<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786</atom:id><lastBuildDate>Sun, 28 Jun 2026 06:52:55 +0000</lastBuildDate><category>Erros de arbitragem</category><category>ESPN</category><category>Palmeiras</category><category>impressinha</category><category>Imprensa</category><category>Mauro César Pereira</category><category>PVC</category><category>censura</category><category>Antero greco</category><category>Lula</category><category>Lógica</category><category>Política</category><category>Trajano</category><category>copa2010</category><category>imprenssinha</category><title>Blog do Pierri</title><description>Gosto não se discute. Mas política, religião, imprensa e futebol, sim...</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Anonymous)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>243</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-6263782919649913562</guid><pubDate>Tue, 14 Aug 2012 01:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-08-15T18:59:30.802-03:00</atom:updated><title>Hinos</title><description>&lt;p&gt;E, por falar em cerimônias de premiação, não poderia deixar de falar na festa que as meninas do vôlei fizeram, na humildade que demonstraram ao aplaudir honestamente as adversárias, na alegria contagiante e na emoção que demonstraram ao ouvir nosso hino. E muito menos de falar na forma emocionante como a torcida brasileira presente o cantou. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Percebi naquele momento algo que não havia percebido antes. Não havia ufanismo naquelas vozes. Não havia nem uma gota de um sentimento de ser superior aos demais países, ou de ser diferente ou especial. Havia apenas a alegria e o orgulho de ali estar e poder entoá-lo para o mundo, não como conquistadores ou vitoriosos, mas como brasileiros orgulhosos com nossas compatriotas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Aquele sentimento era muito diferente daquele que vejo nos rostos e ouço nas vozes dos estadunidenses ao entoar seu hino, que sempre me pareceram cantá-lo como um testamento da própria superioridade, o que aflora na forma como cantam os últimos versos, como se estivessem não externando o orgulho de pertencer a um país, mas se auto-congratulando por isso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E as letras dos dois hinos deixam essa diferença bastante clara. Enquanto o nosso fala de um país gentil, em meio a outros mil e do nosso amor pornossa mãe, o hino estadunidense fala de conquista, de destino divino e de um povo diferente dos demais. Comparemos as últimas estrofes, que deixam isso muito claro:&lt;/p&gt; &lt;dl&gt; &lt;dd&gt;Gigante pela própria natureza,&lt;br&gt;És belo, és forte, impávido colosso,&lt;br&gt;E o teu futuro espelha essa grandeza.&lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt; &lt;dl&gt; &lt;dd&gt;Terra adorada,&lt;br&gt;Entre outras mil,&lt;br&gt;És tu, Brasil,&lt;br&gt;Ó Pátria amada!&lt;br&gt;Dos filhos deste solo és mãe gentil,&lt;br&gt;Pátria amada,&lt;br&gt;Brasil!&lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt; &lt;p&gt;E o estadunidense diz:&lt;/p&gt; &lt;dl&gt; &lt;dd&gt;Blest with victory and peace,  &lt;dd&gt;may the heaven-rescued land Praise  &lt;dd&gt;the Power that has made and preserved us a nation.  &lt;dd&gt;Then conquer we must,  &lt;dd&gt;when our cause it is just.  &lt;dd&gt;And this be our motto:  &lt;dd&gt;&quot;In God is our trust&quot;.  &lt;dd&gt;And the star-spangled banner  &lt;dd&gt;in triumph shall wave O&#39;er  &lt;dd&gt;the land of the free and the home of the brave.&lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt; &lt;p&gt;Em uma tradução livre:&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;dd&gt;Abençoado com vitória e paz,  &lt;dd&gt;que a terra salva pelos céus louve  &lt;dd&gt;o Poder que nos criou e preservou como uma nação.  &lt;dd&gt;Então conquistar devemos,  &lt;dd&gt;Quando nossa causa é justa.  &lt;dd&gt;E que seja esse nosso lema:  &lt;dd&gt;”Em Deus confiamos”.  &lt;dd&gt;E o pavilhão estrelado  &lt;dd&gt;em triunfo tremulará sobre  &lt;dd&gt;a terra dos livres e o lar dos bravos.  &lt;p&gt;É necessário descrever quão diferentes são os hinos e o estado mental que eles produzem? Enquanto o nosso fala do amor a uma pátria gentil entre outras mil, o deles declara uma nação criada, resgatada, protegida e abençoada por Deus. Enquanto o nosso fala nos filhos da pátria que não fogem à luta, o deles fala em livres e bravos que conquistam com a bênçao divina. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;É a diferença entre o amor e a idolatria fanática, cega, incondicional. Entre a consciência de ser humano igual aos outros, e a pretensão de ser mais do que isso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não é surpresa que o povo que entoa esse hino desde criancinhas, em todos os lugares e ocasiões, seja tão arrogante, não é mesmo?&lt;/p&gt; &lt;/dd&gt;  </description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2012/08/hinos.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-6800561301889011596</guid><pubDate>Tue, 14 Aug 2012 00:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-11-18T03:58:21.101-02:00</atom:updated><title>Olímpicas–parte 2</title><description>&lt;h2 align=&quot;justify&quot;&gt;
O Vôlei feminino.&lt;/h2&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Ah, as meninas… Confesso que eu tinha pouca confiança na seleção feminina, que sofre ainda mais do que o futebol desse complexo de vencedor, e acaba, muitas vezes, sucumbindo mentalmente naquele último momento. Mas quando viraram historicamente aquele jogo contra as russas, pensei que haviam superado aquela ansiedade, aquele defeito. Mas ao ver o primeiro set contra as estadunidenses, achei que haviam, novamente, se sabotado.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Felizmente, eu estava errado. Elas realmente se curaram, e durante o próprio jogo. Conseguiram sair de uma situação terrível, de uma atuação patética, de uma ansiedade absurda para uma confiança, uma capacidade, uma competência olímpicas. Não foram as estadunidenses que jogaram mal. Ao contrário, continuaram a jogar o mesmo que jogaram no primeiro set. Foram as brasileiras que se se livraram das amarras mentais e jogaram aquilo que elas sabem. Naquele momento, foram verdadeiras deusas.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
E, em grande parte, isso se deve a um cara para o qual todos os loas ainda serão poucos. O nosso Zé Vôlei, o cara que sabe simplesmente tudo das quadras. O cara que é capaz de dizer, exatamente, onde estavam cada uma das jogadoras em um jogo há quatro anos. Que é capaz de falar com as jogadoras como se ele estivesse dentro de quadra, vendo o que elas estão vendo, experimentando o que elas experimentam. É um sexto jogador.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
E que é humilde o suficente, apesar de toda a sua história, de mudar, de aprender, e de admitir isso. Eu o considero a encarnação do vôlei.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Elas mais do que mereceram o ouro. E a festa que fizeram no pódio, inclusive com a humildade de aplaudir euforicamente as japonesas – a ponto de contagiá-las – e as estadunidenses – que se doeram e reclamaram da festa ter sido “exagerada”.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Sobre elas, as estadunidenses, é preciso fazer um comentário especial. É verdade que o Brasil apenas se classificou para as eliminatórias por causa delas, e a imprensa brasileira, sempre embevecida com tudo que vem do norte, não poupou elogios a esse “espírito olímpico”. Tivessem entregado o jogo, a imprensa, seguindo sua tradição de capacho, as consideraria “inteligentes” por nos eliminar. &lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Eu não vejo assim, muito pelo contrário. É inerente à cultura estadunidense fazer aquilo que lhes dá maior vantagem, que lhes permite a maior chance de vencer e colocar o Brasil na frente das russas lhes era vantajoso, pois acharam que, caso passássemos por elas, elas poderiam vencer-nos como fizeram na classificatória.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Na verdade, elas subestimaram nossas deusas olímpicas. Não foi nenhum ato de nobreza, nenhuma “expressão do espírito olímpico”, pois eles entendem – muito corretamente, diga-se – que um torneio não é um jogo apenas, mas sim uma sequência deles. Um jogo é uma batalha, e vencer ou perdê-lo não significa vencer ou perder a guerra.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Muito se critica a Espanha por ter entregado o jogo contra o Brasil pra evitar os EUA. Mas foi por isso que chegaram à final e quase conquistaram o ouro. Se não o tivessem feito, sequer teriam medalhado, como ocorreu com o Brasil.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
A única forma de evitar isso é mudar o sistema extremamente injusto desses torneios, no qual duas grandes equipes podem se enfrentar precocemente e uma tirar a outra, fazendo com que uma equipe inferior prossiga para uma posição que, claramente, não reflete sua capacidade. Seria necessário ter uma repescagem para a disputa do bronze, pelo menos, como há no judô e muitos outros esportes.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Sem isso, o vencedor acaba sendo punido por ter tido “espírito olímpico”, por ter vencido. Como ocorreu com o basquete masculino e o handebol feminino, que mereciam mais do que perder nas quartas e ficarem alijados do pódio.&lt;/div&gt;
&lt;h2 align=&quot;justify&quot;&gt;
O Vôlei masculino.&lt;/h2&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Se eu não tinha aquela confiança nas meninas, que começaram muito mal e quase não se classificaram. O contrário ocorreu com os garotos. Enquanto elas se demonstraram mulheres, eles não deixaram de ser garotos.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Eu sei, você deve estar achando que estou sendo muito rigoroso com eles, mas ouça-me um pouco mais. Enquanto as meninas se superaram, enfrentaram os próprios demônios e os venceram durante um jogo com um grande time que muitos consideravam superior, os garotos sucumbiram ao próprio medo, à ansiedade, à pressão, justamente quando estavam com as duas mãos no ouro. Não foi o técnico adversário que deu “nó tático” nenhum. Foi a cabeça dos jogadores que desmoronou no pior dos momentos.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
O Brasil sobrou na competição. Atropelou quem veio pela frente. Estava ultra-confiante e nem tomou conhecimento da Russia nos primeiros 2 sets e meio. Foi, justamente, nos últimos pontos que toda essa confiança gigante tombou. Já se viam campeões. Do outro lado, a Russia e não os EUA – os favoritos que perderam para a Itália, que foi despachada pelo próprio Brasil por 3 a 0. Mais tarde, com dois match points, e só faltava colocar a bola no chão. Não tinha como perder!&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Mas esqueceram de combinar com os russos. Em qualquer outra partida, o Brasil se adaptaria facilmente às mudanças táticas dos russos e venceria o jogo facilmente. Afinal, essa seleção é, sem a menor sombra de dúvidas, a melhor do mundo, e tem uma dos maiores técnicos de todos os tempos, apoiado por uma comissão técnica fantástica. Enfrentar aquela mudança seria rotina. Só não foi porque a pressão do ouro os esmagou. Perderam dentro de suas próprias mentes. O medo os venceu.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
E, depois daquela virada no terceiro set, eu já tinha certeza que perderiam o jogo. A queda foi grande demais. A confiança foi estilhaçada. No final do quarto set, dois pontos atrás, a minha certeza aumentou com o saque forçado pra fora, e a reação morna. A bola parecia uma toalha.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Coisa muito comum no vôlei, e mais ainda para o brasileiro. Nos ombros daqueles gigantes que são os melhores do mundo repousa a esperança de 200 milhões de pessoas. Não surpreende que essa pressão esmague até mesmo Atlas.&lt;/div&gt;
&lt;h2 align=&quot;justify&quot;&gt;
O judô.&lt;/h2&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Uma categoria que acompanhei atentamente. Logo no primeiro dia, duas medalhas. Ambas para pequenos guerreiros dourados. Mas, no segundo dia em diante, só decepções.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Primeiro, por termos sido assaltados. A desclassificação da atleta brasileira foi uma vergonha, já que vários outros atletas fizeram exatametne o mesmo movimento, sem nenhuma penalidade. Um de nossos judocas foi eliminado por um estadunidense que, inclusive, havia levado uma punição por ter executado o mesmo golpe ilegal, mas sem ser desclassificado. Para a brasileira, a regra foi outra, como sempre.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Mas isso não me surpreendeu nem um pouco. Muito pior foi a postura de muitos de nossos judocas, perdendo tempo precioso e tomando punições bobas por ficar buscando “o momento ideal” para aplicar o golpe. As duas medalhas do primeiro dia foram conquistadas por quem não se importou em dar o golpe perfeito, nem ficou horas buscando a melhor pegada. Conseguiam uma vantagem e partiam pra dentro. Ganhassem ou perdessem, sairiam de cabeça erguida.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Mas cabeça baixa foi o que vimos em nossos derrotados favoritos, infelizmente. Tivessem partido pra cima de seus adversários, em vez de esperar que eles se atirassem no chão para impedí-los de lutar e forçar-lhes as punições, provavelmente teríamos mais algumas medalhas na conta. Afinal, elas são pra quem não tem medo de tentar, e não pra quem só quer ir na certeza. Foi o que ocorreu com nossa judoca de bronze do penúltimo dia. Primeira do ranking mundial, não quis saber de ficar esperando o momento perfeito para o golpe perfeito. Ao contrário, ela fez o melhor momento para o melhor golpe. Foi derrotada na semi-final, mas com a cabeça erguida, com a certeza de ter feito o melhor, e conseguiu um bronze.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Muito melhor do que os que temeram o risco e buscaram a perfeição.&lt;/div&gt;
&lt;h2 align=&quot;justify&quot;&gt;
Demais esportes.&lt;/h2&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Não acompanhei os demais esportes com a mesma atenção. Mas não dá pra deixar de falar no fiasco da ginástica feminina, fruto de uma palhaçada – com a Jade – e de falta de sorte. E foi uma grande pena ver o Diego cair do jeito que caiu. Ainda não vi explicação para o que ocorreu, e só consigo pensar que o peso foi maior do que seus ombros e pernas suportaram.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Por outro lado, nossa primeira medalha na ginástica veio logo em seguida, e logo de ouro, com uma exibição fantástica de um dos muitos atletas desconhecidos – daqueles que nunca são entrevistados até que ganhem alguma coisa, já que nossa imprensa sem-vergonha gosta mesmo é de uma “meritocracia” furreca. Agora, abundarão “amigos” na imprensa venal.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
No atletismo, não me decepcionei exceto com a refugada da Fabiana Murer. Entendi, mas não compreendi. Afinal, se uma medalha olímpica é realmente o sonho de todo atleta, como eles gostam de dizer, não vejo sentido em temer tanto uma contusão a ponto de refugar o salto com dois passos. Se ela tivesse ido até próximo à barra e, então, refugado por medo, tudo bem, mas nem isso ela tentou.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Achei isso tão estranho quanto os tantos outros casos de acidentes e doenças justamente no dia das provas, como ocorreu também no salto de piscina. Estranha também a nota atribuída para o nado sincronizado brasileiro, que ficou em 13o. lugar e não se classificou para as finais. Elas claramente mereciam mais, a ponto da comentarista na Sportv dizer, claramente, que as equipes mais tradicionais são favorecidas – algo quase impensável naquele canalzinho…&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
E por falar em piscina, não fiquei nada surpreso com o bronze do Cielo. Afinal, a diferença é de milésimos, e mesmo um desgaste mínimo a mais do que os demais, ou um dia que se acorda não tão bem, pode custar o ouro. E isso sem falar no peso de ser a única esperança de ouro de um país com 8 mil km de praias nas piscinas. Não dá pra falar nada dele, que é genial.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
E tem o pentatlo moderno. Que eu conhecia apenas de saber que existia, e nunca havia ouvido falar em alguma atleta brasileira que o disputasse. Agora, ela será figurinha carimbada em todos os programas esportivos que antes jamais perderam cinco segundos pra falar em sua existência (justiça seja feita, apenas a ESPN Brasil já a havia entrevistado num daqueles programas que vão buscar razões para criticar a qualquer coisa Brasil afora). &lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Ela foi uma surpresa, e daquelas gratas. Um exemplo do que se pode conseguir mesmo sem as melhores condições. Ou sem condição alguma. Adoraria saber quais seus patrocinadores, pra falar a verdade, pois agora choverão “amigos” – daqueles que a abandonarão na primeira oportunidade, como ocorreu com o Diego Hyppolito há poucos anos.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
E surpresa também foram os irmãos do boxe. E eles ainda têm mais dois irmãos na mesma modalidade, prontos pra nos surpreender . Um clã olímpico vindo, como não poderia deixar de ser, da pobreza para o pódio. Geniais. E o Esquiva só não levou o ouro por conta do juiz que deveria dar punição aos dois lutadores, e não apenas a ele.&lt;/div&gt;
&lt;h2 align=&quot;justify&quot;&gt;
A transmissão dos jogos.&lt;/h2&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Isso merece um capítulo a parte. Assisti os jogos principalmente no sportv. Não pela qualidade da transmissão, mas pelo fato de contar com 4 canais em HD. E tive que aguentar o chato do Galvão que adora tanto a própria voz que gagueja para procurar qualquer coisa que seja pra falar, que acha a própria opinião tão importante que não consegue sequer parar pra respirar, que acha que se dizer “amigo” de alguém é uma comenda e que, na falta de poder narrar na Globo, desandou de fazer “crônicas” piegas, como se tivesse talento pra isso. Verdadeiramente insuportável, mas ainda melhor do que a falsa torcida da ESPN que, no fundo, queriam mais é que o Brasil saísse sem medalhas, pra terem o que malhar (aliás, reclamaram que conseguimos “apenas” 17 medalhas contra as 15 de Pequim – um modesto crescimento de 13% enquanto a maioria dos países à nossa frente tiveram um decréscimo muito maior, e poucos tiveram um crescimento maior do que o nosso.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Claro, para a ESPN não interessa se ocorreram problemas. Eles não criticam com sinceridade, mas apenas para minar os atuais cartolas (que realmente nada valem, diga-se de passagem), a ponto de negarem até mesmo os êxitos, como os do vôlei e de torcerem, às escondidas, pelo fracasso que possam explorar para atingir seus objetivos. Aliás, alguns minutos depois que a festa de encerramento apresentou o Rio, já havia críticas ridículas no twitter vinda de um dos babacas da ESPN, diminuindo a apresentação e ainda grafando Brasil com “z”, como fazem seus patrões.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Mas, voltando à Sportv, a babação de ovo dos estadunidenses foi de doer. Loas e mais loas ao Phelps, dizendo que ele tornou-se o maior medalhista de todos os tempos. Mas ser o maior medalhista nunca foi algo que merecesse alguma atenção daquele canal antes – apenas incidentalmente eles comentavam que Phelps desbancou a anterior maior medalhista, uma russa – o que explica por que isso jamais foi importante para eles até agora, não é mesmo?&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Cansaram de dizer que os EUA eram favoritos no vôlei masculino e feminino. Na ginástica artística, a comentarista só faltava babar ao elogiar as atletas estadunidenses. Ao aparecer uma apresentação tão boa quanto – ou mesmo melhor – ela elogiava com comedimento, e só faltava dizer que o grande problema era que a atleta não era estadunidense. Uma grande baba-ovos, que demonstrou o mesmo deslumbre com os atletas. Comentários frios para chineses e esfuziantes para estadunidenses.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Ao contrário, na transmissão do judô o narrador e o comentarista não perdiam uma oportunidade de dizer como Cuba decaiu depois que “deixaram de ter o esporte subsidiado pela URSS”. Nenhuma palavra sobre o embargo criminoso que os EUA impõem à ilha há 60 anos, evidentemente. Isso, afinal, não interessa tanto quanto dizer, indiretamente, que a performance cubana era artificial e se devia à extinta URSS.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Atitude nojenta, de gente pequena. Mas esperar o que da Sportv?&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Enfim, uma transmissão quase competente, com manias de mudar de modalidade no pior momento possível. mas que é até compreensível. O que não é compreensível é que a única vez que os vi deixar de transmitir a entrega das medalhas e a execução dos hinos foi, justamente, quando o hino foi o iraniano. Um desrespeito que não os vi demonstrar com o hino estadunidense – ao contrário, havia uma certa cerimônia quando este tocava, um silêncio respeitável e a transmissão completa dele, mesmo sacrificando alguns minutos da transmissão de outra modalidade.&lt;/div&gt;
