<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339</id><updated>2026-06-09T11:23:50.459+01:00</updated><category term="video"/><category term="televisão"/><category term="Plantas"/><category term="imprensa"/><category term="loja"/><category term="workshops"/><category term="eventos"/><category term="livros"/><category term="agricultura biológica"/><category term="Cursos"/><category term="agricultura regenerativa"/><category term="agroecologia"/><category term="loja online"/><category term="restauro ecológico"/><category term="serviços gratuitos do ecossistema"/><category term="soluções de base natural"/><category term="Prémios"/><category term="oficinas"/><category term="plantas autóctones"/><category term="colheitas"/><category term="feira da primavera"/><category term="agricultura urbana"/><category term="viagens"/><category term="animais da quinta"/><category term="feiras"/><category term="visitas"/><category term="Planta da semana"/><category term="congressos"/><category term="seminários"/><category term="Aniversário"/><category term="condimentos"/><category term="lista de plantas"/><category term="revistas"/><category term="Passatempo"/><category term="Produtores"/><category term="sementes"/><category term="conferências"/><category term="infusões"/><category term="Jardins"/><category term="concurso"/><category term="Autóctones"/><category term="hortícolas"/><category term="voluntariado"/><category term="foraging"/><category term="fotografia"/><category term="Investigação"/><category term="Porto Wine Fest"/><category term="etnobotânica"/><category term="música"/><category term="turismo"/><category term="ambiente"/><category term="cultivo"/><category term="emprego"/><category term="plantas carnívoras"/><category term="produção"/><category term="Endemismo ibérico"/><category term="Terapias"/><category term="artesanato"/><category term="ensino"/><category term="festas"/><category term="neurobiologia"/><category term="Parcerias"/><category term="biopesticidas"/><category term="blogues"/><category term="comércio"/><category term="leis"/><category term="media"/><category term="plantas aromáticas"/><category term="plantas medicinais"/><category term="regeneração"/><category term="restaurantes"/><category term="sites"/><category term="EcoNatal"/><category term="Estágios"/><category term="Máquinas"/><category term="Novidades"/><category term="Pessoas"/><category term="Provas"/><category term="Viveiros"/><category term="biocentrismo"/><category term="chá"/><category term="especiarias"/><category term="exportação"/><category term="exposição"/><category term="formação"/><category term="granel"/><category term="herbário"/><category term="infusão"/><category term="kosher"/><category term="loa"/><category term="rádio"/><category term="tisana"/><category term="tisanas"/><category term="tour aromática"/><title type='text'>Luís Alves - Negrilho Consulting</title><subtitle type='html'>Blogue - Informação técnica e prática detalhada sobre o fascinante mundo das plantas que me acompanham todos os dias. Somos ciência, experiência e prática para a construção de um futuro sustentável! Siga-nos. | &lt;a href=&quot;mailto:online@negrilho.pt&quot;&gt;E-mail: online@negrilho.pt &lt;/a&gt; |</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>3132</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-7800448503621748590</id><published>2026-06-09T11:23:50.458+01:00</published><updated>2026-06-09T11:23:50.459+01:00</updated><title type='text'>Um jardim vivo da memória vegetal portuguesa</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;A &lt;a href=&quot;https://roseraie.valdemarne.fr/&quot;&gt;Roseraie du Val-de-Marne&lt;/a&gt;, em L’Haÿ-les-Roses, nos arredores de Paris, é uma prova extraordinária de que uma coleção de roseiras pode transformar-se num património vivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criada no fim do século XIX por Jules Gravereaux, com desenho do arquiteto paisagista Édouard André, é considerada o roseiral especializado mais antigo ainda existente e uma das grandes referências mundiais entre os jardins dedicados às rosas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje reúne mais de 11.000 roseiras e cerca de 2.900 espécies e variedades, organizadas em 13 coleções que contam a história da rosa, desde as formas botânicas selvagens até às criações contemporâneas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua importância ultrapassa largamente a beleza da floração. A &lt;a href=&quot;https://roseraie.valdemarne.fr/&quot;&gt;Roseraie du Val-de-Marne&lt;/a&gt; é um conservatório reconhecido para o género &lt;i&gt;Rosa&lt;/i&gt;, está ligada à história dos jardins europeus, integra património protegido e recebeu o selo francês &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.culture.gouv.fr/aides-demarches/protections-labels-et-appellations/label-jardin-remarquable&quot;&gt;Jardin Remarquable&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, atribuído a jardins de especial interesse cultural, estético, histórico ou botânico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conserva uma das mais importantes coleções vivas de rosas antigas do mundo, guarda dois a três exemplares por variedade e demonstra que a beleza, quando é organizada com ciência, método e memória, também pode ser uma forma de conservação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este exemplo francês acompanha o meu sonho de criar em Portugal um jardim botânico com várias coleções vegetais, onde as roseiras teriam um espaço próprio, sem esgotarem a ambição maior do projeto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino um jardim dedicado à flora portuguesa, às espécies autóctones em risco, às fruteiras e hortícolas tradicionais, às plantas aromáticas, medicinais e condimentares, às plantas alimentícias não convencionais (PANC), às turfeiras e áreas húmidas, desenhado e construído com as melhores práticas de restauro ecológico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste conjunto, haveria também um espaço próprio para as roseiras abandonadas, recolhidas em casas degradadas, quintais esquecidos, muros rurais, hortas deixadas ao tempo e campos em abandono. Ao lado delas, imagino uma coleção das roseiras autóctones portuguesas, incluindo as mais comuns e as mais ameaçadas.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria um jardim de memória e futuro. Um lugar onde cada roseira tivesse origem conhecida, história própria e valor botânico. Um jardim para conservar plantas, gestos, paisagens, famílias, aldeias e formas de viver que ainda florescem em lugares onde quase ninguém repara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os anos milhares de pessoas visitam este roseiral. A Roseraie du Val-de-Marne ensina que uma coleção especializada pode transformar-se em património, visitação, pedagogia, visão e valor económico para o território. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal também precisa de jardins assim. Jardins capazes de reunir ciência e emoção, conservação e beleza, memória rural e futuro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junho é o mês ideal para conhecer este jardim. &lt;a href=&quot;https://roseraie.valdemarne.fr/&quot;&gt;Para saber mais informações pode consultar-se o sítio oficial da Roseraie du Val-de-Marne.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgpUXvJsDbWKsUK4H_5eEO0G_BbLSAFNkhmTPudvKo0KICWwntEtqLEik1yqxTwXKpCm2EsgRGd0Vft2DnsguWRdaS1HM0xzgTQh71YjlMwtMmj1au2_SXheCEJUhTv6ZmPSmVZf8JtOri1dbKB9xI5gFhjOBhb21RmjWe50TGHKN1XjbN2lo_lAqiGmeA/s1254/Um%20jardim%20vivo%20da%20mem%C3%B3ria%20vegetal%20portuguesa.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1254&quot; data-original-width=&quot;1254&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgpUXvJsDbWKsUK4H_5eEO0G_BbLSAFNkhmTPudvKo0KICWwntEtqLEik1yqxTwXKpCm2EsgRGd0Vft2DnsguWRdaS1HM0xzgTQh71YjlMwtMmj1au2_SXheCEJUhTv6ZmPSmVZf8JtOri1dbKB9xI5gFhjOBhb21RmjWe50TGHKN1XjbN2lo_lAqiGmeA/s16000/Um%20jardim%20vivo%20da%20mem%C3%B3ria%20vegetal%20portuguesa.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/7800448503621748590/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/7800448503621748590?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/7800448503621748590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/7800448503621748590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/06/um-jardim-vivo-da-memoria-vegetal.html' title='Um jardim vivo da memória vegetal portuguesa'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgpUXvJsDbWKsUK4H_5eEO0G_BbLSAFNkhmTPudvKo0KICWwntEtqLEik1yqxTwXKpCm2EsgRGd0Vft2DnsguWRdaS1HM0xzgTQh71YjlMwtMmj1au2_SXheCEJUhTv6ZmPSmVZf8JtOri1dbKB9xI5gFhjOBhb21RmjWe50TGHKN1XjbN2lo_lAqiGmeA/s72-c/Um%20jardim%20vivo%20da%20mem%C3%B3ria%20vegetal%20portuguesa.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-1247977168339993663</id><published>2026-06-08T13:30:40.277+01:00</published><updated>2026-06-08T14:26:35.878+01:00</updated><title type='text'>A liberdade de escrever sobre plantas</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Entre 2023 e 2025 estive dois anos sem escrever nesta página ou no meu blogue. Foi uma interrupção longa, com a medida quase exata de uma mudança de vida, durante a qual estes lugares deixaram de me chamar todos os dias e passaram a esperar, quietos, como cadernos fechados sobre uma secretária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante mais de uma década, fiz das redes sociais uma extensão do meu trabalho com plantas. Usei-as com método, ousadia, tentativa, erro e alguma teimosia criativa, porque delas dependiam produtos, serviços, clientes, relações e futuro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi, contei histórias, respondi, divulguei projetos, criei comunidades e reuni milhares de pessoas em torno de uma forma muito própria de comunicar o mundo vegetal.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia nessa fase uma disciplina quase agrícola. Era preciso semear, acompanhar, regar, mondar, colher. A comunicação tinha uma função concreta. Servia uma atividade económica, uma marca, uma equipa, uma sobrevivência. Depois veio uma pausa forçada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisei deste tempo para me reinventar profissionalmente. Também as pessoas têm estações. O meu regresso à escrita obedece hoje a regras completamente distintas na forma de comunicar. É mais fiel à espuma dos meus dias. Mais próximo do espanto e menos obediente ao calendário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo sobre plantas, essas companheiras de uma vida, que nunca exigem que lhes ofereça estados de alma, confissões íntimas ou grandes proclamações sobre mim próprio. As plantas acolhem ciência, memória, humor, paciência, dúvida e alguma ternura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante elas, a atenção ganha outro peso. Uma folha basta para nos lembrar que o conhecimento começa muitas vezes nesse instante humilde em que deixamos de passar por cima do mundo e aceitamos ficar um pouco mais perto dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo a estudar muito. Continuo a abrir livros, artigos, cadernos, memórias, histórias de uso, erros, certezas gastas e perguntas novas. Escrevo porque a experiência me trouxe uma evidência cada vez mais nítida. Quanto mais caminho por estes assuntos, mais se alarga a margem do que ignoro.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja esta a melhor idade do conhecimento. A idade em que o saber deixa de se comportar como uma estante cheia e começa a parecer-se com uma janela aberta. A idade em que aprender deixa de ser acumular respostas e passa a ser&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;afinar perguntas. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Há nisto uma sombra socrática, essa lucidez difícil de reconhecer a extensão do que não se sabe. E há também um parentesco com Montaigne, no modo de pensar a partir da experiência, da leitura, da dúvida e dessa conversa interior que nos impede de fechar a vida dentro de uma frase demasiado satisfeita consigo própria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;pessoas escrevem comentários generosos nos meus textos. Agradecem, elogiam, dizem que aprenderam. Fico feliz, claro. Seria vaidade fingir indiferença. Ainda assim, a generosidade que por vezes me atribuem é maior do que aquela que reconheço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo primeiro para mim. Para voltar a assuntos que já esqueci. Para reaprender melhor. Para abrir um texto guardado como quem abre uma caixa de bombons e descobre que o prazer maior está em voltar a enchê-la com novos recheios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante dias, semanas ou meses, um tema começa por me tocar ao de leve, quase sem importância, e depois regressa por vários caminhos, numa página sublinhada, numa conversa inesperada, numa memória que julgava arrumada. Aos poucos, torna-se impossível continuar a fingir que não me está a pedir estudo, tempo e escrita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou por mim a segui-lo em livros, em conversas, numa frase apanhada na rua, numa memória de infância, num artigo científico, numa palavra de uso comum que conserva uma memória rural, numa dúvida que parecia pequena e afinal tinha raízes profundas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudar tornou-se o meu passatempo favorito. Uma forma de recreio exigente. Um modo de viajar por dentro das coisas. Uma alegria que às vezes começa numa palavra e acaba numa floresta inteira de ligações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partilho depois estes textos porque as redes sociais, com toda a sua maquinaria de atenção fugaz, também podem cumprir uma função decente. Quando há gostos, comentários e partilhas, o algoritmo empurra-o para outros terrenos. Conheço bem esta mecânica. Usei-a durante anos com intenção profissional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje uso-a com outro tipo de curiosidade. Interessa-me menos o aplauso imediato e muito mais essa viagem imprevisível que um texto pode fazer até encontrar alguém que precisava dele sem saber. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando escrevo, o prazer maior mora noutro sítio. Não está no elogio ao conhecimento, nem na simpatia dedicada à minha persistência, nem nessa espécie de medalha frágil que as redes sociais penduram ao peito de quem escreve com regularidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer agrónomo atento, com boa formação, boas leituras e amor ao ofício, consegue partilhar informações de grande interesse, tão bem ou melhor do que eu. A ciência não me pertence. O vocabulário das plantas também não. Sou apenas alguém inclinado sobre esse herbário imenso que o mundo abre todos os dias, tentando não perder demasiadas páginas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não escrevo movido pela figura solene do professor ou do mestre. Tenho enorme respeito por quem ensina com método, paciência e clareza, por quem se coloca diante dos seus discípulos com a responsabilidade de conduzir cada ideia até ao lugar certo. Mas essa não é a imagem que melhor me serve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando escrevo, aproximo-me mais da figura de quem avança devagar por um caminho, atento ao que cresce nas bermas, disposto a interromper a pressa diante de uma folha, de um caule, de uma flor de nome ainda por perguntar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessa-me esse instante em que uma planta comum deixa de ser apenas parte da paisagem e começa a revelar parentescos, usos, venenos, remédios, histórias, nomes esquecidos e pequenas estratégias de vida que a nossa distração tantas vezes não alcança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rigor continua a importar-me muito. Sem ele, qualquer texto sobre plantas depressa se enfeita demais e sustenta de menos. Procuro confirmar nomes, rever fontes, corrigir erros, distinguir tradição e fantasia, memória e prova, entusiasmo e exagero. Gosto da beleza das histórias, mas sei que uma história mal enraizada seca depressa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, o rigor é apenas a raiz. A flor abre-se quando alguém, depois de ler um texto, demora mais o olhar numa árvore de rua, passa a reconhecer numa erva do passeio uma pequena biografia vegetal, encontra numa infusão uma viagem de séculos ou descobre numa flor discreta uma espécie de companhia que antes lhe passava despercebida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aí que encontro a minha verdadeira recompensa. Ela nasce nesta mudança quase impercetível que um texto pode provocar na consciência de outra pessoa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma palavra pousa aqui, uma imagem germina ali, uma curiosidade cria raiz mais adiante. E, de repente, uma planta que era apenas fundo de cenário passa a ter nome, biografia, utilidade, veneno, perfume, parentesco, viagem, mistério. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez escrever sobre plantas seja isto para mim. Um exercício de aproximação. Uma forma de colocar pequenas lentes no mundo para o tornar mais legível, mais habitável, mais povoado de vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que os meus leitores descubram que vivem rodeados por seres que partilham connosco o ar e a história, alimentam a nossa vida, curam e ferem, acompanham rituais, atravessam cozinhas, remédios, mitos, jardins, baldios e memórias familiares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um texto meu conseguir fazer alguém abrandar diante de uma folha, de uma casca, de um aroma ou de uma semente, já fez mais do que eu me atreveria a pedir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais me comove acontece por vezes muito tempo depois. Chega-me uma mensagem a dizer que uma planta antes despercebida passou a existir de outra maneira para quem a cruzou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegam também relatos de uma criança que se inclina pela primeira vez diante de uma planta com verdadeira curiosidade, de uma memória familiar que desperta à boleia de um aroma, de uma folha, de um fruto ou de uma palavra esquecida, ou dessa descoberta simples de que o mundo vegetal nunca esteve longe, apenas permaneceu demasiado tempo sem tradução. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes momentos, percebo que a escrita tocou o seu ponto mais delicado. A relação deslocou-se um pouco. O mundo vegetal entrou um pouco mais fundo na consciência de alguém. E talvez seja isso que me move.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há nesta hipótese discreta qualquer coisa que me prende. A capacidade de um texto alterar, ainda que ligeiramente, a perceção de alguém sobre o mundo vegetal, devolvendo corpo, nome e espessura à natureza próxima, essa que nos roça os sapatos, encosta às janelas, rompe nos muros, insiste nos baldios e respira nos jardins. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há aqui uma espécie de egoísmo fértil, assumo. Escrevo porque aprender me dá prazer. Partilho porque imagino que esse prazer possa ganhar vida noutro corpo, noutro olhar, noutra caminhada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo primeiro para me orientar dentro do meu próprio espanto. Publico depois para que o texto ganhe caminho, encontre outras mãos, outras memórias, outras&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;infâncias, outros jardins. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;A partir daí, segue viagem. Como uma semente de dente-de-leão (&lt;i&gt;Taraxacum officinale&lt;/i&gt;) quando se desprende e confia ao ar a hipótese de encontrar chão. Como certas ideias, leves apenas na aparência. Como certas plantas, discretas no começo, persistentes quando descobrem a mais pequena abertura no solo. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Esse gesto de quem se curva sobre uma folha como quem encontra uma notícia que o mundo guardava em segredo interessa-me mais do que qualquer aplauso. Também essa curiosidade de quem suspeita que uma planta pode guardar mais filosofia do que muitos tratados, mais humor do que muitas conversas graves, mais futuro do que muitas promessas apressadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez seja por isso que a minha escrita me saiba agora a liberdade. A alegria de estudar sem a obrigação de vender, de escrever sem a obrigação de convencer, de partilhar sem transformar cada frase numa montra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuarei a escrever enquanto este caminho me divertir, me ensinar e me obrigar a duvidar. Escreverei sobre aquilo que cresce, resiste, perfuma, alimenta, engana, cura, invade, desaparece ou regressa quando já ninguém esperava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreverei porque há plantas que pedem história, ciência, cuidado, ou apenas a delicadeza de alguém reparar nelas antes de desaparecerem do passeio, do campo ou da memória.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja apenas isto. Deixar cada texto seguir com o que leva dentro: estudo, prazer, dúvida e uma centelha de espanto. Se, desse encontro, o mundo vegetal ganhar um pouco mais de presença em quem lê, então a escrita não termina em mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, que comecei por escrever para aprender, descubro nesse pequeno estremecimento da consciência alheia uma das formas mais bonitas de continuar a aprender também.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2h5yQCmdBzLK2S6TrsWE0qW-ISFB3VfTjNAArWaz6aKDAPgzwNveR1Llb9abXiUeB6frSOv-wsF6j9krVslixNjRyMpmAvbOKBvzIMSbFdvrvz6FntzgLJXdmyWxCbxVUGe_vcgcHgqMCASzeuuIXCBXzpOf_6Dkyc1pQpSDulyRyGZLR1ukebpQvJe8/s1024/A%20liberdade%20de%20escrever%20sobre%20plantas.jpeg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1024&quot; data-original-width=&quot;768&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2h5yQCmdBzLK2S6TrsWE0qW-ISFB3VfTjNAArWaz6aKDAPgzwNveR1Llb9abXiUeB6frSOv-wsF6j9krVslixNjRyMpmAvbOKBvzIMSbFdvrvz6FntzgLJXdmyWxCbxVUGe_vcgcHgqMCASzeuuIXCBXzpOf_6Dkyc1pQpSDulyRyGZLR1ukebpQvJe8/s16000/A%20liberdade%20de%20escrever%20sobre%20plantas.jpeg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/1247977168339993663/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/1247977168339993663?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/1247977168339993663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/1247977168339993663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/06/a-liberdade-de-escrever-sobre-plantas.html' title='A liberdade de escrever sobre plantas'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2h5yQCmdBzLK2S6TrsWE0qW-ISFB3VfTjNAArWaz6aKDAPgzwNveR1Llb9abXiUeB6frSOv-wsF6j9krVslixNjRyMpmAvbOKBvzIMSbFdvrvz6FntzgLJXdmyWxCbxVUGe_vcgcHgqMCASzeuuIXCBXzpOf_6Dkyc1pQpSDulyRyGZLR1ukebpQvJe8/s72-c/A%20liberdade%20de%20escrever%20sobre%20plantas.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-1531256326328049021</id><published>2026-06-05T17:10:08.411+01:00</published><updated>2026-06-05T17:19:03.727+01:00</updated><title type='text'>Dia Mundial do Ambiente </title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Hoje, Dia Mundial do Ambiente, algures em Terras de Barroso, comovi-me diante deste postal ilustrado de Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: large;&quot;&gt;Uma casa humilde, pedra, cal, portas vermelhas gastas, céu aberto, com uma roseira monumental, uma esfera viva de flores brancas e rosadas. Um poema pendente sobre a fachada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Esta região é uma das mais extraordinárias do nosso país. O sistema Agro-Silvo-Pastoril do Barroso, que integra esta região, é reconhecido pela FAO como património agrícola mundial.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Aqui vive-se esta rara aliança entre comunidades, lameiros, pastagens, gado, matos, montanha e água.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;A paisagem ainda sabe guardar a chuva, conduzi-la por regos, entregá-la aos lameiros, devolvê-la aos rios, mantê-la viva nas raízes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Esta roseira tem de ser uma das primeiras a conservar no futuro jardim botânico dos meus sonhos. Um jardim das roseiras abandonadas, da flora portuguesa, da memória rural e da água que atravessa muros, campos, bosques e aldeias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Recordo muitas vezes o Eden Project, na Cornualha, nascido numa mina de caulino desativada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Nesse vazio mineral, ergueu-se um lugar para mostrar algumas das plantas mais importantes do mundo, com solos fabricados a partir de materiais considerados resíduos, água da chuva e biomas que se tornaram escola, jardim, arquitetura e espanto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Hoje, o Eden Project é apresentado como um símbolo mundial de regeneração e renovação.