<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044</id><updated>2026-05-06T05:28:39.266-03:00</updated><title type='text'>Ruim da Cabeça</title><subtitle type='html'>sobre tentar estar bem mesmo quando a cabeça não ajuda</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default?alt=atom'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default?alt=atom&amp;start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>503</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-8543256644354858636</id><published>2026-04-05T23:33:00.010-03:00</published><updated>2026-04-05T23:33:37.337-03:00</updated><title type='text'>Simpatia</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se você pudesse ver meu rosto agora, ia ver um sorriso. As sobrancelhas levemente levantadas, o rosto um pouquinho inclinado, a cabeça balançando.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso sou eu sendo simpático.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Deu pra reparar?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É triste, mas eu precisei aprender a ser simpático. No interior do Paraná, onde eu nasci, sorrir é sinal de fraqueza e simpatia é quando você não joga água fervendo na pessoa que passa na frente da sua janela.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi só na faculdade que eu descobri que as pessoas podem ser legais. Um dia decidi ser assim também e fui, gesto por gesto, emulando o comportamento de uma pessoa simpática.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Funcionou! Fiz amigos ali que ficaram pelo resto da vida. Infelizmente eu me acomodei e, depois dali, se eu fiz três amigos foi muito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os amigos vão envelhecendo, casando, tendo filhos e os fins de semana que eram sempre lotados de coisa pra fazer, em que eu tinha que recusar convites por falta de tempo, começaram a ficar murchinhos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como eu sou murchinho também, não liguei muito. Amo passar tempo sozinho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas seguindo a lógica de que eu gostaria de evitar teias de aranha nos meus genitais e que pra fazer saliência você precisa sair de casa, e que pra sair de casa é legal ter companhia, decidi fazer novos amigos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E, para fazer novos amigos, é necessário ser simpático.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tem sido uma empreitada, viu?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu admiro quem tem carisma natural, mas esqueço que até esse carisma tem uma dose de esforço.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro dia, passei na frente de um café e um conhecido estava do lado de dentro. Ele me viu e acenou. Distraído, eu não reparei que era pra mim. Ele insistiu e acenou mais forte, insistindo no &quot;oi&quot; até que eu reparasse e respondesse.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um fofo. Eu fiquei TÃO feliz que ele não desistiu de me dar oi! Ele, que não tinha obrigação nenhuma de ser legal comigo. Eu, que mudo de corredor no supermercado pra não cumprimentar um conhecido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ontem era eu, sentado num café, quando vi passar&amp;nbsp; um casal de amigos. Decidi ser gentil e fui eu que acenei, balançando a mão forte como quem limpa o para-brisa de uma Kombi.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eles me viram, entraram no café e me deram um abraço. Gente querida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu fiquei o resto do dia constrangido achando que atrapalhei a caminhada deles? Sim. Mas eles me deram o presente das suas simpatias.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E no fim das contas o mecanismo é esse: o antipático não é assim porque odeia o próximo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele - no caso eu - só não acredita que sua presença seja agradável o suficiente para impô-la sobre outra pessoa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que é ridículo! Eu nunca fiquei chateado porque alguém veio me dar oi. Nunca me incomodei porque alguém parou pra me dar um braço. Normalmente esses encontros são uma felicidade imensa. Por que é tão difícil acreditar que vai ser assim pro outro também?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas agora isso mudou. Estou fingindo ter boa autoestima e meu novo mantra é &quot;minha presença é um presente&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se eu vejo um conhecido em algum lugar, faço questão de ir dar oi. Se a pessoa me cumprimenta, eu puxo um assuntinho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se um semiconhecido me olha na dúvida de cumprimentar ou não, eu meto logo um &quot;Opa! Como você tá?&quot; tão sorridente que é capaz de deixar a pessoa zonza.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E não me dê muito assunto, senão eu vou te levar pra tomar uma cerveja.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro dia decidi que iria ser mais simpático na academia. Não sei o que eu fiz, mas só de tomar essa decisão teve gente que nunca me deu oi me cumprimentando, dando tchauzinho do outro lado da academia. Foi esquisitíssimo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Imagina a minha cara de cu nos outros dias?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu nunca planejei construir uma barreira ao meu redor, mas ali estava ela. E ainda está, mas estou trabalhando nisso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por isso o sorrisinho na minha cara, as sobrancelhas elevadas e a cabeça balançando. Isso sou eu sendo simpático.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez as pessoas só estejam sendo legais comigo porque acham que eu tenho probleminha.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/8543256644354858636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2026/04/simpatia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/8543256644354858636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/8543256644354858636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2026/04/simpatia.html' title='Simpatia'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-4878267193788206615</id><published>2026-03-16T22:44:00.001-03:00</published><updated>2026-03-16T22:44:10.089-03:00</updated><title type='text'>Nascer do Sol em Divinópolis</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Lindinha era a cara da ansiedade desde pequena. Quieta demais, afobada pra tudo, desengonçada como uma bicicleta com os pneus murchos. Trabalhava desde pequena e nunca lhe faltou trabalho -- não porque fosse muito boa, mas porque evitar limpar a própria casa é a prioridade de qualquer um que começa a ganhar um pouquinho de dinheiro. Desengonçada, ansiosa e calada, Lindinha limpava a casa alheia e empurrava a vida como podia.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Obstruída da satisfação, como todo humano, começou a achar pouco.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Há de existir algo maior&quot;, sofreu Lindinha, e após meses de questionamento interior e sofrimento, ela encontrou a arte.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Nenhum artista se encontra de primeira, mas Lindinha pegou fácil a capacidade de conduzir o pincel sobre o stêncil pré-fabricado, de contornar os detalhes com tinta preta, de escolher a frase certa para arrematar o espetáculo. Era um dom.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Sua produção era uma série de gatinhos de chapéu brincando com novelos de lã, seguidos pela frase &quot;Nada como um dia após o outro&quot;; galinhas de olhos esbugalhados chocando seus ovos e fazendo tricô, acompanhadas por &quot;Quando Deus fecha uma porta, Ele abre uma janela...&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Não havia na vizinhança quem pintasse panos de prato como os de Lindinha.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;As clientes sempre compravam algum, e nem era só pra ajudar. Eram poucas as que tinham coragem de usar o pano pra secar louça mesmo - era tudo pano bonito, de deixar estendido sobre o vidro do fogão limpinho depois da faxina.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Lindinha fez algo maior que ela mesma.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Lindinha transcendeu.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Agora, vejam como a vida do artista é surpreendente. Num dia em que as musas estavam especialmente sacanas, enquanto tentava se equilibrar entre responder uma cliente no WhatsApp e começar a pintar os panos daquele dia, Lindinha se atrapalhou.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Desengonçada como sempre, derrubou um tanto da tinta amarela sobre o pano de prato virgem. Se tem uma coisa que um pano de prato tem que ser, é branco, e aquele estava arruinado.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Lindinha não se abalou.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Tomada por um instinto criativo que nunca sentira antes, espalhou o tanto de tinta até os extremos do pano. Molhou o pincel num tanto de vermelho e lambrecou os cantos. Com o pincel fino e a tinta preta, fez várias casinhas em perspectiva, da metade do pano pra baixo. Depois, adicionou pouco a pouco tons de azul como se ela mesma fosse a aurora colorindo um novo dia.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Acordou como de um transe e olhou sua obra pronta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Como Jeová no sexto dia da criação, viu que era bom.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Lindinha fez um pano como nenhum outro tinha sido pintado antes. Traduziu cada sentimento que já teve e não soube dizer em toques precisos de pincel. Aquilo foi a coisa mais bonita que ela já fez na vida.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Isso precisa de um título&quot;, pensou. E pensou, pensou. Decidiu e sorriu:&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Nascer do Sol em Divinópolis!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ela nunca foi a Divinópolis, nem saberia dizer onde é.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Dane-se, é bonito.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Divinópolis é um estado de espírito. Tudo é um estado de espírito pra quem é bom de espírito.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Uma vizinha chegou logo depois e Lindinha deixou o pano à mostra, sem falar nada. O elogio que viesse espontâneo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A vizinha falou de um assunto, depois de outro, aí olhou pra pintura recém-feita e disse:&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;É nesse pano que você limpa o pincel?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Nem todos os olhos estão prontos pra arte de qualidade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Lindinha não se deixou chatear. Esperou o pano secar bem e levou pra faxina do dia seguinte. A patroa era uma mulher estudada, ia entender melhor.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Dona Ana, eu trouxe pano de prato pra vender hoje, se a senhora quiser ver...&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Tá bom, deixa na mesa que eu já dou uma olhada...&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Lindinha colocou uns cinco ou seis panos empilhados na mesa, o Nascer do Sol em Divinópolis por último, pra não parecer que estava pedindo elogio. Ficou ansiosa pra patroa ver.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Dona Ana olhou o primeiro pano, o segundo, o terceiro - que separou de ladinho pra comprar - e quando chegou no último só falou:&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Ah, você tem criança?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Como se aquilo fosse um monte de rabisco. As pessoas tem inveja, Lindinha.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Lindinha já não queria mais mostrar sua pintura pra ninguém. Deixou o pano guardado com as suas coisas de pintura por um bom tempo. A vontade de pintar ficou guardada também, porque pintar pra quê se ninguém entende nada?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Duas semanas se passaram até uma estranha bater na porta com algumas perguntas pra fazer. &quot;Quantas pessoas moram na casa? Quantas geladeiras tem aqui? A senhora tem alguma religião?&quot;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Era o censo, mas Lindinha ficou tão tocada com o interesse da pessoa nela que ofereceu um cafezinho. A moça do censo, cansada, aceitou.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Enquanto Lindinha passava o café, a moça reparou no pano que ela tinha jogado sobre o ombro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Que galinha fofa! Gostei do seu pano de prato!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Lindinha se derreteu. Artistas são vaidosos.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Obrigada! Eu que pinto!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Ah, é? E você vende?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Vendo! Deixa eu te mostrar.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Enquanto o café quente escorria pelo filtro, Lindinha entregou a pilha de panos pintados para a moça simpática.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;São lindos!&quot;, ela passava o olho um por um. &quot;Amei esse!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Era o Nascer do Sol. E o Sol pareceu nascer mesmo dentro de Lindinha:&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Você gostou?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Super diferente! Amei!&quot;, ela disse, enquanto Lindinha sentia-se ganhando um Oscar. &quot;Você vende?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Vender? Lindinha ficou chocada. Não, vender não tinha lhe passado pela cabeça. Um ultraje perpassou seu corpo inteiro, como se alguém tivesse lhe feito uma oferta para comprar seu filho recém saído do ventre.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Não, não! Esse não. Os outros sim. Esse não.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A moça do censo não deu muita bola, mas comentou:&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Que pena. É muito bonito.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Tomou um café rápido e foi embora.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Lindinha recuperou seu orgulho. Finalmente alguém entendeu sua obra.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ela pegou o pano, foi até a sala e o estendeu sobre uma porta da estante, pra ficar bem visível pra todo mundo que passar por lá. O Nascer do Sol é pra ser visto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Satisfeita, pegou seus pincéis e tinta e foi até a mesa da cozinha novamente.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Pintou um gato com a barriga pra cima e escreveu embaixo que &quot;O Senhor é meu pastor e nada me faltará&quot;.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Divinópolis é um estado de espírito.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnPMvG2dbtXGXz7JQ2lQKR7Xtt_KIr6xS2rSxC9fBZq7qYv6KcxCCSQ5RE-9HaTA51OvqMcFubSty84pzl2HiAuTed7YWzAs0fql6U5qa7gdpdu93a_NwX5le6OKVjHVR4TTCKxMSbw6cWuD2WeaLAx0FSNH_RuLr9gFZcyE9Tg0twVgu5D1n2dQ/s764/1000044575.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;764&quot; data-original-width=&quot;672&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnPMvG2dbtXGXz7JQ2lQKR7Xtt_KIr6xS2rSxC9fBZq7qYv6KcxCCSQ5RE-9HaTA51OvqMcFubSty84pzl2HiAuTed7YWzAs0fql6U5qa7gdpdu93a_NwX5le6OKVjHVR4TTCKxMSbw6cWuD2WeaLAx0FSNH_RuLr9gFZcyE9Tg0twVgu5D1n2dQ/s320/1000044575.jpg&quot; width=&quot;281&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/4878267193788206615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2026/03/nascer-do-sol-em-divinopolis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/4878267193788206615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/4878267193788206615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2026/03/nascer-do-sol-em-divinopolis.html' title='Nascer do Sol em Divinópolis'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnPMvG2dbtXGXz7JQ2lQKR7Xtt_KIr6xS2rSxC9fBZq7qYv6KcxCCSQ5RE-9HaTA51OvqMcFubSty84pzl2HiAuTed7YWzAs0fql6U5qa7gdpdu93a_NwX5le6OKVjHVR4TTCKxMSbw6cWuD2WeaLAx0FSNH_RuLr9gFZcyE9Tg0twVgu5D1n2dQ/s72-c/1000044575.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-3919036156585550879</id><published>2026-01-09T19:29:00.001-03:00</published><updated>2026-01-09T20:00:56.271-03:00</updated><title type='text'>Maratona da Bunda Limpa</title><content type='html'>&lt;p&gt;Ouço de muitas pessoas que o motivo pelo qual elas fazem atividades físicas é conseguir limpar a própria bunda na velhice.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu não tô longe. Cada abdominal que eu faço, penso &quot;isso sou eu conseguindo levantar da cama aos 85 anos sem ajuda&quot;. E sim, tem verdade nisso, mas vamos ser sinceros - as razões vão além.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meus motivos de fazer atividade física são divididos da seguinte forma:&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- 12% pra ter saúde na velhice&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- 20% pra gastar uma energia que de outra forma seria investida no descaralhamento da minha cabeça&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- 60% pra tirar fotos em que meu braço parece grande, postar, receber um foguinho de alguém que suscite meu apetite sexual e depois não fazer nada a respeito porque eu sou recatado (jacu)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- 8% para vingança&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqXpBuJfBGPcl7tpQtZXCLpIYZ5TSlG5Lhuzcj7JwzzXi71-21KLALg5E6AaQ2tAW7bZiQJvSk70TNAtfVRhn6zqWNIzRa1cktvtTYo_0opiJY2PBbV2kojj8tC2buxrUtpacEKOOcw7VH5lTTSHofssf1yMXCAEYWAuAQm0UWC46UEeQt9ebBug/s1024/1000038821.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqXpBuJfBGPcl7tpQtZXCLpIYZ5TSlG5Lhuzcj7JwzzXi71-21KLALg5E6AaQ2tAW7bZiQJvSk70TNAtfVRhn6zqWNIzRa1cktvtTYo_0opiJY2PBbV2kojj8tC2buxrUtpacEKOOcw7VH5lTTSHofssf1yMXCAEYWAuAQm0UWC46UEeQt9ebBug/s1024/1000038821.