<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="no"?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><rss xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" version="2.0"><channel><title>Blog de Notas</title><description>Notas Musicais. Literárias. Teatrais. 
Escritas com Arte.
Por Kleber Mazziero.</description><managingEditor>noreply@blogger.com (Kleber Mazziero)</managingEditor><pubDate>Thu, 5 Sep 2024 03:59:07 -0300</pubDate><generator>Blogger http://www.blogger.com</generator><openSearch:totalResults xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">322</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">25</openSearch:itemsPerPage><link>http://klebermazziero.blogspot.com/</link><language>en-us</language><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:keywords>musica,literatura,teatro,arte</itunes:keywords><itunes:summary>Notas Musicais. Literárias. Teatrais. Escritas com Arte. Por Kleber Mazziero</itunes:summary><itunes:subtitle>Blog de Notas</itunes:subtitle><itunes:category text="Arts"><itunes:category text="Performing Arts"/></itunes:category><itunes:owner><itunes:email>kleber@klebermazziero.com.br</itunes:email></itunes:owner><item><title>Literatura</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2010/03/literatura.html</link><pubDate>Fri, 19 Mar 2010 00:45:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-9166167389762103448</guid><description>Concordamos ampla, total e completamente: não se desata esse nó.&lt;br /&gt;Entretanto, podemos encaminhar um os dois pares de gestos, de ações que podem “afrouxar” o nó. Que tal?&lt;br /&gt;Sem dúvida alguma, convergimos: é preciso tentar algo no princípio da vida intelectual. Quando a criança é criança. Vale dizer, é preciso começar cedo. “É de pequenino que se torce o pepino”.&lt;br /&gt;Imagino que estimular a criança a ler, a se encontrar com sua própria imaginação ao ouvir um livro lido por um adulto, a ver figuras estampadas no papel, que seja, abre o caminho. Oferece a opção. Apresenta um mundo que, dia a dia, mais distante fica de nossas crianças.&lt;br /&gt;No entanto – e aqui a notícia carece de exatidão – é preciso considerar a célebre indagação do samba: “É mais difícil manter ou conseguir?”&lt;br /&gt;Abrir o caminho pode não ser o suficiente. Talvez seja preciso estimular o hábito da leitura por um tempo mais amplo, mais duradouro. Estabelecer uma continuidade no processo de leitura da criança. Conseguir despertar o interesse é o primeiro passo. Manter tal interesse é o passo-decisivo.&lt;br /&gt;Contarei uma historiazinha rápida para tentar ilustrar o que digo:&lt;br /&gt;Há algum tempo, estreamos no Teatro uma peça chamada “A Menininha que Queria Ver o Sol”. O título é grande, sei disso. Bem, fui buscar os cartazes da peça na gráfica. Parei o carro num dos inúmeros faróis da cidade. Um conhecido, 22 anos de idade, ator, viu-me, acenou e perguntou:&lt;br /&gt;– E aí? O que anda fazendo?&lt;br /&gt;Peguei um dos cartazes e mostrei a ele. Ele pegou o cartaz na mão e trouxe sua preguiça à tona:&lt;br /&gt;– “A Menina que Queria Ser...” Ah!, legal! Vou lá assistir. Até mais!</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Música</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/12/musica.html</link><pubDate>Fri, 4 Dec 2009 07:28:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-7911457626456588226</guid><description>Pelos finais dos anos sessentas, uma cidade do interior de São Paulo recebeu aquele que é, provavelmente, o maior cantor do mundo de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show deu-se num ginásio de esportes. O forro, feito de zinco, do ginásio impossibilitava a mínima chance de uma acústica eficaz para o evento. A aparelhagem de som, alugada especialmente para o show, nem de longe fazia lembrar uma aparelhagem capaz de transmitir a sonoridade ideal para as músicas que seriam executadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A orquestra adentrou o palco. Posicionou-se. Começou a introdução da primeira música do show. Uma longa introdução executada pelo naipe dos violinos da orquestra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto soavam aquelas doces notas, adentrou o palco um preto baixo, feio, e que aparentava ser um tanto coxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As luzes semi-apagas, semi-acesas, confundiam a visão. A platéia não sabia se aplaudia a entrada do cantor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repentinamente, o momento de indecisão cessou. Aquele preto baixote, feio e torto abriu a boca e cantou a primeira nota, da primeira música do show: “When...”. A afinação, o timbre, o som daquela nota encantou a todos e silenciou por completo toda a platéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aplaudir, naquele instante, seria um crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos ficaram silentes para poderem ouvir o restante da frase: “... I fall in love...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos ficaram em silêncio para ouvir a voz de Nat King Cole.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Literatura</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/12/literatura.html</link><pubDate>Thu, 3 Dec 2009 07:25:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-4984478861859302747</guid><description>Não sei o nome do poeta. Falha lastimável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não exatas as palavras. Falha mais lamentável ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, o verso define tamanhamente tantas coisas, que o poeta há de me perdoar a ausência do crédito e da precisão dos termos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu salário não aumentou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você me abandonou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Nescafé dura o dobro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O triplo a lâmina de barbear&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Síntese de idéia; uso preciso da linguagem; concisão plena, eficaz. Poesia pura.