<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="no"?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><rss xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" version="2.0"><channel><title>Universos2</title><description>Universos2 - A Atenção Como Fuga Às Ilusões...</description><managingEditor>noreply@blogger.com (Eze Ant)</managingEditor><pubDate>Sun, 15 Feb 2026 22:13:10 GMT</pubDate><generator>Blogger http://www.blogger.com</generator><openSearch:totalResults xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">81</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">25</openSearch:itemsPerPage><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/</link><language>en-us</language><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle>Universos2 - A Atenção Como Fuga Às Ilusões...</itunes:subtitle><itunes:owner><itunes:email>noreply@blogger.com</itunes:email></itunes:owner><item><title>Enquanto existe temor, não há amor</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2016/10/enquanto-existe-temor-nao-ha-amor.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Thu, 13 Oct 2016 22:55:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-4220201153792717747</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
&lt;br style="font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12.8000001907349px; line-height: 16.2239990234375px;" /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: &amp;quot;verdana&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 12.8000001907349px; line-height: 16.2239990234375px;"&gt;"O problema, por consequência, não é de como libertar a mente do temor, ou de como tê-la tranquila, para dissolver o temor, mas: se o medo pode ser compreendido. Embora eu tenha medo de várias coisas -— de meu patrão, de minha esposa ou marido, da morte, de perder o meu depósito no banco, da opinião dos meus vizinhos, da frustração, de perder minha importância pessoal — esse medo, em si, é o resultado de um processo total, não é? Isto é, o “eu”, o “ego”, em sua atividade, “projeta” o medo. A substância é o pensamento concernente ao “eu”, e sua sombra é o medo; e, evidentemente, não adianta batalhar contra a sombra, a reação. O “eu” está-se protegendo, ansiando, esperando, desejando, lutando; e constantemente compara, pesa, julga; aspira ao poder, à posição, ao prestígio, aspira a ser respeitado; e pode esse “eu”, fonte do temor, deixar de existir, não para todo o sempre, mas momento por momento? Quando se apresenta o sentimento de temor, pode a mente ficar cônscia dele, examiná-lo sem condenação, julgamento, escolha? Porque, no momento em que começamos a julgar, a avaliar, é uma parte do “eu” que está dirigindo, e, portanto, condicionando o nosso pensamento, não é exato?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br style="font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12.8000001907349px; line-height: 16.2239990234375px;" /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: &amp;quot;verdana&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 12.8000001907349px; line-height: 16.2239990234375px;"&gt;Posso, pois, estar cônscio da minha avidez, da minha inveja, momento por momento? Estes sentimentos são expressões do “eu”, do “ego”, não é verdade? O “ego” é sempre o “ego”, em qualquer nível que o coloquemos. Seja “superior”, seja “inferior”, o “eu” está sempre compreendido na esfera do pensamento. E posso eu estar cônscio desses sentimentos, ao surgirem, momento por momento? Posso descobrir sozinho as atividades do meu “ego”, quando, por exemplo, converso à mesa, quando jogo, quando escuto, quando me acho num grupo de pessoas? Posso estar cônscio dos ressentimentos acumulados, do desejo de causar impressão, de ser alguém? Posso descobrir que sou ávido e estar cônscio da minha condenação da avidez? A própria palavra “avidez” é uma condenação, não achais? Estar cônscio da avidez é também estar cônscio do desejo de ficar livre dela, e é perceber porque desejamos ser livres dela — é perceber todo o processo. Isso não é um modo de agir muito complicado; sua significação pode ser apreendida imediatamente. Começamos, pois, a compreender, momento por momento, o crescimento constante do “eu”, com sua presunção, suas “autoprojeções” — sendo tudo isso, basicamente, fundamentalmente, a causa do temor. Mas se não se pode empreender nenhuma ação para nos libertarmos da causa, o que nos cabe fazer, então, é só estar cônscios dela. Quando desejamos estar livres do “ego”, esse próprio desejo faz também parte do “ego”; tendes, pois, uma batalha constante no “ego”, em torno de duas coisas desejáveis, entre a parte que deseja e a parte que não deseja. Quando nos tornamos cônscios do que se passa no nível consciente, começamos também a descobrir a inveja, as lutas, os desejos, os impulsos, as ansiedades existentes nos níveis mais profundos da consciência. Quando a mente está muito interessada em descobrir o processo total de si mesma, então cada incidente, cada reação transforma-se num meio de descobrimento, de autoconhecimento. Isso requer paciente vigilância, a qual não pode ser exercida por uma mente que está sempre lutando, sempre a aprender “como” ser vigilante. Vereis, assim, que as horas de sono são tão importantes como as horas de vigília, pois a vida é então um processo total. Enquanto não conhecerdes a vós mesmo, o temor continuará a existir, e todas as ilusões criadas pelo “eu” prosperarão. O autoconhecimento, pois, não é um processo que se aprende em leituras, ou a respeito do qual se pode especular: ele tem de ser descoberto por cada um de nós, momento por momento, o que faz com que a mente se torne sobremaneira vigilante. Nessa vigilância há uma certa aquiescência, um percebimento passivo em que não existe desejo de ser ou de não ser, e em que se encontra um maravilhoso sentimento de liberdade. Pode ele durar só um minuto, um segundo, apenas, mas tanto basta. Essa liberdade não é produto da memória; é uma coisa viva. Entretanto, a mente, depois de prová-la, a reduz a uma lembrança, e deseja então mais. O estar cônscio desse processo total só é possível pelo autoconhecimento, e o autoconhecimento nasce momento por momento, enquanto observamos nosso falar, nossos gestos, a maneira como falamos, e os motivos ocultos que nos são subitamente revelados. Só então podemos ficar livres do temor. Enquanto existe temor, não há amor. O temor enche-nos de sombras o ser, e esse temor não pode ser lavado por nenhuma reza, ideal, ou atividade. A causa do temor é o “eu”, o “eu” que é tão complexo nos seus desejos, necessidades, ocupações. A mente tem de compreender todo aquele processo; e essa compreensão só pode vir quando há vigilância sem escolha."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br style="font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12.8000001907349px; line-height: 16.2239990234375px;" /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: &amp;quot;verdana&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 12.8000001907349px; line-height: 16.2239990234375px;"&gt;(Krishnamurti)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;verdana&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; line-height: 16.224px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 12.8px;"&gt;&lt;a href="https://www.facebook.com/groups/UmSemSegundo/"&gt;https://www.facebook.com/groups/UmSemSegundo/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><title>A ESTRUTURA DA MENTE</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2016/05/a-estrutura-da-mente.html</link><category>Consciência</category><category>Meditação</category><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Sun, 29 May 2016 16:34:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-9183827810963105569</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
&lt;br /&gt;
“Seria desperdício de tempo e esta reunião de todo inútil se considerássemos o que se tem dito até agora, e o que se vai dizer, como mero entretenimento intelectual. Quando se necessita de qual­quer espécie de estímulo, a mente se torna lerda, embotada, incapaz de pensar com rapidez, e se nos estamos servindo destas palestras apenas como uma nova espécie de estimulante, acho que seria prefe­rível não realizá-las. Por outro lado, se somos capazes de examinar profundamente os movimentos de nosso pensar, na vida diária, e de começar a compreender o “processo” de nossa própria mente, então, talvez, sejam realmente úteis estas reuniões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo quando repetimos certas palavras de profunda signifi­cação, vivemos, em geral, bem perfunctoriamente; vivemos num mundo verbal, num mundo de ações e emoções superficiais. Nossa mente é sem profundidade, mesquinha, estreita, e um dos problemas mais importantes da vida é como tornar essa mente profunda, rica, cheia. A mente “ carregada” de conhecimentos não é uma mente rica; só o é a mente que penetrou fundo em si mesma e descobriu seus pró­prios e inumeráveis recessos, suas secretas ideias e motivos, e é capaz de penetrar e transcender o pensamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estou empregando a palavra “mente” não só para denotar a mente superficial que está ativa todos os dias, mas também a mente inconsciente, a mente que oculta tantas compulsões e “ motivos” , aquela que busca o preenchimento dc secretos desejos, que está cônscia de suas frustrações, suas aptidões, suas limitações, e sempre a buscar, sempre a sondar. Refiro-me à totalidade da mente, tanto à mente consciente como à inconsciente. Pouco sabemos dessa totalidade, por­que em maioria funcionamos nas camadas superficiais da consciência; estamos ocupados completamente a respeito de nosso emprego, da rotina de nossa vida, de crenças, dogmas e fácil recitação de orações — coisas a que a mente superficial se apega porque lhe são conve­nientes, proveitosas, e com isso nos damos por satisfeitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, se pudermos aprofundar-nos no inteiro processo da mente, penetrar fundo no inconsciente, talvez então possamos descobrir por nós mesmos toda a extensão e limitação da faculdade de pensar. O inconsciente, por certo, não é um mistério, uma coisa que temos de aprender com os psicólogos ou com os que estudaram filosofia. Ele é parte integrante de nossa existência diária e está constantemente a indicar algo, a fornecer sugestões, mas acontece que nossa mente su­perficial acha-se sempre tão ocupada, tão atarefada com seus próprios problemas triviais, que não lhe sobra tempo ou atenção para receber essas sugestões; mas a mente oculta lá está. Ela não é mais sagrada nem mais divina do que a mente consciente, porquanto as duas fazem parte do processo total de nossa consciência, e, para podermos trans­cender as limitações dessa consciência, devemos compreender suas pe­culiaridades.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Em geral, julgamos ser necessário passarmos por essa luta e con­flito, por pesares e frustrações várias; que é preciso a mente disciplinar-se; que certas coisas devem ser superadas ou rejeitadas a fim de se alcançar um degrau transcendente à mente, mas não me parece possível transcendê-la dessa maneira. Para se descobrir o que está além da mente, cumpre investigá-la em profundidade e compreender os seus movimentos; porque a mente que não compreendeu de todo a si própria projeta ideias, ilusões, que assumem uma falsa realidade. En­quanto eu não compreender as características de minha própria mente, as características do “eu”, todo impulso a buscar baseia-se nos desejos, nos “motivos” da mente. Dessarte, se não se compreenderem realmente as peculiaridades da mente, é impossível descobrir o verdadeiro. Eu posso dizer que existe um Atman, uma “superalma” , uma realidade atemporal, mas isso será uma mera repetição baseada em meu condi­cionamento, minha crença, e sem validade alguma. Enquanto eu não compreender toda a esfera de meu pensamento, todo o conteúdo de minha mente, não é possível ir além; e nós temos de ir além, por­quanto, se não descobrirmos algo totalmente novo, a vida se torna mecânica, superficial, estéril.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, como pode a mente compreender a si mesma? Existe, dentro da esfera da mente, uma entidade superior à mente? Com­preendeis, senhores? Existe, dentro do processo do pensamento, uma entidade que está acima e além do pensamento e que, por conse­guinte, é capaz de controlar o pensamento? Ou essa coisa a que cha­mamos Atman, o “sublime” , “a alma”, é mera invenção do pen­samento e, consequentemente, está compreendida na esfera do pensa­mento? Considero importante compreender isso; porque, se existe uma superentidade, um agente exterior que transcende todo o processo de pensamento, então nada adianta pensarmos a respeito dele, por­quanto não se acha em sua esfera. Só podemos pensar acerca de coisa que já conhecemos e que podemos reconhecer; mas, para se encontrar o que se acha além da mente, o pensamento terá de cessar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria de nós crê — não é verdade? — em algo existente além da mente, um observador que observa não só a mente mas tam­bém as coisas da mente; que controla, molda, disciplina o pensamento. Enquanto não pusermos em dúvida a existência de tal entidade trans­cendente à mente, transcendente à esfera do pensamento, continuare­mos a considerar essa entidade como o princípio que guia a nossa vida e molda a nossa conduta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, existe tal entidade — Atman, alma, ou o que quiserdes — , a qual nos está moldando, dirigindo e ajudando a viver uma vida sã e equilibrada? Ou essa entidade se encontra dentro da esfera de nosso próprio pensar, sendo uma invenção de nosso próprio pensa­mento e, por conseguinte, irreal? A mente é produto do tempo, de experiências inumeráveis, resultado de muitos condicionamentos. O comunista não crê em Atman, na alma, porque foi condicionado para crer diferentemente, assim como vós fostes condicionados para crer que existe uma alma, um Atman. Vós, tal como ele, partis de um postulado, uma asserção, resultantes ambos de uma mente condicio­nada. Enquanto não se perceber realmente esse facto e não for profun­damente compreendido o seu significado, a mente é incapaz de trans­cender a si própria; ou, expressando-o diferentemente, o pensamento nunca pode estar tranquilo, a mente nunca pode estar completamente quieta, porque existem sempre “ observador” e “coisa observada” ; há sempre o experimentador a desejar mais experiência, e assim se torna a nossa vida a infindável série de lutas que realmente é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao terdes uma experiência aprazível, desejais repeti-la; e quando a experiência é dolorosa, vós, como “experimentador”, desejais afastar a dor. O pensador abre a porta ao prazer e repele a dor, e por isso trava-se uma perene batalha interior, a qual se torna bem óbvia quando examinais a vós mesmos. Entretanto, tendes a ideia de que o pen­sador, o observador, existe acima e além do pensar. Credes, porque o lestes em vossos livros religiosos que o Atman ou a alma existe e está observando o pensamento. Mas, se examinardes com atenção, vereis que quando não há pensar não há pensador; quando não há exigência de mais e mais experiência, nem acumulação de experiência, não há “experimentador”. Convencionou-se que existe uma entidade trans­cendente a tudo isso. Essa entidade, porém, ainda é resultado do pensar, e, por conseguinte, está compreendida na área do tempo; logo, ela não é atemporal, nem divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afinal, que é a mente? Por favor, senhores, não vos limiteis a escutar minhas palavras, minhas explicações ou descrições, porém observai vossa própria mente em funcionamento. Eu não vos estou dando instruções positivas, pois, como já expliquei, todo pensar posi­tivo é, realmente, um estado “sem pensamento” (thoughtlessness). Já se puderdes pensar negativamente, ou seja observar vossa mente sem a dirigirdes, sem lhe dizer o que fazer — porque o “dirigente” , a entidade que diz “ isto é correto, aquilo é errado”, faz também parte da mente — se puderdes simplesmente observar a vossa mente, sem nada exigirdes, sem traduzir o que vedes, descobrireis então que essa própria observação é esclarecedora, porque a mente não está então buscando um resultado, nem se preocupa com recompensa ou punição; ela deseja apenas observar, saber o que é verdadeiro. E não se pode saber o que é verdadeiro se existe um “dirigente” já moldado pelo passado, por um certo condicionamento. Portanto, escutai, a fim de descobrir por vós mesmos; e só podereis fazê-lo ao observardes vossa mente, isto é, quando a mente observar a si própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, que é a mente? Ela não é apenas uma série de reações aos vários desafios que estão sempre a assaltar-nos, mas também uma série de lembranças, conscientes ou inconscientes, as quais estão cons­tantemente moldando o presente em conformidade com o condiciona­mento do passado, para ajustá-lo a um padrão futuro. Observai a vós mesmos, senhores, não escuteis e não repitais apenas as minhas pa­lavras. Observai-vos e vereis que vossa mente é uma série de desejos, mais o impulso a preenchê-los — e isso envolve medo e frustração. Desejo uma coisa, não a consigo, sinto-me frustrado, desditoso. Vós me amais, eu não vos amo, por conseguinte me sinto frustrado, etc., etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mente é também uma série de ideias relacionadas com o pas­sado e com os nossos desejos; isto é, a mente pensa em termos de progresso. Sou isto, quero ser aquilo, e necessito de tempo para chegar lá. Se sou invejoso, digo que necessito de tempo para alcançar o estado de “não-inveja” — e chamamos isso progresso, evolução. Mas o é, realmente? Tende a bondade de observar vossa mente em funcionamento. Pode o pensamento “progredir” para a Verdade, a Realidade, Deus, ou só pode mover-se do “conhecido” para o “conhe­cido” ? E o pensamento é independente da memória, ou, simplesmente, repetição desse fundo constituído pela memória?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo isso constitui o conteúdo da mente, sendo a mente o cons­ciente e o inconsciente. No inconsciente estão armazenadas as memórias raciais bem como as experiências individuais que não com­preendi; e todas essas lembranças, coletivas e individuais, martelam a mente, nesse processo que chamamos pensar, não é exato? O desejo, o medo, a frustração, o desejo de agir, de melhorar, de procurar preencher-se em alguma ambição, o pensar que existe Atman, uma “superalma” ou que nada disso existe — eis o que constitui a mente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, se não compreendeis a totalidade do “eu” , isto é, se a mente não compreende a totalidade de si própria, sua atividade estará sempre restrita à esfera que ela própria criou. A menos que a mente se liberte de seu condicionamento, tanto consciente como inconsciente, não po­derá haver investigação real, porque vossa busca será conforme o vosso condicionamento, e vossas experiências de acordo com vosso “fundo” (background). As experiências de um homem que tem visões do Cristo, de Krishna, disto ou daquilo, estão obviamente baseadas no seu “fundo”, sua tradição. Assim, a mente que está em busca do verdadeiro, que deseja descobrir se existe a Verdade, a Realidade, Deus, deve estar livre de seu “fundo”; e, se não descobrimos o que é ver­dadeiro, nossa vida se torna um padrão mecânico, porventura modi­ficado por circunstâncias, porém sempre um padrão mecânico, a que chamamos “progresso”, “evolução”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, tratemos de ir um pouco mais longe. Cônscia de sua própria totalidade, percebe a mente que todo esforço feito para alterar a si própria faz parte ainda do mesmo padrão, embora modificado. Compreendeis? A mente que busca a liberdade, por exemplo, é uma mente que criou a ideia da liberdade e persegue essa ideia. Conhe­cendo apenas a escravidão, diz ela: “Devo ser livre” — e luta então pela liberdade. Deste modo, sempre pensamos que o esforço é neces­sário para se ser livre; mas, se compreendemos que o esforço só existe quando a mente separou a si própria como “entidade que for­ceja”, como “observador”, como “pensador”, separado da escravidão, vê-se então que o esforço é fútil. Exato, senhores?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deixai-me expressá-lo mais simplesmente. Minha mente está escravizada a uma tradição, e desejo libertar-me dela, pois vejo quanto é absurdo a mente estar escravizada a alguma coisa. Mas, no momento em que eu disse: “A mente deve ser livre” — que aconteceu? Criei o esforço, não? E o esforço é em conformidade com o novo padrão daquilo que desejo ser.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consideremos diferentemente. Se não há “observador” separado da “coisa observada”, como pode haver esforço? Só há esforço quando existe um observador tentando alterar a coisa observada. Mas, se com­preenderdes que o observador é a coisa observada (e não se trata de uma fórmula intelectual, pois é uma extraordinária experiência cons­tatar que não há pensador separado do pensamento), vereis que não há esforço de espécie alguma. Verifica-se então um processo intei­ramente diferente, uma maneira completamente diversa de observar o que chamamos inveja, ou o que quer que se observe. Enquanto houver observador fazendo esforço para alcançar um certo estado, tem de haver conflito, e não é por meio de conflito que nasce a compreensão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, esse processo total é a mente; e quando a mente compreende seu “processo” total, ela se torna quieta, extremamente tranquila, porque não há desejo de ser ou de não ser. Essa mente não é posta tranquila, ou induzida a ficar tranquila, mas se torna tranquila por­que compreendeu o conteúdo de si própria. Só então é possível descobrirdes por vós mesmos se existe a Realidade ou não. Enquanto vossa mente não houver alcançado esse estado, vossas asserções de que existe ou não a Realidade, Deus, ou o Atman, nada significam. São puras repetições por parte de uma mente condicionada e que, como disco de gramofone, repete seguidamente a mesma frase.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O autoconhecimento, pois, é essencial, mas não pode ser encon­trado nos livros; o autoconhecimento resulta do observarmos a nós mesmos no espelho das relações, o qual revela o funcionamento total da mente. Só depois de havermos compreendido a totalidade da mente, existe a tranquilidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pergunta: No processo do pensar, temos de “retirar” de nosso depó­sito de conhecimento e experiência. Não estais fazendo a mesma coisa? Por que então condenais o conhecimento e a experiência?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Krishnamurti: Eis, senhores, uma pergunta muito interessante, por­que, se a examinarmos com muito cuidado, ela será grandemente reve­ladora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As palavras são necessárias para as comunicações. Se eu falasse chinês, por exemplo, não poderíeis compreender-me. Portanto, as pa­lavras que têm um significado comum para vós e para mim constituem um meio de comunicação. Estas palavras estão armazenadas na mente, na memória. Isso é um facto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro facto é que a maioria de nós tem experiências as mais va­riadas, guardadas na memória, e desse “fundo” de memória procedem as reações. Se não soubésseis onde morais, é evidente que estaríeis sofrendo de algum desarranjo grave. O conhecimento é uma série de experiências, não só individuais mas também coletivas. O conheci­mento científico, o conhecimento baseado em vossas próprias expe­riências, as experiências resultantes de vosso condicionamento próprio — tudo isso foi depositado na mente, como memória. Isto constitui o “fundo”, não é verdade? E a maioria de nós funciona de acordo com esse fundo. Isto é, se fui educado como hinduísta, se esta é minha tradição, meu “fundo” (background), e me encontro com um muçul­mano, minha reação é imediata: antipatizo com ele, embora possa mostrar-me tolerante, porque sou civilizado. Assim, quando me en­contro com uma nova pessoa, eu reajo de acordo com meu condicio­namento, e ela reage conforme o seu. Tal é o nosso estado, não?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, o interrogante indaga: “Por que condenais o conhecimento e a experiência?” Eu não estou condenando nada. Preciso ter conheci­mento, para voltar para casa, para construir uma ponte, ou para comu­nicar-vos certas coisas. Preciso ter conhecimento, para não me deixar queimar. Se eu me deixasse queimar continuamente, seria um estúpido, um neurótico. O que eu digo é que a experiência baseada no conheci­mento, no nosso “fundo”, é meramente o prolongamento desse fundo e, por conseguinte, não é experiência nova. Isso, por certo, é simples. Se estou traduzindo todos os desafios nos termos de meu condiciona­mento, não há experiência nova. Só posso reagir ao desafio de maneira nova quando minha mente compreendeu o “fundo” e dele se libertou. Para que a mente possa descobrir qualquer coisa nova, não pode de­pender do conhecimento, o qual se baseia no condicionamento, na me­mória, na experiência, etc. E, assim, que aconteceu? O interrogante deseja saber se não estou fazendo a mesma coisa quando falo. Eu dependo de palavras para fazer comunicações, naturalmente. Mas existe algo mais que a pergunta implica, e que é: “ Não estais falando com base no conhecimento de alguma experiência passada que tivestes?” Vou explicar o que quero dizer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Digamos que ontem me senti feliz. Assisti a um belo ocaso, com os morros escuros se desenhando contra o Sol poente, com uma árvore solitária cheia de passarinhos; foi uma coisa extraordinariamente bela para contemplar, para sentir. Agora, ao falar-vos desse entardecer, estou vivendo a lembrança dele, ou estou livre dessa lembrança e apenas descrevendo a experiência, sem seu conteúdo emocional? En­tendeis o que estou dizendo? Não?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Senhores, isto é muito interessante, e vós descobrireis alguma coisa se observardes vossa mente e não vos limitardes a ouvir minhas palavras. Vossa vida baseia-se nas pretéritas experiências e tais expe­riências moldam vosso presente pensar. Ora, é possível ficarmos num estado de experiência e não num estado de “ter tido uma experiência” ? Percebeis a diferença? São dois estados inteiramente diversos: o estado de experimentar e o estado de “ ter tido uma experiência”. O experi­mentar é um processo vivo, enquanto o outro não é, pois é lembrança de uma experiência acabada. De qual desses estados eu falo? É o que deseja saber o interrogante. Eu estou pensando para vós, não é verdade?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, que acontece realmente com a maioria de nós? Não vos preocupeis comigo, por ora. Qual é o fato que se passa convosco? Vós estais pensando e vosso pensamento está baseado na experiência passada, que é o que chamamos conhecimento. Vossa mente, pois, está vivendo no passado; está vivendo da experiência que tivestes, ou da experiência que esperais ter, baseado ern vosso condicionamento, em vosso conhecimento. Estais alguma vez cônscio do outro estado, o “estado de experimentar” ? Ou só vos achais cônscio da experiência depois de terminada? Estais seguindo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vede, senhores, se sois felizes, tendes consciência dessa felicidade? Quando algo vos deleita, estais cônscios de “estar deleitado” ? No mo­mento em que sabeis que sois feliz, foi-se a felicidade. Ao estardes cônscios de ser virtuoso, acabou-se a virtude, é óbvio. Por conse­guinte, o cultivo da virtude é uma atividade egocêntrica e não é virtude nenhuma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interrogante deseja saber se eu falo baseado numa experiência passada de que me lembro e que vos comunico por meio de palavras, ou se o experimentar e o comunicar ocorrem simultaneamente. Está claro?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Expressando-me diferentemente, a palavra “amor” pode ser co­municada. Vós e eu conhecemos esta palavra. Agora, se alguma vez provastes o amor, podeis falar dessa experiência (baseado) no passado; mas se estais “vivendo” , se estais “experimentando” o amor, vós podeis comunicar isso, e esse é um estado inteiramente diferente do outro, que consiste em experimentar e depois comunicar. Se com­preendeis isso, se realmente percebeis a falsidade de um estado e a verdade do outro, então vossa mente se encontra num estado de con­tínuo experimentar, que não consiste em experimentar uma coisa e depois comunicá-la. A realidade é uma coisa viva, que não pode ser reconhecida por meio de experiência e depois comunicada por meio de palavras. Se estais sentindo uma coisa intensamente, vivendo-a, a comunicação é significativa, mas nenhum significado tem quando ti­vestes uma experiência e repetis a experiência de memória.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Senhores, quando repetis a palavra Atman, quando citais o Gita, o Upanishaâs e outros livros sagrados, a mente é tão só uma máquina repetidora; mas se a mente percebe a futilidade de tudo isso e é livre — não livre de alguma coisa, porém livre — , ela se acha então num incessante estado de experimentar. Compreendeis? Sempre há o estado de experimentar, por conseguinte, a mente permanece fresca, nova, “inocente”; e essa mente pode alcançar o Imensurável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pergunta: Encontramos a necessidade de disciplina até no nosso viver diário. A disciplina não é necessária para a adequada educação da juventude?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Krishnamurti: Senhor, que se entende por disciplina? Não vos ponhais na defensiva, pois não vos estou atacando; não me coloqueis na posição de acusador e a vós na de réu. Estamos procurando com­preender. Que se entende por disciplina? Não significa ajustar-se a um padrão estabelecido pela sociedade, ou que estabelecestes para vós mesmo? Esta é uma forma de disciplina. Disciplina significa também repressão. Tenho um certo sentimento, mas o guru, a autoridade, diz: “Não; deveis reprimi-lo”. Disciplina significa, também, criar um padrão para minhas ações, a fim de realizar minha ambição, não é verdade? Desejo ser “ o máximo” em alguma coisa, e por isso me disciplino de acordo com esta ambição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, que acontece quando vos reprimis, quando vos conformais, vos ajustais a um padrão? Que aconteceu à mente que se obrigou a ajustar-se a um molde? Sem dúvida, tornou-se uma mente morta, não uma mente viva. Assim como levantamos barreiras para impedir que o rio transborde e inunde toda a região, assim também a mente fica retida num determinado padrão. Para retermos a mente num padrão, necessitamos de disciplina, e por isso dizemos ser a disciplina essencial até em nossa vida diária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Percebeis, senhores? Estou simplesmente investigando as impli­cações da disciplina. O que reprimis permanece no inconsciente e se mantém em ação de diferentes maneiras. Com a disciplina, apenas o recalcais mais ainda, proporcionando-lhe assim maior vitalidade para repetir-se em diferentes sentidos. Tudo isso está implicado na dis­ciplina, que achais tão necessária. Dizeis: “Se não me disciplino, levarei vida caótica, infeliz e estúpida”. — mas vós estais levando uma vida caótica, infeliz e estúpida, presentemente. Do mesmo modo, o edu­cador diz: “Temos de disciplinar a criança, pois vemos o que aconteceu aos universitários de toda a índia.” Mas é de disciplina que se neces­sita em nossa vida, ou é da compreenão de todo o processo da dis­ciplina? Compreensão que produzirá sua ordem própria, uma ordem não imposta pela sociedade ou a ambição. Na vida, a ordem é obvia­mente necessária, mas não a ordem consoante a tradição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, o interrogante indaga: “A disciplina não é necessária à adequada educação da juventude?” Que entendeis por educação? Ao dizerdes que precisais educar a criança, que significa isso? Quereis dizer, essencialmente, que ela precisa ser ensinada a ajustar-se à socie­dade, precisa aprender uma técnica para que possa obter emprego e seja capaz de ganhar a vida. Não é isso que interessa a todos vós? E ensinareis também a criança sobre a chamada religião — ou, se sois comunista, desejareis fazê-la aceitar o comunismo, etc., etc. Os governos, em todo o mundo, desejam que os que foram educados sejam eficientes, bem treinados para matar em nome da pátria, capazes de construir represas, ou possuidores de outras aptidões como enge­nheiros e técnicos; e a vós é também isso o que interessa. Desejais que o estudante se amolde ao modelo da sociedade, se submeta à tra­dição, e esteja habilitado a ganhar o próprio sustento; portanto, não estais verdadeiramente interessados na criança, não é exato? Só estais interessados no que ela deverá ser, e o governo, também, se interessa pela mesma coisa. E fazer que a criança se torne o que deverá ser, é isso que chamamos educação, não?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Percebendo todo esse processo, dizeis: “Como educar a criança diferentemente, criadoramente, sem inventar novos padrões, novos modos de condicionamento?” Antes de tratar disso, deveis primeira­mente descobrir se sois um educador, se sois um pai que realmente ama o filho — e eu duvido que ameis realmente vosso filho. Se o amásseis, não desejaríeis que se ajustasse a esta sociedade corrupta; pelo contrário, ajudá-lo-íeis a ser livre, para poder criar uma nova sociedade com valores bem diferentes. Se amásseis realmente vosso filho, acabaríeis com todas as guerras, e não pensaríeis em termos de autoridade hierárquica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se compreendêsseis tudo isso profundamente e tivésseis um real propósito, que faríeis como educadores, como pais? A vida é uma série de influências inevitáveis. Todo livro, todo jornal, tudo o que ledes, ouvis ou vedes, grava-se em vossa mente, que é moldada por essas influências, e escolheis uma influência, em oposição a outra, conforme vossa tradição, vosso ambiente, vossa sociedade. Assim, a criança é condicionada, desde o começo, por numerosas influências que a rodeiam, e o educador sábio lhas apontará, e desse modo a ajuda a ficar cônscia das influências e a libertar-se delas, sem criar um novo condicionamento que pensa ser mais nobre. Nenhum sistema, nenhum método pode ajudar a criança a ser livre das influências. O pai, assim como o mestre, deve estar atento para não se deixar colher por nenhuma influência, o que significa que deve ter uma mente vigilante; mas nem o pai nem o mestre tem uma mente vigilante. Em geral pensamos que a teremos com a criação de um novo método, um novo sistema, e contamos que o sistema, o método, a técnica nos ajudarão a ser livres — o que é uma impossibilidade. Só quando a mente do edu­cador, do pai, compreende a pleno o processo da disciplina com todas as suas implicações, só então é possível ajudar a criança a ser livre. A liberdade não está no fim, porém no começo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estou falando há uma hora e cinco minutos. Há ainda uma per­gunta. Permitis que a examine?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assistência: Sim, senhor!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Krishnamurti: E isso significa que estais apenas escutando minhas palavras, sem observardes vossa própria mente. Se estivésseis prestando atenção à vossa mente e observando todas as coisas implicadas no que ouvistes, é claro que vos sentiríeis exaustos, porque vossa mente não está acostumada a manter-se intensamente vigilante, alertada. Não vos estou criticando, senhores; longe de mim tal impertinência, sinceramente falando. Mas, ao dizerdes: “Por favor, continuai”, isso indica muita coisa, porque, se tomásseis uma questão, como a disciplina, ou o que é “experiência”, e a examinásseis completamente, a seguísseis até o fim, não precisaríeis fazer mais pergunta nenhuma, pois teríeis encontrado a totalidade das perguntas e das respostas. Mas, infeliz­mente, a maioria de nós faz perguntas, esperando que, se juntarmos as numerosas partes, teremos o todo. O todo não pode ser compreen­dido através da parte. O todo deve ser visto diretamente.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="https://krishnamurtibox.files.wordpress.com/2015/09/o-homem-livre-jiddu-krishnamurti.pdf"&gt;https://krishnamurtibox.files.wordpress.com/...