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	<title>Revista Bodisatva</title>
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	<description>Budismo e Transformação de Mundo</description>
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		<title>Kleshas: os inimigos interiores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Chakung Jigme Wangdrak Rinpoche]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2026 01:43:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensinamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Sabedorias]]></category>
		<category><![CDATA[Visão]]></category>
		<category><![CDATA[#destaque]]></category>
		<category><![CDATA[budismo tibetano]]></category>
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		<category><![CDATA[Emoções aflitivas]]></category>
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		<category><![CDATA[sabedoria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ensinamentos de Chakung Jigme Wangdrak Rinpoche</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Entre 19 de outubro e 2 de novembro de 2026, os mestres Jigme Wangdrak Rinpoche e Anam Thubten Rinpoche&nbsp;estarão no Brasil para uma programação de retiros que incluirá uma passagem pelo CEBB Sukhavati e CEBB Caminho do Meio. Além disso, ocorrerá o lançamento do livro de Jigme Wangdrak Rinpoche, cujo prefácio foi escrito por Anam Thubten Rinpoche. O livro está sendo traduzido para o português por Jeanne Pilli e será publicado pela editora Ação Paramita, com o título “Amando a Vida Como Ela É: um guia budista para a felicidade suprema”. </em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>Até a chegada de Wangdrak Rinpoche ao Brasil em outubro, a Revista Bodisatva irá pouco a pouco traduzir e publicar alguns de seus ensinamentos disponibilizados inicialmente no site da <a href="https://www.abhayafellowship.org/">Abhaya Fellowship</a>, a fim de que a Sangha brasileira possa acessá-los em nosso idioma. Que seja de benefícios! </em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Os <em>kleshas</em> são o que conhecemos como os cinco venenos do apego, ignorância, ódio, orgulho e ciúme. Caímos sob a influência deles através de nossa falta de consciência. Todos queremos ser felizes, mas sofremos, e isso é devido às emoções aflitivas. Temos fé nas nossas emoções aflitivas e, consequentemente, nos tornamos seus servos. As emoções aflitivas são a principal força motriz que nos impulsiona no sentido do sofrimento. Precisamos deixar de ter fé nelas e deixar de servi-las. Ao longo de vidas passadas e futuras e mesmo desde pequenos, estivemos num estado de ignorância, porque seguimos emoções aflitivas que continuam devido à nossa crença em um eu. Essas são a raiz do nosso sofrimento e, se continuarmos a segui-las, continuaremos sob o seu poder: as causas e condições para experienciar o sofrimento estarão presentes.</p>



<p>Existem muitas formas de trabalharmos com essas emoções e mudarmos a nossa situação. Podemos analisar as aflições, transformá-las, aprender a abdicar delas para que não se tornem a causa de sofrimento futuro.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="679" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_0669-final-Edit-1-1-1024x679.jpg" alt="" class="wp-image-12690" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_0669-final-Edit-1-1-1024x679.jpg 1024w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_0669-final-Edit-1-1-300x199.jpg 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_0669-final-Edit-1-1-768x510.jpg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_0669-final-Edit-1-1-1536x1019.jpg 1536w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_0669-final-Edit-1-1-220x146.jpg 220w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_0669-final-Edit-1-1-50x33.jpg 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_0669-final-Edit-1-1-113x75.jpg 113w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_0669-final-Edit-1-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Olhos do Buda Maitreya na gompa do monastério de Tiksey, perto da capital do Ladakh, Leh, na Índia (Foto: Olivier Boels)</em></figcaption></figure>
</div>


<p>Temos o conceito de um &#8220;inimigo&#8221;, algo ou alguém que nos faz mal. Alguém que perturba os nossos desejos, que nos impede de avançar. Muitas vezes acreditamos que esse inimigo é externo a nós próprios e que precisamos fazer algo, a fim de parar o inimigo. Mas não importa quantos inimigos externos derrotemos, outros vão surgir. Não temos a possibilidade de derrotar todos eles. Através de uma investigação próxima e cuidadosa, entretanto, descobrimos que o inimigo não está fora de nós — o inimigo está dentro, são as nossas emoções aflitivas, e descobriremos que a raiz das emoções aflitivas é a ignorância. Quando um exército trava uma guerra, precisa ultrapassar a comitiva até ao rei; da mesma forma, precisamos chegar à raiz do sofrimento e das emoções aflitivas, que é a ignorância.</p>



<p>Os inimigos internos, as emoções aflitivas, são muito menos previsíveis do que os inimigos externos; são muito mais difíceis de compreender e reconhecer.  Por exemplo, podemos facilmente imaginar como inimigos externos causam medo – esmagam os nossos sonhos, tiram-nos a vida, causam-nos danos nessa vida. Ocorre que, muito embora os <em>kleshas</em> não possam nos acompanhar em uma outra vida, eles estão dentro de nós. Eles nos seguirão para os seis reinos da existência e trarão grandes problemas. Estão nas nossas mentes ao longo das nossas vidas em existência cíclica.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9757-1-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-12691" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9757-1-1024x683.jpg 1024w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9757-1-300x200.jpg 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9757-1-768x512.jpg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9757-1-1536x1024.jpg 1536w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9757-1-219x146.jpg 219w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9757-1-50x33.jpg 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9757-1-113x75.jpg 113w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9757-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Numa das formas raras de Hayagriva, a deidade Padma Ishvara está<br>adornada com uma tiara de crânios humanos secos, representando a mutação de aflições<br>negativas em virtudes: ignorância se torna sabedoria, ciúme em alegria empática; orgulho em<br>humildade; apego em apreciação da impermanência; raiva em compreensão</em> <em>(Foto: Olivier Boels)</em></figcaption></figure>
</div>


<p>Ao contrário dos inimigos externos, os inimigos internos estão sempre conosco. As emoções aflitivas ficam conosco quando comemos, dormimos, caminhamos — seja o que for que estejamos a fazer, elas estão conosco. Dessa forma, são o nosso companheiro constante. Isto é muito mais aterrador do que um inimigo com uma localização conhecida fora de nós.</p>



<p>Além disso, os inimigos externos são facilmente reconhecíveis; podemos ver o que estão fazendo. Mas os inimigos internos podem parecer gentis, brandos e bondosos até haver um resultado negativo que cause sofrimento e dor. São muito mais enganadores do que inimigos externos. Podemos facilmente reconhecer e conhecer um inimigo externo; sabemos que ele é inimigo e que não o aceitamos. As emoções aflitivas podem exercer uma influência negativa sobre nós de forma mais completa, simplesmente porque são mais difíceis de conhecer. A causa do sofrimento nesse caso está no próprio fato de não os conhecermos. A origem é o <em>marigpa</em>, a falta de consciência, e é a partir do <em>marigpa</em> que as emoções conseguem causar-nos mal. Não reconhecemos os inimigos internos e até os aceitamos como a forma habitual de fazer as coisas, a realidade cotidiana.</p>



<p>Muitos de nós ainda não começamos a procurar a origem das emoções aflitivas, por isso as nossas mentes estão num estado de ignorância. Esse inimigo permanece conosco durante muitos éons. Eles nos seguem de vida em vida. Eles nos trazem grande dificuldade na existência cíclica. Continuamos no processo de <em>karma</em>, causa e efeito, que tem a falta de consciência na sua própria origem. Plantamos continuamente sementes de sofrimento que não pensamos que vão amadurecer, mas que eventualmente irão. Experienciamos grande sofrimento no nosso ambiente, no nosso mundo, nos lugares onde vivemos e desenvolvemos a ideia de inimigos externos. Nos vemos como separados dos seres sencientes, quando na verdade estamos todos sob a influência de emoções aflitivas. O que precisamos fazer é encontrar a origem das nossas emoções aflitivas e, assim, compreender a sua natureza.</p>



<p>Então, como combatemos as emoções aflitivas? É por compaixão dotada de sabedoria. É isso que a compaixão realmente é; é perceber o sofrimento. Quando vemos um inimigo se aproximar da nossa presença, normalmente sentimos vontade de lutar. Mas, por meio da compaixão, podemos entender o ódio como uma doença. Podemos ver que nossos inimigos estão seguindo um sentimento de maneira inconsciente e entender que prefeririam agir de uma maneira diferente da que agem, caso tivessem essa consciência sobre seus sentimentos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9743-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-12692" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9743-1024x683.jpg 1024w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9743-300x200.jpg 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9743-768x512.jpg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9743-1536x1024.jpg 1536w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9743-219x146.jpg 219w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9743-50x33.jpg 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9743-113x75.jpg 113w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/SB_9743.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>No budismo tibetano, máscaras são utilizadas durante o ritual Cham. Os monges as utilizam representando deidades iradas e encenam o triunfo da sabedoria sobre a ignorância</em>. <em>(Foto: Olivier Boels)</em></figcaption></figure>



<p>É muito difícil livrar-se dos inimigos externos. Mas, embora os inimigos internos possam nos acompanhar por muitas vidas, estejam sempre ao nosso lado e sejam muito enganadores, eles também são muito fáceis de derrotar. Os inimigos externos surgem repetidamente, mas assim que identificamos as emoções aflitivas como o inimigo e as tratamos com sabedoria e compaixão, nesse exato momento podemos derrotar o inimigo. Tratamos do inimigo.</p>



<p>A nossa abordagem é primeiro reconhecer emoções aflitivas e depois compreender a sua essência. Nesse momento, podemos libertar as emoções aflitivas. Se alguém nos disser palavras desagradáveis, podemos responder com compaixão. Podemos olhar para a nossa própria reação e, em vez de responder logo, podemos olhar para a essência da nossa raiva, podemos abrandar as coisas e nos perguntar: &#8220;Fiz algo de errado?&#8221; Mesmo que não tenhamos feito nada de errado, podemos reconhecer a poderosa influência de uma emoção muito forte que se apoderou de outra pessoa.</p>



<p>É muito mais fácil trabalhar com as emoções negativas internas, esses inimigos, do que com aqueles que encontramos fora, com aqueles externos a nós. Quando encontramos alguém que nos incomoda, não devemos tentar resolver o problema olhando para a situação externa, mas, sim, olhando para o sentimento que surge dentro de nós mesmos e olhando com olhos de sabedoria. Se alguém diz algo para nós e temos uma reação forte, essa reação é algo que podemos sentir. Podemos sentar com esse sentimento e nos perguntar: &#8220;Como é essa sensação? Qual é a cor e o formato dela? Onde está esse sentimento que está surgindo dentro de nós?&#8221; Olhe de perto e olhe com os olhos da sabedoria. Vamos perceber que não conseguimos encontrar muito sobre isso. Não podemos dizer: &#8220;É assim que é.&#8221; Não conseguimos encontrar sua localização. Não conseguimos encontrar nada substancial em lugar nenhum. Não tem nada ali.</p>



<p>Quando percebemos isso, a sensação desaparece. Não está mais lá. É resolvida rapidamente através desse processo de olhar para sua natureza com os olhos da sabedoria. A sensação perturbadora se resolve, se dissipa. Fazemos isso repetidas vezes à medida que novos sentimentos e emoções fortes surgem. Repetidas vezes, olhamos para a natureza deles, tentamos descobrir onde estão, tentamos olhá-los diretamente e percebemos que não há nada para onde possamos apontar o dedo. É aqui que encontramos a resolução. A maioria de nós não olha para as emoções, os <em>kleshas</em>. Sem consciência, seguimos sentimentos e medos que se multiplicam e criam tendências habituais enraizadas. Em vez disso, precisamos olhar para as emoções aflitivas com os olhos da sabedoria. Quando fazemos isso, vemos a natureza da mente e das emoções negativas – vemos que sua natureza é a sabedoria. Até mesmo as emoções negativas têm a natureza da sabedoria.</p>



<p>Na raiz dos <em>kleshas</em>, está a falta de entendimento a respeito da natureza de nossas mentes. É através do desconhecimento que todos os tipos de emoções aflitivas conseguem ganhar força e proliferar. Em vez de dedicar tanto esforço para entender o mundo material e aquelas coisas externas a nós, devemos chegar a uma compreensão da natureza de nossas próprias mentes e obter um gostinho disso por meio da nossa própria prática.</p>



<p class="has-text-align-right">~ Chakung Jigme Wangdrak Rinpoche, 27 de janeiro de 2024</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em><strong>PARA SABER MAIS</strong></em></p>



<p>O texto-base para essa tradução e outros ensinamentos transcritos do mestre Wangdrak Rinpoche podem ser encontrados (em inglês) no site da <a href="https://www.abhayafellowship.org/blog/kleshas-the-inner-enemies">Abhaya Fellowship</a>.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em>Matéria publicada em 24/05/2026</em></p>



<p></p>
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		<title>Treinando a mente para superar o preconceito</title>
		<link>https://bodisatva.com.br/treinando-a-mente-para-superar-o-preconceito/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Matthieu Ricard]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 23:57:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ação no Mundo]]></category>
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		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como desmontar as construções mentais, segundo Matthieu Ricard</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Você já parou para pensar em como nossas crenças e preconceitos moldam nossos mundos e influenciam a interação com ele? </em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>Neste texto, o monge budista francês Matthieu Ricard contempla a complexa teia de pensamentos que, muitas vezes, nos aprisiona, examinando como eles afetam nossas vidas, relações sociais e nossa busca por conhecimento.</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>O vínculo social é uma necessidade essencial e vital para os seres humanos, trazendo benefícios tanto para a saúde física, quanto para a mental, como muitos estudos têm demonstrado. No entanto, na era das redes sociais (que, por vezes, se tornam “antissociais”) e da facilidade de comunicação sem precedentes, o número de pessoas isoladas continua a aumentar, levando a uma maior desconfiança e alienação. A crise sanitária e as mudanças sociais associadas ao individualismo levaram, de fato, a uma erosão da confiança, bem como ao aumento da divisão e do preconceito contra aqueles que não compartilham nossas opiniões, crenças e hábitos.</p>



<p>Trancados em nossas bolhas de informação, vivemos em um mundo totalmente moldado por nossas crenças, representações e costumes. Perpetuamos padrões de poder discriminatórios e hierárquicos por meio da adesão a grupos baseados em raça, religião, gênero ou riqueza, o que contribui para a opressão daqueles considerados “diferentes”, os excluídos que pertencem a outros grupos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="671" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/29.tantric-lenses-1-1024x671.jpg" alt="" class="wp-image-12667" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/29.tantric-lenses-1-1024x671.jpg 1024w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/29.tantric-lenses-1-300x197.jpg 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/29.tantric-lenses-1-768x503.jpg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/29.tantric-lenses-1-1536x1006.jpg 1536w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/29.tantric-lenses-1-223x146.jpg 223w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/29.tantric-lenses-1-50x33.jpg 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/29.tantric-lenses-1-114x75.jpg 114w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/29.tantric-lenses-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Iogue hindu Hari Bhart, nos desafiando sobre a visão distorcida da “realidade” (Foto: Olivier Boels)</em></figcaption></figure>
</div>


<p>A internet também cria uma ilusão de conhecimento. Acreditamos que podemos saber tudo, de imediato, sobre qualquer assunto, como se algumas horas navegando, guiadas por algoritmos que multiplicam vieses cognitivos e reforçam preconceitos, pudessem substituir 10 ou 15 anos de estudo em uma área específica. Atualmente, muitas pessoas não valorizam o aprofundamento e o esforço. No entanto, adquirir conhecimento exige dedicação prolongada e rigorosa, tanto para confirmar hipóteses que refletem a realidade, quanto para rejeitar aquelas que não resistem a fatos verificáveis ou a análises lógicas.</p>



<p>Para Aaron Beck, destacado psicólogo e terapeuta que desenvolveu a terapia cognitiva, os “pensamentos automáticos” — as suposições e tendências profundamente enraizadas que influenciam nossos estados mentais — decorrem de distorções cognitivas que podem ser questionadas e transformadas. O Dalai Lama frequentemente citava suas conversas com Aaron Beck, afirmando que, quando alguém está com muita raiva, três quartos (pelo menos!) de suas percepções sobre outra pessoa são distorcidas por projeções mentais. Paul Ekman, outro especialista em emoções, chama esse fenômeno de “período de resistência”, durante o qual somos incapazes de perceber qualquer qualidade positiva na pessoa de quem estamos com raiva.</p>



