<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="no"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608</atom:id><lastBuildDate>Fri, 01 Nov 2024 10:33:04 +0000</lastBuildDate><category>pensamentos de pato</category><category>contos sonambulos</category><category>Crônicas do asilo</category><category>transbordos</category><category>o cajueiro Amaro</category><category>Deus e outros demônios</category><category>na noite azul e vermelho</category><category>msn</category><category>Pontes</category><category>Tirinhas</category><category>barca dos mortos</category><category>escambo</category><category>henfil</category><category>retardos diversos</category><title>Bolo Tosco</title><description>Que seria do homem se não inventasse de inventar que precisava de um mundo que sustentasse seu corpo do peso do mundo? todos temos momentos... diferentes... intensos ou não... aqui faço a minha mistura... de alguns... de alguns tipos... que floresça ou apodreça... que tenha um fim...</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Pato)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>100</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-2890260441142844226</guid><pubDate>Sat, 19 Nov 2011 04:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-11-19T01:34:24.398-03:00</atom:updated><title/><description>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/K3AaoqgmoA0" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2011/11/blog-post.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://img.youtube.com/vi/K3AaoqgmoA0/default.jpg" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-4277181602477092389</guid><pubDate>Sat, 03 Sep 2011 00:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-02T21:30:13.776-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">barca dos mortos</category><title>à minha estrela</title><description>te agradeço, estrela e não esqueço de ti&lt;br /&gt;
estrela negra Nagô&lt;br /&gt;
de luz branca que ofusca&lt;br /&gt;
me deste tudo que pedi&lt;br /&gt;
já não te peço nada&lt;br /&gt;
estrela branca Nagô&lt;br /&gt;
aqui ponho minh'oferenda&lt;br /&gt;
tu que não devia nada nem me pediste nada&lt;br /&gt;
em tudo que é nada te pago&lt;br /&gt;
estrela negra Nagô&lt;br /&gt;
primeira da noite&lt;br /&gt;
última da manhã&lt;br /&gt;
entre a lua e o sol&lt;br /&gt;
que me sela as costas&lt;br /&gt;
pouco te miro a face&lt;br /&gt;
tão doce e prestativa&lt;br /&gt;
me deste a lenha do fogo vivo&lt;br /&gt;
que agora é cinza&lt;br /&gt;
e te ofereço a cinza&lt;br /&gt;
como tudo que tenho&lt;br /&gt;
como eu mesmo sou cinza&lt;br /&gt;
estrela branca Nagô&lt;br /&gt;
de cordel lumiante&lt;br /&gt;
entrelaçada em fio de sangue&lt;br /&gt;
sou do mesmo teu sangue?&lt;br /&gt;
já não sei se te ouço mais&lt;br /&gt;
então sou como ti, estrela sozinha&lt;br /&gt;
e nos veremos no infinito&lt;br /&gt;
assim que me apague&lt;br /&gt;
o tempo é uma vaidade breve</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2011/09/minha-estrela.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-5567814731303456307</guid><pubDate>Sun, 17 Apr 2011 19:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-04-17T16:37:17.489-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">pensamentos de pato</category><title>Fins...</title><description>Hoje resolvo não seguir a diante com este espaço. Sinto um tanto como a perder um objeto de estima, alguma coisa que já tenha se erguido a estado de ente lúcido. Sinto um tanto, também, pelo fato de que, não existindo mais aqui esse lugar, minhas motivações para tomar nota de letras e sentidos mingua. Creio que justo este estado de coisa intima minha, elevada a ente animado externo a mim, que me trazia certo conforto e vontade em colocar letras aqui. Acho justo, então, deixar esta carta, ou oferenda, como se presta homenagens ao solo ou à água ou a um pedaço de coisa elevada a ser. Como Stalker ao entrar na zona, reconfortado pelo cheiro à erva fresca. Resolvo não seguir, tanto porque não sendo concreta a natureza desse espaço a sua concretude faz pouco sentido, quanto não sendo concreta a minha natureza é frágil o sentido de se ter esse espaço concreto de manifestações de mim... e dessa fragilidade o sentido se erodiu até o estado de película extremamente fina de a pouco, quando por fim deixou de ser. Deixo esta carta, também, como um devaneio e um ultimo escrito aos que não me conhecem, que imagino não haja nenhum. Aos que me conhecem só uma frase ou duas sejam de importância. Este cheiro a erva fresca vai continuar a existir em mim e além de mim, visto que não é uma manifestação minha, então o ente que habita este espaço não estará findo, e encontro ele como parte de mim e parte além de mim em algum lugar desabitado. Deixo este espaço no momento que lhe tenho mais apreço e distanciamento.&lt;br /&gt;
