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	<title>Cronistas Reunidos</title>
	
	<link>http://www.cronistasreunidos.com.br</link>
	<description>Somos (por enquanto) 8 caras que se reuniram para fazer crônicas, contos, pequenos textos e, claro, pra zoar um pouco. Não queremos ser muita coisa, só dominar o mundo com nossos textos maravilhosos e importantíssimos para o futuro da humanidade. Ainda bem que a maioria aqui tem bom-senso e não acredita muito nisso.</description>
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		<title>De bom tom.</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 17:55:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[É [link]de bom tom.[/link]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Você é um cara de pau!</p>
<p>- Sem dúvida. Mas quem está falando?</p>
<p>- Você é muito cafajeste mesmo. Tem a pachorra de me perguntar quem eu sou.</p>
<p>- Ok, olá pessoa estranha com voz esganiçada&#8230;</p>
<p>- Larga de ser grosso. Eu sei que você anotou meu telefone.</p>
<p>- E?</p>
<p>- E sei que meu nome apareceu aí.</p>
<p>- Sim, boneca. Mas veja bem, eu não sei que Joyce é você.</p>
<p>- Ah, pára. Como se conhecesse muitas Joyces.</p>
<p>- 7.</p>
<p>- Hein?</p>
<p>- 7. Conheço 7 Joyces.</p>
<p>- Jura? Nossa, nunca conheci nenhuma além de mim.</p>
<p>- Você vê, boneca? É um mundo louco.</p>
<p>- Não foge do assunto! E para de me chamar de boneca.</p>
<p>- Ok.</p>
<p>- Por que você não me ligou?</p>
<p>- Querida, eu não sei nem quem é você. Me dá uma ajuda que te respondo.</p>
<p>- Sou eu. Joyce. De ontem.</p>
<p>- Ontem, ontem&#8230;.</p>
<p>- Salesbar. Nos conhecemos no Salesbar.</p>
<p>- Ahhhh&#8230; to lembrando. Loira, conversamos perto do banheiro.</p>
<p>- Morena. Pista.</p>
<p>- Ah, tá. Essa Joyce.</p>
<p>- Você conheceu outra Joyce ontem?</p>
<p>- É possível. Mas lembro de você sim. Tinha um sapato engraçado.</p>
<p>- Por que você não me ligou?</p>
<p>- Hummm, esqueci algo com você?</p>
<p>- Não.</p>
<p>- Então por que ligaria?</p>
<p>- Oras, porque é de bom tom.</p>
<p>- Jura?</p>
<p>- Ah, vai dizer que não sabe que uma mulher espera que o homem liga depois&#8230;depois&#8230;que ficamos mais íntimos.</p>
<p>- Querida, nós ficamos íntimos atrás da caixa de som, apoiados em um engradado de cerveja.</p>
<p>- E daí?</p>
<p>- E daí que achei que tínhamos esquecido o bom tom por lá.</p>
<p>- Uma coisa não tem nada a ver com a outra.</p>
<p>- Pô, não sabia. Na próxima te ligo.</p>
<p>- Próxima vez? O que te faz acreditar que haverá uma próxima vez?</p>
<p>- Ah, sei lá. Gostei de você.</p>
<p>- É?</p>
<p>- Sim, você é a Joyce mais bonita que já conheci.</p>
<p>- Melhor que as outras 6?</p>
<p>- De longe.</p>
<p>- Brigada.</p>
<p>- Que vai fazer hoje boneca?</p>
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		<item>
		<title>Dor de dente</title>
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		<comments>http://www.cronistasreunidos.com.br/ricardo/2010/08/dor-de-dente/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 05:52:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Tem gente que não sabe lidar com uma [link] Dor de Dente [/link]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gheremias e Lafayette (isso mesmo &#8230;) eram colegas de trabalho há quase 15 anos. Nunca se falaram de verdade. Os primeiros contatos sempre foram no corredor, naqueles famosos “opa” mudos, que todos que trabalham em empresas grandes o suficiente pra ter 1 corredor e mais de uma sala onde você não sabe o nome das pessoas por lá, sempre fazem.</p>
<p>A relação começou a se estreitar após almoços do segundo ano de firma de ambos. Lafayette acabara de passar por um tratamento de canal do qual a anestesia não pegou e depois da dor que sentira jurou aos céus que daquele dia em diante, cuidaria dos seus dentes melhor do que sua coleção de aeromodelos.</p>
<p>O ritual de escovação do Gheremias já demorava por volta de 10 minutos. Incluindo escovação, limpeza com fita dental (dentes largos, o fio não fazia efeito, explicou ele uma vez, tímido), limpador de língua, outra escovação, enxaguante e AHHHH! Que boca limpinha!</p>