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEhXbJaVTHkdo-LnCO47wsAGVwGLo2_-mZ33qpGmDcccjkQJhMz6sMljbttFZPmh_XIOl-RcczaUE0IQgclGUGY4sd5HFz3txmk_OJr-BgsfeVwpSKJlIUPkU_5gP1O5x4DUfFZAqkVStex8mB9tHc73Iteg40U_1Ztk-lhLjavdbgHlENKGAH_tnQ&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; data-original-height=&quot;320&quot; data-original-width=&quot;320&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEhXbJaVTHkdo-LnCO47wsAGVwGLo2_-mZ33qpGmDcccjkQJhMz6sMljbttFZPmh_XIOl-RcczaUE0IQgclGUGY4sd5HFz3txmk_OJr-BgsfeVwpSKJlIUPkU_5gP1O5x4DUfFZAqkVStex8mB9tHc73Iteg40U_1Ztk-lhLjavdbgHlENKGAH_tnQ=w320-h320&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De qualquer forma, se o objetivo de fazer exercícios agora é reduzir agruras na terceira idade, precisamos de tanto esforço assim? Eu realmente preciso fazer agachamento búlgaro só pra conseguir limpar a minha vindoura poupança?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acho possível bolar um plano de treino que realmente contemple as necessidades de um idoso e ainda economizar esforço.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Comecemos pelo básico: você precisa conseguir comer sozinho, levantar da cama e limpar a bunda. Isso tudo pode ser contemplado num único movimento, em que você se levanta da posição horizontal, ergue os dois braços até a boca, vira pra trás e depois direciona a mão ao furico. Três séries de doze.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para manter a coordenação motora fina, sugiro outros dois exercícios.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um bom idoso precisa ser capaz de beliscar a bochecha de uma criança e jogar um chinelo num cachorro. Esse movimento é mais complexo: inclina a coluna, bota a mão pra frente, fala &quot;cuti-cuti&quot; e aperta o indicador e o polegar. Na mesma inclinação, já pega o chinelo do pé e arremessa pra longe. Pontos extra se fizer uma caminhada pra buscar o chinelo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pronto, o preparo físico já está feito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lembre também que estamos num colapso climático e fazer essas atividades num ambiente a 55 graus Celsius vai tornar a situação muito mais próxima da realidade que vamos enfrentar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outra necessidade dos idosos é de convívio social e precisamos nos preparar pra isso também.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Então, no seu treino para envelhecer bem, faça questão de movimentar-se diariamente na direção de outras pessoas. Ligando para perguntar como um amigo vai, frequentando uma atividade em grupo? Não.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entre um movimento de limpeza de bunda e outra, treine o seu dedinho mandando bom dia para todos os seus contatos no WhatsApp.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Mas são oito horas da noite!&quot;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foda-se. Bom fucking dia, Nélio Vidraceiro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se alguém responder sua mensagem fazendo uma pergunta, responda apenas com uma figurinha de um dedão fazendo sinal de joinha. Essa é toda a interação que você vai precisar na terceira idade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Preparo social, check.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vale lembrar que não adianta nada envelhecer e passar anos da sua vida com um humor incompatível. É preciso cultivar o mau humor desde cedo, porque senão você chega aos 65 esperando o melhor das pessoas e nada é mais cafona que isso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu, por exemplo, faço questão de parar um pouquinho todos os dias para reclamar das flores, sempre reservando um segundinho para ver o pior da vida. Meu avô teria orgulho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É muito esforço, mas quero mesmo ser um velho com autonomia, capaz de colocar minha própria boina, limpar minha própria bunda e maltratar meus próprios netos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ou, então, espero que a vida me permita evoluir psicologicamente a ponto de não me importar de andar com a bunda suja por aí.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ou não andar, né, porque andar é exercício e eu terei passado a vida tentando evitar essas coisas.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/3919036156585550879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2026/01/maratona-da-bunda-limpa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/3919036156585550879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/3919036156585550879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2026/01/maratona-da-bunda-limpa.html' title='Maratona da Bunda Limpa'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEhXbJaVTHkdo-LnCO47wsAGVwGLo2_-mZ33qpGmDcccjkQJhMz6sMljbttFZPmh_XIOl-RcczaUE0IQgclGUGY4sd5HFz3txmk_OJr-BgsfeVwpSKJlIUPkU_5gP1O5x4DUfFZAqkVStex8mB9tHc73Iteg40U_1Ztk-lhLjavdbgHlENKGAH_tnQ=s72-w320-h320-c" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-617562629208648339</id><published>2026-01-01T10:34:03.167-03:00</published><updated>2026-01-03T10:07:25.760-03:00</updated><title type='text'>Ano passado eu morri</title><content type='html'>&lt;p&gt;Não posso falar do final desse ano sem mencionar como ele começou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em 31 de dezembro do ano passado, eu e meu então companheiro organizamos uma festinha de ano novo - dessa vez mais caprichada do que nos anos anteriores, com balõezinhos, mesa arrumada e vários convidados no terraço do prédio dele.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na hora dos fogos da meia-noite, eu saí a procura dele na festa. Ele abraçava os convidados, enquanto eu esperava na fila pra brindarmos juntos. Eu sei que parece coisa pouca, mas as coisinhas poucas demonstram o estado das coisas grandes, e naquele momento eu entendi tudo: que eu não era a primeira pessoa que ele queria abraçar, que se eu puxasse pela memória já fazia muito tempo que eu não ganhava um abraço espontâneo, e que não fazia mais sentido eu estar ali.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto assistia os fogos, meu primeiro pensamento de 2025 foi &quot;eu não vou estar aqui no ano que vem&quot;. Bateu como uma certeza, um soco no ventre que me disse, nos primeiros segundos do ano, que esse seria diferente dos últimos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Certeza não é sinônimo de pressa, e eu demorei um pouco pra agir - tenho o péssimo hábito de me movimentar só quando completamente exausto de uma situação.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era começo de fevereiro e eu estava atendendo uma paciente que lamentava como seu relacionamento anterior se prolongou mesmo depois de ela saber que não teria futuro, e como isso lhe machucou, e o quanto ela perdeu por não ter se posicionado antes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando a sessão acabou, meu celular tinha duas mensagens me esperando. Uma do paciente do horário seguinte, avisando que não ia poder vir, e outra do meu então namorado falando que estava por perto e perguntando se eu poderia tomar um café. Era hora.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fui tomar o café. Não consegui abraçá-lo quando o encontrei.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Finalmente eu tinha me dado conta do quanto eu estava esgotado pela absoluta falta de carinho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vejam, ele não era um monstro. Ele me acompanhava em muita coisa, cumpria os requisitos mínimos para ser um parceiro aceitável. Meus amigos eram só elogios nos sete anos que a gente passou juntos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas a erosão não vem de uma vez. Vem de passar anos sem ouvir que é bonito, e então ouvindo &quot;olha, esse peso que você está não tá legal não&quot;, e então &quot;você não acha que tá muito acomodado na sua carreira?&quot;, de uma sequência de abandonos que podem ser justificados pela lógica e por isso mesmo você acaba permitindo que atropelem o coração.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Erodiu, esgotou e acabou. Foi tenebroso, mas fez sentido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa foi a pancada número um.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Do término do relacionamento, fui à psiquiatra e mudei minha medicação - a anterior era maravilhosa, mas eu ganhei quinze quilos tomando e aparentemente isso tinha relação porque uma parte grande do peso foi embora assim que eu parei de tomá-la - mas, como acontece muito nesses casos, não acertamos de primeira e eu passei semanas sem dormir direito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por &quot;sem dormir direito&quot;, entendam &quot;dormir uma hora por noite&quot;. Eu realmente não sei como eu dei conta de viver nesses dias, até porque quando eu não durmo eu fico extremamente choroso (isso acontece com mais alguém? é eu perder um pouco de sono numa noite qualquer que eu sinto vontade de chorar porque o elevador tá muito longe).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda assim, consegui trabalhar - como quem aperta um tubo de pasta de dente, eu espremia cada restinho de energia para estar atento no consultório, pronto pra desabar quando chegasse em casa depois. Desabar, mas não dormir.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Num ímpeto de fazer as coisas melhorarem, tomei uma decisão: ia fazer uma pequena cirurgia que eu adiava faz tempo e aproveitar o molho forçado pra escrever um projeto que eu tinha faz algum tempo. Enquanto isso, ficaria longe do consultório por alguns dias e poderia descansar a cabeça.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso na teoria.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No dia seguinte da cirurgia, acordei com um som de gotas caindo. &quot;Deve ser o chuveiro pingando&quot;, pensei antes de lembrar que o meu gato não costuma miar pro chuveiro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cuidando com o curativo, levantei e vi do que se tratava. O gato não conseguia atravessar o corredor porque ele estava completamente alagado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tentei secar o chão de tacos de madeira e ligar pro encanador ao mesmo tempo, e a minha semana de descanso e escrita foi - literalmente - por água abaixo. Foram semanas de quebra-quebra até o encanamento milenar voltar a funcionar totalmente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Revisando: nesse ponto eu estava descorneado, deprimido, sem dormir, com dois cortes ainda sangrando na minha cara e com as paredes de casa todas quebradas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E ainda estava tudo bem.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A gota d&#39;água foi a seguinte:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era noite, eu estava com fome e minha habilidade culinária estava severamente debilitada. Resolvi fazer pipoca, mas não na pipoqueira de micro-ondas, eu queria caprichar. Eu ia me tratar bem, e meu self care ia ser uma pipoca de panela, com manteiga, praticamente um prato gourmet perto da minha capacidade naquele momento.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era minha primeira vez usando uma panela nova, daquelas de fundo triplo, e eu não sabia que ela continuava tão quente depois de desligar o fogo. No tempo de pegar a tigela no armário, minha pipoca estava queimada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tudo certo. Eu resgataria o que desse dali. Nem quis reparar muito que a panela também queimou e que eu precisaria de muito bombril pra desfazer o estrago. Paciẽncia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Peguei a panela e me queimei. Dedo na água corrente, tranquilo, acontece.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois de todo esse tempo, apoiei a panela na minha mesa - ela já estaria fria, certo? Errado. Minha mesa, minha primeira compra de algum valor depois de me mudar pra Curitiba, quase vinte anos atrás, minha companheira da vida inteira... Queimada. Um círculo amarelo queimado pela panela na fórmica branca a marcou pra sempre.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi ali. Esse foi o ponto mais baixo de 2025.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu sentei no chão e chorei, chorei, chorei, como se todos os elevadores do mundo estivessem a anos-luz de distância.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Engraçado como uma coisinha pequena pode trazer à tona tanta dor guardada. Ali eu fiquei triste por umas duas semanas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não consegui escrever uma página que fosse no período designado a escrever. Aliás, mal escrevi esse ano. A energia estava toda designada a seguir vivendo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu não digo, também, que foi o ano mais solitário da minha vida porque eu sou um atleta veterano nessa categoria. Mas foi um baque, sim. Seja por não ter alguém para compartilhar os finais de semana, seja por precisar me recolher mesmo. Foram muitos dias sozinho em casa, muitos fins de semana sem ver outra pessoa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas cuidando de mim: voltando a conseguir dormir bem, voltando a cozinhar (e pegando gosto por isso, e ganhando um novo hobby), fazendo longas, enormes, intermináveis caminhadas, voltando pra academia e me lembrando do quanto eu gosto de fazer exercício físico.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como bom (bom?) analista junguiano, me lembro de dois elementos arquetípicos muito relevantes para essa situação: a carta da Morte, no tarot, e a Meredith de Grey&#39;s Anatomy.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZMKRSHa4ESxB9yvyWcRwKayb0PNj26jx9QxajAGWEk5WVsR0u9_L3l2vC-vGVIJgeUjzSiUhhUh6fhM2anBK2rkHr5Eg0TijsbxSPb4bl87Nwg1O-NmpdS0wYizXBLY25lkZbNTdmV8Deg-Itk-Fkil4jsRlD2CB_ZCGcWh12d0b8aExy5KNoYQ/s960/1000038026.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;960&quot; data-original-width=&quot;561&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZMKRSHa4ESxB9yvyWcRwKayb0PNj26jx9QxajAGWEk5WVsR0u9_L3l2vC-vGVIJgeUjzSiUhhUh6fhM2anBK2rkHr5Eg0TijsbxSPb4bl87Nwg1O-NmpdS0wYizXBLY25lkZbNTdmV8Deg-Itk-Fkil4jsRlD2CB_ZCGcWh12d0b8aExy5KNoYQ/s320/1000038026.jpg&quot; width=&quot;187&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Morte, no tarot, é um símbolo de recomeço. As coisas morrem porque precisam seguir em frente de outra forma.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Meredith, em Grey&#39;s Anatomy, é também um símbolo de recomeço. Todos ao redor dela morrem, ela quase morre um milhão de vezes, mas ela segue em frente. Quanto mais temporadas fazem dessa pataquada, mais eu gosto de como inventam um jeito de ela seguir em frente. Opa, agora ela tem uma irmã que ela não conhecia que também é uma médica genial! Opa, essa irmã morreu. Opa, agora ela tem outra irmã que ela não conhecia e que também é uma médica genial! De qualquer forma, ela segue em frente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;2025, pra mim, foi também um recomeço.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi o auge de um processo de vários anos em que eu perdi muita coisa: a empresa que eu criei com amigos e que implodiu por infantilidade, a minha relevância online que já me fez ser um psicólogo famosinho-de-internet e que hoje me devolveu ao anonimato completo, um grupo de amigos que implodiu junto com a sociedade da empresa, mas do qual sobraram os melhores, o relacionamento, a perda de uma amiga que era uma segunda mãe pra mim...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E aqui estou eu, vivinho como nunca. Sem opção senão o recomeço, porque é impossível não seguir em frente. Ficam marcas, sim, mas que a gente pode disfarçar como quem bota uma toalha de mesa em cima do queimado que a panela de pipoca deixou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dois mil e vinte e cinco foi uma pancada, mas eu nasci de novo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com sorte, esse ano eu não morro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/617562629208648339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2026/01/ano-passado-eu-morri.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/617562629208648339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/617562629208648339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2026/01/ano-passado-eu-morri.html' title='Ano passado eu morri'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZMKRSHa4ESxB9yvyWcRwKayb0PNj26jx9QxajAGWEk5WVsR0u9_L3l2vC-vGVIJgeUjzSiUhhUh6fhM2anBK2rkHr5Eg0TijsbxSPb4bl87Nwg1O-NmpdS0wYizXBLY25lkZbNTdmV8Deg-Itk-Fkil4jsRlD2CB_ZCGcWh12d0b8aExy5KNoYQ/s72-c/1000038026.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-8166102272738570505</id><published>2025-12-01T18:25:00.011-03:00</published><updated>2025-12-01T18:25:43.392-03:00</updated><title type='text'>Adolescente e bobo</title><content type='html'>&lt;p&gt;Tem coisas que a gente lê e não imagina que vão repercutir na gente pelo resto da vida. Justamente por não ter antecipado isso, não faço ideia de em qual livro vi esse relato clínico que eu nunca esqueci.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um homem, divorciado e por volta dos seus cinquenta anos, procurava um psicólogo porque estava tendo sentimentos muito estranhos para ele. Depois de muito tempo sem uma conexão afetiva, ele começou a se envolver com uma mulher que conheceu em seu trabalho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Você sente que está obcecado por ela?&quot;, perguntava o psicólogo, &quot;ou que os pensamentos a respeito dessa relação estão lhe botando em perigo?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Não, é só uma paixão normal. Eu penso nela durante o dia, dou um sorriso bobo quando leio uma mensagem, imagino ela comigo antes de ir dormir...&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;E isso é um problema pra você?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Eu tenho cinquenta anos! Eu estou me sentindo como um adolescente. Eu já passei por relacionamentos que deveriam ter me ensinado a não cair nessa história mais uma vez. Eu achei que eu era maduro, e estou agindo como um adolescente bobo!