<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942</id><updated>2025-10-30T00:00:40.294-03:00</updated><category term="ideário"/><category term="cascatas"/><category term="lembranças"/><category term="trabalho"/><category term="irrealidade"/><category term="Piadas do Chaves"/><category term="ontheroad"/><category term="rapidinhas"/><category term="vacaciones"/><category term="Olimpíadas"/><category term="sunday driver"/><category term="saga"/><category term="Pan"/><category term="copa 2010"/><category term="una mula"/><title type='text'>Eu sou o Cavaleiro com Solitária!</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>559</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-1516603083827353588</id><published>2015-04-21T08:07:00.000-03:00</published><updated>2015-04-22T08:07:56.347-03:00</updated><title type='text'>A materialização da música</title><content type='html'>Demorei alguns anos para me deixar impressionar pela figura do maestro. E foi só quando passei a ignorá-lo completamente que algum dia, sem querer, emprestei um pouco da minha rara atenção a uma figura que se movimentava e se contorcia e fazia uma coreografia esquisita dentro de um compasso perfeito diante de uma orquestra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aquele não era um maestro, rabiscando o ar de uma maneira qualquer enquanto os músicos tamborilavam os dedos sobre as cordas nos braços de seus instrumentos olhando para as partituras nas estantes à frente. Aquele ser não era, naquele instante, um humano que regia outras dezenas de humanos. Aquele ser era a música. A música, que havia deixado de ser apenas ondas vibratórias para se apropriar daquele conjunto de ossos e músculos cobertos por uma camisa preta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música, cadenciada, completa, se utilizava do corpo daquele homem para bailar a si mesma. E bailava, e flutuava, e passeava pela sala ao longo dos braços daquele pobre instrumento humano. Não se doía dos demais, dispersos, desrespeitosos diabos que se deixavam devanear durante aquela rara exibição da perfeição. A música se desfrutava, se retroalimentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o momento em que, intencionalmente, se fez notar por todos novamente. Rasgou o ar com força em um movimento brusco, com um som que, por instantes, prendeu a respiração daquela plateia de pecadores. Hipnotizou-a. E, em seguida, colocou-a em contato com suas emoções mais íntimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina criança desabraçou o pai e começou a tocar sozinha um violino invisível que acabara de sacar do colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem que tirava fotos com o celular baixou os braços e pousou o aparelho sobre a perna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem desenhista pousou a ponta do lápis sobre a folha de papel, respirou fundo e passou a rabiscar sua obra no mesmo compasso da sinfonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O brutamonte apertou com força os olhos com as pontas dos dedos e dissimulou um bocejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garotinha que estava incomodada por perder o assento se apoiou feliz no corpo do tio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher da primeira fila que havia improvisado um banco perto dos músicos endireitou a coluna, tirou o cabelo do rosto, chorou e sorriu, secou o rosto, fechou os olhos, chorou e sorriu e sorriu mais do que chorou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu juro que queria ter visto mais reações se minha visão não tivesse ficado tão embaçada quando um volume absurdo de lágrimas tomou conta dos meus olhos em questão de segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um desperdício observar os outros quando eu poderia ver a música.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/1516603083827353588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/1516603083827353588?isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/1516603083827353588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/1516603083827353588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2015/04/a-materializacao-da-musica.html' title='A materialização da música'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-2443310492759746301</id><published>2015-04-04T00:00:00.003-03:00</published><updated>2015-04-04T00:00:42.974-03:00</updated><title type='text'>E se um dia nos víssemos?</title><content type='html'>E se um dia o destino desafiasse a mais certa improbabilidade e te colocasse à minha frente?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma vez me fizeram essa pergunta, e quase engasguei com o refrigerante quando recusaram minha primeira — e evasiva — resposta. “Magina, isso não vai acontecer”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E se um dia nos víssemos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
…&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E se um dia nos víssemos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Recorri aos meus sonhos para tentar identificar algum padrão de comportamento que eu pudesse apresentar quando te visse.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não encontrei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nem nos meus sonhos nos encontramos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meus sonhos gostam de me colocar na tua casa, no teu jardim, na tua sala, mesa do jantar com a tua família, no teu quarto. Mas nunca nos encontramos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembro apenas que meu peito acelerava e minhas mãos transpiravam quando se acercava a hora de te ver nos meus sonhos. Mas eu sempre era resgatado de lá momentos antes de você chegar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ver você já não faz mais parte dos meus sonhos.&lt;br /&gt;
(Ou será que meu subconsciente sabe de algo e não quer estragar a surpresa?)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas…&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E se um dia nos víssemos?&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/2443310492759746301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/2443310492759746301?isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/2443310492759746301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/2443310492759746301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2015/04/e-se-um-dia-nos-vissemos.html' title='E se um dia nos víssemos?'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-2010930732537911001</id><published>2015-03-27T15:38:00.001-03:00</published><updated>2015-03-27T15:42:01.947-03:00</updated><title type='text'>Helter Skelter</title><content type='html'>Muitas vezes me reprimiam quando eu franzia a testa, apertava o botão para mudar de faixa e dizia não suportar Helter Skelter. Sempre ignorei o fato de “ser um clássico, conviva com isso” e batia o pé com meu melhor argumento: “é uma barulheira sem o menor sentido”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim foi até 26 (ou já 27) de novembro de 2014, quando eu estava vendo o segundo show seguido do Paul McCartney em dois dias seguidos. Era tarde, muita gente já tinha ido embora sem ligar que a apresentação ainda não havia terminado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu olhava com um pouco de dó para aqueles que simplesmente se levantavam de seus lugares, esticavam as pernas e se dirigiam à saída do estádio. É, era uma sensação de dó, algo como “cara, mas ainda não acabou, fica aí por favor que você vai gostar!”. Só não senti isso de um casal de velhinhos, que estavam próximos a mim e que também se levantaram e começaram a ir embora ao final de Yesterday.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E aí o Paul começou a tocar Helter Skelter. Sem falar nada, apenas consentindo com todas as pistas não-verbais de que dispunham, ambos se detiveram naquele mesmo lugar onde estavam quando o primeiro acorde de Mi soou. E começaram a chacoalhar os corpos e a balançar as cabeças de cabelos brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;When I get to the bottom I go back to the top of the slide, where I stop and I turn and I go for a ride ‘till I get to the bottom and I see you agaaaaaaaain yeah yeah yeah.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não vi o Paul tocar Helter Skelter aquela noite. Parei e dediquei toda minha atenção à dança do casal de velhinhos. E eu, que já havia chorado de todas as formas possíveis durante o show daquela noite, abri a comporta para o volume morto de lágrimas que me restavam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Aprende com a experiência”, me falaram certa vez que contei essa história.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acho que aprendi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, alguns meses depois disso, ouço Helter Skelter e me arrepio. A música acabou se tornando uma das minhas (dezenas) favoritas da minha banda preferida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda é uma barulheira, eu sei. Mas com o maior sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;iframe width=&quot;560&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/bO1CZHcvvbk&quot; frameborder=&quot;0&quot; allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/2010930732537911001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/2010930732537911001?