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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:creativeCommons="http://backend.userland.com/creativeCommonsRssModule" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><title>Bitaites</title><link>http://www.bitaites.org</link><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/bitaites/blog" /><description>Exclusivamente para intelectuais</description><language>pt-PT</language><lastBuildDate>Sat, 18 May 2013 21:36:15 PDT</lastBuildDate><sy:updatePeriod xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/">hourly</sy:updatePeriod><sy:updateFrequency xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/">1</sy:updateFrequency><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/bitaites/blog" /><feedburner:info uri="bitaites/blog" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><creativeCommons:license>http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/3.0/</creativeCommons:license><image><link>http://bitaites.org</link><url>http://bitaites.org/wp-content/uploads/resident/feed.jpg</url><title>Bitaites</title></image><feedburner:emailServiceId>bitaites/blog</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><item><title>A pílula do dia seguinte</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/bitaites/blog/~3/ypCJHWVdsgg/</link><category>Porreiro, pá!</category><category>Publicidade</category><category>Vídeo</category><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Marco Santos</dc:creator><pubDate>Sat, 18 May 2013 16:16:03 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">http://www.bitaites.org/?p=67738</guid><content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>Provavelmente muitos de vós já o viram – afinal, o vídeo é um fenómeno viral, já ultrapassou um milhão de visualizações no YouTube – mas dados os últimos acontecimentos e o tipo de idiotas que o post <a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/porreiro-pa/paneleirossauros/">Paneleirossauros</a> inevitavelmente atrairá, resolvi deixar aqui o link para que essa gente tenha alguma coisa com que se entreter enquanto tenta perceber por que razão <a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/geekosfera/eu-defendo-a-censura-ao-troll/" target="_blank">não consegue comentar</a> no Bitaites.</p><p><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/maxresdefault-1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-67739" alt="Minus IQ" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/maxresdefault-1.jpg" width="608" height="342" /></a></p><p>Esta versão foi legendada em Português do Brasil por <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/channel/UC_kEmDrZRaSxfLydkemZP0A?feature=watch">José Faccin</a> e pode ser vista <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=VPRgczjKjTM" target="_blank">clicando aqui</a>.</p><p>Que muitas pessoas tenham pensado que esta pílula para baixar o QI de facto existia, só veio dar razão à equipa criativa que achou a brincadeira pertinente e atual — <a target="_blank" href="http://tadasvidmantas.com/" target="_blank">Tadas Vidmantas</a> e <a target="_blank" href="http://www.ronaldasbuozis.com/" target="_blank">Ronaldas Buozis</a>, da agência Sleepthinker, baseada em Londres. A pílula não existe, pois, mas mas há gente que parece tomá-la todos os dias.</p> <div class="feedflare">
<a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=ypCJHWVdsgg:YogdWgJUpO8:yIl2AUoC8zA"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?d=yIl2AUoC8zA" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=ypCJHWVdsgg:YogdWgJUpO8:qj6IDK7rITs"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?d=qj6IDK7rITs" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=ypCJHWVdsgg:YogdWgJUpO8:D7DqB2pKExk"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?i=ypCJHWVdsgg:YogdWgJUpO8:D7DqB2pKExk" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=ypCJHWVdsgg:YogdWgJUpO8:V_sGLiPBpWU"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?i=ypCJHWVdsgg:YogdWgJUpO8:V_sGLiPBpWU" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=ypCJHWVdsgg:YogdWgJUpO8:gIN9vFwOqvQ"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?i=ypCJHWVdsgg:YogdWgJUpO8:gIN9vFwOqvQ" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=ypCJHWVdsgg:YogdWgJUpO8:-BTjWOF_DHI"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?i=ypCJHWVdsgg:YogdWgJUpO8:-BTjWOF_DHI" border="0"></img></a>
</div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bitaites/blog/~4/ypCJHWVdsgg" height="1" width="1"/>]]></content:encoded><description>Provavelmente muitos de vós já o viram – afinal, o vídeo é um fenómeno viral, já ultrapassou um milhão de visualizações no YouTube – mas dados os últimos acontecimentos e o tipo de idiotas que o post Paneleirossauros inevitavelmente atrairá, resolvi deixar aqui o link para que essa gente tenha alguma coisa com que se &lt;a href="http://www.bitaites.org/porreiro-pa/a-pilula-do-dia-seguinte/"&gt; read more &lt;span class="meta-nav"&gt;Continuar &amp;#187;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;</description><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.bitaites.org/porreiro-pa/a-pilula-do-dia-seguinte/feed/</wfw:commentRss><slash:comments xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/">0</slash:comments><feedburner:origLink>http://www.bitaites.org/porreiro-pa/a-pilula-do-dia-seguinte/</feedburner:origLink></item><item><title>Paneleirossauros</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/bitaites/blog/~3/rPTuYZUNOZk/</link><category>Porreiro, pá!</category><category>Cromos</category><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Marco Santos</dc:creator><pubDate>Fri, 17 May 2013 16:42:12 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">http://www.bitaites.org/?p=67731</guid><content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<blockquote><p><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/tumblr_mfn94fWksM1rb15rao1_1280.jpg"><img src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/tumblr_mfn94fWksM1rb15rao1_1280.jpg" alt="Paneleirossauros" width="562" height="465" class="alignnone size-full wp-image-67744" /></a></p><p>Os ignóbeis socialistas e bloquistas vão levar amanhã mais uma vez a adopção de crianças por duas pessoas homossexuais do mesmo sexo que vivam juntas, ao Parlamento. Não se enganem, todas as manifs, todos os Grandolas Vilas Morenas, todos os Galambas e Dragos, todos os actos de terrorismo de interrupção de membros do Governo em actos públicos, têm um único objectivo “dar crianças aos homossexuais”.</p><p style="text-align: right;"><b>Maria Teixeira Alves</b>, no <i>Corta-Fitas</i></p></blockquote><p> </p><p>Graças à jornalista Maria Teixeira Alves, acabei de descobrir que o 25 de Abril foi obra de <i>gays</i>.</p><p>Não acreditem se os vossos professores de História vos disserem que naquele fatídico dia de 1974 o povo saiu à rua – em primeiro lugar, porque são com certeza larilas infiltrados no sistema educativo; em segundo, porque não foi o povo quem saiu à rua, foram os paneleiros.</p><p>O povo é quem mais ordena? Isso é grito de sado-masoquistas, de certeza.</p><p>As pessoas acham que foi uma revolução, mas foi uma parada gay — uma conspiração com o objetivo de dominar homossexualmente este país e legalizar a sodomização de criancinhas recém-adotadas.