<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334</id><updated>2024-11-08T07:32:48.230-08:00</updated><category term="contingências de reforço"/><category term="Condicionamento operante"/><category term="Comportamento Emocional"/><category term="Behaviorismo Radical"/><category term="Controle Aversivo"/><category term="Contracontrole"/><category term="Política"/><category term="Emoções"/><category term="Análise Funcional do Comportamento"/><category term="Condicionamento Respondente"/><category term="Educação"/><category term="Internet"/><category term="Terapia 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term="Álcool"/><title type='text'>Café com Ciência</title><subtitle type='html'>Psicologia científica ao alcance de todos.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' 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&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEilTc2eAm5ExxjLrqB5I1-OPy6Rt66Fagll5pP7D6Sh_0P9awqxjaOeBedZpbillOAG2uGywXgVyNcquKINkJT0jVesLm6y-W2GSNf5kRDtnNHVCkPUdhtvTaGHWXs3hSGLDuE0aAzK5zkB/s1600/Depress%25C3%25A3o.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;380&quot; data-original-width=&quot;556&quot; height=&quot;218&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEilTc2eAm5ExxjLrqB5I1-OPy6Rt66Fagll5pP7D6Sh_0P9awqxjaOeBedZpbillOAG2uGywXgVyNcquKINkJT0jVesLm6y-W2GSNf5kRDtnNHVCkPUdhtvTaGHWXs3hSGLDuE0aAzK5zkB/s320/Depress%25C3%25A3o.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Depressão é coisa séria e ninguém tem nenhuma dúvida a esse respeito. Mas mesmo assim existem muitas pessoas que tratam o problema como se não tivesse nenhuma importância. Como se não bastasse costumam dizer coisas que só pioram a situação de quem já está sofrendo com a depressão. Eis algumas pérolas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&quot;Vai Passar&quot;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
Existe um ditado que diz &quot;que tudo na vida é passageiro, exceto o motorista e o trocador&quot;. Não se aplica à depressão. A depressão não é um problema que costuma passar, que desaparece sozinho com o tempo. Aliás, o tempo não é o melhor remédio. Tempo nunca foi remédio pra nada. Agir de modo a mudar a situação, de forma planejada, é claro, é a melhor alternativa. Por isso o autoconhecimento tem um grande valor neste momento. Desta forma, a ajuda de um profissional &quot;Psi&quot; pode ser de grande valia. Não adianta dizer que vai passar. Pode até ser que passe, desde que, aquele/a que sofre com o problema consiga expandir as suas fontes para obtenção de reforçamento. Mas, vida de regra, a pessoa que tem depressão não consegue fazer isso sozinha. Dificilmente ela consegue identificar o que pode ser reforçador.&lt;br /&gt;
&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&quot;É Falta do Que Fazer&quot;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
No imaginário coletivo o remédio para a depressão é fazer alguma coisa. Isso certamente tem relação com a sociedade em que vivemos, uma sociedade que deposita no trabalho a esperança para a salvação de todos. O trabalho é a via para a redenção do homem, é o meio para a sua glorificação. Pelo menos é o que pensa uma sociedade centrada na exploração do trabalho como meio para produção de riquezas. Mas você já se perguntou que o fazer alguma coisa, seja ela o que for, é quase nada reforçador para quem sofre com depressão? O não fazer nada, comum à depressão, é um modo de fazer alguma coisa e pode ser uma das poucas fontes de reforçamento facilmente acessíveis para quem tem depressão. Não adianta mandar a pessoa fazer alguma coisa. Não é qualquer fazer que será reforçador. Por isso a importância de buscar ajuda profissional. Junto com o/a profissional a pessoa com depressão pode identificar novas fontes de reforçamento que suplantem os efeitos aversivos dos sentimentos comuns a um quadro depressivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;
&lt;b&gt;&quot;É Frescura&quot;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
Depressão não é queijo fresco, aquele que é muito gostoso de comer com goiabada. Aqui em Minas Gerais é uma das sobremesas preferidas dos mineiros. A ideia de frescor consolida a imagem de algo mole, de algo sem muita firmeza. Queijo fresco é mole. Já o queijo curado, o que usamos para fazer o pão de queijo, é duro como um porrete. Precisa ser ralado para que possa ser utilizado na massa. Aquela &quot;moleza&quot; da pessoa com depressão é resultado dos efeitos aversivos dos sentimentos comuns ao quadro depressivo. Sendo assim, o quadro já é suficientemente aversivo, e não é necessário ninguém para torná-lo ainda pior. Evite dizer que é frescura, pois não é. Se não tiver nada melhor pra dizer, fica aqui uma sugestão: não diga nada.&lt;br /&gt;
&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&quot;É Falta de Fé&quot;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
Estão aí o Padre Marcelo Rossi e o Padre Fábio de Melo pra provarem que a depressão e outros problemas psicológicos não guardam nenhuma relação com o exercício da fé. Ninguém tem dúvidas de que os dois sacerdotes são homens de muita fé. E lembre-se: a religião não funciona como estímulo reforçador para todas as pessoas. Helloooo, acorde! O que é reforçador para uma pessoa não é para a outra e isso depende da história de vida, ou para ser mais preciso: depende da história de reforçamento de cada um. E o mais importante: religião não é tratamento. O tratamento para a depressão deve ser feito com acompanhamento médico e também psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
De hoje em diante pense duas vezes antes de dizer que a depressão &quot;vai passar, &quot;que é falta do que fazer&quot;, &quot;que é frescura&quot; ou que ainda é &quot;falta de fé&quot;. &lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/4874087328204406410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2017/09/4-coisas-que-voce-nao-deve-dizer-para-quem-tem-depressao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/4874087328204406410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/4874087328204406410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2017/09/4-coisas-que-voce-nao-deve-dizer-para-quem-tem-depressao.html' title='Quatro coisas que você não deve dizer a uma pessoa que sofre com depressão: uma análise comportamental'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEilTc2eAm5ExxjLrqB5I1-OPy6Rt66Fagll5pP7D6Sh_0P9awqxjaOeBedZpbillOAG2uGywXgVyNcquKINkJT0jVesLm6y-W2GSNf5kRDtnNHVCkPUdhtvTaGHWXs3hSGLDuE0aAzK5zkB/s72-c/Depress%25C3%25A3o.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-2826689245265079989</id><published>2017-08-31T09:06:00.002-07:00</published><updated>2017-08-31T12:10:06.509-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Emoções"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Esquemas de reforçamento"/><title type='text'>Uma Análise Comportamental da Carência</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1r0I_6GSsmbrBiFDfh_bZdYRj9EbH7Xwi1Is1ve3HpUyfFHSl8pAY6bi154zHHgAGJqIFHD_CkZIjdBrRWSLhmk7Wv1J2DFUfyNzJDUfdLyJsPDVMyqeXCfqulU_MkyH9p-t7YRN3FCs/s1600/car%25C3%25AAncia.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;667&quot; data-original-width=&quot;1000&quot; height=&quot;213&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1r0I_6GSsmbrBiFDfh_bZdYRj9EbH7Xwi1Is1ve3HpUyfFHSl8pAY6bi154zHHgAGJqIFHD_CkZIjdBrRWSLhmk7Wv1J2DFUfyNzJDUfdLyJsPDVMyqeXCfqulU_MkyH9p-t7YRN3FCs/s320/car%25C3%25AAncia.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Desculpem mais uma vez pelo longo tempo sem realizar nenhuma postagem. Hoje vamos falar um pouco sobre algo que todo mundo já sentiu: carência. Metaforicamente e comportamentalmente a carência é semelhante à fome. Quando estamos com fome qualquer comida parece deliciosa. Quando estamos carentes qualquer relacionamento parece formidável. Mas o que está por trás de tudo isso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fome faz com que os alimentos adquiram sabores não notados anteriormente ou nos faz até mesmo comer o que normalmente nós não comemos. Não é muito diferente com os relacionamentos. Carência transforma qualquer relacionamento numa fonte &quot;inesgotável&quot; de realização emocional, até mesmo os relacionamentos com potencial para se tornarem tóxicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existe uma operação comportamental chamada privação que ajuda a entender porque isso acontece. Na privação a impossibilidade de contato com determinado reforço torna mais poderoso o seu efeito reforçador. A carência é marcada pela restrição de acesso a reforçadores condicionados importantes, como, por exemplo, atenção e afeto. Também pode ser marcada pela restrição a reforços de origem sexual, que são exemplos de estímulos reforçadores incondicionados (primários). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não por acaso a susceptibilidade de entrar em qualquer relacionamento que assinale com a possibilidade de reforçamento. Deste modo, a privação, leia-se carência, eleva a probabilidade&amp;nbsp; de comportamentos que aumentem as chances de produzirem os reforços que faltam. Daí podem surgir alguns problemas. Um deles é não avaliar com que frequência os reforçadores serão encontrados no novo relacionamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Reforços não ocorrem de modo contínuo. Isso é válido principalmente para aqueles que dependem do comportamento de outrem. A depender do relacionamento o &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/04/jogos-de-azar-uma-breve-reflexao-sobre.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;esquema de reforçamento&lt;/a&gt; pode exigir muitos esforços para que sejam apresentados os estímulos reforçadores. É algo semelhante ao que ocorre nos jogos de azar: o jogador continua jogando mesmo que a probabilidade de vencer seja muito pequena. É neste momento que o relacionamento pode se transformar numa relação tóxica. Muitas fichas são apostadas na relação, como nas máquinas de caça-níqueis, e o retorno obtido pode não compensar o esforço empreendido para obtê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cuidado, portanto, com a carência! Avalie a relação por aquilo que ela pode te proporcionar e pelo esforço que vai empreender para conseguir se sentir realizado(a). E pense em algo importante: os relacionamentos afetivos não são as suas únicas fontes de reforçamento. Existem outras. Procure explorá-las para não se tornar refém da carência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/2826689245265079989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2017/08/uma-analise-comportamental-da-carencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/2826689245265079989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/2826689245265079989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2017/08/uma-analise-comportamental-da-carencia.html' title='Uma Análise Comportamental da Carência'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1r0I_6GSsmbrBiFDfh_bZdYRj9EbH7Xwi1Is1ve3HpUyfFHSl8pAY6bi154zHHgAGJqIFHD_CkZIjdBrRWSLhmk7Wv1J2DFUfyNzJDUfdLyJsPDVMyqeXCfqulU_MkyH9p-t7YRN3FCs/s72-c/car%25C3%25AAncia.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-4761911483293932838</id><published>2016-12-14T13:09:00.000-08:00</published><updated>2016-12-15T06:53:38.435-08:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="coerção"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política"/><title type='text'>Da PEC da Morte ao Ataque à FIESP</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiw85aCWPmt7bMEeIy93YVO-hjkBYHfuV2a5YUEXajI3rcM45l4N-o0Gdrc5Ne8z1lB6SKTOgL0spLnoryUDa1pkwXNLm5jEbnVf8PrwHUAW7MML2QzqPEI0YkQV5JAGSMKtaG_Gk7rOThu/s1600/pec-55.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;238&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiw85aCWPmt7bMEeIy93YVO-hjkBYHfuV2a5YUEXajI3rcM45l4N-o0Gdrc5Ne8z1lB6SKTOgL0spLnoryUDa1pkwXNLm5jEbnVf8PrwHUAW7MML2QzqPEI0YkQV5JAGSMKtaG_Gk7rOThu/s320/pec-55.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Confesso que tinha muito tempo que eu não escrevia para o blog. Ele andava meio jogado às traças. Mas os últimos acontecimentos políticos no país reclamam uma reflexão, pois eles são de embrulhar o estômago, comportamento reflexo proveniente de uso recorrente de controle aversivo. Levantar da cama todas as manhãs tem sido uma tarefa hercúlea. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de consciência política, ou seja, que é capaz de descrever as contingências que envolvem o jogo político brasileiro e seus efeitos sobre o funcionamento da sociedade, sobre as macro e metacontingências, não consegue não se indignar. É punição atrás de punição!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isso levantar-se da cama associou-se à punição ou ameaça de punição. Fica a aquela sensação: &quot;que direito vou perder hoje por meio da realização de acordos escusos tramados nos bastidores do congresso nacional?&quot; Perder... Essa palavra assinala para algo importante: suspensão de reforçamento positivo, que também é uma forma de punição. E ontem, 13 de dezembro de 2016, no aniversário de 48 anos do AI-5 (Ato Institucional número 5) - que fechou o congresso e cassou direitos civis e políticos, e instaurou um tempo de perseguições contra tudo e contra todos que se posicionaram contra o regime militar -, foi aprovado em segundo turno no Senado a famigerada PEC 55, que também ficou conhecida como a PEC da morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A PEC 55 é resultado da correlação de forças entre dois projetos: o projeto da burguesia, que detendo os meios de produção, ou seja, os reforçadores mais importantes de uma sociedade capitalista, pode utilizá-los para reforçar os comportamentos de quem lhe interessa. Ao mesmo tempo a burguesia pode utilizá-los e também as contingências que envolvem punição e ameaça de punição sob o seu controle para punir os comportamentos dos grupos defensores do projeto rival, que é o projeto dos trabalhadores, cujo mote é o exercício de contracontrole contra toda a forma de controle aversivo que se origina da concentração dos principais reforçadores produzidos pela apropriação dos meios de produção e que são os reforçadores que estão na base de sustentação de todo o edifício capitalista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto a PEC era votada, do lado de fora do Senado, a Polícia Militar repreendia duramente os movimentos oposicionistas. Punição para toda forma de exercício da liberdade! Aqui liberdade está sendo utilizada em sua acepção mais ampla e não como ausência de determinação, pois não existe comportamento não determinado. Exercício da liberdade significa poder exercer contracontrole sem sofrer coerção. Mas o grupo no poder demonstrou e vem demonstrando reiteradamente que a liberdade de participação política é meramente ilusória. O que é garantido em lei não se materializa por meio de ações concretas, ou seja, as contingências de reforçamento descritas na constituição e em leis infraconstitucionais esbarram nas contingências sob controle de quem detém o poder, de quem controla os principais reforçadores do edifício capitalista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O exercício do contracontrole aponta para algo que o grupo no poder não quer deixar transparecer: o uso de contingências coercitivas é o padrão dominante no jogo de correlações de forças entre os dois projetos que a todo instante entram em choque no cenário político nacional: o projeto burguês e o projeto dos trabalhadores. Como pelas vias &quot;normais&quot; o contracontrole encontra obstáculos colocados pelo projeto concentrador de poder, pelo projeto concentrador dos principais reforçadores do edifício capitalista, resta o uso extremo da força manifestada por meio de atos &quot;violentos&quot;, o que explica o ataque à sede da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) em São Paulo, símbolo (estímulo discriminativo) incontestável das relações de desigualdades que permeiam toda a estrutura da sociedade brasileira e de todas as sociedades capitalistas, algumas mais e outras menos. Desigualdades, que em última instância, evidenciam como para alguns grupos o acesso a reforçamento é muito mais facilitado e para outros ele praticamente não existe. No fim, sem dúvida alguma, é tudo uma questão de acesso às fontes de reforçamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O contracontrole exercitado pelas pessoas que invadiram a sede da FIESP parece violento em sua aparência. Mas em sua essência traduz o quanto o uso de controle aversivo pelos grupos dominantes limita os horizontes de negociação. Ou seja, em sua topografia os comportamentos parecem violentos, mas em sua função eles são modelados pelo uso de controle coercitivo. Quem julga os manifestantes que invadiram a sede da FIESP como vândalos deveria aplicar o mesmo raciocínio aos que aprovaram a PEC 55, pois no fim das contas ela representa um assalto aos direitos dos trabalhadores, ou seja, o ato de violência partiu primeiramente do congresso, que não é o primeiro e nem será o último, infelizmente. Se a acusação está baseada em uso de controle coercitivo por parte dos manifestantes, por força do raciocínio, o mesmo tipo de controle foi utilizado pelo congresso que ignorou o apelo de toda a sociedade brasileira, que nos próximos 20 anos será submetida a uma profunda precarização dos serviços públicos como saúde e educação, dificultando ainda mais o acesso às fontes de reforçamento essenciais para a manutenção da vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há vida sem reforçamento. Se as fontes de reforçamento são escasseadas, inevitavelmente, a possibilidade de variabilidade comportamental fica limitada. O cenário para as próximas décadas não é dos melhores. Sem variabilidade comportamental teremos pessoas mais doentes e com menor capacidade de enfrentarem as adversidades. Não estranhem se os índices de &quot;adoecimento mental&quot; apresentarem um alargamento nos próximos anos. Sem fontes de reforçamento só resta uma alternativa: o adoecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A PEC 55 é um novo AI-5. Direitos civis e políticos não estão sendo cassados. Mas o corte orçamentário de políticas sociais coloca severos limites ao exercício da cidadania à medida em que submete a vida à lógica do mercado, que é uma lógica predominantemente baseada no uso de controle aversivo, pois quem tem bens consome, quem não tem sobrevive como pode, esperando, portanto, que alguma punição mais severa seja apresentada a qualquer instante. Na selva do mercado, regida pelas leis do darwinismo social, sobrevive o mais forte, o que acirra a competição e joga todos contra todos. Num cenário marcado por tamanha selvageria qualquer um pode ser transformado em inimigo. Resultado: muito sofrimento experimentado por meio de angústia e ansiedade, que são dois subprodutos emocionas resultantes do uso de controle coercitivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/4761911483293932838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2016/12/da-pec-da-morte-ao-ataque-fiesp.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/4761911483293932838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/4761911483293932838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2016/12/da-pec-da-morte-ao-ataque-fiesp.html' title='Da PEC da Morte ao Ataque à FIESP'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiw85aCWPmt7bMEeIy93YVO-hjkBYHfuV2a5YUEXajI3rcM45l4N-o0Gdrc5Ne8z1lB6SKTOgL0spLnoryUDa1pkwXNLm5jEbnVf8PrwHUAW7MML2QzqPEI0YkQV5JAGSMKtaG_Gk7rOThu/s72-c/pec-55.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-3788391908356707111</id><published>2014-10-22T13:19:00.001-07:00</published><updated>2014-10-23T05:55:49.689-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Assistência Social"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Políticas Públicas"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Políticas Sociais"/><title type='text'>Uma Reflexão Sobre a Lei Orgânica da Assistência Social</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUeTP4S9MCxkH2a5M9doknIYiQJ7KR8SkX9pV856_BINUegZEtewtM7WmQXM4XsPAz5d5_zq0MF-LRdcT7QHkCQh6znNrEm-I_bE-Am8XEwmjAbBIT41TmDQKULu9FZGilbQdRsxrDkvnT/s1600/justi%C3%A7a.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUeTP4S9MCxkH2a5M9doknIYiQJ7KR8SkX9pV856_BINUegZEtewtM7WmQXM4XsPAz5d5_zq0MF-LRdcT7QHkCQh6znNrEm-I_bE-Am8XEwmjAbBIT41TmDQKULu9FZGilbQdRsxrDkvnT/s1600/justi%C3%A7a.jpg&quot; height=&quot;240&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
O presente texto é uma transcrição de uma palestra realizada em 21/10/2014 no primeiro Fórum Sociojurídico do Centro Universitário de Formiga (UNIFOR-MG), faculdade em que atuo como professor universitário. A palestra tomou como alvo de suas reflexões a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). Sempre que possível algumas aproximações serão feitas com os princípios teóricos da Análise do Comportamento, modelo de ciência que tem como fundamento filosófico o &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/behaviorismo-matriz-teorica-mal-amada.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Behaviorismo Radical&lt;/a&gt;, tentando, desta forma, demonstrar que é possível realizar uma leitura comportamental de uma lei cujo objetivo é a criação de mecanismos capazes de promoverem a justiça social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A LOAS, lei de número 8.742 de dezembro de 1993, é um marco fundamental na trajetória história da assistência social brasileira, pois ela inaugura um novo modelo de gestão da política de assistência social baseado na universalização do acesso aos serviços sócioassistenciais e na descentralização político-administrativa. Em toda história da assistência social brasileira algo assim jamais havia sido realizado, o que representa um grande avanço. Vejamos porque.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A universalização do acesso aos serviços sociassitenciais rompe com as práticas clientelistas que no passado eram dirigidas a públicos muito restritos. Tratava-se de uma troca de favores. Por um lado o governo federal concedia alguns benefícios a determinados grupos e por outro lado estes mesmos grupos legitimavam as práticas governistas. Não é difícil enxergar aí as operações de &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-operante-definicao-e.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;reforçamento positivo&lt;/a&gt; sendo utilizadas para a manutenção da ordem e da paz ou para a manutenção dos interesses das classes dominantes. Neste sentido, temos uma assistência social tratada não a partir da lógica do direito, mas, sim, a partir da lógica da concessão. Notem, portanto, que reforçamento positivo nem sempre resulta em produtos que beneficiem a todos. Aliás, ele pode ser utilizado para manter relações de exploração, como as que sustentam o sistema de produção capitalista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A era Vargas (1930-1945) é pródiga em exemplos de como a concessão de benefícios assistenciais serviu ao propósito de legitimação das ações governamentais. No campo da proteção social, Vargas desmobilizou a organização trabalhista, que poderia ter exercido contracontrole sobre a gestão das políticas públicas, a exemplo de como aconteceu na Europa no mesmo período. Ele fez isso concedendo benefícios na medida em que determinadas categorias iam apresentando capacidade de mobilização social. Para evitar a mobilização, os benefícios eram concedidos mesmo antes de qualquer ação coletiva organizada. Aqui fica clara uma característica do Estado Brasileiro: todas as ações no campo social foram pensadas e efetivadas de cima para baixo, muito diferente do que aconteceu na Europa no período que sucedeu a crise de 1929 (quebra da bolsa de Nova Iorque), período em que foram fundadas as bases para o nascimento do Estado de Bem Estar Social (décadas de 40, 50 e 60).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Europa a mobilização da classe trabalhadora levou a conquistas de direitos no campo social. Neste sentido, é legítimo dizer que o Estado de Bem Estar Social tem como um dos seus pilares a mobilização dos trabalhadores. Reagindo à exploração capitalista, os trabalhadores exerceram contracontrole sobre as classes dominantes, o que foi determinante para o reconhecimento dos seus direitos. Aqui é possível um contraponto com os efeitos gerados pela utilização da coerção. É sabido que os comportamentos de contracontrole são um dos produtos gerados pelo uso do controle coercitivo. O contracontrole exercido pelos trabalhadores europeus, algo que vinha se processando desde o fim do século XIX e que se intensificou após a crise de 1929, foi um dos fatores responsáveis pela gestação do Estado de Bem Estar Social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já no Brasil o estado foi pensado de cima para baixo e as tentativas de mobilização eram coibidas ou desestimuladas por medidas de cooptação da classe trabalhadora. A criação dos Institutos de Aposentadoria e Pensão (IAP&#39;s) são um bom exemplo neste sentido. Os fundos de aposentadoria e pensão nascem com a lei Eloy Chaves em 1923, que institui a Caixa de Aposentadoria e Pensões (CAP) dos Ferroviários. As Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAP&#39;s), posteriormente estendidas a outras categorias profissionais, eram mantidas por acordos firmados entre empresas e empregados. Como o número de contribuintes era muito pequeno, as CAP&#39;s possuíam estruturas muito frágeis. Já as IAP&#39;s eram administradas com a participação do governo e começaram a ser instituídas a partir de 1933. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 1933 há uma proliferação de IAP&#39;s por todo o território nacional. Tinham direito aos benefícios das IAP&#39;s as categorias trabalhistas com maior poder de barganha com o governo. Então, a meritocracia era o critério utilizado para a concessão dos benefícios a determinadas categorias profissionais. Cabe salientar que os benefícios não eram unificados, o que significa dizer que eles variavam muito de uma categoria para outra, ou seja, um IAP de uma categoria profissional poderia ter benefícios diferentes de um IAP de outra categoria. Não havia universalização do acesso aos benefícios. A meritocracia reinava como critério de gestão das políticas sociais voltadas para os trabalhadores formalmente inseridos no mercado de trabalho. Este é um período marcado por políticas sociais contributivas, políticas gestadas nos moldes do que conhecemos hoje como política previdenciária. Neste caso, os benefícios só são acessados mediante a realização de contribuições compulsórias, ou seja, só recebe o benefício quem paga por ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma intencionalidade do governo Vargas em fazer parecer que os benefícios eram favores. Sendo assim, as políticas sociais desse período são marcadas não somente pela meritocracia, mas também pelo clientelismo e pelo assistencialismo. O trabalhadores eram uma clientela que tinha seu poder de mobilização comprado pela concessão de benefícios trabalhistas. Outra clientela que também legitimou o modo de institucionalização das políticas sociais no estado brasileiro, pensado de cima para baixo, como já foi salientado, foram os pobres assistidos por ações assistenciais desenvolvidas por instituições filantrópicas. Enquanto o governo cuidava dos trabalhadores, cabia às instituições filantrópicas o trabalho de assistir os pobres em suas emergências. A Legião Brasileira de Assistência (LBA), criada em 1942, serviu muito bem a este propósito.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cabia à LBA realizar os repasses de recursos para as instituições filantrópicas que desenvolviam as ações assistenciais, e essa foi a lógica que se manteve até 1995, quando a Legião Brasileira de Assistência foi extinta por medida provisória editada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC). A maior parte do tempo a LBA foi comandada pelas primeiras-damas. Quando do seu nascimento, coube à Darcy Vargas, esposa de Getúlio Vargas, o comando da LBA. Aqui se revela outro traço marcante da assistência social brasileira: o primeiro-damismo. O primeiro-damismo é uma estratégia interessante, pelo menos do ponto de vista do marketing político, pois associa as ações assistenciais à figura da primeira dama. Por conseguinte, a associação é estendida também aos seus maridos, ou seja, aos presidentes. Um parênteses: os analistas do comportamento conhecem muito bem esta operação, chamada tecnicamente de associação de estímulos. A associação de estímulos transfere a função de um estímulo para outro estímulo a ele associado. Isso acontece no &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-respondente-definicao.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;comportamento respondente&lt;/a&gt; e também no &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-operante-definicao-e.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;comportamento operante&lt;/a&gt;. Fechando o parênteses, voltemos ao primeiro-damismo, característica que encontrou ressonância em diversos governos, inclusive no governo de FHC, que a princípio propôs extinguir o clientelismo que marcava a gestão da assistência social brasileira, mas que na prática manteve o mesmo modus operandi dos seus antecessores. Mas antes, vamos dar uma rápida olhada para a era Collor. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O presidente Fernando Collor é um bom exemplo de como o primeiro-damismo é um traço marcante na história da assistência social brasileira. Quando do seu governo, sua ex-esposa, Rosane Collor, assumiu a coordenação da LBA. Tempos depois muitos escândalos envolvendo o desvio de verbas da LBA vieram à tona. Esse foi um dos motivos que levou à extinção desta instituição e sua substituição na era FHC por iniciativas capitaneadas pelo Programa Comunidade Solidária, programa que foi incapaz de romper com o primeiro-damismo e com a filantropia, pois à frente de sua gestão estava a Dona Ruth Cardoso, esposa do, então, presidente Fernando Henrique Cardoso. A grande contradição é que o Comunidade Solidária foi instituído e mantido na era pós LOAS, adotando como critério de gestão um outro traço marcante da assistência social brasileira: a focalização. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A focalização destina as ações assistenciais a grupos que se encontram em situação de pobreza, em situações de extrema emergência. Estabelece para isso critérios baseados em recortes de renda. A justificativa para tal medida é de que o estado deve enxugar os seus gastos para maximizar os efeitos das políticas macroeconômicas. A tese que sustenta tal raciocínio é aquela que diz que é necessário fazer a economia crescer para depois repartir os seus despojos. Nada mais falacioso, pois o crescimento econômico desacompanhado de medidas que promovam a justiça social por meio da redistribuição de renda, só faz multiplicar a concentração de riquezas e ampliar as desigualdades sociais. É bom que se diga que a redistribuição de renda só pode ser alcançada através da universalização do acesso aos serviços socioassistenciais. Neste sentido, a era FHC andou na contramão do direito, pois baseou suas ações no campo social nos fundamentos teóricos do neoliberalismo: privatização, terceirização e focalização. A era FHC andou na contramão do que fora estabelecido pela LOAS em 1993. É bom assinalar que a aprovação e promulgação da LOAS foi conseguida graças a pressão exercida pelo Ministério Público e por categorias profissionais defensoras de uma assistência social pensada a partir da ótica do direito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até aqui o leitor deve ter notado algumas coisas. Ora foi usado o termo ações assistenciais e em outros momentos foi utilizada a expressão serviços sociassistenciais. Isso foi proposital. O termo ações assistenciais revela o descompromisso do estado na prestação de serviços de proteção social que atinjam todo o conjunto da população ou aqueles que necessitem desses serviços para construírem uma vida mais digna, sem que para isso sejam necessárias a realização de contribuições compulsórias, como é o caso da previdência, que nasceu da unificação dos benefícios das IAP&#39;s, unificação alcançada pela Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS) promulgada em 1960 . O que fica evidente, portanto, é que durante muito tempo o estado brasileiro tratou as políticas sociais como concessão, assistindo aos pobres e barganhando com as diversas categorias trabalhistas para desmobilizar o seu poder de organização e de reivindicação, por isso o termo ação assistencial foi utilizado ao longo da história da assistência social para reforçar a noção de que o estado estava prestando um favor. Quem recebe um favor não se organiza para contestá-lo. Ao contrário, assume uma posição de subserviência e agradece pela oportunidade de recebê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O estado brasileiro, formado desde os tempos coloniais pelas elites da oligarquia rural, preservou os laços da subserviência mantida com relação à Coroa Portuguesa, laços que estendidos à gestão das políticas sociais, contribuíram para operacionalizar as engrenagens econômicas e prover a sustentação política das classes dominantes, mas não para promover a assistência social ao patamar do direito, algo que aconteceu muito tardiamente. Voltemos brevemente aos tempos de Getúlio Vargas. Estender benefícios trabalhistas a algumas categorias profissionais, com base na meritocracia, ajudou a criar um mercado consumidor para a nascente indústria brasileira. Do mesmo modo, ajudou criar uma clientela cativa, que junto aos pobres assistidos pelas instituições filantrópicas, sustentaram politicamente o desenvolvimentismo populista de Getúlio. Resguardadas as devidas proporções, ao longo da ditadura militar, as mesmas características até aqui enumeradas, se fizeram visíveis na gestão das políticas sociais. Dito isso, podemos afirmar com boa margem de segurança, que ao longo de sua trajetória histórica, a assistência social brasileira foi marcada por características que inviabilizaram a adoção de medidas que a promovessem ao patamar do direito. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma outra coisa o leitor deve ter percebido. Até a promulgação da LOAS, a gestão da assistência social, relegada ao filantropismo, esteve centralizada na esfera do governo federal. O mesmo se aplica às políticas sociais previdenciárias. As políticas sociais no campo da previdência social, voltadas, portanto, para os trabalhadores formalmente inseridos no mercado de trabalho, estiveram centralizadas ora no Ministério do Trabalho, ora no Ministério da Previdência Social criado em 1974 durante a ditadura militar, ou estiveram dividas entre ambos. Até 1974 os ministérios do trabalho e previdência social formavam um único ministério. A centralização também se fez notar na condução das ações assistenciais dirigidas aos &quot;desvalidos&quot;, pois as instituições filantrópicas que conduziam estas ações estiveram sob o comando da LBA. Esta centralização inviabilizou durante muito tempo a democratização da gestão pública, em especial, a democratização da gestão da assistência social, e sobretudo, mantiveram-na presa às amarras do assistencialismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a promulgação da LOAS é inaugurado um novo modelo de gestão da assistência social, que assume como uma de suas diretrizes a descentralização político-administrativa. No artigo 5º da LOAS é dito que &quot;a organização da assistência social tem como base as seguintes diretrizes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
I) descentralização político-administrativa para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios e comando único das ações em cada esfera do governo;&lt;br /&gt;
II) participação da população por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis;&lt;br /&gt;
III) primazia da responsabilidade do Estado na condução da política de assistência em cada esfera do governo.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A descentralização político-administrativa rompe com a centralização e favorece a democratização da gestão. Desta forma, a assistência social se aproxima do público ao qual ela está dirigida, ou seja, ela se aproxima daqueles que precisam do provimento dos mínimos sociais para terem acesso a uma vida mais digna. A expressão &quot;mínimos sociais&quot; aparece no artigo 1º da LOAS:&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;
&quot;A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os &lt;b&gt;mínimos sociais&lt;/b&gt;, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas&quot; (BRASIL, 1993, grifo acrescentado).&lt;/blockquote&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
