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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2portuguesetitles.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemtitles.css"?><rss xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><title>Crônicas do Joel - Contos e cronicas</title><link>http://cronicasdojoel.blogspot.com/</link><description>Crônicas, contos, causos, prosa, versos, reflexões... Histórias cotidianas "pretensamente" divertidas e líricas.</description><language>en</language><managingEditor>noreply@blogger.com (Joel)</managingEditor><lastBuildDate>Tue, 30 Jun 2009 18:00:57 PDT</lastBuildDate><generator>Blogger http://www.blogger.com</generator><openSearch:totalResults xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/">152</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/">1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/">25</openSearch:itemsPerPage><itunes:owner><itunes:email>noreply@blogger.com</itunes:email></itunes:owner><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle>Crônicas, contos, causos, lirismo, poesia, humor, estórias, histórias, mensagens frases, poesia, poemas, mensagens, provérbios, cronica, literatura, música, vídeos, imagens, Colatina, Vitória, Espírito Santo, crônica, contos, causos, frases, lendas, fábul</itunes:subtitle><geo:lat>19</geo:lat><geo:long>40</geo:long><image><url>http://www.feedburner.com/fb/images/pub/fb_pwrd.gif</url></image><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/cronicasdojoel" type="application/rss+xml" /><feedburner:feedFlare href="http://add.my.yahoo.com/rss?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2Fcronicasdojoel" src="http://us.i1.yimg.com/us.yimg.com/i/us/my/addtomyyahoo4.gif">Subscribe with My Yahoo!</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.newsgator.com/ngs/subscriber/subext.aspx?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2Fcronicasdojoel" src="http://www.newsgator.com/images/ngsub1.gif">Subscribe with NewsGator</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://feeds.my.aol.com/add.jsp?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2Fcronicasdojoel" src="http://o.aolcdn.com/favorites.my.aol.com/webmaster/ffclient/webroot/locale/en-US/images/myAOLButtonSmall.gif">Subscribe with My AOL</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.bloglines.com/sub/http://feeds.feedburner.com/cronicasdojoel" src="http://www.bloglines.com/images/sub_modern11.gif">Subscribe with Bloglines</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.netvibes.com/subscribe.php?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2Fcronicasdojoel" src="http://www.netvibes.com/img/add2netvibes.gif">Subscribe with Netvibes</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://fusion.google.com/add?feedurl=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2Fcronicasdojoel" src="http://buttons.googlesyndication.com/fusion/add.gif">Subscribe with Google</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.pageflakes.com/subscribe.aspx?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2Fcronicasdojoel" src="http://www.pageflakes.com/ImageFile.ashx?instanceId=Static_4&amp;fileName=ATP_blu_91x17.gif">Subscribe with Pageflakes</feedburner:feedFlare><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item><title>Gentílico colatinense.</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~3/aJi90LnPyRE/gentiltico-colatinense.html</link><category>Colatina</category><category>Rio Doce</category><category>crônicas</category><author>noreply@blogger.com (Joel)</author><pubDate>Sun, 24 May 2009 12:31:20 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-4870819949023854421</guid><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-05-24T16:31:20.140-03:00</app:edited><media:thumbnail url="http://4.bp.blogspot.com/_7024QKdLrXE/RtRWYtEXCiI/AAAAAAAABQA/R7AxbcRg54E/s72-c/gentil%C3%ADtico+Colatinense.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><media:content url="http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~5/MJNwO30T-GM/play.swf" fileSize="662" type="application/x-shockwave-flash" /><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle> Chegamos. Tarde quente. Janeiro. Mormaço. Os raios do impenitente sol reverberavam à pista da grande ponte esticada pelos oitocentos metros que unem os dois lados da cidade. Meu pai trouxe um sonho de dias melhores, partilhado com toda a família, e també</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary> Chegamos. Tarde quente. Janeiro. Mormaço. Os raios do impenitente sol reverberavam à pista da grande ponte esticada pelos oitocentos metros que unem os dois lados da cidade. Meu pai trouxe um sonho de dias melhores, partilhado com toda a família, e também o rádio, um dos seus poucos entretenimentos. Estávamos todos como crianças, embevecidos com o lugar e com a possibilidade de tomarmos coca-colas geladas, toda a semana. Pelo lado norte, por onde chegamos, vim saber anos mais tarde, tivera o nome de Francilvânia. Fora comunidade liderada por tal senhor França, um engenheiro que demarcara a sua colônia entre a barra de dois rios, comunidade que não vingaria aos ataques dos Botocudos – índios que resistiram tenazmente à invasão ao seu habitat natural. Mas a semente da cidade estava irremediavelmente plantada e os Botocudos logo seriam dizimados e reduzidos a relatos sobre índios perigosos e a gravuras, como as de Jean Baptiste Debret, que afirmavam a "condição miserável e cruel, e a insensibilidade dos indígenas para concorrer na melhoria da humanidade". Não importava mais o que se passou, Francilvânia semente, floresceu o bairro São Silvano – certamente que não sem muita luta de seu povo – para compor a parte norte da cidade. Guardo tão bem comigo os detalhes mínimos da nossa chegada àquela cidade. O Rio Doce manso a um todo sol, a ponte Florentino Ávidos dando passagem a apressados Opalas Comodoro, aos Dodges, aos Fiats 147, às Brasílias, às Variants, aos Fuscas... As placas nos bares anunciavam Cola-Cola e Graphete. Das fotografias daquele dia, a mais perfeita na lembrança foi a do Cristo, de braços completamente abertos, posto em estátua branca, de corpo inteiro, com mais de trinta metros, cravado no cimo do morro do lado sul – era aquilo um prato cheio para alimentar a nossa esperança para com aquela cidade e com o novo ano de setenta e sete. Era certo que amanheceriam dias dourados. O tempo passou e até somos felizes... É lógico que a vida em qualquer lugar do mundo é com todo o chão à nossa volta, coberto ou não de areia, é uma arena que desprende grãos aos ventos revoltos, e se quisermos continuar a enxergar lirismos – e é bem certo – faz-se necessário muitas vezes fecharmos os olhos num raio de muitos metros para que não se cegue o coração. Só então os ombros sentem mais leve o fardo – até nos entardeceres. Assim, daquele ano de setenta e sete em que meu pai ouvia em seu motorádio a canção “Marcas do Que Se Foi” - dali em diante aquela cidade de nome engraçado, que é a princesa do norte capixaba, fortificou-se demasiadamente em mim, e por mais que ande pelo mundo afora, conheça as capitais e seus faustos, e mesmo que nem goste tanto mais de cola-cola, quando chego pela BR 259, ao avistar as águas do Rio Doce, tenho em mim a deleitosa sensação de não ser despovoado comigo, porque o meu encantamento é de primeiro grau por esse rio, por essa cidade, por essa gente, por essa vida. ♪ Com vocês, meu amigo Zé Geraldo: Música, Rio Doce Zé Geraldo - Rio Doce </itunes:summary><itunes:keywords>Colatina, Rio Doce, crônicas</itunes:keywords><description>Chegamos. Tarde quente. Janeiro. Mormaço. Os raios do impenitente sol reverberavam à pista da grande ponte esticada pelos oitocentos metros que unem os dois lados da cidade. Meu pai trouxe um sonho...&lt;br/&gt;
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Guimarães Rosa


O homem estava de olhos perdidos na tela do computador, viu que era preciso espairecer lá fora, por corredores e pátios afora. Saiu. O...&lt;br/&gt;
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(Mt 14: 28~30) Quarta de cinzas. Tudo aqui é agora um vazio de carnaval. A única sombra ou resquício de folia, se assim pode-se dizer, é o palanque, ainda cravado, próximo à praia, onde eram os shows, a es</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary>Enquanto teve fé, Pedro andou por sobre as águas. (Mt 14: 28~30) Quarta de cinzas. Tudo aqui é agora um vazio de carnaval. A única sombra ou resquício de folia, se assim pode-se dizer, é o palanque, ainda cravado, próximo à praia, onde eram os shows, a espera do desmonte. Não mais estavam aqueles que até escambar o dia, bebiam, dançavam, gargalhavam, namoravam-se e até brigavam (os loucos). Minha cabeça não dói. Bebi, é claro que sim. Mas minha cabeça não dói. E essa estória que de bêbado não tem dono, não serve pra mim. A praia, agora de poucos, é lustrada por um sol impenitente, e bordada pela espuma que se derrete ao quebrar das ondas, que me faz lembrar do sonrisal que tomei ontem. Faz festa à vista. Prego uma mentira pro Mestre pra ele se entreter e assim parar de regurgitar essa estória de destruição do litoral, pela elevação das marés. Digo a ele que o Super Calangão não viera conosco, pois estava num relacionamente ”dirty” com uma ricaça, que o levou numa Hilux quatro por quatro, para Guarapari. - ela é tão rica que nem toma água, só uísque treze anos – ele ri e nem questiona os treze anos. Sei que por boas frações de horas, ele ruminará esta estória fajuta. Fico em paz pra lembrar da pândega e das pessoas que deixam as brincadeiras ainda mais divertidas na folia, fazendo assim um “upgrade" no nosso emocional. Observo o horizonte do mar, retilíneo. Um barco de pescadores surge na cena, quase sumido e cria um ângulo de felicidade. De súbito tenho vontade de caminhar até aquele longínqüo barco. Caminhar por sobre as águas. Que doideira! Será o sonrisal? Sou apenas um comedor de feijão e às vezes de lentilha. O máximo que poderá ocorrer com uma tentativa é eu boiar, inchadão, dias depois. Milagres fazia a carteira do Meninão do Guaporé. Carteirada neles, meninão! Não é original essa minha idéia de andar por sobre as águas, mas se imagine andando sobre um mar encapelado, ou mesmo sobre o Rio Doce, com suas marolinhas!!! Será o sonrisal? É, mas um camarada – conta-se e reconta-se – andou sobre um revolto mar da Galiléia. Mas ele não homem de verdade – era um Deus. Um certo Pedro quis fazer o mesmo, e até andou, mas quando lhe faltou a fé, começou a submergir feito pedra. Sorte dele que o Deus lhe estendeu a mão prontamente. Certa feita, fiquei puto da vida com este Deus. Pedi-lhe um milagre. Queria que ele me estendesse a mão, afinal era o único Deus que tinha vez lá em casa. Pedi que aquele menininho de oito anos não morresse. Era um menino tão bom e inocente, me dava a maior moral e dançava “dancing quen” , comigo na sala. Eu queria mesmo ser um cãozinho que pudesse comer as migalhas do banquete que caíssem da mesa daquele Deus e dos seus. Mas afundei. Não tive o milagre. Faltou-me fé? Não sei. Tenho ponderado as coisas. Tenho visto corpos nas pistas, tragédias dantescas. O que dizer da tsunâmi? Pobre Indonésia, paraíso das desgraças. Se este Deus teve de morrer de maneira cruel e desumana, se esse Deus teve de comer o pão que o diabo amassou com o rabo, tenho que aprender a me conformar com as vicissitudes humanas. Talvez o Deus tenha morrido e ressuscitado pra isso: nunca perdermos a esperança. Esta estória me deixa melhor. Por isso que me alegro até quando o destino me faz encaixar a orelha no bocal sem lâmpada, da banca de caipfrutas, quando tentei me esconder da chuva, levando um choque elétrico de ver estrelinhas ao redor. Concluo que não preciso andar por sobre as águas (literalmente). Preciso correr nesta areia. É o que tenho agora e ademais a pança está saliente... Mas não consigo dançar sozinho na sala. Guriri - ES, Março/2006 Ouvindo (sem dançar na sala): ABBA - Dancing Queen </itunes:summary><itunes:keywords>milagres, Jesus Cristo, Abba, Carnaval, sobre as águas, cinzas, contos, crônicas</itunes:keywords><description>Enquanto teve fé, Pedro andou por sobre as águas. (Mt 14: 28~30)
Quarta de cinzas. Tudo aqui é agora um vazio de carnaval. A única sombra ou resquício de folia, se assim pode-se dizer, é o palanque,...&lt;br/&gt;
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O bom humor é a única qualidade divina do homem.
