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	<title>Cinema com Rapadura » Críticas</title>
	
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		<title>Homens de Preto 3: sequência resgata o carisma da MIB em divertida produção</title>
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		<pubDate>Sun, 27 May 2012 23:36:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Barry Sonnenfeld]]></category>
		<category><![CDATA[Homens de Preto 3]]></category>
		<category><![CDATA[Josh Brolin]]></category>
		<category><![CDATA[Tommy Lee Jones]]></category>
		<category><![CDATA[Will Smith]]></category>

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		<description><![CDATA[Após se perderem em um péssimo segundo filme, os Agentes J e K voltam a combater a escória do universo, encarando uma ameaça bem mais pessoal em uma viagem ao passado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-266590" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/05/20091684.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-20120425_113706.jpg" alt="" width="222" height="326" />Nos idos de 1997, o primeiro <em>&#8220;MIB &#8211; Homens de Preto&#8221;</em> ajudou a fazer de Will Smith um dos maiores astros desta geração, com sua química com o sisudo Tommy Lee Jones e o contraste entre suas personas naquele universo estranho sendo uma mistura bem sucedida. Já o segundo filme da franquia foi um desastre, uma cópia sem graça e tremendamente mal-escrita do original, chegando ao ponto de ignorar sua coerência interna em favor de (péssimas) <em>gags</em>.</p>
<p>Dez anos depois, Smith e Jones voltam aos papéis dos agentes J e K neste &#8220;Homens de Preto 3&#8243;, reunidos sob a batuta do diretor Barry Sonnenfeld, comandante dos dois longas anteriores. A trama, elaborada por Etan Cohen (<em>&#8220;Trovão Tropical&#8221;</em>) em conjunto com alguns roteiristas que trabalharam em regime de urgência por conta de contratempos durante as filmagens, se encarrega de trazer algum frescor a uma série cansada através de um recurso mais do que conhecido aos fãs de ficção científica: a viagem no tempo.</p>
<p>Após fugir de uma prisão de segurança máxima da MIB, o animalesco Boris (Jemaine Clement, do seriado de TV <em>&#8220;Flight of the Conchords&#8221;</em>) viaja no tempo, apaga o agente K da existência e prepara uma invasão em larga escala a Terra. Cabe então a J voltar ao ano de 1969, salvar a versão mais jovem de seu parceiro (Josh Brolin) e, consequentemente, o planeta.</p>
<p>Não chega a ser uma surpresa que o longa invista muito mais na linha temporal passada que na presente. Bo Welch, desenhista de produção da fita, incorpora à produção um divertidíssimo toque retrô à ambientação sessentista. O maior exemplo disso é  a sede da MIB que,  no &#8220;presente&#8221;, mais parece uma versão asséptica e estilizada de uma <em>Apple Store</em>, ganhando em sua versão pretérita um charme meio <em>&#8220;Mad Men&#8221;</em>, algo que reflete a postura politicamente incorreta e até preconceituosa da agência naquela época, ilustrada pela cena em que o superior de K diz que não se importa com mortes de não-humanos. Os aliens concebidos por Rick Baker embarcam nessa onda <em>vintage</em>, com seus designs remetendo às obras <em>sci-fi</em> da época. Fiquem atentos também aos monitores da MIB para alguns <em>easter-eggs</em> bacanas com algumas celebridades.</p>
<p>A despeito disso, Sonnenfeld não se utiliza do choque gráfico para distrair o público. Os alienígenas de visuais exóticos não possuem lá grande destaque na trama, que se foca mesmo nos protagonistas e abandona algumas figuras carimbadas como os gêmeos e o cachorro Frank (lembrado apenas em duas imagens de fundo). Mesmo o bizarro Boris é um personagem simples e unidimensional. Jemaine Clement parece se divertir horrores interpretando este vilão &#8220;clássico&#8221;, que busca apenas vingança e odeia ser chamado pela sua alcunha (&#8220;O Animal&#8221;).</p>
<p>O novato mais interessante é Griffin, mas este não chama tanta atenção pelo seu visual diferente, mas pelo ótimo trabalho de caracterização do ator Michael Stuhlbarg, que transforma o poder do alien de enxergar todos os futuros possíveis em um dom e uma chateação que dificulta sua interação com os outros. Stuhlbarg parece ter tido algumas aulas com Emma Thompson, que viveu alguém com habilidades semelhantes &#8211; a Professora Trelawney em <em>&#8220;Harry Potter&#8221; -</em> e que tem um pequeno papel aqui como a Agente O, nova chefe da MIB, com Alice Eve fazendo sua versão mais moça.  O comediante Bill Hader, egresso do <em>Saturday Night Live</em>, também faz uma participação engraçadíssima como uma surpreendente versão de Andy Warhol.</p>
<p>O foco dramático do <em>script</em> é o relacionamento paternal entre J e K, com a evolução deste encontrando alguns ecos em <em>&#8220;De Volta Para o Futuro&#8221;</em>, principalmente com as surpresas que J tem ao ver outro lado de seu companheiro. Ademais, a jornada cronológica reforça a relação entre os protagonistas e acrescenta uma nova dimensão ao veterano K.</p>
<p>A composição de Josh Brolin para K é sensacional. Chega a ser assustador como ele conseguiu captar os maneirismos de Tommy Lee Jones e, ao mesmo tempo, deu seu próprio toque ao personagem, compreendendo que seu K ainda não era aquele homem que seu colega interpreta. A despeito de ambos serem homens sérios, este não possui a mesma carranca, nem toda a bagagem emocional e desapontamentos que mais de quarenta anos em serviço tão louco carregam.</p>
<p>A estoicidade de Jones e Brolin diverte bem mais que as piadas óbvias de Will Smith. Este último, por mais que seja o astro do espetáculo, acaba fazendo rir mais ao servir de contraponto às diferentes versões de seu parceiro. Mesmo assim, Smith tem alguns  ótimos momentos, principalmente os que envolvem o &#8220;choque cultural&#8221; que sofre ao aterrissar em plena época do movimento de luta pelos direitos e liberdades civis.</p>
<p>Sonnenfeld conduz a produção de maneira leve, mostrando um desejo em voltar ao sucesso de outrora, se sentindo em casa ao lidar com uma comédia repleta de situações e personagens igualmente estranhas, se saindo surpreendentemente bem, considerando os diversos problemas que ocorreram no decorrer das filmagens. No entanto, o diretor escorrega no uso &#8211; inútil &#8211; da tecnologia 3D, principalmente em algumas sequências cujo uso da tecnologia é tão inorgânico que mais parecem saídas daqueles filmes tridimensionais dos anos 1950 que usavam os toscos óculos de celofane.</p>
<p>A despeito do filme contar com sua dose de furos (o que acontece em quase todas as histórias que envolvem viagens no tempo), &#8220;Homens de Preto 3&#8243; cumpre seu papel de divertir, resgatando uma promissora franquia do estado deplorável que se encontrava.</p>
<p><em>___</em><em><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Flores do Oriente: filme de guerra chinês de infeliz padrão hollywoodiano</title>
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		<pubDate>Sun, 27 May 2012 23:30:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Christian Bale]]></category>
		<category><![CDATA[Flores do Oriente]]></category>
		<category><![CDATA[Zhang Yimou]]></category>

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		<description><![CDATA[Realizador de “Herói” e “O Clã das Adagas Voadoras”, Zhang Yimou deixa o próprio estilo de lado em prol de longa tecnicamente impecável, mas sem identidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-266610" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/05/Flores-do-Oriente.png" alt="" width="222" height="330" />Para os acostumados com o padrão hollywoodiano de fazer filmes, é no mínimo estranho conferir pela primeira vez um filme de Zhang Yimou. O ritmo é mais lento, a narrativa, incomum. Ação (regada a muita arte marcial), romance e drama sempre se entrelaçaram com atípica homogeneidade em seus épicos, transformando tudo em uma grande poesia visual. Com ele, o cinema chinês foi se definindo, encontrando uma própria identidade. Mas é exatamente essa última característica que falta no mais novo trabalho de Yimou. Em “Flores do Oriente”, o premiado diretor parece entregue a um padrão de cinema norte-americano de fácil aceitação, pouca originalidade e nenhuma profundidade, mesmo que a trama gire em torno de um dos mais polêmicos capítulos da história chinesa.</p>
<p>Na verdade, nem parece que Yimou está por trás desta produção. Não há elementos significativos em suas mais de duas horas de duração que o identifiquem. Se não fossem os creditos iniciais e finais, os mais desinformados poderiam achar que trata-se de um filme financiado por Hollywood, feito para os norte-americanos, com o objetivo vergonhoso de conquistar menções na temporada de prêmios nos EUA (coisa que até conseguiu com a indicação a Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro 2012). Logo, não é de se estranhar que o personagem principal seja um cidadão americano e que boa parte da língua falada pelos personagens, incluindo os nativos, é o inglês.</p>
<p>Quem protagoniza a trama é Christian Bale, como o dedicado coveiro John Miller. Ele é obrigado a lidar com novos desafios ao não concordar com diversas atitudes do exército japonês durante a ocupação na cidade de Nanquim, em plena guerra sino-japonesa no ano de 1937. Suas convicções levam-no a defender um grupo de meninas e prostitutas, refugiadas em um convento da localidade. Miller é forçado até a fingir ser padre, o que inicialmente inibe, mas não impede que os soldados estrangeiros abusem, violentem e executem inúmeros civis, em especial, as mulheres, no que ficou conhecido como o Massacre de Nanquim.</p>
<p>Adaptado do livro “The 13 Women of Nanjing”, de Geling Yan, “Flores do Oriente” é daqueles filmes necessários sobre um determinado fato histórico que pretende atingir todo e qualquer público. E para tanto, dispensa toques de originalidade e opta por linguagem e trama convencionais de explícitos início, meio e fim. A emotividade também é explorada sem qualquer vergonha, não hesitando em utilizar-se do maniqueísmo para gerar desconforto e revolta no público. Essa, por sinal, é uma das piores falhas do longa, que transforma os japoneses em vilões dos mais aterrorisantes, daqueles que saem atirando e esfaqueando qualquer um que não seja seu conterrâneo.</p>
<p>O contrário acontece com os chineses, sempre exibidos como heróis ou coitados. Em uma das cenas mais emblemáticas, a câmera estranhamente deixa o interior do convento e mostra um único soldado de Nanquim desafiando mais de uma dúzia de adversários. Ele chega a sacrificar a própria vida a favor dos ainda sobreviventes. E é nessa opção por contextualizar exageradamente o clima da guerra que o roteiro de Heng Lui esquece de construir seus personagens principais, bem como as relações vividas entre eles. O roteirista não convence nem ao justificar a ida de John Miller a cidade chinesa, soando muito mais como um falso pretexto para a produção ser mais bem aceita pelo público norte-americano.</p>
<p>O script até tenta buscar alguma afeição com uma das representantes dos grupos das meninas e das prostitutas, chegando a conseguir alguma simpatia advinda da segunda, de nome Shujuan Meng (Xinji Zhang), que conta parte de sua dolorosa vida e tem um romance mal contado e atropelado com Miller. Já das garotas de 12 anos, permanece distante, mesmo que Yu Mo (Ni Ni), a aparente líder delas, tenha vivido dias atribulados ao lado do pai. Além delas, outro personagem que se destaca de forma também tímida é o garoto George (Tianyuan Huang), o fiel escudeiro de Miller. Mas quando nem do próprio protagonista sabemos algo de relevante, não é de se esperar muita qualidade advinda dos coadjuvantes.</p>
<p>À Zhang Yimou sobram momentos de pequena liberdade em que demonstra sua destreza técnica, especialmente nos primeiros minutos de projeção, em que a violência de tempos de guerra é mais explícita. Um plano sequência, em particular, em que persegue uma possível vítima de estupro, é de tirar o fôlego. Mas tanto essa, como grande parte das cenas de “Flores do Oriente” não são de uma assinatura somente sua. Poderiam ter sido feitas por qualquer outro diretor competente tecnicamente, mas refém de um roteiro convencional e maniqueísta que resultam em um filme da mesma estirpe.</p>
<p>___<br />
<strong><em>Darlano Dídimo</em></strong><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>O Corvo: morte de Edgar Allan Poe resulta em fraco suspense</title>
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		<pubDate>Mon, 21 May 2012 16:52:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Alice Eve]]></category>
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		<category><![CDATA[O Corvo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por mais bem intencionado que seja esse longa ao homenagear um autor reverenciado e influente ainda nos dias de hoje, embora pouco conhecido do grande público, é impossível negar que o resultado é deveras falho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft  wp-image-265488" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/05/corvo.jpg" alt="" width="222" height="326" />A ficcionalização de figuras históricas é algo comum no cinema. Em 2011, Woody Allen o fez em <em>“Meia-Noite em Paris”</em>, nos mostrando versões caricaturais de artistas da <em>belle epoque</em> parisiense, com o filme aproveitando para brincar com as obras dos grandes nomes que retratava. No mesmo sentido, nos chega “O Corvo”, comandado por James McTeigue (<em>“V de Vingança”</em>), lançando mão dos últimos dias de vida do escritor Edgar Allan Poe, que já nos é mostrado morto nos primeiros trinta segundos de projeção, inserindo-o em uma trama de assassinatos baseados em sua bibliografia.</p>
<p>No roteiro dos pouco conhecidos Ben Livingston e Hannah Shakespeare, um problemático e falido Poe (John Cusack) vê suas tramas sendo utilizadas como inspiração para assassinatos perpetrados por um maníaco, trabalhando ao lado do dedicado Inspetor Fields (Luke Evans) para solucionar os crimes. A situação piora quando sua amada Emily (Alice Eve) é sequestrada pelo louco, colocando o atormentado Edgar em um jogo de gato e rato com o criminoso.</p>
<p>A dupla de roteiristas planta diversas referências à obra de Poe e ao menos tenta ser uma justa homenagem ao poeta. Interessante notar que uma das primeiras vítimas do maníaco é Griswold (John Warnaby), um dos maiores críticos do autor e que, na vida real, escreveu um nada elogioso epitáfio e uma pouco agradável biografia de Poe, biografia esta que é parcialmente aproveitada por Livingston e Shakespeare ao mostrar certos desvios de caráter do protagonista, mesmo que estes tenham sido negados posteriormente.</p>
<p>A morte de Griswold, logo no começo da projeção, também mostra algo sobre a proposta do longa: este não tem a menor intenção de seguir fielmente os derradeiros dias de Edgar Allan Poe, se aproveitando apenas de certos elementos históricos para montar sua narrativa, tentando criar uma trama detetivesca digna do homenageado em uma realidade alternativa fictícia.</p>
<p>Uma boa história de detetive oferece ao público pistas que tornam sua resolução factível, fazendo com que o público se interesse pelo mistério e tente desvendá-lo junto aos heróis. O que temos em “O Corvo” é um arremedo de situações que tentam criar cenas tensas, culminando em uma solução extremamente exagerada e que, em uma revisão da película, não faz o menor sentido, matando a produção.</p>
<p>Aparentemente reconhecendo a fragilidade da trama, James McTeigue investe em algumas sequências visualmente chocantes, tentando distrair o público dos rombos no roteiro. Mesmo a inteligência dos roteiristas em lançar uma boa pista logo no primeiro ato não merece ser reconhecida pela forma que o policial se dá conta dela posteriormente. Sem contar uma cena da produção que insulta o espectador ao copiar uma sequência descaradamente <em>“Kill Bill – Vol. 2”</em>, com a desvantagem do personagem em questão não ter tido treinamento do mestre Pai Mei para justificar o ato.</p>
<p>Mesmo a estética utilizada por McTeigue também não merece muitos elogios. A despeito de boas transições e alguns planos mais interessantes, a direção de fotografia falha em nos mergulhar na atmosfera mais sombria que o longa pede. Ademais, a insistência do cineasta em jogar sangue na cara da plateia já seria irritante se a fita se utilizasse da tecnologia 3D, sem ela se torna irritante e inútil.</p>
<p>É uma pena que o filme desperdice o ótimo John Cusack, cuja persona cinematográfica se adéqua perfeitamente a Poe. A versão do escritor proposta pela película é interessante e o carisma de seu intérprete, aliados a sua insistência e teimosia, conquistam a audiência e fazem com que seu mal explicado romance com a bela Emily quase funcione. Isso porque vemos muito pouco de Cusack atuando ao lado de Alice Eve antes que ela seja sequestrada, portanto não conseguimos nos importar com o destino de um casal que mal conhecemos.</p>
<p>Enquanto Luke Evans não tem muito o que fazer com seu Inspetor Fields, o talentoso Brendan Gleeson é desperdiçado em um papel ingrato do pai superprotetor mais obtuso do mundo, além de ser usado como muleta narrativa e emocional no último terço da projeção.</p>
<p>Todos esses problemas transformam “O Corvo” em um exercício cinematográfico pobre e frustrante, principalmente por usar uma figura tão marcante como Poe e incidentes tão dramáticos como as circunstâncias de sua morte em prol de uma história mais do que esburacada. Nunca mais!</p>
<p><em>“E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura</em><br />
<em>Com o solene decoro de seus ares rituais.</em><br />
<em>‘Tens o aspecto tosquiado’, disse eu, ‘mas de nobre e ousado,</em><br />
<em>Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!</em><br />
<em>Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.’</em><br />
<em>Disse o corvo, ‘Nunca mais’”.</em></p>
<p>Trecho do poema “O Corvo”, escrito por Edgar Allan Poe e traduzido por Fernando Pessoa.</p>
<p><em>___</em><em><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
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		<title>Plano de Fuga: Mel Gibson se mostra em casa neste western moderno</title>
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		<pubDate>Mon, 21 May 2012 16:52:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Mel Gibson]]></category>
		<category><![CDATA[Plano de Fuga]]></category>

