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	<title>Arquivos De lá pra cá - Página 22</title>
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	<description>ESG &#124; Sustentabilidade &#124; Meio ambiente</description>
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	<title>Arquivos De lá pra cá - Página 22</title>
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		<title>EUA: Republicanos defendem carvão &#8220;limpo&#8221; em sua plataforma eleitoral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cintya Feitosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jul 2016 17:37:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dentre os combustíveis fósseis, o carvão é um dos mais utilizados em todo o mundo &#8211; e, consequentemente, um dos que gera maior impacto em termos de emissões de gases de efeito estufa (GEE). A queima de carvão é responsável por 1/3 das emissões globais de GEE e representa quase 70% das emissões associadas à [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Dentre os combustíveis fósseis, o carvão é um dos mais utilizados em todo o mundo &#8211; e, consequentemente, um dos que gera maior impacto em termos de emissões de gases de efeito estufa (GEE). A queima de carvão é responsável por 1/3 das emissões globais de GEE e representa quase 70% das emissões associadas à geração de energia elétrica.</p>
<p>Além das emissões de GEE, a queima desse combustível também libera milhões de toneladas de dióxidos de nitrogênio e de enxofre na atmosfera, substâncias que resultam na precipitação de chuva ácida, com efeitos negativos diretos sobre o meio ambiente e a saúde humana. Pior: segundo <a href="http://www.wwf.eu/?272333/Dark-Cloud">estudo recente</a> de organizações ambientalistas europeias, a poeira gerada por usinas de energia movidas a carvão na Europa tem provocado a morte de cerca de 23 mil pessoas por ano e consumido dezenas de milhões de euros em gastos de saúde.</p>
<p>Ainda assim, para o Partido Republicano norte-americano, o uso de carvão pode ser &#8220;limpo&#8221;. Na sua plataforma para as eleições gerais de novembro, que vem sendo discutida desde o começo do mês, lideranças republicanas se esforçaram para incluir uma citação ao &#8220;carvão limpo&#8221; como um compromisso do partido com setores econômicos que dependem desse combustível, em particular as empresas de exploração e venda de carvão e os produtores de energia elétrica (33% da eletricidade produzida nos Estados Unidos é gerada pela queima de carvão).</p>
<p>&#8220;Eu gostaria de incluir o adjetivo &#8216;limpo&#8217; junto com a palavra carvão, particularmente por causa da tecnologia que temos agora. Assim, [o texto da plataforma ficaria] &#8216;o Partido Democrata não entende que o carvão é uma fonte abundante, limpa, acessível e confiável de energia doméstica'&#8221;, <a href="https://twitter.com/ClimateDesk/status/752608307114901504">recomendou</a> David Barton, delegado republicano do Texas, durante sessão para debate e elaboração da plataforma política que o partido defenderá nas eleições para o Congresso norte-americano e para a Presidência, com o bilionário Donald Trump como seu candidato à sucessão de Barack Obama na Casa Branca.</p>
<p>O setor do carvão em geral sofre uma crise histórica nos Estados Unidos. Nos últimos quatro anos, os preços do combustível caíram quase 75%, precipitando o fechamento de centenas de empresas de exploração e comércio de carvão no país. Em abril passado, a <em>Peabody Energy</em>, líder global no mercado, entregou à Justiça norte-americana pedido de insolvência. Em cinco anos, o valor de mercado da <em>Peabody</em> desabou de US$ 20 bilhões para meros US$ 38 milhões.</p>
<p>&#8220;A indústria americana do carvão é um doente terminal&#8221;, sentenciou a consultoria <em>Carbon Tracker Initiative</em> em <a href="http://www.carbontracker.org/report/the-us-coal-crash/">relatório</a> publicado no começo do ano passado. Em grande parte, a crise do carvão nos Estados Unidos está diretamente relacionada com a disponibilidade de outras fontes competitivas de energia, como gás de xisto, e a maior participação de fontes renováveis de energia, como solar e eólica. Além disso, regulações editadas pelo governo federal norte-americano também afetaram a operação de usinas de energia elétrica movidas a carvão, que foram forçadas a adotar tecnologias para reduzir significativamente suas emissões de GEE.</p>
<p>Considerando as questões ambiental, de saúde pública e de competitividade econômica, por que o Partido Republicano se amarra de forma tão firme ao carvão como combustível para a economia norte-americana?</p>
<p>Primeiro, por uma questão prática: com a decadência do setor, comunidades que dependem da exploração do carvão estão inseguras quanto ao seu futuro. Em 2008, as minas de carvão dos Estados Unidos produziram o recorde de 1,17 bilhões de toneladas de carvão; no ano passado, a produção do setor não passou de 986 milhões de toneladas. Com a queda nos preços e o incentivo menor para a exploração de carvão, diversas minas foram fechadas nos últimos anos, desempregando milhares de pessoas em todo o país &#8211; muitas trabalharam na exploração dessas minas por décadas, o que significa que não possuem treinamento e capacitação para realizar outro tipo de trabalho além da mineração. Em tempos eleitorais, esse contingente de pessoas descontentes com o momento atual (e, consequentemente, com a condução do governo federal sob o democrata Barack Obama) pode ser interessante para os republicanos conseguirem apoio político para seus candidatos na eleição de novembro.</p>
<p>E, segundo, por uma questão conceitual: ainda que a base republicana comece a manifestar preocupação com a mudança do clima gerada pelas atividades humanas, a questão climática está muito distante de ter relevância política dentro do Partido Republicano. Historicamente, os republicanos são reticentes a agendas ambientais em geral, principalmente a climática.</p>
<p>Os republicanos foram o principal obstáculo que inviabilizou a participação dos Estados Unidos no Protocolo de Quioto. No final do governo Bill Clinton (1993-2001), o partido rejeitou ratificar a assinatura do acordo climático pelo Congresso norte-americano. Com a eleição de George W. Bush (2001-2009), o governo dos Estados Unidos praticamente congelou todos os seus esforços para contenção de emissões no país.</p>
<p>Nos últimos anos, o partido caminhava para um entendimento sobre o desafio da mudança do clima, pressionado principalmente por suas bases eleitorais no setor privado e nas grandes cidades. Entretanto, a emergência de Donald Trump como candidato republicano à Presidência em 2016 reverteu essa tendência e reforçou o preconceito político do partido com a questão climática.</p>
