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	<title>Página 22 » De lá pra cá</title>
	
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	<description>Informações para o novo século</description>
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		<title>Comida impressa</title>
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		<pubDate>Tue, 29 May 2012 23:47:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
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		<description><![CDATA[Qual seria a pegada ecológica dos novíssimos alimentos sintéticos, como o recentemente noticiado bife de laboratório e os pratos produzidos via impressoras 3D?
A sustentabilidade da carne sintética &#8211; produzida a partir de células bovinas musculares e adiposas, multiplicadas em laboratório [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_18513" class="wp-caption aligncenter" style="width: 416px"><a href="http://www.flickr.com/photos/centralasian/3362627368/"><img class="size-large wp-image-18513" title="3d printer" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/05/3d-printer-406x268.jpg" alt="Impressora 3D de alimentos desenvolvida pela Phillips. Foto de CEA/Flickr" width="406" height="268" /></a><p class="wp-caption-text">Impressora 3D de alimentos desenvolvida pela Phillips. Foto de CEA/Flickr</p></div>
<p>Qual seria a pegada ecológica dos novíssimos alimentos sintéticos, como o recentemente noticiado <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1052957-hamburguer-artificial-vai-sair-neste-ano-diz-cientista-holandes.shtml" target="_self">bife de laboratório</a> e os pratos produzidos via impressoras 3D?</p>
<p>A sustentabilidade da carne sintética &#8211; produzida a partir de células bovinas musculares e adiposas, multiplicadas em laboratório &#8211; já foi amplamente discutida e é bastante evidente. O sistema dispensa o uso de pastagens e grandes volumes de água e resolve o problema ético da crueldade contra animais. Também reduz o volume de metano emitido pela pecuária de corte.</p>
<p>E quanto à impressão de comida em 3D, que almeja tornar a indústria de alimentos obsoleta? Será que ela reduziria o desperdício, o uso de embalagens, o transporte de cargas?</p>
<p>Primeiro, entenda essa tecnologia que parece saída de quadrinhos do Flash Gordon: diversos designers e empresas estão desenvolvendo impressoras capazes de combinar porções líquidas ou pastosas de alimentos e temperos diversos. O equipamento, que pode ter uso doméstico ou comercial, promove uma manufatura aditiva. Ou seja, ao contrário do maquinário tradicional, que subtrai materiais, cortando  e derretendo  ingredientes (pense no microondas e no liquidificador),  a impressora empilha e cola partículas para  formar o produto final, seguindo as determinações do programador. Este pode pedir que a máquina mescle determinadas combinações para obter um sabor e um formato específicos. O <a href="http://creativemachines.cornell.edu/" target="_blank">Creative Machines Lab</a>, da Universidade de Cornell, por exemplo, já produziu macarrão na forma de nave espacial e hambúrger com a borda recheada de catchup usando esse tipo de tecnologia. Alguns modelos em desenvolvimento também são capazes de resfriar ou cozinhar a refeição. É o caso da <a href="http://inhabitat.com/mits-digital-food-printer-creates-nutritious-meals/" target="_self">Cornucópia</a>, desenvovida pelo MIT. Enfim, é uma máquina capaz de transformar qualquer um em Ferran Adriá, o chef catalão que reina no mundo da chamada Cozinha Molecular.</p>
<p>Para compreender melhor o princípio, veja este vídeo, que explica o funcionamento de um modelo doméstico de impressora 3D de alimentos que está sendo desenvolvido pela Phillips.</p>
<p><object id="flashObj" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="520" height="404" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /><param name="flashVars" value="videoId=34170598001&amp;playerID=66631060001&amp;playerKey=AQ~~,AAAAAE-uQl8~,SoGg_N-zv696Mr1nwnY73ZV8t85rWl4k&amp;domain=embed&amp;dynamicStreaming=true" /><param name="base" value="http://admin.brightcove.com" /><param name="seamlesstabbing" value="false" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="swLiveConnect" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://c.brightcove.com/services/viewer/federated_f9?isVid=1&amp;isUI=1" /><param name="name" value="flashObj" /><param name="flashvars" value="videoId=34170598001&amp;playerID=66631060001&amp;playerKey=AQ~~,AAAAAE-uQl8~,SoGg_N-zv696Mr1nwnY73ZV8t85rWl4k&amp;domain=embed&amp;dynamicStreaming=true" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed id="flashObj" type="application/x-shockwave-flash" width="520" height="404" src="http://c.brightcove.com/services/viewer/federated_f9?isVid=1&amp;isUI=1" name="flashObj" allowscriptaccess="always" swliveconnect="true" allowfullscreen="true" seamlesstabbing="false" base="http://admin.brightcove.com" flashvars="videoId=34170598001&amp;playerID=66631060001&amp;playerKey=AQ~~,AAAAAE-uQl8~,SoGg_N-zv696Mr1nwnY73ZV8t85rWl4k&amp;domain=embed&amp;dynamicStreaming=true" bgcolor="#FFFFFF"></embed></object></p>
<p>A impressão de comida parece oferecer possibilidades gastronômicas ilimitadas e é possível que ela tenha um impacto revolucionário sobre nossa dieta e sua pegada ecológica. Essa é, pelo menos, a aposta do chef Homaru Cantu, de Chicago, que testou o equipamento na confecção de sushis.  &#8220;Imagine ser capaz de produzir, cozinhar e preparar alimentos sem os  impactos industriais negativos, de fertilizantes a embalagens. A  produção em cadeia de comida seria praticamente eliminada&#8221;, declarou a Andrew Purvis, que escreveu esta semana a respeito no site do diário britânico <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2012/may/18/3d-printers-food-sustainable" target="_blank">The Guardian</a>. Além disso, Cantu acredita que americanos que nunca abririam mão da fast food topariam encarar um hambúrger impresso com vegetais e que imitasse a versão convencional de forma convincente. O entusiasmo do chef quanto às vantagens ambientais e nutricionais da impressão 3D parece não ter limites, mas o fato é que a sustentabilidade da comida sintetizada dependerá de muitas variáveis, como a procedência dos líquidos empregados e a forma como eles serão produzidos.</p>
<p>Os promotores da nova tecnologia parecem crer que ela estará disseminada em meia década. Se isso é verdade, qual será a cara da nova cozinha? Será que ela dispensará forno, microondas, batedeira e liquidificador, tigelas, formas e panelas? E a dispensa, terá ela 30 ou 40 grandes potes com pastas diversas a serem misturadas segundo o gosto do freguês? Será que o lixo será reduzido ao mínimo &#8211; embalagens tamanho-família dos ingredientes pastosos, mas nenhum resto de preparo, como cascas de cebola ou batata? Como isso tudo se imbrica na tendência de valorização da culinária local e das hortas comunitárias e domésticas? O tomate de fundo de quintal se perderá no caminho que leva à mesa?</p>
<p>Tudo isso é fascinante (e um tanto assustador).</p>
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		<title>Economia na arte</title>
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		<pubDate>Fri, 25 May 2012 06:37:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[arte-ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
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		<description><![CDATA[“O que é realmente bom ou ruim para a economia? E por que estamos sempre preocupados com o que é bom para a economia em vez de com o que é bom para as pessoas?”
