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	<title>dissociative identity disorder</title>
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	<description>to each personality, their own.</description>
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		<title>da fortaleza.</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 16:55:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
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		<category><![CDATA[alma]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;(…) Sei que me arrisco a ficar sozinha e mesmo a um isolamento maior e absoluto, mas eu pago pra ver. Não é só atitude, é necessidade, é ser. Não vou deixar de procurar em mim, saber das minhas coisas, meu caminho, minhas verdades e ser como sou. Fiz essa escolha, essa opção na vida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2012/03/leila_diniz.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1428" title="leila_diniz" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2012/03/leila_diniz.jpg" alt="" width="650" height="456" /></a></p>
<blockquote><p>&#8220;(…) Sei que me arrisco a ficar sozinha e mesmo a um isolamento maior e absoluto, mas eu pago pra ver. Não é só atitude, é necessidade, <strong>é ser</strong>. Não vou deixar de procurar em mim, saber das minhas coisas, meu caminho, minhas verdades e ser como sou. Fiz essa escolha, essa opção na vida e acho que ela vale as consequências. Não vou parar pra me acomodar às coisas mais “bonitinhas e limpas”, às situações protetoras (que são também limitadoras e podadoras), prefiro ficar aí. No meio da briga, no meio da zona, nua. Parando em tudo aquilo que me interessar.</p>
<p>Somando, subtraindo, dividindo, multiplicando, tanto faz, tudo isso. <strong>Me interessa o saldo</strong>. E esse fica dentro de mim. É minha base, meu alimento, meu estofo, é disso que eu vivo. E se vivo assim é porque para mim é esencial esse tipo de busca, de vida. Não posso sair, nem me proteger erradamente, nem me acomodar, não me importa também o fim, aonde que eu vou chegar. Importa ir. <strong>Sei que me arrisco à solidão, se é isso que me perguntam, mas eu sei viver assim</strong>.&#8221;</p></blockquote>
<p>Libertária, linda <a href="http://books.google.com.br/books?id=0CzMlHsvmL8C&amp;pg=PA101&amp;lpg=PA101&amp;dq=%22Somando%2C+subtraindo%2C+dividindo%2C+multiplicando%2C+tanto+faz%2C+tudo+isso.+Me+interessa+o+saldo.+E+esse+fica+dentro+de+mim%22&amp;source=bl&amp;ots=iuYpYVMlBT&amp;sig=nWXgD_rSp0vOU8inBVj7riHnV-U&amp;hl=pt-BR&amp;sa=X&amp;ei=PZdoT-XXFMy3twe8uoWOCQ&amp;ved=0CE4Q6AEwBg#v=onepage&amp;q=%22Somando%2C%20subtraindo%2C%20dividindo%2C%20multiplicando%2C%20tanto%20faz%2C%20tudo%20isso.%20Me%20interessa%20o%20saldo.%20E%20esse%20fica%20dentro%20de%20mim%22&amp;f=false">Leila Diniz</a>. Grifos meus.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201203%2Fda-fortaleza%2F&amp;title=da%20fortaleza." id="wpa2a_2"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>do suposto.</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Mar 2012 00:27:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[autoral]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[suposição]]></category>

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		<description><![CDATA[É no relance desta vigília que se esvaem todas as possibilidades. Atenta, não sóem em vão os tempos que desejei, apenas guardo nas palavras mais tensas o ardil do objeto lodoso na minha caça a existir e vislumbrar. Não é concedido que se proclame qualquer desvio ou celeridade da trilha que se forma diante destes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1418" title="1164772664_f" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2012/03/1164772664_f.jpg" alt="" width="330" height="500" /></p>
<p>É no relance desta vigília que se esvaem<br />
todas as possibilidades. Atenta, não sóem<br />
em vão os tempos que desejei, apenas<br />
guardo nas palavras mais tensas o ardil<br />
do objeto lodoso na minha caça<br />
a existir e vislumbrar.</p>
<p>Não é concedido que se proclame<br />
qualquer desvio ou celeridade da trilha<br />
que se forma diante destes pés exauridos.<br />
Se, por um lado, a soma das suas passadas<br />
não adjetiva nenhuma exclamação exaltada,<br />
a recordação permanece e clama por si.</p>
<p>Que tormenta, qual arrebatamento<br />
me tomará neste dia, quantos laços<br />
hão de cair, onde estará então a chama<br />
reservada desde sempre para o segundo<br />
único, reverberante,<br />
que terá lugar depois da passagem?</p>
<p>É força, é força, e além.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201203%2Fdo-suposto%2F&amp;title=do%20suposto." id="wpa2a_4"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>do coração ardente.</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Mar 2012 05:08:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[português]]></category>

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		<description><![CDATA[foto: Miss Cartier Um coração ardente   Lygia Fagundes Telles   O velho voltou-se para a janela aberta, que enquadrava um pedaço do céu estrelado. Tinha uma bela voz: &#8220;&#8230; Mas eu dizia que na minha primeira juventude fui escritor. Pois é, escritor. Aliás, enveredei por todos os gêneros: poesia, romance, crônica , teatro&#8230; Fiz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="Despair underwater... III" href="http://www.flickr.com/photos/33238999@N00/2619652295/" target="_blank"><img class="aligncenter" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2012/03/2619652295_bf01ca3865.jpg" alt="Despair underwater... III" border="0" /></a><br />
<small><a title="Attribution-NonCommercial-ShareAlike License" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/" target="_blank"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/photo-dropper/images/cc.png" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" border="0" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">foto</a>: <a title="Miss Cartier" href="http://www.flickr.com/photos/33238999@N00/2619652295/" target="_blank">Miss Cartier</a></small></p>
<h3>Um coração ardente</h3>
<address> </address>
<address><a title="bio." href="http://www.releituras.com/lftelles_bio.asp">Lygia Fagundes Telles</a></address>
<address> </address>
<p>O velho voltou-se para a janela aberta, que enquadrava um pedaço do céu estrelado. Tinha uma bela voz:</p>
<p>&#8220;&#8230; Mas eu dizia que na minha primeira juventude fui escritor. Pois é, escritor. Aliás, enveredei por todos os gêneros: poesia, romance, crônica , teatro&#8230; Fiz de tudo. E mais gêneros houvesse&#8230; Meti-me também na política, cheguei a escrever uma doutrina inteira para o meu partido. Mergulhei ainda na filosofia, ô Kant, ó Bergson!&#8230; Achava importantíssimo meu distintivo de filósofo, com uma corujinha encolhida em cima de um livro.&#8221;</p>
<p>Calou-se. Havia agora no seu olhar uma expressão de afetuosa ironia. Zombava de si próprio, mas sem amargor.</p>
<p>&#8220;Eu não sabia que não tinha vocação nem para político, nem para filósofo, nem para advogado, não tinha a menor vocação para nenhuma daquelas carreiras que me fascinavam, essa é a verdade. Tinha apenas um coração ardente, isto sim. Apenas um coração ardente, mais nada.”</p>
<p><span id="more-1405"></span></p>
<p>&#8220;Meu filho Atos herdou o mesmo coração. Devo dizer-lhe que um coração assim é um bem. Não há dúvida que é um bem, mas um bem perigoso, está me compreendendo? Tão perigoso&#8230; Principalmente na adolescência, logo no começo da vida, no tão difícil começo. Meu pobre filho que o diga&#8230;&#8221;</p>
<p>Calou-se apertando fortemente os lábios. Eu quis então romper o silêncio porque sabia do que aquele silêncio se carregava, mas não tive forças para dizer coisa alguma. O olhar do velho já denunciava as tristes lembranças que o assaltavam: qualquer tentativa para afastá-las resultaria agora inútil. E seria mesmo cruel.</p>
<p>&#8220;Ele era inteiro um coração&#8221;, prosseguiu o velho. &#8220;E foi por saber tão bem disto que corri como um louco para casa quando me disseram que Leonor tinha morrido. Não, não fui nem pensei sequer em ir ao hospital porque adivinhei que ele não estava mais lá, devia ter ficado com a noiva até o último momento. Em seguida, devia ter voltado para casa.”</p>
<p>&#8220;Saí correndo pela rua afora, acenando para os carros que passavam já ocupados. Chovia, chovia horrivelmente. E eu acenava em vão para os carros, tentei mesmo agarrar-me a um deles, &#8216;depressa, depressa, que meu filho vai se matar!&#8217; Corri tanto que quando cheguei, encharcado e exausto, atirei- me quase desfalecido nos degraus da escada. E ali fiquei de bruços, a olhar estupidamente uma formiguinha que se infiltrara numa fenda do degrau de pedra. A casa estava quieta. Quieta demais, pensei, erguendo-me de um salto. E precipitei-me aos gritos pela casa adentro, embora soubesse muito bem que ele não podia mais me ouvir, &#8216;filho, não!&#8217;”</p>
<p>O velho fez uma pausa. Acendi um cigarro. Que ao menos o ruído do fósforo riscado rompesse o silêncio que se abateu na sala. Fixei o olhar numa rosa do tapete puído. E só quando o velho recomeçou a falar é que tive coragem de encará-lo novamente. A imagem do filho, com o peito varado por uma bala, já passara para um plano remoto.</p>
<p>&#8220;Atos herdou de mim esse tipo de coração. Gente assim ri mais, chora mais, odeia mais, ama mais&#8230; Ama mais, principalmente isto. Ama muito mais. E uma espécie de gente inflamável, que está sempre se queimando e se renovando sem parar. De onde nascem chamas tão altas? Muitas vezes não há nenhuma acha de lenha para alimentar o fogo, de onde vem tamanho impulso? Mistério. As pessoas param, fascinadas, em torno desse calor tão espontâneo e inocente, não? Tão inocente. No entanto, tão perigoso, meu Deus. Tão perigoso.&#8221;</p>
<p>O velho soprou a brasa mortiça do cigarro de palha. Seu largo rosto bronzeado pareceu-me extraordinariamente rejuvenescido.</p>
<p>&#8220;Como eu entendia bem aquele filho, eu que lhe transmitira o tal coração flamejante! Como se parecia comigo! Faltava-lhe, apenas, o meu senso de humor, ele matou-se com vinte anos.”</p>
<p>&#8220;Com vinte anos, eu já terminara três romances, duas peças, um livro de novelas e uma enorme epopéia da qual tirei a tal doutrina para o meu partido. Lia Bergson, Nietzsche, Shakespeare&#8230; Citava-os enfaticamente, com ou sem cabimento. E cada livro que lia, achava que era a obra máxima, meu guia; meu irmão, meu tudo. Isto até ler outro livro. Então punha de lado o anterior e imediatamente adotava o novo, &#8220;achei o que queria, achei!&#8230;&#8221; Tão desordenada avalanche de leituras me confundiu a tal ponto, que acabei por me perder e não conseguia mais me encontrar. Os heróis de meus livros me marcavam tanto, que de cada um ficava um pouco em mim: sorria como Fausto, investia como D. Quixote, sonhava como Romeu&#8230; Tive crises de angústia, fiquei completamente atordoado, infeliz. Como é que eu era afinal? Senti-me de repente vazio e perplexo, um personagem em absoluta disponibilidade diante do autor. E que autor era esse? Deus? Mas eu acreditava Nele? Não acreditava? A vida<br />