</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2012/08/olimpicasparte-2.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-873245116597498370</guid><pubDate>Mon, 13 Aug 2012 16:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-11-18T04:04:51.308-02:00</atom:updated><title>Olímpicas–parte 1</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Por duas semanas resisti a escrever qualquer coisa sobre as olimpíadas. Vontade não faltou, mas nunca é bom escrever de cabeça quente. Ontem, com a derrota do vôlei masculino, em particular, o esforço foi hercúleo para me limitar a ventilar minha decepção no twitter. Hoje, depois da última e maravilhosa medalha no pentatlo moderno feminino, e depois daquela festa de encerramento magnífica, creio estar com a cabeça fria o suficiente pra poder escrever sem cometer muitas bobagens.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Como o posto ficou gigante, vou dividi-lo em duas partes.&lt;/div&gt;
&lt;h2 align=&quot;justify&quot;&gt;
A cerimônia de abertura e a festa de encerramento.&lt;/h2&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Havia muita dúvida se seria possivel fazer uma cerimônia de abertura tão grandiosa quanto a chinesa. Os londrinos sequer tentaram. Em vez dessa competição inútil, os britânicos resolveram apenas mostrar sua música e seu teatro, e o fizeram bem. Afinal, com Beatles, Queen, Bowie, Who, não dava pra ir mal no quesito música. E com Sheakspeare e toda a tradição teatral, não dava pra fazer feio nesse ponto também. A única coisa meio cafona, mas ainda assim muito engraçada, foi o salto da Rainha – que topou a brincadeira, o que é digno de nota – acompanhada por 007. O fato da monarca aceitar participar de um filme pela primeira vez, e um tão leve e bem humorado, diz muito sobre a importância das olimpíadas. Pode ter sido um tanto fantástico demais, mas exatamente por isso dá toda a dimensão do quão especial são os jogos. E lança uma nova perspectiva sobre os que tanto resistem e combatem os jogos brasileiros.&lt;/div&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Menção mais do que honrosa para Mister Bean. Como sempre, hilário. Não creio ter visto nenhuma abertura de olimpíada tão bem humorada quanto aquela. Ponto negativo para a tocha olímpica, por ser exagerada e ter sido apagada por duas vezes para ser movida. Ainda assim, com um toque genial: cada pétala da flor olímpica foi trazida por cada país – o que me leva a fazer uma sugestão para a abertura brasileira: que tal seria se cada delegação trouxesse uma porção de terra de seu país, para ser depositada em um monte sob a pira olímpica, ou sob as bandeiras?&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Mas guardaram o melhor para o encerramento. Apesar da presença de George Michaels, spice girls e mais alguns que desconheço completamente - mas que mostraram a diversidade da música daquele país –, devidamente contrabalançados (e ofuscados completamente) por The Who, Pink Floyd, Oasis, Queen e Beatles, os pontos altos foram a homenagem a John Lennon e Freddie Mercury e ao sensacional sketch do Monty Python. “Always look at the bright side of life” foi a música mais cantada pelo estádio (e, não tenho dúvidas, por milhões de espectadores – eu sei que eu cantei). &lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Trazer Freddie Mercury pra comandar, do além, o público foi simplesmente genial. As imagens de Freddie vieram diretamente do Live Aid em Wimbledon, na década de 80, cujo show do Queen é considerado os 20 minutos que mudaram a história do rock. Foi quando Freddie brilhou mais forte, mais alto, mais rápido. Seu momento olímpico. Um recorde que perdura há três décadas.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Sendo fã de carteirinha, não pude deixar de me emocionar. E de novo com a aula que Brian May, com toda aquela cabeleira branca, deu na guitarra momentos depois. E de curtir muito o fato de que Queen foi a trilha sonora dessas olimpíadas.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
E já que falo de música, não dá pra deixar de mencionar “Hey Jude”. Não aquela cantada na abertura – que foi sensacional, apesar do pequeno deslize com o playback –, mas daquela conduzida por Sir Paul no velódromo, espontânea. Outro momento histórico.&lt;/div&gt;
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&lt;div&gt;
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&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Mas senti falta de algumas coisas nessas cerimônias. Foi pouco Elton John e, especialmente, Eric Clampton, por exemplo. E – blasfêmia! – cortaram a parte que estava programada na abertura e que traria o mais do que britânico Doctor Who com sua TARDIS. Fiquei esperando ao menos uma menção no encerramento, mas nada. Talvez isso se deva ao fato de que Doctor Who deixou de ser tão britânico e está se tornando cada vez mais americanizado, pra ganhar aquela audiência – um péssimo passo para o icônico personagem, diga-se.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Pra quem não sabe, há um episódio de Doctor Who no qual o décimo doutor acende a pira olímpica durante as olimpíadas londrinas. Confesso que fiquei esperando, com pouquíssima esperança, evidentemente, que a homenagem a esse personagem e sua história de mais de 40 anos fosse feita dessa forma, mas preferiram uma homeangem simbólica aos futuros atletas, o que não deixou de ser legal, mas não o que eu (e, creio, a imensa maioria) esperava.&lt;/div&gt;
&lt;h2 align=&quot;justify&quot;&gt;
O futebol.&lt;/h2&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Muita gente deve ver o futebol como a maior decepção desses jogos. Eu não. Em que pese o fato de que não enfrentamos nenhuma das grandes seleções, mas apenas a segunda divisão delas e termos metido 3 gols em todos os jogos exceto na final, eu nunca considero o Brasil como um favorito ao ouro, simplesmente pela história que se repetiu nessa final: o Brasil de salto alto: confiante mas com medo de cair. O primeiro gol do México descreve perfeitamente esse estado de espírito, na medida em que o passe tentado pelo lateral, na fogueira, é coisa de quem está tão confiante que nada de ruim poderia ocorrer que subestima o adversário. Os irritantes e inúteis passes de lado e para trás, que já se tornaram a marca registrada dessa seleção desde os tempos de Parreira, e o medo de perder um gol que levou os jogadores a sequer acertar o gol adversário (especialmente naquele último lance, aquele cabeceio sozinho de Oscar, que ele conseguiu errar), são sintomas do despreparo emocional do nosso futebol.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
O futebol demonstra que é falsa a tese de que o que nos falta é a prospecção de talentos esportivos nas escolas e os campeonatos competitivos. Apesar de termos ambas as coisas nessa categoria, ainda não estamos no nível que deveríamos estar. Com efeito, precisamos de muito mais do que isso: precisamos acabar com o complexo de vira-lata que ainda temos, que nos leva a colocar todos os ovos em uma mesma tigela, a apostar tudo em um único tiro, a transformar um momento, um jogo, uma competição, na culminação de toda uma história, a colocar muito peso nas costas de nossos atletas e transformá-los em avatares dos quais espera-se feitos sobre-humanos, em vez de vê-los como seres iguais a nós.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Ter 200 milhões de pessoas nas costas não deve ser nada fácil… e isso nos limita.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Ainda assim, há a decepção de perder – de novo – para o México. Eles não tem Neymar (que amarelou na final, exatamente por não apenas esperarmos mas cobrarmos demais dele), não tem Oscar (que demonstrou ser um bom jogador, mas longe do craque a imprensa pintou que fosse). Em compensação, não temos nem goleiro, nem técnico.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Eu gosto do Mano e o acho um bom técnico. Mas ele pisou e muito na bola ao colocar o Alex Sandro nesse jogo, depois de ficar mais do que claro que ele não é bom o suficiente pra jogar naquela posição durante o jogo anterior. Nosso meio campo não tem nem confiança, nem qualidade pra passar a bola direito, ponto. Ficam naquela lenga-lenga com a defesa, trocando bolas até que um zagueiro tem que dar um chutão pra frente que, ocasionalmente, funciona.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Muito pouco para uma seleção brasileira.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
A tese de que nosso problema é mental é reforçada pelo fato de que a seleção se transforma quando está na frente. Aí, passada a responsabilidade e o medo de perder, os jogadores jogam livres, leves e soltos, fazem grandes jogadas, dominam o adversário, se impõem em campo.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Não adianta psicólogos – embora eles ajudem. O problema não está na cabeça dos jogadores, mas nas nossas e, em especial, na imprensa especializada, que faz carreiras e nomes em cima das críticas negativas.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
No final, a seleção masculina não mostrou garra, vontade. Demonstrou, ao contrário, excesso de confiança somado a medo. Um relexo da imprensa que os pinta como superhomens e cobra deles como tal.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
A seleção feminina, por outro lado, demonstrou humildade e garra. Nessa categoria, sim, nos falta apenas a prospecção e a competição – até que a imprensa comece a tratá-las como trata os garotos. Fizeram um papel digno, na medida de suas capacidades, e não levaram sorte, pois a goleira japonesa simplesmente fechou o gol.&lt;/div&gt;
</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2012/08/olimpicasparte-1.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhqkIlcMqIf0qYRxQTwWbfToY76EyVlc1IMTdKYGzYOTdrW0MOh3SZUrjop3wI16ggHqkwc_XWMHgQxjUo_MwVuX_-MxZMXc3ASoozVTDEEJM_CbmFBKm2pYHKGkgQaP375ZSr4MempMpo/s72-c?imgmax=800" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-7525219652272411802</guid><pubDate>Fri, 08 Jun 2012 14:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-11-18T04:11:36.292-02:00</atom:updated><title>Meritocracia - a prova dos 9</title><description>A direita vive dizendo que o capitalismo é um sistema meritocrático, e que a riqueza de cada um é fruto de seu &quot;merecimento&quot; ou de sua produção. Assim, se 10% de uma população concentra 90% da riqueza, é por que esses 10% produziu esses 90%.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muito bem, então vamos supor que isso seja verdade, e fazer alguns cálculos pra ver o quanto cada um desses 10% da população teria que produzir a mais do que cada um dos 90% restantes?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O apressado concluiria que bastaria produzir 9 vezes mais. E ele estaria redondamente enganado, pois os 90% mais pobres são 9 vezes mais numerosos do que os 10% mais ricos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pra simplificar, vamos considerar que a população é composta de 10 pessoas, e a produção total seja de 100 moedas. Assim, 9 pessoas produzem 10 moedas, ou seja, cada uma produz 1,1 moeda, ou &amp;nbsp;1,1% do que todos produzem no total.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os 10% mais ricos equivalem a 1 pessoa, e ela produz 90 moedas sozinha. Assim, ela produz 88,9 moedas a mais do que cada um dos demais, ou 80,81 vezes moedas a mais do que cada um deles. Uma produção &quot;apenas&quot; 8081% maior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, é evidente que uma pessoa não pode trabalhar sozinha 80 vezes mais do que outra. Mesmo que ela tivesse criado uma forma de aumentar sua produção em 10 vezes, ainda assim ele só seria capaz de produzir 11,1 moedas, e ficaria com apenas 52% da produção total, que seria muito menor (cerca de 21% apenas - ou seja, em termos comparativos, ele receberia apenas 12% das 90).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, a única forma de conseguir produzir 80 vezes mais é contratar pessoas pra trabalhar pra ela. Mesmo que ela contratasse as outras 9 pessoas, elas precisam produzir, cada uma, 11,1 moedas - ou seja, 10 vezes mais do que produziam normalmente -,&amp;nbsp;pra obter as mesmas 100 moedas. Mas elas ficam com apenas 1,1 moeda no final do dia. Ou seja, produzem 10 vezes mais pra ficarem com exatamente a mesma quantia. Em outras palavras, o valor de seu trabalho relativo à própria produção é 10 vezes menor do que se trabalhassem sozinhas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eis, aí, a mais-valia. Ou, na língua dos capitalistas, o &quot;mérito&quot; que justifica sua apropriação de 90% de tudo que é produzido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, mas o que é &quot;mérito&quot;, então?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se considerarmos &quot;mérito&quot; a produção individual, a conclusão é muito simples: considerando que o capitalista, sozinho, nada produz, ele nada deveria receber por &quot;mérito&quot; próprio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se considerarmos &quot;mérito&quot; como a contribuição para a produção, aí poderemos enxergar algum no capitalista, pois sem seus meios, a produção seria menor (na nossa hipótese, 10 vezes menor). Por outro lado, o meio sozinho nada produz e os empregados são tão responsáveis pela produção quanto o meio que utilizam. Ou seja, há &quot;mérito&quot; dos dois lados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste caso, porém, considerando que&amp;nbsp;a produção existiria&amp;nbsp;sem o meio, mas não sem o trabalhador, o &quot;mérito&quot; maior está do lado desses últimos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se abstrairmos completamente a produção, e considerarmos &quot;mérito&quot; apenas a ingenuidade e a criatividade envolvidas na criação do meio, ou no esforço para a sua obtenção, não há como relacionar a acumulação de riqueza com esse conceito, ou seja, a ideia de &quot;meritocracia&quot; sequer existe nesse sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Das três opções, apenas a segunda poderia justificar a acumulação de riqueza por parte do capitalista. Mas como&amp;nbsp;chamar de &quot;meritocracia&quot; um sistema que premia o proprietário do meio de produção com 90% de tudo o que é produzido, e ignora completamente o &quot;mérito&quot; de quem efetivamente produziu alguma coisa utilizando aquele meio?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pra ser realmente uma &quot;meritocracia&quot;, cada um deveria ser beneficiado proporcionalmente à sua contribuição. Ou seja, metade para cada lado. Nessa situação, se cada trabalhador produz 11,1 moedas, ele ficaria com 5,55 e seu empregador com a mesma quantia e, no final das contas, o capitalista teria 50 moedas, de uma produção de 100. Dez vezes mais do que cada um de seus empregados, e metade da produção total me parece um excelente negócio pra quem apenas forneceu o meio de produção e não produz absolutamente nada diretamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afinal, como já demonstrado, se o próprio capitalista trabalhasse e utilizasse seu método, ele receberia apenas 11,1 moedas, ou seja, apenas 22% do que receberia se dividisse os proventos com seus empregados. Porém, no que a direita chama de &quot;meritocracia&quot;, ele recebe 180% mais!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, e se abstrairmos tudo e considerarmos como &quot;mérito&quot; apenas o resultado efetivo, concreto, da competição? Ou seja, se considerarmos que aquelas 10 indivíduos estão em uma competição, e a acumulação de riqueza de cada um é apenas a medida de suas conquistas e a medida de seu mérito?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou seja, quem conquista mais, acumula mais riqueza e, portanto, tem mais &quot;mérito&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, nesse caso a conquista justifica tanto a acumulação de riqueza quanto o &quot;mérito&quot;, o que faz deste mera retórica inútil para embelezar o fato de que alguém tomou de outrem alguma coisa. Ou seja, a acumulação não é justificada por &quot;mérito&quot;, posto que esse é mero sinônimo de conquista, mas pela própria conquista da riqueza em si. E dizer que alguém merece sua riqueza por tê-la conquistado - ou seja a acumulação de riqueza justifica a si mesma - é mera tautologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltando à questão inicial, é possível chamar o sistema no qual vivemos, onde a maior parte da riqueza está concentrada nas mãos de poucos, de &quot;meritocracia&quot;? A resposta é um sonoro não. Não há conceito de &quot;mérito&quot; que justifique ou que dê alguma aparência de justiça ao fato de que a acumulação excede em muito a contribuição de uns para a sociedade, enquanto ignora completamente a contribuição de outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma, não há conceito de &quot;mérito&quot; que consiga justificar o fato da produção efetiva de cada um ser completamente dissociada da sua remuneração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final das contas, o &quot;mérito&quot; é apenas uma fantasia criada por aqueles que querem a todo custo negar a mais-valia, tentando justificar o fato de que o capitalista se apropria da diferença entre o valor da produção do trabalhador e o seu salário, ambos definidos pela &quot;lei de mercado&quot;. Querem passar a ideia de que essa apropriação é mera remuneração do &quot;mérito&quot; do capitalista, por este viabilizar a produção, mas omitem dois fatos que acabam com essa ilusão: a) existiria produção sem o capitalista e seus meios de produção e b) não existiria produção alguma sem os trabalhadores. Em outras palavras, o capitalista não viabiliza nada, ele apenas contribui para aumentar a produção, e essa contribuição é muito menor do que a mais-valia da qual ele se apropria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há &quot;meritocracia&quot; alguma, e o capitalismo jamais pode ser chamado assim, já que se fundamenta apenas na lei do mercado, mera oferta e demanda, e não há espaço para &quot;mérito&quot; nisso. Aliás, é hilário que os teóricos do capitalismo afirmem que o valor do salário do trabalhador deve ser estabelecido por oferta e demanda, mas tentem justificar o lucro do patrão com um hipotético &quot;mérito&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tem que ser muito trouxa pra acreditar no que os capitalistas dizem pra justificar sua exploração.