<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-36763501</atom:id><lastBuildDate>Fri, 18 Oct 2024 04:02:13 +0000</lastBuildDate><category>Em poesia</category><category>Made in USA</category><category>Korda Kauberdi</category><category>Em prosa</category><category>Leão Tolstoy</category><category>Um bilhete</category><category>Na Europa</category><category>Autores Portugueses</category><category>Santiago</category><category>Sãozinha Fonseca-Fragoso</category><category>A luta contra o cancro nos países em desenvolvimento</category><category>Em francês</category><category>Saudades</category><category>Cuidado com os furacões</category><category>Jacques Brel</category><category>22 de Agosto</category><category>Albert Camus</category><category>Cinema</category><category>D. Bia</category><category>Em África</category><category>Anton Tchekov</category><category>Leituras</category><category>Na Ásia</category><title>Quotidiano</title><description>O meu quotidiano ... &#xa;que é feito destes fragmentos de instantes.</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>178</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-4522238962066615941</guid><pubDate>Wed, 08 Jul 2009 15:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-08T11:32:17.170-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Korda Kauberdi</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Made in USA</category><title>Mudanças</title><description>Michigan ficou para trás e passo os últimos dias em solo Americano, na cidade de Boston. A partir do dia 13 de Julho de 2009, nova residência, novo trabalho, novos desafios, novas experiências de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E este blog também está de mudança. O seu novo endereço: &lt;a href=&quot;http://fragmentosdeinstantes.blogspot.com/&quot;&gt;http://fragmentosdeinstantes.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/07/mudancas.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-2460313370989992180</guid><pubDate>Sat, 28 Mar 2009 23:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-28T19:54:13.185-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em poesia</category><title>No meu peito</title><description>Não chores...&lt;br /&gt;Mas se tiveres mesmo de chorar, aninhar-te-ei no meu peito.&lt;br /&gt;Aqui, há tantas dores iguais às tuas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não chores...&lt;br /&gt;Mas se tiveres mesmo de chorar, levar-te-ei à beira mar.&lt;br /&gt;Ali, há tantas lágrimas iguais às tuas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não chores...&lt;br /&gt;Mas se tiveres mesmo de chorar, chorarei contigo.&lt;br /&gt;Bem sabes que as tuas dores são as minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não chores...&lt;br /&gt;Mas se tiveres mesmo de chorar, pedir-te-ei para não chorares.&lt;br /&gt;É que o mar não é feito só de lágrimas e eu...&lt;br /&gt;Eu preciso que me sustenhas para poder então aninhar-te no meu peito.</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/03/no-meu-peito.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-4798745522477868204</guid><pubDate>Sat, 28 Mar 2009 22:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-28T19:39:51.894-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em prosa</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Korda Kauberdi</category><title>A visita</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Falaram-me tanto da sabedoria de &lt;em&gt;Nha&lt;/em&gt; Clara e, agora, defronte a ela, não conseguia dizer nada. Sei que descera do &lt;em&gt;Hiace&lt;/em&gt; e que, destemida, subira a ladeira até à casa térrea de &lt;em&gt;Nha&lt;/em&gt; Clara. Porém, mal a vira sentada no mocho, à porta de casa, perdera toda a coragem para as perguntas prementes que tinha dentro de mim.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Debruçada sobre um enorme balaio, &lt;em&gt;Nha&lt;/em&gt; Clara descascava, sem pressas e metodicamente, vagens de feijões. Tirava uma vagem do balaio, puxava a linha, às vezes, com a ajuda de uma pequena faca, e, cuidadosamente, retirava os feijões e, sem desviar o olhar do balaio, deixava-os escorregar da sua mão e cair numa panela, colocada no seu lado direito. No seu labor, ainda não levantara os seus olhos para me ver e eu... eu hesitava em cumprimentá-la. Sentia-me mais segura a mirá-la e os seus gestos tranquilos aquietavam-me.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Finalmente, pareceu ter sentido a minha presença, pois levantou o olhar, colocou a mão direita sobre os olhos e, com a mão esquerda, sem hesitações, fez-me sinal para me aproximar. Como que hipnotizada, cheguei perto, pedi-lhe a benção e sentei-me a seu lado, por sua indicação. &lt;em&gt;Nha&lt;/em&gt; Clara não falou mas o seu olhar meigo foi o seu abraço de boas-vindas para mim. Sem proferir palavra, indicou-me as vagens e, a seu lado, dediquei-me a esse labor. As minhas mãos foram ficando àsperas e as minhas unhas sujas, contudo, dentro de mim crescia o sentimento de satisfação pessoal. Quando começou a anoitecer, &lt;em&gt;Nha&lt;/em&gt; Clara levantou-se e eu ajudei-a a colocar o balaio e a panela dentro de casa. Fez-me adeus e, novamente, pedi-lhe a benção. Sentindo-me livre e ligeira, desci, numa alegre correria, a ladeira e apanhei o &lt;em&gt;Hiace&lt;/em&gt; de volta à capital.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Tive um sonho estranho. Sonhei que passei uma tarde com uma anciã, no interior de Santiago a descascar vagens de feijões. - comentei contigo, aproximando a minha mão para te fazer um carinho no rosto. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Menina, precisas ir arranjar estas mãos! Estão àsperas! O que andaste a fazer? De certeza que não passaste a tarde a tirar uma soneca no sofá como me estás a dizer! - respondeste, alarmado, lembras-te? Depois, foste abrir a porta da rua para recebermos a visita da tua mãe.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Oh meus filhos, já viram a prenda que vos deixaram à porta? Uma panela cheia de feijões descascados!&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Aí, olhaste para mim, os teus olhos estupefactos, e disseste-me:&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Menina, mas isso foi mesmo um sonho?&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Ainda hoje não te sei dizer se foi um sonho ou não. Mas posso dizer-te que aprendi que a minha vida, o meu destino, estão nestas mãos! As mesmas mãos que buscam o teu rosto e te fazem uma carícia antes de adormeceres a meu lado.&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/03/visita.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-2891116321269387303</guid><pubDate>Sat, 21 Mar 2009 17:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-21T14:13:16.734-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em poesia</category><title>Bem-vinda</title><description>Não sabia.&lt;br /&gt;Não sabia que existias.&lt;br /&gt;Não sabia.&lt;br /&gt;Não sabia sequer o que almejavas - para mim -.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tu...&lt;br /&gt;Mas tu sempre soubeste tudo sobre mim.&lt;br /&gt;Quem eu era, quem eu sou.&lt;br /&gt;Eu?