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O Espião (”Fifty Dead Men Walking”, Inglaterra / Canadá, 2008)

Aldo Alves | 16-julho-2009

Baseado numa história real, Jim Sturgees de “Território Restrito” é Martin, um irlandês morando em Belfast em plena época de conflitos entre o IRA e a polícia inglesa. De malandro vendedor de objetos roubados, ele é recrutado para o IRA, ao mesmo tempo que em é abordado pelo agente Fergus inglês (Ben Kingsley de “Expresso Transiberiano“) para servir de espião. Enquanto ele cada vez mais se identifica com as causas do IRA, Martin acaba desenvolvendo uma relação paterna com Fergus e também passa a ver com olhos mais críticos a violência que o conflito causa.

Num misto de drama, ação e suspense e no melhor estilo de “Donnie Brasco” ou “Os Infiltrados“, “O Espião” desenvolve muito bem o dilema que o protagonista passa, juntamente com toda a tensão envolvida caso ele seja descoberto. Sturgees brilha com um personagem muito bem lapidado cheio de princípios, mas também cheio de dúvidas de qual dos lados é o certo a ficar. A reconstituição de época misturando alguns discursos de figuras reais de ambos os lados do conflito ainda funciona como uma espécie de selo de qualidade.

O grande problema do roteiro está em seu final. Ou em seu início. Explico: como uma técnica cada vez mais comum de narrativa, o filme é introduzido com uma cena, digamos, crucial, e depois volta alguns anos para que a história se desenvolva até aquele momento. Só que quando chega lá, o roteirista parece ter perdido a idéia e daí resulta num desfecho um tanto vazio. Como um cachorro correndo atrás de um carro e quando o carro pára, o cachorro não sabe o que fazer além de latir.

Fora isso, “O Espião“, cujos fatos são narrados no livro homônimo escrito pelo próprio e verdadeiro Martin McGartland, é uma produção de altíssima qualidade é agrega valor a cinegrafia de qualquer um.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Jim Sturgess
Ben Kingsley
Kevin Zegers
Natalie Press
Rose McGowan

Direção:
Kari Skogland

Produção:
Stephen Hegyes
Peter LaTerriere
Shawn Williamson

Fotografia:
Jonathan Freeman

Trilha Sonora:
Ben Mink

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Ação, Drama
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O Quarto do Medo (”The Fear Chamber”, EUA, 2009)

Aldo Alves | 15-julho-2009

“Nós temos algo em comum: você caça bandidos e eu fujo da polícia”

É com esse tipo de diálogo porco que o Cinecríticas teve que aturar nessa medonha sessão desse mequetrefe suspense sobrenatural. Policial armado toma porrada de um psicopata fajuto e pára no hospital. A partir daí, ele começa a ter visões de quem vai morrer. Ou de quem já morreu. Não dá pra entender bem. Mas não importa, já que isso não ajuda em nada à caçada. Depois ele ainda encontra mais umas duas vezes com o tal assassino. Ele com arma e tudo. O assassino de mãos abanando. Toma porrada do mesmo jeito. Não dá pra saber qual dos dois é o incompetente.

As cenas são sempre filmadas com a câmera fechada num ambiente limitado ou então como close novelesco. Isso, é claro, serve pra esconder que a produção é de fundo de quintal e os realizadores não tiveram nem recursos pra conseguir um cenário mais convincente. O protagonista tendo que se esgueirar pela mesa de seu chefe por falta de espaço é de última.

Por sinal o comissário e chefe do policial é interpretado por Steven Williams. Quem? A galera da casa dos trinta anos vai lembrar dele como sendo o comissário da finada e ótima série dos anos 80 “Anjos da Lei“. Pelo visto, ele nunca foi promovido.

É difícil falar de um filme sem atrativos, com uma história que vai do nada a lugar nenhum e que, mesmo com uns efeitos especiais um pouquinho bem cuidados, passa a anos-luz de qualquer coisa que valha a penas se deter mais de dois minutos. Não tem o que falar. É só não alugar.

