<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-8579113059581313939</atom:id><lastBuildDate>Thu, 19 Dec 2024 03:29:23 +0000</lastBuildDate><category>Diário</category><category>A. F. Zorini</category><category>Daniel Villar</category><category>Dr. Carlos M. Silva</category><category>Henrique Moises Matias</category><title>Crônicas de um apocalipse zumbi</title><description></description><link>http://cronicasdoapocalipsezumbi.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Eduardo Montanari)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>4</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8579113059581313939.post-4844739116535724642</guid><pubDate>Tue, 02 Dec 2014 18:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-12-02T16:38:19.098-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">A. F. Zorini</category><title>Viagem sem volta - parte 1</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por A. F. Zorini

&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjMNgKPvgD3LtP6J8ofWXjVjHYmK6FIw1wkNJs1qi8BadZXPIMDS4yjLQYI-2Dsdv_cznNyHuJ0Ic-7vAQA6zXawku9dXHIS2MfTkEKDR-OaPP4qeZqtNsdeeINVJxqBrzE8tYrWgfVRG9D/s1600/Following_Orbs_while_exitin.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjMNgKPvgD3LtP6J8ofWXjVjHYmK6FIw1wkNJs1qi8BadZXPIMDS4yjLQYI-2Dsdv_cznNyHuJ0Ic-7vAQA6zXawku9dXHIS2MfTkEKDR-OaPP4qeZqtNsdeeINVJxqBrzE8tYrWgfVRG9D/s1600/Following_Orbs_while_exitin.jpg&quot; height=&quot;240&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Dois anos se passaram desde a ultima vez em que escrevi algo. No começo achei que seria interessante fazê-lo, útil, achei que poderia fazer um registro histórico dos fatos, no caso das coisas se resolverem num tempo curto, afinal, epidemias começam e terminam, mas depois de quase dois anos com as coisas apenas piorando, já não tenho mais esperança que nada melhore. Escrevo agora simplesmente para tentar manter minha sanidade, como uma forma de distração pouco eficaz em meio a todo esse caos que, ao que parece, tomou o mundo todo.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
O que começou com casos isolados de uma gripe comum, mostrou-se muito mais do que isso nos últimos anos. AIDS, Ebola, pestes, achei que já havia visto de tudo, achei que não pudesse vir nada de pior , mas após o primeiro ano, após as primeiras mortes em vários países do globo, as pessoas começaram a cair como moscas. Bairros inteiros em dias, depois disso, cidades. As pessoas entraram em pânico, nunca tínhamos visto nada parecido e tão devastador e inexplicável. Ninguém soube dizer como começou, como se alastrou ou do que se tratava, não houve tempo.&lt;br /&gt;
De minha parte, peguei minha mulher e meu filho e saí da cidade grande. Sempre detestei São Paulo, com seu emaranhado de viadutos, aquele rio fedorento e os edifícios sem fim. Com os serviços de segurança e saúde entrando ficando a cada dia mais colapsados e a anarquia tomando conta da cidade, não passei muito tempo refletindo sobre o assunto, peguei Joaquim e Marta e fomos pra chácara que meus pais me deixaram, no interior do Estado. Limpei minha conta no banco, reuni os suprimentos que consegui e pegamos a estrada.&lt;br /&gt;
O que eu não contava, na época é que muitos haviam tido a mesma ideia, fugir da epidemia, do caos, saindo das cidades grandes em direção ao interior do Estado ou até mesmo outras regiões do país, as quais as autoridades afirmavam ser mais seguras. As estradas estavam um inferno e o que deveria ter sido uma viagem de quatro horas se prolongou por quase nove. Devo ter visto uns dois ou três acidentes no percurso, sendo um deles bem grave, mas não podia parar, não tinha tempo. Joaquim só tinha seis anos na época, Marta estava apavorada e eu só queria chegar com os dois logo, em segurança na chácara. Lá, acreditava eu, estaríamos seguros, afastados, isolados.