Arthur Schopenhauer
Sou assim mesmo, meio bobo, tipo perco o amigo mas não a piada. Também sou sujeito vexado por inteiro, talvez isso...&lt;br/&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/cronicasdojoel/~4/A5vIH72TDM4" height="1" width="1"/&gt;</description><feedburner:origLink>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2009/02/walchemar-vai-muito-bem-obrigado.html</feedburner:origLink><enclosure url="http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~5/-7Xa-Mx9flI/play.swf" length="662" type="application/x-shockwave-flash" /><feedburner:origEnclosureLink>http://www.mp3tube.net/play.swf?id=2f60854b9c936d7abf21a59a079c935d</feedburner:origEnclosureLink></item><item><title>Crônicas do Joel - Contos e cronicas [del.icio.us]</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~3/FByqCjOGZ5o/</link><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">joelrogerio</dc:creator><pubDate>Wed, 25 Feb 2009 07:12:01 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">http://cronicasdojoel.blogspot.com/</guid><description>&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/cronicasdojoel/~4/FByqCjOGZ5o" height="1" width="1"/&gt;</description><feedburner:origLink>http://cronicasdojoel.blogspot.com/</feedburner:origLink></item><item><title>O cão do doutor Dhigo.</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~3/Q0V2qnJ2eh8/o-co-do-doutor-dhigo.html</link><category>Jardim da Penha</category><category>amizade</category><category>causo</category><category>cachorro</category><category>cão</category><author>noreply@blogger.com (Joel)</author><pubDate>Thu, 15 Jan 2009 08:04:46 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-8830705275281854539</guid><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-01-15T14:04:46.503-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">7</thr:total><media:content url="http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~5/4VM-ypDNyfw/play.swf" fileSize="662" type="application/x-shockwave-flash" /><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle>"A razão de eu amar tanto o meu cachorro é porque quando chego em casa ele é o único no mundo que me trata como seu fosse 'Os Beatles'." (Bill Maher) O Doutor Dhigo abria-se em sonoras gargalhadas, feito sanfona velha. “Pega Pretinho! Vai, pega ele! Come </itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary>"A razão de eu amar tanto o meu cachorro é porque quando chego em casa ele é o único no mundo que me trata como seu fosse 'Os Beatles'." (Bill Maher) O Doutor Dhigo abria-se em sonoras gargalhadas, feito sanfona velha. “Pega Pretinho! Vai, pega ele! Come Pretinho! Come!”. E persistia na galhofa: “Rapaz, ele não pode ver o cheiro de fêmea. É isso, cheiro de fêmea, é por isso que ele te faz isso!” A vontade era de picar o pé naquele vira-latas – vira-latas é modo de dizer, o bicho é mesmo um poodle. Ele surgia ao ouvir o inaudível abrir do portão, feito um corisco, serelepe e vupit: Achava a minha perna. E cheio da saliência, entendia que fosse uma fêmea. Sei lá, talvez a perna fosse um fetiche sexual – coisa que gente também tem de sobra – há os que transam até com abóboras. Graças a Deus eu como abóboras sim, mas só no prato e cozida. Perna gostosa a parte, teve um dia que o “dotô” levou o Pretinho ao veterinário. Estava um tufo ambulante – urgia uma tosa. Dhigo, meticuloso sempre, levou inclusive umas fotografias de diferentes tosas – substituiria a sempre tosa moderna, pelo estilo Leão. Feito. Porém o animal trouxera novo visual e uma profunda tristeza consigo. Parecia o fusquinha do casal de velhinhos da rua das jaqueiras – faróis baixos, lento, lento, lento... Não passava da segunda marcha. Falei “dotô o bicho quer uma feminha, é por isso que ele está deprimido”. Falei só por falar, mas achava mesmo que fosse o efeito da vacina. O dotô disse que não, e acariciando o bichinho, percebeu um ferimento – um rasgo de picotada de tesoura na anca – e era até grande para o tamanho do cachorro. Entristeceu-se muito o meu amigo Dhigo e mais ainda enraivou-se. Acho que fora a primeira vez que o vi possuído de raiva. Mas passou a ira e as tristezas do cão e do seu dono com o tempo – que é muito mais que doutor – é PhD para todos os males. Quando o doutor encontrou a grande paixão humana da sua vida (aliás, cabe dizer que só mais uma vez notei o dotô irritado – fora vítima, no fulgor da paixão, do monstro dos olhos verdes: o ciúme, conforme romanticamente epitetou esse sentimento, Shakespeare). Nas vicissitudes desse amor, o Dotô resolveu passar um final de semana prolongado em Mar azul. Amigos são para o que der e vier. Assim tornei-me provisoriamente o babá da peste do cão. Centos de recomendações: Nada de carne ou qualquer alimento que não seja a ração prescrita, a quantidade dosada, distribuição em horários determinados, etcetera e tal. No começo tudo bem, depois o bicho amuou, até os bifinhos suculentos ele enjeitava. Esquadrinhei cada centímetro quadrado do pêlo e tudo não pareceu melhor, pois não encontrei sequer uma pulga, que diverte tanto os cães. Por fim, fiz uma coisa que nem sei por que estou contando aqui – já que até dos pensamentos risquei – ofereci minha perna. “Vai desgraçado, você não acha isso tudo de bom?”. E ele lá, indiferente fazendo pouco caso, como se aquilo não significasse coisa alguma pra ele. Como tivesse sido apenas um “casinho” furtivo e nada mais! Eu bem sabia o que ele queria. Não era nada sexual, não era nada que pudesse forrar o seu estômago ou apetecer suas papilas gustativas. Havia fome no coração do bicho. Ele sentira em muito a falta do dotô Dhigo. No retorno do dotô, o dengoso pareceu estar sob efeito de psicônicos. Vi um show de alegria canina. Era a efusividade em forma de cão! O doutor, nubente, casa-se daqui a poucos dias. Já acertou o apartamento. Desconfio seriamente que apartamento não será uma boa para o Pretinho. Ele está acostumado a ficar solto num amplo quintal onde, vez por outra, abocanha um pardal ou uma rolinha distraída, às vezes se atém - reverente - ao longínquo som do trem da Vale, com a máquina ainda bem distante. Em ocasiões escapa ao abrir do portão e sai a ladrar, na tentativa insana - cabível somente a um cão - a acuar os carros que passam. No apê de Jardim da Penha não terá nada disso. Será prejudicada a sua vocação lúdica de viver. E além do mais – ao Pretinho – assim c</itunes:summary><itunes:keywords>Jardim da Penha, amizade, causo, cachorro, cão</itunes:keywords><description>"A razão de eu amar tanto o meu cachorro é porque quando chego em casa ele é o único no mundo que me trata como seu fosse 'Os Beatles'." (Bill Maher)


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A coisa estava apertada, o homem dava duro para mal-mal botar comida na boca da filharada – contingenciavam o incontingengiável. O mais velho já estava na faixa dos sete anos, o caçulinha - de peito - ainda faltavam </itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary>O casal resolvera não ter mais filhos. A coisa estava apertada, o homem dava duro para mal-mal botar comida na boca da filharada – contingenciavam o incontingengiável. O mais velho já estava na faixa dos sete anos, o caçulinha - de peito - ainda faltavam meses para um ano. E havia ainda mais três. Do jeito que a coisa andava bem – de um certo ponto de vista – logo, logo, teriam um time de futebol em casa. O marido bolinava a dona patroa toda noite, e até de dia nos dias de folga, e ela não se dava por rogada: Fazia hora extra e elogiava o patrão. Sobrava disposição e o “malandrão vivia em atividade”, ou como já ouvi dizer por aí, “todo dia havia afogamento de ganso naquela casa”. (É necessário aqui explicar que é apenas uma expressão para designar, popularmente, um ato sexual – Vai que dirão que estou fazendo apologia a crueldades contra animais?). Procuraram o doutor Olide, homem de mãos boas, mãos grandes. Cuidava da saúde da mulher e do marido. Esse era o seu lema: “Médico que é médico com o coração cuida da família por completo". Daí que fazia, inclusive, o exame do toque nos homens, que mesmo a malgrado se satisfaziam com a argumentação do doutor, de que aquilo era apenas um toque que poderia salvar as suas vidas”. “O toque da saúde” – assim eram as suas palavras. Diziam alguns, os do deboche, que aquele toque era de ver estrelas. Metade da cidade tinha posto a cara no mundo por suas mãos. Muitas crianças até tinham o nome Olide, em homenagem ao “dotô”. Era a presteza em pessoa e especialista em pobre. Não ia doer nada, acalmou o médico - seria por via baixa. Dito e feito. Ligadura pronta e porteiras abertas. Maravilha! Exame de próstata feito. Nada de maravilha, mas deixa estar, a saúde em primeiro lugar! Acontece que a vida não é simples clichê. A vida é uma caixinha lotada de surpresas até na borda. Poucos meses e muitos calamengaus depois, a patroa começou a se preocupar pela menstruação que não vinha. Enjoada – não era possível. E ela que se gabava por ser reguladinha como um relógio suíço. Besta! Deixou passar um tempo para se certificar do que desconfiava. Fez exame e não deu outra: Embuchamento! Bebê na mosca! Marido virou o diabo quando soube. Xingou até santo. Estava um perrengue danado botar comida dentro de casa pra sete bocas e agora mais uma? “Aquele dotô me paga!”