</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2012/06/meritocracia-prova-dos-9.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-3756203688022973544</guid><pubDate>Tue, 22 May 2012 03:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-05-22T00:25:55.031-03:00</atom:updated><title>A falácia da coincidência dos pagamentos</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A imprensa marrom vive batendo na tecla da existência de um &quot;mensalão&quot; do PT - pagamentos habituais, efetuados em troca de votos em votações de interesse do governo. Ausente qualquer tipo de prova de que havia, realmente, uma relação entre os pagamentos e as votações (lembremos que Bob Jeff admitiu que &quot;exagerou na retórica&quot; ao descrever a tal compra de votos), resta a essa imprensa, e aos defensores - tanto à direita como à esquerda - da tese do &quot;mensalão&quot; apenas uma forma de demonstrar essa relação (que, aliás, jamais seria admitida em juízo criminal): a coincidência entre os &quot;pagamentos&quot; e as &quot;votações de interesse do governo&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Recentemente, no post&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://blogdopierri.blogspot.com/2012/04/cotas-raciais.html&quot;&gt;Cotas Raciais&lt;/a&gt;, um comentarista detalhou esse argumento, listando valores e datas dos saques, e as datas das votações. Não vou reproduzir seu comentário, bastando clicar no link do post para lê-lo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O argumento é simples, como toda boa falácia: a proximidade temporal dos saques com as votações indica que há uma relação entre eles.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;De início verifica-se que trata-se de uma variação piorada da falácia conhecida pela expressão latina&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://pt.wikipedia.org/wiki/Post_hoc_ergo_propter_hoc&quot;&gt;post hoc ergo propter hoc&lt;/a&gt;, onde argui-se que se um evento precedeu ao outro, ele é certamente a causa. E digo versão piorada porque sequer há uma razão para suspeitar da existência de alguma relação entre os dois eventos, com oirei demonstrar.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando dois eventos raros coincidem no tempo, é razoável suspeitar que exista uma relação entre eles e examiná-los mais detidamente. Mas quando um evento raro ocorre concomitantemente a um evento comum, é preciso querer ver a relação, pois ela muito provavelmente não existe. Por exemplo, se eu pagar uma conta no mesmo dia em que um troll escreveu uma bobagem qualquer num blog, não é razoável suspeitar que eu o estava pagando, pois trolls escrevem bobagens em blogs todos os dias, e um evento sempre coincidiria com o outro.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mesmo que os trolls tivessem um dia por semana de folga, a chance de meu pagamento coincidir com sua trolagem é bastante alta. Mesmo que eles tivessem meia semana de folga, ainda assim haveria uma chance de 50% de meu pagamento coincidir com suas asneiras - uma chance grande demais pra suspeitar de qualquer coisa além de mera coincidência.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Assim é a chance de um evento qualquer coincidir com a votação de algo de &quot;interesse do governo&quot; no Congresso. Quanto maior a proporção de dias do calendário legislativo dedicadas a essas votações, maior a chance de um evento aleatório coincidir com um deles, e menor a chance de haver uma relação de causa e efeito.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Digamos que haja 1 votação importante por mês no Congresso. A chance de escolhermos uma data aleatoriamente para sacar dinheiro e ela coincidir com a de uma dessas votações é fácil de calcular: são 12 (número de votações num ano) dividido por 261 (número de dias nos quais podemos sacar dinheiro), o que nos diz que há uma chance de 4,6% de escolhermos exatamente aquela data.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas como os defensores da tese da coincidência dizem que &quot;pagamentos&quot; efetuados dois dias antes e depois também indicam a relação, então temos 60 dias em vez de 12, e a probabilidade de escolhermos aleatoriamente um desses dias em um ano sobre para 23%.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Claro, se todos os saques coincidissem com datas de votações, essa probabilidade cairia muito. Diz o comentarista que foram 16 pagamentos e, nesse caso, a probabilidade de todos ocorrerem num daqueles 60 dias é de 0,23^16 ou 0,000000006%. Uma certeza virtual de que há uma relação entre um evento e o outro.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E é exatamente isso que os defensores dessa tese querem, maliciosamente, fazer parecer que é o caso, mas a realidade é outra.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Segundo o mesmo comentarista que mencionei (não vou me dar ao trabalho de investigar a veracidade de suas informações), 27 milhões foram sacados das contas de Marcos Valério para serem usadas nesse esquema, mas a soma de todos os 16 &quot;pagamentos&quot; que coincidem com as votações alcança apenas 5 milhões.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quer dizer, apenas uma pequena parte - cerca de um quinto - de todo o dinheiro supostamente usado para &quot;comprar votos&quot;, coincidiu com &quot;votações de interesse do governo&quot;. Ora, só isso já seria o bastante pra demolir o argumento da &quot;compra de votos&quot; já que 4/5, ou 80%, sequer coincidiram com as tais votações cujos votos seria comprados. Mas como estou me concentrando no argumento da coincidência das datas, esqueçamos disso por um momento.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Se apenas uma parte do dinheiro foi sacado em datas próximas a votações, e os acusadores malandramente omitem as datas dos demais pra fazer parecer que todos os saques coincidiram com as votações, é lícito supor que tenham ocorrido em datas diversas, sem nenhuma relação com as votações. Assumindo que os &quot;pagamentos&quot; sejam mais ou menos homogêneos, é igualmente lícito supor que 80% do valor total corresponda a 80% dos &quot;pagamentos&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Isso quer dizer que a tal certeza de que houve &quot;compra de votos&quot; se baseia no fato de que apenas 20% dos &quot;pagamentos&quot; coincidiram com uma &quot;votação de matéria de interesse do governo&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Voltemos ao nosso cálculo da probabilidade. Se esperamos que um evento ocorra 23% das vezes, isso quer dizer, literalmente, que esperamos que ele ocorra 23 vezes a cada 100. Mas eles ocorreram apenas 20 vezes, ainda menos do que a taxa esperada para uma escolha aleatória.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Precisa escrever mais alguma coisa? Se os dados postados pelo mencionado comentarista são corretos, a única coisa que se pode inferir deles é que os tais &quot;pagamentos&quot; não tinham qualquer relação com as votações e, portanto, não foram usados para &quot;compra de votos&quot;, e as coincidências de datas não passa exatamente disso mesmo: mera coincidência. Um acaso, e mais nada.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E, além disso tudo, para demonstrar que ocorreu &quot;compra de votos&quot; seria necessário demonstrar que o &quot;comprado&quot; não votaria da forma como o governo gostaria que votasse. Dado que todos os &quot;comprados&quot; eram da base aliada (e muitos do próprio PT) e tinham, presumidamente, interesse em votar com o governo, &amp;nbsp;não é possível simplesmente supor que votariam de outra forma e apresentar o voto favorável como &quot;prova&quot; de que foram &quot;comprados&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mais, cabe ainda explicar como é que a compra de um ou dois votos dentre 513 faria alguma diferença nas votações. E como é que o suposto comprador poderia verificar se o voto foi dado ou não, se as votações são muitas vezes secretas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E tudo isso além de explicar como é que alguns votos foram &quot;comprados&quot; antes, e outros depois das votações.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os que afirmam a existência dessa &quot;compra de votos&quot;, porém, não explicam nada disso. Baseiam-se apenas nas próprias &quot;certezas&quot;, fundadas em nada além dos próprios preconceitos. Em outras palavras, QUEREM que tenha ocorrido &quot;compra de votos&quot;, e não lhes interessa que seja algo completamente irracional e infundado, pois justiça é a última coisa que passa pelas suas mentes - o que lhes interessa é condenar o inimigo político. E se isso lhes custar a integridade intelectual, sequer pestanejam, já que nunca deram muito valor a ela pra começo de conversa.&lt;/div&gt;</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2012/05/falacia-da-coincidencia-dos-pagamentos.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-2504315644255641862</guid><pubDate>Wed, 25 Apr 2012 18:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-04-25T15:42:38.841-03:00</atom:updated><title>Cotas raciais</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Todo argumento contra as cotas raciais parte de uma mesma premissa: a de que as cotas são, em si, discriminatórias e racistas, e garantem privilégio a uma raça sobre a outra, a ponto de denominá-las, sarcasticamente, de &quot;cotas racistas&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas essa premissa, por mais tentador que seja aceitá-la como verdade em um primeiro momento, é completamente equivocada.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Discriminar é criar diferenças artificiais. E só se pode criar diferenças onde elas não existem. Ou seja, discriminar é estabelecer arbitrariamente, com base em critérios irrelevantes, diferenças entre seres iguais.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Na medida em que a sociedade trata de forma diferente os brancos e os negros, é ela que é discriminatória, pois não há razão alguma para fazê-lo. Pior, as condições de vida dos negros de hoje são fruto dessa discriminação secular, ou seja, a discriminação de ontem ainda se faz sentir hoje.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A discriminação se perpetua.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ou seja, brancos e negros não estão em pé de igualdade. Enquanto seres humanos, enquanto sujeitos de direitos fundamentais, enquanto entes abstratos, sim, eles são iguais.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas, na prática, no dia a dia, no concreto, enquanto agentes políticos, econômicos, sociais, políticos, etc, eles não são iguais. Não possuem as mesmas oportunidades, não são tratados da mesma forma, não nasceram iguais, na prática, embora tenham nascido iguais na teoria.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ora, se a discriminação existe, o mecanismo que visa corrigí-la não é discriminatório. Se brancos e negros não tem as mesmas condições e as mesmas oportunidades, mas deveriam tê-las, estabelecê-las artificialmente não é estabelecer privilégios e muito menos discriminar uns e outros.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ao contrário, é fomentar a igualdade teórica na realidade prática.&lt;/div&gt;</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2012/04/cotas-raciais.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-2220926627485037021</guid><pubDate>Tue, 06 Mar 2012 23:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-07T20:27:31.257-03:00</atom:updated><title>Mais uma falácia da imprensa marrom</title><description>Recentemente, minha irmã me encaminhou um email revoltado, contendo um clipe de um dos jornais da Globo, no qual dizia-se que a transparência Brasil (aquele instituto tukkkano e sem vergonha mesmo), revelou que o Brasil gasta muito mais com seus parlamentares do que outros países.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diz a &quot;reportagem&quot; que, enquanto o Brasil gasta, em média, 10 milhões de reais com cada parlamentar, países &quot;mais ricos&quot; que o Brasil, como a FRança, a Itália e a Espanha gastam, respectivamente, 3,9 milhões, 2,8 milhões e 850 mil reais com cada parlamentar, em média. E ainda adiciona a Argentina,na condição de &quot;vizinha&quot;, com 1,8 milhões de reais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A falácia começa bastante clara na mentira contada. Com exceção da França, nenhum dos demais países é &quot;mais rico que o Brasil&quot;, como dizem no início.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A França é o 5º país mais rico, seguido de perto pelo Brasil, o 6º. A Itália é o 8º, a Espanha, o 12º e a Argentina, o 28º.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas essa é apenas a mentira mais evidente. A outra está implícita: a de que os custos do Legislativo são proporcionais à riqueza do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eles não são. Pelo contrário, são proporcionais à complexidade do Legislativo, que é, por sua vez, proporcional à complexidade de sua tarefa que, por sua vez, novamente, é proporcional ao tamanho do território e , mais significativamente, à da população do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Vejamos, a França tem 65 milhões de habitantes, distribuídos em 544 milhões de km², e um custo de 3,9 milhões de reais por parlamentar. A Itália tem 60 milhões de habitantes e um território de 301 milhões de km², e um custo de 2,8 milhões de reais por parlamentar. A Espanha, por sua vez, tem 46 milhões de habitantes em 504 milhões de km², e um custo médio de 850 mil reais por parlamentar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Argentina, então, tem 40 milhões de habitantes em 2,7 milhões de km².&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil tem quase 200 milhões de habitantes distribuídos em 8,5 milhões de km².&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Será que alguém acha que dá pra comparar a complexidade de administrar o Brasil com esses outros países?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, é interessante notar como os custos de cada um desses países é proporcional ao número de habitantes. Vejamos qual seria a razão entre esse custo médio calculado (e supondo que esteja correto - uma suposição temerária considerando a fonte) pela transparência Brasil, e o número de habitantes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
França: 3,9 milhões/65 milhões = 0,06&lt;br /&gt;
Itália: 2,8/60 = 0,046&lt;br /&gt;
Espanha: 850 mil/46 milhões = 0,018&lt;br /&gt;
Argentina: 1,3/40 = 0,03&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Brasil: 10,2/198 = 0,05&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, mas que surpresa! Gastamos proporcionalmente menos do que a França, mesmo tendo um território mais de 15 vezes maior! Quase a mesma coisa que a Itália, com um território mais de 20 vezes maior! E com uma economia mais ou menos do mesmo tamanho!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não é tão ruim quanto a Globo quer nos fazer acreditar, não é mesmo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E aqui entra um novo aspecto necessário para a comparação: como ela se baseia em &quot;custos médios&quot;, ou seja, o custo total de funcionamento do legislativo dividido por quantidade de representantes, essa última informação adquire papel mais do que relevante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Espanha possui 350 senadores e 259 deputados. Ou seja, 690 parlamentares.&lt;br /&gt;
A França possui 358 senadores e 577 deputados, Ou seja, 935 parlamentares.&lt;br /&gt;
A Itália possui 315 senadores e 619 deputados, totalizando 934 parlamentares.&lt;br /&gt;
A Argentina possui 72 Senadores e 257 deputados. Ou seja, 329 parlamentares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil possui 81 Senadores e 513 deputados. Ou seja, 594 parlamentares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejam que informação curiosa a Globo e a transparência Brasil deixaram de fora! Se o tal custo médio é uma razão entre custo total e número de parlamentares, deduz-se, imediatamente, que auanto menor o número de parlamentares, maior o custo médio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o Brasil, apesar de ter mais de 4 vezes o número de habitantes de qualquer um dos países comparados, possui menos parlamentares do que todos eles, exceto a Argentina! Por consequência, o &quot;custo médio&quot; de cada um é, evidentemente, bastante maior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o Brasil gasta 10,2 milhões por cada parlamentar, e tem 949 parlamentares, isso significa que gastamos 6 bilhões de reais no total.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto a França gasta 3,9 x 935 = 3,6 bilhões.&lt;br /&gt;
A Itália 2,8 x 934 = 2,6 bilhões.&lt;br /&gt;
A Espanha 850 mil x 690 = 586 milhões.&lt;br /&gt;
A Argentina, 1,3 x 329 = 427 milhões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou seja, nosso legislativo gasta o dobro da França e da Itália pra representar 4 vezes mais gente!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se expressarmos isso como uma razão, teremos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Brasil: 6 bilhões/198 milhões = 30&lt;br /&gt;
França: 3,6 bilhões/65 milhões = 55&lt;br /&gt;
Itália: 2,6 bilhões/60 milhões = 43&lt;br /&gt;
Espanha: 586 milhões/40 milhões = 14(!)&lt;br /&gt;
