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		<title>Toledo: Adolescência interminável</title>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 21:50:29 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O mundo nunca foi tão adolescente. A cada quatro terráqueos, um tem entre 10 e 24 anos. São 1,8 bilhão de pessoas nessa idade especial. Mas desde quando um marmanjo de 24 anos é adolescente? Num passado recente não era, mas passou a ser -ou melhor, não deixou de ser. E isso pode virar um<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2012/05/toledo-adolescencia-interminavel/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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			<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo nunca foi tão adolescente. A cada quatro terráqueos, um tem entre 10 e 24 anos. São 1,8 bilhão de pessoas nessa idade especial. Mas desde quando um marmanjo de 24 anos é adolescente? Num passado recente não era, mas passou a ser -ou melhor, não deixou de ser. E isso pode virar um problema. Segundo a revista científica “The Lancet”, a adolescência vem espichando a cada geração, nas duas pontas: a puberdade chega mais cedo, e a maturação do papel social dos jovens ocorre cada vez mais tarde.</p>
<p>Basta observar como tem avançado a idade média dos jovens ao terminar os estudos, com que conseguem seu primeiro emprego fixo, quando se casam, e com que as mulheres se tornam mães. Todos esses marcos do fim da adolescência foram adiados nas últimas gerações. As repercussões sociais dessa mudança são maiores do que nos damos conta. Daí o dossiê da “The Lancet”.<br />
A palavra “adolescente” deriva do latim “adolescere”, que significa “crescer”, “desenvolver-se”. Adolescente é quem está crescendo, e adulto, quem já cresceu, já se desenvolveu. Mas o crescimento não se mede pelo número do sapato nem pelo comprimento da barra da calça ou da saia. É uma questão de amadurecimento, de andar com as próprias pernas sem a muleta dos pais.</p>
<p>A adolescência começa quando os hormônios da puberdade mudam a fisiologia e a fisionomia das crianças. É uma revolução que transforma todo o corpo, com repercussões do comportamento à capacidade cognitiva do cérebro. Jovens púberes, por exemplo, tendem a questionar regras, buscar novas experiências e tomar atitudes de risco com mais frequência que os impúberes.<br />
O coquetel hormonal em ebulição tem impactos diretos sobre a mortalidade. O gosto por arriscar-se faz com que os adolescentes estejam entre as principais vítimas das mortes violentas. Se a adolescência se prolonga, a chance de sucumbir aos seus efeitos também. Nas últimas décadas, o mundo conseguiu reduzir drasticamente a morte na infância. Mas os avanços na redução da mortalidade de adolescentes foram bem menos impressionantes. O Brasil não é exceção.</p>
<p>De 1996 a 2010, as mortes de crianças brasileiras com menos de cinco anos caíram praticamente à metade, de 88 mil para 47 mil por ano. A taxa de mortalidade por 100 mil habitantes dessa faixa etária regrediu quase na mesma proporção. Já as mortes e a mortalidade de adolescentes de 10 a 24 anos permaneceram estáveis. Em 2008, pela primeira vez na história do Brasil, morreram mais adolescentes do que crianças. E a tendência só se acentuou desde então.</p>
<p>Nesses 15 anos, as mortes por causas naturais diminuíram, e as violentas aumentaram. Morreram mais adolescentes brasileiros por tiro e acidentes de carro e moto, e menos por doenças infecciosas como Aids, ou por problemas cardíacos. Foram e continuam sendo vítimas de causas de morte evitáveis, que podem ser amainadas por políticas públicas. Esse não é o único impacto sobre a longevidade. É na adolescência que se formam os hábitos alimentares que vão influenciar a saúde pelo resto da vida.</p>
<p>A adolescência tardia também tem consequências positivas, principalmente econômicas. A extensão do período sob o mesmo teto dos pais permite aos adolescentes permanecerem mais tempo na escola. Por isso as novas gerações têm potencial para formarem a força de trabalho mais qualificada que o Brasil já teve, com impactos positivos sobre a produtividade e a renda. Mas para esse potencial se concretizar é preciso que haja oportunidades de emprego compatíveis com essa escolaridade mais alta.</p>
<p>O ano de 2011 foi rico em exemplos de como a adolescência estendida tem impactos profundos sobre áreas improváveis, como a política. Os levantes árabes foram impulsionados por essa população adolescente, gente tão jovem quanto os indignados espanhóis, os saqueadores de Londres e os ocupadores de Wall Street. Todos eles buscando seu lugar na sociedade e topando com obstáculos maiores do que seus pais para encontrá-lo. E enquanto não encontram, sua adolescência é interminável.</p>


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		<title>Mensagem conjunta da ONU e da Unesco</title>
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		<description><![CDATA[Liberdade de expressão é um dos nossos direitos mais preciosos. Sustenta toda a liberdade aos outros e fornece uma base para a dignidade humana. Imprensa livre, pluralista e independente é essencial para o seu exercício. Esta é a mensagem do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A liberdade de imprensa implica a liberdade de ter<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2012/05/mensagem-conjunta-da-onu-e-da-unesco/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left">Liberdade de expressão é um dos nossos direitos mais preciosos. Sustenta toda a liberdade aos outros e fornece uma base para a dignidade humana. Imprensa livre, pluralista e independente é essencial para o seu exercício. Esta é a mensagem do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A liberdade de imprensa implica a liberdade de ter opiniões e de procurar receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras, como previsto no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Essa liberdade é essencial para as sociedades saudáveis e dinâmicas.</p>
<p align="left">As mudanças no mundo árabe demonstraram o poder das aspirações de direitos, quando combinado com novas e velhas mídias. A recém-descoberta liberdade de imprensa está prometendo transformar as sociedades através de uma maior transparência e responsabilidade. É abrir novas formas de comunicar e compartilhar informações e conhecimentos. Poderosas novas vozes estão mais altas – especialmente as dos jovens – onde ficavam caladas antes. É por isso que este ano o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é centrado no tema “Novas vozes: a liberdade da mídia ajudando a transformar sociedades”.</p>
<p align="left">A liberdade de imprensa também enfrenta pressões severas em todo o mundo. No ano passado, a Unesco condenou o assassinato de 62 jornalistas que morreram em decorrência do exercício da função. Esses jornalistas não devem ser esquecidos e os crimes não devem permanecer impunes. Como a mídia se move virtualmente, outros jornalistas online, incluindo blogueiros, estão sendo perseguidos, atacados e mortos por seu trabalho. Eles devem receber a mesma proteção que os trabalhadores tradicionais da mídia.</p>
<p align="left">Em 13 e 14 de setembro de 2011, foi realizada na Unesco a primeira reunião interinstitucional das Nações Unidas sobre a segurança dos jornalistas e a questão da impunidade. Foi produzido um plano de ação da ONU para construir um ambiente mais livre e seguro para os jornalistas e profissionais de mídia em todos os lugares. Ao mesmo tempo, continuaremos a fortalecer as bases legais para a mídia livre, pluralista e independente, especialmente em países submetidos à transformação ou à reconstrução após conflito. Em um momento de sobrecarga de informação, temos que ajudar especialmente os jovens a desenvolver habilidades críticas e um melhor conhecimento de mídia.</p>
<p>O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é a nossa oportunidade de levantar a bandeira na luta para avançar na liberdade dos meios de comunicação. Apelamos aos Estados, meios profissionais e organizações não governamentais em todos os lugares para unir forças com as Nações Unidas para promover a liberdade online e offline de expressão, de acordo com princípios internacionalmente aceitos. Este é um dos pilares dos direitos individuais, uma base para sociedades saudáveis e uma força de transformação social.</p>
<p>(Fonte: Observatório da Imprensa)</p>


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		<title>O fenômeno Cachoeira</title>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 18:04:43 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[CPI]]></category>
		<category><![CDATA[CPMI]]></category>
		<category><![CDATA[Escândalo Cachoeira]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[Por ironia do destino, o personagem central até o momento ostenta como alcunha o vocábulo “cachoeira”. E cachoeira é, senso comum, queda d’água. Não qualquer queda d’água, mas, sim, quedas com grande volume de água, o que lhes dá um aspecto majestoso e turístico, a exemplo das cataratas do Iguaçu (Brasil), de Niágara (Estados Unidos), Khon (Laos), Vitória (África). Cachoeira não é catarata, ensina-nos os dicionaristas. Esta última exige que haja um grande caudal e que se apresente em forma de cortina. A catarata se caracteriza pela extrema força da água a corroer as rochas em sua parte parte baixa. Cachoeira, alerta-nos os expecialistas no vernáculo lusitano, é bem diferente de cascata, uma vez que esta possui uma queda que nasce de uma massa de rochas de inclinação irregular, no sentido vertical, na qual a água desliza sobre uma série de declives acidentados. Cachoeira não é salto. Este recebe o nome devido à sua queda ser em forma de esguicho, e em queda ininterrupta de grande altura.