me dava náuseas. Mas não era ainda maior do que a náusea o pavor que eu tinha da morte? Que é que eu quero? Que é que eu faço?! &#8211; ficava a perguntar a mim mesmo até altas horas, a andar de um lado para outro no meu quarto enquanto meu irmão protestava no quarto vizinho, &#8216;quer ter a bondade de ao menos tirar os sapatos?&#8217; As perguntas batiam em mim e voltavam e rebatiam como bolas de pingue-pongue numa partida infernal. Assaltava-me, às vezes, o desejo de poder, prestígio e ao mesmo tempo tudo me parecia de uma inutilidade atroz, &#8216;para quê? por quê?&#8217; Meus amigos, tão descabelados quanto eu, vinham somar às minhas suas desesperadas dúvidas. E em debates que não acabavam nunca, varávamos a noite até a madrugada. Deitava-me com a garganta seca, exausto e deprimido, ainda mais perturbado do que antes. Um caos.</p>
<p>&#8220;E eis que, aos poucos, foi-me dominando um desejo feroz de solidão. Senti-me o próprio lobo da estepe, incompreendido e só num mundo que já não falava a mesma língua que a minha. Abandonei o partido. &#8216;Não é a doutrina que me decepcionou, mas os homens&#8230;&#8217;, justifiquei no meu discurso de despedida, que por sinal achei uma obra-prima. Não acreditava mais nos meus companheiros de partido, naqueles homens que falavam o dia inteiro no bem coletivo, na felicidade do povo, no amor ao próximo. Tão idealistas, tão puros! E na prática, não conseguiam dar o mais miserável grãozinho de alegria à própria esposa, ao filho, ao cachorro&#8230; Diziam-se independentes, desapegados das vaidades mundanas. Mas quando eram postos à prova&#8230; Não era preciso mais do que um convite para uma festa importante, mais do que um aceno para a glória, não era preciso mais nada para transformá-los em reles bajuladores. E sua servidão era bem do estilo deles: fleumática, orgulhosamente dissimulada e por isso mil vezes pior do que a bajulação desmascarada. Tomei um nojo quase físico do gênero humano. Por que as palavras não coincidiam nunca com os pensamentos? Por que os pensamentos não coincidiam nunca com as ações?</p>
<p>&#8220;Que farsa, pensei repugnado. Arranquei minhas malas de cima do guarda-roupa. Viajar, ir embora, sumir de qualquer jeito, para qualquer lugar! Não seria esta a solução? Minha mãe trouxe-me um bolo com vinte e uma velinhas, eu fazia vinte e um anos. Apaguei as velas de um sopro. E fui falar com meu pai:</p>
<p>&#8220;- Vou abandonar os estudos, pai. Vou-me embora e não voltarei tão cedo.</p>
<p>&#8220;Meu irmão, que era muito parecido com minha mãe, encarou-me friamente:</p>
<p>&#8220;- Deixe de ser histérico, menino.</p>
<p>&#8220;Meu pai ordenou-lhe que se calasse. E ouviu-me com a maior gravidade.</p>
<p>&#8220;- A gente sempre volta, filho. Espere um pouco, não tome por enquanto nenhuma resolução.</p>
<p>&#8220;Concordei em esperar. E olhei para minhas mãos vazias. Se ao menos pudesse agir! Cansara-me dos planos inúteis, das palavras inúteis, dos gestos inúteis&#8230; Fazer alguma coisa de útil, de nobre, alguma coisa que justificasse minha vida e que até aquele instante não tinha para mim o menor sentido. Mas fazer o quê?</p>
<p>&#8220;&#8216;Amar ao próximo como a si mesmo&#8217;, fiquei repetindo estupidamente, sem a menor convicção. Ah, sim, porque era fácil dizer, por exemplo, que eu não tinha nenhum preconceito de cor, que era completamente liberal nesse assunto, mas na hora de formar a rodinha dos amigos íntimos, daqueles que poderiam vir a se casar com minhas irmãs, nessa hora chamei por acaso algum negro para participar dela? Era fácil ainda encher a boca de piedade para com os assassinos e as prostitutas, mas o fato de não atirar-lhes pedras significava, por acaso, que um dia chegaria a tratá-los como irmãos? Como se fossem eu mesmo? Não passo de um egoísta, concluí. Um refinado hipócrita e egoísta. Sou capaz de me casar com uma priminha que apresenta todas as características de uma rameira mas jamais me casarei com uma rameira que seja uma santa em potencial. Hipócrita e egoísta! Burguesinho egoísta! &#8211; berrei dando um soco na vidraça da janela do meu quarto, enquanto minha mãe batia aflita na porta, certa de que eu me pegava ali dentro com alguém.&#8221;</p>
<p>Sorri silenciosamente. O velho sorriu também. Seus olhinhos azuis pareciam agora maiores e mais brilhantes. Pôs-se a preparar novo cigarro. Era agradável o som da lâmina do canivete alisando a palha.</p>
<p>&#8220;Tomei-me de tamanha irritação por mim mesmo que deixei de fazer a barba só para não topar mais com minha cara no espelho. Foi quando senti uma necessidade urgente de amar, de dedicar-me inteiramente a alguém, mas a alguém que precisasse de ajuda, de compreensão, de amor. Oferecer-me como bóia de salvação ao primeiro que me acenasse. No caso, não foi primeiro, foi primeira. E a bem da verdade devo dizer que ela não fez nenhum aceno: eu é que fui bater na sua porta para oferecer-lhe socorro. Seria um amor amargo, cheio de sacrifícios e renúncias, mas não era assim o amor que eu procurava? Acho que já disse que meu irmão era muito parecido com minha mãe. Eu saí parecido com meu pai que era um homem dos grandes impulsos, dos grandes gestos, das grandes paixões. Meu infortúnio parecia-me, até aquele momento, demasiado medíocre: ansiava agora por ser grandemente desgraçado, isto é, amar e ainda por cima escolher mal o objeto do meu amor.</p>
<p>&#8220;Por uma dessas banais ironias, o prostíbulo situava-se no alto da Ladeira da Glória. Ladeira da Glória, doze. Lembro- me bem de que era um casarão pardo e velho, cheio de ratos que corriam sem nenhuma cerimônia pelos corredores e de mulheres que trançavam seminuas, com menor cerimônia ainda.</p>
<p>&#8220;Encontrei-a fazendo as unhas. Na maioria das vezes em que a visitei encontrei-a lidando com seus petrechos de unhas ou então bordando miçangas em alguma roupa, tinha mania com miçangas. Se pudesse, creio que até nas cobertas da cama pregaria as tais continhas. E tinha mania com as unhas que eram realmente perfeitas. A cabeleira podia estar em desordem, a pintura do rosto, desfeita, mas as unhas ah, essas deviam estar sempre corretíssimas! Tinha a pele muito branca, com ligeiros vestígios de sardas e cabelos ruivos, muito curtos e encaracolados. Parecia uma cenourinha. Não era bonita, mas quando sorria&#8230; Havia tamanha ternura no seu sorriso, uma ternura assim tão espontânea, tão inocente, que chegava a me comover, &#8216;como pode ser, meu Deus?! Como pode ser?!&#8230;&#8217; Ela voltava para mim os olhinhos redondos como bolinhas de vidro verde: &#8216;Como pode ser o quê?&#8217; Então era eu quem sorria. &#8216;Nada. Nada.&#8217;</p>
<p>&#8220;Chamava-se Sandra, mas quando eu soube que seu nome verdadeiro era Alexandra, Alexandra Ivanova, emocionei-me. Descendia de russos. Vi nela uma personagem de romance e eu mesmo me vi na pele suave d&#8217;o Idiota, tão cheio de pureza e de sabedoria, &#8216;que faz você sob este céu azul, provavelmente azul?&#8217; Atendendo o telefone, a dona da pensão não permitiu, no entanto, que eu encaixasse ali minha citação quando informou-me que Sandra não podia vir falar comigo porque estava muito ocupada. Desliguei atirando o fone no gancho:</p>
<p>- E ainda chama a isso de ocupação!&#8230;</p>
<p>&#8220;Meu irmão, que estava ali ao lado, bateu-me tranqüilamente no ombro:</p>
<p>- Você me dá a impressão de estar o dia todo com a espada desembainhada. Não é cansativo?</p>
<p>&#8220;Saí sem dar resposta. Mais tarde, bem mais tarde acabamos sendo ótimos amigos. Mas naquela época era impossível haver qualquer entendimento entre nós.</p>
<p>&#8220;Alexandra tinha vinte e cinco anos e era completamente analfabeta. Mas eu queria uma criatura assim primitiva e xucra, atirada numa pensão de última classe. Seria preciso ir buscá-la no fundo, bem lá no fundo e trazê-la aos poucos para a luz, devagarinho, sem nenhuma precipitação. Era um jogo que exigia paciência, sim, e eu não tinha nada de paciente. Mas a experiência era fascinante.</p>
<p>&#8220;Três vezes por semana eu ia vê-la, sempre no fim da tarde, quando o mulherio e os ratos pareciam mais tranqüilos em suas tocas. Costumava levar-lhe um presentinho, pequeninas coisas de acordo com minha discretíssima mesada: pacotinhos de bombons, lenços, enfeites de toucador&#8230; Assim que eu chegava ela olhava ansiosamente para minhas mãos, como criança em dia de aniversário. E recebia, radiante, as insignificâncias. &#8216;Alexandra. A-le-xan-dra&#8230;&#8217; eu gostava de repetir lentamente, destacando bem as sílabas. Nos instantes mais graves da minha doutrinação, chamava-a dramaticamente pelo nome todo: Alexandra Ivanova. Ela então desatava a rir.</p>
<p>&#8220;A princípio, tive um certo trabalho para explicar-lhe que nossa amizade tinha que ser uma coisa de irmão para irmã. Ofendeu-se um pouco:</p>
<p>&#8220;- Quer dizer que você não quer nada comigo?</p>
<p>&#8220;- Quero, Alexandra. Quero tudo com você. Mas antes, precisamos conversar muito.</p>
<p>&#8220;Ela sorria. Quando sorria, chegava a ficar bonita.</p>
<p>&#8220;- Você é complicado.</p>
<p>&#8220;- Não, Alexandra, não é isso, mas o caso e que há coisas mais importantes na frente, precisamos antes nos entender, nos amar para então&#8230; Você precisa se preparar para ser minha. Minha para sempre, ouviu bem?</p>
<p>&#8220;- Ouvi. Mas você é complicado, sim.</p>
<p>&#8220;Mais facilmente do que eu esperava ela acomodou-se logo àquele novo tipo de relacionamento. Era de natureza mansa, indolente. Recebia-me com seu sorriso afável, desfazia o pacotinho, interessava-se alguns instantes pela novidade do presente e em seguida punha-se a lidar com suas eternas miçangas. Bordava miçangas verdes numa blusa preta. Antes que eu me fosse, acendia a espiriteira, preparava o chá e me oferecia uma xícara com umas bolachas que tirava de uma lata com uma borboleta de purpurina na tampa.</p>
<p>&#8220;- Acho que você é padre &#8211; disse-me certa vez.</p>
<p>&#8220;Achei graça e respondi-lhe que estava muito longe de ser isso. Não obstante, ela ainda me olhava com um sorrisinho interior:</p>
<p>&#8220;- Acho que você é padre, sim.</p>
<p>&#8220;Mostrei-lhe então o absurdo daquela suspeita mas até hoje desconfio que Alexandra não se convenceu nada com a minha negativa. E se não voltou a tocar no assunto, foi porque sua natural indolência a impedia de pensar mais de dois minutos sobre qualquer problema. Dissimulava ceder logo aos primeiros argumentos por simples preguiça de discutir.</p>
<p>&#8220;- Você fala tão bem &#8211; ela me dizia de vez em quando, para me animar. &#8211; Fale mais.</p>
<p>&#8220;Com a dolorosa impressão de que minhas palavras borboleteavam em redor de sua cabeça e se iam em seguida pela janela afora, redobrava meus esforços, tentando seduzi- la com temas nos quais ela parecia se interessar mais: Deus, amor, morte&#8230; Ela fazia pequenos sinais afirmativos com a cabeça enquanto ia bordando seu labirinto de contas. Quando eu me calava, pedia:</p>
<p>&#8220;- Fale mais.</p>
<p>&#8220;E daí por diante só abria a boca para cortar nos dentes o fio de linha da agulha.</p>
<p>&#8220;Às vezes, eu tentava me convencer de que havia naquele silêncio de Alexandra profundidades insondáveis, mistérios, sei lá!&#8230; Sempre achara um encanto especialíssimo nas mulheres silenciosas. Agora tinha na minha frente uma que quase não falava. E então? Não era isso que eu queria? Não era mesmo um amor difícil aquele que eu buscara? Há vinte e cinco anos, praticamente há vinte e cinco anos ela estava naquela vida. A bem dizer, nascera ali. Vinte e cinco anos de mentiras, vícios, depravações. Não seria mesmo com meia dúzia de palavras que eu iria remover toda aquela tradição de horror.</p>
