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	<title>Blog - Cidadão do Mundo</title>
	
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		<title>Escolho a vida</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 17:54:19 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Folha de S.Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Betty Lago Numa tarde chuvosa aqui no Rio, me encontro diante do computador com a missão de escrever sobre Angelina Jolie versus câncer. Talvez seja o assunto mais comentado nesta semana, não só no Brasil, mas mundo afora. Aceitei a incumbência muito pelo fato de ter tido câncer, e de como isso transformou a<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/escolho-a-vida/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Betty Lago</p>
<p>Numa tarde chuvosa aqui no Rio, me encontro diante do computador com a missão de escrever sobre Angelina Jolie versus câncer. Talvez seja o assunto mais comentado nesta semana, não só no Brasil, mas mundo afora.</p>
<p><span id="more-9607"></span></p>
<p>Aceitei a incumbência muito pelo fato de ter tido câncer, e de como isso transformou a minha vida. Mas isso é uma outra conversa. Voltemos a Angelina e sua atitude cheia de coragem.</p>
<p>Sua mensagem é clara. Viver, ser mãe e alertar milhares de mulheres sobre mais possibilidades para evitar contrair essa terrível doença, o câncer de mama, que, segundo a Organização Mundial da Saúde, mata 458 mil mulheres por ano. Número devastador.</p>
<p>Podemos mudar essa estatística. Não de uma forma banal ou desinformada. Nem achando que a solução seja a mastectomia, porque a maior estrela do planeta Terra a fez. Mas nos informando, pesquisando e ajudando aqueles que têm menos acesso e menos recursos também.</p>
<p>Todos deveriam ler o artigo publicado no jornal &#8220;The New York Times&#8221;, escrito por Angelina Jolie. Ele se chama &#8220;My medical choice&#8221; (&#8220;Minha escolha médica&#8221;), mas deveria se chamar &#8220;Escolho a vida&#8221;. É bem escrito, simples, direto e cheio de amor. Me emocionei.</p>
<p>Inesperado? Sim e não. Sempre fui fã com o distanciamento de quem não quer ser tiete. Afinal de contas, não pega bem. Mas sempre fui muito mais fã do lado humanitário de Angelina, de sua disposição e força para fazer diferença num mundo cada vez mais indiferente a tudo.</p>
<p>Nesta semana, perguntei-me inúmeras vezes se teria coragem de fazer uma mastectomia e depois vir a público com tanta tranquilidade, mesmo que seja apenas aparente.</p>
<p>A resposta que encontrei dentro de mim mesma foi sim. Sim, teria coragem de fazer essa cirurgia. Pela vida, pelos filhos, pelos netos que quero conhecer.</p>
<p>E também escreveria sobre o assunto, porque aprendi com o Reynaldo Gianecchini, bem antes da Angelina, que falar sobre o assunto, além de ajudar aos outros, ajuda a nós mesmos.</p>
<p>No meu caso, falei pouco porque fiquei mais concentrada no tratamento do que em falar sobre ele. Tenho a sorte de ter uma família incrível, amigos pacientes e carinhosos e médicos mais incríveis ainda.</p>
<p>Meu câncer foi na vesícula, e aconteceu muito pelo fato de eu ter protelado a retirada da mesma. Sempre tinha uma novela para fazer, uma viagem incrível depois da novela e depois mais novelas e mais viagens&#8230;</p>
<p>Como? Não existe viagem mais incrível do que estar viva e com saúde. Mas isso eu não tinha a capacidade de enxergar, porque, sem querer, me acreditava imortal.</p>
<p>Nós vamos vivendo e nem percebemos o tempo passar. Não enxergamos nossa vulnerabilidade, ou não queremos enxergá-la. Clichê? Sim, mas é a pura verdade.</p>
<p>A atitude de Angelina foi um wake up call, não só para o universo feminino, mas para todos nós, seres humanos, cheios de medos e preconceitos.</p>
<p>Claro que o fato de ter Brad Pitt como seu partner e de ser bilionária ajuda. Mas como disse antes, nada pode diminuir o seu gesto.</p>
<p>Long live the queen Jolie.</p>
<div>
<p><strong>BETTY LAGO</strong>, 57, é atriz e apresentadora</p>
<p>Fonte: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/109594-escolho-a-vida.shtml">Folha de S. Paulo</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>


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		<title>Entidade defende educação financeira no ensino fundamental</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 17:44:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Agência Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[educação financeira]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Camila Maciel Administrar melhor as despesas pessoais, iniciar uma poupança e ser agente multiplicador de uma atitude financeira saudável são alguns dos avanços observados no comportamento de estudantes do ensino médio que participaram de um programa piloto de educação financeira em 450 escolas do país. Os resultados da ação, desenvolvida em 2008 pelo Comitê<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/entidade-defende-educacao-financeira-no-ensino-fundamental/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Camila Maciel</p>
<p>Administrar melhor as despesas pessoais, iniciar uma poupança e ser agente multiplicador de uma atitude financeira saudável são alguns dos avanços observados no comportamento de estudantes do ensino médio que participaram de um programa piloto de educação financeira em 450 escolas do país. Os resultados da ação, desenvolvida em 2008 pelo Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef), demonstram os benefícios de uma política que trabalhe esse tema de forma transversal nas escolas.</p>
<p><span id="more-9605"></span></p>
<p>A avaliação dos alunos apontou que 63% dos jovens que tiveram as aulas pouparam pelo menos uma parte de sua renda. O percentual cai para 59% no caso de estudantes que não participaram do projeto – alunos de 450 escolas que foram selecionados para funcionar como grupo controle. &#8220;Os resultados foram muito significativos. Os jovens [participantes do projeto] saíram com um conhecimento muito superior em relação ao grupo controle. Eles transformaram conhecimento em atitude&#8221;, destaca Silvia Morais, superintendente da Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF).</p>
<p>São esses avanços que a associação espera replicar em um projeto piloto com 820 escolas do ensino fundamental. &#8220;Percebemos que o tema da educação financeira não é aplicável exclusivamente ao ensino médio. Nessa fase, você já vai para o dia a dia do aluno, são situações práticas. Se você trabalha a educação financeira desde os anos iniciais, você possibilita que o conteúdo seja incorporado à vida dessa criança&#8221;, avalia Silvia. Ela informou que o material pedagógico composto de nove livros, construído em parceria com o Ministério da Educação (MEC), está em fase de finalização.</p>
<p>&#8220;Ainda não há previsão de quando devemos implementar a impressão dos livros e a capacitação dos professores, porque dependemos do financiamento de parceiros&#8221;, explica. Em relação ao projeto desenvolvido como piloto para o ensino médio, Silvia Morais informa que uma parceria com o MEC vai possibilitar a distribuição dos livros para 3 mil unidades que desenvolvem os programas Ensino Médio Inovador e Mais Educação. &#8220;Devemos iniciar a capacitação dos professores no próximo ano.&#8221;</p>
<p>A superintendente acredita que educação financeira deve ser entendida como um tema estratégico para o país, especialmente considerando a atual conjuntura econômica. &#8220;O momento pede que o cidadão brasileiro saiba tomar decisões conscientes quanto à tomada de crédito e quanto ao planejamento do seu futuro. Historicamente, somos uma nação que toma decisões pautadas pelo presente. A educação financeira permite que tenhamos capacidade de colocar os aprimoramentos que o sistema financeiro oferece a nosso favor e não contra&#8221;, avalia.</p>
<p>Silvia Morais destaca ainda que a discussão financeira nas escolas propõe o debate sobre consumo sustentável. &#8220;Não falamos só sobre o impacto das decisões deles, por exemplo, no crédito, no endividamento. A educação financeira tem a ver com as decisões da vida de um cidadão, mas não só. A forma de consumo tem impacto também no meio ambiente&#8221;, aponta. Esse é um dos motivos que leva a associação a defender a adoção do tema como conteúdo transversal nas escolas. &#8220;Ele fortalece outras disciplinas. É um elemento desencadeador de diversas discussões&#8221;, defende.</p>
<p>A AEF é um organização sem fins lucrativos criada pelas quatro entidades do mercado financeiro que compõem o Conef. Além de oito organismos governamentais, compõem o comitê: Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&amp;FBovespa), Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg) e Federação Brasileira de Bancos (Febraban).</p>
<p>&#8220;A Estratégia Nacional [de Educação Financeira, Enef, criada em 2010 pelo Decreto nº 7.397] é um documento que fala que a educação financeira tem três pilares estratégicos de atuação: informação, orientação e formação. Mas não indica projetos&#8221;, explica a superintendente. De acordo com ela, os projetos da AEF são submetidos ao Conef, que os avalia. &#8220;Firmamos um convênio com o comitê e assumimos a responsabilidade de execução da Enef&#8221;, informa.</p>
<p>Além dos projetos nas escolas, a AEF pretende mapear as iniciativas gratuitas de educação financeira nas escolas. &#8220;Conseguimos identificar 150 iniciativas no país. Isso foi o que conseguimos com o nosso radar, digamos assim, mas temos certeza de que é muito mais do que isso&#8221;, diz Silvia Morais. Ela destacou que, nessa primeira análise, observou-se um número maior de instituições de governo e do setor financeiro. &#8220;O que a gente quer ver agora é para além disso, quem é mais que está oferecendo ações e atividades de educação financeira gratuitas&#8221;, explica.</p>
<p>A primeira etapa do mapeamento consiste em analisar em profundidade essas experiências já selecionadas. &#8220;Queremos saber o que faz, como faz, com que qualidade técnica, qual o perfil de profissionais envolvidos, para qual público&#8221;, exemplifica. Em seguida, será divulgado um cadastramento <em>online</em> desse tipo de iniciativas. &#8220;A partir daí, vamos poder fazer uma análise do que isso significa: são muitas? São poucas? Como podemos avançar?&#8221;, completa.</p>
<p><em>Edição: Juliana Andrade</em></p>
<p>Fonte: <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-19/entidade-defende-educacao-financeira-no-ensino-fundamental">Agência Brasil</a></p>
<p>&nbsp;</p>


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		<title>Brasil já registra 2.399 médicos de 53 nações</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 17:03:45 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[médicos]]></category>
		<category><![CDATA[UOL]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto o governo planeja importar médicos para reduzir o déficit de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), um grupo de pelo menos 2.399 estrangeiros já atua no País. Dados da edição atual da Demografia Médica no Brasil mostram que os profissionais são oriundos de 53 países &#8211; a América Latina representa 94% do total.<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/brasil-ja-registra-2-399-medicos-de-53-nacoes/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto o governo planeja importar médicos para reduzir o déficit de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), um grupo de pelo menos 2.399 estrangeiros já atua no País. Dados da edição atual da Demografia Médica no Brasil mostram que os profissionais são oriundos de 53 países &#8211; a América Latina representa 94% do total. No topo da lista estão os bolivianos, que somam 880, seguidos por 401 peruanos e 264 colombianos. Cuba está em quarto lugar, com 216 médicos trabalhando em território nacional.</p>
<p><span id="more-9601"></span></p>
<p>A pesquisa elaborada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) também revela que os estrangeiros não escolhem localidades remotas do Brasil para trabalhar. A maioria vem para cá para atender pacientes nos grandes centros urbanos, especialmente os da Região Sudeste, como a capital paulista. E, assim como os profissionais brasileiros, a maior parte dos médicos importados também não tem títulos de especialistas &#8211; são apenas clínicos. Para atrair médicos às áreas mais remotas do País, não é preciso implementar uma política de importação de profissionais, na análise do CFM.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Melhores condições</strong></p>
<p>A entidade, que na semana passada ingressou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para impedir a ação do governo, reivindica melhores condições de trabalho aos brasileiros. O presidente do conselho, Roberto d?Avila, argumenta que os problemas da assistência em saúde não se limitam à falta de médicos.</p>
<p>&#8220;A má gestão do SUS e o baixo investimento público na saúde são fatores fundamentais para o quadro atual. Por exemplo, na Inglaterra, o governo responde por 84% dos investimentos em saúde. Na Argentina, esse porcentual fica em 68%. Enquanto isso, no Brasil, ele bate na casa dos 44%.&#8221;</p>
<p>Para Dante Dianezi Gambardella, doutorando do Departamento de Prática de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da USP, o Ministério da Saúde tem de esclarecer à sociedade médica quais critérios vai utilizar no processo de seleção e contratação dos médicos estrangeiros. &#8220;Será preciso saber, por exemplo, como o governo vai conseguir manter esses profissionais em locais distantes dos grandes centros. Se vai se criar condições para isso, elas servirão também para os médicos brasileiros.&#8221; As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.</p>
<p>Folha: <a href="http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2013/05/19/brasil-ja-registra-2399-medicos-de-53-nacoes.htm">UOL</a></p>
<p>&nbsp;</p>


