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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><title>Cristianismo Hoje</title><description>ConteÃºdo cristÃ£o para mudar pessoas que mudam o mundo.</description><link>http://www.cristianismohoje.com.br</link><language>pt-br</language><image><url><img src="admin2/images_conteudo/10101_Eduardo.jpg" /></url></image><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/com/cristianismohoje" /><feedburner:info uri="com/cristianismohoje" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><item><title>O senhor família</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/52623_Entrevista Jaime Kemp.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Quando chegou ao Brasil, em 1967, como misson&aacute;rio, o pastor americano Jaime Kemp encontrou um pa&iacute;s muito diferente do de hoje. Ele e a mulher, Judith, iniciaram ent&atilde;o um minist&eacute;rio praticamente in&eacute;dito por aqui &ndash; o discipulado de jovens. A funda&ccedil;&atilde;o do grupo Vencedores por Cristo foi parte essencial desse processo. Atrav&eacute;s da m&uacute;sica, os Vencedores, como eram conhecidos, conquistaram a simpatia e a admira&ccedil;&atilde;o da Igreja Evang&eacute;lica brasileira, com sua m&uacute;sica despojada, letras contextualizadas e forte &ecirc;nfase na evangeliza&ccedil;&atilde;o e no preparo de lideran&ccedil;a. Centenas de jovens passaram pelo minist&eacute;rio, a maioria dos quais continua, at&eacute; hoje, servindo a Deus.</p>
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	Paralelamente a isso, Jaime, que tinha doutorado em minist&eacute;rio com fam&iacute;lias pela Universidade Biola, na Calif&oacute;rnia (EUA), percebeu que esta era outra lacuna a ser preenchida por aqui. Hoje, passados 45 anos, Jaime Kemp &eacute; uma refer&ecirc;ncia nacional no assunto. Liderando o minist&eacute;rio Lar Crist&atilde;o &ndash; entidade sediada em S&atilde;o Paulo que realiza semin&aacute;rios, congressos, edita publica&ccedil;&otilde;es e desenvolve uma s&eacute;rie de outras atividades nesta &aacute;rea &ndash;, ele &eacute; um conselheiro muito requisitado. Autor de mais de 50 livros, v&aacute;rios deles em coautoria com Judith, o pastor influenciou duas gera&ccedil;&otilde;es de crentes com seus escritos sobre, por exemplo, namoro, casamento e sexualidade, tudo sob a &oacute;tica b&iacute;blica. O tempo passou, a sociedade mudou e ele continua, &agrave; sua maneira, dizendo as mesmas coisas. &ldquo;At&eacute; gosto de ser chamado de conservador&rdquo;, diz, bem humorado,&nbsp; &ldquo;porque creio firmemente que o meu posicionamento teol&oacute;gico tem base segura na Palavra de Deus. As ondas filos&oacute;ficas v&atilde;o e v&ecirc;m, mas a B&iacute;blia permanece para sempre&rdquo;. Nesta entrevista, ele fala sobre esses e diversos outros temas que, ontem como hoje, despertam pol&ecirc;mica. E sem receio de parecer retr&oacute;grado:</p>
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	<strong>CRISTIANISMO HOJE &ndash; O senhor tem doutorado em minist&eacute;rio da fam&iacute;lia, disciplina organizada nos Estados Unidos, mas que ainda n&atilde;o tem muito espa&ccedil;o nas igrejas e semin&aacute;rios brasileiros. Por que o assunto n&atilde;o &eacute; tratado de maneira mais s&eacute;ria aqui?</strong></p>
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	<strong>JAIME KEMP &ndash;</strong> Ao longo dos anos, trabalhando com a fam&iacute;lia, tenho procurado desafiar as lideran&ccedil;as dos semin&aacute;rios brasileiros a incluir em sua grade curricular uma mat&eacute;ria visando &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o de obreiros e conselheiros qualificados. H&aacute; uma enorme necessidade disso! Por&eacute;m, conhe&ccedil;o poucas pessoas que aceitaram o desafio. H&aacute; duas raz&otilde;es poss&iacute;veis para isso &ndash; em primeiro lugar, os semin&aacute;rios nem sempre encontram professores habilitados para ensinar a disciplina; e, em segundo, parece que nem mesmo as escolas veem a necessidade de preparar pastores para trabalharem com a fam&iacute;lia. Ent&atilde;o, eles se formam, entram nas igrejas e n&atilde;o t&ecirc;m a m&iacute;nima ideia de como lidar com as exig&ecirc;ncias dos nossos casamentos complicados de hoje.</p>
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	<strong>&Eacute; por isso que, em uma Igreja t&atilde;o grande como a brasileira, minist&eacute;rios voltados &agrave; fam&iacute;lia evang&eacute;lica, como Lar Crist&atilde;o, ainda s&atilde;o poucos?</strong></p>
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	Realmente, as igrejas n&atilde;o est&atilde;o preparadas para lidar com as fam&iacute;lias, e isso acontece porque os pastores n&atilde;o possuem essa vis&atilde;o ou n&atilde;o foram treinados &ndash; ou, falando francamente, n&atilde;o est&atilde;o interessados. Gra&ccedil;as a Deus, nos &uacute;ltimos dez anos, o Senhor tem nos aben&ccedil;oado e vemos surgir alguns minist&eacute;rios eficazes voltados &agrave; fam&iacute;lia. Entretanto, considerando a imensa propor&ccedil;&atilde;o de trabalho, ainda somos poucos a atuar nessa &aacute;rea. Tamb&eacute;m &eacute; preciso destacar a falta de treinamento de leigos em nossas igrejas, focando, especificamente, o investimento em fam&iacute;lias. &Eacute; claro que existe, por tr&aacute;s de tudo isso, uma ferrenha batalha espiritual: Satan&aacute;s est&aacute; trabalhando incessantemente para destruir as fam&iacute;lias. Por isso, qualquer tentativa para salv&aacute;-las requer um grande esfor&ccedil;o e muita persist&ecirc;ncia.</p>
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	<strong>Mas essa dificuldade em se encontrar obreiros e minist&eacute;rios n&atilde;o decorre, tamb&eacute;m, do esvaziamento da quest&atilde;o dos valores &ndash; inclusive, os familiares &ndash; diante da p&oacute;s-modernidade?</strong></p>
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	Quando poss&iacute;vel, minist&eacute;rios como Lar Crist&atilde;o devem se empenhar em defender os valores crist&atilde;os, oferecendo uma base b&iacute;blica para tudo o que ensinamos. Em rela&ccedil;&atilde;o a assuntos pol&ecirc;micos da agenda de hoje &ndash; como aborto, casamento gay e at&eacute; a maneira adequada de como disciplinar e treinar os filhos &ndash;, penso que devemos ser profetas, insistindo em transmitir as bases b&iacute;blicas, mas sempre de modo simp&aacute;tico, sem nos tornarmos agressivos ou chatos. Entre outras filosofias que bombardeiam a fam&iacute;lia crist&atilde;, ressalto o relativismo. Basicamente, ele prega que a Palavra de Deus n&atilde;o deve mais ser considerada como verdade. Cada um pode formar sua pr&oacute;pria opini&atilde;o, e cada opini&atilde;o &eacute; tida como v&aacute;lida. Estamos mergulhados num mar de subjetividade e, definitivamente, retiramos nossa &acirc;ncora da Palavra de Deus. Mas eu mesmo j&aacute; fui considerado um discriminador por causa da minha perseveran&ccedil;a na defesa da posi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica. Creio que os l&iacute;deres precisam estar preparados para serem perseguidos, ridicularizados e mal-interpretados. Contudo, n&atilde;o precisamos nos preocupar em defender a Palavra de Deus. Sempre que a transmitimos fielmente, &eacute; como se solt&aacute;ssemos um le&atilde;o forte e poderoso. Seu poder jamais passa despercebido. Deus promete que a sua Palavra n&atilde;o voltar&aacute; vazia!</p>
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	<strong>Para muitas pessoas, o senhor &eacute; um conservador, inclusive por causa do conte&uacute;do de muitos de seus livros, editados h&aacute; vinte, trinta anos. Como o senhor mesmo se posiciona neste aspecto, sobretudo em rela&ccedil;&atilde;o ao que j&aacute; escreveu?</strong></p>
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	Eu at&eacute; fico contente pelo fato de que as pessoas me consideram conservador, porque creio firmemente que o meu posicionamento teol&oacute;gico tem base segura na Palavra de Deus. As ondas filos&oacute;ficas v&atilde;o e v&ecirc;m, mas a Palavra de Deus permanece para sempre. Por isso, continuo acreditando que h&aacute; s&eacute;rias consequ&ecirc;ncias, por exemplo, para um casal que se envolve em rela&ccedil;&otilde;es sexuais pr&eacute;-nupciais. A B&iacute;blia &eacute; muito clara sobre isso. Acredito que a moralidade crist&atilde; ainda tem espa&ccedil;o, mesmo na sociedade do s&eacute;culo 21.</p>
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	<strong>Ent&atilde;o, o senhor continua falando as mesmas coisas?</strong></p>
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	Cada pessoa tem uma opini&atilde;o sobre o assunto, mas o que vale &eacute; o que Deus pensa. O que ensinei nos anos 1970, continuo ensinando hoje &ndash; princ&iacute;pios sobre rela&ccedil;&otilde;es pr&eacute;-nupciais, rela&ccedil;&otilde;es sexuais fora do casamento, tudo isso, e ainda mais, tem sido ensinado atrav&eacute;s dos anos. Eu insisto em transmitir aos jovens brasileiros as consequ&ecirc;ncias do sexo pr&eacute;-nupcial e como &eacute; poss&iacute;vel viver na pureza. No meu semin&aacute;rio sobre namoro, gasto quase um ter&ccedil;o do tempo falando sobre como evitar defraudar o namorado ou namorada, e como cada um deve se guardar para seu futuro c&ocirc;njuge. O resultado &eacute; que centenas de casais t&ecirc;m me comunicado, no decorrer de todos esses anos, a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o que representou ter recebido uma base b&iacute;blica de maneira clara, pr&aacute;tica e franca.</p>
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	<strong>Qual &eacute; a base b&iacute;blica para se defender, especificamente, a castidade pr&eacute;-conjugal?</strong></p>
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	Sexo antes do casamento ainda &eacute; um tabu evang&eacute;lico, se basearmos nosso comportamento segundo a Palavra de Deus. O Senhor pro&iacute;be rela&ccedil;&otilde;es sexuais fora do compromisso matrimonial. O pecado inserido no sexo antes do casamento &eacute; a desobedi&ecirc;ncia &agrave; Palavra de Deus. Em G&ecirc;nesis 2.24,25, Deus estabeleceu os fundamentos do casamento: 1) Os filhos deixam os pais; 2) Eles se comprometem mutuamente, e 3) H&aacute; intimidade sexual. Muitos jovens invertem a ordem de Deus. Em I Tessalonicenses 4.6, Paulo exorta os crist&atilde;os a se absterem da prostitui&ccedil;&atilde;o. A prostitui&ccedil;&atilde;o, do grego <em>porneia</em>, define qualquer uso da sexualidade fora dos la&ccedil;os matrimoniais.</p>
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	<strong>Pesquisa recente realizada por CRISTIANISMO HOJE e pelo Bureau de Pesquisa e Estat&iacute;stica Crist&atilde; (Bepec) encontrou 47% de respondentes, entre jovens evang&eacute;licos, que disseram &ldquo;sim&rdquo; &agrave; pergunta sobre pr&aacute;tica de sexo pr&eacute;-conjugal. Qual sua an&aacute;lise sobre este n&uacute;mero?</strong></p>
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	Minha pr&oacute;pria pesquisa sobre o assunto entre os jovens evang&eacute;licos constatou que 52% tiveram pelo menos uma rela&ccedil;&atilde;o sexual antes do casamento, e muitos outros ainda continuam ativos sexualmente, mesmo solteiros. Isso &eacute; uma das raz&otilde;es da queda do casamento nos primeiros anos. Estamos vendo agora casamentos que duram apenas dois anos por causa do sentimento de culpa e da desobedi&ecirc;ncia &agrave; Palavra de Deus. Minha an&aacute;lise &eacute; de que nossos pastores est&atilde;o sendo intimidados pela juventude. Eles t&ecirc;m medo, assim como os pais, de falar palavras duras acerca das consequ&ecirc;ncias espirituais dessa liberalidade, isso sem mencionar outros problemas, como gravidez precoce, doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis e o sentimento de culpa por ter transado com uma pessoa e n&atilde;o ter casado com ela.</p>
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	<strong>Responda a uma pergunta que volta e meia provoca controv&eacute;rsia entre os crentes: existe, de fato, uma pessoa escolhida por Deus para se casar com outra ou essa escolha &eacute; individual?</strong></p>
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	Bem, &eacute; claro que o soberano Deus sabe tudo o que vai acontecer em nossas vidas, incluindo quem ser&aacute; o nosso futuro c&ocirc;njuge. Por&eacute;m, acredito profundamente que ele d&aacute; o privil&eacute;gio a cada pessoa de escolher com quem quer se casar. O Senhor estabeleceu, em sua Palavra, princ&iacute;pios b&aacute;sicos que nos auxiliam a tomar decis&otilde;es s&aacute;bias nessa &aacute;rea, como a admoesta&ccedil;&atilde;o de Paulo acerca de se evitar o jugo desigual com os incr&eacute;dulos. Quando procuramos saber os princ&iacute;pios b&aacute;sicos que a B&iacute;blia apresenta sobre a escolha do nosso c&ocirc;njuge e decidimos baseados nesses princ&iacute;pios, Deus aben&ccedil;oa o futuro relacionamento.</p>
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	<strong>Na sua opini&atilde;o, a Igreja tem oferecido respostas adequadas &agrave;s novas realidades sociais e comportamentais?</strong></p>
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	Em primeiro lugar, a Igreja brasileira est&aacute; muitos passos atrasada na comunica&ccedil;&atilde;o de atitudes b&iacute;blicas com rela&ccedil;&atilde;o a qualquer realidade social. Em termos gerais, o crist&atilde;o sentado no banco da igreja n&atilde;o tem uma ideia determinada sobre qual atitude deve tomar diante do movimento gay, por exemplo. A esse respeito, temos que responsabilizar os pr&oacute;prios pastores, que muitas vezes tamb&eacute;m n&atilde;o sabem o que fazer. Mas precisamos estar preparados para sermos acusados de discriminadores, radicais, preconceituosos, atrasados e intolerantes &ndash; e at&eacute; preparados para enfrentar persegui&ccedil;&otilde;es pela nossa fidelidade no ensino da Palavra.</p>
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	<strong>E o senhor acha que os pastores est&atilde;o preparados para isso?</strong></p>
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	Acredito que os pastores t&ecirc;m medo de abordar determinadas quest&otilde;es claramente por medo de serem perseguidos. Por exemplo, em 45 anos que estou no Brasil, nunca assisti a uma palestra de um pastor brasileiro sobre a quest&atilde;o do aborto. Estamos presenciando a morte de milh&otilde;es de crian&ccedil;as nos ventres das mulheres brasileiras anualmente, e, pelo tamanho do problema, acredito que o pastor deveria estar orientando o seu povo. Em meu semin&aacute;rio, quando falo do aborto, percebo que o povo n&atilde;o tem uma ideia do que &eacute;. Eles sabem o que &eacute; o aborto, mas n&atilde;o sabem como desenvolver o assunto. Ent&atilde;o, no meu entender, o problema est&aacute; no medo ou na incapacidade de se tratar certos assuntos que n&atilde;o arrancam &ldquo;aleluias&rdquo; das pessoas.</p>
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	<strong>Com rela&ccedil;&atilde;o especificamente &agrave; homossexualidade, como as igrejas devem tratar os gays?</strong></p>
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	Devemos ensinar a nosso povo que Deus ama as pessoas homossexuais. Cristo morreu na cruz por todos. Por outro lado, n&atilde;o podemos deixar de tamb&eacute;m ensinar o que a B&iacute;blia afirma sobre o comportamento homossexual. Aceitar e amar o homossexual n&atilde;o quer dizer que devemos aceitar o seu comportamento ou consider&aacute;-lo natural. Ningu&eacute;m nasce homossexual. N&atilde;o h&aacute; nenhuma evid&ecirc;ncia f&iacute;sica, m&eacute;dica ou psicol&oacute;gica que sustente semelhante teoria. Isso &eacute; uma estrat&eacute;gia do movimento gay para, de alguma forma, justificar o seu comportamento. O movimento homossexual est&aacute; prejudicando amplamente a sociedade moderna, atrav&eacute;s sua pretens&atilde;o de redefinir a fam&iacute;lia.&nbsp; Segundo o planejamento de Deus, e por milhares de anos, a fam&iacute;lia tem sido constitu&iacute;da por marido e pai, esposa e m&atilde;e e filhos. De repente, nos &uacute;ltimos trinta, quarenta anos, o homem, em sua imagin&aacute;ria autossufici&ecirc;ncia, quer for&ccedil;ar &agrave; sociedade uma nova op&ccedil;&atilde;o. Deus, em sua Palavra, j&aacute; definiu eternamente o que &eacute; uma fam&iacute;lia.</p>
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	<strong>Mas a defini&ccedil;&atilde;o do que &eacute; casamento tem mudado muito. Hoje, o Direito de Fam&iacute;lia j&aacute; equipara a uni&atilde;o est&aacute;vel ao casamento formal. Sendo assim, ainda cabe exigir dos crentes que formalizem suas uni&otilde;es conjugais?</strong></p>
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	E ser&aacute; que devemos seguir o caminho do governo brasileiro? O governo brasileiro aceita um casal amasiado ou amigado por algum tempo, mas n&oacute;s n&atilde;o devemos aceitar. Nosso cristianismo tem ra&iacute;zes no juda&iacute;smo, que registrava os casamentos em um documento, um papel, uma licen&ccedil;a. Encontramos esse documento em Deuteron&ocirc;mio 24.1-4. Em meus semin&aacute;rios, eu digo o seguinte &agrave;s pessoas que vivem maritalmente: vamos regularizar essa situa&ccedil;&atilde;o, fazendo o casamento em cart&oacute;rio. Devemos ser b&iacute;blicos &ndash; e, biblicamente falando, duas pessoas que moram juntas sem serem casadas est&atilde;o vivendo em adult&eacute;rio. Isso abre precedente para que os filhos desses casais venham a fazer o mesmo. N&oacute;s n&atilde;o deixamos um casal amasiado ser membro de nossa igreja justamente porque, para n&oacute;s, eles est&atilde;o no estado de adult&eacute;rio.</p>
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	<strong>Quando o senhor chegou ao Brasil, nem havia ainda a chamada lei do div&oacute;rcio, institu&iacute;da em 1977. Hoje, a dissolu&ccedil;&atilde;o do casamento &eacute; vista com naturalidade, inclusive entre os evang&eacute;licos. Na sua opini&atilde;o, h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es em que a Igreja deveria considerar o div&oacute;rcio inaceit&aacute;vel?</strong></p>
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	Eu costumo dizer em meus semin&aacute;rios que, hoje em dia, &eacute; mais f&aacute;cil finalizar um processo de div&oacute;rcio do que desligar a &aacute;gua ou a luz de sua casa junto &agrave; empresa respons&aacute;vel. Esta &eacute; uma das raz&otilde;es porque o n&uacute;mero de div&oacute;rcios aumenta nas igrejas a cada dia. Um dos motivos desse fen&ocirc;meno &eacute; que est&aacute; desaparecendo o estigma que existia a respeito. O rebanho n&atilde;o conhece o ensino da Palavra de Deus sobre o div&oacute;rcio e novo casamento. Todavia, baseado em fundamentos b&iacute;blicos, h&aacute; duas concess&otilde;es para o div&oacute;rcio: a primeira &eacute; relativa &agrave; infidelidade, conforme Mateus 19.9; a segunda diz respeito ao abandono, por parte do incr&eacute;dulo, de acordo com I Cor&iacute;ntios 7.12 a 15. Nesses casos, a parte inocente, digamos assim, teria a possibilidade de um novo casamento. Agora, o c&ocirc;njuge que traiu ou abandonou, se casar de novo, estar&aacute; cometendo adult&eacute;rio, como disse Jesus. Deixe-me fazer uma outra observa&ccedil;&atilde;o: se tudo isso &ndash; separa&ccedil;&atilde;o, div&oacute;rcio, abandono, infidelidade &ndash; ocorreu antes da convers&atilde;o da pessoa, ent&atilde;o, creio que n&atilde;o conta, ou seja, todas as coisas s&atilde;o novas atrav&eacute;s da convers&atilde;o. Sei que h&aacute; diverg&ecirc;ncias sobre isso e eu respeito a opini&atilde;o dos que n&atilde;o acreditam assim. Em meu livro <em>Antes de dizer adeus</em>, dedico um cap&iacute;tulo inteiro para tratar dessa posi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica que estamos falando aqui.</p>
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	<strong>E quanto ao div&oacute;rcio entre a lideran&ccedil;a, qual deveria ser a posi&ccedil;&atilde;o das igrejas?</strong></p>
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	N&atilde;o sou profeta, nem filho de profeta, mas eu, anos atr&aacute;s, profetizei que n&oacute;s ir&iacute;amos entrar em uma onda de div&oacute;rcios nos p&uacute;lpitos da nossa terra. E isso est&aacute; acontecendo hoje. Ent&atilde;o, cada igreja tem que estabelecer o que vai acontecer se seu pastor adulterar, largar sua esposa. Na minha opini&atilde;o, n&atilde;o poderia continuar. Em I Tim&oacute;teo 3, Paulo fala sobre as qualifica&ccedil;&otilde;es de um l&iacute;der, e uma delas &eacute; de ele ser irrepreens&iacute;vel. Ent&atilde;o, um pastor que largou sua mulher n&atilde;o &eacute; irrepreens&iacute;vel. As pessoas na igreja v&atilde;o ver esse homem e lembrar que ele largou a mulher &ndash; ent&atilde;o, n&atilde;o tem jeito de continuar como pastor. H&aacute; igrejas que est&atilde;o aceitando pastores mesmo depois do div&oacute;rcio. Mas n&atilde;o &eacute; correto.</p>
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	<strong>Dois dos aspectos mais pol&ecirc;micos da B&iacute;blia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia dizem respeito &agrave; submiss&atilde;o da mulher ao marido e ao rigor na cria&ccedil;&atilde;o dos filhos &ndash; e ambos s&atilde;o muito contestados hoje em dia, mesmo dentro das igrejas. Ensinamentos t&atilde;o antigos ainda t&ecirc;m validade plena hoje?</strong></p>
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	A Palavra de Deus se aplica a qualquer cultura, ra&ccedil;a ou &eacute;poca. O m&eacute;todo pode ser diferenciado de cultura para cultura; por&eacute;m, o conceito deve manter-se inalterado. Submiss&atilde;o transmite a ideia de respeito, que &eacute; exatamente a maior necessidade de qualquer marido. No passado, aconteceu um desequil&iacute;brio no ensino dos pap&eacute;is do marido e da mulher no casamento. A interpreta&ccedil;&atilde;o equivocada do conceito provocou a exacerba&ccedil;&atilde;o do machismo e uma vis&atilde;o exagerada quanto &agrave; submiss&atilde;o da mulher. A meu ver, e &eacute; o que ensino, quando um homem ama sua esposa como ela deve ser amada, torna-se mais f&aacute;cil para ela submeter-se &agrave; lideran&ccedil;a do marido. J&aacute; quanto aos filhos, bem, a B&iacute;blia fala no castigo, mas acho que &eacute; mais importante enfatizar a disciplina, que tem o prop&oacute;sito de desenvolver o car&aacute;ter e corrigir a crian&ccedil;a. Essa disciplina deve ser aplicada com temperan&ccedil;a, e nunca em um momento de raiva por parte dos pais. Sim, acredito na disciplina com vara, que &eacute; um ensino b&iacute;blico, mas jamais aceitarei o espancamento, o abuso e outras formas impr&oacute;prias de exercer a autoridade que, no final, s&oacute; subjugam, revoltam e aniquilam a alma da crian&ccedil;a. &Eacute; o amor que deve conduzir e envolver a vara da disciplina</p>
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	<strong>O senhor veio para o Brasil h&aacute; 45 anos, &eacute;poca em que o pa&iacute;s e a Igreja Evang&eacute;lica eram muito diferentes do que s&atilde;o nos dias de hoje. Encontrou muitas dificuldades de adapta&ccedil;&atilde;o?</strong></p>
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	Foi f&aacute;cil para Judith e eu nos adaptarmos aos costumes do Brasil e da Igreja brasileira. O povo brasileiro sempre foi e continua sendo simp&aacute;tico e acolhedor. E tem sido um enorme prazer servirmos ao Senhor neste pa&iacute;s! Na &eacute;poca, os jovens foram nossos &ldquo;professores&rdquo;, pois nos ajudaram a adaptar o que t&iacute;nhamos a transmitir de uma forma que n&atilde;o ferisse os costumes do povo brasileiro. Quero confessar que estou mais adaptado &agrave; cultura brasileira do que &agrave; americana... Um dos motivos &eacute; porque moro no Brasil h&aacute; tantos anos. E quero registrar aqui que sou palmeirense, gosto de churrasco e de um caf&eacute; bem forte!</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>O senhor ainda pretende trabalhar muitos anos no Brasil?</strong></p>
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	Eu pretendo encerrar meu minist&eacute;rio, se Deus permitir, ao completar 50 anos no Brasil. Mas, at&eacute; l&aacute;, tenho mais alguns livros para escrever. Um deles &eacute; justamente sobre a p&oacute;s-modernidade e a Igreja desse tempo. N&oacute;s estamos vivendo uma &eacute;poca exclusiva, diferente, em que filosofias como o humanismo, o secularismo, o hedonismo, o materialismo e o relativismo est&atilde;o batendo diretamente na igreja e na fam&iacute;lia. Vou falar sobre a sobreviv&ecirc;ncia da fam&iacute;lia brasileira diante de tantas dificuldades. Al&eacute;m disso, ainda tenho semin&aacute;rios para ministrar e pessoas para evangelizar e discipular por aqui, para a gl&oacute;ria de Deus!&nbsp;</p>
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	&nbsp;</p>   ]]></description><pubDate> Thu, 03 May 2012 13:40:22 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Thu, 03 May 2012 13:40:22 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/S--lksLZQ0c/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=855</feedburner:origLink></item><item><title>Pastores feridos</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/11958_Pastores feridos.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Des&acirc;nimo, solid&atilde;o, inseguran&ccedil;a, medo e d&uacute;vida. Uma estranha combina&ccedil;&atilde;o de sensa&ccedil;&otilde;es passou a atormentar Jos&eacute; Nilton Lima Fernandes, hoje com 41 anos, a certa altura da vida. Pastor evang&eacute;lico, ele chegou ao p&uacute;lpito depois de uma longa viv&ecirc;ncia religiosa, que se confunde com a de sua trajet&oacute;ria. Criado numa igreja pentecostal, Nilton exerceu a lideran&ccedil;a da mocidade j&aacute; aos 16 anos, e logo sentiria o chamado &ndash; express&atilde;o que, no jarg&atilde;o evang&eacute;lico, designa aquele momento em que o indiv&iacute;duo percebe-se vocacionado por Deus para o minist&eacute;rio da Palavra. Mas foi numa denomina&ccedil;&atilde;o do ramo protestante hist&oacute;rico, a Igreja Presbiteriana Independente (IPI), na cidade de S&atilde;o Paulo, que ele se estabeleceu como pastor. Graduado em Direito, Teologia e Filosofia, tinha tudo para ser um excelente ministro do Evangelho, aliando a erudi&ccedil;&atilde;o ao conhecimento das Sagradas Escrituras. Contudo, ele chegou diante de uma encruzilhada. Passou a duvidar se valeria mesmo a pena ser um pastor evang&eacute;lico. Afinal, a vida n&atilde;o seria melhor sem o tal &ldquo;chamado pastoral&rdquo;?</p>
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	As raz&otilde;es para sua inquieta&ccedil;&atilde;o eram enormes. Ordenado pastor desde 1995, foi justamente na igreja que experimentou seus piores dissabores. Conheceu a intriga, lutou contra conchavos, desgastou-se para desmantelar o que chama de &ldquo;estrutura de corrup&ccedil;&atilde;o&rdquo; dentro de uma das igrejas que pastoreou. Mas, no fim de tudo isso, percebeu que a luta fora ingl&oacute;ria. Jos&eacute; Nilton se enfraqueceu emocionalmente e viu o casamento ir por &aacute;gua abaixo. &nbsp;Mesmo vencendo o bra&ccedil;o-de-ferro para sanar a administra&ccedil;&atilde;o de sua igreja, perdeu o controle da vida. A mulher n&atilde;o foi capaz de suportar o que o minist&eacute;rio pastoral fez com ele. &ldquo;Eu entrei num processo de morte. Adoeci e tive que procurar ajuda m&eacute;dica para me restabelecer&rdquo;, conta. Com o fim do casamento, perdeu tamb&eacute;m a companhia permanente da filha pequena, uma das maiores dores de sua vida.</p>
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	Foi preciso parar.&nbsp; No fim de 2010, Jos&eacute; Nilton protocolou uma carta &agrave; dire&ccedil;&atilde;o de sua igreja requisitando a &ldquo;disponibilidade ativa&rdquo;, uma licen&ccedil;a concedida aos pastores da denomina&ccedil;&atilde;o. Passou todo o ano de 2011 longe das fun&ccedil;&otilde;es ministeriais. No per&iacute;odo, foi exercer outras fun&ccedil;&otilde;es, como advogado e professor de escola p&uacute;blica e de semin&aacute;rio. &nbsp;&ldquo;Acho poss&iacute;vel servir a Jesus, independentemente de ser pastor ou n&atilde;o&rdquo;, raciocina, analisando a vida em perspectiva. &ldquo;N&atilde;o acredito mais que um minist&eacute;rio pastoral s&oacute; possa ser exercido dentro da igreja, que o chamado se aplica apenas dentro do templo. Quebrei essa vis&atilde;o clerical&rdquo;. Reconstruindo-se das cicatrizes, Nilton casou-se novamente. E, este ano retornou ao p&uacute;lpito, assumindo o pastoreio de uma igreja na zona leste de S&atilde;o Paulo. Todavia, n&atilde;o descarta outro <em>freio de arruma&ccedil;&atilde;o. </em>&ldquo;Acho que a vida &uacute;til de um l&iacute;der &eacute; de tr&ecirc;s anos&rdquo;, raciocina. &ldquo;&Eacute; o per&iacute;odo em que ele mant&eacute;m toda a for&ccedil;a e disposi&ccedil;&atilde;o. Depois, &eacute; bom que esse processo seja renovado&rdquo;. &Eacute; assim que ele pretende caminhar daqui para frente: sem fazer do pastorado o centro ou a raz&atilde;o da sua vida.</p>
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	Encontrar o equil&iacute;brio no minist&eacute;rio n&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil. Que o digam os ex-pastores ou pastores afastados do p&uacute;lpito que passam a exercer outras atividades ou profiss&otilde;es depois de um per&iacute;odo servindo &agrave; igreja. Uma das maiores denomina&ccedil;&otilde;es pentecostais do pa&iacute;s, a Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), com seus 30 mil pastores filiados &ndash; entre homens e mulheres &ndash;, registra uma deser&ccedil;&atilde;o de cerca de 70 pastores por m&ecirc;s desde o ano passado. Os n&uacute;meros est&atilde;o nas circulares da pr&oacute;pria igreja. N&atilde;o &eacute; gente que abandona a f&eacute; em Cristo, naturalmente; em sua maioria, os religiosos que pedem licen&ccedil;a ou desligamento das atividades pastorais continuam vivendo sua vida crist&atilde;, como fez Jos&eacute; Nilton no per&iacute;odo em que esteve afastado do p&uacute;lpito. &Eacute; que as press&otilde;es espirituais e as demandas familiares e pessoais dos pastores, nem sempre supridas, constituem uma carga dif&iacute;cil de suportar ao longo doa anos. Some-se a isso os problemas enfrentados na pr&oacute;pria igreja, as cobran&ccedil;as da lideran&ccedil;a, a necessidade de administrar a obra sob o ponto de vista financeiro e &ndash; n&atilde;o raro &ndash; as disputas por poder e se ter&aacute; uma ideia do conjunto de fatores que podem levar mesmo aquele aben&ccedil;oado homem de Deus a chutar tudo para o alto.</p>
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	A pr&oacute;pria IPI, onde Jos&eacute; Nilton militou, embora muito menor que a Quadrangular &ndash; conta com cerca de 500 igrejas no pa&iacute;s e 690 pastores registrados &ndash;, teria hoje algo em torno de 50 ministros licenciados, n&uacute;mero registrado em relat&oacute;rio de 2009. Pode parecer pouco, mas representa quase dez por cento do corpo de pastores ativos. Caso se projete esse percentual &agrave; dimens&atilde;o da j&aacute; gigantesca Igreja Evang&eacute;lica brasileira, com seus aproximadamente 40 milh&otilde;es de fi&eacute;is, d&aacute; para estimar que a defec&ccedil;&atilde;o dos p&uacute;lpitos &eacute; mesmo numerosa. De acordo com n&uacute;meros da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas, o n&uacute;mero de pastores evang&eacute;licos no pa&iacute;s &eacute; cinco vezes maior do que a de padres cat&oacute;licos, que em 2006 era de 18,6 mil segundo o levantamento Centro de Estat&iacute;sticas Religiosas e Investiga&ccedil;&otilde;es Sociais. Por&eacute;m, devido &agrave; informalidade da atividade pastoral no pa&iacute;s, &eacute; certo que os n&uacute;meros sejam bem maiores.</p>
