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 <title>Metamáquina</title>
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 <description>&lt;p&gt;O pessoal da &lt;a href="http://metamaquina.com.br/"&gt;Metam&amp;aacute;quina&lt;/a&gt; lan&amp;ccedil;ou no catarse um pedido de crowdfunding para montar kits de impressoras 3D replic&amp;aacute;veis aqui no Brasil. J&amp;aacute; t&amp;ecirc;m meu total apoio. Mais informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es abaixo:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;iframe frameborder="0" height="388px" src="http://catarse.me/pt/projects/532-metamaquina-3d/video_embed" width="364px"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/L_sFYjHmPGM" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 09 Feb 2012 00:40:59 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Apropriação crítica</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/scQr73aJQY8/apropriacao-critica</link>
 <description>&lt;h1&gt;
	Apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica&lt;/h1&gt;
&lt;h2&gt;
	Industrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e distanciamento&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;As &amp;uacute;ltimas centenas de anos presenciaram profundas mudan&amp;ccedil;as na maneira como produzimos coisas. At&amp;eacute; meados do s&amp;eacute;culo XIX, os bens eram manufaturados por artes&amp;atilde;os. Roupas, m&amp;oacute;veis, utens&amp;iacute;lios dom&amp;eacute;sticos, objetos decorativos, medicamentos, armas, ferramentas, instrumentos cient&amp;iacute;ficos &amp;ndash; praticamente tudo era feito &amp;agrave; m&amp;atilde;o, e quase sempre vendido localmente. Sucessivas inova&amp;ccedil;&amp;otilde;es na fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de objetos, transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es nas formas como as sociedades se organizavam, a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novos meios de transporte e o acesso a imensas fontes de mat&amp;eacute;rias-primas e outros recursos naturais nas col&amp;ocirc;nias alavancaram a chamada &lt;em&gt;revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt; &lt;em&gt;industrial,&lt;/em&gt; a partir da Europa e em dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao resto do mundo.&lt;br /&gt;
	Atrav&amp;eacute;s da mecaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o em s&amp;eacute;rie, a produtividade aumentou exponencialmente. Bens que anteriormente s&amp;oacute; estavam dispon&amp;iacute;veis &amp;agrave;s elites puderam ser oferecidos a todos, passando a ser considerados necessidades b&amp;aacute;sicas. A qualidade de vida de uma consider&amp;aacute;vel parcela da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o aumentou, em um ritmo sem precedentes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso tudo potencializou outras transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Ganhou espa&amp;ccedil;o crescente a democracia representativa (&amp;ldquo;o pior sistema pol&amp;iacute;tico, com exce&amp;ccedil;&amp;atilde;o de todos os outros que foram tentados&amp;rdquo;, segundo Churchill). Formaram-se as &lt;a href="http://ubalab.org/blog/metareciclando-cidades-digitais"&gt;cidades contempor&amp;acirc;neas&lt;/a&gt;, ambiente prop&amp;iacute;cio para a atividade industrial: uma maior concentra&amp;ccedil;&amp;atilde;o urbana oferece m&amp;atilde;o de obra a custo baixo e mercados din&amp;acirc;micos para escoar a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A sociedade tornou-se mais complexa, suas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es mediadas por grandes organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es e institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Uma entre as muitas consequ&amp;ecirc;ncias dessas mudan&amp;ccedil;as foi o gradual distanciamento entre produtores e consumidores. E &amp;eacute; importante analisar essa divis&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Antes da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o industrial, a fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o era um processo manual e consciente. O artes&amp;atilde;o dominava praticamente todas as etapas do tratamento e transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mat&amp;eacute;rias-primas em produtos. O conhecimento sobre o processo fabril tinha muito valor, e era transmitido de gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o em gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Existia a possibilidade do contato pessoal entre quem fabricava alguma coisa e aqueles que a utilizavam. Por mais que o artes&amp;atilde;o pudesse contestar interfer&amp;ecirc;ncias em seu trabalho e negar-se a atender a pedidos, algum di&amp;aacute;logo era sempre poss&amp;iacute;vel. Por outro lado, ele tamb&amp;eacute;m precisava saber usar aquilo que fabricava. Ou seja, deveria ser ele mesmo o mais exigente de seus usu&amp;aacute;rios. Com o passar dos anos, o artes&amp;atilde;o aplicado tornava-se mestre em seu of&amp;iacute;cio, formando novas gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es e incrementando o dom&amp;iacute;nio t&amp;eacute;cnico daquela &amp;aacute;rea do conhecimento como um todo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O desenvolvimento da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o industrial teve fortes implica&amp;ccedil;&amp;otilde;es nesse contexto, &amp;agrave; medida em que afastou a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o do consumo, ao ponto da desconex&amp;atilde;o total. Criaram-se mundos totalmente separados. De um lado ficaram os oper&amp;aacute;rios na ind&amp;uacute;stria, os bra&amp;ccedil;os respons&amp;aacute;veis pela fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos produtos. S&amp;atilde;o at&amp;eacute; hoje pessoas que em sua maioria conhecem apenas uma &amp;iacute;nfima parte do processo de fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Muitas vezes elas n&amp;atilde;o utilizam os produtos que fabricam, e frequentemente nem saberiam como faz&amp;ecirc;-lo. Repetidamente juntam uma pe&amp;ccedil;a com a outra, apertam parafusos, empilham, verificam o resultado e tornam a repetir o processo, como o personagem de Chaplin em &amp;ldquo;&lt;a href="http://www.imdb.pt/title/tt0027977/"&gt;Tempos Modernos&lt;/a&gt;&amp;rdquo;. Por n&amp;atilde;o terem uma vis&amp;atilde;o geral do processo, essas pessoas necessitam de chefes que as orientem, disciplinem e controlem. J&amp;aacute; esses chefes tornam-se por sua vez mais uma classe &amp;agrave; parte, os gerentes. Respons&amp;aacute;veis pela domestica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da for&amp;ccedil;a de trabalho, s&amp;atilde;o em geral conservadores, bajuladores da elite e avessos a mudan&amp;ccedil;as.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;J&amp;aacute; na outra ponta da industrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o - o &amp;ldquo;mercado consumidor&amp;rdquo; - cada indiv&amp;iacute;duo passou a ser visto muito mais como um comprador em potencial do que como sujeito social. Em vez do contato pessoal com os produtores, resignou-se &amp;agrave; impessoalidade do marketing e dos setores de atendimento ao consumidor das grandes empresas. N&amp;atilde;o sabe mais quem foram as pessoas que produziram aquilo que compra, e &amp;eacute; levado a nem se interessar por isso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse cen&amp;aacute;rio, alguma coisa humana se perdeu. &amp;Eacute; tristemente real a anedota da crian&amp;ccedil;a que, perguntada sobre de onde vem o leite, responde que vem &amp;ldquo;da caixinha&amp;rdquo;. Mais triste ainda &amp;eacute; perceber qu&amp;atilde;o mais inconscientes ainda somos quando adultos. Essa ignor&amp;acirc;ncia se estende para praticamente todos os produtos industrializados. &amp;Eacute; raro o momento em que paramos para pensar como, onde e por quem s&amp;atilde;o feitas as coisas que nos cercam, de onde vieram as mat&amp;eacute;rias-primas que deram origem a essas coisas, ou mesmo se determinado produto funcionaria melhor se fosse feito de outra forma. Existe a ilus&amp;atilde;o de que tudo &amp;eacute; feito por m&amp;aacute;quinas, de que o elemento humano n&amp;atilde;o existe mais. E isso est&amp;aacute; longe de ser verdade: todo produto tem em sua origem recursos naturais. Todo produto requer um esfor&amp;ccedil;o criativo inicial seguido por sucessivas fases de trabalho manual, frequentemente realizado sob condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es prec&amp;aacute;rias. N&amp;atilde;o percebemos, mas estamos sempre usando ou carregando objetos &amp;ndash; roupas, aparelhos, m&amp;oacute;veis, tudo &amp;ndash; que embutem peda&amp;ccedil;os do planeta, ideias e suor.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;
	Obsolesc&amp;ecirc;ncia programada&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;O andar da hist&amp;oacute;ria amplificou ainda mais a tend&amp;ecirc;ncia industrial ao distanciamento e &amp;agrave; frieza na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e uso. A era dos mercados de massa, impulsionada por novos meios de transporte e comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, alcan&amp;ccedil;aria n&amp;iacute;veis sem precedentes de afastamento e distor&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como retratado no recente document&amp;aacute;rio produzido pela TV espanhola &amp;ldquo;&lt;a href="http://lixoeletronico.org/blog/obsolescencia-programada"&gt;Comprar, tirar, comprar&lt;/a&gt;&amp;rdquo; (&amp;ldquo;Comprar, jogar fora, comprar&amp;rdquo;), em meados do s&amp;eacute;culo XX representantes de grandes corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es industriais se reuniram secretamente para estabelecer que seus produtos deveriam durar &lt;em&gt;menos&lt;/em&gt; tempo. Ou seja, frente &amp;agrave; necessidade visceral das corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es continuarem crescendo ano ap&amp;oacute;s ano, seus dirigentes simplesmente decidiram a portas fechadas que os consumidores teriam acesso a produtos menos dur&amp;aacute;veis, que precisariam ser substitu&amp;iacute;dos em prazos menores! O document&amp;aacute;rio d&amp;aacute; um exemplo emblem&amp;aacute;tico: uma esta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de bombeiros norte-americana onde se encontra uma l&amp;acirc;mpada incandescente, que recentemente completou cem anos de idade, e ainda est&amp;aacute; em funcionamento. Nos dias de hoje, as l&amp;acirc;mpadas s&amp;atilde;o deliberadamente fabricadas para durar um n&amp;uacute;mero limitado de horas de uso. Ou seja, nenhuma l&amp;acirc;mpada fabricada hoje vai durar cem anos. E isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; coincid&amp;ecirc;ncia: &amp;eacute; &amp;ldquo;planejamento estrat&amp;eacute;gico&amp;rdquo;, no jarg&amp;atilde;o corporativo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O mesmo acontece com impressoras, meias-cal&amp;ccedil;as, autom&amp;oacute;veis, eletrodom&amp;eacute;sticos e muitos outros produtos. Essa &amp;eacute; uma tend&amp;ecirc;ncia intencional, chamada de &lt;em&gt;obsolesc&amp;ecirc;ncia&lt;/em&gt; &lt;em&gt;programada&lt;/em&gt;. Segundo essa perspectiva, qualquer produto s&amp;oacute; vale alguma coisa para o fabricante at&amp;eacute; o instante em que &amp;eacute; vendido. A partir do momento que est&amp;aacute; em posse do consumidor, quanto antes for descartado melhor. Em outras palavras, qualquer produto vendido j&amp;aacute; &amp;eacute; considerado lixo. Essa vis&amp;atilde;o se perpetua nos dois lados do processo produtivo: tanto atrav&amp;eacute;s dos gerentes que se sobrep&amp;otilde;em &amp;agrave; m&amp;atilde;o de obra industrial, condicionando seu trabalho &amp;agrave; continuada necessidade de aumentar o faturamento e a lucratividade, produzindo coisas que duram menos tempo; quanto nos departamentos de marketing, que se esfor&amp;ccedil;am em condicionar o comportamento dos consumidores para que continuem comprando produtos novos, mesmo que n&amp;atilde;o precisem deles. Existem setores da administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de empresas especializados em simular relacionamentos prolongados com seus clientes, que s&amp;atilde;o vistos n&amp;atilde;o mais como compradores de produtos (e menos ainda como pessoas), mas sim fontes de faturamento para toda a vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;Eacute; importante perceber o peso desses mediadores. Um engenheiro competente e bem intencionado que queira desenhar um produto mais dur&amp;aacute;vel ou que permita o reuso ser&amp;aacute; provavelmente demovido por seus colegas e chefia. Se insistir, a empresa pode at&amp;eacute; consider&amp;aacute;-lo uma esp&amp;eacute;cie de traidor, por conta de uma alegada necessidade de competir pelo desenvolvimento de produtos que durem menos e proporcionem maior lucro, a fim de &amp;ldquo;n&amp;atilde;o perder espa&amp;ccedil;o para a concorr&amp;ecirc;ncia&amp;rdquo;. E o mais assustador &amp;eacute; que nesses ambientes isso &amp;eacute; tratado quase como uma verdade universal. As escolas de neg&amp;oacute;cios fazem uma lavagem cerebral, repetindo frases feitas com o objetivo de desumanizar ainda mais a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e comercializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de bens e servi&amp;ccedil;os.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outro elemento importante a perceber: as empresas em geral se utilizam de linguagem b&amp;eacute;lica para descrever suas atividades: &amp;ldquo;p&amp;uacute;blico-alvo&amp;rdquo;, &amp;ldquo;derrotar os oponentes&amp;rdquo;, &amp;ldquo;conquistar&amp;rdquo;, &amp;ldquo;dominar&amp;rdquo;. N&amp;atilde;o &amp;eacute; por acaso. Guerra e com&amp;eacute;rcio est&amp;atilde;o conectados h&amp;aacute; muito tempo. A produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o industrial, e com ela o poder corporativo, est&amp;aacute; ligada profundamente &amp;agrave; manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o das estruturas de poder na sociedade. O premiado document&amp;aacute;rio brit&amp;acirc;nico &amp;ldquo;&lt;a href="http://www.imdb.pt/title/tt0432232/"&gt;M&amp;aacute;quinas de Felicidade&lt;/a&gt;&amp;rdquo; (The Century of the Self) mostra como t&amp;eacute;cnicas oriundas da psicologia foram utilizadas desde o come&amp;ccedil;o do s&amp;eacute;culo XX para forjar uma sociedade individualista e politicamente fr&amp;aacute;gil, lan&amp;ccedil;ando m&amp;atilde;o do h&amp;aacute;bito do consumo como indulg&amp;ecirc;ncia acess&amp;iacute;vel a todos. Isso vai muito al&amp;eacute;m da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e do com&amp;eacute;rcio, infantiliza a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e tem reflexos profundos na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o das pessoas com as tecnologias que adquirem.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;
	A quem pertencem os objetos?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Quando pagamos por um produto, acreditamos poder fazer o que quisermos com ele. Isso deveria incluir todos os usos previstos pelo fabricante, al&amp;eacute;m de todos os outros usos que quis&amp;eacute;ssemos propor. Nas condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es atuais, pode n&amp;atilde;o ser bem assim. Particularmente em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a eletr&amp;ocirc;nicos, existe uma s&amp;eacute;rie de restri&amp;ccedil;&amp;otilde;es legais sobre como podemos utiliz&amp;aacute;-los. S&amp;atilde;o cada vez mais frequentes os casos de fabricantes que penalizam os usu&amp;aacute;rios que promovem o desvio de fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es de seus aparelhos. Um exemplo: a Sony &lt;a href="http://yro.slashdot.org/story/01/10/28/005233/Sony-Uses-DMCA-To-Shut-Down-Aibo-Hack-Site"&gt;amea&amp;ccedil;ou judicialmente&lt;/a&gt; entusiastas por desenvolverem software que habilitava o rob&amp;ocirc; Aibo a dan&amp;ccedil;ar. Em outras palavras: a empresa proibiu usu&amp;aacute;rios &amp;ndash; que, diga-se de passagem, pagaram caro pelos equipamentos que compraram - de fazerem usos que ela pr&amp;oacute;pria n&amp;atilde;o consegue oferecer. Por mera compuls&amp;atilde;o de controle, ela interfere em um aspecto fundamental para a promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o da inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o e seu potencial de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social: a chamada &lt;em&gt;indetermina&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt; &lt;em&gt;do&lt;/em&gt; &lt;em&gt;objeto&lt;/em&gt; &lt;em&gt;t&amp;eacute;cnico,&lt;/em&gt; ideia bem desenvolvida pelo franc&amp;ecirc;s Gilbert de Simondon (cujos textos v&amp;ecirc;m sendo traduzidos ao portugu&amp;ecirc;s e disponibilizados na internet por &lt;a href="http://rede.metareciclagem.org/wiki/DialogosCasinhaNovaes"&gt;Thiago Novaes&lt;/a&gt;).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esse v&amp;iacute;cio de controle n&amp;atilde;o se limita ao software. Existem tamb&amp;eacute;m crescentes restri&amp;ccedil;&amp;otilde;es ao armazenamento e circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de conte&amp;uacute;do. Por exemplo, se voc&amp;ecirc; comprar um CD de m&amp;uacute;sica e fizer uma c&amp;oacute;pia de seguran&amp;ccedil;a para manter as m&amp;uacute;sicas caso o CD se extravie ou seja furtado, estar&amp;aacute; incorrendo em crime. Mesmo que n&amp;atilde;o tenha a inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de distribuir para outras pessoas, a ind&amp;uacute;stria fonogr&amp;aacute;fica imp&amp;otilde;e uma legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o que trata a todos como criminosos. A &lt;a href="http://fsf.org"&gt;Funda&amp;ccedil;&amp;atilde;o Software Livre&lt;/a&gt; mant&amp;eacute;m uma campanha chamada &amp;ldquo;&lt;a href="http://www.defectivebydesign.org/"&gt;Deliberadamente defeituosos&lt;/a&gt;&amp;rdquo;, atrav&amp;eacute;s da qual critica os aparelhos eletr&amp;ocirc;nicos que adotam sistemas de gerenciamento de direitos autorais. Afirma que esses equipamentos j&amp;aacute; s&amp;atilde;o projetados de maneira a retirar liberdades de seus usu&amp;aacute;rios, o que tem consequ&amp;ecirc;ncias negativas para o conhecimento humano em geral.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O autor de literatura &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cyberpunk"&gt;ciberpunk&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Gibson"&gt;William Gibson&lt;/a&gt; diz que &amp;ldquo;a rua encontra seus pr&amp;oacute;prios usos para as coisas&amp;rdquo;. Isso &amp;eacute; uma caracter&amp;iacute;stica de todo e qualquer objeto, ainda mais presente em se tratando de ferramentas com m&amp;uacute;ltiplos usos potenciais como computadores, roteadores, telefones, tablets e afins. Com um pouco de habilidade t&amp;eacute;cnica, uma boa pesquisa na internet e muita vontade, um monitor LCD pode virar um projetor, uma impressora matricial se transformar em instrumento de m&amp;uacute;sica, uma webcam servir de base para um microsc&amp;oacute;pio digital, um celular ser usado como leitor de c&amp;oacute;digo de barras. Nesse sentido, restri&amp;ccedil;&amp;otilde;es &amp;agrave; liberdade de uso tendem a frear o impulso criativo. Grupos de pessoas motivadas e com liberdade de experimentar s&amp;atilde;o uma das bases da inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Se n&amp;atilde;o fossem os amadores promovendo o desvio de fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos kits de eletr&amp;ocirc;nica nos anos setenta, talvez o computador pessoal nunca tivesse sido inventado. Precisamos garantir que essa liberdade continue existindo.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;
	Apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica e bricotecnologia&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Ao longo do tempo e dos diversos projetos desenvolvidos pela rede &lt;a href="http://rede.metareciclagem.org"&gt;MetaReciclagem&lt;/a&gt;, trabalhamos sempre entre dois extremos: de um lado a ado&amp;ccedil;&amp;atilde;o r&amp;aacute;pida de novas tecnologias e das novas possibilidades que elas trazem, do outro a cr&amp;iacute;tica ao consumismo superficial. A busca do equil&amp;iacute;brio parece estar no que costumamos chamar de &lt;em&gt;apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica&lt;/em&gt; das tecnologias. Ela toma forma na aproxima&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e uso de conhecimento aplicado que tem emergido internacionalmente. O software livre &amp;eacute; um exemplo, estimulando ciclos econ&amp;ocirc;micos que em vez de operarem em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o da escassez optam pela abund&amp;acirc;ncia e pela generosidade. A chamada cena &lt;em&gt;maker&lt;/em&gt; &amp;eacute; um exemplo ainda mais concreto: pessoas no mundo inteiro fazendo uso de conhecimento compartilhado em rede para criar objetos e dispositivos interconectados. Disso saem ideias para aparelhos que realizam praticamente qualquer coisa: esta&amp;ccedil;&amp;otilde;es de monitoramento ambiental, objetos fabricados em impressoras 3D, prot&amp;oacute;tipos de aparelhos focados nas necessidades de pequenos grupos de pessoas. Eu tenho chamado isso de &lt;em&gt;bricotecnologia&lt;/em&gt; &amp;ndash; a revaloriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do saber-fazer, aplicado &amp;agrave;s tecnologias de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e operando em rede.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica passa pela valoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o cotidiana, representada pela pr&amp;aacute;tica popular da &lt;a href="/tag/gambiologia"&gt;&lt;em&gt;gambiarra&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;. S&amp;iacute;mbolo do impulso criativo orientado &amp;agrave; solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de problemas concretos mesmo sem acesso ao conhecimento, ferramentas ou materiais adequados, a gambiarra torna-se ainda mais importante em uma &amp;eacute;poca de crise econ&amp;ocirc;mica global, iminente colapso ambiental e consumismo exacerbado. Baseia-se na &lt;em&gt;manipula&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt; (entendida como o ato pegar com as m&amp;atilde;os e interferir nos objetos) e na &lt;em&gt;experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt; (sequ&amp;ecirc;ncia de tentativas, erros e novas tentativas). D&amp;aacute; origem a uma criatividade desobediente, que n&amp;atilde;o se assusta com a precariedade e sempre v&amp;ecirc; o mundo como lotado de potencialidades - uma verdadeira li&amp;ccedil;&amp;atilde;o que as culturas populares brasileiras t&amp;ecirc;m a dar em tempos de crise econ&amp;ocirc;mica, colapso ambiental e disparidade social.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando em contato com as in&amp;uacute;meras possibilidades das tecnologias de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rede, em especial aquelas ligadas ao &lt;em&gt;software livre&lt;/em&gt;, temos um potencial de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o gigantesco. Indiv&amp;iacute;duos que tenham a gambiarra como habilidade essencial, e se utilizem do conhecimento aberto dispon&amp;iacute;vel em rede para adquirir ideias e t&amp;eacute;cnicas, podem ser vistos como inventores em potencial de novos arranjos criativos, espalhados por todas as classes sociais e localidades.