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><enclosure length="7909732" type="application/pdf" url="https://krishnamurtibox.files.wordpress.com/2015/09/o-homem-livre-jiddu-krishnamurti.pdf"/><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle>“Seria desperdício de tempo e esta reunião de todo inútil se considerássemos o que se tem dito até agora, e o que se vai dizer, como mero entretenimento intelectual. Quando se necessita de qual­quer espécie de estímulo, a mente se torna lerda, embotada, incapaz de pensar com rapidez, e se nos estamos servindo destas palestras apenas como uma nova espécie de estimulante, acho que seria prefe­rível não realizá-las. Por outro lado, se somos capazes de examinar profundamente os movimentos de nosso pensar, na vida diária, e de começar a compreender o “processo” de nossa própria mente, então, talvez, sejam realmente úteis estas reuniões. Mesmo quando repetimos certas palavras de profunda signifi­cação, vivemos, em geral, bem perfunctoriamente; vivemos num mundo verbal, num mundo de ações e emoções superficiais. Nossa mente é sem profundidade, mesquinha, estreita, e um dos problemas mais importantes da vida é como tornar essa mente profunda, rica, cheia. A mente “ carregada” de conhecimentos não é uma mente rica; só o é a mente que penetrou fundo em si mesma e descobriu seus pró­prios e inumeráveis recessos, suas secretas ideias e motivos, e é capaz de penetrar e transcender o pensamento. Estou empregando a palavra “mente” não só para denotar a mente superficial que está ativa todos os dias, mas também a mente inconsciente, a mente que oculta tantas compulsões e “ motivos” , aquela que busca o preenchimento dc secretos desejos, que está cônscia de suas frustrações, suas aptidões, suas limitações, e sempre a buscar, sempre a sondar. Refiro-me à totalidade da mente, tanto à mente consciente como à inconsciente. Pouco sabemos dessa totalidade, por­que em maioria funcionamos nas camadas superficiais da consciência; estamos ocupados completamente a respeito de nosso emprego, da rotina de nossa vida, de crenças, dogmas e fácil recitação de orações — coisas a que a mente superficial se apega porque lhe são conve­nientes, proveitosas, e com isso nos damos por satisfeitos. Agora, se pudermos aprofundar-nos no inteiro processo da mente, penetrar fundo no inconsciente, talvez então possamos descobrir por nós mesmos toda a extensão e limitação da faculdade de pensar. O inconsciente, por certo, não é um mistério, uma coisa que temos de aprender com os psicólogos ou com os que estudaram filosofia. Ele é parte integrante de nossa existência diária e está constantemente a indicar algo, a fornecer sugestões, mas acontece que nossa mente su­perficial acha-se sempre tão ocupada, tão atarefada com seus próprios problemas triviais, que não lhe sobra tempo ou atenção para receber essas sugestões; mas a mente oculta lá está. Ela não é mais sagrada nem mais divina do que a mente consciente, porquanto as duas fazem parte do processo total de nossa consciência, e, para podermos trans­cender as limitações dessa consciência, devemos compreender suas pe­culiaridades. Em geral, julgamos ser necessário passarmos por essa luta e con­flito, por pesares e frustrações várias; que é preciso a mente disciplinar-se; que certas coisas devem ser superadas ou rejeitadas a fim de se alcançar um degrau transcendente à mente, mas não me parece possível transcendê-la dessa maneira. Para se descobrir o que está além da mente, cumpre investigá-la em profundidade e compreender os seus movimentos; porque a mente que não compreendeu de todo a si própria projeta ideias, ilusões, que assumem uma falsa realidade. En­quanto eu não compreender as características de minha própria mente, as características do “eu”, todo impulso a buscar baseia-se nos desejos, nos “motivos” da mente. Dessarte, se não se compreenderem realmente as peculiaridades da mente, é impossível descobrir o verdadeiro. Eu posso dizer que existe um Atman, uma “superalma” , uma realidade atemporal, mas isso será uma mera repetição baseada em meu condi­cionamento, minha crença, e sem validade alguma. Enquanto eu não compreender toda a esfera de meu pensamento, todo o conteúdo de minha mente, não é possível ir além; e nós temos de ir além, por­quanto, se não descobrirmos algo totalmente novo, a vida se torna mecânica, superficial, estéril. Assim, como pode a mente compreender a si mesma? Existe, dentro da esfera da mente, uma entidade superior à mente? Com­preendeis, senhores? Existe, dentro do processo do pensamento, uma entidade que está acima e além do pensamento e que, por conse­guinte, é capaz de controlar o pensamento? Ou essa coisa a que cha­mamos Atman, o “sublime” , “a alma”, é mera invenção do pen­samento e, consequentemente, está compreendida na esfera do pensa­mento? Considero importante compreender isso; porque, se existe uma superentidade, um agente exterior que transcende todo o processo de pensamento, então nada adianta pensarmos a respeito dele, por­quanto não se acha em sua esfera. Só podemos pensar acerca de coisa que já conhecemos e que podemos reconhecer; mas, para se encontrar o que se acha além da mente, o pensamento terá de cessar. A maioria de nós crê — não é verdade? — em algo existente além da mente, um observador que observa não só a mente mas tam­bém as coisas da mente; que controla, molda, disciplina o pensamento. Enquanto não pusermos em dúvida a existência de tal entidade trans­cendente à mente, transcendente à esfera do pensamento, continuare­mos a considerar essa entidade como o princípio que guia a nossa vida e molda a nossa conduta. Ora, existe tal entidade — Atman, alma, ou o que quiserdes — , a qual nos está moldando, dirigindo e ajudando a viver uma vida sã e equilibrada? Ou essa entidade se encontra dentro da esfera de nosso próprio pensar, sendo uma invenção de nosso próprio pensa­mento e, por conseguinte, irreal? A mente é produto do tempo, de experiências inumeráveis, resultado de muitos condicionamentos. O comunista não crê em Atman, na alma, porque foi condicionado para crer diferentemente, assim como vós fostes condicionados para crer que existe uma alma, um Atman. Vós, tal como ele, partis de um postulado, uma asserção, resultantes ambos de uma mente condicio­nada. Enquanto não se perceber realmente esse facto e não for profun­damente compreendido o seu significado, a mente é incapaz de trans­cender a si própria; ou, expressando-o diferentemente, o pensamento nunca pode estar tranquilo, a mente nunca pode estar completamente quieta, porque existem sempre “ observador” e “coisa observada” ; há sempre o experimentador a desejar mais experiência, e assim se torna a nossa vida a infindável série de lutas que realmente é. Ao terdes uma experiência aprazível, desejais repeti-la; e quando a experiência é dolorosa, vós, como “experimentador”, desejais afastar a dor. O pensador abre a porta ao prazer e repele a dor, e por isso trava-se uma perene batalha interior, a qual se torna bem óbvia quando examinais a vós mesmos. Entretanto, tendes a ideia de que o pen­sador, o observador, existe acima e além do pensar. Credes, porque o lestes em vossos livros religiosos que o Atman ou a alma existe e está observando o pensamento. Mas, se examinardes com atenção, vereis que quando não há pensar não há pensador; quando não há exigência de mais e mais experiência, nem acumulação de experiência, não há “experimentador”. Convencionou-se que existe uma entidade trans­cendente a tudo isso. Essa entidade, porém, ainda é resultado do pensar, e, por conseguinte, está compreendida na área do tempo; logo, ela não é atemporal, nem divina. Afinal, que é a mente? Por favor, senhores, não vos limiteis a escutar minhas palavras, minhas explicações ou descrições, porém observai vossa própria mente em funcionamento. Eu não vos estou dando instruções positivas, pois, como já expliquei, todo pensar posi­tivo é, realmente, um estado “sem pensamento” (thoughtlessness). Já se puderdes pensar negativamente, ou seja observar vossa mente sem a dirigirdes, sem lhe dizer o que fazer — porque o “dirigente” , a entidade que diz “ isto é correto, aquilo é errado”, faz também parte da mente — se puderdes simplesmente observar a vossa mente, sem nada exigirdes, sem traduzir o que vedes, descobrireis então que essa própria observação é esclarecedora, porque a mente não está então buscando um resultado, nem se preocupa com recompensa ou punição; ela deseja apenas observar, saber o que é verdadeiro. E não se pode saber o que é verdadeiro se existe um “dirigente” já moldado pelo passado, por um certo condicionamento. Portanto, escutai, a fim de descobrir por vós mesmos; e só podereis fazê-lo ao observardes vossa mente, isto é, quando a mente observar a si própria. Ora, que é a mente? Ela não é apenas uma série de reações aos vários desafios que estão sempre a assaltar-nos, mas também uma série de lembranças, conscientes ou inconscientes, as quais estão cons­tantemente moldando o presente em conformidade com o condiciona­mento do passado, para ajustá-lo a um padrão futuro. Observai a vós mesmos, senhores, não escuteis e não repitais apenas as minhas pa­lavras. Observai-vos e vereis que vossa mente é uma série de desejos, mais o impulso a preenchê-los — e isso envolve medo e frustração. Desejo uma coisa, não a consigo, sinto-me frustrado, desditoso. Vós me amais, eu não vos amo, por conseguinte me sinto frustrado, etc., etc. A mente é também uma série de ideias relacionadas com o pas­sado e com os nossos desejos; isto é, a mente pensa em termos de progresso. Sou isto, quero ser aquilo, e necessito de tempo para chegar lá. Se sou invejoso, digo que necessito de tempo para alcançar o estado de “não-inveja” — e chamamos isso progresso, evolução. Mas o é, realmente? Tende a bondade de observar vossa mente em funcionamento. Pode o pensamento “progredir” para a Verdade, a Realidade, Deus, ou só pode mover-se do “conhecido” para o “conhe­cido” ? E o pensamento é independente da memória, ou, simplesmente, repetição desse fundo constituído pela memória? Tudo isso constitui o conteúdo da mente, sendo a mente o cons­ciente e o inconsciente. No inconsciente estão armazenadas as memórias raciais bem como as experiências individuais que não com­preendi; e todas essas lembranças, coletivas e individuais, martelam a mente, nesse processo que chamamos pensar, não é exato? O desejo, o medo, a frustração, o desejo de agir, de melhorar, de procurar preencher-se em alguma ambição, o pensar que existe Atman, uma “superalma” ou que nada disso existe — eis o que constitui a mente. Ora, se não compreendeis a totalidade do “eu” , isto é, se a mente não compreende a totalidade de si própria, sua atividade estará sempre restrita à esfera que ela própria criou. A menos que a mente se liberte de seu condicionamento, tanto consciente como inconsciente, não po­derá haver investigação real, porque vossa busca será conforme o vosso condicionamento, e vossas experiências de acordo com vosso “fundo” (background). As experiências de um homem que tem visões do Cristo, de Krishna, disto ou daquilo, estão obviamente baseadas no seu “fundo”, sua tradição. Assim, a mente que está em busca do verdadeiro, que deseja descobrir se existe a Verdade, a Realidade, Deus, deve estar livre de seu “fundo”; e, se não descobrimos o que é ver­dadeiro, nossa vida se torna um padrão mecânico, porventura modi­ficado por circunstâncias, porém sempre um padrão mecânico, a que chamamos “progresso”, “evolução”. Agora, tratemos de ir um pouco mais longe. Cônscia de sua própria totalidade, percebe a mente que todo esforço feito para alterar a si própria faz parte ainda do mesmo padrão, embora modificado. Compreendeis? A mente que busca a liberdade, por exemplo, é uma mente que criou a ideia da liberdade e persegue essa ideia. Conhe­cendo apenas a escravidão, diz ela: “Devo ser livre” — e luta então pela liberdade. Deste modo, sempre pensamos que o esforço é neces­sário para se ser livre; mas, se compreendemos que o esforço só existe quando a mente separou a si própria como “entidade que for­ceja”, como “observador”, como “pensador”, separado da escravidão, vê-se então que o esforço é fútil. Exato, senhores? Deixai-me expressá-lo mais simplesmente. Minha mente está escravizada a uma tradição, e desejo libertar-me dela, pois vejo quanto é absurdo a mente estar escravizada a alguma coisa. Mas, no momento em que eu disse: “A mente deve ser livre” — que aconteceu? Criei o esforço, não? E o esforço é em conformidade com o novo padrão daquilo que desejo ser. Consideremos diferentemente. Se não há “observador” separado da “coisa observada”, como pode haver esforço? Só há esforço quando existe um observador tentando alterar a coisa observada. Mas, se com­preenderdes que o observador é a coisa observada (e não se trata de uma fórmula intelectual, pois é uma extraordinária experiência cons­tatar que não há pensador separado do pensamento), vereis que não há esforço de espécie alguma. Verifica-se então um processo intei­ramente diferente, uma maneira completamente diversa de observar o que chamamos inveja, ou o que quer que se observe. Enquanto houver observador fazendo esforço para alcançar um certo estado, tem de haver conflito, e não é por meio de conflito que nasce a compreensão. Ora, esse processo total é a mente; e quando a mente compreende seu “processo” total, ela se torna quieta, extremamente tranquila, porque não há desejo de ser ou de não ser. Essa mente não é posta tranquila, ou induzida a ficar tranquila, mas se torna tranquila por­que compreendeu o conteúdo de si própria. Só então é possível descobrirdes por vós mesmos se existe a Realidade ou não. Enquanto vossa mente não houver alcançado esse estado, vossas asserções de que existe ou não a Realidade, Deus, ou o Atman, nada significam. São puras repetições por parte de uma mente condicionada e que, como disco de gramofone, repete seguidamente a mesma frase. O autoconhecimento, pois, é essencial, mas não pode ser encon­trado nos livros; o autoconhecimento resulta do observarmos a nós mesmos no espelho das relações, o qual revela o funcionamento total da mente. Só depois de havermos compreendido a totalidade da mente, existe a tranquilidade. Pergunta: No processo do pensar, temos de “retirar” de nosso depó­sito de conhecimento e experiência. Não estais fazendo a mesma coisa? Por que então condenais o conhecimento e a experiência? Krishnamurti: Eis, senhores, uma pergunta muito interessante, por­que, se a examinarmos com muito cuidado, ela será grandemente reve­ladora. As palavras são necessárias para as comunicações. Se eu falasse chinês, por exemplo, não poderíeis compreender-me. Portanto, as pa­lavras que têm um significado comum para vós e para mim constituem um meio de comunicação. Estas palavras estão armazenadas na mente, na memória. Isso é um facto. Outro facto é que a maioria de nós tem experiências as mais va­riadas, guardadas na memória, e desse “fundo” de memória procedem as reações. Se não soubésseis onde morais, é evidente que estaríeis sofrendo de algum desarranjo grave. O conhecimento é uma série de experiências, não só individuais mas também coletivas. O conheci­mento científico, o conhecimento baseado em vossas próprias expe­riências, as experiências resultantes de vosso condicionamento próprio — tudo isso foi depositado na mente, como memória. Isto constitui o “fundo”, não é verdade? E a maioria de nós funciona de acordo com esse fundo. Isto é, se fui educado como hinduísta, se esta é minha tradição, meu “fundo” (background), e me encontro com um muçul­mano, minha reação é imediata: antipatizo com ele, embora possa mostrar-me tolerante, porque sou civilizado. Assim, quando me en­contro com uma nova pessoa, eu reajo de acordo com meu condicio­namento, e ela reage conforme o seu. Tal é o nosso estado, não? Ora, o interrogante indaga: “Por que condenais o conhecimento e a experiência?” Eu não estou condenando nada. Preciso ter conheci­mento, para voltar para casa, para construir uma ponte, ou para comu­nicar-vos certas coisas. Preciso ter conhecimento, para não me deixar queimar. Se eu me deixasse queimar continuamente, seria um estúpido, um neurótico. O que eu digo é que a experiência baseada no conheci­mento, no nosso “fundo”, é meramente o prolongamento desse fundo e, por conseguinte, não é experiência nova. Isso, por certo, é simples. Se estou traduzindo todos os desafios nos termos de meu condiciona­mento, não há experiência nova. Só posso reagir ao desafio de maneira nova quando minha mente compreendeu o “fundo” e dele se libertou. Para que a mente possa descobrir qualquer coisa nova, não pode de­pender do conhecimento, o qual se baseia no condicionamento, na me­mória, na experiência, etc. E, assim, que aconteceu? O interrogante deseja saber se não estou fazendo a mesma coisa quando falo. Eu dependo de palavras para fazer comunicações, naturalmente. Mas existe algo mais que a pergunta implica, e que é: “ Não estais falando com base no conhecimento de alguma experiência passada que tivestes?” Vou explicar o que quero dizer. Digamos que ontem me senti feliz. Assisti a um belo ocaso, com os morros escuros se desenhando contra o Sol poente, com uma árvore solitária cheia de passarinhos; foi uma coisa extraordinariamente bela para contemplar, para sentir. Agora, ao falar-vos desse entardecer, estou vivendo a lembrança dele, ou estou livre dessa lembrança e apenas descrevendo a experiência, sem seu conteúdo emocional? En­tendeis o que estou dizendo? Não? Senhores, isto é muito interessante, e vós descobrireis alguma coisa se observardes vossa mente e não vos limitardes a ouvir minhas palavras. Vossa vida baseia-se nas pretéritas experiências e tais expe­riências moldam vosso presente pensar. Ora, é possível ficarmos num estado de experiência e não num estado de “ter tido uma experiência” ? Percebeis a diferença? São dois estados inteiramente diversos: o estado de experimentar e o estado de “ ter tido uma experiência”. O experi­mentar é um processo vivo, enquanto o outro não é, pois é lembrança de uma experiência acabada. De qual desses estados eu falo? É o que deseja saber o interrogante. Eu estou pensando para vós, não é verdade? Ora, que acontece realmente com a maioria de nós? Não vos preocupeis comigo, por ora. Qual é o fato que se passa convosco? Vós estais pensando e vosso pensamento está baseado na experiência passada, que é o que chamamos conhecimento. Vossa mente, pois, está vivendo no passado; está vivendo da experiência que tivestes, ou da experiência que esperais ter, baseado ern vosso condicionamento, em vosso conhecimento. Estais alguma vez cônscio do outro estado, o “estado de experimentar” ? Ou só vos achais cônscio da experiência depois de terminada? Estais seguindo? Vede, senhores, se sois felizes, tendes consciência dessa felicidade? Quando algo vos deleita, estais cônscios de “estar deleitado” ? No mo­mento em que sabeis que sois feliz, foi-se a felicidade. Ao estardes cônscios de ser virtuoso, acabou-se a virtude, é óbvio. Por conse­guinte, o cultivo da virtude é uma atividade egocêntrica e não é virtude nenhuma. O interrogante deseja saber se eu falo baseado numa experiência passada de que me lembro e que vos comunico por meio de palavras, ou se o experimentar e o comunicar ocorrem simultaneamente. Está claro? Expressando-me diferentemente, a palavra “amor” pode ser co­municada. Vós e eu conhecemos esta palavra. Agora, se alguma vez provastes o amor, podeis falar dessa experiência (baseado) no passado; mas se estais “vivendo” , se estais “experimentando” o amor, vós podeis comunicar isso, e esse é um estado inteiramente diferente do outro, que consiste em experimentar e depois comunicar. Se com­preendeis isso, se realmente percebeis a falsidade de um estado e a verdade do outro, então vossa mente se encontra num estado de con­tínuo experimentar, que não consiste em experimentar uma coisa e depois comunicá-la. A realidade é uma coisa viva, que não pode ser reconhecida por meio de experiência e depois comunicada por meio de palavras. Se estais sentindo uma coisa intensamente, vivendo-a, a comunicação é significativa, mas nenhum significado tem quando ti­vestes uma experiência e repetis a experiência de memória. Senhores, quando repetis a palavra Atman, quando citais o Gita, o Upanishaâs e outros livros sagrados, a mente é tão só uma máquina repetidora; mas se a mente percebe a futilidade de tudo isso e é livre — não livre de alguma coisa, porém livre — , ela se acha então num incessante estado de experimentar. Compreendeis? Sempre há o estado de experimentar, por conseguinte, a mente permanece fresca, nova, “inocente”; e essa mente pode alcançar o Imensurável. Pergunta: Encontramos a necessidade de disciplina até no nosso viver diário. A disciplina não é necessária para a adequada educação da juventude? Krishnamurti: Senhor, que se entende por disciplina? Não vos ponhais na defensiva, pois não vos estou atacando; não me coloqueis na posição de acusador e a vós na de réu. Estamos procurando com­preender. Que se entende por disciplina? Não significa ajustar-se a um padrão estabelecido pela sociedade, ou que estabelecestes para vós mesmo? Esta é uma forma de disciplina. Disciplina significa também repressão. Tenho um certo sentimento, mas o guru, a autoridade, diz: “Não; deveis reprimi-lo”. Disciplina significa, também, criar um padrão para minhas ações, a fim de realizar minha ambição, não é verdade? Desejo ser “ o máximo” em alguma coisa, e por isso me disciplino de acordo com esta ambição. Agora, que acontece quando vos reprimis, quando vos conformais, vos ajustais a um padrão? Que aconteceu à mente que se obrigou a ajustar-se a um molde? Sem dúvida, tornou-se uma mente morta, não uma mente viva. Assim como levantamos barreiras para impedir que o rio transborde e inunde toda a região, assim também a mente fica retida num determinado padrão. Para retermos a mente num padrão, necessitamos de disciplina, e por isso dizemos ser a disciplina essencial até em nossa vida diária. Percebeis, senhores? Estou simplesmente investigando as impli­cações da disciplina. O que reprimis permanece no inconsciente e se mantém em ação de diferentes maneiras. Com a disciplina, apenas o recalcais mais ainda, proporcionando-lhe assim maior vitalidade para repetir-se em diferentes sentidos. Tudo isso está implicado na dis­ciplina, que achais tão necessária. Dizeis: “Se não me disciplino, levarei vida caótica, infeliz e estúpida”. — mas vós estais levando uma vida caótica, infeliz e estúpida, presentemente. Do mesmo modo, o edu­cador diz: “Temos de disciplinar a criança, pois vemos o que aconteceu aos universitários de toda a índia.” Mas é de disciplina que se neces­sita em nossa vida, ou é da compreenão de todo o processo da dis­ciplina? Compreensão que produzirá sua ordem própria, uma ordem não imposta pela sociedade ou a ambição. Na vida, a ordem é obvia­mente necessária, mas não a ordem consoante a tradição. Ora, o interrogante indaga: “A disciplina não é necessária à adequada educação da juventude?” Que entendeis por educação? Ao dizerdes que precisais educar a criança, que significa isso? Quereis dizer, essencialmente, que ela precisa ser ensinada a ajustar-se à socie­dade, precisa aprender uma técnica para que possa obter emprego e seja capaz de ganhar a vida. Não é isso que interessa a todos vós? E ensinareis também a criança sobre a chamada religião — ou, se sois comunista, desejareis fazê-la aceitar o comunismo, etc., etc. Os governos, em todo o mundo, desejam que os que foram educados sejam eficientes, bem treinados para matar em nome da pátria, capazes de construir represas, ou possuidores de outras aptidões como enge­nheiros e técnicos; e a vós é também isso o que interessa. Desejais que o estudante se amolde ao modelo da sociedade, se submeta à tra­dição, e esteja habilitado a ganhar o próprio sustento; portanto, não estais verdadeiramente interessados na criança, não é exato? Só estais interessados no que ela deverá ser, e o governo, também, se interessa pela mesma coisa. E fazer que a criança se torne o que deverá ser, é isso que chamamos educação, não? Percebendo todo esse processo, dizeis: “Como educar a criança diferentemente, criadoramente, sem inventar novos padrões, novos modos de condicionamento?” Antes de tratar disso, deveis primeira­mente descobrir se sois um educador, se sois um pai que realmente ama o filho — e eu duvido que ameis realmente vosso filho. Se o amásseis, não desejaríeis que se ajustasse a esta sociedade corrupta; pelo contrário, ajudá-lo-íeis a ser livre, para poder criar uma nova sociedade com valores bem diferentes. Se amásseis realmente vosso filho, acabaríeis com todas as guerras, e não pensaríeis em termos de autoridade hierárquica. Se compreendêsseis tudo isso profundamente e tivésseis um real propósito, que faríeis como educadores, como pais? A vida é uma série de influências inevitáveis. Todo livro, todo jornal, tudo o que ledes, ouvis ou vedes, grava-se em vossa mente, que é moldada por essas influências, e escolheis uma influência, em oposição a outra, conforme vossa tradição, vosso ambiente, vossa sociedade. Assim, a criança é condicionada, desde o começo, por numerosas influências que a rodeiam, e o educador sábio lhas apontará, e desse modo a ajuda a ficar cônscia das influências e a libertar-se delas, sem criar um novo condicionamento que pensa ser mais nobre. Nenhum sistema, nenhum método pode ajudar a criança a ser livre das influências. O pai, assim como o mestre, deve estar atento para não se deixar colher por nenhuma influência, o que significa que deve ter uma mente vigilante; mas nem o pai nem o mestre tem uma mente vigilante. Em geral pensamos que a teremos com a criação de um novo método, um novo sistema, e contamos que o sistema, o método, a técnica nos ajudarão a ser livres — o que é uma impossibilidade. Só quando a mente do edu­cador, do pai, compreende a pleno o processo da disciplina com todas as suas implicações, só então é possível ajudar a criança a ser livre. A liberdade não está no fim, porém no começo. Estou falando há uma hora e cinco minutos. Há ainda uma per­gunta. Permitis que a examine? Assistência: Sim, senhor! Krishnamurti: E isso significa que estais apenas escutando minhas palavras, sem observardes vossa própria mente. Se estivésseis prestando atenção à vossa mente e observando todas as coisas implicadas no que ouvistes, é claro que vos sentiríeis exaustos, porque vossa mente não está acostumada a manter-se intensamente vigilante, alertada. Não vos estou criticando, senhores; longe de mim tal impertinência, sinceramente falando. Mas, ao dizerdes: “Por favor, continuai”, isso indica muita coisa, porque, se tomásseis uma questão, como a disciplina, ou o que é “experiência”, e a examinásseis completamente, a seguísseis até o fim, não precisaríeis fazer mais pergunta nenhuma, pois teríeis encontrado a totalidade das perguntas e das respostas. Mas, infeliz­mente, a maioria de nós faz perguntas, esperando que, se juntarmos as numerosas partes, teremos o todo. O todo não pode ser compreen­dido através da parte. O todo deve ser visto diretamente.” https://krishnamurtibox.files.wordpress.com/...</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</itunes:author><itunes:summary>“Seria desperdício de tempo e esta reunião de todo inútil se considerássemos o que se tem dito até agora, e o que se vai dizer, como mero entretenimento intelectual. Quando se necessita de qual­quer espécie de estímulo, a mente se torna lerda, embotada, incapaz de pensar com rapidez, e se nos estamos servindo destas palestras apenas como uma nova espécie de estimulante, acho que seria prefe­rível não realizá-las. Por outro lado, se somos capazes de examinar profundamente os movimentos de nosso pensar, na vida diária, e de começar a compreender o “processo” de nossa própria mente, então, talvez, sejam realmente úteis estas reuniões. Mesmo quando repetimos certas palavras de profunda signifi­cação, vivemos, em geral, bem perfunctoriamente; vivemos num mundo verbal, num mundo de ações e emoções superficiais. Nossa mente é sem profundidade, mesquinha, estreita, e um dos problemas mais importantes da vida é como tornar essa mente profunda, rica, cheia. A mente “ carregada” de conhecimentos não é uma mente rica; só o é a mente que penetrou fundo em si mesma e descobriu seus pró­prios e inumeráveis recessos, suas secretas ideias e motivos, e é capaz de penetrar e transcender o pensamento. Estou empregando a palavra “mente” não só para denotar a mente superficial que está ativa todos os dias, mas também a mente inconsciente, a mente que oculta tantas compulsões e “ motivos” , aquela que busca o preenchimento dc secretos desejos, que está cônscia de suas frustrações, suas aptidões, suas limitações, e sempre a buscar, sempre a sondar. Refiro-me à totalidade da mente, tanto à mente consciente como à inconsciente. Pouco sabemos dessa totalidade, por­que em maioria funcionamos nas camadas superficiais da consciência; estamos ocupados completamente a respeito de nosso emprego, da rotina de nossa vida, de crenças, dogmas e fácil recitação de orações — coisas a que a mente superficial se apega porque lhe são conve­nientes, proveitosas, e com isso nos damos por satisfeitos. Agora, se pudermos aprofundar-nos no inteiro processo da mente, penetrar fundo no inconsciente, talvez então possamos descobrir por nós mesmos toda a extensão e limitação da faculdade de pensar. O inconsciente, por certo, não é um mistério, uma coisa que temos de aprender com os psicólogos ou com os que estudaram filosofia. Ele é parte integrante de nossa existência diária e está constantemente a indicar algo, a fornecer sugestões, mas acontece que nossa mente su­perficial acha-se sempre tão ocupada, tão atarefada com seus próprios problemas triviais, que não lhe sobra tempo ou atenção para receber essas sugestões; mas a mente oculta lá está. Ela não é mais sagrada nem mais divina do que a mente consciente, porquanto as duas fazem parte do processo total de nossa consciência, e, para podermos trans­cender as limitações dessa consciência, devemos compreender suas pe­culiaridades. Em geral, julgamos ser necessário passarmos por essa luta e con­flito, por pesares e frustrações várias; que é preciso a mente disciplinar-se; que certas coisas devem ser superadas ou rejeitadas a fim de se alcançar um degrau transcendente à mente, mas não me parece possível transcendê-la dessa maneira. Para se descobrir o que está além da mente, cumpre investigá-la em profundidade e compreender os seus movimentos; porque a mente que não compreendeu de todo a si própria projeta ideias, ilusões, que assumem uma falsa realidade. En­quanto eu não compreender as características de minha própria mente, as características do “eu”, todo impulso a buscar baseia-se nos desejos, nos “motivos” da mente. Dessarte, se não se compreenderem realmente as peculiaridades da mente, é impossível descobrir o verdadeiro. Eu posso dizer que existe um Atman, uma “superalma” , uma realidade atemporal, mas isso será uma mera repetição baseada em meu condi­cionamento, minha crença, e sem validade alguma. Enquanto eu não compreender toda a esfera de meu pensamento, todo o conteúdo de minha mente, não é possível ir além; e nós temos de ir além, por­quanto, se não descobrirmos algo totalmente novo, a vida se torna mecânica, superficial, estéril. Assim, como pode a mente compreender a si mesma? Existe, dentro da esfera da mente, uma entidade superior à mente? Com­preendeis, senhores? Existe, dentro do processo do pensamento, uma entidade que está acima e além do pensamento e que, por conse­guinte, é capaz de controlar o pensamento? Ou essa coisa a que cha­mamos Atman, o “sublime” , “a alma”, é mera invenção do pen­samento e, consequentemente, está compreendida na esfera do pensa­mento? Considero importante compreender isso; porque, se existe uma superentidade, um agente exterior que transcende todo o processo de pensamento, então nada adianta pensarmos a respeito dele, por­quanto não se acha em sua esfera. Só podemos pensar acerca de coisa que já conhecemos e que podemos reconhecer; mas, para se encontrar o que se acha além da mente, o pensamento terá de cessar. A maioria de nós crê — não é verdade? — em algo existente além da mente, um observador que observa não só a mente mas tam­bém as coisas da mente; que controla, molda, disciplina o pensamento. Enquanto não pusermos em dúvida a existência de tal entidade trans­cendente à mente, transcendente à esfera do pensamento, continuare­mos a considerar essa entidade como o princípio que guia a nossa vida e molda a nossa conduta. Ora, existe tal entidade — Atman, alma, ou o que quiserdes — , a qual nos está moldando, dirigindo e ajudando a viver uma vida sã e equilibrada? Ou essa entidade se encontra dentro da esfera de nosso próprio pensar, sendo uma invenção de nosso próprio pensa­mento e, por conseguinte, irreal? A mente é produto do tempo, de experiências inumeráveis, resultado de muitos condicionamentos. O comunista não crê em Atman, na alma, porque foi condicionado para crer diferentemente, assim como vós fostes condicionados para crer que existe uma alma, um Atman. Vós, tal como ele, partis de um postulado, uma asserção, resultantes ambos de uma mente condicio­nada. Enquanto não se perceber realmente esse facto e não for profun­damente compreendido o seu significado, a mente é incapaz de trans­cender a si própria; ou, expressando-o diferentemente, o pensamento nunca pode estar tranquilo, a mente nunca pode estar completamente quieta, porque existem sempre “ observador” e “coisa observada” ; há sempre o experimentador a desejar mais experiência, e assim se torna a nossa vida a infindável série de lutas que realmente é. Ao terdes uma experiência aprazível, desejais repeti-la; e quando a experiência é dolorosa, vós, como “experimentador”, desejais afastar a dor. O pensador abre a porta ao prazer e repele a dor, e por isso trava-se uma perene batalha interior, a qual se torna bem óbvia quando examinais a vós mesmos. Entretanto, tendes a ideia de que o pen­sador, o observador, existe acima e além do pensar. Credes, porque o lestes em vossos livros religiosos que o Atman ou a alma existe e está observando o pensamento. Mas, se examinardes com atenção, vereis que quando não há pensar não há pensador; quando não há exigência de mais e mais experiência, nem acumulação de experiência, não há “experimentador”. Convencionou-se que existe uma entidade trans­cendente a tudo isso. Essa entidade, porém, ainda é resultado do pensar, e, por conseguinte, está compreendida na área do tempo; logo, ela não é atemporal, nem divina. Afinal, que é a mente? Por favor, senhores, não vos limiteis a escutar minhas palavras, minhas explicações ou descrições, porém observai vossa própria mente em funcionamento. Eu não vos estou dando instruções positivas, pois, como já expliquei, todo pensar posi­tivo é, realmente, um estado “sem pensamento” (thoughtlessness). Já se puderdes pensar negativamente, ou seja observar vossa mente sem a dirigirdes, sem lhe dizer o que fazer — porque o “dirigente” , a entidade que diz “ isto é correto, aquilo é errado”, faz também parte da mente — se puderdes simplesmente observar a vossa mente, sem nada exigirdes, sem traduzir o que vedes, descobrireis então que essa própria observação é esclarecedora, porque a mente não está então buscando um resultado, nem se preocupa com recompensa ou punição; ela deseja apenas observar, saber o que é verdadeiro. E não se pode saber o que é verdadeiro se existe um “dirigente” já moldado pelo passado, por um certo condicionamento. Portanto, escutai, a fim de descobrir por vós mesmos; e só podereis fazê-lo ao observardes vossa mente, isto é, quando a mente observar a si própria. Ora, que é a mente? Ela não é apenas uma série de reações aos vários desafios que estão sempre a assaltar-nos, mas também uma série de lembranças, conscientes ou inconscientes, as quais estão cons­tantemente moldando o presente em conformidade com o condiciona­mento do passado, para ajustá-lo a um padrão futuro. Observai a vós mesmos, senhores, não escuteis e não repitais apenas as minhas pa­lavras. Observai-vos e vereis que vossa mente é uma série de desejos, mais o impulso a preenchê-los — e isso envolve medo e frustração. Desejo uma coisa, não a consigo, sinto-me frustrado, desditoso. Vós me amais, eu não vos amo, por conseguinte me sinto frustrado, etc., etc. A mente é também uma série de ideias relacionadas com o pas­sado e com os nossos desejos; isto é, a mente pensa em termos de progresso. Sou isto, quero ser aquilo, e necessito de tempo para chegar lá. Se sou invejoso, digo que necessito de tempo para alcançar o estado de “não-inveja” — e chamamos isso progresso, evolução. Mas o é, realmente? Tende a bondade de observar vossa mente em funcionamento. Pode o pensamento “progredir” para a Verdade, a Realidade, Deus, ou só pode mover-se do “conhecido” para o “conhe­cido” ? E o pensamento é independente da memória, ou, simplesmente, repetição desse fundo constituído pela memória? Tudo isso constitui o conteúdo da mente, sendo a mente o cons­ciente e o inconsciente. No inconsciente estão armazenadas as memórias raciais bem como as experiências individuais que não com­preendi; e todas essas lembranças, coletivas e individuais, martelam a mente, nesse processo que chamamos pensar, não é exato? O desejo, o medo, a frustração, o desejo de agir, de melhorar, de procurar preencher-se em alguma ambição, o pensar que existe Atman, uma “superalma” ou que nada disso existe — eis o que constitui a mente. Ora, se não compreendeis a totalidade do “eu” , isto é, se a mente não compreende a totalidade de si própria, sua atividade estará sempre restrita à esfera que ela própria criou. A menos que a mente se liberte de seu condicionamento, tanto consciente como inconsciente, não po­derá haver investigação real, porque vossa busca será conforme o vosso condicionamento, e vossas experiências de acordo com vosso “fundo” (background). As experiências de um homem que tem visões do Cristo, de Krishna, disto ou daquilo, estão obviamente