&lt;br /&gt;Eu não sabia nada disso sobre mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E neste silêncio, nesta quietude,&lt;br /&gt;Eis que irrompeste do fundo de mim&lt;br /&gt;Livre e triunfante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sê bem-vinda.&lt;br /&gt;Não sabia que existias - em mim -.&lt;br /&gt;Sê bem-vinda.&lt;br /&gt;Sai da minha sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que não sabia que és a razão pela qual eu existo.</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/03/bem-vinda.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-9051749497963452852</guid><pubDate>Thu, 12 Mar 2009 22:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-12T20:55:06.417-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em prosa</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Um bilhete</category><title>Os amantes</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Para os amantes, o sol sumia vagarosamente no horizonte e o mar inflamava-se e fundia-se nos tons de vermelho e laranja do céu. A brisa trazia consigo o cheiro forte a maresia e Lígia, fechando os olhos, inspirava sofregamente e apertava com firmeza a mão de César. O rosto, luminoso, deixava transparecer a sua alegria interior por sentir novamente o cheiro característico do mar, transportando-a para a sua infância passada à beira-mar. Sem querer quebrar a ligação com o seu passado, Lígia, ainda de olhos fechados, aproximou a mão de César dos seus lábios e beijou-a ternamente. Com o pensamento perdido nas tonalidades do céu e do mar,  César sorriu ao sentir a suavidade do toque dos lábios de Lígia.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Pausaram a caminhada pela Marginal e César repousou o olhar em Lígia, que permanecia mergulhada nos cheiros da sua meninice. Maravilhado, César continuou a olhar para ela, tentando absorver a energia que irradiava dela. Queria entranhar-se nela e conseguir encontrar essa sua avidez inesgotável pela vida. Sim, era por isso que estava tão preso a ela. A fome de viver de Lígia ia despertando aos poucos a sua alma adormecida pela sucessão dos dias sempre iguais. Sim, queria poder fundir-se nela e assim sentir-se vivo novamente!&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Lígia abriu os olhos e repousou o olhar no de César que a fitava tão intensamente. Ela deixou que ele invadisse a sua intimidade com aquele olhar tão penetrante. Deu-lhe a liberdade para ele procurar o que tanto precisava e que depois se apoderasse disso sem pedir licença, pois ela era dele. Desde sempre. Esse olhar fazia com que ela se sentisse tão desprotegida, mas, igualmente, tão completa porque eram nesses momentos que os dois se fundiam, completando o outro, saciando a inquietude do outro. César sentia-se agora inclinado a concordar com Lígia quando ela lhe dizia que deixassem que os seus olhares dissessem aos seus corações o que eles nem mesmo sonhavam, o que eles nunca iriam conseguir dizer por palavras. Sim, ela tinha razão.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Porque sinto que te vou perder, Lígia?&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Porque vais ter de me perder para me encontrares novamente. Mas estarei sempre perto de ti, mesmo quando estiveres longe de mim.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Serei eu a deixar-te, é isso?&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Não, meu amor. Há-de chegar o dia que sentirei que terei de te deixar para poderes sentir a minha falta. Nesse dia, deixar-te-ei somente um bilhete.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Mesmo quando estou perto de ti, sinto a tua falta. Sinto a falta daquilo que ainda me vais dar.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Ainda não sentes a minha falta... Quando finalmente sentires isso, tudo fará sentido para ti.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Porque falas sempre por enigmas, Lígia?&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Porque sinto que te vou perder, César?&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Porque vais ter de me perder para me encontrares novamente. Mas estarei sempre perto de ti, mesmo quando estiveres longe de mim.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Lígia sorriu e aninhou-se no peito de César. Anoiteceu.&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/03/os-amantes.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-9051398359364344670</guid><pubDate>Sun, 08 Mar 2009 22:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-09T06:37:47.663-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Made in USA</category><title>Silêncio, por favor</title><description>&lt;div align=&quot;right&quot;&gt;&lt;em&gt;a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;right&quot;&gt;&lt;em&gt;Leão Tolstoy, in Guerra &amp;amp; Paz&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;No Domingo passado, no programa de rádio &quot;&lt;a href=&quot;http://speakingoffaith.publicradio.org/programs/2009/depression/&quot;&gt;&lt;em&gt;Speaking of Faith&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&quot;, produzido e apresentado por Krista Tippett e emitido pela &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;http://www.npr.org/&quot;&gt;National Public Radio&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;a depressão foi o tema abordado. O que prendeu a minha atenção ao programa foi a conversa da apresentadora com &lt;a href=&quot;http://www.couragerenewal.org/parker&quot;&gt;Parker Palmer&lt;/a&gt;. Imerso no seu quadro depressivo, ele admitiu à Krista que se afastara totalmente das pessoas e da natureza, i.e. perdera a capacidade de desfrutar de uma tarde soalheira, de admirar uma flor... Falou disso, exemplificando que muitos amigos, numa tentativa de o ajudarem a sair da depressão, iam visitá-lo e diziam-lhe: Mas porque estás assim? Olha como está uma tarde bonita lá fora! E essas visitas tornavam-se muito penosas porque para ele a vida, nesse momento, não fazia sentido e lembrarem-lhe disso só o infelicitava mais. Elogios sobre a sua pessoa, o seu percurso profissional e pessoal, só o faziam sentir que tinha defraudado as pessoas que o rodeavam.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Contudo, um amigo pediu-lhe autorização para visitá-lo e todos os dias, cerca das 16h, aparecia, tirava-lhe os sapatos e massajava-lhe os pés, raramente falando. Parker confessa que esses momentos ajudaram-no muito porque parecia que a única parte do seu corpo capaz de responder a um estímulo exterior eram os pés e esse amigo tinha conseguido comunicar com ele.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Este episódio fez-me reflectir que o silêncio, muitas vezes, é confundido com falta de diálogo e que, frequentemente, falamos muito, não dando oportunidade a outras formas de conversa entre duas pessoas. Acrescente-se que saber ouvir é uma arte que tem de ser trabalhada ao longo da vida. Até que ponto acreditamos que somos &quot;bons ouvintes&quot; e na verdade somente ouvimos o nosso EU e projectamos os nossos dilemas e visões do mundo na pessoa que está a tentar comunicar connosco? No saber ouvir podemos então apreender que aquela pessoa defronte a nós quer somente sentir a nossa presença e que isso é igualmente uma forma de diálogo, talvez até mais profunda porque é sentida intensamente. A amizade autêntica e duradoira exige esta capacidade para nos despirmos das máscaras que nos impedem de conseguirmos ouvir o outro. Saber escutar o que não é dito por palavras é fundamental.