivo para Flávio, o que foi <a href="https://datafolha.folha.uol.com.br/eleicoes/2026/09/lula-pt-e-flavio-bolsonaro-pl-empatam-no-1o-e-2o-turnos.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">destacado</a> como um empate técnico (3 pontos de diferença) inédito no 1º turno. Nesta quinta-feira, novo Datafolha <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/datafolha-lula-tem-40-e-flavio-bolsonaro-36-em-1o-turno-rivais-empatam-em-2o-turno.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">revelou</a> uma oscilação positiva de 1 ponto para Lula, recolocando a vantagem sobre Flávio fora da margem de erro. Ou seja, nada mudou substancialmente, as previsões continuam impossíveis &#8211; esses são os fatos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratégia de Flávio é repetir que vencerá no primeiro turno para captar eleitores e até para inflar apostas na plataforma Polymarket, gerando números imaginários apresentados por ele nas redes nesta semana como se fosse uma <a href="https://apublica.org/2026/09/flavio-bolsonaro-e-aliados-divulgam-apostas-do-polymarket-como-pesquisa-eleitoral/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa</a> eleitoral. Se não ajudá-lo a vencer, já sabemos como essa narrativa de “vitória” pode se tornar munição para os golpistas. Não podemos nos arriscar a ser usados nesse jogo.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Capa_Na-corrida-pela-noticia-imprensa-entrega-o-ouro-para-as-redes-1-1.jpg" length="334209" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">266106</post-id>	</item>
		<item>
		<title>IAs no centro da nova disputa global: acelerar ou regulamentar? com Veronyka &#8220;Travahacker&#8221;</title>
		<link>https://apublica.org/podcast/2026/09/podcast-pauta-publica/ia-no-centro-da-nova-disputa-global-acelerar-ou-regulamentar-com-veronyka-travahacker-gimenes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea DiP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
		<category><![CDATA[ONU]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Trump]]></category>
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					<description><![CDATA[Veronyka “Travahacker” Gimenes fala sobre os riscos e os  limites do avanço da tecnologia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">“O uso da palavra ‘artificial’ faz a inteligência parecer falsa. A partir de agora, será oficialmente chamada de superinteligência”. Esta afirmação foi feita por Trump nesta terça-feira (22), na <a href="https://apublica.org/2026/09/lula-x-trump-como-foram-os-discursos-na-onu/" data-type="link" data-id="https://apublica.org/2026/09/lula-x-trump-como-foram-os-discursos-na-onu/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Assembleia Geral da ONU</a> em Nova York. O encontro deste ano aconteceu em meio à disputa global pelo domínio tecnológico e a diversos alertas de pesquisadores do setor de tecnologia sobre uma possível falta de controle sobre o avanço dos modelos de Inteligência Artificial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para debater os rumos da Inteligência Artificial e os interesses por trás dessa disputa, o Pauta Pública recebe Veronyka &#8220;Travahacker&#8221; Gimenes, programadora, artista, ativista e comunicadora. Eleita uma das 100 pessoas mais influentes em inteligência artificial do mundo em 2026 pela revista Time, e diretora da plataforma <a href="https://codigonaobinario.org/" data-type="link" data-id="https://codigonaobinario.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Código Não Binário</a>, Veronyka fala sobre os desafios para evitar que a IA ofereça riscos à humanidade e destaca, mais do que nunca, a importância da regulamentação para que as tecnologias não cheguem a limites inimagináveis.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Indígenas Kayapó se colocam em risco para bloquear garimpo ilegal na Terra Indígena Baú</title>
		<link>https://apublica.org/2026/09/indigenas-kayapo-se-colocam-em-risco-para-bloquear-garimpo-ilegal-na-terra-indigena-bau/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabel Seta]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[garimpo]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[terras indígenas]]></category>
