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<lastBuildDate><![CDATA[Tue, 07 Oct 2008 13:13:48 GMT]]></lastBuildDate>
<title><![CDATA[Rascunho]]></title>
<link><![CDATA[http://www.rascunho.net]]></link>
<description><![CDATA[Crónicas Rascunho.net]]></description>
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<title><![CDATA[O Capuchinho Vermelho]]></title>
<description><![CDATA[<img src='http://www.rascunho.net/img/pedro_seromenho_rocha.jpg'><br /><i>«O frio não é problema. Ainda tem as botas da Prada e o casaco da Versace. O problema é a sua mesada que não estica»</i><br /><br /><p><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument> <w:View>Normal</w:View> <w:Zoom>0</w:Zoom> <w:HyphenationZone>21</w:HyphenationZone> <w:PunctuationKerning /> <w:ValidateAgainstSchemas /> <w:SaveIfXMLInvalid>false</w:SaveIfXMLInvalid> <w:IgnoreMixedContent>false</w:IgnoreMixedContent> <w:AlwaysShowPlaceholderText>false</w:AlwaysShowPlaceholderText> <w:Compatibility> <w:BreakWrappedTables /> <w:SnapToGridInCell /> <w:WrapTextWithPunct /> <w:UseAsianBreakRules /> <w:DontGrowAutofit /> </w:Compatibility> <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4</w:BrowserLevel> </w:WordDocument> </xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"> </w:LatentStyles> </xml><![endif]-->Era uma vez uma rapariga que, no semestre passado, comemorou dezoito
Primaveras. Chamava-se Joana e estava feliz da vida pois at&eacute; j&aacute; tirou a carta
de condu&ccedil;&atilde;o. Agora que &eacute; maior e vacinada passa os dias a cobi&ccedil;ar o novo Audi
A5 nos stands. Primeiro chateou o pai, depois a madrasta, a m&atilde;e e o amante, mas
nada feito. O carro dava-lhe imenso jeito, &eacute; certo, mas est&aacute; dif&iacute;cil. Com ele,
poderia dar boleia &agrave;s amigas, lev&aacute;-las at&eacute; &agrave; Universidade e causar furor por
onde quer que passasse. Ela daria tudo para um dia ser vista assim num carr&atilde;o,
a desfilar pela cidade, com o cachecol a esvoa&ccedil;ar-lhe do pesco&ccedil;o. Mesmo que
estivesse um frio de rachar, passaria o final de tarde a exibir-se para, ao
anoitecer, dar um saltinho at&eacute; ao Shopping da cidade e comprar aquele casaco
t&atilde;o original da Burberrys, com losangos bege e castanhos, que lhe fica a matar!
O frio n&atilde;o &eacute; problema. Ainda tem as botas da Prada e o casaco da Versace. O
problema &eacute; a sua mesada que n&atilde;o estica. Est&aacute; farta de ficar especada nas
montras, a contar os trocos, enquanto as outras fazem boa figura. Por isso,
certo dia, a Joana saiu das aulas e decidiu comprar um sortido de doces, para
oferecer &agrave; sua madrasta. Talvez assim ela lhe desse mais qualquer coisinha.
Fez-se ao caminho, atravessou a floresta, e preparou o discurso at&eacute; ser
subitamente interrompida. Na berma da estrada, deparou-se com um homem de
meia-idade, cabelos grisalhos e &oacute;culos de massa, a mudar o pneu furado de um
carro. A Joana, assim que o viu, nunca mais lhe tirou os olhos de cima. Parecia
como que apaixonada, fitando-o de cima a baixo com um longo suspiro. Falo do
carro do homem, claro est&aacute;. Tratava-se de um Jaguar descapot&aacute;vel, verde cinza
metalizado, que reflectia no aparelho da Joana, iluminando-lhe a boca como se
fosse um farol. Estava at&oacute;nita. Que coisa t&atilde;o bonita, pensava para consigo. De
um momento para o outro, tinha &agrave; sua frente um homem maduro, charmoso, com
todas as qualidades do mundo, que ainda nem conhecia, e que a poderia fazer
feliz. Era o homem, digo o carro, dos seus sonhos. Sem cerim&oacute;nias, a Joana
pousou os doces, aprontou-se a ajud&aacute;-lo, e ofereceu-lhe um len&ccedil;o para o homem
limpar as m&atilde;os. Era o m&iacute;nimo que podia fazer. N&atilde;o perderia a oportunidade de o
conhecer. E o homem, ainda meio perplexo, agradeceu-lhe com um sorriso branco de
cer&acirc;mica, piscando-lhe o olho. Instalou-se rapidamente o Amor. Trocaram-se
sorrisos, alguns toques, olhares e, de repente, como quem n&atilde;o tem tempo a
perder, o homem avan&ccedil;ou determinado sobre ela, segurando-lhe nas m&atilde;os. Jovem e
incauta, sem saber onde se esconder, Joana baixou a face ruborizada para
aquelas m&atilde;os enormes e perguntou-lhe para que serviam. Em seguida, levantou o
queixo e olhou para aqueles olhos enormes, &aacute;vidos por carne suave e tenra,
perguntando-lhe para que serviam. Depois, reparou naquelas orelhas fl&aacute;cidas e
peludas, perguntando-lhe para que serviam. E finalmente, olhou para aquela boca
enorme, de l&aacute;bios enrugados mas firmes, perguntando-lhe para que serviam.