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left">“Porque existem fronteiras que não podem nem devem ser rompidas.” Foram estas as palavras que escolhi para colocar um ponto final em meu último neste <em>Observatório da Imprensa</em> (“<a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/sem_interesse_pelos_escandalos">Sem interesse pelos escândalos</a>”), tratando do Festival de Grampos Legais que Assolam o País (Fegralap), clara alusão ao saudoso Stanislaw Ponte Preta com seu genial Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá). Pois bem, retorno ao tema, pois há muito ainda a explicitar e muitas linhas que temem ser esmagadas pela contundência das entrelinhas.</p>
<p align="left">As fronteiras – sempre tênues em se tratando de imprensa e crime organizado – são necessárias quando vivemos em um Estado de direito. Essas fronteiras são demarcadas pelas leis. E fora destas o que existe é a lei do mais forte, a tirania e a vilania em toda a sua gama de obscuridades. São as fronteiras éticas e morais que distinguem civilização e barbárie.</p>
<p align="left">Agora, o país assume-se perplexo ante à enxurrada de gravações de ligações telefônicas conseguidas de forma legal, absolutamente dentro dos marcos do Estado de direito. Tais gravações escancaram o grau de cumplicidade que a imprensa e contraventores, agentes públicos e empresários, políticos e profissionais da arapongagem alcançaram em seu intento para fortalecer ampla gama de atividades criminosas.</p>
<p align="left">Por ironia do destino, o personagem central até o momento ostenta como alcunha o vocábulo “cachoeira”. E cachoeira é, senso comum, queda d’água. Não qualquer queda d’água, mas, sim, quedas com grande volume de água, o que lhes dá um aspecto majestoso e turístico, a exemplo das cataratas do Iguaçu (Brasil), de Niágara (Estados Unidos), Khon (Laos), Vitória (África). Cachoeira não é catarata, ensina-nos os dicionaristas. Esta última exige que haja um grande caudal e que se apresente em forma de cortina. A catarata se caracteriza pela extrema força da água a corroer as rochas em sua parte parte baixa. Cachoeira, alerta-nos os expecialistas no vernáculo lusitano, é bem diferente de cascata, uma vez que esta possui uma queda que nasce de uma massa de rochas de inclinação irregular, no sentido vertical, na qual a água desliza sobre uma série de declives acidentados. Cachoeira não é salto. Este recebe o nome devido à sua queda ser em forma de esguicho, e em queda ininterrupta de grande altura.</p>
<p align="left">Agora surge uma rara oportunidade de se agregar novos significados ao vocábulo “cachoeira”. E o terreno é o da política, aquela política que vive de quedas, cascatas, saltos e sobressaltos. É já nome de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, reunindo 16 senadores e 16 deputados e com prazo inicial de duração de 180 dias. É nesta CPMI que serão levados à luz os novos significados de Cachoeira, tais como:</p>
<p align="left"><strong>1.</strong> Epíteto do insígne contraventor brasileiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, personagem singularíssimo que ganhou notoriedade da imprensa e opinião pública brasileira, referido inclusive pelo <em>New York Times</em> como &#8220;Charlie Waterfall&#8221;, e que saiu do quase completo anonimato pelo site e pelas páginas da revista <em>Época</em>, em edição de 13/2/2004, onde, em imagens gravadas por ele mesmo, é extorquido por Waldomiro Diniz, então funcionário da Casa Civil da Presidência da República, dando-se então início a todo um tumultuado processo político alcunhado “mensalão” pela grande imprensa;</p>
<p align="left"><strong>2.</strong> Epíteto do dublê de empresário de jogos e principal contraventor atuante na seara de jogos ilegais Carlinhos Cachoeira, dono de ambição desmedida, como a de colocar um seu protegido, o senador goiano Demóstenes Torres como futuro prefeito de Goiânia, futuro governador de Goiás, futuro candidato à Presidência da República do Brasil e futuro membro do Supremo Tribunal Federal do país;</p>
<p align="left"><strong>3.</strong> Epíteto do mentor do maior esquema de crimes até o momento desbaratado pela Polícia Federal, tendo como protagonistas centrais políticos de prestígio considerados pela grande imprensa como “acima de qualquer suspeita”, governadores de estado de amplo leque político-partidário, integrantes das altas esferas do Poder Judiciário, e com o auxílio luxuoso de uma das mais audaciosas empreiteiras brasileiras, empresa esta que em menos de uma década saiu de um simples traço em grau de importância econômico-financeira para ocupar o espaço de um titã da construção civil, com obras monumentais como o Maracanã, no Rio de Janeiro, e boa parte da malha rodoviária nacional;</p>
<p align="left"><strong>4.</strong> Epíteto do idealizador do mais vasto, antigo, organizado, contínuo e ousado sistema ilegal de escutas telefônicas do país, empregando ex-agentes do antigo Serviço Nacional de Informação na tarefa de flagrar, em situações suspeitas, alvos a serem corrompidos, chantageados e achacados, fossem da esfera pública ou da esfera privada;</p>
<p align="left"><strong>5.</strong> Epíteto do personagem mais eficiente na arte da delinquência pura e simples, criando seu próprio braço midiático e, com este, elevando bandidos com estatura moral da altura de lâmina de barbear deitada aos píncaros da retidão de conduta e da ilibada moral que somente se pode exigir de cidadãos que se autoinvestem do dever de pontificar sobre as virtudes da moral e da ética no trato da <em>res publica</em>, além de “pautar” os destinos da vida política do país por intermédio de veículo de comunicação com alta capilaridade nas classes média e alta, plantando notas, notícias e reportagens contra seus inimigos potenciais, erodindo o capital moral de governos democraticamente eleitos, sabotando suas políticas públicas e levando o país a seguidos ataques de nervos – ora estamos na “República dos Grampos”, ora vivemos num “Estado Policialesco”, ora estamos investidos da ira santa de derrubar ministros de Estado em série;</p>
<p align="left"><strong>6.</strong> Epíteto da personalidade acostumada tanto às sombras espessas do submundo do crime quanto aos holofotes da ribalta, negociando propinas no varejo e a granel, adquirindo laboratórios farmacêuticos, bens imóveis de alta voltagem, seja na bucólica Goiânia ou na na reluzente Miami, a Meca de dez em cada dez novos ricos brasileiros em terra americana;</p>
<p align="left"><strong>7.</strong> Epíteto de articulador político imbatível, reunindo sob seu extenso guarda-chuva de benesses, privilégios e ilicitudes desde deputados estaduais a promotores públicos, deputados federais e autarquias estaduais, de senador da República a chefe de sucursal de veículo de imprensa com circulação nacional, de governador de estado a diretor de empreiteira bem aquinhoada com a verbas públicas em estados tão diversos quanto Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro;</p>
<p align="left"><strong>8.</strong> Epíteto de sagaz arquiteto de negócios e negociatas que, não obstante os muitos tentáculos de sua organização criminosa, explicitados em cerca de 3 mil horas de escutas feitas com autorização judicial, nas quais pululam vozes inconfundíveis de pessoas até há bem pouco blindadas pela grande imprensa – grande imprensa que se sente tolhida a erguer à sua volta pesada cortina de constrangedor silêncio, sem poder noticiar condutas claramente ilegais por parte de seus pares, dentro de uma lógica corporativista que, como diria certo ex-presidente da República, nunca antes fora vista neste país. Fato é que à falta de temas &#8220;suculentos&#8221; a noticiar, assuntos em que os malfeitos sejam personificados pelos outros (e não por eles mesmos), optam por destacar em suas matérias de capa questões tão relevantes quanto a altura pessoal na busca do sucesso profissional ou a não menos tonitruante descoberta de que o poder finalmente é das mulheres.</p>
<p align="left"><strong>Interesses subalternos</strong></p>
<p align="left">Hannah Arendt foi assertiva quando disse que só pode existir espaço comum e público criado voluntariamente pelas pessoas. Porque para além desse espaço o que existe é a não-existência, a luta fraticida de todos contra todos, no mais cândido cenário de barbárie institucionalizada. Sempre que se busca alçar à condição de plataforma política temas como “implacáveis com a corrupção”, “a serviço da moral e da ética” ou “paladinos do bem-estar social sem cobrança de impostos”, é sinal de que algo muito errado está acontecendo nas entranhas do país.</p>
<p align="left">É fato que a ocorrência de escândalos de corrupção, existentes ou pré-fabricados, reais ou ilusórios, sempre precede os golpes de Estado, a supressão das garantias fundamentais da pessoa humana, o império do arbítrio e da tirania. De acordo com Hannah Arendt, como bem assinalou um leitor, quando alguém ou algum grupo, seja político, econômico ou midiático, pretende desestabilizar o governo para derrubá-lo, o que na verdade está promovendo é a expansão da terra arruinada, do descrédito das instituições democráticas e a supressão do espaço diálogico que pode ser ensejado pela política.</p>
<p align="left">Então, há que se omitir do bom combate? Não, muito ao contrário. Há, sim, que se destinar à justiça e aos seus muitos tentáculos, códices de leis e experiência jurisprudencial, os meliantes que corrompem e que são corrompidos, sejam das esferas política, econômica e midiática ou não.</p>
<p align="left">Existem, também, fronteiras que não podem ser ultrapassadas sem que se arque com as consequências – uma destas é a prática do jornalismo arredio à busca da verdade, apaixonado pela mais recente versão a sair do forno de interesses mesquinhos, subalternos e delituosos, e cúmplice da realidade que deseja criar, avesso à realidade dos fatos, aprisionado às suas próprias circunstâncias e à falibilidade que, de tão humana, lhe é inerente.</p>


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		<title>Novo documentário de Spike Lee retrata o Brasil sob ótica racial</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 17:34:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Questão de Direito]]></category>

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		<description><![CDATA[No Brasil por uma semana, o cineasta americano Spike Lee entrevistou 30 personalidades em São Paulo, Rio e Brasília, muitas delas negras &#8211;como o artista Emanoel Araújo, o ator Lázaro Ramos e a ex-ministra Benedita da Silva&#8211;, para o documentário &#8220;Go Brazil Go&#8221;, que ele pretende lançar até a Copa do Mundo. Lee também encontrou<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2012/05/novo-documentario-de-spike-lee-retrata-o-brasil-sob-otica-racial/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No Brasil por uma semana, o cineasta americano Spike Lee entrevistou 30 personalidades em São Paulo, Rio e Brasília, muitas delas negras &#8211;como o artista Emanoel Araújo, o ator Lázaro Ramos e a ex-ministra Benedita da Silva&#8211;, para o documentário &#8220;Go Brazil Go&#8221;, que ele pretende lançar até a Copa do Mundo.</p>
<p>Lee também encontrou a presidente Dilma Rousseff, Lula e deputados e ministros em Brasília, onde acompanhou o julgamento sobre as cotas raciais no Supremo Tribunal Federal, tema que deve ter destaque em seu filme.</p>
<p>&#8220;Quero olhar o país a partir dessa questão racial, mas o filme não será sobre isso&#8221;, disse Lee. &#8220;Fiquei surpreso quando vim ao Brasil pela primeira vez e soube que metade da população era negra e que essa metade era também a mais pobre. Ligava a TV e não via nenhum negro.&#8221;</p>
<p>&#8220;Se você tinha uma antena parabólica e assistia aos canais brasileiros de qualquer lugar do mundo, achava que os brasileiros eram todos loiros de olhos azuis&#8221;, diz Lee. &#8220;Mas o que importa não é quem está em frente às câmeras, é quem está atrás delas, quem manda no que aparece no quadro. Temos de brigar para estar nessa posição.&#8221;</p>
<p>Isadora Brant/Folhapress	</p>


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		<title>Sem interesse pelos escândalos</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 16:13:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Questão de Direito]]></category>
		<category><![CDATA[Cachoeira]]></category>
		<category><![CDATA[CPI]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
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		<description><![CDATA[No rastro dos meliantes aquosos encontramos de tubarões a bagres. Confidências de alcova, palavreado de quinta categoria recheado por imagens escatológicas, tráfico de influência na modalidade “livre, leve e solta”, somas vultosas entrando em várias contas e reduzindo a pó reputações até bem pouco não apenas acima de qualquer suspeita como também incensadas como próceres da moralidade pública, formidável contraponto midiático “a tudo o que aí está”, e certeza de opinião abalizada sobre todo e qualquer assunto que afete à sociedade brasileira – da luta contra os malfeitos na máquina governamental central, federal, até a defesa sempre insustentável da quimera de uma democracia racial que jamais existiu no Brasil, mas que sempre encontrou abrigo nas principais revistas e jornais do país.


