<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Agência Pública</title>
	<atom:link href="https://apublica.org/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://apublica.org/</link>
	<description>A primeira e mais premiada agência de jornalismo investigativo do Brasil.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 12 Jun 2026 21:28:33 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0</generator>

<image>
	<url>https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2023/04/cropped-P-logo-Publica-circulo-preto-amarelo.png?fit=32%2C32&#038;ssl=1</url>
	<title>Agência Pública</title>
	<link>https://apublica.org/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">154272671</site>	<item>
		<title>Copa 2026: protestos no México revelam drama das famílias de 130 mil desaparecidos</title>
		<link>https://apublica.org/2026/06/copa-2026-protestos-no-mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raphaela Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 21:21:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?p=252860</guid>

					<description><![CDATA[Anistia Internacional aponta que o número de desaparecidos e não localizados no país cresceu 10,5% entre 2024 e 2025]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Ciudad de México &#8211; Mães, pais, irmãos, esposos e esposas de pessoas desaparecidas de todo o México se fizeram presentes e disputaram com vuvuzelas, bandeiras e camisetas da seleção mexicana a atenção do mundo nesta quinta-feira, 11 de junho, durante a abertura da Copa do Mundo 2026 na Cidade do México.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo era, diante dos holofotes internacionais, denunciar a grave crise humanitária pela qual o país atravessa. <span class="highlighter">A mensagem foi clara: enquanto o governo mexicano investe no Mundial, mais de 130 mil pessoas seguem desaparecidas no país, segundo dados oficiais do governo mexicano.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na capital, milhares de cartazes com fotos de desaparecidos, pichações e faixas foram espalhados pelos pontos mais emblemáticos da cidade. Pelo menos nove marchas e 26 concentrações de protestos ocorreram durante a abertura do Mundial. A Coordenadoria Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE) estima que as manifestações mobilizaram pelo menos 6 mil pessoas. O governo não divulgou um número oficial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No dia da abertura, eles não estavam sozinhos. A cada esquina, em meio a policiais, vendedores ambulantes, torcedores e um trânsito caótico, professores, aposentados, profissionais da saúde, agricultores e membros de diversos outros movimentos protestavam pelas mais variadas causas e reivindicações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na véspera do torneio, os coletivos, muitos deles conhecidos como &#8220;Madres Buscadoras&#8221;, organizaram uma marcha fúnebre ao redor do Estádio Azteca — uma imagem que chegou aos noticiários do mundo inteiro. Nomeada de &#8220;Iluminemos la búsqueda&#8221;, a manifestação da quarta-feira, dia 10, reuniu grupos de pelo menos 10 estados mexicanos. O Coletivo Luz de Esperança de Jalisco levou mais de 100 famílias buscadoras apenas do seu estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">&#8220;Por que os procuramos? Porque os amamos! Até quando os procuraremos? Até encontrá-los!&#8221; eram as principais palavras de ordem dos familiares, usando camisetas ou cartazes com fotos e nomes de seus entes desaparecidos.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Yuri Peralta era uma das manifestantes. Segurava um cartaz com a foto do marido desaparecido, Luis Fernando Luna Juárez, num formato que imita álbuns de figurinhas — estratégia adotada pelos coletivos de familiares para chamar a atenção e criar empatia entre turistas e torcedores de futebol. Juárez sumiu no ano passado e, desde então, a família não tem nenhuma resposta das autoridades nem pistas de seu paradeiro. </p>


	<div class="py-4 px-0 px-md-4">
		<div class="bg-primary py-2 px-4">
			<h2 class="h5 m-0 fw-bold text-dark text-uppercase">Por que isso importa?</h2>
		</div>
		<div class="bg-light border p-4 border-1 border-primary">
			<ul class="m-0"><li>A Copa do Mundo 2026 está sendo realizada em três países: Estados Unidos, Canadá e México. O investimento no torneio pelo México foi de R$ 41 bilhões.</li><li>O México ocupa o quarto lugar entre os países mais violentos do mundo atrás apenas da Palestina, de Mianmar e da Síria.</li></ul>		</div>
	</div>
	


<p class="wp-block-paragraph">Peralta, camareira em um hotel de luxo na Cidade do México, pediu folga naquele dia para se manifestar em frente ao Estádio Azteca. <span class="highlighter">&#8220;Para que se veja quantas pessoas estão desaparecidas. Para nos fazermos presentes. Para que não esqueçam de seus rostos. Muita gente que vem aqui só pelo futebol, mas nós viemos lembrar que também há desaparecidos.</span> Eu trabalho em um hotel e vejo chegar muitos turistas para os jogos, e fico triste que não tenham empatia com a nossa causa. Embora entenda que, até você viver isso na pele, você não consegue entender de verdade&#8221;, lamenta.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2c9cf3e8679&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a2c9cf3e8679" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto1-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Yuri Peralta segura cartaz com a foto e os dados de seu marido Luis Fernando Luna Juárez, desaparecido em setembro de 2025, Na camiseta, a inscrição 'Hasta encontrarte, Luis Fernando Luna Juárez'" class="wp-image-252866" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto1-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto1-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto1-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto1-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
			class="lightbox-trigger"
			type="button"
			aria-haspopup="dialog"
			data-wp-bind--aria-label="state.thisImage.triggerButtonAriaLabel"
			data-wp-init="callbacks.initTriggerButton"
			data-wp-on--click="actions.showLightbox"
			data-wp-style--right="state.thisImage.buttonRight"
			data-wp-style--top="state.thisImage.buttonTop"
		>
			<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="12" height="12" fill="none" viewBox="0 0 12 12">
				<path fill="#fff" d="M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z" />
			</svg>
		</button><figcaption class="wp-element-caption">Yuri Peralta segura cartaz com a foto e os dados de seu marido Luis Fernando Luna Juárez, desaparecido em setembro de 2025, Na camiseta, a inscrição &#8216;Hasta encontrarte, Luis Fernando Luna Juárez&#8217;</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A alguns quilômetros dali, horas mais tarde, o apito final do jogo de abertura anunciou uma vitória de 2 a 0 do México sobre a África do Sul. No ‘Paseo de la Reforma’, avenida mais conhecida da capital, milhares de torcedores pintados de verde, vermelho e branco comemoravam debaixo de uma tempestade torrencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um palco com telão havia sido instalado entre duas glorietas&nbsp; (como os mexicanos chamam as rotatórias) com monumentos emblemáticos na Cidade do México: o Anjo da Independência, cartão-postal da capital, e a Glorieta de la Palma, rebatizada pelos movimentos sociais como &#8220;glorieta dos desaparecidos&#8221;. As duas rotatórias estavam cobertas de fotos com rostos e nomes de pessoas desaparecidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No meio, o palco e a festa do futebol. Em volta, os rostos dos ausentes. Um contraste difícil de ignorar em um país que, para os turistas, parece seguro, mas que esconde uma violência silenciosa. O México ocupa o quarto lugar entre os países mais violentos do mundo, de acordo com o Índice de Conflitos e Violência Política 2025, relatório anual da <em>Armed Conflict Location and Event Data Project </em>(ACLED), organização internacional que monitora conflitos armados e episódios de violência ao redor do mundo. O país fica atrás apenas da Palestina, de Mianmar e da Síria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo relatório de 2025 da organização Anistia Internacional, o México acumula um total histórico de 133.500 pessoas desaparecidas e não localizadas, e que em 2025 houve um aumento de 10,5% de casos em relação ao ano anterior. A organização também aponta que 88% de todos os registros de desaparecimentos realizados desde 1950 ocorreram entre 2006 e 2024, período que coincide com a militarização da segurança pública no país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em março do ano passado, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, apresentou uma &#8220;Declaração sobre Pessoas Desaparecidas&#8221;. O documento foi duramente criticado por 158 coletivos de familiares, que acusaram Sheinbaum de demonstrar &#8220;enorme desconhecimento do fenômeno&#8221; e de ter excluído as famílias das vítimas na elaboração da estratégia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">“Se nós mesmos não buscamos nossos familiares, ninguém mais o faz.</span> Infelizmente, a Comissão de Busca de Pessoas Desaparecidas no México é uma área que está obsoleta há sete anos. Ter um dos eventos mais importantes do mundo no México, onde temos mais de 133.000 pessoas desaparecidas, é uma oportunidade única que a vida nos está apresentando: temos que aproveitá-la para visibilizar diante do mundo a grave crise humanitária que estamos vivendo no país&#8221;, explica Héctor Flores, cofundador do Coletivo Luz de Esperança Desaparecidos Jalisco. Ele procura por seu filho Héctor Daniel Flores Fernández, vítima&nbsp; aos 19 anos&nbsp; de um desaparecimento forçado&nbsp; ocorrido em maio de 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da falta de apoio estatal na busca ativa, os coletivos também denunciaram a ausência de diálogo com o governo. Em dezembro de 2025, Sheinbaum voltou a provocar a ira dos familiares ao afirmar que muitos desaparecimentos não estão relacionados com o crime organizado, e sim causados por &#8220;ausências voluntárias por problemas familiares&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A origem dos desaparecimentos no México raramente é aleatório. Liliana Meza, Presidente e cofundadora do Coletivo Luz de Esperança Desaparecidos Jalisco, viveu isso na pele. Ela passou de recepcionista de clínica médica a ativista em tempo integral, na noite de 22 de outubro de 2020, quando um grupo armado invadiu sua casa sem mandado de busca, apresentando-se como agentes da polícia e do Ministério Público. Meza conta que eles possuíam crachás, mas não mostraram seus nomes ou documentos de identificação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O grupo levou à força seu filho mais velho, Carlos Maximiliano, então com 18 anos. Meza tentou impedi-los e teve uma pistola apontada para a cabeça enquanto o jovem era arrastado para dentro de uma caminhonete branca. A ordem de prisão que alegavam ter nunca existiu. Nenhuma denúncia contra ele havia sido registrada no Ministério Público. Cinco anos e meio depois, Carlos Maximiliano Meza continua desaparecido. A mãe&nbsp; segue exigindo respostas das autoridades, sem sucesso. As imagens das câmeras de segurança que poderiam comprovar o sequestro foram deletadas, como aconteceu na maioria dos casos similares relatados à <strong>Agência Pública</strong> no local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Meza, o mecanismo por trás da maioria das desaparições é o recrutamento forçado: <span class="highlighter">grupos criminosos sequestram jovens para integrá-los às suas estruturas por meio de violência, coerção e terror psicológico.</span> O perfil das vítimas é variado: de pais de família a estudantes, mas, na maioria dos casos, são homens. Carlos Maximiliano Meza cursava o segundo semestre de design gráfico na Universidade de Guadalajara, sustentado pelos pais, sem qualquer envolvimento com o crime. A lógica dos grupos criminosos, explica a mãe, não distingue culpados de inocentes, e sim “úteis” de “inúteis”. E os jovens são o alvo preferencial. &#8220;O que eles mais capturam são os jovens, pois se trata de uma mão de obra gratuita, que é o que precisam para que suas organizações e negócios continuem funcionando.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O destino dessas pessoas é variado e perturbador. A cofundadora do coletivo Luz de Esperanza desfaz o estereótipo de que todos os recrutados vão parar em atividades ilícitas. Segundo ela, há, de fato, jovens enviados para facções criminosas e narcolaboratórios, mas muitos são forçados a trabalhar em colheitas de frutas ou trabalhos domésticos forçados. Formas de escravidão modernas que movimentam dinheiro legal. &#8220;Essas células criminosas fazem de tudo. Qualquer negócio onde se possa tirar dinheiro&#8221;, explica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O controle sobre os recrutados é mantido pelo terror e pela ameaça constante às suas famílias. Pessoas libertadas ou que conseguiram escapar contaram ao coletivo o <em>modus operandi</em> dos cartéis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eles reúnem os reféns e perguntam quem quer ir para casa. Quem levanta a mão leva um tiro na frente de todos. <span class="highlighter">Se você tentar fugir, te matam ou matam sua família. Fazem coisas terríveis, como obrigá-los a dormir com cadáveres. Tudo para causar terror e evitar que tentem escapar&#8221;</span>, relata Meza.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sequestrados costumam ser levados para acampamentos em serras isoladas, a quilômetros de qualquer rodovia ou estrada, estrategicamente posicionados nas fronteiras entre estados para dificultar a ação policial, pois quando a polícia de um estado se aproxima, os grupos simplesmente cruzam para o estado vizinho, onde aquela jurisdição não tem alcance.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Jalisco, epicentro dos desaparecimentos forçados no México</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O estado de Jalisco conta com o maior número de desaparecidos do México hoje: mais de 16 mil pessoas registradas oficialmente. A maioria dos desaparecimentos locais&nbsp; é atribuído ao Cartel Jalisco Nueva Generación, o CJNG, que em menos de uma década se consolidou como a organização criminosa mais violenta e dominante do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Coletivo Luz de Esperança Desaparecidos de Jalisco é um dos mais ativos e mais influentes do país. Com cerca de 500 integrantes, se reúne várias vezes por semana para colar cartazes pela cidade, realizar buscas noturnas por pessoas em situação de rua e, principalmente, fazer buscas de campo: as mais difíceis, mas as que rendem resultados.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fossas clandestinas circulam Estádio que sediará jogos da Copa&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O Estádio Akron, em Zapopan, município da região metropolitana de Guadalajara que sediará jogos da Copa, está cercado por fossas clandestinas. <span class="highlighter">Desde 2022, coletivos de busca trabalham em pontos próximos ao estádio e já recuperaram ao menos 456 sacos com restos humanos nas redondezas.</span> Em todo o estado, foram localizadas 224 fossas clandestinas nos últimos oito anos. Só em 2025, 240 pessoas foram encontradas em 53 locais de sepultamento clandestino, segundo informações de outro coletivo da região, o grupo Guerreros Buscadores de Jalisco.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2c9cf3e8f52&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a2c9cf3e8f52" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto2-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Lupita Rivera segura cartaz com foto estilo figurinha da Copa do Mundo de seu filho Christian Emmanuel Rivera Cedeño, desaparecido em 2 de agosto de 2023 em Jalisco" class="wp-image-252867" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto2-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto2-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto2-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto2-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
			class="lightbox-trigger"
			type="button"
			aria-haspopup="dialog"
			data-wp-bind--aria-label="state.thisImage.triggerButtonAriaLabel"
			data-wp-init="callbacks.initTriggerButton"
			data-wp-on--click="actions.showLightbox"
			data-wp-style--right="state.thisImage.buttonRight"
			data-wp-style--top="state.thisImage.buttonTop"
		>
			<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="12" height="12" fill="none" viewBox="0 0 12 12">
				<path fill="#fff" d="M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z" />
			</svg>
		</button><figcaption class="wp-element-caption">Lupita Rivera segura cartaz com foto estilo figurinha da Copa do Mundo de seu filho Christian Emmanuel Rivera Cedeño, desaparecido em 2 de agosto de 2023 em Jalisco</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Dias antes da estreia da Copa do Mundo, a reportagem acompanhou uma das buscas de campo do Luz de Esperança, atividade que realizam desde sua fundação há cinco anos &#8211; na maioria das vezes sem apoio ou segurança institucional. Numa das muitas serras de Jalisco, integrantes do coletivo desciam barrancos e vasculhavam um lixão a céu aberto, com carros abandonados, pedaços de móveis e entulho, em busca de seus desaparecidos. O histórico daquele ponto é macabro: quinze dias antes, o coletivo havia encontrado no mesmo local o corpo de uma mulher com as mãos amarradas e uma mandíbula humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">&#8220;Aqui é o lugar ideal para o crime organizado despejar cadáveres. É só jogá-los nesse barranco e esperar que a natureza e os animais se encarreguem deles.</span> É muito mais fácil do que cavar fossas&#8221;, explica Lupita Rivera, uma das mães buscadoras do coletivo. Lupita procura seu filho Christian Emmanuel Rivera Cedeño, desaparecido em Jalisco desde agosto de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Naquele dia, por conta da presença de grande número de jornalistas internacionais, a operação contou com o Comissão de Busca de Pessoas Desaparecidas do Estado de Jalisco (COBUPEJ), órgão do governo estadual de Jalisco; a Polícia Municipal de Zapopan; a Polícia Estadual; a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros. No resto do tempo, presença e apoio institucionais são raros. &#8220;Nós mesmos descemos esses barrancos, porque somos os maiores interessados em encontrar nossos familiares e, infelizmente, por mais que não queiramos, é assim que a maioria das pessoas está sendo encontrada&#8221;, explica, Liliana Meza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de muitas horas de esforço físico e psicológico, novos restos foram encontrados ao final do dia: uma vértebra e uma costela humana. Os fragmentos foram recolhidos pela polícia forense e serão analisados nas próximas semanas, na tentativa de identificar a quem pertenciam.</p>