Argentina: 427 milhões/40 milhões = 10(!)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou seja, em termos de custo per capita, ou seja, o custo total do legislativo dividido pela quantidade de pessoas representadas, gastamos menos do que França e Itália, e bem mais do que Espanha e Argentina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerando o tamanho do território brasileiro e o tamanho da economia, a única conclusão a que se pode chegar é a de que a França e a Itália são extremamente perdulárias. Ou tem uma população extremamente bem representada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E a conclusão à qual não se pode chegar de forma alguma sem alterar o significado dos dados e recorrer a falácias explícitas, é justamente a expressada pela Globo e pela transparência Brasil, a de que o Legislativo brasileiro gasta muito mais do que outros países.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfim, mais uma das muitas e muitas canalhices dessa gente ligada ao instituto milenium e aos tukkkanos. Eles não mudam nunca, e muita gente cai fácil nesse tipo de falácia, simplesmente por não ter informações nem espírito crítico desenvolvido para verificar-lhes a veracidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E eu não duvidaria nem um pouco se o transparência Brasil não manipulou os dados pra aumentar os custos relacionados ao Brasil, enquanto reduzia o dos demais. Eles são desonestos a esse ponto, como bem se vê.</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2012/03/mais-uma-falacia-da-imprensa-marrom.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>11</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-8477752569839123097</guid><pubDate>Sun, 29 Jan 2012 21:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-29T19:19:23.191-02:00</atom:updated><title>Uma semana depois de Pinheirinho</title><description>A direita é uma organização hierarquica. Eles respiram hierarquia. Podemos imaginá-la como uma pirâmide, com as &quot;cabeças pensantes&quot; (?) no topo, os multiplicadores e &quot;formadores de opinião&quot; no meio e a massa de manobra, embaixo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O meio da pirâmide cuida de filtrar e tornar mais palatável o que vem do topo e distribuí-lo para a massa. Essa apens repete, incapaz, por atrofia, de exercitar seu pensamento crítico. Quando muito, utilizam-se de fórmulas genéricas ensinadas pelos &quot;pensadores&quot; para servirem de muletas, enquanto o discurso oficial não lhes alcança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas fórmulas foram aprimoradas, é claro. Antigamente, usava-se muito o &quot;isso é coisa de vermelho&quot;. Hoje, substitui-se &quot;vermelho&quot; por &quot;petista&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logo após do crime cometido no Pinheirinho, o que mais se viu foi a repetição de algumas &quot;pérolas&quot; da direita, justamente essas fórmulas genéricas, como &quot;queria ver se ele sinvadissem sua casa&quot; ou a clássica &quot;tá com pena? Leva pra casa&quot;, não menos usada do que &quot;se vc não doar seus bens pra eles, você não pode reclamar&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas nenhuma delas é menos popular do que a velha máxima malufista: &quot;estupra, mas não mata&quot;, ou que a onipresente &quot;é culpa deles&quot;, corolário de outra, dita apenas nos momentos mais íntimos: &quot;pobre tem que saber seu lugar&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O meio da referida pirâmide encontrava-se perdido, sema orientação do topo, que ainda buscava alguma coisa pra se agarrar. Mas eles também têm suas fórmulas genéricas para reagir a situações inesperadas e confusas, e a mais comum delas é a inversão do velho ditado futebolístico: o ataque é a melhor defesa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que se testemunhou foi um ataque maciço não apenas aos moradores do local - chamados de criminosos pela imbecil da Soninha -, mas à esquerda que, segundo esses &quot;formadores de opinião&quot;, eram culpados de &quot;incitar&quot; aqueles moradores a resistir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, é como se resistir à opressão, à violação dos direitos fosse um crime. Esses &quot;formadores de opinião&quot; acham que aquelas pessoas deveriam apanhar caladas, pois se reclamarem são &quot;criminosas&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o mais irônico é que nenhum tiro foi disparado pelos moradores. Nem umzinho. A PM alega - e eu não acredito - ter encontrado drogas no local, mas apenas duas armas que nem foram utilizadas. Traficantes que não protegem a droga com violência é algo inédito!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o que mais impressionou foi o ataque de um dos mais alucinados cães de guarda dessa direita, cujo nome eu não vou mencionar pois meu blog não é latrina, ao acusar de criminosos aqueles que davam voz às denúncias de mortes durante a operação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pergunto a esse infeliz o que deveríamos fazer ao vermos PMs com pistolas e revólveres (que não usam munição de borracha) e luvas? Ao vê-los disparar munição &quot;não letal&quot; (apenas no nome) contra pessoas que se afastavam, mesmo quando havia crianças de colo e até um carrinho de bebê?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao assistirmos essa PM disparando balas e gas contra pessoas que estavam nos &quot;abrigos&quot; da prefeitura?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao vermos uma criança ser levada desacordada (supostamente) em uma ambulância, enquanto o povo gritava &quot;assassinos!&quot; pra PM?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao tomarmos conhecimento de que a PM havia impedido a imprensa de entrar em Pinheirinho, e que a &quot;grande imprensa&quot; sequer havia se interessado em lá estar? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao ouvirmos denúncias de mortes, assassinatos e ocuptação de cadáveres?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É verdade, essas denúncias poderiam estar todas equivocadas. Afinal, o que havia era uma confusão completa e ninguém pode censurar quem tenha visto alguém desmaiar com um tiro de borracha e supor que houvesse morrido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas podemos e devemos censurar quem acha que essas denúncias não devam ser publicadas. Não é como se a PM nunca tivesse assassinado pessoas arbitrariamente, é? Não é como se a imprensa tivesse qualquer interesse em divulgar a verdade, tanto que nem se preocupou em enviar repórteres. Não é como se pudéssemos contar com o mesmo Estado que violou os direitos de milhares para investigar honestamente seus próprios atos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pegunto, novamente, a essa gente que insiste em reclamar da publicação das denúncias: o que eles fariam? Calar-se-iam? Suporiam que estava tudo bem? Esperariam uma investigação que nunca ocorreria?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou divulgariam, já que a &quot;grande imprensa&quot;, pra variar, não cumpriu seu papel em nome da cumplicidade com o governo estadual?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tal &quot;formador de opinião&quot; cujo nome seria uma mancha no meu blog é apenas mais um desses cúmplices. E ele cumpre esse papel, pelo qual é regiamente pago, ao inventar bobagens desse naipe. Sugerir que essas denúncias deveriam ser esquecidas diante de tudo o que se viu é ser lambe botas demais, até pra essa gente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfim, o saldo, depois de uma semana, é uma direita acuada, cujos &quot;líderes&quot; não encontram como justificar o injustificável, e nem se preocupam com isso, cujos tenentes buscam negar a responsabilidade e atirá-la nos braços do primeiro que passe em sua frente, e uma massa de direitopatas deixando aflorar aquilo que mais carregam dentro de si, os preconceitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E mais de 6000 pessoas continuam tendo perdido tudo. Cada insulto, a cada negação da responsabilidade, cada editorial, reportagem e coluna da &quot;grande imprensa&quot; vendida, cada palavra proferida pelos seus algozes, é uma cusparada na dignidade dessas 6000 pessoas e de todos nós. E um insulto à inteligência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma semana se passou e nada foi feito para essas 6000 pessoas. Mas muito foi feito para uma pessoa só.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse é o Estado no qual vivemos.</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2012/01/uma-semana-depois-de-pinheirinho.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-5481311409604707116</guid><pubDate>Fri, 27 Jan 2012 01:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-27T00:20:51.579-02:00</atom:updated><title>Ocupação não é invasão</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De saco cheio de tanto ver a tukkkanada achar que está argumentando ao perguntar se eu ficaria contente se invadissem minha casa, ou afirmando que invasão é crime, resolvi expor aqui como esses argumentos são ridiculamente frágeis e baseados em completa ignorância.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em primeiro lugar, a Constituição relativizou o direito de propriedade. Ao mesmo tempo que o garante, ela também garante a sociedade que toda propriedade atenderá sua função social, e estabeleceu alguns mecanismo para isso, sem excluir outros.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ou seja, o Estado DEVE (não é poder, mas dever) obrigar o proprietário de um imóvel a dar a sua propriedade uma finalidade, uma utilidade.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Antes da CF/88, adquirir um terreno para deixá-lo improdutivo era um direito, parte do direito de propriedade, e quem precisasse de um terreno para morar ou plantar que se ferrasse.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Agora, não mais. A Constituição garante à sociedade que a propriedade não ficará mais improdutiva e inútil, e estabeleceu um dever, uma obrigação aos proprietários, de dar uma finalidade ao que possuírem. E deu ao Estado o dever e os meios de garantir que isso ocorra.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas isso é no plano do Direito. Na realidade, os grandes proprietários são mancomunados com os prefeitos, que nada deles exige, enquanto a sociedade sofre com o déficit habitacional.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
Ao direito de propriedade, a Constituição adicionou um dever: o de fazê-lo atender a sua função social. Esse dever é um limite, uma restrição. Os proprietários não podem mais fazer qualquer coisa que desejem com seus bens, mas devem fazer com que eles sejam úteis à sociedade, de uma forma ou outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Assim, temos, então, dois tipos de propriedade com uma característica que claramente as distingue: a que atende a sua função social, e a que não o faz. Da mesma forma, há dois tipos de proprietários: os que cumprem seu dever, e os que não.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Deveria o Estado dar a mesma guarida a esses dois tipos de propriedade, e tratar os dois tipos de proprietário da mesma forma? Evidentemente que não, e a própria Constituição demonstra isso ao estabelecer que aquele que descumpre sua obrigação pode e deve ser forçado a fazê-lo, ou mesmo ser desapropriado.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ou seja, a Constituição trata desigualmente os desiguais e admite implicitamente a existência desses dois tipos distintos de propriedade e dá tratamento diferenciado a cada um deles.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pois bem, quando alguém invade um imóvel,&amp;nbsp; Estado garante o direito do proprietário de reivindicá-lo. Mas, e se o proprietário não cumpriu com seu dever, e não deu ao seu imóvel uma utilidade? Mais, se o Estado deveria obrigá-lo a cumprir esse dever, inclusive com o poder de desapropriar o imóvel para fazê-lo ele mesmo, como justificar a reintegração de posse para quem deixou de cumprir com sua obrigação constitucional?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mais especificamente no caso de Pinheirinho, onde o imóvel improdutivo foi ocupado e passou a atender a função social, como poderia o Estado devolvê-lo ao proprietário que não cumpriu sua obrigação antes, e não a cumprirá depois? Devolver-lhe a posse para que ele continue a não dar à propriedade uma utlilidade contraria o dever do Estado de garantir que essa função seja atendida.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Assim como há dois tipos de propriedade, também deve haver dois tipos de &quot;invasão&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A &quot;invasão&quot; de um imóvel ocupado e produtivo é um crime, chamado esbulho possessório (ou invasão de domicílio, se se tratar do domicílio de alguém).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A &quot;invasão&quot; de um imóvel improdutivo não é igual, pois tem o objetivo de cumprir o dever constitucional que o proprietário e o Estado deveriam ter cumprido e fazer com que o imóvel atenda a sua função social. Não podemos chamá-la com o mesmo nome, nem tratá-la como um delito. Nesse caso, devemos chamá-la de ocupação.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É insensato e injustificável condenar como criminoso quem ocupa um imóvel para fazer o que o Estado deveria ter feito, como se estivesse invadindo a residência de alguém. Os dois casos não são iguais, não tem o mesmo tratamento diante da Constituição e não podem ser pensados como equivalentes ou mesmo semelhantes. São de natureza distinta.&amp;nbsp; Enquanto a invasão tem por objetivo um ato ilícito, a finalidade da ocupação é lícita e garantida pela Constituição.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;A invasão ofende um direito, a ocupação cumpre uma obrigação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um terreno improdutivo deveria ser desapropriado para ser distribuído para quem lhe fizesse cumprir sua função social. Se ele é ocupado primeiro, o processo se inverte, mas é exatamente o mesmo. O cidadão agiu suprindo uma falta do Estado, mais nada.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em resumo, invasão é crime, mas não é o mesmo que ocupação, que não é. O proprietário que adquire um bem e descumpre sua obrigação constitucional, deixando-o improdutivo, não tem e não deve ter o mesmo direito, nem a mesma proteção que o dono da casa onde se reside ou de uma fazenda produtiva, e nem com ele pode ser comparado honestamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os que adentram o imóvel alheio num caso e no outro não são iguais, não tem a mesma finalidade e não são tratados da mesma forma.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E, finalmente, cabe ao Estado garantir que o bem não retorne a quem não lhe deu utilidade pra começo de conversa. Fazê-lo é violar uma das garantias fundamentais da Constituição.&lt;/div&gt;</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2012/01/ocupacao-nao-e-invasao.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>8</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-4553872111094085017</guid><pubDate>Thu, 26 Jan 2012 20:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-26T19:14:49.159-02:00</atom:updated><title>O significado de #Pinheirinho</title><description>Antes de entender o que significa Pinheirinho, é preciso compreender um fato crucial: a despeito das afirmações de que &quot;apenas cumpriu a ordem judicial&quot;, o governador tinha diversas outras opções. Não havia necessidade alguma para que ela fosse feita naquele dia e daquela forma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso significa que, se ele realmente tinha alguma intenção de proteger aquelas pessoas, se ele realmente se importasse com a dor delas, poderia - e deveria - ter aguardado alguns dias. Ou até mesmo se recusado a cumprir a ordem, já que ilegal. Há jurisprudência sobre isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele poderia ter prepado uma estrutura para receber os milhares de sem-teto que certamente seriam criados com a reintegração. Ele poderia ter proposto aos moradores o pagamento do tal &quot;aluguel social&quot; que agora prometeu para que saíssem de suas casas de forma ordenada antes da reintegração. Ele poderia ter respeitado o acordo feito com o governo federal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele poderia ter feito muita coisa, mas escolheu, premeditadamente, agir com brutalidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E isso nos leva a pensar, como escrevi no post anterior, que razão poderia tê-lo conduzido a esse caminho sem volta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cuidado do governo com a operação se limitou a evitar mortes. E só. Não porque o governador respeita a vida daqueles cidadãos, mas por causa do refluxo político. Afinal, se lhes respeitasse a vida, não teria escolhido fazer o que fez, e sem nenum plano pós reintegração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que fica evidente é o simbolismo da ação. Milhares de pessoas pobres, chamadas de tudo quanto é adjetivo pejorativo pelo governo e seus porta vozes na imprensa, que ousaram ocupar o terreno de um criminoso de colarinho branco, mas milionário, foram literalment atiradas à rua e deixadas à própria sorte, quando não simplesmente &quot;convidadas a se retirarem&quot; para outros Estados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As que ficaram foram amontoadas em verdadeiros campos de concentração onde, inclusive, foram atacadas pela PM. Foram submetidas a tratamento desumano, despojadas de suas posses, tiveram suas casas destruídas, foram forçadas a dormir na lama e no frio. Homens, mulheres, crianças, idosos, doentes... ninguém foi poupado. Todos levaram bala de borracha, gás de pimenta, gá lacrimogêneo. Alguns foram espancados. Foram marcadas como gado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A imagem é bastante clara. A mensagem, evidente. Diz o governo estadual, e o governo que o administra no momento, que essas pessoas não são humanas, mas &quot;vândalos&quot; e &quot;criminosos&quot; que foram subjugados e tratados como animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são &quot;pessoas de bem&quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É assim que a direita os vê. E é assim que a tukkkanada declarou publicamente vê-los. Não sendo humanas, não têm direitos, mas apenas deveres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E devem aprender seu lugar: nas ruas, sem incomodar as &quot;pessoas de bem&quot;, sujeitas apenas à boa vontade e liberalidade dessas para poderem sobreviver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há outra forma de intepretar os atos de Alckmin. Ele poderia tê-las poupado da reintegração. E mesmo que sua ideologia e falta de caráter não lhe permitisse isso, se as visse como seres humanos dignos, poderia tê-las poupado ou ao menos amenizado a dor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas ele escolheu fazer o contrário. Desprezou sua segurança, sua dignidade e até mesmo aquilo que ele prega ser o direito supremo, a propriedade. Na cabeça da direita, ao terem &quot;invadido&quot; a propriedade alheia, cometeram crime e, assim, abriram mão de seus próprios direitos. Essa é a forma como a direita vê os criminosos, e agora deixam claro que é assim que eles vêem quem não é uma &quot;pessoa de bem&quot; - ou seja, os despossuídos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os direitos dessas pessoas sempre foram obstáculos para a direita. Eles nunca gostaram de ter que respeitá-los. Agora, mostram que não precisam fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinheirinho é uma declaração de guerra. É um manifesto fascista. É punição pela ocupação, pelo desrespeito ao &quot;sagrado direito de propriedade&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E agora o Brasil está dividido em dois: aqueles que consideram tudo aquilo uma injustiça, e aqueles que acham tudo isso justo. Cada um de nós está sendo convocado pra julgar e, com isso, declarar exatamente o que consideramos ser a &quot;justiça&quot; e em que país queremos viver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No da direita ou no da esquerda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de #Pinheirinho, não há mais centro.</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2012/01/o-significado-de-pinheirinho.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-7696614437113078461</guid><pubDate>Wed, 25 Jan 2012 19:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-25T17:01:33.515-02:00</atom:updated><title>#Pinheirinho, por quê?</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