<p>&#8220;Pedia-lhe o fim das suas tardes, nada mais do que o fim das suas tardes, à espera sempre de que espontaneamente ela fosse abrindo mão também de suas noites de comércio infernal. Mas não. Alexandra me ouvia muito atenta, retocava o esmalte de alguma unha, lidava com suas miçangas, oferecia- me chá com bolachas e assim que eu saía, recomeçava com naturalidade sua vida de sempre. Minha exasperação chegou ao máximo quando descobri que ela estava longe de se considerar infeliz.</p>
<p>&#8220;- Mas Alexandra, será possível que você está contente aqui? &#8211; perguntei-lhe certa tarde.</p>
<p>- Estou contente, sim. Por quê?</p>
<p>&#8220;Emudeci. Eu tinha justamente acabado de lhe falar sobre um pensionato de moças transviadas, para onde pretendia levá- la. Diante do seu desinteresse pelo meu plano, fiz-lhe a pergunta cuja resposta me deixou perplexo.</p>
<p>&#8220;- Alexandra Ivanova, você está vivendo no inferno! Não vê que você está vivendo no inferno?!</p>
<p>&#8220;Ela lançou em redor um olhar assustado:</p>
<p>&#8220;- Mas que inferno?</p>
<p>&#8220;Olhei também em torno: o usino de feltro azul, sentado no meio das almofadas em cima da cama, a mesa de toalete cheia de potes de creme e de pequeninos bibelôs, o guarda-roupa com malas e caixas cuidadosamente empilhadas no topo, o coelho felpudo em cima da cadeira, a mesinha coberta com uma toalha que devia ter 4 sido a saia de um vestido ramado&#8230; Num canto da mesa, duas xícaras, um bule, a lata de bolachas e o açucareiro com rocinhas douradas, presente meu. Todo o quarto tinha o mesmo ar indolente da sua dona.</p>
<p>&#8220;- Para que um lugar seja o inferno, está claro que não é preciso a presença do fogo &#8211; comecei fracamente. Toquei-lhe no ombro. &#8211; O inferno pode estar aí.</p>
<p>&#8220;Ela riu. Em seguida, ajoelhou-se, pôs a cabeça no meu colo e ali ficou como um bichinho humilde e terno. Tomei-a entre os braços. Beijei-a. E descobri de repente que a amava como um louco, &#8216;Alexandra, Alexandra, eu te adoro! Te adoro!&#8230;</p>
<p>&#8220;Naquela tarde, quando a deixei fui como um tonto pela rua afora, a cabeça estalando, os olhos cheios de lágrimas, &#8216;Alexandra, eu te amo&#8230;&#8217; Crispei desesperadamente as mãos ao me lembrar de que dentro em pouco, de que naquele instante mesmo talvez um outro&#8230; &#8216;Vou me casar com ela&#8217;, resolvi ao entrar em casa. Minha família tinha que aceitar, todos tinham que aceitar aquele amor capaz de mover sol e estrelas, &#8217;1&#8242;amor che muove il sole e l&#8217;altre stelle&#8217;&#8230; Mas nem Dante nem eu sabíamos que era mais fácil mover a Via- Láctea do que mover minha pequena Alexandra da Ladeira da Glória para o Pensionato Bom Caminho.</p>
<p>&#8220;Uma tarde, nossa última tarde, encontrei-a arredia, preocupada. Hesitou um pouco, mas acabou me dizendo que a dona da pensão não queria mais saber das minhas visitas.<br />
Perguntei-lhe o motivo.</p>
<p>&#8220;- Ela acha que você quer me tirar daqui para me explorar noutro lugar.</p>
<p>&#8220;Fiquei sem poder falar durante alguns minutos, tamanha cólera se apossou de mim.</p>
<p>&#8220;- Mas Alexandra&#8230; &#8211; comecei, completamente trêmulo. Dei um murro na mesa. &#8211; Chega! Amanhã mesmo você vai para o pensionato, está me entendendo? Já arranjei tudo, você ficará lá durante algum tempo, aprendendo a ler, a rezar, a ter boas maneiras&#8230;</p>
<p>&#8220;Alexandra arrumava sua caixinha de miçangas. Sem levantar a cabeça, interrompeu-me com certa impaciência:</p>
<p>&#8220;- Mas eu já disse que não quero sair daqui.</p>
<p>&#8220;- O quê?!</p>
<p>&#8220;- Eu já disse que não quero sair daqui, logo no começo eu disse isso, lembra? Sair daqui, não.</p>
<p>&#8220;Respirei profundamente para readquirir a calma, como aprendera num método de respiração iogue.</p>
<p>&#8220;- Será possível, Alexandra Ivanova, será possível que você também está pensando que&#8230; &#8211; comecei num fio de voz e nem tive forças para terminar.</p>
<p>&#8220;- Pois se eu soubesse que você está querendo me agenciar, iria até de muito bom grado, o que não quero é essa história de pensionato. Pensionato, não.</p>
<p>&#8220;Escancarei a janela que dava para o quintal da casa. Lembro- me de que havia ali uma mulher loura com uma toalha nos ombros, secando os cabelos ao sol. Acendi um cigarro. Minha mão tremia tanto que mal consegui levar o cigarro à boca.</p>
<p>&#8220;- Alexandra, você precisa ficar algum tempo num lugar direito, decente, antes de&#8230; de nos casarmos. Já conversamos tanto sobre tudo isso, ficou assentado que você iria, já conversamos tanto a esse respeito! Será possível?&#8230;</p>
<p>&#8220;Ela pousou em mim os olhos redondos. E falou. Foi a primeira e a última vez que a ouvi falar tanto assim.</p>
<p>&#8220;- Não conversamos nada. Foi só você que abriu a boca, eu escutava, escutava, mas não disse que queria ir, disse?<br />
Disse por acaso que queria mudar de vida? Pois então. Gosto daqui, pronto. Mania que vocês têm de querer me baldear, foi a mesma coisa com aquelas três velhas da Comissão Pró não- sei-mais-o-quê. Ficaram uma hora inteira falando. Depois escreveram meu nome numa ficha e ficaram de voltar na manhã seguinte. Graças a Deus não apareceram nunca mais. Agora vem você&#8230; Por que é que você complica tanto as coisas? Primeiro, aquela história de ficarmos que nem dois irmãos, agora que tudo ia tão bem, tinha que me inventar essa bobagem do pensionato. Por que é que você complica tudo?</p>
<p>&#8220;Fiquei aturdido.</p>
<p>&#8220;- Quer dizer que você não me ama.</p>
<p>&#8220;- Amo, sim. Amo &#8211; repetiu brandamente. &#8211; Mas estamos tão bem assim, não estamos? Além do mais, você pode amanhã mudar de idéia, me deixar. E meu futuro está aqui.</p>
<p>&#8220;Aproximei-me dela. Comecei por arrancar-lhe das mãos os pacotinhos de miçangas e atirei-os longe. Em seguida, agarrei-a pelos cabelos e esmurrei-a tanto, mas tanto, que quase quebrei minha mão. Ela pôs-se a gritar e só se calou no instante em que a joguei com um safanão sobre a cama.<br />
Disse-lhe então as coisas mais duras, mais cruéis. Ela enrolou-se nas cobertas, como um bichinho apavorado, escondendo o rosto que sangrava. E não me respondeu.</p>
<p>&#8220;Um arrependimento brutal apertou meu coração. Tive vontade de me golpear na cara. E suplicar-lhe, de joelhos, que me perdoasse. Mas continuei inflexível:</p>
<p>&#8220;- Devia era te matar.</p>
<p>&#8220;Ela ergueu a cabeça. E como percebesse que eu não cogitava mais de agredi-la e muito menos de matá-la, levantou-se, lavou o rosto na bacia e choramingando, choramingando, pôs- se a catar as miçangas que eu espalhara pelo chão. Parecia mais preocupada com as miçangas do que com o próprio rosto que já começava a inchar. Em nenhum momento me insultou, como seria natural que fizesse. No fundo, tinha por mim um extraordinário respeito, o que me leva até hoje a crer que jamais ela tirou da cabeça aquela suspeita de ser eu um padre disfarçado.</p>
<p>&#8220;Apanhei a capa e o Código Civil que caíra do meu bolso Tinha vontade de morrer.</p>
<p>&#8220;- Você vem amanhã? perguntou-me ainda de cócoras, as mãos cheias de continhas vermelhas.</p>
<p>&#8220;Confesso que até hoje não sei bem que resposta ela queria ouvir. Desci a escada. E só então compreendi o motivo pelo qual ninguém ouvira os gritos de Alexandra: o rebuliço na casa era total. O mulherio gesticulava, falava, chorava, trançando de um lado para outro como um punhado de baratas em chapa quente de fogão. Vi que o tumulto se irradiava de um quarto no fundo do corredor. As portas do quarto estavam escancaradas.</p>
<p>&#8220;Entrei. Estendida na cama, coberta com um lençol, estava uma moça morta. Na mesinha ao lado, uma garrafa de guaraná e a lata aberta de formicida. No chão, os cacos de um copo.</p>
<p>&#8220;Desviei da morta o olhar indiferente. Suicídio. E daí?<br />
Podia haver fecho mais digno para aquela vida enxovalhada?</p>
<p>&#8220;Sentada na cama, uma mulher chorava sentidamente, assoando- se na toalha que tinha nos ombros: era a mesma mulher que eu vira no quintal, secando os cabelos. Três outras mulheres revolviam estabanadamente as gavetas da cômoda.</p>
<p>&#8220;Fiquei a olhar a cena com a maior indiferença. Era essa mesma a vida e a morte que ela escolhera, não era? E então? Por que a surpresa? O escândalo?&#8230;</p>
<p>&#8220;Acendi um cigarro e encostei-me ao batente da porta. Tamanho desinteresse acabou por irritar a mulher da toalha nos ombros e que parecia a mais ligada à morta. Voltou-se para mim:</p>
<p>&#8220;E você aí, com essa cara&#8230; Está se divertindo, está?<br />
Vocês, homens, são todos uns cachorros, uns grandessíssimos cachorros, isso é o que vocês são! Por causa de vocês é que a pobrezinha se matou. Só dezoito anos, uma criança ainda!</p>
<p>&#8220;- Criança que gostava deste brinquedo, hem? &#8211; perguntei lançando um olhar em redor. E tive que me abaixar em seguida para fugir do sapato que ela me atirou.</p>
<p>&#8220;- Seu sujo! Ainda fala assim, o sujo! Saiba que Dedê era muito direitinha, uma menina muito direitinha. Todos os dias vinha se queixar para mim, que não agüentava mais, que tinha horror disto, que não via a hora de ir embora, &#8216;quero minha mãe, quero minha mãe!&#8217; ela me pediu chorando tanto que não agüentei e chorei junto com ela também. &#8211; A mulher fez uma pausa para assoar-se furiosamente na toalha. &#8211; Quantas vezes ela me disse que queria viver uma vida igual à de qualquer moça por aí, com sua casa, seu marido, seus filhos&#8230; Caiu aqui, mas ficou esperando que algum dia viesse um homem bom que a levasse&#8230; Mas vocês são todos uns bandidos. Quem pensou em dar a mão para ela? Quem?</p>
<p>&#8220;Pela primeira vez olhei realmente a morta. Tinha no rosto fino uma beleza frágil. Deixei cair o cigarro.</p>
<p>&#8220;- Ela esperou então que alguém viesse?</p>
<p>&#8220;- Esperou, esperou. Mas de repente perdeu as forças, foi isso&#8230; Bem que ela me disse ainda ontem que não ia agüentar mais, bem que ela disse! Mas a gente diz tanta coisa, eu não acreditei&#8230;</p>
<p>&#8220;Afastei-me para deixar passar os homens da policia. Inclinaram-se sobre a suicida. Agora eu só podia ver o delicado contorno dos seus pés sob o lençol.</p>
<p>&#8220;Fui saindo do quarto. Mas então? Então&#8230; Toquei na maçaneta negra da porta: era ali que eu devia ter batido, era ali, tudo não passara de um pequeno equívoco. Um simples equívoco de porta. Alguns metros menos e&#8230;</p>
<p>&#8220;A tarde estava luminosa e calma. Cruzei os braços. Mas não era mesmo incrível? Coisa mais desconcertante, mais estúpida&#8230;</p>
<p>&#8220;Sentei-me na calçada, com os pés na sarjeta. E de repente comecei a rir. E ri tanto, mas tanto, que um homem que passava, ao me ver rindo tão gostosamente, nu-se também. Ah vida louca, completamente louca, mas de uma loucura lúcida, cheia de nexo nos seus encontros e desencontros, nos seus acasos e imprevistos! Falsa demente, tão ingenuazinha e tão astuta na sua falta de lógica, cheia de misterioso sentido na sua confusão tão calculada, tão traiçoeiramente calculada. Uma beleza a vida!</p>
<p>&#8220;Baixei o olhar para a sarjeta: entre duas pedras tortuosas, uma pequenina flor apontava sua cabecinha vermelha. Parecia- se com Alexandra. Toquei-lhe na corola tenra. E senti os olhos úmidos. &#8211; Minha florzinha tonta &#8211; disse-lhe num sussurro &#8211; você é tão mais importante do que todos os livros, tão mais importante&#8230; Você está viva, minha querida. E que extraordinária experiência é viver!</p>
