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			<creativeCommons:license>http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/</creativeCommons:license><image><link>http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/</link><url>http://creativecommons.org/images/public/somerights20.gif</url><title>Some Rights Reserved</title></image><xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /><meta xmlns="http://pipes.yahoo.com" name="pipes" content="noprocess" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/corramary" type="application/rss+xml" /><feedburner:emailServiceId>corramary</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item>
		<title>Fim de Semana Drunk Love – Parte III</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 12:36:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Em oito a cada dez textos meus no blog, eu faço alguma menção à cerveja em particular e ao álcool em geral. A tulipa e a garrafa sempre aparecem em algum momento, sejam como personagens principais ou como figurantes: apenas um gole, rapidamente, só para pontuar uma questão. Mas eu não sou um bêbado convicto, não subo na mesa, não vomito no meu pé, não mostro a bunda e nunca acordei nu sem saber por que dormi nu. Para mim, cerveja, a musa master, é excelente até te dar o primeiro soluço, depois uma água está de ótimo tamanho. A foda é beber cerveja boa – ela nunca te dá soluço, aí você bebe para sempre.</p>
<p>Pus esse parágrafo para aliviar minha consciência. São três posts seguidos sobre álcool, amizade e amor. Os três fazem bem e começam com a letra A, olha que fofo. Mas só o álcool e o amor também podem te matar. Pior: só o álcool te causa desarranjos intestinais. Ou seja, numa hierarquia cabalística, manejamos da seguinte forma: amizade em primeiro, amor depois e álcool por último.</p>
<p>De qualquer forma, a primeira bebida que eu pus na boca, no agradável sábado, foi justamente um chope. Mas esse foi em homenagem aos 15 anos de casamento da minha mãe e do meu padrasto. Quando o matrimônio, num mundo desgraçado como esse, perdura até as bodas de cristal, um chope é o mínimo que eu deveria beber para homenagear. Nunca vou esquecer quando Alicio, que já foi “tio Alicio” quando só dava uns pegas escondidos na minha mãe há 15 anos, começou a morar com a gente. Na primeira noite, ele brincou comigo e com o meu irmão (duas porrinhas de oito e dez anos) até a meia-noite, e falou cheio de alegria: “amanhã, vamos brincar assim que vocês acordarem!”. Levantamos às seis e pulamos nele&#8230; Ele alegou uma dor no rim&#8230; Como eu não sabia direito o que era rim, voltei desolado para o meu quarto. O puto tinha conquistado a gente e arranjado uma dor no rim!</p>
<p>Enfim, depois dessa comemoração, fui encontrar Thiago, meu parceiro de aventuras, e mais dois amigos. Fomos fazer aquilo que deixou os últimos dois posts fedendo a álcool: beber e beber. E assim foi, num boteco que cobra couvert às vezes (logo, às vezes é bom não ir), até as 4 da manhã engolindo malte, lúpulo e cevada sem o menor discernimento.</p>
<p>Domingo eu fui à missa, fiz a confissão e pensei coisas boas. Fim.</p>
<p>Mentira, eu acordei já notando que o apodrecimento corporal estava próximo, mas não poderia findar meus bons dias com marasmo e desarranjos – a gente deixa isso para segunda-feira. Fomos para um churrasco na puta que o pariu, ou seja, Barra da Tijuca, um dos poucos lugares – juntamente com o Polo Norte, a Terra do Fogo e Campo Grande – longe de absolutamente tudo.</p>
<p>A pior coisa da Barra é a quantidade inescrupulosa de condomínios-bairros-fechados. O churrasco ficava dentro de um – o Nova Ipanema. Entrando lá, eu fiquei com a impressão de que a criança que nasce num lugar como aquele, não desenvolve absolutamente nenhuma resistência ao mundo de verdade: se comer um camarão, se esvairá em merda; se pisar na areia, vai ter uma micose bizarra, bicho geográfico etc; se pegar uma menininha sem sangue nobre, vai se encher de DST &#8230; É uma pena como se criam pessoas pasteurizadas nesse mundo. Para entrar, eu precisei mostrar identidade e pegar um crachá escrito “visitante”, que eu orgulhosamente deixei no pescoço, para mostrar que eu não sou desse mundo polido e altivo. Por último, era só tirar uma foto&#8230; Entrar na festa foi tão burocrático que eu pensei que ficaria estagnado para sempre no espaço cósmico entre o mundo real e o churrasco.</p>
<p>Estabelecido na solenidade, causo um espanto nos meus amigos só porque eu peguei um guaraná. Nesses momentos você repara que está entrando na pecha de bebum. Outra pecha que eu conquistei até o final do churrasco foi a de homossexual. Dona Filomena, a mãe do aniversariante, perguntou para seu rebento se “aqueles dois meninos eram gays”, sabe Deus por que ela ficou encafifada com isso, mas enfim. De qualquer forma, eu e Thiago, o meu namorado, de acordo com as caraminholas triviais da Filomena, rimos disso, pois temos plena convicção de que somos os maiores pegadores do pedaço, a gente só não tem a mínima sorte e nem muito atributos, mas um dia vão notar nosso valor.</p>
<p>E no fim de domingo, estava eu em casa, pensando apenas em cama, sonhando por antecipação e profundamente marcado pelo banho de álcool, de amizade e pelas gotinhas de amor que me encharcaram nos últimos quatro dias – que valeram como quatro semanas.</p>
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		<title>Fim de semana Drunk Love – Parte II</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 21:40:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[(A primeira parte já foi e a última das três já vem)
Sexta-feira doía como um Sol no olho. Parecia que eu tinha engolido a Mariuzzin, afinal, uma festa horrível acontecia dentro do meu estômago. Para se ter uma ideia, cuspi na pia uma saliva anil que quase me embrulhou, aí lembrei que o nome do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(A primeira parte já foi e a última das três já vem)</p>
