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	<description>Vela na Escuridão é para os fracos, seja um lança-chamas!</description>
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		<title>Croniquinha: Adoro trabalhar com gente doida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cardoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Feb 2026 20:08:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pessoais]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Calma, não se anime. Não gosto de maluco-beleza, doidos-modinha ou gente que rasga dinheiro. Eu falo de doido com método. Eu dei a sorte de ter trabalhado com sociopatas que&#8230;</p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2026/02/vlcsnap-2026-02-15-17h06m22s181.jpg"><img  title="" fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="425" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2026/02/vlcsnap-2026-02-15-17h06m22s181-1024x425.jpg"  alt="vlcsnap-2026-02-15-17h06m22s181-1024x425 Croniquinha: Adoro trabalhar com gente doida"  class="wp-image-18113" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2026/02/vlcsnap-2026-02-15-17h06m22s181-1024x425.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2026/02/vlcsnap-2026-02-15-17h06m22s181-300x124.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2026/02/vlcsnap-2026-02-15-17h06m22s181-768x318.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2026/02/vlcsnap-2026-02-15-17h06m22s181-1536x637.jpg 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2026/02/vlcsnap-2026-02-15-17h06m22s181.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Calma, não se anime. Não gosto de maluco-beleza, doidos-modinha ou gente que rasga dinheiro. Eu falo de doido com método.</p>



<p>Eu dei a sorte de ter trabalhado com sociopatas que estariam vestindo a pele de alguém, se não tivessem direcionado suas habilidades para outras atividades. Para mim isso é muito bom, eu gosto de ser estimulado (no bom sentido) e algo que me estimula muito é ver gente inteligente obcecada em resolver problemas.</p>



<p>Milhares de anos atrás eu era contínuo high-tech em um Sindicato da UFRJ, uma de minhas principais atribuições era trabalhar com editoração eletrônica. Feijão com arroz, Ventura, Pagemaker, Photostyler para editar uma imagem de vez em quando&#8230;</p>



<p>Um dia contrataram uma diretora de arte / programadora visual. Era uma mulher chata, arrogante, de nariz empinado, que ganhou a antipatia de todo mundo do departamento, ela reclamava de tudo, coisas triviais que ninguém perceberia, ela mandava refazer, para desespero do editor, que precisava fechar o jornal.</p>



<p>Não precisa dizer que viramos unha e carne. As implicâncias dela eram todas lógicas, e quando viu que eu não tinha problemas em trabalhar se o pedido fizesse sentido, ela grudou de vez.</p>



<p>Eu adorava a Marília, ela não tinha a menor noção do que era muito difícil ou mesmo impossível, então pedia as coisas, eu no melhor estilo Montgomery Scott respondia “Não dá, isso é impossível&#8230; mas vamos fazer mesmo assim”.</p>



<p>Nessa brincadeira eu editava fotos removendo objetos extras da cena, alterava datas em cartazes nas imagens, fazia composições muito além das minhas habilidades, mas com ela guiando minuciosamente cada passo, tudo dava certo.</p>



<p>Um dia essa louca estava editando uma revista comigo. Na metade do trabalho ela cismou que nenhuma das fontes disponíveis no CD-ROM do Corel era de seu agrado. Ela perguntou se havia como <em>modificar</em> uma fonte.</p>



<p>Eu não tinha a menor idéia se TrueType era editável. Nunca havia ouvido falar nisso, então respondi: “Não, isso não existe, mas vou pesquisar.”</p>



<p>Isso foi antes da Internet, não havia “online” fora BBSs, mas eu tinha uma pilha enorme de CDs de shareware, comprados em loja e em revistas. Virei a noite nos catálogos, achei um editor e no dia seguinte passamos a tarde inteira editando uma fonte exclusiva.</p>



<p>Ninguém percebeu, ninguém ligou, mas nós nos sentimos muito foda!</p>



<p>Outra doida com quem trabalhei foi uma pedagoga, na Cultura Inglesa. Era outra chata, povo vivia reclamando que ela era a Rainha da Refação, mas eu percebi que a mulher era antes de tudo perfeccionista, e a gente tinha o mau hábito de fazer tudo nas coxas.</p>



<p>Um dia eu fiz uma página de relatório online consolidando zilhões de dados de alunos, algo considerado impossível pois eram dados demais para os computadores da época, e queriam resultados atualizados a cada consulta. (eu resolvi com uma tabela consolidada, pq eu sou um gênio).</p>



<p>Os dados estavam relativamente corretos, mas a mulher não gostou da formatação. Fiz a primeira alteração, ok, pediu outra, ok.&nbsp; Na terceira peguei o telefone “desce aqui”.</p>



<p>Ela veio, desconfiada. Puxei uma cadeira “senta, vamos fazer isso juntos, senão isso vai levar um mês”.</p>



<p>Ninguém havia feito isso com ela antes. Ela ficou maravilhada vendo alguém programar, ao vivo, os resultados aparecendo. Ela pedia modificações, eu explicava as que não eram viáveis, ela entendia, as outras a gente fazia, alterava, eu sugeria alternativas, ela ponderava, aceitava algumas, aprimorava outras.</p>



<p>No final do dia o relatório online que estava com uma semana de prazo foi finalizado, virou uma das páginas mais bonitas, acessadas e elogiadas do site, e ela passou a me procurar direto, pois sabia que eu respeitava sua obsessão e perfeccionismo.</p>



<p>Outro maluco que trabalhei foi o Henrique Manela. Eu era programador novo em uma empresa desenvolvendo aplicativos para PalmOS. Eu não era muito versado em C, mas programação é programação, então eu dava conta do dia-a-dia mas o trabalho aumentou, e precisávamos de mais gente. O Manela estava disponível e ele era meio que uma lenda da comunidade.</p>



<p>Imagine todos os clichês do sujeito barbudo, quarenta e poucos, que já viu de tudo na vida e agora pegou um emprego mais simples para ganhar dinheiro e relaxar. Ele virou nosso Yoda. Tudo cabeludo demais pro nosso nível, ia pra mão do Manela.</p>



<p>Um dia um programa começou a dar problema. Revisei TUDO, não conseguia achar o bug. Apelei pro Manela.</p>



<p>Ele compilou, rodou, o bug apareceu, ele voltou pro código-fonte, leu, abriu manuais da API, manuais do CodeWarrior (a IDE bosta que todo mundo usava pra PalmOS), mexeu no programa, o bug continuava. Ele então soltou um “hum”.</p>



<p>Eu peguei uma cadeira, sentei do lado e fiquei vendo o Manela pensar.</p>



<p>Daqui a pouco o sócio da empresa que era programador, viu a gente, chegou do lado, puxou outra cadeira e ficou assistindo também.</p>



<p>Manela falava às vezes meia palavra, estudava os manuais na tela&#8230; então ele resolve imprimir um dump de memória, em hexadecimal (também bom para trocar mensagens com Marte) e comparou os valores, um a um, rodando o programa passo a passo.</p>



<p>No final ele bate na mesa, solta um palavrão, assusta as meninas da sala.</p>



<p>Vitorioso ele circula dois valores na listagem.</p>



<p>“Achei o problema, Cardoso. Essa função que você está chamando e passa um argumento de 16 bits, tem um bug. INTERNAMENTE ela converte o valor para 8 bits, processa e converte de volta para 16bits, com isso você perde metade das palavras. Se o valor que você passa é menor que 256, tudo funciona, quando passa disso, aí o resultado sai errado”</p>



<p>Eu e o sócio ficamos olhando para ele como os macacos de 2001 olhavam para o monolito. Nem em um milhão de anos teríamos chegado àquela conclusão.</p>



<p>Eu escrevi uma versão nova da função da API, e tudo ficou perfeito.</p>



<p>Trabalhar com quem gosta do que faz e é MUITO BOM no que faz é um privilégio, e ajuda a entender como muitas vezes quem está de fora acha que essas pessoas são&#8230; chatas, quando na verdade apenas exigem mais de si mesmas do que você está acostumado.</p>



<p>Então, fica a dica: Na dúvida, seja o chato. Se você for o mais do mesmo, se fizer só seu feijão com arroz, ninguém vai lembrar de você, para o bem ou para o mal.</p>
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		<title>Quando americanos fugiram nas barbas de Stalin &#8211; e ele adorou</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cardoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Aug 2025 21:09:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[AtaqueaToquio]]></category>
		<category><![CDATA[BombardeirosB25]]></category>
		<category><![CDATA[ImpactoMoral]]></category>
		<category><![CDATA[MissaoDoolittle]]></category>
		<category><![CDATA[SegundaGuerraMundial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antes tarde do que nunca, os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial depois do ataque japonês a Pearl Harbor, e uma das primeiras ações americanas foi o ataque a&#8230;</p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/NORMAL_00029_.png"><img  title="" decoding="async" width="1024" height="506" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/NORMAL_00029_-1024x506.png"  alt="NORMAL_00029_-1024x506 Quando americanos fugiram nas barbas de Stalin - e ele adorou"  class="wp-image-18077" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/NORMAL_00029_-1024x506.png 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/NORMAL_00029_-300x148.png 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/NORMAL_00029_-768x380.png 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/NORMAL_00029_.png 1456w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Antes tarde do que nunca, os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial depois do ataque japonês a Pearl Harbor, e uma das primeiras ações americanas foi o ataque a Tóquio comandado por Jimmy Doolittle, que embora estrategicamente irrelevante, assim como a Rita Cadillac foi bom para o moral.</p>



<p><br>No começo de 1942 a Marinha dos EUA ainda estava muito capenga. Totalizando, eles tinham CINCO porta-aviões, para cobrir todos os mares do mundo. No final da Guerra eles chegaram a construir no total 143, mas na época eram só cinquinho mesmo.</p>



<p><br>Era inviável mandar esses navios para atacar o Japão, seriam dizimados, então resolveram pensar fora da caixa. Que tipo de avião teria alcance para voar até o Japão, sem colocar em risco os porta-aviões? A solução veio do Capitão Francis S. Low, que propôs lançar bombardeiros B-25 Mitchell de um porta-aviões, algo que nunca foi feito antes e era uma idéia insana.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/Doolittle-Raid.jpg"><img  title="" decoding="async" width="1024" height="633" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/Doolittle-Raid-1024x633.jpg"  alt="Doolittle-Raid-1024x633 Quando americanos fugiram nas barbas de Stalin - e ele adorou"  class="wp-image-18078" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/Doolittle-Raid-1024x633.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/Doolittle-Raid-300x185.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/Doolittle-Raid-768x474.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/Doolittle-Raid.jpg 1201w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">O B-25 mal cabia no convés do USS Hornet.</figcaption></figure>



<p>Um maluco chamado Tenente-Coronel James H. Doolittle gostou da idéia, e ajudou a planejar tudo: os bombardeiros foram limpos de tudo que fosse pesado e/ou desnecessário, incluindo painéis e quase todas as armas e munição. Decolariam com tanques de combustível extra, da máxima distância possível. </p>



<p>Voariam sobre Tóquio e cidades próximas, lançariam suas bombas e voltariam, mas o porta-aviões USS Hornet suspeitou ter sido avistado, e decidiram lançar os aviões a 1200Km de distância da costa, o que obrigou todo mundo a usar o Plano-B: Soltar as bombas e seguir em direção à China.</p>



<p><br>As bombas assustaram o Japão e causaram danos menores, além de 420 baixas, e foi um grande empurrão moral para os Estados Unidos, mesmo com os 16 bombardeiros sendo perdidos.<br>Um dos tripulantes morreu na queda do avião. Outros três foram executados por um oficial japonês. Oito foram capturados, quatro morreram na prisão, outros quatro sobreviveram até o final da Guerra. O resto pousou na China, foram ajudados pela população local, alimentados, escondidos e repatriados, o que custou muito caro.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/april-18_minneapolis-tribune.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="781" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/april-18_minneapolis-tribune-1024x781.jpg"  alt="april-18_minneapolis-tribune-1024x781 Quando americanos fugiram nas barbas de Stalin - e ele adorou"  class="wp-image-18081" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/april-18_minneapolis-tribune-1024x781.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/april-18_minneapolis-tribune-300x229.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/april-18_minneapolis-tribune-768x585.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/april-18_minneapolis-tribune-1536x1171.jpg 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/april-18_minneapolis-tribune-2048x1561.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p><br>O Japão resolveu dar uma lição, e em uma ofensiva punitiva, executou 250 mil civis e matou em combate 70 mil soldados chineses. Depois ninguém sabe porque o Japão é odiado pelos vizinhos.</p>



