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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937</atom:id><lastBuildDate>Thu, 10 Nov 2011 19:45:52 +0000</lastBuildDate><category>Aos Caminhantes</category><category>Apreciações</category><category>Teologia Alheia</category><category>Poemas</category><category>A Bíblia de Michelangelo</category><category>Sobre a capela</category><title>.:.. Teopoética -....</title><description>Um blog para caminhantes em busca de uma espiritualidade livre</description><link>http://teopoetica.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>37</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/blogspot/mXxW" /><feedburner:info uri="blogspot/mxxw" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><feedburner:emailServiceId>blogspot/mXxW</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-7397900557047919906</guid><pubDate>Mon, 24 Jan 2011 04:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-19T13:55:46.228-06:00</atom:updated><title>Teólogos</title><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;“A minha profissão? Bem...sou teólogo. Não, o senhor não me ouviu bem. Não sou geólogo. Teólogo. Isto mesmo...Não é necessário dissimular o espanto porque eu mesmo me espanto freqüentemente. E nem esconder o sorriso. Eu compreendo. Também não é necessário pedir desculpas. Sei que sua intenção foi boa. Perguntou sobre minha profissão apenas para começar uma conversa. A viagem é longa. É fácil falar sobre profissões. Tudo teria dado certo se a minha fosse uma dessas profissões que todo mundo conhece. Se eu tivesse dito dentista, médico, mecânico, agente funerário já estaríamos em meio a um animado bate-papo. Da profissão passaríamos à crise econômica, da crise econômica saltaríamos para a política e o mundo seria nosso...”&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;Em outros tempos a situação teria sido outra. Vocês já notaram que há certas profissões que não podem esperar a pergunta? Elas tomam a iniciativa e andam por aí se anunciando. É o que acontece, por exemplo, com os médicos, que convidam a admiração de todos em razão das roupas brancas que usam. Ou com os militares, que abrem espaço com a cor e o brilho de suas túnicas, seus botões, suas condecorações...É sempre assim: profissões respeitadas se trombeteiam por meio de vestes apropriadas. No caso de lhes faltarem as vestes, basta-lhes falar a linguagem que testemunham das universidades que freqüentaram e das instituições que os acolhem. Ouçam o discurso inconfundível dos técnicos, especialistas, administradores...E pensar que em tempos idos era a batina!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;div style="font-family: inherit; line-height: 22px; text-align: justify;"&gt;Houve tempo em que os teólogos se anunciavam. Sua presença não pedia explicações, apenas respeito e admiração. E os colarinhos clericais, as vestes sacerdotais, a rigorosa linguagem dos que têm familiaridade com a erudição declaravam, com segurança e tranqüilidade, que um teólogo estava presente. Bons tempos aqueles em que os especialistas nos segredos divinos eram reverenciados e honrados...Era então que todos sabiam que as coisas que realmente importam são aquelas que não se vêem: a alma, o inferno, o céu, o purgatório, a Santíssima Trindade, a presença de Cristo na eucaristia. Como comparar coisas eternas e coisas efêmeras, coisas invisíveis e coisas visíveis? Que abismo de dignidade e honra as separa...Claro que existe um lugar para a ciência das coisas físicas. Mas ela estará, provavelmente, mais próxima das habilidades dos cozinheiros e da arte de ferreiros e seleiros: coisas a serem usadas para nosso conforto sem que nos esqueçamos nunca do seu caráter transitório.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E era sobre as coisas invisíveis e eternas que falavam os teólogos, coisas que a imaginação artística tornava visíveis na pintura, na escultura, na arquitetura...E os corações tremiam e choravam, sorriam e explodiam em esperança nas redes lingüísticas que os teólogos teciam.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acontece que as coisas mudaram.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Progressivamente a imaginação se enfraqueceu. As pessoas deixaram de ter visões. E, se as tinham, tratavam de mantê-las em segredo. Porque se no passado visionários eram candidatos à santidade, agora eles se arriscavam à companhia dos loucos. Deus foi progressivamente expulso do mundo. Com a expansão da ciência os céus se esvaziaram de mistérios. Ficaram, repentinamente, desabitados. Sem amor, sem ódio, sem finalidade alguma...Apenas a beleza glacial, imóvel, das fórmulas matemáticas. Deus passou a ser uma hipótese desnecessária. Praticamente ele não fazia diferença alguma.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E aqui está o embaraço dos teólogos.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes eles falavam sobre Alguém que fazia toda a diferença e em quem se dependurava o destino dos homens. Agora eles falam sobre algo que não faz diferença alguma...Não admira que, aos olhos da ciência, o teólogo tenha ficado meio parecido com o alquimista, com o astrólogo...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À primeira vista pode parecer que o problema esteja no fato de que o teólogo nada mais faz que falar. Que diferença quando o comparamos com médicos, dentistas, mecânicos, agentes funerários, soldados, cozinheiros. Quando qualquer uma dessas profissões entra em ação, as coisas ficam diferentes: operações, obturações, soldas, funerais e sepulturas, paradas e batalhas, tortas e assados: as mãos trabalham, eventos e objetos são produzidos. Mas o teólogo fala, só fala...Acontece que também advogados, generais, políticos, psicanalistas e sociólogos são profissionais da fala – para não mencionar poetas e literatos.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o fato é que ninguém duvida de que essas falas façam diferença. Se assim não fosse os clientes de advogados e psicanalistas não pagariam seus serviços a peso de ouro. E os generais? Haverá alguém que questione o poder de suas ordens? Elas abrem portas, fecham portas, fazem homens marchar e homens se esconder. E mesmo os sociólogos, sem clientes e sem tropas, são temidos pelo poder de sua fala, que tem a estranha capacidade de virar as coisas de cabeça para baixo, descosturando roupas de reis e sacerdotes, substituindo a pompa dos uniformes pela vergonha dos ventres proeminentes e peles flácidas, o que não raro lhes custa o ostracismo e o desemprego...Essas falas fazem uma diferença.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, os teólogos deixaram de se anunciar por meio de uniformes e não podem esconder o embaraço quando alguém lhes pergunta sobre a sua profissão.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teologia, esta fala sobre as coisas invisíveis.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que diferença faz?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quais são os seus clientes?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem lhe pagaria honorários?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem entende seu estranho discurso?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Será que nossa clientela se reduziu a uns poucos sobreviventes do mundo romântico e mágico dos cavaleiros andantes ou àqueles que, de medo, não ousam dar ouvidos à ciência? Pergunta que nos fez Bonhoeffer. Ou não passaremos de fantasmas, assustando os desavisados? Lembro-me de um personagem de Camus que se divertia visitando os cafés freqüentados pela elite intelectual de Paris só para causar escândalo. É, brincava de teólogo... Quando a conversa já ia animada deixava escapar um palavrão obsceno: “Graças a Deus!” ou simplesmente: “Meu Deus...” E era pandemônio:&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem sabe como os nossos ateus de roda de bar são comungantes tímidos. Um momento de espanto segui-se ao enunciado desta enormidade, entreolhavam-se, estupefatos, depois estourava o tumulto, uns fugiam do bar, outros cacarejavam com indignação sem nada ouvir, todos se retorciam em convulsões, como o diabo na água benta (Camus, s.d., p. 73).&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teria sido muito mais fácil se eu tivesse dito:&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Minha profissão? Escrevo estórias de fadas para crianças”.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qualquer um teria entendido. Provavelmente alguns me teriam amado...Haverá coisa mais fascinante que falar sobre gigantes, bruxas más, princesas adormecidas, madrastas perversas, anões travessos, palavras encantadas, príncipes valentes e puros, felicidade até o fim dos seus dias? Tudo isto é permitido no reino da fantasia.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas e o teólogo? Sua fala também não se constrói com materiais tirados da fantasia? Sua boca não está ligada aos olhos da fé? Ao sonho? À visão?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E vi um novo céu e uma nova terra...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E Deus enxugará dos seus olhos todas as lágrimas...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O leão comerá palha como o boi,&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o lobo habitará com o cordeiro,&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;as espadas serão transformadas em arados,&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;as lanças em tesouras de podar,&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e os mansos e pobres herdarão a terra&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e verão a Deus...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por favor, que me digam a diferença entre o conto de fadas, que produz ternura, e a fala do teólogo, recebida com desdém...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez a diferença tenha a ver com o fato de que contos de fadas são contados para fazer dormir as crianças, enquanto a fala teológica deseja fazer os homens acordar, viver...O teólogo fala como quem acredita. Mas é isto que ficou proibido: acreditar. Daí a vergonha e o estigma. Como é possível que o levem a sério? Mais triste: como pode o teólogo levar-se a sério?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Compreende-se que ele se sinta perdido perante seus sólidos interlocutores cujas profissões todos entendem: pés firmemente colados ao cão, imaginação subordinada à observação, o desejo do corpo controlado pelas exigências da realidade. De fato, os teólogos, pássaros de asas quebradas, não podem com eles competir.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daí o seu silêncio, a solidão, as línguas ininteligíveis do seu discurso, os guetos em que se refugiam: comportamento de pessoas amedrontadas, que se recusam a falar por saber que uma vez dita a primeira palavra eles por ela serão traídos. E a palavra dita ficará mal / dita...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é possível procurar saídas por um outro lado. E é assim que os vemos freqüentemente concordando em dizer adeus ao seu jogo tal como era jogado no passado, conformando-se em vê-lo reduzido à condição inferior de um simples dialeto de uma linguagem mais nobre – tal como acontece com o caipira que tem de esquecer sua fala e sucumbir à música e à gramática do discurso urbano. E o teólogo – por derrota ou amor, não importa – se entrega a outros jogos, seja a sociologia, seja a psicanálise, seja a política. E então, e não sem um certo constrangimento, ele muda suas coisas e palavras dos espaços da metafísica e as entulha nas cavernas da ideologia ou da neurose.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que se ganha com isto?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É muito simples.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém faz perguntas acerca da verdade de tranqüilizantes e estimulantes. A questão da verdade sucumbe perante as evidências de sua utilidade. Lembram-se do Admirável mundo novo, de Huxley? Até lá, sob o domínio de cientistas, tecnocratas e administradores, a felicidade era terapeuticamente distribuída: em pílulas. Compreende-se assim que mesmo uma sociedade totalmente secularizada e atéia possa reconhecer o valor do ópio, seja sob a forma de compostos químicos, seja sob a forma de ilusões religiosas. E, se os sacerdotes de uma ordem estabelecida preferem o sono, os iconoclastas preferirão os corpos retesados em danças guerreiras. Há soluções químicas para ambas as demandas. Há poções teológicas para ambos os casos. E assim seria possível ao teólogo ressuscitar das cinzas, agora não mais sob o patrocínio da verdade, mas sob a égide da utilidade. Apenas um pequeno ajustamento seria necessário: o teólogo se descobriria vizinho e colega dos boticários...