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	<title>Blog dos Poetas</title>
	
	<link>http://blog.sitedepoesias.com.br</link>
	<description>Poemas de escritores famosos e consagrados</description>
	<lastBuildDate>Sun, 12 Jul 2009 07:59:25 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Velha Natureza - por  Raul de Leoni</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jul 2009 07:59:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Raul de Leoni]]></category>

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		<description><![CDATA[Tudo que a velha Natureza gera
Vai sempre rumo do melhor futuro;
Ela fecunda com o ânimo seguro
De quem muito medita e delibera...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo que a velha Natureza gera<br />
Vai sempre rumo do melhor futuro;<br />
Ela fecunda com o ânimo seguro<br />
De quem muito medita e delibera&#8230;</p>
<p>O seu gênio de artista mais se esmera<br />
Na teoria sutil do claro-escuro,<br />
Com que exalta a verdade mais austera,<br />
Frisando em tudo o símbolo mais puro&#8230;</p>
<p>Só faz o Mau e o Hediondo para efeito<br />
De projetar mais longe e sem nuance<br />
A alma cheia de luz do que é perfeito,</p>
<p>Como cavou o Abismo nas entranhas,<br />
Para dar mais relevo e mais alcance<br />
À soberba estatura das montanhas&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Pomba e Chacal - por  Olavo Bilac</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/pomba-e-chacal/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 03:54:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Olavo Bilac]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre o contraste! Pássaros cantando
Sobre túmulos... flores sobre a face
De ascosas águas pútridas boiando...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ó Natureza! ó mãe piedosa e pura!<br />
Ó cruel, implacável assassina!<br />
- Mão, que o veneno e o bálsamo propina<br />
E aos sorrisos as lágrimas mistura!</p>
<p>Pois o berço, onde a boca pequenina<br />
Abre o infante a sorrir, é a miniatura<br />
A vaga imagem de uma sepultura,<br />
O gérmen vivo de uma atroz ruína?!</p>
<p>Sempre o contraste! Pássaros cantando<br />
Sobre túmulos&#8230; flores sobre a face<br />
De ascosas águas pútridas boiando&#8230;</p>
<p>Anda a tristeza ao lado da alegria&#8230;<br />
E esse teu seio, de onde a noite nasce,<br />
É o mesmo seio de onde nasce o dia&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Rio - por  Hermes Fontes</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/rio/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Jun 2009 05:50:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Hermes Fontes]]></category>

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		<description><![CDATA[O rio, surdo e cego à ameaça estranha,
Vai correndo, monótono e tranqüilo...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Bojuda serpe, dócil crocodilo -<br />
coleia o rio&#8230; Atrás, uma montanha<br />
figura um cavaleiro a persegui-lo<br />
de longe&#8230; E, distanciando-se, o acompanha.</p>
<p>Adiante, o bosque todo se emaranha<br />
para deter-lhe o curso e constringi-lo:<br />
o rio, surdo e cego à ameaça estranha,<br />
vai correndo, monótono e tranqüilo&#8230;</p>
<p>Abre-se o abismo ali para tragá-lo:<br />
e o rio, dorso ondeante ao beijo eóleo,<br />
salta, a crina a flutuar&#8230; régio cavalo!</p>
<p>E ancho, e triunfante, como um rei no sólio,<br />
avança para o Mar, quer dominá-lo&#8230;<br />
E o Mar, que o espera, num bocejo, engole-o&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Lúbrica - por  Cesário Verde</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/lubrica/</link>
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2009 06:46:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cesário Verde]]></category>

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		<description><![CDATA[
Contudo, um teu olhar
É muito mais fogoso,
Que a febre epistolar
Do teu bilhete ansioso...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mandaste-me dizer,<br />
No teu bilhete ardente,<br />
Que hás de por mim morrer,<br />
Morrer muito contente.</p>
<p>Lançaste no papel<br />
As mais lascivas frases;<br />
A carta era um painel<br />
De cenas de rapazes!</p>
<p>Ó cálida mulher,<br />
Teus dedos delicados<br />
Traçaram do prazer<br />
Os quadros depravados!</p>
<p>Contudo, um teu olhar<br />
É muito mais fogoso,<br />
Que a febre epistolar<br />
Do teu bilhete ansioso:</p>
<p>Do teu rostinho oval<br />
Os olhos tão nefandos<br />
Traduzem menos mal<br />
Os vícios execrandos.</p>
<p>Teus olhos sensuais,<br />
Libidinosa Marta,<br />
Teus olhos dizem mais<br />
Que a tua própria carta.</p>
<p>As grandes comoções<br />
Tu, neles, sempre espelhas;<br />
São lúbricas paixões<br />
As vívidas centelhas&#8230;</p>
<p>Teus olhos imorais,<br />
Mulher, que me dissecas,<br />
Teus olhos dizem mais,<br />
Que muitas bibliotecas!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Choro - por  Gregório de Matos</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/choro/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Jun 2009 13:44:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Gregório de Matos]]></category>

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		<description><![CDATA[Se choras por ser duro, isso é ser brando,
Se choras por ser brando, isso é ser duro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como exalas, penhasco, o licor puro,<br />
Lacrimante a floresta lisonjeando?<br />
Se choras por ser duro, isso é ser brando,<br />
Se choras por ser brando, isso é ser duro.</p>
<p>Eu, que o rigor lisonjear procuro,<br />
No mal me rio, dura penha, amando;<br />
Tu, penha, sentimentos ostentando,<br />
Que enterneces a selva, te asseguro.</p>
<p>Se a desmentir afetos me desvio,<br />
Prantos, que o peito banham, corroboro,<br />
De teu brotado humor, regato frio.</p>
<p>Chora festivo já, cristal sonoro;<br />
Que quanto choras se converte em rio,<br />
E quanto eu rio, se converte em choro.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Lágrimas - por  Cesário Verde</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/lagrimas/</link>
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		<pubDate>Sun, 07 Jun 2009 04:36:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cesário Verde]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela chorava muito e muito, aos cantos,
Frenética, com gestos desabridos;
Ele, o amante, sereno como os santos,
Deitado no sofá, pés aquecidos...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ela chorava muito e muito, aos cantos,<br />
Frenética, com gestos desabridos;<br />
Nos cabelos, em ânsias desprendidos,<br />
Brilhavam como pérolas os prantos.</p>
<p>Ele, o amante, sereno como os santos,<br />
Deitado no sofá, pés aquecidos,<br />
Ao sentir-lhe os soluços consumidos,<br />
Sorria-se cantando alegres cantos.</p>
<p>E dizia-lhe então, de olhos enxutos;<br />
- &#8220;Tu pareces nascida de rajada,<br />
Tens despeitos raivosos, resolutos;</p>
<p>Chora, chora, mulher arrenegada;<br />
Lacrimosa por esses aquedutos&#8230;<br />
Quero um banho tomar de água salgada.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Palmeira - por  Bastos Tigre</title>
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		<pubDate>Sun, 31 May 2009 03:33:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Bastos Tigre]]></category>