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><a class="shutterset_" title="" href="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/gallery/tomimagensblog/imagem-ipad-048.jpg"><img class="ngg-singlepic ngg-left" src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/gallery/tomimagensblog/thumbs/thumbs_imagem-ipad-048.jpg" alt="imagem-ipad-048" /></a>Tempos estranhos esses em que vivemos. Com uma imprensa sempre ávida por escândalos de corrupção, roubalheira e malfeitos, eis que temos a principal revista semanal de informações, Veja, editada pelo Grupo Abril, abordando como principal tema de capa de suas quatro últimas edições assuntos no mínimo amenos, para não dizer insossos do ponto de vista do valor-notícia, da noticiabilidade.</p>
<p>Desde 29 de fevereiro de 2012, quando a Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal em Goiás e com apoio do Escritório de Inteligência da Receita Federal, deflagrou a Operação Monte Carlo, tendo por objetivo desarticular organização que explorava máquinas de caça-níqueis no estado de Goiás, o Brasil que frequenta a grande imprensa não fala de outra coisa: CPI do Cachoeira, gravações comprometedoras envolvendo o senador Demóstenes Torres, o governador goiano Marconi Perillo, a construtora Delta e uma penca de personagens menores, deputados federais, delegados de polícia, arapongas, funcionários públicos. E a cúpula da revista Veja em Brasília, especialmente o jornalista Policarpo Junior.</p>
<p>No rastro dos meliantes aquosos encontramos de tubarões a bagres. Confidências de alcova, palavreado de quinta categoria recheado por imagens escatológicas, tráfico de influência na modalidade “livre, leve e solta”, somas vultosas entrando em várias contas e reduzindo a pó reputações até bem pouco não apenas acima de qualquer suspeita como também incensadas como próceres da moralidade pública, formidável contraponto midiático “a tudo o que aí está”, e certeza de opinião abalizada sobre todo e qualquer assunto que afete à sociedade brasileira – da luta contra os malfeitos na máquina governamental central, federal, até a defesa sempre insustentável da quimera de uma democracia racial que jamais existiu no Brasil, mas que sempre encontrou abrigo nas principais revistas e jornais do país.</p>
<p>Vitrine semanal</p>
<p>A operação Monte Carlo é como suntuoso banquete para 700 talheres. Banquete inesperado e farto para todos os que se acreditam e autodenominam “jornalistas investigativos”. A operação consiste no cumprimento de 82 mandados judiciais, dos quais 37 mandados de busca e apreensão, além de 35 mandados de prisão e 10 ordens de condução coercitiva em cinco estados.</p>
<p>Não obstante a junção de tantos ingredientes e condimentos em uma mesma vasilha que se leva ao fogo, fato é que nossa principal revista semanal de informação – Veja –, decantada em verso e prosa como detentora do jornalismo de mais elevada qualidade jornalística, guardiã de tudo o que já se escreveu sobre ética, moral e bons costumes, pois bem, o carro-chefe da Editora Abril não encontrou qualquer interesse jornalístico no bojo da Monte Carlo, qualquer valor-notícia nas muitas quedas da cachoeira de crimes, ilicitudes, ilegalidades e contravenções que vêm sendo revelados à sociedade brasileira a cada dia e a cada hora. Ao menos o assunto não chegou perto de merecer uma daquelas explosivas capas da revista, sempre tão pródiga em brandir o cassetete da justiça e da moral sobe qualquer sinal de fumaça de corrupção.</p>
<p>Observamos, com misto de perplexidade e desencanto as quatro últimas reportagens de capa da revista Veja. São elas:</p>
<p>1.Edição 2264, de 11/4/2012, capa com “Os filhos da inovação”, tratando dos jovens brasileiros na “vanguarda da revolução digital”. Se optasse por levar à capa uma bela foto do Mosteiro dos Jerônimos e da Torre de Belém, em Lisboa, não faria grande diferença na vida ordenada do sistema solar;</p>
<p>2.Edição 2265, de 18/4/2012, capa com “Mensalão – A cortina de fumaça do PT para encobrir o maior escândalo de corrupção da história do país”. É como se por trás da cortina brilhasse a questão de fundo: “Por que abandonar nosso querido escândalo de estimação por outro que&#8230; ainda nem disse a que veio?”;</p>
<p>3.Edição 2266, de 25/4/2012, capa com “Do alto tudo é melhor”, tratando da relação entre altura das pessoas e sucesso na vida. Se decidisse levar à capa uma milionésima imagem do Santo Sudário talvez conseguisse maior interesse por parte de seus leitores. Ao menos, as pessoas prejudicadas verticalmente, como nos ensina os politicamente corretos a denominar as pessoas de baixa estatura, não se sentiriam minimamente ofendidas com tamanha falta de assunto, ou melhor, desfaçatez mesmo;</p>
<p>4.Edição 2267, de 2/5/2012, capa com “As lições das chefonas”, tratando da ascensão das mulheres na vida profissional. Essa reportagem de capa deve ter vencido por alguns míseros pontinhos o outro tema a ser alçado à sua vitrine semanal: a vida e a obra de feminista e compositora brasileira Chiquinha Gonzaga. Talvez fosse dedicado espaço para a candente letra de “Abre Alas”.</p>
<p>Edição imperdível</p>
<p>Não precisa ser doutor honoris causa de Xique-Xique, no interior baiano, para perceber que as quatro capas tentam desfazer esse clima de mal-estar e vívido constrangimento que veio a lume com a revelação de que dezenas e dezenas de ligações telefônicas legalmente gravadas tinham como dialogantes o capo Carlinhos Cachoeira e o chefe da sucursal de Veja em Brasília, Policarpo Junior. A própria revista não hesitou em ver no teor das conversas, bem pouco jornalísticas por sinal, uma nova modalidade de exercer as artes de um vibrante e dinâmico jornalismo investigativo: jornalismo-criminoso, jornalismo-ao-arrepio-da-lei.</p>
<p>Chegam a ser patéticas as muitas investidas da revista visando dar cores de legitimidade ao que nasceu de forma espúria, fruto de delinquência a granel, reunindo em um mesmo affair contraventor dissimulado, altas autoridades do Poder Legislativo e dublês de empresários com escroques, sob a solene inércia de baluartes de nossa grande imprensa, aquela que acredita poder debitar tudo, do lícito ao ilícito, na conta da liberdade de expressão. Não causaria estranheza se legiões de leitores da publicação ingressarem nos tribunais com ações por perdas e danos, por terem comprado como fruto de trabalho investigativo o que não passava de gravações ilegais de conversas privadas, violação do direito humano comezinho à privacidade. Em melhor português, arapongagens.</p>
<p>Mesmo para o leitor ingênuo, parente consanguíneo da velhinha de Taubaté, algumas questões começam a ser formuladas e passam a exigir respostas que não agridam o senso comum:</p>
<p>** Quem pautava quem? A revista pautava Cachoeira ou Cachoeira pautava a revista?</p>
<p>** Como discernir da vasta sequência de escândalos publicados, com afinco, semana a semana, quais eram reais e quais eram pré-moldados, fabricados sob medida para constranger governos, ministros, autarquias e órgãos públicos?</p>
<p>** Não seria o caso de se proceder a uma prova dos noves, qual seja, submeter as matérias publicadas por Veja com os áudios legalmente fornecidos pela Operação Monte Carlo, relacionando os argumentos escritos com os contextos, as falas e as estratégias criminosas abordadas na conversas do submundo de Carlinhos Cachoeira?</p>
<p>** Desde quando tem sido este o expediente utilizado pela revista Veja para influir na vida política e social do Brasil? Um jornalista pode ser comparado a uma autoridade policial dentro de um Estado de direito? É lídimo construir reportagens (e conspirações) de natureza política a partir de informações obtidas de forma criminosa?</p>
<p>** Notícias plantadas, ardilosamente publicadas e tendo como origem pessoas que se locupletam com vantagens indevidas e que fazem do crime uma profissão, merecem livre e completo acesso aos meios de comunicação em uma sociedade democrática?</p>
<p>** Estarão em pleno funcionamento no Brasil outras redes criminosas que conseguem pautar órgãos de comunicação para atender aos seus interesses, sempre escusos e inconfessáveis, e que ainda não foram objeto das garras da lei?</p>
<p>Algumas dessas questões têm tudo para compor uma edição especial – e imperdível – de qualquer revista de informação semanal que se preze. Porque existem fronteiras que não podem nem devem ser rompidas.<a class="shutterset_" title="" href="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/gallery/tomimagensblog/imagem-ipad-050.jpg"><img class="ngg-singlepic ngg-left" src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/gallery/tomimagensblog/thumbs/thumbs_imagem-ipad-050.jpg" alt="imagem-ipad-050" /></a></p>


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		<title>Queria hoje escrever apenas com o coração</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 15:14:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Último Assentamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Queria hoje escrever apenas com o coração. Nada de dedos e muito menos de teclado. Queria escrever com ondas do mar, dessas em que a crista se sobressai. Nada de lamentar o tempo perdido e muito menos fazer considerações sobre o que ainda há de vir. Queria escrever com o sentimento mais puro e por<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2012/05/queria-hoje-escrever-apenas-com-o-coracao/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Queria escrever com  o cora  o 01" href="http://www.cidadaodomundo.org/?pp_album=1&amp;pp_image=Queria_escrever_com__o_cora__o_01.jpg" target="_top"><img class="imagem_esq" src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/photos/Queria_escrever_com__o_cora__o_01.jpg" alt="Queria escrever com  o cora  o 01" width="410" height="307" /></a><br />
Queria hoje escrever apenas com o coração.<br />
Nada de dedos e muito menos de teclado.<br />
Queria escrever com ondas do mar, dessas em que a crista se sobressai.<br />
Nada de lamentar o tempo perdido e muito menos fazer considerações sobre o que ainda há de vir.<br />
Queria escrever com o sentimento mais puro e por isso mesmo, mais refinado e precioso.<br />
Nada de rebuscar lenha colocada na fornalha da mente, sempre fumegante.<br />
Queria escrever apenas com os olhos, olhos que vêem perfeição.<br />
Nada de olhos que buscam a todo momento aperfeiçoar o imperfeito.<br />
Queria escrever tudo em tonalidades de azul, do escuro ao claro, passando pelo meio, onde nuvens poderiam ser colocadas sem alterar um piscar de olhos da paisagem.<br />
Nada de cores muito sóbrias e sombrias e muito menos de furta-cores.<br />
Queria escrever com a luz decrescente do sol que se põe, as palavras seriam fulgores arroxeados, as frases seriam claras como o luar depois das onze da noite.<br />
Nada de luzes ofuscantes, holofotes exagerados, nada que incadesce a pupila e cansa a vista.<br />
Queria escrever palavras em fogo líquido, sendo derramadas pouco a pouco sobre minha consciência, deixando marcas e mais marcas.<br />
Nada de coisas que queimam e machucam a sensibilidade.<br />
Queria escrever sinais de fumaça sem usar parágrafos longos e sem fazer uso de verbos intransitivos.<br />
Nada de sinais muito permanentes e muito menos desses que demoram muito a se evaporar.<br />
Queria escrever mil páginas com um só sopro, sopro de vida, sopro de alma.<br />
Nada de lufadas criando sensações de desalinho e de desalento.<br />
Queria escrever um bilhete que começasse assim: “Apesar de tudo, nunca me afastei de ti.”<br />
Nada de bilhetes rebuscados, com vocativos e saudações finais.<br />
Queria escrever uma frase que começasse assim: “E amanheceu em meu coração uma nova sensação, uma sensação de que faço parte do todo.”<br />
Nada de frases banais e corriqueiras nem de pedaços de pensamento que o tempo de encarregou de lhes dar cabo.<br />
Queria escrever um poema sem nome, desses que se acerta com o nome à medida que se vai lendo.<br />
Nada de poemas fabricados com as placas duras e cinzentas do concreto que tanto se enraízam em Brasília.<br />
Queria escrever um verso que pudesse ser lido de mil diferentes maneiras.<br />
Nada de métrica nem de observação a teorias literárias.<br />
Queria escrever apenas manchetes para jornais.<br />
Sem notas explicativas e sem seções do tipo “entenda o caso”. A própria manchete daria conta do recado.<br />
Queria escrever uma palavra de consolo e esperança aos que tombam, inocentes, nas guerras inúteis e sem sentido que povoam nossos noticiários.<br />
Nada de lágrimas de luto nem de desespero incontido.<br />
Queria, como o poeta, compor uma sinfonia que contivesse uma pausa de mil compassos.<br />
Nada de novos ritmos, frenéticos, bem arrumadinhos e nem extremamente delirantes.<br />
Queria escrever algo duradouro como a criança escreve seu nome e faz um desenho à beira-mar, inconsciente da onda que se aproxima, inexorável.<br />
Nada de tratados verborrágicos nem de verbetes para aprisionar o senso comum.<br />
Queria escrever traços que me lembrassem de todos os que amei, amo e virei a amar.<br />
Nada de imagens fugidias que em nada marcaram minha peregrinação pela vida.<br />
Queria escrever a quem me alfabetizou que fiz bom uso da maioria das letras do alfabeto.<br />
Nada de x, y ou z e muito menos de palavras que vagam pelos dicionários sem qualquer senso de direção, desnorteadas em meio a tantos milhares de verbetes.<br />
Queria escrever como quem leva flores ao túmulo dos vencidos da Terra.<br />
Nada de algazarra nem de piedosas intenções.<br />
Queria escrever aos meus companheiros de viagem que continuem o que deve ser continuado e que vivam cada dia como se fosse o seu último dia.<br />
Nada de conselhos, provérbios populares, histórias que foram recolhidas na terceira margem do rio da vida.<br />
Queria escrever aos amigos que conheci ainda aos dezessete anos, algo que começasse assim com a sentença forte do “a gente ainda nem começou&#8230;”<br />
Nada de planos e projetos de caminhada a dois, a três ou a quatro e muito menos de multidões desencantadas de futuros amigos.<br />
Queria escrever um testamento que tivesse a leveza do vôo do <em>bem-te-vi</em>, suspenso no ar como se presenciasse o milagre da insustentável leveza do espírito.<br />
Nada de coisas materiais e imateriais e nada de nome de possíveis herdeiros.<br />
Queria escrever neste momento meu epitáfio: “Nasceu. Viveu. Sonhou”.<br />
Nada de triste e profundo, nem muito menos algo que lembrasse que passei por aqui.<br />
Queria escrever para os meus mortos mais queridos e mais amados e dizer o que não foi dito enquanto aqui estiveram.<br />
Nada de angústias, lamúrias, lamentações.<br />
Queria escrever para o Abbas na velocidade do som e dizer-lhe que ele vive e sobrevive escondido no íntimo de minha fé. E lhe dizer que nunca envelhecerá: será sempre feliz, cabelos ao vento, sorriso aberto.<br />
Nada de contar o que aconteceu despois do 4 de outubro de 2005.<br />
Queria escrever o que não pode ser escrito.<br />
Mas que pode, muito bem, ser sonhado, amado e vivido.</p>


