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	<title>De Cuba, com carinho - Yoani Sánchez</title>
	
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		<title>Nelson Motta fala sobre Yoani Sánchez</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 12:53:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editora Contexto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[CAÇAS E CAÇADORES A cubana Yoani Sánchez está se tornando um símbolo mundial da liberdade de expressão na internet. Proibida de ser lida em seu próprio país, de viajar para receber diversos prêmios internacionais, vigiada dia e noite, e agora sequestrada e espancada por agentes da polícia política, ela continua contando em seu blog como [...]]]></description>
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		</div>
<h3></h3>
<h3>CAÇAS E CAÇADORES</h3>
<p>A cubana Yoani Sánchez está se tornando um símbolo mundial da liberdade de expressão na internet. Proibida de ser lida em seu próprio país, de viajar para receber diversos prêmios internacionais, vigiada dia e noite, e agora sequestrada e espancada por agentes da polícia política, ela continua contando em seu blog como é a vida real em Cuba &#8211; que os meios de comunicação estatais, sovieticamente controlados, escondem.</p>
<p>Yoani é perseguida porque revela a realidade do cotidiano cubano, desmente mitos da propaganda oficial com fatos e fotos, ironiza e debocha dos dinoussauros no poder, é intolerável para qualquer ditadura. Pior, quanto mais famosa fica, mais difícil calá-la e encarcerá-la, por medo do clamor internacional. No clássico estilo oficial, é acusada de ser inimiga da revolução a soldo da CIA e do Império, embora viva modestamente e sequer tenha internet em casa, privilégio dos fiéis ao partido. Tem que fazer os seus posts de lan houses, que são proibidas aos cubanos, disfarçada de turista.</p>
<p>Os anticastristas fanáticos de Miami, que se nivelam em estupidez aos castristas da ilha, na tentativa de monopolizar a oposição ao regime, plantaram que Yoani fez um acordo com o governo e é usada para mostrar que há liberdade de expressão em Cuba. É ridículo: ela não pode nem ser lida na ilha.</p>
<p>Os velhos revolucionários nunca imaginaram enfrentar inimigo tão poderoso, a serviço do Império, por supuesto: blogs, twitters, sites, celulares, emails, satélites, que estão mostrando os desastres de 50 anos de revolução. Tudo que o governo cubano não tolera. Mas é um caminho que não tem mais volta, que nem armas, nem slogans e nem bravatas poderão conter.</p>
<p>Corajosa, logo depois da agressão, Yoani postou fotos de diversos agentes da repressão que vigiam seu apartamento e seus passos. Os arapongas foram flagrados no susto, alguns fugindo, outros cobrindo o rosto como bandidos presos, em flagrantes históricos de uma ditadura. A caça, armada de celular, passou a caçadora. Os secretas foram expostos, suas fotos circulam pela ilha, Yoani pergunta o que eles vão dizer a suas famílias.</p>
<p><em><strong>Nelson Motta,  jornalista.</strong></em></p>
<p><em>(publicado no jornal O Estado de S. Paulo – 20/11/2009)</em></p>
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		<title>Blogueiros formam nova frente de oposição – Estadão</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 19:42:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por Jamil Chade, no Estadão: Eles são jovens e usam uma arma moderna para questionar o regime comunista. Os blogueiros tornaram-se a principal dor de cabeça das autoridades cubanas. A mais conhecida é Yoani Sánchez, que usa a internet para expor a frustração de uma juventude sem liberdade. Contra eles, o governo adotou métodos de [...]]]></description>
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<div>
<p><a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091123/not_imp470492,0.php" target="_blank">Por Jamil Chade, no Estadão</a>:</p>
<p>Eles são jovens e usam uma arma moderna para questionar o regime comunista. Os blogueiros tornaram-se a principal dor de cabeça das autoridades cubanas. A mais conhecida é Yoani Sánchez, que usa a internet para expor a frustração de uma juventude sem liberdade. Contra eles, o governo adotou métodos de intimidação. Primeiro, incentivou simpatizantes do regime a criar blogs onde atacam opositores. Depois, apelou: Yoani foi agredida há 15 dias. Na sexta-feira, o mesmo ocorreu com seu marido, Reinaldo Escobar. &#8220;Vou continuar escrevendo. Isso me dá forças&#8221;, disse ela. O uso de blogs individuais, porém, revela outro aspecto da oposição cubana: sua fragmentação. O governo tira proveito disso, pois optou por não bloquear o acesso da população à internet, mas cobra caro pelo seu uso. Na prática, poucos cubanos usam a ferramenta.</p></div>
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		<title>Cuba ainda espera abertura de Raúl Castro – Estadão</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 19:39:53 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[2 anos após assumir acenando com mudanças no regime, líder rejeita diálogo e aperta cerco a dissidentes Por Jamil Chade - O Estado de S. Paulo // HAVANA - Eles estavam à paisana. Mas alertaram claramente que se tratava de um grupo de policiais e defensores da Revolução. Há uma semana, a reportagem do Estado tentava chegar à casa [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p><strong>2 anos após assumir acenando com mudanças no regime, líder rejeita diálogo e aperta cerco a dissidentes</strong></p>
<div>
<p><a href="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,cuba-ainda-espera-abertura-de-raul-castro,470607,0.htm" target="_blank">Por Jamil Chade - O Estado de S. Paulo</a></p>
<p>// </p></div>