<p>Sexta-feira doía como um Sol no olho. Parecia que eu tinha engolido a Mariuzzin, afinal, uma festa horrível acontecia dentro do meu estômago. Para se ter uma ideia, cuspi na pia uma saliva anil que quase me embrulhou, aí lembrei que o nome do drink era Lagoa Azul. Fui para o estágio com o maior mal estar que poderia me aparecer – era uma mistura de sono com língua seca, estômago raivoso, cabeça pesada&#8230; Um inferno.</p>
<p>Minha vida começou a melhorar quando tomei um remedinho e terminou de melhorar quando bebi a primeira cerveja da sexta numa adorável festa chamada “Drunk Love”.  Foi uma festa inversamente proporcional à do dia interior. As bebidas não eram agressivas e as músicas, muito menos. Ninguém apanhou, aliás, só se gastou energia para dançar e exercer o argumento da festa – o amor (só não pense que era Woodstock. Eu disse amor. Amor livre, não! Amor livre entre hippies então, nem pensar: deve ter um cheiro pior do que o da 2ª Guerra Mundial, Deus me livre).</p>
<p>Ao som de Mutantes, Los Hermanos, Jorge Ben, Sá, Rodrix e Guarabira, a festa transcorreu como uma criança obesa num tobogã: varada e risonha.</p>
<p>A festa acabou, não sem antes aparecem alguns resquícios de “Love” no meio do “drunk” todo que foi esse fim de semana. Uma menina absolutamente interessante e com uma quantidade infindável de fantasmas do passado me apareceu depois de me fazer pensar “Bom, com ela não rola mais”. Com Thiago, meu companheiro nessa história alcoólica, as coisas foram um pouco mais complexas, múltiplas, mas ainda sim espetaculares.</p>
<p>Quando estava perto de chegar ao lar, achando que já tinha registrado todas as impressões válidas da madrugada, acontece algo que derrubou tudo o que eu assimilei de razoável até então. Éramos quatro amigos ébrios vagando pelo bairro com mais pombo e vida no mundo, Copacabana, quando passamos por um coroa que deve ter bebido a soma de nós quatro. Ele mexeu com a gente, mas um amigo nosso mexeu com ele&#8230; Exageradamente.  Eles começaram a conversar por minutos a fio, quando de repente os dois figuras se ajoelham e meu amigo começa a pregar a palavra de Deus. Os dois de mãos dadas, ajoelhados, o coroa aos brados “Eu estou cheio de pecados!!!” e o meu amigo gritando a palavra divina em espanhol. Qualquer coisa servia de inspiração, um entregador de pizza passou e ele pregando a importância do “motopizza”, pois ele repartia o pão, o corpo de Cristo. Aquilo não era uma cena normal, não sei se foi uma crueldade sem tamanho com o velho ou se foi tudo aquilo de que ele precisava. Bem, de qualquer forma foi um jeito além-imaginação de começar um sábado: um bispo paraguaio, o velho Marcílio (sim, o coroa tem nome), uma mulher falando que isso era excesso de maconha, que eles deveriam procurar Jesus, e eu rindo que nem uma criança.</p>
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		<title>Fim de semana Drunk Love – Parte I</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 15:09:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Algumas viagens trazem nostalgia. Basta passar alguns dias com os amigos e sem as obrigações que, quando se volta para o lar insosso e para a vida já previamente dividida em blocos modorrentos da rotina, tudo fica uma tristeza só. Passei quatro dias de uma semana curiosa em agosto que me trouxeram essa mesma sensação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Algumas viagens trazem nostalgia. Basta passar alguns dias com os amigos e sem as obrigações que, quando se volta para o lar insosso e para a vida já previamente dividida em blocos modorrentos da rotina, tudo fica uma tristeza só. Passei quatro dias de uma semana curiosa em agosto que me trouxeram essa mesma sensação na segunda-feira, o dia oficial de ódio à vida.</p>
<p>Na quinta, estive em um bar inteiramente despretensioso, em Copa, com dois excelentes amigos. Estava me resguardando para o dia seguinte, pois haveria uma festa de arromba que eles estavam produzindo. Conversa vem, conversa vai quando um deles me faz a proposta mais indecente que eu tinha ouvido em 23 anos:</p>
<p>- Pedro, vamos fazer amor?</p>
<p>Mentira.</p>
<p>- Pedro, vamos pra Mariuzzin?</p>
<p>Obviamente, a minha resposta foi um “lógico que não!”. Mariuzzin para mim sempre foi – embasado em um preconceito sem tamanho – o inferno instalado em duas sucursais: Centro e Copacabana. Nada ali me agrada, desde o nome “Mariuzzin Disco Club”, que mais parece um revival dos tempos da brilhantina, só que com o capeta no lugar do John Travolta; até as filas intermináveis de pessoas que poderiam fazer algo melhor de seus fins de semana.</p>
<p>No entanto, me bateu uma neura sociológica de que eu tinha que aproveitar todos os meus momentos e carimbar guinadas na minha vida para que eu tivesse histórias para contar. Além do fato do meu amigo – o outro havia ido embora – ter se comprometido a pagar a maior parte da conta, é claro.</p>
<p>Fomos com o compromisso de usarmos as roupas mais fuleiras possíveis: eu estava com mesma roupa com a qual acordei praticamente, uma blusa de uma série do Steven Spielberg; ele estava com uma blusa larga com uma foto do Cartola. Além disso, beberíamos aquele drink mortal e dançaríamos como se não houvesse amanhã. Se as gatinhas aparecessem, ótimo, se não, ótimo também.</p>
<p>As gatinhas não apareceram, as músicas foram tensas (dancei “sou praieeero, sou guerreirooo”. O Thiago, meu amigo, não dançou porque ele já estava dilacerado pelas circunstâncias alcoólicas) e as bebidas derrubaram a gente. Aliás, uma lenda daquele limbo louco é a bebida&#8230; Jesus Cristo, aquilo é um sacrilégio misturado com urânio. Por apenas 10 reais, você paga uma passagem para o mundo da meia-alucinação. No caminho, tem o pedágio – outro drink – e aí sim você começa a voar ao som de Asa de Águia.</p>
<p>O Thiago, talvez por se odiar e querer se matar, tomou três. Foi defender uma amiga de um varão chegador e acabou tomando um soco na cara. Fato de que ele só se lembraria ao acordar no dia seguinte vendo o roxo na têmpora. Pelo menos não foi no nariz. Voltamos trôpegos para casa cantando as loucuras da vida e nem um pouco preparados para a tremenda ressaca que viria no dia seguinte.</p>