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					<description><![CDATA[Dois meses após operação da PF, número de invasores quadruplicou, dizem órgãos; há suspeita de participação de facções]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Menos de dois meses depois de uma operação da Polícia Federal, o avanço de uma invasão de garimpeiros na Terra Indígena Baú, no sudeste do Pará, forçou indígenas Kayapó a tomarem uma atitude de alto risco. Desde segunda-feira, 21 de setembro, um grupo de guerreiros Kayapó bloqueia a via de acesso a um garimpo ilegal chamado Pista Velha, próximo ao rio Curuazinho, no meio do território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o bloqueio, os indígenas tentam frear a logística de abastecimento do garimpo, que vem atraindo cada vez mais invasores pelo alto volume de ouro extraído no local. Segundo informações das organizações da Rede Xingu+, que atuam nas terras indígenas Baú e Menkragnoti e monitoram o local, <span class="highlighter">o número de garimpeiros quadruplicou apenas nos últimos dois meses, chegando a aproximadamente 400 pessoas.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">A cada dia de espera, cresce a tensão e o medo de um novo conflito. <span class="highlighter">Informações passadas ao grupo que está bloqueando o acesso ao garimpo apontam que há armas de vários calibres no local, incluindo armas pesadas, como pelo menos quatro fuzis.</span> Por conta desse armamento, os indígenas suspeitam de participação de facções criminosas ligadas ao narcotráfico na extração ilegal de ouro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, os indígenas afirmam que não estão dispostos a sair do local enquanto não houver uma ação do poder público para retirar os invasores. À reportagem, a Polícia Federal (PF) afirmou estar acompanhando a situação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O garimpo criminoso na Terra Indígena (TI) Baú é um problema desde 2019 e tem provocado vários conflitos entre garimpeiros e indígenas Kayapó (autodenominados Mebengôkre), que tentam <a href="https://apublica.org/2024/10/kayapo-conversao-evangelica-gera-temor-por-abandono-de-tradicoes/" data-type="link" data-id="https://apublica.org/2024/10/kayapo-conversao-evangelica-gera-temor-por-abandono-de-tradicoes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">proteger o território</a>. A atividade, porém, vem se intensificando desde o ano passado, sem que as autoridades tenham conseguido desestruturá-la de forma efetiva.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No final de julho, a PF e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) <a href="https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/noticias/2026/07/pf-realiza-operacao-de-desintrusao-e-combate-a-garimpo-em-terra-indigena?shem=dsdf,sharefoc,agadiscoversdl,,sh/x/discover/m1/4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">realizaram</a> uma operação na Terra Indígena Baú. Na ação, as equipes realizaram autuações, registraram as áreas degradadas e inutilizaram dois acampamentos, além de pás-carregadeiras, motores usados em balsas de garimpo, gerador, tanque e galões de combustível. <span class="highlighter">Mas a operação não chegou ao garimpo de Pista Velha e apenas dispersou os infratores momentaneamente, segundo as organizações que acompanham de perto a situação.</span> A TI Baú é um vasto território de 1,5 milhão de hectares (dez vezes a cidade de São Paulo), onde vivem os povos Kayapó e os isolados Pu´rô.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6ab7f474c8f5b&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6ab7f474c8f5b" class="alignleft size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="415" height="482" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1_Indigenas-Kayapo-se-colocam-em-risco-para-bloquear-garimpo-ilegal-na-Terra-Indigena-Bau.png?resize=415%2C482&#038;ssl=1" alt="Foto aérea mostra ferida aberta pelo garimpo de nome Pista Velha em Terras Indígenas Baú, dos Kayapó, visível em imagem de satélite do Google Earth" class="wp-image-266070" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1_Indigenas-Kayapo-se-colocam-em-risco-para-bloquear-garimpo-ilegal-na-Terra-Indigena-Bau.png?w=415&amp;ssl=1 415w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1_Indigenas-Kayapo-se-colocam-em-risco-para-bloquear-garimpo-ilegal-na-Terra-Indigena-Bau.png?resize=150%2C174&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 415px) 85vw, 415px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Ferida aberta pelo garimpo Pista Velha na Terra Indígena Baú é visível em imagem de satélite do Google Earth</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Meses antes da operação, em fevereiro, a Rede Xingu+, formada por 53 organizações indígenas, ribeirinhas e da sociedade civil com