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica sup&amp;otilde;e o amadorismo &amp;ndash; que vem do latim &lt;em&gt;amare&lt;/em&gt;, referindo-se &amp;agrave;s pessoas que se dedicam a um of&amp;iacute;cio mais por paix&amp;atilde;o do que por necessidade objetiva. Ao contr&amp;aacute;rio do que muitas vezes se pensa, os amadores est&amp;atilde;o em geral mais abertos &amp;agrave; inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Justamente por n&amp;atilde;o terem o dom&amp;iacute;nio completo da t&amp;eacute;cnica estabelecida e por n&amp;atilde;o ocuparem posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o nas hierarquias profissionais, t&amp;ecirc;m mais espa&amp;ccedil;o para o desvio e a transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o. T&amp;ecirc;m a possibilidade de questionar certezas e imposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, e com isso descobrir melhores maneiras de fazer as coisas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outro tra&amp;ccedil;o caracter&amp;iacute;stico das culturas populares que faz muito sentido para a apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica de tecnologias de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; o &lt;em&gt;mutir&amp;atilde;o&lt;/em&gt; &amp;ndash; agrupamento din&amp;acirc;mico que se forma para cumprir tarefas coletivas e em seguida se desfaz. O mutir&amp;atilde;o possibilita a efetiva coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre pessoas e grupos, aumentando sua capacidade individual e promovendo uma sociabilidade livre e produtiva. As redes sociais online dialogam muito bem com a l&amp;oacute;gica do mutir&amp;atilde;o, promovendo la&amp;ccedil;os de contato entre pessoas que n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m um conv&amp;iacute;vio cotidiano. &amp;Eacute; natural que a abertura a novos contatos estimule a criatividade, de modo que estimular iniciativas din&amp;acirc;micas em rede &amp;eacute; mais uma forma de potencializ&amp;aacute;-la.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A bricotecnologia e a apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica sugerem a reconcilia&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre manufatura e necessidades cotidianas, libertando a fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da exig&amp;ecirc;ncia de escala. Gabriel Menotti prop&amp;ocirc;s, no artigo &amp;ldquo;&lt;a href="http://medialab-prado.es/article/gambiarra"&gt;Gambiarra: The Prototyping Perspective&lt;/a&gt;&amp;rdquo; (artigo cuja tradu&amp;ccedil;&amp;atilde;o para portugu&amp;ecirc;s deve sair na compila&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre &amp;ldquo;&lt;a href="http://rede.metareciclagem.org/wiki/MutiraoGambioLogia"&gt;Gambiologia&lt;/a&gt;&amp;rdquo; do &lt;a href="http://mutgamb.org"&gt;MutGamb&lt;/a&gt;, uma edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o que ironicamente est&amp;aacute; h&amp;aacute; dois anos aguardando finaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o), a an&amp;aacute;lise do contraste entre a gambiarra e o prot&amp;oacute;tipo. Se esta indica uma fase pr&amp;eacute;via &amp;agrave; fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o propriamente dita, aquela dissolve a fronteira entre esses dois estados e se coloca como solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o intermedi&amp;aacute;ria: servindo ao uso ao mesmo tempo em que se mant&amp;eacute;m aberta para reinven&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Uma vez que as ferramentas e materiais necess&amp;aacute;rios para fabricar objetos est&amp;atilde;o se tornando cada vez mais acess&amp;iacute;veis, &amp;eacute; importante desenvolver as habilidades t&amp;eacute;cnicas e a criatividade que podem fazer uso desses recursos, e assegurar que apontem a ciclos de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o baseados em conhecimento livre. A apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica, a bricolagem, a gambiarra e o mutir&amp;atilde;o s&amp;atilde;o elementos fundamentais dessa equa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;pre&gt;
&lt;em&gt;Este artigo foi escrito com o apoio do &lt;a href="http://www.ccebrasil.org.br/"&gt;Centro Cultural da Espanha em S&amp;atilde;o Paulo&lt;/a&gt; para a plataforma &lt;a href="http://arquivovivo.org.br/redelabs"&gt;Arquivo Vivo&lt;/a&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/pre&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/scQr73aJQY8" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Fri, 23 Dec 2011 02:42:37 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Cabos de rede</title>
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 <description>&lt;p&gt;&lt;img alt="" src="http://a6.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/391348_10150368049768061_694573060_8275906_6987405_n.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="" src="http://a7.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/380168_10150369966938061_694573060_8281923_1455075714_n.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/63Y0acc-orM" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Fri, 18 Nov 2011 12:57:14 +0000</pubDate>
 <dc:creator>hernani dimantas</dc:creator>
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 <title>Open Design</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/X0AnyQZ2Q44/open-design</link>
 <description>&lt;p&gt;Lendo &lt;a href="http://opendesignnow.org/index.php/article/redesigning-design-jos-de-mul/"&gt;excerpt&lt;/a&gt;s do livro Open Design Now&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Dasein&lt;/em&gt;, or &amp;lsquo;being-in-the-world&amp;rsquo;, as Heidegger characterizes the life of human beings, is always design &amp;ndash; not only in the sense that they have to shape an already existing world, but in the more radical sense that human beings have to establish their world: they always live in an artificial world. To quote German philosopher Helmuth Plessner, humans are artificial by nature.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/X0AnyQZ2Q44" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Fri, 18 Nov 2011 12:44:07 +0000</pubDate>
 <dc:creator>hernani dimantas</dc:creator>
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 <title>William Gibson - Paris Review</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/3ZlYAejqZN8/william-gibson-paris-review</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Gibson"&gt;William Gibson&lt;/a&gt; concedeu &amp;agrave; Paris Review uma longa e fant&amp;aacute;stica &lt;a href="http://www.theparisreview.org/interviews/6089/the-art-of-fiction-no-211-william-gibson"&gt;entrevista&lt;/a&gt; que entre outrxs foi citada por &lt;a href="http://www.wired.com/beyond_the_beyond/2011/10/william-gibson-interviewed-in-paris-review/"&gt;Bruce Sterling&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.kk.org/thetechnium/archives/2011/11/steam-engine-ti.php"&gt;Kevin Kelly&lt;/a&gt;. Pincei de l&amp;aacute; os trechos a seguir, que traduzo livremente:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;Cidades me parecem nossa tecnologia mais caracter&amp;iacute;stica. N&amp;oacute;s n&amp;atilde;o nos tornamos realmente interessantes como esp&amp;eacute;cie at&amp;eacute; que conseguimos fazer cidades - foi a&amp;iacute; que tudo ficou diverso, porque n&amp;atilde;o se podem fazer cidades sem um substrato de outras tecnologias. Existe uma matem&amp;aacute;tica nisso - uma cidade n&amp;atilde;o pode crescer al&amp;eacute;m de um certo tamanho a n&amp;atilde;o ser que se cultive, colha e armazene uma certa quantidade de comida nos arredores. E ent&amp;atilde;o n&amp;atilde;o se pode crescer mais a n&amp;atilde;o ser que se entenda como fazer esgotos. Se n&amp;atilde;o h&amp;aacute; tecnologia eficiente de esgotos, a cidade chega a certo tamanho e todo mundo pega c&amp;oacute;lera.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;(...)&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Mas eu assumo que a transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social &amp;eacute; impelida principalmente por tecnologias emergentes, e provavelmente sempre foi assim. Ningu&amp;eacute;m legisla que as tecnologias devam emergir - parece ser uma coisa bem aleat&amp;oacute;ria. E essa &amp;eacute; uma vis&amp;atilde;o da tecnologia que &amp;eacute; diametralmente oposta daquela que eu recebi da fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o cient&amp;iacute;fica e da cultura popular da ci&amp;ecirc;ncia quando eu tinha doze anos de idade.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Na era p&amp;oacute;s-guerra, al&amp;eacute;m da ansiedade a respeito da guerra nuclear, n&amp;oacute;s pens&amp;aacute;vamos estar conduzindo a tecnologia. Hoje, &amp;eacute; mais prov&amp;aacute;vel sentir que a tecnologia nos est&amp;aacute; conduzindo, conduzindo a transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e que isso est&amp;aacute; fora do controle. A tecnologia era vista anteriormente como linear e progressiva - evolutiva naquela vis&amp;atilde;o equivocada que nossa cultura sempre preferiu ter de Darwin.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Entrevistador&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o v&amp;ecirc; a tecnologia evoluindo desse jeito?&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Gibson&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;O que eu vejo principalmente &amp;eacute; a distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o dela. Quanto mais pobre voc&amp;ecirc; &amp;eacute;, mais pobre sua cultura &amp;eacute;, menos alta tecnologia voc&amp;ecirc; deve encontrar, com exce&amp;ccedil;&amp;atilde;o da internet, as coisas que voc&amp;ecirc; pode acessar no seu celular.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Nesse sentido, eu acho que ultrapassamos a era dos computadores. Voc&amp;ecirc; pode viver em uma aldeia do terceiro mundo sem esgoto, mas se voc&amp;ecirc; tiver os aplicativos certos ent&amp;atilde;o voc&amp;ecirc; pode ter algum tipo de participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em um mundo que de outra forma parece um futuro de Jornada nas Estrelas onde as pessoas t&amp;ecirc;m bastante de tudo. E do ponto de vista do cara na aldeia, a informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o est&amp;aacute; sendo transmitida desde um mundo onde as pessoas n&amp;atilde;o precisam ganhar a vida. Eles certamente n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m que fazer as coisas que ele precisa fazer todo dia para ter certeza de que vai ter comida para estar vivo em tr&amp;ecirc;s dias.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Desse lado das coisas, os Americanos podem ser perdoados por pensar que o passo das mudan&amp;ccedil;as diminuiu, em parte porque o governo dos EUA n&amp;atilde;o consegue fazer infraestrutura heroica n&amp;atilde;o-militar h&amp;aacute; algum tempo. Antes e depois da Segunda Guerra, existia uma grande quantidade de constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de infraestrutura nos EUA que nos deu a forma espiritual do s&amp;eacute;culo americano. Eletrifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o rural, o sistema de rodovias, as avenidas de Los Angeles - estavam entre as maiores coisas que tinham sido constru&amp;iacute;das no mundo at&amp;eacute; ent&amp;atilde;o, mas os EUA deca&amp;iacute;ram nisso.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/3ZlYAejqZN8" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://desvio.cc/tag/urbe">urbe</category>
 <pubDate>Sat, 05 Nov 2011 02:31:57 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Pós-digital</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/O2xjFRmYObw/pos-digital</link>
 <description>&lt;p&gt;H&amp;aacute; alguns meses lancei &lt;a href="http://efeefe.no-ip.org/livro/laboratorios-pos-digital"&gt;Laborat&amp;oacute;rios do p&amp;oacute;s-digital&lt;/a&gt;, uma compila&amp;ccedil;&amp;atilde;o de artigos escritos desde 2009 at&amp;eacute; o come&amp;ccedil;o deste ano. A express&amp;atilde;o &amp;quot;p&amp;oacute;s-digital&amp;quot; s&amp;oacute; surgiu depois que o livro j&amp;aacute; estava quase pronto. Ou seja, o t&amp;iacute;tulo faz men&amp;ccedil;&amp;atilde;o a uma constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o que n&amp;atilde;o aparece ali dentro, pelo menos n&amp;atilde;o articulada dessa forma. Quero tentar desfiar aqui algumas pontas disso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O p&amp;oacute;s-digital &amp;eacute; menos um conceito em si do que uma posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de &lt;em&gt;questionamento&lt;/em&gt;. N&amp;atilde;o se trata de negar o digital. Pelo contr&amp;aacute;rio, quero aprofundar um pouco a reflex&amp;atilde;o sobre a pr&amp;oacute;pria ideia de &lt;em&gt;desaparecimento do digital como consequ&amp;ecirc;ncia de sua ubiquidade&lt;/em&gt;. A partir do momento em que o digital est&amp;aacute; em toda parte, ser&amp;aacute; que ele ainda funciona como um recorte relevante para entender e interferir na maneira como as redes interconectadas influem na sociedade? Novas tecnologias est&amp;atilde;o sendo desenvolvidas a todo instante. Podemos querer que elas apontem para um futuro mais aberto, participativo e justo. Acredito que a melhor maneira de fazer isso seja parar de falar sobre &amp;quot;o digital&amp;quot; como algo em si.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O discurso do digital foi assimilado por praticamente todos os setores da sociedade. Isso toma por vezes uma forma equivocada, &amp;agrave; medida em que se tenta de maneira fetichista opor o digital a um supostamente ultrapassado &amp;quot;anal&amp;oacute;gico&amp;quot;. Ao contr&amp;aacute;rio do que se pode pensar, o &lt;em&gt;anal&amp;oacute;gico est&amp;aacute; presente&lt;/em&gt; em praticamente tudo aquilo que alguns tentam chamar de &amp;quot;revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o digital&amp;quot;. Exemplos simples de opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es anal&amp;oacute;gicas s&amp;atilde;o o movimento do mouse, as met&amp;aacute;foras visuais da interface de usu&amp;aacute;rio dos computadores e celulares contempor&amp;acirc;neos, o modo como as redes sociais simulam e ampliam a maneira como nos comunicamos pessoalmente. Os scanners, impressoras, microfones e caixas de som s&amp;atilde;o dispositivos que propiciam a convers&amp;atilde;o de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o digital em comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o anal&amp;oacute;gica e vice-versa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fen&amp;ocirc;menos mais recentes como as &lt;em&gt;aplica&amp;ccedil;&amp;otilde;es m&amp;oacute;veis, locativas e de realidade expandida&lt;/em&gt; adicionam ainda novas camadas nessa composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Pode-se dizer que a maior parte dos usos que as pessoas fazem das tecnologias digitais s&amp;atilde;o &lt;em&gt;usos anal&amp;oacute;gicos&lt;/em&gt;. Da&amp;iacute; que boa parte da constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do imagin&amp;aacute;rio do digital j&amp;aacute; come&amp;ccedil;a equivocada, por apostar em uma oposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o que n&amp;atilde;o existe.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda assim, aquilo que usualmente se define como digital costuma se referir &amp;agrave;s implica&amp;ccedil;&amp;otilde;es de uma s&amp;eacute;rie de transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es efetivas: &lt;em&gt;a digitaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de comunica&amp;ccedil;&amp;otilde;es, cultura e entretenimento; a emerg&amp;ecirc;ncia de redes auto-organizadas que possibilitam a coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o negociada entre pares e grupos, e gradualmente transformam rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de poder e de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de valor; e os crescentes barateamento, portabilidade e aumento de poder de processamento dos dispositivos que d&amp;atilde;o acesso a essas redes&lt;/em&gt;. Pensar o digital como uma categoria espec&amp;iacute;fica proporcionou a potencializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ativismo online, de projetos e metodologias colaborativas e de novas ou renovadas maneiras de trabalhar. Ao mesmo tempo, possibilitou o desenvolvimento de iniciativas afirmativas que buscam equilibrar a ado&amp;ccedil;&amp;atilde;o das novas tecnologias de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e das oportunidades que trazem - por exemplo naquilo que &amp;eacute; chamado de inclus&amp;atilde;o digital.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por outro lado, o entendimento do digital como um tema em si pode levar a &lt;em&gt;uma s&amp;eacute;rie de distor&amp;ccedil;&amp;otilde;es&lt;/em&gt;. &amp;Agrave; medida em que se isola o digital como uma nova realidade, os problemas que ele ocasiona passam a ser entendidos como ocorr&amp;ecirc;ncias pontuais. E n&amp;atilde;o o s&amp;atilde;o. A &lt;em&gt;precariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o &lt;/em&gt;do trabalho em arranjos cada vez mais inst&amp;aacute;veis e dependentes; a profunda &lt;em&gt;aliena&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt; a respeito do impacto ambiental da vida contempor&amp;acirc;nea, em especial como decorr&amp;ecirc;ncia da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e do descarte de eletr&amp;ocirc;nicos; o surgimento de uma economia &amp;ldquo;digital&amp;rdquo; que &amp;eacute; excludente, elitista, individualista, consumista e que n&amp;atilde;o respeita a privacidade expl&amp;iacute;cita ou impl&amp;iacute;cita de seus usu&amp;aacute;rios; as novas disputas sobre direito autoral e remunera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de criadorxs - s&amp;atilde;o parte de um complexo sistema pol&amp;iacute;tico e econ&amp;ocirc;mico global, e &lt;em&gt;n&amp;atilde;o podem ser analisadas de maneira isolada&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se queremos moldar nossos futuros coletivos, precisamos entender que &lt;a href="http://efeefe.no-ip.org/livro/lpd/inovacao-tecnologias-livres-2"&gt;o acesso n&amp;atilde;o &amp;eacute; o maior problema&lt;/a&gt;. Precisamos parar de pensar em ferramentas, e &lt;em&gt;voltar a ousar&lt;/em&gt;. Precisamos que &lt;a href="http://submidialogia.descentro.org"&gt;as ideias voltem a ser perigosas&lt;/a&gt;. Precisamos investir em assuntos de fronteira, e experimentar para entender suas &lt;em&gt;implica&amp;ccedil;&amp;otilde;es &amp;eacute;ticas, est&amp;eacute;ticas, pol&amp;iacute;ticas e administrativas&lt;/em&gt;. Eu sustento que hoje em dia precisamos incorporar o digital como dimens&amp;atilde;o indissoci&amp;aacute;vel da nossa exist&amp;ecirc;ncia. Por isso pensar o p&amp;oacute;s-digital, entremeando o digital em todo o resto e assim esquecendo dele como inst&amp;acirc;ncia isolada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse sentido, eu venho tentando explorar alguns &lt;em&gt;temas latentes&lt;/em&gt;, na encruzilhada entre cultura, arte, ci&amp;ecirc;ncia, economia, educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e sociedade. Alguns exemplos s&amp;atilde;o &lt;em&gt;a internet das coisas, o hardware livre, a fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o digital dom&amp;eacute;stica, o design aberto, a geografia experimental, as cidades inteligentes, a realidade expandida, as m&amp;iacute;dias locativas, as aplica&amp;ccedil;&amp;otilde;es m&amp;oacute;veis, a ci&amp;ecirc;ncia comunit&amp;aacute;ria, os hackerspaces e fablabs&lt;/em&gt;, e diversos outros temas nessa linha. S&amp;atilde;o todos temas que tratam essencialmente do digital, mas prop&amp;otilde;em alguns passos adiante. De maneira quase arbitr&amp;aacute;ria, escolhi agrup&amp;aacute;-los ao redor de tr&amp;ecirc;s eixos: &lt;em&gt;laborat&amp;oacute;rios enredados, bricotecnologia&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;evers&amp;atilde;o&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;h1&gt;
	Labs e Experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/h1&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://redelabs.org"&gt;Rede//Labs&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;eacute; uma plataforma criada em 2010 para promover a articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre diferentes iniciativas ligadas a medialabs e laborat&amp;oacute;rios experimentais do Brasil e do exterior. Realizamos um levantamento, elaboramos um &lt;a href="http://blog.redelabs.org/blog/bolsa-de-cultura-digital-experimental-documentando"&gt;edital&lt;/a&gt; que seria lan&amp;ccedil;ado pelo Minist&amp;eacute;rio da Cultura (mas perdemos o timing do ano eleitoral), e organizamos um encontro nacional e um painel internacional durante o segundo F&amp;oacute;rum da Cultura Digital, na Cinemateca Brasileira (S&amp;atilde;o Paulo/SP).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O levantamento partiu de um questionamento simples, mas leg&amp;iacute;timo: se, por qu&amp;ecirc; e como deveriam ser desenvolvidos hipot&amp;eacute;ticos &lt;em&gt;laborat&amp;oacute;rios experimentais de tecnologias&lt;/em&gt; no Brasil dos dias de hoje. Dias em que - com toda a precariedade e instabilidade - o acesso a equipamentos e conectividade &amp;eacute; muito maior do que quando os primeiros medialabs estadunidenses e europeus se estabeleceram, no fim do s&amp;eacute;culo passado. Dias em que o Brasil alcan&amp;ccedil;a alguma proje&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional e pode assumir um papel importante, em especial no uso e suporte a &lt;em&gt;tecnologias livres e abertas&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O levantamento indicou que laborat&amp;oacute;rios s&amp;atilde;o de fato desej&amp;aacute;veis - menos por uma suposta car&amp;ecirc;ncia de acesso a tecnologias do que pela necessidade de &lt;em&gt;socializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o para dinamizar a criatividade&lt;/em&gt; aplicada nelas. Ou seja, o mais importante &amp;eacute; que os labs possibilitem a &lt;em&gt;troca de conhecimento e oportunidades&lt;/em&gt;, fomentem o &lt;em&gt;aprendizado distribu&amp;iacute;do&lt;/em&gt; e incentivem a &lt;em&gt;descoberta&lt;/em&gt;, e mesmo o erro, como parte fundamental do processo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma pol&amp;iacute;tica de labs deve estar baseada na disponibiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de metodologias, materiais e produtos com licen&amp;ccedil;as livres. Deve buscar o &lt;em&gt;desenvolvimento de economias baseadas na abund&amp;acirc;ncia e na generosidade&lt;/em&gt; do conhecimento livre. Deve incentivar a circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o enredamento, e buscar maneiras de financiar a criatividade aplicada que se alimenta da experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Deve, como falei em &lt;a href="http://blog.redelabs.org/blog/labs-experimentais"&gt;outro artigo&lt;/a&gt;, &lt;em&gt;fazer o amanh&amp;atilde; pensando o depois de amanh&amp;atilde;&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;h1&gt;
	Bricotech&lt;/h1&gt;