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi então que uma curiosa idéia me veio à mente. E se o meu interlocutor, em vez de se retrair com um sorriso enigmático ao ouvir minha resposta, prosseguisse com traqüilidade e candura:&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Então o senhor é um teólogo! Sabe, sempre me fascinei pela aura de mistério que envolve a teologia. Mas nunca pude entendê-la. Ponha-se na minha situação. Se o senhor tivesse como companheiro de viagem um matemático e lhe perguntasse: ‘Expliquei-me o que é a matemática’ – qual seria a sua reação se ele se pusesse a discorrer sobre os Princípia mathematica de Russell e Whitehead? Pois é assim que eu me sinto quando os teólogos começam a falar...Por favor, faça um esforço...”&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espantei-me então em descobrir em meu interlocutor um amigo fraterno que articulava, com voz clara, perguntas que eram muito minhas. Mais do que ele, era eu que queria entender aquilo que fazia, ao brincar com os símbolos que constituem a teologia.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você se espanta de que alguém faça algo sem saber por quê?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não deveria.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade são poucas, pouquíssimas, aquelas atividades que realizamos sob a luz do saber. A começar pelo uso da linguagem, que falamos sem conhecer as regras da gramática, e que nos foi ensinada pelos nossos pais sem que eles saibam como o fizeram. E andamos de bicicleta, nadamos, cantamos, fazemos amor – e se nos pedirem explicações teremos de confessar que pensamos pouco sobre o assunto e nossas conclusões são ainda insatisfatórias.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É no momento em que as coisas se tornam penosas e difíceis que o conhecimento é invocado. Pessoas que não sofrem do fígado nem mesmo sabem que o possuem. É necessário que ele doa – e com a dor surge a consciência. E é isto que acontece com os sapatos confortáveis que usamos o dia todo sem deles nos lembrar até que uma pedrinha transforma o pé no centro do mundo. Parodiando o poeta português Fernando Pessoa eu diria que “pensamento é doença do corpo”.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Digo isto para sugerir que para aqueles que amam a teologia é uma função natural como sonhar, ouvir música, beber um bom vinho, chorar, sofrer, protestar, esperar... Talvez a teologia nada mais seja que um jeito de falar sobre tais coisas dando-lhes um nome e apenas distinguindo-se da poesia porque a teologia é sempre feita como poemas e prece...Não, ela não decorre do cogito da mesma forma como poemas e preces. Ela simplesmente brota e se desdobra, como manifestação de uma maneira de ser: “suspiro da criatura oprimida” – seria possível uma definição melhor?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, no momento em que surge a dor da incompreensão e as palavras são recebidas com um sorriso de escárnio, a teologia se transforma em atividades problemáticas. E acontece então aquilo que ocorre com as pessoas portadoras de uma deformação facial que, conscientes a cada minuto de sua diferença e dos olhares de espanto ou dó, se sentem obrigadas ou a se esconder ou a assumir a diferença, como um desafio.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é isto que eu proponho: sem desculpas e sem capitulações, levantar o rosto e simplesmente explicar para os outros e para nós mesmos, especialmente para nós mesmos...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que é a teologia?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E nos voltamos para nosso interlocutor que propôs a pergunta e espera...Compreendemos, de saída, que será necessário nos valermos das parábolas e analogias. É assim que se caminha: do conhecido para o desconhecido.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“O senhor já ouviu falar de Castália? Isto mesmo. Está lá no livro de Hermann Hesse O jogo das contas de vidro. Castália, ordem monástica de um mundo no futuro. Ordens monáticas conhecemos muitas. Mas o que distingue Castália é a curiosa maneira que ela encontrou para organizar a sua vida espiritual em torno de um jogo, um brinquedo.”&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por favor, não deixe levar pelo mal-estar causado por estas duas palavras: jogo, brinquedo. Claro que somos pessoas sérias e que preferimos fazer nossos investimentos no trabalho e nas ações graves e heróicas que podem transformar a história. Quanto aos jogos e brinquedos, estão mais próximos do ócio e do fútil, coisa de crianças, e será sempre possível questioná-los com a terrível pergunta: “Quais as suas implicações políticas?”&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que se trata de coisa infantil não há dúvidas.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, lembrando-nos de que “se não nos convertermos e não nos fizermos como crianças não poderemos ver o reino dos céus”, teremos de dar um crédito de confiança a Castália, para que ela nos explique o seu jogo.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O senhor se espanta? Eu compreendo. Mas o fato é que para se fazer teologia e para se jogar o jogo das contas de vidro (era assim que se chamava o exercício espiritual de Castália) é necessário ter um pouco do espírito das crianças...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jogos e brinquedos são coisas muito sérias. Veja esta maravilhosa sugestão que nos vem de Schiller:&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um animal trabalha quando uma falta&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;é a força que o impulsiona à atividade,&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas ele brinca quando é a&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;abundância, um excesso de vida,&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;aquilo que o empurra e compele à ação...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(SCHILLER, s.d, apud KAUFANN, 1966).&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos jogos e brinquedos a liberdade e a necessidade se encontram, e a alegria que deles deriva brota justamente da liberdade triunfante que domina a necessidade, produzindo um mundo passível de ser amado.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida não é ela mesma um jogo? De forma alguma estou dizendo que o jogo não é sério. Milhões são a ele sacrificados, diariamente. Militares que tomam decisões sobre construção e alocação de bombas atômicas e alocação de tropas não se comportam exatamente como jogadores de xadrez? E a economia? Os investimentos na Bolsa? Tudo não se processa num estranho paralelismo com as regras de jogos? E nós, por não podermos evitar as máscaras, desempenhamos nossos papéis no palco, como teólogos, professores, amantes, policiais, revolucionários, crentes, cientistas... Claro que em muitos dos jogos as pessoas se esquecem de que estão jogando. Seus jogos se transformam em coisa séria, os reis e os palhaços não mais riem de si mesmos e nem lavam o rosto ou vestem pijamas quando vão dormir. Perderam a memória de quem são.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas voltemos ao jogo das contas de vidro dos monges de Castália.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em que consistia ele?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em música existe uma coisa muito comum chamada “variações sobre um tema dado”. A idéia é muito simples.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O compositor toma uma série de sons e com eles constrói um tema austero, nu, desprovido, de qualquer tipo de ornamentação.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inicia-se então o brinquedo. E o compositor pergunta a este tema:&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Quais são os limites da sua plasticidade? Até que ponto será possível alterá-lo sem destruir sua identidade?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E aceitando o tema como motivo o compositor estabelece-o como núcleo central de uma teia a ser tecida. E ele se põe a construir uma tapeçaria de sons, variando, alterando, invertendo, adornando, complicando, fazendo assim surgir, por meio de sucessivas e progressivas revelações, as possibilidades que se escondiam, adormecidas, no tema inicial.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bach constrói as monumentais “Variações Goldberg”.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mozart faz a mesma coisa, demonstrando grande prazer nesse brinquedo musical.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Beethoven não resiste ao fascínio do jogo, e por vezes sem conta suas composições portam o título “variações...”&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E não podemos nos esquecer da belíssima peça orquestral de Britten, “Variações sobre um tema de Purcel”, para ajudar crianças e grandes a entender a orquestra...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas e se os sons não bastarem para a construção? O mundo está cheio de outras coisas. Ao lado dos sons musicais estão as cores, materiais sólidos como pedra e madeira, as palavras. E há jardins, poemas, danças, teorias científicas, mitos, ritos, monumentos, jóias, túmulos... Claro que não podemos manipular tais coisas como se fossem peças de xadrez. Mas podemos submetê-las à mágica transubstanciação da linguagem, que nos permite remover uma montanha inteira apenas pronunciando uma palavra. As coisas se transubstanciam em contas de vidro, tornando-se assim peças do nosso jogo.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imaginemos agora um jogo semelhante a “Variações sobre um tema dado”, e que pode e deve ser construído com todos os materiais simbólicos possíveis, extraídos da experiência humana e de tudo aquilo que a cultura já produziu. A tarefa: construir uma arquitetura simbólica que evoque e represente a presença escondida do tema proposto, fazendo com que todos os cantos e recantos do nosso mundo entrem em reverberações harmônicas, cantando partes de uma polifonia, revelando assim um mágico encanto, onipresente... Em torno da grande conta de vidro, temática fundadora, central, as outras vão sendo agregadas, até que ao final de tudo canta, em cânon, o que foi proposto no início. Esta é a idéia básica do exercício lúdico em torno do qual girava Castália: o jogo das contas de vidro.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se eu fizesse a insólita sugestão de que a teologia é um jogo de contas de vidro? E que Hermann Hesse talvez tenha se inspirado naquilo que os teólogos têm feito através dos séculos como modelos para os exercícios espirituais dos monges de Castália?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que faz um teólogo?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele fala.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode ser que faça muitas coisas mais gratificantes, mais belas, mias relevantes: o que não se pode negar é que, como teólogo, ele lida com símbolos. Brinca com eles.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em que se distingue de outros jogadores de símbolos?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É simples. Ele usa contas de vidro que os outros não usam e não usa muitas das que os outros empregam.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como caracterizar as contas teológicas? Não é difícil. Seu brilho, suas cores, seu calor... Não é possível confundir. Mas voltaremos a isto em outra ocasião. Porque agora o teólogo, nosso amigo, se dirige para a arca onde se encontram guardadas as suas contas. E ele começa a retirá-las. Mitos, ritos, símbolos, visões utópicas, poemas, salmos, preces, maldições, estórias, gestos, deseros, cidades, mortes, assassínios, ressurreições, esperanças, homens e mulheres de mãos dadas, corpos colados em amor, prisões, lágrimas, dores, muitas dores, sorrisos, muitos sorrisos, rostos, muitos rostos...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o teólogo toma as contas inertes, aquece-as em suas mãos, elas fulguram, ganham vida, e ele começa a organizá-las como se fossem tapetes, amarrando os símbolos uns nos outros até que a rede se alongue o bastante para ser pendurada nos dois lados do abismo. Lembram-se de Zaratustra?&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“O homem é uma corda sobre um abismo...”&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o teólogo estende sobre o abismo a rede simbólica que ele teceu no seu jogo de contas de vidro, para aqueles que quiserem tomar o risco de nela descansar seus corpos.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah! Como deve parecer insólita esta proposta.