<p>Em <a href="http://pagina22.com.br/2016/05/18/eua-trump-promete-renegociar-acordo-de-paris-caso-seja-eleito/">maio passado</a>, Trump afirmou que deseja renegociar o Acordo de Paris caso ele seja eleito presidente no final do ano. Segundo Trump, o tratado atual prejudica propositadamente os interesses norte-americanos e favorece países como a China. Pouco antes, seu principal assessor em matéria de energia, o deputado Kevin Cramer, causou polêmica ao defender o estabelecimento de uma taxa &#8220;muito modesta&#8221; de carbono para financiar pesquisa em &#8220;energia fóssil limpa&#8221;.</p>
<p>Em contraposição à reticência republicana, o Partido Democrata se prepara para colocar a questão climática dentro do debate político nas eleições de novembro. Nas discussões sobre a plataforma eleitoral do partido para 2016, os democratas encaminharam compromissos em torno do estabelecimento de taxação sobre emissões (<em>carbon tax</em>) e de regras mais duras para o <em>fracking</em> hidráulico (método que possibilita a extração de combustíveis líquidos e gasosos do subsolo, bastante difundido para a exploração de gás de xisto) &#8211; resultado da pressão de aliados do senador independente e ex-candidato democrata Bernie Sanders sobre representantes da ex-senadora e ex-secretária de Estado Hillary Clinton, candidata democrata presuntiva à Presidência dos Estados Unidos.</p>
<p>Nos dois partidos, a plataforma final para as eleições será definida apenas nas convenções nacionais, no final de julho, quando Trump e Clinton serão oficializados como candidatos à sucessão de Barack Obama.</p>
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		<title>Ativismo digital, emoção e trolagem</title>
		<link>https://pagina22.com.br/2016/06/24/ativismo-emocao-e-trolagem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Flavia Pardini]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jun 2016 21:21:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre o extremismo conectando o Ocidente e o Oriente e o gelo que derrete no Ártico, afloram novos modos de instigar o ativismo nos cidadãos do mundo. As campanhas cheias de números e dados científicos, depoimentos de especialistas e pessoas influentes, abrem espaço para cada um se conectar de modo mais emocional à situação do [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre o extremismo conectando o Ocidente e o Oriente e o gelo que derrete no Ártico, afloram novos modos de instigar o ativismo nos cidadãos do mundo. As campanhas cheias de números e dados científicos, depoimentos de especialistas e pessoas influentes, abrem espaço para cada um se conectar de modo mais emocional à situação do outro, distante, inatingível. E esse outro pode ser tão estranho quanto um estrangeiro que jamais conheceremos ou tão exótico quanto uma paisagem que jamais visitaremos. O que têm em comum é que ganham voz e provocam reação pelas vias digitais.</p>
<p><img loading="lazy" class="alignright" src="http://www.momondo.pt/inspiracao/wp-content/uploads/2016/05/760x472-blog-post-v2.jpg" width="325" height="202" />Um primeiro exemplo emblemático é da campanha <a href="https://www.momondo.com.br/letsopenourworld/dna">The DNA Journey</a> (A Jornada do DNA), em que pessoas de diferentes origens foram convidadas a falar sobre de onde vêm e de outras terras e povos que não gostam. O passo seguinte, cuspir num potinho e esperar que um teste genético revelasse a verdadeira origem de cada um. Não foram poucos que se descobriram descendentes daqueles que criticaram, evocando uma epifania sobre a irracionalidade dos desafetos e violências entre povos. Reação emotiva dos dois lados da tela, o vídeo e a campanha viralizaram e a reflexão brota de quem entra em contato com a peça.</p>
<p>Outro exemplo é o da chamada em defesa do Ártico. O discurso da campanha é que, para dar voz às oito milhões de pessoas que assinaram um <a href="https://www.savethearctic.org/en/voices/">abaixo assinado</a> pela proteção do Polo Norte, o Greenpeace convidou o pianista e compositor Ludovico Einaudi. Enquanto ele flutua com seu piano pelo mar, em meio a blocos de gelo, sua música ecoa e dança com a paisagem do Ártico que, aqui e ali deixa despencar pedaços de geleiras, como se fizesse um dueto com Ludovico. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=dHpHxA-9CVM">O vídeo</a> é belíssimo e o alvo foi pressionar o encontro da Comissão OSPAR (de proteção do ambiente marinho do Atlântico Nordeste), de 20 a 24 de junho, sobre preservação ou exploração do Ártico – ou algo no meio.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/dHpHxA-9CVM" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Assim como os estrangeiros – que poderiam ser potenciais imigrantes ou vítimas de guerras e violência -, o Ártico torna-se um ente vivo, escancarando sua fragilidade que ganha ares de poesia e sofrimento com a ajuda da música, das imagens, das redes. A tecnologia dando voz à natureza.</p>
<p><img loading="lazy" class="alignright" src="https://i.guim.co.uk/img/static/sys-images/Guardian/Pix/pictures/2015/11/30/1448892936164/e94bb335-b0d1-40e7-ad17-17726399ce53-620x372.jpeg?w=860&amp;q=55&amp;auto=format&amp;usm=12&amp;fit=max&amp;s=1b6ff38c7abb8c55a6d437186c5ad642" width="215" height="129" />E há casos em que as vozes de humanos, da natureza e dos dispositivos tecnológicos se juntam em uma só para mostrar que por trás do descaso socioambiental existe sentimento. É o exemplo da <a href="https://www.theguardian.com/cities/2015/dec/01/unloved-city-rivers-world-your-pictures-stories">campanha do The Guardian</a> que busca fotos e histórias para revelar os “rios sem amor pelo mundo”.</p>
<p>Mas se não pintar criatividade e recursos para acessar a emoção individual pela coletividade das redes? Sempre pode-se recorrer a uma boa trolagem. De um <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rw9bqkXj7Zc">caminhante branco do “Game of Thrones”</a> tragado pelo gelo que se parte sob os pés, a um escritório em que as temperaturas vão às alturas, mas a chefe insiste ignorar o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=jGt5IRN62so">ambiente que derrete</a>. Jeitos de falar sobre as mudanças climáticas pelo riso e não pelo tom de catástrofe e cientificismo que muitas vezes espantam mais do que agregam. O foco é impulsionar a campanha e dialogar com o mundo das redes; a conscientização pode vir como efeito colateral.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/jGt5IRN62so" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/Rw9bqkXj7Zc" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Olhos e lentes</title>
		<link>https://pagina22.com.br/2016/06/13/olhos-e-lentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Flavia Pardini]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jun 2016 13:16:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Montanhas de gelo flutuam e deslocam-se pela superfície de Plutão. Micróbios na água, na terra e nos corpos humanos tornam-se o objeto de uma ousada exploração científica. Marte marca um ponto preto atrevido em frente ao sol. Aranhas-pavão são apresentadas ao mundo em cor e movimento. Nem ficção científica, nem LSD. Esses foram acontecimentos curiosos [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Montanhas de gelo flutuam e deslocam-se pela superfície de Plutão. Micróbios na água, na terra e nos corpos humanos tornam-se o objeto de uma ousada exploração científica. Marte marca um ponto preto atrevido em frente ao sol. Aranhas-pavão são apresentadas ao mundo em cor e movimento.</p>