baseadas no seu “fundo”, sua tradição. Assim, a mente que está em busca do verdadeiro, que deseja descobrir se existe a Verdade, a Realidade, Deus, deve estar livre de seu “fundo”; e, se não descobrimos o que é ver­dadeiro, nossa vida se torna um padrão mecânico, porventura modi­ficado por circunstâncias, porém sempre um padrão mecânico, a que chamamos “progresso”, “evolução”. Agora, tratemos de ir um pouco mais longe. Cônscia de sua própria totalidade, percebe a mente que todo esforço feito para alterar a si própria faz parte ainda do mesmo padrão, embora modificado. Compreendeis? A mente que busca a liberdade, por exemplo, é uma mente que criou a ideia da liberdade e persegue essa ideia. Conhe­cendo apenas a escravidão, diz ela: “Devo ser livre” — e luta então pela liberdade. Deste modo, sempre pensamos que o esforço é neces­sário para se ser livre; mas, se compreendemos que o esforço só existe quando a mente separou a si própria como “entidade que for­ceja”, como “observador”, como “pensador”, separado da escravidão, vê-se então que o esforço é fútil. Exato, senhores? Deixai-me expressá-lo mais simplesmente. Minha mente está escravizada a uma tradição, e desejo libertar-me dela, pois vejo quanto é absurdo a mente estar escravizada a alguma coisa. Mas, no momento em que eu disse: “A mente deve ser livre” — que aconteceu? Criei o esforço, não? E o esforço é em conformidade com o novo padrão daquilo que desejo ser. Consideremos diferentemente. Se não há “observador” separado da “coisa observada”, como pode haver esforço? Só há esforço quando existe um observador tentando alterar a coisa observada. Mas, se com­preenderdes que o observador é a coisa observada (e não se trata de uma fórmula intelectual, pois é uma extraordinária experiência cons­tatar que não há pensador separado do pensamento), vereis que não há esforço de espécie alguma. Verifica-se então um processo intei­ramente diferente, uma maneira completamente diversa de observar o que chamamos inveja, ou o que quer que se observe. Enquanto houver observador fazendo esforço para alcançar um certo estado, tem de haver conflito, e não é por meio de conflito que nasce a compreensão. Ora, esse processo total é a mente; e quando a mente compreende seu “processo” total, ela se torna quieta, extremamente tranquila, porque não há desejo de ser ou de não ser. Essa mente não é posta tranquila, ou induzida a ficar tranquila, mas se torna tranquila por­que compreendeu o conteúdo de si própria. Só então é possível descobrirdes por vós mesmos se existe a Realidade ou não. Enquanto vossa mente não houver alcançado esse estado, vossas asserções de que existe ou não a Realidade, Deus, ou o Atman, nada significam. São puras repetições por parte de uma mente condicionada e que, como disco de gramofone, repete seguidamente a mesma frase. O autoconhecimento, pois, é essencial, mas não pode ser encon­trado nos livros; o autoconhecimento resulta do observarmos a nós mesmos no espelho das relações, o qual revela o funcionamento total da mente. Só depois de havermos compreendido a totalidade da mente, existe a tranquilidade. Pergunta: No processo do pensar, temos de “retirar” de nosso depó­sito de conhecimento e experiência. Não estais fazendo a mesma coisa? Por que então condenais o conhecimento e a experiência? Krishnamurti: Eis, senhores, uma pergunta muito interessante, por­que, se a examinarmos com muito cuidado, ela será grandemente reve­ladora. As palavras são necessárias para as comunicações. Se eu falasse chinês, por exemplo, não poderíeis compreender-me. Portanto, as pa­lavras que têm um significado comum para vós e para mim constituem um meio de comunicação. Estas palavras estão armazenadas na mente, na memória. Isso é um facto. Outro facto é que a maioria de nós tem experiências as mais va­riadas, guardadas na memória, e desse “fundo” de memória procedem as reações. Se não soubésseis onde morais, é evidente que estaríeis sofrendo de algum desarranjo grave. O conhecimento é uma série de experiências, não só individuais mas também coletivas. O conheci­mento científico, o conhecimento baseado em vossas próprias expe­riências, as experiências resultantes de vosso condicionamento próprio — tudo isso foi depositado na mente, como memória. Isto constitui o “fundo”, não é verdade? E a maioria de nós funciona de acordo com esse fundo. Isto é, se fui educado como hinduísta, se esta é minha tradição, meu “fundo” (background), e me encontro com um muçul­mano, minha reação é imediata: antipatizo com ele, embora possa mostrar-me tolerante, porque sou civilizado. Assim, quando me en­contro com uma nova pessoa, eu reajo de acordo com meu condicio­namento, e ela reage conforme o seu. Tal é o nosso estado, não? Ora, o interrogante indaga: “Por que condenais o conhecimento e a experiência?” Eu não estou condenando nada. Preciso ter conheci­mento, para voltar para casa, para construir uma ponte, ou para comu­nicar-vos certas coisas. Preciso ter conhecimento, para não me deixar queimar. Se eu me deixasse queimar continuamente, seria um estúpido, um neurótico. O que eu digo é que a experiência baseada no conheci­mento, no nosso “fundo”, é meramente o prolongamento desse fundo e, por conseguinte, não é experiência nova. Isso, por certo, é simples. Se estou traduzindo todos os desafios nos termos de meu condiciona­mento, não há experiência nova. Só posso reagir ao desafio de maneira nova quando minha mente compreendeu o “fundo” e dele se libertou. Para que a mente possa descobrir qualquer coisa nova, não pode de­pender do conhecimento, o qual se baseia no condicionamento, na me­mória, na experiência, etc. E, assim, que aconteceu? O interrogante deseja saber se não estou fazendo a mesma coisa quando falo. Eu dependo de palavras para fazer comunicações, naturalmente. Mas existe algo mais que a pergunta implica, e que é: “ Não estais falando com base no conhecimento de alguma experiência passada que tivestes?” Vou explicar o que quero dizer. Digamos que ontem me senti feliz. Assisti a um belo ocaso, com os morros escuros se desenhando contra o Sol poente, com uma árvore solitária cheia de passarinhos; foi uma coisa extraordinariamente bela para contemplar, para sentir. Agora, ao falar-vos desse entardecer, estou vivendo a lembrança dele, ou estou livre dessa lembrança e apenas descrevendo a experiência, sem seu conteúdo emocional? En­tendeis o que estou dizendo? Não? Senhores, isto é muito interessante, e vós descobrireis alguma coisa se observardes vossa mente e não vos limitardes a ouvir minhas palavras. Vossa vida baseia-se nas pretéritas experiências e tais expe­riências moldam vosso presente pensar. Ora, é possível ficarmos num estado de experiência e não num estado de “ter tido uma experiência” ? Percebeis a diferença? São dois estados inteiramente diversos: o estado de experimentar e o estado de “ ter tido uma experiência”. O experi­mentar é um processo vivo, enquanto o outro não é, pois é lembrança de uma experiência acabada. De qual desses estados eu falo? É o que deseja saber o interrogante. Eu estou pensando para vós, não é verdade? Ora, que acontece realmente com a maioria de nós? Não vos preocupeis comigo, por ora. Qual é o fato que se passa convosco? Vós estais pensando e vosso pensamento está baseado na experiência passada, que é o que chamamos conhecimento. Vossa mente, pois, está vivendo no passado; está vivendo da experiência que tivestes, ou da experiência que esperais ter, baseado ern vosso condicionamento, em vosso conhecimento. Estais alguma vez cônscio do outro estado, o “estado de experimentar” ? Ou só vos achais cônscio da experiência depois de terminada? Estais seguindo? Vede, senhores, se sois felizes, tendes consciência dessa felicidade? Quando algo vos deleita, estais cônscios de “estar deleitado” ? No mo­mento em que sabeis que sois feliz, foi-se a felicidade. Ao estardes cônscios de ser virtuoso, acabou-se a virtude, é óbvio. Por conse­guinte, o cultivo da virtude é uma atividade egocêntrica e não é virtude nenhuma. O interrogante deseja saber se eu falo baseado numa experiência passada de que me lembro e que vos comunico por meio de palavras, ou se o experimentar e o comunicar ocorrem simultaneamente. Está claro? Expressando-me diferentemente, a palavra “amor” pode ser co­municada. Vós e eu conhecemos esta palavra. Agora, se alguma vez provastes o amor, podeis falar dessa experiência (baseado) no passado; mas se estais “vivendo” , se estais “experimentando” o amor, vós podeis comunicar isso, e esse é um estado inteiramente diferente do outro, que consiste em experimentar e depois comunicar. Se com­preendeis isso, se realmente percebeis a falsidade de um estado e a verdade do outro, então vossa mente se encontra num estado de con­tínuo experimentar, que não consiste em experimentar uma coisa e depois comunicá-la. A realidade é uma coisa viva, que não pode ser reconhecida por meio de experiência e depois comunicada por meio de palavras. Se estais sentindo uma coisa intensamente, vivendo-a, a comunicação é significativa, mas nenhum significado tem quando ti­vestes uma experiência e repetis a experiência de memória. Senhores, quando repetis a palavra Atman, quando citais o Gita, o Upanishaâs e outros livros sagrados, a mente é tão só uma máquina repetidora; mas se a mente percebe a futilidade de tudo isso e é livre — não livre de alguma coisa, porém livre — , ela se acha então num incessante estado de experimentar. Compreendeis? Sempre há o estado de experimentar, por conseguinte, a mente permanece fresca, nova, “inocente”; e essa mente pode alcançar o Imensurável. Pergunta: Encontramos a necessidade de disciplina até no nosso viver diário. A disciplina não é necessária para a adequada educação da juventude? Krishnamurti: Senhor, que se entende por disciplina? Não vos ponhais na defensiva, pois não vos estou atacando; não me coloqueis na posição de acusador e a vós na de réu. Estamos procurando com­preender. Que se entende por disciplina? Não significa ajustar-se a um padrão estabelecido pela sociedade, ou que estabelecestes para vós mesmo? Esta é uma forma de disciplina. Disciplina significa também repressão. Tenho um certo sentimento, mas o guru, a autoridade, diz: “Não; deveis reprimi-lo”. Disciplina significa, também, criar um padrão para minhas ações, a fim de realizar minha ambição, não é verdade? Desejo ser “ o máximo” em alguma coisa, e por isso me disciplino de acordo com esta ambição. Agora, que acontece quando vos reprimis, quando vos conformais, vos ajustais a um padrão? Que aconteceu à mente que se obrigou a ajustar-se a um molde? Sem dúvida, tornou-se uma mente morta, não uma mente viva. Assim como levantamos barreiras para impedir que o rio transborde e inunde toda a região, assim também a mente fica retida num determinado padrão. Para retermos a mente num padrão, necessitamos de disciplina, e por isso dizemos ser a disciplina essencial até em nossa vida diária. Percebeis, senhores? Estou simplesmente investigando as impli­cações da disciplina. O que reprimis permanece no inconsciente e se mantém em ação de diferentes maneiras. Com a disciplina, apenas o recalcais mais ainda, proporcionando-lhe assim maior vitalidade para repetir-se em diferentes sentidos. Tudo isso está implicado na dis­ciplina, que achais tão necessária. Dizeis: “Se não me disciplino, levarei vida caótica, infeliz e estúpida”. — mas vós estais levando uma vida caótica, infeliz e estúpida, presentemente. Do mesmo modo, o edu­cador diz: “Temos de disciplinar a criança, pois vemos o que aconteceu aos universitários de toda a índia.” Mas é de disciplina que se neces­sita em nossa vida, ou é da compreenão de todo o processo da dis­ciplina? Compreensão que produzirá sua ordem própria, uma ordem não imposta pela sociedade ou a ambição. Na vida, a ordem é obvia­mente necessária, mas não a ordem consoante a tradição. Ora, o interrogante indaga: “A disciplina não é necessária à adequada educação da juventude?” Que entendeis por educação? Ao dizerdes que precisais educar a criança, que significa isso? Quereis dizer, essencialmente, que ela precisa ser ensinada a ajustar-se à socie­dade, precisa aprender uma técnica para que possa obter emprego e seja capaz de ganhar a vida. Não é isso que interessa a todos vós? E ensinareis também a criança sobre a chamada religião — ou, se sois comunista, desejareis fazê-la aceitar o comunismo, etc., etc. Os governos, em todo o mundo, desejam que os que foram educados sejam eficientes, bem treinados para matar em nome da pátria, capazes de construir represas, ou possuidores de outras aptidões como enge­nheiros e técnicos; e a vós é também isso o que interessa. Desejais que o estudante se amolde ao modelo da sociedade, se submeta à tra­dição, e esteja habilitado a ganhar o próprio sustento; portanto, não estais verdadeiramente interessados na criança, não é exato? Só estais interessados no que ela deverá ser, e o governo, também, se interessa pela mesma coisa. E fazer que a criança se torne o que deverá ser, é isso que chamamos educação, não? Percebendo todo esse processo, dizeis: “Como educar a criança diferentemente, criadoramente, sem inventar novos padrões, novos modos de condicionamento?” Antes de tratar disso, deveis primeira­mente descobrir se sois um educador, se sois um pai que realmente ama o filho — e eu duvido que ameis realmente vosso filho. Se o amásseis, não desejaríeis que se ajustasse a esta sociedade corrupta; pelo contrário, ajudá-lo-íeis a ser livre, para poder criar uma nova sociedade com valores bem diferentes. Se amásseis realmente vosso filho, acabaríeis com todas as guerras, e não pensaríeis em termos de autoridade hierárquica. Se compreendêsseis tudo isso profundamente e tivésseis um real propósito, que faríeis como educadores, como pais? A vida é uma série de influências inevitáveis. Todo livro, todo jornal, tudo o que ledes, ouvis ou vedes, grava-se em vossa mente, que é moldada por essas influências, e escolheis uma influência, em oposição a outra, conforme vossa tradição, vosso ambiente, vossa sociedade. Assim, a criança é condicionada, desde o começo, por numerosas influências que a rodeiam, e o educador sábio lhas apontará, e desse modo a ajuda a ficar cônscia das influências e a libertar-se delas, sem criar um novo condicionamento que pensa ser mais nobre. Nenhum sistema, nenhum método pode ajudar a criança a ser livre das influências. O pai, assim como o mestre, deve estar atento para não se deixar colher por nenhuma influência, o que significa que deve ter uma mente vigilante; mas nem o pai nem o mestre tem uma mente vigilante. Em geral pensamos que a teremos com a criação de um novo método, um novo sistema, e contamos que o sistema, o método, a técnica nos ajudarão a ser livres — o que é uma impossibilidade. Só quando a mente do edu­cador, do pai, compreende a pleno o processo da disciplina com todas as suas implicações, só então é possível ajudar a criança a ser livre. A liberdade não está no fim, porém no começo. Estou falando há uma hora e cinco minutos. Há ainda uma per­gunta. Permitis que a examine? Assistência: Sim, senhor! Krishnamurti: E isso significa que estais apenas escutando minhas palavras, sem observardes vossa própria mente. Se estivésseis prestando atenção à vossa mente e observando todas as coisas implicadas no que ouvistes, é claro que vos sentiríeis exaustos, porque vossa mente não está acostumada a manter-se intensamente vigilante, alertada. Não vos estou criticando, senhores; longe de mim tal impertinência, sinceramente falando. Mas, ao dizerdes: “Por favor, continuai”, isso indica muita coisa, porque, se tomásseis uma questão, como a disciplina, ou o que é “experiência”, e a examinásseis completamente, a seguísseis até o fim, não precisaríeis fazer mais pergunta nenhuma, pois teríeis encontrado a totalidade das perguntas e das respostas. Mas, infeliz­mente, a maioria de nós faz perguntas, esperando que, se juntarmos as numerosas partes, teremos o todo. O todo não pode ser compreen­dido através da parte. O todo deve ser visto diretamente.” https://krishnamurtibox.files.wordpress.com/...</itunes:summary><itunes:keywords>Consciência, Meditação, Vedanta</itunes:keywords></item><item><title>A dor é sobreposta ao silêncio? - Tudo surge no silêncio.</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2013/03/a-dor-e-sobreposta-ao-silencio-tudo.html</link><category>Consciência</category><category>Todos Somos Um</category><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Mon, 8 Dec 2014 00:30:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-8667985715119486250</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
&lt;br /&gt;
"A dor é sobreposta ao silêncio?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo surge do silêncio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então o silêncio é constante e a dor é, de alguma forma, estranha?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando você fala de dor, alguém sente esta dor, um “alguém” que aparece do silêncio. A dor é uma percepção que nós, geralmente, evitamos sentir mediante um muito rápido processo de conceituação. Como o conceito de dor e sua percepção não podem ocorrer simultaneamente, devemos abandonar a ideia e sentir a percepção pura. Ao sermos conscientes da sensação, sendo seu conhecedor, nós estamos fora da dor, ou mais precisamente, a dor aparece em nossa observação, em nosso silêncio sempre presente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há diversos modos de relacionar-se com a dor. Geralmente, tendemos a evadi-la ou a dirigi-la de alguma maneira, mas então ficamos nela enredados através do esforço da vontade. Quando simplesmente observamos e permitimos que a dor se expresse, a energia estabelecida como dor se torna fluida. No olhar puro, não há ninguém, nenhum ego dirigente, e esta energia, não encontrando lugar algum para se localizar, reintegra-se à totalidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante para você aprender a viver com a dor. Nunca a conceitue. Eu lhe darei um exemplo do que quero dizer. Se você se sente cansado e diz a si mesmo “Estou cansado”, identifica-se instantaneamente com a fadiga. Esta identificação faz de você um cúmplice deste estado, com isso, você o sustenta. Mas se você descansa e permite que a fadiga se expresse, ele se torna um objeto de sua observação. E, como você não é mais um cúmplice dela, o sentimento de cansaço se dissolve rapidamente e você se sente completamente descansado.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tenho um nervo comprimido em minha perna. Se eu pudesse desapegar-me da dor o suficiente para observá-la, isto ajudará a curá-lo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este nervo em sua perna tem sua origem entre a quarta e a quinta vértebra da coluna vertebral. Quando há pressão sobre esta parte, a primeira coisa a fazer é libertar o nervo. O melhor procedimento é sentar-se com as pernas estiradas e permitir que a área pélvica relaxe completamente. Mas você não deve estar no movimento. Deixe-me explicar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assuma esta postura, feche seus olhos, e permita que sua atenção percorra o corpo. Deste modo, você pode sentir onde a tensão está localizada. Mas não antecipe qualquer resultado. A antecipação significa que a mente já está em algum lugar antes que a sensação tenha a oportunidade de se expressar, e você permanece na idéia e não na sensação. Podemos chamar tal antecipação de “ganho final”. Você não deve viver neste ganho final.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se eu fecho meus olhos, não posso dizer-lhe exatamente onde estou porque meu corpo está desperto em cada parte, despertado por sua sensitividade preservada. Em cada passo, o fim é alcançado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando desperto na manhã, eu sinto frequentemente que há alguma substância densa que devo ultrapassar para realmente acordar. Por que ainda me sinto tão cansado?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando você desperta pela manhã, é o corpo que desperta em sua Consciência. Mas o que nós chamamos nosso corpo é um padrão inscrito no cérebro, um tipo de reflexo impresso ali em algum momento de nossa vida. No princípio, este reflexo era ocasional, então se tornou mais frequente, até que finalmente se estabeleceu. Você adotou este padrão e pensa de seu corpo segundo estes termos. Acontece o mesmo com os estados psíquicos. Podemos despertar e sentir-nos imediatamente deprimidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É também o condicionamento que nos faz pensar que necessitamos de oito horas de sono a cada noite?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na medida em que você se torna mais desperto, você enfrenta os eventos do dia e as situações em um modo não-reativo, vivendo-os totalmente como eles acontecem. Nada é postergado e, portanto, não permanece resíduo algum em sua mente. Não havendo nenhum remanescente da reação e da tensão, seu corpo está completamente relaxado quando você dorme e, neste estado, quatro horas e meia a cinco horas é o suficiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, você precisa dormir mais se não vive conscientemente durante o dia?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, algumas vezes o que você postergou durante o dia surge na forma de um sonho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os sonhos são necessários?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que geralmente chamamos um sonho é uma eliminação do que não se resolveu durante o estado de vigília. Mas, se aparece como o que em francês se denomina 'songe', então não é uma eliminação. Você pode ver seu passado ou futuro aparecer em uma perfeita simultaneidade, pois a ideia de viver no tempo e no espaço é devida apenas ao fato de sermos educados para pensar nestes termos. Realmente, eventos e situações aparecem simultaneamente. O que você fará amanhã ou em quatro semanas ou quatro anos, já está presente. Mas sua mente foi organizada para captar as percepções sucessivamente, e assim aparece o tempo. Ele existe apenas na mente humana. Na realidade não há tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os mestres espirituais dizem frequentemente que o mundo dos fenómenos aparece e desaparece e não há nada que a pessoa necessite fazer. Mas muitos de nós sentimos a necessidade de controlar nossas vidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que controlar a vida? Ela não tem nenhuma necessidade de controle. A vida se encarrega de si mesma. Tentar controlar a vida significa viver na memória, na repetição, no processo contínuo de ter e devenir. Uma vez deixado de lado este impulso para controlar, você não tem conflito e é um com a corrente de vida. Seja um espectador do espetáculo. A representação continua, mas você está observando na audiência. Se subir ao palco e se envolver na obra, você estará perdido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nunca pratiquei a meditação por medo de descobrir tudo que tenha reprimido. Esta reação é um sinal de que devo olhar mais profundamente dentro de mim mesmo ou significa que não sou suficientemente maduro?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que aparece durante a meditação são resíduos do passado. Estes resíduos são energia localizada mediante a associação de idéias, energia mobilizada no medo e na insegurança. Permaneça como testemunha de tudo isto. Sendo o observador indiferente, a atenção é imotivada, e todo condicionamento diminui. Você pode achar que o consciente, o inconsciente e o superconsciente aparecem, mas não são novos – eles são o passado. Permita-os emergir, mas permaneça como o observador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente, o observador é também um objeto da percepção. Então, você é este silêncio – atemporalidade – tanto na presença quanto na ausência de tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que, às vezes, tenho medo do silêncio?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem é este “eu” que tem medo? É o ego, a imagem que temos de nós mesmos. Ele se dissolve quando você permite que se vá, no momento em que o observa. A observação pura não tem lugar para a imagem do “eu”. Assim, pois, deixe-o ir. Seja absolutamente livre de todas as situações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, é difícil observar o medo quando estou totalmente aprisionado nele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Olhe o mecanismo do medo. Veja o que existe diante deste medo, que associações o levaram a este estado.Você sente uma sensação e a etiqueta como “medo”. Você projeta uma imagem de um “eu” que se sente assustado, então coloca esta imagem em uma floresta escura diante de um enorme leão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A projeção de si mesmo como um homem, como uma personalidade, faz surgir o medo porque a personalidade necessita de uma situação para existir. Muitos de nós preferimos sofrer, preferimos prolongar uma condição sem esperança porque isto dá ao “eu” um ponto ao qual apegar-se. Se o “eu” não tem nada em que se agarrar, morre. Mas nós devemos acostumar-nos a morrer!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja cada nova situação sem referência a uma imagem passada de você mesmo. Quando você pára de projetar uma pessoa, uma imagem de si mesmo como um homem, como ser inteligente, como um certo tipo de personalidade, como tendo muitas amantes, etc., o que acontece? Você está calmo e vigilante, mas não atento a alguma coisa. Então, a situação não pertence a uma imagem, mas à consciência global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando você está preocupado, o “eu” está envolvido neste medo e não pode, intencionalmente, permitir que ele se vá. Esta imagem do eu se reduz no momento em que o medo se torna percepção. E, como o medo necessita do estímulo de uma imagem para existir, quando não há imagem, não há medo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ideia de ser uma entidade separada e individual é incorreta. Uma entidade independente não existe. Você é um com as estrelas, com a lua, com os animais, plantas e pedras e com a sociedade. Você não tem existência independente da totalidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o indivíduo não existe, o que existe?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem pensamentos, emoções e percepções, mas não há nada pessoal neles. O “eu” é uma convenção nas relações humanas. Existe como um conceito, mas não tem realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aceita a vida. Deixe-a acontecer. Você não é sua vida, apenas um observador sentado na audiência observando seu ator no palco. O ator pode interpretar um herói, ou um marido, ou alguém que sofre, mas sabe que está atuando. Não está identificado com o papel. É a mesma coisa em sua vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então não há nada a fazer?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nada a fazer. Quando você olha com profundidade, você verá que a maioria do “fazer” é reação. Apenas a pura observação imotivada é vazia de reações, pois não há ninguém para reagir. Então, toda a ação é espontânea, momento a momento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você não deve chegar a algumas conclusões neste tipo de encontro. Falar é mais ou menos um pretexto. O verdadeiro perfume está no silêncio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu não entendo a razão pela qual me sinto tão desconfortável no silêncio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se você tenta ser silencioso, você não pode sê-lo. O silêncio é sua natureza original. Não há nenhuma necessidade de tentar ser o que você naturalmente é. Simplesmente, observe quando você está silencioso. Podemos apenas falar realmente de comunicação quando nós permanecemos silenciosos. A beleza da vida jaz na comunicação, mas não aquela que ocorre entre dois objetos, duas personalidades, duas imagens. Não há nenhum significado, nenhuma ação, em uma relação entre duas imagens, entre a ideia de ser um homem e a ideia de ser uma mulher.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No silêncio, não há homem ou mulher, há apenas amor. Então, a comunicação é comunhão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É tão fácil interpretar o papel, mas...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não desempenhe o papel de modo algum. Tomar-se como um homem significa que você deve preencher muitas qualificações: como se apresentar, como ceder, como falar, como atuar, etc. Você foi educado para pensar como um homem, confinado por todas estas etiquetas. O mesmo é verdadeiro quando você se considera um pai ou uma mãe. Não há nenhum homem ou mulher, nenhum pai ou mãe. Pare de projetar-se em seu ambiente e permita que cada momento o encontre de um modo novo e sem memória. Olhe para as coisas como se fosse a primeira vez. Seja totalmente despido, informe, anônimo. Você é simplesmente um belo ser, nada mais, e isto não requer educação. Seja simplesmente o belo ser que você é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se eu me comportasse desta maneira, eu me sentiria como se não tivesse proteção, como se estivesse indefeso...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De quem você se protegeria? Não há ninguém a defender."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Simplicidade de Ser - Diálogos com Jean Klein&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>A Canção da Mente</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2014/09/a-cancao-da-mente.html</link><category>Budismo zazen</category><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Mon, 8 Sep 2014 01:26:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-1141201418582765551</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
&lt;h1 align="center"&gt;
&lt;/h1&gt;
&lt;div align="center"&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, verdana, arial;"&gt;Hsin-ming&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, verdana, arial;"&gt;&amp;nbsp;por&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Niu-t'ou Fa-jung (594-657)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;hr color="000000" /&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;A natureza da mente é não-surgimento;&lt;br /&gt;Que necessidade há de conhecimento e visões?&lt;br /&gt;Originalmente, não há um único fenômeno;&lt;br /&gt;Por que discutir inspiração e treinamento?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Vindo e indo sem início;&lt;br /&gt;Ao ser procurada, não é vista.&lt;br /&gt;Não há necessidade de fazer coisa alguma;&lt;br /&gt;É brilhante, calma, auto-aparente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;O passado é como o espaço vazio;&lt;br /&gt;Conheça qualquer coisa e o princípio básico é perdido.&lt;br /&gt;Lançando uma luz clara sobre o mundo,&lt;br /&gt;Iluminando, porém obscurecida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Se a mente unidirecionada for impedida,&lt;br /&gt;Todos os fenômenos serão mal compreendidos.&lt;br /&gt;Vindo e indo assim,&lt;br /&gt;Há necessidade de investigação completa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Surgindo sem a marca do surgimento,&lt;br /&gt;Surgimento e iluminação são o mesmo.&lt;br /&gt;Desejando purificar a mente,&lt;br /&gt;Não há mente para o esforço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Através do tempo e do espaço, nada é iluminado;&lt;br /&gt;Isto é o mais profundo.&lt;br /&gt;Conhecer os fenômenos é não-conhecer;&lt;br /&gt;Não-conhecer é conhecer o essencial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Usando a mente para manter a quietude,&lt;br /&gt;Você ainda falha em deixar a doença.&lt;br /&gt;Nascimento e morte esquecidos —&lt;br /&gt;Esta é a natureza original.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: georgia, 'trebuchet ms', tahoma, Verdana, Arial;"&gt;O princípio mais elevado não pode ser explicado;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Não está livre nem preso.&lt;br /&gt;Vivamente e sintonizado com tudo,&lt;br /&gt;Está sempre bem diante de você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Nada há à sua frente;&lt;br /&gt;Nada, mas tudo é conforme o usual.&lt;br /&gt;Não rotule a sabedoria para examiná-la;&lt;br /&gt;A substância em si é vazia e obscura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Os pensamentos surgem e passam,&lt;br /&gt;O que precede não é diferente do que o sucede.&lt;br /&gt;Se o pensamento que sucede não surge,&lt;br /&gt;O pensamento que precede corta a si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;No passado, presente e futuro, nada há;&lt;br /&gt;Não há mente, não há Buddha.&lt;br /&gt;Os seres sencientes são sem mente;&lt;br /&gt;A partir da não-mente, eles se manifestam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Distinguindo entre profano e sagrado,&lt;br /&gt;Suas irritações florescem.&lt;br /&gt;Dividir cabelos desvia do eterno.&lt;br /&gt;Procurando o real, você abandona o verdadeiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Descartar ambos é a cura,&lt;br /&gt;Transparente, brilhante, pura.&lt;br /&gt;Não há necessidade de trabalho duro ou de habilidade;&lt;br /&gt;Limite-se às ações de um bebê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Conhecendo alertamente,&lt;br /&gt;A rede de visões abunda.&lt;br /&gt;Calma sem visão,&lt;br /&gt;Não se movendo em uma sala escura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Despertando sem vagar,&lt;br /&gt;A mente é tranqüila, porém brilhante.&lt;br /&gt;Todos os fenômenos são reais e eternos,&lt;br /&gt;Profusos, porém de uma única forma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Indo, vindo, sentado, de pé,&lt;br /&gt;Não se apegue a coisa alguma.&lt;br /&gt;Afirmando nenhuma direção,&lt;br /&gt;Pode haver partir e entrar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Não há nem unificação nem dispersão,&lt;br /&gt;Nem lento nem rápido.&lt;br /&gt;Brilho e tranqüilidade são apenas o que são;&lt;br /&gt;Não podem ser explicados em palavras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;A mente é sem alienação;&lt;br /&gt;Não há necessidade de terminar a cobiça.&lt;br /&gt;A natureza sendo vazia, a cobiça partirá por si mesma.&lt;br /&gt;Permita que a mente flutue e afunde.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Nem clara nem nublada,&lt;br /&gt;Nem profunda nem superficial,&lt;br /&gt;Originalmente não era antiga;&lt;br /&gt;No presente não é moderna.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;O agora é não-permanente;&lt;br /&gt;O agora é a mente original.&lt;br /&gt;Originalmente não existia;&lt;br /&gt;"Origem" é o momento presente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;A iluminação sempre existiu;&lt;br /&gt;Não há necessidade de preservá-la.&lt;br /&gt;A irritação nunca existiu;&lt;br /&gt;Não há necessidade de eliminá-la.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;A sabedoria natural é auto-iluminadora;&lt;br /&gt;Todos os fenômenos retornam à talidade.&lt;br /&gt;Não há retorno, não há recebimento;&lt;br /&gt;Pare de contemplar, esqueça o manter.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;As quatro virtudes [do nirvana, permanência, êxtase, identidade e pureza] são não-nascidas;&lt;br /&gt;Os três corpos [dharmakaya, sambhogakaya e nirmanakaya] sempre existiram.&lt;br /&gt;Os órgãos dos sentidos contatam os seus reinos;&lt;br /&gt;A discriminação não é consciente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Na mente unidirecionada não há pensamentos errantes,&lt;br /&gt;As condições miríades harmonizam-se.&lt;br /&gt;A mente e a natureza são originalmente iguais;&lt;br /&gt;Juntas, porém não mutuamente dependentes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Sem surgimento, obedecendo aos fenômenos,&lt;br /&gt;Permanecendo oculta em todos os lugares.&lt;br /&gt;A iluminação surge da não-iluminação.&lt;br /&gt;Está iluminando a não-iluminação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Quanto ao ganho e perda,&lt;br /&gt;Por que chamá-los de bom ou ruim?&lt;br /&gt;Tudo que é ativa&lt;br /&gt;Originalmente foi não-criado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Saiba que a mente não é a mente,&lt;br /&gt;Não há doença, não há remédio.&lt;br /&gt;Quando na confusão, você deve descartar os afazeres;&lt;br /&gt;Iluminada, não faz diferença.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Originalmente, nada há a obter; agora, que utilidade há em descartar?&lt;br /&gt;Quando alguém afirma ver demônios,&lt;br /&gt;Podemos falar da vacuidade, porém os fenômenos estão lá.&lt;br /&gt;Não destrua as emoções das pessoas comuns; apenas ensine a cessação dos pensamentos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Quando os pensamentos se vão, a mente é abolida;&lt;br /&gt;Quando a mente se vai, a ação é terminada.&lt;br /&gt;Não há necessidade de confirmar a vacuidade;&lt;br /&gt;Naturalmente, há compreensão clara.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Extinguindo completamente o nascimento e a morte,&lt;br /&gt;A mente profunda entra no princípio.&lt;br /&gt;Abrindo seus olhos e vendo formas,&lt;br /&gt;A mente surge de acordo com o ambiente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Dentro da mente, não há ambiente.&lt;br /&gt;Dentro do ambiente, não há mente.&lt;br /&gt;Use a mente para extinguir o ambiente&lt;br /&gt;E ambos serão perturbados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Com a mente calma e o ambiente assim,&lt;br /&gt;Sem descartar, sem agarrar,&lt;br /&gt;O ambiente é extinto junto com a mente.&lt;br /&gt;A mente desaparece junto com o ambiente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Quando nenhum surge,&lt;br /&gt;Há tranqüilidade e brilho ilimitado.&lt;br /&gt;O reflexo da iluminação aparece&lt;br /&gt;Na água eternamente clara da mente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;A natureza do mérito é como um ingênuo:&lt;br /&gt;Não estabelece proximidade e distância.&lt;br /&gt;Favor e desgraça não a mudam;&lt;br /&gt;Não escolhe a sua morada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Todas as conexões cessam subitamente;&lt;br /&gt;Tudo é esquecido.&lt;br /&gt;O dia eterno é como a noite,&lt;br /&gt;A luz eterna, como o dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Externamente, como um tolo completo,&lt;br /&gt;Internamente, a mente é vazia e real.&lt;br /&gt;Aqueles que não são movidos pelo ambiente&lt;br /&gt;São fortes e grandes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Não há nem pessoas nem visão;&lt;br /&gt;Sem visão, há aparência constante.&lt;br /&gt;Penetrando completamente todas as coisas.&lt;br /&gt;Sempre permeou todos os lugares.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;O pensamento traz falta de clareza,&lt;br /&gt;Afundando e confundindo a mente.&lt;br /&gt;Use a mente para parar a atividade&lt;br /&gt;E ela se torna ainda mais instável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Os dez mil fenômenos estão em todos os lugares,&lt;br /&gt;Mas há apenas uma porta.&lt;br /&gt;Nem entrando, nem saindo,&lt;br /&gt;Nem quieta, nem barulhenta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;A sabedoria dos santos e realizados solitários&lt;br /&gt;Não podem explicá-la.&lt;br /&gt;De fato não há uma única coisa;&lt;br /&gt;Apenas a sabedoria maravilhosa existe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;A face original é ilimitada;&lt;br /&gt;Não pode ser aprovada pela mente.&lt;br /&gt;A verdadeira iluminação não é iluminação,&lt;br /&gt;A verdadeira vacuidade não é vacuidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Todos os buddhas do passado, do presente e do futuro&lt;br /&gt;Montam sobre este princípio básico.&lt;br /&gt;A ponta de um cabelo deste princípio básico&lt;br /&gt;Contém mundos tão numerosos quanto as areias do Ganges.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Não se preocupe com coisa alguma;&lt;br /&gt;Fixe a mente em lugar algum.&lt;br /&gt;Fixando a mente em lugar algum,&lt;br /&gt;O brilho ilimitado mostra a si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Tranqüila e não-emergente,&lt;br /&gt;Livre no espaço e tempo ilimitados.&lt;br /&gt;Para o que quer que faça, não há obstrução;&lt;br /&gt;Ir e permanecer são iguais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;O sol da sabedoria é tranqüilo,&lt;br /&gt;A luz do samadhi é brilhante.&lt;br /&gt;Iluminando o jardim das não-formas,&lt;br /&gt;Brilhando sobre a cidade do nirvana.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Depois que todos os relacionamentos são esquecidos,&lt;br /&gt;A mente é compreendida e estabelecida em substância.&lt;br /&gt;Não surgindo do assento do Dharma,&lt;br /&gt;Dormindo pacificamente em uma sala vazia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Tirar prazer do caminho é calmante,&lt;br /&gt;Vagando livre e fácil na realidade.&lt;br /&gt;Sem ação e com nada a atingir,&lt;br /&gt;Confiando em nada, manifestando naturalmente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;As quatro mentes ilimitadas e as seis perfeições&lt;br /&gt;Estão todas no caminho do veículo único.&lt;br /&gt;Se a mente é não-nascida,&lt;br /&gt;Os fenômenos não diferirão uns dos outros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: georgia, trebuchet ms, tahoma, Verdana, Arial;"&gt;Sabendo que o surgimento é não-surgimento,&lt;br /&gt;A eternidade aparece agora.&lt;br /&gt;Apenas o sábio compreende,&lt;br /&gt;Nenhuma palavra pode explicar a iluminação."&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;http://web.archive.org/web/20070808111350/http://www.dharmanet.com.br/zen/cancao.htm&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Krishnamurti - O Sublime</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2014/08/krishnamurti-o-sublime.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Sun, 3 Aug 2014 10:46:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-3037125678510800903</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
