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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/atom10full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" gd:etag="W/&quot;C0cHQng7fCp7ImA9WhRaFE8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2057362036153260518</id><updated>2012-02-16T19:37:13.604Z</updated><category term="Viagens" /><category term="Música" /><category term="Autocarros (e Eléctricos)" /><category term="São Carlos" /><category term="Livros" /><category term="Pensamentos" /><category term="Ensino" /><category term="Sociedade" /><category term="Receitas" /><category term="Transportes" /><category term="Irritações" /><category term="Curiosidades" /><title>Divagações sobre tudo e sobre nada</title><subtitle type="html">Uma colecção de pensamentos que me passam pela cabeça, de partilha de experiências do dia-a-dia, ou simplesmente um espaço para dizer o que calhar.</subtitle><link rel="http://schemas.google.com/g/2005#feed" type="application/atom+xml" href="http://lcfilipe.blogspot.com/feeds/posts/default" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://lcfilipe.blogspot.com/" /><link rel="next" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false&amp;v=2" /><author><name>Luís</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06674121479021105213</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><generator version="7.00" uri="http://www.blogger.com">Blogger</generator><openSearch:totalResults>384</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/atom+xml" href="http://feeds.feedburner.com/blogspot/yyLir" /><feedburner:info uri="blogspot/yylir" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><entry gd:etag="W/&quot;A0cERHcyfSp7ImA9WhRbFk8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2057362036153260518.post-8144408369454334574</id><published>2012-02-07T15:36:00.001Z</published><updated>2012-02-07T15:36:45.995Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-07T15:36:45.995Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pensamentos" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Transportes" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sociedade" /><title>E já agora informação... correcta?</title><content type="html">&lt;p&gt;Um dos maiores investimentos feitos na área dos transportes públicos nos últimos anos, se não a nível financeiro pelo menos a nível de dimensão e visibilidade, tem sido na área da informação ao público.  Comparando com há quinze anos atrás, a quantidade de informação disponível em qualquer paragem de autocarro ou estação de Metropolitano é abstrusamente superior &amp;ndash; e ainda bem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que parece ter escapado a quem implementou estes projectos foi a questão da manutenção.  As redes de transportes não são imutáveis em quase nenhuma dimensão, pelo que toda a informação disponibilizada tem necessariamente de ser actualizada com regularidade &amp;ndash; sob pena de o feitiço se voltar contra o feiticeiro e a informação errada disponibilizada penalizar a imagem da empresa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O problema não é exclusivo das empresas de transportes, note-se.  O que por aí mais abunda são sites de organismos sérios e respeitáveis que não são actualizados desde o tempo da Maria Cachucha.  Nalguns casos trata-se de informação que é completamente impensável deixar desactualizar &amp;ndash; sites com legislação, por exemplo &amp;ndash;, noutros temos empresas que nos mandam contactá-las para endereços de e-mail que não existem.  Noutros casos ainda o utilizador pode questionar-se se os problemas não são deliberados, como os formulários de contacto no site do Público que aparentemente não dão para contactar ninguém...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas voltemos aos transportes.  Sugiro ao leitor com espírito crítico que tente orientar-se numa estação de Metropolitano com base nas informações que lá aparecem.  Alguns exemplos interessantes: em Alvalade, há indicações de saídas para a Avenida dos Estados Unidos da América; em São Sebastião, num dos extremos do cais junto à saída principal que tem uma galeria para o El Corte Inglés está uma seta a mandar-nos para a outra ponta da estação se quisermos ir para esses armazéns; no Rossio, há o cuidado de fechar todas as noites umas escadas que vão dar exactamente ao mesmo sítio que as que ficam abertas, alegando que o átrio está fechado.  Mas o &lt;i&gt;tour de force&lt;/i&gt; é mesmo sair da Linha Amarela no Saldanha e tentar chegar à Linha Vermelha seguindo as setas.  O leitor descobrirá &amp;ndash; como todos os utentes ocasionais da estação descobrem &amp;ndash; que rapidamente se entra em ciclo, até que o desespero ganha e o infeliz resolve ir por um corredor não identificado que leva exactamente onde se quer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro exercício interessante, e este agora mais directamente ligado à questão da actualização da informação, é tentar apanhar um autocarro com base na informação afixada nas estações de Metropolitano.  Desafio o leitor a verificar que 90% das carreiras indicadas já não existem (muitas nem nunca existiram) e que pelo menos metade das paragens não estão no local assinalado (e em geral nem nunca estiveram).  Particularmente curioso é o caso das paragens da Morais Soares, que estão todas erradas nos mapas afixados na estação que serve a rua (Arroios) mas correctas nas duas adjacentes (Alameda e Anjos).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo fontes do Metropolitano, a culpa é da Carris que muda os autocarros e não os avisa.  Segue a norma portuguesa de culpar alguém e não resolver o problema; objectivamente, dois dias bastavam para fazer o levantamento do que está correcto e do que está incorrecto e corrigir.  A justificação também não explica, incidentalmente, como é que o Metropolitano conseguiu afixar informação que &lt;i&gt;nunca&lt;/i&gt; esteve correcta...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais difícil de culpar noutros é a indicação dos tempos de espera pelos comboios.  Inicialmente publicado em Julho de 2010, o quadro nunca foi alterado &amp;ndash; o que é curioso, já que no decurso de 2011 o Metropolitano fez reduções de oferta em todas as linhas.  Igualmente curioso é o facto de, segundo o mesmo quadro, só haver frequências a partir das 7h30, quando o serviço se inicia às 6h30; mas aí a razão é provavelmente não assustar, já que é frequente esperar-se um quarto de hora pelo Metropolitano nesse período.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Infelizmente, a reacção típica do português a este tipo de críticas é sempre a mesma: isso não é importante.  Claro que era importante quando se fizeram as campanhas a dizer de como a empresa X agora tinha uma informação toda xpto (que nunca ninguém sequer se apercebeu que estava toda errada ou, na melhor das hipóteses, incompleta).  Infelizmente, neste país ainda poucos percebem que esse tipo de pormenores é sempre reflexo de outros problemas organizacionais mais profundos &amp;ndash; e uma empresa que se desleixa em questões aparentemente insignificantes também acaba sempre por se desleixar nas que não o são.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A outra questão, mas essa os entendidos também desmentem sempre, é o efeito negativo na imagem.  Informação errada acaba sempre por funcionar exactamente ao contrário do que é suposto.  Já várias vezes desisti de esperar pelo autocarro porque o painel indicava 25 minutos até vir o próximo &amp;ndash; para ser ultrapassado um quarteirão depois.  E a Carris espantou-se muito a dada altura por não haver quase passageiros no 706 ao fim-de-semana e aparentemente ninguém fez a associação ao facto de terem afixado horários errados em todas as paragens a dizer que a carreira não circulava.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez um dia as pessoas comecem a ganhar consciência da importância destas &amp;ldquo;pequenas&amp;rdquo; questões.  Talvez um dia deixemos, como povo, de investir mais na culpabilização do que na resolução dos problemas.  E talvez nesse dia consigamos começar a perder a triste fama que vamos tendo lá fora e o nosso complexo de inferioridade em relação aos outros países da Europa.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-8144408369454334574?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sJ_9ONkwpzS_Ij92_X-XHf6VQHs/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sJ_9ONkwpzS_Ij92_X-XHf6VQHs/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/yyLir/~4/4aWHHsfQB9c" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://lcfilipe.blogspot.com/feeds/265606565550993409/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2057362036153260518&amp;postID=265606565550993409" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/265606565550993409?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/265606565550993409?