Durante o tempo livre das próximas semanas dedicarei algum tempo a arquivar os escritos daqui procurar os botões de finda-lo ou guarda-lo definitivamente. Penso, também, em manuscrever a maior parte das coisas, que me agradam manuscritos, apesar de não fazer muita noção do que faria com eles. Creio junto com isto esvaece, também, o pato e os tons azuis...&lt;br /&gt;
A ti... um aceno na praia... inaudivel... fellini...</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2011/04/fins.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-3544868969897505328</guid><pubDate>Wed, 13 Apr 2011 16:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-04-13T13:06:07.169-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">o cajueiro Amaro</category><title>bem-te-vís entardecidos</title><description>e como o próprio tempo a infância perdura&lt;br /&gt;
numa reanimação constante da foto languida do morto&lt;br /&gt;
como a pequena a temer o frio de sua palidez&lt;br /&gt;
o eu de infância vagueia em soliture no limbo abobadado de minhas costelas&lt;br /&gt;
e enquanto realizo mecânicamente o nada mediado e envolto em movimentos corpóreos&lt;br /&gt;
sinto a ânsia de saber do ente querido, como a pequena a temer o frio de sua palidez, que existe em solitude dentro de mim&lt;br /&gt;
e o saber que o ignoro, que minhas costelas são parte integra do nada mediado e envolto nos movimentos injustificados que contém o seu limbo&lt;br /&gt;
e ele, que já foi a mim a minha superfície, que possuia o estranhamento e a incompreensão... ele não médiado... ele me falou, a mim e a si mesmo, me disse da infelicidade anunciada no canto dos bem-te-vís e no mormaço doce da tarde em frente às flores de jambo...&lt;br /&gt;
antes de minha existência, ele que me era antes de mim, me contou das suas divinações de quando ainda não podia ter noção do que eram seus olhos, me fez ser ele depois dele&lt;br /&gt;
e pouco a pouco seu viver tornou limbo e meu viver ergueu-se em nada&lt;br /&gt;
todas as contradições ocorrem entre o nada e o viver&lt;br /&gt;
todas as contradições são a renimação languida da infância&lt;br /&gt;
dos pequenos animais não mediados&lt;br /&gt;
da percepção contínua da ventura e desventura que se tem em infância&lt;br /&gt;
a vida é divinada no parto em completude&lt;br /&gt;
e na morte em retrospecto&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
enquanto o sol era um ente gigante, o reflexo a cobre daquela pequena me bastava a tê-la e sê-la e fundir-me num idílio de sentidos...</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2011/04/bem-te-vis-entardecidos.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-3744174518900007508</guid><pubDate>Sun, 13 Mar 2011 12:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-13T09:55:45.530-03:00</atom:updated><title/><description>&lt;embed allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" height="20" src="http://www.4shared.com/embed/88024425/1072d41" width="420"&gt;&lt;/embed&gt;</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2011/03/blog-post.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-4187027496713314079</guid><pubDate>Mon, 07 Mar 2011 18:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-07T15:57:49.900-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">o cajueiro Amaro</category><title>figos cortados</title><description>o ser se esvai como uma nuvem entre os dedos&lt;br /&gt;
e a neve de muito próxima distante atrás do espelho&lt;br /&gt;
uma fantasia de vertigem, a vertigem&amp;nbsp;destrói&amp;nbsp;os carros e torna as mentes insustentáveis&lt;br /&gt;
não nesses que subjugam a natureza das texturas&lt;br /&gt;
aqui a neve se esconde por trás espelhos, e as nuvens se esvaem entre os dedos no reflexo...&lt;br /&gt;
o sol causticante como tornado sincero se põe face a face&lt;br /&gt;
a sombra se projeta em algum lugar, a sombra se projeta ao infinito e se esvai&lt;br /&gt;
tudo se esvai no infinito&lt;br /&gt;
o ser se dissipa na esquina&lt;br /&gt;
a cor da face perde a casa&lt;br /&gt;
e a mente, perdida no que mais não esta, balbucia como num pesadelo, despida do corpo, emitindo a ansia muda que não atinge os&amp;nbsp;músculos&lt;br /&gt;
como uma lembrança presente, distante de próxima, atrás das imagens alucinadas&lt;br /&gt;
como a presença do que não houve&lt;br /&gt;
e do que não se fez&lt;br /&gt;
do sol descendo em cores e da brisa como num dia muito familiar&lt;br /&gt;
das imagens saltitantes dos furos na cortina&lt;br /&gt;
e os sentidos arranhando a pele, num coro de existência, ela, que não pode ser esquecida por força ou vontade&lt;br /&gt;
me bate um gosto doce e aquoso, levemente amargo, de felicidade, seja isso um espasmo, de vida viva flutuante, que passa aos meus olhos como uma criança bebada, tão familiar...&lt;br /&gt;
