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	<title>A realidade, Maria, é louca</title>
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		<title>A realidade, Maria, é louca</title>
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		<title>Das coisas pequenas e das coisas grandes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Deborah Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Mar 2014 00:40:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[A vida é cheia de coisas pequenas. Pequenas alegrias, pequenas decisões, pequenas vitórias, pequenos desafios. Eu me considero uma pessoa de pequenas coisas. Meu olhar está sempre ali, no detalhe, nas ternuras escondidas, no acumulado dessas coisinhas que tornam o cotidiano menos massacrante. Mas há também as coisas grandes. As que mudam tudo. As boas...<br /><a class="more-link" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2014/03/12/das-coisas-pequenas-e-das-coisas-grandes/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A vida é cheia de coisas pequenas. Pequenas alegrias, pequenas decisões, pequenas vitórias, pequenos desafios. Eu me considero uma pessoa de pequenas coisas. Meu olhar está sempre ali, no detalhe, nas ternuras escondidas, no acumulado dessas coisinhas que tornam o cotidiano menos massacrante.</p>
<p>Mas há também as coisas grandes. As que mudam tudo. As boas e as ruins, aquelas que de repente fazem abrir um buraco no chão, ou iluminam a vida de uma vez.</p>
<p>E às vezes coisinhas bem pequenas podem ser, na verdade, coisas grandes. Como essa coisinha de 5 centímetros que agora anda comigo por toda parte. Que tem um coraçãozinho que bate. Que, com 12 semanas, já tem bracinhos, perninhas, dedinhos. E que desde que descobrimos que existe, jogou luz em tudo nas nossas vidas.</p>
<p>Lá pra setembro a vida vai virar de cabeça pra baixo. Já está virando. Acho que já virou.</p>
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		<title>Mais Veuve Clicquot, por favor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Deborah Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Nov 2013 17:44:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[E de repente está todo mundo falando do tal Rei do Camarote, por conta de uma matéria da Veja SP. O sujeito que gasta 50 mil reais numa noite, dá champagne pra todo mundo, dirige uma Ferrari e faz cara de idiota. E, claro, a maior parte dos comentários ridiculariza a situação, o sujeito, a...<br /><a class="more-link" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2013/11/04/mais-veuve-clicquot-por-favor/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>E de repente está todo mundo falando do tal Rei do Camarote, por conta de uma matéria da Veja SP. O sujeito que gasta 50 mil reais numa noite, dá champagne pra todo mundo, dirige uma Ferrari e faz cara de idiota. E, claro, a maior parte dos comentários ridiculariza a situação, o sujeito, a Veja: &#8220;hahahahaha, que coisa imbecil&#8221;.</p>
<p>Fico pensando duas coisas.</p>
<p>Primeira, por que é que a gente ainda gasta tempo dando ibope pra esse tipo de veículo de mídia. É uma pauta boba de um veículo regional, feita exatamente para criar esse tipo de reação usando um personagem altamente &#8220;desgostável&#8221;. E entramos na pilha, compartilhamos, comentamos, fazemos o que esperam de nós. Em algum lugar há um editor bem feliz por ter apostado nessa bobagem. Tanta gente acha a Veja um troço abjeto, e mesmo assim compartilha a matéria, só para poder apontar o dedo pra algo que todo mundo concorda que é ridículo. </p>
<p>Segunda, o quanto é fácil rir de alguém que nos disseram que é ridículo. &#8220;Olhem pra esse sujeito gastando dinheiro com champagne pros outros&#8221;. Como se ele fosse tão diferente de nós, com as nossas pequenas vaidades. E aí usamos esse cara pra falar de &#8220;gente vazia&#8221;, e quanta gente eu conheço que torra o salário do mês em bolsa e sapato, gasta grana que não tem pra fazer festas de casamento mirabolantes, tem gente até cogitando comprar o Playstation 4, vejam só. No que isso é tão diferente do sujeito que, tendo grana, escolhe gastar na balada? Se somos todos produtos do consumo, no fim das contas? Se nos deixamos seduzir por esse canto da sereia, só com menos recursos?</p>
<p>Vivemos numa sociedade formatada pelo consumo, e gostamos de acreditar que não somos atingidos por isso. Vemos um sujeito desses, que compra (literalmente) essa ideia sem crítica, e nos sentimos superiores porque somos céticos, críticos, cínicos. Mas estamos ali, comprando ingressos de 400 reais pro Cirque de Soleil, e sofrendo com a culpa quando gastamos 500 reais num jogo de lençóis de algodão egípcio de 800 fios.</p>
<p>&#8220;Coitado, é um idiota, todos estão com ele só pelo dinheiro&#8221;. E quem de nós não passa por isso? Ou você acha que seus amigos continuariam seus amigos, tudo igual, se você perdesse tudo e fosse morar num conjunto habitacional na Baixada Fluminense? &#8220;Ah, é diferente&#8221;. É, eu sei. Você prefere Porsches a Ferraris, e acha que Veuve Clicquot é <em>overrated</em>.</p>