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/yyLir/~3/4aWHHsfQB9c/como-vender-mal-o-seu-trabalho-iii.html" title="Como vender mal o seu trabalho (III)" /><author><name>Luís</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06674121479021105213</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://lcfilipe.blogspot.com/2012/01/como-vender-mal-o-seu-trabalho-iii.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEcGRHY5fCp7ImA9WhRVEkw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2057362036153260518.post-3855255156507284000</id><published>2012-01-10T16:13:00.002Z</published><updated>2012-01-10T16:13:45.824Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-10T16:13:45.824Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sociedade" /><title>Como vender mal o seu trabalho (II)</title><content type="html">&lt;p&gt;Há uns anos atrás, quando eu estava a viver na Holanda, um amigo sugeriu que fosse com ele à Feira das Colecções no Mercado da Ribeira, já que lhe tinha parecido que poderia encontrar complementos à minha então não tão vasta colecção de parafernália relacionada com a Carris.  Assim, nas férias seguintes lá me organizei para me levantar de madrugada num domingo e fomos os dois à aventura.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por entre as dezenas de bancas, uma vendia uma planta de Lisboa dos anos cinquenta com as carreiras de autocarros e eléctricos assinaladas.  (Hoje tenho umas dez semelhantes, mas esta foi a primeira.)  Aproveitei para perguntar ao senhor se tinha mais coisas do estilo, concretamente &amp;ndash; o meu interesse prioritário &amp;ndash; guias informativos.  (Mais uma vez, hoje a minha colecção já inclui bastantes representantes dos anos cinquenta e sessenta, mas na altura o mais antigo que eu tinha era de 1974.)  O senhor chamou o filho, que olhou com um ar completamente desinteressado:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Guias da Carris?  Ah, sim, tenho lá disso aos pontapés.  Dois ou três caixotes cheios, é só procurar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esforcei-me por ignorar o ar enfastidiado do senhor e lá consegui combinar que na semana seguinte ele levaria um dos tais caixotes para eu ver.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No domingo seguinte voltei a madrugar e dirigi-me de novo com o meu amigo (que se na altura houvesse troikas e agências de rating teria necessitado de um plano de resgate maior do que a Grécia depois da despesa em selos que fez por me acompanhar) ao Mercado da Ribeira.  Cheguei à dita banca com o coração a 240 pulsações por minuto, depois de uma noite quase em branco perante a perspectiva de triplicar a minha então reduzida colecção de guias da Carris.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Ah, sim, trouxe estes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E mostrou-me a espantosa quantidade de dois &amp;ndash; sim, dois &amp;ndash; guias da Carris.  Mais propriamente, um guia e uma planta-roteiro, respectivamente de 1974 e 1979, e que faziam ambos parte da minha colecção desde sempre.  (Mais propriamente: a minha colecção começou quando o meu avô me ofereceu um guia antigo que lá tinha por casa, que era precisamente de 1974; a primeira planta-roteiro de 1979 apareceu já não sei de onde, mas também faz parte do espólio desde o início dos anos noventa.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escusado será dizer que fiquei fulo, para além de desiludido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Ah, dava muito trabalho trazer o caixote todo.  Se quiser para a semana trago mais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Só que na semana seguinte eu já estava na Holanda &amp;ndash; e depois dum balde de água fria daqueles fiquem sem vontade de voltar a comprar fosse o que fosse ao senhor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No passado domingo, voltei à Feira das Colecções no Mercado da Ribeira.  Nos quase dez anos que passaram, a feira modificou-se e desdiversificou-se; enquanto há dez anos metade das barracas poderiam ser categorizadas como &amp;ldquo;tralha diversa&amp;rdquo;, actualmente metade são de moedas, outra metade de selos, uma terceira metade de postais &amp;ndash; e sobra uma única barraca a vender quinquilharia diversa.  (E para os mais distraídos, a parte das três metades é intencional.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No meio da quinquilharia estava um Guia Informativo do Serviço de Comboios do Ano da Graça de 1956.  Animado com a descoberta, tentei falar com o senhor da banca &amp;ndash; e tive um &lt;i&gt;déjà vu&lt;/i&gt;.  Depois de uns bons dez minutos a tentar obter atenção enquanto o senhor conversava sobre tretas diversas com gente que não lhe ia comprar nada, lá consegui que me dirigisse a palavra.  Quando disse o que queria, a resposta foi:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Ah, sim, guias da Carris.  Tenho disso aos pontapés.  Se fizer muita questão e se insistir mesmo muito, posso fazer o especial favor de lhe vender os repetidos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(Ok, não foi textualmente isto que o senhor disse, mas testemunhas oculares poderão afiançar que foi este o sentido por trás das palavras que foram proferidas.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A muito custo lá consegui que o senhor condescendesse a receber o meu contacto e a lista dos anos que me interessam para ver o que é que tinha, da infindável colecção de guias editados desde os anos trinta que lá andam por casa.  (Alguns devem ser mesmo &lt;i&gt;muito&lt;/i&gt; raros, já que a Carris só os começou a editar em 1949.)  Deu-me uma morada e disse para passar por lá um dia desta semana, entre as 15h e as 19h, que ele estava lá e os caixotes também.  Disse-lhe que na segunda me era impossível, mas que podia passar por lá na terça-feira logo às 15h; ficámos combinados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje tentei ir lá, embora sem grande convicção.  Bati à porta às 15h10 e esperei.  Não apareceu ninguém.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda bem que estamos em crise.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-3855255156507284000?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Toda a gente comenta, toda a gente critica; e poucos são os que olham para além do sensacionalismo e tentam fazer uma análise minimamente séria do valor (ou não) da peça.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para começar, olhemos para os jornalistas envolvidos na preparação da peça.  Contrariamente aos inquiridos, não foram apanhados de surpresa e não tiveram de responder a quente a uma série de perguntas; prepararam-nas (imagina-se) com tempo e em equipa.  Ainda assim, espanto dos espantos, uma das alegadas perguntas demonstra ignorância crassa &lt;i&gt;de quem a faz&lt;/i&gt;.  &amp;ldquo;Qual é o símbolo químico da água?&amp;rdquo;  Como qualquer químico dirá, a água não tem símbolo químico; tem fórmula química.  A diferença entre os dois conceitos é cultura geral.  E quem tem telhados de vidro...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em segundo lugar, há a representatividade da amostra.  Supostamente foram entrevistados cem alunos, mas no vídeo aparecem sempre os mesmos cinco ou seis.  Ou seja: cinco por cento dos entrevistados são completamente ignorantes.  Então e noutras classes sociais será que a percentagem não é muito mais elevada?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em terceiro lugar, há a questão da escolha das perguntas.  O que se entende por cultura geral varia imenso consoante as modas e o grupo social.  Eu considero-me uma pessoa com cultura geral média; façam-me uma pergunta de futebol ou de música popular e conseguem fazer o vídeo inteiro só com a minha pessoa.  Não sei o nome de metade dos ministros portugueses actuais; e se me perguntarem a quente provavelmente não me lembro de muitas das figuras públicas que por aí andam.  É que é completamente diferente perguntar a alguém quem era o presidente português em 1992 ou quem é o Mário Soares.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em quarto lugar (e esta vai ofender muita gente) o nível dos alunos é reflexo da qualidade dos professores.  Deixem-se de tretas.  Se fizerem uma reportagem semelhante tendo como base cem &lt;i&gt;professores&lt;/i&gt; universitários conseguirão encontrar cinco ou seis igualmente ignorantes.  Assim de repente, vêm-me à cabeça o catedrático de Informática que diz que é impossível fazer uma página web que funcione com qualquer browser (e qualquer adolescente sabe que isto não é verdade, logo é cultura geral); meia dúzia de adeptos das formas verbais &amp;ldquo;hadem&amp;rdquo; e &amp;ldquo;hades&amp;rdquo;, para não falar da centena que usa regularmente &amp;ldquo;houveram&amp;rdquo; (e se a língua materna não é cultura geral, então o que é que é?); e tenho dúvidas que o sucesso em perguntas de bandas rock do século XXI fosse além dos 20%.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fora de brincadeiras, eu &lt;i&gt;dou&lt;/i&gt; aulas no Ensino Superior.  Conheço bem os alunos e conheço bem os professores.  