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</ol><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/cidadaodomundo/~4/HAERwYw5EV8" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>A Máquina do Mundo</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 16:10:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cidadaodomundo.org/?p=9559</guid>
		<description><![CDATA[E como eu palmilhasse vagamente uma estrada de Minas, pedregosa, e no fecho da tarde um sino rouco se misturasse ao som de meus sapatos que era pausado e seco; e aves pairassem no céu de chumbo, e suas formas pretas lentamente se fossem diluindo na escuridão maior, vinda dos montes e de meu próprio<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/a-maquina-do-mundo/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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<li><a href='http://www.cidadaodomundo.org/2006/06/copa-do-mundo-mundo-em-transe/' rel='bookmark' title='Copa do mundo, mundo em transe!'>Copa do mundo, mundo em transe!</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E como eu palmilhasse vagamente</p>
<p>uma estrada de Minas, pedregosa,<br />
e no fecho da tarde um sino rouco</p>
<p><span id="more-9559"></span></p>
<p>se misturasse ao som de meus sapatos<br />
que era pausado e seco; e aves pairassem<br />
no céu de chumbo, e suas formas pretas</p>
<p>lentamente se fossem diluindo<br />
na escuridão maior, vinda dos montes<br />
e de meu próprio ser desenganado,</p>
<p>a máquina do mundo se entreabriu<br />
para quem de a romper já se esquivava<br />
e só de o ter pensado se carpia.</p>
<p>Abriu-se majestosa e circunspecta,<br />
sem emitir um som que fosse impuro<br />
nem um clarão maior que o tolerável</p>
<p>pelas pupilas gastas na inspeção<br />
contínua e dolorosa do deserto,<br />
e pela mente exausta de mentar</p>
<p>toda uma realidade que transcende<br />
a própria imagem sua debuxada<br />
no rosto do mistério, nos abismos.</p>
<p>Abriu-se em calma pura, e convidando<br />
quantos sentidos e intuições restavam<br />
a quem de os ter usado os já perdera</p>
<p>e nem desejaria recobrá-los,<br />
se em vão e para sempre repetimos<br />
os mesmos sem roteiro tristes périplos,</p>
<p>convidando-os a todos, em coorte,<br />
a se aplicarem sobre o pasto inédito<br />
da natureza mítica das coisas,</p>
<p>assim me disse, embora voz alguma<br />
ou sopro ou eco o simples percussão<br />
atestasse que alguém, sobre a montanha,</p>
<p>a outro alguém, noturno e miserável,<br />
em colóquio se estava dirigindo:<br />
“O que procuraste em ti ou fora de</p>
<p>teu ser restrito e nunca se mostrou,<br />
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,<br />
e a cada instante mais se retraindo,</p>
<p>olha, repara, ausculta: essa riqueza<br />
sobrante a toda pérola, essa ciência<br />
sublime e formidável, mas hermética,</p>
<p>essa total explicação da vida,<br />
esse nexo primeiro e singular,<br />
que nem concebes mais, pois tão esquivo</p>
<p>se revelou ante a pesquisa ardente<br />
em que te consumiste… vê, contempla,<br />
abre teu peito para agasalhá-lo.”</p>
<p>As mais soberbas pontes e edifícios,<br />
o que nas oficinas se elabora,<br />
o que pensado foi e logo atinge</p>
<p>distância superior ao pensamento,<br />
os recursos da terra dominados,<br />
e as paixões e os impulsos e os tormentos</p>
<p>e tudo que define o ser terrestre<br />
ou se prolonga até nos animais<br />
e chega às plantas para se embeber</p>
<p>no sono rancoroso dos minérios,<br />
dá volta ao mundo e torna a se engolfar<br />
na estranha ordem geométrica de tudo,</p>
<p>e o absurdo original e seus enigmas,<br />
suas verdades altas mais que tantos<br />
monumentos erguidos à verdade;</p>
<p>e a memória dos deuses, e o solene<br />
sentimento de morte, que floresce<br />
no caule da existência mais gloriosa,</p>
<p>tudo se apresentou nesse relance<br />
e me chamou para seu reino augusto,<br />
afinal submetido à vista humana.</p>
<p>Mas, como eu relutasse em responder<br />
a tal apelo assim maravilhoso,<br />
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,</p>
<p>a esperança mais mínima — esse anelo<br />
de ver desvanecida a treva espessa<br />
que entre os raios do sol inda se filtra;</p>
<p>como defuntas crenças convocadas<br />
presto e fremente não se produzissem<br />
a de novo tingir a neutra face</p>
<p>que vou pelos caminhos demonstrando,<br />
e como se outro ser, não mais aquele<br />
habitante de mim há tantos anos,</p>
<p>passasse a comandar minha vontade<br />
que, já de si volúvel, se cerrava<br />
semelhante a essas flores reticentes</p>
<p>em si mesmas abertas e fechadas;<br />
como se um dom tardio já não fora<br />
apetecível, antes despiciendo,</p>
<p>baixei os olhos, incurioso, lasso,<br />
desdenhando colher a coisa oferta<br />
que se abria gratuita a meu engenho.</p>
<p>A treva mais estrita já pousara<br />
sobre a estrada de Minas, pedregosa,<br />
e a máquina do mundo, repelida,</p>
<p>se foi miudamente recompondo,<br />
enquanto eu, avaliando o que perdera,<br />
seguia vagaroso, de mão pensas.</p>
<p>Por Carlos Drummond de Andrade</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>


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		<title>O que é notícia nos jornais deste domingo</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 12:08:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Último Assentamento]]></category>

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<p>- <strong>Estadão</strong>: Aécio é eleito presidente do PSDB e líderes pregam união</p>
<p>- <strong>Veja</strong>: Câncer de mama: A escolha de Angelina</p>
<p>- <strong>Época</strong>: Foi a decisão certa?</p>
<p>- <strong>IstoÉ</strong>: Exclusivo: Provas da chantagem boliviana</p>
<p>- <strong>IstoÉ Dinheiro</strong>: O Brasil das Arábias</p>
<p>- <strong>CartaCapital</strong>: Um dia na vida de um professor</p>
<p>- <strong>Zero Hora</strong>: Falta de transparência é regra na maioria dos Legislativos estaduais</p>
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		<title>Tem muita gente</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 03:02:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque-Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Washington Araújo]]></category>

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		<description><![CDATA[Abro um sorriso de satisfação. É que existe tanta gente boa no mundo. Engana-se quem teima em ver apenas a miséria humana, a pequenez. Tem tanta gente lutando por um mundo melhor. É impressionante. Fico até com olhos cheios de lágrimas de felicidade. Gente que luta contra o desmatamento. Gente que deixa o conforto de<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/tem-muita-gente/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-9594" title="Unknown-3" src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2013/05/Unknown-3.jpeg" alt="" width="270" height="187" />Abro um sorriso de satisfação.<br />
É que existe tanta gente boa no mundo.<br />
Engana-se quem teima em ver apenas a miséria humana, a pequenez.<br />
Tem tanta gente lutando por um mundo melhor.<br />
É impressionante.<br />
Fico até com olhos cheios de lágrimas de felicidade.<br />
Gente que luta contra o desmatamento.<br />
Gente que deixa o conforto de sua casa e sai pelo mundo para ajudar crianças órfãs em lugares distantes.<br />
Gente que deixa de lado a ambição de “ficar rico” e dedica muitos anos da vida aos Médicos Sem Fronteiras.<br />
Gente que se preocupa com a poluição e o aquecimento do planeta.<br />
Gente que divulga os benefícios de pedalar a bicicleta e deixar o carro na garagem.<br />
Gente que teme pelo futuro das tartarugas marinhas e da ararinha azul.<br />
Gente que luta para democratizar os meios de comunicação.<br />
Gente que é incansável na defesa pelos direitos humanos para todos, sem distinções.<br />
Gente que vai a hospitais brincar com crianças que sofrem com o câncer.<br />
Gente que entra em uma igreja, vai a um terreiro do candomblé, participa de um culto evangélico, freqüenta uma sinagoga.<br />
Gente que foge do fascínio ilusório do aplauso e da aceitação e prefere mil vezes socializar com os sofridos do mundo.<br />
Gente que lê dias e semanas a fio livros inteiros para pessoas cegas.<br />
Gente que espalha bons sentimentos nas redes sociais da internet.<br />
Gente que valoriza as velhas amizades e se abre para as novas amizades.<br />
Gente que não suporta atos racistas, nem qualquer tipo de discriminação, por mínima que seja.<br />
Gente que dedica os preciosos dias de suas vidas ao melhoramento do mundo.<br />
Tem tanta gente boa lutando – a palavra é esta: lutando – para tornar esse mundo melhor.<br />
Muita gente.<br />
Muita.<br />
Sinto-me tão bem por estar ao lado dessa gente.<br />
Muito.<br />
Feliz.</p>
<p><span id="more-9593"></span></p>
<p>Por Washington Araújo</p>
<p>&nbsp;</p>


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		<item>
		<title>O velho amor se renova</title>
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		<comments>http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/o-velho-amor-se-renova/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 19 May 2013 03:02:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidadão Mundo Lê]]></category>
		<category><![CDATA[O velho amor se renova]]></category>
		<category><![CDATA[Valor Econômico]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Elaine Guerini &#8220;Hiroshima Meu Amor&#8221; retorna ao Festival de Cannes 54 anos após o estardalhaço que o primeiro filme de ficção do francês Alain Resnais fez na Croisette. Excluída da competição pela comissão que escolhia os candidatos à Palma de Ouro, para não desagradar ao governo dos Estados Unidos (país para o qual o<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/o-velho-amor-se-renova/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Elaine Guerini</p>
<p>&#8220;Hiroshima Meu Amor&#8221; retorna ao Festival de Cannes 54 anos após o estardalhaço que o primeiro filme de ficção do francês Alain Resnais fez na Croisette. Excluída da competição pela comissão que escolhia os candidatos à Palma de Ouro, para não desagradar ao governo dos Estados Unidos (país para o qual o assunto da bomba atômica ainda era tabu), a coprodução entre França e Japão foi projetada fora da seleção oficial. Ainda assim, foi o filme mais aclamado da edição de maio de 1959. Conquistou o prêmio da crítica &#8211; já que o júri oficial (presidido pelo escritor francês Marcel Achard) não podia conceder à obra-prima, assim definida já naquela época, qualquer troféu.</p>
<p><span id="more-9584"></span></p>
<div id="attachment_9588" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><img class="size-full wp-image-9588" title="montagem_hiroshima" src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2013/05/montagem_hiroshima.jpg" alt="" width="240" height="157" /><p class="wp-caption-text">Emmanuele Riva e Eiji Okada, em fotogramas do filme original e da cópia restaurada</p></div>
<p>&#8220;Foi uma das edições mais controversas da história de Cannes. A crítica não se conformava pelo filme ter sido ignorado na briga pela Palma e conseguido uma exibição pelo esforço de seus produtores, em sessão de pouco prestígio&#8221;, disse Florence Dauman, filha do produtor do filme, Anatole Dauman (1925-1998). Atual presidente da Argos Films, que detém os direitos de &#8220;Hiroshima Meu Amor&#8221;, Florence apresenta nesta segunda-feira, dia 20, às 20h, na Salle Bunuel, durante a 66ª edição do Festival de Cannes, uma cópia restaurada do drama poético, em que passado e presente coexistem com memórias de amor e dor. A exibição integra a mostra Cannes Classics, uma vitrine criada em 2004 para versões restauradas de títulos que contribuíram para a história do cinema.</p>
<p>Vencedor de inúmeros prêmios e indicado ao Oscar de melhor roteiro original, &#8220;Hiroshima Meu Amor&#8221; parte de uma aventura amorosa entre uma atriz francesa (Emmanuelle Riva) e um arquiteto japonês (Eiji Okada), em Hiroshima, onde ela roda um filme sobre a paz. O argumento desencadeia uma evocação poética do tempo e da memória, em que os protagonistas exorcizam suas lembranças. Entram desde os horrores enfrentados pelos japoneses com a bomba até a adolescência da atriz em Nevers, durante a ocupação nazista, quando ela se apaixonou por um oficial alemão, desonrando a família.</p>
<p><strong><cite dir="ltr">A exibição integra a mostra Cannes Classics, vitrine criada para versões restauradas de títulos que fizeram a história do cinema</cite></strong></p>
<p>Depois da passagem pelo Festival de Cannes, inaugurado na quarta-feira, a versão restaurada será apresentada no Festival de Ritrovato de Bologna e no de La Rochelle. Comercialmente, a cópia chegará aos cinemas da França a partir de 17 de julho, seguindo mais tarde para a Itália e outros países da Europa. No Brasil, ainda não há previsão de relançamento do filme.</p>
<p>A restauração de &#8220;Hiroshima Meu Amor&#8221; utilizou técnicas fotoquímicas e digitais (com o escaneamento do filme no formato 4K, com 4 mil linhas de resolução). O trabalho foi realizado em conjunto pela Argos Films, a Technicolor Foundation, a Groupama Gan Foundation, a Cinemateca de Bologna e o laboratório L&#8217;Immagine Ritrovata.</p>
<p>Como o negativo original já tinha sido usado para fazer inúmeras cópias para exibição nos cinemas, o material estava muito danificado, com várias sequências desgastadas e perda de definição. As bobinas 9 e 10 do filme, que trazem muitas cenas dos amantes no Japão, eram as mais riscadas, além de apresentarem degradação química, resultando em círculos na imagem. Os problemas foram contornados, embora não eliminados totalmente, com o processo de restauração conhecido como &#8220;wetgate&#8221;, em que o filme é revestido por um líquido que preenche arranhões e remove a poeira fina.</p>
<p>&#8220;As partes mais difíceis de restaurar em um filme são geralmente aquelas próximas aos efeitos de trucagem, por causa da sujeira, da baixa definição fotográfica e dos arranhões. Além disso, o negativo original de &#8220;Hiroshima Meu Amor&#8221; trazia alguns quadros do negativo duplicado, que tinha uma qualidade de imagem pobre e menos detalhada, em comparação com o original&#8221;, contou Elena Tammaccaro, restauradora de filmes da L&#8217;Immagine Ritrovata.</p>
<div class="mceTemp">
<div id="attachment_9587" class="wp-caption alignleft" style="width: 693px"><img class=" wp-image-9587  " title="montagem_hiroshima2" src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2013/05/montagem_hiroshima22.jpg" alt="" width="683" height="261" /><p class="wp-caption-text">O mais aclamado filme do festival de 1959, não incluído entre concorrentes considerados pelo júri oficial, &quot;Hiroshima&quot; acabou consagrado pelo prêmio da crítica</p></div>
<p>Outro aspecto crítico na restauração digital diz respeito às diferenças entre elementos. Em &#8220;Hiroshima Meu Amor&#8221;, há uma variação na fotografia, explicada pelo fato de o filme ter sido rodado no Japão e na França, com duas equipes técnicas e dois diretores de fotografia diferentes (o francês Sacha Vierny e o japonês Michio Takahashi).</p>
<p>&#8220;O material realizado no Japão tem uma qualidade fotográfica boa, mas é muito granulado. Já o negativo da parte francesa, apesar da mesma qualidade fotográfica, tem uma granulação mais fina. A boa restauração é aquela que respeita as diferenças, sem recorrer a processos agressivos capazes de nivelar as mudanças propositais entre um elemento e outro&#8221;, disse Elena.</p>
<p>Originalmente, o projeto de &#8220;Hiroshima Meu Amor&#8221; foi uma iniciativa da Argos Films. &#8220;Em 1957, meu pai sugeriu ao sr. Nagata, então presidente da produtora japonesa DAIEI, com escritório na França, um documentário com direção de Alain Resnais&#8221;, contou Florence, lembrando que o cineasta era conhecido pelo gênero, na época. Dois anos antes, ele havia feito &#8220;Noite e Neblina&#8221;, sobre campos de concentração. A proposta seria registrar Hiroshima após a destruição pelo lançamento da bomba atômica pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. &#8220;Mas Alain não se entusiasmou muito com a proposta. Pelo menos, até ter a ideia de mostrar o Japão pelos olhos de uma mulher. Daí nasceu o projeto como filme de ficção, que contou com o talento de Marguerite Duras, uma emergente no mundo da literatura naquela época, como roteirista.&#8221;</p>
<p>Ainda que outros filmes já tivessem empregado o recurso da estrutura não linear, voltando no tempo &#8211; entre eles, &#8220;Cidadão Kane&#8217; (1941) &#8211; que permeia a narrativa de &#8220;flasbacks&#8221;, &#8220;Hiroshima Meu Amor&#8221; imprimiu sua marca por utilizá-lo mais desordenadamente, dando a impressão de dissolver espaço e tempo, enquanto a narrativa passeava por Hiroshima e Nevers. &#8220;Foi o primeiro filme que deixou o espectador com a imaginação tão livre quanto a de um leitor de livro. Mudou a forma como as pessoas pensavam em cinema&#8221;, disse Florence, acrescentando que seria esse um dos pilares da Nouvelle Vague.</p>
<p>No ano em que o filme de Resnais foi exibido na Cote d&#8217;Azur, a França tinha enviado ao festival de Cannes, como opções, &#8220;Orfeu Negro&#8221;, de Marcel Camus, que saiu como o grande vencedor, conquistando a Palma de Ouro, e &#8220;Os Incompreendidos&#8221;, com o qual François Truffaut levou a estatueta de melhor direção. &#8220;Naquela época, era o governo de cada país que enviava seus candidatos, um pouco como funciona atualmente o Oscar de melhor produção estrangeira&#8221;, recordou Florence. &#8220;Embora &#8216;Hiroshima Meu Amor&#8217; tenha recebido um prêmio menor, ganhou os elogios mais inflamados daquela edição do evento. Enquanto o poeta e cineasta Jean Cocteau o chamou de &#8216;maravilhoso&#8217;, o crítico do jornal &#8216;Liberation&#8217; o definiu como o filme mais &#8216;escandaloso&#8217; de Cannes.&#8221;</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.valor.com.br/cultura/3127232/o-velho-amor-se-renova">Valor Econômico</a></p>
<p>&nbsp;</p></div>