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que teólogo, no passado, teve a desfaçatez de comparar seu trabalho ao jogo e ao artesanato? Seus rostos graves revelavam a gravidade da sua tarefa: abrir as portas das coisas divinas e eternas. Sabiam que, em oposição às sombras em que os outros homens viviam, eles habitavam os lugares sagrados onde a voz de Deus se fazia ouvir e contemplavam a luz clara e direta da Revelação. Trabalhavam sob o imperativo da verdade. E da mesma forma como os cientistas da natureza, que também por amor à verdade subordinavam a imaginação à observação e se tornavam totalmente submissos ao objeto, os teólogos, cientistas das coisas divinas, desejavam que sua fala fosse conhecimento rigoroso e objetivo das coisas que têm a ver com a divindade.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas agora eu sugiro que a teologia é jogo, construção, artesanato: coisa humana, por demais humana: Dizer que teólogos são jogadores/tapeceiros não será o mesmo que dizer que eles são jogadores/trapaceiros.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Compreendo o espanto de todos e, para amenizar a situação, eu invoco dos mortos um contador de parábolas, Kierkegaard, que nos dirá de um dançarino curioso...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se um dançarino desse saltos muito altos, poderíamos admirá-lo.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas se ele tentasse dar a impressão de poder voar o riso seria seu merecido castigo, mesmo se ele fosse capaz, na verdade, de saltar mais alto que qualquer outro dançarino. Saltos são atos de seres essencialmente terrestres que respeitam a força gravitacional da terra, pois que o salto é algo momentâneo. Mas o vôo nos faz lembrar os seres emancipados das condições telúricas, um privilégio reservado para as criaturas aladas...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A razão para a parábola? É muito simples.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teólogos são dançarinos. E se o nosso companheiro de viagem recuou, embaraçado, quando lhe confessamos nossa profissão, talvez isto tenha se devido ao fato de já ter ele visto o espetáculo ridículo de bailarinos que se faziam passar por seres alados: teólogos que confindiam a voz dos homens com a voz de Deus, e atribuíam solidez àquilo que é fugaz e verdade ao que não passa de um palpite efêmero...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E pensar-se que a beleza do bailado pode ser recuperada... Claro que isto não se conseguirá atribuindo-se seja ao teólogo, seja à Igreja, o poder de voar como os pássaros. O fascínio renascerá justamente quando os homens puderem ver o lugar onde os pés tocam o chão...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizer que teólogos são pessoas que jogam o jogo das contas de vidro é confessar que eles têm os pés no chão: porque um jogo é algo que se constrói de baixo para cima com argúcia, engenhosidade e sobretudo amor. E é bem possível que algo estranho aconteça ao fim do nosso relato. Se tivéssemos dito ao nosso companheiro que somos seres alados, ele não teria podido evitar seu riso e seu desprezo. Mas nós lhe confessamos que fazemos nada mais que brincar com símbolos, fazendo improvisações em torno de temas dados. Parecemos voar? Apenas saltos, pois nossos pés só deixam o chão por curtos e fugazes momentos. E a teologia se desnudaria como coisa humana que qualquer um poderia fazer se sentisse o fascínio dos símbolos, o amor pelo tema e tivesse a imaginação sem a qual os pés não se despregam da terra. E aí o possível estranho fim de uma consversa: porque o desconhecido poderia se tornar um discípulo... Quem poderia negar a beleza do jogo das contas de vidro? E o teólogo se redescobriria não mais vestido com as cores fulgurantes dos que estão em cima, mas na tranqüila nudez daqueles que, como os demais, andam pelos caminhos comuns da existência.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; line-height: 22px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rubem Alves (Teologia como 'variações sobre um tema dado' - 08/09/05)&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-7397900557047919906?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/pYxPFgPB9ok" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/pYxPFgPB9ok/teologos.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2011/01/teologos.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-2549319722352324831</guid><pubDate>Mon, 19 Jul 2010 12:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-01-14T07:15:31.493-07:00</atom:updated><title>Filósofos e poetas</title><description>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Sempre se esquece que o filósofo,  tal como o poeta, é o portador de futuros entre nós e pode contar menos  do que os outros com a participação de sua época. &lt;br /&gt;
Filósofos e poetas são  contemporâneos de pessoas de um futuro longínquo...&lt;em&gt;&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;em&gt;Rainer Maria Rilke&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-2549319722352324831?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/qslMrjYzR78" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/qslMrjYzR78/filosofos-e-poetas.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2010/07/filosofos-e-poetas.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-4538563353811114292</guid><pubDate>Wed, 07 Jul 2010 18:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-07-07T12:07:21.001-06:00</atom:updated><title>Quem sou?</title><description>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;Quem sou? Frequentemente me dizem que&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;saí do confinamento de minha cela&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;tranquilo, alegre e firme&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;como um senhor de sua mansão de campo.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;Quem sou? Frequentemente me dizem&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;que costumo falar com os guardiões da prisão confiada, livre e claramente,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;como se eu desse as ordens.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;Quem sou? Também me dizem&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;que superei os dias de infortúnio&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;orgulhosa e amavelmente, sorrindo,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;como quem está habituado a triunfar.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;Sou, na verdade,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;tudo o que os demais dizem de mim?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;Ou sou somente o que eu sei de mim mesmo?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;Inquieto, ansioso e enfermo,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;como uma ave enjaulada,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;pugnado por respirar, como se me afogasse,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;sedento de cores, flores, canto de pássaros,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;faminto de palavras bondosas, de amabilidade,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;com a expectativa de grandes feitos,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;temendo, impotente,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;pela sorte de amigos distantes,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;cansado e vazio de orar, de pensar, de fazer,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;exausto e disposto a dizer adeus a tudo.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;Quem sou? Esse ou aquele?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;Um agora e outro depois?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;Ou ambos de uma vez?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;Hipócrita perante os demais&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;e, diante de mim mesmo, um débil acabado?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;Ou há, dentro de mim,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;algo como um exército derrotado&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;que foge desordenadamente da vitória já alcancada?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;Quem sou?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;Escarnecem de mim essas solitárias perguntas minhas;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;seja o que for, Tu o sabes, ó Deus: sou Teu!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Dietrich Bonhoeffer&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-4538563353811114292?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/xoEQx-S9iWA" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/xoEQx-S9iWA/quem-sou.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2010/07/quem-sou.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-4300081978982915155</guid><pubDate>Thu, 17 Sep 2009 13:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-17T07:51:37.139-06:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Teologia Alheia</category><title>Uma Estória do Mestre Benjamim</title><description>&amp;nbsp;A tenda do Mestre Benjamim estava cheia. Uma velhinha de voz trêmula e pele cheia de rugas lhe pediu: "Mestre, fale-nos sobre Deus..."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mestre Benjamim fez silêncio. Olhou para o vazio. Vagarosamente um sorriso foi-se abrindo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Quantas pessoas aqui, na minha tenda, estão pensando no ar? Por favor, levantem a mão..."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ninguém levantou a mão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Ninguém levantou a mão... Ninguém está pensando no ar. E, no entanto, todos nós o estamos respirando. O ar é a nossa vida e não precisamos pensar nele nem dizer seu nome para que ele nos dê vida. Mas o homem que se afoga no fundo das águas só pensa no ar. Deus é assim. Não é preciso pensar nele e pronunciar seu nome. Ao contrário, quando se pensa nele o tempo todo é porque está se afogando...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
" Que desejamos para nossos filhos? Que eles sejam felizes. Sorrimos ao vê-los por aí a correr, a cantar e a brincar, pensando nas coisas de criança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas enquanto brincam e riem eles não pensam em nós. Se um filho, ao se levantar viesse até você e o elogiasse, e agradecesse porque você lhe deu a vida e jurasse amor para sempre, e fizesse a mesma coisa na hora do almoço, e repetisse ao meio da tarde e de noite fizesse tudo de novo, suspeitaríamos de que alguma coisa não está bem. O que desejamos é que eles gozem a vida sem pensar em nós. Quem pensa demais e fala demais sobre Deus é porque não o está respirando."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fez-se silêncio. Foi quando uma lufada de vento entrou pela tenda, fazendo balançar a lâmpada de óleo que pendia do teto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Deus é como o vento. Sentimos na pele quando passa, ouvimos a sua música nas folhas das árvore e o seu assobio nas gretas das portas. Mas não sabemos de onde vem nem para onde vai. Na flauta o vento se transforma em melodia. Mas não é possível engarrafá-lo. Mas as religiões tentam engarrafá-lo em lugares fechados a que eles dão o nome de "casa de Deus". Mas se Deus mora numa casa estará ausente do resto do resto mundo? Vento engarrafado não sopra..."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ouviu-se então o pio distante de uma coruja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Deus é como um pássaro encantado que nunca se vê. Só se ouve o seu canto... Deus é uma suspeita do nosso coração de que o universo tem um coração que pulsa como o nosso. Suspeita... Nenhuma certeza. Deus nos deu asas. mas as religiões inventaram gaiolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo o que vive é pulsação do sagrado. As aves do céu, os lírios dos campos... Até o mais insignificante grilo, no seu cri-cri rítmico, é uma música do Grande Mistério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É preciso esquecer os nomes de Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida. Não precisamos dizer o nome -rosa- para sentir seu perfume.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deus mora no nosso mundo, passeia pelo jardim. Deus é beleza. Quer ver Deus? Veja a beleza do Sol que se põe. Quer ouvir Deus? Entregue-se à beleza da música.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quer sentir o cheiro de Deus? Respire fundo o cheiro do jasmim. Quer saber como é o coração de Deus? Empurre uma criança num balanço.Eu vejo Deus em cada uma das vinte e quatro horas e em cada instante de cada uma delas, nos rostos dos homens e das mulheres eu vejo Deus."