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	<title>Bodisatva</title>
	
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		<title>Entrevista com o Reverendo Yoshihiko Tonohira</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 21:57:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Berredo</dc:creator>
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A possibilidade de construir uma Terra Pura no presente é uma das propostas do CEBB em sua prática cotidiana. Mas como um mestre da linhagem Terra Pura do Japão (Jodo Shinshu) vê esta possibilidade? A pergunta esteve no ar durante a entrevista com o Reverendo Yoshihiko Tonohiro, representante da maior tradição budista japonesa, que você vai ler abaixo. A conversa teve a participação do Lama Padma Samten e do editor ...


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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bodisatva.com.br/2901/tonohiro/" rel="attachment wp-att-2902"><img src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2012/01/tonohiro.jpg" alt="" title="Reverendo Yoshihiko Tonohira no Templo Caminho do Meio" width="588" height="300" class="alignleft size-full wp-image-2902" /></a>
<p>A possibilidade de construir uma Terra Pura no presente é uma das propostas do <a href="http://www.cebb.org.br/rs/viamao">CEBB</a> em sua prática cotidiana. Mas como um mestre da linhagem Terra Pura do Japão (Jodo Shinshu) vê esta possibilidade? A pergunta esteve no ar durante a entrevista com o Reverendo Yoshihiko Tonohiro, representante da maior tradição budista japonesa, que você vai ler abaixo. A conversa teve a participação do Lama Padma Samten e do editor da Revista Bodisatva, José Fonseca, e trouxe informações preciosas sobre a história desta linhagem e o método que ela utiliza para chegar à realização. O monge Tonohiro defendeu maior engajamento do budismo na realidade brasileira, com todas as suas dificuldades e complexidade. Ele lamentou que sua tradição tenha funcionado de forma fechada durante muito tempo e se mostrou esperançoso de que esta realidade possa mudar.</p>
<p><strong>Carmen</strong>: Reverendo, poderia falar um pouco sobre a linhagem Terra Pura e como ela se desenvolveu?</p>
<p><strong>Mestre Tonohira</strong>: A linhagem, que no Japão se chama Jodo Shinshu, foi fundada há cerca de 800 anos e hoje é a maior ordem do budismo japonês. É possível situar várias características, mas a principal é o ensinamento centrado nas pessoas comuns do mundo. São pessoas leigas, sujeitas aos kleshas (marcas mentais) e às paixões do cotidiano. Essas pessoas tomam refúgio no Buda Amitaba e geram a aspiração de nascer em sua Terra Pura, tendo assim um importante apoio em seu caminho de prática. Por dar ênfase à fé em Amitaba, um certo equívoco levou muita gente a entender que se trata quase de um cristianismo, mas os princípios do Jodo Shinshu estão fundamentados no autodespertar. Desde o início, Jodo Shinshu penetrou nas camadas populares do país. Mas também houve épocas em que foi adotada pela classe dominante, houve estes dois extremos. O Zen tinha uma relação mais forte com os samurais, os militares, enquanto que o Jodo Shinshu chegou a inspirar os levantes camponeses contra a dominação dos senhores feudais. Alguns desses levantes tiveram em suas bandeiras a frase &#8220;Eu tomo refúgio em Amitaba&#8221;.</p>
<p><strong>José Fonseca</strong>: Existiu este envolvimento do budismo com a ideologia militar no Japão?</p>
<p><strong>Mestre Tonohira</strong>: Na era Meiji (1868-1912), o budismo japonês colaborou com o processo das guerras imperialistas, tanto o Zen quanto outras linhagens. A meu ver ainda não houve uma autocrítica com relação a isso. A justificativa era uma espécie de ideologia das duas verdades: uma verdade interior, que seria a minha fé no Buda, que é inabalável, e uma verdade exterior, que seriam os movimentos feitos pelo Império japonês e seus destinos.</p>
<p><strong>Carmen</strong>: Quais as diferentes visões dentro da linhagem Terra Pura quanto a estes extremos?</p>
<p><strong>Mestre Tonohiro</strong>: A minha opção pessoal é pelos mais pobres e também os mais discriminados, como os Burakumin (minoria que considerada impura dentro da visão medieval de castas no Japão). Penso também que é preciso retomar os fundamentos da linhagem e buscar uma ruptura com a lógica da riqueza e do capital que existem no país hoje.</p>
<p><strong>Carmen</strong>: Como o senhor vê a prática do Jodo Shinshu no Brasil?</p>
<p><strong>Mestre Tonohira</strong>: O que tenho visto nessa viagem, a partir da visita ao templo Hompa Honganji, é que os imigrantes japoneses conservaram a tradição de uma maneira bastante fechada. Como a geração mais antiga de japoneses começou a morrer, a linhagem perdeu muitos praticantes, porque não se espalhou entre os brasileiros. Esta situação é bem triste, porque o Jodo Shinshu poderia trazer benefícios a muitas pessoas.</p>
<p><strong>Carmen</strong>: É bastante discutida esta questão da religião como suporte de uma minoria étnica que se vê ameaçada de perder sua identidade. Quais seriam as maneiras de reverter isso?</p>
<p><strong>Mestre Tonohira</strong>: Vi dois momentos bem interessantes nesta viagem. Um deles foi quando conhecemos o trabalho do monge Ademar Shojo Sato, no templo Shin, em São Paulo. Ele conseguiu envolver pessoas que não descendem de japoneses e criar uma rede que no futuro pode gerar um movimento comunitário para trabalhar com a situação de miséria que muitos brasileiros enfrentam. O outro momento interessante foi a visita ao Cebb Caminho do Meio. Pude ver que o encontro com a tradição tibetana não se deu no âmbito de uma comunidade fechada e isso permite que os praticantes criem vínculos com a população próxima. Este tipo de diálogo é muito importante e serve de inspiração para o Jodo Shinshu, que no futuro poderá encontrar maneiras de atender às demandas sociais dos brasileiros.</p>
<p><strong>Lama Padma Samten</strong>: A analogia que eu faço é assim. As grandes tradições podem se expandir para outros países como se fossem farmacêuticos que vendem certos tipos de fármacos. Mas é preciso também existir um olhar de terapeuta, que significa ir até os doentes, ver como estão as vidas deles e do que estão de fato precisando. Este olhar de terapeuta é o olhar de Chenrezig, de Kwan Yin.</p>
<p><strong>Mestre Tonohira</strong>: Grande ensinamento, muito obrigado. Não podemos negar que a tradição ofereceu um apoio importante aos migrantes, que enfrentaram condições difíceis e passaram por muitas perdas quando chegaram ao Brasil. Mas é preciso ver a realidade brasileira e o sofrimento que está presente nela, assim como o sofrimento que está presente na sociedade contemporânea. É importante definir o nosso local de vida, aquele lugar onde vamos desenvolver nossas relações e atuar para aliviar o sofrimento dos seres. Nossa prática é recitar o nome do Buda Amitaba e assim ter um encontro profundo com o nosso próprio sofrimento.</p>
<p><strong>Lama Padma Samten</strong>: Eu teria uma pergunta a fazer com relação à Terra Pura, já que no Cebb este assunto é bastante sensível. Esta Terra Pura é algo que está somente no campo ideal, distante de nós? Ou podemos fazer com que ela aconteça já, nesta vida? Aqui cultivamos a noção de que a Terra Pura surge quando nos inserimos numa mandala positiva, ou seja, quando mudamos o nosso software.</p>
<p><strong>Mestre Tonohira</strong>: A Terra Pura não é algo que existe só no futuro, nem é algo que está no presente. Se considerarmos os nossos kleshas e todos os obstáculos que enfrentamos, podemos pensar na Terra Pura como algo que está distante, no futuro, quase inalcançável. É muito difícil pensar que podemos chegar até ela. Mas se acolhemos o voto original do Buda Amitaba e iluminamos os nossos kleshas com a sua luz infinita, o processo se inverte. Vamos pensar na Terra Pura como algo que vem do futuro até nós. Isso seria a realização de uma grande fé.</p>


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		<title>Retiro com Alan Wallace no CEBB Caminho do Meio</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 23:27:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Bessil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capa]]></category>
		<category><![CDATA[Alan Wallace]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
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O templo do CEBB Caminho do Meio está ainda mais bonito, com pinturas que retratam os 12 momentos mais marcantes da vida do Buda: antes do nascimento, nos céus de Tushita, quando ele ouve as canções dos deuses que narravam a condição humana e assim se movimenta para renascer na condição humana, o momento da concepção, quando a mãe de Sidarta sonha com um elefante branco tocando seu ventre, o ...