</p><p>E aposto que os militares que a organizaram usavam cuecas de fio dental sob aqueles uniformes – em cada Salgueiro Maia, não se esqueçam, há um bailarino dos Village People em potência. Em cada revolucionário, um homoconspirador desejoso de enfiar a palhinha no rabo da revolução.</p><p>Nem quero imaginar o que a pobre mulher deve ter sentido quando alguém se lembrou de meter um cravo no cano de uma metralhadora – por mais que me esforce, não consigo imaginar nada mais <i>gay</i> do que isso. Ainda por cima usaram uma criança como símbolo, os porcalhões, o que só prova que em cada maricas há sempre um pedófilo a espreitar por baixo das saias da Anita.</p><p>Somos todos filhos de uma revolução de rabetas – isto é mesmo pior do que pensávamos. E até Zeca Afonso, revelar-nos-á a Alves um dia, gostava de se disfarçar de loira dos Abba enquanto cantava o Grândola Vila Morena diante do espelho.</p><p>Um dia a Teixeira Alves chegará à conclusão de que os dinossauros não se extinguiram por causa da queda de um asteroide; os bichos começaram a enrabar-se uns aos outros no período Cretáceo e, pronto, acabaram por desaparecer. Qualquer biólogo vos dirá que uma extinção em massa começa sempre com uma apalpadela no cu e só Deus sabe o que vai ser de nós, pobres humanos, se persistirmos neste comportamento. A Natureza está atenta e não perdoa os indigentes morais, diga lá o que disser o panilas do Darwin.</p><p>É preciso ver que os casais heterossexuais também têm muita culpa no cartório: afinal, quem os mandou gerar filhos <i>gays</i>? Não há uma lei que proíba isso? Se não há, devia haver. Existirá algum vírus da paneleirice aguda que os padres ainda não conseguiram identificar nos laboratórios que montaram nas sacristias? Que terrível conspiração é esta e por que razão mais pessoas normais não se afligem como a Teixeira Alves?</p><p>Está decidido. Como medida profilática, proponho que doravante todos os pais sejam obrigados a provar que não são maricas antes de serem autorizados a procriar.</p> <div class="feedflare">
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</div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bitaites/blog/~4/rPTuYZUNOZk" height="1" width="1"/>]]></content:encoded><description>Os ignóbeis socialistas e bloquistas vão levar amanhã mais uma vez a adopção de crianças por duas pessoas homossexuais do mesmo sexo que vivam juntas, ao Parlamento. Não se enganem, todas as manifs, todos os Grandolas Vilas Morenas, todos os Galambas e Dragos, todos os actos de terrorismo de interrupção de membros do Governo em &lt;a href="http://www.bitaites.org/porreiro-pa/paneleirossauros/"&gt; read more &lt;span class="meta-nav"&gt;Continuar &amp;#187;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;</description><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.bitaites.org/porreiro-pa/paneleirossauros/feed/</wfw:commentRss><slash:comments xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/">23</slash:comments><feedburner:origLink>http://www.bitaites.org/porreiro-pa/paneleirossauros/</feedburner:origLink></item><item><title>Foi há dois anos, foi hoje</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/bitaites/blog/~3/HkWsW1RsMG8/</link><category>Pessoal</category><category>Vida</category><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Rui Eduardo Paes</dc:creator><pubDate>Fri, 17 May 2013 10:53:40 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">http://www.bitaites.org/?p=67723</guid><content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<div id="attachment_67724" class="wp-caption alignnone" style="width: 626px"><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/Ragesoss.jpg"><img class="size-full wp-image-67724 " style="border: 0px none;" alt="Ragesoss" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/Ragesoss.jpg" width="616" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">Crédito: Ragesoss</p></div><p>Hoje recebi a notícia que durante tanto tempo mais temi. Morreu o meu amigo Mário Rocha, o meu companheiro de trabalho e divertimento desde os tempos do Diário de Lisboa e do Teatro Nacional D. Maria II até que as circunstâncias nos afastaram…</p><p>Foi há dois anos, mas só hoje tive coragem de perguntar. Para mim, é como se tivesse acontecido agora mesmo. O Mário tinha acabado de fazer uma diálise no hospital (imagino que, como habitualmente, <em>flirtando</em> com as enfermeiras), e ao sair sofreu um colapso cardíaco. Mais um, mas este o definitivo: ficou-se logo ali.</p><p>Pelo menos um ano antes disso algo me paralisava antes de pegar no telefone para saber dele e combinarmos uma saída. O gradual processo de decadência física decorrente de uma diabetes aguda, piorada por muitos anos de consumos uísquicos – gostava quase tanto do produto escocês como de mulheres –, foi-lhe destruindo o corpo.</p><p>Das últimas vezes que o vi, o Mário estava muito debilitado, coxeava por lhe terem tirado parte de um pé e quase não via. Já não conseguia trabalhar e era-lhe difícil, senão impossível, dedicar-se à sua grande paixão, a fotografia. Ficava em casa, a ouvir Nick Cave e Cowboy Junkies.</p><p>Se antes fazíamos grandes noitadas, conspirando até altas horas da madrugada – os meus primeiros livros nasceram desses <i>brain</i> <i>stormings</i> em bares a meia-luz –, já ele não resistia a mais de meia-hora de trocas de palavras.</p><p>Por essa altura as coisas começavam a correr mal comigo, e de cada vez que nos encontrávamos eu sentia dissiparem-se as forças que, muito a custo, ia conseguindo reunir para ultrapassar as adversidades. Ficava horrivelmente deprimido com o que se estava a passar com este grande jornalista e fotógrafo que também escrevia poesia e traduzia peças de teatro.</p><p>Era um voraz ouvinte de bom rock e lia tudo o que estivesse ao seu alcance, desde filosofia a literatura, sempre atento a novas correntes de pensamento e a novas tendências do romance. Deu-me a conhecer muita coisa que me passara ao lado e estávamos constantemente a trocar discos e livros.</p><p>Livros, sobretudo. Possuía dezenas de milhares, empilhados num quarto por todo o lado. Estão alguns dele aqui em casa e agora sei que não os posso devolver… Olho para as lombadas e vejo autores como Foucault e Eco.</p><p>Tinha uma curiosidade insaciável pelo sexo feminino e a facilidade com que seduzia as mulheres era um mistério para este desajeitado nas artes do amor. Sempre pessoas fascinantes, belas, inteligentes. Dei por mim, em algumas ocasiões, a invejá-lo.</p><p>Não estive com ele na última fase da sua doença e isso vai assombrar-me até chegar a minha vez de partir. Tive sempre receio de que, no outro lado do telefone, surgisse não o Mário, mas uma voz a anunciar-me o desfecho que parecia cada vez mais inevitável.</p><p>Pois aconteceu e eu não fiz o que um bom amigo deve fazer nas horas más: apoiá-lo, estar presente, mesmo que também mal-amanhado pela vida. Nunca me perdoarei tal cobardia.</p> <div class="feedflare">