<p>&#8220;Ergui-me de cara voltada para o sol. Aproximei-me de uma árvore. Abracei-a. E quando encostei a face no seu tronco rugoso, foi com se tivesse encostado a face na face de Deus.&#8221;</p>
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		<title>de 2011 para 2012</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 15:32:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[misc]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[autoral]]></category>

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		<description><![CDATA[foto: kevin dooley E, tantas emoções depois, 2011 chega aos seus derradeiros momentos. Com promessas de infortúnios mil ele veio, no rastro do ano anterior. Chegou arrasado, reunindo forças, sobrevivente; seus primeiros suspiros eram desespero e angústia. Mesmo a esperança, aquela que surge não se sabe de onde e nem porquê, o acompahou lentamente, atrasada, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="Reflections" href="http://www.flickr.com/photos/12836528@N00/2577006675/" target="_blank"><img class="aligncenter" src="http://farm4.static.flickr.com/3057/2577006675_b5dd38dca6.jpg" alt="Reflections" border="0" /></a><br />
<small><a title="Attribution License" href="http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/" target="_blank"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/photo-dropper/images/cc.png" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" border="0" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">foto</a>: <a title="kevin dooley" href="http://www.flickr.com/photos/12836528@N00/2577006675/" target="_blank">kevin dooley</a></small></p>
<p>E, tantas emoções depois, 2011 chega aos seus derradeiros momentos.</p>
<p>Com promessas de infortúnios mil ele veio, no rastro do ano anterior. Chegou arrasado, reunindo forças, sobrevivente; seus primeiros suspiros eram desespero e angústia. Mesmo a esperança, aquela que surge não se sabe de onde e nem porquê, o acompahou lentamente, atrasada, como quem busca refúgio de um temporal que parece não ter fim.</p>
<p>Mas a luta foi dele, e houve tantas, repetidas, repentinas, tantas quase perdidas, que foi surpresa quando elas começaram a mostrar que havia, sim, um lugar ao sol para o êxtase. Pouco a pouco, se desdobraram satisfações, amores, vitórias, delícias. Não que os percalços fossem poucos, não foram, e intensos; superação foi palavra de ordem, e 2011 a seguiu obediente e envolvido, como era preciso e devido.</p>
<p>Agora que se vai, se despede ainda com ares de vencedor. Deixa em seu lugar um quê de triunfo inteligente, consciente de que o futuro não será fácil ou simples, mas que será possível.</p>
<p>E, com possibilidades, vai se construindo 2012. <em><strong>Que venha!</strong></em></p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201112%2Fde-2011-para-2012%2F&amp;title=de%202011%20para%202012" id="wpa2a_8"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>da paz sem voz.</title>
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		<pubDate>Mon, 23 May 2011 15:56:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[videos]]></category>
		<category><![CDATA[consciência]]></category>
		<category><![CDATA[debate]]></category>
		<category><![CDATA[discussão]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
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		<category><![CDATA[maconha]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[foto: Bruno Torturra Nogueira Eu gostaria de escrever um longo e ponderado texto para expôr minha opinião acerca da legalização das drogas, em especial da maconha, cujo debate é mais destacado. Gostaria de, nesse texto, explicar porque acredito que a legalização é o caminho para mais consciência e menos violência, não somente para os usuários [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2011/05/placa1.jpg" alt="" width="490" height="327" border="0" /><br />
<small>foto: <a title="Bruno Torturra Nogueira" href="http://torturra.wordpress.com/2011/05/22/nao-somos-conduzidos-conduzimos/" target="_blank">Bruno Torturra Nogueira</a></small></p>
<p>Eu gostaria de escrever um longo e ponderado texto para expôr minha opinião acerca da <strong>legalização das drogas</strong>, em especial da <strong>maconha</strong>, cujo debate é mais destacado. Gostaria de, nesse texto, explicar porque acredito que <strong>a legalização é o caminho para mais consciência e menos violência</strong>, não somente para os usuários como para todos os cidadãos, deste país e de todo o mundo. Gostaria que ele fosse longo, porém pouco prolixo, para que nenhum esclarecimento ficasse perdido em elucubrações. Gostaria de poder redigi-lo de uma maneira tal que houvesse pouco espaço para ter <strong>meu caráter julgado por conta das minhas opiniões</strong>. Gostaria que ele fosse a minha parte, ainda que pequena, para colaborar com o mundo como eu acredito que ele pode vir a ser, em vez do mundo tacanho, pequeno e opressor com o qual temos de lidar, <strong>todos nós, todos os dias</strong>.</p>
<p>Infelizmente, neste momento me é impossível, apesar da questão ser ainda mais patente depois do ocorrido em São Paulo no último domingo, quando <strong>a polícia, que deveria proteger a integridade de seus cidadãos, atacou ferozmente</strong> o grupo que pretendia <strong>expressar seu desagrado em relação às leis arcaicas e prejudiciais existentes</strong>. Essa atitude nos deixa claro o estado real das coisas no país, inclusive para aqueles que, na maior parte do tempo, acreditam que <strong>não têm nada a ver com isso</strong>, que é melhor ficar na sua, que isso é <strong>problema dos outros</strong>, que não há nada que se possa fazer.</p>
<p>A grande verdade por trás disso é que estamos, todos, sob o jugo de uma <strong>vasta ditadura</strong>; uma ditadura moral, uma ditadura tácita porém <strong>disposta a combater com quanta violência for necessária</strong> os ataques ao seu <em>status quo</em>. E se você também acha que não tem nada a ver com isso, olha à sua volta e pense que a próxima expressão a ser esmagada pode ser a sua.</p>
<p><span id="more-1380"></span></p>
<p>Destaco abaixo algumas notícias que dão conta de demonstrar o absurdo.</p>
<p><strong><a title="Não somos conduzidos, conduzimos" href="http://torturra.wordpress.com/2011/05/22/nao-somos-conduzidos-conduzimos/">NÃO SOMOS CONDUZIDOS, CONDUZIMOS</a></strong><br />
&#8220;Durante a concentração no MASP, a maioria ainda nem havia chegado, uma turma de uns 20 neonazistas, facistas, ultra-nacionalitas, se colocou em fila para protestar contra a marcha. Diziam defender a família, o Brasil, o nacional-socialismo. A polícia não os molestou. Ao contrário, fez um cordão para os manter isolados das centenas de manifestantes que foram chegando. Quando as primeiras bombas voaram, o pequeno grupo nazi aplaudiu. Eu vi. Eu e muita gente viu. E você também pode ver se procurar na rede. <strong>Facistas batendo palmas para a polícia que reprimia com extrema violência um protesto pedindo liberdade de expressão</strong>.&#8221;</p>
<p><strong><a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/pm+ataca+manifestantes+depois+de+liberar+marcha/n1596970226728.html">PM ATACA MANIFESTANTES DEPOIS DE LIBERAR MARCHA</a></strong><br />
Antes da proibição os organizadores da marcha haviam fechado um acordo com o comando do 7º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo policiamento da avenida Paulista. Pelo acordo, se a Justiça proibisse a Marcha da Maconha os manifestantes poderiam fazer um protesto pela liberdade de expressão desde que ocultassem referências à droga.</p>
<p>Nesta sábado, pouco antes da confusão, o capitão PM Benedito Del Vecchio ratificou o acordo. A negociação foi acompanhada pela reportagem do iG. Os manifestantes cumpriram o acordo e colaram fitas adesivas em todas as faixas e cartazes que continham a palavra maconha. Por volta das 15h, o capitão confirmou ao iG que os manifestantes até aquele momento cumpriam o combinado. &#8220;Até agora, está tudo certo. Eles estão se adequando.&#8221;</p>
<p>Minutos depois que os manifestantes tomaram a avenida, no entanto, Del Vecchio determinou a desobstrução da Paulista. <strong>Policiais da Tropa de Choque, portando cassetetes e escudos, partiram para cima das pessoas que faziam o protesto e, sem aviso prévio, começaram a disparar bombas e tiros de borracha</strong>.</p>
<p><strong><a href="http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/919102-policia-agride-reporter-e-manifestantes-na-marcha-da-maconha-em-sp-veja.shtml">POLÍCIA AGRIDE REPÓRTER E MANIFESTANTES NA MARCHA DA MACONHA EM SP</a></strong></p>
<p>&#8220;Com balas de borracha e bombas de efeito moral, <strong>a Polícia Militar perseguiu por 3 km cerca de 700 pessoas que protestavam contra a proibição da Marcha da Maconha</strong> na tarde deste sábado (21) em São Paulo.</p>
<p>Durante a cobertura do protesto, o repórter da TV Folha Felix Lima foi agredido e teve seu equipamento danificado pela Guarda Civil Metropolitana.</p>
<p>Apesar de estar identificado com crachá, Lima recebeu um jato de spray de pimenta em seu rosto e na lente do equipamento.&#8221;</p>
<p><object width="560" height="349" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/fCfxshW2OME?fs=1&amp;hl=en_US&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="560" height="349" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/fCfxshW2OME?fs=1&amp;hl=en_US&amp;rel=0" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object><br />
&#8220;Como já aconteceu em outras vezes, a Justiça proibiu a manifestação porque <strong>deturpou o sentido</strong> dela e disse que, na verdade, ela seria uma apologia ao uso de drogas e uma incitação ao crime. O que a gente está<strong> questionando é um dispositivo legal</strong>, a gente não está incentivando ninguém a agir contra a lei.&#8221;</p>
<p><object width="560" height="349" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/IReOu_AKps0?fs=1&amp;hl=en_US&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="560" height="349" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/IReOu_AKps0?fs=1&amp;hl=en_US&amp;rel=0" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object><br />
O vídeo acima é da <a href="http://revistatrip.uol.com.br/tv-trip/marcha-da-maconha.html">Revista Trip</a> e mostra bem o que realmente aconteceu.</p>
<p><em>Abaixo, seguem outras matérias e um vídeo do neurologista Sidarta Ribeiro, que debatem a legalização da maconha.</em></p>
<p><strong><a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5141308-EI6594,00-Brasil+exalta+cachaca+mas+proibe+maconha+critica+Soninha.html">BRASIL EXALTA CACHAÇA, MAS PROÍBE MACONHA, CRITICA SONINHA</a></strong><br />
&#8220;Não tem nada de apologia ao crime. É a defesa da mudança da legislação. <strong>Você não está defendendo que as pessoas ajam contra a lei, mas que a lei seja modificada</strong>. A marcha é uma manifestação como muitas outras. É preferível que a maconha, mesmo para fins recreativos, seja vendida dentro do mundo das leis, das regras, do controle de qualidade, do controle fiscal e tudo mais. Melhor do que continuar sendo monopólio dos bandidos, que não estão nem aí para regra nenhuma, a não ser as que eles mesmo impõe.&#8221;</p>