<p><br>De todos esses aviões, um tomou um rumo diferente. Pilotado pelo Capitão Edward J. York, o B-25 estava com pouquíssimo combustível, não teriam como chegar na China. Ou pousavam no mar, ou esticavam até a União Soviética, que era aliada dos EUA na Europa, mas na Guerra com o Japão, eram oficialmente neutros.</p>



<p><br>Mantendo silêncio de rádio, York voou com seus quatro companheiros até a base aérea de Vozdvizhenka, a uns 60Km norte de Vladivostok, pousando sem ser incomodado pelas defesas antiaéreas russas, que acharam que era um avião amigo (quer dizer, era).</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/420418-O-ZZ999-002.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="750" height="452" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/420418-O-ZZ999-002.jpg"  alt="420418-O-ZZ999-002 Quando americanos fugiram nas barbas de Stalin - e ele adorou"  class="wp-image-18080" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/420418-O-ZZ999-002.jpg 750w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/420418-O-ZZ999-002-300x181.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">O B-25 do Capitão York, o único dos 16 que pousou normalmente.</figcaption></figure>



<p><br>Os russos não entenderam nada quando os cinco americanos desceram do avião, mas logo apareceram garrafas de vodca, e a atmosfera ficou bem amigável. York pediu para abastecer o avião, e voariam para a China na manhã seguinte. O comandante da base concordou, mas assim que enviou seu relatório para seus superiores, veio o esporro.</p>



<p><br><em>“Tá maluco, meu, quer arrumar treta com os japas?”</em></p>



<p><br>A União Soviética estava tomando uma piaba federal dos alemães, morrendo de medo do Japão, que estava barbarizando a China e basicamente todo mundo na Oceania (ainda existe Oceania?) decidisse ficar de olho grande e atacar territórios russos.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/stalin-soviet-union-neutrality-pact-842x1024-1.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="842" height="1024" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/stalin-soviet-union-neutrality-pact-842x1024-1.jpg"  alt="stalin-soviet-union-neutrality-pact-842x1024-1 Quando americanos fugiram nas barbas de Stalin - e ele adorou"  class="wp-image-18082" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/stalin-soviet-union-neutrality-pact-842x1024-1.jpg 842w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/stalin-soviet-union-neutrality-pact-842x1024-1-247x300.jpg 247w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/stalin-soviet-union-neutrality-pact-842x1024-1-768x934.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 842px) 100vw, 842px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Não consegui determinar se essa foto de Stalin com Hideki Tōjō, Primeiro-Ministro japonês é real, mas é boa demais para não publicar.</figcaption></figure>



<p><br>Stalin acompanhava de perto as intenções japonesas graças a um Espião-Mestre chamado Sorge, então sabia que por enquanto podia respirar aliviado, então não era boa idéia melindrar os caras.</p>



<p><br>Os tratados internacionais determinam que caso combatentes entrem sem-querer em um país neutro, devem ser mantidos internados até o fim das hostilidades, o que evita que o conflito se arraste para dentro das fronteiras. E assim foi feito.</p>



<p><br>O Ministro das Relações Exteriores soviético protestou contra a “invasão”, os americanos protestaram de volta, e os japoneses ficaram satisfeitos, acompanhando de perto a história.</p>



<p><br>Movidos para uma aldeia a uns 450Km de Moscou, os cinco aviadores foram bem tratados, aprendendo a jogar xadrez, ouvindo música, praticando esportes, socializando com os moradores. Depois relataram que os russos foram bem gentis (o que não é normal) e não eram prisioneiros de verdade, mas depois de um ano, a coisa começou a ficar incômoda.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/captain-ed-york-doolittle-raid-816x1024-1.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="816" height="1024" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/captain-ed-york-doolittle-raid-816x1024-1.jpg"  alt="captain-ed-york-doolittle-raid-816x1024-1 Quando americanos fugiram nas barbas de Stalin - e ele adorou"  class="wp-image-18083" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/captain-ed-york-doolittle-raid-816x1024-1.jpg 816w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/captain-ed-york-doolittle-raid-816x1024-1-239x300.jpg 239w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/captain-ed-york-doolittle-raid-816x1024-1-768x964.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 816px) 100vw, 816px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Capitão Ed. York.</figcaption></figure>



<p><br>Transferidos para uma cabana nos Montes Urais, eles começaram a passar necessidades, como toda a população local, sobrevivendo ao inverno com batatas congeladas (se funciona em Marte…). Depois de alguns meses, chega a notícia que os americanos seriam transferidos para Ashgabat, a capital do Turcomenistão.</p>



<p><br>Reza a lenda que Roosevelt intercedeu pessoalmente junto a Stalin, ou que a esposa do Capitão York enviou uma carta para Eleanor Roosevelt, ou ainda que o Tenente Mikhail (“Mike”) Schmaring, oficial de ligação entre os aviadores e os militares russos tenha ajudado York a escrever uma carta para o Governo Soviético.</p>



<p><br>O certo é que subitamente Mike desapareceu para nunca mais ser visto, algo bem comum nos tempos de Stalin, e oficiais do exército informam que no Turcomenistão eles trabalhariam ajudando na manutenção de aviões de treinamento. Uma boa notícia, já que os aviadores estavam inquietos e já falando em fugir da hospitalidade russa.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/060217-F-1234P-010_Doolittle_Raid_Crew_8.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="800" height="641" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/060217-F-1234P-010_Doolittle_Raid_Crew_8.jpg"  alt="060217-F-1234P-010_Doolittle_Raid_Crew_8 Quando americanos fugiram nas barbas de Stalin - e ele adorou"  class="wp-image-18084" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/060217-F-1234P-010_Doolittle_Raid_Crew_8.jpg 800w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/060217-F-1234P-010_Doolittle_Raid_Crew_8-300x240.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/08/060217-F-1234P-010_Doolittle_Raid_Crew_8-768x615.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Tripulação nº 8 à frente do B-25#40-2242, no convés do Hornet, 18 de abril de 1942. Da esquerda para a direita: (primeira fila) Capitão Edward J. York, piloto; Tenente Robert G. Emmens, copiloto; (última fila) Tenente Nolan A. Herndon, navegador/bombardeiro; Sargento Theodore H. Laban, engenheiro de voo; Sargento David W. Pohl, artilheiro.</figcaption></figure>



<p><br>Na longa viagem de trem, os americanos encontraram um russo estranhamente falante e amistoso, chamado Kolya. Com várias garrafas de vodca na bagagem, Kolya fez amizade com os militares, ouviu as histórias deles, e soltou o carioquíssimo “aparece lá em casa”, pois Kolya morava bem perto da instalação onde os americanos ficariam.</p>



<p><br>Kolya aparecia quase todo dia para beber com os brothers, que compartilharam aos poucos sua insatisfação e desejo de voltar para casa. Para sua surpresa, Kolya se mostrou receptivo, e falou “eu conheço um cara…” aos poucos foi se esboçando um plano.</p>



<p><br>Kolya disse que conseguiria um caminhão com motorista para contrabandear os americanos para o Irã, por US$250, coincidentemente a quantidade de dinheiro que York e seus homens tinham em mãos.</p>



<p><br>Eles estavam a uns 30Km da fronteira iraniana, de lá mais uns 250Km até Meshed, onde havia um consulado britânico, e como os ingleses e os russos estavam ocupando o país, para eles seria perfeito.</p>



<p><br>Tudo marcado, chegou o dia, dinheiro trocado, Kolya levou os aviadores até o ponto de encontro, onde se despediram com lágrimas e desejos de boa-sorte.</p>



<p><br>Chegando na fronteira, o motorista mandou todos descerem e rastejarem fora da vista dos guardas. Os aviadores passaram por baixo de cercas de arame farpado, em extremo silêncio, sem que os guardas percebessem a movimentação estranha. O caminhão atravessou a fronteira normalmente, e reencontrou os passageiros mais adiante.</p>



<p><br>Dali em diante foram só algumas horas até Mashed, onde foram recebidos, alimentados, alcoolizados, paparicados e colocados em um avião para a Índia, depois em um roteiro indiana Jones foram para a África do Norte, América do Sul, Caribe e finalmente Estados Unidos.</p>



<p><br>Depois de 400 dias os cinco reencontraram suas famílias. Os russos protestaram dizendo que foi uma fuga em massa, que subornaram trabalhadores proletários com seus dólares, etc, etc.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><br>O que realmente aconteceu</h3>



<p><br>Kolya não existiu. Seu verdadeiro nome era Major Vladimir Boyarsky, oficial da NKVD, a Polícia Secreta soviética. Ele relata que foi convocado às pressas em Moscou, e recebeu ordens diretas de Stalin para organizar a fuga dos americanos, mas eles não poderiam saber que estavam sendo “escapados”. </p>



<p>Precisavam acreditar que a iniciativa era toda deles.</p>



<p><br>Todo esse teatro era para manter o Japão feliz e acreditando que Stalin estava respeitando o Pacto de Neutralidade entre o Japão e a União Soviética.</p>



<p><br>E teatro, ah teatro foi. Kolya deu até mapas para os americanos, e a travessia da fronteira? Tropas soviéticas construíram uma fronteira falsa, com direito a arame farpado, para os americanos acreditarem que estavam realmente fugindo de território soviético. Os guardas estavam instruídos a ignorar totalmente os americanos.</p>



<p><br>Tudo, desde a partida da cabana dos Urais aos assentos no trem perto de Kolya foi cuidadosamente planejado para servir como uma desculpa plausível, esfarrapada mais plausível, e evitar que o Japão fosse tentado ou obrigado a denunciar o Pacto.</p>



<p><br>Tempos depois outros aviadores capturados também foram repatriados com operações semelhantes, até que Stalin, já na ofensiva na Europa, percebeu que o Japão estava apanhando feio dos americanos no Pacífico, e decidiu que não precisava mais esconder tanto essas operações.</p>



<p><br>Em 6 de agosto de 1945 os americanos lançaram uma bomba atômica em Hiroshima, em 9 de agosto foi outra em Nagasaki. No mesmo dia a União Soviética lança uma ofensiva para retomada da Manchúria, declara guerra e estraga de vez o fim de semana dos japas.</p>



<p><br>Quando ao Capitão York, ele tirou uns dias de descanso, pegou sua mala de viagem, foi pra Europa e pilotou bombardeiros B-17 por 24 missões, até que alguém se lembrou que aviadores que foram prisioneiros de guerra não podem participar mais de missões de combate.</p>



<p><br>Ele se envolveu com treinamento, operações e chegou a comandar uma unidade de mísseis nucleares balísticos intercontinentais, antes de se aposentar. Edward York morreu em 1984, aos 72 anos.</p>
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		<title>O Cinema está frenético? Um estudo científico sobre uma hipótese perturbadora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cardoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Apr 2025 02:36:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[dados]]></category>
		<category><![CDATA[data science]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma vez, voltando de um evento científico, comentei não lembro se com o Átila ou o Carlos Hotta que deveriam passar Cosmos, de Carl Sagan, na TV. Responderam que não&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/cinema.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="604" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/cinema.jpg"  alt="cinema O Cinema está frenético? Um estudo científico sobre uma hipótese perturbadora"  class="wp-image-18061" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/cinema.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/cinema-300x177.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/cinema-768x453.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Uma vez, voltando de um evento científico, comentei não lembro se com o Átila ou o Carlos Hotta que deveriam passar Cosmos, de Carl Sagan, na TV. Responderam que não faria sucesso, que a televisão, a mídia audiovisual de hoje em dia é muito mais ágil, e o ritmo de Cosmos não agradaria ao público Jovem™.</p>



<p>Por muito tempo pensei sobre isso. Minhas observações não constatavam isso, assisto filmes normalmente, não noto essa mudança. Ao mesmo tempo, vejo jovens assistindo vídeos e ouvindo podcasts em velocidade acelerada, o que não combina com a hipótese de que a mídia hoje é mais ágil que a do passado.</p>



<p>Eu percebi que estava assistindo documentários antigos da Segunda Guerra Mundial em velocidade acelerada, mas não os filmes. Conclui que a velocidade com que os veteranos, idosos, falavam, era muito lenta, e comportava a aceleração.</p>



<p>Isso bastaria para firmar minha opinião, mas Ciência não funciona assim. Experiência pessoal, ou anedótica, não conta, de nada vale. A melhor forma de terminar a validade da hipótese é por meio de dados. Então, fui à luta.</p>



<h3 class="wp-block-heading">1 – Obtendo os Dados</h3>



<p>Usando o site <a href="https://www.the-numbers.com/market/1960/top-grossing-movies">The Numbers</a>, cataloguei as maiores bilheterias desde 1940, com intervalo de 10 anos, até 2020. Em média, cada ano é representado por 10 filmes.</p>



