<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490</id><updated>2024-09-09T18:43:23.995-07:00</updated><title type='text'>CLAUDIO FONTANA</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>95</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-1189689935814550347</id><published>2012-12-04T04:44:00.002-08:00</published><updated>2012-12-04T05:17:07.622-08:00</updated><title type='text'>De Contar Conto</title><content type='html'>- Eu penso que a educaça~deve ter a função de libertar, de promover a vida. um ambiente natural, nas condiçoes naturais básicas de um ambiente natural na sua realidade. Não saimos da escola preparados para a vida, porque lá não se vive. Lá se manda e se obedece. Nenhum jovem sai preparado para a vida. a escola expulsa logo que o jovem está &quot;preparado&quot;. preparado para o fracasso, para a derrota, para ser humilhado. se não consegue ser bom na aquilo que lhe &quot;ensinaram&quot;, já era. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Mas do que&amp;nbsp;você&amp;nbsp;está falano home...!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pegou uma caneca e jogou água na cabeça. Passou a mão nos cabelos molhados. Deu uma olhada no espelho passando a toalha na cabeça.&lt;br /&gt;
- Sabe de uma coisa! Ah! que é isso! Eles foram para a escola... ou...&lt;br /&gt;
- Foram nada.&lt;br /&gt;
- Hum! Tão onde...!&lt;br /&gt;
- Não me disseram... Quem vai te dá ouvido...&lt;br /&gt;
- Não sei, e deveria nem me dar mesmo. Outro dia fiquei pensando umas loucuras. imaginei uma escola que pudesse dizer que seus alunos... que seus alunos chegasse na praia com certeza absoluta.&lt;br /&gt;
- igualitarista!&lt;br /&gt;
- É, é preciso, de certa forma um padrão, mas esse padrão ter que absoluto. Tem que garantir aquilo que a religião garante aculá. Tem que garantir na vida aquilo que a religião garante na morte.&lt;br /&gt;
- uma escola que diga a verdade em relação a religião, né isso...&lt;br /&gt;
- sim , voce entendeu. que voce acha..&lt;br /&gt;
- primeiro gostaria de ouvi-lo mais. prossiga!&lt;br /&gt;
- &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/1189689935814550347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/12/de-contar-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/1189689935814550347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/1189689935814550347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/12/de-contar-conto.html' title='De Contar Conto'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-4393725209249660593</id><published>2012-09-29T05:03:00.000-07:00</published><updated>2012-09-29T05:06:39.582-07:00</updated><title type='text'>DE HOMENS QUE CRÊEM A HOMENS QUE PENSAM</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgw2clVrTxXwalJUFJB_i7Zuev6bIrvrZPIFtHZThqp_jYsbqbbaCzwoOTDLIuTNL64zvWkgN5hEIrFKuJb75wpQLtvtBpWCQEL8TUwaJoB5k66Iyw-XgNUuz4vrsn6Id1DimXVQHyjsk/s1600/Foto-A0922.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgw2clVrTxXwalJUFJB_i7Zuev6bIrvrZPIFtHZThqp_jYsbqbbaCzwoOTDLIuTNL64zvWkgN5hEIrFKuJb75wpQLtvtBpWCQEL8TUwaJoB5k66Iyw-XgNUuz4vrsn6Id1DimXVQHyjsk/s320/Foto-A0922.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;O PROBLEMA:&lt;/b&gt; E que consiste o fenômeno
religioso?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;A TESE:&lt;/b&gt; Qualquer religião representa
uma forma de &lt;i&gt;alienação,&lt;/i&gt; uma patologia
do espírito pela qual o homem projeta a sua humanidade fora de si mesmo,
criando inconscientemente um ídolo ao qual depois se submete. Consequentemente,
todo progresso em campo teológico se transmuta em um correspondente abaixamento
da humanidade. A glória de Deus funda-se na diminuição do homem, a beatitude
divina na miséria humana, a divina sapiência na insensatez humana, a potencia
divina na fraqueza humana. O ateísmo torna-se, assim, um dever ético do homem
que reencontrou a si mesmo. É preciso transformar os homens de amigos de Deus
em amigos dos homens, de homens que&amp;nbsp;creem&amp;nbsp;em homens que pensam de candidatos a
outro mundo em estudiosos deste mundo, de cristãos – que se reconhecem metade
animais e metade anjos – em homens na sua inteireza.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;A SÍNTESE: &lt;/b&gt;A religião é uma ilusão
perniciosa. Vejamos: em suas relações com as ideias religiosas, a razão
consciente deve apenas destruir uma ilusão, porem, que está longe de ser
inócua, porque exerce sobre o homem uma influencia fundamental perigosa e
funesta, que destrói as suas forças para a vida real e lhe faz perder o sentido
da verdade e da virtude.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
O amor
religioso é contra a natureza. Vejamos: de fato, o próprio amor, sentimento em
si mais verdadeiro, é corrompido pela religião e transformado em um sentimento
puramente aparente e ilusório; o amor religioso não ama o homem senão por amor
a Deus – ou seja, ama o homem só aparentemente. As historias da religião
primitiva até os dias de hoje falam por si sós. Porque na realidade não ama o
homem, mas Deus. É de se ver que se uma espécie viva inteligente sabendo dessa
fraqueza humana poderia se fazer passar por um Deus, Jesus, e com sua
tecnologia, poderia facilmente escravizar os humanos religiosos que “subiriam”
com eles. E, até, matariam os homens que os alertassem dessa armadilha.
Portanto, a humanidade está em perigo, considerando que possa existir uma mente
inteligente extraterrestre.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
Deus é pensado
em contraposição ao ser humano. Considere: a religião é a cisão do homem
consigo mesmo: ele se põe diante de Deus como um ser contraposto. Deus é o ser
infinito, o homem é o ser finito; Deus é perfeito, o homem imperfeito; Deus é
eterno, o homem temporal; Deus é onipotente, o homem impotente; deus é santo, o
homem pecador. Portanto, deus e o homem são extremos: Deus é o polo positivo, a
some de todas as realidades, o homem é o polo negativo, a soma de todas as
nulidades.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
O próprio fato
de o homem sentir-se cindido de Deus significa que não é verdadeiramente um
outro ser. O homem tem como objeto, na religião, o seu ser oculto. Deve-se
portanto, demonstrar que essa antítese, essa desarmonia entre Deus e o homem,
onde a religião tem sua origem, é uma desarmonia do homem&amp;nbsp; com o seu próprio ser. A intima necessidade
dessa demonstração resulta do fato de que se realmente o ser divino, o objeto
da religião, fosse algo diferente do ser homem, não podia realizar-se uma
cisão, uma desarmonia. Se realmente Deus é um outro ser, que me importa a sua
perfeição? &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
Pode cindir-se
somente aquilo que é em si unitário. Portanto, cisão só existe entre seres em
discordância entre si, mas devem, depois de cindido, constituir um único ser;
podem sê-lo e, em consequência, essencialmente são realmente um só ser.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
Logo, deus é
uma criação da mente. Portanto, já a partir desse principio geral, deve
resultar que o ser, do qual o homem religioso se sente cindido, é um ser que
lhe é inato, mas ao mesmo tempo um ser de natureza diversa, como o ser ou o
poder que lhe dá o sentimento, a consciência da conciliação, da unidade de Deus
ou, o que forma um todo, consigo mesmo.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
Deus é a
objetivação da razão humana. Porque esse ser não é nada mais que a
inteligência, a razão ou o intelecto. Deus concebido como o extremo oposto do
homem, não como um ser humano – ou seja, pessoalmente humano - ,é o ser
objetivado do intelecto. O ser divino, puro, perfeito, desprovido de defeitos é
a autoconsciência do intelecto da própria perfeição. O intelecto não conhece os
sofrimentos do coração: não tem desejos, paixões, necessidades e justamente por
isso, nenhuma deficiência ou fraqueza, como o coração.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 35.4pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/4393725209249660593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/09/de-homens-que-creem-homens-que-pensam.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/4393725209249660593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/4393725209249660593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/09/de-homens-que-creem-homens-que-pensam.html' title='DE HOMENS QUE CRÊEM A HOMENS QUE PENSAM'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgw2clVrTxXwalJUFJB_i7Zuev6bIrvrZPIFtHZThqp_jYsbqbbaCzwoOTDLIuTNL64zvWkgN5hEIrFKuJb75wpQLtvtBpWCQEL8TUwaJoB5k66Iyw-XgNUuz4vrsn6Id1DimXVQHyjsk/s72-c/Foto-A0922.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-3984226461360883456</id><published>2012-09-26T12:24:00.000-07:00</published><updated>2012-09-29T05:05:07.247-07:00</updated><title type='text'>Maquiavel: O Prefeito Quiron</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1kGQVisXIhVIOk0QpQN23I05MgkTSAqLRdC6Kjh-c1Cbzxwbqn2GE5agGKvlScSEzj216w1K5YRitcXGZOmXVcp85sxaP0UgGUEImAXBcwToosNJgmDtF7JN_UdQp7m5XR7yDmtq50Tg/s1600/Foto-A0871.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1kGQVisXIhVIOk0QpQN23I05MgkTSAqLRdC6Kjh-c1Cbzxwbqn2GE5agGKvlScSEzj216w1K5YRitcXGZOmXVcp85sxaP0UgGUEImAXBcwToosNJgmDtF7JN_UdQp7m5XR7yDmtq50Tg/s320/Foto-A0871.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para falarmos de Maquiavel com
precisão, ou seja, entendermos sua doutrina, penso que devemos faze uma
careação ente ele e Gramsci. Já havia escrito aqui sobre Gramsci, mas sobre ele
pode se ler no poste específico.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Gramsci definiu o que é Educação
assim como Maquiavel definiu o que é Política. Vejamos, de maneira concisa como
Gramsci definiu a educação e sua semelhança com Maquiavel: Gramsci havia
escrito alguns textos críticos de “alguns princípios da educação moderna”, como
aqueles de Rousseau e Pestalozzi, segundo os quais não se devia permitir que o
educador enfadasse ou deformasse o “desenvolvimento espontâneo da personalidade
da criança”. Em algumas de suas cartas critica a “ilusão” sobre o
“desenvolvimento espontâneo” da criança: desde o primeiro momento da sua vida,
educa-se a criança para que “conforme” a seu entorno, e a escola nada mais é
que uma pequena “fração” de sua vida. “ a educação é sempre uma luta contra os
instintos relacionados ás funções biológicas básicas, uma luta contra a
natureza, para dominá-la e criar o ser humano “verdadeiro”. A aprendizagem, a
disciplina psicológica e física, necessárias para estudar e alcançar qualquer
realização, não são “prazerosas: é um processo de adaptação, um hábito&amp;nbsp; adquirido com esforço, tédio e inclusive
sofrimento”. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Do que foi dito acima, não há
como negar que educação não seja assim. Já vimos aqui no blog, que Nietzsche via
a escola como uma estrutura burocrática ou administrativa. Observou correto,
mas&amp;nbsp; o modelo de escola dele seriam muito
mais a de um ambiente, de uma educação muito mais convival do que propriamente
neste esquema que acabou consolidando no Ocidente, que é uma escola formal, uma
escola burocratizada, gerenciada, mais um ambiente de administração da vida do
que de fecundação da vida. e assim como Rousseau, Pestalozzi, Nietzsche
priorizava o instinto. Mas a escola não é assim. A escola é como Gramsci
apontou.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Essa atitude é comparável à de
Maquiavel, a que Gramsci se refere freqüentemente. O termo “Maquiavel” e o adjetivo
“maquiavélico” também lembram aspectos brutais e perversos do poder político,
uma vez que Maquiavel descrevia o que era política na realidade e, talvez, o
que sempre vai ser a política, e não o que deveria ser.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Gramsci e Maquiavel nos colocam
uma importante questão: qual é a função educativa de uma descrição objetiva dos
mecanismos do poder político e, no caso de Gramsci, dos mecanismos da
ideologia? Educar as pessoas para que tenham uma postura realista e, conseqüentemente,
participe da luta política contra os poderes, ou desvendar o lado culto da política,
para que as pessoas desconfie da mesma, vivam suas vidas de modo independente e
tenham uma opinião própria à margem do poder político?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Muitas indicações nos fazem crer
que o objetivo de Gramsci não era puramente descritivo e que sua meta era
orientar a um novo tipo de educação. Assim podemos dizer o mesmo de Maquiavel.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Antes de tudo, observamos sua
interpretação da “política&amp;nbsp;
maquiavélica”: usando descreve sobre a contribuição de Maquiavel na
definição científica da “política”, Gramsci se faz, e faz também para nós, as
seguintes perguntas:&amp;nbsp; “aquém” se dirigia
Maquiavel quando escreveu &lt;i&gt;O Príncipe? &lt;/i&gt;Qual
era o seu objetivo e sua “política”? Parece evidente que Maquiavel não queria,
nem necessitava ensinar aos dirigentes como conseguir o poder e como matê-lo,
mas queria explicar e mostrar o mecanismo da real política. A definição de
“política” de Maquiavel não corresponde à política que ele mesmo praticava, já
que o efeito educativo de uma compreensão crítica da política consistia em
tornar as novas classes mais conscientes, e, conseqüentemente, mais forte em
oposição à velha aristocracia dirigente.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu fiz aqui ma simulação de uma
entrevista com Maquiavel. Isso somente para deixar a leitura mais leve e mais fácil
de ser comprendida. Durante a fala de Maquiavel eu usarei parênteses na minha
participação. Então, fica entendido, que os parênteses na fala de Maquiavel sou
eu querendo fazer um comentário. Ou seja, um tópico.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Maquiavel.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu –&amp;nbsp; O prefeito que governa um município deve
seguir as normas da moral? O político deve se fundar em princípios éticos? A
questão da relação entre moral e política, levantada por você pela primeira vez
de modo específico, é ainda hoje objeto de debates. O filósofo, porque você como
pensador, é um filósofo, é claro: se observarmos os processos históricos na sua
objetividade (verdade efetiva), sem nos deixarmos influenciar pelo modo como,
em nossa opinião, eles deveriam ser teoricamente, emerge o critério do
realismo. A política não deve assumir do exterior a própria moralidade, mas de
ser autonormativa, porque encontra em si a própria justificação, ao garantir
aos súditos uma existência ordenada. (na bandeira do Brasil está escrito: &lt;i&gt;ordem)&lt;/i&gt;. Isso não significa que o
prefeito (chefe político) deva ser imoral ou indiferente ao bem e ao mal, mas
que às vezes o que para um individuo é ruim ( por exemplo a crueldade) torna-se
necessário na prefeitura.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Maquiavel - Resta ver ainda como
deve conduzir-se um prefeito com os seus eleitores ou com os amigos...
pareceu-me mais conveniente perseguir a verdade dos fatos, em vez da fantasia.
Muitos imaginaram prefeituras nunca vistas antes nem conhecida na realidade,
mas existe tal diferença entre como se vive e como se deveria viver, que aquele
que abandona o que faz por aquilo que deveria fazer aprende na verdade a se
arruinar, antes que a se preservar: posto que um homem que queira sempre se
comportar como bom, entre tantos que bons não são, acaba por arruinar-se.
Portanto, é necessário que um prefeito, para se manter como tal, aprenda a
poder não ser bom, e usar isso ou não, segundo a necessidade.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu – como o prefeito deve avaliar
um homem comum?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Maquiavel – deixando de lado as
coisas imaginadas e falando daquelas que são reais, digo que todos os homens de
que se fala, e principalmente os prefeitos, por estarem nos postos mais
elevados, se fazem notar por algumas dessas qualidades que lhes acarretam
reprovação ou louvor. Assim, existe quem é tido por magnânimo, e quem por
miserável..., quem é capaz de dar, e quem é repasse; quem é cruel e quem é
piedoso; um modesto e outro soberbo; um lascivo, e outro castro; um
integro,&amp;nbsp; outro astuto; um religioso, o
outro incrédulo, e assim por diante.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu – Mas a moral, segundo você,
levaria a destruição do município. Então existem virtudes perniciosas e vícios
benéficos?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Maquiavel – sei que dirão que
seria muito louvável encontrar em um prefeito somente as qualidades
consideradas boas, dentre todas aquelas supracitadas; mas não sendo possível
possuí-las, nem inteiramente observá-las, porque a condição humana não o
permite, é necessário que ele seja tão prudente que saiba à infâmia daqueles
vícios que o fariam perder o poder, mas, não o conseguindo, pode-se abandonar a
eles sem atribuir-lhes muita importância. Também não deve ter escrúpulo de
atrair sobre si a censura provocada por aqueles vícios sem os quais dificilmente
poderia salvar o poder, porque, tudo considerado, existem qualidades que têm
aparência de virtude, mas leva o prefeito à ruína; e outra que, sobe a
aparência de vício, produzem a segurança e seu bem-estar...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu – quando são necessárias a
crueldade e a piedade? A política deve ser regida pela piedade? É melhor para o
prefeito ser mais amado do que temido ou mais temido do que amado? Sua tese é
de que a política deve usar todos os instrumentos que garanta o seu sucesso. A
moderação também é necessária, mas a bondade sistemática termina por comprometer
a ordem da sociedade, produzindo danos ainda maiores do que um mais realístico
uso da violência. Certamente, do que escreveu, o ideal, para um prefeito, seria
ser ao mesmo tempo amado e temido, mas na pratica as duas coisas não são facilmente
conciliáveis. Quem governa o Estado, portanto, deve decidir a cada vez com base
na oportunidade? Em todo caso, o que não deve fazer é submeter as práticas de
governo às normas que regem a ética individua? É isso mesmo que entendi?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Maquiavel – digo que todo
prefeito deve desejar ser considerado clemente, e não cruel: todavia, deve
cuidar de não usar mal essa clemência. César Bógia era considerado cruel; mas
essa crueldade trazia ordem à Romagna, unificando-a, pacificando-a e tornando-a
leal...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em política, a piedade produz
mais danos do que vantagens. “assim um prefeito, para manter os seus súditos
unidos e leais, não se deve preocupar com a fama de cruel; porque, com
pouquíssimos exemplos, será mais clemente do que aqueles que, por excesso de clemência,
deixam que as desordens prossigam, provocando mortes e roubos; posto que estas
costumam atingir a inteira coletividade, quando as condenações do prefeito
atingem um indivíduo em particular.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
(A crueldade é necessária para a criação
de um novo Município.)&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Maquiavel - E, entre todos os prefeitos, o prefeito novo não pode
evitar ser considerado cruel, porque todos os municípios novos são cheios de
perigos...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mesmo quando emprega a crueldade,
o prefeito não deve mostra-se pessoalmente cruel. “Todavia, mesmo o prefeito
novo deve refletir antes de confiar e de agir, sem se deixar tomar pelo medo; e
deve se comportar com prudência e humanidade, de modo que o excesso de
confiança não torne incauto e o excesso de desconfiança o torne insuportável.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
(Tanto a piedade quanto a
crueldade são úteis. A crueldade é necessária.)&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Maquiavel - Nasce daí a controvérsia:é
melhor ser amado do que temido ou vice-versa? A resposta é que se desejaria ser
uma coisa e outra, mas posto que é difícil colocá-las juntas e que se deve
escolher, resulta mais seguro ser temido do que amado.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
(Em politica, a amizade funda-se
exclusivamente no interesse recíproco.)&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Maquiavel - &amp;nbsp;E aquele prefeito que confiava
inteiramente nessas palavras, encontrando-se desprovido de outros meios de
defesa, perde o poder; porque as amizades baseadas no pagamento de um preço, e
não na grandeza e nobreza de ânimo [ as amizades desinteressadas], são
emprestadas, mas não são tus e, na necessidade, não pode gastá-las...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu – em que consiste a política?
Quais devem ser as virtudes de um homem de Estado? Segundo você, sua célebre
máxima, em política &lt;i&gt;os fins justifica os
meios&lt;/i&gt;. Isso significa que tendo em vista o bem comum abandonam-se as regras
ordinárias da ética individual? Do que pode entender, pelo que escreveu se necessário,
o prefeito pode chegar até a traição; o importante é que justifique o seu
comportamento com uma aparência de legitimidade. O que conta para um político,
como se diz modernamente, você morreu quando o Brasil tinha apenas 27 anos, não
é a substancia, mas a imagem?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Maquiavel – todos sabem o quanto
é louvável para um prefeito se manter leal e viver com integridade; mas, pela
experiência do nosso tempo, percebe-se terem alguns prefeitos realizado grandes
feito, levando em pouca conta a palavra dada, confundindo, pelo engano, as
mentes dos homens; e no final prevaleceram sobre aqueles que se fundaram sobre
lealdade.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Portanto, um prefeito deve ser
saber usar bem os modos do animal e os do homem. Esse tema foi ensinado aos
prefeitos, de forma velada, pelos antigos escritores, que relatam como Aquiles
e muitos outros prefeitos da antiguidade foram confiados ao centauro Quiron,
para serem criados e educados. Ter como preceptor ( professor) alguém que era
meio meio animal e meio homem significa que uma sem a outra não é duradora.
Assim, sendo prefeito obrigado a saber se portar como animal deve escolher para
tanto a raposa e o leão; porque o leão não se defende das armadilhas e a raposa
não se defende dos lobos. Logo, é preciso ser raposa para conhecer as armadilhas,
e leão para assustar os lobos.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
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&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEitHM-ax9tqubtw0Y8I0l9gB9gtyyFKjzM6UmHhkAPSbwgfN3MdF-EYs6uA0owu02Vk1FHT3SCf1WQVtceHqpqv4Fpg1YMWF7ZDVYsIrqJcdMp9Z_Rq03eGZ-1wm5lHIyI4srYfRwDmkF4/s1600/182046_4.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEitHM-ax9tqubtw0Y8I0l9gB9gtyyFKjzM6UmHhkAPSbwgfN3MdF-EYs6uA0owu02Vk1FHT3SCf1WQVtceHqpqv4Fpg1YMWF7ZDVYsIrqJcdMp9Z_Rq03eGZ-1wm5lHIyI4srYfRwDmkF4/s320/182046_4.jpg&quot; width=&quot;240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Kant, um dos mais importantes
filósofos da história, foi diretor e professor. Ele representou um dos momentos
mais significativos da filosofia na Idade Moderna, e ainda influencia
profundamente os pensadores da atualidade.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A filosofia de Kant, mais tarde
designada como criticismo, representa a crítica mais radical a esta proposta do
pensamento metafísico tal qual foi desenvolvida na IdadeMédia.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Na Idade antiga e na Idade Média
prevaleceu o modo metafísico de pensar. Para os filósofos dessa época, as
coisas possuíam uma existência autônoma, objetiva, independente da consciência
humana. Elas eram essência criada por Deus, coexistindo eternamente. Assim,
havia uma idéia de arvore perfeita e as arvores que percebemos com os nossos
sentidos são cópias imperfeitas de sua essência. O pensamento metafísico
buscava conhecer os objetos atingindo sua essência. Do ponto de vista
filosófico, a Idade Moderno é uma ruptura. Seus filósofos acreditavam que todo
conhecimento somente poderia vir a partir da razão natural, abandonando a metafísica
e substituindo-a pela ciência. Um período marcado pelo racionalismo e pelo
naturalismo.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Com o avanço do racionalismo e do
naturalismo, já no final da Idade Média e começo da Idade Moderna, os homens
vão se dando conta de que o conhecimento é uma atribuição da sua própria razão,
da sua razão natural, e que não existe nenhuma interferência de influencias
divinas transcendentais nesse processo de representação do ser, da realidade,
dos objetos e de todos os entes e de todas as situações. O que está ocorrendo
é, exatamente, um processo de naturalização do mundo, de naturalização da razão
humana e, consequentemente, um desencantamento da própria realidade. Os homens,
por assim dizer, vão perdendo o medo de desvendar todos os supostos mistérios
da realidade e isto é feito graças ao poder da sua razão natural.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Há uma profunda crença de que a
razão natural trará luzes sobre o mundo, permitindo ao homem ter uma visão mais
objetiva da realidade. Esse período é conhecido como Iluminismo.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De modo geral, a filosofia vai se
preocupar, profundamente, com a questão do conhecimento, vai discutir a
capacidade que o homem tem de conhecer a realidade e ver se realiza esse
processo e, sobretudo, de estabelecer seus limites.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os filósofos desse período
mostram que não há como chegar às essências das coisas, assim, a única atitude
deve ser dedicar-se ao conhecimento dos fenômenos, ou seja, aquilo que pode ser
percebido pelas simples impressões sensíveis. Por meio da razão natural, da
linguagem matemática e do contato experimental com os fenômenos, o pensamento
científico vive um grande avanço.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O que é extremamente
significativo nesse momento é que este conhecimento científico a respeito das
realidades naturais permite ao homem manipular, manusear essa realidade,
transformá-la como se fosse um co-criador dessa realidade. Nós estamos falando
do surgimento da técnica, ou seja, a ciência ao surgir no inicia da Era Moderna
e no contexto da cultura ocidental, não surge apenas como uma representação
teórica da realidade, mas, sobretudo, como conhecimento dos mecanismos que
permitem ao homem interferir na transformação desta própria realidade.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Na Idade Moderna, a ciência se
transforma na mais importante instancia cultural, principalmente pela
contribuição que pode dar à evolução da técnica e na possibilidade que dá ao
homem de adequar a realidade aos seus interesses. A filosofia vive uma profunda
modificação, sua principal preocupação deixa de ser conhecer a natureza do
homem e passa a ser compreender o processo pelo qual os homens constroem o
conhecimento.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Kant estava profundamente
impressionado com o resultado da física newtoniana. Para Kant, Newton era o
próprio símbolo do sucesso, do conhecimento verdadeiro que a ciência tinha
trazido à cultura da sua época. O papel, então, da filosofia era o de mostrar,
não só que a ciência, a física newtoniana, é o modelo exemplar do conhecimento
científico, mas este conhecimento é plenamente legitimado do ponto de vista da
lógica, do ponto de vista da epistemologia. É esta a tarefa que Kant se dedica.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Kant analisa o processo do
conhecimento humano para mostrar que a física era a aplicação das regras
fundamentais do conhecimento racional que o homem poderia desenvolver. Para
isso, fará a síntese de duas filosofias: o Inatismo, de René Descartes e o empirismo
dos filósofos ingleses, particularmente, de David Hume.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os filósofos ingleses defendiam a
posição de que todo nosso conhecimento só podia se dar mesmo através das
impressões sensíveis, o espirito humano surgia como página em branco na qual as
impressões sensíveis viriam registrar a sua representação dos dados da
realidade. Descartes defendia a existência de algumas idéias inatas, que eram,
por assim dizer, constitutivas do próprio espirito humano e que quando entrava
em contato com o mundo natural, ele já trazia em si algumas proposições de
cunho universal.o exemplo melhor desse processo seriam as ideias matemáticas,
que estavam se revelando, àquela altura, muito fecundas para a construção do
conhecimento científico.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De modo geral, Kant explica que o
conteúdo do conhecimento vem das impressões sensíveis, como queria Hume e os
empiristas. Por outro lado, para esse conteúdo ser de fato conhecido deve ser
organizado e ordenado na consciência, de acordo com uma estrutura que já está
no sujeito que conhece. Assim, para conhecer, o homem precisa da experiência
sensível, mas também necessita de uma estrutura lógica que organize esses dados
empíricos.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Foi assim que Kant construiu a
sua famosa teoria do conhecimento, de acordo com a qual o nosso conhecimento é
formado sim com a contribuição imprescindível de intuições que são fornecidas
pela nossa sensibilidade, mas intuições que precisam ser articuladas,
sistematizadas, esquematizadas por esquemas a priori, que são constitutivas da
própria racionalidade humana, da própria condição do conhecimento.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para Kant, a sensibilidade&amp;nbsp; como pensava Hume. O sujeito humano depende
de esquemas ordenadores ou estruturas formais presentes, a priori, no sujeito,
que são o tempo e o espaço. Com a aplicação desses esquemas ordenadores, dessas
formas a priori, o sujeito consegue organizar os conteúdos que são passados a
ele a partir da experiência sensível. Segundo Kant, nós não podemos aprender a
essência dos objetos, mas apenas seus fenômenos, ou seja, somente aquilo que se
pode observar.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O mundo, a árvore que nós estamos
vendo não chega “bonitinha” assim no cérebro. Ao contrário, vem em uma onda
magnética que vai pegando a retina e vai mandado, é uma coisa atrás da outra,
em carreirinha. O que vai acontecer no cérebro? Aquilo que acontece na
televisão. O que é a televisão? Como funciona a televisão? Na televisão a onda
eletromagnética é pontual, ou seja, ela vai atrás uma da outra, quer dizer, o fenômeno,
a emissão da luz verde no meu olho vem uma atrás da outra e, então, chega ao
cérebro e é lá que se faz a organização. Então, primeiro uma organização
espacial forma uma silhueta e depois isto dura no tempo. E a duração do tempo é
que dá a ideia de uma imagem permanente. Mas o nosso olho não está vendo assim,
quem está vendo assim é o cérebro. É o que acontece na televisão. O que
acontece na televisão? A câmera pega a imagem e é em linhas, como a gente sabe,
é uma varredura e é transmitido depois para o espaço também em ondas, em
fileira, é um fio e que chega ao monitor, ou seja, vai fazer aquela varredura
24 quadros por segundo e que isso vai permitir que o olho faça o mesmo processo
também, ou seja, tanto a imagem, que depois Kant joga para o conceito, são
construtos. É por isso que o computador, que foi feito a imagem e semelhança do
sistema nervoso, justamente, chamou-se, no primeiro momento, cérebro eletrônico
e depois chama-se processador. O que acontece? Todos os comandos que nós damos são
bits, são pontos unitários, (010101010...). o que o processador faz? Organiza,
sintetiza, e para Kant, toda atividade do conhecimento é uma atividade de
síntese e não de análise, então, este poder de sintetizar é o x da questão, mas
para fazer isso, nós temos que ter o processador interno e o processador é o
sujeito transcendental, porque, na verdade,o processador está imitando aquilo
que supostamente nós fazemos. A gente não sabe como é que o cérebro faz tudo
isso, o que a química e a neurologia têm a ver com tudo isso. Por mais que você
estude na neurociência como é que o cérebro, os neurônios estão funcionando, o
que acontece com eles do ponto de vista enegértico, do ponto de vista químico,
a sinapse, todas aquelas coisas, o problema é que gera um sentido e que tem uma
base físico-química, biológica, é inegável, tanto que se você ficar dois minutos
sem oxigênio, pifa tudo. Mas ao mesmo tempo gera uma cadeia de significações
que transcende esse contato físico, porque todos os nossos conceitos, por
exemplo, o conceito de sofá, quando eu chego a essa representação, eu chego na
do processo, eu não vejo, nós não assistimos ao processo em si.por isso, olha
como tudo vai se achando, de onde vem o construtivismo de Piaget? De Kant, quer
dizer, Kant mostrou que o sujeito é ativo, o sujeito não é passivo. Mas essa
atividade é como se você pusesse um andaime para construir um prédio. Você põe
um andaime e constrói um andar, você aumenta um andaime e constrói um próximo
andar. São estruturas, estruturas armadas, aliás, andaimes chamam-se
estruturas, estruturas metálicas que você vai usar para compor, e isso foi o
que Piaget tentou mostrar, inclusive empiricamente. Ele tinha uma grande
admiração por Kant, assim como Newton fez a física, ele queria fazer uma
ciência da psicologia que mostrasse o mesmo processo, quer dizer, a psicogênese
e, depois, a noogênese também, que dizer, como é que a própria razão procede
dessa maneira.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Na teoria do conhecimento de
Kant, além das intuições sensíveis que recebemos e da organização das
informações pelas estruturas de conhecimento que todo homem possui, há uma
terceira faculdade, que é a razão. A razão é a faculdade das ideias.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Qual foi o erro dos metafísicos,
daqueles que buscavam a essências das coisas e, nesse sentido, Deus, que ele
tanto criticava? Foi ter confundido o que era objeto das idéias, objeto do
pensamento como se fosse conteúdo de conhecimento. Então, qual foi o grande
equivoco da metafísica? Ter acreditado que porque ela podia pensar as ideias de
mundo, as ideias de Deus e as ideias de alma, que essas entidades pudessem ser
objeto de conhecimento e, portanto, existir.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para Kant era legitimo pensar
essas ideias desde que não se concluísse que fossem objetos de conhecimento. De
fato, até hoje, até mesmo antes de Kant, essas ideias, Deus, nunca foi
conhecido. Para Kant, quem conhece o real é a ciência, somente os fenômenos
podem ser conhecidos. Alma, Deus, não são fenômenos e, portanto, não são objeto
de conhecimento.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Kant era uma personalidade muito
interessante e, segundo a crônica que sempre acompanha a historia da filosofia,
ele teria exposto ao mordomo de sua casa as conclusões a que chegou, que se
expressava nas suas três grandes obras: “ A Crítica da Razão Pura Teórica”, “ A
Crítica da Razão Pura Prática” e “ A Crítica do Juízo”. Ao contar esta teoria
citada, ou seja, que Deus, Alma e Mundo são ideias pensadas, mas não são
realidades conhecidas, o mordomo ficou muito chocado e repreendeu, severamente,
Kant dizendo: “ mas como você uma pessoa tão religiosa, (ele era adepto do
pietismo, uma denominação do protestantismo, bastante rigoroso) como você uma
pessoa com tão boa formação religiosa pode chegar a uma conclusão dessa, o mais
sua mãe vai pensar disso?” então, Kant teria dito ao mordomo: “ não se preocupe,
o que eu destruí em “ a Crítica da Razão Pura Teórica”, eu vou reconstruir em “
A Crítica da Razão Pura Prática.” E nós entramos assim na segunda parte da
grande obra kantiniana. Essas três ideias da metafisica tradicional, de Deus,
Alma e Mundo, que não são ideias, não saõ conceitos correspondentes a fenômenos
que pudessem ser conhecidos, estas entidades que não podem ser conhecidas devem
ser pressupostas, porque elas são condições sine qua non ( sem o qual não pode
ser) para a legitimação e para a fundamentação da moralidade, que deve ser
entendida em Kant do mesmo modo que nós entendíamos a questão do conhecimento,
ou seja, a moral é um fato na realidade humana. ( veja a sutileza). Os homens
praticam a moral não como uma mera circunstância histórica cultural, mas por
uma necessidade interna.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para Kant, a moral se impõe ao
homem como uma força universal, assim como a ciência, a moral não se impõe por
necessidade psicológicas, culturais ou sociais, mas por exigências
transcendentais que constituem a própria estrutura de todos os homens. É
proibido matar o próximo, não devido a leis ou por respeito ao próximo, mas por
força interna que exige a bondade, um bem agir. Para Kant, o fato de um homem
ser um ente moral demonstra a existência de mundo, de alma, de Deus. Entenda,
existe sim, essas entidades, mas como uma ética da moral porque até mesmo os
animais obedecem a lei de não matar o próximo com mais eficácia que o homem.
Não se registra casos de animais assassino do próximo e nem suicidas. Só para
melhor entendimento, dizemos que temos ética. Dizemos que a ética existe.
Realmente existe, mas não como entidade, mas existe como uma força universal.
Não é um objeto fora do homem que está lá. Assim é a alma, o mundo e Deus.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A ética, portanto, deve ser
seguida pelos homens, deve haver este esforço de incorporação da ética do mesmo
modo,de modo análogo a este esforço de incorporação do conhecimento científico,
porque faz parte da própria estrutura constitutiva da experiência e da
atividade humana. É nesse contexto, inclusive, que nós podemos conceber a
contribuição que Kant para a gente pensar na educação. É interessante observar
que ele não escreveu nenhum tratado que tivesse por tema especifico a educação o
com a politica, mas isso transpira em toda sua obra, porque toda razão de ser
da existência de uma sociedade em processo de civilização, em processo
histórico e toda construção do indivíduo, está sempre relacionada com a busca
da realização desta perfeição humana, de que o sujeito humano tanto coletivo,
no caso da sociedade, como no individual, no caso da pessoa, toda a sua razão
de ser, todo o investimento de sua existência, deve ser na linha de superar a
sua condição da pura empiricidade, de pura naturalidade, de pura instintividade,
para se tronar, exatamente, esse sujeito autônomo, ou seja, o sujeito age em
função e a partir das condições estruturais que o constitui. É por isso que a
pedagogia dele é toda baseada nesta proposta de emancipação do espirito, de
emancipação do sujeito, da postura do sujeito como sujeito autônomo que atinge
a sua maioridade, é essa a expressão que ele usa e para qual ele carreia todo o
investimento da filosofia, todo investimento da pedagogia, no sentido de que
nós passemos a nos conduzir, não por imposições externas, mas pe3la própria
condição do nosso modo propriamente humano de ser, que é de ser guiado por esse
sujeito estrutural, que está a base da nossa própria existência.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Kant acredita que a humanidade
passa por processo de constante aperfeiçoamento e que o individuo deve buscar a
perfeição no plano pessoal. Daí sua proposta pedagógica de criar condições para
possibilitar a realização desse esforço. Kant valoriza a disciplina, para ele,
um instrumento fecundo para que o sujeito possa tornar compatível uma existência
com as pressões concretas e as circunstâncias que o envolvem. Segundo Kant, o
homem deve ser culto, no sentido de aprimorar sua capacidade de conhecimento.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Isso nos mostra um Kant que, como
pessoa, como educador, devemos lembrar que ele foi professor ao longo de toda a
sua vida, foi diretor de ginásio, Kant levou tão a serio esse seu projeto de
vida, que sequer saiu de sua cidade. Ele não viajou, ele era professor de
geografia. Também formado em geografia.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Kant fez a leitura de “Emilio”,
de Rousseau, que é justamente a obra sobre a pedagogia, sobre educação, o que
ela emblematicamente representou, não tanto pelas suas conclusões particulares,
mas, exatamente, pela postura que Rousseau assumiu na consideração da educação
(Eu indicaria a todo professor, pedagogo, educador a ler Emilio e Robson
Crusoé.) sobretudo, no fato de está descobrindo a infância e a criança como
sujeito central do processo pedagógico. Falarei, oportunamente, de Jean Jaques
Rousseau aqui no blog. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para kant, todos os investimentos
pedagógicos devem ser na direção de promover a busca pela perfeição, que se dá
na plenitude da moralidade. Para tanto, deveria se promover a disciplina, não
como uma forma de opressão, mas para superar o comportamento puramente
instintivo. Valorizava a ampliação do conhecimento, particularmente o
conhecimento cientifico, mas também da arte e da estética. Acreditava, enfim,
que o sujeito deveria tornar-se cada vez mais moral, prudente, culto e
emancipado.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De toda esta proposta da
filosofia kantiniana, certamente nós podemos concluir que a tarefa da politica,
no que diz respeito a sociedade e a tarefa da educação, no que diz respeito a
pessoa humana, é transformar, é de transformar todos os sujeitos humanos em
processos de educação em sujeito disciplinados, que busquem superar, que
busquem viver, independente de sua materialidade animal, de suas pulsões
instintivas, ( já publiquei aqui no blog que Nietsche priorizava,ao contrário
de Kant, o instinto) em um sujeito culto que explore todas as sua potencialidades
de conhecimento, particularmente a partir da ciência, em um sujeito prudente
que saiba conviver com as circunstancias históricas no espirito de paz, de
harmonia social e, finalmente, de um sujeito moral, ou seja, aquele que atingiu
a plenitude de uma existência pautada nas exigências transcendentais da
eticidade. Talvez estamos aqui, certamente, diante de palavras talvez muito
marcadas pelo seu tempo histórico, mas que na sua significação mais profunda,
continua tendo extrema validade no contexto histórico contemporânea, e em
educação, estes mesmo desafios, tentando responder: “quem somos nós os homens?”
; “ O que podemos saber?” ; “ E o que devemos fazer?”.&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;_GoBack&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/476216857194923549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/09/kant-e-educacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/476216857194923549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/476216857194923549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/09/kant-e-educacao.html' title='Kant e a educação'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEitHM-ax9tqubtw0Y8I0l9gB9gtyyFKjzM6UmHhkAPSbwgfN3MdF-EYs6uA0owu02Vk1FHT3SCf1WQVtceHqpqv4Fpg1YMWF7ZDVYsIrqJcdMp9Z_Rq03eGZ-1wm5lHIyI4srYfRwDmkF4/s72-c/182046_4.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-1968776276762649143</id><published>2012-09-24T04:32:00.001-07:00</published><updated>2012-09-24T04:32:36.080-07:00</updated><title type='text'>HISTÓRIA DAS LENDAS</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;HISTÓRIA DAS LENDAS&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;

&lt;hr align=&quot;center&quot; noshade=&quot;&quot; size=&quot;2&quot; style=&quot;width: 341.65pt;&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;01&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;INTRODUÇÃO&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
evolução constante da humanidade para um fim inatingível influi sobre a vida do
indivíduo; as artes, expressão natural do homem, constantemente modificada,
seguem uma curva que pretendemos ser ascendente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Foi
dito que tudo o que era estático, imóvel, era atrasado; a evolução só deve ser
dinâmica. Contudo, o estudo da evolução nos confunde dada a soma de mistérios
que surgem a todo momento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Parece
paradoxal que homens, em épocas em que a ciência era menos adiantada do que a
nossa, tenham descoberto leis que apenas encontramos. Contudo, as
características das grandes pirâmides nos provam, de maneira irrefutável, que
os egípcios conheciam os segredos de fórmulas que ainda não descobrimos
inteiramente. Nossos rigorosos cálculos científicos eram, sem dúvida, substituídos
por outra ciência tão precisa quanto a nossa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esta
evolução ascendente torna-se, desta forma, menos positiva; cremos apenas que as
questões formuladas o eram de maneira diferente; é uma transformação de
energias. O mar, com seu fluxo e refluxo, pode, em certos momentos, fazer crer
que evolui; contudo, permanece como é, não enche sem vazante. Nossa lei de
transformação torna-se então uma constante e a contribuição de nossa atividade
científica cuja utilidade não é certa — é anulada pela nossa falta de
raciocínio. Numa civilização mecanizada o espírito acha-se cada vez mais
deslocado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Se
nossos conhecimentos se modificaram, a inteligência continua a ser um bem
imutável; não se pode dizer que Einstein seja mais inteligente do que Pascal,
mas apenas que Einstein resolveu, em seu tempo, outros problemas. Einstein — ou
qualquer outro sábio — descobriu apenas o que outros já haviam vislumbrado, e
quando diz que o mundo está fechado, repete apenas o que o Evangelho de São
João Batista já nos ensinou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
evolução do homem continua pois a ser uma miragem e os grandes iniciados
revelam, simbolicamente, algumas verdades cuja veracidade controlamos com
dificuldade. O estudo de problemas humanos, de raças, de folclore; nos leva a
crer que o homem, anteriormente, tenha sido um iniciado mas que seus
conhecimentos se perderam. Algumas tribos da África equatorial conservaram
virtudes e sentidos que já não temos. Nossas sensações se evaporaram. É assim
que um ensinamento geral emana dos contos e que toda essa poesia anônima, feita
de graça e frescor, reflete a mesma preocupação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Acontece
que essa literatura coletiva, criada pelo produto inconsciente da imaginação,
pela massa, pretendia ser um testemunho, uma prova. Não é absurdo pensar que os
contos, antes divulgados oralmente e depois, por escrito, provavam, apoiavam
teses, argumentavam em seu favor. Sob a forma de um divertimento, a fábula
educava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
moral dessas fábulas é agradável, engraçada; distrai pois não aborrece aquele a
quem se dirige.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
estudo do folclore mundial — que reflete a atividade, o pensamento de uma época
e de um povo — é pois o estudo da humanidade. Essas obras esclarecem períodos
obscuros e suas deformações são instrutivas, pois nada mais são do que a
evocação de mores locais, de concepções particulares e humanas. A lenda, mais
verdadeira do que a história, é um precioso documento: ela exara a vida do
povo, comunica-lhe um ardor de sentimentos que nos comove mais do que a rigidez
cronológica de fatos consignados; desta forma, o romance é a sobrevivência das
lendas. Imaginamos uma literatura científica na qual os “robots” escrevem
poemas; mas esses engenhos mecânicos nunca poderão transmitir emoções iguais às
contidas nos poemas de Villon ou de Baudelaire, pois que as obras desses homens
eram feitas com sangue.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Além
do maravilhoso que envolve esses mitos é preciso descobrir o tema inicial que
se reproduz em países diferentes e muito longínquos: essa concepção nos leva a
uma nova interpretação. Esses contos misteriosos fazem a Th. Briant escrever
(Le Goéland, nº III) (A Gaivota): “cada lenda podia ter uma explicação mística
no plano de analogias e correspondências”, contudo, “as identidades nos fogem e
chapinhamos no Relativo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Alguns
contos, assim tratados, mostraram aspectos de sua evolução e interpretação; é
evidente que estas simples páginas não esgotarão o assunto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;

&lt;hr align=&quot;center&quot; noshade=&quot;&quot; size=&quot;2&quot; style=&quot;width: 341.65pt;&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;02&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;PRIMEIRA PARTE&lt;br /&gt;
EVOLUÇÃO DAS LENDAS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;03&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;CAPÍTULO I&lt;br /&gt;
GENERALIDADES&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;I. — Definições&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
palavra lenda provém do baixo latim legenda, que significa “o que deve ser
lido”. No princípio, as lendas constituíam uma compilação da vida dos santos,
dos mártires (Voragine); eram lidas nos refeitórios dos conventos. Com o tempo
ingressaram na vida profana; essas narrações populares, baseadas em fatos
históricos precisos, não tardaram a evoluir e embelezar-se. Atualmente, a
lenda, transformada pela tradição, é o produto inconsciente da imaginação
popular Desta forma o herói sujeito a dados históricos, reflete os anseios de
um grupo ou de um povo; sua conduta depõe a favor de uma ação ou de uma idéia
cujo objetivo é arrastar outros indivíduos para o mesmo caminho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
fábula é uma narração em verso, cujos personagens são animais dotados de
qualidades humanas. As mais célebres fábulas são as de Esopo, La Fontaine e
Florian.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
contos de animais são fábulas redigidas em prosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
conto é uma narração maravilhosa baseada numa trama romanesca; os lugares não
são determinados e os personagens não têm nenhuma precisão histórica; a
narração distrai. A lenda é um conto no qual a ação maravilhosa se localiza com
exatidão; os personagens são precisos e definidos. As ações se fundamentam em
fatos históricos conhecidos e tudo parece se desenrolar de maneira positiva. Freqüentemente
a história é deformada pela imaginação popular.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
mito é uma forma de lenda; mas os personagens humanos tomam-se divinos; a ação
é então sobrenatural e irracional. O tempo nada mais é do que uma ficção. Na
realidade, essas categorias se embaraçam e os mitos são de uma infinita
variedade; relacionam--se às religiões, são cosmogônicos, divinos — ou
heróicos. As lendas, com personagens mais modestos, fazem evoluir mágicos,
fadas, bruxas, que, de uma maneira quase divina, influem nos destinos humanos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Origem&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
lenda, mais verdadeira do que a história, devido à quantidade de ensinamentos
humanos, contraria freqüentemente a verdade psicológica; uma abóbora
transforma-se em carruagem; um rato, em cocheiro. Entretanto, essas ficções não
são nem pueris nem grotescas; elas nos interessam, nos repousam e nos
deslumbram. Esse mundo fluido que põe em xeque o nosso mundo real, foi definido
pelo bondoso Jean de la Fontaine:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 136.65pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;e
até mesmo eu.&lt;br /&gt;
Se me contassem a Pele de burro&lt;br /&gt;
sentiria um extremo prazer&lt;a href=&quot;http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/lendas.html#nt1&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;(1)&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Este
divertimento do povo é sua aspiração secreta, sua busca espiritual de um mundo
maravilhoso onde impere o valor do homem, onde as leis, tão detestadas, sejam
abolidas. E o encantamento, a volta ao Paraíso Terrestre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
lenda existe desde a formação do clã, da sociedade e os temas se desenvolvem
com preocupações semelhantes em todas as culturas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Essa
literatura coletiva pode ser proveniente de um único mito propalado de país em
país A Índia foi primeira a nos fornecer o índice escrito desse folclore
mundial, o que não implica que a Índia seja o seu berço. Divulgados oralmente,
esses contos -foram talvez escritos e conservados em outros países, mas sua
mensagem não chegou até nós: por muito tempo ignorou-se as riquezas contidas
nas pirâmides cujos segredos ainda não foram completamente desvendados, o que
não permitiria aos nossos filhos dizerem que as pirâmides não contêm nenhum
segredo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esses
contos, transformados, decantados, modificados, foram portanto transcritos nos
Vedas, aproximadamente 4.500 anos a. C. base de nossa mais antiga civilização
teriam os Arias e o original da compilação é o Pantchatantra (os “cinco
livros”). Considerando os animais que falam e as leis da metempsicose, parece
ser a fábula um produto espontâneo da Índia. É curioso, contudo, que uma
passagem do romance de Merlin esteja reproduzida num conto Indiano
(Gulcasapati) e numa compilação de Somadeva. Sinais do budismo aparecem em
vários outros lugares e principalmente na grande caridade demonstrada pelos
heróis para com os animais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Nestes
últimos anos, a escola folclorista compilou contos semelhantes aos da Índia, em
todos os países. Portanto, os mitos se divulgaram através do tempo e do espaço.
A religião grega toma emprestado à religião fenícia, o mito de Adônis e Cibele.
Reinhold Kohler e Theodor Benfey ficaram estupefatos ao encontrar os mesmos
temas iniciais em todos os países. É verdade que durante sua peregrinação, os
contos se transformaram; há a influência do meio, a alteração de certos fatos,
lacunas que foram preenchidas e novos motivos surgiram, mas a base da criação
continua a mesma; as particularidades locais, muitas vezes morais, fornecem
preciosos ensinamentos sobre o povo e sua maneira de pensar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
divulgação dos contos talvez nos surpreenda em função da época mas, na
realidade, os países se comunicavam entre si muito antes das viagens de
Cristóvão Colombo, Magellan ou Marco Polo. Teria havido navegadores,
verdadeiros aventureiros, que transportavam ensinamento de uma a outra
civilização e o ritmo da vida era assim o mesmo em cada país. A América possuía
suas fundições no mesmo período que a Ásia ou a Europa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Concluindo,
não se pode afirmar que houve uma única invenção, mas apenas a Índia possui os
documentos antigos onde nossos mitos estão registrados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — Os temas&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Transcrição
do pensamento do povo, os temas simbolizam suas aspirações. Transposição de
sentimentos e desejos humanos a lenda abole o real.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
homem — infeliz torna-se poderoso. A pastora bela e incompreendida, desposa um
príncipe encantado; o sapatinho perdido, emblema de sua beleza, é cultuado na
Índia. As mulheres, prisioneiras dos hábitos, vivem sob a dependência do homem:
as princesas terão liberdade e o rei será passivo. O subconsciente criou uma
“supercompensação” para os nossos sentimentos de inferioridade&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
mistérios naturais preocupam a imaginação: tudo é maravilhoso, incompreensível,
surpreendente e fascinante. Desde o desabrochar da flor até as ondas
sorrateiras que dirigimos sem conhecer — a eletricidade — essas manifestações
são de uma amplitude desconcertante. O sol e, conseqüentemente, a lua,
favorecem com seu culto, a criação de malefícios, de palavras mágicas e de
palavras-chave.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Entretanto,
esses conhecimentos só podem ser adquiridos com uma certa iniciação; para
comandar os espíritos é preciso instrução e o adepto, depois das provas e dos
três estágios (purificação, conhecimento e poder), conhecerá, finalmente, todas
as virtudes da câmara secreta. O conto será uma lição mas o mito não poderia se
enunciar claramente; elementos conscientes, só instruiriam os iniciados
enquanto que o povo veria nisso apenas um divertimento. Naturalmente a bruxaria
liga-se a essa magia feiticeira. É a estranha personalidade do diabo. A lenda
religiosa deveria se utilizar do antagonismo entre a dualidade da alma humana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;De
acordo com Freud, a sexualidade desempenha um papel primordial no comportamento
da sociedade; é representada sob o símbolo do algarismo 3 — a Trindade mística
— e o lírio heráldico representaria o órgão macho. A psicanálise interpretará
os contos da mesma forma que os sonhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
lenda histórica fundamenta-se em fatos reais, mas o narrador altera a verdade a
fim de provar. A lenda do Cid, criada quarenta anos depois da morte do herói, é
de composição diferente da de Rolando, escrita duzentos e setenta anos depois
de Roncesvales. As suas falhas são flagrantes, bem como nas duas célebres
lendas épicas, a Ilíada e a Odisséia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Outras
lendas estão em formação. Eis a de Cartouche, Mandrin, Jack, o Estripador,
Mayerling, o mito de Hitler vivendo num rancho americano é análogo ao de
Napoleão. A irmãzinha de Lisieux deu origem, segundo o padre de Ars ou São
Vicente de Paula, a uma imensa literatura que não pode desaparecer
imediatamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Todavia,
nesses ciclos temáticos, raramente um tema se representa no estado isolado; ele
se imbrica com vários outros, também mais ou menos modificados. Sendo esses
assuntos primordiais inumeráveis, estudaremos apenas alguns mitos principais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — A pesquisa folclórica&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
palavra folklore foi criada por W. J. Thomas, em 1846. Folk significa povo e
lore; saber ou conhecimento. Antigamente os franceses empregavam a expressão:
“Tradições Populares”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Perrault,
quando publicou, na editora Barbin (Paris), em 1697, suas Histoires ou Contes
du temps passé, abriu caminho aos irmãos Grimm que compilavam os contos ouvidos
da boca dos camponeses de Hesse, em 1810. Walter Scott fez o mesmo na
Inglaterra, em 1820, aproximadamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Quando
se descobriu, em diferentes países, o mesmo repertório de contos, com pequenas
variações de costumes, a atividade dos folcloristas tornou-se intensa. Essa
atividade permitiu a interpretação das lendas e principalmente sua
classificação; foram unidos entre si e compiladas. Miss Roalfe Cox publicou
análises notáveis sobre Cendrillon (Gata Borralheira) e Peau d’Ane (Pele de
burro) (Folklore Society, Londres, 1893).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Com
o estudo dessas narrações maravilhosas, a análise das crenças e dos costumes
permitiu evocar períodos pouco ricos em comentários. Contudo, o folclore não se
interessa unicamente pelo passado; dedica-se também ao presente, tanto em
economia política como em instituições, ofícios ou atividades populares.
Saintyves assim o definiu: “É a ciência da vida popular no seio de sociedades civilizadas.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Embora
a explicação dos contos seja mais ou menos fantasista, este método de
observação permitiu ligar os fatos uns aos outros de forma que parecessem, de
início, disparatados. O folclore permitiu preencher essas lacunas e acompanhar
a evolução da psicologia coletiva mesmo fora das grandes civilizações que nunca
foram homogêneas. Essa cultura tradicional, devida à massa popular à margem do
ensino oficial, tem uma base permanente que, apesar de incompleta, assegurou
definitivamente a estabilidade das sociedades sucessivas. Essa camada inferior,
verdadeira corrente cultural, transmite-se de geração em geração e é graças a
ela que os contos foram conservados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;

&lt;hr align=&quot;center&quot; noshade=&quot;&quot; size=&quot;2&quot; style=&quot;width: 341.65pt;&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;04&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;CAPÍTULO II&lt;br /&gt;
DIVULGAÇÃO DOS CONTOS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1 — Teoria das Migrações&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Gaston
Paris estudou, depois de Benfey, a migração do contos orientais na literatura
da Idade Média. — Cosquin, o inglês Clouston, o alemão Landeau, estabeleceram
paralelos entre as novelas de Bocácio e as fontes orientais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Buscaram,
para cada conto, a estrada percorrida: foi a teoria dos motivos errantes ou a
teoria das migrações. Max Müller aponta sempre a Índia como fonte comum e o
russo Stassov (1868) diz a mesma coisa e foi por isso criticado pela sua falta
de patriotismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;É
preciso analisar com atenção as semelhanças, as condições históricas, a fim de
reconhecer o tema pois se o conto toma de empréstimo o seu motivo ele adquire,
de formo mais ou menos rápida, um caráter nacional. Os russos Vesselovski e
Vsevolod Miller determinaram as trajetórias dos motivos emprestados e
reconheceram uma influência turco-mongólica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Joseph
Bedier (Fabliaux), conforme a escola antropológica, manifestou dúvidas sobre o
método de Benfey; julgou-se que as aproximações fossem vãs e a busca limitou-se
ao que ligava essa obra à poesia nacional. O russo Oldenburg, zombando das
dificuldades, provou serem os fabliaux oriundos da antiga Índia. O tcheco
Polivka e o alemão Bolte forneceram também uma relação dos possíveis paralelos
existentes entre cem contos de Grimm (Remarques sur les contes enfantins et
familiaux de Grimm - Observações sobre os contos infantis e familiares de
Grimm).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Com
efeito, é curioso notar que as aventuras de Ulisses se assemelham às de
Sindbad, o marujo e que o prólogo de Mil e uma noites relata a história de uma
jovem chinesa, conto budista, traduzido para o chinês no século III (tradução
Chavannes, conto nº 109). Miss R. Coxe, numa monografia, conta quatrocentos
variantes de Pele de burro e Gata Borralheira. Além das dos autores já citados,
notemos as variantes erguidas por René Basset, Dähnhardt, Adolphe Pictet,
Buslaiev e Afanassiev.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — A influência da Índia&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Quando
o conto primitivo, ou assim suposto, se libertou de todos os elementos
transitórios e permanentes, sua variante foi discernida na literatura hindu,
que penetrou na China antes do budismo. A maioria dos contos são encontrados no
Extremo Oriente, dois séculos antes da nossa era. A influência budista, as
invasões mongólicas contribuíram para a divulgação dos contos hindus que formam
a base das coleções folclóricas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — Migração dos Contos e dos povos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
migração dos contos nos é desconhecida e podemos quanto muito construir teorias
mais ou menos plausíveis conforme nossa imaginação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Além
da influência budista e das invasões mongólicas, em conseqüência das conquistas
árabes, toda a costa barbaresca e a Pérsia sofreram a influência asiática. Eis
porque Mil e uma noites têm influência pérsica cuja cultura provinha da Índia.
E preciso pesquisar a marcha do conto em relação à marcha do indivíduo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
migração dos povos foi estudada por Elliot Smith, Maximo Soto Hall; os antigos
egípcios seriam descendentes dos Maias que haviam emigrado para a África. A
Atlântida, esse antigo continente, teria formado uma ligação natural entre a
Europa e a América. Entretanto, conforme a notável teoria de Wegener sobre a
separação dos continentes, a América seria um bloco que se desprendeu da Europa
e da África. Realmente essa cisão parece que se produziu antes da aparição do
homem. Contudo, se nos referimos ao sábio americano Libbey, que estudou as
propriedades radioativas do carbono contido nos vestígios orgânicos (o “C 14”),
nossas civilizações datariam de trinta mil anos (época pleistocena). Ora, há
trinta mil anos, a Ásia e a América se juntavam: O Alasca e a Sibéria ainda não
haviam sido separados pelo estreito de Behring. Canals Frau (Préhistoire de
l’Amérique, 1953), é de opinião que grupos de emigrantes asiáticos
aventuraram-se nas planícies norte-americanas, numa época imediatamente
anterior ao último máximo da glaciação Wisconsiniana. Conforme os geólogos e
Antevs, essa última glaciação, denominada Mankato, ter-se-ia produzido
aproximadamente em 25.000 a. C.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Canals
Frau supõe que nova onda emigratória asiática tenha-se produzido na época
mesolítica; essa civilização esquimó teria, há três ou quatro mil anos,
dominado a Sibéria e se teria fixado no litoral ártico da América. Esses homens
teriam atravessado a América de norte a sul a fim de atingirem a Terra do Fogo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;É
indiscutível que nossos antepassados viajavam e só a falta de documentos deu
origem ao julgamento de que esses povos se ignoravam uns aos outros, Serviam-se
das correntes naturais e a expedição Kon Tiki provou ser possível a travessia
do oceano, de jangada, desde a América até os Mares do Sul. As monções
favoreciam as viagens entre o Oriente e o Ocidente. Os malaios invadiram as
ilhas polinésias com a ajuda de grandes vapores providos de balanceiros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
monumentos deixados pelos habitantes da antiga América testemunham uma
civilização adiantada injustamente podada em todo o vigor da sua seiva, quando
da invasão espanhola, no século XVI. Eis porque, nas margens do Mississipi, os
rochedos estão eivados de caracteres que parecem ser fenícios; rochedos
trêmulos que evocam monumentos druídicos; no hemisfério austral, imensas ruínas
de outeiros assemelham-se às sepulturas do norte da Ásia. A admirável pirâmide
de Paplanta, a fortaleza européia de Xochialco, o emprego do cimento no templo
situado nas imediações de Santa Fé, fazem supor que a América era conhecida
pelas civilizações hindus e européias antes da viagem de Cristóvão Colombo; a
tradição deve ter-se apagado um pouco e a mensagem das antigas civilizações nem
sempre foi transmitida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Eis
porque, nas imediações de Montevidéu, uma pedra tumular registra, em caracteres
gregos, que um capitão heleno aportou nessa terra americana no tempo de
Alexandre. Um contemporâneo de Aristóteles também pisou o solo brasileiro. Nas
crônicas, Madoc, filho do príncipe de Gales, abriu velas em 1170, dirigindo-se
para o oeste e descobriu terras férteis; porém, já em 942, os normandos haviam
aportado na Groenlândia passando pela Islândia. Isto justificaria terem tribos
do Missouri também falado a língua céltica. Humboldt admite que os tártaros e
os mongóis tenham passado do norte da Ásia às regiões setentrionais da América
antes do século VI; os chineses comerciaram com os americanos bem como o
cartaginês Himilcon. Salomão e Hiram enviaram os fenícios para as regiões
americanas conhecidas, sem dúvida, pelo nome de Ofir e Társis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;É
um erro julgar que os povos antigos eram selvagens e bárbaros; nossa falta de
conhecimentos a esse respeito não prova essa asserção. Cristóvão Colombo deve
ter ficado surpreendido quando encontrou entre esses “selvagens” a nossa cruz
latina que figurava ainda nas esculturas colossais da cidade de Palenque, no
México.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Depois
da sensacional descoberta do Vixenu, por René joffroy (1952), compreende-se que
o prestígio das artes gregas e italianas estendia-se à Gália céltica. O oppidum
do monte Lassois (perto de Châtillon-sur-Seine) seria uma base dessa rota do
estanho; e os móveis funerários, as jóias ítalo-gregas do século VI antes da
nossa era, a bacia de bronze de fabricação etrusca, encontradas nessa parte
setentrional da Borgonha, então somente céltica, colocam um enigma que provoca
dúvidas sobre as influências da Etrúria ou das regiões greco-cíticas de
passagem pela Grécia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
egípcios conheciam os movimentos planetários e as dimensões do nosso globo
terrestre quando Galileu quase foi queimado vivo por ter adotado o sistema de
Copérnico. Nossas descobertas modernas já haviam sido precedidas pela
Escritura, nossas verdades físicas foram por muito tempo desconhecidas e
ignoradas, enquanto que os Livros Sagrados ficam no limite da verdade e na
harmonia de nossas mais recentes observações, cuja exatidão são apenas
confirmadas por nossas pesquisas científicas; em compensação não havia na
Antigüidade a mesma concepção do tempo e do seu emprego de hoje; conhecimentos
provinham de uma reflexão amadurecida no recolhimento e no silêncio, alheio a
qualquer agitação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Além
dos mercadores, as guerras muito contribuíram para a divulgação dos contos.
Essa divulgação deve-se às conquistas de Alexandre da Macedônia e ao período
helênico (do fim do IV ao II séculos antes da nossa era); depois as conquistas
árabes (1º milênio da era cristã) e finalmente à época das cruzadas (do X ao
XII séculos).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
transmissão oral foi muito importante. Foi dessa forma que Pitágoras tomou
conhecimento das religiões da Índia, quando já convivia com os magos da
Caldéia. Esse sábio grego, contemporâneo de Buda — que talvez tenha encontrado
— e de Confúcio, participava das idéias do hindu e do chinês e esses três
homens pregavam o mesmo evangelho. As descobertas e os pensamentos existem,
pois, no tempo e se transmite de forma desconhecida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Walter
Scott observa que a impressão era inexistente, os vedas e os edas noruegueses,
a Bíblia só foram escritos depois de haverem sido transmitidos oralmente.
Deve-se à inspiração popular a criação da Odisséia e dos Niebelungen.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;