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		<title>Jornalista, procura-se</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 11:12:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Questão de Direito]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Profissional da imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Procura-se jornalista que saiba distinguir entre liberdade de expressão, de impressão, de pressão; que veja sua atividade não como o Quarto Poder, mas sim como um serviço essencial à vida organizada da sociedade, como um espelho do mundo dotado de visão e fala. ...


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<li><a href='http://www.cidadaodomundo.org/2007/09/conheci-semana-passada-um-jornalista-diferente/' rel='bookmark' title='Conheci semana passada um jornalista diferente'>Conheci semana passada um jornalista diferente</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2011/11/Jornalismo-globo1.jpg"><img src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2011/11/Jornalismo-globo1-300x150.jpg" alt="" title="Jornalismo globo" width="300" height="150" class="alignleft size-medium wp-image-3978" /></a>Procura-se jornalista que devote suas energias à busca da verdade e não dos holofotes, que saiba distinguir a diferença entre o personagem que é noticia e aquele que transmite a notícia, que seja tão arejado a ponto de compreender que a luz é boa não importa em que lâmpada brilhe.</p>
<p>Procura-se jornalista que esteja sempre prestes a levar consigo um telescópio para o olho esquerdo e um microscópio para o olho direito de forma a ver a realidade sobre ângulos variados e apto a celebrar que a grande beleza da vida está no entendimento da rica diversidade humana.</p>
<p>Procura-se jornalista que seja especialista em cultura geral, que escreva sobre o que entende e saiba o exato tamanho de sua ignorância sobre o assunto que pretende abordar, que saiba fazer o artesanato dos fatos, ideias e palavras, sem deixar pontas soltas nem fios desencapados.</p>
<p>Procura-se jornalista que saiba distinguir entre liberdade de expressão, de impressão, de pressão; que veja sua atividade não como o Quarto Poder, mas sim como um serviço essencial à vida organizada da sociedade, como um espelho do mundo dotado de visão e fala.</p>
<p><strong>Equação biquadrada</strong></p>
<p>Procura-se jornalista que seja generoso no uso dos substantivos e parcimonioso no uso dos adjetivos, que em caso de dúvida não ultrapasse o sinal vermelho da ética e do bom senso e que concorde que a ética do jornalista é a mesma do marceneiro.</p>
<p>Procura-se jornalista que se sinta indignado e denuncie a quem de direito qualquer empresário ou político, artista ou profissional liberal que lhe acene ou lhe ofereça qualquer vantagem financeira em troca da publicação de notícia favorável aos seus negócios, à sua carreira ou à sua área de atuação político-partidária.</p>
<p>Procura-se jornalista que, em confronto com as forças da natureza, testemunha ocular de eventos catastróficos, ocupe-se em ajudar a salvar uma ou mais vidas, em socorrer e amparar feridos, e que seja sábio o suficiente para deixar de lado obrigações contratuais imediatas como a observância de data-limite para envio de matéria, tomada de fotos específicas e que nunca pergunte a quem se encontra com a vida por um fio &#8220;como você está se sentindo?&#8221;</p>
<p>Procura-se jornalista que tenha uma visão muito apurada do que é justiça, ética, liberdade, democracia, equidade, bem-estar social, distribuição de renda, mobilidade social, inclusão social, inclusão digital, inclusão étnico-racial e que tenha uma sede de conhecimento insaciável, sempre se atualizando sobre o estado da arte no mundo.</p>
<p>Procura-se jornalista que não resenhe livro sem antes tê-lo lido, não critique filme a que não tenha assistido e não elogie álbum sem antes ter escutado todas as músicas, que se orgulhe mais dos livros que leu do que dos livros que escreveu e que saiba declamar &#8220;Navio Negreiro&#8221;, de Castro Alves, cortar com a mão direita, equação biquadrada de segundo grau, fração e saiba conjugar o verbo &#8220;resfolegar&#8221;.</p>
<p><strong>Matérias arredias</strong></p>
<p>Procura-se jornalista que não se submeta a qualquer forma de pressão, seja ideológica ou econômica e que se apresente de hora em hora ante o tribunal de sua consciência, o único dotado de poderes para julgá-lo de maneira equânime.</p>
<p>Procura-se jornalista que seja tão bom na crítica quanto na autocrítica, que entenda tanto da Ilíada de Homero como do efeito-estufa, que entenda causas e efeitos das crises econômicas mundiais de 1929 e de 2009, que esteja bem familiarizado com índices e siglas como IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), FIB (Felicidade Interna Bruta), PIB (Produto Interno Bruto), Índice de Gini, Dow Jones, Nasdaq.</p>
<p>Procura-se jornalista que possua senso crítico, conhecimento do idioma, latitude de ação, humildade para conferir e voltar a conferir suas anotações antes de enviar seu texto para publicação.</p>
<p>Procura-se jornalista que respeite os direitos do leitor, não rotule sua opinião como informação, trate a informação de maneira imparcial sem exigir credenciais ideológicas e que considere muito natural ouvir o outro lado, principalmente quando se tratar de assunto que diga respeito também à honorabilidade de personagens enfocados.</p>
<p>Procura-se jornalista que cultive a independência de pensamento, que não deseje ser mais realista que o rei, mais católico que o papa, que respeite a linha editorial de quem lhe propicia o emprego, mas que não que renuncie à condição de ser pensante e esteja confortável tantas vezes quantas forem necessárias para ser voto vencido em uma discussão editorial.</p>
<p>Procura-se jornalista que apenas numa vista d´olhos saiba diferenciar entre um escândalo real de corrupção e um escândalo pré-fabricado de corrupção, que não empreste seu nome a reportagens tão arredias à verdade dos fatos como os morcegos são à claridade do dia.</p>
<p><strong>Pior tragédia</strong></p>
<p>Procura-se jornalista que entenda a toponímia de São Luiz do Paraitinga, Berlim e Caruaru, que compreenda que as cidades têm alma, que são mais que meras aglomerações humanas, e que possa fazer ampla exposição sobre o que são hidrônimos, limnônimos, talassônimos, orônimos e corônimos.</p>
<p>Procura-se jornalista que entenda tanto de Fernando Pessoa quanto de Umberto Eco, que conheça amiúde as biografias e o pensamento vivo de Winston Churchill e Boris Pasternak, Rui Barbosa e Cláudio Abramo, que compreenda que a História é a também o relato encadeado da vida dos grandes homens.</p>
<p>Procura-se jornalista que conheça em profundidade o que é um linotipo e uma gralha, um tipógrafo e um scanner, um prefácio e um posfácio, prolegômenos, uma composição bem feita, um hipertexto e uma nota de rodapé, uma orelha e um texto indicativo, a gramatura do papel que se tem na mão e a marca d´água, a folha de rosto e o que significa 1.844 terabytes.</p>
<p>Procura-se jornalista bastante familiarizado com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que saiba relacionar seus artigos com a crítica de políticas públicas para a população urbana e rural, para brancos e negros, índios e ciganos, meninos nas creches e meninos de rua, católicos e evangélicos, judeus, muçulmanos e bahá´ís, budistas e hindus, seguidores do candomblé e do Santo Daime, espíritas e ateus.</p>
<p>Procura-se jornalista que entenda, de uma vez por todas, que a pior tragédia na vida de um ser humano é aquilo que morre dentro dele enquanto ele ainda está vivo.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>Fonte: <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=594IMQ002">http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=594IMQ002</a></p>


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		<title>Eugênio Bucci: A imprensa livre deve prestar contas ao leitor</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Apr 2012 23:18:35 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Uma imprensa que não se antecipa a compartilhar com a sociedade os seus critérios editoriais, os seus métodos e as suas condutas operacionais tem menos chances de ser defendida ativamente pelo seu próprio leitor. É ele, o público leitor, que tem direito à imprensa livre &#8211; é, portanto, a ele que a imprensa livre deve<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2012/04/eugenio-bucci-a-imprensa-livre-deve-prestar-contas-ao-leitor/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Uma imprensa que não se antecipa a compartilhar com a sociedade os seus critérios editoriais, os seus métodos e as suas condutas operacionais tem menos chances de ser defendida ativamente pelo seu próprio leitor. É ele, o público leitor, que tem direito à imprensa livre &#8211; é, portanto, a ele que a imprensa livre deve prestar contas. O cidadão tem mais apreço pelo jornalismo quando é convidado a compreendê-lo, a fiscalizá-lo e a sustentá-lo. No mais, uma imprensa que não pratica a transparência tem menos autoridade para cobrá-la do Estado.&#8221; (Eugênio Bucci, jornalista, professor da ECA-USP e da ESPM)</p>