&lt;br /&gt;
Estranhamos ao encontrar todas as luzes da casa apagadas quando chegamos à chácara, já exaustos. Minutos antes, quando saí da estrada asfaltada e entrei numa de terra, rumo ao portão da chácara, notei que as luzes dos postes estavam apagadas e a única coisa que me permitia enxergar o caminho à minha frente eram os faróis da caminhonete. Não me importei muito com esse detalhe, porque estradas de terra em sua maioria tem pouca ou quase nenhuma manutenção, mas encontrar as luzes da casa apagadas foi estranho. Tínhamos José, o caseiro, e durante a noite e toda a madrugada, ele sempre deixava algumas luzes de fora acesas. Questão de segurança. Mas estranhei ainda mais não ter ouvido o cachorro, faça chuva ou faça sol, noite ou dia, o desgraçado fazia uma algazarra, cada vez que alguém chegava.&lt;br /&gt;
Tirando o barulho do motor, só havia o silêncio... e a escuridão que parecia envolver tudo ao redor como um manto negro gigantesco.</description><link>http://cronicasdoapocalipsezumbi.blogspot.com/2014/12/viagem-sem-volta-parte-1.html</link><author>noreply@blogger.com (Eduardo Montanari)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjMNgKPvgD3LtP6J8ofWXjVjHYmK6FIw1wkNJs1qi8BadZXPIMDS4yjLQYI-2Dsdv_cznNyHuJ0Ic-7vAQA6zXawku9dXHIS2MfTkEKDR-OaPP4qeZqtNsdeeINVJxqBrzE8tYrWgfVRG9D/s72-c/Following_Orbs_while_exitin.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8579113059581313939.post-2688340449105727293</guid><pubDate>Fri, 02 Mar 2012 15:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-02T14:38:21.664-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Diário</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Henrique Moises Matias</category><title>Enfim um pouco de sossego, apesar dessa gripe insistente.</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Postado por Henrique Moises Matias, às 09:01&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjy0Egvxt6GaGeFzM0ZBI8VMNV9Y9dKdeUvdTLw3LqTbUdSQr928P6mvCqXU2NbrCyp4rV5Is_ZBw1pUOFdxGQpYQ9gjaDytfblKFO9-4NQG9PNpnAs-EL1bZU1Xhu5Vt4m8luVQhNYljmT/s1600/light-virus-1.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjy0Egvxt6GaGeFzM0ZBI8VMNV9Y9dKdeUvdTLw3LqTbUdSQr928P6mvCqXU2NbrCyp4rV5Is_ZBw1pUOFdxGQpYQ9gjaDytfblKFO9-4NQG9PNpnAs-EL1bZU1Xhu5Vt4m8luVQhNYljmT/s320/light-virus-1.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Maldita gripe que não passa! Odeio me sentir assim, fraco, debilitado. Fui à farmácia hoje de manhã comprar alguma porcaria pra tomar e o farmacêutico me disse que anda mesmo tendo um surto de gripe pela cidade. Ele disse que acontece devido às vezes a mudança brusca de temperatura, como essa que aconteceu recentemente. Choque térmico ou algo assim, o organismo fica frágil. Mas o estranho é que sempre fui um cara saudável, bem resistente a esse tipo de coisa, resfriado, febres, indisposição. Agora já faz duas semanas que estou assim e nada do que eu tenho tomado tem adiantado.
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;Melhoro um dia ou outro, mas logo já estou indisposto de novo. Espero que não seja aquela merda de gripe do frango, gripe do porco ou sei lá, como não pego nada dessas coisas, nem sei direito do que se trata. Mas realmente tenho notado que as pessoas tem estado com a imunidade bem baixa ultimamente. Dias atrás vi uma ambulância parada aí na casa da frente onde mora aquela velha chata junto com aquele pivete insuportável do neto dela. No domingo passado aquela peste de moleque, jogando bola na rua acertou o para brisa do meu carro e enlameou todo o vidro que eu tinha acabado de lavar. Teria lhe dado uns bons tapas se aquela velha não tivesse aparecido. Velhos são o que são: turrões e sem concerto, mas crianças precisam ser educadas nem que seja na base da pancada, meu pai me educou assim e hoje eu vejo o quanto às rédeas curtas dele moldaram meu caráter de forma forte. Estudei, andei na linha, me formei e hoje me orgulho em dizer que sou um dos melhores advogados do Estado. Enquanto isso esse moleque que deveria estar na escola, fica aí depredando as coisas e com certeza vai crescer e se tornar o que? Um camelô ou se der sorte, pacoteiro de supermercado.