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		<description><![CDATA[Divertido, ácido e politicamente incorreto, esta volta de Gibson aos filmes de ação nos apresenta um western spaghetti nos dias atuais, homenageando não só Sergio Leone, mas a persona cinematográfica de seu astro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-265530" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/05/fuga.jpg" alt="" width="222" height="323" />Sem Mel Gibson, este “Plano de Fuga” jamais funcionaria. O eterno Martin Riggs, após passar por uma série de problemas pessoais que minaram sua credibilidade junto ao público estadunidense, estrelou, produziu e co-roteirizou este projeto, aproveitando-se a cada fotograma de sua já consagrada persona cinematográfica. O que temos aqui é a volta do cara durão, sempre com uma resposta sarcástica na ponta da língua e cujas ações questionáveis escondem uma possibilidade de redenção.</p>
<p>Gibson trabalhou no texto ao lado dos novatos Stacy Perskie e Adrian Grunberg, com este último também assumindo a direção do longa. O trio foi claramente influenciado pela obra do cineasta italiano Sergio Leone. Durante os anos 1960, Leone moldou, ao lado de nomes como Clint Eastwood e Charles Bronson, a figura do “Homem Sem Nome” nos <em>westerns spaghetti</em>.</p>
<p>Esse arquétipo cinematográfico consistia naquele pistoleiro solitário de caráter dúbio que chegava a um povoado por conta de algum motivo obscuro, acabando por ajudar os habitantes locais com algum problema ou caçando algum bandido. Esse <em>cowboy</em> anônimo do velho oeste é revisitado aqui, reencarnando na figura de um Mel Gibson que toda uma geração aprendeu a gostar, apresentado ao cínico século XXI em um cenário cheio de humor negro.</p>
<p>Na trama, um bandido americano é pego na fronteira dos EUA com o México com sacolas de dinheiro, sendo jogado em uma prisão conhecida como El Pueblito, um lugar que mais parece uma cidadezinha sem lei, governada pela família do gângster Javi (Daniel Giménez Cacho). Fazendo amizade com um garotinho local (Kevin Hernadez) e sua mãe (Dolores Heredia), o gringo tem de dar um jeito de sair de lá, recuperar o dinheiro e escapar do mafioso Frank (Peter Stormare), de quem roubou a grana em primeiro lugar.</p>
<p>Assim como naqueles faroestes clássicos, muito do que faz a fita funcionar é o carisma de seu anti-herói. Ora, o personagem sem nome é um criminoso de carreira, com uma folha corrida maior que a Torre Eiffel e que, em dado ponto da projeção, admite ter inclusive tentado matar seu pai abusivo. Como o público se interessaria pelo bem-estar de um homem tão violento e nocivo?  Ora, fazendo-o ser Mel Gibson.</p>
<p>Não é só uma questão do protagonista ser interpretado pelo ator, mas deste assumir todos os trejeitos pelos quais Gibson ficou mundialmente famoso. Coloque-o ainda confrontando bandidos piores ainda e interagindo com uma família – principalmente com um garoto, assumindo uma função de figura paterna – e o ofereçam uma chance de redenção, mesmo que esta não seja necessariamente aceita e a plateia começa a sentir alguma empatia por ele.</p>
<p>De modo inteligente, o roteiro mescla ação e humor negro, sempre fazendo com que nosso ladrão desconhecido fale conosco através de uma narração em <em>off</em>, criando uma relação de intimidade entre ele e a audiência. Deste modo, as cenas de tiroteio ganham uma dimensão emocional necessária para o sucesso da empreitada, pois o destino desse simpático malandro está em jogo.</p>
<p>É uma produção que passa longe de ser politicamente correta. Temos crianças fumando, estereótipos raciais, tudo o que se pode imaginar, sempre com comentários ácidos por parte do anônimo. Além disso, em uma jogada quase tarantinesca, a influência dos <em>westerns spaghetti</em> no filme é reconhecida de um modo hilário.</p>
<p>Gibson se entrega de corpo e alma ao papel, fazendo o que sabe fazer de melhor. O astro corre, atira, faz piadinhas, é sedutor e, ao mesmo tempo, reconhece os seus mais de 55 anos de idade. A câmera de Grunberg foca nas rugas e linhas de expressão do ator, jamais tentando fazer com que este pareça mais jovem ou glamouroso. Mesmo seu interesse amoroso na narrativa passa longe de ser uma beldade hollywoodiana.</p>
<p>Kevin Hernandez e Dolores Heredia, os atores que vivem a família que interagem com o bandido americano, também fazem um trabalho fenomenal. Hernandez estabelece uma ótima química com Gibson e não age apenas como o garotinho bonitinho, o que destruiria toda a atmosfera do El Pueblito. Por sua vez, Heredia se mostra uma mãe das mais protetoras, com a atriz se saindo maravilhosamente bem em uma complicada cena de tortura, que encontra eco em um dos momentos mais lembrados do primeiro <em>“Máquina Mortífera”</em>.</p>
<p>O duelo entre nosso anti-herói e Frank e a motivação para o confronto final dele com e Javi são tão absurdos que se torna impossível não reconhecer e abraçar a farsa do longa, com Daniel Giménez Cacho e Peter Stormare embarcando na brincadeira como os proverbiais  “bandidos de chapéu preto” do longa, se apresentando de maneira deliciosamente caricata.</p>
<p>O argentino Adrian Grunberg já foi assistente de direção de cineastas como Tony Scott, Sam Mendes, Martin Campbell, Oliver Stone e do próprio Mel Gibson e, em sua de estreia na cadeira principal, parece ter aprendido bem suas lições. Acertadamente, Grunberg aposta em um visual sujo retratado por cores quentes, em uma fotografia estourada que combina muito bem com o universo corrompido que seus pitorescos personagens habitam.</p>
<p>O ritmo do filme e o caos ordenado da projeção contagiam, mostrando dinamismo mesmo no uso da câmera lenta, como no tiroteio entre bandidos de ambas as facções. Com “Plano de Fuga”, Gibson mostra que, mesmo não sendo exatamente o homem mais correto do mundo, ainda consegue chutar muitos traseiros na frente das câmeras e entreter seus fãs.</p>
<p><em>___</em><em><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
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		<title>O Que Eu Mais Desejo: sincero retrato da separação pelo olhar de um garoto</title>
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		<pubDate>Sat, 19 May 2012 23:19:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Léo Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Drama japonês trata com beleza e poesia história de dois irmãos separados após o divórcio dos pais]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-265467 alignleft" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/05/oqueeumaisdesejo-203x3001.jpg" alt="" width="222" height="328" />Da safra recente do cinema oriental, lembro-me de ter ficado encantado com o japonês vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro <em>“A Partida”</em> e o sul-coreano <em>“Poesia”</em>, que tratam de temas como a velhice, a morte e a redescoberta da vida. Em um novo exemplo do cinema daquele outro lado do mundo, estreia “O Que Eu Mais Desejo”, escrito e dirigido pelo cineasta japonês Hirokazu Kore-eda.</p>
<p>Separados pelo divórcio dos pais, acompanhamos a vida de dois garotos. Enquanto o primogênito, doce e tímido Koichi (Koki Maeda), de 12 anos, ficou com a mãe e os avós em Kagoshima, Ryu (Ohshirô Maeda) ficou em outra cidade com o pai, um músico que gasta seu tempo mais preocupado em passar seus dias ensaiando para seu retorno aos palcos do que, propriamente, cuidar do menino.</p>
<p>A cidade em que está Koichi é ameaçada por um vulcão que tem poluído o local com suas cinzas e que vive na iminência de uma explosão capaz de disseminar toda a população, enquanto Ryu aproveita uma vida mais onírica, com direito a frutas colhidas na horta e tudo o mais.  Na rotina à distância, vemos os dois compartilhando suas vidas, separados por um infortúnio da vida dos adultos.</p>
<p>Enquanto o introvertido Koichi preenche seu tempo entre as aulas de natação, a fixação em doces e o tempo de ser criança com dois amigos do colégio, Ryu é o oposto do irmão mais velho, com seu jeito popular e levado junto a três fiéis amigas. Nessa infância, Ryu e Koichi compartilham seus medos, passam por ciúmes e reflexões sobre temas como separação, orfandade e medo, principalmente Koichi, que acredita na erupção total do vulcão. Muitas vezes, até a deseja para que possa, assim, ter de sair da cidade e voltar a morar com o irmão.</p>
<p>“O Que Eu Mais Desejo” prima pela delicadeza de seus personagens cativantes, onde a distância e a frieza dos orientais ganham contornos de uma nação alegre e calorosa, mostrando um povo real, com defeitos, que foge de toda aquela pompa de um país rico, expondo uma classe média baixa que não precisa de muito para ser feliz.</p>
<p>Quando um dos colegas diz que, se fizerem um pedido quando os vagões de um novo trem bala se cruzam em outra cidade, o pedido se realizará, as crianças, que anseiam por mudanças em suas vidas, decidem se encontrar e testar se a lenda é verdadeira ou não. Na viagem, a reunião dos dois grupos fará com que Koichi e Ryu se reencontrem e que se descubram como crianças em seus atos e questionamentos.</p>
<p>Extraindo beleza de coisas simples – assim como as crianças o fazem – “O Que Eu Mais Desejo” traz belas cenas, em um filme despretensioso, mas que retrata, em espécie de <em>road movie</em>, personagens com um objetivo em comum, lembrando o clássico <em>“Conta Comigo”</em>, em uma demonstração de amizade e primeiros passos à vida adulta. Ou, melhor dizendo, uma entrada com pequenos pés no universo da maturidade.</p>
<p>Nesta ânsia de viver e contando com personagens adultos que servem como cúmplices das travessuras dos pequenos, especialmente na figura dos adoráveis avós, o filme pincela, com competência, os dramas paralelos das outras crianças. Por mais que não sejam aprofundados, criam empatia com o espectador, seja na figura da mãe negligente que não acredita no potencial da filha, seja na primeira experiência direta com a morte (em uma mistura de humor negro e drama não apelativo). Definitivamente, um retrato singelo e despretensioso de como lidar com problemas reais no onírico universo infantil.</p>
<p>Com uma ótima trilha sonora, um bom roteiro e uma direção competente, “O Que Eu Mais Desejo” preza, ainda, pelo ritmo, que prende a atenção do espectador e nos faz reviver pelo olhar de Koichi os (não tão) áureos tempos de aventuras entre amigos e as tentativas de compreensão das atitudes dos mais velhos. E nesta nostalgia de uma época única, a amarga doçura da meninice nos revela que decepções surgem para dar lugar, aos poucos, à vida adulta. Imperdível; e isso vale  tanto para crianças como para adultos.</p>
<p><em>____</em><br />
<em><strong>Léo Freitas</strong> formou-se em Jornalismo em 2008 pela Universidade Anhembi Morumbi. Cinéfilo desde a adolescência e apaixonado por cinema europeu, escreve sobre cinema desde 2009. Atualmente é correspondente do CCR em São Paulo e desejaria que o dia tivesse 72 horas para consumir tudo que a capital paulista oferece culturalmente.</em></p>
</ul>
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		<title>Paraísos Artificiais: drama reflete sobre as escolhas dos jovens modernos</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 02:43:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Benevides</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Primeira investida de Marcos Prado em ficção resulta em um filme visualmente impecável.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-259225" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/05/Paraísos-Artificiais.jpg" alt="" width="222" height="328" /></p>
<p>Quando Marcos Prado lançou o documentário <em>“Estamira”</em>, em 2004, e levou para casa prêmios internacionais importantes, como nos festivais do Rio, São Paulo, Miami e Havana, o cineasta entrou para a lista dos talentosos diretores responsáveis por uma nova identidade do cinema nacional. Foram necessários oito anos para que Prado voltasse às telonas, após se dedicar à produção de outros documentários e dos dois <em>“Tropa de Elite”</em>, ao lado de José Padilha, com uma obra inteiramente sua, dessa vez uma ficção (sua primeira).</p>
<p>Em “Paraísos Artificiais”, o diretor conta com a produção de Padilha em uma história forte dividida em três tempos da vida dos personagens. O resultado não é nada menos do que uma bela película que reflete sobre uma juventude moderna e aparentemente sem limites. A obra nos apresenta a DJ Érika (Nathalia Dill), sua amiga Lara (Lívia de Bueno) e Nando (Luca Bianchi), que se envolvem durante uma rave. Contar mais do que isso pode estragar detalhes da trama, que se desenrola ao som de muita música eletrônica, sexo e uso constante das mais variadas drogas.</p>
<p>Dentro desse ambiente onde tudo parece ser mais fácil e divertido quando se está “viajando”, compartilhamos o destino que foi reservado aos três jovens. Sem levantar falso moralismo sobre as drogas, o diretor se preocupa mais em transportar o espectador àquelas “viagens”, presenteando-os com sequências inspiradas que expõem o que eles vivem, dentro e fora de suas mentes.  Tudo isso auxiliado pela bem elaborada fotografia, sempre forte e impecável, e pela trilha sonora, que se utiliza das modernas batidas da música eletrônica para embalar com harmonia as “viagens” dos personagens.</p>
<p>Destaque para a sequência mostra Érika e Lara alucinando na praia a caminho da rave. Prado envolve o público em um espetáculo sensorial que passa pelo pavor, desespero, alegria e tristeza. Como é dito no filme, as drogas despertam o que está internalizado em cada um, e isso nem sempre pode ser uma coisa boa. A representação do pânico feita com um rebanho imaginado por Érika chega a espantar pela eficiência cênica e as imagens capturadas pela câmera de Prado compõem apenas o começo de tantas outras sequências marcantes.</p>
<p>O diretor aborda com crueza a tragédia que envolve o triângulo. Os dramas paralelos vividos pelos familiares e amigos também funcionam na telona, dando suporte ao trio principal. A montagem, essencial para a narrativa do longa, é bem executada, sem nunca deixar o público confuso em que fase da vida os personagens estão. Se há instabilidade no longa é quando força um romance em Amsterdã, sem o público acompanhar muito bem o envolvimento dos personagens durante aquela fase. A rapidez com que a trama precisa se resolver no terceiro ato também incomoda, mas não tira os méritos da película.</p>
<p>O elenco, encabeçado por Nathalia Dill, também se entrega àquele universo de diversão e perdas. Dill explora a sensualidade do seu corpo de menina para se transformar em um furacão em cena. A química dela com Lívia de Bueno, intérprete de Lara, leva força àquela relação ambígua. Luca Bianchi como Nando é o que mais desenvolve as três fases de seu personagem, deixando-se transformar pelos fatos com a passagem do tempo. O trio é tão forte em cena que deixa pouco espaço para os personagens secundários, que apenas cumprem a linha dramática sustentada pelo roteiro.</p>
<p>“Paraísos Artificiais” é um drama sobre encarar as consequências das atitudes, quaisquer que sejam, e buscar onde estão as chances de mudança e superação, já que a vida está aí para correções, arrependimentos e novas tentativas. Muito bem realizado por sua equipe técnica, o longa é uma grata surpresa da produção nacional, reiterando o potencial de Marcos Prado na cinematografia brasileira.</p>
<p>___<br />
<strong><em>Diego Benevides</em></strong><em> é editor chefe, crítico e colunista do CCR. Jornalista graduado pela Universidade de Fortaleza (Unifor), é especialista em Assessoria de Comunicação, pesquisador em Audiovisual e educador na linha de Artes Visuais e Cinema. Desde 2006 integra a equipe do portal, onde aprendeu a gostar de tudo um pouco. A desgostar também.</em></p>
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		<title>Battleship – A Batalha dos Mares: filme naufraga na mesmice da Hasbro</title>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2012 17:14:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Alexander Skarsgard]]></category>
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		<category><![CDATA[Rihanna]]></category>
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		<description><![CDATA[Esforço da Hasbro em transformar batalha naval em um grande longa de ação só atinge mesmo a água, em fita que tenta seguir os péssimos passos de "Transformers".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-258777" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/05/battleship1.jpg" alt="" width="222" height="329" />Ideias para bons filmes podem vir de qualquer fonte. É só olhar o caso de <em>“Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra”</em>, que veio de uma atração dos parques da <em>Disney</em>. Mas é conceitualmente muito difícil se tirar uma trama decente do conceito do jogo Batalha Naval. Por mais que a <em>Hasbro </em>e sua assessoria digam o contrário, o que originou este “Battleship – A Batalha dos Mares” foi aquele joguinho que ficou marcado pela <em>punchline</em> “<em>Afundou meu encouraçado!</em>”.</p>
<p>Com o sucesso comercial de suas marcas <em>“Transformers” </em>e <em>“G.I. Joe” </em>nos cinemas, a <em>Hasbro</em> resolveu investir no lançamento de outras de suas propriedades na telona. No entanto, ao contrário das já citadas franquias, que tinham histórias criadas junto dos lançamentos das respectivas linhas de brinquedos (além de diversos desenhos animados e HQs), nunca ninguém se incomodou muito em criar uma narrativa que justificasse o porquê das frotas do jogo original estavam se enfrentando.</p>
<p>Assim, olhando para os bilhões que os longas com Optimus Prime e Bumblebee renderam nas bilheterias, os executivos tiveram a brilhante ideia de fazer desta nova empreitada mais um longo espetáculo de recrutamento para as forças armadas norte-americanas, com toneladas de efeitos especiais e não ligando muito para essas coisas de roteiro, atuações ou lógica interna.</p>
<p>Focando a propaganda militar na Marinha estadunidense, os roteiristas Erich Hoeber e Jon Hoeber (do eficiente <em>“Red – Aposentados e Perigosos”</em> e do fraco <em>“Terror na Antártida”</em>) foram chamados para escrever o arremedo de história que liga as cenas de ação extremamente dispendiosas que vemos durante a projeção, enquanto o diretor Peter Berg (<em>&#8220;Hancock&#8221;</em>) se reduziu a fazer um <em>cover</em> de Michael Bay para os produtores.</p>
<p>Na “trama”, o problemático Alex Hopper (Taylor Kitsch) é arrastado para servir na Marinha junto de seu irmão, o Comandante Stone Hopper (Alexander Skarsgård), depois que este desiste de aturar as confusões do caçula. Alex se torna rapidamente um oficial, mas não consegue conquistar o respeito do seu irmão e do Almirante Shane (Liam Neeson) que, além de ser seu superior, é pai de sua namorada, Sam (Brooklyn Decker). Durante uma série de exercícios navais envolvendo várias nações, ocorre um ataque alienígena e começa todo o caos.</p>
<p>Os aliens chegam à Terra e&#8230; pronto. Jamais sabemos qual o interesse deles no nosso planetinha azul. Aliás, eles não teriam muitos motivos para invadir um lugar cuja luz solar é NOCIVA para eles. Sim, mais uma raça de seres tecnologicamente avançados que atacam um ambiente inóspito para eles. Devem ser primos dos ETs de <em>“Guerra dos Mundos”</em> (derrubados por micróbios) e dos de <em>“Sinais”</em> (cuja fraqueza era APENAS água).</p>
<p>Sem jamais criar um antagonista que desperte pena, raiva ou simpatia, a narrativa se mostra completamente unilateral, algo parecido com o que ocorreu em <em>&#8220;Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles&#8221;</em>. Considerando que os personagens humanos  são completamente rasos e suas falas e “dramas” consistem unicamente de clichês, provavelmente não foi a melhor das ideias.</p>
<p>Alex é um protagonista extremamente aborrecido e suas ligações com os demais personagens jamais ganham qualquer destaque. O romance do protagonista com Sam não decola e mesmo seus relacionamentos com Stone e com o Almirante não são bem explorados. Isso porque o filme trata logo de separá-lo de suas figuras de autoridade e interesse amoroso sem muita cerimônia.</p>
<p>Stone e Shane jamais têm muita chance de fazer qualquer coisa com Alex além de gritar com ele – justificadamente, aliás. A culpa realmente não jaz em Taylor Kitsch, Alexander Skarsgård ou Liam Neeson. Por melhores atores que sejam, eles estão presos a um roteiro simplesmente morto, que não lhes dá a menor chance de brilhar em momento algum.</p>
<p>Na ala feminina, temos a muito alardeada estreia no cinema de Rihanna, que é triste, para dizer o mínimo. Além de atuar sempre no mesmo tom, sua personagem serve basicamente para participar de pobríssimos diálogos expositivos (“<em>Ele não gosta nada dele!</em>”) e de momentos em que os roteiristas pareciam não ter noção do que estavam escrevendo, como quando a colocaram dizendo, em frente do corpo de um alien morto, que o pai dela sabia que existia vida extraterrestre, em uma cena deslocada e constrangedora. A impressão que fica – e que provavelmente corresponde à realidade – é que a cantora foi escolhida para o papel apenas para atrair público, não por ser a melhor opção para este.</p>
<p>Já Brooklyn Decker está lá para propósitos estritamente masturbatórios, como comprova a cena que a coloca em cima de Alex, com a câmera de Berg ressaltando seu belo conjunto de comissão de frente e ala das baianas sempre que possível. Interpretação passa longe dos propósitos do diretor para a guria aqui. A moça ainda passa boa parte do filme interagindo com Gregory D. Gadson, militar que perdeu as pernas servindo no Iraque e que ganhou um papel de destaque na fita representando os soldados que sofreram ferimentos graves em combate. Por mais que Gadson mereça nosso respeito, ele simplesmente não é um ator, apresentando um desempenho sofrível na tela.</p>
<p>As cenas de ação, o que realmente interessa para mais de 70% do público pagante desse tipo de filme, são maçantes e repetitivas, sem trazer nada de novo para quem já viu qualquer película do gênero nos últimos tempos. Há ainda o agravante que o público, por não conhecer ou se importar os personagens de nenhum dos lados da batalha, não sente o peso dos conflitos, sem ocorrer tensão no decorrer dos confrontos. Sem contar que tentar quebrar a janela de uma nave espacial alienígena à bala é meio difícil de engolir até para o que vinha sendo mostrado até ali.</p>
<p>As únicas vantagens de “Battleship – A Batalha dos Mares” sobre a franquia <em>“Transformers”</em> é o fato de que, aqui, os marinheiros veteranos ganham um tratamento mais digno que o dado a Buzz Aldrin em <em>“O Lado Oculto da Lua”</em> (embora a cena destes andando em câmera lenta chegue bastante perto do risível) e a ausência de patéticas tentativas de alívios cômicos escatológicos ou racistas, como Bumblebee “urinando” ou os gêmeos do segundo longa dos robôs disfarçados.</p>
<p>Peter Berg até mereceria algum crédito, haja vista que filmagens aquáticas são realmente complicadas, mas considerando a falta de originalidade com que emprega a pirotecnia na tela e o resultado final da fita, esse crédito é anulado e a única coisa que este &#8220;Battleship &#8211; A Batalha dos Mares&#8221; consegue atingir é&#8230; água.</p>
<p><em>___</em><em><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>O Exótico Hotel Marigold: comédia acima da média reúne elenco estelar</title>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2012 17:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Léo Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Bill Nighy]]></category>
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		<category><![CDATA[Tom Wilkinson]]></category>

