<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631</atom:id><lastBuildDate>Fri, 28 Nov 2025 00:27:07 +0000</lastBuildDate><category>Cultura</category><category>Teologia</category><category>Filosofia</category><category>Espiritualidade</category><category>Psicologia</category><category>Apologetica</category><category>Capitalismo</category><category>Descendo pra cima</category><category>Politica</category><category>Artigos</category><category>Jacques Ellul</category><category>Diálogos</category><category>Kierkegaard</category><category>Para chegar mais longe</category><category>Tabus</category><category>C. S. Lewis</category><category>Outras coisas</category><category>Despertando a fantasia</category><category>Mulheres</category><category>Levando a infância a sério</category><category>Modismo</category><category>Cinema</category><category>Eric Voegelin</category><category>Literatura</category><category>Livros</category><category>Música</category><category>Poemas</category><category>Rabiscos</category><title>Fé, Razão e Graça</title><description>Edificando ruínas em meio aos escombros</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>92</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-7323600085699944582</guid><pubDate>Wed, 22 Mar 2017 17:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:31:21.500-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Kierkegaard</category><title>O clima pós-moderno</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxlha-F0_aOpV5DyrFAR3P_871CEsDmUZaROdwwexxdUPiN0hVfAjaSEAoG-GdnCTvxfps1yrdBwx0_GheeRp-Vo9G1NwHHVEM6-zsCJRA33RHzbcbM_t6Z3Hh5EJI2KTEhgD6xvHiivE/s1600/Ferazaoegra%25C3%25A7a.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;290&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxlha-F0_aOpV5DyrFAR3P_871CEsDmUZaROdwwexxdUPiN0hVfAjaSEAoG-GdnCTvxfps1yrdBwx0_GheeRp-Vo9G1NwHHVEM6-zsCJRA33RHzbcbM_t6Z3Hh5EJI2KTEhgD6xvHiivE/s640/Ferazaoegra%25C3%25A7a.jpg&quot; width=&quot;600&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Se alguém quiser saber o que se
passa na presente fase da história humana chamada “era da incerteza” (uma ideia
que permeia o mundo desde a metade do século 20), é obrigado a desenvolver uma
habilidade que seja capaz de penetrar e discernir todas as camadas dos
discursos pós-modernos — agora rebatizado de “pós-verdade”. Ortega y Gassete
dizia que “cada época é como um clima, que predominam certos princípios inspiradores
e organizadores da vida”. O período pós-moderno, que vive um momento de luto da
razão como instância de significado, é responsável por dar (ou suprimir)
sentido ou criar narrativas a toda concepção de mundo&amp;nbsp; enraizada em alguma certeza ou verdade: não
há como ter certeza de nada porque tudo depende de nossa concepção subjetiva
sobre a realidade. As pessoas discordam entre si e se dispõem de interpretações
profundamente diferentes acerca do que significa viver neste mundo. Este é o
princípio organizador de nossa época, nosso “clima”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A ideia de pluralidade de percepções
e de que cada indivíduo dá um significado circunstancial para o modo como olha
a vida não é totalmente equivocado, e é coerentemente assentada na filosofia,
na literatura, na política, na cultura, e também na teologia — um campo do
conhecimento que ainda tenta conservar um status de pureza. Obviamente existe
essa dimensão de incerteza da realidade fincada nos paradoxos e tão bem
explorados por Nietzsche e Kierkegaard, mas essa concepção não contempla o todo
da realidade; é apenas uma camada desta. Platão e Aristóteles captaram esta
dinâmica da realidade, no entanto mergulharam mais fundo a ponto de vislumbrar uma
unidade nisso tudo; não uma unidade simples, mas unidade do diverso, como em
tudo que é real e vivente. Não chegaram a essa conclusão de modo vulgar, pela
simples coerência lógica e mecânica, mas como uma tendência, uma disposição da
própria diversidade a uma finalidade que tudo abrange.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Pensar o mundo como uma unidade não
quer dizer que seja possível uma descrição total da ordem cósmica, pois este
ato heróico está para além da estrutura da existência humana — nem mesmo a
união de todas as religiões acompanhadas de todas as ciências poderia nos dar a
condição de desenvolver uma descrição total da ordem cósmica. A realidade,
senhoras e senhores, é formada por tempo, espaço e dimensões cosmológicas que
fogem do nosso entendimento. Não obstante, mesmo com uma percepção fragmentada,
é inegável não presumir que o Universo constitui alguma ordem que não depende
do ser humano, pois é dentro dela que surge o homem; há, sem dúvida, elementos
de desordem e de caos, contudo, esses elementos absurdos precisam estar
presentes. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Quando não há a possibilidade de se
emudecer diante da ordem cósmica, de calar e se abrir para o que existe
efetivamente fora de nós, o que resta é profetizar o lamento relativista de que “o&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 16px;&quot;&gt;homem é que cria a realidade&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;”. Ou seja, essa é aquela perspectiva kantiana de que &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 16px;&quot;&gt;o olhar é o que determina a imagem&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;a ideia de que vemos os objetos, por exemplo, no espaço e
no tempo não porque espaço e tempo são partes do próprio mundo, mas porque são
partes do nosso aparato humano para conhecer&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Hegel critica essa concepção da epistemologia de Kant afirmando que o
indivíduo é essencialmente definido pela capacidade universal da razão e não
pela individualidade do sentimento ou da percepção dos sentidos, que isola o indivíduo da esfera objetiva. Ao definir &lt;i&gt;razão, &lt;/i&gt;Hegel vai além, entendendo-a como o conjunto das leis do pensamento e criadora da realidade, isto é, o real é obra histórica da razão.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Assim, podemos remontar o entendimento dos escolásticos cujo o
esforço era alcançar a contemplação da verdade; a noção moderna, ao contrário, se desenvolve e
alcança seu ponto de transição no pensamento de Marx com um convite para &lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;transformar&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt; a realidade — transformar o
mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Vale ressaltar que essa foi a
tentativa de Marx, totalmente inoperante, de superar o subjetivismo moderno,
negando a noção de que a História se move impulsionada por uma dialética que se
dava no campo das ideias, como tinha dito Hegel. Marx trabalha com a ideia de
que o homem é o &lt;i&gt;homo faber&lt;/i&gt;, que
descobre sua essência na &lt;i&gt;práxis&lt;/i&gt;,
fazendo, trabalhando, e não no interior de sua consciência. Na tradição marxista, qualquer reflexão sobre a realidade
ou não realidade que se isola da &lt;i&gt;práxis&lt;/i&gt;
é uma perda de tempo e capricho de metafísicos.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Marx não descarta o componente
dialético que move o mundo, no entanto, essa dialética não acontece no domínio
das ideias como pensava Hegel, mas no mundo objetivo, entre o senhor feudal e
seus servos, entre o patrão e o operário; a única dialética possível porque é
fruto do agir humano. O problema é que Marx não chega nesta conclusão agindo
objetivamente, trabalhando numa linha de produção ou participando de uma
revolução, mas através de um esforço intelectual da própria imaginação;
portanto, Marx tenta superar o subjetivismo operando exatamente no campo da
subjetividade, tenta mudar o mundo através das conclusões de sua imaginação,
antecipando, dessa forma, o que iria ser regra no pensamento pós-moderno.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Desse modo, guiada pela concepção
pós-estruturalista — de que a realidade é considerada apenas como uma
construção social e subjetiva, em perpétuo devir —, nossa época segue na
impossibilidade de compreender o próprio drama em que vivemos. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A premissa básica para essa
incompreensão é uma sinistra deformação da linguagem. A aquisição do domínio da
linguagem é o elemento fundamental para que se consiga ser fiel a nossa
experiência diante do mundo sem se deparar com a ideia posta de que tudo na
vida pode ser mera alucinação. Ser fiel a experiência real evita que se
reproduza na consciência apenas o que foi introjetado pela cultura e pela
sociedade. Na maioria das vezes as pessoas absorvem valores que não
correspondem a sua experiência direta, gerando uma cisão entre o indivíduo e
sua experiência real. Ora, em todo caso, os elementos culturais nos ajudam a
expressar para nós mesmos o que vemos no mundo; o problema é quando se decide
em favor da cultura e não da individualidade. Os elementos culturais devem ser
usados para as finalidades do indivíduo, servindo-o, caso contrário o indivíduo
será assimilado por esses elementos tornando-se apenas um repetidor de frases
de efeito, pensando a realidade sempre fora de sua experiência genuína.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;O impacto disso é uma linguagem
deformada geradora de um discurso que dificilmente alcança a compreensão dos
fatos. Discurso é movimento, é &lt;i&gt;transcurso&lt;/i&gt;
de uma proposição a outra; é uma unidade formal organizada por premissas e
conclusão. O discurso sempre deve estar ligado por algum nexo, seja ele lógico,
analógico, cronológico, etc., que obviamente suscitará uma modificação no
ouvinte por mais breve que seja — aceitar ou rejeitar um discurso é de alguma
forma passar por uma modificação. Hoje, sob o clima da pós-modernidade,
discurso foi reduzido a definições estranhas como: “dis-curso, desvio de
curso”. Essa definição esquisita faz sentido dentro de uma ocasião
oportunamente chamada de “pós-verdade”, onde a linguagem já não é mais capaz de
expressar sua referência à experiência real. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;O &lt;i&gt;discurso&lt;/i&gt;, que hoje repousa à
sombra de explicações pós-estruturalistas, e que se arrasta de Marx à Foucault
— e de Foucautl à filósofos de 140 caracteres —, é incapaz de apreender o real,
pois sempre aparece acorrentado a uma escolha ideológica (quando muito são
discursos sobre textos que correspondem apenas a outros textos, descartando a
experiência real). Assim, o subjetivismo moderno fez do relativismo a única
experiência possível, e por isso mesmo é aceito como inquestionável o mantra
que diz&amp;nbsp; que “todo discurso é ideológico
e político”; uma ideia que joga no balaio tanto a oratória parlamentar quanto a
poesia lírica, tanto uma notícia de jornal quanto o trabalho filosófico sobre
metafísica, tanto o conselho moral de um pai para seu filho quanto o relatório
de uma empresa a seus funcionários. Tratar as coisas dessa forma e dizer que
“todo discurso é ideológico”, que “não há realidade sem ideologia”, é não saber
o que é discurso, é não saber o que é realidade e menos ainda ideologia. É o
típico mecanismo que reduz todos os discursos ao mesmo nível, sem uma
hierarquia de valor; eis nivelamento que geme sob a bota do marxismo.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;O problema dos marxistas de nosso
tempo é que não leram Marx, que situou com muita precisão a ideologia como uma
falsa consciência; uma ferramenta que deforma a realidade, colaborando para
certa manutenção de relações de dominação. Ideologia é um pensamento total que
tem por ambição explicar tudo de antemão, pois nada tem a aprender porque já
sabe demais. Consequentemente, a realidade será mutilada e sempre ajustada ao
discurso ideológico. Ora, a realidade não é ideológica, não depende da ideologia
e muito menos de nós para ser o que ela é. A realidade, que é permanente, está
fora de nós ao mesmo tempo que nos abrange, e como diz Heidegger, toda nossa orientação é guiada por ela,
pelas coisas: “na irrupção do humano, nossas pesquisas confrontam as coisas”.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Se afastar de uma mente ideológica
não significa abrir mão de nossas próprias perspectivas, e nem mesmo nos impede
de assumir que a política pode ser compreendida de muitas maneiras — o que não
implica aceitar todas as suas formas ou negligenciar nossas convicções em nome
de uma suposta imparcialidade.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Assim, o sentido de ideologia,
reinventado por Lênin e Gramsci, se converte numa concepção neutra que
constitui qualquer ideário de um grupo de indivíduos. Como vimos acima, há uma
tendência na pós-modernidade de mudar o sentido das palavras; se mudam o
sentido das palavras a comunicação se torna impossível. Mesmo que se entre no
plano de realidade do sujeito ideológico, a comunicação ainda se torna
debilitada, pois o apelo à experiência é inútil, porque ele pode usar os mesmos
nomes para designar os objetos da experiência, mas ele estará pensando outra
coisa. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;O sujeito ideológico ajusta a
realidade ao seu próprio horizonte de consciência, como um alfaiate, que invés
que ajustar o terno do cliente prefere lhe amputar o braço, adaptando a
realidade às suas crenças. Ao contrário, é a realidade que nos orienta e,
quando ela nos desampara, diz Heidegger: “o Nada nos encurrala, e, na sua
presença, toda enunciação do ‘ser’ — tudo aquilo ao qual aplicamos o termo ‘é’
— se silencia”. A ideia aqui não é negar o relativismo, mas entender que este é
apenas uma fina camada epidérmica da realidade, e não a totalidade do real. É
apenas uma concordância prática, circunstancial, sem a dignidade de um genuíno
ideal moral. E quando procura se adornar com uma ideologia autoglorificadora,
que se justifica sobretudo como teoria &quot;científica&quot;, os discursos
mais bizarros se tornam deveras atraentes quando repousam em cabeças como de um
Robespierre, de um Lênin ou de num Hitler.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Na cultura, as consequências são
incalculáveis, pois ao excluir a moral e o direito natural os maiores absurdos
da terra estariam legitimados em nome do relativismo; não haveria nenhuma razão
pela qual se deva supor que um sujeito não possa ser morto por ter uma
tendência homossexual, ou que um marido não possa bater na sua esposa: levando
o relativismo às últimas consequências, qualquer condenação dependeria de
fatores absolutamente contingentes. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Em um mundo onde o certo e o errado
existem de fato, podemos afirmar com muita tranquilidade que os maridos não
podem agredir suas esposas, que uma pessoa não pode ser assassinada por sua
tendência sexual e etc. Não há como afirmar a imoralidade desses dois casos e
rejeitar a moral. Esse é um paradoxo do qual determinadas filosofias pós-modernas
nunca conseguirão escapar, pois elas vivem de ditar regras em cima de preceitos
que elas próprias afirmam não existirem.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A pós-modernidade é nosso clima,
frio, embaraçoso, insólito, disforme; é sob este clima que precisamos
desenvolver uma habilidade que seja capaz de penetrar e discernir as camadas da
realidade, tão ocultada pela neblina pós-moderna. Se enfrentada com
honestidade, esta tensão será saudável, e a medida que se avança no cerco das
ideias a melodia dramática consiste em manter sempre desperta a consciência dos
problemas, que são o drama ideal. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Ao ultrapassar a neblina do
relativismo pós-moderno, poderemos descer a assuntos mais imediatos, tão
imediatos que se conflui com nossa própria vida, como dizia Ortega y Gassete:
“a vida de cada um”. Mais ainda, quando se insiste em mergulhar por debaixo do
que cada um costuma acreditar que seja sua vida, perfurando-a, vamos nos
ingressar em regiões subterrâneas do nosso próprio ser, que permanecem secretas
de tanto nos serem íntimas, por serem nosso ser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;©2017 Lindiberg Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiffjkKLLekDKmpmsjVatc6HFMg1_kF14Y8Gv423KC-W_NdsYF6Nl0LVx4lU0T3NMrm5m5xDS-FanL9PD-fPraa6f1UaPrlpezjdi2qB9_jcXw-cppQAjpriYHbYAORqJzmxGMnIewtYY4/s1600/06.PNG&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;72&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiffjkKLLekDKmpmsjVatc6HFMg1_kF14Y8Gv423KC-W_NdsYF6Nl0LVx4lU0T3NMrm5m5xDS-FanL9PD-fPraa6f1UaPrlpezjdi2qB9_jcXw-cppQAjpriYHbYAORqJzmxGMnIewtYY4/s320/06.PNG&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2017/03/o-clima-pos-moderno.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxlha-F0_aOpV5DyrFAR3P_871CEsDmUZaROdwwexxdUPiN0hVfAjaSEAoG-GdnCTvxfps1yrdBwx0_GheeRp-Vo9G1NwHHVEM6-zsCJRA33RHzbcbM_t6Z3Hh5EJI2KTEhgD6xvHiivE/s72-c/Ferazaoegra%25C3%25A7a.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-5921236329418379436</guid><pubDate>Wed, 23 Nov 2016 21:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:31:50.146-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Kierkegaard</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Psicologia</category><title>A consolação ilusória das multidões</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6thUUOrIiynjNi7Lf45UfE2cBMvWSuNQngDZCsL0jRxkEb576iw5ops7VpsxlDTuVBsc654BhAMKJKfiBBaNK3Jov8aZS_nmTZ1IsZ3Xy_UFefn69BhbRavtN1Xnn5dg_tuBM6NAdAnc/s1600/Cura.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;250&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6thUUOrIiynjNi7Lf45UfE2cBMvWSuNQngDZCsL0jRxkEb576iw5ops7VpsxlDTuVBsc654BhAMKJKfiBBaNK3Jov8aZS_nmTZ1IsZ3Xy_UFefn69BhbRavtN1Xnn5dg_tuBM6NAdAnc/s640/Cura.jpg&quot; width=&quot;590&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;A cobiça, que é sem dúvida o desejo mais entranhado
no homem, e a vontade de poder que dela decorre, são características
genuinamente individuais que habita desde tempos pretérito o coração de cada
um. Isso se confirma com clareza nas palavras do apóstolo, que diz: “cada um é
tentado pela sua própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido” (Tiago
1:14). Dessa forma, esse mal só pode ser discernido individualmente a partir de
um confronto aprofundado com o próprio ser, que reconhece na experiência
interior a sedução e a cupidez que leva à desordem da alma.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Se por um lado a cobiça tem sua origem no
indivíduo, por outro, é na coletividade que ela se legitima — é o corpo social
que a exalta. Observamos na massa a totalidade dos indivíduos que produz um
acréscimo de poder, no entanto, um corpo social sobrepuja esta expectativa
dando um caráter desmedido em relação ao sujeito, e um sentido último, que
constrange todo indivíduo e que faz com que somente o corpo social pareça
autêntico.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;É da coletividade que brota o espírito de poder
mais alucinado, onde as consciências se diluem e, por isso mesmo, assumem um ar
de verdade absoluta. Assim, a cobiça pessoal de cada indivíduo busca se justificar
e se satisfazer numa via aberta para esse corpo social.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Jesus discerne com maestria essa dimensão da
coletividade: “Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam
aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor” (Mateus 9:36). Nota-se que
Jesus não trata com as multidões. Diante delas ele só exala sua compaixão e
serenidade. O homem na multidão, envolvido nas massas, é inalcançável na medida
em que abraça essa multidão na busca por uma consolação ilusória; a partir daí
cria-se um mundo peculiar de sentimentos e tudo que se faz é reforçar esses
sentimentos.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;O indivíduo que se submete a uma massificação
internaliza constantemente a ilusão de que continua indivíduo, mas não tem
condições de afirmar a sua prerrogativa individual. Assim, a multidão é incapaz
de expressar até mesmo uma visão de mundo — no máximo expressam uma
intersolidariedade grupal. Esse delírio é nossa condição diante da proliferação
demográfica e no inferno das cidades aplacado pelos discursos sobre democracia.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Dizia Chaplin que a multidão é um monstro sem
cabeça, e Mateus 9:36 narra que Jesus encontra uma multidão aflita e exausta,
sem nenhuma razão em si, nenhuma verdade, nenhuma mensagem, à mercê do primeiro
louco, do mau pastor, do líder político, de um mito… Além da miséria
contingencial que envolve as massas, Jesus se atenta justamente para esse
potencial de horror quando as más autoridades tomam o controle. O povo
ensandecido se inclina facilmente a lamber botas de autoridades, a erguer
ídolos pra si, a prestar culto a salvadores da pátria. Freud dizia que a assustadora
irracionalidade dos seres humanos emerge de grandes grupos e que as profundas
forças libidinais de desejo (forças do amor) são entregues ao lider, enquanto
os instintos agressivos (ódio) são dirigidos aos que estão fora do grupo (claro,
há controvérsias sobre o conteúdo da explicação freudiana, mas na prática é
justamente isso que acontece).&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;O Filho do homem não é mestre de multidões, não se
torna líder delas; não se mete a dirigir o que é ingovernável (e esse é o
elemento paradoxal que torna a massa mais facilmente domesticável), pois sabe
que ao se colocar na liderança de uma multidão, efetivamente, faria com que
cada homem se despojasse mais ainda de sua individualidade própria. Como
afirmou Kierkegaard: “A multidão é a mentira. Cristo foi crucificado porque não
queria se envolver com a multidão (ainda que ele se dirigisse a todos), mas
queria ser o que ele era: a verdade que se relaciona com o indivíduo singular”.