Soube que foi o garoto quem chamou a ambulância pra avô. A gostosa aqui da casa do lado tava comentando o assunto no quintal dos fundos com uma amiga, parente ou sei lá e eu não pude deixar de ouvir. Parece que a velha já estava ruim a dias, não se levantava da cama e estava se alimentando mal. Uma amiga dela, com certeza outra velha chata estava vindo aí todos os dias fazer a comida, dar os remédios e ver como ela estava. O garoto pelo que sei está passando as férias aí e chamou a ambulância depois que viu a avô vomitar sangue no quarto. Como a outra não estava lá no momento, pelo menos o tanqueirinha foi esperto em achar o telefone da emergência e ligar.
Ouvi ainda que ao que parece, os médicos disseram que pode ser pneumonia ou na melhor das hipóteses só uma gripe muito forte. Esses porras passam quatro, cinco anos na faculdade e não sabem dar um diagnóstico preciso. O garoto foi na ambulância com a avô e desde então a casa tem estado vazia. Foram pro hospital da cidade vizinha, a uns quinze quilômetros daqui, já que o nosso está em reformas, vazio, todos os pacientes foram transferidos pra hospitais da  região ou nos casos menos graves, voltaram pra casa. 
Quanto aos dois, desde que eu não tenha que aturar mais aquele moleque batendo bola aqui na frente do meu portão está ótimo. No caso da velha é melhor que fique longe daqui também, já estou me sentindo péssimo, vai saber se não peguei a gripe da megera ou coisa pior. Fico de péssimo humor quando estou doente e quanto mais eu me mantiver longe desse surto de gripe, garotos ramelentos e velhas doentes melhor pra mim. Mas tenho me perguntado que tipo de gripe faz alguém vomitar sangue assim como a gostosa do lado disse que ela vomitou. Com todas esses tipos de doenças hoje em dia, todo o cuidado é pouco.</description><link>http://cronicasdoapocalipsezumbi.blogspot.com/2012/03/enfim-um-pouco-de-sossego-apesar-dessa.html</link><author>noreply@blogger.com (Eduardo Montanari)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjy0Egvxt6GaGeFzM0ZBI8VMNV9Y9dKdeUvdTLw3LqTbUdSQr928P6mvCqXU2NbrCyp4rV5Is_ZBw1pUOFdxGQpYQ9gjaDytfblKFO9-4NQG9PNpnAs-EL1bZU1Xhu5Vt4m8luVQhNYljmT/s72-c/light-virus-1.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8579113059581313939.post-1493333576650398916</guid><pubDate>Fri, 02 Mar 2012 13:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-02T10:19:33.410-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Daniel Villar</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Diário</category><title>Hoje eu vi uma coisa muito esquisita.</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Postado por Daniel Villar, às 02:54&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgsnZQnoL12Th-qsa6WPDkDPTBpM3r3kPviXO5xDli6SbL3v4TkstRhUsW5QJDfrnPWcaJuBDkFyVfBuyVt1DRvBmsbY76Adt22otpLMpvF2oUhVIWGTcslxABhItsPrtyKvEgG-vPxbMXk/s1600/halloween-zombie-dog-cake-21415201.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgsnZQnoL12Th-qsa6WPDkDPTBpM3r3kPviXO5xDli6SbL3v4TkstRhUsW5QJDfrnPWcaJuBDkFyVfBuyVt1DRvBmsbY76Adt22otpLMpvF2oUhVIWGTcslxABhItsPrtyKvEgG-vPxbMXk/s320/halloween-zombie-dog-cake-21415201.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
São quase três da manhã e eu ainda estou aqui sentado na frente desse PC trabalhando. Tenho cinco sites pra entregar até depois de amanhã e agora, depois que meu sócio se casou, a maioria dos trabalhos pendentes tem ficado em minhas mãos. Estou exausto e morrendo de dor de cabeça, mas o caso é que se eu não entregar esses trabalhos no prazo, ninguém irá fazê-lo por mim.