<div class="wp-block-jetpack-slideshow aligncenter" data-effect="slide" style="--aspect-ratio:calc(1400 / 933)"><div class="wp-block-jetpack-slideshow_container swiper"><ul class="wp-block-jetpack-slideshow_swiper-wrapper swiper-wrapper"><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" decoding="async" width="640" height="427" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-252868" data-id="252868" data-aspect-ratio="1400 / 933" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-1-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-1-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-1-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-1-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-1-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><figcaption class="wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption">Operação de busca de corpos em serra de Jalisco com familiares de desaparecidos e raro apoio de órgãos governamentais como Defesa Civil e Corpo de Bombeiros</figcaption></figure></li><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-252869" data-id="252869" data-aspect-ratio="1400 / 933" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-2-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-2-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-2-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-2-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-2-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><figcaption class="wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption">Operação de busca de corpos em serra de Jalisco com familiares de desaparecidos e raro apoio de órgãos governamentais como Defesa Civil e Corpo de Bombeiros</figcaption></figure></li><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-252870" data-id="252870" data-aspect-ratio="1400 / 933" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-3-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-3-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-3-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-3-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-3-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><figcaption class="wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption">Operação de busca de corpos em serra de Jalisco com familiares de desaparecidos e raro apoio de órgãos governamentais como Defesa Civil e Corpo de Bombeiros</figcaption></figure></li><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-252871" data-id="252871" data-aspect-ratio="1400 / 933" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-4-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-4-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-4-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-4-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-4-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><figcaption class="wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption">Operação de busca de corpos em serra de Jalisco com familiares de desaparecidos e raro apoio de órgãos governamentais como Defesa Civil e Corpo de Bombeiros</figcaption></figure></li><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-252872" data-id="252872" data-aspect-ratio="1400 / 933" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-5-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-5-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-5-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-5-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-5-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><figcaption class="wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption">Operação de busca de corpos em serra de Jalisco com familiares de desaparecidos e raro apoio de órgãos governamentais como Defesa Civil e Corpo de Bombeiros</figcaption></figure></li><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-252873" data-id="252873" data-aspect-ratio="1400 / 933" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-6-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-6-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-6-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-6-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide-6-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><figcaption class="wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption">Operação de busca de corpos em serra de Jalisco com familiares de desaparecidos e raro apoio de órgãos governamentais como Defesa Civil e Corpo de Bombeiros</figcaption></figure></li></ul><a class="wp-block-jetpack-slideshow_button-prev swiper-button-prev swiper-button-white" role="button"></a><a class="wp-block-jetpack-slideshow_button-next swiper-button-next swiper-button-white" role="button"></a><a aria-label="Pause Slideshow" class="wp-block-jetpack-slideshow_button-pause" role="button"></a><div class="wp-block-jetpack-slideshow_pagination swiper-pagination swiper-pagination-white"></div></div></div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pequenos avanços</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Após anos de luta marcados por manifestações, bloqueios de ruas e acampamentos em frente ao Palácio do Governo de Jalisco, o Luz de Esperança conseguiu avanços concretos. O mais significativo foi a aprovação, em 31 de outubro de 2025, da lei <span class="highlighter">&#8220;Famílias buscadoras, famílias prioritárias&#8221; pelo Congresso do estado — a primeira lei do seu tipo no país e em toda a América Latina —, que reconhece as famílias dos desaparecidos como grupo prioritário e vulnerável, garantindo acesso a programas de educação, saúde, alimentação e bem-estar social.</span> Na prática, o benefício já conquistado foi o transporte público gratuito em Jalisco, enquanto os demais ainda dependem de implementação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O coletivo também conquistou o acesso a botões de pânico para seus membros — dispositivos que já existiam mas eram de difícil acesso —, e cuja cobertura foi progressivamente ampliada para outros municípios do estado.<strong> </strong>No plano jurídico, o caso de Carlos Maximiliano Romero Meza, filho de Liliana, tornou-se o primeiro em Jalisco reconhecido como desaparecimento forçado por um juiz federal mediante recurso de amparo, gerando uma tese jurisprudencial que serve de base para casos semelhantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez o avanço mais simbólico, porém, tenha sido a mudança de postura do governo estadual. &#8220;O primeiro passo para erradicar ou mudar um problema é reconhecê-lo&#8221;, afirma Meza. E foi exatamente isso que fez Pablo Lemus Navarro ao assumir o governo de Jalisco em dezembro de 2024, pelo partido <em>Movimiento Ciudadano</em>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao contrário de seu antecessor, Enrique Alfaro — do mesmo partido, mas com postura radicalmente oposta —, que negava publicamente a existência dos desaparecimentos forçados e criminalizava as famílias buscadoras, Lemus reconheceu abertamente a gravidade da crise, abriu mesas de trabalho e permitiu que os coletivos participassem da escolha dos responsáveis pelas instituições de busca e atenção às vítimas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Meza, são passos pequenos, mas reais, e adquiridos a um custo enorme. Ela, que tem dois outros filhos, convive com o medo constante de perdê-los, mas diz que encontra forças para continuar na busca pelo filho desaparecido no amor que sente pelos três. &#8220;Às vezes desabo, mas então digo a mim mesma: &#8216;Já caí, já chorei, estou destruída, mas vou me levantar e vou continuar&#8217;. Enquanto não existir um corpo, não vou sossegar. A esperança é a última que morre. Meu desejo é que, onde quer que esteja, meu filho esteja bem&#8221;, declara.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela afirma que, mesmo que encontre o filho um dia, vivo ou morto, não vai parar de buscar nem fechar os olhos para o problema. &#8220;Este trabalho já faz parte da minha vida para sempre. Me categorizo como a Liliana de antes do desaparecimento de Max e a Liliana de depois&#8221;, desabafa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da dor de não saber o paradeiro de seu filho, ela permanece positiva, e não abre mão da esperança de que a crise humanitária seja um dia erradicada do México. &#8220;Tenho certeza de que essa luta que nós começamos vai trazer resultados, e que esse período terrível pelo qual passamos há décadas vai, em algum momento, ficar nos livros de história do nosso país&#8221;, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Outro lado</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Agência Pública</strong> procurou a Secretaria de Segurança Pública federal, a Secretaria de Segurança Pública da Cidade do México, a Secretaria de Segurança Pública de Jalisco e a Comissão Nacional de Direitos Humanos, mas nenhum dos órgãos respondeu até a publicação desta reportagem. A Comissão de Busca de Pessoas de Jalisco foi procurada e recusou entrevista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Capa-Copa-2026-protestos-no-Mexico-revelam-drama-das-familias-de-130-mil-desaparecidos.jpg" length="217990" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">252860</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Trump não merece receber a Copa do Mundo</title>
		<link>https://apublica.org/2026/06/trump-nao-merece-receber-a-copa-do-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raphaela Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[xenofobia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?p=252750</guid>

					<description><![CDATA[Xenofobia, racismo e arrogância não combinam com a celebração multinacional do futebol]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Quer receber os textos desta coluna em primeira mão no seu e-mail? Assine a Newsletter da Pública, enviada sempre às sextas-feiras, 8h. Para receber as próximas edições, </em><a href="https://mailchi.mp/apublica/news" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>inscreva-se aqui</em></a><a href="http://apublica.org/newsletter"><em>. </em></a></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Na segunda-feira passada, a três dias da abertura da Copa dos Estados Unidos, Canadá e México, assistimos a uma cena inédita nas finais do campeonato de basquete em Nova York. <strong>O presidente Donald Trump foi </strong><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/08/ida-de-trump-a-final-da-nba-causa-transtornos-em-nova-york-para-fas-dos-knicks.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>vaiado</strong></a><strong> longa e ruidosamente pelos nova-iorquinos</strong> a ponto de encobrir a letra do hino dos Estados Unidos e superar a conhecida reverência que os americanos devotam aos símbolos nacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A imprensa americana atribuiu a irritação dos torcedores ao forte esquema de segurança do presidente, que transtornou o trânsito, restringiu a circulação de pedestres e dificultou o acesso ao Madison Square Garden, onde o time da casa, os Knicks, disputava a partida com o San Antonio Spurs. <strong>Trump foi ainda mais vaiado do que o time adversário</strong>, segundo o New York Times.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria dos nova-iorquinos não votou em Trump e o prefeito escolhido por eles, Zohran Mamdani, assistiu ao jogo em uma cadeira comum, como já havia feito outras vezes, ao lado dos torcedores. Uma boa oportunidade para a maioria democrata constranger o presidente MAGA, que enfrenta resistência da população e das autoridades municipal e estadual por sua política contra os imigrantes. Nova York é uma cidade-santuário, com mais de um terço da população composta por cidadãos vindos de outros países &#8211; o próprio Mamdani é filho de indianos e nasceu na Uganda.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>As vaias contra Trump soaram para mim como uma condenação vibrante ao belicismo, à xenofobia e ao racismo do presidente</strong>, <strong>por isso mesmo indigno de receber os 48 países que jogam na Copa do Mundo</strong> e que obteve a <a href="https://apublica.org/2026/06/copa-2026-acao-da-fifa-poderia-ter-evitado-problemas-migratorios-diz-advogada/?utm_source=substack&amp;utm_medium=email" target="_blank" rel="noreferrer noopener">subserviência</a> da Fifa para impor regras excludentes em um evento de confraternização de nações e povos. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O critério para a entrar nos Estados Unidos, que tem trazido problemas a atletas, técnicos e torcedores de outros países é racista</strong>, como mostra o episódio da deportação de um juiz somali. Considerado o melhor árbitro da África, sua exclusão se deve apenas ao fato de pertencer a um povo que Trump declarou repetidamente ser “lixo” a ser expulso dos Estados Unidos. Jogadores do Haiti, um “país de merda”, em outra declaração racista de Trump, também enfrentaram uma odisseia para reunir o time completo na Flórida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presidente, que recebeu o Nobel da Paz fajuto da Fifa, traz também a guerra para o espetáculo do esporte. A seleção iraniana terá de se basear em Tijuana, no México, cruzando a fronteira para jogar e voltando logo depois. O ódio anti-islâmico também vitimou o principal nome da seleção iraquiana, Aymen Hussein, detido e interrogado por sete horas antes de ser liberado. Até a França, que tem maioria de jogadores de sua seleção com ascendência africana, chiou diante de exigências feitas por Trump a países africanos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E o suspense continua. O ICE, a violenta polícia migratória de Trump, já avisou que pode prender estrangeiros “irregulares” durante o evento.<strong> Pelo crivo utilizado até o momento, isso significa que qualquer um pode ser preso por ser da nacionalidade ou da cor errada. </strong>O que também mobiliza os brasileiros: uma pesquisa da Nexus, <a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2026/06/11/veto-de-trump-a-estrangeiros-na-copa-domina-a-rede-no-brasil-diz-pesquisa.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">divulgada</a> pela coluna de Leonardo Sakamoto, revelou uma alta de 1.166% no volume de citações em português sobre o tema no X, Instagram e Facebook, entre os dias 6 e 9 de junho. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A imprensa<a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/mariana-sanches/2026/06/11/trump-transforma-copa-em-seu-novo-reality-show-para-melhorar-popularidade.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> aposta</a> que Trump fará da Copa seu “reality show” para alavancar a sua popularidade em baixa internamente. Se for essa a intenção, começou mal, reforçando um dos aspectos mais criticados do seu governo: a atuação do ICE, reprovada por 58% dos cidadãos americanos segundo pesquisa divulgada em março deste ano. E expressa em alto e bom som nas vaias dos nova-iorquinos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é uma boa propaganda também para Flávio Bolsonaro, já atingido pelos áudios escandalosos com Daniel Vorcaro e pelo tarifaço decretado por seu “amigo” Trump contra o Brasil, dias depois de conseguir uma foto com o presidente dos Estados Unidos. Não vai adiantar sair pedindo a<a href="https://open.spotify.com/episode/2IZp7SYVFJQu4oVuVfcmz2" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> proibição</a> de pesquisas desfavoráveis a Nunes Marques, presidente do TSE e ministro do STF nomeado por Jair Bolsonaro.  </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nessa Copa, não se trata apenas torcer para seleção, mas de se orgulhar da camisa verde e amarela e da democracia brasileira.</strong> Para quem não confunde amor com ódio e patriotismo com xenofobia, isso pode significar também exigir da Fifa o tratamento respeitoso e justo aos que participam do espetáculo do esporte que ajudamos a consagrar. Sorte para nós e uma longa vaia a Trump!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/52623954938_98b909232b_o-1200x800-1.jpg" length="280408" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">252750</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Da bolha à névoa mental: a disputa política nas redes sociais &#8211; com Letícia Cesarino</title>
		<link>https://apublica.org/podcast/2026/06/podcast-pauta-publica/da-bolha-a-nevoa-mental-a-disputa-politica-nas-redes-sociais-com-leticia-cesarino/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raphaela Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?post_type=podcast&#038;p=252767</guid>