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</div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bitaites/blog/~4/HkWsW1RsMG8" height="1" width="1"/>]]></content:encoded><description>Hoje recebi a notícia que durante tanto tempo mais temi. Morreu o meu amigo Mário Rocha, o meu companheiro de trabalho e divertimento desde os tempos do Diário de Lisboa e do Teatro Nacional D. Maria II até que as circunstâncias nos afastaram… Foi há dois anos, mas só hoje tive coragem de perguntar. Para mim, &lt;a href="http://www.bitaites.org/pessoal/foi-ha-dois-anos-foi-hoje/"&gt; read more &lt;span class="meta-nav"&gt;Continuar &amp;#187;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;</description><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.bitaites.org/pessoal/foi-ha-dois-anos-foi-hoje/feed/</wfw:commentRss><slash:comments xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/">0</slash:comments><feedburner:origLink>http://www.bitaites.org/pessoal/foi-ha-dois-anos-foi-hoje/</feedburner:origLink></item><item><title>O rock das docas</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/bitaites/blog/~3/rtlLcF0iQjo/</link><category>Artamente</category><category>Música</category><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Rui Eduardo Paes</dc:creator><pubDate>Fri, 17 May 2013 07:11:40 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">http://www.bitaites.org/?p=67719</guid><content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>The Fall é o punk de depois do punk, e talvez seja por isso que lhe colocam o carimbo «pós». Uma simplificação que ignora alguns factos. Este, por exemplo: se o punk era uma música de jovens em colisão com o sistema de ensino, o punk pós-punk de Mark E. Smith, o vocalista, autor das canções e único membro permanente deste grupo britânico, foi desde o começo – e assim continuou – uma música de operários.</p><p><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/fall.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-67720" alt="Mark E. Smith" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/fall.jpg" width="608" height="405" /></a></p><p>Smith trabalhava nas docas, mas tinha um apetite intelectual imenso. Devorava os escritores existencialistas e muito em particular Albert Camus (a quem foi buscar o nome da banda), assim como a literatura negra de um Edgar Allan Poe e um H. P. Lovecraft, e tinha especial devoção pelo alucinado Philip K. Dick.</p><p>O surrealismo nas artes visuais e o neo-realismo cinematográfico eram outras suas fontes de interesse.</p><p>Além disso, ganhara uma consciência política nas cargas e descargas dos navios: está há muito ligado ao trotskista S<em>ocialist Workers Party</em>.</p><p>Cedo viu no rock uma via para se expressar artisticamente, pelo que trocou a estiva por uma carreira como músico a partir de 1976, nunca esquecendo as suas origens. Com uma tal convicção que chegou a fazer uma <i>tournée</i> com a bacia partida, sentado numa cadeira de rodas, até que as dores e os efeitos da medicação o impediram de continuar com os concertos.</p><p>A sua contraditória atenção às realidades sociais e económicas e aos universos fantasiosos e de ficção científica determinou o conteúdo dos milhares de letras (ou, mais exatamente, de poemas, pois têm relevância lírica) que já escreveu: tanto canta sobre os direitos dos trabalhadores, as consequências do abuso de drogas e a violência dos <i>hooligans</i> como sobre o sobrenatural e as viagens no tempo.</p><p>Sempre de forma críptica, com jogos de sentido, procurando mostrar o absurdo dos modos de vida capitalistas.</p><p>Tem uma voz e uma maneira de cantar únicas, entre o declamatório e o perverso, ora parecendo cuspir as palavras, ora mantendo-as na boca para lhes avaliar a acidez.</p><p>Tornou-se num símbolo, sendo constantemente convidado para sessões de <i>spoken</i> <i>word</i>, filmes, séries televisivas e gravações de discos de outros grupos, como Mouse on Mars, Gorillaz, Coldcut e Inspiral Carpets. A indústria da música e do espetáculo gosta às vezes de se mostrar progressista, e quando tal foi da conveniência deste militante ele aproveitou as circunstâncias para espalhar a mensagem.</p><p>A música de The Fall, essa, é ritmicamente repetitiva, hipnótica, obsessivo-compulsiva. Há algo de funk nas linhas de baixo e bateria, mas a guitarra coloca-se de fora das tramas, sendo utilizada como um gerador de ruído.</p><p>Ou ama-se ou odeia-se e eu estou entre os que a ela aderiram logo desde <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=k3ZSXlNvAiI" target="_blank">a primeira audição</a>. Pelos vistos, também os organizadores do festival Out Fest, que todos os anos decorre no Barreiro. Em Outubro teremos por cá Mark Edward Smith, o proletário do rock, mais os seus parceiros…</p> <div class="feedflare">
<a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=rtlLcF0iQjo:saLy28AHzAw:yIl2AUoC8zA"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?d=yIl2AUoC8zA" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=rtlLcF0iQjo:saLy28AHzAw:qj6IDK7rITs"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?d=qj6IDK7rITs" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=rtlLcF0iQjo:saLy28AHzAw:D7DqB2pKExk"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?i=rtlLcF0iQjo:saLy28AHzAw:D7DqB2pKExk" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=rtlLcF0iQjo:saLy28AHzAw:V_sGLiPBpWU"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?i=rtlLcF0iQjo:saLy28AHzAw:V_sGLiPBpWU" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=rtlLcF0iQjo:saLy28AHzAw:gIN9vFwOqvQ"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?i=rtlLcF0iQjo:saLy28AHzAw:gIN9vFwOqvQ" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=rtlLcF0iQjo:saLy28AHzAw:-BTjWOF_DHI"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?i=rtlLcF0iQjo:saLy28AHzAw:-BTjWOF_DHI" border="0"></img></a>
</div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bitaites/blog/~4/rtlLcF0iQjo" height="1" width="1"/>]]></content:encoded><description>The Fall é o punk de depois do punk, e talvez seja por isso que lhe colocam o carimbo «pós». Uma simplificação que ignora alguns factos. Este, por exemplo: se o punk era uma música de jovens em colisão com o sistema de ensino, o punk pós-punk de Mark E. Smith, o vocalista, autor das &lt;a href="http://www.bitaites.org/artamente/o-rock-das-docas/"&gt; read more &lt;span class="meta-nav"&gt;Continuar &amp;#187;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;</description><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.bitaites.org/artamente/o-rock-das-docas/feed/</wfw:commentRss><slash:comments xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/">1</slash:comments><feedburner:origLink>http://www.bitaites.org/artamente/o-rock-das-docas/</feedburner:origLink></item><item><title>5 filmes que nunca mais se esquecem</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/bitaites/blog/~3/SnHqoZ-d9Ng/</link><category>Pessoal</category><category>Cinema</category><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Marco Santos</dc:creator><pubDate>Fri, 17 May 2013 02:25:50 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">http://www.bitaites.org/?p=67707</guid><content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>Todos temos filmes que nunca mais esquecemos – às vezes por os acharmos de grande qualidade, outras por os associarmos a momentos importantes da nossa vida. Ocasionalmente, pelas duas razões. Sem mais delongas, seguem-se cinco dos filmes que nunca esquecerei na vida — e porquê.