<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786</atom:id><lastBuildDate>Sat, 25 Apr 2026 00:37:01 +0000</lastBuildDate><category>Poesia</category><category>Conto</category><category>Cecília Villanova</category><category>Entrevista</category><category>Fred Caminha</category><category>Comédia</category><category>Drummond</category><category>Mário Quintana</category><category>Raimundo Carrero</category><category>A Esmo</category><category>A Poesia de Bob Marley</category><category>A Poesia de Gonzaga Leão</category><category>A Raposa e o Pequeno Príncipe</category><category>A Voz de Almira Castilho</category><category>A Voz do Poeta</category><category>Adriana Falcão</category><category>Alberto da Cunha Melo</category><category>Allan Sales</category><category>Análise da Poesia De Cecília Villanova</category><category>Auto-Exílio</category><category>Auto-Flagelo</category><category>Carta</category><category>Casório</category><category>Cativa-me</category><category>Cecília Meireles</category><category>Cecília Villanova: Um Armazém Poético</category><category>Centenário de Pagú</category><category>Crônica</category><category>Da Solidão</category><category>Dia da Língua Portuguesa</category><category>Dia do Poeta Recifense</category><category>Diva da MPB</category><category>Dos órgãos Dependentes</category><category>Dúvidas</category><category>Elis Regina</category><category>Elizeth Cardoso</category><category>Fotografia</category><category>Francisco Espinhara</category><category>Gatos Não São Bola</category><category>Gestação I</category><category>Gestação II</category><category>Gestação III</category><category>Justiça Total</category><category>Macrolove</category><category>Maiakóvski</category><category>Maio O Mês Das Sagradas Mães</category><category>Mãegueira</category><category>Natal</category><category>O Canto do Bem-Te-Vi</category><category>O Doido da Garrafa</category><category>O Homem Que Enxergava a Morte</category><category>O Homem e o Objeto</category><category>O Incansável Carrero</category><category>O Papel</category><category>O Vento</category><category>Ousar Escrever</category><category>Palavras em Luto</category><category>Palavras em Melodia</category><category>Para Repensar o Natal</category><category>Para Viver Um Grande Amor</category><category>Paulo Caldas</category><category>Pinto do Monteiro</category><category>Poema</category><category>Poesia de Cordel</category><category>Poesia de Ivanildo Vilanova</category><category>Poesias de Cecília Villanova</category><category>Poeta Cecília Villanova</category><category>Poeta Francisco Otaviano</category><category>Poeta Mauro Mota</category><category>Poeta Zizo</category><category>Poetas por que publicá-los?</category><category>Recife Antigo</category><category>Reflexo</category><category>Renata Santos</category><category>Saramago</category><category>Severina Quanta Estima</category><category>Severino de Souza Ferraz</category><category>Sonetista Bissexto</category><category>Sorria eis a Panelinha</category><category>Tempo</category><category>Tormento</category><category>Valmir Jordão</category><category>Vento Sorrateiro</category><category>Violência Contra o Idoso</category><category>Wilson Freire</category><category>Xilogravura</category><category>À mestra com Carinho</category><category>É Complicado Amar Em Português</category><title>VERSUDIVERSUS</title><description>Espaço Para os Amantes das Letras</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>88</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-3501423326526974178</guid><pubDate>Wed, 23 Dec 2015 13:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2015-12-23T10:35:40.464-03:00</atom:updated><title>UM PASSADO AGRIDOCE</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg1a5zfxJDWdiEhs8kGanPCIi7nQMTo6dwrZtHb6spvbSwd1SZ8ym0dWuf-CIeUXomQGn0Dam1QzK7H0plYJ4GnDU3QKcmpMEdXvl3Hjq48Erst3gqzs-7VjQwVHfXl5_mqbWQFOwkf8A8/s1600/benzimento.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg1a5zfxJDWdiEhs8kGanPCIi7nQMTo6dwrZtHb6spvbSwd1SZ8ym0dWuf-CIeUXomQGn0Dam1QzK7H0plYJ4GnDU3QKcmpMEdXvl3Hjq48Erst3gqzs-7VjQwVHfXl5_mqbWQFOwkf8A8/s400/benzimento.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando criança brinquei muito na rua, mas me lembro de ter passado boa parte em cima da cama. Tive rubéola (com menos de um ano), sarampo, catapora, papeira e algumas pneumonias. Com sarampo perdi a visão, mas foi voltando no mesmo dia.Como ela ficou preocupada quando eu disse de cima da cama: - estou voltando a ver. Eu disfarcei para não ser levada ao hospital.&lt;br /&gt;
Mamãe só me levou ao médico duas vezes: uma pra avaliar pq eu era tão palidazinha e outra quando passei um mês menstruada e com febre. Sobre a palidez, a médica falou q meus vasos sanguíneos eram menos superficiais. Da segunda vez q fui, nada foi diagnosticado. &lt;br /&gt;
Nas minhas acamações eu tinha delírios pq a febre era sempre alta.Lembro da minha irmã e meu irmão juntos de mim na cama rindo das bobagens q eu falava. &lt;br /&gt;
Minha mãe tratava a minha febre com antitérmico e muitos panos embebidos com álcool(sobre a testa, garganta, tórax e costas). Dava um frio doído quando o pano encostava. Pior era quando tinha q tomar o banho: mamãe pegava uma bacia de alumínio, colocava uma água &quot;pelando o couro&quot;, com álcool e colônia. &lt;br /&gt;
Ela era rezadeira, benzedeira das boas e sempre pegava um ganhinho de pinhão-roxo q tinha no nosso jardim, pra me benzer: &quot;com dois te botaram, com três eu te tiro...&quot; E o galhinho ia ficando murchinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ruim é ficar doente, mas como é bom ter por perto da gente quem nos ama e cuida. Melhor médica, nunca haverá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saudade tem nome.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Cecília Villanova)</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2015/12/um-passado-agridoce.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg1a5zfxJDWdiEhs8kGanPCIi7nQMTo6dwrZtHb6spvbSwd1SZ8ym0dWuf-CIeUXomQGn0Dam1QzK7H0plYJ4GnDU3QKcmpMEdXvl3Hjq48Erst3gqzs-7VjQwVHfXl5_mqbWQFOwkf8A8/s72-c/benzimento.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-5593453556643069955</guid><pubDate>Tue, 24 Jun 2014 00:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-28T21:15:57.002-03:00</atom:updated><title>SÃO JOÃO</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhR59RYw3ODZsURo6ALi_mA7YKNG8dGdvzVCtFG0dJLAG_HY_eiglMqckeuF5YMg1JDcCNi0t7LQZgORxWY12R2CiyiUwjJxvlVae2KmzNwX436xKIqx8mZNrnEw2BC6nJ8J4ppT3Q1YlY/s1600/sao-joao(1).jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhR59RYw3ODZsURo6ALi_mA7YKNG8dGdvzVCtFG0dJLAG_HY_eiglMqckeuF5YMg1JDcCNi0t7LQZgORxWY12R2CiyiUwjJxvlVae2KmzNwX436xKIqx8mZNrnEw2BC6nJ8J4ppT3Q1YlY/s320/sao-joao(1).jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dia 23 de junho sempre me traz emoção. A festa que minha vó materna mais gostava e o dia em que ela partiu. Lembro bem quando chegaram com a notícia: eu descascava milhos para fazer a canjica, sentada no terraço lá de casa(sim; pq as casas q morei com minha mãe, continuo morando nelas), são sempre nossas, afinal. &lt;br /&gt;
Era a festa q mamãe também mais gostava. Acabei herdando o mesmo gostar.&lt;br /&gt;
Quem não há de sentir todo encanto das músicas que cantam a nossa história, das nossas comidas e danças? Das bandeirinhas multicoloridas dependuradas, das roupas coloridas e quadriculadas, da percata de couro, o lenço e o chapéu de palha, da falta de dentes?( que de maneira alguma nos empobrece, mas enfatizam o jeito da nossa gente). Como é rica nossa cultura, linda nossa história! De um povo ainda que sofrido, faz do sol escaldante beijos a sua tez e brilham como luzeiros iluminando a noite de São João.&lt;br /&gt;
Hoje à noite verei mamãe e vovó subindo, subindo como balões inofensivos, brilhando como estrelas, de tão longe que estão, sorrindo e piscando os olhos para mim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Olha pro céu, meu amor&lt;br /&gt;
Vê como ele está lindo...&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Cecília Villanova)&lt;br /&gt;
</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2014/06/sao-joao.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhR59RYw3ODZsURo6ALi_mA7YKNG8dGdvzVCtFG0dJLAG_HY_eiglMqckeuF5YMg1JDcCNi0t7LQZgORxWY12R2CiyiUwjJxvlVae2KmzNwX436xKIqx8mZNrnEw2BC6nJ8J4ppT3Q1YlY/s72-c/sao-joao(1).jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-1781989337271393182</guid><pubDate>Thu, 26 Dec 2013 17:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-12-26T14:38:14.470-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Conto</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Wilson Freire</category><title>A HORRENDA MORTE DE NEGÃO</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgSFsN1F0dvZQr-feEPlW3N39CtwA4zU_afx9QMKa8l4tLV2Wqso53WUNPaDx_SsrqnisjJbRiGkfbZmGXqtTCLwebViLpbipuknYCuSp0apoBMQNQsR-aAKeHaeun6e1SB_EqOabUDSA8/s1600/cachorro-triste+(1).jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgSFsN1F0dvZQr-feEPlW3N39CtwA4zU_afx9QMKa8l4tLV2Wqso53WUNPaDx_SsrqnisjJbRiGkfbZmGXqtTCLwebViLpbipuknYCuSp0apoBMQNQsR-aAKeHaeun6e1SB_EqOabUDSA8/s320/cachorro-triste+(1).jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tinha pelos pretos veludo. Negão levantava as orelhas e balançava o rabo quando ouvia esse nome. Passava o dia ao redor do boteco de Dona Maria. Ela notou que ele não levantava as orelhas nem balançava o rabo se uma cadela no cio passava. Uma vez, em pleno domingo de futebol, todo mundo que ouvia o jogo viu um guenzo sobre ele. Dona Maria não gostou dos comentários que tinha um cachorro frango. Não tolerou a greia. Disse que tava envergonhada do safado sem vergonha. Um matador, desses de profissão, ofereceu seus serviços. &lt;br /&gt;
Dona Lala me contou que ninguém nunca mais viu negão levantando o rabo, balançando as orelhas no Alto da Brasileira. Já se passaram 25 anos e ela nunca esqueceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Wilson Freire)</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/12/a-horrenda-morte-de-negao.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgSFsN1F0dvZQr-feEPlW3N39CtwA4zU_afx9QMKa8l4tLV2Wqso53WUNPaDx_SsrqnisjJbRiGkfbZmGXqtTCLwebViLpbipuknYCuSp0apoBMQNQsR-aAKeHaeun6e1SB_EqOabUDSA8/s72-c/cachorro-triste+(1).jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-5394686521194005545</guid><pubDate>Tue, 24 Dec 2013 16:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-12-24T13:48:27.657-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Fred Caminha</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>NA TAL FÉ LIS!</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhujZ59FIQm6cn1qrhVakg9rz3eUllKkctNPOvPaUMtW42WfTrX9sEGHyUpZUgq85le_ouKiOHR4PlydOG5g3gKJN8k03o0-Dt4DX6n7vcwNl7zmbw57T7VxfmkyireMMoW6Iti47zBAFA/s1600/Poema+de+natal.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhujZ59FIQm6cn1qrhVakg9rz3eUllKkctNPOvPaUMtW42WfTrX9sEGHyUpZUgq85le_ouKiOHR4PlydOG5g3gKJN8k03o0-Dt4DX6n7vcwNl7zmbw57T7VxfmkyireMMoW6Iti47zBAFA/s400/Poema+de+natal.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/12/na-tal-fe-lis.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhujZ59FIQm6cn1qrhVakg9rz3eUllKkctNPOvPaUMtW42WfTrX9sEGHyUpZUgq85le_ouKiOHR4PlydOG5g3gKJN8k03o0-Dt4DX6n7vcwNl7zmbw57T7VxfmkyireMMoW6Iti47zBAFA/s72-c/Poema+de+natal.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-5604921613410865089</guid><pubDate>Sat, 07 Dec 2013 17:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-12-07T15:01:11.555-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cecília Villanova</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>MARIPOSA</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvnHXgV-XgrtGzIJnzA3uCqUtya62rT9jLpb2UJywhgjIe_slemFhPi2nzd0-iEBunm_0cDryPn0NFhPw2q3dP7kbECj4fmxYVTVPIOQRwJpRSlO1svHy0t8BsL6pi-bVAobPK7qR9HZ0/s1600/luz.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvnHXgV-XgrtGzIJnzA3uCqUtya62rT9jLpb2UJywhgjIe_slemFhPi2nzd0-iEBunm_0cDryPn0NFhPw2q3dP7kbECj4fmxYVTVPIOQRwJpRSlO1svHy0t8BsL6pi-bVAobPK7qR9HZ0/s320/luz.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apreciando o teu revoar&lt;br /&gt;