<p>Lafayette rapidamente chegou aos 10 minutos de ritual e aos poucos começou a ganhar respeito do colega. O primeiro indício foi receber o aviso que a pia do canto, próxima ao pegador de papel-toalha, não era uma boa escolha, pois fica eternamente molhada com o respingo das mãos úmidas que lá sempre aparecem em busca das tais 2 folhas secas (nunca suficientes); depois, pelas trocas de experiências com os creme dentais (pasta de dente era ofensa grave por lá!), e culminou com a admiração total no dia que Lafayette trouxe, preocupado com o colega, um folheto explicando os danos do hábito de palitar os dentes pela moderna odontologia estética.</p>
<p>Por quase 13 anos tudo isso acontecia de maneira quase silente. Os contatos, a admiração, as trocas, eram feitas no máximo por algumas palavras, enquanto um estava alternando de procedimento (da escovação para a fita dental, por exemplo) e o outro, firme, seguia o seu protocolo. Foram belos 13 anos.</p>
<p>Um dia, Lafayette esperou Gheremias passar pela sua baia com a nécessaire em mãos e depois de uns 3 minutos, também foi cuidar de seus dentes (agora muito melhores que seus aeromodelos, a coleção foi vendida após o 1º casamento). Ao entrar no banheiro viu que havia um postulante a novo membro do grupo : Aurelho (não é Aurélio, é Aurelho). Menino novo, aparentemente criado pela avó que era obsessiva com os dentes de “marfim” do menino, explicou ele logo de início de conversa.</p>
<p>E o tal Aurelho falava. Como falava o Aurelho.</p>
<p>E Gheremias começou a não gostar dessa história.</p>
<p>Em um mês de convivência, Aurelho já tinha arrancado informações de Lafayette que Gheremias, em 13 anos, nunca ousou pensar.</p>
<p>Até que em outro dia Gheremias desviou, como sempre fazia, o que seria o caminho mais curto para o banheiro, passando em frente à baia do Lafayette. Ninguém sentava ali. Estranho. Ao se aproximar do banheiro, risadas altas e despreocupadas começaram a ferir os ouvidos do pobre veterano. Ao abrir a porta, o pior de todos os pesadelos : 1 pia interditada, 2 pias ocupadas (uma por Lafayette, outra por Aurelho), e apenas uma pia livre. A pia do canto.</p>
<p>Lafayette, engolindo seco o riso, se virou assustado e rapidamente disse:<br />
-    Calma! Eu posso explicar tudo!<br />
-    Não, Lafayette. A pia do canto não tem explicação!<br />
-    Não é o que você está pensando!<br />
-    Chega!</p>
<p>Anos depois, Gheremias foi encontrado por um vendedor da firma como taxista noturno. Palito de dente na boca, dentes acabados e, principalmente, um emprego que não tinha colegas, nem hora de almoço. Melhor prevenir &#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A Falácia do Solteiro</title>
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		<comments>http://www.cronistasreunidos.com.br/ricardo/2010/07/a-falacia-do-solteiro/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 05:59:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Cuidado! Não caia você também na [link] Falácia do Solteiro [/link] !!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Poucas frases me provocam tanta vontade de rir como:<br />
-    Ah se seu tivesse solteiro! Essa loira ia ver só &#8230;</p>
<p>Desculpe amigo, ela não ia ver nada que já não estivesse vendo.</p>
<p>Fico impressionado como a maioria dos homens que namoram/casam/se enrolam/etc. e tal, por um tempo razoável, começam a se sentir como grandes pegadores reprimidos.</p>
<p>Só porque já estão há um tempo com o “burro amarrado na sombra”, sentem que o mundo se transformou num cardápio delicioso de mulheres ao seu dispor que, infelizmente, eles não podem apreciar pela sua condição de “commited” (como dizia o orkut).</p>
<p>Não, amigos indisponíveis! Elas não estão ao seu dispor. Se você se esforçar um pouco pra se lembrar, quando solteiro você passava tanta vontade ao sentar num bar no verão, numa tarde de domingo na Vila Madalena, como passa agora, ao tentar disfarçar da sua pequena o olhar praquela morena gostosa de vestidinho, que teima em passar na sua frente o tempo todo, SÓ pra te provocar (nada a ver com o fato dela ser a garçonete daquela área do bar, imagina&#8230;).</p>
<p>Ok, devo reconhecer que o parágrafo anterior não se aplica ao Ricardo Mansur, Rodrigo Santoro, George Clooney e mais 3 ou 4. Mas, excluindo esses caras, todos nós, homens desgraçadamente comuns, não fazemos porcaria nenhuma em 90% dessas situações. A única vantagem da solteirice, no caso, é poder olhar pra tal morena sem táticas canalhas de disfarce.</p>
<p>O problema é que nos outros 10% fazemos algo. E aí dependendo das condições normais de temperatura e pressão a bola entra. Gol!!</p>
