<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="no"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679</atom:id><lastBuildDate>Mon, 07 Oct 2024 05:39:36 +0000</lastBuildDate><category>Download de livros</category><category>ebook</category><category>poesia</category><category>Filosofia</category><category>socialismo</category><category>Audiobook</category><category>Mário Ferreira dos Santos</category><category>Marxismo</category><category>Porcos</category><category>política</category><category>Marx</category><category>Alberto da Cunha Melo</category><category>Bruno Tolentino</category><category>Dostoiévski</category><category>George Orwell</category><category>Jorge Luis Borges</category><category>Northrop Frye</category><category>Psicologia</category><category>arte</category><category>literatura</category><category>Aristóteles</category><category>Diogo Mainardi</category><category>Dissonância Cognitiva</category><category>Fernando Pessoa</category><category>Flaubert</category><category>G. K. Chesterton</category><category>Gramsci</category><category>Leon Festinger</category><category>Ludwig Von Mises</category><category>Mario Vargas Llosa</category><category>Miguel Reale</category><category>Nelson Rodrigues</category><category>Nijinski</category><category>Olavo de Carvalho</category><category>Ortega y Gasset</category><category>Rilke</category><category>T.S. Eliot</category><category>Thomas Sowell</category><category>Videos</category><category>ambientalismo</category><category>religião</category><category>Albert Camus</category><category>Beckett</category><category>Charlotte Thomson Iserbyt</category><category>Dom Bertrand</category><category>Eric Voegelin</category><category>George Trakl</category><category>Gertrude Von le Fort</category><category>Goethe</category><category>Hilda Hilst</category><category>Husserl</category><category>Ivan Lessa</category><category>Jorge de Lima</category><category>José Lins do Rego</category><category>José Mário Rodrigues</category><category>Kant</category><category>Leibniz</category><category>Lévi-Strauss</category><category>MST</category><category>Merquior</category><category>Milan Kundera</category><category>Mário Faustino</category><category>Nietzsche</category><category>Otto Maria Carpeaux</category><category>Pascal</category><category>Paul Feyerabend</category><category>Paulo Henriques Britto</category><category>Platão</category><category>Podcast</category><category>Ratzinger</category><category>Raymond Aron</category><category>Reinaldo Azevedo</category><category>René Guénon</category><category>Rimbaud</category><category>Roberto Campos</category><category>V.S. Naipaul</category><category>Verbalismo</category><category>Viktor Frankl</category><category>Vilém Flusser</category><category>William Shakespeare</category><category>Xavier Zubiri</category><category>desconstrucionismo</category><category>diversos</category><category>e.e. cummings</category><category>hitler</category><category>kitsch</category><category>propaganda</category><category>semântica</category><category>teologia da libertação</category><title>Atravessador Literário</title><description>Literatura, citações, filosofia, poemas, ebooks e afins.</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>101</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-6459044054588168287</guid><pubDate>Fri, 09 Sep 2011 01:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-08T23:54:33.917-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Gertrude Von le Fort</category><title>A Mulher Eterna</title><description>"A mulher só pode empenhar sua essência feminina trazendo o signo dessa essência; o signo da mulher é o véu, esse véu que designa a esposa."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A mulher que se tem na conta de "masculinizada" representa apenas uma variedade particular da mulher que cessou de se dar ao homem, segundo a ordem divina."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Não é ao homem, e sim à mulher que cumpre salvar a imagem ameaçada da mulher. E tem que salvá-la sob o tríplice aspecto fixado pela ordem divina. Pois à totalidade do par dos dois sexos corresponde uma outra totalidade, a da própria feminilidade; a segunda parte do ser não contém apenas essa imagem parcial da mulher que é a única que o tempo presente reconhece, isto é, a figura da mãe; contém, além disso, a figura da virgem e da esposa. (...) a esposa não é apenas a companheira da vida do homem; é também a companheira do seu espírito."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Mulher Eterna - Gertrude Von le Fort</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2011/09/mulher-eterna.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-6619256717278304586</guid><pubDate>Fri, 09 Sep 2011 00:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-08T22:06:18.025-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Goethe</category><title>Os tolos não vêem</title><description>"Os tolos não vêem que não é o lugar que importa, e aquele que ocupa o primeiro raramente desempenha o papel principal! Quantos reis são governados por seus ministros e quantos ministros por seus secretários! E quem é, então, o primeiro? É aquele, creio eu, que passa por cima dos outros e possui o poder ou astúcia suficientes para empregar todas as suas forças e paixões na execução de seus planos."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Sofrimentos do Jovem Werther - Johann Wolfgang von Goethe</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2011/09/os-tolos-nao-veem-que-nao-e-o-lugar-que.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-2381556255670626812</guid><pubDate>Sat, 12 Feb 2011 22:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-08T21:27:12.547-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Olavo de Carvalho</category><title>A tipologia universal dos discursos</title><description>"Uma vez assentado que segundo Aristóteles os tipos fundamentais do discurso são quatro, resta perguntar se ele tem razão; se na verdade não são três, ou cinco, ou noventa, e se no seu arranjo recíproco não conviria antes dispô-los numa ordem diversa e segundo uma outra grade de relações; resta averiguar, em fim, quais argumentos podemos convocar em defesa da concepção aristotélica que não foram propostos – e talvez nem se quer antevistos pelo próprio Aristóteles. Resta demonstrar a &lt;i&gt;necessidade lógica&lt;/i&gt; da hipótese dos quatro discursos de preferência entrando no tema por um lado diferente daquele por onde o aborda o Estagirita, de modo a evidenciar que por outras vias se chega ao mesmo resultado. E se existe uma abordagem que, inventado por Aristóteles, quase nunca é praticada por ele, é justamente a via analítico-demostrativa. Raciocinarei, portanto, à maneira de Spinoza, por pura dedução, &lt;i&gt;more geometrico&lt;/i&gt;, mostrando que por este caminho se chega aos mesmos resultados que a filologia sugere pela interpretação dos textos e a dialética sustenta pela exclusão das hipóteses contrárias."  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Olavo de Carvalho - Aristóteles em nova perspectiva - Introdução à teoria dos Quatro Discursos</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2011/02/tipologia-universal-dos-discursos.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-7073472945200512931</guid><pubDate>Fri, 04 Feb 2011 14:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-08T21:48:30.130-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Fernando Pessoa</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">poesia</category><title>Tabacaria</title><description>&lt;iframe width="420" height="345" src="http://www.youtube.com/embed/yCT_4Vg_6Dc" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Não sou nada.&lt;br /&gt;
Nunca serei nada.&lt;br /&gt;
Não posso querer ser nada.&lt;br /&gt;
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Janelas do meu quarto,&lt;br /&gt;
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é&lt;br /&gt;
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),&lt;br /&gt;
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,&lt;br /&gt;
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,&lt;br /&gt;
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,&lt;br /&gt;
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,&lt;br /&gt;
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,&lt;br /&gt;
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.&lt;br /&gt;
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,&lt;br /&gt;
E não tivesse mais irmandade com as coisas&lt;br /&gt;
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua&lt;br /&gt;
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada&lt;br /&gt;
De dentro da minha cabeça,&lt;br /&gt;
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.&lt;br /&gt;
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo&lt;br /&gt;
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,&lt;br /&gt;
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Falhei em tudo.&lt;br /&gt;
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.&lt;br /&gt;
A aprendizagem que me deram,&lt;br /&gt;
Desci dela pela janela das traseiras da casa.&lt;br /&gt;
Fui até ao campo com grandes propósitos.&lt;br /&gt;
Mas lá encontrei só ervas e árvores,&lt;br /&gt;
E quando havia gente era igual à outra.&lt;br /&gt;
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?&lt;br /&gt;
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!&lt;br /&gt;
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!&lt;br /&gt;
Gênio? Neste momento&lt;br /&gt;
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,&lt;br /&gt;
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,&lt;br /&gt;
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.&lt;br /&gt;
Não, não creio em mim.&lt;br /&gt;
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!&lt;br /&gt;
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?&lt;br /&gt;
Não, nem em mim...&lt;br /&gt;
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo&lt;br /&gt;
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?&lt;br /&gt;
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -&lt;br /&gt;
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,&lt;br /&gt;
E quem sabe se realizáveis,&lt;br /&gt;
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?&lt;br /&gt;
O mundo é para quem nasce para o conquistar&lt;br /&gt;
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.&lt;br /&gt;
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.&lt;br /&gt;
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,&lt;br /&gt;
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.&lt;br /&gt;
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,&lt;br /&gt;
Ainda que não more nela;&lt;br /&gt;
Serei sempre o que não nasceu para isso;&lt;br /&gt;
Serei sempre só o que tinha qualidades;&lt;br /&gt;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,&lt;br /&gt;
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,&lt;br /&gt;
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.&lt;br /&gt;
Crer em mim? Não, nem em nada.&lt;br /&gt;
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente&lt;br /&gt;
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,&lt;br /&gt;
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.&lt;br /&gt;
Escravos cardíacos das estrelas,&lt;br /&gt;
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;&lt;br /&gt;
Mas acordamos e ele é opaco,&lt;br /&gt;
Levantamo-nos e ele é alheio,&lt;br /&gt;
Saímos de casa e ele é a terra inteira,&lt;br /&gt;
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Come chocolates, pequena;&lt;br /&gt;
Come chocolates!&lt;br /&gt;
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.&lt;br /&gt;
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.&lt;br /&gt;
Come, pequena suja, come!&lt;br /&gt;
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!&lt;br /&gt;
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,&lt;br /&gt;
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei&lt;br /&gt;
A caligrafia rápida destes versos,&lt;br /&gt;
Pórtico partido para o Impossível.&lt;br /&gt;
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,&lt;br /&gt;
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro&lt;br /&gt;
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,&lt;br /&gt;
E fico em casa sem camisa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,&lt;br /&gt;
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,&lt;br /&gt;
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,&lt;br /&gt;
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,&lt;br /&gt;
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,&lt;br /&gt;
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,&lt;br /&gt;
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -&lt;br /&gt;
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!&lt;br /&gt;
Meu coração é um balde despejado.&lt;br /&gt;
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco&lt;br /&gt;
A mim mesmo e não encontro nada.&lt;br /&gt;
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.&lt;br /&gt;
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,&lt;br /&gt;
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,&lt;br /&gt;
Vejo os cães que também existem,&lt;br /&gt;
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,&lt;br /&gt;
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vivi, estudei, amei e até cri,&lt;br /&gt;
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.&lt;br /&gt;
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,&lt;br /&gt;
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses&lt;br /&gt;
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);&lt;br /&gt;
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo&lt;br /&gt;
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fiz de mim o que não soube&lt;br /&gt;
E o que podia fazer de mim não o fiz.&lt;br /&gt;
O dominó que vesti era errado.&lt;br /&gt;
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.&lt;br /&gt;
Quando quis tirar a máscara,&lt;br /&gt;
Estava pegada à cara.&lt;br /&gt;
Quando a tirei e me vi ao espelho,&lt;br /&gt;
Já tinha envelhecido.&lt;br /&gt;
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.&lt;br /&gt;
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário&lt;br /&gt;
Como um cão tolerado pela gerência&lt;br /&gt;
Por ser inofensivo&lt;br /&gt;
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essência musical dos meus versos inúteis,&lt;br /&gt;
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,&lt;br /&gt;
