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	<title>Cronistas Reunidos</title>
	
	<link>http://www.cronistasreunidos.com.br</link>
	<description>Somos (por enquanto) 8 caras que se reuniram para fazer crônicas, contos, pequenos textos e, claro, pra zoar um pouco. Não queremos ser muita coisa, só dominar o mundo com nossos textos maravilhosos e importantíssimos para o futuro da humanidade. Ainda bem que a maioria aqui tem bom-senso e não acredita muito nisso.</description>
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		<title>Travessia de Vida</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Mar 2013 18:44:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Inicialmente um poema levado pelas marés [link]Travessia de Vida[/link]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As caspas se foram, ficaram-se os fios; brancos também.</p>
<p>Achando bom saber das coisas, ser mais velho e maduro. Fato é que o niilismo passou a ser uma força incontrolável que de existente, começa a ser preponderante; e nesse oceano sem fim que é a vontade humana, acabo chegando há uma baía, lindíssima, onde o sol te aquece sem queimar a pele, onde a brisa fresca te traz o alívio, onde a natureza estanca o mar.</p>
<p>Para aqueles que tanto navegaram e outros oceanos conheceram, um fim de mar, um pisar na areia, voltar-se para o infinito azul. Você se acomoda na sombra e se deixa levar sem vontade, só observação, comtemplação do ir e vir das marés, dos barcos novos quebrando a arrebentação e a sua certeza de que, se não nessa, em outra baía, ele atracará; talvez daqui há 20, 30 anos; ele atracará.</p>
<p>Aqui é bom, fresco, confortável e belo. Ver o que vi, saber o que sei e ter convicção que ainda é pouco…é plausível mas não reconfortante, porque tem mais… mesmo que aos olhos, agora, seja tudo o mesmo; mesma água, mesmo sal, mesma onda e mesmo vento.</p>
<p>Procuro um lugar para me lançar ao mar novamente, mas aqui continua bom e isso eu não sei resolver.</p>
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		<title>Jornal de Domingo</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Aug 2012 20:05:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[E depois de um bom tempo chegou meu [link] Jornal de Domingo [/link]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Toda vez que vejo um exemplar do &#8220;Estadão&#8221;, penso na devoção que meu pai sempre teve pelo jornal de papel. Lembro dele contando que, quando criança, só podia tocá-lo depois que todos os adultos da casa o tivessem lido. Meu bisavô, o patriarca, era o primeiro. Tinha a mania de começar o jornal de trás pra frente, marcando com um lápis as notícias lidas para não se perder.  Na sequência, meu tio-avô podia lê-lo, seguido do meu avô,  e só depois as mulheres e as crianças. Aquela hierarquia bem típica das famílias italianas.</p>
<p>Já nas minhas memórias de criança o nome impresso na etiqueta da capa era o do meu pai, que  mantinha a mesma tradição de ler de trás pra frente. Mas, ao invés de riscá-lo ou marcá-lo de alguma forma, manipulava as folhas com tal  classe e cuidado que, quando acabava, o jornal estava em melhor estado do que ao sair da gráfica. Os tempos já eram mais liberais, então eu podia tocá-lo antes dos adultos, mas não podia desorganizá-lo. E fazer um recorte de uma matéria ou foto para um trabalho de escola, só com permissão da minha mãe.</p>
<p>Ela era datilógrafa autônoma e, dentre seus clientes, tinha um senhor alto e atrapalhado que sempre vinha em casa e pegava a edição do meu pai. Quando ia embora, parecia que tinha vestido o jornal como uma armadura e dado algumas cambalhotas, de tão amassado que ficava. Achava uma sacanagem com meu velho. Poxa vida &#8230;</p>