É preciso cuidado com a interpretação da expressão &quot;mínimos sociais&quot;. Os teóricos que assumem uma postura mais liberal-conservadora tendem a interpretá-la como o mínimo necessário à sobrevivência, o que justificaria a adoção de medidas de gestão baseadas na focalização, ou seja, baseadas em ações dirigidas a grupos específicos, que para receberem os benefícios sociais devem preencher determinados critérios de renda. Já os teóricos defensores dos direitos sociais, entendem os &quot;mínimos sociais&quot; como um conjunto de iniciativas operadas sob a responsabilidade do estado, e não das organizações filantrópicas como querem os mais conservadores, cujo objetivo é criar as condições necessárias para o acesso a uma vida em que haja bem estar social. Eis aí uma brecha da LOAS. Ela deixa em aberto o conceito de &quot;mínimos sociais&quot;.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejam que a LOAS coloca a assistência como dever do Estado e direito do cidadão, regulamentando, desta forma, os artigos 203 e 204 da Constituição Federal de 1988. Nestes artigos é definida a assistência social e são estabelecidos os seus objetivos. O que significa dizer que a LOAS é dever do Estado e direito do cidadão? Significa que o cidadão pode cobrar pelo cumprimento deste direito. Em outras palavras, a LOAS institui o controle social, para usar aqui a linguagem própria da gestão pública. Mas em linguagem comportamental, ela institui a possibilidade de contracontrole. Basta olhar para o inciso segundo do artigo 5º da LOAS, que fala da participação da população na gestão da política de assistência social e veremos ali o exercício do controle social. Essa participação se efetiva por meio dos conselhos de assistência social presentes nas três esferas do governo: união, estados e municípios. Nos municípios a criação dos conselhos é condição que precisa ser cumprida para que ocorra o repasse de verbas fundo a fundo, ou seja, sem a participação da população na gestão o município fica impossibilitado de receber verbas federais. Outra condição precisa ser satisfeita para que ocorra o repasse de verbas fundo a fundo: a criação do plano de assistência social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de democratizar a gestão da assistência social, a LOAS também profissionaliza a gestão. O que significa que os serviços sócioassistencias devem ser ofertados àqueles que necessitarem desses serviços conforme um planejamento aprovado por meio da participação popular. E o espaço privilegiado para esta participação são os Conselhos Municipais de Assistência Social (COMAS). A partir da LOAS o planejamento é local, e não mais imposto de cima para baixo, o que tecnicamente é chamado de primazia do Estado em cada esfera do governo. Se antes a assistência social mantinha-se afastada do seu público-alvo, agora ela dele se aproxima por meio de um planejamento que deve ser capaz de atender às demandas de cada esfera do governo. Ela rompe com a lógica da descontinuidade na prestação dos serviços, que sendo ofertados através das instituições filantrópicas, tinham seus orçamentos suspendidos por quaisquer oscilações que colocassem em xeque a governabilidade. Governabilidade é um termo pomposo para justificar as medidas de arrocho orçamentário e diminuição do papel do Estado no que tange ao cumprimento de suas obrigações no campo social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo entendida a partir da LOAS como dever do estado e como política não-contributiva, a Assistência Social passa a atingir camadas subalternizadas da sociedade e que antes ficavam descobertas pelas ações assistenciais desenvolvidas a partir da lógica da terceirização, ou seja, desenvolvidas pelas instituições filantrópicas que assumiam uma responsabilidade que deveria ser do Estado, a responsabilidade de oferecer aos seus cidadãos a oportunidade de construírem suas vidas com base nos princípios do bem estar social. Com a LOAS as ações assistenciais estigmatizantes se transformam em serviços sócioassistenciais, ou seja, em serviços públicos oferecidos por meio de uma rede de instituições que compõem o Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Em seu artigo 6º a LOAS dispõe sobre a criação de um sistema descentralizado para amparar a implementação da Política Nacional de Assistência Social (PNAS), criada em 1998 e revisada em 2004 após as deliberações da IV Conferência Nacional de Assistência Social em 2003. Esse sistema é o SUAS, que formado por diferentes níveis de complexidade, atende a demandas específicas, sempre tentando promover a justiça social, que ao contrário da justiça tradicional, deve retirar a venda e se posicionar em favor daqueles que são vitimizados pelas desigualdades sociais produzidas pelo funcionamento do sistema de produção capitalista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos comportamentais, a LOAS cria as condições para que todos possam acessar reforçadores primários e secundários essenciais a uma vida com mais felicidade, pois ao se libertarem de suas privações,&amp;nbsp; os homens podem ocupar o seu tempo com tarefas que não sejam aquelas voltadas exclusivamente para a busca da sobrevivência. Só o homem primitivo gastava todo o seu tempo buscando os meios para sobreviver. Sua vida consistia em colher frutos e abater animais para ter o que comer. O homem moderno não pode passar sua vida apenas em busca de comida. Ele precisa produzir. A LOAS liberta o homem para produzir ao elevar a Assistência Social ao patamar do direito, pois cria as condições para que ele acesse os mínimos sociais necessários à edificação de uma vida mais digna. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
REFERÊNCIAS:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Loas Anotada: Lei Orgânica de Assistência Social. Brasília, DF, 2009. 36 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/3788391908356707111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/10/uma-reflexao-sobre-lei-organica-da.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/3788391908356707111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/3788391908356707111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/10/uma-reflexao-sobre-lei-organica-da.html' title='Uma Reflexão Sobre a Lei Orgânica da Assistência Social'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUeTP4S9MCxkH2a5M9doknIYiQJ7KR8SkX9pV856_BINUegZEtewtM7WmQXM4XsPAz5d5_zq0MF-LRdcT7QHkCQh6znNrEm-I_bE-Am8XEwmjAbBIT41TmDQKULu9FZGilbQdRsxrDkvnT/s72-c/justi%C3%A7a.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-6196742936738573351</id><published>2014-09-10T14:11:00.002-07:00</published><updated>2014-09-10T14:11:42.371-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contingências de reforço"/><title type='text'>Boca, Coração e Repertórios Comportamentais</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnc0guyVB5DdIl9cBoA0cbWPRWVaLNk0jOhEJkvpi40KHLUl6tYji1UjQT4d6vjVOLLFTaeDla07341W-QZA-iL-WDMWCevuFadXYR9ZqyZ87x9jQ-X0gmy1cZ-p_j7nMTWbsXp_t4kxzm/s1600/cora%C3%A7%C3%A3o.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnc0guyVB5DdIl9cBoA0cbWPRWVaLNk0jOhEJkvpi40KHLUl6tYji1UjQT4d6vjVOLLFTaeDla07341W-QZA-iL-WDMWCevuFadXYR9ZqyZ87x9jQ-X0gmy1cZ-p_j7nMTWbsXp_t4kxzm/s1600/cora%C3%A7%C3%A3o.jpg&quot; height=&quot;320&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
No evangelho de Mateus 12:34, é atribuída a Jesus uma frase que sintetiza alguns princípios muito importantes para o entendimento do comportamento humano: &quot;(...) a boca fala daquilo que o coração está cheio&quot;. Os princípios aos quais nos referimos são teoricamente sintetizados por aquilo que chamamos de contingências de reforço. Não vamos nos deter sobre a definição do que seriam as contingências de reforço. Existe um outro texto postado neste blog que se encarrega desta tarefa: &quot;&lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2013/08/ha-algo-mais-profundo-que-as-contingencias-do-reforco.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Há algo mais profundo que as contingências de reforço?&lt;/a&gt;&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Propomos uma tradução comportamental para a frase de Jesus: &quot;nos comportamos com os comportamentos que fazem parte de nossos repertórios&quot;. Numa linguagem mais leiga e menos técnica, diríamos que agimos de acordo com aquilo que somos, com aquilo que aprendemos ao longo de nossa história de vida. Ao vivermos nossa história, ao experimentarmos diferentes experiências, nossos comportamentos vão sendo modelados pelas contingências de reforço aos quais vamos sendo expostos. Isso significa que estas contingências têm uma ação seletiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta ação é válida para os três níveis de determinação do comportamento: filogênese, ontogênese e sociogênese. Na filogenia os comportamentos que aumentaram as chances de adaptação da espécie foram selecionados por causa do seu valor de sobrevivência. Estão incluídos entre estes comportamentos os padrões fixos de ação e os comportamentos respondentes. Saiba mais sobre os comportamentos respondentes &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-respondente-definicao.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;clicando aqui&lt;/a&gt;. Na ontogênese são selecionados os comportamentos que preparam o homem para viver num ambiente em constante mutação. Neste nível de determinação estão os comportamentos operantes. Saiba mais sobre eles &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-operante-definicao-e.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;clicando aqui&lt;/a&gt;. E na sociogênese ou cultura, são selecionados os comportamentos que beneficiam a sobrevivência de grupos e instituições. A sociogênese inclui uma categoria de comportamentos que chamamos de comportamentos verbais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem entrar no mérito da definição de comportamento verbal, que é complexa e gastaria um post unicamente para ela, o que podemos dizer é que o homem é um ser de linguagem. O homem fala. O homem possui comportamento verbal. Parece que Jesus está se referindo a esta categoria de comportamentos, ou seja, ele indica que provavelmente está fazendo referência aos comportamentos verbais. Ele parece querer assinalar que se o homem fala de amor, é porque o amor tem lugar em sua vida. Se ele fala de ódio, é porque o ódio é uma experiência marcante em sua história. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, alguém pode falar de amor, mas viver como se não soubesse o que é o amor. Os psicólogos rogerianos, também conhecidos como humanistas, chamariam isso de incongruência. É uma boa adjetivação! Incongruência é o mesmo que incoerência. Os analistas do comportamento falariam da não correspondência entre comportamento verbal e comportamento não-verbal. Grosseiramente seria o mesmo que falar uma coisa e fazer outra. Mas tecnicamente não é bem assim... Deixemos o tecnicamente para uma outra. Por enquanto nos contentemos com uma explicação mais superficial. Nos tempos de Jesus os fariseus eram os mestres da incongruência. Pregavam uma coisa e viviam outra. Nos tempos de hoje temos muitos fariseus por aí, como, por exemplo, os Malafaias da vida. Pregam o amor e se opõem ao reconhecimento dos direitos de algumas minorias... Melhor nem comentar!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os fariseus analisados a partir da ótica da frase de Jesus - e aqui vamos abrir um parêntese para dizer que a análise também se estende aos fariseus dos tempos de hoje, principalmente àqueles que levantam muitas bandeiras como a do amor ao próximo e a da igualdade de acesso aos bens da cultura e sociedade, mas que na vida privada se comportam de modo a contrariar o que defendem -, seriam, então, categorizados como incongruentes, ou hipócritas, caso utilizemos as palavras do próprio Jesus. Na verdade, estão se comportando com os comportamentos que têm em seus repertórios, comportamentos selecionados pelas contingências de reforço que figuraram em suas histórias de vida. Isso é em essência&amp;nbsp; falar o que existe no coração, ou seja, comportar-se com os comportamentos que se tem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, se alguém fala de amor, mas pratica o ódio, isso quer dizer que os comportamentos de praticar o ódio são muito mais reforçadores. Mas é preciso estender a compreensão do que entendemos como expressões do comportamento verbal. Comportamentos verbais não são expressos apenas pelo falar. Não falamos apenas com a boca. Alguém pode falar através de uma risada ou mesmo um olhar irônico. A vantagem de não falar com a boca, como, por exemplo, falar com olhares e expressões, é que não se sabe ao certo o que os olhares e expressões querem dizer, ou seja, não se sabe ao certo a função exercida por esses comportamentos. Assim, o falante se esquiva de possíveis punições, pois ninguém poderá alegar que a função exercida pelos olhares e expressões irônicas é a de exercer controle coercitivo. Vejam, portanto, a maleabilidade do comportamento verbal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Topograficamente um comportamento pode ser apenas uma risada, mas funcionalmente ele pode ser uma ironia. Em sua forma ele é uma risada, algo que deveria produzir reforçamento positivo, mas em sua função ele exerce controle coercitivo. Está aí a plasticidade do comportamento operante, em especial a plasticidade do comportamento verbal. Jesus denuncia esta plasticidade utilizada, sobretudo, para o exercício do controle coercitivo, ou seja, para punir ou ameaçar de punições. Não deveríamos nos perguntar se a denúncia de Jesus não continua atual? Não deveríamos nos perguntar sobre o que estamos falando e o que o conteúdo do que expressamos denuncia sobre o que está em nossos corações? Comportamentalmente falando, não deveríamos olhar para os nossos comportamentos e a partir deles analisarmos o que revelam sobre nossos repertórios comportamentais e sobre as contingências que fazem suas manutenções? São contingências que mantêm comportamentos que exercem controle coercitivo ou são contingências que mantêm comportamentos que promovem o bem estar daqueles com quem convivemos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fica aí a pergunta para que todos façamos uma reflexão sobre nós mesmos e sobre o mundo que estamos construindo com os nossos comportamentos. Esse mundo é menos ou mais habitável? A longo prazo ele contribuirá ou não para a sobrevivência da espécie?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/6196742936738573351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/09/boca-fala-do-que-tem-no-coracao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/6196742936738573351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/6196742936738573351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/09/boca-fala-do-que-tem-no-coracao.html' title='Boca, Coração e Repertórios Comportamentais'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnc0guyVB5DdIl9cBoA0cbWPRWVaLNk0jOhEJkvpi40KHLUl6tYji1UjQT4d6vjVOLLFTaeDla07341W-QZA-iL-WDMWCevuFadXYR9ZqyZ87x9jQ-X0gmy1cZ-p_j7nMTWbsXp_t4kxzm/s72-c/cora%C3%A7%C3%A3o.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-7883729518534658751</id><published>2014-08-18T10:37:00.001-07:00</published><updated>2014-08-19T10:27:29.609-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Comportamento Emocional"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Condicionamento operante"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Condicionamento Respondente"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Controle Aversivo"/><title type='text'>Do Que Você Tem Medo?: uma análise comportamental das reações fóbicas</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWdZL__A-vFleKeZ8RvWZH9b64s3w3IruWgg2s3cutOpvp0VGQWlQg4WOTHUQiD8-SXA65UEq_8AasmgpUWHSCuRO8haD9OEnzjvGI4LxRJNQM3bttm5DvDPSVHBehFNCiStbSi8MDfGyw/s1600/fobia.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWdZL__A-vFleKeZ8RvWZH9b64s3w3IruWgg2s3cutOpvp0VGQWlQg4WOTHUQiD8-SXA65UEq_8AasmgpUWHSCuRO8haD9OEnzjvGI4LxRJNQM3bttm5DvDPSVHBehFNCiStbSi8MDfGyw/s1600/fobia.jpg&quot; height=&quot;200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Fobia vem do grego Fobos. Para os gregos Fobos era filho de Ares. Na Mitologia Grega Ares é o deus da guerra e Fobos é a personificação do medo e do terror. Fobos era levado pelo pai para as guerras para aterrorizar e afugentar os inimigos. Se Fobos é a personificação do terror, a fobia, seria, então, um tipo de reação emocional marcada exclusivamente pelo medo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na fobia o medo é o ator principal e também o plano de fundo, sendo usado como critério para identificá-la. Geralmente quatro condições devem ser satisfeitas para caracterizar uma fobia: 1) A ocorrência de um medo intenso; 2) O medo estar relacionado com uma situação específica; 3) O medo criar a condição para a fuga da situação responsável por sua ocorrência; 4) O medo ser acompanhado por alterações fisiológicas como a taquicardia, a sudorese, o tremor, as vertigens etc. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Analista do Comportamento olharia com suspeitas para as condições enumeradas. Em primeiro lugar, ele não entenderia a fobia como ela normalmente é entendida. Nas abordagens psicodinâmicas, aquelas que compreendem o comportamento como o produto do funcionamento de um aparelho mental, uma fobia seria a expressão de conflitos inconscientes. A cura ocorreria pela identificação destes conflitos, que por sua vez promoveria uma catarse, ou seja, uma descarga emocional que colocaria fim ao desgaste energético gerado pelos próprios conflitos. Neste sentindo, a fobia seria uma espécie de patologia mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Analista do Comportamento assumiria uma posição bastante distinta. Para ele uma fobia não é uma doença. Aliás, é bom que se diga que ele suspeitaria não somente da fobia enquanto manifestação psicopatológica, como também entenderia que o termo &quot;fobia&quot; serve ao único propósito de descrever a topografia de alguns comportamentos que ocorrem enquanto a pessoa está sentindo um medo intenso, medo que notoriamente está relacionado à exposição a certas contingências de reforço. Isso significa que a descrição é insuficiente, pois ela não revela a funcionalidade do comportamento, ou seja, ela não revela os motivos que produzem o medo e nem como a sua ocorrência está relacionada a circunstâncias bastante específicas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Analista do Comportamento seria ainda mais criterioso. Ele não assumiria o medo como a causa da fuga. O medo e a fuga são causados pelas mesmas circunstâncias. O que nelas existe para provocar o medo e a fuga é a presença de controle coercitivo. Como o controle coercitivo assumiu o poder de gerar o medo e de produzir a fuga é algo que se deve investigar na história de reforçamento do indivíduo que sente medo e também foge. Cai, portanto, por terra, o terceiro critério para a caracterização de uma fobia: &quot;O medo criar a condição para a fuga da situação responsável por sua ocorrência&quot;. O medo não é a causa da fuga. Ele é tão produto quanto o comportamento de fugir da situação temida. Emoções não são causas de comportamento. Emoção também é comportamento. Isso já foi longamente trabalhado em outras postagens, basta &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/search/label/Comportamento%20Emocional&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;clicar aqui&lt;/a&gt; para acessá-las.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Analista do Comportamento também derrubaria a condição de número quatro, pois o medo é um exemplo de comportamento emocional, o que significa que ele não é marcado apenas pelo aparecimento de respostas reflexas produzidas a partir de &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-respondente-definicao.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;condicionamento respondente&lt;/a&gt;: taquicardia, tremor, sudorese etc. Ele também é marcado pela ocorrência de consequências que alteram a frequência com que ocorre, o que o caracteriza como &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-operante-definicao-e.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;comportamento operante&lt;/a&gt;. A consequência é manter afastada a situação temida. Sempre que exposto à situação temida o sujeito foge. Fugir é um exemplo de comportamento mantido por reforçamento negativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Portanto, a fobia não é uma doença. A fobia é um conjunto de comportamentos que envolve a fuga de uma situação temida. A situação temida é fonte de controle aversivo. O que a fuga faz é afastar os estímulos aversivos. Mas quanto mais o sujeito foge ou mesmo evita a situação temida, mais ele diminui as chances de que o medo enquanto comportamento emocional seja colocado em extinção. É aí que entra a análise funcional. Ela revelará a frequência com que o medo ocorre, que estímulos aumentam as chances dele ocorrer e, que, sobretudo, estabelecem a ocasião para o comportamento de fugir. Feito isso, podem ser planejadas intervenções que tenham como tônica a exposição do sujeito às situações relacionadas com o medo e com a fuga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Está exposição contribui para que seja rompido o pareamento de estímulos estabelecido por meio de &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-respondente-definicao.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;condicionamento respondente&lt;/a&gt;. Lembram-se do cão de Pavlov? Quando Pavlov apresentou o som sem que ele fosse associado com a comida, o que acabou acontecendo? O som perdeu a sua função de eliciar a resposta de salivação. A situação temida é o estímulo condicionado que provoca as respostas reflexas que constituem a dimensão respondente do medo: taquicardia, sudorese, tremor, desarranjo gastrointestinal etc. A exposição planejada ao estímulo condicionado diminuirá o mal estar provocado por todas estas respostas reflexas, pois este estímulo sofrerá uma extinção gradual, perdendo, assim, sua função de provocar as respostas enumeradas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algo novo ocorre quando o mal estar é minimizado. O sujeito diz para si mesmo: &quot;sou capaz de enfrentar esta situação&quot;. Ele produz uma regra que sustentará o comportamento de enfrentamento da situação temida. Essa regra descreve as contingências de uma nova forma: &quot;não preciso ter medo de enfrentar esta situação&quot;. As regras anteriores diziam: &quot;tenho medo desta situação, não consigo enfrentá-la&quot;. O sujeito passa a descrever as contingências de reforçamento de um modo diferente, e nesta descrição os estímulos aversivos perdem o seu lugar de destaque. Caem por terra as antigas regras, aquelas que faziam com que a situação parecesse temerosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Portanto, numa análise comportamental, o que interessa é identificar as contingências que modelaram e que fazem a manutenção dos comportamentos fóbicos, comportamentos que envolvem as dimensões respondentes e operantes do medo. Isso é o mesmo que submeter a fobia a uma análise funcional, análise que fornecerá os parâmetros para a construção de intervenções que coloquem em extinção o comportamento de fugir das situações temidas, e ao mesmo tempo terminem o mal estar produzido por estas situações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/7883729518534658751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/08/analise-comportamental-das-fobias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/7883729518534658751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/7883729518534658751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/08/analise-comportamental-das-fobias.html' title='Do Que Você Tem Medo?: uma análise comportamental das reações fóbicas'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWdZL__A-vFleKeZ8RvWZH9b64s3w3IruWgg2s3cutOpvp0VGQWlQg4WOTHUQiD8-SXA65UEq_8AasmgpUWHSCuRO8haD9OEnzjvGI4LxRJNQM3bttm5DvDPSVHBehFNCiStbSi8MDfGyw/s72-c/fobia.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-4598642540152702063</id><published>2014-06-10T11:50:00.001-07:00</published><updated>2021-12-01T12:34:03.950-08:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Condicionamento operante"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Controle Aversivo"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="reforçamento positivo"/><title type='text'>Cão de Briga: do controle coercitivo ao reforçamento positivo</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlXJ5AbInHNj1vkp7ymgnzTgQhTRrxin5-UXg6-oRh40QcWmdIPPtYowu1pATL69fynt2dMVntQP8PmzbgRiIWIYXz1gxCUR0Zc4rPca1-KGxo52D90EqxlddsFkXEDpSfYi2rmvdZ5Uq5/s1600/c%C3%A3o+de+briga.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlXJ5AbInHNj1vkp7ymgnzTgQhTRrxin5-UXg6-oRh40QcWmdIPPtYowu1pATL69fynt2dMVntQP8PmzbgRiIWIYXz1gxCUR0Zc4rPca1-KGxo52D90EqxlddsFkXEDpSfYi2rmvdZ5Uq5/s1600/c%C3%A3o+de+briga.jpg&quot; width=&quot;236&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
O filme Cão de Briga não é um daqueles filmes que têm um roteiro brilhante, mas estimula-nos a pensar sobre os processos relacionados com a determinação do comportamento humano. Quando falamos de comportamento humano, inevitavelmente, estamos falando de comportamento operante, isso porque a maior parte dos comportamentos que constituem nossos repertórios comportamentais fazem parte desta classe de comportamentos que chamamos operantes. &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-operante-definicao-e.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui&lt;/a&gt; caso você queira saber um pouco mais sobre o comportamento operante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O filme &quot;Cão de Briga&quot; pode ser analisado a partir de duas perspectivas: de uma perspectiva mais poética ou de uma perspectiva mais técnica. De uma perspectiva mais poética diríamos que o amor tudo transforma, mas incorreríamos no erro de analisar a determinação do comportamento conforme o senso comum e insistir na tese de que ele é um produto das emoções. Pelo conhecimento que a análise experimental do comportamento já acumulo até o momento, não há nada mais falacioso do que afirmar que o comportamento é um produto das emoções. Emoções são comportamentos como quaisquer outros comportamentos. &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2013/01/a-dificil-tarefa-de-falar-de-sentimentos.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui&lt;/a&gt; se você quiser saber um pouco sobre como as emoções são analisadas a partir da perspectiva do Behaviorismo Radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nosso interesse aqui é analisar o filme de uma perspectiva mais técnica. Mas não abandonaremos a premissa de que o amor tudo transforma, desde que amor seja entendido como um conjunto de disposições comportamentais modeladas a partir de contingências de reforço em que o reforçamento positivo seja predominante. Sendo assim, ser tocado pelo amor e ser por ele transformado é o mesmo que ser exposto a contingências de reforçamento positivo e sofrer as ações destas contingências. Quando amamos alguém é mais do que lógico que queiramos estar do lado da pessoa amada, pois os seus comportamentos são para nós fontes abundantes de reforçamento positivo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez seja por aqui que devemos iniciar a análise dos comportamentos do personagem principal: Danny (Jet Li). A grande lição que fica do filme Cão de Briga é que quando bem aplicados os reforços positivos podem modelar comportamentos que aumentam as chances de sucesso na interação do sujeito com o mundo ao seu redor. Já o controle coercitivo pode diminuir as chances de sucesso e produzir efeitos colaterais bastante nocivos. Saiba mais sobre o controle coercitivo &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/04/prisoes-e-punioes-algumas-reflexoes.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;clicando aqui&lt;/a&gt;. Você também pode &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/search/label/Controle%20Aversivo&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;clicar aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mudanças comportamentais observadas em Danny são produtos das mudanças que ocorreram nas contingências de reforçamento que modelaram os seus comportamentos. Danny fora criado pelo seu &quot;tio Barty&quot; (Bob Hoskins), um mafioso e agiota que usava a força bruta (espancamento e ameaças de espancamento) para cobrar a dívida daqueles que lhe deviam dinheiro. Danny era o &quot;instrumento&quot; utilizado por Barty para espancar os seus devedores quando eles ameaçavam não pagar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na verdade Barty não era tio de Danny. Barty criou Danny desde criança quando a sua mãe fora brutalmente assassinada em sua frente pelo mafioso. Barty criou Danny como se fosse um cachorro, sendo &quot;adestrado&quot; para atacar e matar. É relevante salientar que Danny chegava a usar uma coleira. Quando Barty queria que Danny atacasse ele tirava a coleira e dizia: &quot;pega&quot;. Danny partia para cima do seu alvo e o espancava até que Barty mandasse parar. Para Danny não haviam alternativas, ou ele atacava ou era severamente punido por Barty. O comportamento de atacar era mantido por reforçamento negativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Danny vivia literalmente como um cão. Tinha um repertório de socialização e verbalizações muito limitado. Ele também comia com as mãos e não tinha hábitos de higiene pessoal. Era quase um autista. O uso de controle coercitivo gera produtos colaterais nefastos que interferem na aprendizagem de comportamentos mais úteis. Uma criança severamente punida na escola possivelmente apresentará problemas de aprendizagem. Ela passará a maior parte do tempo tentando fugir ou se esquivar das punições, e esses comportamentos vão interferir com os comportamentos de aprender, vão com eles se incompatibilizarem. Dificilmente ela conseguirá ao mesmo tempo aprender matemática e fugir das punições. Ou a criança faz uma coisa ou se dedica a outra. Esta análise pode ser estendida a Danny. Severamente punido por Barty, o controle coercitivo produziu efeitos nocivos que dificultaram na aprendizagem de comportamentos mais úteis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por um acaso do destino tudo se modifica quando Danny tem a oportunidade de conhecer a família de Sam (Morgan Freeman) e Victoria (Kerry Condon). Não entraremos aqui nos meandros de como esse acaso do destino se processou, assistam ao filme e descubram. Com Sam e Victoria Danny teve uma das primeiras oportunidades em sua vida de ter acesso a fontes de reforçamento positivo. Sua vida é transformada ao desfrutar desta possibilidade. Sam e Victoria acolheram Danny. Habilidosamente ofereceram carinho e atenção para cada iniciativa demonstrada por Danny no sentido de tentar estabelecer episódios de interação social. A princípio não questionaram a respeito do seu nome e nem muito menos a respeito da coleira que usava.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o ambiente se tornara suficientemente confortável é que Victoria retirou a coleira de Danny. A esta altura Danny já percebera que não tinha mais do que fugir ou se esquivar, pois naquele ambiente não existiam punições. Naquele ambiente a coleira não sinalizava a possibilidade de ser punido, pois não existiam agente punidores. Aos poucos a coleira vai perdendo a sua função de estímulo discriminativo que sinalizava a possibilidade de ser submetido a punições. Naquele ambiente Danny fizera uma descoberta formidável, algo que sinalizava reforços positivos de um passado longínquo: a música e o piano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Victoria tocava pianos e Sam era um afinador de pianos. Sam descobrira que Danny gostava de pianos. Depois de diversas idas e vindas na história do filme, com o retorno do &quot;tio Barty&quot; e outros contratempos, Sam e Victoria ajudaram Danny a se lembrar de seu passado. A mãe de Danny também tocava pianos e fora assassinada porque não conseguiu saldar sua dívida com Barty. O dinheiro havia sido utilizado pela mãe de Danny para pagar as mensalidades da faculdade de música. Piano para Danny era um estímulo discriminativo que sinalizava os reforços positivos proporcionados pela mãe. Os comportamentos de se lembrar do passado foram suscitados pela mudança nos estímulos discriminativos, ou usando uma linguagem um pouco mais técnica, foram suscitados pela mudança no controle de estímulos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que fica da história do filme &quot;Cão de Briga&quot;? Que entre usar controle coercitivo e reforçamento positivo é melhor usar reforçamento positivo. O reforçamento positivo evita os contratempos produzidos pelo uso do controle coercitivo e aumenta as chances de sucesso na interação do sujeito com o mundo ao seu redor. Coerção não é a melhor opção. Seus efeitos são drásticos, e vão desde o aniquilamento da saúde do indivíduo punido até a sua insurreição contra o agente punidor. Nem mesmo o agente punidor escapa dos efeitos da punição, pois a revolta é sempre uma reação que pode acontecer a qualquer instante, que o diga o nosso personagem Danny que no final do filme se voltou contra o seu tio Barty. Assistam ao filme e voltem para conversarmos... &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/4598642540152702063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/06/cao-de-briga-do-controle-coercitivo-ao-reforcamento-positivo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/4598642540152702063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/4598642540152702063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/06/cao-de-briga-do-controle-coercitivo-ao-reforcamento-positivo.html' title='Cão de Briga: do controle coercitivo ao reforçamento positivo'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlXJ5AbInHNj1vkp7ymgnzTgQhTRrxin5-UXg6-oRh40QcWmdIPPtYowu1pATL69fynt2dMVntQP8PmzbgRiIWIYXz1gxCUR0Zc4rPca1-KGxo52D90EqxlddsFkXEDpSfYi2rmvdZ5Uq5/s72-c/c%C3%A3o+de+briga.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-1416506820103513087</id><published>2014-05-17T12:18:00.001-07:00</published><updated>2014-05-17T12:18:03.767-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Behaviorismo Radical"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contingências de reforço"/><title type='text'>Somos Todos Macacos?</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjBFNXqgXw2k8U3ta7Z6bbRJ45Dz9-GwVs6pXpgEDnU1TmjzZjX4QbOxbiXDV1_tGMAlBbsnFbGEcTqSNOhmnKc-ctBLYPI6-y_L0LkN6V8pU6O18R-g6M9UamzjA9rVS7zevW7WIi4oBwg/s1600/macaco.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjBFNXqgXw2k8U3ta7Z6bbRJ45Dz9-GwVs6pXpgEDnU1TmjzZjX4QbOxbiXDV1_tGMAlBbsnFbGEcTqSNOhmnKc-ctBLYPI6-y_L0LkN6V8pU6O18R-g6M9UamzjA9rVS7zevW7WIi4oBwg/s1600/macaco.jpg&quot; height=&quot;320&quot; width=&quot;240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&quot;Somos todos macacos&quot; foi mais uma das polêmicas produzidas dentro de um campo de futebol. Tudo começou quando o jogador Daniel Alves, atleta do time espanhol Barcelona, comeu uma banana atirada no campo pela torcida do time adversário. A imprensa oportunista, incluindo a equipe de publicidade do jogador Neymar, colega de time de Daniel Alves, lançou a campanha &quot;Somos Todos Macacos&quot;. Muitos embarcaram na campanha, inclusive um certo apresentador de TV, que sendo dono de uma loja virtual, lançou uma camisa com o slogan &quot;Somos Todos Macacos&quot; junto a imagem de uma banana. Não precisa dizer que o dito cujo faturou muito com a polêmica...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eis aí as contingências do capitalismo transformando um debate tão importante, como é o caso deste que gira entorno do racismo, em uma mercadoria. De quebra a transformação do debate em mercadoria acaba contribuindo para o seu esvaziamento. O seu esvaziamento é funcional aos anseios daqueles que administram as contingências do capital, pois assim podem continuar usando estas contingências para explorarem os que estão às margens da sociedade, inclusive e principalmente os negros. Desta forma vai sendo feita a manutenção das contingências coercitivas, aquelas cujo os resultados nefastos nós conhecemos, que vão desde a desumanização do homem até a sua completa aniquilação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, não é este o foco deste texto. Tecnicamente, que resposta pode ser dada para a pergunta que intitula este post? Afinal, somo todos macacos ou não? Definitivamente não! Não somos todos macacos, ainda que guardemos com os chimpanzés uma semelhança genética de 98%. Desde o polegar opositor ao neocórtex mais desenvolvido, há muitas diferenças que nos distanciam dos macacos. E não se trata apenas de diferenças estruturais, mas também de diferenças que surgem a partir de nossa inserção no mundo da linguagem, da nossa capacidade de ampliarmos os efeitos das contingências ontogenéticas através das descrições que delas fazemos, o que é indicativo de que o comportamento verbal inaugura um novo tipo de seleção que supera e complementa os outros níveis que operam na filogenia e na ontogenia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A filogenia prepara a espécie para um ambiente semelhante ao que ela se desenvolveu. A ontogenia seleciona comportamentos que permitem uma melhor adaptação a um mundo em constante mudança. E não venham os críticos da noção de adaptação igualarem-na à ideia de submissão. Uma coisa nada tem a ver com a outra. Adaptar-se é comportar-se com o repertório comportamental que se tem dada as circunstâncias que selecionaram este repertório e as contingências que no presente continuam fazendo a sua manutenção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um indivíduo pode ter como alternativa para lidar com determinados problemas o escape proporcionado por entorpecentes. Dada a sua história de vida e as contingências que fazem a manutenção dos comportamentos que levam ao uso de drogas, a utilização destas substâncias pode ter sido a alternativa construída como saída para lidar com os problemas que se vive. Esta é uma forma de adaptação. Já um outro indivíduo com uma outra história de reforçamento, pode encontrar na arte, nos estudos, no trabalho ou numa vida de ativista político a sua forma de adaptação. Adaptar-se não é submeter-se. Adaptar-se é comportar-se com o repertório que se tem, modelado e mantido por contingências filogenéticas, ontogenéticas e culturais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com relação a sociogenia, o nível em que operam as contingências culturais, contingências que selecionam práticas culturais que mantêm a forma de funcionar de uma cultura, o que se tem a dizer é que elas nos distanciam de qualquer possibilidade de sermos macacos. Mas não nos entusiasmemos muito, pois não podemos ignorar que compartilhamos com as outras espécies, inclusive com os macacos, aquilo que nos torna tão humanos: as leis que regem os nossos comportamentos, e é isto que possibilita a generalização dos resultados de estudos feitos a partir da análise das contingências envolvidas na determinação do comportamento animal para o entendimento do comportamento humano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somos assim tão especiais quanto pensamos. Querendo ou não, compartilhamos com os macacos, e não somente com eles, uma história evolutiva em comum. Tanto eles como nós temos comportamentos selecionados por causa do seu valor de sobrevivência: comportamentos respondentes. Tanto eles como nós temos comportamentos que são afetados pelas consequências que produzem, e o que torna isso possível para humanos e não humanos é a susceptibilidade ao reforçamento. A susceptibilidade ao reforçamento, ou seja, a sensibilidade de certa classes de comportamentos às consequências que produzem, é um produto da evolução. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de Galileu ter retirado a Terra do centro do universo, a segunda grande decepção da humanidade foi constatar que ela não era a obra prima da criação. Este foi o grande golpe desferido por Charles Darwin contra a vaidade humana, vaidade tão anticientífica. Mais do que anticientífica, ela perpetua a crença no criacionismo, que diga-se de passagem é uma prática cultural muito comum em círculos religiosos que se protegem dos avanços da ciência criando entorno de si uma blindagem metafísica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O terceiro e definitivo golpe é aquele produzido a partir dos estudos da Análise Experimental do Comportamento, que revela-nos que não só compartilhamos uma história evolutiva em comum com as outras espécies, como também compartilhamos as leis que regem o funcionamento do nosso comportamento, ou seja, as contingências envolvidas na determinação do comportamento animal são as mesmas envolvidas na determinação do comportamento humano, e isso se aplica ao comportamento verbal, que é um exemplo de comportamento operante, de comportamento afetado pelas consequências que produz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somos macacos, mas nada nos autoriza a ignorarmos as descobertas que já foram produzidas a partir do estudo do comportamento animal!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/1416506820103513087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/05/somos-todos-macacos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/1416506820103513087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/1416506820103513087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/05/somos-todos-macacos.html' title='Somos Todos Macacos?'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjBFNXqgXw2k8U3ta7Z6bbRJ45Dz9-GwVs6pXpgEDnU1TmjzZjX4QbOxbiXDV1_tGMAlBbsnFbGEcTqSNOhmnKc-ctBLYPI6-y_L0LkN6V8pU6O18R-g6M9UamzjA9rVS7zevW7WIi4oBwg/s72-c/macaco.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-5852504104114615210</id><published>2014-01-05T08:25:00.002-08:00</published><updated>2014-01-17T16:10:06.536-08:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contingências de reforço"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Introspecção"/><title type='text'>Introspecção: um exemplo de comportamento</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgY5O0amFAslGJbm320Vq2jPDG8UEkHs-wwLopGLfbhIjO278tRUKnqpV0Qko-C2145owlM9In7VsphtufWE5ybPweiMRlWg_MxWUoMUP64Y53My7q3f_5hE7xVL4nNjVR_lnZ6UQuu-5GJ/s1600/introspection.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgY5O0amFAslGJbm320Vq2jPDG8UEkHs-wwLopGLfbhIjO278tRUKnqpV0Qko-C2145owlM9In7VsphtufWE5ybPweiMRlWg_MxWUoMUP64Y53My7q3f_5hE7xVL4nNjVR_lnZ6UQuu-5GJ/s320/introspection.jpeg&quot; height=&quot;238&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