<p>E são essas bolas criam a tal “Falácia do Solteiro”.</p>
<p>Realmente existem noites (e dias) na solteirice, que seriam dignas de serem contadas pelo Hugh Hefner. Todo homem solteiro tem seus momentos. O grande problema é se enganar culpando a coitada da namorada/esposa/rolo/etc. e tal, como a grande culpada pela privação desses momentos mágicos. Mentira. Calúnia!</p>
<p>A moça não tem nada com isso, amigo. Você não ia fazer nada com a garçonete. Eu garanto. Se o relacionamento está bom, dê valor àquela que está com a mão repousada na sua coxa, mesmo você olhando praquela mocréia com um vestido breeega, que você ganha mais.</p>
<p>E pra piorar, existe a fase 2 (e mais perigosa) dessa falácia : o fim de relacionamento.</p>
<p>Conheço muitos caras que depois de décadas pra conseguir sair de um relacionamento doentio, daqueles que só existiam de verdade no status do Facebook, começam a questionar a solteirice, reconsiderando voltar pro inferno que estavam. O motivo?</p>
<p>- Num tenho ninguém pra sair esse sábado! Se for pra ficar sozinho, volto pra Fulana (também conhecida como aquela que xinguei pelos últimos 9 meses da minha vida).</p>
<p>Então, animal! É assim que funciona. Lembra que você vivia reclamando dos sábados que tinha que sair com aqueles amigos idiotas da mala da sua namorada? Pois bem, na solteirice vão existir noites tão chatas como aquelas (e você aí reclamando, sendo que seu PS3 ainda está coberto de pó e já faz 2 semanas que você acabou o namoro!).</p>
<p>Enfim &#8230; não sou a favor da solteirice, nem do comprometimento. Apenas sou a favor das coisas feitas pelos motivos certos.</p>
<p>Se está com alguém e na média a relação está legal. Fique feliz! Isso é cada vez mais raro.</p>
<p>Se está solteiro, curta!  E aproveita o lado bom disso sem medo, mesmo que a carência bata na porta de vez em quando.</p>
<p>A sabedoria está em se reconhecer que mesmo com os motivos certos (seja comprometido, seja solteiro) terão momentos que o outro lado vai parecer muito mais divertido. E não se pode culpar ninguém por isso. É assim que as coisas funcionam. Não se pode ter tudo.</p>
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		<item>
		<title>De volta para o passado – parte 2</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 06:17:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de 10 anos, um novo encontro em [link] De volta para o passado – parte 2 [/link]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><em>&#8220;</em><em>Nota do Autor : essa crônica é continuação de um texto que foi escrito no final de 1999, revisado no site dos Cronistas em 2002 por conta de uma publicação em uma compilação editada pelo Mário Prata. Para ler a parte 1, clique <a href="http://www.cronistasreunidos.com.br/ricardo/2002/03/de-volta-para-o-passado/" target="_blank">aqui</a>.”</em></p>
<p>-    Bom dia.<br />
-    Bom dia &#8230; Olha, só!<br />
-    Heim?<br />
-    Velho Ricardo, você voltou?<br />
-    Pois é &#8230;<br />
-    Hehehehe.<br />
-    Rindo do quê, moleque?<br />
-    “Pois é&#8230;” era o título de todas minhas crônicas na época que nos encontramos a primeira vez &#8230;<br />
-    Verdade. Bem lembrado. Hehehehe.<br />
-    Pois então, meu Velho. Com todo respeito, claro. Por que voltou?<br />
-    Ué &#8230; faz 10 anos que você me chamou direto do seu futuro pra brincar numa crônica nossa. Bastante coisa aconteceu depois disso. Achei que 10 era um número forte pra reaparecer.<br />
-    “Ten sounds official!”<br />
-    George Carlin! Quase nem me lembrava mais dele &#8230;<br />
-    Isso mesmo, velhote. Até que a cabeça ainda funciona, heim?<br />
-    Ó o respeito, Ricardo! Stand Up continuou uma paixão. Aliás, cabelo que é bom, nada, heim?<br />
-    Olha quem tá falando!<br />
-    Eu sou velho, tenho álibi e uso nossa boa e velha boina sem dó, mesmo com alergia a lã!<br />
-    E eu sou &#8230; sou estiloso! Que nem o Kelly Slater, tá?!<br />
-    Isso &#8230; depois da gripe espanhola! Hahahaha.<br />
-    Humpf &#8230;<br />
-    Quanta coisa aconteceu nesse tempo, heim? O Prata publicou a crônica do nosso encontro, você foi estudar e trabalhar com cinema, foi morar na casa que era da Vovó &#8230;<br />
-    Pois é &#8230;<br />
-    Agora fez aquela viagem pra Nova Iorque com o Otávio e o Hermínio, ou já estamos depois daquela vez que &#8230;.<br />
-    OOOOU!!! Pára! Pára!!<br />
-    Que foi?<br />
