<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0">

<channel>
	<title>Bodisatva</title>
	
	<link>http://bodisatva.com.br</link>
	<description>um olhar budista</description>
	<lastBuildDate>Wed, 16 May 2012 22:21:19 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/bodisatva" /><feedburner:info uri="bodisatva" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><image><link>http://bodisatva.com.br</link><url>http://bodisatva.com.br/wp-content/themes/arthemia/images/bodisatva.gif</url><title>Bodisatva</title></image><feedburner:emailServiceId>bodisatva</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><item>
		<title>A Doença Mental na Perspectiva Budista | Parte 1</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/bodisatva/~3/ol40fwFG5yI/</link>
		<comments>http://bodisatva.com.br/a-doenca-mental-na-perspectiva-budista/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 May 2012 23:10:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Berredo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capa]]></category>
		<category><![CDATA[Lama Padma Samten]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[doenças mentais]]></category>
		<category><![CDATA[emoções]]></category>
		<category><![CDATA[mente]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bodisatva.com.br/?p=3530</guid>
		<description><![CDATA[Palestra do Lama Padma Samten sobre as doenças mentais e perturbações. Parte I.
Eu poderia falar sobre doença mental sob o ponto de vista do terapeuta ou do paciente. Aqui eu vou escolher falar como se estivesse falando com o paciente. O primeiro aspecto que eu falaria, usando uma linguagem nordestina, seria: “Não se aperreie, bichinho”! As coisas são construídas e elas afligem, mas não têm a solidez que parece que ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://bodisatva.com.br/a-doenca-mental-na-perspectiva-budista/blogtransmentais/" rel="attachment wp-att-3537"><img class="alignnone size-full wp-image-3537" title="" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2012/05/blogtransmentais.jpg" alt="" width="593" height="275" /></a>Palestra do <strong>Lama Padma Samten</strong> sobre as doenças mentais e perturbações. Parte I.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eu poderia falar sobre doença mental sob o ponto de vista do terapeuta ou do paciente.</strong> Aqui eu vou escolher falar como se estivesse falando com o paciente. O primeiro aspecto que eu falaria, usando uma linguagem nordestina, seria: “Não se aperreie, bichinho”! As coisas são construídas e elas afligem, mas não têm a solidez que parece que elas têm.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quando nós estamos em meio a uma crise, as crises são sempre alguma coisa parecida com um rato preso em algum lugar e que não está encontrando saída.</strong> A nossa mente gira acelerada porque nós estamos buscando saída e aquilo naturalmente já é a perturbação. Enquanto nós estamos focados intensamente buscando uma saída, a gente passa por cima dos outros, não vê os outros, tem um comportamento estranho. Uma das características das nossas crises é a gente não ver os outros. Ou seja, a gente está focado em alguma coisa muito específica e no caso da crise nós não estamos tendo vitória nenhuma, nós estamos nos sentindo ameaçados. Esta sensação de ameaça, com a sensação de que não encontramos saída, e nós vasculhamos intensamente as saídas, é a característica de uma crise.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Então é natural que a pessoa tenha uma mente que fique com a aparência de desorganizada.</strong> A pessoa pode ter pequenos acidentes, pode ter acidentes maiores, pode ter muitas confusões. Tem pessoas que se acidentam feio, morrem no meio disso. Vamos encontrar muitos exemplos de gente que pegou um carro, acelerou demais, não viu isso, não viu aquilo. Não viu por que? Porque não está vendo. A pessoa está vendo apenas uma certa característica do seu problema e está esquecendo todo o resto. A pessoa atravessa por cima dos outros, ela comete violências, atrocidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu lembro de uma praticante do Zen que era muito jovem e eu tinha essa conexão com ela. Ela estava num hospital psiquiátrico – adolescente, pouco mais do que uma adolescente. Quando eu cheguei no hospital ela estava contida, estava amarrada. Por que? Porque ela tinha agredido uma enfermeira. Quando eu conversei com ela, ela disse: “Eu estava rodeada de seres ameaçadores. Aí eu peguei o crucifixo de um colega de sofrimento e botei na minha frente pra me proteger. Aí veio a enfermeira pra tirar o crucifixo”. Ela tinha se sentido diretamente atingida por alguém que tinha chegado muito perto e ia roubar a única segurança que ela tinha. Ela deu uma dentada, talvez merecida. Então ela não estava louca, ela estava operando segundo um critério.</p>
<p style="text-align: justify;">Então vocês vão ver, as pessoas fazem coisas tresloucadas, mas elas estão operando dentro de um critério. A característica essencial deste critério é assim: ela está jogando um jogo e está perdendo. Ela não pode perder, a perda é uma coisa completamente insuportável, é alguma coisa impossível de ser vivida. Aquilo é maior do que qualquer outra coisa. Então a pessoa mata, ela apronta, mas não que ela seja uma assassina que ela seja alguém muito mau. Não é isso. No meio das suas perturbações, a pessoa está jogando um jogo e é aquilo. Esse é o mecanismo geral.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quando nós estamos muito aflitos, a mente não consegue nem escutar o que estou dizendo aqui, é porque a gente não quer ouvir nada.</strong> Nós queremos é sair, nós estamos num lugar muito quente, ou muito frio, ou muito cortante, ou sem ar, sem água, nós estamos muito, muito mal. Por isso, a gente não consegue ouvir, a nossa mente gira o tempo todo, não é nada mais do que isso. Todas as sequelas &#8211; do tipo, a pessoa treme, sacode, faz qualquer outra coisa assim -, vários sintomas, a pessoa parada, tensa. Ou, por exemplo, quando o rato desiste, ele entra em depressão, fica parado no mesmo lugar. Ou o rato fica psicótico. Ele fica assim e quando aparece alguém ele vai lá, dá uma mordida e volta, fica parado. E não há o que fazer. Todos eles estão completamente apavorados dentro das circunstâncias que estão vivendo. Isso é especialmente o reino dos infernos. A pessoa entrou no reino dos infernos, ou no reino dos seres famintos. Eventualmente no reino dos animais, mas os animais é uma coisa menos grave, ninguém vai se sentir louco por estar ali. A pessoa vai se sentir sem energia, sem criatividade, sem interesse pela vida, sem rumo. Mas ela não está se sentindo louca, não está se sentindo em crise realmente, ela está passando por um período, algo que um psicólogo resolveria, ou um amigo.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu queria explicar pra vocês isso neste sentido geral, porque é isso que está acontecendo, nós estamos com algum tipo de manifestação deste quilate. Mas na visão budista a situação é um pouco mais grave. Nós temos a roda da vida, dentro dela nós temos loucuras em que está todo mundo sorrindo, tem as loucuras em que nós estamos caindo, estamos na parte de baixo, sofrendo, as loucuras onde nós estamos achando que estamos melhorando tudo. Cada ponto nesse ciclo é uma loucura específica. <strong>A maior parte dessas loucuras são assintomáticas, ou seja, socialmente elas são consideradas corretas.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quando nós estamos no meio de uma guerra, as pessoas estão armadas e estão se matando. Mas aquilo, dentro daquele jogo, parece que é aceitável, é uma coisa normal. Não é uma coisa enlouquecida. Nós estamos entendendo o que está se dando ali dentro. No entanto, ainda que não pareça uma loucura, na visão budista isso é uma loucura. Por que? Porque nós estamos esquecendo os outros, estamos com a mente girando, fazendo coisas que mais adiante nós vamos achar horríveis, criando confusão pro futuro, inevitavelmente, e a gente segue com essas características que são de uma loucura.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Às vezes as pessoas estão num momento muito bom. Os momentos muito bons são muito perigosos porque eles são a parte da roda da vida em que nós aceitamos tudo como se fosse uma dádiva, como se fosse tudo favorável.</strong> E aquelas coisas favoráveis de hoje se transformam em problemas mais adiante. Todo mundo que compra um carro termina vendendo. As pessoas casam, depois elas descasam. Elas não se descasariam se não tivessem casado. Então quando a pessoa faz alguma coisa, ela já pensa: tem a região de descarte depois. Quando a gente se engaja em alguma coisa, inevitavelmente vai ter a outra parte mais adiante.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo no caminho espiritual nós temos isso. Aqui eu estou fazendo uma pequena introdução ao tema, não estou entrando no assunto, estou só descrevendo. Quando nós entramos no caminho espiritual dividindo bem e mal e nos filiando claramente ao bem, nós estamos dando nascimento ao mal e nós não vamos saber como lidar com esse mal, depois, especialmente quando nós tivermos sucesso em definir o que é o bem e nos filiarmos completamente. Nós não percebemos que, enquanto nós escolhemos o bem, nós damos nascimento ao mal. Nós damos nascimento mental, nós criamos os infernos, literalmente.<br />
<strong>Na visão budista, fora da lucidez não há salvação. Esse é o ponto. E lucidez tem um sentido profundo: significa compreensão da vacuidade.</strong> Compreensão da vacuidade intelectual, emocional, compreensão das paisagens como vacuidade, compreensão das mandalas. É necessário isso. Fora disso, não há lucidez. E não havendo lucidez, mesmo que a gente esteja dentro de um caminho espiritual, a gente pode vir a enfrentar situações bem difíceis, é inevitável.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Durante um longo tempo, no caminho espiritual, eventualmente nós criamos também identidades.</strong> Na medida que nós criamos essas identidades, elas andam bem, mas inevitavelmente construímos os infernos também. Porque essas identidades são artificiais. Na medida que se estabilizam, mais adiante, ou naquele mesmo modelo de estabilização daquelas identidades, nós temos os infernos construídos, que são as regiões de dissolução da identidade artificial e construída. Nós vamos fugir da destruição disso, nós vamos defender isso como quem defende qualquer coisa no meio do samsara e é inevitável que mais adiante nós vamos ter perdas desses panoramas todos, dessas visões todas, aí nós temos crises correspondentes. Podemos ter tremores, podemos ter várias coisas, a partir da dissolução da própria ilusão que nós vamos construindo por dentro do caminho espiritual. A coisa é complicada, quem quiser avançar um pouco nisso leia, por exemplo, Transcendendo a Loucura (Transcending Madness) e Além do Materialismo Espiritual, de Trungpa Rimpoche, que trabalha bem dentro disso. Estes são temas de grande importância quando se aplicam ao caminho espiritual.</p>
<p style="text-align: justify;">Este texto que se chama Transcendendo a Loucura é muito duro. <strong>Quem gosta de ouvir coisa irada, por favor, não perca a oportunidade. Nós vamos sentir que a nossa prática é nada, porque a maior parte de nós está fazendo prática como alguém que está cursando a universidade, buscando algum título, algum reconhecimento, alguma capacitação.</strong> Na verdade, nós não deveríamos estar fazendo isso, porque assim nós estamos construindo identidades. Nós deveríamos avançar no caminho da lucidez e não no caminho da qualificação. Nós não estamos construindo uma identidade espiritual que vai atingir a iluminação, o que seria o doutoramento. Nós não estamos fazendo isso. Quando atingirmos esse doutoramento nós vamos ver que a identidade mesmo vai ser ultrapassada. Vamos operar de um outro modo. É uma perda nós tomarmos esse tempo todo como um caminho de construção de alguma coisa. Mas é a linguagem que nós temos, no mundo onde nós estamos, estamos construindo coisas, então nós vamos usar no budismo durante um tempo essa linguagem: “É melhor você fazer isso, você vai ser mais feliz, tenta construir uma coisa melhor, desse modo e não daquele”. Isso é o que é chamado ensinamento provisório. O budismo está cheio de ensinamentos provisórios. Depois ele vai colocar uma vírgula e vai em direção a outras coisas. Estou aqui só tentando estabelecer uma conexão com o tema para que a gente possa agora olhar de uma forma um pouquinho mais teórica isso tudo. Como o tempo é limitado, não posso me alongar demais.</p>
<p style="text-align: justify;">O ponto central que eu queria explicar pra vocês é assim. A gente toma o centro da roda da vida como ponto crucial de reflexão. A gente toma a roda da vida como um todo como um panorama mais amplo que vai se desenhar a partir desse ponto central. Se nós quisermos falar em saúde, saúde mental, doença, doença mental, o nosso foco é a roda da vida, é o diagrama da roda da vida, é o mapa mental da roda da vida. Vocês olhem aquilo como um mapa mental, não como um ensinamento. <strong>Olhem aquilo como alguma coisa que vocês vão entendendo aos poucos e vão amadurecendo e vão transformando, olhando de forma mais ampla aquele conteúdo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O ponto central da roda da vida são os três animais: o javali, o galo e a cobra. Quando olhados desse modo, numa forma muito simples, são três qualidades ou três venenos da mente. O javali corresponde à ignorância, o galo corresponde à avareza e a cobra corresponde à raiva. <strong>Na visão budista, todos nós temos esse desequilíbrio original.</strong> Todo mundo nasce com javali, galo e cobra. Dito assim, eu precisaria recuar um pouquinho. Porque eu digo: nós nascemos deste modo. Mas nós nascemos deste modo dentro da roda da vida. Eu precisaria explicar que a roda da vida é um software, não é hardware. É uma forma de ver a vida. A nossa natureza não está presa à roda da vida e nem condicionada a ter que operar desse modo. Mas se nós vamos entrar na roda da vida, nós entramos através dos três animais.</p>
<p style="text-align: justify;">Continua na próxima semana.</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bodisatva/~4/ol40fwFG5yI" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bodisatva.com.br/a-doenca-mental-na-perspectiva-budista/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://bodisatva.com.br/a-doenca-mental-na-perspectiva-budista/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Ética – Educando a Mente e o Coração</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/bodisatva/~3/ssWexmaNloA/</link>
		<comments>http://bodisatva.com.br/etica-educando-a-mente-e-o-coracao/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 01 May 2012 22:21:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Berredo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[cultura de paz]]></category>
		<category><![CDATA[dalai lama]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bodisatva.com.br/?p=3487</guid>
		<description><![CDATA[
Palestra pública de SS o Dalai Lama na Universidade de Delhi, em Nova Delhi, Índia, no dia 22 de março de 2012.