<p>Na verdade, grande parte dos problemas que nos perturbam consiste em construções mentais que projetamos sobre a realidade e que poderíamos desmontar, a fim de nos libertarmos da servidão de nossos próprios pensamentos e preconceitos. É assim que alcançamos a liberdade interior.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="674" height="1024" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51.-Glasses-baba-Varanasi-674x1024.jpg" alt="" class="wp-image-12658" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51.-Glasses-baba-Varanasi-674x1024.jpg 674w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51.-Glasses-baba-Varanasi-198x300.jpg 198w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51.-Glasses-baba-Varanasi-768x1167.jpg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51.-Glasses-baba-Varanasi-1011x1536.jpg 1011w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51.-Glasses-baba-Varanasi-96x146.jpg 96w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51.-Glasses-baba-Varanasi-33x50.jpg 33w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51.-Glasses-baba-Varanasi-49x75.jpg 49w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51.-Glasses-baba-Varanasi.jpg 1264w" sizes="auto, (max-width: 674px) 100vw, 674px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Glasses baba, Varanasi. De onde as visões se manifestam?</em> <em>(Foto: Olivier Boels)</em></figcaption></figure>
</div>


<p>Em um artigo publicado após nossas conversas, Beck explica que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>a autoabsorção — ou egocentrismo intransigente — está, em parte, relacionada à propensão das pessoas a atribuírem a mais alta prioridade — às vezes, prioridade exclusiva — aos seus próprios objetivos e desejos, em detrimento dos outros (assim como de si mesmas). [&#8230;] Sua atenção fixa-se em suas próprias experiências internas. Relatam eventos irrelevantes para si mesmas e preocupam-se exclusivamente em satisfazer seus próprios conjuntos de necessidades e desejos. No entanto, indivíduos considerados normais também apresentam esse tipo de egocentrismo, embora em menor grau e de maneiras mais sutis. Tanto o budismo, quanto as terapias cognitivas buscam atenuar essas características.</em></p>
</blockquote>



<p>O psicólogo e neurocientista britânico Andreas Kappes também observou, em nível cerebral, uma incapacidade de usar informações que não confirmam crenças previamente estabelecidas, impedindo assim que os sujeitos reconsiderassem a confiança que depositam em seus julgamentos e preconceitos, mesmo diante de evidências que claramente contradizem suas crenças. Ao mesmo tempo, o cérebro registra e valoriza informações que confirmam tais crenças. A tendência de prestar atenção apenas ao que reforça nossas opiniões torna ainda mais difícil adquirir conhecimentos válidos. Em psicologia, isso é chamado de “viés de confirmação”.</p>



<p>Os seres humanos, portanto, tendem a desconsiderar informações que contrariem suas escolhas e julgamentos anteriores. Esse viés tem um impacto significativo em diversas áreas, que vão desde a política até a ciência e a educação. E, hoje em dia, a proliferação de notícias falsas obscurece os meios de conhecimento verificados.</p>



<p>Manter uma crença é muito mais fácil do que chegar a uma conclusão derivada de uma investigação imparcial dos fatos. A crença e seus desdobramentos — preconceitos, julgamentos prontos, vieses cognitivos, adesão às opiniões do grupo ao qual pertencemos, influência de líderes que seguimos, boatos, dogmas etc. — exigem pouco esforço. É uma maneira fácil de nos convencermos de que sabemos algo e de ficarmos ainda mais satisfeitos quando adotamos uma postura de superioridade condescendente em relação àqueles que se esforçam laboriosamente para distinguir entre o certo e o errado e a chegar a conclusões fundamentadas.</p>



<p>Numerosos estudos psicológicos mostraram que preconceitos são particularmente difíceis de dissipar, uma vez que o confronto com evidências que apontam sua imprecisão pode reforçá-los, em vez de refreá-los. Leon Festinger foi o primeiro cientista social a se interessar por previsões milenaristas baseadas em invasões extraterrestres nos Estados Unidos. Seu popular livro <em>When prophecy fails</em> (em tradução livre<em>, &#8220;Quando a profecia falha&#8221;</em>) é resultado dessa pesquisa, durante a qual membros de sua equipe se infiltraram em um grupo que previa o fim do mundo em uma data específica. Festinger mostrou o arsenal de defesas engenhosas que as pessoas usavam para proteger suas crenças, mantendo-as intactas por meio das negações mais devastadoras. De acordo com Festinger, “não apenas o indivíduo não será abalado pelo fracasso de suas previsões, como sairá mais convencido do que nunca da &#8216;verdade&#8217; de sua fé. Eles podem até mostrar entusiasmo renovado e converter leigos”. Nesse estudo de caso, os seguidores atribuíram sua fé e sua cumplicidade com o grupo alienígena como a razão pela qual a humanidade mal teria evitado um apocalipse iminente.</p>



<p>Como seres humanos, todos temos preconceitos, mas também possuímos, por meio do treinamento da mente, a capacidade de nos libertarmos deles. Não se trata de limpá-los, mas de entender sua lógica, de estar ciente deles e de ser capaz de distinguir entre o que sabemos de fato e o que pensamos saber. Isso implica mergulhar no fundo de nosso ser, longe de nossa agitação e ansiedade habituais, para restabelecer um equilíbrio puro, livre e sereno: essa clareza do momento presente, depois que os pensamentos passados cessaram e antes que surjam novos pensamentos, ainda não afetados pela encenação de nossas tendências, preconceitos e construções intelectuais.</p>



<p>Considere a capacidade que uma criança tem de questionar, sendo livre de vieses e preconceitos e não impondo suas projeções mentais à realidade. Vamos ao diagnóstico: devemos reconhecer a influência de nossas emoções, de nossos vieses cognitivos e de outros bloqueios que condicionam nosso jeito de ser, de como agimos e reagimos ao mundo. Ao nos concentrarmos em nossa percepção imediata, no que está acontecendo aqui e agora, podemos superar nossos preconceitos e nos colocar no lugar de outras pessoas que são vítimas de suas próprias projeções mentais.</p>



<p>E não se trata apenas de reduzir o preconceito entre grupos humanos, mas também contra os animais que são vítimas do especismo, a negação do respeito à sua vida, dignidade e necessidades. Para Peter Singer, o especismo é “um preconceito ou atitude tendenciosa em favor dos membros da própria espécie e em detrimento do interesse dos membros de outras espécies”.</p>



<p>Em nível social, ocorreram evoluções e mudanças de atitude que, à primeira vista, poderiam parecer improváveis ou irrealistas, como a abolição da escravidão no final do século 17. Como algo até então considerado autoevidente se torna inaceitável? Em um primeiro momento, alguns indivíduos percebem que determinada situação é moralmente indefensável. Convencem-se de que o <em>status quo </em>não pode ser mantido sem sacrificar seus próprios princípios éticos. Inicialmente isolados e ignorados, esses pioneiros acabam unindo forças, transformando-se em ativistas que revolucionam ideias e abalam hábitos. Nessa fase, são frequentemente ridicularizados ou vilipendiados. Mas, aos poucos, algumas pessoas que antes estavam relutantes começam a entender que eles estão certos e a simpatizar com a causa que defendem. Quando o número de apoiadores atinge uma massa crítica, a opinião pública fica ao lado deles. Foi assim que Gandhi resumiu essa evolução: “Primeiro eles te ignoram, depois riem de você, depois lutam contra você e, então, você vence”.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/42Y6047-Editar-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-12662" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/42Y6047-Editar-1024x683.jpg 1024w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/42Y6047-Editar-300x200.jpg 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/42Y6047-Editar-768x512.jpg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/42Y6047-Editar-1536x1025.jpg 1536w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/42Y6047-Editar-219x146.jpg 219w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/42Y6047-Editar-50x33.jpg 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/42Y6047-Editar-112x75.jpg 112w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/05/42Y6047-Editar.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em> Jogo de dentro, Jogo de fora &#8211; <em>Junho de 2013</em> (Foto: Olivier Boels)</em></figcaption></figure>
</div>


<p>Depois de ler estas linhas, entendemos que as escolhas éticas são muitas vezes complexas e às vezes fragmentadas em razão dos conflitos da nossa mente. Ainda assim, coletivamente, podemos fazê-las por meio do cultivo de um <em>ethos</em> orientado pela virtude e pela bondade para com todos os seres, garantindo que nossas decisões não sejam influenciadas por nossa angústia emocional ou por preconceito.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong><em>PARA SABER MAIS</em></strong></p>



<p>Este texto foi publicado no blog de Matthieu Ricard, em março de 2022. Ele é monge budista, autor best-seller internacional, tradutor e fotógrafo. Para acessar o blog do autor, clique <a href="https://www.matthieuricard.org/en/training-the-mind-to-overcome-prejudice/"><strong>aqui</strong></a>.</p>



<p>Leia também outros textos de Matthieu Ricard publicados previamente pela Bodisatva:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://bodisatva.com.br/o-altruismo-como-fio-de-ariadne-em-prol-de-uma-economia-mais-humana/">O altruísmo como fio de Ariadne em prol de uma economia mais humana</a>;</li>



<li><a href="https://bodisatva.com.br/interdependencia-e-cooperacao/">Interdependência e cooperação</a>; </li>



<li><a href="https://bodisatva.com.br/altruismo-e-meio-ambiente/">Altruísmo e meio ambiente</a>; e</li>



<li><a href="https://bodisatva.com.br/a-necessidade-do-altruismo/">A necessidade do altruísmo</a>.</li>
</ul>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em>Matéria publicada em 16/05/2026</em></p>
<p>The post <a href="https://bodisatva.com.br/treinando-a-mente-para-superar-o-preconceito/">Treinando a mente para superar o preconceito</a> appeared first on <a href="https://bodisatva.com.br">Revista Bodisatva</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Um sorvete com brownies, 150 países e a delicadeza de estarmos juntas</title>
		<link>https://bodisatva.com.br/um-sorvete-com-brownies-150-paises-e-a-delicadeza-de-estarmos-juntas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Janaína Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 May 2026 00:07:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ação no Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Ação Social]]></category>
		<category><![CDATA[Praticantes]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[#Ação no Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[#Bernie Glassman]]></category>
		<category><![CDATA[#Budismo Engajado]]></category>
		<category><![CDATA[#destaque]]></category>
		<category><![CDATA[#Greyston Bakery]]></category>
		<category><![CDATA[#Instruções ao Cozinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[#Transformação Social]]></category>
		<category><![CDATA[#Zen Budismo]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma viagem para NYC e algumas histórias em torno do livro “Instruções ao Cozinheiro”</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Neste relato de experiência, a jornalista, voluntária do time da Bodisatva e praticante vinculada ao Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB) de João Pessoa, Janaína Araújo, narra uma viagem em março de 2026 realizada a Nova York para compor a delegação brasileira pelo Governo da Paraíba na Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW), um dos principais fóruns globais da Organização das Nações Unidad (ONU). Durante a viagem, algumas coincidências ocorreram e despertaram curiosidades sobre o surgimento da Greyston Bakery, fundada pelo monge Zen budista Bernie Glassman em 1982, autor do livro <a href="https://loja.bodisatva.com.br/instrucoes-ao-cozinheiro">Instruções ao Cozinheiro</a>. Acompanhe os detalhes a seguir!</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Estive na CSW70, em Nova York, acompanhando dias intensos de debate sobre o acesso à justiça sob a perspectiva de gênero. A CSW — ou Comissão sobre a Situação da Mulher — é um dos principais fóruns globais da Organização das Nações Unidas (ONU) dedicados à promoção da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres. Nesta edição, integrei a delegação brasileira pelo Governo da Paraíba.</p>



<p>Em meio ao frio rigoroso, mulheres de mais de 150 países se reuniram para discutir os impactos dessa agenda em diferentes áreas, do direito à saúde, passando pela educação, emergência climática e pelas políticas voltadas à juventude. Era um ambiente de densidade política e, ao mesmo tempo, de encontros humanos profundos.</p>



<p>Foi nesse contexto que, de forma quase inesperada, um gesto simples me atravessou: um sorvete da Ben &amp; Jerry&#8217;s. Mais especificamente, aquele que leva brownies produzidos pela Greyston Bakery. Enquanto experimentava o sabor, me vi conectando aquela experiência a algo maior, à minha própria trajetória e ao livro <em><a href="https://bodisatva.com.br/instrucoes-ao-cozinheiro/">Instruções ao Cozinheiro</a></em>, publicado pela editora Bodisatva, com a qual colaboro como voluntária.</p>



<p>Levei na bagagem o livro <em>Instruções ao Cozinheiro</em>, de Bernie Glassman, e havia pensado em conhecer a padaria onde tudo começou. A obra, publicada no Brasil pela editora Bodisatva, relata a experiência de Bernie na criação da Greyston Bakery e nos ensina como preparar uma refeição suprema com os ingredientes que tivermos em mãos. Tudo pode ser uma oferenda suprema, inclusive, nossa vida, nossa fala e nossa mente.<br></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="490" height="479" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-11.03.48.jpeg" alt="" class="wp-image-12618" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-11.03.48.jpeg 490w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-11.03.48-300x293.jpeg 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-11.03.48-149x146.jpeg 149w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-11.03.48-50x50.jpeg 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-11.03.48-77x75.jpeg 77w" sizes="auto, (max-width: 490px) 100vw, 490px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Em 1987, nascia o icônico sorvete Chocolate Fudge Brownie, da Ben &amp; Jerry&#8217;s. Pouco tempo depois, a Greyston Bakery mudou seu foco da produção de bolos sofisticados para assar os irresistíveis brownies cremosos pelos quais se tornou conhecida até hoje (Foto: Greyston.org)</em></figcaption></figure>
</div>


<p>A obra, escrita por Bernie Glassman, propõe uma reflexão sobre como construir uma vida e um trabalho com sentido a partir de ingredientes básicos, incluindo a própria mente, que também pode (e deve) ser observada, compreendida e, em certos momentos, desapegada. Mais do que uma metáfora, trata-se de uma prática.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/instrucoes-ao-cozinheiro-1024x1024.jpg" alt="" class="wp-image-12619" style="width:444px;height:auto" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/instrucoes-ao-cozinheiro-1024x1024.jpg 1024w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/instrucoes-ao-cozinheiro-300x300.jpg 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/instrucoes-ao-cozinheiro-150x150.jpg 150w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/instrucoes-ao-cozinheiro-768x768.jpg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/instrucoes-ao-cozinheiro-1536x1536.jpg 1536w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/instrucoes-ao-cozinheiro-146x146.jpg 146w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/instrucoes-ao-cozinheiro-50x50.jpg 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/instrucoes-ao-cozinheiro-75x75.jpg 75w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/instrucoes-ao-cozinheiro-85x85.jpg 85w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/instrucoes-ao-cozinheiro-80x80.jpg 80w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/instrucoes-ao-cozinheiro.jpg 1890w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Capa da edição lançada no Brasil (Foto: Reprodução/ site da Revista Bodisatva)</figcaption></figure>
</div>


<p>Movida por essa conexão, considerei atravessar a distância até Yonkers, onde nasceu a Greyston Bakery. Mesmo sem conseguir ir até lá, acessei a história da padaria e encontrei algo que dialogava diretamente com os debates da CSW: um modelo de contratação radicalmente inclusivo.</p>



<p>Ali, não se contratam pessoas para assar brownies. Assam-se brownies para produzir vínculos e gerar empregos. A política adotada é a <em>Open</em> <em>Hiring</em>, que&nbsp;dispensa currículos, entrevistas e verificações de antecedentes. Qualquer pessoa pode se inscrever em uma lista e, quando surge uma vaga, é chamada para trabalhar e receber treinamento. Pessoas — que a lógica tradicional do mercado deixou de fora, por doenças, interrupções, necessidades de cuidados e passagens difíceis — encontram ali uma chance concreta de recomeço.</p>



<p>A origem dessa iniciativa remonta aos anos 1980, quando Glassman, então monge Zen, decidiu aplicar seus princípios à ação social em comunidades empobrecidas do Bronx e de Yonkers. A padaria nasceu sem experiência técnica, mas com uma visão clara: criar oportunidades reais de trabalho como forma de transformação social.</p>



