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	<description>Um espaço dedicado à Comunicação, às Constelações e à Tecnologia</description>
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		<title>Perguntas e Respostas</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 22:49:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
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		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[perguntas]]></category>
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		<description><![CDATA[No que vivo e no que leio encontro sempre dois tipos de pessoas que também são os dois bernardos que conheço e com quem vivo. O que aprecia as respostas e o que gostas das perguntas.
O das respostas está sempre a querer explicar tudo, a querer ajudar, a querer dizer certo ou errado. Para ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No que vivo e no que leio encontro sempre dois tipos de pessoas que também são os dois bernardos que conheço e com quem vivo. O que aprecia as respostas e o que gostas das perguntas.</p>
<p>O das respostas está sempre a querer explicar tudo, a querer ajudar, a querer dizer certo ou errado. Para ele tem sempre que existir uma solução, uma verdade qualquer metafísica, uma preciosidade lógico-matemática. Esse bernardo, e essas pessoas, estão sempre há procura das respostas, não sobrevivem na dúvida, e quer corra bem ou mal, precisam sempre de escolher e decidir. Temem esse instante.</p>
<p>O outro bernardo, e o outro tipo de pessoas, viva pelo prazer da pergunta. Esse sabe que é a pergunta que lança o mote, é a pergunta que define o ritmo, a cadência, é a pergunta que faz dançar ou ficar. Essas pessoas vivem da pergunta e do que o que pensam sobre ela ou sentem lhes transmite e permite construir. Vivem dessa interrogação e da procura de novas interrogações que lhes dêem prazer.</p>
<p>Sou principalmente um homem de perguntas, e por isso esse é o bernardo que teima em triunfar nestas bandas. E assim é o que escrevo, não pelo prazer das respostas, mas pelo prazer de partilhar as perguntas. É maravilhoso olhar para o que me escrevem e perceber tantas vezes se os comentários são perguntas ou respostas, se são sintonias ou conclusões.</p>
<p>Amanhã chego a Lisboa cheio de perguntas ainda e sempre.</p>
<p>E espero por vocês aqui do meu lado, com mais perguntas, ou com mais respostas ou apenas porque sim.</p>
<p>Obrigado</p>
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		<title>Olhos para que te quero</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 20:46:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
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		<category><![CDATA[Olhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, no MSN, troquei umas palavras com a minha querida amiga M.F. e acabámos por ir parar aos olhos, olhões e olhar. Ela partilhou comigo a sua história e eu a minha.
Devia ter 8 ou 9 anos, e estava com a minha mãe a caminho de casa, a pé. Connosco ia outra mãe, e uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, no MSN, troquei umas palavras com a minha querida amiga M.F. e acabámos por ir parar aos olhos, olhões e olhar. Ela partilhou comigo a sua história e eu a minha.</p>
<p>Devia ter 8 ou 9 anos, e estava com a minha mãe a caminho de casa, a pé. Connosco ia outra mãe, e uma miúda que devia ter 6 ou 7 anos. Não me lembro bem da idade, mas lembro-me que era mais velho. Ela olhando para os meus olhos pergunta-me: Comes muitas cenouras? Lembro-me que na altura a pergunta me fez muita confusão. Principalmente porque não gostava de cenoura. Nem cozida, nem crua. Ela continuou: É que com uns olhos lindos como os teus só podes comer muitas cenouras.</p>
<p>Gosto de olhos, e gosto dos meus, muito. Acho que são reveladores da confusão que anda aqui por dentro. Um pouco tristes, mas nisso também são sinceros. Fundos, grandes e tristes.</p>
<p>Adoro também olhos. Talvez porque sejam espelhos da alma. E não é tanto a cor, o formato, o tamanho, mas sim a profundidade. Quando olho para alguém e ao olhar nos olhos vejo um mundo, um universo de sentidos, sentimentos, aventuras, paixões e de dúvidas, então fico apaixonado.</p>
<p>Fico apaixonado pela vida, pela alma, pelas pessoas.</p>
<p>Continuo com esta visão romântica do mundo e das pessoas. E a facilidade com que me entram por aqui adentro e ocupam o seu lugar.</p>
<p>E ainda por cima devem comer muitas cenouras. Como a minha amiga M.F.</p>
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		<title>Doí-me o Coração</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 20:05:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Coração]]></category>
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		<description><![CDATA[Tenho o coração partido. Não o sei explicar melhor. Uma parte imensa de mim quer voltar. Quer abraçar de volta o que deixou em Portugal. A companheira, amante, mulher, a família, os amigos, e todas as coisas materiais e imateriais que tanto estimo e que me importam.
