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isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-6850640653316621536</guid><description>&lt;div false’="" oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" onselectstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;
As teclas duras do piano soavam longamente na sala da velha com cheiro de canela. E eu odiava, odiava. Sua verruga no pescoço me angustiava, suas saias sempre encardidas me davam nojo. Tinha cara de quem não se lavava, mas se lavar pra quê? Não tinha homem, e nem dedos. A tendinite corroera qualquer habilidade manual. Seu prazer se constituía em me provocar dor com a palmatória no antebraço, quando me julgava não ter treinado o suficiente, mas era quando lhe dava na telha, mesmo, e eu não sei?&lt;br /&gt;
Ouvi dizer que era moça bonita, mas dadeira. Apanhava do pai até não querer mais, e resolveu sair de casa, oficializar o gosto, ia dar e ganhar dinheiro por isso. A vida fácil, que na verdade é árdua, fodeu com ela, no sentido que quiser pensar.&lt;br /&gt;
Causava-me repulsa.&lt;br /&gt;
Os móveis velhos e com cheiro de mofo irritavam as narinas de quem ainda tinha sentidos, o mau gosto para decoração queimava os olhos, e o maldito piano já me dava nos nervos há tempos. E minha mãe sabia, infelizmente. Era o meu castigo, de fato.&lt;br /&gt;
Certa vez me pegou de mãos dadas com rapaz galanteador - e como tal, com uma deliciosa expressão indecente - numa esquina à meia luz e danou-se tudo. Puxou-me o braço de modo a aparentemente querer guardá-lo em uma caixa no fundo do porão para depois do fim dos tempos, pois quase o quebrou. O mancebo, atônito, parado feito poste não deixava de ser sensual e eu ainda estalei um beijo no ar, e daí? Valeu mesmo com a dor do puxão de cabelo. Ele sorriu, e acenou. Isso importou na hora, mas não sabia se ainda compensava, porque é difícil pensar em beleza selvagem com um diabo de professora ao lado todos os dias.&lt;br /&gt;
Gentil e pacatamente, eu seguia as aulas. Não queria dar mais motivos para continuar lá. Até que adquiri o que é terrível, e cada um deveria se benzer para não ser amaldiçoado com essa peste.&lt;br /&gt;
Meu primeiro sintoma foi a falta de memória, não lembrava o que tinha ensaiado e isso me ocasionou hematomas bem delineados por toda a extensão do braço. Ainda tinha que ouvir impropérios da velha, a mal educada Jesus, que devia usar outro nome na casa vermelha, porque esse levaria os homens à igreja com suas culpas, com exceção dos muito obscenos - mas estes, aprendi, não frequentam ambientes de luxúria comprada.&lt;br /&gt;
Outro foi a distração exacerbada, que me proporcionava mais prazer do que pele arroxeada: mantinha-me absorta em pensamentos,&amp;nbsp; ora inocentes ou bobos, ora indizíveis neste relato, mas que de qualquer forma, fazia o caminho para casa parecer mais curto.&lt;br /&gt;
Considerava estar me tornando retardada, com esse prejuízo de minha cognição, tão estimada por mim, caros. Mas ia bem, até que ao ver de costas um suspeito de ser meu conhecido, garboso por sinal, com aquele cabelo que parecia ser o de fulano, meu cérebro me decepciona outra vez. Ausentou-se e resolveu fazer outra coisa em algum lugar de meu crânio, que não cuidar de meu equilíbrio corporal, pois tremi! E bambeei, ai de mim se não estivesse perto de uma parede. O calor e a cor de minhas mãos foram para o rosto, a boca secou e decerto a água viajou para os poros, pois suei. Estava sem controle!&lt;br /&gt;
Sim, estava apaixonada e não queria dizer assim, de cara, pois admitir é difícil. E a palavra &lt;i&gt;apaixonada&lt;/i&gt; me causa quase tantos arrepios quanto está-la, se é que me entendem.&lt;br /&gt;
Minha mãe deve ter se apaixonado tantas vezes que percebeu pelo jeito grosseiro que eu sorria o tempo todo que eu não abusava de entorpecentes, mas caíra no sentimento idiotizante e pestífero. E dobrou a cota das aulas de piano, a maldita!&lt;br /&gt;
Jesus sorriu com a dentadura amarelada ao ouvir o pedido de minha mãe, sádica que era deve ter molhado a calcinha, nojenta. As aulas ficaram piores, porque além de mais longas, adquiriram intensidade. As palmadas eram mais fortes. E minhas distrações constantes não melhoravam em nada a situação, infelizmente não conseguia distrair da dor repentina estalando na pele.&lt;br /&gt;
Ela sempre com aquele cheiro enjoativo de canela, achando que disfarçava o bafo. Alcoólatra e pensava que eu não percebia o uísque diluído no &lt;i&gt;chá&lt;/i&gt;. Ou seria a canela dissolvida no uísque? Não sei como conseguia tocar algo, mas era quase sempre impecável, tanto que era a melhor professora da cidade. E a pior também, sem dúvida.&lt;br /&gt;
Minha vontade era de queimá-la, queimar a casa, o piano. Imaginar que o álcool dentro do seu corpo a faria entrar em combustão só de chegar perto do fogo me alegrava sordidamente. Mas ainda assim seria um ato de bondade, para com os humanos, com ela mesma, e com Deus. Porque eu acredito em Deus, e acredito que Ele deve ter se arrependido de criar uma infame dessa estirpe, mas era bom demais para acabar com sua vida de vez. E Ele não mataria alguém chamado Jesus.&lt;br /&gt;
Acreditava também que para reequilibrar tamanho desatino no mundo, deveria existir uma criatura da mesma ordem, inversamente proporcional, que chamasse minha atenção tanto quanto a outra, porém de maneira encantadora. Não demorou muito para que eu a conhecesse. Ainda bem, pensei, mas agora paro pra refletir que do lado de qualquer uma delas estaria sempre descompensada, a menos que se fundissem em um ser único ou se anulassem.&lt;br /&gt;
Chamava-se Lúcio, os cabelos claros luminosos faziam jus ao nome. Sedutor como Samael, era uma força da natureza em forma humana. Infelizmente não era o garoto pelo qual eu estava de castigo - tendo aulas há mais de cinco meses -, porque eu teria muito gosto de lhe mandar um beijo pelos ares, ah, teria! E por outros lugares, também, haha, vocês não?&lt;br /&gt;
Com certeza teriam! porque ele era lindo. Conheci-o na livraria, ele me atendeu e só por isso sei seu nome. Do primeiro encontro pra cá percebi crescimento súbito no meu interesse por literatura. Obviamente minha mãe também, e então houve diminuição súbita dos trocados destinados&amp;nbsp;a mim. E como já disse, intensificação das aulas de piano.&lt;br /&gt;
Apesar de tudo, eu conseguia dinheiro pra comprar umas roupas no chinesinho e ainda para ir à livraria comprar uns bons livros. Depois, infelizmente, descobri que deveria ter gasto apenas com as roupas, porque meus bons livros não impressionavam Lúcio, ele me achava até meio &lt;i&gt;blasé&lt;/i&gt; e sei que isso não seduz ninguém.&lt;br /&gt;
Seu negócio era a boa música, revistas em quadrinhos, alguns jogos. De começo pensei que era algum tipo de pândego metido a político, mas logo vi que não. Não vivia por nada nem morria por alguma coisa. Era comum e isso me agradava. Tomar partido de qualquer coisa cansa depois de um tempo. Percebi que poderia ter uma boa conversa com ele sem extremos, e isso me atraiu ainda mais.&lt;br /&gt;
Concomitantemente, a repulsa por Jesus aumentou. Eu, que não aguentava mais as aulas, comecei a ter dor nos pulsos, primeiro no direito e logo depois em ambos, o que só atrapalhou meu desempenho e aumentou o número de punições. Como isso é algo anormal em alguém com tão pouco tempo de treino, fui logo dada por mentirosa e por isso ainda, se é que era possível, o castigo cresceu.&lt;br /&gt;
Eu fazia planos e mais planos acerca de Lúcio e fugir de casa. Tudo sem ele desconfiar, claro, haha! Mas nosso relacionamento era perfeito. Nós nos respeitávamos, éramos sinceros, amigos, parceiros, amantes, leais, tudo que eu poderia desejar, e mais, porque a imaginação vai além das reprimendas. Pena que tudo isso é uma farsa vendida em novelas e romances e mais tarde eu ia descobrir por quê.&lt;br /&gt;
Depois de mais algum tempo, minha tendinite foi finalmente diagnosticada e eu pude ter um pouco de crédito. Eu teria paz. Quando&amp;nbsp;a velha&amp;nbsp;soube que eu não faria mais aulas, disse&amp;nbsp;à minha mãe&amp;nbsp;que seria uma pena, visto que eu era uma ótima aluna, agradeceu a preferência e sorriu um amarelo encardido nojento. Depois me olhou fixamente, com a cara fechada, e deu um gole no seu uísque-chá. Perdera a oportunidade de importunar alguém além de si mesma. E sem chance de retorno. Jesus morreu na semana seguinte.&lt;br /&gt;
Quando me contaram, fiquei na dúvida se sentia mais pena ou gratidão. Mas no enterro, seu rosto me trouxe à tona sentimento imediato de asco intenso, e a dúvida sumiu, sobrando apenas a gratidão. No meu julgamento, ela de fato não merecia viver. Talvez fosse o mesmo julgamento que o de Deus, já que ela não durou muito mais.&lt;br /&gt;
Meu empenho então se tornou exclusivamente tentar conquistar Lúcio de alguma maneira. Conversávamos já com certa frequencia, mas não a suficiente pra alguém que queria passar do nível de &lt;em&gt;conhecido&lt;/em&gt;. Isso me arrasava. Via-o saindo com outras garotas e me perguntava o que faltava&amp;nbsp;para chamar sua atenção. Modéstia à parte, minha beleza é suficiente para dois homens, por que não seria para ele? Com certeza não era isso.&lt;br /&gt;
Confesso que a demora dele em responder aos meus estímulos me decepcionou um pouco e o que eu sentia antes já não era mais igual. Não estava mais apaixonada. Apenas atraída. De qualquer forma, insistia, ainda que por capricho.&lt;br /&gt;
Um dia, depois de mais ou menos um mês da morte de Jesus, Lúcio me convidou para sair. "Vamos ao cinema?", perguntou. Curiosamente não fiquei surpresa, tampouco empolgada. Fomos. Ele, ao contrário do que eu imaginava, se mostrou um&amp;nbsp;homem&amp;nbsp;bem real e sua mão puxava a minha com frequência para suas coxas sem pudor ou atitude de respeito. Mas tentei compreender. Era o máximo que eu podia fazer:&amp;nbsp;meu pulso doía e eu não podia agradá-lo de forma conveniente, se é que me entendem.&lt;br /&gt;
Tentei me explicar, ele disse apenas "tudo bem", ficou frio e depois do filme se despediu. Fui para casa sozinha, pensando na velha. A maldita, até morrendo me atrapalha a vida. Pois a morte dela, inevitavelmente causa um desequilíbrio no universo: alguma coisa muito negativa desapareceu. E tem que haver uma compensação.&amp;nbsp;O que seria meu garoto, agora é nada. E eu sou nada para ele. Mas com certeza a&amp;nbsp;culpa é de Jesus, ou do chiclete de Lúcio, sabor canela.&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-6850640653316621536?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/sm3uF0U_2-k" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-07-17T06:44:01.534-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">5</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2011/07/tendinite.html</feedburner:origLink></item><item><title>O não-azul dos olhos do diabo</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/ngO4n9ZaW5A/o-nao-azul-dos-olhos-do-diabo.html</link><category>cor</category><category>azul</category><category>vermelho</category><category>conto</category><category>amor</category><category>rosa</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Tue, 15 Mar 2011 22:43:04 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-2725016551711319232</guid><description>&lt;div false’="" oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" onselectstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;Carla, no primeiro bimestre da 6ª série, começava a se perguntar sobre o que aprendia na escola. Porque não fazia tanto sentido como deveria fazer. E ela aprendera até ali que a lógica era um dos pontos chave das coisas cientificamente comprovadas que as professoras ensinavam, mas o esforço que ela fazia para pensar logicamente parecia não dar resultado.&lt;br /&gt;
Recentemente as cores tinham sido o tema das aulas de Ciências e ela entendeu que a luz ou cor branca é composta por todos os outros tons e que as cores das coisas eram na verdade refletidas por estas, e não absorvidas, como seria óbvio imaginar.&lt;br /&gt;
Carla gostava de rosas vermelhas, mas como uma rosa vermelha poderia ser tudo menos vermelha? Será que a rosa não gostava do vermelho, por isso o expulsou? Perguntava-se se conosco também funcionava assim: poderia alguém gostar de nós por uma qualidade aparente que nos irrita e queremos eliminar? Demonstramos mais as reações que &lt;i&gt;não&lt;/i&gt; gostamos em nós mesmos?&lt;br /&gt;
Essas coisas perturbavam-na no caminho de volta pra casa, longo e possibilitador de algumas meditações.&lt;br /&gt;
"Mas então, o que eu gosto na rosa vermelha não existe. Se não existe, eu não posso gostar de vermelho!"&lt;br /&gt;
A menina também tinha aprendido sobre os contrastes e sabia que o contrário do vermelho era o verde.&lt;br /&gt;
"Talvez, meu gosto por rosas vermelhas seja absolutamente errado e intimamente eu goste de verde." &lt;br /&gt;
Ela imaginou uma rosa com pétalas verdes e caule vermelho, mas a ideia não a agradou muito. Concluiu então que não gostava de vermelho, porque se as pétalas fossem verdes, o contraste seria vermelho e por isso a cor não a convenceu.&lt;br /&gt;
Começou a pensar que suas ideias não estavam lá aquelas coisas e resolveu comparar as cores com os gostos.&lt;br /&gt;
"Não gosto de amargo, e o contrário de amargo é doce, mas não sou muito fã de doces também, prefiro salgados. Então talvez eu goste de uma rosa azul."&lt;br /&gt;
Ficou confusa.&lt;br /&gt;
Abriu o livro e leu "uma rosa vermelha absorve todas as outras cores, menos o vermelho". Guardou-o na mochila.&lt;br /&gt;
"Então eu apenas não gosto de vermelho, mas gosto de todas as outras cores juntas. Não gosto do vermelho porque gosto menos de rosas brancas do que rosas vermelhas e a rosa branca tem o vermelho dentro dela."&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Dez anos depois&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carla e o namorado passeavam de mãos dadas por uma pracinha afastada do centro, quando ele avistou uma floricultura.&lt;br /&gt;
- Qual é a sua cor preferida, meu bem? &lt;br /&gt;
- Depende. Pra roupas, calçados, cachorrinhos fofos... cada coisa prefiro uma cor diferente.&lt;br /&gt;
- Pra flores!&lt;br /&gt;
- Flores! - riu - Gosto de rosas vermelhas, mas não do vermelho.&lt;br /&gt;
O namorado pensou e pediu para Carla esperar um pouco, que ele voltaria rapidamente. Em menos de quinze minutos, o rapaz chegou com um buquê cujos botões estavam repletos de tinta a óleo preta.&lt;br /&gt;
- Aqui está. Um buquê de rosas vermelhas, mas sem o vermelho! E para não ter favoritismo de cor, joguei tinta preta, que não tem cor nenhuma.&lt;br /&gt;
- Como vou saber que são de fato vermelhas?&lt;br /&gt;
- Vai ter que confiar, ora.&lt;br /&gt;
Carla gargalhou bastante tempo, abraçou o namorado e declarou:&lt;br /&gt;
- Sabe de uma coisa? Acho que minha cor favorita é o azul.&lt;br /&gt;
- Eu já sabia, sim. São meus olhos. Sempre soube que eles eram irresistíveis para você.&lt;br /&gt;
Os dois riram mais um bocado e ela terminou pensando que ele era bonito demais para ela conseguir calcular se gostava ou não dos olhos cristalinos, mas deixou-se pensar que sim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-2725016551711319232?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/buracoescuro?a=ngO4n9ZaW5A:3cAzyapfTW8:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/buracoescuro?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/ngO4n9ZaW5A" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-03-16T02:43:04.135-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">13</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2011/03/o-nao-azul-dos-olhos-do-diabo.html</feedburner:origLink></item><item><title>Sem saída</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/Z4J_PBbyGyM/sem-saida.html</link><category>pesadelo</category><category>buraco</category><category>escuro</category><category>angústia</category><category>insonia</category><category>humano</category><category>cidade</category><category>fragilidade</category><category>dinheiro</category><category>conto</category><category>dor</category><category>solidao</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Mon, 27 Dec 2010 16:40:24 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-9189372114610430584</guid><description>&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;A quietude úmida do beco é minha. O escuro vazio desse lugar tão familiar me faz desviar os olhos para o alto iluminado. Janelas, algumas acordadas, pelas quais olhos curiosos me observam. Tomando café. Por vezes fumando poluição e exalando o que chamam de poesia, mas não passa da mesma poluição nojenta que absorveram incialmente.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;Caminho devagar, mas não o suficiente para o esqueleto antigo que carrego. Às vezes, aqui ou acolá, uma depressão lamacenta no piche me dá vontade de amaldiçoar o filho da puta preguiçoso que &lt;em&gt;urbanizou&lt;/em&gt; a minha casa.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;- Minha filha é rica. Ah, é. Muito rica. Mas não conto a ninguém, pois me julgariam tão louco quanto os dígitos que ela mantém guardados no banco. Muito louco. Meus pais também são abastados, o que provavelmente me torna mais demente por estar aqui, ou menos por ter uma explicação para a bonança de minha filha. Isso, claro, partindo do pressuposto que alguém me ouviria após a primeira afirmação...&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;"Na verdade, tecnicamente também tenho bastante grana, mas não entrarei em detalhes para que meu relato não perca a credibilidade, ein? Vou me limitar a dizer que Lúcio Palatos tem muitas propriedades valiosas, incluindo o nome, mas deixei de carregá-lo há muitos anos.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;Hoje costumo observar esses novos ricos, saboreando o amargor das notas de 100, como alguém que prova um fino chocolate amargo pela primeira vez, sem saber o quão ruim seria se só existisse esse tipo de doce para comer o resto da vida.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;- Essa umidade acaba com meus ossos, mas ainda é o melhor lugar para mim. Afinal, que casa é perfeita, não é mesmo? Certamente a do vizinho com o contracheque maior que o seu, uh? Ha ha. De uma coisa eu sei: cada morada sua tem um defeito: você está lá! E esse é sem dúvida o maior dos problemas.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho como comprar remédios para o reumatismo, mesmo com o salário atual, mas Maslow, meu amigo, prefiro uma boa dor nas juntas que na consciência. E como!&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;- Levava uma vida tão conturbada. Não parava um minuto sequer. Não tinha paz nem a desejava, porque ela me dava medo de pensar se todas aquelas festas, drogas, vadias e música absurdamente ruim me davam felicidade. Hoje sei que apenas me distraíam do abismo ao meu lado.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;Um bom amigo com certeza me avisaria sobre o buraco, mas os sanguessugas corriqueiros do meu dia a dia preferiam não me preocupar com tal detalhe, para que eu não sofresse. Sabe como são os homens, nunca têm a intenção de ferir ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;- Finalmente, como era de se esperar, caí. E se você quiser ser realista, moça, desenhe uma poça de sangue aí no seu caderno, porque a queda foi feia.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;"Magoei minha noiva, perdi a confiança de minha família. Então pedi perdão e fugi. Mas apesar de tudo não posso fugir da vergonha, por isso esses ossos frágeis agora são tão convenientes.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;Provavelmente outra pessoa que esquecerá minha história. Tão batida, repetida no passado e infinitamente no futuro, por quem quer que trilhou ou que seguirá meus passos errôneos.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;- Posso perguntar seu nome, senhorita?&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;- Sem dúvida, senhor. É Pearl, Polar Pearl, mas pode me chamar de Mari, ou do que o senhor quiser, que eu não faço questão de nomes.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;Nem eu, pode acreditar. &lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;Gostaria de pensar que você não fosse outra pérola atirada na lama, pequena, principalmente por si mesma.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;- Você aceita um drink? Ainda sou considerado bom anfitrião!&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;- Pude ver que sim! Mas vou recusar.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;- Ah, claro. Agora vou tentar dormir, se me desculpa. Minha disposição certamente não é mais a mesma...&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;- Oh! Boa&amp;nbsp; noite, senhor... Lúcio?&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;- Ah, não! Manoel...&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;- Até outro dia!