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,&lt;br /&gt;
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,&lt;br /&gt;
Como um tapete em que um bêbado tropeça&lt;br /&gt;
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.&lt;br /&gt;
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada&lt;br /&gt;
E com o desconforto da alma mal-entendendo.&lt;br /&gt;
Ele morrerá e eu morrerei.&lt;br /&gt;
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.&lt;br /&gt;
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.&lt;br /&gt;
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,&lt;br /&gt;
E a língua em que foram escritos os versos.&lt;br /&gt;
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.&lt;br /&gt;
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente&lt;br /&gt;
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sempre uma coisa defronte da outra,&lt;br /&gt;
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,&lt;br /&gt;
Sempre o impossível tão estúpido como o real,&lt;br /&gt;
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,&lt;br /&gt;
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)&lt;br /&gt;
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.&lt;br /&gt;
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,&lt;br /&gt;
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los&lt;br /&gt;
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.&lt;br /&gt;
Sigo o fumo como uma rota própria,&lt;br /&gt;
E gozo, num momento sensitivo e competente,&lt;br /&gt;
A libertação de todas as especulações&lt;br /&gt;
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois deito-me para trás na cadeira&lt;br /&gt;
E continuo fumando.&lt;br /&gt;
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira&lt;br /&gt;
Talvez fosse feliz.)&lt;br /&gt;
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.&lt;br /&gt;
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).&lt;br /&gt;
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.&lt;br /&gt;
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)&lt;br /&gt;
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.&lt;br /&gt;
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo&lt;br /&gt;
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa -&amp;nbsp; 15-1-1928</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2011/02/tabacaria.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://img.youtube.com/vi/yCT_4Vg_6Dc/default.jpg" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-1809024187576183254</guid><pubDate>Thu, 03 Feb 2011 12:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-02-03T10:15:43.373-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">desconstrucionismo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><title>Desconstrucionismo e o problema do conceito de verdade</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O desconstrucionismo é o método filosófico por excelência dos pensadores posmodernos, ainda que seu inventor, o francês Jacques Derrida (n.1930), negue que se trate de um método. O desconstrucionismo é uma prática de leitura baseada em uma hermenêuticade suspeita em que o texto é entendido a partir da sua auto-desintegração teórica. A desconstrução implica na subversão, na descentralização de qualquer origem perceptível de discursos autoritativos associados à "metanarrativas", isto é, macroestruturas teóricas como, por exemplo, sistemas filosóficos e teológicos. As metanarrativas são desconstruídas através de uma "arqueologia do conhecimento" e de uma "tipologia dos discursos".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O posmodernismo rejeita e busca desconstruir qualquer noção de verdade que se proponha unitária, absoluta, universal, ou mesmo coerente. Entretanto, há muito tempo que a filosofia "desconstruiu" a noção clássica de verdade: o que temos hoje são diferentes teorias sobre a verdade, como o correspondentismo, o coerentismo, o verificacionismo, o pragmatismo de William James (1842-1910), o semanticismo de A.Tarski, etc. Martin Heidegger (1889-1976) dizia que a verdade como nós a entendemos é uma invenção dos gregos. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A-letheia&lt;/span&gt; é descobrir aquilo que jaz oculto na memória (lethe = esquecimento), é lembrar-se daquilo que o burburinho das idéias e opiniões nos fez esquecer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas desde os tempos de Platão o ser humano se esqueceu disso, e o pensamento ocidental passou a encarar a verdade como se fosse algo à nossa disposição. Portanto, propor uma redefinição da idéia moderna de verdade não é nada novo na história da filosofia, e mais uma vez a originalidade posmoderna pode ser questionada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Leia o artigo completo: &lt;a href="http://www.luz.eti.br/es_amorteeamortedamodernidade.html"&gt;A morte e a Morte da Modernidade: Quão Pós-moderno é o Posmodernismo - Ricardo Quadros Gouvêa&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2011/02/desconstrucionismo-e-o-problema-do.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-1668181207203467977</guid><pubDate>Wed, 02 Feb 2011 18:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-02-02T16:16:32.806-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">José Lins do Rego</category><title>Senhor do meu destino</title><description>"Vinte e quatro anos, homem, senhor do meu destino, formado em Direito, sem saber fazer nada. Nada tinha aprendido, nenhum entusiasmo trazia dos anos de aprendizagem. Agora tudo estava terminado. Um simples ato de fim de ano, e a vida devia tomar outro rumo. Vamos ver para que dá o senhor, me disse o meu avô no dia de minha chegada.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span id="fullpost"&gt;José Lins do Rego - Banguê &lt;/span&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2011/02/senhor-do-meu-destino.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-2653145944601388583</guid><pubDate>Wed, 02 Feb 2011 16:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-02-02T15:36:20.293-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">arte</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Mário Ferreira dos Santos</category><title>Estética e arte moderna</title><description>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;o:officedocumentsettings&gt;   &lt;o:allowpng/&gt;  &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt; 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Uma investigação histórica da arte, para considerá-la em sua concreção, deve visualiza-lá, não só como uma expressão da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;catharsis&lt;/span&gt; humana, isto é, a exteriorização da emoção do artista, como também da alma da cultura à qual pertence, tendendo, sobretudo, a expressar um pensamento místico e simbólico.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;A arte egípcia do antigo Império ou a arte hindu revelam o simbólico com uma evidência meridiana. O mesmo pode dizer-se da arte chinesa, da arte árabe, que não é apenas decorativa, como se costuma dizer, e recuando mais distante, a arte dos povos chamados primitivos revela sempre êsse sentido simbólico e, conseqüentemente, místico.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Dizemos &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;místico&lt;/span&gt;, porque o mistério é o que se oculta, e o símbolo, referindo-se sempre a um simbolizado, é êle, enquanto tal, outro que o simbolizado ao qual se refere.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Quem compreende o significado do símbolo, sabe que êle aponta a um referido que se oculta. Eis por que a simbólica é sempre uma &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;via mística&lt;/span&gt;, pois, busca a verdade do que se cala (&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;myô&lt;/span&gt;, eu calo).&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas apesar dêsse sector marcante em tôdas as culturas, há sempre, em tôda a arte, a presença da realidade histórico-social. Por isso, há nela algo da realidade, além da expressão da alma do artista, formando êsses três elementos a estructura concreta e histórica de qualquer manifestação estética.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Se atentarmos para o Ocidente, veremos que a arte, eminentemente mística, surgida nos diversos períodos do cristianismo, torna-se acentuadamente profana, quando a unidade religiosa entra em crise. Assim, o Renascimento já nos revela a predominância do profano, mesmo quando se trate de temas religiosos.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Vê-se, assim, que a diácrise se processa na arte, no período do Renascimento, mais acentuada do que em outros anteriores. Na chamada "arte moderna", do classicismo para cá, essa diácrise é mais evidente.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O chamado movimento clássico foi apenas uma tentativa de manter a unidade, a sincrise dos valôres eminentemente objectivos e técnicos, que haviam alcançado os pontos eminentes, durante o processo artístico, não só greco-romano, como também fáustico. Dessa forma, o classicismo era uma síncrise que não evitava, nem podia evitar totalmente a diácrise em processo de expansão, e tendia a agravar-se.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O ideal clássico de manter e conservar os valôres mais altos encerrava a arte dentro de cânones objectivos, e não poderia resistir à &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;catharsis&lt;/span&gt;, à manifestação emocional do artista, que já vivia a crise agravada pelas condições histórico-sociais.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Portanto, não era de admirar que a arte moderna fôsse uma arte diacrítica, em que valôres, tomados isoladamente, passassem, não só a predominar na unidade da ordem estética, como até a tornarem-se excludentes de outros valôres.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Se uma obra de arte era decorativa &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;também&lt;/span&gt;, o decorativismo vai apenas actualizar êsse valor, esquecendo de harmonizá-lo com os outros.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Todos os &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ismos&lt;/span&gt;, que surgiram nestes dois últimos séculos, foram uma manifestação da diácrise, uma separação dos valores estéticos, e, consequentemente, o artista tem sido, nesta época, um símbolo da crise que eminentemente se agrava em nossos dias.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Aquêles que julgam que a arte moderna é uma antecipação do futuro têm uma visão errônea dos factos, porque, na verdade, o artista apenas tem vivido o momento de agravamento da crise, ou, quando muito, o futuro próximo, ainda dentro do campo da diácrise, sem, na verdade, ter oferecido nenhuma solução estética ao problema que aflige tão intensamente o homem actual.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao assistirmos uma exposição de arte moderna, sentimos crescer em nós angústias, que nos avassalam, e não encontramos, nessa arte, uma compensação à grave situação diacrítica de nossos dias.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;É, portanto, facilmente compreensível, que os que se dedicam ao estudo da estética estejam imersos na maior confusão, e a heterogeneidade de pontos de vista seja tão imensa que, dificilmente, dois críticos actuais poderão encontrar-se num campo comum. A própria crítica se desmerece constantemente, devido aos excessos de aplausos aos que correspondem ao ponto de vista de críticos, ou excessos de reprovação à obra por êles não sentida nem entendida.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Conseqüentemente, as incompreensões aumentam, e não se pode esperar, para tão cedo, que os artistas penetrem num caminho em que a arte corresponde directamente ao sentir da humanidade, como sucedeu em outros períodos históricos. Pode-se dizer, sem exagêro, que a arte moderna é uma arte totalmente divorciada da alma da cultura, porque esta já cessou de realizar o maior, e apenas vive dos productos que ela gerou nos seus períodos mais altos.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Muitos costumam dizer que o artista é um profeta. E há algo de verdadeiro nessa afirmação. O excesso de abstractismo na arte moderna corresponde aos excessos de abstractismo em outros sectorês, o que, por sua vez, é uma manifestação da diácrise. Nesse caso, o artista moderno profetiza o futuro próximo da total decadência em que vivemos, que é o agravamento exagerado dos abismos, interpostos entre os elementos componentes da nossa cultura, cujos excessos são explorados cada dia mais intensamente, e provocam o movimento da síncrise, que se impõe, aspirado por todos, e que um dia, depois das grandes comoções por que passará a sociedade, abrirá caminho para uma nova era que será fatalmente de universalidade, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ecumênica&lt;/span&gt;. E êsse momento surgirá quando os homens, que construirão os fundamentos da nova cultura, tenham encontrado aquêle ponto de unificação, cujas características formais desejamos analisar, ao entrarmos no capítulo final desta obra."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;Mário Ferreira dos Santos - Filosofia da Crise&lt;span id="fullpost"&gt;&lt;/span&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2011/02/estetica-e-arte-moderna.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-868894526186010341</guid><pubDate>Mon, 06 Oct 2008 02:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-05T23:51:35.769-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Paulo Henriques Britto</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">poesia</category><title>Pomo (de Mínima lírica)</title><description>"Da vida só têm substância&lt;br /&gt;a casca e o caroço.&lt;br /&gt;No meio só tem amido,&lt;br /&gt;embromações do carbono.&lt;br /&gt;Porém todo o gosto reside&lt;br /&gt;nessa carne intermediária,&lt;br /&gt;sem valor alimentício,&lt;br /&gt;sem realidade, sem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nela que os dentes encontram&lt;br /&gt;o que os mantém afiados;&lt;br /&gt;com ela é que a língua elabora&lt;br /&gt;a doce palavra."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pomo - &lt;a href="http://phbritto.org/"&gt;Paulo Henriques Britto&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.jornaldepoesia.jor.br/brito.html#pomo"&gt;Jornal da Poesia&lt;/a&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/10/pomo-de-mnima-lrica.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-8366895633790614446</guid><pubDate>Thu, 25 Sep 2008 02:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-02-02T16:11:51.968-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">José Mário Rodrigues</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">poesia</category><title>Pequena Biografia</title><description>"Não amei ninguém.&lt;br /&gt;