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		<description><![CDATA[Olho a nobre palmeira, em cujo cimo, a fronde
Se agita a farfalhar; e, ora canta e assobia,
E a palmeira imperial, humilde, me responde:
- Não sou eu! Quem me agita a fronde é a ventania!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olho a nobre palmeira, em cujo cimo, a fronde<br />
Se agita a farfalhar; e, ora canta e assobia,<br />
Ora esbraveja, em fúria, ou solta, de onde em onde,<br />
Gemidos de uma atroz, lancinante agonia&#8230;</p>
<p>Que alma contraditória em teu cerne se esconde<br />
Que te faz rir, alegre, ou suspirar, sombria?<br />
E a palmeira imperial, humilde, me responde:<br />
- Não sou eu! Quem me agita a fronde é a ventania!</p>
<p>Olho, agora, aos meus pés, uma couve tronchuda<br />
As folhas oscilando em leve movimento,<br />
Para cá, para lá, conforme o vento muda.</p>
<p>- Esta, digo eu, não tem prazer nem sofrimento!<br />
E ela, abrindo num riso a face repolhuda,<br />
Impa de orgulho e diz: — Sou eu quem faz o vento!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Sol das Almas - por  Martins Fontes</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/sol-das-almas/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/sol-das-almas/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 24 May 2009 06:12:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Martins Fontes]]></category>

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		<description><![CDATA[Adeus! Adeus! É o fim da Mocidade!
Nunca mais! Nunca mais! E era tão linda!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>À última luz que doira as tardes calmas,<br />
À última luz de amor que beija o poente,<br />
Se dá, no meu país, poeticamente,<br />
A denominação de &#8220;Sol das Almas&#8221;!</p>
<p>Na montanha, a palmeira, de repente,<br />
Brilha! O mistério lhe incandesce as palmas!<br />
Para outro mundo leva o pó das salmas<br />
A luminosidade comovente!</p>
<p>Vai morrer e ainda fulge! Ainda! Ainda!<br />
Como um sorriso, finda a claridade,<br />
Como um soluço, a claridade finda!</p>
<p>Adeus! Adeus! É o fim da Mocidade!<br />
Nunca mais! Nunca mais! E era tão linda!<br />
Qual é teu nome, Luz do Azul? &#8211; Saudade.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Cinismos - por  Cesário Verde</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/cinismos/</link>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 05:06:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cesário Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1744</guid>
		<description><![CDATA[Ela há de, enfim, sentir-se constrangida,
Cheia de dor, tremente, alucinada,
E há de chorar, chorar enternecida!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu hei de lhe falar lugubremente<br />
Do meu amor enorme e massacrado,<br />
Falar-lhe com a luz e a fé dum crente.</p>
<p>Hei de expor-lhe o meu peito descarnado,<br />
Chamar-lhe minha cruz e meu Calvário,<br />
E ser menos que um Judas empalhado.</p>
<p>Hei de abrir-lhe o meu íntimo sacrário<br />
E, desvendar a vida, o mundo, o gozo,<br />
Como um velho filósofo lendário.</p>
<p>Hei de mostrar, tão triste e tenebroso,<br />
Os pegos abismais da minha vida,<br />
E hei de olhá-la dum modo tão nervoso,</p>
<p>Que ela há de, enfim, sentir-se constrangida,<br />
Cheia de dor, tremente, alucinada,<br />
E há de chorar, chorar enternecida!</p>
<p>E eu hei-de, então, soltar uma risada&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/cinismos/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>O Bandolim - por  Augusto dos Anjos</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-bandolim/</link>
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		<pubDate>Sun, 10 May 2009 12:46:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto dos Anjos]]></category>

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		<description><![CDATA[Choras, e eu julgo que nas tuas cordas,
Choram todas as cordas do Passado!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cantas, soluças, bandolim do Fado<br />
E de Saudade o peito meu transbordas;<br />
Choras, e eu julgo que nas tuas cordas,<br />
Choram todas as cordas do Passado!</p>
<p>Guardas a alma talvez d&#8217;um desgraçado,<br />
Um dia morto da Ilusão as bordas,<br />
Tanto que cantas, e ilusões acordas,<br />
Tanto que gemes, bandolim do Fado.</p>
<p>Quando alta noite, a lua é fria e calma,<br />
Teu canto vindo de profundas fráguas,<br />
É como as nênias do Coveiro d&#8217;alma!</p>
<p>Tudo eterizas num coral de endechas&#8230;<br />
E vais aos poucos soluçando mágoas,<br />
E vais aos poucos soluçando queixas!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-bandolim/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Vaidosa - por  Cesário Verde</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/vaidosa/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/vaidosa/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 03 May 2009 22:40:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cesário Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1740</guid>
		<description><![CDATA[Dizem que tu és pura como um lírio
E mais fria e insensível que o granito,
E que eu que passo por aí por favorito
Vivo louco de dor e de martírio.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dizem que tu és pura como um lírio<br />
E mais fria e insensível que o granito,<br />
E que eu que passo por aí por favorito<br />
Vivo louco de dor e de martírio.</p>
<p>Contam que tens um modo altivo e sério,<br />
Que és muito desdenhosa e presumida,<br />
E que o maior prazer da tua vida,<br />
Seria acompanhar-me ao cemitério</p>
<p>Chamam-te a bela imperatriz das fátuas,<br />
A déspota, a fatal, o figurino,<br />
E afirmam que és um molde alabastrino,<br />
E não tens coração, como as estátuas.</p>
<p>E narram o cruel martirológio<br />
Dos que são teus, ó corpo sem defeito,<br />
E julgam que é monótono o teu peito<br />
Como o bater cadente dum relógio.</p>
<p>Porém eu sei que tu, que como um ópio<br />
Me matas, me desvairas e adormeces<br />
És tão loira e doirada como as messes<br />
E possuis muito amor&#8230;<br />
Muito amor-próprio!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/vaidosa/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Almanaque - por  Chico Buarque</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/almanaque/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/almanaque/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2009 04:34:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>