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		<title>Antonio Cândido indica 10 livros para conhecer o Brasil</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 03:02:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Cândido]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Antonio Cândido Quando nos pedem para indicar um número muito limitado de livros importantes para conhecer o Brasil, oscilamos entre dois extremos possíveis: de um lado, tentar uma lista dos melhores, os que no consenso geral se situam acima dos demais; de outro lado, indicar os que nos agradam e, por isso, dependem sobretudo<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/antonio-candido-indica-10-livros-para-conhecer-o-brasil/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Antonio Cândido</p>
<p>Quando nos pedem para indicar um número muito limitado de livros importantes para conhecer o Brasil, oscilamos entre dois extremos possíveis: de um lado, tentar uma lista dos melhores, os que no consenso geral se situam acima dos demais; de outro lado, indicar os que nos agradam e, por isso, dependem sobretudo do nosso arbítrio e das nossas limitações. Ficarei mais perto da segunda hipótese.</p>
<p><span id="more-9573"></span></p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-9576" title="13-05-17_antonio-candido_10-livros-para-conhecer-o-brasil" src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2013/05/13-05-17_antonio-candido_10-livros-para-conhecer-o-brasil-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" />Como sabemos, o efeito de um livro sobre nós, mesmo no que se refere à simples informação, depende de muita coisa além do valor que ele possa ter. Depende do momento da vida em que o lemos, do grau do nosso conhecimento, da finalidade que temos pela frente. Para quem pouco leu e pouco sabe, um compêndio de ginásio pode ser a fonte reveladora. Para quem sabe muito, um livro importante não passa de chuva no molhado. Além disso, há as afinidades profundas, que nos fazem afinar com certo autor (e portanto aproveitá-lo ao máximo) e não com outro, independente da valia de ambos.</p>
<p>Por isso, é sempre complicado propor listas reduzidas de leituras fundamentais. Na elaboração da que vou sugerir (a pedido) adotei um critério simples: já que é impossível enumerar todos os livros importantes no caso, e já que as avaliações variam muito, indicarei alguns que abordam pontos a meu ver fundamentais, segundo o meu limitado ângulo de visão. Imagino que esses pontos fundamentais correspondem à curiosidade de um jovem que pretende adquirir boa informação a fim de poder fazer reflexões pertinentes, mas sabendo que se trata de amostra e que, portanto, muita coisa boa fica de fora.</p>
<p>São fundamentais tópicos como os seguintes: os europeus que fundaram o Brasil; os povos que encontraram aqui; os escravos importados sobre os quais recaiu o peso maior do trabalho; o tipo de sociedade que se organizou nos séculos de formação; a natureza da independência que nos separou da metrópole; o funcionamento do regime estabelecido pela independência; o isolamento de muitas populações, geralmente mestiças; o funcionamento da oligarquia republicana; a natureza da burguesia que domina o país. É claro que estes tópicos não esgotam a matéria, e basta enunciar um deles para ver surgirem ao seu lado muitos outros. Mas penso que, tomados no conjunto, servem para dar uma ideia básica.</p>
<p>Entre parênteses: desobedeço o limite de dez obras que me foi proposto para incluir de contrabando mais uma, porque acho indispensável uma introdução geral, que não se concentre em nenhum dos tópicos enumerados acima, mas abranja em síntese todos eles, ou quase. E como introdução geral não vejo nenhum melhor do que <em>O povo brasileiro</em> (1995), de Darcy Ribeiro, livro trepidante, cheio de ideias originais, que esclarece num estilo movimentado e atraente o objetivo expresso no subtítulo: “A formação e o sentido do Brasil”.</p>
<p>Quanto à caracterização do português, parece-me adequado o clássico <em>Raízes do Brasil</em> (1936), de Sérgio Buarque de Holanda, análise inspirada e profunda do que se poderia chamar a natureza do brasileiro e da sociedade brasileira a partir da herança portuguesa, indo desde o traçado das cidades e a atitude em face do trabalho até a organização política e o modo de ser. Nele, temos um estudo de transfusão social e cultural, mostrando como o colonizador esteve presente em nosso destino e não esquecendo a transformação que fez do Brasil contemporâneo uma realidade não mais luso-brasileira, mas, como diz ele, “americana”.</p>
<p>Em relação às populações autóctones, ponho de lado qualquer clássico para indicar uma obra recente que me parece exemplar como concepção e execução:<em>História dos índios do Brasil</em> (1992), organizada por Manuela Carneiro da Cunha e redigida por numerosos especialistas, que nos iniciam no passado remoto por meio da arqueologia, discriminam os grupos linguísticos, mostram o índio ao longo da sua história e em nossos dias, resultando uma introdução sólida e abrangente.</p>
<p>Seria bom se houvesse obra semelhante sobre o negro, e espero que ela apareça quanto antes. Os estudos específicos sobre ele começaram pela etnografia e o folclore, o que é importante, mas limitado. Surgiram depois estudos de valor sobre a escravidão e seus vários aspectos, e só mais recentemente se vem destacando algo essencial: o estudo do negro como agente ativo do processo histórico, inclusive do ângulo da resistência e da rebeldia, ignorado quase sempre pela historiografia tradicional. Nesse tópico resisto à tentação de indicar o clássico <em>O abolicionismo</em> (1883), de Joaquim Nabuco, e deixo de lado alguns estudos contemporâneos, para ficar com a síntese penetrante e clara de Kátia de Queirós Mattoso, <em>Ser escravo no Brasil</em> (1982), publicado originariamente em francês. Feito para público estrangeiro, é uma excelente visão geral desprovida de aparato erudito, que começa pela raiz africana, passa à escravização e ao tráfico para terminar pelas reações do escravo, desde as tentativas de alforria até a fuga e a rebelião. Naturalmente valeria a pena acrescentar estudos mais especializados, como <em>A escravidão africana no Brasil</em> (1949), de Maurício Goulart ou <em>A integração do negro na sociedade de classes</em> (1964), de Florestan Fernandes, que estuda em profundidade a exclusão social e econômica do antigo escravo depois da Abolição, o que constitui um dos maiores dramas da história brasileira e um fator permanente de desequilíbrio em nossa sociedade.</p>
<p>Esses três elementos formadores (português, índio, negro) aparecem inter-relacionados em obras que abordam o tópico seguinte, isto é, quais foram as características da sociedade que eles constituíram no Brasil, sob a liderança absoluta do português. A primeira que indicarei é <em>Casa grande e senzala</em> (1933), de Gilberto Freyre. O tempo passou (quase setenta anos), as críticas se acumularam, as pesquisas se renovaram e este livro continua vivíssimo, com os seus golpes de gênio e a sua escrita admirável – livre, sem vínculos acadêmicos, inspirada como a de um romance de alto voo. Verdadeiro acontecimento na história da cultura brasileira, ele veio revolucionar a visão predominante, completando a noção de raça (que vinha norteando até então os estudos sobre a nossa sociedade) pela de cultura; mostrando o papel do negro no tecido mais íntimo da vida familiar e do caráter do brasileiro; dissecando o relacionamento das três raças e dando ao fato da mestiçagem uma significação inédita. Cheio de pontos de vista originais, sugeriu entre outras coisas que o Brasil é uma espécie de prefiguração do mundo futuro, que será marcado pela fusão inevitável de raças e culturas.</p>
<p>Sobre o mesmo tópico (a sociedade colonial fundadora) é preciso ler também<em>Formação do Brasil contemporâneo, Colônia</em> (1942), de Caio Prado Júnior, que focaliza a realidade de um ângulo mais econômico do que cultural. É admirável, neste outro clássico, o estudo da expansão demográfica que foi configurando o perfil do território – estudo feito com percepção de geógrafo, que serve de base física para a análise das atividades econômicas (regidas pelo fornecimento de gêneros requeridos pela Europa), sobre as quais Caio Prado Júnior engasta a organização política e social, com articulação muito coerente, que privilegia a dimensão material.</p>
<p>Caracterizada a sociedade colonial, o tema imediato é a independência política, que leva a pensar em dois livros de Oliveira Lima: <em>D. João VI no Brasil</em> (1909) e <em>O movimento da Independência</em> (1922), sendo que o primeiro é das maiores obras da nossa historiografia. No entanto, prefiro indicar um outro, aparentemente fora do assunto: <em>A América Latina, Males de origem</em> (1905), de Manuel Bonfim. Nele a independência é de fato o eixo, porque, depois de analisar a brutalidade das classes dominantes, parasitas do trabalho escravo, mostra como elas promoveram a separação política para conservar as coisas como eram e prolongar o seu domínio. Daí (é a maior contribuição do livro) decorre o conservadorismo, marca da política e do pensamento brasileiro, que se multiplica insidiosamente de várias formas e impede a marcha da justiça social. Manuel Bonfim não tinha a envergadura de Oliveira Lima, monarquista e conservador, mas tinha pendores socialistas que lhe permitiram desmascarar o panorama da desigualdade e da opressão no Brasil (e em toda a América Latina).</p>
<p>Instalada a monarquia pelos conservadores, desdobra-se o período imperial, que faz pensar no grande clássico de Joaquim Nabuco: <em>Um estadista do Império</em>(1897). No entanto, este livro gira demais em torno de um só personagem, o pai do autor, de maneira que prefiro indicar outro que tem inclusive a vantagem de traçar o caminho que levou à mudança de regime: <em>Do Império à República</em>(1972), de Sérgio Buarque de Holanda, volume que faz parte da <em>História geral da civilização brasileira</em>, dirigida por ele. Abrangendo a fase 1868-1889, expõe o funcionamento da administração e da vida política, com os dilemas do poder e a natureza peculiar do parlamentarismo brasileiro, regido pela figura-chave de Pedro II.</p>
<p>A seguir, abre-se ante o leitor o período republicano, que tem sido estudado sob diversos aspectos, tornando mais difícil a escolha restrita. Mas penso que três livros são importantes no caso, inclusive como ponto de partida para alargar as leituras.</p>
<p>Um tópico de grande relevo é o isolamento geográfico e cultural que segregava boa parte das populações sertanejas, separando-as da civilização urbana ao ponto de se poder falar em “dois Brasis”, quase alheios um ao outro. As consequências podiam ser dramáticas, traduzindo-se em exclusão econômico-social, com agravamento da miséria, podendo gerar a violência e o conflito. O estudo dessa situação lamentável foi feito a propósito do extermínio do arraial de Canudos por Euclides da Cunha n’<em>Os sertões</em> (1902), livro que se impôs desde a publicação e revelou ao homem das cidades um Brasil desconhecido, que Euclides tornou presente à consciência do leitor graças à ênfase do seu estilo e à imaginação ardente com que acentuou os traços da realidade, lendo-a, por assim dizer, na craveira da tragédia. Misturando observação e indignação social, ele deu um exemplo duradouro de estudo que não evita as avaliações morais e abre caminho para as reivindicações políticas.</p>
<p>Da Proclamação da República até 1930 nas zonas adiantadas, e praticamente até hoje em algumas mais distantes, reinou a oligarquia dos proprietários rurais, assentada sobre a manipulação da política municipal de acordo com as diretrizes de um governo feito para atender aos seus interesses. A velha hipertrofia da ordem privada, de origem colonial, pesava sobre a esfera do interesse coletivo, definindo uma sociedade de privilégio e favor que tinha expressão nítida na atuação dos chefes políticos locais, os “coronéis”. Um livro que se recomenda por estudar esse estado de coisas (inclusive analisando o lado positivo da atuação dos líderes municipais, à luz do que era possível no estado do país) é <em>Coronelismo, enxada e voto</em> (1949), de Vitor Nunes Leal, análise e interpretação muito segura dos mecanismos políticos da chamada República Velha (1889-1930).</p>
<p>O último tópico é decisivo para nós, hoje em dia, porque se refere à modernização do Brasil, mediante a transferência de liderança da oligarquia de base rural para a burguesia de base industrial, o que corresponde à industrialização e tem como eixo a Revolução de 1930. A partir desta viu-se o operariado assumir a iniciativa política em ritmo cada vez mais intenso (embora tutelado em grande parte pelo governo) e o empresário vir a primeiro plano, mas de modo especial, porque a sua ação se misturou à mentalidade e às práticas da oligarquia. A bibliografia a respeito é vasta e engloba o problema do populismo como mecanismo de ajustamento entre arcaísmo e modernidade. Mas já que é preciso fazer uma escolha, opto pelo livro fundamental de Florestan Fernandes,<em>A revolução burguesa no Brasil</em> (1974). É uma obra de escrita densa e raciocínio cerrado, construída sobre o cruzamento da dimensão histórica com os tipos sociais, para caracterizar uma nova modalidade de liderança econômica e política.</p>
<p>Chegando aqui, verifico que essas sugestões sofrem a limitação das minhas limitações. E verifico, sobretudo, a ausência grave de um tópico: o imigrante. De fato, dei atenção aos três elementos formadores (português, índio, negro), mas não mencionei esse grande elemento transformador, responsável em grande parte pela inflexão que Sérgio Buarque de Holanda denominou “americana” da nossa história contemporânea. Mas não conheço obra geral sobre o assunto, se é que existe, e não as há sobre todos os contingentes. Seria possível mencionar, quanto a dois deles, <em>A aculturação dos alemães no Brasil</em> (1946), de Emílio Willems; <em>Italianos no Brasil</em> (1959), de Franco Cenni, ou <em>Do outro lado do Atlântico</em> (1989), de Ângelo Trento – mas isso ultrapassaria o limite que me foi dado.</p>
<p>No fim de tudo, fica o remorso, não apenas por ter excluído entre os autores do passado Oliveira Viana, Alcântara Machado, Fernando de Azevedo, Nestor Duarte e outros, mas também por não ter podido mencionar gente mais nova, como Raimundo Faoro, Celso Furtado, Fernando Novais, José Murilo de Carvalho, Evaldo Cabral de Melo etc. etc. etc. etc.</p>
<p><em>* Artigo publicado na edição 41 da revista Teoria e Debate – em 30/09/2000</em></p>
<p>Fonte: <a href="http://blogdaboitempo.com.br/2013/05/17/antonio-candido-indica-10-livros-para-conhecer-o-brasil/">Blog da boitempo</a></p>
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		<title>Democracia. Será mesmo?</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 03:02:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Carta Capital]]></category>
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		<description><![CDATA[Nas eleições legislativas, vence uma legenda islâmica com a aprovação do Taleban e de Obama. Mas&#8230; Por Gianni Carta, de Karachi, Paquistão De Karachi, Paquistão Foi uma vitória da democracia. É o que alegam numerosos observadores a respeito das legislativas de sábado 11, vencidas por Nawaz Sharif, da líder Liga Muçulmana do Paquistão (PML-N). Pela<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/democracia-sera-mesmo/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nas eleições legislativas, vence uma legenda islâmica com a aprovação do Taleban e de Obama. Mas&#8230; Por Gianni Carta, de Karachi, Paquistão</p>
<p><span id="more-9578"></span></p>
<p>De Karachi, Paquistão</p>
<p>Foi uma vitória da democracia. É o que alegam numerosos observadores a respeito das legislativas de sábado 11, vencidas por Nawaz Sharif, da líder Liga Muçulmana do Paquistão (PML-N). Pela primeira vez desde a criação do país, em 1947, ocorreu a transição de um governo civil para outro, e este, mais um fato inédito, completou seu mandato de cinco anos. Isso tudo no contexto de uma curta história, a contar a divisão do subcontinente indiano entre a Índia e o Paquistão, país infelicitado por quatro golpes militares, o último deles chefiado pelo general Pervez Musharraf, que se manteve no poder de 1999 a 2008.</p>
<div id="attachment_9580" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-9580" title="image_preview-1" src="http://www.cidadaodomundo.org/wp-content/uploads/2013/05/image_preview-1-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /><p class="wp-caption-text">Festa. No dia da eleição morreram 64 pessoas. Mesmo assim o povo está alegre</p></div>
<p><strong>Segundo o Colégio Eleitoral,</strong> 60% dos 85 milhões de registrados compareceram às urnas, ante 44% em 2008. Seria fruto da intrepidez de um povo que quer mudar seu país? Assim sugere Tauqeer Hussain Sargarna, professor de Relações Internacionais da Bahria University, em Islamabad. No mínimo, os eleitores foram corajosos, visto que o Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), o Taleban paquistanês, aconselhou os cidadãos a “evitar” as urnas, caso quisessem continuar vivos. “A democracia”, dita um comunicado do Taleban, “é um sistema não islâmico, de infiéis”.</p>
<p>Outras agremiações religiosas pregaram a não participação de mulheres nas legislativas. Foi o caso de legendas religiosas de Khyber Pakhtunkhwa (KP, ex-Fronteira Nordeste), uma das quatro províncias deste país. Essas agremiações islamitas avisaram os homens para dizer às mulheres, irmãs e filhas, a não votar no dia 11. “Não seria um ato muçulmano elas votarem.”</p>
<p>Zohra Yusuf, presidenta da ONG Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, constata: “Nos países muçulmanos as mulheres costumam ter um papel público, mas não político, coisa para homem”. No sábado, marcaram presença eleitoras seculares, com véus ou <em>burcas</em>. Chamou a atenção deste repórter o fato de haver salas para votar para homens e outras para mulheres. “As mulheres também querem mudar este país”, disse Naila Madani, da tevê estatal Pakistan. “Independentemente de nosso comportamento religioso, queremos igualdade.”</p>
<p>Irregularidades não escassearam no pleito em Karachi e em outras províncias. Passei por pelos menos dois colégios eleitorais de portas fechadas. O povo, fora, a reclamar seu direito de votar. No colégio eleitoral F. G. Girls College, ao sul de Karachi, em um país onde a comunidade cristã representa apenas 2% da maioria sunita, um eleitor à espera de votar está com raiva. Há duas horas está na fila debaixo de um sol a pino, temperatura de 42 graus. Chama-se Imran Bashir, traja elegante túnica branca, fala em um inglês impecável. Indago se não tem medo de se expor às bombas do Taleban. “O que o senhor quer que eu faça? Ficar em casa, com medo do Taleban, e não tentar mudar o futuro do meu país?” Dentro do colégio eleitoral, o <em>staff</em> é mínimo. Indago ao presidente do Colégio Eleitoral da sessão o motivo. “Não sei por que os outros não vieram.”</p>
<p>Na saída do colégio eleitoral, reencontro Bashir. “As legendas radicais não querem os votos dos cristãos.” Trata-se de um cidadão culto.  Engenheiro, está desempregado. “E aqui estou”, me diz, “para votar por um regime democrático sob as ameaças de um bando de terroristas.” As minorias não foram e não serão os únicos alvos do Taleban paquistanês.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Visaram, através de</strong> pistoleiros em garupas de motos e em automóveis, sem falar dos homens-bomba, eleitores e integrantes dos três partidos liberais: Partido Nacional Awami (ANP), Movimento Muttahida Qaumi (MQM) e Partido Popular Paquistanês (PPP). Desde o início da campanha eleitoral para a Assembleia Nacional e quatro assembleias provinciais, em março, morreram 160 pessoas, entre eleitores e políticos. No dia do pleito perderam a vida 64 pessoas, 11 delas em uma das quatro explosões ocorridas em Karachi, o centro econômico de 18 milhões de habitantes, um décimo da população do país.</p>
<p>Enquanto isso, o Taleban paquistanês parece simpatizar com Sharif e Imran Khan, ex-campeão mundial de críquete em 1992 e líder do Movimento pela Justiça do Paquistão (PTI). Por isso, os dois partidos, ao contrário de seus rivais seculares, puderam organizar comícios sem temer tiros e bombas. De fato, Sharif e Khan disseram que pretendem negociar com o Taleban. Ambos se pronunciaram contra os teleguiados norte-americanos a matar civis no Paquistão e no Afeganistão. Por sua vez, Khan repetiu que o Taleban não é um movimento religioso, e sim uma organização de defesa de seus territórios contra os estrangeiros. Ambos foram não somente poupados, mas Sharif será o novo premier, e Khan disputa a liderança da oposição à testa do PTI. Com cerca de 125 cadeiras, Sharif provavelmente formará, no entanto, um governo com legendas independentes, e não com rivais como Khan.</p>
<p>O Taleban pode não ter conseguido torpedear o pleito, mas ajudou a eleger o líder de um partido islâmico. Em miúdos, o Taleban venceu o pleito. E, ironicamente ou não, a escolha de Sharif foi aplaudida pela chamada “comunidade internacional”: Barack Obama, observadores eleitorais da União Europeia, comentaristas de jornalões neoliberais, agências noticiosas ocidentais, e até líderes de países em acelerado desenvolvimento, como o premier da Índia, Manmohan Singh, e Hamid Karzai, presidente de um país assolado pela guerra civil.</p>
<p>O novo premier, de 63 anos, o primeiro a ser eleito pela terceira vez, agrada por motivos domésticos e/ou internacionais, visto que o Paquistão no Sul da Ásia é país de enorme importância em áreas econômicas e geopolíticas. Os bilhões de Sharif, oriundos da indústria do aço, fazem dele um exemplo similar a Silvio Berlusconi na Itália. O povo, antes de amadurecer, vota sempre naqueles que parecem capazes de abrir portas inesperadas e lhes servir de modelo, mesmo que essas esperanças não passem de ilusão. Durante a campanha, Sharif repetiu qual era sua prioridade: “A economia, a economia, a economia”. Por sua vez as Bolsas de Valores, por motivos outros que os do povo, reagiram com o esperado entusiasmo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Sharif pode ser</strong> um neoliberal, o que satisfaz a “comunidade internacional”, mas ninguém confia nele. “Apoia as elites e as classes médias, nem quer saber das classes trabalhadoras”, me diz Tauseef Ahmed Khan, analista político de vários periódicos paquistaneses. Sharif, vale lembrar, já foi condenado à prisão perpétua por corrupção e foi salvo pelos sauditas, paraíso de ditadores e grupos extremistas a agir no mundo árabe.</p>
<p>Após 11 de setembro, estabeleceram-se formas de colaboração entre os EUA e o Paquistão. Ao longo da campanha, Sharif não se cansou de repetir que não haveria mais cooperação entre os serviços de inteligência (CIA e ISI, no Paquistão) e exércitos. Pior para os EUA: em lugar de anunciar operações militares contra o Taleban e a Al-Qaeda, Sharif aponta para futuras negociações com o Taleban.</p>
<p>Estaria Sharif se aproximando de movimentos islâmicos radicais? “Uma coisa é o que você diz na campanha eleitoral, outra é aquela colocada em prática uma vez no cargo”, diz Hussain Sargarna, da Bahria University. Certo é que, já eleito, Sharif “felicitou os norte-americanos pela retirada de tropas” do Afeganistão. E ofereceu “todo o apoio necessário” para nossos “amigos norte-americanos”.</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.cartacapital.com.br/revista/749/democracia-sera-mesmo/view">Carta Capital</a></p>
<p>&nbsp;</p>


