<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="no"?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><rss xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" version="2.0"><channel><title>Crônicas do Joel - Contos e cronicas</title><description>Crônicas, contos, causos, prosa, versos, reflexões... Histórias cotidianas "pretensamente" divertidas e líricas.</description><managingEditor>noreply@blogger.com (JOEL)</managingEditor><pubDate>Wed, 14 Oct 2026 12:54:25 -0300</pubDate><generator>Blogger http://www.blogger.com</generator><openSearch:totalResults xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">166</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">25</openSearch:itemsPerPage><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/</link><language>en-us</language><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle>Crônicas, contos, causos, lirismo, poesia, humor, estórias, histórias, mensagens frases, poesia, poemas, mensagens, provérbios, cronica, literatura, música, vídeos, imagens, Colatina, Vitória, Espírito Santo, crônica, contos, causos, frases, lendas, fábul</itunes:subtitle><itunes:owner><itunes:email>noreply@blogger.com</itunes:email></itunes:owner><item><title>Eu, a Mírian Leitão e o Mário Prata em dividida com o dono da bola (?)</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2026/10/eu-mirian-leitao-e-o-mario-prata-em.html</link><category>Colatina</category><category>Constituição de 1988</category><category>Crônica</category><category>Democracia</category><category>Humor e Política</category><category>Memória e Ditadura</category><category>Mário Prata</category><category>Política e Sociedade</category><category>Redemocratizar</category><category>Ulysses Guimarães</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Wed, 14 Oct 2026 12:40:03 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-8620894776535952759</guid><description>&lt;article class="c-post"&gt;
  &lt;!--Estilos Embutidos Otimizados para o Blogger--&gt;
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    /* Epígrafe / Citação de Abertura */
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    /* Rodapé da Crônica */
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  &lt;!--Epígrafe de Abertura--&gt;
  &lt;blockquote class="c-quote"&gt;
    &lt;p&gt;“Se o &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=M%C3%A1rio+Prata&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8620894776535952759" target="_blank"&gt;Mário Prata&lt;/a&gt; estivesse no boteco da esquina, pediria um chope duplo para engolir a última do jornal. E eu, do meu lado do balcão, pediria uma dose de &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Cacha%C3%A7a+Arte+Suprema&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8620894776535952759" target="_blank"&gt;Cachaça Arte Suprema&lt;/a&gt; pra acompanhar.”&lt;/p&gt;
  &lt;/blockquote&gt;

  &lt;!--Imagem Principal Otimizada para LCP e CLS 0--&gt;
  &lt;figure class="c-figure"&gt;
    &lt;a class="c-figure__wrapper" href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhNr9BR_11Fo37aZtdGlOghzE2QJ7FSUgf40lGe4L-nnI2GVH6nAX-hJwAobdnmfkYQtG9sX-Q3PouXSEKZl7ZuXf978z8e5Ir9FNZ0J4L7GcjsI-S4Makghr8LwxvIV71dlyT_L7LUswS4xyaDu1AfmPxXPVbrMoy-oHuungmhVcn5XxvDl1tQ/s600/dividida%20com%20dono%20da%20bola.jpg" rel="noopener" target="_blank"&gt;
      &lt;img alt="Dividida com o dono da bola" class="c-figure__img" decoding="async" fetchpriority="high" height="600" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhNr9BR_11Fo37aZtdGlOghzE2QJ7FSUgf40lGe4L-nnI2GVH6nAX-hJwAobdnmfkYQtG9sX-Q3PouXSEKZl7ZuXf978z8e5Ir9FNZ0J4L7GcjsI-S4Makghr8LwxvIV71dlyT_L7LUswS4xyaDu1AfmPxXPVbrMoy-oHuungmhVcn5XxvDl1tQ/s600/dividida%20com%20dono%20da%20bola.jpg" srcset="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhNr9BR_11Fo37aZtdGlOghzE2QJ7FSUgf40lGe4L-nnI2GVH6nAX-hJwAobdnmfkYQtG9sX-Q3PouXSEKZl7ZuXf978z8e5Ir9FNZ0J4L7GcjsI-S4Makghr8LwxvIV71dlyT_L7LUswS4xyaDu1AfmPxXPVbrMoy-oHuungmhVcn5XxvDl1tQ/s320/dividida%20com%20dono%20da%20bola.jpg 320w, https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhNr9BR_11Fo37aZtdGlOghzE2QJ7FSUgf40lGe4L-nnI2GVH6nAX-hJwAobdnmfkYQtG9sX-Q3PouXSEKZl7ZuXf978z8e5Ir9FNZ0J4L7GcjsI-S4Makghr8LwxvIV71dlyT_L7LUswS4xyaDu1AfmPxXPVbrMoy-oHuungmhVcn5XxvDl1tQ/s600/dividida%20com%20dono%20da%20bola.jpg 600w" width="600" /&gt;
    &lt;/a&gt;
    &lt;figcaption class="c-figure__caption"&gt;Dividida com o dono da bola.&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;

  &lt;!--Corpo da Crônica--&gt;
  &lt;p&gt;Dizem que o humorista e o jornalista leem o mesmo jornal, mas com óculos de graus diferentes. O jornalista lê a notícia, coloca as mãos na cabeça e escreve uma análise sóbria para o caderno de política. O humorista lê a mesma notícia, pede um chope, acende um cigarro (ou suspira, nesses tempos de proibições) e pergunta para o garçom: &lt;em&gt;"Vem cá, você já reparou que a gente vive num país onde até o futuro tem saudade do passado?"&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Pois bem. Abro o celular na edição online de &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=O+Globo&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8620894776535952759" target="_blank"&gt;O Globo&lt;/a&gt; pela manhã, tomo meu café sem açúcar e me deparo com a &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=M%C3%ADrian+Leit%C3%A3o&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8620894776535952759" target="_blank"&gt;Mírian Leitão&lt;/a&gt; jogando as cartas na mesa: o filho do homem quer mudar a &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Brazilian+Constitution&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8620894776535952759" target="_blank"&gt;Constituição&lt;/a&gt; para &lt;em&gt;"&lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=define+redemocratizar&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8620894776535952759" target="_blank"&gt;redemocratizar&lt;/a&gt;"&lt;/em&gt; o país.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Aí a minha veia de Mário Prata dá uma gargalhada nervosa, enquanto o meu lado Joel cronista puxa a cadeira e tenta entender onde foi que a gente errou o caminho da roça.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Redemocratizar. Que palavra bonita, meu Deus. Tem som de coisa limpa, de alvorada, de gente cantando na praça com bandeira colorida e flor no cabelo. O problema não é a palavra — as palavras são umas coitadinhas, aceitam qualquer acompanhamento, igual arroz de terceira. O problema é o dicionário de quem a pronuncia.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Na minha infância em &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Colatina+Brazil&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8620894776535952759" target="_blank"&gt;Colatina&lt;/a&gt;, quando a gente queria "redemocratizar" a pelada do bairro porque o dono da bola estava perdendo de dez a zero, a solução do sujeito era simples: ele pegava a bola de couro debaixo do braço, dizia que as regras da rua estavam "ultrapassadas", ameaçava chamar os irmãos mais velhos pra dar uns pescoções em todo mundo e garantia que, a partir daquele momento, a partida seria "muito mais justa". Justa para ele, claro. Se a gente não aceitasse a nova "democracia" do dono da bola, a pelada acabava e todo mundo ia pra casa sem jogar.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Agora o moço vem à televisão, com o terno bem alinhado e o sorriso de quem vende consórcio de automóvel, e avisa: &lt;em&gt;"Vamos mudar a Constituição para redemocratizar."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Você imagina o cidadão comum — esse guerreiro que acorda às seis da manhã, pega dois ônibus lotados, espreme o salário para comprar o quilo do feijão e só quer chegar em casa a tempo de ver o jogo do &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Vasco+da+Gama+football+club&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8620894776535952759" target="_blank"&gt;Vasco&lt;/a&gt; na TV — ouvindo uma barbaridade dessa? O sujeito coça a cabeça e pensa: &lt;em&gt;"Poxa, se o moço disse que é pra redemocratizar, deve ser bom, né? Vai ver que agora o ônibus passa no horário."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Só que aí a Mírian vem e lembra, com aquele rigor de quem guarda as notas fiscais do século passado: o pai do rapaz quis virar a mesa do jogo em julho de 2022; o &lt;a href="https://www.google.com/search?q=livro+do+brigadeiro+golpe+bolsonaro+brigadeiro+Carlos+Almeida+Baptista+Jr" target="_blank"&gt;brigadeiro escreveu no livro &lt;/a&gt;que o pessoal já achava super natural desrespeitar o resultado da urna; e o próprio herdeiro andou dizendo que, se precisar, usa a força e passa por cima até do &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Supremo+Tribunal+Federal+Brazil&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8620894776535952759" target="_blank"&gt;Supremo Tribunal&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Pela lógica dessa turma, a democracia é igual àquele relógio de parede que fica na casa do meu pai lá no interior: se ele atrasa, a gente dá um tapinha do lado; se continua atrasando, a gente avança o ponteiro na marra; e se ele parar de funcionar de vez, a gente mete o martelo e coloca um calendário antigo na parede no lugar. E ainda jura pros vizinhos que o tempo agora está rodando muito melhor.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Mário Prata diria que a política brasileira é a única peça de teatro do mundo onde os atores trocam de figurino, mas o enredo continua sendo uma comédia pastelão com fundo trágico. Eles olham pro Ato Institucional nº 5 com um saudosista "ah, que tempos bons", elogiam o coronel da tortura como se fosse um tio querido que fazia churrasco no domingo, e depois vêm nos ensinar o significado de liberdade. É de uma generosidade que emociona até a estátua do Cristo lá no morro.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;&lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Ulysses+Guimar%C3%A3es&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8620894776535952759" target="_blank"&gt;Ulysses Guimarães&lt;/a&gt;, quando promulgou a &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Brazil+1988+Constitution&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8620894776535952759" target="_blank"&gt;Carta de 88&lt;/a&gt; — aquela mesma que o rapaz quer "redemocratizar" —, bem que avisou que a Constituição não era perfeita. Não era mesmo. É como a vida em Colatina num domingo de mormaço: tem seus defeitos, o calor aperta, a poeira incomoda, mas é o nosso chão. É o que impede que o vizinho ranzinza invada o seu quintal e tome a sua cadeira de balanço na marra.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Se a gente aceita redemocratizar com quem tem saudades da ditadura, o passo seguinte é chamar a raposa para reformar o galinheiro e elogiar a eficiência do cadeado.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Aqui da minha janela, vendo as águas do &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Rio+Doce+Brazil&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8620894776535952759" target="_blank"&gt;Rio Doce&lt;/a&gt; correrem sem pedir licença pra ninguém, eu só peço uma coisa aos céus: que a gente não perca a memória nem o bom humor. Porque se a gente perder a memória, cai na conversa mole dos salvadores da pátria; e se perder o bom humor, meu amigo, aí sim não sobra nada pra gente rir no boteco do fim de semana.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;E como diria o Prata antes de pedir a conta: se isso é "redemocratizar", eu prefiro continuar com a nossa velha e imperfeita democracia mesmo, antes que o garçom venha recolher as cadeiras e apagar as luzes da casa.&lt;/p&gt;

  &lt;!--Rodapé / Música--&gt;
  &lt;p class="c-post__music"&gt;
    Ouvindo no rádio do carro: 
    &lt;a class="c-link" href="https://www.youtube.com/watch?v=P6C5bZOr3xQ" rel="noopener noreferrer" target="_blank"&gt;
      Chico Buarque — Vai Passar
    &lt;/a&gt;
  &lt;/p&gt;
&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhNr9BR_11Fo37aZtdGlOghzE2QJ7FSUgf40lGe4L-nnI2GVH6nAX-hJwAobdnmfkYQtG9sX-Q3PouXSEKZl7ZuXf978z8e5Ir9FNZ0J4L7GcjsI-S4Makghr8LwxvIV71dlyT_L7LUswS4xyaDu1AfmPxXPVbrMoy-oHuungmhVcn5XxvDl1tQ/s72-c/dividida%20com%20dono%20da%20bola.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>A Grande Feira de Inseticidas da História (ou como o eleitor pode ser deletério)</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2026/10/a-grande-feira-de-inseticidas-da.html</link><category>Comportamento Humano</category><category>Crônica</category><category>Política e Cultura</category><category>Redes Sociais</category><category>Sociedade Contemporânea</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Wed, 7 Oct 2026 10:09:34 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-7959434737635887539</guid><description>&lt;article class="c-post" style="text-align: left;"&gt;
  &lt;i&gt;&lt;!--Estilos Embutidos Otimizados para o Blogger--&gt;
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    /* Citação / Destaque em Bloco */
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  &lt;/style&gt;

  &lt;!--Parágrafo de Abertura / Lead--&gt;
  
  “Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve,&lt;br /&gt;
correta, branca, suave, muito limpa, muito leve.&lt;br /&gt;
Sons, palavras, são navalhas,&lt;br /&gt;
e eu não posso cantar como convém&lt;br /&gt;
sem querer ferir ninguém.”&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;— Belchior, “Apenas um Rapaz Latino-Americano”&lt;/article&gt;&lt;article class="c-post"&gt;&lt;p class="c-lead"&gt;A história humana, se olhada de longe, parece menos uma marcha racional rumo ao progresso e mais uma vasta e contínua convenção de insetos reunidos para debater qual marca de aerossol é mais refrescante.&lt;/p&gt;

  &lt;!--Imagem Principal (Sem Layout Shift / Carregamento Prioritário)--&gt;
  &lt;figure class="c-figure"&gt;
    &lt;a class="c-figure__wrapper" href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoQIfBxFZm249v4r1pRTyLwd2Z9w2K9xMbDqpqRP4BkVrVFazlppePQ6Fvl0MwMuYeGLZlFEHavtynljDYG2PEKO-BtiVoIImUlfxdy6rqERxE9Zi4gcjQVcvpf7miYG9APTO3M7XLtRoMytUiBPAa6CLB5DueaGIgddStO3yHM3fF6T0uQa3r/s600/super%20inseticida.jpg" rel="noopener" target="_blank"&gt;
      &lt;img alt="Super inseticida - Analogia sobre a atração humana pelas próprias armadilhas" class="c-figure__img" decoding="async" fetchpriority="high" height="327" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoQIfBxFZm249v4r1pRTyLwd2Z9w2K9xMbDqpqRP4BkVrVFazlppePQ6Fvl0MwMuYeGLZlFEHavtynljDYG2PEKO-BtiVoIImUlfxdy6rqERxE9Zi4gcjQVcvpf7miYG9APTO3M7XLtRoMytUiBPAa6CLB5DueaGIgddStO3yHM3fF6T0uQa3r/s600/super%20inseticida.jpg" srcset="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoQIfBxFZm249v4r1pRTyLwd2Z9w2K9xMbDqpqRP4BkVrVFazlppePQ6Fvl0MwMuYeGLZlFEHavtynljDYG2PEKO-BtiVoIImUlfxdy6rqERxE9Zi4gcjQVcvpf7miYG9APTO3M7XLtRoMytUiBPAa6CLB5DueaGIgddStO3yHM3fF6T0uQa3r/s320/super%20inseticida.jpg 320w, https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoQIfBxFZm249v4r1pRTyLwd2Z9w2K9xMbDqpqRP4BkVrVFazlppePQ6Fvl0MwMuYeGLZlFEHavtynljDYG2PEKO-BtiVoIImUlfxdy6rqERxE9Zi4gcjQVcvpf7miYG9APTO3M7XLtRoMytUiBPAa6CLB5DueaGIgddStO3yHM3fF6T0uQa3r/s600/super%20inseticida.jpg 600w" width="600" /&gt;
    &lt;/a&gt;
    &lt;figcaption class="c-figure__caption"&gt;A incessante atração humana pelas próprias armadilhas.&lt;/figcaption&gt;
  &lt;/figure&gt;

  &lt;!--Corpo da Crônica--&gt;
  &lt;p&gt;Não é que faltem avisos. A &lt;a href="https://www.google.com/search?q=biblioteca+de+Alexandria" rel="noopener" target="_blank"&gt;biblioteca de Alexandria&lt;/a&gt; queimou, &lt;a href="https://www.google.com/search?q=T%C3%A1cito" rel="noopener" target="_blank"&gt;Tácito&lt;/a&gt; escreveu volumes inteiros alertando sobre como alimentamos monstros caseiros, &lt;a href="https://www.google.com/search?q=Shakespeare" rel="noopener" target="_blank"&gt;Shakespeare&lt;/a&gt; pôs na boca de seus personagens a eterna tragédia do tiro que sai pela culatra, e mesmo assim a humanidade mantém uma irrefutável vocação para o suicídio burocraticamente planejado.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;O historiador olha para o passado e frequentemente se depara com a exata mesma cena: o povo reunido em praça pública, debatendo com afinco qual tirano, qual política ruinosa ou qual veneno de prateleira merece o seu voto de confiança. Só que, hoje em dia, o orador da praça pública tem &lt;em&gt;ring light&lt;/em&gt;, filtros de alta definição e um perfil com milhões de seguidores.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Tomemos o caso clássico de &lt;a href="https://www.google.com/search?q=Bruto" rel="noopener" target="_blank"&gt;Bruto&lt;/a&gt;. O rapaz era um &lt;a href="https://www.google.com/search?q=define+estoico" rel="noopener" target="_blank"&gt;estoico&lt;/a&gt; refinado, cheio de leituras, preocupado com as altas finanças da virtude romana. Ele olhou para &lt;a href="https://www.google.com/search?q=J%C3%BAlio+C%C3%A9sar" rel="noopener" target="_blank"&gt;Júlio César&lt;/a&gt;, viu a &lt;a href="https://www.google.com/search?q=Rep%C3%BAblica+vacilante" rel="noopener" target="_blank"&gt;República vacilante&lt;/a&gt; e pensou: &lt;em&gt;"Para salvar a liberdade, preciso convocar o punhal"&lt;/em&gt;. Matou o ditador com a mais profunda pureza de intenções. Hoje, Bruto faria uma &lt;em&gt;thread&lt;/em&gt; no &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=X+%28social+media+platform%29&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=7959434737635887539" target="_blank"&gt;X&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(Twitter) explicando os "cinco passos para desmantelar a autocracia" e postaria um vídeo no &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=TikTok&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=7959434737635887539" target="_blank"&gt;TikTok&lt;/a&gt; com uma trilha sonora melancólica enquanto afia a adaga. O resultado prático? Uma sequência espetacular de guerras civis que destruíram o que restava da República e abriram alas para o Império absoluto. Bruto escolheu o inseticida na esperança de purificar a horta, e acabou afogando Roma inteira no tanque de querosene.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Ou pensemos em &lt;a href="https://www.google.com/search?q=Tib%C3%A9rio" rel="noopener" target="_blank"&gt;Tibério&lt;/a&gt;, lá no &lt;a href="https://www.google.com/search?q=define+ostracismo+dourado" rel="noopener" target="_blank"&gt;ostracismo dourado&lt;/a&gt; de Capri, cultivando com esmero e promovendo &lt;a href="https://www.google.com/search?q=Sejano" rel="noopener" target="_blank"&gt;Sejano&lt;/a&gt;. O imperador fortalecera o homem até que este se tornasse a própria encarnação do perigo. Tácito descreve a cena com aquele tédio cínico de quem já viu tudo. Sejano, na nossa chave atual, seria aquele influenciador corporativo de terno &lt;em&gt;slim fit&lt;/em&gt; que ganha relevância ensinando a otimizar processos — até o dia em que otimiza o próprio patrão para fora do cargo. É a clássica fábula do sujeito que alimenta a &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=jararaca+images&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=7959434737635887539" target="_blank"&gt;jararaca&lt;/a&gt; no quintal porque achava que o bicho só picava o vizinho chato, enquanto grava &lt;em&gt;stories&lt;/em&gt; dizendo que "o ecossistema está sob controle".&lt;/p&gt;

  &lt;!--Citação em Destaque--&gt;
  &lt;blockquote class="c-quote"&gt;
    &lt;p&gt;“É o peixe fazendo campanha para o gancho do pescador, o cordeiro criando fã-clube para o lobo-alfa, o passarinho aplaudindo o gato que comprou uma gaiola com &lt;a href="https://www.google.com/search?q=design+minimalista+n%C3%B3rdico" rel="noopener" target="_blank"&gt;design minimalista nórdico&lt;/a&gt;.”&lt;/p&gt;
  &lt;/blockquote&gt;

 &lt;p&gt;Mas a modernidade, claro, elevou o método à categoria de arte performática. Não precisamos mais de imperadores romanos ou de conjurações no senado. Nós mesmos vamos às redes sociais, acompanhamos cortes de &lt;em&gt;&lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=podcasts&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=7959434737635887539" target="_blank"&gt;podcasts&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; e votamos em quem promete o extermínio sistemático dos nossos próprios direitos, embalado em dancinhas coreografadas de quinze segundos.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Veja a musa digital da temporada, aquela influenciadora de estilo de vida que surge na tela do celular com um sorriso dente-de-leite e um filtro dourado, explicando por que a regulação econômica que vai esmagar o pequeno negócio dela própria é, na verdade, um "avanço disruptivo e empoderador". E os seguidores, comovidos com a estética do desastre, enchem os comentários de coraçõezinhos e palminhas. É o peixe fazendo campanha para o gancho do pescador, o cordeiro criando fã-clube para o lobo-alfa, o passarinho aplaudindo o gato que comprou uma gaiola com design minimalista nórdico.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Por que fazemos isso? Talvez porque a política e a economia sejam chatas, exigem leitura de estatísticas e tédio cívico, enquanto a autodestruição vem com &lt;a href="https://www.google.com/search?q=storytelling" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;storytelling&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;impecável, corte dinâmico e legenda cativante. Queremos ver o circo pegar fogo, desde que o vídeo do incêndio bata um milhão de visualizações e venha acompanhado de uma &lt;em&gt;trend&lt;/em&gt; espirituosa.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Quando olhamos para trás, percebemos que o inseticida muda de rótulo conforme a época — às vezes vem em frasco de latão romano, às vezes em pergaminho revolucionário, às vezes em formato de &lt;em&gt;&lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=reels&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=7959434737635887539" target="_blank"&gt;reels&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; patrocinado —, mas o inseto, fiel à sua tradição milenar, continua fazendo fila para assinar o próprio decreto de extinção. E o pior: garantindo que o conteúdo ficou esteticamente impecável.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Belchior, “&lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=btuLTjdsxVU&amp;amp;t=5s" target="_blank"&gt;Apenas um Rapaz Latino-Americano&lt;/a&gt;”&lt;/p&gt;&lt;/article&gt;
</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoQIfBxFZm249v4r1pRTyLwd2Z9w2K9xMbDqpqRP4BkVrVFazlppePQ6Fvl0MwMuYeGLZlFEHavtynljDYG2PEKO-BtiVoIImUlfxdy6rqERxE9Zi4gcjQVcvpf7miYG9APTO3M7XLtRoMytUiBPAa6CLB5DueaGIgddStO3yHM3fF6T0uQa3r/s72-c/super%20inseticida.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><georss:featurename xmlns:georss="http://www.georss.org/georss">Colatina, ES, Brasil</georss:featurename><georss:point xmlns:georss="http://www.georss.org/georss">-19.5368995 -40.6307885</georss:point><georss:box xmlns:georss="http://www.georss.org/georss">-47.847133336178842 -75.7870385 8.7733343361788449 -5.4745385000000013</georss:box></item><item><title>Sexta-feira estou apaixonado</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2026/10/sexta-feira-estou-apaixonado.html</link><category>crônicas</category><category>Cultura</category><category>História e Curiosidades</category><category>música</category><category>reflexão</category><category>Sexta-feira</category><category>The Cure</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Fri, 2 Oct 2026 14:49:35 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-781226430679905994</guid><description>&lt;article class="cronica-container"&gt;
  