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		<description><![CDATA[Vê se tem no almanaque,
essa menina,
como é que termina um grande amor]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Ô menina vai ver nesse almanaque como é que isso tudo começou<br />
Diz quem é que marcava o tique-taque e a ampulheta do tempo disparou<br />
Se mamava de sabe lá que teta o primeiro bezerro que berrou<br />
Me responde, por favor<br />
Pra onde vai o meu amor<br />
Quando o amor acaba</p>
<p>Quem penava no sol a vida inteira, como é que a moleira não rachou<br />
Quem tapava esse sol com a peneira e quem foi que a peneira esfuracou<br />
Quem pintou a bandeira brasileira que tinha tanto lápis de cor<br />
Me responde por favor<br />
Pra onde vai o meu amor<br />
Quando o amor acaba</p>
<p>Diz quem foi que fez o primeiro teto que o projeto não desmoronou<br />
Quem foi esse pedreiro, esse arquiteto, e o valente primeiro morador<br />
Diz quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor<br />
Me responde por favor<br />
Pra onde vai o meu amor<br />
Quando o amor acaba</p>
<p>Quem é que sabe o signo do capeta, o ascendente de Deus Nosso Senhor<br />
Quem não fez a patente da espoleta explodir na gaveta do inventor<br />
Quem tava no volante do planeta que o meu continente capotou<br />
Me responde por favor<br />
Pra onde vai o meu amor<br />
Quando o amor acaba</p>
<p>Vê se tem no almanaque, essa menina, como é que termina um grande amor<br />
Se adianta tomar uma aspirina ou se bate na quina aquela dor<br />
Se é chover o ano inteiro chuva fina ou se é como cair o elevador<br />
Me responde por favor<br />
Pra que tudo começou<br />
Quando tudo acaba</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/almanaque/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Alguém Como Eu - por  Stenio Marcius</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/alguem-como-eu/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/alguem-como-eu/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 22:10:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Stenio Marcius]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1736</guid>
		<description><![CDATA[Vai verter a vida
Do corpo Seu,
Pra levar a culpa
De alguém como eu!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entra, Mestre,<br />
Descansa um pouco:<br />
Estás cansado,<br />
Estás sedento<br />
E rouco…</p>
<p>Dorme, Mestre,<br />
A casa é Tua:<br />
Já fechei porta<br />
E janela<br />
Pra rua…</p>
<p>Deixou-me falando só;<br />
Dormiu tão pesado,<br />
Fazia dó…<br />
Como será, Mestre,<br />
Este sonho Teu?<br />
Sonhas como homem,<br />
Sonhas como Deus?<br />
Sonhas com a glória<br />
Que tinhas com o Pai, na luz?</p>
<p>Ou sonhas com a cruz?</p>
<p>Perdoa, Mestre,<br />
Mas já é hora:<br />
Uma multidão<br />
Te espera,<br />
Lá fora…</p>
<p>Estás decidido,<br />
Não Te detenho:<br />
Vais curando<br />
Até chegar<br />
Ao lenho…</p>
<p>Partiu, fica a paz em mim:<br />
Fica a sala<br />
Com cheiro de jasmim…<br />
Vai verter a vida<br />
Do corpo Seu,<br />
Pra levar a culpa<br />
De alguém como eu;<br />
Pra lavar o sujo<br />
Do meu próprio eu:<br />
Levar-me puro<br />
A Deus.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Envelhecer - por  Humberto de Campos</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/envelhecer-2/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/envelhecer-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 12 Apr 2009 03:14:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Humberto de Campos]]></category>

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		<description><![CDATA[Alongo os olhos, atirando um beijo
à forma vaga do teu corpo... E nada!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na manhã da existência, ouvindo o peito,<br />
que previa teu vulto no caminho,<br />
dentro em minha alma levantei teu ninho,<br />
e, nesse ninho, preparei teu leito.</p>
<p>Desceu a tarde, e ainda me viu sozinho.<br />
Murcham as flores, que, de leve, ajeito;<br />
de novas rosas tua colcha enfeito,<br />
e o travesseiro, novamente, alinho.</p>
<p>Cai, tristonho, o crepúsculo, na estrada.<br />
Alongo os olhos, atirando um beijo<br />
à forma vaga do teu corpo&#8230; E nada!</p>
<p>Recomponho as palavras que não disse.<br />
E, apagando a candeia do Desejo,<br />
adormeço na noite da Velhice.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Mar Português - por  Fernando Pessoa</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mar-portugues/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Apr 2009 04:12:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>