&lt;p&gt;Nos dias de hoje, comunicar-se em rede &amp;eacute; natural. Av&amp;oacute;s octogen&amp;aacute;rias est&amp;atilde;o em redes sociais, senadores contratam profissionais que alimentam seus microblogs (quando n&amp;atilde;o publicam eles mesmos), microempres&amp;aacute;rios precisam gerenciar conta de email, site institucional, blog, loja virtual, perfil no facebook, conta no twitter e por a&amp;iacute; vai. &amp;Eacute; f&amp;aacute;cil esquecer que, mais do que usar, podemos tamb&amp;eacute;m &lt;em&gt;nos apropriar das tecnologias&lt;/em&gt; de forma mais profunda e cr&amp;iacute;tica. Por mais que a ind&amp;uacute;stria (em especial aquela parte dela que tenta transformar a internet em um &lt;em&gt;jardim cercado&lt;/em&gt;) nos queira a todos como meros usu&amp;aacute;rios consumidores de conte&amp;uacute;do, as partes que comp&amp;otilde;em as tecnologias de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o est&amp;atilde;o a&amp;iacute;, dispon&amp;iacute;veis para &lt;em&gt;reconfigura&amp;ccedil;&amp;otilde;es&lt;/em&gt;, interpreta&amp;ccedil;&amp;otilde;es alternativas, desvios e inova&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Existe um tra&amp;ccedil;o comum entre a cena maker, a &lt;a href="http://desvio.cc/tag/gambiologia"&gt;gambiologia&lt;/a&gt;, o DIY (fa&amp;ccedil;a-voc&amp;ecirc;-mesmo) e seu desdobramento no DIWO (fa&amp;ccedil;a com outras pessoas). Um tra&amp;ccedil;o comum entre as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es que se desenvolvem em hackerspaces, o open design, a ci&amp;ecirc;ncia de garagem e comunit&amp;aacute;ria, o biotecnologia amadora, os projetos de hardware livre e as possibilidades (ainda n&amp;atilde;o exploradas a fundo) do &lt;a href="http://rede.metareciclagem.org/blog/27-08-10/O-Fen%C3%B4meno-Shanzhai"&gt;shanzhai&lt;/a&gt;. Entre a fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o digital, a &lt;a href="http://rede.metareciclagem.org"&gt;MetaReciclagem&lt;/a&gt; e o &lt;em&gt;upcycling&lt;/em&gt;. Trata-se do impulso de manipular, de &lt;em&gt;tomar nas m&amp;atilde;os o conhecimento tecnol&amp;oacute;gico&lt;/em&gt;, e utiliz&amp;aacute;-lo como instrumento para estar no mundo. &amp;Eacute; um posicionamento situado, pol&amp;iacute;tico em sua &lt;em&gt;vontade de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;, e que tem o potencial de proporcionar uma era de inven&amp;ccedil;&amp;atilde;o socialmente relevante. Eu tenho chamado essas coisas de &lt;em&gt;bricotecnologia&lt;/em&gt; - precisamente o ponto de contato entre a sensibilidade das m&amp;atilde;os que sabem modificar a realidade e as mentes conectadas em rede.&lt;/p&gt;
&lt;h1&gt;
	Evertendo&lt;/h1&gt;
&lt;p&gt;Apontei em um &lt;a href="http://desvio.cc/blog/evertendo-gibson"&gt;post recente&lt;/a&gt; a refer&amp;ecirc;ncia do verbo &amp;quot;everter&amp;quot;, pescado em um livro de William Gibson - autor &lt;em&gt;cyberpunk&lt;/em&gt;, criador da pr&amp;oacute;pria ideia de ciberespa&amp;ccedil;o. O sentido que ele tenta dar ao termo &amp;quot;evers&amp;atilde;o&amp;quot; &amp;eacute; de surgimento de pontas do ciberespa&amp;ccedil;o no &amp;quot;mundo real&amp;quot; - uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o na qual se tornaria imposs&amp;iacute;vel precisar as fronteiras entre o que est&amp;aacute; no plano f&amp;iacute;sico e o que est&amp;aacute; na rede. Desde os prim&amp;oacute;rdios do Projeto Met&amp;aacute;:Fora, precursor da rede MetaReciclagem, a gente j&amp;aacute; falava sobre a dificuldade de definir o que &amp;eacute; online ou offline. Hoje em dia isso &amp;eacute; ainda mais complexo. As redes de fato evertem. Mas que redes s&amp;atilde;o essas?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A internet foi criada como uma forma de &lt;em&gt;interconectar computadores de maneira distribu&amp;iacute;da&lt;/em&gt;, a partir de &lt;em&gt;protocolos abertos e livremente replic&amp;aacute;veis&lt;/em&gt;. Nos dias de hoje, estamos na imin&amp;ecirc;ncia do surgimento de outra sorte de interconex&amp;atilde;o: milh&amp;otilde;es de dispositivos diferentes (sensores, atuadores, c&amp;acirc;meras) est&amp;atilde;o incorporando a possibilidade de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rede.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Projetos de cidades do futuro preveem a &lt;em&gt;disponibiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o em tempo real&lt;/em&gt; de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o relevante: itiner&amp;aacute;rios e hor&amp;aacute;rios de transporte p&amp;uacute;blico, gerenciamento de sem&amp;aacute;foros, dados sobre consumo de energia, sensores clim&amp;aacute;ticos e afins. Sistemas de automa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dom&amp;eacute;stica, com monitoramento remoto de interruptores, eletrodom&amp;eacute;sticos e portas, tamb&amp;eacute;m se tornam acess&amp;iacute;veis. Plataformas como o &lt;a href="http://pachube.com"&gt;Pachube&lt;/a&gt; facilitam a agrega&amp;ccedil;&amp;atilde;o e circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de dados gerados por esses sistemas. Aplica&amp;ccedil;&amp;otilde;es locativas m&amp;oacute;veis que &lt;em&gt;cruzam as redes com a malha geogr&amp;aacute;fica&lt;/em&gt;, jogos de realidade expandida, novas maneiras de interagir com a informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o - com telas touchscreen, movimentos, gestos. S&amp;atilde;o pontos de contato entre o local e o remoto, que transformam completamente a nossa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso tudo pode levar ao surgimento do que est&amp;aacute; sendo chamado de &lt;em&gt;internet das coisas&lt;/em&gt;. Mas a tend&amp;ecirc;ncia centralizadora da ind&amp;uacute;stria vem interferindo na maneira como se desenvolvem essas tecnologias, o que aponta muito mais na dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma cole&amp;ccedil;&amp;atilde;o de &lt;em&gt;intranets &lt;/em&gt;das coisas - espa&amp;ccedil;os restritos e opacos, nos quais ningu&amp;eacute;m sabe muito bem como as coisas funcionam. &lt;a href="http://theinternetofthings.eu"&gt;Rob van Kranenburg&lt;/a&gt; vem tentando contrapor &amp;agrave; badalada IOT (internet das coisas) uma proposta de IOP (&lt;em&gt;internet das pessoas&lt;/em&gt;), que n&amp;atilde;o parta do princ&amp;iacute;pio da fria interconex&amp;atilde;o de objetos, e sim da compreens&amp;atilde;o de que o mais importante da rede &amp;eacute; facilitar e otimizar a sociabilidade humana.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como desenhar protocolos abertos e distribu&amp;iacute;dos que garantam que essas redes sejam realmente &lt;em&gt;participativas e inclusivas desde o princ&amp;iacute;pio&lt;/em&gt;, blindadas contra interfer&amp;ecirc;ncias governamentais, corporativas e golpistas? Mais uma vez, insisto: precisamos dar menos aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o a &amp;quot;p&amp;aacute;ginas&amp;quot;, &amp;quot;conte&amp;uacute;do&amp;quot; e &amp;quot;acesso&amp;quot;; e nos concentrar mais no &lt;em&gt;papel que a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rede pode efetivamente assumir na vida das pessoas&lt;/em&gt;. Esquecer por um instante o digital, e lembrar por que &amp;eacute; mesmo que queremos fazer o que estamos tentando fazer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Este artigo foi escrito com o apoio do &lt;a href="http://www.ccebrasil.org.br/"&gt;Centro Cultural da Espanha em S&amp;atilde;o Paulo&lt;/a&gt;&amp;nbsp;para a &lt;a href="http://arquivovivo.org.br/redelabs"&gt;Plataforma Arquivo Vivo&lt;/a&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/O2xjFRmYObw" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Fri, 21 Oct 2011 00:08:17 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Evertendo - Gibson</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/1GDMXU9WDQY/evertendo-gibson</link>
 <description>&lt;p&gt;&amp;quot;&lt;em&gt;Everter&lt;/em&gt;&amp;quot; n&amp;atilde;o &amp;eacute; um verbo comumente usado em portugu&amp;ecirc;s. Um dicion&amp;aacute;rio online &lt;a href="http://www.dicio.com.br/everter/"&gt;sugere&lt;/a&gt; que significa &amp;quot;Subverter, deitar abaixo, destruir, derrocar&amp;quot;. Na verdade eu topei com o ingl&amp;ecirc;s [to] &amp;quot;evert&amp;quot; nas p&amp;aacute;ginas do &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=3850&amp;amp;tipo=2&amp;amp;isbn=014101671x"&gt;Spook Country&lt;/a&gt;, de William Gibson. Pra quem n&amp;atilde;o sabe (algu&amp;eacute;m que me l&amp;ecirc; aqui ainda n&amp;atilde;o sabe?), nos anos oitenta&amp;nbsp;Gibson foi um dos principais autores da literatura &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cyberpunk"&gt;cyberpunk&lt;/a&gt;, o escritor que notoriamente cunhou o termo &amp;quot;ciberespa&amp;ccedil;o&amp;quot;, que imaginou a &amp;quot;matrix&amp;quot; e tudo mais. Ainda n&amp;atilde;o consegui decidir se gosto ou n&amp;atilde;o de seus livros mais recentes - que se situam praticamente nos dias de hoje, n&amp;atilde;o em futuros hipot&amp;eacute;ticos - mas &amp;eacute; fato que ele &amp;eacute; um garimpeiro de ideias que acabam estourando algum tempo depois. Ent&amp;atilde;o aquele &amp;quot;evert&amp;quot; ficou ali me cutucando. Descobri que em portugu&amp;ecirc;s se usa &amp;quot;Evers&amp;atilde;o&amp;quot; para descrever &amp;quot;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Evers%C3%A3o"&gt;um componente do movimento de prona&amp;ccedil;&amp;atilde;o do p&amp;eacute;&lt;/a&gt;&amp;quot;. Mas fiquei tentado e acabei cedendo: alguns meses atr&amp;aacute;s decidi usar &amp;quot;Evers&amp;atilde;o&amp;quot; e &amp;quot;everter&amp;quot; como eixos de investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre os espa&amp;ccedil;os que se criam quando as redes se disseminam pelo mundo f&amp;iacute;sico, sem fronteiras definidas. Aqui vai um trecho maltraduzido das p&amp;aacute;ginas 65 e 66 do Spook Country:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;&amp;quot;Como voc&amp;ecirc; entrou nisso?&amp;quot;&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;&amp;quot;Eu estava trabalhando com tecnologia GPS comercial. Cheguei naquilo porque achava que queria ser um astronauta, e tinha ficado fascinado por sat&amp;eacute;lites. As maneiras mais interessantes de ver a malha do GPS, o que ela &amp;eacute;, o que temos a ver com ela, o que podemos ter a ver com ela, pareciam estar sendo todas propostas por artistas. Artistas ou o ex&amp;eacute;rcito. &amp;Eacute; uma coisa que tende a acontecer com novas tecnologias em geral: as aplica&amp;ccedil;&amp;otilde;es mais interessantes aparecem no campo de batalha ou em uma galeria.&amp;quot;&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;&amp;quot;Mas essa j&amp;aacute; era militar desde o come&amp;ccedil;o.&amp;quot;&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;&amp;quot;Claro&amp;quot;, ele falou, &amp;quot;mas talvez os mapas tamb&amp;eacute;m. A malha &amp;eacute; simples assim. Muito b&amp;aacute;sica para a maior parte das pessoas terem um entendimento dela&amp;quot;.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;&amp;quot;Uma pessoa me falou que o ciberespa&amp;ccedil;o estava &amp;#39;&lt;em&gt;evertendo&lt;/em&gt;&amp;#39;. Foi assim que ela falou.&amp;quot;&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;&amp;quot;Claro. E uma vez que ele everta, ent&amp;atilde;o n&amp;atilde;o existe um ciberespa&amp;ccedil;o, existe? Nunca existiu, se voc&amp;ecirc; quiser analisar dessa forma. Foi uma maneira de a gente visualizar para onde est&amp;aacute;vamos indo, uma dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Com a malha, estamos aqui. Este &amp;eacute; o outro lado da tela. Bem aqui.&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Corro o risco de precisar explicar tudo isso cada vez que usar o termo, mas pretendo insistir por algum tempo porque n&amp;atilde;o consigo pensar outra express&amp;atilde;o que consiga traduzir isso. Ou procurei pouco?&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/1GDMXU9WDQY" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://desvio.cc/tag/gibson">gibson</category>
 <pubDate>Sat, 01 Oct 2011 02:13:33 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Enquanto isso... na Matilha</title>
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 <description>&lt;p&gt;S&amp;oacute; para constar, apesar do atraso na publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, estamos com uma mostra l&amp;aacute; no setembro verde da &lt;a href="http://matilhacultural.com.br/"&gt;Matilha Cultural&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O setembro verde e um projeto bem bacana que reune ativistas numa interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre aspectos do verde sobre a estrutura decadente do capitalismo p&amp;oacute;s industrial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nossos trabalhos apontam para o reuso de pe&amp;ccedil;as de computadores e dos imagin&amp;aacute;rios do cotidianos que resultam em pinturas sobre gabinetes, rob&amp;ocirc;s e gravuras... vale conferir!!!&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/L7O79tAco-o" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://desvio.cc/tag/mercado-hype">mercado hype</category>
 <pubDate>Fri, 16 Sep 2011 13:18:51 +0000</pubDate>
 <dc:creator>hernani dimantas</dc:creator>
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 <title>Pedaços da Terra</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/F1w57sdy26I/pedacos-da-terra</link>
 <description>&lt;p&gt;Abre nesse fim de semana no SESC Vila Mariana a mostra &amp;quot;Peda&amp;ccedil;os da Terra&amp;quot;, que relaciona a extra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de minerais com a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de eletr&amp;ocirc;nicos, e as consequ&amp;ecirc;ncias que isso tem para o planeta. O coletivo &lt;a href="http://desvio.cc"&gt;Desvio&lt;/a&gt; participa com uma escultura-rob&amp;ocirc; do &lt;a href="http://glaucopaiva.art.br"&gt;Glauco Paiva&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="" src="http://farm7.static.flickr.com/6167/6145180161_5544e40311_d.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A mostra fica por l&amp;aacute; at&amp;eacute; dezembro. Cola l&amp;aacute;!&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/F1w57sdy26I" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://desvio.cc/tag/exposicao">exposição</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/lixo-eletr%C3%B4nico">lixo eletrônico</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/mostra">mostra</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/sampa">sampa</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/sesc">sesc</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/sesc-vila-mariana">sesc vila mariana</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/sescsp">sescsp</category>
 <pubDate>Fri, 16 Sep 2011 01:23:34 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>ZASF com sotaque paraense</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/ScZ5pMsK6wI/zasf-com-sotaque-paraense</link>
 <description>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;img alt="" src="http://farm7.static.flickr.com/6069/6073184790_5a112f8936_d.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A &lt;a href="/o-que/zasf"&gt;ZASF&lt;/a&gt; participou no m&amp;ecirc;s passado do &lt;a href="http://hacklab.comumlab.org"&gt;Networked Hacklab&lt;/a&gt;, em Bel&amp;eacute;m e Santar&amp;eacute;m. Em Bel&amp;eacute;m, foi um teste em condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es reais: est&amp;aacute;vamos no &lt;a href="http://www.parquedosigarapes.com.br/"&gt;Parque dos Igarap&amp;eacute;s&lt;/a&gt;, sem acesso &amp;agrave; internet. A rede aut&amp;ocirc;noma funcionou sem solavancos, servindo conte&amp;uacute;do local e ainda direcionando tr&amp;aacute;fego para outro servidor local onde estava instalado o wiki que posteriormente foi migrado para o &lt;a href="http://hacklab.comumlab.org"&gt;site do encontro&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu aproveitei para instalar um &lt;a href="http://hotglue.org"&gt;hotglue&lt;/a&gt; na ZASF e documentar o evento em tempo real, enquanto assistia e participava das atividades. Copiei o resultado disso &lt;a href="http://desvio.cc/sites/desvio.cc/files/hacknet/"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/ScZ5pMsK6wI" height="1" width="1"/&gt;</description>
 <comments>http://desvio.cc/blog/zasf-com-sotaque-paraense#comments</comments>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/eventos">eventos</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/hotglue">hotglue</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/networked-hacklab">networked hacklab</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/wireless">wireless</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/zasf">zasf</category>
 <pubDate>Mon, 12 Sep 2011 00:48:45 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Aberto... até aqui</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/tR2SPVvU1Tg/aberto-ate-aqui</link>
 <description>&lt;p&gt;Pra responder &amp;agrave; provoca&amp;ccedil;&amp;atilde;o do &lt;a href="http://blog.liquuid.net/"&gt;Liquuid&lt;/a&gt; (&amp;quot;Android, um novo windows&amp;quot;) que o &lt;a href="http://reacesso.webnos.org/"&gt;Orlando&lt;/a&gt; publicou no &lt;a href="http://rede.metareciclagem.org/blog/06-08-11/Android-um-novo-Windows"&gt;blog da MetaReciclagem&lt;/a&gt;, uma outra provoca&amp;ccedil;&amp;atilde;o que eu fiz no &lt;a href="http://rede.metareciclagem.org/wiki/DialogosCasinhaNovaes"&gt;di&amp;aacute;logo na casinha com Novaes&lt;/a&gt;, durante o &lt;a href="http://rede.metareciclagem.org/conectaz/Ciclo-Gambiarra"&gt;Ciclo Gambiarra&lt;/a&gt; em 2007.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Levando em conta que tem cada vez mais, ou pelo menos a gente t&amp;aacute; tomando cada vez mais consciẽncia de movimentos, grupos, projetos, pessoas, que t&amp;ecirc;m essa inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o da gambiarra, essa quest&amp;atilde;o de desconstruir o objeto t&amp;eacute;cnico, desconstruir ideias pr&amp;eacute;-concebidas, desconstruir paradigmas... pensando na possibilidade de isso ser uma parte de um sistema que t&amp;aacute; a&amp;iacute;, mas que pode pautar o desenvolvimento tecnol&amp;oacute;gico. Ou seja, por causa de toda essa movimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o a gente acabar influenciando o poder de decis&amp;atilde;o do processo de planejamento e desenvolvimento do objeto t&amp;eacute;cnico. T&amp;ocirc; pensando na possibilidade de existirem objetos j&amp;aacute; pensados com essa quest&amp;atilde;o da indetermina&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ou seja, um objeto t&amp;eacute;cnico produzido com isso. Como &amp;eacute; que fica essa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com, sei l&amp;aacute;, imaginar que uma corpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o vai encampar essa ideia, lan&amp;ccedil;ar um objeto t&amp;eacute;cnico com essa indetermina&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mas &amp;agrave;s vezes vai lan&amp;ccedil;ar essa indetermina&amp;ccedil;&amp;atilde;o controlada - vai dizer &amp;quot;at&amp;eacute; aqui t&amp;aacute; aberto, mas tem uma parte do software que &amp;eacute; fechada&amp;quot;. (...) Eles lan&amp;ccedil;am uma indetermina&amp;ccedil;&amp;atilde;o - tem som, microfone, wifi, faz o que quiser, conecta &amp;agrave; internet e tal, mas nessa parte aqui voc&amp;ecirc;s n&amp;atilde;o tocam. E at&amp;eacute; que ponto isso n&amp;atilde;o acaba desmobilizando a gente. Quer dizer, toda a quest&amp;atilde;o de resist&amp;ecirc;ncia - a gente acaba dizendo &amp;quot;ah, os caras est&amp;atilde;o entrando no jogo, ajudando o software livre&amp;quot;. Como &amp;eacute; que a gente pode garantir que o car&amp;aacute;ter de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de contracultura, resist&amp;ecirc;ncia, seja l&amp;aacute; como chame, n&amp;atilde;o vai ser apropriado, n&amp;atilde;o vai ser desmobilizado a partir do momento em que essas ideias passem a influenciar o pr&amp;oacute;prio processo de desenvolvimento dos produtos.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Infelizmente, eu tendo a concordar com o sentido geral da provoca&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Liquuid. Android &amp;eacute; menos aberto do que deveria ser.&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/tR2SPVvU1Tg" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://desvio.cc/tag/android">android</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/gambiologia">gambiologia</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/indeterminacao">indeterminação</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/linux">linux</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/open-source">open source</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/simondon">simondon</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/software-livre">software livre</category>
 <pubDate>Wed, 31 Aug 2011 02:29:40 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Questões eternas</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/UB8TDv6hcj0/questoes-eternas</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href="http://twitter.com/paticornils"&gt;&amp;nbsp;Patr&amp;iacute;cia Cornils&lt;/a&gt; me mandou &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=rDpiciVRDcQ"&gt;esse v&amp;iacute;deo&lt;/a&gt;. Valeu!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;iframe width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/rDpiciVRDcQ" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/UB8TDv6hcj0" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://desvio.cc/tag/filosofia">filosofia</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/heidegger">heidegger</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/questoes">questões</category>
 <pubDate>Wed, 27 Jul 2011 23:52:13 +0000</pubDate>
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 <title>Bifo: Depois do Futuro</title>
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 <description>&lt;p&gt;&lt;iframe src="http://player.vimeo.com/video/25367464?title=0&amp;amp;byline=0&amp;amp;portrait=0" width="400" height="300" frameborder="0"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://vimeo.com/25367464"&gt;Bifo: After the Future&lt;/a&gt; from &lt;a href="http://vimeo.com/preemptingdissent"&gt;Preempting Dissent&lt;/a&gt; on &lt;a href="http://vimeo.com"&gt;Vimeo&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/G41OccqWTJU" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://desvio.cc/tag/bifo">bifo</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/franco-berardi">franco berardi</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/futuro">futuro</category>
 <pubDate>Fri, 15 Jul 2011 02:54:57 +0000</pubDate>
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 <title>voltando a desenvolver</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/1NkNQWg6Zgw/voltando-desenvolver</link>
 <description>&lt;p&gt;desde 2008, quando montei a &lt;a href="http://memelab.com.br/projeto/surfluz/"&gt;Surfluz&lt;/a&gt;, não mexo muito com código, pois estava focando na estruturação do &lt;a title="memeLab" href="http://memelab.com.br"&gt;memeLab&lt;/a&gt;, o que ainda me toma muito tempo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mês passado, quando estive em Recife, ministrando uma oficina de &lt;a href="http://e-nave.com.br/nave/noticias/postagem/id/131"&gt;video mapping&lt;/a&gt; no &lt;a href="http://e-nave.com.br/"&gt;Nave&lt;/a&gt;, refleti sobre a inexistência de uma ferramenta livre e simples de utilizar. isso aconteceu ainda durante a preparação do material e durante a oficina recomendei que utilizassem o &lt;a href="http://hcgilje.wordpress.com/resources/video-projection-tools/"&gt;VPT&lt;/a&gt; que, apesar de estar licenciada em GPL, é desenvolvida utilizando &lt;a href="http://cycling74.com/products/maxmspjitter/"&gt;Max&lt;/a&gt;, uma tecnologia proprietária, que não funciona em GNU/Linux.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;durante o tempo livre em Recife, em vez de passear (o mais perto que cheguei disso foram 5 ou 10 minutos no Marco Zero) decidi programar. é, eu sei, não é o que eu deveria fazer depois de tanto tempo sem visitar a cidade, mas havia uma coisa (talvez a voz de Gabriel Furtado, colaborador do projeto) que me apontava para a demanda de uma ferramenta livre para mapping, especialmente se ela rodasse em Linux.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;foi assim que comecei a desenvolver o &lt;a href="http://memelab.com.br/projeto/nav3-software"&gt;Nav3&lt;/a&gt;, um protótipo multissistema escrito em Processing cujo foco é automatizar algumas rotinas de video mapping. feliz da vida, pude tocar na &lt;a href="http://e-nave.com.br/nave/noticias/postagem/id/140"&gt;festa de encerramento da oficina&lt;/a&gt; com um software livre e &lt;strong&gt;realmente&lt;/strong&gt; aberto.&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/1NkNQWg6Zgw" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://desvio.cc/tag/metareciclagem">metareciclagem</category>