Sim, também já encontrei um aluno que achava que o Ramalho Eanes era o General Sem Medo e que tinha morrido no desastre de avião que vitimou os Mamonas Assassinas.  (Não é exagero, é textual.)  E tive de parar a aula durante dez minutos porque os outros vinte alunos na sala tiveram de ser reanimados pelo 112.  (Essa parte é exagero, mas estavam tão escandalizados como eu com a falta de cultura geral.)  Não acho que os alunos actuais tenham menos cultura geral do que os do meu tempo, e já lá vão quinze anos; acho é que quem lê e comenta estas notícias se esquece que nem todas as pessoas eram iguais a si.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Da mesma forma que conheço e respeito os meus colegas e ex-colegas, admiro muitos deles e uso-os como inspiração.  Mas também há &amp;ndash; e lá entramos na tal proporção dos cinco em cem &amp;ndash; pessoas que eu ouço a falar e tenho de arranhar o tampo da mesa para não gritar ou começar a atirar coisas.  Há pessoas que fazem perguntas em seminários que fariam um aluno de primeiro ano perder-lhes todo o respeito.  E todos nós temos histórias daqueles professores que diziam coisas que nos fazia perguntar-nos como é que eram professores universitários.  (E porque é que alguns deles têm emprego e eu não.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dizer mal está na moda e a geração a seguir é sempre mais burra que a anterior, pelo menos aos olhos de quem avalia.  Criticar os outros é sempre agradável &amp;ndash; só que muitos dos que criticam esquecem-se dos telhados de vidro que têm e, nalguns casos, da responsabilidade que têm naquilo que estão a criticar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-354001442814954760?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Os títulos &amp;ndash; &amp;ldquo;Carris elimina 22 carreiras&amp;rdquo; e análogos &amp;ndash; eram bastante inequívocos; um publicou mesmo uma notícia com título &amp;ldquo;As 50 carreiras que vão mudar na Carris&amp;rdquo;, seguido de uma listagem onde curiosamente figuravam duas carreiras duplicadas (levando por tanto o total a 48).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Bloco de Esquerda veio já criticar &amp;ldquo;o fim do serviço nocturno em Lisboa&amp;rdquo;.  O PCP disse que estas medidas equivaliam a decretar um &amp;ldquo;recolher obrigatório&amp;rdquo; em Lisboa.  O PS pediu esclarecimentos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E é tudo mentira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O jornalismo actual caracteriza-se por uma busca incessante de sensacionalismo especulativo sem qualquer preocupação de rigor ou qualidade informativa.  A preocupação máxima é contribuir para o descontentamento social e insatisfação pública, sem qualquer preocupação moral ou responsabilidade cívica.  Estas notícias são o exemplo de como se exagera desmesuradamente os factos e se cria uma mini-revolução com base em nada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vamos então aos factos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Governo nomeou um grupo de trabalho independente para estudar a situação dos transportes públicos de Lisboa e Porto e propor medidas de restruturação dos mesmos com o intuito de reduzir custos.  O dito grupo de trabalho elaborou um documento inicial &amp;ndash; que se bem percebi nem é uma proposta, mas sim uma base de trabalho &amp;ndash; que por razões misteriosas veio a público &amp;ndash; provavelmente porque alguém quando consultado entendeu que era mais proveitoso divulgá-lo com grande escândalo do que apontar com seriedade o que entendesse serem problemas &amp;ndash; e passou imediatamente a &amp;ldquo;o que vai acontecer&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que ninguém se lembrou de dizer &amp;ndash; e isto descobri porque entretanto o documento original está na net e qualquer um o pode consultar &amp;ndash; é que metade das medidas propostas para a Carris são para entrar em vigor &lt;i&gt;depois&lt;/i&gt; do prolongamento da linha de metropolitano ao Aeroporto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É mentira que o projecto venha da Carris, que aliás já se manifestou contra algumas das medidas propostas, como o aumento das horas de trabalho dos motoristas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É mentira que o projecto contemple o fim do serviço nocturno em Lisboa: o que está em discussão é o fim da Rede da Madrugada e sua substituição pelo alargamento do horário das carreiras regulares.  A segunda parte foi convenientemente esquecida, juntamente com o facto de os motoristas da Rede da Madrugada andarem muitas vezes a passear-se por Lisboa em autocarros vazios.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A situação faz lembrar o que se passou há cinco anos atrás, quando o Diário de Notícias lançou uma campanha completamente desonesta e incompreensível contra a &amp;rdquo;Rede 7&amp;rdquo;, com títulos como &amp;ldquo;Há bairros que ficam sem transporte&amp;rdquo; que eram desmentidos pela lista de alterações que o mesmo jornal publicava noutra página.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E também todos se parecem esquecer da quantidade de projectos da Carris (e esses sim, mesmo da Carris) que nunca chegaram a ver a luz do dia.  Exemplos?  O eléctrico rápido entre Santa Apolónia e Belém (1995); o eléctrico rápido entre Algés e Loures (2004); a supressão da carreira 79 (2006); o prolongamento do 58 à Damaia (2000); a divisão do 27 e do 32 em duas carreiras cada (1992); o encurtamento do 50 ao Campo Grande (1993); o encurtamento do 28 a Belém (1993); e a lista poderia continuar por muitas e longas páginas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Toda a gente anda muito incomodada com a crise e o papel dos sucessivos Governos que temos tido na sua génese e desenrolar.  Toda a gente está muito ofendida com os lucros da banca que nos suga o tutano num aproveitamento ilícito (?) dos empréstimos que aparentemente somos obrigados a fazer (?).  Mas até hoje nunca ouvi ninguém questionar os salários milionários de alguns jornalistas da RTP, que chegam a ser o triplo dos de alguns gestores públicos, ou a incompetência e desonestidade total duma classe jornalística que, para mim, é tão ou mais responsável pelo estado das coisas &amp;ndash; e principalmente &lt;i&gt;pela nossa percepção&lt;/i&gt; do estado das coisas como todos os outros nomeados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No dia em que tivermos jornalistas sérios o nosso país estará muito melhor.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-5119064402147342002?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Assistir à apresentação dela foi um momento especial, já que vi uma pessoa que quatro anos antes tinha medo de falar com duas pessoas ao mesmo tempo enfrentar uma audiência de umas dezenas de pessoas sem se deixar intimidar &amp;ndash; e não deixei de a felicitar por isso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como entretanto éramos os dois retornados por uma semana (ela tinha ido trabalhar para a Nova Zelândia seis meses antes), combinámos uns dias mais tarde ir dar uma volta de bicicleta para pôr a conversa em dia e rever os sítios por onde costumávamos mover-nos.  A páginas tantas, ela perguntou-me o que é que eu tinha achado da apresentação.  Eu já lhe tinha dado os parabéns no dia do doutoramento, naquela altura achei importante dar-lhe para além disso duas ou três indicações de coisas que ela poderia trabalhar para fazer apresentações ainda melhores de futuro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ela olhou para mim e, meio a rir, meio a sério, perguntou-me:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Mas foi assim tão mau?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu fiquei espantadíssimo e disse que não, que tinha sido óptimo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; É que agora de repente assustei-me com tanta crítica e fiquei a pensar se terias detestado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A queixa que eu mais ouço de toda a gente à minha volta é do meu exagerado sentido crítico e da minha forma por vezes pouco simpática de dizer o que tenho a dizer.  A minha colega já me conhecia e percebeu quando eu lhe disse o que para mim era óbvio: sendo ela uma pessoa com pânico de falar em público e tendo sido aprovado nas provas, não tinha quaisquer dúvidas que ela sabia que tinha corrido bem.  Já lhe tendo eu dado os parabéns, achava que ela já não tinha dúvidas de que eu tinha gostado.  Mas a vida profissional dela estava a começar e não a acabar; e antes de nos despedirmos achei importante dizer-lhe o que é que ela poderia melhorar, para que da próxima vez que eu a ouvisse fosse ainda melhor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É esta necessidade de melhoria contínua que faz muita mossa a muita gente.  E contudo parece ser uma fórmula para o sucesso.  Durante os vários anos que cantei em coros, assiti a autênticas montanhas-russas de qualidade sempre numa repetição do mesmo padrão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O coro está mau.  