<p>HAVANA - Eles estavam à paisana. Mas alertaram claramente que se tratava de um grupo de policiais e defensores da Revolução. Há uma semana, a reportagem do Estado tentava chegar à casa de Vladimiro Roca, um dos dissidentes cubanos que ainda vivem em Havana. Mas acabou barrada a poucos metros da residência, em plena luz do dia, por policiais à paisana que se identificaram como &#8220;defensores da Revolução&#8221;. A cena se repetiu após nova tentativa, pelo outro lado da rua.</p>
<p>Apesar das expectativas criadas após a ascensão ao poder do presidente Raúl Castro, em 2007, pouca coisa mudou em Cuba. Na semana passada, a organização não-governamental Human Rights Watch publicou um relatório denunciando que o regime cubano criou leis que permitem ao Estado prender suspeitos antes mesmo que cometam crimes &#8211; a acusação é que eles estariam &#8220;planejando atividades ilícitas&#8221;. Em dois anos, 40 pessoas foram detidas nessas condições, segundo a ONG. Outras 53 ainda estão presas desde 2003 por organizar um protesto contra Fidel Castro.</p>
<p>No jornal oficial do governo, o Granma, as autoridades rejeitaram o conteúdo do relatório. No Ministério das Relações Exteriores, diplomatas explicaram que &#8220;existem diferentes visões do que é uma democracia&#8221;. Eles alegam que não se trata de detenção de opositores, mas de pessoas que seriam &#8220;equivalentes a terroristas&#8221;. Para completar, defendem que, se um líder é admirado por seu trabalho, não há motivo para que deixe o cargo de presidente.</p>
<p>Em conversas em locais discretos, muitos dissidentes admitem que temem por suas vidas. A maioria tem suas atividades limitadas e não quer ter seu nome citado. São jornalistas, economistas e líderes comunitários que dizem tentar, de dentro de Cuba, promover reformas e promover um debate sobre a situação na ilha. Todos eles asseguram que o apelo por mudanças não vem de Washington ou de Miami, mas dos próprios cubanos.</p>
<p>Vários dissidentes alertam que as reformas na economia que haviam sido prometidas por Raúl jamais ocorreram. &#8220;Cuba não tem um projeto para os próximos anos&#8221;, afirma o dissidente Dagoberto Valdés. &#8220;A ideia de que poderia seguir o modelo chinês de reformas, com uma abertura econômica e mantendo o sistema comunista, não está sendo aplicada. O governo sabe que, no momento em que iniciar isso, perderá o controle sobre a sociedade&#8221;, acrescenta Valdés.</p>
<p>Entre as medidas autorizadas por Raúl está o sinal verde para que empresas paguem por horas extras a seus funcionários. Na prática, isso poderia ser o início de uma diferença salarial no país. Mas praticamente nenhuma empresa estabeleceu a nova remuneração, por causa da crise econômica &#8211; considerada a pior desde o fim da União Soviética, nos anos 90.</p>
<p>Outro &#8220;ajuste&#8221; é a autorização para o uso de celulares. Parte da população não quer usar o serviço, por temor de que serão vigiados, ou não tem dinheiro para pagar as tarifas exorbitantes. O acesso à internet também continua limitado, mesmo com a expansão do movimento de blogueiros. Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), a assinatura mensal de um serviço de banda larga pode custar US$ 1,6 mil em Cuba, um dos preços mais altos do mundo. // </p>
<p><strong>Crise aumenta repressão</strong></p>
<p>O dissidente Dagoberto Valdés é um exemplo de como a repressão política continua pairando sobre os cubanos. O temor é tão presente que, quando a reportagem chegou à sua casa, uma pessoa da família que atendeu insistiu que aquela não era a residência do dissidente &#8211; temia que o repórter fosse um policial. Pouco depois, enquanto a entrevista era feita, Valdés mandou um assistente vigiar a porta.</p>
<p>&#8220;A verdade está sepultada em Cuba&#8221;, afirmou Valdés. &#8220;O sistema já afundou e todos estão vendo isso. O que se vê nos discursos e na imprensa oficial é a &#8220;Cuba virtual&#8221;. A &#8220;Cuba real&#8221; é a da opressão, da falta de condições e ameaças&#8221;, emendou Valdés, um religioso que publica e distribui de forma clandestina a revista Convivencia, que debate a situação em Cuba.</p>
<p>&#8220;A reforma econômica foi enterrada, com a desculpa de que o país vive uma crise&#8221;, acrescenta. Na população, o sentimento é de ambiguidade. Muitos estão cansados de viver essa situação e querem liberdade. Mas temem perder as garantias de acesso à escola, saúde e alimentação.</p>
<p>O governo sabe que, se não mantiver a sociedade com acesso aos alimentos, corre o risco de ver uma proliferação de protestos. Por isso, coloca todo seu empenho em garantir comida, mesmo que tenha de cortar recursos de outras partes do orçamento. Ainda assim, na cesta de produtos básicos que são vendidos por um preço mínimo, alguns itens &#8211; como legumes &#8211; começam a ser retirados da &#8220;libreta de abastecimiento&#8221;.</p>
<p><strong>Alimentos caros</strong></p>
<p>Em uma mercado popular de Havana, o administrador local admite que não sabe se a &#8220;libreta&#8221; vai durar muito tempo. Parte do problema é que os alimentos explodiram de preço nos últimos dois anos e Cuba importa 80% de tudo o que consome. &#8220;Cerca de 70% vêm dos Estados Unidos, ou seja do inimigo&#8221;, afirmou Marcio Porto, chefe da FAO em Havana. De 2007 para 2009, Cuba foi obrigada a gastar US$ 800 milhões a mais para importar o mesmo volume de alimentos.</p>
<p>Já no campo, o próprio governo admite problemas. A produção agrícola sofrerá queda de 7,7% em 2009. Metade das terras aráveis está abandonada.</p>
<p>Cuba convocou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para ajudar. A empresa desembarcou há poucos meses para um teste com 18 variedades de soja que seriam plantadas em áreas do Ministério da Defesa, o que demonstra a importância estratégica da soberania alimentar para Cuba.</p>
<p>Outra medida é a eliminação dos &#8220;comedores obreros&#8221;, espécie de bandejão oferecido nas empresas. No total, são 24 mil &#8220;comedores&#8221; que atendem a 3,5 milhões de pessoas. O problema é que custam ao Estado US$ 350 milhões por ano apenas em alimentos básicos. No mês passado, quatro &#8220;comedores&#8221; foram fechados sob a alegação de que os funcionários roubavam alimentos que seriam servidos aos trabalhadores.</p>