&#8220;Jovens e velhos irmãos e irmãs. Estou de fato muito feliz por mais uma vez estar com muitos alunos e talvez professores e mestres. É realmente uma grande honra.
Como já foi explicado, meu principal compromisso é a promoção dos valores humanos. Em segundo lugar, meu compromisso é a promoção ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bodisatva.com.br/etica-educando-a-mente-e-o-coracao/blogdalai/" rel="attachment wp-att-3488"><img class="alignnone size-full wp-image-3488" title="Dalai Lama em um templo Sikh, nos arredores do Lago Tso Pema, Índia" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2012/04/blogDalai.jpg" alt="" width="588" height="276" /></a></p>
<p><em>Palestra pública de <strong>SS o Dalai Lama</strong> na Universidade de Delhi, em Nova Delhi, Índia, no dia 22 de março de 2012.</em></p>
<p>&#8220;Jovens e velhos irmãos e irmãs. Estou de fato muito feliz por mais uma vez estar com muitos alunos e talvez professores e mestres. É realmente uma grande honra.</p>
<p><strong>Como já foi explicado, meu principal compromisso é a promoção dos valores humanos</strong>. Em segundo lugar, meu compromisso é a promoção da harmonia religiosa. Essas duas coisas estão muito presentes na tradição indiana. Eu acho que o próprio conceito de ahimsa, não-violência, é o respeito à vida, respeito à existência. Todo fenômeno, todo tipo de coisa que tem vida, tem o direito de existir. Prejudicar suas vidas, prejudicar suas existências, destruir o direito a existir é violência. Conter prejuízos à vida é não-violência. A não-violência a partir do medo não é não-violência. Não-violência é ter oportunidade de lutar ou cometer algum ato violento, mas deliberadamente refrear, conter o uso da violência. Isso é não-violência. Então, a não-violência está muito relacionada a respeitar o direito dos outros num nível mental.</p>
<p><strong>Portanto, no nível mental, a semente da não-violência é o senso de preocupação com os outros seres, compaixão</strong>. A compaixão traduzida em ação é não-violência. Então não é suficiente simplesmente continuar dizendo: “Oh! Devemos seguir a não-violência!”, sem compreender todo o sistema. Cada ação humana se tornará violenta ou não-violenta, na completa dependência do bom coração. Não está relacionada à inteligência. A inteligência também muitas vezes se torna muito violenta.</p>
<p>E então, a harmonia religiosa &#8211; esse conceito não-violento, de tolerância e respeito a diferentes visões filosóficas. No campo filosófico, sim, há muitos pontos a serem debatidos. Mas esse é um assunto diferente. Mas essas visões diferentes também foram criadas por seres humanos, uma variedade de grandes pensadores, eles criaram tipos diferentes de visão. E eles têm o direito de expressar suas próprias visões. E então, todas essas diferentes visões filosóficas supostamente foram criadas para beneficiar a humanidade. Nos últimos mil anos, todas essas tradições realmente trouxeram imenso benefício à humanidade. Temos razões suficientes para respeitá-las. Com o respeito e a compreensão entre as religiões, e a real aprendizagem mútua, podemos desenvolver uma genuína harmonia entre as tradições religiosas.</p>
<p>Então estes são meus dois compromissos. E da responsabilidade política eu já abdiquei no ano passado. Não abdiquei apenas pessoalmente. Nos últimos quatro séculos, os Dalai Lamas se tornaram líderes políticos e espirituais do Tibete politicamente. Na verdade, o I, o II, o III e o IV Dalai Lama eram puramente líderes espirituais, não tinham poder político. Para o V Dalai Lama as circunstâncias eram de muita competição por poder político entre os grandes lamas. Eu acho que o V Dalai Lama fez uma boa coisa, unificando muitas partes do Tibete. E ele próprio adotava uma política não-sectária. Bom! É claro que havia também algumas críticas. E então, o XIV Dalai Lama, voluntariamente, alegremente, orgulhosamente encerrou essa tradição. E agora um dos meus segredos: no ano passado, na noite do dia em que eu anunciei formalmente minha renúncia, meu sono foi muito incomum, sem nenhum sonho, um sono bastante saudável. Esse é uma indicação de que eu liberei algum senso de responsabilidade pesada. De fato, eu voluntariamente, alegremente mudei isso. Inicialmente alguns tibetanos sentiram-se um pouco desconfortáveis, dentro e fora do Tibete. Então, em diversas ocasiões eu expliquei e por fim eles compreenderam. <strong>E agora, tenho apenas esses dois compromissos: promover os valores humanos e promover a harmonia religiosa.</strong></p>
<p>O nosso trabalho, com o qual estamos completamente comprometidos, é um tipo de trabalho muito sério. Com ele nós podemos potencialmente transformar o mundo. Eu tenho sempre dito às pessoas que o século XX foi maravilhoso, o mais importante em toda a história da humanidade. Mas infelizmente, apesar de todo o ostensivo desenvolvimento, o século XX se tornou o século da violência, da violação. Até mesmo a energia nuclear foi usada contra seres humanos em Hiroshima e Nagasaki. <strong>Eu tive a oportunidade de visitar Hiroshima e Nagasaki e conheci algumas vítimas da bomba nuclear. Muito triste.</strong> O efeito permanece por muitos anos. Não houve apenas uma imensa destruição em um único momento, mas o efeito durará por um longo tempo. De acordo com a história do século XX, o número de pessoas mortas pela violência, pelas guerras foi de 200 milhões. Então eu frequentemente digo que no início do século XXI tivemos alguns eventos tristes, aqui e ali, todos devido a negligência e a erros. Eu acho que nenhuma pessoa sensível quer que o século XXI seja novamente um século de violência, ninguém se beneficia. E na maior parte dos casos, pessoas inocentes são as que mais sofrem.</p>
<p>Há algum tempo eu disse aos cientistas e também a tecnólogos que se houvesse uma bala que pudesse ser direcionada, não a pessoas comuns, mas diretamente aos que causam confusões, isso seria bom. A bala iria e atingiria os causadores de confusão que estão confortavelmente sentados em algum lugar. E as pessoas comuns não sofreriam. Mas esse não é o caso. Vejam a Síria e os eventos recentes no norte da África. E muitos outros lugares onde surge a violência, pessoas inocentes, crianças, mulheres, sofrem. E também há os efeitos negativos imensos na questão ambiental. Também acho que o único propósito da produção de armas é matar. Se as armas não forem usadas para matar, muito dinheiro será desperdiçado. Economicamente, essas fábricas imensas que produzem essas armas são na verdade desperdício de dinheiro.</p>
<p>Eu sempre digo que antes de 1950, todas as nossas fronteiras eram muito pacíficas e por fim essa situação mudou. Muito dinheiro que o governo indiano arrecada em impostos tem que ser gasto para defender essa longa fronteira, áreas muito difíceis. Se essa quantia de dinheiro fosse utilizada em hospitais, escolas, muitas áreas poderiam progredir. E na China também. No ano passado e neste ano também, o orçamento para segurança interna foi maior que o orçamento da defesa exterior. O inimigo interno é maior que o inimigo externo. Se o inimigo interno puder ser contado nos dedos das mãos, não será necessário gastar tanto dinheiro. Eu acho que os regimes totalitários, o comunismo chinês, ainda acreditam que o poder é ter melhores armas. Essa afirmação é míope. Durante a revolução, na guerra civil, na guerra contra o Japão, tal poder é importante. Mas durante um curto período de tempo. Mas por 60 anos, ainda manter esse tipo de política é ter uma mente muito estreita, uma visão muito estreita. É falta de conhecimento sobre a mente humana, sobre a natureza humana.</p>
<p><strong>Vejam os Estados Unidos. Eu realmente respeito a América, admiro a América. Mas e a política no Iraque, no Afeganistão?</strong> O objetivo é bom, modernizar é bom mas o método é violento. Então, todo tipo de método violento frequentemente tem consequências inesperadas. Métodos violentos são de fato não realísticos. No nível emocional, você pode obter alguma satisfação, mas com relação à realidade é um método equivocado.</p>
<p><strong>O século XXI deverá ser o século da paz, da não-violência.</strong> Isto não significa que neste século não teremos nenhum problema. Não! Os problemas vão continuar ocorrendo. Haverá crises em algumas regiões, a população continua crescendo, acho até que os problemas podem crescer. Então como desenvolver um século pacífico? A cada vez que enfrentarmos um problema, devemos encontrar meios não-violentos de dialogar.</p>
<p><strong>Eu acho que nós, seres humanos, a cada vez que enfrentamos algum desacordo, algum problema, a primeira resposta que vem à mente, a nossa emoção, é como resolver com base na força.</strong> Isso é um erro. Então, agora, desenvolver um século de paz está muito relacionado a desenvolver um século de compaixão, como eu mencionei anteriormente. A não-violência está absolutamente relacionada à mente compassiva. Nossa atitude, como eu disse, não é muito civilizada, nem mesmo dentro das nossas famílias; quase sempre acontecem demonstrações de força. Agora, mudar isso, não será através da fé religiosa, nem através da intervenção da ONU, nem por resolução no nível nacional, não. É em cada indivíduo. No momento, até mesmo entre líderes religiosos existem pessoas não muito saudáveis. Então religião suja, política suja, economia suja&#8230; é assim. Muita exploração. Muita corrupção. E a desigualdade entre ricos e pobres aumentando. É vergonhoso que neste país, comparativamente uma nação voltada à religião, muitos não hesitem em se envolver em corrupção. Considerando aquelas pessoas que oficialmente negam qualquer valor religioso, é compreensível. Mas uma nação que realmente crê em Deus, Shiva, ou o que seja, francamente falando, eu acho que muitas pessoas corruptas, incluindo pessoas muito influentes, pela manhã fazem preces de adoração, mas no dia-a-dia não hesitam frente à corrupção, em trapacear, em assediar. Vocês acham que essas pessoas são religiosas?</p>
<p>Mas através de resoluções, de ordens, não é possível resolver. Não podemos culpar essas pessoas. Elas cresceram em uma sociedade que não presta muita atenção a princípios morais. A fé religiosa se tornou um instrumento de atitude autocentrada. Uma vez, há muitos anos, na Argentina, num encontro inter-religioso, um dos mais importantes cientistas, físico, mencionou que ele, como cientista, não deveria desenvolver apego ao seu campo científico. Eu compreendi que aquilo era realmente muito importante. <strong>E eu mesmo, budista, não deveria desenvolver apego ao budismo. Uma vez que o apego se desenvolve, sua atitude, seu pensamento se torna tendencioso</strong>. Uma mente tendenciosa nunca vê as outras coisas de modo objetivo. Acho que muitas pessoas religiosas têm demasiada fé, de forma tendenciosa e com muito apego. <strong>O apego vem da atitude autocentrada. &#8220;Eu estou certo! Eles não!&#8221;</strong></p>
<p>Portanto, sempre faço essa distinção: a minha geração pertence ao século XX; esse século já se foi. Esses jovens aqui presentes, vocês são a geração do século XXI. Até hoje, apenas 10 anos deste novo século se passaram. Restam ainda cerca de 90 anos. Se vocês fizerem um esforço, com uma nova visão, holística, não apenas pensando na sua própria família, em sua própria nação, mas pensando em toda a humanidade, de forma global, vocês poderão contribuir significativamente na transformação da visão da humanidade. Uma vez que a nossa atitude básica tenha mudado de maneira positiva, sendo mais compassiva, respeitando os direitos e a visão dos outros, tentando resolver cada vez problema que surgir através do diálogo, então poderemos construir um mundo pacífico, um século pacífico. Vocês têm uma oportunidade muito boa de mudar o mundo, de construir um mundo saudável. Eu não verei esse resultado. Mas estarei observando vocês, do inferno ou do céu, para ver se vocês irão implementar isso ou não! Culpar os outros ou reclamar não é suficiente. Vocês precisam fazer esforços para que o nível fundamental, que a forma de pensar se transforme. Não através de orações, não através da meditação, não através da sua prática de yoga, mas usando o bom senso, pela consciência plena da realidade.</p>
<p>Nosso último encontro com os cientistas tinha como tema &#8220;corpo saudável, mente saudável&#8221;. Isso é muito claro. Ter um corpo saudável e uma mente saudável é muito relevante. <strong>É impossível desenvolver um corpo saudável com uma mente perturbada, tomando um tranquilizante ou qualquer droga diariamente.</strong> Vejam esses artistas que todos admiram; e então vemos nos noticiários que usam muitas drogas. Suas mentes não devem estar muito calmas. A tranquilidade mental que depende de comprimidos, de drogas, de álcool, ou de boas músicas, ou de um bom programa de TV, utiliza um método muito provisório. Porque os verdadeiros destruidores da calma mental não são externos, mas estão dentro da nossa própria mente. Então, a menos que nós descubramos esses destruidores da paz interior e possamos nos contrapor a eles, nós não conseguiremos desenvolver uma mente pacífica, uma mente tranquila. Vendo algo bonito, ouvindo uma boa música&#8230; enquanto isso estiver disponível, você obtém algum tipo de satisfação. Assim que isso desaparecer, a satisfação acaba também. A paz interior, a serenidade que surge a partir da consciência, esse tipo de paz mental permanece sempre, inclusive nos seus sonhos. Nós temos esse potencial! Tudo que temos que fazer é utilizar esse potencial. Essa é a questão.</p>