O maestro dá um sermão.  O coro começa a trabalhar, começa a obter resultados, começa a fazer concertos melhores, a ter boas críticas e a gravar bons discos.  O coro começa a gostar da bajulação e começa a ter uma atitude interna de reforço positivo: nós somos muito bons, somos melhores que toda a gente, todos nos acham fabulosos.  As pessoas do coro começam a baldar-se aos ensaios e a concentrar-se menos porque são tão fabulosos que já não precisam de trabalhar.  A qualidade baixa mas ninguém liga às críticas, porque o coro é tão bom que os comentários são só resultado de inveja.  O coro acaba sem ninguém perceber muito bem porquê.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E isto é a história do nosso país.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando alguma coisa corre mal, a nossa maior preocupação é justificarmo-nos.  Eu contra mim falo.  Quando alguém me aponta alguma falha eu tenho sempre três respostas prontas e consigo sempre perceber exactamente porque é que aquele algo correu mal.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas isso não interessa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os anos que vivi no estrangeiro (um nos Estados Unidos, três na Holanda) e o contacto que tive com algumas das pessoas que mais me marcaram fez-me perceber que quem nos elogia está a dar-nos massagens ao ego, quem nos critica está a dar-nos &lt;i&gt;duas&lt;/i&gt; demonstrações de consideração.  Primeiro, acredita que somos capazes de fazer melhor &amp;ndash; se não não se dava ao trabalho de criticar.  Segundo, acredita que vale a pena perder tempo a fazer-nos essa crítica.  E, contrariamente aos elogios, normalmente não é difícil perceber se uma crítica é sincera ou não.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há um ano e tal tive oportunidade de sentir (bem) na pele os efeitos desta forma de pensar.  Fui fazer um curso de ópera em que o objectivo final era apresentar uma ópera em palco.  Durante os quinze dias de ensaio, a todas as minhas inseguranças recebi reafirmações das pessoas à minha volta de que estava tudo muito bem e que não tinha de me preocupar.  Até que chegou o dia do ensaio geral e o meu professor foi assistir.  Quando terminámos o primeiro acto, apanhou-me à saída do palco e deu-me uma descompostura tal que ainda hoje tenho vergonha de pensar nisso.  Quem ouviu ficou de boca aberta porque não havia pior altura para dizer aquelas coisas, e ainda por cima daquela forma.  E quinze minutos depois entrámos em cena outra vez.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando começou o segundo acto, eu percebi duas coisas.  Primeiro, que contrariamente ao que toda a gente me tinha estado a dizer, &lt;i&gt;não&lt;/i&gt; estava tudo bem.  Segundo, que contrariamente ao que se tinha passado nos quinze dias anteriores, pela primeira vez eu tinha indicações concretas do que é que não estava bem e de o que é que eu tinha que fazer para o melhorar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No final do ensaio, o meu professor veio ter comigo com um ar menos furioso e começou: &amp;ldquo;Está melhor, mas&amp;rdquo; &amp;ndash; e deixou mais uma lista de coisas para eu reflectir até às récitas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E no dia da última récita, quando eu saí de palco e já não havia mais nada a fazer naquele trabalho, veio ter comigo e deu-me os parabéns.  Quando meses mais tarde tive finalmente coragem de ir ver a gravação percebi que foi a primeira vez na vida que a minha prestação em palco esteve ao nível do máximo que eu sou capaz de dar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E quando recomeçámos as aulas dois meses mais tarde pegámos no que ainda não estava bem para continuar a trabalhar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É este processo que faz com que eu afirme &amp;ndash; para grande escândalo de muitos &amp;ndash; que sei que sou bom no que faço e melhor do que a maioria.  Não fico a defender-me do que corre mal e a deliciar-me com o que corre bem; tenho prazer nos meus sucessos &amp;ndash; nada me dá mais satisfação do que chegar ao fim do semestre e começar a reconhecer as minhas influências nos exames dos meus alunos; ou vir alguém muito espantado ter comigo porque a turma que tinha aulas práticas comigo teve uma taxa de aprovação acima de 90% e média de 16 no resultado dos alunos (já aconteceu mais do que uma vez); ou vir um aluno ter comigo ou mandar-me um mail a agradecer por eu ter puxado por ele porque finalmente conseguiu superar problemas a que achava que nunca iria dar a volta &amp;ndash;; mas tenho também a preocupação de analisar tudo o que aconteceu para perceber o que é que eu posso fazer de diferente para que da próxima vez corra ainda melhor.  Porque há sempre uma próxima vez.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E se por causa disso as pessoas gostam menos de mim, problema delas.  Por norma, as pessoas inteligentes que trabalham comigo gostam; mas a minha preocupação não é ganhar concursos de popularidade.  Já vi demasiados professores deixarem a qualidade do seu trabalho deteriorar-se para serem fixes e se darem bem com os alunos; os meus alunos podem odiar-me, mas nenhum pode com justiça acusar-me de incompetência.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E no dia em que este país perceber que é este o caminho certo, muitos problemas de que nos queixamos tanto deixarão de existir.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-4881501791167194963?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/6H4zKsC4zupAmTe887H8X9XfsnU/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/6H4zKsC4zupAmTe887H8X9XfsnU/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/yyLir/~4/flIv3IsT1cA" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://lcfilipe.blogspot.com/feeds/2974068706677430929/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2057362036153260518&amp;postID=2974068706677430929" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/2974068706677430929?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/2974068706677430929?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/yyLir/~3/flIv3IsT1cA/feios-porcos-e-maus.html" title="Feios, porcos e maus" /><author><name>Luís</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06674121479021105213</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://lcfilipe.blogspot.com/2011/10/feios-porcos-e-maus.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUUGSXoyfSp7ImA9WhdUGEk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2057362036153260518.post-927964263003966032</id><published>2011-10-05T21:40:00.001+01:00</published><updated>2011-10-05T21:40:28.495+01:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-10-05T21:40:28.495+01:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Curiosidades" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Transportes" /><title>Falta de imaginação...</title><content type="html">&lt;p&gt;Hoje fui tomar café com uma amiga para as bandas do Restelo e passámos por uma paragem de autocarro onde estava colado o seguinte aviso.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Devido a obras no local, não é possível aceder ao quadro informativo para actualizar a informação.  Até que tal seja possível, a informação afixada nesta paragem está desactualizada.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;De facto, nas traseiras da paragem está um tapume que impossibilita o acesso aos parafusos do painel que contém a informação; e devo dizer que admiro a preocupação em justificar a desactualização da informação.  Mas não consigo deixar de me interrogar, correndo o risco de parafrasear a célebre anedota do alentejano na escada rolante:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se se deram ao trabalho de colar o aviso no vidro do painel de informações por fora, com fita-cola, porque é que não fizeram o mesmo com a informação actualizada?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-927964263003966032?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Logo na primeira página, há um subtítulo que chama a atenção: &amp;ldquo;Quinze anos depois a IBM volta a superar a Microsoft&amp;rdquo;.  Fiquei curioso.  Na página 7, uma notícia de página (quase) inteira desenvolve um título análogo.  E a primeira frase deixou-me de queixo a rasar o chão.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Pela primeira vez desde 1996, o valor de mercado da IBM fechou uma sessão com números de mercado superiores (157,5 mil milhões de euros) aos da Microsoft (158,3 mil milhões de euros) no ranking das gigantes tecnológicas.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Já nem vou comentar o português macarrónico (o valor de mercado fechou uma sessão?) da frase, uma vez que é basicamente irrelevante quando comparado com o facto matemático: 157,5 é SUPERIOR a 158,3?  Haverá alguma coisa que me está a escapar?  (Se sim, ajudem-me.