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Gostei de como o psicólogo, na sessão real ou na transcrição para uma versão mais heróica de si quando escreveu o relato, deu o xeque-mate com só três palavras:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;E isso é ruim?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O homem ficou em silêncio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;E o que há de errado em ser adolescente e bobo? A sensação de estar empolgado como um adolescente bobo, na prática, no momento, é ruim?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O paciente, então, foi se dando conta aos poucos que ele não estava doente, estava apenas apaixonado, que estar apaixonado é adolescente e bobo e é bom justamente por ser dessa forma. E que, com a experiência que tinha, já sabia que paixões passam - geralmente deixando corações arrasados no lugar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas naquele momento, aquele homem de cinquenta anos podia ser adolescente. E bobo. E feliz.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A experiência de vida, principalmente pra nós, pessoas de alto ICL (índice de chifres levados), tende a nos deixar muito ressabiados quando se trata de se abrir pra uma nova possibilidade de relacionamento.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acontece que a vida é tão escorregadia que é impossível, pelo menos de vez em quando, não praticar o esporte de fantasiar e idealizar uma pessoa. Em algum momento isso acontece e o adulto responsável larga o volante. Em seu lugar, assume o adolescente bobo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando chega no consultório alguém muito assustado por se ver apaixonado depois de um tempo, a expectativa da pessoa normalmente é de receber um balde de água fria e um lindo banho de realidade, que a desperte desse feitiço.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas a paixão é uma viagem de cogumelos: depois de embarcar nela, a única coisa a fazer é aceitar que vai estar ali por um tempo e tentar aproveitar a viagem. Com sorte, a viagem te leva a ter algumas sacadas bacanas pra vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O maior engano, na minha opinião, é achar que o cinismo serve de escudo pra alguma coisa. A paixão é justamente o antídoto do cinismo. Mesmo sem querer, batendo nas paredes e esperneando, você se obriga a torcer pelo melhor e a aceitar que uma parte de si é irracional.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O final é frequentemente trágico (como o de qualquer coisa na vida, que é trágica por natureza), mas eu nunca vi ninguém ser protegido de um sofrimento só porque foi cínico a respeito antes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Resta aproveitar a fase de esperança obrigatória.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O relato clínico do cinquentão adolescente terminava com ele, meses depois, arrasado pelo término do seu caso com a colega de trabalho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se disse arrependido de ter se permitido empolgar e jurou não fazer mais isso na vida. Três meses depois, apaixonou-se novamente.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/8166102272738570505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/12/adolescente-e-bobo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/8166102272738570505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/8166102272738570505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/12/adolescente-e-bobo.html' title='Adolescente e bobo'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-5644451497542298844</id><published>2025-09-20T18:22:00.001-03:00</published><updated>2025-12-01T18:23:28.146-03:00</updated><title type='text'>Você está sozinho sim</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;Sabe o que eu queria? Estar parado num semáforo com um cartaz escrito &quot;Setembro amarelo - você não está sozinho&quot;, distribuindo Sonho de Valsa, acreditando sinceramente que alguém vai pular menos da ponte por conta disso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas eu saberia que um Sonho de Valsa não mantém ninguém vivo por muito tempo. Que a pessoa com o papelzinho nas mãos está sozinha sim, não necessariamente por falta de com quem conversar, mas por estar profundamente mergulhada na sensação de que não adianta, não merece ou não saberia usar desse recurso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas a pessoa está sozinha sim, e me parece covarde tentar consolar alguém com uma mentira.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você sabe o quanto está, de fato, sozinho quando se vê sem amigos por perto numa noite particularmente difícil em que as distrações não são potentes o suficiente para calar um pensamento cruel.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você sabe o quanto, mesmo com uma noite de sono e a promessa de um novo dia, acordar pode parecer uma condenação a carregar o fardo de viver por mais vinte e quatro horas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E como convencer alguém que há resultados positivos em não amanhecer morto, justo no momento em que um véu grosso parece tapar a visão de qualquer coisa mais otimista?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A briga que temos é contra o incomparável poder de convencimento que a dor tem.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A dor é excelente em nos convencer de que ela é a única porta-voz fiel da realidade, e que todos os momentos de visão (ainda que ligeiramente) otimista são maquiagens bobas que tentam disfarçar um sofrimento que obviamente está ali.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fica difícil acreditar que algum outro dia pode ser menos solitário. A depressão se disfarça de realidade a ponto de que imaginar-se alegre parece com imaginar-se dopado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há ombros disponíveis, mas é difícil chegar neles quando já não enxergamos a possibilidade de que receber algum acolhimento vá de fato fazer diferença.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você está sozinho sim, e esse é o ponto de partida para se fazer algo a respeito desse imenso sentimento.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desejo sinceramente que a atitude seja a de insistir mais um pouco. Sem recomendações: abra-se da forma que lhe convir, faça terapia se isso lhe parecer bom, acenda vela pro santo da sua preferência... Diabos, coma um pacote inteiro de Sonho de Valsa, mas insista.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A dor profunda é muito convincente, mas raramente é eterna. Fique para ver o outro lado - ainda que por curiosidade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu já o fiz, já acompanhei muita gente que resolveu ficar mais um pouco também e posso lhe dizer: muitas vezes as coisas melhoram. Torço pra esse ser o caso com você também.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/5644451497542298844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/09/voce-esta-sozinho-sim.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/5644451497542298844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/5644451497542298844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/09/voce-esta-sozinho-sim.html' title='Você está sozinho sim'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-6761829619007599701</id><published>2025-09-08T18:21:00.001-03:00</published><updated>2025-12-01T18:22:36.192-03:00</updated><title type='text'>Balada da Arrasada</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;Precisamos fazer uma distinção muito importante. Doido é doido, louco é louco, e um é muito diferente do outro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O louco é o maluco, esses estão na mesma categoria. Eles tem transtorno, eles tem diagnóstico e eles tem tratamento. Os loucos merecem respeito e esse texto não é sobre eles.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora, o doido é outra história. O doido é aquela pessoa que, em posse de plenas faculdades mentais, toma as decisões mais estapafúrdias possíveis: larga relacionamentos estáveis em busca de emoção, puxa briga com quem discorda dela, torce pro Paraná Clube...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Inclusive acho que uma pessoa pode pertencer às duas equipes. Eu, por exemplo, sou um pouco louco (porque tenho laudo), mas também sou doido (acredito na melhora do humanidade pela educação).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O único tipo de texto que eu não enrolo pra escrever é obituário. É impressionante como a morte me motiva.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dessa vez quem vestiu o paletó de MDF foi a Angela Ro Ro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa sim, um belo exemplar de doida.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu fico triste por ela, sim, mas fico triste porque parece que todas as garrafas dessa excelente safra de desvairados que tivemos estão acabando. Foi Ozzy, foi Rita Lee, foi a rainha Elizabeth II...&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quem vai redimir os doidos?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quem temos na categoria hoje, a Luísa Sonza? Concedo que ela tem um potencial OK pra quebrar um quarto de hotel e ser presa por tentar urinar no segurança, mas ela faria isso tudo de um jeito muito... estético.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A doideira real é mais sujinha.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Gosto mais quando é gente com talento e sem muito apoio, que tá no jogo porque não ganhou abraço na infância e precisa provar algo pra alguém. Excelente pra arte, melhor ainda pra página policial.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É lindo quando as seções do jornal conversam. Precisamos de artistas que construam pontes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ro Ro era, também, uma maravilhosa sapatão, de um jeito que não se faz mais hoje. Eu não escreveria este texto com ela viva, porque eu sei que ela bateria em mim.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aliás, a velha safra de viados também era excelente. Caio Fernando Abreu, embotado. Clodovil, intragável. Cazuza, insuportável.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todos ótimos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nós tínhamos uma aura muito mais charmosa quando espalhávamos doença. Pena que morríamos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro charme nos doidos boomers que estão morrendo por agora é que são pessoas que não precisaram desenvolver demência na terceira idade. Todos já tinham descolado da realidade muito antes. Que sacada ótima, envelhecer proativamente!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minha música preferida da Angela Ro Ro chama-se Balada da Arrasada. Ela conta de uma personagem que, tal como a cantora, entrega-se sem medidas no amor, e debocha das emoções dela:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Arrasada, acabada, maltratada, torturada&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desprezada, liquidada, sem estrada pra fugir&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tenho pena da pequena que no amor foi se iludir&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tadinha dela-rá! Tadinha dela...&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esses &quot;Tadinha dela&quot; são cantados com tanto deboche, tanto deboche, que só alguém que já esteve naquela sarjeta conseguiria emitir. É coisa de quem ri da própria desgraça.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Infelizmente, essa música estragou qualquer comoção que os anos finais da Angela Ro Ro pudessem me provocar. A cada notícia dela falando que estava sem dinheiro, que foi chifrada pela namorada, que não tinha onde cair morta - e era pelo menos uma dessas por mês - minha cabeça já cantarolava &quot;Tadinha dela-rá!&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E essa parecia ser a reação geral sobre os dramas que ela passava. Pelo talento, ainda que doida, ela certamente merecia um final mais aplaudido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tadinha dela...&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/6761829619007599701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/09/balada-da-arrasada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6761829619007599701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6761829619007599701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/09/balada-da-arrasada.html' title='Balada da Arrasada'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-1517985582345284104</id><published>2025-08-30T18:20:00.001-03:00</published><updated>2025-12-01T18:20:40.231-03:00</updated><title type='text'>Chivas Regal</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;Tô até com vergonha de começar o rascunho de mais um texto. Quando eu abri o aplicativo de notas em que eu escrevo, vi pelo menos uns quinze abortos recentes de ideias que eu tive, cheguei a rascunhar e não terminei.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez isso não seja um problema.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não existe muita vantagem em fazer as coisas até o fim. É quando as coisas terminam que os problemas começam.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se eu pensei, elaborei, cheguei no ponto que eu queria e ninguém ficar sabendo, isso não tá bom? É a satisfação do meu sonho gordinho de mastigar sem engolir, sentir o sabor e nunca engordar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu nunca tive vergonha de *não* publicar um texto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas de me expor? Quantos pensamentos de &quot;não devia ter feito isso&quot;, &quot;fulano deve ter achado isso ridículo&quot;, &quot;que piada mais batida...&quot;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dando corda pra isso que fiquei com a gaveta cheia de rascunhos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Me poupei de uns dramas mas... Uma masturbação sem gozo até te poupa de limpar a sujeira depois, mas vale de quê?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu queria matar o Luís Fernando Veríssimo. Sorte dele de ter morrido hoje (azar o nosso).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nunca vi alguém tão bom em manejar expectativas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O homem nasce de um dos maiores escritores brasileiros, certamente passa a infância toda ouvindo o quanto o pai é um gênio e, apaixonado pelo jazz e tocando saxofone lindamente, decide ser... Escritor também.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Imagino a pressão pra que ele escrevesse um épico, como os do pai. Talvez completar a obra contando as histórias de Ana Água, Ana Fogo e Ana Ar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas não, ele foi escrever humor. Humor, essa coisa que todo mundo aprecia mas ninguém respeita.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E fez isso como ninguém.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tem uma crônica dele que narra a história de um publicitário que consegue pensar no melhor slogan de todos os tempos: uma propaganda do Chivas Regal arrematada pela frase &quot;o Chivas Regal dos uísques&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chupa, Don Draper.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois disso, o publicitário nunca mais consegue fazer nada na vida. Apenas olha para a parede, perdido e feliz, num nirvana gerado pelo brilhantismo que jamais alcançaria novamente.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesse ponto, imagino que o Luis Fernando deve ter passado por algumas crises parecidas. Numa semana, ele escreve uma crônica genial - e que ele sabia que era genial, os gênios sabem quando são - e na outra, imagino eu, podia bater um branco na hora de entregar a crônica de domingo para o jornal.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Será que ele pensava &quot;cacete, mas eu sou o Veríssimo, vou mesmo mandar uma coisa mais ou menos pra publicar no meu nome?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A chegada do jornal de domingo era um evento.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era um camalhaço grosso, dessa vez com fotos coloridas, com mil seções sobre coisas bobas muito mais interessantes que as seriedades da semana.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu ia direto pra crônica do Verissimo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vou confessar como fã: às vezes, o texto era mais ou menos. Só alguma coisa inusitada da política com uma observação marota, às vezes alguma história sobre o futebol do momento, às vezes até alguma coisa mais séria.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não era o gênio incomparável das coletâneas, mas ele estava sempre ali, mostrando que olhou o mundo naquela semana e pensou um pouco a respeito - sem expectativa de criar nada brilhante.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda assim, uma delícia de ler. Vê-se que o homem era gênio na consistência também.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Calmo, sem falar muito e de vez em quando fazendo o comentário mais engraçado que alguém poderia imaginar. Ele era o espertinho da roda e a roda era o Brasil todo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acho que foi essa combinação de despretensão com a ocasional genialidade que o tornou símbolo de prazer na leitura pra tantas pessoas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Veríssimo, você me fez gostar de ler e sonhar escrever. Isso só me trouxe frustração e sofrimento, mas eu sou profundamente grato.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você foi o Luis Fernando Veríssimo dos cronistas.&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/1517985582345284104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/08/chivas-regal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1517985582345284104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1517985582345284104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/08/chivas-regal.html' title='Chivas Regal'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-8496975597944570217</id><published>2025-06-14T18:18:00.001-03:00</published><updated>2025-12-01T18:19:32.781-03:00</updated><title type='text'>Fimose facial</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois de quase dois meses, agora que começo a ver os resultados de uma cirurgia plástica que fiz na cara. Não é a minha primeira, fiz uma baciada de procedimentos aos 30 antes desse agora aos 35.