. Pois não é que chegou na Santa Casa, feito um bicho feroz, cheio da coragem, destas que não se compram em farmácia ou gôndola de supermercado, com um “berro” em punhos – que não se sabe onde arranjara – abrindo eito em meio a paramédicos e outros tantos que entupiam o hospital. Encontrou o doutor Olide, que já percebido do motivo do alvoroço, batia em retirada. “Corre não, seu dotô de meia tigela que não serve nem pra capar porco!” Foram três tiros bem nas nádegas do médico em berros de pára com isso homem, pelo amor de Deus! Deu cadeia, pouco tempo, mas deu cadeia. Era tido como homem respeitoso, de muito suor, sem antecedência de crimes, sem constância de cachaçada. Seu único deleite era estar com a mulher. A justiça considerou e amainou a pena. Pelas graças de Deus o menino nasceu e cresceu com muita saúde, apesar da carência material da família. Alan Diego está com dezesseis, é bonitão e educado. Joga um futebol fácil. Não é firuleiro enganador não! É Craque de verdade! Já está de contrato com um grande clube e já falam em Europa. Longe de casa, sente falta do tempero da comida da mamãe e do pôr-do-sol, tão bonito na sua terra natal. Deus escreve certo por linhas tortas, mas atenção redobrada em quem é entortador de linhas. É por isso que não carecia de ter dó do Doutor Olide. Ele está no terceiro mandato de prefeito e emprega a parentada toda. Só de filhos – mais de quinze – frutos do casamento e de muitas poucas-vergonhas extraconjugais. Todos são bem remunerados pelo erário público. Dizem que a “nepotada” encheria o campo de futebol do estádio que ele mandou construir na cidade que nem time de futebol tem. Moral da história: A vida é por v</itunes:summary><itunes:keywords>sátira, assanhados, moral da história, Crônica, contos, crônicas</itunes:keywords><description>O casal resolvera não ter mais filhos. A coisa estava apertada, o homem dava duro para mal-mal botar comida na boca da filharada – contingenciavam o incontingengiável. O mais velho já estava na faixa...&lt;br/&gt;
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Pôxa, era o amigo que eu trazia no peito e a tira-colo, lá na Faculdade. Quanto tempo faz! Danado de inteligente, o Sérgio. As ótimas notas nas provas, a disposição daquele garoto em vazar noite estudando, as suas piadas para qua</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary>De Sérgio tenho saudades. Pôxa, era o amigo que eu trazia no peito e a tira-colo, lá na Faculdade. Quanto tempo faz! Danado de inteligente, o Sérgio. As ótimas notas nas provas, a disposição daquele garoto em vazar noite estudando, as suas piadas para quase tudo – sempre pertinentes e espirituosas – e a alegria que ele demonstrava com aqueles olhos de Mickey Olhos Azuis? Como diz a letra da velha canção da MPB: “Só quem toma um sonho como sua forma de viver pode desvendar o segredo de ser feliz”. Pois o meu amigo Linharense me vendia sonhos, vendia é jeito de dizer, Sérgio me ofertava com gratuidade sonhos de ser alguém, de ser sucesso – feliz eu já estava. Eu sempre acreditei que o meu amigo, num futuro que é hoje, seria uma dessas pessoas que se vê na Tevê, a dar entrevistas sobre assuntos controversos, ou talvez se tornasse um magistrado respeitadíssimo, apesar de vê-lo mais ainda como um grande empresário – ele demonstrava uma queda, um “up”, por empreendimentos na iniciativa privado. Graduamos-nos e Sérgio sumiu no mundo. Num encontro casual que tive com o irmão de meu venerável amigo, que é conselheiro do tribunal de contas do Estado, soube que Sérgio se tornara pai e caminhoneiro, havia comprado três caminhões e pensava em aumentar a frota. Pense aí você, meu estimado leitor, qual foi o meu sentimento? Acredite-me que, à distância temporal e espacial, tornei-me mais adepto daquele “cara” estudioso, ex-bancário do Banestes e campeão de caratê. Sérgio havia dito quase como confissão certa vez, que queria mesmo era ser um caminhoneiro, um empresário do transporte. É pura verdade, falou isso mesmo! E também, num dia qualquer dos anos noventa – e eu nunca mais nesta vida, que desejo longa e feliz - esquecerei disso: Sérgio me disse que tivesse muito cuidado com meus sonhos. Quando a gente sonha um sonho intenso, o sonho vira realidade – filosofava ele. Para ser sincero tenho tido poucos sonhos ultimamente, talvez nem tenha tido sonhos de verdade. Sonhos mesmo são aqueles que em todo dia e noite também, moram no nosso coração. Pois minhas preclaras Lêda e Andrea Dip, quero dizê-las muito obrigado, por pedir para listar cinco desejos para o ano 2009. Olha Lêda, capricharei na minha listinha, começando a desejar ter mais sonhos, pois ter mais sonhos está no topo da minha lista; em segundo lugar quero continuar crescendo profissionalmente; outra coisa: quero aprender a escrever belos textos, para quem sabe, poder publicá-los num livro – e este livro deverá ter a arte da capa da Naipe Design; outra: quero trocar o meu carro por um Corolla 2009; e para findar a lista, desejo aqui do meu coração sem fundo, Lêda e Andrea Dip, que os seus desejos se realizem, que os desejos do meu amigo Sérgio se realizem, que todos os genuínos desejos dos amigos que têm afeto por mim se concretizem no ano que já vai nascer. Só uma recomendação: Muito cuidado com o que vocês sonham, sonhos verdadeiros se tornam realidade. Roupa Nova - Nos bailes da vida</itunes:summary><itunes:keywords>sonhos, 2009, ano novo, desejos</itunes:keywords><description>De Sérgio tenho saudades. Pôxa, era o amigo que eu trazia no peito e a tira-colo, lá na Faculdade. 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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/cronicasdojoel/~4/tWvkIR543hI" height="1" width="1"/&gt;</description><feedburner:origLink>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2008/12/cinco-desejos-para-2009.html</feedburner:origLink><enclosure url="http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~5/CE4gDTzQf1I/play.swf" length="662" type="application/x-shockwave-flash" /><feedburner:origEnclosureLink>http://www.mp3tube.net/play.swf?id=dbc7947db80a95aff18c5d8e26a653e4</feedburner:origEnclosureLink></item><item><title>Revéillon retrô.</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~3/XMBtt5leoVc/revillon-retr.html</link><category>amores</category><category>Revéillon</category><category>retrô</category><category>amor</category><category>reflexão</category><category>crônicas</category><author>noreply@blogger.com (Joel)</author><pubDate>Thu, 25 Dec 2008 17:17:49 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-116595054018058628</guid><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-12-25T23:17:49.208-02:00</app:edited><media:thumbnail url="http://4.bp.blogspot.com/_7024QKdLrXE/R4GaRzadH8I/AAAAAAAAB6Q/Nad7laGuXdQ/s72-c/reveillon.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">9</thr:total><media:content url="http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~5/M5ZPE6EP73Q/player.swf" fileSize="5260" type="application/x-shockwave-flash" /><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle> "Tudo que eu entendo, entendo apenas por causa do que eu amo". Leon Tolstoi A cueca vermelha era pra chamar amor. Nos outros anos foi branca, passou em branco... Dinheiro nem tanto, mas naquele ano novo que brotava eu queria ser servido de amor. A contag</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary> "Tudo que eu entendo, entendo apenas por causa do que eu amo". Leon Tolstoi A cueca vermelha era pra chamar amor. Nos outros anos foi branca, passou em branco... Dinheiro nem tanto, mas naquele ano novo que brotava eu queria ser servido de amor. A contagem regressiva, comecei às 19. Estava vestido da bendita cueca vermelha. 19, 20, 21, 22, 23, Zero hora! O firmamento brilhava aos bordões com o espocar dos fogos. Que zoeira! Fui à beira da praia tomada de gente, pulei as sete ondas que pareciam intermináveis. Eu tinha pressa, já era ano novinho em folha. Fui à fila de um pai de santo. Quis ouvir o que ele fava pro fulano da minha frente, parecia que ele falava baixinho de propósito para eu não ouvir. Na minha vez ele voltou a falar normal. Disse que o ano anterior tinha sido muito arrastado pra mim. O que tinha sentido. Mas neste ano novo tudo iria ser diferente. O ano pareceu todo carnaval. Tantos beijos, tantos “eu te amo” que não duravam um mês. Promessas de água abaixo. O coração transformou-se num quati velho, de tantos arranhados. Só depois de um punhado de anos que descobri que de amor não se é servido, amor se serve, e generosamente! ¤ ABBA - Happy New Year </itunes:summary><itunes:keywords>amores, Revéillon, retrô, amor, reflexão, crônicas</itunes:keywords><description>"Tudo que eu entendo, entendo apenas por causa do que eu amo".