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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bodisatva.com.br/retiro-com-alan-wallace-no-cebb-caminho-do-meio/alanblog/" rel="attachment wp-att-2845"><img class="aligncenter size-full wp-image-2845" title="Alan Wallace" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2012/01/alanblog.jpg" alt="" width="588" height="276" /></a></p>
<p>O templo do <a href="http://www.cebb.org.br/rs/viamao">CEBB Caminho do Meio</a> está ainda mais bonito, com pinturas que retratam os 12 momentos mais marcantes da vida do Buda: antes do nascimento, nos céus de Tushita, quando ele ouve as canções dos deuses que narravam a condição humana e assim se movimenta para renascer na condição humana, o momento da concepção, quando a mãe de Sidarta sonha com um elefante branco tocando seu ventre, o nascimento de Sidarta. E as gravuras lindas seguem: a vida do príncipe no palácio, as práticas na floresta, a iluminação, os ensinamentos e o parinirvana (morte). Fico olhando para as pinturas, que estão no alto, e vou me conectando com tudo aquilo.</p>
<p>Antes de morrer, Buda declarou: <em>&#8220;eu manifestei um corpo de sonho, manifestei ensinamentos de sonho para seres de sonho, imersos em sofrimentos de sonhos. Eu não vim, eu não vou.&#8221;</em></p>
<p><strong>Os mestres vêm e vão, os retiros tem início, meio e fim.</strong></p>
<p>Cheguei na quinta, junto com o professor <a href="http://www.alanwallace.org/">Alan Wallace</a>, e tive a alegria de ficar como sua assistente ao longo de sua estadia por aqui. A pedido do <a href="http://www.cebb.org.br/lamasamten/biografia">Lama Padma Samten</a>, ele nos ofereceu ensinamentos preciosos de um mestre extraordinário, reconhecido como manifestação da mente do próprio Guru Rinpoche. Templo Caminho do Meio cheio, muitos momentos de prática, tudo devidamente registrado e transmitido online no <a href="http://www.ustream.tv/user/lamapadmasamten/videos" >CEBB TV</a>. Maravilhas tecnológicas!</p>
<p>A tradutora, nossa querida Jeanne Pilli, da sanga do <a href="http://www.cebbsp.org/">CEBB São Paulo</a>, é um presente. Como disse o Professor, ela dota de energia e alegria cada momento da tradução, expressando o amor que sente pelos ensinamentos. O beijo que o professor deu em sua testa ao final foi de puro carinho e gratidão, lindo de ver!</p>
<p>Sempre tranquilo, com olhos pequenos e espertos, o professor Alan Wallace segue o texto com precisão. Sempre começando cada período com meditação silenciosa, abrindo espaço para perguntas à noite. Paciente, focado, gentil e firme.</p>
<p>Eu o acompanhava todo o tempo, indo e voltando da casa na qual estava hospedado.  Na maior parte do tempo, caminhamos em silêncio. Vez em quando ele comentava sobre a cor do céu ou me perguntava alguma coisa, às vezes parávamos para olhar  alguma formiga carregando uma folha. Caminhar do  seu lado  foi deixando minha mente em um sossego simples. Pela própria função, fiquei mais isolada, não tive tempo para interagir com os outros participantes, somente com Denise, também do CEBB São Paulo, que preparava as refeições do professor em uma cozinha que foi montada na varanda da casa. Comidinhas deliciosas, preparadas com uma generosidade e um carinho que se derramavam no sabor e na beleza de cada prato.</p>
<p>Um professor californiano transmitindo um tesouro tibetano. <strong>Diante de um caminho de lucidez, somos todos da mesma família humana, sem diferença alguma.</strong></p>
<p>O encerramento no domingo foi comovente. O Lama Padma Samten fez uma prece de longa vida ao professor Alan Wallace que foi de arrepiar. E quando ele me passou o microfone para cantarmos todos juntos a prece a Guru Rinpoche (&#8220;du sum&#8230;&#8221;) eu estava chorando tanto, que o Lama Padma Samten até riu!! muitos estavam chorando, em gratidão aos mestres que mantém vivas as práticas e a sabedoria dos Budas.</p>
<p>Cantamos a prece e a voz da sanga (comunidade de praticantes) surgiu forte. O Lama até brincou que nessa hora o Guru Rinpoche pintado na parede do templo havia piscado um olho, pois vou contar uma coisa, quando estava cantando o mantra final (a invocação longa à Guru Rinpoche), e o pessoal ia entregando o katag (lenço branco oferecido aos mestres para bênção), bem  dei uma olhada para o Guru Rinpoche na parede e ele estava sorrindo. Um sorriso largo, desses que deixa as bochehas levantadas, juro que vi!</p>
<p>Mais uma vez, o Lama Padma Samten sugeriu um momento no qual os lamas, monges e monjas convidados pudessem se reunir e reverberar os ensinamentos. Roupas diferentes, todos sentados juntos, compartilhando sua atividade no Darma, gerando esse apoio, construindo o que o Lama Padma Samten chama de &#8220;uma só sanga&#8221;. A alegria de todos os convidados era palpável. E na caminhada de volta para casa, o professor Alan Wallace comentou sobre a raridade desses momentos. Disse que viaja para muitos centros do Darma pelo mundo, e somente aqui ele vê esse movimento: mestres e monges de outras tradições convidados a participar,  com espaço para falar e ouvir. Ele destaca a importância dessa abertura que o Lama Padma Samten vive e oferece.</p>
<p>E por falar em oferecer, como professor Alan Wallace viajaria somente na noite seguinte, ele ainda deixou um néctar, comentando um texto que tem sido base do eixo que o Lama tem oferecido. Foi um fechamento perfeito.</p>
<p><strong>Os mestres vêm e vão. Os ensinamentos surgem e cessam. Os retiros tem início, meio e fim.</strong></p>
<p>E professor Alan Wallace se foi.</p>
<p>Veja as fotos do <a href="https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10150454731361765.358106.122520771764&#038;type=1" title="Fotos do retiro com Alan Wallace">Retiro com Alan Wallace</a></p>


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		<title>“108 Horas de Paz” termina com celebração da lucidez</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 00:55:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmen Navas Zamora</dc:creator>
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<p>&#8220;Embora o primeiro dia do ano seja parte de uma construção artificial, é um bom tempo para refazer os votos e praticar o silêncio, que acalma a mente e derruba todas as ilusões. Nossa prática principal é desenvolver intimidade com este silêncio que está além da vida e da morte&#8221;, explicou.</p>
<p>O encontro &#8220;108 Horas de Paz&#8221; promoveu três dias de debates e oficinas sobre uma visão ampla de saúde, que incluiu aspectos de alimentação, medicinas alternativas e práticas de saúde pública. No último dia do ano, representantes de várias religiões uniram-se para trocar impressões e informações sobre as visões de saúde presentes em suas tradições. Para ver as fotos do encontro, acesse este link: http://www.flickr.com/photos/cebb/sets/72157628642762747/</p>


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		<title>Nascido no Tibete</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 10:24:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Revista Bodisatva</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sakya Trizin]]></category>