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		<title>Post de fim de ano ainda/já.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Deborah Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Aug 2013 02:59:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[Comecei a escrever esse post em dezembro de 2012. Não dei conta de terminar. &#8220;Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos, era a idade da sabedoria, era a idade da insensatez, era a época da crença, era a época da incredulidade, era a estação da luz, era a estação das trevas, era...<br /><a class="more-link" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2013/08/05/ainda-ja/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Comecei a escrever esse post em dezembro de 2012. Não dei conta de terminar.</p>
<blockquote><p>&#8220;Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos, era a idade da sabedoria, era a idade da insensatez, era a época da crença, era a época da incredulidade, era a estação da luz, era a estação das trevas, era a primavera da esperança, era o inverno do desespero, tinha-se tudo e nada se tinha, seguíamos todos diretamente para o Céu, seguíamos todos diretamente pelo outro caminho&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8211; Charles Dickens, &#8220;Um Conto de Duas Cidades&#8221;</p>
<p>Não escrevi quase nada, esse ano [2012, mas vale pra 2013 também], mas não queria pular o post de olhar pra trás. Esse é um ano em que é fundamental olhar para trás, para tentar fazer algum sentido. Eu perdi uma das pessoas mais queridas da minha vida, esse ano. E pessoas queridas ao meu redor perderam pessoas queridas, também, e todos nos olhamos com um pouco de compreensão. E trabalhei feito um burro de carga, mas também recebi reconhecimento pelo meu trabalho. E viajei uma das viagens mais lindas da vida, e conheci gente sensacional, e experimentei, explorei, testei. Inventei.</p></blockquote>
<p>Finge que o meio é o fim do ano. Agora chegou agosto, e a dor vai doer toda de novo. 2013 podia não repetir 2012, que começou lindo e terminou limbo. O melhor dos tempos, o pior dos tempos.</p>
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		<title>Planejamento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Deborah Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 May 2013 03:21:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[A classe média estabelecida (favor não confundir com a emergente, que as pessoas ficam ofendidas) não compra mais armários. Desses, que muita gente chama de guarda-roupas, ou roupeiro. Não importa muito o nome que se dê, o que interessa é o fato: armário está virando coisa de pobre. Ou de classe média emergente. Então, o...<br /><a class="more-link" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2013/05/29/planejamento/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A classe média estabelecida (favor não confundir com a emergente, que as pessoas ficam ofendidas) não compra mais armários. Desses, que muita gente chama de guarda-roupas, ou roupeiro. Não importa muito o nome que se dê, o que interessa é o fato: armário está virando coisa de pobre. Ou de classe média emergente.</p>
<p>Então, o esquema agora é &#8220;planejar um ambiente&#8221; ou fazer &#8220;marcenaria planejada&#8221;. Nada de móveis prontos, de catálogo,<em> </em>que todo mundo pode ter igual. Pega bem ter os móveis &#8211; via de regra, os destinados ao armazenamento de coisas &#8211; feitos sob  encomenda, ao gosto do freguês.</p>
<p>A primeira parte engraçada da história: os tais móveis sob encomenda na verdade são módulos pré-fabricados. O que muda é o tamanho, e a disposição interna. Todos são de MDF ou MDP &#8211; umas siglas estranhas que significam, respectivamente, &#8220;<em>medium density fiberboard</em>&#8221; e &#8220;<em>medium density particleboard</em>&#8220;. O nome lembra algo semelhante a compensado, e não tem vendedor que me convença de que não há aí um parentesco.</p>
<p>Começa então a ladainha. Das corrediças telescópicas. E do acabamento em metal. E as dobradiças, os puxadores, as maravilhas da tecnologia, tudo isso dentro do conforto do lar, por módicos&#8230; 6 mil reais. 8 mil reais. 11 mil reais.  Porque é claro que o importante é que tudo seja muito exclusivo. Afinal, é personalizado, não é? Ah, você não quer MDF? Claro que você quer MDF, é ótimo!</p>
<p>E então as pessoas se endividam, compram no Construcard, parcelam no cheque, fazem todos os armários da casa lá com o tal MDP (mas não era MDF, gente?) revestido com aroma artificial de madeira e corrediças estroboscópicas, e ficam orgulhosas e felizes porque os seus armários são iguaizinhos aos das caléga do silviço.</p>
<p>O que é a segunda parte engraçada: móveis sob encomenda não têm nada de exclusivo. São todos iguais. Todos os quartos, salas e cozinhas com armários planejados se parecem muito mais do que as lojas de planejados querem fazer crer. Até porque não há tampouco grande diferença entre uma e outra, e aliás, tudo vem do Sul, parte do preço absurdo é o frete, e ó: 45 dias úteis pra entregar essa belezinha.</p>
<p>Muito agradecida, amigo, vou ali em Madureira comprar meu guarda-roupas <em>prêt-à-porter</em></p>