Leon Tolstoi



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O teste consis</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary> "É o coração que sente Deus e não a razão" Blaise Pascal Contam uma anedota, que em certo manicômio, e se aproximava o natal, os médicos psiquiatras resolveram avaliar os pacientes que poderiam passar a data festiva no seio dos familiares. O teste consistia numa pergunta bem simples, que com um pingo de lucidez poderia se inferir uma resposta satisfatória e com ela o salvo-conduto para o desfrute natalício em casa. Perguntaram então ao primeiro louco o que era uma coisa de couro que se usa nos pés para caminhar. O louco para garantir uma resposta correta perguntou se essa coisa teria cadarço. "Sim" - certificaram os médicos. - Então é sapato! - Respondeu confiante o paciente. "Aprovado", disseram os médicos. O paciente que passara no teste, louco, mas agora de felicidade, ao sair, tomado de alegria incontida, segredou para o outro louco que ia ser testado: - Pergunta se tem cadarço. Se tiver, é sapato e pronto, você estará livre. Os médicos inquiriram o segundo paciente: - O que é uma coisa de lata, com quatro rodas, um motor e que a gente utiliza para andar? O louco pensou, pensou e perguntou: - Tem cadarço? - Não… Então é mocassim… Esta é uma anedota boa e faz rir. Mas o segundo paciente também deveria ser aprovado. Digo já o porquê: Porque ele também era louco pelo natal e quem gosta do natal tem queda pelo amor! No amor não há engano – É um princípio, já disse o Cristo. Ocorreu-me esta anedota porque outro dia veio o Luís, e diferente de quando se transborda de alegria de ter 17 anos, me pergunta meio baixo astral: "Rapaz que negócio é esse de trabalhar sábado à tarde?" Respondi que era preciso às vezes em finais de ano. Temos que fechar o ano financeiro, há matérias oficiais a publicar, empenhos por fazer, caralho-a-quatro. A resposta dele é "caramba, mal, mal!". E me pede "Ô mestre Joel, não vá trabalhar no natal, viu?" Fez-me lembrar de que estamos às portas do natal. Luís, que é alucinado pelo natal, se foi da minha presença em silêncio sem esperar mais de mim. Intimamente desejei-lhe um feliz natal. Putz, daqui a poucos dias será o aniversário de um Deus que, feito humano, veio e divinamente criança, pediu para nos assemelharmos aos pequeninos - e de tão bom - conta-se em prosa e versos, que morreu para que o céu fosse nosso, todos criancinhas! Assim, um pouco criança começo a perceber, não pinheiros, que não se vêem pelo vale do rio Doce, mas os flamboyants que se prodigalizam em florações, já na entrada de novembro, e se infestam de vermelho para a gente ver. São minhas árvores de natal. Lá em casa da minha infância havia um. Coalhava o chão de rubro à época da floração. Era belo, só que por verter parte dos galhos para além do muro, incomodava a vizinha que não se embevecia com a árvore - ela não era louca pelo natal. Dizia que sujava o seu quintal. Veio o dia que disseram que as raízes estavam rachando o muro. Cortaram o flamboyant. Mas não deu nem tempo para ficar triste. Naquele ano o meu pai comprou uma sonata em suaves prestações na Loja Ondontótica, e meu irmão mais velho ganhou um "long play" dos Beatles. Então os Beatles tocaram lá em casa "twist and shoud" noite e dia do natal, que fez um domingo de sol quente na cara também... E nós loucos pelo natal Por isso em dezembro não faz frio neste vale. Se chover ou não chover, a gente sempre estará feliz na noite do natal. Somos loucos pelo natal - Temos o salvo conduto. Well shake it, shake it, shake it, baby. Ah, ah, ah, ah! John Lennon - So This Is Christmas </itunes:summary><itunes:keywords>Jesus Cristo, nascimento, Natal, Salvador</itunes:keywords><description>"É o coração que sente Deus e não a razão" Blaise Pascal  
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(Mêncio)Meu amigo Jefferson , Jef para os íntimos, sempre foi desses que desconfiava de tudo e de todos, até dos amigos. Se alguém lhe contasse um causo, ou um fato histórico, o que quer que f</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary> "O grande homem é aquele que não perde o coração de criança." (Mêncio)Meu amigo Jefferson , Jef para os íntimos, sempre foi desses que desconfiava de tudo e de todos, até dos amigos. Se alguém lhe contasse um causo, ou um fato histórico, o que quer que fosse, sempre que lhe interessasse, ele ia confirmar nos livros ou com outras pessoas. Dizem até que uma vez ele armou uma arapuca na sala pra ver se capturava algum gnomo, desconfiado de que realmente existiam, mas só pegou um calango gigante que acabou adotando como seu animal de estimação, aliás, um belo calango que conheci por fotos. Houve um tempo em que o Jef andava tão comprometido com as suas desconfianças, que chegou a cogitar a possibilidade de só ele existir de verdade, as outras pessoas seriam apenas fruto de sua imaginação - devo confessar que por volta dos meus onze, doze anos, cheguei a pensar nisso também – desconfiando, assim de toda a realidade que o cercava, inclusive do calango gigante. O tempo passou e o Jef percebeu que era muito complicado convencer as outras pessoas disso e a ele mesmo e abandonou essa teoria difícil, mas tentadora. Uma coisa que Jef nunca atentou, foi para o tamanho do seu calango de estimação, o Jef tinha 1.84 m de altura e o Calango batia na cintura dele, impressionante. Na sua casa não havia problema de gatos, todos fugiam com medo do Calango. Mas o Calango era a paixão da sua vida, dizem até que rolava algo mais entre eles, mas isso é apenas boato. Para se ter uma idéia o Jef nunca havia dado sequer um tapa nesse Calango. Era aí que morava o problema. O Tropidurus torquatus era muito folgado e bem inteligente. Tudo ia bem entre os dois até o dia em que o Jef foi trabalhar e esqueceu de alimentar o Calango. Antes isso nunca havia acontecido. Aí foi motivo para a tragédia. Logo que o Jef chegou do trabalho, notou que o Calangão estava meio inquieto, ficava pulando, batendo na porta, parecia estar apavorado. Notando tal agitação, Jef abriu aporta rapidamente e começou o massacre. Uma luta quase inimaginável entre um ser humano e um calango. Luta não, o ser humano não teve chance, como já disse foi um massacre. O Calangão devorou o Jef. Após isso tudo, o Calangão, que era um ser superinteligente, foi ao cinema assistir à Beleza Americana e até andou comentando que o filme tinha um estilo que ele “curtia muito” assim... "um tanto rodrigueano” (para quem não entendeu, quer dizer que o filme tem um enredo um tanto parecido com as histórias de Nelson Rodrigues – aquele torcedor ilustre do Fluminense que disse a célebre frase: “toda unanimidade é burra”). Dizem que o Calango virou doutor em física quântica e foi visto recentemente, com um sorriso largo e também com vento na cara, dentro de um Toyota Solara Convertible vermelho de rodas largas, confortáveis poltronas de couro legítimo, trafegando pela orla de Camburi, a palitar os dentes, e que só não acha que a vida está melhor pelo seu temor de que o Vasco caia para a segunda divisão do Brasileirão de 2009... E se isso acontecer, eu não quero nem estar perto! Arcade Fire - Brazil </itunes:summary><itunes:keywords>fantasia, diversão, causo, humor, fábula, contos</itunes:keywords><description>"O grande homem é aquele que não perde o coração de criança." (Mêncio)Meu amigo Jefferson , Jef para os íntimos, sempre foi desses que desconfiava de tudo e de todos, até dos amigos. Se alguém lhe...&lt;br/&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/cronicasdojoel/~4/o8BUo51hjNI" height="1" width="1"/&gt;</description><feedburner:origLink>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2008/12/jefferson-e-o-calango.html</feedburner:origLink><enclosure url="http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~5/YMFhMSdvmD4/play.swf" length="662" type="application/x-shockwave-flash" /><feedburner:origEnclosureLink>http://www.mp3tube.net/play.swf?id=a5352d364631dec44947b3f18157278b</feedburner:origEnclosureLink></item><item><title>Um jardineiro para Bagdá</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~3/pU4imH8c2mE/um-jardineiro-para-bagd.html</link><category>Bagdá</category><category>Jardineiro</category><category>reflexão</category><author>noreply@blogger.com (Joel)</author><pubDate>Sun, 16 Nov 2008 18:29:48 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-3118271710376482171</guid><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-11-17T00:29:48.487-02:00</app:edited><media:thumbnail url="http://4.bp.blogspot.com/_7024QKdLrXE/SSDP7mZ_qHI/AAAAAAAAFKc/ikt59KnepI8/s72-c/gunretired2-769345+(1).jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><media:content url="http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~5/AZoxpgYNeIg/play.swf" fileSize="662" type="application/x-shockwave-flash" /><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle>Mas, hey hey mãe! Por mais que agente cresça Há sempre alguma coisa que a gente Não conseque entender Por isso, mãe Só me acorda quando o sol tiver se posto (Humberto Gessinger – Terra de Gigantes) Ellis disse que teria de ir embora. Seu irmão estava morr</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary>Mas, hey hey mãe! Por mais que agente cresça Há sempre alguma coisa que a gente Não conseque entender Por isso, mãe Só me acorda quando o sol tiver se posto (Humberto Gessinger – Terra de Gigantes) Ellis disse que teria de ir embora. Seu irmão estava morrendo. Era certo, não havia mais jeito, a morte estava selada. Queria acompanhar o irmão nos últimos momentos de vida. Então o homem que estava sob seus cuidados o olhou com candura, abraçou-o com ternura e falou que seria um irmão para Ellis. Durante um ano e meio aquele homem se revelara outro. Não era nada daquilo que o Sargento Ellis esperava. Ellis viu o que ninguém mais pôde ver. O homem escrevia poesias e quando pôde caminhar por um jardim, alimentava os pássaros com as cascas de pão que guardava. Regava