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		<description><![CDATA[Aposentados britânicos que decidem visitar Índia retratam recomeço da vida na terceira idade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-258756" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/05/marigold-200x3001.jpg" alt="" width="222" height="333" />Em “O Exótico Hotel Marigold”, se somarmos a idade dos sete veteranos atores principais, chegamos a um coeficiente de impressionantes 474 anos. A informação pode parecer inútil mas, quando se trata de alguns dos maiores astros britânicos do cinema, experiência e talento de uma longa estrada frente às câmeras fazem toda a diferença.</p>
<p>Dirigido pelo também britânico John Madden (do insosso vencedor do Oscar <em>“Shakespeare Apaixonado”</em>), “O Excêntrico Hotel Marigold” é baseado no romance <em>“These Foolish Things”</em>, de Deborah Moggach, uma das responsáveis pela adaptação do romance <em>“Orgulho e Preconceito”</em>, levado às telas no bem-sucedido longa protagonizado por Keira Knightley.</p>
<p>Acompanhamos a história de sete personagens aposentados que decidem fazer uma viagem à Índia, onde ficarão hospedados no hotel que dá nome ao filme: Evelyn (Judi Dench) que, após a recente morte do marido e a venda do apartamento onde moravam para quitar as dívidas deixadas pelo morto, se recusa a morar com o filho; Muriel (Maggie Smith), uma senhora ranzinza e preconceituosa que, necessitando de uma cirurgia de emergência, é aconselhada a ser operada naquele país; o casal Douglas (Bill Nighy) e Jean (Penelope Wilton), já desgastado por tantos anos de convivência. Completando o time temos Graham (Tom Wilkinson), um ex-advogado que convive há décadas com a história de um amor impossível do seu passado vivido na Índia; Norman (Ronald Pickup) e Madge (Celia Imrie), que não perderam as esperanças de encontrar alguém para passar tempo que ainda lhes resta, seja para uma vida a dois ou para redescobrir o prazer do sexo.</p>
<p>Com tantos personagens diferentes em suas experiências de vida e personalidades, o prólogo de “O Exótico Hotel Marigold” nos apresenta, pontualmente, às principais características de cada um deles. Seja o luto da viúva Evelyn e o medo de ser um fardo na vida de casado do filho, o preconceito de Muriel com qualquer pessoa que não seja branca e inglesa ou a libido de Norman, que se recusa a assumir a própria velhice, aproveitando o que ainda lhe resta de tempo para se divertir.</p>
<p>Ao chegarem no hotel, administrado pelo jovem Sonny (Dev Patel, de <em>“Quem Quer Ser um Milionário?”</em>), o grupo percebe que a propaganda de ser um luxuoso recanto de alma inglesa está, na verdade, caindo aos pedaços. Sonny, no entanto, une todas as forças que tem para recuperar o legado do hotel deixado por seu pai. Porém, terá de bater de frente com a conservadora e rígida mãe (Lillete Dubey), que também é contra o casamento dele com a jovem Sunaina (Tena Desae).</p>
<p>A chegada à Índia fará com que cada personagem se aproxime cada vez mais, enfrentando – ou se refugiando – de todas as diferenças que envolvem as díspares culturas: caos, pobreza, fé, culinária, poluição, clima, entre tantos outros. E o convívio dos acolhedores e solidários indianos será capaz de quebrar a barreira dos reservados britânicos em um filme que toca de forma delicada e sincera em temas como morte, solidão e amizade, além da chegada à velhice aliada ao confronto direto com o próprio passado, presente e futuro.</p>
<p>Graças ao ótimo roteiro e com drama e humor na medida certa, “O Exótico Hotel Marigold” é um agradável presente àqueles que anseiam por uma boa história, com personagens bem construídos e diálogos afiadíssimos, favorecidos pela edição, que faz com que o filme não perca o ritmo um momento sequer. Esmiuçando os locais menos conhecidos da Índia, o filme é quase um <em>road movie</em> pelo país, expondo um caleidoscópio de cores e costumes que permeiam os dramas que envolvem os sete personagens.</p>
<p>Politicamente falando, o longa ganha ainda mais créditos ao nos colocar diante de britânicos e indianos convivendo em harmonia. Afinal, o passado recente da colonização britânica na Índia, que durou quase um século de conflitos (1858-1947) e que teve como grande peça o líder Mahatma Gandhi, deixou a relação entre as nações abaladas desde então. A ideia de mostrar personagens diferentes que acabam por descobrir mais um sobre o outro já rendeu numerosas obras, mas “O Exótico Hotel Marigold” faz isso com uma qualidade acima da média.</p>
<p>É impossível não se encantar com a beleza e talento de Dench, que mostra que é possível recomeçar após perder um companheiro de uma vida toda. Ou mesmo o humor afiado de Smith, que rende as melhores piadas com seu jeito adoravelmente mal-humorado e orgulhoso. Já Imrie, como a espevitada Madge, e Pickup, como o assanhado Norman, também rendem cenas hilárias de cunho sexual. Nem mesmo o conflito mais denso do casal Douglas e Jean, a meu ver, conseguem arrancar o título de <em>feel-good movie</em> desta obra.</p>
<p>Apesar de se apressar no seu epílogo, criando situações precipitadas, o longa consegue unir um grupo de lendas do cinema britânico com uma história que, além de encantar os mais velhos, mostrará aos mais novos que chegar à terceira idade não é somente esperar a chegada do fim mas, sim, correr atrás de um novo começo.</p>
<p><em>____<br />
</em><em><strong>Léo Freitas</strong> formou-se em Jornalismo em 2008 pela Universidade Anhembi Morumbi. Cinéfilo desde a adolescência e apaixonado por cinema europeu, escreve sobre cinema desde 2009. Atualmente é correspondente do CCR em São Paulo e desejaria que o dia tivesse 72 horas para consumir tudo que a capital paulista oferece culturalmente.</em></p>
</ul>
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		<item>
		<title>Piratas Pirados: estúdio Aardman entrega mais uma divertida animação</title>
		<link>http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/258616/piratas-pirados-estudio-aardman-entrega-mais-uma-divertidissima-animacao/</link>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2012 16:47:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Piratas Pirados]]></category>

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		<description><![CDATA[Diversão rápida é o que esta nova empreitada da Aardman Animations proporciona. Embora ligeiramente abaixo da média do estúdio, o filme cumpre bem o seu papel.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-258634" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/05/1106-Piratas-Pirados-Poster.jpg" alt="" width="217" height="334" />Ao lado da <em>Pixar</em>, a <em>Aardman Animation</em> é um dos estúdios de animação mais conceituados no que tange a longas animados para o cinema, sendo responsável por fitas como <em>“A Fuga das Galinhas”</em>, <em>“Por Água Abaixo”</em>, <em>“Operação Presente”</em>, além da franquia <em>“Wallace &amp; Gromit”</em>. No entanto, enquanto a empresa da luminária acabou comendo brita, os ingleses especializados em <em>stop-motion</em> continuam navegando em águas tranquilas com “Piratas Pirados!”.</p>
<p>A maior força do roteiro, escrito por Gideon Defoe baseado na série de livros de sua própria autoria, é também o seu grande calcanhar de Aquiles: é hilariantemente inglês. Acompanhamos as aventuras do meio avoado Capitão Pirata que, mesmo sendo adorado por sua tripulação de desajustados, é motivo de piadas entre os demais piratas que rondam os sete mares, tendo em vista que não é lá muito ameaçador, com seu navio mais parecendo um remendo flutuante e nunca conseguindo saquear muito de suas vítimas.</p>
<p>Quando o Capitão acaba por trombar com Charles Darwin, descobre o que ele crê ser uma chance de conseguir o prêmio de Pirata do Ano. O problema é que isso o colocará em rota de colisão com a Rainha Vitória, a maior inimiga dos bucaneiros, louca não apenas para dar um fim nos piratas, mas para pôr as mãos na dodô de estimação do nosso protagonista.</p>
<p>Enquanto a própria ingenuidade do Capitão Pirata é hilariante <em>per si</em>, sua peculiar tripulação também arranca gargalhadas, desde o devotado Número Dois, passando pelo Pirata Estranhamente Curvilíneo e até o Pirata Albino. Todos são visualmente interessantes e surgem sempre com uma boa <em>gag</em> na ponta de suas línguas de massinha.</p>
<p>As figuras históricas que surgem também são engraçadíssimas, principalmente o tímido Charles Darwin, carinhosamente apelidado pelo Capitão de “Chacha”. Em seus esquemas ao lado do macaco inteligente Bobo (com suas plaquinhas à lá Coiote Coió), é responsável por algumas das melhores piadas ao longo da projeção. A Rainha Vitória também surge deliciosamente vilanesca, principalmente em seus surtos ao ouvir a palavra “pirata”.</p>
<p>O problema é que algumas piadas e trocadilhos se perdem na tradução, tendo em vista que o sutil humor inglês é realmente complicado de se adaptar. Recomendo ver o filme em sua versão legendada, se possível. Além disso, a música <em>“I&#8217;m Not Crying”</em>, tirada da série de TV <em>“Flight of the Conchords”</em>, não foi traduzida ou legendada aqui no Brasil, resultando no desperdício de um dos momentos mais hilariantes da fita, alienando a enorme fatia do público que não sabe inglês.</p>
<p>Sobre o 3D, este realmente não é dos mais marcantes, sendo esfregado na cara do público em uma cena específica (engraçadinha, mas inútil para a narrativa), sem ajudar muito o espetáculo ou a condução da história e nem compensar o desconforto dos óculos. Realmente não é o tipo de produção que mudará a ideia de ninguém que não gosta do formato.</p>
<p>“Piratas Pirados!” não é um filme que influenciará a história do cinema e nem ambiciona fazê-lo. É uma comédia engraçada sobre alguém descobrindo o próprio valor ao lado dos amigos de um modo bem pitoresco, valendo a pena embarcar com esse bando de doidos nessa divertida viagem (não sem percalços) ao lado desses simpáticos malucos.</p>
<p><em>___</em><em><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Anjos da Lei: comédia de ação brinca com seriado dos anos 1980</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 10:07:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<description><![CDATA[A última coisa a se esperar de um filme que levasse a marca "Anjos da Lei" para o cinema é esse longa que está no cinema, que funciona muito bem em sua insana proposta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-257121" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/05/20057844.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-20120315_065659.jpg" alt="" width="222" height="326" />A série de TV oitentista “Anjos da Lei”, além de ter servido de trampolim para o hoje astro Johnny Depp, foi um estouro no Brasil quando de seu lançamento. O programa mostrava uma unidade policial americana, sediada em uma igreja no número 21 da rua Jump, especializada em se infiltrar em colégios para resolver crimes.</p>
<p>Bom, se o caro leitor curtia as aventuras dos oficiais Tom Hanson e Doug Penhall, pode se chocar e muito ao assistir à versão cinematográfica. O filme está para o seriado assim como o Batman de Adam West está para os quadrinhos do homem-morcego, avacalhando até dizer chega todo o conceito da adaptação e seus personagens. O que não é exatamente ruim, tendo em vista que o resultado é simplesmente hilário</p>
<p>O roteiro, escrito por Michael Bacall (co-roteirista de <em>“Scott Pilgrim Contra o Mundo”</em>), nos apresenta a dois novos policiais, Schmidt (Jonah Hill) e Jenko (Channing Tatum). Enquanto adolescentes, eles eram as perfeitas encarnações de dois estereótipos colegiais como o nerd e o atleta metido a besta.</p>
<p>Ao entrarem na academia de polícia, eles  passaram a ser como irmãos, um aproveitando o que o outro tem de bom, se graduando por conta dessa amizade. Mesmo assim, os dois ainda são tidos como verdadeiras piadas na força. Após uma burrada homérica, os protagonistas são transferidos para a unidade dos Anjos da Lei, tendo a missão de frequentar uma escola e descobrir quem lá está traficando e fabricando uma poderosíssima droga sintética.</p>
<p>O ritmo do filme e suas piadas sempre à mil por hora são as últimas coisas que um fã do material original poderia esperar. Quem viu<em> “Projeto X – Uma Festa Fora de Controle”</em>, sabe que a especialidade dele é o humor escrachado e até meio auto-depreciativo, exatamente o que vemos aos baldes aqui.</p>
<p>Nerds, atletas, os aqui chamados “ecochatos” e até mesmo o próprio filme são igualmente vítimas do humor bastante ácido – e honesto – de Bacall, sempre fazendo um contrate do mundo adolescente atual com o da geração passada, com Schmidt e Jenko servindo como os olhos do público para isso.</p>
<p>Ao fazer graça com TODOS os clichês de uma adaptação de um seriado antigo para o cinema, o longa ganha a simpatia do público médio que não conhece o material original, mas pode afastar quem esperava algo nos moldes do antigo seriado, “homenageado” de uma forma bastante gráfica no último ato da projeção.</p>
<p>Os diretores Phil Lord e Chris Miller se mostram bastante à vontade com a proposta da produção, embarcando na brincadeira sem pudor nenhum. O estilo gráfico adotado pelos cineastas em alguns momentos se mostra um tanto quanto&#8230; estranho, mas casa bem com a insanidade da fita e com o passado de animação dos dois.</p>
<p>A química entre Jonah Hill e Channing Tatum é incrível, com a dinâmica entre eles funcionando quase como se estivessem vivendo um casal. Hill, que estourou como “o gordinho de <em>‘Superbad – É Hoje’</em>”, já teve sua veia cômica mais do que explorada anteriormente, mas é Tatum, cujos projetos mostram uma aparente vontade do ator de se tornar um novo astro de ação, quem mais surpreende ao se entregar de cabeça ao besteirol em alguns pontos.</p>
<p>No elenco coadjuvante, Brie Larson aparece doce na medida certa como o interesse amoroso de Schmidt e o rapper Ice Cube arranca gargalhadas como o capitão de polícia negro e raivoso da dupla principal, reconhecendo o chavão que o personagem é e mergulhando de cabeça nisso.</p>
<p>“Anjos da Lei” não é o que os fãs da série esperavam, mas é um filme divertidíssimo, sem medo de fazer piadas sujas ou de ser mal encarado pela polícia do politicamente correto. Quem curtia o seriado, vá de cabeça aberta e prepare-se para 90 minutos de gargalhadas descompromissadas.</p>
<p><em>___</em><em><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Conspiração Americana: longa retrata assassinato de Abraham Lincoln</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 09:59:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Léo Freitas</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com imparcialidade, Robert Redford conduz trama competente sobre nação dividida após Guerra Civil Americana]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-257327" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/05/consp.jpg" alt="" width="222" height="325" />Retratar períodos importantes da história dos EUA muitas vezes rendem produções que se vangloriam do patriotismo intrínseco e, consequentemente, incômodo para alguns espectadores do lado de fora da fronteira ianque. O ator, diretor e produtor Robert Redford decidiu tocar na ferida da Guerra de Secessão (1861-1865) e na morte do presidente Abraham Lincoln no dia 15 de abril de 1865, quando o país ainda sentia os reflexos do grande conflito que dividiu entre os que defendiam e os que apoiavam a escravatura.</p>
<p>Em “Conspiração Americana”, roteirizado por James D. Solomon e Gregory Bernstein, acompanhamos a história de Frederick Aiken (James McAvoy), ex-combatente da Guerra e jovem advogado que, após o assassinato de Lincoln, é incumbido pelo veterano juiz Reverdy Johnson (Tom Wilkinson) de assumir a defesa de Mary Surratt (Robin Wright), uma viúva dona de uma pensão, acusada de abrigar oito homens que, acusados da morte do presidente, também teriam tentado liquidar o vice-presidente Andrew Johnson e o secretário de estado William Henry Seward.</p>
<p>Inexperiente e convicto de que Mary é culpada, Aiken começa uma luta no tribunal militar para descobrir a verdade por trás do assassinato e das verdades e mentiras escondidas pelos nove acusados. Uma peça-chave, no entanto, está faltando: o filho de Mary, John (Johnny Simmons), que se reunia na pensão com os acusados da Federação (ou seja, defensores da escravatura) para arquitetar o ousado plano de sequestrar o presidente.</p>
<p>Na acusação, Aiken terá de bater de frente com o promotor Joseph Holt (Danny Huston) que quer, a todo custo, condenar os apontados na conspiração. Católica e sulista, Mary é vista como alvo fácil da nortista União, que saíra vencedora da Guerra Civil do presidente abolicionista. Disposta a defender o filho desaparecido, Mary usa de todas as armas para não entregar o rapaz, nem que isso tenha de pôr em risco a filha mais nova, Anna (Evan Rachel Wood), dividida entre depor contra a mãe ou contra o irmão.</p>
<p>Além do incansável Holt, Aiken terá pela frente, ainda, o braço-direito de Lincoln na Guerra Civil, o secretário de guerra Edwin Stanton (Kevin Kline) que, mantendo o cargo do agora atual presidente Andrew Johnson, tenta aparar as arestas de uma sociedade ainda em frangalhos e colidindo entre si por conta do ainda recente conflito civil. Trocando em miúdos, para Stanton é necessário encontrar um culpado – ou culpados – pela morte do líder da nação.  Caso contrário, a situação sociopolítica ficaria incontrolável.</p>
<p>Assim, Aiken, dividido entre a culpa e inocência de Mary, terá de arcar com as consequências do julgamento, seja na sua reputação ameaçada ao absolver uma mulher considerada “um monstro” pela sociedade, seja na condenação dela que colocaria em risco seu futuro como advogado. Alternando entre a proximidade criada com Mary, sua briga solitária diante do manipulador júri militar e as pistas surgidas no caminho, o jovem advogado vai montando o quebra-cabeça que definirá o destino dos personagens.</p>
<p>Dirigido de forma correta por Redford (vencedor do Oscar de Melhor Diretor pelo sensível <em>“Gente Como a Gente”</em>), “Conspiração Americana” mostra os EUA ainda frágeis e lidando com uma situação incomum. Bem produzido, fotografado e com direção de arte competente, o longa ainda ganha apoio pelo bem acabado trabalho do compositor Mark Isham, responsável pela trilha de filmes como <em>“Crash – No Limite”</em>, <em>“Dália Negra”</em>, <em>“Leões e Cordeiros”</em> (também dirigido por Redford) e <em>“Nada É Para Sempre”</em>, na qual recebeu uma indicação ao Oscar.</p>
<p>Embora envolva muitos personagens e fatos, a obra talvez funcionaria melhor em uma produção mais longa, como uma minissérie, mas o resultado não decepciona. McAvoy está competente no papel do jovem que se vê diante de um caso jurídico inédito, enquanto Wilkinson, ótimo, só peca por não ganhar mais destaque na trama, assim como a presença sempre bem-vinda de Kline. Porém, a grande surpresa é Robin Wright que, despindo-se de toda sua vaidade, dá a carga dramática necessária a uma personagem envolvida em uma situação sufocante.</p>
<p>Inevitáveis por conta do contexto histórico, nem mesmo alguns discursos calorosos sobre patriotismo estragam o produto final de “Conspiração Americana”, que prende a atenção, especialmente daqueles que não conhecem maiores detalhes do assassinato de Lincoln. E, de brinde, retrata de forma imparcial um fato histórico daquele delicado período da história norte-americana. Merece ser conferido.</p>
<p><em>____</em><br />
<em><strong>Léo Freitas</strong> formou-se em Jornalismo em 2008 pela Universidade Anhembi Morumbi. Cinéfilo desde a adolescência e apaixonado por cinema europeu, escreve sobre cinema desde 2009. Atualmente é correspondente do CCR em São Paulo e desejaria que o dia tivesse 72 horas para consumir tudo que a capital paulista oferece culturalmente.</em></p>
</ul>
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		<title>Um Homem de Sorte: Zac Efron estrela adaptação sem sal de romance</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 09:46:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Um Homem de Sorte]]></category>
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		<description><![CDATA[Baseado no livro do celebrado autor Nicholas Sparks, o longa simplesmente não apresenta nada que nos comova ou nos faça torcer pelo casal principal.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-257131" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/05/poster-do-filme-um-homem-de-sorte-baseado-no-livro-de-nicholas-sparks-1336002039908_300x420.jpg" alt="" width="222" height="311" />Guerras sempre serviram de pano de fundo para grandes histórias de amor. E também para romances não tão grandes assim, como é o caso deste “Um Homem de Sorte” (<em>The Lucky One</em>), produção de médio porte da Warner Bros. que adapta mais um livro de Nicholas Sparks para a telona.</p>
<p>O filme mostra o jovem fuzileiro Logan (Zac Effron) retornando para casa após seu terceiro e último turno de serviço no Iraque. Durante sua estadia nos campos de batalha, o rapaz escapou de um morteiro por ter ido pegar a foto de uma jovem que viu no chão, com o objeto se tornando seu “amuleto da sorte”.</p>
<p>Sem conseguir se readaptar ao lar, Logan sai em uma longa caminhada em busca da garota da foto, a encontrando no interior da Louisiana. A moça, chamada Beth (Taylor Schilling), contrata o ex-fuzileiro para o seu canil, sem saber de seu objetivo por lá. Logan acaba por se afeiçoar ao filho (Riley Thomas Stewart) e avó (Blythe Danner) de Beth e se apaixona por ela, para o desgosto do poderoso ex-marido da bela, o xerife Keith (Jay R. Ferguson).</p>
<p>Após assistir ao longa, é difícil não se surpreender ao ver que este fora dirigido por Scott Hicks, cineasta responsável por filmes como <em>“Neve Sobre os Cedros” </em>e <em>“Shine – Brilhante”</em>. A surpresa jaz no fato que este seu novo trabalho é incrivelmente sem sal, não apresentando nada que o separe de qualquer outro exemplar do gênero, lembrando muito outra colaboração de Hicks com a Warner, <em>“Sem Reservas”</em>.</p>
<p>A impressão que temos é que o roteiro de Will Fetters (<em>“Lembranças”</em>) simplesmente se resumiu a uma lista de tudo o que uma fita baseada em um livro de Sparks deveria ter, incluindo o momento trágico do terceiro ato. Em um filme de gênero isso é um pecado capital, pois dá à audiência uma incômoda sensação de <em>deja vu</em>.</p>
<p>Hicks simplesmente seguiu o mesmo espírito que o roteirista, não entregando nada de novo ao público. Apesar de algumas boas tomadas que usam luz e sombra de um modo mais interessante e um bom uso de lentes de visão noturna no prólogo, o miolo da projeção surge repleto de imagens que parecem saídas de proteção de tela de tão pouco imaginativas que são.</p>
<p>O casal principal formado por Zac Efron e Taylor Schilling possui alguma química, mas não passam nenhuma carga dramática. Efron em momento nenhum convence como um atormentado fuzileiro, sendo incapaz de transmitir qualquer sensação de inadequação ou de trauma que o papel necessita.</p>
<p>Taylor Schilling, por sua vez, tem aqui seu primeiro papel importante na telona após alguns trabalhos para a TV. Apesar de linda, ela se mostra completamente sem carisma, destruindo alguns momentos que deveriam ser importantes para a narrativa, como os confrontos de sua personagem como ex-marido, nos quais a moça simplesmente não mostra postura ou confiança.</p>
<p>Por falar nele, Keith surge como a proverbial pedra no sapato na felicidade do casal, algo ressaltado pela interpretação de Jay R. Ferguson, que exagera na canastrice, principalmente quando tenta chantagear a ex. A questão é que essa “ameaça” não vai muito além de um mero inconveniente, não trazendo à tona nenhuma sensação de insegurança quanto ao destino do casal. A única que se destaca no elenco é a veterana Blythe Danner, que mostra vivacidade na tela como a ativa avó da mocinha e só.</p>
<p>Sem conseguir sair dos clichês do gênero e nem mesmo usando-os bem, “Um Homem de Sorte” provavelmente não funcionará com os admiradores mais ardorosos de Sparks, só atraindo as fãs de Efron, que não estão mesmo muito interessadas nos dotes dramáticos do rapaz.<em></em></p>
<p>___<em><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>As Idades do Amor: atores carismáticos estrelam filme irregular</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Apr 2012 03:29:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Léo Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[As Idades do Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Monica Bellucci]]></category>
		<category><![CDATA[Robert De Niro]]></category>