e um abater profundo do presenciado em solitute o que é de outro&lt;br /&gt;
a&amp;nbsp;consciência&amp;nbsp;do sangue coagulado no peito&lt;br /&gt;
do&amp;nbsp;etéreo&lt;br /&gt;
e da solitude&amp;nbsp;imutável&lt;br /&gt;
como tornar ser as palavras que faltam</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2011/03/figos-cortados.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-4164777703527760901</guid><pubDate>Wed, 01 Dec 2010 23:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-12-01T20:54:51.270-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">retardos diversos</category><title>Bárbaro</title><description>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Anteriormente rejeitado, morto de abandono em plena juventude, exumado a fins de lhe dar uma migalha, como uma medalha a um morto por ter morrido ou a um aleijado por ter perdido a perna. Originalmente, integrante de "Crônicas do Asilo", &amp;nbsp;e não havia mesmo mais nada que&amp;nbsp;pudesse&amp;nbsp;integrar. Quem sabe não volta?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
serei foto&lt;br /&gt;
lumiado como imagem terei força, serei bárbaro&lt;br /&gt;
não-ingerido, não-degradado, não-expelido,&lt;br /&gt;
te mostre aos olhos, te fale aos ouvidos&lt;br /&gt;
ultrapasse os efeitos sonoros e fogos...&lt;br /&gt;
atinja tua mente...&lt;br /&gt;
um dialogo, seu inicio.&lt;br /&gt;
o principio do contato do teu anima com o meu...&lt;br /&gt;
aquilo que nos dá vida&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
talvez hoje não gostes mais do circo,&lt;br /&gt;
talvez hoje te encante o por do sol...&lt;br /&gt;
e quando enfim de tua mente fluírem diálogos,&lt;br /&gt;
serás bárbaro,&lt;br /&gt;
estrangeiro em uma terra de mensageiros mudos e espectadores adormecidos...</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/12/anteriormente-rejeitado-morto-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-3364686032112805835</guid><pubDate>Fri, 19 Nov 2010 18:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-11-19T15:38:42.185-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Deus e outros demônios</category><title>Ascensão à luz</title><description>o homem se reduz em sua casa até o ponto em que se domestica&lt;br /&gt;
se reduz até encolher numa pequenez as coisas no caber de dizer de seu&lt;br /&gt;
reduz a abstração a pequenos objetos&lt;br /&gt;
então cessa de viver, por não caber a vida à vida que entalhou delicadamente&lt;br /&gt;
o homem em sua natureza é como um lobo... como a abstração de um lobo...&lt;br /&gt;
como a abstração de qualquer animal ou coisa&lt;br /&gt;
um vaguear em sentidos, se quedar osmótico na estepe, se quedar num perceber absolutamente abstrato de um ciclo de eletrochoques transcendentes as dimensões da vista, na infinitude do que não se cabe a contagem e, por isso, não se faz em extensão inimaginável&lt;br /&gt;
o homem domestica a abstração à concretude parametizável&lt;br /&gt;
precisam caber como fichas nos seus sulcos entalhados, precisam ser entalhadas, também, as coisas, forjadas em fichas, depositadas como hóstias na boca dos sulcos, rangendo e tintilando, iniciando o mecanismo dos brinquedos, dos refrigerantes&lt;br /&gt;
mas o homem em sua natureza é como o lobo, como a explosão shamãnica de adentrar um lobo pelos olhos&lt;br /&gt;
incapaz de se conter na pequenez de caber dizer um si&lt;br /&gt;
incompreensível à extensão de objetos, de pequenos objetos&lt;br /&gt;
incomprimível...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
e a exaltação se fez como brilhasse uma luz, e reluziu na insanidade de alguns, dos seus, como divino, o lumiar incandescido de uma face transfigurada em restos, desvencilhada do que aprisionava desde os dedos dos pés e o ventre e agora voa ou talvez apenas finda.</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/11/ascensao-luz.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-1409499504359509077</guid><pubDate>Thu, 28 Oct 2010 09:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-11-09T09:46:00.434-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">transbordos</category><title/><description>e tu te ergueu como a dama de copas naquele dia enevoado&lt;br /&gt;
e havia um lago dentro de ti&lt;br /&gt;
enquanto pequenos vales se talhavam naquele dia enevoado&lt;br /&gt;
e tu derretendo pelo mundo verteu rios&lt;br /&gt;
pequenos capilares ainda sem vitórias régias&lt;br /&gt;
e o pedaço esvaziado &lt;br /&gt;
de lago que se verte embora</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/10/e-tu-te-ergueu-como-dama-de-copas.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-5451365783899468373</guid><pubDate>Fri, 15 Oct 2010 05:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-10-15T02:31:07.230-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">transbordos</category><title/><description>os botões se movem como pequenos besouros...&lt;br /&gt;