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minha ideia é reformar alguma coisa de cinco em cinco anos até me transformar completamente num pneu remold.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Até agora, nem foi tanto por vaidade. Eu nasci com uma quantidade excessiva de pele no rosto. Não precisava tanto. Veio com sobra pra fazer uma cortina e um tapete.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Amigos me perguntavam se eu estava com sono. Professores me perguntavam se eu estava dormindo. Pessoas na rua perguntavam quem foi que perdeu um sharpei.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De tanto forçar a testa pra levantar as pálpebras e mostrar os olhos, fiz uma ruga de fora a fora que meus amigos carinhosamente apelidaram de &quot;bocetão&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi um luto geral quando, num primeiro procedimento, fiz um preenchimento nele como uma prefeitura faz uma operação tapa-buraco.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois, fiz uma cirurgia chamada castanhares, em que eles tiram um bife de cima das suas sobrancelhas e costuram o buraco, te dando um olhar que pode ser descrito como &quot;jovial&quot;, &quot;aberto&quot; e &quot;de quem viu um fantasma&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse deu super errado e até hoje eu tenho cicatrizes bem feias em cima das sobrancelhas, mas o olho abriu. Um pouquinho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tanto que, logo depois, me motivei a fazer a cirurgia LASIK para parar de usar óculos. Que experiência! Em cinco minutos você resolve um incômodo de uma vida inteira, e em menos de meia hora eu já estava em casa usando o computador contra as ordens médicas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sem os óculos com lentes grossas de muitos graus de miopia e astigmatismo, o olho abriu mais um pouco.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas ainda ficava um olhar cansado. Uma coisa meio Clint Eastwood, se ele tivesse sido picado por abelhas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por isso, esse ano resolvi fazer uma blefaroplastia, uma outra cirurgia em que o pedaço de bife é removido diretamente das pálpebras.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para garantir que dessa vez o resultado não fosse ruim, investi em um bom profissional e operei com o melhor dentista de Ciudad del Leste.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No YouTube, todo mundo que operou essa cirurgia já sai do centro cirúrgico lindo e com cara de descansado. No máximo, com uma semana de inchaço. Eu fiquei roxo e inchado por um mês, passando protetor solar com cor no roxo como quem passa Errorex numa bola de basquete pra ela não ser percebida em cima de uma folha A4.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pois bem, agora finalmente estou com os olhos abertos. Devo dizer, a experiência é horrível.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Primeiro, a natureza tinha me dado uma proteção formidável pras coisas não pegarem no olho e eu ignorei.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tá cozinhando? A gota de olho vai direto no olho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tá tentando quebrar alguma coisa? Algum pedaço vai no olho, invariavelmente.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Galho de árvore na rua? Que lindos olhos você tem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O olho é o maior ímã de detritos do universo, impressionante.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo, é um pouco estranho olhar no espelho e não ver o cenho baixo, guarani, da minha avó. Parece que eu abandonei ela um pouquinho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Terceiro, as pessoas estão reagindo esquisito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meu pai levou um susto enquanto almoçava comigo. Perguntei o motivo e ele disse &quot;olhei pro lado e vi esse olhão arregalado, não tô acostumado!&quot;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma paciente perguntou se eu estava usando lente de contato. Várias pessoas falaram que nunca tinham visto a cor dos meus olho antes (é vermelha, eu tenho rinite).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Então, por mais satisfeito que eu esteja com o resultado da operação, ainda estou tentando me acostumar. Faço bastante esforço pra não olhar pra todo mundo com o olho esbugalhado, tipo doido, esquecendo que ninguém parece mais doido do que quem tenta não parecer maluco.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas, querendo ou não, lá vou eu pro mundão. Agora de olhos abertos e enxergando tudo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por sorte, continuo sem prestar atenção.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/8496975597944570217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/06/fimose-facial.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/8496975597944570217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/8496975597944570217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/06/fimose-facial.html' title='Fimose facial'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-8882341727124745466</id><published>2025-05-29T18:15:00.001-03:00</published><updated>2025-12-01T18:17:22.140-03:00</updated><title type='text'>Poupança sombria</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;Uma mudança que eu não esperava na vida era a evolução espiritual dos meus amigos. Por mais que eu selecione quem eu deixo entrar na minha convivência, eu ainda me surpreendo com amigos fazendo comentários positivos. Otimistas. Esperançosos! O horror em estado puro.&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Exemplo: alguém termina um namoro. Eu, no meu lugar de amigo, acolhedor e compreensivo, ofereço um &quot;o que esse filho da puta aprontou dessa vez? vamos esfoliar o carro dele com uma pedra-pomes!&quot;. Um gesto de carinho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aí, como uma facada, a pessoa me responde &quot;apenas incompatibilidades... estamos bem e eu realmente desejo que ele seja feliz!&quot;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se em algum momento eu acreditei que a gente é parecido com as pessoas que a gente convive, a crença caiu por terra agora. Eu não sou assim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O duro é que isso contamina.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu também tenho mudado - devagarinho, de leve - e nem tenho julgado meus amigos tanto assim.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É uma mudança parecida com a que acontece quando a resposta para uma amiga que diz que está grávida deixa de ser &quot;Eu conheço um cara no Paraguai&quot; e passa a ser &quot;Parabéns!&quot;. Com o tempo a gente se habitua.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aos poucos até me flagro tentando enxergar o melhor das pessoas também.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que me surpreendeu é que a minha nova faceta de boa pessoa não foi bem aceita pelos meus amigos recém-zen. Tenho percebido que quando alguém se lamuria de algo perto de mim e a minha resposta é mais de &quot;poxa, as coisas acontecem, mas com aceitação e persistência uma flor de lótus vai brotar da sua alma&quot; ou alguma asneira parecida, as pessoas se frustram.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É prático ser evoluído e limpo das sombras quando elas estão terceirizadas em alguém, como uma poupança sombria que pode ser resgatada nos momentos em que essa energia é necessária.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já entendi. Nos meus grupinhos, eu sou a voz do ódio. Honestamente? Topo. Me chamem de Odete Roitman.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas não se surpreendam se de vez em quando eu falar bem de alguém. Até eu tenho minhas fraquezas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como em todas as coisas insuportáveis da vida, tudo acaba na necessidade de equilíbrio. Não vou dizer que não tenho gostado de ser um pouco mais molenga.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Reatar com pessoas que já me irritaram profundamente já me trouxe alguns momentos bem divertidos, inclusive.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez o que a gente precise é de um tanto de maldade guardada (como um seguro, pra se proteger nos momentos de desaforo) e de um pouco de boa vontade (pra não ficar se achando melhor do que todo mundo).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aí lá dentro de cada um cabem todas as partes a que uma pessoa tem direito: a pamonha e a malvada; o rei da escuridão e o vassalo no escurinho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que festa.&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/8882341727124745466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/05/poupanca-sombria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/8882341727124745466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/8882341727124745466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/05/poupanca-sombria.html' title='Poupança sombria'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-8913178921383179498</id><published>2025-01-16T22:35:00.004-03:00</published><updated>2025-01-16T22:35:34.043-03:00</updated><title type='text'>Zombeteiro</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgrv1TfjyQHB8PNDMVUT58wLLyyT-S7oV4rHl9cGHWBcShPYcXtpPheAvzuOE7cdS7m4d6O1GdDKQosaUqI3S1eKgLodJXzw2d-IgXTT2pV445S9_CGRs02mAPnwVx16DhSkJBP56MbPSverpoyKpSWJ_G_GgJLINIs_tqJ7URXPjc87Ji4tVuHHw/s1080/1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgrv1TfjyQHB8PNDMVUT58wLLyyT-S7oV4rHl9cGHWBcShPYcXtpPheAvzuOE7cdS7m4d6O1GdDKQosaUqI3S1eKgLodJXzw2d-IgXTT2pV445S9_CGRs02mAPnwVx16DhSkJBP56MbPSverpoyKpSWJ_G_GgJLINIs_tqJ7URXPjc87Ji4tVuHHw/s320/1.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nada é mais cafona em pleno ano de 2025 do que querer um sentido pra vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu não devia falar isso em voz alta, porque meu emprego literalmente é fazer as pessoas acreditarem que algum sentido deve existir e aí passar duzentas sessões correndo atrás disso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É uma profissão que, para os ingênuos, é muito bonita e faz muito sentido.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bobagem. Eu gosto de ser terapeuta e acredito de verdade que algum bem eu devo fazer pros meus pacientes, mas esperar sentido disso? Cafona.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O sentido de qualquer trabalho é sair do trabalho e não fazer nada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A vida mais sem sentido talvez seja a com mais sentido: ficar aqui por um tempo, trabalhar um tanto, comer algumas coisas gostosas e ocasionalmente passar a mão num gato. Depois, pendurar as chuteiras, sem culpa nenhuma, e dormir pra sempre.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É o verdadeiro paraíso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nunca pensei &quot;que ódio, vou tirar uma sonequinha depois do almoço&quot; ou acordei pensando &quot;que experiência horrível essa de me desacoplar da vida por uns minutinhos&quot;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sou um devoto do dormir e acredito que a morte seja a Soneca Suprema que vai nos redimir a todos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso e as respostas religiosas não tem me satisfeito muito. Ir pro céu e ouvir harpa o dia inteiro? Um tédio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um inferno de fogo, com o gás nesse preço? Impraticável.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A única saída espiritualista que me parece agradável está em uma brechinha que encontrei. Vou explicar: Os espíritas acreditam que a vida segue pra sempre e a nossa missão é evoluir eternamente e tentar melhorar como pessoas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Deus me livre.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que me atrai é o seguinte: pra eles, se você não topa melhorar, você vira um espírito errante, ou zombeteiro, e fica perambulando pela terra fazendo mal pras pessoas que te incomodaram na vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bingo! Isso que eu quero: aterrorizar o vizinho que ouve música alta no domingo à tarde. Quero garantir que ele pise no molhado toda vez que ele estiver só de meias.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Virar fantasma e encher o saco de quem eu não gosto por toda a eternidade. De quebra, atravessar parede e ver as pessoas trocando de roupa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que céu, amigos, que céu!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso de que uma vida sem sentido gera sofrimento é desculpa de coach pra vender curso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que gera sofrimento é ficar preso num condicionamento cafonérrimo de que o nosso trabalho, além de pagar as contas, precisa ter alguma expressão superior.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quer saber alguém que morreu feliz? O CEO de plano de saúde que o Luigi Mangione matou. Passou a vida fazendo o trabalho mais escroto do mundo, foi lindamente remunerado e recebeu como carma uma morte rápida, sem tempo sofrendo no hospital e às 07h30 da manhã, antes do expediente começar. Brilhante.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A gente quer é poder passar os dias fazendo alguma coisa que não seja totalmente emburrecedora e que ajude a passar o tempo. Se o Estado Islâmico abrisse vagas de home office com um bom vale-mercado, eu enviaria meu currículo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Melhorar o mundo, com o gás nesse preço? Impraticável.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/8913178921383179498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/01/zombeteiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/8913178921383179498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/8913178921383179498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2025/01/zombeteiro.html' title='Zombeteiro'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgrv1TfjyQHB8PNDMVUT58wLLyyT-S7oV4rHl9cGHWBcShPYcXtpPheAvzuOE7cdS7m4d6O1GdDKQosaUqI3S1eKgLodJXzw2d-IgXTT2pV445S9_CGRs02mAPnwVx16DhSkJBP56MbPSverpoyKpSWJ_G_GgJLINIs_tqJ7URXPjc87Ji4tVuHHw/s72-c/1.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-1146868318127852152</id><published>2024-12-31T22:41:00.001-03:00</published><updated>2025-01-16T22:42:14.545-03:00</updated><title type='text'>Repetindo repetindo repetindo</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhFayCvQWtCWcy4bFg5bVdakz0a0qyc6G0EQ_P3MFHculpzuJpVoQgvAAryj15QlewP7VM6ZAve6zKlyfQ7tK7az0Pd3v0UgTfsJGdHA0wn0Hqlx3UtL6HwRmThOq4lJp6AjmbgZKBwTAuQ9arnLq1_JsV9ZQHCBQgANZhnv0S2w5WSJ2yys2hGyQ/s1080/1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhFayCvQWtCWcy4bFg5bVdakz0a0qyc6G0EQ_P3MFHculpzuJpVoQgvAAryj15QlewP7VM6ZAve6zKlyfQ7tK7az0Pd3v0UgTfsJGdHA0wn0Hqlx3UtL6HwRmThOq4lJp6AjmbgZKBwTAuQ9arnLq1_JsV9ZQHCBQgANZhnv0S2w5WSJ2yys2hGyQ/s320/1.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma coisa bacana de envelhecer - tem que ter alguma - é que você vai desenvolvendo um apreço sobre como as coisas se repetem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ontem, recebendo amigos em casa, eu sorri ao perceber a mesmice dos nossos assuntos: os mesmos comentários de cansaço com o trabalho, os mesmos sonhos de um pouco mais de conforto na vida, a mesma vontade - essa talvez um pouco maior ano a ano - de perder peso…&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em tempos mais adolescentes isso me deixaria inquieto, certo de que era hora pra explorar novos ares, mas não dessa vez. A vida já tem tantas mudanças, de um jeito tão fora do nosso controle, que me parece mais saudável enxergar o repetitivo como sagrado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As missas, os casamentos, as formaturas são sempre iguais e quase sempre muito bonitos. Não é isso que faz os rituais tão poderosos, saber que eles sempre acontecem da mesma forma?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;–&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A gente se engana muito quando pensa que o que nos torna especiais para os outros são os grandes gestos. Quantos grandes gestos cabem numa vida? Muito poucos. Quantas miudezas bonitas podem acontecer? Infinitas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As pessoas se tornam especiais porque fazem questão de se repetir nas nossas vidas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;São as banalidades que fazem falta quando alguém vai embora da nossa vida - as saudades mais pesadas são do pequeno e repetitivo. A lembrança que mais pega é quando você se pega dobrando um guardanapo do jeitinho que a pessoa costumava fazer, ou quando você percebe que, pela primeira vez, aquela piada velha não foi contada na hora da refeição.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não pensem que eu perdi o gosto pela novidade, mas até a novidade fica um pouco velha com o tempo. A gente só sabe que o novo sempre vem porque ele é recorrente em vir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O novo sempre vem, mas vem por uma estrada velha, e é gostoso sentar à beira dela pra ver o inevitável desfile da novidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;–&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com o tempo, a empolgação pelo novo se transforma numa nostalgia em tempo real pelo que é vivido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em algum momento o “já chegou o ano novo!” vira um “já chegou o ano novo??” recebido com mais surpresa do que esperança, mas a esperança segue lá - não renovada, mas persistente, como um velhinho que insiste em chegar vivo a mais um Natal.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desejo que muita coisa se renove no próximo ano, mas não tudo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que aquilo que é confortável, banal e sagrado continue exatamente como está, e que a gente saiba recepcionar o novo com o carinho que o tempo - e só o tempo - sabe ensinar a ter.