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/2010930732537911001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/2010930732537911001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2015/03/helter-skelter.html' title='Helter Skelter'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img.youtube.com/vi/bO1CZHcvvbk/default.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-1851209421469864449</id><published>2015-03-26T21:48:00.001-03:00</published><updated>2015-03-26T21:48:45.356-03:00</updated><title type='text'>Não sei.</title><content type='html'>Sei que não sei. Não faço a menor ideia, não tenho nem noção, não me passa pela cabeça, não penso nisso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não sei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu não sei. E por não saber nunca me senti tão pleno. Nunca tive tanta vontade de inspirar e sorrir sozinho após encher os pulmões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nunca me inspirei tanto. Porque não sei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não sei. E nunca me senti tão vivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não sei, logo existo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não sei. E por isso grito e irrito minha garganta cantando Something sozinho no carro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grito que não sei. E sorrio. E sou feliz.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/1851209421469864449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/1851209421469864449?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/1851209421469864449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/1851209421469864449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2015/03/nao-sei.html' title='Não sei.'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-3803014902678676139</id><published>2015-03-25T21:47:00.000-03:00</published><updated>2015-03-26T21:48:08.437-03:00</updated><title type='text'>O fim</title><content type='html'>Eu tinha a certeza de que você estaria nos meus sonhos naquela noite.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Era muita intensidade, era muita euforia, era muita alegria, era muita inconsequência… era muita, mas muita felicidade. Felicidade vazia. Sem fundamento. Era uma felicidade que não duraria, e eu sabia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabia, mas ignorava. Ignorava porque preferia bater com força e com as mãos espalmadas sobre o volante do carro, seguindo o ritmo daquela levada agitada, em volume exagerado, que me ajudava a ficar acordado no caminho de casa às 2 da manhã de um dia comum.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em algum momento, porém, alguma coisa avisou dentro de mim que aquela empolgação estava próxima do fim. Aquela empolgação era o fim. E, a partir do momento em que eu começasse a sonhar com você naquela noite, você deixaria a minha vida real para entrar apenas no meu imaginário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
…&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
…&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seria o fim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi o fim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E eu prometi que não me abalaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porque, no final das contas, tudo volta.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/3803014902678676139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/3803014902678676139?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/3803014902678676139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/3803014902678676139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2015/03/o-fim.html' title='O fim'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-6006302598472321596</id><published>2015-01-15T22:56:00.001-02:00</published><updated>2015-01-16T10:32:19.514-02:00</updated><title type='text'>Não vou te responder</title><content type='html'>Vou receber tua mensagem e não vou te responder. Vou lê-la, vou tentar entender o que você quis dizer, vou ouvir tua voz entrando pelos meus ouvidos e descendo até o coração, vou sentir teu olhar penetrando os meus olhos, mas vou respirar fundo e aspirar o teu perfume e não vou te responder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou reler a mensagem e tentar destrinchar cada palavra, cada letra, cada vírgula, cada espaço para tentar entender todas as dimensões daquilo que você quis me dizer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou pensar em todas as possibilidades — e vou inventar mais algumas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou imaginar as consequências de cada uma em mundos paralelos que tiveram início a partir do momento em que eu bati os olhos sobre a tua mensagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou bloquear a tela do meu telefone e não vou te responder. E então vou desbloqueá-la para lê-la de novo e pensar no que vou te responder. Não agora, mas daqui a 5 ou 10 minutos. Ou 15. 15. 15 é melhor. Mas claro que vou te responder. Quem disse que não iria?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou apenas fazer um charme, fingir (para quem?) que não vou te responder e no final eu sempre acabo te respondendo — afinal, não teria sentido puxar uma conversa com você após tanto tempo para simplesmente não te responder mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou deitar o celular sobre a mesa e esfregar as pontas dos dedos sobre as palmas das mãos — e eles vão deslizar sobre uma fina camada de suor. Vou agarrar minha camiseta pelo colarinho para secar o suor. Vou respirar fundo novamente para recobrar o controle da situação e…&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, enquanto eu inspirava, tua mensagem chegou. E mal terminei de expirar, já havia te respondido.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/6006302598472321596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/6006302598472321596?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/6006302598472321596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/6006302598472321596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2015/01/nao-vou-te-responder.html' title='Não vou te responder'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-5731384246941216279</id><published>2015-01-09T15:33:00.001-02:00</published><updated>2015-01-15T09:14:32.030-02:00</updated><title type='text'>Oi.</title><content type='html'>Você sabe como não gosto de começar nenhuma conversa com um oi, assim seco, seguido de um ponto final. Me sinto mal. É seco demais, é frio demais. É seguido de um ponto. É um oi que termina logo em seguida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Oi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É um oi que poderia ser tchau. É um ou que deveria ser tchau. Que quer ser tchau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gosto de começar uma conversa com um oi seguido de um ponto de exclamação e um sorriso, que mostrem, de alguma forma, como gosto de começar uma conversa com você.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Oi! :)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sempre que te escrevo esse oi, com exclamação e carinha feliz, não pergunto se está tudo bem. Você sabe que eu não gosto de perguntar se está tudo bem, ou se está tudo bom.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quero tanto que tudo esteja sempre bom com você que me doeria saber, logo de cara, que não está tudo bom e você não me contou antes, na mesma hora que aconteceu, sem precisar falar oi e sem nem perguntar se eu estava bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desta vez eu também não quero perguntar se está tudo bem, porque não quero te responder se está tudo bem ou não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não está.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Te escrevi esse oi, coloquei um ponto final depois dele e meu coração disparou. Precisei esfregar as palmas das mãos na calça para enxugá-las. Precisei respirar fundo e engolir de volta meu coração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Te escrevi oi e depois te escrevi tudo isso na tentativa de adiar a nossa despedida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou sentir saudade.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/5731384246941216279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/5731384246941216279?isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/5731384246941216279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/5731384246941216279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2015/01/oi.html' title='Oi.'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-213902425545137312</id><published>2014-12-21T17:38:00.002-02:00</published><updated>2014-12-21T17:45:38.085-02:00</updated><title type='text'>María Luisa</title><content type='html'>&lt;div&gt;
María Luisa era María Luisa como a segunda esposa de Napoleão. Mas esta María Luisa não falava de marido, não falava de filhos, não falava de parentes.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