&lt;hr align=&quot;center&quot; noshade=&quot;&quot; size=&quot;2&quot; style=&quot;width: 341.65pt;&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;05&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;CAPÍTULO III&lt;br /&gt;
INTERPRETAÇÃO DAS LENDAS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;06&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;I. — Sentido profano&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;As
lendas são sujeitas a interpretações bastante diferentes que se contradizem ou
se completam. Loeffler-Delachaux (Symbolisme des contes de fées (Simbolismo dos
contos de fadas, 1949) interpreta-as no sentido profano, sacro ou iniciático.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. Teorias astrais ou naturalista&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
povos divinizaram as grandes manifestações da natureza. Se Max Müller e Bréal
Mélanges de mythologie et de línguistique (Miscelânia de mitologia e
lingüística), cogitam nos fenômenos solares e no combate à escuridão, Kuhn e
Schwartz são de opinião de que não foram os fenômenos regulares que chocaram a
imaginação mas sim os espetáculos raros e inesperados (relâmpago, trovão); é,
pois, a escola meteorológica. Para Ploix (La nature des dieux - A natureza dos
deuses) a luz é que é adorada e conduz ao estudo dos fenômenos crepusculares.
Mannhardt encontra nas lendas explicação dos mistérios da vegetação, enquanto
que Regnaud e Renel Evolution d’un mythe (Evolução de um mito) pensam no mito
do fogo. Saintyves descobriu nesse mito antigas cerimônias estacionárias
praticadas por ocasião do ano novo e da primavera.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Deulin
em Contes de ma mere l’Oye (Contos de minha mãe gansa) refere-se a Husson para
quem as sete esposas de Barba Azul tornam-se as sete auroras da semana. Deulin
mostra que com um pouco de imaginação é possível provar que Virgínia é uma
aurora que procura esconder-se de Paulo, que nesse caso seria o sol. Dupuis
(Origine de tous les cultes - Origem de todos os cultos) mostra que Napoleão só
pode existir sob a forma de um deus solar. Entretanto, prosseguindo-se o
trabalho de Afanassiev Contes populaires russes (Contos populares russos), em 8
volumes, Miller (1833-1889) compara as variantes entre si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;É
todavia verdade que o fetichismo foi criado para isolar essas forças invisíveis
e que sua influência sobre as lendas é certa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
mitos meteorológicos, os mitos do fogo, da origem e da morte humana podem pois
basear-se nessas criações literárias, mas outras teorias vieram modificar esses
temas iniciais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Teoria mitológica&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
irmãos Grimm elevaram a criação dos contos à infância pré-histórica da pátria.
Chega-se assim à escola precedente Gubernatis Mythologie Zoologique (Mitologia
Zoológica), acha que esses mitos pertencem a um naturalismo infantil; dá,
enfim, grande importância às formas animais e chega, com seus três livros, à
tese da reencarnação: Schelling Essai sur les mythes (Ensaio sobre os mitos)
(1793), vê nesses mitos a consciência individual de um povo aliada a uma
significação religiosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — Teoria lingüística. Escola Filológica&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
trabalhos de Baudry, Darmesteter, Van den Heyn e Angelo de Gubernatis, são
trabalhos de lingüistas. Com Max Müller esses homens estudam as lendas desde a
deformação de algumas palavras que puderam provocar um obscurecimento do
sentido primitivo original. Max Müller, por aproximações forçadas, procura
demonstrar no sentido da tese solarista. Desta forma se Dyaus na época védica
significava céu, transforma-se em Zeus. Dontenville explica assim a lenda de
Gargântua. O russo Marr estudando Tristão e Isolda cria sua sessão de
Semântica,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;É
muito possível que os povos tenham empregado termos que, no curso de suas
migrações, perderam o sentido ou foram desnaturados; a lenda grega fez
empréstimos da Índia e é muito provável que essa confusão tenha sido
voluntária. Os filólogos, comparando as raízes das línguas entre si com as do
sânscrito, propuseram sábias etimologias que foram substituídas por outras mais
sábias ainda; e assim tudo encaminhou-se para o ceticismo geral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Teoria antropológica&lt;br /&gt;
(ou geração espontânea dos assuntos)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Para
Taylor, Mannhardt, Andrew Lang, Gaidoz os contos e as lendas refletem modos de
pensar primitivos. Os povos civilizados herdaram esses contos e lendas do
passado; são sobrevivências religiosas e culturais extremamente elementares
fundadas no animismo, espiritualização dos fenômenos da natureza ambiente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Mas,
as leis do desenvolvimento da humanidade nos levaram a não mais considerar as
civilizações anteriores como épocas de barbárie. O totem, objeto-tabu, a
palavra misteriosa, representam valores mágicos que a escola antropológica não
soube definir. Frazer, no seu Le rameau d’or (O ramo de ouro) (12 volumes,
1911-1915) afirma que a magia precede o animismo, isto é, a espiritualização da
natureza; a magia é, portanto, o embrião da ciência e da religião. Essa Teoria
prosetivista é combatida pelos etnógrafos soviéticos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — Escola Alegórica&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Creuzer
vê no mito, uma alegoria moral, o símbolo de uma antiga filosofia, nascida no
Oriente e divulgada na Grécia em linguagem figurada. Aí aparece novamente a opinião
dos filósofos neoplatônicos da escola de Alexandria (Platão e Porfírio),
Frazer: The origin of totemism (A origem do totemismo) mostra a conexão do mito
com o totemismo primitivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;6. — Teoria orientalista ou teoria dos empréstimos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
orientalista alemão Benfey, quando publicou em 1859 a coleção de contos hindus
o Pantchatantra, descobriu uma extraordinária semelhança entre os contos
sânscritos e os europeus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Essas
narrações, que circulavam oralmente, foram compiladas na Índia; o budismo
tibetano mostrou-se particularmente ativo. Contudo, não seria possível afirmar
com segurança que esses contos tenham sido criados na Índia. Bizâncio e a
literatura mongólica desempenharam papel importante na exportação dessas lendas
que, da Síria e da Pérsia, se infiltraram no mundo árabe; as cruzadas relataram
esses contos maravilhosos e a Espanha, com as invasões sucessivas, usufruiu
todo o seu encanto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Pictet:
Origines indo-européennes (Origens indo-européias) (1858) apoia Benfey e mostra
a importância da cultura dos árias primitivos. Esses trabalhos foram
continuados por Cosquin, Gaston Paris, Charles Bédier, Gédéon, Huet, Bouslaiev
e Afanassiev.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;7. — Teoria geográfico-histórica ou Escola Finesa&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Anderson
e H. Gaidoz contribuíram com um exame sistemático e escrupuloso das variantes,
com diagramas cronológicos e mapas geográficos dos itinerários percorridos
pelos assuntos. O catálogo dos contos de Aarne (1867-1925) é arbitrário na sua
divisão, mas facilitou a tarefa de Andreiev (1929), que adaptou esse livro ao
folclore russo. Não se desvendando a forma primitiva, Sidow tentou comparar os
contos entre si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;8. — Escola poética-histórica. Teoria
comparativista&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Criada
por Vassélovski (Index bibliographique, 1921), esta teoria trata da influência
oral e escrita da poesia e depois do papel da religião cristã. E a procura do
gênero poético (epopéia, poesia, lírica, drama), das variedades, das formas.
Vsevolod Miller, abandonando a Escola dos Empréstimos procura analisar os
costumes nas canções de gesta: Études de la littérature populaire russe
(Estudos sobre a literatura popular russa); a análise crítica foi a obra de
Orestes Miller. Essas aproximações contraditórias, essas comparações
arbitrárias, foram postas em evidência por Skafttymov: Poétique et Genèse dos Bylines
(Poética e Gênese das Bilinas, 1924). A escola russa moderna preocupa-se com o
meio (folclore dos camponeses e dos operários), que traduz a vida do povo com
Sokolov: Le folklore russe (O folclore russo, 1945) e Pryjov.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;9. — Teoria psicológica. Escola de Freud&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Wundt:
Psychologie des peuples (Psicologia dos povos) analisa os mitos com as
condições psicológicas do povo (estados de sonho, alucinação mórbida).
Laistner, von der Leyen não conseguem dar grande importância à sua teoria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Freud,
com seus alunos Abraham, Rank, Riklin, vê nos mitos a expressão de desejos
persistentes da mesma natureza dos que se manifestam nos sonhos. Quanto mais a
censura social se desenvolve, mais a civilização se complica. Freud mostra
ainda que “as aspirações fundamentais da humanidade, que encontram satisfação
nas diferentes crenças religiosas e os vários estados emocionais têm como fonte
conflitos intrapsíquicos que, do ponto de vista ontogênico remontam à nossa
primeira infância e, do ponto de vista filogênico, aos nossos primeiros
ancestrais humanos.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
escola austríaca, porém, abusou demasiadamente dos fenômenos de ordem sexual e
Regnaud: Le Rig-Veda et les origines de la mythologie (O Rig-Veda e as origens
da mitologia) é de opinião que o cérebro humano não evoluiu há milhares de
anos: Renel, Evolution du mythe (Evolução do mito).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Loeffler-Delachaux:
Symbolisme des légendes (Simbolismo das lendas, 1950) pensa num fascínio
curativo, num poder terapêutico para as doenças da alma. Os contos servem para
manter o equilíbrio psicológico e é assim que os Faraós enganados por suas
esposas, as ascensões milagrosas nas situações inesperadas, as jovens grávidas
milagrosamente fecundadas pelo deus Nauli ou Júpiter e todas essas ficções
nasceram de circunstâncias precisas. Essas narrações imaginárias são pois a
compensação dos nossos sentimentos de inferioridade e o subconsciente
acrescenta-lhes uma “supercompensação”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;10. — Origem histórica. Escola Evemérica&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Schelling
publica em 1793 um ensaio sobre as lendas históricas. O cerne do mito contém a
verdade sob uma forma histórica. Spencer crê que o culto dos antepassados
origina-se nas religiões. A escola Evemérica, século IV a. C. já pretendia
serem os mitos provenientes de acontecimentos históricos e que seus personagens
reais haviam sido elevados à dignidade de deuses. Essa teoria foi retomada por
Hoffmann.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Realmente,
nossos heróis épicos são a combinação de diversos personagens históricos e se
nossas canções de gestas comportam inexatidões, esses protagonistas convergem
para a individualidade do herói.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;07&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;II. — Sentido sacro e
iniciático&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Esoterismo e Magia&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
esoterismo é subjacente em muitos de nossos atos. A religião católica não pode
se livrar dos ritos de religiões antigas e os círios e o incenso provam a
sobrevivência das oferendas, bem como a tonsura do padre indica o sítio da
espiritualidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
coroamento é uma cerimônia esotérica: os braceletes tornam o rei prisioneiro de
seu povo, o cetro é a vara mágica, e a coroa o emblema da flor ritual de mil
pétalas. Th. Briant deu: Le goéland, nº 108 (A gaivota) preciosas informações
sobre o coroamento da rainha Elisabete da Inglaterra que, vestida com sua
roupagem de linho, está ritualmente nua para a unção real.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
povos da África, com seus conhecimentos sobre magia, se aproximam de uma verdade
transcendente que nos escapa. Os ritos esotéricos eram, porém, muito mais
empregados em tempos passados e Victor Emile Michelet: Le secret de la
chevalerie (O segredo da cavalaria) escreveu: “Os construtores de catedrais
inscreveram no secular silêncio da pedra o eco da palavra perdida que os
predestinados ouvirão.” Se os mitos sagrados fossem divulgados seriam
profanados e com isso perderiam suas virtudes místicas, diz Lévy-Bruhl: La
mythologie primitive (Mitologia primitiva, 1935). Assim é que o sentido
profundo e a virtude eficaz são revelados somente aos iniciados, os não
iniciados só encontram nesses mitos um divertimento. Os contos da Nova Guiné
expõem essa eficácia mágica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Ora,
todos os povos fizeram uso da magia. No evangelho assistimos aos fenômenos da
levitação, à multiplicação dos pães e dos peixes; se o alcance das palavras de
encantamento nos escapa, não deixamos de sentir que esses ritos se destinam a
manter a coesão de uma civilização (Van Gennep). Saintyves: Les contes de
Perrault (Os contos de Perrault, 1923), definiu as provações e as tentações com
suas encenações prestigiosas que são ritos de iniciação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Este
elemento sobrenatural requer uma explicação a qual tentaremos evidenciar no
estudo de algumas lendas. Pois esses costumes de iniciação, provindo de um
conhecimento profundo e de um ritual desenvolvido estão tão alterados que
perderam o seu sentido original. O símbolo do casamento, em que a bênção coloca
os eleitos sob a proteção de um poder superior; o elo sem princípio nem fim, cadeia
indissolúvel que une dois esposos romanos; o elo deve ser de ouro puro pois que
a mulher é acorrentada pelo mérito e pelas qualidades sólidas de seu noivo; mas
esse elo liga a vontade do operador ao gênio benfazejo personificado pelo
fluido invisível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
simbolismo do casamento é muito vasto, mas o ritual da morte — freqüentemente
tido como uma espécie de sortilégio — mereceria também ser estudado. A magia
popular deveria ocupar-se do modo de conquistar o poder com Fausto e D. Juan.
Surgiram então os feiticeiros, as invocações, os filtros, os remédios e os
venenos; essa magia natural penetrou nos contos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
sistema cabalista — de origem esotérica e de espírito iniciado — serviu para a
construção das catedrais. A constituição da sociedade — que teve seu apogeu no
reinado de São Luís — a música dos gregos de Eleusis, o cantochão provêm da
Cabala que serviu para estabelecer os monogramas árabes, as estátuas da Índia,
as regras para a seção do ouro. Este ensinamento profundo, freqüentemente
insuspeitado, constitui um precioso patrimônio da inteligência humana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
próprios jogos têm origem esotérica (jogos de cartas, buena-dicha, de xadrez,
de damas, gamão, dominó, jogo do ganso, roleta, marelinha, esconde-esconde,
etc.). As canções populares, muitas vezes, são iniciáticas (Les compagnons de
la Marjolaine, la tour prends-garde, Cadet Roussel).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
valor dos algarismos é nesse caso muito importante. O texto pode ser dividido
em livros, capítulos, versículos, alíneas, cujo número é ditado, (poema em doze
cantos, tragédia em cinco cantos). Às vezes é o número de personagens, o número
de anos de sua existência, o número de seus combates. O escritor multiplica os
algarismos para não se dar a conhecer e os acontecimentos descritos
ultrapassam, dessa forma, a realidade. As profecias entram nessa categoria. O
número 3, emblema sexual em Freud, é a base do princípio divino que reaparece
em todos os cultos, culto de Mitra, triade teológica céltica, ternário de
Pitágoras. São três as penitências e existem três etapas essenciais no
aperfeiçoamento individual; as fadas, como no teatro, dão três golpes com a
varinha; dez, número de Adão e Eva, falo e ovo, são a base da filosofia
pitagórica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
ritos podem derivar para a superstição, o fetichismo, mas a interpretação desse
simbolismo é sempre delicada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Religião e origem sacra&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;As
teses religiosas são numerosas. O Pe. Banier, com sua Escola bíblica, via nos
mitos pagãos, a revelação divina; Bérard, na sua tese religiosa, explica as
cerimônias rituais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Lenormant
e Gladstone interpretam as personalidades dos deuses a partir de personagens
bíblicas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
Apocalipse de São João é uma obra esotérica cujas palavras-chave servem a
religiões e ordens assaz diferentes. As religiões empregam palavras de
encantamento que devem produzir o máximo de efeito além de processos na
aparência muito simples; eis aí uma forma de magia (Anne Osmont). Diz o conde
de Larmandie a esse respeito: “Esses ritos que nada mais são do que a
realização de símbolos, têm poder natural sobre o mundo astral, que contém em
potencial e germe todo o desabrochar do mundo físico. A palavra símbolo
significa, principalmente, resumo, quintaessência; atingimos, pois,
completando-o, a causa segunda na órbita de nossa vontade: desencadeamos o
dinamismo produtor do fenômeno.” F. Ch. Barlet (A iniciação, janeiro de 1897),
diz que “a religião nas suas manifestações exteriores torna-se apenas uma alta
magia cerimonial”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Se
Lévy-Bruhl afirma que o homem primitivo não tem o sentimento do divino, parece
que para Piobb: Formulaire de haute-magie (Formulário de alta magia) ele está
presente em toda parte mas suas leis são difíceis de discernir; são muitos os
véus que encobrem esses segredos que só se exprimem por meio de símbolos.
Contudo, toda essa ciência que provém dos colégios iniciáticos, não está
perdida. O cristianismo não soube se eximir de leis anteriores; as idéias
jurídicas em curso formaram o direito canônico; as vestes sacerdotais provêm de
Bizâncio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — A arte sagrada da Índia&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Estas
lendas, encontradas na Índia, pertencem à mitologia hindu que compreende os
Vedas (hinos), os Bramanas (comentários), as Sutras e Upanichads (manuais de
devoção) e finalmente as compilações de lendas Puranas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Mallarmé:
Les dieux antiques (Os deuses antigos) fala desse berço misterioso, os Arias,
situado no centro da grande Ásia, no vale do Oxo e do qual temos poucas
referências. Suas tribos nômades emigraram para os países eslavos e depois para
a Pérsia, a Índia, a Grécia e a Itália. A mitologia persa, no seu falar Zenda,
devia influir sobre a mitologia norse para criar a epopéia escandinava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Varuna,
autor do mundo, exprime o instinto monoteísta dos cantos védicos. Não é absurdo
afirmar que os três deuses da Índia (Varuna, Agni e Indra) representam
diferentes aspectos do Ente Infinito. Eis porque Deus, falando com Moisés, diz
nós e não eu. Outros três deuses sucedem aos três deuses antigos: o deus da
criação Brama, o deus da conservação Vichnu e o deus da destruição Civa,
portador do terceiro olho: R. Fougère, Contes et légendes de l’Inde (Contos e
lendas da Índia). Quanto a Buda, seria apenas um dos mais recentes avatares do
Vichnu e o próprio Jesus Cristo seria o reflexo desse Deus. Um livro curioso e
inspirado, La vie de maîtres (A vida dos mestres), de Baird T. Spalding (Ed.
Leymarie, 1946), retoma esse tema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;É
digno observar que a crença na transmigração é reencontrada na literatura
céltica; é que a religião druídica, de uma amplidão esquecida, estendia-se até
a Grécia e com toda certeza se achava em comunicação com a Ásia. Desta forma,
depois da morte, a alma se reencarna tomando nova forma, ora superior, ora
inferior, relativamente à vida anterior. Essa sucessão de existências pode ser
humana ou animal e ter lugar neste ou em outros mundos. A sociedade bramânica é
estabelecida em castas, cujos grupos são hereditários e hierarquizados; em seu
pináculo reinam os brâmanes, os padres.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;No
século VI antes da era cristã, porém, o bramanismo se transforma sob a impulsão
de Gotama, o Buda. Depois de reencarnações sucessivas, o indivíduo chega ao
aniquilamento total, o Nirvana. Por suas concepções mais amplas e mais sociais,
todo homem tem acesso à via religiosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Lotus
de Paini observa que o Tao seria uma força oculta ao redor da qual todos os
valores morais evoluiriam. Esse dinamismo cósmico seria produzido por elementos
eletrizantes Iang e Iin que se aparentam ao próton e ao eléctron. Essa
sabedoria espiritual se obtinha por meio da meditação realizada sobre regras
precisas; a formação dos órgãos da clarividência só podia se produzir após as
duas fases impostas: a purificação do corpo astral e a iluminação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Langlois
(Monuments littéraires de l’Inde, 1827) analisou essa literatura sânscrita
cujos Vedas (4500 a. C.) são os livros do conhecimento e os Vidia, os da
ciência. As quatro obras Upanichad tratam da natureza de Deus, os Upavedas são
relativos à vida corrente. Valmiki escreveu o Ramaiana, as aventuras do deus
Rama e Viasa (1000 a. C.) e é o autor de Maabarata que descreve as desgraças de
uma família real. O Bagavad-Gita é um episódio desse trabalho: o deus revela ao
seu favorito Ardjuna a origem e a natureza do universo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Essa
literatura é escrita em sânscrito, língua dos padres e da alta sociedade mas
entremeada de dialeto Pracrit, linguagem de classes inferiores. Sob o efeito
das invasões o sânscrito foi esquecido e só em alguns santuários é encontrado.
Observemos os recentes estudos de Jones, Wilkins, Colebrooke, Wilson, e
Langlois.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Quanto
ao grande livro hindu, o Pantchatantra, foi traduzido do sânscrito para o phlvi
por ordem do rei Choroés, no século VI. A importância desse livro é
considerável uma vez que foi traduzido em antigo persa e em sírio (Calila e
Diná); traduzido em árabe (século VIII) em hebraico (século XII), passou pela
Espanha e sua tradução latina data do século XIII, quando chegou à França e à
Alemanha. Paralelamente a esse eixo, sua tradução árabe penetra na Grécia
(Stéphanit et Ikhnilate) e na língua eslava (XII e XIII) para alcançar, enfim,
a Rússia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Influência da Igreja católica&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Todas
as religiões empregam os mesmos símbolos, mas os colégios sacerdotais velaram a
verdade aos profanos a fim de reservá-la aos seus iniciados; velaram-na de tal
forma que a sufocaram e não souberam mais separar as ficções. Contudo as
religiões refletem a consciência humana, as relações sociais entre os
indivíduos, toda a experiência de nossa vida. A divulgação dos contos é devida,
em grande parte, a uma propaganda religiosa. O budismo não foi o seu único
agente de difusão, há também o druidismo, o catolicismo e todas as religiões.
Os missionários e os exploradores propagavam lendas bíblicas. A religião que
nada mais é que esoterismo, pois que pode existir apenas em estado de
mistérios, age pelo seu maravilhoso e provoca uma espécie de entorpecimento da
alma. Schelling escreve: Introduction à la philosophie de la mythologie
(Introdução à filosofia da mitologia): “O conteúdo da religião é puramente
espiritual e jorra, desta forma, das profundezas mais intimas da vida humana.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
Bíblia é uma grande lenda histórica que abrange vários séculos e não alguns
anos. Obra de várias gerações concentradas na única vida humana, ela nos ensina
o deslocamento dos nômades, a migração do povo de Abraão que se estendeu
durante numerosos anos. A influência bíblica, por seu maravilhoso, se revela em
todas as artes e também nas procissões, nas festas e na própria vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — Criação do mito do diabo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
antagonismo entre Deus e Satanás se encontra em todo o decorrer dos temas
orientais, persas e cristãos. E Ariman, a grande serpente da noite, adversária
de Ormuzd. O princípio do mal vem da mais remota antigüidade. Mas, na religião
católica, Deus criou ele mesmo seus anjos caídos, enquanto que Ariman é um
poder primordial, antítese da Bondade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
fim de combater a sensualidade, a curiosidade, os prazeres da carne e do
espírito, a Igreja católica, serviu-se do personagem de Satanás e lhe criou uma
personalidade mais intensa; dos mistérios da Idade Média ficou-lhe a truanice
que lhe deram os primeiros dramas. Assim nasceu a bruxa, serva do mau espírito.
Os métodos de feitiçaria mostram essa alucinação coletiva, comparável ao Grande
temor; mas esses métodos terminaram de maneira trágica. A Inquisição
incumbia-se de conduzir a um ponto cruciante essa extraordinária criação do
espírito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Assim
é que Loeffler-Delachaux vê nos contos de fadas um protesto contra essas regras
inflexíveis, a fada que reabilita a sacerdotisa ou a feiticeira druida
injustamente condenada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;6. — Conclusão&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Quer
se trate da Escola filológica, naturalista ou histórica, a origem e a
interpretação das lendas só tem sentido a partir de uma equação pessoal; cada
sistema crê possuir a verdade. Mas a abundância, de assuntos iguais em cada
país, a esperança que deles se desprende, a perfeição de suas formas poéticas
deixam prever a busca de temas iniciáticos capazes de elevar o indivíduo. A
aventura maravilhosa, com sua surpreendente riqueza de alma, nos alegra e nos
instrui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;

&lt;hr align=&quot;center&quot; noshade=&quot;&quot; size=&quot;2&quot; style=&quot;width: 341.65pt;&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;08&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;SEGUNDA PARTE&lt;br /&gt;
ESTUDO DAS LENDAS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;09&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;CAPÍTULO I&lt;br /&gt;
FAUSTO&lt;br /&gt;
ou o homem que vende sua alma aos poderes do mal&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esse
personagem imortal de Goethe — às vezes de Marlowe — soube, depois de velho,
reconquistar a juventude, acumular bens, governar seu espírito com uma
compreensão, quase divina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
homem contrai desta forma uma aliança sobrenatural a fim de se alçar a um nível
superior e, abandonando seu arcabouço original, projeta-se num outro ente
espiritual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Este
conhecimento é tributário da dualidade da alma humana; e Mefistófeles endossa
nossa dívida e nossos defeitos. Satanás se incumbe de nossos crimes e de nossas
baixezas; é a válvula que permite ao homem, se libertar. Mas, depois de haver
vendido seu bem mais precioso, o homem tenta zombar do Espírito do mal e almeja
finalmente o espírito supremo da Bondade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — A presença do diabo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Desde
a criação do Mundo o diabo tenta nos corromper; ele é a origem da maldição
celeste; evoca o assassínio de Abel, provoca o dilúvio e a destruição de
Sodoma. Se quer tentar Jesus incita tempestades e violenta as virgens.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;As
concepções demonológicas encontram-se entre os povos mais diversos: árabes,
babilônios, assírios, bem como no pensamento hebraico, na religião persa, na
doutrina cristã, na filosofia grega. Tiveram lugar dominante na vida e nos
escritos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Mas
o cristianismo, com o fito de despertar a atenção do público cansado de
dissertações filosóficas de mistérios, criou o personagem literário do diabo.
Não é mais uma divindade inatingível mas apenas um ser ridicularizado, válvula
indispensável para o rigor do catolicismo e da justiça divina. É assim que
aparece em Le jeu des Vierges sages et des Vierges folles (O jogo das virgens
ajuizadas e das virgens loucas) em La premiere joie de Marie (A primeira
alegria de Maria) etc. Cohen busca esse rasto maravilhoso no seu Théâtre
français au Moyen Age (O teatro francês na Idade Média).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — As duas formas de lenda&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Fausto
reflete a geração em que evolui; a conclusão difere conforme o gosto do autor
ou o interesse da religião. Esse homem que vendeu sua alma morre amaldiçoado,
abandonado pelo céu: é o drama de Marlowe e dos protestantes. Em compensação,
esse homem orgulhoso que se perverteu para satisfazer sua curiosidade natural e
que logo em seguida se revoltou contra Satanás receberá o perdão. Surge então o
drama cristão de Goethe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — Origem da lenda&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
primeira forma da lenda parece ser oriunda da Ásia, com La légende de Théophile
(A lenda de Teófilo), de que Eutiquiano, sacristão da igreja de Adana, teria
sido testemunha ocular.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Teófilo,
vidama — administrador — muito estimado, é injustamente destituído de seu
cargo. A fim de reencontrar seu posto, pediu auxílio a um mágico. Satanás
concluiu o pacto. Apesar do êxito, Teófilo, arrependido, reza durante quarenta
dias e quarenta noites implorando à Virgem Maria a restituição do ato satânico.
Teófilo confessa publicamente o seu ato e morre. Essa lenda foi muito apreciada
na Idade Média: Saint-Bernard, Voragine, Rutebeuf utilizaram-na. No tímpano do
portal norte da Igreja de Notre-Dame de Paris acha-se representado esse milagre;
na mesma ocasião, Viollet-le-Duc põe em cena o artista Biscornet assinando um
pacto com o demônio a fim de completar sua obra (Serralheria das portas de
Notre-Dame de Paris).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Outras formas da lenda&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Em
1220, Cesário d’Heisterbach escreveu Histoire de Militarius (História de
Militarius) que, depois de uma vida de deboche, vende-se ao diabo e,
finalmente, obtém o perdão da Virgem. Com a Légende du chevalier qui donna sa
femme au diable (Lenda do cavaleiro que deu a mulher ao diabo) de origem
picarda (século XIV), a virgem, tomando o lugar da mulher caluniada, põe em
fuga Satanás.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Mais
próximo de La légende de Théophile está o texto brabantês La légende du
chevalier voué au démon et sauvé par sainte Gertrude (1612) (Lenda do cavaleiro
ao demônio e salvo por Santa Gertrude) (G. de Rébreviett) e La farse de Munyer
(A farsa de Munyer).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Dessa
forma, nessa espécie de imaginaria popular — assaz rica em textos semelhantes —
a Virgem intercede em favor de homens orgulhosos, perdulários e jogadores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — A lenda de Cipriano&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Santa
Justina, virgem de Antioquia, é atormentada por Cipriano que se dá à magia; mas
Cipriano constata que “o crucificado é maior do que todos os diabos”
converte-se e torna-se bispo. Voragine acentua dessa forma o poder esotérico do
sinal da cruz. Calderón recolhe a lenda para seu Magicien predigieux (1637) (O
mágico prodigioso). O pacto foi também suprimido em São Cristóvão ou Santa
Teodora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Em
Saint Basile, évêque (São Basilio, bispo), Voragine confunde o amor com o
desejo de se elevar; Urádio, um jovem escravo, que se vende ao demônio para
poder esposar a filha do seu patrão, São Basilio conseguirá recuperar a célula
demoníaca. Achille Jubinal, depois de Jehan de Saint-Quentin, narra em seus
Contes, dits et fabliaux, várias lendas semelhantes (Le dit du chevalier et de
l’escuier - Os ditos do cavaleiro e do escudeiro), Le dit du pauvre chevalier
(O dito do pobre cavaleiro), Le dit des II chevaliers (O dito dos II
cavaleiros). Mira de Amescua: L’esclave du démon (Escravo do demônio) associa D.
Juan e Fausto. O eremita D. Gil sucumbe à tentação; dá sua alma a Satanás para
poder abraçar uma freira que não passa de um esqueleto. O pavor restitui seu
pensamento a Deus e São Miguel triunfará sobre Satanás.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Moreto:
Tomber pour se relever (Cair para se reerguer), Calderón: Joseph des Femmes
(José das Mulheres), Molina: Le damné pour manque de confiance (O maldito por
falta de confiança), pensam ainda na doutrina luterana. Thomas Mann, no Doutor
Fausto narra vários contos semelhantes (capítulo XIII).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;6. — O ensinamento da lenda&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Assim
sendo, para atingir um fim ardentemente desejado um infeliz vende sua alma ao
diabo, seja por intermédio de um judeu, seja por evocação direta graças a
fórmulas mágicas. O pacto é escrito com sangue, marca indelével que o torna
indissolúvel por um período de sete anos. A vítima arrependida é arrancada a
Satanás por meio de uma intervenção celeste. Esta luta é de quarenta dias —
prazo da redenção. Substitui-se a Virgem pela santa da região para que a
autenticidade seja incontestável. Teófilo busca a dignidade e as honrarias; os
cavaleiros se ocupam de riquezas; Urádio pensa no amor; e Fausto, na juventude
e no gênio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
Igreja reformada serve-se da lenda de Fausto para combater o ensinamento do
catolicismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
inferno triunfa nas literaturas alemã, inglesa, escandinava e holandesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;7. — O pacto satânico e a crendice popular&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Fortemente
instrumentada, a crença popular é de que toda inteligência superior é
alimentada por um trato desonesto. Procura-se solapar o poder da Igreja
católica. O poder temporal do Papa Silvestre II é oriundo da colaboração do
diabo que fez com que um pastor de Auvergne fosse elevado às mais altas
dignidades: é o “homem dos três R” por ter assumido postos em Reims, Ravenne e
Roma. Abelardo, precursor do racionalismo moderno, tem a exigência de Fausto;
esse herói da crítica e da independência é derrotado por São Bernardo,
conservador da ordem. Apolônio de Tiano, Sião, o Mágico e os papas desde João
XIII até Paulo II período ativo da Reforma — são assim caluniados por espíritos
invejosos do seu poder. Alfred Neumann, ao escrever O diabo, sob o nome de Necker,
servidor de Luís XI, mostra claramente a opinião do povo que pretende ver no
êxito de um homem surpreendente um poder oculto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;8. — O personagem histórico&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Fausto,
nascido nos últimos anos do século XV, talvez em Kundling, perto de Bretten,
teria morrido em 1543 ou, conforme o médico Bégardi, em 1539. E. Faligan na sua
Histoire de la légende de Faust (História da lenda de Fausto) cita escritos
históricos que provam a sua existência; Fausto, em 1507, era professor, em
1509, bacharel em teologia e recebido na Faculdade de Heidelberg. Esse
indivíduo preguiçoso, ladrão e dado à embriaguez, discípulo de Lutero, tem uma
vida movimentada. Toma como cunhado o próprio Diabo e chama o seu cão de
Prestigiar. Prematuramente envelhecido pelos excessos, sua morte impressiona a
imaginação popular. Sua vida estranha e sua morte cruel — talvez crapulosa —
deram origem a uma lenda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;9. — Nascimento da lenda&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Em
4 de setembro de 1587, Johan Spies publica em Francforte L’histoire du docteur
Faust (História do doutor Fausto) (autor anônimo). Depois da evolução
psicológica dessa alma transviada, as suas aventuras extraordinárias são
relegadas, desordenadamente, para o fim do livro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
edição de Widmann em 1599, acentua o caráter teológico: é a contribuição
protestante. L’histoire de Wagner (A história de Wagner) é a repetição da de
Fausto. Fredericus Scotus Tolet publica em 1593 uma vida de Fausto na qual ele
viaja como sendo Cristóvão Colombo. Marlowe escreve uma farsa trágica, violenta
e sem igual, a Tragique histoire du docteur Faust (A trágica história do doutor
Fausto) (Londres, 1604). É uma obra profundamente humana na qual o autor
conclui que o inferno está em nós mesmos. Com o teatro de fantoches — os
“puppenspiele” — Fausto perde seu conteúdo ideológico para tornar-se o impostor;
o elemento trágico passa a residir apenas no destino do herói, ficando a parte
cômica com Hanswurst ou Kasperle, Polichinelo alemão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Essas
numerosas representações inspiram Dreher e Schütz e depois, Geisselbrecht.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;10. — O drama de Goethe&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Em
1773 Goethe inspira-se no teatro de fantoches. Devolve a essa lenda protestante
sua nobreza primitiva: Fausto tornar-se-á um Abelardo alemão. Símbolo da vida
humana, esse drama é o do saber, o da paixão. Mas Fausto aspira a uma verdade
superior: será salvo apesar de seus erros. Mefistófeles é a antítese das boas
qualidades do sábio. Esse desdobramento de personalidade é mais notável em
L’étrange cas du docteur Jeckyll (O estranho caso do doutor Jeckyll) com
Stevenson que identificou o vício e a virtude. Essa cumplicidade demoníaca
reteve a atenção de Goethe, e o mal — força consciente — seria o reativo do
bem. Satanás torna-se então o servidor de Deus. “O diabo é um companheiro que,
provocando o homem, fá-lo também agir.” Aliás, o prólogo de Fausto assemelha-se
à conversação entre Deus e Satanás (Job, I, 6; II, 3) que é encontrada no
ensaio de Abraão (Job, 17, 1812).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Não
será esse o licor da imortalidade que foi apresentado pelo médico dos Deuses ao
Vichnu por ocasião de um dos seus avatares?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Além
do valor esotérico desse drama, eis que aparece a heroína Margarida, uma das
mais belas almas humanas. Mas nessa luta de amor pueril, sem escrúpulos e sem
remorsos, a lei da fatalidade esmaga a inocência. Se Fausto não houvesse
soçobrado na desvairada noite de Walpurgis, teria representado o amor imortal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Goethe,
entre setenta e seis e oitenta e dois anos escreveu o segundo Fausto, soma de
saber e conhecimento. Nesse poema metafísico, de simbolismo muitas vezes
obscuro, Fausto — a ciência — casa-se com Helena, mulher perfeita, de beleza
antiga e plástica, símbolo da iniciação. Euforion é a alma no último grau da
encarnação, libertada de suas correntes materiais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Dois
grandes filmes foram inspirados nesses temas equivalentes, um de Marcel Carné,
Les visiteurs du soir (Os visitantes da noite) e o outro de René Clair, La
Beauté du diable (A beleza do diabo).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;11. Sucessão literária&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Fausto
enamorado, faz lembrar D. Juan, e Grabbe desenvolve essa comparação analisada
por Micheline Sauvage: Le cas de Don Juan (O caso de D. Juan) (Le Seuil, 1953).
Mas Fausto, romântico. como Chamisso e Lenau, suicida-se. Intelectual puro para
Lessing, é um orgulhoso revoltado para Lenz, Muller, Klinger. O Fausto de Heine
desapareceu; sua ação é muito confusa conforme Soden, Klingemann e Stolte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Herói
de todas as dúvidas e de todos os conflitos humanos, o Fausto de Turguenief é
alvo do amor culpável. Mac Orlan o faz viver entre rufiões e raparigas e uma
prostituta endossa essa terrível dívida (Margarida da noite). Em compensação,
Mon Faust (Meu Fausto) de Paul Valéry, é uma criatura que esgotou tudo o que a
vida pode dar. Mefistófeles é desviado pelas transformações do mundo moderno.
Essa fresca sensualidade aparece na comédia satírica, Lust; depois de La
demoiselle de Cristal (A jovem de Cristal), vem Le Solitaire (O solitário) que
é o drama da negação de nossa civilização; sonho intelectual de M. Teste ou de
Leonardo da Vinci, cada homem integrou-se de uma parcela diabólica. As duas
peças estão inacabadas; se Lust deixa supor o triunfo do amor, observamos o pensamento
trágico já assinalado por Rhumbs (Rumbas), Variétés (Variedades), Analectas
(Analetos).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Thomas
Mann escreveu a tragédia de um músico obcecado: O doutor Fausto. Livro de uma
extraordinária densidade e anotações perturbadoras, o Diabo aparece durante a
Idade Média. Lembramo-nos de Paganini cuja virtude era classificada entre a dos
personagens diabólicos e que não pode ser enterrado religiosamente (as
tribulações de seu cadáver duraram cinquenta e sete anos). Ferchault observa,
porém, os músicos inspirados por esse tema. São eles, Schumann, Berlioz,
Gounod, Liszt, Wagner e outros. Stravinsky orquestrou L’histoire du soldat (A
história do soldado) de Ramuz — na qual um desertor vende a sua alma — num
verdadeiro milagre de realização instrumental sonora. Bellaigue se filia aos
pintores: Étude artistique et littéraire sur Faust (1883) (Estudo artístico e
literário sobre Fausto). Depois de Ary Scheffer haver pintado Margaridas, as
melodias de Berlioz transpareceram em Delacroix.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Não
poderíamos deixar passar em silêncio La merveilleuse histoire de Pierre
Schlemihl (A maravilhosa história de Pierre Schlemihl) na qual Chamisso aponta
um pacto particular; um homem vende a sua sombra pela bolsa de Fortunato. A
tentação é feita em dois estágios; o diabo, humilde como nos tempos medievais,
compra apenas a sombra na esperança de recuperar a alma quando a desgraça se
consumar. As sombras aparecem também na obra de Mac Orlan (Père Barbançon) na
qual a sombra de Encolpe instiga uma luta sorrateira; se bem que o pacto não
apareça, a atmosfera diabólica é a mesma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;12. — Conclusão&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esta
lenda de origem satânica nasceu com L’histoire de Théophile. Pelo poder da
prece, o homem foge ao jugo do mal. O protestantismo consagra o triunfo do
inferno. Fausto denuncia uma crise literária e moral, é um universo resumido. O
drama de Fausto continua a ser, assim, o drama humano por excelência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;

&lt;hr align=&quot;center&quot; noshade=&quot;&quot; size=&quot;2&quot; style=&quot;width: 341.65pt;&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;10&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;CAPÍTULO II&lt;br /&gt;
D. JUAN&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Possuir
pelo espírito ou possuir pelo corpo são os dois desejos insaciáveis e eternos
do homem. Fausto luta com os problemas do conhecimento. D. Juan procura enlaçar
a beleza e se inebria no furor sensual. Mas esse “benfeitor inesgotável de
todas as mulheres”, como é denominado por A. Saurès, persegue um ideal
inacessível; luta com Deus e submete-se finalmente à sua lei comungando no Amor
supremo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;D.
Juan representa nossa tentação, nosso desejo repudiado; herói da força de
sedução, essa criatura audaciosa, nobre e cavalheiresca, cínica é odiada mas
secretamente admirada. É que sob os andrajos D. Juan permanece um grande
Senhor; não é um espadachim e sua paixão, que poderia ter sido vil, o aureola.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Seu
instinto de revolta faz com que entre em conflito com instituições existentes.
D. Juan nasceu num clima quente e sensual, no estrondear das frutas maduras e
odorantes, mas sob o controle da inquisição aos dogmas rigorosos que
proscreviam a liberdade do amor:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 136.65pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;L’oeuvre
de la chair ne désireras&lt;br /&gt;
Qu’en mariage seulement.&lt;a href=&quot;http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/lendas.html#nt2&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;(2)&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Apesar
de Bernard Shaw ser de opinião que D. Juan continua “um crente fervoroso num
inferno último e de que se arrisca à excomunhão, é que o inferno lhe parece tão
distante que o arrependimento pode ser diferido até o momento em que se tiver
saciado de prazeres” (Man and superman) o povo não pode admitir a excomunhão
desse homem excepcional. D. Juan reconcilia-se com Deus; e depois da lenda de
D. Juan Tenório — que morre excomungado — aparece D. Juan Mañara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Os dois D. Juan&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Depois
de haver sido o símbolo da força maligna anti-social; o individualista D. Juan
Tenório transforma-se na figura idealista de D. Juan Mañara, vítima das
realidades físicas de nossa sociedade. Escravo do nosso mundo, verá seus erros
perdoados por saber arrepender-se; é o símbolo do sofrimento e da luta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Prosper
Mérimée mostrou em Les âmes du Purgatoire (As almas do Purgatório) que as duas
lendas eram contadas da mesma forma; entretanto, Tenório foi levado pela
estátua de pedra enquanto que o Mañara salvou-se. A Igreja manda um epílogo
moralista e quanto mais perverso é o personagem, mais a conversão será
retumbante. Bemard Shaw denomina-a “moral monástica”. Albert Camus admite que
esse refúgio em Deus “é o confinamento de uma vida totalmente penetrada de
absurdidade”; “o prazer termina aqui em ascese”,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;No
decorrer de sua longa existência D. Juan se purificou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Romântico,
persegue a imagem de uma beleza feminina, é um amante místico que vai do
desencantamento ao desespero. É um Werther que, pelas suas preocupações
intelectuais, liga-se a Fausto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — D. Juan e Fausto&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;D.
Juan e Fausto são dois revoltados que se insurgem contra os princípios da
sociedade e da Igreja. Esses orgulhosos — serão excomungados — porque
ultrapassam os limites impostos por Deus. A aproximação desses dois peregrinos,
de um absoluto inacessível, foi materializada por Nicolas Vogt no seu poema Les
ruines des-bords du Rhin (As ruínas das margens do Reno). O paralelo foi
admiravelmente tratado por Micheline Sauvage em Le cas Don Juan (Le Seuil,
1953), onde “Fausto é a inteligência de Don Juan, Don Juan o erotismo de
Fausto”; Albert Camus: Le mythe de Sisyphe (O mito de Sisifo) é de opinião que
Fausto não sabia alegrar a sua alma enquanto que a vida cumulava D. Juan, que
sabia organizar sua saciedade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — Os personagens históricos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Essa
criação imortal começa com D. Juan Tenório. Tirso de Molina, que foi o primeiro
a divulgar o tipo em, aproximadamente, 1627, deve ter conhecido obras
literárias anteriores. Uma crônica de Sevilha fixa Tenório matando o Comendador
cuja filha havia raptado e a armadilha dos frades franciscanos; este teria sido
mandado por uma estátua subitamente animada. Fez-se de Tenório o filho do
almirante Alonso Jofre Tenório, contemporâneo de Pedro, o Cruel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Conhecemos
melhor D. Miguel Mañara. Nascido em Sevilha no dia 3 de março de 1627, casou-se
no dia 31 de agosto de 1648, após uma juventude dissipada; ao falecer sua
esposa, em 1662, ingressou na confraria “la Hermandad de la Caridad”; no cargo
de irmão maior, faleceu em 1679 em odor de santidade; quiseram beatificá-lo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Barres:
Du sang, de la volupté et de la mort (Do sangue, da volúpia e da morte),
Théophile Goutier (Voyage en Espagne, XIV), t’Serstevens (Le nouvel itinéraire
espagnol, Segep, 1951), nos descrevem a última morada desse personagem lendário.
A partir do quadro de Valdês Leal, Montherlant (revista N. R. F. de janeiro de
1953) vê na vida de D. Juan uma contínua blasfêmia; o que contrariaria os
propósitos do Padre jesuíta Jean de Cardenas, amigo de D. Juan Mañara. Lorenzi
de Bradi estabeleceu a origem corsa desse erradio do amor, cujo tio habitava
ainda em Calvi, em 1643; foi dessa forma que pelos Cinarca, Napoleão foi
parente dos D. Miguel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Origem literária&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Se
Georges Gendarme de Bévotte escreveu um livro notável, La Légende de Don Juan
(Hachette, 1906 e 1910), Lorenzi de Bradi (Don Juan - 1930), pensa no sedutor
com Zeus, “esse deus devasso, incestuoso, adúltero”, Plutão o raptor de almas e
de corpos ou Prometeu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
silhueta do personagem não é nova: aparece no Amadis de Gaula (1492), nas
comédias de Calderón e principalmente nas de Lope de Vega, aproximadamente em
1598.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Tirso
de Molina (1627), porém, extrai desse contemporâneo do Cid e de D. Quixote o
máximo de força. Seu herói vindicativo tem respostas breves; sua atitude é
digna e de uma calma intrépida diante da estátua animada; essa grandeza o
reabilita. O aspecto singelo desse drama dá-lhe um sabor extraordinário. No Le
truand béatifié (O truão beatificado), de Cervantes, Cristobal de Lugo morre em
odor de santidade; com Mira de Amescua: L’esclave du démon (O escravo do
demônio), D. Gil vende sua alma ao diabo a fim de possuir uma freira: enlaça
apenas um esqueleto e seu pavor o reconduz a Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — Os outros temas do assunto&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esse
drama religioso, no qual a doutrina de Lutero e da predestinação suscita a
dúvida, comporta também o tema do convite de um morto à mesa de um vivo. O
assunto se encontra em peças escritas nos colégios de jesuítas alemães nos
séculos XVII e XVIII: um libertino, o conde Leôncio, esbarrando com uma cabeça
de morto, convida-a para jantar; o misterioso hóspede aceita o convite e leva o
anfitrião para o inferno. Bévotte observa que a lenda teria nascido na Itália,
o que é confirmado por Simone Brouwer. As estátuas animadas são freqüentemente
usadas: Aristóteles nota o assassínio de Mitis pela estátua da vitória
(Poética, XI, 6), Crisóstomo e Pausânias (Voyage en Grèce, 6, XI - Viagem à
Grécia) observam que um invejoso é esmagado pela estátua erguida ao atleta
Teógenes de Tasos; o escultor Pigmalião enamora-se de sua estátua que será
animada por Vênus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Eckhardt
(Corpus historiarum, Leipzig, 1723) menciona o texto de um cronista do século X
referido por Gauthier de Coinsi em sua Chronique rimée des miracles de la
Vierge (Crônica animada dos milagres da Virgem): “Du Clerc qui mis l’anel au
doi Nostre Dame”. Notemos ainda Cicognini com La statue de l’honneur (A estátua
do homem). Shakespeare e o Conte d’hiver (Conto de inverno) e a Vênus d’Ille de
Prosper Mérimée.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;6. — De Tirso de Molina a Molière&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Depois
da obra humana de Tirso de Molina, a peça espanhola é traduzida conforme o
gosto italiano, por Cicognini, Giliberto; cenas burlescas e até vulgares foram
acrescentadas por Biancolelli. Dorimon interpreta Le festin de Pierre, em Lião
(1658), Villiers no palácio de Borgonha, em 1659. Ao título Le convié de
Pierre, preferiu-se algumas vezes Le festin de Pierre, sendo Pedro o prenome do
Comendador que deu origem ao contra-senso atual. Molière imagina, no Palais
Royal, em 15 de fevereiro de 1665, essa notável peça que só será impressa em
1682. Seu ateísmo revolta os bons costumes e a peça é condenada. Com dois novos
personagens, Sganarelle — mordomo jovial e de bom senso — e dona Elvira —
vítima inocente — D. Juan é um cético de idéias engenhosas. Calculista,
perversa, hipócrita e facciosa, essa peça é na realidade uma pintura dos
costumes da época.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;7. — Superabundância literária&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Cada
autor retomaria esse tema, a fim de nele se introduzir, em folhetos impressos.
Depois de Rosimond (1669), La Fontaine trata do personagem ao escrever Joconde
ou l’infidélité des femmes (Joconda ou a infidelidade das mulheres). D. Juan
passa para o teatro de fantoches, nas feiras de Saint-Laurent e Saint-Germain e
o Almanach forain de 1777, organiza uma lista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Cokain
introduz D. Juan na Inglaterra e Shadwell transforma-o em um monstro: La
libertine. (1676) (A libertina). Byron escreve um longo poema inacabado no qual
o herói se deixa conduzir pelo destino. Em Clarisse Harlowe, de Richardson
(1751), Lovelace é uma criatura complicada que tem o gênio do mal. Choderlos de
Laclos aproveita essa mesma segurança diabólica no prazer da corrupção: Les
liaisons dangereuses (Ligações perigosas - 1782), mas nessa luz cruel onde
todos os recursos da astúcia são orquestrados, Valmont aparece mais perverso do
que D. Juan.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
abade italiano Lorenzo da Ponte introduz episódios da sua vida em Don Giovanni;
Mozart aproveita esse texto, enquanto que Balzac cria L’elixir de longue vie (O
elixir da longa vida).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Do
personagem humano de Puchkin (1830), Musset faz apenas um ente quimérico (Les
marrons du feu, 1829, Namouna, 1832; Une matinée de Don Juan). Em 1833, Lélia,
de George Sand, ataca D. Juan que é por ela reabilitado em 1839. Mérimée (Les
âmes du Purgatoire, 1834 - As almas do Purgatório), Blaze (Le souper chez de
commander - 1834), inspiram-se em Mañara, enquanto que La chute d’un ange (A
queda de um anjo), de Alexandre Dumas, é um drama desconcertante. D. Juan
continua demoníaco em Albertus, (1831), Comédie de la mort, (1838) de Th.
Gautier.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Se
a maioria dos dramas é pueril, Baudelaire compõe um poema surpreendente, Don
Juan aux enfers (D. Juan nos infernos), que evoca talvez Delacroix (1846, Les
fleurs du mal - As flores do mal). Depois dessa síntese vigorosa, D. Juan é
novamente desiludido com Lenau (1851), Tolstói (1860). Flaubert lembrou-se dele
numa peça inacabada (Une nuit de Don Juan), enquanto que Barbey d’Aurevilly,
fê-lo contar “seu mais belo amor” nos Diaboliques (Diabólicos); Henri Bataille
também evocou esse personagem na velhice (L’homme à la rose - O homem da rosa).
Richepin obriga o sedutor entediado a amar apenas mulheres bonitas: Mille et
quatre, inconnue (Mil e quatro, desconhecida). H. de Régnier, Ed. Rostand
trazem poucas inovações. Bemard Shaw produz uma obra de fé sobre esse motivo:
Man and superman (1901-1903) (Homem e super-homem); Miguel Mañara de O. V. de
Milosz é humano e comovente; foi escrito depois de Les sept solitudes (As sete
solitudes) Scenes pour Don Juan et l’amoureuse initiation (Cenas para D. Juan e
a amorosa iniciação). L’homme de cendres (1949) (0 homem feito de cinza) de
André Obey é também Le fruit de Don Juan (1934) (O fruto de D. Juan) e do
Trompeur de Séville (1937) (O impostor de Sevilha); mas após esse homem da negação,
eis o “assassínio do amor” por Delteil (Grasset, 1930); é um fraco vencido pela
mulher. Depois deste estilo imperioso e colorido, Claude-André Puget propõe-se
dois fins em Echec à Don Juan (1941 e 1953), (Malogro de D. Juan), obra
brilhante e cavalheiresca. Para t’Serstevens, La légende de Don Juan (1924 e
1946) (A lenda de D. Juan), ele é o judeu errante do amor. Esta vibração da
carne encerra-se com êxtase, enquanto que para Fernand Fleuret: Les derniers
plaisirs, (1924) (Os últimos prazeres), Mañara morre como um libertino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;8. — Os representantes de D. Juan&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Além
dos personagens históricos de Tenório — e Mañara, muitos outros sedutores
tornaram-se representantes desse herói. Ocorre-nos imediatamente a lembrança de
Alexandre com o seu harém de trezentas e sessenta e cinco mulheres, renovado
todos os anos ou a de Júlio César, o sedutor inescrupuloso. Mencionemos ainda
Henrique II de Montmorency, Nero, Francisco I, Luís XIV, Henrique IV (Le Vert
Galant). Temos ainda Lauzun, o duque de Richelieu e a vida galante da Regência.
Depois de Lázaro vêm as vidas tumultuosas de Santo Inácio de Loiola, de
Calderón ou do terrível espadachim Lope de Vega. Sade, por sua obscenidade
doentia, sua perversão sexual dificilmente se assemelha a esse voluptuoso que
não pagava as mulheres como o fazia Casanova; D. Juan não teria admitido as
astúcias de Charpillon que se assemelham às da Conchita imaginadas por Louys:
La femme et le pantin (A mulher e o títere). Nicolas Rétif La Bretonne também
se assemelha mais a Casanova do que a D. Juan.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;9. — Conclusão&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;D.
Juan encarna a paixão humana, pertence a todos os países, a todas as épocas.
Está na base de nossa literatura: é o René de Chateaubriand, o Steerforth de
David Copperfield, L’egoiste (O egoísta) de Meredith, o Woodstock de W. Scott;
aparece ainda na obra de Montherlant, Stendhal, Maupassant. Esse sedento de
ideais integra-se na concepção de cada autor; é uma criação viva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;À
satisfação física quer acrescentar a do espírito. Esse carrasco de corações,
cortês e cavalheiresco, buscando a posse suprema, o amor absoluto, tende à
santidade. Mas não deixou de ser essa criatura inconstante, cujos desejos
insaciáveis e inesgotável curiosidade, permitiram-lhe mil e três aventuras,
verdadeiras conquistas e não simples mercancias. Iluminado, peregrino do
êxtase, judeu errante da volúpia, aventureiro que sonda corações e entranhas,
traz no seu vício uma elegância nativa para transformar-se nesse frade
arrependido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Ao
seu lado a estátua é altiva e marcial; o mordomo conselheiro, tímido, hesitante
entre seus escrúpulos e seu interesse; Dona Enviar — ou Dona Ana — é pura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
drama de D. Juan com seu espírito revoltado denuncia uma crise literária e
religiosa. Mito de riqueza incomparável, é um universo com a condição do homem,
sua dualidade, seu drama da carne e do espírito. Ainda por muito tempo nos
encantará.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;

&lt;hr align=&quot;center&quot; noshade=&quot;&quot; size=&quot;2&quot; style=&quot;width: 341.65pt;&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;11&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;CAPÍTULO III&lt;br /&gt;
AS CANÇÕES DE GESTA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;As
canções de gesta nasceram na excitação religiosa e guerreira; os frades e os
prestidigitadores desenvolveram seu suporte histórico, a ficção embrionária num
objetivo preciso. Não são obras coletivas; gentes de ofício fixaram uma obra
maduramente pensada. Bédier demonstrou a influência exercida pela vida dos
santos, e a marcha dessas epopéias nas vidas dos santuários; pois que essas
obras morais deviam reter e “explorar o peregrino”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Histórico das teorias sobre a origem&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1.
Em 1830, para Fauriel, Wolf, Herder e Edgar Quinet, a lenda vem de um canto
popular contemporâneo ao evento histórico. A poesia nasceu espontaneamente;
esses contos são “Ilíadas em potência”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2.
Os irmãos Grimm “germanizaram” as canções de gesta. Essa poesia popular exprime
a alma da coletividade; não é escrita por um poeta, mas pelo povo. Os escribas
apenas a coletaram. J. J. Ampère é da mesma opinião;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3.
Em 1835, Leroux de Lincy denomina de Cantilenas os velhos cantos populares.
Essa teoria das origens faz parte do ensino com as Histoires de la littérature
française de Demogeot (1851) e de Gérusez (1852);&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4.
Gaston Paris admite essa origem mas controla os cantos que seriam de origem
merovíngia e não tudesca;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5.
Em 1884, Pio Rajna mostra que a canção de gesta é o término da epopéia
merovíngia herdeira da epopéia franca; foi adaptada somente para a aristocracia
germânica. (Carlos Magno fala alemão). Rajna arruina a teoria das cantilenas e
mostra que a epopéia era composta de longos poemas estruturais. Mayer conserva
a tradição oral, Gaston Paris, a noção do canto lírico-épico;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;6.
Bédier observa a importância dos santuários situados nas estradas das grandes
peregrinações que conduzem para São Tiago de Compostela. Assim sendo, a igreja
é o berço das canções de gesta. que nada mais são do que “a história poética de
uma estrada”. Bédier traçou a “estrada dos santuários”. A chanson de Fierabras
foi composta pela abadia de Saint-Denis para que melhor se venerasse o Cravo da
Cruz e a Coroa de Espinhos do Cristo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Situação dos ciclos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Indicamos
sumariamente a composição de três ciclos principais:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A)
Gesta do rei Carlos Magno — É o ciclo mais nobre; narra guerras santas
efetuadas pelo Imperador. A título de indicação citaremos como a mais antiga
canção de gesta a Chanson de Roland.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Observemos
a descrição das guerras santas: Da Itália (Canções d’Aspremont, d’Otinel, as
Canções Enfances d’Ogler, de Balan, de Jean de Lanson, de Bete et Milon); da
Palestina (Canção de Miran, Pèlerinage à Jerusalém, o Chevalier au Cygne,
Chanson d’Antioche); da Bretanha a fim de libertar as sete igrejas (Chanson
d’Aiquin); contra os Saxônios (Chanson de Saisnes); da Espanha (Chanson de
l’Entrée en Espagne, de La prise de &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Pampelune,
de Pierabras, e d’Agolant, de Roland, de Galien, d’Anseis).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;B)
A gesta de Garin de Monglane — São as pesquisas de Luis, filho de Carlos Magno,
apoiado pelo cavaleiro Guilherme. Não tratando deste ciclo, daremos alguns
dados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1.
O coroamento de Luís — Poema do século XII que marca a chegada de Luis em
Aix-la-Chapelle. Guilherme Fierebrace — o verdadeiro herói — combate até
Corsolt, o gigante. Cogitou-se historicamente no conde de Toulouse, Guilherme,
que foi defensor das marchas meridionais contra os sarracenos. Ao retirar-se
para o mosteiro em 806, tornou-se São Guilherme do Deserto; nossos dados
limitam-se a esta descrição. Guilherme morreu antes do coroamento de Luís.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2.
O carreto de Nimes — Por ocasião da distribuição de méritos e feudos, Guilherme
foi esquecido pelo rei. Reivindica então o direito de conquistar a Espanha e o
reinado de Nimes. Penetra em Nimes disfarçado num vendedor de barris de sal
onde estão escondidos, na realidade, seus soldados. (O que nos faz lembrar o
cavalo de pau da Ilíada ou As mil e uma noites).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Guillaume
au court nez (Guilherme de nariz curto) é um herói popular; a narração é
truculenta, pitoresca e cômica. Notemos o episódio da morte do cavaleiro
Renouart no qual o autor pensa no ciclo arturiano ao falar da fada Morgana e do
rei Artur. Guilherme está ainda presente na Prise d’Orange (Tomada de Orange),
Aliscans.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
ascendentes de Guilherme estão presentes com:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1.
Aymeri de Narbonne — Cinco mil versos decassilábicos atribuídos a Bertrand de
Bar-sur-Aube (Princípio do século XIII), divididos em cinco manuscritos
anônimos. Aymeri, depois de haver conquistado Narbonne partiu para a Itália a
fim de desposar Hermengarda, irmã do rei dos Lombardos. Deve reconquistar dos
sarracenos aquilo que lhe pertencia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Com
o Département des enfants d’Aymeri vemos a luta de seus sete filhos contra os
sarracenos. Aymeri morre combatendo os Centauros (os Sagitários); seus quatro
mil versos têm o titulo La mort d’Aymeri de Narbonne.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Victor
Hugo lembrou-se dessa lenda em Aymerillot (A lenda dos séculos).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2.
Girardo de Viena — Durante sete anos Girardo é sitiado em Viena por Carlos
Magno. Oliver combate ao lado de Girardo. Ora, Rolando apaixona-se por Aude,
irmã de Oliver. A fim de terminar a guerra, Rolando e Oliver empenham-se num
combate implacável; um anjo aparta os combatentes e Rolando esposa Aude.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Baseado
nesse tema, Victor Hugo escreve Le mariage de Roland (O casamento de Rolando),
La Légende des siècles (A lenda dos séculos).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Mas
os descendentes de Guilherme deram origem a: Les enfances de Vivien (As
infâncias de Vivien), Foucon de Candis, La batalhe Loquifer (A batalha
Loquifer), Rénier enquanto que seus irmãos estão presentes no Bovon de
Commarcis, Le siége de Barbastre (O sitio de Barbastre), Guibert d’Andrenas ou
La prise de Cordoue (A tomada de Córdoba). C) A gesta de Doon de Mogúncia — É a
narração da revolta dos cavaleiros rebeldes de Carlos Magno. Estudaremos melhor
na Chevalerie d’Ogier os Quatre fils Aymon (Os quatro filhos Aymon), lenda
justamente célebre e que é prosseguida por Maugis d’Aigremont e La mort de
Maugis (A morte de Maugis).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
orgulho, a loucura, o exagero formam o fundo dessas canções onde rancores
imperdoáveis nasceram (Chanson d’Aubri le Bourguignon, de Basin, de Girard de
Roussillon, de Gormond). Mas, às vezes, os barões já não lutam contra Carlos
Magno e sim entre si (Raoul de Cambrai, Les Lorrains).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Observemos
que a história de Gormond e Isambard foi composta pelo, abade Hariulf, em 1088,
conforme a crônica de Saint-Riquier. É pois ainda um santuário que guardou a
tradição doa invasores escandinavos que ameaçaram a França em 879. E exato que
um dos Wikings se chamava Gormond, que seus bandos devastaram Ponthieu em 2 de
fevereiro de 881, e que no dia 3 de agosto de 881, Luis III os desalojou. As
crônicas anglo-saxônicas mencionam um Gormond estabelecido em Circester em 879
e um clérigo cometeu o contra-senso de confundir os dois Gormond.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;D)
Finalmente os empresários dos espetáculos desejaram satisfazer os públicos mais
vulgares. As canções de gesta se transformaram em melodramas. Surgiu o tema da
inocência perseguida (Elie de Saint-Gilles, Doon de La Roche...), o das damas
oprimidas (Berthe aux grands plods, Les enfances Doon, Orson de Beauvais). São
peças moralistas onde se assiste ao castigo do crime.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;12&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;I. — Canção de
Rolando&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Tema da canção&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Carlos
Magno deve negociar com o rei muçulmano de Saragoça que pede paz. Ganelon, o
traidor, permite que Marsile cerque a retaguarda comandada por Rolando. Quando
este se decide a pedir socorro a seu tio, todos os bravos, inclusive Olivier e
o arcebispo Turpin, morrem. Carlos Magno aniquila os sarracenos e em
Aix-la-Chapelle. Ganelon é esquartejado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Tema histórico&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Einhard
escreve em aproximadamente 800 (Vita Karoli, IX) que o emir da Saragoça
solicitou o auxílio de Carlos contra os príncipes muçulmanos (777 em Paderborn)
No dia 19 de abril de 778 Carlos Magno atravessa os Pireneus, toma Pampelune e
malogra-se em Saragoça. No dia 15 de agosto de 778 sua retaguarda é
surpreendida pelos bascos no desfiladeiro de Roscenvales. Carlos não pode
castigar os montanheses.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Desta
forma, para os bascos, a imaginação popular teria substituído os sarracenos,
inimigos arraigados dos cristãos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Conforme
a versão árabe de Ibn-al-Athir (século XIII), os sarracenos aliciados junto aos
francos, teriam auxiliado os bascos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Gaston
Paris adere a esta opinião e diz que Einhard registrou um fato inexato para
poupar o amor-próprio dos francos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — Arquivos históricos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Estes
acontecimentos são ainda anotados nos Anais de Angilbert, em 778, na crônica do
astrônomo Limousin Vita Kludovici.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Eis
a crônica do frade de Silos (aproximadamente 1110), ato da fundação da abadia
de Saint-Pede-Gèneres em Bearn (1096); história eclesiástica de Fleury (1109);
epístola III de Raoul le Tourtier (antes de 1114); Les exploits de Tancrède (As
proezas de Tancredo), de Raoul de Caen (1112-1118). Uma cruz adorna a gola de
Cize antes de 1106 e é mencionada numa Carta Episcopal de Baiona, em 980; os
arquivos de Pampelune (1127), falam de uma capela erguida por Carlos Magno
nesse local de carnificina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Os personagens históricos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Rolando
era verossimilmente um conde de la Marche da Bretanha. Carlos, que na realidade
tem apenas trinta e sete anos, torna-se o imperador da “Barba florida”. A lenda
deforma os fatos e, para melhor expor a bravura de Rolando, quatrocentos mil
sarracenos combatem vinte mil francos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Costuma-se
relacionar também esses acontecimentos históricos a Guilherme, duque de
Septimânio, de Toulouse e de Aquitânia, que, em 793 foi derrotado pelos
sarracenos, em Villedaigne. Em 806, Guilherme retirou-se para o mosteiro de
Gellone onde morreu em odor de santidade (28 de maio de 812). O mosteiro fez
sua apologia e assim foi inspirada a lenda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — Os manuscritos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
versão assonante do manuscrito de Oxford (quatro mil versos em decassílabos do
início do século XII) é a mais conhecida. Bédier localiza-a entre 1080 e 1134.
Para Gregório, essa versão prender-se-ia ao episódio de Baligant. A de
decassílabos assonantes conservada na biblioteca de São Marcos, em Veneza, está
muito próxima do texto de Oxford (manuscrito IV, fundo francês). Nas versões
rimadas, notamos o manuscrito de Châteauroux; outro grupo compreende textos
semelhantes (manuscrito VII, São Marcos, em Veneza; Biblioteca Nacional de
Lião, Cambridge.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
Rolando alemão foi escrito por Konrad (Ruolandes liet) conforme o texto de
Oxford; o mesmo se dá com a versão norueguesa redigida em, aproximadamente,
1240, por ordem do rei da Noruega Haakon V (Capítulo VIII da Karlamagnussaga).
Deve-se ainda registrar uma versão galesa (século XIV), dos poemas ingleses,
neerlandeses, latinos (Carmen de prodicione Guenonis), ou os dois poemas de Apt
em língua provençal (estudados por Mario Roques).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;6. — O autor&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
último verso do poema de Oxford: Ci falt la geste que Turoldus déclinet fez com
que se procurasse o sentido de “déclinet” que tanto pode significar procurar,
refundir ou recitar. Faral (Les jongleurs en France, 1910) mostrou essa
aristocracia das clérigos menestréis. Turold seria então um “pelotiqueiro
considerado autor”, provavelmente de origem normanda. Na tapeçaria de Bayeux
aparece um Turold que se julgou ser um padre, beneditino de Fécamp, filho do
antigo preceptor de Guilherme, o Conquistador (Génin). Tavernier pensa no bispo
de Bayeux, nascido entre 1055 e 1060.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Para
Boissonnade (1923), esse clérigo pelotiqueiro, de caráter independente e fé
profunda, oriundo de Avranchin, teria sido o companheiro de Roger de Seis ou
Sai; seus nomes são encontrados numa Carta do capítulo Notre-Dame de Tudela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;7. — Origem&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Sendo
a teoria das cantilenas destruída por Rajna, a crítica de Bédier parece
tornar-se definitiva. A importância dos santuários situados entre Blaye e
Roscenvales — la Via Tolosana — é confirmada na lenda que envolve a vida
secular de Guilherme. Os louvores religiosos, conservados nos anais de 1124 com
os atos de doação, certamente excitaram ainda mais a imaginação do poeta de
profissão do que a magra informação contida nos anais carolíngios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;É
por essa razão que Mireaux, baseando-se no Guide des Pèlerins (1140) investiga
se o olifante exposto em Saint-Seurin de Bordéus existia antes da canção ou se
foi originado por ela. Boissonnade liga o evento da nossa canção às empreitadas
das cruzadas francesas na Espanha nos séculos XI e XII.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;8. — Valor da lenda&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;As
canções evocam personagens históricos. Para Pauphilet (Romania, LIX, 1933), o
principal personagem continua a ser Carlos Magno. Mas para Mireaux, a obra de
Turold visaria a glória e os desígnios de Henrique Plantageneta tornando sua a
concepção cisterciense da cruzada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Todavia,
as memórias evocadas pelo autor são as que mais nos interessam. Mário Roques (Romania,
nº 263, julho de 1940), mostrou a preocupação do poeta perante as verdades
materiais e psicológicas. É enfim uma obra de criação poética na qual os temas
tornaram-se imortais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Essa
lenda simboliza também as guerras efetuadas por Carlos Martel e principalmente
as de Carlos Magno a fim de realizar a unificação do catolicismo; para
agradecê-lo por este fato, o Papa Leão III coroou Carlos Magno imperador, no
dia de Natal no ano 800.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;9. — Sucessão literária&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Se
A. Fabre (campeão 1941) mostrou que La chanson de Roland era a origem e a base
da Chanson de Sainte-Foy, Le dit de la bande d’Igor é o tema russo em homenagem
aos “príncipes que se bateram pelos cristãos contra os exércitos pagãos”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
assunto inspira o romance de Gabien, as Conquestes de Charlemagne de David
Aubert. Mas depois de Spagna, o Morgante de Pulci (1485) dirige Rolando para o
burlesco. O ideal mundano aparece mais desenvolvido no Roland amoureux. Mas
Boiardo falece (1494) deixando sua obra inacabada. Ariosto vê apenas em Rolando
um amante enganado, mas seu Roland furieux (1516-1532) influencia Mairet;
Quinault (1685) compõe com a música de Lully. Vigny, ao escrever Le cor (1825)
pensa na narração de Turpin; Monin (1832) atrai a atenção dos letrados com seu
Roman de Roncevaux, enquanto Francisque Michel estudava o manuscrito de Oxford.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;13&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;II. — Os quatro
filhos de Ayimon&lt;br /&gt;
(Gesta de Doon de Mogúncia)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — O tema&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Carlos
Magno armou cavaleiro aos quatro filhos de Aymon de Dordone: Aalard, Renaud,
Guichard e Richard. Mas Renaud, devido a uma série de derrotas, matou Bertolai,
sobrinho de Carlos Magno. Um antigo rancor gerou entre o imperador e as
fileiras de Renaud; Carlos Magno, para se. vingar da afronta, perseguiu durante
anos os quatro irmãos que provocavam a admiração de seus inimigos. Ei-los ao
lado do rei Yon lutando contra os sarracenos, desde Ardenas até Bordéus. Com o
auxílio de um primo, Maugis, o mágico, capturaram Carlos Magno para libertá-lo
imediatamente. Libertarão seu maravilhoso cavalo Bayard e Renaud parte para
combater na terra santa; essa vida de orgulho e violência termina com a
penitência e a graça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Textos análogos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
problemas de honra e de consciência que se impõem a esses revoltados se
encontram em La chevalerie Ogier no qual o filho de Ogier, o Dinamarquês, foi
morto pelo filho de Carlos Magno; Ogier quer se vingar; se arrependerá e
tornar-se-á frade. Em Raoul de Cambraf, Raoul, deserdado pelo pai, devasta
Vermandois. Seu implacável adversário Ybert de Ribemont, reconhecendo seus
erros, funda, no local onde estão os sete castelos — monumentos do orgulho —
sete mosteiros — testemunhos de penitência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — Manuscritos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
manuscrito do século XIII, arquivado na Biblioteca Nacional de Paris (nº
24.387, versão de La Vailière), deu origem a duas edições (Michelant, Tübingen,
1862; F, Castets, Montpellier, 1909). Treze outros manuscritos completaram esse
texto chamado La Vailière (manuscritos de Montpellier, de Veneza, estudados por
Pio Rajna, de Cambridge, ns. 766 B. N.). Um poema neerlandês (segunda metade do
século XIII), retoma a trama do manuscrito La Vallière.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Estudos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Paulin
Paris localiza a ação primitiva nas Ardenas. Bédier acentua que a lenda não é
mencionada no Catalogue de 1150, mas que é bastante conhecida no princípio do
século XIII. Longnon estabelece em 1879 um paralelo histórico entre Yon de
Gasconha e o rei de Aquitânia Eudon que guerreou, não contra Carlos Magno mas
contra Carlos Martel. (Revue des questions historiques). Rajna (1884). Léon
Jordan (1908), Castets (1909) considerando a mesma tese, mas Castets, sem
demonstrá-lo, identifica os quatro filhos Aymon aos quatro filhos de Clotário:
Clodoveu, Meroveu, Gondovaldo e Childeberto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Gaston
Paris atribui esse poema de dezoito mil versos a Huon de. Villeneuve, enquanto
que Bédier estabelece um paralelo com a vida de Santo Agilolfo, que conteria
todo o elemento histórico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — Conclusão&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Essa
lenda de situações dramáticas, ternas, trágicas ou burlescas é a epopéia de
vassalos rebeldes que lutam contra seu senhor. Com um fundo maravilhoso e
cômico, cenas pueris e joviais. Les quatre fils Aymon caracterizam essa
literatura feudal acentuada por uma espiritualidade cristã e pagã. A verdade
histórica desaparece perante a verdade psicológica. Mais do que na Canção de
Rolando, temos o retrato da sociedade dos Capetos na qual os vassalos são
freqüentemente insolentes e intrépidos; guardam contudo um certo senso da honra
e essa perseguição implacável dos quatro irmãos, cercada de maravilhoso,
continua a ser uma obra das mais atraentes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;14&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;III. — O Cid&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
personagem do Cid pertence à Espanha. Mas Corneille, prosseguindo com a peça de
Guillen de Castro, imortaliza o herói. Essa lenda cavaleiresca descreve a vida
rude e trabalhosa de um hábil guerreiro; é uma poesia de autenticidade na qual
o sobrenatural, o misticismo e o fanatismo desaparecem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — O personagem histórico&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
Gesta Roderici Campidocti registra o nascimento do Cid em, aproximadamente,
1050; a Crónica del Cid, em 1026. Deve ter nascido em Bivar (a 8 quilômetros de
Burgos), de Diego. Laynez, descendente de Layn Calvo, juiz do condado de
Castilha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Conforme
outras tradições, Rodrigo é um bastardo e tem três irmãos mais velhos. Guillen
de Castro faz dele um filho natural, Corneille, um filho único.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Guerreia
sob o reinado de Sancho II e depois sob o de Afonso VI que o exilou em 1081.
Rodriguez Diaz bate-se então para outros reis. Requestam-se os serviços do
Campeador (O batalhador).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Ajudando
o rei muçulmano de Saragoça, os soldados lhe deram o nome de Cid, Mio Cid
oriundo do árabe Sidi, senhor. Cumulado de riquezas e honras apoderou-se de
Valença (1094) e lá viveu até 1099 como grande senhor. Depois de sua morte, sua
mulher, Ximena, neta de Afonso V. teve que abandonar Valença (1102).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
imaginação do povo acrescentou logo uma infinidade de pormenores
extraordinários. Esse vassalo injustamente exilado permanece um motivo ora
respeitável, ora revoltado; chefe de um bando ambicioso, pouco escrupuloso
(conforme Dozy), torna-se um cavalheiro cortês e galante. São-lhe atribuídas
intenções que são de outros tempos e de outros personagens. Mas esse homem
rude, independente, leal, representa bem a Espanha cristã; provocou a
admiração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Os documentos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
Museu Real de Armas de Madri conserva uma das espadas do Cid (Tizona); a
catedral de Sala manca retém o ato de 1098 pelo qual o Cid dava todos os seus
bens à catedral de Valença; bem como os de Ximena (1101). Burgos tem em seu
poder o contrato de casamento entre Cid e Ximena e os. dois cofres que o Cid
teria entregue aos judeus. Os restos mortais do herói e de sua mulher descansam
em San Pedro de Cardena. Em 1272, Afonso X mandou erguer, em sua homenagem, um
ataúde de pedra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — Fontes literárias&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
Historia Roderici Didaci Campi docti, crônica latina (antes de 1238),
descoberta em 1742 pelo P. Risco, traduzida por Saint-Albin (Paris, 1866).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Só
nos restam trinta e duas estrofes desse poema;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b)
Crônica rimada, descoberta em 1844 por Enjemio de Ochoa, publicada por
Francisque Michel e Ferdinand Wolf — Tradução de Damas-Hinard em 1858. E a
juventude do Cid feudal. A narração inicia-se com a querela entre o Conde de
Gormaz e Diégo Lainez;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;c)
Le Romancero é a obra mais considerável. Foi impressa em Saragoça em 1550;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;d)
A crônica do Cid, quarto livro da Crónica general, teria sido composta pelo
próprio Afonso X e refundida no século XV; e) La crónica del famoso Caballero
Cid Ruy Diaz Campeador, em prosa, publicada em 1512 por Juan de Veloredo, em
1845 por Huberto, em Marburgo e em 1853, em Stuttgart;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;f)
O poema do Cid (Gesta del mio Cid), publicado em 1779 por Sanchez, reeditado em
1858 por Damas-Hinard e depois por Saint-Albin. Talvez escrito por um
prestidigitador de Madenaceli em, aproximadamente, 1140; esse admirável poema
encena um Cid mais apaixonado pelas guerras do que pelo amor. A influência da
Canção de Rolando nela é indiscutível, mas os episódios sobrenaturais são
apenas quatro, sendo um a visita, do Anjo Gabriel e o outro a de São Lázaro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Essa
grande lenda épica espanhola não precisa pois do maravilhoso;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;g)
Documentos árabes. Dozy (1881) encontrou o manuscrito árabe de Ibn Bassam
(Dzakhira, terceiro volume, primeira parte), escrito em Sevilha em 1109 dez
anos depois da morte do Cid lbn-al-Cardebus et Ibn-al-Abar falaram também do
Cid.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Sucessão literária&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
amor Ximena-Cid não é tratado. Essa invenção arbitrária nasceu nos romanceros,
os quais dizem que Ximena amou Rodrigo depois da morte de seu pai. Francisco
Santos no Cid ressuscitado faz com que o Cid ressuscite bastante descontente
com as fábulas que lhe são atribuídas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
Guillen de Castro — No século XVII, este autor forneceu o conflito dramático da
morte do conde. Las mocedades del Cid (Juventude do Cid), composto em 1618, foi
editado em 1621; é um drama fértil em espetáculos nos quais o amor luta com o
dever durante três anos. A segunda parte de Las mocedades narra as proezas do
Cid e a ação só é iniciada vários anos depois do casamento do Cid com Ximena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esta
peça edificante exalta o espírito da caridade; é uma arma contra a Reforma;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b)
Corneille — Corneille retoma esse texto (dezembro de 1636) inspirando-se também
em dois antigos romances espanhóis. A lei imperiosa da unidade de tempo aboliu
esse período de três anos; Corneille, reagindo contra a apresentação dos
mistérios, suprime as cenas religiosas mas exalta o ideal de cavalaria. É
criticado pelo casamento dessa moça com o assassino de seu pai, mas na Espanha,
o rei dispunha, como queria, da mão de uma órfã.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;“La
querelle du Cid”, erguida por Richelieu, tem motivos políticos (apologias do
duelo e de um herói espanhol justamente quando os éditos de 1634 proíbem esses
combates e que a França está em guerra com Madri). E nada mais do que uma
rivalidade literária, o orgulho de Corneille feriu a suscetibilidade de seus
rivais;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;c)
Diamante — La Harpe e Voltaire pretenderam sem razão que o Cid de Diamante era
anterior ao de Castro. Le vengeur de son père data de 1659 e é uma tradução de
Corneille;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;d)
Les tragédies — Desfontaines (Le mariage du Cid, 1635), Chevreu (La vraie suite
du Cid), Timothée Chillac (La mort du Cid ou L’ombre du comte de Górmaz, 1639),
Pierre Lebrun (Le Cid d’Andalousie, 1825), de Casimir Delavigne (La fille du
Cid, 1840) não trouxeram nenhum elemento novo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Abel
Hugo traduziu o Romancero (1822) e Victor Hugo lembra-se de Rodrigo em La
bataille perdue (Les Orientales), Bivar, Le Cid exilé, Le Romancero du Cid (La
légende des siècles);&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Em
1882, Zorilla compõe uma abundante paráfrase do romancero (La légende du Cid).
Massenet escreve sua música segundo o livreto de Gallet, d’Ennery e Blau.
Leconte de Lisle inspira-se em Rodrigo nos seus Poèmes barbares (1862), bem
como José-Maria de Herédia (Revue des Deux Mondes, 1885).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Alexandre
Arnoux publicou uma excelente Légende du Cid Campeador (Piazza, 1923) e Georges
Fourest traduziu o lamento de Ximena em La négresse blonde (Vanier-1909):&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 136.65pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Dieu!&lt;br /&gt;
Qu’il est joli garçon l’assassin de papa!&lt;a href=&quot;http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/lendas.html#nt3&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;(3)&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — Conclusão&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esse
canto triunfal, único texto épico de uma tradição espanhola foi, desde o
princípio, influencia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;do
pelo espirito francês que se irradiou então sobre toda a Europa. Poema de
propaganda, o autor baseou-se em documentos humanos. Debaixo de sua boa cota de
malha, o Cid combateu para ganhar a sua vida. Mas esse personagem bem espanhol
veio até nós, não tanto pela sua coragem que se assemelha à de Rolando, mas por
um fato imaginado por Guillen de Castro: a luta entre o dever e o amor.
Corneille, pela sua concisão, pelo vigor de seus versos cintilantes e imortais,
forjou sua duradoura personalidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;