&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;A menina se foi e me deixou pensativo aquela noite. O que aconteceria a ela se não fosse eu quem a tivesse encontrada perdida no beco? Não é um lugar onde ela merecesse estar, pelo menos agora. E temi pela sua vida. Alguma janela acordada, canibalesca e sedenta por violência, poderia tê-la atacado, para imortalizá-la numa folha de papel, ou em cinzas de cigarro.&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;- Não hoje! - gritei - Ela não aceitou o copo!&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;Então as luzes se apagaram e enquanto eu andava até a cama, outro funcionário público braçal foi amaldiçoado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-9189372114610430584?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/buracoescuro?a=Z4J_PBbyGyM:aGfgq8fPrE4:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/buracoescuro?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/Z4J_PBbyGyM" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-12-27T22:40:24.011-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">9</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/12/sem-saida.html</feedburner:origLink></item><item><title>Inspiração Paulistana #2</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/sPO1CNe2x_c/inspiracao-paulistana-2.html</link><category>sofrimento</category><category>loucura</category><category>ambicao</category><category>fragilidade</category><category>formigueiro</category><category>formiga</category><category>fama</category><category>conto</category><category>morte</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Fri, 22 Oct 2010 22:36:35 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-2711627543296297131</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oi, gente :)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;b&gt;buraco escuro &lt;/b&gt;em clima de alto verão? Pois é, pois é. Pra quebrar um pouco esse acinzentamento da metrópole, sacomé.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;___________________________________________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A Doce Formiga&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma vez uma colônia de formigas muito comum, como as outras. Rainha, soldados e operárias, como sempre, trabalhando incessantemente até a morte sem receber nada em troca além da perpetuação da espécie, que não poderão presenciar. Mas assim são, e assim seriam eternamente se não fosse um acontecimento inédito em todos os milênios de existência desses insetos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Rainha pôs um ovo diferente de todos os outros, de casca amarelo escuro*, do qual nasceu uma doce formiguinha. Era igual em forma e tamanho às outras irmãs, porém distinta no material que a compunha. Era feita de açúcar! Açúcar derretido e endurecido, conhecido por muitos como caramelo, isso mesmo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim que soube da notícia, através de uma formiga bem fofoqueira, a Rainha primeiro agradeceu-a, depois aniquilou-a, porque gostava de descobrir as coisas por si própria, mas isso não vem ao caso. Pois o caso é que a Rainha, vendo a delicada e indefesa formiga caramelar, tomou-a para si como sua protegida. "Nunca poderão machucar esta linda criatura, proveniente de mim, ainda mais linda! Aquele que o fizer, será de imediato morto com crueldade e tortura!" - proclamou, sob ruidosos aplausos¹.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A rotina no formigueiro se transformou em agitação total. Tudo eram festas, bailes e apresentações. Pois aquela formiguinha, que agora tinha nome, Lícia, representava a boa sorte daquela colônia. Representava liberdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lícia se acostumou com os paparicos de seus irmãos e irmãs, e também da Rainha. Todo o formigueiro a adorava. Em cada festa era cumprimentada e aplaudida por todos. Costumavam pedi-la para que se deixasse lamber, e Lícia concordava, já que gostava dessa veneração desmedida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certa feita, no entanto, numa comemoração da adolescência da formiguinha, onde apresentava-se formalmente à sociedade, como em um baile de debutante, o frenesi foi tamanho que a colônia inteira lançou-se sobre Lícia, lambendo-a e recebendo sua gratidão. O prazer da formiga foi completo até o final, quando já não havia o que se desfrutar, pois já não havia corpo. Lamberam-na tanto que a vida de Lícia chegou ao fim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1. As formigas possuem seis patas, e batem palmas com quatro, portanto seus aplausos são, obviamente, ruidosos, em comparação àqueles que usam apenas dois membros para tanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*OBS.: Contribuição do &lt;a href="http://isthestupidreallystupid.blogspot.com/"&gt;Adriano Vaz&lt;/a&gt; para a cor do ovo, que eu tinha colocado furta-cor, mas que é muito ruim hahahah. Sugestão com base na cor do açúcar mascavo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-2711627543296297131?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/buracoescuro?a=sPO1CNe2x_c:Rdqz6SdiHiQ:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/buracoescuro?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/sPO1CNe2x_c" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-10-23T03:36:35.088-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">12</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/10/inspiracao-paulistana-2.html</feedburner:origLink></item><item><title>Inspiração Paulistana #1</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/_4Ks339RC5E/inspiracao-paulistana-1.html</link><category>aranha</category><category>coelho</category><category>fazenda</category><category>cidade</category><category>orelha</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Sun, 26 Sep 2010 09:26:05 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-24734613877966704</guid><description>&lt;div false’="" oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" onselectstart="’return"&gt;Olá pra todo mundo.&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As &lt;i&gt;Inspirações Paulistanas&lt;/i&gt; se tratam de alguns contos bobamente dramáticos e levam esse nome justamente por causa da cidade, quase sempre tragicamente boba. Sem ofensas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;___________________________________________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Coelho e a Aranha&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma vez um coelho bem branquinho, amigo de uma aranha bem pretinha. Eles moravam em uma fazenda tão longe da metrópole que seus sistemas respiratórios ainda tinham dignidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num certo dia de outono, o coelhinho Tom ficou cansado de esperar por cada folha cair e depois, finalmente, renascer. Cansou-se do mormaço preguiçoso relutando em dar espaço para a brisa mortuosa de inverno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O&amp;nbsp; pobre Tom contava com apenas uma amiga, que jamais poderia ser colorida! Primeiro, porque era de outra espécie e, segundo, porque era preta, mesmo. Seu nome era Calisto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tom resolvera contar à aranha que iria embora para a cidade. Argumentou que toda aquela inércia não o merecia, ele era brilhante e não desejava o fado de morrer no ostracismo da glória!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com toda aquela habilidade em ensaiar palavras, o coelho acabou convencendo Calisto de que era uma boa ideia e tratou de inserí-la no plano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Calisto, minha querida companheira, você que tem o dobro de patas que eu, e cem vezes a minha pigmentação...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cem vezes zero é zero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oh, eu concordo, mas convenhamos que eu tenho alguns pelos escuros espalhados pelo corpo, hum?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Isso é sujeira!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pode ser, pode ser... Mas esta sujeira ajudar-me-á na camuflagem em tons cinzas, característicos do lugar para onde vamos, certo? Você dar-se-á melhor que eu, podendo esconder-se em qualquer canto escuro ou sombra, e ficará protegida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu? Mas eu gosto da fazenda. Acho que ficarei por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E seu amigo, o velho Tom? Você me abandonará agora, quando mais preciso? Pelo menos, acompanhe-me!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E voltarei sozinha?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E eu, irei sozinho?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ora, não é obrigado a ir, se vai é porque quer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de muitas teses apresentadas, expressões de choro e desapontamento por parte do coelho, Calisto do coração bondoso decidiu viajar com Tom.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A viagem seria longa, o inverno chegaria antes de o destino surgir em forma de prédios rígidos e janelas indiferentes. A aranha teceu uma mochila onde Tom colocou mantimentos suficientes para a viagem e mais alguns dias. E saíram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os pobres, porém, não esperavam por uma frente fria e no meio do caminho, havia uma pedra. Uma grande pedra de gelo que quase esmagou Calisto em nove pedaços. Chuva de granizo imprevista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O trauma foi demais para a esforçada amiga e ela resolveu voltar para a pacacidade aconchegante do celeiro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Agora preciso de algo para me proteger! Algo como um guarda chuva, ou melhor, um escudo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Triste por ter causado tal infortúnio à aranha, Tom ofereceu-lhe sua orelha. Apesar da resistência, ela acabou aceitando, pois se tratava de uma orelha ou uma vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tom cortou sua própria orelha com uma pedra de gelo quebrada, enquanto Calisto formava um tampão para evitar hemorragias. Ela colou o grosso tampão e o sangue coagulou rapidamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O coelho, mesmo sentindo muita dor, conseguiu soprar dentro de sua comprida orelha. Soprou forte, até que ela descolasse e formasse&amp;nbsp; uma espécie de saco. Ele lavou todo o sangue contido anteriormente e soprou mais. O saco se transformou então em algo como um chapéu. Com alguns galhos que caíram com o vento forte, Tom montou um guarda chuva resistente para a amiga. Entregou-lhe e disse adeus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Calisto rumou para casa. A ventania, no entanto, carregou-a para longe, longe...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O coelho branquinho já estava tão cinza quando chegou à cidade! Seu ferimento não infeccionou e já tinha se fechado. Então ele começou sua busca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que procurar? Onde morar? O que comer?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inicialmente, Tom comia restos dos lixos, apesar de achar aquilo um ato desonroso. Percebeu que todos queriam aproximar-se dele, não lhe davam paz. E foi atrás de um abrigo. Para se alimentar, ele precisava estar vivo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ar seco urbano forneceu-lhe tempo para se proteger antes de as águas desabarem sobre seu pelo, já de cor indefinida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tom conseguiu, de alguma maneira, chegar ao topo de um prédio que o inspirava muito medo. E lá de cima, ele deixou de sentir tanta apreensão, ficou afoito, poderoso. Era lá mesmo que ia morar. Que lugar seguro! Percebeu que poderia pular de um prédio para o outro, transformando os topos de todas as construções em quartos de sua imensa casa metropolitana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não pensou na chuva vindoura, e seguiu pulando e pulando, explorando os infinitos &lt;i&gt;cômodos&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como era de se esperar, certo dia o aguaceiro caiu, num frio pungente. Tom, com seu corpo encharcado, foi chegando para um canto, procurando cobertura. Foi com surpresa que ele notou a presença de outro ser ali, e ainda mais por se tratar de Calisto! A aranha subira aos céus involuntariamente e pousara no local, onde construíra sua nova casa.&lt;br /&gt;
- Meu amigo, como você está molhado! Venha aqui, está muito frio para ficar sem um agasalho, e nessa tempestade... Venha, farei um casaco resistente para você.&lt;br /&gt;
- Puxa, muito obrigado! - seus olhos de coelho fofinho brilharam - Em que posição devo ficar?&lt;br /&gt;
- Pode subir no parapeito, para que eu tenha mais mobilidade na tecelagem e você não fique grudado em alguma coisa.&lt;br /&gt;
Depois de formar uma cobertura fina e maleável em volta de Tom, este começou a cochilar, pois a tormenta tinha parado e agora ele se sentia aquecido. Aproveitando a desatenção de Tom, Calisto perguntou:&lt;br /&gt;
- Quer mais fios em volta de você, amigo?&lt;br /&gt;
No que o coelho, ansioso para se livrar da perturbação, como qualquer outro dorminhoco, aceitou e adormeceu novamente.&lt;br /&gt;
A aranha deu voltas e voltas, aumentando a espessura daquela roupa, até que ela ficasse suficientemente grossa, do tamanho das patas (agora esticadas para fora) de Tom. Como uma camisa de força em que seus braços ficassem abertos.&lt;br /&gt;
Calisto acordou-o com leves patadinhas no focinho.&lt;br /&gt;
- Levante! Agora já está bem protegido.&lt;br /&gt;
Tom, observando que não podia se mexer, entrou em desespero e acabou rolando para fora do prédio, caindo de tão alto, quase infinito para seu tamanho.&lt;br /&gt;
Sua velocidade aumentava tanto que não durou nem um segundo entre o momento em que Tom viu o chão e depois se encontrou ele.&lt;br /&gt;
Surpreendentemente, a sorte mesquinha resolveu ajudá-lo depois de tantas perturbações. O coelho não morreu na queda, nem parou numa rua movimentada para ser atropelado. Ficou num beco, imóvel. A roupa que o protegera não possibilitava sua movimentação e ele conseguia no máximo, rolar.&lt;br /&gt;
A sorte ainda foi além. Aquela ruela, que seria a nova moradia de Tom, era o fundo de um grande restaurante cujo lixo sempre depositavam ali. Ou seja, alimento não faltaria.&lt;br /&gt;
Tom viveria ali, rolando poucos centímetros, sem mobilidade ou propósito, sem realizar qualquer ação além de suas necessidades vitais.&lt;br /&gt;
Calisto observava tudo lá de cima, e por fim afirmou:&lt;br /&gt;
- Maldito branquelo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-24734613877966704?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/_4Ks339RC5E" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-09-26T13:26:05.532-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">7</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/09/inspiracao-paulistana-1.html</feedburner:origLink></item><item><title>Run for your lives - final</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/QxBghjnfxWk/run-for-your-lives-final.html</link><category>loucura</category><category>humano</category><category>conto</category><category>deus</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Fri, 18 Mar 2011 15:25:43 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-5066745996621012300</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Hello, buddies.&lt;/i&gt; Há um tempinho comecei um conto que rendeu quatro partes sofridas, que vocês podem ver &lt;a href="http://buracoescuro.blogspot.com/2010/04/run-for-your-lives-parte-i.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; (mas não recomendo, rere). Tratava de uma maneira jovial (diga-se idiota, já que todos os jovens são, anyway) de ver e/ou representar o poderoso chefão. Não o Godfather, tô falando de "Deus", mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deus era um Olho. Um Olho aparentemente humano, já que &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt; é parecido conosco, ou nós somos parecidos com &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt; - dizem. O diferencial divino do glóbulo ocular era que o mesmo possuía a capacidade de soltar lasers malignos, aaaaahh! Rá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acontece que recentemente tive um sonho estranho dentro de outro bizarro. Incluindo espíritos, viagens de metrô à velocidade do som, tartarugas nascendo de árvores, carros futuristas e claro, &lt;i&gt;our dear God&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E sim, ele era um olho. Um grande olho azul cristalino de uns 6m de diâmetro e pior: vindo em minha direção. Então baixou um Thales de Mileto em mim, porque de repente a origem do mundo e explicação para todos os problemas existenciais da humanidade (?) era a água.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei se isso tem a ver com a história que eu imaginei porcamente alguns meses antes, já que o Olho inicial era verde e soltava fogo (lasers) e esse último era azul feito de água infinita. Sei que era infinita porque o Olho me sugou e antes de desmaiar afogada na gelatina dos céus, deu pra perceber que eu nunca sairia dali.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, como eu tenho &lt;i&gt;tique&lt;/i&gt; se não terminar alguma coisa, mesmo desimportante, o texto e seu possível final rondou minha orla de preocupações até agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo, considerem esse post o fim. Sobre o cachorrinho &lt;i&gt;Babão&lt;/i&gt;, não sei o que aconteceu. Ele não apareceu entre os espíritos no sonho, então suponho que ainda vive.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-5066745996621012300?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/QxBghjnfxWk" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-03-18T19:25:43.822-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">11</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/08/run-for-your-lives-final.html</feedburner:origLink></item><item><title>Havia monstros terrivelmente malévolos na superfície</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/dpEQA6FGcRM/havia-monstros-terrivelmente-malevolos.html</link><category>aranha</category><category>buraco</category><category>escuro</category><category>guarda roupas</category><category>mágico</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Sun, 08 Aug 2010 09:59:11 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-5774505534550011227</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;do guarda roupas do Jamess. Mas eu os matei. Eu sei, eu sei, foi preciso muita coragem, mas deixemos as ovações para o final. Apesar de tudo, as feras guerrearam habilmente e merecem seu espaço literário respeitado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O aracnídeo sedento do meu sangue O+ (que é doador universal e por isso, mais saboroso), cujo odor foi sentido desde o dia em que entrei no quarto, planejou uma trama mais cruel que suas próprias teias, para me atrair à cova.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da primeira vez, ouvindo nossas conversas, o Arac Monstro endendeu que eu iria embora dentro de poucos dias e arquitetou algo à altura da mesquinharia dos deuses do Olimpo (que Zeus me perdoe!). Começou a produzir "pó do amor" e a atirá-lo no inocente casal adormecido. Sim, meus caros, apesar de essas criaturas não possuírem o dom de amar (chamo isso de recalque, haha), elas fabricam através de poeira e outras substâncias desconhecidas de cima-do-guarda-roupas uma espécie de pó hipnotizante dos enamorados (Afrodite e seus filhos que se cuidem). OBS.: meninas, não espremam uma tarântula no amor platônico de vocês, OK? Aquilo que cair serão pelos envenenados que produzem alergia e coceira por 24 horas. Acho que o cara não ia "amar", propriamente, depois disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como eu ia dizendo, após ser afetada por uma aracmagia, fiquei ainda mais apaixonada por Jamess e acabei voltando, tudo de acordo com as maquinações de Arac Monstro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda com seu estoque de pó do amor, Arac lançou sobre mim outro feitiço: com uma quantidade menor, no entanto suficiente da poeira maligna, fez com que eu desejasse certo objeto que se encontrava em seus aposentos. Todas as coisas estavam correndo bem para aquele ser abominável de oito patas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além de todo esse plano que não podemos chamar maquiavélico, em respeito à nosso amigo Nicolau, o Monstro não teve a dignidade de aparecer na frente de Jamess. Esperou o homem da casa sair para trabalhar e aí sim, travar um mano a mano absolutamente injusto contra mim, pobre donzela delicada e indefesa contra tantas artimanhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Distraidamente, munida apenas de um pano úmido, subi na cadeira para retirar o tal objeto e lá estava ele, Arac Monstro, me esperando para o golpe fatal. Com seus oito olhos, ele me dizia... "você é minha". Quanta carne exposta! Quanto sabor! Eu era a única vítima cuja formação óssea era interna, então ele não teria o trabalho de me sugar feito uma bexiga até o exoesqueleto estalar, grudado na viscosa teia assassina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Arac não hesitou e pulou diretamente em minha face, supondo que meus olhos brilhantes eram mais saborosos que o resto. Para minha sorte, bem na hora me desequilibrei da cadeira, o que acarretou num desvio. Arac passou direto! Não me mantive mais que meio segundo em pé e também caí e, como os senhores sabem, a gravidade puxa a todos na mesma velocidade, assim não caí primeiro porque sou mais pesada. Mas desabei, quase no mesmo instante que o Monstro, o que me permitiu estar aqui hoje, escrevendo esta história. Em razão de minha queda rápida, a aranha não teve tempo de se recuperar e armar outro ataque, visto que a esmaguei. Isso mesmo! Todos os artifícios dele foram em vão, eu supostamente tinha saído vitoriosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda havia seus parentes, menores, mais fracos, porém em grande quantidade. Subi a cadeira novamente, mais receosa de outra queda que da família traiçoeira. Acontece que de tão traiçoeiros, ficaram felizes com a morte de seu chefe e me agradeceram. Disseram que iriam embora e eu os escoltei até o portão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E foi isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;PS.: Enquanto escrevia esta história, uma aranha me observava. Quando percebeu que eu a notara, saiu correndo pela parede e sumiu em algum &lt;i&gt;buraco escuro&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PS2.: Esta história foi escrita em Ribeirão Preto. Ainda não vi aranhas em São Paulo... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-5774505534550011227?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/dpEQA6FGcRM" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-08-08T13:59:11.930-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">14</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/08/havia-monstros-terrivelmente-malevolos.html</feedburner:origLink></item><item><title>Infortúnio</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/AAVIauWgdSw/infortunio.html</link><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Sun, 17 Jul 2011 10:28:47 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-8463710027028160308</guid><description>&lt;div false’="" oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" onselectstart="’return"&gt;