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		<title>Cuecas da solidão</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 21:29:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Acordei 17 de outubro com um dia a mais de vida, assim como faço a cada vez que a Lua vira Sol. A diferença é que era o 365º de um bloco, o que me credencia a dizer que estou um ano mais velho, o 23º de muitos (ou não, eu não sou vidente). Estou pujante na juventude, já com uma linha que divide minha testa ao meio, o que me traz um ar de extrema experiência de vida &#8211; meu padrasto, quando tinha um ano a mais do que eu, arranjou de morar com uma mãe solteira, de dois filhos&#8230; Para você ver minha enorme vivência.</p>
<p>De qualquer forma, depois de acordado, combinei com dois amigos um programa absolutamente varonesco e macho: fazer compras à la Sex and the city no shopping, amigaaaa! Queria comprar uma camisa ou outra e, por que não, uma calça também. Quando estava voltando da minha empreitada consumista, lembro que a última cueca que eu ganhei de titia, eu deveria ter emoldurado, porque fazia tanto tempo que eu nem imagino como elas não andam sozinhas.</p>
<p>Fui até o final de uma famosa loja de departamentos (daquelas em que praticamente toda peça tem um elemento enfeiedor básico) e peguei um pacote com cinco, do tipo que NÃO desperta uma tigresa em você, sabe?</p>
<p><em><strong>Parêntese familiar</strong></em></p>
<p>O engraçado é que todo mundo tem essa tia cuja única função na Terra é tapar suas partes íntimas. Ela foi programada a sempre te dar umas cuecas (ou calcinhas, caso você goste de usá-las, ou então se você for menina). E é irônico, porque você já sabe de cor e salteado que ela vem com aquele pacote recheado de boas intenções, mas sem a menor criatividade, totalmente imersa na rotina do presente utilitário anual. Você odeia, é claro, mas cuecas são como pratos: nunca se dá o menor valor, até chegar um dia em que você fica sem. Aí vem a dúvida aflitiva: onde colocar a sua comida e a sua pélvis?</p>
<p><em><strong>Fecha parêntese familiar</strong></em></p>
<p>O problema é que eu nunca havia comprado cueca na vida (se nem para mim eu comprei, não há de imaginar que eu compre para alguém, certo?). Fui ver os tamanhos &#8211; Tinha o P, o M, o G e o GG. Peguei a M na mão, mas do nada me bateu uma superestima pélvica que me fez trocar pelo G. &#8220;Assim vai ficar bem confortável&#8221;, pensei. Mas é claro que eu errei. Não estou dizendo que Deus me cortou as coisas, mas simplesmente havia tecido demais na cueca, o bastante para proteger um gordinho sem ficar apertado. Se minha genitália tivesse um patinete, daria para ela andar nele, tamanho o espaço que ficou vago ali nas vergonhas. Por um lado, a ventilação era total, por outro, a impressão de que eu estava vestindo um blusão no lugar errado era considerável também.</p>
<p><strong><em>Parêntese familiar</em></strong></p>
<p>E é isso que acachapa a alma. A sua tia, por mais que só te veja nas datas especiais (leia-se &#8220;obrigação de ver e abraçar gente pentelha&#8221;), sabe exatamente o seu molde, não sei como! Deve ser uma propriedade especial das tias. Só sei que ela nunca errou a mão e sempre me deu cuecas que nem eu mesmo escolheria melhor. Que deprimente!</p>
<p><strong><em>Fecha parêntese familiar</em></strong></p>
<p>Mas o que mais me abalou foi que eu me senti um pouco solitário nessa hora. O simbolismo do momento em que eu mesmo buscava o que me faltava foi enorme, eu estava entrando na fase em que sua tia já tem mais o que fazer e outros sobrinhos mais novos para presentear (com cuecas, é fato. Ou com alguma coisa do Ben 10 &#8211; nunca vi um desenho ser tão popular. Fui ao shopping no dia das crianças e vi uma quantidade infindável de Bens 10zes com seus relógios porta-monstro. Se eu fosse tia, daria cuecas do Ben 10 só para continuar na essência e agradar o mínimo).</p>
<p>Desse episódio, posso tirar algumas lições:</p>
<p>- A vida está passando, estamos envelhecendo e, num futuro distante, quando meu irmão tiver um neném, ocuparei o lócus do &#8220;tio das cuecas&#8221;. E virar o tio das cuecas é o primeiro e mais importante indicativo de que estamos mudando de geração.</p>
<p>- Eu errei em comprar a coisa mais normal do mundo pra mim mesmo. A minha ruga na testa está ali só para sacanear, pois não tenho experiência alguma nessa vida.</p>
<p>- No aniversário que vem, a menos que haja uma hecatombe e eu inche de repente, comprarei um pacote de M, com toda certeza.</p>
<p><strong>Pedro</strong></p>
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		<title>Como eu quero que meu filho seja</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 13:54:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pedro]]></category>

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		<description><![CDATA[Deveria ser proibido abrir textos com pegadinha. A coisa aqui mal começa e eu já te apresento um paradoxo, afinal, nunca fez parte do meu plano de vida ter um filho. Geralmente as pessoas compartimentalizam a sua própria cronologia, dando a cada época seu contingente ideal de produção (seja de trabalho, seja de filho) – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deveria ser proibido abrir textos com pegadinha. A coisa aqui mal começa e eu já te apresento um paradoxo, afinal, nunca fez parte do meu plano de vida ter um filho. Geralmente as pessoas compartimentalizam a sua própria cronologia, dando a cada época seu contingente ideal de produção (seja de trabalho, seja de filho) – “Aos 24 eu vou me formar; aos 28 já vou estar com emprego estável; aos 29 no máximo, eu quero ter um filho”. Tem gente que dá mais ou menos prioridade a uma coisa ou outra. Eu tenho uma amiga que valoriza DEMAIS a profissão, mas não quer deixar de parir uma criança. O problema é que ela quer parir tão tarde, que fica a impressão de que ela pretende usar o último óvulo antes da menopausa para ter um filhote. Também pudera, ela faz jornalismo, se já tem uma vida de risco por que não ter uma gravidez de risco também, não é?</p>