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Relembro o poema &quot;&lt;a href=&quot;http://maggyfragoso.blogspot.com/search/label/22%20de%20Agosto&quot;&gt;Silêncio&lt;/a&gt;&quot;, de Fyodor Tyutchev (1803-1873):&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;em&gt;Não fales, esconde-te, e protege&lt;br /&gt;o modo como sonhas, o que sentes.&lt;br /&gt;Nas profundezas da tua alma, deixa-os elevarem-se&lt;br /&gt;assim como as estrelas nos céus cristalinos&lt;br /&gt;antes da noite ficar indistinta:&lt;br /&gt;Delicia-te neles e não fales.&lt;br /&gt;Como pode um coração encontrar uma forma de se exprimir?&lt;br /&gt;Como pode outra pessoa saber o que pensas?&lt;br /&gt;Poderá discernir o que te move?&lt;br /&gt;Um pensamento, uma vez dito, torna-se falso.&lt;br /&gt;A água da fonte fica escurecida, quando agitada:&lt;br /&gt;bebe da fonte e não fales.&lt;br /&gt;Vive no teu interior sozinho&lt;br /&gt;dentro da tua alma um mundo cresceu,&lt;br /&gt;a magia dos pensamentos velados que podem&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;em&gt;ficar encandeados pela luz exterior,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;em&gt;afogados pelo barulho do dia, não ouvidos&lt;br /&gt;aceita a sua música e não fales.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/03/silencio-por-favor.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-1343025060527491964</guid><pubDate>Sun, 08 Mar 2009 21:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-08T18:34:15.102-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em prosa</category><title>Homero &amp; Maria</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Tem sido uma longa caminhada, minha amiga.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Homero trajava roupas claras, parecia até que todo ele era pureza. A sua barba branca, comprida até ao peito e habitualmente em desalinho, estava particularmente revolta nessa tarde de sol abrasador mas com uma brisa suave a correr pelas ruas da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Maria não sabia a sua idade, nem a sua proveniência, porém essa barba branca e um olhar de tranquilidade e de apaziguamento permanente e que só a experiência de vida confere às pessoas, diziam-lhe que Homero já percorrera o mundo, enquanto ela sentia que estava finalmente a dar os primeiros passos na estrada da vida, sem buscar o apoio num suporte ao alcance das mãos.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Quando a conversa entre os dois discorria de forma amena, ela quase que se atrevia a perguntar-lhe a idade, a sua origem, o seu percurso de vida... Mas inibia-se sempre, por medo de ofendê-lo, de entrar num campo que ele nunca tinha mostrado disponibilidade em abordar. Nem sabia o seu nome, tendo começado a tratá-lo por Homero e ele parecera aceitar o nome com agrado. A sua curiosidade maior era perguntar-lhe se ele seria um dos deuses do Olimpo, pois Homero aparecia sem avisar, mas sempre nos momentos cruciais da sua vida e mais estranho ainda era que o traje envergado por ele coincidia sempre com o seu estado de espírito, parecendo adivinhar as tonalidades dos estados de alma de Maria. Havia momentos que ele aparecia, sentava-se a seu lado e só se levantava para se ir embora quando sentisse que Maria estava recomposta novamente. Frequentemente, nem uma palavra era trocada entre os dois. Dava-lhe então um abraço fraterno e voltava a desaparecer. Por isso, Maria não se atrevia a exteriorizar as suas perguntas, limitando-se a aproveitar a presença de uma pessoa que lhe transmitia tranquilidade e que a ajudava a passar do gatinhar ao andar autónomo.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Sim, Homero, tem sido uma longa caminhada...&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Maria, Maria, Maria... lá estás com aquele ar sonhador novamente! - disse Madalena, entrando no gabinete de Maria.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Maria abriu os olhos e nada disse, mantendo o sorriso alegre que se tinha vindo a desenhar nos seus lábios. Madalena entregou-lhe uma pasta e dirigiu-se novamente para a porta. Parou, voltou-se para Maria e como que não resistindo, comentou:&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Mas sabes... é por isso que tens o percurso que tens e que só te pode deixar orgulhosa. Não perdeste a capacidade de sonhar, mantendo sempre os pés na terra! - Madalena saiu do gabinete, fechando a porta atrás de si.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Antes de abrir a pasta, Maria fechou novamente os olhos, o tempo suficiente para ver Homero a sorrir-lhe, dizendo:&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Tem sido uma longa caminhada, minha amiga.&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/03/homero-maria.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-3696463921349211583</guid><pubDate>Sun, 08 Mar 2009 21:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-12T20:55:06.418-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em poesia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Um bilhete</category><title>Como foi</title><description>No sussuro da tua voz&lt;br /&gt;como uma carícia, explorando as linhas do meu corpo.&lt;br /&gt;Nas palavras suspensas por silêncios densos&lt;br /&gt;onde tudo é sentido e nada é falado.&lt;br /&gt;Fizeste-me tua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/03/como-foi.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-4686150010160907523</guid><pubDate>Mon, 02 Mar 2009 01:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-01T20:12:36.485-05:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em poesia</category><title>Promessas</title><description>Promete-me&lt;br /&gt;que todos os dias irás mais além&lt;br /&gt;que serás ponderado nas escolhas&lt;br /&gt;que serás intrépido nas demandas&lt;br /&gt;que sentirás todos os dias que foste mais além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promete-me&lt;br /&gt;... não, espera...&lt;br /&gt;Promete a ti próprio&lt;br /&gt;que serás sempre fiel ao teu EU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/03/promessas.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-1733029808934751840</guid><pubDate>Thu, 19 Feb 2009 00:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-18T19:18:53.936-05:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em poesia</category><title>Saudades</title><description>No meu passado, o início de quem serei.&lt;br /&gt;No meu presente, as saudades de quem serei,&lt;br /&gt;No meu futuro, o encontro com quem serei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades de quem serei, não de quem fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/02/saudades.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-8779877090030655041</guid><pubDate>Mon, 09 Feb 2009 00:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-12T20:55:06.420-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em prosa</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Um bilhete</category><title>Folhas</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Defronte de seus olhos, o chão do parque assemelhava-se a um longo tapete feito em vários tons de amarelo pois encontrava-se coberto pelas folhas que tinham caído das árvores, tornando-as desnudas e desprotegidas para o Inverno que se aproximava inexoravelmente. Como lhe agradava o som provocado pelo pisar das botas sobre as folhas!