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ouvindo estas palavras a velhinha sorriu para o mestre Benjamim e fez um sinal com a mão, abençoando-o.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do livro "Perguntaram-me se acredito em Deus" de Rubem Alves.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-4300081978982915155?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/IEha-bhcDi4" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/IEha-bhcDi4/uma-historia-do-mestre-benjamim.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2009/09/uma-historia-do-mestre-benjamim.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-8451970767662362031</guid><pubDate>Sun, 24 Feb 2008 14:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-02-24T07:09:32.090-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Teologia Alheia</category><title>Heresia repensada</title><description>&lt;strong&gt;Heresia&lt;/strong&gt; é a pretensa posse do monopólio da verdade por qualquer grupo, igreja, partido político, escola, cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Heresia &lt;/strong&gt;é a crença de que é possível legislar com leis eclesiásticas a moral pessoal, obrigações legais, negócios, relações conjugais, guerras, paz e comportamento sexual.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Heresia&lt;/strong&gt; é o esforço de combater os diferentes com censura, intimidação, patrulhamento, rotulação, discriminação ou tortura.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Heresia&lt;/strong&gt; é a redução da complexidade da vida a um maniqueísmo simplista, tipo: certo, errado; pecador, santo; ortodoxo, apóstata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Heresia&lt;/strong&gt; é a tentativa de preservar a literalidade de um texto enquanto se despreza a sua riqueza espiritual, mítica, alegórica. – “a letra mata, o espírito vivifica”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Heresia&lt;/strong&gt; é a sutil mistura de nacionalismo e teologia; a cínica ideologização da doutrina para cumprir a agenda do poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Heresia&lt;/strong&gt; é a intolerância que vê os discordantes como inimigos de Deus; uma antipatia que sutilmente contamina os diálogos e inviabiliza os encontros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Heresia&lt;/strong&gt; é a defesa de pressupostos que não objetivam a vida, a humanização da história ou o cuidado com os desprotegidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Heresia&lt;/strong&gt; é o pavor do novo; o medo de pensar fora da caixa; a timidez para assumir as convicções; a resistência de não sair da platéia opinativa e descer até a arena da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Heresia&lt;/strong&gt; é a veneração pelo texto sagrado a ponto de transformá-lo em um ícone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Heresia&lt;/strong&gt; é desprezar que a Palavra é arma agudíssima com um potencial devastador; com um poder incalculável de causar o bem ou o mal – a rapinagem de Isabel, a católica, nas Américas e o preconceito calvinista no aparthaid da África do Sul bastam como exemplos de que o mau uso da Bíblia pode ser arrasador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soli Deo Gloria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirado do site de &lt;a href="http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=61&amp;amp;sg=0&amp;amp;id=1786"&gt;Ricardo Gondim&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-8451970767662362031?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/XN9sx9yD4_A" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/XN9sx9yD4_A/heresia-repensada.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2008/02/heresia-repensada.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-4912813300834098693</guid><pubDate>Sat, 29 Dec 2007 14:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-18T15:17:53.004-06:00</atom:updated><title>Arte Boa</title><description>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/SFl7PPGgTZI/AAAAAAAAAMU/wNXQ8O4cF9s/s1600-h/Fontaine_Duchamp.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/SFl7PPGgTZI/AAAAAAAAAMU/wNXQ8O4cF9s/s400/Fontaine_Duchamp.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213333545340128658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Marcel Duchamp, &lt;i&gt;A fonte&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;"a arte pode ser ruim, boa ou indiferente, mas qualquer que seja o adjetivo empregado, temos de chamá-la de arte. A arte ruim é arte, do mesmo modo como uma emoção ruim é uma emoção”.&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Marcel Duchamp&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-4912813300834098693?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/jO1l1nIpmjc" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/jO1l1nIpmjc/arte-boa.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/SFl7PPGgTZI/AAAAAAAAAMU/wNXQ8O4cF9s/s72-c/Fontaine_Duchamp.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/12/arte-boa.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-5297463317534032619</guid><pubDate>Wed, 26 Dec 2007 02:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-25T19:47:10.365-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poemas</category><title>Vocação de Poeta</title><description>Ainda outro dia, na sonolência&lt;br /&gt;De escuras árvores, eu, sozinho,&lt;br /&gt;Ouvi batendo, como em cadência,&lt;br /&gt;Um tique, um taque, bem de mansinho...&lt;br /&gt;Fiquei zangado, fechei a cara -&lt;br /&gt;Mas afinal me deixei levar&lt;br /&gt;E igual a um poeta, que nem repara,&lt;br /&gt;Em tique-taque me ouvi falar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vendo o verso cair, cadente,&lt;br /&gt;Sílabas, upa, saltando fora,&lt;br /&gt;Tive que rir, rir, de repente,&lt;br /&gt;E ri por um bom quarto de hora.&lt;br /&gt;Tu, um poeta? Tu, um poeta?&lt;br /&gt;Tua cabeça está assim tão mal? -&lt;br /&gt;Sim, meu senhor, sois um poeta,&lt;br /&gt;E dá de ombros o pica-pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quem espero aqui nesta moita?&lt;br /&gt;A quem espreito como um ladrão?&lt;br /&gt;Um dito? Imagem? Mas, psiu!&lt;br /&gt;Afoita Salta à garupa rima, e refrão.&lt;br /&gt;Algo rasteja? Ou pula? Já o espeta&lt;br /&gt;Em verso o poeta, justo e por igual. -&lt;br /&gt;Sim, meu senhor, sois um poeta,&lt;br /&gt;E dá de ombros o pica-pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rimas, penso eu, serão como dardos?&lt;br /&gt;Que rebuliços, saltos e sustos&lt;br /&gt;Se o dardo agudo vai acertar dos&lt;br /&gt;Pobres lagartos os pontos justos.&lt;br /&gt;Ai, que ele morre à ponta da seta&lt;br /&gt;Ou cambaleia, o ébrio animal! -&lt;br /&gt;Sim, meu senhor, sois um poeta,&lt;br /&gt;E dá de ombros o pica-pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vesgo versinho, tão apressado,&lt;br /&gt;Bêbada corre cada palavrinha!&lt;br /&gt;Até que tudo, tiquetaqueado,&lt;br /&gt;Cai na corrente, linha após linha.&lt;br /&gt;Existe laia tão cruel e abjeta&lt;br /&gt;Que isto ainda - alegra? O poeta - é mau?&lt;br /&gt; - Sim, meu senhor, sois um poeta,&lt;br /&gt;E dá de ombros o pica-pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu zombas, ave? Queres brincar?&lt;br /&gt;Se está tão mal minha cabeça&lt;br /&gt;Meu coração pior há de estar?&lt;br /&gt;Ai de ti, que minha raiva cresça!&lt;br /&gt;Mas trança rimas, sempre - o poeta,&lt;br /&gt;Na raiva mesmo sempre certo e mau.&lt;br /&gt;- Sim, meu senhor sois um poeta,&lt;br /&gt;E dá de ombros o pica-pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Friedrich Nietzsche - Tradução de Rubens Torres Filho&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-5297463317534032619?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/rkdMBeTtjY0" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/rkdMBeTtjY0/vocao-de-poeta.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/12/vocao-de-poeta.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-4292572977986461353</guid><pubDate>Fri, 07 Dec 2007 19:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-25T19:47:52.455-07:00</atom:updated><title>Margem Desolada</title><description>Na margem do rio, um homem.&lt;br /&gt;Nas margens do rio, vida humana.&lt;br /&gt;O silêncio dos que governam quer silenciar o homem.&lt;br /&gt;O silêncio dos que governam pode silenciar a vida.&lt;br /&gt;Logo será abril.&lt;br /&gt;A fome do homem, santo, não durará até abril.&lt;br /&gt;Calará o homem e sua luta?&lt;br /&gt;Se calar, abril será, novamente, o mais cruel dos meses,&lt;br /&gt;E a vida morta às margens do rio misturará memória&lt;br /&gt;Desencontro, vazios e ausências de sentido.&lt;br /&gt;Será possível tecer outra história&lt;br /&gt;Para abril?&lt;br /&gt;Outro destino para o homem da margem do rio?&lt;br /&gt;O rio tem nome de santo.&lt;br /&gt;Um santo que chamava o rio de irmão&lt;br /&gt;Assiste um santo que faz do rio seu irmão&lt;br /&gt;Morrendo no leito de morte do rio.&lt;br /&gt;A terra do leito de morte do rio&lt;br /&gt;Acolherará o corpo do santo,&lt;br /&gt;Por conta do silêncio dos que governam?&lt;br /&gt;Ou será permitido, ao homem e ao rio, voz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discutem acerca da fé do homem,&lt;br /&gt;E esperam que o lodo do rio leve-o para longe&lt;br /&gt;Para o tempo em que as águas transpostas&lt;br /&gt;Façam esquecer a santidade do homem.&lt;br /&gt;Logo serão as águas.&lt;br /&gt;Afogarão elas a luta do povo, que dá sentido as veredas do sertão?&lt;br /&gt;O sertão feito mar esquecerá, por fim, o seu santo?&lt;br /&gt;Se esquecer, as águas serão, novamente, a mais cruel das escolhas.&lt;br /&gt;Mais uma vez é o, antes de tudo, forte, que encontrará a morte?&lt;br /&gt;O chão duro e vermelho da margem do Velho Chico&lt;br /&gt;Alimentar-se-á do corpo do santo,&lt;br /&gt;Seu último e doce aliado?&lt;br /&gt;Será possível escolher outra história&lt;br /&gt;Para o rio?&lt;br /&gt;O rio santo e o homem santo serão ouvidos?&lt;br /&gt;Os ribeirinhos, guardiãs de ambos, assim esperam.&lt;br /&gt;Porque não conversar?&lt;br /&gt;É possível ouvir o homem-rio?&lt;br /&gt;E salvar da morte, a santidade de ambos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Adriana Dias&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-4292572977986461353?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/phuZC35mTjI" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/phuZC35mTjI/margem-desolada.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/12/margem-desolada.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-8545930557551462066</guid><pubDate>Fri, 07 Dec 2007 19:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-07T13:00:10.042-07:00</atom:updated><title>Sacrifício como doação de si</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Uma idéia estranha ao modo de subjetivação contemporâneo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo que atitudes de &lt;span class="tituloultimasnoticias"&gt;resistência e fé como a de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.umavidapelavida.com.br/default.asp"&gt; Frei Cappio&lt;/a&gt;  contribuem para que seja construído em nós a sensibilidade poética, fundamento de toda apreciação e luta pela vida. Baseado nesse credo, decidi copiar para o Teopoética o  post do blog da minha querida amiga &lt;a href="http://psicologiadareligiao.wordpress.com/sobre/"&gt;Mary Esperandio. &lt;/a&gt;Espero que gostem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Retiro uma pequena parte da reflexão sobre sacrifício, desenvolvida em minha tese de doutorado, para pensarmos um pouco sobre a greve de fome que Frei Cappio está fazendo, como forma de luta em favor da revitalização do Rio São Francisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra sacrifício tem, pelo menos, três significados. Do latin: sacrificium deriva da conjunção de sacer: sacro, santo e facere: fazer. A base etimológica da palavra nos dá a idéia de “fazer santo”, “tornar sacro”, indicando o sacrifício como um processo de santificação, um ato de separação ou de consagração de alguma coisa. Do alemão, a palavra Opfer tem o sentido de sacrifício, oferta. A raiz desta palavra aponta a idéia da dádiva, da oferta, do presentear como “tornar algo sacro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas encontramos, também, a palavra sacrifício no discurso popular, no mass midia, até mesmo nos discursos de economia, indicando um uso fora do contexto religioso. Neste caso, sacrifício toma o sentido de renúncia, de abrir mão de alguma coisa de valor em troca de uma outra de valor maior. Implica, portanto, a presença de um certo nível de sofrimento na ação de, voluntária ou obrigatoriamente, renunciar a algo de valor na expectativa de retorno de um bem que ultrapasse o valor daquilo que se entregou no ato do sacrifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é o sétimo dia da greve de fome realizada pelo Frei Cappio! Uma greve de fome como forma de luta em favor da revitalização do Rio São Francisco. O assunto é polêmico. O espaço desse post não comporta uma apresentação aprofundada sobre o tema. Contudo, é interessante pensar que nenhum ser humano estaria disposto a dar sua própria vida em favor de uma causa se não acreditasse nela. Frei Cappio luta em favor de uma causa que beneficia os “muitos” - e não uns poucos. Seria, o gesto de Frei Cappio, uma forma de sacrifício?