<p>Anos depois, essa trajetória encontrou outro caminho improvável ao se cruzar com Ben Cohen. Dessa parceria, surgiu o sorvete “Chocolate Fudge Brownie”, que ajudou a consolidar a Greyston como fornecedora e ampliou o alcance de seu modelo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="363" height="378" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-12.54.12.jpeg" alt="" class="wp-image-12621" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-12.54.12.jpeg 363w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-12.54.12-288x300.jpeg 288w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-12.54.12-140x146.jpeg 140w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-12.54.12-48x50.jpeg 48w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-12.54.12-72x75.jpeg 72w" sizes="auto, (max-width: 363px) 100vw, 363px" /><figcaption class="wp-element-caption">Bernie Glassman (à direta) era um ex-engenheiro aeronáutico que se tornou budista. Na foto, com professores do Zen (Foto: Greyston.org)</figcaption></figure>
</div>


<p>Bernie Glassman faleceu em 2018, mas seu legado continua vivo em cada brownie, blondie e cookie produzido. Seja nos sorvetes, nas prateleiras dos supermercados, nos restaurantes ou nas entregas diretas da padaria, há algo que ultrapassa o sabor.</p>



<p>Durante os dias da CSW, encontrei esse sorvete em diferentes mercados da cidade. E, a cada vez, ele parecia carregar mais do que um sabor: era também um lembrete de que, mesmo em um mundo marcado por desigualdades profundas, existem iniciativas que operam a partir de outra lógica, mais compassiva, mais conectada.</p>



<p>Se no Brasil, por acaso, você experimentar esse sorvete, talvez possa se lembrar disso: entre debates globais e pequenos gestos cotidianos, seguimos, de algum modo, profundamente interligadas.</p>



<p>Sim, é incrivelmente bom.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/b56994b0-f2a9-412e-af6a-8728922aac6f-768x1024.jpg" alt="" class="wp-image-12639" style="aspect-ratio:0.7500118612705793;width:391px;height:auto" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/b56994b0-f2a9-412e-af6a-8728922aac6f-768x1024.jpg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/b56994b0-f2a9-412e-af6a-8728922aac6f-225x300.jpg 225w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/b56994b0-f2a9-412e-af6a-8728922aac6f-1152x1536.jpg 1152w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/b56994b0-f2a9-412e-af6a-8728922aac6f-110x146.jpg 110w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/b56994b0-f2a9-412e-af6a-8728922aac6f-38x50.jpg 38w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/b56994b0-f2a9-412e-af6a-8728922aac6f-56x75.jpg 56w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/b56994b0-f2a9-412e-af6a-8728922aac6f.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Janaína Araújo com o sorvete Chocolate Fudge Brownie (Foto: Amando Marques) </figcaption></figure>
</div>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em><strong>PARA SABER MAIS</strong></em></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Leia também a resenha intitulada <a href="https://bodisatva.com.br/instrucoes-ao-cozinheiro-a-refeicao-suprema/">&#8220;Instruções ao Cozinheiro: a refeição suprema&#8221;</a>, escrita por Cristiane Schardosim Martins e publicada previamente pela Bodisatva;</li>



<li>Confira o texto <a href="https://bodisatva.com.br/a-experiencia-com-a-traducao-do-livro-instrucoes-ao-cozinheiro/">&#8220;A experiência de tradução do livro Instruções ao Cozinheiro&#8221;</a>, assinado pelo monge Koho Mello;</li>



<li>Para adquirir o livro de Bernie Glassman acesse a <a href="https://loja.bodisatva.com.br/instrucoes-ao-cozinheiro">lojinha da Revista Bodisatva</a>; e</li>



<li>Conheça a <a href="https://www.greyston.org/">Fundação Greyston</a>. </li>
</ul>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong><em>Matéria publicada em 08/05/2026</em></strong></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Chamando o(a) Lama de longe</title>
		<link>https://bodisatva.com.br/chamando-oa-lama-de-longe/</link>
					<comments>https://bodisatva.com.br/chamando-oa-lama-de-longe/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dudjom Rinpoche]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 16:56:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[Sabedorias]]></category>
		<category><![CDATA[Visão]]></category>
		<category><![CDATA[#destaque]]></category>
		<category><![CDATA[#Dudjom Rinpoche]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
		<category><![CDATA[Darma]]></category>
		<category><![CDATA[Ensinamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Jigdral Yeshe Dorje]]></category>
		<category><![CDATA[sabedoria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://bodisatva.com.br/?p=12588</guid>

					<description><![CDATA[<p>Uma prece escrita por Jigdral Yeshe Dorje, o 2° Dudjom Rinpoche</p>
<p>The post <a href="https://bodisatva.com.br/chamando-oa-lama-de-longe/">Chamando o(a) Lama de longe</a> appeared first on <a href="https://bodisatva.com.br">Revista Bodisatva</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>A prece “Chamando o(a) Lama de longe” foi escrita por Jigdral Yeshe Dorje, o 2° Dudjom Rinpoche e publicada em inglês pela <a href="https://www.vajrayana.org/s/programs/translations-and-publications">Bero Jeydren Publications</a>, uma instituição fundada pelo Lama Tharchin Rinpoche para compilar, traduzir e tornar disponíveis textos importantes da tradição Nyingma com uma ênfase particular nos Novos Tesouros de Dudjom. A tradução para o português foi realizada por Zião Clarice Dionísio, com autorização da <a href="https://vajrayana.org/s/">Fundação Vajarayana</a>. A revista Bodisatva se alegra em tornar esta joia disponível para o público brasileiro!</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>No centro do coração de uma lótus de fé florescendo com mil pétalas,</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong><em> </em></strong><em>NYING Ü DAY PAY DAB TONG GÉ SAR ZHAY PAY KYIL NA</em></p>



<p><em><br></em>At the heart center of a blossoming thousand-petaled lotus of faith,</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Você está sempre continuamente abençoando e alegremente permanecendo indivisível.</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>TAK TU JIN GYIY LOB ZHIN DRAL MÉ GYEY PAR ZHUK PAY</p>



<p><br>You are always continuously blessing and joyfully abiding indivisibly.</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Senhor que tudo permeia, glorioso Heruka, Destemida Sabedoria Vajra,</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>KYAB wDAK HÉ RU KA PAL JIK DRAL YÉ SHEY DOR JÉ</p>



<p><br>All pervasive Lord, glorious Heruka, Fearless Wisdom Vajra,</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Você é a essência de todos(as) os(as) Vitoriosos(as), eu encontrei essa certeza a partir do meu coração.</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>GANG KHYÖ GYAL KÜN NGO WOR NYING NAY NGEY PA NYÉ<br>PAY</p>



<p><br>You are the essence of all Victorious Ones, I found this certainty from my heart.</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pela força do entusiasmo ardente, se estiver rezando unidirecionalmente,</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>ZÖ MÉ DUNG WAY SHUK KYIY TSÉ CHIK SOL WA DEB NA</p>



<p><br>By the strength of eager enthusiasm if praying one-pointedly,</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pelo néctar do empoderamento, bênção e sidi, possa a natureza de Buda da minha mente ser amadurecida e liberada.</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>WANG JIN NGÖ DRUB DÜ TSIY DAK GYÜ MIN DROL DZÖ CHIK</p>



<p><br>By the nectar of empowerment, blessing and siddhi, may the Buddha nature of my mind be ripened and liberated.</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Relembrando do(a) meu(minha) Lama com fervor, apesar de eu chamá-lo(a) de longe com lamentação,</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>HA CHANG LA MA DREN NAY GYANG BÖ O DÖ BÖ KYANG</p>



<p><br>Fervently remembering my Lama, though I call from afar with lamentation,</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em outro lugar além de na minha própria mente contínua, eu não poderia encontrar meu(minha) Lama.</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>RANG SEM NYUK MA DI LAY LA MA LOK SU MA NYÉ</p>



<p><br>Other than my own continuous mind I could not find my Lama.</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Já que não há objeto para o qual rezar e não há sujeito que está rezando,</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>SOL WA DAB JAY YUL DANG DEB PAY KHEN PO MÉ NA</p>



<p><br>Since there is no object to pray to and no subject who is praying,</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que deveria eu fingir rezar com pensamentos forçados e esforço apegado?</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>SOL WA DEB NYAM LÖ JAY DZIN TSOL CHÖ MAY CHI JÉ</p>



<p><br>Why should I pretend to pray with contrived thoughts and grasping effort?</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Clara, não identificável, nua consciência vazia, livre de concepção,</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>SAL LA NGÖ ZUNG MÉ PAY TOK DRAL RIK TONG JEN PA</p>



<p><br>Clear, unidentifiable, naked empty awareness, free of conception,</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Isto é o(a) Lama absoluto(a). Eu reconheço que meu(minha) Guru Raiz, Sabedoria Primordial Vajra,</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>DI KA DÖN GYI LA MA YÉ SHEY DOR JER NGO SHEY</p>



<p><br>This is the absolute Lama. I recognize that my Root Guru, Vajra<br>Primordial Wisdom,</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Está, desde o início, continuamente permanecendo no estado básico da suprema auto-natureza primordial.</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>YÉ YIN NGANG NAY CHHEN PO RANG BAB DÖ MAY ZHI LA</p>



<p><br>Is, from the beginning, continuously abiding in the basic state of supreme primordial self-nature.</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Não há necessidade de chamar de longe. Não há necessidade de procurar por perto.</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>GYANG NAY BÖ KYANG MA GÖ DRAM NAY TSAL KYANG MA GÖ</p>



<p><br>There is no need to call from afar. There is no need to search nearby.</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Todos os imensuráveis fenômenos estão contidos na mente além da concepção. Na natureza da sabedoria, não há nem mesmo o nome da delusão,</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>LO DAY UB CHUB SHIY SU T’HRUL PAY MING YANG MI DRAK</p>



<p><br>All immeasurable phenomena are contained in mind beyond conception. In the nature of wisdom, there is not even the name of delusion,</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sem dúvidas, a pessoa está livre do sofrimento; esse é o grande êxtase profundo da equanimidade.</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>NYA NGEN DAY PA TA CHI NYAM NYI DÉ LONG CHHEN PO</p>



<p><br>Without doubt, one is free from suffering; this is the great profound ecstasy of evenness.</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quaisquer fenômenos que surjam são a exibição do Darmakaya.</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>GANG SHAR CHHÖ KÜ YO LANG TAY SO DRAL WAY JIN LAB</p>



<p><br>Whatever phenomena arise are the display of Dharmakaya.</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Eu, um(a) praticante, recebo esta bênção livre de objetivos, no meu coração. Quão supremamente maravilhoso!</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>NAL JOR NYING LA ZHUK DI A HO NGO TSAR CHHÉ-O</p>



<p><br>I, a practitioner, receive this blessing free from aims, in my heart. How supremely wondrous!</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>
</blockquote>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="693" height="1024" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image-693x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-12591" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image-693x1024.jpeg 693w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image-203x300.jpeg 203w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image-99x146.jpeg 99w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image-34x50.jpeg 34w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image-51x75.jpeg 51w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image.jpeg 700w" sizes="auto, (max-width: 693px) 100vw, 693px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Jigdral Yeshe Dorje (Foto: Fundação Kangyur Rinpoche)</em></figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Isto foi escrito espontaneamente por Jigdral Yeshe Dorje, de acordo com os desejos da nobre lady Dechen Chödrön, que tem virtude, inteligência e completa devoção a mim. E também, o pedido recente de Yedrok Tulku me lembrou de seus repetidos pedidos por este tipo de prece de chamado de longe. Possa isso ser virtuoso!</strong></h2>



<p>This was written spontaneously by Jigdral Yeshe Dorje according to the wishes of the noble lady Dechen Chödrön, who has virtue, intelligence, and complete devotion to me. Also, the recent request of Yedrok Tulku reminded me of her repeated requests for this kind of prayer of calling from afar. May it be virtuous!</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<ul class="wp-block-list">
<li>Texto originalmente contido e disponível para download no livreto <a href="https://dudjomtersarngondro.com/download/texts/free-text-downloads"><em>Dudjom Tersar Concise Ngondro</em></a>. </li>



<li>Texto em inglês traduzido por<em> <a href="https://www.vajrayana.org/s/programs/translations-and-publications">Bero Jeydren Publications</a></em>, organização fundada pelo Lama Tharchin Rinpoche para compilar, traduzir e tornar disponíveis textos importantes da tradição Nyingma com uma ênfase particular nos Novos Tesouros de Dudjom Rinponche. </li>
</ul>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em><strong>Matéria publicada em 01/05/2026</strong></em></p>



<p></p>
<p>The post <a href="https://bodisatva.com.br/chamando-oa-lama-de-longe/">Chamando o(a) Lama de longe</a> appeared first on <a href="https://bodisatva.com.br">Revista Bodisatva</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Patrul Rinpoche: um cachorro velho profundamente compassivo</title>
		<link>https://bodisatva.com.br/patrul-rinpoche-um-cachorro-velho-profundamente-compassivo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Cristiane Bremenkamp Cruz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Apr 2026 14:02:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensinamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[Sabedorias]]></category>
		<category><![CDATA[Visão]]></category>
		<category><![CDATA[#destaque]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
		<category><![CDATA[budismo tibetano]]></category>
		<category><![CDATA[Compaixão]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[matthieu ricard]]></category>
		<category><![CDATA[patrul rinpoche]]></category>
		<category><![CDATA[sabedoria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://bodisatva.com.br/?p=12392</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ensinamentos atemporais de um precioso mestre tibetano do século 19</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Ao longo de mais de 30 anos, Matthieu Ricard — microbiologista francês e monge budista que hoje vive no Nepal — reuniu histórias orais sobre Patrul Rinpoche em conversas tecidas com herdeiros espirituais de sua linhagem. </em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>Na cultura tibetana, a tradição oral ainda é vívida e as preciosas histórias recolhidas sobre ele foram compiladas no livro “Enlightened Vagabond: the life and teachings of Patrul Rinpoche” (ainda sem tradução para o português). </em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>Aspiramos que a leitura deste ensaio textual instigue o interesse das pessoas pelo livro sobre a vida do mestre na íntegra!</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Ao ler “<em>Enlightened Vagabond: the life and teachings of Patrul Rinpoche</em>”, nos sentimos verdadeiramente transportados para aquele espaço-tempo tibetano do século 19, como se nós próprios estivéssemos ao lado de Nyoshul Lungtok e Onpo Tenga, ambos alunos de Patrul, sentados em alguma colina recebendo ensinamentos.<br></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/capa-livro-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-12395" style="aspect-ratio:0.6669941270688735;width:340px;height:auto" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/capa-livro-683x1024.jpg 683w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/capa-livro-200x300.jpg 200w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/capa-livro-768x1152.jpg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/capa-livro-97x146.jpg 97w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/capa-livro-33x50.jpg 33w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/capa-livro-50x75.jpg 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/capa-livro.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Capa do livro &#8220;Enlightened Vagabond: the liffe and teachings of Patrul Rinpoche&#8221;, escrito pelo monge francês Matthieu Ricard, tendo sido lançado em versão de língua inglesa em 2017 pela Editora Shambhala (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
</div>


<p>É oportuno reconhecer os méritos de Matthieu Ricard, que construiu uma narrativa com base em cenas recolhidas a partir das histórias orais recontadas geração após geração, trazendo a força viva da memória de Patrul Rinpoche (1808-1887), presente no coração dos tibetanos em cada vilarejo por onde ele andou.</p>



<p>Sim, Patrul era um andarilho. Não viajava a cavalo, como era costume na época. Somente a pé. Publicou seu livro mais conhecido “Palavras do Meu Professor Perfeito”, a partir dos ensinamentos recebidos de seu mestre Jigme Gyalwai Nyugu.</p>



<p>O livro se tornou amplamente difundido no Tibete entre seus contemporâneos, praticamente uma bíblia sagrada que penetrou a cultura tibetana. Embora as pessoas conhecessem o livro, não sabiam reconhecer quem o havia escrito, pois, quando era ainda bem jovem, Patrul abdicou da posição social, riqueza e status de um Rinpoche para viver uma vida errante.</p>


<div class="wp-block-image is-style-default">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1148" height="1600" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-21-at-18.41.47.jpeg" alt="" class="wp-image-12410" style="aspect-ratio:0.7038999041420715;width:388px;height:auto" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-21-at-18.41.47.jpeg 1148w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-21-at-18.41.47-215x300.jpeg 215w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-21-at-18.41.47-735x1024.jpeg 735w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-21-at-18.41.47-768x1070.jpeg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-21-at-18.41.47-1102x1536.jpeg 1102w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-21-at-18.41.47-105x146.jpeg 105w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-21-at-18.41.47-36x50.jpeg 36w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-21-at-18.41.47-54x75.jpeg 54w" sizes="auto, (max-width: 1148px) 100vw, 1148px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Capa do livro &#8220;As Palavras do Meu Professor Perfeito&#8221;, de Patrul Rinpoche, lançado pela Editora Makara, em 2016 no Braisl (Foto: Cristiane Bremenkamp Cruz/ acervo pessoal)</em></figcaption></figure>
</div>