&lt;hr align=&quot;center&quot; noshade=&quot;&quot; size=&quot;2&quot; style=&quot;width: 341.65pt;&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;15&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;CAPÍTULO IV&lt;br /&gt;
O CICLO ARTURIANO&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
ciclo arturiano, apresenta-se como um conjunto vasto e fértil que prossegue os
Romances corteses. E também denominado Matéria da Bretanha. A figura central
continua a ser a de Artur, rei lendário de origem céltica; pretendeu-se ver
nesse rei o mantenedor da luta contra os saxônios e que, para salvaguardar sua
ilha, deixou-se matar em 542; esse rei liberal teria nascido em Tintagel, na
Cornualha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Artur
— ou Artus — triunfa com suas armas maravilhosas, mas também pela amizade do
mágico Merlin que é considerado algumas vezes como sendo um personagem real.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
rainha Guenièvre, filha do rei Léodagan, figura ideal da dama da corte, toma
emprestado alguns traços a Isolda, outro personagem do ciclo. Guenièvre reina
sobre os seus cavaleiros que se reúnem em volta da Távola Redonda; o casal real
comanda empresas nobres e temerárias; o “geis” que é ao mesmo tempo um pedido
piedoso e uma injunção de defesa, cria um obstáculo que é a base de perigosas
aventuras. A fim de levar a bom termo a conquista de objetos-talismã e de taças
com virtudes mágicas que embelezarão os tesouros do rei, as fadas ajudam os
cavaleiros. Esses combates sobre naturais, esses próprios objetos, vêm de uma
tradição pagã muito divulgada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Quando
o poderoso Artur vai penetrar em Roma, a revolta de seu sobrinho Mordret — que
talvez seja também filho do adultério e do incesto entre Artur e a esposa do
rei Loth — obriga-o a reconquistar seu reinado. Nessa campanha sangrenta, seus
leais servidores morrem. Os saxônios aproveitam-se do sucedido para invadir o
país e, no último episódio da carnificina, Artur e Mordret se ferem de morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;É
a ruína da cavalaria bretã, mas a sua esperança sobrevive. Artur teria sido
levado vivo para o reino das fadas e um dia voltaria para restituir ao seu povo
a independência e o poderio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
ciclo arturiano contém a extraordinária Demanda do Santo Graal que se inicia
com um romance de cavalaria e termina como uma narrativa mística.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Essas
demandas permitiram a cada narrador de compor uma narrativa de acordo com seu
temperamento; os episódios de combate se alternam com cenas sentimentais; atos
de bravura sucedem às imagens voluptuosas e ordens breves de estratégia
guerreira, às palestras galantes. Os progressos sucessivos afastam pouco a
pouco o tema da deixa primitiva e depois os romances em prosa efetuam a fusão
entre as lendas arturianas e as narrativas do Graal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Essa
mitologia céltica ter-se-ia formado por ocasião da invasão saxônia (450-510) e
ter-se-ia enriquecido posteriormente com a inspiração vinda do continente. A
história Britonum, atribuída a Nênio, foi retomada no século XII na História
Regum Brittaniac de Geoffroi de Monmouth (1137). Wace menciona a Távola Redonda
no seu Roman de Brut. A origem é talvez gaulesa a partir de Kuchwch e 0lwen ou
irlandesa como diz Jean Marx baseado no texto dos Mafinogion.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Chrétien
de Troyes nos legou esse conjunto extraordinário e sobrenatural. Hábil
narrador, aproveitou a tendência do povo pelo fabuloso e criou romances de
aventuras e de episódios palpitantes. Ao descrever Lancelote à procura da,
rainha (Le chevalier à la charrette), imaginou um herói que tendo merecido o
amor de sua amante arrisca-se a adormecer numa vida ociosa. Mas Yvain (ou Le
chevalier au lion), voltará ao manejo das armas. Erec, o “cavaleiro do falcão”,
depois das censuras de sua dama Enide, encontra novamente sua força.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Não
podendo citar todos os trabalhos relativos a esse ciclo (remetemos o leitor à
Histoire littéraire de la France, t. XXX e XXXI, de Gaston Paris e aos Romans
de la Table Ronde, de Paulin Paris), observaremos que o assunto continua a ser
o de um jovem cavaleiro desconhecido que, da corte de Artur, levará a bom termo
uma aventura tida como impraticável; graças às suas qualidades, desposa a jovem
que se acha envolvida e que lhe dá, como dote, um reinado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Todas
essas lendas comportam elementos míticos, pagãos, druídicos nos quais se
envertará uma concepção mística cristã. Histórias humanas mescladas de história
sagrada, conjunto que forma a tragédia da fraqueza humana cobiçando os poderes
do espírito (o Graal). Este tema se assemelha ao de Fausto; Lancelote ficou
sendo o valete de nossas cartas e o uso da torta de reis veio até nós.
Estudaremos sucessivamente: A demanda do Santo Graal, Merlin, Tristão e Isolda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;16&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;I. A demanda do Santo
Graal&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Generalidades&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Para
a Idade Média, o Graal é a taça de que se serviu Jesus durante a Ceia. Nela,
José de Arimatéia colheu o sangue do Senhor ferido pelo centurião romano
Longin. Os genoveses expuseram em 1101, depois da tomada de Cesaméia, um prato
de vidro, venerado pelo nome de “Sacro-Catino”. Prato ou vaso, objeto radiante
em ouro ou em cristal, o graal tanto pode ser essa esmeralda celeste ou o livro
sagrado tal como o evangelho perdido de São João.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esses
objetos mágicos evocam os dos contos de Mil e uma noites mas no embaralhamento
desses temas, a descrição da cena do cortejo continua primordial. Estudaremos
antes de tudo a evolução do ciclo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2.- Os temas&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
Chrétien de Troyes, Parsifal — Chrétien de Troyes, natural de Champanha, teve
que compor Perceval ou le conte du Graal a pedido de Filipe da Alsácia, conde
da Flandres, noivo da protetora do poeta: Marie de Champanha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Não
sabemos onde Chrétien tirou os seus dados; o texto teria sido escrito entre
1180-1183; Wilmotte diz que foi antes do 14 de maio de 1181. Eis o assunto:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Parsifal
é criado por sua mãe num domínio solitário Depois de uma aprendizagem bastante
rudimentar, recebe a ordem de cavaleiro e liberta Branca Flor então sitiada. É
recebido no castelo mistérioso, pelo rei-pecador paralisado por uma lançada na
coxa. Espectador ingênuo assiste ao desenrolar de uma estranha cerimônia: o
anfitrião entrega-lhe uma espada. Um mordomo leva-lhe uma lança toda branca
cuja ponta está embebida de sangue; mais longe, uma jovem carrega o graal
(cálice) de ouro muito puro, guarnecido de pedras preciosas e que difunde uma
claridade sobrenatural; depois outra jovem carrega um prato de prata. Parsifal
estupefacto cala-se; no dia seguinte, afasta-se do castelo deserto. Uma jovem
ter-lhe-ia revelado que devia perguntar sobre a significação da cena; com suas
palavras libertadoras teria curado o rei enfermo e o encantamento da região
adormecida e estéril teria cessado; Parsifal recusa então dormir duas noites
seguidas debaixo do mesmo teto. Durante cinco anos realiza as mais perigosas aventuras;
esses episódios fabulosos dependem do fantástico e são de uma iniciação ritual
cujo verdadeiro sentido nos escapa. Um eremita — seu tio — aconselha-lhe então
a caridade, a humanidade e lhe transmite uma oração secreta que lhe permitirá,
talvez, encontrar o graal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Assim
termina o romance de Chrétien, de dez mil e sessenta e um versos
octossilábicos. Entre os prosseguidores a parte “pseudo-Wauchier” se estende
até o verso 21.916 (edição Potvin) e se ocupa de Gauvain. Wauchier de Denain —
ou um autor anônimo — trata das propriedades da espada entregue a Parsifal
(verso 34.934) e faz da lança uma relíquia divina. Manessier, em 1225, a pedido
de Jeanne de Flandre, termina essa obra: Parsifal torna-se o guardião do Graal
(versos 34.934 a 45.379). Muitos outros poetas participam com a sua
contribuição pessoal, tais como Gerbert de Montreuil que compôs dezessete mil
versos insuficientes para que Parsifal pudesse recolher a sucessão do
rei-pecador. Ferdinand Lot analisou essas obras (Romania, I. VII, 1931).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Obra
enigmática com Chrétien, o tema — assume uma significação mística e religiosa.
O graal — que não era o Graal — não era nem uma relíquia santa, nem um tacho de
abundância; nenhum capelão assiste ao desfile da lança que sangra. O tema goza
rapidamente de um êxito prodigioso e inspira outros poetas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b)
Wolfram d’Eschenbach et Guiot — Wolfram d’Eschenbach compõe Parzival entre 1200
e 1210. Diz ele: “Mestre Chrétien de Troyes contou essa história, alterando-a e
Kyot que nos transmitiu o conto verdadeiro irrita-se e com razão. O
Provençal...” Discutiu-se muito sobre a existência desse poeta Guiot ou Kyot.
Para Schreiber e San Marte trata-se de Guiot de Provins, o acre satírico da
Bíblia. Wilmotte pensa no autor de um Miracle de la Vierge (Milagre da Virgem)
entre 1150-1180. Será que Guiot precede Chrétien? A questão permanece sem
solução. Com Wolfran o cerimonial do desfile se complica, lembrando-nos a
coreografia de um ballet. O Graal é então uma pedra santificante dada por Deus
a Adão (era a esmeralda frontal de Lúcifer). Seth, terceiro filho de Adão,
obteve licença para entrar no Paraíso a fim de retomar a pedra. Lá ficou
quarenta anos — número da expiação — e esse cálice será entregue por Pôncio
Pilatos a José de Arimatéia que nele recolheu o Sangue Divino; depois de
quarenta anos de prisão e depois de Vespasiano haver destruído Jerusalém, José,
acompanhado por sua irmã Enigéia e de seu cunhado Bron, se estabeleceu na
Grã-Bretanha, no país de Hofelise onde constrói o castelo Aventureux; a cidade
de Corbenic se estendeu em volta. Pela linhagem de seu sobrinho Josafá, será
concebido Galaad.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
ordem misteriosa dos Templeisen é encarregada de guardar essa pedra; Parsifal
sucederá a seu tio Anfortas. Le nouveau Titurel — poema de seis mil duzentas e
sete estrofes — atribuído a Albreht de Scharpfenberc (por volta de 1280),
adapta para o alemão a história de Merlin conforme Robert de Boron. A base
mística do conto se desenvolve; Montsalvage, lugar santo, seria Montségur na
França ou Montserrat na Espanha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;c)
Robert de Boron — O Saint-Graal ou Joseph d’Arimathie é uma narrativa curta, de
três mil quinhentos e catorze versos e baseada em narrativas apócrifas. — A
lenda de José alcançou grande celebridade em Lorraine. Depois do verso 2.357 o
autor dá livre curso à sua fantasia. Esse romance que recebeu a influência das
abadias de Fécamp e de Glastonbury e por meio delas, de Gautier Map, foi
composto entre 1212-1214 (F. Lot, Romania, 1931; Hoepffner, Lumière du Graal,
1951). Eugene Hucher (1875), Suchier (1892) procuraram a origem de Robert de
Boron; de anglo-normando passou-se a considerá-lo atualmente franco-condado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
grande mérito de Boron é haver transformado a lenda fazendo do Graal um símbolo
da divina graça a qual aspira a alma humana. A tendência é ascética e corresponde
ao ideal monástico cisterciense.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Parsifal
em prosa também é atribuído a esse poeta e é conhecido por Didot-Parsifal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;d)
Gautier Map. A demanda do Santo Graal — La queste del Saint-Graal, atribuída d
Gautier Map, teria sido composta entre 1225-1230. Os estudos de Pauphilet
(Étude sur la queste, Champion, 1921) de Etienne Gilson (Romania, L. I. 1925;
Vrin, 1932) iam provar a influência cisterciense, a doutrina mística de São
Bernardo e estabelecer uma relação com Robert de Boron. Parsifal é substituído
pelo cavaleiro casto Galaad, messias arturiano. O Graal torna-se o símbolo de
Deus. Neste “evangelho aventuroso” (Pauphilet), a exploração terrestre termina
com a descoberta de uma revelação planetária. Obra espiritual, é a história de
uma alma à procura de Deus. Esse conhecimento, com suas divulgações habilmente
graduadas, conduz à humildade, à contemplação e à compreensão. A suprema
beatitude, o êxtase levam Galaad para o céu. A Demanda que se ergue
veementemente contra o assassínio, as festas cavaleirescas e os torneios,
transformou o cortejo tradicional num ofício religioso; o Santo Graal se
desloca pela força invisível de Deus e a missa celebrada em Corbenye é dita por
Josephes, o primeiro bispo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Gauvin
é a imagem do mau cavaleiro. É assim que o Lancelot en prose (Lancelote em
prosa) imporá duras provas a este cavaleiro falho de fé; o mesmo se dá com
Bohort.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Lancelote,
considerado como o melhor dos cavaleiros, não pode tampouco triunfar. Suas
aventuras galantes, seu amor sacrílego pela rainha tornam-no indigno dessa
conquista bem sucedida pelo seu filho Galaad, descendente de José de Arimatéia
por sua mãe. Esse puro entre os puros termina essa busca do infinito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Aí
está a busca da perfeição terrestre onde os desejos humanos são satisfeitos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;e)
Perlesvaus — Perlesvaux, atribuído a Manessier (1225-1230) conta a aventura de
Parsifal conforme o poema de Chrétien. Sob a influência dos monges de Cluny —
esta obra — de menos valor do que a Queste — interpreta pela primeira vez a
mística do sangue divino: o sangue da lança escorre dentro do Santo Graal.
Enfim o silêncio do neófito é explicado aqui pelo seu êxtase no momento da
passagem dos objetos sagrados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — Sucessão literária&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
ciclo bretão é novamente trazido à moda no século XVIII pelo conde de Tressan.
O entusiasmo romântico dele se apodera; Wagner o difunde com suas preocupações
metafísicas. Paulin Paris decifra os textos; Gast on Paris os confronta. Oscar
Summer estabelece uma notável compilação: La vulgate Lancelot (Washington,
1909); Douglas Bruce estabelece a bibliografia (The evolution of Arthurian
Romance, Baltimore, 1923), completada pelos cuidados da Sociedade internacional
arturiana que reside em Paris. As grandes universidades americanas publicam
interessantes trabalhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Georges
Burectud (Lumière du Graal, 1951) estabelece um paralelo entre D. Quixote e o
tema do cavaleiro santo, mas sua comparação entre o Graal e a Divina Garrafa do
Pantagruel de Rabelais me parece mais engenhosa. O segredo supremo do “Vin de
Verité” (Vinho da verdade) assemelha-se ao sangue universal; a Santa Fonte que
corre conforme a curva de uma espiral logarítmica (movimento da vida que se
enrosca), fornece o vinho desejado e mergulha o conviva num delírio báquico
próximo ao arrebatamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Georges
Bureaud descobre ainda esse tema em Milosz nos seus poemas dogmáticos e
metafísicos do Sangue universal (Ars Magna, Arcanes); e na obra de Péladan,
Léon Bloy, Péguy o no Château d’Argol de Julien Gracq.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Origem&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
origem da lenda tem muitas controvérsias. A Matéria da Bretanha é para uns
insular (Gaston Paris, Histoire Littéraire de la France, t. XXX). Os celtistas
alemães refutam a transmissão dos temas arturianos por via anglo-normanda e
Zimmer se pronuncia a favor de uma origem armórica e não galesa. Esse sistema é
prosseguido por Foerster e Brugger, contestado por. &lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;F. Lot (Romania, XXIV,
XXVIII) e por Loth (Kritischer Jahrest bericht, I, 271). &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Vendryes encontra nesses temas uma sobrevivência da
literatura céltica (Cahiers do Sud); Max Gilbert e principalmente Jean Marx (La
légende arthurienne), mostram que a contribuição da Bretanha armórica foi muito
pobre mas que a literatura galesa introduziu temas admiráveis. Jean Marx
escreveu: “Essa lenda arturiana de origem pagã e profana ia, de início, sob
influências certamente inglesas (Glastonbury), e em seguida francesas
(Clairvaux) tomar uma tonalidade cada vez mais cristã.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Blochet
(Les sources orientales de la Divine Comédie (1901) (As fontes orientais da
Divina Comédia), mostrava a civilização preponderante da Irlanda que conhecia Bizâncio
por intermédio das repúblicas italianas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Todavia,
outros pontos permanecem litigiosos: as relações entre as obras, a data em que
foram feitas, o autor. Apesar do minucioso estudo dos dezesseis manuscritos
conservados sobre o Graal, essas questões parecem insolúveis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — Interpretações&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Apesar
de Jean Blondel haver escrito: “Li conte de Brétaigne sont si vain et
plaisant”, parece que esses mitos exprimem verdades veladas assimiláveis pelo
iniciado. Sentimos, na obra literária, surdirem outras interpretações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
Interpretações astrológicas e naturistas — Wolfram preocupava-se com a
astrologia. Ora, o nome de Artur seria oriundo de Arthos, isto é, “ours” (Ursa)
no simbolismo astrológico da constelação polar. Esse palácio astrológico
torna-se o centro do mundo e Guénon (Le roi du monde, 1927), imagina os doze
signos zodíacos que gravitam em torno do sol como os doze cavaleiros que
rodeiam Artur. Saint-Yves evoca a zona zodíaca; nela Lotus Péralté encontra os
princípios druídicos de Crom-Lek. Loomis, diante das esculturas da catedral de
Modena, evoca também a teoria solar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Miss
Jessy L. Weston (Cambridge, 1920) insiste sobre o aspecto ritualista e liga ao
vegetal uma interpretação pelos órgãos genitais. Observou que os ferimentos
atingem as partes viris do rei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b)
interpretações tiradas de fontes orientais — Georges Dottin aponta na
literatura irlandesa, motivos tirados da literatura grega e na sucessão das
provas aproxima-se das narrativas hindus. Hannah Closs (Lumière du Graal) pensa
na lenda de Bagavata Purana. Baseando-se no edifício circular e irradiante que
é o Templo do Graal, pensamos na arquitetura dos templários idêntica à das
igrejas armênias e à dos templos iranianos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Otto
Rahn localiza o castelo Aventureux em Montségur — outros em Glastonbury — e
Hannah Closs, pela descoberta de cerâmicas que aí se fez, pensa no maniqueísmo.
Guénon, (Le roi du monde) estabelece relação entre o Sangue Divino — beberagem
da imortalidade — e o Soma dos hindus ou o Haoma dos persas; depois compara a
esmeralda caída da fronte de Lúcifer — que tornou-se a taça — a Urna, pérola
frontal e terceiro olho de Civa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Chrétien
menciona o gavião, representação oculta da consciência; ora, o gavião simboliza
o grande Horo egípcio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Finalmente,
como na fábula antiga, os animais exprimem as paixões dos homens, e a cada animal
liga-se um simbolismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;c)
Interpretação religiosa — Essa obra mística tornou-se finalmente a glorificação
do sacramento eucarístico. Os evangelhos apócrifos vindos de Bizâncio — e
principalmente o Apocalipse, apontam esse tema (observemos os algarismos rituais
3, 7, 12 e a cor branca). O homem se liberta da fatalidade antiga e prostra-se
diante do mistério da redenção. Chrétien considera os acontecimentos históricos
(transporte da galheta com o Santo-Sangue a Bruges por Thierry d’Alsace;
descoberta da Santa-Lança em Antioquia.); a carne se submete à alma e a alma,
ao espírito. O herói da Queste — primeiro livro filosófico — seria a
representação mística do Cristo. Mas Jean Marx (La légende arthurierine) mostra
que a igreja não adotou a aventura do Graal que continua sendo obra de um
sacristão inspirado pela doutrina espiritual de São Bernardo. Se a Igreja se
houvesse apoderado dessa lenda, os textos teriam sido conservados nos
mosteiros; mas guardados nas bibliotecas dos nobres, perderam-se em parte. A Igreja,
lembrando-se dessa origem pagã, não lhe deu muito lugar na representação
artística. Otto Rahn (Croisade contre le Graal (Cruzada contra o Graal), Stock
conclui que foi contra o Graal que se mobilizou a cruz por ocasião da cruzada
albigense.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Lotus
Péralté (L’ésotérisme de Parsifal (O esoterismo de Parsifal, Perrin, 1914), diz
que o princípio druídico é visível na Queste. Todavia, ignora-se quase tudo
sobre as grandes comunidades visitadas por São Patrício no século IV, ficando o
país de Gales ao abrigo das influências estrangeiras. O prolongamento do
druidismo foi encontrado no século XII na igreja culdeana e seu ensinamento é
básico na instituição da igreja de Roma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;d)
Interpretação esotérica&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1)
Generalidades — Valores esotéricos e iniciáticos podem se sobrepor ao sentido
exterior. René Guenon (Esotérisme du Graal (Esoterismo do Graal) observa que
esse simbolismo é disfarçado e que as dúvidas, as contradições aparentes têm
talvez por objetivo desviar a atenção dos profanos. Teriam sido os autores
iniciados? Não saberíamos responder; mas a organização iniciática presente —
druídica e depois cristã — não quis que a lenda se tornasse um ritual de
iniciação ou de vulgarização. A perda do Graal parece ser o obscurecimento do
centro espiritual secundário e a iniciação deve fazer com que seja encontrado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Victor-Emile
Michelet: Les secrets de la chevalerie (Os segredos da cavalaria, Bosse, 1928),
busca o simbolismo na forma da Távola redonda com os druidas, quadrada com José
de Arimatéia, o arcano subsiste para a da Ceia que Leonardo da Vinci
representou sob a forma de um retângulo oblongo. Percebe-se um significado
nesses símbolos e pensa-se em Gauvain que leva o pentáculo do Tarot. A cor
preta na indumentária de certos cavaleiros isenta-os de uma influência malsã; é
o pentáculo mágico. A Igreja esotérica revela dessa forma um dos aspectos da
sua face interior, o esoterismo. Esses caracteres encontram-se em Dante e no
Romance da rosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2)
0 centro supremo — Para Guénon (Le roi du monde (O rei do mundo, 1927), Graal
quer dizer ao mesmo tempo vaso (grasale) e livro (gradale ou graduale);
Monsalvat — o monte da Salvação — ilha sagrada ou montanha polar, terra da
imortalidade que se identifica com o Paraíso Terrestre. A lança torna-se o eixo
do mundo e o sangue que dela provém é o orvalho que se emana da Árvore da Vida.
Artur é raptado em Avallon, ilha hiperbórea, sede da realeza e da dinastia dos
padres Jean; esse Paraíso Terrestre é ainda, simbolicamente, designado pela
Índia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Julius
Evola diz que o país do Graal não é a Inglaterra mas sim o centro nórdico
primordial, Thulé. Evola pensa também na ordem dos Templários, cujos últimos
representantes, os Rosa-Cruz, conservam o mito da citadela solar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Guénon
imagina a representação do centro do mundo no princípio central de Omphalos e
que é também o centro de uma roda. Sua representação material continua a ser a
pedra sagrada — o menir — para os celtas — morada da Divindade. A Irlanda
fornece grande número de dados relativos a Omphalos. Guénon, observa, enfim, a
equivalência simbólica existente entre o crescente, o navio e a taça; eis
porque o Graal é designado pelo nome de Santo Vaso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3)
0 poder oculto do sangue — Chrétien teria pretendido traduzir exotericamente
uma lenda esotérica na qual o sangue continua a ser um poder oculto excelente
pela sua figuração misteriosa. Base de todo o princípio vital é o arcano da
profecia, da evocação, dos batismos em certos mistérios. Marca a descendência
hereditária e pelo seu princípio racial a desigualdade no casamento, o
adultério, são punidos com a morte. Essa pureza de sangue é a virtude do
indivíduo, do clã, da nação, da raça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Para
Chrétien, o sangue sublinha a alvura do cisne moribundo, esse cisne, símbolo da
pureza, que está no limiar da primeira iniciação. O sangue está ainda presente
no ferimento do rei pecador: leva em si todos os desejos violentos da carne. O
problema do sangue, licor solar, força impulsiva, vontade cósmica foi
mencionado por Théophile Briant (Le Goéland, dez. 1953). Mas talvez seja também
a sede da alma. A presença do arcano nas cerimônias religiosas é a base dessa
demanda do Graal que continua válida para todos nós. 4) 0 rito da iniciação —
Elie Lebasquais (Études traditionnelles, 1939), é de opinião que A demanda do
Santo Graal, Fausto, Rolando, são rituais de iniciação da mesma categoria que O
Pequeno Polegar. O herói, para chegar ao estado superior, busca um personagem,
um tesouro ou um objeto mágico. No simbolismo de Hiram, três mestres procuram
os restos do Grande Arquiteto. Esses ritos proviriam “de tradições antigas, de
formas tradicionais desaparecidas, conservadas pela memória coletiva mais ou
menos subconsciente do povo” (Guenon). Essa iniciação visaria aqui a conquista
de estados sobre-humanos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5)
A alquimia e a cavalaria — Na linguagem secreta a pedra filosofal representa a
salvação; o ouro nada mais é do que o hieróglifo da espiritualidade e das
forças psíquicas de Deus. A demanda é então uma busca semelhante à dos
alquimistas que eram filósofos herméticos; citemos Alberto, o Grande, Roger
Bacon, São Tomás de Aquino, Nicolas Flamel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
arcano é a base da ordem da cavalaria — que deu origem ao companheirismo
operário — e à arte heráldica. “O brasão é a chave da história da França”, diz
Gérard de Nerval. Nessa cavalaria histórica, os Templários foram os guardiães
do Baphomet; os cavaleiros errantes eram atacados pelos dragões, símbolos do
guarda da entrada, ou pelo leão animal solar, alegoria da paixão interior. O
alquimismo é a conseqüência final dessa cavalaria mágica e essa viagem de
aventuras de uma epopéia religiosa e científica é a mesma que a da Demanda do
Santo Graal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;17&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;II. - Merlin&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Personagem
lendário, Merlin — em céltico Myrddhin, em armoricano Marzin — foi poeta,
profeta e mágico. Companheiro do rei Artur, estabeleceu a Távola redonda e seu
nome fica ligado à demanda do Santo Graal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Textos literários&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
A crônica latina — Na Crônica latina, atribuída a Mônio (fim do século X),
vê-se o rei bretão Wortingem abandonado pelos seus devido à sua crueldade.
Desejoso de uma fortaleza que não pudesse ser tomada, os mágicos aconselham-no
a regar o solo com o sangue de uma criança nascida sem pai. Merlin — nomeado
Ambrósio — confunde o rei com suas respostas proféticas e salva assim a sua
vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b)
Geoffroy de Monmouth — Em aproximadamente 1135 Geoffroy de Monmouth dá um
caráter cavaleiresco, cortês e histórico à lenda de Mênio. A pedido de
Alexandre, bispo de Lincoln, redige as Profecias (Atribuídas a Merlin) e depois
a Vita Merlini.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;c)
Robert de Boron — Esse autor inclui o nome de Merlin à lenda do Graal. Sua
trilogia comporta um poema sobre Merlin que institui a Ordem da Távola redonda
(Brut de Wace mencionava a Távola redonda em 1155). Merlin é o herói de uma
epopéia espiritual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;d)
Os continuadores — O simbolismo desaparece e a profecia torna-se um meio
literário. Merlin aparece em numerosos romances (Claris et Loris). O Ariosto,
Cervantes (Don Quixote, II, 21), Rabelais, Shakespeare (O rei Lear, III, 11),
observam esse personagem que inspirou Gluck (A ilha de Merlin, Viena, 1758).
Para K. L. Immermann (Merlin, 1832) é um Fausto cristão; Heine por ele se
interessa (1835) bem como Tennyson (Vivien, 1859, 0 Santo Graal, 1870), e Edgar
Quinet (Merlin l’enchanteur, 1860). Apollinaire escreveu L’enchanteur
pourrissant (1909), Cocteau, Les chevaliers de la Table ronde e Aragon
Brocêliande (Cahiers du Rhône, 1942). Contudo, a lenda de Merlin parece estar a
caminho da extinção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;e)
As críticas — Depois dos estudos de Bâle (1559), Buchanan (1590), David Powel
(1603), é preciso esperar a de Walter Scott (1638) para tocar realmente o
assunto (The Ministrelsy). Francisque Michel e Thomas Wright (1837), tentaram
uma síntese crítica. Depois de Saint-Aignan (1921), de Eschevannés (1935), Paul
Zumthor apresentou, em 1943, uma tese à Universidade de Genebra com uma
bibliografia muito completa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Símbolo da lenda&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
Origem de Merlin — O nascimento desse Proteu da Idade Média é muito obscuro. De
acordo com Robert Boron, o diabo seduziu uma virgem; Merlin, com sua palavra
eloqüente faz com que sua mãe, tornada responsável por esse estranho
nascimento, seja absolvida. Eis a lenda de Ambrósio cujo tema é o de Robert de
diable.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Para
La Villemarqué a mãe de Merlin teria sido uma princesa que, penetrando num
bosque atraída pelo canto de um pássaro, adormeceu e a criança que nascerá de
modo tão sobrenatural e poético, falará imediatamente. Supõe-se também que seja
um personagem real, um burdo galês ou da Cornualha do século VI; ou um deus
gaulês, parente de Mercúrio, Merddyn cujo nome vem da raiz Mercs encontrada em
Mercúrio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b)
A ação de Merlin — Mestre do Heptacórdio formulou as regras que regiam os
cavaleiros da Távola redonda; dirige as batalhas e sua harpa encanta os poderes
hostis; comanda os demônios, encanta as fadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
episódio mais dramático continua a ser o do seu amor por Viviana.
Todo-poderoso, deseja que essa mulher o procure livremente; mas o temor de
Viviana torna-se odioso. Merlin transformou-se no profeta vencido pelo amor e o
encantamento feminino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;c)
Evolução do personagem — Profeta, Merlin não é o mestre de uma alquimia
misteriosa; torna-se a seguir o fascinador. O papel de Merlin ao lado dos
cavaleiros arturianos permanece, entretanto, episódico. Seu simbolismo
corresponde às nossas exigências pessoais e finalmente nada mais é do que uma
significação poética.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;18&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;III. — Tristão e
Isolda&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esse
par imortal influenciou inúmeros episódios do ciclo arturiano. É a epopéia do
amor que se prolonga além da morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — O tema&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Tristão
de Loonois é criado por seu tio Marc, rei da Cornualha. Ferido pela espada
envenenada do Morhout da Irlanda, a quem mata, Tristão se faz tratar pela irmã
do monstro, a rainha da Irlanda, cuja filha é Isolda. Mais tarde, em nome de
seu tio, Tristão pede a mão de Isolda e dessa forma reconcilia os dois países
inimigos. Porém, durante a travessia, os dois jovens bebem um filtro de amor.
Unidos pela paixão, traídos pelos que os circundavam, banidos por Marc, os dois
amantes vivem na floresta de Morois; o rei perdoa-os; Tristão deixa Cornualha e
esposa uma segunda Isolda. Ferido, pede à sua loura amiga para tratá-lo: um véu
branco anunciará sua chegada, um véu preto sua recusa. A segunda Isolda, por
ciúmes anuncia um véu preto. Tristão morre. Isolda chega e sucumbe ao lado do
seu amante. O rei Marc, conhecendo a causa de sua paixão, perdoa e honra a sua
memória. A loucura de Tristão é um episódio desse tema e a síntese do romance.
Tristão, disfarçado em louco, quer rever Isolda. As alusões feitas aos seus
amores são ousadas e formam um resumo assaz rico da lenda; a evocação de suas
aventuras é a parte essencial do poema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — As fontes&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
romances de Chrétien de Troyes e de La Chèvre não chegaram até nós. O texto de
Béroul (1165-1170) conserva quatro mil, quatrocentos e oitenta e cinco versos
(publicados por Muret, 1904 — manuscrito de Beme); o manuscrito do
anglo-normando Thomas tem só três mil, cento e quarenta e quatro versos (dos
dezenove mil) (publicados por. J. Bédier, 1903 e 1905; manuscrito de Oxford).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
loucura de Tristão (manuscrito de Oxford) acompanha de muito perto o poema de
Thomas (tradução de Joseph Bédier, 1907). Os poemas de Eilhart d’Oberg e de
Godofredo de Estrasburgo, os mil e quinhentos versos de um anônimo permitem a
reconstituição desse conjunto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Para
André Mary (Tristan, N. R. F., 1941), a obra seria proveniente de jovens
sacristãos letrados de língua francesa, que conheciam as lendas da Grécia
(Teseu, o rei Midas) e que tinham lido Ovídio e Virgílio Pode-se discernir o
elemento mítico no maravilhoso do filtro e na natureza do herói vencedor de
monstros. Esse tema se encontra na Irlanda e Joseph Loth está inclinado por uma
versão galesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — A obra literária&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Godofredo
de Estrasburqo prosseguiu o tema de Thomas e influenciou Friberg. Hans Sachs,
dele tirou sua tragédia (1553). 0 conde de Tressan recolhe a lenda no século
XVIII e os românticos o enalteceram. Schlegel (1800), Rückert (1839); Walter
Scott (1811), Immermann (1839) compuseram poemas. Hermann Kurtz (1844) e depois
Simrock (1855) estabelecem em alemão moderno o texto de Godofredo — Hertz
completa essa tradução com a análise do texto de Thomas. Francisque Michel
reúne os textos ingleses e normandos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
drama musical de Wagner escrito entre 1857. e 1859 é interpretado em Munique em
1869 e em Paris em 1899. 0 assunto ainda é encontrado com Joseph Weilen
(Breslau, 1860), L Schneegans (Leipzig, 1865), Carl Robert (Berlim, 1871) ou no
Le lai du chèvrefeuille de Marie de France.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
filme de Cocteau (L’éternel retour) pela beleza estática de suas imagens lembra
os Visiteurs du soir de Carné no qual o amor de duas criaturas triunfará das
ciladas e da ira do diabo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Sobre alguns amantes eternos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Vem-nos
à memória Romeu e Julieta, Dafne e Cloé, Paulo e Virginia, Manon e o cavaleiro
dos Grieux, Fedro e Hipólito. Porém as desgraças de um par bem real, Heloísa e
Abelardo são ainda mais tristes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — Simbolismo da lenda&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Isolda
permanece virgem no adultério; engana o bom rei sem remorso aparente e essa
mulher, apesar de tudo, continua simpática. Vemos com indulgência esses amantes
que, mais do que os outros, são submetidos à fatalidade. As páginas que relatam
seus amores reprováveis tornam-se assim patéticas. A simplicidade primitiva do
conto eleva, acima de todas as leis, essa epopéia do amor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
velha magia céltica está presente nesse filtro que implica a fatalidade do amor
e cria esse liame misteriosamente indissolúvel. O amor, essa polaridade
magnética — polaridade devida a Deus, pois Eva, o superior feminino, vem de
Adão andrógino e é “sua sensibilidade volitiva” o que significa a separação do
ente em dois pólos, o negativo e positivo — explica-se pelos efeitos da bebida.
Porém Jean Marx (La légende arthurienne) vê em tudo isso a representação do
“geis” imposto pela mulher ao seu apaixonado. Eis a razão por que essa lenda
está sujeita ao fatalismo e à melancolia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Em
conclusão, o ciclo arturiano com sua maravilhosa Demanda do Santo Graal é a
confirmação de um longo itinerário poético e espiritual. O esoterismo do Graal
é inegável, e se revela nessa transmutacão de uma fábula predestinada num
símbolo cristão. Exegese teológica e mística, esse tributo medieval é rico em
ensinamentos e nunca morrerá, pois sempre surgirão dele novas interpretações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;

&lt;hr align=&quot;center&quot; noshade=&quot;&quot; size=&quot;2&quot; style=&quot;width: 341.65pt;&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;19&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;CAPÍTULO V&lt;br /&gt;
O MARAVILHOSO DA LENDA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;20&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;I — Gargântua&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Gargântua
evoca Rabelais. Contudo Eloi Johanneau (Variorum, t. I, pág. 37), Ph. Chasles
(Tableau de la littérature française, 1829), J. Grimm (Mythologie allemande,
1837), pensam numa tradição antiga. Rabelais criou um herói nacional cujo nome
expressivo tornou-se uma imagem popular.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Origem&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;H.
Gaidoz (Revue archéologique, set. de 1868), baseando-se na radical da palavra —
gar — vê nessa radical uma divindade; o deus da luz Garuda ter-se-ia tornado o
Hércules gaulês. Esse principio druídico estaria ainda presente no seu culto
das pedras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Porém
os gigantes são conhecidos; e o nome de Gargântua figura na Légende de maistre
Pierre Paileu de Charles Bourdigné (1526). Tiel Ulespiègle legou a palavra
“espiègle” mas esse farsante insípido e sem espírito, comparado com Panurge,
não tem nem a sua sutileza nem a dicacidado. Rabelais teria se inspirado na
Histoire maccaronique de Merlin Cocaie (História macarrônica de Merlin Cocaie).
Com efeito, o episódio dos carneiros é também encontrado no primeiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Os gigantes.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Como
os elfos, os anãos ou os ciclopes, os gigantes são a personificação dos grandes
fenômenos (furacões. estações, geadas...); quase deuses: Thrym rouba o martelo
do deus Thor; Mimir, o gigante das águas, aconselha Odin. São entes poderosos:
Egir é o senhor dos mares e sua esposa Ran captura os navegadores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Para
a Igreja católica, o gigante substitui o diabo. Em 1100 os elementos pagãos e
cristãos se misturam; o povo aceita o cristianismo sem contudo rejeitar as
crenças tradicionais. E desta forma que Geoffroi de Monmouth faz evoluir
Gurgunt em sua epopéia bretã retomada por Wace (Roman de Brut, 1155).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — A obra de Rabelais&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Depois
do êxito das Grandes et inestimables chroniques de l’énorme géant Gargantua
(Grandes e inestimáveis crônicas do enorme gigante Gargântua) (1532) — devidas
talvez a Billon d’Issoudun — Rabelais edita Les horribles et épouvantables
faíts et prouesses du très renommé Pantagruel (Os horríveis e espantosos feitos
e proezas do mui renomado Pantagruel) na editora Claude Nourry, conhecido por
Le Prince (3 nov., 1532); o livro é assinado Alcofribas Nosier; o Almanach
pantagrueline pronostication aparece em 1533 (Lião, François Juste).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
Faculdade de Teologia condena o Pantagruel em 23 de outubro de 1533. Porém,
Rabelais, como médico, acompanha o bispo de Paris, Jean de Bellay, que parte
para Roma onde vai pleitear os interesses de Henrique VIII excomungado por
haver esposado Ana Bolena (1534). Com essa proteção Rabelais publica, em 1534,
seu Gargântua (edição definitiva, 1542, Lião, François Juste). Le tiers livre
(1546), de gosto mais rebuscado, expõe a questão do casamento, Le quart livre
(Lião, 1549) narra as buscas da “Dive Bouteille”. e da passagem do Noroeste.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Valor dessa obra&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
romances de Rabelais tiveram imensa popularidade. São os livros de um erudito
que, de maneira divertida, num estilo falado, contêm alusões políticas e
religiosas. Gargântua é um preito em favor do Renascimento e da Reforma. Apesar
de Rabelais ser prudente, de pregar sem falar demais, percebe-se nele o
pensamento de Erasmo, célebre pelo seu Institution du prince chrétien. Rabelais
também foi um iniciado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Saulnier
(Mercure de France, 1-4-1954) mostrou que essa filosofia do beber era o símbolo
de uma busca da sabedoria. O festim perante Chaneph é erguido com alusões à
Ceia e faz pensar na Comunhão Eucarística.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Les
grandes et inestimables chroniques (1532) teriam inspirado Rabelais. Ora, nelas
encontramos novamente o mágico Merlin, que dá origem aos pais de Gargântua,
futuro servidor do rei Artur. É talvez aí que se deve buscar a analogia que
notamos entre a busca da “Dive Bouteille” e alguns episódios do Santo Graal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Na
verdade a obra de Rabelais, de intenção evangélica, continua profundamente
esotérica com seu simbolismo aparente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — A sucessão literária&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Rabelais
foi muito imitado. Os livros transportados pelos bufarinheiros referem-se, em
geral, às Grandes e inestimables chroniques de 1532: é o caso de Deckherr em
Montbéliard, de Placé em Tours, de Pellerin em Epinal ou de Oudot em Troyes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Mas
Gargântua — denominado também o Judeu Errante — passeou por todas as regiões.
Modelou o solo, formando lagos, córregos e deixando montes de lodo que são
verdadeiras montanhas. Uma crônica do século XVI diz que ele “a engendré le
fleuve du rosne en pissant trois mois, six jours, treize heures trois quarts et
deux minutes”. Essa geografia gargantuesca foi notada por A. Van Genned em Le
folklore de Bourgogne, 1934; (0 folclore de Borgonha) por Sébilot (Les
Traditions populaires, 1883) (As tradições populares), e por Carnoy (Contes
français, 1885).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;6. — Conclusão&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Rabelais,
fiel à tradição das crônicas de gigantes, soube exprimir, entre suas invenções
burlescas, idéias novas e profundas. Não temeu opor-se à ordem estabelecida e
traçou um programa de vida no qual o humanismo evangélico ocupa um lugar
preponderante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;21&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;II. — O Judeu Errante&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
judeu Isaac Lequedem da tribo de Levi, denominado também Ahasvero — Sapateiro —
recusou qualquer socorro a Jesus supliciado. Por essa falta de caridade,
caminhará até o juízo final conforme a maldição divina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Criação literária&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Em
1228, um arcebispo da Grande Armênia, ao visitar o mosteiro de Saint-Alban,
narrou a lenda de José — ou Cartafilo — porteiro do pretório, que bateu em
Jesus e foi condenado a esperar a volta do Senhor. Caindo, de cem em cem anos,
em letargia, recupera sua aparência corporal do tempo da paixão (trinta anos).
O arcebispo diz ter almoçado com José. Mathieu Paris, recolhe a lenda e
registra-a, em 1252, na sua História Major; Philippe Mousket, bispo de Tournai,
menciona o mesmo episódio na sua Chronique rimée (em aproximadamente 1243).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Entretanto,
essa lenda não aparece no folclore armênio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Gaston
Paris (Légendes du Moyen Age, 1912), observa que Cartafilo devia ser romano e
não judeu pois que foi empregado por Pilatos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A.
d’Ancona mostrou (Romania, t. X e XII) que o personagem obsedava a imaginação
da Idade Média.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Evolução da lenda&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Uma
carta em alemão, datada de 29 de junho de 1564 afirma que Paul d’Eitzen, doutor
em teologia e bispo de Scheleszving, encontrou o Judeu errante em Hamburgo em
1542. 0 redator alemão, protestante, teve que se servir desse nome para
autentificar uma narração lendária. A narração de Chrysostornus Duduloeus
Westphalus (Leyde, 1602), teve numerosas reedições.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Em
1575 esse erradio é encontrado na Espanha; apresenta-se aos Magistrados de
Estrasburgo; Pierre Louvet o vê em Beauvais (1614). 0 advogado Bouthrays, na
Histoire de son temps (t. II, XI, 1604), observa que — toda a Europa se — ocupa
com esse personagem que inspira as artes. Depois da .publicação em Bordéus dos
Discours du véritable Juif Errant (Discursos do verdadeiro Judeu Errante)
(1609), as cartas de Prétendu Espion Turc (Pretenso espião turco) torna-se
Michob-Ader (Paris, 1680).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — Origem literária&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Gaston
Paris pensa em Caim, o erradio fugitivo, em Samiri que foi condenado por Moisés
a caminhar sem descanso por ter adorado um bezerro de ouro. Malc, que
esbofeteou o Cristo com sua luva de ferro e gira em torno de uma coluna até o
juízo final. Mas a lenda mais notável parece ser a de Jean Boutedieu, conhecida
pelas cruzadas estabelecidas na Síria. É encontrada nos mistérios provençais,
na canção de gesta de Fierabras (Ferrabras) na qual o leproso Marcos bate Jesus
e na Espanha sob o nome de Juan Espera-en-Dios. Philippe de Novare anotou-o no
seu Livre en forme de plait (1250).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Evolução do personagem&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Discípulo
bem-amado ou culpado? São João, bem como José de Arimatéia são imortais e
entretanto o cristão espera apenas a graça do céu. A vida tranqüila de
Cartafilo sucede a vida errante de Ahasvero. Mas o erradio pára nas vilas,
professa, toma assento à mesa de Paul d’Eitzen. Esses dois homens são tão
diferentes que Droschen (Iena, 1668), Frantzel e uma brochura de 1645 são de
opinião de que existem dois testemunhos da paixão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Porém,
em aproximadamente 1800, o judeu errante não pode mais parar; possui apenas 5
soldos no bolso que se renovam à medida que os vai gastando. É um timorato.
Goethe pensa em tratar dessa lenda, mas Fausto, que também pode renascer, é
muito mais humano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — A sucessão literária&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Depois
das obras anônimas, as edições tais como La chanson de Béranger, a ópera de
Scribe e Saint-Georges com a música de Halevy. Gérard de Ner vai traduziu
Schubart numa meditação filosófica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Gustave
Doré firma esse personagem que permite a Eugene Sue compor o primeiro romance-folhetim.
Mélies, em 1904, consagra-lhe uma curta metragem cinematográfica e histórica;
lendas relativas à Paixão encontram-se intercaladas nessa obra. Daí as obras de
Edgard Quinet (Ahasverus, 1834), de Ed. Fleg (Albin Michel, 1953), de Alexandre
Arnoux (Carnet de route du Juif Errant, Grosset, 1931). Depois deste livro
vibrante t’Serstevens criou seu encontro com D. Juan (La Légende de Don Juan,
Gonet, 1946); num diálogo cintilante D. Juan torna-se o Judeu errante do amor.
J. C. Cordeau (Ahasverus, Jouve, 1951) observa os simuladores que vão do
desertor (Léopold Delporte, 26 de maio de 1623), aos impostores, tais como o
conde de Saint-Germain ou Cagliostro. Outros homens, seguindo a convocação
geral do ano 1000, já haviam endossado essa personalidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;6. — Conclusão&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
Judeu Errante talvez tenha nascido da imaginação popular. Todavia, o castigo
parece desmesurado em relação ao ato e dificilmente se compreende o rigor de
Jesus que sabia perdoar. A lenda pode personificar a nação judaica que deve
viver entre os outros povos depois da destruição de Jerusalém por Tito. Pode
ser o emblema da humanidade que caminha continuamente para um fim imprevisto. É
a alegoria da guerra; a explicação mitológica transforma-a no vento que a
conduz. É também um tema protestante, um testemunho certo que fortalece a fé,
um testemunho em favor da veracidade dos fatos narrados nos Evangelhos, que
combate o mito cristão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
lenda permite aos autores traçar o quadro dos usos e costumes de cada país por
onde passa; ou contar a História Sagrada. Porém, o personagem, vencido por seu
erro, não goza das alegrias mortais, as únicas alegrias que poderiam lhe ter
criado na obra literária um lugar de destaque.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;22&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;III. Roberto, o diabo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Este
belo e doloroso conto da Idade Média francesa canta a esperança de cada homem:
qualquer, que seja o grau de nossos pecados, podemos encontrar o caminho da
salvação. Roberto, esse ser abjeto e amaldiçoado, torna-se um santo. Obra de
moralização e de encanto, sua ação rápida, alerta, acentua os caracteres da
cavalaria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — O assunto&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Roberto
nasce sob uma influência infernal. Sua adolescência é marcada pelos seus atos
de crueldade; porém, ao saber do segredo do seu nascimento, quer expiar-se. Em
Roma, num recanto do palácio do imperador, imita um louco e come com os cães.
Porém, quando os sarracenos devastam a região, Roberto, com autorização
celeste, combate e expulsa o invasor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Depois,
no anonimato, retoma o seu lugar de truão. Três anos mais tarde seu feito
glorioso se repete e a identidade do “cavaleiro branco” se desvenda; a princesa
encontra novamente a palavra para glorificar Roberto que, fugindo às honras, se
retira do mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Os manuscritos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Um
antigo poema de duzentas e quarenta estrofes monorrimas de quatro versos
datando do século XIII foi retomado por G. S. Trébutien (Silvestre, Paris,
1837). Outro manuscrito do século XIV (ou começo do século XV) recebeu os
cuidados atenciosos de E. Loseth (1903).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — As fontes&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
Literárias — Um texto em latim — de Etienne de Bourbon, dominicano do século
XIII, publicado por Lecoy de la Marche (1877) retoma o mesmo tema, bem como uma
redação em alemão do século XV. Um regato atravessa o quarto da princesa:
imaginamos o quarto de Isolda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Este
assunto se repete nos Mistérios de Nostradamus (llº milagre) e no Roman de
Robert, le Dyable, manuscrito de La Vallière, nº 80 (edição Frère, Ruão, 1836).
Mas “Un miracle de Nostre-Dame d’un enfant qui fu donné au dyable, quand il fu
engendré” (33o. milagre de Gautier de Coincy) é publicado pelo padre Poquet
(1857; Frère, Ruão, 1836) e Petit de Julleville (t. 149; t. II, 310) contêm
textos análogos; Paulin Paris ocupa-se do “Miracle d’un enfant que sa mere
donna ao diable à l’eure que son père l’engendra et qui fut porté en enfer”.
Mágicos presidiram também a esse nascimento: este tema de iniciação é estudado
nos temas do conto de Barba Azul.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b)
Histórico — Nas Chroniques de Normandie pretendeu-se atribuir a paternidade de
Roberto, o Diabo, a Aubert, duque e governador, da Normândia no tempo de Pépin
le Bref; depois foi Robert Courteheuse, filho de Guilherme; o Conquistador, que
teve morte gloriosa em 1134, durante a primeira cruzada. Outros viram nesse
personagem o pai de Guilherme, o Conquistador, Roberto, o Magnífico (1035).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Na
verdade Roberto, o Diabo, parece ser uma criação. É o tipo do príncipe
salteador da Idade Média.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Sucessão literária&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Se
Liebrecht (zur, Volkskunde) vê nessa lenda a adaptação eclesiástica de um velho
conto popular pertencente ao grupo do “Teigneux”, Borinski pensa em Robert
Guiscard.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Realmente,
muitas vezes o demônio se interessa pelas crianças para delas fazer suas
criaturas. Guillaume d’Orange, as lendas alemãs de Orendel e de Wolf Dietrich,
as sagas de Thidrek têm pontos de semelhança estudados por Cosquin nas
literaturas do Cambodge, de Zanzibar, da Sibéria, etc. A criança se liberta
desse jugo maléfico mas conserva os benefícios da iniciação nos segredos
importantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Edelestand
do Meril (Etudes d’archéologie), Littré e Gaston Paris (Romania, IX, 523; XV,
260) estudaram essa lenda que Edouard Fournier, depois de uma tradução (Denty,
1879), fez representar no Gaieté, no dia 2 de março de 1879. Fora a ópera de
Meyerbeer (Paris, 1831), as obras de Scribe e de Delavigne são interpretações
livres.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — Seu ensinamento&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Este
conto, cujo texto é de uma pureza exemplar, adotou as idéias do cristianismo
medieval. Faz lembrar Saint Alexis que, no dia de seu casamento, para se
mortificar, foge às alegrias de sua família. Esta idéia de penitência, de
elevação, depois de uma decadência nativa, tem bem um caráter popular e
moralizador. Roberto, o Diabo, continua a ser uma das lendas francesas mais
recentes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;23&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;IV. — Pierre de
Provence&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Obra
moralizadora é a narrativa de um amor fiel; sua singeleza transmite-lhe uma
graça e uma suavidade bem características dos Romans courtois (Romances
corteses) nos quais tudo é encantamento e prodígio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — O tema&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Pierre
de Provence rapta Maguelone, filha do rei de Nápoles. Mas durante a viagem,
Pierre, ao perseguir um pássaro que se apoderou de uma jóia, extravia-se. Muito
tempo separados, os dois amantes se encontram finalmente e formam o par mais
unido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — As fontes&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
Literárias — Romance anônimo conhece-se o manuscrito de Coburgo e a edição
gótica de Lião, atribuída a Barthélémy Buyer em, aproximadamente, 1477. Parece
que esse texto foi escrito nas regiões do sul da França em, aproximadamente,
1442. As edições Le Roy, em Lião (1485) inspiraram-se no mesmo tema muito
popular na Idade Média.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Conforme
Gariel (Idée de Montpellier, 1665), o assunto teria sido estudado por Petrarca
segundo um texto de Bernard de Tréviez. Esta hipótese é posta em dúvida por
Ancona (1889), rebatida por Gaston Paris (Romania, t. XVIII, l889,pág. 511).
Parece mais certo ser Tréviez o escultor que ornou o lintel da porta da
catedral de Maguelone.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b)
Histórico — Vêm-nos ao pensamento a ilha de Maguelone, perto de Montpellier e
nos condes de Toulouse; supôs-se ser o bom rei René o conde de Provença
(1435-1480). Mas com mais certeza pensou-se em Pierre de Melgueil que ofereceu
o seu condado ao papa Gregório VII, no dia 27 de abril de 1085. Sua esposa era
Almodis. Esse generoso conde, glorificado pela Igreja de Roma, tornou-se uma
figura popular (estudo de A. Germain, 1854).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — A sucessão literária&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Duas
vezes Cervantes citou Pierre de Provence em D. Quixote. As poesias de Tieck,
com a música de Brahms, foram editadas em Berlim, em 1911. Mistral trata de
Maguelone (Trésor du Félibrige, II, 244) (Tesouro do Felibrige) Esse tema popular
inspira numerosos artistas e um sarcófago de mármore existe na catedral de
Maguelone.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
elementos desse romance se encontram nas Mil e uma noites (história do príncipe
Camaralzanam e da princesa Badur), no poema italiano Ottinello e Giulia, no
romance francês L’Escoufle. O furto de jóias por um pássaro é um caso comum na
literatura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
romance persa Histoire des amours de Cofroès (História dos amores de Cofroès)
lembra ainda a narrativa francesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Paris e Vienne&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esse
romance terminado em 1443 (conforme Biedermann, em 1427), compara-se a Pierre
de Provence.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;É
a história de um invencível cavaleiro que cativa o amor de Vienne, filha do
Delfim do Vienense. Paris, como Pierre, é aprisionado no Oriente, na Síria e na
Alexandria. Finalmente desposa Vienne.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esse
texto é conservado na biblioteca de Carpentras (nº 172). Podemos ainda pensar
no amor de Flora que corre para o palácio do Sultão na Babilônia a fim de lá
arrancar Brancaflor. Aucassin et Nicolette retoma o tema e Aucassin, depois de
aventuras cômicas, consegue desposar a filha de Garin de Beaucaire que se
opunha aos seus amores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — Conclusão&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Paris
e Vienne dão um lugar importante aos feitos da cavalaria, mas os dois textos
são histórias de amor edificantes nas quais a constância dos amantes triunfa.
Pierre de Provence continua sendo uma obra mais humana e mais elegante; o
estilo é simples, direto. A clareza e a uniformidade dessa narrativa muito
sóbria foram a razão do seu êxito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;

&lt;hr align=&quot;center&quot; noshade=&quot;&quot; size=&quot;2&quot; style=&quot;width: 341.65pt;&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;24&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;CAPÍTULO VI&lt;br /&gt;
FORMAÇÃO DE LENDAS RECENTES&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;CARTOUCHE ET MANDRIN&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Dois
célebres bandidos de proezas diferentes que souberam cativar a imaginação
popular: Cartouche tornou-se assim o bom ladrão enquanto que Mandrin é um
salteador temível que socorre os humildes. Desde a morte desses dois
personagens, os livros se apoderaram de suas personalidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;24b&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;I. — Cartouche&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
Sua vida — Louis Dominique Cartouche, nascido em outubro de 1693 no bairro de
La Courtille, em Paris, teve uma educação bastante rudimentar. Aos onze anos
foi raptado por um bando de boêmios e aos dezoito já roubava pelos belos olhos
de uma pequena roupeira. Recrutador, organizou mais tarde o seu bando de acordo
com os principios militares; seus tenentes chamavam-se Duchâtelet, bem como
Duplessis d’Entraigues, Louis Marcant, estudante de direito, Pélissier, cirurgião.
Como a França estava coberta por uma rede de agentes (teve trezentos e sessenta
e seis cúmplices) Pélissier pode atacar o correio de Lião. A audácia desses
homens é inacreditável: um pregoeiro proclama a busca de Cartouche, esse se dá
a conhecer e apavora a multidão que nada faz para detê-lo. Suas evasões são
espetaculares (Fort-l’Evêque).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Apesar
de enriquecido pela rua Quincampoix onde François Le Roux despojava os
visitantes do banco Law, Cartouche tornou-se receoso — ele próprio foi delator
junto a M. d’Argenson. Duchâtelet vende o seu chefe no dia 14 de outubro de
1721; encarcerado no Chatelet e depois na Conciergerie, sua pena de morte
foi-lhe comunicada no dia 26 de novembro de 1721. No dia 27, na praça de Greve,
já sem esperanças de ser salvo pelos seus, denunciou seus cúmplices, enquanto
que no interrogatório, apesar do suplício dos sapatos de ferro, nada confessou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b)
Sua popularidade — Esse bandido sanguinário, supliciado na roda aos vinte e
oito anos, foi exposto em casa do ajudante do carrasco: cada curioso pagava um
soldo. A Confraria dos Barbeiros-Cirurgiões trouxe o corpo para seu hotel e
durante três dias os parisienses puderam desfilar para vê-lo. O molde de sua
máscara é conservado na biblioteca de Saint-Germain; outra figura no Museu do
Homem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Sua
biografia aparece em 1721, L’Histoire de la vie et du procès du fameux
Louis-Dominique Cartouche (História da vida e do processo do famoso
Louis-Dominique Cartouche), mas Legrand e Quinault já havia atualizado sua peça
quando vieram ver Cartouche na prisão; os italianos seguiram o teatro francês e
representaram-no como Arlequim. Uma multidão se formou para assistir essas
peças. A aristocracia velo para ver o bandido prisioneiro, o próprio regente
saiu das suas comodidades; os gravadores venderam seu retrato, os poetas, entre
eles Racot de Grandvai (1725), glorificaram sua coragem, sua inteligência, seu
gênio de comando:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 136.65pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Ainsi finit Cartouche, et la Fleur des Guerriers&lt;br /&gt;
Laisse sur l’Echafaud sa vie et ses lauriers.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/lendas.html#nt4&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black; mso-bidi-font-size: 11.0pt; text-decoration: none; text-underline: none;&quot;&gt;(4)&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;25&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;II — Mandrin&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
Sua vida — Nascido em Saint-Etienne-de-Saint-Geoirs em Dauphiné, no dia 11 de
fevereiro de 1725, Louis Mandrin é um contrabandista popular com poses de
gentil-homem. Em Chambéry é recebido pela nobreza. Mandrin organiza um bando
disciplinado e promove verdadeiras campanhas contra os Fermiers généraux. Sua
sexta campanha foi sangrenta. Mandrin não ataca os particulares mas obriga os
administradores oficiais e intermediários a comprarem os seus produtos
contrabandeados; fornece recibos regulares. Mandrin é o gerente de um
estabelecimento comercial; escrupuloso quanto aos pesos, as quantidades,
insurge-se todavia contra os impostos descontados por quarenta mil empregados
detestados. Malesherbes, primeiro presidente da Corte de Apelação, havia também
condenado esse abuso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Mandrin
retoma as façanhas de Puymoreau que em 1548, com um bando organizado de seis
mil homens lutou contra o imposto da gabela e tomou Saintes, Cognac, Bordéus,
libertando os contrabandistas arrestados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Audacioso,
afugenta as tropas de Luís XV que se lhe opõem, ataca cidades inteiras: Autun,
Bourg-en-Bresse — (5 de outubro de 1754), Beaune (dezembro de 1754). Liberta os
prisioneiros, menos os assassinos e os ladrões; assina libertações e endereça
cartas corteses, porém firmes, às mais altas autoridades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Depois
de uma batalha decisiva contra os hussardos da legião de Fitscher, refugia-se
na Savóia. Seis regimentos de infantaria e dois de cavalaria foram mobilizados.
Mas na noite de 10 para 11 de maio de 1755, raptado por soldados de La
Morliêre, do castelo de Rochefort, em território Sardo, os Fermiers généraux
instauram imediatamente um processo. A Corte de Turim manifesta-se contra essa
violação de direitos e de seu território, mas, no dia 26 de maio de 1755 era
executado em Valença. Em seguida, a França humilhou-se perante a Casa de
Sardenha e libertou dois companheiros de Mandrin injustamente aprisionados.
Mandrin não denunciou nenhum de seus companheiros, fez supor que não era responsável
por nenhuma morte; aos trinta e um anos sua morte foi edificante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b)
Sua popularidade — Suas aventuras galantes, suas fugas, suas façanhas
audaciosas, seu papel de benfeitor para com a população à qual vendia produtos
de excelente qualidade a preços muito acessíveis, fizeram com que o nomeassem
“capitão geral dos contrabandistas da França”. Seus irmãos Antônio, Francisco e
Cláudio, bem como sua irmã Mariana, ficaram incumbidos de continuar a
organização do irmão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Entre
1755 e 1760, vinte e cinco contrabandistas foram supliciados à roda ou
esquartejados e cinco foram enforcados. O povo chorou a morte de Mandrin. O
abade Regley criou para os Fermiers généraux uma Histoire de Louis Mandrin
(1755) com “detalhes das suas crueldades, dos seus assaltos e do seu suplício”;
o que nada mais é do que uma rede de calúnias encontradas em algumas
“madrinades”. Os Fermiers généraux pretendiam assim desviar a opinião geral:
Mandrin nada mais era do que um salteador. Foi confundido com Cartouche. De
fato, a Revolução francesa ia realizar a obra sonhada por esse contrabandista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Conclusão
— Esses homens, com sua coragem audaciosa, tomaram proporções sobrenaturais.
Com os louvores desses homens criou-se a lenda. O mecanismo dessa miragem da
imaginação popular é assim bem evidenciado. Mais recentemente lembramo-nos de
Bonnot cujas façanhas foram multas vezes comentadas, ou do bandido siciliano
Giuliano glorificado nas telas cinematográficas. Mas essas lendas ainda novas
já não deixam lugar ao simbolismo, somente ao maravilhoso. A lenda de Santa
Teresa de Lisieux poderia ser considerada sob esse prisma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;