 <pubDate>Thu, 23 Jun 2011 01:14:43 +0000</pubDate>
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 <title>Frequência Aberta</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/moDKn7ZA60w/frequencia-aberta</link>
 <description>&lt;p&gt;Semana passada fui entrevistado ao vivo pelo programa &lt;a href="http://www.radio.ufscar.br/frequenciaaberta/"&gt;Frequ&amp;ecirc;ncia Aberta&lt;/a&gt;, da R&amp;aacute;dio UFSCAR. A conversa rolou muito bem. Falamos sobre &lt;a href="http://efeefe.no-ip.org/livro/laboratorios-pos-digital"&gt;meu livro&lt;/a&gt;, sobre cultura digital experimental, pol&amp;iacute;tica cultural e tecnologia. O audio do programa est&amp;aacute; dispon&amp;iacute;vel para acesso e download &lt;a href="http://www.radio.ufscar.br/frequenciaaberta/?p=208"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Achei bastante interessante o formato do programa. Muito parecido com um formato que eu j&amp;aacute; quis desenvolver: programa ao vivo com conversas, m&amp;uacute;sica livre, tudo disponibilizado para download. Eles usam o &lt;a href="http://www.rivendellaudio.org/"&gt;Rivendell&lt;/a&gt; para gerenciar a r&amp;aacute;dio, uma solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o interessante para experimentar na &lt;a href="http://gaivota.fm.br"&gt;Gaivota&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Atualizando:&lt;/strong&gt; o &amp;aacute;udio estava corrompido, mas falei com o pessoal e eles subiram outra vers&amp;atilde;o (em ogg) que est&amp;aacute; ok.&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/moDKn7ZA60w" height="1" width="1"/&gt;</description>
 <comments>http://desvio.cc/blog/frequencia-aberta#comments</comments>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/livro">livro</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/meumeme">meumeme</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/pos-digital">pós-digital</category>
 <pubDate>Thu, 16 Jun 2011 01:04:54 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>O Futuro da Arte</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/_1S3ncQi2L8/o-futuro-da-arte</link>
 <description>&lt;p&gt;Algumas novas personalidades inseridas no mundo da &amp;quot;arte&amp;quot; comentando sobre possibilidades trazidas pelas novas tecnologias e algumas consequ&amp;ecirc;ncias delas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;iframe src="http://player.vimeo.com/video/19670849?title=0&amp;amp;byline=0&amp;amp;portrait=0&amp;amp;color=f00068" width="400" height="300" frameborder="0"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://vimeo.com/19670849"&gt;The Future of Art&lt;/a&gt; from &lt;a href="http://vimeo.com/ks12"&gt;KS12&lt;/a&gt; on &lt;a href="http://vimeo.com"&gt;Vimeo&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entrevistadxs:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
&lt;meta http-equiv="content-type" content="text/html; charset=utf-8" /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(83, 83, 83); font-family: Arial, 'Helvetica Neue', Helvetica, Geneva, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 17px; "&gt;Aaron Koblin&amp;nbsp;&lt;a rel="nofollow" href="http://www.aaronkoblin.com/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; text-decoration: none; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;aaronkoblin.com&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;Michelle Thorne&amp;nbsp;&lt;a rel="nofollow" href="http://www.thornet.wordpress.com/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; text-decoration: none; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;thornet.wordpress.com&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;Caleb Larsen&amp;nbsp;&lt;a rel="nofollow" href="http://www.caleblarsen.com/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; text-decoration: none; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;caleblarsen.com&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;R&amp;eacute;gine Debatty&amp;nbsp;&lt;a rel="nofollow" href="http://www.we-make-money-not-art.com/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; text-decoration: none; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;we-make-money-not-art.com&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;Heather Kelley&amp;nbsp;&lt;a rel="nofollow" href="http://www.kokoromi.org/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; text-decoration: none; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;kokoromi.org&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;Vincent Moon&amp;nbsp;&lt;a rel="nofollow" href="http://www.vincentmoon.com/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; text-decoration: none; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;vincentmoon.com&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;Ken Wahl&amp;nbsp;&lt;a rel="nofollow" href="http://www.depthart.com/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; text-decoration: none; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;depthart.com&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;Reynold Reynolds&amp;nbsp;&lt;a rel="nofollow" href="http://www.reynold-reynolds.com/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; text-decoration: none; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;reynold-reynolds.com&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;Bram Snijders&amp;nbsp;&lt;a rel="nofollow" href="http://www.sitd.nl/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; text-decoration: none; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;sitd.nl&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;Mez Breeze&amp;nbsp;&lt;a rel="nofollow" href="http://www.furtherfield.org/display_user.php?ID=403" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; text-decoration: none; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;furtherfield.org/​display_user.php?ID=403&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;Zeesy Powers&amp;nbsp;&lt;a rel="nofollow" href="http://www.zeesypowers.com/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; text-decoration: none; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;zeesypowers.com&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;Joachim Stein&amp;nbsp;&lt;a rel="nofollow" href="http://www.joaoflux.net/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; text-decoration: none; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;joaoflux.net&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;Eric Poettschacher&amp;nbsp;&lt;a rel="nofollow" href="http://www.shapeshifters.net/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; text-decoration: none; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;shapeshifters.net&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/_1S3ncQi2L8" height="1" width="1"/&gt;</description>
 <comments>http://desvio.cc/blog/o-futuro-da-arte#comments</comments>
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 <category domain="http://desvio.cc/tag/futuro">futuro</category>
 <pubDate>Sat, 21 May 2011 02:06:04 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>O século do self</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/41rRQjn1sPc/o-seculo-do-self</link>
 <description>&lt;p&gt;Assisti h&amp;aacute; algumas semanas aos quatro epis&amp;oacute;dios do document&amp;aacute;rio &lt;a href="http://www.bbc.co.uk/bbcfour/documentaries/features/century_of_the_self.shtml"&gt;The Century of the Self&lt;/a&gt;, lan&amp;ccedil;ado em 2002 pela BBC. &amp;Eacute; uma bela produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o que conta como as teorias da psican&amp;aacute;lise e seus derivados foram utilizadas de maneira deliberada para formar uma sociedade individualista, consumista, politicamente infantilizada e superficial. O document&amp;aacute;rio come&amp;ccedil;a&amp;nbsp;relatando a influ&amp;ecirc;ncia que&amp;nbsp;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Edward_Bernays"&gt;Edward Bernays&lt;/a&gt;, sobrinho de Freud e praticamente criador daquilo que nos Estados Unidos &amp;eacute; chamado de PR, &amp;quot;rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es p&amp;uacute;blicas&amp;quot; (em um sentido que mistura o que no Brasil a gente entende pelos nomes publicidade e rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es p&amp;uacute;blicas), exerceu na forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos imagin&amp;aacute;rios contempor&amp;acirc;neos daquele povo e do mundo. Depois investiga a fundo como diversas cria&amp;ccedil;&amp;otilde;es do mundo da psicologia foram apropriados pela ind&amp;uacute;stria e pela classe pol&amp;iacute;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O document&amp;aacute;rio avan&amp;ccedil;a at&amp;eacute; a reelei&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Clinton nos EUA e a elei&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Tony Blair no Reino Unido, mostrando um monte de casos reais de verdadeiras conspira&amp;ccedil;&amp;otilde;es para tolher o direito &amp;agrave; democracia, transformar as pessoas em meras engrenagens da estrutura internacional capital-consumista e oferecer fragmentos de satisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em forma de produtos - o que diminui o impulso por transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;
&amp;Eacute; uma discuss&amp;atilde;o triste, e nisso se mistura com a perspectiva dos &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=3850&amp;amp;tipo=2&amp;amp;isbn=8575961187"&gt;Futuros Imagin&amp;aacute;rios&lt;/a&gt;&amp;nbsp;de Richard Barbrook. O mesmo Bernays, inclusive, foi um dos respons&amp;aacute;veis da feira mundial de Nova Iorque em 1939, que abriria o caminho para a feira de 1964 que &amp;eacute; a espinha dorsal do livro de Barbrook.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Document&amp;aacute;rio obrigat&amp;oacute;rio. Eu s&amp;oacute; acho uma pena que ele pare justamente antes da era Bush. Gostaria de ver uma an&amp;aacute;lise parecida dos dias de hoje.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;PS.:&lt;/strong&gt; esse tipo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o d&amp;aacute; uma inveja da televis&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica levada a s&amp;eacute;rio...&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/41rRQjn1sPc" height="1" width="1"/&gt;</description>
 <comments>http://desvio.cc/blog/o-seculo-do-self#comments</comments>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/documentario">documentário</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/psicanalise">psicanálise</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/tv">tv</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/video">video</category>
 <pubDate>Wed, 13 Apr 2011 01:23:11 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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<item>
 <title>Materialismo, tempo, sociabilidade</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/wu6Plzc9zhE/materialismo-tempo-sociabilidade</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href="http://twitter.com/bruces"&gt;Bruce Sterling&lt;/a&gt;, no &lt;a href="http://video.reboot.dk/video/486788/bruce-sterling-reboot-11"&gt;encerramento do Reboot 11&lt;/a&gt; (em 2009):&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;quot;Para pessoas da sua gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o e especialmente suas crian&amp;ccedil;as, objetos s&amp;atilde;o impress&amp;otilde;es [printouts]. S&amp;atilde;o melhor entendidos como impress&amp;otilde;es. N&amp;atilde;o s&amp;atilde;o tesouros, n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o coisas que voc&amp;ecirc; quer, n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o coisas para estocar, n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o riqueza material, s&amp;atilde;o basicamente relacionamentos sociais congelados. &amp;Eacute; isso que essas cadeiras s&amp;atilde;o, e esse pr&amp;eacute;dio, e aquela fita isolante e tudo mais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Voc&amp;ecirc;s precisam pensar neles n&amp;atilde;o em termos de 'Oh, eu tenho essa caneta e preciso manter minha caneta.' Voc&amp;ecirc;s precisam pensar nesses objetos em termos de horas de tempo e volume de espa&amp;ccedil;o.&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;E mais tarde:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;quot;Agora, voc&amp;ecirc; pode argumentar que d&amp;quot;eve economizar e s&amp;oacute; comprar coisas baratas, ou tentar desmaterializar. N&amp;atilde;o ser materialista, e contentar-se com coisas que s&amp;atilde;o muito baratas ou org&amp;acirc;nicas. Esse n&amp;atilde;o &amp;eacute; o caminho a seguir. Economizar n&amp;atilde;o &amp;eacute; social. Quando voc&amp;ecirc; economiza, voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; deixando outra pessoa com fome. De verdade. Se voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o der dinheiro a elas, elas n&amp;atilde;o ter&amp;atilde;o nenhum dinheiro. E se elas n&amp;atilde;o te oferecerem nenhum dinheiro, voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o ter&amp;aacute; nenhum dinheiro. Isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; um fluxo social, nem mesmo um relacionamento social.&amp;quot;&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/wu6Plzc9zhE" height="1" width="1"/&gt;</description>
 <comments>http://desvio.cc/blog/materialismo-tempo-sociabilidade#comments</comments>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/economia">economia</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/prototipagem">prototipagem</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/redes">redes</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/sterling">sterling</category>
 <pubDate>Tue, 05 Apr 2011 15:51:50 +0000</pubDate>
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 <title>Antropofagia, tropicalismo, remix</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/H_x-1QtpRl8/antropofagia-tropicalismo-remix</link>
 <description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;quot;A economia das redes, das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es p&amp;oacute;s nacionais, dos novos territ&amp;oacute;rios afetivos e produtivos, parece nos mostrar uma esp&amp;eacute;cie de brasiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do planeta, tanto no que pode haver de clich&amp;ecirc; quanto de potente nesta express&amp;atilde;o. A antropofagia surge como a &amp;uacute;nica paz poss&amp;iacute;vel neste ambiente de diferen&amp;ccedil;as que aparecem como nas imagens do tropicalismo: a 'gel&amp;eacute;ia geral brasileira' vira a 'gel&amp;eacute;ia geral global'. A antropofagia &amp;eacute; assim a paz constru&amp;iacute;da a partir da pot&amp;ecirc;ncia, da singularidade, e n&amp;atilde;o da ren&amp;uacute;ncia e do medo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um movimento que no Brasil propriamente dito tem a ver com a ascens&amp;atilde;o social de milh&amp;otilde;es de pobres que vimos nos &amp;uacute;ltimos anos, com a maneira como a antropofagia se radicaliza numa inventividade de remix que explode qualquer limite poss&amp;iacute;vel do &amp;ldquo;campo da cultura&amp;rdquo; ou da &amp;ldquo;classe art&amp;iacute;stica&amp;rdquo;, e faz a criatividade atravessar a vida social de uma tal forma que v&amp;aacute;rias novas possibilidades econ&amp;ocirc;micas, e v&amp;aacute;rias novas formas de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre trabalho e vida, aparecem a partir da&amp;iacute;.&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Uma entre muitas ideias interessantes no artigo &amp;quot;&lt;a href="http://www.universidadenomade.org.br/?q=node/121"&gt;De Caetanos, cotas e passeatas contra guitarras&lt;/a&gt;&amp;quot;, no site da Universidade N&amp;ocirc;made. Dica de &lt;a href="http://twitter.com/#!/beppo22"&gt;Giuseppe Cocco&lt;/a&gt;. Lembrei do Viveiros de Castro: &lt;a href="http://desvio.cc/blog/tudo-e-brasil"&gt;Tudo &amp;eacute; Brasil&lt;/a&gt;. E da &lt;a href="/tag/gambiologia"&gt;gambiologia&lt;/a&gt;, claro.&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/H_x-1QtpRl8" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://desvio.cc/tag/brasil">brasil</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/cultura-digital">cultura digital</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/gambiologia">gambiologia</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/mincc">mincc</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/remix">remix</category>
 <category domain="http://desvio.cc/tag/tropicalismo">tropicalismo</category>
 <pubDate>Mon, 04 Apr 2011 18:24:45 +0000</pubDate>
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 <title>Boca do lixo</title>
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 <description>&lt;p&gt;Essa pe&amp;ccedil;a foi feita para o SIREE, encontro sobre res&amp;iacute;duos solidos no Recife, do qual o &lt;a href="http://lixoeletronico.org"&gt;Lixo Eletr&amp;ocirc;nico&lt;/a&gt; &lt;a href="http://lixoeletronico.org/blog/siree-2011-o-lixoeletronicoorg-estara-la-acompanhe-aqui-no-blog"&gt;participou&lt;/a&gt;. O bichinho questiona as brechas legais do descarte de eletr&amp;ocirc;nicos no Brasil. Foi feito com a mais pura &lt;a href="/tag/gambiologia"&gt;gambiarra&lt;/a&gt;, varal de parede pra erguer as pernas, restos de celulares usados e brinquedos velhos, quase tudo de descarte - menos as 2 tvzinhas que exibiam o olho e a boca falando.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/71Vj2OSZhdc" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
&lt;meta http-equiv="content-type" content="text/html; charset=utf-8" /&gt;Fiz tudo no ubuntu, filmes e sintetizador de voz pro bicho ficar com voz de rob&amp;ocirc;. Foi sucesso l&amp;aacute;. Tem tamb&amp;eacute;m fotos no meu &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/18818954@N05"&gt;flickr&lt;/a&gt;. 
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/pJCvCC1AqHs" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 10 Mar 2011 18:03:16 +0000</pubDate>
 <dc:creator>glaupaiva</dc:creator>
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 <title>Inovação e tecnologias livres - parte 2 - hojes e depois</title>
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 <description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;No &lt;a href="http://desvio.cc/blog/inovacao-e-tecnologias-livres-parte-1-decada-que-foi"&gt;post anterior&lt;/a&gt;, eu comentei sobre o sucesso que alcan&amp;ccedil;amos em algumas batalhas da luta conceitual que come&amp;ccedil;amos h&amp;aacute; quase uma d&amp;eacute;cada: hoje, quase todo mundo entendeu que iniciativas livres, abertas e colaborativas podem ser muito &lt;em&gt;mais inovadoras&lt;/em&gt; do que as fechadas e propriet&amp;aacute;rias. Quase todo mundo entendeu que as redes online est&amp;atilde;o a&amp;iacute; entremeadas em v&amp;aacute;rios aspectos do &lt;em&gt;cotidiano&lt;/em&gt; das pessoas, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; para fazer neg&amp;oacute;cios ou perpetuar uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o autorit&amp;aacute;ria de transmiss&amp;atilde;o de conhecimento em um s&amp;oacute; sentido. Quase todo mundo entendeu que &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel pensar em &lt;em&gt;tecnologias apropriadas para a transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social&lt;/em&gt;. Agora precisamos ir adiante, entender quais s&amp;atilde;o os perigos do caminho e pensar em quais s&amp;atilde;o os &lt;em&gt;pr&amp;oacute;ximos passos&lt;/em&gt;. Esse post se prop&amp;otilde;e a levantar algumas dessas possibilidades.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;O acesso &amp;eacute; s&amp;oacute; o come&amp;ccedil;o. Nos dias de hoje e no futuro pr&amp;oacute;ximo, a separa&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre inclu&amp;iacute;dos e &lt;a href="http://mutgamb.org/livro/O-fantasma-da-inclus%C3%A3o-digital"&gt;exclu&amp;iacute;dos&lt;/a&gt; est&amp;aacute; se reduzindo cada vez mais. Mas existe uma outra tens&amp;atilde;o &amp;agrave; qual precisamos ficar atentos: a tens&amp;atilde;o entre &lt;em&gt;tecnologias de confian&amp;ccedil;a&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;tecnologias de controle &lt;/em&gt;(como exposto por Sean Dodson no &lt;a href="http://networkcultures.org/wpmu/portal/publications/network-notebooks/the-internet-of-things/the-internet-of-things-forward/"&gt;pref&amp;aacute;cio&lt;/a&gt; do &lt;a href="http://networkcultures.org/wpmu/portal/publications/network-notebooks/the-internet-of-things/"&gt;Internet of Things&lt;/a&gt;, de &lt;a href="http://www.theinternetofthings.eu/content/rob-van-kranenburg"&gt;Rob van Kranenburg&lt;/a&gt;). Essa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o j&amp;aacute; est&amp;aacute; &amp;agrave; nossa porta. Por mais que tenhamos avan&amp;ccedil;ado substancialmente nos &amp;uacute;ltimos anos, existem &lt;em&gt;amea&amp;ccedil;as&lt;/em&gt; cada vez maiores &amp;agrave; liberdade que em &amp;uacute;ltima inst&amp;acirc;ncia &amp;eacute; a mat&amp;eacute;ria-prima para a inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o na internet. S&amp;atilde;o congressistas elaborando &lt;a href="http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html"&gt;leis para controlar a rede&lt;/a&gt; invadindo a privacidade de seus usu&amp;aacute;rios. S&amp;atilde;o empresas de telecomunica&amp;ccedil;&amp;otilde;es que n&amp;atilde;o respeitam a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Neutralidade_da_rede"&gt;neutralidade da rede&lt;/a&gt;. Associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de propriedade intelectual que &lt;a href="http://www.guardian.co.uk/technology/blog/2010/feb/23/opensource-intellectual-property"&gt;associam o compartilhamento &amp;agrave; pirataria&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(e empresas jornal&amp;iacute;sticas que usam a lei para &lt;a href="http://desculpeanossafalha.com.br/entenda-o-caso/"&gt;silenciar cr&amp;iacute;ticas bem-humoradas&lt;/a&gt;). Fabricantes de hardware que deliberadamente &lt;a href="http://www.defectivebydesign.org/"&gt;restringem o uso de seus produtos&lt;/a&gt;. Iniciativas que tendem usar as tecnologias como ferramentas de controle, para benef&amp;iacute;cio de poucos. Essa &amp;eacute; uma batalha &amp;aacute;rdua e longa que est&amp;aacute; sendo travada globalmente, e vai ficar ainda mais feia nos pr&amp;oacute;ximos anos. N&amp;atilde;o podemos perd&amp;ecirc;-la de vista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al&amp;eacute;m desse quadro atual de conflitos, tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; importante trazer para a reflex&amp;atilde;o as &lt;em&gt;novas possibilidades&lt;/em&gt; das tecnologias digitais, que cada vez mais se distanciam daquela ideia equivocada que opunha o virtual ao real. A tecnologia que vem por a&amp;iacute; n&amp;atilde;o trata somente de computadores ou telefones m&amp;oacute;veis para acessar a internet. Existe um amplo espectro de pesquisa e desenvolvimento que prop&amp;otilde;e &lt;em&gt;novas fronteiras&lt;/em&gt;: computa&amp;ccedil;&amp;atilde;o f&amp;iacute;sica e realidade aumentada; redes ub&amp;iacute;quas; &lt;a href="http://www.wired.com/techbiz/startups/magazine/16-11/ff_openmanufacturing?currentPage=all"&gt;hardware aberto&lt;/a&gt;; m&amp;iacute;dia locativa; fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o digital, prototipagem e a &lt;a href="http://desvio.cc/blog/fazedorxs"&gt;cena maker&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://internetofthings.eu"&gt;internet das coisas&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://diybio.org"&gt;diybio&lt;/a&gt;, ci&amp;ecirc;ncia de garagem e &lt;a href="http://medialab-prado.es/article/taller-seminario_interactivos10_ciencia_de_barrio"&gt;ci&amp;ecirc;ncia de bairro&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A internet n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais um assunto de mesas e