<p>Agora vamos falar de educação. Da mesma forma que desenvolvemos um corpo saudável através da higiene, exercícios físicos e algumas informações, precisamos desenvolver uma mente saudável através da educação, através da consciência. Podemos desenvolver uma melhor consciência. Uma vez que temos inteligência, podemos considerar prós e contras, claro que podemos utilizar nossa inteligência de forma positiva, voluntariamente, sem ordens externas.<strong> É possível transformar nossas mentes através da consciência, não apenas através de orações, de fé.</strong> Através da consciência, da própria natureza da mente e das emoções, através da educação. Eu acho isso bem possível. Portanto façam esforços, em trabalhos de pesquisa, para compreender melhor como educar, desde o jardim da infância até a universidade. Não através de coisas secretas, mas simplesmente pela educação, pelo conhecimento.</p>
<p><strong>Então, em primeiro lugar, é extremamente importante saber mais sobre o processo da mente, das emoções, como se fosse um mapa.</strong> Quando viajamos para países estrangeiros, primeiro temos que conhecer os mapas, saber por onde ir até chegar ao destino final. Da mesma forma, é preciso o conhecimento completo do mapa da mente, de tudo que destroi a calma mental, quais são as emoções destruidoras, identificar essas emoções e então entender como podemos enfrentá-las. <strong>Todo tipo de mudança nunca ocorre de forma independente, sempre há causas e condições. Para enfrentá-las, como no caso das doenças, é preciso lidar com as causas; tranquilizantes e analgésicos são temporários. Dores são sintomas; temos que lidar com as causas daquela dor. </strong>Da mesma forma, a perturbação da nossa paz interior é também um sintoma, que deriva de emoções prévias. A forma adequada de enfrentar essas emoções destrutivas é lidar com as causas e condições. Portanto, é absolutamente necessário conhecer o mapa completo ou o processo das emoções. As informações podem vir de muitos textos, incluindo os textos budistas. <strong>No hinduísmo também estão presentes as práticas de samadhi, vipashyana, que explicam a mente.</strong> Temos que coletar informações dessas fontes, mas que devem ser consideradas um assunto acadêmico. São universais, é simplesmente a ciência da mente. Não importa se há fé ou não. Agora chegou o momento de pensar seriamente, de fazer pesquisas, sobre como introduzir, como assunto acadêmico, esses princípios morais, desde o jardim da infância até o nível universitário.</p>
<p>Durante esta manhã, eu também mencionei que a própria constituição da Índia tem fundamento secular, por ser multicultural, multirreligiosa. E o secularismo também envolve respeito à visão dos que não têm fé. Eu penso que transmitir os princípios morais seculares por meio da educação secular é bastante adequado a este país. Alguns dos meus amigos muçulmanos, cristãos, me disseram, quando uso o termo ética secular ou secularismo, que têm uma certa reserva, têm essa visão de que o secularismo é negativo com relação às religiões. Mas não é. O secularismo indiano significa respeito a todas as tradições, todas as religiões. E também, de acordo com alguns de meus amigos, o secularismo neste país respeita os direitos dos que não têm nenhuma fé. Isso é maravilhoso!</p>
<p>A conclusão é de que vocês já possuem essa tradição baseada em ahimsa, harmonia religiosa; agora adicionalmente é preciso promover com a lógica, com a razão, algum tipo de educação para impulsionar mais essas coisas. Assim, não apenas as pessoas deste país serão mais felizes, mas também, a Índia, por ser a democracia mais populosa do mundo, poderá ter um impacto significativo no nível mundial. Então, por favor, tenham maior autoconfiança. Tenham visão e façam mais esforços. <strong>Não sejam preguiçosos como eu. Esforcem-se! Há um ditado tibetano que diz: &#8220;falhar nove vezes, esforçar-se nove vezes.&#8221; Se até pessoas que fazem coisas erradas, destrutivas, se esforçam! Para construir um mundo mais saudável, um século saudável, precisamos fazer esforços sem descanso! Isso é muito importante.</strong></p>
<p>E então, as questões ambientais, a desigualdade entre ricos e pobres, exploração, e, neste país, o sistema de castas, realmente criam muitos problemas, milhões de pessoas pobres. <strong>Se desenvolvermos a consciência, um senso de responsabilidade global, de &#8220;uma&#8221; humanidade &#8211; religião é secundária &#8211; de que basicamente nós somos seres humanos iguais, com os mesmos direitos, automaticamente todas essas negatividades se reduzirão.</strong>&#8220;</p>
<p><strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=vYtWli7_0Ps&amp;feature=share">Assista todo vídeo da palestra, em inglês. Com perguntas e respostas no fim do vídeo.</a></strong></p>
<p>Tradução livre de Jeanne Pilli</p>
<p>&nbsp;</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bodisatva/~4/ssWexmaNloA" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bodisatva.com.br/etica-educando-a-mente-e-o-coracao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://bodisatva.com.br/etica-educando-a-mente-e-o-coracao/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Lama Padma Samten no TEDxAmazônia</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/bodisatva/~3/cy8oAXa4r38/</link>
		<comments>http://bodisatva.com.br/lama-padma-samten-no-tedxamazonia/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 00:27:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Stela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ação]]></category>
		<category><![CDATA[5 Sabedorias]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Lama Padma Samten]]></category>
		<category><![CDATA[TEDx Amazônia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bodisatva.com.br/?p=3325</guid>
		<description><![CDATA[
A missão do TED é reunir pessoas, cujas idéias são inspiradoras para a construção de um mundo melhor e por isso devem ser compartilhadas e espalhadas. O TEDx é uma iniciativa local e independente, porém inspirada no espírito e formato do TED. O TEDxAmazonia teve sua primeira edição em novembro de 2010 no Jungle Palace, um hotel flutuante no meio da Amazônia, à margem esquerda do Rio Negro e terá ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2012/04/lama-tedxamazonia11.png" alt="Lama Padma Samten Tedx Amazônia" title="Lama Padma Samten Tedx Amazônia" width="588" height="275" class="alignnone size-full wp-image-3479" /></p>
<p>A missão do <a href="http://www.ted.com/">TED</a> é reunir pessoas, cujas idéias são inspiradoras para a construção de um mundo melhor e por isso devem ser compartilhadas e espalhadas. O TEDx é uma iniciativa local e independente, porém inspirada no espírito e formato do TED. O <a href="http://www.tedxamazonia.com.br/">TEDxAmazonia</a> teve sua primeira edição em novembro de 2010 no Jungle Palace, um hotel flutuante no meio da Amazônia, à margem esquerda do Rio Negro e terá sua segunda edição em junho de 2012.</p>
<p><span id="more-3325"></span></p>
<p>Com apenas 10 a 15 minutos para expor suas idéias, os palestrantes no TEDx costumam apressar-se para dar conta do que têm a dizer nesse curto espaço de tempo. Lama Padma Samten surpreende a platéia do TEDxAmazônia ao convidá-la para fazer alguns instantes de silêncio, antes de começar sua fala.</p>
<p>Em menos de 10 minutos Lama Samten expõe idéias essenciais e muito profundas do Budismo, que, na verdade, <strong>vão além do próprio Budismo</strong> e podem ser aproveitadas por qualquer pessoa, independente de sua crença ou religião.</p>
<p>Lama começa falando que estamos num tempo de <strong>superar as ingenuidades</strong>. Ele destaca o valor da ciência, como um instrumento de estudo do que está diante de nós e também a importância das tradições contemplativas, cuja principal contribuição é o conhecimento do mundo interno. Ele diz que a superação da ingenuidade é a superação da ideia de que a compreensão do mundo externo seja suficiente ou a compreensão do mundo interno seja suficiente.  Ele explica que a realidade é muito mais complexa e exige a observação da<strong> inseparatividade entre o mundo interno e externo.</strong></p>
<p>Lama introduz então a noção de inseparatividade, presente na física quântica, área na qual se aprofundou enquanto físico. Ele cita o filósofo Wittgenstein e a importância do estudo da História e da Filosofia da Ciência para entendermos a limitação da visão de cada tempo, a limitação dos paradigmas. Lama Samten explica que os cientistas, quando refletem sobre a realidade, se valem de paradigmas e concepções próprias, o que faz com que suas conclusões sobre a realidade jamais sejam neutras, mas intimamente ligadas aos referenciais utilizados para descrevê-la.</p>
<p><strong>&#8220;A ingenuidade é pensar que o que nós vemos e pensamos é suficientemente amplo.&#8221;</strong></p>
<p>Uma vez que a realidade não é externa e fixa, mas inseparável daquele que a experencia, Lama Samten fala da nossa <strong>capacidade de criar nossos próprios mundos</strong>. Se temos essa liberdade de criar e gerenciar mundos, que o façamos da melhor forma possível, trazendo benefício para nós mesmos e para os outros. Nesse contexto, Lama Samten explica que a melhor forma de construir nossos mundos é operando com as 5 sabedorias e a sabedoria de Vajrasatva.</p>
<p>Alguns trechos da palestra:</p>
<p>&#8220;Do mesmo modo que os cientistas podem construir concepções de mundo, nós<strong> temos a capacidade de construir concepções vitoriosas e positivas de mundo.</strong> Nós não estamos condenados a viver nos mundos que nós herdamos, além do mais, os mundos que nós herdamos não vêm de forma concreta, eles podem ser algum tipo de maldição, algum tipo de mágica a qual nós estamos submetidos. &#8221;</p>
<p>&#8220;Na visão budista, da mesma forma para a física quântica, <strong>o mundo é mágico</strong>. <strong>O mundo não é algo que está pronto e nós somos vítimas dele.</strong> O mundo é algo que nós construimos com nossos olhares, com os nossos conceitos. &#8221;</p>
<p>&#8220;Se nós quisermos treinar uma construção positiva do mundo nós deveríamos gerar <strong>seis sabedorias.</strong>&#8221;</p>
<p>Veja aqui o vídeo da palestra!</p>
<p><iframe width="590" height="332" src="http://www.youtube.com/embed/2EcsddINgYA?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bodisatva/~4/cy8oAXa4r38" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bodisatva.com.br/lama-padma-samten-no-tedxamazonia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://bodisatva.com.br/lama-padma-samten-no-tedxamazonia/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Um breve relato da passagem do Kyabje Tenga Rinpoche</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/bodisatva/~3/mKY-o4jGgYc/</link>
		<comments>http://bodisatva.com.br/um-breve-relato-da-passagem-do-kyabje-tenga-rinpoche/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 30 Mar 2012 20:35:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Berredo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ação]]></category>
		<category><![CDATA[Capa]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[mente]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bodisatva.com.br/?p=3386</guid>
		<description><![CDATA[
Como vocês sabem, Kyabje Tenga Rinpoche havia sido internado no hospital na noite de 26 de março. No dia 28, às 5:30 pm Rinpoche expressou seu desejo de voltar ao mosteiro. Os médicos o aconselharam fortemente a não fazê-lo, devido à falta de instalações de lá, e dizendo francamente a Rinpoche que não poderiam dar nehuma garantia por se ele optasse por sair de qualquer maneira. No entanto, Rinpoche manteve ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bodisatva.com.br/um-breve-relato-da-passagem-do-kyabje-tenga-rinpoche/tenga3-2/" rel="attachment wp-att-3391"><img class="alignright size-full wp-image-3391" title="Tenga Rinpoche" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2012/03/tenga31.jpg" alt="" width="588" height="275" /></a></p>
<p><P>Como vocês sabem, Kyabje Tenga Rinpoche havia sido internado no hospital na noite de 26 de março. No dia 28, às 5:30 pm Rinpoche expressou seu desejo de voltar ao mosteiro. Os médicos o aconselharam fortemente a não fazê-lo, devido à falta de instalações de lá, e dizendo francamente a Rinpoche que não poderiam dar nehuma garantia por se ele optasse por sair de qualquer maneira. No entanto, Rinpoche manteve sua decisão, que também foi confirmado pelo conselho de S.S Karmapa pouco tempo depois. Uma ambulância foi preparada e Rinpoche chegou ao mosteiro por volta das 19:00.</P></p>