</p><p> </p><h3>The Shining</h3><p><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/shining-b.gif"><img class="alignnone size-full wp-image-67713" style="margin: 1px;" alt="The Shining" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/shining-b.gif" width="298" height="218" /></a><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/shining-a.gif"><img class="alignnone size-full wp-image-67712" style="margin: 1px;" alt="The Shining" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/shining-a.gif" width="298" height="218" /></a></p><p>É um clássico de terror do mestre Kubrik, mas durante uns tempos foi a melhor maneira que arranjei para explicar por que razão o cinema era uma coisa muito fixe. As caretas artísticas do Jack Nicholson, a música, os planos, os <i>travellings</i>, a montagem, tudo isso os desgraçados e desgraçadas sentados a meu lado teriam de reparar, quer quisessem ou não. Rituais massivos de conversão? Bons tempos!</p><p> </p><h3>Encontros Imediatos do Terceiro Grau</h3><p><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/tumblr_mfn384Xuds1s00ydeo1_500.gif"><img class="alignnone size-full wp-image-67714" style="margin: 1px;" alt="Encontros Imediatos do Terceiro Grau" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/tumblr_mfn384Xuds1s00ydeo1_500.gif" width="298" height="126" /></a><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/tumblr_mfn384Xuds1s00ydeo3_500.gif"><img class="alignnone size-full wp-image-67715" style="margin: 1px;" alt="Encontros Imediatos do Terceiro Grau" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/tumblr_mfn384Xuds1s00ydeo3_500.gif" width="298" height="126" /></a></p><p>O meu primeiro contacto a sério com extraterrestres! Como poderia eu esquecer a criança apontando para uma nave espacial no céu exclamando «<i>Olha, gelados!</i>», a conversa sinfónica com os ET’s — não falando da tremenda (diria: astronómica) dor de cabeça com que fiquei depois de sair do cinema? Ah, <i>ganda</i> Spielberg, que nessa altura ainda te achava o suprassumo da costeleta cinematográfica.</p><p>E este foi o primeiro filme em que fui autorizado pelos meus pais a ver sem supervisão. Vi-o num cinema no Estoril há muito desaparecido, o Oxford, famoso por ter cadeiras tão confortáveis que metade das pessoas nas sessões da meia-noite acabava por adormecer.</p><p> </p><h3>Vem e Vê — Requiem para um Massacre</h3><p><img src="http://www.bitaites.org/videos/71.jpg" width="616" height="462" alt="Vem e vê - Requiem para um massacre" class="alignnone" /></p><p>O melhor filme de guerra que vi na vida não foi o excelente <i>Apocalypse Now</i> (Francis Coppola), <i>Nascido Para Matar</i> (Kubrick), <i>Platoon</i> (Oliver Stone) ou o mítico <i>Iron Cross</i> (Sam Peckinpah). O me­lhor de to­dos foi um filme so­vié­tico de Elem Klimov que in­fe­liz­mente mui­tos des­co­nhe­cem: <i>Vem e Vê — Requiem Para um Massacre</i>.</p><p>Quando o vi pela pri­meira vez foi em vés­pe­ras de ir para a tropa e é di­fí­cil des­cre­ver o im­pacto que me cau­sou. O filme é um re­lato da in­va­são da Bielorrússia pe­las tro­pas na­zis du­rante a II Guerra Mundial, e das atro­ci­da­des co­me­ti­das con­tra os al­deões e os <em>par­ti­zans</em> que pe­ga­ram em ar­mas para de­fen­der as terras. À su­per­fí­cie, re­trata a guerra como algo obs­ceno e he­di­ondo. Mas es­te­ti­ca­mente é tão belo que, às tan­tas, a vi­o­lên­cia pa­rece ir­rom­per do filme como uma chama glo­ri­fi­ca­dora, quei­mando a face de quem está a assistir. (<a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&#038;v=6HCTIUx1Arc" target="_blank">Trailer</a>)</p><p> </p><h3>Asas do Desejo</h3><p><img src="http://www.bitaites.org/videos/wings.jpg" width="616" height="346" alt="Asas do Desejo" class="alignnone" /></p><p>Se nunca vi­ram este filme vejam-no, por fa­vor. Belíssimo e emo­ci­o­nante, um dos meus fil­mes de ca­be­ceira. E não se dei­xem en­ga­nar pela pin­dé­rica adap­ta­ção que Hollywood fez uns anos mais tarde com o Nicholas Cage… Refiro-me ao ori­gi­nal ale­mão, fil­mado numa Berlim ainda di­vi­dida ao meio pelo Muro e re­pleta de an­jos da guarda — alguns flutuando estoicamente nas nossas consciências, outros sucumbindo ao amor e caindo à Terra.</p><p><a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&#038;v=BmmcurcMoIc" target="_blank">Em vídeo</a>: um «falso» teledisco dos Radiohead com as ima­gens deste filme extraordinário.</p><p> </p><h3>Solaris</h3><p><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/tumblr_m1xhelzswV1qf7r5lo1_1280.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-67716" alt="Solaris" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/tumblr_m1xhelzswV1qf7r5lo1_1280.jpg" width="608" height="575" /></a></p><p>A his­tó­ria de uma es­ta­ção es­pa­cial or­bi­tando o pla­neta Solaris, onde o único ser vivo é um oce­ano in­te­li­gente, é a mais co­nhe­cida do escritor de ficção científica Stanislav Lem e foi adaptada por Andrei Tarkovski em 1972 (não gosto muito da versão de Steven Soderbergh, de 2002).</p><p>A forma como esse oce­ano in­te­rage com os ci­en­tis­tas que o ten­tam es­tu­dar re­flete a vi­são de um en­con­tro com uma exis­tên­cia po­de­rosa e quase ina­tin­gí­vel, ca­paz de to­car a alma dos ci­en­tis­tas sem re­le­var qual­quer tipo de mo­ra­li­dade ou juízo hu­mano. A um dos ci­en­tis­tas faz sur­gir um amor per­dido: a mu­lher fa­le­cida há muito, agora uma ré­plica per­feita, es­pe­lho da sua pró­pria me­mó­ria, mas imor­tal e auto-consciente, do­tada de uma força e re­sis­tên­cia sobre-humanas.</p><p>Essas ré­pli­cas têm uma exis­tên­cia boa ou má? Qual a sua fi­na­li­dade? A res­posta não se en­con­tra ao al­cance dos con­cei­tos hu­ma­nos — e é essa au­sên­cia de res­posta com sen­tido mo­ral que, a pouco e pouco, vai en­lou­que­cendo toda a tripulação.</p><p> </p><h3>A vossa lista de filmes inesquecíveis</h3><p>Reduzir esta lista a cinco filmes é cruel, claro – podia ter incluído o <em>Magnolia</em>, os dois primeiros Padrinhos, <em>Era Uma Vez na América</em>, <em>A Árvore da Vida</em> ou <em>Cidade de Deus</em>, entre muitos outros – o que não faltam são bons filmes e temos uma caixa de comentários pronta a receber mais obras para a lista dos inesquecíveis.</p><p>Sendo assim, meus caros, digam lá quais os filmes que nunca mais conseguiram esquecer?</p> <div class="feedflare">
<a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=SnHqoZ-d9Ng:u5IBducBnLA:yIl2AUoC8zA"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?d=yIl2AUoC8zA" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=SnHqoZ-d9Ng:u5IBducBnLA:qj6IDK7rITs"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?d=qj6IDK7rITs" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=SnHqoZ-d9Ng:u5IBducBnLA:D7DqB2pKExk"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?i=SnHqoZ-d9Ng:u5IBducBnLA:D7DqB2pKExk" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=SnHqoZ-d9Ng:u5IBducBnLA:V_sGLiPBpWU"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?i=SnHqoZ-d9Ng:u5IBducBnLA:V_sGLiPBpWU" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=SnHqoZ-d9Ng:u5IBducBnLA:gIN9vFwOqvQ"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?i=SnHqoZ-d9Ng:u5IBducBnLA:gIN9vFwOqvQ" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?a=SnHqoZ-d9Ng:u5IBducBnLA:-BTjWOF_DHI"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/bitaites/blog?i=SnHqoZ-d9Ng:u5IBducBnLA:-BTjWOF_DHI" border="0"></img></a>