-    Num fiz viagem nenhuma ainda. Só emiti as passagens! Só viajo em Outubro.<br />
-    Iche &#8230;<br />
-    Tá louco?! Quase começou a me contar algo sobre o futuro&#8230;<br />
-    Hihihihi &#8230;.<br />
-    Como assim!? Num é pra rir, não velhote! Lembra daquela história de quebra do espaço contínuo. A lição que o Dr. Emmett Brown  nos ensinou!<br />
-    Sei, sei &#8230;<br />
-    Então! Hold your horses!<br />
-    Num lembrava que você tava todo metido a usar frasezinhas prontas em inglês nessa época &#8230;<br />
-    Ah, vá te catar !!<br />
-    Hum &#8230; Já tá há um tempo na O2, né? Convivendo demais com publicitários&#8230;<br />
-    E você num tem duas faculdades disso no currículo também, né, malandrão?<br />
-    Pois é &#8230; Pra mostrar que a gente já num era criativo nem quando tinha cabelo &#8230;<br />
-    Vai dizer que você acha que a gente ficava bem de cabelo?<br />
-    Pô &#8230; você vai ver só o sucesso que vai fazer depois do implante &#8230;<br />
-    Hahahahaha . Viado! Se fosse verdade você num tinha falado! Hahaha!<br />
-    Garoto esperto.<br />
-    Você era bastante também, na minha idade!<br />
-    Bobinho &#8230; Mas então, já que voltei acho que não seria muito errado te falar uma coisa &#8230;<br />
-    Nã-não &#8230; Vamo ficar falando de cabelo. Pode ficar zuando que eu sou deficiente capilar. Nada além disso! Meu presente tá ótimo, só quero curtir. Num venha me encher com meu futuro!<br />
-    Hahahaha!<br />
-    Que foi?<br />
-    Deficiente capilar &#8230; essa eu não tinha anotado em lugar nenhum! Boa tirada. Hahaha !<br />
-    Pra variar, não é nossa! É do Paulão.<br />
-    Eu sei, eu sei &#8230; A gente foi se aperfeiçoando em melhor adequar as idéias dos outros, né?<br />
-    Acho que sim &#8230; Tá me caindo essa ficha recentemente &#8230;<br />
-    Então &#8230; o que eu queria te falar tem um pouco a ver com isso&#8230;<br />
-    Mas não quero saber, Seu Ricardo!<br />
-    Mas num é nada, claaaro assim sobre o futuro.<br />
-    Num interessa &#8230;<br />
-    Mas vai ajudar!<br />
-    E vai que eu mudo tudo por causa da dica, viro um lutador de MMA e morro aos 34. Você num vai mais existir &#8230;<br />
-    Tudo bem. Já tou velho memo!<br />
-    Ah &#8230; num vem com essa! Se agora eu já sou bem encanado com a vida, velho eu sei que vou querer durar o máximo possível &#8230;<br />
-    Mas você num vai me fazer uma bobagem grande. A gente até que é inteligente, você vai usar a informação com parcimônia.<br />
-    Tou bem, velho! Num quero saber.<br />
-    É o seguinte :<br />
-    Tou indo nessa! Té mais!<br />
-    Volta aqui!<br />
-    Foi um prazer te rever. Com 41 a gente conversa de novo. See ya!<br />
-    Ah frasezinha bicha de novo, não! Volta aqui, moleque! Fala comigo &#8230; Catso &#8230; Num vai voltar &#8230; Droga &#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Clube do Apito Final</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 04:48:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Agora que a Copa acabou conheçam o [link] Clube do Apito Final [/link].]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No salão de festas da sede do Ameriquinha carioca um evento secreto é realizado todo ano de Copa, assim que acaba a competição mais comentada em todo planeta.<br />
O primeiro a chegar sempre é o presidente. O beija-flor, o dono da solucionática e do gol de velotrol : Dadá Maravilha. Fundador do clube e titular vitalício da cadeira. Normalmente chega acompanhado do vice. Debochado, de risada alta e andar malandro: Paulo César Caju.<br />
Juntos, ambos começam o ritual de montagem da cerimônia. Posicionando as mesas em forma de “U”, preparando as plaquinhas com o nome de cada integrante e trazendo o tão esperado telão.<br />
Nesse ano, na seqüência, chegou meio tímido e deslocado, Luizão. Acho que nem ele ainda se convenceu que faz parte do seleto grupo, mas foi convocado em 2002, não tinha como excluí-lo. De qualquer forma, chegou cedo e ajudou na preparação com muita boa vontade.<br />
A “diretoria” veio depois com Viola, Edmundo e Renato Gaúcho. Formada pelos 3 cavaleiros que tiveram a maior honra pra um integrante do Clube: entrar nos minutos finais de uma partida com o destino já sacramentado, pra tentar o impossível.<br />
Aí a coisa animou, entre os abraços e cumprimentos, quando se deram conta, todos estavam lá. Aqueles que já foram citados, além do Casagrande, Fred, Denílson e Roberto Dinamite.<br />