<p><P>Anteriormente, enquanto no hospital, a situação Rinpoche era  insuportável. Ele estava em um grande desconforto e tinha de ser virado a cada minuto. Além disso, enquanto na clínica, ele não conseguia dormir por um minuto sequer. Esta situação persistiu por algum tempo uma vez que ele estava de volta para casa no mosteiro até que, às 9:30 pm, ele perguntou a Tashi Özer e Sherab Wangchuk para dizer a todos para saírem. Por volta das 10:00 Rinpoche pediu especificamente para chamarem oito pessoas . Eram Tenpa Yarpel, Sherab Wangchuk, Lodrö Jinpa, Tashi Özer, Karma, Lama Geleg, Lama Tsöndrü e Sopa Chopel. Ao entrarem, encontraram Rinpoche dormindo pacificamente e ficaram em silêncio na sua presença até meia-noite.</P></p>
<p><P><strong>Quando Rinpoche acordou pouco depois da meia-noite, Sherab Wangchuk informou-lhe que todos os requeridos estavam presentes. Rinpoche foi, então, ajudado a sentar-se e começou a falar de sua última vontade.</strong> Ele pediu várias vezes que suas palavras fossem gravadas de modo de não haver nenhum erro mais tarde. Entre os desejos de Rinpoche foi de que alguns objetos de ouro que tinham sido recentemente oferecidos a ele, serem colocado dentro da grande estátua de Maitreya no templo principal, bem como no remate de ouro em cima do teto templo. Isso já foi feito.</P></p>
<p><P><strong>Não ficou imediatamente aparente, mas depois de um tempo notou-se que Rinpoche não fez mais qualquer movimento. Ao invés disso, sentou-se muito ereto e imóvel e não parecia mais ser uma pessoa doente.</strong> Enquanto anteriormente Rinpoche havia se sentido muito enjoado, agora tudo isso tinha ido embora e ele não mais parecia estar desconfortável. Ocasionalmente, ele pedia um gole de água ou suco.</P></p>
<p><P>Depois de algum tempo Tenpa Yarpel foi chamado novamente e Rinpoche deixou bem claro que ele desejava que seu corpo fosse cremado. Sendo ainda mais específico, Rinpoche determinou que os quatro rituais de fogo para a cremação deveriam ser realizado pelos nossos lamas e monges do mosteiro Benchen, por Tsike Chokling Rinpoche, por Chökyi Nyima Rinpoche e por Tulku Yonten do mosteiro de Thrangu e seus respectivos monges.</P></p>
<p><P>Mais uma vez, um pouco mais tarde Sherab Wangchuk foi chamado e instruído a extender os melhores desejos e aspirações de Rinpoche para todos os seus alunos na Europa, Malásia, Singapura, Taiwan e Indonésia, e especialmente à Sra. How Yok Bee, Sr. e Sra. Peter e Nora Rohde-Kvaede e ao Sr. Tim Tashi Boldt e família.</P></p>
<p><P>Mais uma vez um pouco mais tarde Tenpa Yarpel foi chamado. Rinpoche declarou expressamente que era o seu desejo de que a Tenpa Yarpel fosse dado o posto de Tesoureiro Sênior, enquanto a Tashi Özer será o de Tesoureiro júnior do Mosteiro Benchen.Isto foi posto por escrito e será respeitado.</P></p>
<p><P>Até agora a noite tinha passado e eram as primeiras horas de 29 de março. As 3:00h Rinpoche chamou Karmo, sua sobrinha. Depois que Yarpel Tenpa foi chamado novamente e Rinpoche pediu que pedissem a Sangyum Dechen, a esposa de Tsike Chokling Rinpoche, a ser convidada para a manhã seguinte. Rinpoche insistiu uma vez mais como ele desejava que os seus melhores votos fossem enviados a todos. Às 6:00 H.E.Sangye Nyenpa Rinpoche veio e ficou com Tenga Rinpoche até pouco antes das 9:00, altura em que Sangyum Dechen chegou. Rinpoche tomou conhecimento de sua chegada, mas não disse nada. Por volta das 9:30 da manhã ela pediu permissão para deixar Rinpoche e foi dispensado.</P></p>
<p><P><strong>Depois disso Ozer Tashi perguntou a Rinpoche como e quando se deveria começar a procurar próxima encarnação do Rinpoche.</strong> Tenga Rinpoche foi muito explícito sobre isso dizendo: &#8220;Pergunte a Sua Santidade o Karmapa! Seu conselho será muito claro.&#8221;</P></p>
<p><P><strong>Por mais de 28 horas Rinpoche esteve sentado bem ereto e imóvel e por muito desse tempo ele parecia estar em profunda meditação.</strong> À noite Tenpa Yarpel foi chamado novamente à presença de Rinpoche e pediu para gravar suas palavras. Foi pedido de Tenga Rinpoche para que Sangye Nyenpa Rinpoche continuamente tomasse cuidado para que todos os rituais tradicionais do Mosteiro Benchen, as danças e pujas etc, continuassem ininterruptamente no futuro. Tenpa Yarpel então pediu Kyabje Tenpa Rinpoche para que, por favor, retornasse muito rapidamente, no que Rinpoche sorriu e acenou com a cabeça.</P></p>
<p><P><strong>Por volta de 1:00 am Tenga Rinpoche mencionou que ele havia visto claramente seus professores diante de dele, o anterior 11º Tai Situ Pema Wangchok Gyalpo, o anterior Sangye Nyenpa Rinpoche, o anterior Dilgo Khyentse Rinpoche e o segundo Jamgön Kongtrul Palden Khentse Özer.</strong> Então, nas primeiras horas de 30 de Março, às 3:24 am hora local, para ser exato, ele finalmente faleceu. H.E. Sangye Nyenpa Rinpoche tinha visitado várias vezes antes disso.</P></p>
<p><P><strong>Este dia, que é o oitavo dia do segundo mês tibetano, é um dia sagrado para a Tara Salvadora.</strong> Quando o momento finalmente chegou, Sangye Nyenpa Rinpoche ofereceu as palavras do &#8220;Esclarecendo o estado de Thugdam &#8221; e os recitou diretamente no ouvido de Tenga Rinpoche. Assim Tenga Rinpoche ajustou sua postura um pouco, colocou as mãos no gesto da meditação, e desde então entrou na meditação profunda, que é conhecido como &#8220;Thugdam&#8221;, um estado meditativo que os grandes mestres realizados podem entrar depois de seus corpos tenham expirado. Logo depois que disso Sangye Nyenpa Rinpoche liderou a recitação de orações às Três Jóias e especialmente o &#8220;Apelo ao Lama ( Lama Djanbo)&#8221; por Jamgön Kongtrul.</P></p>
<p><P><strong>Desde então, o conselho precioso de Sua Santidade o Karmapa foi recebido para manter ambientes ao redor Kyabje Tenga Rinpoche muito calmo e não permitir visitas ao Kudung, os restos preciosos, pela duração de três dias.</strong> Vamos agir em conformidade. Mediante a vontade expressa Kyabje Tenga Rinpoche, que deseja ser cremado e os conselhos do HE Sangye Nyenpa Rinpoche, a data para a cremação foi fixado para 18 de maio de 2012.</P></p>
<p>Com os melhores cumprimentos,</p>
<p>O Comitê do Monastério de Benchen</p>
<p>[O Precioso Kudung - Foto tirada por Karma Sherab Wangchuk, atendente pessoal de Kyabje Tenga Rinpoche, Kathmandu, 2012]</p>
<p><a href="http://bodisatva.com.br/um-breve-relato-da-passagem-do-kyabje-tenga-rinpoche/tenga4/" rel="attachment wp-att-3388"><img class="size-full wp-image-3388 alignleft" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2012/03/tenga4.jpg" alt="" width="411" height="266" /></a></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bodisatva/~4/mKY-o4jGgYc" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bodisatva.com.br/um-breve-relato-da-passagem-do-kyabje-tenga-rinpoche/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://bodisatva.com.br/um-breve-relato-da-passagem-do-kyabje-tenga-rinpoche/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Palestra do Lama Samten na abertura do V Congresso da Cidade</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/bodisatva/~3/XkE_pq0W9RQ/</link>
		<comments>http://bodisatva.com.br/palestra-do-lama-samten-na-abertura-do-v-congresso-da-cidade/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 Mar 2012 00:02:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Stela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ação]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
		<category><![CDATA[Lama Padma Samten]]></category>
		<category><![CDATA[Palestra]]></category>
		<category><![CDATA[Porto Alegre]]></category>
		<category><![CDATA[V Congresso da Cidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bodisatva.com.br/?p=3298</guid>
		<description><![CDATA[
Em março de 2011, ocorreu em Porto Alegre o V Congresso da Cidade, cujas atividades se estenderam até o fim do mês de novembro. O evento teve como objetivo refletir sobre o planejamento, os desafios e o cuidado com a capital gaúcha de uma forma ampla e participativa, reunindo diferentes setores da sociedade.
Lama Padma Samten foi convidado para fazer a palestra de abertura do evento, que ocorreu no auditório do Ministério ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bodisatva.com.br/palestra-do-lama-samten-na-abertura-do-v-congresso-da-cidade/lama-congresso-1-2/" rel="attachment wp-att-3364"><img class="alignnone size-full wp-image-3364" title="Lama Samten V Congresso da Cidade" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2012/03/lama-congresso-11.png" alt="Lama Samten V Congresso da Cidade" width="589" height="393" /></a></p>
<p>Em março de 2011, ocorreu em Porto Alegre o <strong>V Congresso da Cidade</strong>, cujas atividades se estenderam até o fim do mês de novembro. O evento teve como objetivo refletir sobre o planejamento, os desafios e o cuidado com a capital gaúcha de uma forma ampla e participativa, reunindo diferentes setores da sociedade.</p>
<p>Lama Padma Samten foi convidado para fazer a palestra de abertura do evento, que ocorreu no auditório do Ministério Público do Rio Grande do Sul, no dia 24.03.2011. Lama Samten falou sobre a importância da visão na atualidade, física quântica, problemas ambientais e sociais, resiliência e sobre a influência do mundo emocional nas diferentes áreas da vida e da sociedade.</p>
<p><span id="more-3298"></span>A palestra está disponível abaixo em quatro vídeos de aproximadamente 15 minutos cada.</p>
<p>Alguns trechos da palestra:</p>
<p>“A perda de visão seria como um pesadelo dos gestores. Os gestores estão sempre assombrados pela perda de visão. Por exemplo, uma empresa que vai investir hoje para começar a produzir daqui a cinco anos é uma empresa que necessita <strong>cuidar delicadamente da questão da visão</strong>.”</p>
<p>“Vocês olhem a bolha econômica de dois anos atrás: 100 bancos americanos quebraram. Por que isso? <strong>Eles quebraram, porque eles não conseguiram ver.</strong> Como é que eles não conseguiram ver, se nos EUA nós temos o maior número de PhDs na área de economia e nós temos com certeza vários prêmios Nobel na área de economia? Como é que eles não viram? Eles não viram porque, como cientistas, eles só vêem o que é possível, eles não conseguem ver adiante. Mas nós estamos num tempo em que o custo é altíssimo se nós não conseguimos ver adiante.”</p>
<p>“Nós descobrimos que nós só conseguimos ver externamente o que o nosso mundo interno concebe.”</p>
<h3><strong>1 – Responsabilidade Universal</strong></h3>
<p><strong>Temas:</strong> processo econômico, busca pela felicidade, avidya, perda de visão, história da ciência, bolha econômica, física quântica, Niels Bohr, mundo interno e externo, Wittgenstein, resiliência</p>
<p><iframe width="573" height="430" src="http://www.youtube.com/embed/9AATl1IjO4A?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>2 – Método da reconstrução do olhar</strong></h3>
<p><strong>Temas:</strong> perda de resiliência, razão do estado, razão do cidadão, paisagem mental e emocional, espaços de possibilidades, energia/lung, brilho no olho, método de investigação apreciativa, dar nascimento</p>
<p><iframe width="573" height="430" src="http://www.youtube.com/embed/e2waJYn_9Tk?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<h3></h3>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>3 – Surgimento do sonho</strong></h3>
<p><strong>Temas:</strong> método de investigação apreciativa, construção de um sonho, trabalho em rede, dar nascimento, cidadania, experiência com a comunidade Jardim Castelo, história da Casa da Sopa, visão econômica</p>
<p><iframe width="573" height="430" src="http://www.youtube.com/embed/PbRESa5_CPk?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>4 – Cuidando da cidade</strong></h3>
<p><strong>Temas:</strong> pensamento amplo, mandala, participação popular, resiliência, cinco sabedorias, mantra do Guru</p>
<p><iframe width="573" height="430" src="http://www.youtube.com/embed/DEGsyG5UUfI?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bodisatva/~4/XkE_pq0W9RQ" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bodisatva.com.br/palestra-do-lama-samten-na-abertura-do-v-congresso-da-cidade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://bodisatva.com.br/palestra-do-lama-samten-na-abertura-do-v-congresso-da-cidade/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Conecte-se com a Mãe Terra para Curar o Planeta e Ame-a</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/bodisatva/~3/xfTZFK98KPQ/</link>
		<comments>http://bodisatva.com.br/conecte-se-com-e-ame-a-mae-terra-para-curar-o-planeta/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 12 Mar 2012 20:42:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Berredo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
		<category><![CDATA[ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bodisatva.com.br/?p=3191</guid>
		<description><![CDATA[
Entrevista com o mestre budista Thich Nhat Hanh publicada dia 20 de fevereiro de 2012. Por Jo Cofino editor chefe do site Common Dreams. Tradução para o português, Jeanne Pilli.