No nascimento da Psicologia, que de acordo com os manuais históricos ocorreu em 1879 com a criação do primeiro laboratório de Psicologia na Universidade de Leipzig na Alemanha, a instrospecção ocupava o lugar de destaque. Wund, criador do referido laboratório, foi um dos precursores na utilização da introspecção como método de estudo. Introspecção é uma palavra formada pela junção de duas outras: intro + prospecção. Intro quer dizer dentro e prospecção significar sondar. Sendo assim, introspecção é o mesmo que olhar para dentro em busca de algo, em busca da realização de algum tipo de sondagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante muito tempo a introspecção continuou sendo utilizada como método de estudos. Sua finalidade era possibilitar a sondagem dos elementos responsáveis pela formação da vida mental. Lógico que sua utilização envolvia uma série de dificuldades, e por isso o observador tinha que ser treinado para observar os seus próprios estados internos, de modo que seu relato pudesse ser o mais livre possível de contaminações subjetivas. A ciência se edifica sobre métodos, não somente sobre estes, mas faz deles usos que os tornam indispensáveis na produção de conhecimento científico, não sendo possível imaginar a empreitada científica sem a utilização de alguma metodologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas imaginemos as dificuldades envolvidas na utilização da introspecção. Há dificuldades metodológicas e também epistemológicas. Estas últimas dão origem a um raciocínio mentalista circular, em que as observações dos estados internos constituem o único indício de uma mente em funcionamento, ou seja, os efeitos são as únicas evidências das causas, se é que os estados internos observados podem de fato serem chamados de efeitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma outra alternativa mais interessante é pensarmos a introspecção como mais um comportamento a ser explicado. O comportamento de olhar para dentro é válido? Certamente! Mas ele é um comportamento como qualquer outro e deve ser explicado a partir das contingências de reforçamento. O que nós vemos quando enxergamos o nosso interior? Não temos olhos de raios-x, então, não podemos ver as nossas vísceras, e mesmo que pudéssemos isso não seria muito agradável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao olharmos para o interior, ao contrário do que se pensa, não enxergamos uma mente em funcionamento. Enxergamos o nosso comportamento em funcionamento. O que enxergamos relatamos em forma de sentimentos. Ao olharmos para o nosso interior podemos sentir com mais acuidade nosso peito apertado e nossa respiração ofegante. Essa observação é relevante, pois permite-nos dar um nome para esses estados fisiológicos: angústia. Identificada a angústia podemos nos questionar: que eventos estão me deixando angustiado, que eventos estão fazendo com que eu me sinta desta forma? O mesmo procedimento é válido para outros estados emocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pergunta sobre as causas a respeito dos estados emocionais é importante, pois faz o olhar voltar-se para fora, para as contingências de reforçamento. Posso estar me sentindo angustiado por ter feito algo muito errado, por ter magoado alguém, por ter ferido uma pessoa que gosto. Essa pessoa pode ter suspendido temporariamente alguns reforços positivos em função do meu comportamento coercitivo. Então, o que sinto é um produto destas contingências de reforçamento. Se consigo fazer a correlação entre o que é sentido e o que ocorre em termos de contingências de reforçamento, posso dessa forma alterar estas contingências. Posso me desculpar, posso reconhecer os meus erros, posso tentar restabelecer o relacionamento rompido etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posso aprender com as contingências e compreender que a pessoa ferida não suporta certos comportamentos meus direcionados a ela. Na presença dessa pessoa terei que evitar certos comportamentos. Desse modo a presença dela é estímulo discriminativo para evocar comportamentos contrários aos comportamentos de tratá-la coercitivamente, o que explicaria o meus comportamentos de autocontrole. O autocontrole consiste em manipular de tal forma as contingências de modo a evocar comportamentos incompatíveis com aquilo que pede as circunstâncias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltemos ao comportamento de introspecção. No cotidiano ele é de grande relevância, pois permite a observação de tendências de nos comportamos neste ou naquele sentido. Ele possibilita a observação de nossos estados emocionais, e as emoções fornecem indicações sobre as contingências que afetaram nossos comportamentos no passado, que afetam nosso comportamento no presente e que podem afetá-lo no futuro. A introspecção permite a construção de autoconhecimento, e este é um comportamento modelado pela comunidade verbal por causa do seu valor em promover relações interpessoais mais saudáveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todavia, temos grandes dificuldades de colocar em prática no cotidiano o comportamento de introspectar nossos estados emocionais e repertórios comportamentais encobertos. Isso é compreensível, tendo em vista que corremos o risco de nos depararmos com descobertas a nosso respeito que podem ser assustadoras. Nesse sentido a introspecção pode estar associada ao controle coercitivo. No entanto, não há alternativas. Se queremos ampliar o conhecimento que temos sobre nós mesmos, a introspecção pode ser uma via que possibilite a descrição das contingências relacionadas ao nosso comportar-se. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vamos, então, introspectar? Eu estou fazendo isso e espero lograr muitos êxitos. Convido o leitor a fazer o mesmo...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abraços!&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7bAm5mDMgf1n3seF7mknQfaxovZqtieX_gkPZxA4U7IuegWofa6-UTtOldEjeDxYSvsR42OIHertaNGRwBhKSHldIc0mXE6gQbPKBYuFPA66GpRBaGUzsm8QS61BZTo5v0RA0Nw73Zk-K/s1600/introspection.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/5852504104114615210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/01/introspeccao-um-exemplo-de-comportamento.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/5852504104114615210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/5852504104114615210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/01/introspeccao-um-exemplo-de-comportamento.html' title='Introspecção: um exemplo de comportamento'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgY5O0amFAslGJbm320Vq2jPDG8UEkHs-wwLopGLfbhIjO278tRUKnqpV0Qko-C2145owlM9In7VsphtufWE5ybPweiMRlWg_MxWUoMUP64Y53My7q3f_5hE7xVL4nNjVR_lnZ6UQuu-5GJ/s72-c/introspection.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-5725963007368446855</id><published>2014-01-04T11:23:00.000-08:00</published><updated>2014-03-07T09:39:24.353-08:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contingências de reforço"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Jesus"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Relações interpessoais"/><title type='text'>Jesus e as Relações Interpessoais</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjkyKkdF08kCiLV9rm_M28qk5ROnZK8ivRz4bOIb8YIDLNryn8nbfmKYgqGxJWRnS5O2Q0x4ay4_nxXa4CGcpzZQVw1FCprqlph9KovsRZ0yAp8S2Iku0oghDEwwevp_XB4MlMmTRC3tdDf/s1600/Jesus_e_a_pecadora.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjkyKkdF08kCiLV9rm_M28qk5ROnZK8ivRz4bOIb8YIDLNryn8nbfmKYgqGxJWRnS5O2Q0x4ay4_nxXa4CGcpzZQVw1FCprqlph9KovsRZ0yAp8S2Iku0oghDEwwevp_XB4MlMmTRC3tdDf/s320/Jesus_e_a_pecadora.jpg&quot; height=&quot;237&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
O que este texto pretende é proceder a uma análise de algumas passagens dos evangelhos, tentando com isso evidenciar as contingências que envolvem os comportamentos de Jesus, e como estas parecem apontar para algo que está no centro da missão de divulgar a boa nova: transformar o mundo através da transformação das pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não é pretensão dessa análise realizar questionamentos sobre a historicidade do personagem que na bíblia é descrito como Jesus e nem mesmo sobre a sua divindade tão advogada pelas religiões cristãs, divindade utilizada como critério para apontá-lo como o senhor do Céu e da Terra. Mas, o que se pretende é demonstrar a centralidade da missão de Jesus em divulgar uma boa nova que tem como tema central o amor, e para isso o veículo utilizado foram as relações interpessoais, afinal, ao falar de amor, ele precisava demonstrá-lo por meio das relações estabelecidas com as pessoas que o seguiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E como demonstrar amor? Jesus ensinava lições de amor dando exemplos de como ele poderia ser expressado. Eis aí um exemplo de modelação. Na modelação o comportamento de alguém serve de modelo. O comportamento de alguém como modelo tem a função de estímulo discriminativo, cuja função é sinalizar os reforços positivos que serão apresentados se o comportamento for imitado. Boa parte dos comportamentos aprendidos na infância ocorrem por modelação. A criança imita os pais, e e pela imitação acaba recebendo alguns reforços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jeito de ensinar de Jesus se distinguia da forma de ensinar dos fariseus e doutores da lei, grupos que ele criticava com frequência, pois ao mesmo tempo em que se entregavam aos rituais, por outro lado se mantinham longe das pessoas, e sobretudo, submetiam-nas a regimes religiosos bastante opressores. O texto da mulher apanhada em adultério fornece um bom exemplo das habilidades sociais de Jesus e de como ele valorizava muito mais o contato humano - contato permeado por muitos reforços positivos - do que os rituais de oblação e expiação dos pecados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estes rituais tinham duas funções: 1) Manter o poder da classe de sacerdotes que dominavam a forma de execução dos rituais; 2) Manter a arrecadação do templo, que além de ser um centro religioso, era também um centro financeiro importante. Não é difícil concluir então, que os sacerdotes do tempo de Jesus utilizavam os poderes que tinham para oprimir o povo, e faziam isso buscando na religião as justificativas para a manutenção de um sistema coercitivo que rendia altos dividendos para a privilegiada casta sacedortal. Essa religião estabelecia um distanciamento entre os sacerdotes e o povo e esse distanciamento era permeado por muita coerção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao valorizar as relações interpessoais Jesus rompe com esse sistema que usa a coerção como meio exclusivo para manter o controle dos fiéis. Voltemos ao exemplo da mulher adúltera (João 8, 1-11). Esta mulher seria apedrejada por ter sido apanhada em adultério. Escribas e fariseus levaram-na diante de Jesus. Como se não bastasse lembraram que a lei de Moisés mandava apedrejar esse tipo de mulher até a morte. Narra o evangelho de João que a resposta de Jesus não foi imediata, pois deteve-se durante um tempo escrevendo com o dedo no chão. Temos duas possibilidades para o comportamento de Jesus: 1) Jesus tentou conseguir um tempo para pensar antes de dar uma resposta; 2) Jesus evitou entrar em confronto direto com os escribas e fariseus, pois estes estavam exaltados e desejavam colocá-lo à prova.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda possibilidade parece ser a mais provável tendo em vista os comportamentos de Jesus em outras passagens encontradas nos outros evangelhos, passagens em que ele responde ao ódio com o amor e o perdão (Lucas 7, 36-47) e às&amp;nbsp; ofensas com o acolhimento (Lucas 22, 50). Jesus respondeu aos escribas e aos fariseus: &quot;Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.&quot; (João 8, 7b). Esta é uma valiosa lição para se praticar no âmbito das relações interpessoais. Todos erram. Às vezes os erros dos outros punem com bastante intensidade alguns de nossos comportamentos, assim como os nossos erros também podem punir os comportamentos de pessoas muito próximas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conforme os costumes da época a mulher adúltera havia errado, e certamente seu erro puniu gravemente alguns comportamentos do seu esposo. Mas Jesus assume uma postura diferente aos costumes da época que aconselhavam o tipo mais severo de punição: a morte por apedrejamento. O que ensina Jesus com este exemplo? Ele ensina que não se combate coerção com coerção. E ao final do mesmo texto encontramos a seguinte descrição: &quot;Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: &#39;Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?&#39; Respondeu ela: &#39;Ninguém, Senhor.&#39; Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar&quot;. (João 8, 10-11).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jesus não condenou. Ele poderia ter seguido o grupo. Poderia ter se vingado. E vingando, poderia ter condenado a mulher. Aliás, ele a livrou da condenação dos outros e da condenação que ela poderia dirigir a si mesma. Talvez nisso resida a beleza do perdão, em libertar os outros do fardo emocional da culpa que pode se originar das mais diferentes contingências coercitivas. Comportamentalmente falando, o perdão sinaliza que aquele que perdoa não está disposto a revidar com a mesma lógica da coerção utilizada por aquele que cometeu o &quot;delito&quot;. Coerção não elimina coerção. Ao contrário, gera um ciclo vicioso de coerções. Basta que olhemos para o nosso sistema prisional e constataremos que a coerção utilizada para &quot;corrigir&quot; os detentos só faz crescer as rebeliões e multiplicar as facções criminosas dentro do próprio sistema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há mais alguma coisa no perdão. Ele oferece a possibilidade do perdoado tomar consciência das condutas que de sua parte provocaram danos em alguém. Isso faz todo o sentido se levarmos em conta que o homem é um ser verbal, um ser inserido numa comunidade verbal e que suas interações com o mundo são mediadas por esta comunidade. O perdão aponta para as consequências do comportamento que provocou os danos, e como bem sabemos são as consequências do comportar-se que movem o mundo, ou seja, o operante é uma classe de comportamentos determinados pelas consequências que produzem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a comunidade verbal explicita as condições responsáveis pelo comportamento e como as suas consequências foram capazes de provocar danos os mais diversos, ela está dando ao ouvinte a oportunidade de descrever o próprio comportamento e as condições do qual ele é função. Isso gera aprendizagem e possibilita o controle por regras, de modo que o ouvinte pode dizer para si mesmo que comportamentos geram danos e que comportamentos produzem benefícios. Não adianta apenas punir o comportamento que produziu danos. A punição não ensina o que precisa ser feito. No máximo ela ensina o que não deve ser feito, e consegue isso produzindo paralelamente subprodutos emocionais bastante nocivos: angústia, ansiedade, medo, culpa etc. No fim das contas não se combate coerção com coerção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Mateus 5, 38 Jesus deixa clara o que ele pensa sobre a coerção: &quot;Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.&quot; A nota de rodapé da bíblia Ave Maria interpreta esse trecho mencionando que Jesus salienta a importância de se ter um espírito de suavidade e paciência, e que se deve evitar a todo custo a prática da vingança. Em termos comportamentais podemos dizer que praticar a suavidade significa ao mesmo tempo evitar a coerção como método de controle e utilizar o reforçamento positivo como meio para a resolução das querelas de todos os tipos &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E Jesus não perde a oportunidade de apontar que os atos concretos geradores de reforçamento positivo são mais importantes do que os rituais: &quot;Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-se com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta&quot; (Mateus 5, 23-24). Eis uma alusão à importância das relações interpessoais, e de que estas devem estar baseadas em reforçamento positivo, mesmo quando existe entre as pessoas querelas que as distanciem. O que Jesus salienta é que o perdão diante do altar tem pouco valor se ele não gera mudanças concretas nas relações interpessoais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jesus incentiva as pessoas a se aproximarem uma das outras e resolverem os seus problemas. A religião de Jesus é a religião das relações interpessoais. E religião significar religar. O que Jesus ensinou foram meios para as pessoas se religarem. A amálgama deste religamento é o amor, e a forma de colocá-lo em prática é abolindo a coerção - &quot;olho por olho, dente por dente&quot; - e utilizando o reforçamento positivo. Este último pode se expressar por meio do perdão e da reconciliação. Mesmo no auge de sua dor, pendurado na cruz, Jesus foi capaz de dizer: &quot;Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem&quot; (Lucas 23, 34a). Jesus não olhou apenas para a sua dor. Poderia ter praguejado e proferido juras de maldição, mas mesmo no último instante de sua vida ele ensina que os efeitos do reforçamento positivo devem suplantar o uso da coerção, mas para que isso aconteça devemos escolher a alternativa da construção de relações que sejam naturalmente reforçadoras. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, temos ou não muito a aprender? Falo por mim... Eu tenho muito a aprender com Jesus! E que em 2014 procuremos construir relações naturalmente reforçadoras através da prática do perdão e da reconciliação. Esses são os votos do Blog Café com Ciência para todos os seus seguidores. E para os que eu causei algum dano em 2013 ou em qualquer outro tempo, vai aqui o meu mais sincero pedido de desculpas!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Shalom e feliz ano novo!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/5725963007368446855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/01/jesus-e-as-relacoes-interpessoais.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/5725963007368446855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/5725963007368446855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2014/01/jesus-e-as-relacoes-interpessoais.html' title='Jesus e as Relações Interpessoais'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjkyKkdF08kCiLV9rm_M28qk5ROnZK8ivRz4bOIb8YIDLNryn8nbfmKYgqGxJWRnS5O2Q0x4ay4_nxXa4CGcpzZQVw1FCprqlph9KovsRZ0yAp8S2Iku0oghDEwwevp_XB4MlMmTRC3tdDf/s72-c/Jesus_e_a_pecadora.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-1168463849535886366</id><published>2013-12-20T12:03:00.001-08:00</published><updated>2013-12-20T12:03:19.046-08:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="controle de estímulos"/><title type='text'>Reflexões Sobre o Tempo e o Controle de Estímulos</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipiKpAI0pbHTTHGjBNXL_7w1NMx5HywnNpkr2_usOa8yJ0fwUGh6kNk9TsA38lTX1udna8EVgG43g_LniJyi2v-RK9Ntgs2msUuEiH1A1BGD560d3nhjGQQwg-6cTbMcBSkCiIevRFrYXl/s1600/tempo.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;312&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipiKpAI0pbHTTHGjBNXL_7w1NMx5HywnNpkr2_usOa8yJ0fwUGh6kNk9TsA38lTX1udna8EVgG43g_LniJyi2v-RK9Ntgs2msUuEiH1A1BGD560d3nhjGQQwg-6cTbMcBSkCiIevRFrYXl/s320/tempo.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Não quero entrar nos detalhes epistemológicos envolvidos na definição da categoria &quot;tempo&quot;. Deixo esta tarefa para os filósofos da ciência. Minha pretensão é mais modesta. Concordando com Caetano Veloso, eternizado na doce voz de Maria Gadu, aceito poeticamente que o tempo é o &quot;tambor de todos os ritmos&quot;. Isso quer dizer que eu aceito que todos aqueles aspectos relacionados ao tempo exercem sobre o comportamento de descrevê-lo ou quantificá-lo um controle discriminativo, e que esse controle vai se alterando na medida em que nossos repertórios comportamentais vão sendo modificados pela ação imperiosa das contingências de reforçamento, ou para ser mais poético, que nossas experiências vão se alargando a partir de nossas vivências concretas ditadas pelos ritmos dos tambores do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Disso resulta uma conclusão imediata: a forma de &quot;percebermos&quot; a passagem do tempo modifica-se na medida em que mudamos a nossa forma de relacionarmos com o mundo. Basta uma pequena observação para constatar tal façanha, que não é obra do tempo e nem do acaso, e sim das contingências de reforçamento. Pare e pense: como é para mim a passagem do tempo? Depois de responder a essa questão, tente responder a uma outra: eu tenho a impressão de que o tempo tem passado cada vez mais rápido? Uma última: as coisas sempre foram assim, ou seja, sempre tive essa impressão de que o tempo é um senhor severo que passa tão rápido sem que eu tenha algum controle sobre ele?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As coisas nem sempre foram assim... Na medida em que envelhecemos, e eis aí a ação imperiosa do tempo e das contingências filogenéticas, nosso comportamento de contar a passagem do tempo produz a impressão de que ele passa tão rápido que não é possível frear a sua ação sobre nossos corpos. Surgem as rugas, mas com elas a experiência. Mas, também com elas é alterado o controle discriminativo do comportamento de contar a passagem do tempo. O controle discriminativo é alterado porque mudam as referências que servem como parâmetros para se fazer a contagem do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Retrocedamos um pouco na infância para entender como é modelado o comportamento de fazer a contagem do tempo. Para as crianças o brincar e os brinquedos são os reforços mais importantes, e toda contagem de tempo se faz quase que exclusivamente em função destes reforços. Quanto éramos crianças ficávamos a espera da hora de brincar e dos momentos em que recebíamos os nossos reforços mais importantes: os brinquedos. Geralmente isso acontecia em três oportunidades: aniversários, dia das crianças e natal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tempo parecia demorar a passar, pois os marcadores de tempo eram eventos que ocorriam anualmente. Talvez vocês estejam questionando que minha análise seja um tanto etnocêntrica, que ela não se aplicaria a crianças oriundas de classes menos favorecidas e que não tiveram a oportunidade de fazer uma contagem de tempo baseada no recebimento dos reforços brinquedos. Vocês estão certo! Estas crianças certamente tem uma parâmetro de contagem de tempo completamente distinto. Muito cedo começam a vender balas nos faróis das grandes cidades, e precisam aprender a contar o tempo de forma mais acurada, pois ele pode ser um aliado ou um inimigo na obtenção da sobrevivência. Para elas o sol não pode se esconder no poente sem que tenham produzido o necessário para a própria sobrevivência e para a sobrevivência da família. Acredito até que este é um excelente objeto de estudos: a contagem do tempo em crianças submetidas à lógica perversa do capital...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de um tempo, mais precisamente quando entramos no universo escolar, mudam-se os parâmetros da contagem de tempo. A criança aprende que todos os dias num determinado horário ela deve tomar banho, fazer a refeição e se aprontar para ir para a escola. Ela aprende que alguns dias da semana ela vai para a escola e que em outros ela fica em casa com os pais. Começa, então, a aprender a diferença entre dia e noite, que o nascer do sol significa um novo dia que se inicia, e que o cair da noite sinaliza discriminativamente o fim de mais uma jornada diária. Começa a se estabelecer o controle discriminativo para a contagem do tempo em termos de dias e semanas. Levará algum tempo para aprender a fazer a contagem do tempo em termos de horas, dias, semanas e meses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, haverá uma ocasião em que a criança será submetida ao controle do relógio, ou seja, ela aprenderá que os ponteiros num determinado local é sinal de uma determinada hora do dia. Com isso ela aprende que o dia se divide em algumas partes: manhã, tarde e noite. Ela aprende que existe 8:00 da manhã e 8:00 da noite, que existe 5:00 da manhã e 5:00 da tarde. A partir, de então, o tempo começa a ser contado em termos de horas. Se antes ele era contado anualmente a espera da data do aniversário, agora passa a ser contado de hora em hora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com isso a criança aprende a discriminar que em determinadas horas do dia ela deve se entregar a algumas tarefas. Deve tomar banho para ir para a escola, deve sentar-se à mesa para fazer a refeição, deve realizar as tarefas escolares, deve cuidar de outros afazeres etc. Assim ela aprende que determinadas atividades devem ser feitas num determinado momento do dia. A partir daí ela conta o tempo em função destas atividades e a partir do posicionamento dos ponteiros do relógio. Ela aprende também que se as atividades forem realizadas no momento correto do dia, receberá por isso um reconhecimento, e se não forem, talvez seja punida de alguma forma. Dessa maneira, o tempo se torna um parâmetro para recebimento de reforços positivos ou para a esquiva de punições. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais tarde na vida adulta, esse controle discriminativo da contagem de tempo será essencial para a esquiva do controle coercitivo ou para o recebimento de benefícios. Outras variáveis envolverão a contagem do tempo na vida adulta. E ressaltamos aqui as variáveis econômicas. Dia do pagamento do boleto do cartão, da mensalidade do colégio dos filhos, do recebimento do salário etc. Hora de ir para o trabalho, hora de almoçar, hora de levar e buscar as crianças na escola, hora de sair do trabalho, hora de descansar etc. Há tantas atividades a serem feitas e uma boa contagem do tempo é essencial para o sucesso em todas elas, que passamos a viver em função destas atividades e do tempo correto para realização de cada uma delas. Assim, se faz necessária uma contagem acurada da passagem do tempo. Daí surge a impressão de que o tempo passa muito rápido!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras palavras, quanto mais acurada é a contagem do tempo, maior será a impressão de que ele passa rápido. Se alguém não sabe contar o tempo, pouca probabilidade tem de perceber que ele está passando, a não ser pelo sinais inevitáveis do envelhecimento do corpo.Sendo assim, não há um controle natural do tempo sobre os nossos comportamentos. Contar o tempo é um comportamento que se aprende, e quanto melhor é a discriminação de contingências que envolvem essa contagem, mais o tempo se torna importante. Em alguns casos, talvez na maior parte deles, ele exerce um controle discriminativo sobre muitos de nossos comportamentos, em outros ele é um reforçador importante. Fato importante é que saber contar bem o tempo é essencial para relacionarmos com o mundo de forma mais efetiva, principalmente numa sociedade em que os atrasos são consequenciados com punição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para terminar, deixo vocês com Maria Gadu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/Z1bvsbC3hVc?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/1168463849535886366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/12/reflexoes-sobre-o-tempo-controle-de-estimulos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/1168463849535886366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/1168463849535886366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/12/reflexoes-sobre-o-tempo-controle-de-estimulos.html' title='Reflexões Sobre o Tempo e o Controle de Estímulos'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipiKpAI0pbHTTHGjBNXL_7w1NMx5HywnNpkr2_usOa8yJ0fwUGh6kNk9TsA38lTX1udna8EVgG43g_LniJyi2v-RK9Ntgs2msUuEiH1A1BGD560d3nhjGQQwg-6cTbMcBSkCiIevRFrYXl/s72-c/tempo.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-5482826453295474481</id><published>2013-11-22T10:36:00.001-08:00</published><updated>2013-11-24T05:57:09.831-08:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Behaviorismo Radical"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Psicologia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Psicopatologia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Terapia Comportamental"/><title type='text'>Psicopatologia: o que o Behaviorismo Radical tem a nos dizer?</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcZljIbfeuqgGm8ShyphenhyphenYxXXCe5_CgyTxQAb-5EYq-IfnMx6CswQCpnsqpA5T3OoL3Id6HaEwt5gzfosdj4Jkdyphjok-6Z1A5fyzVC3YiiNBDudNXhMIMhHjDrJayCKHWG56wpyedSjxgJd/s1600/psicopatologia.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;201&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcZljIbfeuqgGm8ShyphenhyphenYxXXCe5_CgyTxQAb-5EYq-IfnMx6CswQCpnsqpA5T3OoL3Id6HaEwt5gzfosdj4Jkdyphjok-6Z1A5fyzVC3YiiNBDudNXhMIMhHjDrJayCKHWG56wpyedSjxgJd/s320/psicopatologia.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Se Psicologia significa o estudo da vida mental, faz parte deste estudo a investigação sobre os quadros patológicos que venham a perturbar o funcionamento da mente. Neste sentido, a construção de uma psicopatologia, confere à Psicologia o estatuto epistemológico que ela precisa para ser reconhecida como área do saber que pode reivindicar para si o status de ciência. Então, a luta da Psicologia para ser reconhecida como ciência, coincide com o esforço empreendido na identificação dos diversos quadros patológicos, em saber situar a origem destes quadros e seus possíveis desdobramentos, podendo, assim, proceder a diagnósticos e prognósticos.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
Tudo isso acaba conferindo à Psicologia uma utilidade, pois, desta forma, as patologias se tornam tratáveis, e aquilo que faz o homem sofrer pode ser eliminado ou ao menos minimizado. Todavia, a psicopatologia, pilar que dá à Psicologia a possibilidade de ter um estatuto epistemológico próprio, pode ser questionada, e sua fragilidade se revela quando se tem a possibilidade de demonstrar que aquilo que é chamado de doença, muitas vezes não passa de formas de agir que foram aprendidas a partir da vivência de certas experiências.&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
É aqui que se revela a grande contribuição do Behaviorismo Radical para a Psicologia, que é demonstrar que por mais estranho que seja um comportamento, por mais que ele produza desconforto, por mais patológico que pareça, seja por causa da forma estereotipada como é expressado, seja pela frequência com que interfere na emissão de outros comportamentos capazes de produzirem benefícios, ele é um comportamento aprendido, pelo menos isso é verdade quando se trata de comportamento operante. Não se trata de ignorar outros tipos de comportamentos que sejam produtos de outras formas de seleção, e neste artigo serão destacadas três: filogenética, ontogenética e cultural.&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
O Behaviorismo Radical, cujo criador é B. F. Skinner, é a filosofia de um modo bastante particular de investigação do comportamento (SKINNER, 1993), filosofia que ao invés de adotar a mente e assemelhados como objeto de estudos da Psicologia, elege o comportamento como sendo este objeto. Este modo particular de investigação é conhecido como Análise Experimental do Comportamento. O método experimental compõe o conjunto de estratégias utilizadas para a produção de conhecimentos sobre o comportamento visando investigar as leis que o governam, por meio de manipulação sistemática de variáveis.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
O Behaviorismo Radical é chamado de radical porque nega radicalmente explicações não materiais e se dedica ao estudo de qualquer comportamento sendo ele público ou privado. Mente e assemelhados são constructos hipotéticos que nada explicam e no modelo de causalidade ambientalista adotado pelo Behaviorismo Radical, é importante que se ressalte que ambiente é entendido como tudo aquilo que é externo ao comportamento e não necessariamente o que é externo ao organismo. (RIBEIRO et al, 2011). Esta definição de ambiente é ampla o suficiente para englobar aqueles eventos que são chamados de privados, pois tudo que afeta o comportar-se pode ser chamado de ambiente, inclusive eventos que se passam sob a pele, que se passam no mundo interior.&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
Eventos privados são aqueles acessados somente por quem se comporta (BAUM,1999). Pensamentos, imaginação, sonhos, emoções, entre outros, são exemplos de eventos privados. Mas, não é porque são privados é que são mentais (RIBEIRO et al, 2011). Estes são eventos comportamentais assim como os comportamentos públicos, ou seja, têm a mesma natureza de comportamentos acessíveis diretamente à observação. Em outras palavras, são eventos naturais, que ocupam um lugar no tempo e espaço, e por isso podem ser estudados cientificamente, inclusive com uso do método experimental. A única diferença entre eventos privados e públicos é a acessibilidade.