Todos estavam loucos para começar o ritual de assistir e comentar suas rápidas participações nas Copas do Mundos, mesmo que apenas sentados no banco, dando entrevistas para canais menos favorecidos pela CBF, ou (a glória!!) entrando no final, com mais vontade que todos os jogadores em campo e dando demonstrações como aquela dura no Rivaldo na final de 98 (Fair Play uma hora dessas?!?!), ou numa jogada que quaaase definiu a parada sem precisar de pênaltis em 94.<br />
No momento que todos sentaram, como que por mágica, chegou o homenageado da noite : Grafite. Ainda abatido com o pífio desempenho da seleção contra a Holanda, mas emocionado ao ver aquelas grandes figuras do futebol brasileiro o aplaudindo. Entregou para o Fred, ex-calouro, um dvd com seus momentos na Copa e sentou no seu lugar pra ouvir as histórias dos colegas, ansioso.<br />
Aos poucos todos foram se posicionando, e num momento inesperado o foco de luz foi então para a mesa da presidência. Após uma ou outra piada sobre médios-volantes e zagueiros, um clássico por lá, Dadá pediu a palavra:<br />
“- Amigos! Antes de fazermos o de sempre, gostaria de dizer algumas frases. Estamos aqui mais uma vez reunidos pra celebrar a continuação desse clube. Não somos os craques do time. Não somos quem levanta a taça, e nem aqueles que levam a bola de ouro. Somos mais do que isso! Somos o ilógico, o irracional. Somos o clube dos atacantes reservas, o clube do último suspiro, o clube da espera de um milagre, o nosso querido “Clube do Apito Final”. – aplausos –  Não importa o que aconteça com a seleção nas eliminatórias e na primeira fase da Copa, é sempre no final angustiante de um jogo decisivo que nosso clube ressurge. São nesses minutos finais que o atacante reserva se transforma na vontade do povo materializada! Nesses instantes que até cego vê que só um de nós pode fazer todo país acreditar que o que já tá escrito, pode mudar. E você, meu querido, Grafite, sinta-se honrado de estar aqui. Num vai fazer como o Fenômeno que veio um ano, e depois esqueceu que era um dos nossos, heim!? Porque o que representamos aqui é muito maior do que qualquer título, não é Dinamite?<br />
Mesmo com 6 volantes, mesmo falando que o Brasil só tem guerreiros, ou qualquer outra bobagem desse tipo, o dia que a seleção brasileira não tiver um de nós no banco de reservas, aí sim pode ter certeza que o Futebol acabou! Porque quem nos convoca não é o técnico. Quem nos convoca é a voz de Deus – ou o Médici, gritou o Casão, em tom de brincadeira. Dadá, emocionado, continuou – Que venham os novos Zagallos, os novos Parreiras e os novos, Deus que me perdoe, Dungas! Enquanto um dos nossos tiver lá sentado, no jogo final, pronto pra lembrar pro Brasil inteiro que a magia é a última salvação da seleção, o Brasil ainda continuará a ser o País do Futebol. Não importa o resultado do jogo. Muito obrigado!”<br />
Aplausos e assovios!<br />
Bem mais emocionado que de costume, Dadá chorou. Com razão. Reza a lenda que antes da convocação dessa copa cogitaram até em suspender o evento. Foi por pouco &#8230; Muito pouco &#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Beija Eu.</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 21:11:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Olha e [link]Beija Eu.[/link]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos flashes coloridos, ela se movia tenaz. Seu quadril, feito uma batedeira orbital, visitava as imediações de seu corpo perfeito com a velocidade de um daqueles bonequinhos de corda. O lábio inferior mordido sem esforço, sem tipo, só desejo. O cabelo lhe caía ao rosto como uma cortina de seda, revelando e escondendo as janelas de sua alma.</p>
<p>Ele, atordoado, segurava o copo de vodka a meia altura, molhando os pés de quem esbarrava. Tolos, não haviam notado a mulher mais espetacular do planeta, bem ali, ao lado de um senhor de meia idade girando as mãos como girava-se na idade média.</p>
<p>Dessa vez não poderia culpar o álcool que roubava o espaço do sangue em suas veias, muito menos os sete meses e meio que estava sem fazer sexo. Nem com ele mesmo. Era um chamado, como as sereias atraíam os velhos lobos do mar. Era magnetismo que o fazia atravessar a pista de dança para conhecer aquele espetáculo. Aquela batedeira orbital.</p>