Conecte-se com e Ame a Mãe Terra para Curar o planeta.
&#8220;Precisamos de um despertar verdadeiro&#8221;.
Equipe do Common Dreams.
Thich Nhat Hanh, monge budista, ativista da paz e erudito, diz que devemos ver a conexão entre a Terra e nós mesmos, e que ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bodisatva.com.br/conecte-se-com-e-ame-a-mae-terra-para-curar-o-planeta/tich3/" rel="attachment wp-att-3197"><img class="size-full wp-image-3197 alignleft" title="Martin Luther King e Thich Nhat Hanh, 1967." src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2012/03/tich3.jpg" alt="Martin Luther King indicou Thich Nhat Hanh ao prêmio nobel da paz." width="589" height="288" /></a></p>
<p>Entrevista com o mestre budista <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Thich_Nhat_Hanh">Thich Nhat Hanh</a> publicada dia 20 de fevereiro de 2012. Por Jo Cofino editor chefe do site <a href="http://www.commondreams.org/headline/2012/02/20-0">Common Dreams</a>. Tradução para o português, Jeanne Pilli.</p>
<p><strong>Conecte-se com e Ame a Mãe Terra para Curar o planeta.<br />
&#8220;Precisamos de um despertar verdadeiro&#8221;.</strong></p>
<p>Equipe do <a href="http://www.commondreams.org/about-us">Common Dreams</a>.</p>
<p>Thich Nhat Hanh, monge budista, ativista da paz e erudito, diz que devemos ver a conexão entre a Terra e nós mesmos, e que devemos nos apaixonar novamente pela Terra, a fim de curar o planeta.</p>
<p>O editor chefe Jo Confino entrevistou o monge de 86 anos em seu centro de retiro <a href="http://www.plumvillage.org/">Plum Village</a>. Confino escreve:</p>
<p><em>Thay, como Thich Nhat Hanh é conhecido por seus milhares de seguidores, vê a falta de sentido e de conexão na vida das pessoas como sendo a causa da nossa dependência do consumismo e que é vital reconhecermos e reagirmos à tensão à qual estamos submetendo a Terra, se quisermos que a civilização sobreviva.</em></p>
<p>Thay acredita que o problema está em vermos o meio ambiente como algo separado de nós mesmos; a mudança só poderá vir quando nos movermos para além desta forma dualista de pensar:</p>
<p><em><strong>&#8220;Você carrega a Mãe Terra dentro de você&#8221;</strong>, diz Thay. <strong>&#8220;Ela não está fora de você. A Mãe Terra não é apenas o seu meio ambiente.”</strong></em></p>
<p><em>Nessa visão de inter-ser, é possível ter uma comunicação real com a Terra, que é a mais elevada forma de oração. Nesse tipo de relacionamento há amor, força e um estado desperto suficientes para mudar a sua vida.</em></p>
<p><em><strong>O medo, a separação, o ódio e a raiva vêm da visão equivocada de que você e a terra são duas entidades separadas, de que a Terra é apenas o meio ambiente.</strong> Você é o centro e quer fazer algo na Terra para poder sobreviver . Essa é uma maneira dualista de ver.</em></p>
<p><em>Então, respire e tome consciência de seu corpo, e então olhe profundamente para ele e perceba que você é a Terra e sua consciência é também a consciência da Terra. <strong>Não cortar árvores para não poluir a água não é suficiente.</strong></em></p>
<p>Thay diz que esta desconexão também está nos adoecendo:</p>
<p><em>Muitas pessoas sofrem profundamente e não sabem que sofre, diz ele. Eles tentam encobrir o sofrimento mantendo-se ocupados. Muitas pessoas ficam doentes porque hoje estão isolados da Mãe Terra.</em></p>
<p><em><strong>A prática da atenção plena nos ajuda a entrar em contato com a Mãe Terra dentro do nosso próprio corpo e esta prática pode ajudar a curar as pessoas.</strong> Então, a cura das pessoas deve vir acompanhada da cura da Terra; esta é a visão e qualquer um pode realizar essa prática.</em></p>
<p><em>Esse tipo de compreensão é muito importante para um despertar coletivo. No budismo falamos de meditação como um ato de despertar, estar desperto para o fato de que a Terra está em perigo e seres vivos estão em perigo.</em></p>
<p><em><strong>Estabelecer um preço para a natureza também não é suficiente; o amor sim é que deve estar está no coração da mudança.</strong></em></p>
<p><em>Precisamos de um verdadeiro despertar, da iluminação, para mudar a nossa maneira de pensar e de ver as coisas.</em></p>
<p>&#8220;Ao invés de colocar uma etiqueta de preço em nossas florestas e recifes de coral, é necessário nos apaixonarmos de novo pelo planeta, para que a mudança aconteça de forma profunda&#8221;, diz Thay:</p>
<p><em><strong>A Terra não pode ser descrita pela noção de matéria ou de mente, porque são apenas ideias, duas faces da mesma realidade.</strong> Este pinheiro não é apenas matéria; há um senso de saber. A partícula de poeira não é apenas matéria, já que cada um de seus átomos tem inteligência e é uma realidade viva.</em></p>
<p><em>Quando reconhecemos as virtudes, o talento e a beleza da Mãe Terra, algo surge em nós, algum tipo de conexão, nasce o amor. Queremos nos conectar. Esse é o significado do amor, para nos tornarmos um. Quando você ama alguém, tem vontade de dizer “eu preciso de você, me refugio em você&#8221;. Você faz qualquer coisa para o benefício da Terra e a Terra faz qualquer coisa pelo seu bem-estar.</em></p>
<p>Veja a entrevista completa aqui, em inglês:</p>
<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/37096244?title=0&amp;byline=0&amp;portrait=0" frameborder="0" width="400" height="300"></iframe></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bodisatva/~4/xfTZFK98KPQ" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bodisatva.com.br/conecte-se-com-e-ame-a-mae-terra-para-curar-o-planeta/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://bodisatva.com.br/conecte-se-com-e-ame-a-mae-terra-para-curar-o-planeta/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Cultivando Emoções Construtivas</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/bodisatva/~3/Xe_9coh24X8/</link>
		<comments>http://bodisatva.com.br/cultivando-emocoes-construtivas/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 01 Mar 2012 17:19:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Berredo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
		<category><![CDATA[compaixão]]></category>
		<category><![CDATA[cultura de paz]]></category>
		<category><![CDATA[emoções]]></category>
		<category><![CDATA[sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bodisatva.com.br/?p=2517</guid>
		<description><![CDATA[Na tarde do dia 15 de setembro de 2011, Sua Santidade o Dalai Lama falou em São Paulo sobre emoções construtivas. Toda a palestra do Dalai Lama transcrita por Isabel Poncio.
Cultivando Emoções Construtivas
Esta manhã, numa palestra, tive a oportunidade de falar sobre o afeto, sobre a importância das qualidades que vêm do coração, da importância do calor que vem do coração e de como isso é um fator crucial para ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bodisatva.com.br/cultivando-emocoes-construtivas/dl2/" rel="attachment wp-att-3111"><img src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2012/03/dl2.jpg" alt="" title="Dalai Lama      foto: Pedro Pacheco" width="590" height="275" class="alignleft size-full wp-image-3111" /></a>Na tarde do dia 15 de setembro de 2011, Sua Santidade o Dalai Lama falou em São Paulo sobre emoções construtivas. Toda a palestra do Dalai Lama transcrita por Isabel Poncio.</p>
<p><strong>Cultivando Emoções Construtivas</strong></p>
<p><em>Esta manhã, numa palestra, tive a oportunidade de falar sobre o afeto, sobre a importância das qualidades que vêm do coração, da importância do calor que vem do coração e de como isso é um fator crucial para trazer felicidade para nossa vida, para criar a amizade. Todos os mamíferos – cachorros, gatos, elefantes e até mesmo os pássaros que vivem em comunidade – todos esses seres têm uma experiência de felicidade e esse sentimento não somente é agradável como é necessário para a sobrevivência da espécie. Esse é um fator que aparece naturalmente – faz parte da natureza – e também faz parte da natureza dos seres humanos enquanto animais sociais. Todos nós, desde o nosso nascimento, crescimento e especialmente na nossa primeira idade, estamos sujeitos ao afeto e ao cuidado das nossas mães, fomos nutridos pelo leite das nossas mães. Se esse corpo que nós carregamos hoje se desenvolveu numa atmosfera de afeto e as pessoas que, em tenra idade, receberam uma quantidade máxima de afeto de suas mães ou de seus familiares, são pessoas que trazem consigo, num nível bastante profundo, uma sensação de segurança e serenidade. Ao contrário, as pessoas que, nesta primeira fase, não tiveram o mérito de receber afeto de sua mãe ou de seus parentes ou se, ainda pior, foram vítimas de maus tratos, essas pessoas – não importa a aparência externa que elas possam manifestar – vão deixar transparecer a sua insegurança, o seu medo e a sua desconfiança. Elas terão muito mais dificuldade de tocar o outro, de se comunicar com o outro, de estabelecer verdadeiras relações de amizade; isso é muito mais fácil para uma pessoa que tenha recebido afeto na sua infância. E, se dentro de uma família existe uma pessoa infeliz, isso vai afetar o clima de toda a família; ao contrário, se existe uma pessoa muito alegre e calorosa, esse sentimento se espalha, há uma influência positiva para tornar essa família compassiva e afetuosa.</em></p>
<p><em><strong>Todas as grandes tradições religiosas do mundo, como é o caso do Budismo e das religiões teístas &#8211; aquelas que propõem a idéia de um Deus &#8211; todas têm uma mensagem comum: mensagem de amor, compaixão, tolerância e perdão; todas essas tradições falam sobre esses valores humanos, todas as religiões enfatizam esses fatores cruciais, essenciais à raça humana.</strong></em></p>
<p><em>Eu usei a expressão “valores humanos” e por que eu usei esse termo? Porque esses valores são úteis à nossa felicidade; são até mesmo necessários à nossa existência e eu uso a expressão “valores humanos” porque eles não vêm necessariamente associados a uma crença religiosa, tampouco eles são algo imposto, por exemplo, por um governo. Esses valores são relevantes à nossa vida, tanto para uma pessoa que tenha uma religião, uma fé, uma crença quanto para uma pessoa que não tenha uma crença. Mesmo uma pessoa agnóstica, que se oponha à religião, ela também precisa de afeto, igualmente ela cresceu nutrida pelo afeto.</em></p>
<p><em><strong><a href="http://bodisatva.com.br/cultivando-emocoes-construtivas/buda/" rel="attachment wp-att-2535"><img class="alignleft size-full wp-image-2535" title="Buda" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Buda.jpg" alt="" width="298" height="392" /></a>Eu acredito que nos primórdios da humanidade &#8211; há muitos milênios atrás &#8211; os seres humanos viviam em comunidade e o que conseguiam obter, compartilhavam entre si; provavelmente havia um espírito de cooperação entre essas comunidades e também um sentimento de amizade.</strong> Com o decorrer dos séculos e com o aumento da população, a vida do homem foi se tornando mais sofisticada – apareceram novas habilidades, profissões foram desenvolvidas – e assim, foram criadas as classes entre os seres humanos e, no decorrer desse processo, a minha impressão é que se esqueceu que todos aqueles seres humanos formavam uma comunidade única, passou-se a ter um sentimento de “meu grupo” em oposição ao grupo do outro lado. Nos últimos três séculos, nós assistimos ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia; os seres humanos não só desenvolveram como começaram a se maravilhar com os progressos oferecidos pela tecnologia e pela ciência. A partir desse interesse, também se desenvolveu o sentimento de que as secções religiosas eram uma coisa antiquada, mas se nós olharmos para a tecnologia, para o dinheiro, veremos que essas coisas não têm sentimento, não trazem intrinsecamente uma noção de bem e de mal; a nossa noção de bem e mal está muito ligada à nossa experiência de prazer e de dor. As coisas que nos trazem prazer e felicidade, nós as chamamos de boas, positivas; ao contrário, as que nos trazem sofrimento, nós as chamamos de negativas: é assim que nós diferenciamos – estabelecemos critérios – para definir o que é positivo e o que é negativo; nós nos baseamos nos sentimentos que as coisas produzem. Mas se olharmos para a matéria, ela não traz intrinsecamente essa noção do certo ou do errado, do bom ou do mau; a matéria não tem a capacidade do pensamento e à medida que valorizamos muito as coisas materiais, nós vamos esquecendo e negligenciando os valores humanos.</em></p>
<p><em>Na segunda metade do século passado, algumas pessoas, embora tivessem muito sucesso, se tornassem muito ricas contando com todo o tipo de recurso à sua volta, ao seu dispor, ainda assim, essas pessoas traziam o sentimento de que alguma coisa parecia estar faltando; apesar de serem abastadas, poderosas e influentes, muitas ainda experimentavam infelicidade. Ficou então patente que os recursos materiais não conseguem nos proporcionar paz interior; esse é um fator a ser levado em conta.</em></p>