&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-tab-count: 1;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;
Tanto os eventos comportamentais públicos, quanto os privados são causados pelo ambiente. O ambiente exerce sobre o comportamento uma ação seletiva que opera em três níveis: filogenético, ontogenético e cultural. No nível filogenético comportamentos que aumentaram as chances de sobrevivência da espécie foram selecionados assim como foram os traços anatômicos e morfológicos. Estes comportamentos são chamados de reflexos ou respondentes, pois ocorrem sem necessidade de aprendizagem. Eles são parte da dotação genética do organismo, portanto, não o preparam para se adaptar a um ambiente em constantes mudanças, mas somente para se adaptar a um ambiente semelhante aquele em que o comportamento foi selecionado na história evolutiva da espécie.&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
No nível ontogenético comportamentos são selecionados por causa do seu valor para a adaptação do organismo a um ambiente mutável. Portanto, neste nível há aquisição de novos comportamentos, diferente do nível filogenético em que operam os comportamentos respondentes, e é esta aquisição de novos comportamentos que dá ao organismo maior capacidade de adaptação. No nível ontogenético estão os comportamentos que são chamados de operantes. São assim chamados porque operam no ambiente provocando determinadas modificações (SKINNER, 1993). “Por sua vez estas modificações também alteram o comportamento, tanto em sua função (sentido/intencionalidade) quanto em sua topografia (forma). [...] Sendo assim, o operante é selecionado (determinado) pelas consequências que produz.” (RIBEIRO, 2012, p. 73).&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 4.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt;&quot;&gt;O mecanismo de
seleção pelas consequências é análogo ao processo de seleção natural. Na
seleção natural certas características foram selecionadas por causa do seu
valor de sobrevivência, enquanto que na seleção operante certos comportamentos
são selecionados por causa do seu valor para a adaptação do indivíduo. Mas,
dizer que a seleção gera comportamentos adaptados não significa dizer que as
consequências apenas selecionam o que há de melhor, pois este processo pode
gerar produtos que a curto prazo parecem benéficos, mas que a longo prazo são
prejudiciais. O comportamento de usar drogas é um exemplo de comportamento que
a curto prazo parece produzir benefícios (prazer, alívio etc), mas que a longo prazo
acarreta consequências nefastas. (RIBEIRO, 2012, p. 78).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-left: 4.0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
Micheletto (1999) assim se refere à seleção pelas consequências, modelo de determinação adotado por Skinner para explicar o comportamento operante, comportamento que engloba a maior parte de nossas ações, ações que vão desde um aceno com a mão até pilotar um avião:&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 4.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt;&quot;&gt;A seleção por
consequências não resulta, segundo Skinner, em um processo que se dirija para
algo melhor e mais desenvolvido. Ela pode produzir processos e produtos
nefastos à espécie e ao próprio homem, como o comportamento supersticioso, ou
práticas sociais que poderão significar a destruição da espécie humana.
(MICHELETTO, 1999, p. 124).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-left: 5.0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Este modelo de seleção é aplicável também às práticas culturais que são selecionadas por causa de suas consequências, por causa de seus impactos sobre grupos e culturas. Para guisa de uma conclusão, nos questionemos: que relação pode ser feita entre o modelo de seleção pelas consequências, modelo de causalidade adotado pelo Behaviorismo Radical para explicar o comportamento, e a construção de uma Psicopatologia em Psicologia, construção que coloca em lados opostos o normal e o patológico, a saúde e a doença?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Micheletto (1999) e Ribeiro (2012) assinalam que o efeito da seleção por consequências pode resultar em comportamentos nefastos ao homem, ou seja, que as contingências de reforço podem selecionar comportamentos que colocam em risco a vida humana. Contingências de reforço é um termo para se referir ao fato de que o comportamento operante estabelece relações de dependência com as consequências que produz e com o contexto em que ocorre. Estímulos presentes neste contexto quando associados às consequências (reforços) também passam a agir na determinação do comportamento, e agem de modo a aumentar sua probabilidade de ocorrência. Outros estímulos semelhantes a estes passam a ter a mesma função, o que demonstra que o comportamento é multideterminado, ou seja, que muitas são as variáveis relacionadas à sua ocorrência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se as contingências de reforço são responsáveis pela seleção do comportamento, há boas razões para um certo ceticismo acerca da dicotomia normal versus patológico, pois todo comportamento é produto das consequências e estímulos presentes nos contextos em que ocorre, e esse raciocínio é válido até mesmo para os comportamentos mais estranhos, para os comportamentos que caracterizam o que alguns psicólogos chamariam sofrimento psíquico. Desta forma, persistir na construção de uma psicopatologia que coloca de um lado a normalidade e de outro as patologias pode ser questionável.&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 4.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt;&quot;&gt;[...]
Se acredito na seleção do comportamento por contingências, quem sou eu para
classificar algum comportamento como patológico? A crença na seleção leva a, no
mínimo, pensar que todo e qualquer comportamento seja adaptativo, dentro das
contingências que o mantém. E se for possível proceder a uma análise funcional
da situação na qual o comportamento dito “patológico” se insere, chegar-se-á à
conclusão de que aquele seria o único comportamento que poderia acontecer,
dadas aquelas contingências. (BANACO, 1997, p. 81).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 4.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Banaco (1997, p. 81) ainda acrescenta que “apesar de serem adaptativos no sentido de terem sido selecionados, alguns comportamentos causam sofrimentos às pessoas que os emitem ou àquelas que estão às suas voltas.” Portanto, as contingências de reforço, ou seja, as consequências e circunstâncias relacionadas à probabilidade de emissão do comportamento podem selecionar e evocar comportamentos que geram sofrimento para quem se comporta e para seu grupo social. Sendo assim, a distinção entre normal e patológico pode fazer pouco sentido, pois mesmo os comportamentos que produzem desconforto são selecionados por suas consequências.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
Tal argumentação ainda coloca em questionamento o que geralmente são chamadas de doenças psicossomáticas, doenças físicas que tem como origem uma causa mental e/ou emocional. Fenômenos mentais e emoções são exemplos de comportamentos. Se emoções são comportamentos, melhor dizendo, são comportamentos emocionais, estes ao invés de serem tomados como causa de qualquer outro tipo de comportamento, devem ao contrário serem explicitados por meio da elucidação das contingências responsáveis por suas ocorrências. O comportamento emocional como qualquer outro comportamento está sujeito à ação das contingências de reforço.  Skinner (1993) sugere que as mesmas causas que provocam o comportamento, são também responsáveis pelo adoecimento físico que se supõe ter como origem os desajustamentos mentais e/ou emocionais:

&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 4.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt;&quot;&gt;Uma
das mais dramáticas manifestações do suposto poder da vida mental é a produção
de doença física. Assim como se diz que uma ideia na mente move os músculos que
a expressam, assim também se diz que as atividades não-somáticas da psique
afetam o soma. Afirma-se, por exemplo, que as úlceras são produzidas por uma
raiva “internamente dirigida”. Deveríamos dizer, antes, que a condição sentida
como raiva está medicamente relacionada com a úlcera e que uma situação social
complexa provoca as duas. (SKINNER, 1993, p. 135).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 4.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;br /&gt; Portanto, a chave para o entendimento de qualquer comportamento está nas contingências de reforço, ou seja, nas consequências que o comportamento produz e nas circunstâncias em que ocorre, como também nas contingências filogenéticas e culturais. Toda perplexidade e tendência de entender o comportamento como patológico cai por terra quando se evidenciam as contingências responsáveis por sua seleção e manutenção. Manipular as contingências para modificar o comportamento e assim eliminar possíveis desconfortos relacionados à sua ocorrência parece ser uma alternativa mais promissora que meramente descrever psicopatologias com supostas causas mentais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;FONTE: &lt;a href=&quot;https://0cf36a68-a-62cb3a1a-s-sites.googlegroups.com/site/ilianemanteze/boletim_v1_n1.pdf?attachauth=ANoY7crztIoQo8PXA_VQzxiuN1KoCjuUSZQJJJZGynJvx4htLS0IgkhYaEoNNwS_ql6Q4sl_IOGXXtK3ihLkk7Q9nQ3imoejY2J9pghMRqypcFBpKw9iDSXVee-irl6hvuJi_hAVEyixMv5-ARaqhM_vCDQrutqGDIXxyOjvdiTyQR8EV9VMJY6Lmo8GlhuNBwCyOkPqgXqCw3WNppxppKhqRR6oM8IzTQ%3D%3D&amp;amp;attredirects=0&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Boletim Comporte-se&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;b&gt;REFERÊNCIAS&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BAUM, W. M. Compreender o Behaviorismo: ciência, comportamento e cultura. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BANACO, R. A. Auto regras e patologia comportamental. In: ZAMIGNANI, D. R. (Org.) Sobre comportamento e cognição: a aplicação da análise do comportamento e da terapia cognitivo-comportamental no hospital geral e nos transtornos psiquiátricos. São Paulo: ARBytes, 1997, p. 80-88. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MATOS, M. A. Behaviorismo metodológico e behaviorismo radical. In RANGÉ, B. (Org.). Psicoterapia comportamental e cognitiva: pesquisa, prática, aplicações e problemas. 2. ed. Campinas: Editorial Psy, 1998, p. 27-34. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MICHELETTO, N. Variação e seleção: as novas possibilidades de compreensão do comportamento humano. In: BANACO, R. A. (Org.). Sobre comportamento e cognição: aspectos teóricos. Metodológicos e de formação em análise do comportamento e terapia cognitivista. 2 ed. Santo André: ARBytes, 1999, p. 1117-131. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RIBEIRO, B. A. et al. Uma análise do programa de recuperação dos alcoólicos anônimos. Conexão ci.: r.cient. UNIFOR-MG, Formiga-MG, v. 6, n. 2, p. 65-78, jul./dez. 2011. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RIBEIRO, B. A. Uma análise behaviorista radical de um modelo prototípico de formação da realidade social proposto por Berger e Luckman. Conexão ci.: r.cient. UNIFOR-MG, Formiga-MG, v. 7, n. 1, p. 69-83, jan./jun. 2012. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SKINNER, B . F. Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix, 1993.&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;

&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/5482826453295474481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/11/psicopatologia-visao-do-behaviorismo-radical.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/5482826453295474481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/5482826453295474481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/11/psicopatologia-visao-do-behaviorismo-radical.html' title='Psicopatologia: o que o Behaviorismo Radical tem a nos dizer?'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcZljIbfeuqgGm8ShyphenhyphenYxXXCe5_CgyTxQAb-5EYq-IfnMx6CswQCpnsqpA5T3OoL3Id6HaEwt5gzfosdj4Jkdyphjok-6Z1A5fyzVC3YiiNBDudNXhMIMhHjDrJayCKHWG56wpyedSjxgJd/s72-c/psicopatologia.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-5840349823744901043</id><published>2013-11-09T10:11:00.001-08:00</published><updated>2013-11-09T10:40:12.635-08:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Condicionamento operante"/><title type='text'>Dos Equívocos Sobre o Comportamento Operante</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
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Que o Behaviorismo Radical é a matriz teórica mal amada da Psicologia ninguém tem nenhuma dúvida. Tratei deste assunto em um dos primeiros textos postados aqui no blog: &quot;&lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/behaviorismo-matriz-teorica-mal-amada.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Behaviorismo: a matriz teórica mal amada da Psicologia&lt;/a&gt;&quot;. No texto mencionado aponto alguns dos motivos que alimentam esse ódio dirigido ao Behaviorismo Radical. Em função de tantas incompreensões que rondam tal matriz teórica, é muito comum que equívocos sejam cometidos quando seus conceitos são tomados como alvo dos mais diferentes tipos de análises.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste texto, trataremos de alguns equívocos que aparecem em uma vídeo-aula do Departamento de Ensino a Distância da Fundação de Ensino Superior de Passos-MG (FESP-UEMG), que é uma das unidades da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) no interior do estado. O título da vídeo-aula é: &quot;Os Componentes do Comportamento Operante&quot;. Segue o link do vídeo para a apreciação dos leitores: &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=eubQk8iasp0&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.youtube.com/watch?v=eubQk8iasp0&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Comecemos com uma indagação: componentes do comportamento operante? O que isso quer dizer? O pensamento parece um tanto gestáltico! Parece querer indicar que existe um todo e que também existem partes de um todo. O todo seria o comportamento operante e as partes seriam as operações que determinam as formas como as consequências afetam o comportar-se. Esta forma de pensar pode dá a entender que o comportamento é uma coisa e não uma função do organismo que se expressa pela relação entre o que é feito e aquilo que ocorre no ambiente. Aqui se revela o aspecto relacional do comportamento operante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao invés de falarmos de componentes, melhor seria tratar dos eventos que participam do controle do comportamento operante: eventos consequentes e eventos antecedentes. A professora que aparece no vídeo começa sua aula pelos eventos consequentes, ou seja, tratando dos procedimentos de reforçamento, que são: reforçamento positivo e negativo. É bom não confundirmos reforçamento com reforço. Reforçamento é processo e reforço é estímulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto processo o reforçamento indica que as consequências produzidas pelo comportamento operante afetam a sua ocorrência. É um termo que envolve o comportamento emitido e a consequência produzida. De acordo com Catania (1999), observa-se que existe uma relação entre a consequência produzida e o comportamento emitido quando:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1) O comportamento ocorre com mais frequência do que quando não produz a consequência;&lt;br /&gt;
2) O comportamento aumenta de frequência quando somente a consequência ocorrer e não uma outra coisa;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto estímulo o termo indica que há certos tipos de consequências que afetam o comportamento que as produz, de modo que elas podem ser chamadas de &quot;reforço&quot;. Dito isso, fica claro que nem tudo aquilo que sucede o comportamento temporalmente pode ser chamado de reforço. A relação temporal não tem preponderância sobre a relação que chamamos contingência. Contingência é um termo que indica que entre o comportamento e certos eventos ambientais existe uma relação de dependência, de modo que a ocorrência do evento ambiental cria as condições para que o comportamento se manifeste. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A professora nem chega a falar de reforçamento. Ela apenas faz referência ao termo reforço e começa sua explanação pela definição de reforço positivo. Há em sua definição uma clara confusão entre reforço positivo e recompensa. Este é um equívoco muito comum.O reforço positivo não é uma recompensa. O termo &quot;positivo&quot; faz referência ao fato de que um estímulo é acrescentado em decorrência da emissão de um comportamento e somente em decorrência da ocorrência deste e não de qualquer outra coisa, caso contrário, não se caracteriza a relação de dependência entre o comportamento e a consequência produzida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que seria, então, um estímulo? Uma modificação em qualquer parte do ambiente. Se Joãozinho aperta o botão ligar do controle remoto e o aparelho televisor começa a funcionar, e no futuro o comportamento de apertar o botão continua ocorrendo e a consequência &quot;televisor ligado&quot; continua sendo produzida, pode-se dizer que há uma relação de dependência entre o comportamento de usar o controle remoto e a consequência &quot;ligar a televisão&quot;. Neste caso a parte do ambiente que se modificou foi o funcionamento da televisão. E se esta modificação tornou mais frequente o comportamento de apertar o botão, ela pode ser chamada de reforço positivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Imaginemos que seja a primeira vez que joãozinho aperte o botão. Diante do televisor ligado um adulto diz: &quot;muito bem Joãozinho!&quot; O elogio/recompensa pode funcionar como reforço positivo? A resposta só pode receber um afirmativo &quot;sim&quot; se for observado um aumento na frequência do comportamento de apertar o botão. A princípio o comportamento pode ficar sob o controle do reforço exógeno que é o elogio do adulto. Exógeno apenas quer dizer que a consequência não foi produzida diretamente pela emissão do comportamento. Posteriormente o comportamento de apertar pode ficar sob o controle da consequência TV ligada, o que dispensa a &quot;recompensa&quot; por parte de um adulto. Neste caso se diz que o reforço é endógeno, ou seja, produzido mecanicamente pela ocorrência do próprio comportamento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, nem toda recompensa se configura necessariamente como um reforço positivo, isso porque nem toda recompensa assume uma relação de dependência com o comportamento por ela precedido. Nem tudo que ocorre após a emissão do comportamento passa a assumir o controle de sua emissão. Outras variáveis com poder reforçador muito maior podem concorrer com a recompensa no momento em que ela for apresentada, tornando, assim, a recompensa um estímulo neutro em relação ao comportamento, ou seja, um estímulo sem qualquer função de reforçar. Estados de saciação podem afetar o poder reforçador da suposta recompensa. Depois de muitos elogios e menções honrosas vindas de pessoas importantes, uma que vier de uma pessoa de posição social menos significativa pode ser insignificante para o comportamento que se quer reforçar. Portanto, reforço positivo não se confunde com recompensa, ou dizendo de uma outra forma, nem toda recompensa é necessariamente um estímulo reforçador positivo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A professora usa um exemplo interessante para tornar mais clara sua conceituação de reforço positivo. Um aluno fez uma boa prova e recebe um elogio do professor. Segundo ela, isso aumenta a autoestima e consequentemente melhora o desempenho do aluno. Outro grande equívoco! Não são os estados emocionais os responsáveis pela melhora observada no comportamento do aluno, mas as consequências produzidas pelo seu comportamento de estudar. Emoções são comportamentos, o que quer dizer que também estão sujeitas a ação das consequências que produzem. Tanto o que é sentido enquanto emoção, quanto a melhora no desempenho do aluno, são produtos gerados pela exposição às contingências de reforço. A este respeito há diversos textos neste blog. &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/search/label/Comportamento%20Emocional&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui&lt;/a&gt; para ter acesso a eles. Como a professora fala de autoestima, em especial, sugiro o seguinte texto: &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2013/01/autoestima-uma-breve-analise.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Autoestima: uma breve análise comportamental.&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguir a professora entra na definição de reforço negativo. Novo equívoco é cometido. Segundo ela, o reforço negativo é importante porque pode ser usado para eliminar comportamentos inadequados. Confunde-se reforço negativo com punição. E mesmo a punição não elimina comportamento. Há diversos estudos sobre isso e não vou me alongar no assunto. Indico o livro do Murray Sidman para maiores esclarecimentos sobre o uso do controle coercitivo: &quot;Coerção e suas implicações&quot;. Ao contrário do que se imagina, além de não eliminar comportamento a punição produz diversos efeitos colaterais indesejáveis. Há diversos textos neste blog sobre essa questão, mas indicamos um em especial: &quot;&lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/04/prisoes-e-punioes-algumas-reflexoes.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Prisões e punições: algumas reflexões preliminares&lt;/a&gt;&quot;. E, sobretudo, punição não se confunde com reforço negativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O reforço negativo é aquele estímulo que quando removido pela ocorrência de um comportamento, observa-se um aumento na frequência deste em decorrência da eliminação do estímulo. Skinner (1993) é categórico a este respeito, e diz que reforçamento negativo produz comportamento. Dito isto, não se pode afirmar que reforço negativo elimina comportamento. O termo negativo faz referência ao fato de que o estímulo é removido (subtraído) pela ocorrência do comportamento. Joãozinho liga a TV e coloca em seu canal favorito. Mas, Joãozinho observa que o canal está fora do ar. Joãozinho muda então para outro canal, eliminando, assim, o estímulo aversivo. Se todas as vezes que o canal favorito de Joãozinho estiver fora do ar e for observada uma mudança de canais, pode-se dizer que o comportamento de mudar o canal ou mesmo desligar a TV é reforçado negativamente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para exemplificar o reforço negativo a professor fala dos vigilantes do peso. Quem perde peso recebe uma pontuação e quem ganha peso não recebe a pontuação. O comportamento de ganhar peso não está sendo punido e nem mesmo reforçado negativamente. Neste caso ele apenas está sendo colocado em extinção pela suspensão dos reforços positivos que funcionam sob a forma da pontuação. Logicamente que a suspensão de reforços positivos é aversiva. Para eliminar tal condição a pessoa terá que emagrecer para voltar a receber a pontuação. O que tem mais peso para o comportamento de emagrecer, a eliminação da condição aversiva ou a pontuação que reforça positivamente esse comportamento? Esta resposta precisa ser investigada individualmente, ou seja, cada caso é um caso e precisa ser analisado em seus detalhes. Então, o exemplo da professora não ilustra necessariamente o uso de operações de reforçamento negativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, a professora chega a sugerir que o efeito do reforço negativo vai depender das &quot;estruturas de personalidade&quot;. Eis aí um erro conceitual muito grave, para não usar adjetivo pior como &quot;bizarro&quot; ou &quot;grotesco&quot;. O Behaviorimo Radical rompe com o mentalismo e não aceita explicações para o comportamento que apelem para o uso de entidades metafísicas, entidades que dão origem a sistemas causais circulares, de modo que a única evidência da causa é o efeito. No mentalismo a única evidência da causa (mente) é o efeito (comportamento). Não se pode usar o efeito para explicar as causas quando o que está em jogo é a produção de conhecimento científico. Para o comportamentlismo proposto por Skinner, as causas devem ser buscadas nas relações estabelecidas entre comportamento e ambiente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seguida a professora fala da punição. Ela diz que a punição remove temporariamente o comportamento. Bem, ela não está completamente incorreta. De fato, como já explanado, a punição não remove comportamentos. Além de não fazer isso, ela gera efeitos colaterais indesejáveis. A pergunta que se faz é a seguinte: será que a professora está comparando a punição com o reforço negativo e está sugerindo que este último remove definitivamente comportamentos e a primeira não? Ao menos parece ser esta a função da comparação que ela faz, o que seria conceitualmente incorreto e enganoso pelos motivos já apontados. E tudo indica que esta seja a intenção dela, pois logo adiante menciona que a punição não resolve definitivamente os problemas humanos e cita as prisões e as penitenciárias como exemplo. Então, perguntemos a ela: a punição não remove comportamentos definitivamente e o reforço negativo remove? Novamente fica a ideia do reforço negativo como operação para remover comportamentos, o que é um erro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim ela entra nas operações de controle de estímulos. Estamos no terreno dos eventos antecedentes. Como sabemos o operante é afetado pelas consequências e pelo contexto em que ocorre. O contexto faz referências aos eventos antecedentes, aos eventos que antecedem a emissão de determinados comportamentos, aumentando, assim, a probabilidade de ocorrência destes. Isso acontece porque eles sinalizam a ocorrência dos reforços que seguirão a emissão do comportamento. Adquiriram esta função por terem sido associados aos reforços que seguiram o comportar-se. A operação que torna possível esta associação é chamada de discriminação. Por sua vez, esta associação é estabelecida entre estímulos: os antecedentes e os consequentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O organismo não discrimina nada como quer sugerir a professora entre 5:25 e 5:30: &quot;o estímulo tem que estar muito bem discriminado&quot;. Entre 5:30 e 5:39 ela menciona que a discriminação &quot;é a capacidade da pessoa perceber, diferenciar o estímulo condicionado de outros estímulos&quot;. Mais um erro que ocorre com frequência entre os que não conhecem a Análise do Comportamento. Não é o organismo que discrimina. A discriminação ocorre no ambiente. Apresente um cubo vermelho a uma criança que está aprendendo formas e cores. Imagine que ela responda apenas &quot;vermelho&quot;. O estímulo é o cubo vermelho. Vermelho é uma das propriedades deste estímulo. Na resposta da criança fica evidente que apenas a propriedade &quot;vermelho&quot; controla o seu comportamento com referência ao cubo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Imaginemos que a resposta da criança seja &quot;cubo vermelho&quot;. Então o &quot;cubo vermelho&quot; é o estímulo discriminativo que controla a emissão da resposta &quot;cubo vermelho&quot; no momento da apresentação do cubo. Dizendo cubo vermelho ela é reforçada de alguma forma: ganha uma bala, um elogio, etc. A partir de então o comportamento de nomear corretamente os objetos pode ser uma fonte potencial de reforçamento. Toda vez que uma situação de nomear objetos se fizer presente, há a probabilidade do comportamento de nomear acontecer. Situações de nomear exercem um controle sobre o comportamento de nomear, aumentando, assim, a probabilidade de ocorrência deste comportamento. Não foi a criança que &quot;discriminou&quot; que situações de nomear estão associadas a reforços. Simplesmente houve a associação entre situações propícias para nomear objetos com os reforços que seguiram o comportamento de nomear. Estas situações são sinalizadoras de reforços, exercem um controle discriminativo sobre o comportamento. As operações que tornam este tipo de associação possível são chamadas de situações de controle de estímulos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A professora insiste em dizer que é o organismo quem &quot;discrimina&quot;, e reforça tal intencionalidade ao falar dos clássicos exemplos de laboratório para estudar o controle de estímulos. No clássico experimento de discriminação de estímulos, o comportamento de pressionar a barra por parte do rato só é reforçado quando uma luz está acesa dentro da câmara experimental. Quando está apagada o comportamento é colocado em extinção. Ao final do experimento o roedor só pressiona a barra quando a luz está acesa. Isso significa que a luz sinaliza a possibilidade de reforçamento, ou seja, ela estabelece as condições em que o reforço pode acontecer. Sendo assim, ela assume um controle discriminativo sobre o comportamento de pressionar a barra. O rato não discriminou nada! Como ela pode afirmar isso? Como faríamos para saber se o rato discriminou/diferenciou qualquer coisa se ele não pode nos contar nada a esse respeito? Mais uma vez é bom lembrar que não é o organismo que discrimina. A discriminação é uma operação que ilustra o controle de estímulos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a operação de discriminação ela fala da generalização de estímulos. Mas, faz uma confusão conceitual tão grande que não é fácil entender o que ela diz. A generalização diz respeito ao fato de que estímulos que guardem qualquer propriedade em comum com o estímulo discriminativo, passam também a ter controle sobre a emissão do comportamento controlado por este. O rato vai emitir a resposta de pressionar a barra com a luz acesa e também em outras situações em que a luz seja mais fraca. Quanto mais fraca é a luz e quanto mais ela se aproxima da situação luz apagada, menor a taxa de comportamentos de pressionar a barra. Há aí uma generalização de estímulos. Luz mais intensa produz taxas maiores e luzes menos intensas produzem taxas menores. Luz intensa se aproxima mais da situação em que a luz está completamente acesa e se encontra em seu grau máximo de intensidade e luz fraca se aproxima mais da situação luz apagada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sensação de dejavu ilustra a generalização de estímulos. Dejavu é aquela situação em que nos sentimos mais ou menos assim: &quot;conheço este lugar, mas nunca estive aqui. Parece que já vivi esta situação, mas tenho a certeza de nunca ter vivido&quot;. A situação se assemelha em algum aspecto a alguma outra situação já vivenciada e que de alguma forma assumiu o controle discriminativo de alguns comportamentos de nossos repertórios. Não se trata de experiências que são produtos de vidas passadas como querem as diversas formas de espiritismo. É nada mais e nada menos do que uma situação que ilustra a generalização de estímulos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o último erro é tão grave quanto os anteriores. Nele a professora diz que é complicado depender apenas dos processos de condicionamento, pois estes não permitem a mudança nas estruturas de personalidade. Mais uma vez o mentalismo vem à tona. E já fomos enfáticos a este respeito: o behaviorismo radical rejeita qualquer forma de mentalismo. Não há espaço para o mentalismo dentro do Behaviorismo Radical, e o mínimo de conhecimento sobre a obra de Skinner é suficiente para tecer conclusões a este respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que lição fica disso tudo? Que só devemos nos meter a falar de algo quando tivermos certeza do que estamos falando. É muito perigoso explanar sobre teorias que não conhecemos. Tal atitude é anti-científica e pode contribuir para a propagação dos mais diversos tipos de simplificações grosseiras. E se você quer saber mais sobre o comportamento operante, recomendamos o seguinte texto deste blog: &quot;&lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-operante-definicao-e.