atuação na bacia do rio Xingu, alertou a vários órgãos do governo federal que uma expedição de vigilância realizada pelos Kayapó havia interceptado dois grupos de garimpeiros. Na ocasião, um dos responsáveis pelo garimpo disse que havia dezenas de mineradores ilegais instalados no território, e os próprios indígenas apreenderam duas armas de fogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No começo do ano, o trabalho de vigilância dos Kayapó identificou outro ponto de garimpo ilegal, além do Pista Velha, e informou às autoridades a localidade que serviria como “porta de entrada” para a invasão do território. <span class="highlighter">Agora, com a chegada de mais garimpeiros ao Pista Velha, os indígenas da TI Baú e da vizinha Terra Indígena Menkragnoti se uniram para tentar impedir a continuidade do funcionamento do garimpo.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta quinta-feira, 24 de setembro, uma equipe indígena de vigilância encontrou uma espingarda calibre 28 e um motor de barco escondidos em uma área próxima ao Pista Velha. Em sites na internet, esse motor custa entre R$ 10 mil e R$ 12 mil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O medo é que o garimpo cresça ainda mais nos próximos meses. Ali, a extração ilegal de ouro se dá em barrancos abertos no meio da floresta. As árvores são derrubadas, a vegetação é destruída e o solo é revirado na busca predatória por minério. A atividade de mineração é proibida em terras indígenas pela legislação e, além de provocar impactos graves para a natureza, também causa conflitos sociais nas comunidades indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Agência Pública</strong> procurou o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), mas não teve resposta até a publicação desta reportagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a PF afirmou que a operação na TI, realizada entre os dias 28 de julho e 1º de agosto, empregou três aeronaves para combater “atividades ilegais de extração mineral na região e em áreas externas que, conforme informações reunidas pelos órgãos participantes, impactam cursos d’água e comunidades indígenas”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Diante da situação, a Polícia Federal segue atuando no acompanhamento da região e na adoção de medidas cabíveis para o enfrentamento de atividades ilícitas”, completou o órgão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Desde 2019, ano em que o garimpo Pista Velha foi reativado, a área afetada pela mineração ilegal na Terra Indígena Baú vem crescendo.</span> A maior parte da expansão garimpeira se deu durante o governo Bolsonaro. Até 2017, 150 hectares haviam sido desmatados no território, mas apenas entre 2018 e 2022, as áreas de garimpo superaram 308 hectares, segundo levantamento do Instituto Socioambiental. Em 2025, elas chegaram a um total acumulado de 332 hectares, o equivalente a cerca de 460 campos de futebol, conforme dados disponibilizados pela plataforma Amazon Watch.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ano passado, já haviam sido detectados vários pontos ativos de garimpo em diversas partes do território, e um sobrevoo confirmou que havia mineração ilegal em expansão na área do Pista Velha. <span class="highlighter">Ao longo de 2025, a Rede Xingu+ enviou alertas formais aos órgãos governamentais com denúncias sobre a atuação criminosa.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos pontos de garimpo identificados dentro do território, há vários outros dispostos ao longo das fronteiras oeste das Terras Indígenas Baú e Menkragnoti. Em maio, uma decisão da Justiça Federal no Pará determinou que o Ibama realizasse ações de fiscalização para desmobilizar um desses garimpos, o “Esperança IV”. Às margens do rio Curuá, a atividade minerária ilegal ameaça diretamente o rio – e todos que dependem dele e de seus mais de cem igarapés e afluentes.