Sentia-se subjugada &agrave;quele sorriso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-indent: 35.4pt;">&ndash; <strong><em>S&atilde;o para te com&hellip;</em></strong><span> </span>&ndash; hesitou o homem que, sem terminar,
preferiu manter o sorriso e abrir-lhe a porta do carro, como ali&aacute;s fazem os
cavalheiros, para lhe contar o resto da hist&oacute;ria mais tarde.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Este &eacute; o primeiro texto da s&eacute;rie <em>Cinco Contos de N&atilde;o-Natal</em></h4>]]></description>
<link><![CDATA[http://www.rascunho.net/cronica.php?id=145]]></link>
<author><![CDATA[Pedro Seromenho Rocha]]></author>
<pubDate><![CDATA[2008-10-06 03:37:51]]></pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O tatu]]></title>
<description><![CDATA[<img src='http://www.rascunho.net/img/rui_manuel_amaral.jpg'><br /><i>«A mulher e os filhos não estão lá. Os móveis, os aparelhos, os livros, os discos, desapareceram. Tudo desapareceu»</i><br /><br /><p>Um homem chega a casa depois de um longo dia de trabalho no escrit&oacute;rio. D&aacute;
a volta &agrave; chave e abre a porta. Est&aacute; tudo escuro. Tacteia a parede em busca do
interruptor. A luz irrompe num clar&atilde;o e o homem descobre, no meio do maior
terror, que a casa est&aacute; vazia. A mulher e os filhos n&atilde;o est&atilde;o l&aacute;. Os m&oacute;veis, os
aparelhos, os livros, os discos, desapareceram. Tudo desapareceu. Restam as
paredes, o tecto e o ch&atilde;o. E um tatu de casaco preto e botas altas, ainda mais
surpreendido do que o homem, a observ&aacute;-lo no meio daquele imenso vazio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Entretanto, o homem recupera a calma, reflecte um
pouco e conclui que afinal se enganou na porta. Sai para o corredor e sobe mais
um lan&ccedil;o de escadas. Agora sim, esta &eacute; a sua casa. A mulher e os filhos
esperam-no, como habitualmente, para jantar. Tudo est&aacute; no seu lugar. O homem
est&aacute; content&iacute;ssimo. O homem bate as palminhas.</p>]]></description>
<link><![CDATA[http://www.rascunho.net/cronica.php?id=144]]></link>
<author><![CDATA[Rui Manuel Amaral]]></author>
<pubDate><![CDATA[2008-10-03 16:25:02]]></pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Um luxo de mulher]]></title>
<description><![CDATA[<img src='http://www.rascunho.net/img/pedro_seromenho_rocha.jpg'><br /><i>«Dava-se ao luxo de estar rodeada por uma matilha de lobos esfaimados que a olhavam de cima a baixo como a um cordeirinho»</i><br /><br /><p>A Paula &eacute; uma daquelas
mulheres que todos os homens desejam de imediato. Eu acrescentaria: sem
pestanejar. Foi um amigo meu que ma apresentou e, desde logo, fiquei
boquiaberto com a sua simpatia, a irradiar e a contagiar todos com quem falava.