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		<title>Marido de blogueira cubana é atacado em Havana – Estadão</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 14:13:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>millenium</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Link da notícia SÃO PAULO - Reinaldo Escobar, marido da blogueira cubana Yoani Sánchez, foi agredido à luz do dia anteontem numa esquina de Havana por um bando de simpatizantes do regime comunista enquanto aguardava a chegada de agentes de segurança com quem havia marcado um encontro pela internet. Escobar, de 62 anos, havia proposto um &#8220;duelo [...]]]></description>
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<p><a href="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,marido-de-blogueira-cubana-e-atacado-em-havana,470258,0.htm" target="_blank">Link da notícia</a></p>
<p>SÃO PAULO - Reinaldo Escobar, marido da blogueira cubana Yoani Sánchez, foi agredido à luz do dia anteontem numa esquina de Havana por um bando de simpatizantes do regime comunista enquanto aguardava a chegada de agentes de segurança com quem havia marcado um encontro pela internet.</p>
<p>Escobar, de 62 anos, havia proposto um &#8220;duelo verbal&#8221; com os policiais acusados de terem agredido Yoani quando ela se dirigia a um protesto, no último dia 6. Yoani, filóloga, criou o blog Geração Y no qual publica críticas ao governo.</p>
<p>Escobar contou ter convocado os supostos agressores da mulher em sua página da internet para um encontro no bairro Vedado &#8211; num local conhecido de concentração de ativistas da União de Jovens Comunistas, que costumam vender livros e realizar concertos ali. Ao chegar com dois amigos ao local, Escobar logo começou a ser hostilizado. Em seguida, foi cercado, xingado e agredido, mas não ficou ferido.</p>
<p>&#8220;Essa rua é de Fidel&#8221;, gritavam os manifestantes. O regime cubano acusa Yoani e Escobar de serem ligados a grupos lobistas interessados em desestabilizar o regime. As informações são do jornal <strong>O Estado de S. Paulo.</strong></p>
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		<title>Resposta de Obama à blogueira Yoani Sánchez</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 19:02:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editora Contexto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Agradeço esta oportunidade de compartilhar impressões com você e seus leitores de Cuba e do mundo, e aproveito para parabenizá-la pelo prêmio María Moore Cabot, da Faculdade de Jornalismo da Universidade de Columbia, recebido por promover o diálogo mútuo nas Américas através de suas reportagens. Fiquei decepcionado de você ter sido impedida de viajar para [...]]]></description>
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		</div>
<p>&#8220;Agradeço esta oportunidade de compartilhar impressões com você e seus leitores de Cuba e do mundo, e aproveito para parabenizá-la pelo prêmio María Moore Cabot, da Faculdade de Jornalismo da Universidade de Columbia, recebido por promover o diálogo mútuo nas Américas através de suas reportagens. Fiquei decepcionado de você ter sido impedida de viajar para receber o prêmio em pessoa.</p>
<p>&#8220;O seu blog oferece ao mundo uma janela das realidades da vida cotidiana em Cuba. É revelador que a internet ofereceu a você e a outros corajosos blogueiros cubanos um meio tão livre de expressão, e aprovo esses esforços coletivos para permitir que seus compatriotas se expressem através da tecnologia. O governo e o povo americano se unem a todos vocês antes mesmo do dia em que todos os cubanos possam se expressar livre e publicamente, sem medo ou represálias.&#8221;</p>
<p>YOANI SÁNCHEZ: <strong>Durante muito tempo, Cuba esteve presente tanto na política exterior dos Estados Unidos como entre as preocupações domésticas, especialmente pela existência de uma grande comunidade cubano-americana. No seu ponto de vista, em qual categoria assuntos de Cuba devem ser abordados?</strong></p>
<p>BARACK OBAMA: Todos os assuntos da política exterior têm componentes internos, especialmente aqueles de países vizinhos como Cuba, de onde procedem muitos imigrantes nos Estados Unidos e com o qual temos uma longa história de vínculos. Nosso compromisso de proteger e apoiar a livre expressão, os direitos humanos e um estado de direito democrático, tanto em nosso país como no mundo, também supera as demarcações entre o que é política interna e externa. Além disso tudo, muitos dos desafios que compartilhamos, como a imigração, o narcotráfico e a administração da economia, são assuntos tanto internos quanto externos. Ao fim, as relações entre Cuba e os Estados Unidos devem ser analisadas em um contexto interno e externo.</p>
<p>YOANI: <strong>Se o seu governo colocasse um ponto final nessa disputa, ele reconheceria o governo de Raúl Castro como o único interlocutor em eventuais negociações?</strong></p>
<p>OBAMA: Como disse antes, o meu governo está pronto para estabelecer laços com o governo cubano em uma série de áreas de interesse mútuo, como fizemos nas conversas sobre imigração e nas remessas de dinheiro. Também me proponho a facilitar o maior contato entre o povo cubano, especialmente entre famílias que estão separadas. Queremos estabelecer vínculos também com cubanos que estão fora do âmbito governamental, como fazemos em todo o mundo. Está claro que a palavra do governo não é a única que conta em Cuba. Aproveitamos todas as oportunidades para interagir com toda a sociedade cubana e olhamos para um futuro no qual o governo reflita as vontades do povo cubano.</p>
<p>YOANI: <strong>O governo dos Estados Unidos renunciaram ao uso de força militar como forma de pôr fim ao conflito?</strong></p>