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;O condicionamento operante: definição e aplicações&lt;/a&gt;&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abraços e até a próxima!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;REFERÊNCIAS:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CATANIA, A. C. Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. 4 ed. Porto Alegre: Artmed, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIDMAN, M. Coerção e suas implicações. Campinas: Editorial Psy, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SKINNER, B. F. Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix, 1993.&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/5840349823744901043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/11/equivocos-sobre-o-comportamento-operante.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/5840349823744901043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/5840349823744901043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/11/equivocos-sobre-o-comportamento-operante.html' title='Dos Equívocos Sobre o Comportamento Operante'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEifXLRceVw7zv19455lVHLy090615eqY6GyOzimC_ARPUZZ6tKjSO9_SjopMkNMFxOBfE99rAxAKluE1J8hyRkLsrtt9eqQq7tcOsqu8OqPdu5ZelDA5fWvZf6jlNGInXH3TLTOiLR-ttEG/s72-c/3+Macacos+Sabios.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-7352583852134028940</id><published>2013-10-06T10:51:00.001-07:00</published><updated>2013-10-10T14:24:58.055-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contingências acidentais"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contingências de reforço"/><title type='text'>Contingências acidentais: análise comportamental do filme Monstros S.A.</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgynmiqa8DDpm7jfvD1ouHXPNSi-2U1PivmLug_BgKF0PcBEIpTDSKNjN169nr-7qBVqvTx0DhjqE2UTVsxu1mvxN-UVYJwRjIS1iBR-3RlPPgzTSjS5LQUWI8ofPr_Abw0TlkuDu6jK4eN/s1600/monstros+sa+1.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgynmiqa8DDpm7jfvD1ouHXPNSi-2U1PivmLug_BgKF0PcBEIpTDSKNjN169nr-7qBVqvTx0DhjqE2UTVsxu1mvxN-UVYJwRjIS1iBR-3RlPPgzTSjS5LQUWI8ofPr_Abw0TlkuDu6jK4eN/s320/monstros+sa+1.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Monstros S.A. é um brilhante filme produzido pela Pixar em parceria com a Walt Disney. Os números de bilheteria são impressionantes e dão uma ideia da atraente trama que continua atraindo a muitos aficcionados por filmes no estilo desenho animado. Lançado em 2001 ele rendeu somente nos EUA US$ 255.873.250. No mundo inteiro produziu a cifra de US$ 525.366.597. Estes dados estão de acordo com a página do filme na &lt;a href=&quot;http://pt.wikipedia.org/wiki/Monsters,_Inc.&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Wikipédia&lt;/a&gt;. De acordo ainda com o site, o filme teve aprovação de 95% dos críticos de cinema.O índice de aprovação é quase um record.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais do que atrair pela trama bem humorada e envolvente, Monstros S.A. ensina-nos algumas lições importantes sobre a Análise do Comportamento. Ele demonstra como contingências acidentais podem criar ocasiões para o surgimento de novos comportamentos e até mesmo de novas práticas culturais que beneficiam os grupos que operam segundo estas práticas e também as pessoas que deles fazem parte. Logicamente que estas também podem resultar em acidentes que produzem comportamentos e práticas culturais pouco adaptativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo sentido todo comportamento é adaptativo conforme as contingências responsáveis por sua manutenção, mas há comportamentos que beneficiam aquele que se comporta e também as pessoas que estão próximas, enquanto existem também aqueles comportamentos que geram malefícios ou benefícios bastante diminutos para pessoas e grupos. O que importa é que tanto um comportamento quanto o outro são selecionados e mantidos pelas contingências de reforço, e podem surgir de contingências acidentais como bem demonstra o filme Monstros S.A. No filme contingências acidentais mudam a história dos personagens principais e alteram também as práticas culturais responsáveis pelo funcionamento da cidade de Monstrópolis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O filme conta a história de Monstrópolis. Monstrópolis é como uma cidade humana qualquer, exceto pelo fato de ser habitada por monstros. A energia responsável pelo funcionamento da cidade é produzida pela empresa Monstros S/A. Monstros entram no quarto de crianças humanas pela porta do armário assustando-as. O grito de medo das crianças produz energia que é armazenada e posteriormente distribuída para toda a cidade. A porta do armário funciona como uma ligação entre dois mundos, entre duas dimensões diferentes: a dimensão humana e a dimensão dos monstros. Por sua vez a porta é operada por um equipamento responsável por produzir a conexão entre os dois mundos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trabalho de assustar as crianças é feito em duplas. Um parceiro é responsável pelo manuseio do equipamento. Já o outro entra pela porta e realiza o trabalho de assustar. Há uma disputa entre as duplas e um ranking geral que pontua o desempenho de todos. Os melhores desempenhos entram para o ranking e recebem uma pontuação. Eis aí o reforçamento positivo. As melhores duplas são Mike e Sulley e seu concorrente direto que é Randall e o seu parceiro. Randall utiliza de todos artifícios para superar Mike e Sulley, inclusive tentar trapacear de modo a ficar no primeiro lugar do ranking.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até aqui temos uma contingência de reforço importante: gritos de medo de crianças humanas produzem energia. Tal contingência é descrita sobre a forma de uma regra que controla o comportamento de assustar dos monstros. Regras são descrições de contingências de reforço. Elas descrevem relações do tipo &quot;se&quot; e &quot;então&quot;. Por exemplo, se aperto o interruptor, então, a lâmpada se acende. O &quot;se&quot; é a condição em que o comportamento ocorre, neste caso a existência do interruptor e de uma lâmpada que não esteja queimada. O &quot;então&quot; é a consequência produzida em decorrência da emissão do comportamento que ocorre&amp;nbsp; na ocasião especificada pelo &quot;se&quot;, neste caso é a lâmpada acesa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No filme o &quot;se&quot; é o acesso ao quarto das crianças humanas através da porta operada pelo equipamento que conecta os dois mundos. O &quot;então&quot; é a energia produzida pelo comportamento de assustar as crianças. Se o susto é grande, mais energia é produzida, e mais significativo é o reforço para o comportamento de assustar do monstro. Os comportamentos de assustar são mantidos tanto pelo reforço imediato gerado pela energia produzida pelo susto, quanto pela regra que especifica que assustar é essencial para a geração de energia. Esta regra é muito importante para o funcionamento de Monstrópolis. Aliás, toda a energia de Monstrópolis depende do seguimento desta regra. Sendo assim, ela é uma prática cultural importante para o funcionamento da sociedade dos monstros, e sua falência poderia representar o colapso desta sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjEcU9jq-w8fNdDmbHkFchcsxSi2qsK-XABbJ7WYeBl8OvrOsa0M3N4lPdJyKwnmqdwHU7RuuGypa1FD5bmnHBVbDs6bU84qGhysxFHVZotJJOyHePS-016_9Fyewh7EBJXLEQ8KqHhSOy2/s1600/monstros+sa+2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjEcU9jq-w8fNdDmbHkFchcsxSi2qsK-XABbJ7WYeBl8OvrOsa0M3N4lPdJyKwnmqdwHU7RuuGypa1FD5bmnHBVbDs6bU84qGhysxFHVZotJJOyHePS-016_9Fyewh7EBJXLEQ8KqHhSOy2/s1600/monstros+sa+2.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
No entanto, em determinado momento do filme essa regra vai ser questionada por um evento inesperado que ocorreu durante a operação do equipamento que permite a conexão entre os dois mundos. Mike havia deixado uma papelada sem preencher. Diante disso pediu ao amigo Sulley para retornar ao trabalho e preenchê-la. Chegando no andar das portas, Sulley encontrou uma conectada a um equipamento em funcionamento. Este estava sendo operado por Randall que trapaceando trabalhava fora do horário de expediente para aumentar sua pontuação no ranking geral. Num acidente Sulley abre a porta e uma criança humana tem acesso ao mundo dos monstros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois disso ocorre uma sucessão de eventos que levam Sulley e Mike a tentarem esconder a criança, pois crianças humanas são consideradas tóxicas, sendo, portanto, fontes potenciais de contaminação. Existe, inclusive, uma agência responsável pela descontaminação dos monstros quando estes têm contato com crianças ou qualquer objeto humano. Para não serem apreendidos por esta agência e serem demitidos, Mike e Sulley enfrentam as mais inusitadas situações para esconderem a criança chamada de &quot;Boo&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todavia, a convivência com Boo produziu contingências acidentais que mudaram a história de Monstrópolis para sempre. A primeira delas permitiu a descoberta de que crianças humanas não eram tóxicas. Com isso vai se embora a crença da toxidade. Esta crença era uma regra. Ela era responsável pela manutenção dos comportamentos que preservavam os monstros longes das crianças. Esta regra era baseada em controle aversivo. O monstro que tivesse contato com crianças tinha que passar por um humilhante procedimento de desintoxicação. Não ter contato com as crianças era um modo de fugir da humilhação e da possibilidade de contaminação. Trata-se de comportamentos de fuga/esquiva mantidos por reforçamento negativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, o contato com Boo não produziu nenhuma contaminação. Disso, conclui-se, que a regra sobre o contato com crianças era falsa, ou seja, ela não descrevia contingências reais. Muitas vezes em nossas vidas sofremos porque estamos sob o controle de regras que não descrevem contingências reais. Na base dos estereótipos estão regras deste tipo. &quot;Todo baiano é preguiçoso&quot;. Este é um estereótipo típico dos regionalismos deste país continental chamado Brasil. Ela não se aplica a todos os baianos. Ela não se sustenta diante de provas empíricas. Há baianos preguiçosos, como também há mineiros, paulistas, cariocas, paranaenses etc. Entre populações de humanos sempre vamos encontrar alguém que se comporta de maneira mais preguiçosa em determinadas ocasiões. Mas mesmo o mais &quot;preguiçoso&quot; dos seres não age com preguiça a maior parte do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O depressivo costuma dizer para si mesmo: &quot;melhor eu me fechar em meu mundo, eu me trancar em meu quarto, pois assim evito aborrecimentos&quot;. O depressivo acaba realizando uma generalização, pois nem todos os contatos sociais vão resultar em aborrecimentos. Portanto, sua regra é falsa. Mas, quanto mais ele se fecha, mais ele se priva das possibilidades de submeter sua regra a um teste real, a um teste que resista a exposição a novas contingências de reforço. Foi o que ocorreu no filme. A regra sobre a contaminação não resistiu a contingências reais. Quando submetida a um teste descobriu-se que ela era falsa. Isso foi fundamental para alterar o comportamento dos monstros com relação as crianças e as práticas culturais que mantinham o funcionamento de Monstrópolis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg3l1k_sJgmWbXCjmMYZ2vwmw4FW9hSnY2svZOtM1sNqcHtJ2sqtdnTteCbGCYE3_u8il442Mq2Cb3dgnSl071RQZtk16zwzYnzj-CYRrcWA6w3wClAXkzKYM9bNlq3XzGZe1vn1iUZkBYM/s1600/monstros+sa+3.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg3l1k_sJgmWbXCjmMYZ2vwmw4FW9hSnY2svZOtM1sNqcHtJ2sqtdnTteCbGCYE3_u8il442Mq2Cb3dgnSl071RQZtk16zwzYnzj-CYRrcWA6w3wClAXkzKYM9bNlq3XzGZe1vn1iUZkBYM/s1600/monstros+sa+3.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Mas, o contato com Boo levou a uma outra descoberta. O sorriso das crianças produziam muito mais energia do que o grito de medo. Esta descoberta gerou uma nova regra: &quot;melhor fazer as crianças rirem do que fazer elas chorarem&quot;. Isso aumentou o índice de produção de energia da fábrica Monstros S/A. Toda a sociedade de Monstrópolis ganhou com isso. A descoberta também garantiu para Sulley uma promoção para o cargo de supervisor do andar em que ficavam as portas e os equipamentos que conectavam o mundo dos humanos e dos monstros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma única contingência acidental mudou o funcionamento de toda uma sociedade. Isso demonstra algo importante: a exposição a novas contingências é essencial para a modelagem de novos comportamentos e para o surgimento de novas práticas culturais. Aumentando a variação nas contingências aumentamos as possibilidades de seleção de novos comportamentos. Se esta variação ocorrer de modo planejado, maiores são as chances de serem selecionados comportamentos e práticas culturais que beneficiem indivíduos, grupos, instituições, sociedades e também toda a humanidade. A Análise do Comportamento coloca a nossa disposição os fundamentos teóricos e o amparo metodológico necessário para a realização deste tipo de planejamento, basta utilizarmos estes meios para aumentarmos as chances de sobrevivência das sociedades humanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/7352583852134028940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/10/contingencias-acidentais-analise-comportamental-filme-monstros-sa.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/7352583852134028940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/7352583852134028940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/10/contingencias-acidentais-analise-comportamental-filme-monstros-sa.html' title='Contingências acidentais: análise comportamental do filme Monstros S.A.'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgynmiqa8DDpm7jfvD1ouHXPNSi-2U1PivmLug_BgKF0PcBEIpTDSKNjN169nr-7qBVqvTx0DhjqE2UTVsxu1mvxN-UVYJwRjIS1iBR-3RlPPgzTSjS5LQUWI8ofPr_Abw0TlkuDu6jK4eN/s72-c/monstros+sa+1.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-3206426978421832566</id><published>2013-09-06T13:39:00.002-07:00</published><updated>2013-09-09T09:02:17.808-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Comportamento Emocional"/><title type='text'>Vontade: um exemplo de explicação fictícia para o comportar-se</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEihtkvcrZzOAeY8Jo00IY2BykgLkaUnlDaMZGTO9MAE2s0tdb5k_daJ4vZBpSL5uJr7DwE8vbGlz9FKdkLzapfo5QjPUIPvFCQpNOCi9QHPYPJFckgExzYmMlgZAE4IKESg_imAjgl67u0k/s1600/vontade.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;224&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEihtkvcrZzOAeY8Jo00IY2BykgLkaUnlDaMZGTO9MAE2s0tdb5k_daJ4vZBpSL5uJr7DwE8vbGlz9FKdkLzapfo5QjPUIPvFCQpNOCi9QHPYPJFckgExzYmMlgZAE4IKESg_imAjgl67u0k/s320/vontade.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
A professora perguntou ao Joãozinho: &quot;Por que você bateu no Pedrinho?&quot;. Joãozinho respondeu: &quot;porque me deu vontade&quot;. Fica difícil conjecturar sobre as causas do comportamento de Joãozinho apenas com a resposta fornecida por ele. Deveríamos ficar satisfeitos com a resposta, afinal o ser humano é um ser de vontades, um ser que age a partir daquilo que sente. Mas, as coisas não são bem assim, e em outros textos já tivemos a oportunidade de analisar que emoções não são causas de comportamentos. Emoções são também comportamentos, e antes de explicarem qualquer coisa, elas também precisam ser explicadas à luz das contingências de reforço. Para entender um pouco mais sobre as emoções &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/search/label/Comportamento%20Emocional&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;clique aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Supondo que a professora tivesse a oportunidade de observar o comportamento de Joãozinho, algumas pistas poderiam surgir e fornecer indicações dos motivos que levaram-no a agredir Pedrinho. Talvez Pedrinho tenha arrancado das mãos de Joãozinho um brinquedo. Então, alguém poderia dizer: &quot;Joãozinho agiu com base em um impulso de agressividade&quot;. A explicação ainda não seria suficiente, pois além de explicar o impulso, teríamos também que explicar como este é acionado, e por sua vez restaria esclarecer como ele age provocando comportamentos agressivos, ou seja, como se transformaria no fim das contas em um comportamento que tem como meta a agressão de outrem. O impulso não fornece uma saída mais interessante do que a explicação que passa pelos estados emocionais agrupados sobre o termo &quot;vontade&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Joãozinho agiu com agressividade porque perdeu o brinquedo&quot;. A explicação ainda não é suficiente, mas já fornece pistas mais concretas a respeito do comportamento agressivo de Joãozinho. Perder o brinquedo significa a suspensão de um reforço positivo importante. Se for possível observar os comportamentos de Joãozinho em situações semelhantes, situações de perda de reforçamento positivo, e isso nos levar a constatar que ele age agressivamente na maior parte das vezes, teríamos dados que permitiriam conjecturas sobre a capacidade de lidar com frustrações de nosso jovenzinho.&amp;nbsp; Incapacidade de lidar com frustrações pode significar uma história de vida em que os comportamentos de Joãozinho quase sempre eram reforçados em esquema de &lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/04/jogos-de-azar-uma-breve-reflexao-sobre.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;reforçamento contínuo&lt;/a&gt;. Joãozinho não foi treinado para aquelas situações em que o reforço era atrasado com relação ao comportamento reforçado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se no passado quando Joãozinho agrediu seus pares ele obteve algum reforçamento, aprendeu, assim, que o comportamento de agredir é uma potencial fonte geradora de reforços. Onde fica a vontade de Joãozinho em agredir? Ela se reduz aos estados emocionais sentidos quando Joãozinho enfrenta situações de frustrações. Tanto o comportamento de agredir quanto o que é sentido quando se é frustrado têm relação com aquilo que está ocorrendo no ambiente, e o que está ocorrendo no ambiente presente tem relação com o que ocorreu no passado quando houve a exposição a certas contingências de reforço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo o raciocínio construído até aqui poderia ser objetado, e os mais obtusos diriam que há uma intencionalidade no comportamento de Joãozinho, pois ele é dirigido para um alvo, neste caso Pedrinho. O comportamento não pode ser causado por aquilo que não aconteceu. Explico-me. Eventos futuros não podem ter qualquer efeito sobre eventos presentes, pois por definição o futuro ainda não aconteceu. Qualquer dicionário que o leitor consultar vai definir vontade como a capacidade da pessoa agir com uma intencionalidade definida. Neste sentido, a vontade dá ao comportamento uma direção bastante definida, como se este fosse uma flecha atirada contra um alvo. No entanto, a meta de atingir o alvo não é a explicação para o comportamento de voar da flecha. A meta enquanto um evento futuro não pode causar um evento presente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a flecha voa até o alvo é porque houve quem a disparasse. Houve um evento no presente que permitiu o lançamento da flecha, neste caso o arqueiro com suas habilidades de atirar. Estas habilidades foram modeladas por exposições a contingências de reforço no passado. No passado essa exposição permitiu que se estabelecesse relações de dependência entre eventos comportamentais e eventos ambientais. Os eventos comportamentais seriam os comportamentos de praticar tiro ao alvo. Os ambientais seriam as instruções sobre como atirar e as consequências proporcionadas pelo seguimento das mesmas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Normalmente o comportamento dotado de intencionalidade é chamado de voluntário. O termo só faz obscurecer as variáveis envolvidas na determinação do comportar-se, pois a rigor não existem comportamentos voluntários, ou seja, comportamentos livres de determinação, produtos explícitos do livre arbítrio. Isso não quer dizer que não sejamos capazes de escolhermos entre alternativas diferentes. Sim, nós somos, mas, mesmo o comportamento de escolher não está livre de determinação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vontades e impulsos pouco explicam. Vontade é um estado emocional, uma tendência para agir de uma determinada forma. Mas, tanto o que é sentido como emoção quanto a tendência em agir de uma determinada maneira são produtos das contingências de reforço. Alguém que diz que está com vontade de comer chocolates, está dizendo que chocolate é um reforço positivo. Está também dizendo que o chocolate enquanto reforço positivo proporciona estados corporais agradáveis (emoções). Mas, sobretudo, a pessoa está sinalizando que não come chocolate há algum tempo, portanto, está privada do reforço chocolate, o que aumenta a probabilidade de sair em busca da obtenção deste reforço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, a ideia de comer chocolate não surge no vácuo. Houveram contingências de reforço que aumentaram a probabilidade de ocorrência desta. A pessoa ouviu alguém falar sobre chocolate. Viu na TV um comercial sobre chocolates. Talvez a páscoa esteja próxima, e ela sempre compra ovos de chocolate nesta ocasião. Ou quem sabe seja um sábado, e nos sábados ela come chocolate como sobremesa após o almoço, de modo que opera sobre o seu comportamento um esquema de reforçamento em intervalo fixo. Enfim, muitas são as variáveis que podem explicar a vontade de comer chocolate. Antes de ser uma explicação, a vontade é um produto a ser explicado, fruto de incontáveis operações comportamentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Portanto, vontade é mais um exemplo de explicação fictícia para o comportar-se. O termo no máximo pode indicar o tipo de controle que está operando sobre o comportamento que se supõe ser um produto da vontade, mas mesmo assim precisa ser contextualizado de modo que se identifique que condições foram responsáveis pelo aparecimento daquilo que se sente. Não se trata de desprezar o que é sentido, afinal, o que se sente, fornece pistas sobre as contingências de reforço responsáveis tanto pelo sentir quanto pelo agir. Todavia, sempre é bom salientar que o agir nunca é um produto do sentir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/3206426978421832566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/09/vontade-um-exemplo-de-explicacao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/3206426978421832566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/3206426978421832566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/09/vontade-um-exemplo-de-explicacao.html' title='Vontade: um exemplo de explicação fictícia para o comportar-se'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEihtkvcrZzOAeY8Jo00IY2BykgLkaUnlDaMZGTO9MAE2s0tdb5k_daJ4vZBpSL5uJr7DwE8vbGlz9FKdkLzapfo5QjPUIPvFCQpNOCi9QHPYPJFckgExzYmMlgZAE4IKESg_imAjgl67u0k/s72-c/vontade.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-5440084193843449587</id><published>2013-08-29T06:12:00.002-07:00</published><updated>2013-08-29T06:12:28.248-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Condicionamento operante"/><title type='text'>Lição do Dia</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
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&lt;/div&gt;
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Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZxdH5POvevsqMvNc7XSJV166oguvwodQkIHjyPDloYElg6FHx3BBVG5dp_DIbiX1fy_-IGSqCq3m8H2hW1NmiZjtDaiPk7r4p1FQ3hVs2cc4BZK70oXd3yZQrjbOL_T1_dXt162TKVUOG/s1600/consequencias.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;300&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZxdH5POvevsqMvNc7XSJV166oguvwodQkIHjyPDloYElg6FHx3BBVG5dp_DIbiX1fy_-IGSqCq3m8H2hW1NmiZjtDaiPk7r4p1FQ3hVs2cc4BZK70oXd3yZQrjbOL_T1_dXt162TKVUOG/s400/consequencias.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/5440084193843449587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/08/licao-do-dia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/5440084193843449587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/5440084193843449587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/08/licao-do-dia.html' title='Lição do Dia'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZxdH5POvevsqMvNc7XSJV166oguvwodQkIHjyPDloYElg6FHx3BBVG5dp_DIbiX1fy_-IGSqCq3m8H2hW1NmiZjtDaiPk7r4p1FQ3hVs2cc4BZK70oXd3yZQrjbOL_T1_dXt162TKVUOG/s72-c/consequencias.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-185828996062730649</id><published>2013-08-07T08:07:00.001-07:00</published><updated>2013-08-07T08:34:29.996-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Comportamento encoberto"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="comportamento operante"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Condicionamento operante"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="controle de estímulos"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pensamento"/><title type='text'>Lei da Atração e Comportamento Encoberto</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjd5R74E_34s-12keLMHjIhkFFEsAAHuqQzulk19vuUjDO3p4C3Gj2rRHCKNI9FmjhJ7jVCzL0xTyyp6U2jR29tmip90pW9SgtsR2HyrMMRiDeuoIc7ps6bTCWRqn5mbYk9dPGaMH29OCc1/s1600/lei+da+atra%C3%A7%C3%A3o.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;218&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjd5R74E_34s-12keLMHjIhkFFEsAAHuqQzulk19vuUjDO3p4C3Gj2rRHCKNI9FmjhJ7jVCzL0xTyyp6U2jR29tmip90pW9SgtsR2HyrMMRiDeuoIc7ps6bTCWRqn5mbYk9dPGaMH29OCc1/s320/lei+da+atra%C3%A7%C3%A3o.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Dizem por aí que basta pensar positivo para que tudo ao nosso entorno se transforme. Será? A literatura de autoajuda chama esse fenômeno de &quot;lei da atração&quot;. Funciona mais ou menos assim: o pensamento positivo agiria como um imã capaz de atrair a ocorrência de eventos positivos. Da mesma forma o pensamento negativo atrairia a ocorrência de eventos negativos. É como se os pensamentos tivessem propriedades magnéticas e por isso atraíssem a ocorrência de fenômenos com polaridades similares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, esse paralelo com a física não pode ser levado muito longe. Primeiro porque os pensamentos não possuem propriedades magnéticas. Quando pensamos até ocorre no córtex mudanças neuroquímicas que produzem impulsos elétricos, e estes impulsos se fazem por meio do rearranjo de elétrons, o que acaba criando um pequeno campo magnético, mas nada suficiente para atrair qualquer objeto metálico, muito menos a ocorrência de eventos positivos ou negativos, se é que os termos positivo e negativo querem dizer alguma coisa. No máximo eles fazem referência ao tipo de controle que está operando sobre o comportamento, indicando se este está sendo submetido a controle aversivo ou reforçamento positivo. Se fosse assim, todos seríamos como o Magneto, inimigo número um do Professor Charles Xavier dos X-Men. Viveríamos, portanto, a atrair ou repelir metais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pensamento é comportamento. O pensamento é um evento privado. O Behaviorismo Radical não se furta a explicar os eventos privados. O pensamento é chamado de comportamento encoberto. O termo encoberto faz referência ao fato de que este comportamento ocorre num num nível que só pode ser acessado por quem se comporta. Pensamento não é causa de comportamento. Ele até pode ser um elo numa cadeia de comportamentos, produzindo estímulos discriminativos que aumentam a probabilidade de ocorrência de comportamentos públicos. Eis aqui uma explicação plausível para a &quot;Lei da Atração&quot;. Para entender o que são estímulos discriminativos e como eles agem, é aconselhável que o leitor leia o texto &quot;&lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-operante-definicao-e.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Condicionamento operante: definição e aplicações&lt;/a&gt;&quot;.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando alguém pensa positivamente, este comportamento encoberto pode alterar estímulos que aumentam a probabilidade de ocorrência de comportamentos públicos. Uma pessoa que pensa que vai ganhar na loteria, até pode vir a ganhar na loteria, mas não porque pensou que ganharia e o pensamento se concretizou. Ao pensar que iria ganhar na loteria, tal comportamento encoberto gerou estímulos que aumentaram a probabilidade de ocorrência dos comportamentos de apostar. Os comportamentos de apostar acabam produzindo chances reais de se ganhar na loteria. Alguém pode pensar que vai se tornar um profissional excepcional. Este pensamento aumenta as chances da pessoa se comportar de modo a se tornar um profissional excepcional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqOtzG0SOQQSso28dnk-kp0cZc_J9QaYSLXF5rsZMuJtbOkTlfme2-kdRyP82Ye4neEIoUFwhDn1fs3hwrEJwhf6Vwf9JEO3f_2-0d_wARvJ05H8M3BtWLIPgrCoGndzY-FzZWYzE36NR3/s1600/pensamento+positivo.