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Cinema</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/12/cinema.html</link><pubDate>Wed, 2 Dec 2009 07:22:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-3733715161009591494</guid><description>Gloria Swanson, a atriz, estrela do cinema mudo, andava um tanto esquecida. Cecil B. de Mille, o gigantesco diretor do cinema mudo – e do cinema falado também –, andava um tanto esquecido. Billy Wilder, o mestre do cinema, reuniu-os de um modo absolutamente magistral, genial, sensacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma Desmond, a personagem interpretada por Gloria Swanson, iludida tanto pela possibilidade de voltar à cena quanto pelo amor que nutria por um escritor fracassado que, acidentalmente, apareceu em sua casa, decide procurar o grande diretor de seu tempo (do tempo do cinema mudo) Cecil B. de Mille para oferecer a ele um roteiro que a traria de volta à cena, de volta à Glória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ex-diva pede ao motorista para que tire o antigo e desusado automóvel da garagem. Aporta ao banco de trás o roteirista (brilhantemente interpretado por William Holden) e ruma para um dos grandes estúdios de Hollywood. Um dos muitos estúdios que dela se esqueceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O porteiro do estúdio, deslumbrado com a visão da antiga deusa das telas, abre, incontinenti, o portão. O chamativo automóvel conduz Norma Desmond à porta do estúdio onde está a filmar o grande Cecil B. de Mille (que, no filme, interpreta a si mesmo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela adentra o estúdio. Ninguém a conhece, ninguém sabe quem ela é. Menos o grande diretor. Ele vem a ela. Atende-a, trata-a como a deidade viva que ela é. Olha para ela com o olhar de admiração do passado misturado à compaixão do presente. Promete ler o roteiro que ela traz a ele. Despede-se. Pergunta, asperamente, quem a trouxe ali. Ela não merecia tal exposição! Um funcionário esclarece: precisavam de um automóvel antigo para as filmagens de um filme qualquer. O grande diretor ordena que aquilo não mais se repita. O espectador sabe: o tempo passa. Por vezes nem mesmo a glória fica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana que vem: Dançando no Escuro.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Teatro</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/12/teatro.html</link><pubDate>Tue, 1 Dec 2009 07:20:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-2332766512484747700</guid><description>Uma afirmação polêmica. Mas, verdadeira!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;William Shakespeare, o maior escritor da história da humanidade, é péssimo dramaturgo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A turba se levantará contra a afirmação, gritando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas, como??? Se ele escreveu as 35 peças mais lindas de todos os tempos?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serenamente, direi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Verdade. No entanto, escreveu-as para a Literatura, não para a dramaturgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, por acaso, passou-nos despercebida a ambientação, por exemplo, do Terceiro Ato de Macbeth?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rubrica da CENA I: Forres. Um aposento no palácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rubrica da CENA II: Um outro aposento no palácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rubrica da CENA III: Um parque, com uma estrada que conduz ao palácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rubrica da CENA IV: O salão de banquetes do palácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rubrica da CENA V: No pântano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rubrica da CENA VI: Em algum lugar da Escócia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que sucede a CENA VI? A abertura do Quarto Ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rubrica da CENA I, do Quarto Ato: Uma caverna na zona do pântano. No centro, um caldeirão fervendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que antecede o Terceiro Ato? A CENA IV do Segundo Ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rubrica: Em frente ao castelo de Macbeth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, me respondam os contendores: que tamanho de palco é esse que prevê tais rubricas? Quem era o cenógrafo de Shakespeare?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso. Shakespeare escreveu para a Literatura. Ela, para sempre, agradece.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Futebol</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/futebol_30.html</link><pubDate>Mon, 30 Nov 2009 07:17:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-7913690540231497931</guid><description>A Organização da Copa do Mundo de 1954, com o intuito de manter as grandes equipes por mais tempo na competição, estabeleceu um regulamento absolutamente esdrúxulo para o torneio: as 16 equipes seriam divididas em 4 grupos. Cada grupo teria 2 cabeças-de-chave, que não poderiam enfrentar-se. Desse modo, supostamente, os times de maior tradição passariam às quartas-de-final e a primeira Copa do Mundo do pós-guerra a ser disputada na Europa-do-pós-guerra teria um sucesso maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentativa frustrada. Mesmo privilegiadas, Turquia, Itália e França caíram logo na primeira fase.&lt;br /&gt;A seleção brasileira estreou com uma goleada sobre o México (5 x 0). Como cabeça de chave, não enfrentaria a França, que perdera na estréia para a Iugoslávia. Desse modo, Brasil e Iugoslávia precisavam apenas do empate para se classificar para a fase seguinte. A Iugoslávia sabia disso. O Brasil, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dirigentes da CBD não conheciam o regulamento e, portanto, não informaram os jogadores do privilégio de jogar pelo empate.  No dia 19 de junho, Castilho; Djalma Santos e Pinheiro; Brandãozinho, Bauer e Nilton Santos; Julinho, Didi, Baltazar, Pinga e Rodrigues entraram em campo para vencer. Aos 3 minutos do segundo tempo, Zebec abriu o placar para a Iugoslávia. Aos 24 minutos, Didi empatou. Nosso time foi para cima do adversário. Atacava sem cessar. Corria a plenos pulmões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os iugoslavos sinalizavam para os jogadores brasileiros para que diminuíssem o ritmo da partida, afinal, o empate classificaria a ambos. Sem compreender as sinalizações, os brasileiros jogavam como se fora, aquela, a última partida da seleção na Copa. Não conseguiram o segundo gol.&lt;br /&gt;Ao final da partida, deixaram o gramado chorando pela “desclassificação” do time. Somente foram informados do equívoco no vestiário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco adiantou. A desorganização dos dirigentes desgastou o time, que perdeu para a Hungria por 4 x 2, caindo nas quartas-de-final da Copa.