Esse questionamento fez o artista americano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.iamsomeguy.com/"><img class="alignleft size-large wp-image-18499" title="http://www.iamsomeguy.com/" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Picture-1-365x270.png" alt="http://www.iamsomeguy.com/" width="365" height="270" /></a>“O que é realmente bom ou ruim para a economia? E por que estamos sempre preocupados com o que é bom para a economia em vez de com o que é bom para as pessoas?”</p>
<p>Esse questionamento fez o artista americano Brian Singer, mais conhecido pela alcunha <em><a href="http://www.iamsomeguy.com/index.html" target="_blank">someguy</a></em>, embarcar no projeto The Economy. Ele confeccionou pôsteres e adesivos com dizeres como “obesidade faz bem para a economia”, “natureza faz mal para a economia”, “crime faz bem para a economia”, e distribuiu em 33 países e em todos os estados americanos.</p>
<p>“Eu busco fazer as pessoas pensarem, considerarem e até questionarem suas crenças preconcebidas”, diz ele em seu website.</p>
<p>Em uma conversa com o site <a href="http://www.fastcoexist.com/1679834/nature-is-bad-for-the-economy-this-street-art-makes-you-question-your-values" target="_blank">Fast Co-Exist</a>, <em>someguy</em> explicou porque decidiu chamar a atenção das pessoas para a lógica – nem sempre aparente – sobre a qual nossa economia se equilibra.</p>
<p>“Eu acho que as pessoas são hipócritas (incluindo a mim mesmo). Votamos contra nossos interesses. Pintamos nossas caras e apoiamos apaixonadamente nossos times favoritos, mas não protestamos contra escutas telefônicas sem base judicial. Queremos salvar o mundo, mas só se não der muito trabalho. Dizemos que a religião não tem papel em uma eleição, mas acusamos o Obama de ser muçulmano (o que, da última vez que chequei, não era ilegal). Atropelamos pessoas ao correr loucamente para comprar coisas em liquidação. A observação desse comportamento – que parece estar se acelerando – embasa muitos dos meus projetos”.</p>
<p>Além da <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2009/06/faca-humor-nao-faca-guerra/" target="_blank">arte-ativivismo</a> do projeto The Economy, <em>someguy</em> confecciona obras a partir de pôsteres antigos coletados de postes telefônicos nas ruas – uma das mais recentes foi um painel comissionado por uma das maiores redes de varejo dos EUA, a Target. E desde 2000 pilota o projeto <a href="http://www.1000journals.com/" target="_blank">1000 Journals</a>, que espalhou 1000 diários pelo mundo para quem quisesse compartilhar escritos, pensamentos, desenhos.</p>
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		<title>Castores alemães vão limpar manancial da Mongólia</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2012 16:48:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[gestão de recursos hídricos]]></category>
		<category><![CDATA[Mongólia]]></category>
		<category><![CDATA[rios]]></category>

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		<description><![CDATA[Em meio à explosão de inovação tecnológica que vivemos, uma notícia inusitada sobre a utilização de um recurso tradicional: o trabalho animal não remunerado. Neste caso, o uso de roedores hiperativos na revitalização de bacias hidrográficas.
Catorze castores da Baviera acabaram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_18438" class="wp-caption aligncenter" style="width: 356px"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/File:Beaver_pho34.jpg"><img class="size-large wp-image-18438" title="Beaver_pho34" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Beaver_pho34-346x270.jpg" alt="Castor europeu fotografado por Per Harald Olsen/Wikipedia" width="346" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Castor europeu fotografado por Per Harald Olsen/Wikipedia</p></div>
<p>Em meio à explosão de inovação tecnológica que vivemos, uma <a href="http://ubpost.mongolnews.mn/index.php/community/88888940-community-top/7107-beavers-have-come-to-liven-up-the-tuul-river-surroundings-" target="_blank">notícia inusitada</a> sobre a utilização de um recurso tradicional: o trabalho animal não remunerado. Neste caso, o uso de roedores hiperativos na revitalização de bacias hidrográficas.</p>
<p>Catorze castores da Baviera acabaram de chegar em Ulan Bator, onde terão uma missão difícil: construir barragens que ajudem a descontaminar  o rio Tuul, principal manancial da capital da Mongólia, que tem 1,2 milhão de habitantes. Outros seis castores deverão ser despachados da Alemanha e mais 20 da Rússia para reforçar este contingente. Eles ocuparão o vácuo deixado pela população nativa de castores, que minguou nos últimos anos.</p>
<p>A espécie integra a <a href="http://www.iucnredlist.org/apps/redlist/details/4007/0" target="_blank">Lista Vermelha</a> da União Internacional de Conservação da Natureza (UICN), apesar de estar respondendo bem a uma série de programas de recolonização. No começo do século passado, a população era estimada em apenas 1.200 indivíduos, mas em 2006 as estimativas chegavam a 639 mil indivíduos. A espécie está se tornando cada vez mais comum na Europa e partes da Ásia.</p>
<p>Em Ulan Bator, os castores vão ser aclimatizados e reproduzidos em cativeiro antes de sua introdução no rio Tuul, o  que poderá acontecer só no ano que vem. A expectativa do governo local é que eles construam barragens que elevem o nível do rio e aumentem a irrigação dos solos adjacentes. Entendo que isto também vai ajudar a diluir os poluentes urbanos, agrícolas e industriais. Veja o vídeo ao lado, um documentario produzido pela BBC (em inglês), que mostra como os castores trabalham. Note que eles mencionam que estes animais são capazes de construir barragens de até 1,5 quilômetros. Parece que o dinheiro do contribuinte mongol está sendo bem investido, não?</p>
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		<title>Oportunidades planetárias</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 09:30:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[cidades]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
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		<category><![CDATA[Flavia Pardini]]></category>