<p>O fato é que demorou quase cinco anos para eu me levar suficientemente a sério como dono de casa, a ponto de assinar um jornal. Ter a assinatura em meu nome me parecia algo como aquela brincadeira do filho pequeno vestindo o terno do pai. Mas, recentemente, a descoberta de um plano muito esperto, talhado pro meu estilo de vida, ajudou na decisão e acabei fechando a compra.</p>
<p>Durante a semana, recebo as notícias no iPad. E até aí, tudo certo. Sempre li notícias em uma tela. Mas é nos fins de semana que vem o impresso, e aí a história fica um pouco diferente.</p>
<p>Nas primeiras edições recebidas, praticamente fingi que não era comigo. Meio sem jeito, pegava apenas um caderno ou outro, ainda de forma tímida. Sapato folgado, ombros sobrando e mangas muito maiores que meus braços&#8230;</p>
<p>Depois de quase um mês vendo a pilha de papéis cinza se acumulando no sofá (ainda não providenciei um móvel para acomodar as edições), resolvi abrir a porta de casa, logo após acordar, e trazer o jornal para o sofá onde sempre fico. Fiz meu café, e finalmente  comecei a lê-lo de verdade. Com calma, de trás pra frente. Caderno por caderno. Com o mesmo carinho do meu velho. E, aos poucos, fui me sentindo dono e merecedor desta leitura em papel e tinta.</p>
<p>Apesar do cuidado ser o mesmo daquele que aprendi a ter por observação, quando acabei de ler, a falta de prática se fez presente e precisei &#8220;remontar&#8221; a edição. Terminei a missão encarando a capa, e resolvi, meio sem-graça, procurar meu nome como assinante titular.</p>
<p>Não sei bem o motivo, mas descobri que os jornais não vêm mais com a tal etiqueta que traz o nome do assinante. Achei justo. Como diz a música do IRA! &#8220;se meu filho não nasceu, eu ainda sou o filho&#8221;. Talvez no dia em que eu terminar de ler o jornal sem precisar remontá-lo, meu nome apareça na capa. Por enquanto, prefiro deixar as coisas como estão.</p>
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		<title>Pour Aline</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 01:42:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Meus votos [link] Pour Aline [/link]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>(ou votos de casamento)</em></p>
<p>[para os convidados]<br />
Eu lembro perfeitamente as 1ª s palavras que a gente trocou. Eu tinha chegado atrasado a um jantar e a anfitriã resolveu fazer as honras e me apresentar para todo mundo. A Aline, uma das convidadas, querendo ser gentil, disse “eu lembro de você”; eu querendo ser espirituoso, respondi “gostaria de poder dizer o mesmo!” . Se a gente está aqui agora, não é por causa desse meu jeitinho com as palavras.</p>
<p>[para a noiva]<br />
Eu não sei o que você viu naquele dia para continuar falando comigo. Mas eu sei o que eu tenho tentado que você veja em mim desde então: um espelho. Um espelho que lhe é fiel em todos os traços. Onde você se reconheça e se veja inteira. Onde o brilho dos seus olhos fica mais forte . Um espelho que traz nitidez às suas dúvidas, nuances às suas certezas e contornos aos seus sonhos. Um espelho que o tempo, em vez de desgastar, deixa cada vez mais polido, cada vez mais claro e cada vez mais resistente.</p>
<p>Que minha alma continue preenchida por você, porque é assim que ela faz sentido, e que ela possa ser, para você, o melhor reflexo da sua.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>para ler ouvindo<a title="To Build a Home - Instrumental Version - Cinematic Orchestra" href="http://www.youtube.com/watch?v=6PJ0Oxjc1v4" target="_blank"> &#8220;To Build a Home&#8221;</a></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Calligando o Gikovato</title>
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		<comments>http://www.cronistasreunidos.com.br/ricardo/2011/12/calligando-o-gikovato/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 01:38:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Um exercício de literatura, virou um tratado barato sobre as relações amorosas ao longo da vida. [link] Calligando o Gikovato [/link]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Na infância, eu (um filho temporão de um casal inseparável) pensava que relacionamento entre duas pessoas era sinônimo de casamento. Simples assim. Algo tão distante quanto o gol do outro lado da quadra oficial de futsal do colégio.</p>