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6ab7f474c96c2&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6ab7f474c96c2" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="426" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto2_Indigenas-Kayapo-se-colocam-em-risco-para-bloquear-garimpo-ilegal-na-Terra-Indigena-Bau.jpeg?resize=640%2C426&#038;ssl=1" alt="Imagem de sobrevoo realizado neste ano mostra o garimpo “Esperança IV”, localizado às margens do rio Curuá, na região que faz fronteira com a Terra Indígena Baú." class="wp-image-266071" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto2_Indigenas-Kayapo-se-colocam-em-risco-para-bloquear-garimpo-ilegal-na-Terra-Indigena-Bau.jpeg?w=1600&amp;ssl=1 1600w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto2_Indigenas-Kayapo-se-colocam-em-risco-para-bloquear-garimpo-ilegal-na-Terra-Indigena-Bau.jpeg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto2_Indigenas-Kayapo-se-colocam-em-risco-para-bloquear-garimpo-ilegal-na-Terra-Indigena-Bau.jpeg?resize=1536%2C1023&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto2_Indigenas-Kayapo-se-colocam-em-risco-para-bloquear-garimpo-ilegal-na-Terra-Indigena-Bau.jpeg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto2_Indigenas-Kayapo-se-colocam-em-risco-para-bloquear-garimpo-ilegal-na-Terra-Indigena-Bau.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Imagem de sobrevoo realizado neste ano mostra o garimpo “Esperança IV”, localizado às margens do rio Curuá, na região que faz fronteira com a Terra Indígena Baú</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Uma análise do monitoramento da Rede Xingu+ mostra que a área desmatada por garimpo no entorno oeste das duas terras indígenas cresceu 11% entre 2024 e 2025 e que quase 80% dessas áreas de garimpo não possuíam autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) para exploração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Terra Indígena Baú tem uma longa história de resistência à pilhagem da natureza. No início dos anos 1990, quando o território foi declarado como de posse indígena, invasores impediram várias vezes a demarcação física da área. Em 2003, quando o processo de demarcação foi retomado, os Kayapó aceitaram abrir mão de uma faixa equivalente a 3 mil km² do lado oeste da terra indígena com a promessa de que as invasões seriam interrompidas. A homologação do território, etapa final da demarcação, só aconteceu cinco anos depois.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os demais territórios Kayapó no eixo da rodovia BR-163 (que liga Cuiabá, no Mato Grosso, a Santarém, no Pará) também sofrem os impactos da extração ilegal de ouro. No caso das TI Panará e da TI Menkragnoti, há denúncias de contaminação dos rios, que têm adquirido um aspecto barrento, ameaçando a disponibilidade de água para as comunidades indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As terras onde vivem os Kayapó fazem parte de um mosaico de territórios indígenas e unidades de conservação que formam uma grande área contínua de conservação na bacia do Xingu. Na região, o garimpo tem promovido o avanço do desmatamento também nas Terras Indígenas Kuruaya, Trincheira Bacajá e Apyterewa e em outras cinco áreas protegidas. Uma das situações mais críticas, segundo o monitoramento da Rede Xingu+, é na Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo, onde nascem vários dos rios que banham a bacia.</p>
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		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Capa_Indigenas-Kayapo-se-colocam-em-risco-para-bloquear-garimpo-ilegal-na-Terra-Indigena-Bau.jpeg" length="627931" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">266059</post-id>	</item>
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		<title>Zucco destinou emenda pix para evento evangélico liderado por pastor bolsonarista</title>
		<link>https://apublica.org/2026/09/zucco-destinou-emenda-pix-para-evento-evangelico-liderado-por-pastor-bolsonarista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Thiago Müller]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 21:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[evangélicos]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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					<description><![CDATA[Repasse de R$ 200 mil destoa de outros envios; segundo deputado, foram avaliadas a pertinência e relevância pública]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O político do Partido Liberal (PL) de Santa Maria, Jader Maretoli, se intitula como um apóstolo. Foi com essa autodenominação que ele coordenou um evento gospel realizado no final do ano passado. No encerramento do Dia da Família, em 7 de dezembro, o pastor da Jesus Church pediu bênçãos para o padrinho do evento, o tenente-coronel Luciano Zucco, então deputado federal bolsonarista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Nós precisamos honrar quem merece honra. A Bíblia nos diz isso. Se tem alguém que nos ajudou muito, que é o grande padrinho deste evento, é o tenente-coronel Zucco”, disse aos fiéis presentes. “Eu quero que você, nas suas orações, nessa noite, ore pela vida dele, porque, com certeza, Deus vai o abençoar muito mais, para que ele continue nos abençoando e sendo canal de Deus nos próximos anos aqui na nossa cidade, na nossa região.