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costumo dizer que no modo de subjetivação contemporâneo ninguém quer sacrificar-se por outros. Estamos dispostos a fazer sacrifícios (renúncia de um bem em favor de um bem maior) apenas em favor de nós mesmos. Em outras palavras, fazemos “investimentos em nós mesmos”, mas sacrifícios em favor de outros?… mais fácil choramingar sobre as atitudes egoístas (dos outros!) dizendo: “ah, todo mundo pensa em si, só eu penso em mim!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frei Cappio pensa no benefício de outros que não têm voz para expressar a perda que acontecerá com a transposição do Rio. Ele pensa, age, e enfrenta as conseqências de sua escolha ética. Dois anos atrás, Frei Cappio fez o mesmo. Finalmente o presidente Lula aceitou uma conversa e fez “promessas”. O que mudou de lá pra cá? As obras de transposição foram retomadas. A revitalização do rio não foi levada à sério. Muitas agências apóiam a luta de Cappio. A mídia no entanto, tem dado pouco relevo ao protesto. Parece dizer em silêncio: “não adianta! É uma luta perdida!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixaremos Frei Cappio sozinho nessa luta? O que podemos fazer sobre isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vc pode apoiar o gesto de resistência do Frei Cappio, manifestando-se no site: Uma vida pela vida - http://www.umavidapelavida.com.br/manifestacoes.asp&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a ADITAL - Agência de Notícias, “para apoiar a atitude de Cappio, é essencial mandar um fax para os endereços na lista abaixo com a carta em anexo. É importante mandar uma copia oculta (cco:) para o e-mail apoio.dom.cappio@gmail.com para que possa ser contabilizado o número de cartas enviadas ao Governo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lista de Endereços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA&lt;br /&gt;e-mail: presidencia@planalto.gov.br&lt;br /&gt;e-mail: protocolo@planalto.gov.br&lt;br /&gt;e-mail: gabinete@planalto.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 3411 1865&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MINISTRO DE INTEGRAÇÃO GEDDEL VIEIRA LIMA&lt;br /&gt;e-mail: pedro.sanguinetti@integracao.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 3321 3122&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MINISTRA DO MEIO AMBIENTE MARINA SILVA&lt;br /&gt;e-mail: marina.silva@mma.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 3317-1755&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Supremo Tribunal Federal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABINETE MINISTRA ELLEN GRACIE (Presidente)&lt;br /&gt;e-mail: ellengracie@stf.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 32174249&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABINETE MINISTRO GILMAR MENDES (Vice-Presidente)&lt;br /&gt;e-mail: mgilmar@stf.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 32174189&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABINETE MINISTRO CELSO DE MELLO&lt;br /&gt;e-mail: mcelso@stf.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 32174099&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABINETE MINISTRO MARCO AURÉLIO&lt;br /&gt;e-mail: marcoaurelio@stf.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 32174309&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABINETE MINISTRO CEZAR PELUSO&lt;br /&gt;e-mail: mluciam@stf.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 32174219&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABINETE MINISTRO CARLOS BRITTO&lt;br /&gt;e-mail: gcarlosbritto@stf.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 32174339&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABINETE MINISTRO JOAQUIM BARBOSA&lt;br /&gt;e-mail: gabminjoaquim@stf.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 32174159&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABINETE MINISTRO EROS GRAU&lt;br /&gt;e-mail: gaberosgrau@stf.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 32174399&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABINETE MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI&lt;br /&gt;e-mail: gabinete-lewandowski@stf.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 32174279&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABINETE MINISTRA CÁRMEN LÚCIA&lt;br /&gt;e-mail: anavt@stf.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 32174355 / 32174369&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GABINETE MINISTRO MENEZES DIREITO&lt;br /&gt;e-mail: alexandrew@stf.gov.br&lt;br /&gt;Fax: (0055) 61 32174129&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saber mais sobre a luta de Frei Cappio, acesse: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&amp;amp;cod=29086&amp;amp;busca=frei%20luiz%20cappio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saber mais detalhes sobre o projeto de transposição do Rio, faça um download da Revista: “Águas da Ilusão“.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o gesto de Frei Cappio como luta pela vida, leia uma análise do missiólogo católico, Paulo Suess, publicada em outubro/2005: “Cappio, Cabrobó, Cúria. O profeta entre a Igreja e o Estado”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ter acesso a um dossiê sobre a ocupação do Rio São Francisco e outras informações sobre o assunto, vc pode acessar o site: http://imediata.org/index.php?page_id=86%22_blank%22&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais informações em: http://imediata.org/index.php?page_id=86%22_blank%22&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a polêmica na Igreja Católica, a respeito da greve de fome do Frei Cappio: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u350971.shtml&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que diz o Ministro da Integração Nacional: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u349959.shtml"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-8545930557551462066?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/I5QBpFdDZDQ" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/I5QBpFdDZDQ/sacrifcio-como-doao-de-si.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/12/sacrifcio-como-doao-de-si.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-3613123459336655480</guid><pubDate>Fri, 30 Nov 2007 23:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-29T15:07:22.835-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poemas</category><title>O Que é Milagre?</title><description>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/3a/Paul_Gauguin_062.jpg/800px-Paul_Gauguin_062.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/3a/Paul_Gauguin_062.jpg/800px-Paul_Gauguin_062.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="COLOR: rgb(153,0,0)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(153,0,0)"&gt;O Filho de Deus Nascido&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(153,0,0)"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;Paul Gauguin&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;Óleo sobre tela, 96 × 128 cm &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;1896 -Munique&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Nesse quadro, Gauguin mistura a arte européia com a estética e cultura taitiana, pintando Cristo e Maria como nativos. Maria descansa na cama enquanto outra mulher segura o Cristo recém-nascido no colo. Na cabeça de ambos a auréola amarela, típica da pintura européia pré-renascentista, contrasta com a técnica pós-impressionista e a cor local tão presente. Os traços nativos, a cor, o retratar do artesanato taitiano, a informalidade da cena, tudo serve para nos lembrar que o milagre nasce no cotidiano, longe da burocracia dos sistemas religiosos. Continuando o assunto, gostaria de  deixa-los com o poema de Whitmann que faz um ótimo paralelo com a pintura de Gauguin .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quero fazer os poemas das coisas materiais,&lt;br /&gt;pois imagino que esses hão de ser&lt;br /&gt;os poemas mais espirituais.&lt;br /&gt;E farei os poemas do meu corpo&lt;br /&gt;E do que há de mortal.&lt;br /&gt;Pois acredito que eles me trarão&lt;br /&gt;Os poemas da alma e da imortalidade."&lt;br /&gt;E à raça humana eu digo:&lt;br /&gt;-Não seja curiosa a respeito de Deus,&lt;br /&gt;pois eu sou curioso sobre todas as coisas&lt;br /&gt;e não sou curioso a respeito de Deus.&lt;br /&gt;Não há palavra capaz de dizer&lt;br /&gt;Quanto eu me sinto em paz&lt;br /&gt;Perante Deus e a morte.&lt;br /&gt;Escuto e vejo Deus em todos os objetos,&lt;br /&gt;Embora de Deus mesmo eu não entenda&lt;br /&gt;Nem um pouquinho...&lt;br /&gt;Ora, quem acha que um milagre alguma coisa demais?&lt;br /&gt;Por mim, de nada sei que não sejam milagres...&lt;br /&gt;Cada momento de luz ou de treva&lt;br /&gt;É para mim um milagre,&lt;br /&gt;Milagre cada polegada cúbica de espaço,&lt;br /&gt;Cada metro quadrado de superfície&lt;br /&gt;Da terra está cheio de milagres&lt;br /&gt;E cada pedaço do seu interior&lt;br /&gt;Está apinhado de milagres.&lt;br /&gt;O mar é para mim um milagre sem fim:&lt;br /&gt;Os peixes nadando, as pedras,&lt;br /&gt;O movimento das ondas,&lt;br /&gt;Os navios que vão com homens dentro&lt;br /&gt;- existirão milagres mais estranhos?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Walt Whitmann&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-3613123459336655480?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/ZVK5H2qvbh0" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/ZVK5H2qvbh0/o-que-milagre.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/11/o-que-milagre.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-6546905422541635426</guid><pubDate>Thu, 29 Nov 2007 12:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-29T05:19:20.100-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poemas</category><title>Blasfémia</title><description>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;Olho por olho,&lt;br /&gt;O teu corpo pelo meu.&lt;br /&gt;Abertos:&lt;br /&gt;A Arca, o teu mistério&lt;br /&gt;A minha boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Yehuda Amichai (1924-2000)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-6546905422541635426?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/LiMGsG-F0ig" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/LiMGsG-F0ig/blasfmia.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/11/blasfmia.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-4795124391049502240</guid><pubDate>Fri, 09 Nov 2007 14:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-13T08:15:38.915-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poemas</category><title>A Carta</title><description>&lt;p&gt;Não vá levar tudo tão a sério&lt;br /&gt;Sentindo que dá, deixa correr&lt;br /&gt;Se souber  confiar no seu critério&lt;br /&gt;Nada a temer&lt;br /&gt;Não vá levar tudo tão na  boa&lt;br /&gt;Brigue para obter o melhor&lt;br /&gt;Se errar por amor Deus abençoa&lt;br /&gt;Seja você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que sua crença vacilou&lt;br /&gt;A flor da dúvida se abriu&lt;br /&gt;Vou ler a  carta que o Biel mandou&lt;br /&gt;Pra você, lá do Brasil:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;\"Eles me disseram  tanta asneira, disseram só besteira&lt;br /&gt;Feito todo mundo diz.&lt;br /&gt;Eles me disseram  que a coleira e um prato de ração&lt;br /&gt;Era tudo o que um cão sempre quis&lt;br /&gt;Eles  me trouxeram a ratoeira com um queijo de primeira&lt;br /&gt;Que me, que me pegou pelo  nariz&lt;br /&gt;Me deram uma gaiola como casa, amarraram minhas asas&lt;br /&gt;E disseram para  eu ser feliz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como eu posso ser feliz num poleiro?&lt;br /&gt;Como eu posso  ser feliz sem pular ?&lt;br /&gt;Mas como eu posso ser feliz num viveiro,&lt;br /&gt;Se ninguém  pode ser feliz sem voar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, segurei o meu pranto para transformar em  canto&lt;br /&gt;E para meu espanto minha voz desfez os nós&lt;br /&gt;Que me apertavam  tanto&lt;br /&gt;E já sem a corda no pescoço, sem as grades na janela&lt;br /&gt;E sem o peso  das algemas na mão&lt;br /&gt;Eu encontrei a chave dessa cela&lt;br /&gt;Devorei o meu problema  e engoli a solução&lt;br /&gt;Ah, se todo o mundo pudesse saber&lt;br /&gt;Como é fácil viver  fora dessa prisão&lt;br /&gt;E descobrisse que a tristeza tem fim&lt;br /&gt;E a felicidade  pode ser simples como um aperto de mão&lt;br /&gt;Entendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esse o vírus que  eu sugiro que você contraia&lt;br /&gt;Na procura pela cura da loucura,&lt;br /&gt;Quem tiver  cabeça dura vai morrer na praia.