<p><strong><a href="http://oglobo.globo.com/megazine/mat/2011/05/06/na-vespera-da-marcha-da-maconha-organizacao-internacional-leap-formada-por-policiais-membros-da-justica-prega-legalizacao-de-todas-as-drogas-924395640.asp">NA VÉSPERA DA MARCHA DA MACONHA, A ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL LEAP, FORMADA POR POLICIAIS E MEMBROS DA JUSTIÇA, PREGA A LEGALIZAÇÃO DE TODAS AS DROGAS</a></strong><br />
&#8220;<strong>A proibição causa mais danos do que as drogas em si</strong>, porque ela que gera violência. O mercado do álcool e do tabaco se desenvolve sem que a sua produção ou distribuição acabem em mortes.&#8221;</p>
<p><strong><a href="http://www.enecos.org/legalizacao-das-drogas-uma-resposta-a-falencia-da-politica-proibicionista/">LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS, UMA RESPOSTA À FALÊNCIA DA POLÍTICA PROIBICIONISTA</a></strong><br />
&#8220;A mídia cumpre um papel muito importante na manutenção da política proibicionista no Brasil. <strong>A televisão, o rádio e os jornais foram os principais responsáveis por instaurar o terror e o medo na sociedade</strong> no processo de invasão dos morros cariocas ao fim do ano passado. Ao mesmo tempo, a grande mídia também cumpria o papel de encobrir os abusos cometidos pela polícia dentro das favelas e de ressaltar a boa relação desta com os locais.&#8221;</p>
<p><object width="560" height="349" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/HVLUBRTKSIk?fs=1&amp;hl=en_US&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="560" height="349" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/HVLUBRTKSIk?fs=1&amp;hl=en_US&amp;rel=0" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>&#8220;Naquele instante, a gente percebeu que o livro (<a href="http://www.vieiralent.com.br/maconha.htm">Maconha, cérebro e saúde</a>) tinha um potencial de agitação política grande, porque a maior parte das informações que estão ali era desconhecida pelo público e, uma vez sendo conhecida, <strong>fortalece muito a posição da legalização</strong>.&#8221;</p>
<p><a href="http://super.abril.com.br/superarquivo/2002/conteudo_120586.shtml">A VERDADE SOBRE A MACONHA</a><br />
&#8220;A partir dos anos 60, várias pesquisas parecidas foram encomendadas por outros governos. Relatórios produzidos na Inglaterra, no Canadá e nos Estados Unidos aconselharam um afrouxamento nas leis. Nenhuma dessas pesquisas foi suficiente para forçar uma mudança.&#8221;</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201105%2Fda-paz-sem-voz%2F&amp;title=da%20paz%20sem%20voz." id="wpa2a_10"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>do monólogo de si</title>
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		<pubDate>Wed, 04 May 2011 14:36:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[mais da mesma]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>

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		<description><![CDATA[foto: Jon Bradley Photography Solilóquio Como fui, passando delicadamente Nas tragédias alongadas vida adentro, Deixou assombrada a figura restante que sou eu. O tempo que se deslizou por mim Manchou com seus êxitos a pele Que recobre uma máscara simplista de existência. Não houve, não há, não haverá mais O que se recorte ou delineie [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="Rural Abandon (18)" href="http://www.flickr.com/photos/22246308@N00/413177394/" target="_blank"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2011/05/413177394_c81bfdbb4a.jpg" border="0" alt="Rural Abandon (18)" /></a><br />
<small><a title="Attribution-NonCommercial-NoDerivs License" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/" target="_blank"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/photo-dropper/images/cc.png" border="0" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">foto</a>: <a title="Jon Bradley Photography" href="http://www.flickr.com/photos/22246308@N00/413177394/" target="_blank">Jon Bradley Photography</a></small></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Solilóquio</strong></p>
<p>Como fui, passando delicadamente<br />
Nas tragédias alongadas vida adentro,<br />
Deixou assombrada a figura restante que sou eu.</p>
<p>O tempo que se deslizou por mim<br />
Manchou com seus êxitos a pele<br />
Que recobre uma máscara simplista de existência.</p>
<p>Não houve, não há, não haverá mais<br />
O que se recorte ou delineie assim<br />
Nos trajetos a traçar e percorrer, vagarosamente.</p>
<p>Abstrata é a esperança, e recorrer<br />
A ela é pobre, insuficiente socorro<br />
Para amainar meu descanso, todo ele desalento.</p>
<p>Os escuros profundos que são tecidos<br />
Nos recônditos insistentes perseguidos<br />
Fogem à luz, fogem à vida, fogem ao amor, fogem a tudo.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201105%2Fdo-monologo-de-si%2F&amp;title=do%20mon%C3%B3logo%20de%20si" id="wpa2a_12"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>de dar.</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Apr 2011 20:11:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[citações]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[citação]]></category>
		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[foto: BlueRidgeKitties A mais importante esfera de dar, entretanto, não é a das coisas materiais, mas está no reino especificamente humano. Que dá uma pessoa a outra? Dá de si mesma, do que tem de mais precioso, dá de sua vida. Isto não quer  necessariamente dizer que sacrifique sua vida por outrem, mas que lhe dê [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2011/04/4484197936_84e987c1c0.jpg" border="0" alt="Spiral" /> <small><a title="Attribution-NonCommercial-ShareAlike License" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/" target="_blank"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/photo-dropper/images/cc.png" border="0" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">foto</a>: <a title="BlueRidgeKitties" href="http://www.flickr.com/photos/41380738@N05/4484197936/" target="_blank">BlueRidgeKitties</a></small></p>
<blockquote><p>A mais importante esfera de dar, entretanto, não é a das coisas materiais, mas está no reino especificamente humano. Que dá uma pessoa a outra? Dá de si mesma, do que tem de mais precioso, <strong>dá de sua vida</strong>. Isto não quer  necessariamente dizer que sacrifique sua vida por outrem, mas que lhe dê daquilo que em si tem de vivo; dê-lhe de sua alegria, de seu interesse, de sua compreensão, de seu conhecimento, de seu humor, de sua tristeza &#8211; de <strong>todas as expressões e manifestações daquilo que vive em si</strong>. Dando assim de sua vida, enriquece a outra pessoa, valoriza-lhe o sentimento de vitalidade ao valorizar o seu próprio sentimento de vitalidade. Não dá a fim de receber; dar é, em si mesmo, requintada alegria. Mas, ao dar, não pode deixar de levar alguma coisa à vida da outra pessoa, e isso que é levado à vida reflete-se de volta no doador; ao dar verdadeiramente, não pode deixar de receber o que lhe é dado de retorno. Dar implica fazer da outra pessoa também um doador e <strong>ambos compartilham da alegria de haver trazido algo à vida</strong>. No ato de dar, algo nasce, e ambas as pessoas envolvidas são<strong> gratas pela vida que para ambas nasceu</strong>. Com relação especificamente ao amor, isso significa: <strong>o amor é uma força que produz amor; importência é a incapacidade de produzir amor</strong>.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Quase não é necessário acentuar o fato de que a capacidade de dar depende do desenvolvimento do caráter da pessoa. Pressupõe o alcançamento de uma orientação predominantemente produtiva; nessa orientação a pessoa superou a dependência, a onipotência narcisista, o desejo de explorar os outros ou de amealhar, e <strong>adquiriu fé em seus próprios poderes humanos, coragem de confiar em suas forças para atingir seus alvos</strong>. <strong>No mesmo grau em que faltarem essas qualidades é ela temerosa de dar-se &#8211; e, portanto, de amar.</strong></p></blockquote>
<p><a title="Erich Fromm na Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Erich_Fromm">Erich Fromm</a>, in <em><strong>A Arte de Amar</strong></em>.<br />
Livro para ser lido e relido tantas vezes quanto houver disposição e necessidade para tal.<br />
<em>Os grifos são meus.</em></p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201104%2Fde-dar%2F&amp;title=de%20dar." id="wpa2a_14"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>do prazer e amor das palavras.</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jan 2011 12:58:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[stephen fry]]></category>
		<category><![CDATA[tipografia]]></category>
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		<description><![CDATA[Recebi este vídeo via Twitter, em um daqueles links nos quais clico preguiçosamente sem ter muita ideia da qualidade ou relevância do conteúdo. Nos primeiros 30 segundos, meu queixo já havia caído e um prazer indescritível tomou conta de mim, justamente o prazer que só palavras bem ditas formando ideias bem colocadas podem provocar. Trata-se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebi este vídeo via <a title="Minha conta no Twitter" href="http://www.twitter.com/sweethell">Twitter</a>, em um daqueles links nos quais clico preguiçosamente sem ter muita ideia da qualidade ou relevância do conteúdo. Nos primeiros 30 segundos, meu queixo já havia caído e um prazer indescritível tomou conta de mim, justamente o prazer que só palavras bem ditas formando ideias bem colocadas podem provocar.</p>
<p>Trata-se de um discurso de <a title="Stephen Fry na Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Stephen_Fry">Stephen</a> <a title="Twitter do Stephen Fry" href="http://twitter.com/stephenfry">Fry</a> sobre as palavras, a linguagem, o idioma e o amor por eles. <a title="Matéria sobre o Planet Word antes do seu lançamento" href="http://www.guardian.co.uk/media/2010/jul/20/stephen-fry-bbc-planet-word">Ao que parece</a>, a fala fará parte de um programa de TV apresentado por ele na BBC de Londres, chamado <a title="Sobre o Planet Word, na página da BBC (em inglês)" href="http://www.bbc.co.uk/tv/comingup/planet-word/">Planet Word</a>. Me fascina a ideia de um programa totalmente dedicado a essa tríade, assim como me encantou o vídeo. Bem que isso podia colar por aqui &#8211;  o português é uma língua tão complexa e tão linda, mesmo sofrendo agressões constantes por parte daqueles que a utilizam.</p>
<p>A transcrição da fala pode ser lida abaixo do vídeo. Os negritos são meus.</p>
<p>Aproveite; não é toda hora que se tem a oportunidade de ser tocado por ferramentas tão cotidianas e banalizadas de comunicação quanto <em>simples palavras</em>.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="640" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/J7E-aoXLZGY?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="385" src="http://www.youtube.com/v/J7E-aoXLZGY?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><span id="more-1362"></span></p>
<p>&#8220;For me, it is a cause of some upset that more Anglophones don’t <strong>enjoy language</strong>. Music is enjoyable it seems, so are dance and other, athletic forms of movement. People seem to be able to find sensual and sensuous pleasure in almost anything but words these days. Words, it seems belong to other people, anyone who expresses themselves with originality, delight and verbal freshness is more likely to be mocked, distrusted or disliked than welcomed. The free and happy use of words appears to be considered elitist or pretentious. Sadly, desperately sadly, the only people who seem to bother with language in public today bother with it in quite the wrong way.</p>