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Por Carmen Navas Zamora
Em sua primeira visita ao Brasil, Sakya Trizin participa de debates sobre budismo, cultura de paz e atualidade, e concede transmissões Vajrayana da linhagem Sakya
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Sakya_COQUE_3BWfinal.small_.jpg"><img class="size-full wp-image-2664 alignnone" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Sakya_COQUE_3BWfinal.small_.jpg" alt="" width="491" height="325" /></a><br />
Por Carmen Navas Zamora</p>
<p><strong>Em sua primeira visita</strong><strong> ao Brasil, Sakya Trizin participa de debates sobre budismo, cultura de paz e atualidade, e concede transmissões Vajrayana da linhagem Sakya</strong></p>
<p>A primeira visita de Sua Santidade Sakya Trizin, autoridade máxima da linhagem tibetana Sakya, trouxe um novo momento para o budismo brasileiro. Entre 21 e 26 de julho, Sua Santidade esteve nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco, concedendo transmissões do budismo Vajrayana e participando de encontros e debates sobre questões contemporâneas. As palestras foram marcadas por emoção, alegria e admiração do público brasileiro, que ouviu ensinamentos sobre ação não-violenta, sustentabilidade e a preciosidade da vida humana. A vinda de Sua Santidade Sakya Trizin foi planejada pela comunidade de praticantes Sakya no Brasil, liderada pelo lama brasileiro Rinchen Khyenrab, e a visita tornou-se parte de uma turnê do líder budista pelo continente americano. Ele chegou acompanhado da esposa, Sua Eminência Gyalyum Chenmo, e do filho mais novo, Sua Eminência Gyana Vajra Rinpoche. Durante uma palestra para cerca de 400 pessoas, na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, Sakya Trizin elogiou o acolhimento da sanga e falou sobre a alegria de ensinar praticantes de diferentes culturas. Ele lembrou que durante sua infância não era possível ter qualquer contato com pessoas de outras regiões do mundo, devido ao isolamento do país. “Quando estava no Tibete, eu não sabia que existiam tantos países e nem conhecia seus nomes. Somente quando fui para a Índia ouvi falar sobre o Brasil, por isso é muito bom ter essa oportunidade de estar aqui”, ressaltou. Em Recife, Sakya Trizin e sua família participaram de um evento memorável: o encontro com a população da comunidade do Coque. Numa tenda montada com apoio do Governo de Pernambuco e de ONGs que atuam na comunidade, o mestre abençoou centenas de moradores e assistiu a uma dança inspirada em Tara, deidade feminina da compaixão.</p>
<p lang="pt-BR">A presença de Sua Santidade teve um significado especial para a população do Coque, que sofre com o preconceito provocado por uma antiga fama de lugar violento e insalubre. Estatísticas não-oficiais contabilizam cerca de 40.000 moradores, que vivem numa área de forte influência das marés. Menos de 1% das residências dispõem de saneamento básico, um forte contraste com bairros vizinhos na capital pernambucana*.</p>
<p lang="pt-BR">Aos praticantes Vajrayana, Sua Santidade concedeu transmissões importantes em Campinas, no Mosteiro Sakya Tsarpa, em Cabreúva, e também no Recife e em Timbaúba, na Zona da Mata pernambucana. Na mesma região onde já existe o Centro de Estudos Budistas Bodisatva Darmata (CEBB Darmata), sob a orientação do Lama Padma Samten, Sakya Trizin consagrou as terras que poderão, no futuro, receber um mosteiro da sua tradição.</p>
<p><strong>Em busca de valores positivos</strong> <a href="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Sakya6.jpg"><img src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Sakya6.jpg" alt="" width="492" height="361" /></a></p>
<p lang="pt-BR">Publicamos, a seguir, a transcrição editada do evento Nascido no Tibete, no qual Sua Santidade Sakya Trizin respondeu perguntas do público reunido no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda.</p>
<p lang="pt-BR"><strong>Quais as perspectivas para os próximos líderes religiosos do Tibete diante da situação da ocupação chinesa? </strong></p>
<p lang="pt-BR">Quando saí do Tibete eu tinha 15 anos de idade, então tenho memórias muito claras de como era o Tibete antigamente. A situação neste momento é bem diferente. A vida tibetana era muito simples, despojada da busca de valores materiais; vivia-se com o básico; obviamente, era uma vida bastante difícil, mas já que não havia a busca por coisas externas e materiais porque elas não estavam disponíveis, as pessoas se satisfaziam com o que tinham. Elas viviam com uma alegria, uma leveza, porque não tinham buscas e, com isso, tinham uma vida mais saudável. Sou muito otimista e creio que as coisas acabarão indo em uma direção bastante positiva. Esperamos que os problemas possam ser resolvidos e que todos possam viver em paz e harmonia.</p>
<p lang="pt-BR"><strong>Como os rituais budistas podem colaborar para uma cultura de paz, principalmente nas comunidades que vivem em conflito e em violência no mundo todo? </strong></p>
<p>Basicamente, somos corpo e mente e funcionamos dessa forma como seres humanos. A mente comanda e o corpo é o servente. Não deveríamos nos deixar influenciar pelos aspectos negativos da nossa mente, por emoções aflitivas, por exemplo. A nossa prática diz respeito a cultivar valores construtivos e positivos; uma vez que isso seja possível, as nossas ações – que refletem na nossa mente – serão construtivas e positivas.</p>
<p lang="pt-BR"><strong>Como o Budismo entende o processo de adoecimento do ser humano e qual é a linha de tratamento de saúde que o tibetano utiliza? </strong></p>
<p>Primeiro, nosso entendimento é de que mente e corpo estão muito interligados; se formos capazes de desenvolver uma mente forte e equilibrada, isso fará com que a possibilidade de nos tornarmos doentes seja muito reduzida. Uma mente forte, com certeza, ajuda na manutenção de um corpo saudável. “Mente forte” significa cultivarmos os aspectos positivos, como amor, bondade amorosa, compaixão, paciência, tolerância e uma visão correta de mundo. Quando desenvolvemos essas condições, temos a possibilidade de ter uma vida mais saudável. Devemos treinar a nossa mente para desenvolver essas qualidades que, estando presentes no nosso conteúdo mental, nos tornam mais fortes e, portanto, mais capazes de superar as dificuldades que enfrentamos na nossa vida.</p>
<p lang="pt-BR"><strong>Como o Budismo pode contribuir para a educação das crianças no mundo de hoje? </strong></p>
<p>Enquanto seres humanos, buscamos causas e condições de felicidade, então, as ações deveriam ir em direção a esse propósito. Apesar dessas necessidades serem básicas para todos, isso não está acontecendo no momento, e a razão principal é que todos nós estamos preocupados com os nossos próprios venenos mentais. Primeiro, temos que nos conscientizar dessas necessidades; segundo, temos que desenvolver ações, causas e condições para que essas necessidades possam ser preenchidas. Se buscamos felicidade, temos que criar causas e condições para que ela possa ser experimentada. Se há infelicidade é porque nos sentimos insatisfeitos com aquilo que temos, com aquilo que experimentamos. Se estamos insatisfeitos, nossa mente experimenta a infelicidade. Quando estamos infelizes, facilmente desenvolvemos raiva e várias ações vão ter nascimento e acabam sendo causa e condição de sofrimento. Devemos olhar para as nossas necessidades para que, verdadeiramente, não nos sintamos insatisfeitos e, assim, não permitamos que condições de infelicidade surjam em nossa mente. Há que se fazer uma transformação a partir da forma como percebemos as coisas, a partir de nós mesmos. Temos que ver como as ações aparecem a partir de nós mesmos. Certamente, as coisas não podem ser mudadas totalmente de forma perfeita; a melhor forma de iniciarmos esse processo é verdadeiramente nos tornamos conscientes do que é necessário para que as mudanças possam acontecer. Quando desenvolvermos a consciência do que deve ser mudado, aí caberá a nós a responsabilidade de agir em direção à transformação. Nós mesmos seremos responsáveis pelas mudanças, pelo nascimento de novos modos e assim as transformações irão surgindo e se estabelecendo. <a href="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Sakya3.jpg"><img src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Sakya3.jpg" alt="" width="492" height="369" /></a></p>
<p lang="pt-BR"><strong>Vamos conseguir algum dia ter paz social? </strong></p>
<p lang="pt-BR">Claro que a existência humana é muito antiga e sempre existiram conflitos. No tempo do Buda também havia muitas discordâncias, muitas dificuldades, mas ele dava ensinamentos que inspiravam as pessoas a terem uma percepção diferente de mundo. A partir disto, elas se propunham a fazer transformações na sociedade e os problemas acabavam sendo solucionados. Esse mesmo exemplo pode ser aplicado em qualquer momento da história da humanidade. Para isso, é necessário que haja pessoas que assumam responsabilidades de transformar a partir de si mesmas, e gerar movimentos, causas e condições mais positivos, nos quais um novo olhar possa surgir.</p>
<p lang="pt-BR"><strong>Sua Santidade o Dalai Lama já anunciou a sua saída das funções políticas. É possível ter um líder político no Tibete que não seja necessariamente um líder religioso? </strong></p>
<p lang="pt-BR">Essa é uma pergunta um pouco difícil de ser respondida porque a história dos dalai lamas é muito antiga e o atual, mesmo tendo renunciado às funções políticas do Tibete, vai continuar sendo o líder político e religioso. Claro que, se houver necessidade, o Dalai Lama estará pronto para ajudar a encontrar a solução mais pacífica possível. Sob esse ponto de vista, para muitos tibetanos, Sua Santidade o Dalai Lama ainda permanece como supremo líder tanto político quanto religioso.</p>
<p lang="pt-BR"><strong>Como achar o equilíbrio entre o consumo e apego aos bens materiais do capitalismo e a espiritualidade? </strong></p>
<p>Isso não diz muito respeito a ter ou não ter bens materiais. O que temos que olhar é o que esses bens materiais vão nos proporcionar. Precisamos ter o equilíbrio para saber do que verdadeiramente precisamos e o excesso que estamos buscando. Precisamos treinar a nossa mente para olhar a veracidade das nossas necessidades. Ao criar um equilíbrio entre o que nós verdadeiramente precisamos e aquilo que nós buscamos, poderemos desenvolver um sentido diferente sobre o que os bens materiais podem nos proporcionar.</p>
<p lang="pt-BR"><strong>Como Sua Santidade vê o papel da mulher no Tibete e aqui no Ocidente? </strong></p>
<p lang="pt-BR">Se olharmos o Tibete no passado, sim, havia um pequeno número de expressões femininas em qualquer área e principalmente entre professores espirituais. Mas houve uma mudança e já começamos a ver um número crescente de mulheres que têm expressão, não só na área do Budismo como também em outras áreas. Essa mudança acontece talvez não tão rapidamente como em outras partes do mundo, mas um número crescente de mulheres se destaca em diferentes atividades.</p>
<p lang="pt-BR"><strong>Como a filosofia budista pode contribuir para o pensamento científico da modernidade? </strong></p>
<p>Eu entendo que ciência e filosofia budista são coisas distintas, mas obviamente, há uma interface na qual ciência e filosofia podem se unir e desenvolver conhecimento, principalmente quando se olha a natureza do fenômeno. Uma contribuição que o Budismo pode trazer é quando ele sugere que comecemos a fazer uma análise das coisas a partir do exame de nós mesmos. O Buda deixava bem claro que os ensinamentos dele não deveriam ser tomados como verdades até que, ao experienciá-los, o que surgisse de fato estivesse de acordo com o que ele falava. Aquilo que a ciência mostra não deveria ser tomado como fato verdadeiro até que se venha a demonstrar que o que se está dizendo é verdadeiro e bom. Nesse ponto, eu acredito que a filosofia budista e a ciência podem contribuir muito uma com a outra com esse olhar, ou seja, que as coisas sejam tomadas como experiência até serem provadas como positivas. <strong><a href="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/10/SakyaCOQUE10final.jpg"><img src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/10/SakyaCOQUE10final.jpg" alt="" width="503" height="334" /></a></strong></p>
<p lang="pt-BR"><strong>Qual a impressão que Sua Santidade teve do Brasil? Como podemos desenvolver uma vida mais espiritual, praticar o Budismo, em meio a todo esse complexo cultural – muito trabalho, consumo e entretenimento – em que vivemos? </strong></p>
<p lang="pt-BR">Essa é a minha primeira visita a essa parte do mundo e eu vejo o Brasil como um país muito bonito, com pessoas muito amigáveis, amorosas e receptivas e vejo que as pessoas têm demonstrado uma vontade muito grande de praticar, estudar o Darma e colocar o Darma em sua atividade diária, isso é um aspecto muito positivo que me fez feliz nessa visita ao Brasil.</p>
<p lang="pt-BR"><strong>Qual seria o ensinamento mais eficaz para evitar o medo da morte? </strong></p>
<p>A morte assusta a todos e é inevitável, ninguém pode mudar isso. Todos sabemos que cedo ou tarde vamos ter essa experiência; então, o melhor a fazer é nos prepararmos para isso. Enquanto somos jovens ou mesmo se somos mais velhos – não importa. A melhor forma de nos prepararmos é olhar essa realidade de frente e saber que ela vai ocorrer; e quando olhamos para isso, que possamos aprender que algumas coisas são essenciais em nossa vida como o desenvolvimento da bondade amorosa e da compaixão. Se nesse momento em que gozamos de saúde e lucidez, aprendermos a cultivar essas qualidades básicas e agirmos de acordo com elas, isso fará com que nosso momento da morte seja muito mais tranquilo.</p>
<p lang="pt-BR"><strong>Como Sua Santidade consegue ter essa serenidade no olhar? </strong></p>
<p>Acredito e pratico aquilo que eu aprendi com meus professores; eles me transmitiram muitos ensinamentos preciosos, eu os pratico todos os dias e em todas as atividades que eu desenvolvo. Rezo e aspiro a que vocês consigam alcançar os seus objetivos de uma vida plena e feliz e que todas as suas aspirações possam se realizar.</p>


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		<title>Crescer com a sabedoria dos Budas – Escola Caminho do Meio</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 10:22:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Andiara Paz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Escola Caminho do Meio promove educação fundamentada na cultura de paz, numa mandala que inclui alunos, professores, famílias, vizinhos, animais, plantas e, por fim, todos os seres.