&lt;hr align=&quot;center&quot; noshade=&quot;&quot; size=&quot;2&quot; style=&quot;width: 341.65pt;&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;26&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;CAPÍTULO VII&lt;br /&gt;
ALGUNS CONTOS DE PERRAULT&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;27&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;I — Introdução&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Perrault,
depois do êxito de Pele de Burro, pensou em transcrever Les contes de la mère
l’Oye; suas fontes nos são desconhecidas mas os motivos existem numa literatura
coletiva, talvez criada pelo produto inconsciente da imaginação proveniente de
fontes multo antigas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Se
o texto age por encantamento, descobre também um sentido que ultrapassa a
simples moralidade devida a Perrault, que aliás se desinteressou pelas fontes
iniciais. Bacon escreve: “Confesso simplesmente que desde sua origem as fábulas
antigas foram alegóricas e encerravam lições importantes”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Valor do conto&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Ora,
encontramos de novo o mesmo repertório de contos — com seus temas iniciais
semelhantes — em cada país e em cada latitude; essa migração prova um ritual
unicamente acessível aos iniciados. Mas essas palavras de encantamento, forma
de uma magia vinda até nos Evangelhos, não são apenas simbólicas. Além das
cerimônias iniciáticas, o conto interpreta a vida e as tradições regionais. Por
suas virtudes místicas, o encanto dessas ficções não pode ser nem pueril nem
grotesco. E é preciso abandonar nossa atitude racional de homens que querem ser
instruídos e inteligentes para desfrutar o sabor desses contos que nos lembram
a alvorada de nossa infância.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Tese solarista&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Despertou
grande interesse a tese solarista de B. Busson. Barba-Azul é uma alegoria do
sol que mata cada dia a Aurora, sua nova esposa. A Aurora é curiosa; ela
penetra por toda parte. Mas no aposento proibido estará encerrado o trovão; a
Aurora é libertada por dois cavaleiros, os Açvins do Rig-Veda, os dois
crepúsculos. O Pequeno Polegar relacionar-se-ia com os sete raios do alvorecer.
André Lefevre, Frédéric Dillaye compartilham essa opinião. Na mitologia antiga
podemos encontrar o sol com o seu emblema de chaves.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Porém,
Barba-Azul pode ser Saturno em luta com o novo ano, sua nova esposa; contudo as
pesquisas para justificar a significação do número 7 conduzem a outras
interpretações cujo caráter esotérico não poderia nos escapar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — Valor do algarismo 7&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Se
as sete esposas de Barba-Azul, ou os sete irmãos do Pequeno Polegar, as sete
fadas da Bela Adormecida no Bosque, as sete filhas do papão, as sete mulheres
do gigante podem se assemelhar aos sete dias da semana, o valor desse número é
extraordinário. Encontramos as sete solenidades do Judaísmo, os sete ramos do
Castiçal de ouro, os sete filhos de Macabeu, enquanto que Tóbis é o sétimo
esposo de Sara. O Espírito Santo tem sete dons, a Virgem, sete dores, o
evangelho sete demônios e sete anjos planetários. Temos ainda os sete sacramentos,
os sete diáconos, os sete selos do Apocalipse, os sete pecados mortais, as sete
virtudes, as sete cores do raio luminoso, as sete notas musicais, as sete
maravilhas do mundo. Para Anne Osmont cada um dos sete planetas do Pater se
aplica a um dos planetas que compõem a antiga astrologia enquanto que para os
hindus a terra se dividia em sete planetas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Sete
seria o símbolo da vida eterna, da ação e da evolução; a própria iniciação tem
sete graus. Esse algarismo, que se liga a três e onze, é ainda encontrado
numerosas vezes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Simbolismo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
conto — que se reúne à lenda pela transformação do seu tema — reflete, no que
concerne sua interpretação, a moda intelectual do dia. Os heróis podem
personificar fenômenos naturais, mitos meteorológicos, usos cotidianos de todos
os povos. O internacionalismo desses contos nos conduz a pensar numa
transmissão oral. Os presentes das fadas podem constituir ritos de aniversários
e Pele de Burro torna-se uma rainha de carnaval. Se voltarmos às nossas origens
poderemos encontrar novamente o frescor da nossa alma de criança, e assim, num
mundo deformado, evoluem esses heróis dotados pela natureza; mesmo sendo os
personagens minúsculos, podem realizar grandes feitos pela sua coragem e pelos
benefícios da iniciação. Os animais são bons e os próprios objetos tornam-se
atributos do poder; o boné torna invisível, o bastão invencível e a sandália é
o signo da velocidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Este
simbolismo dos objetos é discernível na água de Juvência, nas beberagens de
imortalidade e o herói, para alcançar um estado superior, põe-se à busca de um
objeto que pode ser um objeto mágico, um tesouro, uma noiva. Na história de
Gata Borralheira o herói busca a luz e os três vestidos cósmicos (céu, lua e
sol) participam da vida universal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
conto representa um mundo sobrenatural no estado de pureza; não mais se ocupa
do sentido literal e chega até o absurdo para se preocupar apenas com um
simbolismo bastante aparente. O ouro torna-se o emblema da energia solar e os
cabelos, símbolos da vida, são de ouro. A Bela Helena, assim como Pele de Burro
assemelham-se a Aquiles- e Ménégal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
contos, apólogos religiosos, ensinam, a moderação de nossos desejos na
aceitação da nossa condição. (Les souhaits ridicules, Griselidis) (Os desejos
ridículos), mas são também uma evasão. Em vista da credulidade popular receber
mal o desaparecimento do herói e criar uma lenda que o faz reviver desde o dia
da sua morte, alguns desses personagens imaginários podem reviver; da mesma
forma como nunca se admitiu a morte de Joana d’Arc, de Napoleão ou de Hitler,
não se pode admitir a morte de heróis dotados de qualidades excepcionais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;É
por isso que os contos divertem e instruem ao mesmo tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — Os predecessores de Perrault&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esses
contos de tradições antigas, “memórias coletivas”, como diz Guenon, foram
compilados por vários autores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Antes
da publicação dos contos de Perrault (1697), outras compilações já existiam.
Citaremos apenas as mais importantes, sendo as variantes particulares anotadas
no seguinte estudo esquemático. Antes de tudo é a engenhosa reunião de contos
que parecem engendrar uns e outros: o livro de Mil e uma noites.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Antes
dos Contes du Perroquet (Contos do Papagaio), os Contes du Vampire (Contos do
Vampiro), o compêndio mais antigo é o Pantchatantra que se havia multiplicado
na forma ocidental do Roman des sept sages (Romance dos sete sábios) e na forma
árabe no Le livre de Kabile et Dimna.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Entre
os que tomaram a dianteira de Perrault notemos o Decameron de Bocáccio, Les
nuits de Straparole e o Pentameron de Basile. Perrault e em seguida Mme
d’Aulnoy, adaptaram essas ficções ao gosto do público francês. Walter Scott fez
o mesmo na Inglaterra, os irmãos Grimm na Alemanha, Afanasieff na Rússia e
Asblörnsen na Noruega.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;28&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;II. — Barba-Azul&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Teses históricas&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
Alain Bouchard (Les grandes chroniques, 1531) e Alberto Magno (La vie de saint
Gildas, 1680), registram que o rei bretão Comorre, tendo um oráculo lhe predito
que seria assassinado pelo próprio filho, teria matado suas sete esposas.
Influência da lenda grega, sem dúvida mas sua última esposa, Santa Triphime, é
ressuscitada por Santo Gildas. O tema aparece nos afrescos da capela de
Saint-Nicolas (Bieuzy, Morbihan);&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b) Collin de Plancy, Ch. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Giraud, Michelet crêem que Gilles de Rais, marechal
de França, fiel companheiro de Joana d’Arc, inspirou a lenda. Entretanto, desposou
uma única mulher, Catherine de Thouars, que a ele sobreviveu. Este homem
letrado que atemorizava seus herdeiros com suas despesas fastosas, foi
condenado e executado em Nantes (26 de outubro de 1440) com a idade de trinta e
seis anos por haver degolado trezentas crianças em sessões de magia. Esse
processo parece suspeito e S. Reinach e F. Fleuret tentaram reabilitá-lo. Tal
como a imaginação popular censurava aos primeiros cristãos sacrifícios humanos,
parece que Gilles de Rais tenha sido vítima de sua fortuna e de seus ataques
políticos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;c)
Pensou-se em Henrique VIII da Inglaterra que esposou seis mulheres e fez com
que duas morressem no cadafalso. Maspero e Gaston Paris fazem dele um vampiro
que bebe sangue humano. Doente, neurótico, Barba-Azul é comparado aos grandes
criminosos como Landru ou John Christie;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;d)
A cor extraordinária de sua barba assemelha-o a Indra, a Bés, o Egípcio, ou a
Júpiter. Tem uma barba azul quase preta, ou azul-celeste (Oh!) e Sébillot
menciona uma barba vermelha. No simbolismo das cores é preciso ver o símbolo do
iniciador, o condutor de almas que faz transpor as portas da morte espiritual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Tema da curiosidade. Iniciação&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
tema da curiosidade é comum a todos os países e visa principalmente a mulher.
Na. Bíblia achamos Loth, Eva e Sodoma. As Mil e uma noites fazem da curiosidade
uma ampla interpretação. Esse segredo conjugal está presente em Parsifal onde a
duquesa de Brabante perde seu esposo por lhe haver perguntado quem era ele.
Essa curiosidade visa um ritual que nos escapa; talvez o da preparação para o
casamento. A jovem é sujeita a uma prova difícil: a tentação do local secreto.
Em seguida vem a última prova, o simulacro da morte; ritual de morte e de
ressurreição na qual o neófito, despojando o velho, desperta num mundo novo, o
do conhecimento. É o caso da religiosa colocada no seu ataúde. Para essa
cerimônia de iniciação a mulher pode vestir seus mais belos adornos, ou se
impor a nudez ritual do batismo dos primeiros cristãos (forma nivernesa da
lenda). A magnificência da morada de Barba-Azul lembra os castelos encantados e
esse grande senhor, cortês e feio, não dá a razão dos seus crimes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — O quarto secreto&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esse
local secreto parece ser o lugar do saber por excelência. É a loja. Um conto de
Carnoy L’homme de fer (O homem de ferro), mostra que a criança desobediente não
pode conhecer o derradeiro segredo. A forma original do Conte du magicien et
son apprenti (Conto do mago e seu aprendiz) parece ser a Histoire du radja
Madama Kdma na qual um príncipe instruído por um feiticeiro tenta e consegue
escapar-lhe; Cosquin (Études folkloriques) e W. Crooke (North Indian Notes and
queries, 1894) narram contos semelhantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Porém
o quarto secreto aparece mais claramente na introdução do livro mongol
Siddhi-Kûr, no qual o caçula descobre a “chave da magia” espiando pela fresta
de uma porta. A curiosidade é pois recompensada. Os contos de Velay (Cosquin),
da ilha de Zanzibar, de Bosnia permitem, ao iniciado triunfar depois de haver
transgredido um regulamento de interdição. Este último conto, recolhido por
Desparmet, assemelha-se ao de Aladin (As mil e uma noites): um jovem sem
fortuna quer desposar a filha do rei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Contudo,
quase sempre, essa curiosidade é nociva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
homem é expulso do paraíso pelo seu gesto da desobediência (conto hindu de
Somadeva Rhatta; história do Terceiro calendário de mil e uma noites). Sem se
instruir nos três estágios impostos (purificação, saber, poder), o neófito quis
penetrar no santuário secreto: da mesma forma é enxotado dessa confraria (Roman
des sept vizirs (Romance dos sete vizirs), enquanto que o príncipe do Fidèle
serviteur (Fiel servidor) (Carnoy) enamora-se de um retrato conservado num
quarto interdito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;L’enfant
de la Vierge Marie (O filho da Virgem Maria) (Grimm), Le bénitier d’or
(Cosquin), Maria Morewna (Ralston e depois Marnier) e numerosas variantes mencionadas
por Saintyves, referem-se ao tema da interdição do Quarto Secreto. Doze quartos
corresponderiam aos doze apóstolos, o décimo-terceiro quarto sendo o do Santo
dos Santos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Carrouges
estende esse simbolismo aos romances policiais para interpretar o mistério dos
quartos fechados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — O objeto denunciador&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Um
objeto mágico denuncia o culpado que tentou penetrar no local, secreto. É o
caso do conto de Perrault, do Oisel emplumé (Pássaro emplumado) de Grimm, de La
veuve et ses filles (A viúva e suas filhas) de Loys Brueyre. O objeto pode ser
uma chave, um ovo, um pequeno cofre, um retrato e até uma região.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Depois
o próprio objeto mágico tornou-se a representação do quarto iniciativo. Essa
“casa dos homens”, esse centro de reunião de iniciados transforma-se num cofre
que encerra o saber. Andrew Lang vê nisso tudo a sobrevivência do culto
primitivo e acrescenta o anel jogado ao mar e encontrado depois no corpo de um
peixe. Mas a chave, símbolo axial, pode ser considerada pelo seu poder de ligar
e desligar; seu conhecimento tem então o mesmo poder que a palavra de Ali Babá
ou a do Pequeno Polegar. Às vezes o objeto desaparece: um sinal aponta o
culpado; são os cabelos de ouro do Homme de fer (Carnoy) ou o dedo dourado de
uma criança desobediente (Steele Swahili, Tales, 1870; Contes Cambodgiens,
1868; Conte Chao Gnoh); o ouro é então o emblema das energias solares.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — Auxílios&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Essa
luta entre o iniciado e o iniciador implica auxílios exteriores. Esses auxílios
provém dos pais, de um religioso, de um sábio, de um jovem (W. Crooke observa o
caso de um herói aconselhado pela filha de seu inimigo). Os mortos que
aconselham são numerosos (Cosquin, Steele, L’oiseau de vérité (Pássaro de
verdade), Les trente-deux récits do Trône (As trinta e duas narrativas do trono)
ou Vicramaditia, La légende de la mort (A lenda da morte) (de Le Braz); D. Juan
também recebeu os conselhos do comendador. Os animais, aliados do homem, sob a
influência da Índia, previnem contra o perigo. Com Perrault essa parte é
abreviada e os irmãos chegam inopinadamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;6. — Conclusão&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Parece
que o conto de Barba-Azul visa a iniciação de um ser; sua curiosidade impede-o
de beneficiar do ensinamento desta arte mágica. Os elementos interiores desse
tema, conhecido em todos os países, se encontram num ritual que parece
reservado aos iniciados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;29&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;III. — A Bela
Adormecida no bosque&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Tradição mitológica&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Depois
de Hyacinthe Husson que assimila a heroína à luz celeste invadida pela noite ou
pelo inverno — sendo a noite, neste caso, representada pela floresta — Charles
Ploix (Le surnaturel dans les contes) (O sobrenatural nos contos) nele descobre
o despertar matinal. Mas, a primavera livre das correntes do inverno tem
numerosos adeptos: Husson (La châine traditionelle) (A cadela tradicional), Max
Muller (Essais de mythologie comparde) (Ensaios de mitologia comparada),
Bachelin (Sept contes roumains) (Sete contos Rumenos). A versão siciliana
(Suli, Perna et Anna, G. Pitre, 1875), ou a versão hindu compilada por Frère no
Deccan Days, 1868 (La laitiére et la griff e du Rakshasa (A leiteira e a garra
do Rakshasa) se aparentam a essa origem primaveril que reencontramos em
Pentamérone (V, 5) ou ao conto alemão Rosa de espinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Para
Gédéon Huet (Les contes populaires) é o sono mágico, de aspecto extático que
reencontramos no Sept Dormants.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — A presença da fada má&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;As
Parcas, perto dos berços, prediziam o futuro das crianças. André Lefevre
compara a fada má à “Fatumantique” enquanto que Sébillot, Husson e Dillaye
pensam numa bruxa (Légendes locales de la Haute-Bretagne, t. II) (Lendas locais
da Alta Bretanha). A lenda egípcia apresenta no nascimento de Montemonia em
Louqsor, de Ahmasi em Deir e de Cleópatra em Erment, sete fadas madrinhas. Isto
faz lembrar os sete Lipikis hindus que anotavam durante a vida dos homens seus
procedimentos nos sete planos de suas consciências (sensação, emotividade,
inteligência, intuição, espiritualidade, vontade e presciência do divino).
Desta forma era determinado o destino do indivíduo na ocasião de sua
reencarnação. Suas boas ações anteriores tornavam-se dons inatos. As fadas que
assistiram ao nascimento de Ogier, o Dinamarquês, são apresentadas nas
Croniques du Roy. Perceforest (século XIII), por ocasião do parto da rainha
Zelandina ou na Heurcuse peine (Mme. Murat, 1698). No La biche au bois (A corça
do bosque) e Le serpentin vert (A serpentina verde) encontramos duas fadas que
foram esquecidas. As vezes, as fadas, ao invés de adormecer, petrificam-se (La
reine des abeilles (A rainha das abelhas) de Grimm, (L’arbe qui chante) (A árvore
cantante), L’oiseau qui dort, (O pássaro que dorme), Le fidèle Jean (O fiel
João) de Carnoy. Em A bela e a Fera as duas más irmãs tornam-se estátuas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — Simbolismo do fuso&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Na
maioria desses contos, a virgem adormece depois de uma picada, quase sempre, de
um fuso. Loeffler-Delachaux, notando que nas tribos primitivas e atualmente na
África equatorial, a educação das crianças é confiada a pessoas idosas,
geralmente estranhas à família acha que a fiandeira inicia a adolescente
perturbada com a sua metamorfose. A teoria freudiana interpreta o fuso como um
emblema fálico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Loeffler-Delachaux
(Symbolisme des contes de fées, 1949), observa as prostitutas sagradas doa
templos de Afrodite que se apresentavam com a cabeça cingida por um fio; esse
penteado foi adotado por Ariadne cujo nome significaria fuso, e depois
baseando-se na palavra fenícia Khr, demonstra que a palavra cruz (de onde
provém cruzamento) relaciona-se à atividade sexual; e em inglês arcaico Rod
significa ao mesmo tempo, cruz ou pênis. Depois de sua curiosa demonstração, o
autor conclui que o fio representa a perpetuação da espécie.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;É
exato que em L’adroite princesse (A hábil princesa), as rocas de fiar das duas
princesas Nonchalante e Babillarde se quebraram quando elas foram seduzidas e
que o rei soube que só “a roca de Finette permanecera intacta”. Laideronnette,
instruída pela sua boa fada, acalma sua repugnância pelo Serpentin vert.
Brynbild mergulha num sono letárgico com a picada de um , espinho. (Beauvois,
Histoire légendaire des francs, V) (História lendária dos francos).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Loeffler-Delachaux
dá também uma significação cósmica ao fuso que simbolizaria “o começo do dia ou
a origem de um mundo no momento em que os átomos que o constituem são
polarizados pelo magnetismo cósmico”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — As interdições&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Para
Saintyves essas interdições eram no princípio do ano, pois fiar é ligar e o
bobinamento podia frear o movimento do renovamento. É um ritual mágico que
muito se aproxima da superstição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;5. — As Belas adormecidas&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Além
da Valkyrie Brynhild adormecida por Odin, lembramos também o sono de Adônis e
Osiris, a inatividade da virgem Perséfone.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
conto dinamarquês da compilação de Svend-Grundvjg (H. Husson) menciona o sono
de uma jovem mulher que durou sete anos; Loys Brueyre (Contes populaires de la
Grande-Bretagne), cita La princesse grecque et le jeune jardinier (A princesa
grega e o jovem jardineiro); Vieillesse d’Oisin (Velhice de Orsin);
L’Enchantement du comte Gérald (O encantamento do conde Geraldo), Musique du
ciel (Música do céu); Les escaliers du géant Mac Mahon (As escadas do gigante
Mac Mahon). Uma jovem camponesa adormece assim na floresta e desposa o terceiro
cavaleiro (Bujeaud, Chanson populaire de l’Ouest, 1866). 0 filho do pescador
desperta a princesa Tournesol (Luzel, quinto relatório dos Arquivos das missões
científicas). A história de Suria Bai (Frère, Old Beccan Days) é mais completa.
Filha de uma leiteira, raptada pelas águias, é arranhada pelo filho de uma
bruxa e adormece. O rajá desperta-a e a esposa; a primeira esposa do rajá
afoga-a e Sourya se transforma então em várias plantas para enfim encontrar sua
mãe e o amor do rajá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Branca
de Neve (Grimm) assemelha-se com Suria Bai; as águias são substituídas pelos
sete anões, a unha venenosa por um pente venenoso. Branca de Neve não se
transforma em flores mas deitada no seu esquife de vidro recebe os lamentos dos
animais. Bidasari, poema malaio (Backer, Plon, 1875), retoma esse tema. Grimm
com Rosa dos bosques se aproxima de Perrault, bem como o conto siciliano Bull,
Perna et Anna Pitré, 1875.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Le
coffret volant (O cofrinho voador) de Andersen é de influência asiática.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;No
Roman de Perceforest, Zelandina acordada, se desespera por ser mãe; ela se
casará finalmente com Troylus seu amante, mas à brutalidade desse conto
segue-se a suavidade do jovem que se ajoelha diante da princesa ou dá-lhe um
casto beijo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Com
o Pentameron (o sol, a lua, e Tália), o príncipe é casado; a jovem que se torna
mãe sofre a cólera da esposa que quer mandar matar os filhos de sua rival. No
conto francês tudo se ameniza e idealiza. O sono letárgico aparece no Tapete
mágico, Le bonnet invisible (O barrete invisível) (Glinski, Hachette, 1864), no
qual um país inteiro é adormecido por castigo celeste como em Mil e uma noites
(História do cavalo encantado).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;João,
o Urso, liberta Pomme d’Or (Conto de Provença) e o cavalo encantado nos Contes
français de Carnoy, 1885).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
poeta cretense Epiméride, menciona, seiscentos anos antes de Jesus Cristo, o
sono de um jovem que penetrou numa caverna, onde dorme durante cinqüenta e sete
anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
caverna dos sete adormecidos é célebre no Oriente; murada por ordem do
imperador Décio em 251, os irmãos mártires lá dormiram cento e cinqüenta e sete
anos. Finalmente o imperador Frederico Barba-Roxa dorme ainda debaixo da
montanha de Kyffhoeuser na região de Turíngia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;As
princesas dormem “como as lembranças no fundo de nosso inconsciente” e o
príncipe encantado que as desperta é “nosso consciente chamando as imagens
ancestrais necessárias à sua ação“ (Loeffler-Delachaux). Algumas dessas
princesas são apenas encerradas numa torre, um poço “postas à margem da ação”. É
o caso do conto tártaro Ac-Beiaz, filha de Abdala Yusuf (edição Lehoucq, 1783).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esses
fatos sugerem as cerimônias iniciáticas — sala de reflexos, esquife — onde o
neófito se recolhe fora de todo o contacto humano. Essa forma de lenda se
assemelha talvez aos misteriosos poços das igrejas onde os penitentes deviam
ser mergulhados antes da absolvição (Gosselin); diz-se ainda “a Verdade vem do
poço”. Este gesto é tão simbólico quanto a água, é purificadora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Quanto
aos despertares, corresponderiam à lei cíclica de periodicidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;6. — A floresta&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Nos
hinos védicos o oficiante deve ser isolado e garantido. As portas desse local,
rodeadas por uma paliçada, só se abrem nas horas de festividade (Abri-vos,
portas eternas, cantava o ritual). A proteção e o isolamento do taumaturgo são
feitos ainda por um traçado intransponível para os poderes ocultos nocivos.
Nesse caso a floresta forma esse isolamento ritual. Sigurd substitui essa
floresta por um círculo de chamas. Saintyves nela descobre a árvore de Suria
Bai, a árvore sagrada aos pés da qual Buda foi iniciado. Realmente é na Índia
que se encontra esse símbolo de uma vegetação que é preciso afastar a fim de
poder penetrar a nova civilização. Loeffler-Delachaux observa (Symbolisme des
Contes de fées) que o sono coletivo da corte marcaria o tempo de repouso entre
duas encarnações e que essa inextricável vegetação substitui o gigante
enterrado, no corpo do qual é preciso se introduzir para penetrar no segredo
(lenda finense, o-Kalevala). Mas encontramos mais certamente nessa narrativa um
aspecto do quarto interdito. Para esse autor, a penetração no corpo da pessoa
adormecida representa, num sentido profano, a cópula, num sentido sagrado, a
imagem da invasão do consciente no inconsciente, num sentido iniciático, a
descoberta de arcanos de uma civilização desaparecida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;30&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;IV. — Gata
Borralheira e Pele de Burro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Motivos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
Esses dois contos têm grande analogia. Loys Brueyre (Contes populaires de la
Grande-Bretagne) observa duas tradições nas quais se confundem. O anel e o
chinelo desempenham o mesmo papel e Miss Mariam Roalfe Cox estuda as suas
trinta versões (Cinderella, Londres, 1893).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b)
Pele de Burro — O rei promete à rainha moribunda só desposar uma mulher mais
bela do que ela (Perrault) ou aquela em cujo dedo servisse o anel da rainha
(Sicília, 159, 186; Rússia, 171, 172; Noruega, 181; Portugal, 184); ou que
pudesse vestir os mesmos vestidos (Grécia, 176; escocês, 151) ou os sapatos
(italianos, 134, 150). Ora, só a filha do rei preenche as condições. Para fugir
a essa união criminosa, a princesa formula três desejos que o rei consegue
satisfazer. Disfarçada, foge e serve miseravelmente em casa de um príncipe que
descobre quem é a pretensa serva e esposa-a.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;c)
Gata Borralheira — Tratada por suas irmãs como uma empregada, Gata Borralheira,
por uma ajuda exterior — fada, animais — consegue ir três vezes ao baile onde
encontra o príncipe; mas terminando o encantamento numa hora definida, a
heroína, na fuga, perde seu sapatinho que permite ao príncipe encontrá-la e
esposá-la.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Variantes&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
Pele de Burro — O incesto forma o ponto de partida desse conto. Por esse motivo
Deulin pensa em Prajapati, senhor da criação, que violentou sua filha Uchar. Em
1550, com Straparole (primeira noite, conto IV), o príncipe Thibaut quer
desposar sua filha Doralice. Na Histoire de Sainte Dipne (História de Santa
Dipne) (Ribardeneira, Fleur des vies de saints, 1616) (Flor das vidas de
santos), o rei pagão da Irlanda tenta desposar sua filha Dipne e finalmente
mata a fugitiva; é Pele de Burro sem seu maravilhoso. Se Luzel (5o. relatório
das Missões Científicas), Schleicher (Litaüische Màrchen), relatam lendas
semelhantes, Deulin cita outras variantes tais como a Belle Hélène de
Constantinople (Bela Helena de Constantinopla), onde o suposto parto de animais
lembra o Chevalier au cygne (Cavaleiro do cisne).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Num
conto hindu (Le trône enchanté) (O trono encantado), a princesa casa com um
burro que se metamorfoseia em príncipe. Pernette, conforme Bonaventure de
Perriers (Nouvelles Récréations et Joyeux Devies) veste uma pele de burro para
enojar um amigo. Se Pétriosa (O Pentameron) se transforma em ursa, Noel du Fail
(1547) e Grimm aproveitam a idéia (La reine dos abeilles) (A rainha das
abelhas), La gardeuse d’oies (A guardadora de gansos), La vrai fiancée (A
verdadeira noiva). Enfim a extraordinária cozinheira enegrecida com sebo de
Peau de toutes les bêtes (Pele de todas as feras) (Grimm), que casa com o
príncipe depois de aparições que se assemelham às de Roberto, o Diabo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b)
Gata Borralheira — A sandália da cortesã Rodopis foi levada por uma águia e
caiu subitamente diante do faraó admirado; Rodopis descansa agora sob a
terceira pirâmide (Estrabão, liv. XVII). Ellen (Histoires diverses, XIII)
reproduz essa anedota para glória do rei Psametico. Cosquin regista dois contos
anamitas nos quais gralhas levam os sapatos dourados da Gata Borralheira ao
palácio real. Mas geralmente a heroína perde os sapatos fugindo. Lembramo-nos
de Penélope, de Berta dos pés grandes (Henry Pourrat, Marie Cendron, t. I).
Ei-la num conto malgaxe (Ferrand, 1893, nº 35), mas depois de Finette Cendron,
Landes relata contos anamitas (Saigon, 1886) e Leclêre, versões tjame e
cambodgeana. Se Miss Cox anotou essas variantes, Cosquin firmou algumas versões
cabilas, silesianas, islandesas (Contos Populares, t. II). Realmente esse
ensaio do sapatinho constituiria o rito da eleição, a posse de um novo lar.
Temos um exemplo em Rute (IV, 7-10) no qual Booz recebe dessa maneira Rute, a
Moabita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — Interpretações&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;a)
Para Gubernatis, a aurora, perseguida por seu pai, veste o casaco da noite;
para H. Husson, Ch. Ploix, a aurora se oculta sob a bruma a fim de se entregar
ao sol levante. Conforme versões nórdicas, Loys Brueyre vê nessas versões, o
casamento ritual do ano com o novo sol. Saintyves pensa na evocação do
carnaval, liturgia primaveril na qual as duas heroínas vestem os trajes e os
atributos de uso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;b)
O traje — Esse revestimento de peles de animais consta do Gênese (III, 21). “E
Deus fez para o Homem e para a Mulher roupas de peles e com elas os vestiu”;
ora, conforme o esoterismo, toda matéria universal é viva. Esse disfarce que
muda a personalidade assemelha-se ao fenômeno da reencarnação que encontramos
na Índia. Se Gata Borralheira usa vestidos que se assemelham às estações ou ao
tempo (Rússia 153; Grécia 176), Miss Frère refere-se a um conto hindu no qual
uma jovem disfarça-se em mendiga (retomado no conto toscano 285). No folclore
italiano as virgens encerram-se em estátuas de velhas e algumas vezes em sua
pele (Cosquin). O sapatinho de veiros denota a pureza e a beleza. Encontramos
essa transformação em Riquet à la Houppe. c) O nome de Gata Borralheira — Mine
d’Aulnoy e Perrault referem-se às cinzas da lareira e o Pentameron à Gata das
Cinzas. Saintyves, ao estudar essas variantes, é de opinião que as cinzas
desempenham papel degradante; é a humilhação, a penitência. Ulisses, humilhado
por Areté e Alcínoo, senta-se nas cinzas; os hebraicos cobrem a cabeça com
cinzas em sinal de luto. Para Loeffler-Delachaux, Gata Borralheira é uma vestal
presa ao culto do Sol, da Luz e do Fogo; ora, o fogo é o símbolo da Vida e do
Amor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;d)
A madrasta — Freqüentemente a madrasta é representada por uma feiticeira (Cox
Bulgária 127; Irlanda 9 e 10; anamita 68 e 69); às vezes por uma mágica (Cox
Eslováquia 33; Grécia 17; Noruega 67, 110, 70); Luzel (Contes de Basse-Bretagne,-
III (Contos da Baixa-Bretanha); Le chat noir (O gato negro) e Saintyves —
confundem-na com o ano velho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;e)
As ajudas — As ajudas que vêm socorrer são fadas, animais — muitas vezes
pássaros — e até a defunta mãe (Cox, Contos dinamarqueses 38, 43, 64;
norueguês, 87; Grimm 2); algumas vezes cultuam-se os ossos dos animais
protetores (contos tjames 69). Desparmet (Contes populaires) menciona ajudas
semelhantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;f)
As carruagens — Passeiam os deuses no Olimpo e conduzem as fadas aos batizados.
Os coches são os veículos das forças cósmicas e da alma durante o decorrer. da
reencarnação (Arjuma no Bagavad-Gita). — Os animais têm significação alegórica;
Loeffler-Delachaux diz que o carro do sol é puxado por cavalos brancos e que as
fadas podem ter carruagens de paz ou de cólera (La biche au bois de Perrault).
Na Finlândia, a carruagem é substituída pelo trenó; o garanhão representa a
energia sexual libertada; esses raptos de mulheres figuram na Calevala, Le
joyeux Lemmikaïgen. Os corcéis não podem ser emprestados (Gracieuse et Percinet
de Perrault, La gardeuse d’oies de Grimm.; o Pentameron.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;g)
Objeto denunciador — Gata Borralheira e Pele de Burro são reconhecidos graças a
um objeto perdido (sapatinho), ou dado como penhor (anel, colar, alfinete,
relógio, chave). O anel sem começo nem fim, liame mágico da vida, talismã, como
a pulseira ou o colar, simboliza ritualmente o encadeamento de duas vidas. É
encontrado numa iguaria e permite o descobrimento da heroína disfarçada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;31&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;V. — O pássaro da
verdade&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Vimos
anteriormente que a ajuda sobrenatural vem muitas vezes de um pássaro. Totem
individual ou gênio protetor, esses animais alados são agentes de união,
confidentes; em Florine., Serpentin vert, puxam a carruagem da bela que vai ao
encontro de seu príncipe encantado. Simbolizam os sonhos ternos, os beijos, as
carícias; são prestativos, permitem encontrar a coroa de ouro do rei (Grimm,
Les deux compagnons en tournée) (Os dois companheiros em tournée); procura
distrair os prisioneiros (Andersen, Les cygnes sauvages) (Os cisnes selvagens).
Prince et princesse (Príncipe ou princesa), ou previnem dos perigos (Carnoy, Le
fidèle Jean; tema do aprendiz feiticeiro). L’oiseau bleu (O pássaro azul) (Mme.
d’Aulnoy) e ele próprio é o príncipe encantado amado por Florine.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;O
pássaro muitas vezes branco — desempenha papel primordial no tema de o pássaro
da verdade. Para curar uma rainha; para defender uma pessoa, é preciso
encontrar três objetos encantados: a árvore que canta, o pássaro que fala e a
água de ouro (Carnoy, Contes français). Madrastas impelem crianças nessa
aventura perigosa e num mundo desértico — o do Graal — moços foram
transformados em pedra por não serem capazes de respeitar o pacto; o malefício
desaparecerá assim que o herói conseguir apoderar-se dos objetos maravilhosos.
Para atingir a Árvore da vida é preciso atravessar uma região desértica; ora,
essa árvore está no centro do Paraíso terrestre, no centro de Jerusalém
celeste; tem doze frutos e talvez devamos ver a concordância que há com os doze
Aditias. Esse tema aproxima-se muito do. da demanda do Graal e aliás, conforme
Orígenes, o próprio Cristo é a árvore da vida. “O Cristo que é a virtude de
Deus, a Sabedoria de Deus é também a árvore da vida pela qual devemos ser
tentados,”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Muitas
vezes esse tema liga-se ao do Chevalier au cygne, romance da Idade Média. A mãe
do rei anuncia falsamente que sua nora deu à luz cães e gatos com o intuito de
mandar matar as crianças e repudiar a esposa detestada. Mas um vassalo condoído
não pode cometer esse crime horrível; entrega as criancinhas a um eremita e
apenas tira-lhes o colar de ouro. As crianças que perderam assim o poder de um
pentáculo mágico, se transformam em cisnes. Depois de muitas tribulações,
encontram novamente sua forma primitiva com a posse do seu colar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Cosquin
menciona essas variantes nos seus Contes lorrains (Contos lorenos). Mais
conhecido do que o conto siamês (Asiatic Researches, 1836), é o de duas irmãs
que têm ciúmes da irmã caçula nas Mil e uma noites, que se assemelha ao conto
caucasiano traduzido por Schiefner (Mémoires de l’Académie des Sciences, t.
XIX). Este último tema é o que mais liga ao tema inicial de Pássaro da verdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Pois
finalmente toda a verdade é revelada por esse pássaro falador. Muitas vezes
esse papel é desempenhado por um ancião (Grimm 96; Gubernatis; Carnoy). Mme
d’Aulnoy retoma esse tema em La princesse Belle-Etoile (A princesa
Bela-Estrela) e Henry Pourrat (Trésor des Contes, t. I (Tesouro dos Contos)
aproveitou um conto semelhante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Observemos
que muitas vezes é uma jovem que leva a bom termo essa busca perigosa. Pela sua
vontade, maior do que a sua força, ela fará com que cesse o malefício que reina
na região e restitui dessa forma a vida a esses cavaleiros malogrados que foram
transformados em pedra. O paralelo com o Graal é evidente. As vezes, porém, a
jovem muito frágil, serve-se de um ardil: é o artifício de tampar os ouvidos
com cera a fim de não ouvir o horroroso tumulto; o tema não é novo. A heroína
se apodera de três objetos maravilhosos e ao voltar esposa o ancião compadecido,
o que estava encarregado de aconselhar; é o eremita iniciador de João, o Urso.
Com esse casamento o personagem é libertado e o ancião se transforma num
príncipe encantado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;32&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;VI. — O chapeuzinho
vermelho&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — O motivo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Collin
de Plancy descreve a história de uma camponesa de Finistère que deu ouvidos aos
propósitos de um desconhecido; volta com o rosto enegrecido e macilento;
encontrou o diabo, o espírito da astúcia. No conto de Grimm (26) e na maioria
das outras versões a menina devorada pode ser retirada do ventre do lobo. Em
Perrault o fim trágico é um castigo desproporcional ao erro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Interpretações&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Se
Perrault vê nesse conto uma moral que proibe às moças conversarem com
desconhecidos pelo caminho — tema da proibição violada — Husson pensa no mito
védico de Vartica, no qual o Acvins são os crepúsculos e a adolescência, uma
aurora interceptada pelo “sol devorador sob a forma de um lobo” Essa escuridão
pode ainda ser o inverno (Lefèvre, Dillaye). Para Ploix o lobo é o inverno.
Saintyves nele vê uma rainha de maio: a cor vermelha sugere a alegria,
atemoriza as feiticeiras enquanto que o bolo e o vinho — o vinho de maio seriam
oferendas rituais. Essa alegria mágica envolvendo o sol novo teria sido
resumida na versão francesa onde o clima é mais sereno. As versões nórdicas são
mais completas. Depois da permanência no corpo do lobo — espécie de
aprisionamento que encontramos no conto O lobo e os sete cabritinhos, de Grimm
— O chapeuzinho vermelho sai da barriga do lobo graças ao auxílio de um
caçador. Pretendeu-se ver nessa lenda a interpretação do ciclo estacional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;33&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;VII — O Pequeno
Polegar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esse
conto de origem iniciática interpreta a luta de uma criança franzina contra o
papão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Interpretações&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Para
Husson, o Pequeno Polegar é a luz da manhã; — na floresta — durante a noite —
ele joga seixos — as estrelas; o sol — o papão — devora suas crianças, os
primeiros raios do alvorecer Saintyves pensa nas provações de iniciação; o
Pequeno Polegar, franzino antes da iniciação, torna-se poderoso. Essa
transformação para a virilidade efetua-se nesse recinto sagrado representado
pela floresta. As fontes védicas são, desta forma, aparentes para Cosquin e P.
Régnaud (1897).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Os temas&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;É
um anão ou uma criatura franzina; sua inteligência ativa permite-lhe triunfar
do gigante de espírito lento. É também, Tom Ponce, cavaleiro do rei Artur
(Brueyre); em Grimm, (37, 45) na Dinamarca, na Áustria, é pequeno como um
dedinho. Prudente, o Pequeno Polegar demarca o caminho com o auxílio de
pequenos seixos ou com um rasto de cinza (contos de Mekidech, Cabilia).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Graças
à substituição de objetos, consegue fugir com seus irmãos. O papão — ou o diabo
-. enganado mata a sua progenitora. Saintyves observa numerosas variantes deste
tema que é encontrado nos contos berberes (H. Basset), ou nos de Lorraine
(Histoire de Courtillon).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Finalmente,
por meio de uma falsa inépcia, de uma fingida ignorância, o herói consegue
livrar-se do próprio papão: por exemplo, pergunta ao feiticeiro como poderia
penetrar num forno; o papão nele penetra e fica trancado. É o tema da caldeira
que aparece nas variantes de Barba-Azul. Saintyves evoca desta forma a
iniciação dos guerreiros, nas tribos do Sul da África, por ocasião da cerimônia
da circuncisão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;3. — O papão&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Pretendeu-se
ver no papão o símbolo das devastações húngaras; mas para Gaston Paris, ele
herdeiro dos racsas da Índia. O papão — ou diabo — Saintyves nele vê uma
sobrevivência dos ritos de antropologia e refere os contos zulus, malgaxes
(Renel). Para Loeffler-Delachaux ele é Saturno que devora seus filhos à medida
que Cibele (a Terra) os põe no mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;4. — Os objetos mágicos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Os
pantufos mágicos permitem a Chao Gnoh (Cambodge) viajar no ar. As botas de sete
léguas são novamente mencionadas em Sébillot (Mélusine., III), Cosquin; os
sapatos mágicos nos contos de Cachemira (Brihat-Katha), Madagascar (Capa),
Pérsia (Tutiname); são da mesma natureza que o chapéu da invisibilidade ou a
espada do poder. Hermes era o deus das sandálias aladas e ocultava os bois de
Apolo como freqüentemente o faz o Pequeno Polegar (Gastão Paris).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
troca de trajes, túnicas, anéis, penteados, induz o papão ao erro (Saintyves,
Deulin). No Ino de Eurípedes, Temisto mata seus filhos tendo Ino, sua rival,
trocado as túnicas. L. Brueyre menciona uma variante escocesa, bem como Carnoy
(Courtillon) e Sébillot (La Perle e le Petit-Peucerot) (A Pérola e o Pequeno
Peucerot).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;34&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;VIII — João, o Urso&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Existe,
assim, grande número de contos nos quais um grupo de crianças perde-se,
intencionalmente, na floresta. O tema do Pequeno Polegar se aparenta ao do
Cavaleiro do cisne, no qual os filhos do rei, perdidos intencionalmente por
ordem de sua avó ciumenta, encontram um auxílio protetor antes de retornarem ao
meio a que têm direito. Perseu, Édipo, Ciro, Páris, Rômulo são, da mesma forma,
expostos à morte, mas salvos, cumprem, sozinhos, a prediçâo anunciada. Essas
crianças solitárias são muitas vezes salvas por animais selvagens ou pastores,
como Mowgli, o menino-lobo, imortalizado por Kipling. Houve, contudo, casos
muito mais pungentes e precisamos nos lembrar particularmente daquelas pobres
criaturas humanas, Amala e Camala, que viveram com animais e morreram em,
aproximadamente, 1930. Moisés foi recolhido por uma princesa egípcia e João,
por uma loba ou por uma ursa. O leite colhido desse animal compassivo deu-lhe
uma força excepcional. Esse adolescente leva uma vida vegetativa até o dia em
que encontra o primeiro homem, o iniciador; é a adolescência de Parsifal no
Graal ou o de um dos numerosos heróis do Pássaro da Verdade. João, o Urso pode
tornar-se um cavaleiro cortês e instruído, cuja força sobre-humana faz com que
seja classificado acima dos seus companheiros,; ascende assim aos mais altos
graus; contudo, continua um jovem de espírito estreito. Esse pesado gorducho
vive nos contos de Cosquin (Contes lorrains), Grimm (Le jeune géant) (O jovem
gigante), Asbjoernsen e essa estupidez aparece ainda no conto caucasiano
Oreille d’ours (Orelha de urso). Geralmente, esse jovem que cresce em força e
beleza executa trabalhos extraordinários; pode ter tido um nascimento
comparável ao de Roberto, o Diabo; mas João, o Urso consegue triunfar
continuando bom para os seus semelhantes; por fim desposa uma princesa (Carnoy,
Contes français, 1885).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;35&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;IX. — Riquet à la
Houppe&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Ritual
nupcial, Riquet mostra o poder mágico do amor sobre o ente amado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — As variantes&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Saintyves
analisa esses contos nos quais o amor transforma a cônjuge. A mutação animal
pode ser completa e constante (Le crapaud ) (O sapo) ou episódica (Le loup
gris, L’homme Crapaud) (O lobo cinzento, O homem-sapo). O marido pode deixar
sua mulher que não soube guardar um segredo (Le roi de Pietraverde). O homem,
transformado em bicho, torna ao seu estado assim que uma mulher se decidir a
beijá-lo ou a desposá-lo. (A Bela e a Fera, O Pentameron). As vezes a esposa é
o personagem encantado (Perceval, La chaise de crapauds) (Parsifal, A cadeira
dos sapos).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Interpretações&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
bela — a aurora — desposou o Sol que obscureceu; mas ao tornar-se cintilante
ela deve segui-lo do Oriente ao Ocidente até a porta do palácio da noite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Essa
proibição de interrogar o ente amado significa para Saintyves o respeito de
tabus nupciais. La veuve et ses filles torna-se ma das variantes de Barba-Azul:
a história do casamento infeliz. Essas metamorfoses se referem às práticas de
sociedades secretas pagãs ou religiosas: os membros, durante sua iniciação,
revestiam peles de animais ou máscaras de animais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;É
assim que essas narrativas mágicas de metamorfoses deram origem aos Pururavas,
a Psiquê, a Riquet à la Houppa ou aos contos de Mme Leprince de Beaumont (Kusa
le prince spirituel) (Cusa, o príncipe espiritual).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;36&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 13.5pt;&quot;&gt;X. — O gato de botas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;1. — Variantes&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Se
encontramos um conto semelhante em Pentameron (Gagluso), o conto de Zanzibar
Sultant Darai assemelha-se muito ao nosso Gato de Botas. Mas quando a gazela
benfeitora adoece, Darai esquece o que lhe deve; somente o povo lhe dedicará
funerais públicos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;2. — Interpretações&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
raposa da versão mongol é, sem dúvida, esse animal sagrado da Ásia
mediterrânica, o gato é um animal feiticeiro (Europa); os gatos pretos
acompanham as feiticeiras (Bodin). O gato calçado como os oficiantes persegue
ritualmente a raposa e sem dúvida liga-se à liturgia egípcia: é o servidor do
Sol.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Esse
papel de proteção relaciona-se ao ritual da instauração dos antigos padres-reis
das sociedades primitivas. Saintyves observa que o casamento prepara a ascensão
ao trono e o futuro esposo troca de nome bem como o futuro rei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Purificado
pelas águas do rio, o herói veste novos trajes, é o cerimonial do coroamento;
os súditos encontrados prestam obediência ao novo rei que toma posse do seu
palácio: ritual de instauração real. Na maior parte dos contos o homem é
ingrato; mas o animal pode demitir o rei que tem obrigações para com o seu
povo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;A
água é o emblema da ressurreição e da vida eterna. Com as águas maternais adquire-se
um corpo novo que é o ritual do batismo. A água, essa fonte de Juvência,
permitirá que Hera volte à virgindade depois de cada imersão na fonte de
Canatos em Nauphie; eis ai uma reencarnação da qual aproveita o nosso marquês
de Carabas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;

&lt;hr align=&quot;center&quot; noshade=&quot;&quot; size=&quot;2&quot; style=&quot;width: 341.65pt;&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;37&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;BIBLIOGRAFIA SUMÁRIA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;LANGLOIS, Monuments littéraires de l’Inde (Lefêvre,
1827).&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;Ernest FALIGAN,
Histoire de la légend de Faust (Hachette, 1887).&lt;br /&gt;
A. VAN GENNEP, La formation des légendes (Flamamarion, 1910).&lt;br /&gt;
MENENDEZ PIDAL, L’épopée Gastillane (Colin, 1910).&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
GENDARME DE BEVOTTE, La légende de Don Juan (Hachette, 1906 e 1911).&lt;br /&gt;
J. LOTH, Romans de la Table Ronde (Paris, 1912).&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Gaston PARIS, Légendes du Moyen Age (Hachette, 1912).&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Joseph BÉDIER, Les légendea épiques (Champion, 1914).&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Emmanuel COSQUIN, Etudes folkloriques (Champion, 1922).&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
BOISSONNADE, La chanson de Roland (Champion, 1923).&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
PAUPHILET, Quête du Graal (Champion, 1923).&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
SAINTYVES, Les contes de Perrault (Nourry, 1923).&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
A. VAN GENNEP, Le folklore (Stock, 1924).&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
GUENON, Le roi da Monde (Paris, 1927).&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;LORENZI DE BRADI, Don Juan (Librairie
de France, 1930).&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Genevieve BIANQUIS, Faust à travers quatre siècles (Droz, 1935).&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
SAINTYVES, Manuel de folklore (Nourry, 1936).&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Henri DONTENVILLE, La mythologie française (Payot, 1949).&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
LOEFFLER-DELACHAUX, La symbolisme des légendes (L’Aréhe, 1950).&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Jean MARX, La légende arthurienne (Presses Universitaires de France, 1952).&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Micheline SAUVAGE, Les cas Don Juan (Le Seuil, 1953).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;