Caso contrário, a multidão seria reafirmada contundentemente em seu “estado de
multidão”, inexistente e destituída de significado.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;A máxima nietzschiana “nenhum pastor, um só
rebanho”, é o último estágio do homem desolado. Mário Ferreira dos Santos
comenta essa frase dizendo que nesse caso o líder é apenas a projeção da
própria multidão: “O líder é líder porque segue à frente da multidão e a
multidão segue-o porquê ele se coloca à sua frente. O líder é um produto da
massa que se torna um rebanho sem pastor, porque não é conduzida. Na verdade,
ela conduz o líder, que teme não ter acompanhantes. Esse é o estágio de que
fala Nietzsche”.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;O mecanismo básico das mentalidades das massas é
irracional; a multidão não é guiada pelas mentes que a compõe, mas pelos seus
instintos. Há inúmeras causas envolvidas nas decisões humanas, não somente
entre indivíduos, mas principalmente entre os grupos. Qualquer informação bem
colocada, principalmente quando associadas a alguma imagem estonteante, tocará
as emoções irracionais das pessoas, dirigindo todo o comportamento das
multidões — ao ponto de fazê-las apoiar uma guerra ou desejar uma coca-cola;
tudo isso através de coisas irrelevantes que podem se tornar fortes símbolos
emocionais. Ainda no século 19, Kierkegaard já entendia que “não há arte alguma
em ganhar uma multidão; tudo o que é preciso é a não-verdade e um pouco de
conhecimento das paixões humanas”. A publicidade, claro, foi um dos setores do
mercado que melhor entendeu isso quando faz essa conexão emocional entre um
produto ou serviço.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;A mensagem do mestre de Nazaré desconstrói as bases
de todo corpo social muito bem engajado. Por isso a boa nova de Cristo parece
terrível para nós que vivemos nesta sociedade de massa, repetindo as mesmas
coisas que o grupo está dizendo, arrolados nos mesmos sentimentos e facilmente
mobilizados para determinada organização política, social, religiosa, etc. Neste
sentido, as massas se tornaram a verdade, o poder e a honra, um tipo de deus —
em suma, a ascensão do poder do “numérico” é a principal fonte do mal no mundo
moderno, que se arrasta até nossos dias, desde Sócrates e Jesus, que foram vítimas
do “numérico”, da “multidão”.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Presenciamos este fenômeno trágico onde cada
conglomerado se reduz a um número, e se satisfaz em ser assim. O Evangelho é
precisamente a Luz onde cada um pode encontrar sentido fora da massa, onde cada
indivíduo pode discernir o caos dessa sociedade enlouquecida. Portanto, o famoso
grito de protesto socialista que diz &quot;trabalhadores do mundo,
uni-vos!&quot;, não passa de uma armadilha dantesca para a consciência
individual. Essa “união” não passa de uma adesão dissimulada a um espírito de
manada, atraente para a alma covarde, no entanto, indigestível para aquele que
sabe que lhe custará a supressão do fator Indivíduo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Por isso, senhoras e senhores, os discípulos de
Jesus são orientados não a enquadrar a multidão, mas dispersa-las, promovendo a
vertigem da liberdade nas consciências mais corajosas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Quem ousa realmente se levantar como uma testemunha
da verdade não se abstém de atacar a multidão, pois é um componente
indispensável para um profeta, um apóstolo, um mártir. Envolve-se, se possível,
com todos, mas sempre individualmente, falando a cada pessoa, uma por vez, nas
ruas, nos becos, como insiste Kierkegaard, a fim de dispersá-la.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt; text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;©2016 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style=&quot;background-color: transparent;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial; background-repeat: initial; background-size: initial; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 107%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/11/a-consolacao-ilusoria-das-multidoes.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6thUUOrIiynjNi7Lf45UfE2cBMvWSuNQngDZCsL0jRxkEb576iw5ops7VpsxlDTuVBsc654BhAMKJKfiBBaNK3Jov8aZS_nmTZ1IsZ3Xy_UFefn69BhbRavtN1Xnn5dg_tuBM6NAdAnc/s72-c/Cura.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-5071169701870787426</guid><pubDate>Fri, 07 Oct 2016 21:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:31:58.999-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cinema</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Espiritualidade</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Literatura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Música</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Psicologia</category><title>O que é arte?</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify; text-autospace: none;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;O que faz de algo uma obra prima? O
que é arte? Bem, até o século 19 as respostas poderiam ser bem convencionais,
todas aprovadas por um fator essencial da experiência humana: o êxtase, o
devaneio, o arrebatamento íntimo, o sentimento que elevava o ser ao Eterno; era
a iniciativa pela qual o indivíduo, amparado pelas mãos dos deuses, se
anunciava ao mundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Foi no século passado que toda
proclamação de valor estético caiu no vazio do relativismo. Depois de expor um
urinol como obra de arte, intitulado como &lt;i&gt;A
Fonte&lt;/i&gt;, Marcel Duchamp espalhou um resíduo de ceticismo e muita gente
começou a se perguntar: “O que de fato é arte?”. Desde então as respostas para
essa pergunta começou a transitar entre o sublime e o vulgar, entre o admirável
e o trivial. Em um mundo em que a afluência artística que tinha em si o brilho
da beleza, a arte chega ao século 20 ofuscada pela piada de Duchamp.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Particularmente penso em arte como uma unidade
composta por &lt;i&gt;forma&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;conteúdo&lt;/i&gt;. Explico: como pensava Aristóteles,
forma não se reduz a uma mera figura externa das coisas, mas é o princípio da
sua própria funcionalidade. Forma seria então a estética de uma obra, são os
traços de um desenho ou o contorno de uma pintura; é a estrutura da composição
de uma música ou todo arcabouço de um filme; é a métrica de uma poesia ou o
busto de uma escultura. O conteúdo, por outro lado, é o que dá o aspecto
dialogal de cada obra; são os &lt;i&gt;meios&lt;/i&gt;
estéticos de expressão que se organiza em função de seu efeito artístico. O
conteúdo é o que o artista quer passar, é a sua mensagem; é todo o aspecto
dramático da obra em que o artista arrisca a vida para dar existência a sua
criação.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Para Nietzsche, de tudo quanto se escreve só vale a pena se deter
naquilo que é escrito com o próprio sangue. Eu diria que na arte não é
diferente; o sangue é símbolo dionisíaco, significa vontade; símbolo também da
vida. Escrever com essa vida significa a própria elevação do espírito,&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-size: 12pt;&quot;&gt;que possibilita estar
à frente de todos, de antecipar situações e tendências. Isto acontece
quando o artista transforma a situação em que vive na situação de sua própria época, tornando a obra
não somente um comentário de seu tempo, mas também um comentário sobre todas
as épocas, universalizando o que há de comum na história humana.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Ora, nem sempre é possível
contemplar de imediato a forma e o conteúdo em perfeita harmonia numa obra. Às
vezes o conteúdo se apresenta fixada numa forma embaraçosa, onde as
imperfeições estéticas são as condições humanas da obra falar — prefigurando a
própria beleza da obra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Dessa forma, o que impressiona nas
músicas de Bob Dylan não são seus simples acordes acompanhado de uma fonografia
indefinida; o que nos surpreende nos filmes de Stanley Kubrick não é seu
perfeccionismo já há muito ultrapassado pela tecnologia atual; o que assombra
nos romances de Dostoievski não é o niilismo que parece engolir todo mundo. Não.
Nada disso fica em pé diante da profunda experiência que emana do conteúdo dos
trabalhos desses gênios, atulhado de angústia, solidão, orgulho, loucura,
morte. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2013/10/fome-de-beleza.html&quot;&gt;É assim que a arte cumpre seu papel funcional no mundo&lt;/a&gt;, inspirando, consolando, elevando o espírito ou comunicando
o desprezo, a decadência e a humilhação. Tudo isso através da caneta, dos
pinceis, da argila, da tinta, das imagens, dos sons, dos acordes, do movimento,
da dança, etc.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Entretanto, só se pode perceber a
função da arte quando se entende o conflito entre forma e conteúdo; e isso só é
possível na medida em que o conteúdo sobrepõe à forma. É nesse momento que a
redenção brada mais alto que as imperfeições estéticas, revelando que a
supremacia do Bem prevalece sobre a desordem que arrasta para baixo toda
dignidade humana. Assim, a arte oferece sempre uma arriscada travessia que vai
das determinações mais baixas e aponta para uma dimensão sublime da realidade.
Essa travessia não é possível para pessoas que mal sabem suas próprias opiniões
sobre a natureza humana, ou seu lugar dentro da História; não é possível nem
mesmo para uma elite que é incapaz de encontrar o sublime na fragilidade do
grotesco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Foi Paulo Brabo que me fez entender
que o sublime estampado no grotesco também nos lembra de que somos gente, com
nossas falhas e deformidades, revelando a crueza de nossas funções biológicas
como a fome, a cede, o suor, o arroto, o peido — elementos estes que para a
superficialidade do orgulho humano apenas nos distrai da ideia de eternidade.
Ledo engano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Não se trata de elevar essas
necessidades primárias do homem, mas de entender que o sublime também pode ser
encontrado no grotesco justamente porque este evoca o ciclo da vida e morte das
coisas. E isso o homem urbano sofisticado não acolhe porque trata de uma
realidade que arranca o sujeito da ideia de transcendência jogando-o na esfera
do temporal, do relativo, do constrangedor, do indecoroso, do &lt;i&gt;hic et nunc. &lt;/i&gt;Aqui o sublime se apresenta
quando a beleza faz dessas coisas uma abertura para se vislumbrar algo mais
elevado, que vai além do temporal. É a travessia que seguimos juntos com o
artista da terra ao céu, do inferno ao paraíso que começa justamente na nossa
decadência fisiológica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Como Paulo Brabo deixa claro, essa é
a ideia embutida na literatura de cordel: “O cordel é anguloso, despretensioso,
barato, escatológico, relaxado, inferior, almeja o popular – sua mensagem é:
posso estar na mão de todos”. Seu conteúdo é a de explicitar uma genuína &lt;i&gt;participação &lt;/i&gt;que vai além dos anseios
padronizados pela cultura&lt;i&gt;.&lt;/i&gt; Ora, a
beleza também é graça divina acessível a todos os homens e pensar o contrário é
negligenciar sua natureza subversiva. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Diferente de cada criação da Apple,
seja um dispositivo ou um anúncio, que fala de um ideal sofisticado, elegante,
superior, distinto e sem arestas — com sua mensagem: posso estar na mão de
poucos —, o cordel, grotesco, carregado de uma estética defeituosa, replicando
tragédia, outrora comédia, representa igualmente a necessidade humana de
consolo e harmonia; aquela ânsia da alma pela ordem que se alimenta
precisamente do valor último que essas obras indicam. Nesse caso, o cordel
indica, ou nas palavras de Paulo Brabo: “ilustra um modo subversivo de ler o
mundo, um modo que fala de espaços abertos, temporários e sociais — festas
populares, feiras e circos mais do que casas e shoppings”. Ou seja, exala um
conteúdo que evidencia esse valor último que evoca o sentimento de participação
numa comunidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;É singular o fato da beleza
repousar justamente naquilo que se universaliza no homem. Não por acaso a
graça, “que se manifestou a todos os homens” (Tt 2.11), é atrelado ao conceito
de beleza. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Quanto a verdadeira obra de arte,
ela não só é uma expressão da vida moral, mas também o resultado de uma luta
interior em que o objeto artístico se torna algo muito além da intenção do
artista. É aquela situação em que o artista produz algo maior que a si mesmo,
transcendendo suas sensações básicas e imediatas — uma missão que até os
anônimos cordeis também cumprem. Afinal de contas, a expressão artística mais
elevada não é aquela onde a perfeição estética fala mais alto, e sim aquela em
que o Bem fala mais alto. E quando o Bem fala mais alto o horror desaparece sob
o luz da beleza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 13.0pt;&quot;&gt;©2016 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/09/a-relacao-entre-palavra-e-imagem_6.html&quot;&gt;A relação entre palavra e imagem&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify; text-autospace: none;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/01/funk-cultura-do-horror.html&quot;&gt;Funk, a cultura do horror&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/10/o-que-e-arte.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-3300672299844136283</guid><pubDate>Tue, 06 Sep 2016 21:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:32:13.321-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cinema</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Literatura</category><title>A relação entre palavra e imagem</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEikowND7YWVz0CfsCVtXfrzu92ZWkX2LACqPY7J4zZWeobEoM8V3wK0htyCxXIQFEfDyLphPFcFo706AjD3dZVBhNuJKVNFAcMn1br6uFoOL_3i6iDj8ni-EaX0U_p-ZV7eEr249Fv0MG4/s1600/cinema-e-literatura-1.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;350&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEikowND7YWVz0CfsCVtXfrzu92ZWkX2LACqPY7J4zZWeobEoM8V3wK0htyCxXIQFEfDyLphPFcFo706AjD3dZVBhNuJKVNFAcMn1br6uFoOL_3i6iDj8ni-EaX0U_p-ZV7eEr249Fv0MG4/s640/cinema-e-literatura-1.jpg&quot; width=&quot;590&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Há milênios a literatura se arrisca
a fazer uma releitura exemplar da realidade humana. Os romancistas com suas obras de
ficção conseguiram expressar, até mais que os filósofos, um critério do real
que ultrapassaram o seu tempo. Aliás, não só o seu tempo, mas &lt;i&gt;o&lt;/i&gt; &lt;i&gt;tempo&lt;/i&gt;.
Apesar de cada obra de arte ter sua data de nascimento, ela se torna atemporal
ao nos fazer apreender a eternidade naquele lapso de segundos em que nossa alma
se abre para verdades até então ocultas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Essa é a experiência quando se fita
os olhos com profundidade em obras como de Homero, Dante, Shakespeare,
Dostoievski, Kafka, etc. São histórias com aquela ousadia de uma narrativa
sofisticada, que também nos ajuda a criar nossas próprias narrativas, clareando
diante de nós nossos próprios dramas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;O cinema, sobreposto à literatura, também
nos orienta diante de nuances da realidade para uma compreensão melhor da vida
e da natureza humana. É isso que aponta filmes como &lt;i&gt;2001-Uma odisseia no espaço &lt;/i&gt;(1968)&lt;i&gt;,&lt;/i&gt; &lt;i&gt;O poderoso chefão&lt;/i&gt;
(1972)&lt;i&gt;, Laranja mecânica &lt;/i&gt;(1971)&lt;i&gt;, Blade Runner – O caçador de androides&lt;/i&gt;
(1982)&lt;i&gt;, Clube da luta &lt;/i&gt;(1999)&lt;i&gt;, A vila &lt;/i&gt;(2004), &lt;i&gt;Na natureza selvagem &lt;/i&gt;(2007)&lt;i&gt;, Watchmen&lt;/i&gt;
(2009)&lt;i&gt;, O homem duplicado &lt;/i&gt;(2014)&lt;i&gt;, Mad Max – Estrada da fúria&lt;/i&gt; (2015)&lt;i&gt;,&lt;/i&gt; &lt;i&gt;O
regresso &lt;/i&gt;(2016)&lt;i&gt;.&lt;/i&gt; Contudo, como
pontua Martim Vasques da Cunha, existe uma hierarquia sobre o assunto&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;: “&lt;span style=&quot;background: white;&quot;&gt;uma coisa é
literatura; a outra são produtos derivados como o cinema e as séries de TV. A
primeira é uma experiência que estimula a interioridade; a segunda atiça, em
sua maioria, os sentidos da visão e da audição, mas também permite um diálogo
frutífero entre a imagem e a palavra escrita”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Quando cultivamos esse intercâmbio entre a palavra e imagem,
podemos contemplar no&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt; cinema uma espécie de espelho da modernidade que
revela o que há de mais belo — assim como o que há de mais traumático — na
humanidade; &lt;i&gt;A lista de Schindler, &lt;/i&gt;de
1993&lt;i&gt;, &lt;/i&gt;por exemplo, retrata estes dois
aspectos ao exibir a luta interior de um homem que se nega a fazer parte, mesmo
de forma passiva, de um dos maiores genocídios da história. Schindler é o homem
que discerniu a realidade do bem e do mal; o homem que não se permitiu ser
massa; o homem que preservou as determinações de sua consciência individual mesmo
pondo em risco sua própria vida.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;É desse modo que o mundo cinematográfico se constitui como
uma dimensão profunda da arte,&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt; captando os movimentos invisíveis do espirito.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt; Apesar de a imagem ser
atraente por sua fácil assimilação, elas ultrapassam a concepção vulgar de
meras sequências de imagens para fins de entretenimento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Cineastas como Stanley Kubrick, Martim Scosese, Woody Allen,
os irmãos Coen, Quentin Tarantino, Francis Copola, Clint Eastwood, etc., são
gênios do suspense, do mistério, da dissimulação, que gera no espectador
experiências únicas através de visuais estonteantes e personagens caricatos
moldados por histórias que às vezes dão um nó no cérebro. Apresentam-nos dramas
de personagens que poderiam acontecer com qualquer um de nós.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Na literatura, obviamente, o leitor é convidado a fazer um
esforço de imaginação para contemplar cada detalhe do que se lê. É necessário
uma preparação da memória, da fantasia e da expressão verbal correspondente
para ser capaz de sondar o mundo de experiências que está por baixo de cada
trama, de cada relação e de cada evento. Por outro lado, diante do universo
audiovisual, boa parte desse esforço é dispensável, pois salta aos olhos e
ouvidos um conjunto abundante de experiência deixando para o sujeito apenas o zelo
de criar uma relação lógica dos fatos ocorridos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Diante de uma época onde o espetáculo é consumido 24 horas
por dia, orientado pela publicidade, pela mídia, pelo marketing, a sedução da
imagem fala mais alto que a sutileza das letras. Preferimos o encantamento dos
simulacros a ter de encarar o teatro perturbador de Shakespeare. Temos de fazer
um retorno aos clássicos da literatura mundial, um verdadeiro diálogo com os
mortos, e experimentar todas as mortes narradas tanto por poetas, escritores,
roteiristas e quem mais queira entrar neste ofício. Assim, poderá haver um
diálogo vibrante entre imagem e a palavra. Um diálogo que cria em nós uma
abertura para uma viagem da alma. Uma viagem com todas as volubilidades de
qualquer viagem; às vezes negra e gelada, às vezes bela como um dia de sol.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;©2016 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/10/o-que-e-arte.html&quot;&gt;O que é arte?&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/08/um-baile-de-sombras.html&quot;&gt;Um baile desombras&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/01/funk-cultura-do-horror.html&quot;&gt;Funk, a cultura do horror&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2013/10/fome-de-beleza.html&quot;&gt;Fome de beleza&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/09/a-relacao-entre-palavra-e-imagem_6.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEikowND7YWVz0CfsCVtXfrzu92ZWkX2LACqPY7J4zZWeobEoM8V3wK0htyCxXIQFEfDyLphPFcFo706AjD3dZVBhNuJKVNFAcMn1br6uFoOL_3i6iDj8ni-EaX0U_p-ZV7eEr249Fv0MG4/s72-c/cinema-e-literatura-1.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-1918344478016589774</guid><pubDate>Mon, 08 Aug 2016 03:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:32:35.090-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Espiritualidade</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Psicologia</category><title>Um baile de sombras</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Quando imitamos algu&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;ém isso revela um
profundo desejo de querer ser essa pessoa. Ou seja, de viver, entender, ou
internalizar as mesmas experiências que moldaram tal personalidade. De algum
modo todos nós passamos por isso, quando lemos uma biografia, ou quando ouvimos
algum músico, ou até mesmo quando assistimos a um filme. A imitação como um
amparo instrumental é essencial para o aprendizado seja do que for, e de forma
mais densa, nos leva à maturidade; é o que se passa quando encaramos pensamentos de gente como
Nietzsche, Tolstoi ou um Chesterton da vida.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O problema &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;é que a falta de caráter de
nossa época tem produzido quilos e quilos de sujeitos que se contentam apenas
com a imitação enquanto tal — elas não querem participar do mesmo drama, não
querem &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;ser&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;, elas s&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;ó querem &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;parecer&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt; —, n&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;ão
acreditando na realidade mas apenas na encenação. Isso me lembra Machado
de Assis em seu conto &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A teoria do medalh&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;ão&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;, onde um pai aconselha seu filho
dizendo que o que &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;é realmente valioso é a aparência.
Assim, o autor demonstra o caráter artificial dos círculos da sociedade em que
ele mesmo viveu. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Hermann von Keyserling, fil&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;ósofo alemão
que passou parte de sua vida viajando pelo mundo, ao chegar no Brasil constata
em seu diário esse mesmo fenômeno entre a elite brasileira. Ele concluiu que os
brasileiros se satisfaziam tranquilamente se colocando no mundo apenas como
simulacros: uma cópia imperfeita do que é real.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Isto nos explica muita coisa, porque &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;é
justamente esse comportamento que observamos em todas as dimensões de nossa cultura.
Praticamente importamos todo tipo de ideias dos gringos: as músicas, programas
de TV, enredos de novelas, gírias, moda, modinhas de rede social, etc. Com a
diferença que tudo nos chega como uma cópia mal feita. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Tomemos rapidamente como exemplo o mundo gospel da metade do
século XX até hoje. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;Importamos o neopentecostalismo com
o mesmo formato de pregações e as mesmas ênfases na administração, na entonação
da voz, no dinheiro, no sucesso. A imitação foi tão bem sucedida que não parou
aí. A música gospel, sempre no lugar comum, recheado de bandas e artistas como
Diante do Trono, André Valadão, David Quilan, Talles, Fernandinho, Aline
Barros, parece ser repetições ou até mesmo plágio de bandas e artistas como
Hillsong United, Planetshakers, Lifehouse, U2, Toby Mac, Jeremery Camp, Brooke
Fraser, etc. Não questiono o talento desses músicos, mas a coisa é tão mal
feita, que introduções musicais, riffs, solos, efeitos, performace, tudo isso
chega aqui com adaptações e simplesmente estacionam nesse lugar comum. Não há uma busca por uma identidade ou
originalidade. É apenas a imitação pela imitação.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A imita&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;ção deve ser cultivada como
instrumento pedagógico para a aquisição de uma habilidade em que se possa
encontrar a própria identidade do indivíduo. Mas em terras tupiniquins, a
imitação se transformou num recurso para se atingir apenas o brilho social — é
o mimetismo em sua função mais vulgar, que decorre do simples fato de seus
meios serem, ao mesmo tempo, o seu fim.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;H&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;á de se abandonar esse culto à
imagem e ao espetáculo das representações, pois como afirma Debord, o
espetáculo “não deseja chegar a nada que não seja ele mesmo”. A construção de
uma identidade própria a partir da imitação mimética é essencial para evitar
que o sujeito não seja consumido por uma falsa consciência. Assim, essa
identidade não será apenas a impressão que você quer dar, mas também uma
expressão real do que você é.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;Mas as pessoas, os
brasileiros, eu, tu, ele, nós, vós, eles, vivem numa espécie de palco de teatro
e tudo que sabem é atuar. Habitam o mundo contemplando as estrelas como se o
ser humano se encontrasse abandonado às traças divinas, sem forças para escalar
até o céu na busca de algumas respostas. Como o mendigo do romance &lt;i&gt;Quincas Borba&lt;/i&gt;, de Machado de Assis, estirado
nos degraus da igreja fitando o céu como se quisesse dizer: “Afinal, não me hás
de cair em cima”. E o céu: “Nem tu me hás de escalar”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;Neste mundo
abandonado por nós mesmos somente os corajosos encontram respostas. Somente os
bravos conseguem ultrapassar esse jogo de imitações para alcançar a serenidade
do ser. A imitação deve ser superada pela força da personalidade individual,
caso contrário, continuaremos a admirar toda a vida social ser determinada por
esse baile de sombras que se tornou nosso país, cheia de pessoas famintas por
títulos, cargos, dinheiro e sucesso; constroem um edifício emocional
insustentável como finalidade da existência humana, transformando a vida numa
triste narrativa sobre a terra; tudo isso entorpece a alma e nubla nossas
percepções sobre a bondade e a &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;verdade. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Penso&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt; que a vida
humana não precisa ser um teatrinho, que pode ser integralmente real, que um
homem pode passar do autoengano das imitações para uma existência verdadeira. Pois
é assim que o mundo é vencido: pela firmeza de pessoas que não se deixam levar
pelo fascínio das encenações. Fascínio este que se assemelha a um abismo de
espelhos, que paralisa, e dificulta uma verdadeira comunicação entre o próximo,
porque é disto que se trata também.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;Falar sobre isso é complicado se
considerarmos que estamos inseridos numa sociedade industrial que produz
infelicidade generalizada e felicidade superficial em igual modo. O drama da
sociedade atual é que o comportamento de massa dá origem a vidas de massa,
gerando uma existência efêmera que produz um ser covarde. Segundo Heidegger, só
poderíamos ir além das máscaras eliminando o acidental e o trivial,
concentrando-nos no cerne do ser humano; ou seja, tendo consciência de nossa
finitude e nos libertando da superficialidade que a vida nos apresenta. Dessa
liberdade brota coisas importantíssimas. Verdadeiros milagres, como por exemplo,
a gentileza com o próximo, a sinceridade com nós mesmos, ou a lucidez
necessária para se discernir as sombras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;©2016 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/01/se-ninguem-ta-vendo-tudo-e-permitido.html&quot;&gt;Se ninguém tá vendo tudo é permitido&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/03/o-homem-e-deformacao-da-realidade.html&quot;&gt;O homem e a deformação da realidade&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/08/um-baile-de-sombras.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-1480689668436447061</guid><pubDate>Thu, 30 Jun 2016 21:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:32:47.863-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Capitalismo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Jacques Ellul</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Politica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Teologia</category><title>O dinheiro e sua não-neutralidade</title><description>&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;margin-left: 3cm; text-align: right;&quot;&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;margin-left: 3cm;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Muitos
pensam que a piedade é fonte de lucro. De fato, a piedade com contentamento é
grande fonte de lucro, pois nada trouxemos a esse mundo e dele nada levaremos;
por isso, tendo o que comer e com que nos vestirmos, estejamos com isso
satisfeito. Os que querem ficar rico caem em tentação, em armadilhas e em
muitos desejos desordenados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na
ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.
Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, se desviaram da fé e se atormentaram
com muitos sofrimentos.&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; mso-bidi-font-size: 9.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;margin-left: 3cm;&quot;&gt;
&lt;b&gt;1 Timóteo 6.5-10&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; mso-bidi-font-size: 9.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Já não
existe mais uma noção simples pra definir o que seja o dinheiro. Hoje, o que
pode ser entendido por dinheiro, seja como moeda ou como riqueza, guarda em si
uma ideia complexa e quase não se pode mais contemplar essa palavra no
vocabulário dos economistas. Ainda assim, o dinheiro é um fator significativo
ao se tratar de uma vida econômica global, pois está inevitavelmente atrelado a
jogos complexos de operações de produção, distribuição e consumo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Mas nem
sempre foi assim. Partindo de um período histórico, a Idade Média, por exemplo,
o dinheiro não tinha tanta importância, pois não havia uma causa externa (o mercado,
a propaganda) para estimular o interesse humano para o consumo. Assim, o
dinheiro exercia um papel irrelevante na vida, no pensamento e nas preocupações
dos medievais. Com o advento do capitalismo o “sabiá muda de canto”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;A partir
do século XVIII em diante, e sobretudo no XIX, o mundo europeu já se encontrava
em desenvolvimento econômico bem acelerado, onde a função do dinheiro tinha
mudado radicalmente a vida das pessoas. O sistema capitalista, gradativamente
sujeitou toda a vida, individual e coletiva, ao dinheiro e, sucessivamente, o
Estado, a Igreja, a Educação, o Direito, a Arte, tudo passou a se submeter ao
poder do dinheiro. Não se trata, certamente, de uma questão de corrupção — o
que não deixa de ser evidente o fato de que todos se meteu a pensar através do
dinheiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Apesar
de ter uma relação afetiva com o conceito de esquerda, penso que o socialismo não
nos apresenta uma alternativa. O socialismo hostiliza o capitalismo &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;apaixonadamente, &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;no entanto, n&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;ão podemos ignorar uma história
embaraçosa de autoritarismo, centralismo e dogmatismo que sempre floresceram na
esquerda. O discurso tradicional encabeçado pela esquerda é que esses vícios
seriam desvios que não teriam lugar em um “socialismo verdadeiro”. Acredito
cada vez menos nisso, e cada vez mais na hipótese de que esses vícios são parte
característico da própria esquerda.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Durante
décadas o socialismo esmagou o homem na tentativa de domestica-lo para dar
outra direção a sua natureza. Dessa forma, o socialismo retomou o que há de
pior no capitalismo justificando como teoria, subordinando o homem não ao
dinheiro ou aos capitalistas, mas a uma produção esmagadora. Se no capitalismo
o fenômeno é o desaparecimento do ser pelo ter, no socialismo trata-se de uma
supressão do ser pelo &lt;i&gt;fazer&lt;/i&gt; e pelo &lt;i&gt;ter&lt;/i&gt; coletivo. No final das contas, não
conseguiram eliminar a paixão pelo dinheiro e a submissão do homem ao dinheiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Já não
pode ser medida minha preocupação de que, na presente ordem, o homem é impelido
a correr cada vez com mais intensidade atrás do dinheiro numa busca desenfreada
pela felicidade material. Dentro desse cenário, dois grupos de pessoas merecem
destaques: o primeiro são aqueles que caem na armadilha de serem possuídos por
sua própria riqueza; o segundo são aqueles que não conseguem obter nenhuma
fortuna, no entanto, são possuídos pelo próprio desejo de possuir — são
escravos que não podem pagar o preço pela sua liberdade. O poder do dinheiro domina
solidamente ricos e pobres.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;De forma
mais intrigante, ao assumir a frequente menção do liberalismo à “mão invisível”
do mercado, não é estranho que se entenda isso como uma espécie de “potestade” —
uma força que subjuga e se encontra alheia ao próprio homem. Dessa sorte o
liberalismo se evidencia com configurações de uma religião convidando todos a
viverem debaixo dos poderes de uma “mão invisível” que, particularmente, se
manifesta sobre o signo do dinheiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Não é
difícil de entender e, dado essa natureza, o indivíduo não dirige mais seu
olhar ao papel ou moeda, mas apenas ao poder de compra. E aqui entramos num
terreno um pouco nebuloso, pois o dinheiro é apreendido por sua categoria
simbólica aproximando-se de sua realidade econômica, que se manifesta numa
dimensão cada vez mais abstrata; apresentando-se com clareza inquestionável,
trazendo tudo àquilo que oferece progresso material. Ora, em outra esfera, não
podemos ignorar o rigor matemático adotado pela ótica neopentecostal:
dinheiro=bênção. Aqui o dinheiro torna-se um valor espiritual em si. Sendo um
valor em si, o dinheiro deixa de ser meio e se torna um fim; deixa de ter uma
importância econômica para tornar-se um valor moral e um critério ético. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Nesta
ciranda, correr atrás da grana é o mesmo que correr atrás do poder que ela
representa de forma acumulada — ou seja, a riqueza. E é natural que aquele que
se utiliza de qualquer tipo de poder tem por inclinação associar a este poder
seu amor, e consequentemente sua esperança. Jaques Ellul afirma que:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 10.0pt; margin-left: 2.0cm; margin-right: 56.65pt; margin-top: 0cm; margin: 0cm 56.65pt 10pt 2cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;A fome por dinheiro está entre os homens na
forma de signo, como a aparência de uma outra fome; o amor pelo dinheiro não é
mais que o signo de uma outra exigência. Fome de poder, de superação, de
certeza, amor de si mesmo que se quer salvar, de tornar-se sobre-humano, de
sobreviver e de eternizar. E qual o melhor meio além da riqueza para se chegar
lá? Nesta busca alucinada, precipitada, não é apenas o prazer que o homem
procura, mas a eternidade, obscuramente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Como
tal, Paulo adverte que aqueles que empreitam nessa caminhada caem em tentações,
em armadilhas e em muitos desejos desordenados e nocivos; isso leva a um
mergulho devotado à destruição, pois há uma coisa que o homem não pode se
utilizar do dinheiro para comprar: a si mesmo. Hoje pedirão a tua alma, e tudo ao
seu redor se desfalece, na incapacidade de te salvar (Lucas 12:20); “De nada
vale a riqueza no dia da ira divina” (Provérbios 11:4).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Jesus,
que era bem mais atrevido que Paulo, não só nos alerta do perigo de correr
atrás do dinheiro como também diz que este assume, diante do homem, a posição
de um deus. Para Jesus, riqueza é Mamom: um ser que tem a presunção de ser
adorado e servido. Nas considerações de Jesus, o dinheiro não é um objeto
neutro e sem autonomia — vale lembrar que este é um episódio excepcional nos
evangelhos, pois Jesus não costumava fazer personificações de objetos. E se o
dinheiro não é neutro é porque se orienta por si mesmo, segue sua própria lei e
se afirma na realidade como sujeito. Essa é uma característica do poder no
sentido bíblico, seu paradoxo: o poder não é jamais neutro, ele é orientado e
da mesma forma orienta os homens.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Não é de
se surpreender que o rabi de Nazaré encare a ambição pelo lucro como um ato de
adoração a esse deus, “porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso
coração”. E continua nos advertindo: “ninguém pode servir a dois senhores” (Mt
6.24). A riqueza se projeta como deus porque preenche no homem, como um
devaneio, seus desejos e ambições. É a busca por satisfazer esses anseios que
orienta o homem a conferir toda importância ao símbolo; neste momento a riqueza
se torna um fim em si. Destarte, é de extrema importância entender o paralelo
que Jesus estabelece entre Deus e Mamom. Assim como entre o homem e Deus, a
relação entre o homem e Mamom se constitui como uma relação entre um servo e
seu mestre. Esta é uma realidade muito específica manifestada por Jesus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Quando
intuímos tudo isso com clareza pode-se perceber como o dinheiro sujeitou toda a
vida ao seu domínio. Tudo pode ser comprado ou vendido, inclusive o homem: &lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;text&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;“Vocês vendem por
prata o justo, e por um par de sandálias o pobre” (Amós 2:6). Como Ellul deixa
claro, a moeda é somente uns dos meios de ação da potência do dinheiro, “o
signo mais visível e concreto desta universalidade da venda”, onde o homem é
posto de forma total à mercê dessas relações — a Bíblia é clara sobre o
comércio de corpos e almas humanas (Ap 18:13). Essa dissolução interior do
homem é enfática na traição de Judas como um ato pago. Porém, Jesus foi somente
objeto da potência do dinheiro, mas nunca foi possuído por ela.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Desse
modo, diferente do Antigo Testamento onde a riqueza era símbolo da glória de
Deus, no Novo Testamento não há um verso sequer que justifique a riqueza —
todos os ricos, e de forma mais clara no livro de Lucas, são aferidos com juízo.
A riqueza não tem referência na pessoa de Jesus, assim como não tem também tudo
que lembrava as ações de Deus no Antigo Testamento como os sacrifícios, o
sacerdócio, o templo, etc. Jesus carrega em si toda a síntese do que essas coisas
representavam. Em Jesus todas essas coisas foram suprimidas, porque ele é a
representação máxima da riqueza de Deus para a humanidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;O reino
de Cristo é singular justamente porque não precisa da glória da riqueza para
sustentar sua autoridade. O poder econômico e político são diretamente
contrários à postura de Deus refletida em Jesus e seu modo de se dirigir ao
mundo. Portanto, numa perspectiva
cristã, o dinheiro é entendido apenas como uma coisa que possui um valor
instrumental; ou seja, seu valor reside unicamente no fato de ser um meio para
satisfazer o valor intrínseco.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 9.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;O carpinteiro
de Nazaré foi o principal patrocinador da ideia de que não precisamos nos
preocupar com o dia de amanhã, que Deus provê os pássaros todos os dias e
vestem os lírios com uma beleza magnifica, e que o valor que Deus dá a nós é
inestimavelmente maior do que de aves e flores (Mt 6.25-34). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;O
concelho de Jesus era para não ajuntarmos tesouros terrenos, pois, traças e
ladrões são atraídos para devorar e roubar impiedosamente tudo isso (Mt 6.19).
O Mestre dizia que a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens.
Levando isso em conta, chama de insensato o empreendedor bem sucedido que
deposita a sua segurança em seus bens acumulados (Lc 12. 15-20). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Para
Jesus, assim como para Paulo, é a piedade com contentamento que é uma grande
fonte de lucro, pois nada trouxemos a esse mundo e dele nada levaremos; por
isso, meu amigo, tendo o que comer e com que nos vestirmos, estejamos com isso
satisfeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;©2016 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia
também:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2011/01/o-rico-e-seu-camelo.html&quot;&gt;O rico e seu camelo&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/08/o-mundo-e-suas-fabricas-de-ilusoes.html&quot;&gt;O mundo e suas fábricas de ilusões&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/04/dizimo-uma-barganha-justificada.html&quot;&gt;Dízimo, uma barganha justificada&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/01/funk-cultura-do-horror.html&quot;&gt;Funk, a cultura do horror&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/06/o-dinheiro-e-sua-nao-neutralidade.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-7075981521636442062</guid><pubDate>Fri, 24 Jun 2016 17:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2016-06-24T10:19:39.133-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Politica</category><title>A ilusão democrática</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgv78WSHPfN3ZItzDVZwYaePJo6e8jN4Wo3BmU5n2xDQR28PyVbonmcpaXwx1n6EC_9PKhfLtcP5JC8W58os6asZgNgi7kpaVviZkUH27QRvrelVnnd20hJxBd_ZGmMHnELBb7dUqtcQRc/s1600/democracia_brasil.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;330&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgv78WSHPfN3ZItzDVZwYaePJo6e8jN4Wo3BmU5n2xDQR28PyVbonmcpaXwx1n6EC_9PKhfLtcP5JC8W58os6asZgNgi7kpaVviZkUH27QRvrelVnnd20hJxBd_ZGmMHnELBb7dUqtcQRc/s640/democracia_brasil.jpg&quot; width=&quot;600&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A manipulação deliberada e inteligente dos hábitos e opiniões organizados
das massas é elemento fundamental de uma sociedade democrática. Os que
manipulam esse mecanismo oculto da sociedade constituem um governo invisível
que representa o verdadeiro poder dirigente do nosso país.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Somos governados, nossas mentes são moldadas, nossas preferências
formadas, nossas ideias sugeridas em grande parte por homens dos quais nunca
ouvimos falar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;[. . .] Em praticamente tudo que fazemos na vida diária, seja na esfera
política ou nos negócios, seja em nossa conduta social ou convicção ética,
somos dominados por um número relativamente pequeno de pessoas que entende os
processos mentais e padrões sociais das massas. São eles que puxam os cordões
que controlam a mente do público, que canalizam antigas forças sociais e
encontram novos modos de amarrar e conduzir o mundo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 4.0cm; text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Eduard Bernays&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;, sobrinho de Freud, no seu livro &lt;i&gt;Propaganda&lt;/i&gt;, de 1928. Para entender
melhor o que acabou de ler — e ter certeza de que isto não é um sonho — recorra
a este documentário deveras esclarecedor: &lt;a href=&quot;http://www.plutocracia.com/documentarios/o_seculo_do_eu.html&quot;&gt;O século do eu&lt;/a&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/06/a-ilusao-democratica.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgv78WSHPfN3ZItzDVZwYaePJo6e8jN4Wo3BmU5n2xDQR28PyVbonmcpaXwx1n6EC_9PKhfLtcP5JC8W58os6asZgNgi7kpaVviZkUH27QRvrelVnnd20hJxBd_ZGmMHnELBb7dUqtcQRc/s72-c/democracia_brasil.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-134833065007337398</guid><pubDate>Tue, 24 May 2016 15:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:33:06.087-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Teologia</category><title>Como a Igreja virou igrejas</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;O princípio da Igreja é
fantasticamente simples e muito bem elaborado. A Igreja era vista como uma
simples reunião, e não passava disso. Uma reunião que com o tempo virou uma
comunidade, não por que todos eram iguais, mas simplesmente por que todos
compartilhavam do mesmo ideal: “convencer o mundo do reino de Deus” inaugurado
pelo Cristo (Atos 19.8, 28.23).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Sem pretensões de grandezas ou de
algum tipo de ascensão política, os primeiros cristãos se gloriavam em suas
tribulações, se identificavam com os pobres, amavam-se mutuamente; dividiam
seus bens com os mais necessitados sem nenhuma ambição de acúmulo de posses. A
Igreja se constituía no mundo como essa comunidade em fluxo e não como uma
instituição fixa e paralisante que faz de Deus um ídolo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Igreja se compreendia como um corpo
&lt;i&gt;que se reunia&lt;/i&gt; nas casas, numa escola
e até mesmo em cemitérios (Rm 16:5,23); se reuniam como Igreja e não nas
igrejas, pronunciando a Boa Nova, convidando o mundo a &lt;i&gt;ser&lt;/i&gt;, e não a &lt;i&gt;ter&lt;/i&gt; Igreja.
E os que resolviam ser, consideravam-se como aqueles do &lt;i&gt;Caminho&lt;/i&gt; somente (Atos 9.2, 19.9, 24.14). O projeto de Jesus estava
se concretizando. Seu reino — evidenciado pela existência física da Igreja —
era visto continuamente como o Caminho: um lugar sem endereço determinado, uma
direção da qual Jesus não marcou um ponto de chegada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Infelizmente esse quadro não
persistiria por muito tempo. Aproximadamente três séculos depois, o imperador
Constantino, que era adorador do deus sol, executou uma jogada de marketing
político ao se converter ao cristianismo. Não foi uma conversão autêntica e,
como o Império era marcado por uma cosmovisão politeísta, era comum cada deus
ter o seu templo de adoração. Jesus não tinha um templo, logo, resolveram
edificar um lugar respeitável para que o Filho do Homem fosse venerado, assim
como os outros deuses. Com o templo nascem também hierarquias bem definidas, os
dogmas irredutíveis, a centralização do poder religioso, a aliança com a
política, etc. O &lt;i&gt;Caminho&lt;/i&gt; começou a
virar estradas e o Reino logo se identificou com o Estado. A comunidade
orgânica do Evangelho foi substituída por instituições que mecanizou
comportamentos, entorpeceu consciências. Nessa esfera o amor é suprimido, a
graça é violentada, sobrando apenas exigências de um Deus distante que precisa ser temido, semelhante aos
deuses gregos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A partir de então deram início a construções
grandiosas de catedrais e templos gigantescos, com uma arquitetura que seguia o
mesmo modelo das basílicas e das sedes governamentais de Roma. As catedrais
foram variando de acordo com as ocasiões contextuais na história. No início
eram semelhantes aos templos greco-romanos, passando a ser idênticos a palácios
de reis. Edificações monumentais que atravessaram séculos como uma das boas
heranças deixada pelos medievais; uma herança que ainda hoje nos enche os
olhos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A construção de templos na Idade
Média foi algo espantosamente magnífico, pois exalava arte, e &lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2013/10/fome-de-beleza.html&quot;&gt;a beleza era cultuada&lt;/a&gt; como um fenômeno transcendente. Através da arte e da beleza podemos &lt;i&gt;ver&lt;/i&gt; Deus nos templos antigos, como uma
tentativa de capturar a natureza de uma experiência que não encontramos mais
nos dias de hoje — pois a arte está em guerra com seu passado. Com a chegada do
capitalismo e a pós-modernidade, castelos foram substituídos por shoppings e as
igrejas tornaram-se um reflexo dessa cultura que a imita tanto em sua estrutura
externa (estética) quanto interna (administrativa) — só distinguimos um
shopping de um templo evangélico por causa da placa e tanto um quanto o outro
está interessado somente em vender um produto, ou fazer de você um produto. Bem,
parece-me judicioso deixar claro que as exceções estão aí, e que generalizar
não é um caminho apropriado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Com o advento da Reforma, o próprio
Lutero tentou evitar que essa patologia de grandeza continuasse. Mas como podemos
observar, as pessoas ainda insistem em edificar uma morada aconchegante para
Deus, e a cada dia que passa perseveramos incansavelmente em confundir templo com
Igreja. Essa confusão gera no indivíduo o sentimento de segurança, de proteção,
de garantia de barganhas que o afasta da verdadeira experiência mística com o
Cristo ressurreto. Uma experiência marcada por uma liberdade que arrasta o
indivíduo para um mundo hostil e sem garantias, onde todas as convicções,
autoridades e até mesmo o próprio sujeito passa pela peneira da dúvida e do questionamento.
Esse é o carimbo da fé na consciência, que isola o indivíduo, que o
individualiza e o torna único diante de Deus. As igrejas, ao contrário, insere o indivíduo na multidão, diluindo sua consciência na massa; todos orientados a encenar o mesmo ritual, diante da mesma linguagem, falando o mesmo dialeto. Nesta atmosfera, o questionamento e a dúvida são totalmente esmagados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A necessidade de um lugar de
adoração a Deus não é o que entra em questão aqui. Podemos ter um lugar, um
templo, no entanto, há de se cultivar a consciência de que é apenas um lugar
como qualquer outro. Não é o lugar que é o problema, mas sim a demarcação entre
“sagrado e profano” a partir &lt;i&gt;do&lt;/i&gt;
lugar. O questão é condicionar Deus &lt;i&gt;ao &lt;/i&gt;lugar,
criando um ser sagrado à nossa imagem e semelhança. Assim, o problema do lugar
se constitui através da burocracia implantada fazendo da igreja a ponte exclusiva entre
Deus e os homens — se não é a ponte, no mínimo está no meio do caminho cobrando
pedágio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Nesse sentido, as intenções do
Nazareno foi desmantelar toda essa marca deixada pelas religiões ocidentais,
pois a noção de templo era concebida antes mesmo de Israel existir como nação —
ou seja, o templo não é uma invenção judaica, mas sim pagã, que se constituiu
no mundo antes mesmo de Moisés fincar o primeiro alicerce do Tabernáculo no
deserto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;O que os religiosos viam como um
ponto de encontro para um relacionamento com Deus, Jesus enxergava um salto
para a legalidade como um reflexo da paixão humana pelo controle e segurança. E
ele demonstra isso através de histórias como aquela do bom samaritano, em que
os que eram ligados à instituição (o levita e o sacerdote), foram justamente os
que negaram caridade ao necessitado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Portanto, Jesus começa a demolir
todos os trâmites da religião institucional, mostrando que Deus se revela de
forma autêntica não nos rituais, pois pra ele a verdadeira epifania é o grito do
oprimido (Mateus 25:42-45). Ou seja, Deus não cabe dentro de definições engessadas, como se a
teologia estivesse pronta e acabada. Aliás, Deus não cabe dentro de definição
nenhuma. Ele é o Indefinível. Definir é por limites; definir Deus é o
mesmo que marcar um começo e um fim para o Infinito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Ora, hoje qualquer cristão está
informado de que igreja somos nós. O que não se pode observar é essas mesmas
pessoas internalizando e vivendo isso até às últimas consequências, que seria a
simples tentativa de viver como Jesus: viver em um mundo amando pessoas e não
placas. A proposta é realmente voltar ao princípio, à simplicidade do
Evangelho. Talvez seja uma postura radical e perigosa demais para almas de
porcelanas, que encontram em suas denominações um lugar aconchegante, um modo
de blindar suas crenças sem precisar encarar o frio e o terror de uma
existência autêntica, onde o mundo é encarado com todas as suas contradições.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Sinclair Lewis, em seu romance &lt;i&gt;Elmer Gantry&lt;/i&gt;, ainda na década de 1927,
conseguiu ser bem mais impetuoso, mais dramático, e mais ousado — de uma forma
que eu jamais poderia ser. Um apelo que reflete bem a situação em que as
igrejas chegaram, e que discerne de modo decisivo como é uma igreja que deixa
de ser Igreja:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 10.0pt; margin-left: 70.9pt; margin-right: 56.65pt; margin-top: 0cm; margin: 0cm 56.65pt 10pt 70.9pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Ninguém neste recinto, incluindo o seu pastor, acredita na fé cristã.