					<description><![CDATA[A antropóloga Letícia Cesarino analisa como o ambiente digital está transformando a percepção das pautas políticas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O ambiente digital está no centro da disputa política e sua instabilidade parece cada vez menos um modelo de negócio e mais um projeto de poder. As redes sociais deixaram de ser apenas espaços de troca para se tornarem palco de ataques e disputas, e em um ambiente marcado pela economia da atenção, conteúdos de apelo emocional  ganharam mais espaço do que a compreensão sobre o que verdadeiramente está em jogo na política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste episódio do Pauta Pública, Andrea Dip conversa com a antropóloga e pesquisadora Letícia Cesarino sobre os impactos dessa transformação para a democracia. Ela analisa como estamos passando de uma lógica de bolhas para uma espécie de “névoa mental permanente”, em que o acesso aos fatos públicos se distancia cada vez mais da complexidade da política. Cesarino também discute os riscos dessa nova configuração para as <a href="https://apublica.org/tag/eleicoes-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">eleições de 2026</a>, o avanço da extrema direita nas plataformas digitais e os desafios de reconstruir debates públicos capazes de enfrentar a desinformação e garantir a democracia. Ouça agora!</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Não deixe que os algoritmos ocultem o jornalismo que você apoia. O Google liberou uma ferramenta chamada “Fontes Preferidas”. Ao escolher a <strong>Pública</strong> como um dos seus canais principais, você garante o acesso direto às nossas investigações sobre direitos humanos, política, meio ambiente e o próprio poder das Big Techs. Veja o passo a passo:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Clique aqui </strong><a href="https://apublica.us8.list-manage.com/track/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=1797bb52c9&amp;e=18a910f3ba" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>neste link</strong></a><strong> oficial de preferências do Google.</strong></li>



<li>Na página que abrir, localize a <strong>Agência Pública </strong>e marque a caixinha de seleção (ou o botão de seguir).</li>



<li><strong>Pronto.</strong> O algoritmo acabou de receber a sua ordem.</li>
</ol>
</blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/capa-Da-bolha-a-nevoa-mental-a-disputa-politica-nas-redes-sociais-com-Leticia-Cesarino.jpg" length="391372" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">252767</post-id>	</item>
		<item>
		<title>6&#215;1: Centrão e oposição querem aproveitar falta de decisão para mudar CLT</title>
		<link>https://apublica.org/2026/06/6x1-centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-clt/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raphaela Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 15:55:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[6x1]]></category>
		<category><![CDATA[CLT]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Senado]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?p=252731</guid>

					<description><![CDATA[Vice-presidente da CCJ, o senador e empresário milionário Vanderlan Cardoso (PSD-GO) defende modelo de trabalho por hora]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Em meio à indefinição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre a análise da proposta de emenda à constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho <a href="https://apublica.org/tag/6x1/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">6&#215;1</a> no país, nomes do Centrão e bolsonaristas se movimentam para incluir ‘jabutis’ na redação do texto final em prol do empresariado. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A articulação do Centrão e dos bolsonaristas toma forma em outra PEC, protocolada <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/174362" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pelo senador bolsonarista Rogério Marinho (PL-RN)</a> com a assinatura de outros 40 senadores – ou seja, mais da metade da Casa ao todo – e que permite a contratação em um regime de pagamento por horas trabalhadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Na prática, o grupo mira uma mini-reforma trabalhista, similar à das controversas mudanças do governo Michel Temer (MDB) na legislação do país</span>, segundo apurado pela <strong>Agência Pública</strong>. Neste sentido, declarações do vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), exemplificam o discurso da oposição (e do próprio empresariado) contra o fim da 6&#215;1, defendendo que “empregador e trabalhador tenham uma opção a não ser [a contratação via regime] CLT”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">“Acho que sou um dos poucos parlamentares que já teve empresa fora [do país], onde havia o [regime de] trabalho por hora, então o trabalhador podia escolher quantas horas quisesse trabalhar…</span> a regra era clara e para a [minha] empresa funcionou muito bem”, afirmou o vice-presidente da CCJ à <strong>Pública</strong>.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2c9cf3ee87c&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a2c9cf3ee87c" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/1-6x1-Centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-CLT.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO)" class="wp-image-252733" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/1-6x1-Centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-CLT.jpg?w=799&amp;ssl=1 799w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/1-6x1-Centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-CLT.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 2400px" /><button
			class="lightbox-trigger"
			type="button"
			aria-haspopup="dialog"
			data-wp-bind--aria-label="state.thisImage.triggerButtonAriaLabel"
			data-wp-init="callbacks.initTriggerButton"
			data-wp-on--click="actions.showLightbox"
			data-wp-style--right="state.thisImage.buttonRight"
			data-wp-style--top="state.thisImage.buttonTop"
		>
			<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="12" height="12" fill="none" viewBox="0 0 12 12">
				<path fill="#fff" d="M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z" />
			</svg>
		</button><figcaption class="wp-element-caption">Senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), vice-presidente da CCJ, defende a discussão de modelos alternativos à CLT, como o trabalho remunerado por hora</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Com patrimônio declarado em <a href="https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/CENTROOESTE/GO/2045202024/90002233715/2024/93734" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mais de R$ 26 milhões</a> nas eleições de 2024, quando concorreu, sem sucesso, à prefeitura de Goiânia (GO), Cardoso vocaliza a posição do empresariado quanto ao fim da escala 6&#215;1, dada a sua condição de fundador e dono do grupo Cicopal, que atua no ramo alimentício e de ultraprocessados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O senador relatou à <strong>Pública</strong> que fez pesquisas internas com os funcionários de sua companhia, confirmando a ampla adesão de trabalhadores ao fim da escala 6&#215;1. “A primeira coisa que fiz foi ouvi-los [funcionários], porque são eles que ‘tocam’ a empresa no dia-a-dia. A maioria esmagadora é favorável [ao fim da 6&#215;1], com 87% favorável à escala 5&#215;2, enquanto os outros 13% fizeram observações interessantes – como, por exemplo, questionar quem vai pagar essa ‘conta’”, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, o vice-presidente da CCJ tenta se descolar da PEC de Rogério Marinho, mesmo sendo <a href="https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=10233619&amp;ts=1780941702553&amp;rendition_principal=S&amp;disposition=inline" target="_blank" rel="noreferrer noopener">um dos que assinaram a proposta</a> em apoio ao líder bolsonarista. “Eu vou apresentar uma emenda, creio que outros senadores também vão, porque já tem gente defendendo o [regime de] trabalho por hora. Foi por isso que assinei a PEC do Rogério Marinho: não sou favorável a tudo que está lá, mas assinamos para abrir a discussão”, disse Cardoso.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Quando chegar aqui, eu dou meu ritmo”, diz presidente da CCJ sobre PEC do fim da 6&#215;1</strong>&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Levando-se em consideração o trâmite de PECs no Senado, a posição de Vanderlan Cardoso tem um peso relevante, dada a sua condição de vice-presidente da CCJ atualmente.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2c9cf3eedf7&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a2c9cf3eedf7" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="426" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/2-6x1-Centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-CLT.jpg?resize=640%2C426&#038;ssl=1" alt="Senadores Jaques Wagner (PT-BA), Otto Alencar (PSD-BA) e Vanderlan Cardoso (PSD-GO)" class="wp-image-252734" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/2-6x1-Centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-CLT.jpg?w=800&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/2-6x1-Centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-CLT.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 2400px" /><button
			class="lightbox-trigger"
			type="button"
			aria-haspopup="dialog"
			data-wp-bind--aria-label="state.thisImage.triggerButtonAriaLabel"
			data-wp-init="callbacks.initTriggerButton"
			data-wp-on--click="actions.showLightbox"
			data-wp-style--right="state.thisImage.buttonRight"
			data-wp-style--top="state.thisImage.buttonTop"
		>
			<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="12" height="12" fill="none" viewBox="0 0 12 12">
				<path fill="#fff" d="M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z" />
			</svg>
		</button><figcaption class="wp-element-caption">Senadores Otto Alencar (PSD-BA) e Vanderlan Cardoso (PSD-GO) divergem sobre propostas relacionadas ao fim da escala 6&#215;1</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A comissão é responsável por avaliar a constitucionalidade, legalidade e juridicidade de todas as propostas legislativas antes que sejam votadas na Casa, incluindo as duas PECs sobre a mudança da escala trabalhista – tanto a aprovada na Câmara com apoio do governo Lula (PT) e do presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), da Câmara, quanto aquela protocolada pela oposição e pelo Centrão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Mas se depender do presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), que integra a base do governo no Senado, o plano oposicionista não dará certo na comissão.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">O presidente da CCJ já disse que não pautará a PEC de Rogério Marinho, como relatado <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/politica/6x1-otto-aguarda-alcolumbre-mas-diz-que-nao-pautara-pec-alternativa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pela CNN Brasil</a>, e no início da semana ele não escondeu sua frustração com o adiamento de uma reunião que teria com o presidente do Senado para discutir matérias de interesse do governo Lula, como a PEC do fim da escala 6&#215;1 e a PEC da Segurança Pública, segundo <a href="https://www.metropoles.com/colunas/igor-gadelha/alcolumbre-cancela-de-ultima-hora-reuniao-com-chefe-da-ccj-sobre-6x1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o portal Metrópoles</a>.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2c9cf3ef2d2&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a2c9cf3ef2d2" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="426" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/3-6x1-Centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-CLT.jpg?resize=640%2C426&#038;ssl=1" alt="Senador Otto Alencar (PSD-BA)" class="wp-image-252735" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/3-6x1-Centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-CLT.jpg?w=800&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/3-6x1-Centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-CLT.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 2400px" /><button
			class="lightbox-trigger"
			type="button"
			aria-haspopup="dialog"
			data-wp-bind--aria-label="state.thisImage.triggerButtonAriaLabel"
			data-wp-init="callbacks.initTriggerButton"
			data-wp-on--click="actions.showLightbox"
			data-wp-style--right="state.thisImage.buttonRight"
			data-wp-style--top="state.thisImage.buttonTop"
		>
			<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="12" height="12" fill="none" viewBox="0 0 12 12">
				<path fill="#fff" d="M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z" />
			</svg>
		</button><figcaption class="wp-element-caption">Presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA) afirma que dará andamento à PEC do fim da escala 6&#215;1 quando a proposta chegar formalmente à comissão</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">“Já falei algumas vezes e vou repetir: não conversei com o Davi [Alcolumbre] sobre PEC da Segurança, sobre PEC da 6&#215;1, não conversei com ele sobre absolutamente nada”, disse Alencar à <strong>Pública </strong>e outros veículos ao fim da sessão da CCJ na quarta (10).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando chegar aqui, eu vou indicar um relator para a PEC da Segurança e a PEC da 6&#215;1… se chegar! Ou seja, está tudo do mesmo jeito. Eu não tenho conversado com ele [Alcolumbre], não tenho telefonado… vou repetir: eu respeito o tempo dele e há de se respeitar o meu. Quando [a PEC] chegar aqui, eu dou meu ritmo”, também afirmou o presidente da CCJ nesta quarta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo apurado pela reportagem, o senador Otto Alencar diverge do vice-presidente da CCJ ao se mostrar favorável ao fim da escala 6&#215;1 seja por meio da PEC aprovada recentemente na Câmara, seja por meio de outra proposta similar já aprovada na própria CCJ – a <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/124067" target="_blank" rel="noreferrer noopener">PEC 148/2015</a>, do senador Paulo Paim (PT-RS).</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2c9cf3ef796&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a2c9cf3ef796" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/4-6x1-Centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-CLT.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Senador Paulo Paim (PT-RS)" class="wp-image-252737" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/4-6x1-Centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-CLT.jpg?w=799&amp;ssl=1 799w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/4-6x1-Centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-CLT.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 2400px" /><button
			class="lightbox-trigger"
			type="button"
			aria-haspopup="dialog"
			data-wp-bind--aria-label="state.thisImage.triggerButtonAriaLabel"
			data-wp-init="callbacks.initTriggerButton"
			data-wp-on--click="actions.showLightbox"
			data-wp-style--right="state.thisImage.buttonRight"
			data-wp-style--top="state.thisImage.buttonTop"
		>
			<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="12" height="12" fill="none" viewBox="0 0 12 12">
				<path fill="#fff" d="M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z" />
			</svg>
		</button><figcaption class="wp-element-caption">Autor da PEC 148/2015, o senador Paulo Paim (PT-RS) defende a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6&#215;1 no país</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O texto relatado pelo senador petista foi aprovado na comissão <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/12/10/paim-comemora-aprovacao-do-fim-da-escala-6x1-na-ccj" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em dezembro passado</a> e, desde então, pode ser votado a qualquer momento no plenário do Senado – basta que Davi Alcolumbre inclua a proposta na pauta de votações da Casa Alta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, Otto Alencar é contra a PEC alternativa, da oposição, que abre espaço para jornadas de trabalho ainda mais “flexíveis” e para o pagamento de salário apenas por horas trabalhadas. Para o presidente da CCJ, a alternativa retoma o polêmico conceito de “trabalho intermitente”, surgido na <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reforma trabalhista do governo de Michel Temer (MDB) em 2017</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Capa-6x1-Centrao-e-oposicao-querem-aproveitar-falta-de-decisao-para-mudar-CLT-1-1.jpg" length="317229" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">252731</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Afinal, a quantas anda o fim do mundo?</title>
		<link>https://apublica.org/podcast/2026/06/bom-dia-fim-do-mundo/afinal-a-quantas-anda-o-fim-do-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raphaela Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças Climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?post_type=podcast&#038;p=252661</guid>