<p>De posse dos títulos, usei a Biblioteca do Paulo Coelho para baixar todos os filmes. FOR SCIENCE! 183GB no total.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_82.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="352" height="383" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_82.jpg"  alt="Screenshot_82 O Cinema está frenético? Um estudo científico sobre uma hipótese perturbadora"  class="wp-image-18062" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_82.jpg 352w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_82-276x300.jpg 276w" sizes="auto, (max-width: 352px) 100vw, 352px" /></a></figure>



<p>Um script em Python extraiu a duração, em segundos, de cada um dos filmes.</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>– Cenas</strong></li>
</ol>



<p>O próximo dado a ser obtido é a quantidade de cenas em cada filme. Fazer isso manualmente seria insano, então usei a ferramenta <a href="https://www.scenedetect.com/docs/latest/index.html">PySceneDetect</a>, um pequeno aplicativo que analisa um vídeo, e através de diversos algoritmos é capaz de identificar as mudanças de cenas. Ele é versátil a ponto de criar páginas com cada cena, separar em vídeos isolados, gerar dados com informação visual e estatísticas.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_90.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="856" height="957" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_90.jpg"  alt="Screenshot_90 O Cinema está frenético? Um estudo científico sobre uma hipótese perturbadora"  class="wp-image-18072" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_90.jpg 856w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_90-268x300.jpg 268w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_90-768x859.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 856px) 100vw, 856px" /></a></figure>



<p>Um script em Python executou o PySceneDetect para cada um dos filmes de nossa base de dados.</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>– Palavras</strong></li>
</ol>



<p>A constatação que os jovens ouvem áudios acelerados sugere que as novas gerações estão acostumadas com mais informação em menos tempo. É possível testar isso extraindo o texto de cada filme, e comparando a quantidade de palavras totais e palavras por minuto de cada obra.</p>



<p>Transcrever os diálogos e narrações, antes trabalho hercúleo odiado por jornalistas no mundo inteiro, hoje é trivial. Usei um aplicativo chamado <a href="https://github.com/Purfview/whisper-standalone-win">Faster Whisper</a>, que aplica recursos de IA à tarefa, criando arquivos de texto com a transcrição completa de cada filme.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_89.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="494" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_89-1024x494.jpg"  alt="Screenshot_89-1024x494 O Cinema está frenético? Um estudo científico sobre uma hipótese perturbadora"  class="wp-image-18063" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_89-1024x494.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_89-300x145.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_89-768x370.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_89-1536x741.jpg 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_89.jpg 1543w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>– Compilação</strong></li>
</ul>



<p>Um script em python foi usado para organizar os vários dados, montando um arquivo .csv com as informações. O arquivo foi importado no Microsoft Excel, e transformado em uma planilha.</p>



<p>Imediatamente percebemos um problema: Alguns valores destoavam do resto, como este gráfico de duração de cenas:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/GochGUfXYAAKWjX.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="875" height="506" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/GochGUfXYAAKWjX.jpg"  alt="GochGUfXYAAKWjX O Cinema está frenético? Um estudo científico sobre uma hipótese perturbadora"  class="wp-image-18064" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/GochGUfXYAAKWjX.jpg 875w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/GochGUfXYAAKWjX-300x173.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/GochGUfXYAAKWjX-768x444.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 875px) 100vw, 875px" /></a></figure>



<p>O pico imenso é o filme 1917, famoso por ser uma única grande tomada, do começo ao fim. Também tive problemas em 1940, com E O Vento Levou e em 1950 com Sunset Boulevard, dois filmes muito longos e muito lentos, que isoladamente não representam a média de suas décadas. Eliminei esses valores, por serem anomalias.</p>



<p>Com os dados consolidados, hora de transformá-los em gráficos, e produzir conclusões.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>– Mais texto nos filmes modernos?</strong></li>
</ul>



<p>Essa foi a primeira surpresa. Comparando os extremos, 1940 e 2020, descobrimos que os filmes de 1940 têm uma cadência MAIS ALTA, de 115,56 palavras por minuto. Mesmo com Fantasia puxando o valor para baixo. Já os filmes de 2020 têm média de 72,32 palavras por minuto.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/ppm-scaled.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="531" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/ppm-1024x531.jpg"  alt="ppm-1024x531 O Cinema está frenético? Um estudo científico sobre uma hipótese perturbadora"  class="wp-image-18066" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/ppm-1024x531.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/ppm-300x156.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/ppm-768x398.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/ppm-1536x796.jpg 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/ppm-2048x1062.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Aparentemente os filmes estão passando menos informação textual, e ainda assim os jovens estão acelerando a exibição para consumir essa informação mais rápido.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>– A Resposta sobre a Agilidade</strong></li>
</ul>



<p>Plotando os gráficos da quantidade de cenas por filmes vemos uma clara tendência de crescimento, com variações grandes entre cada título, mas sempre crescente. E como a duração dos filmes não se alterou muita coisa, o resultado disso é que a duração das cenas vem diminuindo de forma assustadora.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/cenas-por-filme-scaled.png"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="602" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/cenas-por-filme-1024x602.png"  alt="cenas-por-filme-1024x602 O Cinema está frenético? Um estudo científico sobre uma hipótese perturbadora"  class="wp-image-18067" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/cenas-por-filme-1024x602.png 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/cenas-por-filme-300x176.png 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/cenas-por-filme-768x451.png 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/cenas-por-filme-1536x903.png 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/cenas-por-filme-2048x1204.png 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Duracao-media-cena-1940-2020-scaled.png"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="652" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Duracao-media-cena-1940-2020-1024x652.png"  alt="Duracao-media-cena-1940-2020-1024x652 O Cinema está frenético? Um estudo científico sobre uma hipótese perturbadora"  class="wp-image-18068" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Duracao-media-cena-1940-2020-1024x652.png 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Duracao-media-cena-1940-2020-300x191.png 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Duracao-media-cena-1940-2020-768x489.png 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Duracao-media-cena-1940-2020-1536x978.png 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Duracao-media-cena-1940-2020-2048x1304.png 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Em 1940 uma cena durava em média 187 segundos. Em 2020 esse valor caiu para 39 segundos.</p>



<p><strong>Conclusão</strong></p>



<p>A hipótese de que o cinema, e por extensão a mídia audiovisual como um todo estão muito mais ágeis do que eram no passado foi demonstrada. Isso pode ser causado por excesso de informação, e jovens com déficit de atenção, o que provocou uma mudança estilística na produção desse tipo de conteúdo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/comapracao-1940-2020-copy-scaled.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="755" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/comapracao-1940-2020-copy-1024x755.jpg"  alt="comapracao-1940-2020-copy-1024x755 O Cinema está frenético? Um estudo científico sobre uma hipótese perturbadora"  class="wp-image-18070" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/comapracao-1940-2020-copy-1024x755.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/comapracao-1940-2020-copy-300x221.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/comapracao-1940-2020-copy-768x566.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/comapracao-1940-2020-copy-1536x1132.jpg 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/comapracao-1940-2020-copy-2048x1509.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>O principal resultado negativo é que para o Jovem é mais complicado consumir conteúdo antigo, o que o privará de material de qualidade. Já os espectadores de mais idade não parecem ter problema com os conteúdos “frenéticos” dos tempos modernos, uma espécie de adaptabilidade Darwiniana ao contrário.</p>
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		<title>Julia Anna Gardner – Bombardeando os japas com Ciência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cardoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Apr 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Ataques aéreos]]></category>
		<category><![CDATA[Balões Fu Go]]></category>
		<category><![CDATA[Geologia Militar]]></category>
		<category><![CDATA[Julia Anna Gardner]]></category>
		<category><![CDATA[Segunda Guerra Mundial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era 1945. Em uma fábrica perto das praias de Ichinomiya, no Japão, trabalhadores produziam hidrogênio em uma fábrica próxima, quando centenas de bombas começaram a cair, sem aviso, lançadas por&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<details class="wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow"><summary></summary></details>



<p>Era 1945. Em uma fábrica perto das praias de Ichinomiya, no Japão, trabalhadores produziam hidrogênio em uma fábrica próxima, quando centenas de bombas começaram a cair, sem aviso, lançadas por bombardeiros americanos B29, decolando das Ilhas Marianas.</p>



<p>A principal responsável pelo ataque não era militar, mas uma geóloga chamada Julia Anna Gardner, que resolveu um dos grandes enigmas da Guerra: A origem dos Balões Fu Go.</p>



<p>Na época foi um dos segredos mais bem-guardados da Guerra. Durante cinco meses, começando em novembro de 1945, começaram a acontecer incêndios e explosões na costa oeste dos Estados Unidos, e inicialmente ninguém tinha idéia das causas. Investigações descobriram restos do que seriam balões de seda, com marcações japonesas.</p>



<p>Os chamados Balões Fu Go eram os mísseis intercontinentais da época; um equipamento de alta tecnologia capaz de atingir o território continental dos Estados Unidos, viajando dez mil quilômetros.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Japanese_fire_balloon_Moffett.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="783" height="1024" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Japanese_fire_balloon_Moffett-783x1024.jpg"  alt="Japanese_fire_balloon_Moffett-783x1024 Julia Anna Gardner – Bombardeando os japas com Ciência"  class="wp-image-18048" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Japanese_fire_balloon_Moffett-783x1024.jpg 783w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Japanese_fire_balloon_Moffett-229x300.jpg 229w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Japanese_fire_balloon_Moffett-768x1004.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Japanese_fire_balloon_Moffett.jpg 800w" sizes="auto, (max-width: 783px) 100vw, 783px" /></a></figure>



<p>Eles consistiam em um balão de dez metros de diâmetro, cheio de hidrogênio. Uma série de válvulas e barômetros deixavam vazar o hidrogênio em excesso durante o dia, quando o Sol esquentava o balão e aumentava a pressão, e durante a noite hidrogênio de um reservatório era injetado para aumentar a flutuabilidade, quando o frio fizesse o balão encolher.</p>



<p>Os barômetros também controlavam acionadores explosivos que deixavam cair sacos de areia com o lastro, caso o balão estivesse muito baixo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/342-FH-3B23426_18160066205.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="784" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/342-FH-3B23426_18160066205-1024x784.jpg"  alt=" Julia Anna Gardner – Bombardeando os japas com Ciência"  class="wp-image-18049" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/342-FH-3B23426_18160066205-1024x784.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/342-FH-3B23426_18160066205-300x230.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/342-FH-3B23426_18160066205-768x588.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/342-FH-3B23426_18160066205.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Em média eles levavam 60 horas atravessando o Pacífico, o que intrigou os investigadores americanos. Na época eles não conheciam a Corrente de Jato, uma região nas altas (e baixas) latitudes, que forma uma espécie de “rio” na atmosfera, entre 9 e 12km de altitude. Essa corrente pode ultrapassar os 300Km/h, e os japoneses a conheciam. Por isso seus balões viajavam tão rápido.</p>



<p>O plano original era lançar os balões com bombas antipessoal e incendiárias, para queimar grandes florestas nos EUA. Mais tarde cogitaram enviar armas biológicas, desenvolvidas na Unidade 731, mas a Guerra acabou antes que conseguissem.</p>



<p>Dos mais de 9000 lançados, somente uns 300 chegaram aos EUA, Canadá e México, e somente seis vítimas fatais foram atribuídas a eles. Uma família que estava fazendo um piquenique no Oregon, acharam um balão Fu Go caído e foram mexer para ver o que era.</p>



<p>Infelizmente traçar a origem dos balões no Japão não ajudava muito. Os EUA não tinham uma grande rede de espionagem local, então o jeito foi pensar fora da caixa. Muito fora da caixa.</p>



<p>Eles chegaram até o Serviço Geológico dos Estados Unidos, uma organização cheia de nerds que não entendiam nada de guerra, mas entendiam de outras coisas, como&#8230; areia.</p>



<p>Alguém teve a idéia de que a areia usada como lastro poderia dar alguma indicação sobre a origem dos balões, e se isso parece uma apelação de um episódio ruim de NCIS, bem, a realidade pode exagerar o quanto quiser.</p>



<p>Entre os nerds havia uma coroa chamada Julia Anna Gardner. Nascida em 1882, ela era por si só um prodígio; uma mulher cientista conceituada nascida em uma época em que mulheres não podiam nem votar.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/image-1.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="746" height="986" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/image-1.jpg"  alt="image-1 Julia Anna Gardner – Bombardeando os japas com Ciência"  class="wp-image-18047" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/image-1.jpg 746w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/image-1-227x300.jpg 227w" sizes="auto, (max-width: 746px) 100vw, 746px" /></a></figure>