<p>Da infância pra adolescência me tornei um nerd moderado. Me relacionava bem com quase todos os grupos, mas nunca fui popular. Eu não sofria bulling. E até era o goleiro do time principal. Ou seja, com os “manos”, minha vida era tranquila. Já com as “minas” &#8230;, o lado nerd aflorava de forma mais ostensiva. Gagueira crônica, taquicardia para um simples “oi”, desespero completo ao ficar sozinho com uma delas, e por aí vai. Não tenho dúvidas de que se tivesse tirado qualquer foto ao lado de uma pequena, seria um dos precursores do “rover hand” (os americanos criaram o termo definindo-o como um detetor instantâneo de virgindade, pois o infeliz tem tanto medo de uma mulher, que não consegue nem tocá-la com as mãos ao tirar uma foto). Nessa época, um relacionamento amoroso nem era algo tão almejado. O contato físico era a grande barreira a ser quebrada.</p>
<p>Aí veio a adolescência plena e, depois de um começo bem tardio, o esperado toque. E com ele o paraíso, meu pai! O simples fato de conseguir cumprimentar com beijinhos e abraços, caminhar de braços dados com uma amiga, e por fim a tal “ficada”, fizeram a vida ganhar cores.</p>
<p>Tempos depois, porém, começou a aparecer um gosto de “quero mais”. E aos poucos, fui percebendo que faltava outro elemento, intimidade. Não só no lado sexual (turbinado pelos hormônios mais irrequietos que a queima de fogos de ano-novo em Copacabana), mas também no lado afetivo. Pegar um cinema, dar uns amassos escondidos num banquinho no canto do shopping, chegar na terceira-base, e por aí vai, eram os novos desafios deliciosos de serem cumpridos. E foram.</p>
<p>Chegou o que eu chamo de “adultescência”. São tantos os tipos de gente e relações se estabelecendo nas nossas vidas, que parecemos atuar em diferentes papéis, independentemente da idade em que estamos. Explico : em alguns casos, nos tornamos pré-adolescentes desesperados para tocar; em outros, adolescentes querendo intimidade; e, por fim, adultos buscando algo maior.</p>
<p>E aí surgiu outra questão que sempre considerei caso encerrado : intimidade não necessariamente está ligada a um relacionamento. Depois dos vinte e tantos anos, a “química” pode fazer você se sentir perfeitamente confortável ao ficar abraçado com uma quase-desconhecida após uma transa, com uma amiga-colorida numa viagem, e assim por diante. Apenas porque a pessoa é bacana e porque a pele “deu liga”. Mas isso não quer dizer que existe um relacionamento aí.</p>
<p>Agora sim. Caso encerrado, certo? Se o toque e a intimidade aparecem numa frequência aceitável (embora sempre menor que o ideal para as pessoas que não nasceram com o rosto do Santoro, a fama do Neymar ou a grana do Eike) tudo vai bem, não? Os bons solteiros se bastam! Acabou-se a necessidade de um relacionamento.</p>
<p>Pode ser &#8230; mas junto com essa compreensão, a idade também trouxe outro ponto. Talvez um novo estágio a ser cumprido : cumplicidade.</p>
<p>Já tive um relacionamento de quase cinco anos, mas fui solteiro maior parte da vida. Pegando como base minhas próprias relações, e também ao observar os casais bem-sucedidos de amigos, vou achando que uma das coisas que mais dão sentido a uma relação é a cumplicidade com o outro. Abrir concessões, sujeitar o outro aos seus gostos duvidosos e fazer planos maiores são formas diversas de fazer o outro cúmplice do que te torna único. Ficar em silêncio junto sem precisar de uma palavra por uma tarde toda, se interessar por um assunto que nunca o faria se não conhecesse a companheira, alegrar-se com uma boa notícia do outro como se fosse sua também dão um sentido diferente e inesperado para a vida. Mesmo os exemplos de casais “esquisitos” trazem traços de cumplicidade nas brigas constantes.</p>