<p>Nem ficção científica, nem LSD. Esses foram acontecimentos curiosos do mês de maio de 2016. Revelam uma mistura de desejo de conhecimento, mistério e encantamento nos rumos da relação humana com o meio ambiente. Também indicam o Impulso de dominar por um lado e compartilhar por outro. Muitas interpretações caberiam aqui. Seja como for, são desdobramentos da longa e íntima conexão do <em>Homo sapiens</em> com a tecnologia.</p>
<p>Por exemplo, a possibilidade de alcançar além da visão do corpo físico, seja no micro ou no macro, conecta nossos olhos a dispositivos os mais variados, desde &#8211; pelo menos – Galileu Galilei. Combinar os olhos com lentes, com o eletrônico, com o digital abriu horizontes fantásticos, ampliando o conhecimento sobre o universo que habitamos. E, ao mesmo tempo, deixou o ser humano miúdo, miúdo. Menos que poeira cósmica entre estrelas. Tão relevante quanto os micróbios que compõem seu corpo e sem os quais não vive. Poesia de sobra em uma centelha de vida.</p>
<p><a href="http://www.bbc.com/portuguese/geral-36416206"><img loading="lazy" class="alignleft wp-image-40484 size-medium" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/06/ft_2016_ex_p22_aranha_pavao_BBC_BRASIL-300x168.png" alt="ft_2016_ex_p22_aranha_pavao_BBC_BRASIL" width="300" height="168" srcset="https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/06/ft_2016_ex_p22_aranha_pavao_BBC_BRASIL-300x168.png 300w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/06/ft_2016_ex_p22_aranha_pavao_BBC_BRASIL-150x84.png 150w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/06/ft_2016_ex_p22_aranha_pavao_BBC_BRASIL-450x252.png 450w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/06/ft_2016_ex_p22_aranha_pavao_BBC_BRASIL.png 480w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></p>
<p>Superamos a decisão da inquisição, de maio de 1611, de questionar as observações de Galileu Galilei com seu telescópio. Chegamos a maio de 2016 com <a href="http://www.nasa.gov/press-release/from-mountains-to-moons-multiple-discoveries-from-nasa-s-new-horizons-pluto-mission/">fotos da Nasa</a> revelando em Plutão possíveis fragmentos de água congelada de montanhas que flutuam sobre um mar de nitrogênio. A Casa Branca lançando a <a href="http://www.theatlantic.com/science/archive/2016/05/white-house-launches-the-national-microbiome-initiative/482598/">National Microbiome Initiative</a> – NMI (Iniciativa Nacional de Microbiomas), unindo o governo norte-americano, diversas instituições de pesquisa e uma infinidade de microscópios, câmeras e telas num esforço gigantesco para estudar microrganismos em seres vivos, nos solos, em oceanos. Imagens do <a href="http://www.popsci.com/watch-mercury-travel-across-sun-today">trânsito de Marte</a> mais próximo à Terra, diante do sol, na última década. E um <a href="http://www.bbc.com/portuguese/geral-36416206">vídeo</a> da exótica aranha-pavão na BBC Brasil.</p>
<p>Uma sensação de onipresença, talvez. Uma ampliação do alcance dos sentidos da percepção humana. Um devaneio de que com tecnologia suficiente podemos ser mais do que nossa natureza. Somos livres para cultivar as razões e as crenças que nos deem na telha. Mas qual dessas imagens não se faz a partir do bom e velho corpo vivenciando o mundo com seus cacarecos? Como faziam <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2016/03/1751784-escavacoes-revelam-habitos-de-indios-que-viveram-em-1000-dc-no-sul-do-pais.shtml">nossos ancestrais</a>.</p>
<p>Contemplar ajuda a reconhecer a força da jornada humana no planeta. E pode ajudar também a relativizá-la e repensá-la. O ano de 1610, um antes de Galileu Galilei chacoalhar o mundo, é proposto por alguns pesquisadores como o <a href="http://www.bbc.com/mundo/noticias/2015/03/150312_epoca_antropoceno_1610_cambio_lp">início do Antropoceno</a> – a era geológica que seria marcada pelo alto impacto humano sobre a paisagem e as formas de vida.</p>
<figure id="attachment_40485" aria-describedby="caption-attachment-40485" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/06/ft_2016_ex_landing_of_columbus_Architect_of_the_Capitol.jpg"><img loading="lazy" class="wp-image-40485 size-medium" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/06/ft_2016_ex_landing_of_columbus_Architect_of_the_Capitol-300x197.jpg" alt="Landing of Columbus, por John Vanderlyn (U.S. Capitol)" width="300" height="197" srcset="https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/06/ft_2016_ex_landing_of_columbus_Architect_of_the_Capitol-300x197.jpg 300w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/06/ft_2016_ex_landing_of_columbus_Architect_of_the_Capitol-768x505.jpg 768w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/06/ft_2016_ex_landing_of_columbus_Architect_of_the_Capitol-150x99.jpg 150w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/06/ft_2016_ex_landing_of_columbus_Architect_of_the_Capitol-450x296.jpg 450w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/06/ft_2016_ex_landing_of_columbus_Architect_of_the_Capitol.jpg 780w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-40485" class="wp-caption-text">Landing of Columbus, John Vanderlyn (U.S. Capitol)</figcaption></figure>
<p>Foi datado de 1610 o registro da menor concentração de CO2 em núcleos de gelo de regiões remotas do globo. Nessa época teria havido um pico de regeneração de vegetação nativa no continente, pois dezenas de milhões de ameríndios haviam sido dizimados desde a chegada dos europeus ao continente americano, um século antes. Como a maioria trabalhava a terra para cultivo de alimento, o decréscimo de gente fazendo o manejo fez com que as matas voltassem a crescer, sequestrando carbono da atmosfera que, em parte, ficaria depositado nos núcleos de gelo.</p>
<p>Seguimos nós agora – os vestígios daquelas pessoas, daquelas paisagens, daquelas tecnologias e das interações ocorridas &#8211; escolhendo que caminhos contemplar e trilhar numa história que não é só humana, mas tecnoecológica. E eu me pergunto se nossa vã filosofia e nossas ações dão conta de realizar mais dança e menos embate com os mistérios e as razões que existem entre o céu e a terra.</p>
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		<title>Busca por maior rendimento impulsiona orgânicos na Europa</title>