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p lang="pt-BR">Por Nea de Castro</p>
<p><strong>A Escola Caminho do Meio promove educação fundamentada na cultura de paz, numa mandala que </strong><strong>inclui alunos, professores, famílias, vizinhos, animais, plantas e, por fim, todos os seres.</strong></p>
<p lang="pt-BR">A palavra samapati, no contexto budista, designa a meditação estabilizadora da visão, destinada a tornar mais lúcida a ação do praticante no mundo, no samsara. Este poderia ser o outro nome da Escola Caminho do Meio, situada no Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB), em Viamão (RS). No seu dia-a-dia, a escola se realiza entre o samapati e o samsara: entre uma dimensão sutil que prepara cada um de seus alunos, professores e demais colaboradores para vivenciar a mandala da lucidez, e a necessidade de definir e implementar medidas aparentemente mais simples, como o cardápio destinado às crianças e os conteúdos ensinados conforme os parâmetros curriculares do Ministério da Educação para a Educação Infantil.</p>
<p lang="pt-BR"><a href="http://bodisatva.com.br/crescer-com-a-sabedoria-dos-budas-escola-caminho-do-meio-2/olympus-digital-camera/" rel="attachment wp-att-2595"><img class="aligncenter size-full wp-image-2595" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/10/escola.jpg" alt="" width="534" height="400" /></a></p>
<p>Nascida do sonho auspicioso de Lama Padma Samten, a Escola Caminho do Meio foi criada em 2008. Iniciou com 5 vagas e oferece atualmente 27 vagas, destinadas à crianças de 1 a 6 anos, distribuídas em três turmas: a Ênfase 1, para crianças de 1 a 2 anos; a Ênfase 2, para as de 2 a 3 anos; e a Ênfase 3, para as de 4 a 6 anos. A escola é gratuita e está vinculada ao Instituto Caminho do Meio, qualificado como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) pelo Ministério da Justiça desde 2009. Acolhe alunos de famílias budistas e não budistas, moradores do CEBB e das redondezas. Harmoniza educação e vida espiritual, orientando-se pelos princípios da cultura de paz, do bom coração e da responsabilidade universal. Esses princípios estão desenvolvidos na pedagogia dos 5 Diani Budas e do nascimento positivo, ensinada por Lama Padma Samten e já transformada em linha de pesquisa acadêmica perante o CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa), e também junto ao Núcleo de Educação e Espiritualidade da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).</p>
<p>O Lama reflete sobre as sabedorias das cinco cores, relacionadas a cada um dos 5 Diani Budas: “A cor azul corresponde ao acolhimento; a cor amarela corresponde à generosidade, ouro, benefício; a cor vermelha é a sabedoria discriminativa e investigativa; a cor verde é a sabedoria da causalidade. Mas tudo culmina na cor branca, ela é a transformação. Organizando seus bimestres conforme essa sequência dos 5 Diani Budas, a Escola Caminho do Meio propicia que cada aluno e cada um que ali trabalha vivencie o dar nascimento positivo a si mesmo e a todos os seres.</p>
<p><a href="http://bodisatva.com.br/crescer-com-a-sabedoria-dos-budas-escola-caminho-do-meio-2/olympus-digital-camera-2/" rel="attachment wp-att-2596"><img class="aligncenter size-full wp-image-2596" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/10/aluno.jpg" alt="" width="534" height="400" /></a></p>
<p>Da visão elevada, na qual tudo é a realidade vajra, mágica, a Escola Caminho do Meio é um jardim de lótus, a flor que por nascer do lodo e aí florescer estável, bela e pura, simboliza a ação lúcida no mundo para os budistas. A rotina diária da Escola Caminho do Meio pede a prática da meditação estabilizadora. Os pequenos alunos e seus mestres precisam parar, cuidar de suas emoções, refletir juntos sobre elas. Graças ao método da mandala da lucidez, as crianças vivenciam o mundo como naturalmente benigno, entre brincadeiras, jogos, passeios, atividades na horta, hora de fazer as oferendas no altar, hora da prece, lanches e almoço, hora do soninho, conforme a necessidade de cada criança, e aulas de pintura, música e capoeira.</p>
<p>É sempre valorizado o viver por méritos, pois se os seres agem de modo positivo, o universo inteiro os sustenta e o céu os acolhe. É esse o espírito da cantiga muito amada na escola: “o amiguinho não briga com o amiguinho, amiguinho não deixa mágua, amigo é amigo para sempre, até debaixo d´água”. A mandala da lucidez também pede o exemplo pelas costas, como acontece na horta, em que professores e alunos compartilham a tarefa de cuidar da terra e suas plantações. As práticas interativas entre as três Ênfases são também constantemente estimuladas.</p>
<p><a href="http://bodisatva.com.br/crescer-com-a-sabedoria-dos-budas-escola-caminho-do-meio-2/olympus-digital-camera-3/" rel="attachment wp-att-2597"><img class="aligncenter size-full wp-image-2597" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/10/alunos2.jpg" alt="" width="533" height="400" /></a></p>
<p>A fim de capacitar todos os que trabalham na Escola Caminho do Meio para o exercício pedagógico, vêm sendo realizados cursos internos de formação, desde março passado, com base no intercâmbio de saberes entre diferentes áreas, como Pedagogia, Psicologia, Nutrição, Artes, Ioga, e com instituições amigas. A escola também tem sido um espelho positivo para a comunidade do bairro Jardim Castelo, o Castelinho, de onde vem parte dos alunos. Essa comunidade já realizou reuniões para tornar realidade o sonho de construir uma escola no bairro, através da participação conjunta dos seus moradores, do Instituto Caminho do Meio e da Prefeitura de Viamão.</p>
<p lang="pt-BR"><strong>Escola Infantil Caminho do Meio:</strong></p>
<p lang="pt-BR">Estrada Caminho do Meio, 2600 . Viamão (RS)<br />
CEP: 94.515.000, Tel: (51) 3501 4430<br />
<span style="color: #000000;"><a href="mailto:escola@caminhodomeio.org"><span style="color: #000000;">escola@caminhodomeio.org</span></a></span><br />
<span style="color: #000000;"> <a href="http://www.institutocaminhodomeio.org.br/escola-infantil"><span style="color: #000000;">www.institutocaminhodomeio.org.br/escola-infantil</span></a></span></p>
<p><span style="color: #000000;">Para contribuir com doações diretamente à escola ou com benefício fiscal &#8211; Imposto de Renda &#8211; acesse:</span><br />
<span style="color: #000000;"> <a href="http://www.institutocaminhodomeio.org.br/contribua"><span style="color: #000000;">www.institutocaminhodomeio.org.br/contribua</span></a></span></p>


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		<title>Meditando a Vida – A Arte e o Processo de Educação no Budismo</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 10:20:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Revista Bodisatva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Revista]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Lama Padma Samten
Neste encontro gostaríamos de introduzir o tema da arte como um dos veículos importantes da expressão da escola, e naturalmente, da arte do Darma, que é muito rico em manifestações artísticas. 
A arte tem uma conexão muito próxima com a nossa proposta. Podemos ver aqui o exemplo do templo e do altar, todos pintados. As pinturas, como a roda da vida, são uma expressão muito mais profunda ...