A pergunta que não quer calar é: por que raios o governo de São Paulo moveu montanhas pra ecalar a situação em #Pinheirinho e criar um conflito de proporções nacionais?&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Havia alternativas pacíficas pra resolver a questão. Na verdade, Alckmin escolheu, conscientemente, a pior de todas as opções, aquela que lhe traria o maior desgaste e prejuízo. Tivesse ele esperado até segunda feira, a juíza não teria escolha a não ser despachar a suspensão da ordem de reintegração, e pelo menos haveria uma chance da questão ser solucionada de outra forma, poupando milhares de pessoas, e o próprio Alckmin de um prejuízo maior.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Que razão teria ele pra escolher o pior, então?&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Diz o PSDB que tratou-se de mero “cumprimento de uma ordem judicial”. Afirmam que “não tinham escolha”. Mentira! Ninguém é obrigado a cumprir ordem ilegal, e não é como se o governador não estivesse acostumado a descumprir ordens judiciais.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Basta ver os precatórios, ordens judiciais para pagamento de dívidas que o governador simplesmente ignora. E há décadas!&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Mesmo a ordem de reintegração vai na contra corrente da jurisprudência, que admite, desde meados da década de 90, que ocupações como a de #Pinheirinho devem ser tratadas como casos de apropriação indireta, não assistindo o direito à reintegração aos proprietários, mas apenas o direito à indenização pelo Poder Público. &lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
E isso sem falar em como essa ordem fere a Constituição, que erige a dignidade humana como princípio básico, e decreta que a propriedade deve cumprir sua função social, em vez de ser tomada como um direito absoluto, acima dos direitos de 9000 pessoas.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Ora, se nem a desculpa esfarrapada do governador e seu partido, nem a própria ordem judicial se sustentam, qual a verdadeira razão da ação brutal do Estado?&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Será um conluio com Naji Nahas, buscando uma maior valorização de seu terreno? Será o fato de que o único credor ainda não pago na ação de falência da empresa de Nahas é justamente o município de São José dos Campos?&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Políticos como Alckmin decidem de acordo com uma fórmula simples de custo/benefício. Tomam as decisões que mais lhe beneficiarão a menos que não tenham outra escolha. Como Alckmin tinha escolhas, e a decisão tomada foi a que mais lhe prejudicaria politicamente, terá ele sacrificado sua imagem para beneficiar um amigo – Nahas – ou um aliado, o prefeito de São José?&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Alckmin, um político com pretensões de ser Presidente da República, sacrificaria essas pretensões por motivos tão pequenos? Custa crer que tanto Nahas como seu aliado prefeito teriam recusrsos tais que lhe compensassem o estrago, e o fizessem sair ganhando no final. No mínimo seria uma aposta muito temerária.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
A outra conclusão – pra mim, a única possível – é a de que a premissa está errada e, na matemática do tucano, essa situação não é a que mais lhe prejudicaria.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Vejamos, caso ele decidisse suspender, como deveria, a reintegração, daria chance para que o governo federal resolvesse a pendenga com uma desapropriação. E isso seria uma vitória política para Dilma e o PT. Terá desejado ele evitar essa vitória política?&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Custa crer, já que ele mesmo teria se beneficiado. Teria demonstrado solidariedade, sensibilidade social. Mais, teria participado do acordo, e poderia bater no peito dizendo que foi instrumental e decisivo para ele.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Na pior das hipóteses, não sairia pior do que está se saindo agora.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
De que forma ele poderia se beneficiar dessa situação?&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Com a repressão aos estudantes da USP e aos viciados da cracolândia, Alkmin já havia dado provas de que ele, assim como seu partido, são realmente os representantes e herdeiros da velha direita. Até então, eles eram recém-chegados do centro e mesmo da centro-esquerda, e ainda não haviam assumido explicitamente o manto dos reacionários, o papel de cães de guarda da TFP. Poderíamos imaginar que o caso do #Pinheirinho foi apenas o toque final nessa “saída do armário”, um sacrifício necessário para que o PSDB assumisse, de vez e irremediavelmente, esse papel. Um verdadeiro manifesto facista.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Mas, outra vez, a matemática política aponta em outra direção. O prejuízo que essa ação traz supera em muito os benefícios. A direita, afinal, apesr de não confiar neles, simplesmente não tem outra opção a não ser apoiá-los. Não ganharam nem um voto ao brutalizar 9000 pessoas, e perderam muitos votos do centro.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Nas palavras do imortal Doyle, uma vez excluído o impossível, o que resta, por mais improvável, deve ser verdade. E o improvável, aqui, é que os tucanos querem esse conflito, essa discussão, essa reação. Apostam nela.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
O que há de especial no conflito de #Pinheirinho é que ela coloca frente a frente duas ideias antagônicas e irreconciliáveis: o direito absoluto de propriedade, do qual o PSDB se coloca como campeão indiscutível, e o direito relativo de propriedade em face das necessidades sociais, cuja defesa eles esperam que o PT assuma.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Desde Lula, o PT, para o desgosto da ala mais radical da esquerda, relegou a ideia de que a propriedade não é absoluta para segundo plano. Ficou em cima do muro nessa questão. O PSDB o está desafiando a descer desse muro, radicalizando a questão e colocando o PT em uma sinuca de bico.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Se o PT assume o seu papel natural e entra nessa discussão, nesse conflito, perderá o apoio de muita gente que passou a sentir-se segura de que o PT não iria tocar nessas questões. Se o PT não entra, pode perder o apoio da esquerda que o apoia apenas por entender que esse compromisso com o reacionarismo é mera fachada para manter uma governabilidade.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Ou seja, o PSDB dividiu o país em dois, trazendo par seu lado uma multidão que não os apoiava apesar de compartilhar essa noção de uma propriedade absoluta – a centro-direita –, que se verá obrigada a defender a brutalidade policial e os atos tucanos, sacrificando a própria decência em noma desse “valor”. E empurrou uma cunha bem no meio da esquerda, forçando o PT a assumir uma posição ideológica e manter o apoio da esquerda e da centro esquerda, ou declarar-se pragmático e não agir, perdendo esse apoio em troca de um pedaço do centro.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Com isso, o PSDB desnuda o país. Força o povo a mostrar o que realmente é. Não há como não tomar posição em um caso tão grave quanto o de #Pinheirinho. Não há centro, não há muro.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Cad aum de nós precisa assumir o que é mais importante, e declarar publicamente no que acredita. Ou estamos do lado da propriedade absoluta, acima da dignidade de milhares de pessoas – e com isso assumimos todo o discurso preconceituoso da direita, que os chama de vândalos e criminosos através de seus penas-pagas – ou estamos do lado da dignidade e dos direitos sociais e humanos.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
É uma aposta do PSDB. Não apenas na “re-conversão” das “ovelhas perdidas”, mas na conversão de muitos no curso dos debates – afinal, contam com a imprensa toda a seu favor, como sempre, com suas inverdades e falácias. Esperam revitalizar essa direita moribunda e inflar seu número – afinal, quem se posicionar ao lado deles não terá mais escrúpulo algum em votar em quem despreza a vida de milhares para proteger a propriedade de um – e, ao mesmo tempo, enfraquecer a esquerda. &lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Uma atitude desesperada? Talvez. Mas é provavelmente a única que lhes restou tomar. Esvaziado de discurso e empurrado para a direita, só lhes resta criar uma “nova direita”, tão ou mais truculenta que a velha, capitalizando em cima do preconceito latente na centro-direita para trazê-la de volta e, de quebra, ainda reestabelecendo a cizânia – tão comum no passado – entre a esquerda.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Dessa agitação, desse conflito, quem sabe até não passe o cavalo do golpe?&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Não posso afirmar que seja essa a real razão por trás de atos tão radicais, brutais e estúpidos. Mas não consigo imaginar outra. Pra mim, é a única forma do PSDB se beneficiar de algo desse porte, todo o resto é pequeno demais em comparação com a magnitude do absurdo cometido, e só consigo explicar assim o silêncio do PT.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Se for esse o caso mesmo, espero que o PT entre de cabeça nesse conflito. Que diga claramente o que defende, e onde se posiciona, mesmo que isso lhe cause prejuízos. &lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
O sofrimento daquelas milhares de pessoas demanda uma atitude.&lt;/div&gt;</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2012/01/pinheirinho-por-que.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-6274910161431145356</guid><pubDate>Mon, 23 Jan 2012 00:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-22T22:48:02.825-02:00</atom:updated><title>Ah, o Twitter... e o Matarazzo</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjI6EC3emUEwrLuSVW-iW3-mLblieMLzcV70sS-wEz55lNTBAs597VWPOKl0lgiGXcMFJE1cdNcEUAB4ZNQ9voUx7amzbUK4v1ibUQ8fpHkPmNhfUIpJdgC2A9pWqld8vAtIOzDEP5Jq40/s1600/twitter1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;289&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjI6EC3emUEwrLuSVW-iW3-mLblieMLzcV70sS-wEz55lNTBAs597VWPOKl0lgiGXcMFJE1cdNcEUAB4ZNQ9voUx7amzbUK4v1ibUQ8fpHkPmNhfUIpJdgC2A9pWqld8vAtIOzDEP5Jq40/s320/twitter1.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Como escrevi no post anterior, passei a tarde toda no twitter. Quem me conhece sabe que raramente utilizo essa ferramenta, mas diante da completa inércia da &quot;imprensa&quot; tradicional, esse foi o único caminho para saber o que estava acontecendo em #Pinheirinho.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E foi uma experiência interessante. Pra começar, apesar de ser impossível ler todas as mensagens, tal a quantidade de mensagens que inundavam meu tweetdeck, a hashtag #Pinheirinho sequer constava no Trending Topics do Brasil, coisa que muitos questionaram, e com toda razão.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Alguém retuitou uma mensagem do @AndreaMatarazzo, pré candidato tucano à prefeitura de SP, que apoiava a ação truculenta. Na troca de mensagens que se seguiu, ele atirou duas pérolas: primeiro, admitiu que defendia Alckimin incondicionalmente, segundo, quando questionei sua hipocrisia em acusar os &quot;petistas&quot; (leia-se &quot;qualquer um que discorde dele&quot;) de serem &quot;autoritários&quot;, já que ele mesmo apoiava o autoritarismo em SP, ele cinicamente perguntou-me &quot;que autoritarismo em SP?&quot;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Posteriormente, ele arrogantemente bradou ser &quot;honesto&quot;, enquanto os &quot;petistas&quot; &quot;mentem&quot; (sugerido que o PSDB jamsis mente, o que já indica uma mente com problemas graves).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sugeri a ele que, se for realmente honesto como afirma, deveria colocar sua afirmação de que defendia, defendeu e sempre defenderá Alckmin incondicionalmente em sua propaganda eleitoral. E ver o que o povo pensa disso.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ainda espero resposta.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele ainda tentou jogar a culpa de toda a lambança tucana no Judiciário (cinicamente, já que o Judiciário paulista é tucano até a alma). Disse que o governo era obrigado a cumprir a ordem judicial. Falta de escolha, entende?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
 &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A isso respondi duas coisas. Primeiro, que o mesmo governo que se vê obrigado a cumprir essa ordem, deixa de cumprir milhares de ordens judiciais para pagamento de precatórios (uns 60 bilhões de reais, mais ou menos).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Segundo, que o argumento do &quot;cumprimento de ordem&quot; não cola desde Nuremberg.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ao primeiro argumento ele apenas respondeu, cinicamente, que o governo estadual paga aqueles que é ordenado a pagar - uma mentira deslavada, pois todos os precatórios são ordens judiciais para pagamento.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ao segundo, ele fingiu que não leu e se calou.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em resumo, quem votar nesse Zé Mané deve primeiro saber que ele não passa de um baba ovo do Alckimin e o defende incondicionalmente. Nada que Alckimin faça é errado. E as fezes dele não fedem.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Segundo, deve estar consciente da hipocrisia e cinismo desse cidadão. E que a camisa que ele realmente veste não é a sua.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas ele não foi o único a defender a truculência tucana. Volta e meia pipocava uma mensagem com a hashtag apoiando a barbárie. Todas elas argumentando, de uma forma ou outra, que os moradores da região são &quot;invasores&quot; e a PM e o governo estadual estavam certos em defender a propriedade do Naji Nahas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um argumento infantil e desumano, evidenciando a completa falta de empatia. Essa gente que assim pensa não deve ter pai e mãe, ou filhos. Ou, se tem, os venderia barato. Gente pequena demais.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A esses pobres coitados, reproduzo uma frase que li no mesmo tweeter, mas cujo autor me escapou: enquanto a moradia for um privilégio, a invasão será um direito.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Simples assim. &lt;/div&gt;</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2012/01/ah-o-twitter-e-o-matarazzo.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjI6EC3emUEwrLuSVW-iW3-mLblieMLzcV70sS-wEz55lNTBAs597VWPOKl0lgiGXcMFJE1cdNcEUAB4ZNQ9voUx7amzbUK4v1ibUQ8fpHkPmNhfUIpJdgC2A9pWqld8vAtIOzDEP5Jq40/s72-c/twitter1.png" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-8404872984809820991</guid><pubDate>Sun, 22 Jan 2012 23:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-22T22:00:27.842-02:00</atom:updated><title>#Pinheirinho e a mídia</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgR6EC7f9J2i3_nPvTMRVuuxSwMUVK2sLJ0iMfwhex7PNM1F5DGw72I-RiZnH2mQ_5EfhG-mz619zhLXJtxUPEkD2WgmRh37haS6DQQ0EDsdYqr7_NlCfRtTCneLcNjL51217mJbjgV8C4/s1600/Pinheirinho.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;197&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgR6EC7f9J2i3_nPvTMRVuuxSwMUVK2sLJ0iMfwhex7PNM1F5DGw72I-RiZnH2mQ_5EfhG-mz619zhLXJtxUPEkD2WgmRh37haS6DQQ0EDsdYqr7_NlCfRtTCneLcNjL51217mJbjgV8C4/s320/Pinheirinho.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Créditos a EduPavão, do Twitter.&lt;/td&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, domingo, 22/01, que seria aniversário do velho e saudoso Brizola, o governo do Estado que bate no peito para dizer que é o mais rico da Federação demonstrou que a dignidade e os demais direitos humanos de nada valem contra os interesses particulares da elite econômica.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para quem não acompanhou, eis um brevíssimo resumo: #Pinheirinho é uma área de propriedade de uma empresa falida de Naji Nahas (aquele mesmo), que foi invadida há mais de 5 anos, e onde moravam milhares de famílias. O judiciário (tucano) ordenou a reintegração de posse da área, com o consequente despejo dos milhares que lá viviam. Depois de semanas de liminares dadas e cassadas, o TRF ordenou a suspensão da ordem de reintegração de posse por 15 dias. Politicamente, foi costurado um acordo - com o qual o governo estadual e mesmo o próprio Naji Nahas concordaram - com uma &quot;trégua&quot; de 15 dias para buscar uma solução que não prejudicasse tanto os moradores da região.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Praticamente no dia seguinte, a justiça (?) estadual (e tucana, nunca se esqueçam) decidiu que a decisão da Justiça Federal não valia, e manteve a ordem de reintegração de posse.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O governo estadual mais do que prontamente a cumpriu, invadindo a área às 5 da manhã, sem nenhum aviso. Durante todo o dia, o que se acompanhou foi a brutalidade e autoritarismo do governo tucano. Impediram que jornalistas se aproximassem (não que a &quot;grande imprensa&quot; tivesse qualquer interesse em mostrar o que realmente estava acontecendo, e nem que ela vá acusar seus queridos comparsas paulistanos de cerceamento da liberdade de imprensa, é claro).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
1800 soldados da polícia militar utilizaram de toda a força para remover aquela multidão de suas casas. Informalmente - e sem nenhuma confirmação ainda - fala-se em cinco ou sete mortos, incluindo uma grávida. Fala-se em tiros com munição de verdade. Em blogueiros tentando se aproximar e sendo repelidos com balas de borracha. Em agressões. Em apreensões de celulares para manter o silêncio na área.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E fala-se na dor daquelas milhares de pessoas - homens, mlheres e crianças - que não tem onde passar a noite, em uma São Paulo chuvosa, a não ser os &quot;campos de concentração&quot; criados pelo governo tucano, onde as pessoas são identificadas com uma pulseirinha azul, a lá Alemanha nazista.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Fala-se em muito mais abusos. Muitos mais. Coisas que vocês jamais verão na &quot;grande imprensa&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Passei a tarde de hoje no twitter, acompanhando a hashtag #Pinheirinho que, inacreditavelmente, foi simplesmente censurada e removida do trending topics do Brasil, apesar de aparecer na de São Paulo e na do Rio. E fiquei ouvindo a Band News, já que a Globo News certamente iria silenciar sobre tudo isso.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E a BandNews fez o mesmo. Sobre o assunto, apenas a mesma ladainha, ditada pela PM de SP: &quot;apenas um ferido na reintegração de posse&quot;. Não ofereciam detalhes, não diziam que a tal &quot;reintegração&quot; durou todo o dia e começou de madrugada. Não mencionou os abusos, não tinham nem um repórter lá ao vivo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Enquanto o Brasil fervia no Twitter e pessoas viam suas vidas sendo destruídas, a BandNews calou-se.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Por volta das 20 horas, troquei para a GloboNews. Ela passava uma reportagem (como sempre negativa E mentirosa por omissão) sobre Cuba. Quase vomitei ao ver a safada daquela blogueira &quot;cubana&quot; em destaque, omitindo informações cruciais, e apenas puxando a brasa pra sardinha dela.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E nem uma palavra sobre #Pinheirinho.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