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		<title>Uma despedida.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Deborah Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Sep 2012 00:44:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu tive o melhor avô do mundo. O mais amoroso, o mais paciente, o mais leal, o mais divertido. O avô que todo mundo queria adotar, que os amigos adoravam, que encantava até meus namorados. O avô que contava piadas idiotas. Que dizia coisas inconvenientes. Que compunha samba-enredo  pro bloco de Carnaval do condomínio onde...<br /><a class="more-link" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2012/09/08/uma-despedida/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu tive o <a title="Declaração de amor" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2008/05/04/declaracao-de-amor/">melhor avô</a> do mundo. O mais amoroso, o mais paciente, o mais leal, o mais divertido. O avô que todo mundo queria adotar, que os amigos adoravam, que encantava até meus namorados. O avô que contava piadas idiotas. Que dizia coisas inconvenientes. Que compunha samba-enredo  pro bloco de Carnaval do condomínio onde morava. Que cultivava orquídeas com o maior capricho. Que nunca conseguiu parar de fumar.</p>
<p>Ele não era um santo, não era um sábio. Tinha um gosto pela polêmica. Um humor instável. Às vezes dava raiva dele, como quando me forçou a dançar na frente de todo mundo no churrasco de formatura (sabendo que eu odeio dançar, mais ainda com plateia). Ou quando cismava que alguma coisa tinha que ser de algum jeito estapafúrdio.</p>
<p>Mas há que se dizer do meu avô que ele viveu e amou intensamente. Ele me amou com tudo o que tinha, com desprendimento, com doçura. Foi meu comparsa, meu amigo, meu professor. Ganhou o apelidou de meu advogado de defesa, porque ai de quem viesse reclamar ou me dar bronca. Vovô se deu para mim, e me ensinou com isso um amor possível, cuidadoso, cheio de delicadeza.</p>
<p>No enterro dele, desde cedinho, havia um sabiá rodeando o velório. Eu amei aquele sabiá tanto. Ele ficou por ali, acompanhando, e quando foram fechar a cova, quando finalmente estava tudo acabado, ele voou para uma árvore e começou a cantar sua despedida. Então alguém me perguntou como eu sabia distinguir um sabiá de todos os outros pássaros, dos bem-te-vis e dos joões-de-barro, e eu pude responder: &#8220;vovô me ensinou&#8221;.</p>
<p>Tchau, vô. A vida não vai ser a mesma sem você. Mas a gente vai ficar bem.</p>
<p><a href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/09/vovc3b4-e-eu.jpg"><img data-attachment-id="422" data-permalink="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2012/09/08/uma-despedida/vovo-e-eu/#main" data-orig-file="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/09/vovc3b4-e-eu.jpg" data-orig-size="2746,2080" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;2.8&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Luiza Villarroel&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS 60D&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1315353190&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;Luiza Villarroel&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;24&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;2500&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.0125&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="Vovô e Eu" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/09/vovc3b4-e-eu.jpg?w=300" data-large-file="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/09/vovc3b4-e-eu.jpg?w=560" class="aligncenter size-full wp-image-422" title="Vovô e Eu" src="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/09/vovc3b4-e-eu.jpg?w=560" alt=""   srcset="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/09/vovc3b4-e-eu.jpg?w=570&amp;h=432 570w, https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/09/vovc3b4-e-eu.jpg?w=1140&amp;h=864 1140w, https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/09/vovc3b4-e-eu.jpg?w=150&amp;h=114 150w, https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/09/vovc3b4-e-eu.jpg?w=300&amp;h=227 300w, https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/09/vovc3b4-e-eu.jpg?w=768&amp;h=582 768w, https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/09/vovc3b4-e-eu.jpg?w=1024&amp;h=776 1024w" sizes="(max-width: 570px) 100vw, 570px" /></a></p>
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		<item>
		<title>Sobre anencefalia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Deborah Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Apr 2012 15:54:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[direito]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Minha mãe é médica pediatra e geneticista. Nas estantes da minha casa sempre houve livros  sobre distúrbios e doenças genéticas, imensos e cheios de fotos, que eu folheava, pedindo explicações a ela. O mundo das malformações (sim, gente, malformação é o termo técnico consagrado, e embora &#8220;má-formação&#8221; também possa ser usado, dificilmente se vê em...<br /><a class="more-link" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2012/04/11/sobre-anencefalia/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Minha mãe é médica pediatra e geneticista. Nas estantes da minha casa sempre houve livros  sobre distúrbios e doenças genéticas, imensos e cheios de fotos, que eu folheava, pedindo explicações a ela.</p>