<p>Formada em 1905, Julia conseguiu seu mestrado em 1907, especializando-se em paleontologia e geologia. Em 1911 ela se tornou a primeira mulher a conseguir um PhD. Em geologia pela Universidade John Hopkins.</p>



<p>Durante a Primeira Guerra Mundial, ela trabalhou na França como enfermeira voluntária. De volta aos EUA, se junto ao Serviço Geológico, estudando estratigrafia e moluscos.</p>



<p>Quando a Segunda Guerra estourou, Julia já estava estabelecida como uma das maiores autoridades mundiais em sua área, e não pensou duas vezes quando o Exército montou a Unidade Geológica Militar, um grupo com 88 geólogos, trabalhando em conjunto com os planejadores e estrategistas.</p>



<p>Falando assim não parece fazer muito sentido um nerd geólogo colaborando com militares, mas eles foram importantíssimos. Antes da Invasão da Normandia, membros da Unidade foram enviados para as praias, coletando amostras e determinando se o solo era firme o suficiente para suportar o peso dos tanques aliados.</p>



<p>Quando o problema dos balões chegou à Unidade, eles rapidamente determinaram que a areia não era compatível com as praias americanas. Julia Anna Gardner então começou a estudar em mais detalhes a amostras.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/IMG_6957.jpeg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/IMG_6957-1024x768.jpeg"  alt="IMG_6957-1024x768 Julia Anna Gardner – Bombardeando os japas com Ciência"  class="wp-image-18051" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/IMG_6957-1024x768.jpeg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/IMG_6957-300x225.jpeg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/IMG_6957-768x576.jpeg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/IMG_6957.jpeg 1336w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Com seus conhecimentos enciclopédicos, ela confirmou que a areia era japonesa; escondidas entre os grãos havia amostras microscópicas de esqueletos de diatomáceas, algas microscópicas que criam um exoesqueleto com sílica, que deixam para trás quando morrem.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Diatoms-HCMR.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="712" height="484" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Diatoms-HCMR.jpg"  alt=" Julia Anna Gardner – Bombardeando os japas com Ciência"  class="wp-image-18052" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Diatoms-HCMR.jpg 712w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Diatoms-HCMR-300x204.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 712px) 100vw, 712px" /></a></figure>



<p>Cientistas amam diatomáceas, amostras de solo trazem as algas da época, e elas mudam de acordo com a Evolução. Isso é perfeito para datar uma amostra de solo. Das 25 mil espécies conhecidas, as amostras continham 100 espécies diferentes, muitas descritas em <em>Papers </em>científicos japoneses.</p>



<p>Elas também variam de acordo com a região, partes diferentes do planeta apresentam espécies diferentes de diatomáceas, e Julia conhecia exatamente de onde as algas na areia dos balões se originavam.</p>



<p>Ela criou um mapa com as localizações prováveis, e o alto-comando achou bom o suficiente para justificar um ataque.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Fu-Go_balloon_bomb_launch_sites_and_following_stations.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="543" height="704" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Fu-Go_balloon_bomb_launch_sites_and_following_stations.jpg"  alt=" Julia Anna Gardner – Bombardeando os japas com Ciência"  class="wp-image-18045" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Fu-Go_balloon_bomb_launch_sites_and_following_stations.jpg 543w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Fu-Go_balloon_bomb_launch_sites_and_following_stations-231x300.jpg 231w" sizes="auto, (max-width: 543px) 100vw, 543px" /></a></figure>



<p>Nem todos os pontos foram bombardeados, mas o ataque principal foi suficiente para tirar de ação boa parte das unidades de balões, Em abril de 1945, sem recursos e sem saber se os balões haviam causado algum dano real, os japoneses encerraram o programa.</p>



<p>Depois da Guerra, Julia foi para o Japão, onde encontrou cientistas e estudantes, apresentou palestras e incentivou os pesquisadores a continuar seus trabalhos, pois Ciência e Tecnologia eram as únicas coisas capazes de prover um futuro melhor para o país devastado pela guerra.</p>



<p>Julia faleceu em 1960, aos 78 anos, em sua casa em Maryland.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Photo478847o-scaled.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Photo478847o-768x1024.jpg"  alt="Photo478847o-768x1024 Julia Anna Gardner – Bombardeando os japas com Ciência"  class="wp-image-18055" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Photo478847o-768x1024.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Photo478847o-225x300.jpg 225w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Photo478847o-1152x1536.jpg 1152w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Photo478847o-1536x2048.jpg 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/04/Photo478847o-scaled.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Julia Anna Gardner (1882-1960), Ph.D. Marker</figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading">Fontes:</h3>



<ol class="wp-block-list">
<li><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Diatom">Diatom</a></li>



<li><a href="https://www.hmdb.org/m.asp?m=135136">Julia Anna Gardner (1882-1960), Ph.D.</a></li>



<li><a href="https://paleonerdish.wordpress.com/2024/09/11/forgotten-women-of-paleontology-julia-anna-gardner-and-the-dungeon-gang/">Forgotten women of Paleontology: Julia Anna Gardner and the Dungeon Gang</a></li>



<li><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Julia_Anna_Gardner">Julia Anna Gardner</a></li>



<li><a href="https://web.mst.edu/rogersda/forensic_geology/Japenese%20vengenance%20bombs%20new.htm">How Geologists Unraveled the Mystery of Japanese Vengeance Balloon Bombs in World War II</a></li>



<li><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Fu-Go_balloon_bomb">Fu-Go balloon bomb</a></li>
</ol>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O Marinheiro Negro que disse &#8220;não&#8221; para a Morte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cardoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Mar 2025 19:18:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[CharlesJacksonFrench]]></category>
		<category><![CDATA[heroísmo]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[SegundaGuerraMundial]]></category>
		<category><![CDATA[sobrevivência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Charles Jackson French era um jovem negro, portanto sem muitas perspectivas de futuro nos Estados Unidos da primeira metade do Século XX, ainda mais tendo nascido em Foreman, Arkansas, que&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/615f23699a1f9.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="538" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/615f23699a1f9-1024x538.jpg"  alt="615f23699a1f9-1024x538 O Marinheiro Negro que disse &quot;não&quot; para a Morte"  class="wp-image-18036" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/615f23699a1f9-1024x538.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/615f23699a1f9-300x158.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/615f23699a1f9-768x403.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/615f23699a1f9.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Charles Jackson French era um jovem negro, portanto sem muitas perspectivas de futuro nos Estados Unidos da primeira metade do Século XX, ainda mais tendo nascido em Foreman, Arkansas, que equivale ao Acre Rural dos gringos.</p>



<p>Com 18 anos, em 1937, ele resolveu se alistar na Marinha, em troca de um emprego estável e salário no fim do mês, mesmo sabendo que trabalharia em um ambiente altamente segregado.</p>



<p>Cumprindo seu período de treinamento, Charles foi dispensado em novembro de 1941, com a certeza de que nunca mais colocaria os pés em um navio, mas o Almirante Yamamoto tinha outros planos, e em dezembro os japas atacaram Pearl Harbor.</p>



<p>Charles, como milhões de outros americanos, se alistou, e como estava fresquinho saído da Marinha, foi aceito na hora.</p>



<p>Não que ele fosse virar o Maverick, na época as forças armadas aceitavam negros a contragosto, eles eram considerados inferiores, não recebiam treinamento nem podiam usar armas. Eram usados como taifeiros, cuidando de limpeza, cozinha e serviços braçais. Levaria décadas até serem considerados bons o suficiente para participar da Operação Fiquem Atrás Dos Escurinhos:</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/vlcsnap-2025-03-28-12h18m10s880.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/vlcsnap-2025-03-28-12h18m10s880-1024x576.jpg"  alt="vlcsnap-2025-03-28-12h18m10s880-1024x576 O Marinheiro Negro que disse &quot;não&quot; para a Morte"  class="wp-image-18038" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/vlcsnap-2025-03-28-12h18m10s880-1024x576.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/vlcsnap-2025-03-28-12h18m10s880-300x169.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/vlcsnap-2025-03-28-12h18m10s880-768x432.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/vlcsnap-2025-03-28-12h18m10s880-1536x864.jpg 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/vlcsnap-2025-03-28-12h18m10s880.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Ele também não foi designado para um navio de muito prestígio. Alocado como o equivalente a Cabo Taifeiro (Garçom gourmet), Charles foi para o USS Gregory (DD-82), um destróier da 1ª Guerra Mundial convertido em cargueiro rápido.</p>



<p>Com quase todo seu armamento removido, o Gregory e seus 141 homens tinham como missão levar suprimentos para as tropas durante a Invasão de Guadalcanal.</p>



<p>No dia 4 de setembro de 1942, o USS Gregory e seu navio-irmão USS Little, após entregar um batalhão de fuzileiros navais, decidiram passar a noite patrulhando a região.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/USS_Gregory_APD-3_in_early_1942-scaled.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/USS_Gregory_APD-3_in_early_1942-1024x768.jpg"  alt="USS_Gregory_APD-3_in_early_1942-1024x768 O Marinheiro Negro que disse &quot;não&quot; para a Morte"  class="wp-image-18037" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/USS_Gregory_APD-3_in_early_1942-1024x768.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/USS_Gregory_APD-3_in_early_1942-300x225.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/USS_Gregory_APD-3_in_early_1942-768x576.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/USS_Gregory_APD-3_in_early_1942-1536x1152.jpg 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/USS_Gregory_APD-3_in_early_1942-2048x1535.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Aproveitando a escuridão, três destroyers japoneses, o Yūdachi, o Hatsuyuki e o Murakumo se aproximara sub-repticiamente da costa para desembarcar tropas e suprimentos, depois foram bombardear a pista de pouso americana.</p>



<p>O Gregory e o Little identificaram o clarão dos canhões inimigos, começaram a se aproximar, achando que era um submarino japonês, quando detectaram pelo radar não três, mas <em>quatro</em> navios. Um cruzador havia se unido ao grupo.</p>



<p>Totalmente, absolutamente, completamente inferiorizados em termos de armamento, os dois navios pararam e os capitães começaram a discutir o plano de ação, se lançavam um alerta ou apenas fugiam discretamente.</p>



<p>A decisão foi tirada das mãos deles, quando um idiota pilotando um avião da Marinha dos EUA avistou os dois navios americanos, achou que fossem inimigos, e lançou vários sinalizadores, aqueles fogos que caem de para-quedas e iluminam a região inteira.</p>



<p>Com os dois navios iluminados, suas silhuetas fazendo um belo contraste com a escuridão, os japoneses descobriram que foram descobertos, e sentaram o dedo nos americanos, que não tinham como responder ao fogo.</p>



<p>Os dois foram massacrados pelos japoneses. Em três minutos estavam sem propulsão e afundando. A água, cheia de marinheiros tentando escapar. O capitão do Gregory, desaparecido.</p>



<p>Para piorar (sempre dá pra piorar), demonstrando a compaixão de sempre, os japoneses começaram a atirar nos sobreviventes na água. Dos 141 a bordo, pelo menos 40 marinheiros do USS Gregory estavam mortos, mas não Charles Jackson French.</p>



<p>O danado era um peixe. Com oito anos de idade ele já nadava no Rio Vermelho do Sul, água não era problema, o problema era seus companheiros feridos.</p>



<p>Juntando quem conseguiu resgatar em uma balsa, Charles percebeu que a maré os estava levando para ilhas controladas pelos japoneses, o que era um péssimo negócio. No mínimo seriam executados sumariamente. Mais provável, torturados antes.</p>



<p>Vendo que o socorro não chegaria tão cedo, Charles pulou na água, amarrou uma corda na cintura, e começou a nadar em direção a Guadalcanal.</p>



<p>Charles sabia que não era seguro. Os japoneses não eram o único bicho ruim na região. O mar era lotado de tubarões com espírito progressista; comiam todo mundo, sem distinção de raça, cor, credo ou orientação sexual.</p>



<p>Disposto a não virar comida de tubarão ou alvo para treino de japoneses, Charles nadou por oito horas, puxando a balsa com seus companheiros, até que foi avistado por um avião-patrulha, que enviou um barco de desembarque, resgatando o grupo.</p>



<p>Charles Jackson French foi recebido como herói, celebrado pela Marinha, com várias honrarias e-nah, você sabe que ele era escurinho demais pra isso.</p>