a chuva piano o ar...&lt;br /&gt;
evaporam pequenas comoções que já esqueci o rosto...&lt;br /&gt;
a chuva escala em pequenos apertos no meu peito...&lt;br /&gt;
retorna um vento frio...&lt;br /&gt;
como meu sangue fosse alvo... fosse neve...&lt;br /&gt;
como me confortasse um ar de casa...&lt;br /&gt;
que em criança me tremia...&lt;br /&gt;
e agora me aquece...</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/10/os-botoes-se-movem-como-pequenos.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-1302891556720666989</guid><pubDate>Sun, 10 Oct 2010 18:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-10-10T15:39:06.828-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Deus e outros demônios</category><title>dos postes onde nada habita</title><description>vou pintar minhas paredes de azul&lt;br /&gt;
trazer uma noite azul esfumaçada ao meu quarto&lt;br /&gt;
manchar os dedos a cara impregnar de pingos&lt;br /&gt;
e então secar... e então pó a se dissolver no tempo&lt;br /&gt;
não pode me pintar não pode me por cores&lt;br /&gt;
minhas paredes ruínas onde ninguém habita onde não habito&lt;br /&gt;
minhas paredes o fantasma ucraniano onde não vagueio...&lt;br /&gt;
onde te encontra fauno? onde te pusesse de mim?&lt;br /&gt;
a erva começa a cheirar no campo? não sinto&lt;br /&gt;
que é esta estação?&lt;br /&gt;
vou pintar de azul, esfumaçado, onde habita ouriço&lt;br /&gt;
para que ele habite, para que habite novamente&lt;br /&gt;
e que venha o fauno e comece a cheirar à erva&lt;br /&gt;
vivo entre as ruínas escorrendo entre as ruínas&lt;br /&gt;
onde deus se faz aos infelizes os seus enganos&lt;br /&gt;
e ergue os muros de seus desejos e as necessidades de clausura&lt;br /&gt;
e sufocam clausura&lt;br /&gt;
paredes de azul... esfumaçado como não fosse novo como fosse desabado, mas não vai ser...&lt;br /&gt;
quero me esgueirar na ferrugem nos tijolos cobertos de lodo na erva que começa a cheirar&lt;br /&gt;
com a alegria de sentir o ser&lt;br /&gt;
com a alegria de voltar&lt;br /&gt;
com o ar que invade e arde doce&lt;br /&gt;
stalker</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/10/dos-postes-onde-nada-habita.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-3319382026317491879</guid><pubDate>Fri, 10 Sep 2010 16:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-09-10T13:27:04.602-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">na noite azul e vermelho</category><title>Caleidoscópio</title><description>sonhei um orfanato&lt;br /&gt;
era criança&lt;br /&gt;
todos eram os meus&lt;br /&gt;
nenhum era&lt;br /&gt;
noite molhada de chuva em dia de cometa&lt;br /&gt;
ultimo dia da era, derretendo, se tornando macio e lamacento&lt;br /&gt;
uma semente vermelha cintilante que virá&lt;br /&gt;
a orfandade uma prisão...&amp;nbsp;dividíamos&amp;nbsp;cigarros, as crianças, tudo era meu, das crianças, nada era&lt;br /&gt;
meu corpo se perdia na&amp;nbsp;insignificância&amp;nbsp;de não ter o que perder&lt;br /&gt;
e meu corpo se fazia livre por comungar da miséria de tudo que havia&lt;br /&gt;
uma irmã se tinha ido embora numa tristeza de outono&lt;br /&gt;
invadimos seu quarto, escondido atrás das voltas da escada em caracol&lt;br /&gt;
uma luneta de copos de vidro e uma janela a se olhar a lua&lt;br /&gt;
segredo que calava em uma criança, na irmã, em&amp;nbsp;ninguém&lt;br /&gt;
e todas as coisas místicas que se escondiam em cinzar de incenso&lt;br /&gt;
e o cometa&lt;br /&gt;
de encontro a noite derretida como viesse copular&lt;br /&gt;
como tivesse passado por ali o Caio, que tivesse ido embora numa tarde de outono e esquecido seu tarot, arcanos maiores do Crowley, dentro de uma gaveta, com pequenas coisas ao redor&lt;br /&gt;
realizei pouco antes de acordar, aquele quarto era meu, e o cometa e a chuva, a irmã de outono, as cinzas do Caio, a criança, a miséria virtuosa&lt;br /&gt;
senti por um momento... e te encontrei por lá&lt;br /&gt;
em qualquer coisa que faça parte de um eu que existe&lt;br /&gt;
onde me encontro&lt;br /&gt;
ou onde deliro</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/09/caleidoscopio.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-3009710362216499848</guid><pubDate>Tue, 17 Aug 2010 15:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-08-17T12:12:46.208-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Deus e outros demônios</category><title>bichos da seda</title><description>de um devaneio noturno o teto desaba em chuva&lt;br /&gt;
algum ser que me povoa aflora em pequenas erupções&lt;br /&gt;
“pelos chifres deve ser um fauno”, diz algum ser&lt;br /&gt;
silêncio... digo àlgum ser, em pequenas erupções&lt;br /&gt;
“começa cheirar a musgo”, diz algum ser&lt;br /&gt;