Nenhum de nós daria a outra face. Nenhum de nós venderia tudo que tem e daria
aos pobres. Nenhum de nós daria o casaco a um sujeito que tivesse tirado nosso
sobretudo. Cada um de nós acumula todo o tesouro que consegue. Não praticamos a
religião cristã e não temos qualquer intenção de praticá-la. Logo, não
acreditamos nela. Eu portanto me desligo, e aconselho vocês a pararem de mentir
e se dispersarem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;©2016 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/12/os-limites-institucionais.html&quot;&gt;O limites institucionais&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2012/10/a-religiao-de-jesus.html&quot;&gt;A religião de Jesus&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2012/01/deus-nao-instituiu-instituicoes.html&quot;&gt;Deus não instituiu instituições&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2012/04/religiao-culpa-e-outras-coisas.html&quot;&gt;Religião, culpa e outras coisas&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/05/como-igreja-virou-igrejas.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-1667653943003278403</guid><pubDate>Sat, 07 May 2016 19:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:33:20.829-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Eric Voegelin</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Espiritualidade</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Kierkegaard</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Teologia</category><title>Fé e razão, entre a loucura e a inteligência</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Entendo a fé como o maior de todos
os saltos; um salto para as camadas mais profundas da existência na angustiante
tentativa de criar uma abertura no universo para tocar o infinito. Louis
Lavelle declara que isso é uma dialética permanente a unidade da autoconsciência.
Uma experiência tão cheia de sentido que suprime qualquer hiato entre a
realidade e a idealidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Assim, é um erro compreender a fé como
um mero símbolo de barganha para conseguir os favores de Deus. Os cristãos
abandonaram o sentido — e consequentemente a experiência — existencial da fé
contida nas Escrituras, assimilando-a a ajuntamentos cada vez maiores nas
igrejas, todos orientados na mesma direção e arrolados no mesmo engano; transformaram
a fé em sinônimo de conquistas financeiras, numa relação de posse e egoísmo, de
obediência aos usos e costumes, aos dogmas, quando na verdade é o oposto disso;
ou seja, uma viagem para as determinações mais profundas da existência tendo
exclusivamente a implicação do encontro com o Eterno. Trata-se não só de seguir
uma verdade, mas de experimentá-la, e vive-la até as últimas consequências. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Lavelle nos faz entender que essa
não é uma experiência permanente&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;calibri&amp;quot; , sans-serif&quot; style=&quot;background-color: white; color: #555555; font-size: 16px; line-height: 18.4px;&quot;&gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;é rápido e embaraçoso; &quot;são momentos privilegiados
que parece que o Universo se ilumina e afigura-se como se nós mesmos tivesse
escolhido nosso destino; depois o Universo volta a se fechar e logo tornamo-nos
novamente solitários e miseráveis&quot;. Portanto, a sabedoria consiste em fazer permanecer em nossa memória esses momentos paradoxais e construindo sobre eles a trama da nossa
existência quotidiana, e por assim dizer, a morada habitual do nosso espírito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A confusão em apreender a fé reside
em confundi-la com crença. Ellul, que faz uma lúcida distinção entre &lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2011/08/fe-e-crenca.html&quot;&gt;fé e crença&lt;/a&gt;, me convenceu de que crenças são meras insígnias e práticas que no
final apenas atrapalha o grande passo para a fé. A crença turva nossa percepção de
Deus transformando-o num ídolo, isto é, numa força a ser manipulada e temida. A
fé, como deixa claro Kierkegaard, “é um incrível paradoxo capaz de transformar
um crime em um ato santo agradável a Deus; paradoxo que não pode ser reduzido a
qualquer raciocínio, pois principia exatamente onde termina a razão”. Dessa
forma, Kierkegaard relaciona a fé à maior paixão humana, “uma relação absoluta
com o Absoluto”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Quem abraça a fé abraça também o
desconforto, a insegurança e a dúvida, pois é um movimento que o deixa sozinho
com um Deus que talvez pode não estar lá. Logo, a razão não serve mais como um
guia, porque ainda está emaranhada pelos limites estabelecidos da cultura e da
sociedade. Abraão não se deixou levar pelos elementos culturais ou os valores
éticos de sua época ao decidir sacrificar seu próprio filho. O pai da fé se
lançou de imediato em direção ao paradoxo da vida. Por amor a Deus, e de modo
idêntico, por amor a si mesmo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A fé é um milagre e ninguém está
excluído dela, entretanto, não é conveniente dizer que os filósofos gregos
deram o salto da fé. Porém, podemos acatar o esclarecimento de Eric Voegelin,
que afirma que através de uma ordem &lt;i&gt;noética&lt;/i&gt;
os gregos tiveram o salto no ser. Sócrates fez o movimento infinito sob o
critério intelectual, puramente cognitivo. Neste caso, a razão se torna a
simples tendência da inteligência humana em direção ao &lt;i&gt;fundamento&lt;/i&gt;, ou seja, a ordem divina. Para Platão, a realidade não
pode ser desprovida de um alicerce transcendente, pois seria impossível pensar
logicamente sem as determinações dos princípios universais. Isso é importante,
e chegar aonde eles chegaram já é uma tarefa bastante elevada para as forças
humanas; contudo, não seria possível abrir essa perspectiva sem o toque divino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Os gregos entendiam a razão como o
espírito, portanto, tudo que daí procede já nasce fechado para os limites da
razão. Logo, a fé proposta pelo Evangelho, para eles era filosoficamente
loucura, um suicídio intelectual. Platão e Aristóteles foram aos limites da
razão na tentativa de esclarecer a realidade conceitualmente, através de definições
e explicações. Segundo esse modo de encarar o mundo é possível dissecar a
realidade a partir de um refinamento constante dos conceitos de que trata,
tendo sempre a razão como a ferramenta que baliza e orienta o indivíduo na
busca da verdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A questão é que o Evangelho
estabelece um novo sentido para o que seja a &lt;i&gt;verdade&lt;/i&gt;; eis a grande loucura do Evangelho: a verdade não pode ser
depurada, corrigida, não pode ser dividida ou sequestrada pela retórica, pois
não se trata de um conceito e sim de uma Pessoa. Não se trata de aderir a uma
“doutrina cristã”, mas de confiar numa pessoa que se comunica com você. Então,
não há outro modo de compreender e discernir a verdade a não ser através da fé.
Por isso Paulo nos guia a seguir a verdade &lt;i&gt;em
amor&lt;/i&gt;; ou seja, trata-se &lt;i&gt;seguir&lt;/i&gt; a
verdade, e não de adotar um sistema de doutrinas ou teorias obcecadas pela
perfeita formulação conceitual. Seguir a verdade é o mesmo que “seguir Jesus” —
e viver todas as consequências dessa escolha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Ainda assim, é preciso deixar claro
que o salto da fé não exclui a razão, não é um movimento irracional preenchido
de uma realidade abstrata. A fé assimila a razão formando uma unidade na
consciência, reconhecendo o Definitivo em sua verdade incontestável. Portanto, a fé é a presença cada vez mais clara da realidade, não aceita nada
imposto de fora; encara tudo com a máxima seriedade em face daquilo que é
permanente, da eternidade, e em última instância, daquilo que é decisivo. Tudo
que é transitório será olhado à luz do que é &lt;i&gt;definitivo&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Diante disso temos duas escolhas:
aceitar o refúgio da crença como um escape da realidade, como consequência da
nossa busca natural por proteção, ou ser inundado pela fé e viver como um
andante na existência, e não como um pedestre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;©2016 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/05/o-desespero-de-ser-livre.html&quot;&gt;O desespero de ser livre&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/08/o-mundo-e-suas-fabricas-de-ilusoes.html&quot;&gt;O mundo e suas fábricas de ilusões&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/04/a-autoajuda-e-sua-nao-possibilidade.html&quot;&gt;A autoajuda e sua não-possibilidade&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/05/fe-e-razao-entre-loucura-e-inteligencia.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-4482252262120076434</guid><pubDate>Fri, 06 May 2016 04:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:33:38.256-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Mulheres</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Teologia</category><title>A supremacia da igualdade </title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnmvMwjS8plQfjIresY5CiiHNsq79ECpJp-pSE_QRJvIhwAj1AA8VGzFLd6dqROEbCMx13tmGOhnGEwdc3CwH7XIkL2srmiNNxEgxVuBAD1goMOy4rJg1FrdQefbyyUAC9gOJgSA3Oa-w/s1600/Jesus++e+a+mulher+samaritana.JPG&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnmvMwjS8plQfjIresY5CiiHNsq79ECpJp-pSE_QRJvIhwAj1AA8VGzFLd6dqROEbCMx13tmGOhnGEwdc3CwH7XIkL2srmiNNxEgxVuBAD1goMOy4rJg1FrdQefbyyUAC9gOJgSA3Oa-w/s640/Jesus++e+a+mulher+samaritana.JPG&quot; width=&quot;592&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Jesus foi o único homem que recebeu
a pura revelação de Deus e a transmitiu de forma igualmente genuína. Por isso
não faz sentido separar o modo como Jesus enxergava o mundo e a realidade,
apresentada nos evangelhos, do modo como os apóstolos assimilaram essa mesma
realidade ao escreverem suas cartas no decorrer do Novo Testamento. Digo isso,
porque, como Paulo Brabo acentua muito bem, “parece que existe uma fratura que
separa as duas porções do Novo Testamento — de um lado os quatro evangelhos, do
outro todo o resto”; um abismo mais profundo do que aquele que separa o Novo
Testamento do Antigo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;O que Paulo disse, escreveu e
ensinou foi acolhido pelos cristãos de forma tão apaixonada ao ponto de não ser
mais possível intuir a simplicidade do Cristo nos quatro evangelhos. Não
acredito que existam disparidades entre o que Paulo escreveu e o que Jesus
disse, mas penso que haja dessemelhanças profundas entre boa parte dos cristãos
e a unidade do Evangelho, que compõe todo o Novo Testamento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Se me permitem, uma dessas
dessemelhanças é em relação à sexualidade e — num contorno mais estreito — em
relação à mulher. A maioria das culturas antigas foram desenvolvidos mecanismos para
legitimar a superioridade do macho, e isso é ilustrado explicitamente no
judaísmo: no templo, as mulheres não podia se aproximar do Santo dos Santos e a
desigualdade nas sinagogas era delimitada da mesma forma: as mulheres tinham
que manter uma distância semelhante na hora do ensino. Numa sociedade em que um
homem não conversava com mulheres em público ou em que um rabi jamais se
deixaria ser tocado por elas, Jesus, além de não dar bola pra isso, teve um
atrevimento sob medida para romper com toda essa tradição, resistindo qualquer
tipo de tentação de legislar algum tipo de norma para as ralações
interpessoais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A postura de Jesus é delicada e
aparentemente o apóstolo Paulo nada tem a dizer sobre isso. E se Paulo nada tem
a dizer, que dirá então a igreja dos séculos seguintes, que preferiu cortejar,
através de uma afinidade ideológica, bem mais os refinamentos filosóficos
paulinos do que a simplicidade de Jesus ao tratar a vida. Paulo parece ter
entendido a radicalidade de Jesus de maneira mais acanhada; ele não titubeia em
dizer que o homem é o “cabeça” da mulher; instruiu que as esposas devem ser
submissa aos maridos e não diz nada contra a escravidão em si. A igreja, mais
apaixonada pelos discursos teológicos de Paulo, optou por conservar a mesma
estrutura da superioridade do macho. Agostinho (354-430 d.C.) opinava
seriamente que o homem é feito à imagem de Deus, mas não a mulher. Tertuliano
(160-220 d.C.) determinava que as mulheres reconhecessem ser o “portão do
inferno”, “responsáveis pela entrada do pecado no mundo e pela morte do
Salvador”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A mera passagem do tempo não
parecia melhorar as coisas. Mil anos depois de Tertuliano, Tomás de Aquino
(1225-1274 d.C.), influenciado pelo caráter aristotélico de enxergar a
realidade, concebia a mulher como “um homem malfeito”, não possuindo uma alma
racional — uma criatura apenas para “assistir com a procriação”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Apesar disso, o cristianismo é sem
dúvida a primeira religião a favorecer uma visão romântica da mulher,
principalmente depois da veneração de Maria — uma reverência superestimada já
no quarto século da cristandade. Maria era a personificação da bondade, da
afeição e da benevolência: a mãe de Deus. Uma marca que de certo modo seria
compartilhada por, abre aspas, todas as mulheres, fecha aspas. Paulo Brabo nos
lembra de que a mulher medieval — e posteriormente a mulher moderna —, do dia a
dia, era impura e “com frequência vilipendiada, segregada e usada como bode
expiatório&quot;. Mas a maldade não é privilégio dos homens; e as mulheres podem produzir, e efetivamente produzem, como qualquer ser humano, tanta crueldade quanto. Há inúmeros registros sobre isso, inclusive em histórias bíblicas como de Jezabel, ou da mãe que devora seu próprio
filho para não morrer de fome &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;(2 Reis 6.29)&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;, também justificava certo ar de repugnância. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A despeito disso tudo, não penso
que essa história se resume em algum tipo de conspiração de homens para
explorar as mulheres. Penso nisso mais como um arranjo cultural desenvolvido
organicamente. Não quero dizer que é eticamente certo agir assim, mas uma cultura
não é uma entidade ética. Não é disso que se trata. E claro, o comportamento dos
membros de uma sociedade que ilustram suas relações através de jogos sociais de
poder deve ser mudado. E por pensar assim, as atitudes de Jesus foi um choque
para sua época, e um chamado para que todos recusem e abandonem os mecanismos
de controle e manipulação que este mundo produz. Assim, o reino de Deus se
prefigura como uma fraternidade de irmãos que renunciam contundentemente
qualquer forma de dominação, especialmente quando se trata de mulheres. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;O rabi de Nazaré foi o primeiro que
elegantemente tratou de minar essa ideologia da supremacia do macho; recusou-se
a endossar a característica de um macho dominador começando pelo fato dele não
ter sido casado. Uma escolha voluntária no mínimo singular pra época,
principalmente pra quem desejava ser um mestre espiritual. Para um judeu, casar
era uma indicação básica de masculinidade e portanto de valor. Jesus deixou
claro que seu valor não estava fixado na postura de ser um provedor ou reprodutor.
Ao contrário, por vezes o seu sustento foi promovido por mulheres.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;O que não pode ser dito dos homens
daquela época é que Jesus não só se sentia à vontade diante das mulheres — para
visita-las, ensiná-las, bater um papo na beira de poço — mas também saiu em
defesa delas. Ao tomar partido de uma mulher apanhada em adultério, Jesus
prediz não só um reino de igualdade — pois somente a mulher iria ser punida —,
mas também um reino onde a misericórdia suplanta todo juízo diante do pecador.
O amor sempre fala mais alto que a justiça da Lei. É disso que se trata. Nada
permanece o mesmo depois de ser tocado pelo amor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Diante disso, o que Jesus fez foi
pregar a igualdade entre homens e mulheres dois mil anos antes desta questão
virar pauta ideológica. O feminismo obscurece o assunto quando acentua e
radicaliza a igualdade negligenciando as diferenças (biológicas, psicológicas, simbólicas,
social), enquanto a ideologia da supe&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;rioridade
do macho acentua e radicaliza as diferen&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;ças na medida em que negligencia a
igualdade. O Evangelho, por outro lado, realça que homens e mulheres são iguais
em termos de humanidade. É nessa consciência que Jesus anuncia essa boa nova.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Para os escritores do Novo
Testamento essa boa nova soou como uma mensagem essencialmente universal. Paulo,
da qual a igreja salientou somente suas recomendações truncadas, sobre as
mulheres permanecerem caladas nas assembleias e submissas como afirma a própria
Lei, escandaliza os ouvintes de sua época ao afirmar que “em Jesus não há judeu
nem grego, nem escravo nem livre” — e pasmem — “nem homem nem mulher” (Gálatas
3.28). A supremacia do macho se desfalece diante da destruição do muro que
separa os homens, pois todos formam uma unidade em Cristo. Paulo também coloca
a mulher em pé de igualdade marital dizendo que “a mulher não tem autoridade
sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido; e o marido não tem autoridade
sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher”. A visão de casamento tradicional
também foi minada por Jesus quando resgatou o arquétipo do Gênesis do “serão um
só corpo”, onde o amor seria o laço dessa união. Um laço tão bem amarrado que
Paulo não hesita em dizer que os maridos devem estar prontos para morrer por suas
esposas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Essa igualdade está explícita
simbolicamente na descida do próprio Deus ao nível do ser humano. Deus se
encarna de modo que todos puderam olhá-lo nos olhos, face a face. Essa é a
manifestação mais formidável, reforçada em todo o Novo Testamento, de que a
horizontalidade do amor de Deus é um terremoto que faz desabar todos os
mecanismos de controle e manipulação que sustenta a ordem desse mundo. Esta é a
revolução do reino: encarar as desigualdades fincadas na ganância, na
superioridade moral, na hierarquia, na expropriação do mais fraco, enfim,
encarar tudo isso na consciência de que a graça é uma força mais poderosa do
que o ódio, que rompe todas as relações disformes entre os homens.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;©2016 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjo4tVU45PZRSUaeS6KG7e1dB_vUFqSEVT2J2Sk5AsURP-jiChfiMOjtHptudMyf3FvR2-ohZ0WFegQNPG7hEGemZHyzH89wrXbkaQ-SCNcKPpO9FR39hCNlvCPm4GBu8lwxeQqhdfzmWE/s1600/07.PNG&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;72&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjo4tVU45PZRSUaeS6KG7e1dB_vUFqSEVT2J2Sk5AsURP-jiChfiMOjtHptudMyf3FvR2-ohZ0WFegQNPG7hEGemZHyzH89wrXbkaQ-SCNcKPpO9FR39hCNlvCPm4GBu8lwxeQqhdfzmWE/s320/07.PNG&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2011/08/deus-mulheres-e-outras-coisas.html&quot;&gt;Deus, mulheres eoutras coisas&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/05/a-supremacia-da-igualdade.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnmvMwjS8plQfjIresY5CiiHNsq79ECpJp-pSE_QRJvIhwAj1AA8VGzFLd6dqROEbCMx13tmGOhnGEwdc3CwH7XIkL2srmiNNxEgxVuBAD1goMOy4rJg1FrdQefbyyUAC9gOJgSA3Oa-w/s72-c/Jesus++e+a+mulher+samaritana.JPG" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-3287547288937840238</guid><pubDate>Mon, 02 May 2016 23:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:33:49.517-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Descendo pra cima</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Teologia</category><title>O poder de quem abriu mão do poder</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh8CbnRFWQxxOYP2TIJW4iqt6Tp5Y8XDmVxh_S4qtmNiSMcOILMbL3Jdsq8DCBduqAVG2v2NmmY6leZSjQ14tm1-PMed_9g0npHlMrEal3UMlezKAJnFLNK1OkXJ3A9Rfc-3OopzPyMntQ/s1600/andar+a+2%25C2%25B0+milha.JPG&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;380&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh8CbnRFWQxxOYP2TIJW4iqt6Tp5Y8XDmVxh_S4qtmNiSMcOILMbL3Jdsq8DCBduqAVG2v2NmmY6leZSjQ14tm1-PMed_9g0npHlMrEal3UMlezKAJnFLNK1OkXJ3A9Rfc-3OopzPyMntQ/s620/andar+a+2%25C2%25B0+milha.JPG&quot; width=&quot;600&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Quando
exponho meus pensamentos políticos, sempre faço de forma desajeitada, como quem
fica comendo pelas beiradas. Numa dessas brincadeiras, sentado com alguns
amigos em frente uma lanchonete, disse desanimadamente que o poder corrompe, e
o poder absoluto corrompe absolutamente. Frase épica de Lord Acton.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;—
E Deus — replicou um amigo, discordando de modo categórico —, Deus é o detentor
de todo poder e autoridade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Bem,
preciso adiantar que o homem não precisa do poder para se corromper. Essa
tendência humana é inata. O desejo de dominar e de subjugar já está embutido na
própria natureza humana, e isso é irreversível; o poder, apenas potencializa esse
desejo lucifericamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;O
interessante dessa questão é que praticamente em qualquer contexto teológico,
esta afirmação torna-se contundente: Deus é o detentor de todo poder e
autoridade. Esta declaração nos leva de imediato para lugares comuns, com imagens
dantescas de um Deus guerreiro, poderoso, implacável e que destrói seus
inimigos. Penso que Jesus, o único homem que revela a totalidade do caráter e
da ação divina, nos apresenta Deus com traços diferente desses desenhados na
imaginação dos evangélicos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Explico.