Mas tenho o coração partido. Dilacerado. Há mais de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho o coração partido. Não o sei explicar melhor. Uma parte imensa de mim quer voltar. Quer abraçar de volta o que deixou em Portugal. A companheira, amante, mulher, a família, os amigos, e todas as coisas materiais e imateriais que tanto estimo e que me importam.</p>
<p>Mas tenho o coração partido. Dilacerado. Há mais de uma semana que não consigo dormir. Sobressaltado. Assustado. Inquieto. Solitário.</p>
<p>Tenho o coração partido. Agora que falta tão pouco para ir. Temo não voltar. Temo perder o amor que deixo aqui. O meu amigo e motorista L., a voz da minha consciência, o meu companheiro, a minha criança interior.</p>
<p>Os meus colegas J. e A. com quem passei tanto tempo. E todas as outras pessoas que aprendi a amar aqui.</p>
<p>Amo este país confuso, caótico, sujo, quente, alegre, vivo, jovem, inconsciente.</p>
<p>Amo as pessoas e o seu coração. A inquietudo e a aventura de estarem vivos.</p>
<p>Temo não voltar, temo não os voltar a ver, não voltar a sentir o cheiro e o calor. Não conhecer os lugares e os amigos dos amigos. Não comer marisco na praia, não dançar no clube.</p>
<p>Tenho medo de não me quererem mais aqui, ou de eu não me querer mais aqui.</p>
<p>É como se tivesse chegado à porta, olhado para dentro e agora que estou prestes a entrar volto de novo para Portugal.</p>
<p>Doí-me o coração de estar partido. Não é uma dor má. Mas doí e confude-me e silencia-me.</p>
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		<title>Gripe A e Tamiflu</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 08:54:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Aviso Público]]></category>
		<category><![CDATA[Gripe A]]></category>
		<category><![CDATA[Tamiflu]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje acordei com a gripe A, não doente com a gripe A, mas a ver na televisão mais um sensacionalismo sobre a mesma. Escolas fechadas, empresas fechadas, e tudo o mais de pernas para o ar. Para todos aqueles que não prestam atenção ao mundo e ao que nele se passa esta crise se saúde [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje acordei com a gripe A, não doente com a gripe A, mas a ver na televisão mais um sensacionalismo sobre a mesma. Escolas fechadas, empresas fechadas, e tudo o mais de pernas para o ar. Para todos aqueles que não prestam atenção ao mundo e ao que nele se passa esta crise se saúde é, na minha opinião, tanto da responsabilidade da doença, como é dos media, dos governos e das empresas que ganham dinheiro com o negócio dos que estão doentes.</p>
<p>Por isso, porque vos quero bem, mando-vos aqui um resumo de dados sobre a doença escrito por Teresa Forcades i Vila, monja beneditina do Convento de Montserrat em Barcelona, médica especialista em Medicina Interna e doutorada em Saúde Pública.</p>
<p>&#8220;Cerca de 33% das pessoas maiores de 60 anos parecem ter imunidade a este tipo de vírus da nova gripe.</p>
<p>Desde o seu início até 15 de Setembro de 2009, morreram com esta gripe 137 pessoas na Europa e 3.559 em todo o mundo; há que ter em atenção que anualmente morrem na Europa entre 40.000 e 220.000 pessoas devido à gripe.</p>
<p>Os dados desta temporada, pela qual já passaram os países do hemisfério Sul, demonstram que a taxa de mortalidade e de complicações da nova gripe é inferior à da gripe anual</p>