me viro... digo àlgum ser, tomando atenção ao cheiro da sala&lt;br /&gt;
o teto desaba em chuva, um devaneio toca os pingos em melodias fantásticas&lt;br /&gt;
é noite do meu amor... assim como foi o dia e será de madrugada&lt;br /&gt;
é noite da estrela que me levou, lhe ofereço meu sangue frio e meu corpo inerte&lt;br /&gt;
“ele chegou, anda quase cego”, diz algum ser, como uma mácula às minhas costas&lt;br /&gt;
vejo sua face e as lagartas que lhe comem o tronco dependuradas em casulos&lt;br /&gt;
os pingos tocam os fios de seda em acordes azuis, a cor da sala se dissolve no chão&lt;br /&gt;
vejo sua face e o que ela me revela, em pequenas erupções&lt;br /&gt;
é noite, uma renda vermelha presa a liga, meu gozo escorre misturado a sons doces em coxas brancas, insípido... some&lt;br /&gt;
me viro, tomando atenção ao cheiro da sala, um gato que vomita as cadeiras da mesa de jantar&lt;br /&gt;
meu corpo inala um gosto podre e azedo&lt;br /&gt;
silêncio... e os olhos vermelhos de insônia, quase cegos, não me reconheço&lt;br /&gt;
enquanto a chuva ascende à cal do teto&lt;br /&gt;
cristalizando em manchas de mofo</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/08/bichos-da-seda.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-7972313712319349498</guid><pubDate>Sat, 14 Aug 2010 07:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-08-14T04:26:01.275-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">o cajueiro Amaro</category><title>amaro</title><description>olho no espelho e vejo meus olhos&lt;br /&gt;
e em meus olhos é a morte que vejo&lt;br /&gt;
olhei a árvore na rua, na praça&lt;br /&gt;
uma imagem turva de mangueira&lt;br /&gt;
uma imagem nua de crueza enevoada&lt;br /&gt;
é a vida das árvores e dos gatos&lt;br /&gt;
ela exala à noite, de madrugada&lt;br /&gt;
aqui tudo derrete com o tempo de madrugada&lt;br /&gt;
a suculenta nasce discretamente e as imagens morrem&lt;br /&gt;
as flores anunciam o fim do ano das castanhas&lt;br /&gt;
o óleo de queimar a pele, de por nódoas nos dedos&lt;br /&gt;
de manchar de árvore&lt;br /&gt;
se é preciso ser árvore pra se ser um gato enevoado&lt;br /&gt;
e a vida de madrugada que molha o chão&lt;br /&gt;
e qualquer coisa que for água é imagem&lt;br /&gt;
olhei nos teus olhos e vi o sol atrás de ti no espelho&lt;br /&gt;
e demasiada luz a produzir imagens&lt;br /&gt;
falaram de um homem que queimava castanhas&lt;br /&gt;
o fogo incendiou seu corpo enodoado&lt;br /&gt;
chorou como um cajueiro&lt;br /&gt;
um sagüi o tirou da estrada assim que esteve frio&lt;br /&gt;
como fosse um coquinho</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/08/amaro.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-1564800502842170401</guid><pubDate>Wed, 30 Jun 2010 02:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-06-29T23:27:52.930-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Deus e outros demônios</category><title/><description>amarrei o cachecol apertado no pescoço... contundia a minha pele, gritava algo&amp;nbsp;audível, rouco, tudo é afônico quando se tem espasmos... não percebi que me matava... não queria que me matasse... mas era tudo afônico... tomei cuidado para não deixar restos que viessem a&amp;nbsp;apodrecer... tudo deve se decompor em pequenos grãos, sem apodrecer, sem gritar, afônico, contundido... aquele outro se aproveita da minha fraqueza, da minha miséria... aquele outro... me emputece... escolheu me irritar, me debati, dei-lhe socos... choques que quebram o silêncio aos poucos... escolheu algo macio... e me matei com o cachecol... deixando o sangue fluir... e me impedir de me decompor... em pequenos grãos... como todas as outras vezes...&lt;br /&gt;
só a enxaqueca me lembra de meus atos... ela passa, eu passo, tudo se vai a dormir... aquele outro, só me deixa ser dormindo... durmo... me esqueço... faz frio, não sinto meus dedos... teatro... não vão me ver porque durmo... que se fodam...&lt;br /&gt;
ele sabe que o sono vai me imergir no meu amor...</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/06/amarrei-o-cachecol-apertado-no-pescoco.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-3353931294281351480</guid><pubDate>Sat, 26 Jun 2010 00:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-06-25T21:09:05.410-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">o cajueiro Amaro</category><title>de uma máquina, uma pedra e poças d’água</title><description>corta as laranjas com a faca que apontou grafite&lt;br /&gt;
pequenos diamantes, pequenos brilhos&lt;br /&gt;
calor de sol, não, frio&lt;br /&gt;
borra de café&lt;br /&gt;
corta os dedos com a faca que apontou grafite&lt;br /&gt;
perfume, velas acesas&lt;br /&gt;
calor de sol, não, café, não, cristais de areia&lt;br /&gt;
risca as paredes com a faca que cortou grafite, não&lt;br /&gt;