\"&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Djavan / Gabriel O Pensador&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-4795124391049502240?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/eSoWZcLGqCQ" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/eSoWZcLGqCQ/carta.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/11/carta.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-4326042530724890369</guid><pubDate>Thu, 08 Nov 2007 11:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-09T05:47:51.109-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poemas</category><title>Maneira Figurada de viver</title><description>Sentir poesia é a maneira figurada de se viver&lt;br /&gt;Eu não sinto a poesia não porque não saiba o que ela é&lt;br /&gt;Mas porque não posso viver figuradamente&lt;br /&gt;E se o conseguisse tinha de seguir outro modo de me acondicionar&lt;br /&gt;A condição da poesia é ignorar como se pode senti-la&lt;br /&gt;Há coisas belas que são belas em si&lt;br /&gt;Mas a beleza íntima dos sentimentos espelha-se nas coisas&lt;br /&gt;E se elas são belas nós não as sentimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fernando Pessoa&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-4326042530724890369?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/6hyxK2RlD2I" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/6hyxK2RlD2I/maneira-figurada-de-viver.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/11/maneira-figurada-de-viver.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-6403669957588913680</guid><pubDate>Thu, 08 Nov 2007 11:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-08T04:21:30.861-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poemas</category><title>Um esboço do mundo</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Um homem se propõe a tarefa de esboçar o mundo. Ao longo dos anos povoa um espaço com imagens de províncias, de reinos, de montanhas, de baías, de naves, de ilhas, de peixes, de habitações, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Pouco antes de morrer, descobre que esse paciente labirinto de linhas traça a imagem do seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jorge Luis Borges&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-6403669957588913680?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/5TUjoonLYoE" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/5TUjoonLYoE/um-esboo-do-mundo.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/11/um-esboo-do-mundo.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-7135422819808190342</guid><pubDate>Wed, 31 Oct 2007 15:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-01T07:15:48.074-06:00</atom:updated><title>A Bíblia de Michelangelo - Via Teológica</title><description>&lt;center&gt;&lt;applet alt="Creazione di Adamo" code="zoom2dapplet" archive="zoom2dapplet.jar" codebase="http://mv.vatican.va" height="225" width="300"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="url" value="http://mv.vatican.va:8087/fif=012_CSN_11663_go.fpx"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/applet&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poucas metáforas servem tão bem para explicar  a apreciação da arte quanto a metáfora da via. Diante da obra nosso olhar escolhe vias para lê-la. Na introdução à obra "o teto da Capela Sistina" vimos a construção, por parte do artista, de diversas vias de leitura. São rotas para o olho, compostas por um artista que não entendia a pintura como uma prisão bidimencional, mas sim como um desafio: compor uma obra que, sendo pintura, despertasse no espectador a mesma sensação da escultura, a saber, a possibilidade de mudar a rota. Andando ao redor de uma escultura mudamos constantemente nosso ponto de análise, nossas conclusões sobre a obra, nossa experiência, abrindo ou fechando nosso olhar sobre o que vemos. Da mesma forma, quando o apreciador  se movimenta pela capela percebe que a obra vai se mostrando diferente, como uma escultura, revelando as vias que estavam escondidas. As luzes interagem na obra como se os volumes rompessem a argamassa. Essa é a beleza da escultura e podemos desfrutar dela na pintura de Michelangelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A função da teopoética, se é que podemos definir assim,  é ser para a teologia uma possibilitadora de vias. Trazer para a teologia a riqueza das possibilidades é retomar na teologia a sua característica primeira: estar livre para a beleza e para a apreciação da revelação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-7135422819808190342?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/-2bcJF8ojII" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/-2bcJF8ojII/via-teolgica.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/10/via-teolgica.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-4244719599794046780</guid><pubDate>Sun, 28 Oct 2007 18:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-28T12:45:45.990-06:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poemas</category><title>Idéias x Convicções</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Não tentes tirar uma idéia da cabeça de outrem porque, examinando bem, verás que em geral não se trata de idéias, mas de convicções. São inextirpáveis. E a causa única de todas as guerras - políticas ou religiosas, paroquianas ou internacionais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mário Quintana&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-4244719599794046780?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/hzV7Yg2Dx4c" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/hzV7Yg2Dx4c/idias-x-convices.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/10/idias-x-convices.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-1327336237783662744</guid><pubDate>Sun, 28 Oct 2007 18:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-28T12:39:19.820-06:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poemas</category><title>Hipótese</title><description>E se Deus é canhoto&lt;br /&gt;e criou com a mão esquerda?&lt;br /&gt;Isso explica, talvez, as coisas deste mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carlos Drummond de Andrade &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-1327336237783662744?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/UlFDxFJdzY4" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/UlFDxFJdzY4/hiptese.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/10/hiptese.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-2263943437314721602</guid><pubDate>Fri, 05 Oct 2007 15:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-05T09:56:48.992-06:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">A Bíblia de Michelangelo</category><title>A Bíblia de Michelangelo - Parte II</title><description>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/RwZedDWnUaI/AAAAAAAAADU/ZXKNesLL_bE/s1600-h/09_2ce9f.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/RwZedDWnUaI/AAAAAAAAADU/ZXKNesLL_bE/s400/09_2ce9f.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5117881879762522530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; "Só acredito num deus que saiba dançar!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Friedrich Nietzsch&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entrarmos na capela a primeira imagem a se apresentar é o quadro da "criação da Luz". Nessa apreciação é fácil sentir como se uma janela se abrisse para o infinito, onde o tempo perde o poder de senhor, e converte-se em anfitrião que abre suas mãos e revela o que antes nossos olhos não podiam conhecer. O que vemos nessa janela é um Deus dançarino, em sua túnica rosa, cortando o céu em espiral nesse belo escorço &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;[1]&lt;/span&gt; de Michelangelo. Sua dança separa luz da escuridão, sem qualificar, sem desprezo por uma  ou admiração por outra, Ele apenas as organiza como um cenário atrás de si. Ele segue seus movimentos e cada gesto  é irrepetível, cada movimento único, sem ensaio, em um improviso de genialidade extrema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora apaixonado pela cultura grega,  Michelangelo pinta um Deus incompatível com o conceito grego de apatia divina, onde Deus não pode ser tomado por algo que lhe seja externo. Aqui, Deus parece tomado pela música da criação e se lança no infinito de uma dança que diz que o próximo passo já esta nascendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);font-size:85%;" &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Representação em desenho ou pintura, de qualquer objeto ou figura humana, a partir da aplicação das leis da perspectiva. O objetivo dessa técnica é produzir a impressão de tridimensionalidade na figura representada. O termo deriva do verbo italiano &lt;em&gt;scorciare&lt;/em&gt; que significa "tornar mais curto", "encurtar". Retirado do site http://www.itaucultural.org.br&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-2263943437314721602?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/DN39eRh5mGY" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/DN39eRh5mGY/bblia-de-michelangelo-parte-ii.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/RwZedDWnUaI/AAAAAAAAADU/ZXKNesLL_bE/s72-c/09_2ce9f.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/10/bblia-de-michelangelo-parte-ii.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-4262930057958459084</guid><pubDate>Tue, 25 Sep 2007 13:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-09-25T07:26:28.843-06:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poemas</category><title>Prece</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ó Deus! Quem és tu?&lt;br /&gt;Que nomes moram no teu mistério sem fim?&lt;br /&gt;Ninguém jamais te viu.&lt;br /&gt;Passas como o Vento, e só ficam as marcas da tua passagem, gravadas na memória: o sentimento de beleza, o sentimento de tristeza, o corpo que espera, sem certeza, como um poema na carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua face, nunca vi. Só conheço as muitas faces da minha saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se te chamo pelo nome de Pai e pelo nome de Mãe, é porque estes são os nomes da minha nostalgia, no bater binário do desejo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As estórias são verdadeiras: nenhuma mãe é grande que chegue para satisfazer a nossa nostalgia. Porque esta mãe com que sonhamos teria que ser bela e terna como a Pietá, e o seu colo teria de ser do tamanho do universo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nele se deita o próprio filho de Deus. Ó Deus, a nossa nostalgia só será satisfeita se esta mãe viver em ti. Assim, quando do fundo da tristeza gritarmos, "Ó mãe, estou perdido", ouviremos a resposta maternal: "Meu filho, estou aqui..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong style="font-weight: normal; font-style: italic;"&gt;Rubem Alves&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-4262930057958459084?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/jfkOdSVvMHw" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/jfkOdSVvMHw/prece.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/09/prece.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-2774273125673687056</guid><pubDate>Wed, 19 Sep 2007 02:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-11-10T12:45:52.721-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">A Bíblia de Michelangelo</category><title>A Bíblia de Michelangelo - Parte I</title><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://mv.vatican.va/1_CommonFiles/media/objects/oCSN/Volta/CSN_VoltaQu.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://mv.vatican.va/1_CommonFiles/media/objects/oCSN/Volta/CSN_VoltaQu.jpg" style="display: block; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; margin-right: auto; margin-top: 0px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;O teto da Cappella Sistina -  Michelangelo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/RvCSTX--7NI/AAAAAAAAACo/10L6sTkLQDY/s1600-h/cabeca.