<p>Em 29 de Abril de 2009, quando apenas tinham passado 12 dias sobre a detecção dos dois primeiros casos da nova gripe, a Drª Margaret Chan, directora-geral da OMS, declarou que o nível de alerta por perigo de pandemia se encontrava na fase 5 e mandou que todos os governos dos Estados membros da OMS activassem planos de emergência e de alerta sanitária máxima; um mês mais tarde, 11 de Junho de 2009, a Drª Chan declarou que no mundo já tínhamos uma pandemia (fase 6) causada pelo vírus A/H1N1 S-OIV [10]. Como pode fazer tal declaração quando, de acordo com os dados científicos expostos acima, a nova gripe é uma realidade mais benigna que a gripe sazonal e, além disso, não é um vírus novo e ao qual parte da humanidade está imune?</p>
<p>No contexto de uma pandemia é possível declarar a vacinação obrigatória para determinados grupos de pessoas ou, inclusivamente, para o conjunto dos cidadãos.</p>
<p>É preciso que se saiba que há três novidades que fazem com que a vacina da nova gripe seja diferente da vacina da gripe anual: a primeira é que a maioria dos laboratórios estão a desenhar a vacina de forma que uma só injecção não seja suficiente e sejam necessárias duas; a OMS recomenda também que não se deixe de administrar a da gripe sazonal; quem seguir estas recomendações da OMS expõe-se a ser infectado três vezes e isto é uma novidade que, teoricamente, multiplica por três os possíveis efeitos secundários, embora na realidade ninguém saiba que efeitos pode causar, pois nunca antes se fez assim. A segunda novidade é que alguns dos laboratórios responsáveis pela vacina decidiram adicionar-lhe coadjuvantes mais potentes que os utilizados até agora nas vacinas anuais. Os coadjuvantes são substâncias que se adicionam às vacinas para estimular o sistema imunitário. A vacina da nova gripe que está a ser fabricada pelo laboratório Glaxo-Smith-Kline, por exemplo, contém um coadjuvante, AS03, uma combinação que multiplica por dez a resposta imunitária. O problema é que ninguém pode assegurar que este estímulo artificial do sistema imunitário não provoque, passado algum tempo, doenças auto-imunitárias graves, como a paralisia crescente de Guillain-Barré. E a terceira novidade que distingue a vacina para a nova gripe da vacina anual, é que as companhias farmacêuticas que a fabricam estão a exigir que os Estados assinem acordos que lhes garantam a impunidade no caso das vacinas terem mais efeitos secundários que os previstos (por exemplo prevê-se que a paralisia Guillain-Barré venha a afectar 10 pessoas por cada milhão de vacinados); os EUA já assinaram estes acordos que garantem, tanto às farmacêuticas como aos políticos, a retirada de responsabilidade pelos possíveis efeitos secundários da vacina.</p>
<p>No caso da gripe continuar tão benigna como até agora, não faz qualquer sentido a exposição ao risco de receber uma vacina contaminada ou o de sofrer uma paralisia Guillain-Barré.</p>
<p>No caso de a gripe se agravar de forma inesperada, como já há meses anunciam sem qualquer base científica um número surpreendente de altos dirigentes &#8211; entre eles a Directora-Geral da OMS -, e repentinamente, começarem a morrer muito mais pessoas do que é habitual, ainda terá menos sentido deixar-se pressionar para ser vacinado, porque uma surpresa assim só poderá significar duas coisas:</p>
<p>1. Que o vírus da gripe A que agora circula sofreu uma mutação;<br />
2. Que está em circulação outro (ou outros) vírus.&#8221;</p>
<p>Leiam com atenção este resumo. E pensem. Pensem mesmo. Porque nem tudo o que nos dizem é verdade, e nem tudo o que nos dizem é bom para nós.</p>
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		<title>Condição Humana</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 21:17:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
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		<description><![CDATA[As vezes vejo coisas que não sei explicar, ou que não consigo explicar. Hoje falava com uma amiga brasileira que me contava ter um dia encontrado uma pessoa e que não sabia garantir se realmente o encontro tinha acontecido. Até hoje não tinha a certeza.