- Você deve ser a Valerie, esposa sem graça do Diogo.&lt;br /&gt;
- E você a vadia Johanna, sem pudor.&lt;br /&gt;
- Que já deu muito prazer ao seu amado!&lt;br /&gt;
- Deixe de patifarias, que ele nunca a tocou.&lt;br /&gt;
- Como pode ter certeza? Haha.&lt;br /&gt;
- Suas genitálias já teriam apodrecido.&lt;br /&gt;
- Você já deu uma olhada na língua?&lt;br /&gt;
- Está fechada dentro da boca, como a de um bom marido deve estar.&lt;br /&gt;
- Costurou-a lá?&lt;br /&gt;
- Deveria costurar a sua.&lt;br /&gt;
- Não quer ouvir verdades?&lt;br /&gt;
- Todos os monges do mundo estariam em desgraça antes que você pudesse me oferecer alguma...&lt;br /&gt;
- Cuidado, um dia pode se tornar como eu, Vava! Hahaha.&lt;br /&gt;
- Deus terá piedade e me matará antes que tal infortúnio aconteça.&lt;br /&gt;
- Então você não gosta de...&lt;br /&gt;
- Putas como você? Tenho nojo.&lt;br /&gt;
- E onde foi parar a nobreza da querida Valerie?&lt;br /&gt;
- Deixei de lado quando resolvi trocar palavra com uma desclassificada.&lt;br /&gt;
- Que tal aproveitar esse momento nu de etiquetas e me mostrar o que sabe fazer de verdade?&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Surpreendentemente, Valerie não pensou duas vezes, fechou o punho e acertou em cheio o nariz - agora disforme para sempre - de Johanna. Esta guinchou no chão enquanto seu sangue molhava a poeirenta rua de um distrito longe das leis. A quase sempre recatada esposa, sentindo-se despida de sua honra ao tocar mulher tão impura, chutou-a no estômago e nuca e costas. Abriu as pernas de Johanna, mole no chão, e desceu a bota pontuda no que até então era o fruto da renda da prostituta. Forçou o pé até ouvir um grito digno de quebrar os vidros da estalagem da esquina. Tirou-o de lá e com ele subiu em cima da barriga infértil da miserável no chão. Cuspiu em seu rosto e saiu.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
"Eu nunca teria feito aquilo com palavras, afinal", pensou enquanto caminhava para casa. Fez o jantar preferido de Diogo, deu a ele a melhor putaria selvagem que o homem pudesse desejar e dormiu feliz, sonhando com qualquer coisa que parecesse o paraíso.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-8463710027028160308?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/AAVIauWgdSw" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-07-17T14:28:47.543-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">15</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/07/infortunio.html</feedburner:origLink></item><item><title>Antítese</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/77-Q3yTMAII/antitese.html</link><category>sofrimento</category><category>conforto</category><category>angústia</category><category>inferno</category><category>dor</category><category>morte</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Mon, 14 Jun 2010 22:48:27 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-7608034479298561628</guid><description>&lt;div false’="" oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" onselectstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;Passo leve, vento aquecido pelo sol vespertino batendo no rosto e braços. O caminhar macio – quase flutuante – do homem denotava tristeza, ainda que sutilmente, mas perceptível a quem o conhecesse tanto quanto ele mesmo. &lt;br /&gt;
Andar moderado e automático, não conseguiria parar nem se quisesse. Seus pensamentos estavam bem longe de suas pernas, e seu destino, mais ainda.&lt;br /&gt;
Invisível, decidi acompanhá-lo. Após muito tempo, ofereci repouso. Sussurrei palavras de conforto, que seriam ouvidas em forma de desejo. Ele era forte e estava triste demais. Sua única vontade era a exaustão completa. Pena que era forte. Caminhava.&lt;br /&gt;
Quis ajudá-lo, perguntei se queria que eu subisse em suas costas, assim teria o peso do mundo sobre si, mas o dito era teimoso e orgulhoso. Queria fazer sozinho. Permaneci ao seu lado.&lt;br /&gt;
Depois de muito andarmos, o homem já desgastado, caiu de joelhos. Abracei-o, mas ele queria chibatadas. Desejava perdão, fuga e esquecimento. Disse a ele que estava perdoado, que havia fugido, e tentava preencher sua mente com novos pensamentos.&lt;br /&gt;
Mas o homem cavava. Cavava tanto por fora, um buraco, quanto por dentro, uma montanha de sofrimento e angústia. Enterrava suas mãos com força na areia e a lançava cansadamente para os lados.&lt;br /&gt;
Eu oferecia sono e paz, mas o prazer das lágrimas era o que o satisfazia agora. Ficou furioso quando percebeu que seu objetivo demoraria muito para ser alcançado e ele tinha pressa por indiferença. Levantou-se. “Maldito seja Deus!”, esbravejou inutilmente. Abandonara a fé muito cedo e a ideia de qualquer divindade não poderia mais consolá-lo.&lt;br /&gt;
Com os pés já cheios de bolhas, passou a noite ferindo suas mãos, afundando-as incessantemente no chão, cavando. Ofereci força, ânimo, e tive a ajuda novamente rejeitada. Ele queria a glória de ter se destruído sozinho.&lt;br /&gt;
Quando amanheceu, a cova estava pronta. O homem olhou seu trabalho com satisfação lúgubre e entrou no buraco. Deitou. Sem perguntar nada, apenas avisei que faria chover, para que a água lavasse sua dor. Então ele amaldiçoou o céu e salgou a chuva com os olhos. Deitado, esperaria a morte sem sucesso.&lt;br /&gt;
Quando desejares sofrer, estarei aqui para confortar. Prazer, sou teu &lt;i&gt;inferno pessoal&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-7608034479298561628?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/77-Q3yTMAII" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-06-15T02:48:27.320-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">17</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/06/antitese.html</feedburner:origLink></item><item><title>O relógio</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/VbRF9SJNpiU/o-relogio.html</link><category>sonho</category><category>paixao</category><category>reflexo</category><category>quadro</category><category>relógio</category><category>mágico</category><category>amor</category><category>destino</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Sat, 12 Jun 2010 23:23:32 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-3400147116498920623</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eles estavam sentados no chão quando cheguei, me esperando. Vários homens barbados de idade ligeiramente avançada, que eram meus amigos e mestres. Conhecia a personalidade de cada um deles. Cumprimentaram-me e continuaram a conversa – sobre mim – como se eu não estivesse ali. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que presente você acha merecido dar a ela?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O chacoalho? Ou o pêndulo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, ela teve um bom desempenho, é esforçada, podemos dar mais que isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Meus dois primos gêmeos, lembram? Eles têm um &lt;i&gt;relógio&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O relógio? Enlouqueceu? Só há um relógio desses ainda funcionando no mundo. Mesmo levando em consideração todo o seu preparo, impossível que ele seja repassado à menina. Considero inviável mesmo ficar com qualquer um de nós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu não disse que daríamos. Pode ser um empréstimo, por uma noite. Uma hora como presente. Ela escolheria qual.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hmmm... Sim, essa é uma boa ideia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu já tinha ouvido falar desse relógio. É um &lt;i&gt;relógio mágico&lt;/i&gt;, se formos levar em consideração o que entende-se por magia. É um “despertador do sono”, mas no sentido mais contrário que conhecemos. Ele só  possui 5 horas marcadas: das 10 às 2. Escolhemos uma dessas horas conforme quisermos - ele possui um manual explicando o significado e objetivo de cada. Então dormimos e quando chega a hora determinada, não acordamos na vida real, mas acordamos dentro do sonho. O relógio provoca uma espécie de sonho lúcido com caminhos já meio trilhados, por assim dizer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo não tendo acesso às informações do manual, sabia que qualquer dos cinco números forneceria experiências majestosas, e que isso era uma dádiva concedida a poucos. Fiquei contentíssima e agradeci aos mestres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, menina! Não nos agradeça, o mérito é seu. E ainda temos que verificar se os gêmeos o emprestarão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Irei agora mesmo falar com meus primos. Volto em pouco tempo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de aparentemente ser um viking violento e brutal, este último homem era muito simpático e cheio de vida, com certeza convenceria os gêmeos e traria o relógio consigo. Então sentei-me e esperei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conforme dito, não muito depois, ele voltou com o  relógio. Entregou-me dizendo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cuidado com isso, menina. É muito precioso. Sei que você sabe disso, mas é sempre bom avisar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novamente agradeci-os e pedi sua ajuda para escolher um número. Disseram-me que eu deveria ler as instruções com calma, mas sabiam que eu decidiria pelo certo. Então saíram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz muito tempo que fiz isso, peço desculpa a vocês por não lembrar o significado de cada número. Mas eram coisas como saber o futuro ou descobrir como ganhar muito dinheiro em pouco tempo. Acabei escolhendo o 11. “&lt;i&gt;Fazer qualquer pessoa apaixonar-se por você&lt;/i&gt;”. Estava claro nas instruções que isso poderia acontecer ou não, que dependeria da minha vontade. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_T94aJ4QvwU0/TBPJWOx3trI/AAAAAAAAApE/z6-lE29SXSk/s1600/rel%C3%B3gio.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="313" src="http://3.bp.blogspot.com/_T94aJ4QvwU0/TBPJWOx3trI/AAAAAAAAApE/z6-lE29SXSk/s320/rel%C3%B3gio.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Programei o despertador e me deitei. Fiquei com um pouco de medo de não conseguir dormir até a hora desejada, mas algo me dizia que não importava muito a hora &lt;i&gt;humana&lt;/i&gt; que eu dormisse. Ainda assim, peguei no sono facilmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percebi que o relógio já havia despertado, pois eu estava no mundo onírico completamente consciente. Estava em uma sala um tanto vazia, aparentemente uma sala de espera. Um quadro muito grande e de cores vivas destacou-se na parede branca. Levantei-me e caminhei até o quadro para observar os detalhes da pintura tão bonita. Não sei dizer se me espantei quando a imagem retratada na tela se mexeu. Também não sei dizer se as figuras vieram para a sala ou eu fui para dentro do quadro, mas eu pude ver nitidamente a situação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia dois paredões de terra separados por poucos metros, mas entre eles havia um grande abismo. Tão fundo que a luz não se atrevia a adentrá-lo. O paredão do lado direito do quadro era sombrio: havia muitas cruzes fincadas no chão, todas velhas e apodrecendo; chovia forte. Havia uma garota lá, olhando para o outro lado. Na montanha esquerda não chovia, havia uma grande escada muito semelhante – talvez a mesma – à escada de Jacó¹. Não se podia ver o final da escada, mas de lá emanava uma luz muito forte. E ali estava um homem inquieto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse homem precisava subir a escada, mas não se não o quisesse. E ele queria. O problema é que sua amada estava do outro lado, no escuro frio e chuvoso. Sobre o abismo, entre as duas montanhas, havia um tronco velho e também apodrecendo. Pude perceber que ele chamava a moça, mas ela se dizia com medo de atravessar o tronco sozinha. E que ele não poderia voltar e puxá-la, pois o tronco não suportaria duas pessoas. Um impasse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois disso, eu estava na sala novamente, olhando para o quadro, não mais feito de tinta, mas de linha. Provavelmente a linha das Moiras². Mas era só uma imagem, algo parado, marcado. Eu não saberia o final, a menos que fosse a minha vida. E não era, ainda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dei uma volta pela ampla sala e avistei um balcão, próprio para recepção. A moça atrás do balcão era a mesma do quadro. Ela sorria e perguntou se eu desejava alguma coisa. Respondi que não e me afastei para um canto. Vi o outro jovem do quadro aparecer e cumprimentá-la. Acabavam de se conhecer. Caminhei pensativa para uma pilastra da sala, onde estava pregado um espelho. Talvez para vocês não seja surpresa que a imagem refletida tenha sido justamente a da jovem, mas para mim foi motivo suficiente para acordar assustada, abandonando o sonho e qualquer possibilidade de aprender o prometido pelo número 11.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando olhei em volta, percebi a presença de meus mestres. Perguntavam-me se o presente agradou, como tinha sido a aventura, se estava tudo bem, se eu descobri realmente o que queria saber... Hoje tenho certeza que sim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;1. Escada de Jacó (simbologia maçônica): A escada mística vista por Jacó simboliza o ciclo involutivo e evolutivo da vida, em seu perpétuo fluxo e refluxo, através de nascimentos e mortes, a desdobrar-se em hierarquias de seres, potestades, mundos, reinos e vida e raças. “E Jacó sonhou: e eis que uma escada era posta na terra, porque o sol era posto; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela; e eis que o Senhor estava em cima dela” (Gênesis 28:12, 13).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;2. Moiras: Na mitologia grega, as moiras eram as três irmãs que determinavam o destino, tanto dos deuses, quanto dos seres humanos. Eram três mulheres lúgubres, responsáveis por fabricar, tecer e cortar aquilo que seria o fio da vida de todos os indivíduos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;_____&lt;/span&gt;________________________________________________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oi, amigos!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desculpem a demora, eu estava com algumas dificuldades para escrever. Esse último conto é particularmente especial para mim, por ser baseado em um sonho antigo, de uma época não mais importante que agora, mas muito marcante. Eu estava enfrentando todos aqueles problemas e pressões da "recém-adolescência" e mais alguns... Mesmo se trantando de um sonho muito simbólico, achei que pudesse ser compartilhado. E ainda bateu com a data de hoje, dia dos namorados! :)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abraços. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-3400147116498920623?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/buracoescuro?a=VbRF9SJNpiU:d5xe9ViSBWA:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/buracoescuro?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/VbRF9SJNpiU" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-06-13T03:23:32.012-03:00</app:edited><media:thumbnail url="http://3.bp.blogspot.com/_T94aJ4QvwU0/TBPJWOx3trI/AAAAAAAAApE/z6-lE29SXSk/s72-c/rel%C3%B3gio.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">5</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/06/o-relogio.html</feedburner:origLink></item><item><title>Atlantis</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/TicR0qzIJH4/atlantis.html</link><category>amizade</category><category>urso</category><category>história</category><category>conto</category><category>amor</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Mon, 07 Jun 2010 16:38:35 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-2091673123104970529</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_T94aJ4QvwU0/TA1TaLlHPSI/AAAAAAAAAoY/0I3-16ijEJM/s1600/desenh+mari2%281%29.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/_T94aJ4QvwU0/TA1TaLlHPSI/AAAAAAAAAoY/0I3-16ijEJM/s400/desenh+mari2%281%29.jpg" width="283" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; clique para ampliar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_T94aJ4QvwU0/TA1JVvDozyI/AAAAAAAAAoU/-otBatJZcWo/s1600/atlantis.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O jantar terminou e as crianças estavam alvoroçadas. Queriam chamar dona Ricca para que contasse uma de suas inúmeras histórias a elas. Dona Ricca era uma senhora muito tranquila e que adorava crianças, especialmente minhas crianças. Tinha uma enorme paciência para sentar-se e contar todas as histórias do mundo, com todos os detalhes, a quem lhe pedisse. A regra lá em casa era nada de TV após o jantar, então a bondosa senhora os entretia diariamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ê, epa! Nada disso. Só sairão daqui quando os pratos e copos e talheres e jarras estiverem todas em cima da pia. Lilly, hoje é seu dia de me ajudar a retirar as louças da mesa, mas se os outros ajudarem, terminaremos mais cedo e poderemos ouvir a história. Que tal?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As crianças se prontificaram e na pressa em que estavam, quase fizeram mais bagunça do que ajudaram. Pedi a eles que, em vez de ouvirem dona Ricca na sala, como de costume, a chamassem para a cozinha, porque assim eu também poderia ouvi-la, enquanto lavava os pratos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tinha quatro filhos, cada um com diferença de idade de um ano para o irmão mais novo. Julia, Audrey, Priten e Lilllian tinham oito, sete, seis e cinco anos, respectivamente. Seu pai morreu após Lillian completar dois anos, na grande guerra. Criá-los sozinha foi a coisa mais difícil que eu pudesse imaginar, mas também a  mais gratificante. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além dos quatro pestinhas, outras crianças da vizinhança passavam o dia em nossa casa, devido ao amplo quintal, com espaço para todo tipo de brincadeiras. Era período de férias e eles não tinham nada com que se preocupar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Boa noite, dona Moça! – cumprimentou-me dona Ricca ao entrar na cozinha. Era assim que ela me chamava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Boa noite, dona Ricca! Como vai a senhora?