María Luisa era mulher independente, que colocava uma mochila nas costas e saía a conhecer o mundo — até aonde o dinheiro lhe permitisse chegar. María Luisa viajava sozinha, porque já carregava coisas demais: não queria carregar gente e nem ser carregada por aí.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
María Luisa uma vez viajou à Europa. Era 1998, a crise ainda não havia assolado seu país. Com bastante dinheiro na bolsa, María Luisa conheceu a Espanha, a França e a Itália. Odiou os franceses, adorou os italianos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
María Luisa gosta da língua italiana. Entende tudo, mas talvez não fale tão bem assim. María Luisa bate no pulso orgulhosa e diz que ali corre sangue italiano. María Luisa é neta de italianos, mas nasceu na Argentina. “Só que não sei, sabe? É diferente. O sangue… o sangue que corre aqui é italiano”.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
María Luisa não fala inglês. Uma vez, viajando entre a Cordilheira dos Andes, a guia da excursão da María Luisa avistou um condor sobrevoando a van do passeio. María Luisa não pensou duas vezes: atirou-se com tudo sobre um casal de canadenses de meia-idade e, com um sorriso enorme, grudou o rosto na janela que não era a sua.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Foi assim que conheci a María Luisa.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
María Luisa, sem graça e arrependida depois que o condor voltou para o topo da montanha, queria se desculpar com os canadenses e me pediu ajuda. Traduzi as desculpas, os perdões e as apologizes da María Luisa, que foi absolvida pelos canadenses — como não seria?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
María Luisa também ficou hipnotizada com os lagos no meio dos Andes e quase atrasou a excursão, porque não queria voltar para a van. María Luisa não se importava com o vento forte e gelado batendo com força contra seu rosto. “Isso aqui é incrível”. Era mesmo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Quis o destino (destino?) que María Luisa e eu nos sentássemos à mesma mesa para almoçar naquela tarde, mais tarde, depois de condor, canadenses, lagos… Era a única mesa com lugares vagos para meu irmão e eu naquela excursão — e digo isso com propriedade, pois farejamos por alguns minutos em busca de uma mesa isolada.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Mas María Luisa não queria dividir a mesa conosco. Sentia-se muito velha para almoçar com dois jovens brasileiros e mais dois austríacos que também não deviam ter mais que 25 anos. “Por que vocês vão querer almoçar com uma velha como eu? Não, vou me sentar em outro lugar”. Foi difícil convencer a María Luisa a ficar. “Como não vamos querer? Você é a única argentina da mesa, tem muito o que nos contar sobre tudo isso aqui”.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
María Luisa sorriu e puxou a cadeira para se sentar. Sentou-se, pediu um vinho e não parou mais de falar.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
María Luisa, ao final do almoço, também não parou de nos agradecer por não termos deixado que ela se sentasse sozinha. Disse que não éramos jovens comuns, como aqueles que “passariam o almoço se burlando de uma velha com seus &lt;i&gt;70 y pico de años&lt;/i&gt;”.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
María Luisa não desceu do shuttle na mesma parada que nós mas ficou na janelinha (na sua, não na do casal canadense) nos dando tchau, sorridente, rosto grudado no vidro, como se tivesse acabado de ver um condor voando ali pertinho dela.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Para não me esquecer nunca mais da María Luisa, passei na primeira lojinha de souvenires e comprei um condor de madeira para enfeitar minha sala.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/213902425545137312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/213902425545137312?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/213902425545137312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/213902425545137312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2014/12/maria-luisa.html' title='María Luisa'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-279757336899903460</id><published>2014-12-01T23:43:00.003-02:00</published><updated>2014-12-01T23:43:39.461-02:00</updated><title type='text'>Nós</title><content type='html'>Foi um domingo e tanto para alguém como eu, uma pessoa que odeia domingos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi um domingo e tanto para alguém como eu, uma pessoa que odeia domingos, se lembrar para sempre de como um dia perfeito deve ser.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você e eu, no meu carro, sem saber para onde ir. Eu dirigia, seguia as instruções que você me passava enquanto olhava no mapa e intuía quando você estava entretida com a nossa conversa, com a paisagem, com o sol, com os prédios, com as árvores, comigo... e se esquecia de me falar para dobrar nesta ou naquela esquerda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E agora, pensando friamente, não consigo me perdoar por não me deixar perder com você. Estaríamos dirigindo até hoje, até agora, sem rumo à procura de casa, sem nunca chegar por nunca sabermos o que seria a nossa casa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pararíamos na beira da estrada, compraríamos cartões postais e enviaríamos às pessoas próximas para avisar o mínimo: estaríamos bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estaríamos bem deixando para trás quilômetros e mais quilômetros de lembranças que nunca esqueceríamos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos divertiríamos com pouco. Com nada. Com o outro. Conosco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deitados chão, com os pés na grama, respirando o ar úmido do final da tarde. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi um domingo que nunca deveria ter existido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi um domingo que nunca existiu fora da minha imaginação enquanto ouvia &lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=Zwl1unFvM9A&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Two of us&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, vidros fechados, gritando cada verso parado no semáforo.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/279757336899903460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/279757336899903460?isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/279757336899903460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/279757336899903460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2014/12/nos.html' title='Nós'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-5056072483796531247</id><published>2014-11-13T10:34:00.001-02:00</published><updated>2014-11-13T14:25:26.332-02:00</updated><title type='text'>Samad</title><content type='html'>Faz quase um ano, viajei a trabalho para o Marrocos. Estava sozinho e morrendo de medo. Muito mesmo. Por precaução, pedi que o hotel enviasse um taxista para me buscar no aeroporto. Desembarquei e logo vi uma plaquinha com meu nome. Quem segurava era um homem de uns 40 anos, meio bonachão, calvo, barrigudo e com um bigode super bem cuidado. Lembrava um pouco o Senhor Cabeça de Batata. Vestia até uma túnica cor de saco de batata. Chamava Samad — “O Eterno”, segundo o islamismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samad não entendia meu inglês. Também não falava espanhol e nem português. Só darija (árabe marroquino) e francês. E eu não falo nenhum dos dois. Não poderíamos conversar, mas conversamos. No táxi, ele embolava um inglês com francês para me contar sobre Marrakech e prestava atenção para ouvir minhas respostas. Quase nunca entendia, mas fazia de conta que sim. Teríamos um problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu hotel ficava uns 12 km para dentro do deserto do Saara, e o Samad era o único taxista que trabalhava lá perto. Só não fornecia recibos, que eram importantíssimos para a minha prestação de contas. Eu teria um problema. Mas meu medo do Marrocos era maior do que meu medo de perder dinheiro. Então, no primeiro dia, solicitei o táxi no hotel e lá estava o Samad me esperando, pontualmente, sorrisão no rosto, careca brilhante, bigode alinhado e porta do passageiro do seu Mercedes anos 80 aberta para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samad não tinha taxímetro, o preço era sempre tabelado. “Hotel to Stadium, 100 dirhams. Stadium to hotel, one hundred. Hotel to Medina (centro) or Medina to hotel… one hundred. Hotel to airport, no. Two. Two hundred”. Era caro, mas era o que estava disponível. Ele me levava para os lugares, contava alguma curiosidade do local e ficava lá, me esperando. Não pegava nenhum outro passageiro. Me levava onde eu quisesse, no horário que eu quisesse. “Just call me half hour before. Half hour”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samad não era de Marrakech. Nasceu em Agadir, mas havia se mudado ainda menino para a região periférica de Marrakech. Vivia em uma vila, no meio do deserto. Todos os vizinhos da vila eram da sua família. “Marrakech, my city”, ele dizia, apontando para o chão quando conversávamos sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, estávamos conversando! Parei de usar phrasal verbs, past perfect e abandonei toda