N&atilde;o havia ningu&eacute;m, sobretudo homens, que se sentasse na sua mesa e lhe ficasse
indiferente. N&atilde;o obstante ter uma voz meiga, com a qual amanteigava as
fantasias dos presentes, as suas palavras sa&iacute;am com tamanho vigor e autoridade,
que era dif&iacute;cil afrontar o seu ponto de vista. Possu&iacute;a, a meu ver, um discurso
t&atilde;o intelig&iacute;vel que se tornava ainda mais atraente. Impunha-se. Era uma mulher
que sabia o que queria. Dava-se inclusive ao luxo de estar rodeada por uma
matilha de lobos esfaimados que a olhavam de cima a baixo como a um
cordeirinho, mas n&atilde;o se intimidava. Alinhava nos copos, assistia &agrave;s partidas de
futebol com a malta, vibrava com os golos, pedia rodadas, ignorava o decote,
cruzava as pernas torneadas e, por entre anedotas mais picantes, sorria como se
nada fosse. Havia noites em que at&eacute; nos convidava para irmos a sua casa, onde
fic&aacute;vamos at&eacute; de madrugada a jogar playstation3. Era surreal. Est&aacute;vamos ali,
apenas a tr&ecirc;s passos do quarto, desejosos por outro tipo de jogo, mas ningu&eacute;m
tirava os olhos da televis&atilde;o. &Eacute;ramos como c&atilde;ezinhos obedientes, a quem a dona
mandara sentar, e j&aacute; nem ladr&aacute;vamos como dantes. De alguma forma o seu perfume
Versace inebriara-nos os sentidos mais primitivos, anestesiando as nossas
ac&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao fim de algumas semanas, j&aacute; n&atilde;o se contavam anedotas porcas, j&aacute; se
discutiam cremes e lo&ccedil;&otilde;es, pod&iacute;amos estar no caf&eacute;, na discoteca, que j&aacute; n&atilde;o
lig&aacute;vamos ao rumores, aos piropos, enfim, a todos os coment&aacute;rios mais
indecentes que nos faziam e os quais at&eacute; j&aacute; censur&aacute;vamos. A sensualidade da
Paula havia suplantando a sua sexualidade. A sua figura, de porte atl&eacute;tico, com
mais de um 1,75 m,
olhos azuis carregados de r&iacute;mel, cabelos loiros frisados, pernas esguias e
ancas bamboleantes, outrora deleite para os nossos olhos, era agora uma vis&atilde;o
divina, imaculada. Ela havia-nos conquistado, sobretudo ao meu amigo que era,
sem d&uacute;vida, o que tinha o cora&ccedil;&atilde;o mais enfatuado. Era ele que, com as m&atilde;os a
tremerem, num pestanejar lento, a remoer o l&aacute;bio, em risinhos intimidados ou
com beicinhos enquanto lhe falava, mais apaixonado parecia estar. Eu gozava com
a situa&ccedil;&atilde;o mas ele, zeloso do seu orgulho, refutava imediatamente o &oacute;bvio,
respondendo: <em>&Eacute; engra&ccedil;adinha, mas n&atilde;o passa
de uma amiga.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A minha maior
curiosidade, quando fal&aacute;vamos da Paula, era sobre como seria a sua vida
amorosa. Uns opinavam que ela era fr&iacute;gida, que n&atilde;o se interessava por sexo,
outros que era l&eacute;sbica, que apenas se interessava pelo sexo feminino, e outros,
que apenas se interessava pelos endinheirados, fossem divorciados ou casados, a
quem sacava o quanto podia. Juntos, tent&aacute;vamos adivinhar-lhe os affaires, a extorquir
os magnatas at&eacute; ao tutano para depois os abandonar a um canto. Era assim que a
imagin&aacute;vamos, furtiva e implac&aacute;vel, como um cheque endossado de m&atilde;o em m&atilde;o,
para jamais se deixar apanhar sem cobertura.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Passaram-se pois dias,
tardes e noites id&iacute;licas, com olhares esquivos, gracejos divididos, sussurros
c&uacute;mplices, enfim, todo um romanceio digno de novela. Para o meu amigo, esta
mulher inteligente e linda de morrer, foi a materializa&ccedil;&atilde;o de um sonho. Pelo
menos at&eacute; ao dia em que, pelo acaso de uma m&atilde;o na perna, porventura incauta ou
qui&ccedil;&aacute; maldosa, esse mesmo amigo ficou a saber que h&aacute; sonhos que n&atilde;o s&atilde;o para se
levarem para a cama. A protuber&acirc;ncia da sua almofada tornou-se, desde ent&atilde;o, no
aconchego da sua alma enganada. E essa foi a &uacute;ltima vez que vi ou ouvi falar da
Paula, digo, do Paulo.</p>]]></description>
<link><![CDATA[http://www.rascunho.net/cronica.php?id=143]]></link>
<author><![CDATA[Pedro Seromenho Rocha]]></author>
<pubDate><![CDATA[2008-09-29 08:17:39]]></pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Uma mariposa pousada no tecto]]></title>
<description><![CDATA[<img src='http://www.rascunho.net/img/rui_manuel_amaral.jpg'><br /><i>«A existência humana é assim mesmo: o fim é certo e há um dia para soltarmos o último suspiro»</i><br /><br /><p>Era
o &uacute;ltimo dia da vida de Emiliano Leprini. Todos sabiam isso, incluindo o
pr&oacute;prio Emiliano. N&atilde;o devemos ser demasiado sens&iacute;veis nos assuntos relativos &agrave;
morte. A exist&ecirc;ncia humana &eacute; assim mesmo: o fim &eacute; certo e h&aacute; um dia para
soltarmos o &uacute;ltimo suspiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ora,
o &uacute;ltimo dia de Emiliano Leprini era exactamente aquele. Descal&ccedil;ou as pantufas,
vestiu o seu melhor pijama de l&atilde; escocesa e deitou-se tranquilamente &agrave; espera.