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/1146868318127852152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/12/repetindo-repetindo-repetindo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1146868318127852152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1146868318127852152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/12/repetindo-repetindo-repetindo.html' title='Repetindo repetindo repetindo'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhFayCvQWtCWcy4bFg5bVdakz0a0qyc6G0EQ_P3MFHculpzuJpVoQgvAAryj15QlewP7VM6ZAve6zKlyfQ7tK7az0Pd3v0UgTfsJGdHA0wn0Hqlx3UtL6HwRmThOq4lJp6AjmbgZKBwTAuQ9arnLq1_JsV9ZQHCBQgANZhnv0S2w5WSJ2yys2hGyQ/s72-c/1.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-6134500701338771778</id><published>2024-10-25T22:39:00.001-03:00</published><updated>2025-01-16T22:40:49.830-03:00</updated><title type='text'>Atolados no passado</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEikcAsPOvgEaXtoQamYaocEv23lvVgiPdfWfyrGVGgTLrjq4FYf5DDeTfPSfEymBHXAqi-60lANhexNeW3Iz3p2n_TNjH_Grq1j5ZgNXxJ4kiyTnnQ5I3vgNqrpCWe9NwLRA6BV3JADuhU2W0ATB_Ti_Rpbn6uuh7EDfzD82dtqcfSbja13m1bI3Q/s1080/1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEikcAsPOvgEaXtoQamYaocEv23lvVgiPdfWfyrGVGgTLrjq4FYf5DDeTfPSfEymBHXAqi-60lANhexNeW3Iz3p2n_TNjH_Grq1j5ZgNXxJ4kiyTnnQ5I3vgNqrpCWe9NwLRA6BV3JADuhU2W0ATB_Ti_Rpbn6uuh7EDfzD82dtqcfSbja13m1bI3Q/s320/1.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não sei quanta gente aqui vai saber quem era o Antonio Cícero, mas provavelmente todo mundo reconheceria alguma composição dele na voz da Marina Lima ou do Lulu Santos. Um homem muito chique na sua escrita.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pois bem, ele faleceu essa semana e eu fiquei feliz quando li a nota de falecimento. Eu e ele tínhamos uma rixa há décadas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mentira. Apesar da notícia triste, fiquei impressionado com o quanto uma atitude moderna é capaz de refrescar o ar de um lugar fechado. É que ele mesmo decidiu encerrar sua vida, numa instituição de morte assistida na Suíça.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já limitado pelo mal de Alzheimer, ele pode dizer &quot;até logo, gente, minha cabeça não tá mais bacana e eu quero poder partir enquanto a festa ainda está boa&quot;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que audácia escrever a própria nota de despedida e desembarcar desse mundo sem que esse seja um ato de desespero.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Novamente, chiquérrimo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Passar por essa onda conservadora que tem batido no mundo é cansativo como tentar ficar firme no mar quando uma onda arrebenta e tenta te arrastar pra onde você não quer ir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não seria formidável a gente estar discutindo quais as melhores formas de interromper o sofrimento de quem, por livre e espontânea vontade, deseja pausar o curso de uma doença pela qual passa?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas não. Ainda estamos na obrigação de distribuir lacinhos amarelos todo mês de setembro e dizer &quot;Ei, gente, torturar quem está em sofrimento não é legal!&quot;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se em algum setembro eu aparecer enforcado em praça pública no maior laço amarelo que for possível encontrar no mercado, vocês vão saber o motivo. Parece que a gente atolou no passado e custa a avançar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fica muito difícil ser progressista quando falar &quot;ei, mas uma menina de dez anos de idade que foi estuprada deveria ter direito de abortar&quot; é uma opinião disruptiva.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu respeitava mais o conservadorismo quando (ingenuamente) achava que ele significava &quot;vamos manter algumas tradições&quot; e não &quot;vamos voltar a 1415&quot;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Seria tão agradável se a gente pudesse olhar para visões diferentes sem essa tempestade de reclamações previsíveis e cafonas que só servem pra azedar o que pode ser um debate de ideias empolgante.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já pensou um vegano poder explicar seu ponto de vista sem uma multidão botando o dedo no cu e falando &quot;ai, mas beicon&quot;?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Poder discutir os avanços da ciência médica sem uma horda de zumbis falando &quot;mas a vachina!&quot;?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Falar de renda básica universal sem ouvir brados pré-programados de &quot;vai pra Venezuela&quot;?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não estou falando de não poder discordar dessas propostas, mas de pelo menos permitir que elas vão ao ar e possam ser olhadas com respeito, com a generosidade de achar que o mundo pode ter mais portas abertas do que fechadas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que saudades de um passado em que existia vanguarda.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Antonio Cicero morreu dando uma aula de futuro pra um país viciado em passado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A gente não decidiu que as coisas ficariam desse jeito. Deveria, como o poeta fez, poder decidir como elas terminam&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/6134500701338771778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/10/atolados-no-passado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6134500701338771778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6134500701338771778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/10/atolados-no-passado.html' title='Atolados no passado'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEikcAsPOvgEaXtoQamYaocEv23lvVgiPdfWfyrGVGgTLrjq4FYf5DDeTfPSfEymBHXAqi-60lANhexNeW3Iz3p2n_TNjH_Grq1j5ZgNXxJ4kiyTnnQ5I3vgNqrpCWe9NwLRA6BV3JADuhU2W0ATB_Ti_Rpbn6uuh7EDfzD82dtqcfSbja13m1bI3Q/s72-c/1.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-2406734690834955856</id><published>2024-10-10T22:36:00.001-03:00</published><updated>2025-01-16T22:38:51.618-03:00</updated><title type='text'>Atento e forte e sem tempo</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9T6erNJagRagRyYyxat6r4G791qy_w7XSpSxjAI-Fo3s2ZScKlIdL4hJj236dZ2PZNcRxrwnSwDeBkAU0f3zIEfS17OQmYLBcnS4Z8pDd-o2UicAr9sEtgGp_bR3HdOk86g-pNjGT9MDb-Vl4n0P4aEbZGXe9ZbqRx70m9MfePx8FIFG1UgB_Yg/s1080/462701302_10160821861508985_9184164576042109124_n.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9T6erNJagRagRyYyxat6r4G791qy_w7XSpSxjAI-Fo3s2ZScKlIdL4hJj236dZ2PZNcRxrwnSwDeBkAU0f3zIEfS17OQmYLBcnS4Z8pDd-o2UicAr9sEtgGp_bR3HdOk86g-pNjGT9MDb-Vl4n0P4aEbZGXe9ZbqRx70m9MfePx8FIFG1UgB_Yg/s320/462701302_10160821861508985_9184164576042109124_n.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estou saindo de férias e fui invadido por uma tristeza grudona e chata.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Antes que você responda &quot;Tadinho, vai sair de férias! Como vai aguentar?&quot;, listo os motivos de hoje para me sentir culpado: não vou estar disponível pros meus pacientes (que eu estou subestimando profundamente se acho que não vão aguentar uma semana sem mim); meu gato vai morrer de tédio sendo visitado apenas uma vez por dia pela vizinha (quando ele mesmo passa meia horinha perto de mim por dia antes de enjoar e ir tirar as sonequinhas dele); eu vou gastar dinheiro (essa coisa que foi feita pra gastar mas eu não aceito).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa melancolia não estava na minha agenda. O meu dia pré-viagem ia ser cheio de atendimentos e atividades, a emoção planejada era a de corre-que-não-vai-dar-tempo. Não combinei com os russos: as agendas foram caindo por terra, as notícias foram de cavalos soltos no meio do furacão, uma chuvinha começou a cair e... o dia abriu uma brecha pra melancolia entrar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bem vinda, melancolia. Fica à vontade, só tenta não entrar na minha mala que já tá cheia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na última viagenzinha que fiz, o ônibus demorou bastante pra sair e o motorista compensou o atraso com o pé no acelerador. Fui sacolejando na minha poltrona semi-leito (sou rico) e tive tempo o suficiente pra lembrar que sim, a morte poderia vir de supetão, bastando um único movimento em falso do motorista de mais de setenta anos que dirigia apressado madrugada adentro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez a noite de viagem terminasse com uma chegada ao meu destino de fim de semana, talvez terminasse com meu destino final. A gente é maluco de confiar a vida numa caixa de metal que se move depressa pela estrada guiada por um desconhecido, né? Mas confia porque precisa. Confia porque a vida precisa urgentemente continuar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ônibus são ótimos lugares pra ser dramático.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois que a gente descobre que as coisas podem dar errado, já era. Foi-se a invencibilidade da juventude - sorte de quem teve essa sensação na juventude, porque tem gente que nem isso! - e uma ansiedade muito da madura começa a se instalar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não acho que essa ansiedade seria aliviada pela inconsciência dos perigos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É preciso estar atento e forte, e isso só acontece quando a gente sabe das rasteiras que a vida pode nos passar de supetão.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que não é saudável é estacionar nisso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É preciso abrir espaço na racionalidade pra achar que as surpresas também podem ser positivas, mesmo quando a gente não espera mais muita coisa da vida.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Stan Lee criou seu primeiro super-herói aos 39 anos. A Vera Wang desenhou seu primeiro vestido aos 40. O Datena deu sua primeira cadeirada no Pablo Marçal aos 67!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sempre há tempo de encontrar algum sentido novo pra vida, se a gente tentar reservar uma energia pra isso também e não só pra choramingar as agruras da estrada. A consciência da finitude não precisa nos impedir de investir num sonho bobo, de querer uma atividade diferente, de arranjar uma sarna pra se coçar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É preciso estar atento e forte mas também sem tempo de temer a morte, porque se sobrar muito tempo pra isso... A cabeça vira um velório.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E eu não quero me dedicar a velórios hoje. Tô indo viajar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(PS: Já pensou se meu avião cai? Ia ser chiquérrimo terminar num texto premonitório assim)&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/2406734690834955856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/10/atento-e-forte-e-sem-tempo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/2406734690834955856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/2406734690834955856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/10/atento-e-forte-e-sem-tempo.html' title='Atento e forte e sem tempo'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9T6erNJagRagRyYyxat6r4G791qy_w7XSpSxjAI-Fo3s2ZScKlIdL4hJj236dZ2PZNcRxrwnSwDeBkAU0f3zIEfS17OQmYLBcnS4Z8pDd-o2UicAr9sEtgGp_bR3HdOk86g-pNjGT9MDb-Vl4n0P4aEbZGXe9ZbqRx70m9MfePx8FIFG1UgB_Yg/s72-c/462701302_10160821861508985_9184164576042109124_n.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-6870268596020338238</id><published>2024-09-30T22:30:00.005-03:00</published><updated>2024-09-30T22:30:53.801-03:00</updated><title type='text'>Diga-me com quem andas. Sério, diga mesmo.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhBLk4prXLrybZd7wUhY0sa1zrX6oRFNeBpj4VZAHgyubncZyCmooSbc_p-dMSw26GAvUVgEGgGsjvFTnv9wvKWXNCk42I6e9WpW1TkILjuZ7MeMhBspFocohTg5CbRCvYsIos70oM780F_3lEuFZJ__16ghOQnyX2BJVOHFwO3iUK9fDx6G56WjA/s1080/1.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhBLk4prXLrybZd7wUhY0sa1zrX6oRFNeBpj4VZAHgyubncZyCmooSbc_p-dMSw26GAvUVgEGgGsjvFTnv9wvKWXNCk42I6e9WpW1TkILjuZ7MeMhBspFocohTg5CbRCvYsIos70oM780F_3lEuFZJ__16ghOQnyX2BJVOHFwO3iUK9fDx6G56WjA/s320/1.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Sempre dá pra deduzir muita coisa a partir do grupo que cerca alguém. Seja pela possível afinidade que constituiu o grupo, seja por perceber de longe que o grupo não tem afinidade nenhuma e só está unido por alguma obrigação.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Na pré adolescência, os meus recreios na escola em geral eram passados com o grupo de rejeitados sortidos que dividisse a sala comigo. Não que a gente não tivesse coisas em comum, longe disso. A gente compartilhava a raiva do resto da turma, alguma sensação vaga de superioridade, notas altas e uma forte percepção de que estando num grupo de cinco a chance de apanhar na saída da escola seria menor.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Agora, mais anos depois do que vale a pena compartilhar, tá cada um num canto. Não sobrou muita afinidade pra manter os laços mas, ei, foi infinito enquanto durou.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Juro, enquanto durou, a sensação foi de que os anos de escola eram infinitos mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;--&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Outros grupos tem afinidades mais óbvias: os colegas de faculdade (que caíram na mesma ilusão de trabalho feliz que você e depois permanecem unidos por um lindo laço de desemprego), os membros da mesma comunidade religiosa, as vítimas de um mesmo golpista... Os dois últimos grupos podem ser o mesmo, inclusive.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Desses grupos que costumam vir as decepções, porque é na aparente semelhança que mora a vilã expectativa.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;A pessoa que é muito sua amiga, mas não gosta de absolutamente nenhuma outra pessoa? Só gosta de você enquanto você atende as expectativas dela. A corda bamba não vale a amizade.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Muito querido o seu amigo de infância, mas ele só segue pilantra, defende pilantra, cheio de ideias ambiciosas com um tonzinho de pilantragem? Dói, mas uma hora a gente tem que admitir que ele provavelmente é pilantra também - e que é melhor não estar nessa vizinhança.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;--&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Por isso eu tenho procurado reparar profundamente nos amigos dos meus amigos.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Convenhamos, eu não tenho mais idade ou disposição pra frequentar grupos estendidos de amizade, por mais que tenha amado fazer isso nos meus vintepoucos. Longe estão meus dias de passar o feriado na casa do primo da amiga da colega da manicure da vizinha da irmã de alguém.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Mas a convivência estendida persiste nos causos. Gosto muito de ouvir meus amigos falando sobre os amigos deles, como aquelas histórias que não aconteceram com a gente mas foram com alguém tão próximo que é quase a mesma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;--&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&quot;Diga-me com quem andas e te direi quem és&quot;, não por conta de com quem você anda, mas pelo seu jeitinho de dizer sobre essas pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Eu sou doido pelas histórias de quem vive perto de mim. &quot;Minha amiga apareceu no Cidade Alerta!&quot;, &quot;meu amigo tirou férias lá e levou golpe de um vendedor na praia&quot;, essas coisinhas fascinantes que acontecem com as pessoas que a gente tem carinho e que acabam fazendo parte da nossa história também.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Minha reparança não é necessariamente no caráter desses outros amigos citados no discurso. Prefiro prestar atenção em como estão os olhos de quem conta a história.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;A pessoa está com orgulho do amigo dela? O olhar está aceso, iluminado com a presença do seu amigo em pensamento?&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Mesmo que num comentário ácido, num momento de fofoquinha, essa acidez vem acompanhada de um açúcar, fazendo uma caipirinha afetiva?&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Minha prioridade tem sido conviver só com quem fica feliz ao observar a vida de quem tem por perto.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;Não porque a probabilidade de eles me amarem também é maior. É porque eles sabem aproveitar o amor que tem, mesmo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both;&quot;&gt;É mais gostoso cozinhar pra quem é bom de garfo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/6870268596020338238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/09/diga-me-com-quem-andas-serio-diga-mesmo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6870268596020338238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6870268596020338238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/09/diga-me-com-quem-andas-serio-diga-mesmo.html' title='Diga-me com quem andas. Sério, diga mesmo.'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhBLk4prXLrybZd7wUhY0sa1zrX6oRFNeBpj4VZAHgyubncZyCmooSbc_p-dMSw26GAvUVgEGgGsjvFTnv9wvKWXNCk42I6e9WpW1TkILjuZ7MeMhBspFocohTg5CbRCvYsIos70oM780F_3lEuFZJ__16ghOQnyX2BJVOHFwO3iUK9fDx6G56WjA/s72-c/1.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-1828133305098138519</id><published>2024-03-27T23:14:00.005-03:00</published><updated>2024-03-27T23:14:51.468-03:00</updated><title type='text'>Pelo fim do acolhimento</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdnCAQ8KOG1LsV5nhtW_OOBRoaCrqxzplNrAn6a98MZjx3ZZtvYu5YQZNbhKJ0oAWvKy88ZxL9X-2w5TnmkOHOeRzJmlnhF5nyHPCdH2IBTDH-nTPdqpLk_IxWM3NhyrTNNMBY-x2vM2Qpcdi2QVafZa9b9UZtJEUeQtgL1H3XXl2cMwq7xos_8Q/s1080/1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdnCAQ8KOG1LsV5nhtW_OOBRoaCrqxzplNrAn6a98MZjx3ZZtvYu5YQZNbhKJ0oAWvKy88ZxL9X-2w5TnmkOHOeRzJmlnhF5nyHPCdH2IBTDH-nTPdqpLk_IxWM3NhyrTNNMBY-x2vM2Qpcdi2QVafZa9b9UZtJEUeQtgL1H3XXl2cMwq7xos_8Q/s320/1.