Uma experiência de bem-aventurança&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A imaginação perverte o percebimento de o que é; no entanto, como nos orgulhamos de nossa imaginação e de nosso especular. A mente especulativa, com seus pensamentos complicados, não é capaz de transformação fundamental; não é uma mente revolucionária. Vestiu-se como deveria ser e está seguindo o padrão de suas próprias projeções limitadas, confinantes. O que é bom não está no que deveria ser, mas na compreensão do que é. A mente tem de por de lado toda imaginação e especulação para que o Real tenha existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele era moço ainda, mas chefe de família e conceituado homem de negócios. Parecia muito preocupado e atribulado, e ansioso por dizer alguma coisa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Há tempos ocorreu-me uma experiência verdadeiramente extraordinária, e como nunca relatei a ninguém não sei se sou capaz de a descrever com clareza para você; espero que sim, pois não há ninguém mais a quem possa me dirigir. Essa experiência arrebatou-me completamente o coração; entretanto, foi-se e dela só me resta a vã lembrança. Talvez você possa ajudar-me a captá-la novamente. Vou relatar-lhe com a possível exatidão o que foi esse estado abençoado. Tenho lido a respeito dessas coisas, mas tudo o que li não passava de vãs palavras, que só me falavam aos sentidos; o que me aconteceu foi uma coisa fora da esfera do pensamento, da esfera da imaginação e do desejo, e eu a perdi. Rogo-lhe para que me ajude a recuperá-la". Calou-se por um instante, e continuou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Uma certa manhã despertei muito cedo; a cidade ainda dormia e seus rumores ainda não haviam começado. Senti-me impelido a sair; vesti-me rapidamente e saí para a rua. Nem sequer o caminhão do leite havia começado a circular. A primavera estava em início e o céu era de um azul pálido. Apoderou-se de mim um forte sentimento de que deveria ir ao parque, distante cerca de uma milha. Desde o instante em que transpus a porta da rua, veio-me um estranho sentimento de leveza, como se estivesse caminhando no ar. O edifício fronteiro, um desgracioso conjunto de apartamentos, perdera toda sua fealdade; até os tijolos pareciam mais vivos e luminosos. Todo objeto insignificante, que eu de ordinário não teria sequer notado, parecia dotado de uma qualidade extraordinária, peculiar e, coisa estranha, tudo parecia parte de mim mesmo. Nada estava separado de mim; com efeito, o "eu", como observador, como percipiente, tinha-se ausentado, se você percebe o que quero dizer. Não havia "eu" separado daquela árvore ou do jornal jogado na sarjeta ou das aves que chamavam umas às outras. Era um estado de consciência que eu nunca antes experimentara."&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"No caminho do parque", prosseguiu, "havia uma loja de flores. Centenas de vezes passei por ali e de cada vez não dava mais do que um simples relance de olhos para as flores. Mas naquela manhã parei diante da loja. A vitrine estava ligeiramente embaçada, do calor e da umidade interiores, mas isso não me impedia de ver as diversas variedades de flores. Enquanto ali estava, a contempla-las, comecei a sorrir e a rir, possuído de uma alegria nunca experimentada anteriormente. As flores estavam a falar-me e eu a falar com elas; sentia-me misturado com elas, elas faziam parte de mim mesmo. Ao dizer-lhe isso poderei dar-lhe a impressão de que me achava num estado histérico, ligeiramente privado de razão; mas não era assim. Vestira-me com muito cuidado, perfeitamente cônscio dos meus atos, escolhendo peças limpas de vestuário, consultando o relógio, vendo os letreiros das lojas, inclusive o de meu alfaiate, e lendo os títulos dos livros expostos na vitrine de uma livraria. Tudo era vivo e eu amava todas as coisas. Eu era o perfume daquelas flores, mas não havia "eu" a cheiras as flores, se você entende o que quero dizer. Não havia separação entre elas e mim. Aquela loja de flores apresentava um fantástico espetáculo de cores, de uma beleza que parecia extasiante, pois o tempo e sua medida haviam cessado. Devo estar ali mais de vinte minutos, mas garanto-lhe que não tinha noção nenhuma de tempo. Foi-me difícil partir de perto daquelas flores. O mundo de luta, de dor e sofrimento era inexistente naquela hora. Com efeito, num tal estado as palavras são sem significação. As palavras são descritivas, discriminativas, comparativas, mas naquele estado não existiam palavras. "Eu" não estava experimentado; só havia um estado — a experiência. O tempo cessara: não havia passado, presente ou futuro.  Só havia — Oh! Não sei expressá-lo por palavras, mas não importa. Havia uma Presença — não, não é esta a palavra. Era como se a Terra, com tudo o que nela e sobre ela existe, tivesse recebido uma benção dos céus, e eu, dirigindo-me para o parque, fazia parte dela. Ao aproximar-me do parque, fiquei completamente fascinado pela beleza daquelas árvores familiares. Do amarelo pálido ao verde mais escuro, as folhas dançavam cheias de vida. Cada uma das folhas destacava-se, separadamente, e toda a riqueza da Terra se concentrava numa única folha. Senti o coração acelerar-se; tenho um coração robusto, mas mal podia respirar, ao entrar no parque, e pensei desmaiar. Sentei-me num banco, as lágrimas rolavam-me pelas faces. Rodeava-me um silêncio verdadeiramente intolerável. Mas esse silêncio estava purificando todas as coisas, lavando-as da dor e do sofrimento. Ao internar-me mais no parque, havia música no ar. Fiquei surpreso, pois não havia vasas nas imediações e por certo ninguém teria levado um rádio para o parque àquela hora da madrugada. A música fazia parte daquela totalidade. Toda a bondade, toda a compaixão do mundo estava presente naquele parque, Deus estava ali."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Não sou teólogo nem muito menos religioso", continuou, "já entrei pelo menos uma dúzia de vezes numa igreja, mas isso nunca teve muita significação para mim. Não suporto o amontoado de absurdos que se presencia numa igreja. Mas naquele parque estava presente um Ser, se se pode empregar tal palavra, no qual todas as coisas viviam e agiam. As pernas me tremiam, forçando-me a sentar-me novamente, recostado numa árvore. O tronco era uma entidade viva como eu, e eu fazia parte daquela árvore, daquele Ser, do mundo. Devo ter desmaiado. Aquilo fora excessivo para mim: as cores intensas e vivas, as folhas, as pedras, as flores, a incrível beleza de todas as coisas. E, por sobre tudo aquilo, a benção de..."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Quando tornei a mim já era nado o sol. Em geral, levo uns vinte minutos, a pé, até o parque; mas já fazia quase duas horas que eu saíra de casa. Fisicamente, sentia-me sem forças para voltar a pé; e, assim, deixei-me ficar ali, sentado, reunindo as forças e sem ousar pensar. Ao voltar para casa, lentamente, levava comigo, toda inteira, aquela experiência; durou ela dois dias e, tão subitamente como viera, desapareceu. Começou então o meu tormento. Durante uma semana inteira não cheguei, sequer, às proximidades do meu escritório. Queria de volta aquela experiência extraordinária, viva, queria tornar a viver, e para sempre, naquele mundo beatífico. Tudo isso aconteceu há dois anos. Andei pensando seriamente em ir-me para um recanto solitário do mundo, mas o coração me dizia que não a recuperaria dessa maneira. nenhum mosteiro pode oferecer-me aquela experiência; não a encontrarei em nenhuma igreja cheia de velas acesas e onde só nos oferecem a morte e a escuridão. Pensei em partir para a Índia, mas abandonei também tal idéia. Experimentei então uma certa droga; ela me fez mais vívidas as coisas, etc., mas não é de narcóticos que eu preciso. Isso é querer comprar muito barato o "experimentar"; e o que se tem é uma ilusão e não uma coisa real". &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Aqui estou, pois", concluiu. "Tudo eu daria, minha vida e todos os meus haveres, para viver de novo naquele mundo. Que devo fazer?"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele veio a você, sem você o ter chamado, senhor. Você nunca o procurou. Enquanto você estiver procurando, não o terá nunca. Justamente o desejo de tornar a viver aquele estado extático, está impedindo a vinda do novo, a experiência nova daquela suprema felicidade. Veja o que aconteceu: você teve aquela experiência e está vivendo agora da lembrança morta de ontem. "O que foi" está impedindo a vinda do novo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Você quer dizer que devo pôr fora e esquecer tudo o que foi e ir arrastando de dia em dia minha insignificante existência, interiormente esfomeado?"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se você não continuar a relembrar e a pedir mais — o que constitui um verdadeiro esforço — será então possível que aquela mesma coisa que escapa inteiramente ao nosso controle, atue por sua vontade própria. A avidez, mesmo com um alvo sublime, só pode gerar sofrimento; a ânsia de mais abre a porta do desejo. Aquela bem-aventurança não pode ser comprada com nenhum sacrifício, nenhuma virtude, e nenhuma droga. Ela não é uma recompensa, um resultado. Vem espontaneamente; não a busque. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Mas aquela experiencia foi real, veio da esfera do Sublime?"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sempre queremos que outra pessoa confirme um fato ocorrido, nos dê certeza a respeito dele, para ficarmos abrigados nesta certeza. Tornar-se certo ou seguro em relação ao que foi, ainda que tenha sido o Real, significa fortalecer o irreal e gerar a ilusão. Trazer para o presente o que passou — agradável ou desagradável — é fechar a porta ao Real. A Realidade não tem continuidade. Ela existe momento por momento; é atemporal, imensurável.&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>A Imaginação</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2011/04/imaginacao.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Fri, 1 Aug 2014 20:57:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-596959315802820366</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
&lt;i&gt;&lt;b&gt;S. Nisargadatta Maharaj&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nada morre. O corpo é apenas imaginado. Não existe tal coisa.&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando você não exigir nada do mundo, nem de Deus, quando você não quiser nada, não buscar por nada, e não esperar nada, então o Estado Supremo virá até você sem ser convidado, e inesperado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um sábio comanda uma forma de percepção espontânea, não sensorial, a qual o faz conhecer as coisas diretamente, sem a intermediação dos sentidos. Ele está além do perceptual e do conceitual, além das categorias de tempo e espaço, nomes e formas. Ele não é nem o percebido nem o percebedor, mas o fator simples e universal que torna a percepção possível.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Atualmente, seu Ser está misturado com o experimentar. Tudo o que você precisa é separar o Ser da mistura das experiências. Uma vez que você tenha conhecido o puro Ser, sem ser isto ou aquilo, você vai discerni-lo entre as experiências; e não será mais enganado por nomes e formas. Auto-limitação é a própria essência da personalidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O buscador é aquele que está em busca de si mesmo. Logo ele descobre que seu próprio corpo ele não pode ser. Uma vez que a convicção 'Eu não sou meu corpo' se torne tão enraizada que ele não possa mais sentir, pensar ou agir para, e em benefício do corpo, ele descobrirá facilmente que ele é o ser universal, sabendo, agindo; que nele, e através dele, todo o universo é real, consciente e vivo. Este é o cerne do problema. Ou você é corpo-consciência e um escravo das circunstâncias, ou você é a consciência universal em si mesma - e no controle de cada evento. Mesmo assim, consciência, individual ou universal, não é o meu verdadeiro lar; eu não estou nela, ela não está em mim, não há um 'eu' nele. Eu estou além, apesar de não ser fácil de explicar como alguém pode ser nem consciente nem inconsciente, mas apenas além. Eu não posso dizer que eu estou em Deus ou que eu sou Deus; Deus é a luz universal e amor. A testemunha universal; eu estou até mesmo além do universal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No sono profundo, você não é uma pessoa auto-consciente, mas, mesmo assim, está vivo. Quando você está vivo e consciente, mas não mais auto-consciente, você não é mais uma pessoa. Durante as horas de vigília você está, como se fosse em um palco, atuando em uma peça. Mas o que você é quando a peça termina? Você é o que você é; o que você era antes da peça começar você continua sendo quando ela acaba. Olhe para si mesmo como atuando no palco da vida. A performance pode ser esplêndida ou sofrível, mas você não está nela, você simplesmente a observa; com interesse e simpatia, claro, mas mantendo em mente o tempo todo que você está apenas observando enquanto a peça - a vida - está acontecendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ignorância é como uma febre - faz você ver coisas que não estão ali. O Karma é o tratamento prescrito pela divindade. Dê a ele as boas vindas e siga suas instruções fielmente, que você logo ficará bom. Um paciente deixará o hospital depois de se recuperar. Insistir em liberdade de escolha ou ação imediatas apenas retardará a recuperação. Aceite seu destino e cumpra-o, este é o melhor caminho para se libertar do destino. Comentário: Aceitação aqui não significa não-agir, omitir-se. Pelo contrario; somente com a aceitação poderemos escolher como agir construtivamente. Se negarmos o que quer que seja, tal qual uma pessoa que nega estar doente, porque ela tomaria o remédio? A aceitação da situação é condição necessária para o agir corretamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Volte ao estado de puro Ser, onde o 'Eu Sou' ainda é puro, antes de ser contaminado pelo 'Eu sou isso' ou 'Eu sou aquilo'. Seu fardo são as falsas auto-identificações - abandone todas elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É suficiente que você não se imagine como sendo seu corpo. É a idéia 'Eu sou esse corpo' que é tão calamitosa. Ela o cega completamente para a sua natureza real. Nem sequer por um momento pense que você é seu corpo. Não dê a si mesmo nenhum nome, nenhuma forma. A realidade é encontrada na escuridão e no silêncio. Comentário: Poderíamos inferir que a crença nessa idéia "Eu sou esse corpo", entendida como investimento emocional certo, seguro, e tácito é que é calamitosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você não precisa parar de pensar. Apenas deixe de estar interessado. É o desinteresse que liberta. Não se apegue, isso é tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que no seu caso ocupa todo o campo da consciência, é apenas uma fagulha no meu. O mundo dura apenas um momento. É a sua memória que lhe faz pensar que o mundo continua. Eu não vivo pela memória. Eu vejo o mundo como ele é, uma aparição momentânea na consciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existência e não-existência dizem respeito a espaço e tempo, aqui e agora, lá e então, os quais, novamente, estão na mente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Onde está a necessidade de mudar alguma coisa? A mente está mudando o tempo todo, de qualquer maneira. Olhe para sua mente desapaixonadamente; isso é o suficiente para acalmá-la. Quando ela estiver silenciosa, você pode ir além dela. Não a mantenha ocupada o tempo todo. Faça parar, e apenas seja. Se você lhe der descanso, ela vai se estabilizar e recobrará sua pureza e força. O pensamento constante a faz decair.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O valor definitivo do corpo é que ele serve para descobrir o corpo cósmico, o qual é o universo na sua totalidade. Na medida em que você se descobre se manifestando, você continua a descobrir que é sempre mais do que tinha imaginado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dor e prazer sempre andam juntos. Liberdade de um significa liberdade de ambos. Se você não se importa com o prazer, não terá medo da dor. Mas há a felicidade, a qual não é nenhum dos dois, a qual está completamente além.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No momento, você é dirigido pelo princípio do prazer-dor, que é o princípio do ego. Você está acompanhando o ego; e não lutando contra ele. Você nem sequer está consciente do quão totalmente está envolvido nas suas considerações pessoais. Um homem deveria estar sempre revoltado contra si mesmo, porque o ego, como um espelho rachado, estreita e distorce. É o pior de todos os tiranos, ele o domina absolutamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O puro Ser, preenchendo tudo e além, não é a existência, a qual é limitada. Toda limitação é imaginária, apenas o ilimitado é real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pessoa é simplesmente o resultado de um equívoco. Na realidade, não existe tal coisa. Sentimentos, pensamentos e ações desfilam ante o observador em uma sucessão sem fim, deixando traços no cérebro e criando a ilusão da continuidade. Um reflexo do observador na mente cria o sentimento de 'Eu' e a pessoa adquire uma existência aparentemente independente. Na realidade não há pessoa, apenas o observador identificando-se a si mesmo com o 'Eu' e o 'meu'.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há etapas para a realização. Não há nada gradual sobre ela. Ela acontece repentinamente e é irrevogável. Você entra em uma nova dimensão, vistas a partir da qual as anteriores são meras abstrações. Assim como no nascer do sol você vê as coisas como elas são, da mesma maneira, na auto-realização você vê tudo como é. O mundo da ilusão é deixado para trás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredite em mim, não há meta, nem maneira de alcançá-la. Você é o caminho e a meta, não há nada mais a alcançar, exceto você mesmo. Tudo o que você necessita é compreender, e compreensão é o florescimento da mente. A árvore é perene, mas a florada e o amadurecimento dos frutos vêm no tempo certo. As estações mudam, mas não a árvore. Você é a árvore. Você teve inumeráveis galhos e folhas no passado, e você ainda os terá no futuro - mas você permanece. Você deve conhecer não o que era, ou virá a ser, mas o que É. Seu é o desejo que cria o universo. Saiba que o mundo é sua própria criação, e seja livre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A vida em si mesma não tem desejos. Mas o eu falso quer continuar - prazeirosamente. Por essa razão, está sempre trabalhando para garantir a sua continuidade. A vida é destemida e livre. Enquanto você tiver a idéia de estar influenciando os eventos, a libertação não é para você; a própria noção de ser o autor, de ser uma causa, é um laço que prende.&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>S. N. Maharaj‏ - Ignorância/desatenção</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2011/04/s-n-maharaj-ignoranciadesatencao.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Thu, 24 Jul 2014 18:30:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-523082560270403196</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;A Atenção como fuga às ilusões...&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não existe isso de ignorância, apenas desatenção. Além do mais, a preocupação é um estado de dor mental, e a dor é, invariavelmente, um chamado por atenção. No momento em que você dá atenção, o chamado por isso cessa e a questão da ignorância se dissolve. A atenção o traz de volta para o presente, o agora, e a presença no agora é um estado sempre à mão, mas raramente percebido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender as palavras não é o suficiente. Você pode conhecer a teoria mas, sem a experiência atual de si mesmo como o centro impessoal e sem atributos da existência, amor e bem-aventurança, o mero conhecimento verbal é estéril.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Como você sabe que não conhece o seu Self? Sua visão interior lhe diz que você conhece primeiro a você mesmo, porque nada existe sem você estar ali para testemunhar sua existência. Você imagina que não conhece a si mesmo, porque você não consegue descrever a si mesmo. Você pode apenas dizer: 'Eu sei que Eu Sou' e você recusará como não verdadeiro o argumento 'Eu não sou'. Mas o que quer que possa ser descrito não pode ser você mesmo, e o que você é não pode ser descrito. Você só pode conhecer o seu Ser sendo você mesmo, sem nenhuma tentativa de auto-descrição ou auto-definição. Uma vez que você tenha compreendido que você não é nada perceptível ou concebível, que o que quer que apareça no campo da consciência não pode ser você mesmo, você se aplicará na erradicação de toda auto-identificação, como o único caminho que pode levá-lo à profunda realização de si mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, seu Ser está misturado com o experimentar. Tudo o que você precisa é separar o Ser da mistura das experiências. Uma vez que você tenha conhecido o puro Ser, sem ser isto ou aquilo, você vai discerni-lo entre as experiências; e não será mais enganado por nomes e formas. Auto-limitação é a própria essência da personalidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abra mão de todas as perguntas, exceto uma: 'Quem sou eu?' Além do mais, o único fato do qual você está certo é de que você é. O 'Eu Sou' é certo. O 'Eu Sou isto' não é. Lute para decobrir o que você é na realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto você se identificar* com eles, a mente e o corpo, você está condenado a sofrer; compreenda a sua independência, e você ficará feliz. Eu lhe digo: esse é o segredo da felicidade. A crença de que você depende de coisas e pessoas para ser feliz é devido à sua ignorância de sua verdadeira natureza; saber que você não precisa de nada para ser feliz, exceto seu auto-conhecimento, é sabedoria. N.T.: (*)'Identificar' no presente contexto significa acreditar (dar crédito à idéia ou conceito de) que somos a mente e o corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realização aquilo que não pode mudar, permanece. A grande paz, o silêncio profundo, a beleza oculta da realidade permanecem. Ainda que não tenha como ser explicado em palavras, está esperando que você a experimente por si mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na verdade, as coisas são feitas para você, e não por você. O seu desejo simplesmente acontece junto com a realização ou não do desejo. Você não pode mudar nenhum deles. Você pode acreditar que você se esforça, tenta e luta. Novamente, tudo isso simplesmente acontece, incluindo os frutos do trabalho. Nenhum deles é por você. Tudo está na imagem que aparece na tela de cinema, não na luz; inclusive a pessoa que você pensa ser.  Você é somente a luz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É sempre o falso que lhe faz sofrer, os falsos desejos, valores e idéias. Os relacionamentos falsos entre as pessoas. Abandone o falso e você estará livre da dor; a verdade te faz feliz, a verdade liberta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;A pessoa, o 'Eu Sou este corpo, esta mente, esta cadeia de memórias, este amontoado de desejos e medos' desaparece, mas algo, que você pode chamar de identidade, permanece. Isso me permite me tornar uma pessoa quando necessário.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>O tempo e o sofrimento - Krishnamurti</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2013/10/o-tempo-e-o-sofrimento-krishnamurti.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Wed, 2 Oct 2013 13:32:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-3361157267343972171</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
&lt;span style="background-color: white; color: #333333; font-family: 'Trebuchet MS', Trebuchet, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 1.4; text-align: justify;"&gt;O homem vive do tempo. A invenção do futuro se tornou seu favorito jogo de fuga. Pensamos que as mudanças em nós mesmos só podem ser efetuadas no tempo, que a ordem só pode ser estabelecida em nós mesmos pouco a pouco, aumentada dia por dia. Mas, o tempo não traz a ordem nem a paz e, portanto, temos de deixar de pensar em termos de gradualidade. Isso significa que não há um amanhã em que viveremos em paz. Temos de alcançar a ordem imediatamente.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="post-body entry-content" id="post-body-4885475878954618084" itemprop="description articleBody" style="background-color: white; color: #333333; font-family: 'Trebuchet MS', Trebuchet, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 1.4; position: relative; width: 628.4000244140625px;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Quando se apresenta um perigo real, o tempo desaparece, não é verdade? A ação é imediata. Mas, nós não percebemos o perigo existente em muitos dos nossos problemas e, por conseguinte, inventamos o tempo como um meio de superá-los. O tempo é um embusteiro, porquanto nada faz para ajudar-nos a promover uma mudança em nós mesmos. O tempo é um movimento que o homem dividiu em passado, presente e futuro. E, enquanto fizer essa divisão, o homem viverá sempre em conflito.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O aprender depende do tempo? Após tantos milhares de anos, ainda não aprendemos que existe uma maneira de vida melhor do que odiarmos e matarmos uns aos outros. Muito importa compreender o problema do tempo, se desejamos uma solução para esta vida que cada um de nós contribuiu para tornar tão monstruosa e sem significação como é.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A primeira coisa, pois, que se deve compreender é que só podemos olhar o tempo com aquele vigor e aquela inocência da mente, que já estivemos considerando. Vemo-nos confusos a respeito de nossos numerosos problemas, e perdidos no meio desta confusão. Ora, quando uma pessoa se perde numa floresta, qual a primeira coisa que faz? Pára e olha em torno de si. Mas nós, quanto mais nos vemos confusos e perdidos na vida, tanto mais corremos em todos os sentidos, buscando, indagando, rogando. A primeira coisa que deveis fazer, se me permitis sugeri-lo, é fazer alto, interiormente. E, quando parais, interiormente, psicologicamente, vossa mente se torna muito tranqüila e clara. Podeis então considerar verdadeiramente a questão do tempo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Os problemas só existem no tempo, isto é, quando nos encontramos com um fato de maneira incompleta. Esse encontro incompleto com o fato cria o problema. Quando enfrentamos um desafio parcial, fragmentariamente, ou dele tentamos fugir — isto é, quando o enfrentamos com atenção incompleta — criamos um problema. E o problema continua existente enquanto continuarmos a dar-lhe incompleta atenção, enquanto esperarmos resolvê-lo um dia destes.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Sabeis o que é o tempo? — Não o tempo medido pelo relógio, o tempo cronológico, porém o tempo psicológico? É o intervalo entre a idéia e a ação. Uma idéia visa, naturalmente, à autoproteção: a idéia de estar em segurança. A ação é sempre imediata; não é do passado nem do futuro; o agir deve estar sempre no presente; mas a ação é tão perigosa, tão incerta, que preferimos ajustar-nos a uma idéia que nos promete uma certa segurança.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Olhai isso em vós mesmo. Tendes uma idéia do que é certo ou errado, ou um conceito ideológico relativo a vós mesmo e à sociedade, e de acordo com essa idéia ides agir. A ação, por conseguinte, ajusta-se àquela idéia, aproxima-se da idéia, e por essa razão existe sempre conflito. Há a idéia, o intervalo, e a ação. Nesse intervalo encontra-se todo o campo do tempo. Esse intervalo é, essencialmente, pensamento. Quando pensais que amanhã sereis feliz, tendes então uma imagem de vós mesmo a alcançar um certo resultado no tempo. O pensamento, pela observação, pelo desejo, e pela continuidade desse desejo, sustentada por mais pensamento, diz: "Amanhã serei feliz; amanhã terei sucesso; amanhã o mundo será um belo lugar." Dessa maneira, o pensamento cria esse intervalo que é o tempo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Agora, perguntamos: Pode-se deter o tempo? Podemos viver tão completamente que não haja um amanhã para o pensamento pensar nele? Pois o tempo é sofrimento. Isto é, ontem ou há um milhar de "ontens", amastes ou tínheis um companheiro que se foi, e essa memória perdura e ficais pensando naquele prazer ou naquela dor; estais a olhar para trás e a desejar, a esperar, a lamentar, e, assim, o pensamento, ruminando continuamente aquilo, gera essa coisa que se chama sofrimento e dá continuidade ao tempo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Enquanto existir esse intervalo de tempo, gerado pelo pensamento, tem de haver sofrimento, tem de haver a continuidade do medo. Assim, perguntamos a nós mesmos: Pode esse intervalo terminar? Se disserdes: "Terminará ele algum dia?", isso então já é uma idéia, uma coisa que desejais conseguir e, por conseguinte, tendes um intervalo e de novo vos vedes na armadilha.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Krishnamurti&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Sinais do Absoluto</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2013/03/sinais-do-absoluto.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Mon, 11 Mar 2013 17:51:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-5060314660519976786</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
Um casal europeu visitou Maharaj por uma semana. Marido e esposa estiveram interessados na metafísica vedântica por muitos anos e tinham estudado profundamente o assunto. Havia neles, contudo, um toque de cansaço, quase de frustração, em seus pontos de vista e comportamento geral, o qual mostrava claramente o que foi posteriormente confirmado. Eles não tinham nenhuma compreensão clara da verdade a despeito da assídua busca por um longo período de tempo durante o qual tinham viajado intensamente, e tinham buscado orientação de numerosos Gurus, mas sem sucesso. Agora, estavam, talvez, perguntando-se se iam para outro exercício de futilidade e para mais frustração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
Depois de terem fornecido as informações sobre seus fundamentos em resposta à pergunta habitual de Maharaj, sentaram-se com indiferença. Maharaj olhou para eles por poucos momentos e disse: Por favor, entenda que eu não tenho nada para dar a vocês. Tudo o que faço é pôr diante de vocês um espelho espiritual para mostrar sua verdadeira natureza. Se o significado do que digo for entendido claramente, intuitivamente – não apenas de forma verbal –, e aceito com a mais profunda convicção e a mais urgente rapidez, não será mais necessário nenhum conhecimento. Este entendimento não é uma questão de tempo (de fato, é anterior ao conceito de tempo) e, quando ele acontece, acontece repentinamente, quase como um choque de compreensão atemporal. Efetivamente, isto significa uma repentina cessação do processo de duração, uma fração de segundo em que o funcionamento do próprio processo do tempo é suspenso – enquanto acontece a integração com o que é anterior à relatividade – e a apreensão absoluta ocorre. Uma vez que esta semente de compreensão tenha se enraizado, o processo de libertação relativa da escravidão imaginada pode seguir seu próprio curso, mas a apreensão em si mesma é sempre instantânea.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