Não me senti amado por ninguém.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Reuni alguns resíduos de paixão&lt;br /&gt;
o gosto de todas as alegrias&lt;br /&gt;
o desencontro de todas as esquinas&lt;br /&gt;
e a inutilidade de todas as palavras.&lt;br /&gt;
E nada mais."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
José Mário Rodrigues&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fonte: &lt;a href="http://www.jornaldepoesia.jor.br/1jmario.html"&gt;Jornal da Poesia&lt;/a&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/09/pequena-biografia.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-3420406757097975287</guid><pubDate>Tue, 23 Sep 2008 13:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-09-23T10:13:07.129-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Flaubert</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Marx</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ortega y Gasset</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Otto Maria Carpeaux</category><title>A idéia de universidade e as idéias das classes médias</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Otto Maria Carpeaux&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensaio do livro A Cinza do Purgatório, incluído nos Ensaios Reunidos de Otto Maria Carpeaux&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais esquecerei o dia em que entrei pela primeira vez, com toda a ingenuidade dos meus dezoito anos, no solene recinto da Universidade da minha cidade natal. Um pórtico silencioso. Nas paredes viam-se os bustos dos professores que ali estudaram e ensinaram; no busto de um helenista lia-se a inscrição: "Ele acendeu e transmitiu a flâmula sagrada"; e no busto de um astrônomo: "O princípio que traz o seu nome ilumina-nos os espaços celestes." No meio do pátio, num pequeno jardim, sob o ameno sol de outono, erguia-se uma estátua de mulher nua, com olhos enigmáticos: a deusa da sabedoria. Silêncio. Não esquecerei nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decepção foi muito grande. Via a biblioteca coberta de poeira, os auditórios barulhentos, estupidez e cinismo em cima e em baixo das cadeiras dos professores, exames fáceis e fraudulentos, brutalidades de bandos que gritavam os imbecis slogans políticos do dia, e que se chamavam "acadêmicos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última vez que passei perto deste "templo das Musas", o edifício estava fechado; os estudantes haviam-se juntado a uma imensa manifestação popular. Sabia muito bem o que isso significava para mim: um adeus para sempre. Olhando pelas frestas das portas monumentais - estávamos na primavera - via sob a luz branda do sol os pórticos, as velhas pedras, o jardim, e a deusa nua, tendo nos lábios o sorriso enigmático da morte. E reconheci um fim definitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por toda parte, as universidades são doentes, senão moribundas, e isto é grande coisa. Os iniciados bem sabem que não é esta uma questão para os pedagogos especializados. Das universidades depende a vida espiritual das nações. O fim das universidades seria um fim definitivo. O abismo entre o progresso material e a cultura espiritual aumenta de dia para dia, e as armas desse progresso nas mãos dos bárbaros é fato que clama aos céus. Os edifícios das universidades resistem ainda, e neles trabalha-se muito, demais, às vezes, mas o edifício do espírito, esta catedral invisível, está ameaçado de cair em ruínas. Em tempos mais felizes a sueca Ellen Key dizia com sutileza: "Cultura é o que nos resta depois de termos esquecido tudo quanto aprendemos." E, deste modo, somos riquíssimos de saber e mendigos de cultura. Hoje em dia Herbert George Wells pode dizer: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;We are entered in a race between education and catastrophe&lt;/span&gt;." "Entramos numa corrida entre educação e catástrofe." Aí está a questão da Universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é o culpado? Evidentemente, é inadmissível simplificar uma discussão de tal envergadura. Acusa-se o Estado por ter-se intrometido, e acusa-se o Estado por não se intrometer. Acusam-se os professores por mergulharem nos ensinos profissionais e descuidarem-se da ciência desinteressada, e acusam-se os professores por mergulharem na ciência pura sem saberem ensinar. Aqui, queixam-se de as universidades não fornecerem elites, de que a nação tem necessidade; ali, queixam-se de que as universidades fornecem elites demais, um proletariado intelectual. Abundam os remédios propostos. Desejam salvar as universidades pela separação entre as instituições puramente científicas e os institutos de ensino, o que agravaria o problema em vez de o resolver: a ciência seria, assim, afastada da vida, e o ensino entregue à rotina. Falham, igualmente, as tentativas mais bem pensadas de curar a doença infundindo uma nova crença ou uma velha fé: teremos os mesmos estudantes, os mesmos bacharéis, os mesmos doutores que antes, e as suas boas crenças não resolverão a doença da Universidade. Porque não cabe à Universidade formar crentes nem sequer sugerir convicções, mas dar ao estudante capacidade para escolher a sua convicção. Já abundam os homens cegamente convictos, muito "práticos", "úteis" para os serviços do Estado, da Igreja, dos partidos e das empresas comerciais. Pode ser que todas essas instituições lamentem, em breve, a abundância de homens convictos e a falta de homens livres. Então, acusar-se-á amargamente o utilitarismo das universidades modernas. O utilitarismo é o inimigo mortal da Universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que quer dizer "prático", "útil"? A resposta não é tão simples. Por felicidade os poderosos deste mundo introduziram um novo ponto de vista, ao qual julgo que devemos algumas perspectivas novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a mentalidade média do nosso tempo a utilidade das ciências é determinada segundo as aplicações práticas: a física e a química, que nos forneceram a luz elétrica e os gases asfixiantes, são as ciências úteis; a história e a filosofia, que não nos fornecem nada, são ciências "inúteis". Apelo desta sentença para a sabedoria de certos homens práticos, que disso entendem muito bem. Certos regimes, ditos totalitários, acharam indispensável regular pela força o estudo das ciências, cujas conseqüências práticas poderiam abalar estes regimes. Ora, que vemos nós, com surpresa? Estes regimes não se ocupam, absolutamente, com as ciências "práticas", a física e a química, que continuam bem tranqüilas. Mas as ciências totalmente inúteis, a história, a filosofia, os estudos literários, são justamente as favoritas dos regimes totalitários, que as abraçam até sufocá-las. É digno de nota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que é ainda mais notável é uma certa coincidência. Sabemos que a Universidade, Universitas Litterarum, é uma criação da Idade Média. Ora, os ditos regimes não se ocupam com as ciências naturais, que a Idade Média conhecia pouco, e que se juntaram mais tarde à Universidade. Tratam somente das "velhas" ciências, das Litterae, que na Idade Média já eram conhecidas, e que formam a verdadeira alma da Universidade. Está claro. Foram justamente estas Litterae que formaram os caracteres das nações; e aquele que desejar transformar uma nação deverá transformá-las integralmente. Eles sabem o que é uma universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história das universidades é a história espiritual das nações. A França medieval é a Sorbonne, cujo enfraquecimento coincide com a fundação renascentista do Collège de France, e cujo prolongamento moderno é a Ecole Normale Supérieure. A Inglaterra, mais conservadora, é sempre Oxford e Cambridge. A Alemanha luterana é Wittemberg e Iena; a Alemanha moderna é Bonn e Berlim. As velhas universidades são de utilidade muito reduzida. Elas não fornecem homens práticos; formam o tipo ideal da nação: o lettré, o gentleman, o Gebildeter. Elas formam os homens que substituem, nos tempos modernos, o clero das universidades medievais. Elas formam os clercs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As universidades americanas têm a mesma origem. As velhas universidades da América Latina - Lima, México, Bogotá, Córdova - são fundações da Coroa de Espanha; mas foram, desde o início, confiadas aos frades, e já a primeira cédula de fundação, a ordem real do imperador Carlos V, de 21 de setembro de 1551, dá claramente a entender o sentimento da responsabilidade perante o espírito, o espírito desinteressado da Universidade medieval: "Para servir a Deus, Nosso Senhor, e ao bem público de nossos reinos, convém que nossos vassalos, súditos e naturais tenham Universidades e Estudos Gerais em que sejam instruídos e titulados em todas as ciências e faculdades, e pelo muito amor e vontade que temos de honrar e favorecer aos de Nossas Índias, e desterrar deles as trevas da ignorância, criamos, fundamos e constituímos na cidade de Lima dos reinos do Peru, e na cidade de México da Nova Espanha, Universidades e Estudos Gerais." Nada mais eloqüente, admirável, do que semelhantes termos haverem sido empregados quando os puritanos fundaram, em 1636, a primeira universidade da América inglesa, a de Harvard: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;After God had carried us safe to New England, and we builded our houses and settled the Civil Government; one of the next things we looked after was to advance Learning and perpetuate it to Posterity, dreading to leave an illiterate Ministery to the Churches, when our present Ministers shall lie in the dust&lt;/span&gt;." (New England’s First Fruits, 1643.) ("Depois que Deus nos tinha seguramente conduzido a Nova-Inglaterra, e que construímos as nossas casas e estabelecemos um governo civil, uma das nossas primeiras ocupações foi estimular o ensino e perpertuá-lo para a posteridade, com receio de deixar às igrejas um clero iletrado quando os nossos clérigos atuais jazerem em pó."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que resta destas Universitates Litterarum? O nome. Já não formam lettrés, nem gentlemen, nem Gebildeter; formam médicos, advogados, professores. As universidades tornaram-se lugares de investigações científicas; e é um romantismo utilitário que vem muni-las das asas do progresso. Não há mais "clercs", só há estudantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é o culpado? Ainda uma vez apelo para aqueles que disso entendem. Por toda parte onde há aqueles regimes os estudantes estão nas vanguardas da violência. Não é um acaso. Ouso responder: os estudantes são os culpados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas espécies de estudantes: chamá-las-emos os "ricos" e os "pobres", sublinhando que há pobres entre os "ricos" e ricos entre os "pobres"; são apenas duas expressões cômodas para abraçar uma generalização inevitável. Os estudantes "pobres" são aqueles que estudam "para a manteiga e para o pão"; estudam para se assegurarem um melhor sucesso na luta pela vida. Seria cruel e estúpido censurá-los. Antes, devemos admirá-los, em virtude dos sacrifícios, muitas vezes imensos, feitos por eles e seus pais para melhorar um futuro incerto e tornar a existência mais digna. Todavia, importa não se dissimularem os graves inconvenientes. Estudantes "pobres", há muitos deles: vivem embaraçados pela miséria, pelas ocupações acessórias para ganhar a vida; sobretudo têm pressa de terminar os estudos. Junte-se a isto a benevolência, plenamente justificável, que os examinadores lhes devem como recompensa dos seus esforços. Em suma, o nível baixa sensivelmente. O nível baixa, dizemos, até o nível dos estudantes "ricos". São estes os que têm necessidade de um grau acadêmico, porque o pai tem um, porque isto dá certa consideração na sociedade ou para adornar fortuna um pouco recente. Entre os estudantes "ricos" existem os pobres que desejam manter penosamente o standard de uma família em decadência, o que é, aliás, muito louvável. Existem outros verdadeiramente ricos, que não têm necessidade de estudar, mas que através dos estudos testemunham grande respeito às ciências; e estas, por sua vez, precisam deles, para subsistir materialmente. Em todo caso, os seus estudos não são de necessidade absoluta; eles não estudam mais do que o necessário, o indispensável para passar nos exames; os esforços ulteriores parecem-lhes ridículos. E são eles que, pela sua situação social, determinam o nível geral. E esse nível é a morte da Universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queixam-se de que as universidades já não fornecem elites. Sim, mas em compensação fornecem verdadeiras massas, porque as ciências modernas e suas investigações têm menos necessidade de cérebros que de batalhões de estudantes; e para isto eles satisfazem. A inteligência que é precisa para estudar uma profissão, mesmo acadêmica, não é tão grande como os leigos imaginam. Há vários séculos um sábio inglês, o cônego dr. Copleston, fellow do Ariel College, em Oxford, predizia: "Ainda que a ciência seja favorecida por essas concentrações de inteligência a seu serviço, os homens que se encerram nas especializações têm a inteligência em regresso." (Citado pelo cardeal Newman, The idea of a university, p. 72). É o regredir de uma elite à condição de massa ornada de títulos acadêmicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso que se digam, aqui, algumas verdades muito impopulares e muito desagradáveis. Existe Inteligência e existem "intelectuais". Intelectuais são os médicos, os advogados, os funcionários superiores de toda espécie, os especialistas científicos de toda sorte. Mas deve-se dizer que somente uma parte desses "intelectuais" pertence à Inteligência, que é, por seu lado, o resto dos "clercs", da elite de outrora. Sejamos sinceros: podemos ser bom médico, bom advogado, bom professor, e ter o espírito preso aos limites da profissão; e sabemos que o grau acadêmico nem sequer é sempre a garantia de boas qualidades profissionais. Mas ele confere sempre uma autoridade social. José Ortega y Gasset caracterizou essa nova espécie de intelectuais, violentamente, mas sinceramente: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nuevo bárbaro, retrasado com respecto a su época, arcaico y primitivo en comparación con la terrible actualidad de sus problemas. Este nuevo bárbaro es principalmente el profesional más sabio que nunca, pero más inculto también - el ingeniero, el médico, el abogado, el científico&lt;/span&gt;." (Misión de la Universidad, Obras, p. 1289).