No Twitter, alguém postou um link para uma reportagem do UOL sobre a manifestação que ocorrera algumas horas antes. Sem surpresa alguma, li aquilo que a PM os mandou colocar, minimizando a manifestação e sentenciando que se tratava de um ato &quot;contra a reintegração de posse&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Na caixa ao lado, das matérias mais recentes, lia-se algumas pérolas que mostra, definitivamente, que a imprensa não passa de um cão de guarda tucano. Ei-las:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&quot;Sindicatos repudiam ação de reintegração de área em SP&quot; - vejam que marotos esses &quot;jornalistas&quot;: &quot;repudiam ação de reintegração&quot; e não os abusos cometidos e a violação de direitos humanos. Quem lê acha que os sindicalistas estão contra a lei...&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Moradores de área reintegrada voltam a entrar em conflito com a PM&quot; - os moradores estavam lá, em suas casas. Quem entrou em conflito com eles foi a PM (que, inclusive, descumpriu um acordo feito poucos dias antes) às 5 da manhã. Mas nada disso importa para os intrépidos &quot;jornalistas&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Manifestação contra reintegração de área em SP fecha a Paulista&quot; - Novamente, &quot;contra a reintegração&quot;. É ou não é a padronização do discurso?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Cerca de 900 moradores de área invadida em SP são atendidos&quot; - Como o governo estadual é bonzinho!&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Governo federal afirma que só soube hoje de reintegração em SP&quot; - ÚNICA manchete negativa da lista. E contra quem? O gov Federal, que só soube que a liminar fora cassada e o gov estadual rompeu o acordo efetuado hoje. Afinal, as duas coisas ocorreram ONTEM! Mas isso não impede os &quot;jornalistas&quot; de criticarem o gov federal, enquanto enaltecem o &quot;atendimento&quot; a 900 pessoas que eles colocaram na rua e cujas casas destruíram.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Reintegração em SP &quot;atropelou negociações para saída pacífica&quot;, diz ministro&quot; - A única crítica ao governo estadual é colocada na boca de um Ministro - que a Folha/UOL vivem chamando de corruptos e mentirosos. O que o infeliz que lê esse lixo vai pensar?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Esa é a mesma &quot;imprensa&quot; que vive dando chilique e se finge de indignada com toda e qualquer coisa que o governo federal faça. Ela se cala e acoberta até mesmo atos dessa grandeza. MILHARES de pessoas tiveram suas vidas destruídas por uma decisão política em favor de um grande canalha chamado Naji Nahas, e o que a &quot;grande imprensa&quot; tem a dizer? Que os sindicatos e manifestantes estão &quot;contra a reintegração de posse&quot;, que o governo estadual &quot;atendeu&quot; 900 pessoas, que o Governo Federal &quot;só soube hoje&quot; da decisão criminosa do governo estadual que foi tomada durante a madrugada.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É ou não é pra se indignar com esses cães?&lt;/div&gt;</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2012/01/pinheirinho-e-midia.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgR6EC7f9J2i3_nPvTMRVuuxSwMUVK2sLJ0iMfwhex7PNM1F5DGw72I-RiZnH2mQ_5EfhG-mz619zhLXJtxUPEkD2WgmRh37haS6DQQ0EDsdYqr7_NlCfRtTCneLcNjL51217mJbjgV8C4/s72-c/Pinheirinho.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-4107180155053199829</guid><pubDate>Sun, 03 Jul 2011 23:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-07-03T20:38:37.317-03:00</atom:updated><title>O TPI, a Líbia e a imprensa covarde</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra Kadaffi por crimes contra a humanidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sou completamente favorável ao TPI, e acho um imenso absurdo que os EUA, a China e Israel não façam parte dele.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas não sou favorável ao abuso do poder. A Líbia não assinou o Tratado de Roma, e está fora da jurisdição do TPI. Ou seja, o Tribunal não pode julgar Kadaffi, seja lá por que crime for.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Caso o Tribunal tenha encontrado uma forma de frustrar essa limitação a sua jurisdição, onde estava ele quando os EUA torturavam presos? Onde estava ele quando os EUA invadiram sem provocação o Iraque?&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sou favorável ao TPI, mas sou contra seu uso político. E não há como caracterizar esse ato do TPI de outra forma. É um abuso, politicamente motivado, e esse Tribunal não pode, em nenhuma hipótese, ser um tribunal político.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não há uma palavra sequer sobre esse abuso na imprensa. Ao contrário, o que há é a condenação prévia e superficial de Kadaffi. Por exemplo, repetem diariamente que ele é um ditador - um pré-julgamento, evidentemente -, e nunca se referem a ele de forma neutra, referindo-se à sua posição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não interessa se ele é um ditador ou não, não cabe à imprensa julgá-lo, nem dizer aos seus leitores como fazê-lo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E já que falamos de conflitos armados, recentemente li o Trajano - aquela besta quadrada da ESPN - afirmar que cabe à imprensa &quot;combater&quot; em defesa de algum ideal.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pois bem, vamos estender essa metáfora. Em um conflito, os dois lados são obrigados a observar (por terem concordado com isso previamente) certos privilégios da imprensa e dos médicos, justamente por eles não serem combatentes.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quem irá, então, observar esses privilégios, uma vez que a imprensa passe a combater? Quie lado irá tratá-la como imune ao combate, e mesmo protegê-la, se ela irá atacá-la? Quem dará imunidade ao combate a um soldado inimigo?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A imprensa só tem seus privilégios por estar fora, acima do combate político em uma sociedade. No momento em que ela se torna parte do jogo político, e deseja fazer política, deve ser tratada como um político, e não como imprensa.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas não é isso que antas como o Trajano querem. eles não querem abrir mão de seus privilégios, mas querem &quot;combater&quot; sem poderem ser combatidos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não passam de, em uma só palavra, covardes.&lt;/div&gt;</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2011/07/o-tpi-libia-e-imprensa.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-6378117572229930818</guid><pubDate>Wed, 22 Jun 2011 01:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-21T22:37:04.111-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Imprensa</category><title>A imprensa capanga.</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
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&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A “grande” imprensa brasileira
(assim como os EUA, diga-se de passagem, que se pretendem os vigilantes – e não
a polícia, como tentam minimizar alguns – do mundo) posa de super-herói. Com as
mãos na cintura, clama usar seu “quarto poder” em defesa da verdade, da justiça
e do “american way of life”, ou pela “moral e bons costumes”, ou qualquer frase
de efeito que lhes faça soar mais nobres do que realmente são.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;


&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em última análise, a imprensa
alega, desavergonhadamente, praticar o vigilantismo, e que acusar e julgar, sem
contraditório, sem chance de defesa, quem quer que acredite ter cometido um ato
criminoso, imoral ou antiético, usando de seu “superpoder” para acossá-los,
derrubá-los, destruí-los é seu “nobre” papel, e absolutamente essencial para a
democracia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;


&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas, apesar do vigilantismo ser
ética, moral e legalmente condenável, sob qualquer ponto de vista, ainda assim os
vigilantes “ideais” e irreais nos quais a “grande” imprensa inspira sua farsa possuem
certa qualidade, uma nobreza advinda da pureza de seus propósitos que quase os
redime e os transforma em heróis. Com efeito, por mais distorcidos que sejam
seus atos, o que eles buscam impor pela força é um ideal de justiça, ou mesmo a
lei, em prol de uma sociedade melhor, livre de crimes, ou das vítimas, dos
oprimidos, etc., doa a quem doer, independente, acima e além de seus próprios
interesses ou paixões.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;


&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É exatamente esse sacrifício do
próprio bem estar, dos próprios interesses que transforma o vigilante em herói.
A imparcialidade, o estoicismo com o qual “combatem o mal” é o que faz de seu
uso da força justiça em vez de puro arbítrio.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;


&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A imposição pela força do próprio
senso de justiça faz de alguém um vigilante. O auto sacrifício faz dele um “herói”.
E o fato de ignorar a vontade popular que deu, de forma irrevogável, ao Estado
o monopólio da aplicação da Justiça com a qual a maioria concorda faz dele um
criminoso.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;


&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
À farsa “heroica” da imprensa,
porém, aplica-se apenas o último item. Seus atos a traem, e ela não se importa
com a justiça, uma vez que trata diferentemente amigos e inimigos, nem
sacrifica seus próprios interesses em nome desse senso de justiça, pois
declara-se partidária e parcial, e persegue seus próprios interesses, às
expensas da própria verdade.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;


&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas o desrespeito à vontade
democrática do povo é exatamente o mesmo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;


&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nas estórias de super-heróis há
outro tipo de personagem típico que, ao contrário desses, usa de sua força para
impor não um senso deturpado ou não de justiça aos outros, mas sim sua vontade,
ou a vontade de outro indivíduo, seu chefe, independentemente de justiça ou
ideais. E esses personagens definem muito melhor o que é a nossa imprensa: os
capangas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;


&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em tempo, cabe ressaltar que tudo
o que escrevi sobre a imprensa também se aplica, completamente, aos EUA. Mas
isso é tema para outro post.&lt;/div&gt;</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2011/06/imprensa-capanga.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-8728995944490022129</guid><pubDate>Mon, 20 Jun 2011 19:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-20T16:32:45.039-03:00</atom:updated><title>Homenagem aos reaças</title><description>Me bateu uma vontade de fazer uma homenagem aos reaças de plantão desse país, 
e o que é melhor pra isso do que uma música?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eis, portanto, o sambra enredo da TRF, dos imortais do Língua de trapo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;349&quot; src=&quot;http://www.youtube.com/embed/9wk-14JXgaU&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TRP pede passagem, pra mostrar sua bateria&lt;br /&gt;
E seu passado de coragem, defendendo a Monarquia&lt;br /&gt;
Salve Pinus Zorreira Zorrileira, precursor da linha-dura&lt;br /&gt;
Grande baluarte da ditadura&lt;br /&gt;
Legislador da Inquisição, implacável justiceiro&lt;br /&gt;
Homem de grande erudição, lia Mein Kampf no banheiro&lt;br /&gt;
No tribunal de Nuremberg, defendeu o Mussolini&lt;br /&gt;
Sob os auspícios do Lindenberg&lt;br /&gt;
E hoje ele se preocupa com a infiltração comunista&lt;br /&gt;
No clero progressista (e o Lefebvre)&lt;br /&gt;
Lefebvre, fiel companheiro incomparável amigo,&lt;br /&gt;
Irrepreensível mentor&lt;br /&gt;
Exerce completo fascínio e vai incutindo em Plinus&lt;br /&gt;
O gênio conservador&lt;br /&gt;
Digno de um poema do Ezra Pound, quer que o&lt;br /&gt;
Brasil se transforme num imenso Play Ground&lt;br /&gt;
No carnaval a escola comemora nascimento de Nossa Senhora&lt;br /&gt;
E a defesa da tradição, cantando esse refrão:&lt;br /&gt;
Anauê, Anauê, Anauá, TRP acabou de chegar (repete)&lt;br /&gt;
E hoje sou fascista na avenida, minha escola é a mais querida&lt;br /&gt;
Dos reaça nacional (repete)&lt;br /&gt;
Plim, plim, plim, plim, plim, plim, plim, plim, plim,&lt;br /&gt;
Era assim que a vovó seu Plinus chamava</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2011/06/homenagem-aos-reacas.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img.youtube.com/vi/9wk-14JXgaU/default.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-8366610417204465730</guid><pubDate>Mon, 02 May 2011 04:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-05-02T01:22:41.488-03:00</atom:updated><title>A Parcialidade da imprensa</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Recentemente, um amigo me apresentou três argumentos, bastante comuns entre a direita, defendendo a parcialidade da imprensa como uma virtude. São eles:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;1) Imparcialidade é impossível, pois todos somos parciais. Assim, devemos abraçar a parcialidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
2) Se todos os veículos forem parciais, o leitor poderá escolher o veículo pela opinião que mais se assemelha à sua.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
3) Nós lemos jornal apenas para validar e reforçar nossas próprias opiniões formadas. Assim, não há razão para serem imparciais.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O primeiro argumento é completamente falacioso. É o mesmo que dizer que devemos abraçar os erros, pois todos erramos e deixar de errar é impossível. Não é pq a imparcialidade completa é impossível que devemos fazer da parcialidade o padrão. Ao contrário, o argumento seria válido para desculpar uma eventual parcialidade, mas não para transformá-la em princípio da imprensa. &lt;/div&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O segundo argumento não passa de uma transposição da fábula do livre mercado para o campo das ideias, imaginando que exista uma competição entre essas elas pela aprovação popular. Apenas o fato de que os capitalistas, donos dos veículos, jamais serão partidários de opiniões contrárias a eles já demonstram esse argumento como o absurdo que é. É evidente que é inevitável que os diversos veículos passem a defender as mesmas opiniões, sempre em benefício de seus donos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em um parêntesis, é interessante apontar a hipocrisia da direita que vive criticando o pensamento único decorrente de um monopólio estatal da imprensa, mas aplaude o pensamento único de uma imprensa oligárquica, como a brasileira. É claro que o problema deles não é o pensamento único, mas o fato dele ser estatal, em vez do pensamento único dos capitalistas - esse,sim, plenamente aceitável, e até mesmo desejável.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Finalmente, o terceiro argumento renderia um livro, apenas para dizer em quantos níveis e de quantas formas ele é um completo absurdo. E, ainda assim, podemos argumentar que essa singela frase é a própria quintessência do conservadorismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Opiniões monolíticas, imutáveis não são nem comuns, nem desejáveis. ao contrário, uma opinião só pode ser chamada assim quando podemos submetê-las a desafios. &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não reforçamos opiniões através de repetição, mas sim através de desafios. É nos forçando a defender nossas próprias opiniões que podemos dizer que, realmente, achamos estar certos. Não validamos opiniões através das opiniões alheias, mas sim através da demonstração de sua coerência e consistência, não apenas interna, mas externa, com a realidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O que não pode ser desafiado, e precisa de reforço através de repetição, e validação através dos outros, é o dogma, e não a opinião.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Por outro lado, a primeira e mais necessária característica que a imprensa deve manter a todo custo é a credibilidade. Sem ela, a imprensa não seve para nada, e os leitores não devem ser condenados a terem que julgar se a informação transmitida é correta, verdadeira, ou não. E credibilidade só pode ser obtida com uma presunção de que há honestidade intelectual da parte de quem noticia algo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Com a parcialidade &quot;oficial&quot;, porém, a presunção dessa honestidade e, por conseguinte, a própria credibilidade em si deixa de existir - como vem acontecendo com a imprensa brasileira.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pra onde vai essa presunção de honestidade quando um veículo da imprensa implora ao Judiciário por uma decisão que lhes permita usar de informações sem nenhuma credibilidade obtidas por meio de tortura por uma ditadura contra uma candidata à presidente, enquanto outro veículo, tão parcial quanto, senta-se sobre uma entrevista bombástica contra seus aliados, obtida antes da eleição, por mais de 150 dias? E que motivou essas atitudes - e tantas outras similares - se não sua parcialidade?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Como poderíamos dizer que tal imprensa é democrática? Ou mesmo útil para a sociedade?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Finalmente, se é verdade que todos os políticos mentem, como gosta de repetir a imprensa (interessada em desacreditá-los ao máximo, por princípio), o que dizer de uma imprensa que age como um conjunto de políticos, um partido?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Apenas os que compartilham interesses e opiniões com uma imprensa partidarizada desejam que ela assim continue, silenciando na prática as opiniões contrárias.&lt;/div&gt;</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2011/05/parcialidade-da-imprensa.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-4258591716533863868</guid><pubDate>Sun, 01 May 2011 23:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-05-01T20:57:12.113-03:00</atom:updated><title>A Doutrina do choque</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um documentário maravilhoso. A uma hora e vinte minutos mais bem gasta pra quem quer realmente entender os últimos 40 anos. Faça um favor a você mesmo assistindo-o.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;390&quot; src=&quot;http://www.youtube.com/embed/fNbaZ--Bh1w&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2011/05/doutrina-do-choque.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img.youtube.com/vi/fNbaZ--Bh1w/default.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-4015266908809647846</guid><pubDate>Fri, 29 Apr 2011 06:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-04-29T03:26:52.291-03:00</atom:updated><title>Voto distrital, uma imensa roubada.</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
No sistema distrital, toma-se a quantidade de vagas
disponíveis, divide-se pelo número de eleitores, que são agrupados
em igual número de distritos, onde os candidatos àquelas vagas a
disputam por maioria de votos.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Imaginemos um país com 1010 eleitores, 100 vagas
para deputados e 4 partidos disputando essas vagas. Ele seria
dividido em 10 distritos, cada qual com 101 eleitores. Vamos supor,
ainda que os 4 partidos indiquem um candidato em todos os distritos,
e que, ao final, um deles consiga 26 votos em todos os distritos, e
os demais, apenas 25.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
No Congresso resultante, não haveria nem um
representante de 75% da população, mas apenas daqueles 25%. 
&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Nas eleições seguintes, os 4 partidos percebem que
não há motivo algum para disputarem em separado as eleições.
Afinal, 3 dos 4 candidatos de cada distrito ficarão completamente
fora do poder com uma derrota, ao passo que, se se unirem em dois
partidos, apenas metade deles ficará completamente fora do poder.