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hmmm... com vontade de comer esse bolo de que estou sentindo o cheiro!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos rimos. Dona Ricca era muito bem humorada e não havia nenhuma carranca que ela não transformasse em alegria, ainda que interna. Algumas pessoas têm esse dom.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Claro! Mas só vou servir depois que souber qual a história de hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Senhores e senhoritas, vocês já ouviram o conto de Atlantis?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, sim, já ouvimos na escola! – respondeu Julia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hmmm... então hoje vou contar a vocês a história verdadeira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Servi o bolo a todos enquanto me atentava ao que dona Ricca poderia inventar. Atlântida é um reino imaginário, usado por todos para desginar qualquer povo antigo e superdesenvolvido que supostamente existiu. E sua localização desconhecida pode ser qualquer uma. Não importa. A velha contadora de histórias sempre nos surpreendeu com fatos novos e diferentes dos livros. Eu esperava ansiosa por sua versão do antigo império esquecido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Crianças... E, se me permite chamá-la criança também, dona Moça, bom... Atlantis nunca existiu, meus caros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como assim, não? Essa é a história verdadeira? Era isso? – perguntou o afobado Priten.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Se você me deixar contar, eu conto, pequeno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Desculpe, &lt;i&gt;donna&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oh, tudo bem! Como eu dizia, Atlantis não existiu. Quando homens não conseguem achar explicação pra coisas que eles veem – e geralmente sentem medo –, eles inventam. Atlantis foi inventada para explicar alguns objetos antigos dignos apenas de uma civilização evoluída. Mas não houve uma ilha que afundou de um dia para outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E então? – perguntou Priten novamente, ansioso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A minha história é sobre um lugar que existiu, e que ainda &lt;i&gt;existe&lt;/i&gt;. Mas nenhum de vocês pode chegar até lá se desejar chegar, pois o lugar é revestido por um antigo feitiço Baytacan: apenas habitantes nascidos lá podem voltar caso saiam, e visitantes só encontram-no por acaso. Qualquer escrito sobre o lugar some assim que a tinta seca. As únicas histórias conhecidas são repassadas por contadores de histórias. Se algum de vocês quiser ser um, a história continuará. Senão, será esquecida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vixe, quase todas as histórias da dona Ricca são assim: “não pode ser escrita, é repassada de geração em geração, etc. etc. etc.” – criticou Julia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tente escrevê-la depois, senhorita. – o olhar severo e nada comum de dona Ricca estabeleceu finalmente a ordem na cozinha e ela pode prosseguir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O lugar chama-se Anakahali. E não é uma ilha, mas um reino aéreo. Pode ser encontrado quando alguém, por acaso, subir certa árvore alta que dê passagem aos seus portões. A menos que alguém resolva subir todas as árvores do planeta para descobrir Anakahali, este reino só será encontrado por acaso. Seus habitantes podem vê-lo, mesmo que saiam de seus domínios, por isso sempre o encontrarão. Algumas pessoas o veem, mas ignoram. E outras, a maioria de nós, simplesmente não vê. Aprendam isso. É assim que as coisas funcionam, em todo lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Mojo Yann era um habitante de Anakahali. Desde pequeno, sempre se interessou por todo tipo de histórias. Mojo respeitava mais o contador de histórias da cidade que o chefe, que era como um prefeito, cacique, líder, como queiram. Mojo não queria ser caçador ou desbravador, como seus irmãos e amigos. Ele queria tornar-se o maior contador de histórias de Anakahali, cujas fantasias se misturariam à realidade e as pessoas não saberiam distinguir verdade e mentira. Para Mojo, toda história era uma verdade e ele queria mesclar isso à verdade de &lt;i&gt;cada um&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“O contador Tuye sempre dizia à Mojo que existia no interior da floresta uma montanha cuspidora de letras, o monte Alfalar. Cuspia de tempos em tempos. E, se ele desse sorte de comer uma dessas letras, tornaria-se o maior contador de todos os tempos. Mas nem todos podiam ver a tal montanha: alguns veem, outros veem e ignoram, e a maioria não vê. Ele devia correr o risco de procurar a montanha sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Mojo não era forte como os outros garotos. Nascera com uma deficiência na perna, que o impedia de correr mais que alguns metros. A despeito do que manda a norma de Anakahali de sacrificar todas as crianças deficientes, o pai de Mojo não permitiu que tal insignificância retirasse a vida de seu primogênito. Então, quando seu filho completou sete anos, ele veio para o mundo terreno e viajou até o Polo Norte. Trouxe um filhote de urso polar para Mojo Yann. O urso, ou melhor, ursa, o acompanharia e protegeria. Anakahali era um dos reinos frios e o filhote não teve dificuldade de adaptação. Seu nome seria Jojah.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Quando Mojo Yann fez dezoito anos, resolveu adentrar a floresta em busca do monte Alfalar. Sua amiga Jojah iria com ele. O garoto acreditava que se desse uma dessas letras a Jojah, ela passaria a falar. Esse era o segundo maior desejo de Mojo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Os dois caminharam por dois dias até chegarem a uma árvore retorcida e seca, onde haviam pregado uma placa escrito “&lt;i&gt;o centro do mundo é você&lt;/i&gt;”. Mojo olhou em volta e percebeu estar perto da cordilheira dos Baytacan, os ancestrais. O lugar era conhecido como assombrado e, dada a sua predisposição para acreditar em qualquer história, o jovem tinha medo dali. Jojah cutucou-o com o focinho e Mojo parou para prestar atenção. Barulho de carruagem. Correram para o outro lado da estrada e se esconderam atrás das densas árvores. Estavam fora da aldeia e algum caçador, ou então  nobre, poderia querer a pele da ursa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Uma carruagem passou apressada e pouco tempo depois, outra, de outro brasão. E então outra. Ele percebeu ser uma rota movimentada e decidiu manter seu curso um pouco mais afastado dali, principalmente por causa da cordilheira dos Baytacan. Mas antes, deveriam repousar. Mojo dormia abraçado à Jojah e não precisava de fogueira, o que era bastante vantajoso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Durante a noite, um barulho estranho acordou Jojah, que ergueu-se rapidamente, assustando o menino atordoado de sono. Um ronco alto, barulho grave como trovão, mas contínuo e parecido com água corrente só parecia aumentar. Então Mojo presenciou a menor montanha da cordilheira, do outro lado da estrada retorcendo-se como se estivesse viva e por sua cratera e fendas, lançando no ar inúmeras &lt;i&gt;letras&lt;/i&gt;. Foi o espetáculo mais lindo que viram. Letras flutuando por todo o céu, como nuvens e em seguida, como estrelas cadentes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;“Mojo correu para alcançar as letras, estava ansioso para comer uma delas. As letras pararam pouco antes de encostar o chão e ficaram suspensas, como se fossem ímãs com a mesma polaridade da terra. Mojo pegou um &lt;i&gt;W&lt;/i&gt; e um &lt;i&gt;T&lt;/i&gt; em cada uma das mãos. Comeu o &lt;i&gt;W&lt;/i&gt; rapidamente e tentou saborear o &lt;i&gt;T&lt;/i&gt;, mas era impossível, pois tinha gosto de água suja. Deu um &lt;i&gt;J&lt;/i&gt; à Jojah, porque era a letra de seu nome. E por último comeu um &lt;i&gt;A&lt;/i&gt;, em homenagem à Anakahali. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“O garoto, ainda, escolheu a letra C e colocou em um dos galhos da árvore velha com a placa. Viu a árvore engolir a letra, absorvendo-a, e criando vida novamente, enchendo-se de folhas. A placa também foi absorvida, como se o tronco fosse feito de areia movediça. Mojo ouviu uma voz rouca vindo do tronco e vozes finas vindo dos galhos, sussurros vindo das folhas, todas dizendo a mesma coisa: “&lt;i&gt;Obrigado, garoto. O centro do mundo é você, o centro do mundo é você, o centro do mundo é você...&lt;/i&gt;”. Logo, as vozes não passavam de um farfalhar, e a frase da antiga placa só poderia ser ouvida com o coração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Mojo sentiu sua perna deficiente tremer e em seguida, ouviu um estalo. Sentiu muita dor e caiu no chão, agonizante. Parecia uma cãimbra insuportável, sua perna inchava. A dor foi passando e o jovem percebeu que suas pernas eram iguais, agora. Sua deficiência tinha desaparecido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Mojo lembrou-se de Jojah, queria saber se a letra havia funcionado, se Jojah falava. Mas não a encontrou. Correu para detrás das árvores, onde haviam dormido, mas a ursa também não estava lá. Então Mojo sentou-se e começou a chorar, pois tinha perdido sua melhor amiga, e culpava sua ambição de tentar dar a ela voz humana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Mojo chorou tanto que ficou exausto e acabou dormindo. Quando acordou, sentiu-se aquecido e viu-se sob um cobertor branco. Ao seu lado, uma moça de pele alva como os pelos de Jojah, olhos negros como os da ursa, cabelos inteiramente grisalhos, vestida com pele que parecia ser do mesmo cobertor branco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quem é você? – perguntou o rapaz, assustado, mas logo se recompôs – Eu sou Mojo Yann, o maior e melhor contador de histórias de Anakahali. Perdi minha melhor amiga e estou coberto com o que parece ser a pele dela. Se você a feriu, matar-lhe-ei impiedosamente. Se não foi, diga-me quem é e o que sabe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Protegi-o durante tantos anos, não vai querer me machucar agora, vai, Mojo Yann, grande contador de histórias?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Jojah? – o rapaz sentiu sua espinha arrepiar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, sou eu. – a moça sorriu – Eu era e continuo sendo sua amiga, apenas mudei de forma depois de comer aquela coisa com gosto ruim. Eu o seguiria até minha morte antes, e é isso que ainda farei. Serei sua da forma como quiser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Jojah, aceita ser minha mulher? Até hoje não cobicei mulher alguma e sei que não desejaria outra para viver junto de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É uma honra que eu possa viver ao seu lado assim, Mojo Yann.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Então os dois deitaram-se sob o cobertor que antes foi a pele de Jojah e passaram a sua primeira noite como casal. Jojah passou a se chamar Lirah Yann. Seus filhos carregaram a marca do urso e se tornaram contadores de histórias como Mojo. Ele retornou à cordilheira de Baytacan muitas vezes, mas não viu o monte Alfalar outra vez. Pouco antes de morrer, o antigo contador Tuye disse à Mojo que essa dádiva só é concedida a um homem uma vez na vida, mas ele nunca desistiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Essa é a história, meninos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As crianças olhavam com ligeiro espanto para dona Ricca e não fizeram seus comentários sobre o conto, como de costume. A esta altura, eu já havia lavado e secado tudo, e estava guardando as panelas, quando me abaixei para abrir o armário, acabei vendo um sinal na panturrilha da senhora. Uma marca de nascença que representava claramente a silhueta de um urso. Não sei se ela me viu olhando, mas ajeitou a saia de um jeito que cobrisse o sinal. Retomei o que estava fazendo, atordoada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As crianças vizinhas foram para suas casas e eu coloquei os meninos para dormir. Pedi a dona Ricca esperasse, que eu gostaria de conversar com ela, mas ela respondeu:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você sabe o que viu, dona Moça. Alguns veem, outros veem e ignoram, e a maioria não vê. As coisas são assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Desenho feito por &lt;a href="http://www.orkut.com/Main#Profile?uid=6565267677106898787"&gt;Igor Vivian&lt;/a&gt;, pessoa super dedicada *-*. Para ver mais desenhos (ótimos) dele, clique &lt;a href="http://www.orkut.com/Main#Album?uid=6565267677106898787&amp;amp;aid=1242902438"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-2091673123104970529?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/TicR0qzIJH4" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-06-07T20:38:35.424-03:00</app:edited><media:thumbnail url="http://2.bp.blogspot.com/_T94aJ4QvwU0/TA1TaLlHPSI/AAAAAAAAAoY/0I3-16ijEJM/s72-c/desenh+mari2%281%29.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">13</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/05/atlantis.html</feedburner:origLink></item><item><title>Drácula</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/pC6gTHtOShI/dracula.html</link><category>Drácula</category><category>reflexo</category><category>mentira</category><category>história</category><category>conto</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Sat, 15 May 2010 18:42:32 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-3376187999368909777</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tu me enganas e eu te engano pra continuar tudo bem, tudo como estava. É necessário. “Há quanto tempo estamos assim? Desde o começo, talvez?”, pergunto para o espelho. Há tantas voltas não sou eu mesma. Meu corpo não me corresponde e não me reconhece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que aconteceu? Nada muito trágico. Nenhum término de relacionamento tão significante quanto a ressaca do dia seguinte, nenhum amigo traidor que mudou drasticamente minha vida, além de alguns reais a menos no bolso, meus pais e irmãos ainda vivem. Não sofri qualquer acidente, não fui à guerra, não fui estuprada. Não tenho câncer, nem AIDS. Não fui assaltada nos últimos dez anos. O que aconteceu comigo? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho trinta e oito anos e minha vida é uma série de não-acontecimentos. Irônico como consigo exteriorizar qualquer coisa do &lt;i&gt;nada&lt;/i&gt;. Meus livros vendem como água e os leitores vêm até mim falar como adoraram os romances. “Como são reais!”, afirmam entusiasmados. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como são tolos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostam de mentiras, dizem se identificar com os escritos, mas não há nada de suas vidas medíocres neles. Se assim fosse, eu poderia dizer que escrevi minha &lt;i&gt;própria&lt;/i&gt; vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_T94aJ4QvwU0/S-9MWGOE1-I/AAAAAAAAAiA/U3gd_18q1mc/s1600/dracula.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_T94aJ4QvwU0/S-9MWGOE1-I/AAAAAAAAAiA/U3gd_18q1mc/s320/dracula.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Eu deveria ser grata, não deveria? Meu rosto no espelho diz que sou grata, e sorri. Sorri para os leitores, deixa um autógrafo na primeira página. Ele parece feliz. Mas &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt; não estou. Meu último caso disse que eu fazia pelo público o que não fazia por mim mesma, tornando sua existência menos indolor. Gostei dele, e ele, do meu dinheiro. Transamos loucamente por um mês e depois sumimos da vista um do outro. É assim que funciona, caso não saiba. Uma contadora de histórias não acredita no amor. “O que esperava?”, pergunto para o espelho novamente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O reflexo quer me largar. Porque eu sou lixo. Digo que ele pode ir, mas eu fico com a sombra. Ainda mando em alguma coisa por aqui. E o que seria de um reflexo sem sombra? Então ele fica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há nenhuma história para me fazer sentir menos incapaz, porque eu sei que são apenas mentiras. Mentiras bonitas. As reais? Se valerem o preço de ser escritas, só me lembram que eu não tenho uma para contar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fico torcendo para, quem sabe um dia, alguém aparecer e dizer o quanto sou vazia, falsa. Que eu apenas menti para mim e para os outros durante... sempre. E então, quando isso acontecesse, largaria tudo. Seria a médica que minha mãe sempre quis e só diria verdades às pessoas. Morreria satisfeita de ter salvo muitas vidas, enfim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fantasiando outra &lt;i&gt;inverdade&lt;/i&gt;. Há tantas voltas rogo por isso, em vão. Meu reflexo continua mentindo para mim. Aprendeu comigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Desenho feito pela minha amiga &lt;a href="http://www.blogger.com/profile/17325956674976895007"&gt;Thaly Rissi&lt;/a&gt;, que faz os desenhos mais fofos do planeta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-3376187999368909777?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/pC6gTHtOShI" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-05-15T22:42:32.951-03:00</app:edited><media:thumbnail url="http://2.bp.blogspot.com/_T94aJ4QvwU0/S-9MWGOE1-I/AAAAAAAAAiA/U3gd_18q1mc/s72-c/dracula.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">5</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/05/dracula.html</feedburner:origLink></item><item><title>Pote vazio</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/v-eMt1o5JaE/pote-vazio.html</link><category>loucura</category><category>conto</category><category>amor</category><category>solidao</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Thu, 20 May 2010 09:24:33 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-6535652702505191922</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu poderia dizer que o dia estava parado e nostálgico, uma tarde de outono, onde eu olhava melancólico as folhas amareladas de qualquer árvore caírem sobre a terra úmida, mas na verdade era uma tarde quente e abafada, com muito sol e pouco vento e quem estava parado era eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu dizia a ela que ela era o motivo principal de o meu coração bater e, agora que ela foi embora, parece realmente que ele resolveu encerrar suas atividades. O sangue do meu corpo inteiro coagulou, eu sou um aglomerado de carne morta andando por aí. Carne morta cercada por vida. Isso me incomoda. Uma pedra parece ter mais vida que eu, mais motivo pra existir, mais razão. Alguém parece precisar de uma pedra, talvez ela seja a felicidade de um menino com um estilingue. Às vezes achava que entrei em estado de putrefação, mas lembrei que é porque não tomava banho há cinco dias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ar quente e úmido me incomodava, porque faz suar, então teria mesmo que tomar banho hoje. Mas eu sabia que esse clima é bom. Eu não sabia como me sentiria quando sozinho e com frio, pensava. Talvez fosse só isso, solidão e frio, mas temia aparecer algo mais. Algum sentimento surgindo brutalmente do meu estômago, feito aquele siso rasgando minha gengiva há tempos, que se espalharia como fumaça pelos pulmões, me impedindo de respirar. Finalmente alcançaria a garganta e daria vários nós por ali até subir de uma vez e explodir meu cérebro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui até a varanda e sentei para olhar o céu. Havia muitas nuvens brancas, eu costumava olhar para elas e ver peixes, pássaros... Então, agora são só vapor condensado no céu. De vez em quando, alguma nuvem aleatória tomava a forma de um pesadelo de infância e dizia que iria me comer, me estraçalhar. Continuava olhando. Depois de uns três ou quatro minutos o vento já as moldava em algodão doce disforme novamente. Em nenhum momento elas disseram que me matariam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os aposentos pareciam estranhos, conheço cada pedaço de cada um e chegava aos cômodos com a mesma intuição de um pândego voltando pra casa após a boemia. Mas o toque de cada objeto, a textura não era a mesma. Dizem que deixamos um pouco de nós em toda coisa, lugar, pessoa. Ela parece ter levado tudo embora com as malas, tudo dela, tirou sua presença de cada móvel, quarto, e de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe, eu tenho uma teoria. Nós guardamos todas os entes na barriga. Nossos filhos, pais, amantes e amigos. Porque toda vez que perco algum deles, sinto que meus órgãos não estão mais lá. O desapego aparece no seu manto feito de nuvem e chuva, então pesca em mim. Joga sua varinha e ela cai no meu tórax tão leve que até esqueço o maldito estrago que vai fazer. A varinha não tem isca, arranca cada coisa violentamente, pegando bem pelo meio, no meio de mim. O desapego não é muito amigável. Só não dói se você já o conhecer antes, o que significa na verdade que não tem nada a que se apegar. Lembra um primo chato, com quem eu tinha de acostumar em todas as férias. Sinto saudades dele, afinal.