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Primeiras sessões de terapia são, quase sempre, um tanto confusas. As histórias se atropelam, o ambiente é novo e raramente o paciente sabe exatamente o que foi que o trouxe para aquele lugar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Talvez por acreditar nisso eu costumo esquecer uma pergunta clássica de primeira sessão: Qual é seu objetivo aqui?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em respeito ao paciente estreante, tento deixar o ambiente o mais acolhedor possível. Minhas pontuações iniciais são sempre de aceitação e, na medida cabível, carinhosas. Não me parece produtivo oferecer frieza como recompensa pela atitude de procurar ajuda.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se o paciente ousasse tomar as rédeas da primeira sessão e invertesse a pergunta, soltando um &quot;O que você pode me oferecer?&quot;, minha resposta também seria vaga.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Algum espaço, certamente. Alguma compreensão. Um ouvido disposto a encontrar brechas de movimento num discurso às vezes já engessado pelo trauma da vida.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda que bem limitada, acho a oferta boa o bastante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;--&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu, euzinho, como profissional, sou bem pamonha.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É raro sair da minha boca alguma confrontação mais enérgica sobre alguma fala de um paciente.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Me incomodo quando algum colega se diz irritado com a lentidão no desenvolvimento de um paciente. A pressa é inimiga da reflexão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acredito de verdade que, quando acolhida por tempo suficiente, uma pessoa faz sozinha o trabalho de refletir sobre as suas atitudes. Além disso, as pessoas que aparecem no meu consultório já costumam ter uma tendência à autocobrança.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;--&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda assim, não acho que o acolhimento seja o objetivo final de uma terapia. Se fosse o caso, nenhuma intervenção terapêutica iria além de um &quot;poxa, tadinho!&quot;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O acolhimento é só uma ferramenta para reconhecer os desconfortos que temos e para nos permitir desejar ir além deles. Acolher, sem julgamentos, é como um farol que nos ajuda a iluminar capacidades estão mais disponíveis para que aquela pessoa se desenvolva.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A partir dali, é ela com ela.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Primeiro engatinhando, depois arriscando alguns passos e caindo, e depois sentindo-se capaz de arriscar distâncias cada vez maiores.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;--&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Irrita quando o terapeuta muda de postura e passa de tiozinho fofo a carrasco cruel, mas essa frustração também vem de um lugar gentil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como terapeutas, estamos aqui para incentivar os recursos de segurança que uma pessoa tem, não para acolchoar o sofrimento, sufocando as reações naturais - e saudáveis! - que essa pessoa pode ter.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não, ninguém tem culpa de ter depressão - mas pertence ao deprimido a dignidade de ser algo para além disso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ninguém com sintomas de desatenção deveria precisar se martelar para caber numa sociedade que não respeita seu cérebro - mas seria muito bonito que ela encontrasse seu próprio modo de viver com autonomia a partir dali.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos merecemos um colo confortável para chorar nossas angústias. Por outro lado, somos sim responsáveis por sair desse colo e enfrentar o mundo como ele é - e, de quebra, aprender a viver relações com algum conflito e não apenas pautadas no acolhimento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou oferecendo uma visão romântica do sofrimento mental? Talvez.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não se trata de romantizar o desconforto, e sim de oferecer a possibilidade de romance para quem achava estar vivendo uma tragédia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Afinal, quem não quer viver uma história bonita?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/1828133305098138519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/03/pelo-fim-do-acolhimento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1828133305098138519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1828133305098138519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/03/pelo-fim-do-acolhimento.html' title='Pelo fim do acolhimento'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdnCAQ8KOG1LsV5nhtW_OOBRoaCrqxzplNrAn6a98MZjx3ZZtvYu5YQZNbhKJ0oAWvKy88ZxL9X-2w5TnmkOHOeRzJmlnhF5nyHPCdH2IBTDH-nTPdqpLk_IxWM3NhyrTNNMBY-x2vM2Qpcdi2QVafZa9b9UZtJEUeQtgL1H3XXl2cMwq7xos_8Q/s72-c/1.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-8873353212257524796</id><published>2024-03-06T10:38:00.002-03:00</published><updated>2024-03-06T10:38:14.212-03:00</updated><title type='text'>Pombas</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgDy1n4ih0l3kYVCQDe7mEgqEl4dCy2RlmRvcEq_7OLfcHYBrDwqLGSimk5VI8SZP0kwz7gu0nhjLA_-_npYey0H4MKrKWrRW7djkqqY0mkXEFpzkY4O7OrJ0nWGRKs-mpwWAKfbbroxf3dEhZa_6MakbdifrmEnnw2Vm4WgfLLxPT7gNFzaGbZjQ/s1080/1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgDy1n4ih0l3kYVCQDe7mEgqEl4dCy2RlmRvcEq_7OLfcHYBrDwqLGSimk5VI8SZP0kwz7gu0nhjLA_-_npYey0H4MKrKWrRW7djkqqY0mkXEFpzkY4O7OrJ0nWGRKs-mpwWAKfbbroxf3dEhZa_6MakbdifrmEnnw2Vm4WgfLLxPT7gNFzaGbZjQ/s320/1.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Faz tempo que eu não escrevo por aqui. O esforço de sentar a bunda na cadeira e digitar por vários minutos não tava fazendo muito sentido&amp;nbsp; pra mim nos últimos tempos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escrever virou obrigação, e obrigação e limão galego azedam quase tudo.&amp;nbsp; Um amigo jornalista me disse que a faculdade assassinou seu prazer de escrever: a partir do momento em que o dom virou um produto, a alegria foi embora.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu estudei psicologia com a desculpa de que eu poderia escrever melhor se conseguisse, de alguma forma, entender as motivações e sentimentos das pessoas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acabou que a psicologia me deu um palco legal para escrever. Foi falando sobre sentimentos que eu conquistei uma carreira, já que escrever sobre sentimentos dava a impressão para as pessoas de que eu talvez conseguisse conversar sobre eles também.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A coisa fez tanto sucesso, em um ponto, que eu comecei a me sentir obrigado a produzir insights em série pra manter o nível que a expectativa sugeria. Azedei. Já faz algum tempo que escrever sobre sentimentos como se fossem entidades sagradas e distantes me dá um pouquinho de enjoo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando minha relevância online acabou - como acabam todas as relevâncias - confesso que senti algum alívio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas qual o propósito de escrever, então, se hoje meu consultório está relativamente cheio? Se os sentimentos já não são a fonte de inspiração que um dia foram? Se pouca gente ainda me lê?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi aí que uma coisa me pegou em cheio. Uma coisa não, uma pomba. Lá vai:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu gosto de fazer longas caminhadas pra me perder nos pensamentos. Nos pensamentos, aliás, eu continuo escrevendo muito, porque pensamentos são muito mais hospitaleiros do que o papel.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pois bem, estava caminhando quando vi uma pomba voando perto de mim. Eu nem tchum -&amp;nbsp; pomba é tipo aqueles risquinhos na vista que a gente aprende a ignorar - mas aquela pomba não estava disposta a ser ignorada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enorme, ela deu um rasante em mim e bateu violentamente na minha testa. Sem exagero, parecia que eu tinha passado por um acidente de carro e batido com a cabeça no painel.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Jamais imaginei que colidir com uma pomba seria uma possibilidade nessa vida, mas lá estava eu, na rua, com a cabeça doendo, os fones de ouvido caídos no chão e os pedestres ao meu redor segurando (mal) a risada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tudo o que passava na minha cabeça, além de umas penas que ficaram presas no meu cabelo, era que eu precisava escrever sobre isso. Se eu não contasse essa história pra ninguém, o incidente só seria marcante pra mim e pra pomba, e a dor na minha cabeça só teria sido um inconveniente numa segunda-feira qualquer.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já se eu escrevesse sobre isso, a situação mudaria de figura. Viraria uma anedota, viraria um evento, viraria um pinguinho de singularidade no personagem que eu sou.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acho que é por isso que eu gosto de escrever, pelo sentido que se pode dar aos absurdos. Pelo curioso. Pela meditação. Pelo prazer. Por poder compartilhar as coisas que subitamente me vem à cabeça.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse texto vai me trazer likes? Não muitos. Pacientes? Provavelmente não também - o público de pessoas traumatizadas com pombas não deve ser tão grande.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas vai fazer diferença pra mim. Isso basta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/8873353212257524796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/03/pombas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/8873353212257524796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/8873353212257524796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/03/pombas.html' title='Pombas'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgDy1n4ih0l3kYVCQDe7mEgqEl4dCy2RlmRvcEq_7OLfcHYBrDwqLGSimk5VI8SZP0kwz7gu0nhjLA_-_npYey0H4MKrKWrRW7djkqqY0mkXEFpzkY4O7OrJ0nWGRKs-mpwWAKfbbroxf3dEhZa_6MakbdifrmEnnw2Vm4WgfLLxPT7gNFzaGbZjQ/s72-c/1.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-7943741891360143775</id><published>2024-02-06T10:38:00.001-03:00</published><updated>2024-03-06T10:40:17.042-03:00</updated><title type='text'>Gincanas</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkXgMRqwIGQsqRbuXXq64RpvoibRVkYSAHyRtpqRcYLqPDeblvD6FzaKrV9ndjvthQa4pgXV52rQO28x68OukRMrLROEL4bkG-M8xmphEUPbgS4JsSA9bGNoCZ4b8pnwxMlIZJJrQdqPkqxL4aQEdjakD2lh-RHo9OCYi9P1c6mcyNF1BJjIhyUA/s1080/416157445_10160241186408985_5748785853221029533_n.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkXgMRqwIGQsqRbuXXq64RpvoibRVkYSAHyRtpqRcYLqPDeblvD6FzaKrV9ndjvthQa4pgXV52rQO28x68OukRMrLROEL4bkG-M8xmphEUPbgS4JsSA9bGNoCZ4b8pnwxMlIZJJrQdqPkqxL4aQEdjakD2lh-RHo9OCYi9P1c6mcyNF1BJjIhyUA/s320/416157445_10160241186408985_5748785853221029533_n.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os psicólogos dizem que a infância é uma época de aprendizado, mas estou aqui para provar que psicólogos não sabem de nada. Se a gente aprendesse algo na infância, não passaria o resto das nossas vidas sem participar de uma gincana.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Elas são tão divertidas quando a gente é criança, tão gostosas de assistir na televisão, então por que é que a gente para de fazer gincanas depois que cresce?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E não é como se a gente esquecesse desse prazer depois de adultos. A ciência já comprovou que oitenta por cento do pensamento de um humano médio é gasto imaginando como se sairia se estivesse no Qual é a Música?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quem nunca se imaginou heroicamente descobrindo qual é uma canção com apenas duas notas, maestro?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É somente numa gincana que o potencial do ser humano é revelado completamente. Você pode passar anos estudando e nunca ter descoberto seu verdadeiro potencial, que é pegar maçãs numa bacia de farinha com a boca.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É na gincana que as pessoas se conhecem verdadeiramente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sem gincanas, como você descobriria que seu colega de trabalho é um gigante na corrida de saco?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como mostraria para os amigos que sabe o nome da capital da Islândia?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como um trabalhador consegue viver suportando a realidade de que nunca vai poder mandar seu chefe pagar uma prenda?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu entendo que a disponibilidade para montar gincanas é muito menor quando a gente cresce, por isso as gincanas precisam ser acomodadas dentro de algum ritual que a gente já precisa efetuar de qualquer forma.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minha sugestão: velórios-gincana.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A família e amigos já estão reunidos, todos já tem um elemento em comum (convenientemente exposto no centro de uma sala), e o padre/pastor/diretor da funerária podem servir como árbitros.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Ah, mas eu estou sofrendo!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pois prove. Chore enquanto corre carregando um ovo numa colher com a boca.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Até planejei a gincana do meu próprio velório, porque a gente ensina mesmo é dando o exemplo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu vou querer três times: homens, mulheres e LGBT.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todos vão passar por provas que medem força, agilidade, inteligência e capacidade de fazer sexo com pessoas do mesmo gênero - todas valendo a mesma quantidade de pontos, pra ser justo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As provas vão ser temáticas da minha vida: a primeira atividade é atravessar sem chorar um corredor de bullying intenso. Depois, uma prova de bote-o-rabo-no-burro pra simbolizar meu ensino médio e uma prova de quem come mais cachorros-quentes em menos tempo pra representar meu ganho de peso após os trinta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois, as pessoas vão responder perguntas sobre a minha vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Aos dez anos, ele descobriu na brincadeira do compasso qual era o nome da pessoa que ele ia beijar. Qual era o nome?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Com qual canção do Kid Abelha ele passou vergonha na adolescência ao ouvir em público e gritar UHUL sem querer?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;O Flávio usava a mesma senha em todos os suas redes sociais mesmo após repetidos vazamentos de dados. Qual era a senha?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A primeira pessoa que correr cinquenta metros de lama, tocar um sino e responder corretamente ganha dez pontos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pro esforço valer a pena, o time ganhador pode levar meu corpo empalhado pra casa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tomara que a moda pegue. Estamos precisando ser mais lúdicos.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/7943741891360143775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/02/gincanas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/7943741891360143775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/7943741891360143775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2024/02/gincanas.html' title='Gincanas'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkXgMRqwIGQsqRbuXXq64RpvoibRVkYSAHyRtpqRcYLqPDeblvD6FzaKrV9ndjvthQa4pgXV52rQO28x68OukRMrLROEL4bkG-M8xmphEUPbgS4JsSA9bGNoCZ4b8pnwxMlIZJJrQdqPkqxL4aQEdjakD2lh-RHo9OCYi9P1c6mcyNF1BJjIhyUA/s72-c/416157445_10160241186408985_5748785853221029533_n.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-7745903216204788738</id><published>2023-12-06T18:53:00.002-03:00</published><updated>2023-12-06T18:53:30.119-03:00</updated><title type='text'>Punk de pancinha</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiVH3RBZoKqd5NzX0LDeWclBJMj2x9YpLlHg709AgDfBDwHDWLo-jmB7sd_sXI38LXRwf3sV8nWD25XmQCtkxtXQisQePOMebsL4iknDUGma3c2QBJ3OniZ59Z66o2RzDU_Oc-Bzzugvrb8ERj9SxTk6d4ozCsHJLOgqnHSCV8aNlRPyNvFg23jMg/s1080/1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiVH3RBZoKqd5NzX0LDeWclBJMj2x9YpLlHg709AgDfBDwHDWLo-jmB7sd_sXI38LXRwf3sV8nWD25XmQCtkxtXQisQePOMebsL4iknDUGma3c2QBJ3OniZ59Z66o2RzDU_Oc-Bzzugvrb8ERj9SxTk6d4ozCsHJLOgqnHSCV8aNlRPyNvFg23jMg/s320/1.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No ano passado, perdemos Vivienne Westwood, símbolo da moda punk. Punk, no caso, sendo um movimento dos anos 70 que desejar provocar mudanças na sociedade a partir do incômodo, através do choque, seja na música, na atitude ou no visual.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No lugar de um casaco bonito, de pele, a ideia era usar uma jaquetona rasgada, com caveiras e tachinhas de metal de fora a fora. Em vez de um educado topete arrumado milimetricamente, usar um moicano gigante (arrumado mais milimetricamente ainda).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Vivienne, mesmo bem velhinha, andava por aí de cabelão laranja e roupas diferentonas. Era um jeito de reagir às demandas limpinhas da sociedade conservadora que ela conheceu ao nascer na década de 40.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cês já repararam na quantidade de tempo que a gente passa constrangido?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tenho visto isso por tudo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na padaria, alguém comenta &quot;ai, não devia mas vou comer um docinho!&quot;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Numa festa de casamento, alguém diz &quot;como esse vestido mostra minha barriga!