<p>Como numa equação perfeita eles se entreolharam, sem escolha, sem apresentação, se outros casais diziam ter química, estes não. Tinham física, circundavam o mesmo ponto como fossem elétron e próton, agitados para se fundirem no mesmo núcleo.</p>
<p>Pernas enroscadas, ele a envolvia com um dos braços enquanto o outro segurava o copo de vodka, perigosamente próximo as mãos giratórias do senhor de meia idade. Ela apoiava os pulsos em seus ombros, as mãos ficavam penduradas de maneira relaxada, tocando com as pontas dos dedos seu trapézio.</p>
<p>A temperatura subiu, e com ela foi o copo de vodka, arremessado com um golpe certeiro do senhor de meia idade em direção ao globo de espelhos. As respirações ofegantes, sincronizadas é claro, eram divididas ao pé do ouvido, como quem quer mostrar o quanto está fora de si. Livre da vodka ele a laçou com o braço direito pela cintura, o movimento lançou seus cabelos dourados para trás revelando seu rosto assustado e excitado. Sem fechar os olhos, lentamente se aproximaram, o olhar dele era clássico, depois de seis doses de vodka, entreaberto, o dela estranhamente apreensivo, como se encarasse um desafio.</p>
<p>Ele finalmente a beijou, e o mundo parecia estar em câmera lenta. Para ele, desde que  encostou seus lábios aos dela, tudo parecia moroso como uma canção de João Gilberto, o tempo realmente não passava, seu gosto, os movimentos de sua língua, as escapadas que deixavam suas bochechas e queixo úmidos, aquele beijo parecia que nunca acabaria. Mas acabou. E depois de toda aquela tensão. ele finalmente a olhou nos olhos e disse:</p>
<p>- Sabe, eu tenho uma teoria. Não acredito que beijos sejam bons ou ruins. Eles simplesmente se encaixam ou não. Mas hoje eu percebi que estou errado. Seu beijo é como tentar alcançar um pudim de jiló no fundo de um copo longo e isso não deve agradar nem um Chow Chow no Cio.</p>
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		<title>Solidariedade</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 20:14:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre conte com a [link]Solidariedade[/link] dos amigos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- (suspiro)</p>
<p>- Ainda?</p>
<p>- O que?</p>
<p>- Ainda assim?</p>
<p>- Assim como?</p>
<p>- Assim. Como o Chaves ficava sem sanduíche de presunto.</p>
<p>- É. Fazer o que?</p>
<p>- Comer a porcaria do sanduíche?</p>
<p>- Não é fácil.</p>
<p>- Imagino.</p>
<p>- E você? Está bem?</p>
<p>- Fantástico.</p>
<p>- Como assim?</p>
<p>- Fantástico. Não podia estar melhor. Com a Bruna focada no MBA to com tempo pra mim. Quando nos vemos transamos feito coelhos. No escritório todo mundo acredita que eu sou o melhor funcionário. Não me pergunte o porquê. Ganhei um aumento e a caranga nova é espetacular.</p>
<p>- Caramba!</p>
<p>- Bom né?</p>
<p>- Péssimo.</p>
<p>- Péssimo? Por que?</p>
<p>- Pó. Puta insensibilidade?</p>
<p>- Insensibilidade? Que você ta falando cara? Só porque falei da Bruna?</p>
<p>- Não. Tudo.</p>
<p>- Tudo o que?</p>
<p>- Eu aqui na merda e você vem me falar como sua vida está espetacular?</p>
<p>- Pó, mas está mesmo.</p>
<p>- Olha aí. De novo.</p>
<p>- O quê?</p>
<p>- Você, rasgando dinheiro na frente de pobre.</p>
<p>- Ah pára vai. Você tem que ficar feliz por mim.</p>
<p>- Eu até ficaria, mas&#8230;</p>
<p>- Mas o que?</p>
<p>- Nada.</p>
<p>- Fala.</p>
<p>- Deixa pra lá.</p>
<p>- Para de bichice e fala.</p>
<p>- Eu ficaria, se não soubesse que tudo isso é ilusão.</p>
<p>- Como assim?</p>
<p>- Sua vida espetacular. É uma mentira.</p>
<p>- Mentira? Mentira? O que é mentira? Como assim mentira? Mentira?</p>
<p>- É.</p>
<p>- Você está achando que estou mentindo pra você?</p>
<p>- Nem um pouco. Está mentindo pra si mesmo.</p>
<p>- Ah é? E como é isso?</p>
<p>- Sua mulher está fazendo MBA, fica uma porrada de tempo longe de você, volta e faz coisas que nunca fez na cama. Logo, em algum lugar ela está aprendendo isso. Seu emprego é uma farsa, e você sabe disso. Só continua lá por causa do seu sogro. Mas assim que você se separar da Bru por ela ter te chifrado, vai acabar a mamata. Acabando a mamata, voc6e não conseguirá outro emprego, pois sabem bem que não tem capacidade. Dai, seu carro novo, bonitão, vai voltar pro Banco que o financiou, visto que você não vai mais conseguir pagar as prestações.</p>
<p>- (suspiro)</p>
<p>- É.</p>
<p>- Desculpa cara. Não ser solidário.</p>
