<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939068861669188255</id><updated>2008-07-10T13:42:36.112-07:00</updated><title type='text'>Direito ao grito!!!</title><link rel='alternate' type='text/html' href='http://direito-ao-grito.blogspot.com/'/><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://direito-ao-grito.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939068861669188255/posts/default?redirect=false'/><author><name>Juliana Freitas</name><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939068861669188255.post-6532192559511544056</id><published>2008-07-06T23:53:00.000-07:00</published><updated>2008-07-06T23:56:41.757-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>O 'cidadão de bem'</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele se levanta às seis. Toma seu café da manhã enquanto folheia o jornal do dia. A manchete do jornal o assusta: O governo diz que vai ampliar o bolsa-família. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Que merda! Eu agora trabalho pra sustentar vagabundo."&lt;/span&gt; Dá um beijo na esposa, na filha adolescente, e  no filho mais novo, ordens ao jardineiro e sai para trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao passar de carro pelo ponto de ônibus da esquina da sua rua, vê um funcionário da empresa onde trabalha, mas não pára pra dar carona. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Olha lá o Zé"&lt;/span&gt;, e muda a estação do rádio, pra saber como anda o trânsito. "Essa cidade está cada dia pior. Não sei onde vamos parar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por falar em parar, ele pára. Na blitz. Não pagou o IPVA. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Ai, meus Deus, esqueci de pagar esta merda de novo. Não agüento mais pagar impostos."&lt;/span&gt; O policial se aproxima. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"�? chefia, tô atrasado, cheio de pepino pra resolver, não tem jeito de me livrar dessa não?"&lt;/span&gt; E o guarda, muito solícito, pede R$100,00 pro cafezinho. Ele dá! No rádio mais um escândalo no Planalto. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Cambada de corruptos!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;Pára no sinal. Chega o menino da bala. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Vai uma bala aí, tio?"&lt;/span&gt; E ele fecha o vidro sem responder, lamentando não ter comprado o carro com ar-condicionado. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Resolvo isso ainda hoje".&lt;/span&gt; Chega no trabalho. Pede à secretária do setor que ligue para o Renatão, o cara da oficina. A secretária murmura: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Bom dia pro senhor também"&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Renatão, meu querido, preciso de um favor seu. Quero instalar um ar-condicionado no meu carro. Pra ontem, Renatão. Dá pra pegar o carro aqui na empresa?"&lt;/span&gt; Renatão tem ótimos preços, muito abaixo dos preços de mercado. Dizem por aí que ele faz desmanche...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liga pro ramal da secretária: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Dona Sofia, me chama o Zé!"&lt;/span&gt; Dona Sofia diz que Zé ainda não chegou, e ele se aborrece. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Esse povo é tudo folgado. Depois é mandado embora e fica reclamando que falta emprego neste país. Olha a minha lata de lixo, como tá cheia..."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;O telefone toca, e Dona Sofia anuncia o telefonema da esposa. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Meu amor, eu não sei o que fazer. A Aparecida diz que não vem hoje porque o menino dela está com dengue e ela precisa ir ao hospital. Agora, eu vou perder minha ioga porque não tenho com quem deixar o Marcelinho"&lt;/span&gt; Ele diz que é pra ela demitir Aparecida e contratar uma mulher mais velha, com filho já crescido o suficiente para não precisar de companhia pra ir ao hospital quando pegar dengue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manhã já foi embora e ele sai pra almoçar. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"�? tio, me compra um salgado?"&lt;/span&gt;, e ele desvia, pensando onde é que esse mundo vai parar. Não consegue dar uma volta no quarteirão sem que alguém peça alguma coisa pra ele. O celular toca e Renatão diz que o 'ar tá na mão' e ele liga pra Dona Sofia pra autorizar a entrega da chave do carro.&lt;span style="font-style: italic;"&gt; "Sr. Paulo, o Zé... O Zé tá no hospital, Sr. Paulo. Parece que teve um tiroteio. Bala perdida..."&lt;/span&gt; Ele resmunga: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Que dia!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontra seu contador no restaurante e diz que precisa lhe entregar os documentos pra fazer o IR, mas que o contador consiga mais notas frias que no ano passado, porque a facada foi grande. Mais adiante vê Clécio, que o convida a sentar-se com ele à mesa. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"E aí, Paulão? Qual a boa de hoje?"&lt;/span&gt; Paulo comenta sobre o bolsa-família, xinga os corruptos e da propina dada ao policial da blitz. Clécio diz que o Brasil só cresce à noite, quando os ladrões dormem, e comenta que está namorando uma menina de 18. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Uma belezinha, Paulo, mas tá me dando uma dor de cabeça! Agora à tarde mesmo vou levá-la a uma clínica de aborto. Já tô com os filhos criados, e não quero mais nenhum!"&lt;/span&gt; Paulo diz que não concorda com esse negócio de aborto, que isso é contra as leis de Deus, que uma mulher que faz isso é uma assassina, mas concorda que Clécio já está velho e com os filhos criados. Tem até netos! &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"E essas meninas engravidam pra gente ter que pagar pensão..."