<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" xmlns:creativeCommons="http://backend.userland.com/creativeCommonsRssModule" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0">

<channel>
	<title>Corra Mary</title>
	
	<link>http://corramary.com</link>
	<description />
	<lastBuildDate>Fri, 10 Jul 2009 01:45:26 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<creativeCommons:license>http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/</creativeCommons:license><image><link>http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/</link><url>http://creativecommons.org/images/public/somerights20.gif</url><title>Some Rights Reserved</title></image><xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /><meta xmlns="http://pipes.yahoo.com" name="pipes" content="noprocess" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/corramary" type="application/rss+xml" /><feedburner:emailServiceId>corramary</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item>
		<title>Sair na porrada</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/corramary/~3/pl-UNmKdo3s/</link>
		<comments>http://corramary.com/sair-na-porrada/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2009 01:45:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pedro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://corramary.com/?p=943</guid>
		<description><![CDATA[Todo mundo já saiu na porrada e tem alguma história para contar sobre. Assim como os leões, os macacos e os albatrozes, nós animais, na impossibilidade de mijar nas coisas que teoricamente nos pertencem, brigamos por causa delas. Tipo quando aquele cara escroto chega na sua mulher; ou aquele beberrão que te provoca do nada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todo mundo já saiu na porrada e tem alguma história para contar sobre. Assim como os leões, os macacos e os albatrozes, nós animais, na impossibilidade de mijar nas coisas que teoricamente nos pertencem, brigamos por causa delas. Tipo quando aquele cara escroto chega na sua mulher; ou aquele beberrão que te provoca do nada e pega sua bebida; ou aquela velha que insiste em te vender o seu próprio suéter&#8230; Porrada é porrada, meu amigo, quem já tomou, sabe que não é tão duro assim, a menos que quebre os dentes. E quem dá a primeira, ganha a briga.</p>
<p>Só eu não briguei. E juro que penso nisso com certo receio. A única vez extra-familiar em que rolou um kung fu na minha vida foi com Thiago Oliveira, na segunda série. Eu dei uma banda nele, parceiro, ele tremeu nas tabelas&#8230; É sério, meu único confronto foi contra alguém da segunda série (bem, pelo menos eu também era da segunda série. Eu sou fraco, mas não sou tão covarde). Eu disse extra-familiar porque porrada com irmão não vale. Ainda mais um irmão que você ama muito (ohh). Eu e meu maninho só brigávamos quando ele me chamava de Angélica, pois eu tinha um sinal, que desapareceu, na coxa. Esse xingamento (bom, eu considerava um xingamento), me dava uma tremenda vontade de dar um soco na cara dele. É claro que eu sempre errava, mas ele nunca me acertava pra valer também.</p>
<p>Eu sempre fui assim. O mais sociável, diplomático e fraco da turma. Eu só derrubava alguém quando fazia judô. mas judô é mongol, só conseguiria usar em briga se fosse faixa preta. Eu era faixa transparente, bege, sei lá! Já lutei capoeira também. Não sei se você reparou, mas eu só fiz lutas que só fazem sentido se você for fodão. Eu fico imaginando um cara me provocando, aí eu começo a gingar cheio de malemolência e atitude, um espectador tira um berimbau da mochila e começa um &#8220;Paranauêêê, Paranauê, Paraná!&#8221;, e eu tomo um soco no meio do olho, caio de cabeça no chão e só acordo no dia seguinte com flores na minha cabeceira. Não é como Krav Magá que, além de ter um belíssimo nome, te faz torcer as pessoas e bater que nem o Steven Seagal.</p>
<p>Meu irmão já saiu na porrada e, assim como Mike Tyson, já perdeu e já venceu (só não comeu orelha&#8230; Eu acho). Ele é assim como eu: magrinho, com uma banha aqui e outra acolá e de aspecto inofensivo. Só que ele, quando está com sangue nos olhos, vira um lutador astuto e sagaz. Quando eu fico com sangue nos olhos, eu choro. Ele já fez Kung Fu estilo Jon Jon Law (mentira, eu inventei esse estilo), sempre defendia os amigos (e o mais importante: tinha um amigo que o defendia!). Eu não&#8230; Só tenho um abraço extremamente carinhoso e quentinho. O problema é que se eu fizer isso no ringue, perderei a orelha, uns dentes e a minha dignidade.</p>
<p>É por isso que eu me pelo de medo. Eu tenho medo de dar motivos para alguém se emputecer comigo a ponto de querer me bater; ou então de estar na hora errada e no lugar errado. Não estou falando que eu sou um saco de pancada sem personalidade, até porque eu acabaria entrando numa briga se esgotasse meus argumentos para evitá-la. O que me encafifa é que eu não vejo sentido em duas pessoas duelando.</p>
<p>Se você vê sentido em porrada, vai tomar no olho do teu cu e vem pra mão. Mentira, siga meus passos para entender a arte da covardia coerente e autopreservativa:</p>
<p>1 &#8211; Tenha plena visão holística da coisa:</p>
<p>Se um rapaz mal intencionado (leia-se &#8220;filho da puta&#8221;) passa a mão na bunda da sua namorada, lembre-se de que você também passa, só que com o consentimento dela. Quer vingança melhor do que essa? O cara não vai levar a bunda dela para casa. Uma passada desavisada de mão NUNCA teve esse resultado &#8211; nem com as solteiras.</p>
<p>2 &#8211; Seja o psicólogo do seu agressor</p>
<p>Fale com ele olhando nos olhos e entenda (ou finja entender) tudo o que ele fala. E mostre que o melhor caminho é o diálogo e a comunhão na resolução de problemas. Por que ele está tão possesso? O que há de ser feito para que isso não aconteça? Retórica e psicologia nunca são demais nessas horas.</p>
<p>3 &#8211; Faça piadas divertidas</p>
<p>O piadista é sempre poupado. Ele é gente boa.</p>
<p>4 &#8211; Esteja sempre em maioria</p>
<p>E quando estiver, seja o apartador da briga. Vai inspirar no agressor o seguinte sentimento: &#8220;que sujeito coerente, mesmo em maioria ele quer evitar briga&#8230; É verdade, não há motivo para isso&#8230;&#8221;.</p>
<p>5 &#8211; Respeite os maiores e mais sóbrios</p>
<p>Quando for ao contrário, foda-se. Se o cara então for menor e mais bêbado (ou seja, juntar os dois aspectos) e ainda quiser entrar na porrada, esqueça tudo o que eu disse, porque alguém assim merece apanhar.</p>
<p>6 &#8211; Não se deslumbre com uma faixa verde</p>
<p>Seja lá qual luta você fizer, uma faixa verde nunca é a mais graduada. Mas é aquela que começa a te inspirar a sensação de ser um autêntico Jet Li ou Shang Tsung. Essa gente é a mais suscetível para brigas. São aquelas que estão no meio do caminho entre os que não tem a mínima auto-estima (os faixas transparentes) e os que estão acima da briga, pois sabem que vão dizimar o coitado (os faixas pretas, primeiros dans, segundos dans etc).</p>
<p>7 &#8211; Só provoque se estiver longe</p>
<p>Bem longe, de preferência você no seu computador e ele no dele.</p>