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Lama Padma Samten</p>
<p lang="pt-BR"><span style="font-family: Arial,sans-serif;">Neste encontro gostaríamos de introduzir o tema da arte como um dos veículos importantes da expressão da escola, e naturalmente, da arte do Darma, que é muito rico em manifestações artísticas. </span></p>
<p lang="pt-BR"><span style="font-family: Arial,sans-serif;">A arte tem uma conexão muito próxima com a nossa proposta. Podemos ver aqui o exemplo do templo e do altar, todos pintados. As pinturas, como a roda da vida, são uma expressão muito mais profunda do que se escrevêssemos um livro a respeito do que elas exprimem. Quando escrevemos um livro, ele está terminado, as palavras foram escritas e estão com uma determinada interpretação, enquanto que uma imagem oferece um conjunto de ensinamentos para cada pessoa que olhar. Na medida em que a pessoa vai mudando a sua experiência interna, as imagens começam a revelar outras coisas. </span></p>
<p lang="pt-BR"><span style="font-family: Arial,sans-serif;">Isso é maravilhoso e sempre foi usado dentro da abordagem do budismo tibetano. Diz-se que a roda da vida foi uma descrição do próprio Buda Sakiamuni, e depois se transformou num presente de um rei para outro. Quando recebeu a roda da vida como um presente, o outro rei atingiu a iluminação. Ou seja, atingiu a iluminação pela arte. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial,sans-serif;">Isso é muito profu</span><a href="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/12/dakini_3b.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2755" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/12/dakini_3b.jpg" alt="" width="308" height="205" /></a><span style="font-family: Arial,sans-serif;">ndo e enraizado dentro da cultura budista. No Tibete é mais utilizado ainda, de uma forma extraordinária. As cerimônias são uma espécie de palco. Certa vez, observando uma cerimônia de Drubtchen no templo do Chagdud Gonpa, uma aluna se deu conta de que o Drubtchen inteiro era um palco quadrado, onde todos eram expectadores e atores. Na verdade, o único expectador era o Rinpoche, que ficava só olhando a cara dos atores, se estavam indo bem ou não, com todas as </span><span style="font-family: Arial,sans-serif;">suas fragilidades: alguns se achando o próprio personagem, outros sofrendo por isso e não podendo ser o mero ator, que gostaria de fazer outras coisas, mas estava preso no personagem. E a atmosfera era envolvente, a cena toda, com seus sons, múltiplos instrumentos. As pessoas estavam literalmente vestidas nos seus personagens, com os chapéus, roupas, adereços. A pessoa começa a se confundir com o próprio personagem. Ela não só vê a arte ao redor, mas meditando a vida arte e</span><span style="font-family: Arial,sans-serif;"> o processo de educação no budismo faz visualizações que compõem um cenário mais amplo. Por vezes elas efetivamente se confundem com os cenários, os personagens passam mal, e sofrem “pitis” ou mais modernamente, “nhams” (perturbações que surgem da prática intensa de meditação). Abstraindo isso, quando est</span><span style="font-family: Arial,sans-serif;">amos num cenário vajrayana, com aquele palco podemos facilmente chegar à conclusão de que tudo é uma construção. No entanto, quando saímos desse ambiente, descobrimos que a construção segue operando, mas é uma outra construção! </span></p>
<p><span style="font-family: Arial,sans-serif;">A prática vajrayana é muito útil para percebermos que o cotidiano também é arte, também é encenação. Somos muitos personagens, em diferentes momentos, e o budismo como um todo é o caminho que nos leva a poder exercer os múltiplos personagens sem prisão a nenhum, reconhecendo incessantemente o fato de que temos a natural liberdade do ator. Só que esse ator também é desconhecido. Precisamos conhecer os personagens, conhecer o ator de modo muito profundo, e descobrir como se dão as relações entre o ator e o personagem, especialmente como o ator, que é livre, consegue ficar preso nos personagens e sofrer efetivamente a situação deles. Quando descobrimos isso e ultrapassamos a prisão, é a sabedoria. </span></p>
<p lang="pt-BR"><span style="font-family: Arial,sans-serif;">Especi</span><span style="font-family: Arial,sans-serif;">almente o budismo como um todo, e o CEBB em particular, tem esse foco de tomar o cotidiano, ou seja, a cena que vivemos com seus múltiplos personagens, como um instrumento perfeito e inteiro, onde não falta nada, para podermos encontrar a realidade sobre o ator, a realidade sobre o personagem e sobre a ligação do ator e do personagem. Como o personagem fica vivo repentinamente, de onde brota essa vida e a identificação com o personagem; como sur</span><span style="font-family: Arial,sans-serif;">ge a sua dor e finalmente como nos liberamos da confusão, da identificação e da dor, e continuamos com a capacidade de acionar os personagens, sem ficarmos presos a eles.</span><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><a href="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/12/dakini1c.jpg"><img class="size-full wp-image-2752 alignright" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/12/dakini1c.jpg" alt="" width="291" height="304" /></a></span></p>
<p lang="pt-BR"><span style="font-family: Arial,sans-serif;">Esse aspecto tem uma nomenclatura própria. O aspecto mais profundo do ator é a vacuidade, é o fato de que ele é livre. Dentro do ator, além da vacuidade, temos a luminosidade, a capacidade de construir </span><span style="font-family: Arial,sans-serif;">os papéi</span><span style="font-family: Arial,sans-serif;">s, os cenários, nos sentir em vários lugares. Aqui, por exemplo, estamos dentro do templo. No entanto, se vemos como um templo, isso já é extraordinário, porque poderíamos ter outras visões nesse local. Mas o fato de reconhecermos como u</span><span style="font-family: Arial,sans-serif;">m templo significa que temos uma região atrás na nossa mente, uma paisagem interna sutil, e quando nossos olhos batem nas coisas vemos este local como um templo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial,sans-serif;">Essa dimensão sutil é extraordinária. É uma ação extraordinária do próprio ator. Ele se identifica tanto com o seu papel que faz coemergir o universo ao redor, inseparável da sua própria condição de p</span><span style="font-family: Arial,sans-serif;">erso</span><span style="font-family: Arial,sans-serif;">nagem. Como personagens, fazemos coemergir as aparências como o templo. Coemergência é uma expressão que se usa no budismo. Com isso, vemos que a arte tem tudo a ver com o nosso movimento. Assim, imagino que a escola po</span><span style="font-family: Arial,sans-serif;">de utilizar a arte como um meio de acessar a sabedoria, que é ultrapassar todos os cenários e atores, identificações e surgimentos, utilizar isso não como um problema, mas como uma expressão perfeita de todo o aspecto sutil. Isso significaria tomarmos a realidade comum como um caminho para a lucidez. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial,sans-serif;">Temos as etapas de visão, meditação e ação, como o nosso treinamento. Não precisamos de nada mais além da própria realidade comum para entender como ela surge e onde estão as liberdades. Isso é o que chamamos de visão. Meditação é quando fazemos exercícios específicos para reconhecer tudo isso e manter esse ponto de visão. E a ação é quando, tendo isso enraizado, somos capazes de nos movimentar no mundo, usando essa sabedoria. Ela nos permite desenvolver recursos que usualmente não são considerados possíveis. Se utilizarmos uma imagem, seria como um avião voando a mil metros, muito pesado, e não consegue subir. Na frente dele tem uma cadeia de montanhas muito alta. Sabemos que o avião não vai poder subir, então rezamos para que enfim as montanhas se afastem um pouco para ele poder passar. Como as montanhas são o cenário, elas se abrem e passamos! Temos essa possibilidade, quer entendamos ou não! Essencialmente, isso quer dizer que as circunstâncias externas não são fixas. </span></p>
<p lang="pt-BR"><span style="font-family: Arial,sans-serif;">Muito recentemente, no caso da Escola Caminho do Meio, também tínhamos montanhas no horizonte e não víamos como passar. Aquilo que parece fixo, na verdade não é. Olhamos e tentamos produzir uma transformação do que considerávamos inicialmente como fixo. Esses são recursos que vêm a partir da noção de que a realidade coemerge com nossos olhos. Assim, temos o recurso de ajudá-la a coemergir não só com nos</span><span style="font-family: Arial,sans-serif;">sos olhos, mas também com os olhos das pessoas em geral. </span></p>
<p lang="pt-BR"><span style="font-family: Arial,sans-serif;">Nossa sociedade como um todo e nossa cultura nesse momento são como um avião voando baixo em direção a várias montanhas. Vamos conseguir ultrapassar os obstáculos, ou não vamos? Com certeza, nossa vitória não virá pelo poder do avião subir. Não estamos precisando de mais tecnologia, de mais poder, precisamos afastar as montanhas. Ou seja, a realidade pode ser transformada, pode ser olhada com outros olhos. E uma forma de olhar a realidade com outros olhos é imaginar que agora é um tempo especial, onde poderemos fazer as transformações necessárias, internas e externas, para que a humanidade atinja outro patamar. </span></p>
<p lang="pt-BR"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><a href="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/12/dakini_2b.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2753" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/12/dakini_2b.jpg" alt="" width="367" height="244" /></a>Não é que tenhamos obstáculos verdadeiros, mas uma forma de visão chega ao limite. Vamos alterar as montanhas de tal maneira que possamos viver de outro modo. Esse é um recurso. Se pensarmos que as montanhas são fixas, então estamos perdidos. Olhamos tudo como uma impossibilidade. No Zen, existe esse koan muito simples: “As montanhas se movem, e as nuvens são fixas.” Isso é uma coisa curiosa, pois como é que as montanhas se movem? A noção de que as montanhas se movem significa que aquilo que parece fixo, na verdade não é. Enquanto as nuvens, que seguem, significam que a ação da mente, que parece etérea, é incessante. </span></p>
<p lang="pt-BR"><span style="font-family: Arial,sans-serif;">Estamos num tempo em que as montanhas se movem. Por exemplo, a seriedade do próprio pensamento econômico, que parece lidar com coisa sólida, revela o aspecto artístico da realidade. Aquilo que parecia, no cenário econômico, uma montanha fixa ou uma cadeia de montanhas fixas, onde as coisas têm valor econômico estabelecido e operando, repentinamente aquilo se transforma. E quando as pessoas olham, o cenário mudou, o valor econômico mudou e as coisas simplesmente afundam ou tomam outro rumo. Tivemos essas grandes crises econômicas como mudanças de atribuição de valor das coisas que estão diante de nós. De onde vem o valor econômico? O valor econômico é parecido com arte. Olhamos para as coisas e dizemos: “Que bonito!”, “Ah! Isso vale!” Ou de repente podemos olhar e dizer: “Isso não vale!” Pronto! O valor econômico se foi. O valor econômico e a arte são muito próximos. </span></p>
<p lang="pt-BR"><span style="font-family: Arial,sans-serif;">Por que a arte está em todas as coisas? Porque ela coemerge com quem olha. A arte é dinâmica, não é alguma coisa fixa em algum lugar do mundo. A arte é uma expressão perfeita como instrumento para revelar essa natural realidade sobre as coisas. E quando aprofundamos sobre isso, desenvolvemos muitos métodos em visão, meditação e ação prática no mundo. </span></p>
<p lang="pt-BR"><span style="font-family: Arial,sans-serif;">Palestra do Lama Padma Samten na abertura do encontro Educação e Budismo, realizado no CEBB Caminho do Meio (Viamão-RS), em fevereiro de 2011. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial,sans-serif;">Transcrição de Floridalva Cavalcanti e edição </span><span style="font-family: Arial,sans-serif;">de Carmen Navas Zamora.</span></p>


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		<title>Lama Samten abre “108 Horas de Paz” com lançamento de cartilha</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Dec 2011 21:30:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Revista Bodisatva</dc:creator>
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O encontro 108 Horas de Paz teve início ontem, no Cebb Caminho do Meio, em Viamão, com uma palestra do lama Padma Samten sobre a importância de uma visão ampla de saúde e a noção budista de vida humana preciosa. Outro destaque foi o lançamento da Cartilha de Práticas para uma Vida Mais Saudável, produzida pela ONG Ação Darmata, em Recife, dentro de um projeto financiado pelo Programa das Nações Unidas ...