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqOtzG0SOQQSso28dnk-kp0cZc_J9QaYSLXF5rsZMuJtbOkTlfme2-kdRyP82Ye4neEIoUFwhDn1fs3hwrEJwhf6Vwf9JEO3f_2-0d_wARvJ05H8M3BtWLIPgrCoGndzY-FzZWYzE36NR3/s320/pensamento+positivo.jpg&quot; width=&quot;319&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Vejam, então, que o que muda o mundo são comportamentos. É o que aprendemos com a definição de comportamento operante, um comportamento que opera no mundo modificando-o, e por sua vez também é modificado pelas alterações que produz. São ações que mudam o mundo ao nosso entorno. Mas, muitas vezes agimos sem que tenhamos consciência de que estamos agindo de determinada forma e quais são as variáveis relacionadas às maneiras como nos comportamos. Essa inconsciência a respeito do que se faz, do como se faz e do porque se faz, acaba gerando a impressão de que muitos eventos estão relacionados ao que pensamos. Mas não é o pensamento que altera o mundo. Ele pode até criar as condições para que certos comportamentos sejam emitidos. Todavia, são os comportamentos que alteram o mundo em que vivemos e por sua vez estas alterações acabam nos modificando sem que muitas vezes tenhamos a consciência de que as mudanças estão acontecendo. &lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Como qualquer outro comportamento, o pensamento também está sujeito às ações de suas consequências. Da mesma forma, ele também está sujeito às ações dos contextos em que ocorre. Pensamentos são comportamentos que foram aprendidos publicamente. Posso imaginar que estou dirigindo o meu carro. Consigo visualizar que estou segurando o volante, virando a chave, posicionando a marcha, alterando as posições dos pedais etc. Posso até sentir o carro se deslocando. Mas tudo isso é possível porque o comportamento de dirigir um veículo foi aprendido depois que fui exposto a contingências de reforço que tornaram possível a sua modelagem. No meu caso aprendi a dirigir um automóvel com o instrutor de uma auto-escola. Ele dizia o que eu devia fazer e eu seguia as suas instruções. Na medida em que o comportamento de seguir suas instruções eram consequenciados com reforçamento positivo, seja o reforçamento proporcionado pelo próprio instrutor, ou o reforçamento gerado pelo carro em movimento, criou-se as contingências para a modelagem do comportamento de dirigir.. A princípio meus comportamentos estiveram sob o controle de regras formuladas pelo comportamento verbal do instrutor, mas depois ficaram sob o controle das contingências arranjadas pela mecânica do carro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pensamento não é a mente em movimento! Pensamento é comportamento que precisa ser analisado à luz das contingências de reforço. São estas que serão reveladoras no sentindo de apontar porque um determinado comportamento está ocorrendo em nível encoberto e não em nível aberto. Alguém pode pensar na presença de uma outra pessoa: &quot;que sujeito chato!&quot;. Se dissesse isso abertamente poderia estar sujeito a punições. O pensar permitiu a esquiva de contingências de controle aversivo. O pensar também pode proporcionar reforços positivos não encontrados na realidade, e neste caso ele seria chamado de fantasiar. Alguém pode imaginar-se rico, morando em uma mansão e andando de carro importado. Momentaneamente estes pensamentos proporcionarão reforçamento positivo. A questão é se o sujeito se torna refém do reforçamento gerado por meio de fantasias, o que o faz se distanciar da realidade. Neste caso só as contingências revelariam o motivo deste sujeito agir desta forma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHWMWoy0eRuSRh-DSuRp9s8G7N8ytrKvg_MU0HONKY_CTpFqR7Kh6lGi9o55hkLLphgXNoDyUIa1-jULBT69mLYuXqv2ziCicltG5hyfRXPmm3N0_vWhcRy4OANUAIaik62FB9Zf9K-tvP/s1600/pensamento+positivo2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHWMWoy0eRuSRh-DSuRp9s8G7N8ytrKvg_MU0HONKY_CTpFqR7Kh6lGi9o55hkLLphgXNoDyUIa1-jULBT69mLYuXqv2ziCicltG5hyfRXPmm3N0_vWhcRy4OANUAIaik62FB9Zf9K-tvP/s1600/pensamento+positivo2.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Portanto, a lei da atração é um bom exemplo de controle de estímulos. Comportamentos encobertos podem gerar estímulos que alteram a ocorrência de comportamentos públicos, e por sua vez os comportamentos públicos tornam mais provável a concretização daquilo que foi imaginado em pensamento. Não há nenhuma magia nisso. Mas é bom que se saiba, o que muda o mundo são as ações! Você até pode pensar positivo, mas tente agir de modo a aumentar as chances de ocorrer aquilo que tanto almeja. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/185828996062730649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/08/lei-da-atracao-e-comportamento-encoberto.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/185828996062730649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/185828996062730649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/08/lei-da-atracao-e-comportamento-encoberto.html' title='Lei da Atração e Comportamento Encoberto'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjd5R74E_34s-12keLMHjIhkFFEsAAHuqQzulk19vuUjDO3p4C3Gj2rRHCKNI9FmjhJ7jVCzL0xTyyp6U2jR29tmip90pW9SgtsR2HyrMMRiDeuoIc7ps6bTCWRqn5mbYk9dPGaMH29OCc1/s72-c/lei+da+atra%C3%A7%C3%A3o.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-6044882365939548112</id><published>2013-08-05T12:35:00.001-07:00</published><updated>2013-08-06T05:48:46.894-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Behaviorismo Radical"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contingências de reforço"/><title type='text'>Há algo mais profundo que as contingências de reforço?</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgR-mO-gGlDROn9dx-a2jGi6QdtkvUBwoStHMosdmWjP3pdDmkUewZ6zzJgu8D0Mpl2RJATBdiGP9exsHEP-ssyvE0OhGDoPHUYA4qoGpSNLgsTPzIzPTdl2k089JNI8nuRnFcxJ41nxcZW/s1600/comportamento.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgR-mO-gGlDROn9dx-a2jGi6QdtkvUBwoStHMosdmWjP3pdDmkUewZ6zzJgu8D0Mpl2RJATBdiGP9exsHEP-ssyvE0OhGDoPHUYA4qoGpSNLgsTPzIzPTdl2k089JNI8nuRnFcxJ41nxcZW/s320/comportamento.jpg&quot; width=&quot;308&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Psicologia profunda é somente aquela que cuida da mente inconsciente? Muitas vezes o termo profundidade é quase sinônimo de vida mental, ou ao menos aponta para a possibilidade de existência de uma vida mental, de uma mente que funciona apesar de todo ato de volição. Isso faz com que a psicologia fique dividida entre as psicologias profundas, aquelas que cuidam da vida mental, em especial se debruçam sobre a tarefa de desvendar os segredos do inconsciente, e as psicologias superficiais, aquelas que tratam o comportamento apenas como respostas que surgem como ações provocadas por estímulos. Nada mais enganoso!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mentalismo é mesmo encantador. Ele abre-nos a possibilidade de uma hermenêutica sem fim, fazendo acreditar que ciência se constrói com retórica. Retórica como a arte de falar não define aquilo que o cientista faz. O cientista trabalha com previsão e controle, e isso significa que deve ser capaz de isolar as variáveis responsáveis pelo comportamento de seu objeto de estudos. Não há nada mais trabalhoso e &quot;profundo&quot; do que selecionar as variáveis relevantes para a explicação do comportamento de um determinado de objeto de estudos, principalmente quando este objeto é o comportamento humano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema com o mentalismo é que ele não deixa claro quais são as variáveis relevantes para se ter um mínimo de controle e previsão sobre o comportar-se. Se estas variáveis são o id, o ego e o superego, não temos como alterá-las, uma vez que são inacessíveis a qualquer tentativa de manipulação direta. Objetariam os mentalistas dizendo que estas podem ser acessadas indiretamente via comportamento. Então, temos aqui um problema. Se o objeto de estudos, no caso o comportamento, é a única evidência sobre as variáveis que o produzem, não há possibilidades reais de serem testadas mudanças significativas neste objeto, já que a rigor é inviável provar que as mudanças apontadas estão relacionada a alteração em certas variáveis. Em outras palavras, qualquer relação de causalidade não pode ser estabelecida, o que abre campo para a pura especulação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema se agrava quando se hipotetiza sobre as variáveis causadoras do comportamento, especulando que estas têm um comportamento muito próprio. Isso vai tornando cada vez mais problemático o estudo, pois não são mencionadas que outras variáveis são responsáveis pelo comportamento daquelas variáveis que são diretamente responsáveis pelo comportar-se. As variáveis responsáveis pelo comportar-se precisam ter o seu comportamento explicado, e ao se explicar o comportamento destas, perde-se o foco do comportamento em si. Desta forma, toda explicação mentalista tende a ser circular. O comportamento é a única evidência das causas que o provocam, e as causas precisam ter o seu comportamento explicado para que se possa acreditar que o comportamento em si é uma evidência contundente daquilo que o causa. No fim das contas o comportamento é a explicação para si mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As contingências de reforço fornecem-nos uma saída mais interessante, pois indicam qual é o objeto a ser estudado e quais são as variáveis responsáveis pela forma como esse objeto se apresenta. Na Análise do Comportamento as contingências de reforço constituem a unidade básica de análise. Elas indicam a princípio que pelo menos dois processos são responsáveis pela ocorrência do comportamento: o reforçamento e o controle por estímulos. Para melhor compreensão destes processos é sugerida a leitura do texto &quot;&lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-operante-definicao-e.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Condicionamento operante: definição e aplicações&lt;/a&gt;.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O reforçamento faz referência às operações de consequenciação. Trocando em miúdos, o comportamento é afetado por suas consequências, que podem ser de dois tipos: reforçamento positivo e negativo. A princípio parece ser um modelo explicativo bastante simples. Mas não é como parece. As consequências afetam o comportamento de diferentes formas. Elas vão depender, por exemplo, dos esquemas que determinam a forma como elas são apresentadas, e aqui entramos no terreno dos esquemas de reforçamento. O leitor vai entender melhor os esquemas de reforçamento lendo outro texto deste blog: &quot;&lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/04/jogos-de-azar-uma-breve-reflexao-sobre.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Jogos de azar: uma breve reflexão sobre os esquemas de reforçamento&lt;/a&gt;.&quot; O esquema de reforçamento vai ser determinante para que as consequências produzam comportamentos mais ou menos resistentes à extinção, comportamentos mais ou menos frequentes, comportamentos mais ou menos vigorosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de consequências que podem afetar os comportamentos que constituem nosso repertório total de comportamentos são incontáveis. Algumas consequências podem ter maior poder de controle sobre o comportamento se forem biologicamente importantes: sexo, bebidas, comidas etc. A importância biológica vai ser determinada pela história filogenética da espécie a qual o organismo pertence. Então, o ambientalismo como modelo explicativo não está contido em si mesmo, pois depende de outros níveis de explicação. A adoção do modelo de causalidade ambientalista remete-nos a um diálogo fecundo com outras ciências que explicam como funcionam o substrato biológico que dá amparo ao comportar-se. Neste sentindo, uma psicologia contida em si mesma é um projeto estéril desde a sua concepção. Não se faz análise do comportamento sem considerar variáveis ambientais e também variáveis biológicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de consequências que afetam o comportar-se aumenta exponencialmente se considerarmos que variáveis previamente neutras quando associadas a outras variáveis que já afetam o comportar-se, passam a adquirir poder de controle sobre este. Neste rol entram aquelas variáveis que foram associadas às consequências de importância biológica. Estas novas variáveis podem se associar a outras, gerando, assim, novas variáveis controladoras do comportamento. Há um infinito de possibilidades de associações entre variáveis ambientais e comportamentais, o que demonstra o quão &quot;profundas&quot; são as contingências de reforço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até aqui estivemos considerando somente as operações de reforçamento. Há as operações de controle de estímulos, o que é outra forma de dizer que não somente as consequências afetam o comportar-se, mas também os contextos em que os comportamentos ocorrem. Nestes contextos estão estímulos que assumem o controle do comportamento depois de serem associados às consequências. Após esta associação estes estímulos adquirem a função de sinalizadores de consequências, aumentando ou diminuindo a probabilidade dos comportamentos que controlam. No texto &quot;&lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-operante-definicao-e.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;O Condicionamento operante: definição e aplicações&lt;/a&gt;&quot; o leitor vai encontrar uma explicação mais detalhada sobre como os contextos assumem o controle do comportar-se.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de variáveis dos contextos que afetam o comportar-se é ampliado se considerarmos que outras variáveis parecidas àquelas que controlam as emissões do comportamento, adquirem também a função de diminuir ou aumentar suas probabilidades de ocorrência. Por sua vez, o poder de controle destas variáveis sobre o comportar-se vai depender dos esquemas de reforçamento, ou seja, vai depender da forma como as consequências ocorrem. As combinações entre variáveis do contexto e as operações de consequenciação podem ser as mais diversas possíveis, o que revela o caráter multideterminado do comportamento, ao mesmo tempo que revela a complexidade deste objeto de estudos. Sobretudo, revela quão &quot;profunda&quot; são as contingências de reforço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa piora se ainda considerarmos que as contingências dos comportamentos individuais podem se entrelaçar com as contingências culturais. Por sua vez a cultura acaba estabelecendo regras para as condutas individuais, regras que afetam o comportamento de pessoas e grupos. O resultado final do comportamento de pessoas, grupos e instituições é a manutenção ou mudança de padrões culturalmente estabelecidos, e tais padrões podem ser determinantes para a sobrevivência da humanidade e de seu modo de existir. E aqui se revela a necessidade de diálogo da Análise do Comportamento com as Ciências da Sociedade, por mais que estas tenham a tendência em descrever as culturas em termos topográficos ou apelarem para descrições mentalistas no afã de explicar os comportamentos das coletividades. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De tudo isso fica uma constatação: as contingências de reforço são muito mais profundas do que qualquer modelo de causalidade mentalista. Enquanto unidade de análise as contingências do reforço permitem uma visualização das variáveis determinantes para a ocorrência do comportar-se, e da complexidade que envolvem a sua emissão. Sobretudo, elas permitem a construção de uma empreitada científica que abre margens para o controle e previsão. Por sua vez esta empreitada as transforma em um instrumento não somente de análise, mas também numa poderosa ferramenta de intervenção. Então, porque as contingências do reforço não haveriam de ser profundas?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/6044882365939548112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/08/ha-algo-mais-profundo-que-as-contingencias-do-reforco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/6044882365939548112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/6044882365939548112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/08/ha-algo-mais-profundo-que-as-contingencias-do-reforco.html' title='Há algo mais profundo que as contingências de reforço?'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgR-mO-gGlDROn9dx-a2jGi6QdtkvUBwoStHMosdmWjP3pdDmkUewZ6zzJgu8D0Mpl2RJATBdiGP9exsHEP-ssyvE0OhGDoPHUYA4qoGpSNLgsTPzIzPTdl2k089JNI8nuRnFcxJ41nxcZW/s72-c/comportamento.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-6894696153138262982</id><published>2013-07-13T09:58:00.001-07:00</published><updated>2013-07-14T04:35:40.023-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Comportamento social"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contingências de reforço"/><title type='text'>&quot;A dor é inevitável. O sofrimento é opcional&quot;: breve reflexão sobre o comportamento social</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjRrpbikizufRq_Vp0NhmihL1a0B-BBmx_EswdYopLzqGdXw0vzq0tforf1W8iFJzrquyz_4DoUAreTDStFKnFFX7QDh8A2imgRI0KdplJjgVYpHYL5W9Lu7CDk-fyXGZAmYQqJnrlgrfaA/s1600/dor.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;224&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjRrpbikizufRq_Vp0NhmihL1a0B-BBmx_EswdYopLzqGdXw0vzq0tforf1W8iFJzrquyz_4DoUAreTDStFKnFFX7QDh8A2imgRI0KdplJjgVYpHYL5W9Lu7CDk-fyXGZAmYQqJnrlgrfaA/s320/dor.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
O título deste texto faz menção a uma famosa frase do poeta Carlos Drummond de Andrade. Ela no mínimo indica que há circunstâncias na vida em que a dor vai ocorrer independente daquilo que fizermos. Isso aponta para algo que caracteriza os comportamentos sociais, que é a incontrolabilidade dos eventos ambientais, como, por exemplo, a incontrolabilidade dos estímulos reforçadores, pois estes dependem dos comportamentos de outrem. Neste sentido os comportamentos dos outros com quem nos relacionamos se constituem como ambiente para aquilo que fazemos. Desta forma, ambiente é tudo aquilo que afeta o comportar-se. Por definição é tudo aquilo que é externo ao comportamento e não necessariamente o que é externo ao organismo que se comporta. Não importa a localização dos eventos que afetam o comportar-se, se estão sob a pele ou fora dela, ou seja, se são privados ou públicos. O que importa é se eles afetam o comportamento e como eles o afetam.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No caso do comportamento social, que Skinner (1998, p. 325) define &quot;como o comportamento de duas ou mais pessoas em relação a uma outra ou em conjunto em relação ao ambiente comum&quot;, as consequências do comportar-se são mediadas pelo comportamento do outro com quem nos relacionamos. Isso acaba diferenciando o comportamento social do comportamento reforçado diretamente pelo ambiente mecânico. &quot;O comportamento reforçado através da mediação de outras pessoas diferirá de muitas maneiras do comportamento reforçado pelo ambiente mecânico. O reforço social varia de momento para momento dependendo da condição do agente reforçador.&quot; (SKINNER, 1998, p. 327).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O reforço social varia de momento para momento e depende das condições do agente reforçador. Isso quer dizer que em tese é impossível prever com exatidão a maneira como o outro agirá. Lógico que o conhecimento sobre o comportamento do outro e das circunstâncias que o afetam acabam possibilitando a construção de margens de previsão bastante aproximadas. Mas, ainda, assim, há espaço para o imprevisível, até porque o comportamento é afetado por múltiplas variáveis simultaneamente, e ter o conhecimento de todas elas em ambiente natural é algo que em tese é impraticável. A partir daí chegamos à conclusão que o comportamento social é mais flexível e ao mesmo tempo caracterizado pela incontrolabilidade dos eventos que o afetam. Mas neste contexto a incontrobalidade quer dizer que não se pode construir margens de previsão absolutas. Estas margens são sempre aproximadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas incontrabilidade também quer dizer que independente do que fizermos há outras variáveis que afetam o comportamento do outro com quem relacionamos de modo mais contundente, e por isso que as consequências não podem ser alteradas. Em outras palavras, independente do que fizermos em muitas circunstâncias o comportamento do outro não vai se alterar, e é aí que mora o perigo, ou seja, é daí que vem o sofrimento, ou para ser fiel ao poeta, é daí que surgem os eventos inesperados que nos fazem sentir dor. Por isso vamos com ele concordar que a dor é inevitável. Mais cedo ou mais tarde ela vai acontecer. Às vezes porque somos incapazes de alterar o curso de ação das outras pessoas, ou porque formulamos regras que não descrevem com fidelidade as contingências que afetam o comportamento destas. Quando o segundo caso acontece, podemos falar que alimentamos uma expectativa com relação ao outro e esse outro agiu de modo a contrariar a nossa expectativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a dor é inevitável, o poeta ensina-nos que o sofrimento é opcional. Há um ensinamento na segunda parte da reflexão poética. Ela quer dizer que podemos alterar os nossos comportamentos de modo a atenuar a dor gerada pelos comportamentos dos outros. Podemos, por exemplo, evitar a pessoa que provocou a dor. Podemos evitar a exposição às situações que nos lembrem o agente causador da dor: um restaurante, uma música, um perfume etc. Podemos nos expor a situações que nos proporcionem bem estar: conhecer novas pessoas, frequentar novos lugares, estabelecer novos diálogos etc. Se não podemos em muitas situações mudar a forma como as pessoas agem, e na maior parte do tempo as variáveis que afetam os comportamentos dos outros não estão sob o nosso controle e daí vem a incontrolabilidade, podemos, no entanto, por outro lado mudar os nossos comportamentos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É mais salutar tentarmos modificar a nossa forma de agir do que insistir na mudança dos comportamentos dos outros. Assim evitamos aborrecimentos desnecessários e temos a oportunidade de ampliarmos nosso repertório de habilidades sociais. Portanto, a dor pode se transformar em ocasião para construirmos novos olhares sobre as nossas formas de agir, ou seja, a dor pode estabelecer a ocasião para o surgimento do autoconhecimento, e o autoconhecimento é ponto de partida para efetuarmos mudanças em nós mesmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Referência:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SKINNER, B. F. &lt;b&gt;Ciência e comportamento humano.&lt;/b&gt; 10 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/6894696153138262982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/07/reflexoes-sobre-comportamento-social.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/6894696153138262982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/6894696153138262982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/07/reflexoes-sobre-comportamento-social.html' title='&quot;A dor é inevitável. O sofrimento é opcional&quot;: breve reflexão sobre o comportamento social'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjRrpbikizufRq_Vp0NhmihL1a0B-BBmx_EswdYopLzqGdXw0vzq0tforf1W8iFJzrquyz_4DoUAreTDStFKnFFX7QDh8A2imgRI0KdplJjgVYpHYL5W9Lu7CDk-fyXGZAmYQqJnrlgrfaA/s72-c/dor.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-8965175543101114604</id><published>2013-07-01T17:55:00.000-07:00</published><updated>2013-07-01T18:21:43.751-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Condicionamento operante"/><title type='text'>Doma Racional e Condicionamento Operante</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjBYD1diuppv5DoUJB5zf_O3WKEeAyoROLQQWNFOrLrbYDe1HBk5Y89HzqJY1lpEiD_5WMs9C_k3h5rzObjP0t9Z98RfhX5yR1COMAjYkWlt9xF7cI67bTEtBbFWdceYRkGSMzfUrc47q3g/s600/doma+racional+e+condicionamento+operante.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjBYD1diuppv5DoUJB5zf_O3WKEeAyoROLQQWNFOrLrbYDe1HBk5Y89HzqJY1lpEiD_5WMs9C_k3h5rzObjP0t9Z98RfhX5yR1COMAjYkWlt9xF7cI67bTEtBbFWdceYRkGSMzfUrc47q3g/s320/doma+racional+e+condicionamento+operante.jpg&quot; width=&quot;316&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Este post é para os aficionados por animais, mas não somente para estes. Ele também é dirigido aos aficionados pela Análise do Comportamento. A Análise do Comportamento enquanto ciência demonstra que no contexto do laboratório ou fora dele o comportamento está sob constante controle do ambiente. No ambiente do laboratório o método experimental é utilizado para delinear com exatidão que variáveis estão controlando o comportamento, ou seja, que variáveis estão afetando o modo como o comportamento ocorre, se sua ocorrência é menos ou mais frequente e se ela depende da maneira como muda o ambiente, se a probabilidade é maior ou menor quando se apresentam ou retiram determinados estímulos e assim por diante. Sendo assim, o método experimental permite a criação de arranjos experimentais que possibilitam testar a relação entre determinados eventos ambientais de um lado e eventos comportamentais de outro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando Skinner estudou o comportamento operante em sua famosa caixa, que mais tarde foi chamada de Caixa de Skinner, ele fez nada mais e nada menos do que criar arranjos experimentais. Nestes arranjos pôde observar os comportamentos de sujeitos experimentais e como tais comportamentos se alteravam em função da modificação em determinados aspectos do ambiente relacionados a ocorrência destes. No clássico experimento do roedor que pressiona uma barra para obtenção de alimentos, criou-se um arranjo experimental que permitiu que determinados comportamentos fossem seguidos de consequências claramente especificadas, consequências que poderiam ser quantificadas quanto ao número de vezes que ocorriam, de modo a se estabelecer uma relação entre a força do comportamento e a quantidade de ocorrência destas consequências. No texto &quot;&lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-operante-definicao-e.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Condicionamento Operante: definição e aplicações&lt;/a&gt;&quot;, o leitor encontrará uma descrição do experimento de Skinner, e entenderá os princípios comportamentais que ele ilustra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por ora é importante assinalar que o método experimental é um importante recurso metodológico que permite a criação de arranjos experimentais relevantes para a identificação das variáveis que afetam o comportar-se e de que modo elas afetam. Logicamente não podemos esperar que o mundo fora do laboratório apresente-se de maneira tão didática quanto o mundo controlado dos arranjos experimentais. No entanto, isso não nos impede de analisar o comportamento, pois conhecendo quais são os processos por trás de sua ocorrência, não é impossível identificar como eventos comportamentais e ambientais se influenciam mutuamente. Uma vez que seja possível identificar tais eventos, alterações podem ser introduzidas no ambiente de modo a testar o quanto existe entre eles uma relação de dependência. Se eu sei que determinados reforços podem aumentar a ocorrência de um determinado comportamento, posso utilizá-los para tornarem este comportamento mais frequente, bastando para isso esperar que o comportamento ocorra para em seguida apresentá-los, e é exatamente isso o que faz Monty Roberts em sua doma racional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que é a doma racional? É um método criado pelo norte-americano Monty Roberts para domar cavalos sem a utilização de violência, sem a utilização de controle coercitivo. Sabemos que o controle coercitivo está baseado no uso de punição e de ameaça de punição. Sabemos ainda quais são os subprodutos que podem ser gerados por este tipo de controle: agressividade, medo, submissão, ansiedade etc. Mas Monty Roberts abole o uso deste tipo de controle. Ele não usa punição, não usa de nenhum método coercitivo para fazer o animal sentir dor ou sofrimento. O que ele usa então? Ele simplesmente usa reforço positivo, e o utiliza da maneira correta. Vejam o vídeo abaixo, ele tem apenas 6:52 (seis minutos e cinquenta e dois segundos) e vale muito a pena ser visto e apreciado:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;object class=&quot;BLOGGER-youtube-video&quot; classid=&quot;clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000&quot; codebase=&quot;http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0&quot; data-thumbnail-src=&quot;http://img.youtube.com/vi/p_0q4HMjirs/0.jpg&quot; height=&quot;266&quot; width=&quot;320&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://youtube.googleapis.com/v/p_0q4HMjirs&amp;source=uds&quot; /&gt;&lt;param name=&quot;bgcolor&quot; value=&quot;#FFFFFF&quot; /&gt;&lt;param name=&quot;allowFullScreen&quot; value=&quot;true&quot; /&gt;&lt;embed width=&quot;320&quot; height=&quot;266&quot;  src=&quot;http://youtube.googleapis.com/v/p_0q4HMjirs&amp;source=uds&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; allowfullscreen=&quot;true&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lógico que Monty não chamaria seu método de condicionamento operante, e talvez não reconheceria jamais as semelhanças entre a doma racional e o clássico experimento do roedor na Caixa de Skinner. Monty não é um analista do comportamento e talvez falte-lhe o repertório adequado para notar tais semelhanças e entender que o que ele faz é criar as condições adequadas para apresentar reforços positivos contingentes aos comportamentos que ser quer modelar no animal, algo que Skinner fez quando reforçou por aproximações sucessivas os comportamentos que se aproximavam do comportamento almejado para o seu sujeito experimental, neste caso o comportamento de pressionar a barra para a liberação de alimento. Em seu repertório o roedor não tinha esse comportamento, mas reforçando por aproximações sucessivas os comportamentos que dele se aproximavam, ao final da sessão experimental o roedor conseguiu pressionar a barra. Magia? Não!!! Condicionamento operante, essa é a resposta mais adequada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Monty por vezes é chamado de encantador de cavalos. Ele parece mesmo encantar os cavalos com sua docilidade que abole o uso de punições. Mas não há nenhum encanto ou magia em todo o processo de doma dos cavalos. Há apenas liberação de reforços positivos contingentes aos comportamentos de docilidade do animal. O resultado é que tais comportamentos tornam-se mais frequentes, e ao final da doma o animal se apresenta mais dócil do que quando ela foi iniciada, podendo ser montado por qualquer pessoa. É isso que o vídeo acima demonstra. Ele é uma excelente aula sobre condicionamento operante. É um bom exemplo de um experimento sendo feito a céu aberto, e o redondel é o laboratório utilizado para esse fim.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj0sfhXa4IO07rw2XHfusaOjCNctyhfaXO4wGUW8SPp7aVS0J5OQUp4M6ZuqDYn5Ph3LKeY4UK9Ue59k_qJrhRTNU-msB9Xjo2aKf_Z844uyjWmspYcJkfPm5ayjQpbyj-thy77E2eM9n4g/s255/doma+racional+e+condicionamento+operante+2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj0sfhXa4IO07rw2XHfusaOjCNctyhfaXO4wGUW8SPp7aVS0J5OQUp4M6ZuqDYn5Ph3LKeY4UK9Ue59k_qJrhRTNU-msB9Xjo2aKf_Z844uyjWmspYcJkfPm5ayjQpbyj-thy77E2eM9n4g/s255/doma+racional+e+condicionamento+operante+2.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