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Música</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/musica_27.html</link><pubDate>Fri, 27 Nov 2009 07:27:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-3430800598779530557</guid><description>Meu carro cinza se emparelha com um carro vermelho no farol. Os vidros abertos do carro vizinho socializam o que ele ouve em seu rádio. Imediatamente lembro-me do conto “A Igreja do Diabo”, de Machado de Assis, sobre o qual falamos ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça, gritando notas agudas, passeando sinuosamente por melismas intermináveis, proclamando palavras-de-ordem acerca de uma tal “obrigação” que todos teríamos de “aderir” ao “Senhor”, durante aqueles 30 segundos de convivência forçada, deixou-me zonzo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me contive. Abri a janela do meu carro e perguntei ao rapaz que, não apenas ouvia, mas também balançava a cabeça ao som do compasso da “música”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Moço, que “música” é essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É Gospel!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É Gospel!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ah!, Valeu!, Obrigado pela informação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gospel. “Gospel”, a contrição da expressão verbal norte-americana “God Spell”: “Deus fala”.&lt;br /&gt;Deus fala... Daquele jeito? Gritando ensandecido, multiplicando melismas insuportáveis que deterioram a melodia, proclamando palavras-de-ordem contra mim??? Deus me livre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei que perto de Deus só houvesse o Silêncio...</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Literatura</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/literatura_26.html</link><pubDate>Thu, 26 Nov 2009 07:24:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-7257282993741338792</guid><description>“Deus recolhia um ancião, quando o Diabo chegou ao céu. Os serafins que engrinaldavam o recém-chegado detiveram-se logo, e o Diabo deixou-se estar à entrada com os olhos no Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Que me queres tu?, perguntou este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não venho pelo vosso servo Fausto, respondeu o Diabo rindo, mas por todos os Faustos do século e dos séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Explica-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Senhor, a explicação é fácil; mas permiti que vos diga: recolhei primeiro esse bom velho; dai-lhe o melhor lugar, mandai que as mais afinadas cítaras e alaúdes o recebam com os mais divinos coros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sabes o que ele fez?, perguntou o Senhor, com os olhos cheios de doçura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não, mas provavelmente é dos últimos que virão ter convosco. Não tarda muito que o céu fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço, que é alto. Vou edificar uma hospedaria barata; em duas palavras, vou fundar uma igreja.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Machado de Assis, há mais de 100 anos... Preditório, como sempre.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Cinema</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/cinema_25.html</link><pubDate>Wed, 25 Nov 2009 07:22:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-7157886483540929653</guid><description>O título do filme, em sua língua original, traz à luz – se é que é possível – mais realeza do que ele já carrega em si. Finding Nemo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do pai que vai à procura de seu filho, do único filho que restou de uma ninhada numerosa devorada por um peixe maior e mais ameaçador do que ele, é tão poética, tão grandiosa, tão bem escrita que chega às raias da Perfeição. Pouco resta a dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um detalhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ataque do peixe-devorador, o pai, o “homem da casa” salva-se. A mãe, ao tentar salvar suas crias, é devorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comportamento feminino, a alma feminina, o Ser feminino é exposto numa única cena. A mãe defende aquele ser que é gerado dentro dela com unhas e dentes (e nadadeiras!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comportamento masculino, a alma masculina, o Ser masculino é também exposto na mesma cena. O homem defende-se a si. Ele sabe que a continuidade da espécie depende de sua sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o toque magistral do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai cuida sozinho do único filho que sobreviveu ao ataque do peixe-maior. Cuida como pai e como mãe. Teme, zela, cerceia. O filho – o comportamento filial, a alma filial, o Ser filial –, naturalmente, se rebela. É pescado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai – em toda a sua mais plena porção Feminina – , qual a mãe o faria, se arrisca. Enfrentar todo o oceano em busca de seu filho. Vence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontra-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana que vem: Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Teatro</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/teatro_24.html</link><pubDate>Tue, 24 Nov 2009 05:19:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-437658741679860689</guid><description>A apresentação da peça aconteceria fora da cidade de São Paulo. A divulgação da prefeitura local não fora lá grande coisa. Uma chamadinha num dos Jornais da cidade e... mais nada. Nem um cartaz, nem uma propaganda no Rádio, nem uma inserção na TV Local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teatro, pequeno. O público, menor ainda: 6 espectadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No minúsculo palco, os 6 atores (tantos atores em cena quanto espectadores na platéia) espremem-se ao longo dos 71 minutos de peça. Suam, interpretam, trabalham. Doam-se, entregam-se, revelam-se. Brilham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finda a peça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os aplausos pouco sonoros mas muito efusivos alimentam a alma dos atores. Gratos, agradecem à platéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor da peça toma a palavra e agradece “àqueles que vieram nos ver”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreso – e, logo, grato – ouve a exclamação, carregada do sotaque da região, de um homem de cabelos brancos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Bobos foram eles, que não vieram!