  &lt;!--Imagem de Destaque Otimizada--&gt;
  &lt;figure class="cronica-media"&gt;
    &lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuRcZOKybgyiwZfURvFt9X1xs2G94Xd4AIthEvWRhc0MME2SSVcDVkd4_OhQh9fjao2QyT7Yv2D7ORimEpLaXnilpOxv0os6-YIXCrHga93dPNrpdTvxNSNKqY68M77SQpCjerhBayYj8woAmL5ed5C-ZErGZZJFoPRFmX3EjRuDOHmHmsNz9S/s600/sextou.jpg" rel="noopener" target="_blank"&gt;
      &lt;img alt="Sexta-feira estou apaixonado" class="cronica-img" decoding="async" fetchpriority="high" height="335" loading="eager" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuRcZOKybgyiwZfURvFt9X1xs2G94Xd4AIthEvWRhc0MME2SSVcDVkd4_OhQh9fjao2QyT7Yv2D7ORimEpLaXnilpOxv0os6-YIXCrHga93dPNrpdTvxNSNKqY68M77SQpCjerhBayYj8woAmL5ed5C-ZErGZZJFoPRFmX3EjRuDOHmHmsNz9S/s600/sextou.jpg" width="600" /&gt;
    &lt;/a&gt;
  &lt;/figure&gt;

  &lt;!--Citação Inicial (The Cure)--&gt;
  &lt;blockquote class="quote-intro"&gt;
    “I don’t care if Monday’s blue, Tuesday’s gray and Wednesday too...”
    &lt;cite&gt;— Robert Smith (The Cure)&lt;/cite&gt;
  &lt;/blockquote&gt;

  &lt;!--Corpo do Texto--&gt;
  &lt;div class="cronica-body"&gt;
    &lt;p&gt;Robert Smith já sabia de tudo lá em 1992, com aquele cabelo desmanchado e a boca pintada de batom borrado: a semana inteira é só um rascunho sem graça para a grande obra-prima que atende pelo nome de &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=define+sexta-feira&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=781226430679905994" target="_blank"&gt;sexta-feira&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;Segunda-feira é um tapa na cara. Terça é uma humilhação em doses diárias. Quarta-feira não serve para nada além de jogo de futebol na TV e meias promessas de metade de semana. Quinta-feira até tenta, coitada, mas é apenas aquele flerte tímido no corredor. Agora, a sexta-feira... ah, a sexta-feira é a própria deusa de banho tomado, perfume francês e sorriso de canto de boca.&lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;E não diga que isso é coisa da modernidade do botequim. A humanidade já sabia disso muito antes do primeiro chefe inventar o &lt;em&gt;Excel&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;Se você fala espanhol (&lt;em&gt;&lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=viernes+Spanish+word+for+Friday&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=781226430679905994" target="_blank"&gt;viernes&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;), francês (&lt;em&gt;vendredi&lt;/em&gt;) ou italiano (&lt;em&gt;venerdì&lt;/em&gt;), você está simplesmente dedicando o day a &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=define+V%C3%AAnus+Roman+goddess&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=781226430679905994" target="_blank"&gt;Vênus&lt;/a&gt;, a deusa do amor, da beleza e de tudo o que faz a vida valer a pena. Se fala inglês (&lt;em&gt;Friday&lt;/em&gt;) ou alemão (&lt;em&gt;Freitag&lt;/em&gt;), está prestando homenagem a Frigg ou &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=define+Freya+Norse+goddess&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=781226430679905994" target="_blank"&gt;Freya&lt;/a&gt; — deusas nórdicas da fertilidade e do casamento. Ou seja: a sexta-feira nasceu, por direito divino e pagão, para ser amada.&lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;E nós, portugueses e brasileiros, onde ficamos nessa orgia mitológica? Bom, por aqui um sujeito bem intencionado chamado &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=S%C3%A3o+Martinho+de+Dume&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=781226430679905994" target="_blank"&gt;São Martinho de Dume&lt;/a&gt;, lá no século VI, resolveu que esse negócio de nome pagão era pecado. Baniu Vênus, baniu Freya e decretou: vai se chamar &lt;em&gt;&lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=define+sexta-feria+Latin+meaning&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=781226430679905994" target="_blank"&gt;sexta-feria&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;. Mal sabia o bispo de Braga que "feria", em latim, significa dia de festa. Mudar o nome pra quê? No fim, deu tudo na mesma. A santidade tentou moralizar e acabou batizando o dia oficial do alívio.&lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;Porque a sexta-feira é eclética, meu amigo. Ela agrada a todos os deuses e a todos os diabos.&lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;Para os católicos, é dia de recolhimento (ou de dispensar a carne vermelha e ir direto pro peixinho frito do bar). Para os muçulmanos, é o &lt;em&gt;&lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=define+Jum%27ah+Islamic+holy+day&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=781226430679905994" target="_blank"&gt;Jum'ah&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, o momento sagrado de comunhão. Para os judeus, quando o sol começa a se desmanchar no horizonte, acendem-se as velas do &lt;em&gt;&lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=define+Shabbat+Jewish+holy+day&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=781226430679905994" target="_blank"&gt;Shabbat&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; e o descanso sagrado abraça a casa. E mesmo quando cai num dia 13, com direito a &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Cavaleiros+Templ%C3%A1rios&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=781226430679905994" target="_blank"&gt;Cavaleiros Templários&lt;/a&gt;, azar e gatos pretos, a gente nem liga. Se for para ter azar numa sexta-feira, que seja cercado de amigos e com uma cerveja gelada na mão. O azar de uma sexta-feira ainda é infinitamente melhor do que a sorte de uma segunda.&lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;A verdade é que a sexta-feira transforma a física social.&lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;A partir das três da tarde, ninguém mais trabalha de verdade no escritório. O sujeito está ali, encarando a tela do computador, mas a alma dele já está de bermuda, no boteco do seu Zé, discutindo se o juiz errou no pênalti de 1998. É o milagre do &lt;em&gt;&lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=define+Casual+Friday+workplace&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=781226430679905994" target="_blank"&gt;Casual Friday&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;: a gravata cai, o primeiro botão da camisa se desabotoa e o ser humano recupera a sua dignidade perdida desde as oito da manhã de segunda.&lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;Sexta-feira é o único dia em que o trânsito parado não dá raiva, é só um pequeno pedágio para a liberdade. É o dia em que o "vamos marcar" deixa de ser uma mentira educada e corre o risco sério de acontecer. É o verbo que virou entidade: &lt;em&gt;&lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=define+Sextou+Portuguese+slang&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=781226430679905994" target="_blank"&gt;Sextou&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;. Um neologismo que resume toda a teologia da esperança humana.&lt;/p&gt;

    &lt;blockquote class="quote-body"&gt;
      “Thursday I don’t care about you, it’s Friday I’m in love.”
    &lt;/blockquote&gt;

    &lt;p&gt;A sexta-feira é esse estado de espírito em que a gente se apaixona não necessariamente por alguém, mas pela vida. Pela promessa do sábado, pelo descanso do domingo e por essa sensação maravilhosa de que, pelo menos por 48 horas, o mundo pertence aos que sabem desacelerar.&lt;/p&gt;

    &lt;p class="final-toast"&gt;Sirva a saideira, por favor. Hoje é sexta-feira e eu estou irremediavelmente apaixonado.&lt;/p&gt;
  &lt;/div&gt;

  &lt;!--Rodapé com Link para Música--&gt;
  &lt;footer class="cronica-footer"&gt;
    &lt;a class="youtube-btn" href="https://www.youtube.com/watch?v=mGgMZpGYiy8" rel="noopener" target="_blank"&gt;
      &lt;svg fill="currentColor" height="20" viewbox="0 0 24 24" width="20"&gt;&lt;path d="M23.498 6.186a3.016 3.016 0 0 0-2.122-2.136C19.505 3.545 12 3.545 12 3.545s-7.505 0-9.377.505A3.017 3.017 0 0 0 .502 6.186C0 8.07 0 12 0 12s0 3.93.502 5.814a3.016 3.016 0 0 0 2.122 2.136c1.871.505 9.376.505 9.376.505s7.505 0 9.377-.505a3.015 3.015 0 0 0 2.122-2.136C24 15.93 24 12 24 12s0-3.93-.502-5.814zM9.545 15.568V8.432L15.818 12l-6.273 3.568z"&gt;&lt;/path&gt;&lt;/svg&gt;
      Ouvir: The Cure - Friday I'm In Love (Official Video)
    &lt;/a&gt;
  &lt;/footer&gt;

&lt;/article&gt;

&lt;!--Estilos imbutidos leves para perfeita exibição e Core Web Vitals--&gt;
&lt;style&gt;
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  &lt;!--Citação de Abertura--&gt;
  &lt;blockquote class="c-quote"&gt;
    &lt;p&gt;“O essencial é invisível aos olhos.”&lt;/p&gt;
    &lt;cite&gt;— Antoine de Saint-Exupéry&lt;/cite&gt;
  &lt;/blockquote&gt;

  &lt;!--Imagem Principal Otimizada para CLS/LCP--&gt;
  &lt;figure class="c-figure"&gt;
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      &lt;img alt="Ilustração de equilíbrio entre dois lados opostos - a moeda sempre tem dois lados" class="c-figure__img" decoding="async" height="300" loading="lazy" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEilkyyXvDvto-1IaxlrrR3oW4-2jLxMV4e6NzQHl-ry8WvxtldBsKlJB8aqwuCSLM7D2cwXEgw6eb6crCaSYIj4eDTKSf0uXNURpJi8sbckW4CC-IyXGH9VqRt2NtHzLlE7Cg2kljMuxY4lwTQZTerzlf9bGc3n6NQYuoMyBqFShtlTA5_PF_Y4/s600/imagem-a-ideia-que-a-moeda-sempre.jpg" srcset="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEilkyyXvDvto-1IaxlrrR3oW4-2jLxMV4e6NzQHl-ry8WvxtldBsKlJB8aqwuCSLM7D2cwXEgw6eb6crCaSYIj4eDTKSf0uXNURpJi8sbckW4CC-IyXGH9VqRt2NtHzLlE7Cg2kljMuxY4lwTQZTerzlf9bGc3n6NQYuoMyBqFShtlTA5_PF_Y4/s320/imagem-a-ideia-que-a-moeda-sempre.jpg 320w, https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEilkyyXvDvto-1IaxlrrR3oW4-2jLxMV4e6NzQHl-ry8WvxtldBsKlJB8aqwuCSLM7D2cwXEgw6eb6crCaSYIj4eDTKSf0uXNURpJi8sbckW4CC-IyXGH9VqRt2NtHzLlE7Cg2kljMuxY4lwTQZTerzlf9bGc3n6NQYuoMyBqFShtlTA5_PF_Y4/s600/imagem-a-ideia-que-a-moeda-sempre.jpg 600w" width="600" /&gt;
    &lt;/a&gt;
  &lt;/figure&gt;

  &lt;!--Corpo do Texto--&gt;
  &lt;p&gt;A gente costuma confiar demais nos números. Olhamos para o relógio e achamos que sabemos a hora da nossa vida; olhamos para a conta bancária e medimos a nossa riqueza; olhamos para um termômetro de rua e decretamos a temperatura do mundo. Mas a vida, essa danada, adora desmentir a exatidão das máquinas.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Outro dia, caminhando pelo centro da nossa &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Colatina+Brazil&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=2079179566366292316" target="_blank"&gt;Colatina&lt;/a&gt; sob aquele céu nublado que de vez em quando resolve nos visitar, senti um vento leve, um frescor bom na pele. Daqueles que dão até vontade de desacelerar o passo. Aí dobrei a esquina e dei de cara com o painel digital da avenida: 33°C.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Parei um instante. Como assim, trinta e três? O número ali brilhando em vermelho era real, mas não era a verdade inteira. Faltavam naquela conta a umidade do ar, a brisa canalizada entre os prédios e o alívio de quem caminha sem pressa. O termômetro mostrava um fato, mas a minha pele sentia outro.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;E não é que a gente faz exatamente a mesma coisa com as pessoas?&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Repare bem. A gente cruza com alguém na calçada da &lt;a href="https://www.google.com/maps/place/Av.+Get%C3%BAlio+Vargas+-+Colatina,+ES" target="_blank"&gt;Getúlio Vargas&lt;/a&gt; ou na fila do banco, lê o primeiro "termômetro" estampado no rosto — uma fisionomia fechada, um silêncio brusco, uma resposta atravessada — e pronto. Apressados como somos, já emitimos o veredito: "Aquele ali é de pouca conversa", "Fulano está de má vontade".&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Concluímos o livro apenas pela lombada. Esquecemos que, por trás daquele número frio exibido na fachada, a pessoa carrega as suas próprias nuvens, abriga os seus ventos particulares e enfrenta tempestades que ninguém mais consegue enxergar. O número que vemos na superfície nunca conta a história completa de um coração.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Dizem os físicos que a &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=define+luz+branca&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=2079179566366292316" target="_blank"&gt;luz branca&lt;/a&gt; não é ausência de tom, mas sim a soma perfeita de todas as cores do espectro. Nada na existência é apenas preto ou branco. A vida é um mosaico de matizes e contrastes: a dor que ensina, a raiva que esconde um medo profundo, o silêncio que, na verdade, é só uma prece aflita por um pouco de paz.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Na História, não faltam momentos em que os olhos humanos se enganaram feio por ficarem presos às aparências. Contam que, nos anos de 1920, quando &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Alexander+Fleming+penicillin+discovery&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=2079179566366292316" target="_blank"&gt;Alexander Fleming&lt;/a&gt; olhou para a sua placa de cultivo mofada e estragada no laboratório, qualquer um ali teria visto apenas sujeira e descarte. Era o número frio: um experimento fracassado. Mas ele olhou com calma, aprofundou o olhar e enxergou o invisível: ali nascia a &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=define+penicilina&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=2079179566366292316" target="_blank"&gt;penicilina&lt;/a&gt;, a descoberta que salvaria milhões de vidas pelo mundo.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Quem julga rápido só enxerga o painel de trinta e três graus. Vê a casca, o dado solto, a pressa do momento. Mas quem escolhe observar com vagar, sem o martelo da sentença na mão, descobre o frescor escondido por trás da bruma. Descobre que aquele abraço contido era saudades, que aquele rosto sério era cansaço e que todo mundo, no fundo, só está tentando se proteger do calor das suas próprias lutas.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Antes de cravar um julgamento sobre quem quer que seja, vale a pena esperar a brisa passar e olhar duas vezes. A verdade quase nunca é o primeiro número que aparece na tela. A verdade é o sentir.&lt;/p&gt;

  &lt;!--Dedicatória e Música--&gt;
  &lt;p class="c-post__dedication"&gt;Dedicado ao Fábio Colli&lt;/p&gt;
  
  &lt;p class="c-post__music"&gt;
    Ouvindo na vitrola da alma: 
    &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=nETjigeNPyE&amp;amp;t=13s" rel="noopener noreferrer" target="_blank"&gt;
      Milton Nascimento — Clube da Esquina Nº 2
    &lt;/a&gt;
  &lt;/p&gt;
&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEilkyyXvDvto-1IaxlrrR3oW4-2jLxMV4e6NzQHl-ry8WvxtldBsKlJB8aqwuCSLM7D2cwXEgw6eb6crCaSYIj4eDTKSf0uXNURpJi8sbckW4CC-IyXGH9VqRt2NtHzLlE7Cg2kljMuxY4lwTQZTerzlf9bGc3n6NQYuoMyBqFShtlTA5_PF_Y4/s72-c/imagem-a-ideia-que-a-moeda-sempre.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>O outro dia em que a música morreu</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2026/09/o-outro-dia-em-que-musica-morreu.html</link><category>adolescência</category><category>confissão</category><category>conto</category><category>Crônica</category><category>música</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Mon, 28 Sep 2026 11:45:19 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-8927683818209495484</guid><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
  &lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgzYC8JTkFAw9MGnR5tnk4RNqSPWMUFHiqf1495xanilyMIwm4hw0QDoFnt3gLozCWPei2HwFCssPSzd_MIBVFzlbbOHVR-XvXxFUAXKSNL_p1vkSndInwKCDGNbTKvIcG0CbQAsxm8q95OOm4eCNQKTy4wF5RtP7CflfElt8S2q1vx1rHysOJn/s600/Cronicas-do-joel-o-dia-em-que-a-musica-morreu.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;
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  &lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;

&lt;div style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 1.6; text-align: justify;"&gt;
  &lt;p style="font-style: italic; text-align: center;"&gt;
    "A long, long time ago... I can still remember how that music used to make me smile."&lt;br /&gt;
    &lt;strong&gt;(Don McLean - American Pie)&lt;/strong&gt;
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Há um pedaço da nossa vida — aquele canteiro verdejante da adolescência — em que o tempo parece andar sem pressa, como se o dia tivesse quarenta horas e os verões durassem para sempre. Naquele jardim da minha vida, no meu bairro de poeira e sol forte, o mundo girava em torno de coisas simples: o barulho do motor, a poeira subindo na rua e os ídolos que a gente inventava no próprio quarteirão.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    &lt;strong&gt;Pru era o nosso ídolo.&lt;/strong&gt;
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Para o pai dele, o Seu Coslop, ele era o Julinho. &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=J%C3%BAlio+Ant%C3%B4nio+Coslop&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8927683818209495484" target="_blank"&gt;Júlio Antônio Coslop&lt;/a&gt; na certidão. Para a gente, era só Pru. Ele devia ter uns dois ou três anos a mais do que eu — o suficiente para parecer um gigante invencível que já conhecia os segredos do universo. Quando ele vinha despontando na esquina, montado na sua moto &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Agrale+motorcycle&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8927683818209495484" target="_blank"&gt;Agrale&lt;/a&gt; vermelha, o sol de fim de tarde batia no capacete e ele parecia dourado. Tinha aquele ruído de motor dois tempos que anunciava, a quadras de distância, que a alegria estava chegando na rua. Naqueles dias, a música da nossa infância tocava no giro alto daquela Agrale.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Pru era craque de bola. Tinha um passe macio, cabeça erguida e uma elegância em campo que fazia a gente parar pra olhar. E ele, na sua generosidade de menino iluminado, cismou que queria me ensinar a jogar bola como ele. Coitado do Pru. Gastou tardes inteiras me explicando onde pôr o pé de apoio, como bater de chapa, como dominar no peito. Demorou uma eternidade para ele entender o óbvio: eu simplesmente não havia nascido para os gramados. Minhas pernas não obedeciam ao juízo.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Mais do que futebol, o Pru me ensinou a sonhar. Ficávamos sentados na calçada ao entardecer, vendo o mormaço da rua baixar, trocando ideias sobre carros que nunca teríamos, viagens para lugares que só existiam nos mapas da escola e garotas que nem sabiam do nosso nome. Ele falava do futuro com uma certeza tão bonita que fazia a gente acreditar que o mundo era pequeno e que o amanhã seria uma festa sem fim.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    &lt;strong&gt;Até que veio aquele mês de agosto.&lt;/strong&gt;
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Agosto+em+Colatina+events&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8927683818209495484" target="_blank"&gt;Agosto em Colatina&lt;/a&gt; costuma ser mês de festa, aniversário da cidade, desfile, rua cheia e reencontros. Mas naquele agosto específico, a história decidiu dobrar uma esquina escura. Chegou a mim uma das notícias mais duras que a vida me deu pra carregar — daquelas que entram rasgando o peito e fazem a gente nunca mais ser o mesmo.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Na principal avenida da nossa cidade, com a luz dos postes por testemunhas, a &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Agrale+vermelha+images&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8927683818209495484" target="_blank"&gt;Agrale vermelha&lt;/a&gt; colidiu contra uma árvore.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    E ali, num estalo cruel de ferro, madeira e destino, o tempo parou. &lt;a href="https://www.google.com/search?q=the+day+the+music+died+Don+McLean" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;The day the music died,&lt;/em&gt; cantaria Don McLean&lt;/a&gt; para falar do dia em que a inocência de toda uma geração virou fumaça. Para mim, o dia em que a música morreu foi naquele aniversário de &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Colatina+Brazil&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=8927683818209495484" target="_blank"&gt;Colatina&lt;/a&gt;.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    O Seu Coslop e a Dona Beia perderam o seu Julinho, a avenida perdeu o seu brilho e eu perdi o amigo dourado que me ensinava a olhar pro horizonte. O jardim da minha adolescência amanheceu murcho, com as pétalas espalhadas pelo chão de asfalto.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    A vida continuou, porque ela é teimosa e não pede licença pra seguir em frente. Os anos passaram, a cidade mudou de cara, os carros modernos ocuparam as ruas e o cabelo da gente começou a pratear. Mas eu nunca mais fui o mesmo depois daquele agosto. Ficou em mim uma marca funda, uma pressa bonita de viver e um respeito solene por cada sonho que a gente cultiva.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Às vezes, quando o mês de agosto vem despontando e o vento da tarde sopra na avenida principal, eu fecho os olhos por um segundo. E no silêncio da memória, ainda consigo escutar o ronco distante de uma Agrale vermelha cortando o céu, levando o Pru pra jogar bola em campos onde o sol nunca se põe.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p style="font-style: italic; margin-top: 2em;"&gt;
    (Ouvindo na vitrola da alma: &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=s55LgcUXdew" target="_blank"&gt;Don McLean - American Pie&lt;/a&gt;)
  &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgzYC8JTkFAw9MGnR5tnk4RNqSPWMUFHiqf1495xanilyMIwm4hw0QDoFnt3gLozCWPei2HwFCssPSzd_MIBVFzlbbOHVR-XvXxFUAXKSNL_p1vkSndInwKCDGNbTKvIcG0CbQAsxm8q95OOm4eCNQKTy4wF5RtP7CflfElt8S2q1vx1rHysOJn/s72-w376-h269-c/Cronicas-do-joel-o-dia-em-que-a-musica-morreu.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><georss:featurename xmlns:georss="http://www.georss.org/georss">Colatina, ES, Brasil</georss:featurename><georss:point xmlns:georss="http://www.georss.org/georss">-19.5368995 -40.6307885</georss:point><georss:box xmlns:georss="http://www.georss.org/georss">-58.852683128211353 -110.9432885 19.778884128211356 29.6817115</georss:box></item><item><title>O equinócio e a primavera de Fernando Pessoa</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2026/09/o-equinocio-e-primavera-de-fernando.html</link><category>Crônica</category><category>Fernando Pessoa</category><category>primavera</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Tue, 22 Sep 2026 14:43:05 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-8445109966803850131</guid><description>&lt;style&gt;
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Quando vier a primavera,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="border-color: currentcolor; border-image: none; border-style: none; border-width: medium; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Se eu já estiver morto,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="border-color: currentcolor; border-image: none; border-style: none; border-width: medium; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;As flores florirão da mesma maneira&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="border-color: currentcolor; border-image: none; border-style: none; border-width: medium; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="border-color: currentcolor; border-image: none; border-style: none; border-width: medium; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;A realidade não precisa de mim.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="border-color: currentcolor; border-image: none; border-style: none; border-width: medium; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Sinto uma alegria enorme&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="border-color: currentcolor; border-image: none; border-style: none; border-width: medium; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;blockquote style="border-color: currentcolor; border-image: none; border-style: none; border-width: medium; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.(...)&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="border-color: currentcolor; border-image: none; border-style: none; border-width: medium; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;div&gt;(Fernando Pessoa em seu Alberto Caiero)&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;


&lt;div class="cronica-container"&gt;
  
  
    &lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgBI7ngLv0TnFOJ1XxmoZwRx_tTyEvAs-eU8zMxy-gG8XiWx2viv3e9PMau5Ej9W7pbbAXl_lbS8kG84w-6zVfLdHkqJbFO0xz5kdoOV-LfxQlp7_iFeU0pK9lwVhH4QQiUYK24TKpF2yhCFGJ8oqWbfmLn0IW-DCsLDxDGquPhmQtY08pcdqNs/s1408/Fernando%20Pessoa%20primavera.jfif"&gt;&lt;img alt="Fernando Pessoa e heterônimos - Ilustração" border="0" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgBI7ngLv0TnFOJ1XxmoZwRx_tTyEvAs-eU8zMxy-gG8XiWx2viv3e9PMau5Ej9W7pbbAXl_lbS8kG84w-6zVfLdHkqJbFO0xz5kdoOV-LfxQlp7_iFeU0pK9lwVhH4QQiUYK24TKpF2yhCFGJ8oqWbfmLn0IW-DCsLDxDGquPhmQtY08pcdqNs/s1408/Fernando%20Pessoa%20primavera.jfif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
  
  
  
  
  Não há, nas efemérides de hoje, nenhuma data solene que exija o alarme das biografias de Fernando Pessoa. Nenhuma primeira edição perdida, nenhum centenário redondo. Mas o calendário, astuto e poético, resolveu inventar outra desculpa: hoje é equinócio. O exato segundo em que o sol se equilibra no equador, dividindo o mundo entre o desabrochar da primavera no hemisfério sul e a nostalgia dourada do outono no norte.