a frescura do inglês que a gente aprende nos livros. Decidi falar inglês errado, cheio de sotaque, marcando os Ts e os Ds, forçando o R. Às vezes, até misturava uma palavra ou outra de francês que eu estava aprendendo. “Felipe, your English… much better! Now I understand. Before no”. Eu também entendia o Samad, mesmo quando ele conversava em darija na rua. E ele também me entendeu. “Felipe, I talk hotel. Hotel will give receipt for taxi”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samad estava aprendendo inglês, fazia aulas com uma professora árabe que ensina pelo YouTube. Quando tinha tempo, pegava o celular, via um vídeo e repetia o que ela falava. “My teacher. Very good”, dizia, sorrindo e fazendo sinal de positivo com a mão direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samad me levou para cima e para baixo de Marrakech. De manhã, de tarde, de noite, de madrugada. Nunca reclamava quando eu passava, na noite anterior, o roteiro do dia seguinte, cheio de idas e vindas e mais idas e mais vindas e vários destinos. “No problem. Just call me half hour before. Half hour”. Depois de uns dias, eu mesmo já falava: “Ok, half hour before. Half hour”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só uma vez o Samad precisou mudar o itinerário: era uma sexta-feira, na hora em que a cidade parava para a oração coletiva. Pediu desculpas e perguntou se podia me buscar antes. “A hora que você precisar. No problem. Just call me half hour before. Half hour”, falei. Ele morreu de rir. E me agradeceu muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de duas semanas, quando eu precisei ir embora (e morrendo de tristeza), comprei um presente para o Samad: um chaveiro do torneio de futebol que eu estava cobrindo. Achava que ele guardaria em algum lugar na casa dele. Mas na hora ele pegou o chaveiro e pendurou no espelho do Mercedes. “Here. Always with me”. Meu olho inundou. Engoli seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha última noite no Marrocos, de folga, tinha ido passear pelo centro. O Samad, que havia fumado um pouco de haxixe naquela tarde, parou o carro no meio do deserto no caminho de volta para o hotel. Pegou uma caneta permanente que tinha no porta-luvas, tirou o chaveiro do espelho e deu na minha mão. “Write here. Your name, now”. Não entendi, mas escrevi sobre o verso do chaveiro. “Felipe Held – Brazil – Dec/2013”. Devolvi. Ele pendurou de novo o chaveiro no espelho. Com meu nome virado para ele. “Much better now. Always here. I look and I remember. You are very good person. My friend”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chorei. De soluçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma sensação horrível quando o Samad, no dia seguinte, me deixou no aeroporto de Marrakech. O chaveiro pendurado tilintava nas costas do espelho e quebrava o silêncio na cabine do táxi. Quando saí do carro, ele pegou minha mala e nos abraçamos. Tentei não chorar. O Samad não tentou. E eu parei de tentar também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ele entrou no carro, eu fiz sinal e ele abriu o vidro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Samad! Você me busca amanhã? Em casa, no Brasil. Eu te ligo! Half hour before. Half hour”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despedida foi melhor com os dois gargalhando.&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/5056072483796531247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/5056072483796531247?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/5056072483796531247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/5056072483796531247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2014/11/samad.html' title='Samad'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-4020058967996509194</id><published>2014-11-11T15:55:00.001-02:00</published><updated>2014-11-12T00:25:40.388-02:00</updated><title type='text'>Jogo de palavras</title><content type='html'>Se te procuro e te acho, me encontro&lt;br /&gt;
Se te procuro e não te acho, me perturbo&lt;br /&gt;
Se não te procuro e te acho, me confundo&lt;br /&gt;
Se não te procuro e não te acho...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se não te procuro e não te acho...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Brinco de fazer jogos de palavras com palavras jogadas que jogam meu pensamento para lá e para cá enquanto o relógio joga comigo e empaca como uma criança manhosa que se joga ao chão e grita e chora e esperneia e chuta o ar e golpeia o piso e se esgoela porque não quer sair do lugar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ela nunca sai do lugar.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/4020058967996509194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/4020058967996509194?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/4020058967996509194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/4020058967996509194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2014/11/jogo-de-palavras.html' title='Jogo de palavras'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-835291864787960862</id><published>2014-11-10T15:22:00.004-02:00</published><updated>2014-11-12T13:22:37.700-02:00</updated><title type='text'>Febre</title><content type='html'>Olhou para o lado e ela já não estava, embora pudesse vê-la claramente. Via-a, sabia perfeitamente onde aquele corpo havia tocado, milímetro por milímetro. Fechou as janelas para conservar o perfume. Respirou o mais lentamente que conseguiu para se manter lúcido enquanto abastecia o cérebro com cada vez menos oxigênio. Economizou aquele ar que havia sido contaminado com o cheiro dela. Afundou o nariz naquele lado do travesseiro, para tentar impregnar-se com as micropartículas do aroma que tão bem (e tão mal) lhe fazia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Queria guardar aquele cheiro para sempre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fechou os olhos. Inspirou (economicamente) fundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembrou-se daquela noite, daquele momento em que ela, dançando com as amigas, se posicionou estrategicamente na frente dele. Ele, agora deitado na cama, repetia timidamente os movimentos que a viu fazer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deixou-se hipnotizar por ela naquele instante. E perdeu a consciência quando percebeu que ela, a cada cinco ou seis compassos, torcia discretamente o pescoço para o lado e deixava com que os olhos dela se cruzassem com os dele, por menos de um segundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela sorriu? Aquilo foi um sorriso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nunca soube.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sempre soube. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Teve vontade de esticar o braço e puxá-la para dançar. Deixar-se levar pelos movimentos que ela conduziria com curiosa destreza - sem qualquer referência técnica, guiando os corpos da maneira que melhor lhe conviesse. Desejou espalmar-lhe a mão sobre as costas lambuzadas de suor, fazendo força para trazê-la ainda mais para perto de si e para não deixar que a palma escorregasse. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pensou em tirá-la para dançar. Uma, três, nove, 50 milhões de vezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nunca se arrependeu por não havê-lo feito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abriu os olhos. Expirou, soltando a menor quantidade possível de ar. Não podia deixar que o cheiro dela saísse de seu corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Olhou para o lado e ela ainda não estava.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não havia mais ela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não havia mais luz, mais festa, mais povo, mais noite.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gritou, gemeu, tocou, valsou, (não) dormiu, cansou(-se).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantou-se e andou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rumo a ela. E para longe dela.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/835291864787960862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/835291864787960862?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/835291864787960862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/835291864787960862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2014/11/febre.html' title='Febre'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-6383066468419694070</id><published>2014-11-07T11:05:00.004-02:00</published><updated>2014-11-07T11:19:22.921-02:00</updated><title type='text'>Pretenção </title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: red;&quot;&gt;“Oi! Não tenho a pretensão de...”&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Enviar&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Virei para o lado orgulhoso do conteúdo que havia acabado de escrever e sem esperar a resposta da mensagem. Respirei fundo, coloquei alguma música para tocar, fechei os olhos e estiquei as pernas, esperando ser dominado por um sono tranquilo, agradável, pacífico, ameno...