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		<title>Falta de planejamento pode estragar o sonho da casa própria</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 03:02:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Mariana Branco Nunca os brasileiros tiveram acesso a tanto crédito e facilidades para adquirir a casa própria. Mas, na empolgação de assinar o contrato, muitos consumidores esquecem detalhes que podem virar dor de cabeça no futuro e até forçar a devolução do imóvel. Os compradores devem estar cientes, por exemplo, do risco de a<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/falta-de-planejamento-pode-estragar-o-sonho-da-casa-propria/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Mariana Branco</p>
<p>Nunca os brasileiros tiveram acesso a tanto crédito e facilidades para adquirir a casa própria. Mas, na empolgação de assinar o contrato, muitos consumidores esquecem detalhes que podem virar dor de cabeça no futuro e até forçar a devolução do imóvel.</p>
<p><span id="more-9582"></span></p>
<p>Os compradores devem estar cientes, por exemplo, do risco de a instituição bancária não liberar o financiamento que possibilitará honrar a dívida com a construtora ou de o valor sofrer alteração e ficar acima de sua capacidade de pagamento.</p>
<p>Além disso, precisam levar em conta que terão gastos consideráveis com taxas cartoriais e bancárias, além de itens como mudança e mobília. Entidades de defesa do consumidor alertam para a necessidade de o comprador estar atento, já que, interessados em fechar negócio, muitas vezes os corretores e construtoras falham em fornecer informações a respeito.</p>
<p>“Estamos tendo muita reclamação, pois acontece de os imóveis valorizarem e não se encaixarem mais no limite de crédito que o comprador se propôs a tomar”, explica o advogado Geraldo Tardin, presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec).</p>
<p>Segundo ele, um caso típico tem sido o imóvel ter valorização superior a R$ 170 mil, limite financiado pelo Programa Minha Casa, Minha Vida nas capitais brasileiras. Nesse caso, o consumidor não tem mais acesso aos juros reduzidos do programa e as prestações sobem. De acordo com Tardin, em ocorrências do tipo, o comprador pode buscar na Justiça uma rescisão do contrato e tentar receber de volta os valores desembolsados.</p>
<p>“Há ainda a possibilidade de mover uma ação de obrigação de fazer contra a Caixa [Econômica Federal, agente financeiro do Minha Casa, Minha Vida]. Se o mercado valorizou, o consumidor não tem culpa”, avalia.</p>
<p>Para a advogada Maria Inês Dolci, coordenadora da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), é necessário haver pressão sobre as empresas envolvidas para que haja mais clareza nas negociações e no texto do contrato. &#8220;O consumidor tem de estar muito ciente do risco e tem de estar previsto o que ocorrerá e quais valores serão devolvidos no caso de o financiamento não ser liberado&#8221;, explica.</p>
<p>Segundo a advogada, a promessa de compra e venda entre consumidor e construtora precisa informar ainda o custo efetivo total envolvido na operação. &#8220;Todos os encargos, tudo que incide de ônus deve estar discriminado. Se o consumidor perceber que não tem, pode questionar, procurar os Procons ou a Justiça&#8221;, informa.</p>
<p>Passada a primeira fase e liberado o financiamento, o comprador precisa se preparar para as taxas cartoriais e bancárias. Os custos de cartório não chegam a ser informados  no contrato, porque são calculados posteriormente pelo Poder Público municipal e estadual.</p>
<p>Quem financiou o bem precisa arcar com o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis Intervivos (ITBI) e o registro do imóvel. Nesses casos, o contrato com o banco já equivale a uma escritura. Quem pagou à vista, no entanto, deve arcar ainda com a taxa para confecção de uma escritura pública.</p>
<p>Somadas, essas tarifas, que têm por base o valor do bem e cujo cálculo varia segundo a localidade do país, podem atingir de 3% a 5% do custo da casa própria. Além disso, dependendo do banco que fará o financiamento, podem ser cobradas taxas de cadastro e de abertura de crédito, entre outras.</p>
<p>O educador e terapeuta financeiro Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), destaca que esses custos podem abalar um orçamento contigenciado e que, por isso, o ideal é planejar com antecedência e construir uma reserva.</p>
<p>&#8220;Vale lembrar que o imóvel na planta não tem armários e outras benfeitorias. O nosso sistema não é como na Inglaterra, em que se financia 100% do valor e ainda se tem crédito para mobiliar. Também tem que prever os gastos com mudança, condomínio, IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano]. Tudo isso tem que ser objeto de análise muito antes [da compra]. Não só o que se gastará no começo, mas também o dia a dia da nova casa. Se não, o risco é entrar em desequilíbrio financeiro ou até devolver o imóvel&#8221;, comenta.</p>
<p>Segundo Domingos, a dica para poupar é fazer uma estimativa dos gastos totais, avaliar quanto falta para atingir o montante e diagnosticar quanto pode ser posto de lado por mês para fazer face às despesas. &#8220;Tem que começar a buscar uma redução de gastos e excessos. Reunir todos da família e melhorar o desempenho do orçamento familiar&#8221;, sugere.</p>
<p>Um direito que muitos brasileiros não sabem que existe e que pode aliviar os pesados desembolsos que envolvem a aquisição de um imóvel, é o desconto de 50% no registro cartorial para quem está adquirindo sua primeira casa pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH). O benefício é previsto na Lei 6.015, de 1973, e vale para o território nacional.</p>
<p>Para receber o abatimento, basta estar declarado no contrato de aquisição que se trata do primeiro imóvel. A compra de imóveis dentro do Programa Minha Casa, Minha Vida também dá direito a custos reduzidos. O Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), no entanto, regido por uma lei diferente da que regula o SFH &#8211; o sistema permite financiar imóveis acima de R$ 500 mil e não prevê uso do FGTS, entre outras diferenças &#8211; não dá direito a abatimento.</p>
<p>Segundo a Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg), caso o cartório se recuse a conceder o desconto devido, o cliente pode registrar queixa junto à Corregedoria do Tribunal de Justiça da Região.</p>
<p><em>Edição: Davi Oliveira</em></p>
<p>Fonte: <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-18/falta-de-planejamento-pode-estragar-sonho-da-casa-propria-alertam-especialistas">Agência Brasil</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>