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não sei qual é a especialidade jornalística do senhor Rui Alexandre Coelho, que assina o artigo, já que não parece ser nem a língua portuguesa nem a ciência financeira em geral.  E antes que me digam que estou a ser picuinhas deixem que seja bem claro: a frase que transcrevi é a única em toda a peça que supostamente sustenta (ou não) a afirmação repetida três vezes em título.  Ou seja: depois de ler o artigo fiquei a interrogar-me se não será a notícia toda simplesmente... falsa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É por estas e por outras que sou extremamente céptico quando alguém me jura a pés juntos que o facto X é verdade porque veio nos jornais.  Os jornais portugueses também publicaram notícias sobre os autocarros da Carris com tampas de acesso para deficientes, e até hoje nunca os vi (se calhar não ando o suficiente de autocarro), já para não falar da célebre praga de lagostas do deserto que há uns anos assolou a África e que da última vez que verifiquei ainda estava disponível no site da RTP.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Recordem-se destes exemplos, caros leitores, antes de criticarem os salários de alguns gestores ou o custo de determinadas obras públicas.  É que, como qualquer matemático vos explicará, tudo é consequência do facto de que 157,5 é maior do que 158,3 &amp;ndash; até o facto de eu ser um sapo cor-de-rosa que está a escrever estas linhas por telemagia numa cratera lunar.  Os mesmos jornalistas que há anos gozaram com um primeiro-ministro por não saber quanto é que é 6% do PIB divulgaram recentemente uma lista de salários escandalosos em que pelo menos um estava (acidentalmente?) multiplicado por cem; e fartaram-se de repetir que pelo preço do TGV se dava um Porsche a cada português, sem se aperceberem de que havia um &amp;ldquo;pequeno&amp;rdquo; erro de um factor de mil.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há muita coisa mal no nosso país neste momento, é certo.  A principal é a qualidade do jornalismo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-2911666100575646445?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/2foxeBVjlmExOs8tghMt97DWb0g/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/2foxeBVjlmExOs8tghMt97DWb0g/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/yyLir/~4/kpr28HuuoUg" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://lcfilipe.blogspot.com/feeds/2911666100575646445/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2057362036153260518&amp;postID=2911666100575646445" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/2911666100575646445?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/2911666100575646445?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/yyLir/~3/kpr28HuuoUg/matematica-e-informacao.html" title="Matemática e informação" /><author><name>Luís</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06674121479021105213</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://lcfilipe.blogspot.com/2011/10/matematica-e-informacao.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUUMRnw8fyp7ImA9WhdUFEo.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2057362036153260518.post-3230576006650886036</id><published>2011-10-01T14:54:00.001+01:00</published><updated>2011-10-01T14:54:47.277+01:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-10-01T14:54:47.277+01:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Transportes" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sociedade" /><title>A Câmara de Lisboa e o caos dos transportes públicos</title><content type="html">&lt;p&gt;Periodicamente, surgem nos jornais notícias sobre projectos e re-projectos de requalificação de diversas zonas da cidade promovidos pela Câmara Municipal de Lisboa.  Em todos eles, é recorrente a temática dos transportes públicos; em todos eles, é sistematicamente ignorado o aspecto fundamental desta questão &amp;ndash; o lado prático.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O tópico quente do momento é a reformulação da rede viária na zona do Arco do Cego, que prevê entre outras coisas que os autocarros da Carris passem a circular em ambos os sentidos pela Avenida João Crisóstomo.  Até aqui, parece tudo bem.  Mas agora uma perguntinha que ninguém (pelo menos nos textos que li) se lembrou de fazer: e isso é prático?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Durante mais de uma centena de anos (literalmente) as paragens de eléctricos e autocarros estiveram situadas na Avenida Duque d'Ávila.  Durante mais de metade desse período era um pouco irrelevante, já que eléctricos e autocarros constituíam a totalidade dos transportes públicos da cidade.  Em 1960 abriu o Metropolitano &amp;ndash; e uma das grandes críticas que lhe foram feitas foi o facto de a única saída da estação Saldanha ser precisamente na Avenida Duque d'Ávila e não na praça que lhe dava o nome.  A motivação?  Facilitar a ligação aos muitos eléctricos que ali cruzavam a linha.  Finalmente, em Agosto de 2009 abriu a ligação entre a Alameda e São Sebastião &amp;ndash; e a nova estação Saldanha II passou a ter uma saída mesmo em frente à antiga estação da Carris, onde se situavam quatro paragens de autocarros.  (Uma delas andou mesmo, durante as obras, provisoriamente encostada ao muro do acesso ao Metro.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E agora, de repente, todos os transportes são desviados daquele eixo para passarem a ter as paragens a um quarteirão de distância.  São só dois minutos, dir-me-ão; é porque nunca perderam um comboio por vinte segundos e tiveram de esperar vinte minutos pelo seguinte.  E para alguém com dificuldades de movimento ou simplesmente uma mala às costas os dois minutos facilmente se transformam em cinco ou dez &amp;ndash; e extremamente penosos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro exemplo gritante é a Praça do Comércio.  Aí havia também quatro paragens no passeio onde ficou situada a (única) saída da estação do Metropolitano, inaugurada em Dezembro de 2007.  Em Fevereiro de 2009 todas as paragens da praça foram deslocadas para as Ruas do Ouro e da Prata, estrategicamente equidistantes (ou equilongínquas?) das três estações de Metro mais próximas.  Já as paragens do Sul e Sueste, que desde a inauguração da estação em 1954 estavam colocadas à porta da mesma, foram provisoriamente deslocadas para lá do Campo das Cebolas em 2000 &amp;ndash; e nunca restabelecidas.  No local onde antes os autocarros paravam, assegurando transbordo em menos de um minuto, está uma linda planície de cimento, tradicionalmente portuguesa e melhorando inquantificavelmente a qualidade de vida na zona.  Pior: uma das vereadoras da Câmara Municipal chegou a propor, já este ano, que se retirassem definitivamente &lt;i&gt;todos&lt;/i&gt; os autocarros de toda a zona da Praça do Comércio, por serem feios.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há que conseguir conciliar estética e funcionalidade.  As estações de Metropolitano são lindas &amp;ndash; mas com os milhões de euros que se gastam a decorá-las o Metro podia duplicar a oferta e ainda sobrava dinheiro.  Autocarros e paragens não serão talvez a decoração mais elegante para o Rossio ou Terreiro do Paço &amp;ndash; mas &lt;i&gt;nada&lt;/i&gt; só servirá para que &lt;i&gt;ninguém&lt;/i&gt; lá vá &amp;ndash; já que não se pode estacionar lá perto.  E os desgraçados que moram na Margem Sul e trabalham em Lisboa que vão a pé do Sul e Sueste ao Rossio apanhar o autocarro &amp;ndash; ou então gastem um tempo desnecessário a percorrer os infindáveis corredores de acesso à estação Terreiro do Paço, para esperarem cinco minutos pelo Metro (se for hora de ponta), andar duas estações e sair nos Restauradores &amp;ndash; onde felizmente ainda não mudaram as paragens de autocarro para longe das saídas do Metro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Haja bom senso.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-3230576006650886036?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Pena é, contudo, que todos se preocupem mais em culpar o outro do que em olhar para o seu umbigo e perceber que, quando um país vai ao fundo, a culpa não é dum Governo ou dum partido político; é, sim, da sociedade e da mentalidade que continuamos duma forma geral a ter, que nos faz continuar ao fim destes anos todos bem na cauda da Europa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje ia a sair do metro quando uma rapariga se tentou colar a mim para passar a porta.  Uma rapariga, note-se, com bom aspecto, bem arranjada, e que duvido muito que não tivesse um euro e cinco cêntimos para comprar um bilhete.  Como fiquei parado sem a deixar passar, primeiro tentou chegar-me para o lado, depois começou a reclamar e por fim empurrou-me e fomos os dois parar ao chão.  Lá percebeu que comigo não passava mesmo &amp;ndash; e foi para a cancela do lado, onde mais uma dezena de pessoas tinha observado a cena, e colou-se a outro qualquer.  Ninguém quis saber, ninguém reclamou &amp;ndash; só eu é que ainda fiz figura de parvo.  