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		<description><![CDATA[Robert De Niro e Monica Bellucci encabeçam elenco de longa sobre o amor em três fases da vida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255934" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/04/idadesdo.jpg" alt="" width="222" height="326" />Que filmes românticos não saem de moda, isso é fato consumado. O cineasta italiano Giovanni Veronesi, pensando nisso, chega à terceira parte de sua franquia<em> &#8220;Manuale D&#8217;amore&#8221;</em> (&#8220;<em>Manual do Amor</em>&#8220;, em tradução literal), que já havia oferecido dois outros longas, lançados em 2005 e 2007.</p>
<p>Nesta terceira parte, &#8220;As Idades do Amor&#8221;, Veronesi reúne alguns atores dos outros dois filmes em papéis diferentes e, de bandeja, traz o astro Robert De Niro para contar histórias de amor em três fases da vida: juventude, maturidade e meia-idade. Assim, acompanhamos os planos do jovem advogado Roberto (Riccardo Scamarcio) que, prestes a se casar com Sara (Valeria Solarino), tem de fazer uma viagem de negócios rumo à romântica Toscana. Lá, conhece a belíssima Micol (Laura Chiatti), moça que acelera o coração de todos os homens da região.</p>
<p>O envolvimento de Roberto e Micol é inevitável, com todas as delícias, sonhos e inseguranças que permeiam o frescor da paixão impossível, visto que ambos são comprometidos e, querendo ou não, amam seus respectivos pares. Além disso, se aproxima do grupo masculino do local, criando uma amizade com humor e cumplicidade, que faz com que ele se sinta dividido, adiando cada vez mais sua volta para a noiva Sara. O peso das diferentes personalidades (a insegurança da romântica Sara e a impulsividade sensual de Micol) fará com que Roberto tenha de escolher que rumo tomar.</p>
<p>No núcleo maduro do filme, encontramos Fabio (Carlo Verdone), um jornalista famoso da TV que, com um casamento aparentemente estável, se envolve com Eliana (Donatella Finocchiaro), uma mulher que se revela uma verdadeira dor de cabeça com problemas psicológicos, transformando sua vida em um inferno. Com direito a chantagens e ameaças que podem dar cabo de sua carreira e da relação com esposa e filha, ele perceberá que nesta brincadeira de “ser outra pessoa” para fugir da rotina, um preço alto pode vir a ser pago.</p>
<p>Assim, chegamos à última história, que traz Adrian (Robert De Niro), um historiador norte-americano de meia-idade que, morando na Itália após um transplante de coração, que mantém uma forte amizade com Augusto, cuja bela filha Viola (Monica Bellucci) está de volta depois de uma temporada fora do país. Após ser expulsa de casa pelo pai com a descoberta de um segredo, Viola vai passar uma temporada na casa de Adrian e a proximidade dos dois pode complicar a relação entre os três personagens.</p>
<p>“As Idades do Amor”, que tenta copiar a fórmula de longas como “<em>Simplesmente Amor</em>” e “<em>Idas e Vindas do Amor</em>”, criando núcleos que estão interligados, se perde em diversos momentos, com um ritmo irregular e cenas que alternam entre o humor forçado e o romance água com açúcar em declarações que mais parecem ter sido tiradas de algum livreto de frases prontas. Até mesmo a presença do número três como recurso de intertextualidade – afinal, o filme é o terceiro da franquia e mostra três histórias &#8211; se perde na primeira trama.</p>
<p>Além disso, Veronesi não traz veracidade à história, ou seja, não conseguimos torcer por nenhum dos personagens das duas primeiras tramas, onde as relações soam superficiais e/ou parecem simplesmente paixões passageiras, exceto pelo envolvimento de Adrian e Viola que, com De Niro e Bellucci, traz o romance mais consistente e crível. A sensualidade intrínseca de Bellucci e De Niro resgatando suas raízes e falando italiano em grande parte dos diálogos são os pontos altos de um filme perdido dentro de si mesmo.</p>
<p>Contando com a presença de um cupido (Vittorio Emanuele Propizio), que também é taxista e principal ponto de encontro das três histórias, não é bem aproveitado e resvala em um filme abaixo da média, onde salvam-se fotografia de belas paisagens italianas e o carisma dos atores, que ainda fazem com que a experiência diante de “As Idades do Amor” não se perca totalmente, agradando os fãs do gênero. Aos que são avessos a comédias românticas, só resta aproveitar Monica Bellucci ensinando De Niro como se faz um bom striptease, em uma das poucas cenas que se salvam no longa.</p>
<p>____<br />
<em><strong>Léo Freitas</strong> formou-se em Jornalismo em 2008 pela Universidade Anhembi Morumbi. Cinéfilo desde a adolescência e apaixonado por cinema europeu, escreve sobre cinema desde 2009. Atualmente é correspondente do CCR em São Paulo e desejaria que o dia tivesse 72 horas para consumir tudo que a capital paulista oferece culturalmente.</em></p>
</ul>
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		<title>Os Vingadores: Marvel Studios reúne heróis em uma empolgante produção</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Apr 2012 03:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao nos trazer uma verdadeira carta de amor aos quadrinhos na forma de um filme de ação virtualmente irrepreensível, o diretor e roteirista Joss Whedon acaba por se transformar no mais novo herói da Marvel no cinema.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255830" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/04/238317.jpg" alt="" width="222" height="329" />Quando Joss Whedon lançou seu primeiro filme como diretor, a ótima ficção científica <em>“Serenity”</em>, as sessões-testes vieram com um depoimento no qual ele dizia que <em>“nós fizemos o impossível e isso nos torna poderosos”</em>. Em seu segundo trabalho para o cinema na cadeira principal, Whedon basicamente repete a dose, tendo em vista que <em>“</em>Os Vingadores<em>”</em>, dirigido e roteirizado pelo cineasta, é algo que não deveria existir na indústria hollywoodiana atual.</p>
<p>Trata-se de uma fita de guerra estrelada por super-heróis, combinando personagens de cinco outras produções da <em>Marvel Studios</em> bastante diferentes entre si. Se tal esforço resultou em uma das melhores e mais eletrizantes transposições dos quadrinhos para as telas, deve-se basicamente ao talento de Whedon e sua paixão pelo Universo <em>Marvel</em>.</p>
<p>Na trama, o exilado príncipe asgardiano Loki (Tom Hiddleston) se apossa do Tesseract, um cubo com imensos poderes capaz de abrir portais entre mundos distantes, colocando a Terra em um perigo inimaginável. A SHIELD, agência de segurança mundial comandada por Nick Fury (Samuel L. Jackson), resolve então reativar a Iniciativa Vingadores, contando com indivíduos dotados conjuntos peculiares de habilidades.</p>
<p>Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo) e a espiã Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), além do agente Clint Barton/Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), acabam reunidos pelo destino para evitar que o nosso planetinha azul seja subjugado pelas forças lideradas por Loki. Tantas figuras diversas unidas por uma premissa tão pitoresca poderia acabar em um espetáculo de ação sem cérebro à moda Michael Bay. Não é o que acontece.</p>
<p>Como todos os principais jogadores já haviam sido apresentados em filmes anteriores, Whedon não precisa detalhar as origens de cada um deles, mas explora o seu conhecimento enciclopédico para mergulhar fundo na personalidade de cada um, deixando estas e seus defeitos fluírem de modo natural na história, desaguando em um divertidíssimo duelo de egos que torna possível ao público leigo acompanhar a trama e se envolver com esta.</p>
<p>A ação sempre segue a história de perto, algo necessário para o sucesso de produção nessa escala. Todos os duelos, sejam eles físicos ou verbais, são tratados com a mesma importância. Se os efeitos especiais da <em>ILM</em> que vemos retratam de maneira mais do que efetiva as megalomaníacas lutas travadas na tela, o mesmo pode ser dito do conjunto de diálogos com os quais os personagens duelam.</p>
<p>Mais importante ainda, o roteiro dá a Loki a singular condição de maestro de todas as desavenças que vemos em cena, transformando-o em um antagonista perigosíssimo, ao mesmo tempo em que foca os esforços dos mocinhos em um único interesse.</p>
<p>O vilão se revela quase uma versão superpoderosa (e menos canibalesca) de Hannibal Lecter, em um ótimo trabalho de Tom Hiddleston, que confere uma complexidade fascinante ao trapaceiro irmão (adotivo) de Thor, em uma interpretação que exala uma miríade de emoções. Tal cuidado com Loki reflete o simples fato de que só temos heróis interessantes com um inimigo melhor ainda.</p>
<p>O roteiro avança os arcos dramáticos desses personagens já conhecidos por meio da interação entre cada um deles, dando propósito narrativo à produção. Essa união não acontece apenas para o estúdio arrecadar dinheiro (o que vai inevitavelmente ocorrer, claro), mas para que os heróis evoluam como indivíduos ao conhecerem um ao outro e trabalharem juntos. O eterno contestador Tony Stark causa um efeito no Capitão América que, por sua vez, passa uma ou duas lições ao bilionário de armadura e assim por diante.</p>
<p>A despeito de o elenco surgir homogeneamente fabuloso em cena, o desempenho de Mark Ruffalo, que substitui Edward Norton no papel do Dr. Banner, o <em>alter-ego</em> humano do Hulk, deve ser ressaltado. Ruffalo surge em um estado que só pode ser descrito como uma “calma tensa” no papel do médico com um monstro aprisionado dentro de si, dando ao papel um destaque que seus antecessores (Norton e Eric Bana) não conseguiram, até mesmo por ter a chance de interagir com personagens do mesmo nível. Ademais, o ator também dá vida ao golias esmeralda através da tecnologia de captura de movimento, ajudando e muito na performance do gigante raivoso, que rouba a cena diversas vezes. Detalhe que a voz do Hulk é feita por Lou Ferrigno, que viveu o personagem na série de TV dos anos 1970.</p>
<p>Robert Downey Jr., que parece ter nascido para trabalhar com Whedon, também ganha olhares especiais do público, graças a seu humor e energia como o impagável Stark. O público-alvo do filme também se vê dentro da história, com este sendo representado pelo Agente Phil Coulson (Clark Gregg), que mesmo sendo um homem “comum”, tem a chance de estar em meio aos grandes heróis que ele tanto admira e ser uma parte importantíssima da batalha.</p>
<p>Além de se provar um roteirista habilidoso e um ótimo diretor de atores, Whedon se mostra extremamente à vontade com a câmera, orquestrando, ao lado do diretor de fotografia Seamus McGarvey, planos de tirar o fôlego, como o que mostra os heróis discutindo entre si na base da SHIELD e o inacreditável plano-sequência que os mostra unidos, finalmente lutando como os Vingadores, plano este que dialoga com um dos mais marcantes trabalhos anteriores de McGarvey, <em>“Desejo e Reparação”</em>.</p>
<p>A trilha de Alan Silvestri merece ser louvada, nos brindando com um tema forte e marcante para a equipe, ressaltando a magnitude da ocasião. Os montadores Jeffrey Ford e Lisa Lassek obram um verdadeiro milagre, impondo um ritmo crescente tão forte à película que as quase duas horas e meia desta parecem voar, desde um primeiro ato que monta a situação explosiva que os heróis enfrentarão até um terço final de ação desenfreada.</p>
<p>Dialogando com a audiência sem medo de lançar mão do humor para brincar com o absurdo das situações apresentadas, Joss Whedon foge completamente do paradigma atual de que adaptações de super-heróis para as telas precisam da cobertura das trevas para serem levadas a sério, apresentando uma nova via para os extravagantes guerreiros ganharem os cinemas com sucesso. Divertido e superlativo, mas sem jamais deixar de ser inteligente, “Os Vingadores” é imperdível para qualquer fã de filmes de ação e aventura. Recomendado!</p>
<p><em>P.S.</em>: Não posso deixar de falar de alguns ótimos <em>easter-eggs</em> espalhados no filme, como a presença de Harry Dean Stanton, de <em>“Alien – O Oitavo Passageiro”</em>, falando sobre alienígenas, e de Powers Boothe, que interpretou o corrupto Senador Rourke em <em>“Sin City – A Cidade do Pecado”</em> como um Conselheiro de Segurança de caráter duvidoso.</p>
<p><em>___</em><em><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
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		<title>Sete Dias com Marilyn: retrato de uma turbulenta produção do passado</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Apr 2012 21:59:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Embora o romance entre o assistente e a diva seja o mote do filme, o que há de mais interessante no longa é a sua visão dos bastidores de uma produção dos anos 1950.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255542" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/04/monr.jpg" alt="" width="222" height="327" />Quando os deuses gregos desciam do Monte Olímpio para suas aventuras “românticas” com os meros mortais, geralmente a coisa não acabava bem para os pobres humanos. E se o panteão olimpiano hoje em dia tem como avatares as estrelas de Hollywood, é difícil pensar em outra pessoa para representar Afrodite se não Marilyn Monroe.</p>
<p>Em “Sete Dias Com Marilyn”, temos a adaptação cinematográfica do diário de Colin Clark (Eddie Redmayne), um jovem vindo de família rica que, apaixonado por cinema, largou o conforto de seu lar e acabou entrando para a produtora de Sir Laurence Olivier (Kenneth Branagh) como terceiro assistente do diretor justamente durante a feitura de <em>“O Príncipe Encantado”</em>.</p>
<p>Durante as turbulentas filmagens, o rapaz acaba se aproximando da problemática Marilyn (Michelle Williams), que estava no auge de sua fama e fora convidada para estrelar a produção, a pedido de um encantado Olivier. Envolvendo-se no mundo da diva, Colin descobre mais e mais sobre como seus ídolos nem sempre são tão encantadores.</p>
<p>È difícil não reparar que 2011 foi um ano com diversos filmes que, de um modo ou de outro, remetiam ao cinema de outrora. Assim como <em>“A Invenção de Hugo Cabret”</em> e <em>“Cavalo de Guerra”</em>, “Sete Dias Com Marilyn” nos traz um bom exame da Sétima Arte de uma época passada, com seu retrato dos bastidores do filme dirigido por Oliver sendo o ponto alto desta produção comandada por Simon Curtis.</p>
<p>Acompanhar as diversas tentativas de Olivier em fazer com que Marilyn se adapte ao seu estilo de trabalho e abandone as instruções de sua consultora, os atrasos constantes no cronograma graças às crises da estrela, a evolução do desempenho da loura por meio dos <em>dailies</em> e a interação da estrela americana com o elenco britânico, bem como os setores sem muito <em>glamour</em> da produção, vistos pelo olhar fascinado de Colin&#8230; Tudo isso nos dá momentos bem mais ricos que o <em>affair</em> entre o protagonista e a personagem-título, por mais que esse <em>plot</em> tente tomar à frente da trama.</p>
<p>Não digo que Eddie Redmayne e Michelle Williams não possuem química em cena. O fato é que as incessantes e repetitivas lamentações de Marilyn para Colin no segundo ato soam extremamente artificiais, reduzindo-a a uma “pobre menina rica”. Williams faz o possível para superar a poderosíssima imagem que o público tem em seu inconsciente coletivo da platinada atriz e fazer desta uma figura tridimensional, isso simplesmente não acontece, esvaziando a carga emocional que é exigida nas cenas mais dramáticas envolvendo o romance.</p>
<p>Como a “fragilidade” de Marilyn é crucial para que o público se emocione com o relacionamento condenado entre a estrela e Colin, essa trama específica simplesmente não prospera. A condição mais &#8220;humana&#8221; desta é melhor explorada fora do relacionamento dos dois, na dependência da atriz de sua professora (Zoë Wanamaker) e em momentos como aquele que Colin a vê sem maquiagem pelo espelho do camarim.</p>
<p>Colin também não é um personagem dos mais fascinantes. Sabemos pouco dele além de seu amor pelo cinema e do fato de vir de berço. Mesmo seu namorico com a assistente de figurinista, vivida por Emma Watson, revela muito pouco sobre ele para nós. Tanto é que mal sentimos sua evolução ao final da projeção, tendo esta de ser explicitada através de um diálogo.</p>
<p>No entanto, outro casal que vemos em cena faz valer o ingresso. A escalação de Branagh para o papel do ator e diretor shakespeariano Laurence Olivier é perfeita, principalmente pelos paralelos profissionais desses dois estandartes das artes cênicas. As frustrações e anseios do aqui personagem, tanto como artista quanto como pessoa, são transmitidas para o público de maneira tal que é difícil até para aquele improvável membro da audiência que jamais ouviu falar de Olivier não se sentir tão embasbacado por sua presença quanto Colin.</p>
<p>Julia Ormond, por sua vez, interpreta Vivien Leigh, a eterna Scarlett O’Hara. Ormond aparece pouquíssimo em cena, mas o arco de sua personagem e os conflitos desta são infinitamente mais interessantes que os de Marilyn, com Leigh tendo de lidar com a sensação crescente de abandono por parte de Olivier e o fato de que, conforme vai envelhecendo, se torna progressivamente menos amada pelo marido e pelo público, algo agravado pelo fato de que Monroe está fazendo um papel anteriormente havia sido dela.</p>
<p>Derek Jacobi e Toby Jones, além da fabulosa Judi Dench, também surgem em papéis menores, com destaque para Dench, cujos diálogos com Michelle Williams humanizam sem clichês a figura de Marilyn. Figurino e direção de arte também contribuem para uma ótima representação da segunda metade dos anos 1950. No departamento musical, saudações para Alexandre Desplat, confirmando que 2011 fora realmente o seu ano.</p>
<p>“Sete Dias Com Marilyn” pode não funcionar como romance, mas nos pinta um interessante retrato de uma turbulenta produção do passado, em um ótimo resgate histórico. Pena que este não seja o foco principal do longa.</p>
<p><em>___</em><em><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
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		<title>American Pie – O Reencontro: velhos amigos e muitas risadas</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Apr 2012 21:47:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nostalgia e diversão são o norte do longa, que brinca com os percalços da vida adulta e com as saudades dos tempos de adolescência.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255806" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/04/poster-american-pie.jpg" alt="" width="222" height="334" />Ah, a franquia<em> &#8220;American Pie&#8221;.</em>.. Apesar dos três primeiros filmes não serem lá exatamente obras-primas, são bastante simpáticos e divertem, até porque é fácil para boa parte da audiência se identificar com as situações em que Jim e sua turma se metem. A despeito de a série ter caído no inferno das sequências lançadas direto para o mercado de home-vídeo, uma geração inteira ainda nutre com carinho suas lembranças da turma de 1999 do colégio East Great Falls.</p>
<p>Acompanhamos Jim (Jason Biggs) ir para a faculdade, se formar e se casar com sua amada Michelle (Allyson Hannigan) e agora vemos o casal enfrentando o pior inimigo de qualquer união: o tédio. Some-se isso ao fato deles não serem mais apenas marido e mulher, mas também pais de um garotinho, e logo percebemos que a vida íntima dos pombinhos não é mais tão fogosa como costumava ser.</p>
<p>E aí veio a reunião do colégio, uma chance para nosso atrapalhado protagonista se se sentir jovem novamente. Rever os velhos amigos Oz (Chris Klein), Finch (Eddie Kaye Thomas) e Kevin (Thomas Ian Nicholas), que também chegam para o evento com seus próprios problemas, e fazer besteiras ao lado do incorrigível Stiffler (Sean William Scott), que continua sendo o sem-noção que sempre foi.</p>
<p>Reencontrar esses personagens nove anos desde a última vez que os vimos desperta um bem-vindo senso de nostalgia e reflete até mesmo as experiências do público-alvo da produção com a própria vida adulta. Por mais que alguns estejam bem profissionalmente, todos sentem falta de algo em seus cotidianos, da juventude e jovialidade que se esvai um pouco quando assumimos certas responsabilidades que chegam com a idade.</p>
<p>O desencanto com o trabalho, as dificuldades para se manter um casamento apaixonado, o afastamento de velhos amigos são experiências comuns a uma boa fatia dos novos adultos e a fita conquista o coração do público a partir daí, com os diretores e roteiristas Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg sabendo usar muito bem essa carta para capturar a atenção da audiência.</p>
<p>Mas é claro que também temos a parte besteirol dessa festa. Sem entregar as <em>gags</em>, esperem ver muitas conversas constrangedoras de Jim com seu impagável pai (Eugene Levy), as tentativas do pobre protagonista em se livrar de certas tentações adolescentes, o surgimento de um novo casal e um confronto de gerações quando Stiffler tem de lidar com os novos garotões do colégio. Tudo isso vem com muita escatologia que, apesar de não chegar perto do que vemos na franquia &#8220;<em>Se Beber, Não Case!</em>&#8220;, acaba passando em alguns momentos do ponto, mas que, quando vem na dose certa, nos diverte horrores.</p>
<p>Ainda que o foco da trama seja Jim, é o personagem de Sean William Scott que tem o melhor arco, roubando a cena diversas vezes. Não é apenas o jeito maluco de ser do &#8220;Stifodão&#8221; e suas consequências que chamam a atenção do público, mas o fato disso esconder uma ingenuidade quase infantil por parte de Stiffler, sendo difícil não gostar e simpatizar com ele, coisa que o carisma do ator ajuda a acontecer. Scott provavelmente nunca ganhará um Oscar, mas sabe fazer rir como poucos ao encarnar esse festeiro inveterado.</p>
<p>Em dado momento da projeção, os rapazes encontram uma foto de seu último ano de escola, o momento em que nós os conhecemos. Claro que as coisas mudaram, que as vidas deles não são as que tinham em mente ali e que Tara Reid deixou de ser uma beldade natural para parecer um pimentão plástico com seios, mas aí está a graça do longa. Perceber que essas experiências, trapalhadas e amizades nos moldaram e que, por mais que elas sejam parte do passado, nunca podemos esquecer que elas são parte dos adultos que nos tornamos.</p>
<p>&#8220;American Pie &#8211; O Reencontro&#8221; tem seus defeitos. O ritmo do filme cai vertiginosamente no segundo ato, a continuidade se embanana de maneira mais do que aparente em alguns momentos e o texto não prima exatamente por sua elegância e genialidade. Mas é uma fita com um coração enorme e nos remete a um tempo menos cínico, ao mesmo tempo nos presenteando com algumas gargalhadas honestas. E isso é muito mais do que certas comédias atuais podem dizer.</p>
<p><em>___</em><em><br />
<strong>Thiago Siqueira</strong></em><em> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
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		<title>Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios: poderoso drama</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 07:20:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Benevides</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Beto Brant]]></category>
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		<description><![CDATA[Camila Pitanga mostra a alma no maior papel da sua carreira até agora.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o ano passado, público e crítica comentam sobre <strong><img class="alignleft size-full wp-image-255505" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/04/labios3.jpg" alt="" width="222" height="323" /></strong>“Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios”, de Beto Brant e Renato Ciasca (parceiros em filmes como<em> “Cão Sem Dono”</em> e <em>“O Invasor”</em>). Após a passagem em festivais nacionais e internacionais, o drama chega aos cinemas para mostrar o seu poder frente à atual produção cinematográfica brasileira. Como principal atrativo, a atuação soberba de Camila Pitanga vale qualquer que seja o valor do ingresso a pagar. Desprovida de qualquer limitação, a atriz se entrega completamente ao maior personagem da carreira até o momento.</p>
<p>A trama é baseada no livro escrito por Marçal Aquino, colaborador frequente de Ciasca e Brant, e mostra até onde o amor é destrutivo e talvez o quanto o destino interfere na vida dessas pessoas. O roteiro é focado em Lavínia (Pitanga), uma ex-garota de programa que foi salva por um pastor, Ernani (Zé Carlos Machado), com quem tem um relacionamento sério. Quando eles mudam de cidade, Lavínia passa a se envolver com Cauby (Gustavo Machado), um fotógrafo completamente apaixonado por ela. O triângulo amoroso trará muitas consequências até o fim da projeção, quando aqueles personagens são colocados em plena condições de bichos.</p>
<p>Os cineastas constroem uma narrativa completamente envolvente, desde o culto à musa-protagonista ao seu drama social. A não linearidade da trama faz com que conheçamos de maneira coerente as diferentes nuances de Lavínia, desde uma viciada envolvida com a prostituição, a uma garota normal vivendo um grande amor fora do seu relacionamento. Brant e Ciasca elaboram cenas divinas do envolvimento de Lavínia e Cauby, não só no sentido sexual (o filme é extremamente sexy), mas em suas relações pessoais, em como eles são felizes enquanto estão juntos, até dar tudo errado. Em paralelo, o roteiro suspende seus personagens secundários, para usá-los apenas quando for extremamente necessário.</p>
<p>O filme é inteiro de Camila Pitanga. Aqui ela está completamente entregue à personagem. Pitanga transita entre as diferentes facetas de Lavínia com muita segurança, indo da beleza estonteante ao fracasso pessoal em segundos. A intensidade da atuação é a força motora do filme, fazendo com que ela esteja presente na atmosfera do filme até mesmo quando ela está fora da imagem. Se estabelecendo como uma das melhores atrizes brasileiras da atualidade, a atriz está simplesmente monstruosa. Pela atuação, recebeu merecidamente os prêmios de Melhor Atriz no Festival do Rio e no Amazonas Film Festival do ano passado.</p>
<p>Além de uma atuação completa de Zé Carlos Machado, o destaque vai para Gero Camilo, que interpreta o jornalista Viktor Lawrence, responsável por momentos cômicos e de poesia, ao recitar aleatoriamente passagens literárias que se encaixam no filme. Ciasca e Brant realizam um trabalho divino com o elenco, deixando-os completamente seguros do que podem doar em cada cena e retratando-os em planos longos, meio a uma fotografia tão visceral quanto a sua narrativa e a uma naturalidade que anda perdida no cinema nacional.</p>
<p>Além de toda a paixão da qual o filme fala, os diretores traçam um panorama com a natureza e a preservação do ambiente, mais precisamente à salvação da Amazônia. Ainda que a opção de inserir tais trechos seja controversa, tais sequências servem como respiro ao público, que certamente não consegue tirar os olhos da tela, muito menos de Camila Pitanga e seu corpo aparentemente perfeito, mas frágil como qualquer outro ser que procura não só se encontrar neste mundo, mas principalmente viver uma paixão.</p>
<p><em>Esse filme foi visto durante o 8º Amazonas Film Festival, em novembro de 2011.</em></p>
<p>___<br />
<strong><em>Diego Benevides</em></strong><em> é editor chefe, crítico e colunista do CCR. Jornalista graduado pela Universidade de Fortaleza (Unifor), é especialista em Assessoria de Comunicação, pesquisador em Audiovisual e arte educador na linha de Artes Visuais e Cinema. Desde 2006 integra a equipe do portal, onde aprendeu a gostar de tudo um pouco. A desgostar também.</em></p>
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		<title>A Perseguição: longa de sobrevivência peca por abordagem indefinida</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 06:40:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Perseguição]]></category>
		<category><![CDATA[Joe Carnahan]]></category>
		<category><![CDATA[Liam Neeson]]></category>