<p>Fica a sensação (longe de ser uma certeza) de que, se na época dos nossos avós, o sexo era um dos principais motivos para se casar jovem, e a clareza de definição dos papéis era o principal motivo para se manter uma relação, hoje, a intimidade mais íntima já não parece lá ter muito valor, e os papéis ficaram mais incompreensíveis que um filme francês da década de 70. Talvez, então, seja no desejo legítimo de dividir uma história, que se encontre o “ouro” de uma relação amorosa.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Dez Anos.</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Sep 2011 14:36:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[[link] Dez Anos. [/link] ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Se me perguntassem, dez anos atrás, onde eu estaria hoje, sem dúvida alguma eu teria errado. Com 22 anos, minha percepção de mundo era bem distinta da que tenho hoje, que sem dúvida é bem distinta da que terei daqui a dez anos. Amadurecimento é isso aí. Eu acho.</p>
<p>Como você se vê em 5, 10, 20 anos é pergunta frequente em entrevistas de emprego, e visa reconhecer ambição, comprometimento, et cetera. Mas se tem uma coisa que aprendi nesses 10 anos é que por mais que queiramos, ou mesmo achemos, que vamos chegar em algum lugar, o mundo não liga a mínima. Simples assim.</p>
<p>Não que tenha feito planos, mas 10 anos atrás achei que o Cronistas Reunidos daria algum dinheiro. (Pausa para risada histérica). Achei que nós, pioneiros na Internet, acharíamos uma maneira de ficarmos ricos. Iriam descobrir a gente. Nosso &#8220;talento&#8221;. Não poderia estar mais errado. Não tínhamos nada para ofertar em troca de dinheiro. Nosso &#8220;talento&#8221; como cronistas era/é mediano, e não revolucionaremos o mundo da literatura.</p>
<p>Outra coisa que aprendi nesses 10 anos é que não existe amor pra sempre. Não como eu idealizava pelo menos. Sou um romântico, não posso evitar, mas a maneira simplista e utópica como enxergava o amor se transformou em algo muito mais sincero e verdadeiro. Algo que não depende do Cosmos, ou de almas gêmeas, depende de alinhamento de idéias, de buscar objetivos de vida semelhantes.</p>
<p>A última década me mostrou que sou mortal. Veja só, que imbecilidade, a única certeza que todos podemos ter e demorei mais de 20 anos pra me dar conta. Quando jovem sentia que não morreria nunca, ou melhor, morreria, num dia que nunca chegaria. Mas daí envelhecemos, e pessoas em nossa volta, mais velhas, começam a morrer. Começam com os avós, daí, de repente o pai de um conhecido morre, depois a mãe de um amigo próximo. Quando você menos percebe, já perdeu irmãos de amigos, ou seus próprios irmãos, de sangue ou não.</p>
<p>Minha mortalidade não me deixou com medo de morrer. Não sou apegado a vida. Mas me deu pânico de não viver. De deixar pra amanhã meus maiores desejos, e de repente, não ter amanhã. Não faço mais listas de coisas pra fazer antes de morrer. Faço.</p>
<p>Nem tudo é pessimista, como pode estar soando, não mesmo. Sou feliz como nunca, lido melhor com frustrações, me decepciono menos, sonho bastante, mas sempre com coisas a meu alcance.</p>
<p>E se por um lado realizei que como &#8220;cronistas&#8221;, não tínhamos um talento fora do comum, percebi que como &#8220;reunidos&#8221;, somos imbatíveis. Vivemos um casamento de 7 pessoas, todas diferentes, todas sinceras, todas complementares, nos vemos toda semana, e não vivemos um sem o outro.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Mulheres com gatos.</title>