<p>8 &#8211; Nunca dê a outra face</p>
<p>Desculpe, Jesus, mas ninguém consegue dar a outra face quando se está inconsciente (afinal, seguindo meus passos, você será um verdadeiro merdão, como o mestre Pedro Staite).</p>
<p>9 &#8211; Pratique o amor</p>
<p>Quer coisa melhor do que o amor?</p>
<p>10 &#8211; Tenha uma amiga grávida</p>
<p>Se não houver jeito, e a porrada estancar, tenha sua amiga grávida por perto. Elas são mais preciosas que os piadistas.</p>
<p><strong>Pedro</strong></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/corramary/~4/pl-UNmKdo3s" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://corramary.com/sair-na-porrada/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://corramary.com/sair-na-porrada/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Memórias do jardim</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/corramary/~3/VwFRjR3g_lk/</link>
		<comments>http://corramary.com/memorias-do-jardim/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2009 15:25:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pedro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://corramary.com/?p=941</guid>
		<description><![CDATA[O jardim de infância é uma espécie de segundo parto. Quando estamos no confortável útero de mamãe (que lugar aconchegante), em dado momento a gente começa a ficar grande demais e só resta sair por aquele buraquinho maroto. É, aquele mesmo onde tudo começou há nove meses. Quando somos expelidos para o mundo aqui fora, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O jardim de infância é uma espécie de segundo parto. Quando estamos no confortável útero de mamãe (que lugar aconchegante), em dado momento a gente começa a ficar grande demais e só resta sair por aquele buraquinho maroto. É, aquele mesmo onde tudo começou há nove meses. Quando somos expelidos para o mundo aqui fora, todo o ambiente externo nos atinge de alguma forma. O ar, os micro-organismos, a luz&#8230; Nossos sentidos ficam despirocados com tanta informação, uma vez que eles estavam acostumados com placenta, escuridão e comida entrando pelo umbigo. Quando se nasce, ferrou, é uma batalha diária para não entrar em colapso.</p>
<p>É a mesma coisa no jardim. Estamos acostumados com o conforto do nosso lar, os desenhos animados, mamãe, irmão e fazer cocô sem pressa. Do nada, inexplicavelmente (para mim era inexplicável), eu tenho que botar uma roupinha sóbria e ir de encontro ao mundo. E o sofrimento que dá deixar sua mãe na porta da escola e seguir adiante é uma coisa difícil de assimilar. Parece sacanagem minha, mas nossos coraçõzinhos sofrem de verdade com essa primeira separação. As crianças são extremamente cruéis, mas sobretudo desconfiadas. Todas elas pensam que a mãe vai sumir no mundo, ou voltar para o planeta dela de origem e deixá-las naquele depósito de crianças chamado escolinha.</p>
<p>O meu primeiro encontro com tia Marta, a professora do jardim I, foi um pouco traumatizante. Eu resolvi extravasar meu desespero destruindo a sala de aula. Relatos arqueológicos contam que eu peguei uma cadeira e tentei tacar no espelho, mas minha força pueril não foi suficiente para levar meu plano diabólico adiante. Minha choradeira causou comoção entre meus amiguinhos (amiguinhos é o caralho, tinha acabado de conhecer esses melequentos) e um por um começou a chorar. Quando vi aquilo, pensei &#8220;serei um grande líder nessa escola&#8230;&#8221;, mentira, pensei &#8220;AHHHHHHHHHHHHH, MÃMÃÃÃÃEEEE, MÃMÃÃÃEEE&#8221;. Estávamos todos chorando, com a exceção de alguns que se tocavam ou comiam areia. Imagino que Dona Marta (não o morro, a tia) gostaria de enfiar a cadeira que me servia de arma no meio do meu rabinho, mas ela se conteve.</p>
<p>Essa dor toda se dissipou em 20 minutos. Porque crianças são cruéis, desconfiadas, mas principalmente adaptáveis. Meu primeiro grande amigo, o Michael, parava de chorar e me abraçava. Ao final do dia, já ríamos a valer e marcávamos uns birinaites para o finde, lesque!</p>
<p>O jardim II foi o ano mais acachapante da minha infância. Tínhamos aula com tia Valesca, que, se me botasse no colo, poderia fazer um belo comercial de &#8221; united colors of Benetton&#8221;, pois ela era mais negra que o meu pendrive e eu era mais branco que leite de magnésia.  Ela dava esporro mandando a criança cruzar os braços:</p>
<p>- Que coisa feia, Pedro! Cruza os braços!</p>
<p>Eu, que me cagava de medo (e de amor) por aquela búfala enorme (Tia Valesca deveria pesar mais que a turma inteira &#8211; e sim, eu a amava), cruzava os braços sem pensar duas vezes.</p>
<p>Nesse ano de 1991, conheci um grande amor, que me violentou o coração até a segunda série. Juliana Flora era que nem eu &#8211; magrela, branquinha e de olhos claros. Só que ela era menos magrela, menos branquinha e com olhos mais expressivos. E você sabe como é amor de criança, né!? Pois crianças são crueis, desconfiadas, adaptáveis e, sobretudo, apaixonadas. A gente ainda não faz joguinhos amorosos, não tem muita noção das coisas, não faz nada com a nossa paixão. Essa é a época de macular o coração pela primeira vez, para que tenhamos pelo menos alguma experiência amorosa até chegar o ensino fundamental.</p>
<p>Eu me sentia o líder da turminha. A nossa brincadeira favorita era apostar corrida, e eu era quem fazia os circuitos. Iam todos me seguindo e eu dando as instruções, falando que tínhamos que contornar a gangorra, passar por fora do gramadinho, voltar pela areia&#8230; No final, creio que só eu decorava, aí todos corriam atrás de mim para saber qual o caminho. Eu sempre ganhava. Eu era muito seboso.</p>
<p>Era seboso, mas tinha meus dias de carência. Eu era praticamente uma tiete dos meus dois melhores amigos &#8211; o Michael e o Gregório. Certa vez &#8211; por volta de 1993, minha mãe combinou com as mães deles um encontro lá em casa, regado a muito sorvete e cerveja (o sorvete para gente, a cervejas para as alcoólatras das nossas mães). Era hora da saída e minha mãe me comunicou que eles iam lá para casa. Nesse momento, tive uma explosão de felicidade genuína que me descontrolou. Saí correndo pelo pátio, gritei &#8220;EU AMO A VIDA!&#8221;, e abracei uma árvore. Eu juro que daria uma cena de comercial de cartão de crédito. Uma criança loira, correndo feliz e abraçando uma goiabeira&#8230; Coisa linda, né? No entanto, a árvore estava inteiramente imunda de merda, e sabe Deus de que ânus saiu isso. Será um macaco? Um mico? Uma criança? Sei lá, é difícil acreditar, mas tinha cocô no tronco da árvore. Fiquei com uma imensa mancha de fezes na minha camisa, tive que voltar parcialmente peladinho para casa&#8230; Mas voltei feliz da vida.</p>
<p><strong>Pedro</strong></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/corramary/~4/VwFRjR3g_lk" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://corramary.com/memorias-do-jardim/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://corramary.com/memorias-do-jardim/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Fly &amp; eu</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/corramary/~3/4yqUcjdaVok/</link>