<p>Há uma cena curiosa e até mesmo divertida na qual Patrul estava hospedado na casa de um Lama que o acolheu, ofereceu abrigo e alimentos em uma de suas peregrinações. </p>



<p>O referido Lama, sentindo-se compelido a compartilhar algum ensinamento com aquele senhor simples e maltrapilho que estava hospedado em sua casa, apresentou-lhe “Palavras do Meu Professor Perfeito” e o convidou a contemplar as práticas preliminares inscritas no livro. Humildemente, Patrul Rinpoche aceitou receber ensinamentos do Lama que gentilmente o acolhera.</p>



<p>Dias depois, após Patrul ter sido convidado para ensinar em um monastério da cidade, o Lama que o hospedara ouviu falar que o grande mestre Patrul Rinpoche estava na região e ele não poderia perder esse acontecimento por nada. Ao chegar lá, deparou-se com seu hóspede maltrapilho na mesa de professores. Quando se deu conta, sentiu-se embaraçado por não o ter reconhecido antes e envergonhado por oferecer ensinamentos para o próprio autor do livro.</p>



<p>Esse era o estilo de Patrul Rinpoche: <em>tornar-se invisível</em>. </p>



<p>No entanto, mesmo naquela época em que não havia internet e fotografias circulando com a rapidez de um clique, ainda assim nem sempre foi possível para ele disfarçar sua notoriedade.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-50a9d1c1f7da86fda822c8e8fc162053"><strong>Os encontros com o mestre Khyentse Yeshe Dorje </strong></p>



<p>De todas as cenas apresentadas em “<em>Enlightened Vagabond”</em>, poucas são tão eletrizantes e vivazes como os encontros com Do Khyentse Yeshe Dorje, o mestre que apresentou a natureza da mente à Patrul Rinpoche. Do Khyentse era conhecido por seu comportamento espontâneo e imprevisível e, ainda, reconhecido como um grande <em>siddha</em>, uma reencarnação de Jigme Lingpa.</p>



<p>Certa vez, Do Khyentse viajou para Dzachukha, terra natal de Patrul Rinpoche. Tendo ouvido falar sobre a chegada de seu mestre à cidade, Patrul foi até a vila para encontrá-lo. Quando Do Khyentse avistou sua presença de longe, chamou-o dizendo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>— Ei, Patrul! Se você é tão corajoso, por que você não vem até aqui?</em></p>
</blockquote>



<p>Ao se aproximar do mestre, Patrul percebeu que ele andava se embriagando, pois sentiu o cheiro de <em>chang</em> (uma bebida alcoólica tradicional tibetana). Relembrando os ensinamentos do Buda sobre os efeitos nocivos de intoxicantes, Patrul pensou com tristeza e certo desprezo que até grandes mestres podem cair bêbados e se comportar de modo inadequado.</p>



<p>No exato instante em que esses pensamentos passaram pela mente de Patrul, seu mestre Do Khyentse o derrubou no chão (em vários sentidos).</p>



<p>Com firmeza — e, por que não dizer, certa dose de violência —, Do Khyentse gritou “<em>Pah!</em>”, cuspindo na face de Patrul e lhe dizendo:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>— <em>Seu cachorro velho, sua mente ainda está repleta de conceitos!</em></p>
</blockquote>
</blockquote>



<p>Na cultura tibetana, a expressão “cachorro velho” é bastante ofensiva. Patrul precisou de alguns instantes para se dar conta do que havia acontecido. Ainda em choque, sentiu que tinha perdido todas as suas referências.</p>



<p>A abertura experimentada pela devoção a seu mestre permitiu que, naquele instante, ele acessasse a natureza de sua mente. Com profunda reverência e gratidão, descansou nesse estado de consciência nua — ampla e brilhante como um céu sem nuvens — e livre de pensamentos discursivos.</p>



<p>Após esse acontecimento, Patrul passou a se apresentar como “cachorro velho” em diversas ocasiões, acolhendo o nome iniciático compassivamente ofertado por seu mestre. Inclusive, muitos de seus textos foram assinados sob a insígnia “Cachorro Velho”.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>— <em>Algumas pessoas o amam e outras pessoas o temem – não podem dizer uma palavra em sua presença. Por que será?</em></p>
</blockquote>



<p>Após refletir por alguns instantes, Patrul finalmente respondeu:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>—</em> <em>Talvez algumas pessoas me amem, porque cultivo compaixão e bondade amorosa continuamente. Talvez algumas pessoas me temam, porque considero o “eu” e os fenômenos igualmente vazios de natureza intrínseca.</em></p>
</blockquote>



<p class="has-medium-font-size"><strong>O cultivo da bondade amorosa e compaixão </strong></p>



<p>Patrul Rinpoche foi um mestre da compaixão. Nutria bondade amorosa e se alimentava ao nutrir outros seres (metafórica e literalmente falando). Conta-se que, quando ele estava habitando uma caverna em Dzachukha, sua terra natal, Patrul frequentemente se deitava na floresta em tardes de verão, removia suas roupas e permanecia no chão por horas, impassível, oferecendo seu sangue como alimento para um conglomerado de insetos que o picavam por todo o corpo.</p>



<p>Seu aluno Nyoshul Lungtok também relata a comovente situação vivenciada por eles em um dos invernos mais severos no qual estavam em retiro. Não havia mais provisões e nem sequer arbustos comestíveis que pudessem alimentá-los. Tudo era neve.</p>



<p>Estavam famintos por dias até que uma das pessoas do grupo avistou uma carcaça de algum animal. Passaram a se alimentar desses ossos em decomposição, mas, em seguida, Patrul sentiu profunda compaixão pelos abutres que agora não tinham mais o que comer, visto que eles próprios — humanos — estavam se alimentando da comida dos pássaros.</p>



<p>Diante dessa constatação, Patrul aconselhou seus alunos a devolverem o que ainda havia disponível e a não voltarem a recolher carcaças naturalmente destinadas aos abutres.</p>



<p>Exceto em algumas situações em que seu mestre Do Khyentse o incitava a comer carne como uma maneira de afastar qualquer percepção dualista e orgulho, na maior parte do tempo, Patrul Rinpoche seguia votos vegetarianos e não permitia que animais fossem abatidos em seu nome.</p>



<p>Fazia isso, não porque acreditasse que a vida e a morte são algo além de uma ilusão criada pela visão separativa das mentes comuns — ele certamente via a realidade além dessa percepção usual —, mas porque essa era uma prática de compaixão brotada do reconhecimento de que todos os seres temem perder suas vidas; de que todos os seres querem ser felizes; e de que a vida é a dádiva mais preciosa que cada um tenta proteger.</p>



<p>Patrul Rinpoche, imenso em sua bondade, protegia e nutria todos aqueles com quem se encontrava, seres humanos e mais que humanos.</p>



<p class="has-medium-font-size"><strong>O presente enviado pela mãe de Nyoshul Lungtok </strong></p>



<p><em>“A-dzi!” </em></p>



<p>É a expressão que guardo com ternura após terminar de ler o livro, pois é a interjeição que Patrul proferia antes de derramar um mar de <em>bodhicitta</em> nas pessoas ao seu redor.</p>



<p>Nenhuma cena relatada me comoveu tanto como aquela em que se narra o presente enviado pela mãe de seu aluno Nyoshul Lungtok àquele filho que há tanto tempo residia distante dela. Com esmero e ternura, essa mãe preparou uma espécie de pote de manteiga, feito de modo tradicional tibetano em camadas.</p>



<p>Quando o pote de manteiga chegou a suas mãos, Nyoshul Lungtok o ofereceu a Patrul Rinponche. Este, por sua vez, ao perceber a trabalheira envolvida na feitura daquela iguaria fez algumas perguntas sobre como sua mãe o preparava. Lungtok explicou que são necessários vários dias para a feitura, visto que leite fresco deveria ser adicionado a cada dia na camada anterior já consistente, vez por vez.</p>



<p>Ao se dar conta de toda a dedicação envolvida, Patrul se recusou a aceitar a oferenda de Lungtok, chamando-lhe a atenção para o enorme amor empenhado por sua mãe ao lhe enviar aquele presente.</p>



<p>Lungtok insistiu para que Patrul aceitasse a oferenda, pois assim sua mãe criaria uma conexão auspiciosa com ele. Seria de benefícios para sua mãe, caso ele aceitasse. Não vendo modos de escapar da insistência de Lungtok, Patrul finalmente aceitou. Passados alguns dias, perguntou a seu aluno:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>— Você sente saudades de sua mãe?</em></p>
</blockquote>



<p>Sem pensar muito, Lungtok respondeu de modo curto:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>— Sinceramente, não&#8230;</em></p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>“A-dzi!” — exclamou Patrul.</em>&nbsp;— <em><em>Isso é o que acontece quando se falha em cultivar compaixão.</em></em></p>
</blockquote>



<p>E, então, Patrul o instruiu a ir até uma montanha próxima para meditar debaixo de uma árvore fresca e contemplar por sete dias sobre o fato de que todos os seres, em alguma vida passada, já foram nossas mães, relembrando sua bondade amorosa para conosco.</p>



<p>Lungtok seguiu as indicações de seu mestre, desenvolvendo a aspiração de trazer felicidade e as causas da iluminação para todos os seres, os quais foram suas mães em vidas prévias. Como resultado, genuína bondade amorosa e compaixão floresceram em sua mente-coração.</p>



<p><strong>Palavras finais </strong></p>



<p>“<em>Enlightened Vagabond”</em> é uma dádiva completa que merece ser contemplada. Se esse texto que você agora lê tem algum mérito, que seja o de lhe instigar para a leitura do livro na íntegra.</p>



<p>Onpo Tenga, um dos alunos de Patrul Rinpoche, faz uma observação tenaz apresentada ao final do livro:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>&#8220;Nós não levamos causa e efeito a sério, então nossa prática tem poucos frutos. Por outro lado, nós todos poderíamos nos tornar como Patrul Rinpoche.&#8221;</em></p>
</blockquote>



<p>Que possamos ser genuinamente tocados e inspirados pela confiança, devoção e entrega de nosso precioso ancestral Patrul Rinpoche ao Caminho! E que nossa prática seja igualmente de benefício aos incontáveis seres das 10 direções&#8230;</p>



<p></p>



<p><em><strong>PARA SABER MAIS</strong></em></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Acompanhe a tradução do capítulo &#8220;<a href="https://bodisatva.com.br/a-fortaleza-assombrada/">A fortaleza assombrada</a>&#8220;, contido no livro <em>“Enlightened Vagabond: the life and teachings of Patrul Rinpoche”</em>, traduzido por Zião Clarice Dionísio e publicado previamente pela Bodisatva.</li>
</ul>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em><strong>Matéria publicada em 04/04/2026</strong></em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Fios de sabedoria e compaixão tecidos na Mahasanga</title>
		<link>https://bodisatva.com.br/fios-de-sabedoria-e-compaixao-tecidos-na-mahasanga/</link>
					<comments>https://bodisatva.com.br/fios-de-sabedoria-e-compaixao-tecidos-na-mahasanga/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristiane Bremenkamp Cruz]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Mar 2026 02:40:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Futuros Possíveis]]></category>
		<category><![CDATA[Inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[Lama Padma Samten]]></category>
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		<category><![CDATA[sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Sua Eminência Garchen Rinpoche]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em viagem pelos EUA, Lama Padma Samten se encontrou com preciosos mestres</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Nesta matéria especial, a Revista Bodisatva apresenta a cronologia das relações em interdependência positiva tecidas pelo Lama Padma Samten em sua viagem realizada aos EUA, no início do março de 2026. Acompanhe esse trajeto de auspiciosos encontros!</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>No dia 9 de março de 2026, o Lama Padma Samten embarcou para os EUA acompanhado de Talitha Monfort e Ricardo Zanardi, a fim de participarem de um retiro iniciado na última sexta-feira, dia 13 de março, e finalizado domingo, 16 de março de 2026, no Garchen Buddhist Institute, localizado em Chino Valley, no Arizona. O retiro contou com a presença de Sua Eminência Garchen Triptrul Rinpoche, Khenpo Samdup Rinpoche e outros lamas, monjas e monges vinculados ao Garchen Buddhist Institute (GBI). </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1024x768.jpeg" alt="" class="wp-image-12517" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1024x768.jpeg 1024w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-300x225.jpeg 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-768x576.jpeg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-195x146.jpeg 195w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-50x38.jpeg 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-100x75.jpeg 100w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Antes do embarque, da esquerda para a direita: Ricardo Zanardi, Vicente Sevilha, Denise Barranco, Talitha Monfort, Raquel Oliveira e Lama Padma Samten (Foto: Raquel Oliveira/ acervo pessoal)</em></figcaption></figure>
</div>


<p>A sangha do Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB) está muito feliz com os preciosos encontros tecidos com fios de amizade, lucidez e compaixão entre a Mahasanga do Buda.</p>



<p>Como primeira parada da viagem aos EUA, Lama Padma Samten esteve em São Francisco, visitando o mestre Chakung Jigme Wangdrak Rinpoche, descendente direto e detentor da linhagem de Dudjom Lingpa. Na ocasião do encontro, o Lama contou um pouco sobre o funcionamento do CEBB, os ensinamentos de Dudjom Lingpa traduzidos e estudados em nossa sangha e fez alguns pedidos para o mestre Wangdrak Rinpoche para dar iniciações e ensinamentos na visita que fará ao Brasil em outubro deste ano.&nbsp;</p>



<p>Entre 19 de outubro e 2 de novembro de 2026, os mestres Anam Thubten Rinpoche&nbsp;e Jigme Wangdrak Rinpoche estarão no Brasil para uma programação de retiros e também para o lançamento do livro de Jigme Wangdrak Rinpoche, cujo prefácio foi escrito por Anam Thubten Rinpoche. O livro está sendo traduzido para o português por Jeanne Pilli e será publicado pela editora Ação Paramita, com o título “Amando a Vida Como Ela É: um guia budista para a felicidade suprema”.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-1024x768.png" alt="" class="wp-image-12519" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-1024x768.png 1024w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-300x225.png 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-768x576.png 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-1536x1152.png 1536w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-195x146.png 195w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-50x38.png 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-100x75.png 100w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Lama Padma Samten oferecendo o livro “A Roda da Vida” a Wangdrak Rinpoche e a Anam Thubten Rinpoche e mostrando o site do CEBB com imagens das aldeias</em> <em>(Foto: Ricardo Zanardi/ acervo pessoal)</em></figcaption></figure>
</div>


<p>Além disso, na imersão de três meses que ocorrerá no CEBB Sukhavati entre 5 de abril e 2 de julho de 2026, o Lama Padma Samten irá estudar com a sangha o texto “Voice of the Primordial Buddha<em>” </em>(em livre tradução, &#8220;A Voz do Buda Primordial&#8221;), escrito por Anam Thubten Rinpoche. O referido texto está sendo traduzido para o português por Rafaela Sales de Paula, para fins de estudos na sangha. Nutrimos a aspiração de que também seja publicado pela Ação Paramita.&nbsp;</p>