<p>They write letters to broadcasters and newspapers in which they are rude and haughty about other people’s usage and in which they show off their own superior ‘knowledge’ of how language should be. I hate that, and I particularly hate the fact that so many of these pedants assume that I’m on their side. When asked to join in a “let’s persuade this supermarket chain to get rid of their ‘five items or less’ sign” I never join in. Yes, I am aware of the technical distinction between ‘less’ and ‘fewer’, and between ‘uninterested’ and ‘disinterested’ and ‘infer’ and ‘imply’, but none of these are of importance to me. ‘None of these are of importance,’ I wrote there, you’ll notice – the old pedantic me would have insisted on “none of them is of importance”.</p>
<p>Well I’m glad to say I’ve outgrown that silly approach to language. Oscar Wilde, and there have been few greater and more complete lords of language in the past thousand years, once included with a manuscript he was delivering to his publishers a compliment slip in which he had scribbled the injunction: “I’ll leave you to tidy up the woulds and shoulds, wills and shalls, thats and whiches &amp;c.” Which gives us all encouragement to feel less guilty, don’t you think?</p>
<p>There are all kinds of pedants around with more time to read and imitate Lynne Truss and John Humphrys than to <strong>write poems, love-letters, novels and stories</strong> it seems. They whip out their Sharpies and take away and add apostrophes from public signs, shake their heads at prepositions which end sentences and mutter at split infinitives and misspellings, but do they <strong>bubble and froth and slobber and cream with joy at language</strong>? Do they ever let the tripping of the tips of their tongues against the tops of their teeth transport them to giddy euphoric bliss? Do they ever yoke impossible words together for the <strong>sound-sex</strong> of it? <strong>Do they use language to seduce, charm, excite, please, affirm and tickle those they talk to</strong>? Do they? I doubt it.</p>
<p>They’re too farting busy sneering at a greengrocer’s less than perfect use of the apostrophe. Well sod them to Hades. They think they’re guardians of language. They’re no more guardians of language than the Kennel Club is the guardian of dogkind.</p>
<p>The worst of this sorry bunch of semi-educated losers are those who seem to glory in being irritated by nouns becoming verbs. How dense and deaf to language development do you have to be? If you don’t like nouns becoming verbs, then for heaven’s sake avoid Shakespeare who made a doing-word out of a thing-word every chance he got.</p>
<p>He TABLED the motion and CHAIRED the meeting in which <strong>nouns were made verbs</strong>. New examples from our time might take some getting used to: ‘He actioned it that day’ for instance might strike some as a verbing too far, but we have been sanctioning, envisioning, propositioning and stationing for a long time, so why not ‘action’? ‘Because it’s ugly,’ whinge the pedants. It’s only ugly because it’s new and you don’t like it. Ugly in the way Picasso, Stravinsky and Eliot were once thought ugly and before them Monet, Mahler and Baudelaire. Pedants will also claim, with what I am sure is eye-popping insincerity and shameless disingenuousness, that their fight is only for ‘clarity’.</p>
<p>This is all very well, but there is no doubt what ‘Five items or less’ means, just as only a dolt can’t tell from the context and from the age and education of the speaker, whether ‘disinterested’ is used in the ‘proper’ sense of non-partisan, or in the ‘improper’ sense of uninterested. No, they claim to be defending language for the sake of clarity almost never, ever holds water. Nor does the idea that following grammatical rules in language demonstrates clarity of thought and intelligence of mind. Having said this, I admit that if you want to communicate well for the sake of passing an exam or job interview, then it is obvious that wildly original and excessively heterodox language could land you in the soup.</p>
<p>I think what offends examiners and employers when confronted with extremely informal, unpunctuated and haywire language is the implication of not caring that underlies it. You slip into a suit for an interview and you dress your language up too. You can wear what you like linguistically or sartorially when you’re at home or with friends, but most people accept the need to smarten up under some circumstances – it’s only considerate. But that is an issue of fitness, of suitability, it has nothing to do with correctness. There no right language or wrong language any more than are right or wrong clothes. <strong>Context, convention and circumstance are all</strong>.&#8221;</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201101%2Fdo-prazer-e-amor-das-palavras%2F&amp;title=do%20prazer%20e%20amor%20das%20palavras." id="wpa2a_16"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>de dois mil e dez.</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Dec 2010 16:53:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[ano novo]]></category>
		<category><![CDATA[autoral]]></category>
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		<description><![CDATA[photo credit: mike138 Não lhe tenho apego, ano que se prolonga, e é meu desejo que saiba disso; você foi e eu o acompanhei, desgostosa e sem opção, a cada nova queda. Foram tão profundas, tão numerosas, e sei que foi você quem as colocou no meu caminho, como a me desafiar. Vi caírem de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="road and mountain bw" href="http://www.flickr.com/photos/72486075@N00/383577651/" target="_blank"><img class="aligncenter" src="http://farm1.static.flickr.com/156/383577651_c20db6f72e.jpg" border="0" alt="road and mountain bw" /></a><br />
<small><a title="Attribution-NoDerivs License" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nd/2.0/" target="_blank"><img src="../wp-content/plugins/photo-dropper/images/cc.png" border="0" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">photo</a> credit: <a title="mike138" href="http://www.flickr.com/photos/72486075@N00/383577651/" target="_blank">mike138</a></small></p>
<p>Não lhe tenho apego, ano que se prolonga, e é meu desejo que saiba disso; você foi e eu o acompanhei, desgostosa e sem opção, a cada nova queda. Foram tão profundas, tão numerosas, e sei que foi você quem as colocou no meu caminho, como a me desafiar.</p>
<p>Vi caírem de minhas mãos os apegos que você me fez aprender a apreciar em sua brincadeira de efemeridade. Se desfiaram, um por um, em um desamparo irremediável; somente você permaneceu, contrário ao que fez de mim, descontinuada exaustão.</p>
<p>Você usou do que pode para me jogar à superfície. Sufocada, recorri a ela para buscar alívio e quase fui por ela envolvida. Tivesse cedido aos seus expedientes, não teria ido ao reencontro no qual ainda me agarro para não me tornar oca. Meu coração ainda reflete esses ruídos vazios que foram seus e sobrevive às custas de expectativas sem esperanças. Insiste, existe, flexiona e relaxa. E assim caminho pela existência: apesar de você e apesar de mim mesma.</p>
<p>Sei que irá embora em breve, em um desalento semelhante ao que me deixará de herança. Não lamento essa perda; apenas anseio que, enfim, admita me abandonar, para que eu possa me erguer ainda mais uma vez e enfrentar, com olhos limpos e mãos abertas, o que me houver pela frente.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201012%2Fde-dois-mil-e-dez%2F&amp;title=de%20dois%20mil%20e%20dez." id="wpa2a_18"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>do triângulo do drama.</title>
		<link>http://www.fimdamente.org/did/201012/do-triangulo-do-drama/</link>
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		<pubDate>Tue, 28 Dec 2010 15:32:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[artigos]]></category>
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		<description><![CDATA[Não me lembro mais com precisão como encontrei o texto que publico agora neste post. Sei que procurava materiais sobre Poliamor, em uma pesquisa pessoal intensa que fazia sobre o tema por volta de 2003/2004. Uma coisa levou a outra e, quando me dei conta, tinha ao alcance de alguns cliques um dos textos que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não me lembro mais com precisão como encontrei o texto que publico agora neste post. Sei que procurava materiais sobre <a title="Poliamor na Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Poliamor">Poliamor</a>, em uma pesquisa pessoal intensa que fazia sobre o tema por volta de 2003/2004. Uma coisa levou a outra e, quando me dei conta, tinha ao alcance de alguns cliques um dos textos que mais moveriam a minha vida dali por diante. Soube disso no momento em que terminei de lê-lo e foi por isso mesmo que resolvi, já na época, traduzi-lo.</p>
<p>É claro que a tradução não saiu tão boa quanto o texto merecia, o traduzir ainda não tinha sido feito minha profissão, mas serviu para repassar o texto para algumas pessoas.</p>
<p>Minha intenção inicial era oferecê-lo como um presente àqueles que dele pudessem tirar proveito, da mesma maneira como eu faço, ano após ano, quando o releio. Seu impacto nunca foi diminuído, pelo contrário: a cada reencontro, percebo um novo viés que havia passado desapercebido nas leituras anteriores e me trazem novas perspectivas.</p>
<p>O mesmo aconteceu agora quando, vendo um amigo precisar de forças, pensei que era o momento de compartilhá-lo da maneira mais ampla que estivesse ao meu alcance. Antes, achei por bem passá-lo novamente pelos meus próprios olhos e esclarecer o que carecia esclarecimento, acertar o que carecia de acerto. Oferecer, assim, o melhor que pude e esperar, em troca, que estas palavras movam outras vidas.</p>
<p>Estou certa de que moverá.</p>
<p><em>Algumas observações:</em></p>
<p><em>- É bom ressaltar que não sou a autora do texto original em inglês, sou responsável somente pela tradução para o português.<br />
-O texto original foi modificado pela autora em 2008. Não gostei do fluxo da versão revisada, apesar de notar que o conteúdo permanece o mesmo. Optei, portanto, por oferecer a tradução da versão antiga.<br />
- O texto em inglês citado acima pode ser <a title="The Three Faces of Victim - original em inglês, revisado pela autora em 2008." href="http://lynneforrest.com/html/the_faces_of_victim.html">encontrado aqui</a>.<br />
- Você pode baixar uma cópia em PDF do texto <a href="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2010/12/vitima.pdf">aqui</a>.<br />
</em><em>- Sugestões e correções são bem-vindas, desde que sejam educadas.<br />
</em><em>- Mais bem-vindos ainda são comentários, opiniões e debates. Os comentários  estão abertos.</em></p>
<p><em><br />
</em></p>
<p><span id="more-1327"></span></p>
<h2 style="text-align: center;">As três faces da vítima</h2>
<h3 style="text-align: center;">de <a title="sobre Lynne Forrest (em inglês)" href="http://www.lynneforrest.com/html/about_lynne.html">Lynne Forrest</a></h3>
<p>A maioria de nós reage de maneira inconsciente à vida a partir da posição de vítima. Sempre que nos recusamos a assumir responsabilidade por nós mesmos, escolhemos ser vítimas. Isso faz com que nos sintamos à mercê, traídos e injustiçados, não importa qual seja nossa situação.</p>