Para tantos pode parecer estranho, mas a verdade é que há [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As vezes vejo coisas que não sei explicar, ou que não consigo explicar. Hoje falava com uma amiga brasileira que me contava ter um dia encontrado uma pessoa e que não sabia garantir se realmente o encontro tinha acontecido. Até hoje não tinha a certeza.</p>
<p>Para tantos pode parecer estranho, mas a verdade é que há tanto mais para ver do que aquilo que os olhos nos apresentam. É assim que me sinto tantas vezes. Por vezes perguntam como sei, ou como vejo, ou como percebo e não sei explicar. Sinto. O bom e o mau.</p>
<p>Ás vezes é estranho, porque a pessoa ou pessoas do meu lado não entendem a minha fúria, não entende a minha revolta. Porque o que se passa não é nada forte, ou incomum ou significativo.</p>
<p>Se calhar vejo demais, ou revolto-me demais. Posso ter vindo aprender isso: a ter a serenidade de aceitar o presente. Não é o forte. Aqui no país do “ainda”, onde as pessoas têm óbitos, ou onde a televisão apresenta ou não apresenta.</p>
<p>Vejo para além do real. Ao ponto do estranho que vejo ser tão estranho que pode ser loucura o que vejo. Ou seremos todos assim?</p>
<p>Tento explicar aos meus conhecidos angolanos esta peculariedade de sermos tão próximos e tão diferentes que dificulta muito as relações. Quando somos totalmente diferentes. Mas quando parecemos idênticos e somos diferentes, então é mais díficil.</p>
<p>Mas vejo tanto nesta gente. Tanta força, tanta vontade, tanto amor, tanta alegria, tanta generosidade. Se um país se medisse em termos de desenvolvimentos pela quantidade de pessoas com deficiências, então Angola estaria muito atrasado, mas se medisse pela capacidade de ajudar o próximo, então provavelmente estaria muito bem colocado.</p>
<p>Porque no meio do que se vê há o que fica para além do olhar. Que não é sempre fácil. Mas que é sempre presente, e transparente.<br />
Complexa esta nossa condição de sermos humanos.</p>
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		<title>Teias</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 17:14:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Teias]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesta terra sou acanhado e reservado, em Portugal sou expansivo e extrovertido. Sem dúvida para cada país, para cada vida, sua bitola.
Estamos sempre a aprender muito sobre nós e sobre a nossa vida. Hoje tive uma conversa curiosa com a J. Ela disse-me que achava que eu não era bem disposto. Tinha momentos bem disposto,  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta terra sou acanhado e reservado, em Portugal sou expansivo e extrovertido. Sem dúvida para cada país, para cada vida, sua bitola.</p>
<p>Estamos sempre a aprender muito sobre nós e sobre a nossa vida. Hoje tive uma conversa curiosa com a J. Ela disse-me que achava que eu não era bem disposto. Tinha momentos bem disposto,  e momentos mal disposto. Que tinha uma personalidade muito forte. E que isso não era bom.</p>
<p>Respondi que uma personalidade forte só não é boa para quem também tem uma, mas reflectindo sobre as palavras dela se calhar sou mesmo menos bem disposto do que aparento ser. Enfim…</p>
<p>No outro dia discutia com uma amiga as escolhas e as razões para as mesmas. Não sou um grande fã de planeamento. Não acredito na estatística com suficiente empenho para me gerir por ela. Principalmente porque as escolhas são fenómenos curiosos.</p>
<p>Escolhemos ou não, na sua maioria porque temos medo disto, ou daquilo, ou não queremos que isto nos aconteça ou aquilo. Mas o maravilhoso do futuro é esse mesmo, ser futuro. Ser-nos desconhecido.</p>
<p>Sim hoje escolho isto porque amanhã isto pode acontecer. Sim pode, e pode não acontecer também. Quem sabe o futuro?</p>
<p>Não sou radical ao ponto de dizer que deviam fazer o que vos apetece no momento, mas quase.</p>