os dedos, não, o sol, risca o sol com pequenos brilhos frios, não&lt;br /&gt;
mortos, como borra de café, não, risca as veias com grafite, não, que a faca cortou,&lt;br /&gt;
os nós, a ressaca, não, foram comprimidos, violentados na parede, na superfície, na película de sua língua, dois pardais que haviam se formado da imbecilidade da idéia e lhe pousaram na face, escorrendo como lagrimas de um cuspe do Rosellini...&lt;br /&gt;
a criatura encaracolada, erótica, exalante, absolutamente ausente... que lhe cheirava a sexo como um anjo que comesse pão preto... que lhe molhava orgástica a excitação... só trazia o pensamento dos prédios, do que não existe, impotência em lamber sem comos...&lt;br /&gt;
ascendia 15 andares, dava mais um salto, ao paraíso nada que valesse mais a pena que seu cigarro, caía como uma pedra, uma fruta ou merda de pássaro&lt;br /&gt;
não&lt;br /&gt;
cortava laranjas com a faca que apontou grafite, riscava os gomos com resto de borra, sentia como cropófago comendo merda, sujeira, mas era só um idiota. se excitava com o cheiro dos entes encaracolados, molhados, brilhantes, que desfilavam no calor do sol...&lt;br /&gt;
não</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/06/de-uma-maquina-uma-pedra-e-pocas-dagua.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-1294927792567927382</guid><pubDate>Fri, 25 Jun 2010 23:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-06-25T20:52:31.776-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Deus e outros demônios</category><title>estrada do engenho</title><description>a idéia permeou-me a mente&lt;br /&gt;
com todos os ruídos, com toda a música&lt;br /&gt;
com todas as pedras que balançam por sob as rodas&lt;br /&gt;
tu, que era nada, poesia&lt;br /&gt;
tu, era nada, era bela, qual em caracóis e rastros doces...&lt;br /&gt;
te arrastava, te jogava, te erguia, fluida, inconsciente&lt;br /&gt;
tu era imagem, tu que não existe...&lt;br /&gt;
teu nome, pouco me cabe... mas me cabe o dia&lt;br /&gt;
não tu, imagem, não tu, cheiro doce a gozo que subverte o meu domínio&lt;br /&gt;
mas idéia, tu que é todo abstrato, que não existe, tu idéia...&lt;br /&gt;
que me subverte da fala&lt;br /&gt;
que minha boca não é por si a fala, que é sentir, lamber, comer... não a ti... tu que não existe, que existisse não seria nada... tu é imagem, película, poesia... e vejo...&lt;br /&gt;
por todas as ruas das pedras que balançam...&lt;br /&gt;
o raciocínio faz do ser um monstro</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/06/estrada-do-engenho.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-7678067079860196207</guid><pubDate>Tue, 22 Jun 2010 00:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-06-21T21:05:28.805-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">pensamentos de pato</category><title/><description>cigarros de palha cabem à refumaça&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;melhor refumar cotocos de fumo que ópio&lt;/div&gt;&lt;div&gt;destitui a dignidade de se intoxicar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e restitui a mediocridade de mimetizar o Manoel&lt;/div&gt;</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/06/cigarros-de-palha-cabem-refumaca-melhor.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-4238775952179770848</guid><pubDate>Fri, 14 May 2010 05:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-05-14T02:45:49.334-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">o cajueiro Amaro</category><title>aurora</title><description>manhã tardia&lt;br /&gt;
despertar de uma madrugada embaçada&lt;br /&gt;
virei a névoa do vidro, algum dia, não esse&lt;br /&gt;
a névoa solta, do vidro, fora do vidro, embaçando as pedras e postes, tudo fica singelo na madrugada... baratas não giram cataventos no silêncio de carros insones... poeira do interior...&lt;br /&gt;
amanhece ao meio dia, eu, que perdi o sino das três, entardeci dormente e meu corpo se fez por si&lt;br /&gt;
fluorescente por si... fluorescer é uma passagem sem dia nem noite, existe, não acaba... de repente acaba... &lt;br /&gt;
fluorescer não passa...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
despertei de uma tarde&lt;br /&gt;
o sol me dissipou, névoa fugida do dia, algum dia, não esse&lt;br /&gt;
a madrugada presente no vácuo que ficou de sua ausência&lt;br /&gt;
eu onde ela não esta, onde não estava, onde não estive, onde não passo...&lt;br /&gt;
onde nenhum gozo invadiu a minha alma&lt;br /&gt;
eu um nada manchado de sol&lt;br /&gt;
e as folhas secas retorcidas no chão algum dia...</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/05/aurora.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-4802590374923970435</guid><pubDate>Wed, 28 Apr 2010 04:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-04-28T01:14:36.622-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">o cajueiro Amaro</category><title>terra molhada no quintal</title><description>o frio é uma realidade das plantas e dos lagartos&lt;br /&gt;