<p>O processo de vitimização consiste nos três papéis descritos por Stephen Karpman, um professor de Análise Transacional, no que ele chama de “Triângulo do drama”. Tive contato com essa teoria há cerca de trinta anos e, desde então, ela se tornou uma das ferramentas mais importantes na minha vida pessoal e profissional. Quanto mais meu conhecimento acerca do Triângulo do Drama se expandia, mais crescia a minha admiração por este instrumento poderoso e preciso, porém simples. Eu o chamo de “máquina da culpa”, pois por meio dela nós atuamos inconscientemente em nossos ciclos viciosos, gerando culpa. Toda interação disfuncional acontece dentro do Triângulo do Drama! Enquanto não nos conscientizamos dessa dinâmica, não conseguimos transformá-la. Até que a transformemos, não conseguimos seguir em frente em nossa jornada para a reconquista de nosso patrimônio espiritual.</p>
<p>Karpman nomeou os três papéis no Triângulo do Drama como Perseguidor, Salvador e Vítima, e os posicionou em um triângulo invertido que representa as três faces da vítima. Embora somente uma posição seja nomeada Vítima, todas elas se originam e terminam nela. Portanto, todas são paradas no caminho para a vitimização. Cada um de nós tem mais familiaridade com um papel, que chamo de posição inicial.</p>
<p><a href="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2010/12/facesdavitima.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-1328" title="facesdavitima" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2010/12/facesdavitima.gif" alt="" width="350" height="350" /></a></p>
<p>Nós aprendemos nossa posição inicial dentro da nossa família. Embora cada um de nós tenha um papel com o qual nos identificamos mais, também atuamos em outros papéis, dando a volta no triângulo, algumas vezes em questão de minutos ou até mesmo segundos, várias vezes por dia.</p>
<p>É muito difícil enxergar a nós mesmos (e aos outros) como vítimas quando estamos em uma posição de assistência ou culpabilização. De qualquer maneira, o Salvador e o Perseguidor são os dois extremos opostos da Vítima. Isto ocorre porque todos os papéis levarão, em um momento ou outro, novamente ao papel de vítima É inevitável.</p>
<p>É possível perceber que tanto o Perseguidor quanto o Salvador estão nos vértices superiores do triângulo. Sempre que assumimos alguma dessas posições, nós acreditamos estar levando vantagem. De qualquer uma das duas posições, nós nos colocamos como melhores, mais fortes, mais inteligentes ou mais equilibrados do que a vítima. Mais cedo ou mais tarde, a vítima, que se encontra em posição inferior, desenvolve uma “dor no pescoço” de tanto ser forçada a olhar para cima, metaforicamente falando. Sentindo-se inferiorizado, surge o ressentimento, seguido invariavelmente de alguma forma de retaliação. É nesse ponto que a vítima passa a ocupar o papel de perseguidor. Remanescente de uma dança das cadeiras sem música, todos os jogadores mudam de posição uma hora ou outra.</p>
<p>Um exemplo: Papai chega em casa e encontra Mamãe dando uma grande bronca no Júnior e fazendo ameaças, como “Arrume já esse quarto ou&#8230;”. Ele imediatamente salva o menino: “Mamãe, dê um tempo ao garoto”, diz ele. Muitas possibilidades podem ocorrer em seguida. Talvez Mamãe, sentindo-se vitimizada por Papai, vire-se contra ele, colocando-o automaticamente no papel de vítima. Eles podem dar algumas voltas no triângulo tendo Júnior como coadjuvante. Talvez Júnior se una ao Papai em uma perseguição: “Vamos ficar contra a Mamãe!”, e então eles reproduzem o triângulo por outro ângulo. Júnior pode virar a casaca contra Papai, salvando a Mamãe: “Fica na sua, Papai! Eu não preciso da sua ajuda!” E assim vai, com inúmeras possibilidades, mas sempre dando a volta no triângulo. Para muitas famílias, essa é a única maneira pela qual conseguem se comunicar.</p>
<p>Todos nós temos uma posição inicial no Triângulo do Drama. A posição inicial não é somente aquela na qual nos encontramos com mais frequência, mas também o papel pelo qual nos definimos; uma parte muito extensa da nossa identidade. Cada posição inicial tem a sua própria maneira de ver e reagir ao mundo. Cada posição inicial se origina de um tema familiar recorrente e se move em volta do triângulo de maneira particular.</p>
<p>Por exemplo: embora algumas vezes nos encontremos na posição de vítima do triângulo, a posição de Salvador (daqui por diante as posições iniciais terão a primeira letra em maiúsculas, para diferenciá-las do movimento ao longo de um dos papéis) se movimenta nas posições de vítima e perseguidor de maneira muito diferente dos Perseguidores ou Vítimas primordiais.</p>
<p>O Salvador se torna vítima vestindo a carapuça de mártir (“Depois de tudo que eu fiz por você&#8230;”), enquanto o Perseguidor se vitimiza como forma de justificar vingança (“Se não fosse por você, eu não teria tido que&#8230;”). Enquanto o Salvador persegue privando a vítima de seus cuidados e atenção, um Perseguidor salva de maneira quase tão dolorosa quanto seu modo de ataque. E uma pessoa cuja posição inicial é a de Vítima é perpetuamente digna de pena e incapaz. Até sua maneira de salvar é inferior! (“Você é o único que pode me ajudar, porque é tão talentoso, inteligente ou algo assim!”)</p>
<p>Nossas posições principais geralmente se formam na infância. Por exemplo: se um dos pais é superprotetor e faz de tudo por um filho, essa criança pode crescer sentindo-se incapaz de tomar conta de si própria. Isso as coloca no papel de Vítima por toda a vida. De maneira oposta, ela pode acabar sentindo raiva e tornando-se vingativa quando outras pessoas não tomam conta dela, adotando assim a posição inicial de Perseguidor.</p>
<p>Há muitas variações e cada caso deve ser considerado de maneira individual.</p>
<p>Nós não somente atuamos nesses papéis triangularmente distorcidos em nossas relações diárias com outras pessoas, mas também internamente. Nós damos a volta no triângulo em nossa mente tão rapidamente quanto o fazemos em relação ao mundo exterior. Nós caímos em nossa própria armadilha com um diálogo interno desonesto e disfuncional. Por exemplo: podemos nos cobrar de maneira exagerada por não concluir um projeto. Talvez nos vejamos como sendo preguiçosos, inadequados ou defeituosos, o que causa uma espiral de sentimentos de raiva e auto-desvalorização. Internamente, nos acovardamos por esta voz perseguidora, com medo de que ela esteja realmente certa. Você consegue perceber a interação perseguidor/vítima nesse exemplo? Assim que começamos a nos culpar ou nos insultar, geramos uma vítima. E, nesse caso, nós mesmos somos essa vítima! Isso pode continuar por minutos, horas ou dias, mas uma voz em nós virá para nos salvar, mais cedo ou mais tarde. Como estamos nos sentindo mal e precisamos de alívio, começamos a criar desculpas: “Bem, eu teria conseguido terminar aquele projeto se não fosse por causa de&#8230;”, poderíamos dizer. E assim nos colocaríamos na posição de salvadores.</p>
<p>Algumas vezes salvamos a nós mesmos (e aos outros) negando o que sabemos, em uma tática do tipo “Se eu olhar para o outro lado e fingir que isto não está acontecendo, deixará de acontecer”. Esses dramas internos perpetuam ciclos viciosos de espirais de culpa e autocomiseração.</p>
<p>Da mesma maneira pela qual um gerador produz energia, o Triângulo do Drama gera culpa. Seja pela interação interna ou pela comunicação externa, circular pelo triângulo mantém as mensagens distorcidas em fluxo. O Triângulo do Drama se torna a nossa máquina de culpa pessoal. A boa notícia é que nós podemos fazer algo a respeito dela. Só precisamos aprender como desligá-la para conseguirmos sair do triângulo. É uma cura simples, apesar de difícil.</p>
<p>Antes que possamos sair do triângulo, temos que reconhecer e desejar abrir mão do drama que ele produz. Precisamos, em primeiro lugar, tornar-nos intimamente conhecedores dos preços e barganhas de cada parada no caminho da autovitimização. Isso nos possibilitará não somente reconhecer os vários papéis, mas também avaliar de maneira realista as consequências da atuação em qualquer um deles.</p>
<p>Identificar a linguagem e a movimentação de cada papel nos ajuda ainda mais a perceber quando estamos sendo envolvidos por outras pessoas em um triângulo. Com essa consciência, podemos escolher se queremos ou não dançar a música vergonhosa da vítima. Com isso em mente, vamos analisar cada papel detalhadamente.</p>
<h3>O SALVADOR</h3>
<p>O papel de Salvador é o princípio da sombra maternal. É a reação tipicamente codependente a que chamamos de “sufocante”. É uma versão distorcida do aspecto feminino que deseja nutrir e proteger. O Salvador é o facilitador, protetor, mediador; aquele que deseja “consertar” os problemas. Obviamente, antes que o Salvador possa remediar um problema, é necessário que exista um problema.</p>
<p>Parte do problema da salvação é que ela vem de uma necessidade inconsciente de sentir-se importante ou estabelecer-se como aquele que resgata. Cuidar dos outros é a única maneira que um Salvador conhece de estabelecer ligações e sentir que tem valor. Salvadores geralmente cresceram em famílias onde eram inferiorizados e humilhados por terem necessidades. Eles aprenderam, então, a negar essas necessidades, cuidando dos outros em vez disso. Isso faz com que seja essencial ter quem dependa deles.</p>
<p>Muitas vezes os Salvadores operam na esperança de que, se eles cuidarem bem o suficiente de outras pessoas, terão sua vez de serem cuidados. Infelizmente, isso raramente ocorre. Em geral, a decepção resultante causa um empurrão para a depressão. A martirização e a depressão marcam a fase de vitimização de um Salvador ao redor do triângulo. É nesse ponto que se pode ouvi-los dizer coisas como “É isto que eu ganho depois de tudo que fiz por você”, “Não importa o quanto eu faça, nunca é suficiente” ou “Se você realmente me amasse, me apoiaria mais”.</p>
<p>O maior medo de um Salvador é que ninguém se importe com eles. Eles compensam essa ansiedade afirmando seu posicionamento de estar sempre disponível para outras pessoas, incentivando a dependência. Ser indispensável torna-se a forma primordial de evitar o abandono e oferece a validação a suas ações que tanto desejam.</p>
<p>Os Salvadores não se dão conta da dependência castradora que alimentam quando cuidam daqueles que dependem dele. Por meio dessas táticas, eles comunicam mensagens incapacitantes. Todos os envolvidos acabam por se convencer de que a Vítima é incapaz, inadequada ou defeituosa, reforçando assim a necessidade de cuidado constante. O trabalho do Salvador se torna, então, cuidar da Vítima, “para seu próprio bem”, é claro.</p>
<p>Ter uma Vítima de quem cuidar é essencial para que o Salvador mantenha a ilusão de ser superior e independente. Isso significa que sempre haverá pelo menos uma pessoa no cerne da vida de cada Salvador que é doente, frágil, inapta e que necessita dos seus cuidados.</p>
<p>Beatriz cresceu vendo sua mãe como indefesa e impotente. Desde cedo, ela se sentia muito responsável por cuidar da sua mãe fragilizada. Seu próprio bem-estar dependia disso! De outra maneira, como uma criança pequena como ela poderia continuar? No entanto, com o passar dos anos ela mal conseguia conter o ódio que sentia por sua mãe por ser tão carente e fraca. Como alguém na posição inicial de Salvadora, ela fez tudo o que pode para ajudar sua mãe, somente para sentir-se cada vez mais anulada (vítima) pois nada do que fazia funcionava. Inevitavelmente, o ressentimento tomava conta dela, levando-a a tratar sua mãe com desprezo (perseguidora). Tudo isto se tornou seu padrão principal de interação, não somente com sua mãe, mas em todas suas relações. Quando eu a conheci, ela estava emocional, física e espiritualmente exausta de ter passado a vida tomando conta de uma pessoa doente e dependente após a outra.</p>