<p>(no telhado da minha casa um pássaro canta uma canção linda, está um por do sol incrível e por trás dele vejo as nuvens laranja e o céu azul.)</p>
<p>Claro que somos o que escolhemos até hoje e isso serve-nos de referência, e dá-nos as tão famosas probabilidade e estatísticas. Se fizer muitas vezes a mesma coisa sei com mais probabilidade o desfecho. Mas não tenho a certeza.</p>
<p>E se uma voz me disser: hoje é diferente, faz assim. E fizeres e correr bem ou correr mal… Como ficas tu e como fico eu.</p>
<p>Já o fiz, algumas vezes, cumprir ou incumprir conforme sinto. E normalmente posso dizer que o que sinto é muito mais competente do que a cabeça com as suas teias.</p>
<p>Viva a liberdade do momento.</p>
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		<title>Prisões que se escolhem</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 20:43:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Escolha]]></category>
		<category><![CDATA[Prisões]]></category>

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		<description><![CDATA[Se pudesse voluntariamente escolher onde estou onde estaria? Será que os sítios que escolhemos são nossos para escolher? Ou são eles que nos escolhem a nós e dizem: quero este aqui.
Ou então, se calhar, existe uma força qualquer superior que nos arruma como um tabuleiro de xadrez organizando os movimentos de todos nós. Nesse xadrez [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se pudesse voluntariamente escolher onde estou onde estaria? Será que os sítios que escolhemos são nossos para escolher? Ou são eles que nos escolhem a nós e dizem: quero este aqui.</p>
<p>Ou então, se calhar, existe uma força qualquer superior que nos arruma como um tabuleiro de xadrez organizando os movimentos de todos nós. Nesse xadrez gostava de ser mais que um peão, mas sinto-me sempre apeãozado.</p>
<p>Somos sempre escravos do que precisamos. Reduz as necessidades se queres passar bem. Que a dependência é uma besta. Que dá cabo do desejo, diz a canção e o Jorge com ela.</p>
<p>No meu frigorífico dizia assim: Só há duas maneiras de se ficar rico, ter mais ou precisar de menos. Não é tudo a mesma coisa.</p>
<p>Escolho este local incerto onde vivo e habito. Escolho esta cidade barulhenta, mas cheia de silêncios.</p>
<p>Hoje dizia a uma amiga: É como se tivesse escolhido encarcerar-me numa prisão, longe de tudo e de todos. Apenas com a diferença que é uma prisão louca e muito movimentada.</p>
<p>Assim estou. Preso. Sozinho. Não digo isto com pesar, ou tristeza, ou à espera de consolo. Digo o que sinto. E sei as escolhas que fiz. Escolhi uma prisão para encontrar a liberdade de outra.</p>
<p>Para aprender o preço e o valor de se ser livre, para aprender a amar e valorizar o que importa. Porque no meio do caos o que sobressai é a ordem. A ordem profunda daquilo que sobrevive a tudo. O que resta quando perdemos ou tiramos tudo. Quando não há mais nada para tirar então ficamos nós.</p>
<p>Espero ou desejo que seja esse o propósito desta jornada. O de ficar sem nada para encontrar o que sou e o que posso dar. Paciente talvez seja em algumas coisas (hoje diziam-me que era), mas muito ansioso. A sentir que tenho tanto para fazer. E o tempo que passa. E eu que vou ficando.</p>
<p>É curioso este diferencial entre aquilo que achamos que sabemos, e o que efectivamente já descobrimos ou aprendemos. Tantas vezes olho para mim e vejo sempre o menos, falta isto, falta aquilo, não consegui isto, não consegui aquilo. Mas outras vezes, a vida generosamente oferece a possibilidade de ver o que já aprendi, o que descobri, o que já sei e sou.</p>
<p>Olhando para o mundo, e para a dor e tragédia que é a vida de tanta gente, parece-me insignificante o que vivi, e até injusto achar que passei por isto ou aquilo quando na realidade a minha vida tem sido cómoda, confortável e boa.</p>
<p>Mas se calhar o que somos não se mede tanto pelo que nos acontece, mas mais pela forma como vivemos aquilo que nos acontece.</p>