		<comments>http://corramary.com/fly-eu/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 23:44:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pedro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://corramary.com/?p=939</guid>
		<description><![CDATA[Importante: se você nunca viu Marley &#38; eu, mas está louco para ver e se emocionar, NÃO leia esse texto. Não quero estragar o seu filme. Se você nunca viu Marley &#38; eu, e está pouco se fudendo, está liberado. Se você já viu esse longa canino, não se preocupe que, embora seja debochado, irônico, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Importante: se você nunca viu Marley &amp; eu, mas está louco para ver e se emocionar, NÃO leia esse texto. Não quero estragar o seu filme. Se você nunca viu Marley &amp; eu, e está pouco se fudendo, está liberado. Se você já viu esse longa canino, não se preocupe que, embora seja debochado, irônico, escroto e pederasta, não tratarei o tema de forma impiedosa ou inconsequente.</p>
<p>Já escrevi um texto sobre a Fly. Na outra ocasião, chamei a minha poodle de Bolota, para preservá-la, pois não sabia se algum amigo dela leria o texto no blog. Só depois eu me toquei que ela nunca teve amigos, só dona Dulce, a matriarca da minha família. E, assim como uma mãe não deve ser, dona Dulce jamais apareceu aqui no blog. Eu poderia falar mal dela (da Fly? Da minha mãe? Tanto faz), postar e viver com a consciência tranquila.</p>
<p>A Fly foi um presente ateniense que meu pai deu para a minha mãe. Acho que ele queria se vingar pelo fim do casamento, uma vez que fazia apenas dois anos que o matrimônio tinha sido desfeito. Ela chegou lá em casa, pretinha e pequena como um carvão, uma doçura. Se eu tivesse mais maldade e rancor, tentaria acender o carvão com álcool e fósforo, mas sempre fui muito controlado.</p>
<p>No começo, a gente não se dava muito bem. Meu primeiro contato com ela foi bem canino&#8230; Um canino enfiado na minha mão de sete aninhos. Fiquei bastante assustado e escangalhado emocionalmente, afinal, eu amava poodles! No entanto, essa violência toda mudou com o tempo. Depois de algumas mordidas de supetão na família, ela passou a rosnar antes. Uma espécie de aviso &#8220;seu puto, sai daqui que eu vou te morder!!!&#8221;.</p>
<p>Mas de qualquer forma, era impossível resistir quando ela pedia carinho. Ela vinha, toda peluda, fazendo festinha. Aí você fazia carinho nela, ela rosnava e você tirava a mão imediatamente, porque a mordida viria. Ela realmente nunca soube o que quis da vida. Eu até entendo, se existem seres humanos que não sabem o que querem (Eu? Você? Tanto faz), imagina a pobre e peludinha Fly, que era apenas um cachorro?</p>
<p>Ela nasceu em junho de 1994 e chegou lá em casa uns dois meses depois. Sempre teve problemas físicos e psicológicos (hehe. Se aquele encantador de cães, que trabalha na Tv a cabo, encontrasse a Fly, largaria o emprego e seria advogado), mas sempre teve um espaço em nossos corações (no meu, uma célula da coronária sempre esteve de bom tamanho).</p>
<p>O problema é que ela começou a ficar muito doente, e passou a viver um verdadeiro fardo diário para se manter viva. De acordo com o moço, um poodle geralmente vive 15 anos. A Fly sempre teve problemas cardíacos, mas mesmo assim, burlou as expectativas e saiu no lucro, quase completando 15 outonos.</p>
<p>Já li em algum lugar que o dia em que um velho acordar sem dor, é porque está morto. Pensava nisso e depois na Fly, pois, nos seus últimos dias, ela conseguiu a triste faceta de reunir todos os problemas possíveis no seu corpinho. No último domingo (diazinho de merda), aniversário do meu pai, resolvemos acabar com o sofrimento dela.</p>
<p>Foi um domingo esquisitíssimo. Almoço de aniversário para meu pai (embora eles sejam separados, meu pai é muito amigo da família), risos, coisas gostosas, alegria&#8230; Depois levar a Fly para o sacrifício. Era estranho, pois tudo o que conversávamos trazia a ideia de que &#8220;aham, está engraçado agora, mas daqui a pouco é hora de ir ao veterinário&#8230;&#8221;. É como no vestibular. TODAS os momentos têm um pequeno aspecto sombrio que aflora quando estamos nos divertindo. &#8220;Ahaha, que festa boa&#8230; Merda, domingo eu tenho prova&#8230; Se eu não passar, fudeu. Ai meu Deus!&#8221;.</p>
<p>Depois do aniversário mais animado em décadas (cof cof), tiramos a sesta e chegamos a pensar que o sacrifício seria protelado. Mas meu pai, sempre obstinado, convocou seus dois filhos para a trágica missão. Vou te contar que, por mais que ela tenha sido um animal que jamais fez questão do meu carinho (só da minha carne), eu fiquei triste. Era um ser vivo que fez de tudo para ser detestável, mas não dá, a gente se confronta com milhões de outras coisas e vê que a morte é a coisa mais possível do mundo.</p>
<p>Ela tomou uma anestesia primeiro e depois uma droga que traria a ceifadora sinistra em 30 segundos. Quando ela estava entrando na onda da anestesia, eu fiquei feliz porque ela aproveitaria um soninho indolor por alguns instantes. Nessa hora doeu, porque a serenidade nunca foi o forte de Fly. E ela estava bem serena. Depois o assassino, digo, veterinário expulsou gentilmente a gente da sala e finalizou os trabalhos. No final, quando meu pai foi pagar a conta, ainda fiz uma piada mongol para o veterinário:</p>
<p>- Hey! Você mata o nosso cachorro e a gente ainda tem que pagar???</p>
<p>Todos riram, inclusive o veterinário. Ele já deve ter ouvido essa piada 1439 vezes, mas rir nessas horas deve fazer parte do código de ética das faculdades de veterinária. E eu precisava fazer uma piada, estava entalado.</p>
<p>Pois é. Agora eu tenho quatro ex-bichinhos de estimação falecidos. Um tamagoshi, dois Haku haku dinokuns (Tamagoshis falsos) e a Fly. A diferença é que Juju, Jolly e Belchior voltavam à vida quando eu resetava. A vida é uma merda mesmo.</p>
<p>Obs.: Eu menti, eu não dava nome para os meus Tamagoshis&#8230; Só apelidos (Ju, Jó e Bebel).</p>
<p><strong>Pedro</strong></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/corramary/~4/4yqUcjdaVok" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://corramary.com/fly-eu/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://corramary.com/fly-eu/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Os homens da minha vida – Parte 1</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/corramary/~3/thg-aFQCxAI/</link>
		<comments>http://corramary.com/os-homens-da-minha-vida-parte-1-2/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 19:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Corra Mary</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corra Mary]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://corramary.com/?p=945</guid>
		<description><![CDATA[
Um fato curioso em se estar solteira, é que as pessoas falam com você como se estivessem morrendo de pena:
- Você namora?
- Não. Solteira.
- Ah, não se preocupa. Qualquer dia você acha alguém.
Oi? A pessoa por estar solteira, necessariamente TEM que estar desesperada por alguém?