Nesse momento, reparou numa mariposa pousada no tecto (j&aacute; vamos a isso).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao
fim de vinte e quatro horas, por&eacute;m, nada tinha acontecido ainda. Emiliano
come&ccedil;ou a sentir-se um pouco desconfort&aacute;vel. Continuava deitado, sem se mexer,
&agrave; espera da morte. Mas do&iacute;am-lhe as costas, sentia os m&uacute;sculos entorpecidos e
tinha uma fome devoradora.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&ndash;
Eh! Foda-se!* &ndash; disse para os seus bot&otilde;es surpreendidos.</p>
<p>Saltou
ligeiro da cama e retomou a sua vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>* Perd&atilde;o. Estou a repetir textualmente as suas palavras. N&atilde;o
acrescento nada da minha lavra.</em></p>]]></description>
<link><![CDATA[http://www.rascunho.net/cronica.php?id=142]]></link>
<author><![CDATA[Rui Manuel Amaral]]></author>
<pubDate><![CDATA[2008-09-26 23:36:41]]></pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Roupa digna]]></title>
<description><![CDATA[<img src='http://www.rascunho.net/img/azevedo_silva.jpg'><br /><i>«Nem na Amazónia, onde existe um importante porto comercial, conseguimos escapar às garras do capitalismo»</i><br /><br /><p>Ontem &agrave; noite iniciei um <em>p&eacute;riplo</em> pelas lojas do CC Vasco da Gama.<br /><br />A
meio da <em>viagem</em> comecei a perceber que o meu desejo se podia tornar
uma tarefa imposs&iacute;vel, mas mesmo assim tomei uma resolu&ccedil;&atilde;o: at&eacute; saber
mais sobre o assunto, n&atilde;o vou comprar nada. Basicamente, e por precisar
de roupa, entrei em v&aacute;rias lojas para procurar algo de que gostasse.
Mas n&atilde;o me saia da cabe&ccedil;a o document&aacute;rio <a href="http://video.google.com/videoplay?docid=192012118972057552&amp;ei=pePYSOH7MIaYrAKzzbDYAg&amp;q=the+corporation" target="_blank"><em>The Corporation</em></a> e o facto de crian&ccedil;as e adultos (normalmente ambos os exemplos servem
para o sexo feminino) de pa&iacute;ses ainda mais pobres que o nosso serem
exploradas pelas f&aacute;bricas da Nike (apenas um exemplo entre muitas
outras f&aacute;bricas) ou por outras empresas que pagam 16 c&ecirc;ntimos por hora
e vendem as roupas a 150 euros. Com a agravante de que muitas vezes
indicam de que s&atilde;o &laquo;roupa digna&raquo;, enganando o cliente que a compra
julgando estar a ajudar algu&eacute;m.<br /><br />Ora, se tenho a certeza que esta
situa&ccedil;&atilde;o &eacute; desumana, impr&oacute;pria e humilhante, e se a pr&oacute;pria roupa que
trago vestida j&aacute; faz de mim um perfeito hip&oacute;crita, que posso eu fazer
para n&atilde;o voltar a cair no mesmo erro? N&atilde;o escrevo este texto para vos
apresentar solu&ccedil;&otilde;es, mas sim para colher junto de voc&ecirc;s algumas
opini&otilde;es. Minutos antes de ter entrado no centro, tinha falado com um
amigo que n&atilde;o via h&aacute; algum tempo e ambos concord&aacute;mos na dorm&ecirc;ncia que
nos afecta a todos. Disse-lhe que n&atilde;o queria soar a um pol&iacute;tico cada
vez que falo destas coisas. Estou farto de gente do sistema, que fazem
parte de um jogo, cujos ideais acabam por ser corrompidos por fazerem
parte de uma estrutura onde h&aacute; um chefe, onde h&aacute; um programa, onde se
querem resultados e disciplina de voto. <br /><br />Mas continuando... o
que me aconteceu ao entrar em lojas como a H&amp;M, a Pull&amp;Bear, a
Zara, a Bershka e C&amp;A (este &uacute;ltimo exemplo mais grave ainda, na
minha opini&atilde;o, por nem sequer apresentar o local de fabrico), percebi
que a grande maioria das pe&ccedil;as de vestu&aacute;rio s&atilde;o feitas em pa&iacute;ses cujas
popula&ccedil;&otilde;es s&atilde;o das mais exploradas mundialmente: &Iacute;ndia, Paquist&atilde;o,
China, Bangladesh e Indon&eacute;sia (diria que verifiquei isto em 90% dos