os canteiros com o mesmo zelo e apreço de quando labutava na sua juventude como camponês – Ele disse certa vez que nunca esquecera de onde viera. Compartilhava também com o Sargento, de saudosas memórias de quando os seus filhos eram pequenos, lembrava-se de quando narrava histórias para suas filhas antes de dormir. Apesar de saber que seus dias estavam contados, e que ali em Campo Cooper era um prisioneiro, não reclamava de nada, exceto quando havia legítimas razões para isso. Teve um momento em que ele reclamou, abstendo-se de comer, pois o alimento lhe era servido por debaixo da porta. Quando eles passaram a abrir a porta para levar o alimento, ele voltou a comer. “Ele se recusava a ser alimentado como um leão”, disse Ellis. Era trabalho de o Sargento enfermeiro Robert Ellis mantê-lo vivo e com saúde, para que eles pudessem matá-lo no momento estabelecido.Foi em entrevista dada ao jornal americano St. Louis Post Dispatch, que sargento Robert Ellis, de 56 anos, deu detalhes sobre os últimos meses de vida do ex-presidente iraquiano na prisão – que era chamado de “Victor” entre os militares no campo - situada na região norte da capital do Iraque.Quem adivinharia que o prisioneiro da prisão de Abu Ghraib, em Campo Crooper, tratava-se de Saddam Russein? O homem acusado de genocídio, e notório por uma atrocidade sem tamanho. Pois era o mesmo senhor afetuoso e jardineiro que respondera certa vez à pergunta do seu interlocutor e colaborador sobre a eficácia das armas químicas, quando ele com membros do partido Baath tramavam a operação Anfal. "Senhor, isso extermina milhares?", perguntou o colaborador do partido. "Sim, extermina milhares e os impede de comer ou beber, e eles terão de desocupar suas casas sem levar nada com eles, até que possamos finalmente eliminá-los", respondeu Saddam. A despeito disso tudo, que não é pouco, é inevitável que não conjeturemos sobre a natureza humana. E parece que o homem é potencialmente apto a ser um genocida insensível que espalha terror e morte pelo mundo, ou ser um jardineiro de mãos sensíveis que pode colorir e perfumar o ambiente a seu redor com generosas flores. Parece que há de fato uma maçã dourada que parece apetecível e uma serpente que se esforça em encantar o homem a pegá-la. O Saddam a pegou, o Bush a pegou e quantos loucos ainda a irão pegar? Se fosse diferente teríamos mais um jardim florido em Bagdá e um também um no Texas – certamente o mundo todo seria um jardim do Éden. Como nos bons tempos:  Terra de Gigantes Engenheiros do Hawaii - Terras de Gigantes</itunes:summary><itunes:keywords>Bagdá, Jardineiro, reflexão</itunes:keywords><description>Mas, hey hey mãe! Por mais que agente cresça
Há sempre alguma coisa que a gente
Não conseque entender Por isso, mãe
Só me acorda quando o sol tiver se posto (Humberto Gessinger – Terra de...&lt;br/&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/cronicasdojoel/~4/pU4imH8c2mE" height="1" width="1"/&gt;</description><feedburner:origLink>http://cronicasdojoel.blogspot.com/2008/11/um-jardineiro-para-bagd.html</feedburner:origLink><enclosure url="http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~5/AZoxpgYNeIg/play.swf" length="662" type="application/x-shockwave-flash" /><feedburner:origEnclosureLink>http://www.mp3tube.net/play.swf?id=b605280a021e01df71ad48fa3957a839</feedburner:origEnclosureLink></item><item><title>Noites de gato pardo</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~3/BW78zH-N0mQ/noites-de-gato-pardo.html</link><category>solidão</category><category>gato</category><category>crônicas</category><author>noreply@blogger.com (Joel)</author><pubDate>Mon, 10 Nov 2008 13:35:49 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-8157131340045038377</guid><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-11-10T19:35:49.817-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><media:content url="http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~5/IdUVlXH97jc/play.swf" fileSize="662" type="application/x-shockwave-flash" /><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle> "Existem duas maneiras de nos refugiarmos das misérias da vida: música e gatos” ( AlbertSchweizer) Noite fresca. 22 graus, no máximo. Nem alma viva ou desencarnada por perto. Não tenho cansaço de corpo. Olho pro breu do céu. Nossa, quanto tempo não repar</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary> "Existem duas maneiras de nos refugiarmos das misérias da vida: música e gatos” ( AlbertSchweizer) Noite fresca. 22 graus, no máximo. Nem alma viva ou desencarnada por perto. Não tenho cansaço de corpo. Olho pro breu do céu. Nossa, quanto tempo não reparava esses pontinhos brilhantes no firmamento - cintilância das estrelas - não são vaga-lumes. Vai bem um travesseiro no piso duro. Deitar na varanda. Na varanda dá pra deitar e ficar feito coruja – feito a coruja que pousou lá pelas altas horas na antena da sky, bem tranqüilona, circunspecta. Delibero esquadrinhar as estrelas, de barriga pra cima - assim não há perigo, barriga pra cima, calmo, calmo. Ah garoto! As três Marias não precisam de apresentação, figuras fáceis deste céu antigo – estão lá dando, como sempre, aquele mole. Eu sabia, pelo Seu Melquíades – meu vô, muito doidão, que Deus bem o tenha – que as três Marias formam o cinturão da constelação de Órion, o caçador. Segundo a lenda – dizia o velho, Órion estava acompanhado de dois cães de caça, representadas pelas constelações do Cão Maior e do Cão Menor. Por mais que me esforce eu não consigo ver a configuração de estrelas do tal Caçador, tampouco a dos seus cães. Vi uma estrela de um fulgor maior, possivelmente Sírius, a estrela mais brilhante do céu, e facilmente vista a sudeste das Três Marias. Esse negócio de olhar o céu procurando caçadores, cães, as Marias, deu-me a doer a costela - estou um pouco magro. Recordo-me da coruja da antena Sky, a coitada que me encantava todas as noites, fora devorada pelo dócil gato daqui de casa. O peste do bicho tem lá o seu potinho de ração sempre cheio, mas só deixou as penas de lanugem felpuda pra eu ver. Não. Parece que por nesses dias não é negócio mergulhar nas estrelas do céu de meu Deus. Já bastam os muitos cães e caçadores daqui deste chão de meu Deus a me espreitarem. Mas salvem as Marias. Não nos incomodam – muito, muito pelo contrário. Hoje quero ser gato, dos de sete vidas, e não coruja. Ah, se eu fumasse pitaria um cigarro - mas cigarro dá câncer. Uma brahma não vai? Não! Agora sou um gato, vou aliviar minhas tensões afiando as garras no seu sofá. É bom você ficar sabendo, desde logo, que gatos como eu, sabem usar unhas e dentes muito bem - olha que avisei! Por isso me trate com afeição – ninguém quer uma cicatriz na cara. Estou matando cachorro a gritos. Não custa nada um carinho, custa? O meu "ronquinho" não dá asma! Você se lembra desta canção? Richard Sanderson - Reality </itunes:summary><itunes:keywords>solidão, gato, crônicas</itunes:keywords><description>"Existem duas maneiras de nos refugiarmos das misérias da vida: música e gatos”  ( AlbertSchweizer)
Noite fresca. 22 graus, no máximo. Nem alma viva ou desencarnada por perto. Não tenho cansaço de...&lt;br/&gt;
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[Mae West ] Ela colocou a mão direita na minha nuca, a esquerda sobre a borda do teto do “carango”. Pediu para ficarmos. Afetuosamente, dizia que o tempo estava para chuva. “Quando chove um </itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary>"É difícil ser engraçado quando se tem que manter a cara limpa." [Mae West ] Ela colocou a mão direita na minha nuca, a esquerda sobre a borda do teto do “carango”. Pediu para ficarmos. Afetuosamente, dizia que o tempo estava para chuva. “Quando chove um temporal como o que está por vir, as estradas destas bandas se transformam num barreiro com muito perigo para dirigir carro. Tomem mais uns tragos e se acomodem”. Diante da nossa insistência de despedida, ela nos convidou para voltarmos mais vezes, e que no próximo domingo, a programação de Alto Liberdade seria das boas. Fitou-me com olhos tão carinhosamente azuis e com mão tenra forçou meu pescoço para acontecer um beijo - constrangimento puro - duas mãos no volante e não cedi. Então tchau, tchau, ... vão com Deus! Passei a primeira e arranquei o carro e muito da alegria daquela mulher. Certamente se sentiu a última. Nem um quilômetro depois, risos e gargalhadas uníssonas. “Mas ela só queria um beijo, desses de mordidinha que você diz saber dar” - dizia Adejander, saboreando o som de cada palavra sua. O Dotô Digo também não se calou, dizendo que nunca havia visto alguém de pescoso mais rijo. Mas só o pescoso! Rá, rá, rá! Válber, para não ficar de fora, nada original, cantarolou com uma voz pastosa, de muito bêbado “não interessa se ela é coroa, panela velha é que faz comida boa”. Ah, Válber, pudera eu dar uma descarga! E, assim descemos aos risos pela estrada poeirenta, parelha ao Rio Liberdade. Disse a eles, que, já que achavam esse episódio tão interessante, que colocassem na Difusora para o Alcenir noticiar. Já que dá tanta notícia um cavalo refugar nos jogos olímpicos, ponham no rádio que refuguei. Lembram do refugo do Baloubet du Rouet? O meu refugo talvez também desse IBOPE ! Descíamos o Rio Liberdade até que veio a chuva da Ana e o pó tornou-se barro. Alguém - não lembro quem - disse profeticamente: “Tamos fudidos!!!”. Foi assim que o meu Ford (bofemóvel, como diria o Guidoni, mas que mofava em casa, sem perceber como é belo tudo aqui fora!) deu-se a patinar pela estrada afora, até girar, e por poucas polegadas não descemos parambeira abaixo, ao encontro de uma viçosa plantação de bananas. Isso colocou sobriedade em todos. Que continuasse assim a sorte pela vida inteira! Domingo outro, recompostos, estávamos de novo emLiberdade. Ana, lá, sentada, coladinha a um homem de cabelos de cachos uniformes, olhos claros, branquíssimo como bruma e longe de ser galã. Não parecia jovem, mas tinha um quê de jovialidade em gestual. Ele acariciava o rosto lívido e maduro de Ana, como se a gostasse muito. O “forró pé de serra” fervia na cabana. Os dois - a mim parecia - sentiam-se a sós num mundo especial. Nenhuma grana ou revertério da natureza tirá-los-ia daquela mesa sombreada por frondosa calabura. Quando acabei o grande copo de cerveja, tomei-me de ânimo e como se vestisse um casaco de general fui ter comos dois. Não sei por que “cargas d’águas” fiz aquilo. Ela cortês e riso conhecido. “Fidélis, este é o Joe, ele sabe fazer a cabeça da mulherada. Jaqueline vai arrumar o cabelo com ele, lá em Colatina, para o casamento!”. Ruborizei: Galega desgraçada! Não me chamo Joe, não faço a cabeça da mulherada, ainda mais nesta acepção. Não a beijei no domingo da chuva, não por questão de distantes nossos anos de nascimento, foi só porque fiquei avexado com a turma. Eu, de certa forma, amava Ana. Não me chateou Ana. Para um hipócrita como eu, isso era pouco!  Sixpence Non The Richer - Kiss Me </itunes:summary><itunes:keywords>amor, beijo</itunes:keywords><description>"É difícil ser engraçado quando se tem que manter a cara limpa." [Mae West ]