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			<content:encoded><![CDATA[<div><a href="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/12/zita-cartilha.jpeg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2790" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/12/zita-cartilha.jpeg" alt="" width="483" height="322" /></a></div>
<div>O encontro 108 Horas de Paz teve início ontem, no Cebb Caminho do Meio, em Viamão, com uma palestra do lama Padma Samten sobre a importância de uma visão ampla de saúde e a noção budista de vida humana preciosa. Outro destaque foi o lançamento da <em>Cartilha de Práticas para uma Vida Mais Saudável</em>, produzida pela ONG Ação Darmata, em Recife, dentro de um projeto financiado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).</div>
<div>
<p>O lama ressaltou que a ênfase na cura dos sintomas, com diagnósticos, medicamentos e cirurgias, não é suficiente para que o ser humano realize todo seu potencial.</p>
<p>&#8220;Se pudermos usufruir da saúde durante a vida, teremos mais tempo para meditar, estudar, fazer retiros, compreender os ensinamentos mais elevados. Mas há obstáculos. Estamos dentro de um ambiente adoecedor e a visão dominante é voltada para consertar as pessoas depois que adoecem. Seria melhor olhar de forma ampla e eliminar os fatores de adoecimento&#8221;, alertou.</p>
<div>A cirurgiã pernambucana Maria José Freitas, a Zita, contou como surgiu a ideia de promover encontros de narrativas e troca de saberes entre as famílias do entorno do Cebb Darmata, na área rural de Timbaúba. O resultado foi a descoberta de um grande acervo de usos e práticas envolvendo plantas medicinais. Segundo Zita, trata-se de um tesouro bem guardado por mulheres sábias como dona Carminha, autora dos versos de cordel que abrem a cartilha, e dona Zefinha, que por acaso fez o primeiro contato com o Cebb Darmata, ao tentar localizar os donos de um jumento que havia invadido sua plantação.</div>
<p>&#8220;Muito sonhos surgiram e se desdobraram a partir daquelas conversas e a cartilha e o documentário foram uma maneira deles se darem nascimento como agentes de cura&#8221;, comentou ela.</p>
<p>O &#8220;108 Horas de Paz&#8221; será encerrado no dia 1o de janeiro, ao meio-dia, depois de uma palestra do lama Padma Samten, que vai falar um pouco mais sobre a noção de vida humana preciosa.</p>
<p>Veja fotos do evento neste link: <a href="http://www.flickr.com/photos/cebb/sets/72157628642762747/">http://www.flickr.com/photos/cebb/sets/72157628642762747/</a>.</p>
</div>


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		<title>A  Paz é o Nosso Estado Original</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Dec 2011 15:55:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Berredo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ação]]></category>
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		<category><![CDATA[budismo]]></category>
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		<description><![CDATA[O mestre budista Dzigar Kongtrul Rinpoche esteve em Salvador em novembro último e concedeu entrevista à Cássia Candra da Revista Muito, do Grupo a Tarde.
Abre aspas com Dzigar Kongtrül Rinpoche
A Paz é o Nosso Estado Original
Texto Cássia Candra
Na casa de frente para o mar, exatamente onde o vento &#8220;faz a curva&#8221;, na Pedra da Sereia, uma escada em espiral leva ao terraço, três pisos acima. Lá, medita Dzigar Kongtrül Rinpoche. ...


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bodisatva.com.br/?attachment_id=2731" rel="attachment wp-att-2731"><img class="alignleft size-full wp-image-2731" title="Dzigar Kongtrul Rinpoche" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/12/dzigarkongtrul.jpg" alt="" width="589" height="275" /></a>O mestre budista <a href="http://padmasambhavapureland.com/dzigar.php" target="_blank">Dzigar Kongtrul Rinpoche</a> esteve em Salvador em novembro último e concedeu entrevista à Cássia Candra da <a href="http://revistamuito.atarde.com.br" target="_blank">Revista Muito</a>, do Grupo a Tarde.</p>
<p>Abre aspas com Dzigar Kongtrül Rinpoche</p>
<p><strong>A Paz é o Nosso Estado Original</strong></p>
<p>Texto Cássia Candra</p>
<p>Na casa de frente para o mar, exatamente onde o vento &#8220;faz a curva&#8221;, na Pedra da Sereia, uma escada em espiral leva ao terraço, três pisos acima. Lá, medita Dzigar Kongtrül Rinpoche. No lugar, perfeito para o Jal Samadhi (prática de flutuar na água durante a meditação), indiano de 47 anos, fundou o Centro Budista Tibetano <a href="http://gunanorling.blogspot.com/" target="_blank">Guna Norling</a>. Da linhagem Nyingma, é o único na América Latina sob sua orientação. Desde 2003, veio à Bahia três vezes e, na última, há pouco mais de 15 dias, iniciou, com estudos do texto clássico Carta a Um Amigo, de Nagarjuna, um novo projeto: a implantação de um Shedra, curso superior de aprofundamento nos ensinamentos do Buda. Nascido em Manali, no Himalaia, e desde 1989 estabelecido nos Estados Unidos, Kongtrül Rinpoche se dedica à pintura e é autor de vários livros. Durante cinco anos ensinou filosofia budista na Universidade de Naropa, no Colorado, e fundou a organização Mangala Sri Bhuti. Estuda a raiz do budismo desde menino, quando foi reconhecido como encarnação de Jamgon Kongtrül Lodro Thaye, mestre tibetano do século 19, e teve como professor o grande iogue erudito Khenpo Rinchen.</p>
<p><strong>Como os principais ensinamentos de Nagarjuna podem ser aplicados em nossa vida prática?</strong></p>
<p>Basicamente, esses ensinamentos de Nagarjuna são correspondências a um amigo muito querido, que é um rei. Pelo fato de serem dados a um rei, os ensinamentos são dados a pessoas não-monásticas. Então, são conselhos de como devemos prosseguir numa vida espiritual, mesmo sem sermos monásticos, mas dentro de um contexto familiar.</p>
<p><strong>Sua Santidade, o Dalai Lama, costuma dizer que ninguém precisa ser religioso para praticar a compaixão.</strong></p>
<p>Com certeza, não. É uma questão de opção, das opções que fazemos. E também da predisposição que trazemos de uma vida anterior. Depende das condições, da fé e das escolhas que fazemos. Mas é muito indicativo para as pessoas que têm uma prática espiritual na vida se autorrefletir. Para tentar compreender quem somos como seres humanos. Ter respeito e interesse pelas pessoas; ter compaixão, tolerância e bom coração, são virtudes básicas para o desenvolvimento de cada um de nós.</p>
<p>Mas, no mundo, não vemos muita compaixão; não vemos pessoas se colocando no lugar das outras. <strong>A maioria pratica pouco ou não pratica essas virtudes. O que nos falta para alcançar este desenvolvimento? Qual a visão que o senhor tem da humanidade do século 21?</strong></p>
<p><strong>O Buda disse que, se treinarmos a mente, ela se torna mais aberta; mas, se não for treinada, fica enrijecida.</strong> A ciência e a tecnologia deste século – e as necessidades que fizeram com que estas ciências se desenvolvessem – alcançaram um avanço enorme, mas não podemos ignorar nossos hábitos de ganância. Então, há uma necessidade de dispersar esse pensamento egoísta, essa tendência a pensar só em si mesmo, em consumir, em se divertir, para passar a pensar em coisas que alimentam a nossa autointrospecção e o nosso autoconhecimento.</p>
<p><strong>Diria que as pessoas estão perdidas?</strong></p>
<p>Não completamente. Mas, até a humanidade se conscientizar da necessidade de se autorrefletir, o impacto social – os ricos se tornando cada vez mais ricos e os pobres mais pobres – e o impacto ambiental que causamos continuarão tendo efeito. Contudo, a bondade básica que temos como seres humanos irá corrigir esses defeitos.</p>
<p><strong>Que exemplo o senhor daria de “bondade básica”?</strong></p>
<p>O Movimento de Ocupação que está ocorrendo nos Estados Unidos agora. É um movimento enorme, que leva muitos jovens, em sua maioria, a ocupar Wall Street e as maiores cidades do país com o objetivo de protestar contra a desigualdade (lá, a classe média está sendo esmagada pelo 1% da população que tem poder financeiro e de governo). Então, é uma ocupação pacífica, ninguém agride ninguém, mas não deixa de se colocar, de afirmar que tem consciência do que está errado. Esse movimento é um exemplo de que haverá uma correção e é preciso que haja essa correção. A bondade fundamental irá fazer com que a humanidade se dirija a autorreflexão.</p>
<p><strong>Essa é uma das propostas do budismo, incentivar essa atitude?</strong></p>
<p>Que atitude?</p>
<p><strong>Cultivar o que há de bom dentro de nós.</strong></p>
<p>O Buda diz que, com a Lei do Carma, que afirma que tudo o que uma semente possa trazer de efeitos positivos, quando for plantada, assim o fará; mas, se essa semente for negativa, os efeitos serão igualmente negativos. Esses efeitos se referem tanto ao indivíduo como para a comunidade. Então, o indivíduo tem que ter uma atitude positiva, cultivar tolerância e bondade, e dessa maneira adquirir um bem-estar pessoal e impactar a comunidade.</p>
<p><strong>Então, é uma questão de atitude?</strong></p>
<p>De ter atitude e determinação para cultivar e manter esses hábitos.</p>
<p><strong>Muitas filosofias espiritualistas dizem que a paz é nosso estado original. O senhor concorda?</strong></p>
<p>Sim, na verdade a paz é nosso estado original. Porque, se não fosse assim, a iluminação teria que ser criada. Mas ela não é criada, é descoberta. Então, a confusão é como as nuvens no céu e a paz, como o céu limpo.</p>
<p><strong>E por que há tanta violência no mundo?</strong></p>
<p>Acho que violência e ambição andam juntas. E essa ambição se sustenta na crença da existência de si mesmo. Então, a pessoa tem que se proteger. Todos nós temos um ego e todos nós temos que proteger esse ego, mas isso vai além dessa intenção de trocar de lugar com o outro, de nos colocar no lugar do outro. A violência surge disso, da ambição e dessa mentalidade mesquinha.</p>
<p><strong>Surge de um estado mental confuso? Essas pessoas estão confusas, não?</strong></p>
<p>Sim, estão. Mas isso não significa que as nossas intenções não podem ser mudadas; não significa que essa confusão é intrínseca.</p>
<p>Não estaríamos confusos sobre o conceito de felicidade, por exemplo? Todos queremos ser felizes, mas, ao buscar a felicidade, somos capazes de praticar boas ações, mas também de roubar e matar. Lembro de um bandido carioca que contou que entrou no mundo do crime porque sonhava com sua geladeira abarrotada de iogurte.</p>
<p>Sim, entendo o que você quer dizer. Em vez de sermos felizes, não conseguimos dar um suporte às causas e condições que criam essa felicidade. Fazemos o contrário, ao aplicar causas e condições que nos levam ao oposto disso. A intenção não tem o impacto da ação. O que causa sofrimento é essa confusão, quando a ação e a intenção estão separadas.</p>
<p><strong>Como podemos colocar uma boa intenção na ação?</strong></p>
<p>Em vez de ser feliz sozinho (porque isso de ser feliz sozinho é inato, é básico, é um desejo que temos), com a intenção é possível saber o que fazer para ser feliz: é ser bondoso, tolerante; é entender o carma (causa e efeito) do que fazemos. É assim que podemos ser felizes.</p>
<p><strong>E o que nos leva a relativizar o conceito de felicidade?</strong></p>
<p>Educação, as condições de como somos criados, se temos liberdade de fazer o que queremos, interesse pessoal, motivação, são vários fatores que levam a esse tipo de comportamento. O budismo tenta incentivar isso no indivíduo e na comunidade.</p>
<p><strong>Nos últimos anos, o budismo tem alcançado grandes públicos no Ocidente. A que o senhor atribui esta popularidade?</strong></p>
<p>O budismo é a filosofia que encoraja o raciocínio e a análise. Atualmente temos uma população mais educada no mundo. E o raciocínio lógico tem dado esse crédito ao budismo. Essa capacidade de raciocinar com lógica é o que atrai as pessoas. Elas veem a lógica por trás do budismo.</p>
<p><strong>No Brasil, os livros do Dalai Lama, que figuram na lista dos mais vendidos, também demonstram esta popularidade. Como vê seu afastamento da política?</strong></p>
<p>Sua Santidade, o Dalai Lama, ponderou muito a esse respeito e resolveu que cabe dar um passo como esse devido à sua idade e à situação política do Tibete, com a ocupação da China, para o bem do Tibete como nação e uma futura democracia. É a intenção dele. Mas isso também é um assunto muito sentimental para os tibetanos, que consideram essa decisão como uma grande perda para eles. Por outro lado, Sua Santidade sempre estará presente na vida do povo tibetano, como já esteve em numerosas vidas passadas.</p>
<p><strong>Pode falar da experiência como professor na Universidade de Naropa?</strong></p>
<p>Naropa é uma universidade fundada por um grande mestre budista. Lá tem cursos de graduação e pós-graduação em budismo, dança, psicologia, escrita criativa, entre outros. Ensinei no curso de budismo e servi lá ocupando a Cadeira de Sabedoria. Foi uma grande experiência, muito gratificante. O que ensinei em Naropa intenciono ensinar aqui, no Shedra: textos clássicos escritos por professores indianos budistas, na antiga faculdade Nalanda. Todos eles cursos de filosofia budista clássica.</p>
<p>O senhor esteve aqui em 2003 e fundou este centro e volta agora trazendo o Shedra. Por que escolheu Salvador para trazer um programa de educação?</p>
<p>Porque adoro esta cidade. Venho aqui para fazer retiros e agora também para implantar o Shedra. Eu diria que vou unir o útil ao agradável. Esta é minha oferenda. Se as pessoas estão interessadas, é oportuno. Eu amo a Bahia, e, como este lugar é especial para mim, trouxe o Shedra.</p>
<p><strong>O senhor é um artista que fala da necessidade de educar as pessoas. Nos anos 20, o russo Nicholas Roerich (1874-1947) – também artista e educador, que viveu na região onde o senhor nasceu – dizia que a arte unirá a humanidade. O senhor acha que a arte e a cultura têm poder para nos transformar tão profundamente?</strong></p>
<p>Do meu ponto de vista, arte em geral é a alma de uma cultura. Os artistas são inocentes, eles têm frescor e são revolucionários. Eles enxergam o que é preciso para uma mudança e não têm medo de tomar o próximo passo. Sem a arte, o mundo seria sem graça e chato. Imagine o mundo sem a música, a pintura, a dança&#8230; Isso, em si, fala da importância do artista e da arte no mundo.</p>
<p>Há uma necessidade de dispersar essa tendência a pensar só em si mesmo, em consumir, para passar a pensar em coisas que alimentam nosso autoconhecimento.</p>