Mas antes vamos voltar um pouco para o Antigo Testamento. Lá, Deus é
apresentado com muita pompa, manifestações deslumbrantes, trovões, raios e
fogo. Apesar disso, o vemos andar em consonância com gente como Abraão, que
demonstra ter uma moral inferior à dos adoradores do deus sol; fica do lado de
gente como Jacó, que engana o irmão descaradamente; perde tempo tentando
convencer Moises, um gago com antecedentes criminais, a guiar um povo
escravizado numa terra alheia; Deus acerta os ponteiros com murmuradores
ruidosos como Jó, assassinos como Davi, mas, em nenhum momento Deus se deixa se
compactuar com altivos, presunçosos e arrogantes. Deus trabalha ao lado de
gente aparentemente fraca, incapaz, daqueles que recusam o chamado, pois, só os
que rejeitam o poder estão aptos a geri-lo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Os
hebreus é o povo que melhor dilataram a revelação de Deus – quando o povo era
apenas povo. E esse povo foi escolhido não por que era a melhor nação ou a mais
bem sucedida; pelo contrário, eram escravos. E Deus age no meio desse povo não
como um senhor soberano e dominador. Não! Deus intervém na história como um
libertador. O Êxodo, que na tradição hebraica é o primeiro livro da Bíblia,
apresenta justamente o Senhor que nos trás liberdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Diante
da leitura do Pentateuco vemos que Deus levantou Israel para ser como espelho
para os outros povos. Um dos ditames da Lei era para não se juntar aos outros
governos, mas caso os outros reinos quisessem manter vínculo, o conselho era
para que os israelitas os recebessem passivamente. Pois bem, Israel não só
quiseram manter conexão, como também quiseram um governo semelhante aos outros
reinos. Diante de pessoas com consciência mais elevada — como Samuel —, isso
foi uma violação, uma atitude retrógrada. Diante de Deus, a atitude foi como
uma total rejeição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;A
partir de então, a Lei — que era a suprema autoridade entre o povo, acima de
sacerdotes e reis —, não estava sendo o suficiente para guiar o povo. Deus,
então, coloca em cena uma comitiva de profetas que tinha como missão denunciar
a corrupção do povo, em geral, e do poder oficial, em particular. Os profetas —
tendo Elias como seu representante —, geralmente são aqueles que falam o que
todo mundo tá vendo, mas ninguém tem coragem de bradar. A maioria de suas
acusações sempre bate de frente com o rei. Sem dó e nem piedade, o profeta é
aquele que fala em nome de Deus, e decididamente traz juízo sobre o poder
centralizado que oprime e leva a nação ao abismo. O próprio Davi é um dos
maiores exemplos; homem segundo o coração de Deus, autor de poesias belíssimas
e ao mesmo tempo um homem truculento, homicida, péssimo pai e vingativo. Não
escapou do juízo de Deus por seus abusos de autoridade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;As
discursões sobre o poder não tem fim. Thomas Hobbes (†1679), teórico sobre a
lógica do poder de estado, diz em seu famoso &lt;i&gt;Leviatã&lt;/i&gt; que os homens em geral têm
a tendência perpétua de desejo de poder e mais poder, que cessa apenas com a
morte. E a razão disso não é a espera de um prazer mais intenso, mas,
simplesmente o fato de que o poder só pode ser garantido na busca de mais
poder. O principal motivo para o rompimento do psicanalista Adler com Freud foi
por achar era o poder e não o prazer (a libido) a pulsão central da psique. E
como disse George Orwell, “ninguém toma o poder com o objetivo de abandoná-lo.
Poder não é um meio, mas o fim”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;É
notável nas Escrituras o desprezo de Deus pelos poderosos. Diz o salmista que:
“Embora o Senhor seja excelso, atenta para o pobre e humilde, mas ao soberbo, o
rico e o dominador, os rejeita, pois conhece de longe”&lt;/span&gt; &lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;(Salmo 138:6). No Evangelho de Lucas, todos os
ricos são aferidos com julgamentos ironicamente perturbadores. Jesus se mostra
nos Evangelhos como um Deus único, singular, ímpar e totalmente imprevisível,
chegando ao ponto de retirar de si todo o manto que o determinava como um deus —
tradicionalmente concebido pela historia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Jesus
deixa subentendido que o poder é divino somente pela origem; no seu exercício
segue os mecanismos de todo poder profano com seus mecanismos de segurança e de
controle. Dessa forma, o carpinteiro de Nazaré se apresenta como um Deus que
rejeita ser deus, sendo assim o verdadeiro Deus; ele “se esvaziou, assumindo
forma de servo e a si mesmo se humilhando”, admitindo que é justamente a sua humildade a coroa de sua gloria. E por esse motivo, o nome de Jesus está acima
de todo nome (Ef 2:7-11).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Tratando
o nosso mundo de forma irônica&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;line-height: 18.4px;&quot;&gt;—&lt;/span&gt;&amp;nbsp;pois, não há outra forma de abordar um mundo
decaído&amp;nbsp;como o nosso&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;line-height: 18.4px;&quot;&gt;—&lt;/span&gt;, Deus vira todos os valores concebidos por nós de cabeça
para baixo. “O&amp;nbsp;maior é aquele que mais serve”, “aquele que se humilha é que é
verdadeiramente exaltado”, “quando estou fraco é ai que sou forte”, “a
sabedoria dos homens é loucura pra Deus”, e a lista não para aqui, deixando a
entender que o poder, na verdade, está nas mãos daqueles que rejeitam no encosto
da simplicidade, na doçura da naturalidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Dessa
forma, nem sempre é possível notar isto nas manifestações divinas do Antigo
Testamento, pois, Deus geralmente é ofuscado por revelações deficientes e
desajeitadas. Sobremodo, Deus só é verdadeiramente revelado em sua totalidade
na pessoa de Jesus — e somente nele. Nem Abraão, nem Moises, ou Davi, ou Elias,
conceberam a revelação de Deus fielmente. Somente na pessoa de Cristo a
revelação foi filtrada com total pureza. Não é por acaso que Paulo afirma que a
Lei é sombra das coisas que haveriam de vir, ou um escravo, que serviu apenas
para nos guiar a verdadeira realidade. Jesus é nosso modelo de subversão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;©2016 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3JkUGxswe93TG7AIxHT7vPjy670di59fhfcMH64TzbppkoQnUUQKyPMLr-8aRB7Olq-Z1-EREHOWpk_aWSNk8V3W5VC9vcplrnIgyWd6oQetc1DwI_oovUlU78qUixhEMBtRhoGX6yCE/s1600/22.PNG&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;90&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3JkUGxswe93TG7AIxHT7vPjy670di59fhfcMH64TzbppkoQnUUQKyPMLr-8aRB7Olq-Z1-EREHOWpk_aWSNk8V3W5VC9vcplrnIgyWd6oQetc1DwI_oovUlU78qUixhEMBtRhoGX6yCE/s400/22.PNG&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/07/a-precariedade-humana.html&quot;&gt;A precariedade humana&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/03/o-homem-e-deformacao-da-realidade.html&quot;&gt;O homem e a deformação da realidade&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/08/o-mundo-e-suas-fabricas-de-ilusoes.html&quot;&gt;O mundo e suas fábricas de ilusões&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/05/o-poder-de-quem-abriu-mao-do-poder.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh8CbnRFWQxxOYP2TIJW4iqt6Tp5Y8XDmVxh_S4qtmNiSMcOILMbL3Jdsq8DCBduqAVG2v2NmmY6leZSjQ14tm1-PMed_9g0npHlMrEal3UMlezKAJnFLNK1OkXJ3A9Rfc-3OopzPyMntQ/s72-c/andar+a+2%25C2%25B0+milha.JPG" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-345645350039327864</guid><pubDate>Sun, 21 Feb 2016 21:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:34:01.182-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Espiritualidade</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Levando a infância a sério</category><title>Meu mundo ideal</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A noção de se reencarnar me parece demasiadamente infantil —
uma hemodiálise existencial sem qualquer racionalidade metafísica. No entanto,
o pensamento de voltar ao passado sempre me perturbou. Minha imaginação já
fabricou ideias fantásticas sobre esse tema. Admito, voltar ao passado é minha
obsessão. Mas não aquele passado medieval ou renascentista — estes também me
causam certo saudosismo —, mas aquele passado da minha infância, onde as ideias
pareciam ser mais originais; onde os cortes de cabelos eram menos extravagantes
e vagarosamente mais ousados; os shorts da molecada eram todos acima dos
joelhos e deixava uma sensação de mais liberdade; sem contar com aquelas
excêntricas roupas que coloriam a cidade na pequena pracinha aos finais de
semana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Minha infância é meu mundo ideal, e como disse Paulo Brabo:
“O presente, senhoras e senhores, é uma afronta e uma piada. Somos a
continuação medíocre, a parte 2 que o bom senso não deveria ter deixado chegar
aos cinemas. Somos o capítulo mais fraquinho de uma série de ficção científica
que o roteirista não tem mais criatividade ou saco para terminar”. Algo como &lt;i&gt;The Walking Dead &lt;/i&gt;ou &lt;i&gt;Lost.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/05/o-presente-nao-e-o-meu-mundo.html&quot;&gt;O presente não é meu mundo&lt;/a&gt;. Isso porque o presente parece ser
&lt;i&gt;o&lt;/i&gt; &lt;i&gt;lugar
nenhum: o nada&lt;/i&gt; é o fruto dessa pós-modernidade. A modernidade fracassou em
querer resolver os problemas da humanidade; inseriu no mundo deuses como a
Ciência, a Política, a Natureza, a História. Por isso acho equivocada a concepção popular de que o homem moderno se tornou completamente secularizado. Invés disso, acredito que criou apenas novas expressões religiosas. Não é de se espantar que nossa
civilização, na ânsia de superar o discurso religioso — tido como uma ideia
atrasada e obsoleta —, se desague em pleno século 21 prestando culto à
extraterrestres (os deuses astronautas do &lt;i&gt;History
Chanel&lt;/i&gt;) e cristais “mágicos” do movimento &lt;i&gt;New Age.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O que dizer de Einstein, Heisemberg e Planck? Onde estão
homens como Freud, Jung e Husserl, que conseguiam discernir o mundo? O que eles
nos ensinam hoje? Coisa nenhuma, pois os trocamos por &lt;i&gt;fast-foods, &lt;/i&gt;iPhones e redes sociais. Tudo isso, aparentemente,
atende perfeitamente as condições necessárias da imaginação moderna, nublada
por crenças grosseiras que substitui a angústia de um desejo autenticamente
espiritual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Como pensava o filósofo Edmund Burke, o verdadeiro pacto social é estabelecido entre os mortos, os vivos e os que ainda estão por nascer. O que gente moderninha
não entende é que, quando os mortos não valem nada, ninguém vale nada. É o
respeito pelo passado que nos faz caminhar decentemente para o futuro. O século
21 nasce habitado por gente que acredita que o mundo em que elas vivem nasceu
prontinho; caminham sobre a história desconhecendo e desrespeitando o passado, incapazes de perceber que a ordem social se estabelece no tipo de mundo que você recebe dos seus pais e avós e o tipo de mundo que você entrega para seus filhos e netos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Não se enganem, o futuro é uma distopia e se reencarnar seria
o pior de todos os tormentos. É acreditando nisso que faz meu pai viver longe
desse padrão de vida que orienta o consumo de todos hoje em dia. Meu pai ainda
hoje — apesar de morar na capital tocantinense — prefere levar a vida de forma
simples, andando na mesma bicicleta a mais de vinte anos, fazendo as próprias
refeições, usando seu celular exclusivamente para fazer ligações, e raramente
chega a perder um episódio d’&lt;i&gt;A Praça é
Nossa&lt;/i&gt;; os maiores valores que me ensinou foram através do exemplo — porque
é assim que tem que ser — e sem muitas palavras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Assim, meu apelo neste mundo é exclusivamente por
independência, para que, assim como meu pai, todos busquem sua liberdade e não
se deixem escravizar por trivialidades sem sentido e, finalmente, para que as
pessoas façam suas conexões uns com os outros — como se fazia antes da internet,
quando todos entendiam que &lt;i&gt;viver&lt;/i&gt; era
melhor do que postar. Não sou ingênuo o bastante para achar que isso vai
acontecer. Bem, talvez essa seja minha irresistível obsessão de querer voltar
ao passado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;©2016 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia
também:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/05/o-presente-nao-e-o-meu-mundo.html&quot;&gt;O presente não é meu mundo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/10/mustang.html&quot;&gt;Mustang&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/02/meu-mundo-ideal.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-3001785169628179319</guid><pubDate>Tue, 19 Jan 2016 15:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:34:16.798-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Modismo</category><title>Funk, a cultura do horror</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Ao ler alguns textos em defesa do funk
carioca, percebo que as conclusões sempre se desembocam em duas premissas: I)
funk é cultura igual todas as outras; II) criticar o funk como expressão
musical de muito mau gosto e chulo, é nada mais do que racismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Leitores, leitoras e indecisos, não
há problema em identificar o funk como uma manifestação cultural. Segundo o
primatologista holandês Frans de Waal, até os símios são reconhecidos por suas
expressões culturais — que dirá um funkeiro. Ou seja, o problema é
identificá-lo como uma expressão cultural no mesmo plano de todas as outras.
Para os vampiros do politicamente correto, Chico Buarque é um gênio da música,
no entanto, ele não é melhor que Mc Carol (WHAT?), pois “sua genialidade
depende de qual é o grupo social/cultural que o avalia”. Dessa forma, é
impossível dizer quem é melhor culturalmente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Ora, no campo do entretenimento, o
funk se evidencia como qualquer outro produto musical a ser consumido. Nesta
dimensão, Chico Buarque não é diferente nem mesmo do mofado fenômeno Mr. Catra,
pois os dois produzem algo ao gosto do freguês. A dificuldade de compreensão
sobre este assunto reside na atitude de querer elevar o funk, igualando-o à
bossa nova, por exemplo, num sentido de valor. Para os defensores do funk, a
ideia de “qualidade cultural nada mais é que uma utopia vinculada às
subjetividades dos agentes avaliadores”. Essa concepção, levada às últimas
consequências, cai como uma manga podre no chão de um relativismo completamente
irrefletido, chegando as raias da indecência de promover o funk a algo
sumamente “belo” — é por isso que só quem não é do ramo ainda leva as ciências
humanas 100% a sério.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A beleza não pode ser concebida
como algo relativo. Não é como uma laranja que, entrando em contato com o
paladar, se revela azeda para uma pessoa e suavemente doce para outra. A beleza
é uma intensa fricção com a realidade e aloja um valor em si mesmo, um valor
tão importante quanto a verdade ou o amor; transcende nossas aspirações
subjetivas, se evidenciando também numa necessidade universal do ser humano. Ou
seja, o belo é belo independente de nossa compreensão sobre este fenômeno; assim, quando alguém ler Shakespeare e não gosta, o problema nunca está em
Shakespeare, pois ali se expressa uma realidade universal que toca no cerne da
alma humana, gerando uma singular disposição para coisas mais elevadas. Isso só
pode ser percebido através de um exercício contemplativo, porque vai além de
uma orientação de entretenimento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Talvez Shakespeare não tenha sido
um homem melhor — algo que duvido muito — que Mr. Catra, pois ambos estão
debaixo da mesma condição humana. Porém, Shakespeare produziu algo maior que si
mesmo, assim como Tom Jobim; foram além da simples criatividade, conseguindo
mostrar o real sob a luz do ideal. Essa é a característica de um verdadeiro
artista: realizar algo que transcende suas próprias paixões; fazer de seus
tormentos existenciais, limitações e deficiências a mais bela expressão do
Eterno. Certamente, é neste ponto que reside o que poderia ser chamado de
“qualidade cultural”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Na medida em que a democracia gerou
o prenúncio desagradável de que é ameaçador julgar o gosto de outra pessoa,
este assunto começa a ser deveras aborrecedor. No entanto, o relativismo
cultural, de achar que o funk tem em si o mesmo valor artístico de uma música
clássica, ignora qualquer critério das tradições artísticas de nossa cultura. O
funk aliena-se como um fenômeno de sua própria época ao rejeitar o retorno às
raízes mais profundas da tradição ocidental, sendo incapaz de ter qualquer
diálogo com grandes artistas de outras épocas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Na filosofia, autores como
Kierkegaard, Nietzsche e Marx fazem uma contestação à tradição, porém, apesar
dessa ruptura, eles ainda assim se manteram integrados na mesma tradição;
endossaram no horizonte de suas formulações uma aspiração de totalidade. O
diálogo com a tradição é justamente o fundamento de um imperativo moral; é
entender que os antigos tendem a ter mais consciência da fragilidade das normas
do que as sociedades “sofisticadas”, que resolveram acreditar em “novas superstições”
destituídas de valores e ideias. Penso que muita coisa na tradição deve ser
desconstruido mesmo, no entanto, o que não devemos perder de vista é que há na
tradição pontos universais que nos faz identificar algo além desde mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Assim, o funk se apresenta como
cultura somente numa dimensão bem particular: como um instrumento de mobilidade
social, onde cristaliza em si uma desvalorização dos valores, que termina em
levar as massas a consumir cultura na forma de diversão. Não encontramos beleza
nisso — ou seja, aquela pulsão da realidade que converge o horror, o caos e a
dor em uma lúcida expressão espiritual. Como afirma o filósofo inglês Roger
Scruton: “o acontecimento mais banal pode se transformar em algo belo, por um
artista que pode ver o coração das coisas”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A beleza faz das coisas vis uma
entonação da nobreza; enquanto o funk carioca percorre o caminho oposto,
fazendo o que é belo (a mulher, a dança, sensualidade, amizade, o amor, etc.)
se transformar num culto ao horror, com todas as suas consequências morais. O
efeito disso surge nas aspirações dos indivíduos, solapada pela cultura de
massas e padronizada pelos desejos da multidão — desejos enobrecido de validade como expressão dos “anseios de nossa época”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Esses anseios, alinhados à cultura
de massas, manifestam-se pela tríade sexo-dinheiro-fama, que exprime
perfeitamente, quase em sua totalidade, os principais hits do funk. Disso
consiste uma completa inversão de valores: as paixões mais baixas e vulgares
são exaltados como o padrão a ser desejado, condicionando as pessoas a um
energético desequilíbrio interior. Tudo isso acaba por anular todo o senso de
significado espiritual da realidade e, desse modo, o funk cumpre seu papel:
associando a ideia de ser jovem com a de ser um imbecil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Nietzsche dizia que a beleza fala em voz baixa, penetrando somente nas almas mais despertas. Ou seja, o discernimento para a beleza ou o
desejo de intuir o belo em sua essência não é inato no homem. Não é uma
capacidade que nasce pronta, mas sim uma tendência natural que precisa ser
desenvolvida na alma humana, assim como a capacidade de caminhar por si
próprio.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Diferente de uma mera introjeção de papeis sociais, esse talento se
mostra à luz de uma capacidade pré-existente.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;É assim também com as experiências
religiosas. A fé é apreendida sempre através de um processo progressivo, que
precisa ser entendido e desenvolvido para aquilo que é eterno. O contato com a
beleza percorre o mesmo caminho, pois no final das contas nossa experiência
religiosa é também uma experiência estética — não por acaso há momentos
em que somos arrastados desse mundo ordinário de nossas paixões para uma esfera
especialmente contemplativa. Momentos estes que nos faz ver que a vida vale a
pena.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Em relação à segunda objeção, de
que quem critica o funk carioca é racista, por ser uma cultura de gente pobre e
negra, não chega a ser um argumento. No máximo um desabafo retórico. &lt;a href=&quot;http://ferazaoegraca.blogspot.com.br/2015/10/escravidao-racismo-e-outras-coisas.html&quot;&gt;Racismo é uma agressão moral&lt;/a&gt; e só uma pessoa pode ser agredida moralmente. As discussões
sobre o funk gira em torno de um estilo musical; a decadência de um estilo
musical que almeja ser elevado como arte. Um estilo musical da qual boa parte
de seus representantes são… brancos. Dizer que quem censura o funk é racista
soa tão coerente quanto dizer que quem critica a física de Einstein é nazista.
As duas conclusões são pateticamente tolas, condicionados por uma reflexão
ideológica sem nenhum compromisso com a verdade. Ah, a verdade! Quem se importa
com ela dentro desse caldo pós-moderno que virou nossa sociedade? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Em suma, no mundo onde todos os
conceitos se derretem, o funk é a plena expressão da pós-modernidade,
representada em toda sua aleatoriedade e desordem. Nesse mundo as relações são medidas apenas pelo
utilitarismo, tornando a beleza uma mera mercadoria — e de muito mau gosto,
certamente.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O relativismo é erguido
como a bandeira filosófica que satisfaz o gosto de todo mundo. Sacia o desejo
intelectual de toda alma tímida e covarde que se recusa a dar um mergulho
sincero no mar do conhecimento. São incapazes de suportar a angústia de ter que
encontrar uma unidade — a verdadeira substância das coisas — em um mundo onde a
maioria se importa apenas com suas próprias paixões. Diante disso, estou
convencido de que a beleza — distraído leitor — ilustra nada mais do que uma
forma subversiva de ler o mundo, dando sentido a ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;©2016 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2011/10/morte-como-uma-obra-de-arte.html&quot;&gt;A morte como obra de arte&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2013/10/fome-de-beleza.html&quot;&gt;Fome de Beleza&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/01/funk-cultura-do-horror.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-4285482188021548343</guid><pubDate>Fri, 16 Oct 2015 00:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:34:27.427-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Outras coisas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Tabus</category><title>Escravidão, racismo e outras coisas</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A escravidão é inegavelmente uma mancha indelével na história
da humanidade. Uma prática desde os primórdios da raça humana, a escravidão
sempre foi um exercício motivado, em algum ponto, por todos os povos como os
hebreus, egípcios, gregos, romanos, vikins; foi uma prática entre os índios da
América Latina – os incas na América do Sul e os maias e astecas na América
Central. Os negros, na África, também não abriram mão de ter seus escravos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Hoje, escravidão é uma ideia concebida a partir dos últimos
500 anos e de forma muito generalizada, como se somente negros tivessem sido
escravos. Outra ideia equivocada é aquela de que os negros foram totalmente
passíveis na história da escravidão. A concepção de que a África foi invadida
pelos europeus dominando os negros arbitrariamente pelo simples fato deles
serem negros é uma representação superficial que nem sempre corresponde aos fatos — essa versão fruto de uma visão simplista e ideológica da realidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Vejamos, a escravidão foi uma instituição política
justificada sob a orientação de uma ordem social e também econômica — sendo
esta segunda bem mais definida, pois os escravos eram a principal mão de obra utilizada na agricultura. O que pouca gente parece não saber é que antes
mesmo dos europeus alcançar a costa oeste do continente, já era rotineiro os
reis africanos subjugar seu próprio povo. Há,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 16px;&quot;&gt;segundo o historiador Niall Fergunson,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;registros de escravidão na África
ainda no século 2, ou seja, muito antes dos europeus colocarem os pés ali. Como
aponta o historiador Paul Lovejoy, que passou décadas no continente africando pesquisando sobre o assunto, a escravização era uma atividade organizada
entre os africanos, aprovada pela lei e pela tradição&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 16px; line-height: 18.4px;&quot;&gt;— além de ser algo estrutural da vida social, econômica e política&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 16px;&quot;&gt;A África, séculos antes da chegada dos europeus, foi constituída por impérios, como o de Oyo, que viveram justamente do aprisionamento e tráfico de escravos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Por ser uma prática
extremamente lucrativa, os árabes eram seus principais clientes. O Império Egípcio viveu e durou com base na exploração de escravos e os muçulmanos deram continuidade a essa tradição de forma impiedosa.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Foi somente a partir do século 16 que as excursões portuguesas
chegaram à África&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 16px;&quot;&gt;, e já encontraram ali um mercado de escravos em pleno funcionamento; ou seja, todos os escravos que vieram para as Américas já eram escravos lá&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;. As relações foram pacíficas ao ponto de haver registros de
casamentos entre as duas etnias. O comércio era a principal relação girando em
torno de produtos como armas de fogo, peles de animais, tecidos, marfim e
também escravos. Deste então o comércio se expandiu pra Europa em geral, tendo como a passagem dos europeus pela África a abertura de escolas, hospitais, estradas, e outros benefícios, inclusive a abolição da própria escravatura.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Isto é, paradoxalmente, os europeus, que foram os primeiros a
comercializar escravos negros no Ocidente, foram também os primeiros a tomar
consciência dessa prática repugnante. Foi uma corrente do Iluminismo — uma
expressão tipicamente ocidental — que pôs fim à escravidão por meio do
movimento abolicionista inglês organizado por cristãos em 1787.