Ela colocou a mão direita na minha nuca, a esquerda sobre a borda do teto do “carango”. Pediu para ficarmos....&lt;br/&gt;
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(Provérbio japonês)Era a primeira noite de Colatina que partilharia a minha lépida presença com o Kikasoti depois que ele adotara o gato preto. Aquele bicho, parecia-me que lhe fizera m</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary> "A felicidade gosta de entrar em lares nos quais reina o bom humor." (Provérbio japonês)Era a primeira noite de Colatina que partilharia a minha lépida presença com o Kikasoti depois que ele adotara o gato preto. Aquele bicho, parecia-me que lhe fizera muito bem. Estava bem disposto, com alegria como a dos filhotes. Ouvi num programa de cultura inútil, na tevê, que os animais domésticos assumem um pouco da personalidade do dono. Por um tempo até acreditei nisso, porque o Pretinho, o poodle do Doutor Dhigo, fazia umas esquisitices que eram típicas do dono. Mas no caso do Kikasoti deu-se o contrário. Ele havia se transformado num bichano sete vezes vivaz e sequioso por mimos. Talvez, e bem por isso, que quando notamos que olhares dengosos, em flertes, nos procuravam, partimos logo para o "fight", e tomamos nos braços aquelas ninfas que nos alegrariam as horas seguintes, que de certo não se perderão na noite do meu esquecimento. Cada par, a seu modo, e é bom que se diga, se aqueceu naquela rara noite de um pouco frio outonal Colatinense... Sei muito bem que a causa de não me incomodar aquele feixe de luz de sol que vazava a mal fechada cortina da janela do meu quarto, naquele quase final de manhã do primeiro de maio, fora ter conservado, no íntimo, os afagos daquelas horas noturnas. Nem mesmo a longínqua lembrança do "conhaque Domecq limon" ainda guardado nas minhas papilas gustativas e a bem próxima barulheira, que logo decifrei ser uma manifestação de trabalhadores, que reivindicavam os salários não recebidos da massa falida de uma fábrica, me aborreciam – "dinheiro que esperamos há dez anos, como se pudéssemos viver duzentos ou se a fome pudesse esperar!", bradava pelo sistema de som, uma voz que conhecia de longos tempos. Era a Batata. Então a manifestação era liderada pela intrépida e doce sindicalista Batatinha !? Meu pai, o Tião, comentou depois que quando o carro de som passou em frente à mercearia Avenida, num lance de abusada, ela esbravejou dizendo que era por isso que trabalhador não tem valor, onde já se viu aquele comércio aberto num dia em que o trabalhador deveria estar em casa descansando com a família? – Acho que ela não sabia que naquele comércio só trabalham gente da própria família. Ainda que ela dissesse tantas outras tolices, em nada desvaneceria a curiosa admiração que sempre nutri por ela. Não, ela não é qualquer, não que seja transgênica. Ela tem história, ou melhor, fez história! Voltando no tempo em que a molecada se esbaldava em brincadeiras pelas poeirentas ruas e de casas que não eram cercadas por muros, quando muito por cercas de ripas, no tosco bairro Maria das Graças, lá estaria a nossa futura sindicalista, numa árdua tarefa de ensinar os caminhos do "Senhor" a um bando de descarados imberbes adolescentes. Foi nessa ocasião que para os meninos o catecismo não passava de um castigo por roubar-lhes o tempo de traquinagens. E isso tornava as aulas da professora Batata num arrasto de monotonia. Aconteceu que num dia ela sacou da bolsa um bilhete e disse que era um bilhetinho de amor. Que algum aluno tímido, houvera colocado, às escondidas, em sua bolsa aquele bilhete, quase que por desespero, num esforço para um desabafo – Olha gente! - disse num tom professoral – amor não é só isso. Vou ler para vocês – E com entonação da voz para declamação de poesia de amor, entornou nos ouvidos da molecada o bilhete em forma de poema:"Um beijo nunca deve ser dado, Com intenção de maldade, Como fez Judas, aquele traidor desgraçado, Deve ser fraterno para ser belo, demonstrando amizade, Como o ósculo de Cristo nos apóstolos, Cheio de santidade. Mas tenho que confessar, Porque já não cabe em mim: Um beijo em você Batata, Nunca seria assim, Seria de inchar os lábios. Com impulso selvagem, Como a cavalada no cio faz, No pasto do 'Seu Mário'. Eu a quero só pra mim, mesmo que seja amarrada Afinal você me suscita, Vontade para o pecado!" Depois de um suspiro, ao terminar a declamação, Batata disse que precisava conhecer</itunes:summary><itunes:keywords>causos, humor, histórias, amor</itunes:keywords><description>"A felicidade gosta de entrar em lares nos quais reina o bom humor." (Provérbio japonês)Era a primeira noite de Colatina que partilharia a minha lépida presença com o Kikasoti depois que ele adotara...&lt;br/&gt;
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É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito". (Albert Einstein, físico alemão que desenvolveu a Teoria da Relatividade, 1879-1955) Noite tépida, noite de sem ventos, de sem expectativas na semana passada. Um morno jogava na nossa c</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary>"Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito". (Albert Einstein, físico alemão que desenvolveu a Teoria da Relatividade, 1879-1955) Noite tépida, noite de sem ventos, de sem expectativas na semana passada. Um morno jogava na nossa cara o verão colatinense de lascar, ainda em outubro. Vontade de tragar um chope, ou uns chopes – sabe, daqueles. Duas ligações no celular para tirar o deserto de estar só na noite e também para que a bebida, que deveria ser prodigamente gelada, fosse acompanhada de amena prosa. 20h30, como combinado, estávamos lá. Eu não tenho muita certeza a respeito disso, como também não tenho certeza a respeito de nada, mas os atendentes, em qualquer bar aqui nesta cidade, parecem fazer corpo mole para os clientes. Parecem desinteressados, ensimesmados, caras de broas. Olham-nos, quando muito, com a desimportância que se faz para o número zero à esquerda. Às vezes jogam um "boa noite" à mesa, como fazem com o cardápio – soltam, deixam cair, à bangu. Não era bem isso que eu percebia em outras cidades – Não, não estou fazendo críticas gratuitas. Também não estou fazendo críticas a soldo ou a gorjetas, e tampouco estou embriagado. É que a verdade nem sempre se põe em vestes elegantes, apesar de seu conteúdo ser sempre melhor que a mentira. DP e SG são meus amigos de muitas histórias, também de muitos dias e de tantas outras noites de barzinhos. Comunhão. Com SG não comungava da mesma paixão clubista, e como o mar não estava para almirante, melhor era arrumar logo um assunto atraente, que esvaziasse qualquer menção a Vasco ou Flamengo. Falar de gente. Nada mais atraente do que falar de gente, embora nem sempre elegante. E havia muitos divórcios iminentes e comentáveis. De A a Z, se quisesse. Havia tantos casamentos falidos que se arrastavam entre quatro paredes. Tantos casamentos que se abafavam em árida solidão. Mas é muito fácil falar de gente em dores emocionais, difícil é estender a mão, difícil é olhar para os outros sem a obliteração das trevas do egoísmo. Difícil é sentir a extensão da dor do outro... Servi-lhes, então, – sem não antes molhar a palavra com voluptuoso trago – de uma notícia que de certo estaria bem como aperitivo para os ouvidos e para o coração. Contei que lera sobre uma pesquisa que dava conta que a espécie humana atingiria seu apogeu por volta do ano 3.000, e não era uma pesquisa de butiquim, fora feita pelo centro de estudos da evolução da London School of Economics, sob encomenda para o canal Bravo, da TV britânica - Diante da boa receptividade ao assunto, continuei após mais um trago – Na alvorada do próximo milênio, os seres humanos terão entre 1,80 m e 2,10 m de altura, viverão 120 anos, serão belos, esbeltos, morenos e – informação que não poderia faltar numa pesquisa encomendada por um canal masculino – os homens terão pênis maiores. Os seios das mulheres também se beneficiarão – SG interpelou dizendo que 1,86 m já tinha - Então lhe disse que no caso dele, no futuro, considerando proporcionalmente, teria os dois e dez de altura - agora quanto a outras medidas máximas, talvez não fosse se beneficiar. Ele riu um pouco e disse que eu estava bebendo muito rápido, que iria pedir ao garçom para cortar a bebida. Então eu é que ri muito. DP manteve-se tocado por um silêncio circunspeto por tempo de mais uma garrafa e meia - silêncio que lhe valeu, depois que desvendei o motivo – mais admiração e orgulho por sua amizade. Para tirá-lo daquela calada absoluta, indaguei, sem não buscar o auxílio do humor: "conversa que você não conhece melhor calar, DP?" Ele contou que pensava nessa idéia da evolução física realmente fascinante. Mas também tinha lido que a humanidade dera um salto longo em termos de tecnologia, em ínfimo tempo. O homem, se considerássemos o vastíssimo tempo de existência de vida no planeta, poderia-se dizer que havíamos descidos das árvores e saído das selvas há poucas horas. Que o homem ainda trazia em si a selvageria e o descontrole de um bicho. De um bi</itunes:summary><itunes:keywords>prosa, boçalidade, humanidade, contos, crônicas</itunes:keywords><description>"Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito". (Albert Einstein, físico alemão que desenvolveu a Teoria da Relatividade, 1879-1955) 