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Recebeu mais de 25 milhões de visitantes e gerou mais de 6,8 mil milhões de libras de impacto económico na Cornualha e no sudoeste de Inglaterra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Quando visitei o Eden Project, fiquei de boca aberta ao entrar no Bioma Mediterrânico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Dentro daquela paisagem reinventada podemos calcorrear uma belíssima recriação de um agrossistema mediterrânico, com oliveiras, vinhas, ervas aromáticas e papoilas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Todos os anos chega gente do mundo inteiro para ver aquilo que, para nós, tantas vezes é tratado como banal. Um fragmento de paisagem que reconhecemos desde sempre, convertido ali em espanto, conhecimento e valor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Foi uma lição extraordinária. A paisagem quotidiana, quando é compreendida, cuidada e narrada, pode tornar-se património, pedagogia, economia e futuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Este exemplo mostra que uma paisagem ferida pode voltar a gerar cultura, conhecimento, visitação, trabalho e esperança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Antes de abrir novas feridas à montanha, importa olhar para aquilo que já existe à superfície e perceber a riqueza que pode ser restaurada, cuidada e partilhada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;No Barroso também precisamos desta coragem. Coragem política, institucional e imaginação económica para olhar para a montanha como capital vivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Cultivar floresta, cultivar água e cultivar jardins pode criar riqueza, fixar pessoas, atrair conhecimento, dar trabalho, valorizar aldeias, recuperar lameiros, cuidar das nascentes e transformar esta região num exemplo para o mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Aqui poderíamos fazer o maior projeto de restauro ecológico do país. Um projeto que começasse pela regeneração, pelo cuidado e pela permanência da vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Que olhasse para a água como património, para os solos como ventre, para os lameiros como esponjas, para as sebes como abrigo, para os bosques como promessa e para as aldeias como lugares onde o futuro ainda pode morar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Cultivar água é devolver tempo à paisagem. É pedir às encostas que voltem a segurar a chuva, aos solos que voltem a guardar vida, aos lameiros que retomem o seu ofício de esponja, às sebes que protejam o vento, aos bosques que abrandem a pressa da água, às raízes que prendam futuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;O país precisa de mais jardins. Jardins que conservem plantas, convoquem pessoas, criem riqueza e ajudem as paisagens a respirar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Talvez um futuro possível comece assim, com uma roseira a florir sobre uma casa humilde, no coração de uma região que merece ser tratada como uma fonte de vida, um jardim e um legado para as gerações futuras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Um lugar onde a água, a biodiversidade, a cultura e a beleza sejam reconhecidas como aquilo que sempre foram, riqueza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Esta poderá ser a mais bela herança que podemos deixar a quem vier depois de nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0I-Zy91HbEgHkiRSqKWIJqBRgBZPxo3SFuFcDgvAmhVWez68ZqWbg_B_cnwaCHQRvGl2TxjhhXBufU3xlOp0FmgEb0PC64dtQa8Sus7RUmCgYd0y6MkV7IdNWMGKRxjay1xaPmFLatvb_y7YhV78nqrHauJuXuo0-44UAK1Dz1PWmMA87o5hXGU6xQ4E/s5712/IMG_4775.jpeg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;5712&quot; 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font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/1531256326328049021/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/1531256326328049021?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/1531256326328049021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/1531256326328049021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/06/dia-mundial-do-ambiente.html' title='Dia Mundial do Ambiente '/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0I-Zy91HbEgHkiRSqKWIJqBRgBZPxo3SFuFcDgvAmhVWez68ZqWbg_B_cnwaCHQRvGl2TxjhhXBufU3xlOp0FmgEb0PC64dtQa8Sus7RUmCgYd0y6MkV7IdNWMGKRxjay1xaPmFLatvb_y7YhV78nqrHauJuXuo0-44UAK1Dz1PWmMA87o5hXGU6xQ4E/s72-c/IMG_4775.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-6131135227255769709</id><published>2026-06-05T17:03:00.282+01:00</published><updated>2026-06-05T17:03:00.282+01:00</updated><title type='text'>A fórmula da juventude</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;A Maria Cramês deverá provavelmente ter descoberto a fórmula da juventude. Como assim, 50 anos? Não pode ser…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Será dos picles e vegetais fermentados? Da saudável alimentação de base vegetal cultivada ao longo dos últimos 25 anos? Ou terá simplesmente tido a sorte rara de lhe sair a lotaria genética, combinada com uma disciplina serena, uma elegância natural e uma alegria luminosa de viver?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Há pessoas que envelhecem. E depois há pessoas como tu. Em ti, os anos parecem acrescentar luz. Há qualquer coisa de profundamente inspirador na forma como vives e na maneira generosa como te entregas aos outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Continuas incrivelmente jovem, física e mentalmente, com uma energia rara, um sorriso que ilumina qualquer lugar e uma capacidade quase mágica de tornar a vida dos que te rodeiam mais leve, mais bonita e mais feliz, sem nunca perderes a delicadeza, a curiosidade e o encanto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Ao longo destes anos transformámos sonhos, desafios e esperança numa vida extraordinária. Cultivámos plantas, sonhos, projetos, resiliência, esperança e amor. Atravessámos tempestades e mares difíceis, sempre guiados por essa luz tranquila que tens dentro de ti e que faz de qualquer lugar um porto seguro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Às vezes continuo a achar que não és completamente deste planeta. Como escrevi um dia, talvez tenhas vindo das estrelas. E talvez seja precisamente por isso que o tempo pareça não conseguir alcançar-te da mesma forma que alcança os comuns mortais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Tenho o privilégio imenso de seguir ao teu lado por este caminho incrível que construímos juntos. E quanto mais os anos passam, mais maravilhosa se torna a viagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Feliz 50.º aniversário, meu amor. Que o Universo continue a conservar-te assim, luminosa, jovem, livre e absolutamente inesquecível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgneGteT_PSio7Y41a14KWWNGpt9hqztjzA6hBQBHx07nRBE5GpQjhyyEbXzADJ-MhQ3oPEipYoUAxGfsXap_O9PN-Xb0_YjdmNvXabnioJ4gmjp2J2AgJeGate8HVPntt5eobKXSP0vxGG3TkTytHk6CJsGhzwPtabD4_pv4-Ijz4A_ozDFhNflc4duiM/s5712/IMG_4763.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;5712&quot; data-original-width=&quot;4284&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgneGteT_PSio7Y41a14KWWNGpt9hqztjzA6hBQBHx07nRBE5GpQjhyyEbXzADJ-MhQ3oPEipYoUAxGfsXap_O9PN-Xb0_YjdmNvXabnioJ4gmjp2J2AgJeGate8HVPntt5eobKXSP0vxGG3TkTytHk6CJsGhzwPtabD4_pv4-Ijz4A_ozDFhNflc4duiM/s16000/IMG_4763.jpeg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/6131135227255769709/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/6131135227255769709?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/6131135227255769709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/6131135227255769709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/06/a-formula-da-juventude.html' title='A fórmula da juventude'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgneGteT_PSio7Y41a14KWWNGpt9hqztjzA6hBQBHx07nRBE5GpQjhyyEbXzADJ-MhQ3oPEipYoUAxGfsXap_O9PN-Xb0_YjdmNvXabnioJ4gmjp2J2AgJeGate8HVPntt5eobKXSP0vxGG3TkTytHk6CJsGhzwPtabD4_pv4-Ijz4A_ozDFhNflc4duiM/s72-c/IMG_4763.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-7618813481888253870</id><published>2026-06-03T17:04:17.718+01:00</published><updated>2026-06-03T17:04:17.719+01:00</updated><title type='text'>Workshop de Picles &amp; Vegetais Fermentados - 27 de junho</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Fermentar vegetais não é apenas uma técnica antiga. É uma forma simples de transformar ingredientes comuns em alimentos vivos, cheios de sabor e tradição!&amp;nbsp;No &lt;a href=&quot;https://negrilho.pt/produto/workshop-picles-vegetais-fermentados/&quot;&gt;Workshop de Picles &amp;amp; Vegetais Fermentados&lt;/a&gt; vamos aprender com a &lt;a href=&quot;https://www.facebook.com/maria.crames.7?__cft__[0]=AZZlEmF6NRdfxJcSGFho4396qOnAxLzJr9D1KnfWAQJTTYAxceoouHyJrZn7-JvK5mXZWT0QvlW21_cnG5TJjCeyccQx9-U_dntB3dAh1kqaHofrYNcOIY-gVBTHr323utIZDiZfn3fLGnvNXpK5CNm6AtbJGCZrqOCXlDxreWCqXFcc2AYWHBcsz32Vu1CtvGk&amp;amp;__tn__=-]K-R&quot;&gt;Maria Cramês&lt;/a&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;os princípios básicos da fermentação;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;como identificar uma boa fermentação;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;o rácio de sal e porque é tão importante;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;como preparar picles e vegetais fermentados em casa;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;degustar vários fermentados já preparados.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Tudo explicado de forma prática e acessível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Local: Av. Menéres, n. 834, Matosinhos&lt;br /&gt;Data: 27 de Junho&lt;br /&gt;Horário: 15h00 às 17h30&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Vagas limitadas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://negrilho.pt/produto/workshop-picles-vegetais-fermentados/&quot;&gt;Mais informação e inscrição seguindo esta ligação.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://negrilho.pt/produto/workshop-picles-vegetais-fermentados/&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1535&quot; data-original-width=&quot;1024&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhDN-ZnsxTgCOP7Z6qPBnYhg8OYwo2nRzfm79TtP39utO-2L8sKgGU-RRfPAV8lgxwvr9iFf9wLHbjcaHyvp7zwayWrchYj2ecuVEohB714yPeOsAuRb9bEzseocG7kQriFl9jAR5Mn5ndzpA-8NVlKqlEDGV718TttDCPiPzdtLtY86KtGHKdTXFsZkSo/s16000/Workshop_picles_fermentados_27_junho.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/7618813481888253870/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/7618813481888253870?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/7618813481888253870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/7618813481888253870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/06/workshop-de-picles-vegetais-fermentados.html' title='Workshop de Picles &amp; Vegetais Fermentados - 27 de junho'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhDN-ZnsxTgCOP7Z6qPBnYhg8OYwo2nRzfm79TtP39utO-2L8sKgGU-RRfPAV8lgxwvr9iFf9wLHbjcaHyvp7zwayWrchYj2ecuVEohB714yPeOsAuRb9bEzseocG7kQriFl9jAR5Mn5ndzpA-8NVlKqlEDGV718TttDCPiPzdtLtY86KtGHKdTXFsZkSo/s72-c/Workshop_picles_fermentados_27_junho.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-5071462954172102759</id><published>2026-06-03T16:20:07.114+01:00</published><updated>2026-06-03T16:20:35.551+01:00</updated><title type='text'>Em busca das variedades tradicionais portuguesas</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Em Portugal ainda subsistem centenas de variedades &lt;a href=&quot;https://www.dgav.pt/wp-content/uploads/2026/05/DGAV_CNV_-Edicao-2026_compressed.pdf&quot;&gt;hortícolas&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;https://www.dgav.pt/wp-content/uploads/2025/07/DGAV_RNVF_Edi-2025_compressed-1.pdf&quot;&gt;fruteiras&lt;/a&gt; que transportam consigo histórias, memórias e uma ligação profunda aos territórios onde foram selecionadas e adaptadas ao longo de gerações.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas continuam inscritas nos catálogos nacionais de variedades agrícolas e fruteiras, preservadas graças ao trabalho de agricultores, viveiristas, investigadores, associações e guardiões de sementes que recusaram deixar desaparecer aquilo que receberam das gerações anteriores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando percorremos os registos oficiais descobrimos um país agrícola muito mais diverso do que aquele que habitualmente encontramos nas prateleiras dos supermercados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as variedades que continuam registadas nos catálogos nacionais encontram-se nomes como cebolas Garrafal, Setúbal Portuguesa e Vermelha de Povairão. Feijões Bragançano, Tarreste, Patareco e Corno de Carneiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Couves Penca de Chaves e Penca de Mirandela. Cenouras Pau Roxo das Seis Marias. Abóboras Moganga de Geraz, Moncarapacho e Bornes. Nas fruteiras aparecem maçãs Bravo de Esmolfe, Camoesas, Malápios e Porta da Loja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerejas de Saco, figos Pingo de Mel e Lampa Preta, peras São Bartolomeu, Sete Cotovelos, castanhas Judia, Longal e Martaínha e muitas outras variedades que continuam vivas em pomares, hortas e pequenas explorações agrícolas espalhadas pelo território. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas são apenas algumas das muitas variedades tradicionais que continuam registadas nos catálogos nacionais. Muitas destas variedades quase desapareceram dos circuitos habituais de comercialização, apesar de continuarem presentes em explorações familiares e em redes locais de conservação e troca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em muitos casos, a sua área de cultivo reduziu-se drasticamente ao longo das últimas décadas, acompanhando as transformações da agricultura e dos mercados alimentares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, algumas continuam presentes em mercados locais, feiras rurais e pequenas lojas de província. Outras sobrevivem apenas em quintais, hortas familiares, pomares envelhecidos, coleções de conservação e sementes guardadas dentro de frascos de vidro ou envelopes escritos à mão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há maçãs que mudam de nome de aldeia para aldeia. Feijões conhecidos apenas pelo nome da família que os cultiva há décadas. Couves que nunca precisaram de rótulo porque bastava dizer “&lt;i&gt;aquela da nossa horta&lt;/i&gt;”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pereiras que resistem junto a muros de granito, figueiras que continuam a amadurecer em eiras abandonadas e castanheiros cujas variedades ainda são conhecidas por nomes transmitidos de geração em geração, testemunhando uma diversidade agrícola muito mais vasta do que aquela que habitualmente chega aos mercados.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comunidade científica tem vindo a alertar para a erosão genética agrícola, ou seja, para a perda gradual da diversidade genética presente nas plantas cultivadas. Cada variedade que desaparece representa também a perda de sabores, adaptações ao clima, resistência a doenças, memória cultural e conhecimento agrícola acumulado ao longo de muitas gerações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além do seu valor histórico e cultural, estas variedades constituem uma importante reserva de características genéticas que poderá ajudar a enfrentar desafios futuros, incluindo alterações climáticas, novas doenças e mudanças nas preferências dos consumidores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal existem bancos de germoplasma, onde milhares de amostras de sementes e outros recursos genéticos vegetais são conservados para o futuro, bem como coleções vivas, projetos de investigação e redes de conservação dedicadas à proteção deste património. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terreno, agricultores e pequenas empresas de sementes continuam a multiplicar estas variedades e a partilhá-las através de trocas, feiras e pequenas redes locais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nenhuma coleção consegue substituir por completo uma variedade cultivada no terreno, observada ao longo das estações e integrada na vida das comunidades que a preservam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora muitas destas variedades estejam hoje representadas nos catálogos nacionais e em coleções de conservação, a sua verdadeira sobrevivência depende da continuidade do cultivo. Uma variedade deixa de ser apenas uma entrada num registo quando continua a produzir alimento, a adaptar-se às condições locais e a fazer parte da vida das pessoas que a cultivam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso quero lançar-lhe um desafio para a época de produção e colheita de 2026. Entre junho e outubro, observe com mais atenção as hortas, pomares e mercados que cruzarem o seu caminho. Procure estas variedades tradicionais portuguesas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotografe as plantas ao longo das diferentes fases do seu ciclo, desde a formação dos frutos até à colheita, sempre que possível. Fotografe os frutos, as bancas das feiras, as sementes guardadas, os sacos de serapilheira cheios de feijão, as abóboras pousadas à entrada das adegas, as maçãs alinhadas em caixas de madeira, os tomates de formas imperfeitas, as couves enormes junto aos poços.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se cultiva alguma destas variedades, envie-me imagens. Se as encontrar à venda, fotografe-as. Se souber o nome local, partilhe-o. Se conhecer histórias ligadas a essas plantas, conte-as. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava de reunir, ao longo desta época agrícola, um grande arquivo coletivo da diversidade cultivada portuguesa que ainda resiste no território. Cada imagem poderá ajudar a documentar a presença destas variedades e a compreender melhor a forma como ainda se distribuem pelo território. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que possível, envie também a localidade, o mês da colheita e o nome pelo qual a variedade é conhecida na região. Se existir correspondência com o nome oficial do catálogo nacional, melhor ainda. Muitas vezes será precisamente esta diferença entre o nome técnico e o nome popular que ajudará a contar a história da planta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez descubra variedades que julgava desaparecidas. Talvez perceba que algumas continuam vivas em lugares inesperados. Talvez esta partilha ajude agricultores, viveiristas e guardiões de sementes a reencontrarem plantas e variedades que procuram há muitos anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez consigamos mostrar que, por detrás da aparente uniformidade dos mercados modernos, continua a existir um Portugal agrícola rico em diversidade, memória e vida, guardado em sementes, árvores e pessoas que, todos os dias, mantêm vivo um património que pertence a todos nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRbUIwU11dJBP52r6PSIMQp9cfi2hwdl09vu2lXjiEMJb7x-QzhRWghJTFZdldIQ7M9CUYthyBBBA8y8LpwEgmP8xoLrY6Jy-joTZ37yBnvhFZdGRnbaFYISKIPOoxAILFUTjEc5XIO5JtJu8Mpix4qhAvqyzzbHvVw2oXLb01e_kiOSIqOFMDKVQkcg4/s1254/Em%20busca%20das%20variedades%20tradicionais%20portuguesas.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1254&quot; data-original-width=&quot;1254&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRbUIwU11dJBP52r6PSIMQp9cfi2hwdl09vu2lXjiEMJb7x-QzhRWghJTFZdldIQ7M9CUYthyBBBA8y8LpwEgmP8xoLrY6Jy-joTZ37yBnvhFZdGRnbaFYISKIPOoxAILFUTjEc5XIO5JtJu8Mpix4qhAvqyzzbHvVw2oXLb01e_kiOSIqOFMDKVQkcg4/s16000/Em%20busca%20das%20variedades%20tradicionais%20portuguesas.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/5071462954172102759/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/5071462954172102759?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/5071462954172102759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/5071462954172102759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/06/em-busca-das-variedades-tradicionais.html' title='Em busca das variedades tradicionais portuguesas'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRbUIwU11dJBP52r6PSIMQp9cfi2hwdl09vu2lXjiEMJb7x-QzhRWghJTFZdldIQ7M9CUYthyBBBA8y8LpwEgmP8xoLrY6Jy-joTZ37yBnvhFZdGRnbaFYISKIPOoxAILFUTjEc5XIO5JtJu8Mpix4qhAvqyzzbHvVw2oXLb01e_kiOSIqOFMDKVQkcg4/s72-c/Em%20busca%20das%20variedades%20tradicionais%20portuguesas.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-7510459809663326877</id><published>2026-06-02T18:32:38.864+01:00</published><updated>2026-06-02T18:32:38.864+01:00</updated><title type='text'>Apresentação do Plano Nacional de Restauro da Natureza</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;Realiza-se hoje, no Instituto Superior de Agronomia, a apresentação do Plano Nacional de Restauro da Natureza.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Fui honrado com o convite da Senhora Ministra do Ambiente e Energia e do Presidente do Conselho Diretivo do ICNF para estar presente nesta cerimónia. Infelizmente, por razões de agenda, não me será possível marcar presença.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Acompanho este momento com particular interesse e satisfação, por ter integrado, nos últimos meses, a Rede de Conhecimento para o Restauro da Natureza e por ter contribuído para o trabalho técnico de apoio ao Grupo de Trabalho coordenado pelo ICNF.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Portugal enfrenta alguns dos maiores desafios ambientais das últimas décadas. As alterações climáticas, a degradação dos ecossistemas, a perda de biodiversidade, os incêndios rurais, a erosão dos solos, a escassez de água e a crescente exposição a fenómenos extremos exigem respostas estruturadas, assentes no melhor conhecimento científico disponível e numa visão de longo prazo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;O restauro da natureza não deve ser entendido apenas como uma obrigação decorrente do Regulamento Europeu do Restauro da Natureza. É uma oportunidade para tornar o território mais resiliente, reduzir riscos, proteger pessoas e atividades económicas e reforçar os serviços dos ecossistemas dos quais todos dependemos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Entre as soluções disponíveis, importa valorizar abordagens como a regeneração natural assistida, muitas vezes mais ecológicas, resilientes e economicamente eficientes do que intervenções baseadas exclusivamente na plantação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Importa também assegurar que os projetos de restauro ecológico utilizem sementes e plantas de proveniência local e que sejam desenvolvidos com rigor técnico, monitorização adequada e envolvimento dos proprietários, municípios, empresas e cidadãos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Num país marcado pela fragmentação da propriedade e pelo abandono de muitos territórios rurais, o sucesso do restauro dependerá da capacidade de mobilizar conhecimento, financiamento, cooperação e gestão à escala da paisagem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;O verdadeiro valor destes investimentos não reside apenas no carbono. Reside na recuperação do solo, da água, da biodiversidade, da resiliência ao fogo e da qualidade ecológica dos territórios.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Proteger a natureza não é um luxo nem uma opção ideológica. É uma decisão estratégica, informada e racional. No fim, restaurar a natureza é investir no futuro de Portugal e na qualidade de vida das próximas gerações.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj6vYAG4RPIqXuLJb2JtZCgCqb5qfV5gw15h0Pj0EJrelKTLPrKlETwuNZBG5pWZYiq0vlBCRNmnQYhBrDwQ0pzwXYVl0IGSLLF5I63lIZQbjbXL2kKQoDKZcAPtaUpADxbVW1B_-JhpFjeZpcs0o47ceihFXFmsHHJ97PKV328z19G8nRjVVt-2S24yKk/s1372/Restauro%20da%20Natureza.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1146&quot; data-original-width=&quot;1372&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj6vYAG4RPIqXuLJb2JtZCgCqb5qfV5gw15h0Pj0EJrelKTLPrKlETwuNZBG5pWZYiq0vlBCRNmnQYhBrDwQ0pzwXYVl0IGSLLF5I63lIZQbjbXL2kKQoDKZcAPtaUpADxbVW1B_-JhpFjeZpcs0o47ceihFXFmsHHJ97PKV328z19G8nRjVVt-2S24yKk/s16000/Restauro%20da%20Natureza.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/7510459809663326877/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/7510459809663326877?