<p>O Chicago Defender, um jornal de negros dos EUA nomeou Charles como herói do ano, mas seus esforços nunca saíram da “comunidade” Na época o Capitão do USS Gregory ganhou uma Cruz Naval por ter morrido. Charles foi cogitado para receber uma, mas no final só recebeu uma Comenda, uma cartinha elogiosa do Almirante Halsey, em maio do ano seguinte.</p>



<p>Ah, ele também virou uma <a href="https://www.skytamer.com/R164.html">figurinha de chiclete</a>.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/129a.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="600" height="485" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/129a.jpg"  alt="129a O Marinheiro Negro que disse &quot;não&quot; para a Morte"  class="wp-image-18039" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/129a.jpg 600w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/129a-300x243.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /></a></figure>



<p>Depois de dar baixa em 1945, Charles voltou para a vida civil, tendo que se virar, pois a Lei que dava benefícios para veteranos, como empréstimos, crédito imobiliário, acesso a faculdades e cursos profissionalizantes era sistematicamente direcionada para brancos. Somente 1% dos veteranos negros conseguiram algum benefício.</p>



<p>Casado e com uma filha, Charles acabou entregue ao alcoolismo, consequência de seu stress pós-traumático não-tratado. Ele acabou morrendo em 1956, aos 37 anos de idade.</p>



<p>Charles Jackson French foi um herói, reconhecido tardiamente, e ainda assim muito tarde, muito pouco. Em 2022 ele recebeu postumamente uma medalha da marinha, e uma piscina de treinamento de mergulhadores recebeu seu nome.</p>



<p>No mesmo ano, Joe Biden batizou com o nome de Charles&#8230; uma agência dos correios.</p>



<p>A única homenagem relevante veio em 2024, quando anunciaram que um destróier classe Arleigh Burke ainda a ser construído será o USS Charles J. French.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/DDG-125_acceptance_trials.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/DDG-125_acceptance_trials-1024x682.jpg"  alt="DDG-125_acceptance_trials-1024x682 O Marinheiro Negro que disse &quot;não&quot; para a Morte"  class="wp-image-18040" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/DDG-125_acceptance_trials-1024x682.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/DDG-125_acceptance_trials-300x200.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/DDG-125_acceptance_trials-768x512.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/DDG-125_acceptance_trials.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>O maior prêmio, a maior homenagem a Charles J. French são os 500 descendentes dos 15 homens que ele salvou. São 500 pessoas que só existem porque um sujeito obstinado olhou nos olhos da Morte, falou “Hoje não” e puxou seus amigos para longe do fogo japonês.</p>



<p>Segundo o Talmud, quem salva uma vida salva o mundo inteiro. Quem salva 500 então, salvou o Multiverso!</p>
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		<title>O dia em que os americanos inventaram a Mula Sem Cabeça, que tinha cabeça, não era mula e provavelmente existiu mesmo.</title>
		<link>https://contraditorium.com/2025/03/14/o-dia-em-que-os-americanos-inventaram-a-mula-sem-cabeca-que-tinha-cabeca-nao-era-mula-e-provavelmente-existiu-mesmo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Cardoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Mar 2025 19:41:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[CamelosNoArizona]]></category>
		<category><![CDATA[HistóriaDoOeste]]></category>
		<category><![CDATA[LendaDoFantasmaVermelho]]></category>
		<category><![CDATA[LendaDoFantasmaVermelho #CamelosNoArizona #HistóriaDoOeste #MulaSemCabeça #ExpansãoAmericana]]></category>
		<category><![CDATA[MulaSemCabeça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era 1883, um começo de noite em uma fazenda perto de Eagle Creek, Arizona. A rotina de trabalho estava terminando, dois homens terminavam as tarefas, enquanto na casa uma das&#8230;</p>
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<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/image-2.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/image-2.jpg"  alt="image-2 O dia em que os americanos inventaram a Mula Sem Cabeça, que tinha cabeça, não era mula e provavelmente existiu mesmo."  class="wp-image-18025" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/image-2.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/image-2-300x225.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/image-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Era 1883, um começo de noite em uma fazenda perto de Eagle Creek, Arizona. A rotina de trabalho estava terminando, dois homens terminavam as tarefas, enquanto na casa uma das esposas (Brokeback Mountain ainda não tinha sido inventado) teve sua atenção despertada pelo latido dos cachorros.</p>



<p>Seguiu-se um grito assustador. Correndo para a janela, ela viu, à distância, uma criatura de pelo avermelhado, aparência demoníaca, grande e tenebrosa, que fugiu para a escuridão.</p>



<p>Alguns dias depois, um grupo de garimpeiros relatou uma criatura feroz de pelos vermelhos destruindo seu acampamento. Outros avistamentos disseram ter visto a tal criatura, com 10m de altura, matar e devorar um urso cinzento.</p>



<p>Em comum a todos os relatos: A criatura era cavalgada por um… esqueleto! Comandado por seu mestre sobrenatural, o monstro que passou a ser conhecido como Fantasma Vermelho aterrorizou o Arizona por incontáveis anos.</p>



<p>Certa vez cinco homens tentaram cercar o Fantasma, atiraram, mas apenas acertaram a cabeça do esqueleto, que caiu morta, até porque já estava morta faz tempo. O Fantasma fugiu, levando seu esqueleto sem cabeça consigo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/image-3.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/image-3.jpg"  alt="image-3 O dia em que os americanos inventaram a Mula Sem Cabeça, que tinha cabeça, não era mula e provavelmente existiu mesmo."  class="wp-image-18027" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/image-3.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/image-3-300x225.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/image-3-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Até que em 1893 um fazendeiro (algumas fontes dizem padre) chamado Mizoo Hastings viu o Fantasma Vermelho calmamente pastando em sua propriedade.</p>



<p>Seguindo a tradição ianque de atirar primeiro e perguntar depois, ele mandou um balaço certeiro que levou ao chão o Fantasma Vermelho e seu cavaleiro demoníaco.</p>



<p>Era um camelo.</p>



<p>Aí você me pergunta: Cardoso, fidazunha, como diabos um camelo foi parar no Arizona em 1893?</p>



<p>A resposta é muito mais interessante que a lenda go Fantasma Vermelho em si.</p>



<p>No começo do Século XIX, forças armadas no mundo inteiro dependiam de tração animal. Pouca gente sabe, mas mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, o grosso do transporte de cargas da Alemanha Nazista era feito por cavalos. Imagine cem anos antes.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/service-mbrs-ntscrm-02064577-02064577.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/service-mbrs-ntscrm-02064577-02064577-1024x768.jpg"  alt="service-mbrs-ntscrm-02064577-02064577-1024x768 O dia em que os americanos inventaram a Mula Sem Cabeça, que tinha cabeça, não era mula e provavelmente existiu mesmo."  class="wp-image-18028" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/service-mbrs-ntscrm-02064577-02064577-1024x768.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/service-mbrs-ntscrm-02064577-02064577-300x225.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/service-mbrs-ntscrm-02064577-02064577-768x576.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/service-mbrs-ntscrm-02064577-02064577.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Usados desde tempos imemoriais, cavalos, mulas e assemelhados são animais extremamente úteis, mas eles não funcionam em todos os ambientes, como os americanos descobriram durante a expansão para o Oeste.</p>



<p>O terreno árido, literalmente desértico de regiões como o Arizona, Nevada, Califórnia, Novo México torna o uso de cavalos mais complicado, com toda uma infraestrutura e planejamento para manter sempre a tropa alimentada e com bastante água.</p>



<p>Gente com imaginação começou a pensar em alternativas. O primeiro a colocar no papel suas idéias foi o Major George H. Crosman em 1836, que sugeriu camelos como uma alternativa. A idéia ganhou tração, mas lentamente. Em 1848 outro major, Henry C. Wayne, escreveu um relatório detalhado propondo camelos. Esse relatório chamou a atenção de um senador chamado Jefferson Davis, mas mesmo com apoio político, a idéia não ia adiante.</p>



<p>Políticos são mais teimosos do que mulas, e militares paradoxalmente detestam inovação, odeiam mudar qualquer coisa que tenham funcionando de forma minimamente aceitável. Por isso só em 1853, quando Davis foi nomeado Secretário de Guerra, ele conseguiu autoridade para iniciar o projeto, ajudado pela necessidade de movimentar tropas pelo sudoeste desértico dos EUA.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/camamelo.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="531" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/camamelo.jpg"  alt="camamelo O dia em que os americanos inventaram a Mula Sem Cabeça, que tinha cabeça, não era mula e provavelmente existiu mesmo."  class="wp-image-18030" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/camamelo.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/camamelo-300x156.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/camamelo-768x398.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Foi liberada uma verba equivalente a US$1 milhão em valores atuais, para comprar camelos, dromedários e contratar os motoristas. Em 1855 o mui adequadamente batizado USS Supply partiu para o Mediterrâneo, levando o Major Wayne. Ele voltou com 33 animais, desses 29 eram dromedários, tornando o nome do United States Camel Corps meio impreciso.</p>



<p>Os animais foram muito bem-tratados, somente um morreu na viagem, mas dois nasceram, a tropa já estava no lucro quando o navio desembarcou no Texas, e começaram os experimentos.</p>



<p>Em 1857 decidiram construir uma trilha de carruagens entre Fort Defiance, Novo México, e o Rio Colorado. Era um terreno bem hostil e árido. O Exército decidiu testar os camelos, e incorporou a expedição uma cáfila de 25 animais.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/max1200.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="720" height="388" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/max1200.jpg"  alt="max1200 O dia em que os americanos inventaram a Mula Sem Cabeça, que tinha cabeça, não era mula e provavelmente existiu mesmo."  class="wp-image-18031" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/max1200.jpg 720w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/max1200-300x162.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px" /></a></figure>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center">PAREM TUDO! EU CONSEGUI!!!! EM TODA MINHA VIDA ADULTA PELA PRIMEIRA VEZ USEI O COLETIVO DE CAMELO! VIRAM? NENHUM CONHECIMENTO É INÚTIL!</h3>



<p>Cada camelo carregava 300Kg de suprimentos. O responsável pela expedição adorou os bichos, disse que trocaria fácil quatro mulas por um camelo. Eles eram ótimos animais de manada, dóceis e inteligentes.</p>



<p>Em 1959 uma expedição com 24 camelos e 24 mulas percorreu 140km de deserto. As mulas quase morreram, os camelos nem chegaram a demonstrar sede. Para eles foi supertranquilo, mesmo um que foi mordido por uma cascavel, não estava nem aí.</p>



<p>O famoso carro e militar General Lee conheceu a tropa de camelos em 1857, e ficou fã também, tendo sido o último militar a usá-los.</p>



<p>Mesmo assim, os camelos nunca emplacaram. Quanto mais elevadas as patentes, mais resistência a qualquer tipo de mudança. Localmente havia o problema de depender dos operadores estrangeiros. Basicamente todos os recrutas estavam acostumados com mulas e cavalos, nunca tinham visto um camelo na vida, e tinham dificuldade em aprender como tratá-los.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/the_u_s_armys_remarkable_camel_corps_of_the_1850s_1050x700-600x400-1.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="600" height="400" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/the_u_s_armys_remarkable_camel_corps_of_the_1850s_1050x700-600x400-1.jpg"  alt="the_u_s_armys_remarkable_camel_corps_of_the_1850s_1050x700-600x400-1 O dia em que os americanos inventaram a Mula Sem Cabeça, que tinha cabeça, não era mula e provavelmente existiu mesmo."  class="wp-image-18032" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/the_u_s_armys_remarkable_camel_corps_of_the_1850s_1050x700-600x400-1.jpg 600w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/the_u_s_armys_remarkable_camel_corps_of_the_1850s_1050x700-600x400-1-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /></a></figure>



<p>Isso era um grande problema, pois camelos podem ser dóceis e bem-comportados, se o adestrador tiver mão-firme, do contrário viram bichos teimosos e irritados. Que mordem e mordem feio. Eles também não gostam de cavalos e mulas, o que gerava brigas, se deixassem os dois grupos se misturarem.</p>



<p>As vantagens eram inegáveis, mas não o suficiente. Imagine que você descobriu um programa que permite fazer seu trabalho na metade do tempo. Excelente, não? Mas e se o programa for todo em Esperanto e você só precisar usar uma vez por semana. Ainda vale a pena?</p>



<p>Outro motivo do projeto não ter ido adiante foi o timing. O United States Camel Corps ainda engatinhava quando em 1861 um pequeno arranca-rabo tomou conta dos Estados Unidos: A Guerra Civil. Os estados rebeldes do Sul eram presididos por… Jefferson Davis, que se tornou o primeiro e único Presidente da Confederação.</p>