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pode haver prêmio maior para um artista.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Futebol</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/futebol_23.html</link><pubDate>Mon, 23 Nov 2009 17:16:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-6951455246773684200</guid><description>Quando aquele time forrado de negros pobres, inexperientes e “emocionalmente instáveis” (segundo o laudo do médico da delegação), aos 3 minutos de partida, levou o primeiro gol do jogo final da Copa do Mundo de 1958, não houve quem pensasse ser possível uma reação. Aquela gente semi-profissional, distante de casa, num lugar frio-até-mesmo-no-verão, não teria estolfo psicológico para reverter o quadro estabelecido. Não teria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis, então, que Didi, o Príncipe Etíope, vai até o fundo da rede do gol brasileiro, pega a bola, toma-a em seu braço e vem caminhando lentamente, passo a passo, desde o gol até o meio do campo. Caminha e fala com seus companheiros. Fala com todos eles, um a um. Sem pressa. Com mestria.&lt;br /&gt;Quanto tempo durou aquela caminhada? Que palavras o mestre disse? Somente a bola, sob seu braço, poderia dizer. Somente ela viveu aquele momento mítico. Somente ela viu o tempo parar para ouvir as palavras de Didi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda aquela serenidade provinda da inesgotável sabedoria daquele mestre negro distante de sua casa fez com que o gol sofrido não fizesse sofrer nem um dos jogadores daquele time.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 9 minutos, Vavá empatou o jogo. Aos 32, virou o jogo. Daí em diante, só restava esperar pela goleada. Os 5 x 2 estampados no placar do estádio ao final do jogo revelavam mais do que a seleção campeã do mundo. Traduziam, em números, a ação de um verdadeiro Maestro: ter o domínio pleno, total e absoluto do Tempo.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Música</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/musica_20.html</link><pubDate>Fri, 20 Nov 2009 07:26:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-7706722422203235287</guid><description>Eu tinha 9 anos de idade. Em minha terra, lá no interior do Brasil, houve um show de música. Um show com a maior cantora do Brasil à época: Elis Regina. Fui ao show com meu pai.&lt;br /&gt;Chegamos, o palco estava arrumado. Um piano à minha esquerda, uma guitarra à esquerda do piano, uma bateria no centro do palco, um baixo à esquerda da bateria. Tudo pronto.&lt;br /&gt;Do lado direito do piano, no canto do palco, uma cadeira. Vazia. Sem nada em cima. Uma cadeira posta ali, jogada. Perguntei a meu pai o que fazia ali uma cadeira. Ficamos os dois na dúvida.&lt;br /&gt;Começa o show.&lt;br /&gt;Elis Regina canta como nunca. Como ninguém. A afinação precisa é embalada pela incrível capacidade de improvisação, pelo “balanço” intraduzível, pela emissão de cada palavra da música pronunciada com a mais pura Verdade possível. Cada palavra que saía da boca daquela cantora de 1,53 metros de altura soava como palavras ditas em voz alta por um gigante.&lt;br /&gt;Elis Regina cantou, pulou, dançou.&lt;br /&gt;A certa altura, dirigiu-se para o lado direito do palco e sentou-se na cadeira ali abandonada. Sentou-se ali e cantou Corcovado, de Tom Jobim.&lt;br /&gt;Após as primeiras notas cantadas ali, daquela cadeira, finalmente eu descobri o porquê da existência das cadeiras na Terra. Elas tinham nascido para aquele momento. O momento em que, sobre elas, Elis Regina cantaria a Vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro Ilan&lt;br /&gt;Seguem os 3 Projetos sobre os quais falamos. Perdoe a demora. A escolha correta da peça (Projeto 1), a escolha correta do grupo (Projeto 2) e a escolha correta dos grupos (Projeto 3) tardaram um bocado este envio. De todo modo, “antes tarde do que mais tarde”, não é? Aí vão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Projeto 1 – Da Desconstrução de uma partitura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No intento de mostrar ampla e detalhadamente a importância vital do conceito teórico – e, mais, do aprofundamento no domínio do conceito teórico – no processo de aprendizado; no processo pedagógico; e, sobretudo, no processo de trabalho; venho propor o que chamo de “desconstrução de uma partitura”.&lt;br /&gt;Exposto à execução de uma música, imediatamente o ouvinte se remete a algo etéreo, onírico, provindo de uma inspiração repentina que tem lugar no éter poético por onde os grandes gênios transitam com a facilidade de quem entra e sai por uma porta constantemente aberta. Ledo engano.&lt;br /&gt;A música só leva o ouvinte a tais plagas após um processo metódico e escorreito de construção. Escrevem-se notas sobre uma pauta em branco. Tais notas revelam um intrincado processo composicional que parte da Forma e chega ao ouvido como Conteúdo.&lt;br /&gt;Conhecer tal processo composicional leva o ouvinte a entender o compositor como aquele-que-trabalha, não mais como aquele-que-transita-pelo-Éter.&lt;br /&gt;Munido de tal conceito, o ouvinte poderá situar-se na posição analítica da composição. Poderá compreender alguns passos que o compositor trilhou (e deixou grafados) na construção de sua partitura.&lt;br /&gt;No entanto, para que o ouvinte compreenda o processo de construção de uma partitura, é necessário que um especialista des-construa a partitura à vista do ouvinte. É necessário que o especialista des-monte passo-a-passo a partitura para que o ouvinte perceba como o compositor montou a estrutura que o encanta, enternece, comove.&lt;br /&gt;Para tanto, traremos à tona uma peça fartamente executada, amplamente conhecida: a 5a. Sinfonia, de L. V. Beethoven. Mais precisamente, o Primeiro Movimento da 5a. Sinfonia, de L. V. Beethoven.&lt;br /&gt;Partindo do conceito da Forma, arraigado ao período neo-clássico, antecedente a Beethoven, estabelecido na segunda metade do século XVIII, e levado à categoria de “Estrutura Perfeita” por W. A. Mozart, estabeleceremos um Conceito-Primal do trabalho: compreender cada passo da construção de uma obra musical pela premissa teórica da qual se valeu o seu compositor.