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/7510459809663326877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/7510459809663326877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/06/apresentacao-do-plano-nacional-de.html' title='Apresentação do Plano Nacional de Restauro da Natureza'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj6vYAG4RPIqXuLJb2JtZCgCqb5qfV5gw15h0Pj0EJrelKTLPrKlETwuNZBG5pWZYiq0vlBCRNmnQYhBrDwQ0pzwXYVl0IGSLLF5I63lIZQbjbXL2kKQoDKZcAPtaUpADxbVW1B_-JhpFjeZpcs0o47ceihFXFmsHHJ97PKV328z19G8nRjVVt-2S24yKk/s72-c/Restauro%20da%20Natureza.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-4701994166950417827</id><published>2026-06-02T12:03:27.825+01:00</published><updated>2026-06-02T12:52:22.311+01:00</updated><title type='text'>A história de uma equinácea</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Há plantas que acabam por ficar ligadas aos momentos mais marcantes do nosso percurso, como se passassem a fazer parte da nossa própria biografia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A equinácea (&lt;i&gt;Echinacea purpurea&lt;/i&gt;), originária das pradarias e clareiras de bosque do leste da América do Norte, ergue-se no verão sobre caules eretos e robustos, coroada por inflorescências de tons rosados e por um cone central proeminente e pontiagudo que atrai abelhas, borboletas e inúmeros polinizadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma planta vivaz amplamente reconhecida pelas suas propriedades medicinais e estudada em todo o mundo pela riqueza dos compostos bioativos que acumula nas flores, folhas e raízes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da minha vida, colaborei em centenas de estudos científicos, em Portugal e no estrangeiro, disponibilizando amostras de dezenas de espécies de plantas medicinais para universidades, centros de investigação e empresas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cada envio seguia muito mais do que material vegetal. Seguiam anos de observação, ensaio, seleção e cultivo. Seguia o conhecimento adquirido no contacto diário com as plantas, construído estação após estação, e a esperança de que aquelas folhas, flores, sementes ou raízes pudessem contribuir para responder a questões que a ciência procurava ainda desvendar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre todos esses trabalhos, houve um que jamais esquecerei. Durante a pandemia de COVID-19, fui contactado pelo Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, para disponibilizar amostras de várias espécies vegetais, entre elas a equinácea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu destino foi o projeto &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://cbqf.esb.ucp.pt/projects/aplicacoes-de-extratos-de-plantas-com-acao-dirigida-ao-sars-cov-2&quot;&gt;PLANTCOVID – Aplicações de Extratos de Plantas com Ação Dirigida ao SARS-CoV-2&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, desenvolvido em parceria com o Instituto Politécnico de Bragança, o Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes e a Next Generation Chemistry. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Os investigadores verificaram que um dos extratos estudados apresentava uma elevada capacidade antioxidante e uma atividade antiviral muito expressiva em ensaios laboratoriais de contacto direto com SARS-CoV-2, alcançando uma redução superior a 99,99% da atividade viral nas condições experimentais avaliadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratava-se de resultados obtidos em laboratório, com potencial para futuras aplicações de proteção e desinfeção, abrindo caminho ao aproveitamento dos compostos naturais destas plantas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os compostos identificados encontravam-se o ácido caftárico e o ácido chicórico, dois dos constituintes mais característicos da equinácea. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naqueles meses de incerteza, quando o mundo procurava respostas para um vírus que alterara profundamente a vida de todos nós, saber que extratos obtidos a partir de plantas cultivadas em Portugal tinham demonstrado uma atividade antiviral tão relevante foi uma notícia difícil de descrever em palavras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que números ou resultados laboratoriais, representava a possibilidade de as plantas continuarem a inspirar novas soluções num dos maiores desafios de saúde pública da nossa geração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo com nitidez o momento em que recebi esta informação. Foi um daqueles instantes raros em que muitos anos de dedicação encontraram finalmente um sentido mais amplo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante alguns segundos, passaram-me pela memória os campos de cultivo, as colheitas, as horas passadas a observar plantas e a aprender com elas. Percebi que todo este percurso tinha contribuído, ainda que de forma modesta, para um esforço coletivo de conhecimento num dos períodos mais exigentes da história recente.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso a equinácea tenha conquistado um lugar especial na nossa casa. No inverno bebemos com regularidade a sua infusão, seguindo uma tradição que acompanha esta planta há gerações, e partilhamos este pequeno ritual em família. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata apenas de uma bebida. Em cada chávena reencontro a mesma planta sob uma nova forma. Já não apenas como a flor exuberante que iluminava o campo durante o verão, mas também como o resultado de séculos de utilização tradicional e décadas de investigação científica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fotografia que acompanha este texto é uma das mais belas alguma vez captadas nos meus campos de cultivo, que foram os primeiros e, durante muito tempo, os únicos campos de produção de equinácea em Portugal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que a observo, vejo muito mais do que uma flor visitada por uma borboleta. Vejo a biodiversidade em ação, o diálogo permanente entre plantas e polinizadores e a extraordinária capacidade da natureza para despertar curiosidade, gerar conhecimento e inspirar novas descobertas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nesta ligação entre o campo e o laboratório, entre a experiência prática e a investigação científica, que reconheço uma parte importante da minha vida dedicada às plantas medicinais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhIuu2hdNn3_EsVUZCDwkg19LTIvWO2Wc_AGRc17xfwIVZgK_qMMfPK0M2N4b1r0nSXxMuz_n0j5ESjQtlAAREPvgdgdKv8NBD6PXehlvTyttUYSepxmb2fNHe0Aq59ClUPtzMxp0ZrX-JalrdutCYjlcxRbSUpi0SQL-JQY64qCSC5xZDlfuJNBCKB8NM/s960/Equin%C3%A1ceas.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;720&quot; data-original-width=&quot;960&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhIuu2hdNn3_EsVUZCDwkg19LTIvWO2Wc_AGRc17xfwIVZgK_qMMfPK0M2N4b1r0nSXxMuz_n0j5ESjQtlAAREPvgdgdKv8NBD6PXehlvTyttUYSepxmb2fNHe0Aq59ClUPtzMxp0ZrX-JalrdutCYjlcxRbSUpi0SQL-JQY64qCSC5xZDlfuJNBCKB8NM/s16000/Equin%C3%A1ceas.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/4701994166950417827/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/4701994166950417827?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/4701994166950417827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/4701994166950417827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/06/a-historia-de-uma-equinacea.html' title='A história de uma equinácea'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhIuu2hdNn3_EsVUZCDwkg19LTIvWO2Wc_AGRc17xfwIVZgK_qMMfPK0M2N4b1r0nSXxMuz_n0j5ESjQtlAAREPvgdgdKv8NBD6PXehlvTyttUYSepxmb2fNHe0Aq59ClUPtzMxp0ZrX-JalrdutCYjlcxRbSUpi0SQL-JQY64qCSC5xZDlfuJNBCKB8NM/s72-c/Equin%C3%A1ceas.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-8620619882906752083</id><published>2026-06-02T09:58:11.398+01:00</published><updated>2026-06-02T09:58:32.843+01:00</updated><title type='text'>O perfume do socorro</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Todos os dias a ciência vai evidenciando novas e fascinantes descobertas sobre o mundo das plantas, demonstrando o tão pouco que sabemos ainda sobre os mais fascinantes seres vivos do nosso Planeta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro a erva cortada que um relvado ou um prado libertam é extremamente agradável aos nossos narizes, despertando sensações de alegria e prazer. Tal se deve à libertação de compostos orgânicos voláteis, que as plantas realizam quando sujeitas ao corte, pastoreio, ou são mastigadas por insetos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns deles estimulam a formação de novas células no local da ferida, para que esta cicatrize mais rapidamente. Outros apresentam atividade antimicrobiana, prevenindo infeções bacterianas e inibindo o crescimento de fungos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há uma função que impressiona mais do que todas as anteriores. Estes compostos são uma forma das plantas sinalizarem stress e sofrimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os compostos orgânicos voláteis libertados pelas plantas ao serem cortadas, que tão agradáveis são aos nossos narizes, funcionam também como um pedido de socorro, atraindo insetos benéficos, como vespas parasitoides, que podem depositar ovos no interior dos seus inimigos! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combater as adversidades, espalhando um dos mais fascinantes e reconhecidos perfumes do Planeta, para convocar preciosos aliados para a batalha, só pode resultar da “&lt;i&gt;mente&lt;/i&gt;” brilhante das plantas! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lição extraordinária, parte da nossa missão, ALERTAR cada um de vós para a importância do conhecimento na preservação do nosso Planeta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhywXHM2fKaJRpKl6Rl2ENutj0OtbWylPqHbXWG17oTkcwOL51ovuLPf3rWyL5kWoll-8rX3lDv-UJeq8ohaQy0ODqNbk0mYbNqh32OANH8cTiUmBbux2HArzjCdvyt7Hxca1wSBeQpAmZeArhsVhmNCRj1c62BRJ8dY4-qNIesooxBixA3inyZZAq_0C0/s1536/O%20perfume%20do%20socorro.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1536&quot; data-original-width=&quot;1024&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhywXHM2fKaJRpKl6Rl2ENutj0OtbWylPqHbXWG17oTkcwOL51ovuLPf3rWyL5kWoll-8rX3lDv-UJeq8ohaQy0ODqNbk0mYbNqh32OANH8cTiUmBbux2HArzjCdvyt7Hxca1wSBeQpAmZeArhsVhmNCRj1c62BRJ8dY4-qNIesooxBixA3inyZZAq_0C0/s16000/O%20perfume%20do%20socorro.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/8620619882906752083/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/8620619882906752083?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/8620619882906752083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/8620619882906752083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/06/o-perfume-do-socorro.html' title='O perfume do socorro'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhywXHM2fKaJRpKl6Rl2ENutj0OtbWylPqHbXWG17oTkcwOL51ovuLPf3rWyL5kWoll-8rX3lDv-UJeq8ohaQy0ODqNbk0mYbNqh32OANH8cTiUmBbux2HArzjCdvyt7Hxca1wSBeQpAmZeArhsVhmNCRj1c62BRJ8dY4-qNIesooxBixA3inyZZAq_0C0/s72-c/O%20perfume%20do%20socorro.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-8384961340293170860</id><published>2026-05-30T08:00:57.061+01:00</published><updated>2026-06-02T10:17:55.577+01:00</updated><title type='text'>A planta dos monges, das senhoras e dos cavalheiros impressionáveis</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;A árvore-da-castidade (&lt;i&gt;Vitex agnus-castus&lt;/i&gt;) é uma das plantas medicinais mais bonitas para cultivar em hortas, jardins e coleções botânicas. Também chamada agno-casto, agno-puro e pimenta-dos-monges, traz no nome, no aroma e nos frutos uma daquelas histórias em que a botânica, a farmácia, a moral, o desejo e o humor se sentam todos à mesma mesa.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um arbusto caducifólio de matriz mediterrânica. A classificação atual coloca a espécie na família Lamiaceae. Muitos dos meus livros ainda a apresentam na família Verbenaceae, sinal do caminho que a sistemática botânica foi fazendo à medida que novas leituras morfológicas e moleculares foram reorganizando parentescos que pareciam arrumados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em jardim, pode ultrapassar facilmente os 2 metros de altura e, em condições muito favoráveis, ganhar porte de grande arbusto ou pequena árvore. Há registos notáveis de exemplares muito desenvolvidos, com vários troncos desde a base, capazes de mostrar que esta espécie tem mais fôlego do que a discrição com que costuma surgir descrita em muitos manuais de botânica e jardinagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem a vê pela primeira vez fica muitas vezes surpreendido com a semelhança visual das suas folhas com as do cânhamo (&lt;i&gt;Cannabis sativa&lt;/i&gt;). À primeira vista, a ilusão é quase inevitável. A semelhança, porém, termina no desenho da folha. A árvore-da-castidade pertence a outro mundo botânico, a outra linhagem, a outro temperamento vegetal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, confesso que esta parecença sempre me deu jeito nas visitas guiadas. Bastava alguém olhar para as folhas, arregalar ligeiramente os olhos e sorrir de lado para eu perceber que a conversa já estava lançada e que a planta tinha começado a trabalhar por mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na altura da floração, a partir de junho, ergue inflorescências terminais densas, alongadas, com pequenas flores azuladas, lilases ou violáceas, por vezes rosadas ou brancas. Vistas de perto, são flores delicadas, bilabiadas, muito atrativas para insetos polinizadores. Vistas de longe, parecem pequenas labaredas violetas a subir dos ramos no calor do verão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As formas de flor branca têm uma história própria. Em algumas tradições do sul da Europa, eram vistas como símbolo de virtude. A imagem é quase perfeita para uma planta com este nome. Quando floresce em azul ou violeta, celebra o verão com exuberância. Quando floresce em branco, parece vestir a túnica moral que a história lhe foi costurando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu estado espontâneo, gosta de margens de ribeiros, linhas de água, fundos de vale, leitos temporários e barrancos mediterrânicos de caudal intermitente, onde a água pode desaparecer da superfície durante parte do ano.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Nos jardins, depois de bem instalada, suporta verões exigentes, agradece sol pleno e revela grande rusticidade, desde que não seja condenada a solos encharcados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome &lt;i&gt;Vitex&lt;/i&gt; é geralmente associado ao latim &lt;i&gt;viere&lt;/i&gt;, atar, entrelaçar ou tecer, numa referência à flexibilidade dos caules jovens, usados em cestaria, em trabalhos de vime e pequenas amarrações agrícolas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Agnus&lt;/i&gt; aproxima-se do grego &lt;i&gt;agnos&lt;/i&gt;, nome antigo da planta, associado por tradição à ideia de pureza, e &lt;i&gt;castus&lt;/i&gt; reforça a mesma direção moral. A aproximação ao latim &lt;i&gt;agnus&lt;/i&gt;, cordeiro, ajudou a criar a imagem curiosa do “&lt;i&gt;cordeiro casto&lt;/i&gt;”, mas a leitura que mais interessa à história da planta é outra.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma espécie cujo próprio nome repete a ideia de castidade. O nome científico soa quase a repetição enfática. Casto puro. Casto duas vezes. Casto até ao exagero. A botânica também sabe fazer trocadilhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os frutos são pequenas drupas escuras, quase negras, por vezes com tons avermelhados, de sabor pungente, amargo-doce e ligeiramente adstringente. Quando esmagados, libertam um cheiro acre, resinoso e apimentado, com notas de pimenta, menta e eucalipto. A parte mais relevante em fitoterapia é precisamente o fruto seco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É destes pequenos frutos que nasce a pimenta-dos-monges. Durante séculos, a árvore-da-castidade foi cultivada em hortas monásticas e jardins conventuais com um propósito tão prático quanto moral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fornecer aos monges uma espécie de pimenta vegetal, aromática e austera, que temperava a comida e, segundo a crença da época, ajudava a manter os votos de castidade. Os frutos secos eram usados como condimento, não apenas pelo sabor apimentado, mas pela fama de sossegarem os apetites do corpo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto muito desta imagem. Uma despensa monástica com ervas secas, frutos aromáticos, frascos alinhados, moral bem arrumada nas prateleiras e um frasquinho de frutos secos de árvore-da-castidade pronto a salvar a disciplina comunitária quando a primavera entrasse pela janela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, o mundo podia florir em tentações, cá dentro, havia uma pimenta de jardim para lembrar ao corpo que os votos também se temperavam à mesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista medicinal, a árvore-da-castidade é uma velha conhecida da farmácia mediterrânica e europeia. Os frutos maduros e secos foram usados ao longo dos séculos em temas ligados ao corpo feminino, ao ciclo menstrual, à fertilidade, à lactação, ao desejo e à sua contenção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A farmacognosia moderna trouxe outra exigência. Hoje, a utilização mais bem sustentada está associada a preparações padronizadas dos frutos no alívio de sintomas da síndrome pré-menstrual, incluindo irritabilidade, alterações do humor, tensão mamária, cefaleias e desconforto cíclico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convém dizê-lo com clareza. Uma preparação padronizada dos frutos é uma coisa. Uma infusão improvisada com meia dúzia de folhas é outro campeonato. A planta merece respeito, dose, identificação correta, conhecimento da parte usada e prudência clínica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por atuar em processos ligados ao equilíbrio hormonal, deve ser usada com critério e, quando há dúvidas clínicas ou medicação em curso, com aconselhamento profissional. Com esta planta, o entusiasmo pelas plantas medicinais não deve passar à frente do conhecimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradição atribuiu-lhe também usos na menopausa, em perturbações nervosas, em espasmos, em dores, em alterações da lactação e em várias situações que os autores clássicos descreviam com o vocabulário médico do seu tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A investigação contemporânea, a prática clínica e a segurança de utilização exigem outro cuidado, sobretudo durante a gravidez e a amamentação, em pessoas com problemas hormonais ou antecedentes oncológicos, e sempre que existam medicamentos em curso, em particular tratamentos hormonais ou medicamentos que atuem sobre o sistema nervoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tínhamos a árvore-da-castidade em vaso à venda na loja online, perdi a conta à quantidade de telefonemas que atendi com senhoras do outro lado a perguntar: “&lt;i&gt;Tem Vitex?&lt;/i&gt;” Das primeiras vezes respondíamos que sim, tínhamos a planta em vaso, um pouco espantados por alguém em Portugal pedir uma planta pelo seu nome botânico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente percebemos o equívoco. Muitas destas senhoras não estavam à procura da planta viva, com folhas, raízes, vaso e vontade própria. Procuravam produtos de farmácia e suplementos alimentares vendidos com o nome &lt;i&gt;Vitex&lt;/i&gt;, quase sempre em comprimidos, cápsulas ou gotas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome botânico tinha saltado do herbário para o rótulo, do rótulo para a farmácia, da farmácia para a pesquisa na internet, e da pesquisa na internet para o telefone do viveiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje basta procurar um pouco para encontrar uma pequena multidão de produtos comerciais com este nome ou com esta planta na composição. Quase todos gravitam em torno da mesma galáxia. O ciclo feminino, o desconforto pré-menstrual, as alterações de humor, a tensão mamária, a irregularidade menstrual e, em certas formulações comerciais, a menopausa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta proliferação comercial tem graça, porque confirma o que os antigos livros de plantas medicinais já sabiam há muitos séculos. A planta nunca foi discreta na vida das mulheres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma planta em vaso, um suplemento alimentar, um medicamento tradicional à base de plantas e uma preparação farmacêutica padronizada, há diferenças importantes.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Para mim, como Engenheiro Agrónomo, etnobotânico e investigador, esta diferença interessa muito. A planta viva ensina botânica, ecologia e cultura. O produto comercial pertence ao campo da farmacognosia, da regulação, da posologia e da segurança. São parentes, sem dúvida. Só não moram exatamente na mesma casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante décadas comercializei plantas para infusões. Há espécies de uso muito seguro, quando corretamente identificadas e preparadas. Há outras que pedem dose, indicação, acompanhamento e respeito. Algumas pertencem ao domínio do uso quotidiano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras devem ser usadas seguindo posologias claras ou com orientação de naturopata, fitoterapeuta, farmacêutico ou médico. A regra é simples: planta medicinal não é sinónimo de inocência botânica, e a automedicação, sobretudo em matérias hormonais, deve ser evitada.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;A fotografia da capa do livro&amp;nbsp;&lt;i&gt;Plantas Medicinais da Farmacopeia Portuguesa: &amp;nbsp;Constituintes, Controlo, Farmacologia e Utilização&lt;/i&gt;, publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian, é de uma planta de árvore-da-castidade da minha coleção, que tive o prazer de ceder ao Professor Proença da Cunha, a seu pedido.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este livro surgiu num contexto importante. A&amp;nbsp;&lt;i style=&quot;-webkit-text-size-adjust: 100%;&quot;&gt;9 edição da&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i style=&quot;-webkit-text-size-adjust: 100%;&quot;&gt;Farmacopeia Portuguesa,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: 100%;&quot;&gt;publicada em 2008,&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: 100%;&quot;&gt;&amp;nbsp;ajudou a recolocar várias plantas medicinais no universo exigente das monografias farmacêuticas.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: 100%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Aí, cada fármaco vegetal é descrito por critérios de identificação botânica, controlo de qualidade, ensaios laboratoriais e, quando aplicável, dosagem dos constituintes mais relevantes. É aqui que a memória popular ganha uma companhia mais exigente: identificação, autenticidade, qualidade e segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma ligação pessoal muito forte à árvore-da-castidade. Durante anos produzi esta espécie em viveiro, em vaso, para venda ao público. Era uma planta que me dava gosto cultivar e ainda mais gosto mostrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante as visitas à minha coleção botânica, a árvore-da-castidade era uma paragem quase obrigatória. Quando estava em flor, com aquelas espigas azuladas e violáceas, parava sempre ao seu lado como quem apresenta uma personagem. Quando estava carregada de frutos, o cenário era perfeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedia às pessoas que tirassem um fruto, que o esmagassem levemente entre os dedos e que o cheirassem. Primeiro vinha o espanto do aroma. Depois vinha a explicação botânica. Depois vinha a farmácia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, finalmente, vinha a parte em que deixava de ser uma visita guiada e se transformava numa pequena comédia botânica. Perdi a conta às gargalhadas que ali ficaram. Talvez as plantas também se alimentassem delas, porque as árvores-da-castidade pareciam florir com mais entusiasmo de ano para ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começava quase sempre pelas chamadas virtudes das senhoras. Falava da síndrome pré-menstrual, dos frutos maduros e secos, da tradição medicinal, da entrada da planta na farmacognosia moderna. As senhoras ouviam com atenção, muitas com aquele ar de quem sabe que a botânica, quando fala do corpo, fala sempre de algo muito concreto.