&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Parece que estamos constantemente tentando justificar algum comportamento inadequado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Compreensível: nos acostumamos a ter demandas muito altas não em apenas uma, mas em todas as áreas da vida.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tá proibido se satisfazer em ser uma boa mãe se você não tiver tanquinho. Tudo precisa ser absolutamente excelente. A carreira encaminhada. O estudo sempre atualizado. O corpo sempre musculoso. A casa digna de Pinterest.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estamos sob fiscalização constante.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse estado de polícia em tudo não nos destrói só pelo cansaço. A expectativa de perfeição é violenta por bloquear nossa capacidade de sentir prazer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não dá tempo de ser feliz com o que conquistou no trabalho se você está sempre buscando a promoção seguinte. Não é possível se sentir seguro com a própria conta bancária quando as exigências financeiras só aumentam.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sem contar que não é nada sexy esterilizar o corpo de todas as suas imperfeições como quem prepara um campo cirúrgico. Como gozar direito quando o pensamento está no (esse sim, sexy!) balanço da pancinha?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não há nada a se ganhar em ceder ao constrangimento de não atingir as expectativas. Essa vontade de agradar sabe-se lá quem só traz mais trabalho e submissão a regras com as quais nem concordamos de verdade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É preciso combater isso. Se hoje um moicano já não choca mais ninguém, que inventemos nossa própria subversão.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje, punk é ter pancinha.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É ter orgulho de andar de ônibus. É olhar pra quem prega &quot;trabalhe enquanto eles dormem&quot;, pensar &quot;otário&quot; e ir tirar uma soneca. É olhar pro boletim da nossa vida cheio de notas 7 e achar ótimo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É apreciar estar na média, não por mediocridade, mas por transgressão.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vamos perder o constrangimento e voltar a gozar!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vai ser chiquérrimo.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/7745903216204788738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/12/punk-de-pancinha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/7745903216204788738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/7745903216204788738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/12/punk-de-pancinha.html' title='Punk de pancinha'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiVH3RBZoKqd5NzX0LDeWclBJMj2x9YpLlHg709AgDfBDwHDWLo-jmB7sd_sXI38LXRwf3sV8nWD25XmQCtkxtXQisQePOMebsL4iknDUGma3c2QBJ3OniZ59Z66o2RzDU_Oc-Bzzugvrb8ERj9SxTk6d4ozCsHJLOgqnHSCV8aNlRPyNvFg23jMg/s72-c/1.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-951053129422684022</id><published>2023-12-01T18:54:00.001-03:00</published><updated>2023-12-06T18:54:59.326-03:00</updated><title type='text'>De cara feia</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlVc2DmuH3CpBlMqocvmS5BJPQvfWwRiKHiZzfnOFFe_3Bw7oTWu2J5addIqOUz5SGgB8tgebr-JtlxxCrn7Zfem0zETOtS83d__w3rCA7TeTTJ27vdl6BMFDYWMluNtQBWAbqbllK-cu8e8G4Ee2LWblw-tyAcxgF51LJ2r1bub5Hs8OmlqnhbA/s1080/1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlVc2DmuH3CpBlMqocvmS5BJPQvfWwRiKHiZzfnOFFe_3Bw7oTWu2J5addIqOUz5SGgB8tgebr-JtlxxCrn7Zfem0zETOtS83d__w3rCA7TeTTJ27vdl6BMFDYWMluNtQBWAbqbllK-cu8e8G4Ee2LWblw-tyAcxgF51LJ2r1bub5Hs8OmlqnhbA/s320/1.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vou fazer uma leitura mediúnica da sua aura, peraí. Se concentra.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estou sentindo o que lhe aflige do outro lado da tela, e o que lhe aflige é uma entidade muito pior do que um encosto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você está sendo assombrado por um chato.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vou além: pelo pior subtipo de chato, o chato espaçoso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aquele chato que gosta de testar seus limites e de ir sempre um pouquinho além de onde é bem-vindo, e o faz sempre com um sorriso no rosto. O chato espaçoso é sempre muito simpático.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele chega fazendo uma pergunta inconveniente com a entonação de quem tá só brincando. Ele pede favores em público, de um jeito que vai certamente fazer parecer muito mal educado quem ousar dizer não.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O chato tem cara de todos os paus de um baralho inteiro, e é impossível constrangê-lo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E, cá entre nós, chega de gente assim no mundo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lidar com gente espaçosa cansa por dois motivos: um, é muito trabalhoso reforçar limites o tempo todo, dois, é mais pesado ainda quando a gente tenta ser educado no processo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É nessa hora que a gente perde a briga, quando acaba cedendo só pra se poupar do trabalho que daria botar limite num chato dessa estirpe. Aí, quando a gente vê, a pessoa entrou em tantos espaços nossos que a gente fica sufocado e não vê outra opção senão explodir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E o chato, depois da explosão, fica ofendidíssimo. Como é chato o chato!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pois eu tenho uma teoria: o problema é querer ser legal.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A pessoa que tenta ser gentil o tempo todo é a vítima perfeita de um folgado. O folgado sabe explorar o desconforto da pessoa gentil de modo a lhe fazer obedecê-la, e quem passou a vida toda se podando pra não gerar desconforto pra ninguém sofre muito com isso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Afinal de contas, a gente só quer ser amado, certo? E só é amado quem é gentil, certo?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma pessoa mais moderada sugeriria que pode ser útil entender que não é falta de educação colocar limite. Que dizer não é um direito seu.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas isso não cola com a pessoa educadinha. A pessoa educadinha precisa saber que quem está sendo invasivo é o chato, mesmo, e que a falta de respeito começou no momento em que a pessoa entrou num terreno para o qual não foi convidada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dali pra frente, a educação que vá às favas. É dedo no olho e xingar a mãe.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por que não fazemos isso? Por medinho de parecermos rudes, afinal, quem vai gostar de uma pessoa grossa, me diz?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pois eu digo que é bem o contrário.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não há pessoa mais apreciada que aquela que sabe fechar o tempo quando é hora de tempestade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Começando pelo fato de que saber fechar a cara e colocar limites é muito saboroso. Quem começa não quer mais parar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Além disso, colocar limites com firmeza é algo tão raro que inevitavelmente atribui a quem o faz uma aura encantadora.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tem uma história famosa de que o Jamelão, puxador de samba da Mangueira, foi abordado por uma fã na rua que disse:&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Jamelão, eu amo você! Deixa eu te dar um beijo?&quot;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De cara ele respondeu:&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Não! Não sei onde você andou com essa boca!&quot;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu duvido que essa fã tenha saído ofendida. Garanto que saiu de lá ainda mais fã do homem.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não é a toa que o Garfield, o personagem mais mal humorado que já existiu, faz tanto sucesso. Ele só age como muitos de nós, educadinhos, gostaríamos de agir: dando patada em todo mundo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há de se respeitar esse dom.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pra quem tem medo da reprovação social caso saia tesourando folgados, fica o convite. A pele de mal humorado pode lhe cair muito bem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De quebra, você sai protegido de gente folgada, com o prazer de dar uma patada em quem merecia e seguro de ser charmoso - estupidamente charmoso.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/951053129422684022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/12/de-cara-feia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/951053129422684022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/951053129422684022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/12/de-cara-feia.html' title='De cara feia'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlVc2DmuH3CpBlMqocvmS5BJPQvfWwRiKHiZzfnOFFe_3Bw7oTWu2J5addIqOUz5SGgB8tgebr-JtlxxCrn7Zfem0zETOtS83d__w3rCA7TeTTJ27vdl6BMFDYWMluNtQBWAbqbllK-cu8e8G4Ee2LWblw-tyAcxgF51LJ2r1bub5Hs8OmlqnhbA/s72-c/1.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-6530194534296870284</id><published>2023-11-15T15:03:00.005-03:00</published><updated>2023-11-15T15:03:31.038-03:00</updated><title type='text'>ASMR</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0kk1lswLIz7eZSnmN83ba5i8LQ1BurGPhAS9O3BsQMDu37djK-d3iNT_6UfAvPw-kZRhEcj5KhExklBvOwwxewMYvEBRpgKTWBm_5RK_EBNz89LD7pDeXUbZruJo-EJj2aDSKTjZ-GW87xagPG0XO29tRieTFzEVyh_DDzaPtr1Rf1COMZ67sLg/s1080/1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0kk1lswLIz7eZSnmN83ba5i8LQ1BurGPhAS9O3BsQMDu37djK-d3iNT_6UfAvPw-kZRhEcj5KhExklBvOwwxewMYvEBRpgKTWBm_5RK_EBNz89LD7pDeXUbZruJo-EJj2aDSKTjZ-GW87xagPG0XO29tRieTFzEVyh_DDzaPtr1Rf1COMZ67sLg/s320/1.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ando muito atarefado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por exemplo, passei a última meia hora ocupadíssimo escutando uma moça me falar que eu estou muito, muito cansado, e que ela vai me ajudar a relaxar profundamente.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ela fala baixinho, com as consoantes bem marcadas e faz uns movimentos leves com as mãos, de um jeito que me faz me sentir muito íntimo dela.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso me surpreendeu muito, já que ela estava do outro lado da tela do computador. A internet é o supermercado do diabo e eu fui cair justo no prazer mais constrangedor que um homem adulto pode ter: vídeos de ASMR.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pra quem não conhece, ASMR é o nome que se dá praquele arrupio na espinha que vem quando você recebe um toque suave.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sabe quando alguém passa a mão de leve na sua nuca e você, sem querer, treme a coluna inteira e deixa escapar um &quot;ui&quot;? Então, ASMR é um jeito que fizeram de entregar isso pela internet. É o arrupio EAD.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não é todo mundo que sente esses arrepios só de escutar um som agradável, mas eu sou a vítima perfeita pra esse tipo cafuné por correspondência.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso me atrapalha faz tempo. Não me pergunte sobre psicodiagnóstico, por exemplo, porque na época da faculdade minha orientadora da matéria era uma mulher incrível, de fala doce e unhas enormes que ela batia de leve na mesa enquanto falava:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Esse caso... (batidinha de unhas na mesa) é muito severo...&amp;nbsp; (falando baixinho) de coprofagia...&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu quase caía pra trás de tão gostoso que era ouvir essa mulher falando. Sempre prestei muita atenção nela. Da matéria mesmo eu não aprendi nada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Youtube tem um grande cardápio de ASMR.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tem gente que fala baixinho, tem gente que finge que faz exame médico, tem uma moça que interpreta uma freira enfermeira durante a peste negra na idade média, tem outra que usa as roupas da avó e finge que é benzedeira e está rezando pela sua alma...&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ou seja, além do cafuné, é uma das raras oportunidades que um adulto tem de brincar de faz de conta. Hoje a gente só faz de conta pra tentar reviver um relacionamento parado ou pra dar golpe numa idosa que pensa que está namorando o Roberto Carlos pelo Facebook.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outra coisa que me pega: todo mundo fala baixinho. Quem é que fala baixinho nos dias de hoje? Ainda mais na internet, que exige todos os decibéis possíveis pra dizer &quot;FALA GALERA!&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A gente chega a esquecer o dom que é saber falar bem em particular.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Jogar um papinho íntimo, com todo o poder que só quem fala de um jeito suave, que sutilmente te obriga a prestar atenção, sabe ter.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Charme. Quem é que tem tempo pra ter charme em pleno 2023?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se existisse uma profissão que prostituísse só a parte de fazer carinho, eu seria o cliente número um.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sim, vão me dizer que isso já existe no Japão, mas junte quaisquer três palavras e isso já vai ser uma profissão no Japão. Funileiro de topete. Coach de relacionamentos. Estofador de gatos. Não conta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um profissional que só mexesse na gente de leve, que ideia! Nem massagem, nem prostituição. Só carinho mesmo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E eu falo com experiência, já fui numa parada de massagem tântrica e acabei gostando mesmo é do cafuné que a pessoa me fez no começo. A parte do orgasmo eu achei vulgar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vou fazer uma petição pra USP lançar um curso profissional de ASMR. Quem estudar sai com o título de Cafunologista (especialista em afagos e no capitão da seleção de 2002).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A pessoa sai formada em fazer carinho, brincar de faz-de-conta e em falar baixinho -- as três capacidades mais raras no mundo de hoje.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já vou botar a casa na penhora pra quando a primeira turma se formar. A sessão não deve ser barata.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/6530194534296870284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/11/asmr.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6530194534296870284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6530194534296870284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/11/asmr.html' title='ASMR'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0kk1lswLIz7eZSnmN83ba5i8LQ1BurGPhAS9O3BsQMDu37djK-d3iNT_6UfAvPw-kZRhEcj5KhExklBvOwwxewMYvEBRpgKTWBm_5RK_EBNz89LD7pDeXUbZruJo-EJj2aDSKTjZ-GW87xagPG0XO29tRieTFzEVyh_DDzaPtr1Rf1COMZ67sLg/s72-c/1.png" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-6685667740094982476</id><published>2023-10-18T12:20:00.005-03:00</published><updated>2023-10-18T12:20:51.837-03:00</updated><title type='text'>Enganei o bobo na casca do ovo</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVJx3NSdxeTqFYzZ-hcASwzNLCRVmX7j0ieBAXywKPupghiSH5_2UXpU9LsY8aWfdRVQREYjdfRRowigiXGeo-FZOlwcQiHhRix0fI08DzkVtpdImLPBYGixJezM51rgANR1h6ScBQ-nTL5UPo1rkD8UMusmD46ud5Hld5T696NecGRS09b5Uqcw/s1080/1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVJx3NSdxeTqFYzZ-hcASwzNLCRVmX7j0ieBAXywKPupghiSH5_2UXpU9LsY8aWfdRVQREYjdfRRowigiXGeo-FZOlwcQiHhRix0fI08DzkVtpdImLPBYGixJezM51rgANR1h6ScBQ-nTL5UPo1rkD8UMusmD46ud5Hld5T696NecGRS09b5Uqcw/s320/1.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quem disse que desenho animado não é ciência?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bem, ninguém disse isso, mas eu me surpreendi quando fiquei sabendo que um dos meus clichês preferidos de desenho infantil tem a ver com um prêmio Nobel.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lembra quando o Tom, do Tom e Jerry - ou qualquer outro desenho da época - via um ovo chocar e o pintinho que saía de dentro o chamava de mamãe, e o seguia por todo lugar?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso aconteceu com um cientista chamado Konrad Lorenz, que estudava biologia, psicologia e o que mais tivesse pela frente, e que um dia, tal como o Tom, viu chocar um ovinho de ganso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bem, o histórico de Lorenz não era muito bom (com alguns estudos voltados a descobrir se &quot;híbridos germânico-polacos&quot; tinham a mesma capacidade de trabalho que ditos &quot;alemães puros&quot;, aquele nazisminho básico). Ainda assim, o ganso lhe deu uma oportunidade de ressignificar sua obra, porque assim que nasceu, começou a seguir o cientista alemão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O cientista não tinha penas, não tinha os dedos dos pés grudados (que eu saiba), nem tinha qualquer outra característica que o tornasse parecido com uma gansa. O gansinho o via como mãe porque precisava de uma e o homem calhou de estar por lá.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De tanto ser seguido pelo gansinho, Lorenz pensou &quot;esse filho da puta deve achar que eu sou a mãe dele&quot;, e a partir daí criou a teoria do imprinting, que tenta explicar como alguns comportamentos são instintivos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não há indícios de que Lorenz tenha dividido o prêmio Nobel que recebeu com o gansinho. Que mãe mais narcisista!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Gosto de pensar nessa descoberta como uma boa explicação de por quê algumas pessoas são atraentes para a gente. Amar é instintivo, e a gente não passa de um bando de gansos ingênuos que só não nasceram ontem porque nasceram agora mesmo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como é forte nossa capacidade de projetar no outro aquilo que a gente precisa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Passa na sua frente uma pessoa com um bom emprego? Finalmente alguém capaz de cuidar de si mesmo e que não vai dar trabalho!