A palavra-chave no processo de entendimento do que digo é ‘espontaneidade’. A manifestação de todo o universo é como um sonho, um sonho cósmico, exatamente como o sonho microcósmico de um indivíduo. Todos os objetos são objetos sonhados, todos são aparições na consciência, tanto no caso de um sonho surgindo espontaneamente como um sonho pessoal durante o sono ou como o sonho vivente da vida no qual nós todos estamos sendo sonhados e vividos. Todos os objetos, todas as aparições são sonhadas na consciência pelos seres sensíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os seres sensíveis são, portanto, tanto figuras sonhadas como sonhadores; não há um sonhador individual, como tal. Cada sonho ativo do universo está na consciência, a qual está no interior de um aparato psicossomático particular, o meio através do qual o perceber e o interpretar ocorrem, e que é confundido com uma entidade individual. No sono profundo não há sonho e, portanto, nenhum universo. É apenas quando você usa a mente dividida que você existe separado dos ‘outros’ e do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você não tem controle sobre os objetos em seu sonho pessoal, incluindo o objeto que ‘você’ é em seu sonho. Tudo é espontâneo e, ainda assim, cada um dos objetos em seu sonho pessoal não é senão você. No sonho que é a vida, também, todos os objetos (todos os ‘indivíduos’, mesmo se são opostos um ao outro no sonho) podem apenas ser o que-você-é. Todo funcionamento, toda ação na vida, portanto, pode ser apenas ação espontânea, pois não há nenhuma entidade a realizar qualquer ação. Você é (Eu sou) o funcionamento, o sonho, a dança cósmica de Shiva!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, lembre-se que todo sonho de qualquer tipo deve necessariamente ser fenomênico – uma aparição na consciência –, ocorrido quando a consciência estiver ‘desperta’, que é quando a consciência é consciente de si mesma. Quando a consciência não é consciente de si mesma, não pode haver nenhum sonho, como no sono profundo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Ao chegar neste ponto, o homem do casal tinha uma dúvida. Sua pergunta era: Se todos nós somos figuras sonhadas, sem qualquer escolha independente de decisão e ação, por que deveríamos preocupar-nos com escravidão e liberação? Por que deveríamos vir para Maharaj?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Maharaj riu e disse: Você parece ter chegado à conclusão correta pelo caminho errado! Se você quer dizer que agora está convencido, além de qualquer sombra de dúvida, que o objeto com o qual você havia se identificado é realmente apenas um fenômeno totalmente destituído de qualquer substância, independência ou autonomia – simplesmente uma aparição sonhada na consciência de outro alguém – e que, portanto, para uma simples sombra não pode haver qualquer problema de escravidão ou liberação, e que, consequentemente, não há necessidade de forma alguma de vir e ouvir-me, então você está perfeitamente certo. Se for assim, você não está apenas certo, mas já liberado! Mas, se você quer dizer que deve continuar a visitar-me apenas porque não pode aceitar que é uma mera figura sonhada, sem qualquer independência ou autonomia, então receio que nem mesmo deu o primeiro passo. E, de fato, desde que haja uma entidade buscando a liberação, ela nunca a encontrará.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Veja isto desta forma simples: Qual é a base de qualquer ação? A necessidade. Você come porque há uma necessidade disto; seu corpo evacua porque é necessário. Você me visita por causa da necessidade de visitar-me e escutar o que digo. Quando há a necessidade, a ação se segue espontaneamente sem qualquer intervenção de qualquer agente. Quem sente a necessidade? A consciência, certamente, sente a necessidade através da mediação do aparato psicossomático. Se você pensar que é este aparato, não é este o caso de identidade errada, assumindo a carga da escravidão e buscando a liberação? Mas na realidade o que pergunta, o buscador, é o buscado!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Uma calma absoluta reinou na salinha enquanto todos ponderavam sobre o que Maharaj havia dito. O casal visitante sentou com os olhos fechados, esquecido dos arredores, enquanto os demais visitantes, gradualmente, saiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Sinais do Absoluto"&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Eu Sou Aquilo - N. Maharaj</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2013/03/eu-sou-aquilo-n-maharaj.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Wed, 6 Mar 2013 23:56:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-8740718591951660516</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
Pergunta: Sou médico de profissão. Comecei com cirurgia, continuei com psiquiatria e também escrevi alguns livros sobre a saúde mental e a cura pela fé. Venho a você para aprender as leis da saúde espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maharaj: Quando você tenta curar um paciente, o que tenta curar exatamente? O que é a cura? Quando você pode dizer que o homem está curado?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Eu procuro curar o corpo assim como melhorar a ligação entre o corpo e a mente. Também procuro colocar a mente em ordem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Você investigou a conexão entre a mente e o corpo? A que ponto eles estão conectados?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: A mente está entre o corpo e a consciência que o habita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: O corpo não é feito de alimentos?  E pode existir uma mente sem alimento?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: O corpo é construído e mantido pelo alimento. Sem alimento, a mente usualmente fica fraca. Mas a mente não é mero alimento. Há um fator transformador que cria a mente no corpo. O que é este fator transformador?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Assim como a madeira produz fogo que não é madeira, o corpo produz a mente que não é corpo. Mas a quem aparece a mente? Quem é o percebedor dos pensamentos e sentimentos que você denomina mente? Há madeira, há fogo e há o desfrutador do fogo. Quem aprecia a mente? O desfrutador é também um resultado do alimento, ou é independente?&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
P: O percebedor é independente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Como você sabe? Fale de sua própria experiência. Você não é nem o corpo nem a mente.        Você diz assim. Como você sabe?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Eu realmente não sei. Suponho que seja assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: A verdade é permanente. O real é imutável. O que muda não é real, o que é real não muda. Agora, que há em você que não muda? Enquanto há alimento, há corpo e mente. Quando termina o alimento, o corpo morre e a mente se dissolve. Mas, o observador morre?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Suponho que não. Mas não tenho provas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Você mesmo é a prova. Você não tem, nem pode ter, qualquer outra prova. Você é você mesmo, conhece a si mesmo, ama a si mesmo. Qualquer coisa que a mente fizer, fará pelo amor a seu próprio eu. A própria natureza do eu é amor. O eu é amado, amoroso e cativante. O eu é que faz o corpo e a mente tão interessantes, tão queridos. A própria atenção dada a eles vem do eu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Se o eu não é o corpo nem a mente, pode existir sem eles?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Sim, pode. Que o eu tenha existência independente do corpo e da mente é questão de experiência real. Ele é ser-consciência-felicidade (Sat-chit-ananda). A Consciência de ser é felicidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Para você pode ser uma questão de experiência real, mas não é o meu caso. Como chegar à mesma experiência? Que práticas devo seguir, que exercícios devo começar a me dedicar?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Para saber que você não é nem o corpo nem a mente, observe-se com firmeza e viva sem deixar-se afetar por eles, completamente indiferente, como se você estivesse morto. Isto significa que você não tem interesse pessoal nem no corpo nem na mente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Perigoso!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Não lhe estou pedindo que se suicide. Nem você pode. Você pode apenas matar o corpo, não pode deter o processo mental, nem pode acabar com a pessoa que você acredita ser. Apenas permaneça impassível. Esta completa indiferença, desinteressado do corpo e da mente, é a melhor prova de que, no âmago de seu ser, você não é nem a mente nem o corpo. O que acontece com o corpo e com a mente pode não estar dentro de seu poder mudar, mas você pode sempre colocar um fim à imaginação de si mesmo como corpo e mente. Aconteça o que acontecer, lembre-se de que apenas o corpo e a mente são afetados, não você mesmo. Quanto mais sério for em lembrar o que necessita ser lembrado, mais rapidamente será consciente de si mesmo como é, pois a memória se converterá em experiência. A seriedade revela o ser. O imaginado e o desejado se convertem no real – aqui está o perigo, assim como a saída.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diga-me, que passos você empregou para separar seu eu real – o qual é imutável em você – de seu corpo e de sua mente?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Sou médico, estudei muito, impus-me uma estrita disciplina baseada em exercícios e jejuns periódicos, e sou um vegetariano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Mas o que quer no fundo de seu coração?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Quero encontrar a realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Que preço está disposto a pagar pela realidade? Qualquer preço?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Enquanto em teoria estou disposto a pagar qualquer preço, na vida real me sinto impulsionado repetidamente a comportar-me nos modos que se interpõem entre mim e a realidade. O desejo me leva para longe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Aumente e amplie seus desejos até que nada os possa satisfazer exceto a realidade. Não é o desejo que está errado, mas sua estreiteza e pequenez. O desejo é devoção. Sem dúvida, seja devotado ao real, ao infinito, ao eterno coração do ser. Transforme o desejo em amor. Tudo o que você quer é ser feliz. Todos os seus desejos, quaisquer que sejam, são expressões de sua ânsia de felicidade. Basicamente, você tem boa vontade consigo mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Sei que não devo...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Espere! Quem lhe disse que não deve? Que está errado em querer ser feliz?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: O eu deve ir, eu sei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Mas o eu existe. Seus desejos existem. Sua ânsia de felicidade existe. Por quê? Porque você ama a si mesmo. Sem dúvida, ame-se – sabiamente. O incorreto é amar-se estupidamente até o ponto de se fazer sofrer. Ame-se sabiamente. A indulgência e a austeridade têm o mesmo propósito em vista – torná-lo feliz. A indulgência é o modo estúpido e a austeridade é o modo sábio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Que é austeridade?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Austeridade é não voltar a passar por uma experiência uma vez que já tenha passado por ela. Austeridade é evitar o desnecessário, é não antecipar a dor ou o prazer. Austeridade é ter as coisas controladas todo o tempo. O desejo por si mesmo não é incorreto. É a própria vida, o impulso de crescer em conhecimento e experiência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As escolhas que você faz é que estão erradas. Imaginar que coisas pequenas o farão feliz – alimento, sexo, poder, fama – é enganar a si mesmo. Só algo tão vasto e profundo como o seu eu real pode fazê-lo verdadeiramente feliz de modo duradouro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Já que não há nada basicamente errado no desejo como expressão do amor ao eu, como deveria controlá-lo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Viva sua vida inteligentemente, com os interesses de seu eu mais profundo sempre em mente. Afinal de contas, o que você realmente quer? Perfeição não; você já é perfeito. O que busca é expressar na ação o que você é. Para isto tem um corpo e uma mente. Controle-os e faça-os servir a você.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Quem é o operador aqui? Quem deve controlar o corpo e a mente?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: A mente purificada é a fiel serva do eu. Ela se encarrega dos instrumentos, internos e externos, e os faz servir a seus propósitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: E quais são seus propósitos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: O eu é universal e seus objetivos são universais. Não há nada pessoal no eu. Viva uma vida ordenada, mas não a converta em um fim em si mesma. Isto deveria ser o ponto de partida para a grande aventura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Você me aconselha vir à Índia repetidamente?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Se você é sério, não necessita andar por aí. Você é você mesmo onde quer que esteja, e você cria seu próprio ambiente. A locomoção e o transporte não lhe darão a salvação. Você não é o corpo; arrastá-lo de um lugar para outro não o levará a lugar nenhum. Sua mente é livre para passear pelos três mundos, use-a totalmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Se eu sou livre, por que estou em um corpo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
M: Não está no corpo, o corpo está em você! A mente está em você. Acontecem a você. Existem porque os acha interessantes. A sua própria natureza tem a capacidade infinita de desfrutar. Está cheia de animação e afeto. Ela derrama seu brilho em tudo o que entra no seu foco de consciência, e não exclui nada. Não conhece nem o mal nem a feiúra; ela espera, confia, ama. Você não sabe quanto perde por não conhecer seu próprio ser real. Você não é nem o corpo nem a mente, nem o combustível, nem o fogo. Eles aparecem e desaparecem segundo suas próprias leis.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Você ama o próprio eu, isso que você é, e tudo o que você faz o faz pela sua própria felicidade. O seu impulso básico é encontrá-lo, conhecê-lo, acalentá-lo. Você ama a si mesmo desde tempo imemorial, mas nunca sabiamente. Use o corpo e a mente sabiamente ao serviço do eu, isso é tudo. Seja verdadeiro para seu próprio eu e o ame absolutamente. Não finja amar os demais como a si mesmo. A menos que os compreenda como um consigo mesmo, não poderá amá-los. Não finja ser o que não é, não recuse ser o que você é. O amor aos demais é o resultado do autoconhecimento, não sua causa. Nenhuma virtude é genuína sem a autorrealização. Quando souber, além de qualquer dúvida, que a mesma vida flui através de tudo o que existe, e que você é esta vida, você amará tudo, natural e espontaneamente. Quando compreender a profundidade e a plenitude do amor a si mesmo, saberá que cada ser vivo e o universo inteiro estão incluídos em seu afeto. Mas, quando você olha para qualquer coisa como separada de você, não pode amá-la porque a teme. A alienação causa o medo e o medo aprofunda a alienação. É um círculo vicioso. Apenas a autorrealização poderá rompê-lo. Vá para ela resolutamente.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Nissargadatta Maharaj&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Sinais do Absoluto - N. Maharaj</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2013/03/sinais-do-absoluto-n-maharaj.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Tue, 5 Mar 2013 15:34:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-1244255314671243878</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
Neste ponto, a questão que permanece a ser tratada, a fim de fazer esta meditação razoavelmente completa em si mesma, é salientar a identidade essencial entre o não-manifesto e o manifesto, o númeno e o fenômeno, o Absoluto e o relativo, a presença e a ausência e, de fato, a identidade essencial de todos os opostos, ou contrapartidas, inter-relacionados. Todas estas posições representam os vários aspectos da mente (sendo a mente o conteúdo da consciência) que constituem o dualismo o qual é a base de toda a manifestação: o observador e o observado, o conhecedor e o conhecido. Como diz Maharaj, a apercepção da identidade básica dos opostos inter-relacionados significa ‘liberação’, pois, então, será entendido que o buscador é o buscado, que todas as distinções existem apenas na dualidade, e que, se os vários opostos inter-relacionados forem sobrepostos uns aos outros, resultariam na anulação dos opostos correspondentes, e, com isto, a da própria condição da dualidade, produzindo, assim, a unidade fundamental.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez seja necessário repetir aqui que a consciência é manifestação e que a manifestação está na dualidade, mas esta dualidade é criada dentro da unicidade do Absoluto não-manifesto. A totalidade da manifestação não é algo projetado pela consciência quando entra em atividade; os vários objetos que constituem a manifestação não têm substância ou natureza própria senão a da consciência, a qual, em si mesma, é a percepção e o conhecimento dos fenômenos. O fato é que toda a manifestação, todo fenômeno, é aparência na consciência, percebida pela consciência, e conhecida por ela através da interpretação da mente. Se este fato for claramente percebido e entendido, poderá ver-se que a consciência é tanto o funcionamento que acontece quanto o seu percebimento – e nós (não os indivíduos, mas o ‘Eu’ eterno) somos este percebimento. A consciência em ação não pode ser diferente da consciência em repouso, a Consciência Absoluta, que é a totalidade do potencial completo. Em outras palavras, a consciência-manifestação é o aspecto objetivo da Consciência subjetiva.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Uma vez que a consciência se mova e a atividade comece, a manifestação e o funcionamento podem acontecer apenas em um estado de aparente dualidade. O ‘espaço’ é o aspecto estático do conceito de funcionamento: se não houvesse espaço, nenhum fenômeno com volume tridimensional poderia ser concebido. E o ‘tempo’ (duração) é o aspecto ativo do conceito de funcionamento: se não houvesse duração, os fenômenos concebidos no espaço não seriam perceptíveis. Não pode haver nem manifestação nem funcionamento (nem seres humanos nem fatos) na ausência do conceito dual de espaço e tempo, conhecido como ‘espaço-tempo’; e estes dois aspectos são separados apenas como conceito, mas perdem sua separação quando a concepção cessa. No sono profundo, por exemplo, espaço e tempo desaparecem e, com eles, toda a manifestação, pois a dualidade pode existir apenas na concepção. Paremos o pensamento e toda a dualidade desaparece.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Os fenômenos, em outras palavras, não podem ser concebidos sem o númeno, nem o númeno sem os fenômenos. (A própria idéia de númeno está, certamente, dentro da área da dualidade da concepção). Quando cessa a concepção, toda a dualidade chega ao fim. Quando a concepção cessa, não haverá nem fenômeno nem númeno, pois o que permanece é pura subjetividade – nenhuma experiência de qualquer tipo e ninguém a exigir alguma experiência! Expressando tudo isto em resumo: todas as contrapartidas inter-relacionadas são inevitavelmente separadas apenas como conceitos e, essencialmente, inseparáveis de qualquer forma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sinais do Absoluto - Nisargadatta Maharaj (Ramesh Balsekar)&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Todo o seguir é um mal - Krishnamurti</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2012/12/todo-o-seguir-e-um-mal-krishnamurti.html</link><category>Consciência</category><category>Meditação</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Wed, 5 Dec 2012 00:11:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-6969292063441560079</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
PERGUNTA. Com certeza, senhor, apesar de tudo o que tendes falado a respeito do seguir, estais bem cônscio de que sois continuamente seguido. Como agis a esse respeito, já que isso segundo vós mesmo — é um mal?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
KRISHNAMURTI: Senhores, nós sabemos que seguimos: seguimos o guia político, seguimos o guru, seguimos um padrão ou uma experiência. Toda nossa cultura e educação está baseada na imitação, na autoridade, no seguir.&lt;br /&gt;
Afirmo que todo o seguir é um mal, inclusive o seguir a mim próprio. O seguir é uma coisa maligna, destrutiva; e, entretanto, a mente segue, não é verdade? Ela segue Budha, segue Cristo, segue uma idéia, uma Utopia perfeita — porque a mente se acha num estado de incerteza, e quer a certeza. O seguir é uma exigência de certeza. Visto que exige a certeza, a mente está criando a autoridade — política, religiosa, ou a autoridade própria e está sempre a copiar; por conseguinte está lutando incessantemente. O seguidor jamais conhece a liberdade que há em não seguir. Só se pode estar livre, havendo incerteza e, não, quando a mente está a perseguir a certeza.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
A mente que está seguindo, está imitando, está criando a autoridade e, portanto, com medo. Este é que é realmente o problema. Todos nós sabemos que seguimos, todos aceitamos certas teorias, certas idéias, alguma utopia ou outra coisa qualquer, porque, muito profundamente, no consciente e bem assim no inconsciente, lá está o temor. A mente que não teme não cria o oposto e não tem o problema do seguir; não tem guru, não tem padrão; ela está viva.&lt;br /&gt;
A mente se acha num estado de temor — medo da morte, medo de alguma coisa; e para ser livre entrega-se ela a várias atividades que conduzem à frustração; e surge, então, o problema: “pode a mente ficar livre do temor?” (não “como” ficar livre?). “Como ficar livre?” é uma pergunta de colegial. Desta pergunta resultam todos os problemas a luta, a consecução ele um fim e, por conseguinte, o conflito dos opostos, Pode a mente ficar livre do temor?&lt;br /&gt;
Que é o temor? O temor só existe em relação com alguma coisa Tenho medo da opinião pública, tenho medo de meu patrão, de minha mulher, de meu marido; tenho medo da morte; tenho medo da solidão; medo de não alcançar, de não conhecer a felicidade nesta vida, de não conhecer Deus, a verdade, etc,. O medo, pois, está sempre em relação com alguma coisa.&lt;br /&gt;
Que é esse medo? Se pudermos compreender a questão do desejo, o problema do desejo, poderemos, suponho, compreender o temor e ficar livres dele.&lt;br /&gt;
“Eu desejo ser alguma coisa” — eis a raiz de todos os temores. Quando desejo ser alguma coisa, meu desejo de ser essa coisa e o fato de que não sou essa coisa criam o temor, não só num sentido restrito, mas também no mais amplo sentido. Nessas condições, enquanto existir o desejo de ser algo, tem de haver temor.&lt;br /&gt;
Estar livre do desejo não é a projeção mental de um estado que o meu desejo me diz ser o estado em que devo achar-me. Temos de ver, com toda a simplicidade, o fato do desejo, temos de estar simplesmente cônscios dele — como vemos num espelho, sem deformação, a nossa imagem, o nosso rosto, tal como é e não como desejamos que seja. O reflexo da vossa imagem no espelho é muito exato; se puderdes estar cônscio do desejo em igual sentido, sem condenação; se simplesmente o observardes vendo-lhe todas as facetas, todas as atividades, vereis, então, que o desejo tem um significado inteiramente diverso.&lt;br /&gt;
O desejo da mente é de todo diferente do desejo em que não há escolha. O que combatemos é o desejo da mente — o desejo de “vir a ser alguma coisa”. É por causa dele que seguimos e que temos gurus. Todos os livros sagrados vos levam à confusão, porque vós os interpretais de acordo com o vosso desejo e, por conseguinte, só enxergais o reflexo dos vossos próprios temores e ansiedades, nunca a Verdade. Assim, pois, só a mente que se acha num estado sem desejo algum, só essa mente é que não segue e não tem guru. Ela está totalmente cônscia de qualquer movimento; só então pode manifestar-se a bem-aventurança do real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Krishnamurti&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Boehme - Unidade</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2012/03/boehme-unidade.html</link><category>J. Boehme</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Fri, 2 Mar 2012 23:55:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-31973770740394883</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
Franz Hartmann — Cristianismo Pessoal — Citações de Boehme&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Ouça, Ó homem cego! Vives em Deus e Deus está em ti. Se vives santamente, então sereis tu mesmo Deus, eonde quer que olhes, haverá Deus". (Aurora, XXII,46).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Somos todos um só corpo em Cristo e todos temos o Espírito de Cristo ao nosso alcance. Se, portanto, penetrarmos o Cristo, poderemos ver e conhecer todas as coisas pelo poder de Seu Espírito". (Quarenta Questões…, XXVI. 5).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Não posso descrever a totalidade da divindade como se fosse um círculo, porque Deus é imensurável; no entanto, a Divindade não é inconcebível ao espírito que repousa no amor de Deus. Tal espírito pode atingir a verdade eterna, de parte em parte e desta forma, acabará compreendendo a totalidade". (Aurora, X. 26).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Se tenho que tornar compreensível a geração eterna, a revelação ou a evolução de Deus, fora de Seu próprio ser sou obrigado a usar uma maneira diabólica (sabidamente errônea), como se a Luz eterna tivesse se inflamado nas trevas, e como se a Divindade tivesse um princípio. Não posso instrui-los de outra forma, se pretendo que vocês adquiram uma concepção aproximada da Divindade. Não há nada primeiro e nada depois na geração e evolução, mas ao descrevê-la tenho que colocar uma coisa depois da outra". (Aurora, XXIII. 17-33).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Não pretendo dizer que a Divindade teve um princípio; só desejo mostrar como a Divindade revelou-se através da natureza. Deus não tem princípio no tempo; Ele tem um princípio eterno e um fim eterno". (Assinatura…, III. 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A Divindade é um laço eterno, que não pode perecer. Ela gera a si mesma de eternidade em eternidade, e o primeiro ali é sempre o último, e o último o primeiro". (Três Princípios…, VII. 14).&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
"Não podemos falar a língua dos anjos, mesmo se pudéssemos tudo pareceria como se estivéssemos falando sobre seres criados, para os habitantes deste mundo, e diante da mente terrestre se apresentaria como algo terrestre. Somos apenas parte do todo; só podemos conceber e falar de partes, mas não do todo". (A Vida Tríplice…, II 66).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Advirto ao leitor, que toda vez que falar da Divindade e de seu grande mistério, não compreenda o que digo como se pretendesse que fosse compreendido num sentido terrestre, mas tome isso de um ponto de vista elevado, num aspecto supra natural. Frequentemente sou forçado a dar nomes terrestres ao que é celeste, para que o leitor possa formar um conceito, e ao meditar sobre ele possa penetrar no fundamento interno". (Grace, III 19).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Dentro do não fundamento (que alguns escritores denominam de 'Não-Ser' — um termo sem nenhum significado) não há nada senão tranquilidade eterna, um eterno repouso sem começo e sem fim. É verdade que mesmo ali Deus tenha uma vontade, mas essa vontade não pode ser objeto de nossa investigação, já que qualquer tentativa de investigá-la produziria pura confusão em nossa mente. Concebemos essa vontade como constituindo o fundamento da Divindade. Ela não tem origem, mas concebe a si mesma em si mesma". (Encarnação de Cristo…, XXI. 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A Inteligência Divina é uma vontade livre. Ela nunca se origina do poder ou através do poder de qualquer coisa. Ela é ela mesma, e reside unicamente dentro de si, sem ser afetada por qualquer coisa, porque não há nada fora ou anterior a ela". (Mysterium, XXIX. 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A Liberdade Eterna possui a vontade, e é a vontade. Na vontade há um desejo de realizar ou um impulso de desejar alguma coisa. Não há nada além dessa vontade, para o que tal impulso pudesse ser dirigido. A vontade portanto vê em si mesma como na eternidade; ela vê o que é, e assim cria em si um espelho". (Quarenta Questões…, I.13).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Deus é a vontade da sabedoria eterna, a sabedoria eternamente gerada Dele, em Sua revelação. Essa revelação ocorre através de um espírito ternário. Primeiro através da Vontade eterna, em seu aspecto de Pai; depois, através da Vontade eterna em seu aspecto de amor divino, o centro ou o coração do Pai; e finalmente através do Espírito, o poder que emana da vontade e do amor." (Mysterium I. 2,4).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"O Pai é a vontade do não fundamento (Absoluto). Essa vontade concebe em si mesma o desejo de manifestar-se. Esse amor ou desejo é o poder concebido pela vontade ou Pai, dentro de si — ou seja, o Filho, coração ou morada (a primeira fundação dentro da não fundação ou não fundamento), o primeiro princípio dentro da vontade. A vontade é falada através da concepção de si mesma, e essa emissão da vontade em fala ou respiração é o Espírito da Divindade". (Mysterium, I.2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A primeira vontade inconcebível, sem qualquer origem, gera em si mesma o único e eterno Deus — uma vontade conceptível, sendo o filho da vontade sem causa, mas igualmente eterna com a primeira. Esta outra vontade é a sensibilidade e conceptibilidade da vontade primordial, pela qual aquilo que não é nada se encontra como sendo algo. Ao fazer isso, a vontade inconcebível sem causa, emerge o que encontrou eternamente, penetrando um estado de meditação eterna sobre seu próprio ser. A primeira vontade sem causa é chamada de Pai eterno; a vontade concebida e gerada do não fundamento é seu Filho congênito; a emissão da vontade insondável através do Filho concebido é o Espírito. Assim, a vontade única do Absoluto, através da concepção primeira, eterna e sem princípio, manifesta uma atividade ternária, mas permanece sendo uma vontade indiferenciada". (Grace, I 5-12).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A primeira atividade em Deus é a contemplação divina ou sabedoria, pela qual o Espírito de Deus, com seus poderes exalados, atua como um poder único e uniforme. Não tem começo nem fim, mas é infinito, e seu poder formativo não tem limites". (Grace, I. 14).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A sabedoria coloca-se diante de Deus como um espelho ou reflexo, onde a Divindade vê seu próprio ser e todas as grandes maravilhas da eternidade, que não tem começo, nem fim, no tempo, cujo princípio e o fim são eternos. A sabedoria é uma revelação da Santíssima Trindade; &amp;nbsp;isso não deve ser compreendido como se ela revelasse a si mesma a Deus, através de seu próprio poder ou escolha, mas o centro divino, o coração e essência de Deus, torna-se revelado nela. Ela é como um espelho da Divindade, e como qualquer outro espelho, simplesmente permanece quieta; ela não produz imagem alguma, mas simplesmente a concebe". (Encarnação de Cristo…, I, 1, 12).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A sabedoria é a palavra revelada do poder divino, conhecimento e santidade, uma antítese da insondável unidade na essencialidade, onde o Espírito Santo forma uma imagem. Ela é passiva, mas o Espírito de Deus é ativo, como a alma no corpo". (Clavis, V. 18).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"O Espírito ternário é uma unidade, um único ser; ou falando mais corretamente, não um ser, mas Razão eterna; consequentemente um mistério comparável à inteligência do homem, que também é incompreensível". (Mysterium, I. 5).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Deus em seu aspecto primitivo não deve ser concebido como um ser, mas como um poder ou inteligência constituindo a potencialidade para ser — uma vontade insondável e eterna, onde tudo está contido e que embora sendo tudo é um, mas desejoso de revelar-se e de entrar num estado de ser espiritual. Isso ocorre através do fogo no desejo do amor, ou seja, no poder da luz". (Mysterium, VI 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Não temos porque falar que Deus é três pessoas, nesse ponto, mas Ele é ternário em sua evolução eterna. Ele dá nascimento a Si mesmo na trindade; nesse desdobramento eterno continua sendo um ser, nem o Pai, nem o Filho, nem o Espírito Santo, mas unicamente a vida eterna ou Deus. A vontade ternária torna-se compreensível em Sua eterna revelação, só quando Ele revela a Si mesmo por meio da natureza eterna — ou seja, na luz através do fogo". (Mysterium, VII 9 — 12).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Sobre a eternidade não podemos falar de outra forma senão como de um espírito, pois tudo era espírito no princípio; mas esse espírito também tem se envolvido num ser, desde toda a eternidade". (Encarnação de Cristo… I 2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Aquilo que é tranquilo e sem ser, repousa em si mesmo, não contém as trevas, mas é uma felicidade lúcida, clara e calma. Isso é, pois a eternidade, sem nada mais, e significa acima de tudo Deus. Mas como Deus não pode existir sem um ser, Ele concebe em Si mesmo uma vontade, e essa vontade é amor". (A Vida Tríplice…, II 75).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A totalidade do Ser divino está num estado de contínua e eterna geração, comparável à mente de um homem, mas imutável. Os pensamentos nascem continuamente da mente de um homem, e deles surgem o desejo e a vontade. Do desejo e da vontade surge a ação, e as mãos realizam suas obras, de modo a se tornar substancial. Desta forma, a ação está com a evolução eterna". (Três Princípios…, IX 35).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"No princípio, a vontade é fraca como um nada; depois, ela deseja e aspira a ser algo e a manifestar-se. Esse nada faz com que a vontade entre num estado de desejo; esse desejo é uma imaginação. A vontade observando-se no espelho da sabedoria faz com que sua própria imagem apareça no não fundamento, criando o fundamento em sua própria imaginação". (Encarnação de Cristo…, II 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A Sabedoria, a virgem eterna, a companheira de Deus para Sua honra e alegria, torna-se cheia de desejo de observar as maravilhas de Deus, contidas em si mesma. Devido a esse desejo, as essências divinas dentro dela tornam-se ativas e atraem o santo poder; é assim que a sabedoria entra num estado de ser permanente; sua inclinação repousa no Espírito Santo. Ela simplesmente movimenta-se diante de Deus com a finalidade de revelar as maravilhas de Deus". (Três Princípios…, XIV. 87).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A corporalidade de Deus resulta de Sua essencialidade. Essa essencialidade não é espírito, mas é como se fosse uma impotência, se comparada com o poder onde o Três reside. Essa essencialidade é o elemento de Deus, onde está a vida, mas não a inteligência". (A Vida Tríplice…, V . 53).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"O Um não tem nada em si que poderia desejar; tal unidade tampouco poderia sentir o seu próprio ser. Isso só é possível num estado de dualidade". (Theosophical Questions, III. 3).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Se tudo fosse apenas um, esse um não poderia manifestar-se. Se não houvesse angústia, a alegria não poderia ser conhecida". (Mysterium, IV. 22).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Deus introduz Sua vontade na natureza, a fim de revelar Seu poder na luz e na majestade, para constituir um reino de alegria. Se não houvesse uma natureza originando-se na unidade eterna, não haveria nada mais do que a tranquilidade eterna. A natureza entra num estado de dor, a tranquilidade transforma-se em movimento, e os poderes tornam-se audíveis como as palavras". (Grace, II . 16).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Se existe luz é porque existe fogo. O fogo produz a luz, e a luz é o fogo manifesto; ela recebe a natureza do fogo em si e reside no fogo". (Mysterium, XL . 2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A alegria entra no estado de desejo com a finalidade de produzir um amor ígneo, um reino de alegria, que não poderia existir na tranquilidade". (Assinatura…, VI. 2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A majestade de Deus não se revelaria com todo poder, alegria e magnificência, se não fosse pela atração causada pelo desejo. Do mesmo modo, não haveria luz, se o desejo não fosse penetrante e obscurecedor, criando um estrado de trevas, que cresce até que ocorra a ignição do fogo". (Grace, II. 14)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A Luz e as trevas são opostas, mas há entre elas um vínculo, de modo que nenhuma poderia existir sem a outra". (AVida Tríplice…, II. 86)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Em Deus há dois estados, eternos e sem fim, a luz eterna e as trevas eternas. A luz é Deus, e nas trevas não haveria dor se não fosse pela presença da luz. A luz faz com que as trevas anseiem pela luz e com isso sofra a angústia". (Três Princípios…, IX.30)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A vontade emergindo do estado de unidade (ao assumir uma posição contra a unidade, desejando seu próprio ser) entra num estado de desejo; esse desejo é magnético, ou seja, interiorizador, mas a unidade como tal é exteriorizadora; ela deseja exprimir-se, a fim de tornar-se revelada. Tendo a vontade sido expressada do estado de unidade, deseja penetrar a si mesma, de modo a alcançar sensações na unidade, e para que com isso, a unidade possa alcançar a sensação na vontade". (Theosophical Questions, III. 9)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A vida-luz tem seu impulso e movimento próprio, assim como o fogo-vida; mas esse gera a primeira, que é o senhor da segunda. Se não houvesse fogo, não haveria nem luz, nem espírito; e se não houvesse espírito para soprar sobre o fogo, esse seria extinto e as trevas governariam. Nenhum dos dois seria nada sem o outro; ambos são dependentes um do outro". (Quarenta Questões…, I. 62).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A vontade é como uma vida insensível, mas encontra o desejo, e querendo o desejo se constitui num ser. A vontade é superior ao desejo, pois embora o desejo seja uma causa excitante para a vontade, a vontade é uma vida sem uma causa e é também inteligência. É, portanto, senhor do desejo. Ela rege a vida do desejo e o usa como convém. Essa vontade-espírito eterna, sabemos ser Deus, mas a vida ativa do desejo é a natureza eterna". (Inner Mysterium Magnum…, I I, III 2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Deus é desde a eternidade Poder e Luz, e é chamado Deus por causa disso, mas não de acordo com o espírito-ígneo. Quanto a esse, não falamos dele como Deus, mas como 'a cólera de Deus' e a parte de Seu poder que consome. A luz de Deus também possui a qualidade do fogo, mas em nela a cólera é transformada em amor; ódio e amargor doem numa humilde beneficência e doce desejo ou satisfação". (Encarnação de Cristo…, I 5-16).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A fonte do amor é uma detentora e mantenedora da corrente colérica, um superar do poder áspero, pois a brandura afasta o comando do poder duro e pungente do fogo. A luz da paz mantém as trevas aprisionadas e reside nas trevas. O poder rigoroso deseja unicamente o colérico e o aprisionamento na morte; mas a brandura emerge como um doce crescimento, ela desabrocha e supera a morte, dando a vida eterna". (A Vida Tríplice…, II 92).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Quando o amor revela-se na luz através do fogo, corre pela natureza e a penetra, como o brilho do sol penetra uma erva ou o fogo penetra o ferro". (Clavis, VIII 36).&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>A oração - Evágrio Pôntico</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2012/02/oracao-evagrio-pontico.html</link><category>Meditação</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Thu, 23 Feb 2012 14:49:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-3514477792577994145</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