&lt;hr align=&quot;center&quot; noshade=&quot;&quot; size=&quot;2&quot; style=&quot;width: 341.65pt;&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;38&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 24pt;&quot;&gt;NOTAS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;nt1&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;(1)
et moi-même. Si Peau d’âne m’était conté. J’y prendais un plaisir extrême&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;nt2&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;(2)
A obra da carne não desejarás a não ser no matrimônio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;nt3&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;(3)
Deus! Como é belo o assassino de meu pai!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;nt4&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Bookman Old Style&#39;, serif; font-size: 18pt;&quot;&gt;(4)
Assim morre Cartouche, e a Flor dos Guerreiros. No cadafalso deixa sua vida e
seus louros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/1968776276762649143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/09/historia-das-lendas_6300.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/1968776276762649143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/1968776276762649143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/09/historia-das-lendas_6300.html' title='HISTÓRIA DAS LENDAS'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-3711110795608018085</id><published>2012-09-19T13:27:00.002-07:00</published><updated>2012-09-19T13:27:27.813-07:00</updated><title type='text'>Gramsci: nova estratégia educativa</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9CftaENiXhohJFKlGG3w0Z8QiJseZkBJuZEgF6dRSjnsvCB_MAmbpRZDKMmLOMcN69qmSH1OjB-tu891SMVCwTCaCm-Wh-I77s7HWqy4mnpEttmaNoVaUkQcg8Ntf-b9JaTkmve9l6Ek/s1600/Foto-A0853.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9CftaENiXhohJFKlGG3w0Z8QiJseZkBJuZEgF6dRSjnsvCB_MAmbpRZDKMmLOMcN69qmSH1OjB-tu891SMVCwTCaCm-Wh-I77s7HWqy4mnpEttmaNoVaUkQcg8Ntf-b9JaTkmve9l6Ek/s320/Foto-A0853.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
NOVA ESTRATÉGIA EDUCATIVA&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
GRAMSCI&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“Devemos impedir esse cérebro de
funcionar durante vinte anos”&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Essa foi a frase proferida pelo
procurador-geral do governo de Mussolini no julgamento de Gramsci. Pois entre
os intelectuais italianos que marcaram a historia da europa, numerosos são os
que passaram anos de sua vida e escreveram o melhor de sua obra na prisão ou no
exilio. Quanro mais seu pensamento e suas atividades contibuiam para o
desenvolvimento cultural e para a educação do povo, maiores foram a repressão
de sua voz e a deformação de sua mensagem.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Assim como Tommaso Campanella
escreveu a primeira “Utopia” italiana, com o título &lt;i&gt;Acidade do Sol&lt;/i&gt;, durante os vinte e sete anos que passou no cácere,
também antonio Gramsci escreveu na prisão o texto mais importante já produzido
sobre a função educativa e política dos intelectuais que atualmente são
conhecidadas com o nome de &lt;i&gt;Caderno do
Cárcere.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Jornalista e membro do Partido
comunista Italiano, Antonio Gramsci se notabilizou como escritor brilhante e
político atuante. Passou mais de 10 anos preso sob o regime facista de
Mussolini.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
No projeto filosófico de Gramsci
o que está em pauta é a emancipação universal de toda a humanidade e, portanto,
a necessidade de nós construímos, de preferencia pelo consenso, esta visão que
se tronasse hegemônica para toda humanidade, que pudesse assegurar a todas as
pessoas um mais de autonomia, um mais de realização e um maior índice de
humanização.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
FILOSOFIA DE PRÁXIS&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Bem na linha da tradição
marxista, a visão da filosofia da práxis de Gramsci é uma visão universalista,
é uma visão que transcende os limites de cada sociedade histórica particular.
Trata-se de uma proposta de construção de uma civilização cosmopolita, ou seja,
as condições de humanização precisam ser válidas para todos os homens,
independente de todas as suas diferenças e particularidades. Nenhuma diferença
deve justificar qualquer tipo de desigualdade.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para Gramsci, o papel do filosofo
deve ser pensar, explicitar e discutir a união entre teoria e prática, ou seja,
a ítima ligação que existe entre nossas atividades subjetivas, tais como nossa
reflexão e nossas ações objetivas, seja no trabalho ou em nossa atividade
política e social.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele insiste em dizer que todos os
homens são filósofos. Mas ele não quer dizer com isso que que todos os homens
sejam profissionais em filosofia, mas que todas as nossas ações, desde as mais
simples, desde as mais elementares, são ações atravessadas por uma significação
propriamente reflexiva, e uma reflexão teórica.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele se esforça em mostrar que não
existe dicotomia entre pensamento puaramente teórico, subjetivo e uma prática
concreta, objetiva. Por isso, ele fala em práxis, que é a prática informada
pelo conhecimento, informada pela reflexão.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
EDUCAÇÃO&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para Gramsci, a educação deve
elevar as pessoas do senso comum ao bom senso. O bom senso é a capacidade de
entendimento da realidade, do conhecimento dos requisitos da ação de talmodo
que o agir do homem tanto no âmbito individual, quanto coletivo, seja
esclarecida pela consciência filosófica.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A educação é esse processo de
elevação da consciência filosófica, ou seja, este máximo de explicitação dos
sentidos que norteiam a nossa prática, para que ela não seja uma prática
mecânica, instintiva ou uma pratica totalmente condicionada como ocorre, por
exemplo, no caso dos demais seres vivos. O seu agir não é conduzido por
significações intelectualmente elaboradas.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A tarefa que cabe à educação é
suscitar o bom senso, a consciência filosófica e, consequentemente, o exercício
da reflexão crítica.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando nós olhamos a educação, de
modo geral, como professor formativo, é sempre esta idéia, que é da tradição
filosófica ocidental. É você sair da pré-conciencia para a consciência, e no
caso da expressão de Gramsci, do senso comum à consciência filosófica. Quando
nós passamos para a escola concretamente, como é que dá esse processo
formativo? É justamente explicitando a ideologia e, eventualmente, construindo
uma contra-ideologia, que é o que pede da escola.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
IDEOLOGIA E CONTRA-IDEOLOGIA NA
ESCOLA&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando a ideologia é construída a
partir do consenso e da comunhão das posições, sentimentos e interesses de
todos os membros dessa sociedade, temos,sengundo Gramsci, uma ideologia
orgânica. Por outro lado, se a ideologia é construída de forma mais artificial,
temos uma ideologia arbitrária. Acontece quando, por exemplo, um partido
político com a intenção de dominar a sociedade, elabora um programa ideológico,
um conjunto de valores que impõe àquela sociedade. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
ESCOLA UNITÁRIA&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A proposta que Gramsci tem para a
escola, que ele designou como escola unitária, seria exatamente uma experiência
desta organicidade, desta harmonia, deste esforço de consenso que constrói a
comunidade. Quando Gramsci considera a escola como devendo ser uma experiência
unitária, ele está dizendo, por exemplo, que a formação que nós vamos receber
na escola durante esse processo, dessa dialética pedagógica de sair do senso
comum para o bom senso, de conhecer a ciência, a filosofia, as artes, este
processo mediado pelo currículo deve ser um processo plenamente unificado.
Unificado primeiro no seguinte: todas as pessoas tem de participar desse
processo. Não há uma hierarquização, uma diferenciação no trabalho pedagógico.
Ele deve ser um trabalho pedagógico unificado, direcionado, destinado a todos
os integrantes da sociedade. Mas, além disso, esse trabalho de formação, que se
dá no interior da escola, não se estrutura de forma dividida, fragmentada. É,
simultaneamente, uma educação única, ou seja, a educação para o trabalho, para
a vida social, para acultura. Não existe uma escola profissionalizante que se
separa de uma escola de humanidades, de uma escola que cuidadasse do teórico ou
que cuidasse do prático, porque para Gramsci é fundamental esta união entre
essa dimensão de subjetividade, de criação teórica e essa dimensão de ação
prática.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
EDUCADOR GRAMSCIANO&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para Gramsci, a escola deve ter
um caráter unitário, ou seja, deve integrar as pessoas em todas as dimensões de
nossa existência. Além disso, a educação escolar é a responsável pela
conservação, sistematização e disseminação de todo o conteúdo armazenado e
articulado pela ideologia, tais como a ciência, as artes, a filosofia, a
política e a ética.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não só podemos como devemos
pensar a relação pedagógica, a didática, a prática docente do educador, minimamente
coerente com essas preimissas. Porque se nós concebermos o processo pedagógico
como esse processo de explicitação das significações da existência humana, que
estão articuladas em torno desses conjuntos ideológicos, desta cosmovisão, é
evidente que o professor não pode atuar de uma maneira puramente tecnicista. A
formação jamais será um processo mecânico, autoritário e que não faça mediação
única e exclusivamente através de uma lógica e de uma pedagogia dialética, no
sentido de que leva o estudante a esta experiência de reflexão.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A Educação não deve ser
instrucional, mas de vivencia, de reflexão e de conhecimento. Um processo que,
ao mesmo tempo em que o exercício da subjetividade pode trazer ao educando,
leva esse indivíduo a fazer uma avaliação crítica de todo o acervo de que
dispõe e a propor novos significados. O educador com inspiração gramsciana deve
dominar as informações e metodologias didáticas de sua área de atuação. Deve
ser criativo no sentido de despertar, incentivar e fazer avançar as descobertas
dos aprendizes e ser crítico quanto a sua própria prática. É um professor não
dogmático, mas construtor, mas que valoriza a autonomia e o espaço para a
criação. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Considerando um professor não
dogmático somente de conteúdo, mas de fato e de direito, ou seja, que o
professor seja um professor isento de qualquer assunto religioso –permita-me
falar disso aqui, pois julgo coerente e oportuno, demais estou entalado e
preciso tirar esse engasgo - que não seja adepto, na sua vida privada, de
nenhuma religião. Porque as religiões são dogmáticas, são doutrinárias, são
avessas a ciências – porém nada fazem sem a ciência - a arte e a filosofia de
livre pensador. Porque um educador cristão, por exemplo, acredita que os mortos
ressuscitam.Que os espiritas acreditam em reencarnação e por aí vai. O que faz
com que esse educador, por mais profissional que seja não consegue se livrar
desses dogmas, e, portanto, vai andar com o freio de mão puxado. A criança,
aluno, já recebe de cara isso em casa, mas na escola é o lugar onde se podem
tirar os tóxicos mentais impregnados pelos dogmas, e, com mais firmeza, os da
religião, que, já é visto sempre, por esses dogmas absurdos matam e morrem. O
professor educador, é um agente publico, pertence ao Estado e o Estado deve ser
Laico. Mesmo as escolas privadas de uma forma ou de outra é Estatal. Visto que
seus currículos e grades curriculares obedecem a resoluções do Estado. Na
verdade, para um Estado Laico, deve se banir o “Ensino Religioso” das escolas
brasileiras que, currículo “facultativo”, está impregnado nas escolas
brasileiras. Esses ensinos são puramente cristão porque ninguém de outra
religião se atreveria em reivindicar o ensino da Umbanda, nem Mulçumano ou
espírita. Não há o que ensinar em religião porque para o religião tudo já tem
explicação, tudo é Deus e nem mesmo se pode discutir como é que Deus fez isso
ou aquilo. Que a palavra de ordem é: &lt;i&gt;“que
sua palavra seja sim sim, não não, o que passar disso é do maligno”.&lt;/i&gt;
Portanto, o professor Gramcino vai durar muito tempo para ser uma realidade.
Todo religioso, aqui os cristãos, analfabetos, nada sabem de nada,mas de deus
tudo sabe. Portanto, melhor do que ir a escola é ficar em casa. Porque aprender
a ler não significar nada, posto que tem o Livro da Vida, tem a Bíblia que, sem
nunca terem lido um frase dizem: “ &lt;i&gt;a
Bliblia diz que”.&lt;/i&gt;E pronto, ali está e “verdade” escrita pelo punho do
próprio Deus e nem mesmo se pode contradizê-lo porque o pior dogma, o dogma que
mais tem força é aquele que diz: “&lt;i&gt;respeita
a minha crença!”&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
NOVA ESTRATÉGIA EDUCATIVA&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os processos educativos de
desenvolve de muitas maneiras e devem ser estudados prestando especial atenção
aos momentos que geralmente não são considerados educativos no sentido estrito
do termo. A escola, a formação profissional, a educação de adultos e a
universidade podem ser apenas uma fachada, um aparente conflito entre a
organização da cultura e o poder político, sendo que a maioria das ações que
produzem “persuasão permanente” ocorrem nos bastidores, à margem do sistema educativo
formal. As decisões tomadas no âmbito dos meios de difusão, da editoração e da
comunicação; as mudanças introduzida na organização do trabalho; as opções em
favor de uma ou de outra tecnologia da indústria e dos serviços; o sistema de
escolhae nomeação de funcionários e dirigentes de sindicatos e dos partidos,
bem como sua função na vida cotidiana da sociedade constituem os principais
veículos modernos e ocultos dos processos educativos.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É preciso perder o habito e
deixar de conceber a cultura como saber enciclopedio, no qual o homem é visto
sob a forma de recipiente para encher e amontoar com dados empíricos, com fatos
ao acaso e desconexos, que ele depois deverá arrumar no cérebro como nas
colunas de um dicionário para poder então, em qualquer altura, responder aos
vários estímulos do mundo externo. Esta forma de responder aos vários estímulos
do mundo externo. Esta forma de cultura é deveras prejudicial, especialmente
para o proletariado. Serve apenas para criar desajustados, ente que crer ser
superior ao resto da humanidade porque armazenou na memoria certa quantidade de
dados e de datas, que aproveita todas as ocasiões para estabelecer quase uma
barreira entre si e os outros. Serve para criar um certo intelectualismo
flácido e incolor que pariu uma ceterva de presunçosos e desatinados, mas
deletérios para a vida social do que os micróbios da tuberculose ou daa sífilis
para a beleza e a sanidade física do corpos.&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/3711110795608018085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/09/gramsci-nova-estrategia-educativa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/3711110795608018085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/3711110795608018085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/09/gramsci-nova-estrategia-educativa.html' title='Gramsci: nova estratégia educativa'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9CftaENiXhohJFKlGG3w0Z8QiJseZkBJuZEgF6dRSjnsvCB_MAmbpRZDKMmLOMcN69qmSH1OjB-tu891SMVCwTCaCm-Wh-I77s7HWqy4mnpEttmaNoVaUkQcg8Ntf-b9JaTkmve9l6Ek/s72-c/Foto-A0853.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-8797322066703904983</id><published>2012-09-19T06:37:00.001-07:00</published><updated>2012-09-19T06:37:29.415-07:00</updated><title type='text'>a história de Judite sobre o poder e o dejeso</title><content type='html'>&lt;img height=&quot;292&quot; src=&quot;http://dancewithyou.files.wordpress.com/2011/01/judith_beheading_holofernes_by_caravaggio.jpg?w=1024&amp;amp;h=750&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
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&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px; color: #333333; font-family: Georgia, &#39;Bitstream Charter&#39;, serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 24px; padding: 0px; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
No movimento Barroco a chegada de um novo pensamento (comercial, filosófico, social), da inevitável morte de Deus, do incômodo com as paixões humanas, da repressão externa e dos conflitos internos fez nascer obras lindíssimas. Todas, mais ou menos católicas, tem a capacidade de expor uma urgência terrível de ser gente, uma percepção absurda dos desejos e malícias humanas, apesar da repressão: os&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=624&quot; style=&quot;background-color: transparent; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; border: 0px; color: #743399; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;&quot;&gt;sonetos&lt;/a&gt;&amp;nbsp;do Gregório, os&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/ResultadoPesquisaObraForm.do&quot; style=&quot;background-color: transparent; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; border: 0px; color: #743399; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;&quot;&gt;sermões&lt;/a&gt;&amp;nbsp;do Padre Vieira, as&lt;a href=&quot;http://caravaggio.com/#&quot; style=&quot;background-color: transparent; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; border: 0px; color: #743399; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;&quot;&gt;&amp;nbsp;pinturas&lt;/a&gt;&amp;nbsp;do Caravaggio. Na tela acima, Judite&amp;nbsp;decapita Holofernes, e deixa o espectador com um sentimento que suponho Caravaggio tinha diante dessa história bíblica: o horror de ver o poder humano ser derrubado por seus desejos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px; color: #333333; font-family: Georgia, &#39;Bitstream Charter&#39;, serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 24px; padding: 0px; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
A história, contada lá no antigo testamento, no livro de Judite, (para os desavisados: não, este não é um blog cristão) é mais ou menos assim: Holofernes, capitão do exército de Nabucodonosor, rei assírio que tomou a maior parte dos povos do “mundo” (que, naquela época, limitava-se a um&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.historiadomundo.com.br/assiria/mapa-civilizacao-assiria.htm&quot; style=&quot;background-color: transparent; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; border: 0px; color: #743399; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;&quot;&gt;pedacinho&lt;/a&gt;&amp;nbsp;só), foi enviado a &amp;nbsp;invadir as terras daqueles que iam contra a vontade do rei. Chegou então aos israelitas, mas como ele era um homem inteligente (já ouvira falar que o deus daquele povo agia com requintes de crueldade), tem uma grande ideia: tomar as fontes de água. Ele, então, coloca cem homens em cada fonte e espera que o desespero tome conta da cidade, ou que todos morram de sede. Enquanto espera, no conforto da sua tenda, recebe a visita da viúva Judite (segundo a bíblia: “Era extremamente bela, e seu marido tinha-lhe deixado grandes&amp;nbsp;riquezas”), israelita, toda enfeitada com braceletes, brincos e vestido, que vem trazendo vinho, queijo, figos e grãos. Ao vê-la, “Holofernes&amp;nbsp;ficou cativo de seus olhos” (tradução para meninos de hoje: achou-a linda, gostosa e bacana pra caralho). Depois de ouví-la dizer que seu deus a havia enviado para avisar que ele venceria a guerra (ahhh, qual mulher não elogia?) ele já estava apaixonadíssimo, pobrezinho (provavelmente pensou: “Além de bonita e rica é inteligente!”). Mas, como vocês já devem saber ( o quadro não tem nada de sutíl), ela não estava lá pelos músculos fortes e poderosos do pobre moço: ela era serva do deus de Israel, ela queria sua cabeça. Durante três dias ficou no acampamento, e ainda podia entrar e sair livremente para fazer suas preces. No terceiro dia, Holofernes, já louquíssimo e sem juízo (imaginem só, um marechal acreditar no inimigo!), resolve convidá-la para um vinhozinho na sua tenda, e daí, vejam só:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px; color: #333333; font-family: Georgia, &#39;Bitstream Charter&#39;, serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 24px; padding: 0px; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
&lt;em style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;&quot;&gt;15 Ela levantou-se e, trajada com requinte, apresentou-se diante dele.&amp;nbsp;16 O coração de Holofernes agitou-se, porque ardia de paixão por ela.&amp;nbsp;17 Come e bebe alegremente, disse-lhe ele, pois encontraste graça aos&amp;nbsp;meus olhos.&amp;nbsp;18 Ao que respondeu Judite: Eu beberei, senhor, porque nunca em&amp;nbsp;minha vida me senti tão engrandecida como hoje.&amp;nbsp;19 Mas ela tomou e comeu do que a sua serva lhe tinha preparado, e&amp;nbsp;bebeu com ele.&amp;nbsp;20 Holofernes alegrou-se grandemente por tê-la junto dele, e bebeu&amp;nbsp;vinho como nunca tinha bebido.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px; color: #333333; font-family: Georgia, &#39;Bitstream Charter&#39;, serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 24px; padding: 0px; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
O resultado, todo mundo imagina. Enquanto o pobre dormia bêbado, Judite o golpeia com uma faca e, não contente, decapita Holofernes. Adeus poder, adeus novas terras, adeus Judite. Holofernes foi (literalmente, pelo menos a cabeça) para o saco, que ela (cobrona) leva para incitar o seu povo a expulsar o exército assírio.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px; color: #333333; font-family: Georgia, &#39;Bitstream Charter&#39;, serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 24px; padding: 0px; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
O velho testamento e suas crueldades.&amp;nbsp;Certamente Caravaggio não via o poder divino agindo nessa história. Ele via, sim, um homem poderosíssimo sucumbindo aos seus desejos de amor, sexo e beleza (coisa que o Caravaggio conhecia bem). O quadro é pertinente e vai ser pertinente para sempre: quem nunca foi decapitado, exposto e ridicularizado pelo desejo? Hein? E quem nunca foi a Judite, maliciosa, tirando proveito do desejo alheio?&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/8797322066703904983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/09/a-historia-de-judite-sobre-o-poder-e-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/8797322066703904983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/8797322066703904983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/09/a-historia-de-judite-sobre-o-poder-e-o.html' title='a história de Judite sobre o poder e o dejeso'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-5350769447589109575</id><published>2012-09-05T14:17:00.001-07:00</published><updated>2012-09-05T14:17:24.952-07:00</updated><title type='text'>Nietzsche: educação do super-homem</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não é&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;_GoBack&quot;&gt;&lt;/a&gt; por
nada que Nietzsche é um dos autores mais lidos no mundo. Ele não tem medo de
não somente analisar friamente instituições e religiões, mas as ataca
diretamente, sem pelos na língua, não importando que sejam instituições
publicas e privadas, políticas ou religiosas, até mesmo indivíduo ou
associações, escritores ou jornalistas, tudo para ele é terreno fértil para
desenvolver e mostrar seu pensamento vulcânico, irreverente, impulsivo, mas ao
mesmo tempo frio, lógico e perspicazmente correto. Não como não se curvar às
conclusões a que chega em suas análises do pensamento filosófico tradicional,
da historia do homem e da humanidade em geral, das evoluções e involuções
políticas e religiosas. Nietzsche é contundente, mas ao mesmo tempo sagazmente
ponderado. Responder a ele, condenar suas ideias? Pode-se. Mas não é tarefa
fácil.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Neste livro, Nietzsche passa pelo
crivo de seu cérebro algumas conquistas da sociedade de sua época –que assim
eram consideradas pelo mundo político e filosófico – e condenas algumas como
ilusórias, ataca outras como ridículas e aceitas poucas como fruto do
pensamento de espíritos e mentes superiores. Mas no mundo politico, as despreza
e condena praticamente todas, porquanto conquistas reveladoras de desumanidade,
de domínio improprio de pseudo-vontade superior, de uma moral opressora e
cristãmente insossa, insulsa, inconsequente, insalubre, quando não pérfida.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Esses mitos criados para o homem
e não pelo homem, fomentados por forças políticas e religiosas sem escrúpulos,
esses ídolos estão em seu crepúsculo: serão rejeitados, eliminados, degradados
e banidos da vida do homem. Não lhe pertencem. Foram jungidos a ele. foram lhe
enxertados por uma tradição de fundo orgiástico grego, por uma fé de fundo
cristão, por uma política de fundo escuso e opressor.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O verdadeiro valor reside no
instinto, na realização do instinto, em sua expressão espontânea e livre. É ele
que cria e recria, que impele e faz, que idealiza e transforma, que induz e
resolve, que realiza e plenifica o homem enquanto homem indivíduo, o homem
enquanto grupo social, o homem enquanto projeção política, o homem enquanto ser
livre vivendo no presente, projetando o futuro e renegando o passado à medida
que não lhe serve para construir sua própria felicidade. O mundo de Nietzsche é
um mundo ideal e livre, um mundo apresentado e oferecido ao homem. Compete ao
homem, sem qualquer interferência, fazer dele o que bem entender.&lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nietzsche era dotado de um
espirito irrequieto, perquiridor, próprio de um grande pensador. De índole
romântica, poeta por natureza, levado pela imaginação, Nietzsche era o tipo de
homem que vivia recurvado sobre si mesmo. Emotivo e fascinado por tudo que
resplandece vida, era ao mesmo tempo sedento por liberdade espiritual e
intelectual; levado pelo instinto ao mundo irreal, ao mesmo tempo era apegado
ao mundo concreto e real; religoso por natureza e formação, era ao mesmo tempo
um demolidor de religiões; entusiasta defensor da beleza da vida, era também
critico feroz de toda fraqueza humana; conhecedor de si mesmo, era seu próprio
algoz; seu espirito era campo aberto em que se irromperem as mais variadas
tendências, sob a influência de sua agitada consciência.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
NIETZSCHE&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Friedrich Nietzsche é um dos
maiores pensadores que mais influenciam a cultura contemporânea. Contundente e
polemico, foi um dos principais crítico do racionalismo.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;
Nietzsche é um profundo conhecedor da literatura romântica alemã de sua
época, mas ao mesmo tempo, de toda a cultura e filosofia ocidentais,
particularmente, da mítica da Grécia Clássica. Encontra na tragédia grega a
maior inspiração do seu pensamento a respeito do espírito humano tal como ele
deveria ter se desenvolvido se não fosse o comprometimento ocorrido justamente
com o racionalismo que vai guiar, vai dominar o pensamento grego e, na
sequencia, todo o pensamento ocidental.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;Sócrates, Platão e Aristóteles rompem com a
visão mítica da realidade. É a origem do racionalismo, que tem como ponto
culminante o Iluminismo do século XVIII. Alguns de seus principais
representantes foram Kant e Descartes. Para eles, as ações humanas devem ser
orientadas pelo uso da razão.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;APOLO E DIONÍSIO&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;
Este posicionamento de Nietzsche com relação à tradição filosófica
ocidental, sem dúvida alguma, representa um contraponto, uma ruptura com
relação a essa tradição que se tornou extremamente racionalista. Ele achava que
era justamente na tragédia grega que se encontravam as raízes da verdadeira
condição do espírito humano. Para isso, fez uma contraposição entre o espírito
dionisíaco e o espírito apolíneo.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;Apolo traz o espírito da racionalidade, da
lógica, em oposição ao espírito de Dionísio que representa as forças vitais do
espírito humano.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De acordo com Nietzsche, o
espírito dionisíaco é o espírito da sensibilidade humana, dquelas forças mais
profundas do nosso espírito, do nosso ser que nos movem, que alimentam a nossa
existência como força de potencia, como vontade. Enquanto o espírito apolíneo é
o espírito da racionalidade, o espírito do pensamento lógico que, segundo
Nietzsche, é um pensamento muito matematizante, é um pensamento pouco
impregnado pelas forças vitais.&amp;nbsp; O que
caracteriza exatamente a cultura ocidental foi ter baseado, ter feito esta
opção por este espírito apolíneo, como se o principal da existência humana, a
dimensão principal da existência humana fosse a dimensão do conhecimento
lógico, do uso da racionalidade. É isso que Nietzsche como grande equivoco da
cultura ocidental e que comprometeu tanto a moral, a ciência, a filosofia, a
arte, enfim, a própria maneira de do existir humano nesta cultura ocidental. É
exatamente contra esta orientação que ele propõe, que ele traz, que ele faz a
sua proposta de uma verdadeira revolução cultural, uma retomada dos rumos da
existência humana.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
FILOSOFIA A MARTELADAS&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nietzsche luta contra todas as
orientações do racionalismo surgido na Grécia a partir de Sócrates. Questiona
as propostas do cristianismo que, segundo ele, enfatiza o lado fraco e
subserviente do espírito humano. Nietzsche critica as orientações iluministas,
como a valorização doconhecimento científico, bem como os filósofos que defedem
essas propostas, tais como Kant, Descartes e Hegel. Nietzsche também se opõe ao
socialismo por acreditar que, ao defender uma igualdade entre os homens, o
socialismo desqualifica a verdadeira grandeza do espírito humano. Por tantas e
tão contundentes críticas, filosofia de Nietzsche é conhecida como uma
filosofia a marteladas.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele está tentando destruir todos
os ícones, todos os pressupostos e, particularmente, todos os valores que a
nossa cultura, com seu embasamento filosófico-racionalista, acabou consagrando.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
SUPER-HOMEM&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nietzsche acredita que o homem
não deve seguir os valores consagrados pela cultura ocidental, marcados pela
moral cristã e pela política liberal e iluminista. Sua proposta é que
reencontremos os valores a partir de nossa condição de seres vivos, dotados de
uma potencia instintiva, que apela para uma maior grandeza, para um
posicionamento moral aristocrático. Para Nietzsche, o homem é um ser
voluntarioso, poderoso, que quer e deve defender sua condição de criador da
historia, de condutor de sua própria existência. Sua proposta é do surgimento
de um homem superior, capaz de fruir o prazer e sentir a felicidade.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nesse sentido, Nietzsche se
posiciona contra a democracia liberal, se posiciona contra o socialismo, contra
o comunismo, por entender que todas as suas propostas, todas essas ideologias
acabam escravizando o homem, de uma maneira ou de outra, o homem, do mesmo modo
que os valores morais do cristianismo conduziram o homem a uma situação muito
análoga à situação do escravo. É bom entender, no entanto, que ao contrário do
que fazem algumas interpretações apressadas, de maneira nenhuma Nietzsche
estava justificando com isso posições como aquelas que se consolidaram em
sistemas políticos tipo nazismo, fascismo. Para Nietzsche, esses sistemas também
apareciam como dominadores dos indivíduos, escravizadores da vontade livre
desses indivíduos. Se é que podemos falar de uma proposta política, a dele
seria de uma sociedade organizada de forma aristocrática, em que toadas as
pessoas pudessem exercer livremente sua vontade de potencia, ou seja, seguir os
seus instintos mais naturais, mais profundos, seguir suas pulsões, não se
deixando em circunstancia alguma se condicionar por determinações alheias a sua
própria vontade.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O homem deve ser um espírito
livre, não deve se deixar conduzir como uma ovelha em um rebanho. Um indivíduo
que exerce plenamente sua vontade de potência torna-se, para Nietzsche, um
super-homem, um indivíduo superior que não se deixa dominar por nenhuma força
externa à sua vontade. Para ele, promover esse homem superior deve ser o papel
da educação.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A educação tende a padronizar ao invés
de deixar que os indivíduos se destaquem. Então, a implicância de Nietzsche com
a democracia, com a pedagogia e com a própria ciência é esse espirito de
padronização, com se todos os indivíduos devessem ter o mesmo desempenho, porque
todos teriam igualmente a mesma base. E ele não acha isso. Então, nós
precisaríamos de uma política e de uma pedagogia que exatamente fizesse o
contrário, ao invés de padronizar, de fazer com que aqueles indivíduos mais
dotados, mais talentosos, pudessem se destacar.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Contra a padronização dos
indivíduos, Nietzsche propunha uma formação diferenciada. Uma formação com
expansão, como desdobramento, nunca como ajuste ou adequação.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ao falar de educação de seu
tempo, Nietzsche se refere a três tipos de egoísmos a que ela tem conduzido.
Primeiramente, o egoísmo que ele chama dos comerciantes, que é este egoísmo que
preside todo o nosso relacionamento comercial, onde se visa simplesmente o
lucro, o ganho, a usura, bem no espírito do capitalismo que está se consolidando
naquela época. Em segundo lugar, há o egoísmo do estado, que é este egoísmo do
espírito público que tende a introduzir na vida social uma igualdade de fracos,
uma igualdade de pessoas menores totalmente dominadas pelas determinações dos
partidos, dos governos, enfim, da burocracia. A terceira forma de egoísmo é o
egoísmo da ciência na medida em que ela se considera como sinônimo do único
conhecimento válido, vendo a cultura apenas como resultado do progresso
cientifico, desconhecendo os principais valores da existência humana, que são
aqueles valores ligados, exatamente, à vontade de potencia do homem, todo este
poder dinâmico que a humanidade tra e que foi sufocado pela tradição cultural
racionalista do Ocidente.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
CULTIVO DA AUTONOMIA&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Assim como Nietzsche, o
Iluminismo propunha o cultivo da autonomia. Mas eram visões muito diferentes.
Para os Iluministas como Kant, a autonomia se caracterizava exclusivamente pelo
aprimoramento da razão. Todas as demais forças presente no homem eram
considerdas contrarias a essa autonomia, a essa emancipação.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É esta grande pedagogia do
Iluminismo que prometia liberdade, a emancipação humana, graças a incorporação
das luzes da razão. As luzes da razão iluminaria as trevas da ignorância e,
portanto, nos possibilitava conhecer todos os mistérios do mundo, que não são
mais mistérios, são puramente fenômenos. O mundo está desencantado e, corolário
disso, haveria igualmente liberdade, a consolidação da liberdade. Os homens
poderiam se organizar democraticamente em uma sociedade esclarecida, livre e
igualitária, e que todos seriam felizes, mas exatamente esta promessa do
projeto iluminista da modernidade não se realizou.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nietzsche acreditava que a
autonomia não se constituía apenas pela razão, ao contrario, a verdadeira
emancipação deriva do crescimento da liberdade, da vontade de potencia. Para
Nietzsche, da vontade de potencia fazem parte todos os nossos dinamismos
emocionais, afetivos e instintivos. Muitas dessas orientações fazem parte do
pensamento contemporâneo que descobre novas inteligências e valoriza diferentes
formas de sensibilidades.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
EDUCAÇÃO E EDUCADOR&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Na visão do Nietzsche, o que se
espera da educação, o que se esperaria da educação é ela não reforçasse esses
elementos da tradição iluministas, mas que, ao contrário, pudesse ser um
ambiente, um clima para o despertar dessas energias que estão presentes, mas,
muitas vezes, sufocadas em cada indivíduo. O modo de educação da vida social na
cultura contemporânea acaba sufocando muito estas pulsões que são reprimidas
pelo sistema cultural, pelo sistema religioso. Então, Nietzsche propõe que se
quebre a marteladas todos esses ídolos, todos esses ícones e todas essas
repressões para que, então, a nossa potencia possa se exprimir. Certamente, ele
chega a discutir esta questão de como preparar o educador, fortemente inspirado
pelo Schopenhauer, que exerceu um grande papel na formação filosófica do
Nietzsche. Não se trata do caso do professor, nem de um preparo técnico
científico na linha da tradição iluminista, e nem mesmo ver a escola como uma
estrutura burocrática ou administrativa, gerencial. O que está em pauta é muito
mais a personalidade do educador. Certamente o professor para Nietzsche é um
mestre, este mestre e o modelo da escola dele seriam muito mais a de um
ambiente, de uma educação muito mais convival do que propriamente neste esquema
que acabou consolidando no Ocidente, que é uma escola formal, uma escola
burocratizada, gerenciada, mais um ambiente de administração da vida do que de
fecundação da vida.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
DIVERSIDADE E CRIATIVIDADE&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nietzsche é a lembrança da dimensão
dionisíaca perdida durante o predomínio do pensamento racional no Ocidente.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E é o que talvez todas essas
referências à inteligência emocional, ao reconhecimento das diversas formas de
sensibilidade humana, a valorização da estética, isto, sem dúvida alguma, é um
legado da inspiração nietzschiana para o pensamento contemporâneo. Seria característico
desse espirito superior, dessa vontade de potencia, ser extremamente criativo,
comose as coisas surgissem, esta força brotasse aos borbotões e levasse o
indivíduo humano a ser muito mais um artista do que um cientista ou um técnico.
Porque ele está vivendo a expansão dos seus sentimentos vitais. É a força da
vida que empurra para cima e que torna o homem extremamente criativo,
descobridor das coisas. Isso vai acontecer com o verdadeiro artista, que não
cria a partir de critérios racionais, mas justamente pela sensibilidade, pela
capacidade de se deixar explodir, de se deixar expressar a partir da pulsão de
suas próprias forças. Esta filosofia de Nietzsche, em que pese as suas
limitações pessoais e todas as dificuldades existenciais que ele mesmo enfrentou
no convívio com a sociedade de sua época, sem dúvida alguma, representou uma
importante manifestação de protesto e um grito de defesa de liberdade humana.
Embora ele tenha carregado muito nas tintas, sem dúvida alguma, esta é uma
proposta que valoriza a autonomia do ser humano e, consequentemente, o respeito
pela dignidade humana.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Embora incompreendido em sua
época, hoje Nietzsche é a principal inspiração do pensamento filosófico pós-moderno.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A filosofia de Nietzsche foi um
apelo coletivo, que serve a todo indivíduo, mas foi também um desabafo pessoal,
um grito de protesto contra as duras injunções que ele próprio enfrentou em sua
vida profissional, amorosa, como cidadão.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A vida do indivíduo Nietzsche, não
é uma demonstração da sua teoria, mas por limitações, ele tinha uma clareza de
espírito muito grande desse modelo de homem que ele visava, mas ele não
conseguiu implementar isso pessoalmente. O que ele conseguiu de fato realizar
foi uma personalidade rebelde, ele foi corajoso para enfrentar todo o poderio
de Igreja, o poderio do poder publico, mas não tinha como individualmente fazer
tudo isso.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
BIBLIOGRAFIA:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/5350769447589109575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/09/nietzsche-educacao-do-super-homem.html#comment-form' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/5350769447589109575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/5350769447589109575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/09/nietzsche-educacao-do-super-homem.html' title='Nietzsche: educação do super-homem'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-7593465758691801342</id><published>2012-08-29T06:16:00.000-07:00</published><updated>2012-08-29T06:16:11.857-07:00</updated><title type='text'>SANTO ANSELMO: posso provar a existência de Deus.  KANT: a existência de Deus nunca poderá ser provada. </title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;SANTO ANSELMO X KANT&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;SANTO ANSELMO&lt;/b&gt;:
posso provar a existência de Deus.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;KANT&lt;/b&gt;: a
existência de Deus nunca poderá ser provada.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;A PROVA ONTOLÓGICA DA
EXISTENCIA DE DEUS POR SANTO ANSELMO.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;O PROBLEMA:&lt;/b&gt; A&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;_GoBack&quot;&gt;&lt;/a&gt; existência de Deus pode ser provada por meio de um
raciocínio lógico?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;A TESE&lt;/b&gt;: Santo
Anselmo de Aosta, bispo, partiu para uma argumentação para provar a existência
de Deus usando exatamente o oposto da fé, a razão, ou seja, o raciocínio
lógico. Essa idéia é um reflexão sobre a perfeição. Suponhamos que existem dois
tipos de perfeição, uma realmente existente, a outra somente imaginada pela
mente. Qualquer um concordaria que a primeira é superior à segunda porque
perceptível, faltando a esta última uma importante característica: a
existência. Mas se Deus é &lt;i&gt;ser&lt;/i&gt;
perfeitíssimo então deve necessariamente existir. Concluindo: a definição de
Deus como &lt;i&gt;aquilo ao qual nada é maior&lt;/i&gt;
(de que nem mesmo um ateu pode discordar) implica sua existência. O ateu
permanece ateu somente porque é estúpido, ou melhor, insipiente, sem sal, ou seja,
sem inteligência. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Kant, refutando Anselmo diz que a existência de Deus nunca
poderá ser provada.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;O PROBLEMA:&lt;/b&gt;
pode-se provar a existência de Deus com argumentos racionais?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;A TESE&lt;/b&gt;: como
vimos acima, Anselmo tentou deduzir a efetiva existência de Deus como conseqüência
lógica de sua natureza perfeita com base na idéia de que um ser absolutamente
perfeito não pode ser desprovido do atributo da existência. No entanto, nesse
raciocínio existe um grave erro: não é possível afirmar a existência de um
objeto com base na idéia que temos dele, mesmo se lhe atribuímos o caráter de
perfeição absoluta. Efetivamente, seguindo a argumentação de Anselmo,
deveríamos declarar existentes também 100 moedas, quando fomos capazes de
imaginá-las, pensá-las, defini-las perfeitamente, porque nesse caso também a
ideia de absoluta perfeição deveria conter a perfeição, e se conferi a
existência de Deus por esse meio ganhando a salvação, deveríamos também
ficarmos ricos com as moedas absolutamente perfeitas.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Vejamos os argumentos dos dois:&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;O problema: encontrar
um argumento racional, sólido, simples e poderoso, para demonstrar a existência
de Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Anselmo&lt;/b&gt; – Depois
de insistentes pedidos de alguns coirmãos, escrevi um opúsculo como exemplo de
meditação sobre as razões da fé, como alguém que, raciocinando consigo mesmo,
indaga o que ignora; mas depois, considerando que o escrito é constituído pelo
encadeamento de muitos argumentos, comecei a me perguntar se não podia
encontrar um argumento único que demonstrasse por si só, sem necessidade de
outro qualquer, que Deus existe e que é bem supremo, que não precisa de nada e
de quem todo o resto necessita para ser e ter valor, e que também bastasse para
demonstrar as outras verdades em que acreditamos acerca da &lt;b&gt;substancia divina&lt;/b&gt;.&lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;ANSELMO RECORRE AO
SOBRNATURAL&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Anselmo&lt;/b&gt; - Concede-me
senhor, tu que dás inteligência à fé, concede-me nos limites do conveniente
entender que tu és como acreditamos. Na verdade, nós acreditamos que tu és algo
maior do que tudo que se pode pensar.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;ANSELMO INSULTA O
ATEU A REFUTÁ-LO.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Anselmo&lt;/b&gt; – Mas
talvez não exista uma tal natureza, posto que o insipiente disse em seu
coração: &lt;i&gt;Deus não existe.&lt;/i&gt; Sem dúvida,
porém, o próprio insipiente, quando ouve o que digo (algo maior do que tudo que
se pode pensar),entende o que está escutando e compreende em seu intelecto,
mesmo sem entender que aquela coisa sobre a qual escuta existe. De fato,
entender uma coisa com o intelecto é distinto de entender que aquela coisa
existe.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;SEGUNDO ANSELMO, AS
COISAS PODEM EXISTIR NO PENSAMENTO OU NA REALIDADE.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Anselmo&lt;/b&gt; - Quando
um pintor imagina o que está para pintar, tem no intelecto, mas não acredita
que exista aquilo que ainda não pintou. Quando ao contrário já o pintou, tem o
que pintou no intelecto e acredita que ele existe.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;PARA ANSELMO ACREDITA
QUE A PERFEIÇÃO DIVINA É CERTAMENTE PENSÁVEL, MAS O PROBLEMA É ESTABELECER SE É
REAL.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Anselmo&lt;/b&gt; –
portanto, o insipiente também está convencido de que existe, ao menos no
intelecto, alguma coisa da qual não se pode pensar nada maior. Ao escutar isso,
de fato, entende-o, e quando entende alguma coisa quer dizer que já tem essa
alguma coisa no intelecto. Ora, aquele do qual não se pode pensar nada maior
não pode existir somente no intelecto.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;ESTE ARGUMENTO NÃO SE
BASEIA NA FÉ, MAS SOMENTE NA RAZÃO.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Anselmo&lt;/b&gt; – De fato,
Deus é aquilo de não se pode pensar nada maior. Quem entende isso de modo
correto&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
entende também que Ele é tal de modo a não se poder afirmar que não
exista nem mesmo no pensamento. Quem, portanto, entende como é Deus não pode
pensar que não exista.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;KANT: A EXISTENCIA DE
DEUS NUNCA PODERÁ SER PROVADA&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;A EXISTENCIA DE UM
OJETO NÃO PODE DERIVAR DA SUA DEFINIÇÃO CONCEITUAL.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Kant&lt;/b&gt; – seja qualquer
e quanto se queira o conteúdo do nosso conceito de um objeto, nós sempre temos
que sair dele, para conferir existência a esse objeto.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;A VERICAÇÃO
PERCEPTIVA É O ÚNICO CRITERIO CERTO DE EXISTENCIA.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Kant&lt;/b&gt; – nos
objetos dos sentidos isso acontece mediante a conexão com umas de minhas percepções,
segundo leis empíricas; mas para os objetos do pensamento puro absolutamente
não há meio de conhecer a sua existência, porque esta deveria conhecida
inteiramente &lt;i&gt;a priori.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;NÃO PODEMOS AFIRMAR A
EXISTENCIA DE COISAS DAS QUAIS TEMOS SOMENTE UMA IDEIA PURA NÃO EXPERIMETÁVEL,
MESMO SE ISSO NÃO IMPLICA QUE NÃO POSSA EXISTIR.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Kant&lt;/b&gt; – Mas a
nossa consciência de toda existência ( ou pela percepção, imediatamente, ou por
raciocínio que unem alguma coisa à percepção) pertence em tudo e por tudo à
unidade da experiência; e se a existência fora desse campo certamente não pode
ser declarada absolutamente impossível, constitui, portanto, uma hipótese que
não temos como justificar.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;DA IDEIA DE DEUS COMO
SER PERFEITO NÃO DERIVA A EXISTENCIA DE DEUS.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Kant&lt;/b&gt; – o conceito
de um Ser supremo é uma ideia útil sob muitos aspectos; mas, justamente por ser
uma simples idéia, é incapaz, por si só, de ampliar o nosso conhecimento a
respeito do que existe...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;ENTRE O PLANO DA
LÓGICA E DA EXISTENCIA EXISTE UMA LACUNA, COMO ENTRE AS CONTAS DO LIVRO CAIXA
(FALSIFICÁVEIS) E A RIQUEZA EFETIVA.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Kant&lt;/b&gt; – todo o
trabalho e o estudo investido no tão famoso argumento ontológico da existência
de um Ser supremo foram, portanto, perdidos; e um homem, por meios de simples
ideias, certamente não se enriquecerá de conhecimentos, da mesma forma que um
comerciante não poderia enriquecer de dinheiro se, para melhorar a sua própria
condição, acrecentasse alguns zeros em seu livro caixa.&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/7593465758691801342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/08/santo-anselmo-posso-provar-existencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/7593465758691801342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/7593465758691801342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/08/santo-anselmo-posso-provar-existencia.html' title='SANTO ANSELMO: posso provar a existência de Deus.  KANT: a existência de Deus nunca poderá ser provada. '/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-1922160249922292630</id><published>2012-08-24T01:23:00.001-07:00</published><updated>2012-08-24T01:23:22.589-07:00</updated><title type='text'>Não busquemos mais as causas, mas as conseqüências de como estabelecemos nossas crenças.</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;O PROBLEMA&lt;/b&gt;: por
meio de que processos formamos as nossas crenças?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;A TESE&lt;/b&gt;: vamos
examinar três estratégias mentais: a primeira é o método da tenacidade, típico
daquele que obstinadamente se recusa a discutir as próprias crenças; a segunda
é o método da autoridade, esta é o acordo social que proíbe as opiniões que são
diferentes da norma; e, por fim, a terceira que é o método metafísico (ou &lt;i&gt;a priori&lt;/i&gt;), que se fundamenta na razão,
mas que produz sistemas teóricos incontroláveis. Essas três categorias têm em
comum a não admissão da possibilidade de erro, ou seja, consideram-se
infalíveis. Por isso deve ser defendido o método científico, o único que,
submetendo os próprios resultados a uma continua verificação, renuncia a
infalibilidade e progride se autocorrigindo. Porem, para explicar esse método,
é necessário deslocar a atenção para as consequências de uma teoria, os
resultados concretos que ela conduz. Esse é o pragmatismo. Para entender o
pragmatismo é preciso observar a passagem e não o início. Com efeito, esse não
é mais do que a aplicação do método cientifico aos problemas filosóficos: a
verdade de qualquer afirmação consiste nas consequências a que dá lugar e por
estas deve ser julgada.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;A SÍNTESE:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
COMO A AVESTRUZ ESCONDE A CABEÇA PARA NÃO VER, O HOMEM
TAMBEM PROCURA EVITAR TODA EVIDENCIA CONTRARIAS AS SUAS CRENÇAS.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando uma avestruz esconde a cabeça na areia à aproximação
de um perigo, provavelmente está escolhendo o caminho mais feliz. Esconde o
perigo de si mesmo e diz com calma que não há perigo; e sentindo-se seguro de
que o perigo não existe, por que deveria levantar a cabeça para vê-lo? Um homem
pode proceder na vida afastando a sua visão de tudo o que pode provocar
mudanças nas suas opiniões, e se conseguir... Eu não vejo o que se possa dizer
contra o seu modo de agir.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A REALIDADE PSICOLOGICA DO HOMEM NÃO SE REDUZ À PURA
RACIONALIDADE.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Seria impertinência egoística objetar-lhe que o seu
procedimento é irracional, já que corresponderia simplesmente a dizer que o seu
método de estabelecer as crenças não é o nosso. Ele não se propõe a ser
racional, e, com efeito, frequentemente falará com desprezo da fraca e enganosa
razão humana. Portanto, deixai-o pensar como lhe agrada.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
UM CONFRONTO CONTINUO COM OUTRAS INTELIGENCIAS DETERMINA UMA
DIMENSÃO SOCIAL DAS CRENÇAS PESSOAIS.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas esse método de estabelecer crenças, que pode ser chamado
de método da tenacidade, é incapaz de manter as suas posições na pratica. O
impulso social está contra ele. O homem que o adota achará que outros homenspensamdiferentemente
dele, e em algum momento de lucidez lhe poderá vir à mente que as opiniões
deles são tão boas quanto a sua, o que abalará sua confiança na própria crença.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O IMPULSO PARA O CONFRONTO E A SOCIALIZAÇÃO DAS CRENÇAS É
CONGENITO NO SER HUMANO.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A concepção de que o pensamento ou o sentimento de outro
homem possa ser equivalente ao seu próprio é um passo novo, distinto e muito
importante. Ele nasce de um impulso muito forte no homem para ser suprimido sem
o perigo de destruir a espécie humana. A menos que nos tornemos eremitas,
devemos necessariamente influenciar as nossa opiniões reciprocas, de modo que o
problema passa a ser como estabelecer crenças, não somente no individuo, mas na
comunidade.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O ESTADO PODERIA SUBSTITUIR O INDIVIDUO.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Suponhamos então que o estado substitua a do individuo.
Suponhamos que seja criada uma instituição que tenha o objetivo de impor ao
povo doutrinas corretas, de repeti-las perpetuamente e de ensiná-las à
juventude, e que tal instituição tenha ao mesmo tempo força para impedir que as
doutrinas contrarias sejam ensinadas, defendidas e expressas.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
EXISTEM NO MUNDO MODERNO FORMAS DE MANIPULAÇÃO PSICOLÓGICA
DE MASSA.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Suponhamos que todas as causas possíveis de mudanças de
opinião sejam afastadas do aprendizado dos homens. Suponhamos que eles sejam
mantidos ignorantes por medo de aprender razões para pensar de modo diverso do
que pensam. Suponhamos que as suas paixões sejam disciplinadas a fim de que
eles considerem com ódio e horror as opiniões particulares e desusadas. E
suponhamos ainda que sejam reduzidos ao silencio pelo terror os homens que
rejeitam a crença estabelecida...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O PROJETO AUTORITARIO FOI EXPERIMENTADO NA HISTORIA, COM
RESULTADOS ÀS VEZES GRANDIOSOS.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ao julgar esse método de estabelecer a crença, que pode ser
chamado de método da autoridade, devemos, em primeiro lugar, admitir a sua
incomensurável superioridade mental e moral em relação ao método da tenacidade.
O seu sucesso é proporcionalmente maior, e de fato ele sempre obteve os mais
imponentes resultados, basta ver as grandes construções de pedras e concretos
na Tailândia, no Egito e na Europa com elas tem uma grandeza que pode rivalizar
com as obras da natureza...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
MAS UMA ESTRATEGIA AUTORITARIA É SEMPRE IMPERFEITA E SÓ PODE
SUBSISTIR EM SOCIEDADES SIMPLES.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas nenhuma instituição pode assumir a tarefa de regular as
opiniões em todas as matérias. Somente as mais importantes devem ser vigiadas;
quanto ao resto, o espirito dos homensdeve ser abandonado à ação das causas
naturais. Essa imperfeição não será causa de fraqueza enquanto os homens
estiverem em um estado de cultura em que uma opinião não influi sobre outra, ou
seja, enquanto eles não forem capazes de juntar dois mais dois.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
DÚVIDA, INVESTIGAÇÃO E LIVRE PENSAMENTO SÃO INEXTIRPÁVEIS.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas mesmo nos Estados mais infestados de padres existem
indivíduos que se elevam acima dessa condição. Esses homens possuem um
sentimento social mais amplo; eles Veem que os homens de outros países e de
outras épocas admitiram doutrinas diferentes daquelas nas quais eles foram
criados; e não podem deixar de ver que é um simples acaso que o seu ensinamento
tenha sido o que tiveram, ou que eles estavam cercados pelos costumes e
associações que têm e que fazem com que eles acreditem naquilo que acreditam.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A EXISTENCIA OBJETIVA DE CULTURAS DIVERSAS SUGERE A DÚVIDA
CRÍTICA.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A sua candura não pode resistir à reflexão de que não há
razão para atribuir aos próprios pontos de vista um valor mais alto do que o
das outras nações ou de outros séculos; e isso faz surgir dúvida em seu
espírito. Além do mais, eles perceberão que dúvidas semelhantes devem existir
em seu espírito em relação a toda crença que pareça determinada por um capricho
deles próprios ou daqueles que dão origem às opiniões populares.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
UMA ESTRATÉGIA CORRETA DEVE CONCILIAR PAIXÃO SOCIAL E
LIBERDADE INDIVIDUAL.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A adesão voluntária a uma crença e a sua imposição
arbitraria aos outros são, portanto, coisas que devem abandonadas, enquanto um
novo método para estabelecer opiniões deve ser adotado, um método que não só produza
um impulso a acreditar, mas que decida também em qual posição acreditar.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O DEBATE METAFÍSICO E ARTÍSTICO É EXEMPLO QUE PODEM SER
SEGUIDOS.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando a ação das preferencias naturais não está impedida e
quando, sob influência delas, os homens conversam entre si e consideram cada
argumento sob diferentes luzes, as crenças gradualmente desenvolvem-se em
harmonia com as causa naturais. Esse método se assemelha àquele pelo qual as
concepções de arte chegaram a maturidade. O exemplo mais perfeito pode ser
encontrado na historia da filosofia metafísica.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
ARTE E METAFÍSICA IMPLICAM UMA REFERENCIA ÀS CONVICÇÕES
PESSOAIS, NÃO À REALIDADE ENQUANTO TAL.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sistema desse tipo não se apoia habitualmente sobre fatos
observados, pelo menos não em grau considerável. Ou, antes, foram adotados
principalmente porque as suas proposições fundamentais pareciam &lt;i&gt;conforme a razão&lt;/i&gt;. Esta é a expressão
apropriada; ela não indica o que está em concordância com a experiência, mas
aquilo em que estamos inclinados a acreditar...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O LIMITE DE TAL MÉTODO, PORÉM, É A PERENE OPINIBILIDADE.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Esse método é bem mais intelectual e respeitável, do ponto
de vista da razão, do que daqueles que aqui consideramos. Mas a sua falência
foi mais manifesta. Ele faz da investigação algo semelhante ao desenvolvimento
do gosto; mas o gosto, infelizmente, sempre é mais ou menos questão de moda e,
consequentemente, os metafísicos nunca chegaram a um acordo duradouro, mas o
pêndulo oscilou para frente e para trás entre uma filosofia mais materialista e
uma filosofia mais espiritualista, dos tempos mais remotos até os mais
recentes...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O OBEJTIVO É CHEGAR A UM MÉTODO CAPAZ DE PRODUZIR UM
CONHECIEMNTO PRECISO.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Portanto, para satisfazer as nossas dúvidas, é necessário
que seja encontrado um método em virtude do qual nossas crenças possam ser
causadas não por fatores humanos, mas por uma uniformidade externa, por algo no
qual nosso pensamento não tenha efeito.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O MITICISMO SOLUCIONOU A NECESSIDADE DE CERTEZA COM A
REVELAÇÃO.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Alguns místicos imaginam possuir tal método sob a forma de
uma inspiração vinda do alto. Mas essa é somente uma forma do método da
tenacidade no qual a concepção de verdade como algo público ainda não se
desenvolveu.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O OBJETIVO É ENCONTRAR PROPOSIÇÕES INOPINÁVEIS, OU SEJA,
UNIVERSAIS, VÁLIDA PARA TODOS OS HOMENS.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A uniformidade externa não seria externa, no sentido que lhe
damos, se a sua influencia fosse limitada a um único indivíduo. Deve ser algo
que atue, ou pode atuar, sobre qualquer homem. E embora essas ações sejam
necessariamente tão diversas como as diversas as concepções individuais, o
método, todavia, deve ser tal que a conclusão última de cada homem seja a
mesma.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O MÉTODO CIENTÍFICO ABDICA DE DEFINIR A REALIDADE, MAS
SELECIONA AS OPINIÕES SEGUNDO CRITERIOS OBJETIVOS.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tal é o método da ciência. A sua hipótese fundamental,
expressa em linguagem familiar, é a seguinte: existem coisas reais cujas
características são completamente independentes das opiniões que nós formamos a
seu respeito; cuja realidade influi nos nossos sentidos segundo leis regulares;
e no que se refere a nossa relação com os objetos, utilizando as leis da
percepção, nós podemos verificar com raciocínio como as coisas realmente são, e
todo homem, se tiver experiência suficiente e raciocinar o bastante a respeito,
será levado a uma única conclusão verdadeira.&lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;_GoBack&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/1922160249922292630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/08/nao-busquemos-mais-as-causas-mas-as.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/1922160249922292630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/1922160249922292630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/08/nao-busquemos-mais-as-causas-mas-as.html' title='Não busquemos mais as causas, mas as conseqüências de como estabelecemos nossas crenças.'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-5887209502305166991</id><published>2012-08-17T13:38:00.002-07:00</published><updated>2012-08-17T13:38:54.358-07:00</updated><title type='text'>GALILEU: A Bíblia deve ser interpretada</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Deus errou por não usar outro
meio senão a linguagem escrita para se comunicar com um povo analfabeto,
inculto, obtuso e rude. Devia mesmo era ter ensinado os códigos linguísticos em
primeiro lugar; dado incentivo a construções de escolas em vez de igrejas.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Cláudio Fontana&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A &lt;i&gt;Bíblia&lt;/i&gt; deve ser interpretada&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;O PROBLEMA &lt;/b&gt;que valor se deve atribuir a &lt;i&gt;Bíblia?&lt;/i&gt; Pode existir oposição entre ciência e fé?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;A TESE &lt;/b&gt;em princípio não deveria existir discrepância entre as
palavras dos profetas e as observações científicas, posto que tanto a &lt;i&gt;Bíblia&lt;/i&gt; como a natureza são obras do mesmo
Criador para quem segue o criacionismo.Porem, a discordância pode existir, sim,
uma vez que a Bíblia não é um tratado de astronomia e, além disso, os profetas,
para se fazerem entender, deveriam levar em conta o nível cultural de seus
interlocutores (leitores). Donde se conclui que a Bíblia deve ser oportunamente
interpretada, distinguindo o significado real do literal. Ao contrario, a
natureza, para quem tudo é Deus, é um livro criado por este também e não pode
da origem a mal-entendidos. Aliás, longe de minha impessoalidade, não há nada
na Bíblia que não se pode mostrar o contrario. Deus devia está bêbado quando a
digitou. mas a natureza não tem erro, exceto anomalia. Não é a ciência que deve
adaptar-se a Bíblia, mas a sua interpretação que deve se adaptar as teorias
científicas. O texto que se segue é parte de uma carta enviada por Galileu a
Benedetto Castelli, o seu discípulo predileto. Na verdade, não se trata de um
documento particular, pois, para discutir o delicado problema das relações
entre ciência e a fé – de grande atualidade depois das descobertas astronômicas
produzidas pelo telescópio -, Galileu voluntariamente escolheu o gênero
literário epistolar (cartas), seja porque era menos comprometedor, seja porque
essas cartas, copiadas e amplamente distribuídas no ambiente científico e cultural,
cumpriam o papel hoje desempenhado pelas revistas cientificas.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A BÍBLIA PODE ATÉ CONTER ALGUMAS
VERDADES, MAS PODE SER MAL-INTERPRETADA.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quanto a questão levantada pela
Sereníssima Senhora, parece-me muito prudentemente ela tenha afirmado... que as
Sagradas Escrituras não podem nunca mentir ou se enganar, sendo sua proposição
absoluta e inviolávelverdade. Eu só teria acrescentado que, se bem que as escrituras
não possam enganar-se, não se pode excluir o caso de se enganarem alguns de
seus interpretes e comentadores, de diversas maneiras.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
NEM SEMPRE O VERDADEIRO
SIGNIFICADO DE UMA FRASE COINCIDE COM O SENTIDO LITERAL.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Entre essas maneiras haveria uma
muito grave e frequente: querer ater-se ao significado literal das palavras.
Assim, efetivamente, não só se manifestariam diversas contradições mas também
se incorreria em graves heresias e até mesmo em blasfêmias, posto que seria
necessário atribuir a Deus pés, mãos e olhos, além de sensações físicas e
emoções típicas do homem, como a ira, o remorso, o ódio e até o esquecimento
das coisas passadas e a ignorância das futuras.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
OS PROFETAS EMPREGARAM UMA
LINGUAGEM FIGURADA PARA FAZER-SE ENTENDER PELOS SEUS CONTEPORÂNEOS.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Como nas Escrituras existem
muitas afirmações que, atendendo-se as palavras, apresentam um conteúdo
diferente do real, mas que assim saõ formuladas para se adaptar à ignorância do
povo, necessário, para aqueles ppucos que merecem ser separados do povo ignario,
que os comentadores exponham sensatamente o verdadeiro significado e expliquem
igualmente os motivos pelos quais se utilizou uma forma particular para um
determinado conteúdo.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A BÍBLIA NÃO EXPÕE VERDADES
CIENTÍFICAS&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Dado que as
Escrituras, em muitas passagens, não só são capazes de transmitir conteúdos
diferentes do significado literal das palavras como têm necessidade de fazê-lo,
parece-me que nas discussões de caráter científico elas deveriam ser deixadas
de lado.&amp;nbsp;(A Bíblia e a
natureza pode até ser obras de Deus, mas primeira pode ser mal compreendida, o
que já seria um erro de Deus escrever para que não saberá nunca ler, mas a
natureza pode ser estudada cientificamente e não existe analfabeto para ler
esse livro.)Portanto, Em caso de controvérsia, é mais razoável confiar nhoque
sugere a natureza.)&amp;nbsp;Visto que as
Sagradas Escrituras e a natureza têm a mesma origem no verbo divino, as primeiras
ditadas pelo Espirito Santo, a segunda obediente executora dos desígnios de
Deus; visto que estamos todos de acordo quanto ao fato de que, nas Escrituras,
utiliza-se uma linguagem para que todos possam entende-las, e que o significado
literal das palavras é muitas vezes diferente da verdade absoluta; visto ainda
que a natureza é inexorável e imutável, e de nenhuma maneira está interessada
na explicação que os seres humanos, com os seus limitados instrumentos, possam
dar aos seus recônditos fins e aos seus modos de operar, porque nunca se afasta
da lei a que está submetida; visto enfim tudo isso, pode-se razoavelmente
concluir, diante daquilo que os fenômenos naturais ou a sensata experiência
colocam diante dos nossos olhos, ou das deduções a que chegamos com rigorosa
experiências, que não existe qualquer motivo para levantar duvidas, contrapondo
trechos das Escrituras que aparentemente sustentam o contrario, posto que toda
proposição das Escrituras não está vinculada à obediência rigorosa de uma lei,
como é o caso dos fenômenos naturais.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
MUITAS
PASSAGENS DA BIBLIA OU QUASE TODA ELA DEVE SER INTERPRETADA EM SENTIDO
METAFÓRICO.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Antes, se para
o simples proposito de adaptar à capacidade de compreensão de povos rústicos e
incultos as Escrituras encobriram os seus dogmas basilares, atribuindo ao
próprio Deus condições distantes e contrarias à sua &amp;nbsp;natureza, quem poderá asseverar que,
renunciando aquele proposito, ao falar mesmo que incidentalmente da Terra, do
Sol ou de qualquer outra criatura, elas tenham escolhido ater-se com maior
rigor ao significado restrito e limitado das palavras?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
PARA SEREM
COMPREENDIDOS, OS PROFETAS TIVERAM QUE SE ATER AOS CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS DA
ÉPOCA.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ainda mais
porque teriam afirmado a proposito dessas criaturas, coisas muito distantes da
proposição geral das Sagradas Letras, coisas tais que, se apresentadas como verdades
nuas e cruas, inevitavelmente comprometeriam o seu fim ultimo, tornando o povo
mais resistente a receber as mensagens que dizem respeito à salvação divina da
alma.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
UMA OBSERVAÇÃO
CIENTIFICA NATURAL É MAIS SEGURA DO A MAIS PERFEITA INTERPRETAÇÃO DA&amp;nbsp;BÍBLIA&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Estando as
coisas assim e, além do mais, sendo óbvio que duas verdades não podem entrar em
oposição entre si, é tarefa dos comentadores prudentes empenhar-se em descobrir
o verdadeiro significado dos trechos das Escrituras conforme as conclusões a que
se chega por meio da observação da natureza, e verdadeiras e seguras porque
evidentes para os sentidos ou deduzidas a partir de demonstrações
metodologicamente irrepreensíveis.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
EM CASO DE
DIVERGENCIA ENTRE A BIBLIA E A CIENCIA, PREVALECE A&amp;nbsp;OBSERVAÇÃO&amp;nbsp;CIENTÍFICA EM
QUE NEM MESMO O MAIS RUSTICO CRENTE PODE NEGAR.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E mais: posto
que, como eu disse,mesmo se ditadas pelo Espírito Santo, as Escrituras, pelas
razões citadas, apresentam em muitos pontos exposições cujo verdadeiro
significado está muito longe do literal, e, por outro lado, também não podemos
afirmar com certeza que todos os interpretes falam sob a mesma inspiração de
Deus, a mim pareceria mais prudente impedir a quem quer que seja de vincular
todas as passagens das Escrituras como se, em um certo sentido, houvesse a
obrigação de dar respostas verdadeiras aos fenômenos naturais, depois que os
sentidos ou as demonstrações cientificas chegaram a conclusões contrarias. Quem
quer impor limites ao engenho humano? Quem desejará afirmar que no mundo já se
sabe tudo o que existe para saber?...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
AS VERDADES
QUE DEVEM SER BUSCADAS NA&amp;nbsp;BÍBLIA&amp;nbsp;SÃO DE TIPO ÉTICO RELIGIOSO.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sou de opinião
que a autoridade das Sagradas Escrituras tenha se colocado como único objetivo
persuadir os homens acerca de questões que, sendo necessárias à salvação e
transcendendo as possibilidades da linguagem humana, não podiam, por outro
saber ou outro meio, se mostra criveis senão pela boca do próprio Espirito
Santo.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
NÃO EXISTE NA&amp;nbsp;BÍBLIA&amp;nbsp;QUALQUER DOUTRINA&amp;nbsp;ASTRONÔMICA.Mas não me
parece que seja crível que Deus – que nos deus o dom dos sentidos, da
inteligência e da linguagem – tenha desejado fazer com que deixássemos de lado
esses dons para nos levar a conhecer por meio de outros instrumentos,
principalmente as ciências, que recebem nas Escrituras um tratamento totalmente
irrelevante e fragmentário. Esse é o caso da astronomia, que aparece de modo
tão sumário que não são apresentados nem mesmo o nome dos planetas. Por outro
lado, se os primeiros escritores sagrados tivessem a intenção de comunicar ao
povo a verdade acerca da disposição e do movimento dos corpos celestes, não
teriam falado pouco a respeito; isto é o mesmo que não dizer
nada sobre as continuas, complexas e admiráveis conquistas que caracterizam a
ciência.&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/5887209502305166991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/08/galileu-biblia-deve-ser-interpretada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/5887209502305166991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/5887209502305166991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/08/galileu-biblia-deve-ser-interpretada.html' title='GALILEU: A Bíblia deve ser interpretada'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-3030420971292589550</id><published>2012-08-10T04:21:00.001-07:00</published><updated>2012-08-10T04:21:09.492-07:00</updated><title type='text'>Luis Magno Alencar: Entrevista com o escritor do livro &quot;O santo-do-pau...</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;http://poetaluismagnoalencar.blogspot.com/2012/08/entrevista-com-o-escritor-do-livro-o_6.html?spref=bl&quot;&gt;Luis Magno Alencar: Entrevista com o escritor do livro &quot;O santo-do-pau...&lt;/a&gt;: LM : CLÁUDIO, VOCÊ SABE QUE É ALVO DE COMENTÁRIOS AVERSOS E POSITIVOS POR CAUSA DA TUA OBJEÇÃO OPINITIVA FORA DO CONVENCIONAL, DIGAMOS, P...</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/3030420971292589550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/08/luis-magno-alencar-entrevista-com-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/3030420971292589550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/3030420971292589550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/08/luis-magno-alencar-entrevista-com-o.html' title='Luis Magno Alencar: Entrevista com o escritor do livro &quot;O santo-do-pau...'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-4055319491520985673</id><published>2012-07-18T12:17:00.003-07:00</published><updated>2012-07-18T12:17:40.389-07:00</updated><title type='text'>Minto que fascina</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
Minto que fascina&lt;br /&gt;
Claudio Fontana Teles de Carvalho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
UCA ...............! Con este grito creó la primera lengua escrita, el lenguaje rayado, rayado, espontáneo, no artificial. Yo no inventé la escritura gráfica, pero yo soy su necesidad, su razón de ser. Fue un grito solitario en el desierto más poblado. Yo soy la ola, donde el artista que se encuentre navegando por romper las leyes de la fe y la razón. The Best. Esto es sólo un resumen de Uuuaauuuuuuuuuuuu! Fue cuando yo estaba en Egipto, que lloré por primera vez. Recuerdo como si fuera hoy Uuuaauuuuuuuuuuuu! En realidad, fue cuando vi la primera pirámide terminada. Ese mismo día se esconden la lápida allí. La primera frase de esta fase nadie entendió lo que dije. Todos miraban a mí cuando me habló, y lo he dicho Parla! (Fala!) para que el triángulo grande tan fuerte y rígido listo para ser abierto. Bellas obras sólo tienen que ser ... Sólo puede ser propiedad de los nobles, el prelado que se contenta con las contemplan. Con mi Aauuuuuuuuuuuuuuuuuuu! Dijo una voz en la boca de ellos, que convenció al Presidente de que se trataba de una obra maestra, algo divino, porque es imprescindible para hacer el coño ir a mendigar en la esquina de las musas de mi padre que me llevaron Egeu.Fui Acalantide para desafiar a las hijas de del mar Egeo a cantar mucho mejor, porque la sangre de Piero corría por sus venas. Sabía que iba a ser un ruiseñor Acalantide. Ronda de la Mujer, con experiencia, Más allá de la corteza de ajo. Un grupo de Cualiras tapó los oídos cuando estaba en la base de Ambrosia Diner Dionisio me ofreció en su yate cuando volví de la aventura de haber pegado un palo del tamaño de un caballo en todas las troiada. Por supuesto, no dejar que mi buena Penélope de Carvalho da Silva Xavier y Pau Brasil se traslada a Silva, pero oír la lira de las Musas. Hice un hermoso discurso es claro, pero sólo dicen que como ya he dicho más de en frente. El rey no mata al rey, para esto es que usted tiene los vasallos. Entonces me dio el honor de romper el sello de la pirámide hermosa que hasta entonces era virgen y que se acaba de inmediato todos.Peguei ser penetrado por la prensa, me puse el ángulo donde el búho duerme. Sócrates llegó a Grecia para jugar en el Corinthians, pero sólo es necesario el talón de Aquiles para inmortalizar en su Epístola a los Corintios. Corinthians ganó la America 2012. Tomó descenso de Sócrates al infierno para que al mando de los libertadores en el Corinthians. Pues bien, el infierno es una palabra que hace que los cristianos sienten un caliente y maloliente baba de la cola a los talones de Aquiles. Así que en lugar del infierno, yo uso una metonimia, quién sabe: Hade o la gente Unidas Mortos.Tem la piel de gallina con mi hurra hoy. En Galilea, tuvo que gritarle a otra Muuuuuuun tono! Se trata de un Judio, debido a la brasileña grito noreste del Sur meeeeeeeeeeee es &#39;! Meeeeee Este es un grito de Dionisos en el temor de perder su ambrosía que desciende hacia el Atlántico hasta la mansión de Poseidón. Poseidon viven en el Atlántico Sur frente a la costa de beber cerveza Maranhão en la playa de San Luis Nada costera frente, ya que está muerto para comer el sepulturero. Fue una plaga infernal de estos profetas que predijeron que me volvería a repetir en todo el mundo, hurra. Como se rompió la barrera del tiempo yo no lo sabía, pero tenía que hacer sin tiempo para comprender. Después de eso me hizo empezar al principio y todo lo que es ahora A y Z. Tu eres de ti mismo y yo, ser un esclavo de la Flor de Mimosa de Isis sexy Silva Pau Madera de roble Fort Príapo Telescopio Silvas, que estoy loco. Goddess&#39;m realmente un lobo. Atrapados los corderitos y les encanta y lo odio cuando ese tonto pastor es que el pastoreo no caer en mi arma poderosa encantar a todos. Este pastor se pone un libro negro que narra la historia de mi y dice que es historia. Este es mi grito tan famoso en poco tiempo. Es la palabra de moda y de todas las edades. Pero como científico y hombre de todas las estaciones, ahora cuando quiero tomar un cordero grito un grito mejorada y apropiada en el Fifiuuuuuuuuuuuuuuuuuu tiempo! Cada tipo de mujer que espera un Fifiuuuuuuuuu oído en su vida.&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/4055319491520985673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/07/minto-que-fascina_18.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/4055319491520985673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/4055319491520985673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/07/minto-que-fascina_18.html' title='Minto que fascina'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-115998373124592058</id><published>2012-07-18T12:13:00.001-07:00</published><updated>2012-07-18T12:13:55.541-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br /&gt;
Minto that fascinates&lt;br /&gt;
Claudio Fontana Teles de Carvalho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
AAU ...............! With this cry created the first written language, language scratched, scuffed, spontaneous, not contrived. I did not invent writing graphic, but I&#39;m your need, your reason for being. It was a lonely cry in the wilderness most populous. I am the wave where the artist who surfs break the laws of faith and reason. The Best. This is only a summary of Uuuaauuuuuuuuuuuu! It was when I was in Egypt that I cried the first time. I remember like it was today Uuuaauuuuuuuuuuuu! It was actually when I saw the first completed pyramid. That same day they hide the Headstone there. The first sentence of this phase no one understood what I said. They were all looking at me when I spoke, and so I said Parla! (Fala!) for that big triangle so strong and stiff ready to be opened. Fine works only have to be ... It can only be owned by nobles, the prelate who is content to contemplate them. With my Aauuuuuuuuuuuuuuuuuuu! Said one voice in the mouths of these, I convinced the President that it was a masterpiece, something divine because it is imperative to make the pussy go and beg at the corner of the muses of my father who took me Egeu.Fui Acalantide to challenge the daughters of Aegean to sing much better, because Piero&#39;s blood flowed in his veins. I knew it would be a Acalantide Nightingale. Women&#39;s round, experienced, Past the bark of garlic. A bunch of Cualiras stopped up my ears when I was on the basis of Ambrosia Diner Dionysus offered me on his yacht when I returned from the adventure of having stuck a stick the size of a horse in all troiada. Of course not let my good Penelope de Carvalho and da Silva Xavier Pau Brazil Moves to Silva, but I hear Lyre of the Muses. I made a beautiful speech is clear, but only say as I said over in front. King does not kill the King, for this is that you have the vassals. Then he gave me the honor of breaking the seal of the beautiful pyramid which hitherto was a virgin and that was just immediately todos.Peguei being penetrated by the press, I put the angle where the owl sleeps. Socrates came from Greece to play for Corinthians, but only needed the Achilles heel to immortalize in his Epistle to the Corinthians. Corinthians won the 2012 America. It took Socrates&#39; descent into hell to there commanding the deliverers in Corinthians. Well, hell is a word that makes Christians feel a hot and smelly goo off the tail to the Achilles&#39; heels. So instead of hell, I use a metonymy, who knows: Hade or the United Mortos.Tem people get goose bumps with my hurray today. In Galilee had to yell at another tone Muuuuuuun! This to be a Jew because of the Brazilian Northeast South Mééééééééééée cry is&#39;! Méééééé This is a cry of Dionysus in fear of losing their Ambrosia that descends to the Atlantic up to the mansion of Poseidon. Poseidon live in the South Atlantic off the coast of Maranhão drinking beer on the beach in San Luis Coastal Nothing against since it is dead to eat the Gravedigger. It was a hellish plague of these prophets who predicted that I would echo around the world hurray. As he broke the barrier of time I did not know, but I had to make Timeless to understand. After that I did get started at the beginning and everything is now A and Z. Your you are of yourself and I, being a slave of the Mimosa Flower of Isis Sexy silva Pau Oak Wood Fort Priapus Telescope Silvas, I&#39;m Mad. Goddess&#39;m really a wolf. Caught the little lambs and they love it and hate it when that pastor sucker is herding them not to fall on my mighty weapon enchant all. This pastor gets a black book that tells my story and says it&#39;s Story. This is my cry so famous in no time. It is the buzz word and every age. But as a scientist and man of all seasons, now when I want to take a lamb I scream a scream improved and appropriate at the time Fifiuuuuuuuuuuuuuuuuuu! Every type of woman expects a Fifiuuuuuuuuu heard in your life.&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/115998373124592058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/07/minto-that-fascinates-claudio-fontana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/115998373124592058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/115998373124592058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/07/minto-that-fascinates-claudio-fontana.html' title=''/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-4180634215746032257</id><published>2012-07-17T04:35:00.001-07:00</published><updated>2012-07-18T12:09:38.798-07:00</updated><title type='text'>Minto que fascina</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #c00000; font-family: &#39;MV Boli&#39;; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;MINTO QUE FASCINA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #c00000; font-family: &#39;MV Boli&#39;; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Cláudio Fontana Teles de Carvalho&lt;a href=&quot;http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=8579865043561397490&quot; name=&quot;_GoBack&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #1f497d; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;AAU...............!&lt;/span&gt;
Com esse grito criei a primeira linguagem escrita, linguagem riscada, arranhada,
espontânea, não rebuscada. Eu não inventei a escrita gráfica, mas sou a sua
necessidade; sua razão de ser. Foi um grito solitário no deserto mais povoado.
Sou a onda onde o artista que surfa quebrará as leis da fé e da razão. The
Best. Esse é só uma síntese de Uuuaauuuuuuuuuuuu! Foi quando estive no Egito
que gritei pela primeira vez. Lembro-me como se fosse hoje Uuuaauuuuuuuuuuuu!
Na verdade foi quando eu vi a primeira pirâmide concluída. Foi nesse mesmo dia
em que ocultamos a Pedra Angular ali mesmo. A primeira frase dessa fase que eu
disse ninguém entendeu. Ficaram todos me olhando quando eu a pronunciei e de modo que eu disse:
Parla! (fala!), para aquele enorme triângulo tão forte e rígido pronto para ser
inaugurado. Belas obras só têm que ser...Só pode ser possuída por nobres, a prelada
que se contente em contemplá-las. Com meu Aauuuuuuuuuuuuuuuuuuu! Dito uníssono
na boca dos presentes, eu convenci o Presidente de que aquilo foi uma obra
prima, coisa divina porque é imperativo para fazer a viadagem correrem e
suplicar ao canto das musas de meu sogro Egeu.Fui eu quem levou Acalantide a
desafiar as filhas de Egeu que cantaria muito melhor, pois o sangue de Piero
corria em suas veias. Eu sabia que Acalantide seria um Rouxinol. Mulher rodada,
experimentada, Passada na casca do alho. Um bando de Cualiras taparam meus
ouvidos quando eu estava no Jantar a base de Ambrósia que Dionísio me ofereceu
no seu iate quando eu voltava da aventura de ter enfiado um pau do tamanho de
um cavalo na troiada toda. É claro que não deixarei minha Penélope boa de
Carvalho e de Pau Brasil da Silva Xavier que Move Silva, mas a Lira das musas
eu ouvirei. &amp;nbsp;Fiz um belo discurso é
claro, mas só digo como disse mais na frente. Rei não mata Rei, para isso é que
tem os vassalos. Então ele me concedeu a honra de quebrar o lacre da belíssima pirâmide
que até então era virgem e que de imediato foi logo sendo penetrada por todos.Peguei
de prima, botei no ângulo onde dorme a coruja. Sócrates veio da Grécia para jogar no Corinthians, mas só
precisou do calcanhar de Aquiles para se imortalizar com sua&amp;nbsp;epístola&amp;nbsp;aos Corintos.
Corintos ganhou a América em 2012. Foi preciso que Sócrates descesse ao inferno
para de lá comandar o&amp;nbsp;Corinthians&amp;nbsp;na libertadores. Bom, inferno é palavra que faz
os cristãos sentir uma meleca quente e fedorenta descer do rabo até os
calcanhares de Aquiles. Por isso, em vez de inferno, devo usar uma metonímia,
quem sabe: Hade ou Reino dos Mortos.Tem gente que fica arrepiada com meu hurra
até hoje. Na Galileia tive que gritar com outro tom Muuuuuuun! Isso para ser um
judeu do Nordeste brasileiro porque os do Sul gritam é Mééééééééééée´! Esse
Méééééé é um grito de Dionísio com medo de perder sua Ambrósia que desce ao
Atlântico de pé para a mansão de Poseidon. Poseidon mora no atlântico sul na
costa maranhense bebendo cerveja na Praia da Litorânea em São Luís. Nada contra
desde que se faz de morto para comer a coveira. Foi um peste desses profetas
infernais que previu que meu hurra ecoaria no mundo inteiro. Como ele quebrou a
barreira do tempo eu não sabia, mas tive que me tornar Atemporal para entender.
Depois que entendi comecei começar pelo começo e tudo é, agora é A e Z. você é Teu de
si mesmo e eu, por ser um escravo da Mimosa&amp;nbsp;
Flor de Ísis de Gostosa da silva de Pau de Carvalho Madeira Forte Príapo
Telescópio da Silvas, sou Maluco. De Deusa sou mesmo um Lobo. Pego as ovelhinhas
e elas adora e odeia quando aquele pastor otário fica tangendo elas para não
cair na minha arma poderosa que a todas Encante. Esse pastor pega um livro de capa preta que conta a minha história e diz que isso é Estória. Esse meu grito é tão
famoso na época qualquer. É a palavra da moda e de todas as épocas. Mas como um
cientista e homem de todas as épocas, quando quero hoje pegar uma ovelhinha eu
grito um grito melhorado e adequado à época Fifiuuuuuuuuuuuuuuuuuu! Toda tipo
de mulher espera ouvi um Fifiuuuuuuuuu na sua vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Sou Mito para uns e Minto para outros.Minto,
virei mitologia egípcia de cabeça para baixo. Andei com os morcegos. Por umas e
outras peripécias me prenderam por elas e, por elas me libertaram. Hoje estou
no Paraíso Perdido. Hoje me chamam de Cajado do Peladão que fica no meio dos
Triangulo das Calcinhas e infinitamente longe dos Triangulo das Bermudas. Ficar
preso ou não depende de quem está no comando. Disseram-me isso. Ficaram
horrorizados quando eu disse que dependia de que era o comandado e não dependia
de quem estava no comando. Malandro da política.Hoje sou o guardião da 5º seção
do Thuat no mundo dos que não precisão de ressurreição. Por opção, porque senão
como eu poderia está mais perto deminha secretária que é a maluca daTeka-Hra.
Teka-era, teca é, Teca, Tereza, Calada e Nenhuma é uma Trindade de Responsa
porque é a única que se pode escolher quatro caminhos que pode levar ou não ao Paraíso:
Teca, Tereza, Calada e Nenhuma. Teca, que gosta de gravar sua assinatura, muito
bem registrada no cartório de primeiro oficio, com o k para substituir c, mania
de tempo de ser internacionalmente, em tempo de intenet... Ela é responsável
pela seção oposta a minha. Mania de mulher sem sentimento. Ele não precisa me
desafiar para provar que sou mesmo mais forte apesar da necessidade. Às vezes
adoro e ela me adora. Mas algumas Afroditianas, deixei no Olímpio por causa da
sujeira do capitalismo americano que tornou o ar muito realista. Realidade é
coisa de doido. Algumas Afroditianas por ser somente a sua principal
característica a sua única forma de lutar pela sua existência. Madalena foi o
nome que deram para ela hoje, mas eu não sou aquele Jesus não. Sou Hétero Heterônimo
da Rosa. Eu a peguei. Acontece é que Madalena dos amáveis cristãos me chamam de
Demônio, e, o nome da minha Instituição, eles as chamam de Inferno. É que houve
um erro de Homonia da Grafia da Rainha de Palavras sonora de Bomdia da
Noite vadia. Erro astrológico, convencional, é que o Inverno ficava comigo, mas
no inferno é outono. Ficou mais fácil trocar&amp;nbsp;
Falso pelo Verdadeiro. Foi assim que foi feito do InFerno, um
InVerno.&amp;nbsp; Um Inferno! &amp;nbsp;É disse jesus a seu pai que esse negocio de
criar uma prisão infernal para os homens foi uma ideía infernal mais ridícula para
nós frente nós ao Homem, esse inferno do Inferno tá cheia de gentes. Tudo vai
pra la´. Então seu pai lhes disse quem não pode vencer o inimigo, junte se a
ele enquanto ele te propões um termo. Um verdadeiro rei sabe reconhecer o rei
vencedor. Quando idealizei esse mundo, fiz com leis próprias, para quer
pudesse me curar de um desejo incontrolado de ser lembrado como um nome único
para tudo o que a acontece com qualquer coisa. Que me atribuísse tudo que
possível, até mesmo se impossível for. Mas fui chamado de Dimas. Fizeram me
crer que da minha ideia eu faço minha destruição. Como? Eu vou me destruir com
uma idéia que tenho de não ver minha morte? Essas leis... Dizem que sou rico porque
não pago imposto e que Alcapone é chefe de gabinete. Depois eu te conto como um
cristão ferveroso, bem contaminado pelo vírus da crista custa que previu que
sua Pedra Angular não resistiria ao terceiro canto do Galo de Cristona. Me espere
no próximo poste!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/4180634215746032257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/07/minto-que-fascina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/4180634215746032257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/4180634215746032257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/07/minto-que-fascina.html' title='Minto que fascina'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-4837403089073718691</id><published>2012-07-07T05:05:00.001-07:00</published><updated>2012-07-07T05:05:19.262-07:00</updated><title type='text'>Mais inteligente é o eleitor de esquerda</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;
Quanto mais inteligente, mais à esquerda (&lt;a href=&quot;http://www.psychologytoday.com/blog/the-scientific-fundamentalist/201003/why-liberals-are-more-intelligent-conservatives&quot; style=&quot;text-decoration: none;&quot;&gt;&lt;strong&gt;gráfico do Psychology Today, via Aldeia Gaulesa&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;strong&gt;&lt;a href=&quot;http://www.aldeiagaulesa.net/2012/02/pessoas-de-esquerda-sao-mais.html&quot; style=&quot;text-decoration: none;&quot;&gt;Pessoas de esquerda são mais inteligentes que as de direita, aponta estudo&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;
Um polêmico estudo canadense que inclui dados coletados por mais de 50 anos, diz que as pessoas com opiniões políticas de direita, tendem a ser menos inteligentes do que as de esquerda. Ao mesmo tempo, adverte que as crianças de menor inteligência tendem a desenvolver pensamentos racistas e homofóbicas na idade adulta.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;
A pesquisa foi realizada por acadêmicos da Universidade Brock, em Ontário, e coletou a informação em mais de 15 mil pessoas, comparando o seu nível de inteligência encontrado na infância com os seus pensamentos políticos como adultos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os dados analisados ​​são dois estudos no Reino Unido em 1958 e 1970. Eles mediram a inteligência das crianças com idade entre 10 e 11 anos. Em seguida, são monitorados para descobrir suas posições políticas após 33 anos de idade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;
“As habilidades cognitivas são fundamentais na formação de impressões de outras pessoas e ter a mente aberta. Indivíduos com menores capacidades cognitivas gravitar em torno de ideologias conservadoras que mantêm as coisas como elas são, porque isso as fornece um senso de ordem”, dizem no estudo publicado no Journal of Psychological Science.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;
Segundo as conclusões da equipe, as pessoas com menor nível de inteligência gravitam em torno de pensamentos de direita, porque esse os faz sentir mais seguros no poder, o que pode se relacionaa com o seu nível educacional, inclui o jornal britânico.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;
Mas esta não é a única conclusão a que chegou o estudo.&amp;nbsp;Analisados dados de um estudo de 1986 nos Estados Unidos sobre o preconceito contra os homossexuais, descobriu-se que pessoas com baixa inteligência detectado na infância tendem a desenvolver pensamentos ligados ao racismo e homofobia.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;
“As ideologias conservadoras representam um elo crítico através do qual a inteligência na infância pode prever o racismo na fase adulta. Em termos psicológicos, a relação entre inteligência e preconceitos podem ser derivadas de qual a probabilidade de indivíduos com baixas habilidades cognitivas apoiarem com ideologias de direita, conservadoras, porque eles oferecem uma sensação de estabilidade e ordem “, acrescentou.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;
“No entanto, é claro que nem todas as pessoas pessoas prejudicadas são conservadoras”, disse a equipe de pesquisa.&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/4837403089073718691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/07/mais-inteligente-e-o-eleitor-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/4837403089073718691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/4837403089073718691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/07/mais-inteligente-e-o-eleitor-de.html' title='Mais inteligente é o eleitor de esquerda'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-3998357757489715507</id><published>2012-06-29T07:39:00.002-07:00</published><updated>2012-06-29T07:39:18.668-07:00</updated><title type='text'>A loucura de Cristo e as dos cristãos</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;A loucura de cristo e as dos
cristãos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O PROBLEMA: Em que consiste uma
vida autenticamente cristã? Qual o limite entre a loucura patológica e a
estultice do conformista?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A TESE: A irracionalidade nem
sempre é negativa e nem sempre as normas sociais são compatíveis com uma vida
autenticamente cristã. O mesmo se a distinção é muitas vezes problemática,
existem dois tipos de loucura: a primeira é dos poderosos, daquele que reduzem
o Cristianismo à observância dos ritos; a segunda é loucura dos cientistas e
dos aventureiros que desafiam o desconhecimento por um amor ao conhecimento, é
principalmente aquela dos verdadeiros cristãos, que abandonam tudo e às vezes
chegam mesmo a transgredir os costumes sociais para imitar &lt;i&gt;a loucura da cruz&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O que quer que os mortais geralmente digam de mim, e não ignoro quanta
má fama tem a loucura entre os mais loucos, porém, digo que sozinho acalmo com
a minha influencia homens de deuses. E a prova mais convincente é que logo que
aqui cheguei, diante dessa numerosa numerosa assembleia, todos os rotos
imediatamente se iluminaram de nova e insólita alegria, e logo as vossas
frontes se desnuviaram, aplaudindo com um sorriso de tão encantadora alegria,
que todos os presentes que aqui contemplo me parecem bêbados como os deuses de
Homero... quando antes&amp;nbsp; estáveis
sentados, tristes e preocupados, como se estivésseis saído há pouco do antro de
Trofônio. ( o filho de Apolo). ( veja que a loucura pode se apresentar com um
rosto feliz)&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E como acontece quando o Sol
mostra à Terra o seu belo rosto dourado, ou como depois de um duro inverno, de
novo, na primavera, o zéfiro sopra a suave carícia, num átimo tudo muda &lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;_GoBack&quot;&gt;&lt;/a&gt;de aspecto. O que grandes oradores podem a custo conseguir,
com longos discursos longamente meditados, eu obtive num instante, somente com
a minha presença: mandastes embora o tormento das preocupações... (veja que a
experiência da loucura pode ser fonte de regeneração)&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O próprio Cristo, que é a
sabedoria do Pai, de uma certa maneira se fez estulto ele mesmo para vir em
socorro à loucura humana, quando, assumindo a natureza humana, se apresentou
como homem; do mesmo modo que se fez pecado, para nos redimir do pecado.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E então quis nos redimir senão
com a loucura da cruz, valendo-se de apóstolos idiotas e obtusos aos quais
deliberadamente prescreveu a insipiência, afastando os da sabedoria,
chamando-os a seguir o exemplo das crianças, dos lírios, da mostarda e dos
passarinhos ( todas elas, coisas estúpidas e desprovida de inteligência, que
vivem graças somente à orientação da natureza, sem artificies, sem
ansiedade)... A escolha de Cristo, de encarnar-se em um homem também poderia
ser uma forma de loucura.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas, para não prosseguir ao
infinito e para oferecer-vos a essência da coisa, na minha opinião toda
religião cristã tem uma espécie de parentesco com a loucura e absolutamente não
se dá bem com a sabedoria. Quereis prova? Observai, em primeiro lugar, como
aqule que mais encontra prazer nas funções sagradas e em todas as coisa da
religião, que se acostam sempre aos altares, são jovens, velhos, mulheres
ignorantes. É a mãe natureza que nos impele a isso, é sabido; e nada mais. ( o
ritualismos exasperado pode levar a uma forma de loucura).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;
Em segundo lugar, vede todos aqueles fundadores primeiros da religião;
eles abraçavam uma vida de extraordinária simplicidade e eram inimigos
irreconciliáveis da cultura. (pode se dizer com isso que louca também a vida
dos profetas).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Finalmente, não existem loucos
mais desvairados do que aqueles que alguma vez se deixaram tomar pelo ardor da
piedade cristã: dissipando os seus bens, sem se preocupar com as ofensas,
deixando se enganar, não distinguindo amigos dos inimigos, tendo horror ao
prazer, alimentando-se de jejuns, vigília, lágrimas, labutas e injúrias,
desinteressado da vida, não ansiando senão a morte; resumindo, tornando-se,
parece, absolutamente insensível ao senso comum, como se o seu espirito
estivesse noutro lugar, e não dentro do corpo. E o que é isso senão loucura?
Não é de surpreender que os apóstolos parecessem bêbados de vinho doce, ou que
São Paulo tenha parecido louco ao juiz Festo. (portanto, loucura é uma vida
verdadeiramente cristã)&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/3998357757489715507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/06/loucura-de-cristo-e-as-dos-cristaos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/3998357757489715507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/3998357757489715507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/06/loucura-de-cristo-e-as-dos-cristaos.html' title='A loucura de Cristo e as dos cristãos'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-3181401436169387869</id><published>2012-06-19T08:27:00.003-07:00</published><updated>2012-06-19T08:27:51.826-07:00</updated><title type='text'>ESPINOSA: Deus é a natureza</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Filho de uma abastada família de
judeus espanhóis que se refugiara na Holanda para escapar da perseguição da
Inquisição católica, Baruch Espinosa nasceu em Amsterdã, estudou na escola
hebraica e completou a sua educação como um livre-pensador de formação
católica. O conhecimento do latim deu-lhe acesso aos clássicos da filosofia e
às obras dos autores modernos (Descartes, Bacon, Hobbes), mas à medida que ia
delineando o seu original sistema filosófico cresceram os atritos com a
comunidade judaica de Amsterdã, que cada vez mais via naquele jovem brilhante e
excessivamente original um perigo para a ortodoxia religiosa. O &lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;_GoBack&quot;&gt;&lt;/a&gt;conflito intelectual culminou com a excomunhão: Espinosa foi
expulso da sinagoga, abadonado pelos amigos judeus e mesmo pelos parentes ( a
irmã tentou tirar-lhe a herança paterna). Um fanático tentou apunhala-lo e
somente sua juvenil agilidade do filósofo evitou o pior. Banido de sua
comunidade, refugiou-se em um pequeno vilarejo perto de Amsterdã e começou a ganhar
a vida trabalhando como polidor de lentes ópticas. Apesar dos parcos recursos
com os quais passou a viver, sempre defendeu coerentemente suas idéias,
rejeitando os prêmios e as compensações oferecidas por nobres admiradores
católicos. Em 1673, recusou o convite para ensinar na Universidade de
Heidelberg, na Alemanha, considerando que qualquer encargo profissional oficial
teria limitado a sua liberdade de pensamento. Morreu de tubérculos três anos
depois, com apenas 44 anos.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para Espinosa, Deus não é separável
do mundo, mas coincide com ele. Esta conclusão estabeleceu uma irremediável
fratura entre o filósofo e a tradição judaico-cristã, que concebia deus como um
ente criador e preexistente ao mundo, uma pessoa distinta do mundo.&lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O PROBLEMA: como é possível
definir a natureza de Deus?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A TESE: da definição de Deus como
substancia (&lt;i&gt;aquilo que não precisa de
nada para existir)&lt;/i&gt; decorre uma série de considerações: Deus é único,
perfeito, autossuficiente, dotado de infinitos atributos, que só em parte os
homens conseguem perceber e compreender. Aparentemente, trata-se de afirmações
pouco originais, muito semelhantes às que são feitas pela tradição teológica
cristã. No entanto, Espinosa, exatamente pela identificação inicial entre ações
de Deus e substancia, atribui a essas proposições significados novos e
incompatíveis com as doutrinas cristã e hebraica. Se efetivamente Deus é a
única substancia, deve coincidir com o mundo, porque, de outro modo, existiria
outra substancia material e corpórea distinta e diferente Dele. Fazendo uma
releitura do antigo panteísmo, Espinosa sustenta que Deus é a natureza e a
natureza é Deus. E, posto que Deus é infinito, assim também deve ser a
natureza, não obstante nos pareça finita e determinada. O fato é que a nossa
mente só consegue capitar dois dos infinitos atributos (o pensamento e a
extensão) do Deus-natureza.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Dizemos que Deus é um ser de que
tudo se pode afirmar, ou seja, que possui um numero infinito de atributos, cada
um dos quais, na sua especificidade, é infinitamente perfeito.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para que o nosso pensamento se
expresse claramente, apresentaremos quatros proporções: 1 não existe uma
substancia finita, mas cada substancia deve ser infinitamente perfeita no seu
gênero , o que quer dizer que no intelecto infinito de deus não pode existir
nenhuma substancia mais perfeita do que aquela que já existe na natureza; 2)
não existem duas substancias iguais; 3) uma substancia não pode produzir uma
outra; 4) no intelecto de Deus não existe nenhuma substancia que não exista
formalmente na natureza. (Essas são as quatros proposições relativas ao
conceito de substância)&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
No que concerne à primeira
proposição, ou seja, que não existe uma substancia finita, se alguém sustentar
o contrario, nós lhe perguntaremos: essa substancia é limitada por si, quis ela
mesmo ser limitada, e não ilimitada? Ou, melhor, ela é limitada pela sua causa,
que não pôde ou não quis dar-lhes mais? ( a inexistência de uma substancia
finita decorre da definição de substancia: “aquilo que não precisa de nada para
existir).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A primeira alternativa não é
verdadeira, porque é impossível que uma substância tenha por si só desejado
limitar-se, principalmente uma substancia que exista por si mesma. Então, eu
digo, deve ser limitada pela sua causa, que é necessariamente Deus. Ora, se for
limitada pela sua causa, isto se deve ao fato de que esta causa não pôde ou não
quis dar-lhe mais. Isso parece indicar ciúme: o que é impossível em deus, que é
todo bondade e plenitude. (É impensável uma substancia que se limite por si só,
somente deus poderia limitá-la, mas seria um Deus impotente e ciumento).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nós demonstraremos a segunda
proposição – de que não existem duas substancias iguais -, dizendo que cada
substancia é perfeita no seu gênero, posto que, se existisse duas substancias
iguais, uma limitaria a outra e, neste caso, a substancia não seria infinita,
como demonstramos anteriormente. (se a substancia é infinita, não é mais
possível pensar em uma pluralidade de substancias. A substancia é única).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;No que concerne ao terceiro ponto – uma
substancia não produz outra -, se alguém quisesse sustentar o contrario, nós
perguntaríamos: a causa que produziria essa substancia teria os mesmos
atributos da que é produzida ou não? A segunda hipótese é impossível, uma vez
que nada é produzido do nada. Resta porem, a primeira. Então perguntaremos
novamente: no atributo, que seria a causa do produto, a perfeição é igual? Ou,
então, é maior ou menor do que no produto? Não pode ser menor pelas razões já
apresentadas. Não pode ser maior porque senão o outro seria limitado, o que
contraria o que foi por nós demonstrado. Portanto, a perfeição deveria ser
igual e, consequentemente, as duas substancias seriam iguais, também
contrariando claramente a demonstração anterior. ( dada a definição inicial de
substancia, se uma substancia produzisse uma outra, esta deveria ser idêntica à
primeira, até coincidir com ela)&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Além disso, aquilo que foi criado
não pode ter sido criado do nada, devendo necessariamente ter sido criado a
partir de alguma coisa existente: mas que a criatura possa provir de alguma
coisa sem que resulte minimamente diminuída, isso nossa intelecto não pode
compreender. (tanto a hipótese cristã de que o mundo foi criado do nada por
Deus quanto a hipótese neoplatônica da emanação são impensáveis.)&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Por ultimo, se quisermos reportar
a uma causa a substancia que é principio das coisa que nascem da sua
propriedade, nós temos que buscar a causa dessa causas, e de novo a causa dessa
causa, ao infinito. De modo que, sendo preciso no final parar e repousar em algum
lugar será preciso fazê-lo nessa substancia única. (Deus, a Substancia,
Matéria, não é causado por nada, porque é causa de si mesmo)&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O quarto ponto – de que não
existem substancia ou atributo no intelecto infinito de Deus, além daqueles que
existem formalmente na natureza -, nós demonstramos: 1) com a potencia infinita
de Deus, que faz com que nele não possa existir causa que o determine a criar
uma coisa em vez de outra; 2) com a simplicidade da vontade; 3) com o argumento
de que Deus não pode deixar de fazer tudo o que é bom; 4) com o argumento de
que aquilo que ainda não é não pode jamais ser, posto que uma substancia não
pode criar outra substancia. (Em Deus, a Substancia da inteira realidade, ou
Matéria, ou outro nome que queira chamar, n~qao pode existir nada mais do que
existe na natureza)&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Disso tudo decorre que da
natureza afirma-se tudo absolutamente – em outras palavras, que a natureza é
composta de infinitos atributos, cada um dos quais é infinitamente perfeito no
seu gênero: o que corresponde plenamente a definição que se dá de deus. (Deus e
natureza é a mesma coisa)&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sobre o que dissemos ha pouco –
ou seja, que não existe nada no intelecto infinito de deus que não esteja
formalmente na natureza -, alguém assim objetará: se deus já criou tudo, não
poderia mais criar nada. Mas vai contra a sua onipotência que que deus não
possa criar mais nada. (pode-se objetar que a coincidência de Deus com a
natureza de certo modo limita deus).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Admitimos como primeiro ponto,
que deus não pode criar mais nada. Como segundo ponto reconhecemos que, se deus
não pudesse criar tudo o que é suscetível de ser criado, isto contradiria a sua
onipotência, mas nõadmitimos que seja o contrário à sua onipotência não pode
criar aquilo que é em si mesmo contraditório: como dizer que ele criou tudo e
ainda pode criar alguma coisa. Euma perfeição muito maior deus ter criado o que
está em seu intelecto do que não ter criado, ou jamais poder cria-lo. (mas deus
é necessidade e já deve ter criado tudo o que é possível ser criado).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas porque insistir tanto? Não se
deve argumentar do mesmo modo quanto à oniciencia de deus? Se deus sabe tudo
ele não pode saber mais nada, mas que deus não possa saber mais nada écontrário
a sua perfeição. Novamente, se deus tem tudo no seu infinito intelecto, e pela
sua infinita perfeição não pode saber mais nada, por que não podemos dizer que
tudo o que tem intelecto Ele produziu e fez, de tal forma que tudo aquilo
existe ou existirá formalmente na natureza? (não é blasfêmia afirmar que Deus
não pode aprender nada, porque isso decorre da sua onisciência).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Posto que sabemos que tudo está
igualmente no intelecto de Deus e que não existe motivo para que Ele tivesse de
criar uma coisa antes da outra – podendo ter pronunciado tudo no mesmo momento
-, vejamos se não poderíamos, de nossa parte, usar contra os nossos adversários
as mesmas armas que usam contra nós. Assim: se Deus jamais pode criar sem que
Lhe restem outras coisas para criar, ele não pode de fato criar aquilo que
poderia; mas, que Ele não possa criar aquilo que pode criar, é contraditório.
Logo, as razões pelas quais afirmamos que todos os atributos que estão na
natureza são um único ser, e não diversos entes, são as seguintes: (pensar que
o mundo foi criado por Deus no tempo, em etapas sucessivas, leva a insanáveis
contradições)&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoListParagraphCxSpFirst&quot; style=&quot;mso-list: l0 level1 lfo1; text-align: justify; text-indent: -18.0pt;&quot;&gt;
&lt;!--[if !supportLists]--&gt;1)&lt;span style=&quot;font-size: 7pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Nós
já descobrimos que deve existir um ser infinito e perfeito, e por tal só se
pode entender um ser que tenha uma certa essência deve ter atributos e, quanto
mais essência lhe for atribuída, mais atributos lhe deve ser conferidos; e,
logicamente, se esse ser, é infinito, deve ter um numero infinito de atributos,
e é exatamente por isso que chamamos de ser infinito. (sob infinitos atributos,
a natureza (deus) consiste em uma única substancia).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoListParagraphCxSpMiddle&quot; style=&quot;mso-list: l0 level1 lfo1; text-align: justify; text-indent: -18.0pt;&quot;&gt;
&lt;!--[if !supportLists]--&gt;2)&lt;span style=&quot;font-size: 7pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;A
unidade que vemos na natureza: se existissem mais seres distintos, um não
poderia comunicar-se com o outro. (a comunicação entre seres distintos da
natureza implica a sua unidade).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoListParagraphCxSpMiddle&quot; style=&quot;mso-list: l0 level1 lfo1; text-align: justify; text-indent: -18.0pt;&quot;&gt;
&lt;!--[if !supportLists]--&gt;3)&lt;span style=&quot;font-size: 7pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Nós
já vimos que uma substancia não pode produzir uma outra e que se uma substancia
não existe é impossível que comece a existir. Todavia, não vemos, em nenhuma
das substancias que sabemos existir na natureza - , qualquer necessidade da sua
existência, de modo que a existência não pertence à sua essência tomada
separado: disso deve necessariamente resultar que a natureza, que não nasce de
nenhuma causa e que, todavia, nós bem sabemos que existe, deve ser um ente
perfeito a quem pertence a existência. (cada coisa na natureza tem uma causa,
mas a natureza no seu conjunto não pode ter uma causa. E posto que o que existe
sem ser causado é Deus, deus e a natureza coincidem).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoListParagraphCxSpMiddle&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoListParagraphCxSpMiddle&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De tudo que
vimos até agora, é evidente que nós afirmamos ser a extensão um atributo de Deus,
o que parece incompatível com a essência de um ser perfeito. Visto ser a
extensão divisível, o ser perfeito se comporia em partes, o que parece
incompatível com deus, que é um ser simples. Além disso, a extensão, quando é
dividida, encontra-se no estado passivo, o que é ainda mais incompatível com a
essência de Deus, que não é passivo e nada pode sofrer de outro sujeito, uma
vez que ele mesmo é causa primeira eficiente de todas as coisas... ( a extensão
é um atributo da natureza de Deus).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoListParagraphCxSpMiddle&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoListParagraphCxSpMiddle&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Depois de ter
discutido sobre a essência de deus, só nos falta falar dos seus atributos, ou
seja, daqueles que nos são conhecidos e são em numero de dois – pensamento e
extensão -, posto que falamos aqui somente dos atributos que podem ser
verdadeiramente chamados de atributos de Deus e pelos quais nós o conhecemos em
si mesmo. (pensamento e extensão são os dois atributos de deus).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoListParagraphCxSpMiddle&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoListParagraphCxSpMiddle&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tudo aquilo que
os homens atribuem a deus fora desses dois atributos e que efetivamente se
aplica a ele deve ser ou uma denominação extrínseca – por exemplo, ele existe
por si mesmo, é único, eterno, imutável, e assim por diante – ou, então, puras
operações, por exemplo: Ele é causa predestinante, regulador de todas as
coisas. O que na verdade é totalmente próprio de Deus, sem que, todavia, se
possa aprender o que seja ele... (pensamento e extensão são as duas únicas
manifestações de Deus compreensíveis ao homem)&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoListParagraphCxSpMiddle&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoListParagraphCxSpLast&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Devemos brevemente
distinguir a natureza em duas partes: a natureza naturante e a natureza
naturada. Por natureza naturante entendemos um ser que, por si mesmo, sem ajuda
de nenhuma outra coisa (com todas as propriedades ou atributos que já
descrevemos), é conhecido clara e distintamente. Esse é deus. (Deus é definível
como natureza naturante (criadora) e natureza naturada (criada).&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/3181401436169387869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/06/espinosa-deus-e-natureza.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/3181401436169387869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/3181401436169387869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/06/espinosa-deus-e-natureza.html' title='ESPINOSA: Deus é a natureza'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-1276978094526408819</id><published>2012-06-13T07:09:00.000-07:00</published><updated>2012-06-13T07:09:14.620-07:00</updated><title type='text'>Falácia do Elo perdido</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;background-color: black; color: yellow; font-family: ARIAL;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;center&gt;&lt;span style=&quot;background-color: black; color: yellow; font-family: ARIAL;&quot;&gt;&lt;b&gt;O &quot;ELO PERDIDO&quot; FOI ENCONTRADO?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;span style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Se cada vez que um criacionista faz essa pergunta surgisse um elo de metal, já haveria quantidade suficiente para forjar uma corrente que chegaria até a Lua. Curiosamente, pouquíssimos evolucionistas usam esse termo, e em poucas ocasiões, quase sempre num sentido bem diferente. Isso ocorre por que &quot;Elo Perdido&quot; NÃO é um conceito evolutivo. Não é um termo técnico usado para designar aquilo que é melhor referido como &quot;lacuna&quot; no registro fóssil, na melhor hipótese.&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Portanto, quando alguém faz essa pergunta, é difícil saber o que tem em mente, mas uma coisa fica clara: Sua ignorância no assunto. Em geral é apenas um criacionista tentando empurrar a velha falácia da inexistência de fósseis transicionais, que existem aos milhares, mas são negados com o&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.evo.bio.br/LAYOUT/GALINHAOVO.HTML&quot;&gt;Argumento da Descontinuidade&lt;/a&gt;, que examinaremos mais adiante.&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;É muito difícil saber como surgiu o termo &quot;elo perdido&quot;, mas de certo foi numa época em que a Teoria da Evolução ainda não estava suficiente desenvolvida e com seus termos técnicos bem definidos. O termo costuma ser usado para se referir a uma &quot;espécie transicional&quot; entre duas outras, que serviria de ligação evolutiva. Na maioria das vezes refere-se à ligação entre a espécie humana e seu ancestral hominídeo, ou melhor dizendo, se referiria, porque normalmente quem usa esse termo ainda pensa que&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.evo.bio.br/LAYOUT/MACACO.HTML&quot;&gt;o homem veio do macaco&lt;/a&gt;.&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Porém, a má intenção já está evidenciada na palavra &quot;perdido&quot;, ou seja, o termo quase sempre é usado com pressuposição de que não existem evidências que corroborem a evolução das espécies, em especial da espécie humana. Assim, a pergunta além de maliciosa, é estúpida.&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;color: yellow;&quot;&gt;Se o &quot;elo&quot; já tivesse sido encontrado não estaria &quot;perdido&quot;!&lt;/span&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Observe também que há uma tremenda diferença em usar o termo com um artigo definido, ou indefinido. Quando alguém que tem conhecimento sobre o assunto diz &quot;um elo perdido&quot;, normalmente está se referindo a um estágio intermediário qualquer que ainda não esteja claro no registro fóssil. Por vezes até pode-se dizer &quot;o elo perdido&quot;, mas sempre num sentido indefinido, como por exemplo &quot;o elo perdido&quot; entre o&amp;nbsp;&lt;i&gt;homo habilis&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e o&amp;nbsp;&lt;i&gt;homo ergaster&lt;/i&gt;, que são espécies fósseis bem próximas entre si, mas que ainda podem admitir um estágio intermediário.&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;No entanto, mesmo esse uso é no mínimo desaconselhável, porque além do termo ser perpetuamente condenado a estar desaparecido, não faria sentido usar o termo &quot;elo perdido&quot; numa amostra de série evolutiva que tenha seus estágios bem conhecidos, ainda por cima ele faz uma pressuposição ainda mais incerta, de que deveria haver uma espécie específica, quando na verdade pode haver várias, ou dependendo do caso, nenhuma.&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Em outras palavras, entre uma espécie&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;color: yellow;&quot;&gt;&lt;b&gt;1&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;e uma espécie&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;color: yellow;&quot;&gt;&lt;b&gt;2&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;, não necessariamente tem que haver uma espécie&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;color: yellow;&quot;&gt;&lt;i&gt;1.5&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;, pois poderia haver&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;color: yellow;&quot;&gt;&lt;i&gt;1.2&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;,&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;color: yellow;&quot;&gt;&lt;i&gt;1.4&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;,&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;color: yellow;&quot;&gt;&lt;i&gt;1.6&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;etc.&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Portanto, afirmar que existe um &quot;elo perdido&quot; entre duas espécies conhecidas, é proclamar antecipadamente a existência de uma espécie tal que se encaixe naquela lacuna, que pode nem sequer existir, mesmo porque podemos estar errados na concepção da linhagem evolutiva entre elas. Por exemplo:&lt;center&gt;&lt;img src=&quot;http://www.evo.bio.br/LAYOUT/Cavalo-evo.PNG&quot; /&gt;&lt;/center&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Quem pensa em termos de &quot;elo perdido&quot;, tem a tendência a imaginar que se trata do grande&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;color: yellow;&quot;&gt;&lt;b&gt;X&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;da série acima. Como se cada elemento da série fosse um elo de um corrente imaginária com apenas uma única ausência, provavelmente porque a diferença entre essas espécies parece maior do que entre as outras. No entanto, o fato de estarmos satisfeitos com os demais elementos da série não impede que ainda existam espécies desconhecidas entre elas, os demais&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;color: yellow;&quot;&gt;x&lt;/span&gt;. E nem mesmo que entre essas existam ainda outras!&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Ou seja, ao invés de um &quot;elo&quot;, poderia haver vários elos entre as espécies que já conhecemos, e pior! Poderia haver nenhum, mesmo entre espécies que parecem muito diferentes, porque é perfeitamente possível que tenha havido um salto evolutivo mais drástico do que esperamos, até mesmo com o possível nascimento de um mutante que não chegou a configurar uma espécie de muitos indivíduos, mas sim tendo feito uma transição muito mais rápida.&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Assim, já temos um problema que passa desapercebido por muito criacionistas, e por muitos evolucionistas também. Embora normalmente existam &quot;espécies&quot; intermediárias, se forçarmos ainda mais as gradações, podemos chegar a intervalos cada vez menores que não sejam preenchidos por uma outra espécie, mas sim por uns poucos, ou mesmo um único indivíduo, que faria a transição. Isso ocorre porque esse mutante teria uma aparência ligeiramente diferente de seus genitores, e sua prole teria uma aparência mais diferente ainda.&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Além de tudo isso, normalmente as séries evolutivas não são lineares. Pode haver não um &quot;elo&quot;, mas uma ramificação &quot;perdida&quot;, pois o mais comum é vermos evidências fósseis que ficam melhor organizadas na forma de árvore, como se segue:&lt;center&gt;&lt;img src=&quot;http://www.evo.bio.br/LAYOUT/Cavalo-evo1.PNG&quot; /&gt;&lt;/center&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Podemos imaginar a espécie mais a esquerda como o ancestral de uma linhagem que vai até a superior direita, mas muitas vezes podemos nos enganar achando que uma espécie deriva de um ramo, quando na verdade vem de outro, e muitas vezes uma espécie similar pode não ser uma ancestral, e sim uma espécie paralela. A simples montagem de uma árvore depende de haver evidências suficientes para se conseguir visualizar uma linhagem. É como tentar montas um quebra-cabeça com diversas peças faltando, dependendo de quantas tivermos, podemos montá-lo deixando poucos espaços vazios, ou podemos deixar grandes espaços, ou nem ser possível montar coisa alguma.&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Os criacionistas, curiosamente, quase sempre usam a expressão &quot;elo perdido&quot; não como um conceito que possa se aplicar a casos distintos, mas como se isso se referisse a uma única espécie hipotética. É como se algum dia evolucionistas tivessem proclamado: &quot;Temos uma série quase completa de espécies intermediárias entre A e B, falta achar apenas uma única.&quot; Mas como já vimos, essa situação, que seria a única onde um &quot;elo perdido&quot; faria sentido, é praticamente absurda.&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Portanto, não há um &quot;elo perdido&quot; entre humanos e macacos, porque&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.evo.bio.br/LAYOUT/MACACO.HTML&quot;&gt;os humanos não evoluíram dos macacos&lt;/a&gt;, e sim de hominídeos que não eram macacos. Também não existe um &quot;elo perdido&quot; entre os humanos e esses hominídeos, porque o conceito em si, como já vimos, não faz sentido. Pode haver estágios desconhecidos, que provavelmente nunca serão totalmente desvendados.&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Note que, inclusive, pressupor um &quot;elo perdido&quot; seria na verdade pressupor um grande trunfo, e um triunfo, da pesquisa evolutiva, porque significaria o conhecimento de uma linhagem completa, faltando apenas um único detalhe! É muito curiosa essa abordagem, que pretende insinuar que a evolução está dependendo de uma única prova que nunca foi encontrada, de alguém que costuma afirmar que ela depende de inúmeras outras!&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Enfim, &quot;elo perdido&quot; é um conceito que não faz sentido. Os evolucionistas não estão em busca de elos perdidos e quando se referem ao mesmo normalmente é de uma forma ilustrativa. Não há um &quot;elo perdido&quot; entre os humanos e os hominídeos implorando para ser encontrado. Há uma vasta, progressiva e muito bem documentada coleção de evidências fósseis que mapeiam um quadro evolutivo bastante coerente, embora ainda incompleto. Além do mais, muitas vezes as espécies de transição não estão sequer extintas, podem ser espécies ainda vivas.&lt;/dd&gt;&lt;dd style=&quot;background-color: black; color: cyan; font-family: ARIAL;&quot;&gt;Só quem busca um &quot;elo perdido&quot; é o criacionista, não para encontrá-lo, e sim pelo contrário, feliz em pensar que existe uma perpétua frustração por isso, que como já vimos, não tem outra intenção do que afirmar a inexistência de fósseis que evidenciem o processo evolutivo.&lt;center&gt;&lt;span style=&quot;color: lime;&quot;&gt;&lt;b&gt;Marcus Valerio XR&lt;br /&gt;19 de Fevereiro de 2009&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/dd&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/1276978094526408819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/06/falacia-do-elo-perdido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/1276978094526408819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/1276978094526408819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/06/falacia-do-elo-perdido.html' title='Falácia do Elo perdido'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-1169124275837292090</id><published>2012-06-12T15:09:00.000-07:00</published><updated>2012-06-12T15:09:53.661-07:00</updated><title type='text'>Os Nove Desconhecidos e o livros do saber universal</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;A
tradição dos Nove Desconhecidos remonta à época do imperador Ashoka, que
governou as Índias a partir do ano 273 a.C. Era neto do Chandragunta, primeiro
unificador da Índia. Cheio de ambição como o seu antepassado, cuja tarefa quis
completar, empreendeu a conquista de Kalinga, que se estendia desde a atual
Calcutá até Madras. Os “kalinganeses” resistiram e perderam cem mil homens na
batalha. O espetáculo dessa multidão massacrada transtornou Ashoka. Ficou, para
todo o sempre, com horror à guerra. Renunciou a prosseguir na integração dos
países insubmissos, declarando que a verdadeira conquista consiste em captar a
estima dos homens pela lei do dever e da piedade, pois a Majestade Sagrada
deseja que todos os seres animados usufruam de segurança, liberdade, paz e
felicidade. Convertido ao budismo e devido à sua maneira de agir, Ashoka
espalhou esta religião através das Índias e do seu império, que ia até à
Malásia, Ceilão e Indonésia. Depois o budismo chegou ao Nepal, Tibete, China e
Mongólia. No entanto, Ashoka respeitava todas as seitas religiosas. Aconselhava
os homens a serem vegetarianos, aboliu o álcool e o sacrifício de animais. H.
G. Wells, no seu sumário da história universal, escreve: “Entre as dezenas de
milhares de nomes de monarcas que se amontoam nos pilares da história, o de
Asoka brilha quase isolado, como uma estrela”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Diz-se que, consciente dos horrores da guerra, o imperador Ashoka quis proibir
para sempre aos homens que utilizassem a inteligência de uma forma prejudicial.
Sob o seu reinado, a ciência da natureza passou a ser secreta, tanto passada
como futura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;As pesquisas, indo da estrutura da matéria às técnicas de psicologia coletiva,
esconder-se-ão, dali em diante e durante vinte e dois séculos, atrás do rosto
místico de um povo que o mundo julga apenas preocupado com o êxtase e o
sobrenatural. Ashoka fundou a mais poderosa sociedade secreta do Universo: a
dos Nove Desconhecidos. Nove Homens, Nove livros, todo o conhecimento do
universo. Possuir um dos livros tornaria um dos nove seres mais fortes do
mundo. Os nove, o mais forte da Terra. Todos os segredos residem nos Nove
Livros que Ashoka fez questão de ocultar. Entretanto, como o portador de um
livro teria um profundo respeito por outro portador, sendo que jamais tentariam
roubá-los um do outro. Assim eles eram repassados de geração em geração, exceto
pelo portador do livro que possuía a chave da imortalidade, que segundo a lenda
continua a ser o mesmo desde o inicio da sociedade secreta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Continua a dizer-se que os grandes responsáveis pelo atual destino da Índia – e
sábios como Bose e Ram acreditam na existência dos Nove Desconhecidos – deles
recebiam conselhos e mensagens. Com alguma imaginação, é possível avaliar-se a
importância dos segredos que poderiam guardar nove homens beneficiando
diretamente das experiências, dos trabalhos, dos documentos acumulados durante
mais de duas dezenas de séculos. Quais os objetivos que esses homens têm em
vista? Não deixar cair em mãos profanas os meios de destruição. Prosseguir as
investigações benéficas para a humanidade. Esses homens seriam renovados por
cooptação a fim de defender os segredos técnicos de um passado longínquo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;São raras as manifestações exteriores dos Nove Desconhecidos. Uma delas está
ligada ao prodigioso destino de um dos homens mais misteriosos do Ocidente: o
papa Silvestre II, conhecido sob o nome de Gerbert d’Aurillac. Nascido em
Auvergne no ano 920, falecido em 1003, Gerbert foi monge beneditino, professor
da universidade de Reims, arcebispo de Ravena e papa por mercê do imperador
Otão III. Teria passado algum tempo em Espanha, depois, uma misteriosa viagem
tê-lo-ia levado até às Índias, onde captara diversos conhecimentos que causaram
assombro no seu séquito. Também possuía, no seu palácio, uma cabeça de bronze
que respondia SIM ou NÃO às perguntas que ele lhe fazia sobre a política e a
situação geral da cristandade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Na opinião de Silvestre II (volume CXXXIX da Patrologia Latina, de Migne), esse
processo era muito simples e correspondia ao cálculo feito com dois números.
Tratar-se-ia de um autómato análogo às nossas modernas máquinas binárias. Essa
cabeça “mágica” foi destruída quando da sua morte, e os conhecimentos trazidos
por ele cuidadosamente escondidos. A biblioteca do Vaticano proporcionaria sem
dúvida algumas surpresas ao investigador autorizado. O número de Outubro de
1954 de Computers and Automation, revista de cibernética, declara: “Temos de
imaginar um homem de um saber extraordinário, de uma destreza e de uma
habilidade mecânica fora do comum. Essa cabeça falante teria sido feita “sob
determinada conjunção das estrelas que se dá exatamente no momento em que todos
os planetas estão prestes a iniciar o seu percurso”. Não se tratava nem de
passado, nem de presente, nem de futuro, pois aparentemente essa invenção
ultrapassava de longe a importância da sua rival: o perverso “espelho sobre a
parede” da rainha, precursor dos nossos modernos cérebros automáticos. Houve
quem dissesse, evidentemente, que Gerbert apenas foi capaz de construir
semelhante máquina porque mantinha relações com o Diabo e lhe jurara eterna
fidelidade”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Teriam outros europeus estado em contato com essa sociedade dos Nove
Desconhecidos? Foi preciso esperar pelo século XIX para que reaparecesse este
mistério, através dos livros do escritor francês Jacolliot.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Jacolliot era cônsul de França em Calcutá na época de Napoleão III. Escreveu
uma obra de antecipação considerável, comparável, se não superior, à de Jules
Verne. Deixou, além disso, várias obras consagradas aos grandes segredos da
humanidade. Essa obra extraordinária foi roubada pela maior parte dos
ocultistas, profetas e taumaturgos. Completamente esquecida em França, é
célebre na Rússia. Jacolliot é formal: a Sociedade dos Nove Desconhecidos é uma
realidade. E o mais estranho é que cita a este respeito técnicas absolutamente
inimagináveis em 1860, como seja, por exemplo, a libertação da energia, a
esterilização por meio de radiações e a guerra psicológica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Yersin, um dos mais próximos colaboradores de Pasteur e de Roux, teria sido
informado de segredos biológicos por ocasião da sua viagem a Madras, em 1890,
e, segundo as indicações que lhe teriam sido dadas, preparou o soro contra a
peste e a cólera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;A primeira divulgação da história dos Nove Desconhecidos deu-se em 1927, com a
publicação do livro de Talbot Mundy, que pertenceu, durante vinte e cinco anos,
à polícia inglesa das Índias. Esse livro está a meio caminho entre o romance e
a investigação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Os Nove Desconhecidos utilizariam uma linguagem sintética. Cada um deles
estaria de posse de um livro constantemente renovado e contendo o relatório
pormenorizado de uma ciência. O primeiro destes livros seria consagrado às
técnicas da propaganda e da guerra psicológica. “De todas as ciências, diz
Mundy, a mais perigosa seria a do controle do pensamento dos povos, pois
permitiria governar o mundo inteiro”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;É de notar que a Semântica Geral, de Korjybski, apenas data de 1937 e que foi
necessário aguardar a experiência da última guerra mundial para que
principiassem a cristalizar-se no Ocidente as técnicas da psicologia da
linguagem, quer dizer, da propaganda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;O primeiro colégio de semântica americano só foi criado em 1950. Em França,
apenas conhecemos A Violação das Multidões, de Serge Tchokhotine, cuja
influência nos meios intelectuais e políticos foi importante, apesar de só ao
de leve tocar no assunto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;