Como de costume, havia um funcionário na estação que é pago para estar dentro da bilheteira a falar ao telefone &amp;ndash; sim, porque ao fim-de-semana se alguém lá for pedir alguma informação a resposta é que a bilheteira está fechada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Perante isto, de quem é mesmo a culpa do buraco financeiro dos transportes?  Não é só a má gestão das empresas, a incompetência dos funcionários ou o buraco na camada do ozono.  É, também, culpa dos milhares de utilizadores diários que pactuam sistematicamente com estas situações.  Se 1% dos utilizadores anda sem pagar (e no metro este valor chegou a ser de 12%), então esse custo vai ser diluído pelos que pagam; viva o aumento dos passes!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O comércio, especialmente o tradicional, é outro sector em que uma grande fatia da responsabilidade pela crise pertence aos próprios.  Já perdi a conta ao número de lojas onde deixei de ir depois de ser mal tratado.  (Cheguei a ouvir de um vendedor de gabardines: &amp;ldquo;Temos, mas não são para a sua gama de preços&amp;rdquo;.  Que raio de loja é esta, pensei para com os meus botões, que não está interessada em vender a quem ganha tão pouco como um professor universitário?)  Curiosamente, aquelas onde me tratam bem continuam todas abertas e a aguentar-se, apesar da crise e das dificuldades.  Como não tenho ilusões de receber tratamento especial, só me resta concluir que me tratam como aos outros; e que não sou o único que deixa de ir às lojas onde não se sente desejado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O meu sonho é um dia viver num país em que as pessoas reclamem menos, critiquem menos, e se preocupem mais em contribuir para o país andar para a frente.  Infelizmente, cada dia me parece mais difícil concretizar esse sonho sem emigrar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-5990056918763035538?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/u-0IDMYKwWQppx351W3O2ZSuYbE/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/u-0IDMYKwWQppx351W3O2ZSuYbE/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/u-0IDMYKwWQppx351W3O2ZSuYbE/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/u-0IDMYKwWQppx351W3O2ZSuYbE/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/yyLir/~4/wFAHcSlYcDo" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://lcfilipe.blogspot.com/feeds/3478556350549517161/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2057362036153260518&amp;postID=3478556350549517161" title="5 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/3478556350549517161?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/3478556350549517161?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/yyLir/~3/wFAHcSlYcDo/receita-caseira-de-pao-sem-gluten.html" title="Receita caseira de pão sem glúten" /><author><name>Luís</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06674121479021105213</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>5</thr:total><feedburner:origLink>http://lcfilipe.blogspot.com/2011/02/receita-caseira-de-pao-sem-gluten.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUABRXs8eSp7ImA9Wx9VEEs.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2057362036153260518.post-3602012065804415344</id><published>2011-01-26T18:45:00.003Z</published><updated>2011-01-26T18:49:14.571Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-01-26T18:49:14.571Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Irritações" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sociedade" /><title>E-mail enviado ao Provedor do Leitor do PÚBLICO</title><content type="html">&lt;p&gt;Na sequência do &lt;i&gt;post&lt;/i&gt; anterior, enviei hoje o e-mail abaixo ao Provedor do Leitor do PÚBLICO.  O site do jornal não divulga o endereço do senhor, mas disponibiliza um formulário para o contactar.  Quem também viu o dito artigo e acha a situação incorrecta é bem vindo a contactá-lo acerca do mesmo assunto.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;Exmo. Senhor&lt;br /&gt;Provedor do Leitor&lt;br /&gt;Jornal PÚBLICO&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi publicado na edição do passado domingo, dia 23 de Janeiro, no suplemento "Cidades", páginas 2 e 3, um artigo sobre a história da carreira 7 da Carris, como legenda de duas fotografias da Avenida de Roma.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O início do texto fala brevemente sobre todos os blogs que por aí existem e que falam da Avenida de Roma, para se centrar num: o blog que conta a história das carreiras de autocarros, em particular da página sobre a carreira 7.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Constatei com espanto ao ler a peça que o blog a que o texto se refere é da minha autoria, mas que não há qualquer referência nem ao título do blog ("História das Carreiras da Carris"), nem ao link (http://historiaccfl.blogspot.com/), nem ao meu nome (que pode ser facilmente obtido a partir dos links no blog).  Tão pouco fui contactado pelo autor do texto, embora o meu e-mail esteja indicado no blog.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acresce ainda que o corpo do artigo não é mais do que um resumo da história do 7, conforme contada no meu blog, contendo citações textuais sem indicação da fonte e várias expressões por mim usadas (como a do "período de decadência" da carreira).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não sei se tecnicamente esta situação se considera plágio ou não, mas é para mim uma situação extremamente desagradável.  O texto com a história do 7 demorou-me várias horas a escrever, não contando com os vários anos de pesquisa para recolher todos os dados que nela refiro (fora os que não refiro).  Várias pessoas minhas conhecidas leram o artigo, acharam que devia ser baseado no meu blog, contactaram-me para confirmar a autoria e manifestaram o seu espanto pela ausência total de referências ao meu trabalho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Achei importante trazer esta situação ao seu conhecimento na esperança de que possa dela dar conhecimento a quem de direito, por forma a evitar que se repita.  Caso entenda que não é da sua competência lidar com ela, pedia-lhe a delicadeza de me indicar a quem me devo dirigir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agradecendo desde já a atenção dispensada, despeço-me com os meus melhores cumprimentos,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;[Eu]&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-3602012065804415344?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/78B52ETA3XbNW2Q18BvwWT4AMDw/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/78B52ETA3XbNW2Q18BvwWT4AMDw/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/78B52ETA3XbNW2Q18BvwWT4AMDw/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/78B52ETA3XbNW2Q18BvwWT4AMDw/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/yyLir/~4/86L7eH70eLs" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://lcfilipe.blogspot.com/feeds/3602012065804415344/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2057362036153260518&amp;postID=3602012065804415344" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/3602012065804415344?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/3602012065804415344?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/yyLir/~3/86L7eH70eLs/e-mail-enviado-ao-provedor-do-leitor-do.html" title="E-mail enviado ao Provedor do Leitor do PÚBLICO" /><author><name>Luís</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06674121479021105213</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://lcfilipe.blogspot.com/2011/01/e-mail-enviado-ao-provedor-do-leitor-do.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A08ASHs5fip7ImA9Wx9WGU0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2057362036153260518.post-1372207762898797607</id><published>2011-01-24T22:57:00.001Z</published><updated>2011-01-24T22:57:29.526Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-01-24T22:57:29.526Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Irritações" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sociedade" /><title>Banzado não, super-banzado</title><content type="html">&lt;p&gt;Domingo à tarde, estava eu muito bem no meu &lt;i&gt;dolce far niente&lt;/i&gt; (que por acaso até era menos &lt;i&gt;niente&lt;/i&gt; do que habitual) quando recebo um sms do meu pai.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Acho que o Público de hoje cita o teu site da CARRIS.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Pouco depois, lá tive o jornal na mão.  No suplemento &amp;ldquo;Cidades&amp;rdquo;, páginas 2 e 3, duas grandes fotografias da Avenida de Roma, versão antes e depois.  A legenda falava brevemente sobre todos os blogs que por aí existem e que falam da Avenida de Roma, para se centrar num, &amp;ldquo;o que hoje nos interessa&amp;rdquo;: o blog sobre as carreiras da Carris, em particular da carreira 7.  