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Durante minha peregrinação encontrei uma capela que nunca entrei, da qual sou tão intimo que tenho de lembrar-me constantemente do fato de jamais ter entrado por suas portas. A capela Sistina foi, para mim, um encontro com a liturgia das imagens, com a paradoxalidade de ver, diante da grandeza da obra, minha realidade mortal, minha condição de finitude, ao passo que, diante das imagens que representam séculos se descortinando diante dos meus olhos, consigo imaginar o que é ser eterno. É interessante o convite de perceber-se hora como ser onisciente, hora como mortal impotente na história, me aproximando de Deus tanto quanto da minha humanidade. Desejo que entrem comigo, que vejam, que encham a retina e o espírito com a genialidade da teologia imagética de Michelangelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Capela Sistina foi concebida inicialmente para ser a "Capela Papalis" ou "Capela Pontifícia", tinha seu teto decorado em azul, com estrelas de ouro, obra do pintor Matteo d'Amelio. Quando o Papa Giulio II delegou a Michelangelo a tarefa de decorar a abóbada da Capela logo surgiu o obstáculo de organizar as histórias sobre a superfície de cerca de 550 metros quadrados a 20 metros de altura. Uma carta deixada pelo artista mostra-nos que inicialmente seu projeto consistia em pintar cenas dos doze apóstolos e uma decoração geométrica. No entanto, Michelangelo não se deteve muito tempo ao pedido do Papa , após alguns esboços demonstrando a sua perplexidade ante o pedido, obteve a carta branca do Papa para elaborar seu projeto iconográfico. Assim, nasce no teto da capela um grande livro ilustrado, com 9 cenas retiradas do livro de gênesis, 12 quadros laterais retratando os profetas bíblicos e as sibilas mitológicas, 4 pendentes com flashes da história de Israel, 8 velas e 12 lunetas com os antepassados de Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michelangelo não demonstrou estar comprometido com a visão medieval, onde o coletivo determina o modo como o indivíduo deve vivenciar sua espiritualidade, mas sim com uma nova concepção de mundo, mais individualista, mas que, ao mesmo tempo, volta-se para fora olhando o que é secular e reinterpretando o que fora, até então, pregado como ideal religioso. Não são as ruas de ouro da nova Jerusalém que agradam o homem renascentista, mas as ruas dos filósofos, a acrópole, as ruas sábias de Atenas. Dentro desta visão antropocêntrica o artista, que antes era o pintor da publicidade religiosa da Igreja Romana, agora impõe seu olhar sobre os temas bíblicos. Dessa forma, não temos na Capela Sistina uma simples representação de temas religiosos, mas sim uma potente representação imagética da concepção teológica de Michelangelo. Nela podemos perceber sua visão a respeito do tema tratado, o Antigo Testamento, onde Michelangelo propõe em sua obra a concordância entre o mundo “sub lege” e o mundo “sub gratia”, o mundo judaico-cristão e a mitologia dos gregos, o olhar renascentista e o tema universal da busca da espiritualidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #993300; font-weight: bold;"&gt;LINHAS DE LEITURA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É impossível ter apenas um olhar sobre essa obra. Assim como numa escultura se pode ter diversos olhares, de acordo com a posição do apreciador ao redor da obra, Michelangelo nos oferece diversas vias de apreciação, diversos olhares sobre a mesma obra, de forma que podemos num instante seguir a via dos profetas e das sibilas, noutro andar pelos episódios do livro de Gênesis, ou ainda ler a obra pela via dos por menores. Encontramos, nessa obra, a ruptura com a visão quatrocentista de composição, desfazendo as relações espaço-composição e narração-cronologia com a finalidade de abrir novas possibilidades de leitura e romper com os ditames renascentistas, o que faz com que Michelangelo caminhe rumo ao maneirismo e o posterior barroco, oferecendo ao apreciador figuras que transitam entre o sagrado e o profano dentro de um universo de imagens que se sobrepõem às estruturas arquitetônicas da capela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/RvCGzH--7KI/AAAAAAAAACQ/wH7wvm8bUAY/s1600-h/Imagens+GENESIS.gif"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111733789940182178" src="http://1.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/RvCGzH--7KI/AAAAAAAAACQ/wH7wvm8bUAY/s400/Imagens+GENESIS.gif" style="cursor: pointer; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Nas áreas centrais os seguintes episódios de Gênesis:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
· A separação entre Luz e Trevas;&lt;br /&gt;
· A criação do Sol e da Lua;&lt;br /&gt;
· A separação entre terra e águas;&lt;br /&gt;
· A criação de Adão;&lt;br /&gt;
· A criação de Eva;&lt;br /&gt;
· O pecado original e a expulsão do Paraíso;&lt;br /&gt;
· O sacrifício de Noé;&lt;br /&gt;
· O dilúvio universal;&lt;br /&gt;
· A embriaguez de Noé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/RvCG83--7LI/AAAAAAAAACY/jQ8UdIwLb-E/s1600-h/Imagens+profetas.gif"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111733957443906738" src="http://4.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/RvCG83--7LI/AAAAAAAAACY/jQ8UdIwLb-E/s400/Imagens+profetas.gif" style="cursor: pointer; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Nas áreas laterais alocou as figuras de sete profetas e cinco sibila. Onde os primeiros foram representados de forma a evidenciar um crescente da revelação profética, de forma que, quanto mais nossa visão se aproxima do altar, mais percebemos o envolvimento do profeta com a revelação dada a ele. Os profetas representados aqui são:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
· Daniel&lt;br /&gt;
· Ezequiel&lt;br /&gt;
· Isaias&lt;br /&gt;
· Jeremias&lt;br /&gt;
· Joel&lt;br /&gt;
· Jonas&lt;br /&gt;
· Zacarias&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As segundas são personagens da mitologia grega que, sob a inspiração de Apolo, possuem poder profético. O interessante é notar a relação criada pelo artista entre elas e os profetas do Antigo Testamento, intercalando o sagrado dos profetas e o profano das sibilas e construindo um caminho de leitura muito próprio e cheio de riqueza. As sibila representadas são:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
· Ciméria, ou Cumana;&lt;br /&gt;
· Prisca, a sibila Eritréia&lt;br /&gt;
· Dafne, a sibila Délfica&lt;br /&gt;
· A sibila Líbia&lt;br /&gt;
· Sambeta, sibila Pérsica&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/RvCHGX--7MI/AAAAAAAAACg/LCQZGjiVF60/s1600-h/Imagens+penachos.gif"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111734120652664002" src="http://2.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/RvCHGX--7MI/AAAAAAAAACg/LCQZGjiVF60/s400/Imagens+penachos.gif" style="cursor: pointer; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
No canto encontramos pendentes com representações de várias cenas da história do povo de Israel segundo foram narradas nos vários livros do Antigo Testamento, tais como: David e Golias; a punição de Amã, a Serpente de Bronze e Judite e Holofernes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No próximo post sobre a Bíblia de Michelangelo apreciaremos a obra pela via das imagens centrais, que narram cenas do livro de Gênesis.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-2774273125673687056?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/zVL1GXkZlaI" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/zVL1GXkZlaI/bblia-de-michelangelo.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_9aPyhNeNU-o/RvCGzH--7KI/AAAAAAAAACQ/wH7wvm8bUAY/s72-c/Imagens+GENESIS.gif" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/09/bblia-de-michelangelo.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-2160327629526363017</guid><pubDate>Sat, 08 Sep 2007 13:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-09-08T07:22:48.870-06:00</atom:updated><title>Modos de ver</title><description>&lt;em&gt;"A vista chega antes das palavras. A criança olha e vê antes de falar. (...) A vista é aquilo que estabelece o nosso lugar no mundo que nos rodeia; explicamos o mundo com palavras, mas as palavras nunca podem anular o facto de estarmos rodeados por ele. Ainda se não estabeleceu a relação entre o que vemos e o que sabemos."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Uma imagem é uma vista que foi recriada ou reproduzida. É uma aparência, ou um conjunto de aparências, que foi isolada do local e do tempo em que primeiro se deu o seu aparecimento, e conservada - por alguns momentos ou por uns séculos. Todas as imagens corporizam um modo de ver. Mesmo uma fotografia."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Berger no livro Modos de Ver&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-2160327629526363017?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/8Jo8br9-LfU" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/8Jo8br9-LfU/modos-de-ver.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/09/modos-de-ver.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-8785798285434233351</guid><pubDate>Tue, 04 Sep 2007 18:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-09-05T09:04:32.150-06:00</atom:updated><title>O Deus bailarino</title><description>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.mnba.org.ar/images_obras/7035.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.mnba.org.ar/images_obras/7035.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Edgar Degas - Danseuse debout (Bailarina)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que acreditamos a respeito de uma coisa determina a maneira como nos relacionamos com ela. Eu, por exemplo, gosto de brincar com cachorros, mas se percebo que um cachorro é bravo, fico longe dele; mas se é brincalhão, chego perto. Assim é também com o mundo. Antigamente, acreditava-se que o mundo era uma estrutura hierarquizada, sempre do mais complexo ou poderoso para o mais simples ou fraco, sendo que Deus ocupava o topo da pirâmide. O imaginário das pessoas era construído a partir das relações entre reis e súditos, senhores e escravos, generais e soldados, e assim por diante. Cada um tinha seu papel e quase todo mundo se respeitava. Naquela época, a Igreja tinha autoridade, e quem não concordava com o que ela dizia morria na fogueira - mesmo que essa Igreja dissesse que índios e escravos não tinham alma e que o sol girava ao redor da Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem acredita numa realidade estruturada a partir de autoridade e poder acha que a fé em Deus resolve tudo; afinal de contas, “agindo Deus, quem impedirá?”. Basta orar com fé e esperar a cura, a prosperidade, a volta do marido, a libertação do filho, enfim, a solução de qualquer problema. Deus manda, o resto obedece. Tudo quanto se tem a fazer é aprender os truques para fazer Deus mandar exatamente o que a gente quer que ele mande. Surgem então as correntes de fé e as ofertas compensadoras da falta de fé, e, principalmente, os gurus que sabem manipular Deus em favor de quem paga bem. Feitiçaria pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copérnico, Galileu, Newton, Einstein e sua teorias científicas fizeram com que o mundo passasse a ser visto como uma máquina, ou como um relógio, sendo Deus o relojoeiro. Neste mundo-máquina, tudo pode ser decodificado, explicado e controlado. As coisas funcionam em relações de causa e efeito previsíveis, como por exemplo as estações do ano, as fases da lua, os movimentos das marés, a órbita dos planetas e os eclipses solares. No dia-a-dia, estas relações também são previsíveis: a partir de informações sobre massa, força, aceleração e direção, sabemos calcular em quanto tempo o carro vai se chocar contra o poste, ou qual bolinha vai acertar a amarela e qual delas vai cair na caçapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo-máquina é possível também consertar quase tudo. Quando seu microondas pára de funcionar, basta chamar um técnico e ele vai dizer qual peça deverá ser substituída. O problema é que quem acredita que o mundo funciona assim acaba extrapolando isso para todas as suas relações: o casamento quebrou? Seu filho está dando trabalho? A vida não está funcionando? Então, basta chamar o especialista. Quase tudo tem conserto e pode voltar a funcionar como antes. Mais do que isso, se é verdade que as relações de causa e efeito obedecem precisão matemática, basta apertar o botão certo que as coisas acontecem. Quer fazer discípulos? Quer fazer a igreja crescer? Quer evitar problemas na família? Quer garantir uma boa carreira profissional? Então, basta fazer o curso certo, encontrar o método indicado, seguir as regras apropriadas. Logo, “A” sempre conduz a “B”. Caso você faça “A” e o resultado não seja “B”, então você pensa que fez “A”, mas não fez. O mundo-máquina é assim: tudo sempre funciona direitinho – você é que nem sempre funciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta compreensão é que surgem o fenomenal ministério para fazer a igreja funcionar com propósitos; a estratégia de sete passos para fazer o ministério ser