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		<comments>http://www.cronistasreunidos.com.br/kris/2011/04/mulheres-com-gatos/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 11 Apr 2011 16:08:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Não mexo com [link]mulheres com gatos[/link].]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>- Não, você não entendeu. Não tenho medo de gatos.</p>
<p>- Então o que?</p>
<p>- Tenho medo de mulheres com gatos.</p>
<p>- Por qual razão?</p>
<p>- Muitas. Confia em mim, sei o que to falando. Já saí com diversas mulheres que tem gatos, e te digo que é encrenca.</p>
<p>- Mas todas???</p>
<p>- Não todas. Não é um lance absoluto. Mas assim, quando a mulher que tem gatos é louca, ela é verdadeiramente louca.</p>
<p>- Louca pode ser bom.</p>
<p>- Não nesse sentido. No sentido, “Glenn Close” louca. Quer dizer, eu até gosto de uma “Glenn Close”. Na real elas não são loucas. São estranhas.</p>
<p>- Estranhas como? Mulher em geral é estranha.</p>
<p>- Assim, parece que elas e seus gatos tem uma ligação. Tipo, não são só bichos de estimação. Rola um pacto. E fazer pactos com gatos não é uma coisa boa pra gente.</p>
<p>- Ah, mas isso até poderia ser bem explorado. Se a mulher se entende tão bem com um gato, que é um bicho que não dá tanta atenção, tem vontade própria, não baba pela dona. O bicho é livre por natureza.</p>
<p>- Tá, até concordo. Mas procura uma mulher que deixa a porta de casa aberta.</p>
<p>- Não deixam?</p>
<p>- Nem a janela, brother. Se vacilar o bichano vaza. Não volta mais.</p>
<p>- Verdade.</p>
<p>- Alem do que, tinha uma que deixava o danado do bicho dentro do quarto enquanto a gente transava. Você não sabe o que é dar uma com aqueles olhos fixados em você.</p>
<p>- Nossa. “Creepy” essa parada. Que mina fez isso?</p>
<p>- A Talita.</p>
<p>- Porra! Mas você ficou um puta tempo com ela. Porque não deu fora antes?</p>
<p>- Ah, era difícil. A mina achava que eu era o mais foda do Universo na cama. Não me deixava em paz.</p>
<p>- Jura? Achei que você era um puta de um preguiçoso.</p>
<p>- Eu sou. Ela só achava isso porque eu não gozava nunca. Como ia conseguir, com aquele bicho me encarando.</p>
<p>- Hahahahaha. Mas não dava pra fingir que ele não tava lá?</p>
<p>- Não adianta. Mesmo que você vire pro outro lado sabe que ele ainda está lá. Te olhando bolinar a dona dele. Planejando a vingança quando ele cravaria as unhas em suas bolas.</p>
<p>- Deus me livre!</p>
<p>- É, não é fácil.</p>
<p>- E apagar a luz?</p>
<p>- Cê ta louco? A porcaria dos olhos deles brilham no escuro.</p>
<p>- Verdade.</p>
<p>- Por esses e outros motivos que agora eu só mexo com mulheres que tem cachorro.</p>
<p>- Muda tanto?</p>
<p>- Opa. Elas já estão acostumadas. O bicho é burro, fica excitado até com almofada e não tem a melhor higiene do mundo.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O mais recente romântico.</title>
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		<comments>http://www.cronistasreunidos.com.br/kris/2011/01/o-mais-recente-romantico/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 15 Jan 2011 04:57:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[[link]O mais recente romântico[/link]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>“Me dá um beeeeijo, eeeeentão.  Aperta a miiiiinha mão. To-li-ce é vi-ver a vi-da a-ssim, sem aventura&#8230;”. Olha só o que você fez comigo, estou até cantando Lulu Santos. Não tenho mais idade pra essas coisas. Na realidade, nunca fui dessas coisas. Mas você, você é diferente.</p>
<p>Não é que eu tenha algo contra os românticos. De jeito algum, tenho até amigos que são românticos e tudo mais, mas nunca foi a minha, entende? Respeito e tal, mas sei lá, nunca tive curiosidade. Tudo funciona bem no meu mundo prático. Beijos, sexo, envolvimento superficial. Fica mais fácil de tocar com a vida depois que acaba.</p>
<p>Mas você. Você me deixa louco. Não consigo me concentrar, se não me liga, não consigo fazer nada, fico checando o celular a cada minuto, confirmando se está com sinal. Se está com menos de 5 barras vou até a janela. Vai que você está tentando e não consegue.</p>