Vesti-me de lâmpada, mariposa.&lt;br /&gt;
Onde irás pousar?&lt;br /&gt;
Se em mim resta, a incerteza do teu leve pairar&lt;br /&gt;
desde o som do bater de tuas asas.&lt;br /&gt;
Sem teu sopro de vida, apagar-me.&lt;br /&gt;
Virar vaga-lume&lt;br /&gt;
Quem sabe...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Cecília Villanova)</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/12/mariposa.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvnHXgV-XgrtGzIJnzA3uCqUtya62rT9jLpb2UJywhgjIe_slemFhPi2nzd0-iEBunm_0cDryPn0NFhPw2q3dP7kbECj4fmxYVTVPIOQRwJpRSlO1svHy0t8BsL6pi-bVAobPK7qR9HZ0/s72-c/luz.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-8806391929116662598</guid><pubDate>Tue, 29 Oct 2013 14:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-10-29T11:21:11.320-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cecília Villanova</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>TEMPOS MODERNOS</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh2bIhYT3JRXfXszvB5HL6XfWeJSLT2TAdfwP0CXAmzSMvLU4CjR84Gh3-eNTDs-lDntq3lxlfwy-_e048pxApOvda3vV83qmO5g4EcTo6Raay0uAcNYVdIT5LA0vydETTf6qpx3WIYifw/s1600/passaro+gaiola.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh2bIhYT3JRXfXszvB5HL6XfWeJSLT2TAdfwP0CXAmzSMvLU4CjR84Gh3-eNTDs-lDntq3lxlfwy-_e048pxApOvda3vV83qmO5g4EcTo6Raay0uAcNYVdIT5LA0vydETTf6qpx3WIYifw/s200/passaro+gaiola.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os homens-pássaros&lt;br /&gt;
Das suas gaiolas&lt;br /&gt;
Apenas sonham&lt;br /&gt;
Sonhos de asas cortadas&lt;br /&gt;
E voam para o alçapão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Cecília Villanova)</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/10/tempos-modernos.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh2bIhYT3JRXfXszvB5HL6XfWeJSLT2TAdfwP0CXAmzSMvLU4CjR84Gh3-eNTDs-lDntq3lxlfwy-_e048pxApOvda3vV83qmO5g4EcTo6Raay0uAcNYVdIT5LA0vydETTf6qpx3WIYifw/s72-c/passaro+gaiola.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-2295620213787831729</guid><pubDate>Wed, 23 Oct 2013 15:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-10-23T13:00:10.005-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cecília Villanova</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Conto</category><title>PORQUE OS HOMENS SEMPRE VÃO ALI... (Para Nelson Rodrigues)</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhKXQqeeB3OktkVBeI-1l_6HzqDp6Tmcu71ne2MbG4IErb6yQyUFZOr4bRz4UWt6tCezAXpMR2Ccj0AFj9hfMhR5MqDqUEcgBGqWUxYuHcxGqJFCtmseGZr2YVzDTxo6Pp_8SluRnmV4E4/s1600/Picasso.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhKXQqeeB3OktkVBeI-1l_6HzqDp6Tmcu71ne2MbG4IErb6yQyUFZOr4bRz4UWt6tCezAXpMR2Ccj0AFj9hfMhR5MqDqUEcgBGqWUxYuHcxGqJFCtmseGZr2YVzDTxo6Pp_8SluRnmV4E4/s320/Picasso.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;(Picasso)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cremilda era daquelas mulheres domésticas, sempre muito preocupadas com o desenrolar dos dias e da família. Casada com Ariovaldo e mãe de Tiago. Uma coisa a chateava: sempre que um dos dois tinha que sair, nunca gostavam de dar sinais do seu paradeiro.&lt;br /&gt;
- Mulher, vou ali e já volto.&lt;br /&gt;
Em seguida seu filho:&lt;br /&gt;
- Mãe, vou ali e chego já.&lt;br /&gt;
Alguém bate à porta:&lt;br /&gt;
- Seu Ariovaldo está?&lt;br /&gt;
- Não, foi ali...&lt;br /&gt;
- Tá, bom dia pra senhora. Vou ali vê se vejo ele.&lt;br /&gt;
Mas esse dia, como todos os outros dias, foi diferente. Ela resolveu ir ali pra ver que mistério se escondia por trás de três letras (ela pensava por que nunca decerto falar para onde vai) Talvez fosse mais sensato omitir que mentir.&lt;br /&gt;
No seu decidir, pegou sua bolsinha de documentos, olhou-se no espelho, arrumou o vestido no corpo, sacudiu os cabelos (como quem tenta sacudir a cuca por dentro).&lt;br /&gt;
Deliciosa com seu rebolado, andar rápido e decidido, chega à esquina onde se tem como referência o bar do Sr. Américo. Cremilda avista, os três (marido, filho e amigo), todos sentados à mesa, numa verdadeira confraria: seu marido tomava cana com bolo de chocolate. Seu filho degustava com um chiclete big big. E o amigo, que tinha ido procura-lo, tomava com seriguela. Portanto seria cômico se não fosse trágico! (pensava ela)&lt;br /&gt;
- Oi mulher, que estais fazendo aqui?&lt;br /&gt;
Abanando-se com o leque:&lt;br /&gt;
- Tomando um ar... Tá tão quente, né?... Eu tava vendo a hora pegar fogo comigo e tudo mais lá em casa...(dando uma rabissaca) &lt;br /&gt;
- Para onde vais, mulher?&lt;br /&gt;
Tranquila e em sã consciência:&lt;br /&gt;
- Vou ali!...&lt;br /&gt;
E era logo ali, bem ali na cama do casal, onde o gostosão do vizinho a esperava para proporcionar-lhe um dia bem mais feliz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(UM CONTO DE CECÍLIA VILLANOVA)</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/10/porque-os-homens-sempre-vao-ali-para.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhKXQqeeB3OktkVBeI-1l_6HzqDp6Tmcu71ne2MbG4IErb6yQyUFZOr4bRz4UWt6tCezAXpMR2Ccj0AFj9hfMhR5MqDqUEcgBGqWUxYuHcxGqJFCtmseGZr2YVzDTxo6Pp_8SluRnmV4E4/s72-c/Picasso.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-7353812136420944588</guid><pubDate>Thu, 17 Oct 2013 00:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-10-16T21:04:00.048-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cecília Villanova</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Conto</category><title>Recife, Hotel Rex, setembro de 1998</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiGr-C2RbgpnwAyDSptlPiRHZZhGgm0BuvMNrpORKwNRVJ3LwQRDDP7hptZoynixTv11IRGTpavLq-jCfUUizhfN9PpZ_-O3Dp6gUPD7XBjg9j7PrSdRm7_HnktCDAYc0sejIqd7ksWl5c/s1600/rex.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiGr-C2RbgpnwAyDSptlPiRHZZhGgm0BuvMNrpORKwNRVJ3LwQRDDP7hptZoynixTv11IRGTpavLq-jCfUUizhfN9PpZ_-O3Dp6gUPD7XBjg9j7PrSdRm7_HnktCDAYc0sejIqd7ksWl5c/s320/rex.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Poucas vezes na vida consegui dar boas gargalhadas. Portanto esse dia foi um marco em minha vida...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu e Fred morávamos no Hotel Rex, sito rua Barão de São Borja, na Boa Vista. Dividíamos o quarto com pequenas baratas que saiam do piso em madeira. Havia apenas dois cômodos: quarto e banheiro. Ali mesmo cozinhávamos, lavávamos roupas, pratos e tomávamos banho. Se pra cozinhar também tinha que ser ali, decidimos então, trocar nosso fogareiro elétrico, comprado no camelódromo, que levava umas 4 horas para cozinhar um feijão, por um fogãozinho de duas bocas(aquele pequenininho que mais se parece de casinha de boneca)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Hotel sempre foi proibido cozinhar com gás, devido ao risco de incêndio. Ainda por cima, um hotel secular, com madeira por todos os lados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas naquele dia, naquele dia, resolvemos fazer diferente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Descemos do hotel com o bojão vazio dentro de uma bolsa de viagem para não dar pista. Andamos até a Ilha do Leite, onde trocamos o nosso bojãozinho vazio pelo cheio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegando ao hotel, com o bojão cheio dentro da bolsa, demos um boa tarde bem sorridente aos funcionários, que de nada desconfiaram. Subimos aquela escada secular, circular em madeira, felizes em imaginar que nosso “sofrimento” seria amenizado e que enfim perderíamos menos tempo cozinhando e ganharíamos mais tempo para vender nossos folhetos de poesia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entramos, fechamos o quarto e começamos o processo: Fred pegou o bojão e tentou encaixar ao relógio. Mas, para nosso “azar”, começou a escapar muito gás. Havia um defeito onde não conseguíamos detectar. Formou-se uma nuvem de gás dentro do quarto. Fred colocou o bojão debaixo do chuveiro . Antes de que eu saísse do quarto, combinamos em dizer que não sentíamos cheiro algum. Sai do quarto e fui à varanda, mas fiquei preocupada com Fred lá dentro(inalando aquele gás). Há essas alturas a fumaça do gás já se espalhava pelo corredor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobe um funcionário aos berros:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Alguém está usando gás aí?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(silêncio absoluto)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu disfarçadamente na varanda apreciando o céu...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Madame, a senhora não está sentindo um cheiro de gás?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Gás??? Não!!!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele percebia que vinha do nosso quarto... Então dirigiu-se à porta batendo e gritando:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Dr. Fred, o senhor não está sentindo um cheiro de gás?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E eu imaginava... Como Fred está?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De repente Fred abre meia porta, coloca apenas o rosto para fora como quem quer esconder algo e diz:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Não, não estou sentindo nada! (com cara de interrogação)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O funcionário ficou enlouquecido e fingiu acreditar (ele não podia invadir nosso quarto)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esperamos ele descer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entrei no quarto: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Fred, você está bem? Vamos sair daqui! (Ele tinha uma camisa amarrada cobrindo o nariz)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já era noite...Pegamos o bojãozinho, colocamos na mesma mochila e descemos descaradamente passando pela recepção, dando uma boa noite aos funcionários. Fomos para a rua ao lado, de onde víamos o hotel e acabamos tendo uma crise de risos. Eu ria de quase me mijar e dizia em alto e bom tom(depois de passado o perigo):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- AGORA VAMOS ESPERAR O HOTEL EXPLODIR! (repetia várias vezes tropeçando o riso em palavras)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Villanova, Cecília. Antes que eu esqueça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/10/recife-hotel-rex-setembro-de-1998.