O resto do texto era um resumo da história do 7, conforme contada no meu blog, com citações textuais e assumidamente de acordo com os dados que recolhi e &lt;a href="http://historiaccfl.blogspot.com/2010/02/7-e-7a-o-autocarro-da-avenida-de-roma.html"&gt;nesse texto&lt;/a&gt; apresentei.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Devo confessar que a primeira sensação foi de lisonja.  Senti-me gratificado por ver o meu trabalho (aliás, &lt;i&gt;hobby&lt;/i&gt;) exposto ao mundo daquela forma.  Até que me dei conta de um pormenor, não tão pormenor quanto isso: é que, embora o texto fale &amp;ldquo;do blog que conta a história dos autocarros de Lisboa&amp;rdquo;, não refere nem o nome do blog (que não é esse); nem o seu URL; nem o nome do seu autor.  E o jornalista que escreveu o texto não teve a delicadeza de me informar que ia usar o meu material, ou de me contactar a pedir autorização.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não sei se tecnicamente é plágio ou não, mas é extremamente desagradável.  A história do 7 demorou-me várias horas a escrever, não contando com os vários anos de pesquisa para recolher todos os dados que nela refiro (fora os que não refiro).  Para o jornalista deve ter sido uma festa: pagam-lhe para um artigo que deve ter sido escrito em poucos minutos.  Apesar de o blog indicar claramente o meu contacto (e-mail) e o endereço da minha página web (que tem o meu nome completo), o jornalista não achou importante pôr qualquer referência à minha pessoa.  Resultado?  Os meus pais leram ambos o artigo; a minha mãe nem percebeu que se referia ao meu blog, o meu pai só suspeitou porque achou muito improvável que houvesse mais alguém com o mesmo tipo de loucura.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Viva o jornalismo a sério.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-1372207762898797607?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/YCsqz7H5oWkpGXUiqjMsJLipFoY/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/YCsqz7H5oWkpGXUiqjMsJLipFoY/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/YCsqz7H5oWkpGXUiqjMsJLipFoY/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/YCsqz7H5oWkpGXUiqjMsJLipFoY/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/yyLir/~4/jEunRiX2-QA" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://lcfilipe.blogspot.com/feeds/1372207762898797607/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2057362036153260518&amp;postID=1372207762898797607" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/1372207762898797607?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/1372207762898797607?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/yyLir/~3/jEunRiX2-QA/banzado-nao-super-banzado.html" title="Banzado não, super-banzado" /><author><name>Luís</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06674121479021105213</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://lcfilipe.blogspot.com/2011/01/banzado-nao-super-banzado.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0YBQX45eSp7ImA9Wx9WF0U.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2057362036153260518.post-733557140468316292</id><published>2011-01-22T14:09:00.002Z</published><updated>2011-01-23T11:12:30.021Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-01-23T11:12:30.021Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Irritações" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sociedade" /><title>No país da ignorância matemática</title><content type="html">&lt;p&gt;No final da semana passada, veio a notícia bombástica: afinal o desconto nos vencimentos dos funcionários públicos não era no máximo de 10%, como fora noticiado, mas o Governo tinha criado subrepticiamente uma taxa inexplicável de 16%.  Houve escândalo, sindicatos aos berros &amp;ndash; e eu ouvi a notícia e fiquei a cismar se serei o único português que é capaz de ouvir as notícias e fazer as contas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando os cortes nos vencimentos foram anunciados, a informação era clara: até aos 2000 euros por mês o desconto é de 3,5%; acima dos 4165 o desconto é de 10%; e no segmento intermédio cresce linearmente.  Em termos matemáticos, determinar o desconto é um exercício de Análise elementar (entenda-se: que deveria estar ao alcance dum aluno do ensino secundário).  A saber: o desconto D é uma função do vencimento ilíquido V que satisfaz as seguintes condições:&lt;/p&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;D(V) = 0.035 V, para V &amp;lt; 2000;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;D(V) = 0.1 V, para V &amp;gt; 4165;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;D(V) é linear em [2000,4165], ou seja, D(V) = aV+b para determinados valores de a e b;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;D(V) é uma função contínua, ou seja, ambas as fórmulas de cálculo para V=2000 e V=4165 devem coincidir.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;Da última condição obtemos 2000a+b = 70 e 4165a+b=416,5.  Subtraindo a primeira equação à segunda obtemos 2165a = 346,5, donde a=0,16 (os tais 16%); substituindo este valor na primeira equação obtém-se 320+b = 70, donde b=-250.  Obtemos portanto, para vencimentos ilíquidos entre os 2000 e os 4165 euros, a expressão D(V)=0,16V-250 ou, equivalentemente,&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;D(V)=0,16(V-2000)+0,035&amp;times;2000.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Esta última corresponde à &amp;ldquo;misteriosa&amp;rdquo; fórmula que, segundo as notícias, os serviços financeiros das instituições públicas não conseguem aplicar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É deprimente, e não é só pelo dinheiro em falta ao fim do mês.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-733557140468316292?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/WU1tPosTjXufm3J8k_YlwKFG0K8/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/WU1tPosTjXufm3J8k_YlwKFG0K8/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
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&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/DTBuwprvqtdTLemAcxixBOjWfTI/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/DTBuwprvqtdTLemAcxixBOjWfTI/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/blogspot/yyLir/~4/WHSCdXbz4yA" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://lcfilipe.blogspot.com/feeds/249277036172127977/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2057362036153260518&amp;postID=249277036172127977" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/249277036172127977?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2057362036153260518/posts/default/249277036172127977?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/yyLir/~3/WHSCdXbz4yA/ano-e-meio-depois.html" title="Ano e meio depois..." /><author><name>Luís</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06674121479021105213</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://lcfilipe.blogspot.com/2011/01/ano-e-meio-depois.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0UNQXo6cSp7ImA9Wx9SE00.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2057362036153260518.post-4689705482254272587</id><published>2010-12-02T17:01:00.001Z</published><updated>2010-12-02T17:01:30.419Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-12-02T17:01:30.419Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Irritações" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Transportes" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sociedade" /><title>A difícil semântica da unicidade</title><content type="html">&lt;p&gt;Paço d'Arcos, cinco da tarde.  Fim do mês, dia ideal para comprar o passe.  Na bilheteira 3, está afixado um cartaz gritando aos clientes&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;FILA ÚNICA. OBRIGADO.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Na bilheteira 1, está afixado outro cartaz gritando aos clientes&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;FILA ÚNICA. OBRIGADO.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;A bilheteira 2 está fechada, mas por detrás das grades lê-se perfeitamente um cartaz apregoando&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;FILA ÚNICA. OBRIGADO.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;A meia distância entre as bilheteiras 1 e 2, duas senhoras esperam junto a um cartaz onde se lê &amp;ndash; adivinhem &amp;ndash;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;FILA ÚNICA. OBRIGADO.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Depois de analisar cuidadosamente a situação e de a processar com o meu cérebro superior (o desenvolvimento da história provará que só uma mente superior é que consegue processar correctamente toda a informação acima apresentada), optei por me colocar em fila atrás das duas senhoras que esperavam em fila única pela próxima bilheteira que vagasse.  Atrás de mim colocou-se uma outra senhora, cujo cérebro superior também conseguiu analisar correctamente a situação.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eis senão quando chegam independentemente dois velhos, uma velha e um velho, que olham com muita atenção e se vão pespegar junto à bilheteira 3, olhando com ar de desprezo para os idiotas que fazem fila única meio em frente à bilheteira fechada.  