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		<title>Todos os dias são dos índios</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Apr 2012 15:55:16 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Leve nosso clamor, a nossa voz para outros territórios que não são nossos, mas que o povo, uma população mais humana lute por nós, porque o nosso povo, a nossa nação indígena está desaparecendo do Brasil. Este é o país que nos foi tomado.&#8221; (Marçal de Souza, da tribo Guarani) **** Hoje é o Dia<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2012/04/todos-os-dias-sao-dos-indios/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2012/04/mundoindio.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4762" title="mundoindio" src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2012/04/mundoindio-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>&#8220;Leve nosso clamor, a nossa voz para outros territórios que não são nossos, mas que o povo, uma população mais humana lute por nós, porque o nosso povo, a nossa nação indígena está desaparecendo do Brasil. Este é o país que nos foi tomado.&#8221; (Marçal de Souza, da tribo Guarani)</p>
<p>****</p>
<p>Hoje é o Dia do Índio. Mas não deveria ser assim. Todos os dias são dias dos índios. O mesmo com as mulheres: todos os dias são dias das mulheres. Meu primeiro livro foi &#8220;Estamos desaparecendo da Terra&#8221;, é de 1991. O título já era uma denúncia. Estávamos nos acercando a Cúpula da Terra (Eco92). A verdade é que hoje é mais um dia triste para todos os que lutam pelos direitos humanos.</p>
<p>Os índios são os verdadeiros condenados da Terra: sem terras, sem meios que assegurem sua sobrevivência, motivo do escárnio do homem branco, alvo de ridículo da dita sociedade civilizada e sempre às voltas com fazendeiros, posseiros. Nada a comemorar neste 19 de abril. Os índios estão aprisionados em uma impenetrável solidão de espírito. E fomos nós que os aprisionamos.</p>
<p>Viva Marçal. Uma lástima que este bravo Guarani tenha sido assassinado ainda nos primeiros anos de 1980. Eu o conheci. E sinto imensa falta dele e de sua voz ecoando em Manaus, quando em momento de profunda comoção, representando as nações indígenas do Brasil, ousou devolver ao Papa João PauloII, um exemplar da Bíblia, com estas palavras: &#8220;Receba Santo Padre, esta Bíblia&#8230; ela foi a causa de nossa miséria, de nossa escravidão, de nosso sofrimento. Nós nem conhecíamos o pecado, nem os impostos. Eramos feliz e, de repente, tudo desapareceu. Receba-a de volta. Muito obrigado.&#8221;</p>
<p>Leonardo Boff me contou, tempos depois, que a reação do Papa foi  &#8221;&#8230; então, naquele silêncio, ele baixou a cabeça&#8230; e chorou.&#8221; Leonardo me dissera que Marça havia sido muito bem &#8220;instruído&#8221; por padres sobre o que deveria ser sua locução a&#8230;o Pontífice, haviam inclusive preparado um longo discurso escrito, com bom espaçamento etc., mas que na hora, Marçal deixou o discurso de lado, pegou uma Bíblia, ergueu-a e despejou o que estava há muito represadoem seu coração. Estaé a história.</p>
<p>Aqui, um pouco mais sobre quem foi Marçal. Marçal de Souza, Tupã-i, ou ainda Tupã-Y, que significa “pequeno Deus”, nasceu em Rincão Júlio, região de Ponta Porã (MS) no dia 24 de dezembro de 1920, foi assassinado em 25 de novembro de 1983 em emboscada feita por fazendeiros.</p>
<p>Recentemente Tupã-i foi condecoradocom a honrade Herói Nacional do Brasil pelo governo federal. Como sempre, índio só é admirado, louvado, condecorado, passa a ser nome de praça, rua e avenida&#8230; depois de morto.</p>
<p>Pois bem, quando lancei meu livro na Eco92, durante a Conferência dos Povos Indígenas, chamada &#8220;Quinhentos anos de resistência&#8221;, fui o único branco convidadoa dirigir a palavraaos representantes de dezenas de nações indígenas do Brasil e outras dezenas vindas de todas as Américas. Naquela ocasião, homenageei Marçal, falei de sua nobreza de caráter e destemor diante dos poderosos. Os índios prendiam a respiração e tudo era a mais pura emoção. Ao final, um rapaz índio Kaiapó veio meu abraçar,com olhosavermelhados e disse-me um tanto encabulado: &#8220;Professor, queria muito que meu avô estivesse vivo e estivesse hoje aqui, apenas para ouvir o senhor falar bem da gente. Nunca pensei que um dia seríamos tão bem falados.&#8221; Choramos. Nós dois.</p>
<p>Ainda sobre Marçal, na condição de representante da comunidade indígena para discursar em homenagem ao papaJoão PauloII durante sua primeira visita ao Brasil, em 1980, é oportuno resgatar essas suas outras afirmações em discurso ao pontífice: &#8220;Nossas terras são invadidas, nossas terras são tomadas, os nossos territórios são invadidos… Dizem que o Brasil foi descoberto. O Brasil não foi descoberto não, o Brasil foi invadido e tomado dos indígenas do Brasil. Essa é a verdadeira história&#8221;.</p>
<p>Ainda em 1980, Marçal (Tupã-i) envolve-se na luta pela posse de terras na área indígena de Pirakuá,em Bela Vista. Ademarcação é contestada pelo fazendeiro Astúrio Monteiro de Lima e seu filho Líbero Monteiro, que consideram a região parte de sua propriedade. Após diversas ameaças e agressões, em  25 de novembro de 1983, Tupã-i é assassinado a tiros no rancho de sua casa, na aldeia Campestre. Os acusados do crime, Líbero Monteiro de Lima e Rômulo Gamarra, acabam absolvidos em julgamento realizado somente dez anos depois, em 1993.</p>
<p>Um pouco antes da sua morte ele teria dito: &#8220;sou uma pessoa marcada para morrer, mas por uma causa justa a gente morre…&#8221;. O dia de seu assassinato &#8211; 25 de novembro &#8211; é sim, o verdadeiro dia para se homenagear todos os povos indígenas do Brasil. O resto é querer tirar onda porque se sente prepotente. Coisas de nossa sociedade.</p>


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		<title>Claude Lelouch: Les uns et les autres, Retratos da Vida</title>
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		<description><![CDATA[Um dos filmes mais famosos do francês Claude Lelouch. Com dança, música e guerra, ele fez um grande painel que começa em 1936 e vai até os anos 80. Lelouch mostra os caminhos cruzados de quatro famílias e em quatro cantos do mundo: Moscou, Paris, Berlim e Nova York. De alguma forma, as quatro famílias<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2012/04/claude-lelouch-les-uns-et-les-autres-retratos-da-vida/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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<p>Um dos filmes mais famosos do francês Claude Lelouch. Com dança, música e guerra, ele fez um grande painel que começa em 1936 e vai até os anos 80. Lelouch mostra os caminhos cruzados de quatro famílias e em quatro cantos do mundo: Moscou, Paris, Berlim e Nova York. De alguma forma, as quatro famílias têm os seus caminhos ligados à Segunda Guerra.</p>
<p><object width="425" height="355"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/5_XdRa2oMR0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed wmode="opaque" src="http://www.youtube.com/v/5_XdRa2oMR0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="355"></embed></object></p>


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		<title>Palavras acima de qualquer suspeita</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Apr 2012 11:55:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Questão de Direito]]></category>
		<category><![CDATA[Escândalo Cachoeira]]></category>
		<category><![CDATA[Força das Palavras]]></category>
		<category><![CDATA[Grande Imprensa]]></category>
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		<category><![CDATA[Sacripantas]]></category>

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		<description><![CDATA[E, então, um dia os mágicos-jornalistas, aqueles que tinham conhecimento dos erros de todos os demais, menos dos seus próprios, descobrem que nem sua cartola era real e muito menos seus truques conseguiriam cativar a atenção de mais ninguém. A mágica de escrever reportagem com riqueza de detalhes, segundo a segundo, palavra a palavra, frase a frase, recriando palavreado recheado de intimidade como a despistar pensamentos e intenções reais, ficou a descoberto. E nem a liberdade de imprensa será uma vez mais invocada em vão: esta liberdade é por demais sagrada para servir de mero abrigo a sacripantas.