<p>Posteriormente, de São Francisco, no norte da Califórnia, o Lama partiu para Chino Valley, no Arizona, acompanhado por Talitha Monfort e Ricardo Zanardi, a fim de participar do retiro no Garchen Buddhist Institute<em>. </em>A prática principal realizada foi a sadana de Acumulação do mantra de Guru Rinpoche, e o retiro teve como pré-requisito a&nbsp;iniciação de Guru Rinpoche oferecida por Sua Eminência Garchen Rinpoche, disponível online neste <a href="https://www.youtube.com/watch?v=RZemYPhSgrk"><strong>link</strong></a> do Youtube.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-768x1024.png" alt="" class="wp-image-12522" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-768x1024.png 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-225x300.png 225w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-1152x1536.png 1152w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-110x146.png 110w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-38x50.png 38w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-56x75.png 56w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>No domingo, 15/03/2026, prontos para a oferenda de Mandala e cerimônia de longa vida à Sua Eminência (SE) Garchen Rinpoche. O Lama Padma Samten foi apontado para carregar o guarda-sol durante o trajeto&nbsp;de SE até o templo.</em> <em>(Foto: Talitha Monfort<em>/ acervo pessoal</em>)</em></figcaption></figure>
</div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="640" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-1024x640.jpeg" alt="" class="wp-image-12524" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-1024x640.jpeg 1024w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-300x188.jpeg 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-768x480.jpeg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-234x146.jpeg 234w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-50x31.jpeg 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1-120x75.jpeg 120w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-1.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Sua Eminência Garchen Rinpoche ao lado do Lama Padma Samten, que ofereceu duas edições da Revista Bodisatva ao mestre: a n° 30 (<a href="https://loja.bodisatva.com.br/revista-bodisatva-30-silencio-em-movimento"><strong>“Silêncio em Movimento”</strong></a>) e a n° 31 (“<a href="https://loja.bodisatva.com.br/revista-bodisatva-31-o-tempo-da-grande-virada"><strong>O tempo da grande virada”</strong></a>).</em> <em>(Foto: Ricardo Zanardi<em>/ acervo pessoal</em>)</em></figcaption></figure>
</div>


<p>A inscrição para o retiro de Acumulação de Mantras de Guru Rinpoche realizado no Garchen Buddhist Institute foi disponibilizada no <a href="https://garchen.net/annual-events/#gururinpoche"><strong>site</strong></a>. </p>



<p>Quem não conseguiu participar no fim de semana e ainda aspira acompanhar as gravações do encontro disponíveis online pode realizar uma inscrição pelo seguinte <a href="https://docs.google.com/forms/u/0/d/1O3kIAiaGDbnzycoM9Pf-g_0tRdOFhSicmS5mLfdo92M/viewform?edit_requested=true"><strong>formulário.</strong></a> </p>



<p>A prática da Dana Paramita – perfeição da generosidade – torna possível a continuidade dos ensinamentos desde os tempos do Buda. As seis paramitas – generosidade, moralidade, paz, energia constante, concentração e sabedoria – são a base geradora e sustentadora dos centros de estudos budistas ao redor do mundo. Caso você sinta a aspiração de apoiar as atividades do Garchen Buddhist Institute, está convidado(a) a realizar doações pelo seguinte <a href="https://garchen.net/donations-."><strong>canal</strong></a>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-1024x768.jpeg" alt="" class="wp-image-12529" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-1024x768.jpeg 1024w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-300x225.jpeg 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-768x576.jpeg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-1536x1152.jpeg 1536w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-195x146.jpeg 195w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-50x38.jpeg 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-100x75.jpeg 100w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Lama Padma Samten saúda Khenpo Samdup Rinpoche no Garchen Buddhist Institute (Foto: Ricardo Zanardi / acervo pessoal)<br></em></figcaption></figure>
</div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-12531" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-576x1024.jpeg 576w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-169x300.jpeg 169w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-82x146.jpeg 82w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-28x50.jpeg 28w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-42x75.jpeg 42w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3.jpeg 720w" sizes="auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Lama Padma Samten e Khenpo Samdup Rinpoche em uma caminhada pela área do Garchen Buddhist Institute (Foto: Talitha Monfort<em>/ acervo pessoal</em>)</em></figcaption></figure>
</div>


<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-1024x768.png" alt="" class="wp-image-12533" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-1024x768.png 1024w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-300x225.png 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-768x576.png 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-1536x1152.png 1536w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-195x146.png 195w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-50x38.png 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3-100x75.png 100w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-3.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Lama Padma Samten, Ricardo Zanardi, Vanessa Postel e Talitha Monfort</em> <em>(Foto: Talitha Monfort/<em> acervo pessoal</em>)</em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-1024x768.png" alt="" class="wp-image-12536" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-1024x768.png 1024w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-300x225.png 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-768x576.png 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-1536x1152.png 1536w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-195x146.png 195w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-50x38.png 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-100x75.png 100w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Lama Padma Samten e o Khenpo D. Tsering Tashi</em> <em>(Foto: Talitha Monfort<em>/ acervo pessoal</em>)</em></figcaption></figure>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-12537" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-576x1024.jpeg 576w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-169x300.jpeg 169w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-768x1365.jpeg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-864x1536.jpeg 864w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-82x146.jpeg 82w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-28x50.jpeg 28w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4-42x75.jpeg 42w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image-4.jpeg 900w" sizes="auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Lama Padma Samten durante a Acumulação de Mantras de Guru Rinpoche, no Garchen Buddhist Institute (Foto: Ricardo Zanardi<em>/ acervo pessoal</em>)<br></em></figcaption></figure>
</div>


<p>Durante o retiro, houve sessões para perguntas e respostas com Khenpo Samdup, lamas visitantes e os lamas do GBI. Uma das sessões está disponível clicando <a href="http://:https://www.youtube.com/live/ELd-EIklxQQ."><strong>aqui</strong></a>.</p>



<p>A Revista Bodisatva transcreveu e traduziu alguns trechos da participação do Lama Padma Samten, a fim de compartilhar com a sangha a presença de nossa mestre no retiro ocorrido no Garchen Buddhist Institute:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Fala do Lama Padma Samten</strong> (de 1h10min45 até 1h19min07):</li>
</ul>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>&#8220;Eu gostaria de começar dizendo que o brilho de Sua Eminência Garchen Rinpoche chegou ao Brasil e eu vim para cá como uma abelha em busca de mel. Gostaria de expressar minha gratidão por ser convidado por Khenpo Samdup para estar aqui e conhecer toda a sangha. É uma alegria para mim. Samdup Rinpoche é muito estimado pela sangha no Brasil e Garchen Rinpoche também tem nossa profunda admiração, então estou aqui. Peço desculpas pelo meu inglês e gostaria de começar dizendo duas coisas extremas. A primeira é que a realidade é profundamente irada. E a outra é que a realidade é também extremamente compassiva e pacífica. Imagine que estamos diante de um tabuleiro de xadrez: quando estamos diante do tabuleiro, podemos nos desenvolver como jogadores ou não. Se formos jogadores no tabuleiro, as peças serão magnéticas. As peças têm um significado por dentro do jogo e esse significado especial da peça não vem do material a partir do qual as peças são produzidas, como madeira ou qualquer outro tipo, mas sim da não dualidade da nossa mente que entra no jogo onde as peças operam. Quando estamos sob a realidade magnética do tabuleiro de xadrez, poderíamos chamar isso de uma espécie de bolha da realidade, porque, como jogadores, entramos nesse tabuleiro e tudo parece completamente real —</em> <em>poderemos nos sentir felizes e poderemos nos sentir tristes no jogo. Se olharmos para nossas vidas, observaremos que, quando éramos crianças, vivíamos em uma espécie de bolha. Tínhamos amigos e pensávamos que essas amizades durariam para sempre. Não conseguíamos imaginar que, em algum momento, viveríamos sem nossa família, nosso pai e nossa mãe, e longe de nossa cidade. Estávamos em uma espécie de bolha. Quando falamos de uma bolha, podemos dizer que esta bolha é um bom exemplo de </em>avydia<em>, </em>marigpa<em>, ignorância. Porque é a realidade, mas não é a realidade, ao mesmo tempo é a realidade. É vazia, mas opera&#8230; está funcionando. Estamos aqui reunidos até domingo. Segunda-feira, talvez estejamos em outra bolha em nossas cidades. Como podemos nos comportar de maneira tão natural aqui reunidos, se isso desaparecerá em breve? As causas e condições atuais irão desaparecer. Estamos em um reino puro. Poderíamos dizer que é uma terra pura. Somos seres especiais em uma terra pura e essa terra pura não está separada de nossa mente. É não dual com nossa mente. As bolhas não irão durar, o que corresponde ao aspecto irado da realidade. Todas as bolhas irão desaparecer. E se vivemos na bolha, se vivermos a nossa realidade, então toda essa realidade em algum momento desaparecerá, como vem acontecendo desde o início desta vida e podemos dizer que até antes dela. Em geral, estamos sempre procurando por outra bolha, como a bolha sagrada, a bolha final, mas não a encontraremos. Não a encontraremos no reino do desejo, nem no reino da forma ou da não-forma. Esse é o aspecto irado da realidade dos fenômenos. Podemos estender essa compreensão à pessoa que busca a Iluminação, pois está dentro de uma bolha. Essa identidade de praticante não vai perdurar. Iremos ultrapassar nossas identidades, sem o que não alcançaremos os resultados finais da prática. A boa notícia é que não temos o fardo de ter que ser bem-sucedidos em nossas identidades. Podemos relaxar. Não precisamos adquirir uma identidade; construir uma identidade que seja iluminada. Estamos livres de </em>avydia<em>, de </em>marigpa<em> e não temos que padecer sob o fardo de ser bem-sucedidos. Vamos ver a natural realidade. O fato de que construímos a primeira bolha em nossa vida, a segunda, a terceira. Estamos sempre construindo bolhas. As bolhas não vão durar, mas a luminosidade que constrói as bolhas e tece nossas identidades está lá, desde o princípio. Essa luminosidade não é afetada pela vida e pela morte. Está sempre presente. Se observarmos qualquer experiência do bardo, em qualquer experiência do bardo, estamos em uma espécie de bolha. As bolhas desaparecem, mas a luminosidade da mente permanece. Não precisamos construir nossa experiência —</em> <em>ela já está aqui. Estamos construindo essa realidade agora, porque a luminosidade da mente está ativa. Estamos operando com ela agora mesmo. E não a perderemos. Não é possível perdê-la. Então, temos más e boas notícias. Um aspecto irado da realidade e um aspecto compassivo e bondoso. Acho que é isso. Então podemos relaxar.&#8221;</em></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Entre 1h19 e 1h25, o Lama Padma Samten respondeu à pergunta da brasileira Ana Clara Cenamo, que indagou, em resumo: &#8220;Como podemos agir de forma lúcida e compassiva em um mundo marcado por toda sorte de violências: afinal, o que podemos fazer como praticantes do Darma?&#8221; <strong>Confira a resposta do Lama:</strong></li>
</ul>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>&#8220;Eu penso que essa é uma boa pergunta. Eu diria que os praticantes podem fazer coisas como essa que estamos fazendo aqui. Eu penso, por exemplo, que alguns políticos podem construir a confusão e, facilmente, podem fazer guerras. Podemos fazer/construir terras puras. Terras puras irão durar por tempos mais longos. As pessoas poderosas do tempo do Buda, nós esquecemos o nome deles. Nós tivemos muitas pessoas confusas que destruíram a sanga, os templos. Nós esquecemos deles, do que eles disseram, o que eles pensavam, mas o Darma vive, perdura. Vive, porque podemos ver além da confusão. Eu diria: &#8216;Vamos construir boas coisas&#8217;. É isso. Eu diria que, no Brasil, estamos fazendo isso. Construindo comunidades, praticando juntos, construindo templos. E nós estamos bem felizes nas nossas bolhas. Mas nós não estamos isolados. Nós convidamos as pessoas para discutir junto. Nós ajudamos os administradores das cidades. Nós estamos juntos. Produzimos boa comida orgânica e assim seguimos. Penso que sim. Gostaria de promover escolas, mas não é tão fácil, mas penso que é uma boa coisa.&nbsp;</em></p>



<p></p>



<p>Que os méritos desses encontros na Mahasanga se expandam e toquem a todos!<br></p>



<p>&gt;&gt;&gt;</p>



<p><em><strong>PARA SABER MAIS</strong></em></p>
</blockquote>



<ul class="wp-block-list">
<li>Assista ao comovente documentário <a href="https://www.youtube.com/watch?v=foHCbX0xjAU&amp;t=4056s"><strong>For the Benefit of All Beings</strong></a> sobre a vida de Sua Eminência Garchen Rinpoche e fique por dentro dos retiros e ensinamentos oferecidos no <a href="https://garchen.net/our-spiritual-director/"><strong>Garchen Buddhist Institute</strong></a>; e</li>



<li>Acompanhe as atividades do mestre Chakung Jigme Wangdrak Rinpoche pelo site da <a href="https://www.abhayafellowship.org/about"><strong>Abhaya Fellowship</strong></a>.</li>
</ul>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em><strong>Matéria publicada em 18/03/2026</strong></em></p>
<p>The post <a href="https://bodisatva.com.br/fios-de-sabedoria-e-compaixao-tecidos-na-mahasanga/">Fios de sabedoria e compaixão tecidos na Mahasanga</a> appeared first on <a href="https://bodisatva.com.br">Revista Bodisatva</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O voto de Arya Tara</title>
		<link>https://bodisatva.com.br/o-voto-de-arya-tara/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carmem Navas Zamora]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2026 21:10:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[Sabedorias]]></category>
		<category><![CDATA[Visão]]></category>
		<category><![CDATA[#destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Arya Tara]]></category>
		<category><![CDATA[Buda feminino]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
		<category><![CDATA[budismo tibetano]]></category>
		<category><![CDATA[Compaixão]]></category>
		<category><![CDATA[sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[voto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como a deidade conquista os corações e mentes, salvando os seres e vencendo preconceitos  </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Arya Tara é muitas vezes descrita como o Buda em forma feminina ou como a representação simbólica da compaixão dos Budas. Mas por que é importante falar sobre isso? Bem, talvez você já tenha ouvido falar que “feminino” e “masculino” são categorias da realidade relativa, ou seja, do aspecto mais aparente e grosseiro da vida. A promessa feita por Arya Tara vem exatamente para nos lembrar de que existe algo muito mais sutil e transcendente. É daí que ela obtém seus superpoderes, que salvam seus devotos nas mais difíceis situações. Quer saber mais? Leia até o fim.</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Se você é budista, provavelmente já ouviu falar no enorme poder de Arya Tara e ficou se perguntando como surgiu sua famosa decisão de nunca abrir mão da forma feminina. </p>



<p>Essa é mais uma daquelas histórias budistas que envolvem números astronômicos e várias camadas de significados. Como é uma história que inspira e encanta praticantes há mais de 2.000 anos, vale a pena ser contada de novo. </p>



<p><em>&#8220;Há muito tempo, numa época em que não havia nada mais, o Vitorioso Tatágata Dundhubishvara veio a existir e ficou conhecido como Luz de Vários Mundos. A Princesa Lua de Sabedoria tinha enorme respeito por seu ensinamento e, por <em>dez milhões e cem mil</em> anos, ela fez oferendas a esse Iluminado […] Finalmente, depois de tudo isso ela despertou para os primeiros conceitos da Mente-Bodhi. Naquele momento, alguns monges lhe disseram: &#8216;Se você rezar de acordo com os ensinamentos, com certeza vai conseguir mudar para obter a forma de um homem&#8217;. Depois de muita discussão, ela respondeu: &#8216;Não existe tal diferença entre &#8216;masculino&#8217; e &#8216;feminino&#8217;, nem &#8216;identidade&#8217; ou &#8216;pessoa&#8217;, portanto, o apego a essas ideias é inútil&#8217;. E ela fez o voto: &#8216;Há muitos que desejam ganhar a iluminação numa forma de homem e há poucos que querem trabalhar pelo bem-estar dos seres sencientes numa forma feminina. Portanto, que eu possa, num corpo feminino, trabalhar pelo benefício dos seres, daqui até que o Samsara se esvazie’.&#8221; *</em></p>



<p>Assim começa a trajetória dessa popularíssima deidade, chamada em sânscrito de <em>Arya Tara</em> e em tibetano de <em>Drolma</em>. No Tantra hindu, já era apontada como uma deusa de sabedoria e também como a consorte que protegeu o corpo do deus Shiva, no episódio em que ele consumiu um terrível veneno chamado <em>kalakuta</em>. </p>



<p>Uma inscrição datada do ano 778 EC, encontrada no santuário Kalasan Chandi, na ilha de Java, faz referência a Tara com a seguinte frase:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>Seu sorriso faz o sol brilhar e seu cenho franzido faz a escuridão envolver a esfera terrestre.&#8221;</em></p>
</blockquote>