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Poucos minutos depois, o coração acelerou. Abri os olhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pretensão? Eu realmente escrevi pretensão? Com S? Não é possível, deixa eu ver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: red;&quot;&gt;“Oi! Não tenho a pretensão de...”&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não acredito. Não, espera, será que é isso mesmo? Deixa eu ver o que o corretor automático diz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Pretensão”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Pretenção”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ih, ele aceita os dois. Mas putz... não, é com Ç. E eu escrevi com S. Cara, não, como assim? Que burro! Não, puta merda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Será que a mensagem foi lida?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claro que ninguém me responderia uma mensagem com um erro absurdo de português assim. Eu não responderia. Logo eu, um ex-fiscal fascista do português alheio (hoje já muito mais controlado). E logo eu fui cometer semelhante agressão à língua? E todo o meu trabalho de marketing pessoal, arruinado por causa dessa pretenç(s)ão de não querer ser pretenc(s)ioso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já sei! E se eu colocar a culpa no corretor do celular? Vamos lá: “Ops! * Pret...”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Espera. Agora? Quase meia hora depois que a mensagem chegou?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quer saber? Talvez ninguém perceba. Eu que estou me desesperando à toa. Foi só um erro, acontece. Não é o fim do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na manhã seguinte, vi que a mensagem havia sido respondida e que a minha gafe talvez não tenha sido levada em consideração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda assim, levantei da cama, abri o armário, peguei o dicionário.&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;Prêt-à-porter&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;pretaria&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;pretejar&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;pretendedor&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;pretendente&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;pretender&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;pretendida&lt;/i&gt;, &lt;b&gt;pretensão&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Pretensão.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com S.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;color: red;&quot;&gt;&lt;b&gt;“Oi! Não tenho a pretensão de...”&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pretensão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com S.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ufa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A conversa seguiu, até que em algum momento, duas ou três mensagens depois, as respostas pararam de chegar. Por qualquer outro motivo.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/6383066468419694070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/6383066468419694070?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/6383066468419694070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/6383066468419694070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2014/11/pretencao.html' title='Pretenção '/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-9213573805585149849</id><published>2014-11-06T10:29:00.001-02:00</published><updated>2014-11-06T10:29:06.781-02:00</updated><title type='text'>Releitura</title><content type='html'>Andava cabisbaixo, sozinho e abandonado entre a multidão sempre apressada que por ali passava, desde as últimas horas da madrugada até as primeiras horas do dia seguinte. Enfiava as mãos nos fundos dos bolsos da calça, como se isso fosse o suficiente para mantê-lo escondido de todo o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por um breve momento, entretinha-se chutando para frente e depois chutando mais para frente ainda uma pequena pedrinha que havia se desvencilhado de uma rachadura na calçada. Era uma terapia, e aquela brincadeira infantilizada era o suficiente para tapar-lhe os ouvidos dos próprios pensamentos acelerados que se chocavam estrondosamente com os cantos da cabeça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquela meditação foi interrompida com um susto, com uma mão que lhe pousava o ombro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Ei! E aí, tá tudo bem?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Era seu amigo, com quem havia desmarcado o último jogo de futebol, as duas últimas cervejas e a quem havia ignorado as últimas três ligações no celular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Ahm, oi!&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não respondeu que não estava tudo bem. O amigo sabia a resposta certa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Cara, vou te falar: você tá sofrendo à toa. De verdade. Está se esforçando para ver o pior lado dessa história, que no fundo tem algo de bom! Respira fundo, sério! Esvazia essa cabeça e deixa se levar um pouco pelo coração. Você vai ver como isso vai te fazer melhor&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eram amigos daquele tipo que a mãe de um já virou tia. A avó de um já adotou o outro como neto. O pai de um fazia brincadeiras sobre futebol no Facebook do outro, que respondia com um palavrão. Mas ele não entendia como o amigo podia ser tão demagogo naquele momento. Onde já se viu? &quot;Não tenha medo, sério! Vocês foram feitos um para o outro. É que você está sendo egoísta e não está pensando como ela. Na hora que você entender isso...&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Palhaço. Estava cansado de ouvir aquele blablablá de &quot;pega leve, você está querendo carregar o mundo nas costas&quot;. Ele não era assim. Recusava-se a dar de ombros e a aceitar que algumas coisas não têm explicação. Era contra admitir que a ignorância inocente era o melhor atalho para a felicidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O amigo percebeu que o discurso talvez não estivesse dando certo e preferiu tentar uma outra abordagem. Era muito bom nesse aspecto motivacional, precisamos admitir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Cara, larga a mão de ser besta. Você vai ficar aí chutando pedrinha pra cá, recusando chamada no celular pra lá? Só você que pode mudar isso. Mas sabe o que tá acontecendo? O grande problema é você, que acha que não é capaz e que precisa de ajuda. Só depende de você, pelamor, entende isso! Vai dar certo, você vai conseguir&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Tá, eu sei que tô pegando um pouco pesado, mas não me leva a mal. O que eu tô falando é que... sei lá. Se você quiser ficar trancado no teu quarto sofrendo sozinho e ouvindo aquelas tuas músicas lá, o problema é teu. Mas tenta tirar o lado de tudo isso e para de achar que isso é o fim do mundo&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Eu sei. Não, tá, tudo bem, te agradeço. Vou tentar sim. Fica tranquilo, vai dar tudo certo&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Despediram-se.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Porque, às vezes, você ouve uma música e uma história fica na tua cabeça. Por isso, qualquer semelhança com Hey Jude é proposital.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/9213573805585149849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/9213573805585149849?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/9213573805585149849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/9213573805585149849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2014/11/releitura.html' title='Releitura'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-2552614258288510643</id><published>2014-11-01T00:59:00.003-02:00</published><updated>2014-11-07T11:45:59.590-02:00</updated><title type='text'>Os pés do pianista </title><content type='html'>Era um dos exemplos mais escancarados daquele clichê: os dedos se confundiam com teclas, os braços eram a extensão daquele enorme corpo de madeira impecavelmente envernizada – que, por sua vez, era também um grande prolongamento das mangas daquele paletó. Em síntese: piano e pianista eram uma coisa só naquela noite.