<p>OBAMA: Os EUA não têm intenção alguma de utilizar força militar em Cuba. O que os EUA apoiam em Cuba é um maior respeito aos direitos humanos e às liberdades política e econômica. Os EUA se unem às esperanças de que o governo responda às aspirações de seu povo de desfrutar da democracia e do poder determinar o futuro de Cuba livremente. Somente os cubanos são capazes de promover uma mudança positiva em Cuba, e esperamos que logo possam exercer as capacidades de maneira plena.</p>
<p>YOANI: <strong>Raúl Castro disse, publicamente, estar disposto a dialogar sobre todos os temas com o respeito mútuo como única condição e a igualdade de condições. Estas exigências lhe parecem desmedidas? Quais seriam as condições previas que seu governo imporia para iniciar um diálogo?</strong></p>
<p>OBAMA: Por anos eu disse que é hora de aplicar uma diplomacia direta e sem condições, seja com inimigos ou inimigos. Contudo, falar por falar não me interessa. No caso de Cuba, o uso da diplomacia deveria resultar em maiores oportunidades para promover nossos interesses e as liberdades do povo cubano. Já iniciamos um diálogo, partindo desses interesses comuns &#8211; imigração que seja segura, ordenada e legal, e a restauração do serviço direto dos correios. São pequenos passos, mas parte importante de um processo para colocar as relações entre os Estados Unidos e Cuba a uma nova e mais positiva direção.</p>
<p>YOANI: <strong>Que participação poderiam ter o cubanos no exílio, os grupos de oposição interna e a emergente sociedade civil cubana nesse hipotético diálogo?</strong></p>
<p>OBAMA: Ao considerar qualquer decisão sobre política pública, é imprescindível escutar quantas vozes diferentes for possível. Isso é precisamente o que viemos fazendo com relação à Cuba. O governo dos EUA conversa regularmente com grupos e indivíduos dentro e fora de Cuba, que acompanham com interesse o curso de nossas relações. Muitos não estão de acordo com o governo cubano, muitos não estão de acordo com o governo americano e muitos outros não estão de acordo entre si. O que devemos todos estar de acordo é que temos que ouvir as inquietações e interesses dos cubanos que vivem na ilha. Por isso é que tudo o que vocês estão fazendo para projetar suas vozes é tão importante &#8211; não somente para promover a liberdade de expressão, como também para que as pessoas de fora de Cuba possam entender melhor a vida, as vicissitudes e as aspirações dos cubanos que estão na ilha.</p>
<p>YOANI: <strong>O senhor é um homem que aposta no desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação e informação. Contudo, nós, cubanos, continuamos com muitas limitações para acessar a Internet. Quanta responsabilidade tem nisso o bloqueio americano em relação a Cuba e quanta tem o governo cubano?</strong></p>
<p>OBAMA: O meu governo deu passos importantes para promover a corrente livre de informação proveniente de e dirigida ao povo cubano, particularmente por novas tecnologias. Possibilitamos a expansão dos laços das telecomunicações para acelerar o intercâmbio entre o povo de Cuba e do mundo exterior. Tudo isso aumentará a quantidade de meios através dos quais os cubanos da ilha poderão comunicar-se entre si e com pessoas de fora de Cuba, valendo-se por exemplo, de maiores oportunidades em transmissões de satélite e de fibra ótica. Isso não acontecerá de um dia para o outro, nem tampouco poderá ter plenos resultados sem ações positivas do governo cubano. Entendo que o governo cubano anunciou planos para oferecer maior acesso à internet nos postos de correio. Acompanho estes acontecimentos com interesse e exorto o governo a permitir acesso à informação e à internet sem restrições. Além disso, são bem-vindas sugestões sobre áreas nas quais podemos mais tarde ajudar no livre fluxo de informação dentro, de e para Cuba.</p>
<p>YOANI: <strong>Estaria disposto a visitar o nosso país?</strong></p>
<p>OBAMA: Nunca descartaria uma ação que tenha como objetivo avançar nos interesses dos Estados Unidos ou promover as liberdades do povo cubano. Ao mesmo tempo, as ferramentas diplomática devem ser usadas somente após cuidadosa preparação e como parte de uma estratégia calma. Eu adoraria visitar uma Cuba, onde todas as pessoas possam desfrutar dos mesmos direitos e oportunidades de que goza o resto do povo do continente.</p>
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		<title>Yoani Sánchez para a Veja: “Eu achei que não sairia viva”</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 17:16:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editora Contexto</dc:creator>
				<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[polêmica]]></category>
		<category><![CDATA[cuba]]></category>
		<category><![CDATA[cubana]]></category>
		<category><![CDATA[repressão]]></category>
		<category><![CDATA[Sánchez]]></category>
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		<category><![CDATA[violência]]></category>
		<category><![CDATA[Yoani]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem vê a cubana Yoani Sánchez, blogueira conhecida por driblar a censura, automaticamente se contrai só de pensar no sofrimento a que seu corpo frágil, de apenas 49 quilos, foi submetido enquanto era surrada por três brutamontes dentro de um carro. Na tarde da sexta-feira 6, Yoani estava a caminho de uma quase impossível manifestação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<blockquote><p>Quem vê a cubana Yoani Sánchez, blogueira conhecida por driblar a censura, automaticamente se contrai só de pensar no sofrimento a que seu corpo frágil, de apenas 49 quilos, foi submetido enquanto era surrada por três brutamontes dentro de um carro. Na tarde da sexta-feira 6, Yoani estava a caminho de uma quase impossível manifestação de protesto em Havana quando foi atacada por agentes da polícia política. Sofreu ameaças e espancamentos antes de ser jogada na calçada de um bairro longínquo. Yoani escreve há dois anos sobre as dificuldades de viver na ilha no blog <a href="http://www.desdecuba.com/generaciony" target="_blank">Generación Y</a> e é autora do livro <em>De Cuba, com Carinho </em>(Contexto). Vive sob vigilância, mas nunca havia sido fisicamente atacada. Aqui, ela descreve o ocorrido com exclusividade para VEJA e, com a habitual coragem, manda um recado ao &#8220;general&#8221; &#8211; Raúl Castro. De muletas, sequela do espancamento que a imobilizou em casa, pediu a uma amiga que levasse o relato em um pen drive até um ponto de acesso à internet para enviá-lo por e-mail.</p></blockquote>