Passam-se uns momentos e a bilheteira 3 fica vaga; a velha avança e começa a falar com o funcionário.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sendo o meu cérebro implicativo, para além de superior, aumentei a curvatura da fila única para me chegar ao pé da velha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Desculpe, mas nós estamos todos em fila à sua frente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Não.  Os senhores estão em fila para a outra bilheteira.  Eu vim para esta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Está aí escrito.  FILA ÚNICA.  OBRIGADO.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Sim, fila única.  Uma fila única para cada bilheteira.  Os senhores estão na fila para a outra bilheteira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Não, minha senhora.  Nós estamos a meio, junto ao cartaz que diz FILA ÚNICA.  OBRIGADO.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Ah, mas eu achei que era uma fila para cada bilheteira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aí alguém mandou uma boca sobre como toda a gente percebia o significado dos cartazes apregoando em letras garrafais&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;FILA ÚNICA. OBRIGADO.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;A velha (sempre secundada, aliás, pelo velho que se lhe seguia) vira-se para o funcionário da bilheteira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Oh meu senhor: não é uma fila única para cada bilheteira?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O funcionário habitual da estação não estava, e em seu lugar a CP colocou um daqueles típicos funcionários públicos que acima de tudo estão interessados em fazer o sistema funcionar bem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Não faço ideia.  Os senhores é que têm de decidir quem é que está primeiro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(Sem comentários.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A velha vira-se novamente para mim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Pois, mas é que agora está imensa gente na fila que não estava lá quando eu cheguei.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; Pois é, minha senhora.  Mas está aí escrito: FILA ÚNICA.  OBRIGADO.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(É espantoso como eu consigo ser irritante quando quero.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;mdash; E de qualquer forma eu estava cá antes de si.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A velha lá foi para o fim da fila, resmungando entredentes sobre como aquilo não era justo e como não estava nada indicado claramente sobre a necessidade de fazer uma fila única para as três bilheteiras em conjunto e não uma fila única para cada bilheteira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É triste ter um cérebro superior.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-4689705482254272587?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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(Fui pelo meio ver uns espectáculos em versão de concerto.)  Com a introdução na temporada da Gulbenkian de transmissões em directo, em HD, de algumas récitas da temporada do MET, decidi matar saudades, sabendo embora que não é a mesma coisa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois do &lt;i&gt;Boris Godunov&lt;/i&gt;, fui no passado sábado ver a transmissão do &lt;i&gt;Don Pasquale&lt;/i&gt;.  Estive até quase ao último minuto indeciso sobre se ia ou não; acabaram por pesar na decisão de o fazer uma série de factores independentes: por um lado, o não conhecer a ópera (!); por outro, o ter cantado uma ária de lá, e ter curiosidade de a ouvir no contexto; e finalmente por ser protagonizada pela Anna Netrebko, de quem ainda não tinha conseguido formar uma opinião &amp;ndash; apesar de já ter ouvido elogios de fãs incondicionais e críticas de cépticos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Conforme esperava, ver uma ópera em versão cinema, mesmo num écran gigante da Gulbenkian em transmissão HD, está longe de ser o mesmo de estar sentado num teatro a cheirar o mofo dos casacos de peles, a ouvir os cenários ranger e a escolher o que ver em cada momento.  Aliás, a minha grande crítica é mesmo a questão visual: a realização (televisiva) é, pelo menos para mim, pavorosa.  Chamem-me tradicionalista; para mim, ópera em palco é filmada com grandes planos estáticos e não com uma câmara sempre em movimento que não nos permite ter uma ideia do conjunto.  Mais: demasiado detalhe é pernicioso &amp;ndash; como quando se vê que o tenor supostamente apaixonado está na realidade sempre a deitar olhares ao maestro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para além do enjôo (durante a abertura a câmara &lt;i&gt;surfou&lt;/i&gt; tanto que comecei a ficar agoniado), também sou céptico relativamente à opção de filmar as mudanças de cenário e os bastidores.  Estraga o efeito todo: primeiro, de repente somos confrontados com actores que afinal estão a representar e que têm existência para além do palco.  Segundo, sejamos realistas.  Se Deus quisesse que víssemos os técnicos a montar e desmontar cenários e os truques todos das coisas a subir e descer, não tinha criado os teatros com cortinas.  Se o pano cai durante um minuto e meio para mudança de cenário, não será precisamente para não quebrar a magia vendo subitamente a bela mansão desmontar-se?  Bah.  Pior que tudo foi a serenata no terceiro acto, que é cantada fora de cena &amp;ndash; tivemos direito a ver tudo aquilo que não se costuma ver numa ópera, incluindo a directora de cena, microfones e partituras.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enfim.  Em contrapartida, há outros aspectos técnicos que são impressionantes.  O que mais me impressionou &amp;ndash; e sim, já sei que sou uma pessoa estranha &amp;ndash; foi a legendagem.  Em três horas de espectáculo, não encontrei nenhum erro de ortografia; não houve desfasamentos significativos entre o que os cantores cantavam e o que aparecia escrito por baixo; e eu conhecia todas as palavras que apareceram escritas.  Notável, se tivermos em conta que no São Carlos nenhuma das três se aplica.  Houve uma ópera em que aprendi mais palavras do que se estivesse a ler um dicionário; infelizmente só um terço delas é que eram termos obscuros &amp;ndash; os outros dois terços eram mesmo inventadas.  E que dizer do célebre ensaio geral d'&lt;i&gt;Os Puritanos&lt;/i&gt; em que a plateia largou a rir às gargalhadas, perante o espanto dos cantores, quando um dos homens fardados de barba rija e ar de macho se virou para o outro e disse (segundo a legenda) &amp;ldquo;Ah, chama-me tua filha!&amp;rdquo;?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já todos conhecem a minha capacidade de criticar detalhadamente e de sintetizar extraordinariamente aquilo de que gostei.  Adorei o espectáculo.  Descobri que já conhecia uns bons bocados da ópera; diverti-me (era cómica); e pasmei-me com a capacidade de fazer três horas de música não monótona com apenas quatro cantores.  O MET é o MET; não fiquei especialmente entusiasmado com o Don Pasquale propriamente dito, que tinha um registo médio-agudo um bocado desagradável; e o tenor, como diria uma amiga minha, era um tenor &amp;ndash; que nalgumas alturas me deu a sensação de gritar mais do que cantar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em contrapartida, comecei a entender o fenómeno Netrebko.  A voz é invulgar, com um timbre um pouco grave para o papel &amp;ndash; mas apenas o timbre, pois a nível de ligeireza não lhe faltou nada.  A presença em palco é magnífica; o à-vontade impressionante; e, sobretudo, trata-se de uma cantora que está claramente a divertir-se à brava com o que está a fazer &amp;ndash; o que, numa ópera cómica, é importante.  Do mesmo nível, quer vocal quer interpretativo, era o barítono no papel de Malatesta (Mariusz Kwiecien), que levantava a típica questão nestas óperas: porque é que a heroína anda tão desesperadamente atrás do tenor, quando o barítono é muito mais interessante a tantos níveis?  &lt;i&gt;Oh well&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em tempo de crise, ópera de qualidade a quinze euros é uma boa alternativa a um São Carlos decadente, em que facilmente se paga quarenta ou cinquenta euros para assistir a uma encenação pornográfica duma ópera ganida por seres a que só com dificuldade se poderia chamar cantores.  Consta que com a nova direcção a realidade melhorou, mas ainda não tive oportunidade de avaliar; o trauma da última temporada é demasiado grande.  Entretanto, estou a reorganizar os meus sábados para pôr a temporada do MET na minha rotina.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2057362036153260518-2434600396991596158?l=lcfilipe.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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