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato central da nossa época é a violência generalizada a todos os setores da vida pública, a violência que pretende substituir o espírito no seu papel guiador das massas. Dessas massas que os pensadores políticos muitas vezes confundem com o proletariado econômico. Sim, mas o espírito proletário, o espírito da reação violenta contra certas condições econômicas e sociais, não está exclusivamente ligado às massas obreiras; participam dele todas as "massas", como fenômenos sociológicos, e a massa dos intelectuais também. É o fato central da nossa época: as classes médias, mesmo antes de serem proletarizadas, mesmo justamente para evitar a ameaça da proletarização, transformam-se em massas proletárias. E esta proletarização interior é um fenômeno da educação. Chama-se "classes médias" o problema central da nossa época. O livro mais bem documentado que conheço sobre o fascismo, Fascisme et grand capital, de Daniel Guérin, apresenta a tese de que o fascismo é a última expressão do grande capitalismo. Tese errônea. Provando irrefutavelmente que o grande capital se serviu do fascismo para bater o movimento trabalhista, Guérin esquece-se de concluir que o instrumento se mostrou, enfim, mais forte do que o mestre, e que os operários e os capitalistas perderam, juntos, a liberdade de movimento, pela ação deste inimigo de ambos - as classes médias. Fato fundamental do nosso tempo: o fascismo propaga-se e vence através das classes médias, das quais é a expressão triunfal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fascismo foi impossível na Rússia. É também um fato fundamental que a Rússia não conheceu, não teve uma classe média. Ora, seguindo a corrente da época, o bolchevismo criou uma classe média. A burocracia soviética, os stakhanovistas e outras camadas privilegiadas do operariado, não são outra coisa senão uma nova classe média. Considerando, nos outros países, a ascensão de camadas igualmente novas, que o século XIX ainda não conhecia, verdadeiros exércitos de empregados privados, de funcionários públicos, de pequenos empresários, todos formados num regime de ensino secundário ou superior muito facilitado, essas massas de homens, todos mais ou menos educados, essas multidões de "pequenos intelectuais"; considerando essas multidões de homens novos, nem capitalistas nem trabalhistas, que Karl Marx não podia prever, deve-se precisar o pensamento: o fascismo e o bolchevismo têm o lado comum de serem expressões das novas classes médias. E a ideologia que permite explicar o espírito das novas classes médias é a ideologia pequeno-burguesa, violentamente revolucionária e anti-intelectualista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explica-se, por isso, que Georges Sorel, o pai espiritual comum do fascismo e do bolchevismo, Georges Sorel, o ideólogo da violência, seja um homem profundamente pequeno-burguês, representante típico das classes médias francesas, preocupado com a decadência das "autoridades sociais", que ele concebeu fielmente no espírito conservador de Le Play; preocupado, enfim, com a decadência vital da raça latina, pela qual ele responsabiliza violentamente a Inteligência; ao espírito ele prefere a vitalização pelos instintos bárbaros da massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica-se a admirar que Sorel fale em decadência, na França dos Taine e Bergson, dos Flaubert e Proust, dos Mallarmé e Claudel, dos Degas e Cézanne, dos Rodin e Debussy, dos Pasteur e Henri Poincaré, numa das épocas mais magníficas do espírito francês. Mas é por isso mesmo. Sorel é violentamente anti-intelectualista. Vê no espírito e suas obras o grande obstáculo da volta ao primitivo. Neste ponto, Sorel parece sobretudo "moderno", contemporâneo de nós outros. É a hostilidade ao espírito que liga Sorel diretamente às novas classes médias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pensador revolucionário Sorel não se viu o conservador, o representante das classes médias. O mal-entendido correspondente não viu nas novas classes médias as possibilidades revolucionárias. Durante um século, o século XIX, esqueceu-se que a classe média fizera a Grande Revolução. Via-se na classe média a classe essencialmente conservadora, a portadora mesma das tradições humanísticas, e ela o era enquanto os princípios consolidados da Revolução Francesa abrigavam a classe média contra as ameaças do grande capitalismo e do movimento socialista. Isto, porém, acabou. Chegou o dia de uma nova classe média, pronta a vencer por uma nova revolução violenta ou, como na Rússia, triunfar contra um regime obsoleto. Foi Sorel quem emprestou às novas classes médias a ideologia revolucionária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder-se-ia acreditar que os grandes obstáculos dessa revolução fossem os capitalistas e os trabalhadores, ou, na Rússia, um regime milenário e eclesiasticamente consolidado. Engano. Vimos a fraqueza incrível do regime tzarista, a derrota fácil dos socialistas, o suicídio dos capitalistas. O verdadeiro obstáculo - e Sorel o previra bem - era a Inteligência. É ela que merece as diatribes mais cruéis dos chefes e dos caudilhos. Para a vitória final, precisa-se acabar com a Inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como? Não é a classe média o principal agente dos movimentos espirituais? Sim, é, ou, melhor, foi. O século XIX, o século liberal, abre a todos todas as possibilidades. A educação superior é o caminho da ascensão. A preeminência da classe média no século XIX baseia-se na sua cultura universitária. Mas o século XX acaba com isso. O grande capitalismo precisa mais de exércitos de pequenos empregados do que de self-made men; as profissões liberais estão superlotadas; o movimento socialista repele os que resistem à proletarização e suas humilhações e privações. Privada dos privilégios da Inteligência, a classe média quebra furiosamente o instrumento, como uma criança quebra o brinquedo insubmisso. É uma criança, essa nova classe média; mas uma criança perigosa, cheia dos ressentimentos dos déclassés, furiosa contra os livros que já não sabe ler e cujas lições já não garantem a ascensão social. Está madura para a violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violência é o fenômeno "espiritual" central das novas classes médias e da nossa época; significa a determinação de empregar todas as armas, todas as que o esforço do espírito criou, para conseguir um fim material: a salvação social da classe. Não se admitem outros fins. Ridiculizam ou anatematizam todos os esforços independentes, desinteressados, do espírito. Admiram a especialização útil do "intelectual de profissão", e banem o humanismo do "professor". A violência anti-intelectualista das novas classes médias é, afinal, uma falta de educação, ou, antes, o fruto de uma falsa educação. Fruto da falsa idéia que as classes médias formavam da Universidade: da nova Universidade, que fornece exércitos de médicos, advogados e técnicos, em vez de "clercs", de uma elite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema capital do nosso tempo, o problema da elite, é, no fim das contas, um problema de pedagogia humanística. Existe mesmo, hoje, política que consiste na exterminação das elites pelas armas dos especialistas. E foi bem preparada: da diminuição das lições latinas, existe apenas um passo para a destruição dos livros e dos museus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado mais freqüente da moderna educação universitária é um decidido adeus aos livros. Mais tarde, combaterão as "línguas mortas" na escola. Enfim, declararão inútil todo o ensino secundário, com as suas idéias vagas e inúteis duma "cultura geral"; talvez toquem, com isso, no ponto nevrálgico da discussão. Todo o problema espiritual dos nossos dias é, pois, um problema de falta de educação humanística, um problema pedagógico; e todo o problema pedagógico dos nossos dias é um problema da escola específica das classes médias, da escola secundária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o regime escolar vigente em todos os países, sem exceção, a Universidade dedica-se ao ensino profissional superior, enquanto a "cultura geral" fica reservada ao ensino secundário, aos ginásios e aos liceus. Quer dizer: o ensino da cultura geral limita-se aos jovens de dez a dezoito anos. Depois, a "cultura" termina, e a medicina e a jurisprudência começam, sem nenhuma "cultura geral". Os conhecimentos do ensino secundário empalidecem, naturalmente, com o tempo; mas ainda há coisa pior: todo esse ensino de "cultura geral" é feito ao alcance de jovens de dez a dezoito anos: a história, a filosofia, a literatura, amoldadas ad usum Delphini, e forçosamente puerilizadas. E aí fica. Nunca mais o jovem médico ou engenheiro ouve falar em história, filosofia, literatura, exceto pela imprensa ou pelo rádio, que se colocam ao alcance do espírito das grandes massas, pueris por natureza. Resultado: um espírito artificialmente preservado no estado pueril com uma formação profissional superposta. Conheço bem as numerosas exceções que felizmente existem. Mas, em geral, estas massas graduadas se distinguem dos iletrados somente por uma autoridade profissional que as torna menos úteis que perigosas. Ainda uma vez cito Ortega y Gasset: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;La peculiarísima brutalidad y la agresiva estupidez con que se comporta un hombre, cuando sabe mucho de una cosa y ignora de raiz todas las demás&lt;/span&gt;" (O. c., p. 1291). Eles, porém, os iletrados, têm sempre razão, porque são muitos e ocupam um lugar de elite, esse "proletariado intelectual", sem dinheiro ou com ele, isso não importa. Julgam tudo, e tudo deles depende. Lêem os livros e decidem sobre os sucessos de livraria, criticam os quadros e as exposições, aplaudem e vaiam no teatro e nos concertos, dirigem as correntes das idéias políticas, e tudo isto com a autoridade que o grau acadêmico lhes confere. Em suma, desempenham o papel de elite. São osnouveaux maîtres, os señoritos arrogantes, graduados e violentos; e nós sofremos as conseqüências, amargamente, cruelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;We are entered in a race between education and catastrophe&lt;/span&gt;." Wells tem muita razão. Mas é de grande importância datar a desgraça. Esta catástrofe irrompeu sob o signo do progresso, e o progresso ilimitado, muito do gosto de um Wells, cavará mais profundamente o abismo. O verdadeiro caminho é a volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos mais uma vez "a disputa do medievalismo". Uma coisa fica, porém: a Universidade é uma criação da Idade Média. Todas as universidades medievais são, por princípio, instituições "clericais": elas formam os "clercs". O restabelecimento das universidades "clericais" é uma restauração de tradições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro ou cinco faculdades reunidas não constituem ainda uma universidade. Elas não criam esta "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;convivence of sciences, which forms a philosophical habit of mind&lt;/span&gt;", de que fala o cardeal Newman. Não se trata destas ciências ou daquelas profissões. Trata-se do espírito comum que as anima, do espírito filosófico, anti-utilitário, desinteressado, que as nossas universidades perderam, e que é a própria Idéia de Universidade. Derrubemos, pois, este estado de coisas. É ao ensino secundário que cabe o preparo do ensino profissional, dispensado nos hospitais e na magistratura. Em conclusão, é à Universidade que incumbe a formação do espírito da "clericatura".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos aos estudantes: o seu utilitarismo, mais perigoso que o das ciências, perdurará enquanto a freqüência das universidades for a chave para as posições de mando na sociedade. Verdadeiramente, o oposto deste utilitarismo é o desinteresse, no qual Newman via o espírito e a idéia de universidade, o espírito do clero universitário medieval que se sentia independente do mundo e somente responsável perante Deus. Sem tais padres o altar fica vazio e o culto abandonado. Poderia chegar o dia em que ninguém compreenderia mais as fórmulas nem os poemas, em que os quadros de Rembrandt seriam pedaços de tela e as partituras de Beethoven farrapos de papel; dia da barbaria, em que a história humana se transformaria, pela sucessão de desgraças, num formigueiro mal organizado. E este dia talvez já esteja mais próximo do que realmente pensamos. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Somos a última reserva, fiquemos conscientes disto." &lt;/span&gt;dizia Hugo Ball&lt;span style="font-style: italic;"&gt;. &lt;/span&gt;Fiquemos conscientes&lt;span style="font-style: italic;"&gt;, "dreading to leave an illiterate Ministery to the Churches, when our present Ministers shall lie in the dust&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.icones.com.br/astra/filo/classes.html"&gt;Icones.com.br&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/09/idia-de-universidade-e-as-idias-das.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-6095783304015843541</guid><pubDate>Tue, 02 Sep 2008 00:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-02-02T16:12:46.862-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Dom Bertrand</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">MST</category><title>Não há democracia no Brasil</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança esteve em Florianópolis para prestigiar a nomeação do procurador Gilberto Callado para a Academia Catarinense de Letras. Em entrevista na casa do procurador, onde ficou hospedado por dois dias, o príncipe falou sobre diversos temas da atualidade e da política brasileira como democracia, reforma agrária e economia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma das maiores ameaças à democracia, segundo D. Bertrand, são os conflitos agrários. O príncipe participa do Movimento &lt;a href="http://www.paznocampo.org.br/"&gt;Paz no Campo&lt;/a&gt;, que se opõe á Reforma Agrária, o que considera uma proposta inviável para o desenvolvimento do país. “Eu costumo desafiar a qualquer economista, sociólogo ou historiador, a enumerar uma reforma agrária na história do mundo que tenha dado certo”, aponta. “Não existe”. Segundo ele, os resultados desse tipo de reforma são a chamada favela rural. Para ele, os agricultores “vítimas” da reforma agrária feita até agora, só não morrem de fome por que o Governo compra alimentos dos produtores para fazer a cesta-básica. Para ele a solução do campo não está na reforma agrária, mas na iniciativa privada. “O Agronegócio criou em um ano 1,3 milhão de empregos, enquanto que a reforma assentou cerca de 40 mil famílias”, conta citando dados do Ministério da Agricultura sobre os anos de 2003 e 2004, apontados como a melhor safra. “O que cria emprego é a iniciativa privada”, conclui.