<p>- Tudo bem. Acho que já estou melhor.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O homem que absorvia felicidade</title>
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		<comments>http://www.cronistasreunidos.com.br/rafael/2010/01/o-homem-que-absorvia-felicidade/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 21:51:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Leia a história d´[link]O homem que absorvia felicidade.[/link]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fosse novidade, não teria despertado tanto interesse como foi o caso da chegada pontual de Oliveira, mal sabia que antes que ele chegasse as pessoas realmente se divertiam a valer. Trazia consigo essa impressão desde os tempos de colégio. Nunca se achou muito popular, mas não era pra tanto. As pessoas sorriam como se fossem amigos há anos… e de fato eram. Como pôde ser tão ingênuo a ponto de não perceber o que acontecia? Risadas rasgadas, risonhas falas de um grupo que se conhecia bem. Mas ele não conhecia.</p>
<p>Seu trauma só se comparava ao dia que  descobrira que seu pai não era seu pai e que sua mãe e ele eram a única família por assim dizer. Sem querer dizer, mas já dizendo, a mãe era uma bela sem vergonha &#8230; era sabido. Mas mãe é mãe em qualquer lugar e fica tudo o dito pelo não dito.</p>
<p>Saiu de casa e foi passear, não era à toa que sempre sentia um mal estar na presença dos outros. Achava que era coisa da sua cabeça, mal do século, sei-lá-o-que, mas nunca, nuca, entendera que a sua simples presença desanimava os demais. O simples contato com a sua pessoa devia ser mortal para o humor dos colegas, um golpe rasteiro na energia vital das pessoas que ele considerava importantes, afinal, não tinha família; e família e amigos eram todos uma só coisa, não sabia a diferença. Pois então, percebeu a diferença crucial. Seus colegas, amigos, a sua família: sempre estiveram ao seu lado. Impossível que eles não tivessem percebido a situação, impossível nunca ter havido um questionamento a respeito das coisas que aconteciam todas as vezes que ele, Oliveira, chegava. Seu suspiro foi de alívio, um certo conforto no coração. De certo eles sempre souberam mas nem por isso o abandonaram, por isso tantas reuniões com horários estranhos, por isso a fama de atrasado inveterado &#8211; nunca havia chegado em uma reunião ou festa que não fosse um dos últimos, ou o próprio último. Sossegou.</p>
<p>Dobrou as pernas lentamente e sentou-se. Seu coração era um baleiro lotado de chicletes coloridos fosse cada um uma emoção diferente, boa ou má, e ele se via sem uma moeda para tirar um chiclete, fosse qual fosse, do baleiro que parecia cada vez mais cheio. Percebeu que não seria o caso e foi descendo lentamente do beiral do pára-peito. A angústia já não era tão grande assim. Na verdade, era uma sensação boa de querer bem, de ser querido, uma felicidade achada na constatação da desgraça, mas nem por isso menos intensa e verdadeira. Foi esticando as canelas e num alongamento libertador, escorregou e caiu.</p>
<p>Felizmente a via estava deserta e o ridículo não foi testemunhado. Saiu caminhando, dando risadas de si mesmo.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Trabalho pra tirar ronco</title>
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		<comments>http://www.cronistasreunidos.com.br/volponi/2009/11/trabalho-pra-tirar-ronco/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 18:17:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Volponi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Tem gente que diz que já viu um [link]trabalho pra tirar ronco[/link].]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(para Roberto Ambrósio)</em></p>
<p>Domingo de manhã. Acordando da primeira noite fora de casa. E estava com fome. Maldita mulher, sempre reclamando do ronco. Já não bastava ter passado a dormir na sala, as portas cerradas, pra não acordar ninguém? Já não bastava a humilhação da vizinha de cima ficar fofocando pro condomínio inteiro que ali no andar ninguém conseguia dormir? Precisava expulsar de casa?</p>
<p>O estômago roncou novamente. Tinha saído enxotado. &#8220;Ou você dá um jeito nisso, ou eu resolvo do meu jeito&#8221;, aos gritos. &#8220;Do meu jeito&#8221;, o que ela queria dizer? Maldita mulher, sempre reclamando. Na rua atrás da praça, viu que tinha um trabalho de macumba na encruzilhada. Chegou perto pra dar uma olhada: uma galinha preta, num prato sobre uma toalha vermelha, algumas velas, e farinha de acompanhamento. E ele adorava uma galinha caipira.</p>