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Zucco não estava presente no evento, mas destinou R$ 200 mil para custear o Dia da Família de 5 a 7 de dezembro. O evento, que reuniu de motoqueiros a fiéis evangélicos, incluiu também a contratação de um cantor gospel sem licitação. O repasse destoa do perfil das emendas pix enviadas pelo então deputado federal e atual candidato ao governo do Rio Grande do Sul e foi a única ocasião em que Zucco destinou a eventos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma análise feita pela Matinal das emendas pix enviadas por Zucco entre 2024 e 2026, com base no <a href="https://www.matinal.org/eleicoes-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Emendômetro</a>, mostra que a maior parte dos R$ 5,6 milhões foi destinada à educação e segurança pública. Quase não há detalhamento de onde foi parar o dinheiro enviado a escolas. No que tange à segurança pública, os recursos foram aplicados na compra de veículos, armas e outros materiais para guardas municipais, Polícia Militar e delegacias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de Maretoli ter homenageado Zucco como padrinho do evento, a equipe de comunicação do candidato do PL disse à Matinal que a demanda partiu do próprio município. “O mandato recebe solicitações apresentadas por prefeituras, câmaras de vereadores, entidades, associações, representantes municipais e também por cidadãos”, informou.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nestas demandas, a comunicação do candidato especificou que são considerados critérios técnicos e legais como “relevância e o interesse público, a pertinência para o município, a possibilidade legal de atendimento, a adequação do objeto à modalidade do recurso, a disponibilidade orçamentária e a viabilidade de execução”. Após a resposta, questionamos qual seria a relevância social e a pertinência do Dia da Família, mas a comunicação do candidato disse que não ia prestar novos esclarecimentos. Disse ter atendido às demandas do veículo e que o questionamento sobre o destino da emenda está ligado ao alinhamento editorial do veículo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas respostas enviadas, Zucco e sua equipe afirmam zelar pela correta destinação das emendas parlamentares. “Caso seja identificado qualquer indício de irregularidade na aplicação dos recursos, o mandato exerce sua prerrogativa de fiscalização e adota as providências cabíveis perante os órgãos competentes”, diz a nota. O deputado também enviou ofício à Controladoria Geral da União solicitando fiscalização das emendas parlamentares individuais indicadas por ele no exercício de 2025, visando a lisura e transparência na execução.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, disse também que, durante a indicação da emenda parlamentar para o evento em Santa Maria, o mandato só tinha conhecimento de que a ocasião denominava-se “Marcha da Família” e nada mais (<a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Respostas-aos-questionamentos-da-Reportagem_-deputado-Zucco-Zucco-destinou-emenda-pix-para-evento-evangelico-liderado-por-pastor-bolsonarista.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">confira as respostas na íntegra</a>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reportagem entrou em contato com o pastor Jader Maretoli quatro vezes, sem sucesso. No último contato, ele comprometeu-se a prestar esclarecimentos, e pediu que as perguntas fossem enviadas por mensagem de WhatsApp, mas, até o momento, não houve resposta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de apóstolo da Jesus Church de Santa Maria e organizador do Dia da Família, Maretoli é vereador suplente e concorreu pelo PL em 2024. De 2019 a 2020, enquanto filiado ao Republicanos, Maretoli ocupou o cargo de secretário-adjunto da Secretaria Estadual do Esporte e Lazer do governo Eduardo Leite (PSDB).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele se apresenta, no Instagram, como o 12º vereador mais votado na cidade, apesar de não ter sido eleito. Hoje, pouco menos de 12 meses depois do evento, atua como cabo eleitoral de Zucco e dos candidatos ao Senado, Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sogro de Maretoli, o pastor Oséas Costa, concorre ao cargo de deputado estadual pelo Republicanos. No Dia da Família, Costa figurou como <a href="https://www.facebook.com/share/r/1EtgTByqvM/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">atração.