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		<description><![CDATA[Em vez de focar apenas nos limites biofísicos do planeta – testados cada vez mais intensamente –, a comunidade científica deveria explorar as sinergias e trocas entre a humanidade e os sistemas que determinam nosso sucesso sobre o planeta. É o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_18376" class="wp-caption alignleft" style="width: 410px"><a href="http://www.flickr.com/photos/72098626@N00/3701530827"><img class="size-full wp-image-18376 " title="http://www.flickr.com/photos/72098626@N00/3701530827" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/05/3701530827_fef5409434.jpg" alt="Foto de Ed Yourdon via Flickr" width="400" height="264" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Ed Yourdon via Flickr</p></div>
<p>Em vez de focar apenas nos limites biofísicos do planeta – testados cada vez mais intensamente –, a comunidade científica deveria explorar as sinergias e trocas entre a humanidade e os sistemas que determinam nosso sucesso sobre o planeta. É o que defende um grupo de pesquisadores em um <a href="Em vez de focar apenas nos limites biofísicos do planeta – testados cada vez mais intensamente –, a comunidade científica deveria explorar as sinergias e trocas entre os homens e os sistemas biofísicos que determinam o sucesso da humanidade no planeta. É o que defende um grupo de pesquisadores em um artigo no prelo sobre as “oportunidades planetárias” e a necessidade de um novo contrato social para que a ciência contribua para um futuro sustentável.  http://ecotope.org/people/ellis/papers/defries_2012_in_press.pdf  Os pesquisadores, liderados por Ruth DeFries, da Universidade de Columbia em Nova York, lembram que a lista de problemas que a humanidade enfrenta devido aos esforços para alimentar e abrigar uma população crescente é longa: mudanças climáticas globais, perda de biodiversidade, excesso de nutrientes em alguns locais e falta em outros, acidificação dos oceanos, depleção de água doce, entre outros.   Enquanto a maioria dos cientistas parece concordar com a avaliação de que a humanidade já teria ultrapassado alguns dos limites planetários e estaria próxima de outros, há quem argumente que a capacidade de inovação humana dará conta não só de continuar usando recursos, mas de mitigar as conseqüências. O grupo encabeçado por Ruth DeFries se coloca no meio caminho entre os dois extremos e defende que os cientistas podem contribuir para achar formas de suprir todas as necessidades humanas e, ao mesmo tempo, minimizar as conseqüências negativas para os sistemas biofísicos.   http://www.nature.com/news/specials/planetaryboundaries/index.html  Para isso, dizem, é preciso que a ciência se disponha a ajudar os tomadores de decisão a enfrentar problemas globais que envolvem sistemas humanos e biofísicos. Uma das formas de fazer isso é reconhecer que a análise científica é apenas parte de um conjunto maior de elementos – econômicos e políticos – que levam a decisões.   Nesse contexto, “a ciência é relevante se a escala da análise vai de encontro com a escala do processo de decisão’, escrevem. “Modelos globais e análises de tendências globais são pontos de partida necessários, mas insuficientes a não ser que venham acompanhados de pesquisa em escala mais refinada sobre necessidades locais e potenciais soluções”.   Os pesquisadores citam alguns espaços abertos para a pesquisa orientada pelas “oportunidades planetárias” e focada em soluções. Entre eles, o crescimento das cidades, uma vez que decisões de longo prazo sobre a infra-estrutura urbana estão sendo tomadas atualmente e o momento é propenso para contribuições da comunidade científica, por exemplo, sobre fluxos de água, energia, nutrientes e dejetos em ambientes urbanos.   http://pagina22.com.br/index.php/2012/05/cidadania-do-mundo/  Outra oportunidade é a formação de instituições para manejar paisagens de forma a sustentar, por exemplo, produtividade agrícola e biodiversidade – nesse caso, os pesquisadores citam como exemplo a moratória da soja na Amazônia. Os autores apontam ainda oportunidades para aumentar a produtividade e minimizar os impactos ambientais de uma incipiente Revolução Verde Africana e a volta a tradicionais formas de reciclagem em sistemas agrícolas para lidar com o excesso de fósforo decorrente do uso de fertilizantes.   http://news.mongabay.com/2012/0110-amazon_soy_pnas.html  http://www.agra-alliance.org/   “A ênfase nos limites biofísicos globais às custas de um foco em soluções realistas é insuficiente, da mesma forma que o são as premissas de que as tecnologias podem sempre resolver problemas ambientais”, reforçam os autores. Para renovar seu contrato com a sociedade, a ciência sobre as mudanças globais precisa focar menos na análise sobre os impactos negativos da humanidade nos sistemas planetários – orientada por fatores biofísicos e escala global – e considerar as necessidades de quem toma decisões, seja em uma residência ou em instituições internacionais.     http://pagina22.com.br/index.php/2009/10/tudo-tem-limite/   " target="_blank">artigo </a>no prelo sobre as “oportunidades planetárias” e a necessidade de um novo contrato social para que a ciência contribua para um futuro sustentável.</p>
<p>Os pesquisadores, liderados por <a href="http://www.columbia.edu/~rd2402/" target="_blank">Ruth DeFries</a>, da Universidade de Columbia em Nova York, lembram que a lista de problemas que a humanidade enfrenta devido aos esforços para alimentar e abrigar uma população crescente é longa: mudanças climáticas globais, perda de biodiversidade, excesso de nutrientes em alguns locais e falta em outros, acidificação dos oceanos, depleção de água doce, entre outros.</p>
<p>Enquanto a maioria dos cientistas parece concordar com a avaliação de que a humanidade já teria ultrapassado alguns dos <a href="http://www.nature.com/news/specials/planetaryboundaries/index.html" target="_blank">limites planetários</a> e estaria próxima de outros, há quem argumente que a capacidade de inovação humana dará conta não só de continuar usando recursos. O grupo encabeçado por Ruth DeFries se coloca no meio caminho entre os dois extremos e defende que os cientistas podem contribuir para achar formas de suprir todas as necessidades humanas e, ao mesmo tempo, minimizar as consequências negativas para os sistemas biofísicos.</p>
<p>Para isso, dizem, é preciso que a ciência se disponha a ajudar os tomadores de decisão a enfrentar problemas globais que envolvem a interface entre sistemas humanos e biofísicos. Uma das formas de fazer isso é reconhecer que a análise científica é apenas parte de um conjunto maior de elementos – econômicos e políticos – que levam à tomada de decisão.</p>