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		<pubDate>Sun, 15 May 2016 17:55:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>De Berlim &#8211; Uma fonte insuspeita impulsiona a agricultura orgânica na Europa: com a baixa histórica dos preços de produtos agrícolas no Velho Continente, agricultores se convertem para o mercado de orgânicos, que tem rendimentos melhores. Segundo dados da agência francesa Agence Bio, só em 2015 a área de produção orgânica na França cresceu 17%. [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>De Berlim</em> &#8211; Uma fonte insuspeita impulsiona a agricultura orgânica na Europa: com a baixa histórica dos preços de produtos agrícolas no Velho Continente, agricultores se convertem para o mercado de orgânicos, que tem rendimentos melhores. Segundo dados da agência francesa <em>Agence Bio</em>, só em 2015 a área de produção orgânica na França cresceu 17%.</p>
<p>A diferença entre os preços da agricultura convencional e os da orgânica pode ser bastante expressiva. Um exemplo é o leite, que hoje rende cerca de 270 euros por tonelada ao agricultor, mas no mercado orgânico pode chegar a 450 euros. O índice FAO do preço de alimentos, publicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, está em queda desde 2011 e, de fevereiro de 2015 a fevereiro de 2015, sofreu uma queda expressiva de 14,5%.</p>
<p>&#8220;Decidi me converter à agricultura orgânica porque, com o preço do leite em 30 centavos por litro, não consigo mais. A indústria vai nos levar à falência&#8221;, afirma o agricultor Philippe Grégoire, presidente do Movimento Nacional dos Criadores das Regiões (MNER).</p>
<p>Na virada para este ano, havia na França 1,3 milhão de hectares ocupados com orgânicos, dos quais 220 mil foram recentemente convertidos da agricultura convencional para a orgânica. São áreas em que foi abolido o uso de pesticidas, herbicidas e fertilizantes químicos.</p>
<p>Ainda assim, esses dados correspondem a apenas 4,9% do território agrícola francês. Os quase 29 mil produtores orgânicos da França possuem 6,5% das fazendas, mas geram 10% dos empregos do setor. No total, somando também os empregos em distribuição e transformação, o setor orgânico emprega 100 mil pessoas na França.</p>
<p>Frente à ameaça de revoltas de agricultores em vários países da UE, em março, os ministros da Agricultura dos países-membros se reuniram em Bruxelas para discutir medidas que sustentassem os preços agrícolas, em particular do leite e da carne de porco. Diante da sede da Comissão Europeia, agricultores belgas montaram uma &#8220;mini-fazenda&#8221;, com animais e tratores, para pressionar os ministros.</p>
<p>No encontro, ficou decidido que os países-membros da UE poderão instalar cotas de produção agrícola, para provocar uma alta nos preços. Também estão autorizados aumentos de subsídios. Em resposta, o sindicato de agricultores francês Coordenação Rural declarou em nota que &#8220;a montanha da UE deu à luz um camundongo&#8221;. Ou seja, as medidas anunciadas não vão bastar para melhorar a situação dos produtores agrícolas.</p>
<p>Nesse cenário, a agricultura orgânica se expande em todo o continente. Na União Europeia, a produção passou de 3,1% do total de mercadorias agrícolas em 2002 a 5,91% em 2014. Áustria (19,27%), Suécia (16,53%) e Estônia (16,25%) se destacam como os países com a maior área dedicada à agricultura orgânica no continente. Já os maiores consumidores são os alemães, que dedicam 34% de sua cesta de consumo aos orgânicos. Os segundos colocados são os franceses, com 19%.</p>
<p>A Europa é o segundo continente que mais produz agricultura orgânica, com 27% do total. A Oceania é a campeã, com 40%. A América Latina é responsável por 15% dos produtos agrícolas orgânicos do mundo.</p>
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		<title>Economia não tão compartilhada</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Apr 2016 19:18:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Documentário em podcast do projeto Economics for Transition lança uma série de questionamentos interessantes sobre a economia compartilhada. Um deles aponta que o compartilhamento acontece de fato em poucas iniciativas, como o Couchsurfing – plataforma pela qual uma pessoa oferece um lugar em sua casa para um viajante. Uma real economia compartilhada seria mais próxima de [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Documentário em <em>podcast</em> do projeto <a href="http://www.economicsfortransition.org/#!upstream-documentaries/od2y8" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Economics for Transition</a> lança uma série de questionamentos interessantes sobre a economia compartilhada. Um deles aponta que o compartilhamento acontece de fato em poucas iniciativas, como o Couchsurfing – plataforma pela qual uma pessoa oferece um lugar em sua casa para um viajante. Uma real economia compartilhada seria mais próxima de uma economia solidária: benefícios e riscos compartilhados. Seria o caso de cooperativas de trabalhadores, dos agrupamentos de pequenos produtores de energia renovável, das cooperativas que oferecem alojamento e de iniciativas de jardins e hortas comunitárias.</p>
<p>As referências mais conhecidas, entretanto, são plataformas de trabalhos <em>freelance</em>, como a TaskRabbit; locação de recursos físicos, como o Airbnb (voltado a imóveis para temporada); ou ambos, como o Uber (transporte de pessoas em carro particular). O maior atrativo das grandes plataformas está na possibilidade de realizar atividades remuneradas de modo independente e complementando o orçamento doméstico. Mas o documentário alerta para o risco de precariedade do mercado de trabalho e instabilidade para a vida dos prestadores de serviços, que passam a atuar sem benefícios ou regulação definida. De modo geral, muitas iniciativas que hoje são rotuladas como compartilhadas são baseadas em propriedade individual, riscos individuais e enormes benefícios para a empresa.</p>
<p>VOLTA AO MUNDO</p>
<figure id="attachment_39717" aria-describedby="caption-attachment-39717" style="width: 929px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://www.pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/04/web-2.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-39717" src="http://www.pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/04/web-2.jpg" alt="THEDATAMAP" width="929" height="689" srcset="https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/04/web-2.jpg 929w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/04/web-2-300x222.jpg 300w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/04/web-2-768x570.jpg 768w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/04/web-2-150x111.jpg 150w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/04/web-2-450x334.jpg 450w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/04/web-2-500x371.jpg 500w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/04/web-2-674x500.jpg 674w" sizes="(max-width: 929px) 100vw, 929px" /></a><figcaption id="caption-attachment-39717" class="wp-caption-text">THEDATAMAP</figcaption></figure>
<p><strong>Rede para pensar</strong></p>