Oração, meditação ou contemplação&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Não imagines possuir a Divindade em ti, quando oras, nem deixes tua inteligência aceitar a marca de uma forma qualquer; mantém-te como imaterial diante do Imaterial e compreenderás"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Não poderias possuir a oração pura, estando perturbado com coisas materiais e agitado por inquietações contínuas, pois a oração é abandono dos pensamentos"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A oração é produto da doçura e da ausência de ira"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Esforça-te por manter teu intelecto surdo e mudo durante a oração: assim poderás orar"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Se oras verdadeiramente, sentirás uma grande segurança: os anjos te escoltarão como a Daniel e te iluminarão sobre as razões dos seres"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Se queres orar como convém não entristeças nenhuma alma; senão, corres em vão"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Bem-aventurada a inteligência que, no momento da oração, torna-se imaterial e despojada de tudo"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A oração é uma ascenção da inteligência para Deus"&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
"A oração é a atividade que convém à dignidade da inteligência; é a aplicação mais admirável e mais completa desta"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Se és teólogo, vais orar verdadeiramente; e se oras verdadeiramente, és teólogo"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A salmodia depende da sabedoria multiforme; a oração é o prelúdio do conhecimento imaterial e uniforme"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Quanto mais perto estiver de Deus, tanto melhor será o homem"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A oração é fruto da alegria e do reconhecimento"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Enquanto ainda tens atenção para o que provém do corpo; enquanto tua inteligência considera os atrativos externos, ainda não viste o lugar da oração; estás mesmo longe do caminho abençoado que conduz a ele"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"O corpo tem o pão por alimento; a alma, a virtude; a inteligência, a oração espiritual"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Na hora de orar, encontrarás o fruto de todo sofrimento aceito com sabedoria"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Os sentimentos mal orientados atrapalham a oração"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Feliz o espírito livre de qualquer forma durante a oração"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"O rancor cega a faculdade mestra de quem ora e derrama-lhe trevas sobre as orações."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Aspira a ver a face do Pai, que está no céu: não procure, por nada deste mundo, perceber forma ou rosto durante a oração"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Pois, quando em tua oração tiveres conseguido ultrapassar qualquer outra alegria, é que finalmente, em toda verdade, terás encontrado a oração"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Armado contra a ira, não admitas jamais a cobiça, pois é a cobiça que alimenta a ira, esta por sua vez, turva os olhos da inteligência e destrói assim, o estado de oração"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A oração é uma conversa da inteligência com Deus: que estado não é, pois, necessário, para essa tensão sem retorno, para ir a seu Senhor e conversar com Ele, sem nenhum intermediário?"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Mantém-te corajoso e ora com energia; afasta as preocupações e e as reflexões que se apresentarem, pois elas te perturbam e te agitam, debilitando o teu vigor"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Se queres orar dignamente, renuncia-te a todo instante; se suportas toda sorte de provações, resigna-te sabiamente por amor da oração"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Não te contentes de orar nas atitudes exeriores, mas leva tua inteligência ao sentimento da oração espiritual, com grande temor"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Não ores para que tuas vontades se cumpram: elas não concordam necessariamente com a vontade de Deus. Ora, sim, segundo o ensinamento recebido, dizendo: 'que vossa vontade se cumpra em mim'. Em tudo, pede-lhe que se faça a sua vontade, pois Ele quer o bem e o benefício para tua alma; tu, porém, não é isso necessariamente que procuras"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A oração sem distração é a intelecção mais alta da inteligência"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Orando com teus irmãos ou orando só, esforça-te por orar, não por hábito, mas com sentimento"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Quem ama a Deus conversa incessantemente com Ele, como com um Pai, despojando-se de todo pensamento apaixonado"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Quem ora em espírito e em verdade, não tira mais das criaturas os louvores que dá ao Criador: é do próprio Deus que ele louva Deus"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"O rancor cega a faculdade mestra de quem ora e derrama-lhe trevas sobre as orações"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
"A oração é a exclusão da tristeza e do desalento"&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>O Presente da Águia</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2012/02/o-presente-da-aguia.html</link><category>Intento</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Fri, 10 Feb 2012 23:06:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-2627531438567192136</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Cinco Proposições Explicativas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;1 — O que percebemos como mundo são os comandos da Águia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan explicou que o mundo que percebemos não tem existência transcendental. Nossa familiaridade com ele nos leva a acreditar que o que percebemos é um mundo de objetos existentes como os percebemos, quando na verdade não há um mundo de objetos, mas sim um universo dos comandos da Águia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Esses comandos representam a única realidade imutável. É uma realidade que engloba tudo o que existe, o perceptível e o não-perceptível, o conhecível e o não conhecível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Os observadores que vêem as emanações da Águia chamam-nas de comandos por causa da sua força compulsória. Todas as criaturas vivas são compelidas a usar as emanações, e usam-nas sem nunca saberem o que elas significam. O homem padrão interpreta-as como realidade. E os observadores que vêem as emanações interpretam-nas como o regulamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=7854833300120553041" name="more" style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Apesar dos observadores verem as emanações, não há um meio deles saberem o que estão vendo. Ao invés de entrarem em conjeturas supérfluas, entram numa especulação funcional de como os comandos da Águia podem ser interpretados. Dom Juan insistia em dizer que ao intuirmos uma realidade que transcende o mundo percebemos remanescentes a nível de conjeturas, não é suficiente resumir que os comandos da Águia são percebidos de uma vez só por todas as criaturas vivas da terra e que não há uma criatura que perceba igual à outra. Os guerreiros devem ter como objetivo presenciar o fluxo das emanações e ver como o homem e os outros seres vivos usam-nas para construir seu mundo perceptível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Quando eu propus o uso da palavra “descrição” em vez de comandos da Águia, Dom Juan esclareceu que não estava construindo uma metáfora. Disse que a palavra “descrição” tem uma conotação de concordância do homem, e que o que percebemos deriva de um comando no qual a concordância do homem é deixada de fora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;2 — A atenção é o que nos faz perceber os comandos da Águia como vestígios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan disse que a percepção é uma faculdade física cultivada por todos os seres vivos da terra; nos seres humanos o resultado final é conhecido pelos observadores como “atenção”. Acrescentou que qualquer tentativa de defini-la é perigosa, pois transforma uma realização mágica numa coisa comum. Descreveu a atenção como a utilização e canalização da percepção. Disse que é a nossa maior realização em separado, cobrindo toda a gama de alternativas e possibilidades humanas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Fez uma distinção precisa entre alternativas e possibilidades. As alternativas humanas são nossa capacidade de escolher como pessoas que funcionam dentro do seu meio social. Nosso raio de ação nessa esfera é bastante limitado. As possibilidades humanas são nossa capacidade de alcance como seres mágicos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Desenvolveu um esquema classificatório de três tipos de atenção, enfatizando que chamá-los de “tipos” podia levar a dúvidas. São, na verdade, três níveis de talento — a primeira, a segunda e a terceira atenção, cada uma com seu domínio independente, cada uma completa por si só.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Para um guerreiro nos estágios iniciais de treino, a primeira atenção é a mais importante das três. Dom Juan disse que suas proposições explicativas eram tentativas de trazer a um primeiro plano o modo despercebido com o qual a primeira atenção funciona. Considerava imperativo que os guerreiros compreendessem a natureza da primeira atenção se quisessem aventurar-se nas outras duas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Explicou que para a primeira atenção lidar com os comandos da Águia ela tem de ser treinada a mover-se instantaneamente por todo um espectro das emanações da Águia, do qual não toma conhecimento evidente, a fim de alcançar as “unidades perceptíveis” que todos nós aprendemos a aceitar como perceptíveis. Essa realização da nossa primeira atenção é conhecida pelos observadores como “vestígio” porque engloba a capacidade de afastar as emanações supérfluas e escolher as emanações a serem enfatizadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan elaborou esse processo tomando como exemplo a montanha com que&amp;nbsp;estávamos nos deparando naquele momento. Argumentou que a minha primeira atenção, quando eu olhava a montanha, tinha tocado de leve num infinito número de emanações, a fim de conquistar um milagre de percepção, um vestígio que chamamos de “montanha”', e que é conhecido de todos os seres humanos da terra porque eles próprios a alcançaram.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;A argumentação dos observadores é que tudo o que a primeira atenção afasta a fim de conquistar um vestígio não pode ser retirado dela em nenhuma condição. Do momento em que aprendemos a perceber em termos de vestígios, as emanações supérfluas deixam de ser registradas por nossos sentidos. Para elucidar esse ponto ele me deu como exemplo o vestígio “corpo humano”. Disse que nossa primeira atenção é completamente ignorante das emanações que formam a casca externa luminosa do nosso corpo físico; nosso casulo em forma de ovo não está sujeito à percepção; as emanações que o tornariam perceptível foram descartadas em favor daquelas que tornam possível à primeira atenção perceber o corpo físico como é conhecido por nós.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;O objetivo perceptivo a ser atingido pelos seres humanos infantis, enquanto estão adquirindo maturidade, é aprender a isolar as emanações apropriadas a fim de transformar sua percepção caótica na primeira atenção; ao fazer isso aprendem a construir os vestígios. Todos os seres humanos maduros que rodeiam as crianças ensinam-lhes os vestígios. Em tempo as crianças aprendem a levar sua primeira atenção a perceber os vestígios em termos semelhantes aos que seus mestres percebem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan ficava admirado com nossa capacidade de instituir ordem ao caos de percepção. Afirmava que cada um de nós, a nosso próprio modo, é um mágico magistral, e nossa magia consiste em impregnar de racionalidade os vestígios que nossa primeira atenção aprendeu a construir. Nossa percepção em termos de vestígios provém dos comandos da Águia, mas a percepção desses comandos como objetos provém do nosso poder, nosso dom de mágica. Nosso erro, por outro lado, é que sempre caímos em erro ao esquecermos que nossos vestígios são reais apenas no sentido de que os percebemos como reais, em virtude do poder que temos de fazer isso. Dom Juan chamava a isso erro de julgamento, que destrói em nós a riqueza de nossas origens misteriosas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;3 — Os vestígios recebem significado do primeiro anel de poder.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan disse que o primeiro anel de poder é a força que se desprende das emanações da Águia para agir exclusivamente na nossa primeira atenção. Explicou que foi descrita como “anel” devido ao seu dinamismo, seu movimento ininterrupto. Foi chamada de anel de “poder”, primeiro por seu caráter obrigatório, e segundo por sua capacidade única de parar suas obras, mudá-las ou reverter sua direção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Seu caráter obrigatório se faz ver melhor pelo fato dos vestígios perceptivos com que o anel de poder compele a primeira atenção a construir e perpetuar necessitarem da concordância de todos os participantes. A concordância de reprodução fiel de vestígios é exigida de todos nós, pois nossa conformidade ao primeiro anel de poder tem de ser total.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;É precisamente essa conformidade que nos dá a certeza de que os vestígios são objetos existentes como tal, independentes da nossa percepção. Além do mais, a obrigatoriedade do primeiro anel de poder não cessa depois da nossa concordância inicial, mas exige que renovemos continuamente tal concordância. Temos de operar durante toda a nossa vida, por exemplo, como se cada um de nossos vestígios fosse perceptivamente o mesmo para todos os seres humanos, a despeito da língua e da cultura. Dom Juan admitia que a coisa é séria demais para ser vista como uma piada, mas que o caráter compulsório do primeiro anel de poder é tão intenso que nos força a crer que se uma “montanha” pudesse ter consciência própria, ver-se-ia como o vestígio que aprendemos a construir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Para os guerreiros, a característica mais válida do anel de poder é sua capacidade de interromper seu fluxo de energia ou de pará-lo completamente. Dom Juan disse que é uma capacidade latente que existe em todos nós como uma unidade de retaguarda. Em nosso mundo fechado de vestígios não há necessidade de ser usada. Como nos apoiamos e defendemos com a rede da primeira atenção, não temos consciência de que possuímos recursos ocultos do qual nem suspeitamos. Se uma escolha alternativa nos é apresentada, tal como a opção do guerreiro em utilizar a segunda atenção, a capacidade latente do primeiro anel de poder pode ser posta em funcionamento com resultados falhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan enfatizou que o processo envolvido em ativar essa capacidade latente é a maior realização do feiticeiro; é chamada de bloqueio funcional do primeiro anel de poder. Explicou que as emanações da Águia, que já foram isoladas pela primeira atenção para construir o mundo da vida diária, exercem uma forte pressão sobre a primeira atenção. Para que essa pressão cesse de agir, é preciso que seja deslocada. Os observadores chamam a isso interrupção ou parada do primeiro anel de poder.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;&amp;nbsp;4 — Intenção é a força que move o primeiro anel de poder.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan explicou que a intenção não se refere a ter uma intenção, ou a querer uma coisa ou outra, mas a uma força imponderável que faz com que tenhamos atitudes que podem ser descritas como intenção, desejo, volição, e assim por diante. Definiu-a como uma força particular, íntima, que possuímos e usamos individualmente como a chave que faz com que o primeiro anel de poder se mova de formas aceitáveis. A intenção é o que dirige a primeira atenção a focalizar qualquer das emanações da Águia dentro de um certo âmbito. E a intenção é também o que comanda o primeiro anel de poder a interromper ou parar seu fluxo de energia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan sugeriu que eu pensasse na intenção como numa força invisível que existe no Universo, desconhecida de si própria e ainda assim agindo sobre tudo — força que cria e mantém os vestígios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Afirmou que os vestígios devem ser recriados incessantemente, a fim de serem impregnados de continuidade. Para recriá-los toda vez com a frescura necessária para formar um mundo vivo, temos de ter a intenção deles toda vez que os construímos. Por exemplo, temos de ter a intenção da “montanha” em toda sua complexidade antes do vestígio se tornar usado e completo. Disse que para um observador, comportando-se puramente na base da primeira atenção, sem a interferência da intenção, a “montanha” pode parecer um vestígio inteiramente diferente. Pode talvez parecer um vestígio “forma geométrica” ou “mancha amorfa de coloração”. Para que o vestígio “montanha” seja completo, o observador tem de ter a intenção dela, quer involuntariamente, através da força compulsória do primeiro anel de poder, quer deliberadamente, através do treino do guerreiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Ele notou três modos pelos quais a intenção vem a nós. O primeiro e mais comum é conhecido pelos observadores como “intenção do primeiro anel de poder”. É uma intenção cega que nos vem puramente ao acaso. É como se tivéssemos sido postos em seu caminho, ou como se a intenção tivesse sido posta no nosso. Inevitavelmente nos encontramos presos em suas malhas sem termos a menor idéia do que está nos acontecendo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;O segundo meio de nos depararmos com a intenção é quando ela nos vem por sua própria conta. Isso exige um grau considerável de determinação, um senso de propósito da nossa parte. Só com nossa capacidade de guerreiros conseguimos nos colocar voluntariamente no caminho da intenção, acenar para ela, por assim dizer. Dom Juan explicou que sua insistência em ser um guerreiro impecável nada mais era que um esforço de deixar a intenção saber que ele estava se colocando no seu caminho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan dizia que os guerreiros chamam a esse fenômeno “poder”. Então, quando falam em ter poder pessoal, referem-se ao fato da intenção chegar a eles por sua própria conta. O resultado disso, dizia ele, podia ser descrito como uma facilidade em encontrar novas soluções — ou a facilidade em causar efeitos nos acontecimentos ou nas pessoas. É como se as possibilidades desconhecidas previamente pelos guerreiros se tornassem evidentes de repente. Assim, um guerreiro impecável nunca planeja nada antes do tempo, mas seus atos são tão decisivos que parecem ter sido planejados detalhadamente de antemão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;O terceiro meio de encontrarmos a intenção é o mais raro e o mais complexo dos três; acontece quando a intenção nos permite que nos adaptemos a ela. Dom Juan descrevia aquele estado como o verdadeiro momento de poder — a culminação de uma luta interminável pela impecabilidade. Só os guerreiros supremos o atingem, e enquanto permanecem nesse estado a intenção permite que eles a manipulem à vontade. É como se a intenção tivesse se fundido naqueles guerreiros, e ao fazer isso os tivesse transformado numa força pura e ilimitada. Os observadores chamavam a esse estado “intenção do segundo anel de poder”, ou “vontade”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;5 — o primeiro anel de poder pode ser detido por um bloqueio funcional da capacidade de reunir vestígios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan disse que a função dos não fazeres é criar uma obstrução na focalização habitual da nossa primeira atenção. Os não fazeres são, nesse sentido, manobras designadas a preparar a primeira atenção para o bloqueio funcional do primeiro anel de poder.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Ele explicou que esse bloqueio funcional, o único método de utilizar sistematicamente a capacidade latente do primeiro anel de poder, é uma interrupção temporária que o benfeitor cria na capacidade de reunir vestígios dos seus discípulos. É uma intromissão artificial; uma invasão deliberada e forçada à primeira atenção, designada para empurrá-la além do verniz superficial dos vestígios familiares; uma intromissão atingida por meio da obstrução da intenção do primeiro anel de poder.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Disse que para levar a cabo essa interrupção o benfeitor trata a intenção como um processo, como se ela fosse um fluxo, uma corrente de energia que pode eventualmente ser cessada ou ser reencaminhada. Avisou repetidas vezes que se tem de reconhecer que uma interrupção dessa natureza é um choque de tal magnitude que pode forçar o primeiro anel de poder a parar completamente a qualquer hora; é impossível concebermos tal situação nas nossas condições normais de vida. É inconcebível que possamos refazer, intelectualmente, os passos que demos ao utilizar nossa percepção, mas é viável que sob o impacto dessa interrupção possamos ser colocados numa posição perceptiva muito semelhante aos nossos inícios, quando os comandos da Águia eram emanações que ainda não tínhamos impregnado de significado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan atingiu o bloqueio funcional do primeiro anel de poder por meio de um processo complexo, uma combinação de três métodos: a ingestão de plantas alucinógenas; a manipulação do corpo; e a manipulação da intenção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;No início apoiou-se muito na ingestão de plantas alucinógenas, aparentemente em vista da inflexibilidade do meu lado racional. O efeito delas foi falho, mas ainda assim retardou a interrupção que ele procurava. O fato daquelas plantas serem alucinógenas fez com que minha razão aceitasse reunir todos seus recursos disponíveis e continuasse mantendo as rédeas do controle. Fiquei convencido de que podia explicar com lógica tudo o que estava sentindo, juntamente com as proezas inconcebíveis que Dom Juan e Dom Genaro costumavam realizar, como partes das interrupções, como distorções perceptivas causadas pela ingestão dos alucinógenos. Por outro lado, contudo, não havia meio possível de eu poder ter escapado ao efeito do bloqueio do primeiro anel de poder, que Dom Juan tinha programado atingir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan disse que o efeito mais notável das plantas alucinógenas era o que eu interpretava, sempre que as ingeria, como uma sensação peculiar de que tudo à minha volta exsudava uma extraordinária riqueza. Via cores, formas, detalhes que nunca tinha visto antes. Ele utilizou essa condição da minha habilidade elevada de perceber, e com uma série de ordens e comentários me forçou a um estado de agitação nervosa. Ele então manipulou meu corpo e me fez trocar a conscientização da direita para a esquerda e vice-versa, até criar visões fantasmagóricas ou cenas extremamente reais com criaturas em três dimensões que positivamente não podiam existir no mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Explicou que quando a relação entre nossa intenção e os vestígios que construímos é quebrada, nunca mais pode ser restaurada. Daí por diante adquirimos a capacidade de captar uma corrente de que ele denominava “intenção fantasma”, ou a intenção dos vestígios que não estão presentes no momento ou lugar da interrupção, mas que tornam a intenção deles acessível a nós, através de algum aspecto da memória.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Afirmou que com a suspensão da intenção do primeiro anel de poder nós nos tornamos receptivos e maleáveis; o nagual pode então introduzir a intenção do segundo anel de poder. Ele estava convencido de que as crianças têm uma posição de receptividade semelhante; sendo desprovidas de intenção, elas estão prontas a serem marcadas com qualquer intenção que seus mestres lhes dêem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Depois de um período de ingestão contínua de plantas alucinógenas, Dom Juan cortou totalmente o uso delas. Atingiu, no entanto, maiores interrupções em mim ao manipular meu corpo e me fazer mudar os estados de conscientização, juntamente com manobras da intenção. Para aquele efeito ele usava quaisquer fenômenos capazes de apagar perceptivamente os limites delineados dos vestígios, tais como chuva, relâmpago, crepúsculo e escuridão. Através de uma combinação de comandos hipnotizadores, ele criava uma corrente de intenção fantasma e eu era levado a sentir os vestígios familiares como coisas inconcebíveis, que só eu estava presenciando, sem a concordância de qualquer outra pessoa da terra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan explicou que a concordância que temos um com o outro sobre a existência de nossos vestígios, além de ser uma combinação, é também um elo de associação. Esse elo é baseado no caráter compulsório do primeiro anel de poder. Exigindo uma concordância nossa em relação à construção fiel dos vestígios, o primeiro anel de poder cria em nós não só a certeza de que esses vestígios são objetos como também nos dá a certeza de que esses vestígios são absolutamente homogêneos entre os membros da nossa espécie. Esse elo de associação não precisa ser reiterado. Uma vez convencidos de sua existência, ele se torna uma base de apoio para nós durante toda nossa vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan me guiou magistralmente através de inúmeras interrupções da intenção, até que eu fiquei convencido, como observador, que meu corpo mostrava o efeito do bloqueio funcional do primeiro anel de poder. Ele disse que podia ver uma capacidade invulgar no meu casulo em forma de ovo, em volta da região das minhas omoplatas. Descreveu-a como uma rugosidade que se formava exatamente como se a casca de luminosidade fosse um lençol de músculo sendo contraído pelos nervos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Para mim, o efeito do bloqueio funcional do primeiro anel de poder era conseguir apagar a certeza que eu tinha tido toda a vida de que o que meus sentidos percebiam era “real”. Entrei tranquilamente num estado de silêncio interior. Dom Juan disse que o que dá aos guerreiros aquela extrema falta de confiança que seu benfeitor sentiu no fim da vida, aquela resignação à derrota que ele próprio estava sentindo, é olhar a imensidão da Águia, que nos deixa sem esperança. A esperança é o resultado de nossa familiaridade com nossos vestígios e a idéia de que podemos controlá-los. Em tais momentos só o caminho dos guerreiros pode nos fazer persistir em nosso esforço de descobrir o que a Águia ocultou de nós, mas sem esperança de jamais compreender o que descobrirmos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan explicou que o exame do outro eu devia começar com a aceitação de que essa força do primeiro anel de poder que nos cerca é uma verdadeira fronteira física. Os observadores descreveram-na como uma parede de névoa, uma barreira que pode ser sistematicamente levada à nossa conscientização por meio do bloqueio do primeiro anel de poder; então pode ser penetrado através do treino do guerreiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Ao penetrar na parede de névoa, entra-se num extenso estado intermediário. A tarefa dos guerreiros é atravessá-la até alcançar outra linha limite, que têm de penetrar a fim de entrarem no outro eu adequado.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan disse que ambas as linhas limites são perfeitamente distinguíveis. Quando os guerreiros penetram na parede de névoa sentem que seus corpos estão sendo torcidos, ou sentem um intenso tremor dentro da cavidade de seus corpos, basicamente à direita do estômago ou pelo meio do corpo, da direita para a esquerda. Quando perfuram a segunda linha, sentem um estalo agudo na parte superior do corpo, como o som de um pequeno galho seco sendo partido em dois.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;As duas linhas que cercam os dois eus e os selam individualmente são conhecidas pelos observadores como linhas paralelas. Selam os dois eus porque se estendem até o infinito, nunca permitindo uma travessia, a não ser se forem perfuradas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Entre as duas linhas há uma área de conscientização específica, que os observadores chamam de limbo ou mundo entre as linhas paralelas. É um espaço real entre dois enormes âmbitos de emanações da Águia, emanações essas que estão dentro da conscientização do homem. Um é o âmbito que forma o eu da vida diária, e o outro é o âmbito que forma o outro eu. Como o limbo é uma área de transição, os dois âmbitos de emanações se sobrepõem lá. A fração do âmbito com o qual estamos familiarizados, que se estende sobre aquela área, prende uma orla de nosso primeiro anel de poder; sua capacidade de construir vestígios nos força a perceber uma quantidade de vestígios que são quase iguais aos da nossa existência diária, só que parecendo bizarros e torcidos. Assim, o limbo tem características específicas que não mudam arbitrariamente cada vez que se entra lá. Há uns montes que se assemelham ao que consideramos aspectos físicos nos vestígios da nossa vida diária.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan afirmou que a sensação de peso que se sente no limbo é devido à carga crescente colocada na nossa primeira atenção. Na área posterior à parede de névoa, ainda podemos nos comportar como nós mesmos; é como se estivéssemos num mundo grotesco porém ainda reconhecível. À medida que nos aprofundamos para longe da parede de névoa, torna-se progressivamente mais difícil reconhecer seus aspectos ou comportar-se em termos familiares a nós mesmos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Explicou que a parede de névoa podia se parecer com qualquer outra coisa, mas que os observadores optaram pela linha de menor resistência; visualizá-la como uma parede de névoa não envolve esforço algum.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;O que existe além da segunda linha limite é conhecido pelos observadores como o outro eu, ou o mundo paralelo; e o ato de penetrar através de ambos os limites é conhecido como “cruzar as linhas paralelas”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan achava que eu captaria esses conceitos com mais firmeza se descrevesse cada esfera de conscientização como uma específica tendência de percepção. Disse que na esfera da conscientização da vida diária estamos indissoluvelmente emaranhados nas tendências perceptivas da primeira atenção. Do momento em que o primeiro anel de atenção começa a construir os vestígios, o modo de construí-los se torna nossa tendência normal de percepção. Quebrar a força que ata a tendência perceptiva da primeira atenção é quebrar a primeira linha limite. Nossa tendência perceptiva normal então passa para a área intermediária entre as linhas paralelas. Continua-se a construir vestígios quase normais por algum tempo. Mas quando se aproxima do que os observadores chamam de segunda linha limite, a tendência perceptiva da primeira atenção começa a diminuir, perdendo a força. Dom Juan disse que essa transição é marcada por uma súbita incapacidade de lembrar ou de perceber, através do auto-exame, o que se está fazendo.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Quando a segunda linha limite é alcançada, o outro eu começa a agir sobre os guerreiros que estão fazendo a viagem. Se são inexperientes, sua consciência fica vazia. Dom Juan afirmou que isso acontece porque eles se aproximam de um espectro das emanações da Águia que ainda não tem uma tendência perceptiva sistematizada para eles. Minhas experiências com la Gorda e a mulher nagual além da parede de névoa foram um exemplo dessa incapacidade. Viajei para o outro eu mas não pude dar conta do que tinha feito, simplesmente porque minha segunda atenção ainda estava sem formulação e não me permitiu lidar com coisa alguma que tinha percebido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan explicou que se começa a conquistar o outro eu forçando a segunda atenção a acordar de sua dormência. O bloqueio funcional do primeiro anel de poder realiza isso. Então a tarefa do mestre é recriar a condição que lançou o primeiro anel de poder, a condição de saturação de intenção. O primeiro anel de poder foi colocado em movimento pela força da intenção, que nos foi dada por quem quer que nos tenha ensinado os vestígios. Como meu mestre, ele estava me dando então uma nova intenção que iria criar um novo meio perceptivo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan disse que se leva toda uma vida de disciplina incessante, que os observadores chamam de intenção inflexível, para preparar o segundo anel de poder a construir vestígios vindos do outro âmbito das emanações da Águia. Aperfeiçoar a tendência perceptiva do eu paralelo é uma proeza de valor incomparável que poucos guerreiros realizam. Silvio Manuel era um desses poucos.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Dom Juan aconselhou-me a não tentar deliberadamente aperfeiçoar isso. Se viesse a acontecer, seria um processo natural que se desenvolveria sem grande esforço. Explicou que a razão dessa quase indiferença reside na consideração prática de que aperfeiçoar essa tendência faz com que se torne mais difícil quebrá-la, pois a meta dos guerreiros é a capacidade de quebrar as duas tendências perceptivas a fim de entrar na terceira atenção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;Águia = Deus&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 19px;"&gt;C. Castañeda (D.Juan Matus)&lt;/span&gt;