Portanto, é seguro lembrar que os primeiros a lutarem contra a escravidão,
anotem bem, eram ocidentais, brancos e cristãos. Sem esquecermos, claro, do
fato de que ser branco foi algo absolutamente irrelevante nesse processo,
principalmente para um abolicionista. Em suma, o Ocidente e o homem branco não inventaram a
escravidão&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 16px;&quot;&gt;— ao contrário,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;o Ocidente acabou com ela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O movimento abolicionista teve uma repercussão astronômica, o
que faria o tráfico de escravos ser extinto em 1807 em toda Europa, mas, não no
mundo. Na América, o comércio escravista ia de vento em popa, sendo o Brasil o
último país a aderir a abolição em 1888. Na África, a prática continuou até 1928 na Serra Leoa, e até 1950 no
Sudão. No Marrocos só teve fim em 1980, sendo praticado em várias outras partes
desta região ainda hoje, de forma ilegal. Resumindo: o homem branco não inventou
a escravidão, na verdade pôs fim nela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Além da pouca vibração sobre esses fatos nos livros que
circulam por aí, há também aquela moçadinha que deturpam a história e ainda faz
uma equivocada relação entre escravidão e racismo. A relação existe em parte, mas
não chega a ser uma relação direta. Racismo é uma insanidade moderna e tem seu
desenvolvimento mais expressivo aqui, em terras americanas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O racismo pode ser definido como uma agressão moral, ou seja, a
pretensiosa doutrina que sustenta a superioridade biológica e cultural de
determinado povo ou grupo. Essa pretensão teve sua expressão mais violenta nos
Estados Unidos. O racismo americano é diferente do racismo brasileiro. Lá o
racismo foi estabelecido através do ódio; existe uma apaixonada aversão ao negro que
nubla a consciência de vários americanos — principalmente na região sul do
país. Como deixa claro o professor Lovejoy, a expressão mais extrema de racismo
nos Estados Unidos identifica como &lt;i&gt;african-american&lt;/i&gt;
qualquer pessoa que é percebido de algum modo como descendentes de africanos: &quot;Uma
só gota de sangue afro-americano, e você é negro. Passar a ser branco se torna um
conceito. Isto jamais faria sentido em um país com a história do Brasil”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Os negros, nos Estados Unidos, mesmo depois de livres, foram
um povo totalmente marginalizado, sem acesso às dimensões básicas da sociedade:
eram proibidos a presença de negros em restaurantes, escolas, igrejas, espaços culturais,
clubes, etc. A segregação foi uma realidade formal até a metade do século 20.
No Brasil em particular, e na America Latina em geral, as coisas foram mais distintas. Na obra &lt;i&gt;Escravismo no Brasil&lt;/i&gt;,
Francisco Vidal Luna declara que mesmo diante da escravidão, os negros
brasileiros, ao contrário dos indivíduos livres do sul dos Estados Unidos, “não
eram, definitivamente, um grupo isolado ou marginalizado, sem acesso aos
recursos da economia aberta”. Fergunson também destaca que na America Latina aceitou desde o início a realidade das uniões inter-raciais entre brancos, negros e índios, eram classificados em hierarquia cada vez mais elaboradas. Nos Estados Unidos já houve uma tentativa de proibir tais uniões, ou pelo menos de negar sua legitimidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;No Brasil, os negros tinham mobilidade e passagem para
qualquer camada social; por meio do trabalho, uma parcela dos escravos obtinham sua alforria. Exemplo claro seria Dom Obá II (1845-1890), oficial do
exército imperial e amigo pessoal do Imperador. Outro fato interessante é o
grande registro de mulheres negras que depois de conseguirem carta de alforria,
apesar de carregar o estigma de sua cor, usufruíam contraditoriamente de maior
liberdade que as mulheres brancas. Narloch afirma que: “Enquanto as donas ficavam
em casa debaixo das decisões do marido e cuidando de sua reputação, as negras
circulavam na rua, nas lavras e pelas casas, conversando com quem quisessem e
tocando a vida independentemente de maridos”. Os registros de mulheres livres
revela outro fato: boa parte delas eram donas de escravos também — e isso não
era exceção. Como sugere Gilberto Freire, a alegria do africano marcado pelos rituais e danças, contrabalançou o caráter melancólico do português. Ou seja, a alegria e a bondade do africano são em grande partes responsáveis pela doçura que marca as relações senhor/escravo no Brasil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Há também vários registros de escravos que se tornaram
traficantes e donos de navios negreiros. Alguns bem-sucedidos foram José
Francisco dos Santos (Zé Alfaiate), João de Oliveira e Joaquim d’Almeida; todos
se tornaram ex-escravos e construíram fortuna em cima de tráfico de gente. Se
os negros não viam uma objeção moral à escravidão não era por causa de um fator
inconsciênte da subjugação européia, e sim por que em parte os próprios negros
se beneficiavam com essa prática. Esta era a consciência da época validado pela
lei e pela tradição e não podemos fechar os olhos pra este lado da moeda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Só podemos entender o racismo no Brasil à luz desta
perspectiva. Aqui os negros não foram vítimas de ódio e da repulsa generalizada
como foram nos Estados Unidos — lá, a xenofobia pulsou em várias direções: aos
negros, índios, irlandeses, chineses, latinos, etc. O racismo no Brasil não se
legitima através do ódio de uma luta de classe (branco vs. negros). Reduzir
esse fenômeno complexo a uma análise ideológica como esta é definitivamente não
entender o assunto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;No Brasil, o racismo é latente pela condição do medo e do
desprezo, não do ódio. O negro é estereotipado como “bandido”, marginalizado
nas favelas; pintado na mídia como o porteiro do condomínio, como a garçonete
do boteco ou como a empregada de alguma madame. Muita gente comprou essa ideia
e passou a ver o negro como o pobre que de alguma forma quer obter vantagem
pela desonestidade. Alguns olham com o amparo de uma lente vitimista, outros
enxergam sob a ótica da impiedade. Os primeiros acham que o problema pode ser
remediado com cotas, dando mais oportunidades, implantando ações afirmativas
para amenizar a desigualdade. O segundo grupo acham que não existe problema
algum — é “faca na caveira”. Os dois grupos são hostis e muitos levam em si um
discurso bélico promovendo mais divisão ainda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Devo concluir dizendo que minha análise não foi gerada
através de uma confrontação ideológica, mas puramente de uma curiosidade. Ou
seja, não é uma construção de crenças e sim uma investigação de um suposto
conflito histórico. Diante de um mundo cada vez mais dividido, sigo caminhando
olhando para o ser humano como ser humano e nada mais. Essa divisão entre raças
só dá mais munição pro racismo vencer a guerra — no final todos nós seremos perdedores. Há de se entender que um homem não é seu tom de pele, mas a sua
consciência — que é colorida apenas por suas perturbações. Assim, distraído leitor, racista
é quem faz distinção entre bancos e negros; há raça humana, e racista é quem
vai além disso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;©2015 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi71Nfs4dPaQwig6_t0dyRO0RINHpPGxGx-S-qGbbUDSRslp7xcu7gN8N7u21WLEI8IH5vWtQv_jYafAj0TOWw3h6PwK-MGRLsfLLSFFv5f5i5fhhDtRnoLhvr6tne8ucOQkaxSOxN26EQ/s1600/04.PNG&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;90&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi71Nfs4dPaQwig6_t0dyRO0RINHpPGxGx-S-qGbbUDSRslp7xcu7gN8N7u21WLEI8IH5vWtQv_jYafAj0TOWw3h6PwK-MGRLsfLLSFFv5f5i5fhhDtRnoLhvr6tne8ucOQkaxSOxN26EQ/s400/04.PNG&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/10/escravidao-racismo-e-outras-coisas.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi71Nfs4dPaQwig6_t0dyRO0RINHpPGxGx-S-qGbbUDSRslp7xcu7gN8N7u21WLEI8IH5vWtQv_jYafAj0TOWw3h6PwK-MGRLsfLLSFFv5f5i5fhhDtRnoLhvr6tne8ucOQkaxSOxN26EQ/s72-c/04.PNG" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-5807254993750488427</guid><pubDate>Tue, 28 Jul 2015 23:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:34:46.009-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><title>O domínio da ideologia</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Desde Platão se discute a desequilibrada relação entre o
político e o filósofo. Em Platão, o verdadeiro filósofo é também o verdadeiro
político, enquanto o sofista, o cara aplacado pela ideologia, é a falsificação
de ambos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;É evidente que existem numerosas  expressões ideológicas. Nas palavras de Marx, ideologia foi
acentuada como uma falsa consciência; uma ferramenta que deforma a realidade,
colaborando para certa manutenção de relações de dominação. O erro de Marx foi
achar que ideologia se manifesta apenas no atrito entre classes sociais. Ora, o
próprio marxismo se tornou uma ideologia, fechada em si mesma, e apontando como
inimigo qualquer um fora de seus arraiais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A submissão a uma ideologia se mostra como um grande capricho
da alma humana, que sempre tende a se inclinar confortavelmente atrás de um
ideal que ofusca todo o brilho da realidade; ou seja, o ideólogo é aquele que ajusta a realidade àquilo que ele acredita. Veja o exemplo de Jonas, que foi enviado para pregar o arrependimento a
uma nação pagã. O profeta se revela um nacionalista com uma alma
extremamente perturbada, enxergando Nínive, a nação pagã, como inimigos a serem
destruídos, e não a serem salvos. Esse é o resultado quando a ideologia
política se fanatiza na alma de alguém, tornando um dos fatores básicos que gera
indisposição para amar e acolher o próximo. O que foi o grande drama de Jonas
ornamenta simbolicamente nosso entendimento para perceber os paradigmas dos
dias atuais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ideólogos sempre lutam — e matam — em nome do “bem maior”.
Esse espetáculo da ideologia não encerra uma tragédia, mas guarda dentro da
história a manifestação radical do mal no mundo. Isto nada mais é que a
consequência de reduzir a realidade aos critérios da própria imaginação humana,
de que é possível assumir o papel de Deus e criar o paraíso na terra; mesmo que
para conseguir, ter de fazer dela um inferno. Qualquer ideologia, seja de
direita ou esquerda, acreditam possuir a chave da compreensão do mistério da
história e da sua redenção. Desmistificam o sagrado para sacralizar a ação
política. Assim, lutar por um ideal, será sempre sinônimo de aderir ao espírito
de rebanho, se engajando em um partido ou algum programa; uma fuga atrás da
massa onde a consciência é diluída, culminando numa recusa da responsabilidade
individual — um abraço para os militantes políticos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A filosofia, já na sua inauguração, foi a tentativa de
resistir a esse tipo de fantasia política que alarga as piores dimensões da
estupidez humana. Por outro lado, o Evangelho é a própria superação de toda
postura ideológica. Para os inteligentinhos que recorrem à etimologia da
palavra ideologia, tudo pode ser uma forma de expressão ideológica — como quem
diz: “todo mundo possui uma ideologia”. Não é bem assim. Como cristãos, somos
convidados por Jesus a fazer essa crítica a toda postura ideológica, que
infelizmente também é abraçada por aqueles que se dizem seguidores de Jesus.
Por consequência, o cristianismo se assume como ideologia quando abraça
práticas farisaicas para determinar os certos e os errados ou salvos e
condenados; quando apresenta típicos comportamentos convencionais, suntuosos,
vaidosos; quando se apropria de um sistema político dito cristão; quando exige
uma organização da sociedade ou um sistema moralista empenhado em converter
islamicamente a todos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Como sugere Jacques Ellul, é necessário criticar nossas
próprias ideias, convicções, igrejas e movimentos, tudo à sombra de uma leitura
bíblica que não seja usada para justificar nosso comportamento, fugindo do
domínio ideológico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Portanto, estou convencido que o Evangelho não deve ser
definido como um campo coerente de crenças e doutrinas fechadas a serem
rigorosamente adotadas. No momento em que a religião, de forma estelionatária,
se apropria do Evangelho e apresenta um cardápio de sentenças a ser fielmente
seguido, então, o Evangelho se torna uma ideologia que se espalha pelo
discurso. Longe disso, o Evangelho deve ser entendido como uma pessoa que se
manifesta nas relações de amor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Jesus, que andava exalando escândalos entre os religiosos,
não foi batizado sob uma linguagem ideológica. Seria pertinente terminar,
distraído leitor, dizendo que o Rabi de Nazaré foi indiferente a qualquer
ideologia. Foi intransigente com a ordem estabelecida, expondo uma postura
basicamente negativa em relação à conformidade de crenças dogmaticamente
organizadas. Não perdia tempo correspondendo aos caprichos institucionais.
Tinha como templo o universo ao seu redor, onde plantava liberdade nos corações
de todos que se detinham no seu caminho. Jesus não criou uma nova religião para
concorrer com aquelas que já existiam; não criou o cristianismo e nem mesmo a
igreja da maneira como a concebemos hoje — centralizada, soberba, onde não se
põe a serviço, querendo apenas liderar e ser servida. O Rabi caminhou na simplicidade. E talvez
simplicidade seja a maior marca da autenticidade de Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;©2015 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgko8jjLmhJGBy2u-UM73ozO5-KMkYAMRLOKd3QmJdy22beRqf6KUEkh5aWJFnFt-4F4Zsff7CU8U30puhTrUuy4CCxt_r6Jg3KmTpiN439NFAY_rN4t2VvGf3SGr37iZ6wE8igjO_dPN8/s1600/02.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;52&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgko8jjLmhJGBy2u-UM73ozO5-KMkYAMRLOKd3QmJdy22beRqf6KUEkh5aWJFnFt-4F4Zsff7CU8U30puhTrUuy4CCxt_r6Jg3KmTpiN439NFAY_rN4t2VvGf3SGr37iZ6wE8igjO_dPN8/s320/02.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/04/a-autoajuda-e-sua-nao-possibilidade.html&quot;&gt;A autoajuda e sua não-possibilidae&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/05/o-desespero-de-ser-livre.html&quot;&gt;O desespero de ser livre&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2012/05/uma-escrava-liberdade.html&quot;&gt;Uma escrava liberdade&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/08/o-mundo-e-suas-fabricas-de-ilusoes.html&quot;&gt;O mundo e suas fábricas de ilusões&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/07/o-dominio-da-ideologia.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgko8jjLmhJGBy2u-UM73ozO5-KMkYAMRLOKd3QmJdy22beRqf6KUEkh5aWJFnFt-4F4Zsff7CU8U30puhTrUuy4CCxt_r6Jg3KmTpiN439NFAY_rN4t2VvGf3SGr37iZ6wE8igjO_dPN8/s72-c/02.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-1167387283118758979</guid><pubDate>Wed, 27 May 2015 14:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:34:57.366-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Levando a infância a sério</category><title>O presente não é o meu mundo</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiX70aFMtnUX2LLbpjJq-npuG_jzS_qZ-uyU8Q8ciJmazZWbZmmj7AGYZ2UAi4Cz6heM9vq_QNYxvcY_sv5icAxNgDEVpm_73rbTqovdpWsHlGeGRcMXAiyiuelfvbVSShygdiuAD8XEIs/s1600/me.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;480&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiX70aFMtnUX2LLbpjJq-npuG_jzS_qZ-uyU8Q8ciJmazZWbZmmj7AGYZ2UAi4Cz6heM9vq_QNYxvcY_sv5icAxNgDEVpm_73rbTqovdpWsHlGeGRcMXAiyiuelfvbVSShygdiuAD8XEIs/s640/me.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: start;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: start;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 17.12px;&quot;&gt;Eu tinha cinco anos e era exatamente 1991. O lugar é o embaraçoso Estado paraense; para ser mais exato, município de Redenção. Minha memória foi pintada por recordações tão nostálgicas desta época que nem mesmo os comerciais da Coca-Cola poderia superar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: start;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 17.12px;&quot;&gt;O mundo, com todas as suas perturbações não me atingia; aliás, tudo era muito limitado diante das minhas pequenas percepções: dar uma volta no quarteirão era uma aventura incrível, ainda mais se fosse pedalando na minha “bicicleta do Rambo”, logo ali atrás de minha irmã, na imagem acima. Cara, como eu amava aquela bicicleta — afinal de contas, era a bicicleta do Rambo (por falar nisso, batizei ela com esse nome simplesmente por que ela tinha as cores do exército).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: start;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 17.12px;&quot;&gt;Ser criança foi maravilhoso diante de uma cidade cuja a maior parte era uma vegetação que poderia deixar qualquer um estupidamente admirado. Como é de costume nos interiores do Pará, cada morador tinha um canteiro de hortaliças. O quintal da minha casa se perdia no meio de pés de mandioca, feijão, jaca, manga; tudo isso rodeado de uma vegetação cheia de árvores, sítios, pastos e córregos dos quais percebi gradualmente, dia após dia, se transformarem em ritmo pornográfico em mansões, asfaltos, padarias, supermercados, motéis, ginásio, etc.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: start;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 17.12px;&quot;&gt;Naturalmente, tudo ficou mais feio, claro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: start;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 17.12px;&quot;&gt;Hoje, mais nada está de pé. Tudo se foi, minha casa de madeira, o quintal, a “bicicleta do Rambo”, o quarteirão, os vizinhos, os anos 90.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: start;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 17.12px;&quot;&gt;Nada me faz esquecer daquilo tudo, da comida, do café, do meu pai chegando do trabalho, da minha mãe limpando a casa ouvindo “Jude”, dos Beatles, dos ralados nos joelhos, das chuvas que faziam brotar peixes do chão, dos entardeceres; eu tinha a vida de um hobbit e o mundo parecia gritar para mim: “pegue o que você precisar”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: start;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 17.12px;&quot;&gt;Atualmente, esse mundo não existe fora da minha cabeça. Esse é o mundo offline, longe das garras das redes sociais e da tirania da internet, onde muitos não conseguem mais não conceber — e talvez não seja possível mesmo. O presente não é o meu mundo e, não culpo você, caro leitor, caso observe alguma contradição no que eu digo; mas, combinaremos, sendo o Lindiberg que sou, você já deve ter se acostumado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;©2015
Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também:&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/02/meu-mundo-ideal.html&quot;&gt;Meu mundo ideal&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://ferazaoegraca.blogspot.com.br/2014/10/mustang.html&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #2970a6; text-decoration: none;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/05/o-presente-nao-e-o-meu-mundo.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiX70aFMtnUX2LLbpjJq-npuG_jzS_qZ-uyU8Q8ciJmazZWbZmmj7AGYZ2UAi4Cz6heM9vq_QNYxvcY_sv5icAxNgDEVpm_73rbTqovdpWsHlGeGRcMXAiyiuelfvbVSShygdiuAD8XEIs/s72-c/me.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-8025880954070703235</guid><pubDate>Wed, 08 Apr 2015 21:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:35:11.745-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Espiritualidade</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Teologia</category><title>A simplicidade da santificação</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O maior desserviço do movimento evangélico está no fato de
ter incutido no inconsciente coletivo de que só é possível falar de Deus se, de
alguma forma, formos escravos de púlpitos. Ou seja, se você não é membro de
alguma igrejinha, não usa gravata na hora de pregar, não segue determinados
usos e costumes, provavelmente pouca gente te dará ouvidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Já está implacavelmente inserido no imaginário das pessoas o
estereótipo de quem tem “autoridade” para falar de Jesus. Geralmente são
aquelas pessoas que exalam certo tipo de “santidade”; nesse caso, santidade,
seria um abraço a certas regras como: não ouvir “música do mundo”, não beber
álcool, não jogar bola, dizer (apenas dizer) que não assiste novelas,
frequentar campanhas, internalizar um novo vocabulário — palavras como:
&quot;vaso&quot;, &quot;canela de fogo&quot;, &quot;levita&quot;, &quot;na
carne&quot;, &quot;retété&quot;, &quot;tá amarrado&quot;, &quot;vigiar&quot;,
etc., a lista é grande e, qualquer pessoa que não esteja disposta a introjetar
estes elementos do mundo gospel, será uma voz solitária.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ora, para o Mestre de Nazaré, santidade é o próprio
crescimento do ser na graça; isto é, um crescimento da consciência humana na
própria pessoa de Jesus. Isto se resume numa caminhada de amor e misericórdia,
e não numa lista de coisas a se fazer, pois, santificação não é uma burocracia
divina. Santidade, para Jesus, é simplicidade, gratidão e contentamento; é amar
quem ninguém ama, mesmo que isso signifique transgredir a lei. Santidade é
maturidade para não se escandalizar com mais nada nesta vida, sabendo viver
tudo que é lícito e discernindo o que convém e o que edifica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A visão dessa moçadinha evangélica sobre santidade é pagã,
farisaica e cheia de justiça própria, anulando totalmente a graça. Assim como
os fariseus, tratam a lei com extremo zelo, ao ponto de sacrificar pessoas
pelas regras. Quando falam em santificação, falam de suas próprias angústias,
pois não enxergam o que foi realizado na Cruz. Nesse meio há uma pobreza da
linguagem falada e vivida; “pastores” que são masturbadores de metáforas e não
pregadores autênticos; não sabem o sentido do que ensinam. O movimento
evangélico pode tranquilamente ser resumido como um povo que vivem a acender a
fogueira das vaidades, com cultos sem a elegância da simplicidade, e totalmente
desconexos com o movimento da Igreja Primitiva. E é justamente essa falta de
conexão com o verdadeiro Evangelho que guia o movimento evangélico a essas
novidades, fazendo a neurose ser identificada como devoção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;No momento em que estivermos seguro de já estarmos cumprindo
os dois mandamentos supremos do Evangelho (amar a Deus acima de tudo e o
próximo como a si mesmo), não haverá mais desejo de nenhuma regrinha imposta
por instituições religiosas. Essas normas a cada dia se revelam mais inúteis do
que nunca. É por pensar assim que há evangélicos que adorariam me ver no
inferno, porque não sou “gospel” o suficiente segundo seus rigorosos critérios
(graças a Deus não são por eles que sou julgado). Paulo, que era um apóstolo de
verdade, nos adverte que “tais regras, têm aparência de sabedoria, como culto
de si mesmo, e de falsa humildade, todavia, não tem valor algum contra a
sensualidade” (Cl 2.8-23). Pensem comigo. Aliás, nem se deem ao trabalho de
pensar. Apenas concordem. É preciso maturidade diante de questionamentos como:
é lícito fumar? É lícito ouvir Cazuza? É lícito dizer palavrões? É lícito beber
cerveja? É lícito achar Jean Wyllys um imbecil? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O apóstolo Paulo é excepcional ao dizer que é “bem aventurado
o homem que não se condena naquilo que aprova” (Rm 14.22). Ora, admiramos e
citamos com frequência homens como Lutero, que sabia apreciar uma boa cerveja;
Calvino, que às vezes recebia seu salário em toneis de vinho; Charles Spurgeon
(considerado o príncipe dos pregadores), que fumava charuto pra relaxar; C. S.