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca sentimos falta do desapego até ele nos machucar, já que só ele conserta seu próprio estrago.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ligo o aparelho de som que ela me deu de presente. Meus CDs favoritos estão ali. Elvis e Janis ouviam um bluesão; Raul ouvia bluesão e Elvis; e Renato Russo ouvia Janis e Elvis. Eu ouço Elvis, Janis, Raul e Legião. Ninguém nunca vai me ouvir. Talvez ela ouça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Ainda é cedo&lt;/i&gt;. As quatro estações ao vivo, segundo CD. “&lt;i&gt;Vocês querem saber por que essa história acabou? Porque eu gosto muito de dar ordem. Se as coisas não tão do jeito que eu quero, eu mando aumentar a guitarra, eu mando abaixar a guitarra... Mas isso você não pode fazer, principalmente no amor. Eu nem sei direito o que que é o amor. E você não pode ter uma relação de força, de poder, sabe. Tem que ser uma outra coisa. E eu já sofri muito na vida por causa disso. Tanta gente já foi embora da minha vida por causa disso. Que eu sou mandão. Com a melhor das intenções...&lt;/i&gt;”. Desliguei o som, já ouvi isso várias vezes. Do Renato e da minha consciência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltei pra varanda e senti um vento forte. Ele varria o mormaço e as nuvens para longe. O assovio parecia vir do meu corpo oco. Já estava anoitecendo e resolvi tomar banho antes que a água esfriasse muito, já que o chuveiro queimou. A água não parecia lavar nada, o sabonete estava sujando minhas ideias com o cheiro dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto me vestia, pensava no que fazer. Quando ainda éramos namorados, às vezes discutíamos. Então ela ia à pracinha pensar e jogar paciência. Sei porque eu também ia, e a encontrava lá, nos reconciliávamos. Talvez ela estivesse lá hoje. De qualquer forma, seria uma boa caminhada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, ela estava. Deitada debaixo da mesma árvore. Senti uma pontada no estômago. Seria fome? “S&lt;i&gt;abia que você viria um dia&lt;/i&gt;”. E se eu não viesse hoje? “&lt;i&gt;Eu estaria aqui nos próximos&lt;/i&gt;”. Então ela se levantou, me deu um beijo e me entregou uma carta. Depois virou e foi embora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei me perguntando qual seria o significado daquilo. Mesmo depois de já ter aceitado, era difícil &lt;i&gt;acreditar&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordei e me vi no sofá, com a TV ligada. Eu sempre acabava dormindo ali. Chamei seu nome, torcendo para que estivesse no quarto, como nos outros dias. Sem resposta, levantei e vi o envelope ainda fechado em cima da mesinha de centro. Abri-o. Era uma carta de baralho – um coringa – junto de um bilhete: “&lt;i&gt;você pode ser o que quiser&lt;/i&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu poderia externar minha própria escuridão dizendo que a noite estava fechada e tempestuosa. Na verdade estava linda, o céu limpo, com muitas estrelas e uma lua cheia grande e brilhante. Mas o vento continuava soprando frio, eu estava sozinho e meu estômago começava a doer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-6535652702505191922?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/v-eMt1o5JaE" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-05-20T13:24:33.231-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">17</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/05/pote-vazio.html</feedburner:origLink></item><item><title>Run for your lives - parte IV</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/mlH8c8nyjAs/run-for-your-lives-parte-iv.html</link><category>loucura</category><category>humano</category><category>conto</category><category>deus</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Thu, 20 May 2010 09:24:33 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-5030574065497734659</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que aconteceu foi que meu padrasto me ligou, dizendo pra eu ir correndo pra casa. Minha mãe estava passando mal e era pra eu ajudar a levá-la para o hospital, já que a ambulância demoraria muito e, com a pressão alta podia ter um infarto antes de ser atendida. Então eu tinha duas notícias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A notícia ruim era que minha mãe poderia morrer do coração a qualquer hora e a  notícia boa era que nós poderíamos entrar no hospital. Pelo menos eu poderia, já que sou o filho dela. E o padrasto manco que também tinha dor nas costas tinha que ficar em casa... pff. Enfim, qualquer coisa se o moleque me dissesse onde estava Deus e minha mãe tivesse um treco, quem sabe eu não pedia um milagrezinho?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Liguei para o Nico, que conhecia o menino, e disse pra ele ir rápido para o hospital e me esperar do lado de fora, para entrar comigo. Tudo feito, entramos, mãe internada, estamos no quarto com ela. São oito da noite e ainda há algum movimento no hospital. Disse pro Nico pra esperarmos ficar só o médico de plantão e depois irmos atrás do Eugênio. Minha mãe passaria a noite em observação, então teríamos tempo. Sentamos e esperamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finalmente, o ritmo diminui e nós saímos do quarto. A recepcionista da noite não aguenta ficar muito tempo sem fumar, então passa a madrugada sentada num banquinho em frente ao hospital. Com exceção de ter que lidar com o medo demasiado do Nico, é relativamente fácil descobrir o quarto em que o menino está. O problema é como entrar lá. Aliás, nem isso, mas... e se alguém estiver com ele? E provavelmente está...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resolvemos que descobriríamos batendo à porta. TOC TOC. Nenhum barulho. TOC TOC. De novo, silêncio. TOC TOC. Ainda nada. Entramos. Nico cutucou Eugênio para que acordasse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oi, Eugênio, sou eu, o Nico do segundo ano. Você está bem?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estou, mas, como entrou aqui?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Shh. Não importa. Viemos conversar com você – sussurrava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vieram? Quem “vieram”?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu estava num canto do quarto, no escuro, então Eugênio não estava me vendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O Nico e eu viemos. Talvez você não me conheça. Meu nome é Johnny e eu estudo no terceiro ano. Vi quando você saiu correndo e também vi quando bateu a cabeça no muro. Gostaria de saber o que aconteceu e, se você me permitir, escrever uma matéria sobre o assunto para o jornal da escola, mas só se me permitir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nico me olhou com uma interrogação estampada na testa, já que eu não fazia parte da edição do jornal, mas, enfim, me pareceu uma explicação mais plausível para o que eu estava fazendo ali, no momento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oh... – Eugênio parecia confuso – Hoje alguns caras já passaram por aqui, mas eu não disse nada, porque não confio neles. Mas tudo bem em contar para vocês, preciso contar para alguém, mesmo, e meus pais acham que enlouqueci com a batida na cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nós ficamos sabendo de uns boatos a respeito de você ver Deus. É verdade?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, eu o vi. Ah, vi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E como ele era?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ele era um Olho... – Eugênio olhava para o nada, como se o “olho” ainda estivesse na sua frente – Não tinha cor nenhuma, a íris era como se fosse um furacão e a pupila era literalmente o “olho do furacão”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Interessante. Poderia ser qualquer outra parte do ser humano, inclusive um pênis. Já pensou ele ser um pênis? Será que seria ereto? Hm.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Johnny! Pára de graça! Continuando, Eugênio... ele falou com você?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Falou, sim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- ...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E então? – perguntei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Disse que não estava contente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então Deus apareceu para dizer a você que não estava contente? Céus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você não esperou eu terminar. Ele disse que queimaria todos vivos, para nos castigar de cada pecado. E então tentou me acertar, foi quando eu saí correndo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Acertar? Com o quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Lasers.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- LASERS?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, lasers que saíam do meio do olho dele. Foi aquilo que destruiu algumas partes da escola. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Haha, malandro! Foi desse jeito que ele botou fogo na sarça, então...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não fale assim, cara. Estou com medo. Medo do que pode acontecer. Sabe, eu consegui &lt;i&gt;fugir de Deus &lt;/i&gt;e não sei quanto tempo pode durar. Eu não acreditava nele e agora ele apareceu para mim do nada, me pergunto se por capricho. Tanta gente querendo vê-lo e ele veio se mostrar para um ateu... Se mostrar &amp;amp; ME matar. Matar todos. Eu não acreditava e não foi um encontro muito amigável. Acho que preferia continuar na ignorância.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Uma vez num &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8auwBvOmfws&amp;amp;feature=related"&gt;filme&lt;/a&gt;, ouvi um homem falar que Deus não é bom, apenas estava do nosso lado – disse Nico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eugênio, se o que você disse é verdade, estamos todos fodidos. – concluí desolado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É, estamos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-5030574065497734659?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/mlH8c8nyjAs" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-05-20T13:24:33.234-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/05/run-for-your-lives-parte-iv.html</feedburner:origLink></item><item><title>Run for your lives - parte III</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/SIYOVUQLvfM/run-for-your-lives-parte-iii.html</link><category>loucura</category><category>humano</category><category>conto</category><category>deus</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Fri, 20 Aug 2010 10:16:10 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-7724903229537842715</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Zé e eu continuamos caminhando até perceber que o hospital estava cheio de carros, câmeras, policiais e picolezeiros. Era um dia quente. Vãs de todas as emissoras de TV pareciam se concentrar na entrada do hospital. Claro, se um menino afirma ter visto Deus, isso deve aparecer na TV. Claro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vamos entrar com passo firme e queixo erguido. Somos primos do querido Eugeninho, certo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Certo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O saguão do hospital estava lotado. Gente comum e uniformizada numa fila pra falar com o recepcionista. Fomos direto pro balcão, ouvindo injúrias pelo caminho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olá, somos primos do Eugênio. Gostaríamos de vê-lo – disse Zé.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O primeiro “primo” do Eugênio apareceu por aqui há horas e era um reportar da Global Television. Ache uma desculpa melhor, garoto. E, da próxima vez, espere na fila, por gentileza. É pra isso que ela serve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Somos primos dele e temos urgência – intervim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Próximo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Pausa para relatar a visita de Babão ao veterinário (Salviano me contou depois).&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Salviano entrou e demorou apenas alguns minutos para o cachorro ser atendido. O veterinário atencioso ouviu sobre a estranheza no comportamento do vira lata e o examinou minuciosamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Salviano, Babão está aparentemente normal. O que posso fazer é pedir alguns exames de sangue, se quiser, mas acho desnecessário. Ele é um cachorro saudável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Seu Luís, ele é sempre tão agitado. Até ontem, estava como de costume, mas hoje parece abatido, quieto demais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O Babão já tem mais de 5 anos, Salviano. A idade está chegando para ele. Seu cachorro não é mais um “adolescente” na flor da idade. É natural que daqui para frente ele fique mais calmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu insisto, seu Luís. Até costumamos dizer que ele é o membro mais ativo da família. É muito inquieto, mesmo! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bom, então talvez seja sua família que esteja precisando de uma consulta. Vou fazer os pedidos de exame de sangue, um minuto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O veterinário entregou a Salviano alguns papéis e disse para ficar tranquilo, Babão estava vacinado e tinha tomado vitaminas recentemente, não havia motivos para preocupação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;De volta à volta do hospital com o Zé.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encontramos Salviano no caminho e ele nos contou sobre a consulta. Resolvemos dar um passeio na praça com o cão from hell, que estava quase virando um arcanjo. Assim, aproveitávamos pra contar o que aconteceu no hospital pros outros. Pegamos o Nico em casa e ligamos pro Fabrício pra dizer que nos esperasse lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando chegamos e eles ficaram sabendo da história, nos deram uma comida-de-rabo, bem merecida:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas vocês são burros ou o quê? – Adailson ficou com raiva. Com razão. – Agora o recepcionista já conhece vocês, pa-ra-béns! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cara, eles foram idiotas, mas relaxa. Talvez tenha um jeito. Eu conheço aquele hospital inteiro, mas amanhã esse Eugênio aí já deve ser liberado e não vamos conseguir nada. É um pouco arriscado. Vocês nem conhecem o menino, pode ser só uma história boba. Estão dispostos a talvez se foderem só pra tentar falar com ele?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- No que você está pensando? – Zé ficou desconfiado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu celular tocou. Atendi. Desliguei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fabrício, acho que não vamos precisar de nada tão radical. Preciso ir, agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas...!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Depois ligo! – fui me afastando, enquanto caminhava rápido pra casa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://buracoescuro.blogspot.com/2010/05/run-for-your-lives-parte-iv.html"&gt;Parte IV. &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-7724903229537842715?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/SIYOVUQLvfM" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-08-20T14:16:10.412-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/04/run-for-your-lives-parte-iii.html</feedburner:origLink></item><item><title>Run for your lives - parte II</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/Eh1nnJUfeWM/run-for-your-lives-parte-ii.html</link><category>loucura</category><category>humano</category><category>conto</category><category>deus</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Fri, 20 Aug 2010 10:15:49 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-7015815597584114004</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Espera aí! Você acabou de me dizer que o fedelho viu Deus?! E que Deus disse pra ele que começou o Apocalipse? Você não é ateu, porra? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Calma, Johnny. Talvez ele tenha enlouquecido quando deu aquela cabeçada no muro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ou antes, pra ter feito aquilo. Moleque burro. Como vocês ficaram sabendo? Como têm certeza que ele disse isso mesmo?&lt;/div&gt;- Conheço ele – respondeu Nico. – Fui até a enfermaria depois e ele conversou comigo.&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tinha que ser. Ele estuda com você?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, ele ainda tá no primeiro ano. Mas é inteligente, ele faz meus trabalhos em troca de lanche todos os dias. E, Johnny, até onde eu sei, ele também não acreditava em Deus. Mas agora jura de pés juntos que o viu. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por isso você só tira a nota pra passar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Porque vou mal nas provas. Ainda tiro nota por causa dele, hahaha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fiquei curioso, agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu também – disse Zé.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que tal conversarmos com ele? Qual é mesmo o nome, Nico?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eugênio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nome feio da porra, hein?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olha quem fala, Jonisvaldo, hahahah.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Minha mãe tava bêbada quando me fez, quando pariu e quando registrou, mas aposto que ela pensou em me chamar Johnny. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O Babão tá estranho hoje, né? - falou Fabrício, que até agora não tinha dito nada, só prestado atenção no cachorro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por quê? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tá muito quieto...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hum, é verdade, Salviano. Olha aí o Babão, talvez ele esteja doente – disse Adailson.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Está normal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu li uma vez que animais sentem abalos sísmicos antes de nós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É, mas nesse caso eles ficam agitados. Que estranho. Acho que vou levar ao veterinário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fica no caminho do hospital, o Eugênio deve estar lá. Vamos com o Salviano, Zé?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Opa! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Até à noite, bando. Nico, fica aí cuidando da casa, hein? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por quê? Eu ia sair com os meninos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- As coisas estão estranhas. Melhor prevenir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, o Salviano o Zé e eu fomos pra um lado, enquanto o Fabrício e o Adailson foram pra praça e o Nico ficava em casa, pro caso de... Deus? aparecer pra ele. O Salviano ficou com o Babão lá na clínica, o Zé e eu seguimos pro hospital.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O que você achou dessa história toda, Zé?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sei lá. Tava pensando se a gente vai poder entrar no quarto dele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Talvez não. Mas vamos entrar, ou não me chamo Johnny!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você &lt;i&gt;não&lt;/i&gt; se chama Johnny.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Shh! A gente vai entrar. Olha lá, chegamos...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://buracoescuro.blogspot.com/2010/04/run-for-your-lives-parte-iii.html"&gt;Parte III. &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-7015815597584114004?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/Eh1nnJUfeWM" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-08-20T14:15:49.857-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/04/run-for-your-lives-parte-ii.html</feedburner:origLink></item><item><title>Run for your lives - parte I</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/15GryuI7AeI/run-for-your-lives-parte-i.html</link><category>loucura</category><category>humano</category><category>conto</category><category>deus</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Fri, 20 Aug 2010 10:14:54 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-1347682250578943446</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se existia alguma aula de Física mais chata que a que eu tava, ainda não tinha sido inventada. Ugh, a única coisa que eu queria era sair dali. Queria desesperadamente. Aula sobre troca de calores... Muito efetiva. A única coisa que eu tava aprendendo sobre calor com certeza era com meu conhecido Edward Murphy (não o ator famosão, mas até poderia ser, porque eu tava me sentindo zoado pra caralho, ali). Mas era basicamente sobre a teoria de que se existem três ventiladores na sala, a probabilidade de um deles quebrar é grande, mas a probabilidade de você se sentar perto do ventilador que irá quebrar é enorme. Eu fazia parte da estatística.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente, ouvi uma baderna do caramba, e tzuuum! pá! creck, truuu... quic, quic, quic. Vidro quebrando. Um moleque passou correndo e usando o máximo que suas cordas vocais permitiam pra gritar “CORRAM! CORRAM TODOS! CORRAM!”.&lt;/div&gt;O moleque corria como eu jamais vira algum queniano correr. Correu contra o muro, pensei que ele fosse virar, não o julguei tão idiota a princípio, a essa altura todos já estavam fora das salas olhando o moleque se estabacar na parede de tijolos. Bateu a cabeça e desmaiou. Ou morreu, vai saber.&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo depois, o mesmo barulho de novo: tzuuuuuuum! Mais alto e mais perto. Sei lá o que era, mas nosso mural tava todo destruído. Não sei se foi culpa do que quer que seja fazendo aqueles “tzums” ou do moleque descontrolado. Sei que minha aula de Física tinha acabado, peguei meu material antes que resolvessem continuar a tortura e dei o fora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pouco me importava aquele pirralho. E eu ia ligar pra interpretação dramática de “run to the hills”? Nem fodendo. Cheguei em casa e fui direto pro banheiro, tomar uma ducha fria. Tinha tempo que não fazia tanto calor.&lt;br /&gt;