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		<description><![CDATA[Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ó mar salgado, quanto do teu sal<br />
São lágrimas de Portugal!<br />
Por te cruzarmos,quantas mães choraram,<br />
Quantos filhos em vão rezaram!<br />
Quantas noivas ficaram por casar<br />
Para que fosses nosso, ó mar!</p>
<p>Valeu a pena? Tudo vale a pena<br />
Se a alma não é pequena.<br />
Quem quer passar além do Bojador.<br />
Tem que passar além da dor.<br />
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,<br />
Mas nele é que espelhou o céu.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Comunicação - por  Cecília Meireles</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/comunicacao/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Apr 2009 13:37:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1731</guid>
		<description><![CDATA[Ó breve deusa de silêncio
que na face da noite corres
como a dor pelo pensamento]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pequena lagartixa branca,<br />
ó noiva brusca dos ladrilhos!<br />
sobe à minha mesa, descansa,<br />
debruça-te em meus calmos livros.</p>
<p>Ouve comigo a voz dos poetas<br />
que agora não dizem mais nada,<br />
– e diziam coisas tão belas! –<br />
ó ídolo de cinza e prata!</p>
<p>Ó breve deusa de silêncio<br />
que na face da noite corres<br />
como a dor pelo pensamento,<br />
– e sozinha miras e foges.</p>
<p>Pequena lagartixa – vinda<br />
para quê? – pousa em mim teus olhos.<br />
Quero contemplar tua vida,<br />
a repetição dos teus mortos.</p>
<p>Como os poetas que já cantaram,<br />
e que já ninguém mais escuta,<br />
eu sou também a sombra vaga<br />
de alguma interminável música.</p>
<p>Pára em meu coração deserto!<br />
Deixa que te ame, ó alheia, ó esquiva&#8230;<br />
Sobre a torrente do universo,<br />
nas pontes frágeis da poesia.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ideal - por  Antero de Quental</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/ideal/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/ideal/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2009 05:09:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Antero de Quental]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1721</guid>
		<description><![CDATA[A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que se dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aquela, que eu adoro, não é feita<br />
De lírios nem de rosas purpurinas,<br />
Não tem as formas lânguidas, divinas<br />
Da antiga Vênus de cintura estreita&#8230;</p>
<p>Não é a Circe, cuja mão suspeita<br />
Compõe filtros mortas entre ruínas,<br />
Nem a Amazona, que se agarra às crinas<br />
Dum corcel e combate satisfeita&#8230;</p>
<p>A mim mesmo pergunto, e não atino<br />
Com o nome que se dê a essa visão,<br />
Que ora amostra ora esconde o meu destino&#8230;</p>
<p>E como uma miragem que entrevejo,<br />
Ideal, que nasceu na solidão,<br />
Nuvem, sonho impalpável do Desejo&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/ideal/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>A Namorada - por  Manoel de Barros</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-namorada/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-namorada/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:34:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Manoel de Barros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1719</guid>
		<description><![CDATA[Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Havia um muro alto entre nossas casas.<br />
Difícil de mandar recado para ela.<br />
Não havia e-mail.<br />
O pai era uma onça.<br />
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por<br />
um cordão<br />
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.<br />
Se a namorada respondesse pela mesma pedra<br />
Era uma glória!<br />
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira<br />
E então era agonia.<br />
No tempo do onça era assim.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ísis - por  Cecília Meireles</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/isis/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/isis/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 03:13:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1717</guid>
		<description><![CDATA[Eu não sei que voz seja essa
Nos meus ouvidos magoados:
Mas guardo a angústia e a certeza
De ter os dias contados...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E diz-me a desconhecida:<br />
&#8220;Mais depressa! Mais depressa!<br />
Que eu vou te levar a vida!&#8230;</p>
<p>Finaliza! Recomeça!<br />
Transpõe glórias e pecados!&#8230;&#8221;<br />
Eu não sei que voz seja essa</p>
<p>Nos meus ouvidos magoados:<br />
Mas guardo a angústia e a certeza<br />
De ter os dias contados&#8230;</p>
<p>Rolo, assim, na correnteza<br />
Da sorte que se acelera,<br />
Entre margens de tristeza,</p>
<p>Sem palácios de quimera,<br />
Sem paisagens de ventura,<br />
Sem nada de primavera&#8230;</p>
<p>Lá vou, pela noite escura,<br />
Pela noite de segredo,<br />
Como um rio de loucura&#8230; </p>
<p>Tudo em volta sente medo&#8230;<br />
E eu passo desiludida,<br />
Porque sei que morro cedo&#8230;</p>
<p>Lá me vou, sem despedida&#8230;<br />
Às vezes, quem vai, regressa&#8230;<br />
E diz-me a Desconhecida:</p>
<p>&#8220;Mais depressa! Mais depressa!&#8230;&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Meu Ser Evaporei na Lida Insana - por  Bocage</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/meu-ser-evaporei-na-lida-insana/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/meu-ser-evaporei-na-lida-insana/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 09:10:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Bocage]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1715</guid>
		<description><![CDATA[Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu ser evaporei na lida insana<br />
Do tropel de paixões, que me arrastava.<br />
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava<br />
Em mim quase imortal a essência humana.</p>
<p>De que inúmeros sóis a mente ufana<br />
Existência falaz me não dourava!<br />
Mas eis sucumbe a Natureza escrava<br />
Ao mal, que a vida em sua origem dana.</p>
<p>Prazeres, sócios meus e meus tiranos!<br />
Esta alma, que sedenta em si não coube,<br />
No abismo vos sumiu dos desenganos.</p>
<p>Deus, oh Deus!&#8230; Quando a morte a luz me roube,<br />
Ganhe num momento o que perderam anos,<br />
Saiba morrer o que viver não soube.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/meu-ser-evaporei-na-lida-insana/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Argumento de Defesa - por  Bastos Tigre</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/argumento-de-defesa/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/argumento-de-defesa/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2009 05:09:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Bastos Tigre]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1713</guid>
		<description><![CDATA[Maldito seja o cérebro que gera
Infâmias tais que em cólera maldigo!
Se eu disse tal, que tenha por castigo
O beijo de uma sogra ou de uma fera!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Disse alguém, por maldade ou por intriga,<br />
Que eu de Vossa Excelência mal dissera:<br />
Que tinha amantes, que era &#8220;fácil&#8221;, que era<br />
Da virtude doméstica, inimiga.</p>
<p>Maldito seja o cérebro que gera<br />
Infâmias tais que em cólera maldigo!<br />
Se eu disse tal, que tenha por castigo<br />
O beijo de uma sogra ou de uma fera!</p>
<p>Senhora! pondo a mão sobre a consciência,<br />
Minha palavra, impávida, protesta<br />
Contra essa intriga da maledicência!</p>
<p>Indague a amigos meus; qualquer atesta<br />
Que eu acho e sempre achei Vossa Excelência<br />
Feia de mais para não ser honesta&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/argumento-de-defesa/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Um Homem com uma Dor - por  Paulo Leminski</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/um-homem-com-uma-dor/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/um-homem-com-uma-dor/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2009 03:08:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Leminski]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1711</guid>
		<description><![CDATA[caminha assim de lado
como se chegando atrasado
andasse mais adiante]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>um homem com uma dor<br />
é muito mais elegante<br />
caminha assim de lado<br />
como se chegando atrasado<br />
andasse mais adiante</p>
<p>carrega o peso da dor<br />
como se portasse medalhas<br />
uma coroa um milhão de dólares<br />
ou coisa que os valha</p>
<p>ópios édens analgésicos<br />
não me toquem nessa dor<br />
ela é tudo que me sobra<br />
sofrer, vai ser minha última obra</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/um-homem-com-uma-dor/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Nariz, Nariz e Nariz - por  Bocage</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/nariz-nariz-e-nariz/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/nariz-nariz-e-nariz/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 05:05:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Bocage]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1709</guid>
		<description><![CDATA[Nariz, que nunca se acaba;
Nariz, que se ele desaba,
Fará o mundo infeliz!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nariz, nariz, e nariz,<br />
Nariz, que nunca se acaba;<br />
Nariz, que se ele desaba,<br />
Fará o mundo infeliz;<br />
Nariz, que Newton não quis<br />
Descrever-lhe a diagonal;<br />
Nariz de massa infernal,<br />
Que, se o cálculo não erra,<br />
Posto entre o Sol e a Terra,<br />
Faria eclipse total!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/nariz-nariz-e-nariz/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Mosquito Escreve - por  Cecília Meireles</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-mosquito-escreve/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-mosquito-escreve/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2009 07:03:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1706</guid>
		<description><![CDATA[Oh!
já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever o seu nome.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O mosquito pernilongo<br />
trança as pernas, faz um <b>M,</b><br />
depois, treme, treme, treme,<br />
faz um <b>O</b> bastante oblongo,<br />
faz um <b>S.</b></p>
<p>O mosquito sobe e desce.<br />
Com artes que ninguém vê,<br />
faz um <b>Q,</b><br />
faz um <b>U</b> e faz um <b>I.</b></p>
<p>Esse mosquito<br />
esquisito<br />
cruza as patas, faz um <b>T.</b></p>
<p>E aí, se arredonda e faz outro <b>O,</b><br />
mais bonito.</p>
<p>Oh!<br />
já não é analfabeto,<br />
esse inseto,<br />
pois sabe escrever o seu nome.</p>
<p>Mas depois vai procurar<br />
alguém que possa picar,<br />
pois escrever cansa,<br />
não é, criança?</p>
<p>E ele está com muita fome.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-mosquito-escreve/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Choro Bandido - por  Chico Buarque</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/choro-bandido/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/choro-bandido/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 22 Feb 2009 04:01:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1704</guid>
		<description><![CDATA[Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mesmo que os cantores sejam falsos como eu<br />
Serão bonitas, não importa<br />
São bonitas as canções<br />
Mesmo miseráveis os poetas<br />
Os seus versos serão bons<br />
Mesmo porque as notas eram surdas<br />
Quando um deus sonso e ladrão<br />
Fez das tripas a primeira lira<br />
Que animou todos os sons<br />
E daí nasceram as baladas<br />
E os arroubos de bandidos como eu<br />
Cantando assim:<br />
Você nasceu para mim<br />
Você nasceu para mim<br />
Mesmo que você feche os ouvidos<br />
E as janelas do vestido<br />
Minha musa vai cair em tentação<br />
Mesmo porque estou falando grego<br />
Com sua imaginação<br />
Mesmo que você fuja de mim<br />
Por labirintos e alçapões<br />
Saiba que os poetas como os cegos<br />
Podem ver na escuridão<br />
E eis que, menos sábios do que antes<br />
Os seus lábios ofegantes<br />
Hão de se entregar assim:<br />
Me leve até o fim<br />
Me leve até o fim</p>
<p>Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso<br />
São bonitas, não importa<br />
São bonitas as canções<br />
Mesmo sendo errados os amantes<br />
Seus amores serão bons</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/choro-bandido/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Peixe - por  Patativa do Assaré</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-peixe/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-peixe/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 13:59:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Patativa do Assaré]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1702</guid>
		<description><![CDATA[A isca avista, ferra-a inconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tendo por berço o lago cristalino,<br />
Folga o peixe, a nadar todo inocente,<br />
Medo ou receio do porvir não sente,<br />
Pois vive incauto do fatal destino. </p>
<p>Se na ponta de um fio longo e fino<br />
A isca avista, ferra-a inconsciente,<br />
Ficando o pobre peixe de repente,<br />
Preso ao anzol do pescador ladino. </p>
<p>O camponês, também, do nosso Estado,<br />
Ante a campanha eleitoral, coitado!<br />
Daquele peixe tem a mesma sorte. </p>
<p>Antes do pleito, festa, riso e gosto,<br />
Depois do pleito, imposto e mais imposto.<br />
Pobre matuto do sertão do Norte!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-peixe/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Eu - por  Paulo Leminski</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/eu-paulo-leminski/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/eu-paulo-leminski/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 15 Feb 2009 13:57:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Leminski]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1699</guid>
		<description><![CDATA[quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>eu<br />
quando olho nos olhos<br />
sei quando uma pessoa<br />
está por dentro<br />
ou está por fora </p>
<p>quem está por fora<br />
não segura<br />
um olhar que demora </p>
<p>de dentro de meu centro<br />
este poema me olha</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Sobre Estas Duras, Cavernosas Fragas - por  Bocage</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/sobre-estas-duras-cavernosas-fragas/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2009 13:56:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Bocage]]></category>