Lewis, que fumava cachimbo e bebia whisky; Dostoievski, que gostava de vodca e,
que tal Jesus, que comia com estelionatários, bebia com publicanos e era amigão
de prostitutas (Lc 7.34). Esses homens entenderam perfeitamente as palavras do
rabi de Nazaré quando disse que o que “contamina o homem não é que entra pela
boca”… não é modelo da roupa, não é o teor alcoólico do vinho, não são os acordes
de “Faroeste caboclo”, não é a marca da maionese e, sim, o “tamanho da língua”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Finalmente, quem entendeu o Evangelho, entendeu que “tudo é
puro para os que são puros” (Tt 1.15); entendeu que santificação não é uma
conquista do indivíduo, não é mérito, não é medo; é graça, percebida pelo fruto
da vida, em amor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;©2015 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia
também:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://ferazaoegraca.blogspot.com.br/2012/12/a-adultera-de-deus.html&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #2970a6; text-decoration: none;&quot;&gt;A adúltera de
Deus&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;color: #2970a6; text-decoration: none;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://ferazaoegraca.blogspot.com.br/2012/04/religiao-culpa-e-outras-coisas.html&quot;&gt;Religião, culpa
e outras coisas&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/04/a-simplicidade-da-santificacao.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-2707534677785209662</guid><pubDate>Tue, 03 Mar 2015 03:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2016-08-07T20:20:10.407-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Descendo pra cima</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Jacques Ellul</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Politica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Teologia</category><title>O homem e a deformação da realidade</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Vivo neste mundo como um estrangeiro em minha própria época;
e é por este motivo que sou sucumbido por ele. Um indivíduo que pretende ser
fiel à sua própria consciência em um mundo onde &lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/08/um-baile-de-sombras.html&quot;&gt;todos usam máscaras&lt;/a&gt;, com
certeza será um incômodo para essa sociedade do espetáculo. Paulo Brabo diz que
“Deus oferece aos santos dois destinos, não ser nada ou não ser compreendido”.
No meu caso, fui acachapado com os dois.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Levando isso em conta, vez e outra alguém retruca:
“Lindiberg, você diz essas coisas, mas, afinal, em que você acredita?” Uma
pergunta válida e honesta que jamais poderia ser respondida em poucas linhas.
Entretanto, minha vaidade não me permite ficar calado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Sou cristão, e a pessoa de Jesus lança luz sobre tudo àquilo
em que creio. Acredito na liberdade humana, em sua autonomia moral e
intelectual, todavia, só em Jesus podemos ser de fato livres (Gl 5.1). Porém,
em nossa liberdade escolhemos ser mais escravos do que de fato senhores de nós
mesmos. A liberdade humana é o elemento central para entendermos a realidade
circundante; somos livres dentro de nossos próprios limites. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Acredito na inerente corrupção humana herdada do “pecado
original”. Somos seres inclinados ao caos, e somente através da supremacia da
vontade humana sobre a condição humana podemos vislumbrar uma autêntica atitude
revolucionária. Ou seja, foge de nossas possibilidades a capacidade de nos
salvarmos. O problema consiste no fato de pouca gente ter entendido isso
durante toda a História. O homem, sempre em algum momento dá um jeito de erguer
seus “bezerros de ouro”: o dinheiro, o Estado, a tecnologia, a propaganda, o
Mercado, tudo isso são produtos da ação humana, que se tornaram potências com suas
devidas autonomias. Cada uma delas é independente, possuindo suas próprias
leis; governam por si mesmas e sempre, sempre exigirão a total devoção do homem.
Durante todas as épocas, sempre houve homens que depositaram sua confiança,
segurança e sua esperança no Estado, no dinheiro, no Mercado, etc.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O homem deformou a realidade face a revelação de Deus,
criando seus próprios deuses, sendo incapaz de construir com a ajuda exclusiva
da moral, uma relação justa com o dinheiro ou qualquer uma das potências
citadas. Potências que aniquilam a consciência, controlando ao mesmo tempo a
organização objetiva da sociedade e o drama humano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Todavia, nem a teologia, nem a Bíblia nos dão indicações que
permitem decidir sobre a excelência de um sistema econômico ou de governo; não
há uma doutrina política cristã. Ora, parece decepcionante não se possuir um
sistema que corresponde à fé cristã; no entanto, Jacques Ellul salienta que
“nenhum sistema pode nem corresponder a esta realidade nem organizá-la”. Isso
porque o cristianismo em si é mais realista e cheio de substância que qualquer
um dos três ou quatro sistemas que estão aí disponíveis, querendo estabelecer a
organização da sociedade. A Revelação nos mostra qual é a realidade exata do
homem e do mundo. E quando nos deparamos com essa Revelação, não encontramos
uma filosofia, ou uma política e nem mesmo uma religião. Ellul conclui dizendo:
“Nós encontramos um engajamento de um diálogo. Uma palavra pessoal que me é
endereçada e que me interroga sobre o que eu faço, sobre o que eu espero e
definitivamente sobre o que eu sou”. Somente neste entrelace que há a
possibilidade de uma genuína liberdade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ora, se por um lado a Bíblia não nos fornece um sistema
político ou econômico, por outro, a Revelação nos orienta a conviver com essas
potências da maneira mais sóbria possível, sem se deixar escravizar por elas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O homem escreveu sua própria história, criando seus próprios
grilhões, sendo incapaz de se libertar. Shakespeare já nos avisou que a
História é verdadeiramente uma narrativa contada por um idiota, é ruído e
furor. A História está comprometida, o mundo está comprometido. É por isso que
Deus penetra em nossa realidade, como o Filho do Homem, produzindo libertação e
esperança na alma daqueles que nele confia; mostrando que a História não é um
desenrolar mecânico de uma ordem preestabelecida. Não é pelas suas obras que o
homem chega à liberdade; ele precisa ser liberto, precisa ser salvo. O
verdadeiro sentido da história é a conclusão na liberdade. Somente Deus porá
fim (e o homem terá sua participação) em toda desordem arquitetado pela
obsessão humana; porá fim em toda potência que exige do homem adoração, e por
fim, em todo engano lançado pelo Inimigo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Claro, esta conclusão não nos deixa passíveis e confortáveis
diante da realidade. Pelo contrário, nos comprometem e nos fazem entrar numa
caminhada pessoal de resignação diante das configurações que sustenta o mundo
(Rm 12.1). Dessa forma, não há nada mais imbecil do que a tentativa das
instituições de santificar a sociedade, o Estado ou o dinheiro. Essa prática
sempre se afunilou em desastre, pois o inimigo sempre será irredutível e
impessoal; ou seja, o mundo continua mundo, o dinheiro continua dinheiro...
A primazia do Evangelho, portanto, é exatamente mostrar essa realidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;©2015 Lindiberg de
Oliveira&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgq6V_dsHVWyZEXsNuLVxtr4LGqEWJe5GFFqZqJHnLlKOcmDeEK4-nduDr2AcroO0IwxpnT2lU-nAusevMO4BjEKtbW2fviasO2VY2KbQVANzq3PsmmLnTILyzy93nWCX1TDfcLpSUyFe4/s1600/06.PNG&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;72&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgq6V_dsHVWyZEXsNuLVxtr4LGqEWJe5GFFqZqJHnLlKOcmDeEK4-nduDr2AcroO0IwxpnT2lU-nAusevMO4BjEKtbW2fviasO2VY2KbQVANzq3PsmmLnTILyzy93nWCX1TDfcLpSUyFe4/s1600/06.PNG&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/05/conhece-ti-mesmo.html&quot;&gt;Conhece a ti mesmo&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/07/a-precariedade-humana.html&quot;&gt;A precariedade humana&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/03/o-homem-e-deformacao-da-realidade.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgq6V_dsHVWyZEXsNuLVxtr4LGqEWJe5GFFqZqJHnLlKOcmDeEK4-nduDr2AcroO0IwxpnT2lU-nAusevMO4BjEKtbW2fviasO2VY2KbQVANzq3PsmmLnTILyzy93nWCX1TDfcLpSUyFe4/s72-c/06.PNG" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-6560051348930116250</guid><pubDate>Fri, 13 Feb 2015 23:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:35:20.825-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Descendo pra cima</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Kierkegaard</category><title>A morte de um rebelde</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;No leito de sua morte, Kierkegaard
foi convidado a receber a Sagrada Comunhão; um costume dentro do luteranismo.
Ao que ele responde: “Sim, mas não a partir de um pároco, a partir de um
leigo”. Kierkegaard foi comunicado que seria difícil seu pedido ser atendido.
&quot;Então vou morrer sem ele”, retrucou. Com insistência, lhe disseram que
aquilo não era certo. Ao que respondeu Kierkegaard: &quot;Quanto a este ponto,
não pode haver nenhum argumento, eu fiz a minha escolha. Pastores são
funcionários do rei, os oficiais do rei não tem nada a ver com a cristandade”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Kierkegaard foi um rebelde; um incrível
abusado que torcia o narigão para as instituições eclesiásticas que, assim como
hoje, se embeveceram com o vinho produzido pelo Estado, pelo lucro e por uma
tradição duvidosa. Viu no cristianismo de sua época uma estranha e sufocante
atmosfera que reduzia a fé em meras crenças asmáticas de fôlego reduzido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;O extremo desconforto de
Kierkegaard aumentou sua popularidade, especialmente entre os acadêmicos, que
não ignoraram seu desejo de não ter seu funeral em uma basílica. Houve
protesto, o funeral foi interrompido e suas convicções religiosas radicais
foram proferidas durante o enterro, deixando o deão presente enfurecido. Depois
disso, o rebelde foi descido ao seio gelado da terra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;©2015 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/02/a-morte-de-um-rebelde.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-3192924860760119853</guid><pubDate>Sat, 24 Jan 2015 00:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:35:30.380-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Eric Voegelin</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Politica</category><title>Se ninguém tá vendo, tudo é permitido</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Uma pesquisa feita entre os ganhadores dos jogos olímpicos
revela que 92% dos entrevistados assumiram que se tivessem a oportunidade de
usar uma droga que passasse despercebida no antidoping, ainda que tivesse como
consequência a diminuição de 15 anos de suas vidas, eles usariam
tranquilamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Bem, esse tipo de informação de forma alguma nos espanta, e é justamente a incapacidade de sobressalto que manifesta um esvaziamento total do que se entende por virtude. A atitude desses
atletas reflete algo intrigante: não existem mais heróis. O conceito de justiça
platônica, como a busca pela ordem da alma, foi suplantado pela retórica
sofistica de que além de ser vantajoso ser desonesto, nisto também consiste o
bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ninguém precisa ser bom de verdade. Já não há mais resistência
em nossa alma à sociedade corrupta que nos cerca. Virtude se tornou apenas mais
um produto, um slogan, uma palavra que você coloca junto de alguma outra coisa
pra ficar mais digestivo, mas, no final das contas, isso não tem sentido algum.
Já não é mais possível internalizar o sentido de virtude aristotélica, como
sabedoria prática (virtude intelectual) ou a liberalidade e temperança
(virtudes morais). Vivemos numa época diferente, onde o vício se tornou coisa
chique; onde liberdade de consciência e liberdade de ação virou uma deus-nos-acuda
e, ao mesmo tempo, uma arma nas mãos dos abomináveis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A política, onde as consequências são mais desastrosas, transformou-se
em um ambiente onde a honestidade é algo irrealizável – o discurso de mudança
não passa disso: discurso. O jogo político
sempre foi apreciado como um bolo delicioso, mas, no entanto, incomestível para
aqueles que querem preservar sua alma. É impossível uma política transparente, é
insuportável. Se o véu for rasgado todos vomitam, pois irão perceber que
Mensalão é coisa de amadores. Dizer que existe uma consciência política soa tão
racional quanto eu dizer que a cor amarela pesa cinco quilos. A única
racionalidade possível na política é a de Maquiavel, que continua sendo o
filósofo da política mais sério até hoje: a razão da política é a conquista e
manutenção do poder a qualquer custo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Mas não é só na política ou no esporte que virtude se tornou
mera maquiagem; o engano, a fraude e as tramoias cruzam todos os recintos da
vida e, o pior de tudo, é que não é mais possível se escandalizar com isso.
Vivemos o drama da falta de caráter em nossa sociedade, onde todos são máscaras
ou meras representações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Institucionalizamos a hipocrisia, e o aplicativo &lt;i&gt;Secret&lt;/i&gt; (um tipo de rede social onde
todos são anônimos, e por esse caráter, segredos e mentiras são espalhados pela
rede) é a maior prova disso, esfregando em nossa cara que a&lt;i&gt; &lt;/i&gt;amizade (&lt;i&gt;philia&lt;/i&gt;) é quase
uma total impossibilidade em nossos dias. A &lt;i&gt;philia
&lt;/i&gt;pressupõe lealdade, e sem lealdade não existem alianças, não existem laços
afetivos com outras pessoas a fim de dar unidade e sentido à própria miséria da
existência, que é profundamente solitária. Para Voegelin, &lt;i&gt;philia &lt;/i&gt;é a substância fundamental de todas as relações humanas, o
vínculo de sentimento, que varia em aspecto, intensidade, e que cria a
comunidade no caso concreto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Por fim, apelar para Deus já não está mais dando certo, pois Deus
a cada dia se torna uma mera expressão abstrata, um adesivo no para-brisa de um
carro. O Eterno já não é mais uma referência nem mesmo para os crentes, que
muitas vezes, aplacados pelas barganhas da religião, abrem um novo mercado para
suas mentiras. “Expressões abstratas” (Deus) não podem penitenciar ninguém, e
se ninguém tá vendo, tudo é permitido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;©2015 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/05/conhece-ti-mesmo.html&quot;&gt;Conhece a ti mesmo&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/03/o-homem-e-deformacao-da-realidade.html&quot;&gt;O homem e a deformação da realidade&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/07/a-precariedade-humana.html&quot;&gt;A precariedade humana&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/01/se-ninguem-ta-vendo-tudo-e-permitido.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-6683191182848272338</guid><pubDate>Fri, 12 Dec 2014 11:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:35:42.167-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Tabus</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Teologia</category><title>Os limites institucionais</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;É muito significativo a fragmentação institucional do
cristianismo neste último século. Claro, uma análise bem sucedida sobre este
fenômeno comporia um livro, certamente; no entanto, vou me deter somente em
poucas e rasas linhas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Estou convencido de que essa fragmentação dentro do
cristianismo tem seu princípio nas próprias configurações da instituição; ora,
as instituições religiosas carrega em si mesmas o germe de sua própria ruína.
Mas talvez eu esteja me adiantando, caro leitor; vamos primeiro compreender o
cenário religioso que influenciou todo o ocidente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Grosso modo, o cristianismo pode ser dividido em duas
facções: catolicismo e protestantismo. O catolicismo pode ser visto como uma
instituição muito bem definida; não cedendo às variações, às crenças e costumes
das épocas, sempre se comportou como uma instituição inflexível no decorrer da
história. Apesar dos partidos que ora e outra se divergem dentro da própria igreja,
como os franciscanos, jesuítas, movimento carismático, etc., é comum todos
darem as mãos formando uma unidade dentro da própria instituição. Bem, não é
assim no protestantismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O protestantismo tem como parteira o desconforto e a reação de
Lutero e Calvino diante de alguns abusos do catolicismo. No entanto, o
protestantismo não se saiu melhor; foi construído sob dissenções e brigas, que consequentemente
gerou várias outras no decorrer de seu desenvolvimento. Cada um dos grupos
gerado por essas dissenções se apropriava da Revelação dizendo-se dona do
monopólio divino. As igrejas oriundas da Reforma como Anabatista, Luterana,
Anglicana, Presbiteriana, foram gerando outras com discursos tão
fundamentalistas quanto estas; “nós somos a igreja verdadeira e o resto é &lt;i&gt;fake&lt;/i&gt;”. Vale dizer também que nesse contexto, as disputas entre católicos e
protestantes se transformou em um campo de batalha sangrento, onde os
princípios mais básicos do Evangelho foram ignorados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ainda hoje, dentro do protestantismo, há várias instituições
que carregam em seus dogmas a convicção de ser ela o “último Bastião de Deus”.
Igrejas como Adventista, Testemunhas de Jeová, Congregação Cristã, Mormons,
etc., rejeitam qualquer tipo de diálogo que coloquem em xeque suas autoridades
institucionais como “igrejas verdadeiras”. Ou seja, não há unidade no
protestantismo; o que há é uma delicada obsessão pela placa, pela bandeira,
pelo grupinho; o que há é uma grande concorrência no mercado religioso pra ver
qual é a instituição que oferece a “verdade” mais digestível. Nem mesmo na
presente época, onde ser de Deus virou modinha, conseguimos superar as
fronteiras desse caldo institucional. A geração de evangélicos atuais é
herdeira desse mal que se fermentou ao longo dos séculos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Jesus é a superação desses limites institucionais, já que,
Deus não tem religião. O Rabi de Nazaré veio desmantelar todo esse arcabouço
religioso que nós insistimos em edificar; desconstruiu toda estrutura
hierárquica de relacionamentos em que as igrejas insistem recosturar; implantou
a união entre os homens e Deus, enquanto a religião segue promovendo suas
divisões; com sua morte, Jesus removeu todas as indulgências, penitências e
débitos, que são abraçados tanto por quem se diz evangélico quanto por católicos;
instituiu a graça como base para salvação, sendo que nós a pisoteamos todos os
dias, pois achamos que podemos ser salvos através de nossos próprios esforços,
pela quantidade de tempo que oramos, jejuamos ou falamos de Deus no Facebook. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A religião não sabe como amar; ela só reconhece suas próprias
demarcações. A religião é responsável por transformar tudo numa grande efusão
espiritual que embevece, alucina, entorpece as multidões, sem que o Evangelho seja
anunciado e refletido. Jesus veio estabelecer a ordem na alma e desatar esse nó
em que muitos insistem em permanecer amarrado. Não existe mais um espaço
geográfico para fixar o limite do agir divino, “não é neste monte e nem em
Jerusalém” (Jo. 4:21); o mundo todo é o limite de Deus; seu templo é feito de
carne e sangue, e não de tijolos. E é através de carne e sangue que a boa nova
é transmitida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;©2014 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Leia também:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/05/como-igreja-virou-igrejas.html&quot;&gt;Como a Igreja virou igrejas&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://ferazaoegraca.blogspot.com.br/2012/01/deus-nao-instituiu-instituicoes.html&quot;&gt;Deus não instituiu instituições&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2012/04/religiao-culpa-e-outras-coisas.html&quot;&gt;Religião, culpa e outras coisas&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/12/os-limites-institucionais.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-359874249614351460</guid><pubDate>Fri, 31 Oct 2014 20:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:35:54.476-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Capitalismo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Levando a infância a sério</category><title>Mustang</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Numa dessas pictóricas viagens de
famílias, Jorge Luis Borges conta que seu pai sempre o surpreendia para que desse
uma boa olhada em certas coisas porque estavam fadadas a desaparecer: &quot;Ele
queria que eu tivesse como contar aos meus filhos e netos que tinha visto essas
coisas quando ainda existiam. Ele me disse para olhar para quartéis, bandeiras,
mapas com cores diferentes representando diferentes países, açougues, igrejas,
sacerdotes e alfândegas – porque todas essas coisas desapareceriam quando o
mundo fosse um e todas as diferenças fossem esquecidas”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Jorge Guilhermo Borges, pai de
Jorge Luis, era anarquista e ambos desiludidos com o socialismo soviético –
Cuba vai bem, obrigado. Meu pai, que nunca pisou os pés numa universidade, não
teve esta intuição de achar que as coisas desapareceriam tão rápido mas, no
entanto, herdei dele essa preguiçosa desconfiança do progresso. Ele, que é
dono de uma oficina de bicicletas, se recusa até hoje a fazer qualquer transição
de sua profissão: “as pessoas não querem mais bicicletas, querem motos e
carros”, dizia minha mãe. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Recordo-me sem muito esforço quando
papai aposentou nossa TV preta e branco. Ele chegou em casa de surpresa com
uma TV novinha e a cores, porém, manual, igual a antiga. Dizia que “essas
coisas de controle remoto só servem para quebrar mais rápido”; disse o mesmo
três anos depois quando comprou nossa antena parabólica Century. Meu pai é um
cara que anda na mesma bicicleta há quase 30 anos; gosta de futebol e adora rir
das piadas da Praça é Nossa; sobretudo, me ensinou sobre a liquidez da
modernidade antes mesmo de Bauman ter pensado sobre o assunto. Vivia me dizendo
que as coisas antigas sempre duravam mais, eram resistentes, diferente dos
objetos “modernos”, que foram projetados para quebrar e ser trocados com mais
eficiência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Ele sabia disso, pois presenciava
constantemente em sua profissão. Reclamava que os fabricantes estavam
substituindo peças de metais, resistentes, por plástico, quase descartável, sem
nenhuma alteração no custo. Na época não entendia, não me interessava; hoje,
vejo que essas explicações formaram uma base sólida na minha consciência.