  &lt;p&gt;E quem foi que disse que a primavera não é, em essência, Alberto Caeiro?&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Enquanto os botânicos contam pétalas e os meteorologistas ajustam os termômetros, a alma de Lisboa — que coube inteira dentro de um homem só — resolveu dar uma volta pela Rua do Ouro. Lembrei-me daquele dia em que abri um livro e caí, tonto de pasmo, nos versos de &lt;em&gt;Dobrada à Moda do Porto&lt;/em&gt;. Que audácia, meu Deus! Meter um prato de comida e banha na mais alta aristocracia da lírica moderna, misturar o estômago com a metafísica, e fazer da frustração uma epifania. Só mesmo o mestre dos heterônimos para nos lembrar que até a falta de apetite diante do desamor pode ser um sussuro para a humanidade.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Pessoa era vários porque um só homem era pequeno demais para conter tantas ganas de existir. De manhã, era o mestre de Caeiro, a passear pelos campos sem nome, sentindo as coisas com os olhos e não com o pensamento. À tarde, virava Ricardo Reis, medindo o tempo com o compasso clássico de Horácio. À noite, desabava no delírio lúcido de Álvaro de Campos, fumando ópio e estrondando as máquinas do mundo com o seu tédio grandioso.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;E no meio de tudo isso, o próprio Fernando — o engenheiro da bruma, o homem do escritório de correspondência comercial que guardava no peito o império que Portugal já não cabia no mapa.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Hoje, que a Terra inclina o seu eixo e a estação muda de cor, a gente sente que a poesia não precisa de aniversário para acontecer. Basta que a brisa bata na janela e nos lembre que sentir é compreender.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Se o outono no norte tinge as folhas de ferrugem, cá no sul a primavera rebenta sem pedir licença, tal qual a comilança farta daquela dobradinha cantada com alma nortenha. Que o poeta descanse na sua esquina eterna do Chiado, enquanto a gente continua aqui, divididos entre o real e o sonho, tentando decifrar o mistério de existir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Joel Rogerio&lt;/p&gt;

&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgBI7ngLv0TnFOJ1XxmoZwRx_tTyEvAs-eU8zMxy-gG8XiWx2viv3e9PMau5Ej9W7pbbAXl_lbS8kG84w-6zVfLdHkqJbFO0xz5kdoOV-LfxQlp7_iFeU0pK9lwVhH4QQiUYK24TKpF2yhCFGJ8oqWbfmLn0IW-DCsLDxDGquPhmQtY08pcdqNs/s72-c/Fernando%20Pessoa%20primavera.jfif" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title> Ardi Rizal: As Fumaças do Tempo e o Menino de Brinquedo</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2026/09/ardi-rizal-as-fumacas-do-tempo-e-o.html</link><category>cronica</category><category>infância</category><category>reportagem</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Wed, 9 Sep 2026 12:33:02 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-4178937258860803695</guid><description>&lt;article class="post-body" itemscope="" itemtype="https://schema.org/BlogPosting" style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Open Sans&amp;quot;, Arial, sans-serif; line-height: 1.8; margin: auto; max-width: 800px;"&gt;

  &lt;header style="margin-bottom: 30px; text-align: center;"&gt;
    &lt;!--Imagem de Destaque Otimizada para SEO e Core Web Vitals--&gt;
    &lt;div style="margin: 0px auto 20px;"&gt;
      &lt;img alt="Menino indonésio Ardi Rizal em sua infância, refletindo a dura realidade do vício precoce" border="0" loading="lazy" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhPgkoWbIu2rCxcjYlHacobisbNy63ztaWspHeKShldyQn1mUO_KpFPZC47D-tQPYYR-zsboRV4OzPnGNA9sc7_79lEmq0fAJzh1GUzL5YlhKFR6YgyUmWjKN1pePFD9_uVuF2ftaiTw3P_23PSe1WrW29Nmjvd9NWH3O8LZcTWSXV-Ztkn82RU/s600/ardi.5.jpg" style="border-radius: 8px; box-shadow: rgba(0, 0, 0, 0.15) 0px 4px 12px; height: auto; max-width: 600px; width: 100%;" /&gt;
    &lt;/div&gt;
    
    &lt;h1 itemprop="headline" style="color: #2c3e50; font-size: 2rem; font-weight: 700; line-height: 1.3; margin-top: 0px;"&gt;
      A Fumaça e a Infância: A impressionante história de Ardi Rizal
    &lt;/h1&gt;
  &lt;/header&gt;

  &lt;div itemprop="articleBody" style="font-size: 1.1rem;"&gt;
    &lt;p style="margin-bottom: 1.5em;"&gt;
      Houve um tempo em que as coisas tinham o tamanho exato dos olhos. Para uma criança, o mundo cabe num canto de quintal, numa poça de lama onde se afundam os dedos ou no voo desajeitado de um besouro. Mas há mundos que adoçam cedo demais o amargor da vida com a fumaça dos adultos.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p style="margin-bottom: 1.5em;"&gt;
      Lá longe, numa ilha verdejante da Indonésia, vivia um menino chamado Ardi. Um guri de fraldas, com o olhar ainda úmido de infância, que em vez de chupar chupeta ou soprar bolhas de sabão, tragava a cinza cinzenta de um cigarro: &lt;strong&gt;quarenta cigarros por dia&lt;/strong&gt;. Uma estatística macabra que assombrou as telas do planeta inteiro, como se um pequeno espelho deformado nos mostrasse o quanto somos capazes de descuidar do sagrado.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p style="margin-bottom: 1.5em;"&gt;
      Dizem que a culpa é do tédio, da ignorância, dos dias que se arrastam iguais nas vilas esquecidas. Mas olhar para Ardi tragando aquela fumaça era, no fundo, ver a infância sendo queimada antes mesmo de acender. O cigarro entre os dedos pequeninos não era apenas nicotina; era um atalho trágico para a velhice, um modo precoce de fingir maturidade num corpo que mal sabia correr. Os adultos riam nervosos, acendiam o próximo, davam de ombros. Esqueceram-se de que as crianças são folhas de papel em branco onde escrevemos os nossos próprios monstros.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p style="margin-bottom: 1.5em;"&gt;
      Quando o mundo finalmente se escandalizou com o vídeo que correu o globo, a burocracia se moveu, os médicos intervieram, e a fumaça foi arrancada daquela boca infantil. Veio então o vazio. Porque o vício, quando vai embora, deixa um buraco enorme no peito, do tamanho de um abismo. E o menino, proibido de fumar, refugiou-se na gula, mastigando o mundo em latas de leite condensado e doces, tentando preencher com açúcar o vazio que antes saciava com alcatrão. Como se a alma humana estivesse condenada a procurar muletas, sempre tropeçando na ânsia de anestesiar o viver.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p style="margin-bottom: 1.5em;"&gt;
      O tempo, contudo, é um artesão paciente. Com terapia, brincadeiras de verdade e o retorno ao chão da infância, Ardi conseguiu desatar os nós. Longe das lentes e do sensacionalismo digital, ele cresceu, foi à escola, virou gente grande por direito de idade e de alma.
    &lt;/p&gt;

    &lt;blockquote style="background-color: #f8f9fa; border-left: 4px solid rgb(69, 129, 142); color: #555555; font-style: italic; margin: 2em 0px; padding: 1em 1.5em;"&gt;
      "A história de Ardi Rizal nos deixa um sussurro incômodo. Revela que o maior perigo não é o que as crianças fumam, mas o que nós, os adultos, fazemos com que elas respirem todos os dias: a desesperança, a negligência e a pressa de transformar os pequenos em adultos cansados antes do tempo."
    &lt;/blockquote&gt;

    &lt;p style="margin-bottom: 1.5em;"&gt;
      Que nos sobre a lucidez de lembrar que a infância deveria ser sempre o único lugar do mundo onde a única fumaça permitida seja a dos sonhos que teimam em subir para o alto.
    &lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 1.5em;"&gt;Joel Rogerio&lt;/p&gt;
  &lt;/div&gt;
&lt;div style="margin: 30px 0; padding: 15px 20px; background-color: #f8f9fa; border-left: 4px solid #2980b9; border-radius: 4px;"&gt;
  &lt;p style="margin: 0; font-size: 0.95rem; color: #555;"&gt;
    &#128269; &lt;strong&gt;Para mais informações sobre o assunto:&lt;/strong&gt; Você pode acompanhar os desdobramentos e notícias recentes sobre o caso pesquisando por &lt;a href="https://www.google.com/search?q=Ardi+Rizal" target="_blank" rel="noopener noreferrer" style="color: #2980b9; text-decoration: none; font-weight: bold;"&gt;Ardi Rizal no Google&lt;/a&gt;.
  &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhPgkoWbIu2rCxcjYlHacobisbNy63ztaWspHeKShldyQn1mUO_KpFPZC47D-tQPYYR-zsboRV4OzPnGNA9sc7_79lEmq0fAJzh1GUzL5YlhKFR6YgyUmWjKN1pePFD9_uVuF2ftaiTw3P_23PSe1WrW29Nmjvd9NWH3O8LZcTWSXV-Ztkn82RU/s72-c/ardi.5.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>O Diabo, as Corujas e o Ferreiro: Uma Excursão Toponímica pela Capital Capixaba</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2026/09/o-diabo-as-corujas-e-o-ferreiro.html</link><category>capixaba</category><category>Crônica</category><category>Vitória</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Mon, 7 Sep 2026 11:43:04 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-4025609492406317744</guid><description>&lt;article class="post-body" itemscope="" itemtype="https://schema.org/BlogPosting" style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Open Sans&amp;quot;, Arial, sans-serif; line-height: 1.8; margin: auto; max-width: 800px;"&gt;

  &lt;header style="margin-bottom: 25px;"&gt;
    &lt;h1 itemprop="headline" style="color: #2c3e50; font-size: 2rem; line-height: 1.3; margin-bottom: 15px;"&gt;
      Uma viagem pelas curiosas (e inusitadas) origens dos nomes dos bairros de Vitória
    &lt;/h1&gt;
    
    &lt;!--Imagem de Destaque Otimizada--&gt;
    &lt;div style="margin: 20px 0px; text-align: center;"&gt;
      &lt;img alt="Vista panorâmica e paisagens de Vitória, capital do Espírito Santo" border="0" loading="lazy" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj4XqLrJouzBGqfFsg4dugTe_UDpXx7GN-5i-lQSQeJKKcmlbvqognYLEqhwNfawWbJqXORZIG6RZkb9UVzOeVRlFmjtk2fV7a_MfT3TJ4sFnrFbEc0kgpP5cV4A1q0ElirYaFKg1ESaPTkZQwJ948eebH1VZO0_gLHGZ_ec8WWATAC_YcwY5qd/s800/1000360032.png" style="border-radius: 8px; box-shadow: rgba(0, 0, 0, 0.1) 0px 4px 10px; height: auto; max-width: 800px; width: 100%;" /&gt;
      &lt;figcaption style="color: #666666; font-size: 0.9rem; margin-top: 8px;"&gt;
        Vitória: 475 anos de história, lendas urbanas e belas paisagens.
      &lt;/figcaption&gt;
    &lt;/div&gt;
  &lt;/header&gt;

  &lt;div itemprop="articleBody"&gt;
    &lt;p&gt;Quando criança, eu era lá dos Cafundós de Rio Bananal, era uma criança-natureza, deleitava-me com a imensidação da lagoa Juparanã e suas marolas prateadas, e da primeira vez que minha mãe me levou a Vitória, na casa de uma tia, enchia-me os olhos ao ver as luzes da cidade acesas, lá do Morro do Romão — as luzes cintilantes que, até então, só conseguia comparar a um rebanho imenso de nelores pastando ao sol, às margens da Juparanã. Vitória me encantou. Tão linda como o meu recanto. Claro, cada um com seu modo.&lt;/p&gt;
    
    &lt;p&gt;Daqueles meus olhos arregalados de encantamento de guri do interior para cá, muita coisa mudou, mas a mania que essa ilha tem de contar histórias através de suas esquinas continuou a mesma. Porque quem olha de longe aquela paisagem urbana não imagina o que o mapa esconde. Afinal, você já parou para pensar de onde vem o nome do lugar onde você mora? Não, não me venha com "ah, vem do contrato de aluguel". Falo da essência da coisa.&lt;/p&gt;
    
    &lt;p&gt;Tomemos a nossa Vitória, Vitorinha, Vix, Cidade maravilhosa, 475 anos nas costas, moqueca na panela de barro, mar de um lado, morro do outro. Pois bem. Fui dar uma olhada na geografia sentimental dessa ilha e descobri que batizar bairro por lá é uma arte que mistura zoologia indígena, lendas urbanas, migrantes devotos e um punhado de ironia histórica.&lt;/p&gt;

    &lt;section style="margin-top: 30px;"&gt;
      &lt;h2 style="border-bottom: 2px solid rgb(238, 238, 238); color: #2c3e50; font-size: 1.5rem; margin-bottom: 15px; padding-bottom: 5px;"&gt;Barro Vermelho e o Cemitério Fantasma&lt;/h2&gt;
      &lt;p&gt;Comecemos por Barro Vermelho. Bairro nobre, chique, prédio bonito. Mas a verdade nua e crua é que o bairro só tem esse nome por causa da cor do chão. Argila vermelha. E sabe qual era o plano original dos urbanistas lá pelos anos 1960? Transformar o Barro Vermelho num cemitério! Sim, a prefeitura olhou para aquela terra vermelha, coçou o queixo e pensou: "Sabe o que ficaria lindo aqui? Um monte de cova". O solo era perfeito para enterrar defunto. Por sorte da especulação imobiliária — e dos vivos —, o cemitério não saiu, e hoje o metro quadrado custa uma fortuna. Mas o fantasma da ideia continua lá, pairando sobre o barro.&lt;/p&gt;
    &lt;/section&gt;

    &lt;section style="margin-top: 30px;"&gt;
      &lt;h2 style="border-bottom: 2px solid rgb(238, 238, 238); color: #2c3e50; font-size: 1.5rem; margin-bottom: 15px; padding-bottom: 5px;"&gt;Jardim Camburi: O Bairro Indeciso&lt;/h2&gt;
      &lt;p&gt;Aí você pega o ônibus e vai para Jardim Camburi. Se Camburi decidisse se emancipar de Vitória, virava a décima maior cidade do Espírito Santo. Maior que muito município do interior! "Jardim" é perfumaria de loteamento. Mas "Camburi" vem do tupi. Uns dizem que significa "rio de robalos" — o que faz sentido, já que tinha peixe a rodo por ali. Outros dizem que significa "rio sinuoso", aquele rio meio indeciso que muda de curso conforme a maré. Ou seja: Camburi é o único bairro cujo nome já avisava que o trânsito por lá ia mudar de sentido a cada cinco minutos.&lt;/p&gt;
    &lt;/section&gt;

    &lt;section style="margin-top: 30px;"&gt;
      &lt;h2 style="border-bottom: 2px solid rgb(238, 238, 238); color: #2c3e50; font-size: 1.5rem; margin-bottom: 15px; padding-bottom: 5px;"&gt;Maruípe: O Caminho do Mosquito&lt;/h2&gt;
      &lt;p&gt;E Maruípe? Você mora lá, acha o nome poético, com uma sonoridade meio nativa, quase musical: Ma-ru-í-pe. Lindíssimo. Aí você vai traduzir do tupi-guarani e descobre que significa, literalmente, "Caminho das Moscas". Ou, mais precisamente, o ninho do maruim, aquele mosquito miúdo de mangue que não te deixa em paz. Ou seja, o sujeito saía para caminhar quinhentos anos atrás, levava 400 picadas no pescoço e pensava: "Pronto, batizei o bairro".&lt;/p&gt;
    &lt;/section&gt;

    &lt;section style="margin-top: 30px;"&gt;
      &lt;h2 style="border-bottom: 2px solid rgb(238, 238, 238); color: #2c3e50; font-size: 1.5rem; margin-bottom: 15px; padding-bottom: 5px;"&gt;Bonfim: Fé Baiana no Alto do Morro&lt;/h2&gt;
      &lt;p&gt;E tem o Bonfim. A origem do bairro está grudada na ocupação daquelas encostas e na história de uma antiga fazenda da região. O negócio começou há mais de 70 anos, com as primeiras famílias subindo o morro na unha, sem ver a cor de uma gota d'água encanada ou de uma lâmpada elétrica. Enquanto a infraestrutura decidia não dar as caras, a mulherada garantia a panela catando caranguejo no mangue. E o nome? Ah, foi sacada de um migrante arretado vindo lá da Bahia, que sugeriu homenagear o padroeiro da terra dele, o Nosso Senhor do Bonfim. Hoje, o Morro do Bonfim é um formigueiro humano com uma identidade pulsante: é o reduto sagrado do futebol amador, berço do funk que escancara a vida da periferia e lar do bloco carnavalesco "Eu quero ela".&lt;/p&gt;
    &lt;/section&gt;

    &lt;section style="margin-top: 30px;"&gt;
      &lt;h2 style="border-bottom: 2px solid rgb(238, 238, 238); color: #2c3e50; font-size: 1.5rem; margin-bottom: 15px; padding-bottom: 5px;"&gt;Inhanguetá e o Capeta de Chinelo&lt;/h2&gt;
      &lt;p&gt;E o que dizer de Inhanguetá? Em tupi, significa nada menos que "Pedra do Diabo". Dizem que a terra tinha umas marcas de pegadas e o povo logo achou que era o Demo passeando de chinelo. Criaram-se teorias fantásticas: de fazendeiro que vendeu a alma até briga de Santo Antônio contra o Capeta em pessoa. O capixaba não pode ver um rastro na pedra que já culpa o Tinhoso.&lt;/p&gt;
    &lt;/section&gt;

    &lt;section style="margin-top: 30px;"&gt;
      &lt;h2 style="border-bottom: 2px solid rgb(238, 238, 238); color: #2c3e50; font-size: 1.5rem; margin-bottom: 15px; padding-bottom: 5px;"&gt;Jucutuquara: A Vigilância das Corujas&lt;/h2&gt;
      &lt;p&gt;Aí temos Jucutuquara. "Jucutu" é coruja; "quara" é ninho. Ninho de corujas. Diz a lenda que as corujas ficavam lá na Pedra dos Dois Olhos, encarando a cidade com aquela cara de quem sabe do seu passado e não vai contar pra ninguém.&lt;/p&gt;
    &lt;/section&gt;

    &lt;section style="margin-top: 30px;"&gt;
      &lt;h2 style="border-bottom: 2px solid rgb(238, 238, 238); color: #2c3e50; font-size: 1.5rem; margin-bottom: 15px; padding-bottom: 5px;"&gt;Bento Ferreira: O Ferreiro de Ferro&lt;/h2&gt;
      &lt;p&gt;Por fim, o meu preferido: Bento Ferreira. Muita gente espalha por aí que o bairro ganhou esse nome por causa de um misterioso ferreiro inglês. Ora, francamente! O homem não tinha passaporte britânico nenhum. O tal Bento era um ferreiro de carne, osso e fuligem da antiga companhia Leopoldina Railway, que operava na região. O capixaba adotou o trabalhador com tanto carinho que transformou o ofício e o nome do homem em endereço oficial.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="background-color: #f9f9f9;"&gt;No fundo, batizar bairro é isso. É misturar o mosquito que te pica com o diabo que te tenta, passar por um ninho de coruja, subir o morro na bênção do Bonfim e terminar homenageando o ferreiro da linha do trem. Parabéns, Vitória. Pelos 475 anos e por continuar acendendo, nos olhos de quem chega de fora, o mesmo deslumbramento de menino.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="background-color: #f9f9f9;"&gt;Este texto tem informações de &lt;a href="https://www.agazeta.com.br/hz/cultura/cemiterio-lendas-e-animais-as-curiosidades-por-tras-dos-nomes-dos-bairros-de-vitoria-0926" target="_blank"&gt;Gazeta Online&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/section&gt;
  &lt;/div&gt;

&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj4XqLrJouzBGqfFsg4dugTe_UDpXx7GN-5i-lQSQeJKKcmlbvqognYLEqhwNfawWbJqXORZIG6RZkb9UVzOeVRlFmjtk2fV7a_MfT3TJ4sFnrFbEc0kgpP5cV4A1q0ElirYaFKg1ESaPTkZQwJ948eebH1VZO0_gLHGZ_ec8WWATAC_YcwY5qd/s72-c/1000360032.png" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>O Teatro dos Vampiros em Brasília: Bíblia, Banco e Togados</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2026/09/o-teatro-dos-vampiros-em-brasilia.html</link><category>Crônica</category><category>Política</category><category>STF</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Wed, 2 Sep 2026 14:05:20 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-3859868355165062343</guid><description>&lt;!-- Estilos Inline Otimizados para Core Web Vitals e Leitura no Blogger --&gt;
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  &lt;!-- Imagem Otimizada para LCP e CLS --&gt;
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  &lt;!-- Conteúdo da Crônica --&gt;
  &lt;p&gt;Na política brasileira, companheiro, quando alguém começa a chorar, pode ter certeza: ou perdeu o prazo da prestação de contas ou tem um áudio caindo no WhatsApp da redação.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Aliás, chorar na política é que nem choro de herdeiro em leitura de testamento: é tudo ensaiado, e o lenço costuma ser de grife.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Eis que faltam poucos dias para a eleição federal. O clima não está fervendo, está fedendo mesmo. Uma mistura de pastel frito na feira com áudio vazado do celular do banqueiro.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;A última da praça era o ministro André Mendonça subindo nas tamancas para cima do Alexandre de Moraes. O Xandão! Aquele mesmo que tem a cabeça tão lustrosa quanto implacável. Mendonça, com aquele ar de quem acabou de sair da escola dominical, apontava o dedo, falava em ética, moral, bons costumes e, quem sabe, um pouquinho de fogo do inferno. Parecia um duelo bíblico: Davi contra Golias, só que os dois vestindo capa preta de cetim e ganhando teto constitucional.&lt;/p&gt;