&lt;br /&gt;Passaremos a destrinchar cada trecho do primeiro movimento da Sinfonia (após estabelecer o Conceito de Sinfonia) mediante as divisões impostas pela Forma Sonata.&lt;br /&gt;Em seguida, esmiuçaremos cada subdivisão de cada um dos trechos, até chegarmos à mínima célula melódica (as famosas 4 notas do “tchan-tchan-tchan-tchan”), a pedra-fundamental que gerou toda a construção arquitetada pelo genial compositor austríaco.&lt;br /&gt;Compreenderemos, finalmente, o cerne do processo composicional de Beethoven. Perceberemos, a partir da dês-construção, cada passo que o compositor seguiu para realizar a construção de sua obra. Estabeleceremos a vital necessidade de se compreender – e, sobretudo, dominar – o conceito Teórico para atingirmos a eficácia Prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Projeto 2 – Do Quarteto de Jazz e o Conceito de Improvisação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pouco tempo estabelecia-se incondicionalmente a relação de semelhança da estrutura interna de uma Empresa com a estrutura íntima de uma orquestra: os setores divididos por suas características, suas funções, sua hierarquia, todos regidos por um maestro e obedecendo aos signos de uma partitura.&lt;br /&gt;Desde algum tempo, tal conceito sofreu uma transformação e a relação de semelhança passou a ser estabelecida com um Grupo de Jazz: os indivíduos, setorizados também, hierarquizados também, porém com a capacidade - e a liberdade – de improvisação em determinados momentos.&lt;br /&gt;Traduzir tal conceito em palavras não requer mais do que 2 parágrafos. Contudo, não passa de um conceito traduzido, não-vivenciado.&lt;br /&gt;Visualizar tal conceito requer um tanto mais. No entanto, ao visualizar o conceito, vivencia-se o conceito. Absorve-se o conceito de um modo tal a que ele torne-se indelével. Irremovível.&lt;br /&gt;Reuniríamos um Quarteto de Jazz. Estabeleceríamos uma música a ser executada. Estabeleceríamos a “tradução” de cada passo da execução da música pelo Quarteto: a exposição de um tema conhecido; a explanação sobre a construção do tema; a definição de improviso de cada um dos 4 instrumentistas; o detalhamento do modo como é feito um improviso (sempre a ser construído sobre uma harmonia pré-determinada); a volta do tema para o encerramento da execução.&lt;br /&gt;Em seguida, repetiríamos o processo, porém providos de outra peça musical, agora deixando ao espectador a tarefa de identificar (apenas vez por outra alertado) cada uma das facetas expostas anteriormente.&lt;br /&gt;Finalmente, sem o auxílio do “tradutor”, o ouvinte teria meios suficientes para identificar cada um dos momentos da execução da terceira peça.&lt;br /&gt;Seguir-se-ia a esta, mais algumas peças num pequeno “concerto de Jazz”, que encerraria a apresentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Projeto 3 – Da Programação Fixa do Auditório Kotler&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ocupação de um espaço cultural é, de longe, a obrigação maior do artista. Ainda mais quando o artista vem ligado a uma instituição de ensino.&lt;br /&gt;Justamente embasada nessas assertivas, surge imperativamente a proposta de ocupação do Auditório Kotler, às noites de sábado no próximo semestre, o primeiro do ano de 2008.&lt;br /&gt;Primeiramente, aproveitando o influxo gerado pela apresentação do Projeto 2, supra descrito, realizando uma série de apresentações de grupos de música com seus repertórios fincados no Jazz e na música instrumental brasileira.&lt;br /&gt;Naturalmente, será preciso – nesse primeiro instante do Projeto – que os grupos a se apresentarem não sejam remunerados. Tal fato inviabilizaria por completo a intentona.&lt;br /&gt;Contudo, após o primeiro semestre de atividades culturais no Auditório, teríamos já criado um princípio de “culturalização” do espectador. Teríamos “criado a cultura” de ir-se ao Auditório às noites de sábado para se ouvir boa música.&lt;br /&gt;Munido desse hábito, desse público fixo, constante, freqüente, procuraríamos estabelecer parcerias que viabilizassem um vôo mais alto do Projeto: estabelecer um “programa de estudos” para as apresentações. Por exemplo, a cada semestre o Auditório receberia artistas que interpretariam todo o repertório da música brasileira da primeira década do século. No semestre seguinte, o Projeto se debruçaria acerca do repertório dos anos Vintes e, assim, sucessivamente.&lt;br /&gt;Vale ressaltar que, os grupos que participariam do primeiro semestre (não remunerado) seriam, necessariamente, convidados a voltarem ao palco do Auditório na segunda – e próspera – fase do Projeto.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Literatura</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/literatura_19.html</link><pubDate>Thu, 19 Nov 2009 07:24:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-4623815960506049125</guid><description>Abro à Sorte uma página qualquer de uma coletânea de Contos de Machado de Assis:&lt;br /&gt;“Há entre os suicidas um excelente costume, que é não deixar a vida sem dizer o motivo e as circunstâncias que os armam contra ela. Os que se vão calados, raramente é por orgulho; na maior parte dos casos ou não têm tempo, ou não sabem escrever. Costume excelente: em primeiro lugar, é um ato de cortesia, não sendo este mundo um baile, de onde um homem possa esgueirar-se antes do cotilhão; em segundo lugar, a imprensa recolhe e divulga os bilhetes póstumos, e o morto vive ainda um dia ou dois, às vezes uma semana mais.”&lt;br /&gt;Olha, meus amigos, nada mais adequado ao pequeno texto que aqui transcrevi do que o nome do livro que é aberto à Sorte toda a manhã: Minutos de Sabedoria.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Cinema</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/cinema_18.html</link><pubDate>Wed, 18 Nov 2009 07:21:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-5655694476473197884</guid><description>A personagem da mãe-de-família viúva vai para a cidade grande – onde mora o filho mais velho – com os outros 4 filhos. As dificuldades para se arranjar emprego, moradia, acolhida, são imensas. A possibilidade de percalços, ainda maior.&lt;br /&gt;Um dos filhos torna-se o percalço-mor. Envolve-se com a mulher errada, com as pessoas erradas, com a profissão errada.&lt;br /&gt;A história perpassa um a um os filhos daquela mãe. Nada de novo, tudo de excepcional: o modo com a história é contada, a Leveza e a Profundidade de cada um dos assuntos tratados no filme, os dramas das vidas que desfilam pela tela e refletem em cada um dos espectadores. A revelação mais nítida e detalhada do Ser, exposto a Si em preto-e-branco.