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		<description><![CDATA[O potencial da premissa é mal aproveitado em prol do entretenimento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255500" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/04/A-Perseguição.jpeg" alt="" width="222" height="340" />Sobrevivência. Ausência de objetivos e foco inteiramente no agora. A falta de esperança enfraquece tudo, e o que era colorido se torna uma imensidão cinza. Os confortos e caprichos da vida humana não têm mais valor algum. É preciso se agarrar somente ao que sobra de mais fundamental em toda a existência: uma pessoa, uma crença, um sonho, o que for. Apenas assim é que se constrói algum sentido em lutar pela própria vida quando tudo ao redor se mantém frio e oposto a ela.</p>
<p>Em “A Perseguição”, nada é mais evidente do que a desilusão. Após uma temporada de trabalho no Alaska, um grupo de petroleiros tem que voltar para casa. O avião que os transporta cai e apenas sete pessoas sobrevivem. Rodeados por neve, os sobreviventes têm que se manter vivos em um ambiente inóspito. Como se não bastasse, eles ainda precisam se defender de um perigo maior e diretamente ofensivo: lobos selvagens.</p>
<p>O roteiro de Ian Mackenzie Jeffers e do diretor Joe Carnahan parece estabelecer uma interessante relação simbólica entre os lobos e os conflitos internos do protagonista Ottway, interpretado por Liam Neeson. A vulnerabilidade imposta ao personagem o põe cara a cara com a escolha acerca do rumo que sua vida deve tomar. Seu caráter depressivo, fruto de um amor perdido, é obrigado a se converter em força para continuar lutando. É como se os lobos fossem seus próprios demônios, cobrando-lhe uma postura de auto-preservação.</p>
<p>A proposta é bem interessante, mas muito mal executada. À medida que a trama se desenvolve, a figura dos lobos é rebaixada ao nível concreto, funcionando simplesmente como algo do qual os sobreviventes têm que fugir. A atmosfera pessoal do primeiro ato é drasticamente substituída por uma interação mal trabalhada de personagens desinteressantes. A tentativa de compensar o erro dando aos coadjuvantes alguma importância na trama rende apenas uma cena clichê totalmente descartável de pessoas em volta de uma fogueira contando suas histórias e fragilidades, que também não cumpre sua função de criar empatia entre eles e o público. Isso torna as cenas de morte (sim, é claro que há) puro entretenimento, pouco importando a perda de alguém, salvo uma específica a qual se dá maior atenção dramática, tornando-se talvez a melhor sequência de todo o filme.</p>
<p>Outra falha do roteiro são os diálogos extremamente didáticos. Algumas conversas são tão irrelevantes para a trama que parecem ter sido inclusas somente para dar satisfações ao público sobre o que está acontecendo exatamente. Por exemplo, quando um dos personagens se sente mal, alguém pergunta o que ele sente, por que ele sente e por que só ele está sentindo aquilo. Outro caso é o conhecimento do protagonista a respeito de lobos, que é exposto de forma verbal frequentemente: seus costumes, o que eles comem, onde eles atacam etc. O tempo gasto nestes diálogos poderia ser muito melhor aproveitado se voltado para o modo como os sobreviventes lidam com sua condição, o que ajudaria bastante a desenvolver melhor os coadjuvantes.</p>
<p>Embora Carnahan pareça não se dar conta da potencialidade da premissa que tem nas mãos, limitando-se a uma direção rasa no tocante à elaboração dos simbolismos, consegue ser efetivo na construção de uma atmosfera de constante perigo. Os lobos estão sempre à espreita e quase nunca dão descanso aos sobreviventes. Ironicamente, são os animais que sustentam o interesse do público no longa, fazendo-nos torcer por mais uma aparição destes e consequente morte de um dos membros do grupo. Isso porque, a esta altura da história, o único personagem que poderia ser interessante, Ottway, serve apenas como estereótipo de líder sério e experiente, tendo toda sua profundidade psicológica abafada pela superficialidade narrativa.</p>
<p>As atuações são competentes, mas ficam condicionadas à padronização, uma vez que não se explora decentemente a psicologia dos personagens. Com relação aos coadjuvantes, isso não faz tanta falta, pois o filme não é sobre eles. Já em Ottway, a carência é grande. O vínculo íntimo entre o espectador e o protagonista foi quebrado junto com os pedaços do avião caído. No momento em que se dá a virada para o segundo ato, a narrativa se desenvolve em prol do entretenimento que o gênero oferece. Dessa forma, toda a dramaticidade de Ottway é suspensa para retornar apressadamente no final do filme.</p>
<p>A grande falha de “A Perseguição” é a mudança de abordagem. Ela deixa de ser introspectiva para se tornar impessoal. Não que uma seja melhor do que a outra, mas a quebra em si já mostra insegurança ou desinteresse em trabalhar certos aspectos com mais dedicação. É visível que o longa tem mais a oferecer nas cenas em que Neeson atua praticamente sozinho, com pouca interação com outros personagens e quase sem falas. Nestes momentos, percebe-se claramente a intenção do filme, tornando todo o resto supérfluo. A premissa e o caráter do protagonista sugerem uma temática de sobrevivência mais da alma do que do corpo. Entretanto, nem o roteiro nem a direção parecem querer se debruçar sobre esta reflexão por inteiro.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
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		<title>Diário de um Jornalista Bêbado: longa adapta obra de Hunter S. Thompson</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 06:30:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Léo Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Aaron Eckhart]]></category>
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		<category><![CDATA[Bruce Robinson]]></category>
		<category><![CDATA[Diário de um Jornalista Bêbado]]></category>
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		<category><![CDATA[Johnny Depp]]></category>
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		<description><![CDATA[Sensualidade, ironia e muita bebida permeiam filme irregular sobre jornalista americano nos anos 60.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/255489/diario-de-um-jornalista-bebado-longa-adapta-obra-de-hunter-s-thompson/attachment/bebado/" rel="attachment wp-att-255492"><img class="alignleft size-full wp-image-255492" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/04/bebado.jpg" alt="" width="222" height="325" /></a>Independente da opinião diante da franquia <em>“Piratas do Caribe”</em>, é inegável o talento de Johnny Depp que, como o beberrão Jack Sparrow, criou o personagem mais marcante de sua carreira. Em “Diário de um Jornalista Bêbado”, baseado no romance homônimo do norte-americano Hunter S. Thompson, ele vive Paul Kemp, um escritor ianque dos anos 60 que, por conta de seu atual bloqueio criativo, se afunda em um jornal em frangalhos em plena capital do Porto Rico, San Juan. Lá, mantém uma coluna sobre horóscopo, em uma analogia sobre a decadência de um homem que se sente amputado de seu talento.</p>
<p>Entre bebedeiras homéricas e ressacas constantes, Kemp é pressionado pelo temperamental editor-chefe Lottermann (Richard Jenkins), um homem que vê no jornal um fardo a ser carregado apenas como benefício. Na redação, Kemp se torna amigo de Bob Sala (Michael Rispoli) e logo se aproxima de Moburg (Giovanni Ribisi), um jornalista cujo cérebro, corroído pelo álcool, lhe deu status – e aspecto – de um louco farrapo humano.</p>
<p>Ele ainda mantém relações profissionais com Lotterman, que usa de todas as artimanhas para manter contatos convenientes para o jornal. Há lugar, ainda, para o milionário Hal Sanderson (Aaron Eckhart), um homem ambicioso cuja bela noiva Chenault (Amber Heard) logo chamará a atenção de Kemp. A situação se complica ainda mais quando o jornalista aceita colaborar com Hal em um trabalho cujas intenções são para lá de duvidosas.</p>
<p>Rodeado pela tropicalidade do Porto Rico e pelo rum (cujo título da obra em tradução literal é <em>“O Diário do Rum”</em>), Kemp vai transitar entre os conflitos na redação, o perigoso esquema de Sanderson, a irresistível Chenault e as noites – e dias &#8211; regados a álcool com Sala e Moburg.</p>
<p>Dirigido sem grandes inovações por Bruce Robinson, que também assina a adaptação do roteiro, “Diário de um Jornalista Bêbado” é um passatempo divertido e despretensioso, recheado de cinismo e ironia e um bom <em>timing</em> para comédia, elementos que permeiam boa parte do longa. E nesta dualidade, expõe com humor a natureza inescrupulosa de seus personagens.</p>
<p>Considerado a única esperança no jornal, Kemp é a personificação do sonho americano vendido a preço de banana. Assim, onde tudo tem um valor a ser pago, o longa pincela a questão da decadência de um jornalismo que não é levado a sério, se vende, com falhas e falência. Ainda mais em se tratando de um período delicado na História (Guerra Fria, combate ao comunismo, o fim da Segunda Guerra como ferida recente, racismo), “Diário de um Jornalista Bêbado” se esforça em criar uma obra de qualidade, mas a mistura de gêneros (<em>noir</em>, comédia, pitadas de romance) se perde na mão e acaba por resultar irregular.</p>
<p>Até mesmo a crítica social atira para todos os lados: seja no lado ambicioso, fracassado e alcoólatra dos norte-americanos, seja no retrato dos porto-riquenhos, pintados como ignorantes, violentos e encrenqueiros. E, nesta convivência, observamos a semente de um mundo díspar, capitalista e globalizado que já mostrava fortes sinais e que se intensificaria com o final da Guerra Fria em mansões e periferia sobrevivendo lado a lado, tal como é até hoje.</p>
<p>Com um ótimo uso das cores quentes e da paisagem litorânea e direção de arte bem trabalhados, o longa consegue prender a atenção do espectador com qualidade técnica, que se perde em certas resoluções do roteiro. Mesmo se estivesse contida na obra escrita nos anos 60 e publicada quase 40 anos depois, em 1998, certas escolhas não ficaram confortáveis na tela grande, como a cena do sofrível ritual de magia protagonizado por uma feiticeira porto-riquenha. Outras sacadas, entretanto, funcionam, como trazer acidez nos diálogos de personagens curiosos encharcados de álcool.</p>
<p>A correta interpretação do elenco principal também merece pontos positivos, como o Moburg de Ribisi (expert em colecionar personagens incomuns), Eckhart misturando charme e manipulação com Sanderson e Amber Heard trazendo beleza e sensualidade como Chenault, objeto de desejo que pode colocar tudo a perder  entre Sanderson e Kemp.</p>
<p>O filme, porém, é de Depp, que consegue criar, com sucesso, um personagem engraçado, sexy, irônico, que descobriu que o melhor jeito de evitar a ressaca é manter-se bêbado. E que, além de tudo, é muito bem acompanhado por Michael Rispoli, como o bonachão Bob Sala. A cena protagonizada pelos dois no carro aos pedaços, por exemplo, é o momento mais hilário do filme.</p>
<p>Apesar disso, “Diário de um Jornalista Bêbado” se precipita nas resoluções finais e se entrega a um caminho em direção ao conservadorismo, onde romantismo, redenção e moral dão as mãos e jogam por terra todo o sabor de transgressão que se experimentou momentos antes. Não deixa um gosto amargo, mas também não se torna fácil de digerir, tal qual uma indigesta dose de rum.</p>
<p>____<br />
<em><strong>Léo Freitas</strong> formou-se em Jornalismo em 2008 pela Universidade Anhembi Morumbi. Cinéfilo desde a adolescência e apaixonado por cinema europeu, escreve sobre cinema desde 2009. Atualmente é correspondente do CCR em São Paulo e desejaria que o dia tivesse 72 horas para consumir tudo que a capital paulista oferece culturalmente.</em></p>
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		<title>A Vida em um Dia: doc reúne gravações de pessoas do mundo todo</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 06:11:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Léo Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Vida em um Dia]]></category>
		<category><![CDATA[Kevin Macdonald]]></category>
		<category><![CDATA[Ridley Scott]]></category>