Assim, os 4 partidos tornam-se dois, reduzindo o possível prejuízo.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Com isso, defenestra-se a identidade ideológica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Novamente, os candidatos um dos partidos recebe 51
votos em todos os distritos, enquanto os candidatos do outro recebem
“apenas” 50.  Numa primeira impressão, metade da população,
portanto, desperdiçou seu voto, e ficou sem voz no Congresso. Mas
apenas em uma primeira impressão.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Digamos que dentre os 101 eleitores de um
determinado distrito haja 2 indivíduos membros de uma minora com
interesses específicos. Cada um dos dois candidatos concorrentes
olha para a demografia de seu distrito e verifica que, dentre as
questões mais relevantes para os 101 eleitores, os interesses
daquela minoria representam apenas um pouco menos que 2% daquele
universo.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Mais, eles percebem que esses 2 indivíduos, além
de seus interesses específicos, compartilham outros interesses com
os restantes 99 eleitores. Assim, decidem relegar esses temas em
favor de temas mais gerais, que os permita disputar os votos dos 101,
e não apenas aqueles 2.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Dessa forma, os interesses da minoria desaparecem
nomeio das questões mais genéricas. O mesmo ocorre com os temas
mais gerais. Os dois candidatos percebem que enquanto alguns dos
eleitores se preocupam com questões de âmbito nacional, todos
compartilham preocupações locais, como a construção de uma
estrada ou de uma escola, e seu discurso passa a refletir apenas
essas questões locais, as mais importantes para aqueles 101
eleitores, diretamente.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Não importa mais, assim, disputar votos de minorias
ou de pessoas politicamente conscientes, mas apenas os votos
pragmáticos, com resultados diretos para aquele distrito.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Pior ainda, essas minorias se distribuem em diversos
distritos, e não há nenhuma esperança de que seus interesses
comuns sejam defendidos, exatamente por estarem distribuídos. Nenhum
candidato irá se eleger novamente por tê-los defendido.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Em uma terceira eleição, portanto, os eleitores
dos distritos terão entendido, finalmente, que a única forma de
fazer com que seus votos sejam úteis é deixar suas preocupações
políticas de lado, e votar em quem lhes prometer – e prover –
melhorias locais e tópicas.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Quem construir uma escola, por exemplo, será um
“bom político”, mas quem defender os negros, não conseguirá se
re-eleger.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Pior ainda, como o foco é a conquista de vantagens
locais, os candidatos ligados à situação estarão em extrema
vantagem. Qual distrito ousará eleger alguém que seja oposição ao
governo e, portanto, menos capaz de conquistar apoios dentro do
Executivo, ou mesmo do próprio Legislativo?&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
O voto distrital é uma imensa roubada. Ela acaba
com a identidade ideológica dos partidos, elimina a discussão
política nacional, polariza as questões locais, impede as minorias
de serem ouvidas e representadas e, como se tudo isso fosse pouco,
ainda transforma a política em mero provincianismo e pragmatismo.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
E tudo isso sem falar na maior facilidade para os
ricos, os “coronéis” e compradores de votos se elegerem e
reelegerem, já que o universo de eleitores é significativamente
reduzido, e do aumento absurdo do poder da imprensa em desacreditar
candidatos, forçando-os a se aliarem a ela.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
O voto distrital é, efetivamente, o reconhecimento
oficial do curral eleitoral, o fim da discussão política nacional,
que ficará restrita à corrida presidencial, e o isolamento das
minorias de qualquer tipo de representação significativa.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Basta ver o que ocorre nos EUA, onde o Congresso é
formado por apenas dois partidos, e os representantes das minorias
são virtualmente inexistentes. Muito embora os eleitores lá possam,
como dizem os defensores do voto distrital, cobrar seus
representantes diretamente, estes são completamente surdos a
qualquer reclamação de fundo ideológico, pois sabem que o que
realmente importa à esmagadora maioria são as questões locais,
provincianas.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
O Congresso nacional precisa ser um espelho da
população. Sua composição deve seguir a demografia dos interesses
da população, e todos os pensamentos devem estar lá representados.
Ele precisa incluir o máximo de correntes de pensamento, e não
excluí-las completamente do próprio debate.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
É bem verdade que o sistema atual está longe de
ser perfeito. Mas, mesmo com os defeitos atuais – que podem e devem
ser corrigidos – ele é, ainda, muitas vezes mais representativo do
que essa alternativa que, não surpreendentemente, é a preferida da
direita, cujo discurso ideológico se esgotou completamente.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
O que, efetivamente, ganhamos com o voto distrital é
a aproximação do eleitorado com seus eleitos. Mas o que
sacrificamos para isso é a pluralidade política, a identificação
ideológica, a representatividade das minorias, a própria existência
efetiva de uma oposição e a discussão de temas nacionais. Um preço
alto demais.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
As vantagens e desvantagens do sistema proporcional
do jeito que foi estabelecido no Brasil nos são bem conhecidas. A
pluralidade, a identificação ideológica, a representatividade,
etc, são claros pontos positivos. O distanciamento entre
representantes e representados, a eleição de candidatos
desconhecidos e de poucos votos e o maior custo das campanhas são
pontos negativos evidentes.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
O distanciamento pode ser mitigado pela maior
organização social e pela aproximação provocada pela internet.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Um sistema de lista fechada, como defendido pela
Dilma e pela maioria do PT, é uma forma de corrigir a questão da
eleição dos desconhecidos e ruins de votos.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
E, finalmente, o financiamento público de campanha
elimina a questão dos custos, desde que ele não seja proporcional,
mas igualitário.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Eliminar os limites mínimo e máximo de cadeiras em
relação à população de cada Estado é outro ponto importante
para aumentar a representatividade. Muitas outras modificações
podem eliminar ou mitigar os pontos negativos do voto proporcional.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
O mais importante, porém, é lembrar que não
existe sistema perfeito. É preciso não perder de vista os pontos
negativos pra fazer uma escolha realmente consciente. E é ainda mais
importante lembrar que muitos dos proponentes dos dois lados são
absolutamente hipócritas, listando as virtudes de um e os defeitos
do outro, mas sem se importar com outra coisa que não o benefício
que um ou outro trará para eles, individualmente. O hipócrita
sempre finge se indignar com os defeitos alheios, enquanto ignora os
próprios.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
Separar o joio do trigo não é simples, mas é
possível. Um defensor honesto irá apontar os erros daquilo que
defende, e as formas de corrigir ou mitigar esses defeitos, enquanto
o desonesto não o fará, e reduzirá os oponentes a estereótipos,
desmerecendo-os e a sua escolha.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;
De minha parte, sou mais o voto proporcional com
modificações para eliminar seus muitos defeitos. Não sei se a
lista fechada é a melhor opção, sinceramente. Talvez o debate que
certamente se seguirá irá me convencer de uma forma ou outra, mas o
que tenho a mais absoluta certeza é que o voto distrital é uma
imensa roubada.&lt;/div&gt;</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2011/04/voto-distrital-uma-imensa-roubada.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-470909510041910096</guid><pubDate>Wed, 23 Mar 2011 03:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-23T00:20:31.310-03:00</atom:updated><title>Comunismo, socialismo, capitalismo e fascismo</title><description>&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Cada um dos “-ismos” do título é um modelo de Estado, delineando a forma como ele, o Estado, se relaciona com a sociedade em três planos distintos e essenciais: o plano econômico, o social e o político.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Além disso, cada um deles tem uma “Tônica” em um campo diferente, admitindo – em formas menos “puras” -, formas de relacionamento diversas nos demais. Assim, a caracterização de cada um deles não é exatamente trivial e um desses “ismos” pode adotar, nas duas áreas não tidas como primordiais, outras formas de relacionamento com a sociedade que não a “preferida” ou mais comum, ou mais lógica, sem se descaracterizar como aquele “ismo” em particular.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Mais, é perfeitamente possível que dois deles se misturem, na medida em que as “tônicas” de dois deles são econômicas, e a dos outros dois, sociais.&lt;/p&gt; &lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O Comunismo tem a economia como sua tônica. Nele, o Estado age diretamente no setor econômico, organizando-o e mesmo possuindo sua maior parte (os meios de produção), em nome da sociedade proletária. Propriedade pública, economia centralizada e planejada. No campo social, a “preferência” é a ausência de classes (ou seja, a existência de apenas uma, a do proletariado). &lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Tendo em vista que o comunismo vê os partidos políticos como meras extensões das diferentes classes e seus interesses, e adota a ausência delas como forma de organização social, segue-se que sua organização política é a do partido único, no qual todos os anseios da classe única são debatidos e solucionados. A “ditadura do proletariado” é, na verdade, a ditadura de todos, já que todos são proletários.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;A “tônica” do socialismo é a organização social. Enquanto o comunismo pretende uma sociedade sem classes, o socialismo – seja ele tido como etapa necessária para chegar ao comunismo, ou como um sistema viável por si só – acetia a existência de diversas classes, mas tenta reduzir suas diferenças ao mínimo – daí a grande quantidade de programas sociais, medidas de distribuição de rendas, serviços públicos gratuitos – tudo visando dar aos membros de todas as classes as mesmas condições, construindo uma sociedade de classes dinâmica.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;No plano econômico e político, o socialismo prefere, respectivamente, uma economia fortemente regulada pelo Estado - de forma a coibir excessos que levem ao aumento das diferenças sociais (em contraste com a economia planejada e centralizada do comunismo) – e uma organização política democrática com financiamento puramente público – ao contrário da democracia estadunidense, movida a financiamento privado, de acordo com os interesses defendidos pelos políticos.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;No capitalismo, tudo gira em torno da competição. A cada um cabe, usando suas capacidades e suas circunstâncias únicas, fazer o melhor para si mesmo. Assim, seu cerne é a economia, tão isenta de controle ou regulamentação estatal quanto possível, onde cada um compete pelo que deseja, da melhor forma que pode, sem interferência do poder estatal.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;No campo social, o capitalismo prefere uma sociedade dinâmica de classes – onde cada um suba ou caia dependendo de sua própria performance e sorte – e onde cada classe conquiste para si o que puder. As diferenças entre as classes são tidas como naturais, fruto das capacidades ou mesmo sorte ou falta de escrúpulos de cada indivíduo. Politicamente, o capitalismo prefere a democracia no modelo estadunidense, onde cada partido representa abertamente os interesses de classes diferentes e competem pelos recursos do Estado.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O fascismo, por fim, é o herdeiro da aristocracia. Sua tônica é o campo social, que preconiza uma sociedade com classes bem definidas e pouco dinâmicas, criadas em torno de critérios arbitrários, como raça, famílias ou mesmo propriedades. Uma dessas classes é caracterizada como superior às demais, e mais preparada para decidir o destino do todo. O progresso dessa classe principal é o objetivo do Estado, e é aceito que desse progresso decorrerá o progresso das demais classes – tal qual uma locomotiva traz consigo os vagões (imagem muito comum no fascismo italiano). As classes mais baixas, por sua vez, são relegadas a funções menores e, no caso do nazismo alemão, escravizadas.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Economicamente, o fascismo prefere um mercado livre, com poucas intervenções do Estado visando manter o poder econômico nas mãos da classe superior. Politicamente, as formas políticas que denotam o governo de privilegiados sobre as massas submissas, como a oligarquia, a teocracia, a plutocracia, a monarquia, a aristocracia ou mesmo a autocracia pura e simples, são preferenciais. Mesmo quando adota-se uma forma de democracia, ela é limitada apens aos considerados “preparados”, excluindo-se pobres, analfabetos, mulheres, membros de outras religiões ou raças, etc.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Como dito antes, nada impede que um “ismo” se misture a outro. Por exemplo, o comunismo de Stálin era claramente fascista, pois havia ao menos duas classes distintas e o Estado foi empregado para manter uma – considerada a “elite” - no poder pela força.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Os EUA do início do século passado era claramente capitalista e fascista, serindo o Estado como meio para manter uma plutocracia no poder, e com uma democracia com sufrágio limitado aos “preparados” (alfabetizados, proprietários e homens).&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;No espectro político, considerando a concentração de poder (pollítico, econômico e social) em relação aos indivíduos, temos, na esquerda, a menor concentração e na direita, a maior. O comunismo é a forma mais extrema da esquerda (onde todos, idealmente, compartilham exatamente o mesmo poder) e o socialismo, a forma moderada da mesma. O capitalismo é a forma moderada da direita e o fascismo, sua forma extremada (o poder se concentra nas mãos de poucos).´&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;É bem verdade que na forma não ideal de qualquer um dos “ismos”, o poder se concentra nas mãos de poucos, através da controle sobre o Estado. Mas, cada um deles, em seus fundamentos, entendem uma distribuição de poder como sendo a melhor possível – o comunismo, uma distribuição igual, no socialismo, uma distribuição o menos desigual possível e cada vez menor, no capitalismo, a concentração de acordo com “merecimento” (ou seja, capacidade de obtê-lo) e, no fascismo, a concentração total em razão de “direitos inatos”.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Na esquerda, o princípio é o de que as pessoas são igualmente capazes, merecedoras e preparadas para exercer o poder, e a forma justa de compartilhamento do mesmo é sua distribuição mais ou menos igual. A direita vê os indivíduos como inerentemente diferentes, e a forma justa de distribuição do poder é a sua concentração nas mãos dos mais capazes, merecedores ou preparados para exercê-lo, de acordo com suas circunstâncias únicas.&lt;/p&gt;  </description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2011/03/comunismo-socialismo-capitalismo-e.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-7107835840608507659</guid><pubDate>Mon, 21 Mar 2011 01:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-20T22:31:38.048-03:00</atom:updated><title>Mãos ao alto!</title><description>&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Que os EUA são hipócritas até a raiz da alma, todos sabemos. Mas o que estão fazendo na Líbia – com apoio da França (!quem diria!) e da Itália (que novidade!) – supera tudo que já vi. É um explícito assalto, maior do que o que ocorreu no Iraque.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Vejam que engraçado: no Iraque e no Afeganistão, qualquer um que lute contra o governo estabelecido (pelos invasores estrangeiros) são chamados de “insurgentes”. Osque não usam uniformes, são chamados de “combatentes ilegais”, uma novidade criada pelos fascistas de Bush para, ignorando tanto o texto quanto o espírito das convenções de guerra, criar um “buraco negro” jurídico no qual os assim categorizados perdem virtualmente todos os direitos, e podem ser encarcerados para sempre, sem julgamento, sem direitos humanos, etc.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Na Líbia, porém, os que lutam contra o governo (ditatorial) estabelecido são chamados de “rebeldes” e os que não usam uniformes são chamados de “civis”. Segundo a ficção estadunidense, quando eles atacam, são “rebeldes”, mas quando são atacados, são “civis”!&lt;/p&gt; &lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Se os “insurgentes” iraquianos são mortos, torturados e presos sem julgamento, os “rebeldes” líbios são civis que precisam ser protegidos. Ou seja, os EUA tomam partido de quem lhes interessa, quando lhes interessa, e tudo mais é perfumaria. Como a eles interessa derrubar Kadaffi – um ditador servil mas caro – tomam partido de seus opositores. Sem a menor cerimônia, é até mesmo possível que lutem lado a lado com alguém que enfrentaram no Iraque a alguns meses.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;São os milagres da “realpolitik” estadunidense. E de sua hipocrisia sem comparação. E, para “proteger os civis”, eles bombardeiam civis – mas, desde que estejam “do outro lado”, eles são “combatentes ilegais” e não mais “civis”, segundo a ilógica canalha estadunidense.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Obama autorizou os ataques durante sua visita ao Brasil – e nós nos opusemos, sempre, a esse intervencionismo estadunidense. Poucas horas depois, falou em defesa do direito de auto-determinação dos povos, paz, democracia, defesa de direitos humanos, enquanto seus misseis negavam cada palavra sua, o baruilho de suas explosões soando como gargalhadas irônicas.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Pior, chegou a dizer que não haveria “perdão” a Kadaffi, como se coubesse a ele, um bunda-suja e lambe-botas dos verdadeiros donos dos EUA, o poder de perdoar ou condenar alguém.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Que Kadaffi é um ditador sem-vergonha, que cansou de explorar seu próprio povo, todos sabemos. E todos torcemos para que seja derrubado por um movimento legítimo. Mas o que não podemos aceitar de forma alguma é um bando de países estrangeiros, à guisa de “proteger a população civil”, bombardear esse país e matar a mesma população civil que diz querer proteger (imagino que, se for uma população favorável ao Kadaffi, não seja considerada “civil” pelos estadunidenses caras-de-pau), remover um ditador servil e colocar em seu lugar um governo sob seu completo controle, que lhes garanta o petróleo barato.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;E é exatamente o que está acontecendo agora. Descaradamente, os EUA ordenam aos Líbios que levantem as mãos e entreguem o petróleo, pois cansaram de pagar propina pro ditador de plantão.&lt;/p&gt;  </description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2011/03/maos-ao-alto.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-1949301597568464116</guid><pubDate>Sun, 20 Mar 2011 22:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-20T19:51:34.675-03:00</atom:updated><title>O comício do Obama</title><description>&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;A visita do presidente estadunidense pode ser interpretada de muitas formas. Na diplomacia, tudo é simbólico, e símbolos são difíceis de serem interpretados, exatamente por essas interpretações estarem, como a beleza, nos olhos de quem vê.