&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Ajeitou o gorro, aconchegou o cachecol ao pescoço, afundou as mãos nos bolsos do casaco e estugou o passo. Precisava atravessar o parque rapidamente para apanhar o comboio. Já estava atrasada e não havia tempo para namorar o parque e entrar num monólogo sobre o sentido da vida.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;O comboio estava repleto. Desistiu de entrar nesse, como no seguinte e no seguinte também, apesar de já haver carruagens com lugares vagos. Desistiu simplesmente de apanhar o comboio até ao seu destino. Com a mesma intensidade que sentira a necessidade de estugar o passo para apanhar o comboio e não se atrasar para o seu compromisso, decidira que não valia mais a pena. &quot;É tudo tão relativo. O que hoje é tão premente, amanhã é nada!&quot;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Deu as costas à plataforma de embarque, saiu da estação de comboios e foi pisar as folhas caídas no parque.&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/02/folhas.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-5282995991207533314</guid><pubDate>Mon, 09 Feb 2009 00:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-12T20:55:06.421-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em prosa</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Um bilhete</category><title>História de amor</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Estou atrasado, não é verdade? Perdoa-me! Não tenho desculpas para este atraso! Na verdade, sinto-me um pouco perdido, sabes? Ando sempre a correr de um lado para o outro e a tomar decisões sobre o acontecimento que sinto que a minha vida está a acontecer a cada momento sem que eu consiga ter uma voz activa. Ando frustrado e sinto-me perdido... Por falar em perdido, ouviste hoje a história daquele homem que esteve perdido na floresta durante imensos anos? Mas isso não é relevante agora. Sim, sei que estou muito atrasado! ... Penso se o homem não esteve escondido este tempo todo na floresta. Provavelmente, teve anos de vida muito tranquilos. Tinha tempo para pensar no que iria fazer durante o dia. E eu que me sinto perdido porque não consigo parar para reflectir... Como estás? Eu sei que não estás zangada comigo... Mas sei que estou tão atrasado que nem sei mais o que dizer...&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- Sim, eu aceito ser tua mulher.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;- É por isso que te amo! Porque consegues ouvir aquilo que eu não consigo dizer.&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/02/historia-de-amor.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-6166131275021230424</guid><pubDate>Fri, 06 Feb 2009 00:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-12T20:55:06.422-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em poesia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Um bilhete</category><title>Pertença</title><description>Era tua, somente tua&lt;br /&gt;sem o saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamava por ti, só por ti&lt;br /&gt;sem o saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperava por ti, só por ti&lt;br /&gt;sem o saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh solidão!&lt;br /&gt;Por não ser tua,&lt;br /&gt;Por não ter resposta&lt;br /&gt;A esta espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus chamamentos&lt;br /&gt;que se perdiam&lt;br /&gt;mas que encontraram os teus&lt;br /&gt;E agora tudo faz sentido.</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/02/pertenca.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-5460461328282616507</guid><pubDate>Thu, 05 Feb 2009 23:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-12T20:55:06.424-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em poesia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Um bilhete</category><title>A ponte</title><description>Nunca mais visitei a ponte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu falava sobre o nosso amor,&lt;br /&gt;- as emoções à solta -&lt;br /&gt;Tu escutavas,&lt;br /&gt;- rendido, seduzido -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, inibida me encontro.&lt;br /&gt;As palavras envergonhadas.&lt;br /&gt;As emoções recatadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor órfão se encontra.&lt;br /&gt;O silêncio domina.&lt;br /&gt;O vazio por companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais vieste à ponte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ponte que me ligava a ti.</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/02/ponte.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-3915142042015811657</guid><pubDate>Sun, 01 Feb 2009 18:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-01T13:23:41.518-05:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Made in USA</category><title>Sol</title><description>&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh2G-jdSoXLslx6a6dNssyoei4JZiN5gUihAYP6XfB6AbDb69QlJfbIX2T49-LEdVGJrGZZVKaRM3zKienHwPcwUs-hgoOi4tig7Ifkj9UPQp6uDYQmZ9_QDq_4kIlgNT7oBVI/s1600-h/DSC00327.JPG&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5297895337180804498&quot; style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh2G-jdSoXLslx6a6dNssyoei4JZiN5gUihAYP6XfB6AbDb69QlJfbIX2T49-LEdVGJrGZZVKaRM3zKienHwPcwUs-hgoOi4tig7Ifkj9UPQp6uDYQmZ9_QDq_4kIlgNT7oBVI/s400/DSC00327.JPG&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;Da sala do meu apartamento &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Prefiro esta imagem: céu limpo, azul e infindo! A neve está a derreter a bom ritmo porque hoje, excepcionalmente, a temperatura está acima dos 0º C.&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/02/sol.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh2G-jdSoXLslx6a6dNssyoei4JZiN5gUihAYP6XfB6AbDb69QlJfbIX2T49-LEdVGJrGZZVKaRM3zKienHwPcwUs-hgoOi4tig7Ifkj9UPQp6uDYQmZ9_QDq_4kIlgNT7oBVI/s72-c/DSC00327.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-7375788166624646031</guid><pubDate>Wed, 28 Jan 2009 19:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-01T13:24:27.613-05:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Made in USA</category><title>Neve</title><description>&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgesl1l09blYnypxUQ5fjhOJtf9_rSOsJ42q__UlD8Y0JPYDRQtBy2e3P3oNvDR_YwXyUIDoQX-SyTMDyQ7eFh-huzoh5F-Uk3Luf5QWcnsfwpiD958PFhU28ZvaANAd0u8dzI/s1600-h/DSC00325.JPG&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5296424203874471074&quot; style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgesl1l09blYnypxUQ5fjhOJtf9_rSOsJ42q__UlD8Y0JPYDRQtBy2e3P3oNvDR_YwXyUIDoQX-SyTMDyQ7eFh-huzoh5F-Uk3Luf5QWcnsfwpiD958PFhU28ZvaANAd0u8dzI/s400/DSC00325.JPG&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;Da sala do meu apartamento &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Na Primavera e Verão, a vista da janela da sala é-me tão aprazível: árvores com folhas viçosas, muita relva, pássaros a cantarolar e esquilos em alegre correria. Agora, é a neve e o céu nublado. Há quem adore o Inverno e a neve, contudo a mim provoca-me uma tristeza infinda. Fico tão acabrunhada e recolhida que nem consigo apreciar o seu lado belo. Na verdade, é admirável o branco, contrastando com as cores mais escuras dos edifícios.