<p>Enrique de la Osa Reuters<br />
<img src="http://veja.abril.com.br/181109/imagens/direitos1.jpg" border="0" alt="" vspace="3" width="550" height="365" /></p>
<p>DE MULETAS<br />
Yoani Sánchez, em casa, depois de ser agredida: &#8220;Durante vinte minutos, nos espancaram sem parar&#8221;</p>
<p>&#8220;Não era uma sexta-feira qualquer. As comemorações do vigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim se aproximavam e um grupo de jovens artistas cubanos planejava uma passeata contra a violência naquele dia. A tarde era cinza em uma cidade onde quase sempre brilha um sol inclemente, que nos faz caminhar colados às paredes para nos beneficiarmos da sombra. Estavam comigo Claudia Cadelo e Orlando Luís Pardo, dois autores de blogs que recebem milhares de visitas a cada semana. Enquanto andávamos, contei a eles sobre uma desconhecida que, dias antes, havia se aproximado e me perguntado: &#8220;Você não tem medo?&#8221;, em referência, claro, ao fato de que digo livremente minhas opiniões em um país onde o governo detém o monopólio da verdade. Meus amigos sorriram quando narrei a eles a resposta que dei à transeunte angustiada: &#8220;Meu maior temor é ter de viver com medo&#8221;. Não imaginava que em poucos minutos eu viveria o terror de um sequestro e enxergaria o rosto da impunidade policial em sua forma mais dura.</p>
<p>Eu caminhava pela Avenida dos Presidentes, em Havana, com a intenção de participar da demonstração pacifista convocada pelos jovens. À altura da Rua 29, a uns 300 metros de onde estavam os manifestantes, um carro da marca Geely, de fabricação chinesa, cor preta e placa amarela, de uso privado, parou diante de nós. Três homens em trajes civis nos mandaram entrar no automóvel. Não se identificaram nem mostraram um mandado de prisão. Eu me recusei a obedecer. Disse que, como não tinham ordem judicial, seria um sequestro. Depois de uma breve discussão, um deles chamou alguém pelo celular, pedindo orientações. Imediatamente, os três começaram a nos tratar com violência para que entrássemos no carro. Enquanto nos empurravam, os homens do automóvel negro usaram o celular outra vez e uma viatura da polícia se aproximou. Pensei que os policiais nos salvariam. Pedi ajuda a eles, explicando que estávamos sendo atacados por supostos sequestradores. Os homens que estavam à paisana então deram ordens aos policiais para levar Claudia Cadelo e outra amiga que estava conosco. Eles obedeceram e ignoraram o pedido de ajuda que eu e Orlando fazíamos. As pessoas que observavam a cena foram impedidas de prestar ajuda, com uma frase que resumia todo o pano de fundo ideológico da cena: &#8220;Não se metam. Eles são contrarrevolucionários&#8221;. Fazendo uso de toda a força física e de um evidente conhecimento de artes marciais para nos dominar, obrigaram-nos a entrar no carro. Comigo empregaram especial violência, enfiando-me de cabeça para baixo e me mantendo imobilizada com um joelho sobre o peito.</p>
<p>Dentro do veículo e durante cerca vinte minutos, os sequestradores nos espancararam sem parar. Frases de mau presságio saíam da boca daqueles três profissionais da intimidação: &#8220;Yoani, isso é o seu fim&#8221;, &#8220;Você não vai mais fazer palhaçadas&#8221;, ou &#8220;Acabou a brincadeira&#8221;. Achei que não sairia viva. Tentei escapar pela porta, mas não havia maçaneta para acionar. A certa altura, o carro parou. Eu já tinha perdido a noção do tempo. Do lado de fora, caía a noite. Finalmente, ambos fomos jogados em plena via pública, longe do lugar onde se realizava a passeata contra a violência.</p>
<p>Por causa dos golpes desferidos por esses profissionais da repressão, estou com a face esquerda inflamada. Tenho contusões na cabeça, nas pernas, nos glúteos e nos braços, além de uma forte dor na coluna, que me obriga a caminhar com muletas. Na noite de 7 de novembro, um sábado, fiz uma consulta médica, mas não quiseram redigir um exame de corpo de delito sobre os maus-tratos físicos. A médica teve de me atender na presença de um funcionário que estava ali apenas para me vigiar. Uma radiografia mostrou que não havia traumas internos, apesar dos sinais exteriores das pancadas. Recebi apenas algumas recomendações para minha recuperação.</p>
<p>Eu já me sinto fisicamente melhor e desde sexta-feira tenho uma ideia constante. As autoridades cubanas acabam de compreender que, para silenciar uma blogueira, não podem usar os mesmos métodos com os quais conseguiram calar tantos jornalistas. Ninguém pode despedir os impertinentes da web nem lhes prometer umas semanas na Praia de Varadero ou presenteá-los com um Lada. Muito menos podem ser cooptados com uma viagem para o Leste Europeu. Para calar um blogueiro, é preciso eliminá-lo ou intimidá-lo. Essa equação já começou a ser entendida pelo estado, pelo partido e pelo general.&#8221;</p>
<p><em>(VEJA &#8211; 18/11/2009)</em></p>
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		<title>CCJ aprova voto de repúdio a governo de Cuba pela prisão de blogueira</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 06:26:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>millenium</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Da Agência Senado: A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou, nesta quarta-feira (11), voto de repúdio ao governo cubano pela prisão da escritora Yoani Sánchez, criadora do blog Generación Y. Na última sexta-feira (7), ela e dois outros blogueiros foram detidos por agentes de segurança durante uma passeata contra a violência. O requerimento [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p>Da <a href="http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=97308&amp;codAplicativo=2" target="_blank">Agência Senado</a>:</p>