					<description><![CDATA[Os impactos que o calor deve ter nos jogos da Copa e os possíveis efeitos do resultado do campeonato na política]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Esse fim do mundo é realmente o fim do mundo? O episódio da semana aborda perspectivas da ciência, da filosofia e das artes, e como diferentes civilizações e povos enxergam a possibilidade de um fim dos tempos. Giovana Girardi, Marina Amaral e Ricardo Terto também aproveitam para refletir sobre o papel do jornalismo ao cobrir a pauta climática, e o significado de dar um “bom dia” ao fim do mundo. Ouça agora.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Capa_Tocadores-Site_EP64-1.jpg" length="355367" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">252661</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Juíza revoga prazo e Samba do Cruz pode ser desocupado após mais de 60 anos de atuação</title>
		<link>https://apublica.org/nota/juiza-revoga-prazo-e-samba-do-cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raphaela Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 22:06:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Nunes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?post_type=note&#038;p=252684</guid>

					<description><![CDATA[Em funcionamento desde 1958, movimento está em área onde Parque Campo de Marte será construído]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Uma decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), assinada pela juíza Vanessa Velloso Silva Saad Picoli, desta terça-feira, 9 de junho, determinou a reintegração de posse imediata do Samba do Cruz, localizado na zona norte de São Paulo, e revogou o prazo de 60 dias determinado em sentença anterior. A data limite para a retirada dos bens era, então, 18 de junho. <span class="highlighter">Além disso, o mandado de reintegração autorizou a demolição de “construções irregulares” e o uso da força policial para garantir a desocupação.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">O pedido de reintegração de posse foi feito pela Prefeitura do Município de São Paulo. No local, está prevista a construção do Parque Municipal Campo de Marte pela concessionária Campo de Marte S/A.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Advogado de defesa do Grêmio Esportivo e Recreativo Cruz da Esperança, organizador do Samba, Razuen El Kadri, afirmou à <strong>Agência Pública</strong> que foi enviado ao Tribunal <span class="highlighter">um pedido de suspensão da decisão, por entender que pontos importantes não foram considerados, como “a manifestação do Ministério Público sobre a relevância social, cultural, comunitária e religiosa do Cruz e o risco de dano irreversível”.</span> A defesa “seguirá adotando todas as medidas cabíveis, sempre dentro da legalidade”, acrescentou.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde a expedição da nova ordem de reintegração de posse, os responsáveis pelo local organizaram uma vigília, que começou na noite de terça-feira e deve seguir pelo menos até a manhã de quinta-feira, 11 de maio. Quem afirma é a frequentadora do local, Monique Cabral, de 39 anos. Segundo ela, materiais que estavam no local estão sendo retirados pelo receio que a construção onde o Samba acontece seja demolida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">“Estamos tentando contato com os órgãos responsáveis para saber se existe uma previsão de data para a reintegração, que é demolir tudo”, lamentou Monique Cabral.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">A ameaça de reintegração de posse vem desde de 26 de março, quando o TJSP deu uma sentença favorável à prefeitura de São Paulo, após requerimento de reintegração de posse para iniciar a construção do parque. Na época, foi a decisão liminar, assinada pelo juiz Bruno Santos Montenegro, que garantiu o prazo de 60 dias para a desocupação do terreno. A defesa do Grêmio Recreativo conseguiu derrubar a liminar, entretanto, a Prefeitura recorreu e foi determinada uma nova ordem de reintegração de posse.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-jetpack-slideshow aligncenter" data-effect="slide" style="--aspect-ratio:calc(1400 / 933)"><div class="wp-block-jetpack-slideshow_container swiper"><ul class="wp-block-jetpack-slideshow_swiper-wrapper swiper-wrapper"><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-252694" data-id="252694" data-aspect-ratio="1400 / 933" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide1-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide1-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide1-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide1-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide1-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><figcaption class="wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption">Em funcionamento desde 1958, Samba do Cruz está em área onde Parque Campo de Marte será construído </figcaption></figure></li><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-252695" data-id="252695" data-aspect-ratio="1400 / 933" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide2-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide2-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide2-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide2-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide2-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><figcaption class="wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption">Em funcionamento desde 1958, Samba do Cruz está em área onde Parque Campo de Marte será construído </figcaption></figure></li><li class="wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide"><figure><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" alt="" class="wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-252696" data-id="252696" data-aspect-ratio="1400 / 933" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide3-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide3-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide3-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide3-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Slide3-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><figcaption class="wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption">Em funcionamento desde 1958, Samba do Cruz está em área onde Parque Campo de Marte será construído </figcaption></figure></li></ul><a class="wp-block-jetpack-slideshow_button-prev swiper-button-prev swiper-button-white" role="button"></a><a class="wp-block-jetpack-slideshow_button-next swiper-button-next swiper-button-white" role="button"></a><a aria-label="Pause Slideshow" class="wp-block-jetpack-slideshow_button-pause" role="button"></a><div class="wp-block-jetpack-slideshow_pagination swiper-pagination swiper-pagination-white"></div></div></div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Entenda o caso</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O Parque Municipal Campo de Marte é uma iniciativa público-privada, idealizada após um acordo de 2022 entre a prefeitura de São Paulo e a União, em que o município recebeu 400 metros quadrados da área do Aeroporto do Campo de Marte. Em janeiro de 2025, a prefeitura assinou um contrato de concessão para implantar e gerir o parque. A parceria tem durabilidade de 35 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contrato, a Prefeitura concedeu 406 mil metros quadrados da área para a Concessionária Campo de Marte S/A. Nesse espaço, no entanto, estão vários campos de futebol dos times de várzea, como o Cruz da Esperança, e, também, o Samba do Cruz. O time iniciou suas atividades em 1958 e chegou a ter a área cedida pela União.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Além de jogos de futebol, o time proporciona bailes para a comunidade, conhecido hoje como o Samba da Cruz. Com 68 anos de funcionamento, as rodas de sambas gratuitas ocorrem toda sexta, sábado e domingo, e nas últimas quartas-feiras de cada mês.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">O que a Prefeitura de São Paulo alega, <a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Nota-na-integra-da-Prefeitura-de-Sao-Paulo_Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>em nota</strong></a> à <strong>Pública</strong>, é que a Cruz da Esperança “nunca solicitou à Prefeitura autorização para a atividade Samba do Cruz, comercializando irregularmente bebidas alcoólicas no local”. Também afirma que os organizadores descumpriram notificações para desocupação voluntária do terreno. Em relação a importância cultural do Samba da Cruz, a Prefeitura reiterou que “manifestações artísticas e esportivas são incentivadas, desde que em conformidade com as normas de uso, preservação ambiental e utilização coletiva”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a Concessionária Campo de Marte S/A, afirmou em <a href="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Nota-na-intrega-da-Concessionaria-Campo-de-Marte_Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>nota</strong></a>, que “sempre esteve aberta ao diálogo com os interessados e que todos aqueles que se dispuseram a conversar para buscar soluções relacionadas à manutenção das atividades no local, até o início das obras de implantação do parque, foram recebidos e ouvidos”. Também foi colocado que as novas infraestruturas “irão proporcionar áreas adequadas para o lazer da população, além de possibilitar manifestações esportivas e culturais”.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/jD34ZDONxTs?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe>
</div></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Capa-Juiza-revoga-prazo-e-Samba-do-Cruz-pode-ser-desocupado-apos-mais-de-60-de-atuacao.jpg" length="277005" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">252684</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Copa 2026: FIFA poderia ter evitado deportação e constrangimento de seleções, diz advogada</title>
		<link>https://apublica.org/2026/06/copa-2026-acao-da-fifa-poderia-ter-evitado-problemas-migratorios-diz-advogada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raphaela Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 20:08:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[imigração]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?p=252667</guid>