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	<strong>FERIDOS QUE FEREM</strong></p>
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	O chamado pastoral sempre foi o mais valorizado no segmento evang&eacute;lico. Por essa raz&atilde;o, &eacute; de se estranhar quando algu&eacute;m que se diz escolhido por Deus para apascentar suas ovelhas resolva abandonar esse caminho. Nos Estados Unidos, algumas pesquisas tentam explicar os principais motivos que levam os pastores a deixar de lado a tarefa que um dia abra&ccedil;aram. Uma delas foi realizada pelo minist&eacute;rio LifeWay, que, por telefone, contatou mil pastores que exerciam lideran&ccedil;a em suas comunidades eclesi&aacute;sticas. E o resultado foi que, apesar de se sentirem privilegiados pelo cargo que ocupavam (item expresso por 98% dos entrevistados), mais da metade, ou 55%, afirmaram que se sentiam solit&aacute;rios em seus minist&eacute;rios e concordavam com a afirma&ccedil;&atilde;o &ldquo;acho que &eacute; f&aacute;cil ficar desanimado&rdquo;. Curiosamente, foram os veteranos, com mais 65 anos, os menos desanimados. J&aacute; os dirigentes das megaigrejas foram os que mais reclamaram de problemas. De acordo com o presidente da &aacute;rea de pesquisas da Life Way, Ed Stetzer &ndash; que j&aacute; pastoreou diversas igrejas &ndash;, a principal raz&atilde;o para o des&acirc;nimo pode vir de expectativas irreais. &ldquo;L&iacute;deres influenciados por uma mentalidade consumista crist&atilde; ferem todos os envolvidos&rdquo;, aponta. &ldquo;Precisamos muito menos de clientes e muito mais de cooperadores&rdquo;, diz, em seu blog pessoal.</p>
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	Outras pesquisas nos EUA v&atilde;o al&eacute;m. O Instituto Francis Schaeffer, por exemplo, revelou que, no &uacute;ltimo ano, cerca de 1,5 mil pastores t&ecirc;m abandonado seus minist&eacute;rios todos os meses por conta de desvios morais, esgotamento espiritual ou algum tipo de desaven&ccedil;a na igreja. Numa pesquisa da entidade, 57% dos pastores ouvidos admitiram que deixariam suas igrejas locais, mesmo se fosse para um trabalho secular, caso tivessem oportunidade. E cerca de 70% afirmam sofrer depress&atilde;o e admitem s&oacute; ler a B&iacute;blia quando preparam suas prega&ccedil;&otilde;es. Do lado de c&aacute; do Equador, o n&iacute;vel de desist&ecirc;ncia tamb&eacute;m &eacute; elevado, ainda mais levando-se em conta as grandes expectativas apresentadas no in&iacute;cio da caminhada pastoral pelos calouros dos semin&aacute;rios. &ldquo;No come&ccedil;o do curso, percebemos que uma boa parte dos alunos possui um positivo encantamento pelo minist&eacute;rio. Mais adiante, j&aacute; demonstram preocupa&ccedil;&atilde;o com alguns dilemas&rdquo;, observa o diretor da Faculdade Teol&oacute;gica Batista de S&atilde;o Paulo, o pastor batista Louren&ccedil;o St&eacute;lio Rega. Ele estima que 40% dos alunos que iniciam a faculdade de teologia desistem no meio do caminho. Os que chegam &agrave; ordena&ccedil;&atilde;o, contudo, percebem que a luta ser&aacute; uma constante ao longo da vida ministerial &ndash; como, ali&aacute;s, a pr&oacute;pria B&iacute;blia antecipa.</p>
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	E, se &eacute; bom que o ministro seja algu&eacute;m equilibrado, que viva no Esp&iacute;rito e n&atilde;o na carne, que governa bem a pr&oacute;pria casa, seja marido de uma s&oacute; mulher (ou vice-versa, j&aacute; que, nos tempos do ap&oacute;stolo Paulo n&atilde;o se praticava a ordena&ccedil;&atilde;o feminina) e tantos outros requisitos, for&ccedil;oso &eacute; reconhecer que muita gente fica pelo caminho pelos pr&oacute;prios erros. &ldquo;O minist&eacute;rio &eacute; algo muito s&eacute;rio&rdquo; lembra Gedimar de Ara&uacute;jo, pastor da Igreja Evang&eacute;lica &Aacute;gape em Santo Antonio (ES) e l&iacute;der nacional do Minist&eacute;rio de Apoio aos Pastores e Igrejas, o Mapi. &ldquo;Se um m&eacute;dico, um advogado ou um contador erram, esse erro tem apenas implica&ccedil;&atilde;o terrena. Mas, quando um ministro do Evangelho erra, isso pode ter implica&ccedil;&otilde;es eternas.&rdquo;</p>
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	Desde que foi criado, h&aacute; 20 anos, em Belo Horizonte (MG), como um bra&ccedil;o do minist&eacute;rio Servindo Pastores e L&iacute;deres (Sepal), o Mapi j&aacute; atendeu milhares de pastores pelo pa&iacute;s. Dessa experi&ecirc;ncia, Gedimar tra&ccedil;a quatro principais raz&otilde;es que podem ser cruciais para a desmotiva&ccedil;&atilde;o e o abandono do minist&eacute;rio. &ldquo;Ativismo exagerado, que n&atilde;o deixa tempo para a fam&iacute;lia ou o descanso; vida moral vacilante, que abre espa&ccedil;o para a tenta&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea sexual; feridas emocionais e conflitos n&atilde;o resolvidos; e desgaste com a lideran&ccedil;a, enfrentando l&iacute;deres autorit&aacute;rios e que n&atilde;o cooperam&rdquo;, enumera. Para ele, &eacute; preciso que tanto os membros das igrejas quanto as lideran&ccedil;as denominacionais tenham um cuidado especial com os pastores. &ldquo;Muitos sofrem feridas, como tamb&eacute;m, muitas vezes, chegam para o minist&eacute;rio j&aacute; machucados. E, infelizmente, pastor ferido acaba ferindo&rdquo;.</p>
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	Quanto &agrave; responsabilidade do pr&oacute;prio pastor com o zelo ministerial, Gedimar &eacute; taxativo: &ldquo;&Eacute; melhor declinar do minist&eacute;rio do que faz&ecirc;-lo de qualquer jeito ou por simples necessidade&rdquo;. A rede de apoio oferecida pelo Mapi supre uma lacuna fundamental at&eacute; mesmo entre os pastores &ndash; a do pastoreio. &ldquo;&Eacute; preciso criar em torno do ministro algumas estruturas protetoras. &Eacute; muito bom que o l&iacute;der conte com um grupo de outros pastores onde possa se abrir e compartilhar suas lutas; um mentor que possa ajud&aacute;-lo a crescer e acompanhamento para seu casamento e fam&iacute;lia e, por fim, ter companheiros com quem possa desenvolver amizades e relacionamentos saud&aacute;veis e s&oacute;lidos&rdquo;, enumera.</p>
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	<strong>EXPECTATIVAS</strong></p>
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	Juracy Carlos Bahia, pastor e diretor-executivo da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB), sediada no Rio de Janeiro, conhece bem o dilema dos colegas que, a certa altura do minist&eacute;rio, sentem-se questionados n&atilde;o s&oacute; pelos outros, mas, sobretudo, por si mesmos. Ele lida com isso na pr&aacute;tica e sabe que o pre&ccedil;o acaba sendo caro demais. &ldquo;Toda atividade que envolve voca&ccedil;&atilde;o, como a do professor, a do m&eacute;dico ou a do pastor, &eacute; vista com muita expectativa. Quando se abandona esse caminho, &eacute; natural um sentimento de inadequa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Para Bahia, o desencantamento com o minist&eacute;rio pastoral &eacute; fruto tamb&eacute;m do que entende como frustra&ccedil;&otilde;es no contexto eclesi&aacute;stico. H&aacute; pastores, por exemplo, que julgam n&atilde;o ter todo seu potencial intelectual utilizado pela comunidade. &ldquo;&Agrave;s vezes, o ministro acha que a igreja que pastoreia &eacute; pequena demais para seus projetos pessoais&rdquo;, opina. Isso, acredita Bahia, estimula muitos a acumularem diversas fun&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m das pastorais. &ldquo;Eu defendo que os pastores atuem integralmente em seus minist&eacute;rios. Por&eacute;m, o que temos visto s&atilde;o pastores-advogados, pastores-professores, enfim, pastores que exercem outras profiss&otilde;es paralelas ao p&uacute;lpito&rdquo;, observa.</p>
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	No entender do dirigente da OPBB, esse ac&uacute;mulo de fun&ccedil;&otilde;es mina a energia e o potencial do obreiro para o servi&ccedil;o de Deus. A associa&ccedil;&atilde;o re&uacute;ne aproximadamente dez mil pastores batistas e Bahia observa isso no seio da pr&oacute;pria entidade: &ldquo;Creio que metade deles sofra com a fuga das atividades pastorais para as seculares&rdquo;. Contudo, ele acredita que deixar o minist&eacute;rio n&atilde;o &eacute; algo necessariamente negativo. &ldquo;A pessoa pode ter se sentido vocacionada e, mais adiante na vida, por meio da experi&ecirc;ncia, das ora&ccedil;&otilde;es e intera&ccedil;&atilde;o com outros pastores, &eacute; perfeitamente poss&iacute;vel chegar &agrave; conclus&atilde;o que a interpreta&ccedil;&atilde;o que fez sobre seu chamado n&atilde;o foi adequada e sim emotiva&rdquo;.</p>
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	Quando, j&aacute; na meia idade, casado e com dois filhos, ingressou no Semin&aacute;rio Presbiteriano do Norte (SPN), na capital pernambucana, Recife, Francisco das Chagas dos Santos parecia um menino de tanto entusiasmo. Nem mesmo as cr&iacute;ticas de parentes para que buscasse uma coloca&ccedil;&atilde;o social que lhe desse mais status e dinheiro o desmotivou. &ldquo;A igreja, para mim, &eacute; a melhor das oportunidades de buscar e conhecer meu Criador para que, pela gra&ccedil;a, eu continue com firmeza a abrir espa&ccedil;o em meu cora&ccedil;&atilde;o para que ele cumpra sua vontade em mim, inclusive no minist&eacute;rio pastoral&rdquo;, anotou em sua reda&ccedil;&atilde;o para o ingresso no SPN, em 1998. Ele formou-se no curso, foi ordenado pastor em 2003 e dirigiu igrejas nas cidades de Garanhuns e Salo&aacute;.</p>
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	Hoje, aos 54 anos, Francisco trabalha como servidor p&uacute;blico no Instituto Agron&ocirc;mico de Pernambuco. Ainda n&atilde;o curou todas as feridas e ressentimentos desde que, em 2010, entregou seu pedido de desligamento da denomina&ccedil;&atilde;o. Ele lamenta o tratamento recebido pelos seus superiores enquanto foi pastor. &ldquo;Minha opini&atilde;o sobre igreja n&atilde;o mudou. Nunca planejei um dia pedir licen&ccedil;a ou despojamento do minist&eacute;rio. Mas entendo que somos o Corpo de Cristo, e, se uma unha d&oacute;i, todos n&oacute;s estamos doentes&rdquo;, pondera. &ldquo;N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ser pastor sem pensar em restaurar vidas &ndash; e existem muitas vidas precisando de conserto, inclusive entre n&oacute;s, pastores&rdquo;.</p>
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	A vida longe dos p&uacute;lpitos ainda n&atilde;o foi totalmente sublimada e Francisco sabe bem que ser&aacute; constantemente indagado sobre sua decis&atilde;o de deixar o minist&eacute;rio. &ldquo;A impress&atilde;o &eacute; que voc&ecirc; deixou um desfalque, que adulterou ou algo parecido&rdquo;, observa. Ele n&atilde;o considera voltar a pastorear pela denomina&ccedil;&atilde;o na qual se formou, por&eacute;m n&atilde;o consegue deixar de imaginar-se como pastor. &ldquo;Uma vez&nbsp;pastor,&nbsp;pastor&nbsp;para sempre&rdquo;, recita, &ldquo;muito embora as pessoas, em geral, acreditem que seja necess&aacute;rio um p&uacute;lpito.&rdquo;</p>
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	<strong><u>Porta de sa&iacute;da</u></strong></p>
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	Pesquisa realizada nos Estados Unidos tra&ccedil;ou um panorama dos problemas da atividade pastoral...</p>
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	<strong>70%</strong> dos pastores admitem sofrer de depress&atilde;o e estresse</p>
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	<strong>80%</strong> deles sentem-se despreparados para o minist&eacute;rio</p>
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	<strong>70%</strong> afirmam s&oacute; ler a B&iacute;blia quando precisam preparar seus serm&otilde;es</p>
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	<strong>40%</strong> j&aacute; tiveram casos extraconjugais</p>
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	<strong>30%</strong> reconhecem ter reduzido as pr&oacute;prias contribui&ccedil;&otilde;es &agrave;s igrejas ap&oacute;s a crise financeira</p>
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	... e avaliou as consequ&ecirc;ncias disso:</p>
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	<strong>1,5 mil </strong>pastores deixam o p&uacute;lpito todos os meses</p>
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	<strong>5 mil </strong>religiosos buscavam emprego secular no ano de 2009, mais do que o dobro do que ocorria em 2005</p>
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	<strong>2 a</strong> <strong>3 anos</strong> de minist&eacute;rio &eacute; o tempo m&eacute;dio em que os pastores deixam suas igrejas, sendo em dire&ccedil;&atilde;o a outras denomina&ccedil;&otilde;es ou n&atilde;o</p>
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	<em>Fontes: Barna Group, Christian Post, The Wall Street Journal, Instituto Francis A. Schaeffer e Instituto Jetro</em></p>
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	<strong><u>Rebanho &agrave;s avessas</u></strong></p>
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	A maioria dos pastores que se afastam de suas atividades ministeriais n&atilde;o abandona a f&eacute; em Cristo. Cada um deles, a seu modo, mant&eacute;m sua vida espiritual e o relacionamento pessoal com Deus. Mas h&aacute; quem saia do p&uacute;lpito pela porta dos fundos, renegando as cren&ccedil;as defendidas com ardor durante tantos anos de atividade sacerdotal. Para estes &ndash; e, &eacute; bom que se diga, trata-se de uma op&ccedil;&atilde;o nada recomend&aacute;vel &ndash;, existe a <em>Freedom from Religion Foundation</em> (&ldquo;Funda&ccedil;&atilde;o para o fim da religi&atilde;o&rdquo;), entidade criada por ningu&eacute;m menos que o mais famoso apologista do ate&iacute;smo da atualidade, o escritor brit&acirc;nico Richard Dawkins, autor do best-seller <em>Deus, um del&iacute;rio. </em>Ele e um grupo de c&eacute;ticos lan&ccedil;aram o Projeto Clero, iniciativa que visa a apoiar ex-cl&eacute;rigos &ndash; pastores, padres, rabinos &ndash; no rein&iacute;cio da vida longe das fun&ccedil;&otilde;es religiosas. &ldquo;Sacerdotes que perdem sua f&eacute; sofrem uma penaliza&ccedil;&atilde;o dupla. Eles perdem seu emprego e, ao mesmo tempo, sua fam&iacute;lia e a vida que sempre tiveram&rdquo;, argumenta Dawkins, no site do projeto. N&atilde;o se tem not&iacute;cia confi&aacute;vel de quantos ex-l&iacute;deres aderiram ao Projeto Clero, mas parece &oacute;bvio que a ideia do ref&uacute;gio ateu n&atilde;o &eacute; apenas abra&ccedil;ar sacerdotes cansados da vida religiosa, mas tamb&eacute;m engrossar o rebanho crescente daqueles que repudiam a possibilidade da exist&ecirc;ncia de Deus.</p>
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	<strong><u>Mudan&ccedil;a dif&iacute;cil</u></strong></p>
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	N&atilde;o foi uma escolha f&aacute;cil. Quando o ex-pastor batista Osmar Guerra decidiu que seu lugar n&atilde;o era mais o p&uacute;lpito, logo foi fustigado por olhares de decep&ccedil;&atilde;o das pessoas que estavam ao seu redor e acreditavam em seu trabalho espiritual. Afinal, desde menino ele era o &ldquo;pastorzinho&rdquo; de sua igreja em Piracicaba, no interior paulista. Desinibido e articulado, o garoto, bem ensinado pelos pais na f&eacute; crist&atilde;, apresentava uma natural voca&ccedil;&atilde;o para o pastorado. Por isso, foi natural sua decis&atilde;o de matricular-se Faculdade Teol&oacute;gica Batista de S&atilde;o Paulo e, ap&oacute;s os anos de estudo, assumir a fun&ccedil;&atilde;o de pastor de&nbsp;adolescentes&nbsp;da Igreja Batista da &Aacute;gua Branca (IBAB), na capital paulista.</p>
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	Come&ccedil;ava ali uma promissora carreira ministerial. Osmar dividia seu trabalho entre as fun&ccedil;&otilde;es na igreja e as aulas&nbsp;de educa&ccedil;&atilde;o crist&atilde;,&nbsp;lecionadas no tradicional Col&eacute;gio Batista. Tempos depois, o pastor transferiu-se para outra grande e prestigiada congrega&ccedil;&atilde;o, a Igreja Batista do Morumbi. Mas algo estava fora de sintonia, e Osmar sabia disso. Toda sua desenvoltura na orat&oacute;ria, sua capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o e seu esp&iacute;rito de lideran&ccedil;a poderiam n&atilde;o ser, necessariamente, caracter&iacute;sticas de uma voca&ccedil;&atilde;o pastoral. E, como dizem os jovens que ele tanto pastoreou, <em>pintou </em>uma d&uacute;vida: seu lugar era mesmo diante do rebanho? &nbsp;&ldquo;Eu era um excelente animador. Mas me faltava voca&ccedil;&atilde;o, e fui percebendo isso cada vez mais&rdquo;.</p>
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	O novo caminho, ele sabia, n&atilde;o seria compreendido com facilidade pela fam&iacute;lia, pelos amigos e pelas ovelhas. Mas ele decidiu voltar a estudar, e escolheu a &aacute;rea de r&aacute;dio e TV. E, mesmo ali, n&atilde;o escapou do apelido de &ldquo;pastor&rdquo;, aplicado pela turma. Quando conseguiu um est&aacute;gio na TV Record, percebeu que ficava totalmente &agrave; vontade entre os cen&aacute;rios, as produ&ccedil;&otilde;es e os audit&oacute;rios. Com seu talento natural, Osmar deslanchou, e o artista acabou suplantando o pastor. Depois de pedir demiss&atilde;o da igreja, em 2005, ele galgou posi&ccedil;&otilde;es na emissora e hoje &eacute; o produtor de um dos programas de maior sucesso da casa, <em>O melhor do Brasil</em>, apresentado pelo Rodrigo Faro.</p>
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	&ldquo;Durante muito tempo, fiquei em crise&rdquo;, reconhece hoje, aos 31 anos. &ldquo;Tive medo de tomar a decis&atilde;o de deixar de ser pastor. Mas, hoje, sinto-me mais confiante e honesto comigo mesmo&nbsp;e perante os outros&rdquo;, garante. Longe do p&uacute;lpito, mas n&atilde;o de Jesus, Osmar Guerra continua participativo na sua igreja, a IBAB, onde toca e canta no louvor. De sua experi&ecirc;ncia, ele se acha no direito de aconselhar os mais jovens. &ldquo;Defendo que, antes do semin&aacute;rio, as pessoas busquem forma&ccedil;&atilde;o em outras &aacute;reas, ainda mais quando s&atilde;o novas&rdquo;, diz. Isso, segundo ele, pode abrir novas possibilidades se o indiv&iacute;duo, por um motivo qualquer, sentir-se desconfort&aacute;vel no p&uacute;lpito. Contudo, ele n&atilde;o descarta o valor de um chamado genu&iacute;no: &ldquo;Se, mesmo assim, a vontade de se tornar um pastor continuar, isso &eacute; sinal de que o caminho&nbsp;pode ser&nbsp;esse mesmo.&rdquo;</p>   ]]></description><pubDate> Thu, 03 May 2012 12:08:34 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Thu, 03 May 2012 12:08:34 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/wuM34j3SxOI/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=854</feedburner:origLink></item><item><title>Ministério ou emprego?</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/88321_Pastor ou empregado.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Um verdadeiro ninho de vespas acaba de ser aberto pelo Poder Judici&aacute;rio. Em decis&atilde;o in&eacute;dita, a S&eacute;tima Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) acolheu, em fevereiro, a senten&ccedil;a de primeira inst&acirc;ncia da 65&ordf; Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, que reconheceu o v&iacute;nculo empregat&iacute;cio do ex-pastor Carlos Henrique de Ara&uacute;jo com a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). A igreja recorreu, mas n&atilde;o houve jeito &ndash; a condena&ccedil;&atilde;o foi mantida, e a Universal ter&aacute; de pagar ao dissidente uma indeniza&ccedil;&atilde;o de R$19 mil. A soma inclui n&atilde;o s&oacute; os direitos trabalhistas retroativos e multas, mas tamb&eacute;m indeniza&ccedil;&atilde;o por dano moral, j&aacute; que a Universal acusou Ara&uacute;jo de roubo, sem provas.</p>
<p>
	Na a&ccedil;&atilde;o, o ex-pastor narrou tem sido admitido na Iurd em 1999, como administrador, com sal&aacute;rio de R$ 2,4 mil. Entre v&aacute;rias outras atividades, ele dirigia cultos, trabalhando de segunda-feira a domingo, em m&eacute;dia, de 6h30 &agrave;s 21h. Al&eacute;m disso, segundo seu depoimento, ainda tinha de bater metas de arrecada&ccedil;&atilde;o em d&iacute;zimos e ofertas e seguia r&iacute;gida subordina&ccedil;&atilde;o aos superiores. Anos depois, diante do fracasso em atingir as expectativas de arrecada&ccedil;&atilde;o, o ex-pastor teve o sal&aacute;rio reduzido &agrave; metade. Rebaixado &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de servente, foi transferido de congrega&ccedil;&atilde;o e ainda acusado de apropriar-se de parte de uma doa&ccedil;&atilde;o de R$ 23 mil.</p>
<p>
	Processos dessa natureza se avolumam nas Varas do Trabalho Brasil afora. No entanto, tais pleitos t&ecirc;m sido julgados improcedentes reiteradas vezes, com base, principalmente, nas leis 9.608/98 (que regulamenta o servi&ccedil;o volunt&aacute;rio) e 8.212/91, a qual n&atilde;o considera como remunera&ccedil;&atilde;o o que &eacute; pago por entidades religiosas a seus l&iacute;deres espirituais para fins de subsist&ecirc;ncia. Contudo, &eacute; a primeira vez que um caso obt&eacute;m sucesso na segunda inst&acirc;ncia, o que o torna extremamente importante do ponto de vista da jurisprud&ecirc;ncia &ndash; o entendimento judicial que costuma prevalecer em a&ccedil;&otilde;es da mesma natureza. N&atilde;o cabe mais recurso.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>&ldquo;NEG&Oacute;CIO&rdquo;</strong></p>
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	O caso reacende uma quest&atilde;o que tem ganhado for&ccedil;a nos &uacute;ltimos anos, sobretudo diante de denomina&ccedil;&otilde;es que baseiam sua mensagem e atua&ccedil;&atilde;o na arrecada&ccedil;&atilde;o de dinheiro. &ldquo;Se &eacute; neg&oacute;cio, n&atilde;o se trata de minist&eacute;rio sacerdotal&rdquo;, frisa o desembargador federal do Trabalho Marcelo Augusto Oliveira, do Rio. Ele diz que, nesse tipo de contexto eclesi&aacute;stico, o pastor adquire, mesmo, fun&ccedil;&otilde;es de empregado &ndash; descaracterizando, portanto, a tese da ades&atilde;o volunt&aacute;ria por motivo de f&eacute;, at&eacute; agora predominante na Justi&ccedil;a brasileira. No caso de Ara&uacute;jo, as provas apresentadas confirmaram a exig&ecirc;ncia do cumprimento de metas financeiras, o que, segundo o magistrado, distingue a fun&ccedil;&atilde;o por ele exercida do minist&eacute;rio religioso &ndash; &ldquo;Al&eacute;m disso, ele era tratado como funcion&aacute;rio, sem autonomia, sujeito a hor&aacute;rio de trabalho e a puni&ccedil;&otilde;es.&rdquo;</p>
<p>
	&ldquo;Se a igreja se comporta como uma empresa, com metas e tudo o mais, deve ser encarada como tal e, por isso, torna-se pass&iacute;vel de a&ccedil;&otilde;es trabalhistas&rdquo;, concorda o advogado Gilberto Ribeiro dos Santos, vice-presidente do Instituto de Juristas Crist&atilde;os do Brasil. Especialista na orienta&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica a igrejas, ele alerta que a decis&atilde;o do TST pode mudar muita coisa: &ldquo;Todos os processos que tiverem o mesmo conjunto de fatos ir&atilde;o acompanhar essa decis&atilde;o.&rdquo;</p>
<p>
	O pastor batista Edmar Xavier n&atilde;o se sente um mero funcion&aacute;rio de sua congrega&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Apesar de receber todos os benef&iacute;cios de um trabalhador normal, isso &eacute; uma generosidade, e n&atilde;o obriga&ccedil;&atilde;o da igreja&rdquo;, pondera. Ele enxergou justi&ccedil;a no caso de Carlos Ara&uacute;jo. &ldquo;&Eacute; a mesma coisa que trabalhar em uma loja de roupas e ter de vender tanto em mercadorias. A&iacute;,[o pastor] tem todo o direito de acionar a &lsquo;empresa-igreja&rsquo;&rdquo;. No entanto, prefere que seu trabalho tenha car&aacute;ter apenas espiritual. &ldquo;Meu patr&atilde;o &eacute; Deus&rdquo;, encerra.</p>   ]]></description><pubDate> Thu, 03 May 2012 11:56:49 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Thu, 03 May 2012 11:56:49 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/E__GsbdUM7I/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=853</feedburner:origLink></item><item><title>Ideias são como sementes ? Estabilidade</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/73467_Eduardo.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Se o prezado leitor n&atilde;o acompanhou os &uacute;ltimos textos desta coluna, conv&eacute;m informar que estamos, ao longo das &uacute;ltimas edi&ccedil;&otilde;es de CRISTIANISMNO HOJE, publicando uma s&eacute;rie cujo objetivo &eacute; compartilhar oito ideias espirituais que mudaram a hist&oacute;ria da espiritualidade crist&atilde;. Esta &eacute; a sexta, e estabilidade &eacute; o seu nome. Sim, fazer votos a Deus assumindo um compromisso com a estabilidade &eacute; uma poderosa ideia!</p>
<p>
	&Eacute;, no m&iacute;nimo, curioso notar que, hoje, a palavra estabilidade tem uma conota&ccedil;&atilde;o essencialmente material, com um claro vi&eacute;s socioecon&ocirc;mico. Assim, falamos de estabilidade no emprego, de estabilidade financeira, de estabilidade atrav&eacute;s da aquisi&ccedil;&atilde;o da casa pr&oacute;pria... A no&ccedil;&atilde;o de estabilidade virou, em nossos dias, sin&ocirc;nimo de seguran&ccedil;a. Ela seria, nessa &oacute;tica, um estado de tranquilidade material, advinda do ac&uacute;mulo de recursos que nos possibilitem comer, nos vestir, ter acesso a lazer e qualidade de vida e ter alguma reserva para a aposentadoria. Todavia, a ideia de se fazer um voto de estabilidade est&aacute; longe desses significados modernos. O voto de estabilidade tem um contexto hist&oacute;ricos espec&iacute;fico. Ele nasce no ambiente mon&aacute;stico e carrega consigo uma preciosa sabedoria.</p>
<p>
	Essa busca pela estabilidade tinha por tr&aacute;s de si, em primeiro lugar, uma luta contra a inconst&acirc;ncia. Mudan&ccedil;as s&atilde;o maravilhosos elementos para o nosso crescimento. Atrav&eacute;s delas, enfrentamos desafios que rompem nossa zona de conforto e nos fazem sair do lugar. Mas existem pessoas que nutrem uma rela&ccedil;&atilde;o patol&oacute;gica com a mudan&ccedil;a. Elas se enjoam r&aacute;pido de uma novidade; ent&atilde;o, para manter a alma viva, pulam para uma outra coisa nova. Mudam tanto, que s&atilde;o inconstantes &ndash; n&atilde;o criam ra&iacute;zes, n&atilde;o concretizam quase nada. &Eacute; contra esta patologia chamada inconst&acirc;ncia que nasce o voto pela estabilidade. Ser est&aacute;vel n&atilde;o &eacute; fechar-se ao novo, mas sim, encontrar a imensa alegria que existe em solidificar conquistas, colher semeaduras, submeter-se a rotinas capazes de gerar h&aacute;bitos formadores de um destino.Outro elemento contra o qual a estabilidade se insurge &eacute; o impulso cego. Decis&otilde;es tomadas por impulsos s&atilde;o, quase sempre, desastrosas. Impulso &eacute; um movimento instintivo, uma resposta autom&aacute;tica a um est&iacute;mulo externo. Ele obedece ao calor da hora e simplesmente acontece. Impulsos fazem parte do nosso ser, mas n&atilde;o podemos permitir que nos dominem, que sejam a base da nossa vida. O voto pela estabilidade nos ajuda a dizer n&atilde;o aos impulsos. Estabilidade &eacute; o oposto do impulso, e resulta em maturidade e solidez. Ser est&aacute;vel n&atilde;o &eacute; anular o impulso, mas conviver com ele de maneira a n&atilde;o permitir que ele seja a matriz das nossas decis&otilde;es.</p>
<p>
	O romance <em>Horizonte perdido </em>fala de um lugar fict&iacute;cio chamado Shangri-l&aacute;. Ele &eacute; uma esp&eacute;cie de para&iacute;so, com tudo o que um ser humano deseja: tranquilidade total, um ambiente em que o verde das matas e o azul dos lagos formam um cen&aacute;rio ideal de descanso, onde tudo &eacute; novo e excitante. Na verdade, todos somos atra&iacute;dos por um Shangri-l&aacute;. No fundo, ele &eacute; o lugar em que n&atilde;o estamos, o tempo que n&atilde;o vivemos, a experi&ecirc;ncia que n&atilde;o tivemos; enfim, o local id&iacute;lico e irreal que nos cega para a realidade, a rotina na qual vivemos, o tempo e o lugar em que estamos. Pois o voto pela estabilidade nasce para nos ajudar a perceber que o aqui e agora, o lugar que estamos construindo nossa hist&oacute;ria, est&aacute; cheio de beleza. O t&eacute;dio que nasce da familiaridade, do costume com as mesmas coisas de sempre, leva-nos a pensar neste lugar inexistente. A estabilidade nos ajuda a plantar os p&eacute;s onde estamos. Ela n&atilde;o fecha a porta para o novo; apenas nos ensina a achar novidade naquilo que se repete.</p>
<p>
	A busca por esta estabilidade fez florescer toda uma gera&ccedil;&atilde;o de homens e mulheres que, paradoxalmente, quanto mais se enraizavam, mais criavam coisas novas. Gente comprometida em terminar o que come&ccedil;ou, em solidificar o que estava em andamento, de n&atilde;o mudar pelo simples sabor da novidade. Quem sabe, nesse tempos nos quais somos t&atilde;o estimulados a viver ao sabor dos impulsos, de mudar sempre, indiscriminadamente, e de buscar uma felicidade que se parece com a linha do horizonte &ndash; quanto mais perto chegamos dela, mais ela se distancia de n&oacute;s. Quem sabe se todos n&oacute;s n&atilde;o estamos precisando fazer um voto de estabilidade para com Deus?</p>   ]]></description><pubDate> Thu, 03 May 2012 11:45:53 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Thu, 03 May 2012 11:45:53 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/CxdCtOua6VI/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=852</feedburner:origLink></item><item><title>O lugar do pastoreio</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/25701_Bomilcar.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Comunidades crist&atilde;s v&atilde;o se formando com novas caras e facetas no Brasil, em todas as classes sociais. Casas, escolas, hot&eacute;is, clubes e gin&aacute;sios tornam-se caminhos diversos, mais interessantes e pertinentes dependendo da realidade urbana para sua instala&ccedil;&atilde;o. Pensar em ajuntamento de crist&atilde;os nos templos com projetos arquitet&ocirc;nicos tradicionais ou contempor&acirc;neos, com m&eacute;dios e grandes espa&ccedil;os cada vez mais dif&iacute;ceis e raros, e com toda sua complexidade legal, financeira e estrutural, vai se tornando um projeto menos desej&aacute;vel e vi&aacute;vel para muitas igrejas e grupos eclesi&aacute;sticos.</p>
<p>
	Em cima dessa realidade desafiadora e pouco encorajadora, o pastoreio &eacute; ainda um caminho mais complexo, no qual, muitas vezes, a expectativa pela a&ccedil;&atilde;o pastoral diante das necessidades das pessoas em dor, sofrimento e outros diversos clamores vai dando lugar a sentimentos e percep&ccedil;&otilde;es extremas: uma parte do rebanho continua desejando esse cuidado pessoal e acolhedor dos pastores e da lideran&ccedil;a, enquanto que gente com boa <em>quilometragem</em>, rodada nas igrejas, j&aacute; &ldquo;jogou a toalha&rdquo; e n&atilde;o acredita mais ser poss&iacute;vel esse pastoreio, vivendo uma insatisfa&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua. Alguns buscam caminhos de sobreviv&ecirc;ncia em movimentos localizados e nas redes sociais; outros simplesmente desistem e se afastam dos ajuntamentos.</p>
<p>