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O príncipe Imperial aponta três princípios sócio econômicos que  “respeitados, a nação floresce, não respeitados, a nação fenece”, diz o monarca. Deles depende o desenvolvimento de um país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro diz respeito à livre iniciativa. “Sem ela, você inibe a capacidade criativa de um povo. A prova é o fracasso dos países socialistas”, explica. O segundo é o respeito ao direito de propriedade. “Segundo a doutrina social da Igreja, este é um direito natural”. Ele cita o papa Leão XIII que teria dado a definição melhor e mais clara do funcionamento da economia. “Propriedade e trabalho é igual a capital acumulado”. E explica em seguida. “Eu trabalho algo a mais do que necessita para o meu sustento. Dia após dia, eu acumulo este ‘algo a mais’, com isso formo meu capital, compro um carro, uma casa, formo minha empresa, o que for. Mas isso é meu. É fruto do meu trabalho”, exemplifica. “Se eu não sou dono do fruto do meu trabalho, sou um escravo do Estado. A garantia da liberdade é a propriedade privada”, conclui o príncipe acrescentando que esta é a doutrina social da Igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O último princípio, também defendido pela Igreja, que ele aponta estar repleto de exemplos pelo mundo, é o que ele chama de Princípio da Subsidiariedade. Segundo esta tese, o governo não deve dar ao povo nada do que o próprio povo não tenha a capacidade de conquistar. Uma clara orígem da chamada teoria do ‘Estado mínimo’ que restringe o papel do Estado para garantir maior liberdade ao cidadão. “No topo da pirâmide deve estar o governo da União. Pequeno, leve e ágil, capaz de indicar os grandes rumos”, explica. Ele considera que hoje temos uma pirâmide invertida, com um governo colossal, hipertrofiado. “A vitalidade de uma nação não vem de cima para baixo, vem de baixo para cima. É como uma planta que tira suas forças da terra fértil”, compara. “De cima deve vir o que? A indicação dos grandes rumos, o exemplo e a coordenação das forças”. Ele acrescenta ainda que todos estes problemas produzem um custo público absurdo e os serviços são péssimos."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fonte: Cristian Derosa - &lt;a href="http://linknacional.wordpress.com/2008/04/18/entrevista-dom-bertrand-parte-1-nao-ha-democracia-no-brasil/"&gt;Link Nacional&lt;br /&gt;
&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/09/no-h-democracia-no-brasil.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-604825343983400068</guid><pubDate>Fri, 01 Aug 2008 03:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-01T00:07:41.668-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">política</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Porcos</category><title>LOS CONTACTOS  DE LAS FARC</title><description>"LOS CONTACTOS  DE LAS FARC&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La expansión de las Farc en América Latina no solo incluyó a funcionarios de los gobiernos de Venezuela y Ecuador, sino que también comprometió a destacados dirigentes, políticos y altos miembros del Partido de los Trabajadores, al que pertenece el presidente Luis Inácio 'Lula' Da Silva. Además el grupo guerrillero mantuvo contactos con procuradores y jueces de Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- José Dirceu, ministro de la Presidencia.&lt;br /&gt;- Roberto Amaral, ex ministro de Ciencia.&lt;br /&gt;- Erika Kokay, diputada.&lt;br /&gt;- Gilberto Carvalho, jefe de Gabinete.&lt;br /&gt;- Celso Amorín, canciller.&lt;br /&gt;- Marco A. García, asesor Asuntos Internacionales.&lt;br /&gt;- Perly Cipriano, subsecretario Promoción DD.HH.&lt;br /&gt;- Paulo Vanucci, ministro Secretaría de DD.HH.&lt;br /&gt;- Selvino Heck, asesor presidencial."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.cambio.com.co/portadacambio/787/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR_CAMBIO-4418592.html"&gt;Revista Cambio&lt;/a&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/08/los-contactos-de-las-farc.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-7060785071589249984</guid><pubDate>Fri, 01 Aug 2008 02:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-01T00:07:03.936-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">política</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Porcos</category><title>El 'dossier' brasileño</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"No menos comprometedores son aquellos en los que aparecen mencionados algunos ministros. En uno de ellos, dirigido a 'Reyes' el 4 de junio de 2005 por un tal 'José Luis', figura el nombre del ministro de la Presidencia José Dirceo. "Llegó un joven de unos 30 años y se presentó como Breno Altman (dirigente del PT), me dijo que venía de parte del ministro de la Presidencia José Dirceo, que por motivos de seguridad ellos habían acordado que las relaciones no pasaran por la Secretaría de Relaciones Internacionales, sino que se hicieran directamente a través del ministro con la representación de Breno".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al final del mensaje, 'José Luis' dice que el Gobierno brasileño y el PT le darán protección a 'Medina' mientras avanza el trámite de la extradición: "Le repliqué (sic) si podíamos estar tranquilos, que no lo iban a secuestrar o a deportar a Colombia y me contestó: 'Pueden estar tranquilos' ". "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.cambio.com.co/portadacambio/787/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR_CAMBIO-4418592.html"&gt;Revista Cambio - El 'dossier' brasileño&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/07/el-dossier-brasileo.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-1752841723623463081</guid><pubDate>Sat, 28 Jun 2008 03:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-28T00:22:06.271-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">propaganda</category><title>Listerine</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A propaganda também é uma excelente ferramenta para criar a sabedoria convencional. O &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Listerine&lt;/span&gt;, por exemplo, foi inventado no século XIX como um eficiente anti-séptico cirúrgico. Mais tarde foi vendido, na forma destilada, para limpar o chão e curar gonorréia. Porém, só se tornou um sucesso retumbante, nos anos 20, quando foi louvado como solução para a "halitose crônica" - então um obscuro termo médico para mau hálito. Os novos anúncios do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Listerine&lt;/span&gt; mostravam jovens dos dois sexos, ansiosos para casar, mas que perdiam essa vontade diante do fétido hálito de seus parceiros. "Será que vou conseguir ser feliz com ele apesar disto'?", perguntava-se uma mocinha casadoira. Até então, não se convencionara achar o mau hálito uma catástrofe de tamanha monta, mas o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Listerine&lt;/span&gt; produziu uma mudança. Como escreveu o estudioso de propaganda James B. Twitchell: "O &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Listerine&lt;/span&gt; foi mais responsável por promover a halitose do que a higiene bucal." Em apenas sete anos, a receita da empresa subiu de $115 mil para mais de $8 milhões."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freakonomics - Steven D. Levitt&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/06/listerine.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-4730408114296135435</guid><pubDate>Mon, 23 Jun 2008 19:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-23T16:50:22.474-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">literatura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">poesia</category><title>REBELADO</title><description>"Ri tua face um riso acerbo e doente,&lt;br /&gt;que fere, ao mesmo tempo que contrista...&lt;br /&gt;Riso de ateu e riso de budista&lt;br /&gt;gelado no Nirvana impenitente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flor de sangue, talvez, e flor dolente&lt;br /&gt;de uma paixão espiritual de artista,&lt;br /&gt;flor de Pecado sentimentalista&lt;br /&gt;sangrando em riso desdenhosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da alma sombria de tranqüilo asceta&lt;br /&gt;bebeste, entanto, a morbidez secreta&lt;br /&gt;que a febre das insânias adormece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no teu lábio convulsivo e mudo&lt;br /&gt;mesmo até riem, com desdéns de tudo,&lt;br /&gt;as sílabas simbólicas da Prece!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruz e Sousa (1861 - 1898)</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/06/rebelado.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-8555354719386785897</guid><pubDate>Wed, 04 Jun 2008 00:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-09T18:41:47.775-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Audiobook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Gramsci</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Marxismo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ratzinger</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">teologia da libertação</category><title>Teologia da libertação</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A teologia da libertação pretende dar nova interpretação global do Cristianismo; explica o Cristianismo como uma práxis de libertação e pretende constituir-se, ela mesma, um guia para tal práxis. Mas, assim como, segundo essa teologia, toda realidade é política, também a libertação é um conceito político e o guia rumo à libertação deve ser um guia para a ação política."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Os teólogos da libertação continuam a usar grande parte da linguagem ascética e dogmática da Igreja em chave nova, de tal modo que aqueles que lêem e escutam, partindo de outra visão, podem ter a impressão de reencontrar o patrimônio antigo com o acréscimo apenas de algumas afirmações um pouco estranhas..."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;A fé em crise: o Cardeal Ratzinger se interroga - Ratzinger, Joseph&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para saber mais sobre teologia da libertação, sugiro o arquivo de áudio: &lt;a href="http://padrepauloricardo.org/wp-content/files_mf/1276871918TeologiadaLiberta%C3%A7%C3%A3o.zip"&gt;Cardeal Ratzinger e a Teologia da Libertação.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse arquivo, o Padre Paulo Ricardo comenta o texto do Cardeal Joseph Ratzinger a respeito da Teologia da Libertação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fonte: &lt;a href="http://www.padrepauloricardo.org/"&gt;Padre Paulo Ricardo&lt;/a&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/06/teologia-da-libertao.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-4039664497078276599</guid><pubDate>Thu, 08 May 2008 17:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-05-08T15:00:01.855-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">hitler</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">política</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Psicologia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">socialismo</category><title>Alguma semelhança com o Partidão brasileiro?</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Por essa razão é mais conveniente divulgar a idéia, pelo menos durante certo tempo, dentro de um determinado núcleo, para daí selecionar o material humano em condições de dirigir o movimento. Mais de uma vez se evidenciará que, nessa seleção, não devemos julgar pelas aparências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria, porém, inteiramente falso ver, em conhecimentos teóricos, provas de capacidade de direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contrário acontece frequentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande teórico é raramente um grande organizador, pois o valor do teórico consiste, em primeiro lugar, na noção e definição de leis abstratamente exatas, enquanto o organizador deve ser em primeiro lugar um &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;conhecedor da psicologia popular&lt;/span&gt;. Deve ver os homens como eles são na realidade. Não lhes deve dar demasiada importância nem depreciá-los no meio da massa. Ao contrário, deve ter em conta tanto a sua fraqueza como o seu aspecto instintivo, para, tomando em consideração todos os fatores, organizar uma força capaz de sustentar uma idéia e de garantir-lhe o sucesso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande teórico será raramente um líder. A um agitador é mais fácil possuir essas qualidades, apesar da oposição dos teóricos puros. Isso é perfeitamente compreensível. Um agitador capaz de comunicar uma idéia à grande massa, precisa conhecer a psicologia do povo, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;mesmo que ele não seja senão um demagogo&lt;/span&gt;. Mesmo nessa hipótese, ele será um líder mais apto do que o teórico desconhecedor da psicologia humana. Para ser chefe é preciso ter a capacidade para movimentar massas. A capacidade intelectual nada tem que ver com a capacidade de comando. Por isso, é completamente supérfluo discutir se há mais valor em criar idéias e finalidades do que em realizá-las. Aqui acontece o mesmo que em muitos outros casos: um não pode dispensar o outro. A mais bela doutrina não tem nem finalidade nem eficiência se o líder não consegue empolgar as massas. Por outro lado, de que utilidade seria a genialidade de um condutor de massas, se o teórico não indicasse as finalidades das lutas humanas? A existência, no mesmo indivíduo, do teórico, do organizador e do líder é o mais raro fenômeno deste mundo. Quando isso se dá trata-se de um gênio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dediquei-me, nos primeiros tempos da minha atividade partidária, à propaganda. Por essa propaganda dever-se-ia conseguir, pouco a pouco, um pequeno núcleo de indivíduos, convencidos da nova idéia, os quais formariam assim o material que, mais tarde, poderia fornecer os primeiros elementos de uma organização. Visávamos mais à propaganda do que a organização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um movimento tem como finalidade demolir uma situação existente para reconstruir, em seu lugar, um mundo novo, é preciso que os seus líderes estejam todos acordes sobre os seguintes princípios fundamentais: cada movimento deve dividir o stock humano conquistado para a causa em dois grandes grupos: adesistas e combatentes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adolf Hitler - Minha Luta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/05/alguma-semelhana-com-o-partido.