&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;O segundo
livro seria consagrado à psicologia. Falaria especialmente na maneira de matar
um homem ao tocar-lhe, provocando a morte pela inversão do influxo nervoso.
Diz-se que o judô deriva de certos trechos dessa obra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;O
terceiro estudaria a microbiologia e especialmente os colóides de proteção. O
quarto trataria da transmutação dos metais. Diz uma lenda que nas épocas de
fome, os templos e os organizações religiosas de proteção recebem de uma fonte
secreta enormes quantidades de ouro muito fino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;O quinto incluía o estudo de todos os meios de comunicação, terrenos e
extraterrenos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;


&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;O sexto
continha os segredos da gravitação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;O sétimo
seria a mais vasta cosmogonia concebida pela nossa humanidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;O oitavo
trataria da luz, do eletromagnetismo e do magnetismo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;O nono
seria consagrado à sociologia, indicaria as leis da evolução das sociedades e
permitiria a previsão da queda. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;À lenda
dos Nove Desconhecidos está ligado o mistério das águas do Ganges. Multidões de
peregrinos, portadores das mais pavorosas e diversas doenças, ali se banham sem
prejuízo para os de boa saúde. Dizem que as águas sagradas purificam tudo.
Pretenderam atribuir essa estranha propriedade do rio à formação de
bacteriófagos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas por que motivo não se formariam eles igualmente no Bramaputra, no Amazonas
ou no Sena? A hipótese de uma esterilização por meio de radiações aparece na
obra de Jacolliot, cem anos antes de se saber possível um tal fenômeno. Essas
radiações, segundo Jacolliot, seriam originárias de um templo secreto cavado
sob o leito do Ganges. Técnicas conhecidas hoje pela nossa Ciência para
profileração e oxidação de microorganismos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Afastados das agitações religiosas, sociais e políticas, resoluta e
perfeitamente dissimulados, os Nove Desconhecidos encarnam a imagem da ciência
calma, da ciência com consciência. Senhora dos destinos da humanidade, mas
abstendo-se de utilizar o seu próprio poder, essa sociedade secreta é a mais
bela homenagem possível à liberdade em plena elevação. Vigilantes no âmago da
sua glória escondida, esses nove homens vêem fazer-se, desfazer-se e tornar a
fazer-se as civilizações, menos indiferentes que tolerantes, prontos a
auxiliar, mas sempre sob essa imposição de silêncio que é a base da grandeza
humana. Mito ou realidade?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Há aqueles que arriscam uma teoria, uma das mais interessantes é essa:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;