Apesar do atraente e encantador discurso moderno, meu pai preferia me dar de presente
carrinhos e cavalos de madeira ao invés dos famigerados videogames. Ensinou-me
a fazer meu primeiro pião, minha primeira pipa, meu primeiro revolver de
madeira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Não fazíamos refeições em frente à
TV, pra isso tínhamos uma mesa enorme – pensando bem, hoje ela não me parece tão
grande assim. Gostava de me levar ao seu trabalho e em meio a parafusos e
porcas eu me divertia com as ferramentas. Se o parque de diversões estivesse na
cidade a brincadeira continuava depois do “trabalho”, em cima do carrossel com
tinta descascando, pipoca quentinha, algodão doce colorido e muita gente pobre
– típico de cidade pequena – ao som de muito &lt;i&gt;flash back. &lt;/i&gt;A diversão era autenticamente estampada na face de
todos ao meu redor. Mario Quintana estava certo quando disse que “criança não
brinca de brincar”. Elas brincam de verdade; levam isso muito a sério.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Ora, meu pai é esse cara, sóbrio,
desconfiado, fala pouco, brinca muito; nunca o vi bêbado ou fumando; não
gostava de baralho, mas jogava dominó; é negro, mas minha mãe é branca; sempre
me manteve no interior, mas hoje mora na capital; votou no Lula, mas até hoje
não sei se é de esquerda ou de direita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Agraciava-se de tal modo pelo
futebol que foi técnico por mais de 10 anos. Numa época em que o politicamente
correto não era tão desastroso, a molecada se divertia ao redor do campo o
vendo gritar seus jogadores com a célebre frase “toca a bola, macaco!”. Hoje os vampiros
do politicamente correto veria em meu pai uma hostilidade à democracia. De
fato, ver um maraense, negro, de 1,60m, gritar “toca a bola, macaco”, não soaria tão
amigável no dia em que se chama hoje. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Enfim, o time que meu pai foi técnico era o
extinto Mustang. Mustang também é o nome de sua oficina de bicicletas. Mustang
é como todos chamam meu pai. Menos eu; eu ainda o chamo de papai.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;©&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;2014 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://ferazaoegraca.blogspot.com.br/2013/10/fome-de-beleza.html&quot;&gt;Fome de beleza&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/10/mustang.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-4506243538487993220</guid><pubDate>Fri, 29 Aug 2014 22:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:36:09.522-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Capitalismo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Kierkegaard</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Teologia</category><title>O mundo e suas fábricas de ilusões</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Nossa época é marcada, como diz
Bauman, pela &lt;a href=&quot;http://ferazaoegraca.blogspot.com.br/2012/05/uma-sociedade-liquida.html&quot;&gt;liquidez da realidade&lt;/a&gt;. Não vejo definição melhor. O homem
contemporâneo, vaidoso de suas tecnologias e conforto, é um “cadáver ambulante”, uma mascara, onde existir se torna
autenticamente um fardo pesado. Como ser livre é angustiante, as pessoas
preferem deixar-se guiar pelas ocasiões aleatórias que se apresentam; o
efêmero, o transitório e o acidental tornam-se precisamente a realidade
imediata do homem moderno. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Ora, essa questão não é totalmente
perceptível. Vivemos numa era onde &lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/01/se-ninguem-ta-vendo-tudo-e-permitido.html&quot;&gt;mentir virou modinha&lt;/a&gt;, e a autoajuda faz isso
muito bem; não acredite em algum “segredo”, ou “dez passos” para ser feliz,
muito menos nos belos sorrisos das redes sociais. Falar a verdade é optar por
caminhar sozinho, e por ser surrado sozinho também – poucas pessoas se
sensibilizam quando ouvem a verdade. Por isso tento ser visceral quando
escrevo. Decidi levar a filosofia a sério e, por isso, já estou sendo apontado
como o “cara que faz as pessoas pensar no que elas não querem”. Expor nossas
misérias é manusear uma espada de dois gumes; eu saio dilacerado tanto quanto
àquele que me lê – a ironia custa caro, meu amigo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A modernidade é habitada por
prisioneiros da vaidade; &lt;a href=&quot;http://ferazaoegraca.blogspot.com.br/2012/11/o-desespero-de-ser-livre.html&quot;&gt;somos escravos da técnica&lt;/a&gt;, da TV, da propaganda, da
religião, das ideologias, do pastor, do padre, da Bíblia, do Estado, do
Facebook, etc. O capitalismo, o mercado e o consumismo proveniente
destes, nos faz correr sem parar. Mas correr pra onde? Isso ninguém sabe.
Vivemos sem um &lt;i&gt;telos&lt;/i&gt; (finalidade), os
meios é que ditam as regras, &quot;a mensagem é o meio&quot; como diria McLuhan,&amp;nbsp;e a ordem é: corra sem parar, porque se parar você
pensa, e quem pensa sofre. Por correr, quero dizer: compre, consuma, seja feliz,
deixe-se seduzir pela miragem das promessas do mercado, do dinheiro, do lucro, do
progresso, etc.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Essa é a doce ilusão de que o capitalismo vai transformar o
mundo em um lugar justo, em que qualquer um pode enriquecer e ascender a uma
escala social através de uma meritocracia. Por outro lado, tentar enxergar uma
alternativa no comunismo é se inebriar na alucinação de que o Estado – esse ser
impessoal, o qual Nietzsche chamava de “o mais frio dos monstros” – tem a
capacidade de resolver nossos problemas. O Estado tem o domínio do seu corpo; o capitalismo,
da sua alma. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Do jeito que as coisas andam só
posso concluir que estamos caminhando para uma distopia, onde o &lt;i&gt;Admirável mundo novo,&lt;/i&gt; de Huxley, seria
semelhante a um conto de fadas. Uma distopia onde a revolta é inexistente; onde
a revolução será apenas mais uma invenção de um produto que você vai desejar
comprar; onde a esperança não passará de um mero conceito abstrato. Mas já não
é mais tão interessante dizer que a vida não tem sentido e que o mundo não é um
lugar seguro; isso não é uma novidade e já não abala mais ninguém. As pessoas
descobrem isso até no supermercado quando vão fazer suas compras – aliás, as
pessoas vão fazer compras justamente para suprir a falta de sentido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Na verdade, o que me seduz é a
possibilidade de ter esperança; a possibilidade de construir uma verdadeira
comunicação, um vínculo graciosamente genuíno. Isso, hoje, é o verdadeiro
milagre: estabelecer a graça como a base dos relacionamentos diante de um mundo
onde o lucro é a medida de todas as coisas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Apreender o mundo dessa forma,
sendo guiado pela vibração da graça, não nos garante uma vida afortunada, no entanto, nos certifica de uma vida autêntica, onde o indivíduo começa por
dar um mergulho em si mesmo, se construindo no âmbito da consciência, e não se
diluindo na massa, no geral, na religião, nos partidos políticos, na militância
ideológica, onde o excesso de comunicação atrapalha a verdadeira comunicação,
pois transforma todos em bandos, em massa de manobra, em desordem existencial,
culminando em uma abstração do sistema, o que para Kierkegaard seria “as orgias
espirituais da filosofia contemporânea”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Jesus, o Verbo, nos convida a
superar essa falta de caráter de nossa época; nos atrai a caminhar na liberdade,
a optar pelo que é eterno, &lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/05/fe-e-razao-entre-loucura-e-inteligencia.html&quot;&gt;pelo absurdo da fé&lt;/a&gt;, sustentando um rompimento com a “justiça”
universal fechada numa moral onde o que prevalece é a culpa. Enfim, os
discípulos de Jesus nos mostram que a vocação essencial do cristão não é sair vomitando
doutrinas e regras a torto e a direito, mas denunciar todas as fábricas de ilusões,
que geram desumanização – principalmente aquelas que se autolegitimam sagradas
ou divinas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;O reino de Deus é marcado por gente que abre mão dos seus direitos em
favor dos que nada têm; é marcado pela dilatação da Esperança, que transcende a
mera objetividade e conceitos abstratos sem sentido. O reino de Deus é de outra
ordem e, com certeza se torna escândalo neste mundo. Não é por acaso que nosso
mundo não é muito acolhedor com aqueles que amam e ousam questioná-lo – Francisco de Assis, Thoreau,
Gandhi e Luther King que o diga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;©2014 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiV3LMNGnojLMWEOqGJsHF4Vh1HODYmlr_HMfA0J8S72gFi1l7GVmu2GeMvVGbHif2rklDHKfbDZhE5cFaF8daJhXJNeS1fUWk8pwT70DKkh8tYCr8hbq7rt-o5UrTbRUxIk_UTiBElTTU/s1600/08.PNG&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;72&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiV3LMNGnojLMWEOqGJsHF4Vh1HODYmlr_HMfA0J8S72gFi1l7GVmu2GeMvVGbHif2rklDHKfbDZhE5cFaF8daJhXJNeS1fUWk8pwT70DKkh8tYCr8hbq7rt-o5UrTbRUxIk_UTiBElTTU/s1600/08.PNG&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/08/o-mundo-e-suas-fabricas-de-ilusoes.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiV3LMNGnojLMWEOqGJsHF4Vh1HODYmlr_HMfA0J8S72gFi1l7GVmu2GeMvVGbHif2rklDHKfbDZhE5cFaF8daJhXJNeS1fUWk8pwT70DKkh8tYCr8hbq7rt-o5UrTbRUxIk_UTiBElTTU/s72-c/08.PNG" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-8436576986497926528</guid><pubDate>Mon, 28 Jul 2014 02:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:36:21.379-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Jacques Ellul</category><title>A precariedade humana</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Rousseau foi o primeiro a lançar as bases da ideia
de que “o homem nasce bom”: o homem nasce bom e a sociedade o corrompe. Ele,
que foi chamado de o “filósofo da vaidade” por Edmund Burke, falou sobre o
“estado de natureza” quase que com ares divinos, discorreu sobre a liberdade
humana, sobre a família e a democracia; censurou a escravidão e qualquer
possibilidade do homem ser propriedade do outro. No entanto, a sua ideia de que
o homem nasce bom reforça o pensamento moderno de que, de fato, há certo
progresso na própria natureza humana.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;É inegável que haja um avanço tecnológico e
científico, mas isso de forma alguma entra na esfera do humano. Todo esse
progresso nada mais é do que o desenvolvimento de estruturas pré-estabelecidas
de nossa civilização que conseguimos ampliar através de acúmulo de informações
deixado pelos nossos antepassados. O ser humano continua o mesmo; não se pode
dizer que o homem moderno é mais feliz, ou mais livre, ou mais justo que o
homem medieval — acreditar nisso é ser solapado por uma débil ingenuidade.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;É preciso explicar que Rousseau não está totalmente
errado; a sociedade exerce uma função importante na corrupção do indivíduo:
antes era o excesso de rigor, de controle, etc. Hoje o que estimula a perversão
do homem é a publicidade, que o instiga ao consumo, a pornografia desenfreada,
o espetáculo da violência que aumenta a delinquência e o ódio ao próximo, etc.
No entanto, nem tudo vem da “sociedade”. No momento em que o homem se vê
totalmente livre para definir seus caminhos, ele buscará, de alguma forma,
dominar alguém ou alguma coisa, porque uma das principais características
humana é a cobiça e desejo de poder.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Nesse caso, Hobbes foi mais categórico que
Rousseau. Hobbes assumiu a precariedade humana, viu o estado de natureza humana
como uma guerra de “todos contra todos”, e apesar disso, teve uma vida digna,
honesta, foi um cidadão exemplar. Por outro lado, Rousseau foi o play boy
vaidoso que enlouqueceu a mulher (péssimo marido), mandou todos os filhos para
o orfanato (péssimo pai), mas se situava no discurso de que somos todos
bonzinhos.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;O homem vive o drama da “queda”, e o maior traço
dessa tragédia é que suas paixões jamais podem ser aplacadas ou satisfeitas: o
poder e a cobiça não podem ser saciados.&amp;nbsp; Por isso estou convencido de que
esse fantasioso “progresso” não tem nenhuma prova como base — não há argumentos
que corresponda à própria experiência real, e a maioria das pessoas que
acreditam nisso é gente que sente mais prazer repetindo frases de efeito do que
tendo um orgasmo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Há de se entender que não existe uma construção
possível do mundo como pregam as ideologias socialistas, não há um modelo
social de tal forma que o homem poderia ser menos maléfico, ou até mesmo menos
infeliz. Não há uma garantia de que a qualquer momento possamos evidenciar uma
Terceira Guerra Mundial ou a total decadência da civilização ocidental. Isso não
quer dizer que não temos nada a fazer. Mas é preciso aceitar, antes de tudo,
esse conflito e vivê-lo constantemente. Ter essa premissa como base — que não é
de forma alguma uma ideia abstrata — é o meio mais viável para entender a
realidade humana em todas as suas camadas, social, econômica, política, etc.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Não digo isso tendo como traços gerais a ideia de
moralidade ou de “pecado”; tenho a História como aliada e minhas lentes nesta
análise são puramente antropológicas. Ellul exprime isso de forma mais
verdadeira do que nunca quando diz:&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt; margin: 0cm 70.8pt 10pt 2cm;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Todas as civilizações
usaram de certa forma a opressão, mas elas deixavam a cada pessoa um amplo
campo de liberdade e individualidade. O escravo romano e o servo medieval eram
mais livres, mais autênticos, mais humanos socialmente (não digo mais
materialmente feliz) do que o trabalhador moderno.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Ou seja, essa concepção de progresso é&amp;nbsp;&lt;i&gt;fake&lt;/i&gt;,
uma ilusão, pois não tem competência para responder os questionamentos
fundamentais da humanidade: quem sou eu? Em que consiste a felicidade? Por que
o mal existe? O que é ser justo? As perguntas fundamentais de três mil anos
atrás continuam sendo as mesmas hoje. Nós olhamos elegantemente para os
medievais como se eles representassem algum tipo de atraso, e nós, no entanto,
fôssemos detentores do avanço. Quanto engano! Ainda hoje não superamos os
medievais na definição sobre “o que é o homem?” Algo muito atraente na Idade
Média é a concepção de pecado e o modo como eram censurado os excessos humanos.
Não é mais assim hoje. Essa compreensão que alguns têm de progresso é tão
frágil que regredimos e achamos mais conveniente combater as coisas e não a
ação humana: o problema não é a embriaguez, mas o álcool; não são os
homicídios, mas as armas; não é a imoralidade, mas as músicas do Latino, etc.
Uma doce ilusão que nos atrela, definitivamente, a inimigos imaginários.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Não há prova alguma de que o homem seja
originalmente bom e que em algum momento da história houve uma “transição” para
o homem atual. Nenhuma reeducação “política” deu conta desse desvio misterioso
da raça humana. Pelo contrário, toda vez que usaram Marx para moldar o homem
através das instituições políticas, explicando que, inevitavelmente, pela
revolução e pelo jogo da dialética histórica a sociedade socialista surgirá da
capitalista, a reeducação de vários países socialistas caiu em desvios monstruosos,
mostrando sempre que o homem nunca saiu do lugar. Seguramente, Proudhon, foi
bem mais claro e honesto quando afirma a supremacia da vontade humana sobre a
condição humana, chamando o homem à luta contra a sua situação; essa é a
autêntica atitude revolucionária. Como disse Albert Camus: &quot;A grandeza do homem consiste na sua decisão de ser mais forte que a condição humana&quot;.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Nossas paixões são como a força da gravidade: no
momento em que paramos de bater as asas caímos. Qualquer fagulha de virtude só
é possível através de um esforço antinatural, um bater de asas que não ignora
nossa própria condição. O Novo Testamento dilata essa ideia com bastante
originalidade, evidenciando a corrupção humana e a consciência como fator de
mudança, por um lado, e o Espírito, como o verdadeiro agente de conversão, por
outro. &quot;Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Pois
tenho desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo&quot; (Rm. 7:18).
É Paulo quem nos situa sobre uma guerra que há dentro de cada homem; uma guerra
entre duas realidades, a do Espírito e a da carne.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Finalmente, esse esforço pessoal como movimento de
consciência, só pode ser genuíno através do abraço da graça emanado pelo Eterno,
que reconhece nossa fragilidade e decadência. Essa desordem da alma pode ser
superada através do encontro com o Espírito, que em última instância revela
nossa incapacidade, nossas limitações de dar sequer um passo à frente para um
suposto progresso.&amp;nbsp;Porque o Espírito é a luz que dissipa a escuridão e nos
guia a esse ideal unitário através da variedade de suas expressões simbólicas e
doutrinais, bem como nos faz reconhecer as próprias contradições da vida mesma.
Essa é a postura do homem espiritual, que proporciona o indivíduo buscar a
inspiração que o habilite a agir bem, independente das convicções reinantes na
sua época ou em seu meio; que faz palavras como “liberdade”, “igualdade” ou “justiça”
serem preenchidas com sua própria substância pessoal, adquirindo valor concreto
pela nobreza dos homens que a representam, e não ideias gerais abstratas.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: 12.65pt; text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style=&quot;background-color: transparent;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial; background-repeat: initial; background-size: initial; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/05/conhece-ti-mesmo.html&quot;&gt;Conhece a ti mesmo&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/05/o-poder-de-quem-abriu-mao-do-poder.html&quot;&gt;O poder de quemabriu mão do poder&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2015/03/o-homem-e-deformacao-da-realidade.html&quot;&gt;O homem e a deformação da realidade&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/07/a-precariedade-humana.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-780157796137625631.post-2744568034702870051</guid><pubDate>Mon, 26 May 2014 04:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2025-02-16T07:36:37.136-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Kierkegaard</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Para chegar mais longe</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Psicologia</category><title>O desespero de ser livre</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Deixe-me começar abrindo o jogo,
meu caro: é muito comum sermos mal compreendidos naquilo que dizemos; esse é um
embaraço que todo santo que ousa expor o que acredita terá de tolerar. Em se
tratando do que eu escrevo, tento encarar com naturalidade aqueles que
retrucam: “você não é claro no que diz”, “tem que explicar melhor aonde quer
chegar” ou “até entendo o que você escreve, mas me mostre-me uma saída”. Não
acredito que eu seja tão prolixo assim, mas esperar o que de um país em que as
pessoas se adequam a cada dia a ler apenas frases de efeito no &lt;i&gt;facebook.&lt;/i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A verdade é que não sou o cara do
óbvio, das respostas prontas, dos sistemas bem elaborados — deixo essa proeza
para a literatura de autoajuda, que já engole, a um bom tempo, milhares de
cérebros preguiçosos Brasil a fora. Meu interesse, caro leitor, é colocar uma
pulga atrás da sua orelha. Quero ser um incômodo para uma geração acomodada, e
é por isso que resolvi estar diante do mundo como um irônico. Não tenho medo de
ser incompreendido, ou receio de cair em contradição; ora, os grandes paradoxos
são as grandes verdades. Nada disso é por acaso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;As pessoas não gostam de refletir
sobre o que verdadeiramente importa. Quem para, pensa e quem pensa sofre.
Refletir é um incômodo para as massas, e um pesadelo para aqueles que abraçaram
a multidão. É sempre uma zona de conforto está em um lugar em que os outros
pensem por nós, em que os outros ditem as regras. No mundo em que vivemos não
faltam ambientes desse tipo: são as escolas com um sistema de ensino defasado e
educadores que ainda apostam numa pedagogia que gera apenas imbecilóides em
série; os políticos que insistem em nos manter alheios em relação à politica e o
Estado babá que intervém nas dimensões mais íntimas de nossas individualidades;
são as igrejas que fixam suas leis e persegue quem ousa cogitar sobre elas; Ou
até mesmo a mídia e a publicidade que dita o que você deve comprar, vestir,
comer, ouvir, etc. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;É aconchegante viver assim, porque
no final das contas sempre vai existir algo ou alguém para quem nós podemos
transferir a culpa dos nossos medos, fracassos e perda. A lista conta com o
Diabo, Deus, o sistema, o capitalismo, menos nós mesmos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;A liberdade nos assusta porque
implicaria em sermos responsáveis pelos nossos atos, e poucos são os que têm
cacife para isso. Levando isso em conta, não me assusta o fato de pesquisas
mostrarem que até em 2004 o número médio de sessões psicanalíticas caiu pela
metade. Uma sugestão clara de que os pacientes têm cada vez menos tempo – ou
dinheiro – para os longos processos da psicanálise, em que o analisado é
incentivado a descobrir sozinho suas fontes de angústia e as respectivas
saídas. Freud deve estar se revirando no túmulo nesse momento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Séculos atrás Kierkegaard já nos
advertia do desespero da liberdade e da falta de volição das pessoas em se
decidir por si mesmas. Pessoas assim são levadas a não se distinguir das outras,
da massa e, por conseguinte, um desolador nivelamento toma o lugar. Esse
nivelamento coletivo dilui a consciência individual fazendo o sujeito se
confundir com a multidão. E para Kierkegaard, “a multidão é a falsidade”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Paulo, o apóstolo, que caminhava
sempre na liberdade seguindo os passos do seu mestre Nazareno, advertia que foi
para a liberdade que Cristo nos libertou, não se submetam mais a um jugo de
escravidão (Gl 5.1). O conselho de Paulo revela muito da inclinação humana de
erguer ídolos pra si. A maioria das pessoas é como pássaros em gaiolas, que ao
fugir por uma fresta, logo se depara que terá que ir atrás de seu próprio
alimento para sobreviver; invés de comemorar a liberdade resolve voltar para a
gaiola onde não precisará fazer esforço para encontrar comida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;É pertinente dizer que nossa
sociedade é livre, mas, livre da liberdade, claro. Dizer que nossa sociedade é
livre é a maior mentira de todas. São poucos os iluminados que mergulham na
angustia da liberdade. Na maioria das vezes é preferível ser escravo de alguma
trivialidade como o cigarro, o álcool, o pastor, o padre, o &lt;i&gt;facebook&lt;/i&gt;, a ciência, Nietzsche, a Bíblia,
do trabalho ou — por incrível que pareça — até mesmo do que eu digo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;©2012 Lindiberg&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;background: white; font-size: 12pt; line-height: 18.4px; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-hansi-font-family: Calibri;&quot;&gt;Mustang&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0o6f3baDzvxdxbOATpm7RmkeNIxRfq679rQ7DLQrz2TAJvdjnGaI0hX4dhgQib7bsm858KRcozSwHmcB0KOYWOUoq51hCw_liCUq3AgIEI9adHRvu-j75cswpSWKhDGPDZPb_WHPq7u8/s1600/23.PNG&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;90&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0o6f3baDzvxdxbOATpm7RmkeNIxRfq679rQ7DLQrz2TAJvdjnGaI0hX4dhgQib7bsm858KRcozSwHmcB0KOYWOUoq51hCw_liCUq3AgIEI9adHRvu-j75cswpSWKhDGPDZPb_WHPq7u8/s400/23.PNG&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;b&gt;Leia também:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2012/05/uma-escrava-liberdade.html&quot;&gt;Uma escravaliberdade&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.ferazaoegraca.com.br/2014/08/o-mundo-e-suas-fabricas-de-ilusoes.html&quot;&gt;O mundo e suasfábricas de ilusões&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://www.ferazaoegraca.com.br/2016/05/o-desespero-de-ser-livre.html</link><author>noreply@blogger.com (Lindiberg Mustang)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0o6f3baDzvxdxbOATpm7RmkeNIxRfq679rQ7DLQrz2TAJvdjnGaI0hX4dhgQib7bsm858KRcozSwHmcB0KOYWOUoq51hCw_liCUq3AgIEI9adHRvu-j75cswpSWKhDGPDZPb_WHPq7u8/s72-c/23.PNG" height="72" width="72"/></item></channel></rss>