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		<description><![CDATA[Solto gemidos, lágrimas derramo.
Razão, de que me serve o teu socorro?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre estas duras, cavernosas fragas,<br />
Que o marinho furor vai carcomendo,<br />
Me estão negras paixões n&#8217;alma fervendo<br />
Como fervem no pego as crespas vagas.</p>
<p>Razão feroz, o coração me indagas,<br />
De meus erros e sombra esclarecendo,<br />
E vás nele (ai de mim!) palpando, e vendo<br />
De agudas ânsias venenosas chagas.</p>
<p>Cego a meus males, surdo a teu reclamo,<br />
Mil objetos de horror co&#8217;a idéia eu corro,<br />
Solto gemidos, lágrimas derramo.</p>
<p>Razão, de que me serve o teu socorro?<br />
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;<br />
Dizes-me que sossegue: eu peno, eu morro.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Herança - por  Cecília Meireles</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Feb 2009 13:53:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando é que frutifica,
nos caminhos infinitos, 
essa vida...?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu vim de infinitos caminhos,<br />
e os meus sonhos choveram lúcido pranto<br />
pelo chão.</p>
<p>Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos,<br />
essa vida, que era tão viva, tão fecunda,<br />
porque vinha de um coração?</p>
<p>E os que vierem depois, pelos caminhos infinitos,<br />
do pranto que caiu dos meus olhos passados,<br />
que experiência, ou consolo, ou prêmio alcançarão?</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Bem no Fundo - por  Paulo Leminski</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Feb 2009 05:43:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Leminski]]></category>

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		<description><![CDATA[Problemas não se resolvem:
Problemas têm família grande...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No fundo, no fundo,<br />
bem lá no fundo,<br />
a gente gostaria<br />
de ver nossos problemas<br />
resolvidos por decreto </p>
<p>a partir desta data,<br />
aquela mágoa sem remédio<br />
é considerada nula<br />
e sobre ela — silêncio perpétuo </p>
<p>extinto por lei todo o remorso,<br />
maldito seja que olhas pra trás,<br />
lá pra trás não há nada,<br />
e nada mais </p>
<p>mas problemas não se resolvem,<br />
problemas têm família grande,<br />
e aos domingos saem todos a passear<br />
o problema, sua senhora<br />
e outros pequenos probleminhas.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Descobrimento - por  Mário de Andrade</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Feb 2009 06:49:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Mário de Andrade]]></category>