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</ol><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/cidadaodomundo/~4/5YlazdM-AC8" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Naquela Mesa com Elizeth Cardoso</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 00:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Último Assentamento]]></category>
		<category><![CDATA[Videos]]></category>
		<category><![CDATA[Elizeth Cardoso]]></category>
		<category><![CDATA[Naquela mesa]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
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		<description><![CDATA[Naquela mesa ele sentava sempre E me dizia sempre O que é viver melhor Naquela mesa ele contava histórias Que hoje na memória Eu guardo e sei de cor Naquela mesa ele juntava gente E contava contente O que fez de manhã E nos seus olhos era tanto brilho Que mais que seu filho Eu<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/naquela-mesa-com-elizeth-cardoso/">&#160;&#160;leia mais.</a>


Sem posts relacionados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="355"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1Cx3S8TCCQE" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed wmode="opaque" src="http://www.youtube.com/v/1Cx3S8TCCQE" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="355"></embed></object><br />
Naquela mesa ele sentava sempre<br />
E me dizia sempre<br />
O que é viver melhor<br />
Naquela mesa ele contava histórias<br />
Que hoje na memória<br />
Eu guardo e sei de cor<br />
Naquela mesa ele juntava gente<br />
E contava contente<br />
O que fez de manhã<br />
E nos seus olhos era tanto brilho<br />
Que mais que seu filho<br />
Eu fiquei seu fã<br />
Eu não sabia que doía tanto<br />
Uma mesa num canto<br />
Uma casa e um jardim<br />
Se eu soubesse o quanto doi a vida<br />
Essa dor tão doída<br />
Não doía assim<br />
Agora resta uma mesa na sala<br />
E hoje ninguém mais fala<br />
No seu bandolim<br />
Naquela mesa tá faltando ele<br />
E a saudade dele<br />
Tá doendo em mim,<br />
Naquela mesa tá faltanto ele<br />
E a saudade dele<br />
Tá doendo em mim.</p>


<p>Sem posts relacionados.</p><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/cidadaodomundo/~4/quYaX9fcHcE" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Os despejos de Sheikh Jarrah, a visão israelita de Jerusalém</title>
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		<comments>http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/os-despejos-de-sheikh-jarrah-a-visao-israelita-de-jerusalem/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 18 May 2013 18:47:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Despejo]]></category>
		<category><![CDATA[Esquerda.net]]></category>
		<category><![CDATA[Sheikh Jarrah]]></category>