<p>Nunca entendi essa fascinação pelo romance. Sim, é uma daquelas coisas que você tem que provar pra entender, mas sempre tive a impressão de que era uma piscina gelada. “Vem que tá boa, rapidinho você acostuma”. Eu até acredito, a cara de quem tava lá dentro estava boa. Pareciam estar se divertindo. Mas também via a hora que eram obrigados a sair. Sem toalhas, ficavam com o lábio roxo, batendo a mandíbula, como se quisessem passar uma mensagem por código Morse com os dentes. E a mensagem era “Não vale a pena”.</p>
<p>Mas você. Não sei o que você tem. Me beija como se o sinal nunca fosse tocar, distribui beijos por todo meu rosto, como se não quisesse deixar nem um pedaço sem uma parte de você. Mas depois se transforma. Sem ser mal educada, me trata como se eu fosse a quinta bolacha do pacote, ninguém tem sentimentos pela quinta bolacha do pacote. Você poderia ligar menos para mim, mas sinceramente, não sei como. Você é tão difícil que me sinto um stalker só em te dar “oi”.</p>
<p>Agora que vivo esse romance, que descobri o que é esse tal frio na barriga, essa ansiedade de que algo que vai mudar sua vida está para acontecer a qualquer segundo, não acho que é a melhor coisa do mundo. Mas também não sei mais se vou conseguir viver sem isso. Não sei mais se vou querer ficar numa boa. Se estarei feliz em estar feliz. Sou dependente da miséria e êxtase que você despertou. Acordei e percebi que estava vivendo na Matrix. Me dá aqui essa gororoba e essa roupa rasgada.</p>
<p>Mas você, você eu não sei.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A gente vai se falando.</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Nov 2010 20:27:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Faz assim então, [link]A gente vai se falando.[/link]
]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>- Não agüento mais. Vou responder.</p>
<p>- Calma. Muito rápido.</p>
<p>- E daí?</p>
<p>- E daí que se responder agora, vai parecer que está desesperado.</p>
<p>- Eu estou desesperado.</p>
<p>- Eu sei, você sabe, ta bom assim.</p>
<p>- Vou responder essa merda.</p>
<p>- Você quer a minha ajuda ou não?</p>
<p>- Querer eu não quero. Mas depois dos meus fracassos sucessivos, não tenho opção.</p>
<p>- Cara, você tem coração bom, é educado, é claro que só vai se ferrar com mulher. Vem na minha.</p>
<p>- Mas sério que isso é importante? Puta coisa de menininha, ficar esperando pra responder. Não posso responder e pronto?</p>
<p>- Pode. Responde aí.</p>
<p>- Não é para eu responder né?</p>
<p>- Nope.</p>
<p>- Mas já faz uma cara.</p>
<p>- Que horas ela te mandou a mensagem?</p>
<p>- 14:33</p>
<p>- E que horas são?</p>
<p>- 14:51</p>
<p>- Espera mais 3 minutos.</p>
<p>- 3? Porque 3?</p>
<p>- Daqui a 3 minutos vai dar 31 minutos que ela te mandou a mensagem. Um numero bom. 30 minutos fica forçado.</p>
<p>- Ah, cala boca.</p>
<p>- Sério.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p><em>3 minutos depois</em></p>
<p><em>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</em></p>
<p>- Beleza, vou responder.</p>
<p>- Vai fundo.</p>
<p>- Ta.</p>
<p>- &#8230;</p>
<p>- O que eu respondo?</p>
<p>- Cacete. Você ta de sacanagem né?</p>
<p>- Por que?</p>
<p>- Fica me enchendo o saco que quer responder logo e nem sabe o que falar.</p>
<p>- Ah, até sei, mas sei lá.</p>
<p>- Qual foi a última mensagem dela?</p>
<p>- Ela me disse que podemos nos ver quinta, mas que ela pode ficar com vergonha porque ela acabou de pintar o cabelo.</p>
<p>- Como se você se importasse.</p>
<p>- É!!!</p>
<p>- Bem. Deixa eu pensar.</p>
<p>- Não. Já respondi.</p>
<p>- Respondeu o que?</p>
<p>- Que ela não precisa ter vergonha, que é linda de qualquer jeito.</p>
<p>- Sério, mano?</p>
<p>- O que?</p>