artigos que tive oportunidade de analisar). N&atilde;o s&oacute; a minha recusa nesta
compra se reportava ao facto de, muito provavelmente, esses
trabalhadores serem explorados, como muitas das vezes me lembrei de
situa&ccedil;&otilde;es relativas a esses pa&iacute;ses que s&atilde;o pouco humanas. Exemplo: a
discrimina&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero na &Iacute;ndia, o desrespeito pelos direitos humanos
na China, a hist&oacute;ria recente de genoc&iacute;dio entre a Indon&eacute;sia e Timor. <br /><br />Obviamente
que isto tudo se foi tornando cada vez mais interessante. O pr&oacute;ximo
passo foi perceber onde eram fabricados os produtos da The Body Shop e
se eram ou n&atilde;o testados em animais. A conclus&atilde;o mais r&aacute;pida a que
cheguei sobre a The Body Shop foi a de que n&atilde;o apresenta, em muitas das
suas embalagens, qualquer refer&ecirc;ncia aos testes em animais. Posto isto,
n&atilde;o consegui perceber a rotulagem: n&atilde;o afirma e n&atilde;o nos garante de que
os produtos n&atilde;o sejam testados em animais. Questionei-me se o facto de
ter sido comprada pela L'oreal teve algo a ver com a prov&aacute;vel mudan&ccedil;a
de ideais da The Body Shop.<br /><br />Numa outra hist&oacute;ria que me contaram
durante a semana, fiquei a saber que nem na Amaz&oacute;nia, onde existe um
importante porto comercial, conseguimos escapar &agrave;s garras do
capitalismo. Fiquei na d&uacute;vida se podemos optar pelo <em>mal menor</em> e sei
que n&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o plaus&iacute;vel para escolhermos que uma empresa que
factura milh&otilde;es n&atilde;o possa pagar dezenas ou centenas. N&atilde;o &eacute; certo, n&atilde;o &eacute;
digno e &eacute; imoral da nossa parte dizermos que &eacute; assim mesmo e que n&atilde;o
conseguimos mudar isso. Sabendo exactamente qual o caminho que devo
seguir, n&atilde;o percebo quais as op&ccedil;&otilde;es que posso tomar. <br /><br />Sugest&otilde;es?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://myspace.com/projectoparalelo" target="_blank">MySpace</a></p>]]></description>
<link><![CDATA[http://www.rascunho.net/cronica.php?id=141]]></link>
<author><![CDATA[Azevedo Silva]]></author>
<pubDate><![CDATA[2008-09-24 01:41:36]]></pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Plano]]></title>
<description><![CDATA[<img src='http://www.rascunho.net/img/rui_manuel_amaral.jpg'><br /><i>«O primeiro passo consistia em convencer deus a escrever um livro. A obra-prima entre as obras-primas»</i><br /><br /><p>Jacob R&ouml;ll concebeu um plano para acabar de vez com um certo problema que o
afectava excessivamente. O primeiro passo consistia em convencer deus a
escrever um livro. A obra-prima entre as obras-primas. O livro &uacute;nico,
definitivo e perfeito. Depois disso, teria apenas a ma&ccedil;ada de dispensar o
eterno com um valente pontap&eacute; no traseiro e reclamar para si a autoria do
volume. Era efectivamente um bom plano e Jacob sentia-se muito orgulhoso dele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Cheio de pressa de acabar, construiu uma escada e subiu ao c&eacute;u. Em tr&ecirc;s
tempos alcan&ccedil;ou deus, enfiou-o num saco e regressou a casa.</p>
<p>&ndash; Isto corre &agrave;s maravilhas! &ndash; disse para si mesmo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Seguidamente prendeu-o a uma secret&aacute;ria e tentou de tudo para o obrigar a
escrever o livro. Mas surgiu um problema: o divino n&atilde;o sabia escrever.</p>
<p>&ndash; Infelizmente, n&atilde;o tive oportunidade de frequentar a escola, senhor Jacob
&ndash; piou deus.</p>
<p>Ora, Jacob n&atilde;o previra este contratempo. Sem
desanimar, decidiu saltar directamente para o ponto seguinte do plano. Abriu a
porta de casa, manteve o alt&iacute;ssimo de frente para as escadas, de maneira que