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		<description><![CDATA[A 20 de maio, o Supremo Tribunal israelita vai decidir se a família Shamasneh, da zona de Sheik Jarrah em Jerusalém Oriental, perderá a sua casa para os colonos israelitas. As razões e os métodos por trás do despejo promovido por Israel de mais uma família de Sheik Jarrah ilustram bem a sua política global<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/os-despejos-de-sheikh-jarrah-a-visao-israelita-de-jerusalem/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A 20 de maio, o Supremo Tribunal israelita vai decidir se a família Shamasneh, da zona de Sheik Jarrah em Jerusalém Oriental, perderá a sua casa para os colonos israelitas. As razões e os métodos por trás do despejo promovido por Israel de mais uma família de Sheik Jarrah ilustram bem a sua política global de expulsar os palestinos em Jerusalém e tornar mais judaica a cidade. Por Lea Frehse e Johanna Wagman, AIC</p>
<p><span id="more-9569"></span></p>
<p>Não há nada de novo debaixo do sol de Jerusalém. Tristemente, outra família palestina é ameaçada com uma ordem de despejo emitida por um tribunal israelita. Contudo, e mesmo que para alguns isto pareça a enésima repetição de um cenário sobejamente conhecido, não nos podemos esquecer que por trás destes casos estão pessoas, pessoas de verdade. Nesse âmbito, continua a ser de crucial importância que se fale deles e que sem descanso relembremos o fardo que eles têm de carregar, a injustiça que enfrentam.</p>
<p>Desta vez, trata-se da família Shamasneh. Mohammed Shamasneh, os seus pais, mulher e filhos vivem na sua casa na parte oriental de Sheikh Jarrah desde 1964, quando a mãe e o pai se mudaram para o que na altura era um quarto único.</p>
<p>À medida que a família crescia, o mesmo acontecia à casa. Até 1967, a família arrendava-a ao governo jordano. Cinco anos depois da ocupação israelita, o seu contrato de aluguer passou para as autoridades israelitas e, mais concretamente, para a Guarda da Propriedade dos Ausentes, deixando os Shamasneh sem senhorio entre 1967 e 1972. O contrato de arrendamento era anual e renovado consecutivamente no tempo.</p>
<p>Contudo, e de forma súbita, em 2009 a Guarda contestou a renovação do contrato. Conforme explica Mohammed, “disseram-nos: a casa em que vivem pertencia a um judeu que tem 4 descendentes que querem a casa de volta. Duas semanas depois chegou uma carta a avisar que tínhamos uma audiência em tribunal”.</p>
<p>E realmente, uma lei israelita de 1970 prevê o seguinte caso: se o dono judeu de uma propriedade sob controlo jordano entre 1948 e 1967 requerer a propriedade de volta, a Guarda Israelita deve transferir o título de propriedade para ele. Se esta estiver ocupada por inquilinos protegidos, um estatuto concedido a Palestinos de Jerusalém Oriental que tinham contratos de arrendamento com a Guarda Jordana de Propriedade do Inimigo anteriores a 1967, os novos proprietários devem continuar a arrendar a propriedade à família que ali viva.</p>
<p>Desde 2009 que a família Shamasneh passa por processos judiciais constantes. A 21 de dezembro de 2012, a família perdeu um recurso interposto no Tribunal Distrital de Jerusalém pelo seu advogado, Mouhanned Jabara. A família Shamasneh requeria o estatuto de inquilinos protegidos, mas não convenceu a juíza Anna Schneider que viviam naquela casa antes de 1968. Consequentemente, emitiu uma ordem de evacuação para 1 de março de 2013.</p>
<p>A 15 de janeiro de 2013, a família Shamasneh perdeu o recurso interposto contra esta decisão. O seu despejo, no entanto, ficou pendente de uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça sobre esta matéria, esperada para 20 de maio de 2013.</p>
<p>A família Shamasneh ilustra os planos e vias de ação do estado israelita, implementados, lentamente mas com segurança, com colonos: um plano a longo prazo, que fará de Jerusalém, em caso de um processo de paz, uma cidade judia de facto.</p>
<p>Os colonos, quer se refiram a Sheikh Jarrah ou a Shimon Hatsadik (Simão o Justo), demonstram ostensivamente um interesse religioso na área, onde Simão o Justo está supostamente sepultado.</p>
<p>Estimam os historiadores que Simão o Justo tenha vivido cerca de 300 anos antes da nossa era. As suas opiniões estão gravadas na Mishnah, a primeira versão escrita das traduções orais judaicas, fazendo dele um personagem do Judaismo.</p>
<p>Os interesses do governo Israelita em Sheikh Jarrah são, no entanto, mais vastos. Na realidade, se olharmos para um mapa de Jerusalém, vemos que Sheikh Jarrah é um dos cinco bairros palestinos que rodeiam a Cidade Velha. Todos estes bairros são alvo direto de Israel: Wadi Al-Joz, At Tur, Al Shayyah, Ras Al Amud e Silwan.</p>
<p>Para entender a importância destes bairros, devemos ter atenção à geografia de Jerusalém: começando com Jerusalém Ocidental e a Cidade Velha, estes cinco bairros adjacentes à Cidade Velha, e depois a Jerusalém Oriental, mais ampla, compreendendo bairros Palestinos (de Beit Hanina, passando por Shuafat e Abu Dis, e terinando em Beit Safafa) misturados com grandes colonatos (de Givat Zeev, passando por Pisgat Zeev e Maale Adumin e acabando em Gilo).</p>
<p>Colonizar estes cinco bairros palestinos rodearia portanto a Cidade Velha com habitantes judeus de Este a Oeste, dando uma “almofada” importante ao processo de tornar judia toda esta zona.</p>
<p>O outro aspeto que torna a família Shamasneh um caso representativo é o seu oponente. Se a Guarda da Propriedade dos Ausentes, uma autoridade estatal, é oficialmente quem lança o processo judicial contra a família, outros indivíduos estão escondidos neste processo. Quem são os descendentes do suposto dono judeu anterior?</p>
<p>A Guarda de Israel, se bem que um organismo estatal, é representado por um advogado privado. Em segundo lugar, um grupo colonizador chamado “Fundo da Terra de Israel”<a name="sdfootnote1anc" href="http://www.esquerda.net/artigo/os-despejos-de-sheikh-jarrah-vis%C3%A3o-israelita-de-jerusal%C3%A9m/27893#sdfootnote1sym"></a><sup>1</sup> tem seguido o caso da família Shamasneh e reclamado vitória nas audiências anteriores.</p>
<p>Na realidade, Arieh King, criador do Fundo, tem publicado mensagens no Tweeter sobre o caso. Em dezembro de 2012 escreveu : “boas novas desde Jerusalém: na quinta-feira conseguimos uma ordem de despejo de uma família Árabe da casa de Shimon Hatzadik, Jerusalém Oriental”.</p>
<p>Mais ainda, a 10 de dezembro, King publicou uma fotografia de Ayub Muhammad Shamasneh (pai de Mohammad) a receber a ordem de despejo do tribunal de Jerusalém.</p>
<p>O Fundo da Terra de Israel descreve-se a si próprio como “dedicado a permitir que todos os judeus (cidadãos israelitas e não israelitas) possam deter uma parte de Israel. Esforça-se por garantir que a terra judia seja reclamada e de novo em mãos judias. Com centenas de propriedades por todo Israel à venda, o Fundo da Terra de Israel oferece a cada judeu, independentemente da localização, a oportunidade de ter uma parte da terra.”<br />
De acordo com o fundo, “o Estado de Israel é uma democracia. Usufrui de liberdade de discurso, reunião e religião. Em conjunto com isto, qualquer indivíduo que deseje comprar propriedades em Israel pode-o fazer. Como resultado disso, há cada vez mais árabes e não-judeus a viver e a deter terra por todo Israel, de Jerusalém Ocidental a Tel Aviv e mais além.</p>
<p>Mais concretamente, a organização ajuda judeus que detinham terra antes de 1948 a reclamá-la de volta, e garante que estes a vendem ou alugam apenas a judeus. No caso da família Shamasneh, parece que no caso de um despejo, os donos judeus que cooperam com o Fundo da Terra de Israel irão criar um novo lote de casas judias em Sheikh Jarrah.</p>
<p>E a intenção dos colonos é muito clara: Mohammed Shamasneh, durante um protesto semanal em Sheikh Jarrah, foi com a família Al-Ghawi, despejada da sua casa em Sheikh Jarrah, à sua anterior morada. “Al-Ghawi estava de pé em frente à casa, e o colono saiu. Al-Ghawi disse-lhe: você tirou-me a minha casa, você é um homem religioso, isto tem de ser proibido pela Torah. O colono respondeu: ainda só ficámos com estas casas, ainda falta o resto do bairro. Vocês como palestinos não têm direito a estar aqui, têm 21 países árabes para onde podem ir”.</p>
<p>Os laços estreitos entre o estado de Israel e os colonos parece ter atingido um novo nível: o do ramo judicial. Quando o Fundo da Terra de Israel afirma que Israel é uma democracia, está cego ao facto de que numa democracia todos são iguais perante a. lei. A já referida lei de 1970 garante direitos única e exclusivamente a judeus, ignorando completamente as centenas de palestinos que perderam terras em 1948. Apenas judeus estão representados pelo estado de Israel e apoiados por uma organização imobiliária, de cariz ideológico e sem fins lucrativos.</p>
<p>Em Sheikh Jarrah, como em muitos outros locais em Jerusalém e na Margem Ocidental, a ocupação de Israel tem uma bela embalagem, limpa e completamente envolta em procedimentos legais. Contudo, atrás das cartas oficiais e decisões judiciais está uma realidade que Mohammed Shamasneh pode explicar melhor: “o governo israelita, tribunais e grupos de colonos têm comportamentos suspeitos”, disse ele ao AIC. “Chegar a uma família com 10 elementos e pô-los na rua não é religioso nem moral. Desde a Nakba<a name="sdfootnote2anc" href="http://www.esquerda.net/artigo/os-despejos-de-sheikh-jarrah-vis%C3%A3o-israelita-de-jerusal%C3%A9m/27893#sdfootnote2sym"></a><sup>2</sup> até agora temos vivido uma situação de injustiça. Gostávamos que esta injustiça acabasse”.</p>
<p>Com a data da audiência final do Supremo Tribunal a aproximar-se rapidamente (20 de maio), a família Shamasneh e os residentes de Sheikh Jarrah estão a pedir adesão a manifestações esta semana:</p>
<p>Na sexta-feira 17 de maio, terá lugar uma demonstração massiva no parque de Sheikh Jarrah.</p>
<p>Na segunda-feira dia 20 de maio às 9h, pede-se a presença de ativistas israelitas e internacionais junto do Supremo Tribunal Israelita.</p>
<p>Publicado em <a href="http://www.alternativenews.org/english/index.php/regions/jerusalem/6448-sheikh-jarrah-evictions-israeli-vision-of-jerusalem.html" target="_blank">Alternative News</a></p>
<p><em>Tradução de Luís Moreira para o Esquerda.net</em></p>
<p><em>12 de maio de 2013</em></p>
<p><em>Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico &#8211; convertido pelo Lince.</em></p>
<div id="sdfootnote1">
<p><a name="sdfootnote1sym" href="http://www.esquerda.net/artigo/os-despejos-de-sheikh-jarrah-vis%C3%A3o-israelita-de-jerusal%C3%A9m/27893#sdfootnote1anc"></a>1 Israel Land Fund</p>
</div>
<div id="sdfootnote2">
<p><a name="sdfootnote2sym" href="http://www.esquerda.net/artigo/os-despejos-de-sheikh-jarrah-vis%C3%A3o-israelita-de-jerusal%C3%A9m/27893#sdfootnote2anc"></a>2 Nakba é uma palavra árabe (??????) que significa &#8220;catástrofe&#8221; ou &#8220;desastre&#8221; e designa o êxodo palestino de 1948 (em árabe, 1948 ????????????????, translit. 1948 al-Hijra al-Filas??n?ya), quando pelo menos 711.000 árabes palestinos, segundo dados da ONU, fugiram ou foram expulsos de seus lares, em razão da guerra civil de 1947-1948 e da Guerra Árabe-Israelita de 1948. Geralmente comemorado a 15 de maio</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.esquerda.net/artigo/os-despejos-de-sheikh-jarrah-visão-israelita-de-jerusalém/27893">Esquerda.net</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>


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		<item>
		<title>Rede ligada à Unicef promove ações em defesa de crianças e adolescentes</title>
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		<pubDate>Sat, 18 May 2013 18:39:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agência Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[defesa de crianças e adolescentes]]></category>
		<category><![CDATA[UNICEF]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Thais Leitão Preocupada com o possível aumento dos casos de violação dos direitos de crianças e adolescentes durante os eventos esportivos que o Brasil vai receber nos próximos anos, a Rede de Adolescentes e Jovens pelo Esporte Seguro e Inclusivo (Rejupe), ligada ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), está promovendo a<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/rede-ligada-a-unicef-promove-acoes-em-defesa-de-criancas-e-adolescentes/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Thais Leitão</p>
<p>Preocupada com o possível aumento dos casos de violação dos direitos de crianças e adolescentes durante os eventos esportivos que o Brasil vai receber nos próximos anos, a Rede de Adolescentes e Jovens pelo Esporte Seguro e Inclusivo (Rejupe), ligada ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), está promovendo a partir de hoje (18) diversas ações nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. A iniciativa faz parte das mobilizações do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, neste sábado (18).</p>
<p><span id="more-9567"></span></p>
<p>Estima-se que aproximadamente 600 mil turistas circulem pelo país durante os jogos da Copa do Mundo.</p>
<p>Segundo o coordenador do programa do Unicef Cidadania dos Adolescentes, no Brasil, Mário Volpe, o objetivo das ações do Rejupe é dar visibilidade aos riscos a que estão expostos meninas e meninos e reforçar a importância de se denunciar situações de violência sexual. A rede foi criada em 2011 para garantir que jovens lideranças contribuam para a construção de um legado social positivo a partir dos eventos esportivos.</p>
<p>Considerado um crime pouco visível, o que dificulta a responsabilização dos agressores, a violência sexual contra crianças e adolescentes deve ser combatida, na avaliação de especialistas, principalmente com ações de prevenção.</p>
<p>“Nessas épocas, teremos grande circulação de pessoas em várias cidades, os hotéis ficarão lotados, e o controle dos locais onde ocorre o abuso será mais complexo. Por isso é importante reforçar as campanhas que alertam para o fato de que esse tipo de exploração é crime”, explicou.</p>
<p>“É preciso sinalizar de todas as formas que o Brasil está atento e comprometido com a defesa de crianças e adolescentes, fazendo todo mundo compreender que o país não tolera nenhum tipo de violação em relação a eles, passando pelo taxista que vai receber os turistas, por quem vai hospedá-los, pelos donos de restaurantes e pelos próprios turistas”, acrescentou.</p>
<p>Mário Volpe disse, ainda, que além das ações que ocorrerão em razão do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, mais atividades com o mesmo objetivo estão sendo planejadas para a abertura da Copa das Confederações, em 15 de junho, e para o dia 12 de outubro, quando se comemora o Dia das Crianças.</p>
<p>“O Brasil avançou muito nos últimos anos nesse tema, mas é preciso reforçar os mecanismos de prevenção que colocam o país em alerta para proteger crianças e adolescentes e assegurar que eles também participem desses eventos com alegria, de forma lúdica, sem serem negligenciadas”, ressaltou.</p>
<p>Em uma das ações para marcar o dia de combate, jovens da Rejupe em São Paulo estão divulgando em redes sociais, a partir de hoje (18), o vídeo do <em>flash mob</em> (mobilização geralmente combinada pela internet que reúne um grupo de pessoas em um lugar público para chamar a atenção para determinada causa) que fizeram esta semana na Avenida Paulista.</p>
<p>De acordo com o educador Rafael Alves, integrante da Rejupe em São Paulo, cerca de 40 jovens criaram e fizeram uma dança em que cada passo representa uma modalidade esportiva.</p>
<p>“Como não teríamos como veicular um vídeo como esse em grandes veículos, pensamos nas redes sociais pelo grande alcance que elas têm. Ao final do vídeo, após a dança, quando todos estão focados apenas no esporte, uma menina, vítima de exploração sexual, tenta sem sucesso chamar a atenção das pessoas”, explicou.</p>
<p>Alves acredita que o vídeo vai ajudar a sociedade a compreender que não se pode, em razão da euforia e da mobilização com os eventos esportivos, fechar os olhos para esse tipo de violação que ocorre todos os dias.</p>
<p>Também com o objetivo de mobilizar a população para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes, o Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR) lançaram, na última quarta-feira (15), a <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-15/conanda-e-sdh-lancam-campanha-contra-exploracao-sexual-de-criancas-e-adolescentes">campanha &#8220;Faça bonito, proteja nossas crianças&#8221;</a>.</p>
<p>A estimativa é que mais de 3 mil municípios em todo o país participem de mobilizações em torno da data, que incluem palestras, workshops e caminhadas.</p>
<p>Durante o lançamento da campanha, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse que a população brasileira se mostra cada vez mais consciente em relação à exploração sexual de crianças e adolescentes.</p>
<p>Em 2012, a Secretaria de Direitos Humanos registrou 130.029 denúncias de violência contra crianças e adolescentes, por meio do Disque 100. O serviço de proteção, vinculado ao Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes da SDH, funciona diariamente das 8h às 22h, inclusive nos fins de semana e feriados. As denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização, de acordo com a competência e as atribuições específicas, no prazo de 24 horas. O sigilo da identidade do denunciante é garantido.</p>
<p><em>Edição: Fernando Fraga</em></p>
<p>Fonte: <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-18/rede-ligada-unicef-promove-acoes-em-defesa-de-criancas-e-adolescentes">Agência Brasil</a></p>
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		<title>Felicidade é Amor. Ponto Final</title>
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		<pubDate>Sat, 18 May 2013 18:35:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Último Assentamento]]></category>
		<category><![CDATA[Felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Revista Istoé]]></category>