<p>O mundo das malformações (sim, gente, <a href="http://usuarios.cultura.com.br/jmrezende/malformacao.htm" target="_blank">malformação</a> é o <a href="http://wp.clicrbs.com.br/sualingua/2009/05/14/malformacao/" target="_blank">termo técnico</a> <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Malforma%C3%A7%C3%A3o_cong%C3%A9nita" target="_blank">consagrado</a>, e embora &#8220;má-formação&#8221; também possa ser usado, dificilmente se vê em textos médicos) e doenças genéticas é pouco conhecido de quem nunca viveu pessoalmente esse tipo de problema. Mesmo as doenças mais prevalentes, como a Síndrome de Down, aparecem em média 1 vez a cada 1000 nascimentos, dependendo da idade da mãe, e há outras que têm, literalmente, 1 caso em 1 milhão. A chance de que um casal saudável, em idade fértil, sem consanguinidade, tenha um filho com algum problema genético é pequena. E por isso acaba sendo fácil ignorar essa realidade que passa ao largo da vida de quase todos nós.</p>
<p>De todas as fotos que vi nos livros da minha mãe, a que mais me assustou, desde a primeira vez , foi a de um bebê anencéfalo (Junto com uma outra, de um feto arlequim, mas isso não vem ao caso. Se a curiosidade for muita e a repulsa, pouca, procurem no Google.). Eu devia ter uns 12, 13 anos, e pensei que aquela foto parecia um sapo. Perguntei a ela do que se tratava, e ela me explicou que era um bebê cujo cérebro &#8211; ou, mais precisamente, descobri depois, encéfalo, porque a malformação inclui também ausência de cerebelo &#8211; simplesmente não se desenvolvia.</p>
<p>Fiquei imaginando o que isso significava. Perguntei a ela se o bebê sobrevivia, e ela foi categórica: não. Pode durar um pouco mais ou um pouco menos de tempo, pode nascer morto, mas a condição é incompatível com a vida. (E, mesmo assim, apenas no limite em que atividade cardiorrespiratória, por si só, é vida, também entendi depois.) Perguntei se era possível saber com segurança durante a gestação, e ela disse que sim. Mas que, mesmo assim, a mãe precisava levar a gravidez até o fim, porque não podia antecipar o parto. E que era muito triste para as mães receber esse diagnóstico.</p>
<p>Por muito tempo, não ouvi falar em anencéfalos em nenhum lugar fora da minha casa. Mas um dia eles começaram a aparecer nas notícias, em discussões sobre o direito das mulheres de interromper uma gravidez fadada ao insucesso, expondo-se a riscos. Até porque  há que se lembrar que toda gravidez é um risco para a grávida. E não fazia sentido para mim obrigar uma mulher a isso.</p>
<p>Passou mais tempo, entrei para a faculdade de Direito, e as coisas ficaram cada vez mais confusas. Como é que se autorizava retirar o coração de uma pessoa com morte cerebral, para transplante, mas não se reconhecia que um feto sem encéfalo poderia ser retirado do útero? Que conceito torto de vida é esse? Por que é que se confia tanto nos médicos para permitir, como num projeto de lei em tramitação, que avaliem se uma mulher tem condições psicológicas para prosseguir com a gravidez, mas não se confia neles para dizer se um feto de 16 semanas não tem cérebro? E, mais ainda, por que é que os direitos desse feto sem cérebro &#8211; e, portanto, sem atividade cerebral, o que nos autoriza a questionar sua própria existência como ser humano vivente &#8211; se sobrepõem aos direitos da mulher que o carrega?</p>
<p>E aí vêm as razões da desconfiança. &#8220;Ah, os erros médicos&#8221;. Não devemos mais nos submeter a cirurgias? Autorizar a expedição de certidões de óbito? Afinal, o médico pode estar errado, o sujeito pode não estar morto. &#8220;Ah, e os milagres?&#8221; Olha, levados em consideração os milagres, nem os mortos poderiam mais ser enterrados, porque Lázaro, etc e tal. Não dá pra usar milagre para justificar proibições que causam sofrimento a tanta gente.</p>
<p>Ou melhor, a tantas mulheres. Porque a questão de fundo é essa &#8211; a restrição à autonomia das mulheres sobre o próprio corpo. Não há homens carregando nas entranhas fetos sem encéfalo. Não há discussão sobre a prevalência do &#8220;direito à vida&#8221; (discutível, como já disse) desses fetos sobre a autonomia dos homens. O corpo grávido é feminino.</p>
<p>Hoje o Supremo Tribunal Federal está finalmente examinando a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 54, ajuizada em 2004 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde, alegando, acertadamente, que é uma violação à dignidade das mulheres ser obrigadas a manter o feto após o diagnóstico. Obviamente, quem assim desejar, levará sem questionamentos a gravidez a termo, e poderá considerar que seu dever foi cumprido, seu carma foi evitado, foi feita a vontade de Deus. Mas às demais, será reconhecido o direito de evitar o sofrimento.</p>
<p>Vivemos num estado laico, que reconhece as liberdades individuais. O que espero do STF, hoje, é que permita a todas escolher, e não ser obrigadas pelo Estado a viver, inexoravelmente, um luto de 9 meses.</p>