computadores. A cada dia surgem mais tipos de aparelhos conectados. O exemplo &amp;oacute;bvio s&amp;atilde;o os telefones celulares com acesso &amp;agrave; internet, mas &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel ir muito al&amp;eacute;m e pensar em &lt;em&gt;todo tipo de objeto&lt;/em&gt; que pode se beneficiar de conectividade em rede. Interruptores de energia associados a sensores de temperatura e umidade, que podem prever quando a chuva est&amp;aacute; chegando e fechar janelas automaticamente. Um enfeite de mesa que &lt;a href="http://laboratorio.us/new/mail_alert.php"&gt;avisa quando voc&amp;ecirc; recebeu email&lt;/a&gt;. Chips RFID para identificar objetos. Aparelhos que monitoram o consumo dom&amp;eacute;stico de energia el&amp;eacute;trica e ajudam as pessoas a diminu&amp;iacute;rem a conta de luz. Gra&amp;ccedil;as ao hardware e ao software livres (e o conhecimento sobre como utiliz&amp;aacute;-los), esse tipo de objeto conectado n&amp;atilde;o precisa mais de uma grande estrutura para ser projetado e constru&amp;iacute;do. Muito pelo contr&amp;aacute;rio, eles podem ser criados a custo baixo, e adequados &amp;agrave; demanda espec&amp;iacute;fica de cada localidade, de cada situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. As pesquisas sobre &lt;em&gt;fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o dom&amp;eacute;stica, impress&amp;atilde;o tridimensional e &lt;/em&gt;&lt;a href="http://reprap.org/wiki/Main_Page"&gt;&lt;em&gt;prototipadoras replicantes&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; &amp;nbsp;prometem uma nova revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o industrial: a partir do momento em que as pessoas podem imprimir utens&amp;iacute;lios, ferramentas e quaisquer outros objetos em suas casas, o que acontece? Se um dia pudermos reciclar materiais pl&amp;aacute;sticos em casa -desfazer objetos para transform&amp;aacute;-los em outros - quais as consequ&amp;ecirc;ncias disso na produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o industrial como a conhecemos hoje? Em paralelo, quando come&amp;ccedil;amos a misturar &lt;em&gt;coordenadas geogr&amp;aacute;ficas com a internet m&amp;oacute;vel&lt;/em&gt;, que tipo de servi&amp;ccedil;o pode emergir? Locais f&amp;iacute;sicos podem enriquecidos com &lt;em&gt;camadas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;. E como a &lt;em&gt;ci&amp;ecirc;ncia de garagem&lt;/em&gt; pode enriquecer o aprendizado nas escolas p&amp;uacute;blicas? Esque&amp;ccedil;a o laborat&amp;oacute;rio de qu&amp;iacute;mica: hoje em dia, com hardware de segunda m&amp;atilde;o, os alunos podem &lt;em&gt;montar seus pr&amp;oacute;prios microsc&amp;oacute;pios digitais&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Laborat&amp;oacute;rios Experimentais Locais&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Os projetos que levam tecnologias de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s diferentes comunidades do Brasil n&amp;atilde;o podem se limitar a &lt;em&gt;reproduzir os usos j&amp;aacute; estabelecidos&lt;/em&gt; dessas tecnologias - acesso &amp;agrave; internet e impress&amp;atilde;o de documentos. O que precisamos s&amp;atilde;o &lt;em&gt;p&amp;oacute;los locais de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;, dedicados &amp;agrave; experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e ao desenvolvimento de tecnologias livres. Esses p&amp;oacute;los precisam ser descentralizados, mas enredados. Devem tratar de diversos assuntos, n&amp;atilde;o somente acesso &amp;agrave; internet: dialogar com escolas, projetos sociais, ambientais e educativos. Precisam acolher coletivos art&amp;iacute;sticos, engenheiros aposentados, amadores apaixonados, empreendedores sociais, inventores em potencial. N&amp;atilde;o podem ter medo de gerar renda, criar novos mercados. Precisam configurar-se em &lt;em&gt;laborat&amp;oacute;rios experimentais locais&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No ano passado eu desenvolvi um projeto chamado &lt;a href="http://redelabs.org"&gt;RedeLabs&lt;/a&gt;, que tinha por objetivo investigar que tipo de laborat&amp;oacute;rio de tecnologia era adequado ao Brasil dos dias atuais. A pesquisa foi documentada em um &lt;a href="http://culturadigital.br/redelabs"&gt;weblog&lt;/a&gt; e um &lt;a href="http://redelabs.org"&gt;wiki&lt;/a&gt;. Entre as minhas conclus&amp;otilde;es, percebi que a &lt;em&gt;infraestrutura &amp;eacute; mero detalhe&lt;/em&gt;. Como dizia &lt;a href="http://imaginarios.net/dpadua"&gt;Daniel P&amp;aacute;dua&lt;/a&gt;, &amp;quot;&lt;em&gt;tecnologia &amp;eacute; mato, o que importa s&amp;atilde;o as pessoas&lt;/em&gt;&amp;quot;. Ainda assim, precisamos pensar em infraestrutura, mas indo al&amp;eacute;m do trivial. O modelo &amp;quot;computadores, banda larga, impressoras e c&amp;acirc;mera&amp;quot; &amp;eacute; uma resposta adequada &amp;agrave; demanda expl&amp;iacute;cita de &lt;em&gt;locais para acesso &amp;agrave; internet&lt;/em&gt;. Mas temos tamb&amp;eacute;m que tratar das demandas que n&amp;atilde;o est&amp;atilde;o expl&amp;iacute;citas: criar condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para o &lt;em&gt;desenvolvimento de tecnologia livre brasileira&lt;/em&gt;. Para isso, precisamos de massa cr&amp;iacute;tica. Al&amp;eacute;m de espa&amp;ccedil;os configurados como p&amp;oacute;los de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o livre, precisamos tamb&amp;eacute;m dar as condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para o desenvolvimento de jovens talentos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje em dia, jovens de cidades pequenas que t&amp;ecirc;m potencial precisam &lt;em&gt;migrar para grandes centros&lt;/em&gt; em busca de oportunidades. &amp;Eacute; raro que voltem, levando a uma esp&amp;eacute;cie de &lt;em&gt;&amp;ecirc;xodo criativo&lt;/em&gt;. Mesmo aqueles que chegam &amp;agrave;s cidades grandes tamb&amp;eacute;m precisam fazer uma escolha dif&amp;iacute;cil: podem &lt;em&gt;vender seu talento criativo ao mercado&lt;/em&gt; - por vezes de maneira equilibrada, mas em muitos casos limitando-se a ajudar quem tem dinheiro a ganhar mais dinheiro, ou ent&amp;atilde;o trocando seu futuro por capital especulativo. Podem tamb&amp;eacute;m tentar usar sua habilidade para ajudar a sociedade - mas viver de precariedade e instabilidade. Essa &amp;eacute; uma &lt;em&gt;condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o insustent&amp;aacute;vel&lt;/em&gt; para um pa&amp;iacute;s que tanto precisa de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o e criatividade. Por que raz&amp;atilde;o uma pessoa jovem, criativa, talentosa e consciente n&amp;atilde;o encontra maneiras vi&amp;aacute;veis de usar essas qualidades para ajudar a sociedade? Alguma coisa est&amp;aacute; errada. E n&amp;atilde;o me interessa que isso seja verdade no mundo inteiro. Estamos em uma &amp;eacute;poca de transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;O sotaque tecnol&amp;oacute;gico brasileiro&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Existem pa&amp;iacute;ses que nos anos recentes se tornaram emblem&amp;aacute;ticos da &lt;em&gt;acelera&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt; que as tecnologias possibilitam. A China terceiriza a &lt;em&gt;fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de hardware&lt;/em&gt; - tem uma vasta oferta de m&amp;atilde;o de obra, uma popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o disciplinada e trabalhadora e um estado controlador que refor&amp;ccedil;a essa disciplina, al&amp;eacute;m da &amp;quot;flexibilidade&amp;quot; social, ambiental e de seguran&amp;ccedil;a no trabalho. A &amp;Iacute;ndia tem despontado na terceiriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de &lt;em&gt;telemarketing&lt;/em&gt; - por conta tamb&amp;eacute;m de grande oferta de m&amp;atilde;o de obra, associada &amp;agrave; educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em l&amp;iacute;ngua inglesa - e no &lt;em&gt;desenvolvimento de software&lt;/em&gt;, talvez relacionado &amp;agrave;s suas faculdades que formam mais de uma centena de milhar de engenheiros a cada ano. A Coreia do Sul promoveu grandes avan&amp;ccedil;os na &lt;em&gt;educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e treinamento t&amp;eacute;cnicos&lt;/em&gt; e colhe os frutos dessa escolha. E o Brasil? Tive a oportunidade de viajar algumas vezes nos &amp;uacute;ltimos anos para localidades em diversos pa&amp;iacute;ses - de Manchester a Bangalore. Em toda parte, existe uma grande curiosidade sobre o Brasil - um certo fasc&amp;iacute;nio pela nossa &lt;em&gt;naturalidade em encarar transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es&lt;/em&gt; (mais do que isso, um grande desejo pela transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o), pelo car&amp;aacute;ter &lt;em&gt;iconoclasta&lt;/em&gt; de algumas de nossas realiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es, pela nossa &lt;em&gt;sociabilidade sem travas&lt;/em&gt;. Com base nisso, fico pensando: qual &amp;eacute; a nossa caracter&amp;iacute;stica contempor&amp;acirc;nea essencial? Antropof&amp;aacute;gica, certamente. Tropicalista, sim.&amp;nbsp;&lt;em&gt;Criativa&lt;/em&gt;?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;At&amp;eacute; h&amp;aacute; pouco tempo, se falava que o povo brasileiro &lt;em&gt;n&amp;atilde;o &amp;eacute; empreendedor&lt;/em&gt;. Essa vis&amp;atilde;o absurdamente preconceituosa est&amp;aacute; gradualmente mudando, &amp;agrave; medida que nosso &lt;em&gt;sotaque criativo&lt;/em&gt; &amp;eacute; compreendido e tratado como tal. A &lt;em&gt;inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o do cotidiano&lt;/em&gt;, presente nos mutir&amp;otilde;es e nas gambiarras (leia mais sobre&amp;nbsp;&lt;a href="http://desvio.cc/tag/gambiologia"&gt;gambiologia&lt;/a&gt;), vem aos poucos sendo reconhecida n&amp;atilde;o como atraso e sim como vantagem competitiva. Nossa criatividade n&amp;atilde;o se enquadra facilmente nos &lt;em&gt;modelos pr&amp;eacute;-definidos&lt;/em&gt; das chamadas ind&amp;uacute;strias criativas. Quando falo em criatividade, n&amp;atilde;o me refiro somente &amp;agrave; ind&amp;uacute;stria de entretenimento e cultura, baseada na explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o comercial da separa&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre criadores e consumidores. N&amp;atilde;o &amp;eacute; aquele &amp;quot;conte&amp;uacute;do&amp;quot; que n&amp;atilde;o se relaciona com o contexto. &amp;Eacute;, pelo contr&amp;aacute;rio, o &lt;em&gt;esp&amp;iacute;rito inovador que transborda no dia a dia&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Voltando ao ponto anterior - &amp;nbsp;hoje em dia &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel projetar solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es tecnol&amp;oacute;gicas baseadas em &lt;em&gt;conhecimento livre&lt;/em&gt;, dispon&amp;iacute;vel abertamente nas redes. Isso aliado a essa criatividade que temos no dia a dia tem o potencial de oferecer saltos tecnol&amp;oacute;gicos consider&amp;aacute;veis. A inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica tipicamente brasileira (com um qu&amp;ecirc; da sensibilidade criativa da gambiarra)&amp;nbsp;pode ser fomentada nos p&amp;oacute;los de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o baseados em conhecimento livre. Ela pode ajudar a &lt;a href="http://ubalab.org/blog/metareciclando-cidades-digitais"&gt;metareciclar as cidades digitais&lt;/a&gt;. Isso possibilita que o desenvolvimento de tecnologias dialogue com as diferentes &lt;em&gt;realidades locais&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Todos sabemos o que acontece quando a tecnologia &amp;eacute; desenvolvida sem contato com o cotidiano. Ela fica &lt;em&gt;espetacular, alienada e homog&amp;ecirc;nea&lt;/em&gt;. Vamos trazer a inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica de volta ao dia a dia, fazer com que ela seja n&amp;atilde;o somente lucrativa mas tamb&amp;eacute;m relevante. Que ajude a construir a sociedade conectada que queremos.&amp;nbsp;Temos a oportunidade de provocar uma onda de criatividade aplicada em todas as regi&amp;otilde;es do pa&amp;iacute;s. Temos a oportunidade de provar que o Brasil &amp;eacute; digno da fama de pa&amp;iacute;s do futuro. Mas precisamos decidir qual &amp;eacute; o futuro que queremos. J&amp;aacute; deixamos de lado os &lt;a href="http://futurosimaginarios.midiatatica.info/"&gt;futuros imagin&amp;aacute;rios&lt;/a&gt; da guerra fria. Nosso futuro pode ser um &lt;em&gt;futuro participativo, socialmente justo, que reconhe&amp;ccedil;a m&amp;eacute;rito, talento e dedica&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;. Precisamos da coragem para faz&amp;ecirc;-lo. Aqui do meu pretenso &lt;a href="http://ubalab.org"&gt;p&amp;oacute;lo local de tecnologias livres no litoral de S&amp;atilde;o Paulo&lt;/a&gt;, me alisto para essa miss&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Leia a primeira parte desse texto &lt;a href="http://desvio.cc/blog/inovacao-e-tecnologias-livres-parte-1-decada-que-foi"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/fKtLS50Rnmk" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Fri, 14 Jan 2011 23:43:45 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Inovação e tecnologias livres - parte 1 - a década que foi</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/i4W-d2zH7OA/inovacao-e-tecnologias-livres-parte-1-decada-que-foi</link>
 <description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Essa virada de ano foi diferente. N&amp;atilde;o entrei muito no clima de reveillon, porque estava totalmente focado em outros assuntos - minha filha estava a caminho na longa estrada para este mundo, e acabou nascendo no dia 20 de dezembro. Nessa distra&amp;ccedil;&amp;atilde;o mais que justificada demorei bastante para perceber que, mais do que outro ano, a gente come&amp;ccedil;aria uma nova d&amp;eacute;cada. A contagem do tempo &amp;eacute; aquela coisa arbitr&amp;aacute;ria - na pr&amp;aacute;tica n&amp;atilde;o faz muita diferen&amp;ccedil;a se o ano &amp;eacute; redondo ou n&amp;atilde;o - mas de qualquer maneira existe uma carga simb&amp;oacute;lica associada ao espa&amp;ccedil;o de dez anos. S&amp;oacute; fui prestar mais aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o nisso quando a gangue devolts prop&amp;ocirc;s o &lt;a href="http://bau.devolts.org/"&gt;ba&amp;uacute; da d&amp;eacute;cada&lt;/a&gt;, e isso me deixou pensando em tudo que aconteceu desde 2001. N&amp;atilde;o consegui mandar muita coisa pro ba&amp;uacute;, mas esse texto vem como uma resposta &amp;agrave;quela provoca&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O texto tem duas partes. A primeira vai abaixo, a segunda est&amp;aacute; dispon&amp;iacute;vel &lt;a href="http://desvio.cc/blog/inovacao-e-tecnologias-livres-parte-2-hojes-e-depois"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;h2&gt;O come&amp;ccedil;o do mil&amp;ecirc;nio&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Dez anos atr&amp;aacute;s, naquele come&amp;ccedil;o de d&amp;eacute;cada que foi tamb&amp;eacute;m come&amp;ccedil;o de mil&amp;ecirc;nio, eu tinha acabado de decidir que continuaria em S&amp;atilde;o Paulo. Havia me mudado para a capital do concreto no ano anterior para viver com a fam&amp;iacute;lia de meu pai, mas ele estava retornando a Porto Alegre. Foi o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o que me convenceu a permanecer. O cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o rom&amp;acirc;ntico, apaixonado por aquela que veio a se tornar minha amada e m&amp;atilde;e da minha filha, mas tamb&amp;eacute;m o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o da coragem, do desafio. Me incomodava a ideia de voltar a Porto Alegre sem ter realizado nada de relevante. Fiquei. Para pagar as contas vendi o carro, comecei a trabalhar em uma produtora multim&amp;iacute;dia e de internet, mudei para uma casinha pequena e simp&amp;aacute;tica a dois quarteir&amp;otilde;es do trabalho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A internet era cada vez mais importante na minha vida. Eu tinha a sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que a viv&amp;ecirc;ncia em rede levava a um tipo de aprendizado, cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o e sociabilidade que n&amp;atilde;o tinham precedentes. Pela rede conheci outras pessoas que compartilhavam a certeza de que a internet n&amp;atilde;o era s&amp;oacute; com&amp;eacute;rcio, nem o mero acesso a &lt;em&gt;conte&amp;uacute;do&lt;/em&gt; publicado por outras pessoas. Entendi que cada pessoa conectada &amp;agrave; rede &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m uma co-criadora, que n&amp;atilde;o s&amp;oacute; acessa conte&amp;uacute;do (uma abstra&amp;ccedil;&amp;atilde;o equivocada), mas tamb&amp;eacute;m constr&amp;oacute;i um &lt;em&gt;contexto&lt;/em&gt; &amp;uacute;nico em que interpreta e reconfigura tudo que vivencia. Inspirado pelas conversas em listas de discuss&amp;atilde;o, criei meu primeiro blog em 2001. Comecei a estudar sistemas para o compartilhamento online de ideias e refer&amp;ecirc;ncias, e esse foi meu primeiro contato com software livre. Em pouco tempo, eu quase n&amp;atilde;o trabalhava mais e dedicava o dia todo a essas pesquisas. Acabei demitido da produtora, mas fiquei amigo de um dos s&amp;oacute;cios, Ike Moraes. Ele tocava um projeto chamado Roupa Velha, que tinha elaborado com alguns amigos e era operacionalizado por Adilson Tavares. A gente se reencontraria alguns anos depois.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Meu foco de interesses foi mudando naquela &amp;eacute;poca. Acabei deixando a publicidade de lado para trabalhar numa empresa de cursos corporativos. Ali tinha um pouco (um pouquinho) mais de liberdade pra pensar em tecnologia para educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e no tempo livre testar sistemas livres de publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Paralelamente, eu participava de um monte de redes abertas. Em 2002 criamos o &lt;a href="http://rede.metareciclagem.org/wiki/ProjetoMetaFora"&gt;projeto Met&amp;aacute;:Fora&lt;/a&gt;, que reuniu gente interessante como &lt;a href="http://marketinghacker.com.br"&gt;Hernani Dimantas&lt;/a&gt;, o saudoso &lt;a href="http://imaginarios.net/dpadua"&gt;Daniel P&amp;aacute;dua&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://alfarrabio.org"&gt;Paulo Bicarato&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://twitter.com/#!/schepop"&gt;Bernardo Schepop&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://daltonmartins.blogspot.com"&gt;Dalton Martins&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.charles.pilger.com.br/"&gt;Charles Pilger&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://baobavoador.midiatatica.info/"&gt;Tati Wells&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://twitter.com/#!/inovamente"&gt;Marcus&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://colacino.wordpress.com/"&gt;Paulo Colacino&lt;/a&gt;, TupiNamb&amp;aacute;, &lt;a href="http://www.estraviz.com.br/"&gt;Marcelo Estraviz&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://dricaveloso.wordpress.com/"&gt;Drica Veloso&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://twitter.com/#!/passamani"&gt;Andr&amp;eacute; Passamani&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://shanzhaier.com/"&gt;Felipe Albert&amp;atilde;o&lt;/a&gt; e mais algumas dezenas de pessoas. Foi um ano de muita efervesc&amp;ecirc;ncia experimentando com criatividade e aprendizado distribu&amp;iacute;dos, auto-publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, economia da d&amp;aacute;diva, apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica de tecnologias, conhecimento livre, m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica, mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rede e diversas formas de a&amp;ccedil;&amp;atilde;o para transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social. Defend&amp;iacute;amos que imaginar uma diferen&amp;ccedil;a entre &amp;quot;real&amp;quot; e &amp;quot;virtual&amp;quot; era um equ&amp;iacute;voco tremendo. Oper&amp;aacute;vamos em a&amp;ccedil;&amp;otilde;es pontuais mas informadas, inspirados pelo imagin&amp;aacute;rio das zonas aut&amp;ocirc;nomas tempor&amp;aacute;rias (TAZ) e de redes rizom&amp;aacute;ticas. Criamos muita coisa juntos at&amp;eacute; que o projeto foi encerrado, n&amp;atilde;o sem antes deixar de heran&amp;ccedil;a para o mundo &amp;quot;um wiki recheada&amp;ccedil;o&amp;quot; e alguns projetos que tentariam se manter de forma aut&amp;ocirc;noma. O mais relevante deles foi a rede &lt;a href="http://rede.metareciclagem.org"&gt;MetaReciclagem&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A MetaReciclagem foi concebida genuinamente em rede, e implementada de forma distribu&amp;iacute;da e totalmente livre. Ela come&amp;ccedil;ou como um laborat&amp;oacute;rio de recondicionamento de computadores usados para projetos sociais baseado em S&amp;atilde;o Paulo em parceria com o &lt;a href="http://agentecidadao.org.br"&gt;Agente Cidad&amp;atilde;o&lt;/a&gt;, OSCIP que era a reencarna&amp;ccedil;&amp;atilde;o do projeto Roupa Velha. Em pouco tempo o foco da MetaReciclagem se tornou mais amplo. Ela se expandiu para outros lugares em projetos independentes e autogestionados. Desde o princ&amp;iacute;pio, a rede MetaRecicagem adotou alguns posicionamentos que &amp;agrave; &amp;eacute;poca estavam longe de ser senso comum:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;a import&amp;acirc;ncia central do &lt;em&gt;acesso &amp;agrave; internet&lt;/em&gt; como condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o para transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social profunda;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;a viabilidade do &lt;em&gt;software livre&lt;/em&gt; como plataforma local e remota em projetos de tecnologia para a sociedade;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;o &lt;em&gt;car&amp;aacute;ter cultural&lt;/em&gt; das redes livres conectadas, a emerg&amp;ecirc;ncia de novas formas de &lt;em&gt;relacionamento social&lt;/em&gt; e de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o a partir delas;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;a urg&amp;ecirc;ncia do debate sobre lixo eletr&amp;ocirc;nico e a possibilidade da &lt;em&gt;reutiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o criativa&lt;/em&gt; de hardware;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;o potencial de outras formas de acesso &amp;agrave; internet: &lt;em&gt;redes comunit&amp;aacute;rias wi-fi&lt;/em&gt;, dispositivos m&amp;oacute;veis, etc.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&amp;Eacute; importante enfatizar aqui: em 2002, &lt;em&gt;nenhum&lt;/em&gt; desses t&amp;oacute;picos era consenso entre os principais atores institucionais dos projetos de &amp;quot;inclus&amp;atilde;o digital&amp;quot;. A prioridade no uso da internet era questionada pelos projetos que s&amp;oacute; promoviam o adestramento de &lt;em&gt;manobristas de mouse&lt;/em&gt;. Diziam que os coitadinhos s&amp;oacute; precisavam aprender a operar o teclado para preencher seu curr&amp;iacute;culo e conseguir um emprego, e que qualquer outro uso era sup&amp;eacute;rfluo. Acreditavam que era &lt;em&gt;perda de tempo&lt;/em&gt; a garotada ficar (antes da era do Orkut) no bate-papo do UOL. Falavam que &amp;quot;ningu&amp;eacute;m quer computador velho, o lugar disso &amp;eacute; no lixo&amp;quot;. Afirmavam que o &lt;em&gt;software livre era um equ&amp;iacute;voco&lt;/em&gt;, porque &amp;quot;o mercado n&amp;atilde;o vai aceitar&amp;quot;. Isso tamb&amp;eacute;m se estendia ao mercado de TI. Eu lembro da empolga&amp;ccedil;&amp;atilde;o que nos tomava a cada min&amp;uacute;scula nota sobre software livre publicada na imprensa especializada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu olho hoje para projetos de tecnologia e inclus&amp;atilde;o digital em diversos contextos institucionais, partid&amp;aacute;rios e geogr&amp;aacute;ficos. Tenho orgulho de dizer que influenciamos pelo menos meia d&amp;uacute;zia de grandes projetos de tecnologia para a sociedade. Ganhamos algumas batalhas desde aquela &amp;eacute;poca. Os princ&amp;iacute;pios que defend&amp;iacute;amos hoje s&amp;atilde;o amplamente aceitos. A &lt;a href="https://lists.riseup.net/www/info/metareciclagem"&gt;lista de discuss&amp;atilde;o&lt;/a&gt; da MetaReciclagem tem mais de quatrocentas pessoas. O &lt;a href="http://rede.metareciclagem.org"&gt;site&lt;/a&gt;, mais de mil. Alguns milhares j&amp;aacute; participaram de oficinas de MetaReciclagem, de forma radicalmente descentralizada. Fomos convidados a participar de eventos em diversos lugares do mundo, de Banff a Kuala Lumpur. E a rede continua pulsante, o que me deixa feliz todo dia.