	Pela extrema valoriza&ccedil;&atilde;o da figura ou da autoridade de pastores, numa cultura como a nossa &ndash; na qual os grandes l&iacute;deres s&atilde;o incensados e onde se cria e nutre uma rela&ccedil;&atilde;o de extrema e inapropriada depend&ecirc;ncia &ndash;, vai se esvaziando o cuidado e a responsabilidade de um para com outro no rebanho. Desvalorizam-se os membros do corpo de Cristo, com seus dons e fun&ccedil;&otilde;es, e o senso de responsabilidade de cada irm&atilde;o em ora&ccedil;&atilde;o, acolhimento, compartilhamento, conselho m&uacute;tuo, exorta&ccedil;&atilde;o, visita&ccedil;&atilde;o, servi&ccedil;o e fortalecimento de amizades espirituais. Jogar a responsabilidade do cuidado pastoral somente sobre uma pessoa ou uma reduzida lideran&ccedil;a &eacute;, no m&iacute;nimo, irreal, imprudente e imaturo, seja em grandes ajuntamentos ou n&atilde;o. Claro, n&atilde;o se pode minimizar a import&acirc;ncia daqueles que receberam dons espec&iacute;ficos para serem pastores e mestres, presb&iacute;teros e di&aacute;conos, conforme a recomenda&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica. Mas tal esvaziamento reflete, em primeiro lugar, o descuido de muitos irm&atilde;os no cultivo de uma espiritualidade saud&aacute;vel. Eles abriram m&atilde;o da ora&ccedil;&atilde;o e da medita&ccedil;&atilde;o na Palavra, da comunh&atilde;o com Deus Pai, Filho e Esp&iacute;rito Santo em primeiro lugar. A desvaloriza&ccedil;&atilde;o da intimidade e do alimento da f&eacute;, e da uma depend&ecirc;ncia maior de Deus, foi deixando lacunas significativas.</p>
<p>
	Em segundo lugar, a supervaloriza&ccedil;&atilde;o de pessoas, e a depend&ecirc;ncia exagerada delas, acabou trazendo como consequ&ecirc;ncia a superficialidade Uma vida superficial, sem caracter&iacute;sticas de profundidade e maturidade, e destitu&iacute;da de uma vis&atilde;o encorajadora da f&eacute; crist&atilde; e da miss&atilde;o que nos foi confiada por Jesus Cristo &eacute; o resultado disso. Acabamos nutrindo uma vis&atilde;o ego&iacute;sta e antropoc&ecirc;ntrica, quase sempre ignorando o pr&oacute;ximo a quem temos de servir e ajudar com o que somos e possu&iacute;mos. Membros de ajuntamentos v&atilde;o se tornando mais exigentes, achando que as igrejas precisam saciar suas necessidades nem sempre leg&iacute;timas diante da proposta b&iacute;blica da natureza e miss&atilde;o da Igreja. Ent&atilde;o, o mercado da f&eacute; percebe a lacuna e acaba se instalando para compensar aquilo que n&oacute;s n&atilde;o encontramos no pastoreio ou na a&ccedil;&atilde;o pastoral cuidadosa.</p>
<p>
	Seja com que formato for e onde se instalarem, os ajuntamentos crist&atilde;os n&atilde;o podem abdicar da verdade do Evangelho, da mensagem das boas novas e de todo o conselho de Deus que &eacute; a sua Palavra. Ora no meio de desertos e provas, ora em pastos verdejantes e &aacute;guas tranquilas, ovelhas precisam, em primeiro lugar, depender mais do pastor Jesus e buscar crescimento nesta rela&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia e mentoria; em outras palavras, depender mais de Deus do que de homens, sem desmerecer o valor do corpo de Cristo e das pessoas e l&iacute;deres que o Senhor tem colocado em seu caminho. Tudo isso para sermos melhores testemunhas, melhores servos, melhores crist&atilde;os, vivendo a experi&ecirc;ncia comunit&aacute;ria de forma consciente e respons&aacute;vel e que n&atilde;o nos deixe perder o compromisso e a viv&ecirc;ncia da miss&atilde;o crist&atilde; &ndash; e, muito menos, nossa responsabilidade de anunciar e sinalizar o Reino.</p>   ]]></description><pubDate> Thu, 03 May 2012 11:41:36 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Thu, 03 May 2012 11:41:36 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/LWtETsOskbk/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=851</feedburner:origLink></item><item><title>Prioridades na ação pastoral</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/17609_Bomilcar.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Na a&ccedil;&atilde;o e no trabalho pastoral, temos muitas urg&ecirc;ncias e enfrentamos situa&ccedil;&otilde;es diversas e complexas. Elas se misturam com os desafios e anseios pessoais de cada l&iacute;der, com as tantas solicita&ccedil;&otilde;es familiares e as demandas de seus pr&oacute;prios cora&ccedil;&otilde;es. Diante de realidade t&atilde;o abrangente e desafiadora em tantos contextos diferentes, que nos chama para uma vida e um minist&eacute;rio relevantes, &eacute; muito dif&iacute;cil estabelecer prioridades que nos ajudem a desenvolver uma espiritualidade frut&iacute;fera onde estamos plantados.</p>
<p>
	Apesar da complexidade e da diversidade de tais rela&ccedil;&otilde;es, podemos sugerir e mapear algumas prioridades. Atrav&eacute;s delas, sentimo-nos mais estruturados, aptos e dispon&iacute;veis para sermos usados pelo Senhor, com maior dedica&ccedil;&atilde;o, na implanta&ccedil;&atilde;o de seu Reino. Um equil&iacute;brio entre as prioridades e uma pertinente flexibilidade naquilo que se apresenta diante de n&oacute;s pode ser um caminho saud&aacute;vel e prop&iacute;cio. Meus mentores me ajudaram muito nesse processo, acompanhando muitas situa&ccedil;&otilde;es que vivi &ndash; e ainda vivo.</p>
<p>
	Conhecer ao Senhor e ter intimidade com ele, uma intimidade cultivada pela medita&ccedil;&atilde;o e ora&ccedil;&atilde;o, &eacute; a primeira dessas prioridades. Sem conhecermos seus pensamentos e sua vontade, n&atilde;o teremos condi&ccedil;&otilde;es de conhecer mais de n&oacute;s mesmos, das pessoas e da sociedade onde estamos inseridos. Um conhecimento n&atilde;o apenas de ouvir falar, mas de vivenciar esta comunh&atilde;o e amizade no dia a dia. Um conhecimento que traz transforma&ccedil;&atilde;o e cria um terreno f&eacute;rtil e um alicerce forte para o que estamos construindo em nossa vida pessoal e ministerial.</p>
<p>
	A segunda prioridade &eacute; conhecer mais de voc&ecirc; mesmo. Aprender a lidar com as descobertas, com as virtudes e limita&ccedil;&otilde;es que temos, pode nutrir esta jornada que certamente nos levar&aacute; a uma maturidade maior e a um crescimento espiritual qualitativo, trazendo transforma&ccedil;&otilde;es para nosso car&aacute;ter e personalidade. Conhecer o pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o, que &eacute; enganoso na avalia&ccedil;&atilde;o do que &eacute; realmente importante, &eacute; de fundamental import&acirc;ncia &ndash; e ajuda-nos a perceber que precisamos do Esp&iacute;rito Santo dentro de n&oacute;s, trazendo discernimento, sabedoria e coragem para sermos o que precisamos ser como crist&atilde;os.</p>
<p>
	A terceira prioridade &eacute; buscarmos construir um ambiente saud&aacute;vel e amoroso na fam&iacute;lia onde estamos inseridos. O cuidado do c&ocirc;njuge e dos filhos trar&aacute; para n&oacute;s n&atilde;o somente cansa&ccedil;o e desgastes pelos desafios no cotidiano, mas &aacute;gua fresca, aroma, sabor, amizade, acolhimento, brilho nos olhos, alegria e, principalmente, amor. Onde existe relacionamentos de verdade, compromisso, transpar&ecirc;ncia e perd&atilde;o, vamos percebendo crescimento, fortalecimento e beleza. Com isso, ganhamos for&ccedil;as para sermos crist&atilde;os mais integrados com a vida e obra de Deus. No lar, temos um ambiente onde n&atilde;o precisamos representar; ali, estamos desnudados, e encontramos uma reserva de paz e espiritualidade na qual recobramos os focos e alvos de nossa jornada.</p>
<p>
	A conex&atilde;o com a realidade deve ser nossa quarta prioridade. E ela &eacute; vital para a a&ccedil;&atilde;o pastoral. Essa conex&atilde;o nos torna conscientes do mundo onde estamos inseridos, com todos os seus desafios: uma sociedade complexa em seus problemas, violenta, marcada pela desigualdade social, sucateada de servi&ccedil;os b&aacute;sicos e corrupta em todos os n&iacute;veis. S&atilde;o muitos os gritos de socorro, grande &eacute; o sofrimento e numerosos os sinais de morte presentes nela. Eles ecoam da periferia, do campo, do mundo estudantil e acad&ecirc;mico, da realidade corporativa, onde precisamos de testemunhas e referenciais do Evangelho de servi&ccedil;o, justi&ccedil;a e amor. Homens e mulheres est&atilde;o perecendo sem Jesus e sentido na vida.</p>
<p>
	Uma quinta prioridade deve ser o crescimento pessoal do l&iacute;der e pastor. Tempo, disciplina, agenda e sustento s&atilde;o necess&aacute;rios. Buscarmos aprofundamento, forma&ccedil;&atilde;o em outras &aacute;reas, aconselhamento e acompanhamento, dividindo as cargas e desafios emocionais, psicol&oacute;gicos, espirituais e ministeriais, tamb&eacute;m. Pastores e l&iacute;deres tamb&eacute;m precisam ser pastoreados e cuidados. Isso &eacute; vital para uma vida no pastorado e na a&ccedil;&atilde;o ministerial. N&atilde;o estamos sozinhos no Reino, nem na Igreja. Tampouco devemos caminhar solit&aacute;rios na jornada de servi&ccedil;o e miss&atilde;o. Cabe-nos ter aten&ccedil;&atilde;o, sabedoria e sensibilidade, e Deus nos capacitar&aacute; e fortalecer&aacute;.</p>   ]]></description><pubDate> Thu, 03 May 2012 11:34:01 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Thu, 03 May 2012 11:34:01 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/5_DTVPFL7Ww/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=850</feedburner:origLink></item><item><title>Graça e meritocracia</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/18381_Carlo.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Ouvi do subsecret&aacute;rio de A&ccedil;&otilde;es Estrat&eacute;gicas da Secretaria de Assuntos Estrat&eacute;gicos do Governo Federal, Ricardo Paes de Barros, a seguinte frase numa entrevista: &ldquo;Esta nova classe m&eacute;dia fala muito de meritocracia; eles esquecem que muito de seu sucesso se deve &agrave; solidariedade e come&ccedil;am a falar sobre m&eacute;rito&rdquo;. Espantei-me ao ver ali a palavra <em>meritocracia</em>, cujo significado, segundo o Aur&eacute;lio, &eacute; &ldquo;um sistema em que os mais dotados ou aptos s&atilde;o escolhidos e promovidos conforme seus progressos e consecu&ccedil;&otilde;es&rdquo;. &nbsp;Eu n&atilde;o imaginava que a nova classe m&eacute;dia brasileira, que tanto sofreu nos estratos mais baixos da pir&acirc;mide social, j&aacute; fosse capaz de demonstrar ares meritocr&aacute;ticos t&atilde;o rapidamente. E isso &eacute; extremamente preocupante.</p>
<p>
	Sou um grande cr&iacute;tico da meritocracia. Acredito que ela s&oacute; poderia se aplicada em sua totalidade se houvesse a igualdade absoluta entre as pessoas. Ou seja, uma sociedade meritocr&aacute;tica s&oacute; seria justa na medida em que todos os seus membros nascessem absolutamente iguais e tivessem chances equivalentes na vida. Como isso n&atilde;o acontece, a meritocracia plena &eacute; ut&oacute;pica, e aqueles que a defendem como justa vivem no mundo da fantasia. Se quis&eacute;ssemos realmente aplicar a meritocracia, ter&iacute;amos que acabar com o direito de heran&ccedil;a. Afinal, que m&eacute;rito existe em se herdar fortunas e propriedades dos pais?</p>
<p>
	Podemos ir ainda mais longe. Concursos p&uacute;blicos aprovam justamente aqueles mais aptos e melhor preparados. Mas &eacute; justo que aqueles que estudaram &agrave; noite, ap&oacute;s horas no trabalho, sejam avaliados da mesma forma que candidatos de melhor poder aquisitivo, que se dedicaram de forma integral ao concurso? N&atilde;o, n&atilde;o &eacute; justo. &Eacute; claro que permitir que cada reparti&ccedil;&atilde;o contrate quem quiser daria margem ao nepotismo e a outras atitudes ainda mais desonestas. Beste sentido, o concurso p&uacute;blico passa a ser melhor &ndash; ou menos pior &ndash; op&ccedil;&atilde;o. J&aacute; o modelo de quotas para negros, t&atilde;o discutido no Brasil, traz em seu &acirc;mago um ant&iacute;doto &agrave; meritocracia. Afinal, trata-se de uma tentativa de compensar a falta de &ldquo;m&eacute;rito&rdquo; dos negros, t&atilde;o desfavorecidos ao longo da hist&oacute;ria brasileira. Por isso, o sistema de quotas t&ecirc;m sua validade, e qualquer tentativa de tornar a sociedade mais igualit&aacute;ria deve ser valorizada.</p>
<p>
	Mas o maior problema da meritocracia n&atilde;o est&aacute; em dar poder, recursos e mais oportunidades aos mais aptos e com mais &ldquo;m&eacute;rito&rdquo;. O problema est&aacute; em justamente retirar poder, liberdade, oportunidades e direitos daqueles menos preparados. Ou seja, no seu limite, a meritocracia &eacute; um sistema onde os menos aptos s&atilde;o massacrados pelos mais capazes &ndash; um verdadeiro darwinismo social. No campo da f&eacute;, o catolicismo possui um lado bastante meritocr&aacute;tico, ao valorizar a salva&ccedil;&atilde;o pelas obras e condicionar o c&eacute;u e o inferno &agrave;s atitudes do crist&atilde;o ao longo da vida. J&aacute; o protestantismo passa, na teoria, bem longe da meritocracia, pois defende a salva&ccedil;&atilde;o pela gra&ccedil;a. E a gra&ccedil;a &eacute; justamente o oposto da meritocracia, pois significa receber algo que n&atilde;o merecemos. Deus, em sua bondade e justi&ccedil;a, &eacute; absurdamente antimeritocr&aacute;tico. Paradoxalmente, no entanto, os Estados Unidos, maior pa&iacute;s de tradi&ccedil;&atilde;o protestante, s&atilde;o tomados de uma meritocracia atroz, capaz de permitir que seus cidad&atilde;os menos favorecidos sofram at&eacute; pela falta de atendimento m&eacute;dico.</p>
<p>
	O paradoxo &eacute; estranho e parece que a maioria dos americanos se lembram apenas dos galard&otilde;es no c&eacute;u, esquecendo-se da gra&ccedil;a que Deus lhes concedeu. Como crist&atilde;o, a meritocracia me parece absurdamente incompat&iacute;vel com a gra&ccedil;a divina, a qual dever&iacute;amos incorporar em nossas vidas. OK, os meritocratas costumam dizer que muitos n&atilde;o querem trabalhar e n&atilde;o &eacute; justo que se beneficiem do trabalho comum da sociedade. Mas a maioria dos necessitados que vivem nas sociedades ditas meritocr&aacute;ticas n&atilde;o s&atilde;o carentes de vontade de trabalhar, mas sim, de oportunidade &ndash; e mesmo as que se recusam a trabalhar t&ecirc;m direito em minha opini&atilde;o a um padr&atilde;o m&iacute;nimo de sobreviv&ecirc;ncia com dignidade. Quando Jo&atilde;o Batista disse &ldquo;quem tiver duas t&uacute;nicas, reparta com quem n&atilde;o tem; e quem tiver comida, fa&ccedil;a o mesmo&rdquo;, ele n&atilde;o mandou averiguar se a pessoa necessitada trabalhava ou n&atilde;o, nem qual o motivo pelo qual n&atilde;o tinha t&uacute;nica ou comida. Ele disse apenas que dever&iacute;amos repartir o que temos.</p>
<p>
	Todo crist&atilde;o deveria questionar o conceito de meritocracia e contrast&aacute;-lo com a gra&ccedil;a de Deus, lembrando-se sempre de que, se o Senhor fosse um meritocrata, arder&iacute;amos todos no fogo do inferno.</p>   ]]></description><pubDate> Thu, 03 May 2012 11:28:56 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Thu, 03 May 2012 11:28:56 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/U14o5IgJ4MQ/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=849</feedburner:origLink></item><item><title>Espiritualidade egolátrica</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/40571_Carlos.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	A egolatria n&atilde;o &eacute; o simples cuidado do indiv&iacute;duo consigo mesmo. Cuidar de si mesmo, afinal, &eacute; uma virtude. Quando praticamos o cuidado conosco mesmos, aprendemos a amar mais as pessoas. A egolatria n&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m um sentimento de ego&iacute;smo. O indiv&iacute;duo ego&iacute;sta tem a expectativa de que todas as coisas e pessoas estejam em torno de seus interesses. Sem d&uacute;vida, isso &eacute; pecado; mas n&atilde;o &eacute;, ainda, um culto ao ego. Isso porque, enquanto o ego&iacute;sta deseja que todas as coisas existam para atender seus interesses, o eg&oacute;latra acredita que tem o poder para mover todas as coisas e pessoas em torno de si. A principal marca do eg&oacute;latra &eacute; a cobi&ccedil;a, &agrave;s vezes demonstrada por atitudes extremas. Tal sentimento foi muito bem exemplificado na proposta do diabo a Cristo: &ldquo;Tudo isso te darei se, prostrado, me adorares.&rdquo;&nbsp;&nbsp;</p>
<p>
	A egolatria &eacute; mais danosa do que a idolatria. E existe, lamentavelmente, uma espiritualidade eg&oacute;latra, aquela que &eacute; caracterizada pela pr&aacute;tica religiosa cujas celebra&ccedil;&otilde;es e liturgias favorecem a promo&ccedil;&atilde;o de personalidades. Na idolatria, a divindade &eacute; inanimada; o &iacute;dolo n&atilde;o controla a situa&ccedil;&atilde;o. J&aacute; na egolatria, o <em>ego-deus</em> tem boca e fala; tem nariz e cheira; tem p&eacute;s e anda. Ele tem uma intelig&ecirc;ncia cheia de artimanhas; em geral, possui carisma e cativa as massas. O <em>ego-deus</em> consegue passar a ideia de que foi o &uacute;nico dotado para uma miss&atilde;o especial &ndash; assim, possuiria poderes especiais, como uma capacidade m&iacute;stica de desvendar os mist&eacute;rios escondidos no al&eacute;m e trazer revela&ccedil;&otilde;es sobrenaturais.</p>
<p>
	Nas institui&ccedil;&otilde;es caracterizadas pela egolatria, h&aacute; a necessidade de intermedi&aacute;rios entre os devotos e o divino. Por essa raz&atilde;o, os cargos e pap&eacute;is espirituais s&atilde;o uma esp&eacute;cie de concess&atilde;o do <em>ego-deus</em> a esses intermedi&aacute;rios, sob a condi&ccedil;&atilde;o de trocas simb&oacute;licas e materiais. Diante de um <em>ego-deus</em>, todos os seguidores obedecem, sem o m&iacute;nimo de discernimento. Qualquer atitude cr&iacute;tica &eacute; denunciada como rebeldia intoler&aacute;vel. A egolatria &eacute; marcada pela necessidade de promo&ccedil;&atilde;o pessoal, vangl&oacute;ria e arrog&acirc;ncia. Os eg&oacute;latras necessitam de t&iacute;tulos que os fa&ccedil;am diferentes. Em se tratando da voca&ccedil;&atilde;o pessoal, os dons e minist&eacute;rios n&atilde;o representam habilidades para servir &agrave;s pessoas; eles s&atilde;o, isso sim, t&iacute;tulos particulares, esp&eacute;cie de ins&iacute;gnias ostentadas como demonstra&ccedil;&atilde;o de poder e dom&iacute;nio. Nos ambientes marcados pela egolatria, t&iacute;tulos que, em si mesmos, em nada credenciam seus detentores como sobre-humanos &ndash; como pastor, padre, bispo, ap&oacute;stolo &ndash;, assumem um significado de diviniza&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos em seus feudos religiosos e redes de submiss&atilde;o ao seu controle.</p>
<p>
	Na espiritualidade eg&oacute;latra, o sacerdote se confunde com a divindade. O agente m&aacute;gico e a divindade fundem-se numa s&oacute; personalidade. Mas o <em>ego-deus</em> &eacute; materialista, possessivo, vingativo; seu discurso n&atilde;o glorifica ao &uacute;nico Deus, Senhor dos c&eacute;us e da terra, mas favorece a pr&oacute;pria domina&ccedil;&atilde;o, estimula a vassalagem dos seguidores e legitima a din&acirc;mica do poder. A leg&iacute;tima prega&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica &eacute; substitu&iacute;da por um discurso caracterizado por frases-feitas e palavras de ordem supostamente capazes de mover a m&atilde;o divina, decretar a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o e promover bem estar f&iacute;sico e material aos adeptos &ndash; normalmente, em troca dos chamados sacrif&iacute;cios, quase sempre realizados atrav&eacute;s do dinheiro.</p>
<p>
	Se, numa determinada comunidade, as pessoas est&atilde;o dando mais &ecirc;nfase &agrave; experi&ecirc;ncia espiritual que isola, discrimina os de fora e p&otilde;e os supostamente espiritualizados em pedestais, &eacute; bem prov&aacute;vel que estejamos diante da espiritualidade egol&aacute;trica, e n&atilde;o do modelo proposto por Jesus Cristo. No Evangelho de Cristo, o que &eacute; aparentemente oculto &eacute; revelado aos pequeninos do seu Reino. As boas novas &ldquo;escondidas&rdquo; em Deus, de fato, estavam sempre presentes; todavia, os seres humanos sofisticados n&atilde;o compreenderam a singeleza dessa mensagem: a de que aos pobres e aos pequeninos &eacute; que foram reveladas as boas novas a respeito do Reino de Deus (Lucas 10.18-19). As &ldquo;revela&ccedil;&otilde;es&rdquo; recebidas pelos poderosos dos empreendimentos religiosos n&atilde;o dizem respeito &agrave; mesma revela&ccedil;&atilde;o anunciada pelo Filho de Deus aos pobres e pequeninos.</p>
<p>
	&Eacute; muito importante que saibamos discernir entre a espiritualidade revelada por Jesus de Nazar&eacute; e aquela praticada nas ambi&ecirc;ncias egol&aacute;tricas da cristandade brasileira.</p>
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	&nbsp;</p>   ]]></description><pubDate> Thu, 03 May 2012 11:23:45 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Thu, 03 May 2012 11:23:45 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/Fl5yMIocEYM/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=848</feedburner:origLink></item><item><title>Suor abençoado</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/12275_SauÌde.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Eles dividem o p&uacute;lpito com os <em>ferros </em>da academia, mant&ecirc;m-se ativos, consultam o m&eacute;dico regularmente e n&atilde;o abrem m&atilde;o do descanso e do lazer. &Agrave; mesa, n&atilde;o cometem os exageros de seus colegas das gera&ccedil;&otilde;es passadas &ndash; ao contr&aacute;rio, procuram seguir dietas balanceadas e passam longe das gorduras e, claro, do &aacute;lcool. Cuidam do corpo com esmero, fazem corridas e caminhadas toda semana e dividem o tempo entre medita&ccedil;&otilde;es b&iacute;blicas, visita&ccedil;&otilde;es e aconselhamentos e jogos de futebol, sess&otilde;es de nata&ccedil;&atilde;o e at&eacute; mesmo lutas nos ringues e tatames. S&atilde;o os pastores da gera&ccedil;&atilde;o-sa&uacute;de, l&iacute;deres crist&atilde;os que t&ecirc;m descoberto na atividade f&iacute;sica uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o para o corpo, a alma e o esp&iacute;rito. E, se alguma concess&atilde;o &agrave; vaidade &eacute; inevit&aacute;vel &ndash; afinal, quem n&atilde;o gosta de sentir-se bom consigo mesmo e de apreciar o que v&ecirc; no espelho? &ndash;, esses ativos ministros do Reino de Deus querem envelhecer sem perder a vitalidade e a disposi&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;veis ao exerc&iacute;cio da obra do Senhor.</p>
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	Quase todos est&atilde;o na faixa entre os 30 e os 50 anos, aquela idade em que o corpo come&ccedil;a a dar os primeiros sinais de desgaste. J&aacute; que, segundo o s&aacute;bio de Eclesiastes, na velhice chega um tempo em que tudo parece canseira e enfado, eles sabem que a hora &eacute; agora. Por terem a consci&ecirc;ncia de que a primeira metade da vida j&aacute; se passou e que &eacute; preciso planejar com carinho o tempo que resta, gente como o pastor metodista Ziel Machado, 50 anos, sua a camisa a d&aacute; gl&oacute;ria a Deus por isso. Desportista aficionado na juventude, ele tornou-se sedent&aacute;rio na idade adulta e o ac&uacute;mulo de compromissos tornou-se uma regra em sua agenda. &ldquo;Comecei a sofrer com o sobrepeso e o m&eacute;dico recomendou que voltasse &agrave; pr&aacute;tica regular de esportes&rdquo;, lembra. H&aacute; tr&ecirc;s anos, Ziel dedica-se a corridas de rua e maratonas, com treinamento espec&iacute;fico e orientado por profissionais. &ldquo;Minha vida mudou&rdquo;, entusiasma-se o pastor. &nbsp;&ldquo;Perdi 35 quilos e ganhei uma condi&ccedil;&atilde;o ativa e saud&aacute;vel. Recuperei a qualidade de sono e a capacidade de lidar melhor com o estresse&rdquo;.</p>
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	Um processo de reeduca&ccedil;&atilde;o alimentar completou o quadro. &ldquo;Essa din&acirc;mica me d&aacute; uma disposi&ccedil;&atilde;o renovada para tudo o que preciso fazer, e ainda ganhei novos amigos neste mundo da corrida&rdquo;, revela. Segundo Ziel, sua decis&atilde;o causou certa estranheza entre as ovelhas e os conhecidos. &ldquo;Em um primeiro momento, muitos se assustam quando sabem que sou pastor. Eles t&ecirc;m uma imagem muito negativa em rela&ccedil;&atilde;o aos pastores evang&eacute;licos nesse aspecto f&iacute;sico, e t&ecirc;m raz&atilde;o para pensar assim&rdquo;, reconhece. Ele j&aacute; tem um grupo com o qual treina junto e participa de competi&ccedil;&otilde;es &ndash; gente que, naturalmente, procura evangelizar. &ldquo;J&aacute; tive o privil&eacute;gio de ver dois deles se decidirem por Cristo e hoje est&atilde;o firmes em sua igreja&rdquo;, conta. Mesmo quando est&aacute; viajando a servi&ccedil;o do minist&eacute;rio, o pastor encontra um tempinho para dar seguimento ao programa f&iacute;sico, j&aacute; que segue uma planilha individualizada de exerc&iacute;cios. &ldquo;Tenho aprendido muito sobre a import&acirc;ncia da atividade f&iacute;sica, da alimenta&ccedil;&atilde;o, da respira&ccedil;&atilde;o e do descanso&rdquo;. Al&eacute;m de tudo, diz Ziel, a pr&aacute;tica da atividade f&iacute;sica tem sido uma forma concreta de aprender novas disciplinas. &ldquo;&Eacute; poss&iacute;&shy;vel e necess&aacute;rio ser um bom administrador deste presente valioso que Deus nos deu, a vida.&rdquo;</p>
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	Autor de uma tese de mestrado intitulada <em>Sa&uacute;de dos l&iacute;deres religiosos: A voca&ccedil;&atilde;o em sintonia com a sa&uacute;de pessoal</em>, o cardiologista Maur&iacute;cio Rocca acompanha de perto a vida de 60 ministros de diferentes denomina&ccedil;&otilde;es evang&eacute;licas e alguns padres cat&oacute;licos. Ele apresentou o trabalho na Universidade Metodista. &nbsp;&ldquo;Como verdadeiramente se encontra a sa&uacute;de dos l&iacute;deres religiosos? Eles t&ecirc;m olhado para si mesmos com um olhar de cuidados? T&ecirc;m vivido a qualidade de vida que sua fun&ccedil;&atilde;o apregoa, mas tamb&eacute;m necessita?&rdquo;, indaga no trabalho. Rocca, que tamb&eacute;m &eacute; te&oacute;logo e p&oacute;s-graduado em aconselhamento pastoral, ministra palestras em grupos de homens e igrejas. Uma das prioridades &eacute; estimul&aacute;-los a cuidar do corpo &ndash; e uma das melhores maneiras de fazer isso &eacute; o exerc&iacute;cio f&iacute;sico, at&eacute; pela sensa&ccedil;&atilde;o de prazer que ele proporciona. &ldquo;Hoje, as pessoas adoecem em fases mais precoces da vida, devido &agrave;s exig&ecirc;ncias profissionais e pelo estilo de vida contempor&acirc;neo&rdquo;, observa. Em sua tese, o m&eacute;dico alerta para o fato de que a desaten&ccedil;&atilde;o com a sa&uacute;de pode colocar uma voca&ccedil;&atilde;o em risco.</p>
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	<strong>CORPO EM MOVIMENTO</strong></p>
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	A pastora Silvia Geruza Rodrigues, da Igreja Betesda de S&atilde;o Paulo, j&aacute; descobriu h&aacute; tempos os benef&iacute;cios do corpo em movimento. Dan&ccedil;arina de bal&eacute; cl&aacute;ssico na inf&acirc;ncia, ela passou &agrave; aer&oacute;bica na &eacute;poca em que se casou com o pastor Ricardo Gondim, outro entusiasta das corridas. &ldquo;Fiz academia, dan&ccedil;a moderna e nata&ccedil;&atilde;o&rdquo;, conta a pastora. Hoje, aos 52 anos de idade, v&ecirc;-la de short, camiseta e t&ecirc;nis &eacute; t&atilde;o comum como encontr&aacute;-la de tailleur no p&uacute;lpito de sua igreja. &ldquo;A melhora no f&iacute;sico, na vitalidade e na disposi&ccedil;&atilde;o depois da corrida me fez gostar tanto que n&atilde;o quero mais parar&rdquo;, atesta. &nbsp;A auto-estima, claro, tamb&eacute;m entra na equa&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de: &ldquo;Minhas roupas mudaram de 42 para 38, sem contar a tonifica&ccedil;&atilde;o no corpo por inteiro&rdquo;.</p>
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	Geruza pedala, faz muscula&ccedil;&atilde;o e nada pelo menos quatro vezes na semana. E acha importante para a igreja ter um pastor saud&aacute;vel no p&uacute;lpito. &ldquo;Ele acaba sendo uma influ&ecirc;ncia para os membros tamb&eacute;m nesta &aacute;rea, j&aacute; que outros seguir&atilde;o seu exemplo&rdquo;. Para ela, &eacute; fundamental que os pastores busquem meios de ter mais vitalidade e energia. &ldquo;Assim, ter&atilde;o mais condi&ccedil;&otilde;es para vencer as lutas di&aacute;rias, que s&atilde;o muitas em uma igreja&rdquo;. De fato, buscar o equil&iacute;brio em tudo pode parecer elementar, mas &eacute; coisa que nem todo mundo consegue. E, a julgar pela quantidade de pessoas com problemas de sa&uacute;de decorrentes da inatividade f&iacute;sica, fica claro que entre a inten&ccedil;&atilde;o e a pr&aacute;tica existe um abismo. Para os pastores, ent&atilde;o, as mais diversas desculpas s&atilde;o invocadas para a acomoda&ccedil;&atilde;o, da falta de tempo &agrave; necessidade de dedica&ccedil;&atilde;o ao estudo b&iacute;blico e &agrave; ora&ccedil;&atilde;o, e eles acabam carregando mesmo apenas a B&iacute;blia. Verdade que nem sempre por falta de responsabilidade: &ldquo;A maioria deles vive de forma intensa sua voca&ccedil;&atilde;o&rdquo;, observa o psic&oacute;logo Rangel Fabrete. Evang&eacute;lico, ele &eacute; ligado &agrave; comunidade evang&eacute;lica Projeto 242, na capital paulista. &ldquo;Muitas igrejas &lsquo;usam&rsquo; tanto o seu l&iacute;der que ele n&atilde;o tem tempo de envolver-se com outras atividades que n&atilde;o as ministeriais&rdquo;.</p>
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	Membro do Corpo de Psic&oacute;logos e Psiquiatras Crist&atilde;os, Rangel lembra que a qualidade de vida passa por diversos aspectos, dos quais a sa&uacute;de &eacute; primordial. &ldquo;Cristo ensinou sobre a necessidade de o homem amar a si mesmo&rdquo;. O pr&oacute;prio terapeuta mudou o estilo de vida ao perceber que a obesidade vinha prejudicando sua sa&uacute;de &ndash; com o ac&uacute;mulo de gordura, vieram a hipertens&atilde;o e as dores ao caminhar. Ap&oacute;s submeter-se a uma gastroplastia, passou a fazer exerc&iacute;cios e hoje frequenta academia de gin&aacute;stica.&nbsp; &ldquo;Os pastores precisam inserir em suas agendas o investimento na pr&oacute;pria sa&uacute;de&rdquo;, defende o cardiologista Mauricio Rocca . &ldquo;A vis&atilde;o do pastor como super-homem caminha para a extin&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Na opini&atilde;o do m&eacute;dico, isso, por si s&oacute;, j&aacute; representa um avan&ccedil;o.&nbsp; &ldquo;N&atilde;o adianta apenas orar e acreditar que Deus cuida da nossa sa&uacute;de se estivermos 20 quilos acima do peso ou cometemos excessos frequentes&rdquo;, salienta. &ldquo;Se realmente creio que o meu corpo &eacute; templo do Esp&iacute;rito Santo, ent&atilde;o preciso respeit&aacute;-lo como tal&rdquo;.</p>
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	Carlos Alberto Bezerra Jr, pastor e m&eacute;dico , destaca que a busca por uma vida saud&aacute;vel, al&eacute;m de agradar ao Senhor, n&atilde;o tem nada a ver, como muitos crentes ainda pensam, com hedonismo: &ldquo;A motiva&ccedil;&atilde;o certa &eacute; o zelo consigo mesmo&rdquo;. &nbsp;Bezerra, que pertence ao quadro ministerial da igreja Comunidade da Gra&ccedil;a e ocupa o cargo de deputado estadual em S&atilde;o Paulo, ressalta que alguns pecados pouco comentados, como a glutonaria, prejudicam e muito a sa&uacute;de, assim como pr&aacute;ticas tradicionalmente condenadas pelos crentes, como consumo de bebidas alcoolicas e o uso do cigarro.</p>
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	<strong>&ldquo;ENERGIA PARA O MINIST&Eacute;RIO&rdquo;</strong></p>