os homens, eles mentem o frio&lt;br /&gt;
sobretudo os homens&lt;br /&gt;
que mentem tudo&lt;br /&gt;
neles é insuportável&lt;br /&gt;
não há das plantas e dos lagartos morte de frio&lt;br /&gt;
simplesmente cessam&lt;br /&gt;
param aos poucos e cessam&lt;br /&gt;
qualquer espasmo processo de cessar&lt;br /&gt;
dos homens, há de se chegar a verme&lt;br /&gt;
ao verme o parasitar a vida &lt;br /&gt;
em sua mais solene involução, o fim das solenidades, da morte...&lt;br /&gt;
ao verme a verdade, o comer os seus&lt;br /&gt;
que cessaram, que lhes dá como presente virar merda, que o único propósito de morrer é mentir a vida...&lt;br /&gt;
aos homens a mentira, o sentimento do mais sagrado&lt;br /&gt;
aos poetas a verminose, a hipocrisia e a arte...&lt;br /&gt;
os homens, eles mentem a merda</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/04/terra-molhada-no-quintal.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-8708577716881339703</guid><pubDate>Fri, 16 Apr 2010 05:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-04-16T02:57:30.029-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">o cajueiro Amaro</category><title>som de grilos e máquinas, quinta-feira</title><description>das urtigas nasce um sentimento pleno&lt;br /&gt;
o desprezo, o desprezível, a praga&lt;br /&gt;
a doce praga&lt;br /&gt;
nojenta&lt;br /&gt;
inocentemente daninha...&lt;br /&gt;
das urtigas que não cresçam em nenhum jardim&lt;br /&gt;
que não maculem a beleza de tubo-de-ensaio&lt;br /&gt;
a beleza construída com toda a coerência possível do capital ou do não-capital&lt;br /&gt;
às urtigas o esgoto ou os herbicidas...&lt;br /&gt;
a doce praga&lt;br /&gt;
inocentemente daninha&lt;br /&gt;
o sentimento pleno, desprezível&lt;br /&gt;
o ódio é a sua natureza&lt;br /&gt;
que cresce pelas paredes se alimentando do sangue dos tijolos...&lt;br /&gt;
eu, que não as sei de nada, me aproprio... a poesia é um sentimento hipócrita...&lt;br /&gt;
o café um sentimento miserável...</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/04/som-de-grilos-e-maquinas-quinta-feira.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-6099251660331412289</guid><pubDate>Mon, 29 Mar 2010 03:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-03-29T00:43:27.469-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Deus e outros demônios</category><title>demônio do leite azedo</title><description>perguntei ao meu criado esta tarde que sentia... este tolo insolente que suspende meu corpo em um andor... “sinto-me mal com demasiada freqüência para sentir-me bem” me retruca “se o agrada, sinto-me mal definitivamente”... oras mas que manifestação a me por em estado de nervos... chamei-o bacilo! isto que ele é! um bacilo insolente... em outra hora lhe pergunto... que seria a causa essa de sua agonia? “pois sinto dores nas costas... e minha bile se põe como um inferno a cada meia hora” me retruca “o senhor, pois, tem estado a se revirar durante as caminhadas... deve ser o cheiro acre da cidade”... mas isso também a me por em estado de nervos... pois é um vadio! um Judas que tenta me subverter a dar-lhe folgas e regalias! Já não basta os subsídios que tem, a estada no chalé onde nem ele ou a família tem expensas além do que comem... age como um rato... de noite corre até a beira do pântano com seus fumos a cultivar um demônio nas narinas... e chora, cai como criança as margens do lodo imundo, já o vi, penso que pragueja com seu pranto a tudo, deve ser ateu inclusive... o pergunto no outro dia que fazia lá “são meus entes que me chamam” retruca “aqueles que me trouxeram ao mundo e outros desde seu esquecimento”... esse índio, esse criado que eu tenho... sua pele é suja como lama... parece branco, mas não me engana, há imundice metida nos seus pelos... esse criado... esse que eu tenho... é um algoz... letrado e escriba, vive a rabiscar quando não lhe repreendo... é odioso, vejo em seus olhos... é daqueles que nasceu junto com os bezerros e saiu de lá... ainda tem na memória como se mata um boi... vai me encontrar dormindo na cadeira de balanço e me matar enquanto durmo... fazer magia com meu sangue... meu criado... esse que eu tenho... ao fim do ano compro um carro a motor... mando matá-lo logo após em um domingo de missa... quando for curar sua lascívia... antes que me jogue numa vala... esse... esse que carrega meu andor... com seus olhos de perfídia...</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/03/demonio-do-leite-azedo.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-3249474804393629930</guid><pubDate>Sat, 20 Mar 2010 09:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-03-20T06:38:17.068-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">na noite azul e vermelho</category><title>tricô de poncho azul</title><description>gravei na minha pele um desenho que era teu&lt;br /&gt;