  &lt;p class="dialogue"&gt;O cidadão olhava a cena na TV e pensava: "Nossa, que rigor institucional! Que nobreza!"&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Aí chegou a quarta-feira. E com a quarta-feira veio o portal de notícias.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Vazaram as mensagens. Descobriu-se que o nosso terrivelmente evangélico Mendonça também não é exatamente um eremita do deserto que vive de mel silvestre e gafanhotos. Não, senhor. Ele também gostava de uma boa conversa de bastidor, de um cafezinho sem holofote e de um papo afinado com o Vorcaro — o banqueiro que virou o cupido corporativo mais famoso de Brasília.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Até ida pra alfaiataria com advogado pra fazer terno sob medida entrou na história! Quer dizer, o sujeito vai ajustar a bainha da calça e sai de lá ajustando as pautas do Supremo. É o único país do mundo onde você entra pra tirar a medida do colarinho e sai com uma reunião secreta marcada em prédio comercial na Alameda Santos.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;O Vorcaro virou o verdadeiro Papai Noel da praxe jurídica. Sentou no colinho do Xandão? Sentou. Sentou no colinho do Mendonça? Pelo visto, puxou uma cadeira confortável do lado, tomou cafezinho e ficou duas horas trancado no ar-condicionado! É colo que não acaba mais. Daqui a pouco o banqueiro abre uma creche institucional para ministros desamparados.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;O problema de Brasília é esse. Eles passam a semana se xingando em rede nacional, fazendo caras e bocas de indignação para o eleitorado, prometendo a salvação da lavoura. E no fim de semana? No fim de semana estão todos no mesmo buffet, trocando figurinha de WhatsApp e descobrindo que o alfaiate de um é o mesmo cara que faz o balanço do banco do outro.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Se a política estivesse só fervendo, a gente jogava uma água fria e fazia um chá. O problema é que ela fede. E não adianta acender vela, nem rezar de joelhos, nem usar o discurso da ilibada reputação. Porque quando o vento sopra a toga, o que a gente enxerga por baixo não é a Justiça vestida de cega: é só um bando de marmanjo brigando pra ver quem fica com a melhor cadeira no camarote.&lt;/p&gt;

  &lt;!-- Assinatura --&gt;
  &lt;div class="author-signature"&gt;
    Autor: Joel Rogerio
  &lt;/div&gt;

&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjK4ZxO713ZGR2c-H7cL47hDQ0Mir20BwS71HyFV5KhIRWrTgJm1SrHGnBfhEW6BQOwqhaNNGn2d4qB36k4YNSQfKE3e_kXG1KQ_J_E_ypj4_rS3zFZvGxTLXFuIly8bxF31DPoSn5pbRh00i1pPYuklVa0QoMoFVEcfDKntXEIhq-tmEsFpv6z/s72-c/teatrodos%20vampiros.jfif" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Era uma vez na Rússia</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2026/09/era-uma-vez-na-russia.html</link><category>conto</category><category>Crônica</category><category>romance</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Tue, 1 Sep 2026 10:32:02 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-2108100661656406127</guid><description>&lt;!--Estilos Inline Otimizados para Core Web Vitals e Leitura no Blogger--&gt;
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&lt;article class="post-container"&gt;
  
  &lt;!--Nota introdutória--&gt;
  &lt;div class="post-intro"&gt;
    &lt;p style="margin-bottom: 8px;"&gt;&lt;em&gt;Baseado em fatos reais (conforme &lt;a href="https://www.nine.com.au/world-news/couple-fall-in-love-at-suicide-spot-20100512-p5rx3q.html" rel="noopener noreferrer" target="_blank"&gt;nine.com.au&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
    &lt;p style="margin-bottom: 0px;"&gt;&lt;em&gt;"Há um vilarejo ali onde o vento acena a cada palmeira... E a gente parece que é mais feliz."&lt;/em&gt; (&lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Marisa+Monte&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=2108100661656406127" target="_blank"&gt;Marisa Monte&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;
  &lt;/div&gt;

  &lt;!--Imagem Otimizada para LCP e CLS--&gt;
  &lt;figure class="media-wrapper"&gt;
    &lt;img alt="Ilustração da história ambientada na Rússia" decoding="async" fetchpriority="high" height="768" loading="eager" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhCZvNAjXoRymjSzFmOAHuqdz6KZ4Za1qeffhVVITsj5FRKy4OGgVh0vxEHYkdnqE0uiLbaht7xq8WPbrkYgj1pCSZvss4mGdI2vk9YTzpx1m88iXDCvw6aKSEH_cpzTaxjveuBhI2t8LMNiedtoAjUsDfALkreH2vG1IqI6JLHwxuqUv-l9iTB/s1408/Era.uma.vez.na.russia.jfif" width="1408" /&gt;
  &lt;/figure&gt;

  &lt;!--Conteúdo do Texto--&gt;
  &lt;p&gt;O frio de maio na Rússia não é desses de agasalho leve e conversa fiada na calçada. É um frio que entra nos ossos, daqueles que deixam a paisagem cinzenta, murcha, sem ponta de sol nem pra esquentar o peito.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Em &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Ufa+Russia&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=2108100661656406127" target="_blank"&gt;Ufa&lt;/a&gt; — uma cidade de nome curto que fica ali no centro do mapa russo, onde o &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=rio+Belaya&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=2108100661656406127" target="_blank"&gt;rio Belaya&lt;/a&gt; corre preguiçoso —, a ponte é um daqueles lugares compridos de ferro e concreto. Lugares que foram feitos pra unir margens, mas que, às vezes, atraem quem só quer encontrar um fim.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;E lá ia o Andriej. Vinte e seis anos na certidão, mas carregando nas costas o peso de cem invernos. A noiva, o amor da vida dele, morrera na véspera do casamento. O terno novinho no cabide, os convites distribuídos, o bolo encomendado... e de repente o vazio. A vida, essa danada que às vezes puxa o tapete sem avisar, deixou o rapaz sem chão. O peito do Andriej virara uma terra estorricada, onde não nascia mais nem mato. Ele só queria pular. Deixar o corpo cair nas águas escuras do rio e parar de sentir aquela dor que moía a alma.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Ajustou o casaco, caminhou até o meio da ponte e encarou o abismo.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Foi quando os olhos dele cruzaram com outra solidão.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Segurando na grade, pronta para dar o passo sem volta, estava a Maria. Maria Petrova. Vinte e um aninhos de idade, um rosto de menina e uma dor de gente grande. A história dela cabia num drama antigo: ficou grávida e o mundo dos homens, com sua moral de fachada e coração de pedra, a botou para fora de casa. Sem pai, sem mãe, sem terno teto, carregando no ventre uma vida novinha que a intolerância dos adultos já queria condenar.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Andriej olhou pra ela. Ela olhou pra ele. Dois naufragados na mesma tempestade, a dois metros de distância do abismo.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Pela lógica do desespero, cada um cuidaria de sua tragédia. Mas o ser humano é uma coisa misteriosa e bonita quando se despede da lógica. O rapaz, que fora até ali para morrer, sentiu um estalo por dentro. "Algo em mim se quebrou", diria ele mais tarde. Como pode um coração despedaçado, em ruínas, encontrar forças pra salvar outro?&lt;/p&gt;

  &lt;p class="dialogue"&gt;— Espera... não faz isso — ele disse, com a voz embargada pelo vento da noite.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Ele não usou palavras eruditas, nem citou grandes filósofos. Ele só estendeu a mão. Segurou Maria antes que o corpo dela se entregasse à gravidade. Trouxe a menina pra cá do parapeto. Maria caiu nos braços dele soluçando. E o Andriej, o homem firme que ia dar fim à própria dor, desabou no choro junto com ela.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Ali, no meio da &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=ponte+Ufa&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=2108100661656406127" target="_blank"&gt;ponte fria de Ufa&lt;/a&gt;, sob um céu sem estrelas, dois desconhecidos choraram abraçados a noite inteira.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;A noite passou devagar, como passam os trens de ferro que cruzam a nossa &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Minas+Gerais+Brazil&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=2108100661656406127" target="_blank"&gt;Minas&lt;/a&gt; ou a nossa &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Colatina+Brazil&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=2108100661656406127" target="_blank"&gt;Colatina&lt;/a&gt;. Conversaram sobre tudo e sobre nada. Ele contou da noiva que partira; ela contou do bebê que nascia. Ele ouviu o medo dela; ela acolheu a saudade dele. E na medida em que as palavras saíam, o frio da ponte ia perdendo a força. Descobriram que a dor, quando é dividida entre dois, vira metade. E que a esperança, quando é compartilhada, multiplica.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Amanheceu. O sol da Rússia — esse mesmo sol que às vezes custa a dar as caras — veio despontando no horizonte. E eles continuavam ali, vivos, de mãos dadas.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Muitas vezes a gente anda pela vida achando que está sozinho no mundo. A gente olha pro nosso próprio umbigo, chora os nossos tropeços e esquece que na outra margem da ponte tem mais alguém querendo um abraço, um bom dia, uma palavra de afeto. O destino, que às vezes joga pesado, também sabe pregar suas peças de luz. Botou dois desenganados no mesmo pedaço de ferro pra mostrar que o amor não é apenas um encontro de alegrias: é também o resgate de duas almas na beira do abismo.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Andriej e Maria saíram daquela ponte juntos. Não para morrer, mas para recomeçar.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Eu, daqui da minha janela em Colatina, vendo o &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Rio+Doce+Brazil&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=2108100661656406127" target="_blank"&gt;Rio Doce&lt;/a&gt; passar calmo debaixo da &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=ponte+Florentino+%C3%81vidos&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=2108100661656406127" target="_blank"&gt;ponte Florentino Ávidos&lt;/a&gt;, fico pensando nessa gente que teima em renascer. E dá uma vontade boa de continuar vivendo.&lt;/p&gt;

  &lt;!--Trilha Sonora / Nota Final--&gt;
  &lt;div class="soundtrack-note"&gt;Autor: &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Joel+Rogerio&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=2108100661656406127" target="_blank"&gt;Joel Rogerio&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;

&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhCZvNAjXoRymjSzFmOAHuqdz6KZ4Za1qeffhVVITsj5FRKy4OGgVh0vxEHYkdnqE0uiLbaht7xq8WPbrkYgj1pCSZvss4mGdI2vk9YTzpx1m88iXDCvw6aKSEH_cpzTaxjveuBhI2t8LMNiedtoAjUsDfALkreH2vG1IqI6JLHwxuqUv-l9iTB/s72-c/Era.uma.vez.na.russia.jfif" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>A Sunga Branca do Senador</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2026/08/a-sunga-branca-do-senador.html</link><category>humor</category><category>Política</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Mon, 31 Aug 2026 14:16:12 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-1668172466361648088</guid><description>&lt;!-- Estilos Inline Otimizados para Core Web Vitals e Leitura no Blogger --&gt;
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  /* Estilo estilizado para diálogos e destaques da crônica */
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&lt;/style&gt;

&lt;article class="post-container"&gt;
  
  &lt;!-- Nota introdutória --&gt;
  &lt;div class="post-intro"&gt;
    &lt;em&gt;Crônica humorística inspirada na repercussão nas redes sociais após a publicação de imagem gerada por IA do senador Flávio Bolsonaro no universo do jogo GTA.&lt;/em&gt;
  &lt;/div&gt;

  &lt;!-- Imagem Otimizada para LCP e CLS --&gt;
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    &lt;img 
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      alt="Imagem gerada por IA no estilo GTA do senador de sunga" 
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  &lt;/figure&gt;

  &lt;!-- Conteúdo da Crônica --&gt;
  &lt;p&gt;Pense numa coisa.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Senado Federal. Um lugar suntuoso, cheio de engravatados com caras de poucos amigos, discutindo o futuro do país com aquele linguajar pomposo que ninguém entende. Aí você pensa que a grande preocupação de um senador da República seria uma lei complexa, a taxa de juros ou o orçamento secreto.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Pois sim.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Eis que surge no seu &lt;em&gt;feed&lt;/em&gt; o senador Flávio Bolsonaro. Mas não numa tribuna discursando. Não num debate acalorado. O sujeito resolveu postar uma foto dele mesmo. Só que não era uma foto qualquer. Era uma imagem criada por Inteligência Artificial. E o cenário? O universo do jogo &lt;em&gt;GTA VI&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Mas o detalhe que fez o Brasil parar — e rir gargalhadas de canto a canto — não foi a ambientação nos videogames. Foi o figurino. O homem resolveu aparecer de sunga. Uma sunga digital, tridimensional, esculpida pelo algoritmo.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Você para e pensa na cena. A Inteligência Artificial — a maior revolução tecnológica da humanidade desde a invenção da roda, a mesma tecnologia que promete curar doenças, prever terremotos e automatizar a economia global — sendo usada num sábado à tarde para botar a cabeça de um senador num corpo musculoso de sunga dentro de um jogo de videogame.&lt;/p&gt;

  &lt;p class="dialogue"&gt;O robô do computador, que passou anos treinando com bilhões de dados da história da humanidade, devia estar se perguntando: "Mas era pra isso mesmo que me criaram?".&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;A internet, claro, não perdoa. Em três minutos, o sujeito virou piada, meme, figurinha de WhatsApp e motivo de debate metafísico. Porque o brasileiro aceita quase tudo na política: aceita escândalo, aceita discurseira, aceita promessa não cumprida. Mas um político de sunga virtual caminhando pelo Pixel de Miami... aí já é demais para o estômago nacional.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;O que me impressiona nem é o político querer parecer o bonitão do videogame. É o uso que a gente dá para o futuro. A tecnologia avança a passos largos, a ciência se supera, e o ser humano continua o mesmo: querendo mostrar que tá em dia com a academia, nem que seja no Photoshop dos deuses eletrônicos.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Se isso não é o retrato perfeito da política moderna, meu amigo, eu realmente não sei mais o que é. Salve a Inteligência Artificial. E um brinde ao estilista virtual que desenhou a sunga.&lt;/p&gt;

  &lt;!-- Assinatura --&gt;
  &lt;div class="author-signature"&gt;
    Autor: Joel Rogerio
  &lt;/div&gt;

&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjE7ab8cFbX_uMaWmIB1YNmmVV1jPGtj1hetbZqCRz3epnHudDPdiztFPHnxnrQCVCRaUziUuyTgDx6rBe3makMZeuqk7sKCDHmWM31bF3mDUZtUG9h-lZ1_e66gYqqW2Kho2PM-j_LENvUaQ0V9-zBOup2H7m_tJnfbfCEGZGHHS3LxstAk9YS/s72-c/flavio-de-sunga.jfif" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><georss:featurename xmlns:georss="http://www.georss.org/georss">Colatina, ES, Brasil</georss:featurename><georss:point xmlns:georss="http://www.georss.org/georss">-19.5368995 -40.6307885</georss:point><georss:box xmlns:georss="http://www.georss.org/georss">-47.847133336178842 -75.7870385 8.7733343361788449 -5.4745385000000013</georss:box></item><item><title>Tereza Bicuda: a assombração que a gente respeita</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2026/08/tereza-bicuda-assombracao-que-gente.html</link><category>assombração</category><category>conto</category><category>Crônica</category><category>Goiás</category><category>Jaraguá</category><category>terror</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Mon, 31 Aug 2026 13:21:34 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-6491789695997680712</guid><description>&lt;!-- Estilos Inline Otimizados para Core Web Vitals e Leitura No Blogger --&gt;
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&lt;/style&gt;

&lt;article class="post-container"&gt;
  
  &lt;!-- Nota introdutória --&gt;
  &lt;div class="post-intro"&gt;
    &lt;em&gt;O que você vai ler a seguir não é inventado. É verídico! &lt;a href="https://www.google.com/search?q=tereza+bicuda+de+jaragu%C3%A1" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;Google — Tereza Bicuda de Jaraguá&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;
  &lt;/div&gt;

  &lt;!-- Imagem Otimizada para LCP e CLS --&gt;
  &lt;figure class="media-wrapper"&gt;
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  &lt;/figure&gt;

  &lt;!-- Conteúdo da Crônica --&gt;
  &lt;p&gt;Pense numa mulher braba. Pensou? Agora multiplica por dez. Essa era Tereza Bicuda.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;A história se passa lá em Jaraguá, Goiás, no século XIX. O apelido "Bicuda", dizem as más línguas da época, não era por causa do formato do nariz, não. Era por causa da boca mesmo, uma boca que vivia armada num bico permanente de puro mau humor, e de onde só saía palavrão do pesado — daqueles que fazem até santo em altar de igreja corar.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Tereza era o terror da vizinhança. Maltratava todo mundo, xingava até os cachorros da rua e tinha um prazer quase infantil em infernar a vida de quem cruzasse seu caminho. Mas o auge do desaforo — e aqui a coisa ganha contornos de tragédia goiana — foi o que ela fez com a própria mãe. A velhinha, já cansada de tanto apanhar e ouvir cobras e lagartos, resolveu dar um basta e rogou uma praga na filha. E praga de mãe, meu amigo, você sabe: não falha. Tem mais precisão que GPS.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Pois bem. A velha disse que, quando Tereza morresse, nem a terra devoraria o corpo dela.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Dito e feito. Tereza bateu as botas. O povo do vilarejo, respirando aliviado pelo fim do pesadelo, tratou de enterrar a criatura no cemitério local. Ajeitaram a terra, rezaram três Pai-Nossos pra garantir e foram pro bar comemorar.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;No dia seguinte, surpresa: o caixão estava do lado de fora da cova. A terra tinha simplesmente cuspido a criatura de volta. Tentaram enterrar de novo. Nada. A terra recusava. Tentaram pela terceira vez e a terra, indignada, devolveu a mulher.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;A solução? O padre da cidade, suando frio, mandou levar o corpo para o alto da Serra da Cava (ou Serra de Jaraguá) e largar por lá mesmo, longe dos olhos dos cristãos.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;E foi aí que a lenda virou patrimônio cultural do medo.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Dizem que, até hoje, quem se aventura pela serra noitinha adentro escuta uns barulhos estranhos. Não é vento. É a Tereza Bicuda, descalça, arrastando uma corrente pesada e soltando os piores palavrões do vocabulário oitocentista. E o pior: contam os antigos que ela aparece com a boca enorme, cheia de dentes afiados, doida para pegar um incauto.&lt;/p&gt;

  &lt;p class="dialogue"&gt;Aí você me pergunta: Joel, isso é verdade?&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;E eu te respondo: meu caro, se uma mãe roga uma praga, a terra se recusa a comer a pessoa e ela passa a eternidade xingando no alto da serra... quem sou eu para duvidar? Na dúvida, se você for a Jaraguá e ouvir alguém te xingando no meio do mato, não responda. Apenas corra.&lt;/p&gt;

  &lt;!-- Assinatura --&gt;
  &lt;div class="author-signature"&gt;
    Autor: Joel Rogerio
  &lt;/div&gt;

&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCUAcs6dadgzaP-_kTJu7L0MttlTd5SK8eO4hKw6wwR4z6tbRSnBGpetUyhimbEjxElQeoHCSX9W_nH-BvzHVYJm_Ljy-tnwbAP91BLWZnzef8Ptdy3O01TVAHiK4PlwHk9eWUlrPsFlGfyZZFofK0wdwN1PWGIVp8yXPb5kTy-WNOV51FFyZv/s72-c/Gemini_Generated_Image_bbuv2ybbuv2ybbuv.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>A ressaca dos deuses</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2026/08/a-ressaca-dos-deuses.html</link><category>arqueologia</category><category>conto</category><category>Crônica</category><category>estoria</category><category>história</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Mon, 31 Aug 2026 12:34:52 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-6383877254802083557</guid><description>&lt;style&gt;
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&lt;/style&gt;

&lt;article class="post-container"&gt;
  
  &lt;div class="post-intro"&gt;
    &lt;em&gt;A crônica a seguir é inspirada em caso real noticiado no site &lt;a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/sarcofago-romano-de-1700-anos-com-hercules-e-dionisio-e-descoberto.phtml" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;Aventuras na História&lt;/a&gt;.&lt;/em&gt;
  &lt;/div&gt;

  &lt;figure class="media-wrapper"&gt;
    &lt;img 
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      alt="Ilustração do sarcófago romano retratando Hércules bêbado" 
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  &lt;/figure&gt;

  &lt;p&gt;Pense numa coisa.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Sexta-feira. Quase seis da tarde. O expediente do arqueólogo já deu o que tinha que dar. O sujeito passou o dia inteiro no mormaço de Cesareia, em Israel, tirando areia com pincelzinho de maquiagem, limpando poeira de pedra, sonhando exclusivamente com duas coisas: um banho gelado e uma cerveja trincando no bar mais próximo.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Aí, faltando exatamente cinco minutos para bater o ponto e dar por encerrada a semana, o pincel bate numa ponta durinha. Pronto. Desgraça. Ninguém quer achar nada a cinco minutos do fim do expediente. Mas o sujeito insiste, varre mais um tiquinho de areia e... vem a surpresa. Não era uma pedra qualquer. Era o canto de um baita sarcófago romano de 1.700 anos.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Os caras suspiram, pegam a pá, começam a cavar aquele mármore milenar esperando encontrar o de praxe: uma cena solene, um imperador de cara fechada, uns anjinhos tristes, aquela pose de “fui importante e estou muito sério porque morri”.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Pois sim. Quando tiram a última camada de areia, quem surge esculpido no mármore?&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Hércules. O próprio. O homem dos Doze Trabalhos. O sujeito que matou o Leão de Nemeia, derrotou a Hidra de Lerna e limpou os estábulos de Augias sem nem sujar o sapato.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Só que tinha um detalhe. Hércules não estava lutando. Não estava de pé mostrando os bíceps. Hércules estava devidamente, rotundamente, acachapantemente... bêbado.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Mas bêbado no nível "trêmulo", largado em cima da pele de leão, com a taça de vinho na mão, olhando pro nada e sem a menor condição física ou moral de se manter em pé. Uma cena digna de fim de festa de casório no interior de São Paulo, por volta das quatro da manhã.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;A história por trás da piada esculpida na pedra? Segundo os peritos, o nosso herói resolveu inventar de apostar um campeonato de bebida contra Dionísio, o deus do vinho. Quer dizer: o cara achou mesmo que, só porque tinha doze trabalhos no currículo, ia aguentar o tranco contra o sujeito que inventou o porre. Deu no que deu. Perdeu feio, passou vergonha e o fracasso ainda virou obra de arte.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Aí você para e pensa na cabeça do finado romano que encomendou esse sarcófago há quase dois milênios. O sujeito viveu a vida, juntou seus tostões e disse para o escultor:&lt;/p&gt;