</div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bitaites/blog/~4/SnHqoZ-d9Ng" height="1" width="1"/>]]></content:encoded><description>Todos temos filmes que nunca mais esquecemos – às vezes por os acharmos de grande qualidade, outras por os associarmos a momentos importantes da nossa vida. Ocasionalmente, pelas duas razões. Sem mais delongas, seguem-se cinco dos filmes que nunca esquecerei na vida — e porquê.   The ShiningÉ um clássico de terror do mestre Kubrik, mas durante &lt;a href="http://www.bitaites.org/pessoal/5-filmes-que-nunca-mais-se-esquecem/"&gt; read more &lt;span class="meta-nav"&gt;Continuar &amp;#187;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;</description><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.bitaites.org/pessoal/5-filmes-que-nunca-mais-se-esquecem/feed/</wfw:commentRss><slash:comments xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/">38</slash:comments><feedburner:origLink>http://www.bitaites.org/pessoal/5-filmes-que-nunca-mais-se-esquecem/</feedburner:origLink></item><item><title>6 fotos, 6 mulheres</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/bitaites/blog/~3/tOV-EhrJcX0/</link><category>Artamente</category><category>Fotografia</category><category>Homens</category><category>Mulheres</category><category>Vida</category><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Marco Santos</dc:creator><pubDate>Thu, 16 May 2013 19:37:13 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">http://www.bitaites.org/?p=67693</guid><content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<p>As imagens que se seguem são fotos inesquecíveis. Têm em comum o facto de terem sido tiradas por mulheres ou terem uma mulher como principal protagonista.</p><p>Da mu­lher que en­fren­tou as ba­las para fo­to­gra­far uma guerra à que en­fren­tou a fú­ria de um com­pa­nheiro ciu­mento, as fo­tos do­cu­men­tam mo­men­tos bi­zar­ros, trá­gi­cos, in­qui­e­tan­tes, de vá­rias épo­cas e mun­dos, ima­gens di­fí­ceis de di­ge­rir, se ca­lhar, mas to­das marcantes.</p><p> </p><h3>Lee Miller na banheira</h3><p><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/med_11-scherman-lee-miller-picture.jpg"><img class="size-full wp-image-67694" alt=" David E. Scherman" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/med_11-scherman-lee-miller-picture.jpg" width="608" height="619" /></a></p><p>Uma mulher lavando-se numa banheira de uma casa qualquer – nada há de extraordinário na cena que a foto retrata.</p><p>É nos pormenores cuidadosamente escolhidos pelo fotógrafo David E. Scherman que percebemos o que a torna intrigante: o retrato de Hitler atrás da modelo, a escultura clássica à frente, as botas da tropa que deixaram manchas de lama no tapete, o uniforme lançado para a cadeira: o mundo de onde veio Lee Miller, a mulher na banheira, está demasiado sujo.</p><p>Nada nestes elementos faria da foto um clássico, mas a casa onde Lee Miller e David E. Scherman se encontram é a de Adolf Hitler: aquela é a sua casa de banho, a sua banheira, o seu tapete que um dia foi imaculadamente branco.</p><p>A foto foi tirada a 30 de abril de 1945, mas por esta época já era longo e sinuoso o percurso de Lee Miller, que tinha 38 anos quando entrou na banheira do ditador nazi.</p><p>Começara a sua carreira como modelo em Nova Iorque, aos 19 anos, mas no final da década de 20 mudara-se para Paris, iniciando uma carreira ainda mais promissora como fotógrafa de moda. Em 1932, regressou a Nova Iorque. Dois anos depois, abandonou uma carreira de sucesso como fotógrafa para casar com um homem de negócios egípcio. Em 1937, cansada de uma vida monótona no Cairo, deixou o marido e regressou a Paris, onde conheceu o segundo homem da sua vida, o pintor surrealista britânico Roland Penrose.</p><p>A guerra alcançou-a em Londres, quando a partir de meados de agosto de 1940 se iniciou a Batalha de Inglaterra – uma gigantesca ofensiva aérea alemã destinada a arrasar as principais cidades ingleses e a moral das populações. Ignorando os pedidos de amigos e familiares para regressar de imediato aos EUA, Miller decidiu tornar-se correspondente de guerra para a <i>Vogue</i>. Os seus primeiros trabalhos documentam os bombardeamentos alemães.</p><p>Em 1942, um mês depois do Dia D, já se encontrava em França. Fotografou a libertação de Paris e os horrores dos campos de concentração em Buchenwald e Dachau. Foi depois de Dachau que ela e o fotógrafo David E. Scherman partiram para Munique, a cidade onde Hitler vivera desde a década de 20, «<em>o berço do terror</em>» cuja queda ambos ansiavam por fotografar.</p><p>Quando lá chegaram, já a cidade caíra às mãos da 45ª Divisão do exército dos Estados Unidos. Sabiam a morada da casa de Hitler e para lá se dirigiram. Depois de comprar o edifício em 1935, o chanceler transformara a cave num abrigo contra bombas e o rés-do-chão e primeiro andar em aquartelamentos para os guardas, fixando-se no último piso.</p><p>Miller e o colega, que por esta altura se tornara seu amante, entraram nos aposentos de Hitler, observando quadros «<i>de arte medíocre</i>», armários «<i>com as iniciais A.H.</i>» e uma mesa de reuniões onde o ditador se sentara, <i>planeando com os seus capangas nazis a implementação da Solução Final</i>». Passaram horas naquela casa, desfrutando dos confortos modernos: a água corria quente nas torneiras, a eletricidade ainda funcionava.</p><p>Pela primeira vez em muito tempo, podiam tomar banho como pessoas normais. E a ideia da foto tomou forma, com Miller afirmando mais tarde que usara a banheira de Hitler para «<i>limpar o pó que trouxera do campo de concentração de Dachau</i>».</p><p>A encenação de fotos não era atividade estranha à dupla de fotógrafos, que horas antes convencera um soldado a deitar-se na cama de Hitler, fingindo que estava a ler um exemplar da famosa auto-biografia política e ideológica do ditador, <i>Mein Kampf</i>.</p><p>O retrato, a estátua, as botas, o uniforme, tudo foi cuidadosamente colocado como se estivessem a preparar uma foto para uma revista de decoração. E Miller ficou colocada entre dois extremos, o monstruoso Hitler e a beleza clássica de uma obra de arte, a mão tocando no ombro com toda a leveza do mundo, o rosto mostrando uma expressão ambígua, quase indecifrável.</p><p>Dachau também tinha os seus próprios «banheiros», recordava-se Miller, aquele em que as vítimas eram forçadas a despir-se, julgando que iriam tomar banho, para depois morrerem gaseadas. E depois, para tornar a ocasião (e a foto) ainda mais memorável, pouco antes da meia-noite receberam a notícia de que Hitler, refugiado no <em>bunker</em> de uma Berlim em ruínas, se suicidara para evitar ser capturado pelos soldados soviéticos. Um mundo temporariamente mais limpo.</p><p> </p><h3>A princesa de cera do III Reich</h3><p><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/lm_2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-67700" alt="Lee Miller" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/lm_2.jpg" width="608" height="611" /></a></p><p>A 30 de abril de 1945, enquanto Lee Miller se lavava dos horrores dos campos de concentração, o Exército Vermelho encontrava-se a dois blocos de apartamentos de distância da Chanceleria do Reich. Enquanto alemães e soviéticos combatiam edifício a edifício, rua a rua, Hitler suicidou-se no seu <i>bunker</i> com um tiro na cabeça.