<p>A gente poderia escrever infinitas páginas sobre os milagres de Tara, com todas as magníficas aparências que ela manifesta. É simplesmente impossível reunir num só texto toda essa extensa literatura, que inclui os autores mais importantes das tradições Mahayana e Vajrayana. Todas as linhagens e escolas rendem algum tipo de homenagem a Arya Tara ou contam com sua compaixão veloz para fazer avançar os projetos do Darma. No Tibete, o relato mais completo sobre a iluminação e os feitos da deidade foi escrito pelo historiador Taranatha, por volta do ano 1600 d.C., com o nome “A Origem do Culto de Tara”. Segundo ele,</p>



<p><em>&#8220;Ela permaneceu no palácio por dez milhões e cem mil anos num estado de meditação […] Como resultado, ganhou sucesso na realização de que os darmas são não-nascidos e também aperfeiçoou a meditação conhecida como &#8216;salvando todos os seres sencientes&#8217;, por cujo poder ela passou a salvar dez milhões e cem mil seres a cada manhã. Então seu nome foi mudado e ela se tornou conhecida como ‘a Salvadora’.&#8221;</em></p>



<p>Citado no livro <em>“Skillful Grace – A Practice of Tara for Our Time”</em>, de Tulku Urgyen Rinpoche, o famoso mestre das linhagens Drukpa e Nyingma, Trulshik Adeu Rinpoche (1931-2007), explica:</p>



<p><em>&#8220;A qualidade especial de Tara é sua extraordinária resolução compassiva de beneficiar todos os seres, removendo qualquer coisa que os leve a sentir ansiedade e temor e afastar os oito ou dezesseis tipos de medos. Existem duas perspectivas. Uma é a de que Tara é uma praticante do caminho que desenvolveu a iluminação suprema e definitiva. Outra perspectiva é a de que as lágrimas de Avalokiteshvara se transformaram em Tara. Como devemos conciliar essas duas versões? Isso depende da capacidade de quem estiver ouvindo os ensinamentos.&#8221;</em> </p>



<p>A devoção a Tara no budismo é como um eco de outras civilizações que veneravam deusas de sabedoria como Atena, grande protetora da Grécia, ou a egípcia Ísis, mãe da magia e da medicina. </p>



<p>Para a antropóloga Vanessa Rosa, professora de indígenas Mbyá Guarani e pesquisadora das divindades femininas, Arya Tara e seu voto constituem um momento único na história das religiões. Pela primeira vez, caiu por terra o preconceito contra o corpo feminino, tantas vezes acusado de inadequação e insuficiência ou encarado como ameaça à castidade dos monges.</p>



<p>&#8220;A instalação de uma sociedade patriarcal significou o apagamento de várias deusas e a demonização de outras&#8221;, analisa Vanessa. &#8220;Hoje, o voto de Arya Tara permanece muito atual, porque no momento em que tentaram ‘apagar’ sua forma feminina, ela a reafirmou. Além disso, suas manifestações não são somente pacíficas e suaves. Ela não é uma mãe doce e submissa. Arya Tara também domina os meios hábeis irados, que cortam rapidamente a negatividade, então, ela é uma inspiração para nós&#8221;, diz.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="738" height="1024" data-id="12501" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/arya-tara-2-738x1024.jpg" alt="" class="wp-image-12501" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/arya-tara-2-738x1024.jpg 738w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/arya-tara-2-216x300.jpg 216w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/arya-tara-2-768x1065.jpg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/arya-tara-2-1107x1536.jpg 1107w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/arya-tara-2-1476x2048.jpg 1476w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/arya-tara-2-105x146.jpg 105w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/arya-tara-2-36x50.jpg 36w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/arya-tara-2-54x75.jpg 54w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/03/arya-tara-2-scaled.jpg 1845w" sizes="auto, (max-width: 738px) 100vw, 738px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Encomendado por Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche, pintado por V.V. Sapar.</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p>Entre os eruditos do passado, poucos tiveram uma relação tão forte com Arya Tara quanto Atisha Dipamkara, que nasceu no território hoje chamado de Bangladesh e viveu entre 982 a 1054 dC.</p>



<p>Há duas histórias famosas sobre ocasiões em que sua vida foi ameaçada e a deusa interveio rapidamente para salvá-lo. Numa delas, o barco em que Atisha viajava foi atingido por uma tempestade. Por isso, ele compôs o seguinte apelo:</p>



<p><strong><em>Om! Homenagem a você, senhora que nos protege dos oito medos.<br>Homenagem a você, senhora que faz brilhar o esplendor da auspiciosidade,<br>Homenagem a você, senhora que fecha a porta para o renascimento inferior!<br>Homenagem a você, senhora que nos conduz no caminho para os reinos superiores!<br>Você é aquela que nos mantém sempre sob seu cuidado —<br>nossa guia, apoio e amizade; então proteja-nos, nós rezamos,<br>com toda sua vasta compaixão!</em></strong></p>



<p>A segunda história ocorreu no período em que esteve em Nyethang, no Tibete. Atisha ficou muito doente e, para sobreviver, fez várias súplicas a Tara. </p>



<p>A deidade apareceu diante dele e, como forma de curar sua doença, recomendou a recitação do Louvor às 21 Formas de Tara pelo menos 10 mil vezes, num único dia. Aquilo era demais para Atisha, que suplicou por uma solução mais fácil. Como não existe &#8220;tempo ruim&#8221; ou problema difícil demais para um Buda em forma feminina, Tara passou a Atisha a Oração Breve às 21 Taras, uma composição de poucas linhas que acompanha o mantra:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em><strong>Om, homenagem à sublime e venerável Tara.<br>Homenagem à Tara: a corajosa salvadora,<br>que afasta todos os medos com Tuttara<br>e tudo oferece com Ture.</strong></em><br><em><strong>Com Svaha, ofereço o meu último louvor.</strong></em></p>
</blockquote>



<ul class="wp-block-list">
<li> Atenção: você pode encontrar tudo sobre isso em <a href="https://www.lotsawahouse.org/indian-masters/atisha/prayer-to-tara">https://www.lotsawahouse.org/indian-masters/atisha/prayer-to-tara</a></li>
</ul>



<p>No Brasil, foi a presença de Chagdud Tulku Rinpoche a grande força impulsionadora do culto de Tara. Considerado ele mesmo uma emanação das atividades de Tara, Rinpoche dizia que a deidade é a “expressão impecável da inseparabilidade entre vacuidade, consciência e compaixão”. Por isso, recomendava a prática diária de uma liturgia concisa da deidade Tara Vermelha que, segundo acreditava, tinha o potencial de trazer muitos benefícios para praticantes ocidentais.</p>



<p>O ciclo de ensinamentos de Tara Vermelha foi um tesouro revelado por Orgyen Trinley Lingpa, ou Apong Terton (1895-1945), importante mestre da escola Nyingma. Por causa da conexão do Lama Padma Samten com Chagdud Rinpoche, a mesma prática foi depois incorporada aos pujas diários das sangas do Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB), o que aumentou ainda mais seu alcance.</p>



<p>Como já descrito acima, não há como resumir um assunto tão profundo e de tal riqueza cultural quanto a devoção a Arya Tara. Que esse texto encoraje mais pessoas a lerem sobre ela e, melhor ainda, contemplarem seu significado.</p>



<p>Para encerrar, um trecho da <em>Ode a Tara</em>, escrita por Dzongsar Khyentse Rinpoche, em 2017, uma belíssima declaração de amor, que termina com as seguintes frases:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em><strong>Como és bela!<br>Como és poderosa!<br>Como és infinita!<br>Que nos tornemos iguais a ti.<br>Por meio desta súplica, onde quer que estejamos,<br>Que não haja pobreza, fome ou conflito.<br>Que o Darma prevaleça!</strong></em></p>
</blockquote>



<ul class="wp-block-list">
<li>Disponível em <a href="https://khyentsefoundation.org/tara-altar/">https://khyentsefoundation.org/tara-altar/</a></li>
</ul>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em>* “A Origem do Culto de Tara”, de Jo Nang Taranatha, traduzido e editado por David Templeman, publicado em 1981 pela Library of Tibetan Works and Archives, em Dharamsala, Índia.</em></p>



<p>>>></p>



<p><strong>PARA SABER MAIS</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Leia também a edição “<a href="https://bodisatva.com.br/saudando-arya-tara/">Saudando Arya Tara</a>”. Nesse ensinamento proferido em 2004, no Museu da República do Rio de Janeiro, a convite da Mandala de Tara, e publicado na edição nº 29 da Revista Bodisatva, o Lama Padma Samten afirma que Arya Tara é o próprio entendimento de que a natureza dos fenômenos é cíclica e, por isso, ela aponta para o refúgio mais interno: a nossa capacidade aberta e criativa inata.</li>
</ul>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em><strong>Matéria publicada</strong></em> <em><strong>em 08/03/2026</strong></em></p>
<p>The post <a href="https://bodisatva.com.br/o-voto-de-arya-tara/">O voto de Arya Tara</a> appeared first on <a href="https://bodisatva.com.br">Revista Bodisatva</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>2º O Som Feminino do Darma</title>
		<link>https://bodisatva.com.br/o-som-feminino-do-darma-2026/</link>
					<comments>https://bodisatva.com.br/o-som-feminino-do-darma-2026/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Revista Bodisatva]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Feb 2026 15:08:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Sabedorias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://bodisatva.com.br/?p=12360</guid>

					<description><![CDATA[<p> A Revista Bodisatva convida você para um encontro com mulheres que trilham o caminho do Darma.</p>
<p>The post <a href="https://bodisatva.com.br/o-som-feminino-do-darma-2026/">2º O Som Feminino do Darma</a> appeared first on <a href="https://bodisatva.com.br">Revista Bodisatva</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>“Para que as mulheres encontrem caminhos viáveis para a liberação, nós precisamos da inspiração de outras mulheres que tenham conseguido permanecer fiéis às suas próprias energias sem se tornar fixadas a seu gênero e que tenham, com esta integridade, atingido completa liberação.”</em><br />
<em> &#8211; Lama Tsultrim Allione</em></p>
<p>Em 2017, a Bodisatva lançou a revista nº 29, intitulada &#8220;O Som<i> Feminino do Darma&#8221;</i>. Essa edição especial compartilha histórias de mulheres que, guiadas pela sabedoria e compaixão, romperam as barreiras patriarcais de suas culturas em benefício de todos os seres.</p>
<p>Essa é a nossa inspiração para o 2° Som Feminino do Darma, evento online que acontecerá no dia 8 de março de 2026. Mais uma vez, teremos a participação de incríveis praticantes do Darma, que oferecerão ensinamentos a partir de suas experiências. Convidamos você a aquecer o coração e se conectar com essas falas preciosas.</p>
<p><strong>Data e horário</strong><br />
8 de março de 2026, domingo, a partir das 9h até às 16h (com intervalos).</p>
<p><b><strong><br />
Programação<br />
</strong></b></p>
<p>Os horários de cada participante serão compartilhados para as pessoas inscritas por email e também através do instagram <a href="https://www.instagram.com/revistabodisatva">@revistabodisatva.</a></p>
<p><b><br />
CONHEÇA AS CONVIDADAS DESSA EDIÇÃO:</b></p>
<p><strong><b>MANHÃ</b></strong></p>
<p><strong><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;">09h &#8211; Drª Sangmo Yangri<br />
Tema: </span></strong><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;"><em>A fuga da escuridão, histórias de mulheres que atravessaram a sombra rumo à realização espiritual</em></span><br />
<i>Doutora, acadêmica, professora e tradutora, é a primeira mulher tibetana a receber um doutorado em estudos de filosofia tibetana Bon. </i><i>Formou-se na Central University of Tibetan Studies, tendo em seu currículo</i><i>,</i><i> mestrado e doutorado em Filosofia Budista. É professora do Instituto Lishu, na Índia, onde profere ensinamentos da tradição Bon e é também, responsável pelo currículo da instituição. </i><i>Editou o livro “Um comentário sobre os Três Ornamentos da Poesia”, de Palden Tsultrim. seu trabalho foi premiado com o </i><b><i>Prime Minister Award (Prêmio Sikyong)</i></b><i> do Governo Tibetano no Exílio, na Índia.</i></p>
<p><strong><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;"><b>10h &#8211; Renata Guedes<br />
Tema: </b></span></strong><em><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;"><span dir="auto">A linhagem espiritual da Medicina Tibetana e sua profunda conexão feminina</span></span></em><strong><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;"><b><br />
</b></span></strong><i>Professora da Sorig Khang International. Desde 2013, é aluna do Dr. Nida Chenagtsang (referência na difusão do Yuthok Nyingthig e da Medicina Tibetana no Ocidente) e há 8 anos conduz retiros e práticas do Yuthok Nyingthig. Também é professora de Nejang (ioga tibetano), ioga e meditação, além de coordenar cursos e visitas de professores internacionais ao Brasil.</i><b></b></p>
<p><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;"><strong>11h &#8211; Denise Kato<br />
Tema: </strong><em>Paz a cada passo &#8211; caminhando com Thich Nhat Hanh</em><br />
</span><em>Denise Kato é Professora do Dharma, treinada em meditação na tradição da comunidade zen-budista de Plum Village desde 2006. Em 2010 foi ordenada membro da “Order of Interbeing” pelo mestre Thich Nhat Hanh e em 2022 recebeu a Transmissão da Lamparina do Dharma, tornando-se uma das professoras que estão dando continuidade à linhagem da tradição de Plum Village na América Latina. É formada em Psicologia pela PUC-SP e Instrutora de Mindfulness certificada pela Breathworks do Reino Unido. Trabalha com meditação terapêutica voltada à saúde emocional e com processos de luto/perda. </em></p>
<p><strong><b><br />
TARDE</b></strong></p>
<p><strong><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;">13h &#8211; Drª Tejashree Balwirn<br />
Tema: </span></strong><em><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;">Saúde da Mulher na Perspectiva da Medicina Tibetana</span></em><br />
<i>Tejashree Balwir é praticante de sowa rigpa que estudou na universidade de Medicina Tibetana e Astrologia Mentseekhang. É também aluna do dr. Nida Chenagstang. Começou seus estudos universitários aos 18 anos com a aspiração de desenvolver sua bodhichitta e ajudar os necessitados. Desde então, já atendeu pacientes em várias partes do mundo, inclusive Brasil e Índia, e espera manter viva a tradição tibetana, bem como seguir o budismo com sabedoria. Estuda e pratica regularmente com médicos da Índia e do Nepal. Além disso, ocasionalmente envia artigos científicos ao governo tibetano na Índia e a outras partes do mundo. Em seu tempo livre, escreve poesias nas praias de Goa. </i></p>
<p><strong><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;"><b>14h &#8211; Monja Waho<br />
Tema: </b></span></strong><em><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;">A Lamparina Escondida: Histórias de Vinte Cinco Séculos de Mulheres Despertas</span></em><strong><br />
</strong><i>Coordenadora do Mosteiro Urbano Zen Therigatha, em São Paulo, e coordenou o lançamento da obra “A Lamparina Escondida: histórias de vinte e cinco séculos de mulheres despertas”, com tradução inédita para o português.</i></p>
<p><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;"><strong>15h &#8211; Inez Campos<br />
Tema: </strong><em>A força da compaixão feminina no caminho</em><br />
</span>Aluna do Lama Samten e facilitadora do CEBB há 25 anos. Ajudou no início de algumas salas Cebbs e da Aldeia CEBB Alto Paraíso, sob orientação direta do Lama Samten, onde reside atualmente. Tutora do programa de facilitadores do CEBB.</p>
<p><a href="https://forms.gle/XAodDW1jkYLP8DmK8"><strong>Clique aqui e inscreva-se &gt;&gt;</strong></a></p>
<p><strong><br />
<b>CONHEÇA AS MEDIADORAS DESSA EDIÇÃO:</b><br />
</strong><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;"><strong><br />
Cristiane Schardosim Martins<br />
</strong></span><span style="font-size: 18px;"><i>Cristiane Schardosim Martins é revisora e preparadora de textos com experiência na área de preparação editorial e revisão acadêmica, atuando desde 2021. Com uma sólida formação em textos jurídicos, fez uma transição bem-sucedida para a revisão de textos gerais, atendendo a autores independentes e colaborando com a Editora Bodisatva. Sempre em busca de uma abordagem que abarque a diversidade de vozes e estilos, Cristiane preza pelo respeito e empatia nas relações profissionais. É aluna do Lama Padma Samten desde 2012, incorporando os ensinamentos budistas à sua prática profissional e pessoal.</i></span></p>
<p><strong><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;">Juliana Quadros<br />
</span></strong><span style="font-size: 18px;"><em>Juliana Quadros é mãe, consultora de gestão de marcas, aluna de Lama Padma Samten desde 2009, tutora dos referenciais do CEBB e mora na Aldeia Sukhavati onde é coordenadora e apoia os movimentos do Darma.</em></span><b></b></p>
<p><strong><b><br />
CONHEÇA OS TRADUTORES DESSA EDIÇÃO:<br />
</b><br />
</strong><strong><b><span style="color: #8b171a; font-size: 20px;">Pedro Klien</span><br />
</b></strong><em>Pedro é praticante, aluno do Lama Padma Samten e do Tenzin Wangyal Rinpoche, tendo traduzido diversos mestres budistas de diferentes linhagens.</em><b></b></p>
<p>Teremos tradução simultânea para o português das falas da <b>Drª Tejashree Balwir </b>e <b>Drª Sangmo Yangri.</b></p>
<p><strong><b><br />
EQUIPE DE APOIO, COMUNICAÇÃO E ORGANIZAÇÃO<br />
</b></strong><br />
Breno Airan, Social Media, jornalista, Sanga do GEBB Arapiraca/AL<br />
Carmen Rodrigues Zamora, jornalista, Sanga Virtual<br />
Cristiane Schardosim, revisora, Sanga do CEBB PoA<br />
Elen Cezar, coordenação, Sanga do CEBB Darmata/PE<br />
Gabi Vieira, tradutora, Sanga do CEBB Darmata/PE<br />
Janaína Araújo, coordenação, Sanga do CEBB João Pessoa/PB<br />
Joana Braga, coordenação, Sanga do CEBB Recife/PE<br />
Norine Mauro, coordenação, Sanga do CEBB Rio<br />
Rosana Folz, coordenação, Sanga do CEBB Dewachen/SP<br />
Sara Avelino, designer, Sanga do CEBB Darmata/PE<br />
Thamise Santos, analista de comunicação, Sanga do CEBB PoA</p>
<p><b><br />
SOBRE A REVISTA E EDITORA BODISATVA:</b></p>
<p>A Revista e Editora Bodisatva é um espaço de comunicação e transformação no mundo e tem como propósito celebrar iniciativas baseadas em compaixão e lucidez.</p>
<p>Surgimos a partir da aspiração do nosso querido professor Lama Padma Samten e estamos no mundo há mais de três décadas, neste período já publicamos 10 livros e temos 34 exemplares da Revista impressa. Se você deseja conhecer o nosso acervo, <a href="https://loja.bodisatva.com.br/">clique aqui.</a></p>
<p><strong><br />
INSCRIÇÃO E PRÁTICA DE GENEROSIDADE</strong></p>
<p>Sua inscrição e participação independem de contribuição financeira. Caso aspire e lhe seja possível, <b>o valor de referência é de R$280</b>. Essa contribuição apoia as atividades da Bodisatva e permite fazer um oferecimento às convidadas, viabilizando assim nossa atuação no mundo.</p>
<p>Nossa caminhada até aqui foi possível graças à generosidade de muitos seres. Nosso principal objetivo é que os ensinamentos alcancem o maior número de pessoas.<br />
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<p><b><br />
VEJA O QUE ACONTECEU NA EDIÇÃO ANTERIOR</b><br />
Tivemos a participação da Lama Tsultrim Allione e também das monjas Tenzin Lamdron e Lobsang Lhamo, e das professoras e praticantes do Darma Andiara Paz, Tiffani Gyatso, Lia Beltrão e Joana Braga,<br />
Enquanto o 2º Som Feminino do Darma não acontece, você pode conferir a <a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLEHSPI2LxIA-tV4kfyh5GfvJuMvIyPC9r">playlist aqui</a>.</p>
<p><strong><br />
DÚVIDAS<br />
</strong>Caso tenha alguma dúvida, entre em contato com <strong>plataformabodisatva@gmail.com. </strong></p>
<p>The post <a href="https://bodisatva.com.br/o-som-feminino-do-darma-2026/">2º O Som Feminino do Darma</a> appeared first on <a href="https://bodisatva.com.br">Revista Bodisatva</a>.</p>
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		<title>Como parei meus ataques de pânico</title>
		<link>https://bodisatva.com.br/como-parei-meus-ataques-de-panico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Yongey Mingyur Rinpoche]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2026 01:55:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[Pelo Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Sabedorias]]></category>
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		<category><![CDATA[ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[budismo]]></category>
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		<category><![CDATA[medo]]></category>
		<category><![CDATA[Mestre]]></category>
		<category><![CDATA[relatos e reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Yongey Mingyur Rinpoche]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um relato precioso do mestre Yongey Mingyur Rinpoche sobre como superar os desafios internos através das práticas de meditação</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em> Acometido de ansiedade quando criança, Yongey Mingyur Rinpoche aprendeu como curar o pânico com consciência. Neste texto, originalmente escrito na <strong><a href="https://www.lionsroar.com/how-i-stopped-my-panic-attacks/">Lion&#8217;s Roar</a></strong>, ele nos ensina três técnicas que o ajudaram.</em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>Mingyur Rinpoche é um mestre de meditação nas linhagens Kagyu e Nyingma do budismo tibetano. Ele é o professor orientador da Comunidade de Meditação Tergar, uma rede global de grupos e centros de meditação. Seus livros incluem &#8220;Transformando a Confusão em Clareza&#8221;, &#8220;A Alegria de Viver&#8221; e &#8220;Apaixonado pelo Mundo&#8221;, todos eles lançados no Brasil pela editora Lúcida Letra.</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Eu sofria de uma terrível ansiedade na infância. Queria desesperadamente fugir dela ou lutar contra ela. Não sei exatamente qual era a verdadeira causa do meu pânico, mas ele se manifestava de muitas maneiras.</p>