					<description><![CDATA[Especialista critica postura dos EUA e aponta falta de negociação e mediação da Federação que organiza o Mundial]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A Copa do Mundo 2026 começa nesta quinta-feira (11) sob tensão e desconfiança em relação à política migratória dos Estados Unidos, país-sede junto a México e Canadá. A advogada internacional e especialista em direito migratório Marta Mitico Valente explica que a <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cr7x5yjyrk1o" target="_blank" rel="noreferrer noopener">proibição de entrada de algumas nacionalidades</a> não fere o Direito Internacional nem o Direito de Migração, pois prevalece a soberania e as leis americanas. Ela aponta, no entanto, <span class="highlighter">falhas tanto da Federação Internacional de Futebol (FIFA) para negociar regras especiais de imigração ao evento, como das delegações de países que já enfrentavam restrições de entrada.</span></p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2c9cf3f33d4&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a2c9cf3f33d4" class="wp-block-image size-large wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="589" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto1-Copa-2026-acao-da-FIFA-poderia-ter-evitado-problemas-migratorios-diz-advogada.webp?resize=640%2C589&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-252675" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto1-Copa-2026-acao-da-FIFA-poderia-ter-evitado-problemas-migratorios-diz-advogada.webp?resize=1304%2C1200&amp;ssl=1 1304w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto1-Copa-2026-acao-da-FIFA-poderia-ter-evitado-problemas-migratorios-diz-advogada.webp?resize=652%2C600&amp;ssl=1 652w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto1-Copa-2026-acao-da-FIFA-poderia-ter-evitado-problemas-migratorios-diz-advogada.webp?resize=1536%2C1414&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto1-Copa-2026-acao-da-FIFA-poderia-ter-evitado-problemas-migratorios-diz-advogada.webp?resize=150%2C138&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto1-Copa-2026-acao-da-FIFA-poderia-ter-evitado-problemas-migratorios-diz-advogada.webp?w=1706&amp;ssl=1 1706w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
			class="lightbox-trigger"
			type="button"
			aria-haspopup="dialog"
			data-wp-bind--aria-label="state.thisImage.triggerButtonAriaLabel"
			data-wp-init="callbacks.initTriggerButton"
			data-wp-on--click="actions.showLightbox"
			data-wp-style--right="state.thisImage.buttonRight"
			data-wp-style--top="state.thisImage.buttonTop"
		>
			<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="12" height="12" fill="none" viewBox="0 0 12 12">
				<path fill="#fff" d="M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z" />
			</svg>
		</button><figcaption class="wp-element-caption">Advogada Marta Mitico Valente aponta falta de negociação da FIFA diante das restrições vigentes no território norte-americano</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Não que eu tenha qualquer simpatia pelas restrições, mas, sob o ponto de vista eminentemente legal e migratório, eram medidas que uma assessoria deveria ter prevenido. Não deveriam ter feito Copa nos Estados Unidos considerando essas restrições&#8221;, analisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre o impacto político, Valente acredita tratar-se de um &#8220;tiro no pé&#8221; em relação à imagem dos EUA diante do mundo. &#8220;É uma pena muito grande que uma festa tão bonita como a Copa do Mundo, que é uma soma de nações, um momento de congraçamento das ações, comece dividida, com retaliações, divisões, excluindo nações&#8221;, acrescenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a semana, várias situações geraram desconforto diplomático. Na última segunda-feira, 8 de junho, a FIFA confirmou o corte do árbitro somali Omar Artan, considerado o melhor do continente africano. Ele teve o visto negado ao chegar ao Aeroporto Internacional de Miami. A Somália está entre os 38 países com proibição de viagem decretada pelo governo norte-americano. <span class="highlighter">Para Valente, &#8220;são momentos extremamente constrangedores, e a FIFA e as nações deveriam se insurgir e não aceitar esse tipo de medida&#8221;.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Banida de competições da Fifa devido à guerra na Ucrânia, a Rússia não disputa torneios da entidade desde 2022. As ações de EUA e Israel no Irã, Palestina e Líbano, no entanto, não sofreram as mesmas sanções.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A delegação do Irã também enfrenta problemas de visto e entrada com membros de sua comissão técnica. O acordo de paz entre os dois países parece distante neste início de Copa do Mundo, com o ataque dos Estados Unidos na última terça-feira, 9 de maio. As delegações do Uzbequistão e do Senegal relataram revistas demoradas e dificuldades durante a chegada ao país.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A política migratória adotada pelos Estados Unidos acarreta consequências negativas à própria economia do país, segundo Valente,&nbsp; quando nega vistos de emprego, estudo, turismo e para negócios. <span class="highlighter">&#8220;Há dificuldade para encontrar mão de obra, contratar profissionais, para as próprias empresas americanas, que às vezes buscam profissionais em outros países.</span> [&#8230;] Não é só a concessão de vistos de emprego, mas para estudo, turismo e negócios. O país tem se fechado bastante, e isso vai impactar na economia americana”, diz.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A advogada ainda critica a atuação da polícia imigratória (ICE), que fere direitos humanos ao separar famílias e impor tratamentos arbitrários a imigrantes ilegais no país, o que classifica como &#8220;arbítrio de soberania&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leia os principais momentos&nbsp; da entrevista:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Temos visto diversos casos de restrição de entrada nos Estados Unidos à Copa do Mundo: árbitro da Somália, membros da delegação do Iraque e Irã, jornalistas iranianos e africanos (segundo a Associação Internacional de Imprensa Esportiva), um jogador do Haiti (o meia Woodensky Pierre), atacante iraquiano (Aymen Hussein) detido e interrogado por 7 horas antes de poder entrar no país. Essas práticas de controle de migração infringem o direito internacional ou o direito migratório?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não. Há uma falha tanto das equipes que encaminham esses profissionais, como da FIFA. Como profissional que atua na área de imigração, sei que os Estados Unidos têm exigências e restrições a determinados países (em janeiro deste ano, 75 países tinham restrição e/ou congelamento de vistos de entrada aos EUA, incluindo o Brasil). Então, se eu sou uma pessoa dessa delegação, eu deveria ter visto como encaminhar o meu representante legal ao país com muitos meses de antecedência. A FIFA, igualmente, deveria ter organizado previamente para que toda delegação e toda equipe tivessem asseguradas essa ida para os Estados Unidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Cada país é soberano para estabelecer suas condições de entrada. Quando a FIFA elegeu os Estados Unidos, ela deveria ter estabelecido algumas condicionantes e dito: &#8220;vou criar uma zona neutra para que jogadores, equipe técnica, juízes tenham trânsito livre para esta Copa&#8221;.</span> Deveria ter tido uma negociação para que as regras de imigração, ou que essas condicionantes existentes, no país tivessem uma regulação própria durante o período da Copa. Os países têm arbítrio para estabelecer essas regras, todo mundo sabe que o Irã está proibido de entrar nos Estados Unidos (o Departamento de Segurança Interna dos EUA declarou, na última terça-feira (9) que o time iraniano pode entrar no país na véspera de cada partida).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao indicarem um juiz somali (Omar Artan) para entrar nos Estados Unidos, alguém tinha que ter cuidado disso antes. Não que eu tenha qualquer simpatia pelas atitudes ou restrições americanas, mas sob o ponto de vista eminentemente legal, sobre o ponto de vista técnico e migratório, eram medidas que uma assessoria legal migratória deveria ter prevenido. Não deveriam ter feito Copa nos Estados Unidos considerando essas restrições. Isso deveria ter sido negociado. Isso é condição para que a Copa ocorresse lá.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Direito de Migração tem como um de seus princípios a não discriminação de pessoas por sua nacionalidade, etnia e origem. Mesmo assim prevalece a soberania do país-sede?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, prevalece a soberania. A gente tem uma série de situações, até de voluntários brasileiros, que tiveram dificuldade de ir pela demora de concessão de visto, de já estar com passagem marcada e não conseguir tirar o visto para trabalharem como voluntários na Copa. Há uma série de situações de dificuldade de concessão de visto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>As restrições de entrada remetem às Olimpíadas de Berlim, em 1936, quando atletas judeus foram proibidos de participar. A exceção foi a esgrimista americana Helene Mayer, que ganhou medalha de prata. Qual é o ineditismo dessas restrições da Copa do Mundo e qual é o impacto diplomático disso?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em termos corporativos, empresariais, isso também tem ocorrido porque, não raro, existem situações de empresas que estão contratando profissionais de outros países e eles não conseguem chegar para assumir a função porque o visto não foi concedido. Existe tanto a burocracia da concessão até o indeferimento do visto. Isso tem impactado o mundo corporativo pelas dificuldades burocráticas na concessão do visto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Você tem trabalhado diretamente com essas questões migratórias. Como isso tem afetado os negócios e a economia?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nós temos situações de executivos que têm tido dificuldades para terem suas autorizações de residência, e seus contratos aprovados, pela demora na concessão do visto. Ou, ainda, a negativa de concessão de visto devido às restrições para ir aos Estados Unidos. [Por outro lado] há dificuldade para encontrar mão de obra, contratar profissionais, para as próprias empresas americanas, que às vezes buscam profissionais em outros países e encontram embaraço para fazer essa importação de mão de obra, pelas dificuldades burocráticas e migratórias. E as próprias universidades têm tido dificuldades para ter o aceite de estudantes, que [também] estão com dificuldades de serem recebidos pelas universidades americanas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é só a concessão de vistos de emprego, mas para estudo, turismo e negócios. O país tem se fechado bastante, e isso vai impactar na economia americana. São esses profissionais que efetivamente trabalham e são esses profissionais que estão lá fazendo o serviço que os americanos não querem fazer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Que tipo de simbolismo essa Copa passa para o mundo?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">A mensagem é péssima! É um &#8220;tiro no pé&#8221;, mas que, efetivamente, representa também um pensamento médio de uma parcela significativa da população americana.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sim, ainda mais com eleições de meio de mandato neste ano.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele (<a href="https://apublica.org/tag/donald-trump/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Donald Trump</a>) tem apoio popular e, convenhamos, os Estados Unidos da América também é um país que tem um índice de imigrantes extremamente elevado, em torno de pelo menos 15% da população, que é um percentual extremamente expressivo em termos de média de imigrantes estrangeiros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Existe algum tipo de mecanismo internacional que poderia dialogar ou pressionar contra eventuais abusos a imigrantes nos EUA?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há muitos impactos relacionados à questão de direitos humanos, de separar famílias, de tratamento arbitrário. Há várias questões como a polícia vem tratando os imigrantes, não só na questão da concessão do visto, que isso efetivamente é um arbítrio de soberania, mas com relação ao tratamento dos imigrantes nos Estados Unidos. Tem o tratamento relacionado a direitos humanos e os próprios grupos de direitos humanos americanos têm se insurgido contra o tratamento hostil da polícia americana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">A grande ferramenta é a reciprocidade, um eventual tratamento recíproco que possa ser dado aos próprios americanos que estejam fora do país. Você vê a ONU, organizações internacionais, várias nações, também têm se insurgido.</span> Até o Papa vem se colocando contra a questão migratória. Ele hostilizou uma série de medidas adotadas contra os imigrantes. Veja que todo tipo de organização, e até mesmo as religiosas, vêm se insurgindo com relação ao tratamento hostil e desrespeitoso que vem sendo dado aos imigrantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Alguma consideração final?&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É uma pena muito grande que uma festa tão bonita como a Copa do Mundo, que é uma soma de nações, um momento de congraçamento das ações, comece dividida, com retaliações, divisões, excluindo nações. Então, é lamentável que a gente comece o que deveria ser para unir os povos, com um movimento de separação e de isolamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São momentos extremamente constrangedores. A FIFA deveria realmente se insurgir, as nações deveriam realmente se insurgir e não aceitar esse tipo de medida. Essa festa começa muito triste com medidas como essas.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto1-Copa-2026-acao-da-FIFA-poderia-ter-evitado-problemas-migratorios-diz-advogada.webp" length="61020" type="image/webp" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">252667</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Brasil perde R$ 94 bilhões ao ano com exclusão de pessoas LGBTQIA+ no trabalho</title>
		<link>https://apublica.org/2026/06/brasil-perde-r-94-bilhoes-ao-ano-com-exclusao-de-pessoas-lgbtqia-no-trabalho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raphaela Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[homofobia]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[transfobia]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?p=252612</guid>

					<description><![CDATA[Pesquisa mostra que índices de desemprego são maiores que média da população]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">A exclusão de pessoas LGBTQIA+ do mercado profissional brasileiro provoca perdas anuais estimadas em R$ 94,4 bilhões — o equivalente a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.</span> O dado faz parte do estudo “O Custo Econômico da Exclusão Baseada em Orientação Sexual, Identidade e Expressão de Gênero e Características Sexuais no Mercado de Trabalho Brasileiro”, divulgado pelo Banco Mundial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do impacto econômico direto, <span class="highlighter">a pesquisa estima perdas fiscais anuais de R$ 14,6 bilhões em arrecadação e gastos públicos ligados à exclusão dessa população.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">O <a href="https://custodaexclusaolgbti.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">levantamento</a> aponta que <span class="highlighter">pessoas LGBTQIA+ enfrentam taxas mais altas de desemprego, menor participação profissional e experiências frequentes de discriminação no ambiente de trabalho.</span> A taxa de desemprego entre entrevistados LGBTQIA+ foi estimada em 15,2%, praticamente o dobro da média nacional, de 7,7%. Já a taxa de inatividade chegou a 37,4%, acima dos 33,4% registrados na população geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pessoas trans, não binárias e intersexo foram as que mais relataram episódios de discriminação e exclusão profissional, segundo o relatório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo foi produzido a partir de uma pesquisa inédita realizada em 2025 com pessoas LGBTQIA+ em diferentes regiões do Brasil. O levantamento reuniu informações sobre renda, emprego, participação profissional e experiências de discriminação e estigma. Grupos focais aprofundaram os impactos da exclusão social e econômica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa foi conduzida pelo Banco Mundial em parceria com organizações como Instituto Matizes, Mais Diversidade, Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT) e Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento (PADF).</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2c9cf400158&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a2c9cf400158" class="wp-block-image alignfull size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="426" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/03/Capaalt_home-1.jpg?resize=640%2C426&#038;ssl=1" alt="Rio de Janeiro (RJ) 17/12/2023 – Participantes da 2ª Edição da Parada LGBTQIA+ da Lapa, que acontece pela visibilidade e direitos das pessoas trans. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil" class="wp-image-246747" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/03/Capaalt_home-1.jpg?w=1202&amp;ssl=1 1202w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/03/Capaalt_home-1.jpg?resize=800%2C532&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/03/Capaalt_home-1.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
			class="lightbox-trigger"
			type="button"
			aria-haspopup="dialog"
			data-wp-bind--aria-label="state.thisImage.triggerButtonAriaLabel"
			data-wp-init="callbacks.initTriggerButton"
			data-wp-on--click="actions.showLightbox"
			data-wp-style--right="state.thisImage.buttonRight"
			data-wp-style--top="state.thisImage.buttonTop"
		>
			<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="12" height="12" fill="none" viewBox="0 0 12 12">
				<path fill="#fff" d="M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z" />
			</svg>
		</button><figcaption class="wp-element-caption">Pessoas LGBTQIA+ enfrentam taxas mais altas de desemprego, menor participação profissional e experiências frequentes de discriminação no ambiente de trabalho</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Traduzir discriminação em números concretos pode mudar a forma como o tema é tratado no debate público, diz Ricardo Sales, presidente do Instituto Mais Diversidade. “Estamos falando de um tema de direitos humanos, mas também de uma questão de desenvolvimento econômico. A pesquisa tem potencial para ampliar nosso repertório semântico e argumentativo, além de apontar caminhos para o diálogo com o Estado e as empresas”, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo os pesquisadores, a discriminação afeta diretamente a permanência e o crescimento profissional da população LGBTQIA+. O relatório sustenta que o estigma reduz a participação no mercado profissional, limita o retorno de investimentos em educação e restringe oportunidades de renda e ascensão profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As perdas econômicas atingem de forma mais intensa mulheres lésbicas, bissexuais, trans e intersexo. O estudo calcula perdas anuais de R$ 54,3 bilhões entre mulheres, ante R$ 40,1 bilhões entre homens. A pesquisa também destaca que desigualdades de gênero, raça e território aprofundam os impactos da exclusão no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na leitura de Samuel Araujo, coordenador da pesquisa no Instituto Matizes, os resultados ajudam a desmontar a ideia de que a população LGBTQIA+ vive experiências homogêneas no mundo do trabalho. Pessoas trans, não binárias e intersexo, explica ele, acumulam múltiplas vulnerabilidades sociais e enfrentam barreiras maiores de acesso à educação e ao emprego.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A discriminação, acrescenta o pesquisador, atravessa toda a trajetória profissional. “Muitos trabalhadores ocultam suas identidades por medo de preconceito, o que aumenta o estresse, reduz o sentimento de pertencimento e afeta negativamente produtividade e permanência no emprego”, diz Samuel Araujo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O relatório relaciona a exclusão econômica a barreiras anteriores ao ingresso no mercado profissional. Entre pessoas trans e travestis, aproximadamente 70% não concluíram o ensino médio e apenas 0,02% estão matriculadas no ensino superior, segundo dados citados pela pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Os responsáveis pelo estudo defendem que os dados podem orientar políticas públicas e mudanças no setor privado.</span> Ricardo Sales resume o impacto da exclusão em uma frase: “quando o preconceito ganha toda a sociedade perde”. Segundo ele, a exclusão da população LGBTQIA+ reduz consumo, arrecadação e crescimento econômico.</p>


	<div class='my-5 fs-6 fst-sans-serif position-relative blockquote-custom'>
				<div class="d-flex">
						<div class="d-flex flex-column me-3"><i class="fas fa-quote-left text-primary fa-4x"></i><div class="flex-grow-1 border-end border-primary border-3"></div></div>			<div class=''>
				<div class='fs-4 fst-serif-alt mb-3'>Com o que o Brasil perde com a exclusão de pessoas LGBTI+ no mercado laboral seria possível, numa analogia, custear transporte público gratuito para toda a população</div>
				<div class='byline fst-italic fs-5 text-end text-lg-start lh-sm mb-3'>Ricardo Sales</div>				<div class='job-title text-muted fs-6 mt-n2 text-end text-lg-start'>Presidente do Instituto Mais Diversidade</div>			</div>
		</div>