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		<description><![CDATA[Homens que tiveram relações afetivas saudáveis com suas mães são mais felizes na terceira idade Por Ana Paula Padrão O título deste artigo não é meu. A frase é a conclusão de um estudo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que começou em 1938. A pesquisa está entre as de mais longa duração da<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/felicidade-e-amor-ponto-final/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Homens que tiveram relações afetivas saudáveis com suas mães são mais felizes na terceira idade</p>
<p>Por Ana Paula Padrão<br />
<span id="more-9564"></span></p>
<div id="divCompleta">
<p>O título deste artigo não é meu. A frase é a conclusão de um estudo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que começou em 1938. A pesquisa está entre as de mais longa duração da história e foi monitorada por cientistas de diferentes áreas.</p>
<p>Durante esses 75 anos, as vidas de 268 homens foram acompanhadas de perto. Ao longo do tempo, aspectos psicológicos e físicos, tipo de personalidade, QI, hábitos alimentares, relacionamento familiar e vários outros itens foram estudados nesses indivíduos.</p>
<p>As conclusões são chocantes justamente por serem bastante previsíveis. A primeira é o imenso poder destrutivo do alcoolismo. No grupo estudado, a bebida foi a maior causa de divórcios e está diretamente relacionada ao desenvolvimento de neuroses e depressão. Associada ao tabagismo, foi a principal causadora de doenças graves e morte. Óbvio, não é?</p>
<p>Outro achado: o grau de inteligência entre os homens que fizeram parte da pesquisa não teve relação com o sucesso financeiro de cada um. Indivíduos com QI 110 não foram menos bem-sucedidos, no geral, do que aqueles com QI 150. Sempre achei essa história de QI muito pouco significativa e incapaz de medir nossa capacidade de adaptação às situações que se apresentam ao longo da vida.</p>
<p>Posições políticas e ideológicas não são fator determinante para uma vida feliz, ainda de acordo com o estudo. O que os cientistas concluíram, e eles mesmos não sabem dizer por que, é que os conservadores encerram sua vida sexual mais cedo, em média aos 68 anos. Já os liberais ficam ativos – se é que você me entende – até os 80. Claro que a pesquisa foi realizada entre americanos, para quem ideologia e a escolha de um partido político têm tudo a ver. Mas não deixa de me parecer razoável, e deliciosamente irônico, que conservadorismo e baixo apetite sexual estejam diretamente relacionados.</p>
<p>A grande eureka da pesquisa, no entanto, é a correlação direta e poderosa entre uma vida feliz e o amor, principalmente na infância. Homens que tiveram relações afetivas saudáveis com suas mães são mais felizes na terceira idade. E o são porque reproduziram outras relações calorosas e intensas na maturidade. Ou seja, quem aprende a amar reproduz o amor. E felicidade é basicamente… amor. Uma emoção que se reflete em todos os aspectos da vida.</p>
<p>Entre os pesquisados, aqueles que tiveram uma primeira infância amorosa ganhavam salários mais altos do que os demais, qualquer que tenha sido a profissão que tenham escolhido exercer. Além disso, eram os que menos apresentavam sinais de demência numa idade avançada.</p>
<p>E foram, ainda, os que mais se declararam felizes.<br />
A pesquisa consumiu 20 milhões de dólares durante esses 75 anos. Um preço baixo a pagar se pudéssemos aplicar suas conclusões num país como o Brasil. Por falta de informação ou de tempo, muitas mulheres ainda acreditam que ser mãe é basicamente alimentar, garantir saúde e segurança aos filhos. Ser mãe é muito mais do que isso. É interagir, abraçar, sonhar com eles. Amar é mais importante do que prover. Como disse o pesquisador George Vaillant, que dirigiu o estudo por mais de 30 anos, “felicidade é amor. Ponto final”.</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/colunista/45_ANA+PAULA+PADRAO">Revista Istoé</a></p>
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		<title>Que futuro espera a eurozona?</title>
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		<pubDate>Sat, 18 May 2013 18:30:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Washington</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Carta Maior]]></category>
		<category><![CDATA[Crise financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Eurozona]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Jacques Sapir A fundação alemã Friederich Ebert Stiftung, vinculada ao Partido Social Democrata (SPD), acaba de publicar um documento que analisa os possíveis cenários futuros no marco de um projeto intitulado Scenario Team Eurozone 2020 [1]. Este documento foi redigido a partir de várias reuniões (16 no total) celebradas em diferentes países ao longo de<a href="http://www.cidadaodomundo.org/2013/05/que-futuro-espera-a-eurozona/">&#160;&#160;leia mais.</a>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Jacques Sapir</p>
<p>A fundação alemã Friederich Ebert Stiftung, vinculada ao Partido Social Democrata (SPD), acaba de publicar um documento que analisa os possíveis cenários futuros no marco de um projeto intitulado Scenario Team Eurozone 2020 [1].</p>
<p><span id="more-9562"></span></p>
<p>Este documento foi redigido a partir de várias reuniões (16 no total) celebradas em diferentes países ao longo de 2012. As conclusões foram obtidas no marco de uma reunião celebrada em Bruxelas no dia 6 de dezembro de 2012. Ainda que este documento não represente a postura oficial da socialdemocracia alemã e europeia (participaram de sua redação representantes de diversos países), é sintomático sobre o ponto de vista que existe atualmente na Alemanha sobre a questão da eurozona. Isso é o que o faz interessante. Não consideramos este texto o alfa e ômega da reflexão sobre esta questão, mas algo representativo de um estado de ânimo no resto da Europa e na Alemanha, que do seu ponto de vista contrasta com as opiniões que continuam propagando na imprensa francesa. O documento inicia com uma “recapitulação da situação” e reconhece que o euro deve fazer frente a uma crise generalizada. Também reconhece que as medidas adotadas até agora para fazer frente a esta crise demonstraram rapidamente ser inadequadas e ter contribuído para piorar a crise.<br />
“As medidas adotadas nas muitas cúpulas sobre a crise demonstraram rapidamente ser inadequadas e muitas vezes simplesmente acentuam os efeitos da crise. Em muitos países, especialmente no sul da Europa, isso se fez sentir em uma dramática intensificação da situação social, a alta taxa de desemprego (juvenil), a recessão econômica e a cada vez maior frustração de amplos setores da população a respeito da Europa e das instituições europeias” (p. 3).</p>
<p>Não podemos mais não estar de acordo com esta constatação. Ademais, ainda que algumas das medidas tenham sido decididas formalmente, chocam-se com importantes resistências no domínio de sua aplicação (caso da união bancária, que a Alemanha só aceitou com muitas reticências). A intensificação da crise, seja por meio do aumento dramático do desemprego em países como a Grécia e a Espanha ou por meio da degradação regular das contas públicas nos diferentes países, demonstra claramente que a crise está cada vez mais presente e é mais grave.</p>
<p><strong>I. Os quatro cenários contemplados</strong></p>
<p>A partir desta constatação foram elaborados quatro cenários. Algumas de suas hipóteses são realistas, outras parecem ser menos. Convenhamos: um cenário não é nada sem o realismo das hipóteses. Vamos resumi-los rapidamente, indicando os pontos sobre os quais os grupos de trabalho não adotaram hipóteses realistas ou apenas adotaram hipóteses parciais.</p>
<p><strong>(1) Estancamento na crise (Muddling-trough the crisis)</strong></p>
<p>Neste cenário, a União Econômica e Monetária continua sendo um mecanismo incompleto. Como consequência, os países do sul continuam sendo dependentes de planos de resgate por parte de países da Europa do norte, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) continua e inclusive amplia suas compras de dívidas soberanas no mercado secundário para manter as taxas de juros em níveis suportáveis. Assim, o sul da Europa se instala em uma longa depressão e é incapaz de saltar a um novo modelo de crescimento devido à falta de investimento e, acrescentamos, devido à falta de demanda solvente e à fuga acelerada dos melhores cérebros. Os planos de resgate garantem que estes países permanecem no euro (apesar de movimentos cada vez mais importantes contra o euro em suas populações), mas são incapazes de encontrar uma solução para esta crise. A União Europeia está debilitada em comparação tanto com os Estados Unidos como com os países emergentes e se torna cada vez mais dependente de seus sócios.</p>
<p><strong>(2) A fragmentação da eurozona (Break-up of the Eurozone)</strong></p>
<p>Neste caso, a gestão da crise é ainda mais conservadora que no cenário anterior, no qual se admite um compromisso importante do BCE. Ainda que formalmente estabelecida, a União Bancária é pouco eficaz devido à reticência que muitos países têm com sua aplicação. A piora da situação econômica nos países do sul da Europa se combina com uma nova versão do Pacto de Crescimento e Estabilidade, que exige cada vez mais esforços destes países com vistas a uma redução dos déficits e da dívida. Além disso, não há nem uma política de investimento em nível europeu nem política industrial e tampouco comercial. O resultado de tudo isso é que as tensões sociais se tornam incontroláveis e levam a algumas saídas não coordenadas da eurozona. O resultado disto é uma divisão monetária da Europa em três, ao dividir-se em uma eurozona “mantida” em torno da Alemanha (de fato, uma “zona marco”), uma União Monetária do Norte em torno da Grã-Bretanha e uma Europa do sul onde cada país recupera sua soberania monetária. Há que se ressaltar que, na realidade, a chamada “União Monetária do Norte” é muito pouco provável. A Grã-Bretanha não tem interesse em uma União Monetária. Existe a possibilidade de que se constitua uma “zona esterlina”, mas o grau de probabilidade é muito baixo. A saída que consideramos mais provável é, por um lado, a constituição de uma “zona marco” que se estenda direta e indiretamente a alguns países de Europa Central e uma volta às soberanias monetárias para o conjunto dos demais países. Neste cenário se questiona a União Europeia tanto no exterior, onde está debilitada sua postura frente aos Estados Unidos (mas também frente à China e à Rússia), como no interior, devido ao ascenso de movimentos políticos que questionam radicalmente a própria existência de instituições europeias.</p>
<p><strong>(3) O fechamento de um núcleo duro da Europa (Core Europe)</strong></p>
<p>Neste cenário se teria, por um lado, um “núcleo” europeu no marco de um novo tratado que inclua a União Bancária, mas também a União Orçamentária e, por outro lado, aqueles países que recusaram este tratado e constitui um segundo nível da EU, esta vez reduzido a uma zona de livre comércio. Por suposto, o estudo da FES inclui a Alemanha e a França nos países do núcleo e aposta que, em torno destes dois países, se unirão vários dos outros países sobre a base de um acordo político (chamado de Pacto Euro Plus) que inclui a renúncia à austeridade e regras sociais e fiscais comuns para evitar o dumping social e fiscal. “[…] Se implementou o Pacto Euro Plus, com seus compromissos de uma maior convergência da taxação corporativa e dos complementos/benefícios sociais, mas só no grupo central, que tem que proteger-se de um cada vez maior dumping fiscal e social dos demais países. Novos recursos financeiros para o investimento, combinado com uma política industrial europeia, o Mercado Único e as reformas estruturais adequadas fomentaram a transição a uma economia mais verde, mais inteligente e mais inclusiva no grupo central” (p. 8). Este núcleo teria então uma forte coerência e poderia conhecer um desenvolvimento mais harmonioso. Para os demais países, a situação seria menos cor-de-rosa e continuaria sendo necessária a chamada ação “não convencional” do Banco Central Europeu. Do mesmo modo, também seria necessário o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MES) e se desenvolveriam seus meios de intervenção para fazer frente às crises que aconteceriam nos países que não fossem membros do “núcleo duro”, ao mesmo tempo em que teriam uma condicionalidade ainda mais reforçada. Iriam aumentando as diferenças entre os países do “núcleo duro” e o resto da União Europeia. Em última instância, se poderia ver o desenvolvimento de um forte antagonismo entre os países do “núcleo duro” e os demais países da União Europeia. “Os Estados membros da periferia são propensos a medidas protecionistas, enquanto os Estados do centro enfrentam uma pressão cada vez maior em termos de competitividade devido a seus altos níveis sociais. Isso leva a uma hostilidade cada vez maior e a um populismo antieuropeu dentro e fora do centro” (p. 8). Por nossa parte, esse cenário parece pouco provável, uma vez que pressupõe um acordo político de fundo e não de simples forma com a Alemanha, enquanto o conflito entre a França e a Alemanha está aumentando em potência, não importa o que diga o governo francês. Agora vejamos: se bem não é possível um acordo de fundo entre a Alemanha e a França e, em vista das atuais divergências, esta parece ser a solução mais provável, a solução para a França será ou dar razão à Alemanha sobre a austeridade ou abandonar o euro. Assim, pois, voltamos ou ao primeiro cenário (o estancamento) ou ao segundo (a fragmentação).</p>
<p><strong>(4) A consecução da União Orçamentária (Fiscal union completed).</strong></p>