ele visse o trajecto que iria percorrer, e aplicou-lhe um valente pontap&eacute; no
traseiro, cujo vigor teria causado inveja ao melhor atleta ol&iacute;mpico.</p>]]></description>
<link><![CDATA[http://www.rascunho.net/cronica.php?id=140]]></link>
<author><![CDATA[Rui Manuel Amaral]]></author>
<pubDate><![CDATA[2008-09-19 16:35:31]]></pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Quem tem medo da poesia?]]></title>
<description><![CDATA[<img src='http://www.rascunho.net/img/luis_filipe_cristovao.jpg'><br /><i>«Sermos um país de poetas não valeu, sequer, para que o Manuel Alegre pudesse escrever versos de uma varanda de Belém»</i><br /><br /><p class="MsoNormal">Convive-se em Portugal com duas ideias feitas sobre a
poesia, aparentemente contradit&oacute;rias entre si: por um lado &laquo;somos um pa&iacute;s de
poetas&raquo; e por outro &laquo;a poesia n&atilde;o vende&raquo;. O que pretendo aqui &eacute; aprofundar um
pouco mais os poss&iacute;veis significados destas duas afirma&ccedil;&otilde;es t&atilde;o bem aceites do
Minho ao Algarve, e tamb&eacute;m nas Ilhas.</p>
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal">A primeira das afirma&ccedil;&otilde;es, &laquo;somos um pa&iacute;s de poetas&raquo;, est&aacute;
mesmo a pedir para ser refutada. O facto de termos tido um Marqu&ecirc;s de Pombal e
um Salazar, n&atilde;o fez de n&oacute;s um pa&iacute;s de ditadores, o Eus&eacute;bio e o Cristiano
Ronaldo n&atilde;o fazem de n&oacute;s um pa&iacute;s de futebolistas, n&atilde;o seriam o Cam&otilde;es e o
Pessoa (este, no seu &acirc;mago, t&atilde;o pouco portugu&ecirc;s) a fazer-nos um pa&iacute;s de poetas.
Desconfio que tenha sido algum poeta menor quem tenha difundido essa ideia.
Porque existem para a&iacute; muitos projectos de ditadores, em casas, empresas,
associa&ccedil;&otilde;es e munic&iacute;pios, tal como existem, quase a cada esquina, projectos de
jogadores de futebol, uns mais falhados que outros, mesmo que o pa&iacute;s esteja
cheio de escolinhas (inova&ccedil;&otilde;es educativas &agrave; parte) que prometem ensinar o
futebol, agora a s&eacute;rio, &agrave;s novas gera&ccedil;&otilde;es. Projectos de poetas tamb&eacute;m existem
muitos. Mas agora sermos um pa&iacute;s de poetas n&atilde;o valeu, sequer, para que o Manuel
Alegre pudesse escrever versos de uma varanda de Bel&eacute;m.</p>
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal">A segunda das afirma&ccedil;&otilde;es, &laquo;a poesia n&atilde;o vende&raquo;, ter&aacute; uma
parte de verdade e outra de exagero. Quando me dizem que a poesia n&atilde;o vende, a
primeira coisa que me vem &agrave; ideia &eacute; a quantidade de coisas que n&atilde;o vendem,
mesmo sem sair do produto livro. A quantidade de romances que n&atilde;o vende, as
pe&ccedil;as de teatro que n&atilde;o vendem, os livros de astrologia que n&atilde;o vendem, os
livros de hist&oacute;ria que n&atilde;o vendem, os livros infantis que n&atilde;o vendem. Tomando a
coisa por g&eacute;neros, pode-se dizer de tudo que n&atilde;o vende. &Eacute; claro que, em cada um
deles, as excep&ccedil;&otilde;es confirmam as regras. E, a&iacute; est&aacute;, vender ter&aacute; muito pouco que
ver com qualidade. Existem &oacute;ptimos poetas que s&oacute; vendem livros a meia d&uacute;zia de
iluminados que lhe reconhecem as frases e p&eacute;ssimos poetas que vendem centenas
porque t&ecirc;m muitos amigos e encaram o livro como um projecto maior das suas
vidas (vejam bem que em quase todos os concelhos de Portugal h&aacute; um poeta local
que, com a ajuda da C&acirc;mara Municipal ou alguma empresa benem&eacute;rita, fazem edi&ccedil;&otilde;es
de autor de mil exemplares e os vendem, quase porta a porta, a toda a gente). A
poesia, enquanto projecto editorial, n&atilde;o &eacute; um neg&oacute;cio por a&iacute; al&eacute;m. Tal como n&atilde;o