  &lt;p class="dialogue"&gt;— Olha, quando eu bater as botas, não quero nada dessa tristeza de sempre. Quero que esculpam na minha tumba o Hércules caindo de bêbado depois de tomar uma tura do deus do vinho. Quero que todo mundo que passar pelo meu túmulo dê uma risada.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;E o melhor de tudo: o recado atravessou dezessete séculos! O sujeito morreu, virou poeira, os impérios caíram, a tecnologia avançou... e lá no século XXI, uns arqueólogos suados e doidos para ir embora acham a piada de bar do cara.&lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;Se isso não é o verdadeiro sentido da imortalidade, meu amigo, eu não sei mais o que é. Salve o romano. E um brinde ao Hércules, que pelo menos tentou.&lt;/p&gt;

  &lt;div class="author-signature"&gt;
    Autor: Joel Rogerio
  &lt;/div&gt;

&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh4AltO4LEvnrkZQLFsEdWM_axYYDkfNUo0Vq7Ss1ZBsUOBWZzutX1poGKSz-ooD7mImNZqJq5yb7rMHb1s9fcoNG7PpMY1ywy2KevF7_Q32KcT2TNrbDwWu4-Sotq2o2_KiwcRTh76kfjBSXnA0Ax1ep_mOpOrh34QU8MXpZ92jI6SrShnMRFe/s72-c/Gemini_Generated_Image_4gwtqe4gwtqe4gwt.jfif" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><georss:featurename xmlns:georss="http://www.georss.org/georss">FF42+JQ Colatina, ES, Brasil</georss:featurename><georss:point xmlns:georss="http://www.georss.org/georss">-19.543483 -40.548031</georss:point><georss:box xmlns:georss="http://www.georss.org/georss">-20.060946487324127 -41.09734740625 -19.02601951267587 -39.99871459375</georss:box></item><item><title>Gentílico colatinense.</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2012/01/gentilico-colatinense.html</link><category>cidade</category><category>Colatina</category><category>Colatinense</category><category>crônica sobre colatina</category><category>crônicas</category><category>homenagem à Colatina</category><category>Rio Doce</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Mon, 31 May 2021 11:16:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-4870819949023854421</guid><description>&lt;style&gt;
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    &lt;img alt="Paisagem de Colatina e o Rio Doce" height="150" loading="lazy" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjYAjJfiQjEnRA31wa8O1oBvKid4VUSEhDfnuffxONM3-WRTbYQsx84E09mZu-NeiizR0QBW1WsewJCXHEcki-2kLmvOAAdppUWw8WGPbVumxewA2G0SvoxFQO6xEqqUaA_w1yt/s200/gentil%C3%ADtico+Colatinense.jpg" width="200" /&gt;
  &lt;/div&gt;

  &lt;p&gt;
    &lt;span class="highlight-red"&gt;Chegamos. Tarde quente. Janeiro. Mormaço.&lt;/span&gt;
    Os raios do impenitente sol reverberavam à pista da grande ponte esticada pelos oitocentos metros que unem os dois lados da cidade. Meu pai trouxe um sonho de dias melhores, partilhado com toda a família, e também o rádio, um dos seus poucos entretenimentos. Estávamos todos como crianças, embevecidos com o lugar e com a possibilidade de tomarmos Coca-Colas geladas todas as semanas.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Pelo lado norte - por onde chegamos - vim saber anos mais tarde, tivera o nome de &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Francilv%C3%A2nia+history+colony&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=4870819949023854421" target="_blank"&gt;Francilvânia&lt;/a&gt;. Fora comunidade liderada por tal senhor França, um engenheiro que demarcara a sua colônia entre a barra de dois rios, comunidade que não vingaria aos ataques dos Botocudos – índios que resistiram tenazmente à invasão ao seu habitat natural. 
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Mas a semente da cidade estava irremediavelmente plantada e os Botocudos logo seriam dizimados e reduzidos a relatos sobre índios perigosos e a gravuras, como as de &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Jean+Baptiste+Debret+artist+illustrations&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=4870819949023854421" target="_blank"&gt;Jean Baptiste Debret&lt;/a&gt;, que afirmavam a "condição miserável e cruel, e a insensibilidade dos indígenas para concorrer na melhoria da humanidade". Não importava mais o que se passou, Francilvânia semente, floresceu o bairro São Silvano – certamente que não sem muita luta de seu povo – para compor a parte norte da cidade.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Guardo tão bem comigo os detalhes mínimos da nossa chegada àquela cidade. O Rio Doce manso a um todo sol, a ponte &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Florentino+%C3%81vidos+bridge+Colatina&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=4870819949023854421" target="_blank"&gt;Florentino Ávidos&lt;/a&gt; dando passagem a apressados Opalas Comodoro, aos Dodges, às Brasílias, às Variants, aos Fuscas... As placas nos bares anunciavam Cola-Cola e &lt;a href="http://img479.imageshack.us/img479/5396/grapete15bb137pp3.jpg" rel="noopener" target="_blank"&gt;Graphete&lt;/a&gt;. 
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Das fotografias daquele dia, a mais perfeita na lembrança foi a do &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Cristo+statue+images&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=4870819949023854421" target="_blank"&gt;Cristo&lt;/a&gt;, de braços completamente abertos, posto em estátua branca, de corpo inteiro, com mais de trinta metros, cravado no cimo do morro do lado sul – era aquilo um prato cheio para alimentar a nossa esperança para com aquela cidade e com o novo ano de setenta e sete. Era certo que amanheceriam dias dourados.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    O tempo passou e até somos felizes... É lógico que a vida em qualquer lugar do mundo é com todo o chão à nossa volta, coberto ou não de areia, é uma arena que desprende grãos aos ventos revoltos, e se quisermos continuar a enxergar lirismos – e é bem certo – faz-se necessário muitas vezes fecharmos os olhos num raio de muitos metros para que não se cegue o coração. Só então os ombros sentem mais leve o fardo – até nos entardeceres.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Assim, daquele ano de setenta e sete em que meu pai ouvia em seu motorádio a canção &lt;em&gt;“&lt;a href="https://www.letras.mus.br/os-incriveis/47832/" rel="noopener" target="_blank"&gt;Marcas do Que Se Foi&lt;/a&gt;”&lt;/em&gt; - dali em diante aquela cidade de nome engraçado, que é a &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=princesa+do+norte+capixaba+meaning+Colatina&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=4870819949023854421" target="_blank"&gt;princesa do norte capixaba&lt;/a&gt;, fortificou-se demasiadamente em mim, e por mais que ande pelo mundo afora, conheça as capitais e seus faustos, e mesmo que nem goste tanto mais de Coca-Cola, quando chego pela &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=BR+259+highway+route&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=4870819949023854421" target="_blank"&gt;BR 259&lt;/a&gt;, ao avistar as águas do Rio Doce, tenho em mim a deleitosa sensação de não ser despovoado comigo, porque o meu encantamento é de primeiro grau por esse rio, por essa cidade, por essa gente, por essa vida.
  &lt;/p&gt;

  &lt;footer class="footer-meta"&gt;
    &lt;p&gt;Texto publicado originalmente em 2012/01.&lt;/p&gt;
    
    &lt;div class="music-link"&gt;
      &lt;span style="color: #cc0000; font-weight: bold;"&gt;♪&lt;/span&gt; 
      &lt;span style="color: #38761d; font-weight: bold;"&gt;Com vocês, meu amigo:&lt;/span&gt; 
      &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=e4linNEMQE0" rel="noopener" style="color: #6699cc; font-weight: bold; text-decoration: none;" target="_blank"&gt;Zé Geraldo - Rio Doce&lt;/a&gt;
    &lt;/div&gt;

    &lt;div class="video-wrapper"&gt;
      &lt;iframe allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen="" src="https://www.youtube.com/embed/e4linNEMQE0" title="Zé Geraldo - Rio Doce"&gt;&lt;/iframe&gt;
    &lt;/div&gt;
  &lt;/footer&gt;
&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjYAjJfiQjEnRA31wa8O1oBvKid4VUSEhDfnuffxONM3-WRTbYQsx84E09mZu-NeiizR0QBW1WsewJCXHEcki-2kLmvOAAdppUWw8WGPbVumxewA2G0SvoxFQO6xEqqUaA_w1yt/s72-c/gentil%C3%ADtico+Colatinense.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">10</thr:total></item><item><title>Vontade de ser bicho</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2012/03/vontade-de-ser-bicho.html</link><category>amizade</category><category>bichos</category><category>contos</category><category>cronicas</category><category>mensagem</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Fri, 30 Mar 2012 09:15:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-4666500252372528166</guid><description>&lt;style&gt;
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&lt;article class="cronica-container"&gt;
  
  &lt;div class="img-box"&gt;
    &lt;img alt="Gaivotas voando livremente pelo céu" height="127" loading="lazy" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgWZ4KtFMhjydKPZCUuZjwXFD3Yxg4F-JnGoXUCcm5NJZWpYedH_uAARTCLCf7n4Z6QthrJqdwn66TzI2YvV5PoRIJfCqM5j3Kxp60PIGiK7-9W_XYO83sZvyEFPis_jYjVTwpj/s200/gaivotas-1.jpg" width="200" /&gt;
  &lt;/div&gt;

  &lt;p class="intro-text"&gt;
    Gaivotas fazem é escorregar pelo céu. Gosto de ver. Liberdade elas lembram. Mergulham no nada e tem tudo. Nem o nome “gaivota” precisam. Dá vontade de ser pássaro.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Médico e louco só um cura o outro, e acho por isso só tenho um pouco de louco para me curar sozinho. Certa vez quis me curar sem asas de um mundo com peso de pequenos problemas, medido em contas vencidas, amores perdidos, um time de pernas de pau e de gente sangrando na cidade maravilhosa. 
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    A bula estava lá, esticado como uma segunda-feira, no sofá: o gato vivendo a sua felina vida sem contrariedades – desejei ser um. Ser um gato de verdade, daqueles que miam. Daqueles, como se diz por ai: têm sete vidas – porque gato de ser bonito, isso já sou! Ser gato de me ir por aí, noites sem muros, sem escuros, ronronando a atrair gatinhas, sabendo amar até de arranhões. 
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Ah, uma vida a bel-prazer, uma vida que se caísse em qualquer circunstância de queda, seria de pé, sem sentir a dor da falta de autoconfiança. Mas como tudo que passa, demovi-me da idéia de ser bichano. Considerei, e se me castrassem? Há gentes que são cruéis com os animais. Sabe como é, gato que não é inteiro só tem prazer em comer rato. Não quis ser gato mais... Vai que a minha dona é a Chica!
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Mas não sou louco e nem vou dizer por aí que estou feliz. É que quando a gente quer ser bicho a razão já não serve mais pra nada. Então eu não li nos jornais o que disse uma criança da favela do Alemão? “Sonho é ser um pássaro e voar da favela”. Nas palavras de W. de treze anos, bastava ter tido a sorte de nascer passarinho “para poder voar para bem longe da favela”. 
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Assim, ele se livraria da violência na Favela da Grota, no Complexo do Alemão, em Ramos. Os bichinhos, que são gente, estão desorientados, com medo. Muitos deles não querem ir para escola porque não conseguem se concentrar. “Ficam agressivos – feito bichos mesmo – deprimidos e acabam fazendo xixi e dormindo sem querer”. Bastava ser pássaro – uma gaivota – para deslizar no céu do Rio de Janeiro. E quem sabe ver a maravilhosa cidade que nunca se vê a não ser na televisão?
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Não me digam que é melhor encarar a vida de cara, tête-à-tête, sem farmácia e fantasia, porque não se trata de enfrentar a vida – é a morte que se encara – não é o coitadinho do bicho papão que se tem pela frente.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Não se pode ser gente em lugar que se mata até os sonhos das crianças. Porque ser gente não existe coisa melhor. Melhor do que ser bicho que voa de bem perto para bem longe, porque gente tem sonho.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Não há nada mais belo do que ser gente na melhor acepção da palavra: gente que não rouba do erário público, que não escandaliza no senado, que não emprega parente, que não falta com o respeito. Gente que não é brega e subdesenvolvida como aqueles que puxam saco dos poderosos, aqueles que não trabalham e recebem, que xingam no trânsito, gente que não está nem aí e maltrata bichos.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Eu por mim nunca vi nada mais belo do que gente simpática que pede desculpas no trânsito e gente que dá bom dia pro porteiro. Eu fico apaixonado e feliz uma semana inteira e até mais quando vejo gente assim de verdade.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Para os que ainda não são, abraço do amigo urso!
  &lt;/p&gt;

  &lt;hr style="border-bottom: 0px; border-image: initial; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 1px solid rgb(238, 238, 238); border: 0; margin: 30px 0px;" /&gt;

  &lt;div style="color: #990000; font-weight: bold;"&gt;
    ♪ Gosto de ouvir isso: &lt;span style="color: #3d85c6;"&gt;I'll Fly With You (Acustico)&lt;/span&gt;
  &lt;/div&gt;

  &lt;span class="musica-title"&gt;Sagi-Rei - I'll fly with you&lt;/span&gt;
  
  &lt;div class="video-container"&gt;
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  &lt;/div&gt;

&lt;/article&gt;


</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgWZ4KtFMhjydKPZCUuZjwXFD3Yxg4F-JnGoXUCcm5NJZWpYedH_uAARTCLCf7n4Z6QthrJqdwn66TzI2YvV5PoRIJfCqM5j3Kxp60PIGiK7-9W_XYO83sZvyEFPis_jYjVTwpj/s72-c/gaivotas-1.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">45</thr:total></item><item><title>Rifa-se um coração. (Quase uma crônica de amor)</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2012/02/rifa-se-um-coracao-quase-uma-cronica-de.html</link><category>amor</category><category>contos</category><category>Crônica</category><category>paixão</category><category>traição</category><category>verdades</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Wed, 1 Feb 2012 15:00:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-2021592424849219340</guid><description>&lt;br /&gt;
&lt;center&gt;
&lt;/center&gt;
&lt;center&gt;
&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;georgia&amp;quot;;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEguNUVBPwzmwu_8MUgBL7qmlSi3blbseVNk33Y36G0NCh-pB9aKzB6IfRqazBc2Udt0BZ6Tanw-YWMQqMJPSl1aepBOCnRDolxVyBf9Qh3TVqmlMCdIEjjm8HqX7y1Lci5_1xDu/s1600/rifa-se.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEguNUVBPwzmwu_8MUgBL7qmlSi3blbseVNk33Y36G0NCh-pB9aKzB6IfRqazBc2Udt0BZ6Tanw-YWMQqMJPSl1aepBOCnRDolxVyBf9Qh3TVqmlMCdIEjjm8HqX7y1Lci5_1xDu/s320/rifa-se.jpg" width="217" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;em style="color: #cc0000; font-family: georgia; font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;"Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será." ... (Carlos Drummond de Andrade)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;georgia&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: 100%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: Red Hat Display; font-size: large;"&gt;&lt;span style="text-align: left;"&gt;&lt;strong style="color: #333333;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;ntão eu seria rei.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;Desconfiei que tudo na minha vida mudaria quando a vi tão paciente, generosa, a colocar pellets no potinho do pequeno viveiro de &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;a href="http://focinhos.ig.com.br/especiais/periquito_intro.shtml" style="text-align: left;"&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;periquitos australianos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;, a debulhar um alface inteiro e servi-lo aos multicoloridos e festeiros passarinhos. Pensei junto de um suspiro “Ah, vou ser um periquito!”. Depois não, eu iria ser rei.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style="color: #666666; font-family: Red Hat Display; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: 700;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong style="text-align: left;"&gt;Foi Nice que me apresentou à Joana, às seis da tarde de uma quinta, semana depois dela com os periquitos. Até hoje, Deus do céu, não entendo bem porque eu, e ela também, acreditamos piamente que encaixávamos sem folga e sem aperto, um no coração do outro. Liguei pra Nice: “Nice do céu, você é um anjo. Nice, você é um anjo do céu”. Nice disse que eu era bobo. Eu respondi não Nice, agora sou um rei.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: 700;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="text-align: left;"&gt;Encontrava Joana todos os dias e era pouco. Saíamos às vezes – pra mim era chope e pra ela um suco. Contava sobre o meu dia e Joana falava até dos periquitos. Ela torcia pelo &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photo_zoom.gne?id=75726407&amp;amp;size=l" style="text-align: left;"&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Vasco&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt; e eu gostava disso. Eu ria de quase tudo, Joana de quase nada.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: 700;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;&lt;strong style="text-align: left;"&gt;Numa vez, Joana um pouco triste, pediu-me para olhar em seus olhos – olhos castanhos claros sobre um nariz delicado e boca gostosa – tive de jurar que ficaríamos sempre juntos. Jurei pra lá de três vezes. “Claro que sim filé, claro que sim meu dengo, claro que sim amor da minha vida – eu juro!”. Em contrapartida, propus um pacto a Joana: que nos disséssemos sempre a verdade um ao outro. “A verdade é sempre o melhor presente que podemos oferecer a quem a gente ama”. Ela, ao ouvir isso, riu quase que em segredo e disse que eu era um poeta sabichão. Achava tão bom Joana me achar um poeta sabichão!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: 700;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="text-align: left;"&gt;Os nossos assuntos passaram a não só dias passados, mas os futuros também. Ofereci-a um sonho meu, o de conhecer &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photo_zoom.gne?id=74726119&amp;amp;size=l" style="text-align: left;"&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Estocolmo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;. Ela achou que era um lugar muito frio, mas na minha companhia o sol brilharia todos os dias na Suécia. Joana, simploriamente, revelou-me que só desejava ir à praia. Há muito tempo não ia à praia. Assim eu gostava mais de Joana.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: 700;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;&lt;strong style="text-align: left;"&gt;Tudo era tão bom e eu rei que num sábado de muito quente, um mau pressentimento me esfriou por dentro. Fui à casa de Joana e ninguém estava. Liguei para o celular dela e só caixa postal. Cadê Joana? Joana minha amada, minha dor, cadê você linda?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;

&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: 700;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;
Chegou e passou a noite e Joana só era a caixa postal do celular. Lembrei-me de Nice, dela saberia o paradeiro de Joana. Nice disse incrível você não saber, Joana foi à praia. Foi com uma gente que ela disse ser os parentes. Nice percebeu que eu me afogara num mar de desapontamento, que meu moral estava abatido e estirado agonizante ao chão – metaforicamente dizendo – e, assim me disse um bocado de coisas legais, que me foram pílulas em forma de palavras e atenção que eu engolia numa talagada só.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: large; text-align: left;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Joana me ligou, exatamente um dia completo depois, com um argumento que nem numa eternidade poderei entender. “Não queria te chatear. Tinha de ir à praia com minha prima. Desliguei o celular pois se você dissesse que estaria chateado comigo, nem para o mar conseguiria olhar”. Talvez fosse mesmo verdade. Talvez ela não soubesse que só a queria ver feliz. Que se o caso fosse praia – para mim cem quilômetros era um passo. O que era cem quilômetros para quem quer ver o sol brilhando em &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.merretts.info/fullsize/sweden02/midnight_sun.jpg"&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Estocolmo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="text-align: left;"&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;? Talvez houvesse razão na simplicidade argumentativa de Joana, ou não. Não importava mais, eu só pensava como seria o beijo de Nice. Cristo do céu – aquele cheirinho bom – como seria beijar Nice? Esse era o meu único dilema e que o resto do mundo explodisse.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong style="color: #333333;"&gt;
&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;
&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot;; font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;♫ &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Música&lt;/span&gt;:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;arial&amp;quot;; font-size: large;"&gt;Musikk Feat. John Rock - Love Changes Everything&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;em&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="217" src="https://www.youtube.com/embed/2rNuQSshJa4?rel=0" width="250"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;center&gt;

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&lt;!--RETANGULO-RESPONSIVO--&gt;
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&lt;/center&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEguNUVBPwzmwu_8MUgBL7qmlSi3blbseVNk33Y36G0NCh-pB9aKzB6IfRqazBc2Udt0BZ6Tanw-YWMQqMJPSl1aepBOCnRDolxVyBf9Qh3TVqmlMCdIEjjm8HqX7y1Lci5_1xDu/s72-c/rifa-se.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">9</thr:total></item><item><title>Andando por sobre as águas.</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2012/01/andando-por-sobre-as-aguas.html</link><category>Abba</category><category>Carnaval</category><category>cinzas</category><category>contos</category><category>crônicas</category><category>Jesus Cristo</category><category>milagres</category><category>sobre as águas</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Tue, 31 Jan 2012 09:01:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-116316287677984230</guid><description>&lt;article style="max-width: 800px; margin: 0 auto; font-family: 'Verdana', sans-serif; color: #333; line-height: 1.8; padding: 20px; font-size: 1.2rem;"&gt;
  
  &lt;!-- Cabeçalho com Imagem e Citação --&gt;
  &lt;header style="margin-bottom: 30px; display: flow-root;"&gt;
    &lt;figure style="margin: 0 20px 15px 0; float: left; max-width: 250px;"&gt;
      &lt;img 
        src="https://photos1.blogger.com/blogger/6751/1863/200/walking%20on%20wather.jpg" 
        alt="Representação artística de Pedro caminhando sobre as águas" 
        loading="lazy" 
        width="250" 
        style="border-radius: 4px; box-shadow: 0 2px 8px rgba(0,0,0,0.1); width: 100%; height: auto;"
      &gt;
      &lt;figcaption style="font-size: 1rem; font-style: italic; color: #666; margin-top: 10px; line-height: 1.4;"&gt;
        Enquanto teve fé, Pedro andou por sobre as águas. (Mt 14: 28-30)
      &lt;/figcaption&gt;
    &lt;/figure&gt;
  &lt;/header&gt;

  &lt;!-- Conteúdo Principal --&gt;
  &lt;section style="text-align: justify;"&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;strong&gt;Quarta de cinzas.&lt;/strong&gt; Tudo aqui é agora um vazio de carnaval. A única sombra ou resquício de folia, se assim pode-se dizer, é o palanque, ainda cravado, próximo à praia, onde eram os shows, a espera do desmonte. Não mais estavam aqueles que até escambar o dia, bebiam, dançavam, gargalhavam, namoravam-se e até brigavam (os loucos).
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Minha cabeça não dói. Bebi, é claro que sim. Mas minha cabeça não dói. E essa estória que de bêbado não tem dono, não serve pra mim.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      A praia, agora de poucos, é lustrada por um sol impenitente, e bordada pela espuma que se derrete ao quebrar das ondas, que me faz lembrar do sonrisal que tomei ontem. Faz festa à vista. Prego uma mentira pro Mestre pra ele se entreter e assim parar de regurgitar essa estória de destruição do litoral, pela elevação das marés. 
    &lt;/p&gt;
    