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	L&iacute;der de uma comunidade caracterizada pela presen&ccedil;a maci&ccedil;a de jovens, Rinaldo Luiz Pereira, ap&oacute;stolo da Igreja Bola de Neve, &eacute; o exemplo acabado de pastor da gera&ccedil;&atilde;o-sa&uacute;de. Ele nada, surfa, corre, faz muscula&ccedil;&atilde;o e ainda joga futebol com seus presb&iacute;teros e di&aacute;conos. Aos 38 anos, Rina, como &eacute; conhecido entre seus fi&eacute;is, mant&eacute;m a sa&uacute;de em dia evitando carboidratos e gorduras em excesso e dormindo no m&iacute;nimo seis horas por dia.&nbsp; &ldquo;No passado, fazer esporte e descansar era quase um pecado. Os l&iacute;deres at&eacute; se sentiam culpados por se divertir ou praticar exerc&iacute;cios&rdquo;, explica. Para ele, &eacute; compensador o h&aacute;bito de exercitar-se regularmente. &ldquo;Pessoas que fazem isso est&atilde;o sempre mais dispostas e cheias de energia. Se canalizada para o minist&eacute;rio, essa energia promove criatividade, participa&ccedil;&atilde;o e est&iacute;mulo&rdquo;, enumera. Al&eacute;m disso, Rina acredita que a pr&aacute;tica de esportes facilita sua aproxima&ccedil;&atilde;o com os membros da igreja e promove um ambiente muito agrad&aacute;vel na igreja. Na Bola de Neve, muitos pastores s&atilde;o tamb&eacute;m desportistas. &ldquo;&Eacute; quase uma exig&ecirc;ncia minha&rdquo;, brinca.</p>
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	O pastor Andr&eacute; Paes, 40 anos, da Comunidade Batista em Vila Bastos, em S&atilde;o Paulo, &eacute; outro que n&atilde;o para quieto no p&uacute;lpito. Adepto das corridas de fundo, ele faz parte do grupo Link Runners, turma de atletas amadores. &ldquo;Terminaremos 2011 na Corrida de S&atilde;o Silvestre&rdquo;, avisa Andr&eacute;, referindo-se &agrave; tradicional prova de rua realizada no &uacute;ltimo dia do ano na capital paulista. Para ele, a atividade f&iacute;sica &eacute; quase um sacerd&oacute;cio: &ldquo;N&atilde;o cuidar da sa&uacute;de pode ser um sinal de incoer&ecirc;ncia com a mensagem que pregamos. Se temos de ser bons mordomos de tudo que o Senhor nos d&aacute;, porque deixar a sa&uacute;de de fora disso?&rdquo; A pr&aacute;tica da corrida &eacute; para o pastor Andr&eacute; uma excelente forma de desenvolver disciplina e de relaxar. &ldquo;&Agrave;s vezes, at&eacute; uso o tempo para ouvir can&ccedil;&otilde;es de louvor e prega&ccedil;&otilde;es&rdquo;, comenta.</p>
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	Quem sempre fez do esporte um meio de vida n&atilde;o encontra qualquer dificuldade para conciliar a f&eacute; com o suor. Campe&atilde;o em 1994, na Copa do Mundo dos Estados Unidos, Paulo S&eacute;rgio Silvestre do Nascimento encerrou a carreira nos gramados de futebol em 2003, e desde ent&atilde;o se dedica a m&uacute;ltiplas atividades: preside Atletas de Cristo &ndash; o mais expressivo minist&eacute;rio crist&atilde;o ligado aos esportes no Brasil &ndash;, administra um centro esportivo e &eacute; pastor da Comunidade Transformados pela F&eacute;. Ele encontra tempo tamb&eacute;m para fazer muscula&ccedil;&atilde;o, correr quatro a cinco quil&ocirc;metros v&aacute;rias vezes na semana e, naturalmente, bater sua bolinha. O f&ocirc;lego para tudo vem de uma vida regrada, nem sempre comum entre jogadores profissionais de futebol &ndash; aos 42 anos, casado, o pastor tem dois filhos e &eacute; um <em>sujeito fam&iacute;lia. </em>Mas a pr&aacute;tica esportiva, claro, &eacute; fundamental para ele. Paulo faz analogia com um princ&iacute;pio b&iacute;blico para explicar a import&acirc;ncia da pr&aacute;tica esportiva para todo crente, e o pastor, em particular: &ldquo;Para acompanhar as ovelhas, o pastor tem que estar com bom preparo f&iacute;sico. Se deixar a desejar, elas v&atilde;o fugir. Existem pastores obesos, que se cansam com facilidade at&eacute; durante uma prega&ccedil;&atilde;o.&rdquo;</p>
<p>
	Aos 97 anos de idade e mais de sessenta como ministro do Evangelho, o pastor batista En&eacute;as Tognini j&aacute; viu muitos colegas morrerem precocemente porque n&atilde;o se cuidaram devidamente. &ldquo;Trabalhavam demais, n&atilde;o tinham descanso&rdquo;, conta o veterano pregador. Embora fa&ccedil;a parte de uma gera&ccedil;&atilde;o normalmente interessada em cultivar apenas a sa&uacute;de espiritual, Tognini jamais foi relapso consigo mesmo. &ldquo;Se eu ficar doente, n&atilde;o poderei fazer mais nada. A&iacute;, ao inv&eacute;s de trabalhar, vou &eacute; dar trabalho aos outros&rdquo;, raciocina, com l&oacute;gica irrefut&aacute;vel. O religioso lembra de sua &eacute;poca, quando n&atilde;o havia tantas facilidades para exercer o pastorado. &ldquo;Eu trabalhava demais. Ficava at&eacute; sem dormir&rdquo;. Hoje, n&atilde;o abre m&atilde;o do descanso.</p>
<p>
	Embora a idade impe&ccedil;a atividades de impacto, Tognini mant&eacute;m-se ativo. &Eacute; pastor em&eacute;rito da Igreja Batista do Povo, que fundou na d&eacute;cada de 1960. Regularmente, prega, visita ovelhas, profere aulas e palestras e ainda viaja bastante. &ldquo;Fa&ccedil;o tudo o que &eacute; orientado pelo m&eacute;dico para dar um pouco de vigor&rdquo;, garante. O consumo de vitaminas e fortificantes ajuda o pastor a manter a sa&uacute;de, assim como o rigor com sua pr&oacute;pria agenda pessoal. &ldquo;Essa hist&oacute;ria de que o sujeito n&atilde;o pode parar &eacute; conversa. Os pastores novos precisam aprender que &eacute; necess&aacute;rio o equil&iacute;brio entre o trabalho e o descanso, entre necessidade e sa&uacute;de. Se ele aprender a se cuidar, ser&aacute; mais produtivo e vai longe&rdquo;, ensina o nonagen&aacute;rio.</p>
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	<strong>DISCIPLINA</strong></p>
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	Pastor da Igreja Assembleia de Deus Minist&eacute;rio Bethel, no Esp&iacute;rito Santo, Moacyr Junior &nbsp;n&atilde;o apenas pratica esporte, mas faz dele parte essencial de seu minist&eacute;rio. Detentor de t&iacute;tulos importantes no jud&ocirc;, inclusive em n&iacute;vel internacional, ele competiu profissionalmente at&eacute; 2005 e atualmente, com 33 anos, coordena um projeto social onde o desporto &eacute; a base. Bastante atarefado na igreja e na vida pessoal, ele quer chegar aos 100 anos com um cora&ccedil;&atilde;o de trinta. &ldquo;Isso, se Jesus n&atilde;o voltar antes&rdquo;,diverte-se. &ldquo;Al&eacute;m de profiss&atilde;o, o esporte tornou-se para mim ferramenta para ajudar as pessoas&rdquo;, explica. Apaixonado pelas lutas, ele tem v&aacute;rias classes de jud&ocirc;, inclusive para crian&ccedil;as, e tamb&eacute;m treina <em>muay-thai</em>, tipo de combate esportivo originado na Tail&acirc;ndia. Por isso, diz, est&aacute; sempre bem preparado e disposto para as exig&ecirc;ncias di&aacute;rias. E deseja o mesmo para seus colegas de minist&eacute;rio. &ldquo;Percebo que o n&uacute;mero de pastores cuidando da sa&uacute;de assim tem aumentado, principalmente no segmento renovado, onde os preconceitos s&atilde;o menores&rdquo;.</p>
<p>
	&ldquo;Comecei como a grande maioria:&nbsp;querendo perder peso e, ao mesmo tempo, mexer o corpo para melhorar a mente&rdquo;, resume o pastor batista Valdemar Figueredo Filho, um dos colunistas de CRISTIANISMO HOJE. A natureza privilegiada do Rio de Janeiro, onde vive, &eacute; um est&iacute;mulo ao esporte, e Valdemar, adepto das corridas de rua, n&atilde;o se faz de rogado: &ldquo;Regularidade &eacute; fundamental&rdquo;, ensina. &ldquo;Quando deixo de correr, fico ansioso, at&eacute; com sentimento de culpa&rdquo;. Desde 2003, ele participa de provas como a Meia Maratona Internacional do Rio e as Maratonas Caixa. &ldquo;Percebi que n&atilde;o tinha mais volta&rdquo;, diz Valdemar. Sem grandes pretens&otilde;es por resultados, o pastor diz que o que vale &eacute; terminar as provas e fazer o que gosta. &ldquo;Essa atividade ajuda-me nas disciplinas em todos os &acirc;mbitos da vida, alem de ser saud&aacute;vel e divertida, imperativa para o bem-estar&rdquo;, enumera.</p>
<p>
	O pastor diz que at&eacute; ideias para serm&otilde;es surgem em sua cabe&ccedil;a enquanto est&aacute; correndo ou caminhando. Al&eacute;m disso, garante, a busca por melhor desempenho faz com que realiza exames peri&oacute;dicos e monitore a sa&uacute;de com mais prud&ecirc;ncia. Quem ganha com isso, al&eacute;m dele mesmo e de sua fam&iacute;lia, &eacute; a igreja e o pr&oacute;prio minist&eacute;rio: &ldquo;Ser exemplo de piedade com uma vida sedent&aacute;ria&nbsp;&eacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o&rdquo;, aponta Valdemar. &ldquo;Seria &oacute;timo se&nbsp;a igreja fosse um espa&ccedil;o em que a sa&uacute;de espiritual n&atilde;o estivesse separada da sa&uacute;de f&iacute;sica e mental.&rdquo;</p>
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	<strong><u>De corpo e alma</u></strong></p>
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	O exerc&iacute;cio f&iacute;sico &eacute; um <em>santo </em>rem&eacute;dio. Reduz o colesterol, previne o diabetes e as doen&ccedil;as cardiovasculares, melhora a qualidade do sono, aumenta a auto-estima e a disposi&ccedil;&atilde;o para as tarefas pessoais, favorece a integra&ccedil;&atilde;o social, alivia o estresse, refor&ccedil;a o sistema imunol&oacute;gico, ajuda na disciplina... Enfim, s&oacute; traz vantagens para quem o pratica. Contudo, no caso de sedent&aacute;rios &ndash; como muitos pastores &ndash;, &eacute; preciso tomar alguns cuidados antes de sair correndo, nadando ou pedalando, bem como tomar algumas decis&otilde;es:</p>
<ul>
	<li>
		Pessoas na faixa dos 40 anos precisam submeter-se a avalia&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica antes de iniciar a pr&aacute;tica;</li>
	<li>
		30 minutos de atividade f&iacute;sica, ainda que seja uma simples caminhada, j&aacute; &eacute; um excelente come&ccedil;o. Mais tarde, pode-se variar as atividades f&iacute;sicas e sua intensidade em sem exageros, j&aacute; que cada indiv&iacute;duo tem seu limite;</li>
	<li>
		Como nem todos t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de frequentar academias, encontre maneiras de se exercitar, ainda que em casa ou no intervalo entre um aconselhamento e uma prega&ccedil;&atilde;o. A internet est&aacute; cheia de boas sugest&otilde;es e orienta&ccedil;&otilde;es para amadores;</li>
	<li>
		Acompanhe a rotina de exerc&iacute;cios com uma dieta balanceada. Ainda que um excesso ou outro possa acontecer &ndash; sobretudo, nos almo&ccedil;os de domingo na casa das ovelhas... &ndash;, o consumo de gorduras, frituras, comida industrializada e refrigerantes deve ser exce&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o regra;</li>
	<li>
		Homens e mulheres adultos devem realizar exames cl&iacute;nicos peri&oacute;dicos, com an&aacute;lise de sangue, urina e fezes, aferi&ccedil;&atilde;o da press&atilde;o arterial e preventivos para o c&acirc;ncer, sobretudo de mama, pr&oacute;stata e intestino</li>
</ul>   ]]></description><pubDate> Mon, 12 Mar 2012 21:29:28 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Mon, 12 Mar 2012 21:29:28 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/8ERIDcG4hBY/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=847</feedburner:origLink></item><item><title>Novas mídias para uma antiga mensagem</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/96575_Novas miÌdias.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	J&aacute; l&aacute; se v&atilde;o uns 15 anos da consolida&ccedil;&atilde;o da internet como meio de comunica&ccedil;&atilde;o, intera&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o. O advento do universo virtual, primeiro atrav&eacute;s dos computadores pessoais e, ultimamente, por meio de notebooks, iPads, tablets e muitas outras maravilhas tecnol&oacute;gicas, mudou definitivamente a humanidade, numa mudan&ccedil;a que pode ser comparada, em abrang&ecirc;ncia e efeitos, &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial do s&eacute;culo 18. Presente em todos os segmentos sociais e em praticamente todas as atividades humanas, a informatiza&ccedil;&atilde;o j&aacute; superou antigas barreiras e temores de pessoas mais conservadoras, que temiam a substitui&ccedil;&atilde;o do ser humano pela m&aacute;quina. Isso porque, incorporada definitivamente &agrave; sociedade contempor&acirc;nea, a internet &eacute; hoje parte essencial do aparato de qualquer pessoa, seja no ambiente de trabalho, no lazer, nas rela&ccedil;&otilde;es sociais, e, por que n&atilde;o dizer, na vida espiritual. Um dos &uacute;ltimos segmentos a render-se aos encantos da grande rede, a Igreja j&aacute; n&atilde;o v&ecirc; mais no computador uma ferramenta do anticristo. Ao contr&aacute;rio &ndash; em meio a uma gera&ccedil;&atilde;o que j&aacute; nasceu plugada, a inform&aacute;tica &eacute; hoje usada na evangeliza&ccedil;&atilde;o, na edifica&ccedil;&atilde;o e na comunh&atilde;o entre crentes do mundo inteiro. &Eacute; um tremendo campo mission&aacute;rio, ainda praticamente inexplorado pelos crentes.</p>
<p>
	Com a presen&ccedil;a cada vez maior de internautas on line (quase 75 milh&otilde;es de brasileiros fazem uso regular da grande rede, segundo o instituto Ibope Nielsen), a web j&aacute; &eacute; um dos espa&ccedil;os mais frequentados pelas pessoas, que ali se comunicam umas com as outras, trabalham, estudam, se distrem, programam a agenda e fazem compras. Grandes redes sociais, como o Facebook e o Orkut, j&aacute; t&ecirc;m mais pessoas como membros do que a popula&ccedil;&atilde;o de muitos pa&iacute;ses. Al&eacute;m disso, a vida virtual ganha cada vez mais horas do cotidiano do homem moderno. O Brasil, por exemplo, &eacute; a na&ccedil;&atilde;o onde o internauta passa mais tempo conectado &ndash; uma m&eacute;dia de 19 horas e meia por m&ecirc;s, segundo o Ibope Inteligense. Diante de n&uacute;meros t&atilde;o expressivos, a Igreja desistiu de demonizar a web e passou a usar suas m&uacute;ltiplas possibilidades para exercer atividades que lhe s&atilde;o essenciais, como a evangeliza&ccedil;&atilde;o, o ensino b&iacute;blico, a comunh&atilde;o e at&eacute; a ora&ccedil;&atilde;o. Das simples mensagens por e-mail com conte&uacute;do crist&atilde;o, os crentes passaram a propagar sua f&eacute; nos chats e nas radiowebs, sem falar nos microblogs, na transmiss&atilde;o de cultos em tempo real e nos aconselhamentos virtuais. &Eacute; o Reino de Deus tornando-se acess&iacute;vel a um simples clique de mouse!</p>
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	Entre os grupos religiosos que exploram a web, os evang&eacute;licos est&atilde;o entre os pioneiros, ao menos no Brasil. Segundo pesquisas realizadas pelo antrop&oacute;logo Airton Jungblut, professor da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica (PUC) do Rio Grande do Sul, entre os chats de conte&uacute;do religioso, os evang&eacute;licos s&atilde;o os mais procurados. Na sua tese de doutorado <em>Nos chats do Senhor</em>, o estudioso mensura diversas caracter&iacute;sticas do comportamento religioso na net, mapeando o interesse tanto de discutir quest&otilde;es relativas a f&eacute; como de converter outros &agrave;s suas doutrinas. &ldquo;As raz&otilde;es hist&oacute;ricas para esse movimento &eacute; que os evang&eacute;licos sempre fizeram um uso mais eficiente dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa&rdquo;, avalia Jungblut. &ldquo;No passado, o uso da imprensa pelos protestantes foi fundamental para o seu crescimento. Al&eacute;m disso, a forte pr&aacute;tica em busca de convers&otilde;es faz com que se usem de todos os recursos poss&iacute;veis para divulgar seus pontos de f&eacute;.&rdquo;</p>
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	Uma das caracter&iacute;sticas descobertas na pesquisa do professor &eacute; que essas a&ccedil;&otilde;es na internet se davam muito mais de forma individual do que institucionalmente. Dois comportamentos que diferem aqueles militantes da f&eacute; que estavam nos chats das lideran&ccedil;as religiosas que buscavam se inserir na web foram identificados. &ldquo;Um grupo de internautas usava a ferramenta para criar espa&ccedil;os de sociabilidade entre evang&eacute;licos, um uso n&atilde;o propriamente religioso. Por outro lado, havia aqueles que tentavam fazer da web uma extens&atilde;o da igreja, reproduzindo algumas rotinas, como estudos b&iacute;blicos&rdquo;, cita o professor.</p>
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	<strong>BONDE DA HIST&Oacute;RIA</strong></p>
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	Navegar na grande rede em busca de almas e de crescimento espiritual, sem necessidade de um templo f&iacute;sico ou mesmo de sair de casa, pode parecer perigoso para uma cren&ccedil;a fortemente baseada na comunh&atilde;o como &eacute; a evang&eacute;lica. Contudo, &eacute; ineg&aacute;vel a efici&ecirc;ncia dos modernos recursos tecnol&oacute;gicos como forma de comunicar o Evangelho &ndash; e isso est&aacute; totalmente de acordo com a tradi&ccedil;&atilde;o protestante desde os tempos essencialmente anal&oacute;gicos. &ldquo;Se estudarmos os movimentos religiosos crist&atilde;os, eles sempre valorizaram todas as formas de comunica&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;veis no seu tempo&rdquo;, destaca a jornalista e doutora em ci&ecirc;ncias da comunica&ccedil;&atilde;o Magali do Nascimento Cunha, da Faculdade Metodista de S&atilde;o Paulo (Umesp). Crente metodista, ela destaca que, al&eacute;m das facilidades proporcionadas pela web, o baixo custo, sobretudo em compara&ccedil;&atilde;o com m&iacute;dias muito usadas pelas igrejas, como r&aacute;dio e TV, faz da internet um recurso que n&atilde;o pode ser desprezado.</p>
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	Ag&ecirc;ncias mission&aacute;rias e entidades crist&atilde;s n&atilde;o querem perder o bonde da hist&oacute;ria e j&aacute; fazem do computador parte importante de seu trabalho. Diversos espa&ccedil;os na web para divulga&ccedil;&atilde;o de material como textos, v&iacute;deos e cursos t&ecirc;m surgido, oferecendo ao internauta canais virtuais dos mais diversificados. No ano passado, a Junta de Miss&otilde;es Nacionais (JMN), &oacute;rg&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o Batista Brasileira, lan&ccedil;ou todo o seu material de divulga&ccedil;&atilde;o anual na internet e realizou a campanha &ldquo;Vamos invadir o You Tube&rdquo;, convidando os crentes a postarem v&iacute;deos evangel&iacute;sticos na rede. O site foi fundado h&aacute; seis anos, e a JMN tamb&eacute;m usa o Twitter, tanto para levar mensagens como para transmitir eventos relevantes. Mais recentemente, a ag&ecirc;ncia entrou no Facebook com o projeto MIT (&ldquo;Minuto que impacta e transforma&rdquo;). &ldquo;Milhares de pessoas j&aacute; aderiram&rdquo;, informa o pastor Marcos Azevedo, coordenador regional da JMN em Pernambuco. &ldquo;A campanha tem como objetivo principal levar o povo de Deus a orar pela evangeliza&ccedil;&atilde;o do Brasil&rdquo;. Funciona assim: todas as segundas-feiras, os participantes separam um minuto &ndash; um minutinho, apenas &ndash; para orar, sempre ao meio-dia.</p>
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	De acordo com Azevedo, o MIT tamb&eacute;m pode ser realizado em outros dias e hor&aacute;rios, j&aacute; que o que importa mesmo &eacute; ressaltar a import&acirc;ncia da ora&ccedil;&atilde;o. Outra institui&ccedil;&atilde;o que est&aacute; se lan&ccedil;ando na rede &eacute; a Junta de Miss&otilde;es Mundiais da CBB. Al&eacute;m do site institucional, que disp&otilde;e de informa&ccedil;&otilde;es sobre os mission&aacute;rios e os campos em que eles atuam, al&eacute;m de document&aacute;rios, a entidade j&aacute; est&aacute; no Facebook atrav&eacute;s da JMM Jovem. Segundo o mission&aacute;rio Cl&aacute;udio Elivan, a inser&ccedil;&atilde;o na rede social &eacute; mantida por um grupo de colaboradores de v&aacute;rias regi&otilde;es. Um dos principais objetivos &eacute; trabalhar a consci&ecirc;ncia da voca&ccedil;&atilde;o entre a juventude. &ldquo;Entendemos que o conhecimento coletivo &eacute; muito mais rico. Nascemos h&aacute; pouco tempo, mas temos um n&uacute;mero crescente de pessoas que <em>curtem</em> nossa p&aacute;gina, nos seguem no twitter e se cadastram no nosso site&rdquo;, garante Elivan. O Facebook da JMM Jovem &eacute; atualizado de segunda a sexta por um grupo de 25 redatores, que integram uma equipe on line de cerca de sessenta pessoas que, segundo Elivan, contribuem na constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento, planejamento das a&ccedil;&otilde;es, marketing, produ&ccedil;&atilde;o de v&iacute;deos, organiza&ccedil;&atilde;o das viagens e produ&ccedil;&atilde;o de manuais, entre outras atividades.</p>
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	Conhecida por sua criatividade e postura de vanguarda, a ag&ecirc;ncia Jovens com Uma Miss&atilde;o (Jocum) n&atilde;o poderia estar de fora dessa descoberta ainda recente da potencialidade espiritual da internet. A regional de S&atilde;o Paulo da miss&atilde;o usa a web para despertar a vis&atilde;o mission&aacute;ria e mobilizar crentes e igrejas. Al&eacute;m de investir nos sites, a organiza&ccedil;&atilde;o est&aacute; no Twitter, com um perfil com mais de dois mil seguidores, e no Facebook, com cerca de tr&ecirc;s mil &ndash; n&uacute;meros que, evidentemente, n&atilde;o param de crescer. &ldquo;N&atilde;o temos ainda um uso evangel&iacute;stico da internet. Nossa comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; voltada para a conscientiza&ccedil;&atilde;o da Igreja&rdquo;, aponta Andr&eacute; Rocha, rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas da Jocum Sampa.</p>
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	Al&eacute;m de se constituir em um ponto de not&iacute;cias do campo mission&aacute;rio, a web tem sido utilizada pelas organiza&ccedil;&otilde;es que trabalham com miss&otilde;es para divulga&ccedil;&atilde;o de motivos de ora&ccedil;&atilde;o, criando uma grande rede de intercessores, e tamb&eacute;m para distribuir os produtos dessas organiza&ccedil;&otilde;es nas lojas virtuais. Sites como o da miss&atilde;o Portas Abertas ou da JMM exp&otilde;em diariamente assuntos que dizem respeito &agrave;s suas atividades. Os cuidados, por&eacute;m, s&atilde;o redobrados para n&atilde;o expor os mission&aacute;rios que atuam em pa&iacute;ses ou regi&otilde;es onde h&aacute; persegui&ccedil;&atilde;o religiosa. Esta &eacute; a raz&atilde;o, inclusive, porque tais organiza&ccedil;&otilde;es constantemente instruem os internautas a n&atilde;o postarem fotos ou nomes de alguns mission&aacute;rios. &Eacute; atrav&eacute;s da internet que Portas Abertas tamb&eacute;m d&aacute; visibilidade &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de obreiros que t&ecirc;m a vida amea&ccedil;ada por pregar o Evangelho. Recentemente, o caso do pastor iraniano Youcef Nadarkhani &ndash; condenado &agrave; morte por um tribunal isl&acirc;mico de seu pa&iacute;s &ndash; repercutiu em todo o mundo, gerando um forte movimento internacional por sua liberta&ccedil;&atilde;o.</p>
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	<strong>BLOGOSFERA GOSPEL</strong></p>
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	&ldquo;Assim como a imprensa de Guttemberg democratizou o conhecimento pelo livro impresso, a internet est&aacute; fazendo o mesmo, em uma escala muito maior, com as p&aacute;ginas virtuais&rdquo;, afirma o blogueiro Jo&atilde;o Cruzue, presb&iacute;tero da Assembleia de Deus. Os blogs &ndash; para quem ainda n&atilde;o sabe, uma esp&eacute;cie de di&aacute;rio, em que as mensagens e textos, chamados posts, s&atilde;o veiculados em ordem cronol&oacute;gica &ndash; s&atilde;o outra possibilidade que come&ccedil;a a ser usada de maneira intensa pelos crentes. Somente a Uni&atilde;o dos Blogueiros Evang&eacute;licos (UBE) possui cerca de 15 mil blogs filiados. Al&eacute;m de gratuita, uma das vantagens dessa ferramenta &eacute; a democratiza&ccedil;&atilde;o da palavra. Assim, n&atilde;o s&atilde;o apenas pastores ou l&iacute;deres de renome que exp&otilde;em suas mensagens na rede. Qualquer crente com uma ideia na cabe&ccedil;a e um computador &agrave; m&atilde;o, de qualquer origem ou tend&ecirc;ncia, pode fazer o mesmo, ajudando a rechear ainda mais a j&aacute; incomensur&aacute;vel blogosfera.</p>
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	Segundo Cruzue, esses di&aacute;rios virtuais s&atilde;o o primeiro degrau para a publica&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do crist&atilde;o na internet, e o que os distingue &eacute; a originalidade dos seus donos. Para contribuir na forma&ccedil;&atilde;o dos blogueiros evang&eacute;licos, ele fundou a Academia dos Blogueiros Crist&atilde;os. Ali, alguns tutoriais criados por ele mesmo ensinam como criar e manter um blog, tudo de forma gratuita. Outra iniciativa do presb&iacute;tero foi a Associa&ccedil;&atilde;o de Blogueiros Evang&eacute;licos, que tem o objetivo de divulgar uma ideologia: a de que o Evangelho deve, sim, ser divulgado na internet, mas com qualidade. &ldquo;H&aacute; gente blogando qualquer coisa&rdquo;, critica. Na sua opini&atilde;o, os formadores de opini&atilde;o, hoje, n&atilde;o s&atilde;o os crist&atilde;os &ndash; mas isso pode ser mudado, e a web &eacute; um bom caminho.&rdquo;Vislumbro que, do meio da quantidade, surgir&aacute; a qualidade. E, para ter qualidade, &eacute; preciso compartilhar conhecimento em tecnologia de publica&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do&rdquo;, defende.</p>
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	Na opini&atilde;o do pastor Carlos Roberto Cavalcanti, que &eacute; pesquisador do Instituto Cultural de Pernambuco, blogueiro e autor de diversos livros, a blogosfera tem sido um ambiente f&eacute;rtil para o ressurgimento de discuss&otilde;es teol&oacute;gicas de grande relev&acirc;ncia para a Igreja atual &ndash; sobretudo nestes tempos em que a Igreja, como institui&ccedil;&atilde;o, anda no foco da insatisfa&ccedil;&atilde;o de muitos crist&atilde;os. &ldquo;Os jovens que n&atilde;o conseguem expor suas opini&otilde;es na igreja est&atilde;o na internet, dando publicidade &agrave;s suas decep&ccedil;&otilde;es. Por isso, est&atilde;o surgindo na web discursos em busca das antigas doutrinas da gra&ccedil;a, que est&atilde;o na raiz da Igreja&rdquo;. No entanto, adverte, o fato de n&atilde;o haver qualquer controle sobre o que &eacute; veiculado na internet &ndash; tamb&eacute;m chamada, e com raz&atilde;o, de &ldquo;territ&oacute;rio livre&rdquo; &ndash; exige crit&eacute;rio de quem a usa. &ldquo;A dissemina&ccedil;&atilde;o de heresias &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o. Parece at&eacute; que essas coisas se espalham mais r&aacute;pido. Mas as pessoas devem buscar aquilo que edifica e reter o que &eacute; bom.&rdquo;</p>
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	Outra realidade apontada por Cavalcanti &eacute; o custo dos e-books e a possibilidade de acesso a conte&uacute;dos raros e hist&oacute;ricos. O te&oacute;logo explora bem essas duas vantagens. Em seu estudo sobre alguns textos b&iacute;blicos que tiveram seus sentidos corrompidos pela Igreja ao longo da Hist&oacute;ria, ele est&aacute; fazendo uso dos manuscritos mais antigos da B&iacute;blia &ndash; que, para a alegria de pesquisadores e curiosos, est&atilde;o dispon&iacute;veis na net. Para facilitar o acesso de novos leitores &agrave;s suas publica&ccedil;&otilde;es, Cavalcanti disponibilizou todos os seus livros numa vers&atilde;o on line.</p>
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	Tanto nos blogs como nos v&iacute;deos e redes sociais, uma verdade parece se consolidar na web: as iniciativas de car&aacute;ter institucional n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o bem sucedidas quanto aquelas movidas por a&ccedil;&otilde;es individuais. De acordo com o escritor Valter Lu&iacute;s de Avellar, autor do livro <em>Internet e espiritualidade &ndash; O despertar atrav&eacute;s das mensagens de e-mail</em>, os temas que despertam menos interesse nas caixas de postagem dos internautas s&atilde;o justamente as de conte&uacute;do religioso, apreciadas apenas por 7,2% das pessoas que entrevistou. Muitos sites de igrejas, lan&ccedil;ados com alarde, est&atilde;o est&aacute;ticos na internet, como um templo vazio. Para Uziel Bezerra, pastor batista, as igrejas precisam lan&ccedil;ar mais conte&uacute;dos na rede, valorizando os estudos b&iacute;blicos de qualidade e a transmiss&atilde;o ao vivo dos cultos. Fazendo uma compara&ccedil;&atilde;o com o mundo de antes da internet, Uziel lembra que, hoje, o primeiro lugar onde as pessoas v&atilde;o buscar informa&ccedil;&atilde;o &eacute; no Google. &ldquo;Em outros tempos, em caso de d&uacute;vida, se perguntava a um professor ou l&iacute;der espiritual. Hoje, a pessoa simplesmente entra na internet e pesquisa. Ainda n&atilde;o temos um banco de dados eficaz, apesar de haver muita coisa &nbsp;sobre quest&otilde;es b&iacute;blicas ou doutrin&aacute;rias&rdquo;, aponta .</p>
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	Entre as suas atividades ministeriais di&aacute;rias, o pastor Uziel separa ao menos uma hora por dia para realizar aconselhamentos pela internet. No passado, muitas igrejas investiram num formato parecido, mas atrav&eacute;s do telefone, que tinha um custo elevado. &ldquo;A internet se transformou naquilo que alguns te&oacute;ricos chamam de aldeia global. Dentro do conceito de interatividade, temos uma quantidade enorme de pessoas on line, em busca de desenvolver relacionamentos&rdquo;, comenta. &ldquo;Jesus ministraria a essas pessoas. Ent&atilde;o, invisto tempo para aconselhar e orientar pessoas atrav&eacute;s de chats ou do Twitter. Essa &eacute; uma &aacute;rea ainda carente na internet&rdquo;, aponta.</p>
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	<strong>QUALIFICA&Ccedil;&Atilde;O</strong></p>
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	Outra &aacute;rea das modernas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o que vem conquistando adeptos entre os evang&eacute;licos s&atilde;o as radiowebs. Al&eacute;m do baixo custo, esse tipo de m&iacute;dia tem a vantagem da praticidade. Segundo o diretor da Gospel R&aacute;dio Web, Emanuel Farias, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel mensurar a quantidade dessas emissoras evang&eacute;licas on line, que crescem a cada dia pela facilidade de cri&aacute;-las. S&oacute; na lista do portal R&aacute;dios, que abriga milhares de canais de TVs e r&aacute;dios que est&atilde;o na rede, h&aacute; nada menos que 818 radiowebs na categoria &ldquo;gospel/evang&eacute;licas&rdquo;. &ldquo;Qualquer pessoa com um bom computador no&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas de &aacute;udio e internet consegue fazer uma excelente transmiss&atilde;o&rdquo;, comenta. Outra vantagem desse tipo de m&iacute;dia &eacute; a interatividade. &ldquo;Existem web r&aacute;dios que fazem transmiss&atilde;o on demand, ou seja, atrav&eacute;s de &aacute;udio gravado que fica &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o no site&rdquo;, diz o especialista.</p>
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	Em um mundo onde barreiras religiosas continuam sendo erguidas, dificultando a livre prega&ccedil;&atilde;o da Palavra de Deus a quem queira ouvi-la, m&iacute;dias como essa, que podem ser acessadas mesmo em um esconderijo, s&atilde;o mais que bem vindas. &ldquo;Uma das muitas miss&otilde;es das radiowebs &eacute; simplesmente fazer com que o Evangelho seja divulgado. As igrejas poderiam fazer com que a visita&ccedil;&atilde;o e o conhecimento das r&aacute;dios aumentassem&rdquo;, defende. Para isso, emenda, bastaria que se integrassem mais ao mundo virtual. O diretor da Gospel R&aacute;dio Web entende que a atua&ccedil;&atilde;o dessas micro-emissoras poderia ser potencializado com o reconhecimento das igrejas e a integra&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es religiosas, &ldquo;inclusive para a qualifica&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. No entender do cientista da computa&ccedil;&atilde;o Thiago Ferreira, tal investimento da Igreja no mundo virtual j&aacute; e faz mais do que necess&aacute;rio. Crente batista, ele defende a excel&ecirc;ncia tamb&eacute;m nessa parte de obra de Deus: &ldquo;Como qualquer outro servi&ccedil;o, para funcionar de fato, &eacute; preciso que se fa&ccedil;a bem feito e que os conte&uacute;dos sejam atualizados com frequ&ecirc;ncia&rdquo;. Mais do que outras revolu&ccedil;&otilde;es, a digital requer agilidade de seus protagonistas &ndash; ainda mais porque, nesta seara virtual, os ceifeiros podem ser muitos.&nbsp;</p>