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2012/04/liberdade_de_imprensa.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-4752" title="liberdade_de_imprensa" src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2012/04/liberdade_de_imprensa-300x181.png" alt="" width="300" height="181" /></a>As palavras são veículo do pensamento humano e também fonte de profundo desentendimento entre humanos. É uma dessas contradições paralisantes. Mas não se inventou ainda nada mais poderoso do que a força da palavra – seja escrita, falada, imagética. E é assim desde os primeiros entalhes rupestres de milhões de anos passados, em obscuras cavernas de nosso passado comum, até sua compactação em milhares de terabytes em minúsculas partículas de areia (chips) do Vale do Silício, na Califórnia.</p>
<p>Das gravuras rupestres às escandalosas alegorias pintadas (e ainda vivíssimas) nas casas de Pompéia, destruída pela erupção do Vesúvio no ano 79, e até os dias que correm, neste abril de 2012, quando mais que 800 milhões de seres humanos estão conectados na rede social conhecida como Facebook, a palavra continua sendo o signo, o símbolo, o meio condutor de pensamentos, sentimentos, aspirações e mais uma miríade de humanas emoções.</p>
<p>Existem palavras e palavras. Algumas conseguem cumprir sua missão e transmitem coisas assimiláveis pelo intelecto, outras expressam não mais que confusão mental, seja de quem as profere, seja dos que se deixam contaminar pelo espírito de uma época como estaem que vivemos. Aspalavras são expostas de forma despudorada, despidas de significado e não mais dizendo “coisa com coisa”.</p>
<p>É o caso dos políticos, em geral, e dos jornalistas, em particular. No caso dos políticos, tem sido prática cada vez mais recorrente ouvirmos declarações como:</p>
<p>** “Estou absolutamente convencido” – que significa na verdade dizer que “não estou nem um pouco convencido, ainda não tenho juízo de valor sobre o assunto”;</p>
<p>** “Sou inocente e nada tenho a ver com essa história, tenho um nome a zelar” – a significar que “até o momento consigo passar a mensagem de que sou inocente e saio ileso do imbróglio de que me acusam”, e também “um nome a zelar apenas e somente diante da opinião pública”;</p>
<p>** “Ainda não li os jornais de hoje, não vi o noticiário, depois que tomar conhecimento direi algo” – significa que “sei de tudo desde o momento mesmo em que o assunto começou a repercutir na imprensa, li o clipping antes de sair de casa, mas preciso de tempo para saber como devo reagir publicamente”;</p>
<p>** “Pelo nome e pela vida de meus filhos afirmo ter sido iludido em minha boa fé” – significa o mesmo que “agora que a situação vai de mal a pior resta apenas apelar para os melhores sentimentos de amor à família aos filhos como forma de conexãocom a opiniãopública, afinal, todos tem uma família ou filhos”;</p>
<p>** “Logo mais anunciarei minha renúncia ao cargo de forma irrevogável” – significa o mesmo que “produzirei um fato com potencial midiático instantâneo e ao fim e ao cabo terminarei por não renunciar ao cargo”;</p>
<p><strong>Como vestal</strong></p>
<p>Agora o caso dos jornalistas – não a maioria, que não costuma contar com formidável aparato comunicacional, e sim a minoria detentora da propriedade dos jornais impressos de maior tiragem diária, das rádios mais aquinhoadas com patrocínio tanto público quanto privado, e das emissoras de tevê de maior audiência; uma minoria que, ciente do poder ostensivo e intimidatório que detém, faz as vezes do Criador da Realidade, transforma versões em fatos irrefutáveis e em meros rumores o que desde sempre era a mais escancarada das verdades factuais.</p>
<p>É essa minoria que consegue o milagre de transmutar mau-caratismo em quintessência de beatitude, transformar empresário de negócios escusos, aliciador de agentes públicos para redes de corrupção e chantagista por opção de conduta em fonte jornalística acima de qualquer suspeita, brindado com burocráticas declarações <em>off the record</em>, saudado como “ouvido de uma autoridade que priva da intimidade do primeiro escalão do governo”, reverenciado como “qualificado assessor”, “felpuda raposa política”, “servidor público com irretocável biografia”.</p>
<p>E tudo funciona às claras, sem qualquer pudor de estar tramando contra a ordem natural das coisas: primeiros os fatos precisam acontecer para só então receber repercussão. Qual regente de personagens e instrumentos, algumas personalidades se sabem abrigadas pelo imenso aparato de proteção que tão somente a propriedade de um jornal ou de uma revista semana tradicional, capitalizados e com enorme circulação nacional, pode conferir ao seu proprietário e aos seus muitos prepostos.</p>
<p>É deste pântano de interesses mesquinhos, onde pontifica a musgosa ética do “faça o que eu digo e não o que eu faço”, que parecemos viverem realidades paralelas. Realidadesem que suposto grampo telefônico de não mais que cinco minutos entre um senador da República e o presidente da Superior Tribunal Federal, grampo este que nunca apareceu nem no mundo dos vivos nem nos mundos dos mortos, é capaz de ser capa da principal revista semanal de informações do país, além de preencher uma dezena de suas páginas centrais e fazer o leitorado concluir que vivemosem um “Estadopolicial” e não em um Estado democrático de direito.</p>
<p>Mas, enquanto isso, sempre dentro de uma ética lasciva, grampos telefônicos devidamente autorizados pelo Poder Judiciário do país, e que somam mais de 3 mil horas de gravações, mesmo sendo vazados a torto ea direito a todosos meios de comunicação, trazendo à luz do dia personagens graúdos da política, da justiça, do empresariado e da imprensa, não chegam a ocupar reportagem de duas páginas, embora estejam potencialmente revestidos com o que chamamos de valor-notícia.</p>
<p>Capa de revista? Nem pensar. É mais fácil ressurgir das cinzas um escândalo de estimação, daqueles das antigas, sem qualquer fato novo, salvo o de servir como pressão para que a instância máxima do Poder Judiciário exare sua sentença sobre o assunto. E, de quebra, manter a aparência de vestal. Embora, como se diz em algumas regiões do Brasil,em estado interessante. Melhor, grávida.</p>
<p><strong>Mágica descoberta</strong></p>
<p>Nas últimas semanas chegamos à conclusão de que vivemos e ainda assim não veremos tudo a que tínhamos direito de ver. Os grampos ilegais são excelentes para a imprensa desde que contenham material demolidor contra a reputação e o trato bem pouco republicano pilhado pelo governo que não aprovamos e não admiramos. Os grampos autorizados pela Justiça são péssimos quando flagram “grampeadores profissionais” em conversas típicas do submundo do poder e das ambições humanas e reduzem a pó de mico figuras que foram construídascom a argamassamidiática para servirem como modelos de retidão de caráter, insignes exemplos de conduta ilibada, luminares de um novo ordenamento moral para um Estado nacional em avançado estado de putrefação de suas instituições basilares e anunciadores de que vivemos em um país&#8230; em petição de miséria ética.</p>
<p>E, então, um dia os mágicos-jornalistas, aqueles que tinham conhecimento dos erros de todos os demais, menos dos seus próprios, descobrem que nem sua cartola era real e muito menos seus truques conseguiriam cativar a atenção de mais ninguém. A mágica de escrever reportagem com riqueza de detalhes, segundo a segundo, palavra a palavra, frase a frase, recriando palavreado recheado de intimidade como a despistar pensamentos e intenções reais, ficou a descoberto.</p>
<p>E nem a liberdade de imprensa será uma vez mais invocada em vão: esta liberdade é por demais sagrada para servir de mero abrigo a sacripantas.</p>
<p>(Fonte: Observatório da Imprensa)</p>


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		<title>Samy Adrghini: “Não há diversão no islã”</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Apr 2012 13:23:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Irã]]></category>
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		<category><![CDATA[Samy Adghirni]]></category>

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		<description><![CDATA[Mas esta ideia de um islã incompatível com a alegriade viver é amplamente rejeitada. O humor e as artes, aliás, são características comuns em quase todas as sociedades muçulmanas, do Marrocos à Indonésia, passando por Senegal e Egito. Prevalece na maioria dos países de fé islâmica a cultura da festa e da ironia, sob formas muito diferentes, é claro. 


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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2012/04/khomeini1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4742" title="khomeini1" src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2012/04/khomeini1-300x217.jpg" alt="" width="300" height="217" /></a>Meses depois de fundar a República Islâmica do Irã, em 1979, o aiatolá Ruhollah Khomeini fez um discurso em cadeia nacional de rádio que definiu boa parte do padrão social e cultural promovido até hoje pelo regime.</p>
<p>Khomeini declarou o seguinte:</p>
<p>“Alá não criou o homem para que ele pudesse se divertir. O objetivo da criação é pôr à prova a humanidade por meio de dureza e oração. Um regime islâmico deve ser sério em todos os aspectos. Não há piadas no islã. Não há humor no islã. Não há diversão no islã. Não pode haver diversão e alegria naquilo que é sério. O islã não permite nadar no mar e se opõe a seriados de rádio e televisão. O islã, entretanto, permite tiro ao alvo, andar a cavalo e competição”</p>
<p>A fala ecoa em todos os aspectos da vida no Irã de hoje. Difícil achar por aqui alguém que não conheça esse discurso. Mesmo duas décadas após a sua morte, Khomeini continua onipresente _para satisfação de uns e desgosto de outros. A cara de mau do aiatolá espalhada por incontáveis outdoors e murais espalhados nos mais diversos recantos do país parece vigiar o respeito às regras que ele impôs.</p>
<p>A lei iraniana não estipula abertamente o veto ao humor e à diversão. Mas a Revolução Islâmica aboliu bares, álcool, discotecas, shows e festasem lugares públicos. Músicaé área reservada aos homens, que só podem cantar ou tocar instrumentos após submeter suas obras à avaliação do regime.</p>
<p>Dias atrás o governo anunciou que proibirá aulas de dança e canto nos jardins de infância por considerar as práticas “imorais” (<a title="Bicho-papão" href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/36401-bicho-papao.shtml" target="_blank">reportagem completa </a>na Folha de hoje, só para assinante). Em compensação, as crianças desde cedo aprendem tudo sobre a temática mórbida dos mártires, obsessão do regime. Os principais feriados religiosos têm a ver com as sanguinolentas mortes dos imãs Ali e Hussein, descendentes do profeta Maomé que originaram a facção xiita dentro do islã. Em todas as cidades há murais com os rostos sérios, geralmente reprodução de fotos de identidade, de soldados mortos na guerra contra o Iraque do então aliado do Ocidente Saddam Hussein (1980-1988).</p>
<p>Nos primeiros anos da revolução as pessoas praticamente só usavam roupas escuras. Mulheres evitavam sair de casa maquiadas. Hoje em dia muitas iranianas andam nas ruas enfeitadas até as unhas. Há inclusive véus e roupas em tons berrantes, mas que ainda destoam do preto predominante na multidão. Os escassos programas de humor no rádio e na TV são caretas ao extremo. Conversas sobre pegação e namoros só ocorrem entre amigos íntimos. Nenhum taxista se atreveria a comentar com um passageiro sobre a belezura que acaba de atravessar a rua.</p>
<p>As cidades são todas austeras e sisudas. Os prédios quase só têm tons marrons ou cinzas, embora em Teerã o atual prefeito tenha mandado instalar dezenas de painéis coloridos abstratos. Os poucos outdoors publicitários evitam mostrar pessoas e quando o fazem, os eventuais sorrisos são pra lá de contidos.</p>
<p>Mas esta ideia de um islã incompatível com a alegriade viver é amplamente rejeitada. O humor e as artes, aliás, são características comuns em quase todas as sociedades muçulmanas, do Marrocos à Indonésia, passando por Senegal e Egito. Prevalece na maioria dos países de fé islâmica a cultura da festa e da ironia, sob formas muito diferentes, é claro. Sim, há outros lugares ultrapuritanos além do Irã, como Arábia Saudita e Paquistão, mas a felicidade cabe perfeitamente no islã.</p>
<p>Alguns teólogos sustentam até que o Corão é muito mais bem resolvido do que a Bíblia ou a Torá no que diz respeito aos prazeres da vida. No islã, a vida e os sentidos são um presente de Deus aos homens e devem ser aproveitados sem culpa, desde que de forma lícita. O sexo, inclusive, está longe de ser um tabu na fé islâmica, segundo o sociólogo tunisiano Abdelwahab Bouhdiba, autor de “A sexualidade no islã” (lançado no Brasil pela editora Globo). Bouhdiba sustenta que o homem e a mulher foram feitos para dar prazer um ao outro uma vez casados. Machismos à parte, eis um trecho pouco conhecido do Corão: “Vossas mulheres são, para vós, como campo lavrado. Então, achegai-vos a vosso campo lavrado, como e quando quiserdes.” (2:223).</p>
<p>Muito estudiosos dizem que o islã em sua forma mais rígida só cresceu e se propagou na era moderna. Afirmam ainda que pensadores, teólogos e clérigos muçulmanos de antigamente eram muito mais hedonistas e liberais que os atuais. Há abundantes relatos de viajantes islâmicos dos séculos passados que voltavam para casa espantadoscom a intransigênciamoral que dominava então as sociedades europeias.</p>
<p>Essas contradições estavam presentes até no espírito de Khomeini. O mesmo homem que decretou não haver diversão no islã também afirmou: “o fato de eu ter dito alguma coisa não significa que eu deva ficar preso ao que eu disse”.</p>
<p>(Samy Adghirni é correspondente da Folha de S.Paulo em Teerã)</p>