<p>Nesse contexto, “a ciência é relevante se a escala da análise vai de encontro com a escala do processo de decisão’, escrevem. “Modelos globais e análises de tendências globais são pontos de partida necessários, mas insuficientes a não ser que venham acompanhados de pesquisa em escala mais refinada sobre necessidades locais e potenciais soluções”.</p>
<p>Os pesquisadores citam alguns espaços abertos para a pesquisa orientada pelas “oportunidades planetárias” e focada em soluções. Entre eles, o crescimento das <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2012/05/cidadania-do-mundo/" target="_blank">cidades,</a> uma vez que decisões de longo prazo sobre a infra-estrutura urbana estão sendo tomadas atualmente e o momento é propenso para contribuições da comunidade científica, por exemplo, sobre fluxos de água, energia, nutrientes e dejetos em ambientes urbanos.</p>
<p>Outra oportunidade é a formação de instituições para manejar paisagens de forma a sustentar, por exemplo, produtividade agrícola e biodiversidade – nesse caso, os pesquisadores citam como exemplo os resultados da moratória da soja na <a href="http://news.mongabay.com/2012/0110-amazon_soy_pnas.html" target="_blank">Amazônia</a>. Os autores apontam ainda oportunidades para aumentar a produtividade e minimizar os impactos ambientais de uma incipiente <a href="http://www.agra-alliance.org/" target="_blank">Revolução Verde Africana</a>, e a volta a tradicionais formas de reciclagem em sistemas agrícolas para lidar com o excesso de fósforo decorrente do uso de fertilizantes.</p>
<p>“A ênfase nos limites biofísicos globais às custas de um foco em soluções realistas é insuficiente, da mesma forma que o são as premissas de que as tecnologias podem sempre resolver problemas ambientais”, reforçam os autores. Para renovar seu contrato com a sociedade, eles defendem, a ciência sobre as mudanças globais precisa centrar-se menos na análise sobre os impactos negativos da humanidade nos sistemas planetários – orientada por fatores biofísicos e escala global – e considerar as necessidades de quem toma decisões, seja nas residências, seja em instituições internacionais.</p>
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		<title>Depois das sacolas plásticas, os canudos</title>
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		<pubDate>Tue, 15 May 2012 18:17:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>
		<category><![CDATA[plástico]]></category>
		<category><![CDATA[restaurante]]></category>

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		<description><![CDATA[A campanha global contra bens de consumo utilizados apenas uma vez, que tem combatido a distribuição de sacolas por supermercados, começa a se interessar pelos canudinhos, onipresentes em bares e restaurantes.
Canudos são quase sempre dispensáveis, a menos que você tenha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_18359" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><a href="http://www.flickr.com/photos/00dann/213677061/"><img class="size-large wp-image-18359" title="straw" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/05/straw-360x270.jpg" alt="Foto de Dann Toliver/Flickr" width="360" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Dann Toliver/Flickr</p></div>
<p>A campanha global contra bens de consumo utilizados apenas uma vez, que tem combatido a <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2012/03/dura-de-matar/" target="_blank">distribuição de sacolas por supermercados</a>, começa a se interessar pelos canudinhos, onipresentes em bares e restaurantes.</p>
<p>Canudos são quase sempre dispensáveis, a menos que você tenha dificuldade de segurar o copo. Mas ninguém precisa de uma formação freudiana para entender o apelo maternal desse dispositivo usado para mamar sucos e refrigerantes. Canudos também têm algo de lúdico, divertido &#8211; e é muito difícil convencer as crianças (de qualquer idade) de que devem abrir mão deles. A solução que eu encontrei para a minha filha foi oferecer a bomba de chimarrão, que é lavável e funciona tão  bem quanto um canudo convencional, desde que o suco não  seja muito grosso.</p>
<p>Recentemente, 29 restaurantes, bares e hotéis londrinos decidiram <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2012/feb/01/london-restaurants-straw-wars" target="_blank">restringir o uso </a>dos canudinhos. Estes já não são distribuídos automaticamente e só são fornecidos aos clientes que os requisitam. Esses estabelecimentos participam de uma campanha batizada de <a href="http://strawwars.org/" target="_self">Straw Wars</a>, um trocadilho com Star Wars ou Guerra nas Estrelas. Segundo a entidade, a cada dia 3,5 milhões de bebidas com canudos são vendidas pela rede McDonalds na Grã-Bretanha. Eles representam uma parte relativemente pequena dos plásticos descartadas, mas dada sua leveza e suas dimensões reduzidas, são facilmente arrastados para os oceanos e rios.</p>
<p>Iniciativa semelhante foi lançada no ano passado deste lado do Atlântico por Milo Cress, um americano de 10 anos, que começou a campanha <a href="http://bestrawfree.org/" target="_blank">Be Straw Free</a> para minimizar a distribuição de canudos pelos restaurantes do seu estado natal, Vermont.</p>
<p>Alguém se habilita a promover uma iniciativa semelhante no Brasil?</p>
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		<title>Em defesa dos freelancers</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 01:23:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
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		<category><![CDATA[trabalho]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando chamou uma greve geral para 1o de maio passado, o movimento Occupy Wall Street deparou-se com um problema. Em geral, quem organiza greves são os sindicatos, organizações que defendem os direitos dos trabalhadores. Os sindicatos – que hoje representam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-large wp-image-18338" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Picture-2-351x270.png" alt="" width="351" height="270" />Quando chamou uma greve geral para 1<sup>o</sup> de maio passado, o movimento Occupy Wall Street deparou-se com um problema. Em geral, quem organiza greves são os sindicatos, organizações que defendem os direitos dos trabalhadores. Os sindicatos – que hoje representam apenas 12% dos trabalhadores americanos – em grande parte se opuseram às manifestações do 1<sup>o</sup> de maio e, mesmo que não o tivessem feito, teriam tido pouco efeito. A maioria dos que participaram dos <a href="http://www.thenation.com/blog/167666/tens-thousands-march-oakland-new-york-may-day" target="_blank">eventos</a> em várias cidades dos EUA era gente que perdeu o emprego, que trabalha meio período ou independentemente. Esse contingente de <em>freelancers</em> forma um terço da força de trabalho nos EUA e tende a crescer.</p>