</p><p>Segundo as memórias de um diplomata japonês, o <i>Führer </i>sonhara com um fim mais glorioso: se o inimigo bolchevique alguma vez chegasse a Berlim, embarcaria sozinho num <i>Messerschmitt</i> carregado de bombas e far-se-ia explodir algures sobre o Báltico, sacrificando-se como a heroína Brünnhilde na pira funerária de Siegfried, da ópera de Wagner «<i>O Crepúsculo dos Deuses</i>». Hitler planeara elevar-se aos céus como um deus, mas não passou do sofá de um <i>bunker</i>.</p><p>Muitos alemães se suicidaram à medida que o III Reich se desfazia em ruínas. Aos que assistiram ao último espetáculo da Filarmónica de Berlim – «<em>Crepúsculo dos Deuses</em>», por sinal – foram dadas cápsulas de cianeto. Muitos na audiência as tomaram, preferindo morrer ao som de Wagner do que ao da inspiradora nº 7 de Shostakovich, sinfonia-tributo à cidade-natal, a martirizada Leninegrado cercada pelos nazis durante 872 dias.</p><p>Lee Miller, a modelo-fotógrafa que se sentara na banheira de Hitler, tirou esta fotografia à filha do burgomestre de Leipzig – uma mulher loira, jovem, bonita, que preferiu ser um cadáver imaculado do que um corpo vivo violado pelo inimigo. Toda a família se suicidou.</p><p>Miller, que começou e terminou a carreira como fotógrafa de moda para a Vogue, transformou-a numa princesa de cera. Não é a suástica que vemos, mas o símbolo da Cruz Vermelha Alemã colado no braço, um símbolo que nos ajuda a lembrar que talvez, no fundo, aquela mulher nunca tivesse sido nazi. Uma princesa de cera finalmente liberta de todos os males deste mundo, os lábios entreabertos como se ainda estivesse à espera de um beijo que a fizesse acordar.</p><p> </p><h3>A experiência com Ninalee Craig</h3><div id="attachment_67697" class="wp-caption alignnone" style="width: 618px"><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/022.jpg"><img class="size-full wp-image-67697" alt="Ruth Orkin" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/022.jpg" width="608" height="399" /></a><p class="wp-caption-text"><em></em></p></div><p>Ruth Orkin vi­a­jou para Itália em 1951 com a ideia de re­criar os pro­ble­mas que en­fren­ta­vam as jo­vens mu­lhe­res quando de­ci­diam vi­a­jar so­zi­nhas – en­tre es­tes, li­dar com ho­mens e ra­pa­zes de san­gue quente, san­gue la­tino. Viajou em con­junto com a mo­delo Ninalee Craig, 23 anos, sa­bendo de an­te­mão que tipo de fo­to­gra­fia procurava.</p><p>Queria cap­tar uma si­tu­a­ção ainda vul­gar nos nos­sos dias: uma mu­lher pas­sando pela rua (neste caso a es­quina da <i>Piazza Della Repubblica</i>) su­jeita ao olhar in­tenso dos ho­mens, aos sor­ri­sos, às «bo­cas», às provocações, mas sem se deixar intimidar ou desviar-se do caminho que escolhera.</p><p>O que fez a di­fe­rença en­tre uma fo­to­gra­fia pu­ra­mente en­ce­nada e esta <i>American Girl in Italy</i>? Em vez de re­criar ar­ti­fi­ci­al­mente a si­tu­a­ção em es­tú­dio, Orkin fez uma «ex­pe­ri­ên­cia»: co­lo­cou a be­lís­sima amiga a pas­sar so­zi­nha di­ante de um nu­me­roso grupo de ho­mens ita­li­a­nos e fo­to­gra­fou o que su­ce­deu a se­guir. A fo­to­gra­fia aca­bou por ser­vir a Orkin para ilus­trar um ar­tigo in­ti­tu­lado <i>Don’t Be Afraid to Travel Alone</i>, pu­bli­cado pela re­vista <i>Cosmopolitan</i>.</p><p>Sessenta anos depois do passeio pela <i>Piazza Della Repubblica</i>, a modelo na foto <a target="_blank" href="http://www.today.com/id/44182286/ns/today-today_news/t/subject-american-girl-italy-photo-speaks-out/#.UZVHx5xXlI1" target="_blank">veio explicar</a> que a imagem resultara de muitas horas de diversão. Não se trata de um símbolo de assédio sofrido pelas mulheres, insistiu Ninalee Craig, agora com 83 anos, «<i>mas de alguém que está a passar um tempo absolutamente maravilhoso</i>». A fotógrafa queria demonstrar que uma mulher não devia recear viajar sozinha, ou seja, não deve ter medo de ser independente e colocar-se acima de qualquer olhar.</p><p> </p><h3>A luta de Maggie pela felicidade</h3><p><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/77272.story_x_larg44e.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-67702" alt="Sara Naomi Lewkowicz" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/77272.story_x_larg44e.jpg" width="608" height="416" /></a></p><p>Não era para acabar assim, numa foto tão penosa e angustiante, o homem atacando fisicamente a mulher; uma criança de dois anos, desesperada, incapaz de acabar com a violência.</p><p>A reportagem fotográfica de Sara Naomi Lewkowicz nada tinha a ver com um caso de violência doméstica.</p><p>A ideia, concretizada durante meses, teria sido fotografar Shane e Maggie, no Ohio, e a sua luta diária para reconstruir as suas vidas: Maggie, 20 anos, mãe de duas crianças fruto de uma relação falhada, apostara agora num amor à primeira vista com um ex-presidiário; Shane, 31 anos, crescera num ambiente familiar violento, passara mais de metade da vida na prisão e tentava agora arranjar trabalho, mudar de vida; essa nova vida, garantira, só seria possível com Maggie.</p><p>Shane, depois de sair de uma prisão real, enfrentava agora o estigma do seu passado, uma prisão metafórica que muitos na sua situação sentem. Era esse o tema principal da reportagem.</p><p>Sem conseguir arranjar trabalho, Shane era incapaz de lidar com as tensões em casa: os ciúmes do filho de quatro anos de Maggie, com quem disputava quase infantilmente as atenções da mãe e mulher.</p><p>As pequenas discussões, lutas, ciúmes, zangas, reconciliações e rotinas foram documentadas pela fotógrafa durante meses.</p><p>A enorme tatuagem no pescoço onde exibia o nome da companheira e a relação mais carinhosa com a filha, de dois anos, davam a Maggie a esperança de que a vida tranquila e estável com que sempre sonhou ainda pudesse vir a acontecer, ao lado de Shane.</p><p>Depois de uma noite em que finalmente puderam sair os dois juntos, Shane explodiu num ataque incontrolável de ciúmes e tornou-se violento. Confrontou Maggie, cercou-a, empurrou-a, gritou, ameaçou, indiferente aos apelos da mulher que o avisava, aos soluços, «<i>por favor, Shane, a criança está a assistir a isto tudo</i>».</p><p>A fotógrafa Sara Naomi Lewkowicz aproveitou um momento de distração de Shane para pegar no telemóvel e chamar a polícia. Depois o instinto profissional sobrepôs-se e continuou a fotografar até à chegada dos agentes. Shane foi levado pelos polícias, enquanto suplicava a Maggie para não apresentar queixa; Maggie chorou, mas não cedeu.</p><p>Shane voltou para a prisão e Maggie, uma vez mais, foi forçada a recomeçar. Autorizou a fotógrafa a publicar todas as fotos, sem exceção, «<i>como exemplo para outras mulheres</i>», e mudou-se para outra cidade, longe do homem por quem arriscou tudo. A sequência completa de fotos foi publicada <a target="_blank" href="http://www.fotovisura.com/user/Saranaomiphoto/view/shane-and-maggie-3" target="_blank">neste site</a>.</p><p> </p><h3>A morte da mulher formosa</h3><p>A 29 de abril de 1979, uma mu­lher pres­tes a mor­rer de­cide atra­ves­sar a Avenida Chapultepec pela rua Monterrey, uma das mais mo­vi­men­ta­das da Cidade do México.</p><p>Trinta e quatro anos de­pois já pouco se co­nhece dela, ex­ceto o nome, a be­leza e a ele­gân­cia, que sobreviveram.</p><p>Enquanto Adela Legarreta Rivas atra­vessa a rua, o con­du­tor de um Datsun branco passa um cru­za­mento com o si­nal ver­me­lho e em­bate nou­tro carro.