A grande sorte é que estou sem sono nenhum. Bem, depois do que vi hoje à tarde indo pra padaria qualquer um perderia o sono. Preferia não ter saído de casa se tivesse opção, além do calor infernal dos últimos tempos, incomum pra essa época do ano,
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt; o caso é que não sou muito de sair de casa mesmo, sou mais do tipo que prefere lidar consigo mesmo do que com os outros, é muito mais fácil.
Decidi pegar um caminho diferente pra padaria hoje, menos movimentado do que aquela maldita avenida principal, li não sei onde que fazer isso é uma técnica legal pra variar um pouco a rotina, por mais que a minha seja ficar aqui, trabalhando quase que ininterruptamente nessas artes.
Mas voltando a falar sobre a coisa muito bizarra que vi hoje à tarde já bem perto da padaria. Fujo de discussões, brigas, desentendimentos, mas dessa vez não tive como. Subindo a rua ouvi uma discussão, inicialmente devido ao som dos carros passando não consegui distinguir do que se tratava, mas foi só dar mais alguns passos e pude ver dois caras, um senhor grisalho, aparentando uns sessenta, sessenta e poucos e o outro, um rapaz por volta dos seus trinta anos discutindo muito, bastante alterados. Embora como eu disse, isso me gera um desconforto absurdo, como os dois estavam do outro lado da calçada eu decidi prosseguir, imaginando se tratar de uma briga de trânsito ou até mesmo algo a ver com a obra, já que o rapaz mais novo, pelos trajes era um dos pedreiros de lá. Todavia quando cheguei mais a frente, pude ver que o rapaz segurava na coleira, inclusive a base de muito esforço, um cachorro furioso, bastante furioso aliás, pra um bicho tão magro e com um aspecto tão fraco, parecia desnutrido ou algo assim, mas mesmo assim eu via o rapaz ao mesmo tempo em que discutia com o velho, tentando conter o animal na coleira com as duas mãos. Imaginei que, como sempre acontece, o cão, que devia pertencer ao pedreiro, deve ter avançado no velho e ele agora estava a tomar satisfação com o dono do animal, mas reparando melhor na cena vi que não foi isso o que aconteceu.
Na esquina mais a frente estavam uma meia dúzia de moleques curiosos e alguma coisa sem forma no chão, pelo menos num primeiro momento. Sem me dar conta comecei a atravessar a rua, já ignorando a discussão dos dois, indo pra esquina da frente onde estavam os garotos e a coisa esquisita no chão. Finalmente subi na guia da outra calçada e o que eu vi fez minhas pernas amolecerem: o que estava ali no chão e que de longe parecia só um amontoado de algo irreconhecível era outro cão. No estado em que ele estava não dava pra sabe direito, mas aparentemente ele era maior do que o outro, preso na coleira e contido pelo pedreiro.