<p>São trabalhadores independentes, consultores, empregados temporários – desde tipos criativos que prestam serviço a grandes empresas até baristas, babás e passeadores de cachorro. Basicamente, gente que cria o próprio trabalho e para quem benefícios como férias pagas, fundo de pensão e seguro saúde saíram de cena e provavelmente não vão voltar tão cedo. Alguns optaram por trabalhar independentemente para ter mais flexibilidade e poder fazer o que gostam, mas a grande maioria simplesmente não tem opção.</p>
<p>É o <em>precariat</em>, nas <a href="http://www.bloomsburyacademic.com/view/The-Precariat/chapter-ba-9781849664554-chapter-001.xml" target="_blank">palavras </a>do acadêmico britânico Guy Standing. Segundo ele, a nova classe trabalhadora é caracterizada pela ausência de várias formas de segurança relacionadas ao trabalho comuns sob o capitalismo industrial. Entre elas, segurança quanto a oportunidades de trabalho e de incrementar suas habilidades para obter trabalho, ao próprio trabalho quando ele ocorre e ao fluxo de renda. Além, claro, da impossibilidade de ter uma voz coletiva no mercado de trabalho por meio, por exemplo, de sindicatos.</p>
<p>Nos EUA, entretanto, uma organização que defende os direitos da nova classe trabalhadora floresceu nos últimos anos. O <a href="http://www.freelancersunion.org/index.html" target="_blank">Sindicato dos Freelancers</a> é sediado em Nova York, estado em que conta com 110 mil membros, mas também serve a trabalhadores de outros estados americanos. No total, conta com cerca de 175 mil membros – cerca da metade tem menos de 40 anos. É dono e opera uma companhia de seguros com fins lucrativos ­– registrada como uma <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2011/12/um-novo-tipo-de-corporacao/" target="_blank">B Corporation </a>– e oferece planos de aposentadoria para trabalhadores independentes. O sindicato organiza eventos, levanta fundos para políticos que defendem os direitos dos freelancers e faz lobby para aprovar legislação na esfera estadual.</p>
<p>A mais recente empreitada do sindicato foi angariar apoio no legislativo de Nova York para o Freelance Payment Protection Act, um projeto de lei que institui procedimentos para ajudar os trabalhadores <em>freelancers</em> a receber de clientes que não pagam. O projeto foi aprovado no ano passado pela Câmara dos Deputados e agora está em análise pelo Senado novaiorquino. A campanha para obter apoio para o projeto chama os trabalhadores a adicionar suas contas não pagas à “<a href=" http://www.worldslongestinvoice.com/" target="_blank">maior fatura do mundo</a>”.</p>
<p>O Sindicato dos Freelancers não opera formalmente como um sindicato – não tem poder para negociar coletivamente ou chamar greves –, mas como uma entidade não governamental. E aí talvez more o paradoxo – enquanto uma organização como a de Nova York é cada vez mais necessária para oferecer rede de apoio a parcela crescente da população, sua existência diminui a pressão sobre os governos e o restante da sociedade para reformar as instituições sociais e dar conta de uma mudança tão dramática na força de trabalho.</p>
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		<title>Competições aceleram inovação sustentável</title>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 17:58:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[casas populares]]></category>
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		<category><![CDATA[exploração espacial]]></category>
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		<description><![CDATA[Diversas empresas e fundações americanas estão criando concursos para acelerar o desenvolvimento de soluções pró-sustentabilidade. Alguns deles botam laboratórios ou profissionais de diversos países para competir; outros são abertos a qualquer cidadão que tenha boas idéias. Há duas semanas mencionei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_18183" class="wp-caption aligncenter" style="width: 415px"><a href="http://www.flickr.com/photos/easylocum/2934763214/"><img class="size-large wp-image-18183" title="race" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/05/race-405x270.jpg" alt="Crianças da família McGilp competindo, na Escócia. Foto de easylocum/Flickr" width="405" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Crianças da família McGilp competindo, na Escócia. Foto de easylocum/Flickr</p></div>
<p>Diversas empresas e fundações americanas estão criando concursos para acelerar o desenvolvimento de soluções pró-sustentabilidade. Alguns deles botam laboratórios ou profissionais de diversos países para competir; outros são abertos a qualquer cidadão que tenha boas idéias. Há duas semanas mencionei aqui uma dessas iniciativas, a <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2012/04/os-projetos-revolucionarios-de-bill-gates/">Reinvent the Toilet Challenge</a>, da Bill and Melinda Gates Foundation, que visa repensar o vaso sanitário. Poderia citar muitas outras. Uma das mais interessantes é o <a href="http://www.300house.com/blog/2011/06/300-house-open-design-challenge-winners.html" target="_blank">US$ 300 House Open Design Challenge</a>, lançado por um <a href="http://blogs.hbr.org/govindarajan/2010/08/the-300-house-a-hands-on-lab-f.html" target="_blank">blog</a> ligado à Harvard Business Review. Ele ofereceu US$ 25 mil para quem projetasse casas populares que custassem menos de US$ 300 e que cumprissem com uma série de requisitos (resistissem à chuva e aos terremotos, usasse materiais de baixo impacto, incluísse painéis solares e filtros d&#8217;água de baixo custo). Foram enviados 300 projetos e a vencedora foi Patti Stouter, uma voluntária americana que trabalha na construção de casas populares no Haiti e na África. Ela propôs o uso de sacos de entulho, similares aos usados em barragens improvisadas contra inundações, nas fundações, e paredes feitas com rolos de fibras locais, como palha ou restos de bambu, embebidas em argila.</p>