</p><p>Deste ho­mem tam­bém nada se co­nhece, ex­ceto o sexo e a cri­mi­nosa im­pru­dên­cia. Perde o con­trole do Datsun e apa­nha Adela em cheio, lançando-a con­tra um poste.</p><p><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/adele.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-67699" alt="Enrique Metinides" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/adele.jpg" width="608" height="388" /></a></p><p>Este poste, esta mu­lher.</p><p>O ho­mem que cap­tou o mo­mento em que Adela mor­reu como uma so­prano numa tra­gé­dia de ópera fo­to­gra­fara o seu pri­meiro ca­dá­ver aos doze anos.</p><p>O pai ti­nha uma loja que ven­dia má­qui­nas fo­to­grá­fi­cas e fa­zia re­ve­la­ções, e mu­dou a vida do fi­lho quando lhe co­lo­cou uma nas mãos.</p><p>Enrique Metinides, me­xi­cano, grande con­su­mi­dor de fil­mes de <i>gangs­ters</i> ame­ri­ca­nos, plantava-se à porta das de­le­ga­cias para re­criar com a jo­vem câ­mara as ce­nas que via na televisão.</p><p>Aos treze, já tra­ba­lhava para os ta­bloi­des me­xi­ca­nos ávi­dos do san­gue que es­cor­ria abun­dan­te­mente pe­las es­tra­das e ru­e­las do país.</p><p>A <i>nota roja</i>, como é co­nhe­cida a im­prensa sen­sa­ci­o­na­lista no país, deu-lhe fama e uma al­cu­nha: <i>El niño</i>, por ser miúdo e pela tur­bu­lên­cia com que en­fren­tava o pe­rigo só para con­se­guir as me­lho­res fotos.</p><p>Tirou mui­tas em que é pre­ciso um estô­mago forte para su­por­tar o que os olhos veem, mas tam­bém pro­cu­rou ser dis­creto, va­riar o ân­gulo dos acon­te­ci­men­tos mór­bi­dos e san­gren­tos que se re­pe­tiam dia após dia e focar-se tam­bém nos ros­tos dos que as­sis­tiam, com­pondo um qua­dro ge­ral de ví­ti­mas e <i>voyeurs</i> do ma­ca­bro. Estas são as suas me­lho­res fotos.</p><p>Ainda as­sim, «<i>se pu­desse em­pi­lhar to­dos as ví­ti­mas e ca­dá­ve­res que já fo­to­gra­fei, te­ria uma pi­lha com a al­tura de uma mon­ta­nha</i>» — cal­cu­lou ele numa ex­tensa en­tre­vista gra­vada em ví­deo. — «<i>Você não faz ideia os mi­lha­res e mi­lha­res de aci­den­tes que tes­te­mu­nhei ao longo de cin­quenta anos de car­reira, as ve­zes em que tes­te­mu­nhei o ódio e a mal­dade en­tre os ho­mens, o ins­tinto do ser hu­mano de ma­tar por ma­tar</i>».</p><p>Aos 72, é um ho­mem ha­bi­tu­ado à pre­sença dos mor­tos e ao so­fri­mento dos que lhes so­bre­vi­vem, e só ad­mite ter sen­tido «<i>trans­torno</i>» quando se de­pa­rava com cri­an­ças mor­tas em aci­den­tes ou em cir­cuns­tân­cias ainda mais hor­rí­veis – o que lhe acon­te­ceu mui­tas vezes.</p><p>Mas «<i>aquela foto é es­pe­cial</i>» — re­corda ele na mesma en­tre­vista — «<i>por­que a se­nhora não pa­rece es­tar morta</i>».</p><p>O fo­tó­grafo afirma que <i>a se­nhora</i> era uma jor­na­lista e es­tava ali para se en­con­trar com a irmã para se di­ri­gi­rem à apre­sen­ta­ção do seu úl­timo li­vro – daí es­tar tão im­pe­ca­vel­mente ves­tida e ma­qui­lhada; to­dos os ar­ti­gos de jor­nais que con­sul­tei so­bre Enrique Metinides e a sua fa­mosa foto di­zem que Adela, «<i>na ver­dade</i>», era uma atriz mexicana.</p><p><i>Na ver­dade</i>, a ex­cen­tri­ci­dade da foto tor­nou to­dos es­tes por­me­no­res in­sig­ni­fi­can­tes, o que não deixa de ser triste para quem re­al­mente a conheceu.</p><p>Todos os ele­men­tos são a an­tí­tese do que nor­mal­mente se es­pera en­con­trar em ima­gens de aci­den­tes, com os cor­pos en­san­guen­ta­dos, hor­ri­vel­mente mu­ti­la­dos, vi­ra­dos do avesso. Contudo, impressiona.</p><p>A pre­sença da morte nesta foto é tão sub­til que, à me­dida que nos aper­ce­ber­mos dos seus si­nais, nos sen­ti­mos mais afe­ta­dos; um ri­a­cho de san­gue a escorrer-lhe pelo rosto pa­rece cho­car mais do que os la­gos ver­me­lhos que ba­nham as mar­gens dos con­ti­nen­tes inex­plo­ra­dos da morte.</p><p>Como re­fere um ar­tigo no site <i>Iconic Photos</i>, «<i><a target="_blank" href="http://iconicphotos.wordpress.com/2011/07/01/death-of-a-beautiful-woman/" target="_blank">Death of a Beautiful Woman</a></i>», olha­mos para a foto e jul­ga­mos es­tar pe­rante uma en­ce­na­ção ao estilo da <i>United Colors of Benetton</i> ou uma ima­gem edi­to­rial, cheia de <i>gla­mour</i>, da re­vista <i>Face</i>: a ex­pres­são do rosto, o olhar se­reno, «<i>o ca­belo tão ma­cio, as unhas ver­me­lhas e cui­da­das, a pul­seira bri­lhante, a bolsa, o ho­mem da Cruz Vermelha inclinando-se so­bre a mu­lher para a co­brir com um ca­saco</i>»</p><p>tão so­lí­cito como um ca­va­lheiro pro­cu­rando pro­te­ger a sua don­zela do frio.</p><p> </p><h3>A última sessão de Marilyn</h3><p><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/Schiller_Marilyn-Monroe-color-HIGH-RES.jpg"><img class="size-full wp-image-67698" alt="Lawrence Schiller" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/Schiller_Marilyn-Monroe-color-HIGH-RES.jpg" width="608" height="426" /></a></p><p>Marilyn Monroe es­tava no seu úl­timo ano de vida, «<i>ele­gante e bo­nita como nunca an­tes estivera</i>».</p><p>Estas pa­la­vras são do ar­gu­men­tista, pro­du­tor e fo­tó­grafo Lawrence Schiller, o ho­mem que fi­cará co­nhe­cido por ter re­gis­tado para a pos­te­ri­dade o mo­mento em que pela pri­meira vez uma grande e desejável es­trela de Hollywood se des­piu por com­pleto para as câmaras.</p><p>Em Abril de 1962, Marilyn Monroe ini­ciou as fil­ma­gens de um <i>re­make</i> de um an­tigo su­cesso da 20th Century Fox, <i>My Favorite Wife</i>. A ideia era fil­mar uma co­mé­dia ro­mân­tica, mas o que fi­cou para a his­tó­ria fo­ram os trá­gi­cos mo­men­tos de Marilyn, con­su­mida por an­ti­de­pres­si­vos e bar­bi­tú­ri­cos, in­ca­paz de en­con­trar um ca­mi­nho que lhe per­mi­tisse se­guir em frente com a sua vida: apa­nhou uma grave in­fe­ção res­pi­ra­tó­ria que a dei­xou de­bi­li­tada du­rante al­gum tempo e in­ca­paz de tra­ba­lhar. Quando su­pe­rou a do­ença, fal­tou às fil­ma­gens por pro­ble­mas que nin­guém de­se­jou, ou con­se­guiu, entender.</p><p>A 19 de Maio, a «de­sa­pa­re­cida» re­a­pa­rece em Nova Iorque, no Madison Square Garden, para ce­le­brar o 45º ani­ver­sá­rio de John F. Kennedy. Marilyn sobe ao palco para can­tar um in­si­nu­ante <i>Parabéns a Você</i> ao ex-amante e pre­si­dente dos Estados Unidos. Conta-se que o ves­tido que usou era tão justo que teve de ser li­te­ral­mente en­fi­ada den­tro da roupa.</p><p>O es­tú­dio fi­cou ir­ri­tado com o escândalo, mas dei­xou pas­sar. Marilyn re­gressa de Nova Iorque como se ti­vesse re­nas­cido. Chega para fil­mar uma cena à beira da pis­cina. Todos es­pe­ram que seja fil­mada em fato de ba­nho, como prevê o ar­gu­mento, mas Marilyn sur­pre­ende toda a gente: despe-se, nada nua, deleita-se, Marilyn na pose, Marilyn no sor­riso, Norma Jean no olhar. A câmara de Lawrence Schiller, orgásmica, dispara incessantemente.</p><p>Marilyn Monroe, o maior sím­bolo se­xual de Hollywood, era a pri­meira a despir-se di­ante das câ­ma­ras. O filme es­tava fa­dado para o su­cesso, mas dos olhos de Marilyn de­sa­pa­re­ce­ram os re­fle­xos das lu­zes de Nova Iorque e de­pressa a vida se tor­nou baça por razões que ninguém desejou, ou conseguiu, entender.</p><p>As suas fal­tas tornaram-se in­com­por­tá­veis e, em Junho, o es­tú­dio despediu-a. Só a in­ter­ven­ção da co-estrela do filme, o en­tão todo-poderoso Dean Martin, grande amigo de Frank Sinatra, lhe per­mi­tiu re­cu­pe­rar o tra­ba­lho e comprometer-se com um novo pe­ríodo de fil­ma­gens que se ini­ci­a­ria no prin­cí­pio de outubro.</p><p>Demasiado tarde: a 5 de agosto, foi en­con­trada morta na sua casa em <a target="_blank" href="http://www.marilynmonroepages.com/sites/" target="_blank">Brentwood</a>. Embora as es­pe­cu­la­ções so­bre a ver­da­deira causa da sua morte se­jam mui­tas, a ver­são ofi­cial afirma que a atriz mor­reu com uma «<em>over­dose de com­pri­mi­dos</em>» — por ra­zões que nin­guém de­se­jou, ou con­se­guiu, entender.</p> <div class="feedflare">