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Uma Cultura Digital&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Em termos de compreens&amp;atilde;o sobre o papel das novas tecnologias de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o momento agora &amp;eacute; outro. N&amp;atilde;o precisamos mais convencer as pessoas sobre a import&amp;acirc;ncia da internet. Das redes sociais. Do software livre. Boa parte dos figur&amp;otilde;es do mundo pol&amp;iacute;tico, de todos os partidos, tem pelo menos um blog, usa o twitter e tem canal no facebook. Come&amp;ccedil;amos essa d&amp;eacute;cada em um patamar muito mais alto. A internet &amp;eacute; entendida como recurso fundamental para uma cidadania plena. Existem iniciativas como o &lt;a href="http://www4.planalto.gov.br/brasilconectado/pnbl"&gt;Plano Nacional de Banda Larga&lt;/a&gt;, o programa &lt;a href="http://www.computadorparatodos.gov.br/"&gt;Computador para Todos&lt;/a&gt;, o &lt;a href="http://www.uca.gov.br/institucional/"&gt;Um Computador por Aluno&lt;/a&gt;. A maioria dos estados tem projetos de inclus&amp;atilde;o digital com software livre. J&amp;aacute; existem mais telefones celulares do que habitantes no Brasil. Pessoas que tinham avers&amp;atilde;o aos computadores hoje s&amp;atilde;o os mais entusi&amp;aacute;sticos usu&amp;aacute;rios das redes sociais. Os internautas brasileiros s&amp;atilde;o os que usam a rede por mais tempo a cada m&amp;ecirc;s, em compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o com outros pa&amp;iacute;ses.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tivemos por seis anos um Ministro da Cultura que &lt;a href="http://www.cultura.gov.br/site/2008/06/16/gil-sou-hacker-um-ministro-hacker"&gt;declarou-se hacker&lt;/a&gt; e fomentou o desenvolvimento de uma s&amp;eacute;rie de projetos baseados em uma &lt;a href="http://ecodigital.blogspot.com"&gt;Ecologia Digital&lt;/a&gt;.  Os primeiros anos da a&amp;ccedil;&amp;atilde;o cultura digital nos Pontos de Cultura, implementada por integrantes de &lt;a href="http://www.cultura.gov.br/site/2006/02/22/o-impacto-da-sociedade-civil-desorganizada-cultura-digital-os-articuladores-e-software-livre-no-projeto-dos-pontos-de-cultura-do-minc/"&gt;diversas redes e coletivos independentes&lt;/a&gt; e orquestrada por &lt;a href="http://culturadigital.org.br/"&gt;Claudio Prado&lt;/a&gt;, foram um cap&amp;iacute;tulo importante na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma compreens&amp;atilde;o brasileira das tecnologias livres como express&amp;atilde;o cultural leg&amp;iacute;tima e extremamente f&amp;eacute;rtil. Alguns dos princ&amp;iacute;pios colocados naquele projeto - &lt;em&gt;descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o integrada, autonomia, identifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de catalisadores locais para replica&amp;ccedil;&amp;atilde;o das redes, incentivo a uma ecologia de publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de conte&amp;uacute;dos livres, educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre ferramentas livres de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o multim&amp;iacute;dia&lt;/em&gt; - foram de uma inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o profunda para o mundo institucional, mesmo que - por conta do descompasso entre a velocidade necess&amp;aacute;ria e a precariedade de condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o - nunca tenham chegado a se desenvolver plenamente.&amp;nbsp;O Minist&amp;eacute;rio precisaria de uma equipe muito maior do que &amp;eacute; vi&amp;aacute;vel para gerenciar e acompanhar satisfatoriamente essa multiplicidade de contextos. Os Pontos tamb&amp;eacute;m acabam ficando dependentes das verbas de uma s&amp;oacute; fonte (verbas estas que nunca chegam na data prevista), e n&amp;atilde;o trabalham com o horizonte de sustentabilidade plena. &amp;Eacute; necess&amp;aacute;rio avan&amp;ccedil;ar, e muito, nas quest&amp;otilde;es da autogest&amp;atilde;o da rede de Pontos; dos arranjos econ&amp;ocirc;micos locais; do seu impacto social, econ&amp;ocirc;mico e ambiental. Mas eles continuam sendo umas das experi&amp;ecirc;ncias mais transformadoras realizadas pelo governo que acaba de se encerrar. Esperemos que a nova gest&amp;atilde;o trate de ampliar, profissionalizar e aprofundar essa experi&amp;ecirc;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Livre?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Uma quest&amp;atilde;o que ficou em aberto no meio do caminho est&amp;aacute; ligada &amp;agrave; qualidade do engajamento em ecologias abertas e livres. O Brasil tem se tornado de fato um grande usu&amp;aacute;rio, mas estamos l&amp;aacute; atr&amp;aacute;s no que se refere ao desenvolvimento de propriamente dito de software livre. De certa forma, &amp;eacute; uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o parasit&amp;aacute;ria: estamos nos utilizando de software disponibilizado livremente, mas n&amp;atilde;o estamos em retorno contribuindo com esse banco aberto de conhecimento aplicado. N&amp;atilde;o &amp;eacute; uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o t&amp;atilde;o desequilibrada que inviabilize o sistema como um todo (a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Trag%C3%A9dia_dos_comuns"&gt;trag&amp;eacute;dia do comum&lt;/a&gt; n&amp;atilde;o se transfere totalmente para o contexto digital), mas investir de forma mais pesada no desenvolvimento de software livre seria a atitude mais coerente com o discurso que estamos adotando. A ideia de conhecimento livre &amp;eacute; &lt;a href="http://efeefe.no-ip.org/blog/processos-criativos"&gt;muito mais profunda do que a mera distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o gratuita&lt;/a&gt;. Ela engendra uma economia aberta, distribu&amp;iacute;da e descentralizada. E precisa de investimento que reflita o funcionamento dessa economia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os novos governos federal e estaduais que assumem nesse momento de referenciais avan&amp;ccedil;ados em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a oito anos atr&amp;aacute;s precisam entender o potencial e a import&amp;acirc;ncia de adotarem alguns princ&amp;iacute;pios claros. O apoio &amp;agrave; &lt;em&gt;liberdade de circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt; da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o (e publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de dados oficiais abertos, que possibilite experi&amp;ecirc;ncias como o &lt;a href="http://blog.esfera.mobi/transparencia-hackday-convite-a-participacao/"&gt;transpar&amp;ecirc;ncia hackday&lt;/a&gt;), o fomento &amp;agrave; emerg&amp;ecirc;ncia de solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es livres e &amp;agrave; &lt;em&gt;descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o integrada&lt;/em&gt;, a orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre a &lt;em&gt;sustentabilidade socio-economico-ambiental&lt;/em&gt; da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o criativa em rede e a escolha intransigente de &lt;em&gt;protocolos abertos e livres&lt;/em&gt; s&amp;atilde;o necess&amp;aacute;rios em todos os segmentos. &amp;Eacute; necess&amp;aacute;ria a compreens&amp;atilde;o de que &lt;em&gt;o acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o basta&lt;/em&gt; - precisamos &amp;eacute; de participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, cotidianos compartilhados e aprendizado em rede. O est&amp;iacute;mulo &amp;agrave; inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o aberta baseada nesses princ&amp;iacute;pios pode promover &lt;em&gt;saltos quantitativos&lt;/em&gt; no alcance de iniciativas das comunica&amp;ccedil;&amp;otilde;es, diplomacia, educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, cidades, seguran&amp;ccedil;a, defesa civil, sa&amp;uacute;de, meio ambiente, transporte, turismo, direitos humanos, ci&amp;ecirc;ncia e tecnologia, e por a&amp;iacute; vai.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;A segunda parte desse texto fala sobre a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o hoje e algumas proje&amp;ccedil;&amp;otilde;es (e sugest&amp;otilde;es) para o futuro. Leia &lt;a href="http://desvio.cc/blog/inovacao-e-tecnologias-livres-parte-2-hojes-e-depois"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/i4W-d2zH7OA" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Fri, 14 Jan 2011 15:46:45 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Gambiologia - A criatividade que nos faz humanos</title>
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 <description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Escrevi esse texto para o cat&amp;aacute;logo da mostra &lt;a href="http://www.gambiologos.com/"&gt;Gambi&amp;oacute;logos&lt;/a&gt;, que aconteceu &lt;a href="http://desvio.cc/blog/gambhiologos"&gt;m&amp;ecirc;s passado&lt;/a&gt; em BH.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Tr&amp;ecirc;s minutos antes da abertura, artistas e integrantes da equipe de montagem ainda subiam e desciam as escadas do espa&amp;ccedil;o Centoequatro carregando ferramentas e material. Aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o totalmente concentrada na solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de quest&amp;otilde;es de &amp;uacute;ltima hora. N&amp;atilde;o poderia ser diferente. Fred Paulino, idealizador e curador da exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, conta que o Gambiociclo, pe&amp;ccedil;a sua com Paulo Henrique 'Ganso' e Lucas Mafra que indica o caminho para a sala, &amp;eacute; um trabalho em progresso - ela se transforma, ganha novos elementos, evolui ao longo de cada itera&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Faz parte da maneira gambiol&amp;oacute;gica de fazer as coisas: sempre em transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Antes mesmo de entrar na sala, um tapete feito de teclados de computador d&amp;aacute; o tom l&amp;uacute;dico, ir&amp;ocirc;nico e iconoclasta que emerge da exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. S&amp;oacute; quem j&amp;aacute; experimentou entende o prazer secreto de pisar em computadores, e os Gambi&amp;oacute;logos resolveram compartilhar essa sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o com os visitantes. Como os exemplos de gambiarra abundam nas culturas brasileiras, Fred tra&amp;ccedil;ou uma linha para a sele&amp;ccedil;&amp;atilde;o: as obras precisariam envolver (e questionar) tecnologias. A primeira impress&amp;atilde;o ao circular pela mostra evoca justamente o questionamento do determinismo tecnol&amp;oacute;gico - a suposta autoridade dos fabricantes de qualquer produto em encerrar seus usos poss&amp;iacute;veis. Na Gambiologia, a afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;quot;isso serve para...&amp;quot; &amp;eacute; substitu&amp;iacute;da pela quest&amp;atilde;o: &amp;quot;o que pode ser feito com isso?&amp;quot;. Essa invers&amp;atilde;o est&amp;aacute; presente nas colagens de artefatos como o &amp;quot;Gabinete de Curiosidades Jean Baptiste 333&amp;quot; ou o &amp;quot;Trigger de Objetos Cotidianos&amp;quot;. S&amp;atilde;o reeditados tamb&amp;eacute;m alguns j&amp;aacute; conhecidos contrastes ou tens&amp;otilde;es contempor&amp;acirc;neas: anal&amp;oacute;gico/el&amp;eacute;trico (&amp;quot;Furadeiras&amp;quot;), anal&amp;oacute;gico/eletr&amp;ocirc;nico (&amp;quot;Desconcerto&amp;quot;), abstrato/sens&amp;iacute;vel (&amp;quot;Sequenciador de Papel&amp;atilde;o + V^2&amp;quot;). Outras obras ainda incorporam um maior grau de complexidade (&amp;quot;Performance de desenho aut&amp;ocirc;nomo&amp;quot;, &amp;quot;Self stimulating closed loop&amp;quot;, &amp;quot;Eyewriter&amp;quot;), mas sem fugir do componente funcional e est&amp;eacute;tico da baixa tecnologia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais do que mero elogio da precariedade, a Gambiologia promove uma conflu&amp;ecirc;ncia entre a valoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sensibilidade do artes&amp;atilde;o - o manuseio, o conhecimento t&amp;aacute;cito, os materiais -, o reuso como caminho inclusive para a redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do impacto ambiental, o ativismo midi&amp;aacute;tico e o experimentalismo criativo. Como pode ser efetivamente ouvido e sentido na mostra, a Gambiologia dialoga com os mundos do design e da arte, como um lembrete daquele impulso criador que opera no ru&amp;iacute;do, no improviso, na cacofonia e na explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o da indetermina&amp;ccedil;&amp;atilde;o - eterna tentativa de dominar e superar o programa da m&amp;aacute;quina, como sugeria Flusser. Aquilo que no &amp;quot;mundo real&amp;quot;, longe das exposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de arte, &amp;eacute; instintivo - a adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o criativa &amp;agrave;s circunst&amp;acirc;ncias - vira aqui um caminho est&amp;eacute;tico consciente, que incorpora uma reflex&amp;atilde;o &amp;eacute;tica e pol&amp;iacute;tica, cr&amp;iacute;tica do consumismo insustent&amp;aacute;vel, do mundo superficial da pose e das apar&amp;ecirc;ncias. Que n&amp;atilde;o se confunda a gambiologia com o design vernacular. Enquanto este captura elementos do cotidiano, aquela traz a criatividade t&amp;aacute;cita das ruas para dentro do pr&amp;oacute;prio processo de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o e desenvolvimento. Ela configura tamb&amp;eacute;m uma ponte de liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre essa pot&amp;ecirc;ncia criativa de inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o popular brasileira com tend&amp;ecirc;ncias que t&amp;ecirc;m emergido recentemente em todo o mundo - a cena maker, as plataformas de hardware aberto como o Arduino, os laborat&amp;oacute;rios de prototipagem e fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que pode surpreender no trabalho dos Gambi&amp;oacute;logos &amp;eacute; a familiaridade quase primitiva que ele emana - uma certa organicidade e a certeza do potencial de interconex&amp;atilde;o e recombina&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os elementos constituintes de todas as obras expostas. Surge a sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que tudo ali pode ser reinterpretado, remanejado, remixado. As pe&amp;ccedil;as trabalham com uma diversidade de materiais: canos, papel&amp;atilde;o, computadores, hardware e software livre, latas de spray, c&amp;acirc;meras, garrafas, motores de passo, sensores, liquidificadores, silver tape e por a&amp;iacute; vai. Um hipot&amp;eacute;tico exerc&amp;iacute;cio colaborativo de reconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o - em que se desmontassem todas as obras e convocassem os artistas para criar outras com os mesmos materiais - seguramente resultaria em outros trabalhos interessantes e questionadores. O esp&amp;iacute;rito gambiol&amp;oacute;gico est&amp;aacute; mais na atitude de enxergar o mundo como repleto de recursos interpret&amp;aacute;veis de m&amp;uacute;ltiplas formas do que nas escolhas espec&amp;iacute;ficas de cada obra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A gambiarra est&amp;aacute; associada ao tipo de adaptabilidade que em &amp;uacute;ltima inst&amp;acirc;ncia nos faz humanos - observar o entorno e, com o que temos &amp;agrave; m&amp;atilde;o, solucionar problemas. &amp;Eacute; um conhecimento ancestral, que at&amp;eacute; h&amp;aacute; pouco aparecia espontaneamente nas culturas brasileiras como resultado da precariedade. Os eventuais bons mares do crescimento econ&amp;ocirc;mico, da redistribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de renda e da maior oferta de produtos manufaturados n&amp;atilde;o podem nos deixar esquecer dessa sabedoria cada vez mais necess&amp;aacute;ria em um mundo de crises econ&amp;ocirc;micas, colapso ambiental e demanda por criatividade. Iniciativas como a mostra Gambi&amp;oacute;logos est&amp;atilde;o a&amp;iacute; para nos recordar disso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span id="1293499380125S"&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/3c0yH2ut-jQ" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Tue, 28 Dec 2010 01:30:19 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Simpósio Arte.mov</title>
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 <description>&lt;p&gt;N&amp;atilde;o consegui estar presente no Simp&amp;oacute;sio do &lt;a href="http://artemov.net/saopaulo"&gt;Arte.mov de S&amp;atilde;o Paulo&lt;/a&gt;, e na &amp;uacute;nica noite que tinha livre em casa tentei ver algumas das apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es pelo stream. Digo tentei, porque s&amp;oacute; consegui encontrar o stream com &amp;aacute;udio da tradu&amp;ccedil;&amp;atilde;o simult&amp;acirc;nea, e era praticamente imposs&amp;iacute;vel assisti-lo. Fiz um esfor&amp;ccedil;o grande para acompanhar a apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do meu amigo &lt;a href="http://burbane.org"&gt;Andr&amp;eacute;s Burbano&lt;/a&gt;&amp;nbsp;e tentei ver Mark Shepard falando sobre a &lt;a href="http://survival.sentientcity.net/"&gt;Sentient City&lt;/a&gt; (mas desisti depois de alguns minutos).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O blog do Arte.mov &lt;a href="http://www.artemov.net/saopaulo/?p=202"&gt;conta um pouco&lt;/a&gt; sobre a provocadora palestra de Burbano:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;(...)&amp;nbsp;Andres discorreu sobre a hist&amp;oacute;ria da tecnologia, seu desenvolvimento atrav&amp;eacute;s dos s&amp;eacute;culos e sua import&amp;acirc;ncia para o desenvolvimento da ci&amp;ecirc;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(...) destacou que muitos pioneiros da tecnologia foram padres, como o Padre Landell, ga&amp;uacute;cho,  considerado o &amp;ldquo;pai brasileiro&amp;rdquo; do r&amp;aacute;dio. O padre Landell foi pioneiro na transmiss&amp;atilde;o da voz humana sem fio (radioemiss&amp;atilde;o e telefonia por radio). Lembrou tamb&amp;eacute;m Bartolomeu de Gusm&amp;atilde;o, o &amp;ldquo;padre voador&amp;rdquo;, padre jesu&amp;iacute;ta nascido em Santos, ent&amp;atilde;o territ&amp;oacute;rio portugu&amp;ecirc;s do Brasil.  O padre estudou na Universidade de Coimbra em 1705, onde desenvolvia seus interesses pela Matem&amp;aacute;tica e a F&amp;iacute;sica e pediu ao governo portugu&amp;ecirc;s a patente para um &amp;ldquo;instrumento para se andar pelo ar&amp;rdquo;. O invento, divulgado pela Europa em estampas fantasiosas que o retratavam como uma barca com formato de p&amp;aacute;ssaro, ficou conhecido como &amp;ldquo;Passarola&amp;rdquo;, e &amp;eacute;, na realidade, o que hoje conhecemos como bal&amp;atilde;o. A hist&amp;oacute;ria do Padre Bartolomeu e sua fabulosa Passarola &amp;ndash; que acabou levando-o &amp;agrave; Inquisi&amp;ccedil;&amp;atilde;o - foi retratada por Jos&amp;eacute; Saramago no livro &amp;ldquo;Memorial do Convento&amp;rdquo;. Andres destacou tamb&amp;eacute;m a import&amp;acirc;ncia da R&amp;aacute;dio Sutatenza, criada em 1947 pelo padre Jos&amp;eacute; Joaqu&amp;iacute;n Salcedo, na Col&amp;ocirc;mbia, a primeira r&amp;aacute;dio comunit&amp;aacute;ria da Am&amp;eacute;rica Latina&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Andres Burbano encerrou sua apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o fazendo 03 propostas para o Festival Vivo arte.mov:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;Baseado no fato de que o Brasil &amp;eacute; um dos poucos pa&amp;iacute;ses que n&amp;atilde;o fazem parte do &amp;ldquo;primeiro mundo&amp;rdquo; que tem um programa espacial, Andres prop&amp;otilde;e a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um programa de resid&amp;ecirc;ncias para escritores de fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o cient&amp;iacute;fica abordarem este assunto. A literatura tamb&amp;eacute;m contribui para a compreens&amp;atilde;o da hist&amp;oacute;ria da ci&amp;ecirc;ncia e tecnologia e est&amp;iacute;mulo a novas ideias&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;Um evento arte.mov baseado em dirig&amp;iacute;veis, j&amp;aacute; que muitos brasileiros estiveram envolvidos &amp;ldquo;na arte de voar&amp;rdquo;.&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;Um t&amp;oacute;pico para o pr&amp;oacute;ximo forum: Como as midias m&amp;oacute;veis podem ser usadas como um meio de transmitir intelig&amp;ecirc;ncia?&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Mark Shepard &lt;a href="http://www.artemov.net/saopaulo/?p=209"&gt;levantou&lt;/a&gt; quest&amp;otilde;es relacionadas &amp;agrave; prolifera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de sensores e redes informacionais e o tipo de futuro que podem trazer.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O v&amp;iacute;deo das apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es est&amp;aacute; dispon&amp;iacute;vel no &lt;a href="http://www.livestream.com/artemov/video?clipId=pla_b7d90bbe-2f9a-409e-b40f-a822a99943b4&amp;amp;utm_source=lslibrary&amp;amp;utm_medium=ui-thumb"&gt;Livestream&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/D-izdbhA_MY" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 09 Dec 2010 03:09:18 +0000</pubDate>
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 <title>Jasmina Tešanović - Arte.mov</title>