&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Passa um cara com o sobrinho no colo? Deve ser um homem de família, a pessoa certa pra casar e ter filhos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A pessoa mostrou muito pouco, o resto veio do nosso olhar, da nossa necessidade de encontrar alguém com aquelas características. Se a pessoa vai ser aquilo ou não, só se descobre muito tempo depois, muitas vezes num consultório de psicologia ou num escritório de advogado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez por isso seja tão natural olhar pro passado da própria vida amorosa e pensar &quot;como eu consegui amar AQUELA pessoa?&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aquilo que hoje é constrangedor não era mais atraente no passado - a nossa necessidade que mudou, e deixamos de olhar a pessoa com os mesmos vazios de antes. Hoje, o molde que a gente precisa preencher é outro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Conhecer alguém por pouco tempo e sentir que a pessoa é feita pra você é, simplesmente, olhar para alguém que a gente sente que pode nos dar afeto e teimar muito, muito que ela é essencial pra sua vida.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Curiosamente, essas pessoas também costumam lembrar muito nossas mães.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/6685667740094982476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/10/enganei-o-bobo-na-casca-do-ovo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6685667740094982476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6685667740094982476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/10/enganei-o-bobo-na-casca-do-ovo.html' title='Enganei o bobo na casca do ovo'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVJx3NSdxeTqFYzZ-hcASwzNLCRVmX7j0ieBAXywKPupghiSH5_2UXpU9LsY8aWfdRVQREYjdfRRowigiXGeo-FZOlwcQiHhRix0fI08DzkVtpdImLPBYGixJezM51rgANR1h6ScBQ-nTL5UPo1rkD8UMusmD46ud5Hld5T696NecGRS09b5Uqcw/s72-c/1.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-1989504394111007968</id><published>2023-10-04T17:34:00.003-03:00</published><updated>2023-10-04T17:34:38.139-03:00</updated><title type='text'>Presentinho, presentão</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjKAlEQqOetH-VnsfTGC7jlG3tkbbcWhc_5NnQRJhtnzlHZCZl6PzbgOA396A7rfBeIeIu8KR7djDEXESqMnmQAr4gDHvrSuRq_D6QM43aRR9wgxjLFgKXWO7H3-xZOPOwndfjTe18vIV2AVlSiy4TTIegO1TeC2ojd_rb_Eb8YvGv-P7gCqQkX1w/s1080/presen.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjKAlEQqOetH-VnsfTGC7jlG3tkbbcWhc_5NnQRJhtnzlHZCZl6PzbgOA396A7rfBeIeIu8KR7djDEXESqMnmQAr4gDHvrSuRq_D6QM43aRR9wgxjLFgKXWO7H3-xZOPOwndfjTe18vIV2AVlSiy4TTIegO1TeC2ojd_rb_Eb8YvGv-P7gCqQkX1w/s320/presen.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Autoestima, lei n.º 1: Todo ser humano merece a chance de se sentir um presentinho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma pessoa aprende a gostar de si mesma quando é amada no momento em que não tem nada a oferecer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Normalmente acontece quando criança: você chora, faz cocô na calça e, de alguma forma, sabe que isso é chato pra caramba. De algum jeito primitivo, você sabe que seria mais fácil te largar no mato pra virar comida de lobo guará, mas não é isso o que acontece. Alguém te pega no colo, limpa seu bumbum fedorento e fala que você é a coisa mais fofa de meu deusinho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você aprende, então, que algum valor intrínseco você deve ter. Uai, se até seu cocô essa pessoa aplaude, você deve ser muito incrível mesmo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fica marcado no fundo do peito: Eu sou um presentinho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Autoestima, lei n.º2: Nenhuma pessoa deveria se sentir um presentão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ouvi outro dia a história de uma moça que ouvia música muito, muito alta, a ponto de incomodar a vizinhança. Seu vizinho, que me contou a história, criou coragem e foi até a casa dela.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chegando lá, viu que a caixa de som, além de estar no último volume, estava virada para o lado de fora da janela, mandando a música pra a rua em vez de pra dentro da casa. Quando perguntou o porquê disso, a vizinha respondeu:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Querida, eu estou ajudando os outros! Nem todo mundo tem caixa de som, as pessoas querem ouvir música!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olha lá, o presentão. Uma pessoa com a certeza de que todo mundo quer exatamente o mesmo que ela, vivendo a plenitude de pensar que seu gosto é a régua absoluta do bom senso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Faltou uma medida saudável de reprovação pra essa pessoa baixar a bolinha e aprender que apesar de ela ter algum valor intrínseco, nem tudo o que ela faz é maravilhoso e vai ser aprovado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma pessoa madura sabe que nem tudo o que tem a oferecer é desejável. Negar isso não é ter boa auto estima, é falta de noção.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Autoestima, lei n.º 3: tudo bem achar que quem sai perdendo é quem não te quer por perto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Equilibrar-se entre sentir que é um presentinho só por existir e aceitar que nem tudo o que se faz é uma maravilha é um esforço pra toda vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Inclusive quando a gente está sozinho. A grande (e difícil) sacada é saber reconhecer o próprio valor mesmo quando a gente sabe que não está no momento mais admirável da própria existência.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Saber que nosso cocô também fede mas que a gente também tem alguma graça, encontrar a própria turma, onde se é bem quisto mesmo não sendo o ideal de flor que se cheire.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mesmo sem ilusões de perfeição, melhor ficar onde se é bem vindo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O presente é seu e você dá pra quem quiser.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/1989504394111007968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/10/presentinho-presentao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1989504394111007968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1989504394111007968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/10/presentinho-presentao.html' title='Presentinho, presentão'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjKAlEQqOetH-VnsfTGC7jlG3tkbbcWhc_5NnQRJhtnzlHZCZl6PzbgOA396A7rfBeIeIu8KR7djDEXESqMnmQAr4gDHvrSuRq_D6QM43aRR9wgxjLFgKXWO7H3-xZOPOwndfjTe18vIV2AVlSiy4TTIegO1TeC2ojd_rb_Eb8YvGv-P7gCqQkX1w/s72-c/presen.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-3621353816751153765</id><published>2023-09-13T19:53:00.003-03:00</published><updated>2023-09-13T19:53:26.807-03:00</updated><title type='text'>Aprenda com um barulho desses</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhBNSwqOKCp9GHtuUyt5sgr3Vh2KSbu-x3nTsYF5m_Zt8Mnxy4wpTCwtQ2PSfyyNtJrKsY6zFw7TN-2VnG-TcleT3T_48jo3pSj-PFGYfG7cs3XSnxB8H8pnjIzwl9RH45QtAnIwCGJugVgWSPeP6BjiQJ_b2fJhW6QLhwLuJg3zyC78LcSlisSJw/s1080/1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhBNSwqOKCp9GHtuUyt5sgr3Vh2KSbu-x3nTsYF5m_Zt8Mnxy4wpTCwtQ2PSfyyNtJrKsY6zFw7TN-2VnG-TcleT3T_48jo3pSj-PFGYfG7cs3XSnxB8H8pnjIzwl9RH45QtAnIwCGJugVgWSPeP6BjiQJ_b2fJhW6QLhwLuJg3zyC78LcSlisSJw/s320/1.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois de passar um tempo mais recolhido, tomando café sozinho e pensando na vida, voltei a convidar alguns amigos pra compartilharem o café comigo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A vítima da vez foi um amigo que terminou o mestrado recentemente e já estava engatado num projeto de doutorado, enquanto tentava equilibrar escrever uma porção de artigos com receber um qualquer-coisa por hora numa faculdade particular.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Eu precisava tomar vergonha na cara e tentar um mestrado também, sabe?&quot;, eu falei.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Pra quê?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Ah, acho que as pessoas respeitam mais o que a gente sabe...&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Mas você tá precisando de mais respeito?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Não, na verdade não...&quot;, pensei um pouquinho, &quot;mas aprender sempre é bom, né?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meu amigo chacoalhou de leve a caneca na mão, remexendo a borra do café no fundo pra ver se enxergava um futuro diferente, e meteu a seguinte:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Flávio, a coisa que eu menos fiz no meu mestrado foi aprender.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Compartilho esse diálogo pra me sentir mais confortável com não ir fundo na carreira acadêmica? Sim, um pouquinho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas também porque, francamente, a situação pra quem quer aprender algo tá foda.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma outra amiga está sei lá em qual pós-graduação - já foram várias. Mais ou menos a cada ano ela me confessa:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Ai, eu tô com uma vontade de aprender! Mas assim, quero sentar numa sala de aula, olhar um professor bom falando e só absorver o conhecimento&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Também gosto muito da ideia de ser como uma plantinha no sol e receber passivamente conteúdos maravilhosos que transformam a nossa vida, mas mesmo isso não parece muito fácil.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Das várias pós- graduações que minha amiga fez, ela disse que teve momentos assim só umas três vezes. Não me parece valer o esforço de passar todo fim de semana numa sala de aula.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda assim, ela está crente que na próxima vai dar boa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O conhecimento está em crise. Não sei se tem como o conhecimento não estar em crise, porque eu não conheço o conhecimento tanto assim, mas a sinuca está brava.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez um curso menos formal, que você achou na internet? Você pesquisa um pouco o currículo do professor e ele é formado na Universidade Nazigermânica do Norte da Argentina. Deixa pra lá.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fazer um caminho independente e só ler uma pilha de livros diferentes, pra tentar angariar o máximo de conhecimento possível? Parece bom, mas quem valida isso? Não dá pra botar &quot;li Melanie Klein e Jorge Amado e achei algo interessante entre os dois&quot; no currículo sem que uma instituição carimbe que você realmente leu aquilo e pôde achar alguma coisa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ficar conscientemente longe do desejo de aprender alguma coisa? Não dá. Depois que você tem consciência que não sabe nada, saber nada fica muito desconfortável.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não tem pra onde fugir. Aprender alguma coisa é intimamente ligado a não ser validado ou a estar sujeito a algum risco. Ainda bem que a curiosidade é potente o suficiente pra nos fazer aguentar esse sufoco.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda assim, o maior perigo dessa frustração em querer aprender é o de desistir e achar que o próprio conhecimento não tem valor algum. Sempre há algo a somar, sim, mas se você quer tanto aprender... Alguma coisa você deve estar fazendo de certo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É por isso que vou lançar meu curso APRENDENDO NO TIK TOK, com o módulo especial &quot;Vi num vídeo em que alguém mencionou um estudo&quot;. Vamos aprender muito juntos.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/3621353816751153765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/09/aprenda-com-um-barulho-desses.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/3621353816751153765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/3621353816751153765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/09/aprenda-com-um-barulho-desses.html' title='Aprenda com um barulho desses'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhBNSwqOKCp9GHtuUyt5sgr3Vh2KSbu-x3nTsYF5m_Zt8Mnxy4wpTCwtQ2PSfyyNtJrKsY6zFw7TN-2VnG-TcleT3T_48jo3pSj-PFGYfG7cs3XSnxB8H8pnjIzwl9RH45QtAnIwCGJugVgWSPeP6BjiQJ_b2fJhW6QLhwLuJg3zyC78LcSlisSJw/s72-c/1.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-246231468837772942</id><published>2023-08-09T11:21:00.005-03:00</published><updated>2023-08-09T11:21:38.597-03:00</updated><title type='text'>Emoção nenhuma</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEizdwajpf_gOC7f5eVmn02zng6RJELqV6fchxkuD6MS4rdz8MV-Q4Zm3dqAiYB1BGyv1N7A7R8KB4eaAqFQyIUTH8I7E08GP9_jmpPOBi4AOL3d3Kxe9gMmvWB5i_1zVmmOD2TQXwqPc7-fVgepjz9qLb9QrSh-ZQjEViYCh3DXsXF8G7j_RddO2Q/s1080/1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEizdwajpf_gOC7f5eVmn02zng6RJELqV6fchxkuD6MS4rdz8MV-Q4Zm3dqAiYB1BGyv1N7A7R8KB4eaAqFQyIUTH8I7E08GP9_jmpPOBi4AOL3d3Kxe9gMmvWB5i_1zVmmOD2TQXwqPc7-fVgepjz9qLb9QrSh-ZQjEViYCh3DXsXF8G7j_RddO2Q/s320/1.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu andava desconfortável de encontrar velhos amigos, e não era nem por falta de gosto. Minha personalidade é de cachorro labrador e eu fico muito contente de cruzar com qualquer amigo, ainda que mesmo os mais íntimos ofereçam alguma resistência quando eu tento lhes cheirar o traseiro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que me pegava é que, depois de eu cumprimentar efusivamente a pessoa, o momento feliz era imediatamente fatiado pela pergunta: &quot;E aí, o que você tem feito?&quot;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que terror, gente. Eu não tenho feito nada. A última vez que eu fiz alguma coisa foi lá por volta de 1996, e foi contra a minha vontade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso deixou um grilo na minha cabeça que eu não conseguia deixar de lado. Achei até que chegou a hora de ter uma crise de meia-idade, mesmo achando que ainda não cheguei lá.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu precisava de emoção. Eu sempre corri em mil direções diferentes, como assim eu estava satisfeito com simplesmente deixar um dia vir atrás do outro? Eu pre-ci-sa-va chacoalhar o coreto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aí que morava o desafio: mudar o quê, se eu até que tô bem?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mudar de carreira? Eu gosto do que eu faço!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mudar de casa? Agora que eu acabei de resolver a goteira no registro do banheiro?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mudar de relacionamento? Os homens são todos iguais, e o meu toma banho. Pra mim tá bom.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Percebi que a monotonia não era o problema que parecia ser.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando a minha vida era cheia de novidades, era porque eu não tinha outra opção. Era lidar correndo com o que aparecia e torcer pro futuro ser melhor. Enquanto eu tava na correria, com o que é que eu sonhava? Justamente com a vida monótona, segura e confortável que eu tenho hoje.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A pessoa inquieta em mim não deixou de existir. Eu só tive, pela primeira vez, a oportunidade de me sentir satisfeito -- e a satisfação é um pouco enfadonha mesmo. Não por isso é menos importante.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por isso eu fico intrigado com quem viaja o mundo à procura de emoção. A pessoa já não tem problemas de verdade? Vai juntar meses de salário pra me jogar de uma ponte, presa só por um fio de fone de ouvido? Não, não. Não é pra mim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu já passo pela rua escura de um cemitério quando volto do supermercado à noite. É emoção suficiente.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A única sensação extrema que eu busco é a de paz.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um dia ainda me confundo e tento comprar um pacote turístico numa funerária, só porque li &quot;Descanse em Paz&quot; no letreiro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quer dizer, eu até entendo essas pessoas mais intensas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Às vezes a pessoa já saturou de estabilidade. Talvez more na mesma casa há trocentos anos, trabalhe com os mesmos problemas há muito tempo e precise de uma injeção de adrenalina na própria vida.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Só isso explica quem vai lá e compra uma moto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;--&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No fim das contas, todo mundo procura aquilo que sente falta. Os cansados querem paz, os entediados querem movimento e os meio térmicos querem o meio termo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O quanto a gente vai ser atendido no nosso desejo é que escapa da nossa escolha, mas tanto a adrenalina quanto a monotonia são inevitáveis.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E a vida, vai fazer o quê, oscila.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pelo menos assim todo mundo fica contente (por mais ou menos 30% do tempo).&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/feeds/246231468837772942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/08/emocao-nenhuma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/246231468837772942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/246231468837772942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.ruimdacabeca.com.br/2023/08/emocao-nenhuma.html' title='Emoção nenhuma'/><author><name>Flávio Voight</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01332506726484047289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEizdwajpf_gOC7f5eVmn02zng6RJELqV6fchxkuD6MS4rdz8MV-Q4Zm3dqAiYB1BGyv1N7A7R8KB4eaAqFQyIUTH8I7E08GP9_jmpPOBi4AOL3d3Kxe9gMmvWB5i_1zVmmOD2TQXwqPc7-fVgepjz9qLb9QrSh-ZQjEViYCh3DXsXF8G7j_RddO2Q/s72-c/1.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>