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		<description><![CDATA[Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abancado à escrivaninha em São Paulo<br />
Na minha casa da rua Lopes Chaves<br />
De supetão senti um friúme por dentro.<br />
Fiquei trêmulo, muito comovido<br />
Com o livro palerma olhando pra mim.</p>
<p>Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus!<br />
muito longe de mim<br />
Na escuridão ativa da noite que caiu<br />
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,<br />
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,<br />
Faz pouco se deitou, está dormindo.</p>
<p>Esse homem é brasileiro que nem eu.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Gente Humilde - por  Chico Buarque</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 07:47:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tem certos dias em que eu penso em minha gente<br />
E sinto assim todo o meu peito se apertar<br />
Porque parece que acontece de repente<br />
Como um desejo de eu viver sem me notar<br />
Igual a como quando eu passo num subúrbio<br />
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar<br />
E aí me dá como uma inveja dessa gente<br />
Que vai em frente sem nem ter com quem contar<br />
São casas simples com cadeiras na calçada<br />
E na fachada escrito em cima que é um lar<br />
Pela varanda flores tristes e baldias<br />
Como a alegria que não tem onde encostar<br />
E aí me dá uma tristeza no meu peito<br />
Feito um despeito de eu não ter como lutar<br />
E eu que não creio, peço a Deus por minha gente<br />
É gente humilde, que vontade de chorar</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Quando Eu Morrer Quero Ficar - por  Mário de Andrade</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/quando-eu-morrer-quero-ficar/</link>
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		<pubDate>Sun, 25 Jan 2009 04:45:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Mário de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1686</guid>
		<description><![CDATA[Quando eu morrer quero ficar, 
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu morrer quero ficar,<br />
Não contem aos meus inimigos,<br />
Sepultado em minha cidade,<br />
Saudade. </p>
<p>Meus pés enterrem na rua Aurora,<br />
No Paissandu deixem meu sexo,<br />
Na Lopes Chaves a cabeça<br />
Esqueçam. </p>
<p>No Pátio do Colégio afundem<br />
O meu coração paulistano:<br />
Um coração vivo e um defunto<br />
Bem juntos.</p>
<p>Escondam no Correio o ouvido<br />
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,<br />
Quero saber da vida alheia,<br />
Sereia.</p>
<p>O nariz guardem nos rosais,<br />
A língua no alto do Ipiranga<br />
Para cantar a liberdade.<br />
Saudade&#8230;</p>
<p>Os olhos lá no Jaraguá<br />
Assistirão ao que há de vir,<br />
O joelho na Universidade,<br />
Saudade&#8230;</p>
<p>As mãos atirem por aí,<br />
Que desvivam como viveram,<br />
As tripas atirem pro Diabo,<br />
Que o espírito será de Deus.<br />
Adeus.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Pronominais - por  Oswald de Andrade</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/pronominais/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/pronominais/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2009 03:52:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Oswald de Andrade]]></category>

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		<description><![CDATA[Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dê-me um cigarro<br />
Diz a gramática<br />
Do professor e do aluno<br />
E do mulato sabido<br />
Mas o bom negro e o bom branco<br />
Da Nação Brasileira<br />
Dizem todos os dias<br />
Deixa disso camarada<br />
Me dá um cigarro</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O Burro - por  Patativa do Assaré</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-burro/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Jan 2009 13:06:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Patativa do Assaré]]></category>

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		<description><![CDATA[Ninguém nota em seu marchar volante, 
A estupidez que este animal encerra.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vai ele a trote, pelo chão da serra,<br />
Com a vista espantada e penetrante,<br />
E ninguém nota em seu marchar volante,<br />
A estupidez que este animal encerra. </p>
<p>Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,<br />
Sem dar uma passada para diante,<br />
Outras vezes, pinota, revoltante,<br />
E sacode o seu dono sobre a terra. </p>
<p>Mas contudo! Este bruto sem noção,<br />
Que é capaz de fazer uma traição,<br />
A quem quer que lhe venha na defesa, </p>
<p>É mais manso e tem mais inteligência<br />
Do que o sábio que trata de ciência<br />
E não crê no Senhor da Natureza.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O Relógio - por  Vinícius de Moraes</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-relogio-vinicius-de-moraes/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Jan 2009 12:23:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius de Moraes]]></category>