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia perguntas, sorrisos, comentários cúmplices. A árvore-da-castidade tinha essa capacidade rara de abrir conversas onde a saúde, a intimidade e o jardim se encontravam sem cerimónia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, passava para os cavalheiros. Explicava que, na tradição europeia, os frutos maduros e secos ganharam fama de anafrodisíacos, ou seja, de ajudarem a acalmar os chamados ardores da carne. Era neste ponto que a compostura botânica começava a perder folhas. Um dia, no meio de um grupo, estava um senhor que ouviu a explicação com uma atenção cada vez mais aflita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, ficou pálido como um litro de leite magro e perguntou, quase em modo de emergência nacional:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;“&lt;i&gt;E se cheirar, também é anafrodisíaco?&lt;/i&gt;”&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;A gargalhada foi geral. Daquelas que ficam na memória para todo o sempre.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha resposta, tanto quanto a gargalhada permitiu, foi tranquilizadora. Até onde chegam a botânica, a farmacognosia e o bom senso, ninguém perdeu o vigor por cheirar um fruto de árvore-da-castidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A humanidade enfrenta perigos maiores do que aproximar o nariz do seu fruto. Ainda assim, percebi nesse dia que o poder simbólico das plantas pode ser mais rápido do que qualquer princípio ativo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras vezes eram as senhoras que levavam a conversa para territórios mais domésticos. Algumas diziam, em tom de brincadeira, que tinham de levar um vaso para oferecer ao marido, “&lt;i&gt;a ver se ele me deixa em paz&lt;/i&gt;”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras, mais dedicadas às ciências ocultas e às receitas que vivem entre a crença, a confidência e a vingança conjugal, compravam a planta para depois a recomendar às clientes que se queixavam das infidelidades dos maridos. Ou, como se diz no Porto, “&lt;i&gt;daqueles que andavam a mijar fora do penico&lt;/i&gt;”.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a ouvir relatos contados em tom de vitória, com uma convicção que faria tremer qualquer ensaio clínico. Havia quem jurasse que, depois da planta entrar lá em casa, o companheiro ficara duas semanas com o sistema hidráulico avariado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito de forma mais nortenha e arquitetónica, “&lt;i&gt;sem a sua Ponte de Leça conseguir elevar-se&lt;/i&gt;”. Tratei sempre estes relatos como folclore vivo, daqueles que nascem quando uma planta atravessa a fronteira entre o jardim e a vida íntima das pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a verdade é que a árvore-da-castidade sempre viveu nessa fronteira. Em algumas tradições, os frutos frescos e ainda incompletamente desenvolvidos chegaram a ser vistos como afrodisíacos. Noutras, os frutos maduros e secos ganharam fama inversa, ligados à contenção do desejo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paracelso terá chamado satânica à planta, precisamente por essa intimidade incómoda com os ardores da carne. Andrés Laguna escreveu que a semente diminuía o apetite venéreo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Arnau de Vilanova surge associado à curiosa recomendação de usar um cabo de faca feito da sua madeira para afastar pensamentos voluptuosos. Imagino o objeto numa cozinha medieval, muito sério, muito moralizador, pronto a cortar legumes e tentações com a mesma eficácia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradição clássica vai ainda mais longe. Nas festas femininas dedicadas a Deméter, as Tesmofórias, as matronas gregas espalhavam ramos e folhas de árvore-da-castidade nos seus leitos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Plínio, o Velho, refere que os gregos lhe chamavam&lt;i&gt; lygos&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;agnos&lt;/i&gt; e ligava diretamente esse gesto à preservação ritual da castidade. O gesto tinha valor ritual, associado à pureza temporária, à fertilidade, à contenção e talvez à proteção contra serpentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma espécie ligada aos ciclos femininos, usada em festas de fertilidade, deitada nos leitos para guardar castidade, cultivada em hortas monásticas para ajudar os monges a honrar os seus votos, estudada pela farmacognosia, vendida por mim em pequenos vasos durante muitos anos, dada a cheirar a milhares de visitantes e temida por cavalheiros impressionáveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espanta-me que uma planta com tanta beleza, rusticidade e uma história fabulosa continue praticamente ausente do circuito comercial dos viveiros em Portugal. Vê-se pouco em hortos, aparece raramente em jardins públicos e privados. Custa-me perceber porquê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A árvore-da-castidade é resistente à seca, pouco atreita a pragas e doenças, generosa na floração, elegante na folhagem, interessante no fruto, aromática ao toque e extraordinária para abrir horas de conversa e boa disposição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre tantas ornamentais repetidas até à exaustão, continua injustamente esquecida. Para mim, é uma das mais belas, floridas e úteis espécies arbustivas que podemos oferecer aos jardins portugueses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta-lhe apenas aquilo que tantas boas plantas ainda esperam entre nós. Mais viveiristas que a propaguem, mais paisagistas que a prescrevam, mais jardineiros que a conheçam e mais pessoas dispostas a parar ao seu lado, cheirar-lhe os frutos e deixar que uma planta conte uma história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucas plantas conseguem juntar tanto num só arbusto. A árvore-da-castidade é ornamental sem ser banal, medicinal sem dispensar rigor, aromática sem pedir licença, moralista no nome e malandra nas histórias que provoca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensina botânica pela forma das folhas, ecologia pelo lugar onde cresce, farmacognosia pelos frutos, história pelo seu percurso nos herbários, etnobotânica pelas crenças que arrasta, e humor pela rapidez com que um simples cheiro pode pôr um grupo inteiro a rir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja por isso que continuo a gostar tanto dela. Há plantas que se limitam a estar no jardim. A árvore-da-castidade entra na conversa, muda o tom da visita, levanta perguntas, baixa certezas, perfuma os dedos e deixa no ar uma gargalhada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o azul das flores, o aroma apimentado dos frutos, a seriedade das farmacopeias e a inquietação dos cavalheiros, esta é uma daquelas espécies que nos recorda uma verdade essencial da etnobotânica. As plantas curam, alimentam, ornamentam, confundem, assustam, seduzem e fazem rir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;E se cheirar também é anafrodisíaco?&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; Até hoje, que eu saiba, só provocou uma consequência imediata e clinicamente observável. &lt;b&gt;Gargalhadas.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgWKotkWuNrz7SxHc6cO0bw2x7lfefQV9opzNUtgE6jzM9ZUwjcPvGX-yUuUf1lwOez8hBkKuQJh4FzoAjpkXZMEGOqKYrcsiHPSFhqu4fHrWJUfpko38qXru7QQu8EhyphenhyphenlTFB9klJ-QpzxYZKem2Q79Y1PZsmeZOw4ZWBZb0mEkjyxPvTDaINhwMa-Kxu4/s894/Vitex.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;894&quot; data-original-width=&quot;894&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgWKotkWuNrz7SxHc6cO0bw2x7lfefQV9opzNUtgE6jzM9ZUwjcPvGX-yUuUf1lwOez8hBkKuQJh4FzoAjpkXZMEGOqKYrcsiHPSFhqu4fHrWJUfpko38qXru7QQu8EhyphenhyphenlTFB9klJ-QpzxYZKem2Q79Y1PZsmeZOw4ZWBZb0mEkjyxPvTDaINhwMa-Kxu4/s16000/Vitex.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/8384961340293170860/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/8384961340293170860?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/8384961340293170860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/8384961340293170860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/a-planta-dos-monges-das-senhoras-e-dos.html' title='A planta dos monges, das senhoras e dos cavalheiros impressionáveis'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgWKotkWuNrz7SxHc6cO0bw2x7lfefQV9opzNUtgE6jzM9ZUwjcPvGX-yUuUf1lwOez8hBkKuQJh4FzoAjpkXZMEGOqKYrcsiHPSFhqu4fHrWJUfpko38qXru7QQu8EhyphenhyphenlTFB9klJ-QpzxYZKem2Q79Y1PZsmeZOw4ZWBZb0mEkjyxPvTDaINhwMa-Kxu4/s72-c/Vitex.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-6199113436697426788</id><published>2026-05-29T12:35:43.603+01:00</published><updated>2026-05-29T15:35:36.621+01:00</updated><title type='text'>Quando nos rios se pescava com plantas</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Ainda hoje recordo o espanto da primeira vez que vi imagens de indígenas da Amazónia a pescar apenas com plantas. Para uma criança fascinada pelo mundo natural, aquilo parecia impossível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens e mulheres esmagavam raízes e cipós entre pedras, entravam devagar no rio, libertavam na água um sumo vegetal turvo e, pouco depois, os peixes começavam a subir à superfície, desorientados, frágeis, entregues às mãos ou às pequenas redes de quem conhecia aquele gesto há gerações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos mais tarde, fui comprando e devorando uma razoável coleção de obras de etnobotânica, algumas acompanham-me há décadas e continuam a ser consultadas regularmente, como velhos cadernos de campo. Foi nestas páginas, entre plantas úteis, venenosas, medicinais e esquecidas, que percebi que aquela imagem distante da Amazónia tinha parentes próximos nos rios da Península Ibérica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu julgava longínquo, quase ritual e pertencente a outros territórios, aparecia afinal registado em poças, charcos, levadas e águas lentas do nosso país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde tive a oportunidade de confirmar estas memórias escritas junto de velhos agricultores, pescadores ocasionais e homens de rio e de terra, nas margens do Cabril, do Sabor e de pequenos afluentes transmontanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falavam destas práticas em voz baixa, com a prudência de quem sabia que eram proibidas e com o respeito de quem nunca confundia uma planta perigosa com uma simples erva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste mundo rural, o rio atravessava a vida das pessoas todos os dias. Nas margens aprendia-se a reconhecer as plantas pelo lugar onde cresciam, pelo aroma das folhas, pela cor da seiva ou pelos efeitos que produziam. Era um conhecimento construído pela observação, pela experiência e pela memória, onde alimento, cura e veneno cresciam muitas vezes lado a lado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O embude, arrabaça ou salsa-dos-rios (&lt;i&gt;Oenanthe crocata&lt;/i&gt;) ocupava um lugar central neste saber perigoso das margens. Cresce junto às linhas de água, nas valas, nos lameiros e nos lugares onde a terra conserva humidade durante grande parte do ano. À primeira vista pode confundir-se com plantas alimentares da mesma família, como a salsa, o funcho, a cenoura-brava ou o aipo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semelhança enganadora esteve na origem de muitos envenenamentos acidentais de pessoas e gado. As suas raízes tuberosas concentram oenantotoxina, substância capaz de provocar intoxicações violentas, convulsões e morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pesca fluvial, as raízes do embude eram esmagadas até formar uma pasta e espalhadas em poças, açudes e troços de corrente lenta, onde os peixes se tornavam mais vulneráveis.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;No Nordeste português, há memória da planta triturada em fresco, por vezes misturada com terra ou barro, e dispersa numa área limitada do rio. Pouco depois, os peixes surgiam a flutuar ainda vivos e podiam ser apanhados à mão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns relatos indicam que os que não eram apanhados, assim que alcançavam água limpa, recuperavam. Esta observação sugere que o chamado adormecimento nem sempre conduzia à morte imediata. Havia, contudo, um processo de intoxicação em curso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trovisco (&lt;i&gt;Daphne gnidium&lt;/i&gt;) tinha uma aura ainda mais temida. Arbusto de folhas estreitas, ramos firmes e frutos muito tóxicos, cresce nos matos, taludes, orlas de bosques e encostas da paisagem mediterrânica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há registos do uso do trovisco na pesca em poças, açudes e pequenos charcos. Ramos, cascas ou raízes eram introduzidos na água, provocando a desorientação dos peixes e facilitando a captura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns testemunhos referem raízes de trovisco trituradas dentro de sacos de pano e mergulhadas em pequenas poças ou açudes. A corrente era reduzida com pedras e terra, permitindo que a planta libertasse gradualmente os seus compostos na água. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro surgiam as trutas, nadando de lado, como se o rio lhes tivesse roubado a direção. Depois podiam aparecer barbos, bogas, enguias, anfíbios e cobras de água. O preparado não escolhia. Atingia toda a comunidade aquática concentrada naquele troço do rio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verbasco, também conhecido como barbasco ou cáçamo (&lt;i&gt;Verbascum spp.&lt;/i&gt;) seguia outro caminho. Com as suas folhas espessas, aveludadas e as hastes florais amarelas, podia surgir tanto como planta medicinal como instrumento de pesca. Folhas, flores, cápsulas e sementes contêm saponinas, substâncias capazes de perturbar a respiração dos peixes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em várias tradições ibéricas e mediterrânicas, os verbascos eram esmagados ou macerados na água para intoxicar a fauna aquática. Há registos de folhas e frutos triturados entre pedras e lançados em poças, deixando os peixes atordoados e fáceis de recolher à mão. A memória rural recorda estas plantas como capazes de fazer subir o peixe à tona e, muitas vezes, de o matar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aroeira ou lentisco (&lt;i&gt;Pistacia lentiscus&lt;/i&gt;) também surge associada a práticas de pesca com plantas, embora com documentação menos abundante do que o embude, o&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;trovisco ou o&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;verbasco. Rica em resinas aromáticas, taninos e essências intensas, fazia parte da paisagem mediterrânica e era bem conhecida das comunidades rurais do Sul da Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As eufórbias (&lt;i&gt;Euphorbia spp.&lt;/i&gt;) traziam no próprio corpo vegetal a evidência do perigo. O látex branco, irritante e tóxico, inflamava a pele e os olhos, e algumas espécies foram usadas para atordoar ou matar peixe. A sua presença neste universo de plantas piscicidas ajuda a compreender a atenção com que as comunidades rurais observavam os efeitos das plantas sobre os animais e sobre o próprio corpo humano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos rios vinha o peixe e, das suas margens, a matéria para o procurar, guardar e transportar. Ali cresciam salgueiros, juncos, caniços, freixos, amieiros e outras plantas de caules flexíveis, madeiras leves ou fibras resistentes, escolhidas para cestos, nassas, armadilhas, cabos, redes, cercas, flutuadores e pequenas ferramentas de pesca. A vegetação ribeirinha era uma oficina viva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada uma oferecia uma qualidade própria. A flexibilidade dos vimes, a leveza da cortiça, a resistência dos juncos, a dureza de certas madeiras, os taninos de algumas cascas usados para tingir e conservar redes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este lado da etnobotânica da pesca é tão importante como o uso das plantas tóxicas. Mostra que o rio era um sistema inteiro de sobrevivência. Nele pescava-se, mas também se cortava, entrançava, tingia, reparava, transportava e conservava.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma margem que escondia raízes perigosas e seivas capazes de atordoar peixes oferecia também as fibras com que se faziam os utensílios da pesca quotidiana. Antes do plástico, do nylon e do metal barato, grande parte da inteligência técnica das comunidades ribeirinhas passava pelas mãos e pelas plantas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas práticas nasceram num contexto de sobrevivência. A pesca complementar podia fazer uma diferença importante na mesa de uma família rural. Uma poça cheia de peixe podia representar alimento imediato, sobretudo durante os meses mais secos, quando a vida aquática se concentrava em remansos e açudes.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eficácia destas práticas tinha, porém, um custo ecológico elevado. Peixes, anfíbios, larvas, insetos aquáticos, crustáceos, macroinvertebrados e muitos outros organismos ficavam expostos aos mesmos compostos tóxicos. Em poças, açudes e troços de água pouco renovada, bastava uma pequena quantidade de planta para alterar profundamente o equilíbrio daquele ecossistema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradição popular dizia que os peixes ficavam adormecidos. A realidade era mais complexa. Alguns recuperavam quando alcançavam água limpa e a exposição tinha sido breve. Outros morriam. O resultado dependia da espécie utilizada, da quantidade de planta, do caudal, da temperatura da água e do tempo de contacto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Como podiam os pescadores e as suas famílias consumir estes peixes sem sofrerem eles próprios os efeitos da intoxicação?&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;A questão permanece difícil de responder. As fontes disponíveis referem o consumo regular do pescado capturado por estes métodos, sem relatos evidentes de intoxicação humana, embora o risco nunca possa ser excluído. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A explicação mais prudente encontra-se na experiência acumulada. As capturas realizavam-se geralmente em poças, remansos, açudes e zonas de água lenta onde o caudal era reduzido. Depois da pesca, restabelecia-se a circulação da água, e o peixe era eviscerado e lavado. Tratava-se de um conhecimento empírico, afinado ao longo de gerações, mas não de uma garantia toxicológica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, em Portugal, estas práticas encontram proibição clara no regime jurídico da pesca em águas interiores. A Lei da Pesca nas Águas Interiores estabelece as bases da gestão sustentável dos recursos aquícolas, e o &lt;a href=&quot;https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/112-2017-108107541&quot;&gt;Decreto-Lei n.º 112/2017, de 6 de setembro&lt;/a&gt;, concretiza esta proteção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No artigo 31.º, proíbe o uso, a detenção nas margens e o lançamento à água de substâncias capazes de causar morte, atordoamento ou alterações persistentes no comportamento ou na fisiologia dos peixes e de outros organismos aquícolas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ancestral memória rural evoca peixes adormecidos. A lei contemporânea refere morte, atordoamento e alterações da fisiologia. No fundo, ambas reconhecem a mesma realidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rio é uma comunidade viva, formada por peixes, anfíbios, insetos, plantas e inúmeros organismos que dependem uns dos outros. Este equilíbrio pode ser alterado em apenas alguns minutos, mas a sua recuperação pode demorar muitos anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, estas práticas sobrevivem sobretudo como memória etnográfica e testemunho da relação profunda entre comunidades rurais, rios e plantas tóxicas do nosso território. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordam um tempo em que a observação da natureza fazia parte da vida quotidiana e em que o conhecimento das plantas podia significar alimento, remédio ou perigo. Revelam uma sabedoria construída ao longo de gerações, moldada pela necessidade, pela experiência e pela proximidade constante com os recursos disponíveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada rio era conhecido nas correntes, nas poças e nos ciclos que marcavam o seu ritmo. Cada planta tinha uma história, uma utilidade e um lugar na memória coletiva das populações. Entre o veneno e o alimento existia apenas a espessura frágil da água corrente sobre as pedras de um ribeiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhmyBX5g9WaUoCJgpBgAJkXdR7TFAbc3EecYZqou2NXQTevDyY6PKxhqXXE16OpZPM99Zj0EfuXoQNv0rmMQPeuqt3ZHk_CqtlWgQmpy0eOXczohAiCGbEJfFvGU7Jz-jjZnphko-5JB3FaCnrNDF2LRbrnvjGINY5fApttuQKc4mABmDyhK3OJHkPlkkY/s1536/Quando%20nos%20rios%20se%20pescava%20com%20plantas.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1536&quot; data-original-width=&quot;1024&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhmyBX5g9WaUoCJgpBgAJkXdR7TFAbc3EecYZqou2NXQTevDyY6PKxhqXXE16OpZPM99Zj0EfuXoQNv0rmMQPeuqt3ZHk_CqtlWgQmpy0eOXczohAiCGbEJfFvGU7Jz-jjZnphko-5JB3FaCnrNDF2LRbrnvjGINY5fApttuQKc4mABmDyhK3OJHkPlkkY/s16000/Quando%20nos%20rios%20se%20pescava%20com%20plantas.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/6199113436697426788/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/6199113436697426788?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/6199113436697426788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/6199113436697426788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/quando-os-rios-se-pescavam-com-plantas.html' title='Quando nos rios se pescava com plantas'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhmyBX5g9WaUoCJgpBgAJkXdR7TFAbc3EecYZqou2NXQTevDyY6PKxhqXXE16OpZPM99Zj0EfuXoQNv0rmMQPeuqt3ZHk_CqtlWgQmpy0eOXczohAiCGbEJfFvGU7Jz-jjZnphko-5JB3FaCnrNDF2LRbrnvjGINY5fApttuQKc4mABmDyhK3OJHkPlkkY/s72-c/Quando%20nos%20rios%20se%20pescava%20com%20plantas.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-922308268849417430</id><published>2026-05-29T12:31:14.461+01:00</published><updated>2026-05-29T12:31:14.461+01:00</updated><title type='text'>O jardim das roseiras perdidas</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Há plantas que parecem continuar à espera de alguém capaz de reparar nelas. Comigo acontece assim com as roseiras abandonadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Encontro-as nos lugares mais improváveis. Em baldios escondidos entre prédios, junto a casas degradadas e logradouros onde já ninguém vive, em hortas entregues à vegetação, nas margens de campos agrícolas e em sebes antigas que ainda desenham os limites da paisagem rural.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Aparecem junto ao mar, moldadas pelo vento salgado e pela maresia, ou perdidas nas serras acima dos 1000 metros de altitude, entre giestas, silvas e fragas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Algumas continuam a florir diante de pequenas casas rurais já vazias. Outras permanecem ao lado de moradias outrora cheias de vida, como se ainda recusassem abandonar aquele lugar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;A da imagem, em frente à praia de Lavadores, cresce num terreno que outrora pertenceu a uma família inglesa. Todos os anos transforma-se num tapete cor-de-rosa absolutamente extraordinário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Milhares de pessoas passam ao lado sem reparar nela. E eu nunca consigo ficar indiferente quando encontro roseiras assim.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Há qualquer coisa de profundamente humano nestas plantas que continuam a crescer, a expandir-se e a florir muito para além da presença de quem as plantou.&lt;br /&gt;Já encontrei roseiras que cobrem telhados inteiros, muros, anexos e árvores. Algumas avançam por vinhas abandonadas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Outras misturam-se com glicínias e madressilvas até se tornarem quase inseparáveis. Outras trepam bem alto pelos troncos das árvores, que lhes servem de tutor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Há roseiras que formam verdadeiras muralhas floridas em campos agrícolas deixados ao abandono. Cada uma parece guardar fragmentos de vidas passadas, de famílias, de quintais, de gestos simples repetidos durante décadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Quem as terá plantado? De onde foram trazidas? Qual será a espécie, a variedade, a história genética escondida em cada ramo? Há quanto tempo ali estarão?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Assim que as descubro, começo a imaginar as mãos que as podaram, as pessoas que lhes sentiram o perfume e as vidas que cresceram em redor delas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Gostava de fazer parte de um projeto nacional que envolvesse percorrer Portugal continental e as ilhas para encontrar, identificar e propagar todas estas roseiras antes que desapareçam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, criar um jardim botânico onde ocupassem um espaço próprio, ao lado de uma coleção das roseiras autóctones portuguesas. É verdade, também as temos e muitas vezes estão entre as que acabei de descrever.