E logo então vem aquela pergunta que nenhum solteiro mais agüenta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="http://latimesblogs.latimes.com/photos/uncategorized/2007/08/28/my_boys_j8uk9wnc_500.jpg" src="http://latimesblogs.latimes.com/photos/uncategorized/2007/08/28/my_boys_j8uk9wnc_500.jpg" alt="" width="330" height="231" /></p>
<p>Um fato curioso em se estar solteira, é que as pessoas falam com você como se estivessem morrendo de pena:<br />
- Você namora?<br />
- Não. Solteira.<br />
- Ah, não se preocupa. Qualquer dia você acha alguém.</p>
<p>Oi? A pessoa por estar solteira, necessariamente TEM que estar desesperada por alguém?<br />
E logo então vem aquela pergunta que nenhum solteiro mais agüenta ouvir:<br />
- Solteira? Mas por quê?<br />
Juro que em quatro anos de solteirice, eu ainda não aprendi a responder essa pergunta. Vario bastante na resposta. Às vezes digo “porque eu quero” ou “porque ainda não é a hora” ou quando o saco já se foi, um sorrisinho responde tudo.</p>
<p>Depois da 77829179 pergunta, comecei a pensar se haveria algum porque, e vi um certo padrão em relação aos homens da minha vida, a cada homem que eu me envolvia, focava no que mais me incomodava para achar o próximo, não me importando com o pacote que viria junto. O que me fez chegar há apenas uma conclusão: Não há conclusão nenhuma para se chegar.</p>
<p><strong>Os homens da minha vida:</strong></p>
<p><span style="color: #993366;">1)    O primeiro</span><br />
“Ex-namorado é que nem vestido velho: Você olha depois e diz: Como eu pude sair com isso?”<br />
Esse ditado fez muito mais sentido depois do “primeiro”.<br />
O “primeiro” foi a iniciação para tudo o que veio depois. Chega até a ser emocionante relembrar tudo o que ele me proporcionou primeiro do que qualquer outro que se seguiu (que depois fatalmente fizeram um ótimo trabalho em propagar seu invejável trabalho):<br />
A primeira mentira<br />
O primeiro chifre<br />
O primeiro choro<br />
A primeira briga&#8230;<br />
Dizem que a primeira transa é inesquecível, mas na verdade o que é inesquecível mesmo é a primeira decepção.</p>
<p>Decidi então que eu queria alguém mais maduro.</p>
<p><span style="color: #993366;">2)    O mais velho</span><br />
Ele era oito anos mais velho do que eu, morava sozinho, tinha carro, trabalhava e adorava me ensinar física quando a semana de provas da escola se aproximava. Sua mãe me odiava, mas como eu não a namorava, estava cagando. Pena que ele era igual comigo, exceto pelo fato de que sim, ele me namorava.<br />
Era um namoro totalmente morno. Um não morreria pelo outro, e era perceptível que eu não passava de um enorme travesseiro fofo que consolava as mentirosas tristezas de seu passado.<br />
Um dia cansei de tanto drama mexicano e acabei sem a menor tristeza.</p>
<p>Decidi então que queria mais paixão.</p>
<p><span style="color: #993366;">3)    O apaixonado</span><br />
Minha mãe diz que meu Santo Antônio é meio desregulado. Eu digo que é completamente.<br />
Quando eu pedi “mais paixão”, obviamente pedia para os dois lados.<br />
Sabe aquela coisa bonita em que a gente vê em filme? O casal que se esbarra no mercado e se descobrem loucamente apaixonados? O menino que ama a menina secretamente e quando se declara, descobre um enorme amor por parte dela também? O casal de velhinhos juntos há 50 anos e ainda se amando?<br />
Pois é, filha, isso só existe em filme mesmo. Na vida real o casal se casa por culpa de uma gravidez precoce, se separam depois de 6 meses, e ela descobre que contraiu hpv.<br />
“O apaixonado” era um cara que parecia ter saído de um desses filmes da sessão da tarde (tirando aqueles em que os animais falam. Por Deus, esses não!). Eram abraços demais, beijos demais, declarações demais, nhenhenhes demais. Tanta coisa que comecei a adquirir uma certa fobia dele. Ele vinha com aqueles braços enormes me prender só pra ele, e eu me concentrava no meu mantra secreto: “calma que daqui a pouco tudo isso vai acabar e você estará em casa assistindo televisão”.<br />
Aprendi então que quando assistir televisão em casa é melhor do que estar com um cara, já passou a hora de terminar esse relacionamento.</p>
<p>Decidi então que queria alguém com mais amor próprio</p>
<p><span style="color: #993366;">4) O bonito</span><br />
O que não faltava nesse era amor próprio. Na verdade seu amor era tão próprio, mas tão próprio, que não havia lugar para mim naquela relação. Todo o amor girava em torno dele, e ele mesmo.<br />
Para alguém que era tão perfeito, era difícil aceitar que os outros podiam ter defeitos. Ele me fazia sentir feia, velha, gorda e burra, e antes que me sentisse pior, mandei-o tomar no meio de sua linda bunda, e depois me senti melhor do que qualquer experiência que eu tenha vivido com ele.</p>
<p>Decidi então que eu queria alguém que me tratasse bem.</p>
<p>5) O namorando<br />
O “namorando” é aquele tipo irresistível. Sabe que tem uma enorme desvantagem por ser “namorando” e por isso usa todo o charme e lábia que puder.<br />
Sempre tratando a mocinha como uma princesa. Afinal, é o mínimo que pode oferecer a alguém que não terá espaço algum em sua vida.<br />
Para mim era perfeito. Alguém que quando eu quisesse, estaria lá para me dar toda a atenção do mundo (por aquela noite, é claro.), não me importaria com as suas mentiras, e nem ele com os meus perdidos, e seríamos felizes para sempre até ele ter que atender o celular.<br />
Tivemos uma ótima relação, onde fingíamos ter alguma relação, até que um dia eles acabaram.<br />
Pareceu bem claro o que eu devia fazer, quando me peguei numa discussão com ele em que eu dizia: “Vocês não podem ter acabado!”</p>
<p>Decidi então que eu queria alguém com perspectiva</p>
<p><span style="color: #993366;">6) O não-dá-mais</span><br />
Mesmo que não houvesse perspectiva alguma, eu criaria. Eu estava apaixonada. Daquele tipo em que você passa a ter 13 anos de novo e se pega escrevendo suas iniciais dentro de enormes corações em todas as folhas do caderno durante uma aula chata. Eu tinha certeza de que havia achado o cara certo, ele é que ainda não tinha a mesma certeza, e isso ficou claro quando num belo dia chegou na minha casa, sentou na minha cadeira, fumou do meu cigarro, e então se virou e disse: “Não dá mais”.</p>
<p>[continua...]</p>
<p><strong>Corra Mary</strong></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/corramary/~4/thg-aFQCxAI" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://corramary.com/os-homens-da-minha-vida-parte-1-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>14</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://corramary.com/os-homens-da-minha-vida-parte-1-2/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Doidão de cola</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/corramary/~3/6kha4pfKolA/</link>
		<comments>http://corramary.com/doidao-de-cola/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2009 15:32:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pedro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://corramary.com/?p=928</guid>
		<description><![CDATA[- Ah, meu padrasto é muito engraçado, sempre solta uma piada inesperada. Sabe o Deco? Então, ele se amarra muito no Alício (meu padrasto). Teve um dia em nós três ficamos doidão de cola, foi inesquecível&#8230;
- Doidão de cola????
- Calma! Eu posso explicar!