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiGr-C2RbgpnwAyDSptlPiRHZZhGgm0BuvMNrpORKwNRVJ3LwQRDDP7hptZoynixTv11IRGTpavLq-jCfUUizhfN9PpZ_-O3Dp6gUPD7XBjg9j7PrSdRm7_HnktCDAYc0sejIqd7ksWl5c/s72-c/rex.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-6398020766262080631</guid><pubDate>Mon, 14 Oct 2013 18:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-10-15T14:28:51.491-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cecília Villanova</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Conto</category><title>HISTÓRIA DE UMA GATA</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhs2DoBqbh-tVtgMmXPZIYskMRoRZRQt89SOpmTmOnkIL1hrWQHdRXbtDlHp3-b7yXpOZFyCyhzI5Dt-xOvImHv1BQQSHPlEaZiTUvrNVvjqI5waN96a49wBPWfLlrbyVStJCAyxXhO6oE/s1600/gato-no-matoh.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhs2DoBqbh-tVtgMmXPZIYskMRoRZRQt89SOpmTmOnkIL1hrWQHdRXbtDlHp3-b7yXpOZFyCyhzI5Dt-xOvImHv1BQQSHPlEaZiTUvrNVvjqI5waN96a49wBPWfLlrbyVStJCAyxXhO6oE/s320/gato-no-matoh.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi escolhida por sua mansidão. Pequenina, flocada, apenas 5 meses de vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o tempo em que teve um lar, caçou cinco ratos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi ficando “mocinha”; e por ser namoradeira, chamavam-na de Flor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o tempo, o pequenino da casa definiu seu nome, passando a ser definitivamente chamada Bibi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bibi ficou prenha, pariu seis gatinhos. Apenas um da ninhada sobreviveu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim eram os dias de Bibi: pegava uma lagartixa ali, uma barata, saltitava pelos muros, ia à casa do vizinho, espiava a rua...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seus donos, assim como Bibi, não tinham casa própria. E sem escolha, tendo que partir a outro imóvel, não podiam permanecer com ela. O dono do imóvel não aceitara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tristes e sem opção, se perguntavam: Com quem deixa-la? Ninguém se habilitava.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, resolveram um lugar “mais seguro.” Para os mais otimistas, uma pequena savana na cidade. Mas tratava-se de um cemitério de gatos vivos e tristes. Veterinários e biólogos para alimentá-la, estudá-la , castrá-la por toda a vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quantos bichanos haviam por ali... Bibi seria mais uma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levada dentro de uma bolsa, assim foi enterrada Bibi: viva e sem cova.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Cecília Villanova)</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/10/historia-de-uma-gata.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhs2DoBqbh-tVtgMmXPZIYskMRoRZRQt89SOpmTmOnkIL1hrWQHdRXbtDlHp3-b7yXpOZFyCyhzI5Dt-xOvImHv1BQQSHPlEaZiTUvrNVvjqI5waN96a49wBPWfLlrbyVStJCAyxXhO6oE/s72-c/gato-no-matoh.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-3175835738293123546</guid><pubDate>Sun, 13 Oct 2013 18:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-10-14T15:42:01.178-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cecília Villanova</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Conto</category><title>PEQUENO CONTO DE AMOR</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg25orC467OzvUJ5d7T-JL6Zaw2Kaix6yvVCW_1PeHB3gCRBbwyIdRfcctxag8XOK47udKXJAQtZeO2BpafD6yOfhJ6BVn83Tjq4LZo_5b7ncnjqIa8klQfyOyzlT6-hJund4RIC-qGC7w/s1600/garoto.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg25orC467OzvUJ5d7T-JL6Zaw2Kaix6yvVCW_1PeHB3gCRBbwyIdRfcctxag8XOK47udKXJAQtZeO2BpafD6yOfhJ6BVn83Tjq4LZo_5b7ncnjqIa8klQfyOyzlT6-hJund4RIC-qGC7w/s320/garoto.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele: - Muito bonito esse seu relógio...&lt;br /&gt;
Ela: - Também acho, um pouco brega, mas acho.&lt;br /&gt;
Ele: - Talvez não combine com essa roupa...&lt;br /&gt;
Alguns dias depois...&lt;br /&gt;
Ela(com ele no pulso) : - Amor, sempre que olho esse relógio, lembro de você.&lt;br /&gt;
Ele sufocado, em seu pensamento, imaginava e multiplicava por quantas vezes no dia ela olhava o relógio e pensava nele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Cecília Villanova)</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/10/pequeno-conto-de-amor.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg25orC467OzvUJ5d7T-JL6Zaw2Kaix6yvVCW_1PeHB3gCRBbwyIdRfcctxag8XOK47udKXJAQtZeO2BpafD6yOfhJ6BVn83Tjq4LZo_5b7ncnjqIa8klQfyOyzlT6-hJund4RIC-qGC7w/s72-c/garoto.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-6277886199646380719</guid><pubDate>Sat, 12 Oct 2013 14:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-10-12T11:48:21.037-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Fred Caminha</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>RAP DO MENOR</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEizuwVt6ruf27zKAkZ6XGQ6AAIbGwP4KuZbYK3g7pl3FLtbDS1iChm81oZxZ5Rf3Fn7cOzv7Fq8S7YZsdgIxYHmf6G325vH_6J1lGb8CLbR59iTvPYz2P49cmwuJQyhvXEhD25Sr7Xl16E/s1600/menor.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEizuwVt6ruf27zKAkZ6XGQ6AAIbGwP4KuZbYK3g7pl3FLtbDS1iChm81oZxZ5Rf3Fn7cOzv7Fq8S7YZsdgIxYHmf6G325vH_6J1lGb8CLbR59iTvPYz2P49cmwuJQyhvXEhD25Sr7Xl16E/s320/menor.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem cama nem mama&lt;br /&gt;
escola ou Coca-Cola&lt;br /&gt;
bota mola&lt;br /&gt;
cheira cola...&lt;br /&gt;
o menor de pouca idade&lt;br /&gt;
no centro da cidade.&lt;br /&gt;
O humano foi à lua&lt;br /&gt;
mas ainda hoje vejo&lt;br /&gt;
crianças comendo lixo na rua.&lt;br /&gt;
O humano foi à lua&lt;br /&gt;
mas ainda hoje vejo&lt;br /&gt;
polícia matar meninos de rua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Fred Caminha)</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/10/rap-do-menor.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEizuwVt6ruf27zKAkZ6XGQ6AAIbGwP4KuZbYK3g7pl3FLtbDS1iChm81oZxZ5Rf3Fn7cOzv7Fq8S7YZsdgIxYHmf6G325vH_6J1lGb8CLbR59iTvPYz2P49cmwuJQyhvXEhD25Sr7Xl16E/s72-c/menor.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-7357792622480510867</guid><pubDate>Sun, 23 Jun 2013 18:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-06-23T15:59:48.700-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Alberto da Cunha Melo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>AOS MESTRES, COM DESRESPEITO</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZoKq7EYJfrXkwH2MwnoSR1EZ_I81UWu5qQWN70H3ojwWXPcy6u9UEkMP-ko1YFVUVXZdOB5_6XO2tipLaVBgJ-xgSbAADwsY5vIu_FfQrsTZXiGNzWUVrvGZhMwNcO_GCuxTlB8xg9q4/s1600/10665_517047825016977_477982799_n.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZoKq7EYJfrXkwH2MwnoSR1EZ_I81UWu5qQWN70H3ojwWXPcy6u9UEkMP-ko1YFVUVXZdOB5_6XO2tipLaVBgJ-xgSbAADwsY5vIu_FfQrsTZXiGNzWUVrvGZhMwNcO_GCuxTlB8xg9q4/s320/10665_517047825016977_477982799_n.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizem que meu povo &lt;br /&gt;
é alegre e pacífico. &lt;br /&gt;
Eu digo que meu povo &lt;br /&gt;
é uma grande força insultada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizem que meu povo &lt;br /&gt;
aprendeu com as argilas &lt;br /&gt;
e os bons senhores de engenho &lt;br /&gt;
a conhecer seu lugar. &lt;br /&gt;
Eu digo que meu povo &lt;br /&gt;
deve ser respeitado &lt;br /&gt;
como qualquer ânsia desconhecida da natureza. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizem que meu povo &lt;br /&gt;
não sabe escovar-se &lt;br /&gt;
nem escolher seu destino. &lt;br /&gt;
Eu digo que meu povo &lt;br /&gt;
é uma pedra inflamada &lt;br /&gt;
rolando e descendo &lt;br /&gt;
do interior para o mar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alberto da Cunha Melo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/06/aos-mestres-com-desrespeito.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZoKq7EYJfrXkwH2MwnoSR1EZ_I81UWu5qQWN70H3ojwWXPcy6u9UEkMP-ko1YFVUVXZdOB5_6XO2tipLaVBgJ-xgSbAADwsY5vIu_FfQrsTZXiGNzWUVrvGZhMwNcO_GCuxTlB8xg9q4/s72-c/10665_517047825016977_477982799_n.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-4281795376648382297</guid><pubDate>Fri, 19 Apr 2013 15:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-04-25T12:05:34.572-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>DECLARAÇÃO SOLENE DOS POVOS INDÍGENAS NO MUNDO</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTwvvNSY_vLMLEYcf71BSeOJIq3LhEXsl2wJLYLj1-bgQXthpqa7QD4E09420w-xkXqbZ2Dh8DbKpVzthyhGQ-7RiDFek8j9DlWPqRyp5p0CFAsKbbhP7JC3XvYxB0Z8BrbGQM_2hB6Uo/s1600/%C3%ADndia1.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTwvvNSY_vLMLEYcf71BSeOJIq3LhEXsl2wJLYLj1-bgQXthpqa7QD4E09420w-xkXqbZ2Dh8DbKpVzthyhGQ-7RiDFek8j9DlWPqRyp5p0CFAsKbbhP7JC3XvYxB0Z8BrbGQM_2hB6Uo/s320/%C3%ADndia1.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nós, povos indígenas do mundo, &lt;br /&gt;
unidos numa grande assembléia de homens sábios,&lt;br /&gt;
declaramos a todas as nações:&lt;br /&gt;
quando a terra-mãe era nosso alimento,&lt;br /&gt;
quando a noite escura formava nosso teto,&lt;br /&gt;
quando o céu e a lua eram nossos pais,&lt;br /&gt;
quando todos éramos irmãos e irmãs, &lt;br /&gt;
quando nossos caciques e anciãos eram grandes líderes,&lt;br /&gt;
quando a justiça dirigia a lei e sua execução,&lt;br /&gt;
aí outras civilizações chegaram!&lt;br /&gt;
Com fome de sangue, de ouro, de terra e de todas as sua riquezas,&lt;br /&gt;
trazendo numa das mãos a cruz e na outra a espada&lt;br /&gt;
sem conhecer ou querer aprender os costumes de nossos povos,&lt;br /&gt;
nos classificaram abaixo dos animais, roubaram nossas terras&lt;br /&gt;
e nos levaram para longe delas,&lt;br /&gt;
transformando em escravos os &quot;filhos do Sol&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, não puderam nos eliminar!&lt;br /&gt;
Nem nos fazer esquecer o que somos,&lt;br /&gt;
porque somos a cultura da terra e do céu,&lt;br /&gt;
somos de uma ascendência milenar e somos milhões.&lt;br /&gt;
Mesmo que nosso universo inteiro seja destruído,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
NÓS VIVEREMOS&lt;br /&gt;
por mais tempo que o império da morte!</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/04/declaracao-solene-dos-povos-indigenas.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTwvvNSY_vLMLEYcf71BSeOJIq3LhEXsl2wJLYLj1-bgQXthpqa7QD4E09420w-xkXqbZ2Dh8DbKpVzthyhGQ-7RiDFek8j9DlWPqRyp5p0CFAsKbbhP7JC3XvYxB0Z8BrbGQM_2hB6Uo/s72-c/%C3%ADndia1.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-2942609179920443590</guid><pubDate>Mon, 15 Apr 2013 22:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-04-15T19:48:27.901-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cecília Villanova</category><title>PÔR-DO-SOL NA UPA</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjD4wb8PIpieSfsqX-zbu9106PvM9zcmZzgxT9v7tMvWJOCftfTQ7KDQGo-t8APtHTKqNjD6bx6nhlJRXFTmRXFOfxyH7I_GeVEVggecW4NRP6ue8JLr8QHPCACsjVkEihRu4uMqMP2BLk/s1600/borboletas.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjD4wb8PIpieSfsqX-zbu9106PvM9zcmZzgxT9v7tMvWJOCftfTQ7KDQGo-t8APtHTKqNjD6bx6nhlJRXFTmRXFOfxyH7I_GeVEVggecW4NRP6ue8JLr8QHPCACsjVkEihRu4uMqMP2BLk/s320/borboletas.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro da minha cabeça um disco de violino arranhado tocava a mesma música.&lt;br /&gt;