&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/01/neve.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgesl1l09blYnypxUQ5fjhOJtf9_rSOsJ42q__UlD8Y0JPYDRQtBy2e3P3oNvDR_YwXyUIDoQX-SyTMDyQ7eFh-huzoh5F-Uk3Luf5QWcnsfwpiD958PFhU28ZvaANAd0u8dzI/s72-c/DSC00325.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-5025127679265808339</guid><pubDate>Tue, 20 Jan 2009 23:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-20T18:46:50.571-05:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Made in USA</category><title>Esperança</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Faltavam uns quinze minutos para o meio-dia quando arrastei o meu colega de gabinete para o auditório do hospital. Convenci-o a acompanhar-me para assistirmos à tomada de posse do 44.º Presidente dos Estados Unidos da América. A sala já estava bem composta, por isso, tivemos que ficar de pé. Valeu a pena porque mais do que presenciar um evento histórico, senti que estava a viver um momento que os Americanos querem/desejam que seja de mudança, de renovação, de transformação.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Se de início fui uma espectadora atenta mas distante, após o empossamento de Barack Obama dei por mim a acompanhar os meus colegas de trabalho num retumbante aplauso de alegria. De seguida, o discurso conciliador aliado à excelente capacidade oratória de Obama, galvanizou a audiência que se comportava como se estivesse em Washington, aplaudindo, rindo, concordando...&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Da mensagem do Presidente Obama retive a palavra &quot;Esperança&quot;. Contudo, não caiamos no erro fácil de transferir toda a esperança neste Presidente e na sua equipa. Pelo contrário, que cada um tenha esperança em si mesmo. Que cada um acredite em si e naquilo que pode contribuir para a sociedade. Abandonei o auditório com mais esperança em mim própria, com mais determinação para traçar o meu caminho porque se cada um fizer aquilo que sabe melhor, da melhor forma, contribuiremos todos para uma sociedade mais justa.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;em&gt;Há tanta esperança no ar...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/01/esperana.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-4982560936460377488</guid><pubDate>Fri, 02 Jan 2009 22:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-12T20:55:06.425-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em prosa</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Um bilhete</category><title>Um bilhete</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: right; font-style: italic;&quot;&gt;Por fim, as palavras irromperam e uma história foi revelada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já te amava ainda antes de te conhecer.&lt;br /&gt;Todas as noites, os meus últimos pensamentos eram para ti.&lt;br /&gt;Chamava por ti, incessantemente, numa prece silenciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu...&lt;br /&gt;que eras um desconhecido somente porque os meus olhos ainda nao tinham repousado sobre os teus.&lt;br /&gt;(as minhas mãos ainda nao tinham percorrido as linhas do teu rosto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim...&lt;br /&gt;tu que andavas perdido de mim.&lt;br /&gt;(e eu de ti)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia-te cada vez mais perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, finalmente, os nossos olhares se encontraram,&lt;br /&gt;soubemos que não estávamos mais perdidos,&lt;br /&gt;soubemos que começávamos a continuação de uma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mãos dadas, os dedos entrelaçados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maggs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ps. resolução de ano novo: juntar &quot;um bilhete&quot; e &quot;&lt;a href=&quot;http://maggyfragoso.blogspot.com/2008/03/trs-tempos-hsiao-hsien-hou-2005-msica.html&quot;&gt;de mãos dadas&lt;/a&gt;&quot;. Sabemos que há uma história que precisa ser contada...</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/01/um-bilhete.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-9121293837144557042</guid><pubDate>Fri, 02 Jan 2009 21:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-02T17:31:09.732-05:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Autores Portugueses</category><title>Saciar...</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Através da poesia de Miguel Torga, a Maguy-Mãe e a Arega &amp;amp; C.ª cruzaram-se hoje em Detroit. A minha mãe enviou-me um belíssimo poema de Miguel Torga e não resisti em reencaminhá-lo para a Arega &amp;amp; C.ª como resposta a uma mensagem que tinha acabado de receber. E ela respondeu-me com um excerto de outro poema de Miguel Torga. Os dois poemas ressoaram dentro de mim, saciando a minha inquietude... Partilho convosco os poemas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;Recomeça..&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;Se puderes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;Sem angústia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;E sem pressa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;E os passos que deres,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;Nesse caminho duro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;Do futuro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;Dá-os em liberdade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;Enquanto não alcances&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;Não descanses.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;De nenhum fruto queiras só metade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;E, nunca saciado,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;Sempre a sonhar e vendo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;O logro da aventura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;És homem, não te esqueças!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;Só é tua a loucura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;Onde, com lucidez, te reconheças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;&quot;sonho mas não parece, nem quero que pareça, é por dentro que eu gosto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;que aconteça a minha vida, íntima, funda, como um sentimento de que&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot;&gt;se tem pudor...&quot;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel Torga (1907-1995)&lt;br /&gt;------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E... afinal o que nos faz sentir saciados?&lt;br /&gt;Seja a leitura de um texto, seja a observação do que nos rodeia, seja ainda o que o olfacto e o paladar nos oferece, o objecto em apreço só se torna belo, único, excepcional se algo dentro de nós responder positivamente ao estímulo exterior, se sentir saciado nem que seja por alguns instantes.&lt;br /&gt;Todos nós buscamos incessantemente respostas, mesmo para perguntas que ainda não trouxemos para o nosso consciente, e se estivermos atentos, há sempre um texto, uma paisagem, uma refeição, alguma coisa que dá sentido à nossa vida porque houve alguém/algo que nos deu uma resposta para uma inquietação interior.