<p>Eu tinha pavor de tempestades de neve. Na minha cidade natal, no Himalaia, o inverno traz muitas tempestades de neve. Lembro-me de uma em particular. O vento era tão forte que sacudia a casa e minha mãe me encontrou segurando firme na viga central da casa. “O que você está fazendo?”, ela perguntou. Eu disse: “Tenho que nos salvar desse vento!” Mamãe achou isso muito engraçado.</p>



<p>Eu também não encontrava alívio no verão, com suas tempestades cheias de trovões e relâmpagos. Às vezes, descíamos até o Vale de Kathmandu e eu tinha muito medo do transporte público de lá. Andávamos de ônibus e, a cada solavanco, meu coração batia forte. O som dos fogos de artifício explodindo era um pesadelo para mim.</p>



<p>Tentei de muitas maneiras lidar com minha ansiedade: corridas, brincadeiras, escapar para cavernas próximas para me esconder. Mas nada funcionou. Na verdade, aprendi que a aversão só torna a ansiedade maior, mais forte e mais sólida.</p>



<p>Sabendo como eu lutava, meu pai, um famoso professor de meditação, me aconselhou a acolher meu pânico. Então, obedientemente, comecei a saudar cada episódio de pânico com: “Oh, olá, ansiedade, bem-vinda!” Isso ajudou um pouco, mas como minha motivação não havia realmente mudado, eu não estava lidando com isso de forma muito diferente. Minha atitude básica ainda era aversão. Agora eu estava apenas tentando enganar o medo, pensando que se eu acolhesse o pânico, ele iria embora e não voltaria. Você quase poderia dizer que eu estava fingindo. Até mesmo essa falsa acolhida ajudou um pouco, mas não resolveu o problema. Eu ainda estava andando em círculos — sentindo ansiedade e ficando ansioso para me livrar dela, o que, por sua vez, a reforçaria.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="581" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Himalaiassss.jpg" alt="" class="wp-image-12352" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Himalaiassss.jpg 819w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Himalaiassss-300x213.jpg 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Himalaiassss-768x545.jpg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Himalaiassss-206x146.jpg 206w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Himalaiassss-50x35.jpg 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Himalaiassss-106x75.jpg 106w" sizes="auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Vista da cadeia montanhosa dos Himalaias, na Ásia (Foto: Canva)</em></figcaption></figure>



<p>Aos 13 anos, comecei um retiro de três anos no Mosteiro Sherab Ling, que era a sede principal de um dos meus professores mais importantes, Tai Situ Rinpoche. Eu esperava que, nesse ambiente estruturado, eu pudesse escapar da minha preguiça, mas após um bom começo, ela começou a voltar. Eventualmente, mesmo nas meditações estruturadas, minha mente estava em todo lugar. Então meu pânico retornou e piorou — minha preguiça e meu pânico se juntaram e se tornaram bons amigos!</p>



<p>Quanto pior eu me sentia, mais forte o pânico ficava. Diariamente nos reuníamos no grande salão, às vezes, fazendo práticas rituais tradicionais com os tambores e as trompas longas e as altas, chamadas <em>dungchens</em>. Minha garganta apertava, eu não conseguia respirar e ficava tonto. Eu tinha que sair no meio das orações. E eu tinha mais dois anos pela frente!</p>



<p>“O que devo fazer?”, perguntei a mim mesmo. “Passar mais dois anos miseráveis ​​assim? Ou devo realmente acolher meu pânico?” Decidi realmente deixar de querer bloquear, me livrar ou lutar contra ele. Aprenderia finalmente a viver com ele e a usá-lo como suporte para minha meditação e consciência. Eu o acolhi de verdade.</p>



<p>O pânico ficava suspenso na consciência. No nível da superfície, lá estava o pânico, mas por baixo dele estava a consciência, segurando-o. Isso porque o primeiro passo vital para quebrar o ciclo da mente ansiosa é conectar-se à consciência.</p>



<p>Na meditação, temos diferentes maneiras de conseguir isso. Um dos passos mais básicos e essenciais é trazer nossa consciência para a respiração. Apenas gentilmente descansar nossa atenção na inspiração e expiração, sem tentar mudá-la de forma alguma. E aqui estão três outras meditações que você pode fazer para trabalhar com sentimentos de ansiedade, medo ou pânico.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="599" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Palpung-Sherab-Ling-–-Central-Tibetan-Administration-website.jpeg" alt="" class="wp-image-12349" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Palpung-Sherab-Ling-–-Central-Tibetan-Administration-website.jpeg 900w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Palpung-Sherab-Ling-–-Central-Tibetan-Administration-website-300x200.jpeg 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Palpung-Sherab-Ling-–-Central-Tibetan-Administration-website-768x511.jpeg 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Palpung-Sherab-Ling-–-Central-Tibetan-Administration-website-219x146.jpeg 219w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Palpung-Sherab-Ling-–-Central-Tibetan-Administration-website-50x33.jpeg 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Palpung-Sherab-Ling-–-Central-Tibetan-Administration-website-113x75.jpeg 113w" sizes="auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>O Palpung Sherab Ling foi o monastério onde Rinpoche iniciou retiro ainda adolescente; está situado no estado de Himachal Pradesh, na Índia (Foto: Central Tibetan Administration website)</em></figcaption></figure>



<h4 class="wp-block-heading">Medite sobre o som</h4>



<p>Comece se sentando em uma postura confortável, deixe o corpo relaxado e à vontade. Tire alguns momentos para deixar a consciência se estabelecer no corpo e apenas note quaisquer sensações que estejam presentes.</p>



<p>Em seguida, esteja ciente de quaisquer sons que estejam presentes. Eles podem ser agradáveis, como pássaros cantando lá fora; algo que normalmente pensamos como “barulho”, como o cachorro do vizinho latindo, ou sons que achamos neutros. Mas quaisquer sons que você ouça, apenas esteja com eles. Observe como os sons surgem, permanecem por um momento e então desaparecem. Não há necessidade de tentar se apegar a nenhum som específico ou desconsiderar os outros. Simplesmente abrace os sons com um toque suave de consciência.</p>



<p>Quando imagens, pensamentos ou emoções ocorrem na mente, não há necessidade de bloqueá-los; em vez disso, permita que acompanhem o som, percebendo como eles podem estar presentes na consciência com os sons.</p>



<p>Não há necessidade de focar fortemente em um som em particular, mas simplesmente saiba que você está ouvindo — o saber é meditação. Observe como a consciência pode acomodar qualquer som, sem que você tenha que fazer nada.</p>



<p>É normal que sua mente divague. Sempre que você se perder, simplesmente volte a estar ciente dos sons ao seu redor.</p>



<p>Antes de terminar a prática, reserve um momento para apreciar que você consegue ouvir. Aprecie que você tem consciência e que está reservando um tempo para se familiarizar com essa consciência sempre presente.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Mude de canal</h4>



<p>Normalmente, a mente ansiosa foca no negativo e o amplia. Podemos “mudar o canal” fazendo o oposto. Podemos trazer nossa consciência para o positivo, talvez tendo gratidão e apreciação pelos vários tipos de boa sorte de que desfrutamos.</p>



<p>Tradicionalmente, no budismo, nos alegramos por termos nascido em um corpo humano, por termos os cinco sentidos, por termos nascido em um lugar de liberdade. E, claro, todos têm consciência, amor, compaixão e sabedoria. Essas são algumas coisas simples sobre estar vivo que podemos apreciar.</p>



<p>Outra coisa que devemos entender é que uma mente ansiosa está sempre falando. Blá blá blá, blá blá blá! No entanto, não é o eu essencial que está ansioso — é apenas a mente, tendo muitas opiniões. Você não é seus pensamentos. Esta é uma perspectiva muito importante para lembrar.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Quebre sua ansiedade em pedaços</h4>



<p>Podemos trazer consciência para quaisquer sensações táteis associadas à ansiedade que estamos experimentando no corpo. Uma vez que sintonizamos as muitas sensações experimentadas, percebemos que a ansiedade tem muitas facetas ou partes.</p>



<p>Sem tentar mudar nada, observe todas essas partes da sua experiência. Ao fazer isso, você descobrirá que tem sensações físicas — por exemplo, o pulso acelerado ou uma sensação de constrição. Haverá um componente de áudio e, se nada mais surgir, haverá o som da própria respiração. Haverá imagens visuais na mente.</p>



<p>E haverá crenças ou o que é tradicionalmente chamado de visão. “Oh, isso é certo, isso é errado, isso é perigoso.” Especialmente hoje em dia, em um mundo com tantas visões e forças concorrentes nos bombardeando com projeções e rótulos, todos nós internalizamos visões específicas.</p>



<p>Agora observe que o que você estava pensando como uma coisa — ansiedade — é, na verdade, formada por quatro pedaços. Essa multiplicidade de pedaços está sempre mudando — não há nada permanente ali. Ao mesmo tempo, todos eles são dependentes uns dos outros para criar essa experiência de pânico: sem sensação, imagens, som e crenças, não há ansiedade. Todas essas partes são interdependentes, impermanentes e mutáveis, subindo e descendo, subindo e descendo.</p>



<p>Uma vez que você o decompõe dessa forma, o pânico perde seu poder. Quando você olha para o nível mais profundo de cada peça e vê que não há nada sólido ali, nada permanente, a mente ansiosa perde poder sobre você. Nesse momento, há abertura.</p>



<p>A consciência está lá, mas não há apego. Descanse com isso.</p>



<p>Quando estamos no mundo vivendo nossas vidas, devemos praticar a apreciação consistentemente. Esteja ciente de todos os dons que você tem.</p>



<p>Não importa quais sejam as nossas circunstâncias, sempre há muito pelo que ser grato. Se você começar a sentir medo, lembre-se de que é apenas um pensamento, apenas um monte de opiniões. E se uma mente poderosamente ansiosa surgir, lembre-se de que, na realidade, há muitas partes diferentes dessa experiência e que todas elas estão mudando, todas são interdependentes. Não há nada singular, sólido ou permanente sobre a ansiedade. Deixe a mente descansar nessa consciência.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="666" src="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Yongey-Mingyur-Rinpoche-Jamyang-Choedak-Tergar-Internacional.webp" alt="" class="wp-image-12350" srcset="https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Yongey-Mingyur-Rinpoche-Jamyang-Choedak-Tergar-Internacional.webp 1000w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Yongey-Mingyur-Rinpoche-Jamyang-Choedak-Tergar-Internacional-300x200.webp 300w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Yongey-Mingyur-Rinpoche-Jamyang-Choedak-Tergar-Internacional-768x511.webp 768w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Yongey-Mingyur-Rinpoche-Jamyang-Choedak-Tergar-Internacional-219x146.webp 219w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Yongey-Mingyur-Rinpoche-Jamyang-Choedak-Tergar-Internacional-50x33.webp 50w, https://bodisatva.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Yongey-Mingyur-Rinpoche-Jamyang-Choedak-Tergar-Internacional-113x75.webp 113w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Yongey Mingyur Rinpoche sorrindo para a lente (Foto: Jamyang Choedak, Tergar Internacional</em>)</figcaption></figure>