De repente corro à primeira lixeira: não há tempo...&lt;br /&gt;
Um vômito súbito: borboletas azuis multifacetadas saem do meu estômago sobrevoando em vôos rasantes todo o saguão de espera. Outras entram na sala de atendimento. Vão se multiplicando, formando nuvens.&lt;br /&gt;
Todos incógnitos, atentos, em silêncio.&lt;br /&gt;
Médicos e pacientes saem das salas e partem para os corredores.&lt;br /&gt;
Alguém está muito doente - grita uma médica.&lt;br /&gt;
- EU VIRO UM CASULO EM UMA FLOR CRISÁLIDA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Cecília Villanova)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/04/por-do-sol-na-upa.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjD4wb8PIpieSfsqX-zbu9106PvM9zcmZzgxT9v7tMvWJOCftfTQ7KDQGo-t8APtHTKqNjD6bx6nhlJRXFTmRXFOfxyH7I_GeVEVggecW4NRP6ue8JLr8QHPCACsjVkEihRu4uMqMP2BLk/s72-c/borboletas.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-8132735727314723375</guid><pubDate>Sat, 06 Apr 2013 23:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-04-07T09:56:46.283-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Recife Antigo</category><title>LEMBRANÇAS DE UM RECIFE ANTIGO</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEid4F5Pndd6Re0ZsHc6S53mVDLICZU1yORj1-4g_54rLgvqR_HJ_bVF5EtO0QPJBtVH91beoIvNKcDaVnN4DSH83KEzY8P6qIGCFqBp1DDOq-11t8_7gKybyMuUaN6h4mBSQgKYs0p8XaI/s1600/recifeantigo.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEid4F5Pndd6Re0ZsHc6S53mVDLICZU1yORj1-4g_54rLgvqR_HJ_bVF5EtO0QPJBtVH91beoIvNKcDaVnN4DSH83KEzY8P6qIGCFqBp1DDOq-11t8_7gKybyMuUaN6h4mBSQgKYs0p8XaI/s320/recifeantigo.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O dia amanhece. São cinco horas da manhã. O apito do trem de melaço anuncia. É alvorada para os quartéis de Marinha. É também o fim de festa nas boates ao redor. Apagam-se as luzes. As radiolas de ficha encerram as suas funções, mas a música ainda está no ar e na mente dos frequentadores, que sem a mínima vontade empreendem o inevitável regresso as sua casas, enquanto outros, ao seu trabalho. São dois Recifes que se chocam entre o dia e a noite.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O velho cais com seus cabeços abarrotados de cabos que prende e acaricia os navios que o mar trouxe. Os trabalhadores se misturam com os marinheiros e as poucas prostitutas que vieram se despedir dos seus amores de ocasião, que em breve o mar os levará de volta: alguns voltarão para os seus braços, outros não mais voltarão, é um eterno adeus. Os rebocadores passam navegando a todo vapor. Aqui e acolá o ensurdecedor barulho dos guinchos de carga e descarga a trabalharem nos navios atracados na Praça Rio Branco, no Marco Zero de Recife. As pessoas começam a se aglomerarem: uns em busca e serviço temporário, já outros porque largaram de algum serviço, alguns desocupados e outros que vieram apenas ver o velho porto e o mar, o mar que agora traz uma suave brisa como que a acariciar a velha cidade, que abre as portas dos seus comércios para mais um dia de labor, até que a noite novamente se faça presente com seu glamour, a noite do Velho Recife, conhecido popularmente como Rio Branco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fecho os olhos! Parece que estou vendo tudo ao meu redor: os letreiros de neon, as artísticas radiolas de ficha importadas por Sonidos JoAguiar &amp; Cia, o velho e falante João Aguiar, a galeria onde se bebia o melhor leite maltado de Recife (onde se fazia o primeiro lanche para começar a noitada). De lá se ouvia o lamento de uma Bouzuki com a música tão diferente. Era Markus, o grego a chamar seus compatriotas para a farra no seu bar, que não por acaso, ficava logo acima do bar “do 28”, número de inscrição da estiva do dono do bar, que vivia repleto de intelectuais e poderosos da cidade. No cardápio um legítimo scotch e, de tira gosto, queijo do reino e azeitonas importadas legítimas, verdes ou pretas, que ficava ao gosto do freguês.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi neste bar que conheci o maior intelectual de Recife, Tomás Seixas, hoje tão esquecido, polêmico, intrigante, mas de uma sensibilidade extrema, também um grande poeta. De vez em quando, íamos jantar no restaurante Gambrinus, com uma excelente comida a la carte, e muito bem frequentado. Lembro que entre a rua da guia e a do Bom Jesus tinha uma barraca conhecida como a barraca do sargento, foi onde eu comi como tira gosto, pela primeira vez, o que hoje o povo inteiro conhece como “arrumadinho” que, na época, ele vendia como charque frita com feijão de corda e, de quebra, vinha farofa e verdura picadinha para fazer volume no prato (isto acompanhado de uma dose da branquinha (cachaça).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para iniciar a noite de farra, era tudo festa. As mulheres a se exibirem nas sacadas das boates, outras nos bares, todas bem vestidas como se fossem a uma festa. O cheiro de perfume francês se espalhava no ar, presente dos marinheiros que vinham de além mar. Ainda existia cavalheirismo e respeito entre as pessoas, eram raras as confusões e, quando aconteciam, era mais por exaltação de alguém que se excedeu na bebida. Nada que não fosse logo resolvido por uma dupla de policiais (Cosme e Damião), ou uma escolta de Fuzileiros Navais. Mas, voltando aos neons, que ficavam nas fachadas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
das boates, eles eram intensos, cheios de cores vivas. Alguns até piscavam como que a invadirem a noite e disputarem com as estrelas. Podia-se ler alguns nomes em francês e inglês, como Moulin Rouge, Chanteclair, Capitólio, Silver S&#39;tar, Tony&#39;s Drinks, Black Tie, Adilia&#39;s Place e, finalmente, os de nome nacionais, como Bar OK, Bar Duas Américas, Bar Royal, Atenas bar, Bar Sargaço, o famoso Bar São Francisco e as boates da Baiana e Bossa nova.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A noite era pura fantasia e alegria. Não havia drogas ou traficantes. Roubo? Era uma coisa rara! Todos se entendiam nos finais de semana, e muitos estendiam a farra durante o dia nos arrecifes (Hoje parque das esculturas de F. Brennand), e quem fazia o transporte da trupe era o jovem barqueiro Severino (Conhecido como “Biu do Rato”, ainda hoje exercendo a profissão), ou o saudoso Sr. Euclides. Farra, só com hora marcada para voltar ou ter que ir a pé até o Pina e continuar no bar Casa Blanca. São lembranças de um Recife que não voltam mais, pois hoje o que nele há de novo não cede espaço para que o Antigo um dia volte. Está presente apenas na memória de quem viveu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Marcos Pereira - poeta, advogado e boêmio)</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/04/lembrancas-de-um-recife-antigo.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEid4F5Pndd6Re0ZsHc6S53mVDLICZU1yORj1-4g_54rLgvqR_HJ_bVF5EtO0QPJBtVH91beoIvNKcDaVnN4DSH83KEzY8P6qIGCFqBp1DDOq-11t8_7gKybyMuUaN6h4mBSQgKYs0p8XaI/s72-c/recifeantigo.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-7087437318415402790</guid><pubDate>Sat, 30 Mar 2013 19:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-03-30T16:40:01.263-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Entrevista</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Raimundo Carrero</category><title>RAIMUNDO CARRERO FALA SOBRE NOVO LIVRO, RELIGIÃO, PROJETOS E PROCESSO CRIATIVO</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgIL6LzpojF2_gEZl78uL32eAqzj0I_pVUHJwsWPSqQtiL6gIX5vL5qfKQkxoyiyoEDZ18rvFV3Uauf1NMjGu-7XTtMJfYGoO_9TH8169AOSUXxFrBGvsMuVpPENkS7OUg1hCNrIrJK0uw/s1600/carrero1.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgIL6LzpojF2_gEZl78uL32eAqzj0I_pVUHJwsWPSqQtiL6gIX5vL5qfKQkxoyiyoEDZ18rvFV3Uauf1NMjGu-7XTtMJfYGoO_9TH8169AOSUXxFrBGvsMuVpPENkS7OUg1hCNrIrJK0uw/s320/carrero1.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Raimundo Carrero em sua biblioteca, bagunçada desde o AVC, em 2010. Foto: Bruna Monteiro/Esp. DP/D.A. Press &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na ansiedade para o lançamento do próximo livro, Tangolomango, em março, mas sem data definida, o escritor pernambucano Raimundo Carrero, natural de Salgueiro, não consegue se dedicar a nenhum dos vários projetos. No notebook que usa para escrever, estão as primeiras frases de três livros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ambiciosa biografia sobre Jesus Cristo, previamente intitulada Jesus – O Deus perseguido, tem aproximadamente 10 páginas e tem tomado seu tempo com leituras sobre o tema. A autobiografia Às vésperas do Sol, inspirada no acidente vascular cerebral que sofreu em 2010, o mais avançado, mas estancada. O terceiro é Lamalagata, obra que dá sequência às obras intricadas, com personagens em comum, que desenvolve desde Maçã agreste (1989).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carrero voltou a andar normalmente há cerca de dois meses. Na sala da casa onde mora, no Rosarinho, o vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, com A minha alma é irmã de Deus (2009), recebeu o Diario para uma conversa sobre Tangolomango, os outros projetos, carreira e religião.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A protagonista de Tangolomango é a misteriosa Tia Guilhermina, que tinha o sonho de ser prostituta e ama o sobrinho Matheus, ao mesmo tempo a grande paixão e a maior vergonha de sua vida. Os dois surgiram em Maçã agreste e tiveram destaque em O amor não tem bons sentimentos (2007), em cujo desfecho Matheus estupra e mata a irmã, Biba, e a mãe, Dolores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entrevista // Raimundo Carrero&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TANGOLOMANGO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que um livro para Tia Guilhermina?&lt;br /&gt;
Porque, na verdade, eu sou muito apaixonado por ela. É uma personagem muito apaixonante, carismática, na verdade. E eu achei que podia trabalhar bem com ela, lutei por ela. Acho que escrevi um romance razoável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Está muito rápido, não é? Bem introspectivo…&lt;br /&gt;
O livro acontece no carnaval, e o carnaval pede essa rapidez. Eu escrevi como se fosse um frevo de bloco, com os movimentos da música. O ritmo interior dela, que é muito cadenciado, também pedia um ritmo mais acelerado. Eu fiz o que pude fazer, escrevendo com um dedo só.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E agora, está escrevendo com as duas mãos?&lt;br /&gt;