<p><em><a href="http://bodisatva.com.br/cultivando-emocoes-construtivas/_padmasambhava2/" rel="attachment wp-att-2527"><img class="alignright size-full wp-image-2527" title="Padmasambhava - fundador do budismo no Tibete, ´sec VIII" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Padmasambhava2.jpg" alt="" width="293" height="350" /></a>Um segundo fator é que, com as pesquisas científicas, a ciência médica passou a se interessar mais sobre as emoções e sobre a mente humana; constatou-se que a influência das emoções e da mente sobre a recuperação da saúde, por exemplo, é de grande importância. Também se desenvolveu o conhecimento científico sobre o cérebro humano; mais pesquisas são feitas nesse campo e quanto mais profundas elas são, mais os cientistas esbarram num fator misterioso; porém, ainda que não exista uma compreensão absoluta do que seja a mente, ela continua sendo um grande desafio para a ciência. Os cientistas porém já reconhecem que há uma influência da mente ou dos pensamentos sobre o cérebro; reconhecem até mesmo que o cérebro fisicamente se modifica. Os cientistas, no passado, não se interessavam tanto pela mente – simplesmente achavam que a mente era uma reação – mas agora, cada vez mais, colocam perguntas sobre o que é a mente.</em></p>
<p><em>Esses dois tópicos: a percepção de que os valores materiais não são suficientes para nos trazer felicidade e o campo da ciência e das pesquisas que, apesar dos mistérios ainda ligados à mente, é um campo que se abriu para a pesquisa científica e o interesse da ciência. Ontem de manhã e à tarde, estivemos reunidos com neurocientistas que estudam o cérebro e, como parte de suas pesquisas, eles têm estudado o efeito que o treinamento da mente produz sobre a saúde humana. Foi descrito um experimento onde os cientistas medem a pressão arterial, medem o nível de stress de uma pessoa; posteriormente, essa pessoa passa por um treinamento da mente sobre a compaixão e, ao final desse treinamento, mede-se novamente a pressão arterial e verifica-se que ela baixou; é testado o nível de stress e os resultados científicos mostram a redução desse nível. Para uma pessoa com nível de stress mais baixo, fica mais fácil estabelecer relações sociais e essa pessoa passa a ser mais feliz; os cientistas então têm mostrado interesse em pesquisar essa questão dos valores internos.</em></p>
<p><em>Eu tenho um sentimento de que as pessoas em geral &#8211; as pessoas comuns, o público, em geral &#8211; experimentam uma frustração que existe no mundo moderno: mesmo aqueles países que são democráticos, onde o governo é eleito pelo povo, aqueles países que têm o Poder Judiciário independente, onde há liberdade de imprensa, ainda assim se vê muita injustiça e isso traz uma sensação de frustração. Com isso, mais e mais, vemos pessoas que tomam consciência de que falta cultivar valores éticos na nossa sociedade, falta a incorporação da moral e da ética; começa então, entre professores, cientistas e educadores, a aparecer esse sentimento da importância da ética e da moral na educação e a percepção de como isso não está presente no nível em que deveria estar.</em></p>
<p><em>Todas as grandes tradições religiosas do mundo vão cultivar esses valores internos – a moral e a ética – mas é fundamental, como premissa básica, que exista harmonia entre as diferentes tradições religiosas porque se isso não acontecer, se houver rixas e inveja entre as tradições religiosas, como pode o religioso ter a pretensão de querer ensinar, propagar algum tipo de valor ético? Certamente alguém iria apontar &#8211; &#8220;mas você próprio se envolve com brigas, com intolerância, você é o primeiro que deveria estar cultivando paciência e compaixão!&#8221;</em></p>
<p><em><strong>É fundamental que haja um esforço, uma determinação, entre as diferentes tradições religiosas para se encontrar a harmonia e uma convivência pacífica entre elas</strong>; se a pessoa se diz religiosa, se ela é adepta dos preceitos de uma religião, é fundamental que ela se conduza de uma forma honesta e verdadeira porque, caso contrário, qual é a condição de uma pessoa que faz orações a Deus e quando se levanta e sai para a sua vida, se envolve, por exemplo, com corrupção? Isso não faz sentido nenhum.</em></p>
<p><em>Eu só vejo duas possibilidades: ou você é uma pessoa que não tem nenhum envolvimento religioso então, tudo bem se você se envolve com injustiça, com corrupção, com trapaças, mas se você se diz religioso, se você dá importância à ética, então você não pode se envolver com esse tipo de sujeira; só existe uma conduta ou outra, não existe um terceiro caminho e eu acho que as pessoas que são religiosas deveriam, em suas orações, pedir que os falsos religiosos sejam condenados.</em></p>
<p><em>Em países onde não há liberdade de expressão, onde não há um judiciário independente, onde apenas se valoriza o poder e o dinheiro, a ética fica relegada ao abandono, como acontece na China. Mesmo em países onde há total liberdade, governo eleito pelo povo &#8211; como na Índia e no Brasil &#8211; ainda assim existe a corrupção que passa até a ser uma forma de vida, passa a ser uma coisa aceitável por uma parte da sociedade.</em></p>
<p><em><strong>Todas as grandes facções religiosas do mundo – apesar das grandes diferenças filosóficas que existem entre elas – todas veiculam a mesma mensagem: de amor, compaixão, perdão, auto disciplina, justiça e honestidade</strong>. Todas falam sobre esses valores e, mais importante, todas oferecem instrumentos para podermos cultivar esses valores com o objetivo de criar uma comunidade humana saudável e feliz. Dentro dessas tradições religiosas, encontramos dois grandes grupos: de um lado as religiões teístas e, de outro lado, as que são não-teístas. Na categoria das que são não-teístas há uma subdivisão: as religiões que acreditam na existência de um eu independente e aquelas que não acreditam na existência de um eu independente. O budismo se insere na categoria das religiões não-teístas e é uma religião que não postula a existência de um eu independente; antes, o budismo fala sobre a lei da causalidade. Essa ausência de crença em um eu independente é um conceito único do budismo. O budismo vai falar naquilo que se chama originação interdependente que em sânscrito é pratityasamutpada.</em></p>
<p><em>No budismo, encontramos duas tradições: a tradição páli e a tradição sânscrita. A tradição páli forma a base do budismo – ela por si só consegue se manter, ela é completa; a tradição sânscrita, ao contrário, depende da tradição páli. A tradição páli é o alicerce sobre o qual se assenta a tradição sânscrita. Mas a tradição budista que vem do sânscrito contém as explicações mais sofisticadas e mais profundas que o budismo tem a oferecer.</em></p>
<p><em><a href="http://bodisatva.com.br/cultivando-emocoes-construtivas/_shantarakshita/" rel="attachment wp-att-2522"><img class="size-full wp-image-2522 alignleft" title="Shantarakshita - abade da Universidade de Nalanda e um dos fundadores do budismo tibetano" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/10/shantarakshita.jpg" alt="" width="267" height="383" /></a>Ao falar desse conceito budista da interdependência que é a lei da causalidade, esse conceito diz que todos os fenômenos estão se transformando a cada segundo, eles todos ocorrem a partir de suas próprias causas e condições; então todo resultado depende inteiramente de suas causas e condições. Essa a primeira maneira de se entender a interdependência. Dentro da tradição sânscrita, nós encontramos duas escolas de pensamento: a escola Cittamatra e a escola Madhyamika. Os entendimentos da escola <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Madhyamaka" target="_blank">Madhyamika</a>, a meu ver, são os mais profundos; na escola Madhyamika se diz que não apenas o resultado depende da causa, mas a causa também é totalmente dependente do resultado; para que uma causa possa ser causa ela vai depender do resultado; e também existe uma outra distinção que se faz em Madhyamika do conceito de interdependência que é a ligação entre a parte e o todo, entre o átomo e o todo. O fato da existência de uma pessoa ser totalmente definida a partir dos agregados físicos dela, não existe uma noção de pessoa que se assente no conjunto dos agregados, este é o postulado da falta de existência intrínseca do eu. Nós encontramos este postulado nas quatro escolas budistas: Vaibhashika, Sautrantika, Cittamatra e Madhyamika.</em></p>
<p><em><strong>Além da ausência da existência intrínseca das pessoas, o budismo também fala que os fenômenos não têm existência intrínseca.</strong> Se nós olharmos os cinco agregados que formam a base para designarmos, por exemplo, uma pessoa &#8211; se nós formos examinar os agregados que a compõem &#8211; vamos ver que eles também, por sua vez, dependem de suas partes. Isso vale não só para os agregados físicos que existem no mundo grosseiro observado, mas também vale para as essências a partir das quais esses cinco agregados físicos provém. Essas essências também são desprovidas de existência intrínseca. Isso vale tanto para o nível mais grosseiro quanto para o nível mais sutil; se nós olharmos coisas mais etéreas como o espaço, veremos que elas são desprovidas de existência intrínseca, também são dependentes de seus componentes. Isso é válido não só para o mundo externo que é observado, mas se aplica também à própria mente que observa os fenômenos &#8211; ela também não tem existência intrínseca &#8211; e é assim que se descreve a falta de existência intrínseca dos fenômenos.</em></p>
<p><em>Dentro da tradição budista que vem do sânscrito, nós encontramos dois tipos de vacuidade quando falamos dos seres sencientes: existe a vacuidade do eu e existe a vacuidade da base do eu. As diferentes escolas budistas, como Cittamatra e Madhyamika, têm conceitos, têm postulados diferentes sobre a vacuidade: Sunyata.</em></p>
<p><em>Qual o sentido de desenvolvermos todas essas complicações filosóficas? Porque a causa última do sofrimento é a ignorância e quando falamos de ignorância, falamos de dois tipos: aquilo que pode ser chamado de mera ignorância, por exemplo, não saber o que é ABC: uma criança, até que chega o dia em que ela vai a escola e onde alguém lhe ensina o alfabeto, ela não conhece o ABC, então essa ignorância é uma falta de conhecimento. O segundo tipo de ignorância é uma percepção ou uma apreensão errônea da realidade: alguém olhar a letra A e achar que é B, olhar B e achar que é o C.</em></p>
<p><em><strong>A remoção completa da ignorância só acontece quando se chega ao estado búdico. No budismo se diz que a apreensão errônea da realidade é a causa última do sofrimento e, sendo assim, qual seria o antídoto que poderia se contrapor a essa causa?</strong> Não é a oração, também não é a mera meditação, tampouco bodicita – ela não pode ter essa função – nem a compaixão infinita pode debelar essa concepção errônea da realidade. A única coisa que pode desempenhar esse papel é a sabedoria; através da sabedoria você pode ir se familiarizando mais e mais com a realidade até por fim chegar a entendê-la e quando você, de fato, entende plenamente a realidade em sua instância última, isso debela a ignorância e, por conseguinte, o sofrimento.</em></p>
<p><em>De modo geral, nós temos uma apreensão incorreta da realidade: se eu olho para vocês e vocês olham para mim, vocês podem estar me vendo como um ser absoluto, independente de vocês; eu sou o Dalai Lama e você é você. Mas essa é uma compreensão incorreta:<strong> não existe nada que seja independente de forma absoluta; todas as coisas são interdependentes e, a partir dessa concepção errônea da realidade, surge a base do apego, a base de todas as emoções negativas.</strong> Quanto às emoções positivas, elas podem ser cultivadas a partir de um treinamento; então, se você pratica o amor e a bondade, isso reduz as emoções negativas como a inveja ou a raiva.</em></p>
<p><em><strong>Em termos últimos, o que vai debelar as emoções negativas é a sabedoria, é você se familiarizar com o que, de fato, é a realidade em sua instância última</strong>; então, você poderá entender que as coisas aparecem aos nossos olhos como absolutas e independentes, mas isso é apenas uma miragem. Quando, de fato, você tem essa compreensão, essa é a base a partir da qual as emoções destrutivas podem ser dissipadas.</em></p>
<p><em><strong>Na tradição sânscrita do budismo se diz que o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Buda" target="_blank">Buda</a> girou a roda do darma três vezes</strong>: no primeiro giro, ele falou sobre a base do budismo: as quatro nobres verdades. No segundo giro da roda do darma, o Buda deu explicações adicionais sobre a terceira nobre verdade que é a verdade da cessação, a possibilidade da cessação, baseada no conceito das duas verdades: a verdade convencional e a verdade última. No terceiro giro da roda do darma, o Buda ofereceu ensinamentos mais elaborados sobre a quarta nobre verdade: que é a possibilidade da eliminação de todas as emoções destrutivas e isso é possível porque no nível mais sutil da natureza da mente, ela é clara como a luz. A natureza da água é ser limpa e pura, mas muitas vezes quando ela se mistura com o barro ou outra substância, ela fica turva, porém por mais suja que ela possa estar, a sua natureza essencial é límpida. Isso vale para a nossa mente: por mais turva que a nossa mente possa estar pelas nossas emoções destrutivas, a realidade última da nossa mente é que ela é límpida e por isso essa separação se torna possível. As emoções destrutivas nos divorciam da realidade. A sabedoria pode dar a compreensão da realidade última e esse é o antídoto. Por mais potentes que possam ser as emoções destrutivas, por mais sobrecarregada de negatividades que possa estar uma mente, essas negatividades podem ser absolutamente limpas, pois elas não são a natureza última.</em></p>