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Entre as mais comuns encontram-se a roseira-canina (&lt;i&gt;Rosa canina&lt;/i&gt;), espalhada por caminhos e sebes de norte a sul, e a roseira-brava (&lt;i&gt;Rosa sempervirens&lt;/i&gt;), frequente no litoral húmido e em zonas sombrias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Mas existem também espécies muito mais raras e frágeis, como a roseira-ferrugínea (Rosa rubiginosa), hoje Criticamente em Perigo em Portugal continental, sobrevivendo apenas na serra da Estrela, ou espécies de distribuição muito restrita, como &lt;i&gt;Rosa squarrosa&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Rosa blondaeana&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Imagino este jardim como um grande mapa vivo da memória vegetal portuguesa, construído a partir de plantas resgatadas de ruínas, caminhos rurais, hortas esquecidas, velhos pátios e casas vazias. Um jardim onde cada roseira tivesse uma história para contar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Conta a lenda que a Rainha Santa Isabel, surpreendida pelo rei D. Dinis enquanto distribuía pão aos pobres, respondeu:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;i&gt;“São rosas, senhor, são rosas.&lt;/i&gt;” E do seu colo caíram rosas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Talvez o nosso milagre pudesse começar de outra forma. Encontrar estas roseiras espalhadas pelo país inteiro antes que desapareçam sob silvas, escavadoras, incêndios ou novas construções.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Reuni-las num grande jardim vivo da memória portuguesa. Um lugar onde continuassem a florir as roseiras que ninguém catalogou, que ninguém vende em viveiros e que sobreviveram apenas porque resistiram ao tempo, ao abandono e ao esquecimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Espero um dia conseguir cumprir este sonho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYoJZsf2nSPvp-iR4QXALn1cXguu6D1YscdT7r4HfQVvjAfmDif4XJkzaqluRaPBWXm5IpDxRAxYZI04JsIh2NMcYV8fOMSA6tSetXRcJ3YzUDNCtwUbwwRGPAtRAjg5O2fPSOc3GcxzSp2sPOfsmnWZ4Gm6TWYENf1UVFcZm-hAUbMhljy8QycYYuESs/s2048/Roseira%20em%20Lavadores.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYoJZsf2nSPvp-iR4QXALn1cXguu6D1YscdT7r4HfQVvjAfmDif4XJkzaqluRaPBWXm5IpDxRAxYZI04JsIh2NMcYV8fOMSA6tSetXRcJ3YzUDNCtwUbwwRGPAtRAjg5O2fPSOc3GcxzSp2sPOfsmnWZ4Gm6TWYENf1UVFcZm-hAUbMhljy8QycYYuESs/s16000/Roseira%20em%20Lavadores.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/922308268849417430/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/922308268849417430?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/922308268849417430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/922308268849417430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/o-jardim-das-roseiras-perdidas.html' title='O jardim das roseiras perdidas'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYoJZsf2nSPvp-iR4QXALn1cXguu6D1YscdT7r4HfQVvjAfmDif4XJkzaqluRaPBWXm5IpDxRAxYZI04JsIh2NMcYV8fOMSA6tSetXRcJ3YzUDNCtwUbwwRGPAtRAjg5O2fPSOc3GcxzSp2sPOfsmnWZ4Gm6TWYENf1UVFcZm-hAUbMhljy8QycYYuESs/s72-c/Roseira%20em%20Lavadores.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-1428344285721040607</id><published>2026-05-29T12:27:24.851+01:00</published><updated>2026-05-29T12:27:24.852+01:00</updated><title type='text'>As batatas não se semeiam. Plantam-se.</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Há temas capazes de dividir famílias, amigos e até horticultores experientes. Um deles é, surpreendentemente, a forma correta de falar sobre a cultura da batata (&lt;i&gt;Solanum tuberosum&lt;/i&gt;).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Basta alguém dizer que vai “&lt;i&gt;semear batatas&lt;/i&gt;” para se reacender o velho conflito entre a linguagem popular e o rigor da biologia vegetal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Nos meus tempos de Faculdade, o professor da cadeira de culturas arvenses costumava dizer que havia dois tipos de alunos: os que achavam que se semeavam batatas e os que sabiam que as batatas se plantavam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;A batata que colocamos na terra não é uma semente. É um tubérculo, isto é, um caule subterrâneo modificado, especializado na acumulação de reservas e capaz de originar novos rebentos a partir das suas gemas, popularmente conhecidas como “&lt;i&gt;olhos&lt;/i&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Quando se coloca uma batata inteira ou uma parte de tubérculo na terra para obter uma nova planta, não se está a semear. Está-se a plantar, recorrendo à propagação vegetativa clonal através de tubérculos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, quase ninguém diria que vai “&lt;i&gt;semear&lt;/i&gt;” uma sardinheira ou uma hidrângea quando faz estacas dessas plantas. Todos compreendem intuitivamente que a estacaria é uma forma de propagação vegetativa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;No entanto, no caso da batata, séculos de hábito popular e a força da linguagem comercial acabaram por normalizar uma expressão cientificamente incorreta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso a velha expressão “&lt;i&gt;vá plantar batatas&lt;/i&gt;” tenha muito mais rigor científico do que muitas pessoas imaginam. Durante décadas foi usada para desvalorizar alguém, quase como sinónimo de tarefa menor ou sem importância.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Mas, ironicamente, é precisamente essa expressão popular que descreve corretamente a forma de propagação desta cultura essencial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;O mais curioso é perceber que esta discussão não é nova. Há 114 anos, agrónomos portugueses já alertavam para o erro. Num manual de 1912 da minha biblioteca pessoal, dedicado à cultura da batata, pertencente à coleção “Livraria do Lavrador”, podia já ler-se uma frase exemplar:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;“&lt;i&gt;São muitas as variedades de batatas que se podem utilizar para plantar, ou para semente, como impropriamente se costuma dizer&lt;/i&gt;”.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Há mais de um século já se reconhecia claramente que chamar “&lt;i&gt;semente&lt;/i&gt;” ao tubérculo era uma incorreção, ainda que profundamente enraizada no uso popular&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;.&lt;br /&gt;A persistência desta designação resulta, em grande parte, de uma designação técnica, comercial e legal perfeitamente compreensível.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;A expressão “batata-semente” permite distinguir os tubérculos destinados à plantação daqueles destinados ao consumo alimentar, mas refere-se sempre tubérculos para plantação e não a sementes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Funciona como categoria comercial, logística e técnica. O problema surge quando essa designação leva muitas pessoas a acreditar que a batata é efetivamente uma semente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;E aqui a questão torna-se quase caricata. O marketing tem uma capacidade extraordinária de moldar perceções e repetir mensagens até estas parecerem verdades absolutas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente, existem sementes verdadeiras de batata. Algumas cultivares florescem e produzem frutos e sementes.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Contudo, essas sementes interessam sobretudo aos programas de melhoramento genético e à investigação científica. A produção agrícola e hortícola da batata faz-se quase exclusivamente através de propagação clonal, utilizando tubérculos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;É precisamente esta forma de multiplicação vegetativa que permite conservar ao longo das gerações as características genéticas específicas e o desempenho agronómico de cada cultivar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Aceitar a expressão popular é compreensível. Ela faz parte da memória coletiva, das feiras, dos mercados e da linguagem rural transmitida entre gerações. Mas compreender a origem de um erro não obriga à sua perpetuação.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;O papel de quem trabalha em agronomia, horticultura e biologia vegetal é precisamente ajudar a esclarecer, ensinar e preservar o rigor científico sem arrogância nem paternalismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Tal como acontecia há mais de um século, as batatas, no sentido hortícola comum, não se semeiam. Plantam-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtq8gjc5hb4kNe7vhzk0ZgGgsfll9bjxXU_8sd7YflBW43dCWN2UzLkq_wu7rm2TsHpNri9jcIkDGJ9zWXiTC0RD4DJtB_E4qzZfZeJ46LPZySpD3y9ejlSOG8oTJjaUgblFYqwxkyJSoslliHsdXUF4mibyWzzit7aGfwZ0WQfU_WxUXTR5siN6YtWUM/s1600/A%20cultura%20da%20batata.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1600&quot; data-original-width=&quot;1118&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtq8gjc5hb4kNe7vhzk0ZgGgsfll9bjxXU_8sd7YflBW43dCWN2UzLkq_wu7rm2TsHpNri9jcIkDGJ9zWXiTC0RD4DJtB_E4qzZfZeJ46LPZySpD3y9ejlSOG8oTJjaUgblFYqwxkyJSoslliHsdXUF4mibyWzzit7aGfwZ0WQfU_WxUXTR5siN6YtWUM/s16000/A%20cultura%20da%20batata.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/1428344285721040607/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/1428344285721040607?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/1428344285721040607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/1428344285721040607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/as-batatas-nao-se-semeiam-plantam-se.html' title='As batatas não se semeiam. Plantam-se.'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtq8gjc5hb4kNe7vhzk0ZgGgsfll9bjxXU_8sd7YflBW43dCWN2UzLkq_wu7rm2TsHpNri9jcIkDGJ9zWXiTC0RD4DJtB_E4qzZfZeJ46LPZySpD3y9ejlSOG8oTJjaUgblFYqwxkyJSoslliHsdXUF4mibyWzzit7aGfwZ0WQfU_WxUXTR5siN6YtWUM/s72-c/A%20cultura%20da%20batata.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-2715987448066039138</id><published>2026-05-29T12:24:00.745+01:00</published><updated>2026-05-29T12:24:00.746+01:00</updated><title type='text'>Extinta na natureza, viva entre nós</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Há meses que nos cruzamos, quase todos os dias. Nas últimas semanas tem sido difícil disfarçar a enorme atração que desenvolvemos um pelo outro. Fascina-me a sua incrível silhueta. Gostava de lhe sentir o perfume numa noite quente e húmida de primavera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Ganhei coragem e parei para a cumprimentar. Não consegui resistir ao charme e à enorme elegância com que se veste, mesmo estando sempre ali, ao lado da estrada, sem nunca ter para onde ir. Percebo agora que corteja deliberadamente todos os que por ali passam, como um incessante apelo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Tinha urgência em contar a sua história. Escolheu-me porque intuiu que talvez seja esse o meu destino. Fez-me sentir tão especial que não resisto a partilhá-la consigo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;A sua família viveu na América do Sul durante milénios, em harmonia com o homem, com quem desenvolveu laços sagrados, participando nas cerimónias em que os humanos cultivavam os caminhos da espiritualidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabe ao certo como terá começado esta relação. Formulam-se hipóteses. Gosto cada vez mais da que refere que foram as plantas a ensinar-nos esses caminhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;As trombetas-de-anjo (&lt;i&gt;Brugmansia spp.&lt;/i&gt;) estão hoje classificadas pela IUCN como Extintas na Natureza. Já não possuem populações silvestres conhecidas e sobrevivem sobretudo porque os seres humanos as transportaram consigo ao longo de gerações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Nem sequer se conhecem ao certo os animais que ancestralmente dispersavam as suas sementes. É muito provável que acompanhem os caminhos espirituais das culturas andinas desde tempos pré-históricos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Recusa a ideia de ter sido trazida à força para a Europa. Sempre quis viajar. Tinha o sonho de partilhar com a humanidade o seu potencial para nos curar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Não depende de sementes para se multiplicar, não é o sexo que lhe interessa. Gosta da simplicidade e do conforto de ceder um ramo, assegurando que qualquer um de nós a consiga clonar, a partir de uma estaca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Ensina que não se deve roubar, deve sempre pedir-se uma a quem a cuida. Os conflitos que a humanidade teria evitado se ao menos soubéssemos escutar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;O seu sonho cumpriu-se, pela mão do homem chegou ao mundo inteiro. Hoje é cultivada sobretudo pela beleza ornamental das suas flores, mas os alcaloides tropânicos presentes na sua família botânica ajudaram também a moldar alguns dos medicamentos mais importantes da farmacologia moderna.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;A escopolamina, a atropina e a hiosciamina continuam a ser utilizadas pela medicina contemporânea no tratamento de náuseas, vómitos pós-operatórios, enjoo de movimento, cólicas e espasmos do trato digestivo, biliar e urinário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Talvez já tenha tomado Buscopan, um medicamento produzido a partir de um derivado semissintético da escopolamina, o brometo de butilescopolamina, quimicamente modificado para atuar apenas fora do sistema nervoso central.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Embora estas substâncias existam nas trombetas-de-anjo, a produção farmacêutica moderna utiliza sobretudo espécies do género &lt;i&gt;Duboisia&lt;/i&gt;, também pertencente à família Solanaceae.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Nem todas querem ser executivas de sucesso. Basta-lhes estar próximas dos seres humanos, mesmo que num recanto de um simples jardim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Nas últimas décadas, a humanidade desencadeou uma procura desenfreada pela utilização de substâncias para fins recreativos, manchando a nossa ancestral e sagrada relação com esta maravilhosa planta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Utilizadas sem qualquer cuidado, respeito ou conhecimento científico, as mesmas substâncias que produzem para nos curar têm poderosos efeitos alucinogénios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;É considerada uma das plantas alucinogénias mais perigosas conhecidas pelo homem. Por comparação, a canábis (&lt;i&gt;Cannabis sativa&lt;/i&gt;) ou a coca (&lt;i&gt;Erythroxylum coca&lt;/i&gt;) são quase inofensivas em termos de toxicidade aguda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Não existe qualquer restrição ao seu cultivo. Um forte indicador de que muitas das leis atuais sobre drogas raramente são construídas sobre verdadeiro conhecimento científico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;No nosso país o seu uso indevido já causou intoxicações graves, com sintomas como febre, taquicardia, pupilas dilatadas, confusão mental, alucinações e delírios agressivos, podendo, em alguns casos, levar à morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Muitas delas vivem num programa de proteção de testemunhas, nos jardins de metade das avós portuguesas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Tal como vivem muitas outras espécies, com potencial semelhante. O de aliviar sofrimento humano, quando utilizadas com respeito, conhecimento e rigor científico, ou o de intoxicar alguns, incapazes de compreender e respeitar a sacralidade da relação entre a natureza e a humanidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NOTA IMPORTANTE&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Importa lembrar que as trombetas-de-anjo não representam qualquer perigo pelo simples facto de existirem num jardim. São cultivadas ornamentalmente em todo o mundo há séculos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Tal como acontece com muitas outras plantas ornamentais, basta evitar a ingestão das suas partes e utilizar luvas durante as podas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Continuam a ser plantas de u&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;ma beleza extraordinária, que merecem respeito, conhecimento e contemplação, nunca medo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVFXy9R5PO_1_9SaFZEwXGiChDFucLt-WOGYVvPJNp_7FyrOYUlspAyv4BNSp11DjqgAe0KBQvGz3TCij-NGiAur4DqzsENVHvY_d6KmHqYQ9D4O3WX4HntxDFpgtEmsI4uy36cWLbUhWD6B_473WM0BoaJ1fMbPP3p87TQKNfnDvdMDvnE7vGduqxVWQ/s2048/Brugmansia.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVFXy9R5PO_1_9SaFZEwXGiChDFucLt-WOGYVvPJNp_7FyrOYUlspAyv4BNSp11DjqgAe0KBQvGz3TCij-NGiAur4DqzsENVHvY_d6KmHqYQ9D4O3WX4HntxDFpgtEmsI4uy36cWLbUhWD6B_473WM0BoaJ1fMbPP3p87TQKNfnDvdMDvnE7vGduqxVWQ/s16000/Brugmansia.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/2715987448066039138/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/2715987448066039138?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/2715987448066039138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/2715987448066039138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/extinta-na-natureza-viva-entre-nos.html' title='Extinta na natureza, viva entre nós'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVFXy9R5PO_1_9SaFZEwXGiChDFucLt-WOGYVvPJNp_7FyrOYUlspAyv4BNSp11DjqgAe0KBQvGz3TCij-NGiAur4DqzsENVHvY_d6KmHqYQ9D4O3WX4HntxDFpgtEmsI4uy36cWLbUhWD6B_473WM0BoaJ1fMbPP3p87TQKNfnDvdMDvnE7vGduqxVWQ/s72-c/Brugmansia.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-3653759385118689150</id><published>2026-05-29T12:19:35.555+01:00</published><updated>2026-05-29T12:19:35.555+01:00</updated><title type='text'>A oliveira que viu nascer Portugal</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Quando esta árvore começou a lançar raízes na terra quente do Algarve, Roma governava grande parte do mundo conhecido.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Séculos mais tarde, viu chegar os povos islâmicos que transformaram o sul da Península Ibérica em al-Andalus, trazendo novas formas de cultivar, regar e olhar a paisagem mediterrânica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;À sua volta passaram gerações inteiras. Mudaram línguas, crenças, reis e fronteiras. &lt;br /&gt;Ouviu, ao longe, o avanço de D. Afonso Henriques na conquista de territórios para o novo reino português, desde Santarém e Lisboa até Beja.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;E assistiu, já no século XIII, à integração definitiva do Algarve em Portugal, no reinado de D. Afonso III, quando o último território sob domínio islâmico passou a fazer parte do país.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Hoje, continua viva no Morgado do Quintão, em Lagoa. Considerada uma das oliveiras mais antigas de Portugal, estima-se que tenha cerca de 2000 anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;A oliveira (&lt;i&gt;Olea europaea&lt;/i&gt;) acompanha a história do Mediterrâneo há milhares de anos. Alimentou povos, iluminou casas, marcou religiões e tornou-se símbolo de paz, resistência e continuidade.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Algumas árvores vivem durante séculos. Outras, raramente, atravessam civilizações.&lt;br /&gt;Esta oliveira atravessou impérios, viu nascer Portugal e ali permanece, serena e imensa, como se o tempo passasse mais devagar à sua sombra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjn-lP3kmzKbP-bVop2JTyv6uS3hJr0DUQf6mMepppmS9gl0D3L9rwvG1OcJyFPwQ5wFaYV7AxTj8zgXc1wFmK4nncsP-WakwU9x_MxwmFNChaX3mr8RXezoeTg8y6bqtEHM0lXw5k_mlDNMSJ7jUFqDO07jEO7SGPdoshz9OagTKGywElSoslmZoyg8z0/s2048/oliveira%20Maria.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjn-lP3kmzKbP-bVop2JTyv6uS3hJr0DUQf6mMepppmS9gl0D3L9rwvG1OcJyFPwQ5wFaYV7AxTj8zgXc1wFmK4nncsP-WakwU9x_MxwmFNChaX3mr8RXezoeTg8y6bqtEHM0lXw5k_mlDNMSJ7jUFqDO07jEO7SGPdoshz9OagTKGywElSoslmZoyg8z0/s16000/oliveira%20Maria.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/3653759385118689150/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/3653759385118689150?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/3653759385118689150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/3653759385118689150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/a-oliveira-que-viu-nascer-portugal.html' title='A oliveira que viu nascer Portugal'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjn-lP3kmzKbP-bVop2JTyv6uS3hJr0DUQf6mMepppmS9gl0D3L9rwvG1OcJyFPwQ5wFaYV7AxTj8zgXc1wFmK4nncsP-WakwU9x_MxwmFNChaX3mr8RXezoeTg8y6bqtEHM0lXw5k_mlDNMSJ7jUFqDO07jEO7SGPdoshz9OagTKGywElSoslmZoyg8z0/s72-c/oliveira%20Maria.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-2390349374280999102</id><published>2026-05-25T14:28:59.185+01:00</published><updated>2026-05-25T14:28:59.186+01:00</updated><title type='text'>A vida que nos atravessa</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Passei grande parte da vida entre plantas aromáticas, árvores, sementes e jardins. Foi aí que aprendi que a terra não se revela aos apressados. Há um tempo próprio nas raízes, na germinação, na lenta transformação das paisagens e das pessoas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Ao longo dos anos vi paisagens degradadas recuperarem fertilidade, solos endurecidos voltarem a abrir-se à água, às raízes e à atividade invisível que alimenta o mundo vivo, insetos e aves regressarem onde antes parecia restar apenas abandono.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que compreendi que preservar a vida exige presença, cuidado e permanência. Quanto mais observo o mundo vegetal, mais me convenço de que existe uma sabedoria inscrita na própria natureza, moldada por milhões de anos de adaptação, equilíbrio e interdependência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;As plantas ensinaram-me a demorar o olhar. A reconhecer que a verdadeira riqueza não nasce da acumulação, mas do encontro com a extraordinária complexidade da vida que nos rodeia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Há uma grandeza difícil de traduzir no instante em que percebemos que cada jardim, cada bosque e cada punhado de terra fértil encerram mais relações, mais beleza e mais mistério do que alguma vez conseguiremos verdadeiramente contemplar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso me seja impossível olhar para a destruição da vida como algo distante. Depois de reconhecermos a profundidade das relações que sustentam o vivo, torna-se impossível ignorar a fragilidade dos equilíbrios que levaram eras a formar-se e que a nossa própria espécie se tornou capaz de ferir profundamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Porque ao destruirmos a vida à nossa volta, desabitamos também aquilo que somos. Não há exílio maior do que atravessar o mundo sem reconhecer a riqueza que nos coube contemplar. Também nós pertencemos a essa mesma teia frágil de relações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Quem vive entre as estações, as sementes e os ciclos da terra acaba por compreender que a vida não nos pertence. Atravessa-nos brevemente, como atravessa as árvores, as águas e as montanhas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Resta-nos a fidelidade: participar nela com consciência, servi-la enquanto nos for dada e devolvê-la com dignidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;No fim, que a minha passagem pela terra tenha honrado a vida que me atravessou. Quando a morte chegar, terei uma vida para lhe entregar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgelWPUHOJaTPaVxYEqp3W6cpJ0Y16CjJeTuIRgsuFh6jG5x-tiLydsscNjhScOtlY8WWbDV-uQ3btUZowJSS1oUZWWU5954__SHqFaFA1J5G2HQSHayLhQCuIX8M8KGyFkE2RGSvunsm0LYySfDNofLJ3E0g6JgOTJQAY0Ves08I6VE29bvrpLJ9jkCZ4/s1024/Castanheiro%201.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1024&quot; data-original-width=&quot;768&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgelWPUHOJaTPaVxYEqp3W6cpJ0Y16CjJeTuIRgsuFh6jG5x-tiLydsscNjhScOtlY8WWbDV-uQ3btUZowJSS1oUZWWU5954__SHqFaFA1J5G2HQSHayLhQCuIX8M8KGyFkE2RGSvunsm0LYySfDNofLJ3E0g6JgOTJQAY0Ves08I6VE29bvrpLJ9jkCZ4/s16000/Castanheiro%201.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/2390349374280999102/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/2390349374280999102?