O vídeo tanto mostra a modelagem de novos comportamentos, neste caso os comportamentos de docilidade, quanto a extinção de comportamentos já estabelecidos no repertório do animal, que são os comportamentos de demonstração de agressividade. Estes últimos são colocados em extinção, por isso Monty deixa o cavalo correr ao redor do redondel. Como ele havia sido submetido anteriormente à doma tradicional com uso de violência, humanos representavam possibilidade de punição, ou seja, eram estímulos discriminativos que sinalizavam a possibilidade de uso de controle coercitivo. Por esse motivo o cavalo age com agressividade no início da sessão quando Monty se aproxima. Mas como a aproximação não é seguida de punição, logo o estímulo &quot;humanos&quot; perde a função de ser estímulo sinalizador de punição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É notável como a aproximação do animal com relação a Monty é seguida de pequenos gestos que funcionam como reforços positivos, gestos como coçar o animal e acariciá-lo. Com o prosseguimento da sessão os comportamentos de docilidade vão se estabelecendo no repertório do animal. Em apenas 25 minutos de doma Monty consegue celar o cavalo e colocar sobre ele uma pessoa. Esta façanha ilustra o poder do reforçamento positivo. Reforços positivos utilizados da maneira correta podem produzir resultados notáveis!&amp;nbsp; Use reforço positivo em seus relacionamentos, eu recomendo!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/8965175543101114604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/07/doma-racional-e-condicionamento-operante.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/8965175543101114604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/8965175543101114604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/07/doma-racional-e-condicionamento-operante.html' title='Doma Racional e Condicionamento Operante'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjBYD1diuppv5DoUJB5zf_O3WKEeAyoROLQQWNFOrLrbYDe1HBk5Y89HzqJY1lpEiD_5WMs9C_k3h5rzObjP0t9Z98RfhX5yR1COMAjYkWlt9xF7cI67bTEtBbFWdceYRkGSMzfUrc47q3g/s72-c/doma+racional+e+condicionamento+operante.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-5411204657437390246</id><published>2013-06-19T11:00:00.001-07:00</published><updated>2013-06-19T11:00:52.002-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Contracontrole"/><title type='text'>Psicologia e Compromisso Social</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgooNLJHTlDVS-PeJBNEWCciZojxC5YOSTaF4QG6GssLNoC1bHgs2XOnvLr4-WjIOB0g1_R5m8q0c_xDAM8XIssFLNZemiTacWL9H9rHX7gjChyI0rc9LlFLfCoO7YJRjzxl3XEtDNlTrQs/s1600/politiza%C3%A7%C3%A3o.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;216&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgooNLJHTlDVS-PeJBNEWCciZojxC5YOSTaF4QG6GssLNoC1bHgs2XOnvLr4-WjIOB0g1_R5m8q0c_xDAM8XIssFLNZemiTacWL9H9rHX7gjChyI0rc9LlFLfCoO7YJRjzxl3XEtDNlTrQs/s320/politiza%C3%A7%C3%A3o.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Quem disse que o Café com Ciência é um blog despolitizado? Ele não é, pois a Psicologia não pode ser despolitizada. A Psicologia precisa dar conta do desencadeamento de mudanças que se processam no indivíduo a partir da ocorrência de eventos que se manifestam na vida pública. A Psicologia não pode fugir desta tarefa, caso contrário, ela corre o risco de se descaracterizar enquanto ciência. Ela não pode se fechar em si mesma e acreditar que o indivíduo é movido apenas por forças de origem psicológica, se não acaba caindo num psicologismo sem fim, num psicologismo que pode levá-la a desconsiderar os contextos sócio-históricos que criam as circunstâncias que produzem as mudanças comportamentais que se fazem notar no âmbito da vida individual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para honrar com o compromisso de construção de uma Psicologia não psicologizante, pretendemos em breves linhas analisar os últimos eventos que têm mobilizado grande parte da população brasileira em torno de diversos ideais que possuem um pano de fundo em comum: a insatisfação com a vida política. Insatisfação, é isso que sinaliza toda a movimentação política das últimas semanas. Insatisfação é sinal de utilização de controle aversivo. Mas de onde vem esse controle aversivo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pergunta não é retórica! Isso porque o panorama social aponta num sentido inverso. A economia vai bem, ou seja, o mercado interno está aquecido, apesar da inflação. Está havendo geração de empregos. Houve diminuição nos índices de pobreza. O consumo tem aumentado, e o poder de compra da população tem acompanhado o aquecimento do mercado interno. Sendo assim, não era para os brasileiros estarem satisfeitos com o país que vivem? Tudo indica que o panorama social sinaliza com reforços positivos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a conduta dos manifestantes nas últimas semanas nos fazem constatar que a população brasileira está insatisfeita. Insatisfação é um comportamento emocional que surge como consequência da utilização de controle aversivo. Este controle aversivo vem de nossa longa história de privação. Apesar do crescimento da economia, o desenvolvimento econômico não é acompanhado de perto de desenvolvimento social. O desenvolvimento social segue um ritmo muito mais lento que o desenvolvimento econômico. E todo crescimento econômico não é revertido em serviços públicos de qualidade para toda a população. Isso ocasiona em privação destes serviços. O povo brasileiro há muito tempo vem sendo privado de uma saúde com qualidade, de uma educação com qualidade e de outros serviços essenciais para a construção de uma vida digna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, ainda, assim, persiste a velha ideia capitalista de que todos podem ascender socialmente, desde que se esforcem para alcançar tal ascensão. Temos aí uma regra: &quot;o esforço será seguido de perto pela recompensa da ascensão social&quot;. Esta é a promessa do capitalismo! Na prática esta regra descreve contingências reais? Não! Pelo menos para boa parte da população esta regra está muito distante das contingências que controlam a vida das pessoas. A privação a qual são submetidas geram controle aversivo. Somado a tais privações existem os constantes escândalos de corrupção e as tentativas reiteradas de fortalecimento de ações preconceituosas contra as minorias, vide, por exemplo, o projeto da &quot;cura gay&quot;, e o favorecimento de classes profissionais já abastadas, e temos aí o exemplo dos médicos que lutam por maior concentração de poder em suas mãos através do projeto do &quot;ato médico&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante de tanto controle aversivo, a população só pode reagir usando o contracontrole. Contracontrole é um produto gerado pela utilização de controle aversivo. Não se trata de reagir apenas ao aumento da tarifa do transporte público. O aumento da tarifa é apenas mais uma contingência aversiva entre tantas outras que vem sendo construídas desde os tempos da colonização. Até, então, estas contingências estavam funcionando perfeitamente bem para manterem a população sob controle. Porque mantiveram por tanto tempo a população sob controle, foram selecionadas como práticas culturais. Mas o efeito cumulativo de tanta estimulação aversiva acabou gerando contracontrole. Estamos, então, diante de um momento histórico muito importante, que pode contribuir para o surgimento de novas contingências que levem à seleção de novas práticas culturais. Só o tempo dirá o quão efetivo está sendo este contracontrole exercido pelas populações que foram até às ruas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mais interessante é que tal contracontrole tem sido dinamizado pelo poder das redes sociais. Estas contribuem para o compartilhamento de informações, produzindo contingências que afetam um número maior de pessoas num intervalo de tempo muito curto. Há algo de fabuloso nas redes sociais. Elas permitem as pessoas se expressarem! Essa possibilidade gera a oportunidade de maior contato com reforços sociais positivos. Quanto maior a possibilidade de experimentar reforços positivos, com mais frequências as pessoas vão se engajar em comportamentos de se mobilizarem através da rede mundial de computadores. A mídia tradicional não abre para a população esse espaço de participação. Já as redes sociais são marcadas por essa abertura. Elas permitem a participação popular, participação que gera reforços sociais positivos extremamente poderosos para a manutenção de comportamentos de mobilização social. Sem dúvida nenhuma as redes sociais são uma nova prática cultural. São elas o quarto poder?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas novas práticas culturais têm criado contingências que afetam a forma das pessoas se organizarem. Geram novas formas de subjetivação, ou seja, novas formas das pessoas descreverem as contingências que controlam os seus comportamentos e os comportamentos de seus semelhantes que também estão submetidos a estas contingências. No fim das contas novas formas de conhecimento estão surgindo. Isso faz com que as pessoas comecem a pensar o mundo ao seu entorno de forma diferente, ou dizendo de outra forma, isso faz com que as pessoas se comportem com relação a este mundo de um modo distinto da maneira como se comportavam anteriormente. Novos tempos, novas contingências, novos comportamentos, novas práticas culturais, novos desafios para a Psicologia enquanto ciência e profissão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não fujamos destes desafios! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/5411204657437390246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/06/psicologia-e-compromisso-social.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/5411204657437390246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/5411204657437390246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/06/psicologia-e-compromisso-social.html' title='Psicologia e Compromisso Social'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgooNLJHTlDVS-PeJBNEWCciZojxC5YOSTaF4QG6GssLNoC1bHgs2XOnvLr4-WjIOB0g1_R5m8q0c_xDAM8XIssFLNZemiTacWL9H9rHX7gjChyI0rc9LlFLfCoO7YJRjzxl3XEtDNlTrQs/s72-c/politiza%C3%A7%C3%A3o.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-8169361750053491103</id><published>2013-06-01T10:15:00.002-07:00</published><updated>2013-06-03T09:40:30.664-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contingências de reforço"/><title type='text'>Cinco Dicas Para Acabar Com Um Casamento</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6PhAvRXNrZq6XPmiroEfdzGLIF0OsUzuZ5x6Gd5WFNi29np6xFe-4-RDnYrkEy0PEsu048LpXXbojMoMUa1G6aToQ41uCHw_yPpuh_iTXI8XGWdC-LX4UBBccPSkjx7FJUruXyTSkZ5vY/s1600/casamento.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;150&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6PhAvRXNrZq6XPmiroEfdzGLIF0OsUzuZ5x6Gd5WFNi29np6xFe-4-RDnYrkEy0PEsu048LpXXbojMoMUa1G6aToQ41uCHw_yPpuh_iTXI8XGWdC-LX4UBBccPSkjx7FJUruXyTSkZ5vY/s200/casamento.jpg&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
O texto que se segue não tem a pretensão de incentivar os casais a acabarem com os seus casamentos. Ao contrário, ele se presta a esclarecer os tipos de situações que costumam minar as relações entre as pessoas casadas. Ao invés de seguir as dicas, é aconselhado que se faça tudo ao contrário, ao menos que o leitor queira colocar um fim no seu relacionamento. Seguem cinco tipos de situações que é comum ver os casais vivendo, e que de alguma maneira acabam gerando grandes &quot;desgastes&quot; nas relações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg1XR_MhUu1dBKOBodAGbYnsVd4SWXp4jzuxw22txTOmZ9aQYCsLV9tB6FOWUlVA8htbalAnxeg7igP2EsoFgzMA59VDO_jjQM2Mbq-SfZwVgJrGVGXDQOnRj37Lx-wevr70UPkGSFbKaj_/s1600/amor+eterno.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg1XR_MhUu1dBKOBodAGbYnsVd4SWXp4jzuxw22txTOmZ9aQYCsLV9tB6FOWUlVA8htbalAnxeg7igP2EsoFgzMA59VDO_jjQM2Mbq-SfZwVgJrGVGXDQOnRj37Lx-wevr70UPkGSFbKaj_/s200/amor+eterno.jpg&quot; width=&quot;150&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;b&gt;&lt;i&gt;Acredite na fábula do amor eterno.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; Nossa cultura permeada por valores cristãos e construída sobre o ideal da monogamia, costuma incentivar a crença no amor eterno. No altar os casais juram ficarem um do lado do outro até que a morte os separem. Nada contra tal juramento, desde que não se acredite que o amor vai subsistir às tempestades sem que se faça algo para que ele possa ser fortalecido. Explico-me! Amor é comportamento operante. Todos sabemos que comportamentos operantes são mantidos se forem reforçados. Comportamento reforçado é comportamento mantido. O problema com a fábula do amor eterno é que ela leva as pessoas a pensarem: &quot;se ele(a) me ama precisa me tolerar do jeito que sou!&quot; Com isso a pessoa abre mão de buscar melhorias em seus próprios comportamentos. Pior do que isso, ela deixa de reforçar os comportamentos de amar do(a) parceiro(a) por acreditar que ele(a) é obrigado(a) a amá-la só porque fez o juramento de suportá-la até o fim de sua vida. Nada mais incoerente! Comportamento de amar que não é consistentemente reforçado pode se extinguir!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um relacionamento não pode estar fundamentado em um juramento! Um relacionamento precisa estar fundamentado em práticas concretas. É necessário que os comportamento que expressem amor sejam reforçados. Amar não é uma obrigação que se coloca em prática em função de um juramento. Amar é comportar-se porque o comportamento é seguido de reforços. Se as pessoas entendessem que relacionamentos são feitos de comportamentos, certamente elas teriam maiores chances de serem felizes, pois se comportariam de modo a prover reforços para os comportamentos de amar do(a) parceiro(a).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEivNUKdhD2NRyD_I6WXjNmugiVWtTe007058wfsFbaVUA5dNaHJEJ2Hu4oxY2vonI56Zt3bhLodn_h3T2FbSHD7TLbT5dViWCATPum2A0nIdJvieWbbLdkwpffKqJM-24u1-V2vcFbEwsxA/s1600/individualidade+no+casamento.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;157&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEivNUKdhD2NRyD_I6WXjNmugiVWtTe007058wfsFbaVUA5dNaHJEJ2Hu4oxY2vonI56Zt3bhLodn_h3T2FbSHD7TLbT5dViWCATPum2A0nIdJvieWbbLdkwpffKqJM-24u1-V2vcFbEwsxA/s200/individualidade+no+casamento.jpg&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;b&gt;Desrespeite a individualidade do(a) parceiro(a). &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;Via de regra alguém casa com outro alguém diferente de si. Nem gêmeos idênticos são de fato idênticos. Podem possuir a mesma carga genética, mas são psicologicamente diferentes, portanto, possuem repertórios e tendências comportamentais bastante distintas. Numa relação é preciso respeitar a individualidade do parceiro. Outro valor de nossa cultura cristã e monogâmica é que os casais devem ser uma só carne. Muitos levam isso ao pé da letra e acham que devem compartilharem todos os seus momentos, ou seja, que devem fazer tudo juntos! Nada mais entediante e falacioso. É fácil combater tal argumento. Pessoas são diferentes, portanto, o que é reforçador para um pode não ser para o outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, os parceiros devem ter os seus momentos em que possam fazer coisas sozinhos.Se o cara gosta de futebol ele não precisa obrigar a esposa a acompanhá-lo nas peladas no clube. Às vezes ela não gosta de futebol, então não deve se sentir obrigada a acompanhá-lo, mas também deve tentar não impedi-lo de jogar com os amigos. O que muitas vezes acontece entre casais é que depois de casados eles abrem mão de prazeres que desfrutavam durante a vida de solteiro. É lógico que muita coisa muda com a vida de casado. No entanto, não se pode abrir mão de tudo. Pelos menos alguns dos prazeres, ou em outras palavras, ao menos algumas fontes de reforçamento precisam ser mantidas, sob pena de privar um dos parceiros de reforços importantes, o que gera frustração, e frustração acaba gerando raiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjWQ0fieeHcZlYbmQNsOEWjtceKd2KUZb8mNFrQlUhMpdmOBxCijRfWs9t0_83NlYZNc09eeHOW9QjEdsbTAkt6X-kIAUkiKe9rUAE776yBlWfkffX_yl9BxCgxYHERhPZi-muy4var3IZx/s1600/sexo+no+casamento.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;160&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjWQ0fieeHcZlYbmQNsOEWjtceKd2KUZb8mNFrQlUhMpdmOBxCijRfWs9t0_83NlYZNc09eeHOW9QjEdsbTAkt6X-kIAUkiKe9rUAE776yBlWfkffX_yl9BxCgxYHERhPZi-muy4var3IZx/s200/sexo+no+casamento.jpg&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;b&gt;&lt;i&gt;Não valorize a relação sexual.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; A história evolutiva nos tornou sensíveis aos reforços de origem sexual. É uma questão filogenética. A prática sexual foi importante para a sobrevivência da espécie humana. Ela contribuiu para o aumento da prole, mas também se transformou em importante fonte para a obtenção de prazer. Portanto, os reforços sexuais extraem seu poder da história evolutiva da espécie humana, sendo importantes reforçadores primários, ou seja, reforçadores de importância biológica. Disso conclui-se que sexo não deve ser feito apenas com um fim procriativo. Não somos animais. Fazemos sexo porque é prazeroso. Não valorizar a relação sexual é ignorar que ela pode ser uma interessante fonte de prazer para o casal, ou seja, que ela pode ser uma interessante fonte de reforços positivos. Ela também pode ser um momento em que o casal se encontra para aprofundar a sua intimidade, para aprofundar no conhecimento do corpo e dos sentimentos do(a) parceiro(a). Desvalorizar a relação sexual é ignorar que esta pode criar as contingências que possibilitam a construção deste tipo de conhecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logicamente existem pessoas que não conseguem viver a relação sexual em toda a sua plenitude, pois têm histórias de repressão sexual que as bloqueiam para o sexo. Neste caso é importante buscar ajuda profissional, pois a relação sexual pode acabar se transformando em fonte geradora de estímulos aversivos que produzem ansiedade, temor, entre outros sentimentos desconfortáveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjAfqsOxWDYGTSKCzqM4i2xLHiPJaBRUx15EKkkd-JQCp5kRXwU8h4pCQU7qiR05Lj8KKi9Vo2P8dOXqB7YP29FYlPFvN2pCQH_T2Puw3DmoQua2XEON_g3pai2_sOrgKBVWG2ASWmS1XDE/s1600/indiferen%C3%A7a.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjAfqsOxWDYGTSKCzqM4i2xLHiPJaBRUx15EKkkd-JQCp5kRXwU8h4pCQU7qiR05Lj8KKi9Vo2P8dOXqB7YP29FYlPFvN2pCQH_T2Puw3DmoQua2XEON_g3pai2_sOrgKBVWG2ASWmS1XDE/s200/indiferen%C3%A7a.jpeg&quot; width=&quot;180&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;b&gt;Aja com indiferença.&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; Dentro de um relacionamentos cada parceiro têm demandas diferentes. Se tornar indiferente a estas demandas pode ser prejudicial à relação. A indiferença se traduz pelo comportamento de não valorizar aquilo que o outro parceiro considera importante. Isso leva a suspensão de reforços condicionados importantes, tais como: afeto, carinho, atenção etc. Inevitavelmente a suspensão destes reforços vai colocar em extinção comportamentos de demonstração de amor por parte do parceiro. Se um dos parceiros esfria, isso acaba atingindo a outra parte, pois ela vai sentir a mudança de comportamentos. No entanto, esta outra parte pode não estar percebendo que o esfriamento do parceiro se deve à suspensão de importantes reforços condicionados. Então, um relacionamento é formado por comportamentos em constante interação. A emissão de um comportamento de uma das partes acaba afetando a outra parte e isso precisa ficar bem claro. Quase nunca um relacionamento se esfria por causa apenas de um dos parceiros. Mas, pode ser que o comportamento de um tenha mais peso do que o outro. No entanto, somente uma avaliação profissional pode identificar os pesos dos comportamentos dos parceiros dentro de uma relação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjx4hgWEck5Im5j5a6HzY683NRB6_qAA-XbFgkBa5W-mb6yL2kcLn4nQzaDAz4SCr31R9r_5tctsQ21AOkthBT4WUnhkajn0wNYTj8iC7mdgGZ7wCviLa_UE9YLO0M1Z2NdIwBrIUyK9c_3/s1600/brigas.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;150&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjx4hgWEck5Im5j5a6HzY683NRB6_qAA-XbFgkBa5W-mb6yL2kcLn4nQzaDAz4SCr31R9r_5tctsQ21AOkthBT4WUnhkajn0wNYTj8iC7mdgGZ7wCviLa_UE9YLO0M1Z2NdIwBrIUyK9c_3/s200/brigas.jpg&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;b&gt;Abuse do controle aversivo. &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;Controle aversivo diz respeito ao uso de punição ou de ameaça de punição. Os subprodutos deste tipo de controle são inúmeros: ansiedade, tristeza, raiva, descontentamento, retraimento emocional e social etc. Há casais que não conseguem conversar, eles apenas berram, ou seja, só conversam para punirem a outra parte. Não observam a ocorrência dos comportamentos que beneficiam a relação e nem os reforçam. Mas quando um comportamento incômodo é manifestado logo vem a punição. Isso gera a seguinte impressão na parte punida: &quot;ele(a) só repara em meus defeitos. Será que não tenho qualidades?&quot; É preciso lembrar que o outro é diferente de mim, e ele nunca agirá como eu ajo. Alimentar este tipo de expectativa é criar condições para se frustrar, pois quando o outro não corresponde ao que eu espero, minha atitude é puni-lo por agir de modo não esperado. O outro pode reagir a punição exercendo contracontrole, então, cria-se as condições para que o conflito se estabeleça. Ainda que o outro não exerça contracontrole, ele inevitavelmente vai se afastando da fonte de punições e este afastamento acaba distanciando os parceiros e tornando mais escassos os reforços positivos na relação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessas cinco dicas fica claro uma coisa: relações são o produto de contingências que surgem da interação entre os parceiros. A relação é produto da maneira como se comportam os parceiros. Mudanças na relação só ocorrem se houverem mudanças de comportamentos. Não há milagres! Sem mudanças comportamentais não há mudanças que se efetivem no interior da relação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que achou deste texto?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/8169361750053491103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/06/cinco-dicas-para-acabar-com-um-casamento.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/8169361750053491103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/8169361750053491103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/06/cinco-dicas-para-acabar-com-um-casamento.html' title='Cinco Dicas Para Acabar Com Um Casamento'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6PhAvRXNrZq6XPmiroEfdzGLIF0OsUzuZ5x6Gd5WFNi29np6xFe-4-RDnYrkEy0PEsu048LpXXbojMoMUa1G6aToQ41uCHw_yPpuh_iTXI8XGWdC-LX4UBBccPSkjx7FJUruXyTSkZ5vY/s72-c/casamento.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-4145948509578424692</id><published>2013-05-29T11:30:00.003-07:00</published><updated>2013-05-29T12:18:18.419-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Análise Funcional do Comportamento"/><title type='text'>Da Topografia à Função do Comportamento: Pichon-Rivière e a Psicologia Social</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg9HecGM25hhcYtVwW3CNpYHC1wleJrfJpOm8l5KYWTlMmxym5ylgsO-WPgZSJZUBhEIgeuaI20eDh3mz6AurBibK_AtUXc8EWkvejmTXlDE2Mtufc2jaVoWUPHsN8rOyLNmA1TM0jWI-5n/s1600/psi+social+1.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg9HecGM25hhcYtVwW3CNpYHC1wleJrfJpOm8l5KYWTlMmxym5ylgsO-WPgZSJZUBhEIgeuaI20eDh3mz6AurBibK_AtUXc8EWkvejmTXlDE2Mtufc2jaVoWUPHsN8rOyLNmA1TM0jWI-5n/s1600/psi+social+1.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Topografia e função são dois conceitos que já nos são conhecidos. Eles já foram citados e definidos em outros textos neste blog. Mas vamos retomá-los brevemente na tentativa de demonstrar como o mentalismo costuma se ater apenas às descrições das topografias dos comportamentos, deixando de lado aquilo que é mais importante, que é a função, algo que pode ser evidenciado na medida em que são elucidadas as contingências de reforço responsáveis pela emissão e manutenção de um dado comportamento. Para darmos conta daquilo que se propõe, elegemos Pichon-Rivière como o nosso exemplo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Primeiro procuremos esclarecer quem é Pichon-Rivière. Pichon para os íntimos (Rs!), é um dos mais ilustres representantes da Psicologia Social. O que é a Psicologia Social? É uma das áreas de atuação do profissional da Psicologia, área que articula conhecimentos oriundos da Psicologia e das Ciências Sociais, tentando demonstrar que o homem é muito mais do que um ser individual moldado por &quot;forças psicológicas&quot;, sendo também um ser social que sofre extensa influência dos contextos sociais em que transita, ou mais especificamente é um ser social que sofre forte influência dos grupos a que pertence. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existe na Psicologia Social uma preocupação em desvendar como os grupos funcionam, pois há um entendimento implícito que a realidade social é composta pela interação dos diferentes grupos que formam os diversos segmentos desta mesma realidade. O entendimento a respeito do funcionamento dos grupos levaria a um entendimento das diversas realidades sociais. Por isso toda uma insistência em tentar entender as leis que estão por trás do funcionamento dos grupos. No entanto, estas &quot;leis&quot; acabam caindo em descrições das topografias dos comportamentos das pessoas quando estão interagindo em situações grupais, e tais descrições costumam ser agrupadas sob rótulos que teriam por função especificar os tipos de papéis sociais que normalmente são assumidos no interior dos grupos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, parte-se do pressuposto que existem papéis que são &quot;encenados&quot; quando se está interagindo em um grupo. Estes papéis são o produto de um conjunto de forças inferidas a partir da execução dos mesmos, forças de origem mental que obscurecem as contingências de reforço responsáveis pelos comportamentos das pessoas que estão interagindo com outras em situações grupais. Pichon-Rivière fala de três forças, e a forma com que estas se manifestam são determinantes para a maneira como as pessoas encenam os seus papéis no interior do grupo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Elas são: o Depositado, o Depositário e o Depositante. Juntas as três forças formam a dinâmica dos 3 D&#39;s, e por sua vez esta dinâmica é determinante para a dinâmica dos grupos. Os leitores perceberão que há nestes conceitos um forte compromisso com as teorizações da Psicanálise. O depositado é aquilo que o grupo ou um dos seus membros não tem condições de assumir e deposita em alguém. O depositário é quem aceita o conteúdo depositado sobre si. Já o depositante é aquele que deposita. Que conteúdos são esses? Conteúdos afetivos de origem inconsciente, que se não forem interpretados continuarão sendo imperceptíveis para o grupo, mantendo, portanto, seus padrões de funcionamento, padrões que podem levá-lo a posturas que causem desconfortos para todos os seus membros. Padrões que podem manter a rigidez na encenação de certos papéis que prejudicam o funcionamento global do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Será que não podemos identificar os 3 D&#39;s com os três termos da contingência de reforço? Se o depositado é o conteúdo que se deposita, poderia ele ser identificado, portanto, com o comportamento das pessoas. Quem deposita age de certa forma para depositar. O verbo depositar é apenas uma maneira de expressar que as pessoas agem de uma certa forma quando estão se relacionando. Elas expressam suas emoções, elas xingam, elas se divertem, elas sorriem, elas brigam etc. Esses são os conteúdos que são depositados, ou seja, no fim das contas estes conteúdos são comportamentos, e quando as pessoas se comportam os seus comportamentos têm efeitos umas sobre as outras. Em outras palavras, seus comportamentos têm consequências!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgdepjVMOv4Vmq8jLmy_8474KXuy0auAr3DFChgMjx4qCfiie1uUtGPLZf8X7a6Bp7iD1gxyHretVDDKSEN6gI5c3S-NMy8C7emrechtPfZipA4akJ0RO34k_BBjYAj6GjyjbU1nwdzHLvP/s1600/psi+social+2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;213&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgdepjVMOv4Vmq8jLmy_8474KXuy0auAr3DFChgMjx4qCfiie1uUtGPLZf8X7a6Bp7iD1gxyHretVDDKSEN6gI5c3S-NMy8C7emrechtPfZipA4akJ0RO34k_BBjYAj6GjyjbU1nwdzHLvP/s320/psi+social+2.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Imaginemos um episódio de relação entre o fulano A e o beltrano B. A diz que B é inteligente. B responde agradecendo. A depositou algo sobre B, melhor dizendo, ele agiu com relação a B. Para que isso acontecesse foi necessário B estar presente. B agiu como estímulo discriminativo estabelecendo a ocasião para A elogiá-lo. Talvez B tenha conseguindo resolver uma tarefa muito difícil e por isso A disse que ele era inteligente. O comportamento de B ao resolver a tarefa criou a ocasião para que A o elogiasse. Talvez fosse uma tarefa que o grupo como um todo não estava conseguindo resolver, então, não somente A reconheceu o esforço de B, mas talvez C e D tenham feito o mesmo. Talvez todo o grupo tenha seguido o exemplo de A, elogiando, portanto, o comportamento de B.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