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		<title>Luiz Cláudio Cunha: Os dez livros fundamentais do jornalismo</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Apr 2012 12:50:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É difícil e injusto estabelecer um filtro, sempre indevido, para as obras que são importantes ou marcam a vida de um jornalista, até pela visão pessoal e diversa de cada um. Mas, ao longo do tempo, existem bons exemplos de contadores de histórias que resumem este ofício. A começar pelo mais antigo de todos, o<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2012/04/luiz-claudio-cunha-os-dez-livros-fundamentais-do-jornalismo/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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			<content:encoded><![CDATA[<p>É difícil e injusto estabelecer um filtro, sempre indevido, para as obras que são importantes ou marcam a vida de um jornalista, até pela visão pessoal e diversa de cada um. Mas, ao longo do tempo, existem bons exemplos de contadores de histórias que resumem este ofício. A começar pelo mais antigo de todos, o ateniense Tucídides, do quinto século antes de Cristo, que pode ser considerado de fato o primeiro repórter da história, mesclando nele as virtudes e os atributos que a academia identifica no profissional da imprensa: o historiador do presente, o repórter da atualidade que, pelo conhecimento acumulado, acaba de fato registrando a história do passado que vai prevalecer no futuro. Minha lista dos “Dez Mais” pode ser discutida, contestada, certamente é incompleta pela injusta restrição da dezena, mas todos os exemplos abaixo trazem um ou outro atributo essencial da profissão: o testemunho do repórter, o talento do texto, o sabor da frase, o tempero da inteligência, a relevância da história, qualidades que podem garantir a eternidade do reconhecimento para um trabalho geneticamente amaldiçoado pelo efêmero, pelo transitório, pelo passadiço. Estes textos, estes autores, nunca passaram, nunca passarão. Ficaram na história. E na minha memória.</p>
<p>Minha lista dos “Dez Mais”:</p>
<p>1. A Primeira Vítima, de Phillip Knightley (lançamento, 1975) Phillip Knightley, repórter do The Times e do The Sunday Times de Londres, disseca aqui o sonho profissional de muitos jornalistas: a função de correspondente de guerra. Das frentes de batalha da Criméia (1854) ao Vietnã (1975), Knightley desfia uma coleção espantosa de histórias que tornam o jornalismo uma experiência de vida fascinante. Uma edição mais recente, de 2000, inclui relatos de correspondentes do conflito das Malvinas, da primeira guerra do Golfo e dos combates no Kosovo. Um livro soberbo, viciante, que conta histórias reais que parecem inventadas por serem tão inacreditáveis. Mas é apenas a essência da reportagem, deslizando sobre o gume quente, afiado, arriscado, eventualmente letal dos conflitos humanos.</p>
<p>2. A História da Civilização, de Will Durant (lançamento entre 1935 e 1975) O historiador e filósofo Will Durant produziu uma prodigiosa história do mundo em onze volumes, os últimos cinco deles em autoria com sua mulher, Ariel Durant. É a série historiográfica de maior sucesso editorial de todos os tempos, redigida ao longo de quatro décadas num estilo leve, agradável, bem humorado, inteligente, irônico, sem nunca perder a densidade, o contexto e a abrangência de 25 séculos da civilização. No volume sexto, sobre a Reforma, ao descrever um afamado humanista francês do século 16, Guillaume Budé, que se dizia “companheiro, sócio e amante da filosofia”, Durant dá um exemplo de sua picardia: “[Budé] lamentava que tivesse de roubar tempo aos estudos para comer e dormir. Em um momento de distração, casou-se e teve 11 filhos”. Quando se lê a última linha do último volume, dá vontade de começar tudo outra vez. Não existe maior homenagem a um contador da história.</p>
<p>3. Memórias da Segunda Guerra Mundial, de Winston Churchill (lançamento entre 1948 e 1954) Figura decisiva da guerra, o primeiro ministro inglês Winston Churchill teve a férrea disciplina de registrar toda noite, sob os bombardeios da Luftwaffe sobre Londres, a rotina dramática das graves decisões que influíram no maior conflito da história humana. Tirou dali, com o talento de sua prosa inigualável, o mais rico relato da resistência ao nazismo e da vitória aliada, em seis volumes envolventes de 4.135 páginas na edição inglesa (a brasileira, num único volume, tem 1.193 páginas) que lhe deram em 1953 o Nobel de Literatura. Concentrava nele o papel de um jornalista talentoso que era, simultaneamente, um dos maiores estadistas do mundo num momento singular da história. Uma dupla raridade que desponta, íntegra, nesta obra impressionante pela dimensão dos fatos e dos personagens.</p>
<p>4. Todos os Homens do Presidente, de Bob Woodward e Carl Bernstein (lançamento em 1974) A reportagem política de maior impacto do Século 20. A investigação de dois repórteres obstinados (Bob Woodward e Carl Bernstein) e de um jornal determinado (The Washington Post) confronta o presidente mais vigarista (conhecido como Dick Tricky) da história americana, desafiando a Casa Branca e as mentiras do homem mais poderoso do mundo. Um clássico do jornalismo como ofício ético devotado à denúncia de um poder imoral e a serviço do interesse público. Tem a carga elétrica de um thriller policial com a dramaticidade de um evento real, que levou Nixon à renúncia e deu ao jornalismo a enganosa indulgência do mito.</p>
<p>5. Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon (lançamento entre 1776 e 1788) Obra em seis volumes do século 18, Declínio e Queda… é o trabalho que deu fama ao historiador e cético iluminista Edward Gibbon, apontado como o autor da primeira ‘obra moderna de história”. Ancorado em fontes primárias, desprezando a interpretação religiosa vigente em tempos de forte influência da Igreja, Gibbon desprezava visões místicas da história para apoiar seu relato em fatos induzidos pela sociedade, pela cultura, pela política. Em três mil páginas, a história de 1.400 anos do esplendor e decadência de Roma imperial descia do plano celestial para a realidade da vida terrena. Dono de um estilo refinado e pujante, com um ritmo literário que dá leveza e elegância à narrativa, Gibbon, já na primeira frase de seu monumental trabalho, exibe a força e a índole de uma obra que sobreviveria ao império dos Césares: “No segundo século da era cristã, o império de Roma abrangia a mais bela parte da terra e o segmento mais civilizado da humanidade”. É a porta de entrada para o que de melhor existe no espírito humano.</p>
<p>6. Os Sete Pilares da Sabedoria, de T.E. Lawrence (lançamento em 1935) Winston Churchill, que entendia do ofício, definiu: “Um dos maiores livros já escritos na língua inglesa”. A guerra de guerrilhas das tribos árabes contra os opressores do império turco, unificadas sob a inesperada liderança de T.E. Lawrence, acontece nas areias escaldantes do deserto, oculta na periferia mais distante e empoeirada da I Guerra Mundial. Ali assoma a figura mítica do arqueólogo que virou militar, do inglês que assumiu a identidade de árabe, do homem anônimo que ganhou a dimensão de lenda ainda em vida como Lawrence da Arábia. Tudo isso graças a este livro autobiográfico escavado no subsolo da memória. Lawrence perdeu todos os manuscritos numa troca de trens, na Inglaterra, em 1919. Insatisfeito com a segunda versão, refeita no ano seguinte, destruiu tudo. A nova e definitiva versão só brotou em 1935, depurada na versão viva, quente, imortal de um dos personagens mais fascinantes da fronteira entre dois mundos, o Ocidente e o Oriente. É um monumento único de estilo, erudição, história, filosofia e reportagem, que inspira e emociona.</p>
<p>7. 1964: a Conquista do Estado, de René Armand Dreifuss (lançamento em 1981) O historiador e cientista político uruguaio René Armand Dreifuss produziu uma obra seminal da história brasileira: desfez a lenda de que a derrubada de João Goulart em 64 foi uma mera quartelada, provando que ela foi resultado de uma científica, longa conspiração de militares, empresários, grande imprensa e a Igreja conservadora, unidos no que foi, de fato, um clássico golpe civil-militar. Confirmou esta tese debulhando documentos, relatórios e atas de arquivos áridos que, tratados com habilidade e visão política, renderam um trabalho devastador, fonte obrigatória para historiadores e exemplo didático para todo repórter no manuseio correto de papéis aparentemente burocráticos. O livro de Dreifuss revelou, para sempre, os nomes ocultos e os ilustres sobrenomes de quem trabalhou para a derrocada do governo constitucional e a tomada do aparelho de Estado para impor ao país a mais longa e sangrenta ditadura (1964-1985) de sua história. Uma aula meticulosa de jornalismo preciso para repórteres interessados nos documentos e arquivos que iluminam a história e jogam luz sobre seus poucos heróis e muitos vilões.</p>
<p>8. Cinco Dias em Londres, de John Lukacs (lançamento em 1999) Autor de três dezenas de livros, a maioria deles sobre o duelo de gigantes entre Winston Churchill e Adolf Hitler no limiar entre civilização e barbárie, o historiador húngaro John Lukacs, naturalizado americano, conseguiu lapidar uma joia histórica neste enxuto (204 páginas), clássico e inovador relato sobre cinco dias cruciais de maio de 1940 que mudaram a história do mundo. Reconta a assunção de Churchill ao poder em maio de 1940, três semanas antes da épica retirada de Dunquerque, quando a vitória nazista e a rendição britânica pareciam iminentes. Percorrendo meandros nunca antes trilhados pela multidão de historiadores que dissecam o rico universo churchilliano, Lukacs descobriu um detalhe instigante do líder britânico recém-chegado ao poder. A teimosa, brava resistência de Churchill entre sexta (24 de maio) e terça-feira (28) contra a corrente derrotista no governo de Londres que defendia uma trégua precoce, quase uma rendição ao poder avassalador da blitzkrieg de Hitler, salvou o mundo de uma impensável capitulação ao nazismo. O trabalho de repórter feito por Lukacs, num livro construído com o suspense do choque de pensamentos que poderia decidir o futuro da humanidade naqueles cinco dramáticos dias, é uma inspiração e um estímulo para o jornalista sagaz e persistente.</p>
<p>9. Chatô, o Rei do Brasil, de Fernando Morais (lançado em 1994) O livro marca o encontro de duas figuras memoráveis: o repórter Fernando Morais e seu personagem central, Assis Chateaubriand. Conhecido pelo apelido de “Chatô”, era o dono de um império que inaugurou a moderna comunicação no país na primeira metade do Século 20, que ele dominou como uma versão real, ainda mais poderosa do que o Cidadão Kane da ficção do cinema. Chefe de uma corporação que reunia uma centena de emissoras de rádio e TV, jornais e revistas (incluindo a maior do país, a semanal O Cruzeiro), “Chatô” tinha o estilo de um jagunço, a ousadia de um conquistador, a criatividade de um revolucionário, que agia com a determinação invulgar de um homem onde se mesclavam charme, truculência, sedução, brutalidade, invenção, rudeza e modernidade. Era o personagem ideal em busca de um grande repórter. “Chatô” teve a sorte de encontrar Morais, responsável talvez pela mais impressionante biografia do jornalismo brasileiro. O texto brilhante, vivo, abrangente, quase sempre cômico, inevitavelmente trágico, é uma exaltação ao talento do repórter e o ponto supremo do jornalismo biográfico. O Chatô de Fernando Morais é uma aula de Brasil, uma lição para jornalistas e uma delícia para leitores que apreciam uma bela história narrada de forma admirável.</p>
<p>10. História da Guerra do Peloponeso, de Tucídides (edição inglesa em 1628, brasileira em 1982) O primeiro repórter da história, Tucídides, nasceu em 460 a.C, quando o “pai da história”, Heródoto, era um jovem curioso de 25 anos. Ao contrário do mestre, porém, Tucídides produziria este clássico, fundamento da história como ciência, em oito volumes calcados na experiência e no testemunho direto de quem, como general ateniense, acompanhou a guerra por dentro. Tucídides registrava a história como produto das escolhas e das ações dos seres humanos, não como resultado da ira dos deuses. Desprezando lendas, superstições e relatos de segunda mão, Tucídides preferia ouvir testemunhas oculares e entrevistar participantes dos eventos, relegando a suposta intervenção divina nos assuntos humanos. O tradutor Mário da Gama Kury lembra que Dionísio, um crítico literário nascido quatro séculos depois em Halicarnassos, terra natal de Heródoto, definiu as qualidades maiores de Tucídides, que valem ainda hoje para um bom repórter: “Concisão monolítica, pungência austera, veemência, capacidade de inquietar e comover e, sobretudo, um profundo comando do patético”. O olhar soberano do repórter, como ensina esta longa e viva reportagem realizada no campo de batalha há 25 séculos, quando ainda não existia Google nem Twitter, prova que a receita do bom profissional continua a mesma: é preciso estar lá, para ver e sentir a notícia, sem intermediários.</p>
<p>*** [Luiz Cláudio Cunha é jornalista, autor de Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios — uma reportagem dos tempos da ditadura - Fonte: Observatório da Imprensa]</p>