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-7024113978649669644</guid><pubDate>Thu, 08 May 2008 17:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-05-08T14:33:22.998-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Dissonância Cognitiva</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Leon Festinger</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Psicologia</category><title>Manutenção de Crenças Inválidas</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"É muito difícil para pessoas correntemente sensíveis à realidade manterem crenças ou convicções que sejam claramente inválidas. Pelo termo "inválido" não entendo aqui uma crença que é possivelmente errada, e sim uma crença que foi e continua a ser direta e inequivocamente desconfirmada por boas provas, como os eventos reais que se impõem às pessoas que sustentam a crença. O que se descreveu na última frase corresponde, é claro, a uma dissonância cognitiva. Quando uma prova clara e inequivocamente desconfirmatória se impõe a uma pessoa, a cognição correspondente a esse conhecimento é dissonante com a crença ou convicção que ela sustenta. Quando existe semelhante estado de coisas, o modo mais usual e comum de eliminar a dissonância é rejeitar essa crença, em vez de tentar negar a evidência dos próprios sentidos. Por exemplo, se uma pessoa crê ser impossível que objetos mais pesados que o ar voem, ela rejeitará indubitavelmente essa crença ao ver um avião cruzando os céus — ou, pelo menos, depois de voar num.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há circunstâncias em que isso não acontece — isto é, mesmo em face de provas claramente desconfirmatórias, a crença não é rejeitada. Conta-se, por exemplo, haver jogadores que continuam a acreditar na validade de certos "sistemas" para ganhar na roleta, apesar de perdas contínuas usando esse tal sistema. Também se diz haver casos de cientistas que continuam a crer na validade de uma teoria, muito depois dela ter sido refutada por evidentes provas experimentais. Quais são, porém, as circunstâncias em que isso acontece — isto é, em que condições as tentativas de redução de dissonância se concentram em negar a evidência da realidade, em vez de rejeitar a crença? Como vimos no Capítulo 8, espera-se que isso aconteça nas seguintes circunstâncias: a crença é difícil de mudar e existe um suficiente número de pessoas com idêntica dissonância, pelo que o apoio social pode ser facilmente obtido."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Festinger, L. (1957). Theory of Cognitive Dissonance. Stanford: Stanford&lt;br /&gt;University Press&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/05/manuteno-de-crenas-invlidas.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-7449520325552026111</guid><pubDate>Wed, 16 Apr 2008 18:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-16T16:00:51.054-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Jorge Luis Borges</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Mario Vargas Llosa</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">poesia</category><title>Jorge Luis Borges, o grande personagem borgiano</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Depois da fama, alcançada nos anos 60, o escritor se tornou uma ilusão, um simulador&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A França comemorou o centenário de Borges (1899-1999) em grande estilo: números monográficos de revistas e suplementos literários, chuva de artigos, reedições de seus livros e, suprema glória para um escritor, seu ingresso na Pléiade, a biblioteca dos imortais, com dois volumes compactos e um álbum especial com imagens de toda a sua biografia. Na Academia de Belas Artes, transformada em labirinto, uma vasta exposição preparada por Maria Kodama e a Fundação Borges documenta cada passo que ele deu, desde o seu nascimento até sua morte, os livros que leu e escreveu, as viagens que fez e as infinitas condecorações e diplomas que lhe foram concedidos. No dia de abertura da exposição, segundo testemunhas locais, rutilavam luminares intelectuais e políticos e, acreditem ou não, algumas moças lindas vestiam camisetas pólo brancas e pretas estampadas com o nome de Borges.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum país desenvolveu melhor do que a França a arte de detectar o gênio artístico estrangeiro e apropriar-se dele, entronizando-o e irradiando-o. Vendo a exuberância e a felicidade com que os franceses celebram os cem anos do autor de Ficções, tive, nesses dias, a estranha sensação de que Borges foi patrício não de Sarmiento e Bioy Casares, mas de Saint-John Perse e Válery. Bem, mesmo que não tenha sido, é justo reconhecer que, sem o entusiasmo da França por sua obra, talvez ele não tivesse obtido - não tão depressa - o reconhecimento que, a partir dos anos 60, o converteu em um dos escritores mais traduzidos, admirados e imitados em todas as línguas cultas do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho a garridice de acreditar que fui testemunha do coup de foudre, o amor à primeira vista dos franceses por Borges, nos anos de 1960 e 1961. Vim a Paris para participar de uma homenagem a Shakespeare, organizada pela Unesco, e a intervenção deste ancião precoce e semi-inválido, a quem Roger Caillois apresentou com efervescência retórica, surpreendeu a todo o mundo. Antes dele haviam falado o engenhoso Lawrence Durrell, comparando o bardo a Hollywood, e depois Giuseppe Ungaretti, que leu, com talento histriônico, suas traduções para o italiano de alguns sonetos de Shakespeare.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a exposição feita por Borges em um francês polido, fantasiando por que alguns criadores se tornam símbolos de uma cultura - Dante, da italiana; Cervantes, da espanhola; Goethe, da alemã - e sobre como Shakespeare se eclipsou para que seus personagens fossem mais nítidos e livres, seduziu por sua originalidade e sutileza. Dias depois, sua conferência no Instituto da América Latina, além de ter lotado o salão, atraiu um grupo de escritores da moda, entre os quais se incluía Roland Barthes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela foi uma das palestras mais tocantes que já ouvi. O tema era a literatura fantástica. A palestra foi ilustrada com breves resumos de contos e novelas - de diversas línguas e épocas - , os recursos mais freqüentes de que este gênero se vale para "fingir a irrealidade". Imóvel atrás da tribuna, com uma voz intimidada, como se estivesse pedindo desculpas, mas, na verdade, com soberba desenvoltura, o conferencista parecia ter na memória a literatura universal e desenvolvia sua argumentação com elegância e astúcia. "Certamente este escritor vem do país dos gaúchos", exclamou um ouvinte maravilhado, enquanto aplaudia com entusiasmo (Borges havia posto ponto final na sua conferência com uma pergunta de efeito: "E, agora, decidam os senhores se pertencem à literatura realista ou à fantástica").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, ele vinha do país dos gaúchos, mas não tinha nada de exótico nem de primitivo, e sua obra não fazia alarde das cores locais. Já havia escrito várias obras-primas, mas ainda era conhecido só por pequenos grupos de admiradores, inclusive no seu país, e seus contos e ensaios circulavam em edições pouco menos que familiares. A França o tirou da catacumba em que ele enlanguecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucesso na França - Depois daquela visita, a revista L'Herne dedicou a ele um número memorável e Michael Foucault iniciou o livro de filosofia mais influente da década - Les Mots e les Choses - com um comentário borgeano. O entusiasmo foi ecumênico: de Le Figaro a Le Nouvel Observateur, de Les Temps Modernes, de Sartre, a Les Lettres Françaises, de Aragon. E, como ainda sucede atualmente em assuntos de cultura, quando a França legislava o resto do mundo obedecia. Os latino-americanos, os espanhóis, os norte-americanos, os italianos, os alemães, etc., começaram, na retaguarda dos franceses, a ler Borges. Assim começou a história que culmina, agora, com as trombetas e a pompa do centenário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Borges que, durante aquela visita a Paris, resignou-se a conceder uma entrevista (uma entre mil) ao obscuro jornalista da Radiotelevisão Francesa, que era este escriba, ainda não era esse Borges público, essa persona de gestos, palavras e atitudes um tanto estereotipados em que logo se converteria, obrigado pela fama e para se defender de seus estragos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era, contudo, um sensível e tímido intelectual portenho, apegado às saias da mãe, que não conseguia entender a crescente curiosidade e admiração que despertava, sinceramente incomodado pela enxurrada de prêmios, elogios, estudos, homenagens que lhe caiam em cima, embaraçado com a proliferação de discípulos e imitadores que encontrava onde quer que fosse. É difícil saber se ele chegou a acostumar-se com esse papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez sim, a julgar pelo desfile vertiginoso de fotos da exposição de Beaux Arts, nas quais ele é visto recebendo medalhas e homenagens e subindo a todas as tribunas para fazer palestras e recitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as aparências enganam. O Borges das fotografias não era ele, e sim, como o Shakespeare de seu ensaio, uma ilusão, um simulador, alguém que andava pelo mundo representando Borges e dizendo as coisas que se esperava que Borges dissesse sobre os labirintos, os tigres, os "compadritos", as facas, a rosa do futuro de Wells, o marinheiro cego de Stevenson e as Mil e Uma Noites. A primeira vez que falei com ele, naquela entrevista de 1960 ou 1961 (lembro-me de sua resposta a uma de minhas perguntas - "O que é a política para você, Borges?" : "Uma das formas do tédio"), estou seguro de que, pelo menos em algum momento, realmente falei, me conectei com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais voltei a ter essa sensação nos anos seguintes. Eu o vi muitas vezes, em Londres, Buenos Aires, Nova York, Lima, e voltei a entrevistá-lo, e até o recebi em minha casa por várias horas na última vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas em nenhuma dessas ocasiões senti que conversávamos. Ele já tinha apenas ouvintes, não interlocutores, e talvez um só ouvinte - que mudava de rosto, de nome e de lugar - diante do qual ia desfiando um monólogo curioso, interminável, atrás do qual se havia recolhido ou enterrado para fugir dos demais e até da realidade, como um de seus personagens. Ele era o homem mais homenageado do mundo e dava uma tremenda impressão de solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucidez - Os franceses o fizeram mais feliz, ou menos infeliz, tornando-o famoso? Não há meios de saber isso. Mas tudo indica que, contrariamente ao que poderiam sugerir as atitudes de sua persona pública, ele carecia de vaidades terrenas. Tinha dúvidas genuínas sobre a perenidade de sua própria obra e era demasiadamente lúcido para sentir-se cumulado de reconhecimentos oficiais. Provavelmente, só teve prazer lendo, pensando e escrevendo; o resto foi secundário, e ele se prestou a isso graças à boa criação recebida, salvando muito bem as aparências, embora sem muita convicção. Por isso, aquela famosa frase que escreveu (ele foi, entre outras coisas, o melhor escritor de frases de seu tempo) -"Li muitas coisas e vivi poucas" - o retrata de corpo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que, apesar de ter passado os últimos 20 anos de sua vida em meio a multidões, Borges nunca chegou a ter consciência cabal da enorme influência de sua obra sobre a literatura de seu tempo, e ainda menos da revolução que a sua maneira de escrever significou para a língua castelhana. O estilo de Borges é inteligente e límpido, de uma concisão matemática, de adjetivos audazes e idéias insólitas, no qual, como não sobra nem falta nada, deparamos, a cada passo, com esse mistério inquietante que é a perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariando algumas de suas afirmações pessimistas sobre a incapacidade do espanhol para a precisão e o matiz, o estilo que ele criou demonstra que a língua espanhola pode ser tão exata e delicada quanto a francesa, tão flexível e inovadora como a inglesa. O estilo borgiano é um dos milagres estéticos do século que termina, um estilo que desinflou a língua espanhola da elefantíase retórica, da ênfase e da reiteração que a asfixiavam; que a depurou até quase a anorexia e a obrigou a ser luminosamente inteligente. (Para encontrar outro prosista tão inteligente como ele é preciso retroceder até Quevedo, escritor que Borges amou e do qual fez uma preciosa antologia comentada.) Pois bem, na prosa de Borges, por excesso de razão e de idéias, de contenção intelectual, há, também, como na de Quevedo, algo de desumano. É uma prosa que lhe serviu maravilhosamente para escrever seus fulgurantes relatos fantásticos, a ourivesaria de seus ensaios que transmutavam em literatura toda a existência, e seus poemas arrazoados. Mas com sua prosa seria tão impossível escrever novelas como com a de T.S. Elliot, outro extraordinário estilista cujo excesso de inteligência também entremeou sua percepção da vida. Porque a novela é o território da experiência humana totalizada, da vida integral, da imperfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nela se mesclam o intelecto e as paixões, o conhecimento e o instinto, a sensação e a intuição, a matéria desigual e poliédrica que as idéias, por si sós, não bastam para expressar. Por isso, os grandes novelistas nunca são prosadores perfeitos. Esta é, sem dúvida, a razão da antipatia pertinaz que Borges sentia pelo gênero novelesco, que definiu, em outra de suas frases célebres, como "desvario laborioso e empobrecedor".