&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>A Observação Silenciosa</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2011/04/observacao-silenciosa.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Sat, 30 Apr 2011 13:18:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-5122068214060547897</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Quando falamos da observação silenciosa, referimo-nos a um modo de escutar, uma forma de ver, a qual permite o observar em sua expressão direta e não qualificada. No processo da escuta, você pode descobrir que o observador está sempre julgando, criticando, comparando e avaliando. Este discernimento o leva por si só a uma posição na qual você não está envolvido no percebido. Então, uma sensação de espaço se abre entre sua observação e o observado, suscitando a compreensão de que o percebido surge em você, mas você não está limitado a qualquer coisa perceptível. O silêncio é nossa verdadeira natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, o próprio pensamento é a raiz do problema?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Geralmente, conhecemos a nós mesmos nas percepções, nos estados. Nós apenas conhecemos a consciência de alguma coisa, a escuta de algo, etc. Nós não conhecemos a consciência pura sem um objeto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pensamentos, sentimentos e sensações são objetos da consciência, e não têm existência sem um sujeito que os observa. Visto que o que percebe nunca pode ser percebido, no momento em que um pensamento ou uma percepção aponta para ele, leva-o ao silêncio, ao ser puro, à consciência sem um objeto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, o que é o que percebe?&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
O que percebe é uma faculdade, uma qualificação, a qual existe no momento em que há uma percepção no espaço-tempo. Sem a percepção, não há tampouco o que percebe. Ambos são movimentos de energia no espaço-tempo, e ambos surgem e se dissolvem novamente na consciência, a única que é atemporal. O que percebe e o percebido são como ferramentas, instrumentos da consciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo o que aparece é uma expressão da consciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Encontro realmente, se vir de mais perto, que, ao desejar realização, estou buscando a unidade fundamental ou a segurança, a paz se assim você quiser, euforia, se tiver sorte.... A consciência pura da qual você fala tem alguma destas qualidades?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não. O que você busca é apenas memória, algo que já conhece e avalia como desejável. Todas estas coisas que você nomeia são atributos, sobreposições sobre a consciência pura. Há um entendimento profundo a ser ganho quando vê que, no momento da obtenção da qualidade desejada, não há nem uma qualidade-objeto nem um sujeito que a experimenta. Neste momento, há apenas unidade não-qualificada. É apenas depois de abandonar esta unidade que você procura uma causa e diz: “A causa desta alegria foi esta qualidade que alcancei”. Mas, no momento da vivência da unidade, não há lugar para qualquer qualidade, para qualquer objeto, seja qual for.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta unidade é nosso desejo verdadeiro?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É nosso desejo verdadeiro. Todos os outros desejos aparecem mais ou menos através da falta de discernimento. O desejo é um esforço para obter compensação, a busca de um modo de preencher um sentimento de vacuidade em você mesmo. Assim, quando, por um momento, o esforço termina e o objeto desejado é obtido, há um instante em que você vive em unidade, na satisfação final, mas esta satisfação não tem causa. E este instante nem mesmo pode ser chamado de um instante, pois é atemporal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que então é o Karma, o qual é produzido pela relação de causa e efeito?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No momento em que você vive sem qualquer programação, sem uma imagem ou uma idéia de ser alguém, não há Karma. A quem pertenceria o Karma? Remova o problema do Karma. Abandone-o completamente. A idéia lhe dá um apoio à existência de alguém que não existe. Quando você está completamente silencioso, onde está a imagem de ser alguém? Quando o reflexo de identificação com uma imagem desaparece, há a certeza de que a entidade pessoal não existe. Há apenas unidade. Então você está livre do Karma, pois o Karma pertence a alguém. Mas, quando você adiciona uma imagem de uma personalidade, de um homem, ou de ser isto ou aquilo, neste momento, você está ligado ao Karma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você poderia dar-me um exemplo concreto do que significa identificar-se com uma imagem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Observe que desde a manhã até à noite você busca constantemente localizar-se. Você tem uma necessidade de localizar-se em algum lugar, seja na sensação corporal, na emoção, ou em uma idéia. Mas, quando você aceita que não pode encontrar a si mesmo, seu Eu verdadeiro, dentro de nenhuma percepção, o processo de produção cessa. Você deixa de criar idéias, imagens e situações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você deve viver na abertura sem qualquer memória. Isto significa que você está aberto completamente à vida, a tudo o que vier. E, desde que nesta abertura não há memória, nem reação, você está alerta completamente a cada momento para o frescor e para a novidade da vida. Não há mais repetição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mais próxima experiência do silêncio de que você fala é o sentimento e a satisfação do amor?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O silêncio é o plano de fundo de tudo o que acontece, de tudo o que aparece e desaparece. É o amor não-qualificado, o amor que não tem necessidade de qualquer estímulo. Estimula-se a si mesmo por si mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No momento em que você vive conscientemente na unidade, não há “outros”. Há apenas Eu. Isto é amor. Mas, quando você se toma por alguém, todas as relaçãoes são de objeto para objeto, de homem para mulher, de mãe para filho, de personalidade a personalidade. E, aí, não há comunhão, não há possibilidade de amor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você diz que devemos aceitar a nós mesmos, a nossos corpos, capacidades, personalidades, e assim por diante. O que acontece depois disto?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando realmente você aceitou a si mesmo – e quero dizer que você aceitou de forma funcional, não psicológica – você sentirá um espaço entre sua posição de aceitação e tudo o que você aceitar. Esta sensação de espaço entre sua natureza real e sua imagem projetada é muito importante. Na aceitação de tudo o que aparece, você está livre dele. No começo, você se sente livre do que aceita, mas, mais tarde, você se verá a si mesmo na própria aceitação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na aceitação, há alguma noção de bem e de mal?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bem e mal são projeções de idéias pré-concebidas, da memória. Cesse de projetar seus desejos e medos sobre o que você vê. Tome as coisas como são. Você deve aceitar algo para, realmente, conhecê-lo. Ao aceitar, a ênfase não é sobre o que aceitou, mas sobre a atitude de aceitação. Você descobrirá que você é um com a aceitação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que aceita não é um objeto. É uma realidade interior. A aceitação dá liberdade a tudo o que é aceite. O que você verdadeiramente aceita torna-se vivo e tem sua própria história para lhe contar. Mas o problema aqui não é simplesmente aceitar sua personalidade, sua “paisagem”. Esta é simplesmente uma condição preliminar para passar à experiência essencial, a atitude de aceitação em si mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, na vida, é necessário tomar decisões. Como podemos fazer isto se não discernimos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você apenas pode realmente tomar decisões quando aceita a situação. Na aceitação, a situação pertence à totalidade, à sua perfeição, e a decisão resulta desta perspectiva global. Não há nada passivo nesta aceitação. É a vigilância suprema. E a decisão resultante é uma ação, não na reação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando vive na abertura e permite que cada situação venha a você, você flui com a verdadeira corrente da vida. Se você impõe o ego sobre cada acontecimento para de alguma forma controlá-lo, você percebe que não está de acordo com esta corrente de vida. A reação e a luta começam; você diz: “Tenho isto e gosto daquilo”. Este é um estado de conflito. Na aceitação, você vive simplesmente aqui onde está.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A Simplicidade de Ser" Dialogos com Jean Klein&lt;br /&gt;
&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Retornar à Fonte Una</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2011/04/retornar-fonte-una_8534.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Fri, 29 Apr 2011 02:54:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-8835568404981536907</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Pergunta: Por que é que nós naturalmente parecemos pensar em nós mesmos como indivíduos separados?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maharaj: Seus pensamentos sobre individualidade não são realmente seus próprios pensamentos; são todos pensamentos coletivos. Você pensa que você é a pessoa que tem os pensamentos; mas de fato os pensamentos surgem dentro da consciência. Conforme nosso conhecimento espiritual cresce, nossa identificação com um corpo-mente individual diminui, e nossa consciência expande-se na consciência universal. A força da vida continua a atuar, mas seus pensamentos e ações já não são limitados a um indivíduo. Transformam-se na manifestação total. É como a ação do vento - o vento não sopra para nenhum indivíduo em particular, mas para a manifestação total.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P: Como um indivíduo é possível retornar à fonte?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;M: Não como um indivíduo; o conhecimento “eu sou” deve retornar à sua própria fonte. Agora, a consciência identificou-se com uma forma. Mais tarde, ela compreende que não é essa forma e segue adiante. Em alguns casos pode alcançar o espaço, e muito frequentemente, pára ali. Em muito poucos casos alcança sua fonte real, além de todo condicionamento.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
É difícil abandonar essa inclinação de identificar o corpo como sendo o 'Ser' (Self). Eu não estou falando com um indivíduo, estou falando para a consciência. É a consciência que deve procurar sua fonte. Desse estado de não-ser surge o sentido de existência. Vem tão quietamente quanto o crepúsculo, com apenas uma sensação de “eu sou” e então de repente o espaço está lá. No espaço, o movimento começa com o ar, o fogo, a água, e a terra. Todos estes cinco elementos são justamente você. De sua consciência tudo isto aconteceu. Não há nenhum indivíduo. Há somente você, o funcionamento total é você, a consciência é você. Você é a consciência, todos os títulos dos deuses são os seus nomes, mas identificando ao corpo você se entrega ao tempo e à morte - você está impondo isso a você mesmo. Eu sou o universo total. Quando eu sou o universo total não tenho necessidade de nada porque eu sou todas as coisas. Mas abarrotei eu mesmo em uma coisa pequena, um corpo; fiz de mim um fragmento e tornei-me carente de coisas. Eu preciso de tantas coisas sendo um corpo. Na ausência de um corpo, você existe, quando não tinha um corpo você existia? Você estava lá ou não? Alcance esse estado que é e era anterior ao corpo. Sua natureza verdadeira está aberta e livre, mas você a encobre, você dá-lhe vários desenhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;P: Maharaj, todos nós fizemos certa Sadhana &amp;nbsp;(meditação) por algum tempo, mas o progresso não parece o adequado. O que devemos fazer?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maharaj: O propósito de qualquer esforço é obter algo, algum benefício que não se possui. O que é isto que tentam atingir?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A resposta foi rápida e positiva: Nós queremos ser como você – iluminados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
É nisto que a idéia errada está enraizada; em pensar que vocês são entidades que devem alcançar algo para que possam se tornar como a entidade que vocês pensam que eu sou! Este é o pensamento que constitui a ‘escravidão’, a identificação com uma entidade – e nada, absolutamente nada, exceto a desidentificação causará a ‘liberação’.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como eu disse, vocês vêem a si mesmos e a mim como entidades, entidades separadas; eu vejo vocês exatamente como me vejo. Vocês são o que Eu sou, mas vocês se identificaram com o que pensam ser – um objeto – e buscam a liberação para este objeto. Não é uma enorme piada? Poderia algum objeto ter existência independente e vontade de agir? Poderia um objeto estar escravizado? E liberado?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
O interlocutor juntou suas mãos em Namaskar e, muito respeitosamente, sugeriu que o que Maharaj tinha dito não poderia talvez ser questionado como um ideal teórico, mas que, certamente, disse ele, ainda que as pessoas possam ser entidades fictícias, nada mais que meras aparições na consciência, como viveríamos no mundo a menos que aceitássemos as diferentes entidades como suficientemente ‘reais’ na vida?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Maharaj: Você vê quão sutil é este assunto? Você respondeu sua própria pergunta, mas a resposta lhe escapou. O que você disse é que você sabe que a entidade como tal é totalmente fictícia e não tem autonomia própria; é apenas um conceito. Mas a entidade fictícia deve viver sua vida normal. Onde está o problema? É muito difícil viver uma vida normal, sabendo que a vida em si é um conceito? Você compreendeu? Uma vez que tenha visto o falso como falso, uma vez que tenha visto a natureza dual do que chama ‘vida’ – que na realidade é o viver – o restante será simples; tão simples como um ator desempenhando seu papel com entusiasmo, sabendo que é apenas um papel que ele está desempenhando em uma peça ou num filme, e nada mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Reconhecer este fato com convicção, apercebendo-se desta posição, é toda a verdade. O restante é mera atuação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nisargadatta Maharaj&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Apontando o Bastão P/ o Velho Homem</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2011/04/apontando-o-bastao-p-o-velho-homem.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Thu, 28 Apr 2011 11:55:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-1895755683196431525</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Quando o grande mestre Padmasambhava&amp;nbsp;estava no Eremitério da Grande Rocha, em Samye,&amp;nbsp;Sherab Gyalpo de Ngog, um homem inculto de 61&amp;nbsp;anos que tinha a mais alta fé e grande devoção&amp;nbsp;pelo mestre, serviu-o por um ano. Enquanto isso,&amp;nbsp;Ngog não pediu qualquer ensinamento, nem o&amp;nbsp;mestre lhe deu qualquer um.  Quando, depois de&amp;nbsp;um ano, o mestre decidiu partir, Ngog ofereceu-lhe&amp;nbsp;um prato de mandala, sobre o qual colocou uma&amp;nbsp;flor de uma onça de ouro. Então ele disse: Grande&amp;nbsp;mestre, pense em mim com bondade. Em primeiro&amp;nbsp;lugar, eu sou inculto. Em segundo, minha&amp;nbsp;inteligência é pequena. Em terceiro, estou velho,&amp;nbsp;então meus elementos estão fatigados. Peço que&amp;nbsp;você dê um ensinamento a um velho homem à&amp;nbsp;beira da morte, que seja simples de entender, que possa cortar totalmente a dúvida, que seja fácil de&amp;nbsp;realizar e de aplicar, que tenha uma visão efetiva, e&amp;nbsp;que me ajude em vidas futuras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mestre apontou seu bastão de andarilho para o coração do velho homem e deu esta&amp;nbsp;instrução: Ouça aqui, velho homem! Olhe para a&amp;nbsp;mente desperta de sua própria consciência! Ela&amp;nbsp;não tem forma nem cor, nem centro nem borda.&amp;nbsp;Primeiro, ela não tem origem, mas sim é vazia.&amp;nbsp;Depois, ela não tem lugar de permanência, mas&amp;nbsp;sim é vazia. No fim, ela não tem destinação, mas&amp;nbsp;sim é vazia. Esta vacuidade não é feita de qualquer coisa, e é clara e cognitiva.  Quando vir&amp;nbsp;isto e a reconhecer, você conhecerá seu rosto&amp;nbsp;natural. Você entenderá a natureza das coisas.&amp;nbsp;Você verá então a natureza da mente,&amp;nbsp;determinará o estado básico da realidade e&amp;nbsp;cortará completamente as dúvidas sobre tópicos&amp;nbsp;do conhecimento.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Esta mente desperta da consciência não é&amp;nbsp;feita de qualquer substância material, é auto-existente e inerente a você mesmo. Esta é a&amp;nbsp;natureza da mente que não é fácil de realizar&amp;nbsp;porque não é encontrada em qualquer lugar. Esta&amp;nbsp;é a natureza da mente que não é constituída por&amp;nbsp;um observador concreto e por algo percebido sobre o qual se fixar. Ela desafia as limitações da&amp;nbsp;permanência e da aniquilação. Nela não há&amp;nbsp;qualquer coisa a despertar; o estado desperto da&amp;nbsp;iluminação é a sua própria consciência, que é&amp;nbsp;naturalmente desperta. Nela não há qualquer&amp;nbsp;coisa que vá para os infernos; a consciência é&amp;nbsp;naturalmente pura. Nela não há qualquer prática&amp;nbsp;a ser conduzida; sua natureza é naturalmente&amp;nbsp;cognitiva. Esta é a grande visão do estado natural&amp;nbsp;presente em você mesmo: saiba que isto não é&amp;nbsp;encontrado em qualquer lugar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Quando você entender a visão deste modo e&amp;nbsp;quiser aplicá-la na sua experiência, onde quer que você esteja será o retiro na montanha de seu&amp;nbsp;corpo. Qualquer aparência externa que você&amp;nbsp;perceber será uma aparência naturalmente&amp;nbsp;ocorrente e uma vacuidade naturalmente vazia;&amp;nbsp;deixe-a ser, livre de construções mentais. As aparências naturalmente livres se tornarão suas&amp;nbsp;ajudantes e você poderá praticar enquanto toma&amp;nbsp;as aparências como caminho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
No interior, o que quer que se mova em sua&amp;nbsp;mente, o que quer que você pense, não tem&amp;nbsp;essência, mas sim é vazio. As ocorrências de&amp;nbsp;pensamento serão naturalmente liberadas.&amp;nbsp;Quando lembrar da essência de sua mente, você&amp;nbsp;poderá tomar os pensamentos como caminho e a&amp;nbsp;prática será fácil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Como conselho mais interior: não importa&amp;nbsp;que tipo de emoção perturbadora você sinta, olhe&amp;nbsp;para a percepção e ela cessará sem deixar&amp;nbsp;rastos. A emoção perturbadora é assim&amp;nbsp;naturalmente liberada. Isto é simples de praticar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Quando você puder praticar deste modo, seu&amp;nbsp;treino de meditação não será confinado a&amp;nbsp;sessões. Conhecendo que tudo é um ajudante,&amp;nbsp;sua experiência de meditação será imutável, a&amp;nbsp;natureza inata será incessante e sua conduta será&amp;nbsp;inabalável. Onde quer que permaneça, você nunca&amp;nbsp;está separado da natureza inata. Uma vez que&amp;nbsp;você tenha realizado isto, seu corpo material&amp;nbsp;poderá ser velho, mas a mente desperta não envelhecerá. Ela não conhece qualquer diferença&amp;nbsp;entre jovem e velho. A natureza inata está além&amp;nbsp;da inclinação e da parcialidade. Quando você reconhecer que a consciência, o despertar inato&amp;nbsp;está presente em você mesmo, não haverá&amp;nbsp;diferenças entre faculdades aguçadas ou fracas.&amp;nbsp;Quando você entender que a natureza inata, livre&amp;nbsp;da inclinação ou parcialidade, está presente em&amp;nbsp;você mesmo, não haverá diferença ente um&amp;nbsp;aprendizado grande ou pequeno. Mesmo que o seu&amp;nbsp;corpo, o suporte da mente, caia, o Dharmakaya da sabedoria da consciência será incessante. Quando&amp;nbsp;você obtiver estabilidade neste estado imutável,&amp;nbsp;não haverá diferença entre um tempo de vida&amp;nbsp;longo ou curto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Velho homem pratique o verdadeiro&amp;nbsp;significado! Leve a prática ao coração!  Não&amp;nbsp;permita a fala inútil e tagarelice sem objetivo! Não&amp;nbsp;se envolva em metas comuns! Não se perturbe com&amp;nbsp;a preocupação de ter prole! Não almeje&amp;nbsp;excessivamente comida e bebida. Pretenda morrer&amp;nbsp;como um homem comum! Sua vida está correndo,&amp;nbsp;então seja diligente! Pratique esta instrução para&amp;nbsp;um velho homem à beira da morte!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Por ter apontado o bastão para o coração de&amp;nbsp;Sherab Gyalpo, isto é chamado “A Instrução do&amp;nbsp;Apontar o Bastão para o Velho Homem”. Sherab&amp;nbsp;Gyalpo de Ngog foi liberado e atingiu a realização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto foi anotado pela princesa de Kharchen (Yeshe &amp;nbsp;Tsogyal) para o bem das futuras gerações. É conhecido &amp;nbsp;pelo nome “A Instrução do Apontar o Bastão”. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>O Desperto</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2011/04/o-desperto.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Wed, 27 Apr 2011 23:57:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-5579307160223119077</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Quando você está em sono profundo, o mundo fenomênico existe para você? Você não poderia, intuitiva e naturalmente, visualizar seu estado primitivo – seu ser original – antes que esta condição corpo-consciência irrompesse sobre você sem ser solicitada, por si mesma? Neste estado, você estaria consciente de sua “existência”? Não, certamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A manifestação universal está apenas na consciência, mas o ‘desperto’ tem seu centro de visão no Absoluto. No estado original de puro ser, não consciente de sua qualidade de ser, a consciência surge como uma onda sobre a extensão das águas, e o mundo aparece e desaparece na consciência. As ondas se levantam e caem, mas a expansão das águas permanece. Antes de todos os princípios, de todos os fins, eu sou. O que quer que aconteça, devo estar presente para testemunhar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não é que o mundo não ‘exista’. Ele existe, mas meramente como uma aparência na consciência – a totalidade do manifesto conhecido na infinidade do desconhecido, o não manifestado. O que começa deve terminar. O que aparece deve desaparecer. A duração da aparição é um assunto relativo, mas o princípio é que o que quer que seja sujeito ao tempo e à duração deve terminar e é, portanto, não real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você não pode perceber imediatamente que neste sonho da vida você ainda está dormindo, que tudo que seja reconhecível está contido nesta fantasia da vida? E que aquele que, enquanto conhecer este mundo objetificado, considerar-se uma ‘entidade’ separada da totalidade que conhece é, em realidade, parte integral deste mesmo mundo hipotético?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considere também: Nós parecemos estar convencidos de que vivemos uma vida própria, de acordo com nossos próprios desejos, esperanças e ambições, de acordo com nosso próprio plano e objetivo, através de nossos próprios esforços individuais. Mas é realmente assim? Ou estamos sendo sonhados e vividos sem vontade, totalmente como fantoches, exatamente como em um sonho pessoal? Pense! Nunca esqueça que, assim como o mundo existe, embora como uma aparência, as figuras sonhadas também, neste ou naquele sonho, devem ter um conteúdo – elas são o que o sujeito do sonho é. É por isto que digo: Relativamente ‘Eu’ não sou, mas eu mesmo sou o universo manifesto.&lt;br /&gt;
&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;
S. Nisargadatta Maharaj&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>A Mente Finita /+ Deva Premal</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2011/04/ramana-maharshi.html</link><category>Música</category><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Tue, 26 Apr 2011 23:30:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-6301687554673761005</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/rfKigD3vY8A" title="YouTube video player" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;---&lt;br /&gt;
A ilusão da mente&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro pensamento a surgir na mente é o pensamento "eu". Todos os outros inumeráveis pensamentos surgem apenas depois do pensamento "eu" e têm nele sua origem. Em outras palavras, apenas depois do pronome de primeira pessoa “eu” surgir, é que os pronomes de segunda e terceira pessoa, “tu” e “ele”, ocorrem para a mente; estes não subsistem sem aquele.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Como todos os outros pensamentos só podem surgir depois do aparecimento do pensamento "eu", e como a mente nada mais é do que um conglomerado de pensamentos, é apenas voltando a atenção para o pensamento "eu", através da inquirição “Quem sou eu?”, que a mente será extinta. Além disso, o pensamento "eu", implícito na investigação “Quem sou eu?”, destruirá todos os outros pensamentos, como uma vareta que quando usada para avivar uma fogueira, é também consumida no final.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você não precisa eliminar nenhum falso “eu”. Como pode o “eu” eliminar a si mesmo? Tudo o que você precisa fazer é encontrar a Fonte do “eu”, e permanecer lá. O seu esforço só pode levá-lo até esse ponto. A partir daí o Transcendental vai tomar conta de si mesmo. Você não pode fazer mais nada então. Nenhum esforço pode chegar até Ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pensamento “eu” é como um fantasma que, apesar de ser impalpável, surge simultaneamente com o corpo, vive e desaparece junto com ele. A consciência “eu sou o corpo/este é meu corpo” é o falso eu. Abandone-a. Você pode fazer isso buscando a fonte do sentimento “eu”. O corpo não diz “eu sou”. É você que diz “eu sou o corpo”. Descubra o que é esse “eu”; busque sua fonte e ele desaparecerá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pode haver espaço, pode haver tempo, exceto para mim mesmo?&lt;br /&gt;
O espaço e o tempo me atam apenas se sou o corpo.&lt;br /&gt;
Eu não estou em nenhuma parte, eu sou sem tempo.&lt;br /&gt;
Eu existo em toda parte e sempre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ramana Maharshi&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://img.youtube.com/vi/rfKigD3vY8A/default.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Meditação ou Atenção</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2011/04/meditacao-ou-atencao.html</link><category>Budismo zazen</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Sun, 24 Apr 2011 20:39:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-7776216697188077457</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;A Essência do Budismo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A prática da plena atenção denomina-se trenpa em tibetano, o que literalmente significa ‘lembrança’. Antes que a percepção surja na meditação, o meditador precisa aprender a concentrar a mente, o que é obtido pela prática da plena atenção. Usamos um objeto específico para praticar a plena atenção. Quando esta é praticada por um certo período de tempo, a percepção surge como um produto da plena atenção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando tivermos conseguido fazer isso com certo sucesso, passamos a usar a própria mente como objeto da meditação. Tentamos estar atentos aos pensamentos e emoções à medida que surgem, sem rotulá-los nem julgá-los; simplesmente observando-os. À medida que a observação prossegue, a plena atenção se transforma em percepção. Assim, se surgirem distrações, a pessoa se apercebe delas; se o embotamento ou torpor estiver presente na mente, a pessoa apercebe-se da presença. Com a prática da meditação da tranquilidade, a mente torna-se mais estabilizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando contemplamos a própria mente e a deixamos em seu estado natural, além da estabilidade mental, deve surgir também uma sensação de clareza. Não basta a mente ter se tornado estável; também é importante haver clareza. Nos ensinamentos Mahamudra, esses aspectos são descritos como ne cha, o aspecto da estabilidade, e sal cha, o aspecto da clareza. Uma mente estável, mas sem clareza, é deficiente. Tanto a clareza mental como a estabilidade precisam estar presentes. Se perseguirmos esse objetivo, mesmo quando surgirem pensamentos e emoções, a estabilidade e a clareza da mente não serão perturbadas.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Manter a clareza mental, quer a mente esteja calma ou agitada, é a melhor forma de meditação. Meditação não significa que a mente deva estar sempre calma ou vazia de pensamentos e emoções. Uma sensação de estabilidade ou clareza mental, mesmo quando a mente está em movimento, constitui o objetivo supremo. Pois nossa intenção não é erradicar pensamentos e emoções, mas conseguir manter aquela sensação de percepção no estado de movimento tanto quanto de repouso. Os ensinamentos Mahamudra utilizam expressões como ne gyu rik sum. Ne significa mente estável, e não agitada; gyu significa mente em movimento, quando surgem pensamentos e emoções; rik significa apercepção, aquela sensação de clareza mental; sum significa três. Assim, a percepção está presente na mente, quer em um estado de repouso, quer em um estado de movimento. Isso não faz diferença.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando conseguimos isso, percebemos a natureza da mente. Pela percepção, entendemos que a natureza da mente possui a característica dual de ser vasta, mas luminosa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza da mente não é apenas vazia, mas luminosa ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob esse aspecto, é justamente quando, na meditação, a mente não faz distinção entre agitação mental e um estado de tranquilidade. Então ela é deixada em seu estado natural, assim pensamentos e emoções são liberados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos Mahamudra também dizem que não devemos pensar em pensamentos e emoções – particularmente negativos – como coisas que devem ser erradicadas. Se conseguimos compreender a natureza desses pensamentos e emoções, passamos a perceber a natureza desses pensamentos e emoções, passamos a perceber a natureza da própria mente. Os ensinamentos comparam a relação entre a natureza da mente e as delusões a um lótus florindo no lodo, ou ao esterco usado em um campo. Assim como um lótus floresce no lodo, assim como o fazendeiro precisa recorrer ao esterco malcheiroso e repulsivo para cultivar um campo, a sabedoria não é obtida pela erradicação das impurezas e dos obscurecimentos da mente, mas pela percepção da natureza deles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Reza uma frase tibetana cuja tradução é: "Tendo abandonado ou erradicado as delusões e confusões conceituais da mente, não se pode mais falar de sabedoria. A sabedoria não é obtida da erradicação das impurezas, mas da compreensão da natureza das próprias impurezas".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É por isso que a expressão "mente comum" (thamal gye shepa) é utilizada nos ensinamentos Mahamudra. Perceber a natureza da mente, ou natureza búdica, não envolve livrar-se de nada que exista na mente, e sim perceber a natureza da mente que temos: aquela que pensa, deseja, prevê e sente. O problema não está em ter pensamentos, sentimentos e emoções, mas em não entender sua natureza. Pela prática da meditação, a mente torna-se mais estabilizada e há uma sensação de clareza mental. Então, quando não se tenta controlar a mente, se a percepção é mantida à medida que surgem pensamentos e emoções, esses pensamentos e emoções revelam a natureza da mente tanto quanto a mente que está em repouso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do ponto de vista Mahamudra, é importante não tentar forçar a mente a tornar-se mais concentrada. Devemos simplesmente usar os métodos brandos de concentração e relaxamento para que a mente possa estar em seu estado natural. Se tentarmos usar técnicas de concentração, diz-se que, na verdade, a mente não é deixada em seu estado natural. Devemos deixá-la em seu estado natural sem quaisquer artifícios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pang lang dang drelwa é outra expressão usada nos ensinamentos Mahamudra. Pang significa ‘abandonar’; Lang significa ‘cultivar’; dang drelwa significa ‘livre de’: "Livre de qualquer pensamento de cultivo de qualidades mentais positivas ou de abandono de pensamentos e emoções negativas". Nossa mente deve estar livre de tais preocupações. Na medida em que é acossada por tendências de querer evitar ou abandonar certos aspectos considerados indesejáveis e perseguir e cultivar os aspectos mais positivos, a mente não é deixada em seu estado natural e sua natureza é obscurecida pela interferência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, a técnica simples de não interferir na mente deve ser conduzida através do esforço ou relaxamento do corpo e da mente. Nem mesmo esses dois métodos devem ser aplicados com extrema deliberação ou esforço. Outra expressão nos ensinamentos Mahamudra é "deixar a mente em seu estado natural sem esforço". Essa ausência de esforço advém de não julgar, de não pensar que os pensamentos e emoções que surgem perturbam, de alguma forma, a mente, ou atrapalham a meditação; mas de perceber que, enquanto nossa mente estiver concentrada e houver uma sensação de percepção, não importa o que surgir nela – esteja ela estável e em repouso, ou em um estado de movimento com pensamentos e emoções surgindo –, poderemos perceber sua natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desse modo, tranquilidade e discernimento são praticados juntos nos ensinamentos Mahamudra. A meditação da tranquilidade é inicialmente praticada para estabilizar a mente. Depois, gradualmente, mudando-se o foco dos objetos da meditação, como objetos físicos externos ou a respiração, para a própria mente, o aspecto da clareza é desenvolvido. Quando praticamos a meditação, esses dois aspectos estão presentes: a mente estável e, ao mesmo tempo, luminosa. A mente fica estável mesmo quando surgem pensamentos e emoções, na medida em que a percepção não seja perdida. A estabilidade da mente não decorre do surgimento ou não de pensamentos ou emoções, mas da presença da percepção. Quando esta está presente, o terceiro aspecto da natureza da mente – denominado bem-aventurança – torna-se manifesto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em última análise, a natureza da mente tem três qualidades: ela é vazia; segunda, mesmo sendo vazia, ela é luminosa; terceira, quando nossa mente está estabilizada e conseguimos manter a percepção, mesmo quando a mente está ocupada com pensamentos e emoções, experimentamos a bem-aventurança. Uma vez fixada a estabilidade e a clareza durante a meditação, segue-se a bem-aventurança, porque a nossa mente não é mais perturbada, mesmo quando surgem pensamentos e emoções. Esse é o aspecto da bem-aventurança. Obviamente, isso não significa que nos tornamos paralisadas pela bem-aventurança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com os ensinamentos Dzogchen, ou com o que às vezes se denomina Maha Ati em sânscrito, a natureza da mente possui os aspectos do vazio, da clareza e da ‘criatividade’. A natureza da mente pode ser vazia e luminosa, mas isso não significa que pensamentos e emoções deixem de ter relevância. Praticar a meditação durante alguns anos não significa que os pensamentos e emoções deixam de surgir na mente, mas que eles não a perturbam mais, o que é visto como o aspecto criativo. No Dzogchen isso chama-se tsal, que significa ‘criativo’ no que se refere a nossas experiências. Tudo na experiência do samsara e do nirvana advém do aspecto criativo da mente, no sentido de que ela é produtora de todo tipo de experiência, boa e má. Nas palavras de Saraha: "A natureza da mente é a soberana de todos os criadores, porque todas as nossas experiências do samsara e do nirvana surgem dela". Tudo é dependente da mente; mesmo a nossa percepção do mundo físico externo é dependente da mente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza da própria mente denomina-se Mahamudra, porque mahamudra, ou "grande selo", significa que nada existe fora dela. Tudo está contido no próprio Mahamudra, já que o aspecto do vazio é o mesmo nos fenômenos físicos e mentais. Ele é universal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Traleg Kyabgon&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Ashtavakra Gita</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2011/04/ashtavakra-gita.