&lt;br /&gt;No entanto, ao longo daqueles 180 minutos sublimes, uma frase se destaca entre tantas frases simples, espetaculares, verdadeiras. Uma frase cortante define, estabelece, determina o ponto exato do comportamento humano que difere o Fraco daquele que auto-perdoa. Uma frase mais forte, mais viva, mais contundente do que os golpes precisos que brotam das luvas de Rocco, o boxeador filho da mãe-de-família. Uma frase tão forte quanto o golpe de box, tão necessária quanto a Luta. A frase Perfeita:&lt;br /&gt;“Nem tudo deve ser perdoado”.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Teatro</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/teatro_17.html</link><pubDate>Tue, 17 Nov 2009 07:19:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-2451791327107870538</guid><description>Mais uma historiazinha.&lt;br /&gt;Cidade da grande São Paulo. Cidade quase-grande, portanto. Tida e havida como município que valoriza a cultura, a arte, o entretenimento, o cidadão, o bem-estar, o crescimento-individual-do-ser-que-deve-ter-acesso-à-cultura.&lt;br /&gt;O leitor deve estar achando tudo isso irônico demais. E está correto. Explico.&lt;br /&gt;Uma Companhia de Teatro foi contratada para se apresentar na tal cidade. Coisa rara de acontecer: qual a prefeitura que contrata uma Companhia que não tem “gente famosa”, que não tem “peça famosa” – ou, como se diz, “remontagem” –, com tudo pago direitinho, tudo para dar à sua gente um pouco de cultura, gratuitamente? Coisa rara, de fato.&lt;br /&gt;Os atores estavam ansiosos. Menos pela apresentação da peça – já a tinham apresentado tantas vezes que o “frio na barriga” infelizmente tende a se tornar raro... –, mais pela oportunidade de apresentarem-se para pessoas que em geral não têm chance de ver histórias contadas desde um palco.&lt;br /&gt;A peça tem início.&lt;br /&gt;A narrativa se passa num estúdio de televisão: câmeras, estúdio, camarim; corre-corre de apresentadora, produtores, convidados. A uma altura da trama, ocorre um apagão na cidade: um apagão que fará com que o convidado de honra, a personagem-central da história, se aproxime dos demais personagens, que até então eram meros personagens-de-apoio.Narrativa complexa, mas nem tanto.Da platéia, ouve-se “acende a luz!”; “quero ver a peça!”; “cadê a luz???”. Balbúrdia geral. Alguns vão-se embora, maldizendo a prefeitura, que “nem pra pagar a luz serve”.&lt;br /&gt;Pois é, meu amigo. Desta vez, ironicamente – só para voltarmos ao início desta historiazinha – a prefeitura, o governo, os que-mandam, não tiveram culpa. Ou será que tiveram?</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Futebol</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/futebol_16.html</link><pubDate>Mon, 16 Nov 2009 07:15:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-9083687065714177920</guid><description>Caro Amigo. Hoje não vou escrever. A notícia fala por si só. Quem quiser comentar, comente. Eu não vou dizer palavra sobre o assunto.Nesta terça-feira, na Fifa, enquanto o Brasil ganhava o direito de ser sede da Copa de 2014, ex-jogadores, membros da Fifa e jornalistas estrangeiros se perguntavam como é que o Brasil não havia incluído Pelé na campanha.Ricardo Teixeira, presidente da CBF, alegou que o Brasil já estava "muito bem representado" em sua campanha com Dunga e Romário. "Estes foram os jogadores de maior sucesso na minha geração no comando da CBF." Para Teixeira, Romário "merecia a homenagem, até mesmo por ter feito mais de mil gols". Um jornalista estrangeiro lhe perguntou se sabia onde Pelé estava. O dirigente, incomodado, foi curto e grosso: "Não sei onde ele está".No vídeo mostrado pela CBF sobre o Brasil e seu futebol, Pelé foi ignorado até nas imagens mostradas a todo o mundo. Em seu lugar, gols e jogadas de Romário, Cafu e Bebeto, entre outros de menos expressão. Uma das raras cenas em que apareceu foi na primeira fase da Copa de 70, dando passe para o gol de Jairzinho contra a Inglaterra. Um vídeo feito pela Fifa sobre a história das Copas, porém, foi obrigado a mostrar Pelé.(Comercio do Jahu – 04 de novembro de 2007)</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Música</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/musica.html</link><pubDate>Fri, 13 Nov 2009 07:26:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-7066397881442385488</guid><description>O terceiro movimento termina. O silêncio reina por alguns segundos. Surge a nota Mi, tocada em uníssono por vários instrumentos da orquestra. O Mi é sucedido pelo Fá Sustenido. O volume do uníssono aumenta nota a nota. A terceira nota a ser ouvida é o Sol. A quarta é o Lá. O Mezzo Forte do início do Movimento já é um Forte. O rufar de um tímpano anuncia a chegada do Lá Sustenido, a quinta nota. O Si é a sexta nota da seqüência ascendente que foi iniciada com a primeira nota, o Mi. Já num Fortíssimo a mesma nota Si, porém uma oitava abaixo – um Si grave –, é a sétima nota. Finalmente, o mesmo Mi que iniciou a seqüência, fecha a frase musical composta por 8 notas.&lt;br /&gt;Mi – Fá# – Sol – Lá – Lá# – Si – Si (grave) – Mi&lt;br /&gt;A beleza da frase é flagrante de per se. De nada mais precisaria. Ela diz o suficiente sozinha, soando completa a partir de si mesma.&lt;br /&gt;O Movimento segue. Todo ele é construído a partir daquela mesma frase. Ela vai, volta, surge, reaparece. Todo o movimento é uma grande ode àquela frase: Mi – Fá# – Sol – Lá – Lá# – Si – Si (grave) – Mi.&lt;br /&gt;Um olhar mais atento não permitiria uma ausência de investigação. Por que AQUELA frase?&lt;br /&gt;Porque aquela frase embasa, sustenta, é o tema de um Coral, de Bach, escrito quase 150 antes. A frase, de um entre tantos e tão maravilhosos Corais de J. S. Bach, é trazida à tona por Brahms tantos anos depois e embasa, sustenta, é o tema de sua Quarta Sinfonia, em Mi menor.&lt;br /&gt;Mais do que uma homenagem, um ciclo musical – completo em si mesmo – que se fecha.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Literatura</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/literatura.html</link><pubDate>Thu, 12 Nov 2009 07:23:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-1198876482470444017</guid><description>Ao passar o olho por Memórias de um Sargento de Milícias inda outro dia, fui levado a uma reflexão aterradora.