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		<description><![CDATA[Ousado e bem realizado, projeto produzido por Riddley e Tony Scott coletou mais de 4 mil horas de vídeo de 192 países.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255485" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/04/vida1.jpg" alt="" width="222" height="323" />Atualmente o site <em>YouTube</em> recebe, por minuto, 60 horas de vídeo, com cerca de 4 bilhões de visualizações por dia. A marca é um feito incontrolável e espantoso, sem sombra de dúvida. Neste mundo globalizado de compartilhamento de informações há, literalmente, de tudo para se assistir. Pretensões à parte, é a vida alheia e própria exposta em um banco de dados de proporções gigantescas.</p>
<p>Assim nasce “A Vida em um Dia”, projeto dirigido por Kevin Macdonald em parceria com outros 16 co-diretores e produzido por dois pesos-pesados de Hollywood, Ridley Scott (<em>&#8220;O Gladiador&#8221;</em>) e Tony Scott (que se destaca mais pela produção de grandes <em>blockbusters</em> do que pela direção). A ideia era espalhar que pessoas ao redor do mundo enviassem  vídeos de suas vidas registrados em um único dia: o sábado de 24 de julho de 2010. O resultado foi espantoso: mais de 4.500 horas de gravações vindas de 192 países. Editadas, formaram o mosaico de 90 minutos de “A Vida em um Dia”.</p>
<p>Seguindo uma ordem cronológica (dos primeiros momentos da madrugada às 23h59), pessoas comuns expõem sua intimidade e rotina diante das lentes. Sem nenhuma identificação (como nome ou nacionalidade), os personagens vão surgindo com minúsculas histórias permeadas por uma infinidade de cenas (muitas não durando mais do que um ou dois segundos) de detalhes de um espaço perdido que se acha no tempo. Inclusive, o tempo nunca é deixado de lado, sempre mostrado de alguma forma pelos autores.</p>
<p>Por meio do anonimato e de uma edição competente, o documentário traz uma teia de imagens que, inegavelmente, sempre têm algo a dizer. Assim, pessoas comuns das mais diversas raças, culturas, crenças, sexos e idades revelam fragmentos de sua existência. Engana-se quem acredita que o resultado decepciona. Pelo contrário, a quantidade e a rapidez de informações, auxiliadas pela ótima trilha sonora, criam um caleidoscópio de imagens empáticas, emocionantes e chocantes. Obviamente, alguns registros podem frustrar o espectador (como o homem que filma sua subida e descida dentro do elevador), cujo propósito, inclusive, é também expor a futilidade do que se torna público em tantos links espalhados pelo mundo virtual.</p>
<p>Para direcionar os participantes, algumas perguntas também foram feitas e deveriam ser respondidas de forma imagética, como “o que você tem no bolso?”, “o que você ama?” e “do que você tem medo?”. Neste corte e costura de respostas que em momentos se perdem no encadeamento, tudo é respondido exibindo desde pequenos detalhes, passando por depoimentos até desembocarem em olhares, atos e emoções de pessoas parecidas com qualquer um de nós.</p>
<p>De rituais religiosos (sejam louvores a deuses ou cerimônias de casamento), passamos pela celebração da vida (o nascimento de animais e humanos) ou o fim dela (a morte propriamente dita) até nos identificarmos com histórias de superação (a mãe doente cuidada pelo filho e marido, o homem que cruza há quase dez anos o mundo em cima de uma bicicleta ou a família que mora em um cemitério em condições sub-humanas). A frase “uma imagem vale mais do que mil palavras” não poderia ser mais propícia, na qual a crítica social, rapidamente inserida, se dá, por exemplo, ao mostrar um homem em seu carro de luxo, enquanto um garoto trabalha nas ruas como engraxate para ganhar alguns poucos trocados.</p>
<p>Como era de se esperar, os mais emocionantes registros reúnem histórias sobre o amor. São propostas de casamento, rejeições, casais duradouros e a tristeza de duas pessoas separadas pela guerra. Diante de revelações mais profundas sobre os medos, surgem respostas como política, solidão, homossexualidade, perda, violência e morte. E neste morde-assopra da humanidade, onde amor/ódio e felicidade/tristeza convivem em uma paradoxal e tensa harmonia, “A Vida em um Dia” pode ser considerado um retrato aparentemente simples de nossas vidas – visto que cada um de nós é, de certa forma, representado por aqueles anônimos – mas traz uma celebração competente de detalhes de nossas vidas em um documentário curioso que merece ser visto.</p>
<p><strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=KN3kduHuioU" target="_blank">ASSISTA ao Trailer: A Vida em um Dia</a></strong><br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=xy8oH58Zgw8" target="_blank"><strong>ASSISTA ao Vlog Iradex sobre o filme</strong></a></p>
<p>____<br />
<em><strong>Léo Freitas</strong> formou-se em Jornalismo em 2008 pela Universidade Anhembi Morumbi. Cinéfilo desde a adolescência e apaixonado por cinema europeu, escreve sobre cinema desde 2009. Atualmente é correspondente do CCR em São Paulo e desejaria que o dia tivesse 72 horas para consumir tudo que a capital paulista oferece culturalmente.</em></p>
</ul>
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		<title>Área Q: ficção peca por desatenção aos detalhes e falta de identidade</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Apr 2012 04:33:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Área Q]]></category>
		<category><![CDATA[Gerson Sanginitto]]></category>
		<category><![CDATA[Halder Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[Isaiah Washington]]></category>
		<category><![CDATA[Murilo Rosa]]></category>
		<category><![CDATA[Tânia Khalil]]></category>

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		<description><![CDATA[O filme falha na complicadíssima mescla dos elementos de ficção científica com os de espiritismo, além de se atrapalhar em fundamentos cinematográficos básicos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255786" title="Área Q" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/04/poster-area-q.jpg" alt="" width="222" height="334" />Como entusiasta da ficção científica, aplaudo qualquer nova iniciativa do gênero produzida aqui no Brasil, tão carente de produções do tipo. No entanto, a produção Brasil/EUA “Área Q” se mostra tão <em>trash </em>quanto as produção direto para TV do <em>Sci-Fi Channel</em>, com diversos problemas narrativos e técnicos que simplesmente afundam o projeto.</p>
<p>Co-produzido pela Estação Luz, responsável por filmes como <em>“As Mães de Chico Xavier”</em> e <em>“Bezerra de Menezes – O Diário de Um Espírito”</em>, a película é protagonizada por Isaiah Washington, que vive o repórter americano Thomas Matthews, homem cético (Thomas = Tomé) em crise após o desaparecimento de seu filho. Seu chefe, tentando fazê-lo voltar ao mercado, o manda investigar os fenômenos ufológicos que acontecem nas cidades de Quixadá e Quixeramobim, região cearense conhecida como Área Q. Lá, Thomas descobre que essas aparições alienígenas podem estar ligadas ao sumiço de seu filho.</p>
<p>Não é fácil fazer uma boa ficção científica no cinema, principalmente envolvendo seres extraterrestres. A situação se complica mais quando se acrescenta um elemento religioso à mistura, por mais sutil que este seja. A trama pode facilmente cair no ridículo se os realizadores e os atores não conseguirem capturar a atenção do espectador para a seriedade do que está sendo mostrado e criarem a chamada suspensão de descrença, mostrando um cenário no qual a situação fantástica apresentada se torne plausível e se encaixe de forma orgânica com a questão religiosa.</p>
<p>Neste sentido, Isaiah Washington simplesmente não apresenta na tela carisma para segurar a trama, principalmente quando os pontos espíritas começam a surgir. Em uma interpretação monótona, o ator norte-americano se mostra desconfortável em cena, sem jamais exibir a química necessária com ninguém no elenco, muito menos com o ator mirim que vive seu filho, sendo que a empatia entre os dois seria essencial para o arco de seu personagem.</p>
<p>A personagem de Tânia Khalil, Valquíria, surge do nada e vai para (literalmente) lugar nenhum. Khalil tem pouco a fazer além de flertar com o protagonista e aparecer misteriosamente em locais onde Thomas se encontra. Mesmo os seus diálogos, quase todos em inglês, são prejudicados por conta do excesso de dublagem em suas falas, soando de modo estranho quando surge conversando com o repórter vivido por Washington.</p>
<p>Mesmo com o nome tendo destaque no cartaz, Murilo Rosa surge em aparições curtas e espaçadas, a despeito de interpretar dois personagens distintos. O ator até que dominou bem o sotaque nordestino quando interpreta o filho do messiânico João Batista, mesmo que o roteiro se exceda  nas gírias regionais. Como o próprio João Batista, no entanto, Rosa opta por uma composição vocal mais limpa. Vai ver que o personagem perdeu o sotaque após tanto tempo “fora”.</p>
<p>A melhor coisa na tela é realmente Ricardo Conti, divertidíssimo como Eliosvaldo, o guia de Matthews no Ceará. Dono de um senso de humor bastante peculiar, Eliosvaldo conquista rapidamente o público com seu jeito tipicamente cearense, misturando ingenuidade e gaiatice. Mesmo não sendo nativo da terra do sol, Conti encarnou bem o carisma local e parece ser o único  em cena a acrescentar um pouco de alma – e graça – à fita.</p>
<p>A falta de atenção a detalhes básicos por parte do diretor e roteirista Gerson Sanginitto é palpável ao público. A montagem desastrada, com <em>flashback</em> dentro de <em>flashback</em> dentro de narração torna o tempo das ações capturadas complicado, gerando até elipses impossíveis. A trilha sonora surge excessivamente alta e repetitiva, chegando até a dar um tom de comédia involuntária à película em alguns momentos, quebrando o clima que deveria existir em cenas mais tensas.</p>
<p>Mesmo a fotografia falha em mostrar bem as belas e exóticas paisagens do interior cearense, por conta de uma paleta de cores em tons mortos. A despeito de reconhecer a dificuldade em se trabalhar no sol daquela região, principalmente com câmeras digitais, o problema ainda persiste.</p>
<p>No seu terceiro ato, o filme se apropria de algumas ideias de <em>“Contato”</em> de maneira tão óbvia que se torna impossível não notar as semelhanças. É justamente neste último terço da projeção, quando as influências da doutrina espírita começam a ficar mais fortes, que a questão da reencarnação ganha importância, inclusive com um diálogo solto contra o aborto.</p>
<p>Neste ponto, fica mais do que evidente que a mescla desses dois temas complicadíssimos (religião e ficção) não foi feita com a devida sensibilidade, eliminando de vez qualquer noção de suspensão de descrença, tornando a conclusão da história especialmente difícil de engolir, assim como muita coisa vista na tela.</p>
<p><em>___<br />
<strong>Thiago Siqueira</strong> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<item>
		<title>À Toda Prova: thriller investigativo desconstrói regras do gênero</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Apr 2012 04:31:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Toda Prova]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Banderas]]></category>
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		<category><![CDATA[Gina Carano]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Douglas]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Fassbender]]></category>
		<category><![CDATA[Steven Soderbergh]]></category>