Cotação: ☆☆☆☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Richard Tyson
Rhett Giles
Steven Williams
Miranda Kwok
John Duerler
Nikki Norris
Todd Rexx

Direção:
Kevin Carraway

Produção:
Peter Mervis
Amanda Rossi

Fotografia:
Henryk Cymerman

Trilha Sonora:
Mel Lewis

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Terror
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Entrevista com Tony Ramos de Tempos de Paz e a nova promoção!!!

Aldo Alves | 13-julho-2009

Bem, a promoção é do Núcleo da Idéia Comunicação sobre o filme Tempos de Paz, e o Cinecríticas, sempre amante das artes, amigo de fé e irmão camarada, tá dando essa força.

A gente dá a força e a promoção dá ingressos para a pré-estréia no RJ e SP!

E é fácil, vai! É só deixar um comentário na página do YouTube com o trailer aqui e esperar, pois no dia dia 29 de julho, sai o resultado e você pode ser aquele feliz ganhador!

Agora pra vocês se deliciarem, tem a entrevista exclusiva com um dos maiores atores nacionais.

Ele: Tony Ramos!

Especial
“O que me fascina nesta profissão é a possibilidade de, a cada trabalho, poder brincar com as ideias e com os temas. Brincar é saber como encontrar a alma de cada personagem. ‘Tempo de Paz’ é mais especial para mim por ter feito a peça de teatro. É raro que atores que fazem um trabalho no teatro consigam voltar a ele no cinema. Foi um presente. Registramos a peça em DVD, mas Daniel evoluiu com a ideia. Esse título mais seco insere várias ideias. Surgiram personagens novos. Dan, esse grande ator, que tinha comigo uma parceria absoluta no teatro, mergulhou também nessa ideia.”

Personagem
“As ações do Segismundo são absolutamente condenáveis, horrorosas, odiáveis, qualquer adjetivo que você queira achar de ruim. A primeira leitura para mim foi um impacto muito grande, pelo tributo às artes que é o texto. Pensei: ‘meu Deus, falar essas coisas?!’ Mas aí disse para o autor: ‘adorei esse personagem’. Ele é quase um autômato, um órfão criado num orfanato luterano, de disciplina rígida, nasceu no final do século XIX. Quando o filme começa o personagem está na metade do século XX, avançando nos seus 50 anos. Foi criado dentro de um ambiente de afeto com carinho, junto com a irmã, mas no orfanato. Sua vida de infância nunca foi bem resolvida, sempre foi comandado. Um “padrinho” o tira daquela vida de não ter o que fazer e lhe dá um primeiro emprego: ser um homem que trabalhasse nas estruturas da espionagem, nas sombras, por trás das masmorras, num ambiente sórdido. Mas ele trabalha acreditando naquilo de uma forma tão absoluta e clara que ele é um patriota que eu sempre que lia e dizia: barbaridade. Quando tudo se revela ao final, que é surpreendente, você começa a entender aquele homem, não aceitável e muito menos perdoável, mas você diz, que horror. Segismundo é fruto do meio que vem depois do orfanato. A partir do momento em que ele é jogado nessa vida é que se explica o personagem.”

Arte
“A arte tem o poder de retratar a natureza e aquilo que a cerca. E isso serve para o teatro, a televisão, o cinema, uma exposição de arte. A arte tem esse poder. Talvez não
seja um agente transformador revolucionário. Mas pode ser um agente transformador para a reflexão dos que nos assistem. Por isso é que o teatro tem mais de cinco mil anos. A arte pode provocar a grande catarse. Quando vejo Salvador Dali, por exemplo, eu paro, eu me emociono. Velásquez também. Lendo um bom livro, pode se ter essa emoção. No teatro a magia é de ver ali, que, como no cinema, você conta uma história. Este agente transformador que a arte propõe e que se vê na personagem do Dan oferece uma interpretação para ver se aquele homem duro, taciturno, vai se emocionar.”