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		<description><![CDATA[Bem depressa
Não atrasa
Não demora]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Passa, tempo, tic-tac<br />
Tic-tac, passa, hora<br />
Chega logo, tic-tac<br />
Tic-tac, e vai-te embora<br />
Passa, tempo<br />
Bem depressa<br />
Não atrasa<br />
Não demora<br />
Que já estou<br />
Muito cansado<br />
Já perdi<br />
Toda a alegria<br />
De fazer<br />
Meu tic-tac<br />
Dia e noite<br />
Noite e dia<br />
Tic-tac<br />
Tic-tac<br />
Tic-tac&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Coração - por  Castro Alves</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/coracao/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/coracao/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 Jan 2009 01:24:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Castro Alves]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1657</guid>
		<description><![CDATA[O coração é o colibri dourado]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O coração é o colibri dourado<br />
Das veigas puras do jardim do céu.<br />
Um &#8211; tem o mel da granadilha agreste,<br />
Bebe os perfumes, que a bonina deu.</p>
<p>O outro &#8211; voa em mais virentes balças,<br />
Pousa de um riso na rubente flor.<br />
Vive do mel &#8211; a que se chama &#8220;crenças&#8221;,<br />
Vive do aroma &#8211; que se diz &#8220;amor&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Livros e Flores - por  Machado de Assis</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/livros-e-flores/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/livros-e-flores/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 03 Jan 2009 23:57:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Machado de Assis]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1675</guid>
		<description><![CDATA[Teus olhos são meus livros.
Flores me são teus lábios.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Teus olhos são meus livros.<br />
Que livro há aí melhor,<br />
Em que melhor se leia<br />
A página do amor?</p>
<p>Flores me são teus lábios.<br />
Onde há mais bela flor,<br />
Em que melhor se beba<br />
O bálsamo do amor?</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Amor e Crença - por  Augusto dos Anjos</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/amor-e-crenca/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/amor-e-crenca/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 01 Jan 2009 05:47:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto dos Anjos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1669</guid>
		<description><![CDATA[Estende o teu olhar à Natureza,
Fita a cúp'la do Céu santa e infinita!
Deus é o templo do Bem...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><small><i>E sê bendita!<br />
H. Sienkiewicz</i></small></p>
<p>Sabes que é Deus?! Esse infinito e santo<br />
Ser que preside e rege os outros seres,<br />
Que os encantos e a força dos poderes<br />
Reúne tudo em si, num só encanto?</p>
<p>Esse mistério eterno e sacrossanto,<br />
Essa sublime adoração do crente,<br />
Esse manto de amor doce e clemente<br />
Que lava as dores e que enxuga o pranto?!</p>
<p>Ah! Se queres saber a sua grandeza,<br />
Estende o teu olhar à Natureza,<br />
Fita a cúp&#8217;la do Céu santa e infinita!</p>
<p>Deus é o templo do Bem. Na altura Imensa,<br />
O amor é a hóstia que bendiz a Crença,<br />
ama, pois, crê em Deus, e&#8230; sê bendita!</p>
]]></content:encoded>
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		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Último Soneto - por  Álvares de Azevedo</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/ultimo-soneto/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/ultimo-soneto/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 2008 07:46:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Álvares de Azevedo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1666</guid>
		<description><![CDATA[Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já da noite o palor me cobre o rosto,<br />
Nos lábios meus o alento desfalece,<br />
Surda agonia o coração fenece,<br />
E devora meu ser mortal desgosto!</p>
<p>Do leito, embalde num macio encosto,<br />
Tento o sono reter!&#8230; Já esmorece<br />
O corpo exausto que o repouso esquece&#8230;<br />
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!</p>
<p>O adeus, o teu adeus, minha saudade,<br />
Fazem que insano do viver me prive<br />
E tenha os olhos meus na escuridade.</p>
<p>Dá-me a esperança com que o ser mantive!<br />
Volve ao amante os olhos, por piedade,<br />
Olhos por quem viveu quem já não vive!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/ultimo-soneto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Perdoa-me, visão dos meus amores - por  Álvares de Azevedo</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/perdoa-me-visao-dos-meus-amores/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/perdoa-me-visao-dos-meus-amores/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 28 Dec 2008 00:42:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Álvares de Azevedo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1663</guid>
		<description><![CDATA[Meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...
Morro, morro por ti!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Perdoa-me, visão dos meus amores,<br />
Se a ti ergui meus olhos suspirando!&#8230;<br />
Se eu pensava num beijo desmaiando<br />
Gozar contigo uma estação de flôres!</p>
<p>De minhas faces os mortais palores,<br />
Minha febre noturna delirando,<br />
Meus ais, meus tristes ais vão revelando<br />
Que peno e morro de amorosas dores&#8230;</p>
<p>Morro, morro por ti! na minha aurora<br />
A dor do coração, a dor mais forte,<br />
A dor de um desengano me devora&#8230;</p>
<p>Sem que última esperança me conforte,<br />
Eu &#8211; que outrora vivia! &#8211; eu sinto agora<br />
Morte no coração, nos olhos morte!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/perdoa-me-visao-dos-meus-amores/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Soneto de Natal - por  Machado de Assis</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/soneto-de-natal/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/soneto-de-natal/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Dec 2008 04:55:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Machado de Assis]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1672</guid>
		<description><![CDATA[Era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno,
Ao relembrar os dias de pequeno...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um homem, &#8211; era aquela noite amiga,<br />
Noite cristã, berço do Nazareno, -<br />
Ao relembrar os dias de pequeno,<br />
E a viva dança, e a lépida cantiga,</p>
<p>Quis transportar ao verso doce e ameno<br />
As sensações da sua idade antiga,<br />
Naquela mesma velha noite amiga,<br />
Noite cristã, berço do Nazareno.</p>
<p>Escolheu o soneto&#8230; A folha branca<br />
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,<br />
A pena não acode ao gesto seu.</p>
<p>E, em vão lutando contra o metro adverso,<br />
Só lhe saiu este pequeno verso:<br />
&#8220;Mudaria o Natal ou mudei eu?&#8221;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/soneto-de-natal/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Natal - por  Vinícius de Moraes</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/natal/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Dec 2008 10:30:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius de Moraes]]></category>

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		<description><![CDATA[Bale o cordeiro também:
- Em Belém! Mé! Em Belém!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De repente o sol raiou<br />
E o galo cocoricou:<br />
- Cristo nasceu!</p>
<p>O boi, no campo perdido<br />
Soltou um longo mugido:<br />
- Aonde? Aonde?</p>
<p>Com seu balido tremido<br />
Ligeiro diz o cordeiro:<br />
- Em Belém! Em Belém!</p>
<p>Eis senão quando, num zurro<br />
Se ouve a risada do burro:<br />
- Foi sim que eu estava lá!</p>
<p>E o papagaio que é gira<br />
Pôs-se a falar: &#8211; É mentira!</p>
<p>Os bichos de pena, em bando<br />
Reclamaram protestando.</p>
<p>O pombal todo arrulhava:<br />
- Cruz credo! Cruz credo!</p>
<p>Brava<br />
A arara a gritar começa:<br />
- Mentira! Arara. Ora essa!</p>
<p>- Cristo nasceu! canta o galo.<br />
- Aonde? pergunta o boi.<br />
- Num estábulo! &#8211; o cavalo<br />
Contente rincha onde foi.</p>
<p>Bale o cordeiro também:<br />
- Em Belém! Mé! Em Belém!</p>
<p>E os bichos todos pegaram<br />
O papagaio caturra<br />
E de raiva lhe aplicaram<br />
Uma grandíssima surra.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>É estranho - por  Henriqueta Lisboa</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Dec 2008 02:55:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Henriqueta Lisboa]]></category>

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		<description><![CDATA[É estranho que, depois de morto,
rompidos os esteios da alma
e descaminhado o corpo,
homem, tenhas reino mais alto.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É estranho que, após o pranto<br />
vertido em rios sobre os mares,<br />
venha pousar-te no ombro<br />
o pássaro das ilhas, ó náufrago.</p>
<p>É estranho que, depois das trevas<br />
semeadas por sobre as valas,<br />
teus sentidos se adelgacem<br />
diante das clareiras, ó cego.</p>
<p>É estranho que, depois de morto,<br />
rompidos os esteios da alma<br />
e descaminhado o corpo,<br />
homem, tenhas reino mais alto.</p>
<p> </p>
<p style="110%;"><a href="http://www.secrel.com.br/JPOESIA/hlisbo00.html#inicio"></a></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Desalento - por  Vinícius de Moraes</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Dec 2008 00:17:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius de Moraes]]></category>