			</div>
	


<p class="wp-block-paragraph">Mapear uma população <a href="https://adiadorim.org/reportagens/2025/01/fora-da-pec-6x1-autonomo-lgbtqia-desafios-economicos-e-sociais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">historicamente invisibilizada</a> nas estatísticas oficiais foi um dos principais desafios da pesquisa. Como não existe um cadastro amostral da população LGBTQIA+ no Brasil, os pesquisadores combinaram entrevistas online e presenciais, além de campanhas em territórios vulneráveis e parcerias com organizações locais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratégia buscou evitar a sub-representação de pessoas em situação de maior vulnerabilidade, especialmente pessoas trans e travestis, moradores de periferias e áreas rurais. Samuel Araujo explica que, por isso, o estudo utilizou pesquisadores das próprias comunidades e ações presenciais em diferentes territórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><!-- alsoRead -->Apesar de avanços legais recentes — como o reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo, a criminalização da LGBTfobia pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e o direito de pessoas trans alterarem documentos sem necessidade de cirurgia — o estudo aponta que a exclusão permanece presente em diferentes dimensões da vida social e econômica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa coloca o Brasil em uma agenda internacional do Banco Mundial voltada à medição dos impactos econômicos da discriminação contra pessoas LGBTQIA+ em diferentes países. Metodologias semelhantes já foram aplicadas em pesquisas realizadas na Índia, na Sérvia e na Macedônia do Norte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais do que produzir um diagnóstico, o desafio agora é transformar os resultados em políticas concretas, afirma Lucas Bulgarelli, diretor-executivo do Instituto Matizes. Segundo ele, o Brasil avança com iniciativas como o Plano Nacional do Trabalho Digno LGBTQIA+, mas ainda precisa ampliar a produção de dados oficiais, fortalecer políticas públicas e expandir ações de inclusão profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O relatório apresenta um conjunto de recomendações para os setores públicos e privado, que incluem diferentes aspectos como o fortalecimento das políticas em curso, expandir a produção de dados sobre pessoas LGBTI+ nos registros administrativos e pesquisas oficiais”, afirma Bulgarelli.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Capa-Brasil-perde-R-94-bilhoes-ao-ano-com-exclusao-de-pessoas-LGBTQIA-no-trabalho-1.jpg" length="320046" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">252612</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Deputados brasileiros contestam políticas de Trump em Washington</title>
		<link>https://apublica.org/2026/06/deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-trump-em-washington/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raphaela Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Jair Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?p=252544</guid>

					<description><![CDATA[Grupo denúncia no Congresso dos EUA tarifaço contra o Brasil e relação entre família Bolsonaro e Vorcaro]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Como presidente do Conselho Diretivo do <a href="https://www.braziloffice.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Washington Brazil Office</a> (WBO), não posso deixar de escrever a coluna desta semana sobre a importante atividade parlamentar brasileira que ocorreu na semana passada em Washington. Uma <a href="https://www.braziloffice.org/press-releases/brazilian-congressionalnbspdelegation-travels-to-washington-to-defend-democracy-sovereignty-and-international-cooperation" target="_blank" rel="noreferrer noopener">delegação</a> de quatro líderes partidários, apoiada pelo WBO, viajou à capital americana em um momento muito oportuno, considerando os recentes ataques ao Brasil promovidos pelo bolsonarismo e seus aliados no Partido Republicano e no governo Trump.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A delegação era composta por quatro membros da Câmara dos Deputados: Jandira Feghali (PcdoB-RJ), Pedro Uczai (PT-SC), Pedro Campos (PSB-PE) e vice-líder do governo, e André Janones (MG-Rede). <span class="highlighter">Sua missão era entrar em contato com membros do Partido Democrata no Congresso americano para informá-los sobre a atual situação política no Brasil e alertá-los sobre os impactos negativos que as novas políticas de Trump terão no país.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os temas abordados pela delegação junto aos membros do Congresso dos EUA, estava o <span class="highlighter"> apelo para incentivar a cooperação internacional entre o Brasil e os Estados Unidos no combate ao crime organizado transnacional, aos grupos criminosos e à lavagem de dinheiro.</span> A proposta, extremamente detalhada, apresentou uma série de sugestões minuciosas sobre como a cooperação internacional poderia abordar as ameaças à segurança pública sem renunciar à soberania nacional brasileira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um segundo pedido público solicitou uma investigação para apurar “se indivíduos, empresas, escritórios de advocacia, contas bancárias, fundos, veículos de investimento, contratos de serviços, estruturas corporativas ou intermediários sujeitos à jurisdição dos EUA foram utilizados para <span class="highlighter">receber, movimentar, ocultar, disfarçar ou integrar fundos potencialmente obtidos ilicitamente, ligados ao caso Banco Master, a Daniel Vorcaro, a estruturas financeiras relacionadas a Reag</span>, a fundos suspeitos de estarem ligados à lavagem de dinheiro associada ao PCC e a agentes políticos brasileiros ligados à família Bolsonaro”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma terceira questão levantada pela delegação diz respeito <a href="https://apublica.org/2026/06/novo-tarifaco-e-oportunista-e-mira-eleicoes-legislativas-dos-estados-unidos-diz-professor/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">às novas tarifas</a> impostas por Trump ao Brasil, considerando os significativos superávits comerciais em bens e serviços com o país. <span class="highlighter">“Substituir a racionalidade econômica por interesses ideológicos e geopolíticos prejudica a estabilidade e enfraquece a relação estratégica entre os dois países”</span>, argumentou a missão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A recepção à delegação foi bastante positiva. O deputado Jim McGovern, democrata de Massachusetts e copresidente da Comissão Bipartidário Tom Lantos de Direitos Humanos no Congresso norte-americano, e a deputada Sidney Kamlager-Dove, democrata da Califórnia e copresidente do bancada Brasil no Congresso dos EUA, expressaram gratidão pela oportunidade de se reunirem com a delegação e prometeram considerar seriamente as recomendações propostas. Outros gabinetes do Congresso tiveram reações positivas semelhantes, conforme noticiado pela <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/aliados-de-lula-pedem-aos-eua-investigacao-sobre-relacao-de-vorcaro-com-familia-bolsonaro.shtml"><em>Folha de S</em></a><em><a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/aliados-de-lula-pedem-aos-eua-investigacao-sobre-relacao-de-vorcaro-com-familia-bolsonaro.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ã</a></em><a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/aliados-de-lula-pedem-aos-eua-investigacao-sobre-relacao-de-vorcaro-com-familia-bolsonaro.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>o Paulo</em></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diretor executivo da WBO, Paulo Abrão, que recentemente atuou como secretário executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, <a href="https://www.braziloffice.org/press-releases/brazilian-congressionalnbspdelegation-travels-to-washington-to-defend-democracy-sovereignty-and-international-cooperation" target="_blank" rel="noreferrer noopener">comentou</a> sobre o propósito da delegação: &#8220;Neste momento, é essencial diversificar as vozes legislativas brasileiras que dialogam com os Estados Unidos. Esta delegação reúne líderes democráticos de alto nível, cuja participação contribuirá para um debate mais informado e uma compreensão mais profunda da realidade política e institucional do Brasil no cenário internacional.&#8221;</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2c9cf4011eb&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a2c9cf4011eb" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="480" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Capa-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington-1.jpeg?resize=640%2C480&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-252546" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Capa-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington-1.jpeg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Capa-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington-1.jpeg?resize=800%2C600&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Capa-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington-1.jpeg?resize=320%2C240&amp;ssl=1 320w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Capa-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington-1.jpeg?resize=150%2C113&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Capa-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington-1.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
			class="lightbox-trigger"
			type="button"
			aria-haspopup="dialog"
			data-wp-bind--aria-label="state.thisImage.triggerButtonAriaLabel"
			data-wp-init="callbacks.initTriggerButton"
			data-wp-on--click="actions.showLightbox"
			data-wp-style--right="state.thisImage.buttonRight"
			data-wp-style--top="state.thisImage.buttonTop"
		>
			<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="12" height="12" fill="none" viewBox="0 0 12 12">
				<path fill="#fff" d="M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z" />
			</svg>
		</button><figcaption class="wp-element-caption">Reunião no Gabinete de Jim McGonvern</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Denúncias contra ataques à democracia brasileira nos Estados Unidos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esta não foi a primeira delegação parlamentar brasileira organizada pela WBO. Em fevereiro de 2020, às vésperas do surto de covid-19 nos Estados Unidos, as congressistas brasileiras Joênia Wapichana (REDE-RR), Erika Kokay (PT-DF) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) viajaram a Washington para realizar reuniões estratégicas com parlamentares americanos. Elas discutiram ações contra políticas retrógradas de Jair Bolsonaro, no Brasil, e Trump, nos EUA, durante seu primeiro mandato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em julho de 2022, a WBO organizou outra missão composta por representantes de 20 organizações da sociedade civil que se reuniram com membros do Senado e da Câmara dos Representantes dos EUA; a Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO), a maior federação sindical dos EUA, representando 15 milhões de trabalhadores; a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos; e outras entidades internacionais sediadas em Washington. O objetivo deles era discutir as ameaças às eleições brasileiras feitas pelo governo Bolsonaro, que questionava a validade das urnas eletrônicas, e pedir à comunidade internacional que reconhecesse o resultado das eleições presidenciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a reunião da delegação com o senador Bernie Sanders, o socialista democrata do estado de Vermont <a href="https://www.braziloffice.org/press-releases/sanders-urges-us-to-break-ties-with-brazil-if-bolsonaro-disrespects-the-elections" target="_blank" rel="noreferrer noopener">declarou</a>: “O que ouvi [da delegação] infelizmente me parece muito familiar, por causa dos esforços de [Donald] Trump e seus aliados para minar a democracia americana. Não me surpreende que Bolsonaro esteja tentando fazer o mesmo no Brasil. Esperamos sinceramente que o resultado das eleições [brasileiras] seja reconhecido e respeitado, e que a democracia, de fato, prevaleça no Brasil.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em grande parte, devido a isso e a outras ações, o <a href="https://www.braziloffice.org/press-releases/us-senate-unanimously-approves-resolution-in-defense-of-democracy-in-brazil" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Senado dos EUA aprovou</a> por unanimidade uma resolução “exortando o Governo do Brasil a garantir que as eleições de outubro de 2022 sejam conduzidas de maneira livre, justa, credível, transparente e pacífica; caso contrário, os Estados Unidos deverão reconsiderar suas relações com o governo brasileiro e suspender os programas de cooperação, inclusive na área militar.” A resolução também pediu ao governo Biden que “reconhecesse imediatamente o resultado da eleição no Brasil” e que “revisasse e reconsiderasse a relação entre os Estados Unidos e qualquer governo que chegue ao poder no Brasil por meios antidemocráticos, incluindo um golpe militar”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma <a href="https://www.ft.com/content/97582a42-cad7-467a-8f52-9b02d6d5dc16?syn-25a6b1a6=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">iniciativa paralela</a>, ao longo de 2021 e 2022, o governo Biden enviou uma série de comunicados ao governo Bolsonaro e às Forças Armadas brasileiras, afirmando que o governo dos EUA se oporia a qualquer tentativa de ação militar para reverter os resultados da eleição. Agora sabemos que as mensagens claras e consistentes do presidente Biden, juntamente com várias declarações de membros do Congresso dos EUA, desencorajaram generais importantes das Forças Armadas de se juntarem à tentativa de golpe de Jair Bolsonaro, contribuindo para o seu fracasso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A invasão da Praça de Três Poderes em <a href="https://apublica.org/tag/8-de-janeiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">8 de janeiro de 2023</a> levou a mais uma <a href="https://www.braziloffice.org/press-releases/brazilian-and-us-legislators-discuss-attacks-on-democracy-in-washington" target="_blank" rel="noreferrer noopener">missão internacional</a>. Entre 29 de abril e 2 de maio de 2024, o Instituto Vladimir Herzog, em parceria com o WBO, promoveu a troca de experiências entre parlamentares sobre os ataques de 6 de janeiro de 2021 no Capitólio dos EUA e os de 8 de janeiro de 2023, no Brasil. A missão foi composta membros da CPI sobre o 8 de janeiro: Senadora Eliziane Gama (PSD-MA), Deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), Senador Humberto Costa (PT-PE), Deputado Rafael Brito (MDB-AL), Deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Deputado Rogério Correia, (PT-MG).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O instituto de pesquisa Plataforma CIPÓ, em parceria com o Washington Brazil Office (WBO), liderou entre os dias 4 e 6 de dezembro de 2024 outra missão de diplomacia parlamentar a Washington para fortalecer o compromisso e a cooperação entre congressistas brasileiros e estadunidenses na promoção da ação climática, do desenvolvimento sustentável e da defesa da democracia no cenário internacional. Ela ocorreu no contexto da <a href="https://apublica.org/especial/cop-a-crise-do-clima-em-foco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">COP30</a> no Brasil. Do lado brasileiro, estiveram os deputados federais Célia Xakriabá (PSOL-MG), Dandara (PT-MG), Túlio Gadelha (Rede-PE) e Arlindo Chinaglia (PT-SP).</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2c9cf4015b6&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a2c9cf4015b6" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto1-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1" alt="Encontro com deputado Jaime Raskin, do partido Democrata, em 2022" class="wp-image-252578" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto1-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto1-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto1-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto1-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
			class="lightbox-trigger"
			type="button"
			aria-haspopup="dialog"
			data-wp-bind--aria-label="state.thisImage.triggerButtonAriaLabel"
			data-wp-init="callbacks.initTriggerButton"
			data-wp-on--click="actions.showLightbox"
			data-wp-style--right="state.thisImage.buttonRight"
			data-wp-style--top="state.thisImage.buttonTop"
		>
			<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="12" height="12" fill="none" viewBox="0 0 12 12">
				<path fill="#fff" d="M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z" />
			</svg>
		</button><figcaption class="wp-element-caption">Encontro com deputado Jaime Raskin, do partido Democrata, em 2022</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um precedente histórico durante a ditadura</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A visita dos quatro deputados na semana passada, bem como as articulações públicas e transparentes das organizações da sociedade civil nos Estados Unidos durante as eleições de 2022 e as outras missões internacionais, têm outro importante precedente histórico, ocorrido durante a ditadura militar. Escrevi sobre isso no livro <em>Apesar de vocês: a oposição à ditadura militar brasileira nos Estados Unidos</em>, cuja segunda edição ampliada será publicada pela Editora da UNESP ainda este ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2 de setembro de 1968, o deputado oposicionista Márcio Moreira Alves fez um <a href="https://memorialdademocracia.com.br/card/regime-usa-discurso-para-baixar-o-ai-5" target="_blank" rel="noreferrer noopener">discurso</a> na Câmara dos Deputados <span class="highlighter">denunciando a violenta invasão da Universidade de Brasília (UnB) pelas Forças Armadas. Ele apelou à população para boicotar os próximos desfiles militares do 7 de setembro, dia da Independência do país, o que enfureceu os generais no poder.</span> Moreira Alves também apelou às moças brasileiras, “aquelas que dançam com cadetes e namoram jovens oficiais” para se recusarem a manter relações românticas com cadetes militares até a restauração da democracia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">O general Emílio Garrastazu Médici, então chefe do Serviço Nacional de Inteligência (e posteriormente presidente), divulgou a proposta do congressista dentro das Forças Armadas, provocando pressão sobre o governo para que respondesse ao discurso &#8220;sedicioso&#8221; de Alves.</span> Isso desencadeou uma série de eventos que levaram o partido do governo militar a tentar punir Moreira Alves, apesar da imunidade parlamentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Em uma reviravolta surpreendente, o Congresso votou 216 a 141, com 12 abstenções, contra a cassação de Moreira Alves. O presidente e general de quatro estrelas Artur da Costa e Silva usou essa rebelião parlamentar como pretexto para reprimir a oposição por meio da promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5).</span> O <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_Institucional_n.%C2%BA_5" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decreto</a> concedeu aos militares poder ilimitado para fechar o Congresso, suspender o habeas corpus, abolir os procedimentos democráticos, aumentar a censura e realizar tortura e repressão sistemáticas contra a oposição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moreira Alves estava no topo da lista de políticos e outras pessoas que seriam punidas pela AI-5, então ele fugiu para o exílio no Chile. Logo depois, viajou para Washington para se encontrar com Mike Mansfield, o presidente do Senado dos EUA, e outros membros do Congresso, para denunciar o regime militar e pedir ao governo dos EUA, que havia apoiado o golpe de Estado de 1964, que cortasse toda a ajuda econômica e militar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele retornou no ano seguinte para discursar no segundo congresso da Associação de Estudos Latino-Americanos, realizado em Washington, D.C. Como resultado de suas articulações, os membros da associação, especialistas em América Latina, aprovaram uma resolução pedindo o fim do apoio dos EUA ao regime militar. No dia seguinte, em uma coletiva de imprensa, Alves declarou: <span class="highlighter">“Somente a opinião pública internacional poderia impedir os generais de torturar ‘rotineiramente’ os presos políticos”.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resposta ao processo de crescente repressão aos opositores do regime, acadêmicos estadunidenses que trabalhavam com o Brasil, clérigos progressistas e um pequeno grupo de exilados brasileiros formaram American Friends of Brazil, uma pequena organização que realizou dezenas de atividades nos Estados Unidos para denunciar a tortura e a repressão no Brasil, bem como as políticas antipopulares do regime militar. Esse esforço inspirou um movimento descentralizado de “amigos do Brasil” para educar o público estadunidense sobre a situação no país sob a ditadura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo das cinco décadas seguintes, diferentes ativistas – estadunidenses e brasileiros – organizaram uma miríade de atividades em apoio aos movimentos sociais e ao fortalecimento da democracia no Brasil após a transição para o governo civil, culminando na fundação da Rede nos EUA para a Democracia no Brasil na Faculdade de Direito da Universidade de Columbia, em 1º de dezembro de 2018. Nessa reunião, os 200 participantes brasileiros e estadunidenses também aprovaram uma resolução para formar o Washington Brazil Office.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Diplomacia entre EUA e Brasil é longa e complexa</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">É importante destacar a metodologia da recente delegação de quatro deputados e das missões da sociedade civil que a WBO organizou para articular suas preocupações aos formuladores de políticas dos EUA. Em primeiro lugar, elas foram construídas sobre um amplo conjunto de preocupações articuladas por organizações da sociedade civil e políticos progressistas. As articulações foram transparentes e as visitas e reuniões em Washington foram compartilhadas abertamente com a imprensa e, por meio dela, com o público brasileiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="highlighter">Não se tratava de reuniões secretas com o Secretário de Estado Marco Rubio e outros membros do governo Trump para planejar maneiras de minar o governo brasileiro atual, impor tarifas punitivas ao país e proteger criminosos escondidos nos Estados Unidos.</span> Elas não foram planejadas para encorajar o governo dos EUA a assumir o controle dos minerais raros do Brasil, como o governo Trump fez com o petróleo venezuelano. Elas não tinham o objetivo de longo prazo de encontrar maneiras de permitir que instituições financeiras internacionais minassem o sistema PIX de transferências de dinheiro e o substituíssem por um sistema que beneficiasse bancos e empresas de cartão de crédito dos EUA.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2c9cf401a30&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a2c9cf401a30" class="wp-block-image alignfull size-large wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="426" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto3-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington.jpg?resize=640%2C426&#038;ssl=1" alt="Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump" class="wp-image-252594" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto3-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington.jpg?resize=1600%2C1066&amp;ssl=1 1600w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto3-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto3-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington.jpg?resize=1536%2C1024&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto3-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington.jpg?resize=150%2C100&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto3-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington.jpg?w=2048&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto3-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Foto3-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
			class="lightbox-trigger"
			type="button"
			aria-haspopup="dialog"
			data-wp-bind--aria-label="state.thisImage.triggerButtonAriaLabel"
			data-wp-init="callbacks.initTriggerButton"
			data-wp-on--click="actions.showLightbox"
			data-wp-style--right="state.thisImage.buttonRight"
			data-wp-style--top="state.thisImage.buttonTop"
		>
			<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="12" height="12" fill="none" viewBox="0 0 12 12">
				<path fill="#fff" d="M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z" />
			</svg>
		</button><figcaption class="wp-element-caption">Governo Trump declara que o Brasil não é mais um aliado amigável</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, nenhum dos membros das delegações da sociedade civil brasileira ou líderes de partidos políticos progressistas havia usado dinheiro de fontes questionáveis ​​para comprar propriedades caras na <a href="https://veja.abril.com.br/brasil/casa-em-que-bolsonaro-esta-em-orlando-tem-oito-quartos-e-sala-de-cinema/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Flórida</a> ou no <a href="https://www.intercept.com.br/2026/05/27/eduardo-bolsonaro-casa-luxo-milhoes-texas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Texas</a>. Tampouco defenderam o regime militar brasileiro e seu legado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em vez disso, representavam as preocupações de mais de 80 organizações da sociedade civil brasileira afiliadas ao Washington Brazil Office, envolvidas em uma ampla gama de questões políticas, econômicas, sociais e culturais destinadas a expandir a democracia, proteger populações vulneráveis, o meio ambiente e os recursos naturais do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil e os Estados Unidos têm uma relação longa e complexa desde 1824, quando o presidente James Monroe reconheceu o país recém-independente. As duas nações colaboraram estreitamente na luta global contra o fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, no auge da Guerra Fria, os governos de John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson, com o apoio fervoroso do embaixador americano Lincoln Gordon e seu adido militar Vernon Walters, conspirou com os militares brasileiros para derrubar o governo democraticamente constituído de João Goulart.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O governo Trump acaba de declarar que o Brasil não é mais um aliado amigável, tentando criar uma narrativa de que o governo Lula comanda um Estado repressivo e autoritário. O Departamento de Estado dos EUA declarou o PCC e o PV como organizações terroristas, a fim de usar esse status recém-atribuído para justificar intervenções diretas nas políticas internas brasileiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A delegação do Congresso que viajou a Washington, juntamente com iniciativas anteriores na mesma linha, representa uma tentativa de construir relações horizontais e igualitárias entre os dois países, em vez de criar condições para que o Brasil seja subserviente ao gigante do norte.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Capa-Deputados-brasileiros-contestam-politicas-de-Trump-em-Washington-1.jpeg" length="367016" type="image/jpeg" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">252544</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Por que professores estão adoecendo em São Paulo?</title>
		<link>https://apublica.org/2026/06/por-que-professores-estao-adoecendo-em-sao-paulo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raphaela Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apublica.org/?p=252558</guid>