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		<title>Feminismo e privilégio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Deborah Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Mar 2012 12:40:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[feminismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Ontem foi Dia Internacional da Mulher, e não tive vontade de mandar ninguém enfiar rosa em lugar nenhum &#8211; aliás, consegui fugir de todas as rosas que ameaçaram cruzar o meu caminho. Mas não sei se as pessoas perceberam meu sorriso amarelo quando agradeci pelos parabéns, até porque, aparentemente, não tenho do que reclamar. Trabalho...<br /><a class="more-link" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2012/03/09/feminismo-e-privilegio/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem foi Dia Internacional da Mulher, e não tive vontade de mandar ninguém enfiar rosa em lugar nenhum &#8211; aliás, consegui fugir de todas as rosas que ameaçaram cruzar o meu caminho. Mas não sei se as pessoas perceberam meu sorriso amarelo quando agradeci pelos parabéns, até porque, aparentemente, não tenho do que reclamar.</p>
<p>Trabalho numa empresa que assumiu um compromisso com o <a href="http://www.petrobras.com.br/pt/noticias/petrobras-adere-aos-principios-de-empoderamento-das-mulheres/" target="_blank">empoderamento das mulheres</a>, e vejo isso na prática: onde trabalho, há mais gerentes mulheres do que homens. Todos nós que não temos cargos de confiança ganhamos a mesma coisa, e não percebo discriminação nenhuma com relação à distribuição do trabalho entre homens e mulheres, ou o reconhecimento dos méritos.</p>
<p>Na minha vida acadêmica e profissional, ser mulher nunca foi menos-valia. Na minha turma de faculdade, metade composta por homens e metade, por mulheres, o prêmio de destaque acadêmico foi para uma mulher, minha amiga, e a oradora da turma fui eu.</p>
<p>Consegui o que queria, cheguei onde desejava. Casei quando quis, com quem quis, e só vou ter filhos quando quiser.</p>
<p>Tudo isso é indício de que o movimento feminista foi bem-sucedido. Eu usufruo da luta e do trabalho de quem veio antes. Olhando de fora, daria até para dizer que as conquistas acabaram, que não há mais sentido, que a igualdade é uma realidade. Mas: 1) eu vivo num ambiente protegido, sou branca, participo de um estrato sócio-econômico altamente privilegiado; e 2) nem esse lugar privilegiado me protege completamente.</p>
<p>É claro que é tudo muito mais sutil. Como o racismo, o machismo também aprendeu a ser insidioso. É feio dizer que mulheres são inferiores. Mas as estruturas de poder estão aí, se renovando para não perder o lugar.</p>
<p>Faz parte da manutenção disso convencer as mulheres de que precisam de milhões de tratamentos de beleza para expiarem a culpa pelo envelhecimento. Impor juízos de valor sobre aquelas que praticam a liberdade sexual nos mesmos termos que os homens sempre praticaram. Bloquear a discussão sobre o aborto, mantendo a criminalização e gritando &#8220;assassinato!&#8221; a cada vez que se pretende voltar o foco para a autonomia das mulheres sobre o próprio corpo.</p>
<p>O machismo se revela no cotidiano. Na divisão estereotipada dos papéis de gênero. Na atribuição de características &#8220;intrínsecas&#8221; a homens e mulheres, como se essas categorias fossem muito naturais. Na condescendência e no paternalismo. Na hipersexualização do corpo feminino, que tem que andar coberto, porque &#8220;desperta desejos inconfessáveis&#8221;. Na tentativa de chamar de meritocracia a &#8220;coincidência&#8221; de que a maior parte das posições de poder é ocupada por homens.</p>
<p>Mulheres continuam <a href="http://www.msf.org.br/noticias/1436/mortalidade-materna-uma-crise-que-pode-ser-evitada" target="_blank">morrendo no parto</a>, <a href="http://machismomata.wordpress.com/" target="_blank">sofrendo violência doméstica</a> e ganhando <a href="http://www.observatoriodegenero.gov.br/menu/noticias/homens-recebem-salarios-30-maiores-que-as-mulheres-no-brasil" target="_blank">substancialmente menos</a> que os homens, em média. É por isso que não, não é suficiente dar a uma mulher uma rosa e os parabéns &#8211; pelo quê, mesmo? &#8211; e reforçar meia dúzia de estereótipos sobre &#8220;feminilidade&#8221;, &#8220;fragilidade&#8221; e &#8220;sensibilidade&#8221;. O que nós queremos é igualdade.</p>
<p><em>P.S.: Ontem foram publicados vários <a href="http://srtabia.com/2012/03/troque-sua-rosa/" target="_blank">bons</a> <a href="http://blogueirasfeministas.com/2012/03/outros-marcos-virao/" target="_blank">textos</a> lembrando a origem da data, as tantas lutas feministas que culminaram no reconhecimento de uma série de direitos. Algumas escreveram sobre <a href="http://borboletasnosolhos.blogspot.com/2012/03/metafora-perfeita.html" target="_blank">ser</a> <a href="http://www.alinevalek.com.br/blog/2012/03/o-dia-a-dia-da-mulher/" target="_blank">mulher</a>, outras, sobre <a href="http://viva.mulher.blog.uol.com.br/arch2012-03-01_2012-03-15.html#2012_03-08_02_04_10-132652156-0" target="_blank">ser</a> <a href="http://duasfridas.wordpress.com/2012/03/08/dia-internacional-da-nova-atitude" target="_blank">feminista</a>. </em><em>Teve homem falando do próprio <a href="http://b33p.com.br/2012/03/8-de-marco-dia-de-voce-repensar-o-seu-machismo-s02e10" target="_blank">machismo</a>, também. </em><em>E muitas mulheres reclamaram que não querem essa comemoração vazia, não querem receber &#8220;parabéns&#8221;, reeditando o clássico &#8220;<a href="http://pixelporpixel.wordpress.com/2009/03/04/hello-world/" target="_blank">enfia esta rosa no cu</a>&#8220;.</em></p>