&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;“O Vedas
possui diversos trechos que supostamente demonstram a interferência de um povo
alienígena convivendo com os indianos há muito tempo. Eram vistos como deuses
por possuir uma tecnologia avançadíssima. Esse povo passou para os indianos o
seu conhecimento. Porém despreparados, os humanos começaram a utilizar de modo
errado, como é o caso dos Vimanas ceifando milhares no campo de batalha com um
único ataque. O povo extraterreno (ou intraterreno) cansado dessa destruição,
retornou para casa. A matança continuou até o dia que Ashoka decidiu por um
fim. Dividiu o conhecimento entre os membros da sociedade e estes foram
ocultados para sempre e utilizados apenas quando necessário.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Texto
retirado do livro “O despertar dos Mágicos”, de Louis Pauwels e Jacques
Bergier.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/1169124275837292090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/06/os-nove-desconhecidos-e-o-livros-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/1169124275837292090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/1169124275837292090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/06/os-nove-desconhecidos-e-o-livros-do.html' title='Os Nove Desconhecidos e o livros do saber universal'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-3996224026448497739</id><published>2012-06-05T15:01:00.001-07:00</published><updated>2012-06-05T15:07:02.935-07:00</updated><title type='text'>Jesus Cristo nunca Existiu</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;http://ateus.net/artigos/critica/jesus-cristo-nunca-existiu/&quot;&gt;Jesus Cristo nunca Existiu&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
Jesus Cristo Nunca Existiu&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os pesquisadores que se dedicaram ao estudo das origens do cristianismo sabem que, desde o Século II de nossa era, tem sido posta em dúvida a existência de Cristo. Muitos até mesmo entre os cristãos procuram provas históricas e materiais para fundamentar sua crença. Infelizmente, para eles e sua fé, tal fundamento jamais foi conseguido, porquanto, a história cientificamente elaborada denota que a existência de Jesus é real apenas nos escritos e testemunhas daqueles que tiveram interesse religioso e material em prová-la.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Desse modo, a existência, a vida e a obra de Jesus carecem de provas indiscutíveis. Nem mesmo os Evangelhos constituem documento irretorquível. As bibliotecas e museus guardam escritos e documentos de autores que teriam sido contemporâneos de Jesus, os quais não fazem qualquer referência ao mesmo. Por outro lado, a ciência histórica tem-se recusado a dar crédito aos documentos oferecidos pela Igreja, com intenção de provar-lhe a existência física. Ocorre que tais documentos, originariamente, não mencionavam sequer o nome de Jesus; todavia, foram falsificados, rasurados e adulterados visando suprir a ausência de documentação verdadeira.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Por outro lado, muito do que foi escrito para provar a inexistência de Jesus Cristo foi destruído pela Igreja, defensivamente. Assim é que, por falta de documentos verdadeiros e indiscutíveis, a existência de Jesus tem sido posta em dúvida desde os primeiros séculos desta era, apesar de ter a Igreja tentado destruir a tudo e a todos os que tiveram coragem ousaram contestar os seus pontos de vista, os seus dogmas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Por tudo isso é que o Papa Pio XII, em 955, falando para um Congresso Internacional de História em Roma, disse: “&lt;em style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;Para os cristãos, o problema da existência de Jesus Cristo concerne à fé, e não à história&lt;/em&gt;”&lt;em style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Emílio Bossi, em seu livro intitulado “Jesus Cristo Nunca Existiu”, compara Jesus Cristo a Sócrates, que igualmente nada deixou escrito. No entanto, faz ver que Sócrates só ensinou o que é natural e racional, ao passo que Jesus ter-se-ia apenas preocupado com o sobrenatural. Sócrates teve como discípulos pessoas naturais, de existência comprovada, cujos escritos, produção cultural e filosófica passaram à história como Platão, Xenófanes, Euclides, Esquino, Fédon. Enquanto isso, Jesus teria por discípulos alguns homens analfabetos como ele próprio tê-lo-ia sido, os quais apenas repetiriam os velhos conceitos e preconceitos talmúdicos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Sócrates, que viveu 5 séculos antes de Cristo e nada escreveu, jamais teve sua existência posta em dúvida. Jesus Cristo, que teria vivido tanto tempo depois, mesmo nada tendo escrito, poderia apesar disso ter deixado provas de sua existência. Todavia, nada tem sido encontrado que mereça fé. Seus discípulos nada escreveram. Os historiadores não lhe fizeram qualquer alusão.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Além disso, sabemos que, desde o Século II, os judeus ortodoxos e muitos homens cultos começaram a contestar a veracidade de existência de tal ser, sob qualquer aspecto, humano ou divino. Estavam, assim, os homens divididos em duas posições: a dos que, afirmando a realidade de sua existência, divindade e propósitos de salvação, perseguiam e matavam impiedosamente aos partidários da posição contrária, ou seja, àqueles cultos e audaciosos que tiveram a coragem de contestá-los.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O imenso poder do Vaticano tornou a libertação do homem da tutela religiosa difícil e lenta. O liberalismo que surgiu nos últimos séculos contribuiu para que homens cultos e desejosos de esclarecer a verdade tentassem, com bastante êxito, mostrar a mistificação que tem sido a base de todas as religiões, inclusive do cristianismo. Surgiram também alguns escritos elucidativos, que por sorte haviam escapado à caça e à queima em praça pública. Fatos e descobertas desta natureza contribuíram decisivamente para que o mundo de hoje tenha uma concepção científica e prática de tudo que o rodeia, bem como de si próprio, de sua vida, direitos e obrigações.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A sociedade atualmente pode estabelecer os seus padrões de vida e moral, e os seus membros podem observá-los e respeitá-los por si mesmos, pelo respeito ao próximo e não pelo temor que lhes incute a religião. Contudo, é lamentavelmente certo que muitos ainda se conservam subjugados pelo espírito de religiosidade, presos a tabus caducos e inaceitáveis.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Jesus Cristo foi apenas uma entidade ideal, criada para fazer cumprir as escrituras, visando dar sequência ao judaísmo em face da diáspora, destruição do templo e de Jerusalém. Teria sido um arranjo feito em defesa do judaísmo que então morria, surgindo uma nova crença. Ultimamente, têm-se evidenciado as adulterações e falsificações documentárias praticadas pela Igreja, com o intuito de provar a existência real de Cristo. Modernos métodos como, por exemplo, o método comparativo de Hegel, a grafotécnica e muitos outros, denunciaram a má fé dos que implantaram o cristianismo sobre falsas bases com uma doutrina tomada por empréstimos de outros mais vivos e inteligentes do que eles, assim como denunciaram os meios fraudulentos de que se valeram para provar a existência do inexistente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
É de se supor que, após a fuga da Ásia Central, com o tempo os judeus foram abandonando o velho espírito semita, para irem-se adaptando às crenças religiosas dos diversos povos que já viviam na Ásia Menor. Após haverem passado por longo período de cativeiro no Egito, e, posteriormente, por duas vezes na Babilônia, não estranhamos que tenham introduzido no seu judaísmo primitivo as bases das crenças dos povos com os quais conviveram. Sendo um dos povos mais atrasados de então, e na qualidade de cativos, por onde passaram, salvo exceções, sua convivência e ligações seria sempre com a gente inculta, primária e humilde. Assim é que, em vez de aprenderem ciências como astronomia, matemática, sua impressionante legislação, aprenderam as superstições do homem inculto e vulgar.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Quando cativos na Babilônia, os sacerdotes judeus que constituíram a nata, o escol do seu meio social, nas horas vagas, iriam copiando o folclore e tudo o que achassem de mais interessante em matéria de costumes e crenças religiosas, do que resultaria mais tarde compendiarem tudo em um só livro, o qual recebeu o nome de Talmud, o livro do saber, do conhecimento, da aprendizagem. Por uma série de circunstâncias, o judeu foi deixando, aos poucos, a atividade de pastor, agricultor e mesmo de artífice, passando a dedicar-se ao comércio.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A atividade comercial do judeu teve início quando levados cativos para a Babilônia, por Nabucodonosor, e intensificou-se com o decorrer do tempo, e ainda mais com a perseguição que lhe moveria o próprio cristianismo, a partir do século IV. Daí em diante, a preocupação principal do povo judeu foi extinguir de seu meio o analfabetismo, visando com isso o êxito de seus negócios. Deve-se a este fato ter sido o judeu o primeiro povo no meio do qual não haveria nenhum analfabeto. Destarte, chegando a Roma e a Alexandria, encontrariam ali apenas a prática de uma religião de tradição oral, portanto, terreno propício para a introdução de novas superstições religiosas. Dessa conjuntura é que nasceu o cristianismo, o máximo de mistificação religiosa de que se mostrou capaz a mente humana.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O judeu da diáspora conseguiu o seu objetivo. Com sua grande habilidade, em pouco tempo o cristianismo caiu no gosto popular, penetrando na casa do escravo e de seu senhor, invadindo inclusive os palácios imperiais. Crestus, o Messias dos essênios, pelo qual parece terem optado os judeus para a criação do cristianismo, daria origem ao nome de Cristo, cristão e cristianismo. Os essênios haviam-se estabelecido numa instituição comunal, em que os bens pessoais eram repartidos igualmente para todos e as necessidades de cada um tornavam-se responsabilidade de todos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Tal ideal de vida conquistaria, como realmente aconteceu, ao escravo, a plebe, enfim, a gente humilde. Daí, a expansão do cristianismo que, nada tendo de concreto, positivo e provável, assumiu as proporções de que todos temos conhecimento. Não tendo ficado restrita à classe inculta e pobre, como seria de se pensar, começou a ganhar adeptos entre os aristocratas e bem-nascidos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
De tudo o que dissemos, depreende-se que o cristianismo foi uma religião criada pelos judeus, antes de tudo como meio de sobrevivência e enriquecimento. Tudo foi feito e organizado de modo a que o homem se tornasse um instrumento dócil e fácil de manejar, pelas mãos hábeis daqueles aos quais aproveita a religião como fonte de rendimentos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Métodos modernos como, por exemplo, o método comparativo de Hegel, a grafotécnica, o uso dos isótopos radioativos e radiocarbônicos, denunciaram a má fé daqueles que implantaram o cristianismo, falsificando escritos e documentos na vã tentativa de provar o que lhe era proveitoso. Por meios escusos tais como os citados, a Igreja tornou-se a potência financeira em que hoje se constitui. Finalmente, desde o momento em que surgiu a religião, com ela veio o sacerdote que é uma constante em todos os cultos, ainda que recebam nomes diversos. A figura do sacerdote encarregado do culto divino tem tido sempre a preocupação primordial de atemorizar o espírito dos povos, apresentando-lhes um Deus onipotente, onipresente e, sobretudo, vingativo, que a uns premia com o paraíso e a outros castiga com o inferno de fogo eterno, conforme sejam boas ou más suas ações.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No cristianismo, encontraremos sempre o sacerdote afirmando ter o homem uma alma imortal, a qual responderá após a morte do corpo, diante de Deus, pelas ações praticadas em vida. Como se tudo não bastasse, o paraíso, o purgatório dos católicos e o inferno, há ainda que considerar a admissão do pecado original, segundo o qual todos os homens ao nascer, trazem-no consigo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Ora, ninguém jamais foi consultado a respeito de seu desejo ou não de nascer. Assim sendo, como atribuir culpa de qualquer natureza a quem não teve a oportunidade de manifestar vontade própria. Quanta injustiça! Condenar inocentes por antecipação. O próprio Deus e o próprio Cristo revoltar-se-iam por certo ante tão injusta legislação, se os próprios existissem.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;II&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
As Provas e as Contra Provas&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A Igreja serviu-se de farta documentação, conforme já mencionamos anteriormente, com intenção de provar a existência de Cristo. No entanto, a história ignora-o completamente. Quanto aos autores profanos que pretensamente teriam escrito a seu respeito, foram nesta parte falsificados. Por outro lado, documentos históricos demonstram sua inexistência. As provas históricas merecem nosso crédito, porque pertencem à categoria dos fatos certos e positivos, e constituem testemunhos concretos e válidos de escritores de determinadas escolas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A interpretação da Bíblia e da mitologia comparada não resiste a uma confrontação com a história. Flávio Josefo, Justo de Tiberíades, Filon de Alexandria, Tácito, Suetônio e Plínio, o Jovem, teriam feito em seus escritos, referências a Jesus Cristo. Todavia, tais escritos após serem submetidos a exames grafotécnicos, revelaram-se adulterados no todo ou em parte, para não se falar dos que foram totalmente destruídos. Além disso, as referências feitas a Crestus, Cristo ou Jesus, não são feitas exatamente a respeito do Cristo dos Cristãos. Seria mesmo difícil estabelecer qual o Cristo seguido pelos cristãos, visto que esse era um nome comum na Galileia e Judeia.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Segundo Tácito, judeus e egípcios foram expulsos de Roma por formarem uma só e mística superstição cristã. As expulsões ocorreram duas vezes no tempo de Augusto e a terceira vez no governo de Tibério, no ano 19 desta era. Tais expulsões desmentem a existência de Jesus, porquanto, ocorreram quando ainda o nome de cristão aplicava-se a superstição judaico-egípcia, a qual se confundiu com o cristianismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Filon de Alexandria, apesar de ter contribuído poderosamente para a formação do cristianismo, seu testemunho é totalmente contrário à existência de Cristo. Filon havia escrito um tratado sobre o Bom Deus — Serapis —, tratado este que foi destruído. Os evangelhos cristãos a ele muito se assemelham, e os falsificadores não hesitaram em atribuir as referências como sendo feitas a Cristo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os historiadores mostram que essa religião nasceu em Alexandria, e não em Roma ou Jerusalém. Fazem ver que ela nasceu das ideias de Filon que, platonizando e helenizando o judaísmo, escreveu boa parte do Apocalipse. A mesma transformação que o cristianismo dera ao judaísmo ao introduzir-lhe o paganismo e a idolatria, Filon imprimira a essa crença, até então apenas terapeuta, dando-lhe feição grega, de cunho platônico.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Embora tenha sido de certo modo o precursor do cristianismo, não deixou a menor prova de ter tomado conhecimento da existência de Jesus Cristo, o mago rabi, e isto é lógico porque o cristianismo só iria ser elaborado muito depois de sua morte.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Bastaria o silêncio de Filon para provar estarmos diante de uma nova criação mitológica, de cunho metafísico. Entretanto, escrevendo como cristão, os lançadores do cristianismo louvaram-se nas suas ideias e escritos. Tivesse Jesus realmente existido, jamais Filon deixaria de falar em seu nome, descreveria certamente sua vida miraculosa. Filon relata os principais acontecimentos de seu tempo, do judaísmo e de outras crenças, não mencionando, porém, nada sobre Jesus. Cita Pôncio Pilatos e sua atuação como Procurador da Judeia, mas não se refere ao julgamento de Jesus a que ele teria presidido.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Fala igualmente dos essênios e de sua doutrina comuna dizendo tratar-se de uma seita judia, com mosteiro à margem do Jordão, perto de Jerusalém. Quando no reinado de Calígula esteve em Roma defendendo os judeus, relata diversos acontecimentos da Palestina, mas não menciona nada a respeito de Jesus, seus feitos ou sua sorte e destino.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Filon, que foi um dos judeus mais ilustres de seu tempo, e sempre esteve em dia com os acontecimentos, jamais omitiria qualquer notícia acerca de Jesus, cuja existência, se fosse verdadeira, teria abalado o mundo de então. Impossível admitir-se tal hipótese, portanto.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Por isso é que M. Dide fez ver que, diante do silêncio de homens extraordinários como Filon, os acontecimentos narrados pelos evangelistas não passam de pura fantasia religiosa. Seu silêncio é a sentença de morte da existência de Jesus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O mesmo silêncio se estende aos apóstolos, assinala Emílio Bossi. Evidencia que tudo quanto está contido nos Evangelhos refere-se a personalidades irreais, ideais, sobrenaturais de inexistentes taumaturgos. O silêncio de Filon e de outros se estende não apenas a Jesus, mas também aos seus pretensos apóstolos, a José, a Maria, seus filhos e toda a sua família.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Flávio Josefo, tendo nascido no ano 37, e escrevendo até 93 sobre judaísmo, cristianismo terapeuta, messias e Cristos, nada disse a respeito de Jesus Cristo. Justo de Tiberíades, igualmente não fala em Jesus Cristo, conquanto houvesse escrito uma história dos judeus, indo de Moisés ao ano 50. Ernest Renan, em sua obra “Vie de Jesus”, apesar de ter tentado biografar Jesus, reconhece o pesado silêncio que fizeram cair sobre o pretenso herói do cristianismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os Gregos, os romanos e os hindus dos séculos I e II jamais ouviram falar na existência física de Jesus Cristo. Nenhum dos historiadores ou escritores, judeus ou romanos, os quais viveram ao tempo em que pretensamente teria vivido Jesus, ocupou-se dele expressamente. Nenhum dedicou-lhe atenção. Todos foram omissos quanto a qualquer movimento religioso ocorrido na Judeia, chefiado por Jesus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A história não só contesta a tudo o que vem nos Evangelhos, como prova que os documentos em que a Igreja se baseou para formar o cristianismo foram todos inventados ou falsificados no todo ou parte, para esse fim. A Igreja sempre dispôs de uma equipe de falsários, os quais dedicaram-se afanosamente a adulterar e falsificar os documentos antigos com o fim de pô-los de acordo com os seus cânones.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O piedoso e culto bispo de Cesareia, Eusébio, como muitos outros tonsurados, receberam ordens papais para realizar modificações em importantes papéis da época, adulterando-os e emendando-os segundo suas conveniências. Graças a esses criminosos arranjos, a Igreja terminaria autenticando impunemente sua novela religiosa sobre Jesus Cristo, sua família, seus discípulos e o seu tempo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Conan Doyle imortalizou o seu personagem, Sherlock Holmes, assim como Goethe ao seu Werther. Deram-lhes vida e movimento como se fossem pessoas reais, de carne e ossos. Muitos outros escritores imortalizaram-se também através de suas obras, contudo, sempre ficou patente serem elas pura ficção, sem qualquer elo que as ligue com a vida real. Produzem um trabalho honesto e honrado aqueles que assim procedem, ao contrário daqueles que deturpam os trabalhos assinados por eminentes escritores, com o objetivo premeditado de iludir a boa fé do próximo. E procedimento que, além de criminoso, revela a incapacidade intelectual daqueles que precisam se valer de tais meios para alcançar seus escusos objetivos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Berson, citado por Jean Guitton em “Jesus”, disse que a inigualável humildade de Jesus dispensaria a historicidade; entretanto, erigiu os Evangelhos como documento indiscutível como prova, o que a ciência histórica de hoje rejeita. Só depois de muito entrado em anos é que se tornaria indiferente para com a pirracenta crença religiosa dos seus antepassados, como aconteceu com mentes excepcionalmente cultas, tornadas ilustres pelo saber e pelo conhecimento e não apenas pelo dinheiro.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Diante da história, do conhecimento racional e científico que presidem aos atos da vida humana, muitos já se convenceram da primária e irreal origem do cristianismo, o qual nada mais é do que uma síntese do judaísmo com o paganismo e a idolatria greco-romana do século I.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Graças ao trabalho de notáveis mestre de Filosofia e Teologia da Escola de Tubíngen, na Alemanha, ficou provado que os Evangelhos e mesmo toda a Bíblia não possuem valor histórico, pondo-se em dúvida consequentemente tudo quanto a Igreja impôs como verdade sobre Jesus Cristo. Tudo o que consta dos Evangelhos e do Novo Testamento são apenas arranjos, adaptações e ficções, como o próprio Jesus Cristo o foi.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Através da pesquisa histórica e de exames grafotécnicos ficou evidenciado que os escritos acima referidos são apócrifos. De sorte que, não servindo como documentos autênticos, devem ser rejeitados pela ciência. Jean Guitton diz que o problema de Jesus varia e acordo com o ângulo sob o qual seja examinado: histórico, filosófico ou teológico.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A história exige provas reais, segundo as quais se evidenciem os movimentos da pessoa ou do herói no palco da vida humana, praticando todos os atos a ela concernentes, em todos os seus altos e baixos. Pierre Couchoud, igualmente citado por Guitton, sendo médico e filósofo, considerou Jesus como tendo sido “&lt;em style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;a maior existência que já houve, o maior habitante da terra&lt;/em&gt;”, entretanto, acrescentou: “&lt;em style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;não existiu no sentido histórico da palavra: não nasceu. Não sofreu sob Pôncio Pilatos, sendo tudo uma fabulação mítica&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A passagem de Jesus pela terra seria o milagre dos milagres: “o continente, embora fosse o menor, contivera o conteúdo, que era o maior!” A Filosofia quer fatos para examinar e explicar à luz da razão, generalizando-o. No que se refere à existência de Jesus, é patente a impossibilidade de generalização, porquanto, na qualidade de mito, como os milhares que o antecederam, sua personalidade é apenas fictícia, por conseguinte, nenhum material pode oferecer à Filosofia para ser sistematizado, aprofundado ou explicado.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No tocante à Teologia, cabe-lhe apenas a parte doutrinária acerca das coisas divinas. A ela, interessa apenas incutir nas mentes os seus princípios, sem, contudo, procurar neles o que possa existir de concreto, o que inclusive seria contrário aos interesses materiais, daqueles aos quais aproveita a religião. Os Enciclopedistas mostraram como eram tolos e irracionais os dogmas da Igreja, lembrando ainda que ela era um dos mais fortes pilares do feudalismo escravocrata.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Voltaire mostrou as coincidências entre o Evangelho de João e os escritos de Filon, lembrando ter sido ele um filósofo grego de ascendência judia, cujo pai, um outro judeu culto, teria sido contemporâneo de Jesus, se ele tivesse realmente existido. A filosofia religiosa de Filon era a mesma do cristianismo, tanto que inicialmente foi cogitada sua inclusão entre os fundadores da nova crença. Contudo, após exame rigoroso de sua obra, foram encontradas ideias opostas aos interesses materiais dos lideres cristãos da época.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Devemos aos Enciclopedistas, bem como a Voltaire, o incentivo para que muitos pensadores futuros pudessem desenvolver um trabalho livre, na pesquisa da verdade. As convicções de Voltaire são o fruto de profundo estudo das obras de Filon. Os racionalistas, posteriormente, servindo-se de seus escritos, concluíram que a Igreja criou seus dogmas de acordo com a lenda e o mito, impondo-os a ferro e fogo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Bauer, aplicando os princípios hegelianos na Universidade de Tubingen, concluiu que os Evangelhos haviam sido escritos sob a influência judia, de acordo com seu gosto. Posteriormente, interesses materiais e políticos motivaram alterações nos mesmos. Em vista de tais interesses é que Pedro, o pregador do cristianismo nascente, que era pró-judeu, teve de ser substituído por Paulo, favorável aos romanos. E Marcião teria sido o autor dos escritos atribuídos ao inexistente Paulo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O mérito da Escola de Tubingen consiste em haver provado que os Evangelhos são apócrifos, e assim não servem como documento aceitável pela história. Levando ao conhecimento do mundo livre que os fundamentos do cristianismo são mistificações puras, os mestres da referida Escola abalaram os alicerces de uma empresa, que há séculos explora a humanidade crente, vendendo o nome de Deus a grosso e a varejo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Tudo nos leva a crer que, no futuro, o conhecimento científico exigirá bases sólidas para todas as coisas, quando então as religiões não mais prevalecerão, porquanto, não poderão contribuir para a ciência ou para a história, com qualquer argumento sólido e fiel.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Ademais, não nos parece lógico que o homem atual, o qual já atingiu um tão elevado nível de desenvolvimento, o que se verifica em todos os setores do conhecimento, tais como científico, tecnológico e filosófico, permaneça preso a crenças em deuses inexistentes, em mitos e tabus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Diz-se que a Bíblia, o livro sagrado dos cristãos, do qual se valem eles para provar a existência de seu Deus e Jesus Cristo, seu filho unigênito, foi escrito sob a inspiração divina. O Próprio Deus tê-lo-ia escrito, através de homens inspirados por ele, claro. A doutrina cristã ensina que Deus, além de onipotente, é onipresente e onisciente. Sendo dotado de tais atributos — onisciência e onipresença —, seria de se esperar que Deus, ao ditar aos homens inspirados o que deveriam escrever, não se restringisse apenas ao relato das coisas, fatos ou lugares então conhecidos pelos homens.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Sendo onipresente, deveria estar no universo inteiro. Conhecê-lo e levá-lo ao conhecimento dos homens, e não apenas limitar-se a falar dos povos ou lugares que todos conheciam ou sabiam existir. Sendo onisciente, deveria saber de todas s coisas de modo certo, correto, exato, e assim inspirar ou ensinar.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Todavia, aconteceu justamente o contrário. A Bíblia, escrita por homens inspirados por Deus onipresente e onisciente, está repleta de erros, os mais vulgares e incoerentes, revelando total ignorância acerca da verdade e de tudo mais.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Vejamos apenas um exemplo. Diz a Bíblia que o sol, a lua e as estrelas foram criadas em função da terra: para iluminá-la. Seria o centro do universo, então, o que é totalmente falso. Hoje, ou melhor, há muito tempo, todos sabemos que a terra é apenas um grão de areia perdido na imensidão do universo, sendo mesmo uma das menores porções que o compõe, inclusive dentro do sistema solar de que faz parte.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Como teria Josué feito parar o sol, a fim de prolongar o dia e ganhar sua batalha contra os canamitas, sem acarretar uma catástrofe? Decididamente, quem escreveu tais absurdos, sendo homem, sujeito a falhas e erros, é perdoável. Entretanto, sendo um Deus onipresente e onisciente, ou por sua inspiração, é inconcebível. E mais inconcebível ainda é que o homem moderno permaneça escravo desta ou de qualquer outra religião. Dispondo de modernos meios de difusão e divulgação da cultura, o homem não pode ignorar o quanto é falsa a doutrina cristã, além de absurda, o mesmo estendendo-se a qualquer outra forma de culto ou religião. Como entender que sendo Deus onipresente e onisciente, não saberia que todos os corpos do universo possuem movimento, e que este os mantém dentro de sua órbita, sem atropelos ou abalroamento?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Quando Jeová resolveu disciplinar o comportamento dos hebreus, marcou encontro com Moisés, no Monte Sinai, para lhe entregar as tábuas da lei. Fato idêntico acontecera muito antes, quando Hamurabi teria recebido das mãos do deus Schamash a legislação dos babilônios no século XVII a.C.. A mesma foi encontrada em Susa, uma das grandes metrópoles do então poderoso império babilônio, encontrando-se atualmente guardada no Museu do Louvre, em Paris.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No que concerne aos Evangelhos, foram escritos em número de 315, copiando-se sempre uns aos outros. No Concílio de Niceia, tal número foi reduzido para 40, e destes foram sorteados os 4 que até hoje estão vigorando.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A. Laterre, entre outros escritores, assinala ter sido o Evangelho de Marcos o mais antigo, e haver servido de paradigma para os outros, os quais não guardaram sequer fidelidade ao original, dando margem a choques e entrechoques de doutrina.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Após o Evangelho de Marcos, começaram a surgir os demais que, alcançando elevado número, foram reduzidos. A escolha não visou os melhores, o que seria lógico, mas baseou-se tão-somente no prestigio político dos bispos das regiões onde haviam sido compostos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A. Laterre patenteou igualmente, em “Jesus e sua doutrina”, que a lenda composta pelos fundadores do cristianismo, para ser admitida pelos homens como verdade, fora copiada de fontes mitológicas muito anteriores ao próprio judaísmo, remontando aos antigos deuses hindus, persas ou chineses.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No século II, quando começou a aparecer a biografia de Jesus, havia apenas o interesse político e material em se manter a sua santa personalidade idealizada. Constantino, no século IV, tendo verificado que suas legiões haviam-se tornado reticentes no cumprimento de suas ordens contra os cristãos, resolveu mudar de tática e aderir ao cristianismo. Percebendo que os bispos de Alexandria, Jerusalém, Edessa e Roma tinham a força necessária para fazer-lhe oposição, sentiu-se na contingência de ceder politicamente, com o objetivo de conseguir obediência total e unificar o império. De sorte que sua adesão ou conversão ao cristianismo não se baseou em uma convicção intima, espiritual, porém, resultou de conveniências políticas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Embora não crendo na religião cristã, percebeu que a cruz dar-lhe-ia a força que lhe faltava para tornar-se o imperador único e obedecido cegamente. Daí a história do sonho que tivera antes de uma batalha, segundo o qual vira a cruz desenhada no céu e estas palavras escritas abaixo: “in hoc signo vincis”, com este sinal, vencerás. Não era cristão verdadeiro, apenas fingia sê-lo para conseguir os seus objetivos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Dujardin conta-nos que o cristianismo só surgiu a partir do ano 30, graças a um rito em que se via a morte e a ressurreição de Jesus, o qual seria uma divindade pré-cristã. Nesta seita, os seus adeptos denominavam-se apóstolos, significando missionários, os que traziam uma mensagem nova. Os apóstolos desse Jesus juravam terem-no visto, após sua morte, ressuscitar e ascender ao céu. Entretanto, não era este o Jesus dos cristãos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O Padre Aífred Loisy, diante do enorme descrédito que o mito do cristianismo vinha sofrendo nos meios cultos de Paris, resolveu pesquisar-lhe as origens, visando assim desfazer as objeções apresentadas de modo seguro e bem fundamentado. Buscava a verdade para mostrá-la aos demais. Entretanto, ao fazer seus estudos, o Padre Loisy constatou que realmente a crítica havia se baseado em fatos incontestáveis. Por uma questão de honra, não poderia ocultar o resultado de suas pesquisas, publicando-o logo em seguida. Sendo tal resultado contrário fundamentalmente aos cânones da Igreja, foi expulso de sua cátedra de Filosofia, na Universidade de Paris, e excomungado pelo Papa, em 1908.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O Pe. Loisy havia concluído que os documentos nos quais a Igreja firmara-se para organizar sua doutrina provieram do ritual essênio. Jesus Cristo não tivera vida física. Era apenas o reaproveitamento da lenda essênia do Crestus, o seu Messias. Verificou-se também que as Paulinianas, de origem insegura, haviam sido refundidas em vários pontos fundamentais e por diversas vezes, antes de serem incluídas definitivamente nos Evangelhos. Do mesmo modo chegou à conclusão de que os Evangelhos não poderiam servir de base para a história, nem para provar a vida de Jesus, dada a sua inautenticidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Por sorte sua, já não mais existia a Santa Inquisição; do contrário, o sábio Padre Loisy teria sido queimado vivo. Os documentos relativos ao governo de Pilatos, na Judeia, nada relatam a respeito de alguém que, se intitulando de Jesus Cristo, o Messias ou o enviado de Deus, tenha sido preso, condenado e crucificado com assentimento ou mesmo contra sua vontade, conforme narram os evangelhos. Não tomou conhecimento jamais de que um homem excepcional praticasse coisas maravilhosas e sobrenaturais, ressuscitando mortos e curando doentes ao simples toque de suas mãos, ou com uma palavra, apenas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Se Pôncio Pilatos, cuja existência é real e historicamente provável, que estava no centro dos acontecimentos da época como governador da Judeia, ignorou completamente a existência tumultuada de Jesus, é que de fato ele não existiu. Alguém que, pelos atos que lhe são atribuídos, chega mesmo ao cúmulo de ser aclamado “Rei dos Judeus” por uma multidão exaltada, como ele o foi, não poderia passar despercebido pelo governador da região.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O imperador Tibério, inclusive, jamais soube de tais ocorrências na Judeia. Estranho que ninguém o informasse de que um povo, que estava sob o seu domínio, aclamava um novo rei. Ilógico. A ele, Tibério, é que caberia nomear um rei, governador ou procurador.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Prosper Alfaric, em L’Ecole de la Raison, assinala as invencíveis dificuldades do cristianismo em conciliar a fé com a razão. Por isso, a nova crença teve de apoderar-se das lendas e crenças dos deuses solares, tais como Osíris, Mitra, Ísis, Átis e Hórus, quando da elaboração de sua doutrina. Expôs, igualmente, que os documentos descobertos em Coumrã, em 1947, eram o elo que faltava para patentear que Cristo é o Crestus dos essênios, uma outra seita judia.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O cristianismo nada mais é, então, do que o sincretismo das diversas seitas judias, misturadas às crenças e religiões dos deuses solares, por serem as religiões que vinham predominando há séculos. A palavra “evangelho” em grego significa “boa nova”, já figura na Odisseia de Homero, Século XII, a.C.. Foi depois encontrada também numa inscrição em Priene, na Jônia, numa frase comemorativa e de endeusamento de Augusto, no seu aniversário, significando a “boa nova” no trono. E isto ocorreu muito antes de idealizarem Jesus Cristo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Conforme já mencionamos anteriormente, no inicio do cristianismo, os evangelhos eram em número de 315, sendo posteriormente reduzidos para 4, no Concílio de Niceia. Tal número indica perfeitamente as várias formas de interpretação local das crenças religiosas da orla mediterrânea acerca da ideia messiânica lançada pelos sacerdotes judeus. Sem dúvida, este fato deve ter levado Irineu a escrever o seguinte: “Há apenas 4 Evangelhos, nem mais um, nem menos um, e que só pessoas de espírito leviano, os ignorantes e os insolentes é que andam falseando a verdade”. A verdade da Igreja, dizemos nós.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Havia, então, os Evangelhos dos naziazenos, dos judeus, dos egípcios, dos ebionistas, o de Pedro, o de Barnabé, entre outros, os quais foram queimados, restando apenas os 4 sorteados e oficializados no Concílio de Niceia. Celso, erudito romano, contemporâneo de Irineu, entre os anos 170 e 180, disse: “&lt;em style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;Certos fiéis modificaram o primeiro texto dos Evangelhos, três, quatro e mais vezes, para poder assim subtrai-los às refutações&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Foi necessária uma cuidadosa triagem de todos eles, visando retirar as divergências mais acentuadas, sendo adotada a de Hesíquies, de Alexandria; e de Pânfilo, de Cesaréía e a de Luciano, de Antióquia. Mesmo assim, só na de Luciano existem 3500 passagens redigidas diferentemente. Disso resulta que, mesmo para os Padres da Igreja, os Evangelhos não são fonte segura e original.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os Evangelhos que trazem a palavra “segundo”, que em grego é “cata”, não vieram diretamente dos pretensos evangelistas. A discutível origem dos Evangelhos explica porque os documentos mais antigos não fazem referência à vida terrena de Jesus. Nos Evangelhos, as contradições são encontradas com muita frequência. Em Marcos, por exemplo, em 1:1-17: “&lt;em style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;a linhagem de Jesus vem de Abraão, em 42 gerações&lt;/em&gt;”; ao passo que em Lucas 2:23-28 lê-se que proviera diretamente de Adão e Eva, sendo que de Abraão a Jesus teriam havido 43 gerações.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Eusébio, comentando o assunto e não sabendo como dirimir a questão, disse: “Seja lá o que for, só o Evangelho anuncia a verdade”.(?) Tais divergências, entretanto, parecem indicar que os Evangelhos não se destinavam inicialmente à posteridade, visando tão-somente a catequese imediata de povos isolados uns dos outros. Os escritos destinados a um povo dificilmente seriam conhecidos dos outros.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O Evangelho de Mateus teria sido destinado aos judeus, arranjado para agradá-los. Por isso, não fala nos vaticínios nem no Messias. Por isso ainda é que puseram na boca de Jesus as palavras seguintes: “Não vim para abolir as leis dos profetas, mas sim para cumpri-las”. Tudo indica ter sido feito em Alexandria, porquanto, o original em hebraico jamais existiu. Baur provou, entretanto, que as Epístolas são anteriores aos Evangelhos e o Apocalipse, o mais antigo de todos, do ano 68. Todos os escritos do cristianismo desse tempo falam apenas no Logos, o Cordeiro Pascoal, imolado desde o princípio dos tempos, referindo-se à personalidade ideal de Jesus Cristo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Justino, filósofo e apologista cristão, escrevendo em torno do ano 150, não emprega a palavra Evangelho nem uma vez. Isto mostra que ele, ainda nessa época, ignorava-a, não tendo conhecimento de sua existência. Justino ignorava igualmente as paulinianas, Paulo e os Atos dos apóstolos, o que prova que foram inventados posteriormente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Marcião, no ano de 140, trouxe as Epístolas a Roma, as quais não foram inicialmente consideradas merecedoras de fé. Sofreu rigorosa triagem, sendo cortada muita coisa que não convinha à Igreja. Marcião fora contemporâneo de Justino. As Epístolas trazidas por ele eram endereçadas aos Romanos, aos Gálatas e aos Coríntios. Apresentavam Jesus como um Deus encarnado. Teria nascido de uma mulher e sofrera o martírio para resgatar os pecados da humanidade, isto é, dos ocidentais, porque os orientais não tomaram conhecimento da personalidade de Jesus, seus milagres e sua pregação e do seu romance religioso.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Engels constatou que as Epístolas são 60 anos mais novas do que o Apocalipse. E, ainda, os cristãos contrários ao bispo de Roma rejeitaram-nas durante séculos. Foi o que se deu com os ebionitas e os severianos, conforme Eusébio escreveu e Justino confirmou. O Apocalipse fala em um cordeiro com sete cornos e sete olhos, o qual foi imolado desde a fundação do mundo (13-8). O Apocalipse foi composto apenas em 68, sendo o mais antigo de todos os escritos cristãos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Lutero e Swinglio disseram que o Apocalipse foi incluído nos Evangelhos por engano, tendo a Igreja de inventar, por isso, a ordem cronológica dos seus livros. Hoje se pode provar que o Apocalipse surgiu entre os anos 68 e 70; os Evangelhos, no século II, e os Atos dos Apóstolos são os mais recentes de todos. Eusébio em sua “História Eclesiástica”, 4-23, diz: “&lt;em style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;Compus as Epistolas conforme a vontade do irmão: mas os ‘apóstolos do diabo’ tacharam-nas de inverídicas contando-lhes certas coisas e acrescentando outras&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Irineu, ao mesmo tempo, ordenava ao copista: “Confronta toda cópia com este original utilizado por ti, e corrige-a cuidadosamente”. Não te esqueças de reproduzir em tua cópia o pedido que te faço. Essas citações servem para medirmos que tipo de santidade havia entre os bispos e seus calígrafos, na arte eusebiana de eméritos falsificadores de documentos importantes.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Com isto, deram autenticidade a todas as invencionices do cristianismo e legitimaram sua liderança na posse material do que pertencia aos outros. Irineu ainda registrou o seguinte: “Ouvi dizer que não acreditam esteja isto nos Evangelhos, se não se encontrar nos arquivos”. Ao que Eusébio respondera: “&lt;em style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;É preciso demonstrá-lo&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Uma excelente prova da existência de Jesus seria uma comunicação feita por Pilatos a seu respeito. Entretanto, tal documento não existe. Justino, instado pelos falsificadores, referiu-se a Jesus, contudo, dada a sua honradez pessoal, no caso do seu escrito ser autêntico, fê-lo de modo inseguro e hesitante. Tertuliano, que é mais seguro do que ele, afirmou que esse valioso documento deverá ser encontrado nos arquivos imperiais. Contudo, a Igreja apesar de haver se apoderado de Roma a partir do século IV, não teve a coragem de apresentar essa indispensável joia documentária, a qual de certo seria refutada pela ciência e pelo conhecimento.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Mesmo assim, a partir do século IV, essa prova espúria foi produzida; contudo, a Igreja não teve a petulância de submetê-la à grafotécnica. Daniel Rops, embora fosse um apaixonado cristão, reconheceu a veracidade dessa falsificação dizendo que: “a que arranjaram era uma carta enviada a Cláudio, que reinou de 41 a 44, e não a Tibério, sob cujo governo Pilatos fora Procurador da Judeia”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No Apocalipse João, escreveu: “Se alguém acrescentar alguma coisa nisto, Deus castigará com as penas descritas neste livro; se alguém cortar qualquer coisa, Deus cortará sua parte na árvore da vida e na cidade santa descrita neste livro”. Ai está mais uma prova de como as falsificações eram usuais na fase da Igreja nascente. O mais interessante é essa gente falar em Deus, como se fosse coisa cuja existência já tivesse sido provada, não se justificando mais que o conhecimento e a razão estudassem as bases dessa existência.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os padres mostravam-se estar de tal modo familiarizados com Deus e sua vontade que por isso achavam certo e justo julgar e queimar vivos a todos os que deles discordassem. Entretanto, embora dessem a impressão de estar em contato com Deus, usavam de processos criminosos, dos quais todos os ociosos usam para sacar contra o seu meio social. Assim é que hoje se pode provar que o cristianismo foi construído sobre um terreno atapetado de mentiras, falsificações e mistificações.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O Novo Testamento atualmente oficializado é cópia de um texto grego do século IV. É exatamente o sinótico descoberto em 1859, em um convento do Monte Sinai, onde vem informada a origem grega. Os originais do mesmo estão guardados nos museus do Vaticano e de Londres. Foram publicados com as devidas corrigendas, feitas por Hesíquios, de Alexandria.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Um papiro encontrado no Egito, em 1931, apresenta-nos uma ordem cronológica totalmente diferente da oficializada pela Igreja. Atualmente, as fontes testamentárias aceitáveis são as do século II em diante, provindas de Justino, Taciano, Atenágoras, Irineu e outros, os quais são considerados os verdadeiros criadores do cristianismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Taciano foi o “bem amado” discípulo de Justino. Ele, entretanto, omite a genealogia de Jesus, dizendo apenas que ele descendia de reis judeus, de modo muito vago, divergindo assim da orientação oficializada. Irineu foi que sistematizou o cristianismo. Foi ele a fonte em que Eusébio inspirou-se. Por isso é que daí em diante seria obrigatória a confrontação entre os dois textos. O bispo de Cesareia fora encarregado pelo todo poderoso bispo de Roma de falsificar tudo quanto prejudicasse os interesses materiais da Igreja de então. De modo que, por onde passou a mão de Eusébio, foi tudo conspurcado criminosamente contra a verdade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Eusébio foi realmente um bispo que cria apaixonadamente na divindade de Jesus Cristo, contudo, já conhecia o poder que possuía o bispo de Roma. Graças a Eusébio e outros iguais a ele, tornou-se uma temeridade descrer-se na verdade oficializada pela Igreja. Após tantas falsificações, todos ficaram realmente inseguros quanto à verdadeira origem do cristianismo, tal a tumultuação impressa por Eusébio.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Tertuliano e Clemente de Alexandria lutaram um pouco para sanar essas fontes, anulando boa parte do que restara das criminosas unhas de Eusébio. Jacob Buckhardt, examinando essa documentação, concluiu que o Novo Testamento merece confiança.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Em Coumrã, em 1947, como á vimos, foram encontrados documentos com escrita em hebraico e não em grego, falando em Crestus não em Cristo. Ali, Habacuc refere-se à perseguição sofrida por essa seita judia, assim como a morte de Crestus, igualmente traído por Judas, um sacerdote dissidente. A Igreja, ao ter conhecimento da existência de tais documentos, pretendeu informar que Crestus era o Cristo de sua criação, contudo, verificou-se que eles datavam de pelo menos um século antes do lançamento do romance do Gólgota. Além disso, continham revelações contrárias aos interesses da Igreja. Eles relatam as lutas de morte em que viviam as diversas seitas do judaísmo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A Didaquê não pôde entrar nos Evangelhos, devendo silenciar completamente a respeito da pretensa passagem de Jesus pela terra. De qualquer forma, a lenda que existia em torno no nome de Crestus foi aproveitada na época porque, sendo uma seita comunista, suas pregações iriam servir para atrair ao cristianismo a atenção dos escravos, em luta contra os seus senhores, a eterna luta do pobre contra o rico.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Escavações feitas em Jerusalém desenterraram velhos cemitérios, onde foram encontradas muitas cruzes do século I e mesmo anteriores. Todavia, apesar de já ser usada nessa época, só a partir do século IV é que a Igreja iria oficializá-la como seu emblema. Levantamentos arqueológicos posteriores provariam que a cruz já era um piedoso emblema usado desde há milênios.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Orígenes, polemizando contra Celso, um dos mais cultos escritores romanos de seu tempo, e que mais combateram as bases falsas da Igreja e de Jesus Cristo, acusa Flávio Josefo por não haver admitido a existência de Jesus. Flávio não poderia referir-se a Jesus nem ao cristianismo porque ambos foram arranjados depois de sua morte. Assim, os livros de Flávio que falam de Jesus foram compostos, ou melhor, falsificados muito tempo após sua morte, no decorrer do século III, conforme as conclusões alcançadas pelos mestres da Escola de Tubingen.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Sêneca, que foi preceptor de Nero, suicidando-se para não ser assassinado por ele, já pensava mais ou menos como os cristãos. Do que se conclui que as ideias de que se serviu o cristianismo para se fundamentar são emprestadas das lendas que giravam em torno de outros Cristos Messias, assim como de outros cultos. Nada tendo, portanto, de original. Sêneca acreditava em um Deus único e imaterializável.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Por tudo isso, vemos que os líderes do cristianismo nada mais fizeram do que se apropriar das ideias já existentes. Apenas tiveram o cuidado de promover as modificações necessárias, com vistas a melhor consecução dos seus objetivos materiais. Sêneca, embora não fazendo em seus escritos qualquer alusão à existência de Jesus Cristo, teve muitos de seus escritos aproveitados pelo cristianismo nascente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Em Tácito, escritor do século II, encontram-se referências a respeito de Jesus e seus adeptos. Contudo, exames grafotécnicos demonstraram que tais referências são falsas, e resultam de visível adulteração dos seus escritos. Suetônio, que existiu quando Jesus teria vivido, escreveu a “História dos Doze Césares”, relatando os fatos de seu tempo. Referindo-se aos judeus e sua religião, apenas falou em “distúrbios de judeus exaltados em torno de Crestus”. Por aí se vê que ele não se referia aos cristãos, porquanto, eles sempre se mostraram humildes e obedientes à ordem constituída, evidentemente a fim de passar, tanto quanto possível, despercebidos. Desse modo, iriam solapando o poder imperial, manhosamente, como realmente aconteceu.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Suetônio escreveu ainda que haviam supliciado alguns cristãos que eram gente que se dedicava demasiado a tolas superstições, orientadas por uma ideia malfazeja. Disse mais que Nero tivera de mandar expulsar os judeus de Roma, porque eles estavam sempre se sublevando, instigados por Crestus. Os cristãos estavam sempre organizados de modo a atrair aos escravos, sem, contudo, desagradar às autoridades. Assim sendo, jamais provocariam tumultos. Os cristãos aos quais Suetônio refere-se poderiam ser os zilotas, os essênios ou os terapeutas, mas nunca os cristãos de Jesus Cristo, porquanto, conforme já dissemos acima, os cristãos eram ensinados a não provocar desordens.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Plínio, o Jovem, viveu entre os anos 62 e 113, tendo sido subpretor da Bitínia. Na carta enviada ao imperador, perguntava como agir em relação aos cristãos, ao que Trajano teria respondido que agisse apenas contra os que não renegassem à nova fé. Entretanto, não ficou evidenciado a quais cristãos, exatamente, eram feitas as referências: se aos crestãos ou aos cristãos. De qualquer forma, a carta em questão, após ser submetida a exames grafotécnicos e métodos rádio-carbônicos, revelou haver sido falsificada.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Justiniano, Imperador romano, mandou queimar os escritos de Porfírio, através de um edito, em 448, alegando que: “impelido pela loucura, escrevera contra a santa fé cristã”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Vespasiano, ao morrer, disse: “Que desgraça! Acreditei que me havia tornado um deus imortal!”. Suas palavras justificam-se pela credulidade supersticiosa. Partindo do preceito ensinado pelos judeus, aliás, um falso preceito, de que Cristo havia subido ao céu com corpo e alma, não seria de estranhar que os imperadores pretendessem tornar-se deuses, a fim de escapar ao inapelável destino dos que nascem: a morte.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Calígula, por isso, fizera-se coroar como Deus-Sol, o Sol Invictus, o Helius. Nessa época o Império romano, embora em declínio, ainda dominava uma porção de províncias afastadas de Roma. O homem espoliado pela força bruta, unificada em torno das regiões, sentindo não ser possível contar com a justiça humana, passa a esperar pela justiça dos deuses. Mas, mesmo assim, teriam de apelar para os deuses dos pobres e não dos ricos, privilegiados e poderosos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Conta a lenda que Osíris, o deus solar dos egípcios, foi morto por seu irmão Seth, o qual dividiu o corpo em 14 pedaços e os espalhou pelo mundo afora. Ísis, sua esposa e irmã, saiu em busca dos pedaços, levando seu filho Hórus ao colo. Todos os anos o povo fazia a festa de Ísis, relembrando o acontecimento. Havendo conseguido juntar todas a partes do corpo, Osíris ressuscitou, passando a ser incensado como o deus da morte e da sombra. Fora uma ressurreição conseguida pelo amor da esposa. Ísis separou a terra do céu, traçou a órbita dos astros, criou a navegação e destruiu todos os tiranos. Comandava os rios, as vagas e os ventos. Seu culto assemelhava-se muito ao de Astartê, de Adônis e de Átis, religiões muito aparentadas entre si, dominando toda a orla do Mediterrâneo. Seu culto era uma reminiscência do culto de Tamus, um deus babilônio, cuja doutrina ensinava que os deuses nasciam e renasciam, ressuscitando-se.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O judaísmo e, mais tarde, o cristianismo, beberam dessas fontes grande parte da sua liturgia. No cristianismo, encontramos Ísis representada pela Virgem Maria e Hórus transformado em Jesus Cristo. Maria e Jesus, fugindo de Herodes e indo para o Egito, é a mesma lenda de Ísis e Hórus, fugindo de Seth.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O Deus-Homem que morria e ressuscitava já era uma velha “crença religiosa” naqueles tempos. O cristianismo apenas deu novos nomes e novas roupagens aos deuses de velhas crenças. A revelação de Deus aos homens é outra lenda cuja origem perde-se na noite dos tempos. Muitos séculos antes do surgimento do judaísmo, Zoroastro ou Zaratrusta havia criado uma religião, segundo a qual havia uma eterna luta entre o bem e o mal. Aura Mazzda ou Ormuzd, o deus do fogo e da luz, representava o bem em luta contra Angra Maniú ou Iarina, o deus das trevas. Nessa luta, Ormuzd foi auxiliado por seu filho Mitra, o espírito do bem e da justiça, mediador entre Ormuzd e os homens. Ormuzd mandou seu filho à terra, o qual nasceu de uma virgem pura e bela, que o concebeu através de um raio de sol. Morreu e ressuscitou em seguida.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Essa religião foi levada para Sicília pelos marinheiros persas, nos últimos séculos da era passada.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Inventando o cristianismo, os judeus nada mais fizeram do que sincretizar o judaísmo ortodoxo com a religião de Mitra, sem esquecer de Osíris e Átis, cujas religiões eram também muito aceitas em Roma e Alexandria. Vestígios do mitraísmo foram encontrados em escavações recentes, feitas em Óstia, os quais datam do século I. O mitraísmo era praticado em catacumbas, em grutas e em subterrâneos. O cristianismo copiou-lhe a prática. Daí porque disseram ter Jesus nascido em uma gruta e, nos primeiros tempos, o cristianismo foi praticado em catacumbas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Assim sendo, os cristãos foram para as catacumbas, não fugindo das autoridades imperiais, mas tão-somente para observar o ritual mitraico. Os mitraicos também davam seus banquetes subterrâneos, eram os banquetes pessoais, comuns nos ritos solares e no judaísmo. Em ambos, havia o rito do pão e do vinho.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Mitra, o Sol Invictos, era festejado em dezembro, como Jesus. Outras aproximações entre o culto de Mitra e o de Jesus, no cristianismo: o uso da cruz do Sol Radiante, a cruz do Sol Invictus a qual expandia raios; o uso da pia batismal com a água benta, as refeições comunais, a destinação do domingo para o descanso em homenagem ao Senhor; a águia e o touro do ritual mitraico foram tomados para símbolos dos evangelistas Marcos e Lucas. Antigos quadros e painéis trazem a figura dos evangelistas com a cabeça desses animais.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Do judaísmo, copiaram a crença da imortalidade da alma, a vida no além, o Inferno, o diabo, a ressurreição, o dia do juízo; práticas e crenças igualmente existentes no mitraísmo. Graças a esses espertos arranjos, durante muito tempo, o crente frequentou indiferentemente o templo cristão, de Mitra ou de Ísis, crendo estar na Igreja antiga, onde iam consultar o oráculo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Por isso, Teofilo, em Alexandria, mandou construir um templo cristão ao lado de um templo de Ísis, onde se anunciava o oráculo quando as profecias vinham de uma revelação astral, mediante a camuflagem das vozes de antigos bispos ali enterrados. Uma das coisas que favoreceram o cristianismo foi a abolição do sacrifício sangrento. Muitos correram a abraçar a nova crença para escapar da morte em um desses atos propiciatórios.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Spinoza e Hobbes, no século XVIII, mostraram que o Pentateuco foi composto no século II a.C. graças ao que o sacerdote judeu havia aprendido no cativeiro babilônio, fato que aconteceu no século IV a.C. Em seguida, mostraram uma série de contradições quanto à cronologia. Em uma das fontes, apresentam Adão e Eva como tendo sido criados ao mesmo tempo, enquanto em outra informam que ela havia sido feita de uma costela de Adão. Em uma, o homem aparece antes dos outros animais, na outra os animais surgem primeiro.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Levantamentos arqueológicos do começo do século XX, levados a efeito nos subsolos da Babilônia, provaram que o Deuteronômio resultou, em grande parte, do que os sacerdotes judeus haviam copiado da legislação religiosa, civil e criminal de Hamurabi, a qual por sua vez resultara do que se sabia da civilização acádia, e que naqueles tempos já era vetusta. Isaías, ao profetizar acerca de diversos reis de várias épocas, mostra que seu nome foi inventado séculos depois dos fatos haverem ocorrido. Um desses reis foi Dano, rei persa que governou em 538 a.C., quando libertou os judeus do cativeiro.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Herodes morreu no ano IV a.C., foi responsabilizado pela matança dos inocentes, para compor o controvertido romance da fuga para o Egito. Tudo o que até agora temos relatado constitui provas evidentes de que a Bíblia não tem a antiguidade nem a veracidade que lhe pretendem imprimir. Os zilotas que seguiam a linha comunista dos essênios combatiam tanto os judeus ricos como a ocupação romana. Os essênios, ao professar, faziam votos de pobreza, quando juravam nada contar da seita para os estranhos e nada ocultar dos companheiros. Era um dos ramos do judaísmo em que não mais se oferecia sacrifício sangrento, o que foi copiado pelo cristianismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os Evangelhos foram compostos para enquadrar Jesus no que está previsto no versículo 17 do salmo 22. De modo que Jesus não passou de um ator arranjado para representar o drama do Gólgota. Cumpriu as Escritas como ator e não como sujeito de uma vida real. Reimarus, filósofo alemão que morreu em 1768, estudou a fundo a história de Jesus. Chegou a conclusões irrefutáveis, que assombraram a Igreja muito mais do que Copérnico ou Darwin. Disse que, se Jesus tivesse mesmo existido, seria, quando muito, um político ambicioso que fracassara completamente em suas conspirações contra o governo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Emmanuel Kant foi o primeiro filósofo que conseguiu racional e inteligentemente expulsar Jesus da história humana, através de uma impressionante e profunda exegese do herói do cristianismo. Volney, em “As Rumas de Palmira”, após regressar de uma longa viagem de pesquisas sobre Antiguidade clássica pelo Oriente Médio, elaborou o trabalho acima referido, no qual nega a existência física de Jesus Cristo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Arthur Drews igualmente viveu muitos anos na Palestina dedicando-se ao estudo de sua história antiga; concluiu que Jesus Cristo jamais foi um acontecimento palestino. Examinou todos os lugares pelos quais os evangelistas pretenderam tivesse Jesus passado. Constatou, então, que o cristianismo foi totalmente estruturado em mitos; entretanto, organizado de modo a assumir o aspecto de verdade incontestável, a ser imposta pela Igreja. Todavia, para sorte nossa, homens estudiosos e inteligentes contestam as falsas verdades elaboradas pelo cristianismo, com argumentos irretorquíveis.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Dupuis disse que, aqueles que fizeram de Jesus um homem, conseguiram enganar tanto quanto os que o transformaram em um deus. Em suas observações, deixa patente que o romance de Jesus nada mais é do que a repetição das velhas lendas dos deuses solares. Vejamos suas palavras: “Quando tivermos feito ver que a pretensa história de um deus que nasceu de uma virgem, no solstício do inverno, depois de haver descido aos infernos, de um deus que arrasta consigo um cortejo de doze apóstolos, — os doze signos solares — cujo chefe tem todos os atributos de Jano, um deus vencedor do deus das trevas, que faz transitar o homem império da luz e que repara os males da natureza, não passa de uma fábula solar… ser-lhe-á pouco menos indiferente examinar se houve algum príncipe chamado Hércules, visto haver-se provado que o ser consagrado por um culto, sob o nome de Jesus Cristo, é o Sol, e que o maravilhoso da lenda ou do poema tem por objeto este astro, então parecerá que os cristãos tem a mesma religião que os índios do Peru, a quem os primeiros fizeram degolar”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Albert Kalthoft diz que Jesus personifica o movimento sócio-econômico que no século I sublevava o escravo, o pobre e o proletário. O seu messianismo foi espertamente aproveitado pelos líderes dos judeus da diáspora, aqueles que exploravam a desgraça do judeu pobre em benefício próprio. Acrescenta que a divergência que existe entre os quatro evangelistas resulta das várias tendências daquele movimento social revolucionário nascido em Roma, do qual a versão palestina é apenas o reflexo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Salonmon Reinach, em “Orheus”, salienta o completo silêncio dos autores contemporâneos de Jesus Cristo acerca de sua pretensa existência. Tal silêncio verifica-se tanto entre os escritores judeus como entre os não judeus. Examina em profundidade as “Acta Pilati” e constata que os acontecimentos que o cristianismo situou em seu governo não foram do que ressuscitou no equinócio da primavera, de seu conhecimento, e assim sendo Pilatos jamais soube qualquer coisa a respeito de Jesus Cristo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Pierre Louis Couchoud afirma que a existência real de Jesus é indemonstrável, do ponto de vista histórico. E acrescenta que as referências feitas por Flávio Josefo a Jesus não passam de falsificação de textos, sobejamente provada hoje pelos peritos da crítica histórica. Os maiores movimentos históricos tiveram como origem os mitos, cujo papel social é dar forma aos anseios inconscientes do povo. Compara, inclusive, a lenda de Jesus com a de Guilherme Tell, na Suíça. Todos sabem tratar-se de uma lenda nacional, todavia, Guilherme Tell é ali reverenciado como herói verdadeiro e real. Seu nome promove a união política dos cantões, embora falem línguas diferentes.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
É possível que o mesmo aconteça em relação a Jesus e o cristianismo. Estando em jogo interesses de ordem social, política e, sobretudo, econômica, os líderes cristãos preferem deixar o mito de pé, pois enquanto houver cristãos, sua profissão estará garantida e os lucros continuarão sendo por eles auferidos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O que se faz necessário é que o povo seja esclarecido acerca dos assuntos de crenças e religiões nos termos da verdade, da razão e da lógica, a fim de que, se libertando dos velhos preconceitos e tabus, possa enfim ver o mundo e as coisas em sua realidade objetiva.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
E não ignoramos qual a realidade objetiva que predomina no cristianismo: é a exploração dos menos aquinhoados intelectual e economicamente. Quem mais contribui para as campanhas da Igreja são aqueles que menos possuem, cuja mente encontra-se obstruída pelas ideias e crenças religiosas. Sua pobreza material alia-se à pobreza intelectual.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Uma boa dose de conhecimentos científicos é certamente a melhor maneira de remover os obstáculos à libertação do homem, criados pelos lideres religiosos, em suas pregações. Entretanto, sabemos que nem sempre é possível a aquisição de tais conhecimentos. Muitos são os fatores que se interpõem entre o homem pobre, o operário, o trabalhador, e a cultura. Um desses fatores, por sinal, muito ponderável, é o econômico-financeiro. Como fazer para ir à escola, comprar livros, etc, se tem que trabalhar duro pela vida, e o que ganha mal dá para sobreviver?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Bem poucos são os que conseguem reunir os conhecimentos necessários que lhe permitam enxergar mais longe e romper as invisíveis cadeias que os prendem aos dogmas e preconceitos ultrapassados pela razão e pela ciência.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O mais cômodo para aqueles deserdados será esperar a recompensa das agruras da vida no céu, após a morte. Afinal de contas, os padres e os pastores estão aí para isto: vender Deus e o céu a grosso e no varejo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Tobias Barreto escreveu estes inolvidáveis versos:&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
“&lt;em style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;Se é sempre o mesmo engodo;&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;br style=&quot;font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot; /&gt;&lt;em style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;Se o homem chora e continua escravo;&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;br style=&quot;font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot; /&gt;&lt;em style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;De que foi que Jesus salvar-nos veio?&lt;/em&gt;”&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Poderá alguém responder a tal interrogação satisfatoriamente? Provavelmente não.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
É possível que, movido pela mesma razão, Proudhon tenha escrito: “&lt;em style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;Os que me falam em religião querem o meu dinheiro ou a minha liberdade&lt;/em&gt;”. Desta forma, em poucas palavras, ficou bem claro o sentido e o objetivo da religião: subtrair ao indivíduo a sua liberdade de pensamento e de ação, e, com ela, o seu dinheiro.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;III&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
As Falsificações&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Vimos, assim, que os únicos autores que poderiam ter escrito a respeito de Jesus Cristo, e como tal foram apresentados pela Igreja, foram Flávio Josefo, Tácito Suetonio e Plínio. Invocando o testamento de tais escritores, pretendeu a Igreja provar que Jesus Cristo teve existência física, e incutir como verdade na mente dos povos todo o romance que gira em torno da personalidade fictícia de Jesus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Contudo, a ciência histórica, através de métodos modernos de pesquisa, demonstra hoje que os autores em questão foram falsificados em seus escritos. Estão evidenciadas súbitas mudanças de assunto para intercalações feitas posteriormente por terceiros. Após a prática da fraude, o regresso ao assunto originalmente abordado pelo autor.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Tomemos, primeiramente, Flávio Josefo como exemplo. Ele escreveu a história dos acontecimentos judeus na época em que pretensamente Jesus teria existido. Os falsificadores aproveitaram-se então de seus escritos e acrescentaram: “Naquele tempo nasceu Jesus, homem sábio, se é que se pode chamar homem, realizando coisas admiráveis e ensinando a todos os que quisessem inspirar-se na verdade. Não foi só seguido por muitos hebreus, como por alguns gregos. Era o Cristo. Sendo acusado por nossos chefes do nosso país ante Pilatos, este o fez sacrificar. Seus seguidores não o abandonaram nem mesmo após sua morte. Vivo e ressuscitado, reapareceu ao terceiro dia após sua morte, como o haviam predito os santos profetas, quando realiza outras mil coisas milagrosas. A sociedade cristã, que ainda hoje subsiste, tomou dele o nome que usa”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Depois deste trecho, passa a expor um assunto bem diferente no qual refere-se a castigos militares infligidos ao populacho de Jerusalém. Mais adiante, fala de alguém que conseguira seus intentos junto a uma certa dama fazendo-se passar como sendo a humanização do deus Anubis, graças aos ardis dos sacerdotes de Ísis. As palavras a Flávio atribuídas são as de um apaixonado cristão. Flávio jamais escreveria tais palavras, porquanto, além de ser um judeu convicto, era um homem culto e dotado de uma inteligência excepcional.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O próprio Padre Gillet reconheceu em seus escritos ter havido falsificações nos textos de Flávio, afirmando ser inacreditável que ele seja o autor das citações que lhe foram imputadas. Além disso, as polêmicas de Justino, Tertuliano, Orígenes e Cipriano contra os judeus e os pagãos demonstram que Flávio não escreveu nem uma só palavra a respeito de Jesus. Estranhando o seu silêncio, classificaram-no de partidário e faccioso. No entanto, um escritor com o seu mérito escreveria livros inteiros acerca de Jesus, e não apenas um trecho. Bastaria, para isto, que o fato realmente tivesse acontecido. Seu silêncio, no caso, é mais eloquente do que as próprias palavras.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Exibindo os escritos de Flávio, Fócio afirmava que nenhum judeu contemporâneo de Jesus ocupara-se dele. A luta de Fócio, que viveu entre os anos de 820 a 895, e foi patriarca de Constantinopla, teve ensejo justamente por achar desnecessário a Igreja lançar mãos de meios escusos para provar a existência de Jesus. Disse que bastaria um exemplar autêntico não adulterado pela Igreja e fora do seu alcance para por em evidência as fraudes praticadas com o objetivo de dominar de qualquer forma. Embora crendo em Jesus Cristo, combateu vivamente os meios sub-reptícios empregados pelos Papas, razão porque foi destituído do patriarcado bizantino e excomungado. De suas 280 obras, apenas restou o “Myriobiblion”, tendo o resto sido consumido, provavelmente por ordem do Papa.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Tácito escreveu: “Nero, sem armar grande ruído, submeteu a processos e a penas extraordinárias aos que o vulgo chamava de cristãos, por causa do ódio que sentiam por suas atrapalhadas. O autor fora Cristo, a quem, no reinado de Tibério, Pôncio Pilatos supliciara. Apenas reprimida essa perniciosa superstição, fez novamente das suas, não só na Judeia, de onde proviera todo o mal, senão na própria Roma, para onde de confluíram de todos os pontos os sectários, fazendo coisas as mais audazes e vergonhosas. Pela confissão dos presos e pelo juízo popular, viu-se tratar-se de incendiários professando um ódio mortal ao Gênero humano”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Conhecendo muito bem o grego e o latim, Tácito não confundiria referências feitas aos seguidores de Cristo com os de Crestus. As incoerências observadas nessa intercalação demonstram não se tratar dos cristãos de Cristo, nem a ele se referir. Lendo-se o livro em questão, percebe-se perfeitamente o momento da interpelação. Afirmar que fora Cristo o instigador dos arruaceiros é uma calúnia contra o próprio Cristo. E conforme já referimos anteriormente, os cristãos seguidores de Cristo eram muito pacatos e não procuravam despertar atenção das autoridades para si. Como dizer em um dado momento que eles eram retraídos e, em seguida, envolvê-los em brigas e coisas piores? É apenas mais uma das contradições de que está repleta a história da Igreja.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Ganeval afirma que foram expulsos de Roma os hebreus e os egípcios, por seguirem a mesma superstição. Deduz-se então que não se referia aos cristãos, seguidores de Jesus Cristo. Referia-se aos Essênios, seguidores de Crestus, vindos de Alexandria. A Igreja não conseguiu por as mãos nos livros de Ganeval, o que contribuiu ponderavelmente para lançar uma luz sobre a verdade. Por intermédio de seus escritos, surgiu a possibilidade de provar-se a quais cristãos, exatamente, referia-se Tácito.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Suetônio teria sido mais breve em seu comentário a respeito do assunto. Escreveu que “Roma expulsou os judeus instigados por Crestus, porque promoviam tumultos”. É evidente, também, a falsificação praticada em uma carta de Plínio a Trajano, quando perguntava o que fazer aos cristãos, assunto já abordado anteriormente. O referido texto, após competente exame grafotécnico, revelou-se adulterado. É como se Plínio quisesse demonstrar, não apenas a existência histórica de Jesus, mas sua divindade, simbolizando a adoração dos cristãos. É o quanto basta para evidenciar a fraude.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Se Jesus Cristo realmente tivesse existido, a Igreja não teria necessidade de falsificar os escritos desses escritores e historiadores. Haveria, certamente, farta e autêntica documentação a seu respeito, detalhando sua vida, suas obras, seus ensinamentos e sua morte. Aqueles que o omitiram, se tivesse de fato existido, teriam falado dele abundantemente. Os mínimos detalhes de sua maravilhosa vida seriam objeto de vasta explanação. Entretanto, em documentos históricos não se encontram referências dignas de crédito, autênticas e aceitáveis pela história. Em tais documentos, tudo o que fala de Jesus e sua vida é produto da má-fé, da burla, de adulterações e intercalações determinadas pelos líderes cristãos. Tudo foi feito de modo a ocultar a verdade. Quando a verdade esta ausente ou oculta, a mentira prevalece. E há um provérbio popular que diz: “A mentira tem pernas curtas”. Significa que ela não vai muito longe, sem que não seja apanhada. Em relação ao cristianismo, isto já aconteceu. Um número crescente de pessoas vai, a cada dia que passa, tomando conhecimento da verdade. E, assim, restam baldados os esforços da Igreja, no que concerne aos ardis empregados na camuflagem da verdade, visando alcançar escusos objetivos.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;IV&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
O Doloroso Silêncio Histórico&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A existência de Jesus Cristo é um fato jamais registrado pela história. Os documentos históricos que o mencionam foram falsificados por ordem da Igreja, num esforço para provar sua pretensa existência, apesar de possuir provas de que Jesus é um mito. E assim agiu, movida pelo desejo de resguardar interesses materiais. Ganeval apontou a semelhança entre o culto de Jesus Cristo e o de Serapis. Ambos são uma reencarnação do deus “Phalus”, que, por sua vez, era uma das formas de representação do deus Sol.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Irineu chegou a afirmar que o deus dos cristãos não era homem nem mulher. Papias cita trechos dos Evangelhos, mostrando que se referiam ao Cristo egípcio. Referindo-se ao “logos”, que seria Jesus Cristo, disse ter sido ele apenas uma emanação de Deus, produzida à semelhança do Sol. É bom lembrar que essas opiniões divergentes entre si são de três teólogos do cristianismo. Essas opiniões foram emitidas quando estava acesa a luta de desmentidos recíprocos da Igreja contra os seus numerosos opositores, ou seja, os que desmentiam a existência física de Jesus. Então, criaram uma filosofia abstrata, baseando-se nos escritos de Filon.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Ganeval, baseando-se em Fócio, disse que Eudosino, Agápio, Carino, Eulógio e outros teólogos do cristianismo primitivo não tiveram um conceito real nem físico de Jesus Cristo. Disse mais, que Epifânio, falando sobre as seitas heréticas dos marcionítas, valentinianos, saturninos, simonianos e outros, falava que o redentor dos cristãos era Horus, o filho de Ísis, um dos três deuses da trindade egípcia, que mais tarde viria a ser Serapis.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Ganeval afirmou ainda que os docetistas negavam a realidade de Jesus, e, para refutar a negação, o IV Evangelho põe em relevo a lança que fez sair água e sangue do corpo de Jesus, com o intuito de provar sua existência física. Segundo Jerônimo, esses docetistas teriam sido contemporâneos dos apóstolos. Lembra ainda que o imperador Adriano, viajando em 131 para Alexandria, declara que “o deus dos cristãos era Serapis, e que os devotos de Serapis eram os mesmos que se chamavam os bispos de cristãos”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Adriano, decerto, estava com a verdade. Documentos daquela época informam que existiam os atuais Evangelhos, assim como Tácito informa que os hebreus e os egípcios formavam uma só superstição. Os escritos de Filon não se referem a Jesus Cristo, conforme pretenderam fazer crer os falsificadores, mas a Serapis. Quando havia referências aos cristãos terapeutas, afirmavam que se falava dos cristãos de Jesus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Por sua vez, Clemente de Alexandria e Orígenes escreveram negando Jesus e falando em Cristo, o qual seria Crestus. No entender de Fócio, tudo isso não passava de fabulação mítica, não tendo existido Jesus nem Cristo, de que a Igreja criou o seu Jesus Cristo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Duquis e Volney, fazendo o estudo da mitologia comparada, mostram de onde retiraram Jesus Cristo: do próprio mito. Filon, escrevendo a respeito dos cristãos terapeutas, disse que o seu teor de vida era semelhante ao dos cristãos e essênios. Abandonavam bens e família para seguir apaixonadamente aos sacerdotes. Epifânio escreveu que os cristãos terapeutas viviam junto do lago Mareótides, tendo os seus Evangelhos e os seus apóstolos. É sobre esses cristãos que Filon escreveu. Se os cristãos seguidores de Jesus Cristo já existissem, Filon não poderia deixar de falar deles. Quando do pretenso nascimento de Cristo, Filon contava apenas 25 anos de idade. Os Evangelhos, tendo surgido muito tempo após a morte de Filon e de Jesus, não poderiam ser os do cristianismo por ele referido.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Clemente de Alexandria e Orígenes não criam na encarnação nem na reencarnação, motivo porque não creram na encarnação de Jesus Cristo, embora fossem padres da Igreja. Orígenes morreu em 254.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Fócio escreveu sobre “Disputas” de Clemente e afirmou que ele negara a doutrina do “Logos”, dizendo que o “Verbo” jamais se encarnou, afirmação igualmente feita por Ganeval. Analisando os quatro volumes de “Principia”, de Orígenes, percebe-se que o “Logos” ou o “Verbo” era o mesmo sopro de Jeová, referido por Moisés. Fócio, tendo-se escandalizado com isso, disse que Orígenes era um blasfemo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Apenas analisando como se referia ao Verbo, a Crestus e ao Salvador, é que se pode excluir a possibilidade da existência física de Jesus. Tratá-lo-iam de modo bem diferente, se tivesse realmente existido.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;V&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
Um Jesus Cristo Não Histórico&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A história, conforme mencionamos, não tem registro da existência de Jesus Cristo. Os autores que temos em apreço e que seriam seus contemporâneos omitiram-se completamente. Os documentos históricos que o mencionam, fazem-no esporadicamente, e bem assim revelam-se rasurados e falsificados, motivo pelo qual de nada adiantam, neste sentido, para a história. É óbvio, portanto, que a história não poderia registrar um evento que não aconteceu.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Tomando conta da história, o cristianismo deixou-a na contingência de referir o nome de Jesus Cristo como sendo um deus antropomorfizado, mas nunca uma pessoa de carne e&amp;nbsp;&lt;em style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;ossos&lt;/em&gt;&amp;nbsp;que tenha realmente vivido.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Ao fazê-lo, principia por um estudo filológico e etimológico dos termos “Jesus” e “Cristo”, e termina mostrando que os dois nomes foram reunidos em um só, para ser dado posteriormente a um indivíduo. O termo “Jesus” significa salvador, enquanto que “Cristo” é o ungido do Senhor, o “oint” dos judeus, o Messias esperado doe judeus. Nesse estudo, a história mostra que a crença messiânica havia tomado a orla do Mediterrâneo a partir do século II antes de nossa era. O norte da África, o sul da Europa, a Ásia Menor, estavam todos repletos de Messias e Cristos, e de milhares de pessoas que os seguiam e neles criam.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Ao referir-se aos pretensos Messias, o Talmud deu esse nome até mesmo a diversos reis pagãos, como no caso de Ciro, conforme está em Isaias 44:1, ou ao rei de Tiro, como está em Ezequiel 28:14 e nos Salmos, quando se verifica que os nomes de Jesus e de Cristo já vinham sendo atribuídos a diversos líderes religiosos da Antiguidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
As fontes pesquisadas pela história mostraram que Jesus Cristo, ao ser estudado como fato histórico, só pode ser encarado como sendo o “ungido do Senhor”, uma personalidade de existência abstrata apenas, não tendo possuído contextura física pelo que deixou de ser histórico. É apenas uma figura simbólica, através da qual a humanidade tem sido ludibriada de há muitos séculos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Cumprindo seu dever de informar, a história põe diante dos olhos do crente e do estudioso as provas de que foi a luta dos líderes cristãos a partir do século II para que o mito Jesus Cristo adquirisse a consistência granítica que levou a crença religiosa dos europeus da Idade Média sob o guante do criminoso absolutismo dos reis e dos Papas de então.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Este estudo demonstra que Jesus Cristo foi concebido no século II para cumprir um programa messiânico elaborado pelos profetas e pelos compiladores do Velho Testamento e das lendas, sob o seu pretenso nome. Vê-se, então, que os passos de Jesus pela terra aconteceram conforme o Talmud, para que se cumprissem as profecias que o judaísmo havia inventado.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Jesus Cristo pode ser considerado o ator no palco. Representou o drama do Gólgota e retirou-se da cena ao fim da peça. Mateus 1:2 descreve-nos um Jesus Cristo que nasce milagrosamente, apenas para que se cumprissem as escrituras. Em 2:5 diz que nasceu em Belém, porque foi ali que os profetas previram que nasceria. Em 2:14 deixa-o fugir para o Egito, para justificar estas palavras: “Meu filho será chamado do Egito”. Em 2:23 faz José regressar a Nazaré porque Jesus deveria ser nazareno. Em 3:3 promove o encontro de Jesus com João Batista, porque Isaías predissera-o. Em 4:4 Jesus foi tentado pelo diabo, porque as escrituras afirmaram que tal aconteceria e que ele resistiria. Em 4:14 leva Jesus para Carfanaum para conferir outra predição de Isaías. Em 4:12 Jesus diz que não se deve fazer aos outros senão aquilo que gostaríamos que a nós fosse feito, porque isto também estava na lei dos profetas. Em 7:17 Jesus cura os endemoniados, conforme predissera Isaías. Em 11:10-14 Jesus palestra com João Batista porque assim predissera Elias. Em 12:17 Jesus cura as multidões, quando pede que não propalem isso, igualmente dando cumprimento às palavras de Isaías. Em 12:40 permanece sepultado durante três dias porque os deuses do paganismo, os deuses solares ou redentores, também estiveram; como Jonas, que foi engolido por uma baleia, a qual depois de três dias jogou para fora, intacto como se nada tivesse acontecido. E tudo isto aconteceu em um mar onde não há possibilidade de vida para esse cetáceo, portanto, só poderia acontecer graças aos milagres bíblicos. Em 13:14 diz que Jesus falava por meio de parábolas, como Buda também o fez. Assim também falavam os antigos taumaturgos, para que apenas os sacerdotes entendessem; assim só eles seriam capazes de interpretar para os incautos e crédulos religiosos, e, afinal, porque Isaías assim o previa. Em 21:14 Jesus entra em Jerusalém montado em um burreco, conforme as profecias. Em 26:54 Jesus diz que não foi preso pelo povo quando junto dele se assentou no templo para ensinar, porque também estava previsto. Em 27:9 Judas trai a Jesus, vendendo-o por trinta dinheiros e recebendo à vista o preço da traição. Em 27:15 os soldados repartem entre si as roupas do crucificado.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Apenas o cumprimento desta profecia choca-se frontalmente com a história. E, de acordo com ela, nessa época não havia legionários romanos na Palestina. Lucas 23:27 diz que Jesus mandou comprar espadas, para que assim fosse confundido com os malfeitores comuns, porque assim estava previsto. Em seguida, diz que Jesus, ao ensinar aos seus apóstolos, afirmava que tudo o que lhe acontecesse, era para que estivesse de acordo com o que escreveram Moisés e os profetas, e como estava descrito nos salmos. Em 24:44-46 diz que Jesus afirmou “Como era necessário que Cristo padecesse e ressuscitasse ao terceiro dia, dentre os mortos”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Para ficar de acordo com as previsões testamentárias, João 19:27 diz que Jesus teve sede e pediu água. Em 19:30, ao beber a água, disse que era vinagre e exclamou: “Tudo se cumpriu”. Em 19:32-37 diz que não lhe quebraram nenhum osso, apenas o feriram com a lança para verificar se havia expirado. E isto também estava predito. Por ai, percebe-se que tudo ali é puro simbolismo, e que Jesus foi idealizado apenas para cumprir as escrituras. Está ai uma prova de que a existência de Jesus nada mais é do que uma fabulação evangélica. Do mesmo modo que inventaram as profecias, inventaram alguém para cumpri-las. Tanto é verdade, que os judeus que ainda hoje acreditam em profecias, não aceitaram Jesus como tendo sido o Messias prometido pelo Talmud.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Além disso, os seus escritores esgotaram todos os argumentos possíveis com o fim de provar que Jesus não foi um acontecimento palestino, e que não passou de um romance escrito pelos judeus dispersos e dos que se aproveitaram do messianismo judeu para criar uma empresa comercial, como tem sido o Vaticano.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O messianismo não foi uma lenda que tenha atingido a todas as classes sociais judias. Essa lenda foi criada pelos sacerdotes judeus visando com isso ajudar ao povo da rua a suportar melhor as agruras da pobreza e não reagir contra as classes privilegiadas. Essas promessas são cumpridas pelos sacerdotes, a seu modo, a fim de que o pobre viva de esperanças e não sinta que o rico continua metendo as mãos em seus bolsos, impunemente. O homem do povo raramente compreende a finalidade desse tipo de engodo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O Talmud traz uma porção de profecias, e ao mesmo tempo critica aos que lhes dão crédito. A crítica representa uma evolução do pensamento das lideranças judias. Um estudo comparado do judaísmo e do cristianismo mostra a enorme quantidade de crendices dessas religiões forjadas pelos seus líderes e afastadas pela evolução do conhecimento.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Em nossos dias, o conhecimento atingiu um ponto em que a própria Igreja começou a relegar para um canto os seus ídolos de aspecto humano. O conhecimento humano terminara por vencer definitivamente, provando que todos os deuses e ídolos têm os pés de barro. Nossos antepassados viram muitos ídolos cair. Certas práticas e crenças religiosas ainda permanecem válidas porque os sacerdotes, como bons psicólogos que são, observam o desenvolvimento mental do povo e sabem que uns encontram a verdade, enquanto outros, jamais conseguiram alcançá-la.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Idealizando um Jesus Cristo adaptado às profecias talmúdicas, criaram um personagem incoerente e inseguro, o que nos dá a medida exata do quilate mental dos seus criadores. Podiam ser espertos, mas nunca inteligentes ou cultos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Não deve ter sido tarefa das mais fáceis a de adaptar um Cristo vindo para cumprir as profecias no fanatismo das populações ignaras. Foi um trabalho de titãs não acorrentados à verdade, nem à sinceridade que o homem deve ao seu semelhante. Nunca foi fácil transformar uma fantasia em realidade. Por isso, o cristianismo teve de valer-se da espada de Constantino e das armas de seus legionários para impor dogmaticamente o que a razão e o conhecimento jamais aceitariam passivamente. Nos dois primeiros séculos do cristianismo, cada qual queria ser o primeiro e mandar mais e, se possível, ficar sozinho. Tivemos muitos reis e Papas analfabetos, atestando o primarismo dos judeus dispersos, como dos lideres europeus da época do lançamento do cristianismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Tentando racionar a teologia do judaísmo e do cristianismo, fizeram de Jeová um deus absurdo e de Jesus um ser irreal, ambos incoerentes, o que se tornou a essência do Talmud e dos Evangelhos. Através de Jesus Cristo, valorizaram as profecias do pretenso profeta Isaías, revitalizando assim o judaísmo e dando seriedade ao Talmud, fazendo dos Evangelhos um amontoado de mentiras e de impossíveis humanos. Assim é que criaram um relato inconsistente, que desmorona completamente em face de uma análise mais profunda.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Scherer escreveu que Jesus não foi um filósofo nem fundador de uma religião. Foi apenas Messias. O sentido da vida de Jesus era apenas dar cumprimento às profecias messiânicas, e tal ideia é o centro dos fatos evangélicos, a razão de ser Jesus. Tendo vindo ao mundo tão-somente para cumprir as profecias, deixou de ser humano e tornou-se um fantasma, ou um símbolo do que nunca teve existência real.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A vida de Jesus e de seus apóstolos desenrola-se apenas como uma peça teatral, na qual Jesus acumula os papéis de deus e de homem. Um dia o público há de convencer-se de que esteve diante de um ser bíblico, sem uma realidade histórica.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Segundo Arthur Weigal, o único testemunho escrito por quem teria convivido com Jesus teria sido a epístola atribuída a Pedro. Teria surgido quando começaram as pretensas perseguições aos cristãos, na qual ele os animava. Entretanto, como a existência de Pedro é igualmente lendária, a epístola em questão não merece fé, tendo sido composta por qualquer cristão, menos pelo mitológico Pedro.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os escritos de Tácito, dadas as adulterações sofridas, carecem de valor histórico. Dai não se poder admitir como verdade que Nero, entre os anos 54 e 68, tenha realmente perseguido aos seguidores de Jesus Cristo. Tertuliano, entretanto, afirma que Pedro foi martirizado no governo de Nero.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Contudo, vários pesquisadores, entre os quais Holmann e Weizsacker, demonstraram que essas perseguições somente começaram a partir do século II. Irineu, no ano 180, achava que a epístola de Pedro fora escrita em 83, mas não por Pedro. Nesta epístola, Pedro dizia que “Jesus sofreu por nós, deixando-nos um exemplo”. Acrescentara ter sido testemunha pessoal dos seus sofrimentos, após os quais subiu ao céu, de onde voltaria em breve. No entanto, sua volta não ocorreu até hoje, apesar de terem se passado dois mil anos. A falta de cumprimento dessa promessa invalida todas as suas afirmações.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Disse Pedro, ainda, que Jesus mandou que se amasse uns aos outros, pagando o mal com o bem, retribuindo a injúria com a bênção. Recomendou a caridade, a hospitalidade e a humildade; o dever de evitar o mal, fazer o bem e buscar a paz, assim como a abstinência da ambição da carne, evitar o rancor, a inveja e a maledicência; a submissão às autoridades, crer em Deus e honrar o rei.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
As epístolas de Paulo viriam em segundo lugar, como importância histórica. Pedro teria aprendido a doutrina cristã na convivência direta com Jesus. Suas epístolas seriam consideradas autênticas por terem sido escritas 20 ou 30 anos após a crucificação. Pedro, assim como Paulo, afirmaram que Jesus voltaria em breve para julgar a humanidade. Contudo, ambos estavam enganados e enganaram aos outros. Paulo teria conhecido pessoalmente a Pedro e a Jaques, um dos irmãos de Jesus Cristo, assim como referia-se a outras pessoas que teriam convivido com Jesus. A crucificação e a ressurreição teriam sido fatos indiscutíveis para Pedro e Paulo, cujos escritos estariam muito próximos dos acontecimentos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Paulo, em I Coríntios 11:1, diz: “Imitam-me como se fosse Jesus”. Teria pregado o amor, a paz, a temperança, a caridade, a alegria, a paciência, a doçura, a confiança e a boa vontade. A lei divina deveria ser interpretada segundo o espírito e não conforme a letra. “Amarás ao próximo como a ti mesmo”, seria um amor paciente, caridoso e humilde.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
As epístolas procuraram estabelecer a historicidade de Jesus, assim como revelar muitos pontos do seu caráter. Jesus teria vivido apenas para redimir a humanidade, não teria pecado, sendo, sem dúvida alguma, o filho de Deus. Papias, em 140, escreveu que Mateus havia colecionado as máximas de Jesus, e Marcos recolhera muitas notas para o Evangelho. Assim, os Evangelhos seriam o espelho de Jesus, contado pelos apóstolos, espalhando entre os homens o ideal de perfeição moral e mental.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
As curas, milagres e pregações de Jesus, em pouco tempo, haviam espalhado o seu nome, galvanizando as multidões, todos sentiam que havia surgido o Messias. Assumiu o papel de Messias e com isso entusiasmou a multidão, pelo que entrou em Jerusalém cercado da emoção e do respeito do povo. Ao anoitecer abandonou a cidade, e, no dia seguinte, ao regressar, encontra muita agitação. As autoridades haviam tomado medidas contra ele. Dois dias antes da páscoa, tomou sua última refeição com os companheiros e ali permaneceu a espera dos acontecimentos, sabendo que o seu reino não era deste mundo. À noite, foi preso, e, no dia seguinte, julgado. O povo quis que o sacrificassem em lugar de Bar Abbas. Seria o sacrifício pascal, rito multimilenar que iria mais uma vez acontecer. Após a morte, sai do sepulcro, ressuscitado, e vai ao encontro dos apóstolos, pede comida, e depois de permanecer algum tempo com eles, ascende ao céu prometendo voltar em breve.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Foi este o retrato feito de Jesus Cristo pelo cristianismo, e que ainda hoje milhões de pessoas adoram. Entre nós, são bem poucos os que põem em dúvida a veracidade desse romance contado pelos judeus da diáspora e aproveitado por seus seguidores latinos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No entanto, a razão e o conhecimento estão se encarregando de destruir a pretensa veracidade desse conto. Muitas coisas consideradas como milagres são hoje conseguidas naturalmente através da ciência, da tecnologia moderna, da medicina, do conhecimento científico em todas as suas modalidades, e mesmo através da hipnose. Diante das conquistas que o homem tem feito, é possível que ele abra os olhos para a verdade e perceba então que Deus jamais se preocupou com sua sorte e com o mundo. A história desmente peremptoriamente que Deus tenha comparecido ao mundo nos momentos de festa ou de dor. O homem foi abandonado à própria sorte e tem lutado muito para sobreviver através dos tempos, e tem obtido sucesso porque está sempre acumulando conhecimentos, os quais emprega em situações futuras.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Diante de tudo o que foi exposto, só nos resta dizer que a história, em dois mil anos, não encontrou uma única prova ou documento que mereça crédito no que diz respeito à vida de Jesus. Sua existência é fictícia e só encontra agasalho no seio da mitologia. Seu nascimento, sua vida, sua morte, sua família, seus discípulos, tudo, enfim, que lhe diz respeito, tem analogia com as crenças, ritos e lendas dos deuses solares, adorados sob diversos nomes e modalidades e por povos diversos, também.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Dele, a história nada sabe.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;VI&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
Jesus e o Tempo&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O mítico dia do nascimento de Jesus Cristo foi oficializado por Dionísio, o Pequeno, no século VI, que marcou no ano 1 do século I, correspondendo ao ano 753 da fundação de Roma, com um erro de previsão calculado em seis anos. Para chegar a essa artificiosa fixação, serviu-se de diversos sistemas de cálculo. Calvísio e Moestrin contaram até 132 sistemas e Fabrício arredondou para 200.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Para uns, teria sido entre 6 e 10 de janeiro, para outros, 19 ou 20 de abril, enquanto outros ainda situavam entre 20 e 25 de março. Os cristãos orientais determinaram a data entre 1 e 8 de janeiro, enquanto os ocidentais escolheram a 6 de janeiro.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Em 375, São João Crisóstomo escreveu que a data de 25 de dezembro foi introduzida pelos orientais. Entretanto, antes do ano 354, Roma já o havia fixado para esta mesma data, segundo o calendário de Bucer. Essas diferenças foram o resultado da preocupação da Igreja em fazer com que o nascimento de Jesus coincidisse e se confundisse com os dos deuses solares, os deuses salvadores, e especialmente com o Deus Invictus, que era Mitra. E era justamente ao mitraismo que a religião cristã pretendia absorver.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No dia 25 de dezembro todas as cidades do império romano estavam iluminadas e enfeitadas para festejar o nascimento de Mitra. A preocupação de ligar o nascimento de Jesus ao de Mitra denota o artificialismo que fundamentou o cristianismo. Foi a divinização do deus dos cristãos às custas da luz do Sol dos pagãos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Foi um dos grandes trabalhos de mistificação da Igreja a confluência dos dois nascimentos para a mesma data. Assim, o nascimento do novo deus apagava da memória do povo a lembrança de Mitra, no fim do inverno.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A tradição religiosa, desde milênios, fizera com que todos os deuses redentores nascessem em 25 de dezembro. Quanto ao lugar de nascimento de Jesus, disseram ter sido em Belém, para combinar com as previsões messiânicas que, fazendo de Jesus um descendente de David, teria a adesão dos judeus incautos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O II e o IV Evangelhos não mencionam o assunto, enquanto o I e o III aludem ao caso, mas se contradizem. Uns dizem que os pais de Jesus moravam em Belém, enquanto outros afirmam que eles ali estavam de passagem. Essa insegurança deve-se ao fato de pretenderem ligar a vida de Jesus à de David, conforme as profecias. Todavia, isto confundia as tendências históricas ligadas ao nascimento dos deuses solares. A preocupação apologética, contudo, invalidou a pretensão histórica.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
De tudo isto resultou que a história pode hoje provar que tudo aquilo que se refere a Jesus é puro convencionalismo, e sua existência é apenas ideal e não real. De modo que a morte dos inocentes nada mais é do que a repetição da matança das criancinhas egípcias, contada no Êxodo. A estrela só pôde ser inventada porque naquele tempo o homem ainda não sabia o que era uma estrela; tanto assim que a Bíblia afirma que Josué fez parar o sol com um aceno de sua mão apenas. Assim, a estrela que guiou os magos é coisa realmente absurda. Antes de tudo, ninguém soube realmente de onde vieram esses reis e onde eram os seus países.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Outros fenômenos relatados como terremotos, trevas e trovões, assinalados pelo Bíblia, não o são pela história dos judeus nem dos romanos. Só os interessados no mito puderam ver tais acontecimentos. Os escritores que relataram fatos ocorridos na Palestina e no Império Romano não transmitiram estes fatos que teriam ocorrido na morte de Jesus à posteridade. Muita coisa pode ter acontecido naqueles tempos, menos as que estão nos Evangelhos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Pilatos, por exemplo, morreu ignorando a existência de Jesus. Os legionários romanos jamais receberam ordens para prendê-lo. Nenhum movimento social, político ou religioso contrário às normas da ocupação surgiu na Judeia, para justificar a condenação de seu líder por Pilatos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Entretanto, Jesus teria sido julgado e condenado pelos sacerdotes judeus, pois Pilatos deixara o caso praticamente em suas mãos e do povo, lavando as suas próprias. Nem Pilatos, nem Caiaz, nem Hannã deixaram qualquer referência acerca desse processo. Nenhum deles poderia dizer qual a aparência física de Jesus. Tertuliano, baseando-se em Isaías, disse que ele era feio, ao passo que Agostinho afirmou que ele era bonito. Uns afirmaram que era imberbe, outros que era barbado. Sua cabeleira espessa e barba fechada resultaram de uma convenção realizada no século XII. O Santo Sudário retrata um Jesus Barbudo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Nada do que se refere a Jesus pode ser considerado ponto pacífico. Tudo é discrepante e contraditório. Ora, se aqueles que tinham e os que ainda têm interesse em defender a veracidade da existência de Jesus não conseguiram chegar a um acordo no que lhe diz respeito, isso não é bom sinal.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Moy escreveu: “Desde que se queira tocar em qualquer coisa real na vida de Jesus, esbarra-se logo na contradição e incoerência”. Por isso, até o aspecto físico de Jesus tornou-se discutível, o que ajuda a provar que ele nunca existiu. De acordo com a história, não se pode aceitar o que está escrito nos evangelhos coma prova de sua existência. Também a Igreja não dispõe de argumentos válidos, nesse sentido. A arqueologia, por outro lado, nada encontrou até aqui capaz de elucidar a questão.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
De tudo isto depreendemos que a existência física de Jesus jamais poderá ser provada de modo irrefutável, e, por conseguinte, é muito difícil ser acatada por homens cultos e amantes da verdade. O romance, as lendas, os contos, a ficção, interessam como cultura, como expressão do pensamento de um povo, e desse modo são perfeitamente aceitos. Entretanto, a apresentação de tais modalidades de cultura como fatos reais, consumados e verdadeiros e como tal serem impostos ao povo, é condenável.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A atitude do cristianismo tem sido, através dos tempos, justamente a que nós acabamos de condenar: a imposição das lendas, do romance e da novela como realidade palpável, como fato verdadeiro e incontestável.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Em sua “Vida de Jesus”, Strauss diz: “Poucas coisas são certas, nas quais a ortodoxia se apoia de preferência — as milagrosas e as sobrehumanas —, as quais jamais aconteceram. A pretensão de que a salvação humana dependa da fé em coisas das quais uma parte é certamente fictícia, outra sendo incerta, é um absurdo, que em nossos dias nem sequer devemos nos preocupar, refutando-o”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Ernest Havet, comparando Jesus com Sócrates, diz que Sócrates é um personagem real, enquanto Jesus é apenas ideal. Homens como Platão e Xenófanes, os quais conviveram com Sócrates, deixaram o seu testemunho a respeito do mesmo. Em seus escritos relatam tudo sobre Sócrates: a vida, o pensamento, os ensinamentos e a morte. E nada do que lhe diz respeito foi adulterado, e, portanto, é autêntico, verdadeiro e indiscutível.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Quanto a Jesus, não teve existência real, e aqueles aos quais se atribui escritos e referências em relação a ele, uns foram adulterados em seus escritos, outros não existiram. Pílatos, que teria autorizado seu sacrifício, omite o fato quando relata os principais acontecimentos de seu governo. Por acaso mandaria matar um deus, e não saberia? Assim, quem descreveu Jesus, apenas imaginou o que ele teria sido, não foi sua testemunha.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Renan disse em sua “Vida de Jesus”: “Nossa admiração por Jesus não desapareceria nem mesmo quando a ciência nada pudesse decidir de certo, e chegasse forçosamente às negações”. Termina dizendo que o divino encontrado pelos cristãos em Jesus é o mesmo que a beleza de Beatriz, que apenas resultou do pensamento de Dante ou de seu gênio literário. Da mesma forma, as belezas de Cristina residem nos sonhos religiosos dos hindus. As maravilhas de Jesus e a beleza de Maria são produtos do gênio inventivo da liderança oradora dos mitos Jesus e Maria.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Se de ambos apenas se diz o bem, há sinal que eles não tiveram existência real. Jesus Cristo é uma criação do homem, o qual esteve em cena apenas para realizar as profecias dos primários profetas judeus. Esta é também a opinião de Didon, exposta em seu livro “Vida de Jesus”. Diz ele que é suspeita a sonegação de quase trinta anos da vida de Jesus à história evangélica.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
“Nós apenas sabemos um nada da vida de Jesus”, escreveu Miron. Os redatores dos Evangelhos e os primeiros autores eclesiásticos, recolhendo as tradições correntes na comunidade cristã, podem ter adquirido alguns fragmentos da verdade; mas como assegurar que, entre tantos elementos mitológicos e legendários, haja algo de verdade? Assim, a vida de Jesus em si é impossível.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Acontece com Cristo o mesmo que acontece com todos os entes legendários: quanto mais os buscamos, menos os encontramos. A tentativa feita até aqui de colar na história, de arrebatar às trevas da teologia, um personagem que até a idade de trinta anos é absolutamente desconhecido, e que depois da referida idade aparece fazendo impossíveis humanos — os milagres — é absurda e ridícula.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Labanca, em “Jesus Cristo”, impugna a possibilidade de uma biografia científica de Jesus, baseando-se na inautenticidade dos Evangelhos, uma vez que os mesmos não tiveram finalidade histórica, mas tão-somente religiosa e propagandística. Jesus não está nos Evangelhos por causa de sua esquisita divindade, mas porque isso convém aos seus lançadores e aos que ainda hoje vivem do seu nome, como rendoso meio de vida.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;VII&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