Eu nunca usei drogas do submundo do crime. Nunca cheirei cocaína (só Nescau, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Ah, meu padrasto é muito engraçado, sempre solta uma piada inesperada. Sabe o Deco? Então, ele se amarra muito no Alício (meu padrasto). Teve um dia em nós três ficamos doidão de cola, foi inesquecível&#8230;</p>
<p>- Doidão de cola????</p>
<p>- Calma! Eu posso explicar!</p>
<p>Eu nunca usei drogas do submundo do crime. Nunca cheirei cocaína (só Nescau, uma vez só, e foi  uma delícia. Quer coisa melhor do que ficar com as entranhas nasais cheias de gostinho de chocolate? Mas não recomendo Toddy, pois embolota à toa), nunca fumei crack também. Minhas relações com o cigarro do Capiroto são indignas de registro, ou seja, também não faço uso da ervinha safada. Nunca bombei na rave com uma bala (e se Deus quiser, só bombarei sob promessa ou chantagem). Nunca usei tinner, vick vaporub, esmalte (só nas unhas, amigaaa), liquid paper (o terror dos aluninhos da quarta série) ou similares corretivos.</p>
<p>Também nunca experimentei aquelas drogas alucinógenas que se usam em festas de biólogos loucos (olha a redundância aí geeeente!). Ácido, chá de cogumelo, Santo Daime, Mescalina, soma, haxixe marroquino, gota ou Sonrizal. Meu corpo é território sagrado das drogas lícitas, só e tão somente.</p>
<p>No entanto, já fiquei doidão de cola&#8230;</p>
<p>No início deste século, Alício, músico e padrasto irresponsável nas horas vagas, resolveu usar o nosso mínimo quartinho de empregada para fazer  um estúdio musical. O que soou meio insano, pois eu já entrei em elevadores maiores do que o quarto em questão. Eu fico imaginando o que o infeliz do arquiteto que projetou o apartamento estava pensando quando desenhou essa afronta às empregadas do prédio 135 da Mena Barreto:</p>
<p>- Afonso, você não acha que a dependência de empregada está muito pequena?</p>
<p>- De maneira alguma! Cabe uma cômoda e uma cama&#8230;</p>
<p>- Não&#8230; Acho que cabe, no máximo, uma cama OU uma cômoda. Se a cômoda entrar, a cama vai ficar suspensa na parede. A pobre coitada vai dormir na diagonal.</p>
<p>- Vai dormir com emoção, ué. Bota um girovisão para ela ver a novela, não vai querer outra vida!</p>
<p>- Afonso, isso é desumano! Vai tratar as pessoas feito escravas?</p>
<p>- Fica quieto Gilmar. Vocês esqueceu de ponderar que a empregada pode ser anã.</p>
<p>- Mas Afon&#8230; É&#8230; É verdade!</p>
<p>Pois bem, a discussão não é essa. Como ia dizendo, o Alício queria fazer o tal do estúdio. Para conseguir montar o cômodo, ele precisava de espuma, carpete, saco (tem que ter MUITO saco para colar carpete, acredite) e mão-de-obra retardada para ajudá-lo: eu, meu irmão e Deco.</p>
<p>Começamos o trabalho de corno. Erguíamos o carpete, alguém passava cola de cima a baixo e o outro empurrava para grudar e mantinha a mãozinha para que não descolasse. Estávamos levando uma bela surra naquela tarde alucinógena. Éramos três (meu irmão, aos primeiros sinais de onda de cola, saiu do quarto) idiotas, num quarto que dava para meio idiota apenas (ou meia empregada &#8211; a anã do Afonso), tentando colar tudo da melhor maneira possível. Mas o carpete pesava mais que uma vaca. É impressionante como tem coisas que a gente tem certeza de que consegue carregar &#8211; não é o caso da vaca, e sim do rolo de carpete.</p>
<p>Com o passar das horas, as piadas ficavam mais engraçadas e nos divertíamos mais e mais. Você pode pensar que era por causa do trabalho exaustivo, que mexeu com nosso psicológico. Aham, antigamente as senzalas eram autênticos clubes de comédia, não é verdade? Não. O aspecto cômico da coisa nasceu da cola que estávamos inalando, num quarto de 3 m², abafado e escuro. Nossos neurônios estavam colando um no outro, e a gente ria como se não houvesse ontem.</p>
<p>Início</p>
<p>- Esse cheiro é forte, meninos. Se vocês ficarem tontos, vão lá para fora.</p>
<p>- Tá bem, Alício!</p>
<p>Uma hora depois</p>
<p>- Tô chamando urubu de meu loiro e Jesus de Genésio!</p>
<p>- HahAHHAhAhAHHAHAhAH</p>
<p>Mais uma hora depois</p>
<p>- Pff&#8230; Tô chamando Urubu de Genésio e Jesus de meu loiro!</p>
<p>- HahahahahahaHAhAHHAHA</p>
<p>- Ai! Pisei na cola! HahahahHAHAHAhAhAH</p>
<p>- HAhahAHHAhahahHHAhAh!</p>
<p>A convicção de que estava alucinado veio quando eu menos esperava. Eu e Deco saímos do quartinho e sentimos a baforada de ar frio mais revigorante que já soprou sobre a Terra. Quando o vento fresco bateu, eu tive a sensação de que não existia vida antes daquele dia. Não estou falando metaforicamente, como se a vida só tivesse sentido depois de cheirar cola. Foi literal, eu não conseguia realmente me lembrar de mais nada. Estava preso no presente, olhando arregalado para o Deco e rindo de chorar. Não me lembrava de como acordei e não pensei em momento algum no dia seguinte que viria. Foi a única vez em que vivi o momento plenamente, olha que doideira.</p>
<p>Foi uma experiência surreal, que jamais repetiria. Mas serviu como lembrança de um dia sem projeções de futuro ou viagens ao passado (como estou fazendo agora, por exemplo). Serviu também de exemplo de como as pessoas fazem coisas esquisitas. Me refiro ao Afonso, que projetou o quartinho; ao Alício, que forrou o quartinho e quase matou a gente; ao Gilmar, que não bateu no Afonso a tempo, e a mim e ao Deco, que não evitamos o plano delirante do meu padrasto fanfarrão.</p>
<p>Ah, e só para constar. O quartinho ficou uma porcaria.</p>
<p><strong>Pedro</strong></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/corramary/~4/6kha4pfKolA" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://corramary.com/doidao-de-cola/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>11</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://corramary.com/doidao-de-cola/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Parei de fumar</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/corramary/~3/7c2ErVM7Ogs/</link>
		<comments>http://corramary.com/parei-de-fumar/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2009 21:40:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Corra Mary</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corra Mary]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://corramary.com/?p=936</guid>
		<description><![CDATA[Ou pelo menos é o que estou tentando fazer.
Lembro que comecei com o cigarro numa propícia viagem a Guapi há três anos. Muita caipirinha, piscina e amigos. Por que não adquirir um vício novo?