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		<description><![CDATA[Steven Soderbergh compensa a falta de originalidade da trama com uma estética diferenciada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255783" title="À Toda Prova" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/04/poster-a-toda-prova.jpg" alt="" width="222" height="334" />É no mínimo frustrante observar como os métodos usados para filmar determinadas histórias se limitam a seguir regras e fórmulas do gênero e acabam se padronizando. Neste sentido, torna-se extremamente satisfatório se deparar com um produto cuja estética confronta o estilo geralmente imposto, permitindo um novo olhar. É assim que Steven Soderbergh dirige “À Toda Prova”.</p>
<p>O thriller de espionagem é centrado em Mallory Kane (Gina Carano), uma agente de uma companhia de investigações privada que descobre a traição de um dos seus colegas de trabalho. Sem saber em quem confiar, Mallory age por conta própria para sobreviver e punir o traidor. A premissa não poderia ser mais clichê, mas o longa traz algumas boas surpresas.</p>
<p>Em seu roteiro, Lem Dobbs sabe ser explicativo quando necessário. Os diálogos são pacientes e em momento algum escapam da relação entre os personagens para dar satisfações ao público. Isso nos prepara e nos interessa para adentrarmos aos poucos um terreno cheio de intrigas. Não há uma preocupação em contar a história de nenhum personagem, focando apenas o momento que o filme aborda, o que ajuda a prender mais a atenção e comprar a ideia mesmo já desgastada.</p>
<p>Carano, ex-lutadora de MMA e atriz novata em cinema, mostra que tem talento nos dois casos. Sua atuação pouco expressiva, mas natural, evidencia a segurança e o profissionalismo da personagem. Sua feminilidade não desaparece em meio ao caráter “masculinizado” de Mallroy, mas também nunca é sexualizada. As cenas de luta se aproveitam bastante da experiência da atriz como esportista, sendo um dos pontos altos da produção. A coreografia é bem elaborada sem soar artificial.</p>
<p>É perceptível a atenção que Soderbergh dá a estas cenas, e é nelas onde mais vemos a proposta diferenciada do diretor. A câmera se mantém parada ou com poucos movimentos, dando preferência a planos mais abertos que permitem uma melhor noção de espaço e da luta em si. Isso vai contra a moda da câmera tremida, presente na grande maioria dos filmes de ação. Dessa forma, todo o ritmo da luta se apóia na interessante montagem de Mary Ann Bernard (pseudônimo do próprio Soderbergh).</p>
<p>A edição de som é precisa no tocante à utilização da trilha de David Holmes como parte da construção narrativa. A ausência de músicas nas sequências de luta contribui ainda mais para o realismo destas, tornando cru o que costuma ser “espetacularizado” no cinema americano. No entanto, quando presentes, elas resgatam majestosamente a atmosfera dos filmes de espionagem da década de 70, funcionando como um ótimo pano de fundo para sequências mais didáticas ou de transição.</p>
<p>O elenco coadjuvante é formidável. Ewan McGregor, Michael Douglas e Antonio Banderas interpretam, respectivamente, Kenneth, Coblenz e Rodrigo, todos superiores de Mallory. Michael Fassbender vive Paul, um agente <em>freelancer</em> contratado para uma missão ao lado da protagonista. Channing Tatum é Aaron, que conheceu Mallory recentemente em uma missão na Barcelona. A escolha destes atores veteranos foi uma ótima estratégia para manter fortes personagens que são pouco trabalhados.</p>
<p>“À Toda Prova” é um filme que faz muito do pouco. Potencializa uma história já contada inúmeras vezes, demonstrando como a abordagem acerca de um tema vale muito mais do que o próprio conteúdo deste. A desconstrução de regras de gênero é um exercício que exige uma reflexão madura sobre o que está sendo mostrado e como isso afeta os envolvidos neste trabalho pessoalmente. Além de abrir novas possibilidades nas formas de comunicação com o público, mantém-se um bom entretenimento.</p>
<p>___<br />
<strong><em>Thiago César</em></strong><em> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
</ul>
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		<title>12 Horas: estreia do brasileiro Heitor Dhalia nos EUA decepciona</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Apr 2012 04:32:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Léo Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[12 Horas]]></category>
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		<description><![CDATA[Trama sobre a busca de mulher por irmã desaparecida resvala em clichês do gênero e atuações apáticas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255781" title="12 Horas" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/04/poster-12-horas.jpg" alt="" width="222" height="334" />Poucos são os diretores estrangeiros que se dão bem em Hollywood. Talvez por um contraste mal coordenado de nacionalidades, um roteiro fraco defendido pelo produtor, a dificuldade de transpor a muralha nacionalista dos norte-americanos diante de seu cinema ou, simplesmente, má sorte de estreante. Ou, ainda, tudo isso se aplique a “12 Horas”, primeiro filme do cineasta brasileiro Heitor Dhalia nos EUA.</p>
<p>Com filmes no currículo como os competentes <em>“Nina”</em> e <em>“À Deriva”</em>, além do ótimo <em>“O Cheiro do Ralo”</em>, Dhalia escorrega feio na trama de “12 Horas”, seu debute em terra ianque. A trama conta a história de Jill (Amanda Seyfried), uma moça que, tempos atrás, acredita ter sido sequestrada por um homem e mantida prisioneira em uma floresta nos arredores de onde vive. Desde então, ela parte em uma busca desenfreada pelo local onde acredita que as outras vítimas desaparecidas (e ignoradas pela polícia local) foram levadas. Sem nenhuma prova de que o assassino sequer exista, ela nunca foi levada a sério por ninguém, sendo considerada instável psicologicamente.</p>
<p>Porém, quando sua irmã Molly (Emily Wickersham) toma um chá de sumiço, Jill vai seguir as sutis pistas deixadas para trás para resgatar a irmã e, de quebra, provar para todos que o sequestrador, de fato, existe. Tudo isto em algumas horas, ou seja, antes do anoitecer que, segundo ela, será a sentença de morte da irmã, que não terá sua sorte de única sobrevivente.</p>
<p>No meio do caminho, ela contará com a ajuda do cunhado Billy (Sebastian Stan, que alterna entre o jeito bonzinho, suspeito e lesado) e da colega de trabalho Sharon (Jennifer Carpenter), mas sofrerá com os policiais Powers (Daniel Sunjata, tentando fazer a linha durão-sensato) e Lonsdale (Katherine Moennig, a eterna Shane da série lésbica <em>“The L Word”</em>) que, em seu encalço, acreditam que ela precisa, mesmo, é voltar para o tratamento psiquiátrico. Assim, a moça vai desmembrando as sutis pistas que envolvem o caso, correndo contra o tempo em uma trama que tenta tanto ser um thriller dramático, mas descamba em uma história exagerada, precipitada e sonolenta.</p>
<p>O roteiro, escrito por Allison Burnett (de tramas fracas como a terrível refilmagem de <em>“Fama”</em> e do melodramático <em>“Outono em Nova York”</em>), abusa de todos os clichês possíveis do gênero de suspense e ação sem nenhuma novidade ou qualidade que mereça atenção. Nem mesmo o previsível detetive bonzinho interessado na moça (papel de Wes Bentley) é aproveitado e sai da trama, como se engolido por um buraco negro, sem explicação alguma. E neste fraco jogo de gato e rato, Jill corre para lá e para cá com a eterna cara de assustada em 94 minutos de projeção que não criam empatia nenhuma com o público.</p>
<p>Contando com atuações forçadas de todo o elenco, a loirinha Seyfried se esforça ao criar sua personagem, uma jovem perturbada e apavorada que se torna uma super-heroína armada do dia para a noite capaz de enfrentar meio mundo por justiça, mas não convence. Entre tantas frases “de efeito” nos diálogos que podem arrancar risos involuntários da plateia e curtos <em>flashes</em> do possível sequestro de Jill, “12 Horas” ainda tenta prender a atenção do público com diversas cenas de perseguição, conhecido fetiche norte-americano. Só tenta.</p>
<p>Com uma trilha sonora de suspense que incessantemente permeia o filme (na qual, muitas vezes, o silêncio poderia ser o recurso mais eficiente), a obra ainda deixa no ar se o sequestro realmente aconteceu ou se Jill criou tudo em sua mente, além de colocar todos os personagens masculinos como suspeitos. Seriam recursos que poderiam dar certo, mas já é tarde demais para prender a atenção do espectador.</p>
<p>Entretanto, se há uma coisa que se salva em “12 Horas” é a fotografia de Michael Grady (da comédia romântica <em>“Amizade Colorida”</em>). Bem trabalhada no forte amarelo e azul, capta boas imagens do uso de sombras, feixes de luz e das cenas rodadas na floresta, local onde Jill acredita que sua irmã e outras vítimas estejam. Porém, em um epílogo longo demais em tentativa desesperada de criar tensão com o espectador, desbanca em uma conclusão precipitada e exagerada, em que chegamos ao fim de um filme totalmente dispensável.</p>
<p><em>____</em><br />
<strong><em>Léo Freitas</em></strong><em> formou-se em Jornalismo em 2008 pela Universidade Anhembi Morumbi. Cinéfilo desde a adolescência e apaixonado por cinema europeu, escreve sobre cinema desde 2009. Atualmente é correspondente do CCR em São Paulo e desejaria que o dia tivesse 72 horas para consumir tudo que a capital paulista oferece culturalmente.</em></p>
</ul>
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		<title>Jovens Adultos: mais uma boa parceria entre Jason Reitman e Diablo Cody</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Apr 2012 04:35:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Charlize Theron]]></category>
		<category><![CDATA[Diablo Cody]]></category>
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		<category><![CDATA[Patrick Wilson]]></category>
		<category><![CDATA[Patton Oswalt]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de realizarem “Juno”, diretor e roteirista retornam com comédia que se apropria de clichês de filmes adolescentes para fazer uma grande brincadeira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255778" title="Jovens Adultos" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/04/poster-jovens-adultos.jpg" alt="" width="222" height="334" />Se por conta própria Jason Reitman realiza filmes maduros, que cada vez mais andam deixando as risadas de lado e achando o caminho natural dos dramas existencialistas (vide “Amor sem Escalas”), ao lado de Diablo Cody, o cineasta parece querer se especializar em aprimorar comédias adolescentes. Em “Juno”, a diversão e descontração proporcionada por esse subgênero continuam, mas são complementadas por diálogos bem escritos, explícita originalidade e uma leve e conquistadora emotividade. Neste “Jovens Adultos”, a gostosa brincadeira se repete, com a pequena diferença de que a personagem principal é um pouco mais velha, mas nem por isso mais madura.</p>
<p>Na verdade, Mavis Gary (Charlize Theron) é bem mais infantil do que a própria Juno. É daquelas que não cresceram mentalmente desde a época de colégio. As memórias de tal tempo são muito boas para serem esquecidas, especialmente àquelas relacionadas ao antigo namorado Buddy Slade (Patrick Wilson). Por isso, após ficar sabendo que ele acaba de se tornar pai, a agora escritora decide deixar temporariamente a vida citadina de Minneapolis e retornar para a pacata Mercury com o intuito de reconquistá-lo. Nem mesmo importa se o seu antigo-pretendente futuro afeto é muito bem casado.</p>
<p>Em sua segunda parceria, Reitman e Cody tem, mais uma vez, como grande trunfo a construção particular de sua protagonista. Tirada diretamente de produções cômicas destinadas a adolescentes, apenas com alguns anos ou décadas a mais, Mavis Gary não poderia ser mais única. A grande vilã, piranha e, ao mesmo tempo, rainha do baile de formatura está de volta e não parece querer perder sua condição. Ainda veste-se, age e bebe como tal. E é exatamente pelo fato de defender a caricatura que é Mavis que o filme torna-se uma diversão pecaminosa.</p>
<p>Não que o público passe a torcer por ela, mas acompanhar um estereótipo ambulante viver seus dias de completa futilidade, mantendo sua aparência e raríssimas vezes despindo-se dela, é das mais engraçadas sensações. Com bastante ironia, o roteiro de Diablo Cody faz um retrato maldoso destas pessoas tão odiadas, que, como exibe sua versão, realmente não são donas de muitas virtudes, a não ser aquelas ligadas à beleza física, esta ainda sim incrementada com enchimentos, muita maquiagem e apliques de cabelo. Até o único talento exposto por Mavis, o de escrever, está relacionado à cultura rasa e passageira do mundo teen feminino, universo do qual ela não parece jamais ter se livrado. “Cara-de-pau”, desbocada e alcóolatra são apenas alguns dos nomes da qual ela poderia ser xingada.</p>
<p>Acertadamente, Cody prefere dar apenas um pequeno toque de verossimilhança e coração a sua protagonista, possível graças a introdução de uma outra caricatura juvenil, o excluído deficiente físico, de nome Matt Freehauf (Patton Oswalt). É através de suas conversas com o rapaz que Mavis revela-se alguém minimamente mais profundo e, ao mesmo tempo, bastante desprezível. O filme empenha-se até em enganar o espectador ao adentrar em um sentimentalismo pouco convicente, mas logo a soberba, como de costume nas atitudes da personagem, supera a humildade e a película opta por permanecer em seu tom cinematográfico de humor irresistível.</p>
<p>A produção conta ainda com uma Charlize Theron inspirada, revelando-se uma excelente atriz cômica como jamais havia tido a oportunidade de mostrar-se. Evitando exageros, ela faz de Mavis uma mulher que realmente acredita em sua superioridade diante dos outros, nem por isso, tornando a personagem pouco carismática. A química com Patton Oswalt também merece elogios, proporcionando as melhores cenas do filme. O mesmo não se pode dizer da relação com Patrick Wilson, já que o desintresante Buddy Slade é pouco explorado pelo roteiro, em um dos poucos erros de Cody.</p>
<p>Já Jason Reitman realiza um trabalho seguro que possui como maior virtude entender e traduzir a brincadeira do texto original de Diablo Cody sem embarcar em todas os devaneios ou frear algumas boas tiradas da roteirista. Com um ritmo cadenciado, “Jovens Adultos” transforma-se em uma comédia atípica, de humor refinado, genuinamente cinematográfica, que faz rir por defender com todas as forças a grande piada que, de fato, é. Novamente a parceria entre Reitman e Cody dá origem a um ótimo fruto, não tão bom quanto o primogênito, mas melhor do que suas produções independentes.</p>
<p>___<br />
<strong><em>Darlano Dídimo</em></strong><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Furia de Titãs 2: uma evolução do terrível para o medíocre</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Mar 2012 03:38:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Siqueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Bill Nighy]]></category>
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		<description><![CDATA[Embora essa sequência seja mais divertida que o longa anterior, situações forçadas, personagens mal-explorados e cenas de ação filmadas à moda MIchael Bay atrapalham o resultado final.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255775" title="Furia de Titãs 2" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/03/poster-furia-de-titas-2.jpg" alt="" width="222" height="334" />Desde o sucesso do remake de “Fúria de Titãs” comandado por Louis Leterrier, a Warner Bros. e todos os demais envolvidos se apressaram em afirmar que sua continuação seria melhor, algo que, considerando os méritos daquele filme, não seria um grande feito. E eis que chega “Fúria de Titãs 2” e ele realmente é melhor que a fita anterior e… só isso.</p>
<p>Agora comandado por Jonathan Liebesman e tendo nada menos do que três envolvidos em seu roteiro, o longa nos mostra Perseu (Sam Worthington) dez anos após a morte do Kraken, vivendo uma vida pacata de pescador ao lado de seu filho, Helius (John Bell). Essa existência tranquila é ameaçada quando Hades (Ralph Fiennes) e Ares (Edgar Ramirez) fazem uma aliança com o titã aprisionado Cronos para que este escape do Tártaro, derrube um enfraquecido Zeus (Liam Neeson) e destrua o mundo.</p>
<p>Cabe então a Perseu sair do exílio e salvar seu pai, ao lado da Rainha Andrômeda (Rosamund Pike) e do também semi-deus Agenor (Toby Kebell), filho mortal de Poseidon. Alguns conceitos, como os das orações aos deuses e como elas podem atrair a atenção da divindade e dar-lhe força são até interessantes, mas jamais ganham o devido destaque, principalmente dada a curta duração da película.</p>
<p>Um dos pontos positivos desta continuação é que finalmente Perseu se tornou um herói mais simpático. A paternidade fez bem ao protagonista, com um objetivo, alguém para proteger, com este tendo uma melhor compreensão de Zeus e estreitando seus laços familiares. Por consequência, Sam Worthington tem mais material com o que trabalhar e pode explorar um lado mais leve do personagem, se permitindo até eventuais piadas ao invés de exibir uma carranca eterna, sendo ótimo ver as (poucas) cenas de interação entre o ator e Liam Neeson, que nos mostra um Zeus mais tranquilo e receptivo.</p>
<p>O problema é que as ligações entre Perseu, Helius e Zeus são as únicas a serem exploradas. Jamais entendemos plenamente os motivos que levaram Ares a trair o seu pai ou mesmo os que justificam as ações de Hades no decorrer da projeção, algo importantíssimo tendo em vista que os atos do deus dos mortos influenciam diretamente nos rumos da trama. O mais triste é ver intérpretes do calibre de Edgar Ramirez e Ralph Fiennes desperdiçados em cena quando podemos ver que seus personagens tinham potencial para serem melhor explorados..</p>
<p>A evolução de Andrômeda, por mais bem vinda que seja, é forçada, bem como seu relacionamento com Perseu, que aparentemente só aconteceu por ser o único macho alfa disponível. Ao menos a bela Rosamund Pike e Sam Worthington possuem alguma química, tornando o romance menos inverossímil. O semi-deus Agenor acaba sendo mais um alívio cômico genérico, com Toby Kebell não tendo o que fazer em tela senão bancar um Jack Sparrow de terceira, enquanto o talentosíssimo Bill Nighy se limita a fazer macaquices como o deus caído Hefesto, enlouquecido após tanto tempo sozinho.</p>
<p>As cenas de ação são conduzidas de maneira caótica por Liebesman, sendo difícil para o público compreender o que está acontecendo na tela em alguns momentos, dada a velocidade da movimentação da câmera e dos objetos que ela tenta capturar. A geografia das cenas é confusa, especialmente na luta com os ciclopes, quase impossível de se acompanhar onde cada envolvido ali está.</p>
<p>É uma pena que, entre os tremores e chacoalhadas da câmera, mal consigamos acompanhar o belo trabalho de direção de arte da produção, muito melhor que as exibições carnavalescas de “Imortais”. Claro que existem algumas escorregadas, como a barba grisalha de Zeus que é descaradamente falsa em alguns pontos, mas nada que incomode em demasiado.</p>
<p>Os efeitos especiais são fantásticos, especialmente os que envolvem a criação de Cronos e seus ataques, extremamente realistas e ameaçadores, ficando claro que a equipe de artistas digitais sabia o que estava a fazer. A tecnologia 3D, se não é inovadora, ao menos é efetiva, se utilizando de destroços e fuligem para tentar mergulhar o espectador nas lutas (se vamos compreender o que está acontecendo, aí é outra história).</p>
<p>Contando ainda com um confuso clímax que tenta, em vão, dar a todos os personagens algo o que fazer, “Fúria de Titãs 2” manda o espectador para casa com a sensação amarga de que faltou algo. O longa é mais divertido que seu predecessor, mas faltou uma dose maior de carisma aos seus coadjuvantes e menos firulas na hora de filmar as batalhas, que são mais furiosas do que titânicas.</p>
<p><em>___</em><em><br />
</em><em><strong>Thiago Siqueira</strong> é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Jogos Vorazes: entretenimento e reflexão crítica dão um ótimo resultado</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Mar 2012 03:41:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Donald Sutherland]]></category>
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		<category><![CDATA[Josh Hutcherson]]></category>
		<category><![CDATA[Stanley Tucci]]></category>
		<category><![CDATA[Woody Harrelson]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar do apelo comercial, a mais nova fraquia adaptada dos livros começa de forma madura.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255772" title="Jogos Vorazes" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/03/poster-jogos-vorazes.jpg" alt="" width="222" height="334" />Não é de hoje que a indústria cinematográfica conhece e se aproveita do valor comercial proveniente da adaptação de uma grande série literária. Porém, só recentemente, esta busca por um lugar seguro no qual os estúdios possam se apoiar tem virado uma constante necessidade. Não é à toa que quase todo o marketing em torno de “Jogos Vorazes” pegou carona no sucesso das duas últimas franquias de maior bilheteria, vendendo-o como “o mais novo fenômeno mundial do cinema”.</p>
<p>Adaptado da obra literária de Suzanne Collins, a história se passa em um futuro pós-guerra, onde o país chamado Panem é dividido em 12 distritos. Para exercer seu controle e autoridade sobre as demais cidades, a Capital criou os Jogos Vorazes. Anualmente, no Dia da Colheita, cada distrito deve sortear dois jovens (um de cada sexo) para oferecer como Tributo. Estes jovens serão treinados para participarem de uma luta entre si até a morte, havendo apenas um vencedor. Este evento é transmitido em tempo real pela televisão para todo o país.</p>
<p>Apesar de pouco original, a premissa é interessante, pois abre espaço para criticar uma sociedade que se autoconsome, tendo como principal entretenimento a manipulação da própria vida de outras pessoas. Como não poderia deixar de ser em um blockbuster, este viés crítico não é o foco do filme. Mas ele se faz sempre presente, permeando toda a narrativa e tendo até certos momentos de maior atenção. Esta subtrama social, ainda que contida, apresenta-se em um grau maior do que o comum para filmes deste porte, com proposta comercial e público-alvo juvenil.</p>
<p>O caráter maduro em relação a outras produções do gênero é reflexo da competente direção de Gary Ross, que se preocupa em abordar o tema com mais dramaticidade e menos romantismo e pirotecnia. O primeiro ato é o melhor exemplo dessa atmosfera. Os personagens são apresentados pacientemente em suas ações rotineiras e só vamos conhecendo suas personalidades ao decorrer da trama. Os clichês, que precisam existir, são trabalhados de forma a integrá-los ao enredo ou à psicologia dos personagens, tornando-os menos incômodos. A trilha sonora de T-Bone Burnett e James Newton Howard se limita às breves sequências de transição, mantendo-se bastante sutil, o que fornece espaço para o silêncio nas cenas de maior importância dramática. Isso dá um tom sóbrio e realista ao longa que, pelo menos nesta primeira parte, não empurra o espectador para um tipo de reação emocional barata.</p>
<p>O clima inicial é transformado radicalmente quando somos apresentados aos consumidores do programa. As maquiagens e os figurinos bizarros desenhados por Judianna Makovsky remetem à artificialidade do povo da Capital. A extravagância e o colorido são contrastantes com os tons acinzentados da população menos favorecida. Os diretores de arte John Collins, Robert Fechtman e Paul Richards apostam em uma arquitetura simplista e quadrada dos cenários, como se tudo fosse construído apenas em função da praticidade, sem nenhum toque humano às decorações. Neste momento, percebemos o quanto aquela sociedade é produto e refém da velha e sempre atual política do “pão e circo”.</p>
<p>O elenco parece ter sido escolhido a dedo. De alguma forma, os atores e atrizes combinam muito com os personagens que interpretam. Grande parte disso é devido à bela caracterização, mas o maior mérito é das próprias atuações. E quando se fala em atuação neste filme, ninguém melhor do que a protagonista Jennifer Lawrence, que vive a dedicada Katniss Everdeen. Sua seriedade carrega uma carga dramática que nos faz lembrar constantemente de onde ela veio e o motivo de estar ali. Experiência e vulnerabilidade se equilibram na personagem, que sabe lidar com ambos sem exageros.</p>
<p>Josh Hutcherson também se destaca como Peeta Mellark, demonstrando uma insegurança acompanhada de integridade e conquistando sua importância na trama. Woody Harrelson está ótimo na pele de Haymitch Abernathy, mentor de Everdeen e Mellark, fazendo-nos lamentar por não ter mais tempo de tela. O veterano Stanley Tucci interpreta o apresentador Caesar Flickerman, explorando de forma divertida o semblante caricatural de seu personagem. Suas expressões físicas e verbais condizem com sua função de “animador” de todo aquele espetáculo, dando ao público o que ele quer. Wes Bentley também faz um bom trabalho, mas não apresenta toda a antipatia que seu personagem Seneca Crane pede enquanto “cabeça” dos Jogos, tornando-se carismático demais para o papel. Isso é compensado pelo experiente Donald Sutherland que, com a frieza e o distanciamento necessários, vive o presidente Snow.</p>
<p>Em tempos de reality shows, onde a exposição da intimidade, as máscaras sociais e os julgamentos pessoais chegam a definir nossa cultura, nada mais conveniente do que um filme que alfinete esses novos costumes justamente enquanto produto consumido pela nova geração. Apesar de seu marketing apelativo, “Jogos Vorazes” prova não subestimar o público, entregando-lhes um entretenimento de qualidade com abertura para reflexões mais ligadas ao nosso próprio contexto real.</p>
<p>___<br />
<em><strong>Thiago César</strong> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
</ul>
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		<title>Um Método Perigoso: o menos autoral dos trabalhos de David Cronenberg</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Mar 2012 04:36:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[David Cronenberg]]></category>
		<category><![CDATA[Keira Knightley]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Fassbender]]></category>
		<category><![CDATA[Um Método Perigoso]]></category>
		<category><![CDATA[Viggo Mortensen]]></category>