<p><em><strong>Embora tibetano, tenho uma conexão direta com a tradição da Universidade de Nalanda. Isso porque, no Tibete, o ensino foi introduzido por um grande mestre chamado <a href="http://www.rigpawiki.org/index.php?title=Shantarakshita" target="_blank">Shantarakshita</a>, um grande erudito que dava ensinamentos na Universidade de Nalanda.</strong> Ele chegou ao Tibete no século VIII a convite do Imperador; como ele era monge, ele introduziu a tradição monástica no Tibete, mas ele era também um grande filósofo, um grande erudito, então ele introduziu também ensinamentos de Madhyamika, de lógica, de epistemologia; deu ensinamentos tão profundos e completos que até os dias de hoje esses textos são estudados. <strong>Também veio ao Tibete um grande mestre tântrico, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Padmasambhava" target="_blank">Padmasambava</a>. Podemos então dizer que o budismo tibetano é completo: ele inclui a tradição dos sutras que vem do páli, toda a versão que vem do sânscrito e toda a versão tântrica.</strong> É importante enfatizar essa raiz do budismo, proveniente da Universidade de Nalanda; na tradição tibetana, encontramos basicamente 300 volumes de textos, sendo que 100 textos contém as palavras do próprio Buda e os demais são comentários sobre as palavras do Buda. É muito importante que esses textos sejam estudados – eles não devem ser tomados apenas como objetos de veneração para se colocar sobre o altar e para se dirigir as orações – para que eles possam ser de fato eficazes, precisam ser usados, estudados.</em></p>
<p><em><a href="http://bodisatva.com.br/cultivando-emocoes-construtivas/_jamyang_khyentse_wangpo/" rel="attachment wp-att-2520"><img class="alignleft size-full wp-image-2520" title="Jamyang Khyentse Wangpo" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Jamyang_Khyentse_Wangpo.jpg" alt="" width="235" height="311" /></a>Ao longo da implantação do budismo no Tibete, em diferentes regiões, diferentes ensinamentos foram criados e diferentes nomes foram dados às escolas que cultivavam esses ensinamentos. Foi assim que apareceu a seita dos chapéus vermelhos e dos chapéus amarelos – fico com vontade de criar uma nova seita, a dos chapéus verdes! – mas isso não é importante; o importante é que todos têm uma raiz comum, essa nobre tradição da Universidade de Nalanda. Às vezes, por causa dessas diferentes seitas, também se desenvolveu o sectarismo no Tibete – as pessoas se apegavam à sua própria seita. <strong>Mas também no Tibete se desenvolveu um movimento muito importante de não-sectarismo e um grande mestre dessa tradição é <a href="http://khyentsefoundation.com/about/lineage/" target="_blank">Jamyang Khyentse Wangpo</a>. </strong>Eu cultivo, estudo e prezo as tradições não-sectárias do budismo tibetano; originalmente os Dalai Lamas pertenciam à seita dos chapéus vermelhos mas, ao longo da história, muitos Dalai Lamas &#8211; inclusive o atual Dalai Lama &#8211; receberam ensinamentos das diferentes escolas do budismo tibetano: dos Sakyas, dos Nyngmas, dos Kagyus. Isso ajuda muito; não faz muito sentido ficar apegado apenas à sua tradição, isso vai limitar o seu conhecimento, ao passo que se você se coloca aberto para receber os ensinamentos das diferentes tradições, isso vai fortalecê-lo.</em></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bodisatva/~4/Xe_9coh24X8" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bodisatva.com.br/cultivando-emocoes-construtivas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://bodisatva.com.br/cultivando-emocoes-construtivas/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>A Verdadeira Era das Trevas</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/bodisatva/~3/kWZukx6X7-s/</link>
		<comments>http://bodisatva.com.br/a-verdadeira-era-das-trevas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 22 Feb 2012 19:50:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Berredo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bodisatva.com.br/?p=2983</guid>
		<description><![CDATA[
Por Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche
“The Buddhist Channel”, 30 de janeiro de 2012
Himachal Pradesh, India
Algumas pessoas dizem que a era das trevas, a era do vício – kaliyuga (o último dos quatro estágios que o mundo atravessará como parte do ciclo dos yugas descritos nas escrituras indianas), está acontecendo agora, ou no mínimo, se iniciará em breve. Alguns até mesmo temem que no final de 2012, o mundo do modo como ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bodisatva.com.br/a-verdadeira-era-das-trevas/2dzongsarblog3/" rel="attachment wp-att-2987"><img src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2012/02/2dzongsarblog3.jpg" alt="" title="Dzongsar Jamyang Khyentse        photo: by nanamoose" width="588" height="275" class="alignleft size-full wp-image-2987" /></a></p>
<p>Por <a href="http://padmasambhavapureland.com/dzongsar.php">Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche</a><br />
“<a href="http://www.buddhistchannel.tv/index.php?id=6,10704,0,0,1,0">The Buddhist Channel</a>”, 30 de janeiro de 2012<br />
Himachal Pradesh, India</p>
<p>Algumas pessoas dizem que a era das trevas, a era do vício – kaliyuga (o último dos quatro estágios que o mundo atravessará como parte do ciclo dos yugas descritos nas escrituras indianas), está acontecendo agora, ou no mínimo, se iniciará em breve. Alguns até mesmo temem que no final de 2012, o mundo do modo como o conhecemos, irá terminar.</p>
<p>Mas, o que determina se uma era é das trevas ou de ouro? Quais os sintomas e sinais? Terremotos, um céu púrpura, atividades meteóricas, estes não são presságios do juízo final, como nos fizeram crer.</p>
<p>Do mesmo modo, querubins voando, uma economia proeminente, liberdade de informação e tempos pacíficos não são necessariamente sinais de uma era de ouro.</p>
<p><strong>A era de ouro ocorre quando as pessoas valorizam sentimentos como a empatia e o perdão, quando têm disposição para compreender o ponto de vista dos outros e se sentem contentes com o que possuem.</strong></p>
<p>Quando tais valores são sistematicamente sabotados, então se pode dizer que o amanhecer do dia do juízo final já começou. Quando olhamos um mendigo inofensivo como sendo uma praga e invejamos os bilionários que destroem o planeta estamos contribuindo para o início do fim.</p>
<p>Como o Buda ensinou, tudo depende de causas e condições. Eras das trevas e eras de ouro não são uma exceção. Elas não são predestinadas, nem imprevisíveis ou caóticas.</p>
<p><strong>O destino é algo condicionado. Nosso próprio “eu” determina tais causas e condições.</strong> <strong>Você pode criar seu destino, suas escolhas são o seu destino. </strong>Aquilo que somos e como somos nesse momento depende daquilo que fizemos no passado. E o que seremos no futuro depende do que somos e como somos agora.</p>
<p>Sakyamuni com seus pés de lótus, pode aproximar-se da sua porta e oferecer sua tigela, mas se continuarmos obcecados por relógios Patek Philipe, fama e amigos, ou por um abdômen malhado, então a verdade do Buda irá nos incomodar, se tornará uma verdade inconveniente.</p>
<p>Muito embora possamos estar no meio da Kaliyuga &#8211; sujeitos a uma infinidade de causas e condições de uma época de escuridão, facilmente distraídos e presos a pensamentos ligados a nossa própria auto-preservação e aspirando encontrar referenciais em valores materialistas ou consumistas – podemos tirar vantagem dessa situação.</p>
<p>Diz-se que durante os tempos de degenerescência a compaixão dos Budas e dos Bodisatvas se torna ainda mais fortalecida. Alguém espiritualmente capacitado pode tirar proveito dessa situação. <strong>A era da escuridão pode ser como um lembrete da urgência e da preciosidade do Buda, do Darma e da Sanga.</strong></p>
<p>Como seres que dependem de condições, temos que buscar a luz, e cultivar as condições que nos tragam luz. Precisamos constantemente nos lembrar do oposto do materialismo. Para isso, precisamos da imagem do Buda, do som do Darma, e da estrutura da Sanga.</p>
<p>Nos últimos anos perdemos algumas das maiores manifestações do Buda, como <a href="http://bodisatva.com.br/trulshik-rinpoche/">Kyabje Trulshik Rinpoche</a>, <a href="http://mindrolling.org/history/HHMindrollingTrichenRInpoche.cfm">Mindroling Trinchen Rinpoche</a> e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Penor_Rinpoche">Penor Rinpoche</a>, que foram grandes inspirações e lembranças. Mas, embora essas manifestações tenham se dissolvido, tenha em mente que a sua compaixão desconhece o significado das limitações.</p>
<p>Dentro do espírito de onde há uma demanda, há uma oferta, devemos ter aspirações e  anseios de que as manifestações dos Budas e Bodisatvas nunca cessem, e &#8211; usando um termo da moda – que seus renascimentos sejam rápidos.</p>
<p>Mas tal renascimento não deve se limitar à figura de uma criança tibetana, criada no interior da tradição e de uma cultura particular. <strong>Podemos aspirar que os Budas renasçam de todas formas, mesmo como algo aparentemente tão insignificante como uma brisa, para nos lembrar de valores como amor, compaixão e tolerância.</strong></p>
<p>Devemos gerar um campo magnético para que miríades de manifestações do Buda possam surgir e não apenas tulkus que slata de trono em trono ou que dirigem um Rolls Royce, produtos muitas vezes de um nepotismo religioso.</p>
<p>                           &#8212;</p>
<p><em>Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche, também conhecido como Khyentse Norbu, é um lama butanês, cineasta e escritor. Seus dois filmes mais importantes são A Copa (1999) e Viajantes e Mágicos (2003). Ele é o autor do livro <a href="http://www.pensamento-cultrix.com.br/quefazvoceserbudista%20o,product,978-85-315-1559-0,54.aspx">&#8220;O Que Faz Você Ser Budista?&#8221;</a>.</em></p>
<p>Tradução Brenda Neves. Revisão Letícia Ramos, Miguel Berredo e Carmen Jinpa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bodisatva/~4/kWZukx6X7-s" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bodisatva.com.br/a-verdadeira-era-das-trevas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://bodisatva.com.br/a-verdadeira-era-das-trevas/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Carta de Dzongsar Khyentse Rinpoche</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/bodisatva/~3/n2cqQq5zWE4/</link>
		<comments>http://bodisatva.com.br/carta-de-dzongsar-khyentse-rinpoche/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 14 Feb 2012 16:25:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Berredo</dc:creator>
				<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
		<category><![CDATA[impermanência]]></category>
		<category><![CDATA[mente]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bodisatva.com.br/?p=2944</guid>
		<description><![CDATA[O mestre budista Dungsey Thinley Norbu Rinpoche  faleceu no dia 27 de dezembro de 2011. Abaixo segue a carta que Dzongsar Khyentse Rinpoche, seu filho,  com recomendações de lembrarmos da verdadeira natureza da mente em qualquer momento. Thinley Norbu Rinpoche (1931-2011) nasceu no Tibete, como o filho mais velho de Dudjom Rinpoche. Ele foi um grande poeta e autor de importantes textos como &#8220;A Small Golden Key&#8221;, &#8220;Magic Dance&#8221;, &#8220;White Sail&#8221; ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bodisatva.com.br/carta-de-dzongsar-khyentse-rinpoche/dilgo-thinley-dzongsar-blog/" rel="attachment wp-att-2947"><img class="alignleft size-full wp-image-2947" title="Thinley Norbu, Dilgo Khyentse e Dzongsar Khyentse" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2012/02/dilgo-thinley-dzongsar-blog.jpg" alt="" width="589" height="276" /></a>O mestre budista Dungsey Thinley Norbu Rinpoche  faleceu no dia 27 de dezembro de 2011. Abaixo segue a carta que <a href="http://www.budadeipanema.org/professor/">Dzongsar Khyentse Rinpoche</a>, seu filho,  com recomendações de lembrarmos da verdadeira natureza da mente em qualquer momento. Thinley Norbu Rinpoche (1931-2011) nasceu no Tibete, como o filho mais velho de Dudjom Rinpoche. Ele foi um grande poeta e autor de importantes textos como &#8220;A Small Golden Key&#8221;, &#8220;Magic Dance&#8221;, &#8220;White Sail&#8221; e &#8220;A Cascading Waterfall of Néctar&#8221;.</p>
<p><em>&#8220;Agradeço a todos por seus sentimentos e melhores votos, neste momento. <strong>Vivemos em um mundo que nós mesmos criamos, um mundo montado a partir das nossas percepções pessoais, no qual acreditamos por inteiro: todos os anos, todos os dias, todas as horas, todos os momentos da nossa vida.</strong></em></p>
<p><em>Embora esta vida na realidade seja fugaz, durando não mais do que o saltar de uma fagulha, ela é vivenciada por alguns como interminável, arrastando-se por eras e eras. Já para outros, a experiência deste mundo dura menos que um piscar de olhos, embora na realidade este mundo exista por um tempo infinito.</em></p>