    &lt;p&gt;
      Digo a ele que o Super Calangão não viera conosco, pois estava num relacionamento ”dirty” com uma ricaça, que o levou numa Hilux quatro por quatro, para &lt;strong&gt;Guarapari&lt;/strong&gt;. - ela é tão rica que nem toma água, só uísque treze anos – ele ri e nem questiona os treze anos. Sei que por boas frações de horas, ele ruminará esta estória fajuta. Fico em paz pra lembrar da pândega e das pessoas que deixam as brincadeiras ainda mais divertidas na folia, fazendo assim um “upgrade" no nosso emocional.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Observo o horizonte do mar, retilíneo. Um barco de pescadores surge na cena, quase sumido e cria um ângulo de felicidade. De súbito tenho vontade de caminhar até aquele longínquo barco. Caminhar por sobre as águas. Que doideira! Será o sonrisal? Sou apenas um comedor de feijão e às vezes de lentilha. O máximo que poderá ocorrer com uma tentativa é eu boiar, inchadão, dias depois. Milagres fazia a carteira do Meninão do &lt;strong&gt;Guaporé&lt;/strong&gt;. Carteirada neles, meninão!
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Não é original essa minha ideia de andar por sobre as águas, mas se imagine andando sobre um mar encapelado, ou mesmo sobre o &lt;strong&gt;Rio Doce&lt;/strong&gt;, com suas marolinhas!!! Será o sonrisal?
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      É, mas um camarada – conta-se e reconta-se – andou sobre um revolto mar da Galileia. Mas ele não era homem de verdade – era um Deus. Um certo Pedro quis fazer o mesmo, e até andou, mas quando lhe faltou a fé, começou a submergir feito pedra. Sorte dele que o Deus lhe estendeu a mão prontamente.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Certa feita, fiquei puto da vida com este Deus. Pedi-lhe um milagre. Queria que ele me estendesse a mão, afinal era o único Deus que tinha vez lá em casa. Pedi que aquele menininho de oito anos não morresse. Era um menino tão bom e inocente, me dava a maior moral e dançava “dancing queen”, comigo na sala. Eu queria mesmo ser um cãozinho que pudesse comer as migalhas do banquete que caíssem da mesa daquele Deus e dos seus. Mas afundei. Não tive o milagre. Faltou-me fé? Não sei.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Tenho ponderado as coisas. Tenho visto corpos nas pistas, tragédias dantescas. O que dizer da tsunâmi? Pobre Indonésia, paraíso das desgraças.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Se este Deus teve de morrer de maneira cruel e desumana, se esse Deus teve de comer o pão que o diabo amassou com o rabo, tenho que aprender a me conformar com as vicissitudes humanas. Talvez o Deus tenha morrido e ressuscitado pra isso: nunca perdermos a esperança.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Esta estória me deixa melhor. Por isso que me alegro até quando o destino me faz encaixar a orelha no bocal sem lâmpada, da banca de caipfrutas, quando tentei me esconder da chuva, levando um choque elétrico de ver estrelinhas ao redor.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Concluo que não preciso andar por sobre as águas (literalmente). Preciso correr nesta areia. É o que tenho agora e ademais a pança está saliente... 
      &lt;br&gt;
      &lt;span style="display: block; margin-top: 15px; font-weight: bold; font-size: 1.3rem;"&gt;Mas não consigo dançar sozinho na sala.&lt;/span&gt;
    &lt;/p&gt;
  &lt;/section&gt;

  &lt;!-- Rodapé do Artigo --&gt;
  &lt;footer style="margin-top: 40px; border-top: 1px solid #eee; padding-top: 20px; font-size: 1rem; color: #555;"&gt;
    &lt;p style="text-align: right; font-family: monospace;"&gt;Guriri - ES, Março/2006&lt;/p&gt;
    
    &lt;div style="margin-top: 30px;"&gt;
      &lt;p style="color: #3366ff; margin-bottom: 15px; font-weight: bold;"&gt;Ouvindo (sem dançar na sala): ABBA - Dancing Queen&lt;/p&gt;
      &lt;div style="position: relative; padding-bottom: 56.25%; height: 0; overflow: hidden; max-width: 100%; background: #000; border-radius: 8px;"&gt;
        &lt;iframe 
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          title="YouTube video player" 
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        &lt;/iframe&gt;
      &lt;/div&gt;
    &lt;/div&gt;
  &lt;/footer&gt;

&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://img.youtube.com/vi/xFrGuyw1V8s/default.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">7</thr:total></item><item><title>A minha mãe salva o planeta num domingo de sol.</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2012/01/a-minha-mae-salva-o-planeta-num-domingo.html</link><category>aquecimento global</category><category>contos</category><category>dia das mães</category><category>Família</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Sun, 29 Jan 2012 10:58:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-4377339740835162718</guid><description>&lt;article style="max-width: 800px; margin: 0 auto; font-family: 'Georgia', serif; color: #333; line-height: 1.8; padding: 20px; font-size: 1.2rem;"&gt;

  &lt;!-- Imagem e Citação --&gt;
  &lt;header style="margin-bottom: 30px; display: flow-root;"&gt;
    &lt;figure style="margin: 0 20px 15px 0; float: left; max-width: 250px;"&gt;
      &lt;img 
        src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgleo28wdRdc8dO6II3uPMEwEbkSXni_2adz2VXFFZSx7kb7EFVCar0v-2AFWIIFDzw5c-O3OFJ-ZV_-UU6T4DrbIOBimtD9_pIIzprkbuO-RM9xAq50Hrgv6Is2cd3fRn67bM1/s200/minha-mae-salva-o-planeta-num-domingo-de-sol.JPG" 
        alt="Foto de domingo ensolarado em família" 
        loading="lazy" 
        width="250" 
        style="border-radius: 4px; box-shadow: 0 2px 8px rgba(0,0,0,0.1); width: 100%; height: auto;"
      &gt;
    &lt;/figure&gt;
    &lt;blockquote style="font-style: italic; color: #555; border-left: 4px solid #cc0000; padding-left: 15px; margin: 0 0 20px 0; font-size: 1.1rem;"&gt;
      "A vida é mais simples do que a gente pensa; basta aceitar o impossível, dispensar o indispensável e suportar o intolerável." (Kathleen Norris)
    &lt;/blockquote&gt;
  &lt;/header&gt;

  &lt;!-- Conteúdo da Crônica --&gt;
  &lt;section style="text-align: justify;"&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;strong&gt;Estávamos todos de casa reunidos&lt;/strong&gt; num domingo produzido em luz de exuberante manhã. Era daqueles que pedia fotografia – retrato – como diz meu velho pai. O último que chegara fora o irmão mais velho. Calçava sandálias Goóc que o afetava a pisar sofisticado. Trouxera um disco de videoclipes de músicas oitentistas e também sorvetes para sobremesa. Quatro sabores em dois vistosos potes. 
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Chamei-o de “Mané”, por notar a falta do meu preferido. Ele respondeu que na Summer não vendiam sabor banana. Retruquei que banana era bom pra mãe dele, porque eu queria degustar baunilha. Nisso, uma voz vindo da cozinha instou-me: “Olha a boca, moleque!”. Aquela voz tinha os melhores sabores dos sorvetes e da vida, fazia sorvete de baunilha virar fichinha.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      A Luizinha também estava lá. Ela quase sempre estava lá. E eu sempre quero ver Luiza. E Luiza engatinhava pelos cantos e meios da casa a espreitar tudo que se movesse, a experimentar todas as cores que seus vivos olhos amendoados alcançavam. Luiza é tudo de bom e parecia nanar o sonho de ter em seus pequenos braços e mãos de bebê, o gato. Que gato que é, acusava o golpe e se esgueirava aqui e acolá, sempre assustado.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Meu irmão, já sem as sandálias nos pés, tirou cuidadosamente o disquinho de DVD de clipes dos anos oitenta da capa. Falei minha nossa, esse cara vai desenterrar a Cindy Lauper. Ele se esforçou para não rir. Fingiu muito mal não ser com ele. Deu play e então começou a tocar Build, uma canção do The Housemartins. Tive impressão que conhecia os caras daquela Banda. Ou muito me engano, mas aqueles “Lemão” eram lá de Marilândia – eles tinham um quê de Marilandenses. A música deles era um pop dos açucarados, mas era boa.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Perguntei a meu irmão se ele gravara algum videoclipe do Village People naquela mídia. Ele respondeu perguntando se eu tinha alguma fantasia de “levadinho” na cabeça. Disse que não. É que a música dos caras arrancava máscaras. Qualquer festinha que tocasse aquilo, neguinho tímido e branquinho e pardinho também, que no fundo no fundo eram uns sapequinhas, agitavam-se igual às minhocas em asfalto quente. Lá no meu trabalho, na festa do fim de ano, dois sisudos “macho mans” pareciam ter virado gelatinas. Ele, rindo muito descaradamente, encenou acertar-me um tabefe. Falou-me que se eu tomasse uns pileques também perderia a estribeira como os sujeitos. Redargüi que assim seria covardia. Meu irmão mais velho sabe das coisas e até o Ira! tocou pra gente naquele domingo: &lt;em&gt;"Como eu um sou girassol, você é meu sol..."&lt;/em&gt;
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Percebia-se na cozinha pelo alvoroço e pelo aroma recendido no ar que ultimavam o almoço dominical. Meu irmão mais moço – estava bem na cara – era o mais contente entre nós e embalava a pequena Lívia que o tornara aquele jovem pai há dez meses. Os outros também aquinhoados de contentamento revezavam-se pelos cômodos da casa a contar os seus grandes feitos de seus pequenos mundos. Veio então o "paizinho" até a sala e pediu que a Livinha mostrasse os dentões. “Mostra os dentões pros tios, mostra os dentões”. Então ela abria a boca em gesto de sorriso e se via um rosário de graciosos dentes recentes.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      O meu irmão mais moço se mudaria para São Mateus na semana que se seguiria. Laborava no petróleo. São Mateus tinha petróleo – o Brasil precisa do petróleo – era melhor morar por lá. Disse-lhe que a Livinha iria poder curtir bem a praia de Guriri. Ao dizer isso, ocorreu-me o apocalíptico relatório do Painel Intergovernamental de mudança Climática (IPCC), divulgado em Paris e estampado nos jornais daquele domingo: secas, tempestades, enchentes. Tudo causado pelo aquecimento Global. 
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Falei pra meu irmão que a praia estava condenada. Ele disse não, o mar só subiria meio metro e isso em décadas. A praia estaria garantida por bom tempo. Contei-lhe sobre as consequências nas correntes marinhas por menor que fosse o aumento do volume do mar em decorrência do degelo glacial. O clima iria virar uma zorra. Ele fitou a filha, e não suprimido do seu contentamento, imitou voz de criança “meu pai é o super-homem, tio, ele vai salvar o planeta!”.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Pena que sou muito cabeção para não esquentar.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Poderia ser esse domingo, esplêndido em luz, generoso em família, a senha do primeiro dia do resto de nossas vidas? O prelúdio das nossas aflições?” Não, não e não! Havia ali, bem pertinho de nós, alguém diferente de tudo estupidamente capitalista, como matar a pobre vaca para comer um único bife – que deteria o tal inexorável degelo no ártico e na Antártida. Sim, que faria evitar esburrar o Atlântico nesta parte dos trópicos. 
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Alguém que eu sabia se imolar para que nos sentíssemos bem. Então eu não já a vira comer aquelas pontas duras do pão para que ficasse para nós a macia parte do meio do pão? Então eu já não a ouvira dizer que gostava do pé da galinha – e era desculpa, ninguém gosta de pé de galinha – só para não dar na cara que queria mesmo era deixar as partes carnudas e suculentas do parco frango para comermos e ficarmos bem nutridos?
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Eu, um cara com barba na cara, pensei: não se preocupe não rapaz, abandone esse ar inquietante, a sua velha e maravilhosa mãe vai salvar o seu planeta! Ela é a &lt;strong&gt;Mulher Maravilha&lt;/strong&gt;!
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Então uma sensação – uma tranquilidade boa – voltava ao ar. Era certo viveríamos ainda por muitos dias com aquele gosto de contentamento, como aquele almoço saboroso, sendo bem felizes.
    &lt;/p&gt;
  &lt;/section&gt;

  &lt;!-- Rodapé com Música --&gt;
  &lt;footer style="margin-top: 40px; border-top: 1px solid #eee; padding-top: 20px;"&gt;
    &lt;div style="color: #990000; font-weight: bold; margin-bottom: 15px;"&gt;
      &lt;span style="font-size: 1.5rem;"&gt;♪&lt;/span&gt; Quarteto em Cy e Gilberto Gil: &lt;em&gt;Tempo Rei&lt;/em&gt;.
    &lt;/div&gt;
    
    &lt;div style="position: relative; padding-bottom: 56.25%; height: 0; overflow: hidden; max-width: 100%; background: #000; border-radius: 8px;"&gt;
      &lt;iframe 
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      &lt;/iframe&gt;
    &lt;/div&gt;
  &lt;/footer&gt;

&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgleo28wdRdc8dO6II3uPMEwEbkSXni_2adz2VXFFZSx7kb7EFVCar0v-2AFWIIFDzw5c-O3OFJ-ZV_-UU6T4DrbIOBimtD9_pIIzprkbuO-RM9xAq50Hrgv6Is2cd3fRn67bM1/s72-c/minha-mae-salva-o-planeta-num-domingo-de-sol.JPG" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">13</thr:total></item><item><title>Dois caras, um coração de cão.</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2007/12/dois-caras-um-corao-de-co.html</link><category>Abbas</category><category>conto jornal</category><category>cronicas</category><category>Ismail</category><category>nacional</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Fri, 27 Jan 2012 16:11:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-2182512701977113430</guid><description>&lt;article style="max-width: 800px; margin: 0 auto; font-family: 'Georgia', serif; color: #333; line-height: 1.8; padding: 20px; font-size: 1.2rem;"&gt;

  &lt;!-- Imagem Centralizada --&gt;
  &lt;header style="margin-bottom: 30px; text-align: center;"&gt;
    &lt;figure style="margin: 0 auto; max-width: 400px;"&gt;
      &lt;img 
        src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj6pR9mQ9MYsJY47aACqfg7msIeBGydaWBAvwe1nRnTp-HUcfR3CQTZIdDPpzrat63fC6OAnQkuDHF7WOJydiBpUILYcip1Ekz2xs-P0npCa-SH1v1z6XExVOcYEc-la9Zkhel3/s320/jornal+nacional+ismais+abbbas.jpg" 
        alt="Imagem relacionada ao Jornal Nacional e Ali Ismail Abbas" 
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      &gt;
    &lt;/figure&gt;
  &lt;/header&gt;

  &lt;!-- Conteúdo da Crônica --&gt;
  &lt;section style="text-align: justify;"&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;strong&gt;O cara pardo estava pregado no sofá, diante da tevê&lt;/strong&gt;. É quase sempre assim à hora do &lt;strong&gt;Jornal Nacional&lt;/strong&gt;.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Adentrei à sala numa noite boa e de estrelas e de sem calor. E ainda melhor: leve como pluma, sem o pejo da culpa de pecado da cultura judaico-cristã. É preciso, às vezes ser um grego antigo, ser um pagão, ser um cão!
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      O cabelo um pouco crescido e desgrenhado, fora do habitual, denunciava ainda mais suas cãs. Pensei em troçar dele. Iria dizer: Aí “véio”, está parecendo com uma raposa velha, hein?! Não está na hora de fazer uma bainha nesse coco não?! Segurei a “onda”. Venceu a reflexão. Eu não sabia se estava ali dentro daquele homem, um anjo de candura, como de costume ou o demônio do mau humor que boiava, volta e meia.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Também chafurdei-me no sofá. Havia o mundão de Colatina e adjacências a meu dispor, naquela noite tropical, mas quis ficar. Sabia que não havia nada apetecível no mundinho da televisão, principalmente, nas notícias do telejornal.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      O William Bonner com sua mecha prateada e a Fátima Bernardes com melenas caprichadas pela chapinha japonesa, para mim eram porta-vozes de um mundo cão: ocupação ocidental no &lt;strong&gt;Iraque&lt;/strong&gt;, homens bombas, mensalão, terremoto no &lt;strong&gt;Paquistão&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Vasco&lt;/strong&gt; despencando na tabela. E o velho todo olhos e ouvidos, sem se aborrecer.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Ali do meu lado estava anos da minha vida. Um carola cristão no papel e alma pagã no dia-a-dia. Assim como a ele, quase nada me afetava. Mas o casal da tevê narra o fato do menino iraquiano &lt;strong&gt;Ali Ismail Abbas&lt;/strong&gt; que havia amputado os braços. Estava no lugar errado (num alvo civil atingido por engano pela coalizão anglo-americana). 
    &lt;/p&gt;
    
    &lt;p&gt;
      Uma criança muçulmana que perdera, além dos braços, parte da família, incluindo pai e mãe, para nos sacanear, gesticulando com o seu coto de braço. &lt;strong&gt;Kriptonita&lt;/strong&gt;! Tentei olhar para meu pai. Ele não poderia me ver com olhos marejando. Deus me livre se ele me visse assim! Ainda bem que um sono súbito o acometeu. Ele se esticou no sofá, pôs uma almofada na cara e não mais viu o telejornal e nada mais. E eu: Para o alto e avante!
    &lt;/p&gt;
  &lt;/section&gt;

  &lt;!-- Rodapé com Música --&gt;
  &lt;footer style="margin-top: 40px; border-top: 1px solid #eee; padding-top: 20px;"&gt;
    &lt;div style="color: #cc0000; font-weight: bold; margin-bottom: 15px; font-style: italic;"&gt;
      &lt;span style="font-size: 1.5rem;"&gt;♪&lt;/span&gt; Debbie Gibson - Lost In Your Eyes
    &lt;/div&gt;
    
    &lt;div style="position: relative; padding-bottom: 56.25%; height: 0; overflow: hidden; max-width: 100%; background: #000; border-radius: 8px;"&gt;
      &lt;iframe 
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      &lt;/iframe&gt;
    &lt;/div&gt;
  &lt;/footer&gt;

&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj6pR9mQ9MYsJY47aACqfg7msIeBGydaWBAvwe1nRnTp-HUcfR3CQTZIdDPpzrat63fC6OAnQkuDHF7WOJydiBpUILYcip1Ekz2xs-P0npCa-SH1v1z6XExVOcYEc-la9Zkhel3/s72-c/jornal+nacional+ismais+abbbas.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><title>O helicóptero que caiu no meu quintal.</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2007/05/o-helicptero-que-caiu-no-meu-quintal.html</link><category>acidente aéreo</category><category>Colatina</category><category>contos</category><category>cronicas</category><category>Espírito Santo</category><category>frases</category><category>helicóptero</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Tue, 24 Jan 2012 02:19:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-7297167412822873291</guid><description>&lt;article style="color: #333333; font-family: Georgia, serif; font-size: 1.2rem; line-height: 1.8; margin: 0px auto; max-width: 800px; padding: 20px;"&gt;

  &lt;!--Cabeçalho com Imagem e Citação--&gt;
  &lt;header style="display: flow-root; margin-bottom: 30px;"&gt;
    &lt;figure style="float: left; margin: 0px 20px 15px 0px; max-width: 250px;"&gt;
      &lt;img alt="Helicóptero em voo" loading="lazy" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEivTPBLZC4xIm2zm8fiUt1N9_4e3DNtWksoXQPd3UJSCotteufRrGWwCUYgnELWLOPq4XsnmDFv2bpy6BFMZw-oR7gTEPI-x_DVz_5lYrzOe19gKR79fKDKw6eNQZ7EA5UMUmY-/s200/Helicopter.jpg" style="border-radius: 4px; box-shadow: rgba(0, 0, 0, 0.1) 0px 2px 8px; height: auto; width: 100%;" width="250" /&gt;
    &lt;/figure&gt;
    &lt;blockquote style="border-left: 4px solid rgb(204, 0, 0); color: #555555; font-size: 1.1rem; font-style: italic; margin: 0px 0px 20px; padding-left: 15px;"&gt;
      "Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre."
      &lt;footer style="font-size: 0.9rem; margin-top: 5px; text-align: right;"&gt;— Albert Einstein&lt;/footer&gt;
    &lt;/blockquote&gt;
  &lt;/header&gt;

  &lt;!--Conteúdo Principal--&gt;
  &lt;section style="text-align: justify;"&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;strong&gt;O helicóptero cortava o silêncio do vale&lt;/strong&gt; no contrário da correnteza do rio. Seguia rumo à cidade. Fazia noite alta, beirava a data nova no calendário. Incomum em tardias horas helicóptero cruzar o céu da cidade. Mesmo em horas claras, se passa um já dizem: é o governador. Mas na última hora do domingo não haveria demanda de governança para tirá-lo de &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=helic%C3%B3ptero+Vit%C3%B3ria+noite&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=7297167412822873291" target="_blank"&gt;Vitória&lt;/a&gt;. Mais provável seria um E.T. da Constelação do "Canis Major" pousar aqui do que &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Hartung+governor+helicopter&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=7297167412822873291" target="_blank"&gt;Hartung&lt;/a&gt; voar nessas horas. Talvez fosse resgate. Algum ricaço desafortunado de saúde seria levado à capital na propulsão daquelas céleres hélices.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Pousou no estádio. Que importava? Só debrucei na janela e em pensamentos para que chegasse sono, não aeronave. Sono que ignora a jornada da segunda. Meu irmão falou de chover à noite. Chuva espanta insônia. Previsão fajuta. O prazer de ver chuva molhar anuvia-lhe a razão, assim qualquer nuvenzinha cinzenta, que ele vê perdida no firmamento, pressagia: "Hoje, nem que de noite, vem toró".
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Privado de sono, de chuva, precisava privar de mim mesmo. No vazio de gente, busco nos sons que se propagam longínquos, uma música para existir de saudades, existir de amores, que me faça dormir e sonhar com tudo isso.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Dorme a cidade. Toda gente dorme. Dorme o mundo. O exílio da vigília não me afoga em oceano povoado de solidão. Na companhia da calada da noite me transformo naquele que tanto admiro e tanto gostaria de ser: Livre em mim mesmo. Não o bicho do mato que se zanga a perguntas cujas respostas estão à cara. Não o moço covarde ante a possibilidade de um diálogo autêntico, transparente, verdadeiro, de confiança, ao largo do distanciamento que encurta o caminho da solidariedade. 
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      O cara que sou de dia sabe que tantos esperam ou gostariam isso dele, mas é abatido por achar que vai dar a cara no muro. Pois em meio à clara insônia da noite, a vida substitui-se, dorme o sujeito egoísta da escuridão do dia, o que se atola no apelo do comércio e cujo profundo intento é resplandecer descolado num índigo &lt;em&gt;&lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Zoomp+fashion+party&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=7297167412822873291" target="_blank"&gt;Zoomp&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; na festa de sábado e esconder as persistentes olheiras em óculos de sol &lt;em&gt;&lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Clairmont+sunglasses&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=7297167412822873291" target="_blank"&gt;Clairmont&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Àquele que tanto admiro e gostaria de ser, no menor vestígio sonoro da noite fria: o remoto trem de ferro em itinerário melódico &lt;a data-preview="" href="https://www.google.com/search?ved=1t:260882&amp;amp;q=Vale+do+Rio+Doce+region&amp;amp;bbid=18931180&amp;amp;bpid=7297167412822873291" target="_blank"&gt;Vale do Rio Doce&lt;/a&gt; abaixo, apetece ser o maquinista a passar pontes, túneis, lugarejos a lançar o olhar não para o umbigo, mas para onde possa ter o desejo de bons sonhos a toda gente que dorme e não o faz sentir solitário.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Assim, o moço súdito da humanidade e rei em si mesmo sem se importar com isso, aplacado pelo sono que viceja, boceja, esmorece, esmaece e quando quase desfalece, um barulho adia o sono. Um ronco de motor em agonia assoladora, vem de três ou quatro quilômetros. Na madorna - não se sabe qual dos dois - quase certo que o tolo que se esconde de horizontes, diz: "quero mais é dormir, se for avião que caia longe do meu telhado e se puder, longe do meu quintal".
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Manhã, despertar em sacrifícios, café sem açúcar, &lt;em&gt;Clairmont&lt;/em&gt; na cara, ao quintal pegar o carro, vejo o Juninho da Sara. Esforço-me para cumprimentá-lo. Ele que é vizinho, companheiro de malhação - sempre festeiro - antes de falar olha-se no reflexo do vidro do carro, ajeita o penteado e me pergunta informando: "Você soube que caiu um helicóptero nessa madrugada, ali em &lt;a data-preview="" href="https://www.agazeta.com.br/es/gv/em-2007-acidente-com-helicoptero-da-pm-matou-seis-pessoas-no-es-0818" target="_blank"&gt;Barbados&lt;/a&gt;"? Falei pra ele "Você está de brincadeira, Calango Turbinado"! Pois caiu sim! E seis morreram. Veio buscar órgãos para transplantes - completou ele.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Tomei-me de constrangimento. Vontade de chorar, precisava prender o choro. O Juninho ali, colocava-me em ambiente nada privado. Às vezes tenho quase uma certeza a respeito do destino: ele é sempre um algoz que 'mais cedo ou menos cedo' nos detonará em tristeza. Sem controle algum, a gente vive como um barco à deriva, ao "Deus dará". Inevitavelmente naufragaremos na desgraça.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Seja de que maneira for, é preciso continuar a viver. A buscar a vida. Foi assim que os seis do helicóptero que caiu tão próximo da minha casa - sete quilômetros - morreram. Mesmo quando quase todos dormiam seus sonos, eles trabalhavam em prol da vida. Isso tudo me faz querer mais ainda ser igual àquele que admiro tanto.
    &lt;/p&gt;
  &lt;/section&gt;