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		<description><![CDATA[Nem Freud explica porque, ao falar do próprio psicanalista, cineasta decide dar vida a uma película fria e dependente de diálogos, diferente do que prega sua bela filmografia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255769" title="Um Método Perigoso" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/03/poster-um-metodo-perigoso.jpg" alt="" width="222" height="334" />David Cronenberg abordando Freud e suas teorias. Uma mistura, aparentemente, infalível. Afinal, poucos retrataram tão bem nos cinemas a natureza humana defendida pelo austríaco fundador da psicanálise em sua vasta bibliografia. Mas o ousado, intenso, sensual e sexual Cronenberg exibe-se com timidez neste “Um Método Perigoso”. No lugar, surge um diretor frio, pragmático, comum, demasiadamente paciente com os inúmeros diálogos do roteiro. Depois de uma década marcada por bons lançamentos, especialmente do angustiante<em> “Marcas da Violência”</em>, o cineasta parece irreconhecível.</p>
<p>No papel principal está o ascendente Michael Fassbender, como o introspectivo psicólogo suíço Carl Jung. Passada boa parte durante a primeira década do século passado, a trama relata inicialmente o complexo tratamento que Jung decide começar na atormentada estudante russa de medicina Sabina Spielrein (Keira Knightley). Utilizando-se de métodos idealizados por seu contemporâneo Sigmund Freud (Viggo Mortensen), ele alcança bons resultados, o que o leva a aumentar seu contato com o psicanalista austríaco. Os desentedimentos teóricos, porém, levam-nos a caminhos diferentes. Para o suíço, o dilema torna-se maior ainda devido a um secreto envolvimento amoroso com sua bonita paciente.</p>
<p>Um dilema parece ser o que enfrenta também David Cronenberg. Empenhado em contar uma história de época de conteúdo que justifique e ratifique o que tão bem exibiu em seus filmes durante mais de quatro décadas, o diretor, porém, se perde e realiza uma produção que jamais parece assinada por ele mesmo. Faz, ao invés, um bom relato histórico de conteúdo inquestionável, que certamente agradará aos estudantes e profissionais do ramo da psicologia e psicanálise, mas que decepcionará seus própios fãs. Sem a habitual destreza por trás das câmeras que fez dele um dos mais intensos cineastas em atividade, Cronenberg rende-se a um roteiro padrão escrito por Christopher Hampton.</p>
<p>Não que Hampton faça um trabalho ruim. Pelo contrário. É deveras agradável acompanhar o embate e a exposição de ideias entre Carl Jung e Sigmund Freud, dois dos maiores gênios do século passado, este com teorias já construídas e consolidadas, aquele ainda em processo de formação de sua psicologia analítica. Deve-se elogiar ainda a maneira coerente encontrada pelo roteirista em fazer os dois discordarem entre si sem jamais julgá-los, mantendo-se isento em seu posicionamento científico. O problema é que as palavras e descrições de Hampton não são feitas para Cronenberg dar-lhes vida.</p>
<p>Logo torna-se flagrante a forma poldada de que trabalha o diretor, incapaz de fazer os espectadores sentirem (sua especialidade), mas apenas acompanharem o desenrolar desta importante história. São diálogos demais para o seu padrão, fazendo-o perder facilmente o ritmo da projeção, que torna-se ainda mais enfadonha na chata sequência de cartas trocadas entre os dois protagonistas. Até mesmo a relação entre Jung e Spielrein é registrada de forma fria e atropelada (de onde surge aquele amor inebriante?). É preciso que um quarto personagem, interpretado pelo excelente Vicent Cassel, entre em cena para que uma, ainda assim comedida, sensualidade surja em tela. Mas, infelizmente, ela dura poucos minutos.</p>
<p>As boas interpretações do elenco duram mais, especialmente de Fassbender e Mortensen, em mais uma parceria que alavanca o seu nível de atuação. David Cronenberg é que tem uma queda brusca de desempenho. A impressão, na verdade, é de que o projeto de “Um Método Perigoso” não poderia lhe pertencer. Cronenberg é um cineasta da contemporaneidade, que nunca deveria realizar um puritano filme de época.<em> “Cosmopolis”</em>, o seu próximo trabalho, aparentemente, marca o retorno ao seu sujo formato, de onde nunca deveria ter saído.</p>
<p>___<br />
<strong><em>Darlano Dídimo</em></strong><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Guerra é Guerra: comédia reúne clichês, mas ainda diverte pontualmente</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Mar 2012 04:38:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Benevides</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Chris Pine]]></category>
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		<category><![CDATA[Reese Witherspoon]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Hardy]]></category>

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		<description><![CDATA[Química do elenco salva a produção do total desastre.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255767" title="Guerra é Guerra" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/03/poster-guerra-e-guerra.jpg" alt="" width="222" height="334" />As comédias românticas tomam conta da indústria cinematográfica e as mais variadas histórias já vistas tantas vezes tentam se reciclar em filmes quase sempre pouco inspirados. Apenas tentam. Como já é de costume, exigir originalidade ou mesmo técnica primorosa na concepção dessas películas é um tiro no pé, já que elas são feitas apenas para entretenimento rápido e garantir bilheteria por meio de seus atrativos, que quase sempre são os atores envolvidos.</p>
<p>Em “Guerra é Guerra” não é diferente. A trama conta a história de Lauren, interpretada pela oscarizada Reese Witherspoon, uma mulher que não tem uma vida sentimental regular. Ao se deparar com o ex-namorado e sua atual noiva, ela percebe que já está passando do tempo de conseguir um relacionamento estável. É quando sua amiga Trish, vivida pela ótima Chelsea Handler, sugere que ela entre no universo online e busque um namorado.</p>
<p>Apesar da resistência em caçar na internet, Lauren se depara com um perfil dela criado por Trish e logo conhece Tuck (Tom Hardy), um agente secreto que está suspenso. Após uma missão mal sucedida ao lado de seu companheiro FDR (Chris Pine), os dois passam por períodos ociosos no escritório onde trabalham. Em uma festa de família, eles também são alfinetados por serem solteiros. Corre tudo bem durante o primeiro encontro de Tuck e Lauren, mas o que eles não esperavam é que FDR também se esbarrou com a garota acidentalmente em uma locadora. A partir de então, os amigos tentam conquistar o coração de Lauren e se transformam em rivais, o que compromete a parceria profissional.</p>
<p>Nada de novo no front. Comédias românticas com pitadas de ação têm aparecido aos montes nas salas de cinema, como os recentes <em>“Par Perfeito”</em> e <em>“Encontro Explosivo”</em>. O diferencial de “Guerra é Guerra” é a tentativa de mostrar a mulher como fruto de uma disputa, potencializando seu poder feminino e dando a ela a chance de escolher com quem ficar sem se rastejar por homem algum. Dessa forma, Tuck e FDR se tornam meras crianças que tentam a todo custo conquistá-la, inclusive usando suas equipes de investigação para conhecer melhor a moça.</p>
<p>O conjunto de situações que o roteiro monta para mostrar essa disputa retoma os clichês do gênero, mas que são bem conduzidos devido à química e empatia do elenco. Witherspoon, Pine e Hardy levam um pouco de personalidade àqueles conflitos quase sempre superficiais. E conseguem. Não fossem por eles, o filme estaria fadado ao completo fracasso, já que os roteiristas Timothy Dowling e Simon Kinberg não dão profundidade ao argumento e se contradizem com facilidade. São os atores que pegam o roteiro vazio e conseguem nos fazer rir pontualmente durante a projeção, com o público dando um desconto aos exageros e às impossibilidades.</p>
<p>Se Lauren é para ser o objeto de desejo, então seria a oportunidade perfeita para ela se transformar em uma mulher alfa. Mas o roteiro mostra um poder feminino doce e confuso, colocando a personagem em situações bobas, como a dúvida se vai para a cama com Tuck e FDR para ver quem tem o melhor desempenho. Há uma inconstante desconstrução do machismo, mas que sempre cai novamente na visão da mulher romântica, o que já não é mais tão divertido assim.</p>
<p>Outro deslize é que nunca os companheiros de investigação dos rapazes questionam o monitoramento da vida de Lauren, se contentando apenas com o motivo de que ela pode estar envolvida com o paradeiro de um criminoso russo. Aliás, a trama paralela deste bandido é totalmente descartável, já que acrescenta apenas a previsibilidade de que a mocinha certamente correrá perigo no terceiro ato da película, para que os dois agentes possam se unir novamente e recuperar a parceria profissional.</p>
<p>O diretor McG também não ajuda para a composição daquele universo. Experiente com cenas de ação, em “Guerra é Guerra” ele parece estar muito mais à vontade conduzindo Pine e Hardy em tiroteios e explosões do que trabalhando os conflitos dos seus personagens. Mas tudo bem, não é novidade que o cineasta não tem um histórico de direção de elenco. Dessa forma, McG desaparece em seu próprio filme, não deixando nada positivo na comédia. A péssima dupla de edição Nicolas De Toth e Jessie Driebusch quebram o ritmo do longa em vários momentos e acentuam os problemas de continuidade.</p>
<p>Sem grandes inspirações, “Guerra é Guerra” se junta às comédias que devem ser apreciadas apenas pelo bom entretenimento que, acima de todas as falhas, ainda acontece devido ao elenco competente que resolveu emprestar seu talento para um filme ordinário e sem diferenciais. E ao fim da projeção, a escolha da protagonista é óbvia e confirma que não tinha necessidade de fazer tanta cerimônia para resolver aquele impasse amoroso.</p>
<p>___<br />
<strong><em>Diego Benevides</em></strong><em> é editor chefe, crítico e colunista do CCR. Jornalista graduado pela Universidade de Fortaleza (Unifor), é especialista em Assessoria de Comunicação, pesquisador em Audiovisual e arte educador na linha de Artes Visuais e Cinema. Desde 2006 integra a equipe do portal, onde aprendeu a gostar de tudo um pouco. A desgostar também.</em></p>
</ul>
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		<title>Anderson Silva – Como Água: doc simplista sobre o novo ídolo do esporte</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Mar 2012 04:39:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Darlano Didimo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Anderson Silva]]></category>
		<category><![CDATA[UFC]]></category>

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		<description><![CDATA[Sem grandes pretensões, produção se arrasta para contar a história de uma luta épica, que é maniqueísta por si só.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255764" title="Anderson Silva - Como Água" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/03/poster-anderson-silva.jpg" alt="" width="222" height="334" />Depois de tantos documentários dedicados a geniais músicos brasileiros, o esporte nacional acaba de receber uma atenção merecida do gênero. Mas foi preciso um diretor norte-americano para alcançar tal feito. Em “Anderson Silva: Como Água”, o estreante Paulo Croce aproveita-se da nova febre mundial e mira suas câmeras no MMA, mais especificamente no mais aclamado de seus lutadores, o brasileiro Anderson Silva. Ao fugir de lugares comuns, o cineasta alcança um resultado atípico, que, porém, esbarra em uma simplicidade exagerada e em maniqueísmo advindo de seus próprios personagens.</p>
<p>Não se trata de um doc que visa contar a história de vida de seu protagonista. Na verdade, pouco sabemos sobre a família de Silva, além do fato de que possui quatro filhos e mantém uma relação bastante estável com a esposa. O foco está na preparação nos EUA para uma específica luta que ele irá realizar em poucos meses, e tudo depois de uma polêmica defesa de título que o fez ganhar detratores, além de ter decepcionado outros tantos, como o próprio Dana White, presidente do UFC, o Ultimate Fighting Championship.</p>
<p>Logo, em seu objetivo de apresentar Anderson Silva em um curto espaço de tempo, falta material para conhecermos melhor o profissional e o que faz dele tão diferente dos outros. Pouco da técnica especial do lutador é exibida, além de alguns treinos de ataque e defesa nada explicativos para leigos no assunto. A pouca participação e depoimentos de especialistas no ramo, ou mesmo de seus treinadores, também contribui para tal sensação. Elogios de executivos a colegas de trabalho nunca se aprofundam sobre a temática, permanecendo no nível dos adjetivos.</p>
<p>Por outro lado, o homem Anderson é apresentado com mais cuidado e delicadeza, seja ao mostrá-lo, por diversas vezes, falar por telefone com a família enquanto a saudade não pode ser compensada ou deixar claro a sua religiosidade ao flagrá-lo rezando após sua luta. Descontruindo o preconceito carregado por profissionais das artes marciais, Paulo Croce sabe como se aproveitar de uma personalidade tranquila e descontraída, que jamais deixa os filhos e a esposa em segundo plano e que também é dona de um humor inspirado e sarcástico que ajudam a transformar seu oponente em um vilão dos mais odiados.</p>
<p>Chael Sonnen, o lutador que terá o desprazer de enfrentá-lo em alguns meses, já é uma caricatura por si só, que fica ainda maior quando comparada à tranquilidade de Silva. O diretor do filme até tenta exibir um Sonnen diferente daquela figura arrogante que ele mesmo fez questão de construir, especialmente ao mostrá-lo treinando alguns jovens. Mas as declarações disparadas na imprensa pelo norte-americano são difíceis de ignorar e Paulo Croce acaba caindo nessa armadilha que contribui para que o futuro confronto adquira um tom maniqueísta.</p>
<p>E é nesse fato de trazer atos de estupidez por parte de Sonnen seguidos de respostas à altura do brasileiro que “Como Água” perde ritmo, mesmo com seus cerca de 70 minutos de duração. A impressão, por diversas vezes, é de que a produção poderia ser encurtada em meia hora ou buscar ampliar a abrangência de seu objeto. Tentando criar expectativa em torno de seu ato final, o documentário se alonga com repetições e ênfases desnecessárias. E quando o momento de os dois entrarem no octógono chega, não há nada de muito especial guardado pelo diretor.</p>
<p>Croce, porém, mantém uma relação de naturalidade com seus personagens. Em diversas sequências, impressiona o nível de realismo alcançado pelo cineasta, arrancando momentos de descontração e de sincera seriedade, especialmente por parte Anderson Silva. Pena que conheçamos tão pouco deste profissional impressionante que merecia um documentário melhor, assim como um adversário mais respeitável. Com uma carreira ainda em construção, o lutador ainda tem material suficiente para uma futura história bem mais interessante.</p>
<p>___<br />
<strong><em>Darlano Dídimo</em></strong><em> é crítico do CCR desde 2009. Graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é adorador da arte cinematográfica desde a infância, mas só mais tarde veio a entender a grandiosidade que é o cinema.</em></p>
</ul>
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		<title>Protegendo o Inimigo: thriller de ação critica a agência do governo americano</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Mar 2012 04:37:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago César</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Brendan Gleeson]]></category>
		<category><![CDATA[Denzel Washington]]></category>
		<category><![CDATA[Protegendo o Inimigo]]></category>
		<category><![CDATA[Ryan Reynolds]]></category>
		<category><![CDATA[Vera Farmiga]]></category>

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		<description><![CDATA[Embora a trama seja bem desenvolvida, o discurso sócio-político falha pela superficialidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-255762" title="Protegendo o Inimigo" src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2012/03/poster-protegendo-o-inimigo.jpg" alt="" width="222" height="334" />Nos últimos anos, um sentimento de desilusão tem tomado conta de muitas das grandes produções de Hollywood. Embora isto não seja novidade, hoje é mais perceptível como o atual contexto sócio-político global e o acesso fácil às informações que antes eram omitidas da população batem de frente com a ideologia conservadora americana. A fórmula do mocinho e do bandido, que tanto veiculou determinados valores e interesses, tem sido revista e questionada. Tais figuras não encontram mais correlatos reais, uma vez que cada atitude das pessoas e dos personagens agora é racionalizada e julgada de forma menos ingênua.</p>
<p>Dirigido por Daniel Espinosa, “Protegendo o Inimigo” traz um pouco dessa visão crítica, embora dê mais atenção a outros aspectos. Trata-se da tortuosa missão de um inexperiente agente da CIA chamado Matt Weston (Ryan Reynolds). Inicialmente, sua tarefa era apenas a de tomar conta do abrigo para o qual seria levado o famoso ex-agente Tobin Frost (Denzel Washington), acusado de traição e considerado um inimigo do país. Porém, devido a uma invasão ao local por outro grupo que também quer pôr as mãos em Frost, custando a vida de toda a equipe da CIA responsável por ele, o “zelador” se vê repentinamente incumbido de garantir a segurança do perigoso prisioneiro até que este seja transferido para outra equipe.</p>
<p>O roteiro de David Guggenheim tem uma estrutura satisfatória para a introdução dos protagonistas. Apresentando-os individualmente por meio de suas ações e sem cair na pura explicação, o primeiro ato prepara bem o terreno para o momento de encontro dos dois. Uma vez que o público já tem uma boa noção de suas respectivas personalidades e capacidades, criam-se mais expectativas sobre como se dará a relação entre ambos. Por outro lado, o didatismo se faz presente mais adiante, quando são levantadas as fichas de Frost e Weston por autoridades da CIA, dando ao público uma breve e dispensável satisfação sobre o passado de cada um com a justificativa de informar os profissionais da Inteligência.</p>
<p>Em um primeiro momento, há um domínio psicológico e satírico por parte de Frost, o que chega a ser óbvio demais quando se trata de um criminoso seguro de si lidando com um profissional sem muita experiência e visivelmente apavorado com a situação. Felizmente, isso dura pouco, pois ambos são obrigados a se preocupar mais com a sobrevivência e objetivos particulares. A partir daí, os diálogos se tornam um pouco mais naturais, obtendo mais funcionalidade narrativa do que se insistissem nos jogos mentais. A química entre os dois atores funciona bem. Surpreendentemente, Reynolds consegue acompanhar o talento de Washington, que não tem que carregar o filme sozinho.</p>
<p>Vera Farmiga e Brendan Gleeson, que interpretam respectivamente Catherine Linklater e David Barlow, dois superiores de Weston, são forçados a uma atuação padrão do gênero para seus tipos de personagem, sem praticamente nenhuma profundidade dramática. No caso de Linklater, essa superficialidade não faz tanta falta quanto em Barlow. Este, que funciona quase como uma figura paterna a Weston, poderia contribuir muito mais para a trama se suas motivações fossem construídas a partir de uma melhor elaboração psicológica do personagem. Em vez disso, ele apenas se dilui entre os outros profissionais da CIA, sem muito destaque até quase o fim do longa.</p>
<p>As sequências de ação não adicionam muito ao que somos acostumados a ver no cinema. Entretanto, elas são bastante viscerais. As perseguições de carro são compostas por vários planos fechados, preocupando-se mais com a reação dos personagens do que com a ação propriamente dita. As coreografias das lutas são propositalmente desajeitadas. Os indivíduos não se atacam apenas com socos e pontapés, mas também se agarram e rolam no chão, parando frequentemente para medir a força bruta olho no olho, exibir cansaço, etc. Essa crueza é evidenciada pela fotografia de Oliver Wood, bastante contrastada e granulada.</p>
<p>“Protegendo o Inimigo” tem uma proposta crítica interessante, mas superficial. Apesar de elaborar decentemente a reviravolta na forma com que o protagonista encara sua profissão e os envolvidos nesta, contenta-se em garantir o sucesso comercial do filme com uma conclusão pouco relevante para o tipo de abordagem que foi insinuada. Dessa forma, o longa acaba por cair na própria armadilha, desconstruindo tudo o que havia questionado e atendendo à manutenção do <em>status quo</em>.</p>
<p>___<br />
<strong><em>Thiago César</em></strong><em> é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.</em></p>
</ul>
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