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 <description>&lt;p&gt;O pessoal do &lt;a href="http://artemov.net"&gt;Arte.mov&lt;/a&gt; me convidou para ser moderador, junto com Bruna Calegari, de uma conversa com &lt;a href="http://jasminatesanovic.wordpress.com/"&gt;Jasmina Te&amp;scaron;anović&lt;/a&gt;&amp;nbsp;na&amp;nbsp;semana passada, no CINUSP. &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jasmina_Te%C5%A1anovi%C4%87"&gt;Jasmina&lt;/a&gt; &amp;eacute; s&amp;eacute;rvia, ativista de m&amp;iacute;dia de longa data, que teve um papel important&amp;iacute;ssimo durante a guerra do Kosovo (e a persegui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Slobodan Milosevic contra outros povos da ex-Iugosl&amp;aacute;via). Ela &amp;eacute; autora de diversos livros, entre eles o &lt;em&gt;Diary of a Political Idiot&lt;/em&gt;. Esteve envolvida com a r&amp;aacute;dio &lt;a href="http://www.b92.net/eng/"&gt;B92&lt;/a&gt; e com a organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o pacifista feminista &lt;a href="http://www.zeneucrnom.org/index.php?lang=en"&gt;Women in Black&lt;/a&gt;. &amp;Eacute; casada com &lt;a href="http://blog.wired.com/sterling"&gt;Bruce Sterling&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://giselad.com"&gt;Gisela Domschke&lt;/a&gt;, que organizou a conversa, chamou tamb&amp;eacute;m pessoas envolvidas com diversas iniciativas no Brasil: Paj&amp;eacute;, Rog&amp;eacute;rio Borovik e outros. Tamb&amp;eacute;m estavam presentes Almir Almas e Lucas Bambozzi, al&amp;eacute;m de v&amp;aacute;rios convidados internacionais do Arte.mov e do pr&amp;oacute;prio Bruce Sterling.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O v&amp;iacute;deo da conversa est&amp;aacute; incorporado no fim desse post. Eu, particularmente, n&amp;atilde;o gostei da minha participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o conhecia muito bem o trabalho dela, e fiquei patinando pra encontrar pontos de contato, sem muito sucesso. Mas posso indicar alguns momentos que achei mais interessantes na fala dela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Jasmina evoca o conceito grego de &lt;em&gt;idiotia&lt;/em&gt; - o idiota como aquele a quem &amp;eacute; negada a informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e consequentemente a cidadania plena - mas em contexto de guerra, em que de repente as pessoas n&amp;atilde;o podiam mais comunicar-se entre si, &amp;agrave; medida que as autoridades sonegavam informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Jasmina conta que, como a S&amp;eacute;rvia era a agressora, as pessoas de fora do pa&amp;iacute;s n&amp;atilde;o faziam quest&amp;atilde;o de conversar com eles, nem mesmo aqueles que n&amp;atilde;o apoiavam a guerra. Ela recebeu seu primeiro PC contrabandeado dos EUA, atrav&amp;eacute;s da Women in Black. Diz que precisava correr pela cidade atr&amp;aacute;s de tomadas para usar o computador. Ela enviava por email um di&amp;aacute;rio que era &amp;quot;um blog antes dos blogs&amp;quot;. N&amp;atilde;o escrevia sobre a pol&amp;iacute;tica oficial, e sim sobre suas consequ&amp;ecirc;ncias no dia a dia. As pessoas de fora tinham uma imagem errada da S&amp;eacute;rvia. Imaginavam camponeses em algum lugar esquecido, quando Belgrado era uma cidade de 3,5 milh&amp;otilde;es de habitantes - maior do que grande parte das capitais europeias. Ela p&amp;ocirc;de sentir na pele que, quando se corta a infraestrutura a cidade come&amp;ccedil;a a morrer. A falta de rem&amp;eacute;dios, comida, eletricidade dava a no&amp;ccedil;&amp;atilde;o da depend&amp;ecirc;ncia que a vida moderna tem. Ela via a m&amp;atilde;e morrer aos poucos no hospital, pela falta de antibi&amp;oacute;ticos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Conta que tinha mais medo da pol&amp;iacute;cia local do que das bombas estrangeiras. De forma an&amp;aacute;loga, ela usava os contatos no exterior como uma medida de seguran&amp;ccedil;a - quanto maior fosse sua rede fora do pa&amp;iacute;s, mais seguran&amp;ccedil;a ela teria. Hoje em dia ela continua se relacionando com movimentos na S&amp;eacute;rvia, apesar de n&amp;atilde;o viver mais por l&amp;aacute;. Virou um hub no twitter, fazendo a conex&amp;atilde;o entre pessoas e a&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Acredita que a internet transformou a vida cotidiana, que quando as pessoas pegam as ferramentas nas pr&amp;oacute;prias m&amp;atilde;os e publicam sem intermedi&amp;aacute;rios &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel fazer uma estrutura paralela, com centros de poder alternativos. Ela sempre se considerou uma&amp;nbsp;&amp;quot;usu&amp;aacute;ria fan&amp;aacute;tica&amp;quot;, mas que n&amp;atilde;o se importa com o que existe dentro das ferramentas - assim como dirige um carro para chegar a algum lugar, sem precisar saber como ele funciona. Mas que ter nas m&amp;atilde;os a pr&amp;oacute;pria m&amp;iacute;dia &amp;eacute; uma possibilidade que n&amp;atilde;o podemos deixar que nos tirem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No debate que se seguiu, acho que minha &amp;uacute;nica contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o relevante foi questionar, em um contexto de amea&amp;ccedil;as &amp;agrave; neutralidade da rede e privacidade opaca, se n&amp;atilde;o existiria perigo quando novas gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de ativistas fossem somente usu&amp;aacute;rias:&amp;nbsp;utilizando-se de plataformas propriet&amp;aacute;rias como o facebook, que eventualmente pode revelar o IP e h&amp;aacute;bitos online deles. Perguntei se o desconhecimento total sobre o funcionamento interno dessas ferramentas n&amp;atilde;o consistiria tamb&amp;eacute;m em outro tipo de idiotia. Ela respondeu que hoje em dia a privacidade absoluta n&amp;atilde;o existe - com o que eu certamente&amp;nbsp;&lt;a href="http://efeefe.no-ip.org/blog/sistemas-de-aprendizado"&gt;concordo&lt;/a&gt; - mas o assunto n&amp;atilde;o vingou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De qualquer maneira, valeu para conhecer o trabalho da Jasmi&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
&lt;/p&gt;
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&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/tDqWDV-bBDI" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Tue, 07 Dec 2010 17:52:10 +0000</pubDate>
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 <title>Anilla Cultural - CCSP</title>
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 <description>&lt;p&gt;Em 24 de novembro, o &lt;a href="http://ww2.ccebrasil.org.br/"&gt;Centro Cultural da Espanha&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://centrocultural.sp.gov.br"&gt;Centro Cultural Vergueiro&lt;/a&gt; organizaram um debate sobre &amp;quot;Possibilidades criativas na internet de segunda gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;quot;, como parte do projeto &lt;a href="http://anillacultural.net/"&gt;Anilla Cultural&lt;/a&gt; - que est&amp;aacute; integrando institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es culturais da Am&amp;eacute;rica Latina e Espanha atrav&amp;eacute;s de internet (muito) r&amp;aacute;pida. Os convidados eram &lt;a href="http://desvirtual.com"&gt;Giselle Beiguelman&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://radiorizoma.blogspot.com/"&gt;Janete El Haouli&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://lalik.net/"&gt;Lali Krotoszynski&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://lucasbambozzi.net"&gt;Lucas Bambozzi&lt;/a&gt;, moderados por &lt;a href="http://escapeserralheria.org"&gt;Miguel Gondim de Castro&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Giselle trouxe o referencial da tecnofagia. Falou sobre o &lt;a href="http://www.google.com.br/search?sourceid=chrome&amp;amp;client=ubuntu&amp;amp;channel=cs&amp;amp;ie=UTF-8&amp;amp;q=greg%C3%B3rio+praia+ipanema"&gt;Greg&amp;oacute;rio Praia Ipanema&lt;/a&gt;, sobre o &lt;a href="http://projetoeitaporra.wordpress.com/"&gt;Eita, Porra&lt;/a&gt; e mais algumas coisas. Janete compartilhou experi&amp;ecirc;ncias com r&amp;aacute;dio experimental. Lali contou de suas experi&amp;ecirc;ncias com dan&amp;ccedil;a, rolando simultaneamente em lugares diferentes. Lucas Bambozzi mencionou diversas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es de arte em rede que realizou desde os anos noventa, sugerindo que estamos em um momento de descoberta e inven&amp;ccedil;&amp;atilde;o - n&amp;atilde;o temos refer&amp;ecirc;ncias sobre o que vem por a&amp;iacute;, &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio testar diversas possibilidades.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Possibilidades com internet via fibra &amp;oacute;tica foi um dos assuntos que possibilitou a aproxima&amp;ccedil;&amp;atilde;o do eixo &lt;a href="http://redelabs.org"&gt;Rede//Labs&lt;/a&gt; com a Cultura Digital do Minc. Eu sou bastante c&amp;eacute;tico quanto ao fetiche da velocidade, mas me interesso pelo debate. Pedi o microfone ao fim das apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es para fazer alguns coment&amp;aacute;rios. Falei sobre a import&amp;acirc;ncia de desenvolver alternativas livres para telepresen&amp;ccedil;a e videoconfer&amp;ecirc;ncia via internet r&amp;aacute;pida, como o &lt;a href="http://scenic.sat.qc.ca/en/Scenic"&gt;Scenic&lt;/a&gt; do SAT (que o &lt;a href="http://root.ps"&gt;Pedro Soler&lt;/a&gt; est&amp;aacute; querendo utilizar para conectar o &lt;a href="http://sat.qc.ca/"&gt;SAT&lt;/a&gt;, o &lt;a href="http://laboralcentrodearte.org"&gt;Laboral&lt;/a&gt;, o &lt;a href="http://hangar.org"&gt;Hangar&lt;/a&gt; e outras institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es - temos uma boa porta de entrada a&amp;iacute;). Repeti o que o pessoal do &lt;a href="http://www.fablabmanchester.org/"&gt;Fablab de Manchester&lt;/a&gt; me relatou, que utilizava videoconfer&amp;ecirc;ncia para propiciar um cotidiano compartilhado entre os diferentes laborat&amp;oacute;rios - algu&amp;eacute;m tentando resolver um problema podia em um instante pedir uma dica para algu&amp;eacute;m nos EUA ou na &amp;Iacute;ndia, mostrar o que tinha feito, compartilhar arquivos, etc. Tamb&amp;eacute;m concordei com o Lucas - a gente nunca usou rede t&amp;atilde;o r&amp;aacute;pida, e justamente por isso &amp;eacute; importante criar espa&amp;ccedil;os abertos para que artistas e pesquisadores tenham esse novo tipo de viv&amp;ecirc;ncia em rede, no dia a dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O debate seguiu, bem interessante. Gostei da posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da CCSP, que falou sobre resid&amp;ecirc;ncias art&amp;iacute;sticas, uso p&amp;uacute;blico e agenciamento. Parece ter um caminho bem interessante aparecendo por ali.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda encontrei por l&amp;aacute; &lt;a href="http://giselad.com"&gt;Gisela Domschke&lt;/a&gt; (que organizou o debate), &lt;a href="http://www.showskills.com/pedrozaz/"&gt;Pedro Zaz&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://twitter.com/vj_varga"&gt;VJ Varga&lt;/a&gt; (que fez &lt;a href="http://vjvarga.tumblr.com/"&gt;fotos&lt;/a&gt;) e mais algumas pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais sobre a Anilla Cultural no site do &lt;a href="http://ww2.ccebrasil.org.br/projeto/anilla-cultural-nueva-agora"&gt;CCE&lt;/a&gt; e do &lt;a href="http://www.centrocultural.sp.gov.br/saiba_mais_anilla_cultural.asp"&gt;CCSP&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/h1aMlJ-toMk" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Mon, 06 Dec 2010 16:23:00 +0000</pubDate>
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 <title>GamBHiólogos</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/desvio/~3/uE8W_paiG7g/gambhiologos</link>
 <description>&lt;p&gt;No dia seguinte ao encerramento do &lt;a href="http://culturadigital.br/forum2010"&gt;F&amp;oacute;rum da Cultura Digital Brasileira&lt;/a&gt; (onde organizei o &lt;a href="http://culturadigital.br/redelabs/2010/11/encontro-redelabs-como-foi/"&gt;encontro Rede//Labs&lt;/a&gt; e um painel internacional sobre &lt;a href="http://culturadigital.br/redelabs/2010/12/painel-internacional-laboratorios-experimentais/"&gt;laborat&amp;oacute;rios experimentais e cultura digital&lt;/a&gt;), tomei um avi&amp;atilde;o para BH. Fred Paulino e Lucas Mafra da &lt;a href="http://www.gambiologia.net/blog/"&gt;Gambiologia&lt;/a&gt;&amp;nbsp;tinham me convidado para a abertura (e para escrever um &lt;a href="http://desvio.cc/blog/gambiologia-criatividade-que-nos-faz-humanos"&gt;texto para o cat&amp;aacute;logo&lt;/a&gt;) da mostra &lt;a href="http://www.gambiologos.com/"&gt;Gambi&amp;oacute;logos&lt;/a&gt;, que fazia parte do &lt;a href="http://www.artemov.net/belohorizonte/"&gt;Arte.Mov BH&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O dia da viagem foi atribulado: logo de manh&amp;atilde;, antes de sair para o aeroporto, tive a not&amp;iacute;cia de que um grande amigo da fam&amp;iacute;lia havia falecido em sua casa no interior do RJ. Para completar, era justamente a semana que completaria um ano do falecimento do &lt;a href="http://twitter.com/dpadua"&gt;@dpadua&lt;/a&gt;, e eu estava indo para a cidade onde ele cresceu. Engoli as l&amp;aacute;grimas (o que na semana seguinte me trouxe uma t&amp;iacute;pica dor de garganta) e fui. Eu ficaria bem no centro de BH, no hotel Othon - em um quarto que por algum motivo me fez pensar na casa da minha av&amp;oacute;, talvez pelos m&amp;oacute;veis de banheiro dos anos setentas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No fim da tarde, me encaminhei para o espa&amp;ccedil;o &lt;a href="http://www.centoequatro.org/"&gt;Centoequatro&lt;/a&gt;. A mostra gambi&amp;oacute;logos ainda estava sendo montada. Fiquei circulando pelo espa&amp;ccedil;o at&amp;eacute; a hora da abertura. Encontrei &lt;a href="http://www.wired.com/beyond_the_beyond/"&gt;Bruce Sterling&lt;/a&gt; circulando por l&amp;aacute;, me apresentei pra ele, ouvi aquele sotaque texano rasgado perguntando onde encontraria um caf&amp;eacute;. Na hora da abertura, dei mais uma passada na sala onde rolava o gambi&amp;oacute;logos. Depois eu publico aqui o texto que mandei para o cat&amp;aacute;logo. Gostei bastante da mostra, com uma boa diversidade de pe&amp;ccedil;as - das mais conceituais &amp;agrave;s mais pr&amp;aacute;ticas, e uma linha coerente na sele&amp;ccedil;&amp;atilde;o e montagem. Dei uma passada pela mostra do Arte.mov no t&amp;eacute;rreo, que tinha algumas coisas bem interessantes. Tive finalmente a oportunidade de conhecer Rita e Linus, que chegaram por l&amp;aacute; com &lt;a href="http://dricaveloso.wordpress.com/"&gt;Drica Veloso&lt;/a&gt;, Lu e &lt;a href="http://chgp.info/"&gt;CHGP&lt;/a&gt;. Encontrei de novo alguns amigos que tinha visto na mesma semana durante o encontro Rede//Labs.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No dia seguinte, ainda encontrei o Sterling outra vez no caf&amp;eacute; da manh&amp;atilde; do hotel. Fui l&amp;aacute; tietar um pouco, pedi um aut&amp;oacute;grafo pra guardar na minha edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 1990 do &lt;em&gt;Piratas de Dados&lt;/em&gt; (sic). Eu n&amp;atilde;o fazia ideia que a simp&amp;aacute;tica dama &amp;agrave; sua frente na mesa era &lt;a href="http://jasminatesanovic.wordpress.com/"&gt;Jasmina Tesanovic&lt;/a&gt;, com quem eu estaria em um debate na semana seguinte em sampa. Peguei meu aut&amp;oacute;grafo e rumei pro aeroporto, feliz com o dia ensolarado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/uE8W_paiG7g" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Sat, 04 Dec 2010 02:11:56 +0000</pubDate>
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 <title>AVLAB - Gambiologia - Vídeos</title>
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 <description>&lt;p&gt;J&amp;aacute; est&amp;atilde;o dispon&amp;iacute;veis os v&amp;iacute;deos do &lt;a href="http://desvio.weblab.tk/blog/gambiologia-avlab-ccj"&gt;encontro AVLAB&lt;/a&gt; que eu e &lt;a href="http://bikini.veredas.net"&gt;Maira&lt;/a&gt; organizamos no CCJ no m&amp;ecirc;s passado, com Gera Rocha, &lt;a href="http://danielhora.wordpress.com/"&gt;Daniel Hora&lt;/a&gt; e &lt;a href="/desviantes/glaupaiva"&gt;Glauco Paiva&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;iframe src="http://player.vimeo.com/video/14296054?color=ff0179" width="400" height="300" frameborder="0"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://vimeo.com/14296054"&gt;AVLAB S&amp;atilde;o Paulo #3 Gambiolgia -  pt.01&lt;/a&gt; from &lt;a href="http://vimeo.com/ccesp"&gt;Centro Cultural da Espanha-AECID&lt;/a&gt; on &lt;a href="http://vimeo.com"&gt;Vimeo&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;iframe src="http://player.vimeo.com/video/14300522?color=ff0179" width="400" height="300" frameborder="0"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://vimeo.com/14300522"&gt;AVLAB S&amp;atilde;o Paulo #3 Gambiologia - pt.02&lt;/a&gt; from &lt;a href="http://vimeo.com/ccesp"&gt;Centro Cultural da Espanha-AECID&lt;/a&gt; on &lt;a href="http://vimeo.com"&gt;Vimeo&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/ffL-s_SqjiI" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Mon, 23 Aug 2010 00:57:25 +0000</pubDate>
 <dc:creator>efeefe</dc:creator>
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 <title>Labtolab - dia a dia</title>
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 <description>&lt;p&gt;Estive em Madrid em Junho para participar do &lt;a href="http://www.labtolab.org"&gt;Labtolab&lt;/a&gt;, encontro de medialabs europeus (com muitos convidados latinoamericanos). Comecei a contar as pr&amp;eacute;vias e a viagem &lt;a href="http://efeefe.no-ip.org/blog/labtolab-previas-e-chegada"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Esse post &amp;eacute; um relato do que rolou durante a semana que estive por l&amp;aacute;. Ainda quero escrever outro com minhas reflex&amp;otilde;es sobre o processo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="Pantalla Digital" align="right" src="http://farm2.static.flickr.com/1194/4722575617_0677dc87c8_m_d.jpg" /&gt;No come&amp;ccedil;o da tarde da segunda-feira, caminhei at&amp;eacute; a Plaza de las Letras. O Medialab Prado fica atualmente no subsolo da pra&amp;ccedil;a, com janelas viradas para uma rampa de acesso. Em um dos cantos da pra&amp;ccedil;a, uma tela digital gigantesca decora a parede do que vir&amp;aacute; a ser a nova sede do Medialab, com instala&amp;ccedil;&amp;otilde;es quatro ou vezes maiores do que hoje em dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Descendo a rampa, j&amp;aacute; vi a programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do m&amp;ecirc;s estampada na janela em letras adesivas, um detalhe sutil que mostra a preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Medialab em ter uma interface p&amp;uacute;blica, em vez de fechar-se no pr&amp;oacute;prio umbigo. Em frente &amp;agrave; escada que d&amp;aacute; acesso ao subsolo, mais uma tela onde sempre est&amp;aacute; rodando alguma obra interativa. Abri a pesada porta. Logo na entrada, um monte de arm&amp;aacute;rios de tela com equipamentos e materiais, &amp;agrave; esquerda. No lado oposto, o balc&amp;atilde;o de recep&amp;ccedil;&amp;atilde;o, com material da programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o corrente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="Programação Medialab Prado" src="http://farm2.static.flickr.com/1106/4723248082_6020dcf2a4_d.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A &amp;aacute;rea principal do Medialab estava montada como audit&amp;oacute;rio. As cadeiras, ent&amp;atilde;o voltadas para o fundo, geralmente ficam dobradas e penduradas em uma estrutura de aramados na parede. Tudo muito m&amp;oacute;vel, mas bem pr&amp;aacute;tico e organizado. Ao longo da parede direita, uma fileira de bancadas com uns poucos computadores para quem quiser usar. Do lado esquerdo, a impressora 3D montada durante um workshop do pessoal do &lt;a href="http://makerbot.com"&gt;Makerbot&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="Makerbot montada" src="http://farm2.static.flickr.com/1168/4722600363_194ea83876_d.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;
O labtolab come&amp;ccedil;ou com uma apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o geral do evento por Marcos Garcia. Comentou sobre o interc&amp;acirc;mbio de modos de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a meu ver t&amp;atilde;o importante quanto a circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o em si. Em seguida, se apresentaram pessoas dos laborat&amp;oacute;rios que organizavam o encontro. Gente de Nantes (&lt;a href="http://home.crealab.info/"&gt;Crealab&lt;/a&gt;), Bruxelas (&lt;a href="http://www.constantvzw.org/site/"&gt;Constant&lt;/a&gt;), Budapeste (&lt;a href="http://kitchenbudapest.hu/"&gt;Kitchen Budapest&lt;/a&gt;), Londres (&lt;a href="http://area10.info"&gt;Area10&lt;/a&gt;) e do pr&amp;oacute;prio Medialab Prado. Tamb&amp;eacute;m conheci pessoal de Lima (&lt;a href="http://escuelab.org"&gt;Escuelab&lt;/a&gt;), C&amp;oacute;rdoba (&lt;a href="http://www.modular.org.ar/nos.html"&gt;Modular&lt;/a&gt;), Tijuana (&lt;a href="http://protolab.ws"&gt;Protolab&lt;/a&gt;), Buenos Aires (&lt;a href="http://www.cceba.org.ar/v2/index.php?option=com_content&amp;amp;view=section&amp;amp;layout=blog&amp;amp;id=6&amp;amp;Itemid=57"&gt;CCE&lt;/a&gt;), Lisboa (&lt;a href="http://culturalivre.eu/"&gt;Cultura Livre Associa&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/a&gt;) e mais &lt;a href="http://www.labtolab.org/~labtolab/wiki/index.php/Medialab-Prado_Meeting#List_of_participants_.28provisional.29"&gt;um monte de gente&lt;/a&gt;. Muitas vis&amp;otilde;es aproximadas mas com uma grande diversidade de m&amp;eacute;todos, perspectivas e atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Tamb&amp;eacute;m conheci finalmente o pessoal do &lt;a href="http://marginaliaproject.com/lab/"&gt;Marginalia Projects&lt;/a&gt;, de BH.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
&lt;img alt="Futura sede do Medialab" src="http://farm2.static.flickr.com/1431/4723226248_cb280dc687_d.jpg" /&gt;  
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para o almo&amp;ccedil;o, os mediadores do Medialab levaram grupos de participantes para diferentes restaurantes. T&amp;iacute;nhamos recebido envelopes com vales-refei&amp;ccedil;&amp;atilde;o da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o do evento. Eu fiquei no grupo que foi ao indiano Ganga. Comida razo&amp;aacute;vel, boas conversas. Cuauhtemoc, do M&amp;eacute;xico, contou sobre a estrutura e funcionamento do &lt;a href="http://cmm.cenart.gob.mx/"&gt;centro multim&amp;iacute;dia&lt;/a&gt; no Centro Nacional de Artes. Alejandro Tosatti contou sobre o que tem desenvolvido na Costa Rica. &lt;a href="http://www.washington.edu/dxarts/profile_home.php?who=kudla"&gt;Allison Kudla&lt;/a&gt;, norte-americana, contou um pouco sobre sua viv&amp;ecirc;ncia em uma escola de Bangalore (ela trabalhava junto com &lt;a href="http://dosislas.org"&gt;Victor Vina&lt;/a&gt;, que conheci no Brasil e foi a primeira pessoa que me falou sobre o Labtolab). Entre a comida e a sobremesa, comecei a sentir o jetlag batendo e sa&amp;iacute; pra respirar um pouco.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
&lt;img alt="Porta " src="http://farm2.static.flickr.com/1202/4723249414_2d7fb728c6_d.jpg" /&gt;  