Mal saí do quarto, meu padrasto já veio encher o saco:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tá matando aula, moleque?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não é da sua conta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então trata de procurar emprego, que aqui não é lugar de vagabundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você devia ir embora então, mané.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como é que é?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Além de manco, virou surdo agora, é? Foi isso aí que você ouviu. Ou não. Tanto faz, você não tem vergonha na cara, mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Volta aqui! Seu filho da puta!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sei que você acha minha mãe isso aí, só não deixa ela ouvir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Catei minha bike e saí muito fulo da vida. O cara veio pra dentro de casa e depois de alguns meses torceu o pé, ficou manco do nada. Desculpa pra não trabalhar. Só minha mãe não viu que ele manca de lados diferentes. Ou talvez tenha visto, mas a foda à noite valha a pena pra sustentar um vagabundo no lugar do filho dela. É, Murphy é meu amigão, aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resolvi dar uma passada na casa do Salviano, parece que o Zé ia pra lá depois também. Deixei a bike na garagem dele e o Babão já veio pular em mim. Na verdade ele nem babava tanto, graças a deus. Era um vira lata possuído. Não havia cachorro mais demoníaco na Terra. E a gente adorava ele. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando cheguei, o Zé já tava lá. Ele, o Adailson, o Nico e o Fabrício. E o Salviano, claro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ué, todo mundo chegou antes de mim, hoje. Aconteceu alguma coisa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Meu deus! Você não ficou sabendo? Tá todo mundo comentando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pelo jeito, não. O que é?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cara, senta aí que a história é tensa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://buracoescuro.blogspot.com/2010/04/run-for-your-lives-parte-ii.htmlhttp://buracoescuro.blogspot.com/2010/04/run-for-your-lives-parte-ii.html"&gt;Parte II. &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-1347682250578943446?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/15GryuI7AeI" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-08-20T14:14:54.990-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">7</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/04/run-for-your-lives-parte-i.html</feedburner:origLink></item><item><title>Silêncio</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/asIo-U3cCm8/silencio.html</link><category>paixao</category><category>humano</category><category>fragilidade</category><category>conto</category><category>amor</category><category>solidao</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Thu, 20 May 2010 09:24:33 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-3050937230583870990</guid><description>- Que pena, o friozinho acabou. Já, já, volta o calor infernal.&lt;br /&gt;
- Pois é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Prefiro o frio ao calor, e você?&lt;br /&gt;
- Se fosse frio sempre, você preferiria o calor. Pra mim tanto faz, se eu estiver confortável.&lt;br /&gt;
- Credo. Por que está assim, hoje?&lt;br /&gt;
- Mau humor.&lt;br /&gt;
- Percebi, ma...&lt;br /&gt;
- Então.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Olha, desculpe.&lt;br /&gt;
- Eu sei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- É o céu.&lt;br /&gt;
- Claro. Está &lt;i&gt;escrito nas estrelas&lt;/i&gt; que certos dias você deve me tratar feito lixo. Deve ser porque não vou muito com a cara da Astrologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Ah, Aninha... não fica assim, senão será o dobro pior, com os dois bicudos. Além do mais, daqui a pouco vou embora, vamos aproveitar, hm? Desculpe a grosseria, não estou muito bem, é isso.&lt;br /&gt;
- Tudo bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Aninha?&lt;br /&gt;
- Hm?&lt;br /&gt;
- Ficou chateada por minha causa?&lt;br /&gt;
- Sim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Ana...&lt;br /&gt;
- Bom, não. Não necessariamente. Você me lembrou que vai embora em pouco tempo.&lt;br /&gt;
- Mas é verdade.&lt;br /&gt;
- Eu sei. Só preferia não pensar sobre isso até o último minuto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Ana?&lt;br /&gt;
- Oi?&lt;br /&gt;
- Também prefiro o frio ao calor, pra falar a verdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Max.&lt;br /&gt;
- Shh...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Max.&lt;br /&gt;
- Hm?&lt;br /&gt;
- Eu te amo.&lt;br /&gt;
- Não ama, não.&lt;br /&gt;
- É.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Ana, você sabe que não é bom falar sobre essas coisas. &lt;br /&gt;
- Vou embora.&lt;br /&gt;
- Não, eu que vou.&lt;br /&gt;
- Vou também. Já que você não virá mais me ver, vou garantir isso. Vou me mudar e você não saberá o endereço. Assim, não vou sofrer tendo esperanças que um dia você me visite.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Ana, eu queria ficar com você.&lt;br /&gt;
- Mas está&lt;i&gt; escrito nas estrelas&lt;/i&gt; que você deve ir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Você não entendeu a parte do céu, na verdade você não me deixou explicar.&lt;br /&gt;
- Hmmm...&lt;br /&gt;
- Depois que passa o frio, o céu fica limpo, sem nuvens. E eu não gosto.&lt;br /&gt;
- O Senhor da Meteorologia fica mau humorado quando o tempo não está do seu agrado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Sinto-me sozinho.&lt;br /&gt;
- E vai ficar mais.&lt;br /&gt;
- Quero dizer, o céu.&lt;br /&gt;
- Diabos... diga logo o que quer dizer, Max.&lt;br /&gt;
- Ok, tudo bem. Eu queria explicar que quando o céu está assim, me sinto sozinho. Eu me sinto como se fosse o próprio céu e as outras pessoas fossem as nuvens. E que, embora elas sejam feitas de uma matéria diferente da minha, prefiro quando estão por perto. Por isso o mau humor. &lt;br /&gt;
- Eu estou perto. Enquanto você quiser.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Preciso ir, não posso perder o vôo.&lt;br /&gt;
- Vamos, eu levo você ao aeroporto.&lt;br /&gt;
- Não precisa.&lt;br /&gt;
- Precisa, sim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Vou sentir sua falta.&lt;br /&gt;
- Sempre vou lembrar daqui.&lt;br /&gt;
- Eu também.&lt;br /&gt;
- Não vai embora também, vai? &lt;br /&gt;
- Disse que vou.&lt;br /&gt;
- Ana...&lt;br /&gt;
- O avião vai decolar.&lt;br /&gt;
- Não sei até onde isso é mau.&lt;br /&gt;
- Vendarei você quando não houver nuvens no céu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Max?&lt;br /&gt;
- Hm?&lt;br /&gt;
- Boa noite.&lt;br /&gt;
- Bons sonhos, Ana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-3050937230583870990?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/asIo-U3cCm8" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-05-20T13:24:33.237-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/04/silencio.html</feedburner:origLink></item><item><title>Onde está o Rei?</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/eRu7CCehp0o/onde-esta-o-rei.html</link><category>loucura</category><category>humano</category><category>ambicao</category><category>fragilidade</category><category>dinheiro</category><category>conto</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Thu, 20 May 2010 09:24:33 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-6808497923207348915</guid><description>&lt;div false’="" oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" onselectstart="’return" style="text-align: justify;"&gt;Era uma vez, numa ilha distante, um reino chamado Kaput.  Kaput podia  ser dividido em apenas duas partes: a corte e o resto. A  corte do reino  era imensa e seus integrantes eram denominados nobiles. O  resto  constituía a plebs.&lt;br /&gt;
Ao contrário do nosso mundo, onde há  máscaras e nunca se sabe quem é  quem, em Kaput essa divisão era bem  evidente. Não havia demais classes,  ou você vivia dentro da corte, ou  fora. E podia-se perceber os nobiles  por suas roupas. Eles usavam apenas  ternos. Homens, mulheres,  crianças, bebês, idosos, não importava. Todos  usavam ternos vermelhos.  Nunca alguém teria visto um nobiles sem seu  terno, em nenhuma ocasião.  Os plebs usavam apenas camisetas e calças de  tecido e cor iguais. Em  Kaput era assim, havia apenas duas fábricas, e  as roupas só poderiam  ser fabricadas nesses mesmos modelos, com  diferenças apenas no tamanho.  Assim era feita a distinção entre nobiles e  plebs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apenas uma pessoa poderia vestir o que quisesse. Ou não  vestir nada. O  Rei. Mas o Rei estava desaparecido. Virara um mito. O Rei  teria feito  uma viagem e seu povo o aguardava ansiosamente, para que  ele chegasse e  resolvesse todos os problemas da sociedade. Pobre povo.  Há muito o Rei  não fazia a barba, nos calabouços da corte, onde seus  companheiros  nobiles o amarraram e jogaram.&lt;br /&gt;
A divisão não era só  abstrata. Nobiles não se misturavam, então havia  uma grande muralha que  dividia Kaput. Uma grande muralha e um pequeno  portão, para simbolizar  uma pequena passagem. Poucos cruzavam esse  portão. Com exceção dos  sacerdos, era um número irrisório de plebs que  iam para o outro lado.  Nunca um nobiles puro saíra de seu território.  Não havia civilização  próxima à muralha, para não haver o risco de, em  algum momento de  abertura desse portão, um nobiles ver um plebs e  vice-versa. &lt;br /&gt;
Os  nobiles trabalhavam a serviço do Rei. Mas o Rei, como vocês já  ficaram  sabendo, estava trancado e muito bem escondido em alguma  profundeza do  reino. Sua corte se assegurou de, antes de levá-lo para  lá, dar um jeito  de manter seus empregos da seguinte maneira: cada  semana um nobiles  ocupava o trono. Um nobiles por semana, dizia a Lei,  em caso de ausência  do soberano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tem certeza de que quer entrar aí? - disse o porteiro.&lt;br /&gt;
-  Tenho - o jovem respondeu.&lt;br /&gt;
- Por quê? Você não é feliz aqui fora?&lt;br /&gt;
- Na maioria das  vezes. Mas em algumas, sinto que quero algo mais.&lt;br /&gt;
- E o que seria?&lt;br /&gt;
-  Um terno vermelho me possibilitaria ter uma grande casa, como essas  que  você sabe que há aí dentro.&lt;br /&gt;
- E o que te garante que eles  aceitarão? &lt;br /&gt;
- Farei o que me ordenarem.&lt;br /&gt;
- Você sabe o que é  ser um terno-vermelho? Eles só tiram a roupa para  tomar banho e olhe lá!  Ninguém nunca viu outro nobiles sem seu terno.  Sabe como as crianças  nascem aqui? Inseminação artificial. Por que  perderia sua liberdade  assim, só por uma casca?&lt;br /&gt;
- E o que vou fazer? Passar o resto dos  meus dias aqui?&lt;br /&gt;
- Por que não? Olhe, eu sou o porteiro. Eu vejo os  dois lados daqui. E  se eu pudesse escolher, com certeza ficaria com a  plebs.&lt;br /&gt;
- E o que tem de tão bom nessa miséria?&lt;br /&gt;
- Quais são  seus bens valiosíssimos? O que vocês tem a perder?&lt;br /&gt;
- Nada. Justamente por isso que eu...&lt;br /&gt;
- Meu amigo, sabe o  nome disso?&lt;br /&gt;
- Injustiça?&lt;br /&gt;
- Não, isso se chama &lt;i&gt;liberdade&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
-  Eu posso entrar, conseguir o que eu quero, depois sair. Seria livre  de  novo. É relativamente rápido.&lt;br /&gt;
- Só não vá muito para o centro.  Senão você não volta.&lt;br /&gt;
- O que tem lá?&lt;br /&gt;
- Vazio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem entrou e começou a dar voltas pela parte cercada da ilha.   Aquilo era um labirinto. Como eles se localizavam ali? As casas eram   idênticas. Talvez não soubessem onde estavam, de fato. Sua roupa bege   chamava a atenção em meio a tanto vermelho.&lt;br /&gt;
Primeiro eles  disseram ao jovem que ele era pior que eles e o jovem  disse &lt;i&gt;sim&lt;/i&gt;;  depois pisaram em cima dele e o jovem disse &lt;i&gt;sim&lt;/i&gt;;  em seguida,  cuspiram em seu rosto e ele disse &lt;i&gt;sim&lt;/i&gt;; o amarraram,  &lt;i&gt;sim&lt;/i&gt;;  rasgaram sua roupa, &lt;i&gt;sim&lt;/i&gt;; roubaram sua identidade,&lt;i&gt;  sim&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
No  fim, o jovem ficou muito ensanguentado. Foi levado para o hospital   inconsciente. Lá ele foi curado e ganhou um terno vermelho. Quando saiu   do prédio, não fazia idéia de onde estava. Todas as casas eram iguais,   os prédios eram os mesmos. Como diferenciar as pessoas? Uma multidão o   arrastava cada vez mais pro meio. Mais e mais.&lt;br /&gt;
E o caminho  parecia não ter fim. O jovem caminhou pelo que parecia ser a  eternidade.  Ele não sentia mais fome, nem sono. Seu cansaço não era  físico, mas ele  queria desesperadamente &lt;i&gt;apagar&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;
Então ele chegou ao &lt;i&gt;centro&lt;/i&gt;.  Não sabia mais se tinha passado  quinze minutos ou quinze anos, só não  era mais jovem. Alguém colocou  uma coroa em sua cabeça e disse:&lt;br /&gt;
- Esta semana o senhor será Rei. Faça o que quiser.&lt;br /&gt;
O  ex-jovem encontrava-se agora sentado num trono muito alto.  Praticamente  não via quem estava lá embaixo. Não sabia o que fazer,  estava atordoado.  Esticava a vista para longe e a única coisa que  enxergava era um grande  muro. Ele se inclinou levemente e conseguiu  avistar o pequeno portão  por que entrara há... quanto tempo mesmo?  Ficou em pé no trono, tentava  achar o porteiro. Queria ver um rosto  diferente.&lt;br /&gt;
O ex-jovem se  desequilibrou, então, e caiu de seu alto trono. Bateu a  cabeça e logo  outro disse: "Está morto."&lt;br /&gt;
Retiraram seu terno e empurraram seu  corpo para um jazigo de mármore.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-6808497923207348915?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/eRu7CCehp0o" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-05-20T13:24:33.238-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/03/onde-esta-o-rei.html</feedburner:origLink></item><item><title>Insônia</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/6wn5m2qMtLc/insonia.html</link><category>insonia</category><category>conto</category><category>carnaval</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Thu, 20 May 2010 09:24:33 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-2813333344694281458</guid><description>&lt;div false’="" oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" onselectstart="’return"&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Preciso sair de casa. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Olha o relógio, veste a calça, o moletom branco, passa o batom mais vermelho que tem na caixinha de maquiagens, prende o cabelo, sorri para o espelho. Toma água, pega as chaves, destranca as duas voltas cuidadosamente, sai. Chega ao portão, ouve o barulho vindo da praça, vê o casal se beijando na esquina, hesita. Não ousa ir para a rua. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Volta e vai ouvir &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5FMhnl0__Vo"&gt;Janis&lt;/a&gt; às 2:45 am, enquanto o sono não vem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ainda é carnaval.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-2813333344694281458?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/6wn5m2qMtLc" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-05-20T13:24:33.238-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">5</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/02/insonia.html</feedburner:origLink></item><item><title>SOS, amigo</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/gMEw0woPxLg/sos-amigo.html</link><category>pesadelo</category><category>sonho</category><category>sexo</category><category>velho</category><category>amizade</category><category>fragilidade</category><category>conto</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Thu, 20 May 2010 09:24:33 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-4895520010093135690</guid><description>&lt;div false’="" oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" onselectstart="’return"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tão pequena, devia ter uns sete anos. Magrinha, cabelo comprido, olhos grandes e assustados. O que fazia naquela casa? Com um casal desconhecido, supostamente seus pais. Foi até o quintal e percebeu que estava numa espécie de sítio, chácara. Dava pra ver a luz de outra casa a cerca de um quilômetro dali. Então voltou e ouviu uma conversa confusa entre os dois:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O que faremos com ela? Temos que entregar aos pais verdadeiros – disse a mulher, branca, cabelos castanhos curtos, batendo no ombro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ele vem buscá-la amanhã, pode ficar tranquila.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então aqueles não eram seus pais. Como fora parar naquele lugar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No outro dia estava na casa das luzes acesas que tinha visto à noite. Ela, tão branquinha, numa família de negros. Será que o casal branco não percebera? Só havia negros na casa, como ela poderia ser filha daquele homem? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de eles a terem deixado lá, lembrava do casal branco e de como eles eram estúpidos. Mas como não tinha escolhas, ficou por ali sem questionar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na hora do almoço, já teve problemas. Percebeu que o homem era um velho safado, que quis passar a mão nela. E que há muito já passava a mão &amp;amp; outras coisas na única filha, uma garota de dez anos que tinha ares de adulta bestializada. A mulher era um vegetal, um vegetal que balançava a cabeça: &lt;i&gt;sim, senhor; sim, senhor; sim senhor.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percebeu que a filha, além de tudo, sentia ciúmes do pai e, quando percebeu seus olhares para ela, emburrou e começou a fazer provocações infantis. Tentando se autoafirmar, com toda aquela maquiagem pobre e pulseiras de plástico muito colorido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não adiantou, a atenção do velho estava toda para a pequena. Passava a mão em sua coxa por baixo da mesa, fazia piadinhas infames e toscas, despia-a com os olhos. Ela se afastava como podia, com cara de nojo, para ainda receber reprimendas da mulher. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que era aquilo? Ele ainda a chamava de &lt;i&gt;filha&lt;/i&gt;. Eles falavam com ela como se fosse realmente filha, não uma querida e bem tratada, claro, mas uma filha que se podia explorar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela pensava em como ele tinha mau gosto para roupas, além de ser feio. Um homem asqueroso. Usando um terno roxo, com um colete em tons amarelos e dourados, que merda era aquela? E aquele chapéu? Os dentes sujos, podres. A casa em péssimas condições. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após a refeição, o homem foi mostrar onde seria seu quarto, aproveitando da situação para boliná-la um pouco mais. A menina desesperada, mas sabendo que não seria uma boa idéia reagir. Ela estava num sítio! Longe pelo menos quinhentos metros e de quem! daquele casal de palermas. Ficou quieta, fingindo que estava tudo bem. E o velho disse que voltaria mais tarde. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anoiteceu rápido e ela resolveu sair pela janela. A casa era de madeira, a janela rangia conforme se abria. Primeira perna, suor, medo. A noite estava enluarada. Ouviu a mulher conversando alguma coisa. Pensou em voltar, mas ela devia estar conversando com a filha, o homem tinha saído. A outra perna e finalmente o chão. Olhou rapidamente para onde poderia ir. Avistou um campo de corrida. Não sabia exatamente do que, mas viu gente e se dirigiu para lá, furtivamente, se escondendo atrás das grandes pedras que havia pelo caminho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando se deu conta, viu um cachorrinho a seguindo. Era seu amigo, sabia, mas não se lembrava de onde ou quando. Aliás, do que se lembrava naquele lugar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao alcançar o campo, percebeu que seu “pai” também estava chegando, com alguns amigos e dinheiro para aposta. Saiu correndo antes que ele a visse, mas não adiantou muito, só conseguiu pegar uma pouca distância. Sua sorte foi a de ele ser gordo e velho e não aguentar correr muito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As únicas pessoas para quem ela poderia pedir ajuda agora eram os brancos. Então correu para lá, sem parar. O cachorro na frente, guiando-a no meio do pasto. Quando chegou, entrou correndo e viu que o velho saía de lá, com seu charuto porco e um sorriso nos lábios. Tinha acabado de notificar que ela fugira, que ele estava muito preocupado e esperava notícias ansioso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro que ele iria para lá, mas como tinha chegado antes? Ela olhou para o lado e viu um carro estacionado, provavelmente de algum amigo. Então começou a correr de novo, apesar de muito cansada. O cachorro a guiou em direção a uma grande porteira, o homem com o carro atrás. Carro antigo, de época, não corria muito. Em que ano ela estava? Correu e já trepou na porteira, escalando rápido, a porteira era bem alta. O homem já tinha descido do carro e vinha em sua direção, ia puxar suas pernas! O cachorro do outro lado tinha passado por baixo e estava latindo desesperado. “Desça logo!” é o que parecia dizer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então ela conseguiu atravessar. Não olhou pra trás. Não havia nada à frente, nada que ela pudesse ver. Estava muito escuro, mas o cachorro estava junto. Ela não ouviu quando o negro atrás da porteira gritou, seus gritos não chegavam daquele lado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Sexta-feira, doze de fevereiro de dois mil e dez, um dia de insônia e/ou pesadelos.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-4895520010093135690?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/gMEw0woPxLg" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-05-20T13:24:33.239-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">5</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/02/sos-amigo.html</feedburner:origLink></item><item><title>Bom dia</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/q7Md3yyGSxQ/bom-dia.html</link><category>sexo</category><category>conto</category><category>paz</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Thu, 20 May 2010 09:24:33 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-4468743151762069050</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div false’="" oncontextmenu="’return" ondragstart="’return" onselectstart="’return"&gt;- Hoje o dia acordou cinza. Faz cinco anos que eu moro aqui e nunca vi a cidade tão linda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você gosta daqui, não é?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hoje, sim. Mas odiava o lugar assim que me mudei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Amor e ódio são vizinhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É. Você conhece a fama do lugar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Qual?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dizem que quem mora aqui e vai embora, acaba voltando. Sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você acredita nisso?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Minha mãe é um exemplo. Talvez eu seja também, um dia. Mas não sei quando vou sair da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não quer sair?&lt;/div&gt;- Até quero. Viajar, conhecer outros locais, sim. Só acho que sempre voltarei pra cá, assim como para a cidade que vivia antes de vir, e como as outras em que ainda vou morar.&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você é muito apegada aos lugares...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É que... Sabe, depois de um tempo morando num lugar, um tempo considerável, cinco anos é considerável, não é? Depois desse tempo, fica tudo tão familiar. Tão seu, que é difícil largar. Tudo fica finalmente organizado do seu jeito, aquele tipo de coisa que você olha e sabe que tem uma mão sua ali. Você sabe quando a bagunça foi você que fez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sei, mas não gosto. Quando chega a esse ponto, entedio-me. E vou morar em outro canto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E aí passa a ter raiva?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, mas não tenho vontade de visitar um lugar que abandonei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E as sensações? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quais?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cada lugar dá sensações diferentes a alguém. Nunca sentiu isso? Principalmente você, que troca tanto de cidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, pra mim é tudo igual. Deve ser por isso que não faço questão de voltar a qualquer lugar que morei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como eu disse, depois de certo tempo, como cinco anos, as sensações voltam. Por exemplo, algumas eu só tinha na primeira cidade em que vivi. Por causa do clima, pessoas ao redor, situações. E sentia saudade delas quando saí de lá, porque as sensações que eu passei a ter eram diferentes, e eu considerava estas piores, por isso tinha raiva daqui. Mas com o tempo, aquelas voltaram. E passei a ter aquelas e estas no mesmo lugar. Se eu me mudasse hoje, teria outras novas, até que as antigas voltassem. Entende?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nossa. Que complicado, isso. Fiz um esforço, porque eu me sinto igual em qualquer lugar. Praia, cidade, interior. Tudo igual. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E as mulheres? Também são iguais?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como assim? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você é solteiro. Muda-se com freqüência. As mulheres de cada lugar, também são iguais para você?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hmm... É muito relativo. De algumas me lembro, outras se vir, não saberei quem são. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você não as associa às cidades? Uma mulher que você gosta àquela cidade tal, e então passa a ter gosto pelo lugar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, nunca foi assim. Porque sei que há mulheres diferentes, esperando-me em outras cidades por aí. Algumas me marcam mais, mas não significa que elas são melhores, apenas diferentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então são todas iguais, porque apesar de diferentes, nenhuma fez &lt;i&gt;a diferença&lt;/i&gt; na sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É. Pode ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Espero que se um dia a fama da minha cidade se aplicar a você também, e se eu for pelo menos diferente, que você volte a me ver. Agora se vista. O dia está lindo e eu tenho que aproveitar.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-4468743151762069050?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/q7Md3yyGSxQ" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-05-20T13:24:33.240-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">9</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/02/bom-dia.html</feedburner:origLink></item><item><title>Santa Luzia</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/hfwbWgY5m-g/santa-luzia.html</link><category>paixao</category><category>loucura</category><category>conto</category><category>amor</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Thu, 20 May 2010 09:24:33 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-2365256938546895912</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Ao Cantóia&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então eu estava lá, cara. Indo embora do hospital de madrugada, depois do meu plantão, quase ninguém no corredor. Pedi pro Adriano me esperar, aquele puto. Fingiu que não ouviu e foi embora antes mesmo do turno terminar. Troquei umas idéias com a Nancy, peguei minha mochila e fui em direção à saída. O corredor principal era largo e comprido e tinha várias portas dos dois lados, mas aquela não era a minha ala, nunca prestei atenção direito qual porta dava no quê. Eu cuidava dos pacientes no segundo andar, que eu nunca gostei de nojeira e podridão e nos andares de baixo eram os piores casos. Fratura exposta, gente necrosada, muito sangue, Deus me livre! As primeiras coisas assim que vi me fizeram vomitar, vomitar muito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca quis trabalhar em hospital, antes eu trabalhava na redação de um jornal, &lt;i&gt;O Imperador&lt;/i&gt;, aquilo era minha vida, eu gostava. Eu amava meu serviço. Mas não existem contos de fada, a vida de todo mundo é uma bosta, a de uns mais que outros, a minha não ia ser diferente. Veio um idiota e comprou o jornal, e me demitiu. Disse que precisava de mais informação, opinião era pra quem lesse o jornal. E me pregou um pé na bunda, me jogou direto pra sarjeta. Pronto, eu estava na merda como qualquer pessoa ficaria um dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltei pra casa do meu pai choramingando feito um cão, ele me chamou de imprestável, disse que se eu tinha sido dispensado é porque meu serviço era porco, disse que não ia sustentar marmanjo nenhum, nem me ouviu e já foi mandando bronca. Dei as costas e saí, não tinha que ouvir mais ninguém dizendo que eu não valia nada, eu sabia que meu serviço era bom. Fiquei num hotel barato com o dinheiro que eu ainda tinha, enquanto procurava emprego. Um amigo dO Imperador me contou que tinha vaga no hospital pra enfermeiro. Eu fiz um curso técnico de enfermagem quando terminei o segundo grau, mas fiz porque senão apanhava, nunca gostei. Eu estava pobre e fodido, fui fazer a prova, passei e fiquei trabalhando por lá um bom tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Continuando, um dia eu estava indo embora, olhando pras portas do corredor, e bem na hora que eu passei perto, uma delas se abriu sozinha. Parei e fui olhar o que era, estava tudo escuro lá dentro, pareceu que era o almoxarifado. Procurei o interruptor e não achei, fechei a porta e fui embora. Então você pensa: “E daí? História mais besta.” e eu pensei também, me achei ridículo por ter continuado pensando nisso depois que cheguei em casa e também antes de dormir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente eu estava lá de novo, com o hospital, com o corredor e a porta. Eu entrei no almoxarifado e a porta bateu atrás de mim, eu não achava o interruptor, eu não achava nada! Estava tudo escuro, eu andava de um lado para o outro e não encontrava as paredes. “Mas que porra de almoxarifado grande que eu não chego nem na borda!”. Comecei a correr e nunca alcançava lugar nenhum, tudo escuro e silencioso. Eu corria e corria e nada, me senti um monte de &lt;i&gt;nada&lt;/i&gt; no meio daquilo. Então sentei e esperei. Esperei acontecer alguma coisa, aparecer alguém, alguma luz, alguma coisa! Tinha que aparecer. E apareceu. Tudo começou a ficar iluminado, mas não havia nada lá, só a luz branca. E ela não parecia vir de lugar nenhum, mas do próprio escuro, como se fosse um fundo negro jorrando luz. E começou a ficar muito forte, muita luz, fechei os olhos e ouvi alguém falando comigo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Do que você tem medo, Fabrício?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei lá, porra. Tinha medo de muitas coisas, medo de ficar pobre, medo de ficar doente e ter que ir pro hospital numa maca e não num jaleco, medo de ser assaltado, de ser seqüestrado. Mas quem não tem? Fiquei me perguntando o que aquele cara tinha a ver comigo, com a minha vida. Cogitei até estar num reality show, daqueles que prendem a pessoa pra testar os limites dela, já pensei no meu velho e quis mandar ele tomar no cu. “Filho da puta, se quisesse dinheiro, podia pedir emprestado.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então aquela luz toda começou a sumir, mas não ficou escuro de novo, ficou iluminado como um dia normal, e apareceu uma coisa. Aquilo veio caminhando na minha direção, uma coisa disforme, parecia uma ameba, mas tinha os membros um pouco destacados. Andava estranho, era totalmente negra e as coisas ao redor escureciam, então aquilo chegou bem perto de mim e perguntou de novo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Do que você tem medo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- No momento, de você. Não sei o que você é, negritude.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A coisa preta começou a tomar forma, uma aparência mais humana, encolheu até que ficou do meu tamanho, porque ela era enorme! E a desgraça ficou igual a mim! Tomou a minha forma. No começo pensei que fosse um espelho, mas definitivamente não era.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E agora, continua com medo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu diria que não, porque sei onde são meus pontos fracos, mas você não é eu e pode se transformar qualquer hora em qualquer coisa, vai que você se transforma num dragão! O que você quer?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quero que veja uma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse momento, me senti teletransportado. E não tem como eu explicar como é, é uma sensação muito estranha, como se cada pedaço do seu corpo estivesse sumindo, pequenos fragmentos, mas ao mesmo tempo você já está se recompondo, os sentindo de novo em outro lugar, porque é tudo muito rápido. A essa altura, eu já estava pensando que fui abduzido por extraterrestres e que eles queriam testar os humanos, mas eu? Não tenho nada de especial. De uma forma ou de outra, eu só podia estar passando por um teste, mesmo, aquilo tudo só podia ser um tipo de teste.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o teletransporte terminou, eu me vi numa casa. Simples, limpinha, bem organizada, aconchegante. O contrário da minha, minha casa era uma zona. A grande ameba tinha sumido e como não sabia o que fazer, sentei e esperei, é o que eu faço quando não sei o que fazer. Não demorou muito e uma mulher entrou pela porta, dizendo: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oi, amor, cheguei!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu estava me sentindo um invasor, queria sair logo dali, será que a ameba queria que eu visse a intimidade de um casal? Que mente insana... Levantei e fui em direção à porta, a mulher virou-se e saiu e me atravessou! Passou bem no meio de mim. Aí eu fiquei mesmo assustado. Pensei que tinha morrido. Tinha certeza que era isso, de que outro jeito alguém ia me atravessar assim? Fiquei desesperado. E nada daquela ameba maldita aparecer. Então uma sensação de poder me invadiu, eu já tinha morrido mesmo, podia fazer o que quisesse. Não saí da casa, fui vasculhar. Percebi que eu não atravessava objetos, as pessoas é que me atravessavam. Sim, uma menina, provavelmente filha da mulher veio correndo e também passou por mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até então, eu não havia prestado atenção nas pessoas, ainda. Queria mais era entender a situação. Fui pra cozinha, a mulher estava preparando o jantar e eu fiquei observando. Então eu olhei bem pro rosto dela e puta que pariu! Era minha ex-namorada. Nunca fiquei com tanta raiva na vida, eu acho, pelo menos parecia isso naquela hora. Era isso que a negritude queria que eu visse? Pronto, tinha visto, podia ir embora. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comecei a lembrar de por que ela era a ex. Terminei com ela porque ela tinha muito dinheiro e meu sogro não gostava nada de mim. Jogava na minha cara que eu estava com a filha dele só por causa da grana. Eu não poderia pedi-la em casamento nunca, só se ela renunciasse a herança. Eu não quis que ela abandonasse sua boa vida pra viver ao meu lado sem segurança alguma. Pensei no melhor pra nós. No melhor pra ela. Então terminei. Fiquei muito tempo ruminando arrependimento, mas tinha passado. Tinha, porque voltou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resolvi ficar pra ver quem era o cara com quem ela estava casada. Em alguns minutos ela chamou para o jantar e ele veio. Ele me pareceu familiar, cheguei mais perto para conferir, e sim, era eu ali. “Mas que bosta, todo mundo resolveu virar eu mesmo, agora? Muito legal, ameba, pode me levar de volta.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei se ela me deixaria ali pra sempre, mas eu não quis de verdade que ela voltasse. Senti curiosidade. Olhei todo mundo, o casal e os dois filhos, também um casal. Tentei tocar minha namorada no ombro, só de teimosia. Sabia que não ia adiantar nada. Suspirei desânimo e desabei no sofá. Pensei na minha vida de merda. Entendi o que aquela coisa queria que eu visse. Queria que eu visse como teria sido minha vida se eu não tivesse terminado com a Bea, queria que eu mascasse o amargo da vida pro resto dos meus dias. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então eu acordei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nossa, cara, que sonho mais estranho, acordei e minha cabeça já estava doendo. Levantei e fui tomar água, a cabeça latejando. Estava procurando um comprimido pra dor quando senti uma fisgada e comecei a afundar, cair. Ficou tudo preto de novo, mas dessa vez eu apaguei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fabrício, Fabrício, está tudo bem? Fabrício, acorde!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voz e cheiro familiares não me ajudavam a lembrar onde eu estava. Depois de um tempo, consegui enxergar. Estava no hospital, numa cama. Nancy falava comigo. A cabeça ainda doía.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oi, Nancy. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oi, Fabrício. Cara, o que aconteceu com você?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sei lá, desmaiei, eu acho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Isso eu sei, mas o que você tava fazendo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, eu ia tomar um remédio, minha cabeça estava doendo, e por sinal ainda está.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas no almoxarifado?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hã?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O pessoal da limpeza encontrou você jogado lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cabeça que já estava doendo, começou a rodar. Eu não entendia nada. Tinha sonhado que estive lá, não tinha? Mas então sonhei que fui pra casa e dormi e sonhei com a ameba? Nada fazia sentido. Esperei alguns minutos, disse à Nancy que já estava bem e saí. Era quase meio dia, estava com fome. Por garantia, fui embora pela porta dos fundos do hospital, para não passar pela tal sala de novo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não estava a fim de fazer comida, então pedi um lanche. Meditei enquanto mastigava o hambúrguer. Eu queria respostas, queria saber o que realmente aconteceu, o porquê daquilo tudo. Concluí que aquilo não podia ser verdade, era só um sonho. Desejos não expressos, gravados no subconsciente. Mas, por via das dúvidas, resolvi voltar ao hospital no mesmo dia, entrar naquele almoxarifado e ver o que ia acontecer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui pra casa tomar um banho, primeiro. Entrei no banheiro e não tinha sabonete, corri até a despensa buscar um. Quando abri a porta, minhas vistas escureceram de novo e eu caí de joelhos. O mal estar passou e eu me levantei, estava no mesmo lugar estranho do sonho de novo. O que decerto é &lt;i&gt;lugar nenhum&lt;/i&gt;. A ameba apareceu de novo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oi, Fabrício. Aquilo ontem aconteceu de verdade, não apareci pra dar um tempo pra você pensar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pensar o quê? Já sei qual é a sua. Você é meu cérebro tentando me sabotar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquela coisa ficou parada olhando pra mim com cara de quem não estava pra brincadeiras, muda. Então eu disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tudo bem. O que você quer, agora? Refleti sobre tudo e não cheguei a conclusão nenhuma, porque a minha conclusão estava errada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você quer tentar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tentar o quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ora, tentar ficar com a Bea.