<p>Eu não quero parecer um ditador anti-humanidade, mas é que quando eu penso na minha prole, só me vem coisas ruins à cabeça. Ao invés de pensar em alegria, amor, carinho e recomeço, penso em dívidas, limitações de vida, vômito e muitas dívidas (é fralda pra caralho, um “dívidas” é só para elas, o outro “dívidas” é para todo o resto – Um filho custa um milhão até os 21 anos&#8230;). Imagino que ter um júnior não deva ser tão simplório dessa forma, tudo se mistura, é óbvio. Mas eu tenho medo&#8230; Muito medo!</p>
<p>Uma vez me fizeram acreditar que eu iria ter um Pedro II. Minha ex estava convicta de que sua sanguinolência havia se prendido nas paredes uterinas junto com o zigoto “Pedrinho + namoradinha” – na verdade, era apenas um rebento psicológico. Eu, com todo o complexo retal enfiado na minha mão, fui comprar um teste de gravidez na farmácia. É engraçado porque esses testes ficam escondidos lá no fundo, como se eu quisesse comprar, sei lá, um livro do Hitler na livraria. Achei a prateleira com várias marcas e analisei, meio sem graça, de longe. Do nada, me vem um cara atrás de mim:</p>
<p>- Precisa de ajud&#8230;</p>
<p>- Nãão, não, tudo bem, tudo bem&#8230;</p>
<p>Peguei o teste e imaginei “preciso despistar o caixa da farmácia&#8230; Maior derrota comprar só o teste&#8230; Ah! Já sei&#8230; Vou levar um desodorante também&#8230;”. Aí, na hora de pagar, éramos eu, o teste de gravidez, o desodorante, o caixa e o silêncio. Foi ótimo. Melhor ainda quando deu negativo.</p>
<p>Mesmo que meu futuro neném não tenha vingado, essa história foi a primeira a me instigar a pensar como seria se eu tivesse um filho. Ele seria branquelo ou pálido, com certeza, porque meus genes descoloridos atacariam como uma enxurrada de leite qualquer coisa que viesse pela frente.</p>
<p>Filhos às vezes são diferentes dos pais. Tenho medo de que a personalidade do meu jovem me cause algum tipo de constrangimento, mesmo sabendo que eu serei parte integrante de seus valores. O problema é que os marginais dos amigos dele serão a outra enorme parte. Eu tive a sorte de crescer com pessoas absolutamente interessantes, despidas de preconceito, amorosas e tal. Minha gangue adolescente pegava mulher, é claro, mas a gente tinha ética uns com os outros, botava a amizade acima de qualquer coisa, éramos sempre o “grupo meio baitola”, porque a gente se abraçava&#8230; Era (e é) ótimo.</p>
<p>Aliás, eu prefiro 10 vezes que o meu filho seja alvo de preconceito a ter um filho preconceituoso. Prefiro que ele chegue em casa e exclame “papiiii, cheguei!”, a falar “porra, vi dois viados na rua, que merda”. O mais louco é que sempre quando eu digo isso, o interlocutor sentencia:</p>
<p>- Quero ver você dizer isso quando tiver filho&#8230;</p>
<p>Mas ora bolas, as pessoas acham que eu quero o quê? Ganhar o prêmio Nobel da paz? Só não quero alguém que me envergonhe. E parir um ser humano que não respeita as diferenças é vergonhoso.</p>
<p>- Mas ele vai dar a bunda!</p>
<p>- Mas ele não vai dar a minha! Deixa ele dar a dele!</p>
<p>E assim o papo continua sem ninguém concordar com ninguém.</p>
<p>E por último: meu filho com certeza, nem que eu esteja louco, embasbacado, alucinado de amor, NÃO vai ter nome escroto. Por mais que a minha mulher me obrigue a chamá-lo de Muriá, eu vou dar um jeito de mudar para Mauro no escrivão.</p>
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		<title>Consolos</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 18:37:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pedro]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de tudo, esse não é um texto sobre uma coroa sessentona que, ao perder as esperanças no amor, fruto de traições diversas de malandrotes idosos, compra um vibrador e chama o aparelho pelo nome. Ela, aliás, chama pelos nomes, pois a cada uso, se refere ao consolo usando um nome diferente &#8211; Almir, Gerson, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de tudo, esse não é um texto sobre uma coroa sessentona que, ao perder as esperanças no amor, fruto de traições diversas de malandrotes idosos, compra um vibrador e chama o aparelho pelo nome. Ela, aliás, chama pelos nomes, pois a cada uso, se refere ao consolo usando um nome diferente &#8211; Almir, Gerson, Gilberto &#8211; homens que já lhe trouxeram amor em algum momento da vida. Ela faz reposição hormonal, ainda tem um fôlego de leoa e só descansa depois que a pilha (dele, não dela) descarrega.</p>
<p>Na verdade é sobre como nós somos consolados em questões que estão além do nosso alcance. Se eu sentir que está chato, eu enfio algum conto erótico lá pelo final do post, tá certo?</p>
<p>Dinheiro não traz felicidade. Uma espinha interna no nariz muito menos. Dinheiro é uma coisa tão legal, mas tão legal, que alguém, em dado momento de humanidade abnegada, trouxe a máxima de que dinheiro não traz felicidade. Concordo, se ela viesse em frasco pelo menos&#8230; No entanto, mais de uma centena de vezes tivemos coisas que se vendem e que nos deixaram feliz. Um livro, um video game, uma meretriz (mentira), um pônei, ah, mil coisas. A felicidade, na questão material (ela existe, o que há de ser feito? Virar um bicho grilo e fumar maconha o dia inteiro? Pô bicho, é uma possibilidade), é o resultado de um emaranhado de coisas que vão sendo compradas. Dinheiro tem sim uma relação íntima com felicidade. Se você ganhar na megasena, você vai ficar feliz; se o Collor confiscar sua poupança, nem tanto;</p>
<p>Convencionou-se o bordão para que nós, seres sem proventos de sobra, que devem no banco e esquecem de terminar o mês no azul, nos sintamos consolados. A gente já tem uma inveja atroz das pessoas ricas (tirando as excêntricas), imagina se a vida nos mostrasse flagrantemente que dinheiro traz alguma felicidade? É melhor fazer propaganda contra.</p>
<p align="center">***</p>
<p>Outra coisa que nos conforta é saber que outra vida virá depois que morrermos. Vamos ver os anjinhos (ou as bestas, no caso dos blogueiros), pular nas nuvens, tocar harpa, jogar baralho com Deus. Aí alguém no setor de reencarnação vai nos enviar um fax perguntando se já estamos preparados para a próxima vida. Recebemos uma pequena sinopse do que virá pela frente, e, por mais que o que nos espera na próxima vida seja uma porcaria, nós vamos corajosos em nome da evolução da alma.</p>