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/2390349374280999102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/2390349374280999102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/a-vida-que-nos-atravessa.html' title='A vida que nos atravessa'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgelWPUHOJaTPaVxYEqp3W6cpJ0Y16CjJeTuIRgsuFh6jG5x-tiLydsscNjhScOtlY8WWbDV-uQ3btUZowJSS1oUZWWU5954__SHqFaFA1J5G2HQSHayLhQCuIX8M8KGyFkE2RGSvunsm0LYySfDNofLJ3E0g6JgOTJQAY0Ves08I6VE29bvrpLJ9jkCZ4/s72-c/Castanheiro%201.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-1844300871797623511</id><published>2026-05-23T11:51:39.921+01:00</published><updated>2026-05-23T18:56:26.220+01:00</updated><title type='text'>Plantar para preservar: o futuro das figueiras tradicionais portuguesas</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Uma das culturas mais complexas e fascinantes é a da figueira (&lt;i&gt;Ficus carica&lt;/i&gt;) e do extraordinário género &lt;i&gt;Ficus&lt;/i&gt;, que inclui mais de 800 espécies espalhadas pelo mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Botanicamente, o figo não é um fruto verdadeiro, mas sim uma infrutescência designada por sicónio. No seu interior escondem-se numerosas pequenas flores, voltadas para dentro, que após fecundação originam múltiplos pequenos frutos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem figueiras baforeiras, também chamadas figueiras-de-toque, funcionalmente masculinas e essenciais à polinização. Os seus figos, embora tecnicamente comestíveis, são geralmente pouco apreciados para consumo humano. Já as figueiras domésticas são produtoras dos deliciosos figos que chegam às nossas mesas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal, o &lt;a href=&quot;https://www.dgav.pt/wp-content/uploads/2025/07/DGAV_RNVF_Edi-2025_compressed-1.pdf&quot;&gt;Registo Nacional de Variedades de Fruteiras da DGAV de 2025&lt;/a&gt; inclui 16 denominações tradicionais inscritas: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bêbera Branca, Bêbera Preta, Belmandil, Burjassote Branco, Castelhana Branca, Côtea, Da Ponte de Quarteira, Euxária Branca, Euxária Preta, Figo Doce, Lampa Branca, Lampa Preta, Moscatel, Pingo de Mel, Princesa e Verdeal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas destas variedades possuem nomes de enorme beleza e antiguidade, verdadeiros fragmentos vivos da memória agrícola portuguesa. Mas o património varietal português é muito mais vasto do que aquilo que hoje consta nos catálogos oficiais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coleções nacionais de germoplasma conservadas pelo INIAV e pela DRAP Algarve incluem quase uma centena de variedades tradicionais portuguesas de figueira, muitas delas já praticamente desaparecidas da agricultura comercial e sobrevivendo apenas em coleções, quintais antigos ou pequenos pomares familiares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomes como Branco da Terceira, Corno de Cabra, Moscatel de Odiáxere, Palmares, São João Branco, Cabaçal, Figo Rei ou Frei Bernardo representam um património genético e cultural de valor incalculável, que corre hoje sério risco de erosão genética e desaparecimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo das últimas décadas, a DRAP Algarve e o INIAV desenvolveram um importante trabalho de prospeção, recolha, conservação e caracterização destas variedades tradicionais, preservando um património genético que esteve perto de desaparecer em muitas regiões do país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coleções de germoplasma de figueira existentes em Tavira e Alcobaça representam hoje um dos mais importantes reservatórios de biodiversidade agrícola portuguesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao seu desenvolvimento fisiológico, existem os figos lampos, que se desenvolvem na madeira do ano anterior e amadurecem geralmente no início do verão. São normalmente maiores, menos doces e, em muitas variedades portuguesas, formam-se sem fecundação nem necessidade de polinização, sendo por isso considerados, na prática, partenocárpicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem também os figos vindimos, que surgem nos ramos do próprio ano, inseridos na axila das folhas, amadurecem no final do verão e são geralmente mais doces, aromáticos e valorizados comercialmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dependendo da variedade, podem formar-se sem polinização ou necessitar de caprificação, um processo tradicional em que se utilizam figos de baforeira com vespas polinizadoras, para assegurar um bom vingamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista agronómico, as variedades de figueira agrupam-se em diferentes comportamentos fisiológicos, consoante produzam uma ou duas colheitas anuais - figueiras uníferas e bíferas - e exijam, ou não, caprificação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em território continental, os figos lampos amadurecem sobretudo entre meados de junho e julho, enquanto os figos vindimos são colhidos maioritariamente entre o final de agosto e o início de outubro, dependendo da variedade e da região. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas variedades portuguesas, como Pingo de Mel, Moscatel, Bêbera Branca, Bêbera Preta, Burjassote Branco, Lampa Branca ou Verdeal, produzem habitualmente figos vindimos comestíveis, sem necessidade de caprificação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras, como Belmandil, Castelhana Branca, Euxária Branca ou Euxária Preta, necessitam de caprificação para assegurarem bom vingamento e produção regular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois existe a extraordinária Lampa Preta, talvez uma das mais fascinantes de todas. Os seus figos lampos são partenocárpicos e comestíveis, mas os figos vindimos precisam de caprificação para vingarem plenamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso os figos necessitem de polinização, entra em cena uma das mais extraordinárias relações simbióticas do mundo vegetal, estabelecida entre a figueira e uma pequenina vespa (&lt;i&gt;Blastophaga psenes&lt;/i&gt;). Esta relação dura há milhões de anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este processo agrícola tradicional, conhecido por caprificação, tira partido desta relação simbiótica. Na prática, os agricultores colocavam nas figueiras domésticas colares de figos provenientes das baforeiras, no interior dos quais viviam as vespas polinizadoras carregadas de pólen. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas pequeninas vespas acabam frequentemente por morrer no interior do sicónio, sendo progressivamente degradadas durante o amadurecimento do figo, graças à presença de enzimas proteolíticas, como a ficina. &lt;b&gt;Será a figueira uma planta carnívora?! &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, partilho uma curiosidade que não se encontra habitualmente em publicações científicas ou técnicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas pessoas saberão que cair de uma figueira, porque os seus ramos de madeira mole se partem facilmente, foi durante muito tempo causa de morte em todo o mundo rural. Um dos mais antigos e reputados viveiristas portugueses produziu durante décadas figueiras com um marketing extraordinário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram as únicas que não se partiam perante a necessidade de se trepar à árvore para alcançar os frutos. O “&lt;i&gt;segredo&lt;/i&gt;” foi guardado durante gerações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propagação das cultivares era assegurada por estacaria. Ao contrário da maioria das espécies, as estacas de figueira conseguem enraizar mesmo quando inseridas no substrato… invertidas! É verdade! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao enraizar, a nova planta lança ramos que formam junto ao tronco principal uma espécie de U, ficando essa zona reforçada e mais resistente ao peso de quem trepa&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;à árvore. Segredo revelado! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os figos e as figueiras são verdadeiramente extraordinários. E talvez Portugal, país de forte influência mediterrânica e de enorme riqueza varietal, merecesse hoje muito mais agricultores profissionais dedicados a esta cultura ancestral.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Felizmente, ainda existem viveiros portugueses onde é possível encontrar algumas destas figueiras, embora a oferta varie muito de ano para ano e nem sempre corresponda à riqueza conservada nas coleções públicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viveiros como &lt;a href=&quot;https://www.vcastromil.pt/&quot;&gt;Castromil&lt;/a&gt; ou &lt;a href=&quot;https://www.viveirosportugal.pt/&quot;&gt;Viveiros Portugal&lt;/a&gt; mantêm figueiras tradicionais em comercialização, mas as variedades mais raras continuam muitas vezes confinadas a coleções, pomares antigos e redes informais de propagação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cultivar uma figueira de uma variedade portuguesa é muito mais do que produzir figos. É preservar biodiversidade, memória agrícola e património cultural.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUjnrQpOKptWwAwBwBXvsroQ70MhQN8I-DnrC7x44fnVBa9fpoefMRi7sYL68fL5UHN0yZhBgAIQpOZPTWRaFp8-ZW8K-DI4Hdxs4Hbo_ZMN8fCW5otgtfOoE9zZtufhLs9BodfI2fR7BRamz8lV01AjMj3Qxr1-Lg-OHAduxxalF7cAipNFrfwhB2IWE/s1536/Figueira.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1536&quot; data-original-width=&quot;1024&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUjnrQpOKptWwAwBwBXvsroQ70MhQN8I-DnrC7x44fnVBa9fpoefMRi7sYL68fL5UHN0yZhBgAIQpOZPTWRaFp8-ZW8K-DI4Hdxs4Hbo_ZMN8fCW5otgtfOoE9zZtufhLs9BodfI2fR7BRamz8lV01AjMj3Qxr1-Lg-OHAduxxalF7cAipNFrfwhB2IWE/s16000/Figueira.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/1844300871797623511/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/1844300871797623511?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/1844300871797623511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/1844300871797623511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/plantar-para-preservar-o-futuro-das.html' title='Plantar para preservar: o futuro das figueiras tradicionais portuguesas'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUjnrQpOKptWwAwBwBXvsroQ70MhQN8I-DnrC7x44fnVBa9fpoefMRi7sYL68fL5UHN0yZhBgAIQpOZPTWRaFp8-ZW8K-DI4Hdxs4Hbo_ZMN8fCW5otgtfOoE9zZtufhLs9BodfI2fR7BRamz8lV01AjMj3Qxr1-Lg-OHAduxxalF7cAipNFrfwhB2IWE/s72-c/Figueira.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-2349246241811215573</id><published>2026-05-20T18:00:27.631+01:00</published><updated>2026-05-20T19:08:55.140+01:00</updated><title type='text'>A regeneração natural assistida como estratégia para terrenos florestais privados em Portugal</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Portugal apresenta uma forte fragmentação da propriedade florestal, com predominância de pequenas parcelas muitas vezes herdadas e sem gestão ativa, situação identificada em diferentes diagnósticos oficiais como um dos fatores estruturais do abandono e do risco de incêndio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos, tem vindo a crescer o interesse de proprietários privados em restaurar estes territórios, quer por razões ambientais, quer por valorização patrimonial, redução do risco ou potencial enquadramento em projetos de carbono e sustentabilidade empresarial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste contexto, importa compreender que restaurar um terreno florestal não significa necessariamente plantar árvores. Em muitos territórios, sobretudo em áreas mediterrânicas, a regeneração natural assistida pode representar uma solução mais ecológica, mais resiliente, menos onerosa e, em determinadas situações, até mais simples do ponto de vista legal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A regeneração natural assistida consiste em favorecer a recuperação espontânea da vegetação autóctone através da proteção e condução da sucessão ecológica natural, tirando partido dos processos de regeneração já em curso no território, como o banco de sementes, a rebentação de toiça, a rebentação de raiz, a proximidade de árvores ou arbustos-mãe e a dispersão natural de sementes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de mobilizar extensivamente o solo e instalar novas plantações, procura-se potenciar os processos ecológicos já existentes no território. Na prática, as intervenções podem incluir controlo de espécies invasoras, gestão seletiva de matos, redução de combustível, proteção contra herbivoria, desramações pontuais e acompanhamento técnico da evolução da vegetação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) reconhece a regeneração natural assistida como uma abordagem custo-eficaz para o restauro florestal em larga escala, por facilitar processos de sucessão natural, aumentar funções dos ecossistemas e reduzir custos de implementação e manutenção quando comparada com plantações convencionais.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ecossistemas mediterrânicos, frequentemente sujeitos a secas, incêndios e solos pobres em matéria orgânica, esta abordagem pode apresentar vantagens particularmente relevantes, desde que existam condições ecológicas mínimas para a regeneração e que sejam controlados os principais fatores de degradação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, a regeneração natural não substitui sempre a plantação. Esta abordagem revela-se particularmente adequada quando existem fontes próximas de regeneração nativa, quando o controlo de espécies invasoras é viável e quando os objetivos de gestão admitem paisagens mais heterogéneas e dinâmicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em certos contextos, pode ser necessária plantação pontual de enriquecimento, sobretudo em áreas muito degradadas, em locais sem fontes próximas de propágulos viáveis ou onde determinadas espécies autóctones desapareceram completamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das principais vantagens da regeneração natural é o menor custo de instalação e manutenção. Projetos de plantação implicam frequentemente mobilização do terreno, aquisição de plantas, protetores, rega inicial, reposição de mortalidade, manutenção intensiva e custos administrativos associados ao licenciamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo contrário, a regeneração natural aproveita o capital ecológico já existente no território. Além disso, a vegetação espontânea tende a apresentar maior adaptação genética e ecológica às condições locais, por resultar de processos de seleção e instalação no próprio sítio, originando sistemas potencialmente mais resilientes à seca, às alterações climáticas e ao fogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista ecológico, a regeneração natural pode favorecer uma maior diversidade estrutural e biológica. A paisagem resultante tende a ser mais heterogénea, favorecendo a biodiversidade, a infiltração da água, a recuperação dos solos e a estabilidade ecológica do território. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em muitos casos, esta abordagem é também compatível com princípios internacionais de restauro ecológico, que valorizam a recuperação de processos ecológicos, funções dos ecossistemas, resiliência e utilização de espécies nativas sempre que possível, como defendido pela Society for Ecological Restoration (SER) e pela International Union for Conservation of Nature (IUCN). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importa igualmente reconhecer que a regeneração natural pode, em determinados contextos, originar densidades excessivas de vegetação, proliferação de espécies invasoras ou composições ecológicas que não correspondem integralmente aos objetivos de gestão definidos para o território. Nestes casos, podem ser necessárias intervenções de condução silvícola, controlo seletivo ou enriquecimento com espécies autóctones.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;Há ainda um aspeto legal importante frequentemente desconhecido pelos proprietários. Em Portugal, o Regime Jurídico das Ações de Arborização e Rearborização aplica‑se a ações de arborização e rearborização com recurso a espécies florestais, no território continental, conforme estabelecido pelo &lt;a href=&quot;https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/96-2013-498122&quot;&gt;Decreto‑Lei n.º 96/2013, de 19 de julho&lt;/a&gt;, na redação atualmente em vigor, republicado pelo &lt;a href=&quot;https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/12-2019-118051705&quot;&gt;Decreto‑Lei n.º 12/2019, de 21 de janeiro&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Este regime incide sobretudo sobre ações deliberadas de instalação ou reinstalação de povoamentos florestais, normalmente através de plantação ou sementeira. Por isso, o aproveitamento da regeneração natural, enquanto processo espontâneo que não envolve plantação ou sementeira para instalação de novos povoamentos, poderá não carecer de autorização ao abrigo deste regime. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, quando a condução da regeneração natural visa explicitamente a constituição ou reconstituição de povoamentos florestais com alteração significativa do uso do solo, é prudente analisar o enquadramento caso a caso e, sempre que necessário, solicitar esclarecimento prévio junto do ICNF ou de técnicos habilitados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regeneração natural não significa abandono. O sucesso desta abordagem depende frequentemente de gestão ativa e acompanhamento técnico. Sem controlo de invasoras, gestão de combustível e monitorização adequada, o território pode continuar vulnerável à degradação ou ao fogo. O objetivo não deve ser simplesmente “deixar crescer”, mas sim conduzir ecologicamente a recuperação da paisagem.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que possível, esta gestão deve articular-se com os instrumentos de planeamento e defesa da floresta contra incêndios existentes à escala municipal e intermunicipal, bem como com eventuais condicionantes de ordenamento, conservação da natureza ou proteção de recursos hídricos.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra questão relevante prende-se com a eventual rentabilização destes terrenos. Nos últimos anos, o conceito de carbon farming e os mercados voluntários de carbono têm despertado interesse crescente.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal, o &lt;a href=&quot;https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/4-2024-836117866&quot;&gt;Decreto-Lei n.º 4/2024&lt;/a&gt; instituiu o Mercado Voluntário de Carbono e estabeleceu o respetivo regime de funcionamento, incluindo projetos de redução de emissões e de sequestro de carbono, critérios de elegibilidade, contabilização, monitorização, reporte e verificação por entidade independente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este mercado já dispõe de regulamentação complementar sobre taxas, qualificação de verificadores independentes e requisitos gerais da plataforma eletrónica de registo, mas a participação efetiva dos proprietários florestais dependerá sempre da existência de metodologias aplicáveis, custos de certificação proporcionais e capacidade de monitorização ao longo do tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Projetos de regeneração natural poderão vir a enquadrar-se nestes mecanismos, sobretudo quando gerem benefícios comprováveis para biodiversidade, solo, água e resiliência ecológica. No entanto, para originarem créditos certificados, terão de cumprir os princípios do mercado, incluindo adicionalidade, permanência, monitorização, reporte e verificação independente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importa transmitir uma mensagem prudente aos proprietários. A eventual comercialização de créditos de carbono não deve ser vista como solução financeira imediata nem garantida. Projetos desta natureza exigem escala territorial, monitorização prolongada, critérios rigorosos de validação e mecanismos robustos de verificação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para pequenas parcelas isoladas, a rentabilização direta através de créditos de carbono pode revelar-se difícil. Por esse motivo, torna-se frequentemente mais realista integrar estas iniciativas em modelos de gestão florestal agrupada, como associações florestais, Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP), Áreas Florestais Agrupadas ou baldios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas estruturas permitem aumentar escala, reduzir custos de gestão, facilitar candidaturas a apoios públicos, melhorar planeamento territorial e criar condições futuras para participação em projetos coletivos de carbono, biodiversidade ou serviços dos ecossistemas.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso das AIGP, o próprio enquadramento público assume como finalidade promover a gestão e exploração comum dos espaços agrícolas e florestais em zonas de minifúndio e elevado risco de incêndio, aumentando a resiliência ao fogo, os serviços dos ecossistemas e a adaptação às alterações climáticas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num país marcado pelo minifúndio e pela fragmentação da propriedade, a gestão agrupada poderá tornar-se um dos fatores decisivos para o sucesso do restauro ecológico e da valorização sustentável da paisagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em síntese, a regeneração natural assistida representa hoje uma das abordagens mais promissoras para muitos terrenos florestais privados em Portugal. Para muitos pequenos proprietários, poderá mesmo representar uma das soluções mais realistas e economicamente viáveis para recuperar terrenos abandonados, reduzir risco de incêndio e valorizar ecologicamente o património familiar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paralelamente, torna-se cada vez mais importante garantir que as sementes e plantas utilizadas em projetos de restauro tenham origem genética local e rastreável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recolha certificada de sementes nativas, a criação de redes de coletores credenciados, o reforço dos viveiros públicos e privados especializados e o desenvolvimento de sistemas de certificação por regiões de proveniência serão fatores decisivos para aumentar a credibilidade ecológica dos projetos de restauro em Portugal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criação ou reforço de bancos nacionais de sementes nativas, complementando o trabalho já desenvolvido por estruturas como o Centro Nacional de Sementes Florestais (CENASEF), que disponibiliza sementes florestais maioritariamente autóctones, e o Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV), dedicado à conservação de recursos genéticos vegetais, bem como o reforço de redes de produção certificada e mecanismos de auditoria independentes, poderá contribuir para assegurar maior diversidade genética, melhor adaptação climática e maior resiliência ecológica dos ecossistemas restaurados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paralelamente, a integração progressiva destes critérios em cadernos de encargos de obras públicas poderá representar um passo importante para garantir que projetos financiados com recursos públicos utilizem material vegetal verdadeiramente adaptado às condições ecológicas locais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num contexto de alterações climáticas, degradação dos ecossistemas e crescente pressão sobre a biodiversidade, a utilização de sementes e plantas de proveniência local deixa de ser apenas uma questão técnica ou científica, passando a assumir-se como um elemento central da credibilidade e do sucesso do restauro ecológico em Portugal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desafio passa por compreender a capacidade regenerativa do território, reduzir fatores de degradação e acompanhar a recuperação ecológica da paisagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carbono pode vir a desempenhar um papel importante como mecanismo complementar de financiamento, mas o verdadeiro valor destes projetos reside na recuperação do solo, da água, da biodiversidade, da resiliência ao fogo e da qualidade ecológica do território.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZiN3N3rEjCxS4qAXHnPJjVU4QCvWYJPsH0uouJovTCN7FjWM-sf1Eny2ZRHLGymYnJA0TGvCbSktBSq5Uz4jOJLLCjELSo_GFQZKe-vu0WgJMPFpDpLT9eg9rdeqAtQEeSzQ08Aon85aXx_kzyGgQ3YqlKQXLSwQEd7DjOSIWUloC-RAAqPNgkZeoAOA/s1536/Regenera%C3%A7%C3%A3o%20natural%20assistida.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1536&quot; data-original-width=&quot;1024&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZiN3N3rEjCxS4qAXHnPJjVU4QCvWYJPsH0uouJovTCN7FjWM-sf1Eny2ZRHLGymYnJA0TGvCbSktBSq5Uz4jOJLLCjELSo_GFQZKe-vu0WgJMPFpDpLT9eg9rdeqAtQEeSzQ08Aon85aXx_kzyGgQ3YqlKQXLSwQEd7DjOSIWUloC-RAAqPNgkZeoAOA/s16000/Regenera%C3%A7%C3%A3o%20natural%20assistida.