Meu primeiro cigarro fumado inteiro foi um Marlboro (marca que mais tarde virou minha preferência), mas logo após o primeiro, entrei de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ou pelo menos é o que estou tentando fazer.<br />
Lembro que comecei com o cigarro numa propícia viagem a Guapi há três anos. Muita caipirinha, piscina e amigos. Por que não adquirir um vício novo?</p>
<p>Meu primeiro cigarro fumado inteiro foi um Marlboro (marca que mais tarde virou minha preferência), mas logo após o primeiro, entrei de cabeça nos mentolados, que devo admitir, são deliciosamente malignos. Sentia-me fumando uma Halls preta, com aquele lindo e fino cigarro preto entre os dedos. Eu era um luxo de se ver, um lixo de se cheirar.</p>
<p>Já fazem 24 horas que não boto um cigarro na boca. O que para os não fumantes deve soar como piada, para os fumantes soa como tortura medieval.<br />
Vivi 18 anos sem saber o que era uma deliciosa tragada de Marlboro light, mas depois de descobrir essa iguaria da nicotina, como, COMO ficar sem meu cigarrinho logo após aquela refeição caprichada?<br />
Hoje depois do almoço, tive a árdua missão de resistir ao cigarrinho pós-almoço. Bolei um plano infalível:<br />
Como, e durmo.<br />
Parecia que não tinha como dar errado. Afinal, eu estaria dormindo e sem sentir meu corpo desejando os 4 Carltonzinhos que estão na gaveta para uma possível “emergência”.</p>
<p>Enquanto dormia parecia o plano perfeito, mas não me toquei de que uma hora, obviamente eu iria acordar. E devo admitir que meu corpo não estava nem um pouco feliz.<br />
Recomendaram chupar balinhas ou mascar chiclete cada vez que eu quisesse um cigarro.<br />
Mas a vontade de parar com o cigarro foi justamente a do dinheiro gasto com um vício tão desnecessário.<br />
Não estou disposta a largar um vício, e entrar de cabeça em outro. Sendo assim, balinhas e chicletes não me são a solução.</p>
<p>Recomendaram também tomar água sempre que a vontade aparecer. Ok, isso não faz o menor sentido e sinceramente não está ajudando em nada.<br />
Essas soluções da “psicologia moderna” só devem funcionar em drogados já altamente viciados e sem um pingo de sanidade para conseguirem perceber o quão sem sentido isso é. Certas horas a loucura pode até ajudar.</p>
<p>Espero de verdade conseguir parar. Já viram como os maços estão cada dia mais caros? Alguém finalmente ouviu minhas preces e resolveu colocar os bons cigarros (se é que isso existe) a preços absurdos, enquanto o “ministério da saúde” continua insistindo em fotinhos de pulmão de argila atrás dos maços.<br />
Alguém fazendo o favor, avisa logo que entre a possível falta de saúde e falta de dinheiro não há como discutir qual das duas é mais eficaz.</p>
<p>Corra Mary</p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/corramary/~4/7c2ErVM7Ogs" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://corramary.com/parei-de-fumar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://corramary.com/parei-de-fumar/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Sorte no jogo, azar no resto</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/corramary/~3/BUKbSo1jWcQ/</link>
		<comments>http://corramary.com/sorte-no-jogo-azar-no-resto/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2009 07:53:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pedro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://corramary.com/?p=925</guid>
		<description><![CDATA[Eu suponho que a expressão &#8220;sorte no jogo, azar no amor&#8221; venha de uma época em que as pessoas já apostavam coisas valiosas em partidas ou competições. Pode ter sido em qualquer momento, quando búzios eram dinheiro ou quando Jesus era pré-adolescente. O que importa é que essa expressão está inteiramente ligada a ganhos maiores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu suponho que a expressão &#8220;sorte no jogo, azar no amor&#8221; venha de uma época em que as pessoas já apostavam coisas valiosas em partidas ou competições. Pode ter sido em qualquer momento, quando búzios eram dinheiro ou quando Jesus era pré-adolescente. O que importa é que essa expressão está inteiramente ligada a ganhos maiores do que apenas a honra de ser o melhor em algum jogo. Já tinha grana rolando no meio (seja na forma de búzios, pedrinhas ou sacos de arroz), algo que fosse melhorar a vida do vencedor. Se eu ganhar uma partida de gamão sem apostar nada, dane-se, vou ter azar no amor a troco de nada? Bom, pelo menos eu não jogo gamão.</p>
<p>Mas depois que centenas de anos se passaram, a expressão perdeu esse caráter que eu propus hipoteticamente. Hoje em dia é sorte no jogo, qualquer jogo e sem valer nada necessariamente; azar no amor, pura e simplesmente.</p>
<p>Eu sempre fui conhecido como um cara que ganha qualquer coisa. Numa vez, quando era pequenino, estava em uma espécie de &#8220;ação da vizinhança mórmon&#8221; (mentira, não era mórmon, mas tinha alguma religião no meio), quando começou uma rifa. O prêmio era um boneco do Jiraya, um grande herói ninja japonês. Junto com o boneco, vinha um carro e uma moto. E, desculpem as meninas, só os meninos sabem o que é ganhar um boneco que vem com veículo &#8211; tesão total. Peguei o número 20 e esperei cheio de aflição. Quando a mulher gritou &#8220;vinte!&#8221;, eu fiquei emocionado e fui pegar meu prêmio. Quando cheguei aos vinte anos, namorei uma menina cujo apelido é Jiraya! Foi a única vez em que sorte no amor e sorte no jogo se concatenaram na minha vida, ainda que com uns 13 anos de intervalo.</p>
<p>Mas, tirando essa enorme exceção, eu sempre ganhei coisas que de nada me valeram. E, paralelamente a isso, sempre fui tido como um cara que não chegava a ser bundão, mas que papou moscas inaceitáveis com o sexo oposto. Ganhava praticamente tudo, e sempre que perdia, jogavam na minha cara que eu tinha perdido. Basicamente eu sou o homem a ser batido em jogos inúteis&#8230; Belo crédito, hein?</p>
<p>Passei por um final de semana que traduz exatamente isso tudo. No sábado, fui chamado para jogar umas partidinhas marotas de sinuca. Eu não sou um ás no bilhar (aliás, em esporte algum, só em queimado. Queimado é esporte, né?), só que nesse dia, estava iluminado pelo espírito de Rui Chapéu. Jogamos seis partidas com duplas que se revezavam. Eu ganhei as seis. E pô, dada a imensa gama de possibilidades, ganhar seis partidas seguidas é cabalisticamente estranho.</p>
<p>No domingo, fui a um aniversário de um amigo bastante valioso, e tive um dia igualmente vencedor. Jogamos Detetive e eu descobri em cinco rodadas que o Professor Black (aliás, eu mesmo no jogo) havia matado o Sr. Pessoa no salão de festas com uma corda. É vacilo matar alguém num lugar tão festivo&#8230; Quer dizer, é vacilo matar alguém, né? Eu ganhei o jogo, mas era o próprio assassino, que coisa estranha esse surto de sinceridade ao acusar a si mesmo. Enfim, coisas de Detetive.</p>