<p>O mais bizarro é quando existe o consolo do consolo. São aquelas pessoas que só fizeram merda a vida inteira, se convertem para alguma religião acolhedora, dão um belo dízimo e guardam um lugar no céu (A Reforma Protestante aconteceu há 500 anos, mas a venda de indulgências continua!). Ou seja, não basta se entregar a algo da qual não se tenha a mínima certeza, o barato é negociar com intermediários que saibam tão pouco como você sobre o que virá quando as botas baterem. É estranho admitir que, dentro de um mundo tão complexo, a diferença entre céu e inferno esteja em algumas mensalidades pagas. Aliás, é estranho que em um mundo tão complexo, haja espaço para céu e inferno, mas é uma ideia. Há quem renuncie da vida em prol de uma certeza tão infundada que chega dar medo de pensar quanto vale uma vida. O que vai ser de uma freira se Deus não existir?</p>
<p>Mas acho que entendo. É uma perspectiva tão desoladora saber que você vai morrer e acabar por toda a eternidade, que é difícil acreditar que um ateu durma em paz. No entanto, as pessoas relutam fortemente em considerar essa hipótese. É menos agressivo acreditar em algo que esteja fora do nosso controle. Talvez seja uma maneira semi-consciente de transferir a nossa responsabilidade para outra hora e outro lugar.</p>
<p>Estamos sempre buscando o sentido da vida, porque é desolador demais que ela não o tenha e que estejamos rumando cegos por aí. Só que passar a vida procurando um sentido para ela é a primeira condição para que você não construa sentido algum durante a existência. Não adianta, existem coisas que não têm respostas, e, se tiverem, ninguém vai acreditar.</p>
<p>O que me parece também é que todas as desgraças do mundo são muito bem justificadas por lobystas religiosos. A galera da agência de publicidade que escreveu a bíblia fatalmente pensou nisso:</p>
<p>- E se perguntarem &#8220;quando rolou a desgraça tal, por que Deus não interveio?&#8221;, &#8220;Estou miseravelmente pobre e acredito em Deus! Cadê ele?&#8221;.</p>
<p>- Vamos lá, galera, brainstorm! Vamos pensar&#8230;</p>
<p>- Vamos botar umas histórias bacanas&#8230; Podemos fazer uma do Jonilson. Sei lá, Deus tira tudo dele, mas Jonilson se mantem fiel. Aí Deus devolve tudo em dobro e o abençoa por manter sua fé. Aí fica a ideia de que é preciso ter perseverança e paciência, pois Deus o recompensará um dia! Vamos cunhar o slogan &#8220;É preciso ter uma paciência de Jonilson&#8221;!</p>
<p>- Ótimo! Mas Vamos botar Jó em vez de Jonilson? Fica mais fonético.</p>
<p>Só sei que eu tenho certeza de que estou vivo enquando estou vivo.</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p>Marlene Maria tirou sua camisola em frente o espelho e chamou:</p>
<p>- Armaaaando&#8230; Vem, Armando&#8230;</p>
<p>Plec!</p>
<p>Zzzzzz</p>
<p>O vibrador estava ligado. Marlene Maria pega o consolo, com pilhas Duracell médias, e liga a Tv. A tela transmite Silvio Santos ao contrário, pois ela está assistindo refletido no espelho. Ela acha muito prazeroso fazer amor com Armando e ser vista por Silvio, sem que seu varão possa ver (também pudera, ele está enfiado em Marlene Maria).</p>
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		<title>O malandrão e o bundão</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 21:13:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pedro]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de tudo, malandro é aquele cara que viveu na época do Madame Satã, tinha a sua navalha entre os dedos e vendia o almoço para comprar o jantar. Ia para o samba, catava a cabrocha, fumava o cigarro que ele mesmo enrolava e bebia até perder a blusa listrada. Era amigo dos estivadores e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de tudo, malandro é aquele cara que viveu na época do Madame Satã, tinha a sua navalha entre os dedos e vendia o almoço para comprar o jantar. Ia para o samba, catava a cabrocha, fumava o cigarro que ele mesmo enrolava e bebia até perder a blusa listrada. Era amigo dos estivadores e fazia uns bicos para pessoas que, por confiarem nele, não deveriam ser nem um pouco confiáveis também.</p>
<p>Mas quem não conhece um bom e velho malandrão, não é verdade? Nem digo que sejam más pessoas, são só esquisitas pra cacete. Como acreditar que você é capaz de pegar todas as mulheres, independentemente de seus estados civis, belezas e idades; e fazer todas as coisas possíveis e imaginárias? Algo me diz que isso não é auto-estima&#8230; É babaquice.</p>
<p>Eu já fiz algo louvável. Meu amigo também. Você também e seu amigo, idem. Mas o maladrão já fez todas, e quando não foi ele quem fez algo, foi o tio, que tem o maior órgão genital já apresentado na Terra. Vou sugerir que ele enfie o órgão em si mesmo, por que não? Aposto que isso ele ainda não fez.</p>
<p>Jesus Cristo foi um bundão total. Sabia que ia ser traído; falava para a galera nunca dar a outra face (bundão nasceu para apanhar, né?); andava com uma roupa esquisitona&#8230; Mas olha aí: é o cara mais respeitado que já existiu. Ele é tão respeitado que virou bordão, interjeição, personagem de filme do SBT, super herói, alguma parte da Santíssima Trindade, objeto da mais pura descrença&#8230; Como não existe bonequinho de Jesus Cristo!? Max Steel é o caralho, é Jesus com articulações! Aí, na embalagem poderia vir, em vez de veículos e armas laser, umas três ovelhas, um cajado e, talvez, uma cruz. Espero que algum executivo da Estrela esteja lendo meu post.</p>
<p>Bill Gates é outro zé bucéfalo de marca maior. Quer coisa mais triste do que só perder a virgindade depois do primeiro bilhão? Mas quer coisa mais feliz do que ter um bilhão!? Ou melhor, quer coisa mais absurdamente ótima do que ter algumas dezenas de bilhões? Pois é, você é malandrão e não tem dinheiro para comprar nem um Windows verdadeiro (bate aqui, meu bom, eu também não). Bill Gates está cagando montes para você, não faz a menor diferença para ele. Mas graças ao seu computador, você defeca via teclado seus grandes feitos, vai me dizer que não? Agradeça ao bundão.</p>