<p>E neste dilema sempre eterno entre o que mudamos e não mudamos. Há sempre gente a lutar pelos dois lados. Gosto de acreditar que mudo e que não mudo. Que cresço e aprendo, que amadureço e aprendo alguma coisa. Mas que em mim há algo, que veio comigo ao mundo, que foi um presente dos meus pais, e que me faz quem sou. E isso é imutável.</p>
<p>Aventuras, ando sempre a dizer que quero mais, mas ás vezes pela boca morre o peixe.</p>
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		<title>Canto até …</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 18:17:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Cantar]]></category>
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Viver]]></category>

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		<description><![CDATA[Canto bem alto para que a voz não me doa. Nunca foi o som que me incomodou. Foram os silêncios, os enormes, imutáveis, misteriosos e constrangedores silêncios.
Canto enquanto caminho, canto enquanto penso, canto até em sítios mais tradicionais com o o chuveiro ou no carro.
Canto tão alto quanto posso e quanto me deixam. Canto até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Canto bem alto para que a voz não me doa. Nunca foi o som que me incomodou. Foram os silêncios, os enormes, imutáveis, misteriosos e constrangedores silêncios.</p>
<p>Canto enquanto caminho, canto enquanto penso, canto até em sítios mais tradicionais com o o chuveiro ou no carro.</p>
<p>Canto tão alto quanto posso e quanto me deixam. Canto até ficar sem poder cantar, ou até alguém me dizer qualquer comentário que me magoa.</p>
<p>Sonho em cantar e em ser cantor. Em estar num qualquer restaurante brasileiro de guitarra em punho a soltar Chicos ou Reginas ou Seu Jorges ou Pexinguinhas aos clientes que teimam em me ignorar.</p>
<p>Na realidade se tivesse um palco em casa, e soubesse tocar algum instrumento que me valha, já seria o melhor. Cantar para mim. Até podia colocar umas fotos numas cadeiras de mim próprio a sorrir de alegria de me ouvir cantar.</p>
<p>Julgo que possa ser um bicho que apanhei na infância, ou alguma praga secreta para a qual não há cura visível. Aliás, se calhar mãe és tu a culpada, todas aquelas viajens de carro ao som de super êxitos como Grândola Vila Morena, ou Burro Deu Um Coice no Telhado.</p>
<p>Canto por que sim, porque quem canta seus males espanta, porque quem canta por gosto não cansa, e porque mais vale cantar na mão do que estar em silêncio a voar (por acaso esta última não sei se é bem verdade).</p>
<p>Canto tudo. Canto tanto. Canto o que sei. Tudo para mim tem um som, uma música, um conjunto indefinido e confuso de sons e palavras, e que tantas vezes, teimam em insistir comigo, nada tem que ver com o original (mas afinal o que é isso do original?).</p>
<p>Canto tanto que por vezes ouço músicas novas que juro já ter ouvido ou cantado. Mas no meio desta loucura musical nem procuro entender a razão. Canto tanto que posso ouvir mil vezes a mesma canção no repeat só porque me diz algo, e no dia seguinte cantá-la louco com letras por mim inventadas, ou acordes, ou desacordes, que nunca estiverem lá´.</p>
<p>Não, não sou musicólogo ou fonólogo ou melómano ou outra coisa qualquer complicada. Não sei nomes de músicas, nem de cantores, nem de albuns, nem de que década é a música, nem quem era o marido ou a mulher a quem escreveram isto ou aquilo.</p>
<p>Canto, sou profissionalmente um cantor amador. E amo cantar como posso e sei. Canto até que a voz me doa.</p>
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		<title>Espera em Letras</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 07:02:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Aprender]]></category>
		<category><![CDATA[Espera]]></category>
		<category><![CDATA[Luanda]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou quase sempre aquilo que escrevo. Sou quase sempre aquilo que sinto. É uma fronteira que para mim não é muito clara.