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A simbiose entre ambos era uma coisa impressionante, evidente a cada sustenido cirurgicamente implantado para cada colcheia. A melodia produzida por aquelas teclas era o que mais perto se pôde chegar da perfeição naquela noite. Era o aguardado reencontro entre criador e criatura. O pianista e sua composição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De olhos fechados, o pianista deslizava delicadamente os dedos pelas teclas enquanto tinha a cabeça inclinada para o teto. A respiração constante e o sorriso de meia boca tatuado no rosto indicavam que o artista estava prestes a entrar um estágio interessantíssimo de transe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tranquilidade era assustadora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tranquilidade era falsa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os pés denunciavam o enorme conflito enfrentado pelo pianista durante aquele longo solo. Agitados, sapateavam sobre o palco. Esporavam o vazio, sambavam um blues boogie-woogie intercalando-o com passos de jazz e chocavam-se pelos calcanhares como um personagem de desenho animado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os sapatos impecavelmente engraxados afundavam-se nos pedais do piano, como se quisessem dar-lhe a partida e erguê-lo do tablado. Ao mesmo tempo, ditavam o ritmo daquela e de várias músicas que passavam pela cabeça daquele gênio claramente perturbado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Era aquela atitude tresvariada daquele ser que não sabia estar em transe ou em surto que garantia à performance um status encantador. Porque a perfeição... a perfeição não está nos extremos, mas nos incontáveis intervalos entre eles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não sou eu quem o diz. E sim o jovem músico que havia repousado o violino sobre o colo e, hipnotizado, não se atrevia sequer a respirar para não perder um milissegundo daquela explosão de genialidade do renomado pianista. Acompanhando-o com o olhar fixo e brilhante de uma criança que vê algo fantástico. Com um sorriso de uma pessoa apaixonada que acaba de receber uma resposta positiva para um jantar. E tentando reproduzir com os pés os movimentos do ídolo com quem dividia o palco.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/2552614258288510643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/2552614258288510643?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/2552614258288510643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/2552614258288510643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2014/11/os-pes-do-pianista.html' title='Os pés do pianista '/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-8386217792055058385</id><published>2014-10-03T10:56:00.000-03:00</published><updated>2014-10-03T10:56:48.225-03:00</updated><title type='text'>Praça do Porquinho</title><content type='html'>Disse que te amava, te dei presentes, te acalmei quando você precisou, cuidei de você quando você ficou doente, te dei meu ombro quando você chorou, fiz mil esforços para te ver e falei milhares de bobagens para te ver sorrir. Mas a maior prova de amor que eu te dei foi outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior prova de amor que eu te dei foi te levar à Praça do Porquinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu me lembro de quando eu era pequeno e todos meus dentes eram de leite. Todos os sábados – e naquela época todos os sábados tinham sol –, meu pai me levava de metrô e ônibus ao Ibirapuera e passávamos as tardes lá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu gostava de dar pipoca doce para os patos na beira da lagoa, tinha medo dos gansos, cruzava a ponte verde de metal batendo o pé para fazer barulho, visitava o Pavilhão Japonês e jogava comida para as carpas, via o pavão que ficava lá e torcia para ele abrir a cauda quando eu estivesse olhando... E no final de tudo sempre passávamos pela Praça do Porquinho, e eu fazia meu pai parar um pouco e ia olhar a estátua de perto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquela época, esse passeio era o sentido da vida, o que me fazia esperar a semana passar. Naquela época, a felicidade era o sábado no Ibirapuera.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dia, uns 20 anos depois, eu quis te levar para fazer tudo isso também.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tomamos mate na beira da lagoa olhando os patos, tivemos medo dos gansos, cruzamos a ponte verde de metal batendo os pés, fomos ao Pavilhão Japonês, eu te dei o meu pacote de ração de peixe depois que você (sem noção!) acabou com o teu, andamos pelo jardim procurando o pavão que já não existia mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E aí uma hora eu passei pela Praça do Porquinho e quis parar para ver a estátua de perto. Você achou engraçadinho, pediu para tirar uma foto e eu tirei duas. Uma na tua máquina, uma com a minha retina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dia, uns anos depois e uns dias atrás, eu quis ir passear no Ibirapuera.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Andei sem rumo e passei na Praça do Porquinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você ainda estava lá. De shorts, aquela sandália que eu gostava, blusa rosa, óculos de sol e brincando que o porquinho tinha comido o teu dedo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tua foto ainda estava lá. Na retina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Praça do Porquinho não era mais o lugar onde eu parava para olhar a estátua de perto quando eu era pequeno. A Praça do Porquinho é o lugar onde eu tirei aquela tua foto.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/8386217792055058385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/8386217792055058385?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/8386217792055058385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/8386217792055058385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2014/10/praca-do-porquinho.html' title='Praça do Porquinho'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-6825938263004241838</id><published>2013-09-22T01:43:00.001-03:00</published><updated>2013-09-22T01:43:37.825-03:00</updated><title type='text'>(...)</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Poderia te escrever sobre o estado de choque em que fiquei
quando você me chamou e me perguntou qualquer coisa para tentar uma aproximação.
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Uma outra coisa legal seria contar a minha comemoração
infantilizada quando sugeri de almoçarmos qualquer dia e você aceitou com uma
rapidez que me desconcertou. Até hoje eu não sei onde eu estava com a cabeça
para te fazer um convite como aquele, tão de repente. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Pensei em te dizer também como o mundo girou devagar quando,
depois daquele almoço, você tocou meu braço e me chamou pelo apelido. Depois que
nos despedimos, até pensei em acender um cigarro e refuguei: eu não precisava. Não
precisava de nada mais para me sentir em paz comigo mesmo. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Ainda daria para relatar todos os sorrisos que dei para mim
mesmo na frente do espelho quando via meu olhar brilhante e cheio de esperança
e certeza e tranqüilidade nos dias em que passamos a conversar desarmados. Não,
não eram sorrisos. Eu gargalhava! &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Talvez você se interessasse também em saber a angústia que
eu tive antes de te beijar pela primeira vez. E se aquele instante não
combinasse com toda a longa expectativa que eu havia nutrido sem querer e
jogasse por terra algo que parecia tão certo? Eu... eu tive medo. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Eu queria te contar tudo isso, mas não consigo. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Porque estar perto de você esvazia meus pensamentos e me
repuxa o rosto em um sorriso que me cala. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Porque você tem o dom de fazer do meu silêncio a melhor e
mais completa história que eu jamais poderia contar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/6825938263004241838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/6825938263004241838?isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/6825938263004241838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/6825938263004241838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2013/09/blog-post.html' title='(...)'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-6569900420798151174</id><published>2013-07-09T00:11:00.000-03:00</published><updated>2013-07-09T00:11:00.460-03:00</updated><title type='text'>Censura retangular</title><content type='html'>A folha em branco nunca foi um convite para um mundo apenas meu, com as minhas regras e lar das minhas piores e melhores fantasias. Nunca a vi assim. Sempre o papel virgem, sem pautas nem listras, me pareceu uma entidade intimidante. Hostil. Traidora. Ardilosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tentei fazer um teste. Desafiei uma folha de papel para transformá-la em algo meu, e apenas meu, do meu próprio entendimento. Não consegui. Percebi o grau de impossibilidade da missão quando terminei a primeira linha do meu devaneio. Me faltou meia polegada para concluir a última palavra. Eu já havia falhado. Estava delimitado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arrisquei de uma outra forma. Misturei determinadas palavras aleatórias que se me cruzavam os pensamentos, em quaisquer idiomas que melhor descrevessem determinado objeto, determinado sentimento. Por um instante logrei tal objetivo. Por instantes. Uma hora depois, me choquei com meu surrealismo liguístico. Rasguei em incontáveis (múltiplos de quatro) fragmentos aquele emaranhado doentio, com medo de ser flagrado em um segundo de irreversível loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, por fim, tentei pela terceira vez. Burlei a prisão branca de paredes finas, quase invisíveis, com palavras jogadas sob um mínimo de lucidez. Adeqüei meu devaneio – do qual jamais me orgulharei – a um cárcere de mentira. E, no final, qual o resultado de tudo isso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O melhor de todos para (mais uma) noite de insônia. Uma mente esgotada de si mesma, envergonhada de remoer por minutos, horas, dias, meses... anos! (!) os mesmo teoremas incorrigíveis e indecifráveis de algum momento da vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E uma noite sem sonhos de doçuras aterrorizantes que ditavam meus dias e meus encontros com estas folhas pautadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/6569900420798151174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/6569900420798151174?