Daniel
“Respeito, afeto, entendimento e compreensão do que ele quer. Agora, é difícil fazer de novo com o Daniel. Ele é o rei do primeiro take, da primeira tomada. Ele ensaia muito para que quando aconteça a ação ele possa gritar: ‘valeu’. Os técnicos envolvidos são sempre artistas sensíveis, leem os roteiro antes, alguns até assistem aos ensaios, como o Tuca Moraes (diretor de fotografia). Isso vai criando uma turma antenada e atenta. E Daniel lidera isso com muita propriedade. Ele tem 52 anos de cinema. Às vezes é muito subestimado pelo povo do cinema porque fez muito sucesso com a televisão, mas ele revolucionou a TV. Criou os grande sucessos da Globo, seriados.”

Filme
“Quem viu a peça gostará de ver o filme. O tributo que existe na peça e também está presente no filme é às artes e o poder que ela exerce sobre o ser humano. Podem gostar ou não, mas indiferente ninguém ficará a esse filme. Por uma qualidade de refinamento do texto, no cinema ele ganhou dimensões outras que não ficam apenas na imaginação teatral, mas ganham no realismo que o cinema pode proporcionar. Filmei com uma alegria consciente de termos nas mãos um belo filme. Quando o Segismundo faz o gesto de interromper o Clausewitz, aquilo é um gesto de poder. O mais importante é que ali começa o embate curioso e final, num momento em que as emoções estão muito lá em cima e vão gerar outro tipo de confronto. A cada bloco de cenas, acontecem surpresas até para nós.”

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Jindabyne (Austrália, 2006)

Aldo Alves |

O momento não é dos melhores para a comunidade próxima ao lago australiano Jindabyne. Entre atritos e inimizades, a instável Claire (Laura Linney de “A Família Savage“) se afunda em depressão e nos desentendimentos com seu marido Stewart (Gabriel Byrne de “Stigmata“). Tudo piora quando Stewart e seus amigos saem para pescar num rio distante e encontram no lago um corpo de uma garota. Numa atitude implausível e egoísta, eles esperam o fim de semana acabar para chamar a polícia, o que causa revolta na população da comunidade e instiga o racismo com a população aborígine, raça da garota morta (pra quem não sabe existe uma questão muito forte e polêmica de cultura e terras na Austrália entre a população da colonização inglesa original e seus habitantes nativos, os aborígenes). E se alguém ainda não se tocou, pode haver um assassino em série na comunidade.

Mas a força da produção está mesmo em seu drama familiar e nas atuações brilhantes de Linney, Byrne e do elenco de coadjuvantes. Só eles já são motivo suficiente para alugar o DVD. O filme segue numa crescente de emoções e atinge seu clímax próximo do final. As pitadas de suspense empolgam, mas devem frustrar quem espera mais do que o já visto (a cena inicial é tensa e bem feita).

O que talvez tenha faltado em Jindabyne foi um pouco de humildade, visto que ele parece se achar no direito de demorar bastante, porém de forma pretensiosa, principalmente adentrando no último ato. De qualquer forma, tai uma boa discussão sobre família, amizades, atitudes, tolerância e racismo que não deve ser deixada de lado.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Laura Linney
Gabriel Byrne
Deborrah-Lee Furness
John Howard
Leah Purcell
Stelios Yiakmis
Alice Garner
Simon Stone
Betty Lucas
Chris Haywood

Direção:
Ray Lawr

Produção:
Catherine Jarman

Fotografia:
David Williamson

Trilha Sonora:
Paul Kelly
Dan Luscombe

Bônus: Entrevista com Laura Linney sobre Jindabyne!

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Drama
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A Proposta (”The Proposal”, EUA, 2009) ***NOS CINEMAS***

Aldo Alves | 12-julho-2009

Não é fácil uma comédia romântica com tantos clichês e tantas situações já vista antes se sobressair às demais. Mas não são todas que tem dois dos artistas mais carismáticos de suas gerações.