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quero... Quer dizer, não! Não posso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Somos diferentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não gostou do que viu? Vocês juntos, com seus filhos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Claro que gostei! Mas o que eu posso fazer? Nem sei por onde ela anda!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquela sensação de teletransporte começou e quando fiquei inteiro novamente, me vi em frente à empresa do pai de Bea. Sentei-me numa murada baixinha, que cercava um jardim. Bea estava longe, mas ainda consegui vê-la saindo do prédio, conversando com seu pai. Estava radiante! Caminhei para onde ela estava, mas comecei a me desintegrar e logo quem estava na minha frente era a ameba de novo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pronto, agora você já sabe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordei. Caído na despensa, minha cabeça doía pra caralho. Peguei o sabonete e fui para o banheiro. Não agüentei, quando abri a porta, acabei desmaiando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fabrício, Fabrício, está tudo bem? Fabrício, acorde!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguém tinha me achado e me levado pro hospital. Nancy estava lá outra vez&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nancy, não era pro Adriano estar aqui? Você está fazendo muitas horas extras. Estou com uma dor de cabeça infernal, desmaiei de novo. Quem me trouxe pra cá?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ué, Fabrício. Ainda estou no meu turno. Olha, foi o pessoal da limpeza que te achou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pessoal da limpeza? Na minha casa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Acho que você sonhou bastante, hein? Você nem foi pra casa, meu bem. Desmaiou no almoxarifado. O que você estava fazendo lá?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que horas são?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hmm... Quase meio dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- De que dia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- 27 de fevereiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tenho que ir, Nancy. Obrigado pelos cuidados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É nosso serviço, né, Fabrício? – e riu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A empresa do pai de Bea ficava próxima do hospital, saí e fui direto pra lá. Quando estava atravessando a rua, vi Bea saindo acompanhada de outro homem, de mãos dadas. Amaldiçoei aquela ameba filha da puta, por que me mostrou tudo aquilo? Pra me fazer de idiota? Minha cabeça começou a rodar, então senti o baque. Rolei, caí. Sentia o gosto de sangue na boca, não sentia meu corpo, não conseguia enxergar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acabei voltando ao hospital. Quando acordei, me contaram que eu tinha sido atropelado e batido a cabeça muito forte. Alguém conversou comigo e depois me trouxe pra cá. Hoje estou bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa é minha história, seu Lucas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- É uma grande história, senhor Fabrício. Serei seu médico a partir de agora. Bem vindo ao Sanatório Santa Luzia.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-2365256938546895912?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/buracoescuro?a=hfwbWgY5m-g:qhGJzrxU1hY:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/buracoescuro?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/hfwbWgY5m-g" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-05-20T13:24:33.241-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">10</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/02/santa-luzia.html</feedburner:origLink></item><item><title>Fragiles - quinta parte (final)</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/kTjZMWohyoQ/fragiles-quinta-parte-final.html</link><category>traicao</category><category>fragilidade</category><category>dinheiro</category><category>conto</category><category>amor</category><category>cafe</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Thu, 20 May 2010 09:24:33 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-6226706028333846655</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na manhã seguinte, Roberto decidiu que falaria com Silas, contaria que ficara com Maria no dia anterior. Pretendia desfazer o relacionamento dos dois e pedir a moça em namoro. Gostava dela, ainda que de maneira egoísta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegou ao Café e sentou-se, esperando que Silas terminasse de tocar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oi, Silas. Gostaria de falar com você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Claro! Do que se trata?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É melhor irmos lá fora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tudo bem, então vamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A rua estava sem movimento na manhã fria e Roberto foi direto:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Silas, quero que saiba que fiquei com a Maria ontem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ficou? Como assim? – exaltou-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fiquei, Silas! Nós fizemos sexo ontem!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O quê? Quando?! – disse horrorizado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ontem à tarde. Na padaria, depois que fechou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas... Eu não entendo... Você está mentindo! Ontem mesmo Maria me chamou à casa dela e... – Silas então se lembrou do vestido, na falta dos dois botões e ficou lívido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pergunte a ela se quiser. Ocultar é diferente de mentir, acredito que ela dirá a verdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silas não prestou atenção na última coisa que ouvira. Saiu andando arrasado, sem nem avisar dona Joana. Foi direto para casa. Ao abrir o portão, viu um papel, uma notificação do tabelião. A herança seria entregue em breve. Silas começou a chorar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante todo o tempo que esperou esse dinheiro, ele pensou em Maria, em pedi-la em casamento. Nunca em gastá-lo levianamente. Sentia-se além de traído, derrotado. Chorou durante toda a noite e dormiu abraçado à carta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O telefone da casa de Roberto tocou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alô?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Filho?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oi, mãe! Tudo bem?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tudo, filho. Como você está?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, estou bem. E o papai? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Roberto, serei direta. Seu pai descobriu que você está para reprovar por faltas na universidade. Ele está muito descontente e resolveu que você não estudará mais aí. Vai para outra instituição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O quê? Mãe! Não quero sair daqui! Prometo ir às aulas, agora. Minhas notas estão boas! Ainda posso passar!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Desculpe-me, filho. Seu pai já se decidiu. Você irá para a Laerte Casse, a mais próxima de nossa cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas mãe! Aquilo é uma prisão! Só podemos sair uma vez, nos finais de semana e, além disso, é tempo integral. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu sei. Seu pai acha que assim você cumprirá melhor seus deveres. E estaremos próximos, poderemos vê-lo com mais freqüência. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mãe...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Roberto, não faça seu pai ir buscá-lo. Esteja aqui até domingo. Até lá, filho. Um abraço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tchau, mãe. – desligou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Roberto foi até o bar comprar uma garrafa de whisky, voltou para casa e bebeu até desmaiar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Dois meses depois - &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oi, Oliver. O que você quer? Ainda não tenho o dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não precisa mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não? Meu Deus! Você perdoou a dívida? – emocionou-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Claro que não, estúpida. Pode arrumar suas coisas e ir embora. Achei um comprador para a casa e você deve deixá-la em até uma semana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas eu não tenho para onde ir! – entrou em desespero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Isso não é problema meu. Agradeça por estar viva. E espero ter sido claro quanto ao tempo que você tem para desocupar a casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oliver saiu e Ana desfaleceu no chão, chorando. O vento fechou a porta com força.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Maria resolveu que conversaria com Silas. Queria pedir perdão. Contar que ainda o amava e que estava grávida. Imploraria para que se casassem e ele assumisse a criança como sua. Seu pai ainda não sabia que eles haviam terminado e não admitiria que ela fosse mãe solteira. Contava com o amor e a piedade do ex-namorado. Faria tudo que ele pedisse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já passava da hora do fim do expediente e Silas ainda não chegara do Café, então Maria se dirigiu para lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando entrou, viu Rossini passeando pelo balcão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olá, dona Joana! O que Rossini faz por aqui? Onde está Silas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ô, menina... Silas viajou há uma semana. Pediu para eu cuidar do gato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas eu não fiquei sabendo! Quando ele volta?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você não entendeu. Ele não volta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como assim? O que ele disse à senhora? – a voz falhou, de tão espantada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “Adeus”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-6226706028333846655?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/buracoescuro?a=kTjZMWohyoQ:qvgYeVsm8vo:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/buracoescuro?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/kTjZMWohyoQ" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-05-20T13:24:33.241-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">9</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/01/fragiles-quinta-parte-final.html</feedburner:origLink></item><item><title>Fragiles - quarta parte</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/buracoescuro/~3/-uEw8NMIT9A/fragiles-quarta-parte.html</link><category>sexo</category><category>traicao</category><category>fragilidade</category><category>conto</category><author>noreply@blogger.com (Pearl)</author><pubDate>Thu, 20 May 2010 09:24:33 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6749964119165166094.post-8015894320792661928</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava muito cedo e Maria já estava pronta para ir trabalhar. Ela trabalhava numa padaria e os pães deviam estar assados já com o nascer do sol, para as pessoas dos comércios próximos terem seu desjejum antes do expediente. Esta seria uma semana apurada para Maria. O dono da padaria, senhor Pedro, estava comemorando bodas de prata e resolveu se dar um descanso, então ela teria que cuidar de tudo apenas com a companhia de um ajudante para fazer os pães. Chegar mais cedo, sair mais tarde, tomar conta do caixa e servir os clientes ao mesmo tempo seriam suas tarefas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela chegou à padaria e estava abrindo a porta quando viu Roberto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você não dorme? – disse ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vim te dar um beijo de bom dia!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Qual! O que você quer?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Disse que esperaria um dia por você e aqui estou. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, vá embora... Tenho que trabalhar, com licença.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, senhorita – Roberto puxou-a como na noite anterior e a beijou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Solte-me! Está de dia, há pessoas na rua, alguém pode ver!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu sou seu amante, agora!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não seja idiota! Está agindo feito criança. Além do mais, devia pensar que se é apenas um caso, não deve ser descoberto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Voltarei na hora do almoço, então.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Esta semana não terei horário de almoço, o Seu Pedro está passeando com sua esposa e tenho que fazer tudo sozinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Apareço na hora de fechar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Até mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por estranho que fosse, a padaria não teve movimento no dia. Quase no final do expediente, Maria estava entediada. Iria fechar meia hora antes do normal. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como havia dito, Roberto apareceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oi. Voltei. – sorria satisfeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oi, Roberto. Pode sair, já estou fechando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Já? É só o Seu Pedro sair e você já começa a fazer arte, hein?! – disse alegre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não me amole. Hoje foi fraco aqui, já vou para casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não vai, não. – disse enquanto fechava as portas por dentro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas o que está fazendo?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fechando a padaria, não é óbvio?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, mas estamos aqui dentro!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estamos. E hoje você será minha. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Está louco?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estou. – riu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Roberto terminou de trancar a porta e agarrou Maria, beijou-a com força, apertou-a contra seu corpo com desejo doentio. Ela deixava-se conduzir por suas mãos quentes e selvagens. Roberto desabotoou o vestido às pressas, fazendo assim com que dois botões se despregassem. Foi tirando a roupa e arrastando Maria para a salinha nos fundos, onde eram assados os pães. Deitou-se com ela no chão, os dois atracados. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silas sempre respeitara a honra de Maria. Ela era virgem até então. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Maria voltava para casa sozinha, pedira a Roberto que fosse à frente para não levantar mexericos. Andava pensativa, sentia-se culpada e ao mesmo tempo confusa. Gostar de um, desejar outro. Não queria isso, precisava decidir-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No meio do caminho, tomou o rumo da casa de Silas. Estava nervosa, ansiosa. Resolveu que passar uma noite com seu namorado a ajudaria a escolher com qual dos dois ficar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Quem sabe eu não passo a querer Silas tanto quanto Roberto? Tenho que tentar.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando chegou à casa de Silas, viu que ele ainda não havia retornado do Café e não quis esperá-lo, então passou um bilhete por baixo da porta:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Preciso falar com você sem ninguém por perto. Urgente.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E foi para casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando Silas voltou do trabalho e leu o bilhete, saiu preocupado, imaginando todas as possibilidades para a urgência da namorada. Estava achando Maria tão estranha ultimamente. Ela sempre ia à casa dele, nunca o contrário. E andava meio fugidia, agora esse bilhete? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao chegar, percebeu que Maria estava observando a rua da janela, com olhar ansioso. Ela veio ao seu encontro, chamando-o para o quarto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas e seu pai?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não faça barulho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não acho certo, Maria...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ele sabe que eu vou todo dia ver você e não reclama, por que reclamaria que venha aqui?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então por que devemos ficar em silêncio?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sshh... precaução.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entraram no quarto e Silas estava inquieto. Ainda não assimilara o bilhete dela com estar ali e ainda tão próximo do sogro. Nunca tinha se dado perfeitamente bem com ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Maria se antecipou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Silas, eu te amo. – e beijou-o demoradamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele retribuiu o beijo, impressionado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu também amo você, Maria, mas... o que você tinha para me dizer?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Na verdade, não é algo que eu gostaria de dizer, mas fazer. – começou a tirar a camiseta de Silas – Faça-me sua mulher, meu amor!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele estava totalmente desconcertado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Maria! Hoje? Aqui?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não há lugar nem hora para ser o homem da minha vida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silas, ainda intranqüilo começou a desabotoar o vestido da namorada. Parou um instante e notou a falta dos dois botões, mas não deu atenção. Pensou nas atitudes anormais de Maria nos últimos tempos, estava desconfortável com o lugar, a situação inesperada, o medo de ser descoberto e do ato em si. Tudo isso o deixou nervoso demais para prosseguir. Ele parou e se afastou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O que foi?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tenho que ir para casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas por quê? Agora?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Lembrei que o Rossini ficou trancado lá sem comida. Está desde cedo sem comer nada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Até amanhã! – despediu-se com um beijo na testa e saiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passando pelo portão, Silas viu Roberto sentado no banco em frente de casa. Retribuiu cumprimento meneando a cabeça e foi embora andando devagar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Roberto sorria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Leia a última parte &lt;a href="http://buracoescuro.blogspot.com/2010/01/fragiles-quinta-parte-final.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Artigo original do &lt;a href=”http://buracoescuro.blogspot.com”&gt;Buraco Escuro&lt;/a&gt;.&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6749964119165166094-8015894320792661928?l=buracoescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/buracoescuro/~4/-uEw8NMIT9A" height="1" width="1"/&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-05-20T13:24:33.243-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">10</thr:total><feedburner:origLink>http://buracoescuro.blogspot.com/2010/01/fragiles-quarta-parte.html</feedburner:origLink></item><media:rating>nonadult</media:rating></channel></rss>