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Gosto de ver. Liberdade elas lembram. Mergulham no nada e tem tudo. Nem o nome “gaivota” precisam. Dá vontade de ser pássaro. Médico e louco só um cura o outro, e acho por isso só tenho um pouco de louco para me cura</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary> Gaivotas fazem é escorregar pelo céu. Gosto de ver. Liberdade elas lembram. Mergulham no nada e tem tudo. Nem o nome “gaivota” precisam. Dá vontade de ser pássaro. Médico e louco só um cura o outro, e acho por isso só tenho um pouco de louco para me curar sozinho. Certa vez quis me curar sem asas de um mundo com peso de pequenos problemas, medido em contas vencidas, amores perdidos, um time de pernas de pau e de gente sangrando na cidade maravilhosa. A bula estava lá, esticado como uma segunda-feira, no sofá: o gato vivendo a sua felina vida sem contrariedades – desejei ser um. Ser um gato de verdade, daqueles que miam. Daqueles, como se diz por ai: têm sete vidas – porque gato de ser bonito, isso já sou! Ser gato de me ir por aí, noites sem muros, sem escuros, ronronando a atrair gatinhas, sabendo amar até de arranhões. Ah, uma vida a bel-prazer, uma vida que se caísse em qualquer circunstância de queda, seria de pé, sem sentir a dor da falta de autoconfiança. Mas como tudo que passa, demovi-me da idéia de ser bichano. Considerei, e se me castrassem? Há gentes que são cruéis com os animais. Sabe como é, gato que não é inteiro só tem prazer em comer rato. Não quis ser gato mais... Vai que a minha dona é a Chica! Mas não sou louco e nem vou dizer por aí que estou feliz. É que quando a gente quer ser bicho a razão já não serve mais pra nada. Então eu não li nos jornais o que disse uma criança da favela do Alemão? “Sonho é ser um pássaro e voar da favela”. Nas palavras de W. de treze anos, bastava ter tido a sorte de nascer passarinho “para poder voar para bem longe da favela”. Assim, ele se livraria da violência na Favela da Grota, no Complexo do Alemão, em Ramos. Os bichinhos, que são gente, estão desorientados, com medo. Muitos deles não querem ir para escola porque não conseguem se concentrar. “Ficam agressivos – feito bichos mesmo – deprimidos e acabam fazendo xixi e dormindo sem querer”. Bastava ser pássaro – uma gaivota – para deslizar no céu do Rio de Janeiro. E quem sabe ver a maravilhosa cidade que nunca se vê a não ser na televisão? Não me digam que é melhor encarar a vida de cara, tête-à-tête, sem farmácia e fantasia, porque não se trata de enfrentar a vida – é a morte que se encara – não é o coitadinho do bicho papão que se tem pela frente. Não se pode ser gente em lugar que se mata até os sonhos das crianças. Porque ser gente não existe coisa melhor. Melhor do que ser bicho que voa de bem perto para bem longe, porque gente tem sonho. Não há nada mais belo do que ser gente na melhor acepção da palavra: gente que não rouba do erário público, que não escandaliza no senado, que não emprega parente, que não falta com o respeito. Gente que não é brega e subdesenvolvida como aqueles que puxam saco dos poderosos, aqueles que não trabalham e recebem, que xingam no trânsito, gente que não está nem aí e maltrata bichos. Eu por mim nunca vi nada mais belo do que gente simpática que pede desculpas no trânsito e gente que dá bom dia pro porteiro. Eu fico apaixonado e feliz uma semana inteira e até mais quando vejo gente assim de verdade. Para os que ainda não são, abraço do amigo urso! ♪ Gosto de ouvir isso: Legiao Urbana - Catedral:  Legiao Urbana - Catedral </itunes:summary><itunes:keywords>mensagem, amizade, bichos, cronicas, contos</itunes:keywords><description>Gaivotas fazem é escorregar pelo céu. Gosto de ver. Liberdade elas lembram. Mergulham no nada e tem tudo. Nem o nome “gaivota” precisam. Dá vontade de ser pássaro.

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Só nos resta aprender."- Fernando Brant Sem perceber eu havia escorado os cotovelos no parapeito da varanda. Nem fora o vento, que não havia, que teria me açulado àquele gesto. Às vezes até uma folha que se desprende da cabreúva </itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary> "A lição sabemos de cor. Só nos resta aprender."- Fernando Brant Sem perceber eu havia escorado os cotovelos no parapeito da varanda. Nem fora o vento, que não havia, que teria me açulado àquele gesto. Às vezes até uma folha que se desprende da cabreúva que se expõe magnífica à vista da varanda lá de casa, faz-me mover. Estranha a dispersão ajuntada de abatimento incomum que houvera me paralisado. Busquei recrear minha fastigada vista no rio e nos prados do entorno. O rio, assoreado, expunha em seu leito, vastos e múltiplos bancos de areia, jogando na nossa cara o descaso antigo; e pelo longe, na direção de Santa Margarida, brotava uma fumaça de queimada de pasto que se espalhava pelo vale, tornando ainda mais débil a luz daquela monótona tarde. Era curioso como o fogo na pastagem se aproximava de uma solitária árvore que lembrava o cedro estampado na bandeira do Líbano. Vinha-me à mente, tão inevitável, as imagens dos escombros dos prédios em ferragens retorcidas, dos tantos mortos, das gentes em desespero tentando fugir dos bombardeios de Israel sobre Beirute e outras cidades Libanesas, para aniquilar a qualquer preço o Hizbollah. Era agosto.Sempre fugi de ser estúpido. Corro de ser estúpido, tropeço na estupidez. Não queria acreditar que agosto fosse o mês do desgosto. Já ouvira isso, mesmo lá dentro de casa. Pensei no agosto passado, havia tomado a primeira multa de trânsito, em anos de habilitado. Dias depois, as dezesseis válvulas do motor de meu carro se multiplicaram em prejuízos (até pensei em pagar o Visa com o Mastercard). Lembrei-me do balaço do Getúlio, da “noite de São Bartolomeu ou massacre em nome de Deus”, que aprendi nas aulas de História com o Caetano, lá no Polivalente. E, para mais, havia entes queridos falecidos naquele mês. Pronto: Já tinha me transformado num completo estúpido.Tirei os cotovelos. Pensar é essencialmente errar – já dizia o Caeiro. Resolvi agir espairecendo-me pela cidade. Estava de férias, afinal. A locadora de vídeos, iria lá. Na altura do Colégio Antônio Nicchio, que mal, encontrei pedras no caminho, não pedras quaisquer, eram pedras enormes de granito, sobre fileiras intermináveis de carretas que faziam um manifesto e bloqueavam o meu caminho e de tantas outras gentes. Queriam os carreteiros a revogação do decreto de proibição de trafegarem pelas vias da cidade. Deixei estacionado o carro no lugar até onde pude chegar. Caminhando vi o Gu Braga. Acenou-me, e por obrigação, como quem joga algo fora, respondi ao aceno.Atravessei o quase quilômetro inteiro da Florentino Ávidos a pé. Já fizera aquilo antes e me parecia de há muitos séculos. Nos séculos em que havia o supermercado Morita, a Loja Odontótica, a Caderneta de Poupança Tamoyo. Nos séculos em que eu não perdia por nada os filmes do Giuliano Gemma, nas matinês do Cine Gama ou do Cine Idelmar, tampouco as domingueiras do Clube ACD. Quando do Zoológico do CREB: quantos e quantos ontens!Uma lâmina d’água que não encobria sequer um tornozelo, era o que passava debaixo daquela ponte. A despeito de tudo, mesmo que se passasse um caudaloso rio ali, não me jogaria. O “troço” estava ruim, mas não para morrer. Mesmo que fosse pra morrer, teria que ser bonito (se é que se pode). Talvez numa colisão com aquele trambolho com a inscrição “Bondinho da Alegria” que trafega pela cidade, carregando os pequenos, até pela noite, sem cintos de segurança, em bancos de madeira, a fazer festa, mas que por um milagre nenhuma criança, e ninguém mais se ferisse, que só eu morresse. Assim notar-se-ia o desserviço à educação no trânsito, um descalabro da nossa cidade, onde se multa por causa do carona sem cinto e deixa-se ganhar dinheiro às custas de riscos para inocentes. Mas não queria morrer. Os olhos que vêem tão moribundo o doce rio, querem mais ver!Então desci pela cabeça da ponte – a nossa ponte tem cabeça e quebra-molas – entrei na primeira Lan House que veio a frente, para mergulhar no mundo virtual. Queria outro mundo, encontrar meus amigos. Foi en</itunes:summary><itunes:keywords>Colatina, saudades, fotografias, lirismo, agosto, crônicas</itunes:keywords><description>"A lição sabemos de cor. Só nos resta aprender."- Fernando Brant