<p>Depois de sua derrota na mão das tropas do Norte, o povo do Sul ficou meio desprestigiado, e suas idéias passaram a ser mal-vistas, com o povo achando que se apoiassem uma proposta sulista, logo estariam liberando escravidão de novo.</p>



<p>Os camelos como unidades do exército foram mortos e enterrados, figurativamente falando. Alguns foram soltos, outros vendidos para fazendeiros e tropeiros locais.</p>



<p>O Fantasma Vermelho foi provavelmente um camelo que se desgarrou, com seu cavaleiro morto preso à sela, e a pouca familiaridade do afegão médio do Arizona com camelos, fez com que a lenda crescesse e crescesse.</p>



<p>Com o tempo os camelos desapareceram das visões e até mesmo das lendas locais, mas como animais leais e confiáveis, nunca foram esquecidos. Como o querido Douglas:</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/the-grave-of-douglas-the-confederate-camel-cedar-hill-v0-r514xwtxvn9e1-scaled.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/the-grave-of-douglas-the-confederate-camel-cedar-hill-v0-r514xwtxvn9e1-1024x1024.jpg"  alt="the-grave-of-douglas-the-confederate-camel-cedar-hill-v0-r514xwtxvn9e1-1024x1024 O dia em que os americanos inventaram a Mula Sem Cabeça, que tinha cabeça, não era mula e provavelmente existiu mesmo."  class="wp-image-18029" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/the-grave-of-douglas-the-confederate-camel-cedar-hill-v0-r514xwtxvn9e1-1024x1024.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/the-grave-of-douglas-the-confederate-camel-cedar-hill-v0-r514xwtxvn9e1-300x300.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/the-grave-of-douglas-the-confederate-camel-cedar-hill-v0-r514xwtxvn9e1-150x150.jpg 150w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/the-grave-of-douglas-the-confederate-camel-cedar-hill-v0-r514xwtxvn9e1-768x768.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/the-grave-of-douglas-the-confederate-camel-cedar-hill-v0-r514xwtxvn9e1-1536x1536.jpg 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/03/the-grave-of-douglas-the-confederate-camel-cedar-hill-v0-r514xwtxvn9e1-2048x2048.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>&#8220;Douglas &#8211; &#8216;Velho Douglas&#8217; foi o camelo &#8216;fiel e paciente&#8217; do 43º Regimento de Infantaria de Mississippi, Voluntários da CSA. Douglas era um camelo dromedário e foi dado ao Coronel W.H. Moore pelo Tenente W.H. Hargrove da Companhia B. Moore atribuiu Douglas &#8211; À banda, Douglas no início assustou todos os cavalos do 43º, mas logo se tornou o favorito de ambos, animais e homens. O 43º passou a ser chamado de &#8216;o Regimento do Camelo&#8217;. Douglas serviu nas campanhas de Uka, Corinth, Centro do MS AR, e Vick&#8217;s. Foi intencionalmente morto por atiradores yankee perto do fim do cerco, e pode ter sido comido pelos confederados famintos. A morte de Douglas foi muito lamentada, e, como um veterano do 43º escreveu sobre ele, &#8216;Seu serviço merece ser registrado.'&#8221;</p>
</blockquote>



<p></p>
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		<title>Confeiteiros sem Fronteiras – Quando a Militância era doida sem ser chata</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cardoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Feb 2025 22:20:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fenomenologia]]></category>
		<category><![CDATA[anarquia]]></category>
		<category><![CDATA[bullying]]></category>
		<category><![CDATA[confeiteiros]]></category>
		<category><![CDATA[tortas]]></category>
		<category><![CDATA[trollagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>5 de fevereiro de 1998. Um plano bem-orquestrado estava prestes a ser executado. O alvo: Bill Gates, então chairman da Microsoft, um dos homens mais ricos e influentes do mundo.&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>5 de fevereiro de 1998. Um plano bem-orquestrado estava prestes a ser executado. O alvo: Bill Gates, então chairman da Microsoft, um dos homens mais ricos e influentes do mundo.</p>



<p>A segurança havia falhado, ninguém percebeu os intrusos em meio à multidão. Quando Gates estava sendo conduzido para dentro de um prédio do governo em Bruxelas, o principal perpetrador avançou e atingiu Bill Gates em cheio no rosto. Headshot, indefensável.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/440487709_1128446084967316_2510059521368070019_n.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="640" height="629" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/440487709_1128446084967316_2510059521368070019_n.jpg"  alt="440487709_1128446084967316_2510059521368070019_n Confeiteiros sem Fronteiras – Quando a Militância era doida sem ser chata"  class="wp-image-18017" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/440487709_1128446084967316_2510059521368070019_n.jpg 640w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/440487709_1128446084967316_2510059521368070019_n-300x295.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></a></figure>



<p>Felizmente o “agressor” era Noël Godin, um sujeito trollador, sem raiva de ninguém, com tendências anarquistas e que vivia pela zoeira. Cahotic Neutral, como diríamos na Internet.</p>



<p>Godin pregava o protesto não-violento, atacando pessoas famosas e controversas. Sua arma era a torta de creme, no bom sentido, <strong>não google por <em>creampie </em>pelamordedeus</strong>. Ele encomendava em confeitarias locais pão de ló com uma cobertura de creme, bem fofinho, pra sujar sem machucar.</p>



<p>Além de Bill Gates, ele e seus comparsas atacaram gente do nível de Jean-Luc Godard, Marguerite Duras, Maurice Béjart, Nicolas Sarkozy e outros.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Bill Gates Pie in Face" width="1333" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/iK6SS8CXYZo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Provavelmente Godin foi a inspiração para um grupo com alcance mais amplo, um pouco mais politizado, mas com a mesma proposta de agir de forma não-violenta e tirar do sério gente que se leva a sério demais, os Confeiteiros Sem Fronteiras.</p>



<p>Um de seus feitos mais famosos, ao menos para nós, foi quando, em 2003 durante uma coletiva no Sheraton em Porto Alegre, representantes locais tacaram uma torta na cara do José Genoíno.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="José Genoino leva Torta na cara" width="1380" height="776" src="https://www.youtube.com/embed/dUxVQ1Vy5is?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>O petista ficou puto da vida, claro, e levou a sério, acusando os “agressores” de tentar desestabilizar o governo, mas o que mais se lembra é a risada de quem assistiu tudo ao vivo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/image.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/image-1024x576.jpg"  alt="image-1024x576 Confeiteiros sem Fronteiras – Quando a Militância era doida sem ser chata"  class="wp-image-18019" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/image-1024x576.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/image-300x169.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/image-768x432.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/image.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Também em 2003 foi a ver de Blairo Maggi, Governador do MT, <a href="https://olivre.com.br/como-uma-torta-na-cara-mudou-as-regras-de-seguranca-dos-governadores-de-mato-grosso">levar uma tortada na cara</a>.</p>



<p>Em 2004, Ann Coulter, jornalista e personalidade conservadora dos EUA, teve um discurso interrompido quando foi alvo de uma torta, atirada por militantes da “Al Pieda”.</p>



<p>No mesmo ano, Ricardo Berzoini, então Ministro das Comunicações, <a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1202200412.htm">foi igualmente alvejado</a>.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/R3SXALHQSIBXZ4V4EKJ5CMLWU4.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="705" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/R3SXALHQSIBXZ4V4EKJ5CMLWU4-1024x705.jpg"  alt="R3SXALHQSIBXZ4V4EKJ5CMLWU4-1024x705 Confeiteiros sem Fronteiras – Quando a Militância era doida sem ser chata"  class="wp-image-18018" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/R3SXALHQSIBXZ4V4EKJ5CMLWU4-1024x705.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/R3SXALHQSIBXZ4V4EKJ5CMLWU4-300x206.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/R3SXALHQSIBXZ4V4EKJ5CMLWU4-768x529.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/R3SXALHQSIBXZ4V4EKJ5CMLWU4.jpg 1453w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>A lista de gente que já levou tortada é imensa, <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_people_who_have_been_pied">há até uma página da Wikipedia sobre isso</a>, com nomes que vão do Príncipe Charles ao Rei da Suécia, de Calvin Klein a Sylvester Stallone.</p>



<p>Em comum, o fato das celebridades encararem as tortas de forma bem mais leve que os políticos, que sofrem ao ter sua seriedade questionada. As risadas doem mais do que as tortas, e de certa forma, o ativismo funciona bem melhor, pois não há risco envolvido, não há como se vender como mártir, não há cicatriz ou momento de quase-morte.</p>



<p>Ninguém sobe no palanque se vangloriando de ter sobrevivido a uma torta.</p>



<p>Hoje vemos menos protestos como os dos Confeiteiros Sem Fronteiras, o principal motivo é que a militância está mais burra e mais raivosa, as pessoas não têm mais vergonha de esconder seu ódio. Se você acha que está do lado do Amor, da Virtude e da Paz, tudo é permitido para atingir seus objetivos, de pedir para guilhotinarem o Presidente que você não gosta, a celebrar bebês mortos, se eles são da religião que você não gosta e agora pode de novo, assim como em1936, dizer que não tolera aquela gente.</p>



<p>O mundo está mais sem-graça, a Militância esqueceu que o primeiro passo para derrotar seus opressores, é rir deles, e não precisa de violência para isso, se você for bom, mais gente vai inclusive rir com você.</p>



<p>Só que para fazer rir é preciso ser inteligente, e a militância hoje é representada por aquela retardada que destruiu a decoração de um restaurante em Nova York, “acusando-o” de ostentar bandeiras de Israel (vide parágrafos anteriores).</p>



<p>Era um restaurante grego.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="BREAKING NEWS: WOMAN TAKES DOWN GREEK FLAGS THINKING THEY ARE ISRAELI" width="1380" height="776" src="https://www.youtube.com/embed/wdYFjzZ7cP0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>IA não vai mudar o mundo e será decepcionante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cardoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Feb 2025 02:44:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
		<category><![CDATA[ia]]></category>
		<category><![CDATA[LLM]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eu lembro, quando era jovem e inocente. Primórdios da Internet; as pessoas voltaram a se comunicar por texto, depois que a moda dos PenPals já era História. Vídeo e voz era ainda ficção científica, nos restavam os emails, mailing lists, grupos de discussão. A Internet nos trouxe os fóruns, era a Era Dourada do texto. Iríamos escrever mais, escrever muito.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/vlcsnap-2022-04-19-03h02m15s025-1536x832-1.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="555" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/vlcsnap-2022-04-19-03h02m15s025-1536x832-1-1024x555.jpg"  alt="vlcsnap-2022-04-19-03h02m15s025-1536x832-1-1024x555 IA não vai mudar o mundo e será decepcionante"  class="wp-image-18004" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/vlcsnap-2022-04-19-03h02m15s025-1536x832-1-1024x555.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/vlcsnap-2022-04-19-03h02m15s025-1536x832-1-300x163.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/vlcsnap-2022-04-19-03h02m15s025-1536x832-1-768x416.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/vlcsnap-2022-04-19-03h02m15s025-1536x832-1.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">O dia inteiro no PC, ignorando até a Ally Sheedy</figcaption></figure>



<p>Meninos, eu errei, errei feio, errei muito.</p>



<p>Eu imaginava que teríamos uma verdadeira Renascença, com obras-primas surgindo de todos os cantos, por pura estatística, com milhões de pessoas escrevendo, conteúdo de qualidade inevitavelmente apareceria.</p>



<p>Era o Teorema dos Macacos Infinitos, que dado tempo suficiente batendo em máquinas de escrever, produziriam as obras de Shakespeare. É uma idéia legal, mas, na prática, não funciona, porque assim como macacos, estamos mais preocupados em jogar merda nos outros.</p>



<p>Escolhemos o menor denominador comum. A linguagem usada online é a mínima possível que consegue ser entendida. Quem escrevia em português decente era taxado de esnobe e pretensioso, mais tarde inventaram um tal de preconceito linguístico para impedir que gente que escrevesse mal fosse criticada.</p>



<p>Meu sonho de gente escrevendo muito e com isso escrevendo melhor foi substituído por programas que traduziam textos para “linguagem simplificada”. Sim, os Morlocks venceram.</p>



<h3 class="wp-block-heading">MAS E A IA?</h3>



<p>Escrever mal é só a ponta do iceberg, minha maior decepção foi perceber que a quantidade de conteúdo criado aumentou exponencialmente, mas a qualidade não só não se manteve a mesma, como caiu consideravelmente.</p>



<p>Uma antiga história, provavelmente apócrifa, conta que Gabriel García Márquez uma vez reclamou com o Prefeito de Bogotá que as constantes quedas de luz atrapalhavam seu trabalho, pois usava uma máquina de escrever elétrica.</p>