<p><em>P.P.S.: Eu já escrevi aqui sobre <a title="Feminina" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2010/06/09/feminina/" target="_blank">ser (tornar-se) mulher</a>, e sobre ser <a title="Feminismo, ateísmo e outros “ismos” (1)" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2010/03/03/feminismo-ateismo-e-outros-ismos/" target="_blank">feminista</a>. Escrevi também sobre o <a title="Vagão para mulheres e transgressão" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2010/11/17/vagao-para-mulheres-e-transgressao/" target="_blank">vagão para mulheres</a> no metrô do Rio de Janeiro, e sobre a chegada de uma mulher à <a title="Minha presidenta" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2010/11/04/minha-presidenta/" target="_blank">presidência</a>.</em></p>
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		<title>Mais do mesmo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Deborah Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 21:09:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[E aí você vive na sociedade da informação. Que se é sociedade da informação, é também, por decorrência, da opinião. E você precisa opinar, porque quem não opina, não é. E aí a informação vem vindo, como num Dance Dance Revolution, e você só tem instantes para decidir onde pisar. Você se sente o goleiro...<br /><a class="more-link" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2012/01/10/mais-do-mesmo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>E aí você vive na sociedade da informação. Que se é sociedade da informação, é também, por decorrência, da opinião. E você precisa opinar, porque quem não opina, não é.</p>
<p>E aí a informação vem vindo, como num Dance Dance Revolution, e você só tem instantes para decidir onde pisar. Você se sente o goleiro antes do pênalti, com medo de pular pro lado errado e acabar se alinhando com o Reinaldo Azevedo, sem querer.</p>
<p>E aí você quer ser livre-pensador &#8211; nem contra, nem a favor, muito antes pelo contrário. E você tenta ser original nas suas opiniões, mas acaba caindo nos clichês. E tenta fugir dos clichês, só pra descobrir, freudianamente, que negar o clichê é só mais uma forma de reafirmá-lo. E você não sabe pra onde correr, não é possível que já tenham em tão pouco tempo transformado em clichê tudo o que você queria dizer.</p>
<p>E aí você tenta fugir da polarização. E descobre que não consegue, que no fundo seu raciocínio leva a algum dos polos da discussão. E que, na tentativa de evitá-los,  você perdeu também a chance de liderar qualquer um deles com o texto paradigmático que receberá menções e compartilhamentos até a discussão esfriar.</p>
<p>E aí você se vê repetindo coisas que nem leu. Ecoando o senso comum. Você vê que a sua piada não era nova. Que a sua sacada genial era só um jeito diferente de dizer o que todo mundo já está dizendo, e você não escreve bem o suficiente para abrilhantar a discussão.</p>
<p>E aí você se depara com a inevitável constatação da sua própria mediocridade. Do seu próprio narcisismo. Da sua necessidade de receber reconhecimento. Você se alimenta da notoriedade efêmera, mesmo que não admita. Até aqui, até agora.</p>
<p>Você flerta com a intelectualidade incompreendida, mas no fundo queria mesmo era ser ex-BBB.</p>
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		<title>Querido ano velho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Deborah Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Dec 2011 03:22:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[sonhos]]></category>
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					<description><![CDATA[Droga. Ensaiei tanto post, e agora o ano acabou &#8211; fica meio sem sentido começar a discutir os dilemas da dona de casa feminista com todo mundo se estapeando em Copacabana pra ver os fogos e pular sete ondinhas. Então, melhor partir logo para aquele momento já clássico do ano na prateleira, etc. e tal....<br /><a class="more-link" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2011/12/30/querido-ano-velho/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-shortcode="caption" id="attachment_375" style="width: 210px" class="wp-caption alignright"><a href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/img_0062.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-375" data-attachment-id="375" data-permalink="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2011/12/30/querido-ano-velho/img_0062/#main" data-orig-file="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/img_0062.jpg" data-orig-size="2304,3456" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;4.5&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS REBEL T2i&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1307159859&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;18&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;3200&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.04&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="Estante" data-image-description="" data-image-caption="&lt;p&gt;A estante agora é a daqui de casa.&lt;/p&gt;