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/6569900420798151174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/6569900420798151174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2013/07/censura-retangular.html' title='Censura retangular'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-4111504993651224644</id><published>2013-07-07T21:58:00.000-03:00</published><updated>2013-07-07T22:01:45.257-03:00</updated><title type='text'>Nova mensagem recebida</title><content type='html'>Você me chama, com a naturalidade de alguém que chama a um antigo amigo com quem se encontrou na última semana. Eu vejo teu chamado e empalideço, sinto um calafrio e tateio ao meu redor em busca do maço de cigarros que sempre tenho próximo de mim para o caso de uma emergência como esta. Torço, do fundo da alma, para que ele esteja cheio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você escreve tuas palavras com meticuloso cuidado e eu as leio com a esperança de que uma fenda se abra sob meu sofá e me trague e me leve para qualquer lugar longe daqui. Você me envia tua mensagem concentrando na ponta dos teus dedos todo o resquício de carinho que te (me, nos) resta. Eu a recebo com a frieza de um peito congelado que se liquefaz com o passar de cada mililitro de sangue em ebulição por ali.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você me diz para te responder sem pressa e eu me apresso em te responder. Sou o menino maduro que, no auge do seu discernimento, engole o choro, respira fundo, aperta as pálpebras enquanto desliza para cima a manga da camiseta e descobre o braço para receber uma injeção. Me confundo sobre quem eu realmente sou: uma criança crescida ou um adulto infantilizado? Penso em te perguntar isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Penso em te perguntar como você está, o que tem feito e o que pretende fazer. Como estão tua vida, tua família, teu dia a dia, tua rotina amorosa e teu provável, possível, certo, absolutamente certo, indubitável (como estou duvidando disso?, está tão na cara!) novo namorado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Penso em te perguntar sobre teus planos, teus sonhos, teu rosto, teu corpo. Penso em pedir para ver uma foto tua, para te ver uma vez mais, uma e apenas uma e singela e extraordinária única puta vez. Penso em te perguntar o sentido da vida e a origem do universo, mas não tenho coragem de te perguntar aquilo que eu mais quero saber: quem é você hoje?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esmago no fundo do cinzeiro o filtro queimado do cigarro que me chamusca os dedos, leio tua mensagem e, enquanto olho fixamente para a tela iluminada que sofro para segurar entre meus (escorregadios, trêmulos, frouxos, hesitantes) dedos, percebo que já tenho outro cigarro aceso na outra mão. Em algum momento eu não havia cogitado parar de fumar?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Venço a batalha comigo mesmo e encerro a conversa contigo. Você me pede para que nos falemos novamente, em breve, dali a pouco, e eu te cedo essa exceção, mesmo desejoso de nunca mais ouvir falar sobre você novamente. E acordo no dia seguinte contando as horas, e errando as contas, e esperando mais do que eu esperava para falar com você de novo.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/4111504993651224644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/4111504993651224644?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/4111504993651224644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/4111504993651224644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2013/07/nova-mensagem-recebida.html' title='Nova mensagem recebida'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-1626754696344281191</id><published>2013-07-06T17:14:00.000-03:00</published><updated>2013-07-06T17:14:00.700-03:00</updated><title type='text'>Quero te tirar para dançar.</title><content type='html'>Ouvir aquela música que me inebria a alma e me infla de confiança a ponto de me permitir cometer alguma loucura como... te tirar para dançar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acho que me aproximaria de você, olhando para os lados e dissimulando uma certa segurança nos passos descompassados como se quisesse te impressionar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Eu admito, não sei fazer isso muito bem. Tirar para dançar, dissimular segurança, aproximar-me de alguém e muito menos dançar).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então talvez eu te olhasse no fundo dos olhos e te dissesse qualquer coisa com firmeza, semelhante aos movimentos cardíacos arrítmicos, acelerados e descontrolados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aceitaria que te tirasse para dançar?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Penso que não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Te encolherias sobre a tua cadeira, te retrairias os braços e sorririas educadamente qualquer palavra de recusa. Sim, penso que me recusarias. E deixarias o próximo movimento comigo. Caberia a mim, então, não recusar que me recusasses uma dança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só há um problema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal equação com exageradas subtrações me travaria o organismo de uma maneira tal que eu simplesmente te olharia e te perguntaria, com uma voz sincera e trêmula, discordante daquele ser que se havia acercado de você segundos antes e infiel à melodia vagarosa que tamborila o meu peito, alguma coisa que se assemelhasse a “sério?”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não, não sei entender a recusa hipócrita, desafiante e clemente por alguma atitude. Sinto que te decepcionaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E então me sentaria de volta, esperando que algum dia me tirarás para dançar. Talvez espere por uma vida. Duas, três. Mas limitaria a esperar. Esperar, esperar, esperar, esperar e esperar...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que dificultas tanto as coisas?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apenas não me digas não quando me queres dizer sim. Ou não me digas talvez quando, no fundo, estás certa de que não me cabe nada além do nunca mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apenas te peço que me cedas a mão. Apenas por uma dança. Apenas... sem pena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou simplesmente me tires tu para dançar, desafiando-me a tomar qualquer iniciativa enquanto tento controlar &amp;nbsp;o estado ébrio (de ti!) em que me deixarás. &lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/1626754696344281191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/1626754696344281191?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/1626754696344281191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/1626754696344281191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2013/07/quero-te-tirar-para-dancar.html' title='Quero te tirar para dançar.'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-146749363574307620</id><published>2013-07-05T21:37:00.000-03:00</published><updated>2013-07-05T21:37:09.025-03:00</updated><title type='text'>Não te encontrei sobre a Pont des Arts</title><content type='html'>Nos encontraremos? De fato nos encontraremos em alguma encruzilhada deste labirinto traiçoeiro, que nos separa sem nos darmos conta e que maximiza a distância aparente que, aparentemente, não existe?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não sei te responder. A cada encontro casual – falsamente casual – que temos, temo não conseguir reunir as forças necessárias para subir a ponte e dar-te o braço para que a cruzemos juntos. Não sei lidar com a casualidade, mesmo quando, por casualidade, ela resolva vestir a minha camisa e te colocar uma vez mais no meu caminho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há algo ainda não identificável em você que entorpece minha mente no momento em que ela se encontra mais acalmada. Que transforma minha caixa torácica em um chocalho que faz ruídos descompassados como se estivesse nas mãos de uma criança feliz em uma manhã de sol. Que me comprime os brônquios e permite apenas que o ar tragado de maneira ofegante atinja os pulmões para os respectivos fins de trocas gasosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tento, todos os dias, bolar novas estratégias para que tenhamos encontros casuais. Todos, um, outro e mais um outro, fracassam. Mas há algo em você que não me deixa desanimar e renova as esperanças de que, tarde ou mais tarde ainda, nos encontraremos de maneira não casual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até lá, continuarei escrevendo palavras desajeitadas sobre o papel pautado e pressionando o tubo de pasta de dente de baixo para cima.