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		<description><![CDATA[Seja lá como for
Por amor
Por favor
É pra ela voltar]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sim, vai e diz<br />
Diz assim<br />
Que eu chorei<br />
Que eu morri<br />
De arrependimento<br />
Que o meu desalento<br />
Já não tem mais fim<br />
Vai e diz<br />
Diz assim<br />
Como sou<br />
Infeliz<br />
No meu descaminho<br />
Diz que estou sozinho<br />
E sem saber de mim</p>
<p>Diz que eu estive por pouco<br />
Diz a ela que estou louco<br />
Pra perdoar<br />
Que seja lá como for<br />
Por amor<br />
Por favor<br />
É pra ela voltar</p>
<p>Sim, vai e diz<br />
Diz assim<br />
Que eu rodei<br />
Que eu bebi<br />
Que eu caí<br />
Que eu não sei<br />
Que eu só sei<br />
Que cansei, enfim<br />
Dos meus desencontros<br />
Corre e diz a ela<br />
Que eu entrego os pontos</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Choro de Vagas - por  Alberto de Oliveira</title>
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		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/choro-de-vagas/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 02:55:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Alberto de Oliveira]]></category>

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		<description><![CDATA[São de náufragos mil estes acentos,
Estes gemidos, este aiar insano...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é de águas apenas e de ventos,<br />
No rude som, formada a voz do Oceano.<br />
Em seu clamor &#8211; ouço um clamor humano;<br />
Em seu lamento &#8211; todos os lamentos.</p>
<p>São de náufragos mil estes acentos,<br />
Estes gemidos, este aiar insano;<br />
Agarrados a um mastro, ou tábua, ou pano,<br />
Vejo-os varridos de tufões violentos;</p>
<p>Vejo-os na escuridão da noite, aflitos,<br />
Bracejando, ou já mortos e debruços,<br />
Largados das marés, em ermas plagas&#8230;</p>
<p>Ah! que são deles estes surdos gritos,<br />
Este rumor de preces e soluços<br />
E o choro de saudades destas vagas!</p>
<p> </p>
<p>Fonte: Poesia Parnasiana, Antologia. Ed Melhoramentos</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Ingratidão - por  Raul de Leoni</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 02:12:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Raul de Leoni]]></category>

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		<description><![CDATA[Aos poucos, suavemente,
Pendeu os ramos sobre um muro em frente
E foi frutificar na vizinhança...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nunca mais me esqueci!&#8230; Eu era criança<br />
E em meu velho quintal, ao sol-nascente,<br />
Plantei, com a minha mão ingênua e mansa,<br />
Uma linda amendoeira adolescente.</p>
<p>Era a mais rútila e íntima esperança&#8230;<br />
Cresceu&#8230; cresceu&#8230; e aos poucos, suavemente,<br />
Pendeu os ramos sobre um muro em frente<br />
E foi frutificar na vizinhança&#8230;</p>
<p>Daí por diante, pela vida inteira,<br />
Todas as grandes árvores que em minhas<br />
Terras, num sonho esplêndido semeio,</p>
<p>Como aquela magnífica amendoeira,<br />
E florescem nas chácaras vizinhas<br />
E vão dar frutos no pomar alheio&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Na ponta do morro - por  Cecília Meireles</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/na-ponta-do-morro/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/na-ponta-do-morro/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 02:57:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

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		<description><![CDATA[Seus gestos são os mesmos
gestos de outras datas,
dentro de outras raças,
longe, noutros templos.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na ponta do morro,<br />
mulheres descalças<br />
põem flores nas jarras<br />
da capela de ouro.</p>
<p>As jarras são feias,<br />
têm asas quebradas.<br />
Também as toalhas<br />
se esgarçam nas rendas.</p>
<p>As mulheres passam,<br />
com gestos antigos,<br />
entre crucifixos<br />
e auréolas de prata.</p>
<p>Seus gestos são os mesmos<br />
gestos de outras datas,<br />
dentro de outras raças,<br />
longe, noutros templos.</p>
<p>Mas não sabem disso,<br />
e mudam, nas jarras,<br />
as flores e a água<br />
com o jeito submisso</p>
<p>de quem se contenta<br />
em ser sombra vaga<br />
da Vida Sonhada<br />
por toda a existência.</p>
<p>(in Cecília Meireles, Poesia Completa, Canções)</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A Cruz da Estrada - por  Castro Alves</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-cruz-da-estrada/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-cruz-da-estrada/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Dec 2008 10:12:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Castro Alves]]></category>

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		<description><![CDATA[Seguindo pelo rumo do sertão,
Quando vires a cruz abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solidão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caminheiro que passas pela estrada,<br />
Seguindo pelo rumo do sertão,<br />
Quando vires a cruz abandonada,<br />
Deixa-a em paz dormir na solidão.</p>
<p>Que vale o ramo do alecrim cheiroso<br />
Que lhe atiras nos braços ao passar?<br />
Vais espantar o bando buliçoso<br />
Das borboletas, que lá vão pousar.</p>
<p>É de um escravo humilde sepultura,<br />
Foi-lhe a vida o velar de insônia atroz.<br />
Deixa-o dormir no leito de verdura,<br />
Que o Senhor dentre as selvas lhe compôs.</p>
<p>Não precisa de ti. O gaturamo<br />
Geme, por ele, à tarde, no sertão.<br />
E a juriti, do taquaral no ramo,<br />
Povoa, soluçando, a solidão.</p>
<p>Dentre os braços da cruz, a parasita,<br />
Num abraço de flores, se prendeu.<br />
Chora orvalhos a grama, que palpita;<br />
Lhe acende o vaga-lume o facho seu.</p>
<p>Quando, à noite, o silêncio habita as matas,<br />
A sepultura fala a sós com Deus.<br />
Prende-se a voz na boca das cascatas,<br />
E as asas de ouro aos astros lá nos céus.</p>
<p>Caminheiro! do escravo desgraçado<br />
O sono agora mesmo começou!<br />
Não lhe toques no leito de noivado,<br />
Há pouco a liberdade o desposou.</p>
]]></content:encoded>
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