<p>Na medida em que ficamos mais e mais enredados nas teias digitais comunicativas, também se intensificam os debates a respeito. A P2 Foundation <a href="https://blog.p2pfoundation.net/how-waze-is-endangering-the-traffic-commons/2016/02/10" target="_blank" rel="noopener noreferrer">questiona</a> as camadas de dados acumuladas pelo Waze. A Commons Transition aborda o <a href="http://commonstransition.org/freedom-technologists-and-the-future-of-global-justice/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">papel da internet</a> em mudanças políticas e justiça social. E a Universidade de Harvard lança um <a href="http://thedatamap.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mapa</a> para identificar onde vão parar nossos dados pessoais na rede. Do Brasil, é possível assistir no Vimeo uma <a href="http://bit.ly/1S4yFao" target="_blank" rel="noopener noreferrer">conversa</a> entre Massimo di Felice e Ronaldo Lemos sobre o tema. E na Folha de S.Paulo, uma <a href="http://www1.folha.uol.com.br/tec/2016/02/1738747-aplicativo-ajuda-iranianos-a-escapar-da-policia-da-moralidade.shtml" target="_blank" rel="noopener noreferrer">reportagem</a> sobre aplicativos que ajudam os iranianos a fugir da “polícia da moralidade”. De tudo um pouco para pensar o mundo em rede.</p>
<p>VALE O CLICK</p>
<p><strong>Solar em diferentes tamanhos</strong></p>
<p>Enquanto o <em>The Guardian </em><a href="http://www.theguardian.com/sustainable-business/2016/feb/13/renewable-energy-investment-fossil-fuel-divestment-investor-summit-climate-change?CMP=share_btn_tw" target="_blank" rel="noopener noreferrer">indica</a> que a energia solar está mais viável e pode atrair os grandes investidores em energia fóssil ao redor do mundo, nos vilarejos do Quênia tomam forma projetos de energia solar pré-paga, como relata o<a href="http://www.fastcoexist.com/3055594/powerhive-is-bringing-clean-energy-to-the-developing-world-with-prepaid-solar?partner=socialflow&amp;utm_content=buffer408df&amp;utm_medium=social&amp;utm_source=twitter.com&amp;utm_campaign=buffer" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> Co-Exist</a>, e na Índia seguem as experiências de micro-redes, como mostra a <a href="http://e360.yale.edu/feature/in_rural_india_solar-powered_microgrids_show_mixed_success/2948/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">plataforma e360</a> da Universidade de Yale.</p>
<p><strong>Ativismo com arte</strong></p>
<p>Falar de denúncias e novas ideias demanda criatividade. Para tratar da questão indígena frente às hidrelétricas do Complexo Tapajós, o Greenpeace criou uma <a href="http://revistagreenpeace.org/edicao/4/resistencia/">HQ</a>. Para mobilizar contra a poluição na China, artistas fazem <a href="http://thecreatorsproject.vice.com/blog/artists-and-air-pollution-in-china?utm_source=tcptwitterus">intervenções urbanas</a>. E para sensibilizar sobre os refugiados, a banda Massive Attack incluiu uma <a href="https://www.youtube.com/watch?v=rU1nILTQ7Bg">exposição de fotos</a> em sua nova turnê.</p>
<p><strong>Adaptação amazônica</strong></p>
<p>Entre secas e chuvas torrenciais cada vez mais frequentes, as populações locais da Amazônia têm sido forçadas a encontrar novos meios de sobreviver. Confira em<a href="http://infoamazonia.blogosfera.uol.com.br/2016/02/17/amazonia-extrema-sem-chuva-ribeirinhos-sao-obrigados-a-se-adaptar/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> reportagem</a> do InfoAmazonia.</p>
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		<title>A questão nuclear na Europa chega aos tribunais</title>
		<link>https://pagina22.com.br/2016/03/18/a-questao-nuclear-na-europa-chega-aos-tribunais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[administrador]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Mar 2016 20:25:32 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>De Berlim</em> &#8211; O município alemão de Aachen, de 243 mil habitantes, entrou com um processo em fevereiro contra a usina belga de Tihange, distante a apenas 70 quilômetros da localidade. A usina tem apresentado problemas repetidamente, de microfissuras a vazamentos de água, e sua operação foi interrompida diversas vezes.</p>
<p>“Se vier uma nuvem nuclear de Tihange e chover sobre a cidade, toda a região pode ficar inabitável por muitos anos”, afirma Jörg Schellenberg, porta-voz do Grupo de Ação contra a Energia Atômica de Aachen. A região em torno da cidade conta, no total, cerca de 540 mil moradores. O grupo de Schellenberg apoia o processo contra a usina, assim como municípios de regiões vizinhas na Alemanha e nos Países Baixos.</p>
<p>O processo entra em cena em meio a tensões entre a Bélgica e seus vizinhos (sobretudo Luxemburgo, Países Baixos e Alemanha) por causa das centrais nucleares do país. As usinas belgas estão situadas próximas a fronteiras, o que suscita a atenção dos vizinhos. Além da Tihange, a unidade de Doel, que tem quatro reatores, fica a poucos quilômetros da divisa com os Países Baixos.</p>
<p>O elemento mais polêmico do caso é a decisão do governo belga de desacelerar o processo de abandono da energia nuclear. Em dezembro de 2014, foi aprovada a extensão da vida útil de dois reatores nucleares do país até 2025. Localizadas a 15 quilômetros de Antuérpia, as unidades e Doel 1 e Doel 2 começaram a operar em 1975 e deveriam ser aposentadas entre 2013 e 2015. O reator de Tihange 1 (no total, são três reatores em Tihange) teve a vida útil estendida em 2012: suas atividades, que seriam encerradas em 2015, prosseguirão até 2025, data planejada para o abandono definitivo da energia nuclear na Bélgica.</p>
<p>Em 2003, o governo belga havia se comprometido com a substituição de sua matriz energética. Entretanto, o processo de substituição das fontes de energia não ocorreu com a velocidade necessária. Preocupações com o fornecimento de gás russo, que atravessa o território disputado da Ucrânia, também entraram na equação.</p>
<p>Doel 1 apresentou defeitos em dezembro e novamente em janeiro, levando a paradas automáticas do reator. Doel 3, que também estivera parada para consertos, apresentou defeitos quatro dias depois de voltar à ativa, em 25 de dezembro.</p>
<p>Em janeiro, Johannes Remmel, ministro do Meio Ambiente da região alemã (Bundesland) da Renânia do Norte-Westfália (Nordrhein-Westfalen), fez um pedido à Comissão Europeia para que investigasse a segurança das instalações nucleares da Bélgica. Convidada pelo ministro do Interior belga, Jan Jambon, a ministra do Meio Ambiente dos Países Baixos visitou as instalações de Doel em janeiro e manifestou preocupação com a idade da quadragenária usina.</p>
<p>Uma petição lançada no site Avaaz obteve mais de 1,1 milhão de assinaturas, exigindo avanços na direção do fechamento definitivo de Tihange. O título dramático da petição pergunta: “Poucas horas para evitar um novo Chernobyl?”</p>
<p>A empresa responsável pela exploração da energia nuclear belga, a Electrabel, é filial da francesa Engie. Em 8 de março, a Justiça belga decidiu que a reabertura das usinas de Doel 3 e Tihange 2, contestada por grupos de luta anti-nuclear, não apresenta riscos para a população.</p>
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		<title>Mais energia renovável, menos gastos</title>