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/2349246241811215573/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/2349246241811215573?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/2349246241811215573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/2349246241811215573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/a-regeneracao-natural-assistida-como.html' title='A regeneração natural assistida como estratégia para terrenos florestais privados em Portugal'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZiN3N3rEjCxS4qAXHnPJjVU4QCvWYJPsH0uouJovTCN7FjWM-sf1Eny2ZRHLGymYnJA0TGvCbSktBSq5Uz4jOJLLCjELSo_GFQZKe-vu0WgJMPFpDpLT9eg9rdeqAtQEeSzQ08Aon85aXx_kzyGgQ3YqlKQXLSwQEd7DjOSIWUloC-RAAqPNgkZeoAOA/s72-c/Regenera%C3%A7%C3%A3o%20natural%20assistida.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-3499089719854865291</id><published>2026-05-20T16:13:19.481+01:00</published><updated>2026-05-20T16:13:19.481+01:00</updated><title type='text'>Quem revelou maior engenho evolutivo? Nós… ou as plantas que nos convenceram a espalhá-las pelo mundo?</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Quem revelou maior engenho evolutivo? Os seres humanos, capazes de atravessar oceanos, transformar paisagens e construir redes globais de comércio, ou certas plantas que conseguiram convencer uma espécie inteira a investir, ao longo de gerações, água, trabalho e tecnologia na sua multiplicação planetária? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência moderna da domesticação das plantas mostra que a agricultura nunca foi apenas uma história de domínio humano sobre a natureza. Estudos recentes sobre coevolução entre humanos e plantas cultivadas descrevem um processo muito mais complexo, em que ambas as partes se transformaram mutuamente ao longo de milhares de anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas plantas passaram a produzir frutos maiores, mais doces, menos amargos, mais fáceis de colher e mais agradáveis ao paladar humano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em troca, beneficiaram de algo biologicamente extraordinário. Transporte para novos continentes, proteção contra predadores, irrigação, fertilização, seleção genética e expansão global. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bananeira (&lt;i&gt;Musa × paradisiaca&lt;/i&gt;) talvez seja um dos exemplos mais fascinantes desta relação. Muitas variedades comerciais atualmente consumidas no mundo produzem frutos partenocárpicos, com sementes ausentes ou sem função prática. A sua multiplicação depende sobretudo da produção de novos rebentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em diferentes graus, algo semelhante aconteceu com a batata (&lt;i&gt;Solanum tuberosum&lt;/i&gt;), a mandioca (&lt;i&gt;Manihot esculenta&lt;/i&gt;), a cana-de-açúcar (&lt;i&gt;Saccharum officinarum&lt;/i&gt;), o alho (&lt;i&gt;Allium sativum&lt;/i&gt;) e muitas variedades de videira (&lt;i&gt;Vitis vinifera&lt;/i&gt;) e oliveira (&lt;i&gt;Olea europaea&lt;/i&gt;).&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até um dos maiores símbolos da humanidade, a maçã, fruto da macieira, resulta de uma longa história de seleção humana sobre populações de macieiras selvagens da Ásia Central, favorecendo frutos maiores, mais doces e mais atrativos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expansão global do seu cultivo acompanhou rotas comerciais humanas durante séculos, transformando uma árvore regional numa das culturas frutícolas mais disseminadas do planeta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contexto agrícola, muitas destas culturas passaram a depender fortemente da propagação vegetativa realizada por nós. Ainda assim, poucas culturas agrícolas atingiram uma expansão geográfica tão vasta. Hoje, milhões de hectares do planeta são ocupados por descendentes clonais de plantas que viajaram graças a agricultores, comerciantes e impérios coloniais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista evolutivo, esta história torna-se ainda mais intrigante. O sucesso de uma espécie depende sobretudo da sua capacidade de persistir, expandir-se e deixar descendência ao longo do tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob esse critério, trigo, arroz, milho, banana ou batata estão entre os organismos mais bem-sucedidos da história do planeta. Conseguiram transformar uma espécie inteligente, móvel e tecnologicamente sofisticada no seu principal vetor de propagação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria precipitado afirmar que as plantas nos manipularam. Nenhuma macieira terá planeado conscientemente a conquista do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas certas características vegetais favoreceram comportamentos humanos que aumentaram enormemente o sucesso destas espécies. Frutos doces, aromas intensos, elevada produtividade e facilidade de propagação funcionaram como poderosos mecanismos ecológicos de atração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais surpreendente é perceber que a agricultura não resultou apenas da inteligência humana. Resultou também da extraordinária capacidade evolutiva de algumas plantas para nos seduzirem, alimentarem e convencerem-nos a carregá-las para quase todos os cantos da Terra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhy0e3G_AziT8HGXXhhsumplJBhZxzwVYc_ZpWl2HiSlErIobPyE9dMorqKLhXYhJfpWFilzweJaZZ2h5XI6rOWhPAsSyf0tmRrsFOxnKzLfszChvbAsSkmOFlrawUw4zshYDDKugAmnGTLp2kFBx-MFPJqkVS-oILtA4HAwCFErhAtTMTSt2P8gHuyURs/s1448/EU%20ZINHO.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1448&quot; data-original-width=&quot;1086&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhy0e3G_AziT8HGXXhhsumplJBhZxzwVYc_ZpWl2HiSlErIobPyE9dMorqKLhXYhJfpWFilzweJaZZ2h5XI6rOWhPAsSyf0tmRrsFOxnKzLfszChvbAsSkmOFlrawUw4zshYDDKugAmnGTLp2kFBx-MFPJqkVS-oILtA4HAwCFErhAtTMTSt2P8gHuyURs/s16000/EU%20ZINHO.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/3499089719854865291/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/3499089719854865291?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/3499089719854865291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/3499089719854865291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/quem-revelou-maior-engenho-evolutivo.html' title='Quem revelou maior engenho evolutivo? Nós… ou as plantas que nos convenceram a espalhá-las pelo mundo?'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhy0e3G_AziT8HGXXhhsumplJBhZxzwVYc_ZpWl2HiSlErIobPyE9dMorqKLhXYhJfpWFilzweJaZZ2h5XI6rOWhPAsSyf0tmRrsFOxnKzLfszChvbAsSkmOFlrawUw4zshYDDKugAmnGTLp2kFBx-MFPJqkVS-oILtA4HAwCFErhAtTMTSt2P8gHuyURs/s72-c/EU%20ZINHO.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-9077399867465718676</id><published>2026-05-20T10:33:51.953+01:00</published><updated>2026-05-20T10:38:40.415+01:00</updated><title type='text'>Pecus</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Há palavras que transportam rebanhos inteiros dentro de si. Pecuniário, pecúnia, pecúlio e peculato descendem todas do latim &lt;i&gt;pecus&lt;/i&gt;, termo usado para designar gado, rebanho, riqueza viva que pastava, se reproduzia e alimentava.&lt;/span&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Pecuniário significa relativo a dinheiro ou riqueza;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Pecúnia corresponde a dinheiro ou fortuna;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Pecúlio designa uma reserva de bens ou poupança acumulada;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Peculato refere-se à apropriação ilícita de bens ou valores que deveriam servir o interesse coletivo.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Na Roma rural, antes da moeda dominar o mundo, contar vacas, ovelhas ou cabras era medir fortuna. E continua a ser assim em muitas regiões do planeta, de África à Ásia e à América do Sul, onde o número de animais ainda representa segurança, alimento, estatuto social e capacidade de sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal foi perdendo grande parte dos seus rebanhos ao longo das últimas décadas. Com o abandono rural desapareceram pastores, caminhos de transumância e extensas áreas pastoreadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em muitas regiões, o mato acumulou-se sobre antigos campos agrícolas e baldios, aumentando a continuidade do combustível vegetal e favorecendo incêndios de maior dimensão e intensidade, realidade amplamente documentada em estudos científicos sobre os ecossistemas mediterrânicos e a evolução da paisagem rural portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rebanho não produz apenas carne ou leite. Produz paisagem, abre clareiras, reduz a continuidade do mato, mantém caminhos, fertiliza o solo, dispersa sementes e ajuda a construir mosaicos vegetais menos vulneráveis à propagação do fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em determinadas condições, o pastoreio extensivo pode contribuir para a redução da carga combustível e para a diminuição da intensidade dos incêndios rurais, sobretudo quando integrado numa gestão contínua da paisagem e articulado com outras práticas de ordenamento do território, embora a relação entre fogo, pastoreio e dinâmica ecológica varie consoante o contexto climático, social e económico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também existe uma verdade incómoda. Parte dos incêndios rurais continua associada ao uso negligente ou deliberado do fogo para renovação de pastagens. Os chamados fogos pastoris são uma prática ainda presente em várias serras e territórios de baixa densidade, onde o fogo é usado para estimular rebentações tenras destinadas ao gado, apesar dos elevados riscos ecológicos e sociais associados à perda de controlo dessas ignições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando realizados com enquadramento técnico e autorização das autoridades competentes podem integrar estratégias de gestão da paisagem e redução de combustível. Quando feitos clandestinamente, muitas vezes fora das condições legais e de segurança exigidas, transformam-se numa importante causa de incêndios rurais fora de controlo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso estas palavras nascidas do latim &lt;i&gt;pecus&lt;/i&gt; ainda nos soem tão próximas da paisagem e da vida quotidiana. Quando alguém lança fogo à serra, ao monte ou ao bosque está a cometer uma forma de &lt;b&gt;peculato&lt;/b&gt; ecológico. Rouba solo fértil, água limpa, biodiversidade, árvores, carbono armazenado, polinizadores, sombra e regulação climática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destrói aquilo que poderíamos chamar o nosso &lt;b&gt;pecúlio&lt;/b&gt; coletivo, um património comum construído lentamente pela natureza e pelo trabalho de muitas gerações. O mesmo fogo que por vezes é lançado para criar pasto novo acaba por destruir o verdadeiro valor &lt;b&gt;pecuniário&lt;/b&gt; da paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os solos degradam-se. As linhas de água empobrecem. O ar torna-se mais tóxico. Perde-se capacidade de infiltração da chuva e aumenta a erosão. Diminuem os serviços dos ecossistemas que garantem água potável, produção de alimentos, regulação climática, proteção contra cheias, polinização, fertilidade dos solos, purificação do ar, armazenamento de carbono, madeira, fibras e qualidade de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As recompensas em &lt;b&gt;pecúnia&lt;/b&gt; destes serviços gratuitos da natureza deixam de estar disponíveis e passamos a viver como uma sociedade que consome recursos naturais a crédito, acumulando uma dívida ecológica cujos juros nenhum orçamento de Estado conseguirá pagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É talvez o maior e mais tolerado ato de &lt;b&gt;peculato&lt;/b&gt; do nosso tempo, incendiar o capital natural que sustenta a vida coletiva e transformar em cinza, erosão, escassez e pobreza ecológica uma riqueza que demorou séculos a construir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos de ser melhores pastores e um rebanho mais consciente, no poder local, na política e na sociedade civil, porque nenhuma paisagem resiste quando aqueles que a deveriam guardar perderam o sentido de comunidade, de responsabilidade e de futuro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;#&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgic9SlZK9_EANnIteQzvpPa-wn9GvVlTdn4l8nvff-WFsavd7nloAwzgY3QhFe5_CoX_XKmqJp24U0ugLLr5C3Z1DevEEc6EZXqO5IRaqdwIUsR5IBMMJLi0D-z4d7kQ9q6TGuSY2wkgmiYGIYqmlnp1L544t3XlTubNZb7vXhK4S0GZByl544cD4NwMs/s1821/Pecus.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1821&quot; data-original-width=&quot;864&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgic9SlZK9_EANnIteQzvpPa-wn9GvVlTdn4l8nvff-WFsavd7nloAwzgY3QhFe5_CoX_XKmqJp24U0ugLLr5C3Z1DevEEc6EZXqO5IRaqdwIUsR5IBMMJLi0D-z4d7kQ9q6TGuSY2wkgmiYGIYqmlnp1L544t3XlTubNZb7vXhK4S0GZByl544cD4NwMs/s16000/Pecus.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/9077399867465718676/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/9077399867465718676?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/9077399867465718676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/9077399867465718676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/pecus.html' title='Pecus'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgic9SlZK9_EANnIteQzvpPa-wn9GvVlTdn4l8nvff-WFsavd7nloAwzgY3QhFe5_CoX_XKmqJp24U0ugLLr5C3Z1DevEEc6EZXqO5IRaqdwIUsR5IBMMJLi0D-z4d7kQ9q6TGuSY2wkgmiYGIYqmlnp1L544t3XlTubNZb7vXhK4S0GZByl544cD4NwMs/s72-c/Pecus.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-7216862613823091452</id><published>2026-05-18T17:13:59.858+01:00</published><updated>2026-05-18T18:03:12.597+01:00</updated><title type='text'>Alcaparra e alcaparrão</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;  &lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Adoro alcaparras. No início dos anos 1990, enquanto estudante de Engenharia Agrícola da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), fizemos uma visita de estudo ao Algarve. Entre pomares e estufas, recordo ver um campo experimental de alcaparreiras (&lt;i&gt;Capparis spinosa&lt;/i&gt;). Foi a primeira e última vez que tive contacto com a cultura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As alcaparras regressaram depois à minha vida apenas à mesa, fechadas em pequenos frascos de vidro, normalmente de calibre reduzido, compradas por impulso no supermercado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre gostei do seu sabor simultaneamente salgado, vegetal, quase marinho, capaz de transformar um prato inteiro com meia dúzia de pequenos botões florais. São companheiras naturais de saladas, massas, peixe ou molhos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;A alcaparreira é um arbusto mediterrânico baixo, muito ramificado e frequentemente espinhoso, capaz de crescer entre pedras, muros e arribas escaldadas pelo sol. Raramente ultrapassa 1 metro de altura, preferindo expandir-se lateralmente através de ramos longos e flexíveis que acompanham o relevo do terreno.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que a maioria das pessoas nunca viu uma alcaparreira. Conhecem apenas os pequenos botões conservados em vinagre ou salmoura. Esta planta mediterrânica possui flores surpreendentes, grandes, delicadas e efémeras, com pétalas brancas e longos estames violetas.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os botões florais colhem-se antes da abertura da flor. É precisamente esse botão fechado que origina a &lt;b&gt;verdadeira alcaparra&lt;/b&gt;. Se o botão não for colhido, a flor abre durante poucas horas e mais tarde forma um fruto alongado conhecido como &lt;b&gt;alcaparrão&lt;/b&gt;. Em Itália chamam-lhes &lt;i&gt;cucunci&lt;/i&gt;. Em inglês surge como &lt;i&gt;caperberry&lt;/i&gt;. Tem sementes, textura mais firme e um perfil gastronómico diferente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro alcaparrão, conheço um restaurante no Porto que os serve de entrada, mas recusam-se a partilhar comigo o fornecedor… já lá fui só para os petiscar! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe ainda outra confusão muito portuguesa. Em Trás-os-Montes, as chamadas “alcaparras” tradicionais não são produzidas a partir de alcaparreira. São na realidade azeitonas verdes de oliveira (&lt;i&gt;Olea europaea&lt;/i&gt;) descaroçadas, partidas e curadas em salmoura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome popular nasceu provavelmente da semelhança visual e da utilização culinária, mas botanicamente trata-se de espécies completamente distintas. Durante décadas muita gente cresceu a acreditar que aquelas “alcaparras” transmontanas eram aparentadas das verdadeiras alcaparras mediterrânicas, quando pertencem afinal ao universo das conservas de azeitona.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria alcaparreira parece viver numa espécie de fronteira entre presença e desaparecimento em Portugal. Todas as grandes bases botânicas internacionais reconhecem a espécie como nativa do território continental português, sobretudo no Algarve, Baixo Alentejo, Estremadura, Ribatejo e Beira Litoral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existem, no entanto, registos espontâneos considerados totalmente fiáveis desde 1951, data de uma recolha na Ribeira de Algibre, em Loulé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso a planta sobreviva mais na memória culinária mediterrânica do que na paisagem portuguesa contemporânea. Espanha, Itália, Marrocos, Tunísia, Grécia ou Turquia mantiveram culturas comerciais e tradições produtivas ligadas à alcaparra. Portugal ficou praticamente à margem dessa fileira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Condições para a sua cultura no nosso país não faltam. A alcaparreira gosta de calor, pedra, secura e solos pobres. Cresce em arribas, taludes, muros velhos e fendas calcárias onde outras culturas dificilmente sobreviveriam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Pantelleria, pequena ilha vulcânica italiana entre a Sicília e a Tunísia, as plantas vivem durante décadas e produzem algumas das alcaparras mais valorizadas do mundo. Podem entrar em plena produção por volta dos 3 ou 4 anos e mantêm uma produção ativa durante 30 a 50 anos. Muitas crescem literalmente entre pedras negras aquecidas pelo sol mediterrânico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem compra alcaparras no supermercado percebe rapidamente que existem tamanhos diferentes, embora a maioria das embalagens vendidas em Portugal nem sequer indique o calibre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença começa logo no momento da colheita. As alcaparras mais pequenas correspondem aos botões mais jovens e fechados. Exigem mais tempo, mais precisão e muito mais trabalho manual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um coletor experiente recolhe aproximadamente um quilograma por hora, razão pela qual as alcaparras continuam a ser um produto relativamente caro apesar do tamanho diminuto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mais pequenas são geralmente consideradas mais firmes e elegantes. Tornaram-se o padrão gastronómico mais valorizado no comércio internacional. As maiores apresentam textura mais macia e um sabor mais desenvolvido, quase vegetal, sendo excelentes em molhos, pratos quentes ou tábuas de petiscos mediterrânicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque razão as alcaparras são comercializadas em frascos tão pequenos? A resposta está na combinação entre mão-de-obra intensiva, consumo reduzido por utilização e posicionamento gastronómico &lt;i&gt;premium&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém usa uma chávena inteira de alcaparras numa refeição. Bastam algumas para alterar profundamente o sabor de um prato. O mesmo acontece com o açafrão, outro produto vendido em pequenas embalagens devido ao elevado valor por peso e ao consumo muito moderado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da colheita, os botões não são consumidos frescos. As alcaparras cruas possuem amargor intenso. Precisam de sal, salmoura ou vinagre para desenvolver aquele sabor característico que associamos imediatamente à cozinha mediterrânica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante este processo químico e microbiológico surgem aromas mais complexos e compostos responsáveis pela sua personalidade gustativa tão peculiar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há qualquer coisa de profundamente mediterrânico numa alcaparra. Talvez porque concentra várias ideias fundamentais da alimentação humana. A conservação pelo sal, o aproveitamento de plantas adaptadas à escassez, a paciência da colheita manual, os sabores intensos usados em pequenas quantidades, a capacidade de transformar ingredientes simples em refeições memoráveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez seja precisamente isso que me fascina nelas. Dentro de um pequeno frasco cabe uma planta agreste agarrada à pedra quente, uma flor efémera que quase ninguém vê aberta, centenas de horas de trabalho manual e uma longa história humana de adaptação às paisagens secas do Mediterrâneo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aposto que 99,9% dos nossos leitores não sabia distinguir uma alcaparra de um alcaparrão! Agora já sabe&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgMh4xnyg8d_Kph4tJWegonTcuObS4-z3fSPJaeEMJLwBa5w6PthIhUzM-Tp4tcOuzgXkBK_rdo8nKT9Zhji0VvcVtxH0fRrzpNd_Vm45gjycvb0fSVnH2aYCFX06rLw9jbja-drvRCn8gbmr_A4r9bxw8aTvLkDCgg1Hf2MaW4ni6AVN0DAL3-qlGZIcc/s1821/Alcaparra%20e%20Alcaparr%C3%A3o.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1821&quot; data-original-width=&quot;864&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgMh4xnyg8d_Kph4tJWegonTcuObS4-z3fSPJaeEMJLwBa5w6PthIhUzM-Tp4tcOuzgXkBK_rdo8nKT9Zhji0VvcVtxH0fRrzpNd_Vm45gjycvb0fSVnH2aYCFX06rLw9jbja-drvRCn8gbmr_A4r9bxw8aTvLkDCgg1Hf2MaW4ni6AVN0DAL3-qlGZIcc/s16000/Alcaparra%20e%20Alcaparr%C3%A3o.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/7216862613823091452/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/7216862613823091452?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/7216862613823091452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/7216862613823091452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/alcaparra-e-alcaparrao.html' title='Alcaparra e alcaparrão'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgMh4xnyg8d_Kph4tJWegonTcuObS4-z3fSPJaeEMJLwBa5w6PthIhUzM-Tp4tcOuzgXkBK_rdo8nKT9Zhji0VvcVtxH0fRrzpNd_Vm45gjycvb0fSVnH2aYCFX06rLw9jbja-drvRCn8gbmr_A4r9bxw8aTvLkDCgg1Hf2MaW4ni6AVN0DAL3-qlGZIcc/s72-c/Alcaparra%20e%20Alcaparr%C3%A3o.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-2380639880957676085</id><published>2026-05-18T11:34:25.259+01:00</published><updated>2026-05-18T11:34:25.259+01:00</updated><title type='text'>Dia Internacional do Fascínio das Plantas 2026</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;Hoje é o&lt;a href=&quot;https://plantday18may.org/category/europe/portugal/?date=2026&quot;&gt; Dia Internacional do Fascínio das Plantas&lt;/a&gt;, um evento comemorado por toda a Europa, que visa juntar todos os que se sentem fascinados pelas plantas, pelas ciências que as estudam, pela agricultura e pela extraordinária complexidade do mundo vegetal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal, o dia é assinalado com atividades em vários pontos do país, desde oficinas botânicas e visitas guiadas até jogos, exposições, sessões científicas e experiências práticas dedicadas ao mundo vegetal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;https://plantday18may.org/category/europe/portugal/?date=2026&quot;&gt;Pode aceder à página oficial do evento aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;Este ano recordo as sorveiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sorveira-dos-passarinhos, também chamada tramazeira ou cornogodinho (&lt;i&gt;Sorbus aucuparia&lt;/i&gt;), cresce espontaneamente no norte e centro de Portugal, nas orlas de bosques caducifólios, pinhais e matagais, quase sempre em zonas montanhosas das serras do Gerês, Cabreira, Larouco, Montesinho, Roboredo e Estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raramente ultrapassa os 15 metros, tem uma copa elegante, floração branca e frutos alaranjados que, no outono e no inverno, alimentam aves e pequenos mamíferos quando a paisagem começa a empobrecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da tramazeira, existem em Portugal continental mais três espécies autóctones do género Sorbus. A sorveira-branca (&lt;i&gt;Sorbus aria&lt;/i&gt;), a sorveira-de-folha-larga (&lt;i&gt;Sorbus latifolia&lt;/i&gt;) e o mostajeiro (&lt;i&gt;Sorbus torminalis&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas estão em risco. A sorveira-branca está criticamente em perigo, enquanto a sorveira-de-folha-larga e o mostajeiro estão vulneráveis. Nas serras da Madeira sobrevive ainda a raríssima sorveira-da-Madeira (&lt;i&gt;Sorbus maderensis&lt;/i&gt;), também criticamente em perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente encontrei uma sorveira-branca no Gerês. Foi um momento emocionante, mas também um alerta. Estima-se que existam menos de 50 indivíduos maduros desta espécie em todo o país, mais de 90% concentrados precisamente nesta serra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sorveiras são farmácia, despensa, abrigo e beleza. Dão frutos, madeira, alimento à fauna, memória à paisagem e futuro ao restauro ecológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não desapareçam das nossas serras, dos nossos parques, das nossas ruas, nem da nossa imaginação. Perdem-se se as esquecermos, mas podem ser futuro se lhes dermos tempo e lugar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhJmMwDedoEIwm3ztOi55GAPhDxZ-ung8KHPyV-rtHejR18GK11QP-HDOzDgkYcaL8B0WGovhfdG_0MlWt4BIaxe4duiap9yBhq1qk40kdNQP-BrkVuWBpwm6K8r5irgvnQrfbrPFOfMYGve6j6FciK-tQKpz6km5QLMBpDgrSN_uC1pDu-4tbjRJelld8/s5120/Sorbus%20aria%202.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;5120&quot; data-original-width=&quot;3840&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhJmMwDedoEIwm3ztOi55GAPhDxZ-ung8KHPyV-rtHejR18GK11QP-HDOzDgkYcaL8B0WGovhfdG_0MlWt4BIaxe4duiap9yBhq1qk40kdNQP-BrkVuWBpwm6K8r5irgvnQrfbrPFOfMYGve6j6FciK-tQKpz6km5QLMBpDgrSN_uC1pDu-4tbjRJelld8/s16000/Sorbus%20aria%202.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Sorveira-branca