" data-medium-file="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/img_0062.jpg?w=200" data-large-file="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/img_0062.jpg?w=560" class="size-medium wp-image-375" title="Estante" src="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/img_0062.jpg?w=200&#038;h=300" alt="" width="200" height="300" srcset="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/img_0062.jpg?w=200 200w, https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/img_0062.jpg?w=400 400w, https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/img_0062.jpg?w=100 100w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /></a><p id="caption-attachment-375" class="wp-caption-text">A estante agora é a daqui de casa.</p></div>
<p>Droga. Ensaiei tanto post, e agora o ano acabou &#8211; fica meio sem sentido começar a discutir os dilemas da dona de casa feminista com todo mundo se estapeando em Copacabana pra ver os fogos e pular sete ondinhas. Então, melhor partir logo para aquele momento já <a title="O Ano" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2010/12/31/o-ano/">clássico</a> do <a title="O ano na prateleira" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2008/12/05/o-ano-na-prateleira/">ano na prateleira</a>, etc. e tal.</p>
<p>Acho que 2011 conseguiu ser o melhor ano de que me lembro até hoje. Melhor que 2001 e 2002, melhor que 2010. Especial, mesmo.</p>
<p>Foi o ano de ser inacreditavelmente feliz. No final de 2010, Ricardo comprou passagem só de vinda para o Rio. Em maio, trouxemos a Phoebe para morar conosco. Em setembro, nos casamos de <a title="Pastel Passado" href="http://pastelpassado.tumblr.com" target="_blank">pastel passado</a>, e finalmente pude conhecer Machu Picchu, na lua de mel. E o trabalho indo bem, e gente nova entrando na vida, e gente de sempre trilhando novos caminhos.</p>
<p>Tantas vezes me peguei, esse ano, sentada no chão, olhando incrédula pra forma quase mágica como a vida se organizou, cheia de uma ternura indescritível por tudo:  casa, marido, cachorro, os sapatos espalhados, a caixa de transporte no meio da sala, a estante enfeitada com aparadores de livro em forma de bicho.</p>
<p>Um dia contei da <a href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2008/06/30/24/" target="_blank">brincadeira</a>que fazia quando criança.  E disse que a idade que usava de referência era 24, e que, portanto, eu tinha frustrado meus sonhos infantis. Mas hoje, prefiro acreditar que essa menina que eu fui era capaz de adequar as expectativas. E de entender que cada coisa tem seu tempo, e que três anos podem ser bem pouco tempo.</p>
<p>2011 foi Grande Sertão:Veredas:</p>
<p><em>&#8220;Hoje, sei: medo meditado &#8211; foi isto. Medo de errar. Sempre tive. Medo de errar é que é a minha paciência.&#8221;</em></p>
<p style="text-align:center;"><a href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/soninho.jpg"><img data-attachment-id="378" data-permalink="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2011/12/30/querido-ano-velho/soninho/#main" data-orig-file="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/soninho.jpg" data-orig-size="2304,2325" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;6.3&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS REBEL T2i&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1308492969&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;20&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;3200&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.066666666666667&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="Soninho" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/soninho.jpg?w=297" data-large-file="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/soninho.jpg?w=560" class="aligncenter size-full wp-image-378" title="Felicidade matinal." src="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/soninho.jpg?w=560" alt=""   srcset="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/soninho.jpg?w=570&amp;h=575 570w, https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/soninho.jpg?w=1140&amp;h=1150 1140w, https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/soninho.jpg?w=150&amp;h=150 150w, https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/soninho.jpg?w=297&amp;h=300 297w, https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/soninho.jpg?w=768&amp;h=775 768w, https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/12/soninho.jpg?w=1015&amp;h=1024 1015w" sizes="(max-width: 570px) 100vw, 570px" /></a></p>
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			<media:title type="html">Estante</media:title>
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			<media:title type="html">Felicidade matinal.</media:title>
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		<title>&#8220;Piada Inocente&#8221;</title>
		<link>https://arealidadeelouca.wordpress.com/2011/08/14/piada-inocente/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Deborah Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Aug 2011 22:44:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8220;Preto só come carne quando morde a língua&#8221;. &#8220;Preto só toma laranjada quando tem briga na feira&#8221;. &#8220;Preto, quando não caga no começo, caga no final&#8221;. Sim, são piadas racistas. Não, eu não acho a menor graça nelas, e imagino que a maior parte das pessoas que estão lendo esse texto também não ache. Mas...<br /><a class="more-link" href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2011/08/14/piada-inocente/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Preto só come carne quando morde a língua&#8221;.</p>