<p class="MsoNormal">A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou, nesta quarta-feira (11), voto de repúdio ao governo cubano pela prisão da escritora Yoani Sánchez, criadora do <em>blog</em> Generación Y. Na última sexta-feira (7), ela e dois outros blogueiros foram detidos por agentes de segurança durante uma passeata contra a violência.</p>
<p class="MsoNormal">O requerimento do presidente da CCJ, senador Demóstenes Torres (DEM-GO) foi aprovado com voto contrário do senador Inácio Arruda (PCdo-B-CE) e com a abstenção do senador Eduardo Suplicy (PT-SP).</p>
<p class="MsoNormal">Suplicy disse ser a favor desse protesto da CCJ, mas defendeu que a votação do requerimento acontecesse somente após ouvir explicações da embaixada cubana no Brasil sobre o episódio. O senador foi designado, na reunião desta quarta-feira, pelo presidente da CCJ, para intermediar, junto à embaixada de Cuba, a vinda de Yoani à comissão, como já havia sido aprovado pelo colegiado.</p>
<p class="MsoNormal">O senador por São Paulo afirmou temer que o convite para que Sánchez venha ao Brasil, para ser ouvida pela CCJ e também para o lançamento de seu livro pela Editora Contexto, tenha causado preocupação ao governo de Cuba. Ele disse esperar que a escritora venha ao Senado antes da homenagem do Congresso aos 50 anos da revolução cubana, marcada para o início de dezembro.</p>
<p class="MsoNormal">Segundo Demóstenes, o convite para ouvir a blogueira, formulado pela Comissão e encaminhado pelo presidente do Senado, José Sarney, à embaixada daquele país, sequer recebeu resposta.</p>
<p class="MsoNormal">O voto de repúdio foi apoiado &#8220;com entusiasmo e convicção&#8221; pelo líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM). O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) também afirmou apoiar qualquer iniciativa que seja contra um ato ditatorial.</p>
<p class="MsoNormal">Já o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) afirmou que prefere esperar pelas explicações da embaixada cubana. Ele ponderou ainda que o requerimento deveria ser votado pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e não pela CCJ.</p>
<p class="MsoNormal" align="center"><strong>Livro</strong></p>
<p class="MsoNormal">A CCJ aprovou, em 23 de setembro, requerimento de Demóstenes para que Yoani participe de audiência pública sobre o livro &#8220;De Cuba, com Carinho&#8221;. O livro é uma coletânea de textos sobre o cotidiano do povo cubano, publicados por ela em seu blog, em defesa da maior liberdade de expressão em seu país.</p>
<p class="MsoNormal">No requerimento, o presidente da CCJ explica que o lançamento do livro, pela Editora Contexto, no final de outubro, seria uma oportunidade para que Brasil e Cuba incrementem o diálogo bilateral.</p>
<p><span style="font-family: Verdana;font-size: 8pt;color: #336699">Denise Costa / Agência Senado</span></p>
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		<item>
		<title>Entrevista com Yoani no jornal Zero Hora de Porto Alegre</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 20:51:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>millenium</dc:creator>
				<category><![CDATA[entrevista]]></category>

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		<description><![CDATA[“Não uso armas, só palavras” Yoani Sánchez, Blogueira e filóloga cubana O telefonema durou 28 minutos. A linha caiu quatro vezes. A qualidade da ligação era baixa. Nada disso impediu que a blogueira e filóloga cubana Yoani Sánchez, 34 anos, contasse a Zero Hora um pouco da sua vida de resistência em uma Cuba refratária [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<h1>“Não uso armas, só palavras”</h1>
<h4 class="tipo-b">Yoani Sánchez, Blogueira e filóloga cubana</h4>
<div class="publicidade anexo"></div>
<p>O telefonema durou 28 minutos. A linha caiu quatro vezes. A qualidade da ligação era baixa. Nada disso impediu que a blogueira e filóloga cubana Yoani Sánchez, 34 anos, contasse a Zero Hora um pouco da sua vida de resistência em uma Cuba refratária à liberdade de expressão.</p>
<p>Pudera: a morena de longos cabelos negros, esguia em seus 1m64cm e 49 quilos, um ícone da resistência, acostumou-se a se expressar em meio às dificuldades, em seu blog Generación Y (www.desdecuba.com/generaciony). Nem mesmo de oposicionista ela gosta de ser chamada. Seu objetivo, conta, é ajudar a construir uma Cuba melhor.</p>
<p>– Oposição? Não. Só escrevo pelo bem de Cuba.</p>
<p>E o controle? Seu telefone está grampeado? Seu blog é controlado?</p>
<p>– Não tenho o que esconder. Não uso armas, só uso as palavras.</p>
<p>Para piorar as condições da entrevista mediada pelo seu marido, Reinaldo Escobar, Yoani está com problemas na coluna depois de ter sido agredida por desconhecidos. Foi ao médico no início da tarde de sexta-feira. Recorreu à acupuntura. Só o que não cogitou foi se calar ou mudar a postura reta.</p>
<p>Antes de ela falar, Escobar lamentou a tensão que vive sua mulher. Mas fez a ressalva:</p>
<p>– É claro que ela vai falar, é um prazer nos comunicarmos com o Brasil (onde Yoani está lançando o livro De Cuba, com carinho, pela editora Contexto).</p>
<p>E ela falou, no final da tarde de sexta-feira:</p>
<p><strong>Zero Hora – Como é navegar na internet em Cuba?</strong></p>
<p><strong>Yoani Sánchez –</strong> É muito complicado. Dependemos de provedores públicos. O cubano precisa gastar um terço do seu salário para se conectar por uma hora. Eu me conecto só uma hora por semana. Às vezes, duas vezes por semana, mas meia hora de cada vez. Mais do que isso não dá.</p>