com talho de agulha e ferro quente me marquei de ti&lt;br /&gt;
no pulso, entre minhas linhas, acima, pelo braço e pelas mãos&lt;br /&gt;
acima, no pescoço, acima, nos dedos&lt;br /&gt;
nas pontas dos dedos entrando pelos ossos, entrando pelos nervos&lt;br /&gt;
e o ferro que me corre nas veias se formou em pedras na garganta nos olhos e estômago&lt;br /&gt;
cuspi&amp;nbsp;e bebi sangue&lt;br /&gt;
gravei na parede um desenho que era teu&lt;br /&gt;
com pequenas linhas de dedos insone&lt;br /&gt;
o mofo e a borra do cinzeiro me fizeram as sombras&lt;br /&gt;
na imagem do teu choro que expia e cessa e esquece&lt;br /&gt;
na imagem do teu choro o meu a ferro forma pedras&lt;br /&gt;
cuspi e bebi a bile nauseada da minha ânsia que corria pelos olhos sem cessar nem esquecimentos&lt;br /&gt;
numa expiação que transborda e se mata em brasa fria&lt;br /&gt;
pra que não de todo morra e se erga&lt;br /&gt;
e se jogue novamente&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
hoje senti que tu se foi... o pensamento me enlouquece...</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/03/trico-de-poncho-azul.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-7540944045727235317</guid><pubDate>Tue, 09 Mar 2010 04:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-03-09T01:33:48.666-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">na noite azul e vermelho</category><title>na noite vermelho e cinza</title><description>subir muito alto&lt;br /&gt;
subir, correr, transmutar em luz no infinito das estepes&lt;br /&gt;
cair, cair em si, cair delirante em si fora de si&lt;br /&gt;
enjôo e orgasmos&lt;br /&gt;
epiléptico de gozo em convulsão, convulsiona em enjôo, espasmo&lt;br /&gt;
da serpente farpada que me abraça e me fere os nervos&lt;br /&gt;
da serpente cruel e farpada que me sai das entranhas e arrasta meus dedos pela pele&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ontem encontrei um pardal... ele me disse "vai-te quebrar as costas com o tempo"&lt;br /&gt;
sufoquei-o no estômago "antes disso um anjo de chumbo ascende aos céus com meus miolos"</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/03/na-noite-vermelho-e-cinza.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-13152470431496608.post-521704989289208809</guid><pubDate>Fri, 26 Feb 2010 20:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-02-26T17:59:05.043-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">na noite azul e vermelho</category><title>tarde e cigarros na esquina</title><description>&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: -0.3cm;"&gt;me deprime o cheiro do capim cortado à máquina&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: -0.3cm;"&gt;me deprime toda essa morte, toda essa merda e essa porcaria e essas máquinas&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: -0.3cm;"&gt;e o cheiro, o cheiro me invade como um animal&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: -0.3cm;"&gt;começo a correr em campos em meia luz da manhã nascendo&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: -0.3cm;"&gt;quadrúpede, sem saber da vida ou de mim ou do que virá&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: -0.3cm;"&gt;onde ir? onde ir? que fazer? que ser?&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: -0.3cm;"&gt;e o cheiro do capim cortado a galope&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: -0.3cm;"&gt;e toda essa morte, essa merda, essa vida...&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: -0.3cm;"&gt;com a ânsia latente e o desejo contido&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: -0.3cm;"&gt;e o desejo contido violentamente por uma besta, um golpe que resvala no sangue e se entranha nos intestinos abrindo talhos na alma pra que se sinta um corpo...&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: -0.3cm;"&gt;e essa ânsia e essa vontade e esse impulso de não ser, não ser um corpo, não ser um tempo, não ser a vida e a decrepitude da vida e fugir, fugir prum campo em meia luz da manhã, longe de toda essa morte, essa merda, essa porcaria...&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: -0.3cm;"&gt;num gozo cheio de cheiros doces e macios que cai à morte e exaure os músculos e mói a carne e os ossos e as entranhas deixando jogado imóvel e dilacerado o corpo pra que a alma e o amor e o sexo possam evaporar sublimes e encontrar um ao outro mortos e além da vida...&lt;/div&gt;</description><link>http://bolotosco.blogspot.com/2010/02/tarde-e-cigarros-na-esquina.html</link><author>noreply@blogger.com (Pato)</author><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>