<p><em>Para alguns, este mundo não é maior do que o buraco de um caruncho; no entanto, eles se sentem insignificantes e isolados, perdidos em um vazio vasto e sem fim. Outros percebem o mundo como pequeno − tão pequeno quanto um universo inteiro − e se sentem desconfortavelmente confinados e claustrofóbicos.</em></p>
<p><strong><em>A maioria de nós − e aqui eu me incluo − fomos condicionados a viver e morrer em um mundo criado por nossas próprias percepções; e mais, continuamos a criar condições que asseguram que repetiremos o mesmo jogo, vez após vez.</em></strong></p>
<p><em>Dentro uma infinidade de possíveis percepções, Thinley Norbu Rinpoche é visto por alguns como uma pessoa comum, por outros como um pai, um professor, um ser perfeito − diferentes percepções determinadas pelo mérito (ou falta de mérito) de quem percebe.</em></p>
<p><em>Para pessoas como eu, cuja limitação me leva a vê-lo apenas como meu pai, as condolências manifestadas por vocês são aceitas como apoio emocional.</em></p>
<p><em>Para aqueles dotados de “qualidades superiores” − ou que aspiram desenvolver essas qualidades − e que conseguem enxergar Thinley Norbu como um ser perfeito, esta é mais uma oportunidade para pôr de lado percepção não-pura e gerar percepção pura, para que se possa ao final passar adiante de toda percepção.</em></p>
<p><em><strong>A “consciência” ou “estado desperto” é a essência dos ensinamentos de Buda − desde a consciência do ar fresco que entra e sai por nossas narinas, até a profunda consciência da natural perfeição</strong>. E em sua compaixão e coragem incomensuráveis, o único propósito e atividade de todos os budas é tocar o sino que nos alerta e nos conduz para essa consciência desperta.</em></p>
<p><em>Para os que têm mérito suficiente, a passagem deste grande ser pode ser interpretada como o soar desse sino de alerta, e uma recordação oportuna de todos os ensinamentos − desde a simples verdade da impermanência até a realização da compaixão ilimitada. Sob esse ângulo, na mesma medida em que a nossa mente obscurecida apreciou e valorizou o aparecimento de Thinley Norbu neste mundo, cabe a ela, agora, apreciar e valorizar o desaparecimento dele.</em></p>
<p><em>Ainda que seja tocante saber daqueles que estão oferecendo preces, recitações, lamparinas e tantas outras atividades benéficas nesta ocasião, permitam-me lembrar, a mim mesmo e a todos os interessados, que nenhuma dessas práticas que estamos fazendo são para ele; antes, são para nós mesmos.</em></p>
<p><em>Por mais cintilante que seja a lua ao aparecer no céu, seu reflexo não será visto, se as águas do lago estiverem turvas. <strong>Igualmente, é por meio da purificação dos obscurecimentos e da acumulação de méritos em nossa própria mente que conseguiremos, com o tempo, perceber o reflexo de Buda − intacto, completo, nunca afastado.</strong></em></p>
<p><em>Então, melhor do que nos congratularmos com o pensamento de que estamos acumulando todas estas práticas nesta ocasião especial, é termos presente que nós já as deveríamos estar fazendo − e que deveremos continuar a fazê-las por toda esta vida, e também ao longo de todas as nossas vidas futuras. Se imaginarmos, porém, que nossa prática é algo como proporcionar “ritos de passagem” a este grande ser, definitivamente esse não é o melhor caminho a seguir.</em></p>
<p><em>Foi-me perguntado que práticas específicas deveriam ser feitas. Repito, uma vez mais, que nossa prática é a vigilância, ou seja, o “estado desperto”. Somos seres ignorantes, o que quer dizer que precisamos de constantes lembretes da importância de nos esforçarmos para pousar nessa consciência desperta. <strong>Portanto, todas as atividades do nosso guru − desde quando ele boceja ou tosse, até quando ele aparece ou desaparece − são modos que ele tem nos lembrar de voltarmos para o estado desperto, vez após vez.</strong></em></p>
<p><em>E, se estivermos conscientes e despertos, não há prática que seja melhor, nem prática que seja pior.</em></p>
<p><em>Escrito e dedicado à iluminação de todos os seres sencientes, na presença do rupakaya de Thinley Norbu&#8221;</em>.</p>
<p>O texto foi publicado primeiramente no site da <a href="http://khyentsefoundation.org/index.php">Khyentse Foundation</a>.
<p>Tradução para o português de Manoel Vidal.</p>
<p>*As frases em negrito são de responsabilidade do editor do blog.</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bodisatva/~4/n2cqQq5zWE4" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bodisatva.com.br/carta-de-dzongsar-khyentse-rinpoche/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://bodisatva.com.br/carta-de-dzongsar-khyentse-rinpoche/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Entrevista com o Reverendo Yoshihiko Tonohira</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/bodisatva/~3/FVAp6ehKGOk/</link>
		<comments>http://bodisatva.com.br/entrevista-reverendo-yoshihiko-tonohira/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 21:57:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmen Navas Zamora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ação]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[cultura de paz]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bodisatva.com.br/?p=2901</guid>
		<description><![CDATA[
A possibilidade de construir uma Terra Pura no presente é uma das propostas do CEBB em sua prática cotidiana. Mas como um mestre da linhagem Terra Pura do Japão (Jodo Shinshu) vê esta possibilidade? A pergunta esteve no ar durante a entrevista com o Reverendo Yoshihiko Tonohira, representante da maior tradição budista japonesa, que você vai ler abaixo. A conversa teve a participação do Lama Padma Samten e do editor ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bodisatva.com.br/entrevista-reverendo-yoshihiko-tonohira/tonohiro/" rel="attachment wp-att-2902"><img class="alignleft size-full wp-image-2902" title="Reverendo Yoshihiko Tonohira no Templo Caminho do Meio" src="http://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2012/01/tonohiro.jpg" alt="" width="588" height="300" /></a></p>
<p>A possibilidade de construir uma Terra Pura no presente é uma das propostas do <a href="http://www.cebb.org.br/rs/viamao">CEBB</a> em sua prática cotidiana. Mas como um mestre da linhagem Terra Pura do Japão (Jodo Shinshu) vê esta possibilidade? A pergunta esteve no ar durante a entrevista com o Reverendo Yoshihiko Tonohira, representante da maior tradição budista japonesa, que você vai ler abaixo. A conversa teve a participação do Lama Padma Samten e do editor da Revista Bodisatva, José Fonseca, e trouxe informações preciosas sobre a história desta linhagem e o método que ela utiliza para chegar à realização. O mestre Tonohira defendeu maior engajamento do budismo na realidade brasileira, com todas as suas dificuldades e complexidade. Ele lamentou que sua tradição tenha funcionado de forma fechada durante muito tempo e se mostrou esperançoso de que esta realidade possa mudar.</p>
<p><strong>Carmen</strong>: Reverendo, poderia falar um pouco sobre a linhagem Terra Pura e como ela se desenvolveu?</p>
<p><strong>Mestre Tonohira</strong>: A linhagem, que no Japão se chama Jodo Shinshu, foi fundada há cerca de 800 anos e hoje é a maior ordem do budismo japonês. É possível situar várias características, mas a principal é o ensinamento centrado nas pessoas comuns do mundo. São pessoas leigas, sujeitas aos kleshas (marcas mentais) e às paixões do cotidiano. Essas pessoas tomam refúgio no Buda Amitaba e geram a aspiração de nascer em sua Terra Pura, tendo assim um importante apoio em seu caminho de prática. Por dar ênfase à fé em Amitaba, um certo equívoco levou muita gente a entender que se trata quase de um cristianismo, mas os princípios do Jodo Shinshu estão fundamentados no autodespertar. Desde o início, Jodo Shinshu penetrou nas camadas populares do país. Mas também houve épocas em que foi adotada pela classe dominante, houve estes dois extremos. O Zen tinha uma relação mais forte com os samurais, os militares, enquanto que o Jodo Shinshu chegou a inspirar os levantes camponeses contra a dominação dos senhores feudais. Alguns desses levantes tiveram em suas bandeiras a frase &#8220;Eu tomo refúgio em Amitaba&#8221;.</p>
<p><strong>José Fonseca</strong>: Existiu este envolvimento do budismo com a ideologia militar no Japão?</p>
<p><strong>Mestre Tonohira</strong>: Na era Meiji (1868-1912), o budismo japonês colaborou com o processo das guerras imperialistas, tanto o Zen quanto outras linhagens. A meu ver ainda não houve uma autocrítica com relação a isso. A justificativa era uma espécie de ideologia das duas verdades: uma verdade interior, que seria a minha fé no Buda, que é inabalável, e uma verdade exterior, que seriam os movimentos feitos pelo Império japonês e seus destinos.</p>
<p><strong>Carmen</strong>: Quais as diferentes visões dentro da linhagem Terra Pura quanto a estes extremos?</p>
<p><strong>Mestre Tonohira</strong>: A minha opção pessoal é pelos mais pobres e também os mais discriminados, como os Burakumin (minoria que considerada impura dentro da visão medieval de castas no Japão). Penso também que é preciso retomar os fundamentos da linhagem e buscar uma ruptura com a lógica da riqueza e do capital que existem no país hoje.</p>
<p><strong>Carmen</strong>: Como o senhor vê a prática do Jodo Shinshu no Brasil?</p>
<p><strong>Mestre Tonohira</strong>: O que tenho visto nessa viagem, a partir da visita ao templo Hompa Honganji, é que os imigrantes japoneses conservaram a tradição de uma maneira bastante fechada. Como a geração mais antiga de japoneses começou a morrer, a linhagem perdeu muitos praticantes, porque não se espalhou entre os brasileiros. Esta situação é bem triste, porque o Jodo Shinshu poderia trazer benefícios a muitas pessoas.</p>
<p><strong>Carmen</strong>: É bastante discutida esta questão da religião como suporte de uma minoria étnica que se vê ameaçada de perder sua identidade. Quais seriam as maneiras de reverter isso?</p>
<p><strong>Mestre Tonohira</strong>: Vi dois momentos bem interessantes nesta viagem. Um deles foi quando conhecemos o trabalho do monge Ademar Shojo Sato, no templo Shin, em São Paulo. Ele conseguiu envolver pessoas que não descendem de japoneses e criar uma rede que no futuro pode gerar um movimento comunitário para trabalhar com a situação de miséria que muitos brasileiros enfrentam. O outro momento interessante foi a visita ao Cebb Caminho do Meio. Pude ver que o encontro com a tradição tibetana não se deu no âmbito de uma comunidade fechada e isso permite que os praticantes criem vínculos com a população próxima. Este tipo de diálogo é muito importante e serve de inspiração para o Jodo Shinshu, que no futuro poderá encontrar maneiras de atender às demandas sociais dos brasileiros.</p>
<p><strong>Lama Padma Samten</strong>: A analogia que eu faço é assim. As grandes tradições podem se expandir para outros países como se fossem farmacêuticos que vendem certos tipos de fármacos. Mas é preciso também existir um olhar de terapeuta, que significa ir até os doentes, ver como estão as vidas deles e do que estão de fato precisando. Este olhar de terapeuta é o olhar de Chenrezig, de Kwan Yin.</p>
<p><strong>Mestre Tonohira</strong>: Grande ensinamento, muito obrigado. Não podemos negar que a tradição ofereceu um apoio importante aos migrantes, que enfrentaram condições difíceis e passaram por muitas perdas quando chegaram ao Brasil. Mas é preciso ver a realidade brasileira e o sofrimento que está presente nela, assim como o sofrimento que está presente na sociedade contemporânea. É importante definir o nosso local de vida, aquele lugar onde vamos desenvolver nossas relações e atuar para aliviar o sofrimento dos seres. Nossa prática é recitar o nome do Buda Amitaba e assim ter um encontro profundo com o nosso próprio sofrimento.</p>
<p><strong>Lama Padma Samten</strong>: Eu teria uma pergunta a fazer com relação à Terra Pura, já que no Cebb este assunto é bastante sensível. Esta Terra Pura é algo que está somente no campo ideal, distante de nós? Ou podemos fazer com que ela aconteça já, nesta vida? Aqui cultivamos a noção de que a Terra Pura surge quando nos inserimos numa mandala positiva, ou seja, quando mudamos o nosso software.</p>
<p><strong>Mestre Tonohira</strong>: A Terra Pura não é algo que existe só no futuro, nem é algo que está no presente. Se considerarmos os nossos kleshas e todos os obstáculos que enfrentamos, podemos pensar na Terra Pura como algo que está distante, no futuro, quase inalcançável. É muito difícil pensar que podemos chegar até ela. Mas se acolhemos o voto original do Buda Amitaba e iluminamos os nossos kleshas com a sua luz infinita, o processo se inverte. Vamos pensar na Terra Pura como algo que vem do futuro até nós. Isso seria a realização de uma grande fé.</p>
<p><a href="https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10150475826631765.361154.122520771764&amp;type=1&amp;l=f03c632dc9">Veja as fotos</a> da visita do Reverendo Tonohira ao CEBB Caminho do Meio.</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/bodisatva/~4/FVAp6ehKGOk" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bodisatva.com.br/entrevista-reverendo-yoshihiko-tonohira/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://bodisatva.com.br/entrevista-reverendo-yoshihiko-tonohira/</feedburner:origLink></item>
	</channel>
</rss>