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Sat, 23 Apr 2011 16:17:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-5198991171419840793</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;(Ashtavakra Samhita)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Janaka (o Rei) disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como o conhecimento é adquirido? Como a libertação é atingida? E como se chega à dissipação? Diga-me isto, Senhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ashtavakra disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se você está procurando libertação, meu mais querido, fuja dos objetos dos sentidos como do veneno. Beba o néctar da tolerância, da sinceridade, da compaixão, do contentamento e da honestidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você não é nem terra, nem água, nem fogo, nem ar e nem mesmo éter. Para a libertação conheça a si mesmo como consistindo de consciência, a testemunha destes cinco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se você permanecer somente repousando na consciência, vendo-se a si mesmo como distinto do corpo, então mesmo agora você se tornará feliz, cheio de paz e livre das barreiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você não pertence ao brâmane, ou ao guerreiro, ou a qualquer outra casta, você não está em nenhum estágio, nem você é algo que o olho possa ver. Você é livre e sem forma, a testemunha de tudo - agora seja feliz.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Retidão e não retidão, prazer e dor, são puramente da mente e não lhe concernem. Você não é nem o causador nem o sofredor das consequências; você está sempre livre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você é uma testemunha de tudo e está sempre totalmente livre. A causa da ligação é que se vê a testemunha como algo diferente disto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você foi picado pela serpente da auto-opinião, pensando tolamente que "eu sou o causador". Agora beba o néctar do fato de que "eu não sou o causador" e seja feliz agora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Queime a floresta da ignorância com o fogo do conhecimento. Saiba: "eu sou a pura consciência". Com tais cinzas seja feliz agora, livre da aflição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele no qual tudo isto aparece é apenas imaginado como a cobra em uma corda. Aquela alegria, conhecimento supremo e consciência é o que você é, agora seja feliz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se alguém pensa em si mesmo como liberto estará livre e se alguém pensa em si mesmo como prisioneiro, estará preso. Aqui se está dizendo: "o pensamento faz a realidade".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua natureza real é alguém perfeito, livre e consciência inativa, a testemunha toda-penetrante, desligada de tudo, sem desejo, em paz. É ilusão que você pareça estar envolvido por qualquer outra matéria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Medite sobre você como consciência imóvel, livre de qualquer dualismo, abandonando a idéia errônea de que você é apenas uma consciência derivada. Qualquer coisa externa ou interna é falsa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem estado preso há muito tempo na armadilha da identificação com o corpo. Corte-a com a faca do conhecimento de que "eu sou consciência" e seja feliz, meu mais querido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você é realmente ilimitado e inativo, auto-iluminado e sem manchas ainda. A causa de sua prisão é que você ainda está apelando para tranquilizar a mente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo isto está realmente preenchido por você e atado em você, porque consiste de pura consciência. Então não tenha "mente limitada".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você é não-condicionado, sem forma, imóvel, consciência insondável, imperturbável. Uma tal consciência é não apegada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através desta iniciação em direção à verdade, você escapará de cair na não realidade de novo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verdadeiramente eu estou sem manchas e em paz, a consciência além da causalidade natural. Todo este tempo estive aflito pela desilusão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como eu sozinho dei luz a este mundo, então eu iluminei o mundo. Como resultado o mundo inteiro é meu e alternativamente nada é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então agora abandonando o corpo e tudo mais, de repente de alguma forma meu verdadeiro Eu se tornou aparente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como ondas, espuma e bolhas não são diferentes da água, também tudo isto que tem emanado do próprio Ser não é outro senão o próprio Ser.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como a roupa quando examinada é descoberta como sendo apenas fio, também quando tudo isto é analisado, é descoberto que não é outra coisa senão o próprio Ser.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como o açucar produzido pelo suco da cana está permeado com o mesmo sabor, também tudo isto produzido por mim está completamente preenchido por mim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da ignorância sobre si mesmo existe o mundo, e pelo conhecimento sobre si mesmo, ele deixa de existir. Da ignorância sobre a corda uma cobra aparece e pelo conhecimento sobre a corda a cobra deixa de existir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O brilho é minha natureza essencial e eu não sou nada mais nada menos do que isto. Quando o mundo brilha adiante, é simplesmente eu que estou brilhando adiante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo isto aparece em mim, imaginado, devido à ignorância, da mesma forma como uma cobra aparece em uma corda, como a miragem da água sob a luz do Sol e como a prata na madre-pérola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo isto, que foi originado de mim, é transformado de volta em mim também, como uma cabaça se transforma em terra, a onda em água e um bracelete em ouro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quão maravilhoso eu sou! Glória a mim, para quem não há destruição, permanecendo mesmo além da destruição do mundo, desde Brahma até a última folha de grama.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quão maravilhoso eu sou! Glória a mim, solitário! Mesmo que com um corpo, eu não vou nem venho de lugar algum. Eu permaneço para sempre, preenchendo tudo o que há.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quão maravilhoso eu sou! Glória a mim! Não há ninguém tão hábil quanto eu! Eu criei tudo o que há, para sempre, sem mesmo que meu corpo fosse tocado!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quão maravilhoso eu sou! Glória a mim! Eu possuo nada de tudo e alternativamente possuo tudo que a linguagem e a mente podem se referir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecimento, o que é para ser conhecido e o conhecedor - estes três não existem na realidade. Eu sou realidade pura na qual eles aparecem, manchada pela ignorância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O dualismo é verdadeiramente a raíz do sofrimento. Não há outro remédio para ele do que a compreensão de que tudo o que alguém vê é irreal e que Eu sou a única realidade pura, consistindo de consciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sou pura consciência, apesar de através da ignorância ter me imaginado como tendo atributos adicionais. Pela reflexão contínua disto, meu lugar de habitação é o Inimaginado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, aqui não é nem prisão nem liberação. A ilusão perdeu sua base e cessou. Tudo isto verdadeiramente existe em mim, ainda que afinal de contas nem mesmo exista em mim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu reconheci que tudo isto e o meu corpo não são nada, enquanto que o meu verdadeiro Ser não é nada além de pura consciência - então agora, sobre o que pode a imaginação trabalhar?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O corpo, o céu e o inferno, a prisão e a libertação, e o medo também, tudo isto é imaginação ativa. O que há para se fazer por aquele que cuja verdadeira natureza é a consciência?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verdadeiramente eu não vejo dualismo mesmo em uma multidão de pessoas. Que prazer poderia ter quando voltasse ao ermo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu não sou o corpo, nem o corpo é meu. Eu não sou um ser vivente. Eu sou consciência. Foi minha sede por viver que me prendeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verdadeiramente é no oceano sem limite de meu Ser, estimulado pelas ondas coloridas dos mundos, que tudo repentinamente surgiu no vento da consciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quão maravilhoso é que no oceano sem limite de meu Ser, as ondas de seres vivos surgem, colidem, vivem e desaparecem, de acordo com suas naturezas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecendo-se a si mesmo como verdadeiramente único e indestrutível, como poderia um homem sábio como você, alguém que possui auto-conhecimento, sentir qualquer prazer em adquirir riqueza?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verdadeiramente, quando não se conhece o próprio Ser, tem-se prazer nos objetos da percepção errônea, da mesma forma que surge a cobiça pela aparente prata naquele que não conhece o que é madre-pérola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo isto brota como ondas no mar. Reconhecendo-se, Eu sou Isto, por que correr em círculos, como alguém com necessidade?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após ouvir de si mesmo como pura consciência e a beleza suprema, continua-se a cobiçar sórdidos objetos sensuais?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o sábio descobre que o Ser está em todos os seres e que todos os seres estão no Ser, será incrível se o senso de individualidade continuar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É incrível se uma pessoa que alcançou o estado não-dual supremo e está tentando os benefícios da liberação, ainda estiver sujeito à cobiça e cair novamente no desejo de copular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É assombroso que alguém já muito debilitado, e conhecendo muito bem que o interesse sensual é o inimigo do conhecimento, ainda procuraria ansioso pela "concupiscência", mesmo quando se aproxima os seus últimos dias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É espantoso que um que não está apegado às coisas deste mundo ou no próximo, que discrimina entre o permanente e o transitório, e que anseia por libertação, ainda deve sentir medo de libertação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem pode impedir a pessoa de grande alma que conhece esse mundo como a si mesmo de viver como lhe agrada?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De todas as quatro categorias de seres, de Brahma até a última moita de capim, só o homem de conhecimento é capaz de eliminar o desejo e a aversão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Raro é o homem que conhece a si mesmo como o Senhor indivisível do mundo, e sem medo lhe ocorre que sabe de tudo isso. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você não é limitado por nada. O que faz uma pessoa pura que você precisa renunciar? Colocando o organismo complexo para descansar, você pode ir para o seu descanso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Igualdade na dor e no prazer, igual na esperança e na decepção, igual na vida e na morte, e completo como você é, você pode ir para o seu descanso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sou infinito como o espaço, e o mundo natural é como um jarro. Para saber isso é o conhecimento, e então não há nem a renúncia, a aceitação ou a cessação do mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sou como o oceano, e a multiplicidade de objetos é comparável a uma onda. Para saber isso é o conhecimento, e então não há nem a renúncia, a aceitação ou a cessação do mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como alternativa, eu estou em todos os seres, e todos os seres estão em mim. Para saber isso é o conhecimento, e então não há nem a renúncia, a aceitação ou a cessação do mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se você pudesse ver as transformações dos elementos como nada mais do que os elementos, então você seria imediatamente libertado de todas as obrigações e estabelecido em sua própria natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza essencial da escravidão não é senão o desejo, e sua eliminação é conhecido como libertação. É simplesmente por não estar apegado a mudar as coisas que a alegria eterna da realização é atingida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Realizar, "Eu não sou o corpo, nem é o meu corpo. Eu sou a consciência ", a pessoa atinge o estado supremo e já não se lembra de coisas feitas ou desfeitas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Realizar, "É só eu, de Brahma até o último tufo de grama", torna-se livre de incertezas, puro, em paz e despreocupado com o que foi alcançado ou não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consciente de que todo este mundo variado e maravilhoso é nada, se torna uma receptividade pura, livre de inclinações, como se nada existisse, um encontra a paz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Janaka disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro de tudo eu era avesso à atividade física, depois a longo discurso e, finalmente, a pensar em mim, razão pela qual estou agora estabelecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na ausência de prazer no som e os outros sentidos, e pelo fato de que não sou eu mesmo um objeto dos sentidos, minha mente está focada e livre de distração - é por isso que estou agora estabelecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido à distração de coisas, como a identificação errada, somos levados a buscar a quietude mental. Reconhecendo esse padrão sou agora estabelecido. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A vida em comunidade, em seguida, vai além desse estado de meditação, e a eliminação de objetos fabricadas pela mente - por meio desses eu vi o meu erro, e agora estou estabelecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como o desempenho das ações é devido à ignorância, então o seu abandono é muito. Ao reconhecer plenamente essa verdade, eu sou agora estabelecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tentando pensar o impensável, está fazendo algo não-natural para o pensamento. Abandonando essa prática, portanto, estou agora estabelecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Yogis que se identificam com seus corpos são insistentes no cumprimento e evitando certas ações, mas eu vivo como eu quero, abandonando o apego e a rejeição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nenhum benefício ou perda vem a mim de pé, andando ou deitado, assim, consequentemente eu vivo como eu quiser se em pé, andando ou dormindo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu perco o sono por nada e nada ganho com esforço, então consequentemente eu vivo como eu quero, abandonando a perda e sucesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Frequentemente observando os inconvenientes de coisas como objetos de prazer, eu vivo como eu quero, abandonando a agradáveis ​​e desagradáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que por natureza é vazio e consciencioso, e que pensa das coisas não intencionalmente, é libertado como um despertar de um sonho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o meu desejo for eliminado, não tenho riquezas, amigos, sentidos, escrituras ou conhecimento?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Percebendo a minha suprema natureza própria, na pessoa da testemunha, o Senhor, e o estado de desejo em escravidão ou libertação, eu não sinto nenhuma inclinação para a libertação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os vários estados de quem está vazio de incerteza, e que aparentemente perambula como lhe agrada, como um louco, só podem ser conhecidos por alguém na mesma condição.&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Auto-Inquirição</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2011/04/auto-inquiricao.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Fri, 22 Apr 2011 14:17:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-2761446277827187379</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Questionador: Mas pedir para a mente voltar-se para dentro e buscar sua Fonte não é empregá-la?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maharshi: É claro, estamos usando a mente. É de conhecimento comum que a mente só pode ser extinta com a ajuda da mente. Mas a diferença é que ao invés de começar dizendo que a mente existe e que eu quero destruí-la, você começa buscando sua fonte, e quando você encontra a Fonte você vê que a mente não existe. A mente voltada para fora resulta em pensamentos e objetos; voltada para o interior ela se torna ela mesma o Eu Real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu não disse que você deve ficar rejeitando pensamentos. Se você agarrar a si mesmo – ou seja, se você agarrar o pensamento-eu ou ego – e mantiver-se interessado apenas nesse único pensamento, então os outros pensamentos serão rejeitados e desaparecerão automaticamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A investigação “Quem sou eu?” significa tentar encontrar a fonte do ego ou pensamento-eu. Então você não deve ocupar a mente com outros pensamentos, tais como “Eu não sou o corpo”, etc. Buscar a fonte do “eu” é um meio de se livrar dos outros pensamentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A individualidade é aquilo que está consciente da existência dos pensamentos e da sua sequência. Essa individualidade é o ego ou, como as pessoas dizem, é o “eu”.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Você não precisa eliminar nenhum falso “eu”. Como pode o “eu” eliminar a si mesmo? Tudo o que você precisa fazer é encontrar a Fonte do “eu”, e permanecer lá. O seu esforço só pode levá-la até este ponto. A partir daí o Transcendental vai tomar conta de si mesmo. Você não pode fazer mais nada então. Nenhum esforço pode chegar até Ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As noções de prisão e libertação são meras modificações mentais. Se, portanto, a pessoa investigar a fonte: “Para quem existe a prisão e libertação?”, será descoberto que é “Para mim”, isto é, para a própria pessoa. Se então ela investigar “Quem sou eu?” sinceramente, descobrirá que não existe o “eu” e “meu”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquilo que “sobra”, uma vez que o “eu” desaparece – ou melhor, é visto como não existente –, é realizado de forma vívida e direta como o Eu que ilumina a si mesmo e que é como é. Essa Realização viva, que é a experiência direta e imediata da Verdade Suprema, vem naturalmente, sem nada de especial sobre ela, a todos aqueles que, permanecendo assim como são, mergulham interiormente sem permitir que a mente se exteriorize nem por um momento, e nem desperdiçam seu tempo em conversas vãs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Questionador: Imagine que eu tenha o pensamento “cavalo”, e procure saber de onde ele veio. Fazendo isso eu vejo que ele vem da memória, e que esta surgiu da percepção passada de um “cavalo”, mas isso é tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maharshi: Quem lhe pediu para pensar tudo isso? Esses também são pensamentos... Qual é o bem que você espera ganhar pensando assim sobre a memória e a percepção? O “eu” que tem essa percepção e memória, de onde ele vem? Descubra. A percepção, a memória e qualquer outra experiência surgem sempre para este “eu”. Você não tem essas experiências durante o sono e mesmo assim você existe enquanto dorme, assim como existe agora. Isso apenas mostra que o EU continua enquanto as outras coisas vão e vêm.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você veio da mesma Fonte em que estava durante o sono.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo o que você precisa fazer é abandonar a sua identificação com esse corpo e abandonar todos os pensamentos de coisas externas, isto é, de coisas que não são o Eu Real. Por mais que a mente se exteriorize em direção aos objetos dos sentidos, detenha-a e fixe-a no Eu. Esse é todo esforço que você precisa fazer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos buscam apenas aquilo que lhes trará felicidade. A sua mente divaga em direção aos objetos exteriores pois você acredita que encontrará felicidade neles; mas descubra de onde a felicidade realmente vem, mesmo a felicidade que você acredita originar-se dos objetos dos sentidos. Então você perceberá que toda felicidade vem apenas do Eu e, com isso, será capaz de permanecer no Eu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Concentração não é pensar sobre algo. Pelo contrário, é excluir todos os pensamentos, já que todos os pensamentos obstruem a experiência do verdadeiro ser da pessoa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Questionador: Se o “eu” é uma ilusão, quem é que afasta este “eu”?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maharshi: O “Eu” afasta a ilusão do “eu” e mesmo assim continua sendo “Eu” – tal é o paradoxo da Auto-Realização. Mas os seres Realizados não vêem nenhum paradoxo nisto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você pode abandonar esta ou aquela das “minhas” posses; mas se, ao invés disso, você abandonar o “eu” e “meu”, tudo é abandonado de uma vez só, e a própria semente da posse é destruída. Com isso corta-se o mal pela raiz. Mas a força do desapego deve ser grande para que isso seja possível. A ânsia de fazer isso deve ser igual à ânsia de alguém que está sendo afogado e tem que subir à superfície para respirar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que é necessário é manter-se sempre fixo no Eu Real. Os obstáculos a isso são, por um lado, as distrações causadas pelas coisas do mundo e, por outro, o sono. Mas outro método é simplesmente não se preocupar com o sono. Quando quer que ele venha, você não pode evitá-lo, então simplesmente mantenha-se fixo no Eu Real, ou na sua meditação, em cada momento da sua vida desperta, e retorne à meditação no momento em que você acordar. Isso será suficiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, mesmo durante o sono a mesma corrente de consciência estará trabalhando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você nunca deve ficar satisfeito com qualquer experiência que tenha. Quer você sinta prazer ou medo, pergunte-se quem sente isso e continue seus esforços até que prazer e medo sejam ambos transcendidos e que a dualidade cesse, permanecendo assim apenas a Realidade. Não há nada de errado em experimentar essas coisas, desde que você não pare por aí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não se importe se há visões, sons, vazio, ou qualquer outra coisa. Você está presente nessas experiências ou não? Você deve ter estado lá para poder dizer que experimentou um vazio. Permanecer fixo neste “você” do início ao fim é a busca. É a mente que vê objetos e tem experiências que se depara com o vazio quando pára de ver e experimentar, mas essa mente não é você. Você é a iluminação constante que dá vida tanto à experiência quanto ao vazio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mente é pura por natureza, mas se contamina quando se envolve com os objetos. O ideal é mantê-la ativa em sua busca sem abrir as portas para as impressões sensoriais e sem pensar em outras coisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para aqueles que seguem o caminho do Conhecimento, a auto-inquirição é suficiente para desenvolver todas as qualidades divinas – eles não precisam se preocupar em fazer mais nada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Consciência que percebe o vazio é o Eu Real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneça sem pensar. Enquanto houver pensamento haverá medo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo mundo está consciente de que existe. No entanto as pessoas se esquecem dessa consciência e vão buscar Deus. Qual é a utilidade de fixar a atenção entre as sobrancelhas? O objetivo de tal conselho é ajudar a mente a se concentrar. É um método poderoso de controlar a mente e evitar sua dispersão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Questionador: Não é útil fazer um voto de silêncio?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maharshi: Um voto é apenas um voto. Ele pode ajudar a meditação até certo ponto; mas qual é a utilidade de meramente manter a boca fechada se você permite à sua mente mover-se desenfreadamente? Por outro lado, se a mente está envolvida na meditação qual a necessidade da fala? Nada é tão bom quanto a própria meditação. Qual é a utilidade de um voto de silêncio se a pessoa está absorta na atividade mental?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo o que se fala sobre a entrega é como roubar açúcar de uma imagem de açúcar de Ganesha e depois oferecê-lo ao mesmo Ganesha. Você diz que oferece seu corpo e alma e todas as suas posses a Deus – mas eles são seus para você poder oferecer? No máximo você pode dizer: “Eu erroneamente imaginei até agora que essas coisas, que na verdade são Vossas, eram minhas. Agora percebo que elas pertencem a Vós, e não mais agirei como se minhas fossem”. E esse conhecimento de que não existe nada além de Deus (Brahman) ou Eu Real (Atman), de que “eu” e “meu” são meras ficções, e que apenas o Eu Real existe, é Jnana (Libertação pela Sabedoria).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Questionador: Gostaria de saber quais são os passos por meio dos quais eu posso atingir a entrega?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maharshi: Há dois caminhos. Um é buscar a fonte do “eu” e mergulhar nessa Fonte; o outro é sentir “eu sou impotente sozinho; apenas Deus é todo-poderoso, e a única maneira de eu estar seguro é me atirando completamente Nele”, assim desenvolvendo gradualmente a convicção de que apenas Deus existe, e de que o ego é irrelevante. Ambos os métodos levam ao mesmo objetivo. A entrega completa é apenas outro nome para Jnana ou Libertação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"O estado natural é semelhante ao sono”, está correto. É o estado natural. Como você agora se identifica com o ego, você olha para o estado natural como se fosse algo que interrompesse seu trabalho ou prática. Então você deve ter essa experiência repetida até que você perceba que esse estado é seu estado natural.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Questionador: Como pode o domínio do ego ou pensamento-eu ser afrouxado?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maharshi: Não se acrescentando novas tendências mentais (pensamentos, memórias) a ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O exame da natureza transitória das coisas exteriores leva ao desapego. Assim, a investigação ou inquirição é o primeiro e mais importante passo. Quando ela se torna automática resulta em indiferença à riqueza, fama, conforto, prazeres, etc. Então o pensamento-“eu” é investigado até chegar-se à fonte do “eu”, o Coração, que é a meta final.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Questionador: O Guru ou Mestre é necessário?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maharshi: Isso depende do que você chama de Guru. Um Guru não precisa necessariamente ter uma forma física. Dattatreya disse que teve vinte e quatro Gurus – os cinco elementos, etc. Isso quer dizer que tudo no mundo era seu Guru. O Guru é absolutamente necessário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Upanishads dizem que ninguém além do Guru pode tirar o homem da selva das percepções sensoriais e formações mentais; logo, o Guru é indispensável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mestre está no interior. Se ele fosse um ser estranho pelo qual você espera, ele também estaria fadado a desaparecer. De que adianta um ser transitório como esse?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Questionador: O que é Deus?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maharshi: Por que se preocupar com Deus? Nós não sabemos se Deus existe mas sabemos que existimos, então primeiro concentre-se em si mesmo. Descubra quem você é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo o Vedanta está contido nas duas declarações bíblicas “Eu sou o que Eu sou” e “Permaneça imóvel e saiba que Eu sou Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Questionador: Então o que me impede de conhecer a mim mesmo ou Deus?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maharshi: A sua mente que divaga e seus caminhos desvirtuados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entregar-se completamente significa que você deve aceitar a vontade de Deus, e não reclamar do que não lhe agrada. As coisas podem se revelar diferentes do que pareciam. O sofrimento e a aflição muitas vezes levam a pessoa a ter fé em Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Questionador: Existem graus de ilusão?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maharshi: A ilusão é em si ilusória. Ela deve ser vista por alguém que encontra-se fora dela, mas como pode um observador assim estar sujeito a ela? Então, como ele pode falar de graus de ilusão?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ilusão é aquilo que faz os seres tomarem por real e existente por si aquilo que é inexistente e irreal, isto é, a trilogia mundo-ego-Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A essência da mente é apenas atenção ou consciência. Entretanto, quando o ego nubla a mente, esta adota as funções de raciocínio, pensamento e percepção. A mente universal, não sendo limitada pelo ego, não tem nada exterior a si, e portanto ela é apenas consciência. É isso o que a Bíblia quer dizer com “EU SOU O QUE EU SOU”.&lt;br /&gt;
&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;
S. Ramana Maharshi&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Ilusão e Pensamento</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2011/04/ilusao-e-pensamento.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Fri, 22 Apr 2011 02:55:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-72913373401702421</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Questionador: “ Porque o Ser não pode ser percebido diretamente?"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bhagavan (Maharshi): “Somente o Ser pode ser percebido diretamente. Embora sejamos o Ser, o pensamento 'Eu sou esse corpo' está ocultando-o. Se abandonamos esse pensamento, o Ser, que está sempre presente com a experiência de todos, irá brilhar." Um verso do Kaivalya Navanitam explica a gênesis desse pensamento. "Por que sua natureza não é determinável, maia (ilusão) é inexprimível. Estão em suas garras os que pensam: 'Isto é meu, eu sou o corpo, o mundo é real.' Oh, filho, ninguém pode determinar como essa ilusão acontece. E ela surge porque falta na pessoa o discernimento para inquirir. "&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se vemos o Ser, o objeto que está sendo visto, não irá aparecer como separado de nós. Tendo visto todas as letras no papel, falhamos em ver esse papel como a base. Da mesma maneira, o sofrimento somente surge porque vemos o que está superposto à base, sem olharmos para a própria base. O que está superposto não deveria ser visto, sem que o substrato fosse visto, também. Como ficamos quando estamos dormindo? Quando estamos dormindo, os vários pensamentos como: "este corpo", "este mundo" não estão aí. Deve ser difícil se identificar com esses estados que aparecem e desaparecem. Todos têm a experiência ,"eu sou sempre ". &amp;nbsp;Ao invés de dizer, "eu dormi bem", "eu acordei", "eu sonhei", "quando inconsciente não sabia nada", é necessário que a pessoa exista, e que saiba que existe, em todos esses três estados. Se a pessoa procura o Ser dizendo: "Não me vejo", como poderá encontrá-lo? Para sabermos que tudo o que vemos é o Ser, é suficiente que o pensamento eu-sou-o-corpo deixe de existir.&lt;br /&gt;
&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;
S. Ramana Maharshi&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>A Verdade Total  /+ Deva Premal</title><link>http://dim-dim-universos2.blogspot.com/2011/04/poesia-de-maharaj.html</link><category>Vedanta</category><author>noreply@blogger.com (Eze Ant)</author><pubDate>Wed, 20 Apr 2011 13:44:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7854833300120553041.post-3880251866709778641</guid><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/Y8vOp_czyOE" title="YouTube video player" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;---&lt;br /&gt;
A Libertação&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu estado de perfeição, a Consciência Total&lt;br /&gt;
É inconsciente de sua consciência;&lt;br /&gt;
Então a consciência se levanta &lt;br /&gt;
num gemido de Aum&lt;br /&gt;
e o sonho da criação começa.&lt;br /&gt;
É consciente de ser,&lt;br /&gt;
E exulta nesta condição de ser.&lt;br /&gt;
Imersa no amor do estado de eu sou,&lt;br /&gt;
Expressa-se na dualidade.&lt;br /&gt;
Através da união do duplo aspecto masculino-feminino,&lt;br /&gt;
Através dos cinco elementos:&lt;br /&gt;
Espaço, ar, fogo, água e terra,&lt;br /&gt;
Através dos três Gunas:&lt;br /&gt;
Sattva, Rajas e Tamas&lt;br /&gt;
Manifesta-se na duração.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
No sonho do espaço-tempo&lt;br /&gt;
Manifesta-se como fenômeno,&lt;br /&gt;
Criando milhões de formas,&lt;br /&gt;
Soprando nelas a força da vida&lt;br /&gt;
e  a consciência imanente que a tudo permeia;&lt;br /&gt;
Através destas formas, em regozijo amor por si mesma,&lt;br /&gt;
a consciência funciona como Prajna.&lt;br /&gt;
Os seres sensíveis – meras imagens,&lt;br /&gt;
Assim concebidos – maravilha das maravilhas! –&lt;br /&gt;
Como objetos uns aos outros se percebem,&lt;br /&gt;
assumindo a subjetividade por si mesmos,&lt;br /&gt;
Cada um, em maravilhosa ilusão,&lt;br /&gt;
Vê-se como entidade separada,&lt;br /&gt;
Com julgamento e vontade independentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada um esquece seu potencial ilimitado&lt;br /&gt;
como Númeno Absoluto, &lt;br /&gt;
e aceita sua identidade limitada como aparência,                &lt;br /&gt;
Um mero fenômeno;&lt;br /&gt;
Cada um toma o funcionamento de Prajna&lt;br /&gt;
Como suas próprias ações pessoais,&lt;br /&gt;
Ata-se a uma escravidão ilusória.&lt;br /&gt;
E ‘sofre’ dores e prazeres!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aparece, então, o Guru misericordioso,&lt;br /&gt;
Pleno de Graça e Luz divina,&lt;br /&gt;
E mostra a ele o que é realmente:&lt;br /&gt;
Aquilo que ele acredita ser&lt;br /&gt;
Nada mais é que um ovulo&lt;br /&gt;
Fecundado no útero da mãe,&lt;br /&gt;
No qual está latente a luz da sensibilidade&lt;br /&gt;
A noção de "eu sou", a consciência que ele é.&lt;br /&gt;
Com milhares de nomes designados,&lt;br /&gt;
Rama, Krishna, Ishwara, Brahman,&lt;br /&gt;
É o mesmo estado de "eu sou";&lt;br /&gt;
A luz da consciência, Mahamaya,&lt;br /&gt;
Em grandiosa ilusão, confunde&lt;br /&gt;
Sua própria natureza e a conduz erradamente.&lt;br /&gt;
Até que o Guru diga: Pare, veja a si mesmo&lt;br /&gt;
Como você é, em sua verdadeira glória.&lt;br /&gt;
Sobre seu estado original atemporal,&lt;br /&gt;
A numenalidade Absoluta, apareceu&lt;br /&gt;
Como uma doença temporária, o corpo-com-consciência,&lt;br /&gt;
Espontaneamente, sem causa ou razão,&lt;br /&gt;
como parte do funcionamento de Prajna.&lt;br /&gt;
E se desenvolve pelo seu tempo de vida&lt;br /&gt;
Até que, também espontaneamente desapareça –&lt;br /&gt;
e a consciência, não mais consciente de si mesma,&lt;br /&gt;
Funde-se na Consciência – ninguém nasce, ninguém morre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diz Nisargadatta Maharaj&lt;br /&gt;
De maneira simples e direta:&lt;br /&gt;
O que você era antes de adquirir o corpo?&lt;br /&gt;
Volte para a origem; permaneça tranquilo, e então&lt;br /&gt;
O buscador desaparecerá e&lt;br /&gt;
se fundirá na busca.&lt;br /&gt;
Não mais consciente da Consciência,&lt;br /&gt;
na Totalidade e unicidade, &lt;br /&gt;
Eu sou sem dualidade.&lt;br /&gt;
Com penetração e intuição, &lt;br /&gt;
Com profunda convicção, facil de apreender.&lt;br /&gt;
Isto-Que-É está além dos limites do intelecto.&lt;br /&gt;
Só a objetiva e a fenomênica –&lt;br /&gt;
presença ou ausência – o Intelecto poderá compreender.&lt;br /&gt;
Mas o que-Eu-sou não é presença nem ausência;&lt;br /&gt;
Ausência da presença da presença,&lt;br /&gt;
Ausência da presença da ausência,&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #ffe6b3; font-family: Trebuchet, 'Trebuchet MS', Arial, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="western"&gt;S. Nisargadatta Maharaj - Sinais do Absoluto&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://img.youtube.com/vi/Y8vOp_czyOE/default.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item></channel></rss>