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/146749363574307620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/146749363574307620?isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/146749363574307620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/146749363574307620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2013/07/nao-te-encontrei-sobre-pont-des-arts.html' title='Não te encontrei sobre a Pont des Arts'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-8418206914384826120</id><published>2013-06-27T03:37:00.001-03:00</published><updated>2013-06-28T02:01:44.962-03:00</updated><title type='text'>Toco tua mão</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0); &quot;&gt;Toco tua mão como nunca se me havia ocorrido. Toco tua mão como uma criança acaricia um troféu dourado que ofuscaria uma manhã de verão. Toco tua mão e me esqueço de quem sou, de onde estou, do que estou fazendo... tudo se resume, naquele instante, a tocar tua mão.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0);&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0);&quot;&gt;Queria apenas que o toque da tua mão fosse áspero, hostil, frio. Queria apenas que tua mão não representasse para mim senão apenas mais uma mão que se escapa pelas minhas mãos da mesma maneira que a minha se escaparia pelas tuas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0);&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0);&quot;&gt;Mas oh! Não tinhas o direito de tocar-me a mão e apertar-ma entre a tua, contemplando cada extremidade de pele e imprimindo sobre mim uma ilusão de carinho. Por que o fizeste? Tocaste-me a mão e despertaste em mim aquela sensação que, de todas as formas, eu tratava de reprimir no núcleo de cada célula. Porque jamais faria sentido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0);&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0);&quot;&gt;Só que decidiste tocar-me a mão, olhando-me nas pupilas com tal intensidade que me fizeste sentir nu de qualquer sentimento. Simplesmente me deixava hipnotizar pelo toque da tua mão contra a minha, pelo teu olhar contra o meu. Apenas... me domaste e me dominaste.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0);&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0);&quot;&gt;Não sei em que momento perimitiste que nossas mãos, espalmadas, escorregassem para o lado e se entrelaçassem, e se apertassem, e se afagassem, e se admirassem e se precisassem com essa junção de dedos. Por que elas se encaixaram, eu me pergunto. Foi o teu lado sádico ou o meu masoquista quem permitiu e consentiu com tremenda heresia?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0);&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0);&quot;&gt;Fecho os olhos, estico meu braço para o alto e espalmo minha mão direita. Respiro fundo para tentar captar alguma sensação do toque da tua mão. Lembro-me do teu olhar. Aquele teu sorriso... era para mim? Ou de mim. És má...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0);&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0);&quot;&gt;Estranho e extraño tua mão. Teu sorriso. Teu toque sobre minhas costas, minha mão espalmada contra tua cintura. Teu olhar. Tua respiração quente contra o meu pescoço. Tuas palavras chocando-se contra a minha pele e fazendo-me sorrir.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0);&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-size-adjust: auto; background-color: rgba(255, 255, 255, 0); &quot;&gt;Sinto falta de sonhar. Sonhar como quando me tocaste a mão e deixaste que nossos dedos fizessem amor de uma maneira sutil e silenciosa. De uma maneira da qual nunca (nunca?) de esquecerão.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/8418206914384826120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/8418206914384826120?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/8418206914384826120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/8418206914384826120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2013/06/toco-tua-mao.html' title='Toco tua mão'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-4037533123646971783</id><published>2013-06-24T03:44:00.001-03:00</published><updated>2013-06-24T03:51:50.771-03:00</updated><title type='text'>Descrição de personagem</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
A maravilhosa e impressionante arte de, sem um mínimo de esforço, aniquilar o sono, induzir
o princípio de um ataque cardíaco, provocar um maremoto estomacal, iniciar uma ofensiva
asmática, promover um surto neurótico e animar assombrações aterrorizantes em um quarto escuro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Esta é você.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/4037533123646971783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/4037533123646971783?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/4037533123646971783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/4037533123646971783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2013/06/descricao-de-personagem.html' title='Descrição de personagem'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-4196513541065187805</id><published>2013-06-20T04:23:00.003-03:00</published><updated>2013-06-21T04:05:10.245-03:00</updated><title type='text'>Tras el vino</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;ES-AR&quot;&gt;¿Qué va a
ser de este texto por la mañana cuando me despierte sobrio de este vino (¡argentino!)
que me chupé mientras veía a una película (¡argentina!) que no me hacía soñar
con vos? Va, no lo sé. No me importa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;ES-AR&quot;&gt;Te extraño,
¿hace falta que te lo diga? Y te sigo esperando aunque trate de convencerme de
que ya no te espero. Me cansa. Pero, día tras día, sé que un día más quiere
decir un día menos en esta larga cola de espera en la que me metiste. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;ES-AR&quot;&gt;Todavía
espero por el día en el que me vas a cruzar, así de la nada, como lo tramaste.
Me voy a sonreír tratando de disfrazar el
ataque que seguro voy a tener. ¿Mirarte los ojos, una vez más? ¿Abrazarte y
sentirte en mis brazos como antes? ¿Tocarte la piel como un ángel toca al
cielo? ¿Olerte el perfume como la chica enamorada huele a una rosa? No lo sé.
Es como si me muriera y me despertara en otro mundo, en otra dimensión. No,
todavía no estoy listo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;ES-AR&quot;&gt;Pero lo
espero. Lo espero a este día como espero por vos. Porque ustedes dos no son
sino la misma cosa. Vos el día. Hoy la noche. Vos la vida, hoy el silencio. Vos
la luz, hoy… hoy la oscuridad. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;ES-AR&quot;&gt;La
oscuridad, la palabra esta que tuve que buscar en el diccionario. Porque ya no
me acuerdo de tu idioma. No me acuerdo de tu voz. Ni tampoco me acuerdo de nos(otros).
Pero sí, sí me acuerdo de vos. En cualquier idioma. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;
&lt;span lang=&quot;ES-AR&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span lang=&quot;ES-AR&quot;&gt;¡Ay, la puta madre!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;ES-AR&quot;&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;ES-AR&quot;&gt;Perdón por
la demora, me fui a buscar una copa más. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;ES-AR&quot;&gt;Pero te decía…
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;ES-AR&quot;&gt;Dale, che,
vení.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;ES-AR&quot;&gt;Pero no me
avises. Haceme una sorpresa. O, mejor, ignorá todo eso que leíste de un
borracho que se enorgullece y se maravilla viendo las letras que nacen de la
punta de la lapicera. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;ES-AR&quot;&gt;Seguí con
tu vida. Y dejame seguir con la mía. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
Pero no te olvides de nuestra cita. En algún día,
todavía en esta vida, en mi país o en el tuyo, en portugués o en castellano. Pero
no te tardes mucho, porfa.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/4196513541065187805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/4196513541065187805?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/4196513541065187805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/4196513541065187805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2013/06/tras-el-vino.html' title='Tras el vino'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28706942.post-5267814239950839085</id><published>2013-06-16T02:27:00.004-03:00</published><updated>2013-06-16T02:27:38.455-03:00</updated><title type='text'>perda</title><content type='html'>eu já não me lembro se você tinha um piercing na orelha direita ou esquerda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
e você não sabe o quanto isso me dói.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/feeds/5267814239950839085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/28706942/5267814239950839085?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/5267814239950839085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28706942/posts/default/5267814239950839085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cavaleirocomsolitaria.blogspot.com/2013/06/perda.html' title='perda'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>