					<description><![CDATA[Pressão, violência e sobrecarga. Professores da Grande São Paulo têm indicado um sinal de alerta: estão adoecendo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">“Chegava na esquina da escola onde trabalhava e sentia tonturas e dores no estômago. A pressão disparava e minhas pernas se recusavam a dar o próximo passo”, conta uma professora que é moradora do Conjunto Habitacional Sítio Conceição, em <a href="https://agenciamural.org.br/sua-quebrada/zona-leste/cidade-tiradentes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cidade Tiradentes</a>, no extremo leste de São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela lecionou por 14 anos no ensino infantil em escolas públicas e particulares e que preferiu não se identificar por medo de represálias. Casos como esse estão longe de ser isolados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só na Grande São Paulo, foram registrados quase 37 mil casos de afastamento de professores por questões de saúde mental, entre janeiro de 2024 e setembro de 2025. Os dados se referem apenas à rede estadual e são o equivalente a 58 profissionais fora das salas de aula por dia, por causa desse desgaste.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2c9cf402f07&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a2c9cf402f07" class="wp-block-image size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="871" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto1-Por-que-professores-estao-adoecendo-em-Sao-Paulo.png?resize=640%2C871&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-252571" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto1-Por-que-professores-estao-adoecendo-em-Sao-Paulo.png?w=752&amp;ssl=1 752w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto1-Por-que-professores-estao-adoecendo-em-Sao-Paulo.png?resize=441%2C600&amp;ssl=1 441w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto1-Por-que-professores-estao-adoecendo-em-Sao-Paulo.png?resize=150%2C204&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 2400px" /><button
			class="lightbox-trigger"
			type="button"
			aria-haspopup="dialog"
			data-wp-bind--aria-label="state.thisImage.triggerButtonAriaLabel"
			data-wp-init="callbacks.initTriggerButton"
			data-wp-on--click="actions.showLightbox"
			data-wp-style--right="state.thisImage.buttonRight"
			data-wp-style--top="state.thisImage.buttonTop"
		>
			<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="12" height="12" fill="none" viewBox="0 0 12 12">
				<path fill="#fff" d="M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z" />
			</svg>
		</button></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As informações são da Diretoria de Perícias Médicas e foram obtidas pelo CPP (Centro do Professorado Paulista), por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Correspondentes da <strong>Agência Mural</strong> de <a href="https://agenciamural.org.br/sua-quebrada/grande-sp/embu-das-artes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Embu das Artes</a> e Itapecerica da Serra, da Grande São Paulo, Cidade Tiradentes, na zona leste, e <a href="https://agenciamural.org.br/sua-quebrada/zona-sul/jardim-sao-luis/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jardim São Luís</a>, na zona sul de São Paulo, ouviram professores da rede pública sobre a situação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eles relatam jornadas diárias de 10 a 12 horas, baixos salários, violência física e moral, infraestrutura precária e cobrança excessiva por resultados estão entre os principais fatores que contribuem para o adoecimento de educadores nas periferias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Professores no limite</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando eu me aproximava da escola, minha frequência cardíaca disparava”, relata o professor de educação física Sílvio Benedito, 60, morador do Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele atua há cerca de 22 anos na escola municipal Edvaldo dos Santos Dantas e foi diagnosticado, em 2024, com ansiedade e depressão, quadro associado à síndrome de burnout, ligada ao esgotamento físico e emocional provocado pelo trabalho.</p>


	<div class='my-5 fs-6 fst-sans-serif position-relative blockquote-custom'>
				<div class="d-flex">
						<div class="d-flex flex-column me-3"><i class="fas fa-quote-left text-primary fa-4x"></i><div class="flex-grow-1 border-end border-primary border-3"></div></div>			<div class=''>
				<div class='fs-4 fst-serif-alt mb-3'>Acordava já com o peso de saber que chegaria ali e encontraria tudo aquilo que me adoecia. Quando recebi o diagnóstico, fiquei assustado. Imagina: um professor de educação física com depressão</div>
				<div class='byline fst-italic fs-5 text-end text-lg-start lh-sm mb-3'>Silvio</div>				<div class='job-title text-muted fs-6 mt-n2 text-end text-lg-start'>Professor na zona sul de SP</div>			</div>
		</div>

			</div>
	


<p class="wp-block-paragraph">Em <a href="https://agenciamural.org.br/sua-quebrada/grande-sp/itapecerica-da-serra/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Itapecerica da Serra</a>, na Grande São Paulo, a professora Talita da Silva Vitoriano Leal, 35, também enfrentou o adoecimento mental ligado ao trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Docente há 14 anos no município, precisou se afastar por 10 meses para tratar de dois problemas: um pólipo nas cordas vocais (são lesões que surgem nas pregas vocais semelhantes a pequenas bolhas ou tumores não benignos) e o TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Em 5 de agosto de 2024 perdi a voz, fiquei 45 dias totalmente afônica, não saía nada. Fui de atestado em atestado, no primeiro o médico me deu 10 dias, voltei a trabalhar, mas não consegui retomar as atividades porque a voz não saia”, conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talita leciona nas escolas E.E. Dr. Honório Monteiro e EMEF Acácia e relata que a rotina em busca de tratamento não foi fácil, porque precisou fazer vários exames. Em outubro de 2024, ela encaminhou o pedido de readaptação para as secretarias municipal e estadual, mas só conseguiu no município.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2c9cf4033e5&quot;}" data-wp-interactive="core/image" data-wp-key="6a2c9cf4033e5" class="wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="480" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--click="actions.showLightbox" data-wp-on--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on--pointerdown="actions.preloadImage" data-wp-on--pointerenter="actions.preloadImageWithDelay" data-wp-on--pointerleave="actions.cancelPreload" data-wp-on-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto2-Por-que-professores-estao-adoecendo-em-Sao-Paulo.jpg?resize=640%2C480&#038;ssl=1" alt="Sala de aula do 2° ano do fundamental II, escola estadual Dr Honório Monteiro localizado no bairro Chácara Sonho Azul" class="wp-image-252572" srcset="https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto2-Por-que-professores-estao-adoecendo-em-Sao-Paulo.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto2-Por-que-professores-estao-adoecendo-em-Sao-Paulo.jpg?resize=800%2C600&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto2-Por-que-professores-estao-adoecendo-em-Sao-Paulo.jpg?resize=320%2C240&amp;ssl=1 320w, https://i0.wp.com/apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/foto2-Por-que-professores-estao-adoecendo-em-Sao-Paulo.jpg?resize=150%2C113&amp;ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px" /><button
			class="lightbox-trigger"
			type="button"
			aria-haspopup="dialog"
			data-wp-bind--aria-label="state.thisImage.triggerButtonAriaLabel"
			data-wp-init="callbacks.initTriggerButton"
			data-wp-on--click="actions.showLightbox"
			data-wp-style--right="state.thisImage.buttonRight"
			data-wp-style--top="state.thisImage.buttonTop"
		>
			<svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="12" height="12" fill="none" viewBox="0 0 12 12">
				<path fill="#fff" d="M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z" />
			</svg>
		</button><figcaption class="wp-element-caption">Sala de aula do 2° ano do fundamental II, escola estadual Dr Honório Monteiro localizado no bairro Chácara Sonho Azul</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Talita, ao retornar da licença, não imaginava que o corpo entraria em colapso com o ambiente escolar. “Não sei o que aconteceu, se eu saí correndo, se eu gritei ou passei mal. Só sei que acordei na secretaria, com os meus colegas me chamando, e já ligaram para o meu marido”, diz. Ali manifestou o transtorno de ansiedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao retornar ao colégio após sofrer a crise de ansiedade, a educadora detalha que ficou atônita ao faltar o ar, e outros sintomas como crises de choro.</p>