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(Quase uma crônica de amor)</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~3/XDJImqbjIeM/rifa-se-um-corao-quase-uma-crnica-de.html</link><category>verdades</category><category>Crônica</category><category>contos</category><category>amor</category><category>traição</category><category>paixão</category><author>noreply@blogger.com (Joel)</author><pubDate>Thu, 14 Aug 2008 09:59:48 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-18931180.post-2021592424849219340</guid><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-08-14T13:59:48.475-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">7</thr:total><media:content url="http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~5/yeBMQaS5u0c/play.swf" fileSize="662" type="application/x-shockwave-flash" /><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle> "Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será." ... (Carlos Drummond de Andrade) Então eu seria rei. Desconfiei que tudo na minha vida mudaria quando</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary> "Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será." ... (Carlos Drummond de Andrade) Então eu seria rei. Desconfiei que tudo na minha vida mudaria quando a vi tão paciente, generosa, a colocar pellets no potinho do pequeno viveiro de periquitos australianos, a debulhar um alface inteiro e servi-lo aos multicoloridos e festeiros passarinhos. Pensei junto de um suspiro “Ah, vou ser um periquito!”. Depois não, eu iria ser rei. Foi Nice que me apresentou à Joana, às seis da tarde de uma quinta, semana depois. Até hoje, Deus do céu, não entendo bem porque eu, e ela também, acreditamos piamente que encaixávamos sem folga e sem aperto, um no coração do outro. Liguei pra Nice: “Nice do céu, você é um anjo. Nice, você é um anjo do céu”. Nice disse que eu era bobo. Eu respondi não Nice, agora sou um rei. Encontrava Joana todos os dias e era pouco. Saíamos às vezes – pra mim era chope e pra ela um suco. Contava sobre o meu dia e Joana falava até dos periquitos. Ela torcia pelo Vasco e eu gostava disso. Eu ria de quase tudo, Joana de quase nada. Numa vez, Joana um pouco triste, pediu-me para olhar em seus olhos – olhos castanhos claros sobre um nariz delicado e boca gostosa – tive de jurar que ficaríamos sempre juntos. Jurei pra lá de três vezes. “Claro que sim filé, claro que sim meu dengo, claro que sim amor da minha vida – eu juro!”. Em contrapartida, propus um pacto a Joana: que nos disséssemos sempre a verdade um ao outro. “A verdade é sempre o melhor presente que podemos oferecer a quem a gente ama”. Ela, ao ouvir isso, riu quase que em segredo e disse que eu era um sabichão. Achava tão bom Joana me achar um sabichão! Os nossos assuntos passaram a não só dias passados, mas os futuros também. Ofereci-a um sonho meu, o de conhecer Estocolmo. Ela achou que era um lugar muito frio, mas na minha companhia o sol brilharia todos os dias na Suécia. Joana, simploriamente, revelou-me que só desejava ir à praia. Há muito tempo não ia à praia. Assim eu gostava mais de Joana. Tudo era tão bom e eu rei que num sábado de muito quente, um mau pressentimento me esfriou por dentro. Fui à casa de Joana e ninguém estava. Liguei para o celular dela e só caixa postal. Cadê Joana? Joana minha amada, minha dor, cadê você linda? Chegou e passou a noite e Joana só era a caixa postal do celular. Lembrei-me de Nice, dela saberia o paradeiro de Joana. Nice disse incrível você não saber, Joana foi à praia. Foi com uma gente que ela disse ser os parentes. Nice percebeu que eu me afogara num mar de desapontamento, que meu moral estava abatido e estirado agonizante ao chão – metaforicamente dizendo – e, assim me disse um bocado de coisas legais, que me foram pílulas em forma de palavras e atenção que eu engolia numa talagada só. Joana me ligou, exatamente um dia completo depois, com um argumento que nem numa eternidade poderei entender. “Não queria te chatear. Tinha de ir à praia com minha prima. Desliguei o celular pois se você dissesse que estaria chateado comigo, nem para o mar conseguiria olhar”. Talvez fosse mesmo verdade. Talvez ela não soubesse que só a queria ver feliz. Que se o caso fosse praia – para mim cem quilômetros era um passo. O que era cem quilômetros para quem quer ver o sol brilhando em Estocolmo? Talvez houvesse razão na simplicidade argumentativa de Joana, ou não. Não importava mais, eu só pensava como seria o beijo de Nice. Cristo do céu – aquele cheirinho bom – como seria beijar Nice? Esse era o meu único dilema e que o resto do mundo explodisse. ♫ Músicas: Minha Vida (In my Life) Rita Lee Musikk Feat. John Rock - Love Changes Everything ☺Blog “A vida escrita a mão”. Praticamente um” big brother” em forma de blog. A vida da autora no seu dia-a-dia no Reino Unido, magistralmente descrita. ◙ Videoclipe: Sixpence None The Richer - Kiss me ◘ Vídeo: Lendas e contos da Quaresma nas montanhas de Minas (Tem gente de Minas que acredita mesmo!) @ Dica</itunes:summary><itunes:keywords>verdades, Crônica, contos, amor, traição, paixão</itunes:keywords><description>"Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será." ... (Carlos Drummond de Andrade) 
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Viveríamos muito mais ainda. Nasceríamos muitos ainda. Não, não seria nesse ano de nosso senhor Jesus Cristo que...&lt;br/&gt;
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(Kathleen Norris) Estávamos todos de casa reunidos num domingo produzido em luz de exuberante manhã. Era daqueles que pedia fotog</itunes:subtitle><itunes:author>noreply@blogger.com (Joel)</itunes:author><itunes:summary>"A vida é mais simples do que a gente pensa; basta aceitar o impossível, dispensar o indispensável e suportar o intolerável." (Kathleen Norris) Estávamos todos de casa reunidos num domingo produzido em luz de exuberante manhã. Era daqueles que pedia fotografia – retrato – como diz meu velho pai. O último que chegara fora o irmão mais velho. Calçava sandálias Goóc que o afetava a pisar sofisticado. Trouxera um disco de videoclipes de músicas oitentistas e também sorvetes para sobremesa. Quatro sabores em dois vistosos potes. Chamei-o de “Mané”, por notar a falta do meu preferido. Ele respondeu que na Summer não vendiam sabor banana. Retruquei que banana era bom pra mãe dele, porque eu queria degustar baunilha. Nisso, uma voz vindo da cozinha instou-me: “Olha a boca, moleque!”. Aquela voz tinha os melhores sabores dos sorvetes e da vida, fazia sorvete de baunilha virar fichinha. A Luizinha também estava lá. Ela quase sempre estava lá. E eu sempre quero ver Luiza. E Luiza engatinhava pelos cantos e meios da casa a espreitar tudo que se movesse, a experimentar todas as cores que seus vivos olhos amendoados alcançavam. Luiza é tudo de bom e parecia nanar o sonho de ter em seus pequenos braços e mãos de bebê, o gato. Que gato que é, acusava o golpe e se esgueirava aqui e acolá, sempre assustado. Meu irmão, já sem as sandálias nos pés, tirou cuidadosamente o disquinho de DVD de clipes dos anos oitenta da capa. Falei minha nossa, esse cara vai desenterrar a Cindy Lauper. Ele se esforçou para não rir. Fingiu muito mal não ser com ele. Deu play e então começou a tocar Build, uma canção do The Housemartins. Tive impressão que conhecia os caras daquela Banda. Ou muito me engano, mas aqueles “Lemão” eram lá de Marilândia – eles tinham um quê de Marilandenses. A música deles era um pop dos açucarados, mas era boa. Perguntei a meu irmão se ele gravara algum videoclipe do Village People naquela mídia. Ele respondeu perguntando se eu tinha alguma fantasia de “levadinho” na cabeça. Disse que não. É que a música dos caras arrancava máscaras. Qualquer festinha que tocasse aquilo, neguinho tímido e branquinho e pardinho também, que no fundo no fundo eram uns sapequinhas, agitavam-se igual às minhocas em asfalto quente. Lá no meu trabalho, na festa do fim de ano, dois sisudos “macho mans” pareciam ter virado gelatinas. Ele, rindo muito descaradamente, encenou acertar-me um tabefe. Falou-me que se eu tomasse uns pileques também perderia a estribeira como os sujeitos. Redargüi que assim seria covardia. Meu irmão mais velho sabe das coisas e até o Ira! tocou pra gente naquele domingo: "Como eu um sou girassol, você é meu sol... " Percebia-se na cozinha pelo alvoroço e pelo aroma recendido no ar que ultimavam o almoço dominical. Meu irmão mais moço – estava bem na cara – era o mais contente entre nós e embalava a pequena Lívia que o tornara aquele jovem pai há dez meses. Os outros também aquinhoados de contentamento revezavam-se pelos cômodos da casa a contar os seus grandes feitos de seus pequenos mundos. Veio então o "paizinho" até a sala e pediu que a Livinha mostrasse os dentões. “Mostra os dentões pros tios, mostra os dentões”. Então ela abria a boca em gesto de sorriso e se via um rosário de graciosos dentes recentes. O meu irmão mais moço se mudaria para São Mateus na semana que se seguiria. Laborava no petróleo. São Mateus tinha petróleo – o Brasil precisa do petróleo – era melhor morar por lá. Disse-lhe que a Livinha iria poder curtir bem a praia de Guriri. Ao dizer isso, ocorreu-me o apocalíptico relatório do Painel Intergovernamental de mudança Climática (IPCC), divulgado em Paris e estampado nos jornais daquele domingo: secas, tempestades, enchentes. Tudo causado pelo aquecimento Global. Falei pra meu irmão que a praia estava condenada. Ele disse não, o mar só subiria meio metro e isso em décadas. A praia estaria garantida por bom tempo. Contei-lhe sobre as conseqüências nas correntes marinhas por menor que fosse o aumento do volume do mar </itunes:summary><itunes:keywords>dia das mães, contos, aquecimento global, Família</itunes:keywords><description>"A vida é mais simples do que a gente pensa; basta aceitar o impossível, dispensar o indispensável e suportar o intolerável." (Kathleen Norris) Estávamos todos de casa reunidos num domingo produzido...&lt;br/&gt;
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O conteúdo aqui apresentado é bastante genérico, onde são apresentadas opniões pessoais sobre assuntos diversos. É praticamente uma mesa&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/cronicasdojoel/~4/lR7PxJGzhCQ" height="1" width="1"/&gt;</description><feedburner:origLink>http://psychopenguin.org/</feedburner:origLink></item><item><title>Flickr: Photos from edgargatti [del.icio.us]</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/cronicasdojoel/~3/Ps115FuEadE/</link><category>natureza, humano, animais, colatina,</category><dc:creator xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">joelrogerio</dc:creator><pubDate>Mon, 28 Aug 2006 15:22:01 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">http://www.flickr.com/photos/edgargatti/</guid><description>Diz que foi meu aluno e que o reprovei!&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/cronicasdojoel/~4/Ps115FuEadE" height="1" width="1"/&gt;</description><taxo:topics xmlns:taxo="http://purl.org/rss/1.0/modules/taxonomy/">
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