Essa mão (a esquerda) está do mesmo jeito. Mas a outra está boa. Na verdade, eu escrevi um conjunto de romances, que englobam sete romances, desde Maçã agreste. Então eu precisava fazer uma relação entre os personagens, porque eu precisava investigar o máximo possível a família e o mundo interior deles. Eles vão falando e se manifestando na primeira pessoa. Parece brincadeira, mas eu precisava conhecer mais o interior deles. Por exemplo, Tia Guilhermina é muito recatada. Ela se envolve com homens, mas ela é muito recatada. Ela se condena e se culpa pela relação com o menino. Relação não, que nunca chegou a acontecer, pela paixão pelo menino. Nunca se concretizou porque ela não deixa. Ela diz “o sangue não trai”. Não se envolve sexualmente coma criança, fica só o desejo e a paixão. Ela não vai, como se diz popularmente, às vias de fato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você acha que isso é por causa de alguma crença sua?&lt;br /&gt;
Possivelmente, pode ser minha. Mas, do ponto de vista técnico, eu também quis associar a imagem a pessoas que não praticavam. O sonho dele de ser prostituta não se realiza porque ela tem medo da solidão da prostituta. Ela diz que tem medo de homem, mas ela tem medo da solidão da prostituição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela não é solitária? Eu achei uma personagem solitária…&lt;br /&gt;
Solitária, ela é, porque ela vive só com os sonhos e as agonias dela. Mas depois ela começa a se soltar mais. Quando ela começa a sentir a paixão pelo menino, ela tem a relação de amizade com o filho adotivo, que é ela quem cria. Ela procura soltar essa solidão no piano, na música, que é o elemento exterior dela. Ela se solta e vai revelando a sua agonia interior. Ela fala como se não se conhecesse. Quando as pessoas falam “quem é Tia Guilhermina?”. Ela não responde nunca, como se fosse uma narrativa indireta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o livro não fala muito bem como ela é fisicamente…&lt;br /&gt;
É uma pessoa pequenininha e chochinha, bem magrinha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que é tão sedutora?&lt;br /&gt;
Porque ela é ansiosa, muito ansiosa. Essas pessoas que se jogam no mundo, não esperam que o mundo venha. Agora muito slitária. Você vê que a boemia dela é solitária. Ela vai muito aos bares, mas vai sozinha. E chora. E espera uma pessoa que não vai aparecer. Ela não marca encontro com ninguém. A pessoa que ela mais queria conhecer é ela mesma. Mesmo quando está com Matheus, ela está só. O que Matheus faz para matar a solidão é ler. Agora Matheus é matreiro, porque ele reconhece a paixão dela e faz de conta que não, embora seduza a tia. Dá um toque erótico na voz quando lê. Ela diz isso, ciúme das palavras. A voz dele tem algo de sensual, erótico. É o menino que seduz, não é o contrário. Ele procura aprofundar e abismar a paixão dela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você lembra como criou Tia Guilhermina?&lt;br /&gt;
Quando eu senti que ela ia aparecer, eu me baseei muito em mulheres solitárias que conheci. Muitas velhinhas solitárias. Aqui no recife é muito comum isso, no interior nem tanto. A família vai crescendo e vai deixando a mãe, avó, tia muito só. Ela começa a viver a vidinha dela sozinha. Essas mulheres foram meu modelo. Na verdade tem um modelo físico, mas não divulgue aí. (põe a mão em cima do gravador)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O livro se passa quando?&lt;br /&gt;
A ação anterior é na década de 1960, 1970.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o carnaval?&lt;br /&gt;
Agora. Já é o Galo da Madrugada. Quando eu cheguei no Recife, existia uma coisa chamada Manhã de Sol, que era muito bonita, com orquestra, escola de samba, a partir da manhã até 16h, 17h. E eu achava aquilo muito bom. Aí levei Tia Guilhermina para procurar a Manhã de Sol. Mas não encontrou e encontrou o Galo da Madrugada. Aquele strip tease dela foi uma surpresa. Eu não esperava que ela fizesse aquele strip tease não. Ela não queria fazer strip tease não. Ela queria trocar de roupa. Só que ela, irresponsavelmente, tirou a roupa no meio da rua. Quando ela prestou atenção, estava todo mundo olhando para ela, e aplaudindo. Como a curra também foi uma surpresa. Ela vai indo para casa. Quando chega na Torre, ela encontra uns rapazes em um jipe. Para mim, eu só queria mesmo um passeio. No caminho, eles param o carro, vão comer em um restaurante popular um cozido. Ela come também aquele cozido cheiroso, cheio de comidas e gorduras. Aí ela sente vontade de ir ao banheiro. Quando ela está lá, os rapazes invadem o banheiro e a estupram e curram. Aí ela sai dali morrendo de febre, dor de cabeça, mal-estar. E começa a ver a família, encontra um grupo de circo. Como estão todos cheios de estopa, ela começa a reconhecer a família dela todinha. Ela vai para casa, e os fantasmas ficam em casa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É um amor impossível contemporâneo?&lt;br /&gt;
Digamos que sim. Não tem como solucionar. Perfeitamente impossível, até porque ela não quer realizar. Em um dado momento, ele já era um rapaz, um homem feito. É aquela história das mulheres modernas que acham que têm que dar banho nos meninos nuas. Só que elas esquecem que as crianças têm um alto grau de erotização. E ele passa a ter desejo por ela, só que ele não fala. Só quem fala é ela, que passa a comandar toda a história.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando ele seduz Tia Guilhermina, ele quer mesmo ou é só um jogo?&lt;br /&gt;
Quer. Ele quer. Ele tem plena consciência de tudo. Tem uma cena do banho que ele começou a se abraçar com ela no banho. Ela aceitou, mas depois mandou ele sair, ir para a bacia dele. Naquela hora, ele sente que também tem paixão por ela. Mas, por algum motivo, não realiza nada. Eu poderia terminar o romance, seria muito curioso, com o estupro dela por ele, como eu terminei O amor não tem bons sentimentos. Mas seria excessivo. Passa a perder a credibilidade. O romancista tem que ter noção da sua dose perfeita, para não ficar ridículo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ele ia virar um personagem…&lt;br /&gt;
Sem graça, assassino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente ia passar a detestá-lo.&lt;br /&gt;
Ele é estuprador da mãe e da irmã, mas ele passa uma imagem simpática, que faz aquilo porque foi erotizado pela tia. Como ele viveu próximo da mãe e da irmã, era resultado da paixão que ele tinha pelas duas. Eu pensei em encontrar um romance de Dolores (mãe de Matheus), mas era muito difícil, porque ela não fala nem pensa. A meninazinha pergunta: “mãe, você não fala”. Aí ela: “não falo nem penso”. Posso até fazer, mas vai ser muito difícil. Um romance só de imagens e metáforas. Dolores era seca, ao contrário de Tia Guilhermina. Pode ser que depois eu faça. Meu projeto imediato, você sabe disso, é a biografia de Cristo. Já comecei a rascunhar. E depois uma novela sobre uma personagem chamada Paloma, amiga de Camila, de A minha alma é irmã de Deus. É uma menina bem malvada. O nome da novela é Lamalagata, uma palavra que eu inventei. Significa a gata má. Lamalagata – O caminho da águia no ar. O romance de Cristo está me dando muito trabalho, porque eu precisei de muitas informações seguras, por exemplo, sobre a infância dele. Como foi a infância dele? Como foi a formação dele? Se bem que ele não precisava de formação. Quem precisa é a gente, porque ele é Deus. Dizem que tem um livro desse Papa que está saindo, chamado A infância de Cristo. Eu quero ler, porque é muito curioso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A linguagem desse livro está muito leve. As vírgulas, os adjetivos vêm em uma sequência que parece obrigatória…&lt;br /&gt;
Eu escrevo como quem compõe. Tem a melodia e o ritmo. O ritmo é um só, os andamentos são diferentes. Quem conhece andamento sabe que andamento… O romance tem que ser mais triste, mais alegre, mais angustiado, mais triste, alegre alegre. Qualquer pessoa que conhece partitura de música vai ver. A frase tem que ser naquela hora. Tanto que circula a primeira e a terceira pessoa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, não sentimos onde começa e termina a citação. É tudo muito sequenciado.&lt;br /&gt;
A técnica não é monólogo. É uma falta de terceira pessoa. Narra na terceira, mas na verdade é a primeira. Às vezes, Tia Guilhermina salta e fala. É uma coisa trabalhosa, mas eu consegui. É algo que persegui há muito tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RELIGIÃO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu acho uma loucura esse projeto.&lt;br /&gt;
Eu acho não. Acho uma maravilha. Não é uma biografia no sentido jornalístico. Histórico é. Começa com Nossa Senhora cantando no deserto, indo para Belém, cantado Magnificat. E aí várias ações ocorrem. A lembrança dela do anjo, quando anunciou a ela. A visita de Isabel e ainda a simbologia de pisar uma cobra. O romance vai chamar Jesus – O Deus perseguido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem vai narrar?&lt;br /&gt;
O narrador na terceira pessoa. Começa com Nossa Senhora contando a maravilha que ela sentia e lembrando os fatos e pisando na cobra e andando para Belém, onde Jesus nasceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que você achou da renúncia do Papa?&lt;br /&gt;
Para mim, é um aviso à humanidade, uma espécie de recado de Deus. Não é uma renúncia qualquer, é um recado de Deus. O mundo está precisando de luz. Ele está pedindo a gente que renuncie à vulgaridade, esse é o significado da renúncia. Pelo pecado que mais a gente tem, do amor ao corpo pelo corpo, sem nenhuma transcendência. Mesmo essas igrejas que proclamam o nome de Cristo o tempo todo têm uma vaidade muito grande.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sobre a polêmica em torno da renúncia?&lt;br /&gt;
Acho normal. É tão raro, teria que provocar mesmo um debate muito forte. Vejo como um recado. “Se meu filho, que é meu representante na Terra, por renunciar, por que vocês não podem?” Do ponto de vista religioso, esse momento é muito grave. Claro que a Igreja tem seus problemas. A Igreja é santa e pecadora ao mesmo tempo, porque nós somos filhos do pecado de Adão e Eva, mas também de Maria também. Somos santos com ela. É o momento em que o homem deve ser mais humilde, se aproximar mais de Jesus Cristo e renunciar ao mundo, no sentido da depravação pecaminosa, do amor ao dinheiro, excesso de amor ao corpo, como se não existisse nada que não o corpo. E o resto?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você acha que o Papa renunciou por quê?&lt;br /&gt;
Como cardeal, ele conhecia todos os problemas da Igreja. Mas como Papa, esse conhecimento passou a ser outro. Ele preferiu voltar a viver como cardeal. Ser Papa é muito difícil, porque significa colocar o mundo nos ombros, literalmente, não é metaforicamente não. E o Papa significa martírio. Ali, ele tem que ser extremamente sincero. E aquilo pesou muito. Deus disse a ele “tudo bem, já que está muito pesado para você, você renuncia e vem a mim na qualidade de religioso. Vamos dar esse exemplo ao mundo, que Deus avisa ao homem que é preciso renunciar, largar o mundo como ele está, muito violento, erótico, corrupto, que é mais grave, e feio. É hora de refletir, analisar e transcender. Deus está pedindo uma renúncia ao mundano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você já escreveu muito?&lt;br /&gt;