Jesus Cristo nos Evangelhos&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Assim como a história não tomou conhecimento da existência de Jesus, os Evangelhos igualmente desconhecem-no como homem, introduzindo-o apenas como um deus. Maurice Vernés mostrou com rara mestria que o Velho Testamento não passa de um livro profético de origem apenas sacerdotal, fazendo ver que tudo que ai está contido não é histórico, sendo apenas simbólico e teológico. O mesmo acontece com o Novo Testamento e os Evangelhos. Tudo na Bíblia é duvidoso, incerto e sobrenatural.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Tratando dos Evangelhos, mostra que sua origem foi mantida anônima, talvez de propósito, não se podendo saber realmente quem os escreveu. Por isso, eles começam com a palavra “segundo”; Evangelho segundo Mateus; segundo Marcos. Daí se deduz que não foram eles os autores desses Evangelhos, foram, no máximo, os divulgadores.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Igualmente deixaram em dúvida a época em que foram escritos. A referência mais antiga aos Evangelhos é a de Papias, bispo de Yerápoles, o qual foi martirizado por Marco Aurélio entre 161 e 180. Seu livro faz parte da biblioteca do Vaticano. Irineu e Eusébio foram os primeiros a atribuir a Marcos e a Mateus a autoria dos Evangelhos, mas ambos permanecem desconhecidos da história, como o próprio Jesus Cristo. Destarte, pouco ou nenhum valor têm os Evangelhos como testemunha dos acontecimentos. Se só foram compostos no século III ou IV, ninguém pode garantir se os originais teriam realmente existido.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os primitivos cristãos quase não escreveram, e os raros escritos desapareceram. Por outro lado, no Concílio de Niceia foram destruídos todos os Evangelhos. Esse Concílio foi convocado por Constantino, que era pagão. Daí, devem ter sido compostos outros Evangelhos para serem aprovados por ele ou pelo Concílio. Com isto, perderam sua autenticidade, deixando de ser impostos pela fé para serem-no pela espada.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Celso, no século II, combateu o cristianismo argumentando somente com as incoerências dos Evangelhos. Irineu diz que foram escolhidos os quatro Evangelhos, não porque fossem os melhores ou verdadeiros, mas apenas porque esses provieram de fontes defendidas por forças políticas muito poderosas da época. Os bispos que os apoiaram tinham muito poder político. Informam ainda que antes do Concílio de Niceia os bispos serviam-se indiferentemente de todos os Evangelhos então existentes, os quais alcançaram o número de 315. Até então eles se equivaliam para os arranjos da Igreja. Mesmo assim, os quatro Evangelhos adotados conservaram muitas das lendas contidas nos demais que foram recusados. De qualquer forma, era e continuam sendo todos anônimos, inseguros e inautênticos. Os adotados foram sorteados, e não escolhidos de acordo com fatores valorativos. Mesmo estes adotados desde o Concílio de Niceia sofreram a ação dos falsificadores que neles introduziram o que mais convinha à época, ou apenas a sua opinião pessoal.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Esta é a história dos Evangelhos que, através dos tempos, vêm sofrendo a ação das conveniências políticas e econômicas. Embora a Igreja houvesse se tornado a senhora da Europa, nem por isso preocupou-se em tornar os Evangelhos menos incoerentes. Sentiu-se tão firme que julgou que sua firmeza seria eterna.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os argumentos mais poderosos contra a autenticidade dos Evangelhos residem em suas contradições, incoerências, discordâncias e erros quanto a datas e lugares, e na imoralidade de pretender dar cunho de verdade a velhos e pueris arranjados dos profetas judeus. Essa puerilidade avoluma-se à medida que a crítica verifica o esforço evangélico em tornar realidade os sonhos infantis de uma população ignorante. Para justificar sua ignorância, se dizem inspirados pelo Espírito Santo, o qual também é uma ficção religiosa, resultante da velha lenda judia segundo a qual o mundo era dominado por dois espíritos opositores entre si: o espírito do bem e o do mal. Adquiriram essa crença no convívio com os persas, os egípcios e os hindus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os egípcios tiveram também os seus sacerdotes, os quais escreveram os livros religiosos como o “Livro dos Mortos”, sob a inspiração do deus Anubis. Hamurabi impôs suas leis como tendo sido oriundas do deus Schamash. Moisés, descendo do Monte Sinai, trouxe as tábuas da lei como tendo sido ditadas a ele por Jeová. Maomé, igualmente, foi ouvir do anjo Gabriel, em um morro perto de Meca, boa parte do Alcorão. Allah teria mandado suas ordens por Gabriel.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O conhecimento mostra que as religiões, para se firmarem, têm-se valido muito mais da força física do que da fé. Quanto à verdade, esta não existe em suas proposições básicas. De modo que, Anubis, Schamash, Allah e Jeová nada mais são do que o Espírito Santo sob outros nomes.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Stefanoni demonstrou que todos esses escritos não representam o Espírito Santo, mas o espírito dominante em cada época ou lugar. Assim surgiram os Evangelhos, os quais, como Jesus Cristo, foram inventados para atender a certos fins materiais, nem sempre confessáveis.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
“Não creria nos Evangelhos, se a isso não me visse obrigado pela autoridade da Igreja”. São palavras de Sto. Agostinho. Com sua cultura e inteligência, poderia hoje estar no rol dos que não creem.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;VIII&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
Jesus Cristo é um Milagre&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No que diz respeito a Jesus Cristo, a teologia toma em consideração, sobretudo, o aspecto sobrenatural e os seus milagres. João Evangelista foi trazido para a cena a fim de criar o Logos, o Jesus metafísico, destruindo, assim, o Jesus-Homem. As contradições surgidas em torno de um Jesus saído da mente de pessoas primárias e incultas tornaram-no muito vulnerável à crítica dos mais bem dotados em conhecimento. Então vem João e substitui o humano pelo divino, por ser o mais seguro. O mesmo iria fazer a Igreja no século XV, quando, para abafar, grita contra os que haviam queimado miseravelmente uma heroína nacional dos franceses, tiraram o uniforme do corpo carbonizado de Joana D’Aro e vestiram-lhe a túnica dos santos. O mesmo aconteceu com Jesus: teve de deixar queimar a pele humana que lhe haviam dado, para revestir-se com a pele divina.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A Igreja, na impossibilidade de provar a existência de Jesus-Homem, inventou o Jesus-Deus. Assim atende melhor à ignorância pública e fecha a boca dos incrédulos.&amp;nbsp; Do que relatamos, conclui-se que, no caso de Joana D’Arc, a igreja obteve os resultados esperados. Contudo, continua com as mesmas dificuldades para provar que Jesus Cristo, como homem ou como deus, tenha vivido fisicamente. E não é só. Ela não tem conseguido provar nada do que tem ensinado e imposto como verdade. Falta-lhe argumentos sérios e convincentes para confrontar com o conhecimento científico e com a história sem que sejam refutados.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A Igreja tudo fez para tornar Jesus Cristo a base e a razão de ser do cristianismo. E isto satisfez plenamente a seus interesses materiais nestes dois milênios de vida. Da mesma forma, os portugueses, os espanhóis e os ingleses, de Bíblia na mão e cruz no peito, foram à longínqua África para arrastar o negro como escravo, para garantir a infra-estrutura econômica do continente americano. Jamais se preocuparam em saber se o pobre coitado queria separar-se de seus entes queridos, nem o que estes iriam sofrer com a separação.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A Igreja está realmente atravessando uma crise. Acontece que os processos tecnológicos e científicos descortinam para o homem novos horizontes, e então ele percebe que foi iludido miseravelmente. Sua fé, sua crença e seu deus morrem porque não têm mais razão de ser.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Jesus Cristo foi inicialmente um deus tribal, que teria vindo ao mundo por causa das desgraças dos judeus. Eles sonhavam ser donos do mundo, mas, mesmo assim, foram expulsos até mesmo de sua própria terra. Contudo, o cristianismo ganhou a Europa, com a adesão dos reis e imperadores.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Renan, não conseguindo encontrar o Jesus-Divino, tentou ressuscitar o Jesus-Homem. Mas o que conseguiu foi apenas descrever uma esquisita tragédia humana, cujo epílogo ocorreu no céu. Jesus teria sido um altruísta mandado à terra para que se tornasse uma chave capaz de abrir o céu. Teria sido o homem ideal com que o religioso sonha desde seus primórdios. Existindo o homem ideal, cuja idealidade ficasse comprovada, o histórico seria dispensável. Mas, ao tentar evidenciar um desses dois aspectos, Renan perdeu ambos. Mostrou então que, para provar o lado divino de Jesus, compuseram os Evangelhos. Seu objetivo: relatar exclusivamente a vida de um homem milagroso e não de um homem natural.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Elaborando os Evangelhos, cometeram tantos erros e contradições, que acabaram por destruir, de vez, a Jesus. A exegese da vida de Jesus, baseada no conhecimento e na lógica, separando-se o ideal do real, eles destroem-se mutuamente. Quem descreve o Jesus real, não poderá tocar o ideal, e vice-versa, porque um desmente o outro.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Em suma, os Evangelhos não satisfazem aos estudiosos da verdade livre de preconceitos, destruindo o material e o ideal postos na personalidade mítica de Jesus. A fabulação tanto recobre o humano como o divino.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Verificamos, então, estarmos em presença de mais um deus redentor ou solar. Jesus, através dos Evangelhos, pode ser Brama, Buda, Krishna, Mitra, Horus, Júpiter, Serapis, Apolo ou Zeus. Apenas deram-lhe novas roupas. O Cristo descrito por João Evangelista aproxima-se mais desses deuses redentores do que o dos outros evangelistas. É um novo deus oriental, lutando para prevalecer no ocidente como antes tinha lutado para impor-se no oriente. É um novo subproduto do dogmatismo religioso dos orientais, em sua irracional e absurda metafísica. Por isso, criaram um Jesus divino, não por causa dos seus pretensos milagres, mas por ser o Logos, o Verbo feito carne. Essa essência divina é que possibilitou os milagres. É um deus antropomorfizado, feito conforme o multimilenar figurino idealizado pelo clero oriental. Jesus não fez milagres, ele é o próprio milagre. Nasceu de um milagre, viveu de milagres e foi para o céu milagrosamente, de corpo e alma, realizando assim mais uma das velhas pretensões dos criadores de religiões: a imortalidade da alma humana.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Sendo Jesus essencialmente o milagre, não poderá ser histórico, visto não ter sido um homem normal, comum, passando pela vida sem se prender às necessidades básicas da vida humana. Jesus foi idealizado exclusivamente para dar cumprimento às profecias do judaísmo, é o que verificamos através dos Evangelhos. Tudo quanto ele fez já estava predito, muito antes do seu nascimento.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Jesus surgiu no cenário do mundo, não como autor do seu romance, mas tão-somente como ator para representar a peça escrita, não se sabe bem onde, em Roma ou, talvez, Alexandria. O judaísmo forneceu o enredo, o Vaticano ficou com a bilheteria. E, para garantir o êxito total da peça, a Igreja estabeleceu um rigoroso policiamento da plateia, através da confissão auricular. Nem o marido escapava à delação da esposa ou do próprio filho. O pensamento livre foi transformado em crime de morte. Os direitos da pessoa humana, calcados aos pés. Nunca a mentira foi imposta de modo tão selvagem como aconteceu durante séculos com as mentiras elaboradas pelo cristianismo. À menor suspeita, a polícia tonsurada invadia o recinto e arrastava o petulante para um escuro e nauseabundo calabouço onde as mais infames torturas eram infligidas ao acusado. Depois, arrastavam-no à praça pública para ser queimado vivo, o que, decerto, causava muito prazer ao populacho cristão.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Desse modo, a Igreja tornou-se um verdugo desumano, exercendo o seu poder de modo impiedoso e implacável, ao mesmo tempo em que escrevia uma das mais terríveis páginas da história da humanidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Durante muito tempo o sentimento de humanidade esteve ausente da Europa, e a mentira triunfava sobre a verdade. Milhares de infelizes foram sacrificados porque ousaram dizer a verdade. O poder público apoiava a farsa religiosa, e era praticamente controlado pela Igreja. Aquele que ousasse apontar as inverdades, as incoerências e o irracionalismo básicos do catolicismo, seria eliminado. Tudo foi feito para evitar que o cristianismo fracassasse, devido à fragilidade de seus fundamentos. O que a Igreja jura de mãos postas ser a verdade, é desmentido pelo conhecimento, pela ciência e pela razão.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;IX&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
Jesus Cristo, um Mito Bíblico&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Folheando as páginas da história humana, e não encontrando aí qualquer referência à passagem de Jesus pela terra, nós, estudiosos do assunto, convencer-nos-emos de que ele nada mais é do que um mito bíblico. Pesquisando os Evangelhos na esperança de encontrar algo de positivo, deparamo-nos mais uma vez com o simbolismo e a mitologia. A história que o envolve desde o nascimento até a morte é a mesma do surgimento de inúmeros deuses solares ou redentores.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
É de se notar o cuidado que tiveram os compiladores dos Evangelhos para não permitir que Jesus praticasse senão o que estava estabelecido pelas profecias do judaísmo. Assim, a vida de Jesus nada mais é do que as profecias postas em prática. O cristianismo e os Evangelhos são um modo de reavivamento da chama do judaísmo, ante a destruição do templo de Jerusalém. É uma transformação do judaísmo, de modo a existir dentro dos muros de Roma, de onde, posteriormente, ultrapassou os limites, alcançando boa parte do mundo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O sofrimento que o judaísmo infligiu ao povo pobre deveria ser o suficiente para que se acabasse definitivamente. Acreditamos que a ambição de Constantino é que deu lugar ao alastramento do cristianismo, ou, melhor dizendo, do judaísmo sob novas roupagens e novo enredo. Não fosse isso, a falta de cumprimento das pretensas promessas de Abraão, de Moisés e do próprio Jesus Cristo já teria feito com que o judaísmo e o cristianismo fossem varridos da memória do homem. De há muito o homem estaria convencido da falsidade que é a base da religião.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Idealizaram o cristianismo que, baseado no primarismo da maioria, deu novo alento ao judaísmo, criando assim, o capitalismo e a espoliação internacional. O liberalismo que surgiu graças ao monumental trabalho dos enciclopedistas, é que possibilitou ao homem uma nova perspectiva de vida. A partir do enciclopedismo, os judeus e o judaísmo deixaram de ser perseguidos por algum tempo, e com isto, quase perdeu sua razão de ser.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Ao surgir Hitler e seu irracional nazismo, encontrou quase a totalidade dos judeus alemães integrada de corpo e alma na pátria alemã. O Fuhrer deu então um novo alento ao judaísmo, ao persegui-lo de modo desumano. Graças à perseguição de que foram vítimas os judeus de toda a Europa durante a guerra de 1940, surgiu a justificativa internacional para que se criasse o Estado de Israel. Talvez o Estado de Israel, revivendo sua velha megalomania racial, invalide em sangue a tendência natural para a socialização do mundo e universalização do conhecimento. A socialização do mundo acabaria com a irracional e absurda ideia de ser o judeu um bi-pátrida. Nasça onde nascer, não se integra no meio em que nasce e vive. Daí a perseguição.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os judeus ricos de todo o mundo carreiam para Israel todo o seu dinheiro e, com ele, a tecnologia e o conhecimento alugados. Graças a isto, poderá embasar ali os seus mísseis teleguiados, tudo quanto houver de mais avançado na química, física e eletrônica. Assim, terão meios de garantir a manutenção da sócio-economia estruturada no capitalismo. Esta é uma situação realmente grave, a qual poderá tornar-se dramática no porvir. O poder econômico concentrado em poucas mãos é uma ameaça contra o homem e sua liberdade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Apesar de o cristianismo liderar o movimento que faz do homem e do seu destino o centro das preocupações das altas lideranças sociais, a grande maioria dos homens está marginalizada, porque o poder econômico do mundo acumula-se em poucas mãos. E, se permanecemos crendo em tudo quanto criaram os judeus de dois milênios atrás, isso é sinal de que não evoluímos o bastante para justificar o decurso de tanto tempo. Se o progresso científico e a tecnologia avançada não conseguirem libertar-nos dos mitos, estará patente mais uma vez o estado pueril em que ainda se encontra o desenvolvimento mental do homem. O homem não será de todo livre enquanto permanecer preso às convenções religiosas, as quais possuem como único fundamento o mito e a lenda.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Se assim falamos, não é que estejamos sendo movidos por um antissemitismo ou um anticlericalismo doentio; de modo algum isto é verdadeiro. O que nos motiva tomar em pauta o assunto é o desejo de ver um crescente número de pessoas partilhar conosco do conhecimento da verdade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Temos dito repetidas vezes que tudo aquilo em que se fundamenta o cristianismo é apenas uma compilação de velhas lendas dos deuses adorados por diversos povos. Strauss diz que saiu do Velho Testamento a pretensão de que Jesus encarnar-se-ia em Maria, através do Espírito Santo. Em números, 24:17 estava previsto que uma estrela guiaria os reis magos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Cantu lembra que, juntando-se os livros do Velho Testamento com os do Novo, teremos 72 livros, o mesmo número de anciãos teria Moisés escolhido para subir com ele ao Monte Sinai. O Velho Testamento previa que o povo seguiria a Jesus, mesmo sem conhecê-lo. Seriam os peixes retirados da água pelos apóstolos, e os mesmos da pescaria de São Jerônimo. Moisés teria feito da pedra o símbolo da força de Jeová, por isto, Jesus devia dar a Pedro as chaves do céu.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Oseias 11:1 e Jeremias 31:15-16-4-10-28 profetizam que o Messias seria chamado por Jeová, do Egito, ligado ao pranto de Raquel pelo assassinato dos filhos. Então arranjaram a terrível matança dos inocentes, a qual consta apenas em dois evangelhos, sendo silenciado o assunto pelos outros dois e pelos relatos enviados a Roma.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Strauss lembra também que a discussão de Jesus com doutores do templo, assim como a passagem de Ana e Semeão, bem como a circuncisão, estava tudo previsto no Velho Testamento. Diz ainda que teria ido para Nazaré após o regresso do Egito apenas para que os Evangelhos pudessem atribuir-lhe a alcunha de nazareno. Entretanto, Nazaré não existia, pelo menos naquela época; era uma cidade fantasma, só passando a existir nas páginas dos Evangelhos. Assim, Jesus foi nazareno, não por ter nascido em Nazaré, visto que não poderia nascer em dois lugares, como também não poderia nascer em uma cidade que não existia. Ele foi nazareno por ter sido um comunista essênio. A anunciação e o nascimento de João Batista foram copiados do Talmud.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
As tentações de Jesus pelo demônio, no deserto, segundo Emilio Bossi, foram copiadas das Escrituras. Os quarenta dias passados no deserto são oriundos do cabalismo de Roma e da crença dos babilônios, os quais atribuíam a esse número força cabalística. Por isso, tal número repete-se várias vezes no decorrer das dissertações bíblicas: o dilúvio descrito na Bíblia durou quarenta dias; Moisés esteve quarenta anos na corte do Faraó; passou quarenta anos no deserto, e os ninivitas jejuaram quarenta dias.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Ezequiel teria sido conduzido por um espírito de um lugar para outro, através do espaço. Abraão teria sido tentado pelo demônio; os mesmos episódios passaram ao Novo Testamento, tendo Jesus como protagonista. Perguntamos nós: por que tais coisas não mais se repetem? A resposta só pode ser esta: elas jamais aconteceram. Tudo isto não passa de lendas ou sonhos, os quais foram impostos como fatos reais.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O Talmud diz: “Então se abrirão os olhos aos cegos e os ouvidos aos surdos”. Jesus teria de dizer: “Então o coxo pulará como o cervo e a língua dos mudos se soltará”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Em Lucas 4:27 Jesus cura Naamã, reproduzindo uma cura efetuada por Eliseu, de um outro leproso. Elias e Eliseu ressuscitaram mortos, por seu lado, Jesus ressuscitaria a Lázaro. Os discípulos de Jesus, não sabendo como curar os endemoniados, recorrem ao Mestre. Passagem semelhante está em Eliseu, cujo servo teria recorrido a ele para curar o filho da sunamita. A multiplicação dos pães e dos peixes é a repetição de Moisés no deserto, fazendo cair maná e cordonizes. Moisés transformou as águas do rio em sangue e Jesus transforma a água em vinho.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Em Jeremias 7:11 e Isaías 56:7 está escrito que o templo não deve se converter em um covil de ladrões, o que leva os evangelistas a dizer que Jesus expulsou os mercadores do templo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A transfiguração de Jesus é a mesma coisa que aconteceu a Moisés, ao subir ao Monte Sinai, quando encontrou com Jeová. Aliás, Moisés havia prometido que viria um profeta semelhante a ele. A traição de Judas repete o mesmo acontecimento em relação a Crestus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A prisão de Jesus foi descrita de modo igual no Talmud. A fuga dos apóstolos estava prevista por Isaías. Jesus foi crucificado na Páscoa, representando o cordeiro pascal.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Essas comparações patenteiam a existência do cristianismo muito antes de Filon. Donde se deduz que Jesus foi inventado de acordo com as Escrituras, sem esquecer de anexar as ideias de Filon ao relato de sua pretensa vida. Fócio demonstrou que os Evangelhos foram copiados de Filon. São Clemente e Orígenes, embora fossem padres da Igreja, orientaram-se por Filon e não pelo bispo de Roma.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Estas citações seriam suficientes para se provar que Jesus jamais existiu. É apenas um produto da mente clerical, a qual o compôs baseada em mitos e lendas.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;X&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
As Contradições sobre Jesus Cristo&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Como tudo o mais que se refere à existência de Jesus na terra, também a sua ascendência é objeto de controvérsias. Segundo Mateus e Lucas, Jesus descende ao mesmo tempo de David e do Espírito Santo. Entretanto, como filho do Espírito Santo, não poderá descender de José, consequentemente deixa de ser descendente de David e o Messias esperado pelos judeus. Assim, Jesus ficará sendo apenas Filho de Deus, ou Deus, visto ser uma das três pessoas da trindade divina.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Em ambos os evangelhos acima citados há referências quanto a data de nascimento de Jesus, mas tais referências são contraditórias o Jesus descrito por Mateus teria onze anos quando nasceu o de Lucas. Mateus diz que José e Maria fugiram apressadamente de Belém, sem passar por Jerusalém, indo direto para o Egito, após a adoração dos Reis Magos. Herodes iria mandar matar as criancinhas. Todavia, Lucas diz que o casal estivera em Jerusalém e acrescenta a narração da cena de que participaram Ana e Semeão. De modo que um evangelista desmente o outro. Lucas não alude à matança das criancinhas, nem à fuga para o Egito.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Por outro lado, Marcos e João não se reportam à infância de Jesus, passando a narrar os acontecimentos de sua vida a partir do seu batismo por João Batista.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Mateus que conta o regresso de Jesus, vindo do Egito e indo para Nazaré, deixa-o no esquecimento, voltando a ocupar-se dele somente depois dos seus trinta anos, quando ele procura João Batista. Diz ainda que João já o conhecia e, por isto, não o queria batizar, por ser um espírito superior ao seu.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Lucas narra a discussão de Jesus com os doutores da lei, aos doze anos de idade. Sendo perguntado pela mãe sobre o que estava ali fazendo, teria respondido que se ocupava com os assuntos do pai.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Emilio Bossi, referindo-se a esta passagem, estranha a atividade da mãe. Se o filho nascera milagrosamente, e ela não o ignora, só poderia esperar dele uma sequência de atos milagrosos. Mesmo a sua presença no templo, entre os doutores, não deveria causar preocupação à sua mãe, visto saber ela que o filho não era uma criança qualquer, e sim um Deus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Lucas diz que os samaritanos não deram boa acolhida a Jesus, o que muito irritara a João. Contudo, João, o Evangelista, diz que os samaritanos deram-lhe ótima acolhida e, inclusive, chamaram-no de salvador do mundo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os evangelistas divergem também quanto ao relato da instituição da eucaristia. Três deles afirmam que Jesus instituiu-a no dia da Páscoa, enquanto João afirma que foi antes. Enquanto os três descrevem como aconteceu, João silencia.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Na última noite Jesus estava muito triste, como, aliás, permaneceria até a morte. Pondo o rosto em terra, orou durante muito tempo. Segundo os evangelistas, ele estava de tal modo triste e conturbado que teria suado sangue, coisa, aliás, muito estranha, nunca verificada cientificamente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Enquanto isto, seus companheiros dormiam despreocupadamente, não se incomodando com os sofrimentos do Mestre. Entretanto João não fala sobre esse estado de alma do Mestre. Pelo contrário, diz que Jesus passara a noite conversando, quando se mostrava entusiasta de sua causa e completamente tranquilo. Lucas, Mateus e Marcos afirmam que o beijo de Judas denunciara-o aos que vieram prendê-lo. Todavia, João diz que foi o próprio Jesus quem se dirigiu aos soldados dizendo-lhes tranquilamente: “Sou eu”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Lucas é o único que fala no episódio da ida de Jesus de Pilatos para Herodes Antipas. Os outros caem em contradição quanto à hora do julgamento pelo Conselho dos Sacerdotes em presença do povo. João não fala a respeito do depoimento de Cireneu, nem na beberagem que teriam dado a Jesus. Omite-se ainda quanto à discussão dos dois ladrões, crucificados com Jesus, e quanto à inscrição posta sobre a cruz.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
De forma que seu relato é bastante diferente daquilo que os outros contaram. E as divergências continuam ainda no que concerne ao quebramento das pernas, ao embalsamamento, à natureza do sepulcro e ao tempo exato em que ele esteve enterrado. Quanto ao embalsamamento, por exemplo, há muita coisa que não foi dita. Teriam retirado seu cérebro e intestinos como se procede normalmente nesses casos? Se a resposta for positiva, como explicar o fato de Jesus, após a ressurreição, pedir comida? Como se vê, as verdades bíblicas são além de controvertidas, incompreensíveis.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Lucas diz que Jesus referiu-se aos que sofrem de fome sede, enquanto Mateus diz que ele se referia aos que têm fome e sede de justiça, aos pobres de espírito. Uns afirmam que Jesus tratara os publicanos com desprezo e ódio, outros dizem que ele se mostrou amigável em relação a eles. Para uns, Jesus teria dito que publicassem as boas obras, para outros, que nada dissessem a respeito. Uma hora Jesus aconselha o uso da força física e da resistência, mandando até que comprassem espada; noutra, ameaça os que pretendem usar a força.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Marcos, Mateus e Lucas dizem que Jesus recomendara o sacrifício. Entretanto, não tomou parte em nenhum deles.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Mateus diz que Jesus afirmou não ter vindo para abolir a lei nem os profetas, enquanto Lucas diz que ele afirmara que isso já estava no passado, já tivera o seu tempo. Os três afirmam ainda que Jesus apenas pregara na Galileia, tendo ido raramente a Jerusalém, onde era praticamente desconhecido. Todavia, João diz que ele ia constantemente a Jerusalém, onde realizara os principais atos de sua vida. As coisas ficam de modo que não se sabe quem disse a verdade, ou, melhor dizendo, não sabemos quem mais mentiu. Ora, se Jesus tivesse realmente praticado os principais atos de sua vida em Jerusalém, seria conhecido suficientemente, e, então, não teriam que pagar a Judas 30 dinheiros para entregar o Mestre.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
João, que teria sido o precursor do Messias, não se fez cristão, não seguiu a Jesus, pregando apenas o judaísmo no aspecto próprio. Entretanto, depois de preso, enviou um mensageiro a Jesus, indagando-lhe: “És tu que hás de vir, ou teremos de esperar um outro?”, ao que Jesus teria respondido: “Você é o profeta Elias”. Talvez houvesse esquecido que o próprio João antes já declarara isso mesmo. Contam os Evangelhos que, desde a hora sexta até Jesus exalar o último suspiro, a terra cobriu-se de trevas. Contudo, nenhum escritor da época comenta tal acontecimento.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Marcos 25:25 diz que Jesus foi sacrificado às 9 horas. João diz que ao meio dia ele ainda não havia sido condenado à morte, e acrescenta que, a esta hora, Pilatos tê-lo-ia apresentado ao povo exclamando: “Eis aqui o vosso rei”!&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Emilio Bossi assinala detalhadamente todas estas contradições, e as que se deram após a pretensa ressurreição, dizendo que nada do que vem nos Evangelhos deve ser levado a sério. O sobrenatural é o clima em que se encontra a Bíblia, e esta é apenas o resultado da combinação de crenças e superstições religiosas dos judeus com as de outros povos com os quais conviveram.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;XI&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
As Contradições Evangélicas&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Mateus e Marcos afirmam enfaticamente que os discípulos de Jesus abandonaram tudo para segui-lo, sem sequer perguntar antes quem era ele. Em Mateus, lê-se que Jesus teria afirmado que não viera para abolir as leis de Moisés. Contudo, esta seria uma afirmativa sem sentido algum, visto que hoje sabemos que os livros atribuídos a Moisés são apócrifos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Segundo João, quando Jesus falou ao povo, foi por este acatado e proclamado rei de Israel, aos gritos de “Hosanna”. Mas, um pouco adiante, ele se contradiz, afirmando que o povo não acreditou em Jesus, e imprecando contra ele, ameaçava-o a ponto de ele haver procurado esconder-se.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Mateus diz que Jesus entrara em Jerusalém, vitoriosamente, quando a multidão tê-lo-ia recebido de modo festivo, e marchando com ele, juncava o chão com folhas, flores e com os próprios mantos, gritando: “Hosanna ao Filho de David! Bendito seja o que vem em nome do Senhor!” Aos que perguntavam quem era, respondiam “Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia”. No entanto, outros evangelistas afirmam que ele era um desconhecido em Jerusalém.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Disseram que Pilatos estava convencido da inocência de Jesus, razão porque teria tentado salvá-lo, abandonando-o logo a seguir, indefeso e moralmente arrasado.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
João faz supor que Pilatos teria deixado matar a Jesus, temendo que denunciassem sua parcialidade ao imperador. Se ele não castigasse a um insurreto que se intitulara rei dos judeus, estaria traindo a César. No entanto, tal atitude por parte de Pilatos não combina com o seu retrato moral, pintado por Filon. Era um homem duro e tão desumano quanto Tibério. A vida de mais um ou menos um judeu, para ambos, era coisa da somenos importância. Filon faz de Pilatos um carrasco, e mostra que ele, em Jerusalém, agia com carta branca. Além disso, as reações de Pilatos com Tibério eram quase fraternais e ele era um delegado de absoluta confiança do imperador. Mas, como os Evangelhos foram compostos dentro dos muros de Roma, teriam de ser de modo a não desagradar às autoridades Imperiais. Pilatos foi posto nisso apenas porque os bens e a vida dos judeus estavam sob sua custódia. Entretanto, como a ocupação romana foi feita em defesa dos judeus ricos, contra os judeus pobres e os salteadores do deserto, as autoridades romanas temiam muito mais ao povo do que a Roma.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Além disso, muitas eram as razões para não gostarem de Pilatos nem de Herodes Antipas. Eles eram antipáticos aos judeus pobres, por isso teriam temido a ira popular. Esta é a razão apresentada pelos historiadores que levam a sério os Evangelhos, justificando assim o perdão do criminoso Bar Abbas e a condenação do inocente Jesus. Entretanto, se as legiões romanas realmente ali estivessem naquela época, nem Pilatos nem Herodes tomariam em consideração a opinião do povo, porque se sentiriam garantidos nos seus postos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Além disso, a opinião popular é fator ainda bem novo na técnica de formação dos governos. Tudo o que sabemos é o que está nos Evangelhos. Jesus era um homem do povo e um dos que temiam o governo. Por isso é que em Marcos, 16:7 encontraremos Jesus aconselhando os discípulos a fuga. Em Lucas 10:4 Jesus está aconselhando aos discípulos a não falarem a ninguém em suas viagens.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Em Mateus 35:23 encontraremos Jesus reprovando os judeus que haviam assassinado Zacarias, filho de Baraquias, entre o adro do templo e o altar. A história, no entanto, afirma ser esse episódio imaginário. Flávio Josefo relata um acontecimento semelhante, registrado no ano 67, 34 anos após a pretensa morte de Jesus, referindo-se no caso a um homem chamado Baruch. Isto evidencia o descuido dos compiladores dos Evangelhos, que os compuseram sem levar em conta que, no futuro, as contradições neles encontradas seriam a prova da inautenticidade dos fatos relatados.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Nicodemos, que teria sido um fariseu rico, membro de Senedrin, homem de costumes morigerados e de boa-fé, não se fez cristão, apesar de ter agido em defesa de Jesus contra os próprios judeus. Por certo ele, como João Batista, não se convenceram da pretensa divindade de Jesus Cristo, nem mesmo se entusiasmaram com suas pregações.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Outra ficção evangélica é debitada a Paulo, o qual inventou um Apolo, que não figura entre os apóstolos e em nenhum outro relato. Em Atos dos Apóstolos 18, lê-se: “Veio de Éfeso um judeu de nome Apolo, de Alexandria, homem eloquente e muito douto nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor, falando com fervor de espírito, ensinando com diligência o que era de Jesus, e somente conhecia João Batista. Com grande veemência convencia publicamente os judeus, mostrando-lhes pelas Escrituras que Jesus era o Cristo”. Seria um judeu fiel ao judaísmo que, segundo Paulo, procurava levar seus próprios patrícios para o Cristo? Na epístola I aos Coríntios, diz que: “Apolo era igual a Jesus”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Paulo, já no fim do seu apostolado, afirma que o imperador Agripa era um fariseu convicto, e que sua religião era a melhor que então existia. Era, assim, um divulgador do cristianismo afirmando a excelência do farisaísmo. Falando de Jesus, Paulo descreve apenas um personagem teológico e não histórico. Não se refere ao pai nem à mãe de Jesus, sendo um ser fantástico, uma encarnação da divindade que viera cumprir um sacrifício expiatório, mas não se reporta ao modo como teria sido possível a encarnação. Não diz sequer a data em que Jesus teria nascido. Não relata como nem quando foi crucificado. No entanto, estes dados têm muita importância para definir Jesus como homem ou como um ser sobrenatural. Está patente, desse modo, que Paulo é uma figura tão mitológica quanto o próprio Jesus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Em Atos dos Apóstolos 28:15 e em 45 Paulo diz que, quando chegou a Pozzuoli, ele e os seus companheiros foram ali bem recebidos, havendo muita gente à beira da estrada esperando-os. Entretanto, chegando a Roma, teve de defender-se das acusações de haver ofendido em Jerusalém ao povo e aos ritos romanos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Na Epístola aos Romanos 1:8 Paulo diz que a fé dos cristãos de Roma alcançara todo o mundo, razão porque encerraria sua missão tão logo regressasse da Espanha, onde saudaria um grande número de fiéis. Mas, se assim fosse, por que Paulo teve de se defender perante os cristãos de Roma, contra o seu próprio judaísmo?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Com pouco tempo Paulo já pensava encerrar sua missão porque o cristianismo já se universalizara. Entretanto, ele continuava considerando como melhor religião o farisaísmo. O cristianismo a que Paulo referia-se deveria ser anterior a Jesus Cristo, que era o seguido pelos cristãos de Roma, e não pelos cristãos dos lugares por onde Paulo havia passado pregando.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Eusébio disse que o cristianismo de Paulo era o terapeuta do Egito, e Tácito disse que os hebreus e os egípcios formavam uma só superstição.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;XII&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
Algumas Fontes do Cristianismo&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O passado religioso do homem está repleto de deuses solares e redentores. Na índia, temos Vishnu, um deus que se reencarnou nove vezes para sofrer pelos pecados dos homens. No oitavo avatar foi Krishna e, no nono, Buda. Krishna foi igualmente um deus redentor, nascido de uma virgem pura e bela, chamada Devanaguy. Sua vinda messiânica foi predita com muita antecedência, conforme se vê no Atharva, no Vedangas e no Vedanta. O deus Vishnu teria aparecido a Lacmy, mãe da virgem Devanaguy, informando que a filha iria ter um filho-deus, e qual o nome que deveria dar-lhe. Mandou que não deixasse a filha casar-se, para que se cumprissem os desígnios de deus. Tal teria acontecido 3.500 anos a.C. no Palácio de Madura. O filho de Devanaguy destronaria seu tio. Para evitar que acontecesse o que estava anunciado, Devanaguy teria sido encerrada em uma torre, com guardas na porta. Mas, apesar de tudo, a profecia de Poulastrya cumpriu-se, “O espírito divino de Vishnu atravessou o muro e se uniu à sua amada”. Certa noite ouviu-se uma música celestial e uma luz iluminou a prisão, quando Viscohnu apareceu em toda a sua majestade e esplendor. O espírito e a luz de deus ofuscaram a virgem, encarnando-se. E ela concebeu. Uma forte ventania rompeu a muralha da prisão quando Krishna nasceu. A virgem foi arrebatada para Nanda, onde Krishna foi criado, lugar este ignorado do rajá.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os pastores teriam recebido aviso celeste do nascimento de Krishna, e então teriam ido adorá-lo, levando-lhe presentes. Então o rajá mandou matar todas as criancinhas recém-nascidas, mas Krishna conseguiu escapar. Aos 16 anos, Krishna abandonou a família e saiu pela Índia pregando sua doutrina, ressuscitando os mortos e curando os doentes. Todo o mundo corria para vê-lo e ouvi-lo. E todos diziam: “Este é o redentor prometido a nossos pais”. Cercou-se de discípulos, aos quais falava por meio de parábolas, para que assim só eles pudessem continuar pregando suas ideias.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Certo dia os soldados quiseram matar Krishna, quando seus discípulos amedrontados fugiram. O Mestre repreendendo-os, e chamou-os de homens de pouca fé, com o que reagiram e expulsaram os soldados. Crendo que Krishna fosse uma das muitas transmigrações divinas, chamaram-no “Jazeu”, o nascido da fé. As mulheres do povo perfumavam-no e incensavam-no, adorando-o.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Chegando sua hora, Krishna foi para as margens do rio Ganges, entrando na água. De uma árvore, atiraram-lhe uma flecha que o matou. O assassino teria sido condenado a vagar pelo mundo. Quando os discípulos procuraram recolher o corpo, não o encontraram mais porque, então, já teria subido para o céu.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Depois Vishnu tê-lo-ia mandado novamente à terra pela nona vez, receberia o nome de Buda. O nascimento de Buda teria sido, igualmente, revelado em sonhos à sua mãe. Nasceu em um palácio, sendo filho de um príncipe hindu. Ao nascer, uma luz maravilhosa teria iluminado o mundo. Os cegos enxergaram, os surdos ouviram, os mudos falaram, os paralíticos andaram, os presos foram soltos e uma brisa agradável correu pelo mundo. A terra deu mais frutos, as flores ganharam mais cores e fragrância, levando ao céu um inebriante perfume. Espíritos protetores vigiaram o palácio, para que nada de mal acontecesse à mãe. Buda, logo ao nascer, pôs-se de pé maravilhando os presentes.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Uma estrela brilhante teria surgido no céu no dia do seu nascimento. Nasceu também, nesse mesmo dia, a árvore de Bó, a cuja sombra o menino deus descansaria. Entre os que foram ver Buda, estava um velho que, como Semeão, recebeu o dom da profecia. Sua tristeza seria não poder assistir à glória de Buda por ser muito velho.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Buda teria maravilhado os doutores da lei com a sua sabedoria. Com poucos anos de idade, teria começado sua pregação. Teria ficado durante 49 dias sob árvore de Bó, e sido tentado várias vezes pelo demônio. Pregando em Benares, convertera muita gente. O mais célebre de seus discursos recebeu o nome de “Sermão da Montanha”. Após sua morte apareceria também aos seus discípulos, trazendo a cabeça aureolada. Davadatta trai-lo-ia do mesmo modo que Judas a Jesus. Nada tendo escrito, os seus discípulos recolheriam os seus ensinamentos orais. Buda também tivera os seus discípulos prediletos, e seria um revoltado contra o poder abusivo dos sacerdotes bramânicos. Mais tarde, o budismo ficaria dividido em muitas seitas, como o cristianismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Quando missionários cristãos estiveram na índia, ficaram impressionados e começaram a perceber como nasceu o romance da vida de Jesus. O Papa do budismo, o Dalai-Lama, também se diz ser infalível.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Mitra, um deus redentor dos persas, foi o traço de união entre o cristianismo e o budismo. Cristo foi um novo avatar, destinado aos ocidentais. Mitra era o intermediário entre Ormuzd e o homem. Era chamado de Senhor e nasceu em uma gruta, no dia 25 de dezembro. Sua mãe também era virgem antes e depois do parto. Uma estrela teria surgido no Oriente, anunciando seu nascimento. Vieram os magos com presentes de incenso, ouro e mirra, e adoraram-no. Teria vivido e morrido como Jesus. Após a morte, a ressurreição em seguida.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Fírmico descreveu como era a cerimônia dos sacerdotes persas, carregando a imagem de Mitra em um andor pelas ruas, externando profunda dor por sua morte&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Por outro lado, festejavam alegremente a ressurreição, acendendo os círios pascais e ungindo a imagem com perfumes. O Sumo Sacerdote gritava para os crentes que Mitra ressuscitara, indo para o céu para proteger a humanidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os ritos do budismo, do mitraísmo e do cristianismo são muito semelhantes. Horus foi o deus solar e redentor dos egípcios. Horus, como os deuses já citados, também nasceria de uma virgem. O nascimento de Horus era festejado a 25 de dezembro.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Amenófis III criou um mito religioso, que depois foi adaptado ao cristianismo. Trata-se da anunciação, concepção, nascimento e adoração de Iath. Nas paredes do templo, em Luxor, encontram-se os referidos mistérios.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Baco, o deus do vinho, foi também um deus salvador. Teria feito muitos milagres, inclusive a transformação da água em vinho e a multiplicação dos peixes. Em criança, também quiseram matá-lo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Adonis era festejado durante oito dias, sendo quatro de dor e quatro de alegria; as mulheres faziam as lamentações, como as carpideiras pagas de Portugal. O rito do Santo Sepulcro foi copiado do de Adonis. Apagavam todos os círios, ficando apenas um aceso, o qual representava a esperança da ressurreição. O círio aceso ficava semiescondido, só reaparecendo totalmente no momento da ressurreição, quando então o pranto das mulheres era substituído por uma grande alegria.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Também os fenícios, muitos milênios antes, já tinham o rito da paixão, do qual copiaram o rito da paixão de Cristo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Todos os deuses redentores passaram pelo inferno, durante os três dias entre a morte e a ressurreição. Isto é o que teria acontecido com Baco, Osiris, Krishna, Mitra e Adonis. Nestes três dias, os crentes visitavam os seus defuntos, segundo Dupuis, em “L’ Origine des tous les cultes”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Todos os deuses redentores eram também deuses-sol, como Átis, na Frígia; Balenho, entre os celtas; Joel, entre os germanos; Fo, entre os chineses.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Assim, antes de Jesus Cristo, o mundo já tivera inúmeros redentores. Com este ligeiro apanhado da mitologia dos deuses, deixamos patente a origem do romance do Gólgota. Acreditamos ter esclarecido quais as fontes onde os criadores do cristianismo foram buscar inspiração.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;XIII&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
Jesus Cristo, uma Cópia Religiosa&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O precedente estudo permite-nos constatar que, nas diversas épocas da história, as religiões transformam-se, variando em razão da complexidade cada vez maior das sociedades em que elas existem.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Vimos que a crença em um deus redentor é muito anterior ao judaísmo, sempre ligada à ânsia da necessidade de redenção das tremendas aflições do populacho. Quanto a Jesus Cristo, resultou de uma série de mitos, que os hebreus copiaram dos babilônicos, dos egípcios e de outros povos, visando com isto dar consistência ao judaísmo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Estudos filológicos forneceram as bases para o estabelecimento de um traço de união entre as crenças dos deuses orientais e o judaísmo. Tomemos, por exemplo, as palavras Ahoura-Mazzda e Jeová, que significam “O que é”. Partindo de velhas lendas orientais, e baseando-se na origem comum da palavra, foi compilado o Gênese, numa tentativa de explicar a criação do mundo. Segundo o Zend-Avesta, o Ser Eterno criou o céu e a terra, o sol a lua, as estrelas, tudo em seis períodos, aparecendo o homem por último.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O descanso foi posto no sétimo dia. Manu havia ensinado, muito antes, que no começo tudo era trevas, quando Bhrama dispersou-as, criou e movimentou a água, em seguida produziu os deuses secundários, os anjos dirigidos por Mossura, os quais posteriormente rebelar-se-iam contra Deus. Veio então Shiva, e arrojou-os ao inferno. Shiva tornou-se a terceira pessoa da Santíssima Trindade Bhramânica em consequência das sucessivas invasões bárbaras sofridas pela Índia. Os bárbaros, crendo em Shiva, o deus da lascívia e do sensualismo, impuseram sua inclusão, com o que surgiu a trindade divina de Bhrama.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Manu ensinara igualmente que Deus criara o homem e a mulher, fazendo-os apenas inferior a Devas, isto é, Deus. O primeiro homem recebera o nome de Adima ou Adam, e a primeira mulher, Heva, significando o complemento da vida. Foram postos no paraíso celeste e receberam ordem de procriar. Deveriam adorar a Deus, não podendo sair do paraíso. Mas, um dia, indo ver o que havia fora dali, desapareceram. Bhrama perdoou-os, mas expulsou-os, condenando-os a trabalhar para viver. E disse que, por haverem desobedecido, a terra tornar-se-ia má, porque o espírito do mal dela se apoderara.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Entretanto, mandaria seu filho Vishnu que, se encarnando em uma virgem, redimiria a humanidade, libertando-a definitivamente do pecado da desobediência.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Ormuzd teria prometido ao primeiro casal humano que, se fossem bons, seriam felizes na terra. Mas Arimã mandou que um demônio em forma de serpente aconselhasse a desobedecerem a deus. Comeram os frutos que Arimã lhes deu, acabou a felicidade humana, e todos os que nascessem daí em diante seriam infelizes. Sendo levados cativos para a Babilônia, os judeus ali encontraram tal lenda. Libertos, voltando à Judeia, trouxeram essa crendice, como também a crença da imortalidade da alma e da vida futura, dos espíritos bons e espíritos maus, surgindo daí os anjos Gabriel, Miguel e Rafael, os querubins e serafins. Nasceu daí o mito do diabo, o anjo rebelado.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A palavra paraíso é o termo persa que significa jardim. Os persas, os hindus, os egípcios e os gregos criam no paraíso. Da mesma forma, todos eles criam no inferno. Entretanto, as crenças antigas desconheciam as penas eternas, que foram criadas pelo cristianismo, aliás, uma das poucas coisas originárias dessa crença. Também o purgatório, naturalmente, é outra novidade do cristianismo, sendo desconhecido do judaísmo. A ideia do purgatório vem de Platão, que havia dividido as almas em puras, curáveis e incuráveis.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os filhos de Adima e Heva haviam-se tornado numerosos e maus. Por isso, Deus mandou o dilúvio para matá-los. Mas deu ordem a Vadasuata para construir um barco e nele entrar com a família, devido ao fato de ser um homem virtuoso. Deveria levar consigo, além da família, um casal de cada espécie de animal existente: esta é a história do dilúvio relatada nos Vedas, e que foi incluída na Bíblia dos cristãos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
As origens do cristianismo repousam, incontestavelmente, nas lendas e crenças dos deuses mitológicos, não apenas dos judeus, mas também de outros povos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os caldeus e os fenícios, como os judeus, haviam-se especializado no comércio, e por dever de ofício, alfabetizaram-se. Assim, sabendo ler e escrever, puderam copiar as lendas e o folclore dos povos com os quais comerciavam e conviviam, os quais puderam adquirir longevidade e fixar-se melhor na memória humana.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Sendo comerciantes por excelência, os judeus perceberam que a religião poderia tornar-se uma boa mercadoria, através da qual adviria o domínio de muitos povos e vontades. Desta forma, tendo compilado o que julgaram mais interessante ou mais proveitoso em relação aos seus propósitos, passaram a difundir pelo mundo as suas ideias religiosas. Com isto, o conhecimento e a razão foram substituídos pelas crendices e superstições religiosas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Desde há muito a religião tem servido para moderar os impulsos humanos, sobretudo daqueles que pertencem a uma classe social menos favorecida.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Salientamos o prejuízo que o mundo tem sofrido com o rebaixamento mental imposto com as crenças e superstições religiosas, com o que o conhecimento sofre uma estagnação sensível.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No entanto, o homem tem-se deixado levar pelas crenças e práticas religiosas sem que nenhum benefício lhe advenha em retribuição. O homem tem feito tudo por si mesmo, apesar de sua religiosidade. A única classe beneficiada realmente com a religião é a dos sacerdote.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Retornamos ao assunto em pauta, após uma rápida digressão. A Bíblia cita dez patriarcas que teriam morrido em idade avançada, antes do dilúvio. Contudo, essa lenda provém da tradição caldáica, segundo a qual dez reis governaram durante 432 anos. Da mesma forma, as lendas hindus, egípcias, árabes, chinesas ou germânicas fazem referência a homens que teriam tido uma longa vida, como a do Matusalém da Bíblia.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Igualmente, a lenda de Abraão, que deveria sacrificar o seu filho Isaac, procede de lendas anteriores ao judaísmo. O livro das profecias hindus relata uma história igual. Ramatsariar conta que Adgitata, protegido de Bhrama, por ser um homem de bem, teve um filho que nasceu tão milagrosamente como Jesus. Entretanto, Bhrama, para experimentá-lo, ordena-lhe que sacrificasse o filho. Ele obedece, mas Bhrama impede-o no momento exato, seu filho seria o pai de uma virgem, a qual, por sua vez, seria a mãe de deus-homem.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
José e a mulher de Putifar foi a cópia de uma velha lenda egípcia, conforme documentos recentemente traduzidos. Era uma história intitulada “Os dois irmãos”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Emílio Bossi, relatando o achado, dá a palavra a Jacolliot: “Um homem da Índia fez leis políticas e religiosas; chamava-se Manu. Esse mesmo Manu foi o legislador egípcio, Manas. Um cretense vai ao Egito estudar as instituições que pretende dar ao seu pais, e a história confirma-nos isto dizendo que esse cretense foi Minos. Enfim, o libertador dos escravos judeus chamava-se Moisés, que teria recebido as leis das mãos do próprio Jeová. Temos, então, Manu, Manes, Minos e Moisés, os quatro nomes que predominaram no mundo antigo. Aparecem nos albores de quatro diversos povos para representar o mesmo papel, rodeados da mesma auréola misteriosa, os quatro são legisladores, grandes sacerdotes e fundadores das sociedades teocráticas e sacerdotais. Esses quatro nomes têm a mesma raiz sânscrita. O hinduismo deu origem ao judaísmo. Por isso, de Jeseu Krishna fizeram Jesus Cristo”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Documentos recentemente estudados mostram terem sido os hindus os prováveis colonizadores do Egito. A documentação demonstra que o conhecimento nasceu do saber hindu.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A assiriologia mostra que a lenda de Moisés foi copiada da de Sargão I, rei acádio, que igualmente teria sido salvo em um cesto deixado no rio, à deriva.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A lenda de Sansão é outro exemplo. Sansão representa o sol. O poder que lhe foi atribuído é o mesmo dos deuses solares. E, assim, examinando os escritos de antigas civilizações, chegamos ao conhecimento das origens de tudo o que a Bíblia narra como fatos reais. Concluímos então que Jesus Cristo nada mais representa que uma cópia das lendas e mitos dos deuses adorados por povos os mais remotos e variados.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;XIV&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
Os Deuses Redentores&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Percebendo a importância da luz do sol sobre a terra, o homem imaginou que essa luz seria uma emanação protetora de Deus. Da ideia de que existia um único sol, surgiu o monoteísmo, isto é, a crença em um só Deus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Das palavras Devv e Divv, que em sânscrito significam sol e luminoso, originou-se a palavra deus. Daí, em grego, a palavra Zeus; em latim, deo; para os irlandeses, dias; em italiano dio, etc.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A parte do tempo em que a terra recebe a luz do sol recebeu o nome dia em oposição ao período de trevas, a noite. O dia teria sido um presente divino, graças à luz solar. Conseguindo produzir o fogo, aumentou a crença humana no deus sol. Graças ao fogo, o homem pôde libertar-se de um dos seus maiores inimigos, que era o frio, assim como passou a cozinhar os seus alimentos. Devendo cada vez mais a vida ao calor, a gratidão do homem para com o sol cresceu ainda mais. Foi assim que nasceu o mito solar, do qual Jesus Cristo é o último rebento.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Por uma série de ilações, chegaram igualmente à concepção do significado místico da cruz. Dos raios solares foi criada uma cruz, espargindo raios por todos os lados. Da mesma forma foi a ideia do Espírito Santo, um espírito benfazejo, que irradia a bondade divina. Depois a sequência mística do sol, o fogo e o vento, dando origem a Salvitri, Agni e Vayu, do mito védico.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O rito védico celebra o nascimento de Salvitri, o deus-sol, em 25 de dezembro, no solstício, quando aparecem as refulgentes estrelas. As estrelas trazem a boa nova, a perspectiva de boas colheitas. Daí os sacrifícios e os ritos propiciatórios oferecidos ao deus-sol.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Assim os cristãos encontraram o seu Jesus Cristo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A vida dos deuses redentores é a vida do sol. Por isso, todos eles tiveram suas datas de nascimento fixadas em 25 de dezembro: Mitra, Horus e Jesus Cristo. Também é simbólica a ressurreição na primavera, tempo da germinação e das folhas novas. Baseando-se nisto, Aristóteles e Platão admitiram uma certa racionalidade dos que adoravam o sol.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Heródoto e Estrabão diziam que Mitra era o deus-sol, tendo por emblema um sol radiante. Plutarco conta que o culto de Mitra veio para a Sicília trazido pelos piratas do mar. Em escavações feitas no solo italiano, foram encontradas placas de barro solidificados ao sol trazendo esta inscrição: “Deo Soli Invicto Mitrae”, lembrando o deus dos persas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Niceto escreveu que certos povos adoraram a Mitra como o deus do fogo, outros como sendo o deus-sol.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Júlio Fírmino Materno disse que Mitra era a personificação do deus fogo, enquanto Aquelau considerava-o o deus-sol.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
São Paulino descreveu os mistérios de Mitra como sendo os de um deus solar e redentor. Karneki, rei hindo-escita, no começo de nossa era, mandou cunhar moedas em que se vê a efígie de Mitra dentro de um sol radiante. Mitra ainda era representado com um disco solar na cabeça, segurando um globo com a mão esquerda. Do mesmo modo os cristãos representam Jesus Cristo. Era o Senhor. Ao surgir o cristianismo, os cristãos primitivos ainda chamavam o sol de “Dominus”, com o que, lentamente, foi absorvendo o ritual mitráico.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No Egito, o sol era o “Pai Celestial”. Um obelisco trazido para o Circo Máximo de Roma trazia esta inscrição: “O grande Deus, o justo Deus, o todo esplendente”, tendo um sol espargindo seus raios para todos os lados.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Da mesma forma, todos os deuses dos índios americanos pertenciam ao rito solar, assim como os deuses dos hindus, dos chineses e japoneses. Os caldeus, adorando o sol como seu deus, dedicaram-lhe a cidade de Sípara, onde ardia o fogo sagrado, eternamente, em sua honra. Em Edessa e em Palmira foram encontrados templos dedicados ao deus-sol. Orfeu considerava o sol como sendo o deus maior. Agamenon disse que o sol era o deus que tudo via e de que tudo provinha.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os judeus e os líderes do cristianismo, para a formação deste, só tiveram de adaptar as crenças e rituais antigos a um novo personagem: Jesus Cristo. Toda a roupagem necessária para vestir o novo deus preexistia. Apenas fazia-se necessário amoldá-la um pouco.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;XV&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
Jesus Cristo É um Mito Solar&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Tendo em vista o completo silêncio histórico a respeito de Jesus Cristo, bem como as evidentes ligações deste com o mito dos deuses-solares, Dupuis escreveu o seguinte: “Um deus nascido de uma virgem, no solstício do inverno, que ressuscita na Páscoa, no equinócio da primavera, depois de haver descido ao inferno; um deus que leva atrás de si doze apóstolos, correspondentes às doze constelações; que põe o homem sob o império da luz, não pode ser mais que um deus solar, copiado de tantos outros deuses heliosísticos em que abundavam as religiões orientais. No céu da esfera armilar dos magos e dos caldeus via-se um menino colocado entre os braços de uma virgem celestial, a que Eratóstenes dá como Ísis, mãe de Horus. Seu nascimento foi a 25 de dezembro. Era a virgem das constelações zodiacais. Graças aos raios solares, a virgem pôde ser mãe sem deixar de ser virgem… Via-se uma jovem ‘Seclanidas de Darzana’, que em árabe é ‘Adrenadefa’, e significa virgem pura, casta, imaculada e bela… Está assentada e dá de mamar a um filho que alguns chamam de Jesus e, nós, de Cristo”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Já vimos que Jesus repete todos os mistérios dos deuses solares e redentores, pelo que Heródoto, Plutarco, Lactâncio e Firmico puderam afirmar que esse deus redentor é o sol. De modo que Jesus é apenas mais um deus solar.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Ainda hoje, grande parte do rito cristão é de origem solar. Na Bíblia, encontramos estas palavras: “Deus estabeleceu sua tenda no sol”, e ainda: “Sobre vós que temeis o meu nome, levantar-se-á o sol da justiça e vossa vida estará em seus raios”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
João diz que “o verbo é a lei, a luz e a vida, a luz que Ilumina a vista de todos os mortais, a luz do mundo”. E ainda chama a Jesus de o “cordeiro”, o “Agnus Dei qui tollit peccata mundi”. Com isto, o Apocalipse fez de Jesus o “cordeiro pascal”, e a Igreja adorou-o sob a forma de um cordeiro até o ano de 680. Era o Cristo o Áries zodiacal, vindo de Agnus, com a significação de fogo, o sol condensado.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Origenes justificava a adoração do sol tendo em vista a sua luz sensível e também pelo aspecto espiritual.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Tertuliano reconheceu que o dogma da ressurreição tem sua origem na religião persa de Mitra. Para S. Crisóstomo, Jesus era o sol da justiça, para Sinésio, o sol intelectual. Fírmico Materno descreveu Jesus baixando ao inferno, esplendente como o sol.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O domingo, o dia do Senhor, o dia do descanso, procede de Dominus, o deus-sol, o Senhor.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Segundo Teodoro e Cirilo, para o maniqueus Cristo era o sol. Os Saturnilianos acreditavam que a alma tinha substância solar, deixando o corpo e voltando para o sol, de onde proviera, após a morte.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O antigo rito do batismo determinava que o catecúmeno voltasse o rosto em primeiro lugar para o ocidente, para retirar de si a satanás, símbolo das trevas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Igualmente, as festas do sábado santo são reminiscências do mito da luta do sol contra as trevas, na Páscoa. As orações desse ofício são cópia dos hinos védicos. A palavra aleluia, que era o grito de alegria dos persas, adoradores do sol, quando na Páscoa festejavam a sua volta, significa: elevado e brilhante.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Foram necessários muitos séculos para que a igreja pudesse alienar um pouco do que lembrava que o seu culto era de um deus solar. Entretanto, a história escrita é inflexível, e demonstra que todos os deuses redentores ou solares foram tão adorados quanto o mitológico Jesus Cristo. E embora tenha havido longas fases em que foram impostos a ferro e fogo, nem por isto deixaram de cair, nada mais sendo hoje do que o pó do passado religioso do homem.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O certo é que Jesus Cristo é mitológico de origem, natureza e significação. O seu surgimento ocorreu para atender à tendência religiosa e mística da maioria, que ainda hoje teme as realidades da vida e, portanto, procura, para orientar-se, algo fora da esfera humana, na esperança de assim conseguir superar a si mesmo e aos obstáculos que surgem quotidianamente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O cristianismo é produto de tendências naturais de uma época, aproveitadas espertamente pelos líderes do cristianismo. O judeu pobre e oprimido, não tendo para quem apelar, passou a esperar de Deus aquilo que o seu semelhante lhe negava. O sacerdote, valendo-se do deplorável estado de espírito de uma população faminta e, sobretudo, desesperançada, ressuscitou um dentre os velhos deuses para restaurar a esperança do povo judeu. E, assim, surgiu mais um mito solar, mais um deus com todos os atributos divinos, tal como os que antecederam. O novo deus solar em questão é Jesus Cristo.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;XVI&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
Outras Fontes do Cristianismo&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Conforme temos dito repetidas vezes, o cristianismo tomou por empréstimo tudo quanto se fez necessário à sua formação. Assim, todos os ensinamentos atribuídos a Cristo foram copiados dos povos com os quais os judeus tiveram convivência. A sua moral, a moral que Cristo teria ensinado, aprendeu-a com os filósofos que o antecederam em muitos séculos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
De sorte que não há inovações em nenhum setor ou aspecto do cristianismo. Antigos povos, milênios antes, adoraram seus deuses semelhantemente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Dentre as máximas adotadas pelo cristianismo, comentaremos a seguinte: “Não faças aos outros o que não queres que a ti seja feito”. Este ensinamento não teria partido de Jesus, conforme pretendem os cristãos, não sendo sequer uma máxima cristã, originariamente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Encontrá-la-emos em Confúcio, e ainda no bramanismo, no budismo e no mazdeismo, fundado por Zoroastro. Era uma orientação filosófica e religiosa, adotada pelos hindus. A originalidade do cristianismo consistiu apenas em criar as penas eternas, um absurdo desumano e irracional. Enquanto isso, o mazdeismo cria a possibilidade de regeneração do pior bandido, admitindo mesmo a sua plena reintegração no seio da sociedade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O perdão aos inimigos foi, muito antes de Jesus, aconselhado por Pitágoras. Os egípcios religiosos praticavam uma moral muito elevada. No “Livro dos Mortos” encontramos a confissão negativa, de acordo com a qual a alma do morto comparecia ante o tribunal de Osiris e proferia em alta voz as suas más ações.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O sentimento de igualdade e fraternidade para com os homens foi ensinado por Filon. O cristianismo adotou os seus ensinamentos, atribuindo-os a Jesus. São de Filon as seguintes palavras: “Os que exaltam as grandezas do mundo como sendo um bem, devem ser reprimidos.”; “A distinção humana está na inteligência e na justiça, embora partam do nosso escravo, comprado com o nosso dinheiro.”; “Porque hás de ser sempre orgulhoso e te achares superior aos outros?”; “Quem te trouxe ao mundo? Nu vieste, nu morrerás, não recebendo de Deus senão o tempo entre o nascimento e a morte, para que o apliques na concórdia e na justiça, repudiando todos os vícios e todas as qualidades que tornam o homem um animal”; “A boa vontade e o amor entre os homens são a fonte de todos os bens que podem existir”. Como vemos, não há nada de novo no cristianismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Platão salientou a felicidade que existe na prática da virtude. Ensinou a tolerância à injúria e aos maus tratos, e condenou o suicídio. Recomendou o humanismo, a castidade e o pudor, e condenou a volúpia, a vingança e o apego demasiado aos bens. Sua moral baseou-se na exaltação da alma, no desprezo dos sentidos e na vida contemplativa. O Padre Nosso foi copiado de Platão. Quem conhece bem a obra de Platão percebe os traços comuns entre a mesma e o cristianismo. Filon inspirou-se em Platão e, a Igreja, na obra de Filon, que helenizou o judaísmo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Aristóteles afirmou que a comunidade repousa no amor e na justiça. Admitia a escravatura, mas libertou os seus escravos. Poderiam existir escravos, mas não a seu serviço. A comunidade deveria instruir a todos, independentemente da classe social, com o que ensinou o evangelho aos Evangelhos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A abolição do sacrifício sangrento não foi introduzida pelo cristianismo. Não lhe cabe tal mérito. Gélon, da Sicília, firmando a paz com os cartagineses, estipulou como condição a supressão do sacrifício de vidas animais aos seus deuses.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Sêneca aconselhava o domínio das paixões, a insensibilidade à dor e ao prazer. Recomendava igualmente a indulgência para com os escravos, dizendo que todos os homens são iguais. Referia-se ao céu como fazem os cristãos, afirmando que todos são filhos de um mesmo pai. Concebia como pátria o Universo. Os homens deveriam se ajudar e se amar mutuamente. Enquanto isso, o humanismo cristão limitou-se apenas aos irmãos de fé. O bem visa somente a salvação da alma, o que é egoísmo, nunca humanismo. Sêneca manifestou-se contrário à pena de morte; o cristianismo, ao contrario, é responsável por inúmeras execuções. Admitia a tolerância mesmo em face da culpa. Em vez de perseguir e punir, por que não persuadir, ensinar e converter?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Epíteto e Marco Aurélio foram bons professores dos cristãos. Os filósofos greco-romanos foram grandes mestres da moral cristã e da consolação, sem que para isto criassem empresas, negócios ou castas. O cristianismo existente antes de Jesus Cristo já pregava a moral anterior ao martírio do Gólgota. A moral cristã não veio de Jesus Cristo nem dos Evangelhos, mas nasceu da tendência natural para o aperfeiçoamento do homem. Não fosse a destruição sistemática de antigas bibliotecas, determinada pelo clero no intuito de preservar os seus escusos interesses, hoje seria possível patentear com documentos à mão que a moral anterior à cristã era bem melhor do que esta, tendo-lhe servido de modelo. Assim, vê-se que a moral jamais foi patrimônio de castas ou de indivíduos, sendo uma lenta conquista da humanidade, com ou sem religião, e mesmo contra ela. Por isso é que o mundo racionaliza-se continuamente, e avança sempre no sentido do seu aperfeiçoamento. A bondade humana independe da ideia religiosa. A razão ensina-nos o que devemos ao nosso meio social, independentemente da fé e da religião. Para justificar o aparecimento de Jesus, fez-se necessário recorrer a uma moral que, no entanto, já era um patrimônio da humanidade. Jesus nada mais foi do que a materialização de qualidades que já existiam. Por isso, mesmo em moral, Jesus foi ator, não autor. O cristianismo apenas sistematizou e industrializou essa velha moral, estabelecendo-a como um rendoso comércio. A Igreja é responsável pela deturpação dessa moral. Havia a moral pela moral, que foi substituída pela moral bíblica, em que só se é bom para ganhar o céu.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Superpondo-se um grupo empresarialmente forte, extinguiu-se a moral individual.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;XVII&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
Judaísmo e Cristianismo&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Pesquisas recentes e estudos comparados têm demonstrado que a mitologia judaico-cristã é bem anterior ao próprio judaísmo, quando se percebe que dogmas como o da imortalidade da alma, da ressurreição e do Verbo encarnado são muito anteriores ao cristianismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A imortalidade da alma já era multimilenar quando os judeus foram levados cativos para a Babilônia. Zoroastro ensinara, muito antes, ser a alma imortal, e que essa imortalidade seria produto de uma opção humana. O livre arbítrio levaria o homem a escolher uma vida que o levaria ou não à imortalidade. O erro e o mal produziriam a morte definitiva, a prática do bem, a imortalidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Do mesmo modo, na Ciropédia, bem anterior a Zoroastro, lê-se que Ciro, moribundo, disse: “Não creio que a alma que vive em um corpo mortal se extinga desde que saia dele, e que a capacidade de pensar desapareça apenas porque deixou o corpo que não tem como pensar por si mesmo”. Por outro lado Einstein, pouco antes de morrer, declarou não crer que algo sobrasse do ser vivo após a morte.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os egípcios, os hindus, os sumérios, os hititas e os fenícios criam na imortalidade da alma.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A ressurreição foi um dos fundamentos do Zend-Avesta. Zoroastro também ensinou que o fim do mundo seria precedido por um grande acontecimento, a ser predito por profetas. Os persas tiveram os seus profetas, que foram Ascedermani e Ascerdemat, os quais passaram à Bíblia sob os novos nomes de Enock e Elias, entidades míticas, como se vê. Desses mitos surgiram o Talmud e os Evangelhos, o que mostra que, em religião, a ideia original pertence à noite dos tempos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A doutrina do Verbo já era antiquíssima no Egito. Deus teria gerado Kneph — a palavra, o Verbo —, que é igual ao pai. Da união de Deus com o Verbo nasceu o fogo, a vida, Fta, a vida de todos os seres.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O monoteísmo e a Santíssima Trindade eram crenças muito antigas na Índia. Os deuses únicos e os deuses secundários são uma velha doutrina oriental. A religião greco-romana já possuía o seu Apolo e Zeus, acolitados por uma porção de deuses secundários. Essas velhas lendas deram origem ao Deus do cristianismo, com toda sua corte de santos e anjos. O politeísmo de há muito vinha caminhando para o monoteísmo. Os gregos já haviam concebido a ideia de um intermediário entre os homens e Júpiter, que era Apolo, tendo-se encarnado para redimir os homens.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Porfírio citou o seguinte oráculo de Serapis: “Deus é antes e depois e ao mesmo tempo, é o Verbo e o Espírito, como um e outro”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O mundo antigo cria em um Deus único, pai de todas as coisas, afirmou Máximo de Tiro. O povo então já dizia: Deus o sabe! Deus o quer! Deus o abençoe! Os oráculos só se referiam a Deus e não aos deuses.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os apologistas do cristianismo, tais como Eusébio, Agostinho, Lactâncio, Justino, Atanásio e muitos outros, ensinavam que unidade de Deus era conhecida desde a mais remota antiguidade. Os órficos, inclusive, admitiam-na.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Na Bíblia, ao ser traduzido para o grego e para o latim, o nome de Deus passou a ser muitas vezes Senhor, Dominus, para ficar conforme o nome do Deus-sol do mitraísmo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O amor a Deus foi a base de todas as religiões copiadas pelo judaísmo. Isaías falava de Deus como Pai Celestial. Ezequiel dizia que Deus não queria a morte do pecador, preferindo antes a sua conversão. O justo viverá eternamente pela fé. São palavras de Habacuc, repetidas por Paulo em Gálatas 3:2.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Como vimos, a doutrina do Verbo vem de Platão, tendo sido este o intermediário entre os metafísicos e os cristãos. Foi ele quem concebeu a ideia da separação do corpo e da alma, e pôs aquele na dependência desta. Na sua opinião, a terra era o desterro da alma. Foi o criador do sistema filosófico da decadência moral do homem, fazendo dos sentidos uma ameaça, do mundo um mal, e da eternidade o delírio, o sonho.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Cícero e Sêneca tinham ideias cristãs, mas não conheceram a Jesus Cristo nem ao cristianismo. Agostinho leu as obras de Cícero e trocou o maniqueísmo pelo cristianismo. A Igreja procurou destruir as principais obras de Cícero e de Sêneca para que a posteridade não percebesse que eles não tinham sido cristãos seguidores de Cristo, mas apenas que as suas ideias coincidiam com as que o cristianismo esposou.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O cristianismo nasceu da helenização do judaísmo. Os cristãos terapeutas abandonaram o judaísmo ortodoxo porque este tinha posto de lado o culto nacional do templo e o sacrifício Pascal, retirando-se para uma vida contemplativa nos montes, longe dos homens e dos negócios. Estabeleceram uma sociedade comunal, considerando o casamento um apego à carne, um empecilho à salvação da alma, com o que proscreveram os principais prazeres da vida, exaltando o celibato e a pobreza, como os essênios, além de aconselhar a caridade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Eusébio chamou aos terapeutas de cristãos sem Cristo. Para ele, um terapeuta era um autêntico cristão. Isto levou Strauss a escrever: “Os terapeutas, os essênios e os cristãos dão sempre muito o que pensar”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A doutrina dos essênios, a moral dos terapeutas, a encarnação do Verbo, vinda do judaísmo helenizado, é o cristianismo de Filon. Desse modo, Filon foi criador do cristianismo, sem o saber. Ele refere-se ao Verbo nos termos da mitologia egípcia, sem, contudo, mencionar a crença em Jesus Cristo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Salomão fez da sabedoria divina a criação. O Livro da Sabedoria define a natureza desse principio intermediário, transformando o pensamento vago do rei judeu sobre a sabedoria da doutrina do Verbo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Sirac, em “Eclesiástico”, faz a doutrina do Verbo ser mais precisa: “A sabedoria vem de Deus, estando sempre com ele. Foi criada antes de todas as coisas. A voz da inteligência existe desde o principio. O Verbo de Deus, no mais alto do céu, é a fonte da sabedora”! Filon disse que o Verbo se fizera humano. Segundo ele, Deus era infalível e inacessível à inteligência humana, não nos alcançando senão pela graça divina. Para ele, ainda, o Verbo não era apenas a palavra, mas a imagem visível de Deus. O Verbo seria o Ungido do Senhor, o ideal da natureza, o Adão Celeste, é a doutrina da encarnação do Verbo, tomando a forma humana. O Verbo é o intermediário entre Deus e os homens. Diz ainda que o Verbo é o pão da vida. Por ai vemos que não foi o Cristo o criador do cristianismo, mas este é que o criou.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Clemente de Alexandria, Origenes ou Paulo, assim como os primeiros padres do cristianismo, jamais se referiram a Jesus Cristo como tendo sido um homem que tivesse caminhado do Horto ao Gólgota, mas tiveram-no apenas como o Verbo, conforme a doutrina de Platão e de Filon.&lt;/div&gt;
&lt;h2 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; line-height: 33px; margin: 99px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;border: 0px none; font-family: inherit; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px;&quot;&gt;XVIII&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;h3 class=&quot;aligncenter&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px none; clear: both; color: #202020; font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 28px; font-weight: normal; line-height: 33px; margin: 64px 0px 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center;&quot;&gt;
O Cristianismo sem Jesus Cristo&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-bottom: 32px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Está patente a existência do cristianismo sem Cristo. A existência do clero, por outro lado, foi uma exigência bramânica. Pregando por meio de parábolas, os sacerdotes faziam-se necessários para esclarecer o sentido das mesmas. Justifica-se, assim, o pagamento com as esmolas dos crentes. Ensinavam a religião e apoderavam-se do dinheiro. Suas terras e os templos já eram isentos dos impostos. O sumo-sacerdote não se casava e era venerado como um deus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No budismo, tanto os bonzos como os mosteiros são mantidos pela comunidade, e os monges, igualmente, não se casam. O Dalai-Lama é o Vigário de Deus, o sucessor de Fó, sendo Infalível como o Papa se diz ser. Nos mosteiros todos se chamam de irmãos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
O clero persa era dividido em ordens hierárquicas, e tinha o direito a um décimo da renda da comunidade. Os magos persas, como os profetas judeus, eram puros e não trabalhavam.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No Egito, a classe mais alta era a dos sacerdotes. Elegiam o rei e limitavam a sua ação. O povo arrendava as terras do templo. Só o clero ensinava a religião e presidia aos sacrifícios. O regime era teocrata e todos tinham de submeter-se às regras eclesiásticas. O sacerdote era o adivinho, fazia os oráculos, as profecias, os sortilégios e os exorcismos. Afirmava ter força sobre a natureza, para o bem da humanidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os brâmanes procuravam afugentar os malefícios e as maldições. Para isto, cultivam certas plantas, como o lótus e o cânhamo, das quais faziam licores como o “amrita”, que possuía virtudes milagrosas. Tinham as mesmas modalidades de expiação ainda hoje adotadas pelo cristianismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
As mortificações hindus são as mesmas praticadas pelos cristãos medievais. Certos crentes carregaram durante toda a vida enormes colares de ferro, outros, pesadas correntes de ferro. Alguns se marcavam com o ferro em brasa, avivando a ferida todos os dias. Muitos vão rolando deitados até Benares, pagar ali suas promessas. Também usam sandálias cravadas de finos pregos, os quais entram pelas solas dos pés.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No Egito, os sacerdotes de Ísis açoitavam-se em sua honra, expiando, com isso, suas próprias culpas e as do povo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Entre os gregos havia a água lustral para as expiações e para as propiciações. Os sacerdotes de Dodona feriam-se e os de Diana praticavam tais coisas em seus corpos, que às vezes punham em perigo a própria vida.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os romanos procuravam livrar-se das calamidades públicas oferecendo aos seus deuses sacrifícios humanos. Os Indostânicos tornavam-se celibatários, pediam esmolas, jejuavam e isolavam-se do convívio com outras Pessoas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
No budismo, as crianças eram ensinadas a fazer votos de castidade. O governo concedia honras especiais ao que chegavam aos 40 anos castos. No Egito, existiam mosteiros apropriados para os que faziam votos de castidade. Também os sacerdotes de Baco, na Grécia, faziam tais votos. Os sacerdotes de Cibele eram castos e castrados. Em Roma, as vestais viviam em mosteiros, indo para eles até aos seis anos de idade, e juravam não deixar extinguir-se o fogo sagrado e manterem-se virgens. A que faltasse ao juramento seria enterrada viva e, o amante, condenado à morte.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os budistas consagravam o pão e o vinho, representando o corpo e o sangue de Agni, quando os bonzos aspergiam os crentes. Enquanto aspergem água lustral, cantam hinos ao sol e ao Fogo, o “Kirie Eleison” que os católicos copiaram e cantam ou recitam durante a missa. Inicialmente o sacrifício constava da imolação de uma pessoa, a qual posteriormente foi substituída pela hóstia. Tal como o padre católico, o sacerdote budista também lava as mãos antes das libações. A cerimônia budista é em tudo semelhante à missa da Igreja Católica.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os persas tinham, em seus ritos religiosos, a eucaristia, ou seja, a mesma oferenda do pão e do vinho que também consta do ritual da missa, bem como o Pater Noster, o Credo e o Confiteor.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Na Grécia, rezava-se pela manhã e à noite. Os etruscos juntavam as mãos quando oravam. Também a confissão lá era praticada pelos persas. O ritual do catolicismo tem muito do ritual mitraico, assim como a vestimenta dos sacerdotes católicos foi copiada do figurino dos sacerdotes de Mitra.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Muitas das religiões pré-cristãs já festejavam a Páscoa e a Natividade. Os persas inclusive dedicaram um dia aos mortos. E, no dia em que o filho começava a receber instrução religiosa, havia festa na casa dos pais.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Entre os gregos, cada dia da semana era dedicado a um deus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Os Hindus viviam peregrinando de um templo para outro. Criam na existência de dias bons e dias maus, como também em sortilégios e malefícios. Cada pessoa era dedicada a um anjo que a protegia desde o nascimento. Benziam as vacas, os instrumentos agrícolas e animais domésticos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
A história do passado religioso do homem está repleta de virgens puras e belas, que são as mães dos deuses. Maria, mãe de Jesus Cristo, é apenas mais uma dentre tantas outras.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Igualmente, as procissões constituem práticas multimilenares. É antiquíssima tal modalidade de culto. Juno e Diana passearam em andores durante muitos séculos. As cidades sempre se enfeitaram à passagem dos santos e dos deuses.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Por aí vemos que nem Jesus nem o cristianismo têm nada de original. A veneração das imagens já era muito anterior ao cristianismo. Por outro lado, o judaísmo, que as baniu, não foi, entretanto, o primeiro a tomar tal atitude. Plutarco disse que os tebanos não as usavam, assim como Numa Pompílio proibiu os romanos de usarem-nas, durante o seu governo. O batismo era uma cerimônia praticada pelos antigos muito antes de se cogitar, sequer, do nome de cristão. Os hindus lavam o recém-nascido em água lustral, dando-lhe um nome de um gênio protetor. Aos oito anos, a criança aprende a recitar os hinos ao Deus-Sol. A extrema-unção também, de há muito antes do cristianismo, era praticada pelos hindus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px none; color: #202020; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif, sans; font-size: 13px; line-height: 22px; margin-top: 20px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify;&quot;&gt;
Copiando detalhes dos ritos e cultos de uma grande variedade de seitas, o cristianismo constituiu o seu próprio ritual, tudo girando em torno do Deus-Sol, no qual, por fim, vestiram a roupa de Jesus Cristo.&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/3996224026448497739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/06/jesus-cristo-nunca-existiu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/3996224026448497739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/3996224026448497739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/06/jesus-cristo-nunca-existiu.html' title='Jesus Cristo nunca Existiu'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-6567602130562347274</id><published>2012-05-26T07:18:00.002-07:00</published><updated>2012-05-26T07:18:24.848-07:00</updated><title type='text'>Não existe amor sem sexo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;O PROBLEMA: em que consiste o
enamoramento?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;A TESE: o sentimento de amor é
básico para o individuo, certamente o tema mais abordado por todas as artes e
pela cultura em geral. A filosofia deve ocupar-se do amor, afirma Schopenhauer.
Mas exatamente nesse elevado nível, em que o homem parecer exprimir melhor a
própria individualidade e espiritualidade, descobre-se uma ilusão. Por trás de
toda manifestação do amor, mesmo a mais pura e sutil, está o instinto
procriador, uma escondida determinação biológica voltada ao acasalamento e à
reprodução da espécie. A tese de Schopenhauer, de forte sabor freudiano é a de
que &lt;i&gt;não existe amor sem sexualidade&lt;/i&gt; o
homem é um joguete nas mãos da natureza e da &lt;i&gt;vontade de viver&lt;/i&gt;, ilude-se ou voluntariamente se engana quanto ao
verdadeiro escopo das suas ações; na realidade, todo enomoramento, por mais
etério que possa parecer, está voltado para a continuidade da espécie. -Muito embora
Platão, como já mostrei em um tópico aqui, diz que o amor &lt;i&gt;homossexual&lt;/i&gt; não está voltado à procriação e, portanto, mais
inclinado a um desenvolvimento num sentido puramente espiritual – portanto,
para Schopenhauer, o amor é somente o instrumento usado pela natureza para
perpetuar o gênero humano. De fato, se o homem não fosse dominado pelo instinto
erótico nunca colocaria filhos no mundo, porque ninguém é tão maldoso, afirma
Schopenhauer, a ponto de desejar a qualquer ser vivente a vida neste vale de légrimas.
É por essa natureza associou o orgasmo ao acasalamento, para induzir o
indivíduo a ultrapassar o senso da culpa ligado ao ato de procriar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;Todo enamoramento, por mais que
queira mostrar etéreo, tem sua raiz unicamente no instinto sexual; ou melhor,
em tudo e por tudo, é somente um impulso sexual determinado, especializado e
rigorosamente individualizado...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;O êxtase encantador que arrebata
o homem à vista de uma mulher cuja beleza lhe apraz e que o leva a imaginar a
união com ela como supremo bemé exatamente o sentido de espécie, que,
reconhecendo o seu caráter claramente impresso nela, desejaria perpetuá-lo com
a mesma. Dessa decidida inclinação para a beleza depende a conservação do tipo
da espécie: por isso ele age com tamanha força...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;Portanto, o homem é realmente
guiado por um instinto que tende ao melhoramento da espécie, mesmo que se iluda
ao pensar que busca somente um aumento do próprio prazer. De fato, o que temos
é um instrutivo esclarecimento sobre a íntima essência de todo instinto, que quase
sempre, como aquicoloca o individuo em movimento para o bem da espécie...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;Em conformidade ao exposto
caráter do assunto, todo enamorado, depois do gozo finalmente alcançado,
experimenta uma estranha desilusão e se surpreende de que aquilo que tão ardentemente
desejou não ofereça nada mais do que qualquer outra satisfação sexual; tanto
que agora já não se sente mais por ele impelido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;Logo, aquele desejo estava para
todos os seus demais desejos na mesma relação em que a espécie está para o
individuo – ou seja, entre uma coisa infinita e uma finita. A satisfação, ao
contrario, só se realiza propriamente para o bem da espécie e não cai,
portanto, na consciência do individuo, o qual, animado pela vontade da espécie,
servia com todo sacrifício a um fim que não era o seu próprio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/6567602130562347274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/05/nao-existe-amor-sem-sexo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/6567602130562347274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/6567602130562347274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/05/nao-existe-amor-sem-sexo.html' title='Não existe amor sem sexo'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-8457232393321425675</id><published>2012-05-24T07:33:00.001-07:00</published><updated>2012-05-24T07:33:17.318-07:00</updated><title type='text'>Os Gêneros sexuais eram três</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O PROBLEMA: quantos e quais são
os gêneros sexuais? Por que existe uma atração sexual entre pessoas do mesmo
sexos?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A TESE: por meio da narração de
um mito, em estilo irônico, irreverente e espirituoso, Platão argumenta que os
gêneros sexuais dos antigos &lt;i&gt;homens
esféricos&lt;/i&gt; eram três: o masculino, o feminino e o andrógino, um ser dotado
de órgãos sexuais masculinos e femininos. A história do nascimento da
sexualidade atual, o mito da separação do homem originário em dois troncos, por
vontade de um deus ciumento, é usada por Platão para demonstrar a legitimidade
da atração entre homens. O amor &lt;i&gt;homossexual
&lt;/i&gt;é antes preferível ao &lt;i&gt;heterossexual&lt;/i&gt;,
porque não voltado à procriação e, portanto, mais inclinado a um
desenvolvimento num sentido puramente espiritual. Vejamos um trecho de&lt;i&gt;Banquete.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O que deveis começar a aprender
diz respeito à natureza originária dos seres humanos e à sua evolução, porque
num passado distante a nossa natureza não era exatamente como hoje, mas se
apresentava de modo diferente. Em primeiro lugar, a espécie humana era
constituída de três gêneros, e não somente de dois como agora: o macho e a
fêmea. Existia um terceiro gênero que participava de ambos, do qual ainda se
conserva o nome, apesar dele mesmo ter desaparecido.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Naquele tempo, o andrógino
existia verdadeiramente como gênero distinto, de nome e de fato. Participava
dos outros dois, do macho e da fêmea; hoje, o que resta é apenas um nome,
considerado mais como um insulto.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em segundo lugar, cada um desses
seres formava um bloco único, com dorso e flancos arredondados; tinha quatros
mãos e pernas em igual numero; além disso, tinha dois rostos idênticos, sobre
um pescoço também arredondado, mas somente uma cabeça emoldurava os rostos,
opostos um ao outro; as orelhas eram quatros, os genitais, duplos, e todo o
resto como se pode imaginar partindo desses dados. Quanto a andadura, podiam
seguir eretos, como hoje, na direção que quiserem, ou ainda, quando andavam
depressa, girando como os acrobatas quando dão cambalhotas, rodando e
apoiando-se alternadamente nas extremidades, que à época eram oito.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ora, se os gêneros assim formados
eram três, a razão é que, originalmente, o macho descendia do Sol, a mulher, da
Terra, e o gênero que continha um e outro descendia da Lua, uma vez que a Lua
participa do Sol e da Terra ao mesmo tempo.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Compreensivelmente, eram
esféricos e andavam em círculos, pois pareciam com os seus genitores. Dotados
de força e vigor extraordinários, eram muito arrogantes. Por isso, prepararam
um assalto aos deuses, o que Homero narra sobre Efialtes e Oto – que teriam
tentado escalar o céu – se refere àqueles homens e a sua intenção de destronar
os deuses.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Então, Zeus e os outros deuses
perguntaram-se o que fazer, pois estavam em grande dificuldade: de fato, não
podiam matar os homens, e aniquilar a espécie, fulminando-os como haviam feito
com os Gigantes, porque isso significaria para eles a perda das honras e dos
sacrifícios provenientes dos homens; mas tampouco podiam deixar passar tanta
impudência.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“Creio”, disse Zeus depois de
muito refletir, “ter encontrado um meio que nos permita, ao mesmo tempo, deixar
sobreviver os homens e dar um basta a sua intemperança, tornando-os mais
fracos. Agora, cortarei em dois cada um deles e, assim, além de mais fracos,
eles se tornaram também mais uteis, pois dobrarão de numero. Além do mais,
andarão sobre dois pés, em posição ereta. No entanto, se continuarem impudentes
e não quiserem ficar tranquilos, cortarei-os mais uma vez em dois, de modo a
fazer-los andar sobre uma perna só, aos pulinhos”, concluiu. Dito isso, cortou
os homens em dois, como aqueles que cortam as sorvas para conservá-las ou
aqueles que cortam os ovos com um fio...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Depois que a natureza do homem
foi assim duplicada, cada metade, tendo saudade da sua outra metade, a buscava;
abraçavam-se, ficando agarradas uma à outra e, pelo desejo de fundir-se em um
único ser, morriam de fome ou de inércia, porque se recusavam a fazer qualquer
uma sem a outra. Além disso, quando uma metade morria e a outra lhe sobrevivia,
esta procurava uma outra metade e a ela se agarrava, seja quando encontrava uma
metade de mulher de um ser inteiro mulher, seja quando encontrava uma metade de
homem. E, deste modo, a espécie humana estava se extinguindo.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E assim Zeus, apiedando-se,
imaginou um outro artificio e deslocou os genitais para a parte da frente ( de
fato, até então, tinham-nos também na parte externa, mas não eram unindo-se
entre si que procriavam e se reproduziam, mas com a terra, como as cigarras).
Deslocou, como dizíamos, os genitais para a parte dianteira e, por meios
desses, permitiu que a procriação fosse o resultado de uma relação, que se
completava na fêmea pela ação do macho.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O proposito era que, se no abraço
um homem deparasse com uma mulher, haveria concepção e continuação da raça
humana.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Se, no entanto, um macho
deparasse com outro macho, também alcançaria satisfação no amplexo e voltaria
as suas atividades – vale dizer, a ocupar-se dos outros aspectos da vida.
assim, desde esses tempos longícuos ganhou vida no homem o amor pelos seus
semelhantes: é o amor que restaura a nossa primitiva natureza, aquele amor que
quer fazer de dois seres somente um, que pretende curar a natureza humana.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Cada um de nós é, portanto, a
parte complementar de um homem porque foi cortado, como se faz com os
linguados, de um ser único, a fim de obter dois. Por conseguinte, cada qual
está sempre em busca de seu complemento. Assim, todos os homens, que são parte
cortada do gênero misto que então se chamava andrógino, desejam as mulheres,
sendo desse gênero que derivam, na sua maioria, os adúlteros; igualmente, vêm
desse mesmo gênero todas as mulheres que gostam de homens, as adulteras.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
No entanto, as mulheres que
resultam do corte praticado na mulher primitiva não tem qualquer interesse
pelos homens, mas voltam-se principalmente para as mulheres, e é gênero que
provem as tríbades.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Por fim, todos aqueles que
resultam do corte praticado sobre o macho original desejam os machos e, desde
meninos, como fragmento de macho primitivo, amam os homens, experimentam prazer
em deitar-se ao seu lado e ficar entre seus braços: entre os meninos e os
adolescentes, são os melhores em absoluto, porque são, por natureza, mais
audazes.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É verdade que há quem sustente
que são uns despudorados, mas isso é falso, pois não é por falta de pudor que
assim se comportam, mas por serem corajosos, ousados e terem um temperamento
viril ligam-se a quem lhes é semelhante. Isso pode ser provado de modo eficaz:
ao amadurecer, somente os homens que têm essa natureza sabem tratar dos
assuntos do Estado. E mais, depois de adultos, amam os meninos e, pela sua
natureza, não pensam em casar-se nem gerar filhos, mas é a lei que os obriga a
isso – por eles, ficariam felizes em passar a vida lado a lado, sem se casar.
Portanto, um tal indivíduo é igualmente levado a amar os meninos e a
enamorar-se dos amantes, ligando-se sempre ao que lhe é afim.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E assim, quando encontra a outra
metade de que estamos falando, aquele que ama os meninos, mas podem ser também
qualquer outro, sente-se a partir daquele momento misteriosamente tomado por um
forte sentimento de afeto, de intimidade e de amor, e recusa-se, por assim
dizer, a separar-se do outro, mesmo que por pouco tempo. E, no entanto, aqueles
que passam a vida lado a lado, do inicio até o fim, são pessoas que não
saberiam dizer o que esperam umas das outras. De fato, ninguém diria que é a
recíproca satisfação sexual, ou seja, que essa é a razão do prazer que cada um
deles experimenta em viver ao lado do outro com tanta intensidade e
generosidade. É evidentemente outra coisa a que a alma de cada um &lt;a href=&quot;&quot; name=&quot;_GoBack&quot;&gt;&lt;/a&gt;aspira algo que não sabe dizer com palavras, um desejo do
qual tem quase que uma intuição oracular e do qual fala por meio de enigmas.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Imaginem que estivessem deitados
no mesmo leito e que diante deles aparecesse Efesto, com seus instrumentos na
mão, perguntando: “Homens, o que desejais conseguir um do outro?”E se, diante
da sua dificuldade em responder, continuasse: “Dizei, é disto que tendes
vontades, de unir-vos uns ao outro o máximo possível, de modo a não vos
soltardes mais, nem de dia, nem de noite? Se é isso o que quereis, não terei a
menor dificuldade em vos fundir e em fazer de vós, em vez de dois, como sois,
um todo único, partilhando da mesma existência por toda a vida, com se fostes
uma só pessoa, e, depois da morte, lá embaixo, na morada de Hades, em vez de
dois continuaríeis a ser um só, compartilhando até mesmo a morte. Vede bem se é
isso que desejais apaixonadamente e se vos parece que experimentareis
satisfação conseguindo que tal se cumpra”. Não haveria quem, temos toda
certeza, ouvindo essa proposta, recusasse ou manifestasse desejo diferente.
Eles pensariam, certamente, ter ouvido a manifestação do que desejavam havia
muito tempo: unir-se ao amado, fundir-se com ele e, assim, de dois que eram
tornar-se um só.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E eis a razão disso: a nossa
natureza primitiva era aquela que eu disse, e nós éramos um todo único. Assim,
é ao desejo e à busca dessa totalidade que se dá nome de amor. Em outras
palavras, antes, como eu disse, éramos um ser único, mas agora, por causa do
nosso comportamento arrogante, a nossa unidade foi partida pelo deus, do mesmo
modo que os espartanos romperam com a unidade arcaica.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Há que se temer se não nos
comportamos modestamente aos olhos dos deuses, de encontrarmo-nos, mais uma
vez, cortado em dois, e que nos caiba andar por aí, como personagens
representados de perfil em baixo-relevo sobre as estelas, serrados ao meio ao
longo da linha do nariz, tornados semelhantes a astrágalos que se partem em
dois. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/8457232393321425675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/05/os-generos-sexuais-eram-tres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/8457232393321425675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/8457232393321425675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/05/os-generos-sexuais-eram-tres.html' title='Os Gêneros sexuais eram três'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-7225294320268274020</id><published>2012-05-22T09:11:00.000-07:00</published><updated>2012-05-22T09:11:08.335-07:00</updated><title type='text'>Como a vida nasceu de um vórtice</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;O PROBLEMA:a hipótese atomista
explica a estrutura dos corpos, mas podem explicar também a sua origem? Ou
seja, a origem do átomo? Ou da matéria? Mas o que leva os átomos a se agregarem
para formar compostos estáveis?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;A TESE: para responder a essas
perguntas, Demócrito formulou a teoria dos vórtices, que obteria um grande
sucesso no meio cientifico: a agregação dos átomos em corpos sólidos e compactos
deve-se a fenômenos puramente mecânicos, particularmente à força centrípeta
agregadora desenvolvida pelo movimento em vórtice. Antes de tudo, Demócrito
tinha interesse em trazer à luz a afirmação de que o nascimento da vida depende
de processos automáticos (putrefação, fermentação), os quais não requerem a
intervenção de qualquer inteligência divina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;Na primitiva comunhão de todas as
coisas, o céu e a terra tinham um único aspecto, sendo misturada a sua matéria.
&lt;b&gt;&lt;i&gt;Portanto,
no caos inicial não tinha corpos diferenciados.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;Em seguida, separando-se os
corpos uns dos outros, o mundo foi assumindo todo esse ordenamento que nele se
vê: o ar recebeu um movimento ininterrupto e a sua porção ígnea recolheu-se as
regiões mais alta da atmosfera, pois essa matéria tendia para o auto devido a
sua leveza. De fato, uma matéria transformada em gás leve, sobe provocando o
movimento de vazio e preenchimento. &lt;b&gt;&lt;i&gt;Portanto, o diferente peso dos átomos
produziu uma primeira separação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;Por essa razão, o Sol e a
multidão de astros foram apanhados no vórtice geral; a parte lamacenta e turva,
com mescla de elementos úmidos, depositou-se inteiramente em um lugar graças a
seu peso e, girando e volvendo-se continuamente sobre si mesma, com o elemento
liquido formou o mar. Com as partes mais solidas, formou a terra, lamacenta e
mole.&lt;b&gt;&lt;i&gt;
Portanto, os corpos celestes formaram-se em consequência de um movimento em
vórtice.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;E a terra, inicialmente sob o
ardor do fogo solar, tornou consistente; em seguida, o calor provocou
fermentações em sua superfície; em muitos lugares, as partes úmidas incharam,
produzindo-se em torno delas putrefações envoltas em sutis membranas. Isso pode
ser observado ainda hoje nos charcos e pântanos: depois que essas regiões se
resfriam, o ar torna-se imediatamente escaldante, em vez de aquecer-se
gradualmente. &lt;b&gt;&lt;i&gt;Portanto, o nascimento da vida explica-se com processos de putrefação e
fermentação.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;E posto que aquelas partes úmidas
produzissem embriões (pela elevação do calor) do modo que foi dito, esses
embriões recebiam alimento da neblina que descia da atmosfera a noite e se
consolidavam com o calor do Sol durante o dia; enfim, à medida que esses fetos
tão fechados completavam seu crescimento e as membranas dissecadas se
dilaceravam, vinham à luz as variadíssimas espécies animais. &lt;b&gt;&lt;i&gt;Portanto,
a ação do calor e do frio explica a evolução dos processos vitais.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;Dentre esses, aqueles que
possuíam mais calor se alçaram nas regiões do ar, tornando-se voláteis; aqueles
que tinham uma constituição terrosa foram incluídos na ordem dos repteis e de
outros animais terrestres; aqueles que alcançaram características
particularmente úmidas voltaram-se para o elemento próprio de sua natureza e
foram denominados aquáticos. A terra, que se tornara Cada vez mais dura pela
ação do calor solar e do vento, não teve mais condições de produzir nenhum dos
animais maiores, mas cada espécie dos que estão vivos começou a propagar pela
mútua união dos próprios seres. &lt;b&gt;&lt;i&gt;Portanto, a união entre os animais depende
da estrutura atômica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/7225294320268274020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/05/como-vida-nasceu-de-um-vortice.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/7225294320268274020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/7225294320268274020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/05/como-vida-nasceu-de-um-vortice.html' title='Como a vida nasceu de um vórtice'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8579865043561397490.post-2710287680426498748</id><published>2012-05-13T10:53:00.001-07:00</published><updated>2012-05-13T10:53:36.229-07:00</updated><title type='text'>O antigo universo em um plano novo</title><content type='html'>O Tempo e o Espaço não podem ser&amp;nbsp;destruído&amp;nbsp;porque eles não são coisas, mas sim dimensões. Todos os universos estelares podem se pulverizarem, tornando-se uma poeira cósmica. O Espaço continuará a existir, pronto a fazer renascer outros mundos.&lt;div&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; A coordenada do Tempo é a matriz de acontecimentos cósmicos incessantes, pois sempre sucede qualquer coisa no infinito do universo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; O Tempo é uma linha reta contendo pontos de &quot;agora&quot; em suspensão. É uma aspiral eterna de repetição.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;A velocidade do Tempo parece imutável, mas isso não passa de uma ilusão. O tempo é medido pelas rotações periódicas. Se o ritmo for&amp;nbsp;diminuído, o mesmo acontecerá com o tempo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Numerosas conclusões podem ser tiradas de teoria da relatividade de Einstein. O fluxo do tempo é mais lento no caso de um corpo grande do que para os corpos pequenos. Ele é lento no infinitamente grande de uma galáxia, e rápido no mundo do átomo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;A passagem do Tempo é relativa e depende do tamanho dos objetos. A galáxia que forma a via láctea tem mais de dez bilhões de anos de&amp;nbsp;existência. Por outro lado, os mésons e&amp;nbsp;híperons&amp;nbsp;vivem apenas uma fração de segundo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Do ponto de vista relativista, cada sistema de referencia possui o seu&amp;nbsp;próprio&amp;nbsp;tempo. Quando o antigo universo foi colocado em um plano novo, tornou-se patente que a ralidade em um outro ponto do Espaço-tempo poderia ser&amp;nbsp;também&amp;nbsp;válida como aquela que percebemos nesse momento.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Para mostrar o&amp;nbsp;caráter&amp;nbsp;relativo do presente, imaginemos que o ano de 1700 (segundo a cronologia terrestre) uma mensagem inteligente de rádio tenha sido transmitida de um planeta girando em torno de estrela Betelgeuse, na constelação de Órion. Essa mensagem seria recebida pelo radiotelescópio de Jodrell Bank em 1975, pois a Terra está a 275 anos-luz daquela estrela ( posto que as ondas de rádio se propagam à mesma velocidade da luz) . Entretanto, os habitantes de um planeta pertencente ao sistema de Aldebaran, na Constelação do Touro, teriam já recebido a mensagem em 1925, pois estão 50 anos-luz mais&amp;nbsp;próximo&amp;nbsp;de Betelgeuse. por meio desse exemplo hipotético, podemos ver que um único acontecimento não é produzido ao mesmo tempo em tres sistemas diferentes. Tal acontecimento, a&amp;nbsp;transmissão&amp;nbsp;de uma mensagem de rádio e a sua recepção por dois sistemas solares, implica&amp;nbsp;três&amp;nbsp;datas diferentes: 1700, 1925 e 1975.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp; O que nós chamamos de &quot;aqui-agora&quot; de cada observador é um ponto&amp;nbsp;arbitrário&amp;nbsp;no Espaço-tempo e não possui significado absoluto.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; Quando o professor Franck tomou posse da cadeira de Física na Faculdade de Praga, o reitor falou-lhe em tom sério:&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Pedimos que o senhor aja de modo normal.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Como assim&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;background-color: #edeff4; color: #333333; font-family: &#39;lucida grande&#39;, tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 14px; text-align: left;&quot;&gt;?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Isso é uma coisa rara entre os físicos&lt;span style=&quot;background-color: #edeff4; color: #333333; font-family: &#39;lucida grande&#39;, tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 14px; text-align: left;&quot;&gt;?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Não queira que seu antecessor era normal, replicou o reitor.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
O seu antecessor era Albert Einstein,&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://litesigno.blogspot.com/feeds/2710287680426498748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/05/o-antigo-universo-em-um-plano-novo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/2710287680426498748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8579865043561397490/posts/default/2710287680426498748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://litesigno.blogspot.com/2012/05/o-antigo-universo-em-um-plano-novo.html' title='O antigo universo em um plano novo'/><author><name>Anonymous</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04080676690551718493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>