<p>Bom, você reparou que eu claramente pendo para o otários, embora seja esperteza e sagacidade na mais pura essência (nesse momento me vem uma tosse abrupta e eu quase morro. A sorte é que mamãe está por perto para me acurdir com a massagem respiratória). Mas serei absolutamente imparcial e justo no que vou propor: um confronto imaginário entre a Malandrolândia e a Bundãolândia. Quem se sairia melhor?</p>
<p>***</p>
<p>Não é que o Malandrão seja o macho alpha da sociedade (ele acredita nisso), mas ele tem muito mais tendência a ficar com alguém do que um bundão. Isso você pode comprovar na sua faculdade, no seu trabalho ou na sua escola. A coisa mais próxima que o bundão usualmente faz é virar o conselheiro e melhor amigo da menina que ama (dói demaaais).</p>
<p>Score: Malandros 1 X 0 Bundões</p>
<p>O Bundão tem mais empatia e é menos maquiavélico (menos quando está jogando Magic, é claro). No mundo cruel de hoje, não sei se isso é bom ou ruim.</p>
<p>Score: Malandros 2 X 1 Bundões</p>
<p>O Malandro tem mais malemolência  do que o Zé Bucéfalo. Numa briga entre os dois, há enormes chances do bundão tomar um sapeca iá iá, afinal, ele só é bom em porrada virtual. No entanto, como dar porrada não quer dizer nada, e a sociedade já está muito violenta, com índices de espancamentos e agressões altíssimos, bater em pessoas é um gol contra.</p>
<p>Score: Malandros 2 X 2 Bundões</p>
<p>Provavelmente os nerds, que nada mais são do que uma enorme parte do contingente bundonômico, terão melhores empregos em altos escalões. Logo, mandarão em vários malandros subalternos. VIRAAAADA DA BUNDÃOLÂNDIA</p>
<p>Score: Malandros 2 X 3 Bundões</p>
<p>Bundões são mais sagazes nos meandros da imensa rede de computadores. Fazem os melhores sites, vivem debatendo em fóruns de discussão, são os donos das lan houses&#8230;</p>
<p>Score: Malandros 3 X 3 Bundões</p>
<p>Bem, o jogo acabou. Deu empate, os jogadores trocam as camisas. O que podemos tirar como lição dessa partida?</p>
<p>A) Não devemos julgar nossos semelhantes. Se bem que se eu fosse semelhante ao Jorginho Bolota, aquele mongol da faculdade, até eu me julgaria.</p>
<p>B) O bom é sempre estar no meio termo. Eu odiaria ser maladrão marrento ou bundão peidorreiro. Prefiro ser cigano, o cara de teatro, intelectualoide&#8230; Não, intelectualoide não, por favor, Deus!</p>
<p>C) Fomos feitos assim e morreremos assim. É o karma. Você não viu a novela, idiota? Droga, essa frase vai datar o texto. Se daqui a cinco anos alguém lê-lo, a pessoa não vai entender a ligação de karma com novela. Bem, você que está lendo o texto em 2014, deixa eu explicar. Em 2009, ou seja, há cinco anos, passou uma novela chamada Caminho das Índias, que fala, obviamente, sobre a Índia. Nesse país cheio de mendigos, acontece a total falta de mobilidade social. Ou seja, aquele cara que nasce na merda, tem que se acostumar com o cheiro, porque dificilmente sairá dela, entendeu? Ué, você está vendo Caminho das Índias?! Ahhh, está passando no Vale a Pena Ver de Novo&#8230;</p>
<p>D) Desde que eu tenha pedigree, já é um começo. Ser um bundão metido a malandro ou um malandro que só se fode é o fim da picada.</p>
<p>E) N.R.A.</p>
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		<title>As amigas do namorado</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 18:34:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Corra Mary</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corra Mary]]></category>

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		<description><![CDATA[Toda mulher que já namorou pelo menos uma vez na vida, sabe que um dos maiores problemas são as amigas do namorado.
Acredite leitora, não importa o quão forte seja o seu relacionamento, o quanto vocês se amem, ou a confiança absurda que um tenha no outro, os seus problemas começarão no momento em que ouvir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toda mulher que já namorou pelo menos uma vez na vida, sabe que um dos maiores problemas são as amigas do namorado.</p>
<p>Acredite leitora, não importa o quão forte seja o seu relacionamento, o quanto vocês se amem, ou a confiança absurda que um tenha no outro, os seus problemas começarão no momento em que ouvir a simples frase:<br />
<span style="text-decoration: underline;">“Ai, amor, é só minha amiga”</span></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><br />
</span></p>
<ul>
<li><strong>A amiga carinhosa</strong></li>
</ul>
<p>De primeira ela parece mesmo uma amiga, mas há um probleminha que se não for resolvido, poderá virar um problemão: Ela é carinhosa. Muito carinhosa, mas muito mesmo. Ela é <strong>realmente</strong> carinhosa, e não faz questão de disfarçar.<br />
Ela sentará no colo do seu namorado, o chamará por apelidinhos, ligará para dar boa noite, bom dia, boa tarde, feliz natal, feliz aniversário, feliz finados, e tudo mais que possa parecer um bom motivo para uma ligação. Isso para ela, porque para todo o resto da humanidade, seria altamente desnecessário.<br />
Mandará recadinhos cheios de corações, escreverá no caderno, no braço engessado, no tênis, na mão, e viverá pendurada feito um bicho preguiça no namorado que em teoria é <strong>seu</strong>.</p>
<p><span style="color: #ff0000;">O que fazer:</span><br />
De a ela de presente, um cachorro. É ótimo para casos de carência exagerada.</p>
<ul>
<li><strong>A amiga coitada</strong></li>
</ul>
<p>O tão temido “Ai, amor, é só minha amiga”, será seguido de “coitada”.<br />
Ela teve uma infância difícil, foi estuprada pelo tio/vizinho/cachorro/padre, a mãe morreu de câncer, o pai foi comprar cigarro e nunca mais voltou, a irmã mais velha é prostituta (e nem de luxo é), mora com os avós fanáticos, e estuda de bolsista.<br />
Ela sofre mais do que Maria do Bairro, e sabe quem ela escolheu para se apoiar, dar toda a atenção, carinho, amor e curar seus traumas?<br />
Sim, exatamente ele: O <strong>seu</strong> namorado!</p>
<p><span style="color: #ff0000;">O que fazer:</span><br />
Lembre-se sempre: Quem tem pena, toma no cu. Indique a ela um bom psicólogo. Caso a mesma não possa pagar, faça uma vaquinha com as outras namoradas dos “amigos”.</p>
<ul>
<li><strong>A amiga ex</strong></li>
</ul>
<p>Ex nunca é coisa boa. Se fosse bom, seria atual.<br />