<p>Outro exemplo: o <a href="http://www.thebetacup.com/" target="_blank">The Betacup Challenge</a>, lançado em 2010, que buscava soluções que reduzissem o número de copos não-recicláveis descartados. Ele foi partrocinado pela rede de cafés Starbucks, que doou US$ 20 mil aos autores das melhores idéias. Dentre os 430 candidatos, <a href="http://mediadecoder.blogs.nytimes.com/2010/06/17/starbucks-hopes-there-is-no-java-jive-from-contest-results/#more-38929" target="_blank">venceu</a> um grupo de Boston que sugeriu a adoção de um mecanismo de pressão psicológica: um quadro negro no ponto de consumo onde o cliente desenharia uma barra com cada vez que trouxesse sua caneca de casa (o que não é tão raro nos EUA). Quem marcasse a décima barra ganharia um café de graça. Embora não seja uma idéia revolucionária, tem lá seu charme &#8211; mas até hoje não foi adotada pelas lojas da Starbucks.</p>
<p>Algumas entidades estão, inclusive, se especializando nesse tipo de competição. É o caso da X Prize Foundation, criada em 1995, que convence filântropos a doar prêmios que viabilizem competições nas áreas de educação, exploração espacial, meio ambiente e energia, desenvolvimento global e biotecnologia. Dentre os concursos já encerrados estão o Ansari X Prize, que ofereceu US$ 10 milhões para quem propusesse um projeto privado viável de viagens espaciais; o Progressive Insurance  Automotive X Prize, que premiou com o mesmo valor a criação de um veículo capaz de rolar a 100 milhas por equivalente de galão de gasolina (ou 42,5 km por litro); ou ainda o Wendy Schmidt Oil Cleanup X Challenge, concebido logo após o acidente com a plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, que prometeu US$ 1,4 milhão a quem desenvolvesse um método altamente eficiente de remoção de óleo da superfície oceânica. No momento, a X Prize Foundation está promovendo três concursos: o Google Lunar X Prize (US$ 30 milhões para o grupo privado que conseguir mandar um robô para a Lua), o  Archon Genomics X Prize (US$ 10 milhões para o primeiro grupo que conseguir mapear com precisão os genótipos de 100 pessoas centenárias que tenham boa saúde) e o Qualcomm Tricorder X Prize (US$ 10 milhões para quem desenvolver um aparelho do tamanho de um celular capaz de fazer diagnósticos e monitorar a saúde do portador).</p>
<p>Qual a sua opinião sobre esse tipo de competição? Alguém estaria interessado em promovê-las no Brasil? Que tal um concurso que ajudasse a acelerar a recomposição florestal com espécies nativas? Ou que barateasse a produção de embalagens biodegradáveis?</p>
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		<title>Chega de piedade! – por uma nova imagem da África</title>
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		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2012/05/chega-de-piedade-por-uma-nova-imagem-da-africa/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 01 May 2012 21:06:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>

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		<description><![CDATA[Num mundo em que poucos se interessam por Geografia e História, e em que a mídia favorece a cobertura de eventos espetaculosos e não as reportagens de fundo, é fácil entender por que estereotipamos outros povos. A idéia de que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_18044" class="wp-caption aligncenter" style="width: 415px"><a href="http://www.flickr.com/photos/a-weidinger/5955308642/"><img class="size-large wp-image-18044" title="africa" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/05/africa-405x270.jpg" alt="Mulher da etnia Mucubal, de Angola. Foto de Alfred Weidinger/Flickr" width="405" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Mulher da etnia Mucubal, de Angola. Foto de Alfred Weidinger/Flickr</p></div>
<p>Num mundo em que poucos se interessam por Geografia e História, e em que a mídia favorece a cobertura de eventos espetaculosos e não as reportagens de fundo, é fácil entender por que estereotipamos outros povos. A idéia de que portugueses são burros, argentinos arrogantes e nordestinos toscos é reconfortante (se você não faz parte desses grupos). Reconfortante porque dá a ilusão de que você é superior e de que dispõe de toda a informação essencial sobre aquele grupo.</p>
<p>Claro, nestes casos, estereótipo é mero eufemismo de preconceito.</p>
<p>Num texto publicado na revista literária Granta, <a href="http://www.granta.com/Archive/92/How-to-Write-about-Africa/Page-1" target="_blank">&#8220;How to Write about Africa&#8221;</a>, o escritor queniano Binyavanga Wainaina dá a receita (irônica) para emplacar um livro ou artigo sobre o continente:</p>
<blockquote><p>Nunca use uma foto de um africano bem resolvido na capa do seu livro ou no seu conteúdo, a menos que ele tenha ganhado o Prêmio Nobel. Mas use imagens de um AK-47 [rifle], costelas proeminentes, seios de fora. Se precisar incluir um africano, não deixe de escolher um que esteja vestido com trajes típicos Masai, Zulu ou Dogon.</p>
<p>Em seu texto, trate a África como se ela fosse um só país. Ela é quente e poeirenta, com bolas de capim seco rolando e grandes manadas de animais e pessoas altas, magras e famintas. Ou é quente e úmida com pessoas muito baixas que comem primatas. Não se preocupe em dar descrições precisas. A África é grande: 54 países [na época em que o texto foi escrito; hoje são mais], 900 milhões de pessoas ocupadas demais em morrer e guerrear e imigrar para terem tempo de ler o seu livro. O continente é cheio de desertos, florestas, planaltos, savanas e muitas outras coisas, mas o seu leitor não liga para isso tudo, de modo que as suas descrições devem ser românticas, evocativas e vagas. [...]</p>
<p>Você também precisará de uma casa noturna chamada Tropicana, onde mercenários, novos ricos africanos do mal e prostitutas e guerrilheiros e expatriatos passam o tempo.</p>
<p>Sempre acabe seu livro com uma citação de Nelson Mandela que inclua algo sobre arco-iris ou renascimento. Porque você é tem bom coração.</p></blockquote>
<p>O texto de Wainaina inspirou o jornalista Ansel Herz a escrever algo igualmente cáustico sobre <a href="http://www.mediahacker.org/2010/07/how-to-write-about-haiti/" target="_blank">a visão que temos do Haiti</a>, :</p>
<blockquote><p>Para começar, sempre use a frase &#8220;o país mais pobre do Ocidente&#8221;. Seu público tem que ser lembrado mais uma vez sobre a pobreza excepcional do Haiti. Não está claro se outros artigos já mencionaram isto.</p>
<p>Você está impressionado com a &#8220;resiliência&#8221; dos haitianos. Eles sobreviverão apesar de toda a sua pobreza. Eles são estóicos, raramente reclamam, e por isso são admiráveis. Os melhores pobres são aqueles que sofrem em silêncio.</p></blockquote>
<p>Qualquer brasileiro que viveu no Exterior e que se viu enredado na imagem de &#8220;brasileiro padrão&#8221; entende do que Wainaina e Herz estão falando: a visão reducionista que temos sobre qualquer um que não é da nossa tribo.</p>