&lt;br /&gt;Por isso, as obras universais não serão aquelas  que foram concebidas de dentro para fora, i.e. sem o autor estar centrado sobre si próprio no momento da criação?&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2009/01/saciar.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-8623110652308328595</guid><pubDate>Tue, 24 Jun 2008 00:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-28T10:34:03.833-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Made in USA</category><title>Lição de amor</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Gosto de ouvir &quot;&lt;a href=&quot;http://thestory.org/&quot;&gt;&lt;em&gt;The Story&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&quot;, programa produzido pela &lt;a href=&quot;http://wunc.org/front-page&quot;&gt;rádio pública do estado da Carolina do Norte&lt;/a&gt; e apresentado por Dick Gordon. &lt;em&gt;The Story&lt;/em&gt; dá a oportunidade a cidadãos anónimos contarem a sua história que pode ter sido uma experiência traumática, uma benção recebida, um reconhecimento público a alguém que faleceu e que se sente que é necessário prestar uma homenagem única. Evidentemente, facilmente este tipo de programa pode cair na devassa da vida íntima das pessoas mas Dick Gordon é o condutor ideal. Seja um tema doloroso, seja um acontecimento de júbilo, Dick Gordon mantem a mesma entoação segura, suave e curiosa no sentido de fazer com que o seu interlocutor fale à vontade, quiçá fazendo com que se esqueça que há um microfone à frente. Assim, estamos todos juntos: o(s) contador(es) da história, Dick Gordon e todos os ouvintes, que permanecem num silêncio cúmplice.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;O que ouvi &lt;a href=&quot;http://thestory.org/archive/&quot;&gt;hoje &lt;/a&gt;incitou-me finalmente a escrever sobre o programa que já faz parte do meu fim de dia. Neste fim de semana, um casal da Carolina do Norte casou-se pela primeira vez na igreja para renovação dos votos efectuados há quarenta anos. Na altura, o casamento não pôde ter sido realizado dentro da igreja. Não vou entrar nos detalhes mas o que importa é esta lição de amor: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Omelia, negra, casou-se com Alvin, branco, nos idos anos de 1968. Quando Alvin comunicou aos seus pais a sua intenção - tinha ido sozinho visitá-los por altura do Natal - o pai levantou-se e saiu de casa, ficando a mãe e o filho sem trocarem palavra. Na cerimónia de casamento, só apareceram os familiares da Omelia. Quatro anos depois, quando nasceu o segundo filho do casal, o pai de Alvin telefonou-lhe a perguntar &quot;Precisam de companhia?&quot; ao que Alvin respondeu &quot;Precisamos.&quot; Alvin, que estava no trabalho, telefonou à esposa e perguntou-lhe &quot;Precisas de companhia?&quot;. Omelia percebeu o que se passava porque já tinha havido um telefonema para a casa, onde a sogra se identificara e pedira o telefone do trabalho do filho. Omelia e Alvin estiveram até às 3h da manhã a limpar a casa e ela depois levantou-se cedo para fazer comida para as visitas. Os pais de Alvin chegaram e as apresentações começaram. Omelia já tinha 3 filhas de um relacionamento anterior. Omelia disse a Dick Gordon que sentiu que tudo iria ficar bem quando a sogra pegou no recém-nascido. À pergunta do locutor se ela não pensou em &quot;cobrar&quot; pela recusa em conhecê-la desde o início, ela disse que tal não lhe passara pela cabeça porque o que interessava era que os pais do seu marido estavam aí e tudo o que tinha acontecido no passado... fazia parte do passado. Omelia acrescentou também que nunca se falou sobre o que se tinha passado e que somente muitos anos mais tarde... estava ela e o Alvin casados havia 25 anos quando o sogro lhe disse &quot;Pensei que o casamento só fosse durar seis meses.&quot;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Hoje, o meu pai enviou-me um poema que escreveu onde diz &quot;É o amor e não o tempo que cura tudo.&quot;... E foi o amor, não o tempo que reuniu esta família. Que lição de amor maior do que receber alguém de braços abertos, sem fel no coração por um sofrimento passado?&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;E hoje lembrei-me que os meus pais, o Chico-Pai e a Maguy-Mãe, vão fazer quarenta anos de casados e não poderei estar por perto para aquele abraço infindo... mas não me vou cansar de lhes repetir o quanto os amo e que um dos melhores ensinamentos que me deram foi o de assumir sempre as minhas responsabilidades.&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2008/06/lio-de-amor.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-4605132110243426999</guid><pubDate>Wed, 11 Jun 2008 01:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-10T22:35:45.169-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Korda Kauberdi</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Leão Tolstoy</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Made in USA</category><title>Náufragos...</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;em&gt;A minha imagem de tranquilidade, de sintonia com a existência humana e com a natureza é a de um ancião de cabelos e barba brancos, vestido de forma simples e com um boné a proteger-lhe os olhos do sol impedioso. Está sentado num mocho, por baixo de uma das janelas da sua casa de piso térreo e construída em pedra negra, com as mãos a repousarem nos joelhos. A casa está situada algures numa encosta no interior da ilha de Santiago. Com uma vida levada na esperança de boas chuvas e de um bom ano de colheita, nesse momento, ele sorri porque tudo à sua volta está verde. A natureza dar-lhe-á o que ele precisa e ele contempla-a extasiado.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Ontem, fez um mês que cheguei aos Estados Unidos. Estou em Detroit há três semanas e comecei a trabalhar há uma. Com o meu regresso a Detroit, reencontrei o &lt;a href=&quot;http://maggyfragoso.blogspot.com/2007/12/its-all-about-connections.html&quot;&gt;Said&lt;/a&gt; que já se interrogava sobre o meu paradeiro visto ter-lhe dito que regressaria em Janeiro e que lhe telefonaria para ele ir buscar-me ao aeroporto. Através dele, tenho conhecido outros árabes africanos, para além de ir-me cruzando com os clientes dele, de passagem por Detroit ou residentes como eu. As minhas conversas com ele e com os seus amigos árabes são tranquilas, sem pressas. Em comum, o facto de sermos de origem africana e emigrantes.&lt;/p&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;A minha vivência fica mais prenhe, mais rica e aprendo muito mais sobre como levar uma existência mais plena conversando com estas pessoas, indo assim ao encontro do ancião sentado à porta da sua casa feita de pedra e contemplar com ele a natureza. Pressinto que quanto mais conhecimentos adquiro mais me afasto do verdadeiro sentido da existência humana. Talvez seja por isso que os textos de Leão Tolstoy repercutam tanto dentro de mim, proporcionando-me a tranquilidade almejada. Após os sucessos estrondosos das obras &lt;em&gt;Guerra &amp;amp; Paz&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Ana Karenina&lt;/em&gt;, Tolstoy, até à sua morte, voltou-se para a sabedoria popular e para a busca incessante sobre o sentido da vida. Os diálogos sobre o nosso quotidiano são em inglês, uma língua estranha para todos nós por não ser a nossa língua materna e que se torna muitas vezes insuficiente para exteriorizarmos o nosso estado de alma. Contudo, eles ficam enriquecidos por olhares brilhantes e gestos de agradecimento e de apreciação, tornando-nos mais próximos porque, na verdade, somos todos náufragos.