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Voltamos ao Medialab para assistir as apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es dos projetos que seriam desenvolvidos no &lt;a href="http://medialab-prado.es/article/interactivos10"&gt;Interactivos&lt;/a&gt;. Gostei da sele&amp;ccedil;&amp;atilde;o de projetos, que tinham um corte muito interessante na perspectiva de ci&amp;ecirc;ncia de bairro - o momento em que a ci&amp;ecirc;ncia de garagem passa a buscar di&amp;aacute;logo com a sociedade, em que o geek sai &amp;agrave; rua e busca prop&amp;oacute;sito para suas pesquisas. N&amp;atilde;o acho que todos os projetos compartilhavam dessa perspectiva, mas o contato entre eles certamente traria esse tipo de questionamento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;N&amp;atilde;o consegui estar presente na abertura da exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o Est&amp;aacute;rter, dos artistas colombianos na &lt;a href="http://www.offlimits.es/"&gt;Offlimits&lt;/a&gt;. Fui pro hotel para dormir das 22h30 &amp;agrave;s 2h30, e depois ficar lendo RSS, escrevendo emails e esperando o tempo passar. Tomei o racionado caf&amp;eacute; da manh&amp;atilde; no terra&amp;ccedil;o outra vez (com todo o cuidado para n&amp;atilde;o acordar os h&amp;oacute;spedes do &amp;uacute;ltimo andar). Voltei pro quarto, fiz um alongamento, um pouco de exerc&amp;iacute;cio e meditei por algum tempo. Depois capotei por mais um par de horas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;---&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A ter&amp;ccedil;a-feira come&amp;ccedil;ou com a apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o das comunica&amp;ccedil;&amp;otilde;es do Interactivos. Perdi as primeiras, mas cheguei no meio da &lt;a href="http://medialab-prado.es/article/fiteiro_cultural"&gt;apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Fabiana de Barros&lt;/a&gt;, falando sobre o &lt;a href="http://www.fiteirocultural.org/SL/sl-what.html"&gt;Fiteiro Cultural&lt;/a&gt;. Depois, Gabriel Menotti apresentou sua comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o &lt;a href="http://medialab-prado.es/article/living_building"&gt;Gambiarra - a prototyping perspective&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(que semana passada tamb&amp;eacute;m entrou no metalivro &lt;a href="http://mutirao.metareciclagem.org/chamadas/gambiologia"&gt;Gambiologia&lt;/a&gt;). Allison Kudla apresentou o projeto &lt;a href="http://medialab-prado.es/article/living_building"&gt;Living Building&lt;/a&gt;. Me tocou ali n&amp;atilde;o s&amp;oacute; a din&amp;acirc;mica de um laborat&amp;oacute;rio totalmente m&amp;oacute;vel e potencialmente mais aberto ao entorno do que o normal, mas tamb&amp;eacute;m a presen&amp;ccedil;a de uma sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o profunda de choque cultural para uma norte-americana que parece ter aceitado bem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O almo&amp;ccedil;o foi um piquenique no parque del Retiro. Todo mundo optou pelo mais f&amp;aacute;cil e encomendou sandu&amp;iacute;ches e alguma bebida. Fiquei conversando com o pessoal do Margin&amp;aacute;lia, com Gabriel Menotti, com Kiko Mayorga do Escuelab, Wendy do Constant e outrxs. Voltei ao Medialab conversando com Marcos Garcia sobre projetos, escala, rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es com a institucionalidade e outras batatas quentes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A tarde come&amp;ccedil;ou com a apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos tutores. Olivier Schulbaum falou sobre todo o hist&amp;oacute;rico do &lt;a href="http://platoniq.net"&gt;Platoniq&lt;/a&gt; e sobre o &lt;a href="http://youcoop.org"&gt;Youcoop&lt;/a&gt;. &lt;a href="http://burbane.org"&gt;Andr&amp;eacute;s Burbano&lt;/a&gt; fez uma apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre o trabalho de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Konrad_Zuse"&gt;Konrad Zuse&lt;/a&gt;. Tamb&amp;eacute;m apresentou-se &lt;a href="http://music.columbia.edu/~douglas/portfolio/index.shtml"&gt;Douglas Repetto&lt;/a&gt;. Meu amigo e &lt;a href="http://bricolabs.net"&gt;bricolega&lt;/a&gt; Alejo Duque chegou no meio da tarde.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No fim da tarde, Landgon Winner, que estava de passagem por Madrid, contou sem muita pressa sobre como uma comunidade da qual ele faz parte conseguiu confrontar o poder de uma corpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o (perdi os detalhes da apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o por cansa&amp;ccedil;o e algum t&amp;eacute;dio). Sa&amp;iacute; de l&amp;aacute; para capotar uma horinha no hotel antes de colar no &lt;a href="http://madrid.the-hub.net"&gt;The Hub&lt;/a&gt; para um convescote com os participantes dos dois eventos. Queijo, salgados e cerveja na faixa. Os tipos de conversas e questionamentos que n&amp;atilde;o rolam durante o dia. Alejo me apresentou para outros colombianos ponta firme, como Paula V&amp;eacute;lez e Alejandro Araque (que durante a tarde j&amp;aacute; tinha levantado a quest&amp;atilde;o sobre computadores usados em contextos rurais, etc.). Re-encontrei Alek Tarkowski, um dos cabe&amp;ccedil;as do creative commons Pol&amp;ocirc;nia, depois de uns tr&amp;ecirc;s anos sem v&amp;ecirc;-lo. Ele veio ao Labtolab porque est&amp;aacute; querendo criar algum tipo de espa&amp;ccedil;o por l&amp;aacute;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;---&lt;br /&gt;
&lt;img alt="Intermediae" align="right" src="http://farm2.static.flickr.com/1094/4723228600_cb715a33a9_m_d.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na quarta, a programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o seria em outro espa&amp;ccedil;o. O &lt;a href="http://www.mataderomadrid.com/"&gt;Matadero&lt;/a&gt; &amp;eacute; um amplo espa&amp;ccedil;o com aquele visual de &amp;aacute;rea industrial reformada. Lembrei do SESC Pompeia e da Casa das Caldeiras. Grandes paredes de tijolos descobertos. Muito metal e vidro. Interven&amp;ccedil;&amp;otilde;es arquitet&amp;ocirc;nicas aqui e ali, uma exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma artista colombiana que lembrava uma mimoSa. O Matadero sedia uma s&amp;eacute;rie de projetos. Um deles &amp;eacute; o &lt;a href="http://intermediae.es/"&gt;Intermediae&lt;/a&gt;, que se define como um laborat&amp;oacute;rio experimental.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cheguei no come&amp;ccedil;o da apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos coordenadores do espa&amp;ccedil;o. Eles conseguiram negociar uma grande liberdade para implementar o projeto. Apesar de existir uma inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de realizar exposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, eles conseguiram passar o primeiro ano sem se preocupar em expor nada. Como eles falaram mais de uma vez em laborat&amp;oacute;rio experimental, eu aproveitei pra esticar por l&amp;aacute; a quest&amp;atilde;o que o Lucas Bambozzi tinha levantado &lt;a href="http://culturadigital.br/redelabs/2010/06/cultura-digital-experimental-parte-1-twitter/"&gt;aqui&lt;/a&gt;: se eles incorporavam o erro nos processos, e como. Eles disseram que certamente, o erro faz parte do processo - fizeram um evento que propunha que as pessoas gerenciassem a pr&amp;oacute;pria participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o  e ningu&amp;eacute;m fez nada, e isso alimentou as decis&amp;otilde;es para um evento posterior.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="Sessão de debate" align="left" src="http://farm2.static.flickr.com/1013/4722576721_ec14b50ebc_m_d.jpg" /&gt;Em seguida, rolou uma sess&amp;atilde;o de prospec&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos futuros poss&amp;iacute;veis do &lt;a href="http://www.kitchenbudapest.hu/en"&gt;Kitchen Budapest&lt;/a&gt;. A proposta era que a equipe projetasse onde estaria at&amp;eacute; 2020, em di&amp;aacute;logo com todos os presentes. Depois da conversa beirar algum del&amp;iacute;rio de domina&amp;ccedil;&amp;atilde;o mundial, cheguei a fazer uma pergunta tentando questionar a ret&amp;oacute;rica de &amp;quot;laborat&amp;oacute;rios de m&amp;iacute;dia&amp;quot;. Algo na linha de &amp;quot;j&amp;aacute; que agora em 2020, com a crise ambiental impossibilitando as viagens de longa dist&amp;acirc;ncia e as novas possibilidades de telepresen&amp;ccedil;a, estamos todos aqui ao mesmo tempo nessa sala compartilhada virtual e em nossas casas; e agora que cada vez mais gente est&amp;aacute; usando os iBrains - implantes cerebrais propriet&amp;aacute;rios da Apple que se conectam direto ao nervo &amp;oacute;tico -, ser&amp;aacute; que n&amp;atilde;o &amp;eacute; hora de parar de usar termos como 'm&amp;iacute;dia' e 'laborat&amp;oacute;rio'&amp;quot;? Mas acho que n&amp;atilde;o consegui ser muito claro l&amp;aacute; (e nem aqui, na real).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="Questões debatidas" src="http://farm2.static.flickr.com/1177/4722575953_98408b201d_d.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois (ou antes, n&amp;atilde;o lembro mais), os participantes foram divididos em grupos para debater duas de cinco quest&amp;otilde;es propostas pela organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Eu moderei um dos grupos, com Attila Nemes (Kibu), Rodrigo Calvo (&lt;a href="http://www.laboralcentrodearte.org/"&gt;Laboral&lt;/a&gt;) e In&amp;eacute;s Salmorza (Universidade de Sevilla). Escolhemos as quest&amp;otilde;es sobre sustentabilidade e continuidade. Gravei a conversa, vou publicar trechos nas pr&amp;oacute;ximas semanas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O almo&amp;ccedil;o foi um churrasco (ou a tentativa bem-intencionada de fazer um churrasco de hamb&amp;uacute;rgueres e lingui&amp;ccedil;as) no Avant Garden do pr&amp;oacute;prio Matadero. As conversas continuaram. Paula V&amp;eacute;lez p&amp;ocirc;s som pra rodar no ambiente. Como o programa da tarde seria um planejamento sobre o pr&amp;oacute;ximo Labtolab, resolvi sair para a cidade. Antes, por&amp;eacute;m, ouvi uma participante perguntar em ingl&amp;ecirc;s sobre qual seria a continua&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos grupos de trabalho da manh&amp;atilde;. Respondi alguma coisa, e o Menotti perguntou por que n&amp;atilde;o est&amp;aacute;vamos conversando em portugu&amp;ecirc;s. Nos apresentamos, e s&amp;oacute; a&amp;iacute; percebi, surpreso, que estava falando com a &lt;a href="http://lenara.com"&gt;Lenara&lt;/a&gt;, que foi minha professora no primeiro semestre na UFRGS, quatorze anos atr&amp;aacute;s. Ela mora atualmente em Madrid, enquanto desenvolve o doutorado em Frankfurt, focando na intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o colaborativa entre artistas. Me convenci de vez que o mundo &amp;eacute; uma esfiha de carne quando descobri que o norte-americano amigo dela que estava ao lado contou que estava morando em Dresden, a duas quadras de onde eu morei h&amp;aacute; tr&amp;ecirc;s anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Voltei ao Medialab no fim da tarde esperando um retorno das sess&amp;otilde;es de debate da manh&amp;atilde;, mas o pessoal estava muito cansado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;---&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="Fachada de La Tabacalera" src="http://farm2.static.flickr.com/1368/4723234056_9d31e11451_d.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na quinta-feira, a confer&amp;ecirc;ncia aconteceria na &lt;a href="http://latabacalera.net/ "&gt;Tabacalera de Lavapi&amp;eacute;s&lt;/a&gt;. &amp;Eacute; um lugar fant&amp;aacute;stico, uma constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o enorme que foi uma f&amp;aacute;brica estatal de tabaco, passou um tempo abandonada e depois foi escolhida para sediar um centro de artes. O projeto ficou parado um tempo, e mais tarde foi retomado como um centro cultural autogestionado. Um monte de gente de algumas dezenas de grupos independentes de Madrid est&amp;atilde;o envolvidos com La Tabacalera, que seria inaugurada no fim de semana seguinte &amp;agrave; nossa reuni&amp;atilde;o por l&amp;aacute;. Come&amp;ccedil;amos com uma visita pelo espa&amp;ccedil;o, de olhos fechados e em fila indiana. Nossos guias eram os franceses do Apo33/Crealab, que estavam ocupando alguns espa&amp;ccedil;os da Tabacalera. Passamos pelo por&amp;atilde;o, onde montaram um &amp;quot;medialab de alguns anos atr&amp;aacute;s&amp;quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="Copyleft" align="right" src="http://farm2.static.flickr.com/1005/4722585581_b790b56db6_m_d.jpg" /&gt;Passamos por um sagu&amp;atilde;o central e chegamos &amp;agrave; entrada, onde fica um mural colaborativo com as tarefas atuais. Cruzamos o &amp;quot;espacio copyleft&amp;quot;, no meio do qual fica o centro de controle das c&amp;acirc;meras de seguran&amp;ccedil;a. Enquanto pass&amp;aacute;vamos ao calmo jardim central, &lt;a href="http://www.noiser.org/noise/"&gt;Julien Ottavi&lt;/a&gt; levantou um poss&amp;iacute;vel contrassenso entre a vigil&amp;acirc;ncia e o copyleft. Depois de alguma discuss&amp;atilde;o, argumentei que o problema n&amp;atilde;o eram as c&amp;acirc;meras em si, mas quem tinha o controle das imagens - a ideia de c&amp;oacute;digo livre sup&amp;otilde;e justamente que a informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre os processos perten&amp;ccedil;a a todxs envolvidxs, n&amp;atilde;o somente a um grupo fechado. Talvez uma solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de seguran&amp;ccedil;a condizente com a ideia de copyleft n&amp;atilde;o fosse a aus&amp;ecirc;ncia de c&amp;acirc;meras, mas definir maneiras de assegurar que toda a comunidade tenha acesso &amp;agrave;s imagens geradas pelas c&amp;acirc;meras - o que daria inclusive mais condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para que a comunidade soubesse o que acontece nas diferentes &amp;aacute;reas da Tabacalera.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em seguida, nos reunimos em uma sala que parece um refeit&amp;oacute;rio, ao lado do laborat&amp;oacute;rio de molhos e aromas. Assistimos a uma apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre a hist&amp;oacute;ria do espa&amp;ccedil;o, as circunst&amp;acirc;ncias de sua cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o envolvimento com a comunidade. A apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o se alongou um pouco demais, e acabou atrasando outras atividades previstas para a manh&amp;atilde;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="Laboratório de Salsas e Aromas" src="http://farm2.static.flickr.com/1352/4722590977_c2c8519d85_d.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sa&amp;iacute; no intervalo do almo&amp;ccedil;o para ir ao centro, encontrar umas lembran&amp;ccedil;as e presentes. Tamb&amp;eacute;m comprei uma c&amp;acirc;mera fotogr&amp;aacute;fica pra mim, depois de uns sete anos sem. Voltei &amp;agrave; Tabacalera no meio da tarde, para a conversa proposta com os grupos latinoamericanos. Infelizmente, algu&amp;eacute;m decidiu separar em grupos de uma forma meio limitada: uma mesa de &amp;quot;brasileirxs&amp;quot;, uma mesa de pessoas ligadas aos Centros Culturais da Espanha, outra de pessoas envolvidas com &amp;quot;laborat&amp;oacute;rios virtuais&amp;quot;. Uma das consequ&amp;ecirc;ncias foi que os grupos latinoamericanos n&amp;atilde;o tiveram uma conversa muito din&amp;acirc;mica entre si. Na mesa do Brasil est&amp;aacute;vamos eu, o pessoal do Margin&amp;aacute;lia e Menotti, mais algumas pessoas que j&amp;aacute; conhec&amp;iacute;amos de uma forma ou outra. S&amp;oacute; reconheci o &lt;a href="http://twitter.com/josianito"&gt;Josian&lt;/a&gt;, que havia conhecido em Barcelona, no meio da conversa. A conversa foi animada, mas acho que faltou um planejamento para mais interc&amp;acirc;mbio e circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre as mesas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="Araque no Pecha Kucha" src="http://farm2.static.flickr.com/1092/4723238280_5b548fa821_d.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Voltamos a p&amp;eacute; ao Medialab Prado, para uma programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o que come&amp;ccedil;ava com Pecha Kucha e continuaria com &lt;a href="http://codelab.fr/1713"&gt;aperocodelab&lt;/a&gt;. Por algum motivo, eu decidi n&amp;atilde;o apresentar nada na Pecha Kucha. Fiquei assistindo a uma s&amp;eacute;rie de apresenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es que falavam sobre Medialabs em diferentes contextos e formatos, sempre tentando encontrar o que eles tinham em comum. Vi uma busca por expandir a experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o s&amp;oacute; em termos de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o efetiva como tamb&amp;eacute;m de formas de relacionamento. Percebi de novo que a tradicional f&amp;oacute;rmula &amp;quot;arte, ci&amp;ecirc;ncia e tecnologia&amp;quot; tinha quase sempre &amp;quot;sociedade&amp;quot; como um quarto elemento. Tamb&amp;eacute;m passaram ali algumas pessoas tentando entender os medialabs (uma ou outra sem no&amp;ccedil;&amp;atilde;o do que estavam estudando), e algumas iniciativas ainda bem no come&amp;ccedil;o, mas com bastante potencial. O aperocodelab foi mais animado, e mais barulhento. Alejo come&amp;ccedil;ou de leve, mas no meio da apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Ottavi poucas pessoas aguentaram o noise extremo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;---&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="Instalação na Tabacalera" src="http://farm2.static.flickr.com/1340/4722592303_088d475cc5_d.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A sexta-feira seria o &amp;uacute;ltimo dia de labtolab, come&amp;ccedil;ando na Tabacalera. Os participantes do Interactivos que haviam nos acompanhado nos primeiros dias j&amp;aacute; estavam totalmente imersos na produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos projetos selecionados. Pela manh&amp;atilde;, participei de duas sess&amp;otilde;es de trabalho. A primeira se chamava &amp;quot;Field of exchange: open call for residency, work exchange, mobilities&amp;quot;. Conversamos sobre a necessidade de criar mais campos de interc&amp;acirc;mbio de pessoas entre diferentes contextos - n&amp;atilde;o s&amp;oacute; artistas como tamb&amp;eacute;m o que o medialab prado chama de &amp;quot;mediadores culturais&amp;quot;. O argumento deles &amp;eacute; que o conhecimento sobre metodologia e produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m precisa circuar. Abrimos algumas pontas de articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o ali que espero poder desenvolver mais no futuro. Depois, segui para a sess&amp;atilde;o &amp;quot;Mapping Medialabs&amp;quot;. Muita gente boa nessa sess&amp;atilde;o, que continuava uma investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o que j&amp;aacute; come&amp;ccedil;ou no primeiro encontro do Labtolab, sobre identificar espa&amp;ccedil;os no mundo inteiro que podem se encaixar no cen&amp;aacute;rio de laborat&amp;oacute;rios de m&amp;iacute;dia. Foi uma boa sess&amp;atilde;o de trabalho - sa&amp;iacute; de l&amp;aacute; cadastrado em uma lista e tendo exibido algumas experi&amp;ecirc;ncias com mapeamentos e afins.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sa&amp;iacute; para a cidade - quando comprei a c&amp;acirc;mera, tinha esquecido de pedir a nota de Tax Free, e n&amp;atilde;o queria perder 18 euros t&amp;atilde;o facilmente. Continuei caminhando, almocei em um restaurante vegetariano chin&amp;ecirc;s, fiz algumas fotos. O programa previa uma sess&amp;atilde;o de encerramento do dia na Tabacalera depois do almo&amp;ccedil;o, seguida por uma sess&amp;atilde;o de encerramento do labtolab no Medialab. Como j&amp;aacute; duvidava dos encerramentos di&amp;aacute;rios e tinha necessidade de sentir a cidade antes de ir embora, decidi continuar caminhando at&amp;eacute; a hora da segunda sess&amp;atilde;o. Cheguei no Medialab na hora marcada. S&amp;oacute; apareceram duas ou tr&amp;ecirc;s pessoas do labtolab. Me disseram que por cansa&amp;ccedil;o haviam feito tudo numa s&amp;oacute; sess&amp;atilde;o e que n&amp;atilde;o rolaria o encerramento final. Fiquei bem decepcionado, mesmo ouvindo que o encerramento n&amp;atilde;o trouxe muita novidade. Queria pelo menos encontrar as pessoas. Mas tudo bem, ainda restava a &amp;uacute;ltima etapa da programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o conjunta Interactivos + Labtolab: o Dorkbot.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="Peça de Alejandro Tamayo" align="right" src="http://farm2.static.flickr.com/1054/4723263946_d085ef736c_m_d.jpg" /&gt;Caminhei com o pessoal que estava por l&amp;aacute; at&amp;eacute; o Offlimits. No caminho, encontrei um cavalo de brinquedo, preto, muito pequeno. Tomei como um presente de Madrid. Chegamos ao local antes do hor&amp;aacute;rio. Pude ver pelo menos um peda&amp;ccedil;o da exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o est&amp;aacute;rter, cuja abertura perdi na segunda. Gostei das pe&amp;ccedil;as expostas ali. Sa&amp;iacute;mos para comprar algumas cervejas, e na volta sentamos onde deu - eu fiquei no ch&amp;atilde;o, no canto esquerdo. Assistimos &amp;agrave; apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Alejo Duque, falando sobre e mostrando o material que capturou, de uma galera de algum lugar do Brasil usando sat&amp;eacute;lites pra comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o absolutamente trivial - um uso totalmente imprevisto (e certamente ilegal) de equipamento quase ocioso que orbita a terra. Alejo tamb&amp;eacute;m falou de um manifesto publicado h&amp;aacute; algumas d&amp;eacute;cadas por na&amp;ccedil;&amp;otilde;es equatoriais protestando contra a ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do espa&amp;ccedil;o orbital acima de seus territ&amp;oacute;rios por equipamentos de pa&amp;iacute;ses muito mais ricos - uma ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o que n&amp;atilde;o revertia em nenhuma vantagem para os equatoriais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="Alejo Duque no Dorkbot" src="http://farm2.static.flickr.com/1257/4723258798_09d65fdb36_d.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na sequ&amp;ecirc;ncia, Douglas Repetto do Dorkbot contou alguns causos e mostrou ao vivo a opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o via rede de um plotter de caneta que estava em Nova Iorque, uma verdadeira fa&amp;ccedil;anha. Para encerrar, Brian Mackern mostrou algumas de suas obras ligadas &amp;agrave; visualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de interfer&amp;ecirc;ncia eletromagn&amp;eacute;tica ligada ao clima.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt="Douglas Repetto no Dorkbot" src="http://farm2.static.flickr.com/1013/4722612193_bbe8958caf_d.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na sa&amp;iacute;da, acompanhei o pessoal que ia comer em Lavapi&amp;eacute;s. Ainda conversei com mais algumas pessoas, inclusive algumas que n&amp;atilde;o tinham aparecido antes, e retornei para o hotel porque voltaria ao Brasil na manh&amp;atilde; seguinte e ainda precisava resolver algumas coisas. Deu vontade de ficar mais e conferir a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Interactivos, mas n&amp;atilde;o seria poss&amp;iacute;vel. Quem sabe numa outra ocasi&amp;atilde;o (talvez do lado de c&amp;aacute; do Atl&amp;acirc;ntico...).&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/HB7322wR9YM" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Mon, 12 Jul 2010 17:47:36 +0000</pubDate>
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 <title>Gambiologia - AVLAB / CCJ</title>
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 <description>&lt;p&gt;Estou saindo daqui a pouco para o &lt;a href="http://escuta.estudiolivre.org/"&gt;CCJ&lt;/a&gt;, onde vai rolar a terceira edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o brasileira do AVLAB. O &lt;a href="http://medialab-prado.es/avlab2"&gt;AVLAB&lt;/a&gt; surgiu no &lt;a href="http://medialab-prado.es/"&gt;Medialab Prado&lt;/a&gt;, em Madrid. Eu participei de uma das edi&amp;ccedil;&amp;otilde;es por l&amp;aacute;, em 2008. Daniel Gonzales trouxe o formato para o Brasil em parceria com o &lt;a href="http://ww2.ccebrasil.org.br/"&gt;Centro Cultural da Espanha&lt;/a&gt;, e convidou a &lt;a href="http://efeefe.no-ip.org"&gt;mim&lt;/a&gt; e &amp;agrave; &lt;a href="http://bikini.veredas.net/"&gt;Maira&lt;/a&gt; para organizarmos o encontro de hoje, tendo a &lt;a href="/tag/gambiologia"&gt;gambiologia&lt;/a&gt; como eixo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os convidados ser&amp;atilde;o &lt;a href="http://danielhora.wordpress.com/"&gt;Daniel Hora&lt;/a&gt;, Teia Camargo &amp;amp;&amp;nbsp;Gera Rocha, e &lt;a href="/desviantes/glaupaiva"&gt;Glauco Paiva&lt;/a&gt;. Em paralelo vamos aproveitar para lan&amp;ccedil;ar o metalivro &lt;a href="http://mutirao.metareciclagem.org/chamadas/gambiologia"&gt;Gambiologia&lt;/a&gt;, que deve estar saindo em PDF nas pr&amp;oacute;ximas horinhas...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais sobre a programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &lt;a href="http://mutirao.metareciclagem.org/Blog/Gambiologia-no-CCJ"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O AVLAB come&amp;ccedil;a &amp;agrave;s &lt;strong&gt;17hs&lt;/strong&gt;.&amp;nbsp;O CCJ fica na &lt;a href="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;amp;source=s_q&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;geocode=&amp;amp;q=Av.+Deputado+Em%C3%ADlio+Carlos+3641+-+Vila+Nova+Cachoeirinha&amp;amp;sll=37.0625,-95.677068&amp;amp;sspn=25.565517,56.513672&amp;amp;ie=UTF8&amp;amp;hq=&amp;amp;hnear=Av.+Dep.+Em%C3%ADlio+Carlos,+3641+-+Cachoeirinha,+S%C3%A3o+Paulo,+02721-200,+Brasil&amp;amp;ll=-23.474623,-46.670244&amp;amp;spn=0.007204,0.013797&amp;amp;z=16&amp;amp;iwloc=A"&gt;Av. Deputado Em&amp;iacute;lio Carlos 3641 - Vila Nova Cachoeirinha.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/desvio/~4/jzk5BebweL0" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Sun, 04 Jul 2010 15:19:05 +0000</pubDate>
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