  &lt;!--Rodapé e Memória--&gt;
  &lt;footer style="border-top: 1px solid rgb(238, 238, 238); color: #555555; font-size: 1rem; margin-top: 40px; padding-top: 20px;"&gt;
    &lt;p style="font-style: italic; margin-bottom: 20px;"&gt;
      &lt;strong&gt;Em memória de:&lt;/strong&gt; Álvaro Jorge Silva de Carvalho (capitão da PM), Eduardo Ponzo Peres (Piloto e investigador), Juliano Almeida do Valle (médico), Eugênio Ferraz (médico), Emanuel da Silva Vieira Júnior (médico), Marly de Almeida Marcelino (enfermeira) e ao Sr. João Schwartv Shumacher (doador).
    &lt;/p&gt;
    
    &lt;p style="color: #cc0000; font-weight: bold; margin-bottom: 20px;"&gt;
      &lt;span style="font-size: 1.3rem;"&gt;₪&lt;/span&gt; 
      &lt;a href="http://www.colatina.es.gov.br/noticias/noticias.php?area=gabin&amp;amp;materia=0407005" style="color: #cc0000; text-decoration: none;"&gt;Leia a reportagem sobre o acidente&lt;/a&gt;
    &lt;/p&gt;

    &lt;div style="background: rgb(0, 0, 0); border-radius: 8px; height: 0px; max-width: 100%; overflow: hidden; padding-bottom: 56.25%; position: relative;"&gt;
      &lt;iframe allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen="" src="https://www.youtube.com/embed/ek9LKDjgshU" style="border: 0; height: 100%; left: 0; position: absolute; top: 0; width: 100%;" title="YouTube video player"&gt;
      &lt;/iframe&gt;
    &lt;/div&gt;
  &lt;/footer&gt;

&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEivTPBLZC4xIm2zm8fiUt1N9_4e3DNtWksoXQPd3UJSCotteufRrGWwCUYgnELWLOPq4XsnmDFv2bpy6BFMZw-oR7gTEPI-x_DVz_5lYrzOe19gKR79fKDKw6eNQZ7EA5UMUmY-/s72-c/Helicopter.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">12</thr:total></item><item><title>A cruz branca da estrada.</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2012/01/a-cruz-branca-da-estrada.html</link><category>acidentes</category><category>contos</category><category>crônicas</category><category>mães</category><category>Rio Bananal</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Fri, 20 Jan 2012 23:05:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-115351816057652673</guid><description>&lt;article style="max-width: 800px; margin: 0 auto; font-family: 'Georgia', serif; color: #333; line-height: 1.8; padding: 20px; font-size: 1.2rem;"&gt;

  &lt;!-- Imagem e Citação Inicial --&gt;
  &lt;header style="margin-bottom: 30px; display: flow-root;"&gt;
    &lt;figure style="margin: 0 20px 15px 0; float: left; max-width: 320px;"&gt;
      &lt;img 
        src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjTuhlmsNYP0qdbhzhiHy6NynudlPGYFyqZVzrsJDjDhH0XJCAlmIIeF7GPQXJka-a0cvIUyT0eZ3aXVhu8FGolcmvXqXuRgQ2zuwfT0r4zaGkN0AsNI7Lf8XhcRlDx2WR-yYOW/s320/cruz-flor.jpg" 
        alt="Cruz com flores à beira da estrada" 
        loading="lazy" 
        style="border-radius: 4px; box-shadow: 0 2px 8px rgba(0,0,0,0.1); width: 100%; height: auto;"
      &gt;
    &lt;/figure&gt;
    &lt;blockquote style="font-style: italic; color: #555; border-left: 4px solid #cc0000; padding-left: 15px; margin: 0 0 20px 0; font-size: 1.1rem;"&gt;
      "Não precisa correr tanto; o que tiver de ser seu às mãos lhe há de ir."
      &lt;footer style="text-align: right; font-size: 0.9rem; margin-top: 5px;"&gt;— Machado de Assis&lt;/footer&gt;
    &lt;/blockquote&gt;
  &lt;/header&gt;

  &lt;!-- Conteúdo da Crônica --&gt;
  &lt;section style="text-align: justify;"&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;strong&gt;Já havíamos percorrido mais de légua.&lt;/strong&gt; Não poderia estar errado. O homem que, com a foice em punhos, limpava o pasto à beira do asfalto, havia dito com todas as letras da sua simplicidade, que a entrada para Panorama era a primeira após a reluzente cruz branca, postada à beira do asfalto, que é ladeado de eucaliptos. 
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Resolvemos parar e olhar toda aquela vastidão de grota. As taboas reverberavam à espetacular luz das dez horas, marcando verdejante o caminho do Córrego Bley. O pasto, em setembro, é seco. Eram morros e morros estorricados. O gado se ajuntava a pastar o resto de verde na baixada onde havia uma porteira. 
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Um casebre de aspecto secular, de estuque, telhado encardido, encravado entre uma portentosa jaqueira e uma vistosa touceira de bambus, dava pista de humanos, brotando uma rala fumaça branca da chaminé. Falei: “pai – vamos perguntar lá, se a gente está mesmo a caminho de Panorama”. “Ô de casa, ô de casa” – gritei. Saiu uma mulher com uma menina de uns quatro anos, grudada ao seu flanco esquerdo, segurada a um braço só. Meu velho deu bom dia. Eu disse olá. 
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Solícita, disse que estávamos no caminho certo. Deveríamos passar pela porteira e subir a ladeira. Panorama estava a uns vinte minutos de pé – falou a dona da casa. Meu pai é do tipo que não se satisfaz com pouca conversa, mesmo que não venha à circunstância. Indagou a Marizete – assim que ela se chamava – se ela conhecia o Bosco, lá de Panorama. Ela respondeu que conhecia quase ninguém. Tinha chegado com marido e cinco filhos ali, na última “panha” do café, e ficaram pra cuidar do gado.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      A “gastura” já me vinha. “Vamos embora, pai?”. Queria chegar logo no nosso destino. Pra mim, aquele carro empoeirado, aquela estrada de chão, aquela erma vastidão, era-me um mundo estrangeiro. Tomamos o rumo indicado, sem não antes ter que espantar uma vaca que, preguiçosamente, deixava sua obra em forma de um estrume mole, no rústico caminho.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Estava certo. A casa do Bosco era ornada por uma antena parabólica apontando para o morro onde se via um retalho de mata, salpicada de prateadas imbaúbas. Também era ladeada por um grande quintal de terra batida, que chamam de terreiro, com uma mangueira de altura descomunal. Ao barulho do motor do carro saiu uma mulher de meia idade. “É aqui que mora o Bosco?” – perguntou meu pai. “É, mas ele não está em casa não” – respondeu a mulher.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Meu pai puxou conversa, esticou conversa, desfiou uma lista de gente da qual ela sabia de todos e de alguns que até já haviam morrido. Aos mortos, sempre um espanto do meu velho: “Não me diga?”. A prosa produziu alegria. A mulher lembrou-se de tudo. Ela era filha do Altoé e se casara com o Bosco. Meu pai disse que o mundo era pequeno. Eu pensei: “Rio Bananal é pequeno”.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      A senhora Amélia convidou-nos para almoço. Agradecemos. Tínhamos pouco tempo. Tínhamos que passar na sede do município para resolver uma “papelada”. “Mas um café vocês vão tomar!” – instou a generosa senhora. Um queijo curado num prato, noutro um verde (ela disse que era verde, mas era muito branquinho) e uma broa que derretia na boca, junto aos goles de café de sabor bom, que meu paladar desconhecia.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      No meio da animada prosa, ouvi um pio de japira. De japira sabia que fazia um ninho de galhinhos e ciscos, numa forma de coador de café. Já fazia muitos anos que Romildo, um menino “encapetado” da minha escola primária, tomou um golpe de ponta de guarda-chuvas, por ter zombado do afro cabelo da menina Gilcéia. “Ninho de Japira, ninho de japira, ninho de japira!” E o guarda-chuvas pontudo fez brotar sangue do cangote do besta.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Pedi licença, queria ver a japira. Dona Amélia disse que a ave fizera o ninho na mangueira, ali no terreiro, que fosse lá que veria. Perscrutei galho a galho da alta árvore e, realmente, estava lá, muito mais bela que o cabelo do Romildo, que não era ninho de japira. 
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Retornando, estava a senhora mostrando o álbum de fotografias da família a meu pai. Uma bela filha, numa beca de formatura – “É a minha filha mais nova. Formou-se há dois anos e é chefe da enfermaria do hospital aqui do Bananal.” Noutra foto gente paramentada de casamento. Uma noiva divina. Era a filha mais velha, casada há cinco anos.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Guardou aquele álbum e retornou, um tanto triste, com duas fotos de um rapaz. Um rapaz de físico bem formado, talvez um metro e oitenta, por aí. Bochechas rosadas em derredor de um par de raros olhos azuis. Com a voz cinzelada de nítido sofrimento, disse-nos que aquele era o Renzo, seu filho caçula. Há dois meses, vindo de uma festa à noite, pilotando uma moto, perdera a vida. Lá no asfalto, ladeado de eucaliptos, um pouquinho antes de entrar na estrada para Panorama. Era o morto da cruz branca.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Desde então, as cruzes de beira de estrada me dizem muita coisa. Mas não fico triste. Elas me dizem: "não corra Joel, não morra Joel". E soa como conselho de mãe.
    &lt;/p&gt;
  &lt;/section&gt;

  &lt;!-- Rodapé Musical --&gt;
  &lt;footer style="margin-top: 40px; border-top: 1px solid #eee; padding-top: 20px;"&gt;
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      &lt;span style="font-size: 1.5rem;"&gt;♫&lt;/span&gt; American Pie - Madonna (Don McLean)
    &lt;/div&gt;
    
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    &lt;p style="font-size: 0.9rem; color: #777; margin-top: 15px; text-align: right;"&gt;
      20 de setembro de 2007
    &lt;/p&gt;
  &lt;/footer&gt;

&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjTuhlmsNYP0qdbhzhiHy6NynudlPGYFyqZVzrsJDjDhH0XJCAlmIIeF7GPQXJka-a0cvIUyT0eZ3aXVhu8FGolcmvXqXuRgQ2zuwfT0r4zaGkN0AsNI7Lf8XhcRlDx2WR-yYOW/s72-c/cruz-flor.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">12</thr:total><enclosure length="176770" type="application/x-shockwave-flash" url="https://storage.mais.uol.com.br/embed_v2.swf?mediaId=225667"/><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle>"Não precisa correr tanto; o que tiver de ser seu às mãos lhe há de ir." — Machado de Assis Já havíamos percorrido mais de légua. Não poderia estar errado. O homem que, com a foice em punhos, limpava o pasto à beira do asfalto, havia dito com todas as letras da sua simplicidade, que a entrada para Panorama era a primeira após a reluzente cruz branca, postada à beira do asfalto, que é ladeado de eucaliptos. Resolvemos parar e olhar toda aquela vastidão de grota. As taboas reverberavam à espetacular luz das dez horas, marcando verdejante o caminho do Córrego Bley. O pasto, em setembro, é seco. Eram morros e morros estorricados. O gado se ajuntava a pastar o resto de verde na baixada onde havia uma porteira. Um casebre de aspecto secular, de estuque, telhado encardido, encravado entre uma portentosa jaqueira e uma vistosa touceira de bambus, dava pista de humanos, brotando uma rala fumaça branca da chaminé. Falei: “pai – vamos perguntar lá, se a gente está mesmo a caminho de Panorama”. “Ô de casa, ô de casa” – gritei. Saiu uma mulher com uma menina de uns quatro anos, grudada ao seu flanco esquerdo, segurada a um braço só. Meu velho deu bom dia. Eu disse olá. Solícita, disse que estávamos no caminho certo. Deveríamos passar pela porteira e subir a ladeira. Panorama estava a uns vinte minutos de pé – falou a dona da casa. Meu pai é do tipo que não se satisfaz com pouca conversa, mesmo que não venha à circunstância. Indagou a Marizete – assim que ela se chamava – se ela conhecia o Bosco, lá de Panorama. Ela respondeu que conhecia quase ninguém. Tinha chegado com marido e cinco filhos ali, na última “panha” do café, e ficaram pra cuidar do gado. A “gastura” já me vinha. “Vamos embora, pai?”. Queria chegar logo no nosso destino. Pra mim, aquele carro empoeirado, aquela estrada de chão, aquela erma vastidão, era-me um mundo estrangeiro. Tomamos o rumo indicado, sem não antes ter que espantar uma vaca que, preguiçosamente, deixava sua obra em forma de um estrume mole, no rústico caminho. Estava certo. A casa do Bosco era ornada por uma antena parabólica apontando para o morro onde se via um retalho de mata, salpicada de prateadas imbaúbas. Também era ladeada por um grande quintal de terra batida, que chamam de terreiro, com uma mangueira de altura descomunal. Ao barulho do motor do carro saiu uma mulher de meia idade. “É aqui que mora o Bosco?” – perguntou meu pai. “É, mas ele não está em casa não” – respondeu a mulher. Meu pai puxou conversa, esticou conversa, desfiou uma lista de gente da qual ela sabia de todos e de alguns que até já haviam morrido. Aos mortos, sempre um espanto do meu velho: “Não me diga?”. A prosa produziu alegria. A mulher lembrou-se de tudo. Ela era filha do Altoé e se casara com o Bosco. Meu pai disse que o mundo era pequeno. Eu pensei: “Rio Bananal é pequeno”. A senhora Amélia convidou-nos para almoço. Agradecemos. Tínhamos pouco tempo. Tínhamos que passar na sede do município para resolver uma “papelada”. “Mas um café vocês vão tomar!” – instou a generosa senhora. Um queijo curado num prato, noutro um verde (ela disse que era verde, mas era muito branquinho) e uma broa que derretia na boca, junto aos goles de café de sabor bom, que meu paladar desconhecia. No meio da animada prosa, ouvi um pio de japira. De japira sabia que fazia um ninho de galhinhos e ciscos, numa forma de coador de café. Já fazia muitos anos que Romildo, um menino “encapetado” da minha escola primária, tomou um golpe de ponta de guarda-chuvas, por ter zombado do afro cabelo da menina Gilcéia. “Ninho de Japira, ninho de japira, ninho de japira!” E o guarda-chuvas pontudo fez brotar sangue do cangote do besta. Pedi licença, queria ver a japira. Dona Amélia disse que a ave fizera o ninho na mangueira, ali no terreiro, que fosse lá que veria. Perscrutei galho a galho da alta árvore e, realmente, estava lá, muito mais bela que o cabelo do Romildo, que não era ninho de japira. Retornando, estava a senhora mostrando o álbum de fotografias da família a meu pai. Uma bela filha, numa beca de formatura – “É a minha filha mais nova. Formou-se há dois anos e é chefe da enfermaria do hospital aqui do Bananal.” Noutra foto gente paramentada de casamento. Uma noiva divina. Era a filha mais velha, casada há cinco anos. Guardou aquele álbum e retornou, um tanto triste, com duas fotos de um rapaz. Um rapaz de físico bem formado, talvez um metro e oitenta, por aí. Bochechas rosadas em derredor de um par de raros olhos azuis. Com a voz cinzelada de nítido sofrimento, disse-nos que aquele era o Renzo, seu filho caçula. Há dois meses, vindo de uma festa à noite, pilotando uma moto, perdera a vida. Lá no asfalto, ladeado de eucaliptos, um pouquinho antes de entrar na estrada para Panorama. Era o morto da cruz branca. Desde então, as cruzes de beira de estrada me dizem muita coisa. Mas não fico triste. Elas me dizem: "não corra Joel, não morra Joel". E soa como conselho de mãe. ♫ American Pie - Madonna (Don McLean) 20 de setembro de 2007</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (JOEL)</itunes:author><itunes:summary>"Não precisa correr tanto; o que tiver de ser seu às mãos lhe há de ir." — Machado de Assis Já havíamos percorrido mais de légua. Não poderia estar errado. O homem que, com a foice em punhos, limpava o pasto à beira do asfalto, havia dito com todas as letras da sua simplicidade, que a entrada para Panorama era a primeira após a reluzente cruz branca, postada à beira do asfalto, que é ladeado de eucaliptos. Resolvemos parar e olhar toda aquela vastidão de grota. As taboas reverberavam à espetacular luz das dez horas, marcando verdejante o caminho do Córrego Bley. O pasto, em setembro, é seco. Eram morros e morros estorricados. O gado se ajuntava a pastar o resto de verde na baixada onde havia uma porteira. Um casebre de aspecto secular, de estuque, telhado encardido, encravado entre uma portentosa jaqueira e uma vistosa touceira de bambus, dava pista de humanos, brotando uma rala fumaça branca da chaminé. Falei: “pai – vamos perguntar lá, se a gente está mesmo a caminho de Panorama”. “Ô de casa, ô de casa” – gritei. Saiu uma mulher com uma menina de uns quatro anos, grudada ao seu flanco esquerdo, segurada a um braço só. Meu velho deu bom dia. Eu disse olá. Solícita, disse que estávamos no caminho certo. Deveríamos passar pela porteira e subir a ladeira. Panorama estava a uns vinte minutos de pé – falou a dona da casa. Meu pai é do tipo que não se satisfaz com pouca conversa, mesmo que não venha à circunstância. Indagou a Marizete – assim que ela se chamava – se ela conhecia o Bosco, lá de Panorama. Ela respondeu que conhecia quase ninguém. Tinha chegado com marido e cinco filhos ali, na última “panha” do café, e ficaram pra cuidar do gado. A “gastura” já me vinha. “Vamos embora, pai?”. Queria chegar logo no nosso destino. Pra mim, aquele carro empoeirado, aquela estrada de chão, aquela erma vastidão, era-me um mundo estrangeiro. Tomamos o rumo indicado, sem não antes ter que espantar uma vaca que, preguiçosamente, deixava sua obra em forma de um estrume mole, no rústico caminho. Estava certo. A casa do Bosco era ornada por uma antena parabólica apontando para o morro onde se via um retalho de mata, salpicada de prateadas imbaúbas. Também era ladeada por um grande quintal de terra batida, que chamam de terreiro, com uma mangueira de altura descomunal. Ao barulho do motor do carro saiu uma mulher de meia idade. “É aqui que mora o Bosco?” – perguntou meu pai. “É, mas ele não está em casa não” – respondeu a mulher. Meu pai puxou conversa, esticou conversa, desfiou uma lista de gente da qual ela sabia de todos e de alguns que até já haviam morrido. Aos mortos, sempre um espanto do meu velho: “Não me diga?”. A prosa produziu alegria. A mulher lembrou-se de tudo. Ela era filha do Altoé e se casara com o Bosco. Meu pai disse que o mundo era pequeno. Eu pensei: “Rio Bananal é pequeno”. A senhora Amélia convidou-nos para almoço. Agradecemos. Tínhamos pouco tempo. Tínhamos que passar na sede do município para resolver uma “papelada”. “Mas um café vocês vão tomar!” – instou a generosa senhora. Um queijo curado num prato, noutro um verde (ela disse que era verde, mas era muito branquinho) e uma broa que derretia na boca, junto aos goles de café de sabor bom, que meu paladar desconhecia. No meio da animada prosa, ouvi um pio de japira. De japira sabia que fazia um ninho de galhinhos e ciscos, numa forma de coador de café. Já fazia muitos anos que Romildo, um menino “encapetado” da minha escola primária, tomou um golpe de ponta de guarda-chuvas, por ter zombado do afro cabelo da menina Gilcéia. “Ninho de Japira, ninho de japira, ninho de japira!” E o guarda-chuvas pontudo fez brotar sangue do cangote do besta. Pedi licença, queria ver a japira. Dona Amélia disse que a ave fizera o ninho na mangueira, ali no terreiro, que fosse lá que veria. Perscrutei galho a galho da alta árvore e, realmente, estava lá, muito mais bela que o cabelo do Romildo, que não era ninho de japira. Retornando, estava a senhora mostrando o álbum de fotografias da família a meu pai. Uma bela filha, numa beca de formatura – “É a minha filha mais nova. Formou-se há dois anos e é chefe da enfermaria do hospital aqui do Bananal.” Noutra foto gente paramentada de casamento. Uma noiva divina. Era a filha mais velha, casada há cinco anos. Guardou aquele álbum e retornou, um tanto triste, com duas fotos de um rapaz. Um rapaz de físico bem formado, talvez um metro e oitenta, por aí. Bochechas rosadas em derredor de um par de raros olhos azuis. Com a voz cinzelada de nítido sofrimento, disse-nos que aquele era o Renzo, seu filho caçula. Há dois meses, vindo de uma festa à noite, pilotando uma moto, perdera a vida. Lá no asfalto, ladeado de eucaliptos, um pouquinho antes de entrar na estrada para Panorama. Era o morto da cruz branca. Desde então, as cruzes de beira de estrada me dizem muita coisa. Mas não fico triste. Elas me dizem: "não corra Joel, não morra Joel". E soa como conselho de mãe. ♫ American Pie - Madonna (Don McLean) 20 de setembro de 2007</itunes:summary><itunes:keywords>acidentes, contos, crônicas, mães, Rio Bananal</itunes:keywords></item><item><title>Um ano inglês em revista</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2008/03/um-ano-ingls-em-revista.html</link><category>1966</category><category>futebol</category><category>Inglaterra</category><category>passado</category><category>revista cruzeiro</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Mon, 16 Jan 2012 22:20:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-4975633868940095869</guid><description>&lt;article style="max-width: 800px; margin: 0 auto; font-family: 'Georgia', serif; color: #333; line-height: 1.8; padding: 20px; font-size: 1.2rem;"&gt;