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	<strong><u>Seara virtual</u></strong></p>
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	<li>
		O Brasil &eacute; o <strong>5&ordm; </strong>pa&iacute;s com o maior n&uacute;mero de conex&otilde;es &agrave; internet</li>
	<li>
		Quase <strong>75 milh&otilde;es</strong> de brasileiros s&atilde;o internautas</li>
	<li>
		<strong>63%</strong> dos internautas brasileiros t&ecirc;m idades entre 15 e 35 anos</li>
	<li>
		No Brasil, existem entre <strong>20 mil</strong> e <strong>30 mil</strong> blogueiros evang&eacute;licos</li>
	<li>
		A Uni&atilde;o de Blogueiros Evang&eacute;licos tem cerca de <strong>15 mil</strong> filiados</li>
</ul>
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	<em>Fontes: </em><em>Ibope, F/Nazca e Quest Intelig&ecirc;ncia de Mercado</em></p>   ]]></description><pubDate> Mon, 12 Mar 2012 11:58:43 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Mon, 12 Mar 2012 11:58:43 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/2RQFPsuxsdw/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=846</feedburner:origLink></item><item><title>Dupla cidadania</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/98728_Bomilcar.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Um pastoreio ou a&ccedil;&atilde;o pastoral ampla, profunda e pr&aacute;tica deve contemplar duas realidades que vivemos: a realidade da terra e a do c&eacute;u, que cremos e aguardamos. Somos cidad&atilde;os em nosso pa&iacute;s, e igualmente de outra p&aacute;tria que nos aguarda na volta gloriosa de Jesus Cristo, quando ser&aacute; conclu&iacute;da definitivamente a implanta&ccedil;&atilde;o de seu Reino.</p>
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	O Deus Eterno que colocou a eternidade dentro dos seres humanos confiou-nos responsabilidades e privil&eacute;gios nestas duas perspectivas. Fomos criados a fim de vivermos para a sua gl&oacute;ria e desfrutarmos de sua presen&ccedil;a em todas as dimens&otilde;es e realidades da vida, humana, espelhando em tudo o que somos e fazemos nossa comunh&atilde;o com Deus Pai, Filho e Esp&iacute;rito Santo. Isso j&aacute; &eacute; suficiente para a jornada de uma vida toda, onde procuramos dar sentido para o que somos e fazemos deixando ou n&atilde;o marcas, influ&ecirc;ncia e legado.</p>
<p>
	Aqui est&aacute; um projeto fascinante para nossa exist&ecirc;ncia: vivermos como seres humanos neste mundo expressando a cultura, os valores e prop&oacute;sitos revelados a n&oacute;s no ensino e vida de Jesus Cristo, Deus e homem. Enfrentar os desafios da vida humana, com tantas solicita&ccedil;&otilde;es pessoais, profissionais e comunit&aacute;rias, no contexto religioso ou n&atilde;o, certamente pede de n&oacute;s consci&ecirc;ncia, sabedoria e discernimento &ndash; s&oacute; assim seremos capazes de discernir o que &eacute; de fato importante e essencial para nossa exist&ecirc;ncia.</p>
<p>
	Uma a&ccedil;&atilde;o pastoral abrangente far&aacute; de n&oacute;s cidad&atilde;os mais dignos e maduros com nossa dupla cidadania. Ela far&aacute; de n&oacute;s pessoas mais &iacute;ntegras e integrais, mais presentes, que interagem de forma mais acertada e n&atilde;o desperdi&ccedil;am as oportunidades que temos de nos tornarmos mais parecidos com Jesus. N&atilde;o podemos negar nossa humanidade, com toda sua limita&ccedil;&atilde;o e finitude. Tampouco podemos fugir de nossa inclina&ccedil;&atilde;o a fazer aquilo que n&atilde;o agrada a Deus nem traz gl&oacute;ria ao seu nome, e que somente nos agrada e d&aacute; prazer. Contudo, Deus e o mundo esperam de n&oacute;s uma vida vivida de forma doadora e respons&aacute;vel &ndash; uma exist&ecirc;ncia na qual a&ccedil;&otilde;es de amor e obras de compaix&atilde;o sejam a regra.</p>
<p>
	Temos, como crist&atilde;os, que viver aqui na terra como cidad&atilde;os do c&eacute;u, isto &eacute;, de maneira digna do Evangelho que abra&ccedil;amos, cremos e professamos, assim como Paulo recomendou &agrave; igreja de Filipos. Os crentes filipenses, embora fossem cidad&atilde;os com responsabilidades, privil&eacute;gios e deveres diante do Imp&eacute;rio Romano, foram pessoas que se identificaram com Cristo, reconhecendo-o como Senhor e Salvador &ndash; e que sofriam por causa do Evangelho e de sua identifica&ccedil;&atilde;o com ele.</p>
<p>
	Pastores, mais do que outros, precisam ter e construir uma a&ccedil;&atilde;o pastoral adequada. Eles precisam se esfor&ccedil;ar para conhecer, amar e manejar de maneira s&aacute;bia a Palavra da verdade, trazendo encorajamento, ensino, conte&uacute;do reflexivo e pr&aacute;tico que ajude as pessoas que fazem parte do rebanho do Senhor em seus ajuntamentos locais a enfrentarem os desafios do mundo com dignidade e consci&ecirc;ncia. Que o fa&ccedil;am acolhendo, orientando e respondendo com dire&ccedil;&otilde;es seguras diante da simplicidade e complexidade das realidades que vivemos. E que, humildemente, busquem ajuda quando se sentirem sem recursos ou conhecimento, j&aacute; que n&atilde;o sabemos ou podemos tudo.</p>
<p>
	Uma pastoral adequada contempla crian&ccedil;as, adolescentes, jovens, casais, descasados, solteiros adultos, fam&iacute;lias e idosos em seus clamores, anseios e desafios. Uma pastoral com um olho na terra e outro no c&eacute;u faz com que tenhamos cada vez mais vida em abund&acirc;ncia e em muitas perspectivas que trar&atilde;o alegria e realiza&ccedil;&atilde;o. Portanto, pastores n&atilde;o devem se acomodar, aprisionando-se somente nas solicita&ccedil;&otilde;es de agenda eclesi&aacute;stica interna de suas comunidades ou na mesmice ou superficialidade de suas abordagens. Devem ter mente aberta, capacidade de articula&ccedil;&atilde;o e di&aacute;logo, n&atilde;o fugindo das quest&otilde;es cotidianas e nem espiritualizando a f&eacute; e a a&ccedil;&atilde;o pastoral numa sociedade que clama pela presen&ccedil;a e interven&ccedil;&atilde;o daqueles que t&ecirc;m experimentado uma nova vida em Jesus.</p>
<p>
	Precisamos oferecer a este mundo nossa voca&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;o, a fim de sermos canais de ben&ccedil;&atilde;o e gra&ccedil;a de Jesus. Se aqui vivermos como pessoas transformadas pela a&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito e pela presen&ccedil;a de Jesus, poderemos ajudar a atender tantos clamores, dores e sofrimentos, trazendo um pouco da realidade e da esperan&ccedil;a do c&eacute;u &agrave;queles que est&atilde;o em l&aacute;grimas e sofrimento. Assim, os sinais de morte desaparecer&atilde;o pela presen&ccedil;a do autor da vida. Na verdade, o c&eacute;u j&aacute; come&ccedil;ou para aqueles que acolheram em seus cora&ccedil;&otilde;es o Deus eterno e j&aacute; est&atilde;o vivendo esta perspectiva de eternidade andando em sua presen&ccedil;a.</p>   ]]></description><pubDate> Mon, 12 Mar 2012 11:43:28 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Mon, 12 Mar 2012 11:43:28 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/RNquAgYrTwU/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=845</feedburner:origLink></item><item><title>Ideias são como sementes ? Vida comunitária</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/11796_Eduardo.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Comecemos pelo &oacute;bvio: uma das mais poderosas ferramentas do nosso tempo s&atilde;o as redes sociais. Atrav&eacute;s do Facebook, pessoas desconhecidas se conectam, amigos de outros tempos se reencontram, imagens e perfis s&atilde;o constru&iacute;dos ou destru&iacute;dos em quest&atilde;o de alguns toques. Seu poder se estende para al&eacute;m da mera conex&atilde;o entre pessoas: a mobiliza&ccedil;&atilde;o virtual j&aacute; se mostrou eficaz, inclusive, para ajudar a derrubar governos ditatoriais, como se viu recentemente na chamada Primavera &Aacute;rabe. A for&ccedil;a dessas redes est&aacute; justamente no fato de que elas criam comunidades &ndash; e, quando as pessoas experimentam o senso de comunidade, por mais fr&aacute;gil que seja, a&iacute; h&aacute; um incr&iacute;vel poder.</p>
<p>
	Viver em comunidade foi uma das mais poderosas ideias que influenciaram gera&ccedil;&otilde;es de crist&atilde;os. Especialmente nos primeiros s&eacute;culos, a comunidade tinha um lugar central. Havia, por exemplo, as comunidades dos desertos. Homens e mulheres migraram para as regi&otilde;es des&eacute;rticas em busca de uma rela&ccedil;&atilde;o mais profunda com Deus, entendendo que a vida na cidade estava condenada &agrave; superficialidade. Paradoxalmente, eles se isolaram para viver juntos. Ent&atilde;o, floresceram comunidades poderos&iacute;ssimas do ponto de vista espiritual. Ali, as rela&ccedil;&otilde;es n&atilde;o eram baseadas em poder ou domina&ccedil;&atilde;o, mas em servi&ccedil;o a Deus e uns aos outros. As portas estavam abertas para todos, mas n&atilde;o era f&aacute;cil entrar: era preciso que cada interessado provasse um real interesse pelo pertencimento. Desejos superficiais ou impulsos passageiros n&atilde;o eram suficientes, j&aacute; que a vida comunit&aacute;ria exigia humildade, submiss&atilde;o, disciplina e, sobretudo, estabilidade. N&atilde;o se rompiam os la&ccedil;os na primeira desaven&ccedil;a, e a perseveran&ccedil;a os levava a continuar caminhando juntos, apesar dos obst&aacute;culos relacionais.</p>
<p>
	Nas comunidades do deserto, os v&iacute;nculos eram mais importantes do que n&uacute;mero. A qualidade dos relacionamentos era uma marca fundamental daquela maneira de existir. A maior for&ccedil;a daqueles grupos estava no fato de que as pessoas aderiam a elas por causa de um ideal. Novos membros somente eram aceitos ap&oacute;s demonstrar resoluto compromisso em, junto com outros, construir o que se sonhava. Mas qual era esse ideal? Eles desejavam que a comunidade terrestre pudesse ser uma antecipa&ccedil;&atilde;o da comunidade celestial. Queriam relacionamentos, um modo de viver&nbsp; do qual se pudesse dizer &ldquo;assim na terra, como no c&eacute;u&rdquo;. Utopia? Talvez; mas a li&ccedil;&atilde;o desses sonhadores do deserto &eacute; que o poder de uma comunidade est&aacute; no seu ideal e na sua capacidade de atrair pessoas seduzidas por realiz&aacute;-lo. A preocupa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era com a atra&ccedil;&atilde;o de novos adeptos, mas com a certeza de que quem entrasse n&atilde;o queria servir-se da comunidade, mas sim, constru&iacute;-la &agrave; luz do sonho que dentro dela se carregava.</p>
<p>
	Naquele contexto, as rela&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias eram profundamente transformadoras. Mudan&ccedil;as no car&aacute;ter, nos valores e at&eacute;&nbsp; no jeito de falar eram consequ&ecirc;ncia natural daquele modo de vida. Quanto mais algu&eacute;m ia se aprofundando nos relacionamentos e nas din&acirc;micas comunit&aacute;rias, mais se ia sendo moldado, deixando de ser um &ldquo;eu&rdquo; isolado, obsessivamente preocupado em satisfazer-se, para tornar-se parte de um todo, no qual os interesses pessoais eram atingidos pela constru&ccedil;&atilde;o do bem comum. O resultado final &eacute; que cada pessoa se via parte de um todo, comungando de um ideal comum.</p>
<p>
	Quem &eacute; capaz de negar que comunidades com essas caracter&iacute;sticas podem mudar o mundo? Quem n&atilde;o gostaria de fazer parte de uma experi&ecirc;ncia comunit&aacute;ria assim? N&atilde;o ter&aacute; sido este tipo de comunidade que Jesus tinha em mente quando disse que as portas do inferno n&atilde;o seriam capazes de conter o poder de sua Igreja? N&atilde;o seriam comunidades assim o grande ant&iacute;doto divino para curar nosso essencial pecado humano de viver somente para n&oacute;s mesmos? E n&atilde;o &eacute; o Deus crist&atilde;o essencialmente relacional, vivendo uma misteriosa comunidade eterna na qual Pai, Filho e Espirito Santo vivem em inquebr&aacute;vel harmonia?</p>
<p>
	Comunidades alicer&ccedil;adas neste Deus relacional s&atilde;o capazes de iluminar este mundo t&atilde;o carente de luz. Sim, viver em comunidade &eacute; uma poderosa ideia que somente poderia ter sido gestada no cora&ccedil;&atilde;o e na mente de um Deus cuja ess&ecirc;ncia &eacute; comunit&aacute;ria. Aqueles que ousarem despir-se de si mesmo e se revestirem de vestes comunit&aacute;rias, como fizeram alguns dos nossos antepassados crist&atilde;os, ver&atilde;o o poder transformador que emerge de um grupo embalado por um maravilhoso ideal.</p>
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	&nbsp;</p>   ]]></description><pubDate> Mon, 12 Mar 2012 11:34:51 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Mon, 12 Mar 2012 11:34:51 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/lYevnPk9o7M/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=844</feedburner:origLink></item><item><title>Remorso ou arrependimento?</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/21865_Esther.jpg' width = '100'/> <br /><p align="left">
	Remorso e arrependimento s&atilde;o constantemente confundidos. Mas, como diferenciar um do outro? E como reconhecer aquele que nos d&oacute;i mais? Tais questionamentos me foram apresentados por uma pessoa que estava sofrendo muito por ter praticado atos reprov&aacute;veis no meio religioso em que vivia. N&atilde;o sabia o que dizer na hora, mas assumi o compromisso de pensar a respeito. Com o assunto na mente, foi imposs&iacute;vel deixar de lembrar o que ocorreu com Pedro e Judas Iscariotes, dois disc&iacute;pulos de Cristo mencionados nos evangelhos. Os dois, cada um ao seu modo, tra&iacute;ram seu Mestre &ndash; e tiveram rea&ccedil;&otilde;es totalmente diferentes diante das consequ&ecirc;ncias do que fizeram.</p>
<p align="left">
	&Eacute; importante lembrar que h&aacute; muitos arrependimentos que giram apenas em torno do sentimento ruim que nos acomete quando algu&eacute;m que amamos ficou magoado conosco. Ent&atilde;o, nos &ldquo;arrependemos&rdquo; apenas para ficar bem com o ofendido. N&atilde;o h&aacute; nenhum convencimento intr&iacute;nseco de que aquele comportamento n&atilde;o devia ter acontecido &ndash; o que existe &eacute; apenas um mal estar pelo afastamento da pessoa ferida. E o lamento, assim como o pedido de desculpas ou perd&atilde;o, &eacute; apenas a tentativa de reatar um relacionamento interrompido. Esse tipo de atitude n&atilde;o &eacute; nem arrependimento e nem remorso: &eacute; s&oacute; um jeito de tentar manter um relacionamento a qualquer custo.</p>
<p align="left">
	Falo aqui em rela&ccedil;&atilde;o ao arrependimento e remorso que s&atilde;o marcados pelo sofrimento horroroso e intenso. O mundo fica pequeno para o tamanho de tal ang&uacute;stia; n&atilde;o se tem para onde ir e, muito menos, como fugir. O que diferencia um do outro n&atilde;o &eacute; a quantidade de dor &ndash; nas duas situa&ccedil;&otilde;es, h&aacute; o lamento e o reconhecimento de que o ato praticado n&atilde;o deveria ter acontecido. A diferen&ccedil;a principal &eacute; a forma como se lida com a culpa oriunda do mal praticado. Neste sentido, Judas Iscariotes e Pedro nos ajudam muito.</p>
<p align="left">
	Diante da condena&ccedil;&atilde;o de Jesus, Judas reconheceu que traiu um inocente. Ato cont&iacute;nuo, ele resolve devolver &agrave;s autoridades o dinheiro recebido como pagamento por ter levado os guardas at&eacute; Cristo. Contudo, as trinta moedas de prata, consideradas pre&ccedil;o de sangue, n&atilde;o foram aceitas de volta. Ent&atilde;o, o traidor atira o dinheiro contra os pagantes e, desesperadamente, coloca fim &agrave; sua ang&uacute;stia de viver com o peso de ter feito o que n&atilde;o devia tirando a pr&oacute;pria vida. Ele quis reparar seu erro, primeiramente, sofrendo o preju&iacute;zo pelo dinheiro devolvido; depois, tentou pagar com os pr&oacute;prios recursos pelo mal causado. N&atilde;o conseguiu, simplesmente porque n&atilde;o havia como pagar pelo dano que causara.</p>
<p align="left">
	Pedro, por sua vez, tamb&eacute;m sofreu pelo que fez. E muito. Ele chorou de maneira amarga quando seu olhar se encontrou com os olhos amorosos de Cristo. Naquela madrugada em Jerusal&eacute;m, &eacute; poss&iacute;vel que Pedro tamb&eacute;m tenha desejado n&atilde;o estar vivo para fazer o que fez. Afinal, era melhor morrer do que cometer o mal contra aquele que mais o tinha amado. Mas n&atilde;o h&aacute;, no comportamento de Pedro, nada que indique que ele tenha tentado pagar pelo mal que havia feito. O disc&iacute;pulo faltoso devia saber que nada neste mundo, humanamente falando, poderia apagar as consequ&ecirc;ncias de sua ofensa.</p>
<p align="left">
	Contudo, Pedro n&atilde;o d&aacute; cabo da pr&oacute;pria vida. E resolve voltar &agrave;s redes de pesca, sem saber que logo haveria um novo encontro com Jesus. Ali, na praia, Pedro reconhece que Cristo &eacute; o Todo-poderoso que sabe todas as coisas e que ele, o disc&iacute;pulo regenerado, pouco tem a oferecer. Nestas condi&ccedil;&otilde;es, o Filho de Deus o aceita e delega a ele a miss&atilde;o mais importante na hist&oacute;ria do cristianismo: a continuidade da f&eacute; crist&atilde; e o cuidado para com os fi&eacute;is.</p>
<p align="left">
	H&aacute; erros irrepar&aacute;veis que cometemos na vida. Todos estamos sujeitos a eles. E h&aacute; coisas que praticamos, das quais nos arrependemos, que n&atilde;o podem ser refeitas. Sobra, ent&atilde;o, o peso dos danos &ndash; os que infligimos aos outros e os que causamos a n&oacute;s mesmos. Remorso &eacute; a condena&ccedil;&atilde;o de ficar remoendo o pre&ccedil;o imposs&iacute;vel de pagar. Ningu&eacute;m suporta viver assim sem causar danos para si mesmo. Mas uma das coisas mais significativas e libertadoras da f&eacute; crist&atilde; &eacute; a possibilidade que temos de jogar sobre a cruz erguida no Calv&aacute;rio todo e qualquer peso dos erros imposs&iacute;veis de serem reparados. Arrependimento &eacute; o lamento mental, f&iacute;sico e emocional de que tal ato n&atilde;o deveria ter sido praticado; &eacute; o sofrimento de todo o ser, de tal forma que n&atilde;o h&aacute; mais o desejo de que tal comportamento volte a acontecer. E o reconhecimento de que, no sacrif&iacute;cio vic&aacute;rio de Cristo na cruz, o pre&ccedil;o foi pago e o saldo da d&iacute;vida, zerado. A &uacute;nica energia gasta &eacute; para a possibilidade de uma mudan&ccedil;a radical.</p>   ]]></description><pubDate> Mon, 12 Mar 2012 9:34:08 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Mon, 12 Mar 2012 9:34:08 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/pSD9e-r4u6Q/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=843</feedburner:origLink></item><item><title>Entrevista exclusiva com Caio Fábio</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/40783_Caio.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Por Danilo Fernandes</p>
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	&nbsp;</p>
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	Depois de v&aacute;rios anos sumido do notici&aacute;rio nacional, o pastor Caio F&aacute;bio D&rsquo;Ara&uacute;jo Filho voltou &agrave;s manchetes no fim do ano passado. R&eacute;u na a&ccedil;&atilde;o movida contra ele por conta do epis&oacute;dio conhecido como Dossi&ecirc; Caim&atilde; &ndash; conjunto de documentos falsos que, pouco antes da elei&ccedil;&atilde;o presidencial de 1998, acusava altas figuras do governo de ter contas secretas naquele para&iacute;so fiscal &ndash;, Caio foi condenado por uma ju&iacute;za federal a pouco mais de tr&ecirc;s anos de reclus&atilde;o. Cabe recurso, e o pastor j&aacute; avisou que vai at&eacute; &agrave;s &uacute;ltimas inst&acirc;ncias. &ldquo;A ju&iacute;za quer aparecer&rdquo;, ataca, sustentando a mesma vers&atilde;o que conta desde o in&iacute;cio do imbr&oacute;glio: a de que foi envolvido inocentemente numa conspira&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Essa parte de seu passado, bem como muitas outras, j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o conhecidas pelas novas gera&ccedil;&otilde;es de crentes. Contudo, os evang&eacute;licos mais maduros sabem que Caio foi a mais destacada lideran&ccedil;a evang&eacute;lica j&aacute; surgida no pa&iacute;s, cuja visibilidade, catapultada por uma a&ccedil;&atilde;o ministerial intensa &ndash; como a cria&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o Vis&atilde;o Nacional de Evangeliza&ccedil;&atilde;o, a Vinde, e da F&aacute;brica de Esperan&ccedil;a, megaprojeto social que atendeu centenas de milhares de carentes num conjunto de favelas do Rio &ndash;, marcou &eacute;poca entre os anos 1970 e 90.</p>
<p>
	Hoje, Caio olha para esse passado com serenidade. Ele diz que n&atilde;o repudia nada do que fez, mas que n&atilde;o quer mais saber de ser a figura p&uacute;blica, aclamada e requisitada de outrora. &ldquo;Esse tempo acabou definitivamente para mim. Minha alma n&atilde;o tolera mais a possibilidade dessa vida itinerante&rdquo;, diz, em sua casa em Bras&iacute;lia. Cercado de &aacute;rvores, jardins e recantos, &eacute; dali que ele grava os programas que exibe pela internet, parte importante das atividades do Caminho da Gra&ccedil;a, minist&eacute;rio que hoje capitaneia. Tida como uma igreja de perfil alternativo, o grupo re&uacute;ne-se em v&aacute;rias cidades brasileiras e, segundo Caio F&aacute;bio, procura restaurar o sentido da comunh&atilde;o crist&atilde;. &ldquo;Ele &eacute; um movimento conduzido pela Palavra e pelo Esp&iacute;rito Santo. Queremos que&nbsp; invada a massa, abranja tudo e se torne incontrol&aacute;vel como o vento que sopra onde quer&rdquo;, diz, com a ret&oacute;rica privilegiada que conquistou milh&otilde;es de admiradores e fez sucesso em mais de 100 livros publicados. De certas experi&ecirc;ncias do passado, ele n&atilde;o esconde a dor &ndash; como a separa&ccedil;&atilde;o de sua primeira mulher, Alda Fernandes, com quem teve quatro filhos, e a tr&aacute;gica morte de Lukkas, o terceiro deles.&nbsp; Contudo, embora muito criticado e contestado ao longo desses anos todos, ele assegura, &ldquo;diante de Deus&rdquo;, que n&atilde;o sente m&aacute;goa de ningu&eacute;m. Aos 57 anos de idade, casado com Adriana Ribeiro, Caio F&aacute;bio D&rsquo;Ara&uacute;jo Filho se diz em paz. &ldquo;Eu sou livre. Sou nascido do Evangelho, nascido de Jesus. Hoje, sirvo ao Senhor e n&atilde;o preciso perder o meu ser, a minha sa&uacute;de, a minha paz, o meu conv&iacute;vio familiar. Isso &eacute; gra&ccedil;a de Deus para mim!&rdquo;</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>CRISTIANISMO HOJE &ndash; Recentemente, o senhor voltou ao notici&aacute;rio com a not&iacute;cia de sua condena&ccedil;&atilde;o no processo que investiga o epis&oacute;dio do Dossi&ecirc; Caim&atilde;. Como ficou esse processo?</strong></p>
<p>
	<strong>CAIO F&Aacute;BIO D&rsquo;ARA&Uacute;JO FILHO</strong> &ndash; Meu advogado entrou com recurso e eu ganhei. Agora, deve seguir para outra inst&acirc;ncia. Esse processo &eacute; uma loucura inomin&aacute;vel. At&eacute; o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que seria o maior prejudicado se a hist&oacute;ria fosse verdadeira, j&aacute; veio a p&uacute;blico me isentar de qualquer culpa.</p>
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	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Se sua inoc&ecirc;ncia &eacute; t&atilde;o &oacute;bvia como diz, por que um assunto praticamente esquecido pela opini&atilde;o p&uacute;blica foi trazido novamente &agrave; tona? </strong></p>
<p>
	Por iniciativa de uma ju&iacute;za federal que gosta de aparecer. Como o epis&oacute;dio foi um fato hist&oacute;rico que envolveu at&eacute; a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, ela quis ser a mulher que decretou a pris&atilde;o do indiv&iacute;duo que seria o boi de piranha daquele neg&oacute;cio todo. Um grupo de advogados amigos de S&atilde;o Paulo queria at&eacute; entrar com uma representa&ccedil;&atilde;o contra ela perante os conselhos de Magistratura, porque acharam que ela passou dos limites. Mas o advogado que me representa nos autos n&atilde;o deixou.</p>
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	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>A quem interessaria uma condena&ccedil;&atilde;o sua? </strong></p>
<p>
	Ah, interessaria a muitos religiosos. O pr&oacute;prio pessoal da imprensa que me ligou disse que isso &eacute; uma coisa surreal, que aquela mulher &eacute; doida. Ningu&eacute;m acredita em nada daquilo. S&oacute; a Folha de S&atilde;o Paulo &eacute; que deu com um destaque maior por uma raz&atilde;o pol&iacute;tica que eu n&atilde;o vou dizer aqui. E a TV Record [ligada &agrave; Igreja Universal do Reino de Deus], por raz&otilde;es &oacute;bvias. Estou junto como r&eacute;u ao lado de Paulo Maluf e Lafayette Coutinho. No entanto, s&oacute; eu fui condenado! Mas olha, se, por algum motivo totalmente inexplic&aacute;vel, esse neg&oacute;cio chegar ao Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, ser&aacute; liquidado l&aacute;. E, se por alguma insanidade passar e for ao Supremo, vai morrer na praia.</p>
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	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>O senhor trabalha com a hip&oacute;tese de uma condena&ccedil;&atilde;o definitiva?</strong></p>
<p>
	Se, por alguma conjun&ccedil;&atilde;o c&oacute;smica totalmente irracional, eu for mesmo condenado a prestar servi&ccedil;o comunit&aacute;rio ou fazer a&ccedil;&atilde;o social, eu vou dar um grande &ldquo;aleluia&rdquo;, porque estarei sendo condenado a ser eu mesmo, a fazer o que sempre fiz esses anos todos, por minha total iniciativa.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>O senhor concebeu e liderou um dos maiores projetos de cunho social de iniciativa de evang&eacute;licos j&aacute; feitos neste pa&iacute;s, a F&aacute;brica da Esperan&ccedil;a, considerado o maior do g&ecirc;nero na Am&eacute;rica Latina. Com esta credencial, como o senhor avalia a relativamente pequena atua&ccedil;&atilde;o da Igreja brasileira na &aacute;rea social, ainda mais evidenciada quando consideramos as alt&iacute;ssimas somas de dinheiro arrecadadas pelos grandes minist&eacute;rios e denomina&ccedil;&otilde;es? </strong></p>
<p>
	N&atilde;o existe nenhum grupo mais eg&oacute;latra dentre todos os movimentos religiosos planet&aacute;rios do que o movimento evang&eacute;lico. Isso por causa da semente dele &ndash; a semente &eacute; m&aacute;, &eacute; de divis&atilde;o. A semente original, de protesto contra a Igreja Cat&oacute;lica, transformou-se numa semente de protesto existencial contra tudo. Essa divis&atilde;o criou a &ecirc;nfase no dogma doutrin&aacute;rio. Isso divide, qualquer que seja o desencontro, em qualquer n&iacute;vel na escala de valores. Falta toler&acirc;ncia naquilo que n&atilde;o tem significado para a salva&ccedil;&atilde;o, no que n&atilde;o altera o DNA do Evangelho. Esse tipo de toler&acirc;ncia no olhar nunca existiu. O que se instituiu foi a preval&ecirc;ncia do existencialismo espiritual, e esse n&atilde;o lida com as categorias objetivas de valor. E logo o chamado movimento protestante virou esse guarda-chuva evang&eacute;lico, sob o qual cabem todas as coisas. Quando &eacute; que pode haver unidade e servi&ccedil;o ao pr&oacute;ximo se, no meio evang&eacute;lico a un&ccedil;&atilde;o para nada serve sen&atilde;o para erigir egos? A un&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo deve redundar no amor, na compaix&atilde;o, na miseric&oacute;rdia, no servi&ccedil;o &ndash; mas a &ldquo;un&ccedil;&atilde;o&rdquo; que vemos a&iacute; s&oacute; tem poder para criar l&uacute;ciferes com purpurina na cara, que atuam em palcos com luzes.&nbsp;</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Em fun&ccedil;&atilde;o deste e de v&aacute;rios outros projetos e iniciativas, o senhor levantou muito mais recursos do que o de diversos l&iacute;deres de hoje, que est&atilde;o at&eacute; comprando avi&otilde;es particulares.&nbsp; &Agrave; &eacute;poca, o senhor teve o seu?</strong></p>
<p>
	Nunca tive avi&atilde;o ou helic&oacute;ptero. Faz parte da minha filosofia n&atilde;o adquirir nada. Nem esta casa onde vivo eu comprei, ela me foi alugada a um valor simb&oacute;lico por tr&ecirc;s senhoras amigas. Eu nunca comprei coisa nenhuma, nunca acreditei em compra de nada. O Caminho da Gra&ccedil;a nunca vai comprar nada. Creio que imobilizar dinheiro do povo de Deus com patrim&ocirc;nio f&iacute;sico &eacute; pecado. Quem diz que a nossa p&aacute;tria est&aacute; nos c&eacute;us e faz aquisi&ccedil;&otilde;es poderosas ou erige templos salom&ocirc;nicos est&aacute; pecando contra o esp&iacute;rito do Evangelho. Tudo o que eu constru&iacute; e mantive era alugado. Passei 25 anos declarando que n&atilde;o tinha o menor compromisso com a manuten&ccedil;&atilde;o de coisa alguma que virasse um fim em si mesmo. Quando voc&ecirc; &eacute; dono de propriedades, voc&ecirc; acaba vivendo para fazer a manuten&ccedil;&atilde;o de tudo e as coisas perdem a finalidade.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>E o senhor vive de qu&ecirc;?</strong></p>
<p>
	Sempre vivi exclusivamente do minist&eacute;rio. Todos os direitos autorais dos meus livros e a renda obtida com nossas atividades no passado &ndash; TV, r&aacute;dio, revista, editora &ndash; era voltada para a atividade mission&aacute;ria, social, evangelizadora e de treinamento. Era tudo reinvestido naquilo que faz&iacute;amos. E continua sendo assim hoje.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Quem o ouve falar percebe que o senhor faz quest&atilde;o de tra&ccedil;ar uma linha divis&oacute;ria entre o que &eacute; hoje e o que fez, em especial em rela&ccedil;&atilde;o ao seu passado institucional, quando era uma figura p&uacute;blica dentro e fora da Igreja. H&aacute; algo que o senhor repudia em seu passado? </strong></p>
<p>
	N&atilde;o. Eu nunca rechacei meu passado. S&oacute; n&atilde;o faria de novo. Naquela &eacute;poca, contudo, foi necess&aacute;rio. S&oacute; de uma coisa me arrependo no meu passado institucional: ter aceitado a imposi&ccedil;&atilde;o de ter sido feito presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Evang&eacute;lica Brasileira [AEVB], pela qual eu mesmo trabalhei muito para ver criada. Eu n&atilde;o queria a fun&ccedil;&atilde;o, mas fui eleito por aclama&ccedil;&atilde;o. Praticamente me obrigaram a aceitar, porque a entidade surgiu com o patroc&iacute;nio da Vinde. Noventa por cento da AEVB estavam ligados aos minist&eacute;rios que eu dirigia. Eu n&atilde;o queria e nem precisava presidir a AEVB. Pelo contr&aacute;rio &ndash; eu &eacute; que dei m&iacute;dia para ela.</p>
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	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Mas a AEVB n&atilde;o cumpriu um papel importante na &eacute;poca? Afinal, ela esteve &agrave; frente de movimentos marcantes dos anos 90, como o Celebrando a Deus como Planeta Terra, o Rio Desarme-se e o Reage Rio, entre outras mobiliza&ccedil;&otilde;es que contaram com o apoio dos evang&eacute;licos.</strong></p>
<p>