Ela parecerá bem resolvida, dirá que foi passado, que foi namorico de criança (mesmo que os dois já tenham passado dos 20), e manterá o discurso de que eles são pessoas evoluídas, porque “o importante é manter a amizade”, mas não evitará as indiretas de lavagem de roupa suja. E achará que seu namorado tem algum caso extremo de amnésia, fazendo com que ela precise efusivamente relembrar coisas do passado, achando a maior graça em dizer no meio da galera, com você junto:<br />
“Lembra da viagem pra Búzios que a gente quebrou a cama do hotel e fugimos pra sauna antes que o gerente chegasse? Foi tão engraçado, né!?”<br />
<span style="color: #999999;">(É&#8230; Muuuito engraçado!)</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">O que fazer:</span><br />
Diga para o seu namorado: “Amor, achei muito legal você ter amizade com a sua ex. Tanto que ontem liguei praquele meu ex que minha mãe adora, de 1,85 de altura, corpo escultural, fluente em 5 línguas, que me deu um anel da Tyffany. Agora nós somos amigos.”</p>
<ul>
<li><strong>A amiga sijoguda</strong></li>
</ul>
<p>Ela é a super bem resolvida com a sua sexualidade: Gosta de tudo, e pronto. Já pegou metade da torcida do Flamengo, incluindo o mascote, e dirá incansavelmente que sempre preferiu ter amizade com homens, porque segundo a mesma, eles são muito mais “confiáveis” que as mulheres.<br />
O final de semana para ela começa na quarta, e você terá que incorporar Buda, quando ela estiver com vocês.<br />
Ela adora dançar. Ela vai descer até o chão, grudada feito um cachorro no cio, na perna do seu namorado, mesmo que esteja tocando Caetano Veloso, e achará a coisa mais normal do mundo, apoiar a mão na virilha do seu namorado, quando for pedir um gole de canudinho da bebida que ele comprou para <strong>você</strong>.</p>
<p><span style="color: #ff0000;">O que fazer:</span><br />
Afogue a bendita na água quente e faça uma canja.</p>
<ul>
<li><strong>A amiga você-merece-coisa-melhor</strong></li>
</ul>
<p>Antes de mais nada, você precisa saber de duas coisas:<br />
Ela o ama. <span style="color: #999999;">(como amigos, claaaro)</span><br />
Ela odeia você.<br />
Ela se dirá muito amiga do seu namorado. Tanto, que para ela, você não é boa o suficiente para ele. A verdade é que ninguém será boa para ele, a não ser ela mesma (mas isso ela não admitirá).<br />
Ela vai te ignorar. Não falará nem na entrada, e nem na saída, mesmo depois daquele abraço apertado que ela vai dar no seu namorado, que aliás está de mão dada com você.<br />
Para ela, o seu namorado é tão lindo, inteligente, bom partido, e merece uma mulher a altura. E mesmo que você seja a cara da Megan Fox, PhD em física, e ostente um “Orleans e Bragança” no nome, essa mulher não é você.</p>
<p><span style="color: #ff0000;">O que fazer:</span><br />
Nada.<br />
É, simplesmente nada.<br />
Ela não lava as suas calcinhas. Ela não te carregou na barriga por 9 meses. Ela não beija a sua boca. O que ela acha ou deixa de achar, não influencia em muita coisa.<br />
Entre bilhões de outras possibilidades, a mulher que ele escolheu foi você, então quem tem que te achar boa o suficiente, já acha.</p>
<ul>
<li><strong>A amiga que era sua</strong></li>
</ul>
<p>Ela é aquela amiga que era sua, e que um belo dia você vê nas chamadas recebidas e/ou discadas do celular do seu namorado.<br />
Ela começa a ligar para ele, conversar demais no MSN, e quando você for visitar a sua tia-avó doente em Petrolina, eles sairão para tomar um inofensivo chopp sábado à noite.</p>
<p><span style="color: #ff0000;">O que fazer:</span><br />
De todos os tipos, é o mais delicado. Você não quer perder nem a amizade, e nem o namorado, mas sabe que os dois nunca deveriam ter esquecido que a relação dos dois só é ligada por <strong>você</strong>.<br />
E quando não existe mais o “você” interligando as duas relações, é porque algo desandou.<br />
Ele tem os amigos dele, e mesmo sendo importante ter uma boa relação com as suas amigas, as amigas ainda são <strong>suas</strong>.</p>
<p><span style="color: #999999;">P.s.: Levo em consideração que ele tenha amigos, até porque, quem namoraria uma pessoa tão problemática a ponto de não conseguir fazer amigos?</span></p>
<p><span style="color: #999999;"><br />
</span></p>
<ul>
<li><strong>A amiga amiga</strong></li>
</ul>
<p>Essa é a amiga que vai estar louca para te conhecer. Afinal de contas, se ela gosta tanto do seu namorado, vai adorar conhecer a pessoa que ele escolheu para estar ao lado dele.<br />
Ela agirá com ele, da mesma forma que os amigos homens agem, e não passará dos dois beijinhos na hora de se despedir.<br />
Por maior que seja a intimidade que eles tenham, ela pensará duas vezes antes de falar ou fazer qualquer coisa que possa criar um clima ruim, porque ela se preocupa com ele, e sabendo que ele está feliz com você, ela detestaria saber que uma situação foi criada por culpa dela.</p>
<p><span style="color: #ff0000;">O que fazer:</span><br />
Você acaba de ganhar uma amiga.</p>
<p><strong>Corra Mary</strong></p>
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		<title>Esse texto não tem graça</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 03:36:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pedro]]></category>

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		<description><![CDATA[Primeiro ou segundo dia de setembro
Me equivoquei redondamente há dias quando pensei que eu era a salvação dos problemas de um ex-caso. Na minha cabeça, eu juntava todos os predicados necessários para fazer uma pessoa como ela rir, se divertir e se apaixonar. Só esqueci, no meio da auto-blindagem do excesso de confiança, de que, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Primeiro ou segundo dia de setembro</p>
<p>Me equivoquei redondamente há dias quando pensei que eu era a salvação dos problemas de um ex-caso. Na minha cabeça, eu juntava todos os predicados necessários para fazer uma pessoa como ela rir, se divertir e se apaixonar. Só esqueci, no meio da auto-blindagem do excesso de confiança, de que, na verdade, ela é quem era a salvação para todos os meus problemas.</p>