<p>- Por que não declamou logo uma poesia pra ela?</p>
<p>- Será?</p>
<p>- Não, seu cabaço. Óbvio que não. Não pode tratar mulher assim.</p>
<p>- Assim como?</p>
<p>- Assim. Bem.</p>
<p>- Ah ta, malandrão. Então quer dizer que o lance é tratar mal?</p>
<p>- Sim. E não.</p>
<p>- &#8230;</p>
<p>- Assim. Você tem que sacanear a mulher, brincar com ela. Sem desrespeitar é claro.</p>
<p>- E como eu faria isso?</p>
<p>- Ah, sei lá. Se fosse eu diria que só iria se ela garantisse que ia ficar extremamente envergonhada.</p>
<p>- E qual o sentido disso?</p>
<p>- Sentido? Que sentido? Isso aqui é pegação, brother, conquista. Não rua, que tem sentido. O negocio é brincar com a vaidade dela. Fazer ela sorrir.</p>
<p>- Fazer ela sorrir?</p>
<p>- É. Você tem que falar coisas que saiba que do outro lado, ela vai sorrir.</p>
<p>- E acha que ela não vai sorrir?</p>
<p>- Ah vai, mas&#8230;</p>
<p>- Cala a boca. Ela respondeu. Nossa, que rápida.</p>
<p>- Lógico que ela é rápida. Puta encalhada.</p>
<p>- Ah, vá se catar.</p>
<p>- Que ela disse?</p>
<p>- Ela disse que a gente vai se falando.</p>
<p>- Aê! Conseguiu tomar perdido da encalhada.</p>
<p>- Como assim perdido? Ela disse que vamos nos falando.</p>
<p>- Pensa comigo. Lembra semana passada, que estávamos lá no bar da Neide, e apareceu aquele mala do colegial.</p>
<p>- O Joça. Lembro. Cara chato dos infernos.</p>
<p>- O que você falou pra ele quando estávamos nos despedindo?</p>
<p>- Merda. Devia ter feito a sua piada.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Tirinha #19</title>
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		<comments>http://www.cronistasreunidos.com.br/eueminhasvozes/2010/09/tirinha-19/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 27 Sep 2010 03:01:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>eueminhasvozes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eu e Minhas Vozes]]></category>

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		<description />
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cronistasreunidos.com.br/wp-content/uploads/tira019.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1404" title="tira019" src="http://www.cronistasreunidos.com.br/wp-content/uploads/tira019.jpg" alt="" width="624" height="227" /></a></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Coxinha da Ofner</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/cronistasRSS/~3/HTG8O9BVec8/</link>
		<comments>http://www.cronistasreunidos.com.br/ricardo/2010/09/coxinha-da-ofner/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 21 Sep 2010 03:33:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Um casal, uma espiã russa e a [link] Coxinha da Ofner [/link]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>-    Fernanda, senta aqui. Precisamos conversar.<br />
-    Que foi, Môr.<br />
-    É sério &#8230; não vai ser uma conversa fácil.<br />
-    Já sei! Foi a diarista que limpou o iPad com Veja de novo pra tirar as marcas de dedo e você não agüenta o cheiro, né?<br />
-    Droga! De novo, é?!<br />
-    Iche &#8230; você não tinha visto ainda?<br />
-    Nopes&#8230; Mas ok &#8230; o que eu preciso falar é ainda mais sério.<br />
-    Mais que o iPad!? Deve ser o risco no bumbum da Tucson então&#8230;<br />
-    O QUÊ?!!?<br />
-    Ai &#8230;<br />
-    Poxa Fernanda! Justo a Tucson!<br />
-    Desculpa, Môr! Foi no dia do rodízio, eu tava com sono e nem vi a moto lá atrás &#8230;<br />
-    A DUCATI !?!?<br />
-    &#8230; <em>(engole seco)</em><br />
-    Bom, Fê &#8230;<br />
-    Descul – <em>(interrompendo) </em><br />
-    O que eu vou te falar agora, vai fazer tudo isso parecer coisa de criança.<br />
-    Sério?!<br />
-    É.<br />
-    Mas o q &#8230;<em> (mais uma vez)</em><br />
-    Eu estou mudando pra Rússia.<br />
-    Jura?!<br />
-    Juro.<br />
-    Oba!!! Vamos morar na Europa!!<br />