<p>&#8220;Preto só toma laranjada quando tem briga na feira&#8221;.</p>
<p>&#8220;Preto, quando não caga no começo, caga no final&#8221;.</p>
<p>Sim, são piadas racistas. Não, eu não acho a menor graça nelas, e imagino que a maior parte das pessoas que estão lendo esse texto também não ache. Mas há quem ache muita graça, morra de rir, conte pros amigos &#8211; há alguma dúvida de que essas pessoas são racistas?</p>
<p>Uma polêmica recente envolve um cara no Twitter que linkou essa imagem (clique para aumentar):</p>
<p><a href="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/08/mastercardmachista.jpg"><img loading="lazy" data-attachment-id="355" data-permalink="https://arealidadeelouca.wordpress.com/2011/08/14/piada-inocente/mastercardmachista/#main" data-orig-file="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/08/mastercardmachista.jpg" data-orig-size="270,619" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="MastercardMachista" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/08/mastercardmachista.jpg?w=131" data-large-file="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/08/mastercardmachista.jpg?w=270" class="aligncenter size-medium wp-image-355" title="MastercardMachista" src="https://arealidadeelouca.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/08/mastercardmachista.jpg?w=130&#038;h=300" alt="" width="130" height="300" /></a></p>
<p>Não vou entrar no mérito de quem é, não vou me referir à discussão que aconteceu, nem vou tentar descobrir quem está certo ou errado. As minhas perguntas são: o que você pensa quando vê essa imagem? Você tem alguma dúvida de que ela é preconceituosa? De que só dá pra achar graça nessa piada se você compartilha desse preconceito?</p>
<p>O Alex Castro tem um texto sobre a graça das piadas que ajuda a entender o que quero dizer: <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2011/04/25/porque_o_humor_e_engracado/" target="_blank">Porque o Humor é Engraçado.</a> No texto há um trecho em inglês, e segue uma tradução livre:</p>
<blockquote><p>&#8220;A teoria que eles apresentam: &#8216;A risada e a diversão resultam de violações que são simultaneamente percebidas como inócuas&#8217;. Isto é, as pessoas percebem uma violação &#8216;à dignidade pessoal (p.ex., pastelão, deformidades físicas), às normas linguísticas (p. ex., sotaques diferentes, inadequação vocabular), às normas sociais (p. ex., bestialismo, comportamentos desrespeitosos)&#8217; enquanto, ao mesmo tempo, reconhecem que a violação não representa uma ameaça a elas ou a sua visão de mundo&#8221;.</p></blockquote>
<p>Então, voltando à piada do Mastercard: se um cidadão de Andrômeda, planeta onde os seres são assexuados e se reproduzem por brotamento, se deparasse com essa piada, ele acharia graça? Não, porque, para ele, a piada não faz sentido, e não representa nenhum tipo de violação. Ele não conhece os pressupostos.</p>
<p>Por outro lado, por que é que as piadas sobre negros não têm graça para quem não é racista? Porque elas representam uma violação, sim, mas essa violação não é percebida como inócua. Ela é agressiva demais para ter graça numa sociedade em que o preconceito racial é um problema sério, disseminado e criminalizado, e em que as pessoas que se reputam &#8220;de bem&#8221; não querem ser reconhecidas como racistas.</p>
<p>A piada do Mastercard tem graça para quem acha que ela é inócua. Para quem acredita que dizer que mulheres são interesseiras e materialistas não é um preconceito odioso, e que é só uma pequena violação, inócua, insinuar que elas se aproximam dos homens atraídas exclusivamente por seus cartões de crédito.</p>
<p>Da mesma forma, a piada do Rafinha Bastos de que o homem que estupra mulher feia não merece cadeia, mas sim, um abraço. A afirmação de que um estupro é bom para uma mulher feia, que de outra forma não obteria sexo, é percebida por ele como uma violação apenas inócua.</p>
<p>O meu problema com isso tudo? É que as piadas machistas ainda sejam percebidas como inócuas, num país em que as <a href="http://bit.ly/pAlYma" target="_blank">estatísticas </a>sobre <a href="http://bit.ly/gXLD3l" target="_blank">violência</a> contra a mulher são alarmantes, e em que as mulheres ainda ganham <a href="http://bit.ly/otCd25" target="_blank">substancialmente</a> <a href="http://glo.bo/ntNVn2" target="_blank">menos</a> que os homens. Ou que se riam de piadas homofóbicas, mesmo com os casos de agressão contra gays cada vez mais <a href="http://bit.ly/f0Gysf" target="_blank">comuns</a>.</p>
<p>Rir de uma piada preconceituosa revela nosso preconceito. É possível alegar ignorância &#8211; muitas vezes é difícil perceber o preconceito de um piada, quando não estamos acostumados a prestar atenção. Mas dizer que ela é &#8220;inocente&#8221; quando esse preconceito é apontado por alguém é só uma forma de fingir que ele não está lá, e, com isso, perpetuá-lo.</p>
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