<p>Uma organização baseada em San Francisco, <a href="http://www.mamahope.org/unlock-potential/why-stop-the-pity/" target="_blank">Mama Hope</a>, resolveu atacar os estereótipos que emperram o continente com bom humor e a campanha Stop the Pity! (Chega de Piedade!): &#8220;Está na hora de re-humanizar a África e encarar as mudanças positivas que estão acontecendo&#8221;.  Um de seus produtos é o vídeo (ao lado) sobre a forma bizarra e agressiva como os homens africanos são retratados por Hollywood. Noutro vídeo (também ao lado), mostram similaridades do cotidiano e das vidas de africanos e americanos.</p>
<p>Que tal se o Itamaraty produzisse algo similar para divulgar no Exterior?</p>
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		<item>
		<title>Uma lista dos que nos enriquecem</title>
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		<comments>http://pagina22.com.br/index.php/2012/04/uma-lista-dos-que-nos-enriquecem/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 09:30:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia Pardini</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[capital humano]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[Flavia Pardini]]></category>
		<category><![CDATA[Herman Daly]]></category>
		<category><![CDATA[limites ao crescimento]]></category>
		<category><![CDATA[Peter Victor]]></category>
		<category><![CDATA[Post Growth Institute]]></category>
		<category><![CDATA[riqueza]]></category>

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		<description><![CDATA[Em vez de uma lista das pessoas mais ricas do mundo, como a publicada anualmente pela revista Forbes, uma lista das pessoas que mais enriquecem o mundo. Foi o que o Post-Growth Institute – um grupo internacional que explora caminhos para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://enrichlist.org/"><img class="alignleft size-large wp-image-17973" title="http://enrichlist.org/" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/04/enrich-list.-406x234.jpg" alt="http://enrichlist.org/" width="406" height="234" /></a>Em vez de uma lista das pessoas mais ricas do mundo, como a <a href="http://www.forbes.com/billionaires/list/" target="_blank">publicada</a> anualmente pela revista Forbes, uma lista das pessoas que mais enriquecem o mundo. Foi o que o <a href=" http://postgrowth.org/" target="_blank">Post-Growth Institute</a> – um grupo internacional que explora caminhos para a prosperidade global que não dependem do crescimento econômico – decidiu elaborar, elencando indivíduos que contribuem para um futuro mais sustentável. O resultado foi publicado em março e os 100 nomes lista podem ser vistos <a href="http://enrichlist.org/the-complete-list/" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>“Para nós, há formas adicionais de a ‘riqueza’, se manifestar, ser mensurada e celebrada”, escreveu o grupo em seu website. “As pessoas nessa lista representam riqueza que não pode ser definida em dólares”. O Post Growth Institute espera que a lista crie conversas e, com elas, alimente iniciativas existentes e novos esforços para construir realidades centradas na equidade social e na sustentabilidade ecológica.</p>
<p>O primeiro colocado na (En)Rich List é o economista alemão <a href="http://www.EF-Schumacher.org/top1/About%20Schumacher.asp?top=1&amp;sid=309&amp;tid=309&amp;mid=188" target="_blank">E. F. Schumacher</a>, conhecido pela crítica às economias ocidentais, pelas propostas para uma economia mais humana e descentralizada e, principalmente, pelo livro <em>Small is Beautiful: a study of economics as if people mattered</em>, publicado em 1973. Schumacher é uma de várias figuras históricas incluídas na lista por terem ajudado a iniciar o debate sobre a sustentabilidade e os limites ao crescimento.</p>
<p>Em segundo lugar na lista aparece <a href="http://steadystate.org/herman-daly/" target="_blank">Herman Daly</a>, um dos mais influentes economistas ecológicos e defensor da ideia de economias em estado estacionário (<em>steady-state</em>) desde os anos 70. Outros economistas incluído na lista são <a href=" http://pagina22.com.br/index.php/2011/12/amadurecendo-economias/" target="_blank">Peter Victor</a>, <a href="http://www.surrey.ac.uk/ces/people/tim_jackson/" target="_blank">Tim Jackson</a>, <a href="http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/economics/laureates/1998/sen-autobio.html" target="_blank">Amartya Sen</a>, <a href="http://homepage.newschool.edu/~het/profiles/georgescu.htm" target="_blank">Nicholas Georgescu-Roegen</a>, <a href="http://www.uvm.edu/giee/?Page=about/Robert_Costanza.html&amp;SM=about/about_menu.html" target="_blank">Robert Costanza</a> e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Manfred_Max_Neef" target="_blank">Manfred Max-Neef</a>. (Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho de alguns deles, terá a oportunidade em uma <a href="http://www.isee2012.org/conteudos.php?id=3" target="_blank">conferência </a>da Sociedade Internacional de Economistas Ecológicos que acontece no Rio de 12 a 19 de junho para discutir contribuições para a Rio+20.)</p>
<p>Há três brasileiros na lista: Paulo Freire em 39<sup>o</sup> lugar, Chico Whitaker, fundador do Fórum Social Mundial, em 62<sup>o</sup>, e Chico Mendes em 97<sup>o</sup> lugar.</p>
<p>O processo de elaborar a lista partiu de 300 nomes, levou 7 meses para chegar aos 100 escolhidos e envolveu a comunidade que apóia o Post Growth Institute em votações e apurações. O grupo reconhece que o resultado final revela as desequilíbrios geográficos e de gênero. “Apesar do aumento dramático da conectividade global, a diversidade de influências dos membros do Posto Growth Institute é compreensivelmente pequena. Esperamos que, com o tempo, ela evolua”.</p>
<p>Dos 100 nomes da lista, 32 são mulheres, contra 11 mulheres incluídas na lista da Forbes dos 100 mais ricos do mundo. Uma das razões é a inclusão de figuras históricas. Os homens, justifica o grupo, historicamente tiveram “óbvias vantagens em receber educação formal, publicar suas ideias e ser levados a sério como intelectuais”.</p>
<p>Da mesma forma, a maioria dos incluídos na lista são pessoas brancas, oriundas de países ocidentais. “Isso pode ser atribuído em grande parte ao fato de que pessoas que falam inglês, e que têm herança ocidental, recebem mais atenção por suas ideias e ações em escala global”.</p>