-    Nã-não &#8230; EU estou indo pra Rússia.<br />
-    Como assim, amor?<br />
-    Estou apaixonado por uma outra mulher &#8230;<br />
-    <em>(silêncio)</em><br />
-    Que eu nunca vi de verdade.<br />
-    <em>(mais silêncio)</em><br />
-    Que eu não sei se vou ver de verdade &#8230;<br />
-   <em> (o Nada)</em><br />
-    E que se eu vier a conhecer um dia, e tiver algo, provavelmente vai acabar com a minha vida.<br />
-    <em>(Stephen Hawking desistindo da ciência e virando pastor evangélico)</em><br />
-    O nome dela é Anna.<br />
-    Hmmm &#8230;<br />
-    Ela foi presa nos Estados Unidos e foi deportada pra Rússia.<br />
-    Dooois &#8230;<br />
-    E eu amo ela.<br />
-    <em>(O Big Bang)</em> COMO ASSIM!!?!?<br />
-    Você nunca vai entender, Môr &#8230;<br />
-    Num me chama de Môr!!<br />
-    Ta bom, Môr &#8230;<br />
-    <em>(Dois Big Bangs)</em> Como você tem coragem de me falar isso!?<br />
-    Mas é a mais pura verdade, Fê&#8230;<br />
-    Como um homem pode falar um absurdo desses?<br />
-    A pergunta é : Como um homem pode NÃO querer um absurdo desses!?<br />
-    Mas então você concorda que é um absurdo, seu cretino?<br />
-    Claro que sim! Ela é uma espiã russa. Uma máquina de matar. Uma agente que faria o James Bond parecer o Jerry Lewis &#8230;<br />
-    Então como você me fala que está apaixonado por ela?<br />
-    Justamente por isso!<br />
-    Mas ela nem vai saber quem você é &#8230;<br />
-    Tudo bem &#8230;<br />
-    E que segredo ela vai tentar descobrir de você? A senha do seu iPad?? É 1289! Até eu, que não tive treinamento pára-militar, já sei, Ronaldo!<br />
-    Poxa, Fêr &#8230; você descobriu, é?<br />
-    SIM! E me fala! O que vai acontecer ?<br />
-    Eu vou pra Rússia.<br />
-    Como?!?!<br />
-    Amanhã.<br />
-    Quando?<br />
-    De avião &#8230;<br />
-    Onde?!?<br />
-    Eu já vendi tudo que era nosso &#8230;<br />
-    O quê?!?<br />
-    EU QUERO QUE ELA DESTRUA A MINHA VIDA!!<br />
-    <em>(silêncio)</em><br />
-    <em>(silêncio)</em><br />
-    Ronaldo &#8230;<br />
-    Oi Fernanda.<br />
-    Isso é pegadinha, né?<br />
-    Não.<br />
-    É aquela russa que saiu em tudo que é lugar?<br />
-    É &#8230;<br />
-    A ruiva?<br />
-    Isso &#8230;<br />
-    Sei &#8230;<br />
-    Até já decorei a música que fizeram pra ela. O refrão diz (cantando em russo) “Руки прочь от наших Анна”.<br />
-    Que bonitinho &#8230;<br />
-    É ! Significa : Tirem as mãos da nossa Anna!!!!<br />
-    Palhaço!<br />
-    Desculpa.<br />
-    Claro que não.<br />
-    Eu entendo.<br />
-    E não tem mais volta &#8230;<br />
-    Não, Fêr &#8230; Eu gosto mais dela, do que a coxinha da Ofner&#8230;<br />
-    <em>(soluço)</em><br />
-    <em>(suspiro)</em><br />
-    A coxinha da Ofner?!?<br />
-    <em>(concordando com a cabeça, em sinal de respeito à gravidade da situação)</em><br />
-    Então eu desisto&#8230; Se fosse mais que a empadinha de palmito eu até tentava mudar essa palhaçada &#8230;<br />
-    Mas não é, Fêr. É mais que a coxinha mesmo &#8230;<br />
-    Eu entendi. Não precisa repetir que é crueldade.<br />
-    Desculpa.<br />
-    Tá.<br />
-    Tem um envelope na cama, com um cheque, com a sua metade de tudo que é nosso. Você só vai ter que descontar o conserto do risco na Tucson, porquê o Vavá não sabia disso quando me pagou o preço de tabela cheio.<br />
-    Ele pagou tabela mesmo?<br />
-    Acredita?<br />
-    Poxa &#8230;<br />
-    Você tá bem?<br />
-    Não. Nunca mais entro numa Ofner.<br />
-    Eu entendo.<br />
-    E pode ficar com iPad. Agora vou pra minha última aula de russo, se você não se importar.<br />
-    Ok.<br />
-    <em>(ele lentamente ele sai da sala)</em><br />
-    <em>(ela baixinho) Как утка.</em> *</p>
<p>* “<em>Que nem um patinho.</em>” em russo.</p>
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