<p>Depois fui jogar um campeonatinho de Winning Eleven. Desculpem as meninas novamente, mas só os meninos sabem como é divertido fazer um campeonato de futebol no video game. Ganhei o campeonatinho nos pênaltis, tal como a seleção brasileira em 1994. Lembram desse momento inesquecível? Eu tinha sete anos naquela época.</p>
<p>Quando estávamos voltando do aniversário, começamos a jogar adedanha, e eu não tomei um bolo sequer. Sagacidade pura. Quando só sobraram três pessoas no trem, emendamos numa forca. Só eu consegui fazer o boneco morrer. Também pudera, botar a palavra &#8220;joanete&#8221; é pedir para vencer. Jotas, Enes e Tês são sempre preteridos em forca, repararam?</p>
<p>Ao final da jornada, uma amiga minha ficou impressionada com a minha habilidade em ganhar qualquer merda de jogo (NUNCA perdi uma partida sequer de &#8220;dedômetro&#8221;, por exemplo &#8211; aquele jogo em que você tenta abaixar o polegar do seu amigo com seu polegar).</p>
<p>Realmente esse final de semana foi vitória pura. Eu ganhei tudo, inclusive os &#8220;par ou ímpar&#8221; que precediam as partidas de sinuca de sábado à noite. Voltei para casa pensando nisso, e, às 22h47min de um domingo, estou mais carente do que uma viúva de guerra.</p>
<p><strong>Pedro</strong></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/corramary/~4/BUKbSo1jWcQ" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://corramary.com/sorte-no-jogo-azar-no-resto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://corramary.com/sorte-no-jogo-azar-no-resto/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Culinária nostálgica</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/corramary/~3/Y7M-3-J74eg/</link>
		<comments>http://corramary.com/culinaria-nostalgica/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2009 00:54:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pedro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://corramary.com/?p=923</guid>
		<description><![CDATA[Nostalgia é uma merda, é simplesmente a filha da falta do que fazer. Ela é parte integrante de dias tristes como domingo, juntamente com o Faustão, a ressaca e as comidas-símbolo (macarronada, bobó de camarão, peixes dos mais variados tipos&#8230;). Como há ausência de emoção e presença exacerbada de tédio, num domingo a gente estuda, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nostalgia é uma merda, é simplesmente a filha da falta do que fazer. Ela é parte integrante de dias tristes como domingo, juntamente com o Faustão, a ressaca e as comidas-símbolo (macarronada, bobó de camarão, peixes dos mais variados tipos&#8230;). Como há ausência de emoção e presença exacerbada de tédio, num domingo a gente estuda, organiza a semana, sei lá, ocupa a cabeça com coisas. Quando se é irresponsável demais para estudar e organizar a semana, a gente pensa. E lembra.</p>
<p>Meu irmão fez uma parada de banana com leite em pó, gelo e sei lá mais o que e falou para eu provar. Bebi e senti gosto imediato de algum momento da minha infância. Nossos sentidos são muito sagazes, eles sempre nos surpreendem. É a mesma coisa quando sentimos um cheirinho nostálgico (ex-namorados e ex-namoradas sempre têm essa merda de cheiro. Deve ser perfume vagabundo, que todo mundo tem).</p>
<p>Lembrei-me de uma vitamina horrível que a minha mãe fazia para gente. Não sei o que ela enfiava no liquidificador, mas tinha gosto de laranja, mamão e vômito. Agora, os ingredientes miraculosos que, juntos, formavam o gostinho de vômito, jamais saberei. A Coca-Cola tem a fórmula secreta dela. Minha mãe também. Mas eu sempre bebia aquele troço laranja, de consistência blilders (nojenta) acreditando piamente que estava me nutrindo horrores. Hoje sou um indivíduo forte e resistente (hahAh), mas não culpo a vitamina por isso.</p>
<p>Aliás, minha mãe sempre foi pródiga em fazer líquidos ruins. Cheguei certa vez a pensar que ela tinha um plano mirabolante para envenenar a gente, porque putz&#8230; Os chás que ela fazia no laboratório de alquimia (vulgo cozinha) eram verdadeiras poções malignas. Mas a gente tinha que beber, pois fazia bem &#8211; para o corpo, porque minha alma sempre sofria. Tudo bem que o chá de boldo não é um bom exemplo, porque no dia que fizerem alguma coisa gostosa a partir de boldo, o prêmio Nobel de química estará garantido para o inventor. Mas o chá de limão, tiro e queda para resfriado, gripe espanhola e varíola, era merda líquida. Jesus, que coisa ruim era aquela. Ela calhava de juntar ao mel e ao limão, uma pitadinha de alho. Talvez para exorcizar os espíritos vampirísticos que viviam na gente. Minha mãe sempre foi um pouco da bruxaria. Dizem que ela já trouxe o homem amado em três dias para si mesma! Vingardium leviosa!</p>
<p>Mas a falta de talento da minha mãe se restringe aos líquidos, mais especificamente os líquidos que curam. Isso me faz pensar o seguinte: por que os remédios, em sua esmagadora maioria, são ruins? O gosto da saúde é horrível &#8211; amargo de arrepiar, forte, eca! Quando o remédio é bom, ele pode te matar engasgado (Naldecon, já disse que isso mata!). Já o gosto da FALTA de saúde é ótimo! Coca-cola, hambúrguer do Nequi Bonaldes, sorvete com brownie e bomba de chocolate não me deixam mentir.</p>
<p>Por que um cheddar do fast food, que te incha como um colchão de ar, e que te mata silenciosamente como um ninja, é tão gostoso? Por outro lado, por que o boldo, patrono da saúde intestinal, tem gosto de cocô? (mentira, eu nunca comi cocô para saber. Mas eu suponho). Aí alguém vai dizer que nós temos que comer as coisas que fazem bem, que as coisas suculentas dão apenas satisfações carnais, que o que vale é o espírito. Porra, estou subestimando meus prazeres em troca da satisfação espiritual? Eu sou carnal, porra!</p>
<p>Bom, embora tenha mudado absurdamente o rumo da conversa, a história é mais ou menos essa. Tudo começou com a vitamina de banana, gelo, leite em pó e Nescau que o meu irmão fez. E vou te contar que, apesar de me fazer lembrar bebidas horríveis  da infância, ela está mais do que aprovada. Deveria vender no Gigabyte.</p>
<p><strong>Pedro</strong></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/corramary/~4/Y7M-3-J74eg" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://corramary.com/culinaria-nostalgica/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://corramary.com/culinaria-nostalgica/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Bota gelo</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/corramary/~3/c3pEdVnmNsg/</link>
		<comments>http://corramary.com/bota-gelo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 16:50:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Corra Mary</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corra Mary]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://corramary.com/?p=930</guid>
		<description><![CDATA[
Hoje é sexta-feira. Dia de sair, conhecer gente nova, beber, voltar pra casa às 8 da manhã, dormir, e repetir tudo de novo no dia seguinte.
Bom, ou pelo menos seria, se eu não tivesse a sorte de quebrar o dedo ontem à noite.