<p>O Instituto espera elaborar a lista anualmente e, no futuro, abrir as indicações e a votação ao público. O que não impede que pipoquem por aí listas das pessoas que contribuem para futuros mais sustentáveis localmente.</p>
<p>Se você tivesse que indicar nomes no Brasil, por exemplo, quais seriam?</p>
<p><strong> </strong></p>
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		<title>Os projetos revolucionários de Bill Gates</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 22:57:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina Scharf</dc:creator>
				<category><![CDATA[De lá pra cá]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Bill Gates]]></category>
		<category><![CDATA[desnutrição]]></category>
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		<category><![CDATA[saneamento básico]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é novidade que Bill Gates, fundador da Microsoft, está gastando boa parte de sua fortuna &#8211; a segunda maior do mundo &#8211; em projetos filantrópicos. Mas o que a Bill and Melinda Gates Foundation estaria fazendo com a sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_17962" class="wp-caption aligncenter" style="width: 415px"><a href="http://www.flickr.com/photos/us-mission/5730033496/"><img class="size-large wp-image-17962" title="gates" src="http://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2012/04/gates-405x270.jpg" alt="Bill Gates representa sua fundaçào em encontro de ministros da Saúde para discutir as erradicação da poliomielite no ano passado. Crédito: United States Mission Geneva/ Flickr" width="405" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Bill Gates representa sua fundaçào em encontro de ministros da Saúde para discutir as erradicação da poliomielite. Crédito: United States Mission Geneva/ Flickr</p></div>
<p>Não é novidade que Bill Gates, fundador da Microsoft, está gastando boa parte de sua fortuna &#8211; a segunda maior do mundo &#8211; em projetos filantrópicos. Mas o que a Bill and Melinda Gates Foundation estaria fazendo com a sua dotação de US$ 33,5 bilhões de dólares?</p>
<p>A cada ano, ela repassa pelo menos US$ 1,5 bilhão a projetos focados, sobretudo, em saúde pública global e na redução da pobreza extrema na África. Parte de seus beneficiários são iniciativas convencionais, como a promoção de campanhas de vacinação ou de distribuição de contraceptivos, a pesquisa de uma vacina contra o HIV/Aids, o apoio a iniciativas de microcrédito, como o pioneiro Banco Grameen, de Bangladesh, e o Promujer, em vários países da América Latina. Outras iniciativas são extremamente inovadoras e beiram a ficção científica. Dois projetos se destacam pelo seu potencial revolucionário e pela forma como estão sendo articulados:</p>
<ul>
<li>A privada autossuficiente geradora de energia &#8211; a Fundação está patrocinando o desenvolvimento de um vaso sanitário que dispense a infraestrutura de água e esgoto e que também não recorra à perfuração de uma fossa séptica. Ele deverá esterilizar e pulverizar as fezes e evaporar a urina, gerando quatro produtos &#8211; água limpa, sal, uréia, que pode ser usada c0mo fertilizante, e energia suficiente para carregar um telefone celular a cada evacuação. A meta é que o sistema tenha um custo de no máximo 5 centavos de dólar diários por usuário. Oito universidades receberam recursos para desenvolver protótipos no que foi batizado de <a href="http://www.gatesfoundation.org/watersanitationhygiene/Documents/wsh-reinvent-the-toilet-challenge.pdf" target="_blank">Reinvent de Toilet Challenge</a>, o desafio de reinvenção do toalete. Cada uma delas está testando tecnologias diferentes que vão disputar repasses futuros. A equipe de Georgios Stefanidis da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, propõe o uso de microondas no tratamento dos excrementos. Já os cientistas da Universidade de Kwazulu-Natal, na África do Sul, estão estudando a mineralização dos efluentes em banheiros comunitários. Na Universidade de Toronto, pesquisadores estão tentando desidratar e queimar as fezes e filtrar a urina. Eu aposto minhas fichas na proposta de Michael Hoffman, do California Institute of Technology &#8211; um banheiro doméstico acoplado a um coletor solar, capaz de tratar os esgotos e gerar hidrogênio, que pode ser estocado e usado para alimentar o sistema à noite. Se os cientistas realmente encontrarem um meio de construir privadas baratas, de fácil manutenção e que possam até gerar uma renda, 2,6 bilhões de pessoas que hoje não têm acesso ao saneamento seriam enormemente beneficiadas.</li>
</ul>
<ul>
<li>A mandioca vitaminada &#8211; O projeto <a href="http://www.danforthcenter.org/science/programs/international_programs/bcp/" target="_self">Biocassava Plus</a>, coordenado pelo Donald Danforth Plant Science Center, está buscando desenvolver uma mandioca transgênica que tenha alto teor proteico, vitaminas A e E, ferro e zinco, além de um baixo teor de cianeto, subtância tóxica presente na raiz. A Gates Foundation também quer que essa mandioca superpoderosa possa ser estocada por até duas semanas e que seja resistente a virus. A mandioca é um dos principais alimentos da África Sub-Sahariana e o seu enriquecimento poderia ser decisivo para a redução da desnutrição crônica da região. Também poderia, claro, ser incorporada à dieta dos brasileiros. Oito instituições de pesquisa estão envolvidas no projeto, algumas  delas associadas aos governos do Quênia e da Nigéria. Na primeira etapa  do projeto, iniciado há cinco anos, os pesquisadores conseguiram  desenvolver uma mandioca com 30 vezes mais beta-caroteno, quatro vezes  mais ferro e quatro vezes mais proteína que as variedades tradicionais. Aqui, importante destacar que o Donald Danforth Plant Science Center é ligado não só a várias universidades americanas mas também à Monsanto e que a tecnologia dos transgênicos ainda é nova e divide opiniões. Mesmo assim, é bom lembrar que o conhecimento gerado está sendo compartilhado por várias instituições públicas e que o potencial transformador da iniciativa é imenso.</li>
</ul>
<p>Finalmente, para encerrar: a iniciativa de Bill Gates está fazendo escola. O trilionário coordena uma <a href="http://finance.fortune.cnn.com/2012/04/19/buffett/" target="_blank">campanha</a> que já convenceu mais de 80 multimilionários americanos a doarem mais  da metade de seus recursos em vida ou em testamento para projetos  sociais. É uma dinheirama capaz de mudar radicalmente a forma como lidamos com os principais problemas da Humanidade.</p>
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