		<link>https://pagina22.com.br/2016/03/17/mais-energia-renovavel-menos-gastos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cintya Feitosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Mar 2016 21:07:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Se apenas duplicarmos os investimentos atuais em fontes renováveis de energia em todo o mundo, o potencial de economia de recursos é tamanho que podemos evitar custos com efeitos da poluição atmosférica na casa dos trilhões de dólares &#8211; mais especificamente, US$ 4,2 trilhões por ano até 2030. Esta é a conclusão o relatório REmap: [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Se apenas duplicarmos os investimentos atuais em fontes renováveis de energia em todo o mundo, o potencial de economia de recursos é tamanho que podemos evitar custos com efeitos da poluição atmosférica na casa dos trilhões de dólares &#8211; mais especificamente, US$ 4,2 trilhões por ano até 2030.<br />
Esta é a conclusão o relatório <em>REmap: Roteiro para a Energia do Futuro Renovável</em>, publicado hoje pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, sigla em inglês). De acordo com o documento, os gastos evitados são até 15 vezes superiores aos custos associados à duplicação dos investimentos em fontes renováveis de energia (de 18% para 36% no mix energético global).</p>
<p>&#8220;O que o estudo REmap mostra é que este não é só o caminho mais econômico, mas também o mais social e ambientalmente consciente&#8221;, afirma Adnan Z. Amin, diretor-geral da Irena. &#8220;Ele cria mais empregos e salva milhões de vidas ao reduzir os efeitos da poluição do ar sobre a saúde humana, além de nos colocar no caminho para limitar o aumento da temperatura global a dois graus Celsius, tal como acordado durante a Conferência do Clima de Paris&#8221;.</p>
<p>De acordo com o estudo, os planos nacionais existentes projetam apenas 21% de participação global das energias renováveis até 2030. Para duplicar essa quota, a taxa anual de implantação de energias renováveis precisa aumentar em seis vezes, o que exigiria um investimento anual médio de US$ 770 bilhões até 2030. Com isso, embora o custo do sistema global de energia possa aumentar em US$ 290 bilhões anuais nos próximos 14 anos, mas a economia gerada pelos gastos evitados com os efeitos da poluição atmosférica e das mudanças climáticas será até 15 vezes maior.</p>
<p>O estudo também aponta para o progresso apresentado em energia renovável nos últimos anos, em particular no setor elétrico, mas também indica que setores como transportes, construção civil e indústria ainda estão atrasados na adoção de mais fontes renováveis em seu mix energético. &#8220;A transição energética está bem encaminhado no setor de eletricidade, mas para alcançar metas climáticas e de desenvolvimento global, a próxima fase vai exigir mais foco em transportes, aquecimento e refrigeração&#8221;, explicou Dolf Gielen,  diretor do Centro de Inovação e Tecnologia da Irena. &#8220;Se a duplicação for atingida, esses setores seriam responsáveis por cerca de metade da utilização de energias renováveis em 2030 e por isso devem redimensionar-se dramaticamente para alcançar essa meta.&#8221;</p>
<p><a href="http://www.irena.org/menu/index.aspx?mnu=Subcat&amp;PriMenuID=36&amp;CatID=141&amp;SubcatID=1691" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Clique aqui</a> e saiba mais sobre o relatório da Irena.</p>
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		<title>Economia não tão compartilhada</title>
		<link>https://pagina22.com.br/2016/03/15/economia-nao-tao-compartilhada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Flavia Pardini]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Mar 2016 16:12:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O projeto Economics for Transition lançou a série de documentários em podcast chamada UpStream, para debater temas sobre uma nova economia, com resiliência, justiça social e meio ambiente saudável. O episódio piloto do projeto – que está captando recursos por crowdfunding – teve como foco a chamada economia compartilhada. O documentário radiofônico lança uma série [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O projeto <a href="http://www.economicsfortransition.org/">Economics for Transition</a> lançou a série de documentários em podcast chamada <a href="http://www.economicsfortransition.org/#!upstream-documentaries/od2y8">UpStream</a>, para debater temas sobre uma nova economia, com resiliência, justiça social e meio ambiente saudável. O episódio piloto do projeto – que está captando recursos por crowdfunding – teve como foco a chamada economia compartilhada.</p>
<p>O documentário radiofônico lança uma série de questionamentos interessantes. O primeiro deles vai ao pé da letra ao contestar o uso do termo “compartilhado” para uma série de diferentes iniciativas que não necessariamente têm essa característica. Na tentativa de fazer uma distinção, é citado o <a href="https://www.couchsurfing.com">Couchsurfing</a> como iniciativa de compartilhamento de fato. David Korman, um trabalhador envolvido em diversas plataformas de economia compartilhada, explica que ao oferecer um sofá para um viajante, o anfitrião de fato compartilha sua casa e abre espaço para uma troca de experiências com seu hóspede.</p>
<p><img loading="lazy" class=" size-medium wp-image-39273 alignright" src="http://www.pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/il_2016_lcm_p22_blog_upstream_mar-300x148.png" alt="il_2016_lcm_p22_blog_upstream_mar" width="300" height="148" srcset="https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/il_2016_lcm_p22_blog_upstream_mar-300x148.png 300w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/il_2016_lcm_p22_blog_upstream_mar-1024x504.png 1024w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/il_2016_lcm_p22_blog_upstream_mar-768x378.png 768w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/il_2016_lcm_p22_blog_upstream_mar-150x74.png 150w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/il_2016_lcm_p22_blog_upstream_mar-450x222.png 450w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/il_2016_lcm_p22_blog_upstream_mar-1200x591.png 1200w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/il_2016_lcm_p22_blog_upstream_mar-500x246.png 500w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/il_2016_lcm_p22_blog_upstream_mar-1000x493.png 1000w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/il_2016_lcm_p22_blog_upstream_mar.png 1212w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" />Já a <a href="https://www.taskrabbit.com">TaskRabbit</a>, uma plataforma onde pessoas se oferecem para fazer tarefas do dia-a-dia para outras que estão sem tempo – entre elas lavar roupa, pintar parede, passear com o cachorro – Korman a considera uma plataforma de trabalho, de bicos, e não de compartilhamento.</p>
<p>E por meio do <a href="http://www.lyft.com">Lyft</a> (similar ao <a href="http://www.uber.com">Uber</a>), ele usa o próprio carro para oferecer um serviço, mas não compartilhar o automóvel de fato ou uma experiência – no máximo uma conversa, assim como já acontece no táxi convencional.</p>