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		<title>ONU aposta no emprego e desenvolvimento sustentável para acabar com pobreza</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Apr 2012 12:45:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira a criação de novas políticas públicas para fomentar o surgimento de emprego e a elaboração de mecanismos para financiar o desenvolvimento sustentável como as duas principais receitas para acabar com o &#8216;círculo vicioso&#8217; da pobreza e discriminação. Ban fez a declaração durante reunião entre o Conselho<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2012/04/onu-aposta-no-emprego-e-desenvolvimento-sustentavel-para-acabar-com-pobreza/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2012/03/globinhoverde.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4706" title="globinhoverde" src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2012/03/globinhoverde.jpg" alt="" width="253" height="250" /></a>O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira a criação de novas políticas públicas para fomentar o surgimento de emprego e a elaboração de mecanismos para financiar o desenvolvimento sustentável como as duas principais receitas para acabar com o &#8216;círculo vicioso&#8217; da pobreza e discriminação.</p>
<p>Ban fez a declaração durante reunião entre o Conselho Econômico e Social da ONU (Ecosoc) com as instituições que formalizaram o acordo de Bretton Woods, em 1944, e a Organização Mundial do Comércio (OMC), que acontecerá até amanhã na sede do organismo em Nova York.</p>
<p> &#8217;A pobreza, a discriminação e a violência alimentam-se de delas próprias&#8217;, afirmou o principal responsável das Nações Unidas, que destacou que promover o desenvolvimento econômico, o emprego e o comércio, e financiar o desenvolvimento sustentável &#8216;são as chaves&#8217; para acabar com esse &#8216;círculo vicioso&#8217;.</p>
<p>Ban reiterou que o emprego é um aspecto essencial para acabar com a pobreza, e disse que postos de trabalho &#8216;decentes e produtivos&#8217; fazem mais do que proteger as famílias da fome e da pobreza, porque &#8216;ajudam a criar uma geração de consumidores, gente com poder aquisitivo que podem ajudar a ampliar a demanda&#8217;.</p>
<p> Outra receita contra a pobreza de Ban é o desenvolvimento sustentável. O secretário-geral lembrou os presentes para que se esforcem para conseguir resultados positivos da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio+20, que será realizada em junho.</p>
<p> &#8217;Estamos a cem dias da cúpula do Rio, cem dias para uma oportunidade única numa geração. Temos que chegar a um acordo sobre soluções sustentável para construir o futuro que queremos em matéria de desenvolvimento, economia e igualdade&#8217;, acrescentou o principal responsável da ONU.</p>
<p> Ban ressaltou que o desenvolvimento sustentável é sinônimo de &#8216;nutrição, água saudável e serviços de saúde&#8217; para as comunidades, e defendeu políticas públicas que fomentem o desenvolvimento econômico &#8216;sem contaminar o meio ambiente&#8217;.</p>
<p> O secretário-geral disse que a nova reunião da Ecosoc se produz em momentos de &#8216;incerteza&#8217; mundial, no qual a queda das previsões de crescimento, particularmente nos países desenvolvidos, &#8216;ameaça a frágil recuperação&#8217; da economia.</p>
<p> Por outro lado, o diplomata sul-coreano aproveitou novamente para lembrar as mudanças &#8216;dramáticas&#8217; que se produziram no mundo nos últimos doze meses e disse que o &#8216;despertar&#8217; vivido no mundo árabe voltou a evidenciar &#8216;o poder dos povos para escrever a história&#8217;. EFE</p>
<p>Fonte: Agencia EFE, S.A.</p>


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		<title>As novas formas de leitura</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Apr 2012 12:37:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A invenção mais impactante e que mudou por completo a vida ordenada da sociedade como a conhecemos é, certamente, o computador pessoal. E o bom: sua história está minuciosamente escrita, seja porque é algo bem mais recente, remonta a fins dos anos 1970, seja porque boa parte dos inventores encontram-se ainda vivos,,, Melhor seria se ainda não existisse a lacuna Steve Jobs. (...)


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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2012/03/leituradigital.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4712" title="leituradigital" src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2012/03/leituradigital.jpg" alt="" width="242" height="257" /></a>Nem todas as invenções (e descobertas) da humanidade têm sua história devidamente registrada, seu passo a passo detalhado com fotografias e elaboração de precisa linha do tempo. Por exemplo, pouco sabemos como se deu a invenção da roda, mas podemos imaginar algo rolando pela primeira vez de uma caverna&#8230; há milhares de anos.</p>
<div id="ffont">
<p>Menos ainda sabemos sobre a descoberta do fogo, mas podemos inferir como verossímeis a realização filmíca de Jean-Jacques Annaud, <em>A Guerra do Fogo</em>, de 1981. O filme trata de coragem, busca e bravura na pré-história e narra a saga de um homem das cavernas que é mandado para longe de seu povo para procurar fogo. Motivo: a única chama da sua tribo, de onde faziam fogueiras, se apagou.</p>
<p>Agora, se olharmos à nossa volta com olhos realmente curiosos, logo descobriremos quão extensa é nossa ignorância acerca da história da invenção do grampeador, das folhas de papel que enfeixadas de certa maneira atendem pelo nome de livro, ou desse pequeno pedaço de metal, com algumas ranhuras, a que chamamos chave. E por aí vai; nos transformamos em espectadores do avanço de incansável dízima periódica a mapear milhares de pontos obscuros, seja à gênese ou à história deste e daquele objeto, invenção ou descoberta.</p>
<p><strong>Camaleão pós-moderno</strong></p>
<p>Mas a invenção mais impactante e que mudou por completo a vida ordenada da sociedade como a conhecemos é, certamente, o computador pessoal. E o bom: sua história está minuciosamente escrita, seja porque é algo bem mais recente, remonta a fins dos anos 1970, seja porque boa parte dos inventores, promotores e impulsores do formidável invento encontram-se ainda vivos e são nossos contemporâneos. Melhor seria se ainda não existisse a lacuna Steve Jobs.</p>
<p>Segundo o Computer History Museum, em 1971 foi lançado o primeiro “computador pessoal”: o Kenbak-1. E era uma engenhoca ousada: possuía 256 bytes de memória, não tinha CPU e o preço conforme anúncio na revista <em>Scientific American</em> eram exatos 888. Dólares.</p>
<p>Em 1975, surge o Altair 8800, um computador pessoal baseado na CPU Intel 8080. Custava cerca de 400 dólares e se comunicava com o usuário por meio de luzes que piscavam. Dentre os primeiros usuários estavam o calouro da Universidade Harvard Bill Gates e um jovem programador, Paul Allen, que juntos desenvolveram uma versão da linguagem “Basic” para o Altair. Pouco tempo depois, a dupla resolveu mudar o rumo de suas carreiras e criar uma empresa chamada Microsoft. Pronto, esta é a gênese do computador pessoal.</p>
<p>Mesmo sem nos darmos conta, muitas coisas deixaram de existir para que houvesse espaço para o computador e suas quase inumeráveis “habilidades”:</p>
<p>** Livros – Ainda tem gente que diz que jamais deixaria o prazer de manusear um livro tal como o conhecemos (papel, lombada, capa, miolo e orelhas) por um livro digital (alimentado por energia elétrica, com páginas, entrelinhas, luminosidade, tipo e tamanho de caracteres) moldado para atender o gosto do freguês. Também pensava assim até que em 2009 comprei meu primeiro Kindle, leitor digital produzido pela Amazon e dependente de luz externa, e em 2010 adquiri meu primeiro iPad, leitor digital vendido pela Apple Computers que apresenta paleta de cores quase ilimitada e dispensa iluminação externa. Ainda não conseguiram duas coisas necessárias a satisfazer o velho e gostoso hábito de leitura: preservar o característico cheiro de papel, emanando da tela de cristal líquido e&#8230; poder visualmente observar o volume das páginas lidas e aquele que falta para terminar a leitura do livro.</p>
<p>Mas, se perdemos algo lúdico, essa sensação do toque, da memória da pele, ganhamos em outras comodidades, como poder navegar na livraria online e até mesmo ler um capítulo do livro desejado antes de comprar. E um detalhe gigantesco: o preço é inferior a metade do preço que pagaria por um livro-papel, por um livro tradicional.</p>
<p>Nesse sentido o computador é o próprio camaleão da pós-modernidade: pode ser um livro, depois uma tela de pintura, depois um jogo, depois um aparelho de som, em seguida uma tela para assistir tevê, filmes, seriados. No fundo, o camaleão começa e termina com o que existe desde o início: um equipamento eletrônico.</p>
<p><strong>O que não muda</strong></p>
<p>Jornais – É fato e ultrapassa as fronteiras dos gostos e fantasias: as novas gerações simplesmente deixaram de ler jornais. A começar pela recusa em não mais fazer assinatura de jornais impressos. E desapareceu com a mesma “serenidade” com que deixou de existir o leiteiro que entregava o produto de casa em casa e o empregado da lavanderia que buscava a roupa suja de casa para lavar. Sumiu também o datilógrafo e, por motivos óbvios, o que temos mais próximo dessa antiga profissão das empresas e escritórios é o que atende pelo nome de digitador.</p>
<p>As pessoas nascidas no limiar dos anos 1990, hoje na faixa dos 20 anos de idade, cultivam de forma quase instintiva o novo hábito de ler jornais, revistas e livros através da internet, acessível em computador de mesa, notebook, netbook, tablet ou smartphone conectado à Grande Teia.</p>
<p>A tendência natural é que, diante do rápido aumento de dispositivos móveis de acesso à internet, a leitura eletrônica finque raízes profundas no imaginário humano que abarca tudo o que seja atinente à prática da leitura. E para que tal realidade se consolide não tardará o dia em que em nível planetário os editores de jornais e revistas se associem comercial e financeiramente com os gigantes da web (Apple, Microsoft, Google, Amazon) e também as mais importantes empresas de telefonia celular para desenvolver um modelo pago de assinatura digital. É só esperar para ver.</p>
<p>Na última cena do filme de Jean-Jacques Annaud, os dois personagens centrais aparecem olhando para uma grande lua no céu e a barriga de uma mulher grávida é iluminada, mostrando que a vida naquela tribo continuou, apesar de modificada por integrante de uma tribo distinta. E, também, graças a tudo o que foi aprendido pelo herói do fogo.</p>
<p>Assim também já começa a acontecer com nosso hábito de leitura. Novas tecnologias logo são assimiladas e as fronteiras do conhecimento são novamente ampliadas mais e mais. O que permanecerá como imutável, e ainda por muito tempo, é que sempre será um humano que recolherá, buscará e zelará pela veracidade das informações a ser transmitidas pelos meios mais diversos.</p>
<p>É com essas informações que alimentaremos nossa fornalha mental, aguçaremos nosso senso crítico e levamos avante uma civilização em constante evolução.</p>
</div>


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