	Quando se criou a AEVB, a gente j&aacute; havia perdido tempo demais discutindo o sexo dos anjos. J&aacute; est&aacute;vamos correndo no v&aacute;cuo do preju&iacute;zo. Esperamos muitos anos num processo lento, de muita conversa infrut&iacute;fera. A AEVB s&oacute; surgiu em 1991, depois que o [bispo Edir] Macedo j&aacute; havia come&ccedil;ado a dar as cartas do neopentecostalismo brasileiro. A AEVB foi criada com apoio desse pessoal que agora fundou a Alian&ccedil;a Crist&atilde; Evang&eacute;lica Brasileira e de outros, mas ningu&eacute;m botava dinheiro, ningu&eacute;m se mobilizava para fazer nada.</p>
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	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>O senhor foi convidado a participar da Alian&ccedil;a? </strong></p>
<p>
	N&atilde;o fui convidado, e mesmo se fosse, n&atilde;o iria, porque n&atilde;o acredito mais nisso. Todos esses irm&atilde;os queridos que est&atilde;o l&aacute; sabem que eu sempre quis ser livre para dizer o que eu queria.&nbsp; Esse tipo de iniciativa tinha que ser criada bem antes, l&aacute; no in&iacute;cio dos anos 1980, quando havia muita gente s&eacute;ria, respeit&aacute;vel, de cora&ccedil;&otilde;es generosos. Isso tinha de ser criado logo depois do Congresso Brasileiro de Evangeliza&ccedil;&atilde;o, em 1983, que para mim foi o maior evento representativo da hist&oacute;ria da Igreja brasileira. Ali ocorreu a grande oportunidade de unidade. As almas ainda estavam ing&ecirc;nuas, puras, sinceras. A teologia da prosperidade n&atilde;o existia por aqui, o que prevalecia era a teologia da miss&atilde;o integral. Havia uma quantidade enorme de pastores piedosos e desejosos de ver o melhor de Deus acontecer neste pa&iacute;s. Creio que, &agrave;quela altura, ainda dava tempo de a Igreja ter um papel de relev&acirc;ncia e significado, Ainda dava para virar as coisas e n&atilde;o perder os significados do termo evang&eacute;lico.</p>
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	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>A sua separa&ccedil;&atilde;o foi um acontecimento p&uacute;blico, que envolveu adult&eacute;rio. Naquela &eacute;poca, isso ganhou enorme peso perante a Igreja. No entanto, j&aacute; &agrave;quele tempo diversas denomina&ccedil;&otilde;es j&aacute; ordenavam pastores divorciados e encaravam a quest&atilde;o de forma liberal. Tamb&eacute;m s&atilde;o muitos os exemplos de pastores famosos &ndash; alguns, l&iacute;deres de denomina&ccedil;&otilde;es &ndash; que se divorciaram em condi&ccedil;&otilde;es semelhantes &agrave;s suas, mas a repercuss&atilde;o em nada se aproximou do tratamento que lhe foi concedido. Por que o seu caso, at&eacute; hoje, suscita tanto esc&acirc;ndalo? O senhor se considera perseguido?</strong></p>
<p>
	Eu daria tr&ecirc;s raz&otilde;es para este tratamento especial e a grande como&ccedil;&atilde;o que o epis&oacute;dio causou. Em primeiro lugar, a minha situa&ccedil;&atilde;o para essa mo&ccedil;ada toda foi insuport&aacute;vel. Ministerialmente, eu funcionava como uma esp&eacute;cie de foice, rodando em cima de cabe&ccedil;as conceituais. Toda vez que aparecia um maluco &ndash; e eu nunca precisei nominar os malucos, apenas expunha seus erros e dizia que o Evangelho era de outro jeito &ndash;, essa foice cortava logo aquela cabe&ccedil;a, o cara virava herege. Por isso, todo mundo tinha medo de que minha opini&atilde;o conceitual colocasse algu&eacute;m em situa&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil. Eu tenho certeza absoluta da quantidade enorme de gente que torcia por uma fragilidade de minha parte justamente por causa desse papel que eu exercia. E esse n&atilde;o foi um papel que eu pleiteasse ou buscasse; ele aconteceu espontaneamente. Foi Deus que fez isso por sua gra&ccedil;a, eu s&oacute; estava pregando o Evangelho, que, ali&aacute;s, &eacute; o que eu sempre fiz.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Ent&atilde;o, o senhor acredita que parte desta lideran&ccedil;a que ai est&aacute; n&atilde;o teria o espa&ccedil;o que tem se n&atilde;o fosse a sua sa&iacute;da do cen&aacute;rio? Seu esp&oacute;lio foi negociado?</strong></p>
<p>
	Com certeza. N&atilde;o preciso falar nada. Basta ver at&eacute; 1998 quem era quem e o que aconteceu de 2000 em diante. Quer ver uma coisa? Logo depois do que aconteceu, diante daquela como&ccedil;&atilde;o toda sobre o que tinha acontecido comigo, houve uma reuni&atilde;o de 300 pastores em S&atilde;o Paulo especificamente para tratar sobre quem ia ficar com qual parte do meu despojo, para saber quais eram os espa&ccedil;os que eu havia deixado abertos e quem deveria ocup&aacute;-los. E foram milhares que tamb&eacute;m fizeram isso. N&atilde;o quero nem falar de trai&ccedil;&atilde;o, porque no meu cora&ccedil;&atilde;o j&aacute; est&atilde;o todos perdoados, mas se eu abrisse a boca ningu&eacute;m ficava em p&eacute;.&nbsp; Esta foi uma raz&atilde;o. Em que pese o fato de que eu cometi um ato pecaminoso de trai&ccedil;&atilde;o e infidelidade, isso est&aacute; longe de ser a causa principal da grande como&ccedil;&atilde;o. Sabe qual foi a causa? Eu ter tomado a iniciativa de contar tudo, ou seja, por minha vontade expor tudo em verdade, sem que qualquer coisa tivesse sido descoberta por ningu&eacute;m. E eu que ouvia a confiss&atilde;o de tantos deles e sabia de suas fraquezas, das promiscuidades&hellip; E, depois, estes mesmos iam &agrave; TV bater em mim confiando na minha integridade, pois sabiam que eu n&atilde;o os exporia.</p>
<p>
	E a terceira raz&atilde;o foi que, naquele momento, eu aproveitei a oportunidade e pulei fora do barco. Este foi o elemento mais do&iacute;do de todos. A Igreja Presbiteriana me prop&ocirc;s uma discipina como condi&ccedil;&atilde;o para minha restaura&ccedil;&atilde;o. Eu respondi que n&atilde;o estava pleiteando nada, e que estava me desligando da denomina&ccedil;&atilde;o unilateralmente. Eu n&atilde;o queria mais ser parte daquilo. Escrevi tr&ecirc;s cartas e eles n&atilde;o aceitaram nenhuma.&nbsp; Pensei: &ldquo;Meu Deus, isso a&iacute; n&atilde;o &eacute; a m&aacute;fia, da qual o camarada s&oacute; sai morto&rdquo;! Depois me propuseram dar o tempo que eu julgasse necess&aacute;rio e que, depois, se eu quisesse voltar, seria restaurado e estava tudo certo. Mas eu disse que n&atilde;o queria.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>O que passava pela sua cabe&ccedil;a naquele momento. O que o senhor desejava? Para onde queria ir?</strong></p>
<p>
	Eu queria vir para c&aacute;! Queria voltar aos meus 18 anos... Eu nunca quis ser pastor ordenado. Eu sabia quem eu era e que Deus tinha me ungido. Sabia que isso tinha vindo do c&eacute;u, e que n&atilde;o dependia de ningu&eacute;m. Foi a Igreja Presbiteriana que disse que n&atilde;o era poss&iacute;vel que eu, aos 19 anos, em Manaus,&nbsp; fosse considerado pastor pela cidade inteira,&nbsp; pregasse a Palavra sem ser ordenado pastor e sem aceitar ir para ao semin&aacute;rio.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>Ent&atilde;o a quest&atilde;o crucial foi a rejei&ccedil;&atilde;o?</strong></p>
<p>
	Sim. Eles agiram passionalmente. Era como se dissessem: &ldquo;N&oacute;s am&aacute;vamos esse cara e ele decidiu n&atilde;o ser mais parte do nosso grupo&rdquo;. E, conquanto eu estivesse fazendo aquilo sem que, na minha mente, quisesse ofender nenhum daqueles irm&atilde;os, o que eu n&atilde;o queria era, depois do acontecido, ter de me curvar a nenhum tipo de restaura&ccedil;&atilde;o humana, mentirosa, hip&oacute;crita e pl&aacute;stica que queriam me oferecer. Eu sabia que o &uacute;nico a me restaurar era o Senhor. Eu n&atilde;o aceitaria nada que n&atilde;o viesse daquele que me ungiu e sabendo que entrar naquele esquema era vender a minha alma. Ent&atilde;o, eles aproveitaram essa minha atitude para vender ao pov&atilde;o a ideia de que eu estava rebelado contra a comunh&atilde;o dos santos e o amor dos irm&atilde;os.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>Ao longo dos anos, foram constru&iacute;dos certos mitos a seu respeito e que o rotulam como extremamente liberal e at&eacute; antib&iacute;blico. Um deles &eacute; de que o senhor, devido ao que lhe aconteceu, seria um incentivador de div&oacute;rcios, em especial de pastores. O que o senhor tem a dizer sobre isso? </strong></p>
<p>
	Isso &eacute; uma suposi&ccedil;&atilde;o absurda. J&aacute; haviam acontecido milhares de separa&ccedil;&otilde;es de pastores antes da minha. E muita dessa gente vinha me contar os dramas conjugais e chorar as mazelas comigo. Ent&atilde;o, &eacute; hipocrisia dizer que o que me aconteceu &eacute; que abriu as portas para que outros pastores adulterassem ou largassem da mulher. Essa percep&ccedil;&atilde;o a meu respeito &eacute; suscitada pelo diabo na cabe&ccedil;a de muita gente doida. Eu nunca defendi o div&oacute;rcio. Defendo que continuem casados aqueles que se amam, mas que todos aqueles que se fazem mal, que se machucam, que se ferem e se odeiam, n&atilde;o deveriam estar casados, pelo bem de suas almas. Sempre aconselhei todo mundo a n&atilde;o adulterar, a n&atilde;o trair a mulher. Quando cheguei aqui em Bras&iacute;lia, no meu primeiro ano o que eu mais fiz foi atender pastores e mulheres de pastores que queriam se divorciar e vinham me pedir aconselhamento. Gente de tudo quanto &eacute; igreja &ndash; batistas, assembleianos, presbiterianos, pentecostais. Na medida do poss&iacute;vel, ajudei esse pessoal todo a n&atilde;o se divorciar. Eu dizia a quem me procurava com casos extraconjugais: &ldquo;Sai dessa, voc&ecirc; vai se estrepar com essa amante&rdquo;. O que Deus uniu, que o homem n&atilde;o separe; e o que Deus n&atilde;o uniu, que n&atilde;o se ajunte, porque vira uma desgra&ccedil;a. O que me aconteceu foi, isso sim, um ato pecaminoso, de trai&ccedil;&atilde;o e de infidelidade. Um pecado diante de Deus e perante a m&atilde;e dos meus filhos. Mas o que me aconteceu n&atilde;o teria derrubado nada que j&aacute; n&atilde;o estivesse demolido. &Eacute; rid&iacute;culo dizer que meu caso serviu de legitima&ccedil;&atilde;o para os atos de quem quer que seja.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>Por falar nisso, como &eacute; sua rela&ccedil;&atilde;o com Alda Fernandes, sua ex-mulher? </strong></p>
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	Ela &eacute; minha amiga. Passamos o &uacute;ltimo Natal juntos. Estamos sempre com nossos filhos e netos.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>Quando seu filho Lukkas morreu atropelado, em 2004, houve quem atribu&iacute;sse a trag&eacute;dia e um ju&iacute;zo de Deus sobre sua vida. O que o senhor sentiu na &eacute;poca e como lida hoje com as pessoas que o criticam? </strong></p>
<p>
	S&oacute; tive cora&ccedil;&atilde;o para a dor e a saudade pela partida do meu filho. Nada do que soube que disseram teve poder de gerar qualquer coisa ruim em mim. O que senti naquele momento foi paz, e se todos os meus filhos morressem, a minha resposta seria a mesma. E tem mais uma coisa &ndash; n&atilde;o existe ningu&eacute;m, nenhum ser humano, que eu n&atilde;o tenha perdoado. Digo isso diante do Deus vivo e dos principados e potestades malignas. Meu cora&ccedil;&atilde;o nunca dormiu com ira em rela&ccedil;&atilde;o a ningu&eacute;m, eu n&atilde;o tenho &oacute;dio nenhum para contar. N&atilde;o tenho inimizades contra pessoas. Por outro lado, tenho opini&otilde;es a dar sobre ideias e conceitos equivocados de quem quer que seja. N&atilde;o &eacute; por causa do fato de eu n&atilde;o ter inimizade pessoal por um indiv&iacute;duo que vou deixar que a vandaliza&ccedil;&atilde;o do Evangelho aconte&ccedil;a sem que eu me una a Paulo na luta comum da defesa do Evangelho, como todo aquele que carrega o temor de Jesus no cora&ccedil;&atilde;o.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>Esse seu discurso costuma ser extremamente cr&iacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o ao que chama de &ldquo;igrejas institucionalizadas&rdquo; e &ldquo;sistema religioso&rdquo;. Na sua opini&atilde;o, as igrejas n&atilde;o t&ecirc;m nada de bom? </strong></p>
<p>
	Mas &eacute; claro que t&ecirc;m coisas boas! Elas t&ecirc;m gente boa, e gente &eacute; o que existe de melhor em qualquer lugar. Minist&eacute;rio, para mim, &eacute; gente, s&oacute; &eacute; bom se for feito por gente e para gente. Est&aacute; cheio de gente boa de Deus nas igrejas. Mesmo quando h&aacute; um pastor paspalh&atilde;o l&aacute; na frente, os bancos est&atilde;o repletos de gente boa, que sente at&eacute; pena daquele indiv&iacute;duo l&aacute; na frente, que faz neg&oacute;cios para todos os lados e com quem apare&ccedil;a. Tem gente que suporta o p&uacute;lpito muito mais para n&atilde;o perder os relacionamentos de comunh&atilde;o e o conv&iacute;vio de anos com os irm&atilde;os. Eles sabem que aqueles caras l&aacute; na frente v&atilde;o passar, as modas v&atilde;o passar, mas eles v&atilde;o continuar ali. Existe gente maravilhosa nos minist&eacute;rios. Veja aquele pessoal da Juvep [Juventude Evang&eacute;lica da Para&iacute;ba, entidade que atua de maneira mission&aacute;ria no sert&atilde;o nordestino], por exemplo. Eles perseveram h&aacute; anos na mesma purezinha de alma, na mesma ideia de servi&ccedil;o ao pr&oacute;ximo. H&aacute; tamb&eacute;m a Jocum [Jovens com uma Miss&atilde;o, movimento mission&aacute;rio internacional], com seus tantos bra&ccedil;os de a&ccedil;&atilde;o penetrados nos lugares mais distantes, em favelas, em comunidades miser&aacute;veis, em bols&otilde;es de car&ecirc;ncia no mundo todo.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>O Caminho da Gra&ccedil;a &eacute; uma esp&eacute;cie de reinven&ccedil;&atilde;o da igreja? </strong></p>
<p>
	N&atilde;o, ele &eacute; simplesmente a sequ&ecirc;ncia de um caminho que eu sempre trilhei. O Caminho da Gra&ccedil;a &eacute; a express&atilde;o de visibilidade de uma coisa subversiva que eu incito. Eu tento fazer com que o Caminho seja apenas, com muita leveza, um elemento de visibilidade m&iacute;nima da possibilidade de uma comunh&atilde;o crist&atilde; sem que uns mordam e devorem uns aos outros. Por isso, n&atilde;o tenho aquele desejo de faz&ecirc;-lo crescer, ter expans&atilde;o num&eacute;rica simplesmente &ndash; quero que o que cres&ccedil;a seja essa coisa que ningu&eacute;m nomeia, um movimento conduzido pela Palavra e pelo Esp&iacute;rito Santo que invade a massa, abranja tudo e se torne incontrol&aacute;vel como o vento que sopra onde quer.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>O senhor diz que o Caminho da Gra&ccedil;a &eacute; um movimento n&atilde;o institucionalizado, mas recentemente nomeou presb&iacute;teros e di&aacute;conos para sua sede em Bras&iacute;lia. Isso n&atilde;o vai acabar tornando o minist&eacute;rio como uma das igrejas que o senhor tanto critica? </strong></p>
<p>
	N&oacute;s funcionamos baseados em dons, e n&atilde;o em hierarquias. Nas igrejas convencionais, o di&aacute;cono &eacute; mais do que o membro e o presb&iacute;tero &eacute; mais do que o di&aacute;cono. Aqui no Caminho, essas fun&ccedil;&otilde;es expressam simplesmente dons de servi&ccedil;o. O presb&iacute;tero, o mentor, n&atilde;o &eacute; um sujeito mais elevado na hierarquia, n&atilde;o tem poderes ou prerrogativas especiais. Ele &eacute; simplesmente o cara que surge pela observa&ccedil;&atilde;o dos outros: &ldquo;Puxa, quanta sabedoria fulano tem recebido e manifestado&rdquo;. Essas fun&ccedil;&otilde;es surgem por opini&otilde;es m&uacute;ltiplas, n&atilde;o existe reuni&atilde;o de conc&iacute;lio ou vota&ccedil;&atilde;o para escolher ningu&eacute;m. E tem outra coisa: se, algum dia, l&aacute; na frente, o Caminho da Gra&ccedil;a deixar de ser o que nasceu para ser, &eacute; a coisa mais simples do mundo &ndash; acaba tudo e come&ccedil;a outra vez. O problema do pessoal &eacute; que eles querem se eternizar. Querem que o gr&atilde;o de trigo dure para sempre, mas se o gr&atilde;o n&atilde;o morrer, n&atilde;o h&aacute; fruto. Eu n&atilde;o quero perenizar nada. Eu s&oacute; tenho o compromisso de servir &agrave; minha gera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o quero deixar nenhum legado, nenhum imp&eacute;rio. &Eacute; preciso reconhecer que a vida &eacute; c&iacute;clica. Eu j&aacute; acabei com muita coisa que tinha come&ccedil;ado no curso da minha vida. E que ningu&eacute;m duvide que, se eu tiver vida longa e alguma coisa que estou fazendo hoje se corromper l&aacute; na frente, eu mesmo vou l&aacute; e termino com tudo, n&atilde;o espero, n&atilde;o.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>A manuten&ccedil;&atilde;o do Caminho da Gra&ccedil;a e dos minist&eacute;rios a ele ligados &eacute; feita atrav&eacute;s de d&iacute;zimos e ofertas?</strong></p>
<p>
	A gente recolhe ofertas. A espontaneidade da d&aacute;diva tem que ser baseada no amor, na alegria de dar. Quem pode dar mais, d&aacute; mais; quem pode dar menos, d&aacute; menos; e quem n&atilde;o pode dar nada n&atilde;o d&aacute; nada, recebe. Paulo ensinou que &eacute; justo que aqueles que recebem bens daqueles que lhes ministram os galardoem e ajudem com bens. Mesmo com toda a capacidade que Jesus tinha de multiplicar p&atilde;es e peixes e de transformar &aacute;gua em vinho, ele era sustentado pelas ofertas pr&aacute;ticas e objetivas das mulheres que o serviam e de outras pessoas. O princ&iacute;pio espiritual da doa&ccedil;&atilde;o era operativo na vida e no ensino de Jesus e no Novo Testamento como um todo.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>E quanto ao d&iacute;zimo? Nesta &oacute;tica, ele seria antib&iacute;blico?</strong></p>
<p>
	O que as igrejas ensinam &eacute; lei, &eacute; obrigatoriedade. A Igreja tornou-se uma esp&eacute;cie de agente substitutivo do antigo templo de Jerusal&eacute;m, uma esp&eacute;cie de &ldquo;receita federal&rdquo; de Deus. &Eacute; uma coletora de impostos. O d&iacute;zimo &eacute; esse imposto, e ainda dizem que quem n&atilde;o pagar vai sofrer as desgra&ccedil;as descritas no cap&iacute;tulo 3 de Malaquias. Como a Igreja n&atilde;o ensina a obedi&ecirc;ncia ao Evangelho como resultado do amor de Cristo constrangendo nosso cora&ccedil;&atilde;o, como Paulo ensina em II Cor&iacute;ntios 5, as pessoas n&atilde;o veem a quest&atilde;o da doa&ccedil;&atilde;o como algo inerente &agrave; generosidade.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>Se um homossexual assumido quiser frequentar o Caminho nesta condi&ccedil;&atilde;o, como ele ser&aacute; tratado?</strong></p>
<p>
	Nunca ningu&eacute;m chegou no Caminho da Gra&ccedil;a dizendo para mim que &eacute; gay praticante e que quer ficar ali. Mas n&atilde;o sou persecut&oacute;rio e nem homof&oacute;bico acerca de nenhum ser humano. Se ele quiser ficar, ouvir&aacute; o Evangelho e saber&aacute; que esse Evangelho pode criar um espa&ccedil;o de generosidade misericordiosa para ele ouvir a Palavra de Deus e crescer &ndash; mas nunca ouvir&aacute; uma &uacute;nica palavra de incentivo a qualquer rela&ccedil;&atilde;o sexual que n&atilde;o seja heterossexual.&nbsp; Se eu fizesse isso, estaria estabelecendo um paradigma que n&atilde;o encontro nenhum precedente para estabelecer.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>Logo, ainda que solicitado, o senhor n&atilde;o celebraria um casamento gay?</strong></p>
<p>
	Eu n&atilde;o fa&ccedil;o esse tipo de casamento, at&eacute; porque a uni&atilde;o est&aacute;vel entre homossexuais n&atilde;o &eacute; casamento, &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria, uma empresa limitada. O Estado tem o dever de defender essa rela&ccedil;&atilde;o no que se refere ao respeito &agrave; propriedade, aos bens. Se dois gays que constru&iacute;ram uma vida juntos, com aquisi&ccedil;&atilde;o de bens e tudo o mais, resolvem n&atilde;o mais viver em comum, que se divida o que t&ecirc;m, e cada um leva a sua parte. Isso &eacute; uma quest&atilde;o de Estado, n&atilde;o tem nada a ver com a Igreja. Mas n&atilde;o estimulo nenhum tipo de uni&atilde;o est&aacute;vel, a n&atilde;o ser aquela estabelecida entre homem e mulher que se amem.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>Sua maneira de falar e at&eacute; as roupas que o senhor tem usado provocam muitos coment&aacute;rios. A esta altura da vida, o senhor sente-se livre para dizer e fazer o que quer? </strong></p>
<p>
	Pelo amor de Deus, voc&ecirc; n&atilde;o pode mais ser o que &eacute;? Eu me visto desse jeito porque gosto. Eu sou s&oacute; um carinha que deseja viver. Quem n&atilde;o gosta do meu jeito &eacute; livre para viver da maneira que quiser. Eu sou livre como o Evangelho. Sou nascido do Evangelho, nascido de Jesus. Sou como o vento, nascido do Esp&iacute;rito Santo. Quem n&atilde;o suporta minhas declara&ccedil;&otilde;es, minha sinceridade e a propriedade do que digo que v&aacute; dormir com esse barulho.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<em>(Colaborou Carlos Fernandes)</em></p>   ]]></description><pubDate> Mon, 12 Mar 2012 9:22:51 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Mon, 12 Mar 2012 9:22:51 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/V1Qy8nwhO9c/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=842</feedburner:origLink></item><item><title>Vida simples como estilo</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/62213_Valdemar.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	&Eacute; improv&aacute;vel que qualquer dos leitores desta coluna venha a morrer de fome, esteja sem um teto sobre sua cabe&ccedil;a ou n&atilde;o possa sair &agrave; rua por absoluta falta do que vestir. Hoje, a nossa dificuldade tem a ver bem mais com a concep&ccedil;&atilde;o do que seria uma vida simples do que com lam&uacute;rias pela falta do b&aacute;sico.</p>
<p>
	Pode parecer uma suposi&ccedil;&atilde;o bizarra, mas alguns crist&atilde;os conseguem afirmar o seu amor por Jesus Cristo mesmo quando atribulados, angustiados, perseguidos, amea&ccedil;ados e at&eacute; mesmo diante do cen&aacute;rio da morte. No entanto, quando a realidade &eacute; de escassez, o comportamento muda. Somos capazes de suportar adversidades, desde que estejamos devidamente alimentados, vestidos e com as contas pagas.</p>
<p>
	Jesus advertiu aos seus seguidores de que eles n&atilde;o deviam ficar ansiosos quanto ao que comeriam ou vestiriam, nem tampouco onde viveriam. Numa interpreta&ccedil;&atilde;o absolutamente livre, &eacute; como se o texto de Mateus 6.25-34. &ldquo;N&atilde;o estejam ansiosos por coisa alguma, inclusive em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas necessidades b&aacute;sicas. N&atilde;o se inquietem com o dia de amanh&atilde;&rdquo;. Aos crist&atilde;os de Roma, o ap&oacute;stolo Paulo nomeia os motivos alegados por alguns para reclamar do aparente descaso de Deus e, portanto, justificar seu afastamento do Senhor.</p>
<p>
	Fome, nudez e despejo aparecem como realidades poss&iacute;veis para os seguidores de Jesus a partir do livro de Atos. N&atilde;o h&aacute; qualquer contradi&ccedil;&atilde;o com os quatro evangelhos; o fato &eacute; que muitos crist&atilde;os sofreram na pele a escassez por estarem envolvidos com os valores do Reino de Deus. Jesus foi claro ao afirmar que, caso seu Reino seja posto como prioridade, o restante nos ser&aacute; acrescentado. Contudo, a ades&atilde;o aos valores do Reino passa, necessariamente, por uma vida simples. Sofremos muito numa sociedade fundamentada nas leis do consumo. Na atualidade, o sup&eacute;rfluo, se bem embrulhado, ganha apelo de b&aacute;sico. Como ficamos infelizes porque nossos h&aacute;bitos sofisticados n&atilde;o s&atilde;o compat&iacute;veis com o nosso poder de compra! Como ficamos contrariados porque nossos valores nos impedem de fazer neg&oacute;cios inescrupulosos, mas rent&aacute;veis, num mercado de m&atilde;os e rosto invis&iacute;veis!</p>
<p>
	N&atilde;o se trata de admitir que uma cabana de palha, um cantil de &aacute;gua e um peda&ccedil;o de p&atilde;o sejam o suficiente. Nem de culpar os afortunados que moram bem, mant&eacute;m adegas com vinhos da melhor qualidade e comem p&atilde;es recheados com as mais sofisticadas iguarias. Acontece que as nossas chamadas &ldquo;necessidades materiais&rdquo; nem sempre resistem a uma an&aacute;lise criteriosa da verdadeira necessidade que temos delas. Conv&eacute;m refletir: O que seria o b&aacute;sico dos recursos materiais dos quais precisamos? Que itens estamos planejando possuir? E, dentre estes, quantos s&atilde;o realmente necess&aacute;rios? Geralmente, quando pensamos dessa maneira, descobrimos que poder&iacute;amos viver muito bem sem aquelas coisas que ach&aacute;vamos que eram fundamentais s&oacute; depois de as consumirmos.</p>
<p>
	De que maneira os nossos interesses se relacionam com o Reino de Deus? E se avali&aacute;ssemos a lista do que consideramos nossas necessidades de acordo com os interesses de Cristo em nossa vida? Muito provavelmente, se olharmos nossa vida sob a perspectiva dos valores ensinados pelo Senhor, seremos capazes de fazer listas muito mais sensatas. Ent&atilde;o, seremos capazes de reconhecer o b&aacute;sico e por ele darmos gra&ccedil;as; seremos habilitados a planejar o futuro sem ansiedade; e, finalmente, seremos l&uacute;cidos o suficiente para nos desapegarmos do sup&eacute;rfluo.</p>
<p>
	A verdade &eacute; que a falta de algo n&atilde;o pode ser interpretado como aus&ecirc;ncia do amor de Deus por n&oacute;s. Na dimens&atilde;o do Reino sobre o qual falou Jesus e repercutiu o ap&oacute;stolo Paulo, a ansiedade &eacute; visceralmente controlada quando aprendemos a viver para Deus e, portanto, descobrimos o outro. A&iacute;, adotaremos a generosidade como estilo de vida e teremos o quintal sem cerca, a mangueira sem lacre de propriedade privada e a flor amarela na janela &ndash; aquela que, segundo Cec&iacute;lia Meireles, &eacute; regada n&atilde;o para ser vendida, mas para que viva e fa&ccedil;a sorrir quem passa.</p>
<p>
	Na cultura do consumo, falar sobre desapego pode soar como heresia. Mas heresia social n&atilde;o chega a ser ofensiva a Deus. Portanto, tenha paz para viver uma vida simples numa sociedade que nos convida ao sofisticado, nos leva &agrave; insatisfa&ccedil;&atilde;o e nos subjuga pelo consumo. Bem-aventurados seremos se tivermos a capacidade de admitir a possibilidade de sermos como Paulo descreveu: &ldquo;Entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo&rdquo; (II Cor&iacute;ntios 6.10).</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>   ]]></description><pubDate> Mon, 12 Mar 2012 8:54:36 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Mon, 12 Mar 2012 8:54:36 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/IWL2H3R1Ln8/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=841</feedburner:origLink></item><item><title>Os lavadores de pés da Etiópia</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/12158_Etiopia_2.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	O m&eacute;dico Larry Thomas participava de um almo&ccedil;o em Addis Abeba, capital da Eti&oacute;pia, h&aacute; cerca de 20 anos, na companhia de colegas americanos. Eles estavam no pa&iacute;s africano para estudar uma terr&iacute;vel doen&ccedil;a ent&atilde;o rec&eacute;m-descoberta, chamada <em>podoconiosis</em>. Aqueles profissionais estavam se encontrando pela primeira vez. &ldquo;Quando &iacute;amos come&ccedil;ar a comer, perguntei, como que num impulso, se algu&eacute;m se importaria se d&eacute;ssemos gra&ccedil;as a Deus pelo alimento&rdquo;, lembra Thomas, fundador da Tropical Health Alliance Foundation (em tradu&ccedil;&atilde;o livre, &ldquo;Funda&ccedil;&atilde;o Alian&ccedil;a para a Sa&uacute;de Tropical&rdquo;). Para sua surpresa, todos concordaram. Ap&oacute;s a ora&ccedil;&atilde;o, o assunto da mesa foi f&eacute; e religi&atilde;o. &ldquo;Come&ccedil;amos a falar de nossas cren&ccedil;as e logo percebemos que todos ali &eacute;ramos crist&atilde;os assumidos&rdquo;.</p>
<p>
	O fato n&atilde;o era simples coincid&ecirc;ncia. Desde que foi identificada pela primeira vez, h&aacute; cerca de 35 anos, a <em>podoconiosis</em> tem atra&iacute;do a aten&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria de crist&atilde;os de todo o mundo. Uma grande rede de solidariedade se construiu, unindo profissionais de sa&uacute;de, volunt&aacute;rios e empreendedores sociais cat&oacute;licos e evang&eacute;licos, unidos contra uma doen&ccedil;a terr&iacute;vel e estigmatizante. A <em>podoconiosis</em> &eacute; simplesmente grotesca. Nos casos mais severos, &eacute; como se os p&eacute;s das v&iacute;timas se transformassem em imensas massas de tecido apodrecidas. &Eacute; como se os membros inferiores do doentes fossem tomados por uma esp&eacute;cie de musgo, ficando progressivamente deformados.e exalando um odor terr&iacute;vel. Um verdadeiro pesadelo. Mas um n&uacute;mero consider&aacute;vel de pessoas &ndash; todos os envolvidos desde a descoberta da doen&ccedil;a at&eacute; as atuais pesquisas cient&iacute;ficas &ndash; fazem parte desta luta. Dentre eles, est&atilde;o um m&eacute;dico octogen&aacute;rio, algumas freiras e um bem-sucedido e jovem empres&aacute;rio do ramo de cal&ccedil;ados. Com muita dificuldade e empenho, eles t&ecirc;m feito com que a doen&ccedil;a, finalmente, comece a ganhar a aten&ccedil;&atilde;o mundial.&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
<p>
	Estima-se que um milh&atilde;o de et&iacute;opes sofram de <em>podoconiosis</em>, mas &eacute; poss&iacute;vel que o n&uacute;mero total de v&iacute;timas no continente chegue a quatro milh&otilde;es. Nas &aacute;reas mais afetadas, uma em cada 20 pessoas desenvolve a doen&ccedil;a. Uma &uacute;nica vila et&iacute;ope, com dois mil moradores, tem pelo menos cem v&iacute;timas, permanentemente inv&aacute;lidas. Em algumas &aacute;reas do pa&iacute;s, o n&uacute;mero de v&iacute;timas do mal ultrapassa o de doentes de Aids. Apesar da preval&ecirc;ncia de casos e da severidade do problema, a doen&ccedil;a n&atilde;o havia sido identificada at&eacute; 35 anos atr&aacute;s. Os especialistas costumavam diagnosticar sintomas de elefant&iacute;ase infecciosa, at&eacute; que um m&eacute;dico crist&atilde;o, chamado Ewart Price, percebeu que se tratava de outro problema. Munido de mapas geol&oacute;gicos, Price estabeleceu uma conex&atilde;o entre os sintomas da doen&ccedil;a e o solo vulc&acirc;nico da Eti&oacute;pia, avermelhado e rico em subst&acirc;ncias sulfurosas.</p>
<p>
	Numa regi&atilde;o paup&eacute;rrima, onde a maioria das pessoas caminham descal&ccedil;as, &eacute; f&aacute;cil entender a rela&ccedil;&atilde;o entre o meio ambiente e a <em>podoconiosis</em>. Examinando amostras de tecido linf&aacute;tico das v&iacute;timas, o m&eacute;dico percebeu a presen&ccedil;a de min&uacute;sculos cristais de sil&iacute;cio. Deduziu, ent&atilde;o, que o sil&iacute;cio era absorvido pelos p&eacute;s e acabava bloqueando os canais linf&aacute;ticos, provocando incha&ccedil;o e deformidades. Como ainda n&atilde;o existem estudos conclusivos, a dedu&ccedil;&atilde;o de Price continua a ser a melhor explica&ccedil;&atilde;o para a origem do mal. A exposi&ccedil;&atilde;o &agrave;quele tipo de solo, aparentemente, &eacute; crucial para o desenvolvimento da <em>podoconiosis</em>, mas outros fatores, como a predisposi&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica, tamb&eacute;m devem ser levados em conta.</p>
<p>