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		<title>Mensagem de S.S. o Dalai Lama à Congregação Budista Global</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 21:48:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Berredo</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bodisatva.com.br/?attachment_id=2685" rel="attachment wp-att-2685"><img class="size-full wp-image-2685 alignleft" title="dalailamablog2" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/11/dalailamablog2.jpg" alt="Dalai Lama" width="588" height="322" /></a>Sua Santidade o Dalai Lama fez um comunicado à Congregação Budista Global no dia 25 de novembro de 2011, por ocasião do encontro em Nova Delhi, de 27 a 30 de novembro de 2011, publicada no site oficial de Sua Santidade no dia 28 de novembro. Tradução livre de Jeanne Pilli. <a href="http://www.dalailama.com/news/post/767-message-of-his-holiness-the-dalai-lama-to-the-global-buddhist-congregation-new-delhi-november-27---30-2011" target="_blank">Clique aqui para ler o texto original em inglês.</a></p>
<p>&#8220;Em 29 de novembro de 1956, por ocasião do  2.500° aniversário do Parinirvana do Buda, eu tive a oportunidade de encontrar líderes indianos e representantes de diversos países budistas aqui em Nova Delhi. Naquela época, eu fiz um relato detalhado sobre o desenvolvimento histórico do budismo no Tibete e sobre a excepcional relação indo-tibetana. Desde então, o mundo, incluindo Índia e Tibete, bem como as tradições budistas em diferentes países, tem testemunhado muitas mudanças.</p>
<p>Até os últimos 50 anos ou mais, as diversas comunidades do mundo budista tinham apenas uma vaga idéia distante da existência uns dos outros e pouco apreço sobre o quanto elas tinham em comum. Como o ensinamento do Buda criou raízes em diferentes lugares, evoluíram naturalmente certas variações no estilo em que foi mantido e praticado. <strong>De fato, o próprio Buda deu ensinamentos diferentes de acordo com as predisposições de seus discípulos em diferentes momentos.</strong> O que distingue a nossa situação contemporânea é que quase todas as várias tradições budistas que evoluíram em diferentes lugares estão agora acessíveis a qualquer um que esteja interessado. Além do mais, aqueles de nós que estudam e praticam essas várias tradições budistas agora podem se encontrar e aprender uns com os outros.</p>
<p><strong>O Buda Sakiamuni atingiu a iluminação em Bodhgaya há cerca de 2.600 anos, e eu acredito que seus ensinamentos permanecem originais e relevantes até hoje.</strong> Movido por uma preocupação espontânea em ajudar os outros, após sua iluminação, o Buda passou o resto de sua vida como um monge sem moradia, compartilhando sua experiência com aqueles que desejassem ouvir. Suas visões sobre a originação interdependente e sua recomendação de não causar mal a ninguém, mas ajudar a quem for possível, enfatizam a prática da não-violência. Isto continua sendo uma das forças mais potentes para o bem no mundo de hoje, pois não-violência é estar a serviço de todos os seres.</p>
<p>A renúncia de Sidarta &#8211; que escolheu viver uma vida sem ter onde morar &#8211; simboliza a prática de treinar a moralidade; os seis anos de ascetismo simbolizam seu treinamento em concentração; e atingir a iluminação através da prática de sabedoria sob a árvore Bodhi representa a importância de cultivar a sabedoria. O papel destes três treinamentos na vida do Buda ressalta sua importância na nossa prática diária. Para sermos capazes de levar estas práticas, temos que estudar os ensinamentos do Buda contidos no Tripitaka.</p>
<p><strong>Em um mundo crescentemente interdependente nosso bem-estar depende de muitas outras pessoas.</strong> Outros seres humanos têm direito a paz e felicidade que é igual ao nosso; portanto temos a responsabilidade de ajudar aos que necessitam. Hoje, em um novo milênio, nosso mundo requer que aceitemos a unicidade da humanidade. Muitos dos nossos problemas e conflitos mundiais surgem porque perdemos a capacidade de enxergar a natureza humana básica que conecta todos nós como uma família humana. Nós esquecemos que, à despeito das diferenças superficiais entre nós, as pessoas são iguais em seu desejo básico por paz e felicidade. Parte da prática budista envolve treinar nossas mentes através da meditação. <strong>Mas para o nosso treinamento para acalmar a mente, para desenvolver qualidades como amor, compaixão, generosidade e paciência ser efetivo, temos que colocá-lo em prática no nosso dia-a-dia.</strong> Ainda que o nosso mundo continue a se desenvolver materialmente, há uma necessidade crescente similar no nosso senso de valores internos. O século XX foi um século de guerra e violência; agora precisamos trabalhar para vermos que o século XXI é um século de paz e dialogo. Nós budistas podemos contribuir com isso aprendendo com outras tradições religiosas e compartilhando qualidades típicas da nossa própria tradição.</p>
<p>Há grande ênfase na prática de amor e compaixão nos ensinamentos do Buda, bem como nos ensinamentos de outras tradições espirituais, mas é importante reconhecer que amor e compaixão são fundamentais para as relações entre seres sencientes em geral e entre seres humanos em particular. <strong>Eu acredito que não devemos mais falar sobre ética budista, ética hindu, cristã ou muçulmana, porque esses valores são universais.</strong> O Budismo não explica a virtude de valores como honestidade e integridade de uma forma diferente de como o Cristianismo ou o Islamismo a explica. Por isso, nos últimos anos, tenho achado mais apropriado falar sobre a necessidade de promover uma ética secular. Refiro-me a esses valores como ética secular porque acreditar numa religião ou em outra ou não ter crença em nenhuma delas não afeta a necessidade que temos de tais valores. O fundamento básico da humanidade é amor e compaixão. É por isso que se mesmo poucos indivíduos que simplesmente tentarem criar paz mental e felicidade em si próprios e agir com responsabilidade e amorosidade em relação aos outros, estes poderão ter uma influência positiva em sua comunidade. <strong>Eu acredito que o Budismo tem mesmo um papel especial a desempenhar no nosso mundo moderno. Isso porque, diferente de outras religiões, unicamente o Budismo propõe o conceito de interdependência, que está intimamente de acordo com a ciência moderna.</strong> Nós podemos pensar no Budismo em termos de três categorias: filosofia, ciência e religião. A parte religiosa envolve princípios e práticas que dizem respeito apenas aos budistas, mas a filosofia budista de interdependência bem como a ciência budista sobre a mente e as emoções humanas são de grande benefício a qualquer um. Como sabemos, a ciência moderna tem desenvolvido um entendimento altamente sofisticado do mundo físico, incluindo trabalhos sutis sobre corpo e cérebro. A ciência budista por outro lado, tem se dedicado a desenvolver um conhecimento detalhado e em primeira-pessoa sobre muitos aspectos da mente e das emoções, áreas ainda relativamente novas para a ciência moderna. Cada uma delas tem portanto conhecimentos cruciais que se complementam. Eu acredito que a síntese dessas duas abordagens tem grande potencial para levar a descobertas que enriquecerão nosso bem-estar físico, emocional e social.</p>
<p>Embora a tradição contemplativa budista e a ciência moderna tenham evoluído a partir de raízes culturais, intelectuais e históricas diferentes, eu acredito que em essência elas compartilham de interesses comuns significativos, especialmente na perspectiva filosófica básica e em metodologia. Do ponto de vista filosófico, o Budismo e a ciência moderna compartilham a mesma visão sobre a ausência dos absolutos, seja descritos como um ser transcendente, como uma entidade eterna imutável ou como um substrato fundamental de realidade. <strong>Tanto o budismo quanto a ciência preferem descrever a evolução e emergência do cosmos e da vida em termos de interrelações complexas de leis naturais de causa e efeito.</strong> De uma perspectiva metodológica, ambas as tradições enfatizam o papel do empirismo.</p>
<p>Por exemplo, na tradição investigativa budista, entre as três fontes reconhecidas de conhecimento – experiência, razão e testemunho – é a evidência da experiência que tem precedência, vindo a razão em segundo e o testemunho por último. Isto significa que na investigação budista da realidade, ao menos em princípio, a evidência empírica deveria triunfar sobre a autoridade das escrituras, não importando quão profundamente venerada uma escritura possa ser. Mesmo na caso de conhecimento derivado da razão ou inferência, sua validade deve derivar em última instância de fatos observados na experiência.</p>
<p><strong>O motivo primário subjacente à investigação budista da realidade é a busca pela superação do sofrimento e pelo aperfeiçoamento da condição humana</strong>; portanto, a tradição investigativa budista tem se direcionado primariamente à compreensão da mente humana e suas várias funções. Nosso objetivo ao buscar formas de transformar nossos pensamentos, emoções e propensões ocultas é encontrar uma forma de viver mais virtuosa e gratificante. Então, um intercâmbio genuíno entre o conhecimento e experiência acumulados do Budismo e da ciência moderna pode ser profundamente interessante e potencialmente benéfico.</p>
<p>Em minha própria experiência, tenho me sentido profundamente enriquecido por engajar em conversas com neurocientistas e psicólogos sobre questões como a natureza e papel das emoções negativas, atenção, imaginário, bem como a plasticidade do cérebro. Sou grato aos inúmeros eminentes cientistas com quem eu tive o privilégio de participar em diálogos que têm continuado por estes anos sob os auspícios do “Mind and Life Institute”, cujas conferências anuais se iniciaram em 1987 em minha residência em Dharamsala, India.</p>
<p><strong>É claro que a maioria das pessoas sente que sua própria prática religiosa é a melhor.</strong> Eu mesmo sinto que o Budismo é o melhor para mim. Mas isto não significa que o Budismo seja o melhor para todos. O importante é o que é adequado para uma pessoa ou um grupo de pessoas em particular. A religião, para a maioria de nós, depende da nossa formação familiar e de onde nascemos e fomos criados. Eu penso que geralmente é melhor não mudar. No entanto, quanto mais entendemos os meios uns dos outros, mais podemos aprender. Declarando meu respeito por todas as fés religiosas, eu não advogo a tentativa de unificar as várias tradições. Eu acredito firmemente que precisamos de diferentes tradições religiosas para atender necessidades e disposições mentais da grande variedade de seres humanos. Todas as principais tradições religiosas fazem do tornar a humanidade melhor sua principal preocupação e todas levam a mesma mensagem. Quando as vemos como instrumentos essenciais para desenvolver boas qualidades humanas como compaixão, tolerância, perdão e auto-disciplina, podemos apreciar o que têm em comum.</p>
<p><strong>Eu estou convencido de que o obstáculo mais significativo à harmonia interreligiosa é a falta de contato entre as diferentes comunidades religiosas e consequentemente a falta de apreciação mútua de seus valores</strong>.  No entanto, neste mundo de hoje crescentemente complexo e interdependente, temos que reconhecer a existência de outras culturas, grupos étnicos diferentes e, é claro, de outras fés religiosas. Quer gostemos ou não, a maioria de nós vivencia a diversidade diariamente.</p>
<p>Até mesmo entre as várias tradições budistas que vieram a surgir em diferentes tempos e lugares, há aqueles que vêem a coleção de escrituras preservadas em pali como sua fonte e aqueles que consideram a tradição em sânscrito. Eu acredito que é chegado o tempo da comunicação livre uma com a outra, daqueles que consideram a tradição pali em dialogo com os que consideram a tradição sânscrita. Afinal, todos os diferentes ramos vêm de raízes e troncos comum. Como monge tibetano, ainda hoje considero a mim mesmo como um estudante da tradição Nalanda. A forma que o Budismo foi estudado e ensinado na Universidade de Nalanda representa o zênite de seu desenvolvimento na Índia. Se quisermos ser Budistas do século XXI é importante nos engajarmos no estudo e análise dos ensinamentos do Buda, como tantos fizeram até então, ao invés de simplesmente confiarmos na fé.</p>
<p>Portanto, o estudo e prática dos ensinamentos do Buda são necessários para preservá-los e promovê-los. <strong>A Sanga desempenhou um papel central nisso nos tempos do Buda e fico feliz pela tradição continuar até os dias de hoje.</strong> Consequentemente, é importante que os membros da comunidade monástica mantenham seus votos para sustentar a pureza do Buda Darma.</p>
<p>No passado, dada a natureza dos diferentes cenários sob os quais o Buda Darma floresceu em nossas diferentes sociedades, não havia muitas oportunidades para os Budistas se reunirem e discutir questões de interesse comum. Esta congregação tem provido uma oportunidade crucial muito necessária. <strong>Agora e no futuro precisamos encorajar e promover o intercâmbio de conhecimentos e experiência entre as diferentes tradições e melhorar a comunicação entre nós.</strong> Espero que esta seja a primeira de muitas dessas ocasiões que nos permita promover um melhor entendimento e contribua de forma mais efetiva para a felicidade humana e paz mental por todo o mundo. Por ocasião do 2.600° aniversário da iluminação do Buda em Bodhgaya, eu ofereço meus cumprimentos a esta eminente Congregação Budista Global.&#8221;</p>
<p>S. S. o Dalai Lama, 25 de Novembro de 2011</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>