<p>O Prefeito teria respondido que<em> “Balzac, que era muito melhor que você, escrevia à luz de velas”.</em></p>



<p>É óbvio que a tecnologia facilita a produção de conteúdo. Eu não escreveria 1% do que já escrevi se tivesse que ir a bibliotecas, escrever à mão e usar telefone para me comunicar com fontes e editores.</p>



<p>Antigamente pra impressionar uma menina a gente gravava uma <em>mix tape</em>, uma fita K7 com músicas melosas. Dava um trabalhão, a gente tinha que ficar monitorando o rádio, esperar tocarem a música que a gente queria, botar pra gravar e rezar pro maldito locutor não falar no meio. Só os mais ricos tinham <em>tape decks</em> duplos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/maxresdefault-2.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/maxresdefault-2-1024x576.jpg"  alt="maxresdefault-2-1024x576 IA não vai mudar o mundo e será decepcionante"  class="wp-image-18005" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/maxresdefault-2-1024x576.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/maxresdefault-2-300x169.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/maxresdefault-2-768x432.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/maxresdefault-2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Hoje é trivial criar uma playlist no Spotify. Ou, se você quiser ser bem brega e preguiçoso, pode pedir pro ChatGPT criar pra você:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/Screenshot_114.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="651" height="364" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/Screenshot_114.jpg"  alt="Screenshot_114 IA não vai mudar o mundo e será decepcionante"  class="wp-image-18006" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/Screenshot_114.jpg 651w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/Screenshot_114-300x168.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 651px) 100vw, 651px" /></a></figure>



<p></p>



<p>É inegável que é muito mais fácil fazer animações hoje em casa usando um Blender da vida do que era nos primórdios da Industrial Light &amp; Magic. Editar vídeos é simples também, não há como comparar com a época em que qualquer trucagem como <em>fades</em> e legendas significava enviar o filme para ser processado em laboratório, e montar o filme era algo literal, com pedaços cortados e colados com fita durex.</p>



<p>Duas décadas atrás era impossível editar um vídeo sem ter acesso a uma Ilha de Edição. Gravar um CD exigia horas e horas (caras) de estúdio. Animação em vídeo era impossível para mercado doméstico (nenhuma câmera gravava frame a frame) e quem o fazia, usava filme 8mm, que sempre foi caro, mas no Brasil era proibitivo.</p>



<p>Hoje essa tecnologia criativa está ao alcance de todo mundo que não viva na miséria extrema. O TikTok está cheio de vídeos de gente em casas de pau-a-pique fazendo graça.</p>



<p>Meu telefone tem mais capacidade de processamento do que a Industrial Light &amp; Magic que fez o Exterminador do Futuro 2.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/cfe3994b751f5d015fd66d09cdc74661.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="582" height="765" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/cfe3994b751f5d015fd66d09cdc74661.jpg"  alt="cfe3994b751f5d015fd66d09cdc74661 IA não vai mudar o mundo e será decepcionante"  class="wp-image-18007" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/cfe3994b751f5d015fd66d09cdc74661.jpg 582w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/cfe3994b751f5d015fd66d09cdc74661-228x300.jpg 228w" sizes="auto, (max-width: 582px) 100vw, 582px" /></a></figure>



<p>Então por que eu não criei um?</p>



<p>Bem, pra princípio de conversa não sou o James Cameron, e isso, na verdade, poderia ser o final da conversa.</p>



<p>Surgiram talentos da Internet, gente que usou tecnologia para produzir arte, conteúdo de qualidade e migrou para o <em>mainstream</em>? O escritor mais bem-sucedido é o Andy Weir, do Perdido em Marte. Sou obrigado a citar a E.L. James, que escrevia fanfic Pr0n de 50 Crepúsculo e acabou criando 50 tons de cinza.</p>



<p>Na música o fenômeno mais conhecido é Justin Bieber. Em cinema e TV temos Donald Glover (O Troy de Community) e a Felicia Day, atriz que fazia vídeos de RPG e despontou para grandes pontas em <em>Supernatural</em>.</p>



<p>A história de que há um monte de talentos desconhecidos que só precisam de uma chance, de espaço para serem descobertos é uma bela de uma falácia. Onde estão os Spielbergs, os Lucas, os DeNiros, os Tolkiens, agora que qualquer um pode criar conteúdo e soltar para o mundo?</p>



<p>Mais talentos apareceram? Sim, mas a quantidade de talentos excepcionais continua basicamente a mesma, o que me leva a formular uma hipótese:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>O Grande Talento é raro, muito raro, e é inevitável. A pessoa extremamente talentosa vai correr atrás, vai dar um jeito de aparecer, e as pessoas à sua volta irão ajudar.</p>
</blockquote>



<p>Estou sendo otimista, talvez ingênuo? Possivelmente, mas é a melhor explicação para a qualidade da produção cultural não ter aumentado, apesar do aumento da quantidade, e o número de gênios ter se mantido o mesmo.</p>



<h3 class="wp-block-heading">DE NOVO: MAS E A IA?</h3>



<p>Existe toda uma classe de criadores apavorados com a IA e com ela irá destruir suas carreiras. Isso com certeza vai acontecer para muita gente. Não vejo espaço mais para os ilustradores de Tumblr que cobram entre $ 5 e $ 15 para criar imagens por encomenda como esta da Morte, personagem dos Perpétuos criada por <a href="https://amzn.to/42WxKoZ">Neil Gaiman</a>.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/ComfyUI-detailed-_00027_.png"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/ComfyUI-detailed-_00027_.png"  alt="ComfyUI-detailed-_00027_ IA não vai mudar o mundo e será decepcionante"  class="wp-image-18008" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/ComfyUI-detailed-_00027_.png 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/ComfyUI-detailed-_00027_-225x300.png 225w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></a></figure>



<p>Hoje, qualquer idiota consigo criar uma imagem como essa, eu criei essa imagem, melhor que 90% do que os artistas do Tumblr conseguem produzir. Desculpe, é a verdade.</p>



<p>Óbvio que isso não afeta talento de verdade, e nenhum prompt criado em 5 minutos irá produzir algo com a qualidade de um Dave McKean:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/morte-1-510x760-1.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="510" height="760" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/morte-1-510x760-1.jpg"  alt="morte-1-510x760-1 IA não vai mudar o mundo e será decepcionante"  class="wp-image-18009" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/morte-1-510x760-1.jpg 510w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/morte-1-510x760-1-201x300.jpg 201w" sizes="auto, (max-width: 510px) 100vw, 510px" /></a></figure>



<p>Essa não vai ser a primeira nem a última vez que o povo que cria artes do dia-a-dia foi garfado pela tecnologia. Hoje vemos fotógrafos desesperados porque a IA irá devastar o mercado de <em>stock photos</em>, aquelas fotos de arquivo usadas em Powerpoints, propagandas baratas e relatórios de empresas:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/stock-photo-beautiful-woman-repair-soldering-a-printed-circuit-board-204001492-620x1004-1.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="620" height="1004" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/stock-photo-beautiful-woman-repair-soldering-a-printed-circuit-board-204001492-620x1004-1.jpg"  alt="stock-photo-beautiful-woman-repair-soldering-a-printed-circuit-board-204001492-620x1004-1 IA não vai mudar o mundo e será decepcionante"  class="wp-image-18010" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/stock-photo-beautiful-woman-repair-soldering-a-printed-circuit-board-204001492-620x1004-1.jpg 620w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/stock-photo-beautiful-woman-repair-soldering-a-printed-circuit-board-204001492-620x1004-1-185x300.jpg 185w" sizes="auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px" /></a></figure>



<p>Esses mesmos fotógrafos (ok, os avós deles) foram responsáveis por um verdadeiro genocídio de uma categoria inteira de profissionais: os ilustradores.</p>



<p>Antes da fotografia ser inventada, e mesmo depois, até ser popularizada e o custo baixar, a única solução para quem quisesse uma imagem em algo impresso era pagar um ilustrador.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/a0b58396cbabc04b52c562dbea2a990f.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="736" height="1018" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/a0b58396cbabc04b52c562dbea2a990f.jpg"  alt="a0b58396cbabc04b52c562dbea2a990f IA não vai mudar o mundo e será decepcionante"  class="wp-image-18011" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/a0b58396cbabc04b52c562dbea2a990f.jpg 736w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/a0b58396cbabc04b52c562dbea2a990f-217x300.jpg 217w" sizes="auto, (max-width: 736px) 100vw, 736px" /></a></figure>



<p>Todos os anúncios usavam ilustrações. Pintores faziam ilustrações constantemente, pois mesmo naquela época já não dava pra viver de arte.</p>



<p>Ironicamente até ateliês de fotografia usavam ilustrações em seus cartões de visita.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/RussellThosBk01.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="492" height="300" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/RussellThosBk01.jpg"  alt="RussellThosBk01 IA não vai mudar o mundo e será decepcionante"  class="wp-image-18012" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/RussellThosBk01.jpg 492w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/RussellThosBk01-300x183.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 492px) 100vw, 492px" /></a></figure>



<p>Quando a foto se tornou economicamente atraente, esses ilustradores todos se tornaram desempregados.</p>



<p>Agora o alvo são os roteiristas, redatores, blogueiros, autores de material do dia-a-dia, mas isso não quer dizer que nada vá mudar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Sem Esperança</h3>



<p>Trocar o povo que escreve o feijão com arroz por IA não afetará a qualidade do material criado. Há quem defenda que com a IA o povo realmente criativo vai usar a ferramenta e produzir muito material de qualidade, mas a experiência de Séculos mostra que isso não vai acontecer.</p>



<p>Para usar IA como uma ferramenta criativa, o sujeito precisa ser criativo, precisa entender a ferramenta, saber como usar e o que pedir dela. É preciso muita bagagem e conhecimento para instruir uma IA até chegar a um produto final de qualidade, que se destaque, que tenham real intrínseco valor artístico, e a imensa absoluta maioria dos usuários de IA E dos artistas do dia-a-dia não têm a bagagem necessária.</p>



<p>Nenhuma IA ainda tem a capacidade de criar um “episódio sensacional de Buffy”. Com base nas médias e informações usadas para treinar o modelo, a IA associará tramas bem-sucedidas, personagens populares e tentará criar uma idéia nova e instigante, mas justamente por ser focada em médias, o resultado será&#8230; medíocre.</p>



<p>Uma idéia genial é uma idéia fora da caixa, é uma idéia estatisticamente improvável. Nenhuma massa de dados produziria a trama d’O Sexto Sentido.</p>



<p>Em A Cidade e as Estrelas, de Arthur Clarke, uma sociedade estável, mas estagnada, controlada por máquinas e onde as pessoas vivem eternamente até se cansarem e serem digitalizadas para eventualmente voltarem em novos corpos tem, de tempos em tempos, um indivíduo que foge das regras, traz um grau de instabilidade necessário para que a sociedade quebre seu ciclo de estabilidade.</p>



<p>Sim, isso foi kibado em Matrix.</p>



<p>A IA precisa dessa instabilidade, dessa fagulha criativa para efetivamente brilhar, infelizmente essa fagulha é rara. Da mesma forma que é difícil que a sociedade produza gênios reais, agora precisamos de gente extremamente criativa, que não tenha medo de IA, e esteja disposta a estudar para se tornar exímio usuário da ferramenta. E com isso mudar todos os seus processos.</p>



<p>Pela teoria dos conjuntos, é um grupo muito, muito pequeno.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Conclusão</h3>



<p>A IA trará mudanças substanciais, mas nosso consumo e produção culturais não serão afetados, não de uma forma perceptível. Teremos mais animações em alguns anos, quando as ferramentas de IA forem boas o suficiente para gerar vídeos consistentes, teremos mais e melhores efeitos visuais em séries, mas não espero uma enxurrada de produtos de altíssima qualidade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/ezgif-257994ba5477ff.gif"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="381" height="500" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2025/02/ezgif-257994ba5477ff.gif"  alt="ezgif-257994ba5477ff IA não vai mudar o mundo e será decepcionante"  class="wp-image-18013"/></a><figcaption class="wp-element-caption">Esta animação foi criada em menos de 2 minutos, no meu humilde pczinho, com base em uma única imagem. Pense nessa tecnologia daqui a 5 anos.</figcaption></figure>
</div>