	Por um longo tempo, as descobertas de Ewart Price provocaram poucas rea&ccedil;&otilde;es no meio m&eacute;dico internacional. As primeiras respostas organizadas &agrave; quest&atilde;o da <em>podoconiosis</em> come&ccedil;aram h&aacute; pouco mais de dez anos. A enfermidade &eacute; citada na lista de doen&ccedil;as tropicais negligenciadas da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) de 2008. &ldquo;Trata-se de uma doen&ccedil;a que afeta majoritariamente aqueles que n&atilde;o t&ecirc;m voz&rdquo;, destaca a m&eacute;dica brit&acirc;nica Gail Davey, principal pesquisadora da <em>podoconiosis</em> na atualidade. Isso porque, devido ao estigma social que provoca, muitas v&iacute;timas da doen&ccedil;a se escondem, e isso contribui para sua invisibilidade.</p>
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	<strong>&ldquo;P&Eacute; MUSGOSO&rdquo;</strong></p>
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	Em 1997, aos 84 anos, o m&eacute;dico mission&aacute;rio Nathan Barlow retornou &agrave; Eti&oacute;pia, duas d&eacute;cadas depois de fugir do pa&iacute;s por causa da decis&atilde;o do governo de nacionalizar todos os hospitais. Nos 20 anos seguintes, ele trabalharia na Rep&uacute;blica Centro-Africana e no Congo, e j&aacute; conhecia a doen&ccedil;a desde os anos 1950, embora, na &eacute;poca, n&atilde;o houvesse qualquer tratamento efetivo. Em seu retorno ao pa&iacute;s, Barlow come&ccedil;ou a procurar por medicamentos eficazes e, paralelamente, mais v&iacute;timas come&ccedil;aram a sair do esconderijo em busca de ajuda. O m&eacute;dico fundou, ent&atilde;o, o Mossy Foot Project (&ldquo;Pojeto p&eacute; musgoso&rdquo;), com sede na cidade de Soddo, no sul da Eti&oacute;pia. Poucos anos depois, Gail Davey e seu marido deixaram a Inglaterra para ensinar na Universidade de Addis Abeba. Em seu primeiro ano ali, a embaixada brit&acirc;nica pediu a ela que avaliasse uma proposta de financiamento para o projeto.</p>
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	Gail visitou a sede da organiza&ccedil;&atilde;o em Soddo e, nas suas palavras, foi imediatamente impactada pelo fato de os pacientes estarem &agrave; frente do trabalho. Ela tamb&eacute;m percebeu que havia encontrado a pesquisa de seus sonhos. Ali estava uma doen&ccedil;a que afetava severamente milh&otilde;es de pessoas e sobre a qual n&atilde;o se conhecia quase nada. Havia relatos de surtos da doen&ccedil;a em v&aacute;rias regi&otilde;es, mas ningu&eacute;m ainda havia mapeado o fen&ocirc;meno cientificamente &ndash; n&atilde;o se sabia sequer como era a evolu&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a e estava claro que a pesquisa apropriada poderia conduzir a uma a&ccedil;&atilde;o imediata e efetiva, tanto no tratamento quanto na preven&ccedil;&atilde;o. &ldquo;&Eacute; formid&aacute;vel pensar que realmente h&aacute; algo a fazer. Gosto de ter um objetivo claro a ser alcan&ccedil;ado&rdquo;, diz a m&eacute;dica. &ldquo;N&atilde;o sab&iacute;amos exatamente qual seria nosso papel na Eti&oacute;pia quando chegamos ali. Acredito, firmemente, que Deus nos levou ao trabalho com os pacientes de <em>podoconiosis</em>. De alguma forma, os crist&atilde;os foram direcionados para esse trabalho, servindo os mais pobres, aqueles que n&atilde;o t&ecirc;m voz&rdquo;, sustenta.</p>
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	Ao mesmo tempo, freiras ligadas &agrave; ordem cat&oacute;lica das Filhas da Caridade come&ccedil;aram a promover sess&otilde;es de tratamento da doen&ccedil;a em &aacute;reas remotas do pa&iacute;s. Cora Bruin, uma holandesa especialista em antropologia m&eacute;dica, conheceu o trabalho das religiosas durante uma viagem de f&eacute;rias e ficou assustada com o fato de que doen&ccedil;as j&aacute; perfeitamente trat&aacute;veis em outras regi&otilde;es do mundo, como o b&oacute;cio (aumento da gl&acirc;ndula linf&oacute;ide) ainda eram comuns ali. Mais tarde, Cora voltaria sua aten&ccedil;&atilde;o para a <em>podoconiosis</em>, pensando tratar-se de elefant&iacute;ase, mas o uso de medicamento para tratar vermes filariais n&atilde;o teve resultado. Bruin mergulhou na lieratura m&eacute;dica at&eacute; que se deparou com o trabalho de Price, o primeiro a estabelecer uma conex&atilde;o entre os sintomas da doen&ccedil;a e o solo vulc&acirc;nico. Isso levou-a, juntamente com as freiras, a conhecer o trabalho do &ldquo;Projeto p&eacute; musgoso&rdquo;. Agora, empregando as t&eacute;cnicas de que tomaram conhecimento, as irm&atilde;s est&atilde;o come&ccedil;ando a frear o processo de dissemina&ccedil;&atilde;o da <em>podoconiosis</em> e, por meio de educa&ccedil;&atilde;o, treinamento e discipulado crist&atilde;o, capacitam as pessoas que ficam curadas a voltar a ter uma vida normal.</p>
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	O projeto promove sess&otilde;es semanais para tratamento da doen&ccedil;a em 15 lugares diferentes, utilizando espa&ccedil;os cedidos pelo centros de sa&uacute;de do governo et&iacute;ope. Nativos portadores da doen&ccedil;a s&atilde;o os mais envolvidos no cuidado com os pacientes e no trabalho de conscientiza&ccedil;&atilde;o para a preven&ccedil;&atilde;o. Eles ensinam a como evitar a doen&ccedil;a, a trat&aacute;-la e v&atilde;o &agrave; casa dos pacientes se eles deixam de comparecer aos centros de sa&uacute;de. Cada sess&atilde;o semanal de tratamento tem in&iacute;cio com a leitura de um texto b&iacute;blico e uma ora&ccedil;&atilde;o. Imposs&iacute;vel deixar de associar o trabalho humanit&aacute;rio a uma das atitudes mais emblem&aacute;ticas de Cristo &ndash; a lavagem dos p&eacute;s de seus disc&iacute;pulos. &ldquo;Andei por Dembi Dollo, no oeste da Eti&oacute;pia, com as freiras, enquanto elas lavavam os p&eacute;s dos pacientes de <em>podoconiosis</em>&rdquo;, diz o m&eacute;dico americano Larry Thomas. &ldquo;Assim, percebi que podia fazer o mesmo, com a mesma alegria que elas&rdquo;, conta.</p>
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	<strong>&Aacute;GUA, ATADURAS E SAPATOS</strong></p>
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	Uma das pacientes tratadas pelas freiras &eacute; Dembi Fedasan, de 35 anos. Aos quinze, seus p&eacute;s come&ccedil;aram a co&ccedil;ar e a inchar, at&eacute; atingirem um tamanho enorme. Logo, ela n&atilde;o podia mais ir &agrave; escola por causa da dor que sentia para caminhar. Ela sabia qual era o problema, j&aacute; que v&aacute;rias pessoas em sua comunidade tinham a mesma doen&ccedil;a. Conforme o quadro progredia, um mau cheiro terr&iacute;vel passou a acompanh&aacute;-la. Ela viu sua vida social ser precocemente interrompida. Daquele jeito, ningu&eacute;m mais iria se casar com ela ou com qualquer de seus irm&atilde;os ou irm&atilde;s. O estigma da doen&ccedil;a havia &ldquo;infectado&rdquo; toda a fam&iacute;lia.</p>
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	Em uma sociedade em que a m&atilde;o de obra &eacute; t&atilde;o essencial para o cultivo das lavouras, Dembi j&aacute; n&atilde;o podia dar sua contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; comunidade. Por isso, ficava em casa, isolada e coberta de vergonha. H&aacute; tr&ecirc;s anos, por&eacute;m, Dembi descobriu que havia tratamento dispon&iacute;vel para seu problema a quase 200 quil&ocirc;metros do lugar onde vive sua fam&iacute;lia. Como a passagem de &ocirc;nibus seria muito cara para ir e vir todos os dias, ela se mudou para Dembi Dollo e, ali, trabalha como dom&eacute;stica. O tratamento &eacute; simples: consiste em banhar os p&eacute;s, esteriliz&aacute;-los com uma subst&acirc;ncia alvejante, aplicar lo&ccedil;&otilde;es e colocar ataduras &ndash; e j&aacute; t&ecirc;m feito grande diferen&ccedil;a. O maior sonho de Dembi hoje &eacute; voltar para a sua cidade, ter uma cria&ccedil;&atilde;o de animais e uma pequena planta&ccedil;&atilde;o.</p>
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	Nathan Barlow morreu em 2004, aos 91 anos, mas o trabalho prossegue at&eacute; hoje sob a lideran&ccedil;a de nativos e com o apoio da filha do m&eacute;dico, Sharon, e de seu marido, Jim Daly. Al&eacute;m do foco no tratamento e na preven&ccedil;&atilde;o, o projeto tamb&eacute;m distribui cal&ccedil;ados especiais feitos em uma oficina pr&oacute;pria, uma vez que muitos pacientes de <em>podoconiosis </em>n&atilde;o podem usar sapatos ou sand&aacute;lias normais. Os volunt&aacute;rios ainda distribuem sab&atilde;o, alvejante e cal&ccedil;ados para os filhos das v&iacute;timas. Os atendidos pelo projeto tamb&eacute;m t&ecirc;m acesso a cursos profissionalizantes e financiamento para pequenos empreendimentos, afim de que possam manter-se.</p>
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	A doa&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;ados apropriados aos doentes, bem como &agrave;s pessoas que ainda n&atilde;o desenvolveram <em>podoconiosis </em>ganhou um empurr&atilde;o e tanto gra&ccedil;as &agrave; participa&ccedil;&atilde;o do jovem empres&aacute;rio texano Blake Mycoskie. Em 2006, ele viajou de f&eacute;rias para a Argentina e, enquanto observava o estilo dos cal&ccedil;ados locais e pensava como adapt&aacute;-los ao gosto do consumidor americano, notou que muitas crian&ccedil;as pobres andavam descal&ccedil;as. Como homem de neg&oacute;cios e crist&atilde;o, logo fez da compaix&atilde;o a alavanca para uma grande iniciativa solid&aacute;ria: a Cal&ccedil;ados Toms. A empresa nasceu com a promessa de que cada par comercializado corresponderia &agrave; doa&ccedil;&atilde;o de um outro para uma crian&ccedil;a carente. A id&eacute;ia foi um sucesso imediato. Em nenhum lugar do mundo o projeto se mostrou mais necess&aacute;rio que na Eti&oacute;pia, onde um simples par de sand&aacute;lias pode transformar a vida de uma pessoa.</p>
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	Depois de visitar Dembi Dollo, Mycoskie quis cerrar fileiras com o projeto no combate &agrave; <em>podoconiosis</em> e convocou o m&eacute;dico Thomas para ajud&aacute;-lo. &ldquo;Pensei que se todos trabalh&aacute;ssemos juntos, poder&iacute;amos fazer algo grandioso&rdquo;, revela Thomas. &ldquo;Ainda h&aacute; muito a fazer ainda, mas quantas vezes na vida voc&ecirc; tem a chance de ser um pioneiro?&rdquo; A Toms tem como alvo distribuir cal&ccedil;ados para os filhos dos pacientes de <em>podoconiosis</em>, os quais s&atilde;o cinco vezes mais propensos a contrair a doen&ccedil;a do que a popula&ccedil;&atilde;o em geral. Somente atrav&eacute;s do projeto p&eacute;s musgosos, a empresa distribui dez mil pares de cal&ccedil;ados por m&ecirc;s.</p>
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	A surpreendente uni&atilde;o de pessoas de forma&ccedil;&otilde;es, perfis e confiss&otilde;es religiosas t&atilde;o diferentes em torno de uma mesma causa tem produzido resultados espetaculares. Larry Thomas nada sabia sobre a <em>podoconiosis</em>, mesmo quando dirigiu um hospital ligado &agrave; Igreja Adventista do S&eacute;timo Dia em Gimbi, na Eti&oacute;pia. Alguns dos m&eacute;dicos tomaram conhecimento do trabalho das freiras na capital e come&ccedil;aram uma parceria. Inspirado pelo idealismo daquelas religiosas e pela efici&ecirc;ncia do tratamento, Thomas come&ccedil;ou a levantar recursos em sua cidade, Loma Linda, na Calif&oacute;rnia, por meio de uma parceria bastante at&iacute;pica, entre as igrejas cat&oacute;lica e adventista.</p>
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	Quando encontrou Dembi Fedasan, o m&eacute;dico ficou perplexo. Ela j&aacute; havia come&ccedil;ado o tratamento, mas seus p&eacute;s ainda estavam com um aspecto grotesco e Thomas pediu permiss&atilde;o para fotograf&aacute;-los. Tempos depois, Evelyn, uma das irm&atilde; da Caridade, enviou-lhe outra foto dos p&eacute;s de Dembi. Ele mal pode reconhec&ecirc;-los: estavam bastante desinchados, gra&ccedil;as ao tratamento. Desde ent&atilde;o, Thomas n&atilde;o conseguiu mais parar de trabalhar no apoio ao tratamento dos pacientes de <em>podoconiosis </em>por meio de sua funda&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Ele continua a atuar como m&eacute;dico em tempo integral no Sul da Calif&oacute;rnia, mas seu cora&ccedil;&atilde;o est&aacute; na Eti&oacute;pia. Afinal, gra&ccedil;as a ele e a uma alian&ccedil;a improv&aacute;vel de crist&atilde;os, gente antes &ldquo;invis&iacute;vel&rdquo; como Dembi Fedasan est&aacute; n&atilde;o apenas sendo transformada, como tamb&eacute;m vista por muita gente.</p>
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	<strong><em>Tim Stafford</em></strong><em> &eacute; colaborador s&ecirc;nior de </em>Christianity Today</p>   ]]></description><pubDate> Fri, 17 Feb 2012 9:17:55 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Fri, 17 Feb 2012 9:17:55 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/PD18Q7Wch4c/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=840</feedburner:origLink></item><item><title>O livro que transforma</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/47356_Teologia-Livros-e-biblia.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Todo crist&atilde;o sabe: ler a B&iacute;blia e meditar nas Escrituras Sagradas &eacute; pr&aacute;tica recomend&aacute;vel &eacute; necess&aacute;ria para uma vida espiritual saud&aacute;vel. Estudos e mais estudos s&atilde;o feitos para descobrir a quantidade de tempo que as pessoas dedicam &agrave; leitura b&iacute;blica, a credibilidade que d&atilde;o aos relatos da Palavra de Deus e no qu&ecirc; esta disciplina espiritual influencia sua f&eacute;. O que nem sempre se leva em conta s&atilde;o os efeitos disso sobre outras &aacute;reas da vida humana, como posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, comportamento social e opini&atilde;o diante de temas considerados pol&ecirc;micos. Pois levantamentos recente descobriram que o contato frequente com as Escrituras pode mudar at&eacute; mesmo opini&otilde;es culturalmente arraigadas. Por mais paradoxal que seja, uma leitura constante e met&oacute;dica da B&iacute;blia pode at&eacute; mesmo tornar a pessoa mais liberal.</p>
<p>
	Sabe-se que 89% dos lares nos Estados Unidos possuem ao menos um exemplar das Sagradas Escrituras crist&atilde;s (ainda n&atilde;o h&aacute; pesquisa similar no Brasil). Mas ter o Livro Sagrado em casa n&atilde;o significa o mesmo que l&ecirc;-lo com frequ&ecirc;ncia &ndash; e os resultados de pesquisas a respeito dos h&aacute;bitos de leitura b&iacute;blica podem ser surpreendentes. Diversos estudos realizados com o fim de examinar a influ&ecirc;ncia da B&iacute;blia t&ecirc;m mostrado a quest&atilde;o apenas do ponto de vista de sua inspira&ccedil;&atilde;o e dos m&eacute;todos interpreta&ccedil;&atilde;o. O Instituto Gallup, por exemplo, h&aacute; quatro d&eacute;cadas, pergunta aos americanos em que medida o conte&uacute;do b&iacute;blico deve ser interpretado de forma literal. Comparativamente, muito pouco tem sido pesquisado sobre o que acontece quando algu&eacute;m l&ecirc; a B&iacute;blia, de fato &ndash; especialmente, quando isso &eacute; feito de forma independente e fora do ambiente de culto.</p>
<p>
	&Eacute; de se supor que essas quest&otilde;es sejam redundantes, ou seja, que pesquisas do g&ecirc;nero sejam apenas meras formas de medir a religiosidade das pessoas, de dimensionar a frequ&ecirc;ncia com que v&atilde;o &agrave; igreja, se interpretam a B&iacute;blia literalmente ou n&atilde;o, e ainda quanto tempo costumam gastar em ora&ccedil;&atilde;o. Quando esses indicadores s&atilde;o analisados, normalmente, encontra-se uma correla&ccedil;&atilde;o direta com o conservadorismo moral e pol&iacute;tico. Isso &eacute; uma tend&ecirc;ncia, mas est&aacute; longe de ser a regra. Acontece que ler a B&iacute;blia a s&oacute;s faz diferen&ccedil;a tamb&eacute;m. E o mais interessante &eacute; que essa diferen&ccedil;a pode ser o oposto do esperado.</p>
<p>
	A leitura frequente das Escrituras tem alguns efeitos previs&iacute;veis, como por exemplo, aumentar a oposi&ccedil;&atilde;o do crente ao pecado em geral e a algumas quest&otilde;es em particular, como a condena&ccedil;&atilde;o ao aborto ou &agrave; pr&aacute;tica homossexual. Leitores costumeiros do livro tamb&eacute;m acreditam que a ci&ecirc;ncia ajude, de alguma forma, a revelar a gl&oacute;ria de Deus, mas n&atilde;o t&ecirc;m muitas esperan&ccedil;as de que os cientistas, algum dia, ser&atilde;o capazes de resolver os problemas da humanidade. Mas, em contrapartida, o contato frequente com a B&iacute;blia faz com que o leitor se torne mais propenso a concordar com os liberais em alguns assuntos. Isso acontece mesmo quando se leva em conta as convic&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, o n&iacute;vel educacional, a renda, o g&ecirc;nero, a ra&ccedil;a e outros crit&eacute;rios, como a filia&ccedil;&atilde;o religiosa e o ponto de vista pessoal sobre o literalismo b&iacute;blico.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>TERRORISMO, JUSTI&Ccedil;A E CI&Ecirc;NCIA</strong></p>
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	Em 2007, a <em>Baylor Religion Survey</em> (&ldquo;Pesquisa Baylor sobre religi&atilde;o&rdquo;) perguntou aos norte-americanos com que frequ&ecirc;ncia eles liam a B&iacute;blia sozinhos. Os respondentes tinham que escolher entre cinco respostas padr&atilde;o, que iam de &ldquo;nunca&rdquo; a &ldquo;v&aacute;rias vezes por semana&rdquo;. A pesquisa tamb&eacute;m investigou o posicionamento pol&iacute;tico dos entrevistados e descobriu coisas interessantes. Na ocasi&atilde;o, as pessoas foram questionados, por exemplo, se o governo de seu pa&iacute;s deveria ter poderes ampliados para lutar contra o terrorismo &ndash; uma refer&ecirc;ncia ao Ato Patri&oacute;tico (lei criada ap&oacute;s os atentados de 11 de setembro de 2001, a qual d&aacute; ao Estado o direito de espionar e interrogar poss&iacute;veis suspeitos de terrorismo). Segundo a pesquisa, quanto maior a frequ&ecirc;ncia da leitura b&iacute;blica, menor o apoio dos entrevistados ao Ato Patri&oacute;tico.</p>
<p>
	A leitura frequente da B&iacute;blia tamb&eacute;m influencia a vis&atilde;o sobre a Justi&ccedil;a. Como era de se esperar, os respondentes mais liberais tenderam a discordar da frase: &ldquo;Os criminosos deveriam ser punidos com mais severidade&rdquo;. No entanto, os leitores mais frequentes da B&iacute;blia tamb&eacute;m o fizeram. O contato com a mensagem b&iacute;blica, igualmente, afeta o apoio dos leitores &agrave; pena de morte. De acordo com a pesquisa, quanto maior a frequ&ecirc;ncia de leitura das Escrituras, maior o apoio dos respondentes ao fim da pena capital. Ler a B&iacute;blia tamb&eacute;m mexe com as atitudes do leitor em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ci&ecirc;ncia. Quando as pessoas s&atilde;o questionadas sobre o literalismo b&iacute;blico, n&atilde;o s&atilde;o encontradas diferen&ccedil;as estat&iacute;sticas significativas quanto ao fato de ci&ecirc;ncia e religi&atilde;o serem compat&iacute;veis entre si &ndash; no entanto, quanto mais uma pessoa l&ecirc; a Palavra de Deus, mais ela tende a acreditar que as duas esferas, consideradas t&atilde;o antag&ocirc;nicas ao longo dos s&eacute;culos, s&atilde;o, sim, compat&iacute;veis.</p>
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	Outro achado interessante dos estudos refere-se a atitudes morais. A pesquisa perguntou se, para se tornar uma pessoa melhor, qu&atilde;o importante &eacute; buscar, ativamente, a justi&ccedil;a econ&ocirc;mica e social. Novamente, como seria de se esperar, aqueles com tend&ecirc;ncias pol&iacute;ticas liberais se mostraram mais propensos a dizer que isso &eacute; importante de alguma forma. Mas aqueles que leem a B&iacute;blia com mais frequ&ecirc;ncia tamb&eacute;m concordaram. De fato, eles foram quase 35% mais propensos a responder &ldquo;sim&rdquo; a tal pergunta.</p>
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	Da mesma forma, ao contr&aacute;rio do estere&oacute;tipo da m&iacute;dia liberal, aqueles que s&atilde;o mais comprometidos com a f&eacute; &ndash; por lerem as Escrituras mais direta e frequentemente, por exemplo &ndash; s&atilde;o os que d&atilde;o maior apoio &agrave; justi&ccedil;a social e econ&ocirc;mica. Na verdade, leitores literalistas e politicamente conservadores s&atilde;o quase t&atilde;o propensos a abra&ccedil;ar as causas sociais quanto aqueles que se classificam como politicamente liberais e cr&iacute;ticos do literalismo. Na mesma linha, a pesquisa tamb&eacute;m perguntou se algu&eacute;m deve reduzir o consumo como forma de se tornar uma pessoa melhor. Tanto os politicamente liberais quanto os leitores mais frequentes da B&iacute;blia se mostraram mais propensos a dizer que sim.</p>
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	Tome-se, por exemplo, um evang&eacute;lico que seja politicamente conservador, tenha cursado o ensino superior, possua uma renda razo&aacute;vel, creia literalmente na mensagem da B&iacute;blia, mas que n&atilde;o leia o livro sagrado com tanta frequ&ecirc;ncia. Essa pessoa ter&aacute; apenas 22% de chance de dizer que reduzir o consumo &eacute; um comportamento &eacute;tico. Contudo, a mesma pergunta dirigida a algu&eacute;m com as mesmas caracter&iacute;sticas, mas que leia a B&iacute;blia frequentemente, ter&aacute; chance 44% maior de ser respondida da mesma maneira.</p>
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	<strong>SIGNIFICADO PESSOAL</strong></p>
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	A discuss&atilde;o se torna ainda mais interessante quando se considera quem &eacute; mais propenso a ler a B&iacute;blia com frequ&ecirc;ncia. Os evang&eacute;licos e os que a interpretam literalmente s&atilde;o os mais conservadores nos t&oacute;picos citados. Em outras palavras, aqueles que leem as Escrituras com mais frequ&ecirc;ncia s&atilde;o mais conservadores; entretanto, quanto mais leem, mais tendem a mudar seus pontos de vista a respeito, pelo menos, desses assuntos. Por que isso acontece? Uma explica&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel &eacute; a seguinte: os leitores tendem a ter expectativas em rela&ccedil;&atilde;o a um texto antes de iniciar sua leitura. Dada a proemin&ecirc;ncia do texto b&iacute;blico entre os crist&atilde;os, &eacute; de se supor que muitos pensem que j&aacute; sabem tudo o que ali est&aacute; escrito, mesmo antes de come&ccedil;ar a ler G&ecirc;nesis 1. No entanto, uma vez que, de fato, iniciem a leitura, ser&atilde;o surpreendidos por um novo conte&uacute;do que passar&aacute; a estar integrado &agrave;quele que lhes era familiar. A verdade &eacute; que as cren&ccedil;as mudam com as novas informa&ccedil;&otilde;es acrescentadas.</p>
<p>
	Mas n&atilde;o ser&aacute; necessariamente o conte&uacute;do novo a surpreender o leitor. Basta apenas que esse conte&uacute;do seja pessoalmente relevante para ele. Leitores frequentes da B&iacute;blia podem ter vis&otilde;es divergentes quanto &agrave; sua autoridade, mas tendem a l&ecirc;-la de maneira devocional, na expectativa de que esta lhes fale algo diretamente. E eles a ler&atilde;o at&eacute; se depararem com algo que realmente lhes chame a aten&ccedil;&atilde;o. Mesmo que o leitor n&atilde;o creia plenamente nas Sagradas Escrituras como a infal&iacute;vel Palavra de Deus e que o texto b&iacute;blico care&ccedil;a de um bocado de interpreta&ccedil;&atilde;o, esse momento pode ter um tremendo significado pessoal.</p>
<p>
	Mas a leitura b&iacute;blica n&atilde;o &eacute; encarada, necessariamente, como algo subjetivo. Seus leitores tamb&eacute;m percebem as Escrituras como sendo a Palavra de Deus, ainda que escrita por autores que tinham contextos e inten&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, e desejam se tornar cada vez mais semelhantes ao que ali est&aacute; escrito. Afinal, para que serviria ler a B&iacute;blia quando n&atilde;o se tem qualquer desejo de abra&ccedil;ar o que ela ensina? Em outras palavras, ler o texto b&iacute;blico pode, por vezes, mudar as vis&otilde;es e atitudes dos leitores, os quais acabam sendo supreendidos pelo que ali est&aacute; escrito.</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong><em>Aaron B. Franzen</em></strong> <em>&eacute; graduando do Departmento de Sociologia da Universidade Baylor, nos EUA</em></p>
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	&nbsp;</p>   ]]></description><pubDate> Fri, 13 Jan 2012 14:34:24 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Fri, 13 Jan 2012 14:34:24 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/--f9KbL4_S8/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=839</feedburner:origLink></item><item><title>Decisões para um novo ano</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/16833_Mulher.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Este ano eu prometo... eu realmente quero...Oh, meu Deus, talvez eu n&atilde;o deva fazer qualquer decis&atilde;o de ano novo, afinal eu nunca as cumpro, de qualquer forma. &Eacute; simplesmente muito dif&iacute;cil!</p>
<p>
	Voc&ecirc; j&aacute; se sentiu assim? Eu j&aacute;, muitas vezes. Mas eu tamb&eacute;m aprendi que o ano novo &eacute; uma boa &eacute;poca para reavaliar a influ&ecirc;ncia que minhas a&ccedil;&otilde;es e atitudes t&ecirc;m sobre o desenvolvimento do car&aacute;ter dos meus filhos. Eis aqui cinco decis&otilde;es que eu sei que preciso manter neste ano:</p>
<p>
	<strong>1. Alcan&ccedil;ar algu&eacute;m que n&atilde;o conhe&ccedil;a Cristo &ndash; </strong>Talvez, assim como eu, voc&ecirc; seja tentado a gastar todo o seu tempo com amigos crist&atilde;os &ndash; pessoas como voc&ecirc;. Afinal, se voc&ecirc; quer que seus filhos cres&ccedil;am na f&eacute;, voc&ecirc; precisa coloc&aacute;-los em contato com pessoas de f&eacute;! Mas, ao mesmo tempo, Deus nos ordena a sermos sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-16); o que n&atilde;o acontecer&aacute; se passarmos todo o nosso tempo com outros crentes.</p>
<p>
	Nossos filhos estar&atilde;o dispostos a alcan&ccedil;ar n&atilde;o-crentes quando crescerem? Aposto que sim, se eles virem isto em voc&ecirc;, como um modelo para suas vidas.</p>
<p>
	Por exemplo, minha amiga Sandy criou um grande interesse por uma vizinha chamada Carol. Sandy convidou Carol para almo&ccedil;ar e levou-a em uma feira de artesanatos.</p>
<p>
	Embora Carol e seu marido n&atilde;o tivessem filhos, Sandy a incluiu em atividades que ela faria com seus filhos. Carol e seu marido n&atilde;o eram crentes e n&atilde;o iam &agrave; igreja, mas, por curiosidade, eles logo come&ccedil;aram a freq&uuml;entar junto com seus novos amigos. Depois de um tempo, Carol e seu marido tornaram-se crentes. Tudo come&ccedil;ou porque Sandy teve a inten&ccedil;&atilde;o de desenvolver uma amizade genu&iacute;na com n&atilde;o crentes, e seus filhos viram o resultado.</p>
<p>
	Este ano resolva ser amigo de algu&eacute;m que n&atilde;o &eacute; crente. Pode ser uma colega de trabalho, uma vizinha, uma professora de seus filhos ou mesmo a sua cabeleireira.</p>
<p>
	Embora pare&ccedil;a assustador, quando voc&ecirc; assumir o risco, ver&aacute; Deus trabalhando atrav&eacute;s de voc&ecirc; de uma forma emocionante!</p>
<p>
	<strong>2. Tornar-me uma pessoa grata &ndash; </strong>Eu costumava acordar de manh&atilde; pensando em todas as coisas que eu tinha que fazer e em todas as pessoas que precisavam de mim. Ficava deprimida antes mesmo de sair da cama! Eu percebi que precisava ajustar minhas atitudes. Ent&atilde;o comecei a meditar sobre um dos tra&ccedil;os do car&aacute;ter de Deus na hora de acordar. Enquanto eu estava deitada tranq&uuml;ilamente em minha cama, pensando como Deus &eacute; incr&iacute;vel, a minha perspectiva sobre o meu dia mudava drasticamente!</p>
<p>
	Ningu&eacute;m gosta de estar cercado por crian&ccedil;as choronas. Mas quando elas s&atilde;o gratas, &eacute; delicioso. Da mesma maneira, quando agradecemos a Deus, isto emociona o Seu cora&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>
	Minha amiga Elaine diz: &ldquo;A pr&aacute;tica da gratid&atilde;o &eacute; a disciplina que nos ensina a experimentar o amor de Deus&rdquo;. Lembre-se de que seus filhos captam as suas atitudes. Se voc&ecirc; se queixa, eles estar&atilde;o mais propensos a se queixarem. Se voc&ecirc; sempre v&ecirc; as coisas pelo lado negativo, seus filhos v&atilde;o se concentrar no que estiver faltando. A sua disposi&ccedil;&atilde;o permeia a atmosfera da sua casa. Voc&ecirc; quer criar filhos positivos? Ent&atilde;o resolva tornar-se uma mulher grata. Voc&ecirc; causar&aacute; um impacto positivo sobre as gera&ccedil;&otilde;es vindouras.</p>
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	<strong>3. Passar mais tempo de qualidade com meu marido &ndash; </strong>Meu marido, John, e eu t&iacute;nhamos um maravilhoso p&eacute; de framboesa. Nos primeiros anos eu cuidava dele e ele produzia bastante. Ent&atilde;o eu comecei a ficar ocupada com muitos compromissos e, quando me dei conta, as ervas daninhas haviam crescido, e o meu p&eacute; de framboesa morreu.</p>
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	Um casamento pode se tornar como o meu p&eacute; de framboesa. Nos tornamos ocupadas com crian&ccedil;as, carreira, igreja, pais idosos e trabalhos volunt&aacute;rios. N&oacute;s pensamos que vamos passar mais tempo com nossos maridos quando a vida se acalmar. O problema &eacute; que a vida nunca se acalma.</p>
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	N&atilde;o permita que as ervas daninhas das &ldquo;outras coisas importantes&rdquo;, mesmo que sejam os seus filhos, sufoquem o seu casamento. Resolva nutri-lo. Este ano, pergunte o que voc&ecirc; pode fazer para ajudar a seu marido e voc&ecirc; a crescerem juntos. Pode ser marcando um encontro semanal &ndash; uma noite, um caf&eacute; da manh&atilde; ou uma tarde.</p>
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	Tenha em mente que o senso de seguran&ccedil;a de seus filhos &eacute; constru&iacute;do sobre a certeza de que voc&ecirc; os ama, mas &eacute; ainda mais forte quando eles sabem que voc&ecirc; ama o pai deles. Voc&ecirc; est&aacute; criando futuros maridos e esposas que precisam saber que um casamento feliz toma tempo. Se eles os virem nutrindo o de voc&ecirc;s, eles aprender&atilde;o uma tremenda li&ccedil;&atilde;o.</p>
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	<strong>4. Dizer &ldquo;n&atilde;o&rdquo; para algumas coisas! &ndash; </strong>Ok, todos n&oacute;s sabemos que existem muitas demandas, muitas escolhas e pouco tempo. Mas parte do amadurecimento significa aprender a adiar algo que voc&ecirc; realmente gostaria de fazer agora para uma outra &eacute;poca da vida, para se concentrar em algo ainda mais importante. Talvez seja aquela oportunidade na carreira, ent&atilde;o voc&ecirc; ter&aacute; mais tempo com seus filhos, ou aquele passeio com seus amigos, ent&atilde;o voc&ecirc; estar&aacute; por perto quando seus adolescentes receberem seus amigos em casa.</p>
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	Talvez voc&ecirc; precise dizer &ldquo;n&atilde;o&rdquo; para que seus filhos entrem em mais um time e, ent&atilde;o, sua fam&iacute;lia poder&aacute; ter um jantar especial.</p>
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	Pergunte a si mesma: em dez anos o que ter&aacute; sido mais importante: voc&ecirc; ter trocado a companhia de seu filho por outra atividade ou ter dito &ldquo;n&atilde;o&rdquo; e ter jantado com sua fam&iacute;lia? Ter participado de outro compromisso ou ter dito &ldquo;n&atilde;o&rdquo; e ent&atilde;o ter passado mais tempo com seu marido?</p>
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	<strong>5. Seguir a Cristo com mais vigor &ndash; </strong>Voc&ecirc;, &agrave;s vezes, sente que seu relacionamento com Cristo anda frio? Eu, certamente, sinto. Mas quando isto acontece comigo, eu fa&ccedil;o a ora&ccedil;&atilde;o do rei Davi: &ldquo;Devolve-me a alegria da tua salva&ccedil;&atilde;o e sustenta-me com um esp&iacute;rito pronto a obedecer&rdquo;. (Salmos 51:12)</p>