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As brincadeiras e o humor sempre rondaram seus textos e suas declarações e causaram inúmeros mal-entendidos. Quem carece de senso de humor não entende Borges. Ele foi um esteta provocador, na sua juventude. Embora logo depois tenha-se retratado pelo "equívoco radical" (falava em "equivocación ultraísta") dos anos de sua mocidade, nunca deixou de levar consigo, escondido, o insolente vanguardista que se divertia soltando impertinências. Estranha-me que entre os infinitos livros que foram publicados sobre ele não tenha aparecido nenhum que reúna uma boa coleção das impertinências que disse - como chamar Lorca de "um andaluz profissional", falar do "poeirento Machado", alterar o título de uma novela de Mallea (Todo Leitor Perecerá) e homenagear Sábato dizendo que sua obra "pode ser posta em mãos de qualquer um sem nenhum perigo". Durante a Guerra das Malvinas, disse outra frase, mais arriscada e não menos divertida: "Esta é a disputa dos calvos por um pente." São faíscas de humor que mostram gratidão, que revelam que no interior desse ser "corrompido pela literatura" havia picardia, malícia, vida."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mario Vargas Llosa - Estado de São Paulo - 19.06.1999&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/04/jorge-luis-borges-o-grande-personagem.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-1142706752954390725</guid><pubDate>Wed, 16 Apr 2008 18:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-16T15:51:19.150-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Download de livros</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">poesia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Rimbaud</category><title>Nossa jovem miséria</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A cidade, com suas fumaças e ruídos de ofícios, nos seguia tão longe nos caminhos. Ó outro mundo, morada abençoada por céu e sombras ! O vento Sul me fez lembrar miseráveis incidentes de infância, meus desesperos de verão, a horrível quantidade de força e de ciência que o destino sempre afastou de mim. Não! não passaremos o verão neste país mesquinho onde nada mais seremos que noivos órfãos. Quero que este braço teso não arraste mais uma imagem querida."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arthur Rimbaud&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baixe o livro: &lt;a href="http://www.4shared.com/file/27065018/79260767/Arthur_Rimbaud_-__Iluminuras.html?s=1"&gt;Arthur Rimbaud - Illuminuras&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://4shared.com"&gt;4Shared&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/04/nossa-jovem-misria.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-6272939977966155403</guid><pubDate>Sun, 06 Apr 2008 23:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-07T13:36:37.802-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Olavo de Carvalho</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">política</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Videos</category><title>Corão como pretexto</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O vídeo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fitna the movie&lt;/span&gt; de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Geert Wilders&lt;/span&gt; apresenta uma visão rasa sobre o Islã. O vídeo causou bastante barulho durante a semana e foi bloqueado em vários sites em todo o mundo. Porém, é um vídeo oportunista e que em nenhum momento mostra como a religião é utilizada por grupos específicos para criar a idéia de guerra entre religiões.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;embed style="width: 550px; height: 476px;" id="VideoPlayback" type="application/x-shockwave-flash" src="http://video.google.com/googleplayer.swf?docId=3369102968312745410&amp;amp;hl=en" flashvars="flashvars"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O radicalismo islâmico, obra de intelectuais muçulmanos de formação européia, e que remonta à década de 30, está para o Islã tradicional como a “teologia da libertação” está para o cristianismo. Ele esvazia a tradição islâmica de seu conteúdo espiritual e o transmuta na fórmula ideológica da revolução mundial. (O presidente Bush, que nossos intelectuais semi-analfabetos fingem desprezar como um caipirão, compreendeu perfeitamente esse ponto e por isso recusou com veemência a proposta indecente de dar à guerra contra o terrorismo a conotação de uma cruzada antiislâmica.)"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/"&gt;Olavo de Carvalho&lt;/a&gt; O Globo, 22 de março de 2003 - &lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/semana/03222003globo.htm"&gt;Guerra e império&lt;/a&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/04/coro-como-pretexto.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-925967219569031126</guid><pubDate>Fri, 04 Apr 2008 01:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-03T22:23:48.670-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Aristóteles</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">literatura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Northrop Frye</category><title>PRIMEIRO ENSAIO CRÍTICA HISTÓRICA: TEORIA DOS MODOS</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"MODOS DA FICÇÃO: PREÂMBULO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No capítulo segundo da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Poética&lt;/span&gt;, Aristóteles fala das diferenças nas obras de ficção, causadas pelas diferentes posições das personagens. Nalgumas ficções, diz ele, as personagens são melhores do que nós, em outras piores, em outras ainda ficam no mesmo plano. Esta passagem não tem recebido muita atenção por parte dos críticos modernos, pois a importância que Aristóteles atribui à bondade e à maldade parece indicar uma visão, até certo ponto, estreitamente moralística da literatura. As palavras de Aristóteles para bom e mau, contudo, são &lt;span style="font-style: italic;"&gt;spoudaios&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;phaülos&lt;/span&gt;, que têm um sentido figurado de "importante" e "sem importância". Nas ficções literárias o enredo consiste em alguém fazer alguma coisa. O alguém, se indivíduo, é o herói, e a alguma coisa que ele faz ou deixa de fazer é o que ele pode fazer ou podia ter feito, no plano dos pressupostos estabelecidos, para ele, pelo autor, e das conseqüentes expectativas da audiência. As ficções, portanto, podem ser classificadas, não moralmente, mas pela força de ação do herói, que pode ser maior do que a nossa, menor ou mais ou menos a mesma. Assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Se superior em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;condição&lt;/span&gt; tanto aos outros homens como ao meio desses outros homens, o herói é um ser divino, e a estória sobre ele será um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mito&lt;/span&gt;, no sentido comum de uma estória sobre um deus. Tais estórias ocupam um lugar importante em literatura, mas como regra situam-se fora das categorias literárias normais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Se superior em grau aos outros homens e seu meio, o herói é o típico herói da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estória&lt;/span&gt; romanesca, cujas ações são maravilhosas, mas que em si mesmo é identificado como um ser humano. O herói da estória &lt;span style="font-style: italic;"&gt;romanesca&lt;/span&gt; move-se num mundo em que as leis comuns da natureza se suspendem ligeiramente: prodígios de coragem e persistência, inaturais para nós, são naturais para ele, e armas encantadas, animais que falam, gigantes e feiticeiras pavorosos, bem como talismãs de miraculoso poder, não violam regra alguma de probabilidade, uma vez que os pressupostos da estória romanesca foram fixados. Aqui passamos do mito propriamente dito para a lenda, o conto popular, o mãrchen e suas filiações e derivados literários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Se superior em grau aos outros homens, mas não a seu meio natural, o herói é um líder. Tem autoridade, paixões e poderes de expressão muito maiores do que os nossos, mas o que ele faz sujeita-se tanto à crítica social como à ordem da natureza. Esse é o herói do modo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;imitativo elevado&lt;/span&gt;, da maior parte da epopéia e da tragédia, e é fundamentalmente a espécie de herói que Aristóteles tinha em mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Não sendo superior aos outros homens e seu meio, o herói é um de nós: reagimos a um senso de sua humanidade comum, e pedimos ao poeta os mesmos cânones de probabilidade que notamos em nossa experiência comum. Isso nos dá o herói do modo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;imitativo baixo&lt;/span&gt;, da maior parte da comédia e da ficção realística. "Elevado" e "baixo" não têm conotações de valor comparativo, mas são puramente diagramáticos, como "high" e "low" o são, quando se referem aos críticos bíblicos ou aos anglicanos. Neste plano, a dificuldade de manter a palavra "herói", que tem um sentido mais limitado nos modos precedentes, ocasionalmente impressiona algum autor. Assim Thackeray sente-se obrigado a chamar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vanity Fair&lt;/span&gt; um romance sem herói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Se inferior em poder ou inteligência a nós mesmos, de modo que temos a sensação de olhar de cima uma cena de escravidão, malogro ou absurdez, o herói pertence ao modo irônico. Isso é verdade mesmo quando o leitor sente que está ou podia estar na mesma situação, pois a situação está sendo julgada com maior independência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Examinando esse rol, podemos ver que a ficção européia, durante os últimos quinze séculos, desceu constantemente seu centro de gravidade, lista abaixo. No período da literatura pré-medieval, prende-se ela estreitamente aos mitos cristãos, clássicos tardios, célticos ou teutônicos. Se o cristianismo não tivesse sido tanto um mito importado como um devorador de rivais, essa fase da literatura ocidental seria mais fácil de isolar. Na forma em que a possuímos, sua maior parte já passou para a categoria da estória romanesca. A estória romanesca divide-se em duas formas principais: uma forma secular, que trata da cavalaria e do paladinismo, e uma forma religiosa, devotada às lendas de santos. Ambas apóiam-se pesadamente em miraculosas violações da lei natural, para beneficiar-se como estórias. As ficções romanescas dominam a literatura até o culto do príncipe e do cortesão, no Renascimento, trazer ao primeiro plano o modo imitativo elevado. As características desse modo são clarissimamente vistas nas espécies do drama, particularmente na tragédia, e na epopéia nacional. Depois, um novo tipo de cultura da classe média introduz o imitativo baixo, que, na literatura inglesa, predomina do tempo de Defoe até o fim do século XIX. Na literatura francesa, começa e termina cerca de cinqüenta anos antes. Durante os últimos cem anos, a ficção mais séria tendeu crescentemente a ser do modo irônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo da mesma progressão pode ser também acompanhado na literatura clássica, de forma grandemente reduzida. Onde uma religião é mitológica e politeísta, onde há corporificações promíscuas, heróis deificados e reis de descendência divina, onde o mesmo adjetivo "divino" pode ser aplicado a Zeus ou a Aquiles, dificilmente se poderá separar completamente as faixas mítica, romanesca e imitativa elevada. Onde a religião é teológica e acentua uma divisão pronunciada entre as naturezas divina e humana, o romanesco se isola mais claramente, como se vê nas lendas da cavalaria e da santidade cristãs, nas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mil e Uma Noites&lt;/span&gt; muçulmanas, nas estórias dos juízes e dos profetas taumaturgos de Israel. Semelhantemente, a incapacidade do mundo clássico, de livrar-se do líder divino, em seu período tardio, tem muito em comum com o desenvolvimento imaturo dos modos imitativo baixo e irônico, que mal se iniciaram com a sátira romana. Ao mesmo tempo, a instituição do modo imitativo elevado, o desenvolvimento de uma tradição literária com o sentido coerente, dentro dela, de uma ordem da natureza, é uma das grandes façanhas da civilização grega. A ficção oriental, tanto que eu saiba, não se afasta muito das fórmulas mítica e romanesca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuidaremos aqui principalmente das cinco épocas da literatura ocidental, como atrás demarcadas, usando paralelos clássicos apenas incidentalmente. Em cada modo será útil uma distinção entre a literatura ingênua e a exigente. A palavra "ingênuo", tomo-a do ensaio de Schiller sobre a poesia ingênua e sentimental: quero dizer com ela, contudo, primitivo ou popular, enquanto em Schiller soa um tanto mais como clássico. A palavra "sentimental" também significa algo mais em inglês, mas não temos bastantes termos críticos genuínos para prescindir dela. Com aspas, portanto, "sentimental" se refere a uma recriação posterior de um modo mais antigo. Assim o Romantismo é uma forma "sentimental" do romanesco, e o conto de fadas, na maior parte, uma forma "sentimental" do conto popular. Há também uma distinção geral entre ficções nas quais o herói se isola de sua sociedade, e ficções nas quais ele se incorpora nela. Esta distinção é exprimida pelas palavras "trágico" e "cômico", quando se referem a aspectos do enredo em geral e não simplesmente a formas de drama."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FRYE, Northrop. Anatomia da Crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/04/primeiro-ensaio-crtica-histrica-teoria.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-6203750832726145109</guid><pubDate>Sat, 29 Mar 2008 03:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-29T01:04:43.099-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">arte</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Mário Ferreira dos Santos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">política</category><title>COMO SURGEM OS "ISMOS..."