Os garotos olhavam curiosos, enojados e comentavam, também não era pra menos. O cão havia sido atropelado? Ele não estava só rasgado, estava em pedaços, dilacerado a mordidas. Um mal estar me subiu na hora. Parte da cabeça dele estava faltando, deixando a mostra parte do crânio e cérebro, vísceras expostas, ossos saltando. Me virei pra os dois caras mais atrás e vi que eles ainda discutiam, olhei pro cão na coleira e aí sim notei melhor os detalhes, ele estava todo cheio de sangue também, mas não ferido, tinha carne pendurada entre os dentes que pingavam sangue, mas não eram dele. De repente, sabem quando a gente tem aquele lampejo? Quando percebemos as coisas que já estavam bem na nossa cara? Pois é. O cão preso na coleira havia atacado o outro, não só atacado, despedaçado. Olhando pros restos do cachorro no chão e pro outro animal na coleira eu senti um frio na espinha que nunca tinha sentido antes. Como pôde um animal aparentemente tão fraco atacar o outro dessa forma? Como pode deixar os restos nesse estado? E o pior, não pareciam só mordidas e feridas, ele parecia ter sido parcialmente devorado pelo outro. Faltavam pedaços dele que não estavam espalhados em canto nenhum da calçada, que parecia pintada com tinta vermelha.
Pelo que pude entender da discussão, porque depois de perceber tudo aquilo eu realmente não queria ficar mais ali, o cachorro atacado era do velho, que agora urrava furioso com o outro, exigindo uma compensação, o sacrifício do outro animal ou coisa assim. Quanto a mim, eu não tinha mais nada o que fazer ali, nunca tinha visto um cachorro morto daquela forma e o meu estômago parecia querer sair pela boca. Nem preciso dizer que não fui mais a padaria, dei meia volta e tomei o rumo de casa. Como poderia comer com aquela cena na cabeça.
Enquanto caminhava de volta olhei mais uma vez pra traz pra ver em que pé estava a discussão e por uns segundos pude ver bem os olhos do cachorro na coleira, furioso e ainda tentando se libertar. Pode ter sido o reflexo do sol, sei lá, mas juro que os vi vermelhos, parecendo dois globos cheios de sangue e mais nada.
Três e trinta e eu ainda aqui. Só mais cinco minutos de trabalho e eu acho que vou encerrar por hoje. Lembrar daquele cachorro me deu náuseas novamente.</description><link>http://cronicasdoapocalipsezumbi.blogspot.com/2012/03/hoje-eu-vi-uma-coisa-muito-esquisita.html</link><author>noreply@blogger.com (Eduardo Montanari)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgsnZQnoL12Th-qsa6WPDkDPTBpM3r3kPviXO5xDli6SbL3v4TkstRhUsW5QJDfrnPWcaJuBDkFyVfBuyVt1DRvBmsbY76Adt22otpLMpvF2oUhVIWGTcslxABhItsPrtyKvEgG-vPxbMXk/s72-c/halloween-zombie-dog-cake-21415201.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8579113059581313939.post-6542418917527000135</guid><pubDate>Thu, 01 Mar 2012 13:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-02T10:20:10.061-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Diário</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Dr. Carlos M. Silva</category><title>Expectativas sobre o novo emprego numa pequena cidade quente.</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Postado por Dr. Carlos M. Silva, às 23:36&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgyQ9eUrpU0so203j1JQbCcJX0lOZ8zIxGOMqFzkT-50DkxtHzYvTjI-KnvDQ01dTfruhdOd2IJPdB24G3VsiXJ0LywTEbA81NcpcGv6qEn5mznROJeBk5j2YEGwH4YaYtl_gAipVsOOGVa/s1600/angel_statue.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgyQ9eUrpU0so203j1JQbCcJX0lOZ8zIxGOMqFzkT-50DkxtHzYvTjI-KnvDQ01dTfruhdOd2IJPdB24G3VsiXJ0LywTEbA81NcpcGv6qEn5mznROJeBk5j2YEGwH4YaYtl_gAipVsOOGVa/s1600/angel_statue.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Calor do inferno! Se tivessem me dito que essa cidade é tão quente eu teria pensado duas vezes antes de aceitar o emprego, contudo eu o fiz por Elizabete, ela insistiu muito, dizendo que se continuássemos onde estávamos ela iria enlouquecer, chegou a falar até em terminarmos tudo. Não sou de ceder a chantagens emocionais mas o fato é que eu realmente a amo muito, mais do que eu consigo descrever, e ela tem um sério problema com cidades grandes, multidões, aglomeração e tumulto. Cresceu no campo, onde a noite os únicos barulhos que se escuta são dos insetos noturnos, da chuva e onde o ar que se respira não te mata aos poucos.