s&atilde;o neg&oacute;cios por a&iacute; al&eacute;m todos os projectos que n&atilde;o apostem tudo na seriedade
das suas escolhas e na qualidade dos seus produtos. A poesia, enquanto projecto
editorial, &eacute; um caminho dif&iacute;cil, cheio de problemas e pedras, mas que encontra
sempre, nos seus leitores, por muito poucos que eles sejam, uma rede de afectos
e interesses de um valor incalcul&aacute;vel.</p>
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p>A boa not&iacute;cia &eacute; que se pode viver disso.</p>]]></description>
<link><![CDATA[http://www.rascunho.net/cronica.php?id=139]]></link>
<author><![CDATA[Luís Filipe Cristóvão]]></author>
<pubDate><![CDATA[2008-09-16 12:01:39]]></pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Amigos inseparáveis]]></title>
<description><![CDATA[<img src='http://www.rascunho.net/img/rui_manuel_amaral.jpg'><br /><i>«Joerg von Mayer-Myrtenhain Kock Langhammer descobriu em Belzebu uma pessoa afável, educada e muito acessível»</i><br /><br /><p>Todas
as manh&atilde;s, Joerg von Mayer-Myrtenhain Kock Langhammer descia as escadas do seu
pr&eacute;dio para ir trabalhar. E todas as noites subia as mesmas escadas, de
regresso a casa. E subia e descia as escadas, dezenas e dezenas e milhares de
vezes, cumprindo escrupulosamente os mesmos gestos, semana ap&oacute;s semana, m&ecirc;s
ap&oacute;s m&ecirc;s, ano ap&oacute;s ano. At&eacute; ao dia em que, ao passar entre o primeiro e o
segundo andares, reparou por acaso numa porta que n&atilde;o se lembrava de alguma vez
ter visto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Movido
pela curiosidade, tocou. E o que viu deixou-o pregado ao ch&atilde;o. Apareceu o Diabo
em carne e osso. Joerg von Mayer-Myrtenhain Kock Langhammer pensou que era
chegada a sua hora e preparou-se para o pior: alisou o fato e ajeitou com
cuidado o n&oacute; da gravata.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O
Diabo, por&eacute;m, com um sorriso am&aacute;vel e pleno de nobreza, convidou-o a entrar e a
deleitar-se com ele na alegria de uma garrafa de Brunello di Montalcino &ndash; que
trepava um tanto &ndash;, acompanhado de um longo e encantador charuto. Conversa vai,
conversa vem, Joerg von Mayer-Myrtenhain Kock Langhammer descobriu em Belzebu
uma pessoa af&aacute;vel, educada e muito acess&iacute;vel. O Tinhoso ficou igualmente com a
melhor das impress&otilde;es a respeito de Joerg von Mayer-Myrtenhain Kock Langhammer.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tornaram-se amigos insepar&aacute;veis.</p>]]></description>
<link><![CDATA[http://www.rascunho.net/cronica.php?id=138]]></link>
<author><![CDATA[Rui Manuel Amaral]]></author>
<pubDate><![CDATA[2008-09-12 02:52:39]]></pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Poder é um lugar estranho]]></title>
<description><![CDATA[<img src='http://www.rascunho.net/img/luis_filipe_cristovao.jpg'><br /><i>«Como é maquiavélica essa ideia, aparentemente simples, aparentemente humilde, de modificar o </i>carpe diem<i> em aguenta-te como podes»</i><br /><br /><p class="MsoNormal" style="text-align: left;">Fomos criados com a ideia de que
n&atilde;o h&aacute; nada que possamos fazer para mudar o mundo e, enquanto crescemos, vamos
percebendo como &eacute; maquiav&eacute;lica essa ideia, aparentemente simples, aparentemente
humilde, de modificar o <em>carpe diem</em> em
aguenta-te como podes. Fomos criados com isso na cabe&ccedil;a e, diariamente, a
classe pol&iacute;tica parece querer refor&ccedil;ar que &eacute; mesmo verdade ou, o que &eacute; ainda
mais preocupante, tamb&eacute;m eles acreditam que nada podem fazer para mudar o mundo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: left;">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: left;">Assim, n&atilde;o &eacute; de estranhar quando
a suposta l&iacute;der da oposi&ccedil;&atilde;o passa dois meses calada para depois anunciar ao