Nem 10 páginas, porque é muito trabalhoso. Não é só contar uma história. E eu estava escrevendo esse. Terminei em setembro. O que me alegrou foi que, no mesmo dia em que mandei, aprovaram o livro. E ela (a editora) usou uma frase que me impressionou muito: “fiquei muito impactada”. As pessoas que estão lendo têm dado uma resposta muito forte, muito bonita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ÁS VÉSPERAS DO SOL&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E a sua autobiografia?&lt;br /&gt;
Estou escrevendo, mas minha psicóloga diz que a dificuldade vem do medo de mim mesmo. Eu andei muito pouco. Tem umas 50 páginas escritas, mas tem que lembrar dores, angústias. Esse romance (Tangolomango) me tomou muito. Fiquei quase exclusivamente com ele o dia todo. Eu acordava planejado para escrever À véspera do Sol, mas a saudade de Tia Guilhermina, que agora é muito grande… Você convive com a pessoa dias e anos, e de repente a pessoa parte, sem chance de retorno. Eu tinha paixão e afeto por Tia Guilhermina, muito carinho por ela. Tomou conta dos meus sonhos e da minha pele. No meu primeiro romance, Bernarda Soledade foi muito forte para mim. Mas foi um fenômeno muito diferente. Eu escrevi em cinco dias. Eu estava na fazenda com minha ex-sogra, e escrevia 20 páginas por dia. Foi uma paixão fulminante. Sinto saudades muito remotas, mas Tia Guilhermina é mais carnaval, está na minha pele, toca em mim. Quando eu saí do hospital, em novembro de 2010, eu comecei a trabalhar esse livro. No começo, eu ditava para a terapeuta, Elaine. Até que eu decidi eu decidi não ditar mais, quis escrever, mesmo com um dedo só. Deu trabalho, às vezes eu me confundia, mentalmente me confundia. Ditar não é escrever. Escrever é um ato físico, sensual até.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RECUPERAÇÃO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você ainda faz terapia ocupacional?&lt;br /&gt;
Faço, mas segunda e sábado só. Eu estou andando bem, me mexo bem. Só muita dor na coluna e nas costas. Vamos dar uma voltinha? (e se levanta para caminhar no corredor)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carrero, e o centro cultural (projeto que vai desenvolver em uma casa no Rosarinho, perto da casa onde mora)?&lt;br /&gt;
Vai ficar pronto no segundo semestre, mas depende de patrocínio. Espero fazer a parte interna ainda agora, eu tenho um dinheirinho no banco, vou fazer. Derrubar as paredes e fazer as salas, para a oficina de literatura e cinema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tem algum romance surgindo?&lt;br /&gt;
Esse dois tu achas pouco?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não, mas queria saber. Não custa perguntar, você não é de biografias…&lt;br /&gt;
Tem Lamalagata. Já tem a abertura. Vou mostrar a você.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você não tem medo de ser criticado?&lt;br /&gt;
Não. É a visão do autor, não da Igreja. Vou seguir ao máximo a visão da Igreja. Mas, inevitavelmente, alguém vai criticar. É até natural. “Carrero fez tudo errado”. No livro, tem um erro proposital, diz que o Galo da Madrugada é no domingo. Mas eu precisava dos cachorros de domingo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você escreve ainda nessa poltrona?&lt;br /&gt;
É. Computador é muito bom.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você passa o dia todo no Facebook, né? O que você acha do site, hein?&lt;br /&gt;
O dia todo. É um negócio ótimo. A gente pode conversar com um grande número de pessoas, conversar com gente que nem conhece, admiradores, pessoas que gostam da gente, da obra da gente. Mas tem invasões horríveis também.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já aconteceu alguma invasão dessas?&lt;br /&gt;
Já. Gente que vem falar de sexo, “quer f… comigo?” Aquela palavrinha… “Não sei quem é você, como posso querer”. “Mas queira, queira que a gente faz”. “Eu não, quero não”. Aí mandam fotos de mulher nua, que a gente vê que são fotos de revista. Outra pessoa veio criticar o livro, sem ler. “Você quer fazer sucesso sem lançar livro”. O livro tem quatro etapas. A primeira é o planejamento, depois escrita, depois divulgação e promoção. Quarta, vendas. Estou na fase de divulgação e promoção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você se acha vaidoso?&lt;br /&gt;
Sou, razoável. Não existe artista que não é vaidoso. Agora não pode deixar tomar conta. Tem gente que toda vez que escreve um livro acha que mudou a superfície da face da Terra, ou que é mais importante porque ganhou um prêmio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem escrito?&lt;br /&gt;
Não, com a ansiedade do lançamento, não sai nada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como está o dia a dia?&lt;br /&gt;
Fisioterapia, hidroterapia, Cepe três vezes na semana, dou aula na terça, quarta e quinta, na Academia Pernambucana de Letras, na livraria CUltura Nordestina e na UBE e vou a médico e exame que só a peste. Segunda-feira, tive uma crise de coluna dessas que arrebentam de dor e passei o dia inteiro, no soro e tomando antibiótico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
LITERATURA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas está produzindo muito, né?&lt;br /&gt;
Eu escrevo muito. Sempre escrevi muito. Para ter uma ideia, em 1986, eu escrevi três romances e publiquei três. O senhor dos sonhos, Sombra severa e Além da baleia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Qual o intervalo bom entre um livro e outro?&lt;br /&gt;
Dois anos. No primeiro ano, você recupera as energias. Eu escrevo primeiro as cenas que acho mais fortes. Escrevo uma, duas, três e depois junto, como em um jogo de armar mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Geralmente você começa pela abertura, né?&lt;br /&gt;
Que tem que ser naturalmente muito forte. Não é muito forte, embora eu ache forte, a velhinha andando na cidade. É como quem vai em busca do destino. O primeiro bairro no Recife que eu conheci foi São José. E era um bairro lindo, embora fosse austero, com casas distantes. Mas era a alma do Recife. Outro dia eu passei lá, achei horrível. Aí escrevi aquela abertura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SAUDADES&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Qual a última vez que você brincou carnaval?&lt;br /&gt;
Há muitos anos. Eu só brincava carnaval quando era do Diario de Pernambuco. Eu era chefe de redação, aí descia quando todos os repórteres iam embora, ia para a Guararapes, Rua Nova, até a década de 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tem saudade?&lt;br /&gt;
Eu tenho vontade de ver. Eu sou muito triste, gosto muito da solidão… “Felinto, Pedro Salgado, Guilherme Fenelon”, “Adeus, adeus, minha gente”. Isso é tristeza, não é não? Aí Capiba canta “De chapéu de sol aberto pelas ruas eu vou, a multidão me acompanha, eu vou”. Aí depois ele fala de solidão, tristeza. O Recife é triste. As pessoas não gostam de dizer, mas o Recife é triste. O carnaval do Recife é tristíssimo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você já escreveu ouvido música?&lt;br /&gt;
Não, porque a música me desvia. Como eu sou músico (Carrero toca saxofone e integrou várias bandas), a música me desconcentra, eu me vejo tocando saxofone. Eu acho que eu devia ter continuado. Eu não fui fiel a mim mesmo. Mas eu toquei muito, demais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você preferiria tocar a escrever?&lt;br /&gt;
Preferia escrever, mas tendo o saxofone como companheiro. Eu estava pensando em voltar, comprar um sax novo, mas com essa mão assim não posso tocar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você já pensou em parar de escrever?&lt;br /&gt;
A única coisa no mundo que eu não faria por ninguém. Só tem duas pessoas que me fariam parar: meus filhos. Como eles não vão pedir isso, porque eles sabem que é minha vida. Eu pararia, mas com grande sofrimento. Minha vida perderia o sentido. Tenho mulher, filhos, família, gosto muito de todos, mas não viveria sem escrever. Quando eu saí do hospital, vim para casa doido para escrever. Achei que ia ser mais fácil, mas não foi. A médica disse que eu perdi 20% da minha capacidade cognitiva. Mas escrevi o romance.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você teve medo?&lt;br /&gt;
Tive, quando estava no hospital. Eu me esforçava o tempo todo para pensar em um romance. Pensei muito em Tia Guilhermina. Cheguei em casa já procurando o computador, mas não consegui escrever nada. Aí depois consegui criar a história e a terapeuta digitava.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Luiza Maia)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Publicação: 06/03/2013 07:00 Atualização: 06/03/2013 09:34&lt;br /&gt;
</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/03/raimundo-carrero-fala-sobre-novo-livro.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgIL6LzpojF2_gEZl78uL32eAqzj0I_pVUHJwsWPSqQtiL6gIX5vL5qfKQkxoyiyoEDZ18rvFV3Uauf1NMjGu-7XTtMJfYGoO_9TH8169AOSUXxFrBGvsMuVpPENkS7OUg1hCNrIrJK0uw/s72-c/carrero1.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-805246461004389912</guid><pubDate>Mon, 18 Mar 2013 20:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-03-18T17:57:14.168-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cecília Villanova</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Fred Caminha</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>UM RETALHO HISTÓRICO DA POESIA EM PERNAMBUCO</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZmUJG15U9ITRJkgFzYZ6CyZ3zJmeL1tHCeROPsHbP_bIhMEhw4qfTYvxtnNSNtiben6uuFFYNmNJe3RvD82BWlPO5JJamTYBh0T1xcRplEe27_jK6mW0IqT3cxEldMywhrOaXEfTPqMw/s1600/curt%C3%ADssimo.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZmUJG15U9ITRJkgFzYZ6CyZ3zJmeL1tHCeROPsHbP_bIhMEhw4qfTYvxtnNSNtiben6uuFFYNmNJe3RvD82BWlPO5JJamTYBh0T1xcRplEe27_jK6mW0IqT3cxEldMywhrOaXEfTPqMw/s320/curt%C3%ADssimo.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1998, na capital pernambucana, foi editado o folheto de poesias CURTÍSSIMO dos poetas Cecília Villanova e Fred Caminha. Vendido em massa, circulou pelas ruas do Recife Antigo, propriamente na Rua do Bom Jesus, onde dividiam espaço de vendas com engraxates, vendedores de amendoim, Lampião do Cordel, Irah Caldeira, que na época cantava na noitada e &quot;fechava a noite&quot; cantando Romaria. Algumas residências daqueles que adquiriam o folheto amanheciam cheias de poesia. Foi uma época de intenso movimento literário.</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/03/um-retalho-historico-da-poesia-em.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZmUJG15U9ITRJkgFzYZ6CyZ3zJmeL1tHCeROPsHbP_bIhMEhw4qfTYvxtnNSNtiben6uuFFYNmNJe3RvD82BWlPO5JJamTYBh0T1xcRplEe27_jK6mW0IqT3cxEldMywhrOaXEfTPqMw/s72-c/curt%C3%ADssimo.