Para os que estudam astrologia podia dizer que este é o fenómeno das conjunções, quando dois planetas se unem e fundem e formam um todo que não é fácil distinguir, ou se calhar que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sou quase sempre aquilo que escrevo. Sou quase sempre aquilo que sinto. É uma fronteira que para mim não é muito clara.</p>
<p>Para os que estudam astrologia podia dizer que este é o fenómeno das conjunções, quando dois planetas se unem e fundem e formam um todo que não é fácil distinguir, ou se calhar que não é necessário distinguir.</p>
<p>Aqui em Luanda às vezes ainda não sei distinguir, não sei entender, mas sinto-me mais adulto, mais maduro, mais homem.<br />
Mas, mesmo nesta confusão que é Angola, continuo a ver os meus dilemas e dificuldades claramente espelhados no mundo que me rodeia.</p>
<p><strong>Fins rápidos</strong></p>
<p>Em todo o lado onde se vá, aqui em Luanda, em particular aos restaurantes ou cafés acontece um fenómeno estranho: até chegar o pedido são horas, horas para darem a ementa, para colocarem a mesa, para recolherem o pedido e para trazerem a comida. Até aqui nada de surpreendente, o fantástico é depois.</p>
<p>Mal terminem de comer, ou pareça que terminaram são cerca de dois segundos até vos esvaziarem a mesa, ao ponto de terem de lutar com o empregado por aquele bocadinho que deixaram para o fim.</p>
<p>Não gosto dessa pressa em tirar tudo, ainda por cima que parece vir de lado nenhum, mas o apressado sou normalmente eu (feitiço contra o feiticeiro?).</p>
<p><strong>Autoridade/Respeito</strong></p>
<p>Como na vida pessoal, aqui também há uma crise profunda de autoridade e respeito. Queremos que nos respeitam, preferem nos ignorar. Que façam um trabalho sério, mas preferem não trabalhar. E não sou só eu a falhar. Quase ninguém consegue impor as regras, implementar o trabalho.</p>
<p>Estou há duas horas há espera dos meus formandos para iniciar a formação. &#8220;Estão a caminho&#8221;, dizem-me. Também eu me sinto a caminho.</p>
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		<title>Comentários amigos</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 20:11:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo Ramirez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Comentários]]></category>

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		<description><![CDATA[Meus amigos, meus companheiros, meus &#8230;
Escrevo este texto em vossa honra. Os vossos comentários fazem uma ponte fantástica entre os meus dois países.
Recordam-me de onde estou, mas de onde parti. 
É maravilhoso saber que me lêem e encontrar por vezes aqui palavras que me inspiram, que me animam, que me aquecem o coração. É o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meus amigos, meus companheiros, meus &#8230;</p>
<p>Escrevo este texto em vossa honra. Os vossos comentários fazem uma ponte fantástica entre os meus dois países.</p>
<p>Recordam-me de onde estou, mas de onde parti. </p>
<p>É maravilhoso saber que me lêem e encontrar por vezes aqui palavras que me inspiram, que me animam, que me aquecem o coração. É o vosso carinho.</p>
<p>Cada comentário vosso é uma surpresa e uma alegria. Leio-vos com atenção e com amor. E sinto-me feliz e honrado de vos ter por perto.</p>
<p>Obrigado do fundo do coração.</p>
<p>Por tudo&#8230;</p>
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