B ao agradecer o elogio de A, provê consequências para o seu comportamento de elogiar, ou seja, B reforça o comportamento de A. O depositário é equivalente ao ouvinte num episódio de interação verbal. Sua reação ao que ouve reforça os comportamentos do falante, e neste caso A é o falante. Os outros membros do grupo também podem agir como falantes em episódios de interação com B. Ao reagir ao comportamento de A, o sujeito B, apresenta consequências para os seus comportamentos, agindo, assim, como o outro termo das contingências de reforço, neste caso os consequentes. A seria os antecedentes, ou seja, sua presença e seu comportamento de elogiar são o contexto para B agradecer ao elogio, assim como a presença de B cria a ocasião para que A o elogie. Então, consequentes e antecedentes vão trocando de lugar na medida em que o episódio de interação se desenrola. Os antecedentes são equivalentes aos comportamentos do depositante, de quem deposita, de quem inicia o episódio de interação. Depositante e depositário vão trocando de lugar, em outras palavras, antecedentes e consequentes vão tendo suas funções alteradas na medida em que a interação entre os membros se desenrola. Importante notar que a descrição dos 3 D&#39;s é topográfica. Não há preocupação em especificar as condições responsáveis pela forma como os diversos conteúdos são depositados nos diferentes membros do grupo, pois a deposição em si é suficiente para identificar o tipo de papel que está sendo exercido. Mas é sempre bom lembrar que depositar é comportar-se em relação a algo ou a alguém, e tal comportamento é modelado e mantido pelas contingências de reforço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendendo a relação entre os 3 D&#39;s, que é uma forma de designar os três termos das contingências de reforço, uma forma mais topográfica que funcional, passemos à análise dos papéis sociais citados por Pichon, que são: líder de mudança, líder de resistência, bode-expiatório, porta voz e representantes do silêncio. O líder de mudança é aquele que se arrisca em nome do grupo, chamando para si as responsabilidades pela mudança. A descrição é topográfica demais e não especifica as condições que motivam esse tal líder de mudança a agir assim. Ele está sendo pressionado por cobranças pontuais com relação ao cumprimento das tarefas do grupo? Essas tarefas criam a ocasião para que ele assuma tais responsabilidades? Ele age assim porque é reforçador receber elogios dos demais que reconhecem seu esforço? Vejam, as contingências é que moldam os comportamentos que estão sendo chamados de atitudes de um líder de mudança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O líder de resistência, também chamado de sabotador, é aquele que costuma brecar os avanços do grupo, resistindo quase sempre às proposições do líder de mudança. Ele é uma espécie de antítese do líder de mudança. Talvez o lado negro da força. Ok, não resisti à comparação com Star Wars! (Rs!!!). As mesmas questões se aplicam ao sabotador. Que circunstâncias levam-no a sabotar os projetos do grupo. Ele está exercendo contracontrole? Ele não tem habilidades para acompanhar o desenvolvimento do grupo, então, age de forma a sabotar? Só as contingências poderiam esclarecer tais questionamentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O bode-expiatório é aquele sobre quem são depositadas as culpas do grupo. É o culpado pelos insucessos do grupo. O grupo o elege para se livrar de suas próprias culpas. Aqui a descrição fornece algumas pistas sobre as contingências que podem agir na determinação dos comportamentos de eleger alguém para se culpar. Culpar é uma forma de se esquivar. É mais fácil culpar o outro do que assumir os próprios erros. Agindo dessa forma o grupo talvez se esquive de certas tarefas desconfortáveis, evite certos controles aversivos. Punindo o comportamento de alguém o grupo evita o enfrentamento de certas situações aversivas. A eleição de um bode-expiatório pode indicar a existência de controle aversivo dentro do grupo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O porta voz é o que fala em nome do grupo. É quem extravasa as ansiedades do grupo, ou seja, é quem as nomeia. Mais uma vez a descrição topográfica não fornece elementos suficientes para especificar as contingências que levem o porta voz a falar em nome do grupo. Muitas combinações de contingências podem levar a este comportamento, então, cada situação grupal deve ser analisa individualmente. Teorizações generalistas podem não se aplicar a situações tão individuais, por isso todo o cuidado é pouco na hora de se realizar uma boa análise funcional do funcionamento de um grupo, o que requer a análise dos comportamentos de seus membros em interação e das contingências de reforço que surgem destas interações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgBCXev-FkJ4gc3OwHEQkk820tgGUUugMQOwZpi8g-H5lVdpOB17q0bUKBN1VBZaTBBwie28suhcrZqwZq-EMxUeEFsu7lblNDULAlelMOYZyQeT4wz7X1hg66XYgDpKEIqKW72G7Xns18/s1600/psi+social+3.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgBCXev-FkJ4gc3OwHEQkk820tgGUUugMQOwZpi8g-H5lVdpOB17q0bUKBN1VBZaTBBwie28suhcrZqwZq-EMxUeEFsu7lblNDULAlelMOYZyQeT4wz7X1hg66XYgDpKEIqKW72G7Xns18/s1600/psi+social+3.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Por último, os representantes do silêncio. Com o seu silêncio denunciam os ruídos no interior do grupo. Então, devemos nos perguntar: o que levam as pessoas a assumirem o silêncio como padrão de comportamento ao interagirem em situações grupais? Mais uma vez estamos diante de uma infinidade de contingências que podem ser responsáveis por essa forma de se comportar. E são estas contingências que devem ser analisadas para que os comportamentos dos membros de um grupo possam se tornar compreensíveis. Descrições topográficas podem gerar enganos que só serão elucidados com a análise das funções dos comportamentos das pessoas interagindo em situação grupal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há que se considerar que as contingências que modelam os comportamentos dos grupos são mais complexas, mas isso não se constitui em uma ameaça para o empreendimento de uma análise funcional desses comportamentos. Fugir pela tangente das descrições topográficas não é a saída! Encaremos que a análise funcional pode nos fornecer elementos essenciais para planejar novas formas de interação para os grupos. E porque não pensar que podem também fornecer elementos para o planejamento de novas culturas? Walden II não seria um bom exemplo? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/4145948509578424692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/05/topografia-funcao-comportamento-pichon-riviere-psicologia-social.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/4145948509578424692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/4145948509578424692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/05/topografia-funcao-comportamento-pichon-riviere-psicologia-social.html' title='Da Topografia à Função do Comportamento: Pichon-Rivière e a Psicologia Social'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg9HecGM25hhcYtVwW3CNpYHC1wleJrfJpOm8l5KYWTlMmxym5ylgsO-WPgZSJZUBhEIgeuaI20eDh3mz6AurBibK_AtUXc8EWkvejmTXlDE2Mtufc2jaVoWUPHsN8rOyLNmA1TM0jWI-5n/s72-c/psi+social+1.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-9075421766259632543</id><published>2013-04-22T15:32:00.000-07:00</published><updated>2013-04-23T03:18:09.628-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Análise Funcional do Comportamento"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Comportamento Respondente"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Condicionamento Respondente"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Controle Aversivo"/><title type='text'>Laranja Mecânica: uma análise comportamental</title><content type='html'>Por: Bruno Alvarenga Ribeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEisegpdRY717Zkj8NIxv-TJ155xb0vHBgciim4hazpgaxWW1awlxooAUZn5xeNRl8D15ifaOILzMbjiTonaJNGl6HEQY79yq1teWs1T6VHjNNsOvc6B4NUs4Ke7NHA0gztdzfFHlEVbS3Ys/s1600/imagens-de-filme-laranja-mecanica-.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;237&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEisegpdRY717Zkj8NIxv-TJ155xb0vHBgciim4hazpgaxWW1awlxooAUZn5xeNRl8D15ifaOILzMbjiTonaJNGl6HEQY79yq1teWs1T6VHjNNsOvc6B4NUs4Ke7NHA0gztdzfFHlEVbS3Ys/s320/imagens-de-filme-laranja-mecanica-.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
O filme Laranja Mecânica conta a história de Alex, um jovem inglês que é líder de um grupo de deliquentes que cometem todos os tipos de horrores durante as madrugadas: espancamentos, brigas com grupos rivais, assaltos, estupros e até mesmo assassinato. Numa das investidas realizada pelo grupo durante uma madrugada, os companheiros de Alex armam contra ele, pois estavam cansados de sua liderança autoritária. Como o grupo só conhece a agressão, usam-na para dar uma lição em Alex.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Num assalto realizado em um hotel fazenda, Alex acaba assassinando a proprietária do hotel. Os companheiros de gangue atinjem-no com algumas garrafas de leite na cabeça, deixando-o inconsciente e transformando-o em um alvo fácil para a polícia que já havia sido acionada. Por ironia do destino a violência de Alex acaba se voltando contra ele, pois os liderados se rebelam e o destituem do poder usando os mesmos métodos coercitivos. Enfim, coerção gera coerção, e o filme Laranja Mecânica é muito claro neste sentido, pois elucida de maneira bastante óbvia os efeitos colaterais gerados pela utilização de controle coercitivo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais efeitos se fazem evidente no tratamento que Alex é submetido depois que é levado para a prisão. Tendo recebido uma pena de 14 anos de reclusão em um instituto prisional que usa a coerção para manter sob controle os detentos, Alex enxerga num tratamento revolucionário a possibilidade de encurtar o cumprimento de sua pena. Trata-se de um tratamento que ilustra com bastante clareza o paradigma do condicionamento respondente, ao mesmo tempo que cria a oportunidade para que possamos discutir a eficácia da punição como meio para a modificação de comportamentos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por possuir um perfil bastante agressivo Alex é escolhido para ser submetido ao tratamento, sendo, então, transferido para uma clínica em que é colocado sob os cuidados de uma equipe médica. O tratamento consiste em assistir filmes com cenas explícitas de violência enquanto um medicamento que provoca uma terrível sensação de náusea é administrado. Veja o esquema abaixo: &lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg69GeDcG9mxPKgYVO4Q40lgnNAolEWwcnPf6zzM0ufxZcwBiJwodG6JzKtyAWcaack_JHXLZd0ZTcklKNItv3o9QNjUotRUeb_ocXWHLi3Pk8GgVvpa7fCmpRYqYFmMCzP_k7LtPdmv7RR/s1600/laranja+mec%C3%A2nica.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;162&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg69GeDcG9mxPKgYVO4Q40lgnNAolEWwcnPf6zzM0ufxZcwBiJwodG6JzKtyAWcaack_JHXLZd0ZTcklKNItv3o9QNjUotRUeb_ocXWHLi3Pk8GgVvpa7fCmpRYqYFmMCzP_k7LtPdmv7RR/s400/laranja+mec%C3%A2nica.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Veja a semelhança com o experimento realizado por Pavlov no estudo do condicionamento respondente:&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCbHLgLa0K9QkdX6A608TZ5cVEZbjJ9JwFca9P_A7snIiYF4lp2zOptd-0ehjy1euIBeMsZSHMIkiXnJ3Nw1q3vOsvUsjiVUj7StYask4b4_p6SEILHvMf6hAQTxhtC_-rOh9vTvgo5hD0/s1600/condicionamento+respondente.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;155&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCbHLgLa0K9QkdX6A608TZ5cVEZbjJ9JwFca9P_A7snIiYF4lp2zOptd-0ehjy1euIBeMsZSHMIkiXnJ3Nw1q3vOsvUsjiVUj7StYask4b4_p6SEILHvMf6hAQTxhtC_-rOh9vTvgo5hD0/s400/condicionamento+respondente.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
No experimento de Pavlov o estímulo incondicionado, ou seja, o estímulo que provoca a resposta reflexa de salivação, uma resposta que ocorre sem a necessidade de aprendizagem, é a comida. No experimento realizado com Alex o medicamento cumpre a função de estímulo incondicionado. Após a associação temporal entre o alimento e a campainha no arranjo experimental construído por Pavlov, o som passou a adquirir a função de estímulo condicionado, provocando, desta forma,&amp;nbsp; a resposta de salivação quando apresentado. Já na experiência ao qual Alex foi submetido, as cenas de violência exibidas nos filmes que ele foi obrigado a assistir, adquiriram a função de provocarem a resposta reflexa de náusea, ou seja, adquiriram a função de estímulos condicionados. Para maiores detalhes sobre o condicionamento respondente, é interessante ler outro artigo deste blog intitulado: &quot;&lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2012/02/o-condicionamento-respondente-definicao.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;O condicionamento respondente: definição e aplicações.&lt;/a&gt;&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZGjuFskzfpOEeI0tMohDkw576LYbDK-1fYev9KwkX4u3NDqErVo1t3lPl48CIvPQl3SC_MNukch4xHmf7MdWEIqGRqWtlrXnMRNt2xRJ49hgR5ipVsBXESNz7_CKTPJDTNpbcKSpdY0Dm/s1600/alex1.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;192&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZGjuFskzfpOEeI0tMohDkw576LYbDK-1fYev9KwkX4u3NDqErVo1t3lPl48CIvPQl3SC_MNukch4xHmf7MdWEIqGRqWtlrXnMRNt2xRJ49hgR5ipVsBXESNz7_CKTPJDTNpbcKSpdY0Dm/s320/alex1.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Era esperado com a realização do tratamento que Alex se sentisse mal todas as vezes que se engajasse em um comportamento violento. E de fato isso aconteceu. Depois de sair da prisão Alex se sente mal em inúmeras oportunidades em que tem a chance de se engajar em comportamento violento ou quando presencia alguma cena de violência. As fortes sensações de náusea sentidas por Alex o incapacitavam de cometer atos de violência. Enquanto estava ocupado sentindo náuseas ele não podia se engajar em comportamentos violentos. Trata-se aqui de incompatibilidades entre comportamentos do mesmo repertório comportamental, e venciam aqueles comportamentos que tinham maior força. No caso de Alex, venciam as náuseas, e para se esquivar de senti-las era necessário não cometer nenhuma violência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história de Alex também é possível ver operar o reforçamento negativo. Engajar-se em atos de evitação da violência permitia que as punições fossem evitadas. As respostas reflexas sentidas como náuseas eram ao mesmo tempo um exemplo de comportamento respondente eliciado por cenas de violência, como eram também a consequência de comportamentos que tinham como objetivo a prática de ações violentas. As náuseas puniam os comportamentos de cometer violência, impedindo-os de acontecerem enquanto o estímulo aversivo &quot;enjoos&quot; estivesse operando. Em última instância, o corpo e os comportamentos de Alex eram suas fontes de punição. Ele não podia fugir de si mesmo, então, o melhor seria esquivar-se da violência. O esquema abaixo sintetiza a análise dos operantes de Alex: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgiiZENJ_Ob5hCoqH4p6MrUWWlC4eMHXTlXlHIFdkUh7C8vg40oZCzR-3M3D5cDCbK28KOL2QMqWQfx65gB8i7TQjCbiS_D9hEOKikWGMQpmqTKLxg1DA2j52q0NRYF_Wo_L7bIfcA6iURh/s1600/operantes+laranja+mecanica.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;75&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgiiZENJ_Ob5hCoqH4p6MrUWWlC4eMHXTlXlHIFdkUh7C8vg40oZCzR-3M3D5cDCbK28KOL2QMqWQfx65gB8i7TQjCbiS_D9hEOKikWGMQpmqTKLxg1DA2j52q0NRYF_Wo_L7bIfcA6iURh/s400/operantes+laranja+mecanica.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
Mas como era de se esperar o tratamento teve alcance limitado, pois logo as respostas reflexas de náusea foram se extinguindo, e as cenas de violência que sinalizavam a possibilidade de punição acabam perdendo esta função de sinalização, ou seja, perdem a função de serem estímlos discriminativos que sinalizam a ocorrência de punições. Se tais cenas perdem a função de estímulos condicionados no eliciamento das respostas reflexas de náusea, os comportamentos de violência têm a chance de ocorrerem sem serem punidos, pois também perdem a função de eliciarem as sensações de desconforto que atuavam como punição. Esta é uma questão clássica, ou seja, estímulos aversivos condicionados vez ou outra precisam ser pareados com o estímulo punidor incondicionado, caso contrário perdem a função de punidores ou de sinalizadores de punição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgioL08_Gaar2IzbDHjehjfh5B0CRrgJVkZoXfU-GxXVFHKdVymo_QIIkK_8Hd7Gl17vHeZudXwnWVqcgPN95_bn4RFO04isoN5_AEe4bxuRiUHsaulO73wrMjqXvRtkwsJTHBJeF1DYJkq/s1600/alex2.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;185&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgioL08_Gaar2IzbDHjehjfh5B0CRrgJVkZoXfU-GxXVFHKdVymo_QIIkK_8Hd7Gl17vHeZudXwnWVqcgPN95_bn4RFO04isoN5_AEe4bxuRiUHsaulO73wrMjqXvRtkwsJTHBJeF1DYJkq/s320/alex2.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
No caso de Alex, seus comportamentos de cometer violência eram ao mesmo tempo estímulos condicionados para as respostas reflexas de náusea, sinalizadores de ocorrência da punição (náusea) e também eram punidores e geradores da punição que era sentida com o grande desconforto que acompanhava as crises de náusea. Quando é desfeito o condicionamento respondente, ou seja, quando as cenas de violência e os comportamentos de se engajar em violência perdem a função de eliciarem as respostas reflexas de náusea, os comportamentos violentos perdem também a função de punidores e sinalizadores de punição, ao mesmo tempo em que cometer violência deixa de ser punido pela ocorrência dos desconfortos. Neste sentido, o filme evidencia duas coisas muito importantes: 1) Um programa de modificação de comportamentos não deve se limitar à ocorrência dos comportamentos respondentes e nem deve 2) fazer uso de punição. A punição tem efeitos colaterais nocivos, e a sua eficácia em suprimir comportamentos dura enquanto o estímulo aversivo estiver presente. Além do mais, os estímulos aversivos condicionados precisam ser pareados habitualmente com estímulos aversivos incondicionados para não perderem a função de punidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um pai que ameaça o filho com uma chinela nas mãos, vez ou outra precisa dar uma chinelada para que a chinela continue funcionando como estímulo sinalizador de punição ou ainda como estímulo punidor. Mas este mesmo pai ao usar de punição está sujeito aos efeitos colaterais que ela gera: contracontrole, ansiedade, medo, submissão etc. No caso de Alex, para que as náuseas continuassem funcionando como punição para os comportamentos de se engajar em violência, as cenas de violência teriam que ser pareadas ocasionalmente com a medicação, ou seja, ele teria que ser submetido de vez em quando a novas sessões do tratamento. Mas os efeitos do tratamento foram terríveis, pois transformaram Alex em um sujeito submisso e temeroso dos desconfortos que podiam ser sentidos a qualquer instante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Melhor seria se Alex tivesse a oportunidade de acessar fontes de reforçamento positivo todas as vezes em que se engajasse em comportamentos mais funcionais. Aí estaríamos falando de um programa de modificação de comportamentos que também contemplaria a análise funcional dos operantes de cometer violência, ou seja, que contemplaria a função exercida por tais comportamentos, um programa que fosse capaz de analisar as variáveis responsáveis pela manutenção dos comportamentos violentos, e que não se limitasse somente a aplicação de técnicas de condicionamento respondente, que acima de tudo foram altamente intrusivas e tiveram resultados questionáveis, pois fizeram utilização de controle coercitivo.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o filme ilustra bem o paradigma do condicionamento respondente e os efeitos nocivos da utilização do &lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgd-sri3OHhzw_dkn5Ft70hv2AtATOMsV1bWMC32sDQx-bthPoN2vUWDEUMfFCFbqzW3K4JYgyIFeBy2fDiAupbYhHC17aNwALhYiHfQz-FjcZ_jMGfHpqEQmD0nP5df_VzJ9wmQ_Ovsar/s1600/alex3.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;216&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgd-sri3OHhzw_dkn5Ft70hv2AtATOMsV1bWMC32sDQx-bthPoN2vUWDEUMfFCFbqzW3K4JYgyIFeBy2fDiAupbYhHC17aNwALhYiHfQz-FjcZ_jMGfHpqEQmD0nP5df_VzJ9wmQ_Ovsar/s320/alex3.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
controle aversivo, ele não serve para ilustrar a proposta da Análise do Comportamento e de sua filosofia, o Behaviorismo Radical. A Análise do Comportamento não defende o uso do controle aversivo, pois este tipo de controle tem consequências bastante nocivas. A respeito do controle comportamental, é sugerido o seguinte texto: &quot;&lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2013/02/controle-comportamental-algumas-consideracoes.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Controle Comportamental: algumas considerações&lt;/a&gt;&quot;. A Análise do Comportamento estuda o controle aversivo como forma de demonstrar as consequências que ele produz, e como forma de demonstrar que há outras alternativas muito mais viáveis. Um bom programa de modificação de comportamentos envolve a análise funcional dos comportamentos que se quer modificar e não somente a aplicação de técnicas para modificações comportamentais. Para aprofundar nesta questão, aconselho a leitura do seguinte texto deste blog: &quot;&lt;a href=&quot;http://cafe-com-ciencia.blogspot.com.br/2013/04/terapia-comportamental.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Por que a Terapia Comportamental é Comportamental?&lt;/a&gt;&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltemos ao filme. Como no experimento de Pavlov em que o som perdeu a função de eliciar a resposta reflexa de salivação ao ser apresentado sozinho, ou seja, ao ser apresentado sem que fosse pareado com a alimentação, as cenas de violência deixaram de eliciar as respostas reflexas de náusea quando o pareamento entre elas e a medicação foi rompido. Ocorreu, então, uma extinção das respostas reflexas condicionadas de náusea. Este pareamento foi rompido quando Alex foi submetido a diversas ocasiões de violência ao sair da prisão. Quando, por exemplo, os antigos amigos de gangue que se tornaram policiais o agrediram, ou quando foi obrigado a ouvir a nona sinfonia de Beethoven na casa do escritor que ele agredira no início do filme. A nona sinfonia de Beethoven também adquirira a função de estímulo condicionado quando no experimento foi tocada como a música de fundo enquanto Alex assistia às cenas de violência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não suportando os efeitos provocados pela nona sinfonia de Beethoven, Alex se joga do terraço do quarto em que se encontrava. Depois disso vai parar num hospital todo quebrado. Enquanto jazia em uma cama de hospital, um médico e uma enfermeira tinham relações sexuais em uma cama ao lado. Em todas estas situações Alex vai sendo exposto a cenas de violência sem que elas fossem pareadas com o estímulo incondicionado. Por isso perdem sua função de eliciarem as respostas reflexas de náusea. O filme termina com Alex imaginando uma cena de sexo selvagem, o que demonstra que se engajar em atos de violência não mais funciona como estímulo condicionado para eliciar respostas reflexas de náusea e também como fonte geradora de punição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcvPW36JBVcK-8bXE0G4k26JUb2JnpD46qFtHX58wbJNr7CsiE7_YgK-JulUniQc2c74kfcOQyjKKqCcipAFJ_SZsg9TB14dDCIIyKuzMp1b1lVFXS0cYrlN61HuHoECFfkuN4u9u_Ic_v/s1600/alex4.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;211&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcvPW36JBVcK-8bXE0G4k26JUb2JnpD46qFtHX58wbJNr7CsiE7_YgK-JulUniQc2c74kfcOQyjKKqCcipAFJ_SZsg9TB14dDCIIyKuzMp1b1lVFXS0cYrlN61HuHoECFfkuN4u9u_Ic_v/s320/alex4.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Portanto, o tratamento ao qual Alex foi submetido revelou-se um fracasso total. Também pudera, pois além de coercitivo foi desprovido da realização de qualquer análise funcional dos comportamentos de se engajar em violência. Sem uma uma boa análise funcional qualquer procedimento utilizado para modificar quaisquer comportamentos tem uma grande chance de ser ineficaz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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indicações de leituras do Café com Ciência, não deixe de conferir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/9075421766259632543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/04/analise-comportamental-do-filme-laranja-mecanica.html#comment-form' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/9075421766259632543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/9075421766259632543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/04/analise-comportamental-do-filme-laranja-mecanica.html' title='Laranja Mecânica: uma análise comportamental'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEisegpdRY717Zkj8NIxv-TJ155xb0vHBgciim4hazpgaxWW1awlxooAUZn5xeNRl8D15ifaOILzMbjiTonaJNGl6HEQY79yq1teWs1T6VHjNNsOvc6B4NUs4Ke7NHA0gztdzfFHlEVbS3Ys/s72-c/imagens-de-filme-laranja-mecanica-.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6327708816630156334.post-8178379852623821613</id><published>2013-04-16T08:51:00.001-07:00</published><updated>2013-04-16T16:21:14.760-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Condicionamento operante"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contingências de reforço"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="controle de estímulos"/><title type='text'>Textos, Contextos, Pretextos e Protestos</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMXEAfn63bi1HKygIcymMv9o0QR-sk3aEbEplQw5rzdabz0IUNBrrG3B8VxERGjaIoB5I6wm5WyJebzNVlZ9XjRtdSKjt4jrxq1IqekOYBDSZN7CGkBWCizsY9Ve7KhGxqDFuBbZf-MugD/s1600/texto+fora+do+contexto.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;225&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMXEAfn63bi1HKygIcymMv9o0QR-sk3aEbEplQw5rzdabz0IUNBrrG3B8VxERGjaIoB5I6wm5WyJebzNVlZ9XjRtdSKjt4jrxq1IqekOYBDSZN7CGkBWCizsY9Ve7KhGxqDFuBbZf-MugD/s320/texto+fora+do+contexto.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;“Um texto fora do contexto vira pretexto
para protestar.” Este ditado popular nos informa algo muito importante sobre a
comunicação, um fenômeno tipicamente humano, pois só os homens possuem
comportamento verbal, e com ele podem descrever as contingências que modelam os
seus comportamentos e os comportamentos das pessoas com quem se relacionam. A
questão é que nem sempre as descrições que são feitas das contingências são de
fato fiéis a elas e isso leva a erros de percepção, ou melhor dizendo, levam a
erros comportamentais, pois as pessoas podem agir com base em suas descrições e
desconsiderarem as contingências de reforço. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;O ditado também informa que o contexto
de um texto ajuda a dar sentido à narrativa. Opa, narrativa é comportamento
humano. Comportamentos humanos, verbais ou não, ocorrem em contextos, e estes
contextos estabelecem com os comportamentos relações de causalidade, aumentando
ou diminuindo suas probabilidades de ocorrência. Este tipo de relação de
causalidade é conhecido como controle de estímulos. Isso significa que o
comportamento, pelo menos no caso do comportamento operante, é causado pelas
consequências que produz e pelos contextos em que ocorre. Esta teorização é a
materialização da famosa contingência de reforço, conceito que indica que
consequências e contextos exercem controle sobre o comportar-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Textos e contextos, outra forma de
dizer: comportamento e controle de estímulos. Outra forma de dizer que
entenderemos mais claramente um comportamento quando olharmos para os contextos
em que ocorrem. Se a narrativa sobre um comportamento &amp;nbsp;descontextualiza-o do contexto em que ocorre,
somos privados de informações importantes sobre as variáveis relacionadas à sua
emissão, o que leva a enganos de percepção, pois podemos acreditar que alguém
agiu de determinada forma quando na verdade os motivos são outros completamente
diferentes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Imagine que você convide uma pessoa para
ir ao museu. Vocês passeiam pelas galerias durante horas sem que a pessoa emita
nenhuma palavra. Você certamente acha estranho e pode pensar: “que pessoa
antipática, não deu nenhuma opinião sobre nenhuma das obras que estavam em
exposição”. Este é um julgamento, uma tentativa de explicar o comportamento de
não emitir nenhuma palavra a respeito das obras expostas no museu. O problema
deste julgamento é que ele não considera as contingências de reforço
responsáveis pelo comportamento do convidado de passeio. Esta pessoa conhece
alguma coisa sobre obras de arte? Imagine que você é um crítico de obras de
arte e esta pessoa não saiba nada a respeito. Ela pode se sentir constrangida e
evitar qualquer comentário por temer as críticas que podem ser feitas. Trata-se
de um comportamento de esquiva que evita possíveis punições. Outra causa
possível para o seu comportamento é não conhecer nada sobre obras de arte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhao6n80MQi2hV9jFwopgT_HcQksDrBsVm7r0jZnopfoOyxDPniCWzJlQArG4S2fHRXKqkH9JJ42oDGTGDMflNfaXuNrGFdU8_L75u-Oetw_VH65-QbXq-Admou4MTopKa3GJeKN4wBqjFb/s1600/boca+fechada+n%25C3%25A3o+entra+mosquitos.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhao6n80MQi2hV9jFwopgT_HcQksDrBsVm7r0jZnopfoOyxDPniCWzJlQArG4S2fHRXKqkH9JJ42oDGTGDMflNfaXuNrGFdU8_L75u-Oetw_VH65-QbXq-Admou4MTopKa3GJeKN4wBqjFb/s320/boca+fechada+n%25C3%25A3o+entra+mosquitos.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Se ela não conhece nada sobre obras de
arte, não tem em seu repertório comportamentos apropriados para emitir qualquer
tipo de comentário. Em outras palavras, o contexto “museus com suas obras de
arte” não exerce nenhum controle especial sobre os comportamentos que
constituem o seu repertório comportamental. Ora, como ela vai então emitir
qualquer comportamento verbal a respeito das obras? O rótulo “antipático”
adjetiva o comportamento do convidado especulando sobre as causas relacionadas
à sua emissão. É uma descrição de contingências descontextualizada, que não
leva em conta o controle do contexto sobre o comportamento. Se levado a sério,
o rótulo pode ser tomado como verdade e daquele episódio em diante se
transformar em pretexto para não convidar a pessoa para outros tipos de
passeios, produzindo até mesmo um afastamento, pois ele sinaliza que aquela
relação é aversiva ou pouca reforçadora. O rótulo age como estímulo discriminativo
sinalizando a ocorrência de possíveis consequências aversivas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Um pacifista e defensor dos direitos dos
animais pode se rebelar ao ver alguém chutando um cachorro na rua. Pode mover
um processo contra o agressor. Pode denunciá-lo às autoridades competentes.
Enfim, pode fazer muitas outras coisas. A questão é que este pacifista pode ter
visto apenas parte da cena. Às vezes o cachorro tenha avançado sobre a pessoa e
num ato de autodefesa ela acabou chutando-o. Por ter visto apenas parte da cena
o pacifista acabou descontextualizando o comportamento de chutar o cachorro do
contexto em que ele ocorreu e transforma o que viu em motivo para a realização
de um protesto sem medidas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Os dois exemplos ensinam que devemos ter
cuidado com o que vemos e com o que ouvimos. Sobretudo, eles nos ensinam que
devemos ter cuidado com o que falamos. Será que o que falamos é fiel às contingências
responsáveis pelos comportamentos das pessoas com quem nos relacionamos, ou
procedemos de modo a descontextualizar o que as pessoas fazem para privilegiar
apenas a nossa percepção da situação? Dependendo da resposta à pergunta
corremos o risco de nos conscientizarmos de que somos tagarelas que criam
pretextos para protestar por motivos tão pequenos e banais, transformando,
assim, nossas relações em infernos existenciais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Há outro ditado que diz que &quot;boca fechada não entra mosquito.&quot; Melhor manter a boca fechada do que protestar sem motivos e correr o risco de engolir mosquitos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuZeGmArk4p6aUys82dyej29mayS7G44jjb1nM4zDbYomnOv3R5qoR20vfCJGztAqNNuV_g19yN5GWF2fErnilApGGgYwYgfyhM9pGTARD8c41-aeYHvaQA_UK0Mz74OHSuCjCmBYXRW3i/s1600/boca+fechada+n%C3%A3o+entra+mosquitos2.gif&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;150&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuZeGmArk4p6aUys82dyej29mayS7G44jjb1nM4zDbYomnOv3R5qoR20vfCJGztAqNNuV_g19yN5GWF2fErnilApGGgYwYgfyhM9pGTARD8c41-aeYHvaQA_UK0Mz74OHSuCjCmBYXRW3i/s400/boca+fechada+n%C3%A3o+entra+mosquitos2.gif&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Outros artigos
semelhantes a este? Abaixo você encontra outras indicações de leituras do Café
com Ciência, não deixe de conferir.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/feeds/8178379852623821613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/04/texto-fora-do-contexto-vira-pretexto-para-protestar.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/8178379852623821613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6327708816630156334/posts/default/8178379852623821613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafe-com-ciencia.blogspot.com/2013/04/texto-fora-do-contexto-vira-pretexto-para-protestar.html' title='Textos, Contextos, Pretextos e Protestos'/><author><name>Bruno Alvarenga Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00388043305171913569</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRFFp7_UalNV_KgupeA4RzrPAci7jcopeaqV0r0Z6ki4KJd4QjoT8rRwIu08OtzqQoegSR1gbyS9NG2Tb0yyyIuGQkGshFxIGdDQpLrLJjGeG_MuFk1WAZ33ei-nKb4g/s83/Bruno+Alvarenga+Ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMXEAfn63bi1HKygIcymMv9o0QR-sk3aEbEplQw5rzdabz0IUNBrrG3B8VxERGjaIoB5I6wm5WyJebzNVlZ9XjRtdSKjt4jrxq1IqekOYBDSZN7CGkBWCizsY9Ve7KhGxqDFuBbZf-MugD/s72-c/texto+fora+do+contexto.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>6</thr:total></entry></feed>