pa&iacute;s, com a pompa e circunst&acirc;ncia de uma Universidade de Ver&atilde;o, que est&aacute; tudo
mal. N&atilde;o &eacute; de estranhar que a oposi&ccedil;&atilde;o interna a essa oposi&ccedil;&atilde;o, acabadinha de
sair derrotada numas elei&ccedil;&otilde;es, venha pedir reflex&atilde;o, quatro meses depois da
reflex&atilde;o eleitoral. N&atilde;o &eacute; de estranhar que o primeiro-ministro reaja a isto
como o menino queixinhas, dentro da sala de aula do pa&iacute;s, a apontar para o lado
e a dizer que est&aacute; ali o menino que s&oacute; diz mal dele.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: left;">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: left;">No fundo, esquecemo-nos
diariamente de que um pequeno gesto pode mudar o mundo. Dar os bons dias a um
vizinho a quem nunca falamos. Ser simp&aacute;tico para o rapaz que nos atende atr&aacute;s
de um balc&atilde;o. N&atilde;o deixar que as opini&otilde;es dos outros, seja na reuni&atilde;o do
condom&iacute;nio, seja no emprego, seja numa conversa de caf&eacute;, esmaguem as nossas
opini&otilde;es e a nossa forma de ver o mundo. N&atilde;o deixar que, por muito que isso
seja ben&eacute;fico para o pa&iacute;s, para as estat&iacute;sticas, os nossos filhos sejam apenas
um n&uacute;mero no aproveitamento escolar, n&oacute;s pr&oacute;prios sejamos apenas um n&uacute;mero, na
taxa de emprego ou de desemprego.</p>]]></description>
<link><![CDATA[http://www.rascunho.net/cronica.php?id=137]]></link>
<author><![CDATA[Luís Filipe Cristóvão]]></author>
<pubDate><![CDATA[2008-09-10 14:31:27]]></pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Uma mudança de protagonistas]]></title>
<description><![CDATA[<img src='http://www.rascunho.net/img/rui_manuel_amaral.jpg'><br /><i>«Georges não se importava. Desprezava o provincianismo, o espírito acanhado e a ignorância da maioria dos seus contemporâneos»</i><br /><br /><p>Georges Lacault era um intelectual. Quer dizer, estimava a sande de queijo flamengo e amava a sua beleza acima de todas as coisas. Ora, por ser um fervoroso defensor das qualidades gustativo-olfactivo-visuais da sande de queijo, era muitas vezes motivo de tro&ccedil;a por parte de outros intelectuais. Mas Georges n&atilde;o se importava. Desprezava o provincianismo, o esp&iacute;rito acanhado e a ignor&acirc;ncia da maioria dos seus contempor&acirc;neos, e lamentava a sua falta de interesse pela sande de queijo flamengo. Oh, a &uacute;nica sande capaz de tornar a vida realmente plena e variada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na verdade, que mal fazia que os outros gracejassem? Tinham de o suportar porque era sem d&uacute;vida o maior apreciador de sande de queijo flamengo. Era, ali&aacute;s, t&atilde;o evidentemente o intelectual mais brilhante do seu tempo, que parecia n&atilde;o haver raz&atilde;o para que n&atilde;o viesse a conquistar um lugar de destaque no pante&atilde;o dos imortais. Nessa altura, a sande de queijo flamengo tornar-se-ia moda, pensava ele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>No entanto, como bem sabemos, nada disso veio a suceder. Em poucos meses, Narcise Duplay, que foi aquilo que geralmente se designa por um menino-prod&iacute;gio, tomou de assalto o dif&iacute;cil meio intelectual gra&ccedil;as &agrave; sua prof&iacute;cua inclina&ccedil;&atilde;o pela sande de salm&atilde;o fumado. E assim, quase instantaneamente, Georges Lacault foi relegado para um segundo plano. Uma mudan&ccedil;a de protagonistas que, diga-se em abono da verdade, afigura-se-nos justa, uma vez que o salm&atilde;o fumado tem um valor cal&oacute;rico muito mais equilibrado do que o queijo flamengo.</p>]]></description>
<link><![CDATA[http://www.rascunho.net/cronica.php?id=136]]></link>
<author><![CDATA[Rui Manuel Amaral]]></author>
<pubDate><![CDATA[2008-09-05 03:02:42]]></pubDate>
</item>
</channel>
</rss>