<p>E é duro passar a acreditar que você sai do nível de “salvação extraordinária” para o patamar de “historinha que não deu certo”. Como é irônico constatar que o impacto que ela deixou em você é muito maior do que o impacto que você deixou nela. São coisas como essa que deixam alguém com medo de se embrenhar na mata da paixonite. Mas, num emaranhado de contradições, cabe perceber que se sentir pequeno é a forma mais cruel de não ter coragem para crescer.</p>
<p>É chato demais procurar – à toa – algo nela que me represente. Todos nós somos carimbos, e a tinta que eu deixei foi fraca demais para ser percebida. Isso porque todas as músicas possíveis e imaginárias sobre amor e burrice já têm destinatário certo na mente dela – um passado de mais de meia tonelada (ou mais de meia década) contra um presente de 70 kg&#8230; É pedir para ficar de castigo numa gangorra hipotética. Mas é o que dá entrar numa disputa, sem o menor poder de barganha.</p>
<p>Eu desenvolvi uma habilidade desgraçada de ser a pessoa certa nos momentos mais errados possíveis. Ando perdendo as contas de ser incrível em vão. Continuando na toada contraditória, fico com uma culpa que não é minha. Fico puto da vida e só, porque o mundo é um saco de pessoas ordinárias, e não dá para fazer nada até esbarrar com alguém que valha o medo de se embrenhar na tal mata. Enquanto isso se espera pela hora de não esperar nada, pois esse é o exato momento furtivo onde a história acontece e te surpreende.</p>
<p>Mas vou te contar que falta saco e paciência.</p>
<p>Suspiro e coraçãozinho batendo mais forte são indicativos maravilhosos ou cruéis, só depende da situação. Essa história ajudou a tirar meu fôlego, antes por ânsias e bons momentos, hoje por cansaço acumulado de casos que foram para o saco. A vida é estampada com seus altos e baixos, pela maré que seca e alaga, pelas malditas contradições e incoerências: uma maneira pouco cortês de te fazer grato pela montanha e resignado pelo vale.</p>
<p>Sabe quando você olha para algum lugar sem o menor interesse, mas mantém o olhar simplesmente porque uma soma de conforto, tédio e sono te obrigam a isso? Estou assim. Letargia purinha.</p>
<p><strong>Pedro</strong></p>
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		<title>Xingamentos que doem</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Sep 2009 05:06:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pedro]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu não sei se vocês concordam comigo, mas a imensa gama de xingamentos que são usados na hora de um confronto são justamente os que menos dizem alguma coisa sobre você. Quanto mais pesada é a injúria, mais etérea ela acaba sendo. Se perde no ar o que você quer dizer, quando você chama alguém [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não sei se vocês concordam comigo, mas a imensa gama de xingamentos que são usados na hora de um confronto são justamente os que menos dizem alguma coisa sobre você. Quanto mais pesada é a injúria, mais etérea ela acaba sendo. Se perde no ar o que você quer dizer, quando você chama alguém de “filho da puta”, porque com certeza a mãe da pessoa xingada não é uma matrona da rua Ceará. E mesmo que o xingado seja filho da pobre prostituta, ele não tem o que dizer, afinal é a mais pura verdade. O que ele vai fazer? Retribuir na mesma moeda?</p>
<p>- E você, seu filho da arquiteta! Filho da professora! Filho da dona de casa!</p>
<p>A maioria desses xingamentos não tem condição alguma de afetar uma pessoa.</p>
<p>Filho da puta! Minha mãezinha é uma nobre dona de casa, que sempre me recebe com comidas quentinhas, lava a roupa e limpa a casa. Você não está xingando ninguém&#8230; Está mentindo, isso sim.</p>
<p>Vai tomar no cu (lembrando, gente, que “cu” não tem acento)! Mas eu vou tomar no cu só porque você pediu? Isso não me apetece, o que eu posso fazer?</p>
<p>Viado! Bem, eu, um profundo respeitador de quaisquer orientações sexuais, não considero “viado” ou similares uma ofensa. Mas entendo que quando a pessoa cospe um “viado” com raiva, ela não está compartilhando da minha crença. Mas de qualquer forma, chamar um hétero de viado é a mesma coisa de chamar um gordo de magro; Um alto de nanico; um ator teatral de íntegro (brincadeira, pessoal).</p>
<p>Seu merda! Por que escolheram “merda” como o dejeto oficial para esculachos? Por que não seu vômito? Seu urina? Seu catarro? De qualquer forma, chamar alguém de cocô ainda não é a forma ideal de acabar com uma pessoa&#8230; Por mais que ela cheire mal. Seria melhor “Seu fedido!”.</p>
<p>Xingue alguém de merda e de fedorento. Eu tenho certeza absoluta de que o segundo esculacho doerá mais na pessoa. Merda é qualquer coisa, se relaciona com as mais variadas situações. Fedorento não. E feder machuca o psicológico, vai me dizer que não? Quer coisa pior do que ter a convicção de que você está poluindo um ambiente com um cheiro que não combinou contigo, mas apareceu no seu corpo?</p>
<p>Embora possa parecer pueril, xingamentos infantis são muito mais acachapantes. E não era para menos: a infância é notadamente a época da nossa vida em que somos mais sinceros. Ela chama, sem o menor constrangimento, alguém de feio, burro, medonho ou fedido. Se ela te chamar de feio, putz, há grande possibilidade de você ser o chupa cabra, pois o que separa a criança dos juízos dela é um mar cristalino e calmo, sem moral alguma para servir de obstáculo.</p>
<p>Xingamento bom é aquele que te ataca justamente por não saber se você se encaixa nele. “Corno”, por exemplo. Alguém te chamar de corno é como abrir, com uma chave sórdida, os enormes portões da paranoia. Você nunca saberá se foi traído, a menos que te contem ou você descubra de alguma forma (Algo me diz que detetive só serve para isso mesmo). A mesma coisa com “feio”. Imediatamente você discute com o seu próprio ser: “serei um jaburu? Serei eu mais feio do que a fome na Etiópia?”. “Vai tomar no cu” não vai tirar sua auto-estima nunca, entendeu?</p>
<p>Em resumo, é pior ser chamado de feio do que de filho da puta, por mais que eu seja filho de Vanessa, 35 anos, corpo escultural, boca de veludo, discreta e deliciosa.</p>
<p><strong>Pedro</strong></p>
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