&lt;/p&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Independentemente dos motivos que levaram cada um de nós a partir, a deixar a Pátria-amada, e a encontramo-nos aqui em Detroit, para nós terra alheia, somos náufragos porque seremos sempre sobreviventes ... convictos de termos sido impiedosamente arrancados do nosso ninho - das referências que dão sentido à nossa vida.&lt;/p&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2008/06/nufragos.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-6858950830713570925</guid><pubDate>Sat, 31 May 2008 01:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-14T13:16:58.347-04:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">D. Bia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em prosa</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Korda Kauberdi</category><title>Marulhar das ondas</title><description>&lt;div align=&quot;right&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Mais um fragmento da história da &lt;a href=&quot;http://maggyfragoso.blogspot.com/2007/09/d.html&quot;&gt;D. Bia&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Era uma senhora &lt;em&gt;petite&lt;/em&gt;. Caminhava ligeira pelas ruas da cidade de Mindelo no seu passo pequeno e rápido, postura erecta e olhar decidido. As agruras da vida nunca lhe tinham tirado a capacidade de gargalhar. Por sentir o dom da vida a cada momento, os olhos de D. Bia bailavam constantemente de alegria. Esse júbilo nunca esmoreceu, nem quando descobriu, aos 24 anos, que o seu casamento era uma falácia e que tinha sido mais uma a cair na cantiga melodiosa de um marinheiro que aportava algumas vezes por ano em S. Vicente. Chorou silenciosamente mas o brilho nos olhos nunca chegou a desaparecer. E porque deveria? Tinha conseguido trazer ao mundo seis crianças saudáveis e que hoje só lhe davam alegrias!&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Todavia, havia uma altura do dia onde o andar se tornava pausado, tranquilo, sem pressas. Pela manhãzinha, D. Bia fazia o percurso da avenida marginal até à praia da Laginha. Iniciara esse ritual no dia seguinte à partida do último filho para o estrangeiro e os amigos e conhecidos, ao cruzarem com ela, limitavam-se a cumprimentá-la não ousando quebrar o seu recolhimento. De olhar brilhante e sorriso bailando discretamente nos lábios, respondia ao cumprimento e repousava novamente o olhar na direcção do mar. Avançava vagarosamente pela marginal, em direcção à Laginha. Defronte ao mar, permanecia sentada por um largo tempo, ouvindo atentamente o marulhar das ondas, como se trouxesse novas dos filhos. No seu íntimo, ela ia respondendo. Falava das saudades, lembrava-se de algum episódio da infância dos filhos, agradecia aquela carta ou encomenda.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Eram esses momentos que lhe davam força para que o tal brilho nos olhos não esmorecesse nunca. Não exteriorizava os seus pensamentos mais íntimos, mas a dor da saudade consumia o seu pequeno ser muito mais do que a dor do fracasso do seu casamento ou mesmo das inúmeras dificuldades em criar e educar os seus filhos. Sentada defronte ao mar, abstraia-se do que a rodeava e imaginava os filhos sentados à volta dela. Ela protegia-os, mimava-os e deliciava-se porque via-os como quando eles ainda eram crianças e estavam sob a sua asa materna. Depois de saciada a saudade, levantava-se e fazia o percurso de regresso, parando no mercado para as compras do dia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Maggs&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2008/05/mais-um-fragmento-da-histria-da-d.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-3573626198681200384</guid><pubDate>Fri, 30 May 2008 15:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-10T21:00:23.066-05:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cinema</category><title>George Bailey</title><description>&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgUnCVlPcVcWl45_5cuc6hM2qFnjJN7gE7XAPtsaScKX884Gw_W5S9OxOLCCjwq8dDhYVPPWdE3o18flZwxVGquR-o7i8GcGHuppa5ain8NE9gt5jVkszPQpuuCGTutZwj0sVg/s1600-h/georgebailey.JPG&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5206191359316968018&quot; style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgUnCVlPcVcWl45_5cuc6hM2qFnjJN7gE7XAPtsaScKX884Gw_W5S9OxOLCCjwq8dDhYVPPWdE3o18flZwxVGquR-o7i8GcGHuppa5ain8NE9gt5jVkszPQpuuCGTutZwj0sVg/s400/georgebailey.JPG&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;George Bailey, abrindo os braços para mostrar ao empregado da loja o tamanho da mala que queria comprar para depois percorrer o mundo...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Desde criança, George Bailey sonhou em calcorrear o mundo, explorando novas terras e construindo grandes obras. O que ele não queria era ficar para sempre em Bedford Falls, uma cidade pacata dos Estados Unidos da América. Contudo a vida vai-lhe pregando partidas e ele vai adiando sempre o seu sonho, acabando por chegar à casa dos quarenta a fazer projectos em papel e a assumir o negócio do pai, uma espécie de cooperativa de habitação, implicando lidar com empréstimos, juros e a ficar confinado num escritório o dia inteiro. Na sua ânsia de partir e não criar laços, recusou-se a admitir que se apaixonou por Mary, a menina que virou mulher e que foi sempre apaixonada por ele. Rendeu-se ao amor, casou-se com Mary e tiveram quatro filhos, vivendo numa casa enorme e decadente que não podia ser devidamente restaurada por falta de dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Na véspera de um Natal, endividado e sem saída, num acto de desespero, George pondera o suicídio porque &quot;valia mais morto que vivo&quot;. No momento em que ele se encontra preparado para se atirar ao rio, o seu anjo da guarda cai à água e, instintivamente, George mergulha para o salvar... Porque foi o que ele fez sempre em toda a sua vida: salvou o irmão de morrer afogado quando eram crianças; salvou o farmacêutico de ir preso por ter dado o medicamento errado, visto estar transtornado ao saber da morte do filho; com o negócio herdado do pai por força de circunstâncias várias, salvou muitas famílias de irem viver nas barracas do maléfico homem de negócios Henry Potter...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.imdb.com/title/tt0038650/&quot;&gt;&lt;em&gt;It&#39;s a wonderful life&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;(em português, o filme ficou conhecido sob o título &quot;Do céu caiu uma estrela&quot;), foi realizado por Frank Capra em 1946, com James Stewart e Donna Reid nos principais papéis. O filme surgiu numa altura em que era importante elevar o espírito de entre-ajuda e de reconciliação, após a experiência traumática da Segunda Guerra Mundial. Uma história simples, contada de trás para a frente, i.e. o filme começa no momento em que George pensa no suicídio e Deus decide chamar um anjo para o salvar. O anjo Clarence, há mais de duzentos anos à espera de ganhar as suas asas, é escolhido e Deus mostra-lhe os momentos fulcrais da vida de George, compreendendo-se porque é que ele quer tentar o suicídio. O anjo Clarence dá então ao George a oportunidade única de saber como é que as pessoas que lhe eram próximas teriam vivido se ele não tivesse sequer existido... Já que ele dizia que valia mais morto que vivo...