&lt;/span&gt;O celular toca, ele atende: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Sr. Paulo... O Zé... morreu!"&lt;/span&gt;. Ele lamenta, conta ao colega e, aproveitando a deixa de que o Zé torcia pelo Vasco, o assunto descamba animadamente pro futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termina o almoço e ele pára no bar da esquina pra tomar o café e pegar a encomenda que fez no dia anterior. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"O senhor vai gostar dessa, Sr. Paulo; é a melhor do mercado"&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao escritório, liga pra esposa que diz que a filha adolescente está trancada no quarto, chorando sem parar, e ela não sabe o que fazer. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Deve ser fricote de menina mimada. Compra uma bolsa pra ela na hora que você for ao shopping que ela para de chorar rapidinho."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;Dona Sofia avisa que, conforme o combinado semana passada, vai sair pra ir ao dentista, e depois vai ao velório do Zé. Não volta mais naquele dia. Paulo resmunga. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"A senhora, pelo menos, cumpriu a agenda?"&lt;/span&gt; E pensa que hoje deve ser o dia da rebelião dos empregados. Uma que falta porque tem que levar o filho pro hospital - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Que mania que pobre tem de colocar filho no mundo. Tinha que esterilizar esse povo"&lt;/span&gt; ; outro que resolve encontrar uma bala perdida, e agora a Dona Sofia, com dor de dente. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Custava deixar pra um dia mais calmo? Já estava reclamando dessa dor há uma semana, mais um dia não faz  diferença..."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolve que também vai sair mais cedo. Liga pro Renatão, pega o carro, paga o ar à preço de banana e reclama do valor do serviço, e liga pra Clécio. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Cara, que tal uma esticada?"&lt;/span&gt; E Clécio marca um happy-hour, que é pra desestressar. Paulo comenta sobre a 'encomenda' que pegou no café da esquina e Clécio sugere que eles sigam até seu apartamento pra experimentar. Bagulho apertado, fumado, e no noticiário os três assassinados do Morro da Providência. Rindo, eles comemoram: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Menos três traficantezinhos de merda no mundo, bem feito! Tinha era que fazer uma limpa"&lt;/span&gt;, e Clécio elogia: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Meu irmão, que bagulho bom, de onde é?"&lt;/span&gt; Paulo diz não saber, que só faz a encomenda pro rapaz que trabalha no café. E continuam dizendo que esses traficantes só estão aí porque a polícia é corrupta. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Ainda bem que lá no meu bairro não tem favela,  e a mais próxima é miliciada." &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora de voltar pra casa. Encontra a mulher aos prantos com um papel nas mãos e a filha muda, de cabeça baixa. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Ela está grávida, Paulo, grávida!"&lt;/span&gt;. Paulo não pensa duas vezes e telefona pra Clécio: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Meu camarada, onde é a clínica que você levou sua ninfeta hoje?"&lt;/span&gt;. Toma nota do endereço, e diz à filha: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Esteja no escritório amanhã na hora do almoço que você vai tirar esse bebê. Imagina, quinze anos e grávida. A culpa é da sua mãe, que não te educou direito, e da televisão. Já não se tem horário pra mais nada na TV."&lt;/span&gt; E a filha, aos prantos, corre para o quarto, enquanto ele diz à mulher que está &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"tudo resolvido, agora eu vou dormir, que tive um dia cheio".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis horas da manhã. Ele toma seu café enquanto lê o jornal: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Rapaz de dezoito anos é assassinado no Leblon."&lt;/span&gt; Ele fica estarrecido em como essas coisas podem acontecer assim. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Mais uma vítima da violência. Temos que tomar alguma providência... Pobre rapaz, tão jovem, saudável... queria ser médico... Podia ser meu filho!"&lt;/span&gt; Dá um beijo na esposa, lembra a filha de estar no ecritório na hora do almoço, e beija a testa do filho mais novo. Dá ordens ao jardineiro, reclama que as plantas não crescem e que ele é muito bem pago pra fazer a porcaria de serviço que faz... Pega engarrafamento, o ar está ligado, as notícias do trânsito não são nada boas, desvia da blitz e chega no escritório. A lixeira ainda está cheia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Este texto foi escrito na madrugada de 23 de junho, no meu outro blog, o &lt;/span&gt;&lt;a style="font-weight: bold; font-style: italic;" href="http://ai-meus-sais.blogspot.com/"&gt;Ai, meus sais!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E é com ele que eu inauguro o DIREITO AO GRITO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='alternate' type='text/html' href='http://direito-ao-grito.blogspot.com/2008/07/o-cidado-de-bem.html' title='O &apos;cidadão de bem&apos;'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939068861669188255&amp;postID=6532192559511544056' title='4 Comentários'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://direito-ao-grito.blogspot.com/feeds/6532192559511544056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939068861669188255/posts/default/6532192559511544056'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939068861669188255/posts/default/6532192559511544056'/><author><name>Juliana Freitas</name><email>noreply@blogger.com</email></author></entry></feed>