</a></p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6ab7f474cb27b&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6ab7f474cb27b" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="389" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1-Zucco-destinou-emenda-pix-para-evento-evangelico-liderado-por-pastor-bolsonarista.jpg?resize=640%2C389&#038;ssl=1" alt="Da esquerda para a direita: Sanderson, Jader Maretoli, Érika Maretoli, Zucco e Van Hattem" class="wp-image-265880" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1-Zucco-destinou-emenda-pix-para-evento-evangelico-liderado-por-pastor-bolsonarista.jpg?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1-Zucco-destinou-emenda-pix-para-evento-evangelico-liderado-por-pastor-bolsonarista.jpg?resize=800%2C486&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/09/Foto1-Zucco-destinou-emenda-pix-para-evento-evangelico-liderado-por-pastor-bolsonarista.jpg?resize=150%2C91&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Da esquerda para a direita: Sanderson, Jader Maretoli, Érika Maretoli, Zucco e Van Hattem</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Prefeitura de SM se omite&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Organizadora oficial do Dia da Família, a gestão de Rodrigo Decimo (PSDB) não respondeu aos questionamentos enviados pela Matinal. Decimo esteve no evento e posou para <a href="https://www.facebook.com/photo.php?fbid=122111117763081172&amp;set=pb.61582435187517.-2207520000&amp;type=3" target="_blank" rel="noreferrer noopener">fotos</a> com Maretoli.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Secretaria de Comunicação de Santa Maria foi procurada em quatro ocasiões. Questionamos se a gestão escolheu o destino do recurso, se fez parte da realização do evento e se o evento só aconteceu por conta do repasse. A pasta confirmou o recebimento das questões, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No plano de trabalho da emenda pix enviada por Zucco, que é de responsabilidade da prefeitura, fica claro que se tratava de um evento religioso voltado “à valorização dos valores familiares e homenagem à família”, incluindo rodas e espaços de oração e um show gospel com duração de 90 minutos, no valor de R$ 90 mil. O contratado foi o cantor David Quinlan, também <a href="https://www.instagram.com/p/BpfkZLkHpDH/?ref=matinal.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener">alinhado</a> ao <a href="https://www.instagram.com/reels/DTxueYQEbnZ/?ref=matinal.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener">bolsonarismo.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros R$ 83,4 mil foram destinados para a estrutura física da marcha, incluindo grades, cobertura, tendas e palco; R$ 24 mil, destinados à locação de um painel de LED. No total, os gastos somaram R$ 197,9 mil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <a href="https://www.facebook.com/photo/?fbid=122110779591081172&amp;set=a.122101945665081172" target="_blank" rel="noreferrer noopener">material</a> de divulgação do Dia da Família não cita nominalmente o deputado e menciona o apoio da prefeitura de Santa Maria e de comércios locais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>STF exigiu detalhamento de repasses a eventos até 2024</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de o Supremo Tribunal Federal ter publicado uma série de regramentos para as emendas pix, como a necessidade de planos de trabalho e proibição de saques em dinheiro e de repasses para organizações não governamentais chefiadas por parentes de deputados, nenhum se debruça sobre eventos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em junho deste ano, a Corte definiu aplicação de multas para estados e municípios que não apresentarem informações sobre os recursos destinados a eventos, de forma retroativa, entre os anos de 2020 a 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na decisão, o ministro Flávio Dino sustentou deficiências de transparência e rastreabilidade na destinação de emendas voltadas à promoção de eventos em geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fiscalização deve abranger consistência documental, compatibilidade entre o que é pactuado e efetivamente contratado, e adequação de preços e valores, respeitando a proporcionalidade dos recursos junto ao porte do evento.</p>
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