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-2683770578853487114</guid><pubDate>Fri, 15 Feb 2013 16:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-02-21T14:12:37.204-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia de Cordel</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Xilogravura</category><title>ENCONTRO DE CORDEL REÚNE ESCRITORES E XILÓGRAFOS EM BRASÍLIA</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYQJW086GYvAHNh9Rou8m4OgF5pmEUGkwaVFXTlhWB9YLyNEfTf-0ogKdSsFAh-D2ro-DURi3XNSTYhZOH4-t0_Idzmt9s6gKVCU06mHvCZHcW95Mx6b6wEUGZGE4rzlaqnET2XD2gCqU/s1600/cordel.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYQJW086GYvAHNh9Rou8m4OgF5pmEUGkwaVFXTlhWB9YLyNEfTf-0ogKdSsFAh-D2ro-DURi3XNSTYhZOH4-t0_Idzmt9s6gKVCU06mHvCZHcW95Mx6b6wEUGZGE4rzlaqnET2XD2gCqU/s320/cordel.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Brasília – Escritores e xilógrafos participam do 2º Encontro Nordestino de Cordel, no Centro Cultural da Caixa. Os principais objetivos do evento são o reconhecimento da literatura popular, criar um sindicato para os poetas populares e discutir a realização da primeira bienal sobre o tema. Hoje (15), último dia do encontro, haverá debates e oficinas de escrita e xilogravura (técnica de reprodução de uma imagem na madeira).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para o cordelista e criador do projeto cordel em sala de aula, Arievaldo Viana Lima, a ideia é dar andamento a vários projetos discutidos no primeiro encontro, como a criação do sindicato. “O que nós queremos é reconhecimento do cordel como uma vertente literária e não como uma peça folclórica”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lima destacou ainda a contribuição cultural do cordel na Região Nordeste. “Oitenta por cento da população nordestina são consideradas analfabetas, entretanto, se produziam 100 mil exemplares de folhetos [de cordel] e eles se esgotavam em seis meses. Como uma população tida como analfabeta consumia 100 mil exemplares de uma obra? A população buscava uma forma de se informar, de se autoalfabetizar”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antônio Francisco Teixeira de Melo, de 64 anos, escreve e recita versos há 19 anos. Aprendeu a ler com o cordel que o pai sempre comprava. Escreveu seu primeiro cordel por brincadeira e desde então não parou, já publicou seis contos. “Eu escrevo para fazer um mundo menos ruim”. Para ele, o cordel “é escrever e meditar&quot;. &quot;O cordel é ver as coisas que a gente não consegue vê com os olhos, ele é como uma luneta. É também a identidade do nordestino”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O xilógrafo e presidente da Associação dos Gravadores do Cariri no Ceará, José Lourenço Gonzaga, trabalha com a xilogravura de cordel há 30 anos. Ele conta que a técnica chegou ao estado por meio de um dos maiores incentivadores do cordel no Ceará, José Bernardo.  “O processo dessa técnica requer a arte de esboço do desenho, de retalhamento e de impressão da gravura&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gonzaga conta que não existem cursos específicos que ensinam a técnica em oficinas. “Tivemos uma oficina na Bienal do Livro aqui em Brasília no ano passado e já fomos convidados para ministrar oficinas de xilogravura na próxima Bienal do Livro, que ocorrerá aqui em 2014&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formado em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília (UnB), Valdério Costa trabalha há 20 anos com a xilogravura, técnica que aprendeu na infância.  Em sala de aula, Costa ensina a técnica com foco no resgate da cultura popular brasileira. “Talvez a cultura popular não seja tão veiculada na mídia, mas é uma coisa que representa a tradição do nosso Nordeste. E quando se tem uma formação acadêmica, é imprescindível mantê-la”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fonte: Agência Brasil</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/02/encontro-de-cordel-reune-escritores-e_21.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYQJW086GYvAHNh9Rou8m4OgF5pmEUGkwaVFXTlhWB9YLyNEfTf-0ogKdSsFAh-D2ro-DURi3XNSTYhZOH4-t0_Idzmt9s6gKVCU06mHvCZHcW95Mx6b6wEUGZGE4rzlaqnET2XD2gCqU/s72-c/cordel.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-6085011234557186790</guid><pubDate>Wed, 30 Jan 2013 18:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-02-06T09:49:14.063-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Allan Sales</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>A LESMA LERDA...</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhMlqfbk9Yg8MeKhrJ5r3b8ypLlIw4fRaNfpy5USB2wfPFVgScNRCyjPm99A6uwmmqan8qbW_bh4AwSD3yyfTaOHrRLeQAVzVTPQzGA3s9idHowz8rGCUX33cxm_-XLZdyDQKO9Yym8R6c/s1600/tarsila-do-amaral-operarios.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;236&quot; width=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhMlqfbk9Yg8MeKhrJ5r3b8ypLlIw4fRaNfpy5USB2wfPFVgScNRCyjPm99A6uwmmqan8qbW_bh4AwSD3yyfTaOHrRLeQAVzVTPQzGA3s9idHowz8rGCUX33cxm_-XLZdyDQKO9Yym8R6c/s320/tarsila-do-amaral-operarios.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Futebol religião&lt;br /&gt;
Orgias de carnaval&lt;br /&gt;
O povão se consolando&lt;br /&gt;
Leva vida trivial&lt;br /&gt;
Desde o tempo dos portugas&lt;br /&gt;
O povão procura fugas&lt;br /&gt;
Não saídas do curral&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E assim que diz amém&lt;br /&gt;
Dando graças ao sistema&lt;br /&gt;
Pois povão não vê problema&lt;br /&gt;
Tem o céu na vida além&lt;br /&gt;
E fudido sem vintém&lt;br /&gt;
Pindaíba mais geral&lt;br /&gt;
O projeto nacional&lt;br /&gt;
Caducou hoje tem rugas&lt;br /&gt;
O povão procura fugas&lt;br /&gt;
Não saídas do curral&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A boiada bem tocada&lt;br /&gt;
Se diverte vê novela&lt;br /&gt;
BBB em porca tela&lt;br /&gt;
E assim inebriada&lt;br /&gt;
Leva vida desgraçada&lt;br /&gt;
Mas não acha nada mal&lt;br /&gt;
Reação lenta afinal&lt;br /&gt;
Com que as tartarugas&lt;br /&gt;
O povão procura fugas&lt;br /&gt;
Não saídas do curral&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu povim pobre fudido&lt;br /&gt;
Mesmo assim tão conformado&lt;br /&gt;
Esperando pelo estado&lt;br /&gt;
Do burguês empedernido&lt;br /&gt;
Dá seu voto e iludido&lt;br /&gt;
Em um pleito eleitoral&lt;br /&gt;
É de carga um animal&lt;br /&gt;
Sua consciência aluga&lt;br /&gt;
O povão procura fuga&lt;br /&gt;
Não saída do curral&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eita que povo animado&lt;br /&gt;
Vadiando na folia&lt;br /&gt;
Exalando uma alegria&lt;br /&gt;
De plebeu alienado&lt;br /&gt;
É feliz sendo enganado&lt;br /&gt;
Na tragédia social&lt;br /&gt;
A folia um gardenal&lt;br /&gt;
Enquanto um vampiro suga&lt;br /&gt;
O povão procura fuga&lt;br /&gt;
Não saída do curral&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eita que povo de fé&lt;br /&gt;
À espera de um messias&lt;br /&gt;
E das santas profecias&lt;br /&gt;
Que falou a santa sé&lt;br /&gt;
Ô povim tão Zé Mané&lt;br /&gt;
Chega a ser débil mental&lt;br /&gt;
Defasagem cultural&lt;br /&gt;
Que na mente dá verruga&lt;br /&gt;
O povão procura fuga&lt;br /&gt;
Não saída do curral&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu doutor dê-me licença&lt;br /&gt;
Mas eu quero vomitar&lt;br /&gt;
Pois dá nojo de olhar&lt;br /&gt;
Vejo como uma ofensa&lt;br /&gt;
Essa massa pouco pensa&lt;br /&gt;
Pensa a classe patronal&lt;br /&gt;
Que montada em capital&lt;br /&gt;
Só avança e não refuga&lt;br /&gt;
O povão procura fuga&lt;br /&gt;
Não saída do curral&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(ALLAN SALES)</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/01/a-lesma-lerda.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhMlqfbk9Yg8MeKhrJ5r3b8ypLlIw4fRaNfpy5USB2wfPFVgScNRCyjPm99A6uwmmqan8qbW_bh4AwSD3yyfTaOHrRLeQAVzVTPQzGA3s9idHowz8rGCUX33cxm_-XLZdyDQKO9Yym8R6c/s72-c/tarsila-do-amaral-operarios.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-417199061120815357</guid><pubDate>Sat, 19 Jan 2013 18:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-01-19T15:13:08.651-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Elis Regina</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poema</category><title>SAUDADE DA PIMENTINHA!</title><description>Há exatos 31 anos o mundo perdia a doce e aveludada voz de Elis Regina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEggKS0LgYa6zeVG1kwTIrdBcT1GEFIk1Ud1vpxbiBDj3K_2CXlO9-bi3qEHR-2JfEJBmjSotFevH91syf7BXL4wfLfY91ISvIsaHdIEtrLqFeNp6Agp3guqWoCCvRj-It9TZmbpbzH_9_A/s1600/elis.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;238&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEggKS0LgYa6zeVG1kwTIrdBcT1GEFIk1Ud1vpxbiBDj3K_2CXlO9-bi3qEHR-2JfEJBmjSotFevH91syf7BXL4wfLfY91ISvIsaHdIEtrLqFeNp6Agp3guqWoCCvRj-It9TZmbpbzH_9_A/s320/elis.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu sorriso e sua voz ficaram para sempre eternizados!&lt;br /&gt;
Escutem POEMA, composição de Fernando Dias, na voz de Elis.&lt;br /&gt;
O vídeo trás belíssimas imagens da nossa diva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;iframe width=&quot;420&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;http://www.youtube.com/embed/tehDlzNBI3E&quot; frameborder=&quot;0&quot; allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
POEMA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Poema é noite cheia de armagura.&lt;br /&gt;
Poema é a luz que brilha lá no céu.&lt;br /&gt;
Poema é ter saudade de alguém, que a gente quer e que não vem.&lt;br /&gt;
Poema é um cantar de um passarinho, que vive ao perder seu ninho, é a esperança de o encontrar.&lt;br /&gt;
Poema é a solidão da madrugada, um ébrio triste na calçada, querendo a Lua namorar.&lt;br /&gt;
Poema é um cantar de um passarinho, que vive ao perder seu ninho, é a esperança de o encontrar.&lt;br /&gt;
Poema é a solidão da madrugada, um ébrio triste na calçada, querendo a Lua namorar.</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/01/saudade-da-pimentinha.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEggKS0LgYa6zeVG1kwTIrdBcT1GEFIk1Ud1vpxbiBDj3K_2CXlO9-bi3qEHR-2JfEJBmjSotFevH91syf7BXL4wfLfY91ISvIsaHdIEtrLqFeNp6Agp3guqWoCCvRj-It9TZmbpbzH_9_A/s72-c/elis.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-7520663268134910571</guid><pubDate>Sun, 13 Jan 2013 19:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-01-13T16:03:21.735-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Justiça Total</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Valmir Jordão</category><title>POETA VALMIR JORDÃO RECITA</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi1NKdKdWN-ZERemXkXIs26GeRXt6Fnmw4Rld8xBmgZ_nd1oX5CAWArKGjtsFmu5T0-klu-db8zWTLK2cJg6IBe4B0s79gV0ynNEhiZNV6YHc5GTAKg-Ne_QEim_fYvzcXhZU6ye0G7ENI/s1600/coca.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;266&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi1NKdKdWN-ZERemXkXIs26GeRXt6Fnmw4Rld8xBmgZ_nd1oX5CAWArKGjtsFmu5T0-klu-db8zWTLK2cJg6IBe4B0s79gV0ynNEhiZNV6YHc5GTAKg-Ne_QEim_fYvzcXhZU6ye0G7ENI/s400/coca.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2013/01/poeta-valmir-jordao-recita.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi1NKdKdWN-ZERemXkXIs26GeRXt6Fnmw4Rld8xBmgZ_nd1oX5CAWArKGjtsFmu5T0-klu-db8zWTLK2cJg6IBe4B0s79gV0ynNEhiZNV6YHc5GTAKg-Ne_QEim_fYvzcXhZU6ye0G7ENI/s72-c/coca.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-4083869104824285297</guid><pubDate>Mon, 24 Dec 2012 20:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-12-24T17:04:46.326-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Drummond</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Natal</category><title>PAPAI NOEL ÀS AVESSAS</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj5XYqFE9vmlKVc1LC96zy7vgVoMEY09RQctRvvogfJzJnk690dHIHNTbGGT5nHJvw56U8ft7xdK1nqcr1RnCoODOcoZZcgL838dV6xxcD0MA1aYm21LXErFUnALS1511ZWO23z3h-8L8I/s1600/papai+noel.2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;251&quot; width=&quot;201&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj5XYqFE9vmlKVc1LC96zy7vgVoMEY09RQctRvvogfJzJnk690dHIHNTbGGT5nHJvw56U8ft7xdK1nqcr1RnCoODOcoZZcgL838dV6xxcD0MA1aYm21LXErFUnALS1511ZWO23z3h-8L8I/s320/papai+noel.2.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Papai Noel entrou pela porta dos fundos&lt;br /&gt;