<p>Para alguns dos entrevistados no documentário, grande parte dos serviços e empresas que levam o rótulo “compartilhado” integram na verdade uma economia do bico (ou do <em>freela</em>). De modo geral, a ideia é que as pessoas tornam disponíveis seu trabalho e algum recurso físico para fazer um bico e ganhar um dinheiro.</p>
<p><strong>Independência x precariedade</strong></p>
<p>Para algumas pessoas os bicos da economia compartilhada ajudam a levar uma vida mais independente, sem bater cartão, algo que se aproximaria do empreendedorismo. Mas especialistas ouvidos pelo documentário do UpStream alertam que por trás dessa conveniência do trabalhador, existe um caminho fácil para aumentar a precariedade do mercado de trabalho e gerar mais instabilidade para a vida dos prestadores de serviços.</p>
<p>Segundo Keally McBride , professora de política e integrante da Cátedra de Estudos Internacionais da Universidade de San Francisco, a economia do bico seria um produto da iniquidade no mundo – quem não consegue acessar o mercado formal ou não ganha o suficiente para pagar as contas recorre à oferta de serviços online. E geradora de ainda mais iniquidade – os prestadores de serviços arregimentados pelos aplicativos ficam apartados dos benefícios trabalhistas do mercado formal e num limbo regulatório. “Um caldeirão com pitadas de cultura capitalista, hippie, neoliberal e tecnocêntrica”, ironiza McBride.</p>
<p>Ela alerta ainda que o modelo de negócios de empresas como o Uber, que se apoia em trabalhadores e estrutura física que não fazem parte da sua composição, representaria também uma enorme concentração de renda. Por exemplo, o Uber tem cerca de 200 empregados e um valor de mercado de mais de 50 bilhões de dólares.</p>
<figure id="attachment_39272" aria-describedby="caption-attachment-39272" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://www.pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/ft_2016_ex_photowalk_sanfrancisco_thomas_hawk_flickr.jpg"><img loading="lazy" class="size-medium wp-image-39272" src="http://www.pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/ft_2016_ex_photowalk_sanfrancisco_thomas_hawk_flickr-300x200.jpg" alt="San Francisco, Thomas Hawk/Flickr" width="300" height="200" srcset="https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/ft_2016_ex_photowalk_sanfrancisco_thomas_hawk_flickr-300x200.jpg 300w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/ft_2016_ex_photowalk_sanfrancisco_thomas_hawk_flickr-150x100.jpg 150w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/ft_2016_ex_photowalk_sanfrancisco_thomas_hawk_flickr-450x300.jpg 450w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/ft_2016_ex_photowalk_sanfrancisco_thomas_hawk_flickr-500x334.jpg 500w, https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2016/03/ft_2016_ex_photowalk_sanfrancisco_thomas_hawk_flickr.jpg 640w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-39272" class="wp-caption-text">San Francisco, Thomas Hawk/Flickr</figcaption></figure>
<p>A estratégia desse tipo de empresa seria crescer o máximo possível aproveitando lacunas de regulamentação, fazendo crescer a massa de apoiadores que posteriormente ajudarão a defender aquele modelo de negócios. É o que acredita Dale Carlson, ativista da Califórnia que tem se embrenhado na luta contra os efeitos do aplicativo de locação de acomodação para temporada <a href="http://www.airbnb.com">Airbnb</a>. Os efeitos colaterais do Airbnb em São Francisco incluem inflação no mercado imobiliário e inviabilidade de permanência de moradores na cidade, frente aos custos de moradia.</p>
<p><strong>Compartilhado significa solidário</strong></p>
<p>De modo geral, muitas iniciativas que hoje são rotuladas como compartilhadas são baseadas em propriedade individual, riscos individuais e enormes benefícios para a empresa – aponta o documentário. Uma real economia compartilhada seria mais próxima de uma economia solidária, acredita a professora Keally McBride. “As iniciativas solidárias envolvem benefícios compartilhados e riscos compartilhados, como nas cooperativas de trabalhadores, nos agrupamentos de pequenos produtores de energia renovável, cooperativas que oferecem alojamento e em iniciativas de jardins e hortas comunitárias.”</p>
<p>A maioria desses exemplos tem sua origem em crises econômicas e muitos surgiram de iniciativas da América Latina dos anos 80, onde emergiram em resposta à crise econômica na região, nesse período, conforme relata McBride.</p>
<p>O modelo de fato compartilhado para um negócio como o Uber seria que a plataforma fosse propriedade dos trabalhadores e que cerca de 5% da renda do trabalho fosse destinado a sua manutenção e não os 20% retidos pelo Uber atualmente. O diferencial seria a narrativa “o Uber dos empregados”, aposta McBride.</p>
<p>Outra questão na base das grandes companhias da atual economia compartilhada é que a motivação dos trabalhadores para oferecerem seus serviços parece ser individual. O documentário sugere que uma pessoa que não consegue fechar suas contas sente aquilo como um problema seu pessoal e então oferece, de modo individual, seus serviços e seu automóvel ao Uber. Mas se reconhecessem que esse tipo de problema é coletivo, isso poderia facilitar a formação de plataformas solidárias e compartilhadas de fato, num contexto não apenas econômico, mas político também.</p>
<p>Ouça o documentário em inglês na íntegra:</p>
<p><a href="https://soundcloud.com/economicsfortransition/the-sharing-economy">https://soundcloud.com/economicsfortransition/the-sharing-economy</a></p>
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		<title>Abelhas e energia</title>
		<link>https://pagina22.com.br/2016/02/16/abelhas-e-energia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Flavia Pardini]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Feb 2016 18:10:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando se fala em abelhas e sustentabilidade, a questão mais debatida há algum tempo é o declínio das populações deste super polinizador, fundamental para a biodiversidade e a agricultura. Mas novidades na ciência apontam para um enfoque diferente no debate: o armazenamento de energia. Tanto guardar energia como o resíduo produzido pelas baterias se tornou um [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando se fala em abelhas e sustentabilidade, a questão mais debatida há algum tempo é o <a href="http://www.pagina22.com.br/2013/04/01/inseticidas-associados-a-declinio-de-abelhas/">declínio</a> das populações deste super polinizador, fundamental para a biodiversidade e a agricultura. Mas novidades na ciência apontam para um enfoque diferente no debate: o armazenamento de energia.</p>
<p>Tanto guardar energia como o resíduo produzido pelas baterias se tornou um grande desafio para uma economia cada vez mais digital e expandindo para as fontes renováveis como o sol e dos ventos. As <a href="http://www.pagina22.com.br/2015/05/05/a-revolucao-possivel-da-bateria-domestica/">baterias de íons de lítio</a> têm sido a opção preferencial para essa função, mas o custo e impacto sobre o meio ambiente são obstáculos que o mercado tem de encarar ao explorar o lítio.</p>