	<div class='my-5 fs-6 fst-sans-serif position-relative blockquote-custom'>
				<div class="d-flex">
						<div class="d-flex flex-column me-3"><i class="fas fa-quote-left text-primary fa-4x"></i><div class="flex-grow-1 border-end border-primary border-3"></div></div>			<div class=''>
				<div class='fs-4 fst-serif-alt mb-3'>Quando o sinal tocou ao retornar do intervalo, não cheguei nem na porta. Tive uma crise de pânico no meio do corredor</div>
				<div class='byline fst-italic fs-5 text-end text-lg-start lh-sm mb-3'>Talita</div>				<div class='job-title text-muted fs-6 mt-n2 text-end text-lg-start'>Educadora em Itapecerica da Serra</div>			</div>
		</div>

			</div>
	


<p class="wp-block-paragraph">Na escola Acácia ela foi readaptada e assumiu as funções administrativas com a mesma carga horária e sem contato direto com alunos mas na escola EE Dr. Honório Monteiro suas funções eram as mesmas e a todo momento seu pesadelo diário em ter que continuar lecionando.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O processo de readaptação de professores é um direito garantido por lei para docentes que enfrentam restrições físicas ou mentais que os impedem de exercer suas funções habituais e assegura-se a manutenção da remuneração carga horária adequada, progressão na carreira e o direito à aposentadoria especial.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Sílvio, por sua vez, permaneceu seis meses longe das atividades após ser intimidado por uma pessoa em situação de rua que ocupava a quadra da escola durante uma das aulas. Ao retornar ao trabalho, os professores lembraram de enfrentar crises de ansiedade ainda nos primeiros dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A escola era muito aberta. No fim de semana, muita gente usava o espaço como se fosse um clube. Tinha que recolher de tudo: desde preservativo até espetinho de churrasco”, conta Silvio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Sempre reclamava, mas diziam que ‘na periferia é assim mesmo’”, relembra. “Eu respondia que trabalho na periferia desde que me conheço por gente e sei que não precisa ser assim.”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Plataformas e pressão por desempenho</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Moradora do bairro Jardim Pinheirinho, em Embu das Artes, na Grande São Paulo, a professora Angela Saraiva, 43, afirma que o comportamento dos alunos não é um problema, o que pesa mesmo é a intensa cobrança do governo do Estado de São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Angela leciona para ensino fundamental 2 na Escola Estadual Maria Antonieta Martins de Almeida e conta que começou a desenvolver ansiedade após a perda dos pais em 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de sintomas como insônia e palpitações, ela diz que tem sentido muita dor no corpo, o que, segundo o médico, pode ser fibromialgia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A saúde mental da educadora foi ainda mais prejudicada com a pressão escolar, que se intensificou com a implementação de plataformas digitais de educação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma delas é o Centro de Mídias SP, implementado em março de 2020. Com o isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19, a iniciativa ofertou aulas remotas por meio de aplicativos e ferramentas de videoconferência com a finalidade de não impactar o desempenho dos alunos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, a Secretaria de Educação descontinuou a plataforma em 2025 e foi substituído pela ferramenta “Sala do Futuro”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Angela afirma que incentiva o uso da plataforma digital em sala de aula, mas que precisa lidar com limitações de aprendizagem e dificuldades técnicas dos alunos fora da escola. “Tem uma boa parte que não faz porque não tem celular, alguns não tem internet em casa.” Mesmo assim, a cobrança tem sido em cima dos educadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A outra é a Secretaria Escolar Digital que contém um sistema de indicadores chamado “Farol do Desempenho”. É nele que são avaliados o desempenho dos professores e a gestão escolar, como frequência, formação e metas, em cumprimento do PDI (Plano de Desenvolvimento Individual).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Angela, a escola está sempre no indicador vermelho, ou seja, rendimento insatisfatório. Com isso, o governo do estado intensifica a cobrança por melhores resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa pressão leva a educadora a tirar licenças esporádicas e de curta duração, de no máximo 7 dias. Ela afirma que nem mesmo a falta de recursos básicos é pior do que a forma como ela e os colegas são tratados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Angela cita o chamado “leilão de professores”, um termo usado pelos sindicatos e pela oposição à administração do atual Secretário de Educação, Renato Feder, que tem se concentrado em regras mais rígidas para a renovação dos contratos dos professores.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A Resolução SEDUC nº 08/2026 propõe a rescisão contratual de professores da categoria “O” que se ausentam do trabalho por 30 dias ou mais. O decreto também confere ao diretor da escola o poder de decidir sobre a continuidade do vínculo empregatício do professor.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A educadora pontua que a situação é complicada, mas que o fato dela ser efetivada permite que ela possa pegar atestados, enquanto um professor na categoria O não tem a mesma possibilidade. A categoria “O” envolve docentes contratados de forma temporária na rede estadual de ensino.</p>


	<div class='my-5 fs-6 fst-sans-serif position-relative blockquote-custom'>
				<div class="d-flex">
						<div class="d-flex flex-column me-3"><i class="fas fa-quote-left text-primary fa-4x"></i><div class="flex-grow-1 border-end border-primary border-3"></div></div>			<div class=''>
				<div class='fs-4 fst-serif-alt mb-3'>Não costumo pedir licença médica, mas agora sou obrigada a priorizar a minha saúde</div>
											</div>
		</div>

			</div>
	


<p class="wp-block-paragraph">Angela espera conseguir a licença não remunerada para não perder a carga horária de ensino e poder realizar outras atividades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A educadora atua na profissão há 20 anos e afirma que não costumava pedir licença médica, mas agora é obrigada a priorizar a saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela espera obter licença não remunerada para não perder a carga horária de ensino e ter a oportunidade de realizar outras atividades de forma mais flexível e saudável para sua rotina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Sindicato dos Professores de São Paulo, essa licença tem validade máxima de dois anos, e esse período de ausência não é contabilizado para a suspensão do tempo de serviço nem para qualquer outra finalidade, inclusive legal.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Violência em sala de aula</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Trabalhando 12 horas por dia com crianças com idades de 0 a 6 anos, a professora citada no início desta reportagem, viveu uma situação traumática, em 2024, dentro de uma escola particular na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela foi agredida por uma aluna que, de acordo com os educadores da instituição, era muito inteligente, mas sofria com problemas familiares. “O dia que apanhei pela primeira vez dessa menina, não esperava uma situação dessa. Foi do nada”, relembra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estudante mordeu os colegas e desferiu tapas e socos na profissional pelo fato de dizer não por três vezes para que ela não ficasse em pé durante uma tarefa em sala.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Foi uma sequência de socos no meu rosto”, desabafa. “Enquanto gritava socorro para a minha colega da sala ao lado, os alunos pediram ajuda para a coordenadora”, relembra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para impedir as agressões, a educadora tomou a atitude de abraçar a aluna. No entanto, a mãe de outro aluno viu a situação e fez uma reclamação para direção achando que a agressão vinha da profissional. “A mãe não viu antes que fui chutada e mordida”, conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois do fato, a educadora conta que a pressão arterial chegou a 23 por 18, fora o desespero diante da possibilidade de perder o emprego. “Vou ser mandada embora por justa causa e por ser mulher preta, posso ser presa porque a menina é branca”, lamenta.</p>



<blockquote class="wp-block-quote has-central-palette-1-background-color has-background is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que são CIDs?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">CID é a sigla para Classificação Internacional de Doenças, sistema da Organização Mundial da Saúde (OMS) que padroniza diagnósticos médicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na saúde mental, alguns dos CIDs mais frequentes são:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>CID F41 – transtornos de ansiedade</li>



<li>CID F32 / F33 – depressão</li>



<li>CID Z73.0 – síndrome de burnout (relacionada ao trabalho)</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Diferente de outros transtornos mentais, o burnout não é um diagnóstico clínico isolado, mas um quadro associado às condições de trabalho, que pode envolver sintomas registrados sob diferentes CIDs, como ansiedade e depressão.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Entre a naturalização da agressão e o burnout</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Toda a situação foi flagrada pelas câmeras de segurança do colégio. E mesmo que as imagens provassem a atitude da profissional, o incidente, para a direção, deveria ser mantido em segredo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eu vou apanhar, ser mordida? Estou me protegendo e protegendo os alunos e mesmo assim estou errada?”, disse ela surpresa à direção. “Sim, você está errada. Por ser uma escola particular e por ter câmeras, são eles [os pais] que pagam o seu salário”, disse a pessoa que estava na direção à época.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo de seis meses, a rotina dela se tornou insustentável. Além de lidar com os alunos, caso algum colega de trabalho faltasse, cobria outras turmas com alunos que tinham comportamentos semelhantes, o que fez a saúde dela piorar.</p>


	<div class='my-5 fs-6 fst-sans-serif position-relative blockquote-custom'>
				<div class="d-flex">
						<div class="d-flex flex-column me-3"><i class="fas fa-quote-left text-primary fa-4x"></i><div class="flex-grow-1 border-end border-primary border-3"></div></div>			<div class=''>
				<div class='fs-4 fst-serif-alt mb-3'>Cheguei a entregar 15 atestados porque todos os dias eu ia para o pronto-socorro porque sentia dores, ansiedade, não levantava mais da cama e sentia medo de ir sozinha</div>
								<div class='job-title text-muted fs-6 mt-n2 text-end text-lg-start'>Educadora de Cidade Tiradentes</div>			</div>
		</div>

			</div>
	


<p class="wp-block-paragraph">A ficha da educadora caiu quando a médica que a atendeu deu o diagnóstico de Síndrome de Burnout e a aconselhou que o trabalho estava lhe adoecendo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Não é uma coisa só de pronto-socorro. Você tem que procurar ajuda”, alerta a médica a educadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o acolhimento e orientações da médica, a professora tomou a decisão de pedir as contas, em junho de 2024, da unidade escolar. “Se eu não pedisse as contas talvez eu não chegaria até o final do ano. E se eu chegasse até o final do ano, eu não chegaria saudável”, conclui.</p>



<blockquote class="wp-block-quote has-central-palette-1-color has-central-palette-2-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-13aa41dbe99e3363532acb117d33a5a2 is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center"><strong>Como reconhecer o problema e pedir ajuda?</strong></h2>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>Especialista indica os pontos de atenção</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li>A psicóloga Keissy de Oliveira Silva explica que o adoecimento de professores está diretamente relacionado às condições de trabalho enfrentadas diariamente nas escolas. “Há uma cobrança para que o professor seja sempre resiliente e criativo, mesmo sem condições reais de trabalho. Quando esse desgaste vira rotina, o adoecimento se instala”, afirma.</li>



<li>O primeiro passo é reconhecer que há um problema. Cansaço extremo, insônia, dores frequentes, irritabilidade, dificuldade de concentração, desânimo e sensação constante de esgotamento estão entre os principais sinais de alerta. Segundo ela, o corpo costuma dar sinais antes que a situação se torne insustentável.</li>



<li>Para além da identificação individual, a especialista afirma que a escola também precisa se tornar um espaço de escuta — e não apenas de cobrança. Isso envolve rever práticas que adoecem os profissionais, criar espaços reais de diálogo, oferecer apoio psicológico e construir uma gestão mais humana, capaz de reconhecer limites e distribuir responsabilidades de forma mais justa.</li>



<li>A psicóloga destaca ainda que muitas dessas questões ultrapassam a capacidade de ação das próprias escolas e estão ligadas a problemas estruturais, tanto da rede pública quanto das instituições privadas. “É fundamental que os professores sejam vistos como pessoas, com limites, subjetividades e direitos, e não como responsáveis por todas as falhas do sistema”, afirma. “Quando a comunidade escolar entende o professor como parceiro, e não como adversário, o fortalecimento é coletivo.”</li>
</ol>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Governo do estado</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que acompanha os indicadores de saúde dos servidores em parceria com a Diretoria de Perícias Médicas do Estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a pasta, 16.216 professores da rede estadual estavam em licença médica em 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A secretaria também afirma que mantém ações voltadas à saúde mental dos educadores, como o programa “Programa Cuidar de Quem Educa”, que é um serviço de teleatendimento em psicologia e psiquiatria. De acordo com a Seduc, já foram realizados 875.424 atendimentos psicológicos e 52.599 teleconsultas psiquiátricas até janeiro de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O órgão informou ainda que 8.846 docentes estão atualmente readaptados na rede estadual. Os dados referem-se apenas ao sistema estadual de ensino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reportagem também procurou as prefeituras de Embu das Artes e Itapecerica da Serra, mas não obteve retorno até a publicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<enclosure url="https://apublica.org/wp-content/uploads/2026/06/Capa-Por-que-professores-estao-adoecendo-em-Sao-Paulo.png" length="20641" type="image/png" /><post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">252558</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