<p>Neste cenário a Alemanha, depois da França e, na continuação, os demais países da eurozona sentem a necessidade comum de acelerar o movimento a uma Europa federal, ao passo que se reduz sensivelmente a austeridade que padece o sul da Europa. Estabelece-se um fundo de estabilização comum (uma mutualização das dívidas) enquanto a eurozona se dota de uma agência capaz de emitir seus próprios empréstimos para financiar investimentos generalizados no conjunto dos países sob a égide de uma autoridade de vigilância comum. “A vigilância macroeconômica vai acompanhada de recursos mais fortes para a recuperação: não apenas uma implementação mais rápida dos fundos estruturais, mas também um Fundo Europeu para a Estabilização Econômica para tratar os choques assimétricos. Também se fomentam o diálogo e a negociação sociais em nível nacional e europeu para alinhar melhor os salários e a produtividade” (p. 9). O problema com este cenário é que não leva em conta as necessidades financeiras em transferências anuais para além da questão dos investimentos. Este é, também, um problema recorrente em todos os cenários federalistas [2] . O federalismo implica transferências, ao que a Alemanha se nega, mas também a Finlândia e a Áustria [3] . Pois bem, a quantidade das transferências para garantir a simples recuperação de quatro dos países que têm mais dificuldades (Espanha, Grécia, Itália e Portugal) é da ordem de 240 a 250 bilhões de euros ao ano durante dez anos [4] . Além disso, é muito provável que este nível de transferência se torne perene como se vê hoje no interior dos Estados-nações e para a França com o caso dos DOM-TOM (departamentos e territórios ultramarinos da França – N do T). Por conseguinte, não se trataria de transferências durante um período curto e é totalmente ilusório pensar em financiá-lo por meio de empréstimo.</p>
<p><strong>II. A evolução provável da situação na eurozona</strong></p>
<p>Ao ler este documento se percebe claramente que saíram à luz sérias divergências na avaliação dos futuros possíveis e de seus graus de probabilidade. Isto é particularmente visível nas rupturas de coerência que se podem observar na análise dos diferentes cenários. Não obstante, se desprende uma impressão geral, a de um grande pessimismo no que se refere ao futuro da eurozona.</p>
<p><strong>(1) Da impossibilidade de continuar a política atual com risco de uma explosão da eurozona</strong></p>
<p>No primeiro cenário, o do estancamento na crise, encontramos, em particular, esta passagem muito contraditória: “Em geral se considerava que o primeiro cenário, ‘estancamento na crise’, era insustentável, mas havia uma variação séria no marco da qual podia persistir, a saber, uma espécie de ‘cenário japonês’. Isso significaria um longo período de estancamento, deflação e alto endividamento. Este cenário seria o resultado da gestão da crise preponderante até então e caracterizada como ‘pouco demais, tarde demais’, combinado com o domínio do método intergovernamental em vez do método Comunitário” (p. 10). A primeira reação, que consiste em dizer que este cenário não é duradouro e não tem perenidade, é contradita pela referência, introduzida no final, a um “cenário japonês”. Bem, este último cenário, que faz referência a uma “década perdida” no Japão, não leva em conta o fato de que a eurozona não é um país, mas um conjunto de países, o que também coloca em relevo a referência ao “método intergovernamental”. A única solução para que se possa dar certa perenidade ao cenário do estancamento consiste em admitir alguns fluxos de transferências sem dúvida inferiores aos montantes necessários para a hipótese federal, mas que, não obstante, continuariam sendo significativos. Bem, está claro que a Alemanha não só se negará a pagar estes montantes, mas que se opõe de maneira cada vez mais aberta à evolução que estamos assistindo no BCE com a chegada de Mario Draghi [5] . Na realidade, o segundo cenário, o de uma fragmentação da eurozona, parece muito mais provável, mas por sua vez se divide em um cenário “negro” qualificado de “iugoslavo” e um cenário mais rosa, qualificado de “soviético”:</p>
<p>“Como vimos, o segundo cenário (ruptura da eurozona) poderia ser o resultado do atual e infrutuoso enfoque do estancamento adotado até o momento. Esta ruptura pode ocorrer de duas maneiras: primeira, a síndrome iugoslava, que supõe uma separação violenta e um vazio de tomada de decisão no qual os acontecimentos, simplesmente, seguem seu próprio curso. É claro, esse seria o pior dos piores cenários possíveis e não é surpreendente que o concebesse um participante da antiga Iugoslávia. Deveria ser levado a sério porque, ainda que ninguém o deseje, simplesmente poderia acontecer […]” (p. 10), e:</p>
<p>“A segunda imagem de ruptura seria pacífica, como a dissolução da União Soviética, na qual alguns dirigentes ‘sábios’ reconheceram que o custo de manter a União Soviética seria muito mais alto (e provavelmente impossível) que o de deixar que se desmoronasse ao mesmo tempo em que se mantinha intacta uma parte central. No caso EMU (União Monetária e Econômica – N do T), a decisão destes dirigentes ‘sábios’ levaria, logicamente, ao cenário da Europa central” (p. 10).</p>
<p><strong>(2) A hipótese de um “núcleo duro europeu” e suas contradições</strong></p>
<p>Assim, o terceiro cenário examinado se poderia desprender do segundo. O “núcleo duro” europeu estaria formado pelos países que houvessem conservado o euro e, de fato, é o cenário que a pela maioria dos participantes nas diferentes reuniões organizadas Friederich Ebert Stiftung considera mais plausível. Mas não podemos deixar de observar uma incoerência sobre este ponto: para que se constitua o “núcleo duro” que prevê o terceiro cenário, é imperativo que a França pertença a ele. Se o “núcleo duro” está constituído pela antiga “zona marco”, nos encontramos de fato ante uma das variantes do cenário da explosão da eurozona, uma vez que é evidente que a Alemanha e seus satélites não teriam nem vontade nem interesse em pôr em marcha as reformas que implicam no “núcleo duro”. Agora, a França só pode permanecer em uma “eurozona mantida” com a condição de que a Itália (e talvez a Espanha) forme parte dela. Para a indústria francesa seriam muito dramáticos os efeitos de um pertencimento ao euro do qual não formaram parte nem a Itália nem a Espanha. Mas um “núcleo duro” que agrupe em torno de si a Alemanha, a França e a Itália não é muito diferente da configuração atual. Se a Grécia e o Chipre saíssem do euro, teria pouca importância economicamente (financeiramente seria outra questão). Agora, é evidente que a situação econômica da Espanha e da Itália está muito degradada. Por conseguinte, para que o “núcleo duro” se constitua como algo diferente de uma “zona marco” com um nome novo, a Alemanha teria que aceitar as transferências que hoje recusa. Portanto, voltamos a nos encontrar na situação precedente.<br />
“Assim, como se mencionou antes, este terceiro cenário (a Europa central) poderia derivar dos outros dois. Muitos o consideraram o cenário mais provável, ainda que com muitos riscos, especialmente no que diz respeito a seu caráter potencialmente não-democrático, que poderia ser produto do enfoque intergovernamental da gestão da crise implementado pelo governo Merkel” (p. 10).<br />
Outro problema que se expôs é o da ausência de democracia em caso de que se constituísse um “núcleo duro” em torno da Alemanha. Efetivamente, é um dos problemas, ainda que seja alheio à economia. Está claro que a única lógica do estabelecimento de instituições controladas pelo governo alemão seria transformar os países europeus que o aceitassem em protetorados (no melhor dos casos) ou em colônias (no pior) da Alemanha. Finalmente, os participantes consideraram o último cenário, o de um federalismo orçamentário muito avançado, o melhor, mas o menos provável. Não podemos deixar de compartilhar a opinião que se expressou então referente à viabilidade deste federalismo.</p>
<p><strong>(3) Os determinantes da indecisão alemã</strong></p>
<p>Por conseguinte, desse quadro elaborado pelos especialistas da Friederich Ebert Stiftung, se desprende uma constatação que a algumas pessoas parecerá pessimista, mas que, na verdade, é realista. A postura da Alemanha condena, em curto prazo, a eurozona e a melhor solução residiria em uma dissolução concertada desta que permitiria salvaguardar um núcleo institucional europeu. Portanto, há que refletir sobre “a quem interessa o euro” na Alemanha.<br />
Claramente, se trata de uma aliança entre algumas indústrias cujos maiores mercados estão nos países europeus e alguns banqueiros que têm muito a perder com uma desaparição do euro. Para os primeiros, o euro em sua forma atual é a garantia de uma moeda que não esteja sobrevalorizada demais. Se a Alemanha voltasse ao marco, este não só se valorizaria fortemente frente ao dólar e ao iene (com uma taxa de câmbio de um marco por 1,50 dólares), mas também as moedas dos principais clientes da Alemanha na Europa, a França, a Itália e a Espanha, se depreciariam livremente. Não só dispararia o excedente comercial alemão, mas também não é impossível que crescesse um déficit de 1% a 2% do PIB. Por outro lado, a uma parte da população e das pessoas aposentadas interessa claramente que a Alemanha abandone a eurozona para garantir o valor patrimonial de sua poupança. Em qualquer caso, essa parte da população se opõe ferozmente a qualquer transferência da Alemanha aos países do sul da Europa. Essa ambiguidade explica a política de Angela Merkel, que afirma querer conservar o euro (e ao fazê-lo leva em conta os interesses dos industriais e dos banqueiros), mas que também afirma que não se trata de pagar, direta ou indiretamente, com isso defendendo os interesses de seu eleitorado. Temos que acrescentar que se ela decidisse sacrificar os interesses de seu eleitorado, os industriais lhe lembrariam de que a competitividade alemã se baseia também no fato de que se reinvista uma parte dos excedentes comerciais.</p>
<p>Eles tampouco têm grandes margens de manobra. Além disso, foram isolados sete grupos sociais cujo tamanho é diferente, mas cuja influência no processo de decisão é relativamente comparável, seja devido aos meios de comunicação que controlam, a sua reputação na sociedade ou, simplesmente, a sua massa eleitoral. Enfrentam-se três possibilidades que se abrem diante da Alemanha, ou seja, a perpetuação da situação atual, um federalismo orçamentário importante, que impõe custos de transferências de 8% a 10% para a Alemanha e uma explosão do euro com uma forte reavaliação do marco. Vemos que a solução do federalismo orçamentário é a mais desfavorável para cinco das sete categorias contempladas. Não é realmente vantajosa para nenhuma das categorias. A solução de uma explosão da eurozona é muito desfavorável para três categorias, mas, pelo contrário, muito favorável para duas. A solução da perpetuação da situação atual é medianamente desfavorável ou medianamente favorável para todas as categorias, exceto para uma, para a qual é muito favorável. Por isso se chegou ao consenso, na verdade por exclusão, em torno desta opção. Mas, a todas as luzes, a opção do federalismo orçamentário é excluída para um poder democrático na Alemanha porque é demasiadamente desfavorável para demasiados segmentos da sociedade. Agora, a primeira das possibilidades não se pode perpetuar no tempo. O documento da Friederich Ebert Stiftung a estabelece de maneira convincente. Nestas condições, nos dirigimos indefectivelmente à terceira das possibilidades, ou seja, deixar que exploda a eurozona.</p>
<p>Ao não haver compreendido esta situação, ao não haver feito uma análise por categorias sociais e por grupo que tenha uma representatividade simbólica importante, Jean-Luc Mélenchon tem discursos absurdos nos quais pretende que a Alemanha “quer” tirar do euro os países que são seus principais clientes… O que a Alemanha quer evitar a todo custo é ter que contribuir de forma generalizada à economia da eurozona.</p>
<p><strong>(4) A melhor das soluções, uma dissolução ordenada?</strong></p>
<p>Por conseguinte, uma leitura atenta deste documento confirma que os diferentes especialistas europeus reunidos pela Friederich Ebert Stiftung consideram que já não é possível prosseguir com a política atual e que esta se tornou inclusive perigosa, uma vez que pode levar, a qualquer momento, a uma explosão incontrolada da eurozona. Mas, além dos problemas de suscitaria, não entra no domínio do possível a realização de um federalismo orçamentário estendido. Esse objetivo deve ser considerado uma utopia no sentido primeiro do termo. A terceira solução, a denominada do “núcleo duro” se choca com duas contradições: a primeira é a contradição entre as políticas alemã e francesa. Se a França se dobra às condições alemãs, o “núcleo duro” não funciona; se a França procura o enfrentamento, se arrisca a que a Alemanha acredite e a França tenha que sair do euro. A continuação apresenta uma segunda contradição. O “núcleo duro” só terá homogeneidade para funcionar ao se aproximar a “zona marco”, mas então perde muito de seu interesse.</p>
<p>Vê-se que a única opção razoável é a de uma dissolução ordenada do euro que permita subsistir alguns mecanismos de concertação monetária entre os países, mas que lhes devolva toda a flexibilidade monetária que desejem. Esta não é mais a solução que defendi no mês de julho passado, em um documento de trabalho [6] . Daqui para frente estão voltando sobre ela levados pela necessidade.</p>
<p><em><br />
Notas</em></p>
<p>[1] U. Dirksen, B. Hacker, M-J Rodriguez e W. Velt, Scenarios for the Eurozone 2020, Scenario Team Eurozone 2020, Friederich Ebert Stiftung, Berlim, Março 2013. URL: http://library.fes.de/pdf-fiis/id/ipa/09723.pdf<br />
[2] M. Aglietta, Zone Euro: éclatement ou fédération , Michalon, Paris, 2012.<br />
[3] P. Artus, «Trois possibilités seulement pour a zone euro», NATIXIS, Flash-Économie, n°729, 25 de outubro de 2012; idem, «La solidarité avec les autres pays de la zone euro est-elle incompatível avec la stratégie fondamentale de l’Allemagne: rester compétitive au niveau mondial? La réponse est oui», NATIXIS, Flash-Économie , n° 508, 17 de julho de 2012.<br />
[4] J. Sapir, “Le coût du fédéralisme dans la zone Euro”, artigo publicado em Russeurope em 10/11/2012, URL: http://russeurope.hypotheses.org/453<br />
[5] K. Pfaffenbach, «La BuBa confirme un rapport critique sur les OMT», Les Echos.fr et Reuters, 24 de abril de 2013, e lhttp://www.lesechos.fr/entreprises-secteurs/finance-marches/actu/reuters-00517494-la-buba-confirme-un-rapport-critique-sur-les-omt-562463.php<br />
[6] Documento publicado em setembro de 2012 em RussEurope, J. Sapir, A dissolution de la Zone Euro: Une solution raisonnable pour éviter la catastrophe , documento de trabalho inédito, 19 de julho de 2012, pdf., http://russeurope.hypotheses.org/23</p>
<p>Fonte: http://russeurope.hypotheses.org/1182</p>
<p>Tradução: Liborio Júnior</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22058">Carta Maior</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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