&lt;br /&gt;Não assino jornal. Aquele trambolho dentro de casa só faz procriar. Uma faxineira desatenta, que permita a sobrevivência de um único exemplar de um dia para outro e... pronto. Amanhã já são 1000 jornais onde hoje era um só.&lt;br /&gt;Volto ao raciocínio: não assino jornal. No entanto, ao passar o olho por qualquer de nossas gavetas, observamos a profunda pobreza literária que as páginas vendidas nas bancas trazem a seus leitores e assinantes.&lt;br /&gt;A linguagem jornalística é chã. Redige-se mal, estrutura-se mal, concorda-se mal. Informa-se mal. O elemento literário – que, há pouco mais de 100 anos era tão vivo e necessário –, puramente literário, tornou-se irrelevante.&lt;br /&gt;Pensar que Manuel Antônio de Almeida escreveu – e publicou! – o Sargento capítulo a capítulo, semanalmente, nos remete a um tempo em que jornalismo e literatura eram gêmeos siameses.&lt;br /&gt;Agora: pensar que Machado de Assis escreveu – e publicou! – parte de sua obra nas páginas de um jornal pode nos levar a começar a assinatura do folhetim que recebemos toda manhã.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Cinema</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/cinema.html</link><pubDate>Wed, 11 Nov 2009 07:21:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-5144158971179746894</guid><description>É, meus amigos, nós todos pudemos notar o incrível desfile de personagens pitorescos e inesquecíveis, as imagens envelhecidas do início do filme que nos remetem a um documentário da década de 1910, a cena indelével da disputa de vaidades dos cantores de ópera em busca de seu alimento favorito – o aplauso – provindo das profundezas das galés, o contraste do luxuoso navio dos grandes artistas e dos refugiados da 1a Guerra Mundial. Todos pudemos constatar ou pelo menos levarmos em consideração a hipótese de o leite do rinoceronte-fêmea ser muito saboroso.&lt;br /&gt;No entanto, à obrigação de escolher uma única cena para chamar a atenção de meus companheiros aqui do Blog, remeto-me à cena final, na qual o diretor, mais do que desnudar o Cinema, a produção de um filme, mais do que desmistificar a falsa aura de grandeza da Sétima Arte, ele ocupa-se de desnudar e desmistificar a si mesmo. Federico Fellini, ao se revelar tamanhamente mortal, nos lembra de que os grandes artistas, os grandes cineastas até mesmo os grandes paquidermes são mortais. Como nós somos mortais. As personagens são os únicos seres que terão vida eterna. Mesmo sem beber leite de rinoceronte.&lt;br /&gt;Fellini nos indica, pelos remos do narrador, que La Nave Va e que a Vida vai.&lt;br /&gt;Semana que vem, Rocco e Seus Irmãos, de Lucchino Visconti. Até lá.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Teatro</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/teatro.html</link><pubDate>Tue, 10 Nov 2009 07:18:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-1489978143113352442</guid><description>Quando um gigante da Arte morre, é preciso aprender e executar as lições que ele deixou em vida.&lt;br /&gt;Paulo Autran se foi.&lt;br /&gt;Viveu e construiu sua carreira de um modo que nos faz pensar acerca dos meios de expressão artística utilizados por um ator. Ao todo, em toda a sua longa carreira, fez 4 novelas. Apenas 4 novelas. Nem por isso – talvez justamente por isso – deixou de ser considerado um dos maiores atores da história da dramaturgia brasileira. Vale dizer, pouco freqüente na televisão, habitando o que há de mais distante da tela de uma televisão, o palco de um teatro, o grande ator é visto, é sabido, é conhecido e reconhecido pelo seu talento e pela sua arte.&lt;br /&gt;Morreu e deixou uma sábia e indefectível lição:&lt;br /&gt;– Quando morrer, quero ser cremado. Não quero que chorem por mim num túmulo de cemitério. Não quero pagar jardineiro. Não quero pagar imposto depois de morto.&lt;br /&gt;Depois da frase acima, só nos resta aprender uma última lição. Mais do que muito talento, é preciso ter muito caráter. Mais do que um grande artista, é preciso ser um grande Homem.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Futebol</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/11/futebol.html</link><pubDate>Mon, 9 Nov 2009 07:14:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-2216226082754436254</guid><description>Meus amigos&lt;br /&gt;Perdoem-me mais uma vez pela interrupção em nosso “Túnel do tempo – Copas”. Não podemos nos furtar a observar a diferença de atitude entre um jogador conseqüente e um inconseqüente perante uma mesma situação, no mesmo domingo de futebol pelo mundo.&lt;br /&gt;Em São Januário, com a partida a 2 minutos do final, com o bom resultado garantido, a maior estrela da equipe que jogava fora de casa sofre uma falta. O árbitro – tão satisfeito com o resultado da partida quanto os jogadores dos 2 times – não a assinala. O Inconseqüente dá, por trás, um soco na cabeça do adversário. É, evidentemente, expulso. Prejudica a equipe com sua ausência a 6 rodadas do final do campeonato.&lt;br /&gt;Na Itália, a partida inda pela metade, com o resultado desfavorável, um dos jogadores da equipe sofre uma falta. O árbitro – tão despreparado como os árbitros brasileiros – não a assinala. O Conseqüente, desiludido com a incompetência alheia, abaixa a cabeça e se encaminha para fora do campo. Ele abandona o jogo. Vai-se embora. Vai decidido. À beira do gramado um colega de equipe tenta argumentar com ele. Trocam 2 palavras, meia-dúzia de gestos. Não é, evidentemente, expulso. Não prejudica a equipe com sua ausência ao longo do campeonato. De quebra, deixa o árbitro incompetente e o treinador impotente, inertes, atônitos, atordoados.&lt;br /&gt;Que espetáculo de civilidade. Que diferença de atitude. Como é bom ver que ainda há vida minimamente inteligente espalhada pelos gramados do mundo.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Música</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/04/musica.html</link><pubDate>Fri, 10 Apr 2009 02:24:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-9002645997771021234</guid><description>&lt;div align="justify"&gt;Ao olhar para o volume de partituras das obras dos grandes mestres da Música, noto um fenômeno muito revelador: Bach escreveu quase 2000 peças; Mozart escreveu cerca de 670 peças; Brahms escreveu aproximadamente 120 peças musicais.&lt;br /&gt;Os números decrescentes nas obras dos gênios evidenciam a dificuldade que o gênio sucedente encontrou para dizer algo original, vivo, luminoso, ao nascer depois do gênio precedente. À linha-do-Tempo ninguém engana.