(no Brasil as chaminés não são praticáveis),&lt;br /&gt;
entrou cauteloso que nem marido depois da farra.&lt;br /&gt;
Tateando na escuridão torceu o comutador&lt;br /&gt;
e a eletricidade bateu nas coisas resignadas,&lt;br /&gt;
coisas que continuavam coisas no mistério do Natal.&lt;br /&gt;
Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos,&lt;br /&gt;
achou um queijo e comeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender.&lt;br /&gt;
Teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças&lt;br /&gt;
(no Brasil os Papai-Noéis são todos de cara raspada)&lt;br /&gt;
e avançou pelo corredor branco de luar.&lt;br /&gt;
Aquele quarto é o das crianças&lt;br /&gt;
Papai  entrou compenetrado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais lindos&lt;br /&gt;
mas os sapatos deles estavam cheinhos de brinquedos&lt;br /&gt;
soldados mulheres elefantes navios&lt;br /&gt;
e um presidente de república de celulóide.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Papai Noel agachou-se e recolheu aquilo tudo&lt;br /&gt;
no interminável lenço vermelho de alcobaça.&lt;br /&gt;
Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto&lt;br /&gt;
que lá dentro mulheres elefantes soldados presidente brigavam por causa do  aperto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os pequenos continuavam dormindo.&lt;br /&gt;
Longe um galo comunicou o nascimento de Cristo.&lt;br /&gt;
Papai Noel voltou de manso para a cozinha,&lt;br /&gt;
apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Carlos Drummond de Andrade)</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2012/12/papai-noel-as-avessas.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj5XYqFE9vmlKVc1LC96zy7vgVoMEY09RQctRvvogfJzJnk690dHIHNTbGGT5nHJvw56U8ft7xdK1nqcr1RnCoODOcoZZcgL838dV6xxcD0MA1aYm21LXErFUnALS1511ZWO23z3h-8L8I/s72-c/papai+noel.2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-8801221900892953378</guid><pubDate>Fri, 21 Dec 2012 21:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-12-21T18:28:10.639-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poeta Zizo</category><title>POETA ORIGINAL FICOU TRISTE AO SE VER RETRATADO</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVA6AFw5OgeqqcAz_1mlRxkrEyOPt7Ya1SkBQtXe0_jIIJtLmxroPcmbWp9NZd7ULHWqxmeB1csZBwi-HYG29UbKRH5PI6gNIKiRab6nq8AF98MnkNeKnfuIzAsIqoGdSEvNtMGEkPkp4/s1600/zizo.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; width=&quot;292&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVA6AFw5OgeqqcAz_1mlRxkrEyOPt7Ya1SkBQtXe0_jIIJtLmxroPcmbWp9NZd7ULHWqxmeB1csZBwi-HYG29UbKRH5PI6gNIKiRab6nq8AF98MnkNeKnfuIzAsIqoGdSEvNtMGEkPkp4/s320/zizo.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar do poeta de &quot;Febre do Rato&quot; se chamar Zizo, o homem que o teria inspirado não se vê no filme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;A única hora em que me vi foi quando ele monta o jornal&quot;, conta José Maria de Lima Filho, ou Zizo, que começou a publicar folhetos de poesias no Recife em 1982.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Zizo, aos 62 anos, é uma figura doce. Vende seu panfleto poético &quot;Caos&quot; por R$ 2 com a ajuda de amigos de copiadoras recifenses, que tiram 50 cópias de graça para ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diz que gostou do filme de Cláudio Assis, principalmente da interpretação de Santos, mas que nunca tirou a roupa em público ou fez sexo com mulheres mais velhas em uma caixa d&#39;água no quintal de casa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Isso é mais coisa de Miró. Eu fiquei bastante triste por Cláudio não o ter colocado no filme, disse a ele que era uma injustiça&quot;, diz Zizo, citando outro poeta marginal da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Não sou de sair recitando e jamais tiraria a roupa. Gosto de ficar escondido&quot;, confessa Zizo, que aparece no filme estranhamente sem sua obsessão: &quot;Tenho fetiche por absorventes femininos&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(RS)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Folha de São Paulo, 22 de junho de 2012)</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2012/12/poeta-original-ficou-triste-ao-se-ver.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVA6AFw5OgeqqcAz_1mlRxkrEyOPt7Ya1SkBQtXe0_jIIJtLmxroPcmbWp9NZd7ULHWqxmeB1csZBwi-HYG29UbKRH5PI6gNIKiRab6nq8AF98MnkNeKnfuIzAsIqoGdSEvNtMGEkPkp4/s72-c/zizo.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-7714780332462958377</guid><pubDate>Thu, 29 Nov 2012 17:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-11-29T14:51:05.384-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Conto</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Paulo Caldas</category><title>COCEIRA NO OUVIDO</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjRZdxnxallIE4XYXf_TH8R-aHoDK-9xMkGilwYyVJQcVHvxCAQnvayKYlQ9SR0r0LFvIwQTCdP-PfuFiF_mxy9egKL5ElTaJW7yfSMh2-pqYRatWs6_VlbPGP4y1zaq7jbjWs_C3b4qmA/s1600/lobo.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;227&quot; width=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjRZdxnxallIE4XYXf_TH8R-aHoDK-9xMkGilwYyVJQcVHvxCAQnvayKYlQ9SR0r0LFvIwQTCdP-PfuFiF_mxy9egKL5ElTaJW7yfSMh2-pqYRatWs6_VlbPGP4y1zaq7jbjWs_C3b4qmA/s400/lobo.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pressentia quando a coisa começava a se manifestar. Coceira no corpo provocada pelo crescimento repentino dos pelos, o olfato aguçado, visão meio embaçada e excesso de saliva, até babava. Enquanto se mantinha consciente sentia-se apavorado, suado, tremia e optava pela solução de sempre: correr para mata.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lua cheia, parceira fiel, cedia uma luz esmaecida sobre o seu corpo, ele agradecia com habituais uivos. Em seguida, perambulava pela vila, podo em fuga quem se atrevia a andar nas ruas nessas horas. Só uma pessoa o compreendia, seu sobrinho Beto da Globo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Beto atirava ao longe um chinelo para que fosse buscá-lo e trazer de volta preso aos dentes. Depois, jogava um graveto e ele repetia a proeza com os olhos brilhantes e os caninos à mostra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passados esses momentos, retomada à lucidez, era o sobrinho que o acolhia ao mundo dos racionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E aí, cometi alguma doidiça?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muito não. Botasse pra correr o filho do padeiro, que passava numa bicicleta, e desse um susto grande em duas raparigas que rodavam a bolsinha no posto de gasolina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda bem.&lt;br /&gt;
Mas teve uma novidade.&lt;br /&gt;
E o que foi?&lt;br /&gt;
Uma das vezes que joguei o chinelo pra você ir buscar, ouvi uns soluços e seu vômito sujou a reata, a sola e a palmilha.&lt;br /&gt;
Que merda. Mas agora já sei.&lt;br /&gt;
Sabe o quê?&lt;br /&gt;
Não como mais angu e buchada em noite de lua cheia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Um conto de Paulo Caldas)&lt;br /&gt;
</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2012/11/coceira-no-ouvido.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjRZdxnxallIE4XYXf_TH8R-aHoDK-9xMkGilwYyVJQcVHvxCAQnvayKYlQ9SR0r0LFvIwQTCdP-PfuFiF_mxy9egKL5ElTaJW7yfSMh2-pqYRatWs6_VlbPGP4y1zaq7jbjWs_C3b4qmA/s72-c/lobo.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4498386155512884786.post-6727378416013985623</guid><pubDate>Wed, 31 Oct 2012 17:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-10-31T14:04:21.815-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Drummond</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>31 DE OUTUBRO - PARABÉNS, DRUMMOND!</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgNkMPbJVnXHbaxjhy4QjykKYdSemJXihPK9tMyknvzowhEJ_PDKtXCYiK40hLQjMoJ3WtgeDuDzUIYF2b9HSzTR02JjZxVQfbEN7j_y1OMw_JPthHBSK0jG0ny1U_0RUxTdwyMS1MUjE8/s1600/drumond2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;207&quot; width=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgNkMPbJVnXHbaxjhy4QjykKYdSemJXihPK9tMyknvzowhEJ_PDKtXCYiK40hLQjMoJ3WtgeDuDzUIYF2b9HSzTR02JjZxVQfbEN7j_y1OMw_JPthHBSK0jG0ny1U_0RUxTdwyMS1MUjE8/s320/drumond2.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Me escutas Drummond...&lt;br /&gt;
Hoje quero ofertar-te todas as flores do campo,&lt;br /&gt;
O canto dos pássaros, &lt;br /&gt;
Todas as letras e&lt;br /&gt;
As mais belas baladas de amor.&lt;br /&gt;
Falar-te baixinho do que sinto por ti,&lt;br /&gt;
Beijar-te a careca, ofegante.&lt;br /&gt;
Na sutileza de um sopro, &lt;br /&gt;
Tal qual, leve pena, repousar em teu colo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Cecília Villanova)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
AS SEM-RAZÕES DO AMOR&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu te amo porque te amo,&lt;br /&gt;
Não precisas ser amante,&lt;br /&gt;
e nem sempre sabes sê-lo.&lt;br /&gt;
Eu te amo porque te amo.&lt;br /&gt;
Amor é estado de graça&lt;br /&gt;
e com amor não se paga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amor é dado de graça,&lt;br /&gt;
é semeado no vento,&lt;br /&gt;
na cachoeira, no eclipse.&lt;br /&gt;
Amor foge a dicionários&lt;br /&gt;
e a regulamentos vários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu te amo porque não amo&lt;br /&gt;
bastante ou demais a mim.&lt;br /&gt;
Porque amor não se troca,&lt;br /&gt;
não se conjuga nem se ama.&lt;br /&gt;
Porque amor é amor a nada,&lt;br /&gt;
feliz e forte em si mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amor é primo da morte,&lt;br /&gt;
e da morte vencedor,&lt;br /&gt;
por mais que o matem (e matam)&lt;br /&gt;
a cada instante de amor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Carlos Drummond de Andrade)</description><link>http://versudiversus.blogspot.com/2012/10/31-de-outubro-parabens-drummond.html</link><author>noreply@blogger.com (Cecília Villanova)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgNkMPbJVnXHbaxjhy4QjykKYdSemJXihPK9tMyknvzowhEJ_PDKtXCYiK40hLQjMoJ3WtgeDuDzUIYF2b9HSzTR02JjZxVQfbEN7j_y1OMw_JPthHBSK0jG0ny1U_0RUxTdwyMS1MUjE8/s72-c/drumond2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>