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Todo mundo terá uma avaliação diferente, e a minha não é melhor do que a de ninguém, mas acho que há uma interpretação que pode ser retirada de forma mais ou menos objetiva: tudo não passou de um espetáculo visando a campanha eleitoral dos EUA no ano que vem, espetáculo esse patrocinado em parte pelo governo brasileiro.&lt;/p&gt; &lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Tudo aponta nesse sentido: a imprensa conservadora dos EUA virtualmente calada sobre o assunto, exceto para criticar Obama por se ausentar quando os EUA iniciam mais uma campanha militar no Oriente médio. A sempre solícita imprensa brasileira dando a essa visita um tom quase apoteótico, incentivada pela embaixada estadunidense.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O convite a ex-presidentes para participarem da recepção a Obama. A colocação de FHC – porta-voz dos interesses estadunidenses e virtual membro do partido de Obama – na mesma mesa de Obama e Dilma. A recusa de Lula de servir como um moleque propaganda de Obama.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Uma visita dessa magnitude com apenas três meses de governo Dilma, depois do Brasil votar contra o interesse estadunidense na ONU.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;A orientação do PT a seus militantes para não fazerem manifestações contrárias, resutlando na impossibilidade da imprensa estadunidense mostrar outra coisa que não uma recepção calorosa e carinhosa, de um povo que o apoia, do povo da favela aos seus ex-presidentes e atual presidenta (em contraste com as muitas manifestações anti-EUA que ocorriam com Bush).&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O discurso ao povo brasileiro, em um local altamente significativo, exaltando nosso país, “promovendo-o” a um “igual” (uma concessão que mitiga o arrogante sentimento de superioridade estadunidense), declarando nossas semelhanças culturais e identidade de valores, com menções explícitas a nossa cultura (enquanto outros presidentes estadunidenses, principalmente Bush, mal sabiam qual era a nossa capital), exortação do passado guerrilheiro de Dilma e da história de vida de Lula, tudo isso pinta uma imagem de um Obama multilateralista, festejado por todos, culto, capaz de reaproximar a América Latina, etc, que os democratas poderão – e irão – usar na campanha do ano que vem.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O governo brasileiro participou disso o melhor que pôde, e não deve ter sido de graça. É claro que, para nós e pro mundo, é menos ruim ter um Obama na presidência dos EUA do que um novo Bush, mas não foi apenas isso que o motivou. Acho que a concessão, de público, de que antes o Brasil era tratado como um “parceiro júnior” pelos EUA e, agora, é um “igual” foi o ponto central de todo esse teatro, algo que o próprio PT poderá usar politicamente no futuro, mas mais do que isso, uma razão para nos orgulharmos, pois o presidente de uma nação que sempre nos considerou e tratou como subordinados não apenas reconheceu isso, mas aceitou que não é mais o caso.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;É um símbolo forte, mas que é negado imediatamente pela exigência da segurança de Obama para que Ministros brasileiros fossem revistados e tivessem que tirar os sapatos, antes de se aproximarem de Obama. A mensagem que isso passou foi bastante clara: somos “iguais”, mas não a ponto de sermos confiáveis. Ou seja, a tal “promoção” foi apenas simbólica, e os EUA continuarão a nos tratar como um quintal, e a esperar de nós nada além de ocasionais divergências em pontos&amp;nbsp; periféricos.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O “apoio” à ascensão brasileira é, como tudo o mais, condicionada aos interesses estadunidenses. Da mesma forma que os EUA apenas consideram “liberdade” aquela que permite a seus empresários explorarem ao máximo os “escravos livres”, e “democracia” como aquela que imita a estadunidense e condiciona o discurso e a sua prática ao poder econômico, os EUA só aceitam e reconhecem o “progresso” brasilerio na medida em que eles se beneficiarem.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Isso não mudou, e Obama deixou bem claro nas entrelinhas de seu discurso.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Enfim, nada de substancial mudou ou aconteceu. Tudo não passou de uma jogada eleitoreira de ambos os lados, e Lula fez muito bem em não se prestar ao papel de moleque de propaganda de quem o esfaqueou pelas costas.&lt;/p&gt;  </description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2011/03/comicio-do-obama.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-3862289097953272744</guid><pubDate>Sat, 12 Mar 2011 00:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-11T21:36:48.443-03:00</atom:updated><title>Direitos humanos e a ditadura</title><description>&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;É impressionante que, no século XXI, tanta gente ainda desconheça completamente o que são direitos humanos e a razão pela qual eles precisam ser protegidos a todo custo. A culpa dessa desinformação cabe exclusivamente à imprensa, essa lata de lixo que insiste em ser tratada de forma especial, e que só existe para que os poderosos enfiem suas idéias, seus “valores” e “prinncípios! (que apenas servem a eles) pela goela abaixo do povo.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;E é ainda mais impressionante que tantos defendam com unhas e dentes o desrespeito a esses direitos, quando praticados em nome de seus “princípios” – ou seja, em defesa de sua “ideologia” e de seus bolsos e posições sociais.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O Governo brasileiro pretende criar a comissão da verdade, para investigar os abusoscometidos contra esses direitos durante a ditadura militar, e a direita hidrófoba se levanta, contrariada, temendo que, junto com os atos de seus “heróis” daquela época, eles mesmos e sua ideologia capenga sejam colocados no banco dos réus.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;No mínimo, pensam, não podem aceitar essa humilhação sozinhos. Batem o pé, em um último ato de resistência ao desastre iminente e lançam mão de mais uma de suas costumeiras táticas: a chantagem, demandando, falsamente, que os atos dos indivíduos que resistiram à ditadura – pelos mais variados motivos – também sejam alvo dessa investigação, como se os atos desses indivíduos – agindo sozinhos ou em grupos – fossem idênticos em natureza e importância aos crimes cometidos pelos usurpadores de 64.&lt;/p&gt; &lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;É evidente que as duas coisas são incomparáveis. Se um representante do Estado, agindo como tal – ou seja, de forma institucionalizada, amparada pelo poder Estatal, e de acordo com a vontade deste – sequestra, tortura ou mata um indivíduo, é o Estado que está cometendo esses crimes, e não o indivíduo.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Nesse caso, são os direitos de TODOS NÓS que estão sendo feridos, pois o Estado de arrogou o poder de arbitrariamente ignorar o direito de QUALQUER indivíduo, e não apenas de suas vítimas.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Ao contrário, um indivíduo que cometa os mesmos atos, mas de forma independente do Estado, fere apenas os direitos de suas vítimas. É um criminoso comum, contrastando com o Estado criminoso, aquele que deixou de lado sua função, seu dever primeiro, e passou a oprimir quem ele deveria servir.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Enquanto esse indivíduo criminoso viola o direito individual de suas vítimas, o Estado criminoso viola os direitos humanos de todo um povo ao dar-se o poder de ignorá-los quando bem desejar. Se num dia ele viola os direitos de um criminoso, amanhã, com a mesma facilidade, violará os seus, pois são esses direitos - que a direita tanto ridiculariza – que impede o Estado de taxar a quem ele quiser de criminoso, independentemente de provas.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Não é possível argumentar que os dois tipos de crimes são iguais. Não é possível exigir que deixemos de investigar e condenar o Estado criminoso e seus agentes, se não fizermos o mesmo com os indivíduos que a ele resistiram.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Em 1964 nosso Estado foi violentado e usurpado. Deixou de ser nosso protetor para se tornar mera ferramenta de nossos algozes. Como se estivesse drogado, violentou a própria nação brasileira, e até hoje não se recuperou do trauma, e treme todas as vezes que vê um uniforme com estrelas.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;É necessário, para podermos seguir em frente, passar a limpo toda aquela podridão. Investigar todos os atos que o nosso Estado foi coagido a cometer. Punir aqueles que o coagiram e se beneficiaram dos abusos. Trazer à luz e expurgar definitivamente o terror dos porões da ditadura.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Não são as ameaças vazias dos viúvos da ditadura que devem nos impedir de fazer o que é necessário para curar definitivamente o Estado Brasileiro, e reconciliá-lo com a Nação Brasileira. Não é a retórica vazia e as chantagens daqueles que se identificam com os violadores da Nação que vão nos amedrontar.&lt;/p&gt;  </description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2011/03/direitos-humanos-e-ditadura.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-1594790251391800062</guid><pubDate>Tue, 01 Mar 2011 23:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-01T20:17:27.968-03:00</atom:updated><title>Líbia e companhia</title><description>&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Tem muita bobagem sendo escrita sobre a situação na Líbia, Egito, etc. Não custa nada escrever mais uma, não é?&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Do meu ponto de vista, a questão é relativamente simples. Os países árabes estão sentados sobre a maior reserva de petróleo do mundo, e esse mesmo petróleo é essencial para o maior mercado consumidor do mundo: os EUA.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Entre a fonte do petróleo e seus maiores consumidores existem dois intermediários: s grandes empresas de petróleo, e os governos dos países árabes. As primeiras mandam nos EUA e os segundos, nos países produtores.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O lucro da venda do petróleo para nesses dois intermediários. Ele não retorna para o povo árabe, exceto em forma de migalhas que seus governos corruptos distribuem. Esses governos, por sua vez, gastam esses lucros em armas, sob o pretexto de se protegerem de outros países – armas essas vendidas, principalmente, por companhias multinacionais que, junto com as petroleiras, fazem parte do complexo militar-empresarial que manda e desmanda nos EUA.&lt;/p&gt; &lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Essas armas são essenciais para que esses governos se mantenham no poder, mas não por sua capacidade de defendê-los, mas apenas e tão somente por ser um sifão, levando parte do lucro do petróleo de volta às mãos das multinacionais. O governo estadunidense apoiava esses governos corruptos exatamente por causa disso e do fato deles manterem o preço do petróleo em níveis aceitáveis.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Pois bem, quem acompanhou a guerra do Iraque certamente se lembrará do argumento proposto por Bush e cia de que o estabelecimento de uma democracia naquele país faria com que seus vizinhos se rendessem a ela, um a um – “o efeito dominó”. &lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Por trás desse argumento está a evidente utilização do Iraque como um centro a partir do qual a oposição aos tais governos seria estimulada e financiada. E esse é o resultado.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Mas mesmo aqueles para quem os EUA não pode cometer nenhum ato que seja menos do que nobre, é forçoso reconhecer que esse país agora se coloca contra os mesmos governos que apoiou por tantas décadas, vendo nas manifestações populares uma oportunidade de instalar, nesses países, governos ainda mais amigáveis que, por exemplo, privatizem completamente a exploração do petróleo para empresas multinacionais.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Mas a população desses países não está exigindo democracia. As décadas que a máquina de propaganda estadunidense gastou nos convencendo de que liberdade = democracia + capitalismo não foram desperdiçadas e, agora, vemos um povo explorado exigindo liberdade e respeito e imediatamente pensamos que o que eles querem é uma democracia ocidentalizada, onde o mais rico se eleja e re-eleja at aeternum, como acontece na matriz desse modelo pervertido de democracia.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Na verdade, o que esse povo quer é liberdade. Não a liberdade de ser roubado e explorado, mas a de não sê-lo. Não estão se importando com democracia ou capitalismo, pois eses não são fins, mas meios de se chegar a uma vida decente, assim como o socialismo e o comunismo também são.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O que eles querem é que o lucro do petróleo seja revertido em condições melhores de vida, e não em fortunas pessoais, lucros de acionistas e armas. E isso lhes será negado, muito em breve, mais uma vez. É evidente que os poderosos continuarão a fazer as regras que mais lhes beneficie, e logo todos esses países terão governos democraticamente eleitos, mas que estão a serviço das empresas de petróleo, que logo aceitarão, humildemente, a propriedade sobre todo o petróleo árabe, em troca de um imposto mínimo, e as migalhas que serão atiradas ao povo árabe serão ainda menores.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;A grande diferença é que a riqueza que esses governos corruptos desviavam para a casta de poderosos será dividida entre os mesmos poderosos e as multinacionais. E as migalhas que deixarão cair para o povo continuarão a ser migalhas, e nada mais.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Os EUA jamais apoiariam qualquer coisa que lhes reduzisse o poder sobre o petróleo árabe. Muito ao contrário, a posição estadunidense deixa claro que o que se seguirá irá, certamente, aumentar-lhes o controle. Nenhum presidente estadunidense irá, em nenhum momento da história, defender os interesses de outro povo quando houver colisão com os seus próprios. É da cultura, da tradição e da legislação consitucional deles. Todo o blablabla sobre os direitos humanos, etc não passa de conversa pra boi dormir.&lt;/p&gt; &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O que eles realmente querem é tirar os ditadores, cujos relutantes serviços se tornaram caros, e substituí-los por lacaios de rabo preso, interesses comuns e com prazo de validade. E o povo árabe que se dane, enquanto o petróleo e os lucros daqueles que financiam as campanhas políticas nos EUA estiverem assegurados.&lt;/p&gt;  </description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2011/03/libia-e-companhia_01.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6792060277026334786.post-397387090230719893</guid><pubDate>Mon, 01 Nov 2010 23:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-11-01T21:56:29.337-02:00</atom:updated><title>Xenofobia</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os xenófobos se sentiram representados por Serra, dada a campanha extremamente negativa e carregada de ódio perpetrada pelo PSDB nesta eleição e, principalmente, pela postura e atitudes da militância tucana na internet.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Essa xenofobia não é nova. Existe a décadas no Sul e no Sudeste. Ele é primordialmente de direita, e se apoia em uma falácia típica dessa pseudo ideologia: sucesso - seja ele econômico, social ou político - é sinônimo de competência, de superioridade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Assim, pensam os xenófobos - exatamente da mesma forma como a direita em geral pensa sobre os ricos e os pobres - que a pujança econômica do Sul/Sudeste significa que essas regiões são melhores, mais competentes e superiores ao Norte/Nordeste.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A falácia é facilmente demonstrada: competência não é a única forma de se atingir o sucesso, e nem todo competente obtêm sucesso. Ou seja, ser rico não significa que se é competente, e ser pobre não significa ser incompetente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A suposta &quot;superioridade&quot; do rico, ou bem sucedido sobre o pobre, ou mal-sucedido, não passa da arrogância e do egocentrismo de quem o arrota.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Assim como a direita apresenta o sucesso do rico como &quot;evidência&quot; de sua superioridade sobre o pobre, o xenófobo faz o mesmo em relação ao que considera, unilateralmente, como &quot;seu povo e sua cultura&quot;. E é por essa suposta &quot;superioridade&quot; que dizem &quot;merecer&quot; algo do resto da nação, especialmente, no momento, o direito de escolher, sozinhos e sem interferência, quem deve ser o presidente do país.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Aliás, não são apenas os xenófobos que falam em limitar a cidadania a uns escolhidos. Há quem fale em retirar esse direito dos analfabetos e mesmo dos pobres. Todos acham que os iguais a eles têm mais direito, ou mesmo mais capacidade de escolher os rumos do país.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E todos eles se esquecem que por quase 500 anos foram pessoas que pensaram exatamente como eles, que se diziam &quot;mais preparados&quot; para decidir os rumos da nação e, portanto, donos do direito de fazê-lo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Notem como a mesma falácia se perpetua: uns são &quot;superiores&quot;, &quot;mais preparados&quot; ou simplesmente &quot;melhores&quot; sempre por serem &quot;bem sucedidos&quot;. E isso quando não são &quot;gente de bem&quot;, sugerindo que os outros, os diferentes deles, são &quot;gentes do mal&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É sempre um auto-elogio, fruto da arrogância, do egocentrismo, do medo do diferente ser, na verdade, melhor do que ele, se tiver a mesma chance que ele teve. E é sempre uma falácia, por qualquer ângulo que se olhe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto o raciocínio é o mesmo que a contestação deles é idêntica: da mesma forma que os ricos tornam-se ricos com a exploração do trabalho dos mais pobres, com a mais-valia, os Estados mais ricos acumularam essa riqueza explorando a mão de obra barata dos Estados mais pobres. É exatamente a mesma coisa, em ambos os casos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E isso sem falar na política do café com leite e a eterna exploração que os coronéis do Nordeste fazem sobre o povo daquela região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, ainda assim, os ricos se acham &quot;melhores&quot; do que os pobres, a quem chamam de vagabundos, mas cuja vida eles não suportariam por meia hora! Em vez de ofendê-los, deveriam pedir de joelhos perdão por os terem explorado, por os terem colocado na situação em que se encontram, e dar-lhes a mão para todos progredirem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não, o que querem é eliminar da vista aqueles que ofendem seus belos olhos, com aquela pose de aristocratas, dotados de um &quot;direito divino&quot; de explorar os menos afortunados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o pior é que esses imbecis sequer percebem que Dilma venceria mesmo que apenas os &quot;Estados aristocratas&quot; fossem um país separado. De bom apenas o fato de que sabemos exatamente quem eles apoiaram, e por que o fizeram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A campanha de Serra, sua militância, os estimulou a usarem de seus argumentos pérfidos, da mesma forma que estimulou as viúvas da ditadura a defenderem não apenas os ditadores, mas a tortura que eles praticavam. O fato de Serra não ter expressado esses sentimentos diretamente nada significa, pois ele os conhecia e nada fez para desautorizá-los.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Precisava dos votos deles, e não quis aliená-los antes e, agora, conclama-os à uma &quot;luta&quot; contra o PT e Dilma e, por conseguinte, aos pobres, aos nordestinos, a todos que eles identificam como seus &quot;algozes&quot;, aqueles que osimpediram de retornar ao poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como em 2002, Serra não aceitou a derrota - desta vez a terceira. Para ele, é pessoal e já faz muito tempo. E pra conseguir o que quer, ele se alia mesmo a esses imbecis. Os fins, para Serra, justificam os meios.&lt;/div&gt;</description><link>http://blogdopierri.blogspot.com/2010/11/xenofobia.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>