<p></p>



<p><em><strong>>>></strong> Por favor, observe que a ansiedade clínica é uma condição médica. Este artigo não pretende fornecer ou substituir opções de tratamento para aqueles(as) que podem sofrer de ansiedade ou outras formas de doença mental.</em></p>



<p><em><strong>>>></strong> No texto original, Mingyur Rinpoche sugere que se você precisar de ajuda, ligue para a National Suicide Prevention Lifeline (em livre tradução, </em>Linha Nacional de Vida em Prevenção ao Suicídio<em>), no número 1-800-273 (8255) para acessar o serviço confidencial gratuito 24 horas por dia, 7 dias por semana, para pessoas em crise suicida ou sofrimento emocional, ou para aqueles ao seu redor. A Lifeline fornece suporte, informações e recursos locais. Você também pode enviar uma mensagem de texto para a Crisis Text Line (</em>Linha de Crise para Texto<em>) no número 741-741 para obter suporte gratuito 24 horas por dia, 7 dias por semana, imediatamente com um conselheiro de crise treinado.</em></p>



<p><em><strong>>>></strong> Se você está no Brasil e precisar de ajuda, ligue para o <strong>CVV — Centro de Valorização da Vida</strong>, pelo número <strong>188</strong>. O atendimento é <strong>gratuito, confidencial e funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana</strong>, para pessoas que estão passando por sofrimento emocional ou crise suicida, bem como para quem deseja ajudar alguém próximo. O CVV oferece escuta acolhedora, apoio emocional e, quando necessário, informações sobre recursos locais. Você também pode acessar o atendimento por <strong>chat ou e-mail</strong>, pelo site <strong>www.cvv.org.br</strong>, a qualquer momento.</em></p>



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<p><em>Matéria publicada em 03/02/2026</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>2ª Cúpula Budista Global 2026 &#8211; Sabedoria Coletiva, Voz Unida e Coexistência Mútua</title>
		<link>https://bodisatva.com.br/cupula-budista-global-2026/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Revista Bodisatva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Jan 2026 13:18:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Sabedorias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conheça um pouco sobre a Cúpula Global Budista em que o Lama Padma Samten será o representante do Brasil na Índia.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em><b>&#8220;O ódio não cessa pelo ódio em ocasião alguma.</b><b><br></b><b>O ódio cessa por meio do não ódio.</b><b><br></b><b>Essa é uma lei eterna.&#8221;</b></em></p>



<p class="has-text-align-left">&nbsp;</p>



<p>O Lama Padma Samten foi convidado por Jigme Tsering, representante da Tibet House Brasil, para participar da <strong data-start="249" data-end="274">Cúpula Budista Global</strong>, encontro internacional que acontecerá na Índia nos dias <strong data-start="332" data-end="362">24 e 25 de janeiro de 2026</strong>, organizado pela <strong data-start="385" data-end="423">Confederação Budista Internacional</strong>. O convite veio acompanhado de uma nota conceitual que dialoga profundamente com temas que o CEBB vem estudando e praticando ao longo de muitos anos, como a origem dependente, a construção de uma visão coletiva compartilhada e os ensinamentos do Buda voltados à harmonia social e comunitária. Esse alinhamento evidencia a sintonia entre o evento e o caminho que vem sendo cultivado nos estudos de aprofundamento e nas práticas desenvolvidas ao longo do tempo.</p>



<p>A <strong data-start="902" data-end="928">Global Buddhist Summit</strong> é uma conferência internacional que reúne líderes, estudiosos e representantes de diversas tradições budistas para refletir coletivamente sobre a aplicação viva dos ensinamentos do Buda diante dos desafios contemporâneos do mundo. Com ênfase na sabedoria, na compaixão e na compreensão da interdependência, o encontro busca fortalecer o diálogo entre tradições, promover a harmonia global e afirmar o budismo como um caminho de transformação pessoal e social. <strong data-start="1389" data-end="1504">É nesse contexto que a Bodisatva optou por trazer, na íntegra e em português, a nota conceitual enviada ao Lama</strong>, como forma de compartilhar com a sanga esse diálogo mais amplo e de aprofundar a compreensão sobre os fundamentos e intenções que orientam o encontro.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h3 class="wp-block-heading">Nota Conceitual</h3>



<p><strong>Contexto</strong><br><br>O mundo moderno está passando por rápidas mudanças, marcadas por desafios sociais, políticos e ambientais que levam a conflitos, alienação e incerteza. Em tal contexto, a sabedoria atemporal do Buddha Dhamma oferece orientação por meio de compaixão, sabedoria e harmonia. Os princípios de <i>sabedoria coletiva, voz unida e coexistência mútua</i> são fundamentais para promover a paz, a prosperidade compartilhada e uma conexão humana mais profunda. A Confederação Budista Internacional (IBC), inspirada por esses valores, busca reafirmar a relevância do Buddha Dhamma na abordagem dos desafios contemporâneos por meio da solidariedade e da cooperação. A 1ª Cúpula Budista Global, realizada em 2023, reuniu mais de 170 delegados de todo o mundo, incluindo membros estimados da Sangha e praticantes leigos. Centrada em torno do tema <i>&#8220;Respostas aos desafios contemporâneos: Da filosofia à prática&#8221;</i>, a cúpula promoveu um diálogo significativo sobre a aplicação dos princípios budistas para tratar de questões sociais modernas. Com base nessas percepções fundamentais, a Confederação Budista Internacional (IBC) planeja a <b>2ª Cúpula Budista Global (GBS)</b> a ser realizada em <b>24 e 25 de janeiro de 2026, em Nova Délhi</b>, com o tema proposto <i>“Sabedoria Coletiva, Voz Unida e Coexistência Mútua”</i>. Esse tema tem como objetivo fortalecer ainda mais o papel da filosofia budista em nutrir a harmonia social e promover um engajamento internacional construtivo.</p>



<p><b>Justificativa<br></b><br>O tema destaca o Buddha Dhamma de que todos os fenômenos são interdependentes, condensado no princípio de Paṭicca-samuppāda (Originação Dependente). Esse conceito é fundamental para a filosofia budista. Ele descreve como os eventos e experiências surgem e cessam de forma dependente, ilustrando a rede interconectada de condições que moldam a existência e o sofrimento. Essa visão é fundamental no Cânone Pāli e nos principais sutras Mahayāna, e é crucial para entender que as ações individuais ressoam na visão compartilhada da vida. Os textos e tradições budistas enfatizam o fato de que, embora a sabedoria (prajñā) seja frequentemente cultivada pessoalmente, sua expressão mais plena ocorre no contexto da comunidade. Embora a Sangha budista traga experiências e percepções únicas, é por meio do diálogo, do engajamento ético e do apoio mútuo que surge uma sabedoria coletiva mais profunda. Esse princípio é ecoado historicamente: à medida que sociedades e grupos colaboram, seu conhecimento compartilhado se torna mais do que a soma de suas partes. A doutrina da originação dependente, Paṭicca-samuppāda, ilustra a percepção do Buda sobre a causalidade e a interdependência. De acordo com esse ensinamento, nada existe de forma independente; todo fenômeno surge condicionado por outros fenômenos, criando uma cadeia ininterrupta de causalidade. A cadeia de doze elos, por exemplo, da ignorância ao desejo e ao vir a ser, demonstra que o sofrimento não é isolado, mas surge de causas compartilhadas, enfatizando a interconexão e a responsabilidade humanas. A frase budista “muitos em corpo, um só em mente” capta a sinergia criada quando diversos indivíduos se unem em uma intenção e aspiração ética compartilhadas. A unidade na diversidade não é a mesmice impositiva, mas o reconhecimento e a celebração empoderados das diferenças, ao mesmo tempo em que sustentam um propósito comum. O Buddha Dhamma ensina que a coexistência não é simplesmente tolerância, mas uma percepção ativa de que a felicidade, o sofrimento e o destino de todos os seres estão inextricavelmente ligados. A compaixão e a conduta ética (sīla) não são opcionais; elas são necessárias para a liberação de si mesmo e dos outros. Os ensinamentos do Buda sobre boa amizade, comunidades intencionais e a resolução de disputas (como os encontrados no Dīgha Nikāya &#8211; Coleção de Discursos Longos e Majjhima Nikāya &#8211; Coleção de Discursos Médios) demonstram aplicações práticas para a criação de sociedades harmoniosas baseadas no bem-estar coletivo.</p>



<p><b>Objetivos</b></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Destacar a relevância contínua dos princípios do Buddha Dhamma na harmonia social, paz e cooperação na era moderna.</li>



<li>Criar uma plataforma para o diálogo inter-religioso, intercultural e interdisciplinar centrado na sabedoria coletiva e na vida ética.</li>



<li>Fortalecer a unidade de voz entre os seguidores do Buddha Dhamma em todas as nações e tradições, celebrando a diversidade.</li>



<li>Promover caminhos práticos para a coexistência mútua na abordagem de questões globais, como conflitos, desigualdade e crises ecológicas.</li>



<li>Incentivar o diálogo e o respeito mútuo entre as diversas tradições budistas para fortalecer a unidade em valores compartilhados.</li>



<li>Integrar a sabedoria budista atemporal com o aprendizado moderno para orientar as gerações futuras em direção à paz, à coexistência e à coexistência sustentável, onde o progresso humano se alinhe com o respeito e o cuidado com a natureza.</li>
</ul>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading"><b>Ideias de Sub-Tema</b></h3>



<p><b>Sabedoria Coletiva e Voz Unida para a Harmonia Social<br></b>Esse tema investiga como a convergência de diversas perspectivas dentro da tradição do Buddha Dhamma nutre um senso compartilhado de compaixão e empatia. Ele enfatiza o poder transformador da compreensão coletiva como um meio de abordar os desafios sociais contemporâneos. Ao se envolverem com os ideais budistas de interdependência e respeito mútuo, os acadêmicos podem refletir sobre como a sabedoria coletiva forma a base moral para sociedades pacíficas e inclusivas.</p>



<p><b>Co-Existência Mútua através do Diálogo Intercultural e Inter-religioso<br></b>Esse tema se concentra na criação de um diálogo significativo entre as tradições budistas e entre o Buddha Dhamma e outros sistemas religiosos. Ele incentiva um espírito de respeito e compreensão mútuos como base para a construção da paz e a resolução de conflitos. O intercâmbio de percepções espirituais promove uma cooperação mais ampla e oferece modelos contemporâneos para a resolução de tensões por meio da não-violência e da atenção plena, nutrindo assim um ecossistema de coexistência em meio à diversidade.</p>



<p><b>Empreendedorismo e meio de vida correto no Buddha Dhamma<br></b>Ancorado no princípio do Meio de Vida Correto do Nobre Caminho Óctuplo, este tema explora como o Buddha Dhamma pode inspirar o empreendedorismo baseado em valores e modelos éticos de atividade econômica. Ele discute a atenção plena nos negócios, o gerenciamento do estresse e o desenvolvimento empresarial voltado para a comunidade. Ao mesclar a criatividade econômica com a intenção ética, os acadêmicos podem reimaginar o empreendedorismo moderno como uma prática de generosidade, equilíbrio e contribuição consciente para a sociedade e o meio ambiente.</p>



<p><b>Pesquisa Científica, Assistência Médica e Vida Sustentável no Buddha Dhama<br></b>Esse tema une a sabedoria antiga e a ciência moderna, examinando como as abordagens budistas podem melhorar a saúde física e mental, a consciência ecológica e a sustentabilidade. Estudos recentes analisam como a classificação detalhada dos estados mentais do Abhidhamma se correlaciona com a ciência cognitiva moderna e a neuropsicologia. Para uma compreensão mais profunda da saúde mental, da consciência e da relação mente-corpo, avançando em uma abordagem holística da saúde e do bem-estar sustentável consistente com o Dhamma sobre equilíbrio e coexistência consciente.</p>



<p><b>Aprendizado à Luz do Buddha Dhamma<br></b>Esse tema investiga as dimensões pedagógicas do Buddha Dhamma, como o conhecimento é preservado, transmitido e adaptado em uma era digital. É importante ressaltar que os ensinamentos do Buda eram experimentais e práticos, visando não apenas à compreensão intelectual, mas à transformação da conduta e ao cultivo da atenção plena, da compaixão e da sabedoria. O tema, portanto, se concentrará no aprendizado coletivo, nos modelos de educação centrados no Dhamma e na participação global habilitada na prática e no estudo. O tema celebra a educação não apenas como instrução, mas como transformação, orientando as comunidades a compreender, internalizar e propagar a sabedoria atemporal do Buda de maneiras novas e acessíveis.</p>



<p><b>Dinâmicas da Sangha por meio de suas funções, rituais e práticas no Buddha Dhamma<br></b>Explorando a dimensão viva da comunidade, este tema reflete sobre a essência da Sangha como um modelo de crescimento coletivo e amizade espiritual (kalyāṇamitta). Os membros da Sangha dedicam suas vidas ao estudo e à prática do Buddha Dhamma, garantindo que eles sejam transmitidos com precisão através das gerações. Ela contempla como os valores monásticos tradicionais podem ser integrados à vida comunitária contemporânea, incentivando a inclusão, a resiliência e o propósito compartilhado. A reinterpretação da dinâmica da Sangha para contextos modernos enfatiza a unidade na diversidade, a orientação mútua e a busca coletiva do despertar.<br><b><br>Conclusão<br></b><br>Como herdeiros de uma tradição atemporal de sabedoria e compaixão, estamos em um momento de decisão em que se torna rudimentar fazer a ponte entre a visão antiga e a aspiração moderna. Os ensinamentos do Buda nos convidam não apenas a refletir, mas a agir, a construir comunidades enraizadas na bondade, na atenção plena e no entendimento compartilhado. O IBC, como uma plataforma coletiva, deseja se tornar um farol de unidade, onde cada voz contribui para uma harmonia maior e cada ato incorpora a compaixão em movimento. Juntos, por meio da luz do Dhamma, que possamos inspirar a transformação, nutrir a paz e moldar um mundo melhor para as gerações por vir.</p>



<p><em><b>O ódio não cessa pelo ódio em ocasião alguma.</b><b><br></b><b>O ódio cessa por meio do não ódio.</b><b><br></b><b>Essa é uma lei eterna.</b></em></p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que é o <em>International Buddhist Confederation (IBC)</em></strong>?</h3>



<p>O <em>International Buddhist Confederation (IBC)</em> é uma <strong>confederação budista internacional com sede em Nova Déli, na Índia</strong>, fundada a partir da <em>Global Buddhist Congregation</em> de 2011 com a missão de criar um <strong>plataforma comum para budistas de diferentes tradições e regiões do mundo</strong>.</p>



<p>O IBC reúne <strong>organizações budistas monásticas e leigas de diversos países</strong>, formando uma rede global que representa a comunidade budista e dá voz unificada aos princípios e valores do Budismo no contexto contemporâneo. </p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Objetivos principais</strong></h3>



<p>O IBC tem como principais propósitos: </p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Promover um <strong>vocabulário coletivo e uma voz unificada</strong> das diversas tradições budistas diante de questões de interesse global.</li>



<li><strong>Preservar e promover o patrimônio, as práticas, tradições e valores budistas</strong> no mundo.</li>



<li><strong>Fomentar compreensão mútua entre diferentes tradições budistas</strong>, defendendo compaixão, interdependência e uma abordagem não violenta.</li>



<li><strong>Fortalecer igualdade social, diálogo inter-religioso e consciência ética</strong> em planos social e global.</li>



<li>Coordenar esforços, conhecimentos e recursos entre seus membros para enfrentar desafios contemporâneos e ampliar o papel do Budismo no discurso global. </li>
</ul>



<p>O IBC adota o lema <strong>“Collective Wisdom, United Voice”</strong> (<em>Sabedoria Coletiva, Voz Unida</em>), refletindo seu compromisso com a unidade budista e a participação ativa nos debates globais sobre cultura, sociedade e espiritualidade.</p>
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