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	Enquanto este novo ano come&ccedil;a, resolva resgatar aquela alegria. Varie as coisas que voc&ecirc; normalmente faz durante o seu tempo a s&oacute;s com Deus. Determine um t&oacute;pico novo para leitura da B&iacute;blia. Comece um novo blog!</p>
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	Se voc&ecirc; fizer algumas mudan&ccedil;as e ainda se sentir fraco, pe&ccedil;a a Deus que lhe mostre o motivo. Existe algum pecado em sua vida que voc&ecirc; est&aacute; ignorando? Um relacionamento errado, autopiedade, ci&uacute;me? O autor de Hebreus nos encoraja dizendo &ldquo;livremo-nos de tudo que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseveran&ccedil;a a corrida que nos &eacute; proposta. Tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa f&eacute;&rdquo;. Esta &eacute; uma decis&atilde;o que voc&ecirc; n&atilde;o pode se permitir recuar!</p>
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	<strong><em>Susan Alexander Yates</em></strong><em> &eacute; autora de diversos livros, incluindo </em>How to Like the Ones You Love: Building Family Friendships for Life<em> (Baker Books).</em></p>
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	Copyright &copy; 2012 por Christianity Today International</p>
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	(Traduzido por Ana Maria Rocha Neves)</p>   ]]></description><pubDate> Tue, 10 Jan 2012 19:02:47 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Tue, 10 Jan 2012 19:02:47 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/Gn09mFHU9l4/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=838</feedburner:origLink></item><item><title>Cuidado com os ladrões do tempo neste novo ano</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/8125_EspecialCruz.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Era um daqueles momentos cruciais: um momento de ilumina&ccedil;&atilde;o. Eu tinha dezoito anos e queria entreter meu irm&atilde;o de cinco anos. Por isso, eu me ofereci para lev&aacute;-lo para um passeio em um parque de divers&otilde;es. Com vinte e um d&oacute;lares na carteira, eu era o t&iacute;pico irm&atilde;o mais velho.</p>
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	Ao atravessarmos pelo port&atilde;o de entrada, passamos pela fazendinha, pelos celeiros, pelas barracas de pipoca e cachorro-quente, lojas de doces e roupas. N&oacute;s t&iacute;nhamos uma coisa em nossa mente: as voltas da roda gigante. Os giros da roda gigante haviam marcado nosso destino &agrave;quele lugar.</p>
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	Infelizmente, n&oacute;s n&atilde;o fomos at&eacute; ela. Uma distra&ccedil;&atilde;o nos tirou do nosso caminho.</p>
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	Ap&oacute;s passar pela &aacute;rea de jogos, escutei algu&eacute;m me chamar. Pelo menos eu acho que escutei. Dei uma olhada ao meu redor para ver se identificava aquele que me chamava, e um homem acenou para mim de dentro de uma cabine.</p>
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	Isso &eacute; suficiente para eu dizer que em cinco minutos ele j&aacute; tinha ganhado boa parte do meu dinheiro, e ainda faltavam cinco pontos para eu ganhar um panda de pel&uacute;cia.</p>
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	Foi quando eu me dei conta do que havia acontecido. Eu estava chateado com o vendedor na cabine. Contudo, estava ainda mais chateado comigo mesmo. Eu perdi 17 d&oacute;lares e muitas voltas na roda gigante com meu irm&atilde;o. Todavia, aprendi uma li&ccedil;&atilde;o: distra&ccedil;&otilde;es podem te levar a perder o foco de seus planos.</p>
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	A B&iacute;blia nos orienta a vivermos com prud&ecirc;ncia, aproveitando as oportunidades e procurando fazer a vontade de Deus: &ldquo;Portanto, vede prudentemente como andais, n&atilde;o como n&eacute;scios, e sim como s&aacute;bios, remindo o tempo, porque os dias s&atilde;o maus. Por esta raz&atilde;o, n&atilde;o vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor&rdquo; (Ef 5.:15-17).</p>
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	Tr&ecirc;s princ&iacute;pios fundamentais emergem destes versos:</p>
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	<strong>1. Conhe&ccedil;a seu destino</strong> &ndash; Descubra a vontade de Deus e seus prop&oacute;sitos, e voc&ecirc; usar&aacute; seu tempo de forma mais efetiva. Se Deus nos quer em Dallas, &eacute; uma perda de tempo estarmos no Grand Canyon ou na face rochosa do monte Ruchmore.</p>
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	Constantemente gastamos meses ou at&eacute; mesmo anos dirigindo-nos a um lugar quando, na verdade, Deus est&aacute; claramente nos orientando para outra dire&ccedil;&atilde;o. Discorrer sobre o conhecimento da vontade de Deus &eacute; mais f&aacute;cil do que, de fato, conhecer sua vontade. Isto, porque o conhecimento de sua vontade exige discernimento. Exige ora&ccedil;&atilde;o. Exige os <em>insights</em> de um espiritual e inteligente amigo que nos conhece o suficiente e que reconhece o trabalho de Deus em n&oacute;s.</p>
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	Agora, diante do come&ccedil;o de um novo ano, separe um tempo para considerar seus destinos e os destinos de seu minist&eacute;rio. Quais suas impress&otilde;es acerca da dire&ccedil;&atilde;o de Deus para seu minist&eacute;rio? &Eacute; esta a dire&ccedil;&atilde;o que voc&ecirc; tem em mente e pretende seguir? Voc&ecirc; est&aacute; animado com ela? Ela est&aacute; suficientemente clara em sua mente?</p>
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	Esta &eacute; a hora de corrigir seu caminho parcialmente ou de mud&aacute;-lo por completo.</p>
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	<strong>2. Aproveite ao m&aacute;ximo cada oportunidade</strong> &ndash; Bear Bryant, famoso t&eacute;cnico de futebol americano do Alabama falou sobre seus primeiros momentos como treinador do Kentucky. Seu time deixou a bola cair em frente do banco e, no meio da confus&atilde;o, algu&eacute;m deu um chute em uma caixa na qual havia outras oito bolas. Como resultado daquele alvoro&ccedil;o, o time do Tennessee estava com a posse de cinco bolas e o do Kentucky com quatro. Os ju&iacute;zes, por isso, deram a posse de bola para o time do Tennessee. Moral da hist&oacute;ria: quando a bola vier em sua dire&ccedil;&atilde;o, agarre-a. Aproveite as oportunidades quando elas aparecerem.</p>
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	&nbsp;</p>
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	N&oacute;s podemos criar oportunidades quando necess&aacute;rio, mas &agrave;s vezes, quando as criamos, acabamos nos distanciando do que Deus deseja de n&oacute;s. Se, ao inv&eacute;s disso, estabelecermos como objetivo abra&ccedil;ar as oportunidades que nos aparecem, pouparemos tempo e estaremos mais propensos a fazer a vontade de Deus.</p>
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	&nbsp;</p>
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	Existem oportunidades que voc&ecirc; ou seu minist&eacute;rio falharam ao deixarem de abra&ccedil;&aacute;-la? Quais oportunidades est&atilde;o diante de voc&ecirc; agora, que voc&ecirc; ainda n&atilde;o conseguiu enxergar como uma chance de Deus para sua vida?</p>
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	<strong>3. Tome cuidado com a forma pela qual voc&ecirc; vive</strong> &ndash; Por prud&ecirc;ncia, agora eu n&atilde;o mais me distraio com locutores e vendedores em cabines nos parques de divers&atilde;o. Contudo, necessidades urgentes ainda tentam me distrair de meus principais prop&oacute;sitos e planos. Muitos pregadores reclamam que pessoas com seus problemas acabam roubando seu tempo de preparo de um serm&atilde;o e que quest&otilde;es organizacionais os distraem no exerc&iacute;cio de seu minist&eacute;rio.</p>
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	&nbsp;</p>
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	Quando organizarmos nosso tempo de forma eficaz, n&oacute;s trabalharemos sem permitir que as urg&ecirc;ncias tomem tempo das prioridades. Isso exige de n&oacute;s capacidade de identificarmos o que &eacute; priorit&aacute;rio em nossas vidas e for&ccedil;a de vontade para dizermos &ldquo;n&atilde;o&rdquo; &agrave;quilo que nos interrompe e que sabemos n&atilde;o fazer parte dos prop&oacute;sitos divinos.</p>
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	&nbsp;</p>
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	Invista alguns minutos para identificar as tarefas priorit&aacute;rias em seu minist&eacute;rio. O que voc&ecirc; est&aacute; fazendo para proteg&ecirc;-las e para guardar o tempo que voc&ecirc; precisa para cumprir seu chamado? Quem voc&ecirc; pode chamar para ajudar-lhe a manter-se focado no que &eacute; central?</p>
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	&nbsp;</p>
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	N&oacute;s temos 525.600 minutos neste ano. Com muita ora&ccedil;&atilde;o, n&oacute;s podemos come&ccedil;ar a remir o tempo, antes que percamos um &uacute;nico e precioso minuto.</p>
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	<strong><em>Richard Doebler</em></strong><em> &eacute; pastor em Cloquet, Minnesota.</em></p>
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	<em>Copyright &copy; 2012 por Christianity Today International</em></p>
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	<em>(</em><em>Traduzido por Daniel Leite Guanaes)</em></p>   ]]></description><pubDate> Tue, 10 Jan 2012 18:38:37 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Tue, 10 Jan 2012 18:38:37 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/AGjsUvFBEuw/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=837</feedburner:origLink></item><item><title>Masculino e feminino</title><description> <![CDATA[  <br /> <img src='http://cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/24323_Entrevista Isabelle.jpg' width = '100'/> <br /><p>
	Tudo bem que a inspira&ccedil;&atilde;o e as motiva&ccedil;&otilde;es do cantor Pepeu Gomes, ao compor a m&uacute;sica <em>Masculino e feminino</em>, podiam ser as mais diversas poss&iacute;veis. Mas ele acertou na mosca com versos como &ldquo;Ser um homem feminino/N&atilde;o fere o meu lado masculino&rdquo; &ndash; ao menos, na opini&atilde;o da psic&oacute;loga cl&iacute;nica Isabelle Ludovico. Francesa, radicada no Brasil desde a juventude, crist&atilde; e casada com o pastor Osmar Ludovico, ela tem uma teoria muito clara sobre a quest&atilde;o. &ldquo;O princ&iacute;pio feminino &eacute; o princ&iacute;pio da vida, do afeto, que &eacute; importante tanto para a mulher como para o homem&rdquo;, defende. &ldquo;O homem precisa se dar o direito de ser sens&iacute;vel&rdquo;. E ela n&atilde;o diz isso para levantar bandeiras feministas e, muito menos, antimachistas. No seu entender, embora Deus tenha criado homem e mulher com pap&eacute;is sexuais e sociais definidos, a ternura n&atilde;o deve ser perdida jamais. &ldquo;Fomos criados para amar. S&oacute; que, ao longo da hist&oacute;ria, sempre se proibiu o homem de desenvolver esse princ&iacute;pio feminino, gerando assim o modelo do mach&atilde;o bruto, amputado de sua afetividade &ndash; um ser incapaz de acolher seus medos e vulnerabilidades.&rdquo;</p>
<p>
	Dona de uma forma&ccedil;&atilde;o multidisciplinar, que envolve gradua&ccedil;&atilde;o em economia e especializa&ccedil;&atilde;o em terapia familiar sist&ecirc;mica, Isabelle conversou com CRISTIANISMO HOJE sobre quest&otilde;es comportamentais e seus desdobramentos sobre a fam&iacute;lia, a sociedade e a Igreja. Acerca desta, ali&aacute;s &ndash; que conhece muito bem, j&aacute; que tem uma longa trajet&oacute;ria evang&eacute;lica como palestrante, escritora, conselheira e uma das l&iacute;deres da Comunidade de Jesus, em S&atilde;o Paulo &ndash;, entende que ter&aacute; muito a ganhar com uma participa&ccedil;&atilde;o feminina efetiva: &ldquo;A contribui&ccedil;&atilde;o das mulheres na lideran&ccedil;a &eacute; leg&iacute;tima, j&aacute; que o Esp&iacute;rito distribui os dons conforme lhe apraz e n&atilde;o conforme o sexo&rdquo;. Confira a entrevista:</p>
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	&nbsp;</p>
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	<strong>CRISTIANISMO HOJE &ndash;</strong> <strong>Em seus trabalhos, a senhora menciona bastante o que chama de princ&iacute;pio feminino. Pode defini-lo?</strong></p>
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	ISABELLE LUDOVICO &ndash; O princ&iacute;pio feminino &eacute; o princ&iacute;pio da vida, do afeto, que &eacute; importante tano para a mulher como para o homem. A mulher masculinizada de hoje precisa resgatar sua sensibilidade; mas o homem necessita se dar o direito de ser sens&iacute;vel. Acontece que, na nossa cultura, o homem mais sens&iacute;vel &eacute; logo taxado de efeminado. No entanto, homem e mulher s&atilde;o chamados a equilibrar emo&ccedil;&atilde;o e raz&atilde;o, desenvolvendo a famosa intelig&ecirc;ncia emocional. O princ&iacute;pio feminino faz desabrochar a mulher e propicia uma nova masculinidade. Ele precisa ser resgatado tanto pelos homens quanto pelas mulheres, a fim de tornar o ser humano mais inteiro, mais terno. Deus criou o homem e a mulher iguais em ess&ecirc;ncia, valor e dignidade, mas diferentes na sua sexualidade. Segundo as Escrituras, eles estavam nus, mas n&atilde;o se envergonhavam disso porque havia respeito entre eles e Deus. Repare que o Senhor incumbiu a ambos &ndash; homem e mulher &ndash; de, juntos, governarem a terra. Mas, movidos pela &acirc;nsia de poder, pelo desejo de ser, na express&atilde;o b&iacute;blica, &ldquo;como Deus&rdquo;, eles quebraram a comunh&atilde;o com o Criador. Assim, escolheram o poder, em vez do amor.</p>
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	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Essa ruptura est&aacute; na origem dos conflitos entre os g&ecirc;neros? </strong></p>
<p>
	Sim, porque, com a queda, logo, come&ccedil;aram as acusa&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas e cada g&ecirc;nero criou seus mecanismos de defesa para se proteger do outro. O homem deu &agrave; mulher o nome de Eva &ndash; m&atilde;e de todos &ndash;, e tratou de&nbsp;governar sozinho. Dali em diante, as rela&ccedil;&otilde;es humanas foram se esfarelando. A gan&acirc;ncia nos levou &agrave; beira da destrui&ccedil;&atilde;o pelo esgotamento dos recursos naturais, pela polui&ccedil;&atilde;o, pelo aumento da disparidade entre ricos e pobres, pela explora&ccedil;&atilde;o do homem pelo homem, pela viol&ecirc;ncia. Se n&atilde;o houver um resgate do princ&iacute;pio feminino que nos leve &agrave; solidariedade, &agrave; justi&ccedil;a social, ao desenvolvimento sustent&aacute;vel, &agrave; simplicidade e &agrave; equidade, estaremos&nbsp;determinando o nosso fim.&nbsp;&nbsp;</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Esse principio feminino &eacute; fundamental, tamb&eacute;m, para os homens?</strong></p>
<p>
	Todo ser humano tem dentro de si o princ&iacute;pio feminino e o princ&iacute;pio masculino &ndash; <em>eros</em> e <em>logos</em>, <em>yin</em> e <em>yang</em>, como quisermos denominar essas duas for&ccedil;as. Como diz a fil&oacute;sofa francesa Paule Salomon, &ldquo;nascemos num corpo sexuado, mas temos que descobrir que nosso psiquismo &eacute; bissexuado. E, quanto mais aceitamos esta bissexualidade, mais evolu&iacute;mos&rdquo;. &nbsp;O que se espera &eacute; que o princ&iacute;pio dominante esteja em harmonia com a identidade biol&oacute;gica do indiv&iacute;duo; mas a sociedade, ao longo da hist&oacute;ria, sempre proibiu aos homens desenvolver esse princ&iacute;pio feminino, gerando assim o modelo do mach&atilde;o bruto, amputado de sua afetividade &ndash; um ser incapaz de acolher seus medos e vulnerabilidades. Fomos criados para amar. Esta &eacute; a ess&ecirc;ncia do ser humano. Mas preferimos dar lugar &agrave; raz&atilde;o: o famoso dito &ldquo;Penso, logo existo&rdquo;, de Descartes, expressa bem isso. S&oacute; que a consequ&ecirc;ncia mais vis&iacute;vel desse mundo racional &eacute; sua situa&ccedil;&atilde;o hoje, &agrave; beira da destrui&ccedil;&atilde;o.</p>
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	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>E o tradicional papel b&iacute;blico da submiss&atilde;o feminina, como fica no meio de tudo isso?</strong></p>
<p>
	O conceito b&iacute;blico &eacute; de submiss&atilde;o m&uacute;tua. O homem e a mulher foram comissionados para, juntos, governarem a terra. A submiss&atilde;o imposta de forma unilateral &agrave;s mulheres &eacute;, tamb&eacute;m, fruto da queda do g&ecirc;nero humano. Os homens s&atilde;o exortados a amar suas esposas como Cristo amou a Igreja, dando sua vida por ela. N&atilde;o h&aacute; submiss&atilde;o maior do que esta! Em Cristo, podemos resgatar o projeto original da cria&ccedil;&atilde;o, pois somos restaurados na nossa unidade e parceria. O que mais me preocupa &eacute; a atitude de muitos homens hoje em dia: eles s&atilde;o omissos, irrespons&aacute;veis, acomodados, paralisados diante desta mulher poderosa e questionadora. As mulheres est&atilde;o crescendo e muitos homens encontram-se estagnados. Acontece que, numa cultura machista, o homem tem que ser forte e n&atilde;o pode expor a sua vulnerabilidade, principalmente na &aacute;rea sexual. E as igrejas refor&ccedil;am este preconceito quando tendem a ser uma galeria de santos, em vez de um hospital de pecadores, de pessoas machucadas e em processo de restaura&ccedil;&atilde;o. Como diz Brennan Manning, somos todos maltrapilhos, mas escondemos nossa condi&ccedil;&atilde;o atr&aacute;s de t&iacute;tulos e m&aacute;scaras. H&aacute; mais sinceridade numa reuni&atilde;o dos Alcoolicos An&ocirc;nimos do que na igreja. O que esses homens precisam lembrar &eacute; do conselho de Paulo, de que devemos nos gloriar nas nossas fraquezas, porque &eacute; nelas que experimentamos o poder de Deus. Quem nega suas falhas est&aacute; desprezando a cruz e se privando do poder de restaura&ccedil;&atilde;o que se encontra na confiss&atilde;o.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Em seu livro <em>O resgate do feminino </em>(Mundo Crist&atilde;o), a senhora fala que essa invers&atilde;o de pap&eacute;is enfraquece as rela&ccedil;&otilde;es familiares. Como isso pode ser percebido? </strong></p>
<p>
	&Eacute; sabido que as mulheres, hoje, est&atilde;o dando prioridade &agrave; sua carreira profissional. Com isso, o projeto de ter filhos &eacute; protelado &ndash; a menos que os filhos sejam entregues aos cuidados de terceiros. Assim, a disponibilidade de tempo e afetividade da m&atilde;e em rela&ccedil;&atilde;o aos seus filhos &eacute; m&iacute;nima. Por outro lado, a culpa pela aus&ecirc;ncia dificulta a coloca&ccedil;&atilde;o de limites saud&aacute;veis, o que acarreta o recurso &agrave;s compensa&ccedil;&otilde;es materiais.&nbsp; Nos dias de hoje, muitos pais est&atilde;o delegando &agrave; escola &ndash; ou &agrave; igreja, no caso dos crentes &ndash; a tarefa de educar seus filhos. Ent&atilde;o, eles acabam sendo &ldquo;educados&rdquo; pela TV ou passam muitas horas jogando videogame. O tempo de qualidade em fam&iacute;lia &eacute; raro, pois os pais chegam cansados em casa.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Mas isso &eacute; resultado de nosso tempo, n&atilde;o? </strong></p>
<p>
	Sim, porque com as conquistas nos campos pessoal e profissional, as mulheres acabaram assumindo m&uacute;ltiplas demandas, uma vez que, de modo geral, ainda&nbsp; n&atilde;o conseguiram dividir as responsabilidades em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; casa e &agrave;s crian&ccedil;as com o homem. Assim, elas ficam estressadas e sua rela&ccedil;&atilde;o amorosa &eacute; tensionada por tantas cobran&ccedil;as &ndash; e, muitas vezes, acabam sozinhas, pois o homem se ressente dessa din&acirc;mica e tende a se retrair e se fechar. &Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o muito preocupante.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Essa ruptura com os pap&eacute;is femininos tradicionais n&atilde;o era inevit&aacute;vel, sobretudo depois da revolu&ccedil;&atilde;o sexual dos anos 1960?</strong></p>
<p>
	Durante s&eacute;culos, a mulher foi limitada ao papel de m&atilde;e e dona de casa. Ent&atilde;o, para conquistar seu lugar num mundo constru&iacute;do pelos homens, ela quis provar sua capacidade competindo com eles. No entanto, isso a levou ao outro extremo: o de negligenciar seu lado feminino. Muitas mulheres est&atilde;o at&eacute; escolhendo n&atilde;o ter filhos em prol da carreira profissional, ou deixam a maternidade para mais tarde. Outras n&atilde;o querem nem saber de entrar numa cozinha. Creio que est&aacute; na hora de resgatar aquilo que era obriga&ccedil;&atilde;o e hoje pode ser assumido como escolha livre, o que faz toda a diferen&ccedil;a. Mas &eacute; injusto que a responsabilidade pela fam&iacute;lia seja dada exclusivamente &agrave;s mulheres. A m&atilde;e &eacute; essencial nos primeiros meses, enquanto amamenta, mas logo a figura paterna se torna muito importante. Os filhos precisam de modelo masculino e feminino. Uma rela&ccedil;&atilde;o prazerosa entre marido e mulher &eacute; que gera fam&iacute;lias estruturadas e filhos emocionalmente equilibrados.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>E onde entra a a&ccedil;&atilde;o divina nessa mudan&ccedil;a de comportamento? </strong></p>
<p>
	O resgate do principio feminino por homens e mulheres tem consequ&ecirc;ncias na qualidade da vida afetiva, inclusive com Deus. Ele desperta capacidades com a de escuta, entrega, paix&atilde;o, depend&ecirc;ncia, humildade, discernimento e compaix&atilde;o.&nbsp; O principio feminino no homem, que Jung chamou de <em>anima</em>, lhe abre o caminho do cora&ccedil;&atilde;o e facilita, inclusive, a sua rela&ccedil;&atilde;o com Deus. Portanto, reintroduzir a dimens&atilde;o afetiva &eacute; hoje uma quest&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia da esp&eacute;cie humana &ndash; s&oacute; assim poderemos cumprir nossa miss&atilde;o de abrir a via da interioridade e da intimidade, tornando-nos receptivos ao amor de Deus, que nos fecunda e nos transforma &agrave; sua imagem. Reconciliar o feminino e o masculino em n&oacute;s vai nos conduzir a uma unidade al&eacute;m da dicotomia: a de sermos um em Cristo.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Isso n&atilde;o leva a uma invers&atilde;o dos pap&eacute;is tradicionais do homem e da mulher?</strong></p>
<p>
	N&atilde;o, porque o conceito b&iacute;blico &eacute; de submiss&atilde;o m&uacute;tua. O homem e a mulher foram comissionados para, juntos, governarem a terra. A submiss&atilde;o imposta de forma unilateral &agrave;s mulheres &eacute; fruto da queda do g&ecirc;nero humano. Os homens s&atilde;o exortados a amar suas esposas como Cristo amou a Igreja, dando sua vida por ela. N&atilde;o h&aacute; submiss&atilde;o maior do que esta! Em Cristo, podemos resgatar o projeto original da cria&ccedil;&atilde;o, pois somos restaurados na nossa unidade e parceria.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Que efeitos positivos essa valoriza&ccedil;&atilde;o da &ecirc;nfase feminina pode ter para a Igreja?</strong></p>
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	Como expresso em meu livro, o resgate do principio feminino deveria levar a uma transforma&ccedil;&atilde;o na lideran&ccedil;a das igrejas. N&atilde;o se trata das mulheres ocuparem o lugar dos homens, mas de introduzir uma lideran&ccedil;a colegiada, composta por homens e mulheres: um corpo, com diferentes dons. A figura de um pastor &uacute;nico &agrave; frente da igreja n&atilde;o &eacute; o modelo do Novo Testamento. &Eacute; uma heran&ccedil;a do modelo sacerdotal judaico. A contribui&ccedil;&atilde;o das mulheres na lideran&ccedil;a da Igreja &eacute; leg&iacute;tima, j&aacute; que o Esp&iacute;rito distribui os dons conforme lhe apraz e n&atilde;o conforme o sexo. Mas esta participa&ccedil;&atilde;o precisa levar a uma transforma&ccedil;&atilde;o do modelo de lideran&ccedil;a &ndash; de um modelo hier&aacute;rquico com um l&iacute;der solit&aacute;rio &agrave; frente da igreja, para um modelo de corpo, com um colegiado de pastores e l&iacute;deres, homens e mulheres, numa igreja onde todos s&atilde;o chamados a contribuir conforme os dons que receberam. Um modelo de rede, mais participativo e descentralizado.</p>
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	<strong>De um ano para c&aacute;, desde a flexibiliza&ccedil;&atilde;o das leis que regem o contrato conjugal, o n&uacute;mero de div&oacute;rcios deu um salto no pa&iacute;s. Hoje, em muitos casos, pode-se anular um casamento com uma &uacute;nica ida ao cart&oacute;rio. O que levou a essa banaliza&ccedil;&atilde;o?</strong></p>
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	O casamento &eacute; visto por muita gente como uma sociedade que pode ser rompida quando alguma cl&aacute;usula n&atilde;o &eacute; cumprida. Todo casal tem conflitos, mas o v&iacute;nculo &eacute; o que a gente faz dele. Quando n&atilde;o se sabe lidar com as diferen&ccedil;as, nem se desenvolvem qualidades como a toler&acirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o, esse v&iacute;nculo vai se romper. No entanto, amar e ser amado &eacute; o anseio maior de todo ser humano &ndash; por isso, acho que a institui&ccedil;&atilde;o do casamento vai se manter, mesmo que a taxa de div&oacute;rcios seja grande.</p>
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	<strong>N&atilde;o h&aacute; estat&iacute;sticas espec&iacute;ficas, mas a observa&ccedil;&atilde;o geral nas igrejas &eacute; que os div&oacute;rcios entre crentes tamb&eacute;m t&ecirc;m sido mais frequentes. Por que isso acontece? </strong></p>
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	Para n&oacute;s, crist&atilde;os, o matrim&ocirc;nio &eacute; uma alian&ccedil;a, um v&iacute;nculo constru&iacute;do na Rocha, que &eacute; Jesus. A uni&atilde;o matrimonial, para o crente, &eacute; um compromisso pautado na alian&ccedil;a de Cristo com a Igreja. O maior motivo para os div&oacute;rcios &eacute; que as pessoas casam com expectativas irreais do tipo &ldquo;ser feliz para sempre&rdquo;. Os crentes tendem a fugir dos conflitos, a esconder as crises e mascarar os problemas, e assim v&atilde;o acumulando as decep&ccedil;&otilde;es at&eacute; n&atilde;o aguentar mais. Muitos relutam em buscar ajuda e tentam manter uma fachada de felicidade conjugal at&eacute; o fim, buscando solu&ccedil;&otilde;es m&aacute;gicas. H&aacute; pouca transpar&ecirc;ncia e as pessoas tendem a se mostrar mais &ldquo;perfeitas&rdquo; do que s&atilde;o. E as igrejas n&atilde;o abordam muito as quest&otilde;es sexuais, a pornografia, o abuso f&iacute;sico, emocional e sexual. Elas deveriam &eacute; incentivar a cria&ccedil;&atilde;o de mais espa&ccedil;os de sigilo e respeito, onde as pessoas pudessem externar sua fragilidade, suas dores e conflitos.</p>
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	<strong>Muita gente diz, genericamente, que a &ldquo;falta de convers&atilde;o&rdquo; est&aacute; na raiz de tantos conflitos. A senhora concorda? </strong></p>
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	A realidade mostrou que a &ldquo;convers&atilde;o&rdquo; n&atilde;o representava, automaticamente, uma mudan&ccedil;a de comportamento. Neste ponto, temos que rever nosso conceito de convers&atilde;o, que significa hoje, basicamente, responder a um apelo e adotar uma declara&ccedil;&atilde;o de f&eacute;. Mas a convers&atilde;o &eacute; apenas o primeiro passo de uma longa caminhada de santifica&ccedil;&atilde;o que dura a vida inteira. &Eacute; estarrecedor perceber que a taxa de div&oacute;rcio entre evang&eacute;licos &eacute; parecida com a taxa nacional. A incid&ecirc;ncia de abuso f&iacute;sico &eacute; a mesma tamb&eacute;m! A gente fere com o que est&aacute; ferido em n&oacute;s.</p>
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	<strong>No meio evang&eacute;lico, ainda se confundem bastante os pap&eacute;is do pastor, do conselheiro crist&atilde;o e do profissional de psicologia. H&aacute; at&eacute; pastores e dirigentes evang&eacute;licos que fazem cursos simples, na &aacute;rea de psicologia, para &quot;habilitar-se&quot; mais ao trabalho de aconselhamento. O que os psic&oacute;logos crist&atilde;os pensam a respeito?</strong></p>
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	De fato, a vida espiritual e emocional est&atilde;o interligadas e ainda h&aacute; uma tend&ecirc;ncia a extrapolar a &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o de cada um. N&atilde;o posso falar em nome dos psic&oacute;logos, apenas no meu. Acho bom que os pastores se informem sobre psicologia, para aprimorarem sua pr&aacute;tica pastoral. A primeira coisa que ir&atilde;o perceber &eacute; que aconselhar n&atilde;o significa dar conselhos, mas apenas ajudar a pessoa a enxergar melhor as op&ccedil;&otilde;es &agrave; sua frente. Participo da Comunidade de Jesus em S&atilde;o Paulo, onde n&atilde;o h&aacute; pastor remunerado pela igreja e um dos presb&iacute;teros &eacute; psicanalista. L&aacute;, ele exerce o seu dom na &aacute;rea de ensino e dire&ccedil;&atilde;o espiritual, numa rela&ccedil;&atilde;o de reciprocidade e edifica&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua dentro do Corpo de Cristo.</p>
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	<strong>A quest&atilde;o da homossexualidade envolve as mais variadas pol&ecirc;micas. Uma delas, e talvez das principais, &eacute; quanto &agrave; sua origem &ndash; &eacute; comum, no meio evang&eacute;lico, a tese de que ela pode ser revertida para a heterossexualidade, considerada o padr&atilde;o de Deus para o ser humano. No entanto, grupos de defesa dos direitos dos homossexuais e uma grande parcela dos seus colegas psic&oacute;logos dizem que isso &eacute; imposs&iacute;vel. Para eles, a mudan&ccedil;a &eacute; apenas comportamento sugestionado ou uma tentativa que, ao fracassar, acarreta sofrimento psicol&oacute;gico. O que a senhora diz?</strong></p>
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	Assim, a pr&oacute;pria natureza denuncia a inviabilidade desse tipo de rela&ccedil;&atilde;o. Um casal homossexual n&atilde;o pode se reproduzir. A B&iacute;blia tamb&eacute;m &eacute; clara a respeito do assunto. Tenho acompanhado pessoas que sofriam por terem sido iniciadas sexualmente e de forma abusiva por pessoas do mesmo sexo, o que as colocava em conflito com sua identidade f&iacute;sica e com seus valores espirituais. Ao tratar do abuso, essas pessoas puderam se reconciliar consigo mesmas e iniciar uma rela&ccedil;&atilde;o heterossexual prazerosa e duradoura. A sexualidade humana &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica e psicosocial. Eu conhe&ccedil;o pessoas que se consideravam homossexuais e se tornaram heterossexuais. Mas eu nunca fui procurada por um homossexual que quisesse permanecer nesta condi&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o estaria qualificada para esta demanda.</p>
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	&nbsp;</p>   ]]></description><pubDate> Tue, 10 Jan 2012 17:38:56 +0000  </pubDate><lastBuildDate> Tue, 10 Jan 2012 17:38:56 +0000 </lastBuildDate><link>http://feedproxy.google.com/~r/com/cristianismohoje/~3/80g0g1iCNzg/materia.php</link><feedburner:origLink>http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=836</feedburner:origLink></item></channel></rss>