relevante; as quatro leis espirituais para ganhar a vida eterna; as técnicas de ministração para libertação espiritual e cura interior; os grupos de 12 para fazer o rebanho se multiplicar. É apostila para tudo quanto é coisa, curso para tudo quanto é treco e guru especialista para tudo quanto é tranqueira. Quase todos bem intencionados, mas geralmente funcionando como se o mundo fosse mesmo uma máquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais recentemente apareceram no cenário algumas teorias elaboradas a partir de outras percepções das ciências da física e da biologia. Na mecânica quântica, os movimentos não são tão previsíveis quanto na mecânica newtoniana. Então, o mundo já não é uma hierarquia nem uma máquina, mas um organismo vivo. As palavras mais adequadas para descrever a realidade são “teia”, “rede”, “arena”, e até mesmo “dança”. A realidade é complexa e os fenômenos naturais e sociais não são previsíveis nem manipuláveis. As pessoas são singulares. Basta verificar que dez pessoas que ganham na loteria reagem de dez maneiras diferentes. Os relacionamentos também são singulares. Dez casais que ganham um filho reagem de dez maneiras diferentes. Da mesma forma, dez igrejas que iniciam um projeto reagem de dez maneiras diferentes. Seres vivos não são padronizáveis. Eles não obedecem relações exatas de causa e efeito. Seres vivos não são coisas. E a vida não é exata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem acredita no mundo como um ser vivo onde cada ser e cada relação é singular, não consegue se submeter a esquemas, não tem a pretensão de gerenciar pessoas, não confia em métodos e nem se impressiona com números, estatísticas e probabilidades. Prefere outros caminhos. Escolhe o caminho da intimidade com o outro; encanta-se com o mistério do sagrado; maravilha-se com a diversidade; presta atenção no jovem em conflito; ouve os dramas do homem que não pára em emprego; fica em silêncio diante da dor e se ajoelha para orar antes de dar um passo sequer em qualquer direção. Esses não se dão muito bem com o Deus-general, ou o Deus-relojoeiro. Curtem mais o Deus-bailarino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ed René Kivitz&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-8785798285434233351?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/C4Ka_oJ6Gug" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/C4Ka_oJ6Gug/o-deus-bailarino.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/09/o-deus-bailarino.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-592006315335038575</guid><pubDate>Fri, 24 Aug 2007 02:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-08-23T20:53:07.219-06:00</atom:updated><title>A experiência de Deus</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A experiência religiosa revela de que maneira o homem percebe a divindade. Jamais podemos falar de Deus como ele é em si mesmo, e sim do modo como nós o percebemos. Nesse sentido, a ambigüidade do &lt;em&gt;nume&lt;/em&gt; divino, fascinante e tremendo, não é atribuível apenas à realidade divina, mas também à nossa forma humana de experimentá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, também não podemos dizer à &lt;em&gt;priori&lt;/em&gt; que essa ambigüidade não é própria de Deus, e sim da forma humana de concebê-lo, estabelecendo, destarte, uma dicotomia entre o que percebemos da divindade e o que ela é em si mesma, entre uma experiência psicológica subjetiva e uma realidade ontológica diversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só podemos falar de Deus de acordo com a experiência que temos dele, e não há um rigoroso critério de delimitação entre o que experimentamos e aquilo que Deus é em si mesmo (a precedência ontológica é reservada a Deus, mas partimos de nossa experiência subjetiva, pessoal e coletiva).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;" class="link11AzB"&gt;Juan Antonio Estrada - &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;" class="link14PrB" id="ctl00_ContentPlaceHolder1_lblProduto"&gt;Impossível  teodicéia - A crise da fé em Deus e o problema do mal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-592006315335038575?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/_0AzM2Ln1cA" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/_0AzM2Ln1cA/experincia-de-deus.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/08/experincia-de-deus.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-3354803419642047307</guid><pubDate>Tue, 21 Aug 2007 01:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-09-13T07:56:28.009-06:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poemas</category><title>Fragmentos</title><description>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span&gt;Feliz aquele que não insiste em ter razão, porque ninguém tem ou todos têm.&lt;br /&gt;Feliz aquele que perdoa aos outros e aquele que perdoa a si mesmo.&lt;br /&gt;Bem aventurados os mansos, porque não condescendem com a discórdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a luz de uma lâmpada se acenda, embora nenhum homem a veja. Deus a verá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não odeies teu inimigo, porque, se o fazes, és de algum modo seu&lt;br /&gt;escravo. Teu ódio nunca será melhor que tua paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jorge Luis Borges - em "Fragmentos de um Evangelho Apócrifo".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Retirado do site de Ricardo Gondim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-3354803419642047307?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/5ZEwym3e6Qc" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/5ZEwym3e6Qc/fragmentos.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/08/fragmentos.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3873527464779212937.post-2914807968936699618</guid><pubDate>Mon, 13 Aug 2007 16:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-11-10T12:20:26.295-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Aos Caminhantes</category><title>A busca do barro - uma questão de imagem</title><description>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div align="justify"&gt;É da interação de sentidos entre o barro e as mãos do oleiro que nasce a imagem de Deus no ser humano. Ed Renné Kivitz, ao falar sobre a Imago Dei, o fruto do hálito de Deus no homem, nos explica que &lt;em&gt;“a imagem de Deus no homem possui pelo menos quatro dimensões fundamentais: espiritual, pessoal, relacional e criativa. Espiritual, porque Deus é espírito. Pessoal, porque Deus é pessoa. Relacional, porque Deus é plural. Criativa, porque Deus delegou autoridade para que o homem exerça domínio sobre o restante da criação.&lt;/em&gt;”[1]. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;
Agora enfiamos o nosso pé na Areia movediça dos debates teológicos. No que consiste a imagem de Deus no ser humano? Muito se tem proposto a fim de responder essa pergunta. Houve, historicamente, uma tentativa de reduzir a Imagem de Deus no ser humano à semelhança moral e racional. Esta era a visão defendida pela maior parte dos pais da Igreja. Alguns faziam distinção entre imagem e semelhança, dizendo ser a primeira as características corporais e a segunda as características espirituais. Outros defendiam que a Imagem consistia nas faculdades intelectuais da razão e da liberdade, e a semelhança consistia na justiça original. Na reforma, Lutero e Calvino seguiram posições diferentes quanto à interpretação dessa doutrina. Lutero via a imagem de Deus no ser humano como sinônimo de sua justiça original, e portanto, totalmente perdida por conta do pecado. Calvino, por sua vez, afirmava que “com essa expressão (imagem de Deus) indica-se a integridade de que Adão foi dotado quando o seu intelecto era límpido, as sua emoções estavam subordinadas à razão, todos os seus sentidos eram regulados devidamente, e quando ele verdadeiramente atribuía toda a sua excelência aos admiráveis dons de seu criador. Embora a imagem divina estivesse primeiro na mente e no coração, ou na alma e suas facilidades, não havia parte nenhuma, mesmo no corpo, em que não fulgissem alguns raios de glória”[2]. Schleiermacher entendia a imagem e semelhança como uma receptividade para com o Divino, uma capacidade de responder ao ideal divino e de crescer rumo à semelhança de Deus.[3] &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada corrente teológica seguiu um caminho de pensamento marcado pelos contornos e determinações culturais do seu tempo. Poucos se perguntaram sobre a real intenção do poema que narra a criação do ser humano. É pouco provável que o autor tivesse como intenção principal no texto falar sobre a razão do pensamento grego, ou então, da justiça original da reforma. O pensamento “desvelador” do nosso método teológico, que não consegue conviver em paz com a paradoxalidade da personalidade de Deus, busca de uma forma ou de outra aplicar seus conceitos aprisionadores a fim de defender um ou outro corpo doutrinário . O autor bíblico estava livre desses pré-supostos teológicos de forma que ele simplesmente nos comunica através do paralelismo[4] que fomos feitos cópia de Deus. No texto as palavras tselem e demouth são usadas dentro de um paralelismo gradual, para, literalmente, dizer que o homem foi feito uma réplica de Elohîms, segundo sua natureza divina. De forma que “aquilo que é arquetípico de Deus torna-se e ectípico no homem[5]”. Todos os demais animais foram feitos segundo as suas espécies , o homem, no entanto, foi criado segundo a semelhança de Deus . Entender a simples idéia de que somos réplica, não um “Frankenstein” de conceitos teológicos e culturais, remendados ao prazer das idéias humanas, é de fundamental importância para compreendermos como Deus coloca em nosso “DNA espiritual” o paradigma relacional da criação. Deus, ao escolher o método de criação do Ser humano, diferenciado de todo o restante da criação, escolhe também a forma que mais lhe agrada de relacionamento. Deus escolhe a via da pessoalidade. Quando falamos de pessoalidade não podemos cair no erro de confundir o conceito vétero-testamentário de pessoa com os postulados gregos sobre o assunto. Estamos falando de uma pessoalidade integral, de um Deus que se relaciona com o ser humano no campo da razão, dos sentidos, das emoções. O Deus da Criação não é o Deus que só fala, Ele também é o Deus que toca o ser humano, gera sensações, cria poema, sopra, conversa, enfim, um Deus plenamente empático. Deus não se conforma em apenas criar, ele cria a sua réplica como alguém capaz de responder aos estímulos deste relacionamento, capaz de entender e absorver a revelação constante de Deus. O Deus da criação nos conduz a repensar nossos conceitos de espiritualidade devocional. Será que Deus está mesmo tão limitado às práticas protestantes de espiritualidade? Será que a arte não consegue, por si só, nos conduzir a experiências espirituais reveladoras? É Possível haver uma espiritualidade integral excluindo a corporeidade, a apreciação da imagem e a contemplação poética da nossa prática litúrgica? Essas perguntas nos fazem refletir sobre a relevância da imagem de Deus em nós e nos propõem uma meditação sobre como trazer para dentro do nosso universo litúrgico um pouco mais das mãos do oleiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;
[1]&amp;nbsp;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 115%;"&gt;KIVITZ, Ed Renné. &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Arial; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman\, serif&amp;quot;; mso-fareast-language: AR-SA;"&gt;Vivendo Com Propósitos&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 115%;"&gt;. São Paulo: Mundo Cristão.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 115%;"&gt; 2003, p. 66.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
[2]&amp;nbsp;João CALVINO. Institutas da Religião Cristã, 1.15.3.&lt;br /&gt;
[3]&amp;nbsp;Louis BERKHOF - Teologia Sistemática, p. 187.&lt;br /&gt;
[4]&amp;nbsp;Paralelismo é um recurso muito comum na poesia hebraica. Nele encontramos uma espécie de rima de idéias, onde o pensamento se repete no texto a fim de enfatizar um certo conceito.&lt;br /&gt;
[5] Louis BERKHOF - Teologia Sistemática, p. 188&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=3873527464779212937&amp;amp;postID=2914807968936699618" name="_msocom_1"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3873527464779212937-2914807968936699618?l=teopoetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/mXxW/~4/xlAVPkRkDKE" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/mXxW/~3/xlAVPkRkDKE/busca-do-barro-um-questo-de-imagem.html</link><author>noreply@blogger.com (Marcelo Saldanha)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://teopoetica.blogspot.com/2007/08/busca-do-barro-um-questo-de-imagem.html</feedburner:origLink></item></channel></rss>