Sandra Bullock (”Premonições“) e Ryan Reynolds (”Wolverine“) são Margaret e Adrew, chefa e secretário, respectivamente. Ela é aquela chefa repressora que ninguém gosta (as cenas lembram muito o medo dos empregados de Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada“). Ele é o capacho que a odeia, mas sabe que ela pode ser o único caminho para subir na editora onde trabalham. Por ironia do destino (e por uma trama absurda), ela é canadense e está para ser deportada e a solução que encontra é fazer com que Andrew se case com ela. Aos maus olhos do agente de imigração (sim, esse será o vilão da história), o recém casal precisa ir até o Alaska para conhecer a família dele e lá… bem, todos sabem o que vai acontecer.

Sem ilusões, esta é uma simples trama que envolve casais que se odeiam e depois se amam e confusões sobre reuniões familiares. O roteiro faz questão de não fugir disso e infelizmente também procura colocar alguns momentos desnecessários para alcançar risadas fáceis, mas pueris. Mas para sorte do espectador, a dupla de artistas surpreende. Com uma maquiagem pesada para encobrir o avanço da idade, Sandra Bullock continua linda e consegue ser apaixonante fazendo um papel no mínimo desagradável. Ryan Reynolds é o Selton Mello de Holywood, aparecendo na maioria das comédias românticas da atualidade, interpretando daquele mesmo jeito engraçadinho e, mesmo assim, conquistando a platéia.

“A Proposta” tem um elenco coadjuvante irregular. Alguns muito engraçados como o personagem de Ramone e outros sem razão de ser, vide a trama sem razão de ser envolvendo a ex namorada de Andrew (Malin Akerman de “Watchmen“, pra que ela quis esse papel?).

Mesmo assim, no sufoco e no suor e com a ajuda da boa e melosa trilha de Aaron Zigman (sim, ele também fez a ótima trilha de “Sex and the City“), Bullock e Reynolds ofuscam a maior parte dos defeitos da produção e tornam “A Proposta” uma experiência mais que agradável para os namoradinhos de plantão.

Cotação: ★★★½☆


Ficha Técnica

Elenco:
Sandra Bullock
Ryan Reynolds
Mary Steenburgen
Craig T. Nelson
Betty White
Denis O’Hare
Malin Akerman
Oscar Nuñez

Direção:
Anne Fletcher

Produção:
David Hoberman
Todd Lieberman

Fotografia:
Oliver Stapleton

Trilha Sonora:
Aaron Zigman

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Comédia, Romance
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Anjos da Morte (”The Hamiltons”, EUA, 2006)

Aldo Alves | 11-julho-2009

Como um filme tão mal feito pode chegar sequer a ser bom? “Anjos da Morte” responde a essa pergunta de forma surpreendente. Com uma rápida retrospectiva o espectador entende que os Hamiltons era uma família feliz e com a morte dos pais ficou desestabilizada. Isso levou essa família a matar pessoas ainda seria desconhecido para a platéia. Até então eles pareciam dar partes das pessoas para uma criatura no porão, Lenny. O caçula da família, o único que não participava das mortes, porém conivente, aos poucos vai se revoltando contra o comportamento dos irmãos e que pode provocar atritos fatais.

Essa produção muito, mais muito independente, tem uma direção fraca, alguns atores provavelmente reprovados na escola de atuação e efeitos especiais pouco dignos de produções do gênero. O que ninguém sabia é que o roteiro escondeu revelações bombásticas em seu último ato e que, pelo fato de ser menos gráfico e mais verbalizado, parece provocar um choque a mais. Ele faz do horror, um drama familiar e vice-versa.

Com todos os seus defeitos “Anjos da Morte” merece ser assistido pelos fãs do gênero. É só agüentar um pouco para que o filme se revele uma grata surpresa.

Cotação: ★★★☆☆


Ficha Técnica

Elenco:
Cory Knauf
Samuel Child
Joseph McKelheer
Mackenzie Firgens
Rebekah Hoyle
Brittany Daniel
Al Liner
Jena Hunt

Direção:
Mitchell Altieri
Phil Flores

Produção:
Mitchell Altieri
Phil Flores

Fotografia:
Michael Maley

Trilha Sonora:
Nathan Montiel
Joshua Myers

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Terror
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