Segundo o médico, quatro a seis semanas de recuperação. Ou seja, não existirá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-931" title="dsc00303" src="http://corramary.com/wp-content/uploads/dsc00303-300x225.jpg" alt="dsc00303" width="300" height="225" /></p>
<p>Hoje é sexta-feira. Dia de sair, conhecer gente nova, beber, voltar pra casa às 8 da manhã, dormir, e repetir tudo de novo no dia seguinte.<br />
Bom, ou pelo menos seria, se eu não tivesse a sorte de quebrar o dedo ontem à noite.<br />
Segundo o médico, quatro a seis semanas de recuperação. Ou seja, não existirá Marina na noite carioca por um bom tempo.<br />
Ah, sim, é o dedo do pé. O anular, porque o mindinho já foi quebrado em outros carnavais.</p>
<p>Como dizem, “de médico e louco todo mundo tem um pouco”, mas minha mãe tem um “muito” dos dois.<br />
Como Dona Sandra não tem diploma de médica, para ela, tudo se resolve com gelo.</p>
<p>- AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH<br />
(grito de dor)<br />
- Bateu o dedo, filha?<br />
- nhdicufhauvih<br />
(grunhidos de mais dor ainda)<br />
- Ah, bota gelo.<br />
- Mãe, está realmente doendo. Muito.<br />
- 20 minutos de gelo resolve.</p>
<p><strong>20 minutos depois:</strong><br />
- Mãe, meu pé ta inchado.<br />
- Já botou gelo?<br />
- Já.<br />
- Bota mais.</p>
<p><strong>Dia seguinte:</strong><br />
- Mãe, meu dedo ta verde<br />
- Pela batida, filha. Bota mais gelo.<br />
- Mãe, se gelo ainda não resolveu, você acha mesmo que vai resolver agora?<br />
- Não deve ter sido nada. Foi só uma batidinha.<br />
- E se tiver quebrado?<br />
- Ta doendo tanto assim?<br />
- Se não tivesse doendo tanto assim, acha que eu estaria aqui enchendo seu saco?<br />
- Vai tirar uma chapa então. Mas aposto que não foi nada. O médico vai mandar você botar gelo. Garanto.</p>
<p><strong>Depois de voltar do médico:</strong><br />
- E aí, o que o médico disse?<br />
- Quebrei o dedo.<br />
- Jura?<br />
- Eu disse que não estava agradável.<br />
- Ah, minha filha, mas eu não sou médica, né? Como eu ia adivinhar?<br />
- Que você não é médica, eu sei. Quem não sabe é você.<br />
- Ele mandou botar gelo?<br />
- NÃO!</p>
<p><strong>Corra Mary</strong></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/corramary/~4/c3pEdVnmNsg" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://corramary.com/bota-gelo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://corramary.com/bota-gelo/</feedburner:origLink></item>
		<item>
		<title>Declarações pessimistas sobre calvície</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/corramary/~3/-32Gn-BC3Cg/</link>
		<comments>http://corramary.com/declaracoes-pessimistas-sobre-calvicie/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 31 May 2009 17:22:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pedro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://corramary.com/?p=898</guid>
		<description><![CDATA[José Antônio da Hora, meu simpático pai, nasceu careca, pelado e sem dente, assim como eu e você (o quê? Você nasceu cabeludo? Que foda! Nasceu de roupinha!? Mentiroso, eu sei que isso é impossível). Durante a vida, teve que correr atrás de cabelo, roupa e dentes, esse último um verdadeiro martírio infantil. No entanto, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>José Antônio da Hora, meu simpático pai, nasceu careca, pelado e sem dente, assim como eu e você (o quê? Você nasceu cabeludo? Que foda! Nasceu de roupinha!? Mentiroso, eu sei que isso é impossível). Durante a vida, teve que correr atrás de cabelo, roupa e dentes, esse último um verdadeiro martírio infantil. No entanto, hoje, aos 55 anos, só lhe restam incisivos, molares, mastigadores, caninos, calças, cuecas e camisas. Os cabelos se foram para sempre. O que me mata é que eles se foram há MUITO tempo.</p>
<p>Diz ele, rindo despretensiosamente, que aos 21 anos, suas madeixas já rareavam. Também pudera tanta indiferença, ele ficou tão pouco tempo com cabelo, que nem deu para rolar apego. Eu e meu irmão temos 22 e 23 anos, ainda não somos carecas, mas acho que já estamos condenados pelas circunstâncias genéticas impostas pelo tronco paterno da família. Que raiva!</p>
<p>Vovô Luiz, o patriarca dos Staites (a parte materna), morreu cabeludo, aos 70 anos. Vovô Fernando, o patriarca dos da Hora (logicamente, a paterna) tem a cabeça tão brilhosa que parece nunca ter nascido um pelinho sequer naquela proeminência impecavelmente lustrosa que ele chama de crânio. E agora!? Temos um embate capilar. A família careca se esbarra na cabeluda. Qual o gene mais forte?</p>
<p>Cabelo é foda. Assim como dor de barriga, todo mundo já teve problemas capilares de alguma ordem. Quando nasci, minha cabeça se comprometeu a distribuir cada fio para uma direção. Eu tenho aquilo que os especialistas de Harvard chamam de “rodamoinhos”. São uns 17 rodamoinhos espalhados pela minha generosa cabeçorra, deixando um aspecto constante de guerra civil em mim. Um desses rodamoinhos fica bem na frente, entre as entradas. Graças a ele, quando meu cabelo está maior, eu fico com um cacho caído para o lado esquerdo. Apelidaram de “cacho-pênis”. Legal, né? É por isso que agora só uso cabelo raspado.</p>
<p>Mas é uma situação complicada. Podemos comparar, forçando 500 Newtons de barra, o cabelo com a menstruação. Passamos boa parte da vida reclamando deles&#8230; Mas nos desesperamos quando eles desaparecem. Todo mês você, minha amiga de casa, reclama que o sangue está chegando; briga com o seu namorado (TPM é uma desgraça); fica enchendo o saco&#8230; Mas quando ela não vem, você morre do coração, não é verdade? É a mesma coisa com cabelo. Eu reclamo dele diariamente, mas me dói saber que ele está me abandonando.</p>
<p>Mas, quando a menstruação não vem, você pode tomar um remédio (sei, remédio&#8230;) que vai fazer você, milagrosamente, voltar a menstruar (existem clínicas cuidadosamente espalhadas pelo Rio de Janeiro só para isso!). A mesma coisa acontece com seus problemas capilares. Rola um produto que faz os cabelos voltarem, olha que maravilha!? Mas fofocas hospitalares afirmam que o mameluco que usá-lo fica momentaneamente impotente. Bom, o ideal então já é ser brocha, porque aí não tem problema algum! Esse remédio é perfeito para mim.</p>
<p>Meu irmão disse que ele não deixa impotente. A parada, em 1% dos casos, diminui a libido da pessoa durante o tratamento. Bom, já não é de todo o mal. Para reflorestar o cocuruto, ele já recorreu à babosa, que é uma espécie de sêmen vegetal nojentíssimo; ao tarô e à bruxaria. Agora está convicto em usar esse remédio corta-tesão. Desejo, do fundo da minha alma, toda a sorte para ele.</p>
<p>Temos que debater na sociedade se os carecas causam ojeriza ou alguma outra coisa nas mulheres. É claro que o “alguma outra coisa” não é algo bom. Se elas não sentem ojeriza, devem sentir pena&#8230; Ou raiva&#8230; Ou estranhamento&#8230; Ou desprezo.</p>
<p>O problema é que muitos carecas queimam o próprio filme, entende? Quem nunca viu aquele tipo de cara que deixa crescer cabelo numa das encostas laterais e tampa, quando estiver grande, a careca? Todos, até os cegos, percebem que o cara está escondendo um troço super explanado. É muito constrangedor. Aí um vento bate e a telha voa toda. É que nem esconder um elefante atrás da moita. Não importa o tamanho da moita&#8230; O elefante vai aparecer. Perucas são outro fator escrotizador dos carecas. Eu prefiro não ter nada, a ter cabelo de Barbie&#8230; Coisa horrível.</p>
<p>Se os carecas se aceitassem mais, acho que o próprio mundo os veria com mais naturalidade. E assim eu não estaria tão preocupado agora. Se a conjuntura mundial não mudar seus valores até eu ficar careca, vou recorrer à babosa, ao tarô, à bruxaria e, se mantiver a brochidão costumeira e a falta de cabelo, vou direto para o remédio corta-tesão.</p>
<p><strong>Pedro</strong></p>
<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/corramary/~4/-32Gn-BC3Cg" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://corramary.com/declaracoes-pessimistas-sobre-calvicie/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>12</slash:comments>
		<feedburner:origLink>http://corramary.com/declaracoes-pessimistas-sobre-calvicie/</feedburner:origLink></item>
	</channel>
</rss><!-- Dynamic page generated in 0.793 seconds. --><!-- Cached page generated by WP-Super-Cache on 2009-07-20 11:35:08 -->