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		<title>Dzogchen, o estado primordial</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 18:45:55 +0000</pubDate>
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A palavra tibetana Dzogchen, abreviação para Dzogpa Chenpo ou “Grande Perfeição”, não é o nome de uma escola ou seita, indica o conhecimento de nosso verdadeiro estado. É o conhecimento direto de que nossa verdadeira natureza é “Dzogchen”, completa, pura, perfeita desde o princípio, além de qualquer limitação ou condicionamento. Este estado primordial não precisa ser construído ou alcançado através de práticas espirituais ou no final de um ...


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<p lang="pt-BR">A palavra tibetana Dzogchen, abreviação para Dzogpa Chenpo ou “Grande Perfeição”, não é o nome de uma escola ou seita, indica o conhecimento de nosso verdadeiro estado. É o conhecimento direto de que nossa verdadeira natureza é “Dzogchen”, completa, pura, perfeita desde o princípio, além de qualquer limitação ou condicionamento. Este estado primordial não precisa ser construído ou alcançado através de práticas espirituais ou no final de um caminho, mas descoberto em nossa experiência mais imediata. Para descobrir e integrar este conhecimento é que existem os inúmeros tantras, lungs e upadeshas das três séries dos ensinamentos Dzogchen, ensinados em nossa era desde a época de Garab Dorje, em Oddiyana e depois no Tibete.</p>
<p lang="pt-BR">A essência dos ensinamentos Dzogchen foi resumida por Garab Dorje em três afirmações ou conselhos: descubra diretamente sua verdadeira natureza; descubra este estado além de qualquer dúvida; continue para sempre neste estado e nele integre toda sua existência. Existe uma grande variedade de métodos relacionados com estes princípios, mas todos estão conectados à transmissão direta de um mestre que tenha o conhecimento autêntico do Dzogchen.</p>
<p>Qualquer pessoa que tenha um interesse sincero pode receber a transmissão direta de um mestre Dzogchen autêntico e descobrir sua verdadeira natureza, iniciando sua prática. Na transmissão direta, o mestre introduz o discípulo à natureza da mente. O discípulo descobre diretamente este estado -inseparável do estado iluminado do mestre &#8211; e busca continuar neste reconhecimento como sua prática principal. De fato, todas as práticas podem ser integradas no conhecimento do Dzogchen, e também todos os momentos do dia e da noite.</p>
<p>A prática do Dzogchen não privilegia a quietude, e sim a integração do reconhecimento de nossa verdadeira natureza em qualquer circunstância. Mas para integrar, é necessário primeiro descobrir precisamente este estado de “presença instantânea” ou rigpa. Integrar significa reconhecer. Esta integração total é o objetivo final do praticante Dzogchen, culminando na realização do famoso corpo de arco-íris.</p>
<p lang="pt-BR">O Dzogchen é um veículo completo para a realização total. Nele, o ponto de partida, a prática e a realização são todos “Dzogchen”, o estado primordial, completamente iluminado desde o princípio. Esta infinita potencialidade está além de qualquer dualidade entre sujeito e objeto, além de tempo, espaço ou qualquer conceito, tão ilimitada que pode manifestar até a aparência de todas estas limitações, assim como a paz perfeita do nirvana.</p>
<p lang="pt-BR">


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