<p><strong>ZH – E a privacidade?</strong></p>
<p><strong>Yoani –</strong> Há muitos filtros, muita censura. O acesso a muitos sites é bloqueado. O temor é permanente. As  mensagens são monitoradas.</p>
<p><strong>ZH – O seu blog é acompanhado de perto pelo governo? Este telefonema  está sendo monitorado?</strong></p>
<p><strong>Yoani –</strong> Não tenho o que esconder. Não uso armas. Só uso palavras. Sou contra a violência. Só escrevo e opino. Nada tenho a ocultar. Posso ser observada.</p>
<p><strong>ZH – Seu trabalho virou um ícone da oposição cubana em Cuba. Não é estranho que algo escrito no mundo virtual da internet seja conhecido dessa forma?</strong></p>
<p><strong>Yoani –</strong> Oposição? Não. Só escrevo pelo bem de Cuba. Não sou política, não tenho planos de governo, não sou opositora. Considero-me pós-ideológica. Nem esquerda, nem direita. Meu blog não gera violência. Meu instrumento é a palavra.</p>
<p><strong>ZH – Você foi agredida dias atrás? Como isso ocorreu?</strong></p>
<p><strong>Yoani –</strong> Faz uma semana, exatamente. Eu e outras duas pessoas fomos detidos por três homens que chegaram em um carro preto. Eram homens fortes. Íamos a uma manifestação contra a violência. Nos empurraram, nos agrediram. Fiquei levemente machucada nas costas. Depois de meia hora, nos levaram a outro bairro, a uma rua distante da manifestação. Pedi que eles se identificassem, mas eles não se identificaram. Ficamos muito nervosos, é claro.</p>
<p><strong>ZH – E suas viagens para sair de Cuba? Sempre foram negadas pelo governo?</strong></p>
<p><strong>Yoani –</strong> Nunca consegui permissão. Nem para a Itália, nem para a viagem que eu teria feito para EUA, México e Brasil (onde ela falaria no Senado, em Brasília, e iria ao lançamento do seu livro, em São Paulo). Tive prêmios para receber que não peguei.</p>
<p><strong>ZH – Deixar Cuba está no seu horizonte?</strong></p>
<p><strong>Yoani –</strong> Não, nunca. Aqui estão meus amigos, aqui está minha família. Tenho planos para cá, não para sair daqui. Já vivi fora (na Suíça, entre 2002 e 2004). Meu trabalho é voltado para a realidade cubana. Minha vida está no meu país, para cá eu voltarei sempre.</p>
<p><strong>ZH – Como você imagina o futuro do seu filho (Teo, 14 anos)?</strong></p>
<p><strong>Yoani –</strong> Espero que ele  viva em um país que lhe proporcione liberdade. Em casa, ele foi criado assim, com liberdade. Espero que ele  não precise deixar nosso país.</p>
<p><strong>ZH – Fidel Castro, mesmo doente, continua com poder real?</strong></p>
<p><strong>Yoani –</strong> Ele mantém um poder político importante, sim. Houve uma série de transformações que poderiam ter ocorrido e não ocorreram por causa dele, que as bloqueou.</p>
<p><strong>ZH – As reformas anunciadas, como distribuir terras para particulares e liberar a venda de celulares e de computadores, estão mudando Cuba?</strong></p>
<p><strong>Yoani –</strong> Na verdade, grande parte das mudanças promovidas por Raúl Castro (irmão e sucessor de Fidel) é pura ilusão para a imprensa estrangeira ver. Ter um computador ou um telefone, por exemplo, custa muito caro.</p>
<p><strong>ZH – E os avanços sociais da Revolução Cubana (de 1º de janeiro de 1959)?</strong></p>
<p><strong>Yoani –</strong> Nós já tínhamos um índice de analfabetismo baixo antes da Revolução. O que Fidel fez foi ensinar o resto da população a ler e escrever. Mas ler o quê? Cartilhas sobre a guerrilha? Só marxismo e leninismo? Nós esperamos 20 anos para ver o homem pisar na Lua. Quando recebíamos recursos da União Soviética, foram construídos bons hospitais e formados bons médicos. Mas, sem os subsídios, isso acabou. Os médicos são mal remunerados. Os hospitais se mantêm de forma precária, falta tudo.</p>
<p><a href="mailto:leo.gerchmann@zerohora.com.br">leo.gerchmann@zerohora.com.br</a></p>
<p><!-- LÉO GERCHMANN--><!-- -->LÉO GERCHMANN</p>
<p><a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;source=a2717824.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=13517&amp;section=1014" target="_blank">Link da matéria</a>.</p>
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		<title>Enquanto isso, no Twitter…</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 17:43:59 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>

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		</div>
<p><a href="http://editoracontexto.com.br/decubacomcarinho/wp-content/uploads/2009/11/dem_tw1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-319" src="http://editoracontexto.com.br/decubacomcarinho/wp-content/uploads/2009/11/dem_tw1.jpg" alt="dem_tw1" width="458" height="306" /></a></p>
<p><a href="http://editoracontexto.com.br/decubacomcarinho/wp-content/uploads/2009/11/dem_tw2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-320" src="http://editoracontexto.com.br/decubacomcarinho/wp-content/uploads/2009/11/dem_tw2.jpg" alt="dem_tw2" width="458" height="283" /></a></p>
<p><a href="http://editoracontexto.com.br/decubacomcarinho/wp-content/uploads/2009/11/dem_tw3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-321" src="http://editoracontexto.com.br/decubacomcarinho/wp-content/uploads/2009/11/dem_tw3.jpg" alt="dem_tw3" width="458" height="307" /></a></p>
<p><a href="http://editoracontexto.com.br/decubacomcarinho/wp-content/uploads/2009/11/dem_tw4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-322" src="http://editoracontexto.com.br/decubacomcarinho/wp-content/uploads/2009/11/dem_tw4.jpg" alt="dem_tw4" width="458" height="309" /></a></p>
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		<item>
		<title>Yoani e as conspirações. Por Sandro Vaia e Demétrio Magnoli</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 20:11:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>millenium</dc:creator>
				<category><![CDATA[polêmica]]></category>