&lt;br /&gt;Contudo, o que mais intimamente liga Brahms a Dostoiévski não é apenas o fato de buscar algo original, vivo, luminoso.&lt;br /&gt;Os dois Mestres sabiam exatamente onde poderiam chegar. Sabiam o grau de Perfeição que suas obras teriam de atingir. Sabiam que a Perfeição estava ao alcance de suas mãos, desde que eles olhassem para Si mesmos, fossem capazes de detectar, avaliar e jogar fora o que era distante da Perfeição.&lt;br /&gt;Ao ver próximo o final de sua vida, J. Brahms ateou fogo em cerca de 240 peças. Exatamente, meus amigos. 2/3 da obra monumental de Brahms foi para o fogo. (Cá entre nós, quem me dera chegar a tempo de salvar aquelas partituras maravilhosas!!! Pegaria uma por uma daquelas folhas e poria meu nome em cada uma delas. Meus sonhos-de-consumo: a fogueira de Brahms ou a lixeira de Dostoiévski).&lt;br /&gt;Brahms queimou 2/3 de sua obra e declarou: “a humanidade não é merecedora de que eu deixe a ela o que é imperfeito”.&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Literatura</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/04/literatura.html</link><pubDate>Thu, 9 Apr 2009 02:24:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-4637326175269527631</guid><description>&lt;div align="justify"&gt;Em 20 de outubro de 1846, Fiódor Dostoiévski escreveu a seu irmão Mikhail:&lt;br /&gt;“Todos os meus planos foram por água abaixo... Abandonei tudo o que estava escrevendo, já que isso não passava de uma repetição de coisas velhas. Agora idéias mais originais, vivas e luminosas brotam de mim no papel... Estou escrevendo outra novela, e o trabalho vai de vento em popa, está saindo com facilidade e frescor, como nunca...”&lt;br /&gt;A “novela” a que o grande escritor se referia é A Senhoria, publicada no ano seguinte.&lt;br /&gt;Muito já se falou sobre essa carta ao irmão, sobre a “novela”, sobre Dostoiévski.&lt;br /&gt;A mim, salta-me aos olhos uma frase grafada na carta ao irmão: Abandonei tudo o que estava escrevendo, já que isso não passava de uma repetição de coisas velhas.&lt;br /&gt;O grande escritor – como, de resto, o grande artista – é capaz de estabelecer para si normas tamanhamente nítidas, honestas e verdadeiras acerca de sua obra que nenhum crítico ou apreciador jamais alcançará.&lt;br /&gt;Dostoiévski olhou para o que estava a escrever, pôde avaliar com o necessário distanciamento, pôs à prova seu próprio talento, sua própria obra, pôs em xeque a si mesmo e concluiu que caminhava por uma estrada que não o levaria ao lugar onde ele sabia que poderia chegar.&lt;br /&gt;Justamente porque fez esse trabalho árduo, íntimo, doloroso, foi que conseguiu alcançar o mais alto cume da literatura mundial. Conseguiu alçar o grande vôo.&lt;br /&gt;Brahms fez algo semelhante. Conto amanhã, em “Música”.&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Cinema</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/04/cinema.html</link><pubDate>Wed, 8 Apr 2009 02:23:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-4643191386389383941</guid><description>&lt;div align="justify"&gt;Meus queridos&lt;br /&gt;Vejam só a situação: eu mesmo proponho que vou anunciar na semana anterior o filme sobre o qual falaremos na semana seguinte. Executo perfeitamente o plano uma vez, duas vezes e, logo na terceira,... dou mancada! Perdoem-me. Semana passada não anunciei o filme!!! Haja esclerose!...&lt;br /&gt;Bem, para remediar tal falseta, falarei hoje sobre um filme pouco conhecido, pouco visto. Ao final, não falharei. Anunciarei o filme da semana que vem, combinado?&lt;br /&gt;Andrei Tarkovski, aos 28 anos de idade, conclui o curso de cinema. Era tido entre os alunos e pelos professores como “o gênio”. Para se formar, dirigiu um filme de 44 minutos de duração. Um média-metragem chamado O Rolo Compressor e o Violinista.&lt;br /&gt;É o primeiro filme, um filme “de início de carreira”, daquele que é considerado por muitos como “o maior cineasta de todos os tempos”.&lt;br /&gt;Re-assisti ao filme anteontem. Ratifiquei algo que concluí há muito tempo, quando vi o filme pela primeira vez.&lt;br /&gt;O traço do grande cineasta já estava impresso ali, no primeiro filme. O gigante que viria realizar obras monumentais como Stalker, Nostalgia e O Sacrifício já morava ali, naquele jovem que impunha ao seu primeiro filme a mesma Lei que imporia a todos os outros: Tarkovski não apenas fazia Cinema, não apenas fazia Arte. Tarkovski esculpia o Tempo.&lt;br /&gt;Semana que vem (viram só? Prometo e cumpro!) vamos falar sobre E La Nave Va, de Fellini.&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item><item><title>Teatro</title><link>http://klebermazziero.blogspot.com/2009/04/teatro.html</link><pubDate>Tue, 7 Apr 2009 02:22:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7047569903165248761.post-97823665478259657</guid><description>&lt;div align="justify"&gt;Palco tomado de gente. Platéia lotada. O musical se aproximava do fim. Mais de 100 minutos de peça falada em português, cantada em 5 idiomas diferentes.&lt;br /&gt;Após 16 músicas interpretadas ao vivo, acompanhadas por um play back pré-gravado, a última cena da peça transcorria como de hábito: a atriz se aproximava do ator e dizia a última frase do texto. Soava a introdução da última música da peça.&lt;br /&gt;Os atores cantavam o samba final. Em bom português.&lt;br /&gt;Na segunda parte da música, iniciavam os agradecimentos. Os atores juntavam-se ao fundo do palco e, de lá, caminhavam ao encontro da platéia e saudavam o público que os aplaudia entusiasmadamente. De lá, voltavam para o fundo do palco, de onde já surgiam novos atores em seu caminho rumo ao alimento do artista: o aplauso.&lt;br /&gt;A música se aproximava do fim. Aproximava-se o final do ritual de agradecimento. Todos os atores e atrizes, cantando, uniam-se no fundo do palco e caminhavam juntos até o local desde onde reverenciavam o público que os aplaudia.&lt;br /&gt;De repente, o susto. O play back que acompanhava os cantantes atores... parou de tocar.&lt;br /&gt;O desespero não durou 1 segundo sequer.&lt;br /&gt;Os atores continuaram a cantar a plenos pulmões o restante da bela melodia e da linda letra do samba. Foram juntos pelo restante do último verso. Foram, juntos, até o final da cena.&lt;br /&gt;A platéia percebeu tudo.&lt;br /&gt;Os aplausos daquela noite jamais se repetiram. Aqueles atores mereceram.&lt;/div&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>kleber@klebermazziero.com.br (Kleber Mazziero)</author></item></channel></rss>