<p>&#8220;Melhor não mexer nisso. Deve ter mau-encanto&#8221;, pensou. Vai ver tinha sido a vizinha a encomendar o trabalho. Ou então a própria mulher. Não era possível. Será que era isso que ela queria dizer com &#8220;resolver do meu jeito&#8221;? Agora estava metida com coisas do além? Maldita mulher, sempre.</p>
<p>Foi pro boteco. No lugar da cerveja e do rabo-de-galo que durava horas em dias normais, foi logo pra cachaça. Uma branquinha. Uma amarela. Outra de umburana. Abusou: pediu duas salineiras. Maldita mulher. Depois perdeu a conta.</p>
<p>No final da tarde, o dinheiro tinha acabado. Foi embora, e agora era a vez da barriga roncar furiosamente. E como roncava! Ah, maldita. Ao passar novamente pela encruzilhada, achou uma solução: de joelhos, fez um sinal-da-cruz. Elevou os braços aos céus, numa reverência solene, não fosse o desequilíbrio da caninha. &#8220;Reza quebra O mau-encanto&#8221;, raciocinou.</p>
<p>Apagou as velas uma a uma, com as mãos raspou a farofa pra dentro da cumbuca e pegou um pedaço grande de galinha. Ele adorava galinha caipira. Limpou a cara com a toalha encarnada. De barriga cheia e cabeça vazia, devia estar curado. Já não tinha mais nada a dizer à mulher.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>“Pra Casar.”</title>
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		<comments>http://www.cronistasreunidos.com.br/kris/2009/09/pra-casar/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 19:39:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Homem [link]"pra casar."[/link]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Demorou, admitimos, demorou. Mas chegou o dia em que os homens estão entendendo o “big deal” que é o casamento. Por séculos os homens fugiram do casamento como noivo da noiva. Medo do comprometimento, da prisão, da castração social. Mas finalmente, o século 21 assiste os machos abraçando a tradição matrimonial.</p>
<p>Ainda que preserve tradições antigas, como a despedida de solteiro, também abro espaço para casar de branco, entrar na igreja com música, chá-bar, dia do noivo etc. Não que adote todos e todas, mas estou mais receptivo. É um grande passo para quem só aceitava se trajar de luto no grande dia.</p>
<p>Vamos nos divertir com as listas de presente, dando preferência para TVs de plasma e aparatos de churrasqueira mas espichando os olhos para travessas, baixelas e aparelhos de fondue. Sim é importante ter pratos para sopa, sobremesa, pizza e tartar. Seja lá o que for isso.</p>
<p>Vamos repassar a lista de convidados, entendo que realmente, aquele seu tio que acabou de sair da cadeia não pode ficar de fora. Padrinhos, podem ser seis casais sim, pega emprestado dois meus. Seu tio ladrão vai ser padrinho? Claro, ele precisa de apoio para voltar a sociedade. Vou sem relógio, você se importa?</p>
<p>Flores, lembranças, havaianas com os dizeres “tuquinho e tuquinha pra sempre”, eu apóio. Dinheiro? É detalhe, esse é o dia mais importante de nossas vidas não? Porque se importar com o financiamento do apartamento no mesmo prédio que sua mãe? Nós merecemos. Esse é seu dia de princesa, todos se curvarão a seus pés, mesmo que seja de bêbados, whisky 18 anos não vai faltar.</p>
<p>Lua de mel é um capítulo a parte. Faz todo sentido dividirmos entre Taiti e NY. Compras e lazer. Dias mágicos. Vamos nos divertir muito, assim como meu gerente. Não importa o que tenhamos que sacrificar, sabe porque?</p>
<p>Porque você é a coisa que mais amo no mundo, minha alma gêmea, nada é mais importante que isso. Quero passar o resto da minha vida com você, ter filhos, envelhecer juntos de mãos dadas na sacada nos nosso apartamento financiado em 87 anos.</p>
<p>Hein? Como assim? Você quer o que?  Focar na sua carreira, no seu desenvolvimento profissional? Não sabe se está fazendo isso na hora certa? Quer aproveitar mais suas amigas, conhecer o mundo, se sentir livre? Mas e o papo de alma gêmea? É bobagem? Temos de ser felizes sozinhos? Não eu não sou dependente de você, só queria ser feliz pra sempre. Como assim isso não existe. Ta, atende essa chamada do seu trabalho, você sempre dá preferência a eles mesmo. Mas depois disso você não me escapa. Depois de me enrolar por quatro meses&#8230;Será possível?</p>
]]></content:encoded>
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