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</div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bitaites/blog/~4/tOV-EhrJcX0" height="1" width="1"/>]]></content:encoded><description>São seis fotos inesquecíveis que têm em comum o facto de terem sido tiradas por mulheres ou, quando não foi o caso, terem uma mulher como principal protagonista. Da mulher que enfrentou as balas para fotografar uma guerra à que enfrentou a fúria de um companheiro ciumento, as fotos documentam momentos bizarros, trágicos, inquietantes, de várias épocas e mundos, imagens difíceis de digerir, se calhar, mas todas marcantes.</description><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.bitaites.org/artamente/6-fotos-6-mulheres/feed/</wfw:commentRss><slash:comments xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/">7</slash:comments><feedburner:origLink>http://www.bitaites.org/artamente/6-fotos-6-mulheres/</feedburner:origLink></item><item><title>Horizontes longínquos</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/bitaites/blog/~3/klT1CzzXbgM/</link><category>No mundo da Lua</category><category>Astronomia</category><category>Ilustração</category><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">Marco Santos</dc:creator><pubDate>Thu, 16 May 2013 07:13:47 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">http://www.bitaites.org/?p=67548</guid><content:encoded xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"><![CDATA[<div id="attachment_67555" class="wp-caption alignnone" style="width: 626px"><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/lua.jpg"><img class="size-full wp-image-67555" title="Lua" alt="Lua" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/lua.jpg" width="616" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Lua</p></div><p>O que não podemos experimentar compensamos com imaginação – neste caso, com a de Ron Miller, famoso ilustrador de paisagens espaciais, reais e fictícias, «<i>especializado em Astronomia, Ciência, Ficção Científica e Fantasia</i>», como explica o próprio <a target="_blank" href="http://www.black-cat-studios.com/" target="_blank">na sua página</a>.</p><p>Miller partiu do princípio de que, afinal de contas, a montanha sempre vem a Maomé, ilustrando a mesma paisagem terrestre para responder à pergunta: e se os planetas do Sistema Solar fossem colocados no lugar da nossa lua, como apareceriam no horizonte? Que tamanho teriam?</p><p>E respondeu da seguinte forma:</p><div id="attachment_67554" class="wp-caption alignnone" style="width: 626px"><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/venus.jpg"><img class="size-full wp-image-67554 " style="border: 0px none;" alt="Vénus" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/venus.jpg" width="616" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Vénus</p></div><div id="attachment_67550" class="wp-caption alignnone" style="width: 626px"><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/marte.jpg"><img class="size-full wp-image-67550 " style="border: 0px none;" alt="Marte" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/marte.jpg" width="616" height="347" /></a><p class="wp-caption-text">Marte</p></div><div id="attachment_67551" class="wp-caption alignnone" style="width: 626px"><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/neptuno.jpg"><img class="size-full wp-image-67551 " style="border: 0px none;" title="Neptuno" alt="Neptuno" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/neptuno.jpg" width="616" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Neptuno</p></div><div id="attachment_67553" class="wp-caption alignnone" style="width: 626px"><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/urano.jpg"><img class="size-full wp-image-67553 " style="border: 0px none;" alt="Úrano" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/urano.jpg" width="616" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Úrano</p></div><div id="attachment_67552" class="wp-caption alignnone" style="width: 626px"><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/saturno.jpg"><img class="size-full wp-image-67552" alt="Saturno" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/saturno.jpg" width="616" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Saturno</p></div><div id="attachment_67549" class="wp-caption alignnone" style="width: 626px"><a target="_blank" href="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/jupiter.jpg"><img class="size-full wp-image-67549" alt="Júpiter" src="http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2013/05/jupiter.jpg" width="616" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Júpiter</p></div><p>Ora está aí algo que daria muito que pensar aos nossos músicos e poetas – gigantescas, brilhantes luas no céu. Com Vénus à mesma distância que a Lua, muitas das noites estariam mais iluminadas do que os nossos dias sombrios de inverno. E no caso de Júpiter seríamos nós a lua, para começar.</p><p>A presença do maior planeta do Sistema Solar sobre as nossas cabeças impressiona. Teria sido muito pouco provável a sobrevivência de poetas ou músicos num mundo assim, a não ser que tivéssemos ganho resistências à intensa radiação do planeta ou uma civilização pudesse edificar-se à revelia da força gravitacional exercida pelo gigante – neste caso, contudo, já não seríamos seres humanos, mas outra coisa qualquer.</p><p>E a paisagem não seria tão tranquila como uma noite de verão: aqueles montes pacíficos seriam vulcões em erupção e a estrada dificilmente se manteria tão lisa, devido à gravidade do gigante gasoso. E os oceanos? Nem consigo imaginar a intensidade das nossas marés altas com aquele monstro nos céus a «puxar» por elas.</p> <div class="feedflare">
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</div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bitaites/blog/~4/klT1CzzXbgM" height="1" width="1"/>]]></content:encoded><description>O que não podemos experimentar compensamos com imaginação – neste caso, com a de Ron Miller, famoso ilustrador de paisagens espaciais, reais e fictícias, «especializado em Astronomia, Ciência, Ficção Científica e Fantasia», como explica o próprio na sua página. Miller partiu do princípio de que, afinal de contas, a montanha sempre vem a Maomé, ilustrando a &lt;a href="http://www.bitaites.org/no-mundo-da-lua/horizontes-longinquos/"&gt; read more &lt;span class="meta-nav"&gt;Continuar &amp;#187;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;</description><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.bitaites.org/no-mundo-da-lua/horizontes-longinquos/feed/</wfw:commentRss><slash:comments xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/">3</slash:comments><feedburner:origLink>http://www.bitaites.org/no-mundo-da-lua/horizontes-longinquos/</feedburner:origLink></item></channel></rss>