(&lt;i data-end=&quot;2626&quot; data-start=&quot;2613&quot;&gt;Sorbus aria&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit; font-size: small; line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3nU1PX6t9eiiZN_5_kxi6oEilIb5jrtxamGT9ezt_8thuVeoFe2VyR6LmtN4ofpsOqh69cwkPxGBSa_dm_r4UeN7lNZ2M4vEn6JbM_yYiLCciqQ-a2WVUUD5ghvQcLXW2aUrmtlo15T0A2t45l1eynhZmvC-w2bywqFuIJYHTiuLi4SWBI29sM6RmJ6M/s5120/Sorbus%20aucuparia%201.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;5120&quot; data-original-width=&quot;3840&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3nU1PX6t9eiiZN_5_kxi6oEilIb5jrtxamGT9ezt_8thuVeoFe2VyR6LmtN4ofpsOqh69cwkPxGBSa_dm_r4UeN7lNZ2M4vEn6JbM_yYiLCciqQ-a2WVUUD5ghvQcLXW2aUrmtlo15T0A2t45l1eynhZmvC-w2bywqFuIJYHTiuLi4SWBI29sM6RmJ6M/s16000/Sorbus%20aucuparia%201.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Sorveira-dos-passarinhos
(&lt;i data-end=&quot;1519&quot; data-start=&quot;1501&quot;&gt;Sorbus aucuparia&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit; font-size: small; line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglSFTlI4PYrdPzLS8JEu6MLCl-UnPabqz-CUFiXnXLhK7dBLYfXmDAviWVV2wdFeX0vypK00HdK98-dz6gM9unicw80o4pTPrWbXIBC26ZhRV0Tx-3MU2sSlovvollSDS67LzPxWB6JH789o7wPV7XIRJZN9vFGYySufJrmM0f49UTGMQR-6p3jzDoYdE/s5120/Sorbus%20aucuparia%204.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;5120&quot; data-original-width=&quot;3840&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglSFTlI4PYrdPzLS8JEu6MLCl-UnPabqz-CUFiXnXLhK7dBLYfXmDAviWVV2wdFeX0vypK00HdK98-dz6gM9unicw80o4pTPrWbXIBC26ZhRV0Tx-3MU2sSlovvollSDS67LzPxWB6JH789o7wPV7XIRJZN9vFGYySufJrmM0f49UTGMQR-6p3jzDoYdE/s16000/Sorbus%20aucuparia%204.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/2380639880957676085/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/2380639880957676085?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/2380639880957676085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/2380639880957676085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/dia-internacional-do-fascinio-das.html' title='Dia Internacional do Fascínio das Plantas 2026'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhJmMwDedoEIwm3ztOi55GAPhDxZ-ung8KHPyV-rtHejR18GK11QP-HDOzDgkYcaL8B0WGovhfdG_0MlWt4BIaxe4duiap9yBhq1qk40kdNQP-BrkVuWBpwm6K8r5irgvnQrfbrPFOfMYGve6j6FciK-tQKpz6km5QLMBpDgrSN_uC1pDu-4tbjRJelld8/s72-c/Sorbus%20aria%202.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-8016263647780780664</id><published>2026-05-13T14:25:01.440+01:00</published><updated>2026-05-13T14:41:58.018+01:00</updated><title type='text'>Quando os animais iam a tribunal</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;Entre o séc. IX e o séc. XVIII encontram-se registos de processos contra animais em tribunais, sobretudo em regiões da atual França, Suíça e norte de Itália. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porcos acusados de homicídio, ratos denunciados por destruir colheitas, lagartas excomungadas e gorgulhos defendidos por advogados passaram perante tribunais eclesiásticos e seculares com uma naturalidade que hoje parece quase impossível de imaginar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atas, sentenças, registos notariais e despesas de carrascos municipais permitiram a historiadores como Edward Payson Evans ou Esther Cohen reconstruir uma das dimensões menos conhecidas da justiça daqueles tempos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal não encontrei qualquer registo documental de processos formais deste tipo. Talvez porque muitos destes conflitos fossem resolvidos diretamente no campo, entre procissões, bênçãos agrícolas e medidas mais imediatas. Ou então porque os registos se perderam irremediavelmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Basileia, no verão de 1474, um galo aguardava sentença. O capelão Johannes Knebel registou o caso no seu diário. O galo tinha posto um ovo. Na época acreditava-se que dali poderia nascer um basilisco, criatura capaz de matar homens e secar campos com o olhar. O processo avançou normalmente. Houve acusação, testemunhos e condenação. O animal acabou queimado perante uma grande multidão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sabe-se que muitos destes relatos podem resultar de reversão sexual espontânea em galinhas, fenómeno raro que provoca desenvolvimento de características masculinas mantendo temporariamente a capacidade de pôr ovos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante séculos coexistiram dois sistemas diferentes. Os tribunais eclesiásticos julgavam pragas agrícolas. Os seculares julgavam animais individuais acusados de crimes contra pessoas.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No vale de Aosta, em 824, uma assembleia eclesiástica excomungou toupeiras que devastavam campos agrícolas. Em Laon, no ano de 1120, lagartas convocadas a tribunal foram declaradas em contumácia por não comparecerem. Os cronistas registaram depois o desaparecimento da infestação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Saint-Julien, nos Alpes franceses, produtores de vinho processaram gorgulhos em 1545 e novamente em 1587. A defesa argumentou que Deus criara os insetos antes do homem e que também tinham direito ao sustento da terra. O desfecho perdeu-se. Os documentos do arquivo acabaram destruídos por insetos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Falaise, na Normandia, em 1386, uma porca matou uma criança de poucos meses. Foi presa e julgada por homicídio. O recibo do carrasco municipal ainda se conserva nos arquivos franceses.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Autun, em 1522, ratos acusados de destruir colheitas depararam-se com um advogado particularmente hábil. Bartolomeu Chassenée alegou primeiro que a convocatória tinha sido lida apenas numa paróquia, apesar de os ratos estarem espalhados por toda a região. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois argumentou que os seus clientes não podiam comparecer porque o caminho estava cheio de gatos e a acusação não conseguia garantir a segurança dos réus. Venceu as duas batalhas processuais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há registo de processos semelhantes contra plantas. Para os escolásticos, as plantas possuíam apenas &lt;i&gt;anima vegetativa&lt;/i&gt;. Os animais tinham &lt;i&gt;anima sensitiva&lt;/i&gt;, capacidade de sentir e agir sobre o mundo. Só quem podia agir podia tornar-se réu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, muitos destes processos nunca disseram apenas respeito a animais. Diziam respeito à sobrevivência de comunidades agrícolas profundamente dependentes da terra, do clima e das colheitas. A linguagem era teológica e jurídica. O medo era agrícola.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;Hoje o vocabulário mudou. Fala-se de biodiversidade, serviços dos ecossistemas, alterações climáticas, personalidade jurídica da natureza e colapso ecológico. Mas continua a existir a tentativa de encontrar instrumentos legais capazes de proteger aquilo de que depende a vida coletiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Equador, a Constituição de 2008 reconheceu direitos à Pachamama, tornando-se o primeiro texto constitucional do mundo a atribuir direitos próprios à natureza. Na Índia, o tribunal de Uttarakhand declarou o Ganges e o Yamuna pessoas vivas, embora a decisão viesse depois a ser suspensa pelo Supremo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em março de 2017, a Nova Zelândia reconheceu o rio Whanganui como pessoa jurídica através do Te Awa Tupua Act. O rio passou a ter representantes legais próprios, os Te Pou Tupua, capazes de agir judicialmente em seu nome. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em setembro de 2022, Espanha atribuiu personalidade jurídica ao Mar Menor. Pela primeira vez, um ecossistema europeu passou a poder ser juridicamente representado perante os tribunais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo de historicamente fascinante nesta transformação contínua das fronteiras do direito. Durante séculos, os tribunais medievais tentaram enquadrar juridicamente animais capazes de destruir alimento, riqueza agrícola e estabilidade social.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;Hoje alguns sistemas jurídicos procuram enquadrar rios, lagoas, florestas e ecossistemas ameaçados pela ação humana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fronteira do direito moveu-se continuamente ao longo dos séculos, a inquietação de fundo permanece. &lt;b&gt;Como proteger juridicamente aquilo de que depende a sobrevivência de uma comunidade? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, discute-se a possibilidade de sistemas autónomos de inteligência artificial se tornarem sujeitos de direito. Tal como aconteceu com empresas, rios ou ecossistemas, a fronteira jurídica continua em movimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 20 de maio de 2026, está previsto que o Mar Menor compareça, pela primeira vez, como queixoso num tribunal espanhol. Uma lagoa apresentar-se-á a juízo contra uma empresa agrícola acusada de descarregar águas residuais nas suas águas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Há cinco séculos, Bartolomeu Chassenée defendia ratos perante um juiz borgonhês. Hoje há procuradores, cientistas e juristas a defender rios, lagoas e florestas diante de tribunais civis, administrativos e con&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;stitucionais. Ontem eram ratos e lagartas. Hoje são rios e florestas. Amanhã talvez sejamos nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjVBT0vmQevJi-HVj2kIisxIVfu3GqSueuvqatsBQRnkf0KElMbNhLUz6hZ9T5weGSocq7eblYUpV9Ooz_8XsSZEtiOO3NEk6wtceg1IY-ge4veg5Odn1Snck43PQ0qvALhemC1qPu92qDbDzuVOpk9ORSd6LEyFGf9zdYDvl3rEkIz-SOme_Q57tNS5H4/s1254/Quando%20os%20animais%20iam%20a%20tribunal.png&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1254&quot; data-original-width=&quot;1254&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjVBT0vmQevJi-HVj2kIisxIVfu3GqSueuvqatsBQRnkf0KElMbNhLUz6hZ9T5weGSocq7eblYUpV9Ooz_8XsSZEtiOO3NEk6wtceg1IY-ge4veg5Odn1Snck43PQ0qvALhemC1qPu92qDbDzuVOpk9ORSd6LEyFGf9zdYDvl3rEkIz-SOme_Q57tNS5H4/s16000/Quando%20os%20animais%20iam%20a%20tribunal.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/8016263647780780664/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/8016263647780780664?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/8016263647780780664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/8016263647780780664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/quando-os-animais-iam-tribunal.html' title='Quando os animais iam a tribunal'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjVBT0vmQevJi-HVj2kIisxIVfu3GqSueuvqatsBQRnkf0KElMbNhLUz6hZ9T5weGSocq7eblYUpV9Ooz_8XsSZEtiOO3NEk6wtceg1IY-ge4veg5Odn1Snck43PQ0qvALhemC1qPu92qDbDzuVOpk9ORSd6LEyFGf9zdYDvl3rEkIz-SOme_Q57tNS5H4/s72-c/Quando%20os%20animais%20iam%20a%20tribunal.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-743782035846344830</id><published>2026-05-13T09:16:29.025+01:00</published><updated>2026-05-13T09:16:29.025+01:00</updated><title type='text'>Plantas que Uniram o Mundo</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Entre os dias 16 e 18 de maio, a cidade do Porto celebra o &lt;a href=&quot;https://museudoporto.pt/recurso/dia-internacional-dos-museus-2026/&quot;&gt;Dia Internacional dos Museus 2026&lt;/a&gt; com um programa vasto e inspirador, promovido pelo Museu e Bibliotecas do Porto, sob o tema “&lt;i&gt;Museus a unir um mundo dividido&lt;/i&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Serão dezenas de atividades espalhadas por museus, jardins, bibliotecas e espaços patrimoniais da cidade, num convite coletivo à descoberta da história, da cultura, da ciência e da relação entre as pessoas e os lugares.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;No dia 17 de maio, às 11 horas, terei o prazer de orientar a deriva “&lt;i&gt;Plantas que uniram o mundo&lt;/i&gt;”, um percurso comentado entre a Ribeira, a Casa do Infante e o Mercado Ferreira Borges.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Ao longo desta caminhada, iremos descobrir como algumas plantas moldaram cidades, impulsionaram viagens, ligaram continentes, transformaram hábitos alimentares e ajudaram a construir a história do Porto e do mundo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Muitas das espécies que hoje consideramos banais chegaram até nós através de rotas comerciais, encontros culturais e viagens marítimas que mudaram profundamente a humanidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Será também uma oportunidade para olhar a cidade de outra forma, através das plantas que nos acompanham no quotidiano e que guardam histórias de comércio, medicina, alimentação, espiritualidade e poder.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Espero encontrar-vos nesta viagem entre plantas, história e cidade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://museudoporto.pt/recurso/dia-internacional-dos-museus-2026/&quot;&gt;Programa completo e inscrições nesta ligação.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://museudoporto.pt/recurso/dia-internacional-dos-museus-2026/&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1536&quot; data-original-width=&quot;1024&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgNU1y8ytx18j6PC7sG8_ckNbTV-0gOiPWrbieD8-OmWV8tN5Yn4WY0iiahTr7iudMzYLGlDNv3vAjYCRECujsUsYIM8v2zUJqt9jpXobGH1o0yPai-8eT8ya8PqcjhTJa1sKiOsEQsZrrVuJVQYT7WNcYsHnvdBpdzIvkiZitjBWbHcBO0MKYKfg3x9FQ/s16000/Plantas%20que%20uniram%20o%20mundo%20dividido.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/743782035846344830/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/743782035846344830?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/743782035846344830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/743782035846344830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/plantas-que-uniram-o-mundo.html' title='Plantas que Uniram o Mundo'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgNU1y8ytx18j6PC7sG8_ckNbTV-0gOiPWrbieD8-OmWV8tN5Yn4WY0iiahTr7iudMzYLGlDNv3vAjYCRECujsUsYIM8v2zUJqt9jpXobGH1o0yPai-8eT8ya8PqcjhTJa1sKiOsEQsZrrVuJVQYT7WNcYsHnvdBpdzIvkiZitjBWbHcBO0MKYKfg3x9FQ/s72-c/Plantas%20que%20uniram%20o%20mundo%20dividido.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4277617784024267339.post-3661728759095336160</id><published>2026-05-12T16:26:40.723+01:00</published><updated>2026-05-12T16:26:40.723+01:00</updated><title type='text'>O regresso da agricultura às cidades</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Fui durante 22 anos empresário agrícola e agricultor profissional urbano. Atualmente continuo envolvido com a agricultura enquanto consultor profissional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Vivi a agricultura dentro da cidade, entre estufas, campos de cultivo, hortas, canteiros, mercados, visitantes, escolas, secas, ondas de calor, geadas inesperadas e a permanente tentativa de produzir alimento fresco no meio do betão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Por isso, quando verifico que um estudo científico conclui em 2026 que a agricultura urbana poderá fornecer quase 30% das necessidades de hortícolas frescos da população das cidades europeias analisadas, não me parece uma utopia. É algo que sei há mais de duas décadas ser perfeitamente possível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Durante muitos anos, a agricultura urbana foi encarada quase como um capricho romântico, uma atividade marginal associada a pequenos movimentos alternativos, hortas comunitárias ou iniciativas pedagógicas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;No entanto, quem trabalhou verdadeiramente no terreno percebeu cedo que o potencial era muito maior. Não apenas para produzir alimento, mas para transformar a relação das cidades com a natureza, com o clima, com a água, com os resíduos e até com a saúde pública.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;O estudo recentemente publicado na revista &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2210670726003094&quot;&gt;Sustainable Cities and Society&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; analisou 840 cidades europeias e concluiu que os espaços urbanos poderão produzir milhões de toneladas de hortícolas por ano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Coberturas planas, quintais, terrenos abandonados, faixas verdes pouco utilizadas e outros espaços urbanos poderiam, segundo os autores, contribuir para alimentar cerca de 190 milhões de pessoas que vivem nessas cidades, chegando em alguns cenários a cobrir perto de 30% das suas necessidades de hortícolas frescos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;O mais interessante é que os investigadores não basearam as suas conclusões em tecnologias futuristas, agricultura vertical muito dispendiosa de implementar ou sistemas altamente industrializados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Pelo contrário, o estudo focou-se sobretudo em soluções relativamente simples, acessíveis e de baixa tecnologia, baseadas em hortas no solo ao ar livre, em telhados planos e em terrenos baldios, muito próximas daquilo que muitos agricultores urbanos já fazem há décadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Na verdade, as cidades sempre produziram alimento. Durante séculos, Lisboa, Porto, Coimbra, Braga ou Évora viveram rodeadas de hortas, vinhas, olivais, pomares e pequenos campos agrícolas integrados no tecido urbano e periurbano.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Muitos dos alimentos frescos consumidos diariamente eram produzidos a poucos quilómetros, ou mesmo dentro da própria cidade. O século XX alterou profundamente essa relação. A industrialização da agricultura, a expansão urbana e a obsessão pela separação entre cidade e campo afastaram progressivamente a produção alimentar dos centros urbanos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Impermeabilizámos solos férteis, enterrámos linhas de água, destruímos quintas históricas e transformámos milhares de hectares em superfícies incapazes de infiltrar água, reduzir temperatura ou produzir alimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Ao mesmo tempo, criámos sistemas alimentares extremamente dependentes de combustíveis fósseis, de transporte de longa distância e de cadeias logísticas globais. Durante décadas isto pareceu inevitável. Hoje começamos finalmente a compreender a fragilidade estrutural deste modelo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;As alterações climáticas, os eventos extremos, as crises energéticas, os conflitos internacionais e a inflação alimentar estão a obrigar cidades e governos a repensar a segurança alimentar. A agricultura urbana deixa assim de ser apenas uma ferramenta educativa ou recreativa. Passa a ser uma estratégia de resiliência territorial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Importa, evidentemente, evitar simplificações ingénuas. A agricultura urbana nunca substituirá a agricultura rural. Portugal continuará a precisar dos seus agricultores, das explorações familiares, dos baldios, dos montados, dos olivais, das vinhas e da gestão ativa da paisagem agrícola.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Mas as cidades podem e devem recuperar parte da sua capacidade produtiva, sobretudo ao nível dos alimentos frescos, mais perecíveis e mais adequados a circuitos de proximidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Produzir perto de quem consome reduz transporte, desperdício e emissões. Pode também aumentar a biodiversidade urbana, reduzir ilhas de calor e devolver matéria orgânica ao solo através da compostagem local.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Existe ainda uma dimensão menos quantificável, mas talvez mais importante. Quem cultiva alimento, mesmo em pequena escala, transforma inevitavelmente a sua relação com o tempo, com as estações, com o clima e com o próprio valor da comida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Uma simples horta urbana pode tornar-se um espaço de aprendizagem ecológica, de saúde mental, de encontro entre gerações e de reconexão com processos naturais que a vida urbana moderna quase apagou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Talvez seja precisamente isso que este estudo representa. Não apenas uma análise científica sobre produção alimentar, mas também um sinal de mudança cultural, uma tentativa de reconciliar cidade e natureza depois de décadas de separação artificial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Depois de mais de vinte anos ligado à agricultura regenerativa urbana, continuo profundamente convencido de que uma cidade capaz de produzir parte do que come é uma cidade mais saudável, mais justa e mais resiliente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;Este estudo vem apenas confirmar aquilo que muitos agricultores urbanos conhecem há décadas. Por baixo do betão continua a existir território fértil, e dentro das cidades continua a existir uma profunda necessidade humana de cultivar alimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;O resto depende de nós, de cidadãos, técnicos e decisores, termos a coragem de desenhar cidades onde cultivar alimento deixe de ser exceção e passe a ser parte da normalidade urbana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2210670726003094&quot;&gt;O estudo encontra-se disponível nesta ligação.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: helvetica; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2210670726003094&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1536&quot; data-original-width=&quot;1024&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnM11rWywgb1sKZTJJTw_m5ZdOSDCfrIboXhycaBdmaIU0rHY3-HxEgwRAC4Mx5UixFppDuGnOPUfhb0Gi7Z2OBqN83y0YpVpWlW8h36Xnivph-zA306uGYZlpHLNAKrgXEesM3w2CYmXVsEFdDqSxPtSnl6k5Bedl8GzYgGLDTsPMoPtFoyJn2CMyVoU/s16000/agriculture.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/feeds/3661728759095336160/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/4277617784024267339/3661728759095336160?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/3661728759095336160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4277617784024267339/posts/default/3661728759095336160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2026/05/o-regresso-da-agricultura-as-cidades.html' title='O regresso da agricultura às cidades'/><author><name>Luís Alves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08489250673760121762</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4SPBcI9b7Z_W35R8AfwUAosYCiiovDj5MXRcNNbG9otsQrL2pvOWsbENJKNud3tabL2QMIqgbwO4TT46SMAS_gj1FWwrp6lZGQMNhhim7REecoPVxwCMuUcnBPCDAmlM/s113/pensar+verde+2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnM11rWywgb1sKZTJJTw_m5ZdOSDCfrIboXhycaBdmaIU0rHY3-HxEgwRAC4Mx5UixFppDuGnOPUfhb0Gi7Z2OBqN83y0YpVpWlW8h36Xnivph-zA306uGYZlpHLNAKrgXEesM3w2CYmXVsEFdDqSxPtSnl6k5Bedl8GzYgGLDTsPMoPtFoyJn2CMyVoU/s72-c/agriculture.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>