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;É um dos meus filmes obrigatórios do mês de Dezembro, visto passar-se na época natalícia. Mais do que isso, é o meu filme favorito. Quiçá porque me revejo vezes sem conta no George Bailey: uma ânsia de partir, de estar sempre em viagem e de sentir que há sempre algo para observar, sentir e vibrar. Na verdade, todos temos um pouco do George Bailey: uma vontade, tantas vezes indómita que nos deixa esgotados, de partir à busca de novos mundos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;George Bailey aprendeu com a oportunidade dada pelo anjo Clarence que o seu mundo, que o seu suporte era a família e os amigos.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Maggs&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2008/05/george-bailey.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgUnCVlPcVcWl45_5cuc6hM2qFnjJN7gE7XAPtsaScKX884Gw_W5S9OxOLCCjwq8dDhYVPPWdE3o18flZwxVGquR-o7i8GcGHuppa5ain8NE9gt5jVkszPQpuuCGTutZwj0sVg/s72-c/georgebailey.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-1376777352645091208</guid><pubDate>Tue, 27 May 2008 01:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-10T21:00:23.352-05:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Em África</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Saudades</category><title>Objectos de afecto</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg9ejQpF4vwDHH4z_AVzr6iJy3C8yygZ_ENpkipx18eo1ZmcblPKDFCT-fnXWkwFHcy157em1GLqAKInh0kuAOxPYFKGouMouruOrScuWCrH7m48kg47jTDyRc6Ps6jYRjyBfw/s1600-h/boneca.JPG&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5204860739793961426&quot; style=&quot;FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg9ejQpF4vwDHH4z_AVzr6iJy3C8yygZ_ENpkipx18eo1ZmcblPKDFCT-fnXWkwFHcy157em1GLqAKInh0kuAOxPYFKGouMouruOrScuWCrH7m48kg47jTDyRc6Ps6jYRjyBfw/s400/boneca.JPG&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt; Esta boneca vestida com um traje típico das mulheres africanas, feita em pano, meia &lt;em&gt;collant&lt;/em&gt; e arame, faz parte do meu mundo desde Agosto de 2003.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Estávamos num passeio habitual pela Cidade Velha, na ilha de Santiago. Fiquei encantada com o colorido dos trajes, com a forma engenhosa como as bonecas tinham sido feitas. A minha tia Isabel, fluente em &lt;em&gt;wolof&lt;/em&gt;, aproximou-se da venda dos Senegaleses e iniciou o regateio do preço.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Mera espectadora de um diálogo que não conseguia entender, pude contudo pressentir o crescer de um misto de alegria e de tristeza por parte da vendedora.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Escolhi a boneca e aí a tristeza da vendedora pareceu dominar a alegria por ter feito negócio. Afectuosamente, acariciou e beijou a boneca, dizendo algo em &lt;em&gt;wolof&lt;/em&gt;. Fiquei ávida pela tradução e a minha tia disse-me que ela se tinha despedido da boneca e que lhe tinha desejado felicidades.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;A senhora tinha deixado o seu país, vendendo artesanato do Senegal na Cidade Velha, uma cidade que vive essencialmente dos turistas. Tinha a sua banca de venda, fazia pela vida, quem sabe tivesse deixado família próxima na terra-mãe. A sua tristeza foi genuína por ter de deixar ir algo que tinha sido criado nas suas mãos.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;A boneca tornou-se, naquele instante, um objecto de afecto e tem-me acompanhado por todas as cidades onde tenho vivido desde então. É um objecto de afecto por esta mulher, por África (meu continente de eleição), por mim que sou filha da diáspora e nela me encontro. Os objectos de afecto nada mais sendo do que uma concretização material de sentimentos que nos ligam a alguém, algo...&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Maggs&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2008/05/objectos-de-afecto.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg9ejQpF4vwDHH4z_AVzr6iJy3C8yygZ_ENpkipx18eo1ZmcblPKDFCT-fnXWkwFHcy157em1GLqAKInh0kuAOxPYFKGouMouruOrScuWCrH7m48kg47jTDyRc6Ps6jYRjyBfw/s72-c/boneca.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-36763501.post-3987249814320985016</guid><pubDate>Fri, 16 May 2008 15:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-10T21:00:23.508-05:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Made in USA</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Sãozinha Fonseca-Fragoso</category><title>Prosperidade</title><description>&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVD4-Ypmf2zG0uEpQp4gcPXIQdFI9aNgfwX7mGFyUqQmV3-KK1Fy8kPVjs7Gh2cQMkRmiNNt7zzeeYecFe7k4ZoXu3LuB4HmKWdyiKu_egTd2baj0DbIiLdqHNvyzxxSSuXY8/s1600-h/Prospect.jpg&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5200992687099389506&quot; style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVD4-Ypmf2zG0uEpQp4gcPXIQdFI9aNgfwX7mGFyUqQmV3-KK1Fy8kPVjs7Gh2cQMkRmiNNt7zzeeYecFe7k4ZoXu3LuB4HmKWdyiKu_egTd2baj0DbIiLdqHNvyzxxSSuXY8/s400/Prospect.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Prospect&lt;/em&gt;, ainda um cachorrinho &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&quot;Prospect, for prosperity&quot;, foi assim que o meu irmão e a minha cunhada justificaram o nome dado ao cão que faz parte da família há quase um ano. Pertence a uma raça que me causa grandes dissabores quando tento dizê-lo: &lt;a href=&quot;http://en.wikipedia.org/wiki/Dachshund&quot;&gt;dachshund&lt;/a&gt;. Lá me vão educando sobre as características desta raça, sendo a sexta preferida pelos norte-americanos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Tem um porte um tanto ou quanto felino que contrasta com o seu tamanho pequeno. Olha nos olhos das pessoas e é muito atento, especialmente quando a comida está presente. Se estamos em divisões diferentes da casa, gosta de ir &quot;controlando&quot; onde cada um está, não vá perder um. Agora mesmo, decidiu que queria dar uma soneca. Aproximou-se de mim, saltou para o meu colo e está num sono solto enquanto escrevo estas linhas sobre ele.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Nunca fui grande fã de caninos mas este conseguiu cativar-me. Como diz o meu irmão &quot;Ele olha nos olhos das pessoas!&quot;. Não há maneira de resistir a esse olhar...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Já me abandonou... É que aqui chegou o cheiro a almoço!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Maggs&lt;/div&gt;</description><link>http://maggyfragoso.blogspot.com/2008/05/prosperidade.html</link><author>noreply@blogger.com (Maggy Fragoso)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVD4-Ypmf2zG0uEpQp4gcPXIQdFI9aNgfwX7mGFyUqQmV3-KK1Fy8kPVjs7Gh2cQMkRmiNNt7zzeeYecFe7k4ZoXu3LuB4HmKWdyiKu_egTd2baj0DbIiLdqHNvyzxxSSuXY8/s72-c/Prospect.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item></channel></rss>