<p>Se o elemento químico pode ser substituído por materiais baseados em carbono, a eficiência desse tipo de eletrodos ainda deixa a desejar. Outros substitutos como nanotubos e <a href="http://www.pagina22.com.br/2015/09/04/revolucoes-por-minuto/">grafeno </a>trazem a eficiência, mas a um alto custo de produção.</p>
<p>É aí que entram as abelhas. Elas são as grandes extratoras de pólen, cujas mini partículas fariam dele um ótimo material para compor armazenamento de energia, uma vez reduzido a partículas de carbono puro. É o que diz o <a href="http://www.nature.com/articles/srep20290">estudo</a> publicado nos relatórios científicos da Nature sob o título “From Allergens to Battery Anodes: Nature-Inspired, Pollen Derived Carbon Architectures for Room- and Elevated- Temperature Li-ion Storage“ (algo como &#8220;De Alergênios a Ânodos de Bateria: Arquiteturas de Carbono Inspiradas na Natureza, Derivadas de Pólen, para Armazenamento de Li-ion and Temperatura Ambiente e Elevada&#8221;).</p>
<p>O estudo ainda está em fase de análise e modelagem, como informa o site <a href="https://cleantechnica.com/2016/02/08/next-generation-energy-storage-could-lean-on-bees-cattails/">Clean Technica</a>, mas os resultados até aqui são promissores e revelam que as partículas apresentam baixa resistência, o que é estratégico para a composição de baterias. Esse pode se tornar mais um laço entre nós e as abelhas e um motivo adicional para garantir sua conservação &#8230; como se os outros já não fossem suficientes.</p>
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		<title>Imposto sobre refrigerantes ganha impulso global</title>
		<link>https://pagina22.com.br/2016/01/18/imposto-sobre-refrigerantes-ganha-impulso-global/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jan 2016 22:45:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blogs]]></category>
		<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Regina Scharf]]></category>
		<category><![CDATA[hackathons]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um punhado de países, inclusive México, França, Finlândia e Hungria, estabeleceram impostos sobre a venda de refrigerantes para coibir o consumo de bebidas de alto valor calórico e praticamente nenhum valor nutritivo. A Finlândia cobra um valor particularmente alto, 22 euros por litro. No outro lado do espectro está o México, que estabeleceu uma taxa bem [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um punhado de países, inclusive México, França, Finlândia e Hungria, estabeleceram impostos sobre a venda de refrigerantes para coibir o consumo de bebidas de alto valor calórico e praticamente nenhum valor nutritivo. A Finlândia cobra um valor particularmente alto, 22 euros por litro. No outro lado do espectro está o México, que estabeleceu uma taxa bem mais reduzida, de um peso por litro de refrigerante, que levou a uma elevação do preço final ao consumidor da ordem de 10%. Pode parecer pouco, mas <a href="http://dx.doi.org/10.1136/bmj.h6704" target="_blank" rel="noopener noreferrer">pesquisa</a> recente indica que os resultados iniciais da medida foram positivos. O estudo,  feito pelo Instituto Nacional de Salud Pública, do México, e a University of North Carolina, avaliou o padrão de consumo de 50 mil residentes no país para avaliar os impactos da adoção da taxa. Ele indica que houve uma queda de 6% no consumo  ao longo de 2014, primeiro ano do implantação, mais acentuada nas camadas mais pobres da população. <a href="http://eleconomista.com.mx/columnas/salud-negocios/2016/01/13/guerra-estudios-ieps-refrescos" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Outras pesquisas </a>realizadas no México parecem contradizer esse resultado e sugerir que o impacto do imposto sobre as vendas não foi relevante, mas sua amostragem e visibilidade foram bem mais reduzidas.</p>
<p><span style="line-height: 1.75;">Por enquanto só uma cidade americana, Berkeley, na California, estabeleceu uma taxa sobre refrigerantes, no caso 1 centavo de dólar por onça, volume equivalente a 30 mililitros. O diário </span><a style="line-height: 1.75;" href="https://www.washingtonpost.com/opinions/america-needs-a-national-sugar-tax/2015/11/18/e7b91240-8a45-11e5-be8b-1ae2e4f50f76_story.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Washington Post </a><span style="line-height: 1.75;">publicou editorial em dezembro em que reivindica a introdução de um imposto nacional sobre o açúcar, que ampliaria o escopo de taxação.</span></p>
<p>Diversos <a href="http://www.cnbc.com/2015/12/21/asian-countries-consider-raising-taxes-on-sugary-drinks.html">países asiáticos</a>, inclusive Índia, Indonésia e Filipinas, que tiveram um crescimento expressivo das vendas de refrigerantes nos últimos cinco anos,  também estão considerando implantar medidas de âmbito nacional. O governo indiano está avaliando a possibilidade de introduzir uma taxa de até 40% do valor de bebidas adoçadas carbonatadas, num nível comparável ao dos impostos sobre o tabaco e as bebidas alcoólicas. As Filipinas estão em vias de aprovar projeto de lei que estabelece um imposto progressivo. A Indonésia passa por discussão semelhante e a Malásia, embora não estude introduzir impostos, retirou um subsídio ao consumo de açúcar em 2013.</p>
<p>Os opositores do amplo consumo de refrigerantes também enfrentam alguns revezes. A Associação de Fabricantes de Bebidas dos Estados Unidos chegou a investir US$ 16 milhões em atividades de <a href="http://www.politico.com/story/2015/11/war-over-soda-taxes-coming-to-a-polling-place-near-you-216216" target="_blank" rel="noopener noreferrer">lobby</a> para evitar que o estado de Washington estabelecesse um imposto em 2010. Outras dezenas de iniciativas locais e estaduais foram brecadas pela indústria. O Vietnã, que estudava adotar um imposto de 10% sobre o consumo de refrigerantes, engavetou a proposta, sob pressão do setor. E a Dinamarca removeu há dois anos um imposto sobre o açúcar, porque isto estava promovendo a evasão fiscal (os consumidores compravam refrigerantes em países vizinhos).</p>
<p>O mercado global de refrigerantes é estimado hoje em US$ 580 bilhões, sendo que o maior consumidor são o os Estados Unidos, responsáveis por 17% desse valor. Um americano médio consome cerca 170 litros anuais, faixa similar à dos mexicanos. É uma média de meio litro diário. Não por coincidência, estatísticas da Organização Mundial da Saúde indicam que a incidência global de obesidade, diretamente associada ao consumo de refrigerantes, dobrou desde 1980, atingindo 600 milhões de adultos em 2014. O órgãos recomenda reduzir o consumo de refrigerantes para evitar cáries e o excesso de peso que, por sua vez, está associado a doenças cardíacas, hipertensão e diabetes.</p>
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