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt; Planejamos nos casar daqui um ano mais ou menos e ela quer pra nós uma vida tranqüila, num lugar sossegado onde possamos criar nossos filhos, vendo-os crescer saudáveis e seguindo os ensinamentos de Deus e Jesus Cristo, nos quais ela acredita tanto. Não sou chegado a religiões ou igrejas, tenho minha própria fé, que é no ser humano e em sua capacidade de mudança, embora desde que o mundo é mundo ele não a vem usando de forma produtiva. Já ela, não perde nunca as missas de domingo de manhã, está sempre lá. Bem, ela se sente bem assim, se sente em paz. E se ela estiver em paz, seja onde for e acreditando no que quer acreditar, eu estou feliz.&lt;br /&gt;
Começo no hospital na segunda-feira e confesso, não vou mentir, estou empolgado. Cansei de meus longos plantões de duas, três noites seguidas no hospital da capital, suturando acidentados, aturando bêbados e muitas vezes vendo o pior lado do ser humano. É incrível o que as pessoas podem fazer umas com as outras, podem fazer de ruim, quando são tomadas pelos seus instintos mais primitivos. Por um bom tempo eu pensei em cursar psicologia, sempre achei que tenho tino pra isso, mas descobri que medicina, quando não te torna uma pessoa indiferente ao sofrimento alheio, como acontece em muitos casos, te mostra a verdadeira natureza humana, o quanto podemos ser fortes a ponto de vencer a morte anunciada, mas também o quanto não somos nada, somos meros receptáculos de carne, frágeis, cujo um bisturi pode abrir facilmente, como faca na manteiga.
Acho que com o passar do tempo vou me acostumar com a cidade, com os poucos carros passado pelas ruas, a meia dúzia apenas de edifícios no centro e a pracinha central com aquela estátua de mau gosto daquele arcanjo com a asa quebrada. Elizabete me disse que ela está assim há anos, desde a grande tempestade de 1976. Entra prefeito, sai prefeito, a população reclama e nada de disponibilizarem verbas pra consertarem aquilo. Outro dia desses fomos lá à noite, sentar num banco, comer um saquinho de pipoca (sim, aqui ainda tem pipoqueiros com aqueles carrinhos estacionados no meio da praça, na capital eu não vejo mais isso desde a minha adolescência) e ficar olhando as crianças brincando de pega. Elizabete quer muito ter filhos, já eu, tenho minhas dúvidas quanto a isso. Vale a pena colocar filhos no mundo com ele do jeito que está? Podem me chamar de pessimista, mas em minha opinião a tendência é só piorar. Conversamos, namoramos, falamos dos nossos planos, mas aquela maldita estátua incômoda daquele arcanjo aleijado me deixava com um nó na garganta cada vez que eu olhava pra ela, parada bem embaixo de um poste com a lâmpada queimada. Não tenho medo do escuro, mas é assustador como a escuridão deixa algumas coisas que parecem tão comuns no nosso dia a dia, com um aspecto mórbido. 
Cara, que calor! Amanhã sem falta vou ver se compro um ventilador pra gente nem que seja um desses de camelô. O nosso ficou na capital com meu sogro.</description><link>http://cronicasdoapocalipsezumbi.blogspot.com/2012/03/expectativas-sobre-o-novo-emprego-numa.html</link><author>noreply@blogger.com (Eduardo Montanari)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgyQ9eUrpU0so203j1JQbCcJX0lOZ8zIxGOMqFzkT-50DkxtHzYvTjI-KnvDQ01dTfruhdOd2IJPdB24G3VsiXJ0LywTEbA81NcpcGv6qEn5mznROJeBk5j2YEGwH4YaYtl_gAipVsOOGVa/s72-c/angel_statue.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>