  &lt;!-- Imagem de Destaque --&gt;
  &lt;header style="margin-bottom: 30px; text-align: center;"&gt;
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        alt="Copa de 1966" 
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      &gt;
    &lt;/a&gt;
    &lt;blockquote style="font-style: italic; color: #555; border-left: 4px solid #660000; padding-left: 15px; margin: 20px 0; text-align: left; font-size: 1.1rem;"&gt;
      "Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo..." 
      &lt;footer style="font-size: 0.9rem; margin-top: 5px;"&gt;— Carlos Drummond de Andrade&lt;/footer&gt;
    &lt;/blockquote&gt;
  &lt;/header&gt;

  &lt;!-- Conteúdo Principal --&gt;
  &lt;section style="text-align: justify;"&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;span style="color: #660000; font-weight: bold;"&gt;Viveríamos muito mais ainda.&lt;/span&gt; Nasceríamos muitos ainda. Não, não seria nesse ano de nosso senhor Jesus Cristo que nosso planetinha azul sucumbiria à verve catastrófica dos profetas travestidos de astrônomos. O asteróide Ícaro passaria ao largo da Terra sem mover um grão de areia da nossa insignificante moradia sideral. Viveríamos mais para sonhar com a conquista da lua, tão misteriosa, tão imaculada de humanos. 
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Continuaríamos ilesos, avante na nossa ventura de futebol, política, amores, horrores e outras patacoadas. Não haveria perigos iminentes. As informações que temos é que este Ícaro não é mesmo de nada. Mesmo que viesse em direção à terra, não nos faria mal algum, a não ser que caísse certinho nas nossas cabeças duras. Não havia motivos de preocupação, estaríamos ilesos para promovermos as nossas guerras e incharmos os nossos egos com exercício da nossa moral decadente.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      O alívio de âmbito mundial não tem o mesmo tamanho para nós brasileiros. Não estamos mais no topo do mundo. O nosso sonho acabou em ano inglês. O Tri está perdido. O sonho do terceiro campeonato mundial escapou diante da nossa presunção - também pudera, depois de duas conquistas consecutivas, era impossível controlar o otimismo. O otimismo deixou os nossos dirigentes do futebol imprudentes a ponto de afastarem da chefia da delegação o Paulo Machado de Carvalho, que havia enquadrado o nosso escrete para as consecutivas vitórias de 58 e 62. O "Marechal da Vitória" sabia muito bem que no futebol destes tempos não havia mais espaço para amadorismos. Perdemos. A seleção canarinho não era mais como na nossa crença, imbatível. Sucumbimos diante de Euzébio e do resto da turma do Oto Glória.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Não andem em 1966 a procurar alegria na cara no pré-carnaval do Rio de Janeiro. A tristeza é bem maior que a de Pierrô. Fortes chuvas castigam a cidade causando enormes danos à população – petição de miséria - O Rio agora tem chuvas de trevas. Os becos e avenidas estão cheios de lamas e esperanças perdidas. Cogita-se de não se fazer o carnaval este ano. A força das tempestades chegou a destruir os barracões e quadras de várias Escolas. 
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      A calamidade arrancou o ânimo de se brincar o carnaval. Mas como neste país o carnaval sempre venceu, ninguém jurou se matar. O carnaval deve suavizar a dor e o samba do jovem compositor Paulo César Faria, conhecido pelos amigos como Paulinho da Viola ecoou "Era no tempo dos Reis" na avenida. Era o décimo-oitavo título da Portela. Quem disse que não teria samba? No Brasil surge também nas cinzas.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Nesse tempo a candidatura de Costa e Silva marcha inabalável ante ao espocar das bombas e da crescente perplexidade dos espectadores. Para o candidato da ARENA, ao Brasil do momento só cabe um processo político: aquele que ele chama de revolução – que pune com cassações os oposicionistas do regime com a fleuma de quem é dono da verdade. O marechal de sangue alemão só vê o bem nisso tudo. A vida não está em flor. Vai ao longe a química da ternura.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Na distante Inglaterra é dia de grande jogo de futebol. O estádio de Wembley está completamente tomado. A rainha Elizabeth II, toda soberana e inglesa chegou no exato momento em que se deu o início do &lt;em&gt;“kickoff”&lt;/em&gt;. Era a final da VIII Copa do Mundo. A imprensa inglesa forjara um clima emocional nada desportivo para aquela decisão do esporte bretão. Todos os detalhes para fazer do “English team” vencedor não foram menosprezados. Filmes da última grande guerra foram exibidos pela televisão - Alemanha contra o mundo. O escrete de Beckenbauer passou a ser visto como uma divisão do exército nazista.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Foi aquele sábado inglês o tempo em que a soberana britânica e seus súditos suportaram mal e disfarçadamente a angústia. Foi memorável aquele dia em que se passaram os noventa minutos regulares numa igualdade de dois tentos no placar e os trinta da prorrogação com dois gols discutíveis: no primeiro, um chute de Hurst, a bola bate no travessão e é rebatida de cabeça pelo zagueiro alemão - foi gol no grito, a bola não ultrapassou a linha. 
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Os jornalistas bem postados próximos ao lance não botavam a mão no fogo em favor dos ingleses – não houve opinião fora do campo que concordasse com o árbitro soviético Tofik Bakhramov. No segundo, tecnicamente, não deveria ser considerado, é que a gurizada e adultos também, ludibriando o policiamento, invadiram o campo no momento em que o quarto gol fora assinalado. Pois passados os cento e vinte minutos, os ingleses tornaram-se os soberanos no mundo da bola e a rainha voltou a sorrir ao entregar a taça Jules Rimet a Bobby Moore, o capitão do &lt;em&gt;english team&lt;/em&gt;. Bob também volta a sorrir ao erguer a taça na celebração do maior sonho inglês – a conquista do primeiro campeonato mundial da história de seu futebol.
    &lt;/p&gt;

    &lt;p&gt;
      Ler a edição tão antiga, amarelada, encardida da Revista Cruzeiro parece mesmo um mergulho no túnel do tempo. Eu ainda nascerei para atirar longe esta Cruzeiro de 66, e correr rápido para salvar, talvez a última das sete vidas do filhote de gato que Luíza, minha sobrinha de um ano e meio, carrega pelo pescoço, para atirar pela varanda do terceiro andar aqui do prédio. Agora, além disso não há nada para preocupar. Afinal, talvez nem esteja ainda pra nascer ingleses que nos tirem o reinado no futebol mundial.
    &lt;/p&gt;
  &lt;/section&gt;

  &lt;!-- Rodapé com Vídeo e Música --&gt;
  &lt;footer style="margin-top: 40px; border-top: 1px solid #eee; padding-top: 20px;"&gt;
    &lt;div style="text-align: center; margin-bottom: 25px;"&gt;
      &lt;div style="position: relative; padding-bottom: 56.25%; height: 0; overflow: hidden; max-width: 100%; background: #000; border-radius: 8px;"&gt;
        &lt;iframe 
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          title="Final Copa 1966" 
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      &lt;/div&gt;
      &lt;p style="font-size: 0.9rem; color: #660000; margin-top: 10px;"&gt;
        &lt;strong&gt;◘ Vídeo:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://video.google.com/videoplay?docid=103498436441892971" style="color: #000099; text-decoration: none;"&gt;World Cup Final 1966 in Colour&lt;/a&gt;
      &lt;/p&gt;
    &lt;/div&gt;

    &lt;div style="background: #f9f9f9; padding: 15px; border-radius: 8px; border-left: 5px solid #000099;"&gt;
      &lt;span style="color: #990000; font-size: 1.3rem;"&gt;♪&lt;/span&gt; 
      &lt;span style="color: #660000; font-weight: bold;"&gt;Música que se ouvia muito em 66:&lt;/span&gt; 
      &lt;a href="http://www.kboing.com.br/script/radioonline/radio/player.php?musica=100101&amp;op=1" style="color: #000099; font-style: italic; text-decoration: none;"&gt;"California Dreamin'" - The Mamas &amp; the Papas&lt;/a&gt;
    &lt;/div&gt;
  &lt;/footer&gt;

&lt;/article&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh7vG7vNlC5iiM5bCAeebq7JKElyQ5G7ZfcuVrqfhDnwVT9axmTQ7lFC-PfYS9RQNS8AqOW0b00AbNm-P0CHGOMy0VGnziOWkB1DtNgLlCfmp9aDfXtg2hi6y1c4KRFNyT57kjC/s72-c/AlanBall08_468x363.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total></item><item><title>Considerações sobre a boçalidade</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2012/01/consideracoes-sobre-bocalidade.html</link><category>boçalidade</category><category>contos</category><category>crônicas</category><category>humanidade</category><category>prosa</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Tue, 10 Jan 2012 12:00:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-5859802785300108196</guid><description>&lt;span style="font-family: &amp;quot;georgia&amp;quot;;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;"Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito". (Albert Einstein, físico alemão que desenvolveu a Teoria da Relatividade, 1879-1955).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: &amp;quot;georgia&amp;quot;;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
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&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjtF5yrdjeCRdVY8XtH49jpyHGTIX1_52pAH2j4u0dkHiwsgLoWqAlG5Z6ocpXpM-SLtc3WH9F8TY5i-cMFAc4lvicZ1w_NDpWFRsF8KXkBuGA9agwoYvxLoeVEDNtMf4XnpBWe/s1600-h/B%C3%83%C2%81RBARIE+DOS+HOMENS.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124557016911388354" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjtF5yrdjeCRdVY8XtH49jpyHGTIX1_52pAH2j4u0dkHiwsgLoWqAlG5Z6ocpXpM-SLtc3WH9F8TY5i-cMFAc4lvicZ1w_NDpWFRsF8KXkBuGA9agwoYvxLoeVEDNtMf4XnpBWe/s400/B%C3%81RBARIE+DOS+HOMENS.jpg" style="display: block; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; margin-right: auto; margin-top: 0px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;georgia&amp;quot;;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: 130%;"&gt;Noite tépida, noite de sem ventos,&lt;/span&gt; de sem expectativas, semana passada. Um morno jogava na nossa cara o verão colatinense de lascar, ainda em outubro. Vontade de tragar um chope, ou uns chopes – sabe, daqueles. Duas ligações no celular para tirar o deserto de estar só na noite e também para que a bebida, que deveria ser prodigamente gelada, fosse acompanhada de amena prosa. 20h30, como combinado, estávamos lá.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="color: #333333;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #333333;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;georgia&amp;quot;;"&gt;Eu não tenho muita certeza a respeito disso, como também não tenho certeza a respeito de nada, mas os atendentes, em qualquer bar aqui nesta cidade, parecem fazer corpo mole para os clientes. Parecem desinteressados, ensimesmados, caras de broas. Olham-nos, quando muito, com a desimportância que se faz para o número zero à esquerda. Às vezes jogam um "boa noite" à mesa, como fazem com o cardápio – soltam, deixam cair, à bangu. Não era bem isso que eu percebia em outras cidades – Não, não estou fazendo críticas gratuitas. Também não estou fazendo críticas a soldo ou a gorjetas, e tampouco estou embriagado. É que a verdade nem sempre se põe em vestes elegantes, apesar de seu conteúdo ser sempre melhor que a mentira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DP e SG são meus amigos de muitas histórias, também de muitos dias e de tantas outras noites de barzinhos. Comunhão. Com SG não comungava da mesma paixão clubista, e como o mar não estava para almirante, melhor era arrumar logo um assunto atraente, que esvaziasse qualquer menção a Vasco ou Flamengo. Falar de gente. Nada mais atraente do que falar de gente, embora nem sempre elegante. E havia muitos divórcios iminentes e comentáveis. De A a Z, se quisesse. Havia tantos casamentos falidos que se arrastavam entre quatro paredes. Tantos casamentos que se abafavam em árida solidão. Mas é muito fácil falar de gente em dores emocionais, difícil é estender a mão, difícil é olhar para os outros sem a obliteração das trevas do egoísmo. Difícil é sentir a extensão da dor do outro...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Servi-lhes, então, – sem não antes molhar a palavra com voluptuoso trago – de uma notícia que de certo estaria bem como aperitivo para os ouvidos e para o coração. Contei que lera sobre uma pesquisa que dava conta que a espécie humana atingiria seu apogeu por volta do ano 3.000, e não era uma pesquisa de butiquim, fora feita pelo centro de estudos da evolução da London School of Economics, sob encomenda para o canal Bravo, da TV britânica - Diante da boa receptividade ao assunto, continuei após mais um trago – Na alvorada do próximo milênio, os seres humanos terão entre 1,80 m e 2,10 m de altura, viverão 120 anos, serão belos, esbeltos, morenos e – informação que não poderia faltar numa pesquisa encomendada por um canal masculino – os homens terão pênis maiores. Os seios das mulheres também se beneficiarão – SG interpelou dizendo que 1,86 m já tinha - Então lhe disse que no caso dele, no futuro, considerando proporcionalmente, teria os dois e dez de altura - agora quanto a outras medidas máximas, talvez não fosse se beneficiar. Ele riu um pouco e disse que eu estava bebendo muito rápido, que iria pedir ao garçom para cortar a bebida. Então eu é que ri muito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DP manteve-se tocado por um silêncio circunspeto por tempo de mais uma garrafa e meia - silêncio que lhe valeu, depois que desvendei o motivo – mais admiração e orgulho por sua amizade. Para tirá-lo daquela calada absoluta, indaguei, sem não buscar o auxílio do humor: "conversa que você não conhece melhor calar, DP?"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele contou que pensava nessa idéia da evolução física realmente fascinante. Mas também tinha lido que a humanidade dera um salto longo em termos de tecnologia, em ínfimo tempo. O homem, se considerássemos o vastíssimo tempo de existência de vida no planeta, poderia-se dizer que havíamos descidos das árvores e saído das selvas há poucas horas. Que o homem ainda trazia em si a selvageria e o descontrole de um bicho. De um bicho que aliava sua inteligência a desejos que ele mesmo criava – o homem criava fomes que os bichos de verdade não sentiam. O homem hoje é uma besta que tem sob seus dedos da mão, botões que se clicar, poderia destruir o mundo... Por fim, um tanto desolado, concluiu com a pergunta "Será que mil anos seriam suficientes para que, além de dotar a humanidade de físico maravilhoso, libertá-lo de tanta boçalidade?".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vai saber! &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="color: #333333;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;georgia&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="color: #333333;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;georgia&amp;quot;;"&gt;Não havia muito a brindar naquela noite. Não havia muito a comemorar, a não ser a amizade, e isso já era bastante. Estava bem, pelo menos ali e naquele instante, ninguém nos havia servido &lt;a href="http://oglobo.globo.com/economia/mat/2007/10/22/315721725.asp"&gt;leite longa vida adulterado &lt;/a&gt;com substâncias químicas perigosas, ou colocado uma boca de fogo, ou trabuco, como queiram, na nossa cara e dito: "quietinhos aí seus filósofos de boteco de merdas, é um assalto, vocês perderam".&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="color: #333333;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;georgia&amp;quot;;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: 180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="color: #333333;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;georgia&amp;quot;;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: 180%;"&gt;♪ &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Em tempos em que a Polícia recrudesce até com a própria polícia, a poesia musical do The Police:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;georgia&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #351c75; font-family: &amp;quot;arial&amp;quot;; font-size: 85%;"&gt;&amp;nbsp;The Police - Every Breath You Take&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;iframe allowfullscreen="allowfullscreen" frameborder="0" height="285" src="https://www.youtube.com/embed/J9iPmZSWR50" width="380"&gt;&lt;/iframe&gt;
&lt;span style="color: #351c75; font-family: &amp;quot;arial&amp;quot;; font-size: 85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
10 de jan de 2012
&lt;br /&gt;
&lt;center&gt;

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&lt;!-- RETANGULO-RESPONSIVO --&gt;
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&lt;/center&gt;
</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjtF5yrdjeCRdVY8XtH49jpyHGTIX1_52pAH2j4u0dkHiwsgLoWqAlG5Z6ocpXpM-SLtc3WH9F8TY5i-cMFAc4lvicZ1w_NDpWFRsF8KXkBuGA9agwoYvxLoeVEDNtMf4XnpBWe/s72-c/B%C3%81RBARIE+DOS+HOMENS.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">5</thr:total></item><item><title>Uma noite sem canção para um homem lamentável.</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2007/04/uma-noite-sem-cano-para-um-homem.html</link><category>Antônio Maria</category><category>contos</category><category>Crônica</category><category>crônicas solidão</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Tue, 3 Jan 2012 23:20:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-5383085176592876829</guid><description>&lt;div style="clear: both;"&gt;
  &lt;a href="http://br.search.yahoo.com/" style="float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;
    &lt;img alt="Solidão com esperança de mudar" border="0" height="153" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7AsOQFlayqZWkaE6-f4Koq4c_P_v2HdaFbOD3x9YhAb3obKSu6xNLhqzGv38ihKbkluFeFx_-opKqqFrHFbJhARNkw21ZAiLoBHwkfidDvViAmzJju0UOLvNO2F5YpKU03hDR/s200/Solid%C3%A3o_mas_com_esperan%C3%A7a_de_mudar.jpg" style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" width="200" /&gt;
  &lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;

&lt;div style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 1.6; text-align: justify;"&gt;
  &lt;p&gt;
    &lt;strong style="color: #cc0000;"&gt;No silêncio oco desta noite, meu caro Antônio Maria...&lt;/strong&gt; A noite desaba pesada sobre os paralelepípedos da alma, e nem uma garoa mansa se digna a lavar a poeira dessa carência infinita que habita o peito. Olho a cidade lá embaixo, com suas luzes de néon piscando indiferentes, num misto de queixa e súplica, quase cego por essa neblina que insiste em embaçar o horizonte de dentro. E, veja só a ironia, não há aqui o dramatismo nobre dos grandes poetas; é uma tristeza rasteira, estéril, que nem sequer carrega a altivez de um grito desesperado em praça pública chamando por um amor perdido. Sou apenas um homem comum, desses que passam sem deixar rastro.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Não é o mundo em transe que clama por milagres nesta hora, Antônio Maria — sou eu, este ser banal, que mendiga um verso, um acorde, uma migalha de afeto cotidiano. Bastaria que um transeunte qualquer me esbarrasse na calçada e dissesse, com um sorriso verdadeiro: “Rapaz, que alegria te ver, que saudades!”. Mas bato de frente contra a muralha fria do desassossego. Lembro-me de quando você dizia que o único trunfo da solidão era a liberdade de escancarar a porta do banheiro, e que isso era muito pouco para quem não tem a coragem de rasgar a camisa e escancarar as próprias cicatrizes. Pois bien, meu velho boêmio: nem essa coragem me sobra. Talvez se eu tivesse uma ferida aberta e sangrando para mostrar ao mundo, minha dor ganharia contornos de epopeia; mas sou só este fragmento cinzento, irremediavelmente banal.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Escrevo hoje sem a vaidade do aplauso ou a pretensão de ser compreendido. Escrevo porque a tinta é o único lenço que enxuga este pranto sem som. É uma escolha piegas, confesso, meio pífia, mas infinitamente mais silenciosa e leal à minha pequenez.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Ainda assim, há um fio de luz teimosa que resiste. Quem sabe amanhã não amanheça um dia claro, daqueles que chegam com cheiro de café passado na hora e pão francês estalando de quente na padaria da esquina? E se o padeiro estiver distraído, que me sirva — mesmo que por engano — um vinho tinto, encorpado, daqueles guardados para as grandes celebrações da vida. Beberei em honra aos desvalidos. Que esse vinho me devolva a crença em gente grata, em afetos que não pedem recibo, em ventos que tragam rumos novos. Que a paciência me abrace e me traga o mais inesperado e belo dos encontros casuais.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    Porque, quer que anuncie a ventania, a gente sempre carrega esse nó no peito, escorado em duas ou três lembranças que o tempo teima em não apagar. A diferença, meu caro Maria, é que por mais fundo que seja o poço da noite, eu continuo acreditando teimosamente que amanhã o sol há de fazer as pazes com a gente.
  &lt;/p&gt;

  &lt;p&gt;
    &lt;strong style="color: #cc0000;"&gt;Enquanto houver este coração batendo no peito, Antônio Maria, a esperança não se rende.&lt;/strong&gt;
  &lt;/p&gt;

  &lt;p style="margin-top: 2em;"&gt;
    &lt;em&gt;Para o Cronista, jornalista, radialista esportivo Antônio Maria, 1921 – 1964. Diante de sua grandeza, a nossa singela homenagem.&lt;/em&gt;
  &lt;/p&gt;

  &lt;p style="margin-top: 1.5em;"&gt;
    &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;♫&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; 
    &lt;strong&gt;Música:&lt;/strong&gt; &lt;span style="color: #3333ff;"&gt;Não se esqueça de mim&lt;/span&gt;, &lt;strong&gt;Artista:&lt;/strong&gt; &lt;span style="color: #3333ff;"&gt;Nana Caymmi&lt;/span&gt;
  &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;

&lt;div style="margin-top: 25px; text-align: center;"&gt;
  &lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="225" src="https://www.youtube.com/embed/merdOHEKGzA" style="max-width: 100%;" width="400"&gt;&lt;/iframe&gt;
&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7AsOQFlayqZWkaE6-f4Koq4c_P_v2HdaFbOD3x9YhAb3obKSu6xNLhqzGv38ihKbkluFeFx_-opKqqFrHFbJhARNkw21ZAiLoBHwkfidDvViAmzJju0UOLvNO2F5YpKU03hDR/s72-c/Solid%C3%A3o_mas_com_esperan%C3%A7a_de_mudar.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total></item><item><title>Máscaras</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2006/01/mascaras.html</link><category>máscara</category><category>poema</category><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (JOEL)</author><pubDate>Mon, 2 Jan 2012 07:00:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-113715363047667139</guid><description>&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;P&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;alavras são o quanto se quiser,&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhN1UzCStu2rNFjmJcQiRNG4fQXdyo4h2KsHHi6bL58MEL3j9thMtW2CuF3vDbrrtv_yRUw1C2ExVLYvPtX-7-UCp_mWRrPV2xwZEh3D3Ss2WkdmqGi6gAPnMOFa28l-1eIKA7q/s1600/m%C3%A1scara.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhN1UzCStu2rNFjmJcQiRNG4fQXdyo4h2KsHHi6bL58MEL3j9thMtW2CuF3vDbrrtv_yRUw1C2ExVLYvPtX-7-UCp_mWRrPV2xwZEh3D3Ss2WkdmqGi6gAPnMOFa28l-1eIKA7q/s1600/m%C3%A1scara.jpg" width="176" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Se diz de qualquer maneira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes se diz para não dizer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Achei fidalga uma pessoa de sorriso e descalça,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porque me disse boa sorte com os olhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom dia, boa noite, parabéns, eu te amo, também se joga fora,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas Deus nunca morre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sempre se tem uma boa lembrança&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para quando se está cansado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguma rua, algum bar, alguma casa,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Haverá quem sinceramente fale de mãe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por vezes é difícil acordar,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A noite parece para sempre,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porque em teatro não se chora de verdade,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finge-se que está chorando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="169" src="https://www.youtube.com/embed/1-YtH2ETgnY" width="300"&gt;&lt;/iframe&gt;
&lt;/div&gt;
</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhN1UzCStu2rNFjmJcQiRNG4fQXdyo4h2KsHHi6bL58MEL3j9thMtW2CuF3vDbrrtv_yRUw1C2ExVLYvPtX-7-UCp_mWRrPV2xwZEh3D3Ss2WkdmqGi6gAPnMOFa28l-1eIKA7q/s72-c/m%C3%A1scara.jpg" width="72"/></item></channel></rss>