</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Os ismos são sempre formas viciosas. O excesso de fidelidade ao objeto cria o realismo; à impressão, o impressionismo; à expressão, o expressionismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as formas viciosos conhecem graus; são mais ou menos viciosas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como atravessamos no Ocidente uma fase histórica que se caracteriza pelas especializações, o espírito do especialista, que é sempre um espírito abstrato, penetrou na própria arte que conhece especializações, que se sectariza, que se separa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos distinguir três graus de sectarização, de particularismo, de especialismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Quando se dá mais valor, isto é, quando se dá a ênfase de valor a um valor, que predomina sobre os outros, que continuam, no entanto, tendo presença atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, no realismo, há presença de um valor objetivo mais acentuado que os outros, que continuam presentes na obra de arte. No simbolismo, o valor simbólico é predominante, mas outros continuam ainda presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Exageração do valor atualizado, ao qual se dá ênfase, com enfraquecimento crescente dos outros valores e já com ausência de alguns invariantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos o exemplo do expressionismo, que valoriza exageradamente a expressão, e reduz outros valores ao mínimo e não oferece até a presença de muitos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Exageração máxima do valor atualizado (ênfase total), com ausência de quase todos os outros valores. Ex. no abstracionismo, que afasta outros valores para acentuar exageradamente um ou alguns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É natural que os cultores dessas fases justifiquem com palavras a sua atitude. Uma revisão do pensamento humano nos mostra que, com palavras, a inteligência humana é capaz de justificar todas as deformações. Basta que examinemos o pensamento político para que vejamos com que clareza se verifica a deformação dos raciocínios para servirem aos interesses deste ou daquele grupo, desta ou daquela atitude.   Na arte se verifica o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vemos, por exemplo, belas exposições teóricas, argumentos eloqüentes para justificar uma atitude artística. Quando em face dos fatos, permanecemos espantados. É que os frutos não correspondem à árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas realizações artísticas são meros partos da montanha : ridículos ratos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não seria possível aqui mostrar as discussões que se dão entre as diversas correntes, escolas e atitudes artísticas, pois ultrapassa os limites desta obra. No entanto, quase todas se consideram a verdadeira e fora das quais não há salvação, caindo num dogmatismo ridículo e verbalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretendemos apenas dar ao leitor uma capacidade criteriosa de apreciação, que o capacite a penetrar com equilíbrio na contemplação de uma obra de arte, e que o impeça de cair nos exageros tão comuns, próprios de nossa época de confusão, e que desaparecerão com ela."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário Ferreira dos Santos - Convite à estética&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/03/como-surgem-os-ismos.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-7076281885264458978</guid><pubDate>Mon, 24 Mar 2008 23:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-24T21:03:04.424-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Download de livros</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Nelson Rodrigues</category><title>Os admiradores corrompem</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"- O brasileiro não está preparado para ser "o maior do mundo" em coisa nenhuma. Ser "o maior do mundo" em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Outro dia ouvi um pai dizer, radiante: — "Eu vi pílulas anticoncepcionais na bolsa da minha filha de doze anos!". Estava satisfeito, com o olho rútilo. Veja você que paspalhão!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baixe: &lt;a href="http://www.4shared.com/file/26968444/79fc9574/Nelson_Rodrigues_Coletanea.html"&gt;Coletânea Nelson Rodrigues&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://4shared.com/"&gt;4Shared&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conteúdo:&lt;br /&gt;O beijo no asfalto / Lua de Mel / Misericórdia&lt;br /&gt;Mudança / Novo parto / O amor imortal&lt;br /&gt;Frases / O beijo / O canalha&lt;br /&gt;Obsessão / A festa / O medo&lt;br /&gt;O decote / O Pai / A esposa&lt;br /&gt;Pecadora / A filha / O defunto&lt;br /&gt;O desgraçado / O idilio / O Pediatra&lt;br /&gt;O velho / O vestido de noiva / Os noivos&lt;br /&gt;Problema matrimonial / Sofrimento / Teoria&lt;br /&gt;Um dia sem assaltos / O inocente / O ladrão&lt;/div&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/03/os-admiradores-corrompem.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4338565091060815679.post-4210999389352278135</guid><pubDate>Wed, 19 Mar 2008 13:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-19T10:05:16.482-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">arte</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Mario Vargas Llosa</category><title>CACA DE ELEFANTE</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por MARIO VARGAS LLOSA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En Inglaterra, aunque usted no lo crea, todavía son posibles los escándalos artísticos. La muy respetable Royal Academy of the Arts, institución privada que se fundó en 1768 y que, en su galería de Mayfair suele presentar retrospectivas de grandes clásicos, o de modernos sacramentados por la crítica, protagoniza en estos días uno que hace las delicias de la prensa y de los filisteos que no pierden su tiempo en exposiciones. Pero, a ésta, gracias al escándalo, irán en masa, permitiendo de este modo -no hay bien que por mal no venga- que la pobre Royal Academy supere por algún tiempito más sus crónicos quebrantos económicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¿Fue con este objetivo en mente que organizó la muestra Sensación, con obras de jóvenes pintores y escultores británicos de la colección del publicista Charles Saatchi? Si fue así, bravo, éxito total. Es seguro que las masas acudirán a contemplar, aunque sea tapándose las narices, las obras del joven Chris Ofili, de 29 años, alumno del Royal College of Art, estrella de su generación según un crítico, que monta sus obras sobre bases de caca de elefante solidificada. No es por esta particularidad, sin embargo, por la que Chris Ofili ha llegado a los titulares de los tabloides, sino por su blasfema pieza Santa Virgen María, en la que la madre de Jesús aparece rodeada de fotos pornográficas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No es este cuadro, sin embargo, el que ha generado más comentarios. El laurel se lo lleva el retrato de una famosa infanticida, Myra Hindley, que el astuto artista ha compuesto mediante la impostación de manos pueriles. Otra originalidad de la muestra resulta de la colaboración de Jack y Dinos Chapman; la obra se llama Aceleración Zygótica y, ¿cómo indica su título?, despliega a un abanico de niños andróginos cuyas caras son, en verdad, falos erectos. Ni qué decir que la infamante acusación de pedofilia ha sido proferida contra los inspirados autores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Si la exposición es verdaderamente representativa de lo que estimula y preocupa a los jóvenes artistas en Gran Bretaña, hay que concluir que la obsesión genital encabeza su tabla de prioridades. Por ejemplo, Mat Collishaw ha perpetrado un óleo describiendo, en un primer plano gigante, el impacto de una bala en un cerebro humano; pero lo que el espectador ve, en realidad, es una vagina y una vulva. ¿Y qué decir del audaz ensamblador que ha atiborrado sus urnas de cristal con huesos humanos y, por lo visto, hasta residuos de un feto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lo notable del asunto no es que productos de esta catadura lleguen a deslizarse en las salas de exposiciones más ilustres, sino que haya gentes que todavía se sorprendan por ello. En lo que a mí se refiere, yo advertí que algo andaba podrido en el mundo del arte hace exactamente treinta y siete años, en París, cuando un buen amigo, escultor cubano, harto de que las galerías se negaran a exponer las espléndidas maderas que yo le veía trabajar de sol a sol en su chambre de bonne, decidió que el camino más seguro hacia el éxito en materia de arte, era llamar la atención. Y, dicho y hecho, produjo unas `esculturas' que consistían en pedazos de carne podrida, encerrados en cajas de vidrio, con moscas vivas revoloteando en torno. Unos parlantes aseguraban que el zumbido de las moscas resonara en todo el local como una amenaza terrífica. Triunfó, en efecto, pues hasta una estrella de la Radio-Televisión Francesa, Jean-Marie Drot, le dedicó un programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La más inesperada y truculenta consecuencia de la evolución del arte moderno y la miríada de experimentos que lo nutren es que ya no existe criterio objetivo alguno que permita calificar o descalificar una obra de arte, ni situarla dentro de una jerarquía, posibilidad que se fue eclipsando a partir de la revolución cubista y desapareció del todo con la no figuración. En la actualidad todo puede ser arte y nada lo es, según el soberano capricho de los espectadores, elevados, en razón del naufragio de todos los patrones estéticos, al nivel de árbitros y jueces que antaño detentaban sólo ciertos críticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El único criterio más o menos generalizado para las obras de arte en la actualidad no tiene nada de artístico; es el impuesto por un mercado intervenido y manipulado por mafias de galeristas y marchands y que de ninguna manera revela gustos y sensibilidades estéticas, sólo operaciones publicitarias, de relaciones públicas y en muchos casos simples atracos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hace más o menos un mes visité, por cuarta vez en mi vida (pero ésta será la última), la &lt;a href="http://www.latinartmuseum.com/venecia.htm"&gt;Bienal de Venecia&lt;/a&gt;. Estuve allí un par de horas, creo, y al salir advertí que a ni uno solo de todos los cuadros, esculturas y objetos que había visto, en la veintena de pabellones que recorrí, le hubiera abierto las puertas de mi casa, aunque me lo suplicaran de rodillas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El espectáculo era tan aburrido, farsesco y desolador como la exposición de la Royal Academy, pero multiplicado por cien y con decenas de países representados en la patética mojiganga, donde, bajo la coartada de la modernidad, el experimento, la búsqueda de "nuevos medios de expresión", en verdad se documentaba la terrible orfandad de ideas, de cultura artística, de destreza artesanal, de autenticidad e integridad que caracteriza a buena parte del quehacer plástico en nuestros días.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde luego, hay excepciones. Pero, no es nada fácil dectectarlas, porque, a diferencia de lo que ocurre con la literatura, campo en el que todavía no se han desmoronado del todo los códigos estéticos que permiten identificar la originalidad, la novedad, el talento, la desenvoltura formal o la ramplonería y el fraude y donde existen aún -¿por cuánto tiempo más?- casas editoriales que mantienen unos criterios coherentes y de alto nivel, en el caso de la pintura es el sistema el que está podrido hasta los tuétanos, y muchas veces los artistas más dotados y auténticos no encuentran el camino del público por ser insobornables o simplemente ineptos para lidiar en la jungla deshonesta donde se deciden los éxitos y fracasos artísticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pocas cuadras de la Royal Academy, en Trafalgar Square, en el pabellón moderno de la National Gallery, hay una pequeña exposición que debería ser obligatoria para todos los jóvenes de nuestros días que aspiran a pintar, esculpir, componer, escribir o filmar. Se llama Seurat y los bañistas y está dedicada al cuadro Los bañistas de Asniéres, uno de los dos más famosos que aquel artista pintó (el otro es Un domingo en La Grande Jatte), entre 1883 y 1884.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aunque dedicó unos dos años de su vida a aquella extraordinaria tela, en los que, como se advierte en la muestra, hizo innumerables bocetos y estudios del conjunto y los detalles del cuadro, en verdad la exposición prueba que toda la vida de Seurat fue una lenta, terca, insomne, fanática preparación para llegar a alcanzar aquella perfección formal que plasmó en esas dos obras maestras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En Los bañistas de Asniéres esa perfección nos maravilla -y, en cierto modo, abruma- en la quietud de las figuras que se asolean, bañan en el río, o contemplan el paisaje, bajo aquella luz cenital que parece estar disolviendo en brillos de espejismo el remoto puente, la locomotora que lo cruza y las chimeneas de Passy. Esa serenidad, ese equilibrio, esa armonía secreta entre el hombre y el agua, la nube y el velero, los atuendos y los remos, son, sí, la manifestación de un dominio absoluto del instrumento, del trazo de la línea y la administración de los colores, conquistado a través del esfuerzo; pero, todo ello denota también una concepción altísima, nobilísima, del arte de pintar, como fuente autosuficiente de placer y como realización del espíritu, que encuentra en su propio hacer la mejor recompensa, una vocación que en su ejercicio se justifica y ensalza. Cuando terminó este cuadro, Seurat tenía apenas 24 años, es decir, la edad promedio de esos jóvenes estridentes de la muestra Sensación de la Royal Academy; sólo vivió seis más. Su obra, brevísima, es uno de los faros artísticos del siglo XIX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La admiración que ella nos despierta no deriva sólo de la pericia técnica, la minuciosa artesanía, que en ella se refleja. Anterior a todo eso y como sosteniéndolo y potenciándolo, hay una actitud, una ética, una manera de asumir la vocación en función de un ideal, sin las cuales es imposible que un creador llegue a romper los límites de una tradición y los extienda, como hizo Seurat. Esa manera de `elegirse artista' parece haberse perdido para siempre entre los jóvenes impacientes y cínicos de hoy que aspiran a tocar la gloria a como dé lugar, aunque sea empinándose en una montaña de mierda paquidérmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mario Vargas Llosa, 1997.&lt;br /&gt;Derechos reservados por el autor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.latinartmuseum.com/mario_vargas_llosa.htm"&gt;Latin Art Museum&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://atravessadorliterario.blogspot.com/2008/03/caca-de-elefante.html</link><author>noreply@blogger.com (Atravessador Literário)</author><thr:total>1</thr:total></item></channel></rss>