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		<description><![CDATA[Do blog de Reinaldo Azevedo: Recebo dois comentários, um do jornalista Sandro Vaia, que escreveu um livro sobre a geração de blogueiros cubanos chamado A Ilha Roubada, e outro de Demetrio Magnoli, que assina o posfácio do livro De Cuba, com Carinho, de autoria de Yoani, publicado no Brasil pela Contexto. Escreve Sandro Vaia: É [...]]]></description>
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			</a>
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<p>Do <a href="http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/yoani-e-as-conspiracoes-por-sandro-vaia-e-demetrio-magnoli/">blog de Reinaldo Azevedo</a>:</p>
<div>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Recebo dois comentários, um do jornalista Sandro Vaia, que escreveu um livro sobre a geração de blogueiros cubanos chamado <em>A Ilha Roubada</em>, e outro de Demetrio Magnoli, que assina o posfácio do livro <em>De Cuba, com Carinho</em>, de autoria de Yoani, publicado no Brasil pela Contexto.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify"><strong>Escreve Sandro Vaia:</strong><br />
<span style="color: #000080">É uma indignidade dizer que Yoani Sanchez é funcionária do regime cubano.Estive com ela durante 30 dias em Havana para escrever um livro-reportagem e sei o que estou dizendo. Seu marido, Reinaldo Escobar,como tanta gente,incluindo os próprios pais de Yoani, foi do Partido Comunista enquanto acreditou que ele poderia ajudar a melhorar a vida dos cubanos.Trabalhou no jornal Juventud Rebelde e foi despedido quando deixou o partido e aos olhos do regime se tornou um dissidente. Ganha a vida hoje,precariamente, como mecânico de elevadores, como guia do museu da revolução, e divide com Yoani o trabalho de guia para turistas diferenciados que querem conhecer a Havana fora do circuito Cubatur.</span></p></blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: justify"><strong>Escreve Demétrio Magnoli:</strong><br />
<span style="color: #000080">Caro,<br />
Acusar Yoani Sánchez de operar a serviço do regime castrista é uma mentira, uma covardia, uma indignidade e uma canalhice. Mas não é coisa de maluco, como você sugere (no título “Haldol com groselha não é Q-Suco”). É uma ferramenta de um jogo político definido, que se nutre do ambiente ideológico das ditaduras totalitárias.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000080">O governo cubano e seus porta-vozes (dentro e fora de Cuba) acusam Yoani de operar a serviço da CIA. A acusação simétrica, de que ela opera a serviço do regime castrista, tem sua fonte original na antiga direção da Fundação Cubano-Americana com sede em Miami. Essa direção, hoje minoritária, descobriu que a emergência dos blogueiros independentes em Cuba, assim como a de outros grupos dissidentes na ilha, tende a fazer sombra ao núcleo anticastrista no exílio. Ela teme perder, como de fato está perdendo, o monopólio da oposição ao regime &#8211; uma condição que até hoje lhe assegurou influência política e recursos financeiros.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Na democracia, acusações desse tipo não funcionam. Quem, exceto loucos irrecuperáveis, acreditariam na tese de que Reinaldo Azevedo é um agente infiltrado do PT?</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Nas ditaduras totalitárias, acusações desse tipo podem prosperar, pois a política foi banida da vida pública e se manifesta sob a forma depravada das conspirações palacianas, das operações de inteligência e espionagem. Para pessoas inteligentes, insinuações sobre a “estranha liberdade” de Yoani não passam de observações de idiotas políticos, incapazes de apreciar a crise de um sistema ditatorial. Mas nem todas as pessoas são inteligentes…</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Os acusadores são supostos “especialistas em Cuba”. Na verdade, não são especialistas em coisa nenhuma, mas apenas ecos (nem sempre voluntários) da fonte original da acusação. Eles publicam na internet fotos falsas de um “confortável apartamento” de Yoani, servido por internet de banda larga. Jornalistas e documentaristas que visitaram Yoani asseveram que ela vive num conjunto popular e usa a internet em hotéis, pagando por isso ou (às vezes, quando está vigente a proibição sazonal de uso da rede por nacionais) disfarçando-se de turista. Os acusadores respondem que tais testemunhas também estão a serviço da conspiração que denunciam…</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Reinaldo Escobar, marido de Yoani, foi do Partido Comunista e rompeu com ele em 1989, pagando o preço da demissão do jornal Juventud Rebelde e da proibição permanente de exercer sua profissão em Cuba. Os acusadores dizem que isso foi o início da trama conspiratória. No fundo, estão dizendo que só será considerado um dissidente verdadeiro aquele que se opôs a Fidel Castro na hora da Revolução Cubana &#8211; ou seja, eles mesmos (e nem todos…).</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Dias atrás, Yoani foi agredida e seqüestrada por agentes da polícia política castrista. Há um vídeo do início da agressão. Os acusadores dirão que essa é uma sagaz montagem de Yoani, realizada em conluio com o próprio regime castrista.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Os acusadores de Yoani não são malucos nem inocentes. Alguns podem ser ingênuos, mas não inocentes. Eles são culpados de cooperar com a linguagem paradoxal do totalitarismo, que só admite a legitimidade da política conspiratória. Eles são parasitas do castrismo, em vários sentidos.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Indico aos teus leitores o livro de Yoani, “De Cuba, com carinho”. E sugiro que todos façam a si mesmos a seguinte pergunta: a quem e a que serve o que ela escreve?</span></p>
<p style="text-align: justify"><strong><span style="color: #000080">Abraços.<br />
Demétrio</span></strong></p></blockquote>
</div>
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