<p>Não espero um aumento na qualidade dos filmes, séries, músicas, quadrinhos ou podcast, pois o uso de IA por si só não significa qualidade. Para isso é preciso talento, criatividade e habilidade, e as pessoas que possuem essas qualidades já estão ocupadas sendo criativas.</p>
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		<title>Sobre Super-Homem e como Gilberto Gil está completamente errado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cardoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Dec 2024 17:20:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura Pop]]></category>
		<category><![CDATA[James Gunn]]></category>
		<category><![CDATA[quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[superman]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando o trailer do filme do Super-Homem, dirigido por James Gunn foi finalmente lançado, ouviu-se o suspiro aliviado de milhões de fãs, vendo após anos um Super-Homem colorido (no bom&#8230;</p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/7102efb3-3594-4aae-9da9-be39a758c500_1920x1080.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/7102efb3-3594-4aae-9da9-be39a758c500_1920x1080-1024x576.jpg"  alt="7102efb3-3594-4aae-9da9-be39a758c500_1920x1080-1024x576 Sobre Super-Homem e como Gilberto Gil está completamente errado"  class="wp-image-17990" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/7102efb3-3594-4aae-9da9-be39a758c500_1920x1080-1024x576.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/7102efb3-3594-4aae-9da9-be39a758c500_1920x1080-300x169.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/7102efb3-3594-4aae-9da9-be39a758c500_1920x1080-768x432.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/7102efb3-3594-4aae-9da9-be39a758c500_1920x1080-1536x864.jpg 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/7102efb3-3594-4aae-9da9-be39a758c500_1920x1080.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Quando o trailer do filme do Super-Homem, dirigido por James Gunn foi finalmente lançado, ouviu-se o suspiro aliviado de milhões de fãs, vendo após anos um Super-Homem colorido (no bom sentido) e carregado de esperança.</p>



<p>Certo, o Super do ótimo Superman &amp; Lois era tudo isso, mas ninguém assiste CW, a imagem que o público tinha era a do Super do Zack Snyder; sério, consternado, distante, quase (DSCLP) alienígena, mas a culpa também é nossa.</p>



<p>Esse era o Super que vivíamos pedindo. Nos Anos 80 eu fiz como com milhões de fãs do Cavaleiro das Trevas, do Frank Miller. Ri quando Bruce acusou Clark de ser um escoteiro azulão, sempre disposto a abaixar a cabeça para qualquer um com um distintivo ou uma bandeira.</p>



<p>Foi a era que criou o estereótipo do herói dark e atormentado. Clark não e encaixava nisso. Alguns escritores entendiam. Em uma história retratando o primeiro encontro dos dois, Batman é acusado de um crime e Super-Homem tenta detê-lo. Batman o chantageia, dizendo que colocou uma bomba que matará um inocente caso Clark não o ajude a investigar e limpar seu nome.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Superman | Official Teaser Trailer" width="1380" height="776" src="https://www.youtube.com/embed/NQwDGFjGU7s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Super-Homem usa a super-audição para ouvir os bat-batimentos cardíacos, e percebe que ele está falando a verdade. Indignado por uma vida inocente estar em risco, Clark é forçado a ajudar, no final provam a inocência do Batman, que tira uma bomba do cinto e entrega ao Super-Homem. “Eu era a pessoa inocente.”</p>



<p>Com o tempo o vírus dark da DC foi se espalhando, os fãs começaram a exigir que o Super-Homem seguisse essa linha. Os produtores atenderam ao pedido, e acabamos com um Super-Homem que deixa o pai morrer, destrói uma cidade e fica indiferente vendo uma bomba explodir em uma sala cheia de gente.</p>



<p>Nada menos Super-Homem do que a cena d’Ele pairando sobre a casa com Seu símbolo, um Deus indiferente decidindo se atende ou não as súplicas de seus fiéis. Nas palavras do filósofo Banner, Deus Fracote.</p>



<p>Gilberto Gil também via Super-Homem como um Deus, mudando o curso da História.</p>



<p>Nunca foi essa a lição. Não foi para isso que Jor-El nos mandou seu único filho. Tudo de especial no Super-Homem veio dos Kents. Todos os valores, tudo que o faz uma pessoa essencialmente boa, é humano de natureza.</p>



<p>Super-Homem não é força bruta, apesar de, quando crianças, focarmos em seus superpoderes mais evidentes. Com o tempo entendemos que seu maior poder é a empatia. Sua maior derrota é não poder ajudar todo mundo.</p>



<p>Ele representa o que há de melhor na Humanidade, a visão idealizada de nós mesmos. Jor-El, no filme de 1978, diz:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Viva como um deles, Kal-El, para descobrir onde sua força e seu poder são necessários. Mas sempre mantenha em seu coração o orgulho de sua herança especial. Eles podem ser um grande povo, Kal-El, eles desejam ser. Eles só não têm a luz para mostrar o caminho. Por esta razão, acima de tudo, sua capacidade para o bem, eu os enviei você&#8230; meu único filho.</p>
</blockquote>



<p>Ele não foi mandado para comandar, controlar ou ser adorado como um Deus. Super-Homem não exige obediência, não ameaça com o inferno quem não segue o que ele prega. Super-Homem vai salvar o bom e o mau, o certo e o errado. Não vai matar quem o atacar, nem deixar morrer quem o destrata.</p>



<p>Isso que o torna um herói tão especial, um arquétipo de 87 anos. Ele é o melhor de nós, sem nos julgar.</p>



<p>Nada exemplifica melhor isso do que este texto, postado na Internet vários anos atrás:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/T0shPIcFHvZuLVbTG6lQ9n48TUNkfkGmpQLGjrsCaPI.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="600" height="600" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/T0shPIcFHvZuLVbTG6lQ9n48TUNkfkGmpQLGjrsCaPI.jpg"  alt="T0shPIcFHvZuLVbTG6lQ9n48TUNkfkGmpQLGjrsCaPI Sobre Super-Homem e como Gilberto Gil está completamente errado"  class="wp-image-17991" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/T0shPIcFHvZuLVbTG6lQ9n48TUNkfkGmpQLGjrsCaPI.jpg 600w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/T0shPIcFHvZuLVbTG6lQ9n48TUNkfkGmpQLGjrsCaPI-300x300.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/T0shPIcFHvZuLVbTG6lQ9n48TUNkfkGmpQLGjrsCaPI-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /></a></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>&#8220;Eu lutei contra a depressão desde os dez anos de idade. Isso me debilitou emocionalmente. Eu tinha 27 anos, sem diploma universitário, sem emprego e sem vontade de viver. Decidi me matar após o Natal.</p>



<p>E então o namorado da minha irmã me emprestou essas revistas em quadrinhos. O Superman está morrendo de envenenamento por radiação, ele está tentando completar todas as suas tarefas antes de morrer, mas ele ainda encontra tempo para salvar uma jovem que está prestes a pular de um prédio.</p>



<p>Eu chorei por horas depois de ler isso. Eu me identifiquei tanto com essa garota, e quase ouvi o Superman me dizendo que &#8216;sou mais forte do que penso&#8217;.</p>



<p>Agora, toda vez que minha depressão começa a aparecer, eu apenas repito suas palavras e imagino ele me abraçando quando estou na beira do abismo. Isso funciona melhor do que qualquer medicação ou terapia que já tive.</p>



<p>Agora estou na faculdade e no topo da minha turma. Tenho amigos. Tenho uma vida. E não me importo que ele seja um personagem fictício de quadrinhos. Ele ainda me salvou.</p>



<p>tl;dr O Superman salvou minha vida.&#8221;</p>
</blockquote>



<p>Super-Homem não existe para oprimir, assustar ou intimidar. Ele existe para inspirar.</p>



<p>Recentemente encontrei nas interwebs a temporada completa do seriado de cinema do Superman, de 1948. Eram tempos tão inocentes que Kirk Alyn não era creditado como Super-Homem/Clark Kent, a idéia era fazer as crianças acreditarem que o Sup era real, só os outros personagens eram atores.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/vlcsnap-2024-12-26-13h27m04s823.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/vlcsnap-2024-12-26-13h27m04s823-1024x768.jpg"  alt="vlcsnap-2024-12-26-13h27m04s823-1024x768 Sobre Super-Homem e como Gilberto Gil está completamente errado"  class="wp-image-17995" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/vlcsnap-2024-12-26-13h27m04s823-1024x768.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/vlcsnap-2024-12-26-13h27m04s823-300x225.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/vlcsnap-2024-12-26-13h27m04s823-768x576.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/vlcsnap-2024-12-26-13h27m04s823.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>A série é simplória pelos padrões de hoje, mas ao ver o trailer do filme de James Gunn, percebi muito em comum: inocência, honra, alma. Encontra-se isso na versão quase anime “My Adventures With Superman”, uma série tão legal que sobreviveu ao expurgo do DCU, mas ao vivo, em cores, faz muito tempo que não vemos no cinema um Super-Homem que nos inspire assim.</p>



<p>Ele é um herói de grandes feitos, mas o maior deles foi mostrar que não importa se você salva o Força Aérea Um&#8230;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Screenshot_55.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="410" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Screenshot_55-1024x410.jpg"  alt="Screenshot_55-1024x410 Sobre Super-Homem e como Gilberto Gil está completamente errado"  class="wp-image-17992" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Screenshot_55-1024x410.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Screenshot_55-300x120.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Screenshot_55-768x307.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Screenshot_55-1536x614.jpg 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Screenshot_55.jpg 1915w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Ou salva um gatinho.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Screenshot_54.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="550" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Screenshot_54-1024x550.jpg"  alt="Screenshot_54-1024x550 Sobre Super-Homem e como Gilberto Gil está completamente errado"  class="wp-image-17993" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Screenshot_54-1024x550.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Screenshot_54-300x161.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Screenshot_54-768x413.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Screenshot_54.jpg 1474w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Super-Homem personifica a passagem do Sanhedrin 37ª do Talmud: “Quem salva uma vida salva o mundo todo”. Ele acredita que temos potencial para o bem, que podemos salvar a nós mesmos, como a jovem suicida da história lá de cima.</p>



<p>Em um mundo cheio de Homelanders, um Super-Homem é mais que necessário. Obrigado James Gunn, por também acreditar.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Superman-2025-Save-Girl.gif"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="500" height="264" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/Superman-2025-Save-Girl.gif"  alt="Superman-2025-Save-Girl Sobre Super-Homem e como Gilberto Gil está completamente errado"  class="wp-image-17996"/></a></figure>



<p></p>
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		<title>Hello boy, I&#8217;m BACK!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cardoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Dec 2024 00:31:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O Resto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sim, crianças, é isso mesmo. O verdadeiro Milagre de Natal. Algumas semanas atrás, eu tomei a dura decisão de tirar o site do ar, não estava fazendo sentido em termos&#8230;</p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/vlcsnap-2024-12-25-21h29m40s648.jpg"><img  title="" loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="435" src="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/vlcsnap-2024-12-25-21h29m40s648-1024x435.jpg"  alt="vlcsnap-2024-12-25-21h29m40s648-1024x435 Hello boy, I&#039;m BACK!"  class="wp-image-17980" srcset="https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/vlcsnap-2024-12-25-21h29m40s648-1024x435.jpg 1024w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/vlcsnap-2024-12-25-21h29m40s648-300x128.jpg 300w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/vlcsnap-2024-12-25-21h29m40s648-768x326.jpg 768w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/vlcsnap-2024-12-25-21h29m40s648-1536x653.jpg 1536w, https://contraditorium.com/wp-content/uploads/2024/12/vlcsnap-2024-12-25-21h29m40s648.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Sim, crianças, é isso mesmo. O verdadeiro Milagre de Natal.</p>



<p>Algumas semanas atrás, eu tomei a dura decisão de tirar o site do ar, não estava fazendo sentido em termos econômicos e logísticos, mas para minha surpresa, isso desagradou muita gente, inconformada em ter que acessar o Contraditorium via archive.org. </p>



<p>Um desses inconformados foi o Rubens, CTO da <a href="https://longb.com.br/">Longbsants</a>, que se ofereceu para hospedar -e mais importante- cuidar da infra do blog, liberando meu tempo para escrever mais. Achei a oferta extremamente generosa, aceitei e parti pra chaaaaaaata tarefa de migrar um blog do WordPress na mão. </p>



<p>Bastante coisa não está funcionando ainda, nem consegui criar um banner de agradecimento para o rodapé, mas os artigos antigos estão no ar, o tema provisório está funcionando, e os novos artigos vão começar a entrar. </p>



<p>Pelo visto os boatos da morte do Contraditorium foram um tanto ao quanto exagerados.</p>



<p>A todos que se ofereceram para ajudar, que foram solidários ou apenas reclamaram, muito obrigado. Que 2025 seja o auge dos tempos interessante que estamos condenados a viver! </p>



<p>@cardoso</p>



<p></p>
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