<h3>O PERSEGUIDOR</h3>
<p>Como os outros papéis, o Perseguidor se baseia na culpa. É o tipo de raiva encharcado de culpa resultante do crescimento sobrecarregado de desprezo. Os Perseguidores há muito reprimiram suas convicções de autodesvalorização, mascarando-os com ódio indignado e uma atitude de desprezo.</p>
<p>Assim como o Salvador é o princípio da sombra materna, esse papel é o princípio da sombra paterna. A função benéfica do pai é proteger e cuidar da sua família. O papel do Perseguidor é a perversão desta energia, que tenta “reformar” por meio da força. Esse papel é desempenhado por pessoas que aprenderam a ter suas necessidades satisfeitas por meio de métodos autoritários, controladores e até mesmo punitivos. O Perseguidor supera o sentimento de culpa dominando outras pessoas. A dominação torna-se sua maneira preponderante interação. Isso significa que eles têm que estar sempre certos! As técnicas para isso incluem pregar, culpar, dar lições de moral, interrogar e atacar. Eles acreditam em “ficar quites”, geralmente por meio de atitudes passivo-agressivas.</p>
<p>Assim como o Salvador deseja ter alguém para consertar, o Perseguidor precisa de alguém para culpar! Os Perseguidores renegam suas fraquezas da mesma maneira que os Salvadores renegam suas necessidades. Seu maior medo é a impotência. Ao negar suas próprias fraquezas, eles têm uma necessidade constante de ter alguém em quem possam projetar suas próprias imperfeições. Tanto os Salvadores quanto os Perseguidores precisam, portanto, de uma Vítima para sustentar seu lugar no triângulo.</p>
<p>Os Perseguidores tendem também a compensar seus sentimentos íntimos de pouca valia dando-se ares de grandiosidade. Grandiosidade é inevitavelmente gerada pela culpa. Ela oferece uma compensação e um disfarce para um grande sentimento de inferioridade. A superioridade é atravessar o “menos que” para parecer “mais que”.</p>
<p>Lembro-me de um cliente, um médico, que personificava a mentalidade do perseguidor. Ele realmente acreditava que machucar outras pessoas era justificado como uma compensação de sua própria dor. Uma vez, em uma sessão, ele me contou que havia encontrado um paciente no campo de golfe, que teve “a cara-de-pau” de pedir tratamento ali mesmo.</p>
<p>“Dá pra acreditar que ele me pediu para tratar seu problema justo no dia da minha folga?”, ele reclamou.</p>
<p>“Isso parece bem ousado”, eu respondi, “como você lidou com isso?”</p>
<p>“Ah, eu o levei mesmo ao meu consultório, claro&#8230; . . e ele levou uma boa injeção de esteróides” ele riu, “mas tenho certeza de que ele nunca mais me pedirá algo assim.”</p>
<p>“O que você quer dizer?”, eu disse, sem entender muito bem.</p>
<p>“Que ele nunca mais vai se esquecer daquela injeção!”</p>
<p>Para o médico, sua ação foi totalmente justificável. Seu paciente havia infringido uma regra pessoal e, portanto, merecia a dor que lhe fora infligida. Este é um ótimo exemplo de como funciona a lógica do Perseguidor. Meu cliente nunca parou para pensar que ele poderia ter simplesmente dito “não”, que ele não precisava ter se sentido vitimizado ou na obrigação de salvar seu paciente. Em sua mente, ele havia sido injustiçado e, portanto, tinha o direito e até mesmo a obrigação de “ficar quite”.</p>
<p>É muito difícil para alguém nessa posição assumir a responsabilidade pela forma como machuca outras pessoas. Em sua mente, as pessoas merecem isso! Esses guerreiros tendem a enxergar a si próprios como tendo que lutar contra o mundo para sobreviver! Seu grito de guerra pode muito bem ser “Eu fui injustiçado e alguém tem que pagar!” Sua luta constante é reconquistar aquilo que eles acreditam que lhes foi tirado.</p>
<h3>A VÍTIMA</h3>
<p>O papel de Vítima é atuado principalmente por pessoas que foram criadas por um Salvador dedicado. Ele é a sombra da criança perfeita, aquela parte de nós que é inocente, vulnerável e carente. Esse eu-criança realmente necessita de apoio e cuidado de vez em quando, mas quando um indivíduo se convence de que nunca conseguirá tomar conta de si mesmo, pode rapidamente se colocar no papel de Vítima. Envolvidas pela ideia de que são intrinsecamente incapazes, as Vítimas adotam a atitude de “Eu não consigo”. Isso se torna o seu maior medo, forçando-os a sempre buscarem alguém que seja “mais capaz” de cuidar deles.</p>
<p>As Vítimas negam tanto sua capacidade de resolver problemas quanto seu potencial de geração de energia. Em vez disso, eles tendem a enxergar a si próprias como frágeis demais para encarar a vida. Sentindo-se impotentes, à mercê, maltratadas, intrinsecamente más e erradas, eles se vêem como um “problema insolucionável”.</p>
<p>No entanto, isso não as impede de se sentirem altamente ressentidos por sua dependência. As Vítimas acabam por sentirem-se saturadas de estarem em posição inferior e tentam encontrar modos de “ficar quites”. O movimento para a posição de perseguidor geralmente implica em sabotar os esforços para que sejam salvos, bem como outros comportamentos passivo-agressivos. Elas são exímias jogadoras do “Sim, mas&#8230;”. Sempre que uma sugestão útil lhes é oferecida, a Vítima responde “Sim, mas isso não vai funcionar porque&#8230;”. Elas podem também recorrer ao papel do perseguidor como forma de culpar e manipular outras pessoas a cuidarem delas.</p>
<p>A Vítima toma uma dose diária de culpa. Convencida de sua incompetência intrínseca, ela vive em uma espiral de culpa perpétua, que pode inclusive levar à autoflagelação. As eternas Vítimas andam por aí de maneira semelhante ao personagem do desenho Snoopy, Chiqueirinho, sempre cercado por sua nuvem de poeira; no entanto, a Vítima está cercada por uma nuvem de culpa que ela mesma cria. Essa nuvem acaba por se tornar toda sua identidade.</p>
<p>Linda era a segunda filha em sua família. Ela teve problemas desde o nascimento. Linda foi uma criança sempre envolvida em confusões de algum tipo. Ela “se virou” academicamente, era problemática e estava sempre doente. Não foi surpresa para ninguém quando ela se envolveu com drogas na adolescência. Sua mãe, Stella, era uma Salvadora durona. Acreditando estar ajudando, Stella socorreu Linda todas as vezes em que ela se meteu em problemas. Ao aliviar as consequências naturais dos atos da filha, Stella privou-a da oportunidade de aprender com suas escolhas ruins. Como resultado, Linda começou a perceber-se como incapaz, tornando-se dependente de outras pessoas para consertar sua vida. As boas intenções de sua mãe tiveram uma mensagem incapacitante para Linda, o que provocou um posicionamento vitalício no papel de Vítima, deixando Linda sempre carente e em busca de um salvador potencial.</p>
<h3>PROJEÇÃO E SOMBRA DA VITIMIZAÇÃO</h3>
<p>Conforme os indivíduos tomam consciência e mudam, geralmente mudam suas posições iniciais. Conscientizando-se de uma posição principal, eles podem se comprometer a mudar, mas em vez disso apenas mudar de papel no triângulo. Embora estejam operando de uma perspectiva diferente, eles estão no triângulo de qualquer maneira. Isso acontece com frequência e pode até mesmo ser uma parte essencial do aprendizado do impacto real de viver no triângulo.</p>
<p>Posicionar os três papéis em uma linha reta centralizada na Vítima é uma maneira de demonstrar que o Perseguidor e o Salvador são simplesmente dois extremos de vitimização:</p>
<p style="text-align: center;">Perseguidor &#8212;&#8212;- VÍTIMA &#8212;&#8212;- Salvador</p>
<p>Os três papéis são apenas a expressão perversa de energias positivas que cada um de nós potencialmente carrega, mas renega. A<br />
face que atuamos de maneira primordial determina como essas energias são renegadas.</p>
<p>A parte Salvadora de nós contém o dom da mediação e da resolução de problemas. Ela pode ser interpretada como um aspecto feminino. Por outro lado, o Perseguidor é a parte de nós que sabe como usar o poder e a positividade. Ela pode ser interpretada como um aspecto masculino. Quando essas qualidades essenciais não são totalmente conhecidas ou vivenciadas, são reprimidas no inconsciente, de onde podem ser expostas na expressão perversa que vemos no Triângulo do Drama. Em outras palavras, como esses aspectos são negados, eles entram em ação de forma inconsciente e irresponsável.</p>
<p>Quando suprimimos nossa capacidade de resolver problemas e nosso poder de ação positiva, assumimos a postura de Vítima. Quando nos vemos como os mediadores e responsáveis essenciais, mas negamos a necessidade de cuidarmos de nós mesmos criando limites adequados, acabamos por ocupar a posição de Salvadores. Por outro lado, os Perseguidores ocultaram suas qualidades nutrientes e generosas e, portanto, tendem a resolver seus problemas por meio do ódio, do abuso e do controle. Em essência, a dança da vitimização é uma constante e inconsciente volta à superfície dos aspectos da personalidade que não foram não confrontados e que produzem um drama eterno em nossas vidas.</p>
<p>Nós vivemos em uma sociedade baseada na Vítima. Nos EUA, gostamos de pensar que somos Salvadores. Por muitos anos vimos a Rússia como o Perseguidor de países do terceiro mundo, as Vítimas. Acredita-se que, há muitos anos, o presidente da Rússia, Gorbachev, disse ao presidente Bush: “Eu estou prestes a fazer a pior coisa que se pode imaginar, eu vou tirar de vocês o seu inimigo!” Ele era um homem que entendia, de forma inata, a necessidade do nosso país de ter um bode expiatório, nos dando a chance de dizer, “São estes comunistas maus novamente!” Não fosse por isso, os americanos seríamos forçados a assumir a responsabilidade de nossas tendências criminosas. Claro, a Rússia também é criminosa, como pudemos acompanhar pelas ações da KGB, mas a nossa CIA não tem tendências semelhantes? Nossa própria história foi criada sobre perseguições. Alguns anos depois de terem chegado à América, nossos fundadores começaram a subjugar sistematicamente os nativos que viviam no local há séculos! Parece uma tarefa pesada demais para este país ter a consciência de que deve enfrentar as consequências pelo modo como persegue. Em vez disso, nos determinamos a crer na ideia de que nós somos os “salvadores do mundo”. No entanto, é sempre difícil para os Perseguidores se perceberem dessa maneira. É muito mais fácil justificar a perseguição do que admitir o seu comportamento perseguidor.</p>
<p>O ciclo funciona da seguinte maneira: “Eu estava somente tentando ajudar (Salvador) e então eles se voltaram contra mim (vítima) e eu tive que me defender (perseguidor)”. A perseguição quase sempre é justificada como uma defesa necessária. É o papel mais frequentemente negado. Afinal, quem quer admitir que usa as outras pessoas de maneira vil?</p>
<p>O Salvador, por outro lado, não vê problema em se identificar com o papel de auxiliador. Geralmente ele sente orgulho de sua posição enquanto alguém que cuida e conserta. Eles são socialmente aclamados e recompensados pelos seus “atos altruístas” de salvação. Ele acredita na generosidade de seus cuidados, vendo a si mesmo como alguém sempre pronto a ajudar. O que ele nega são as consequências desastrosas de seus atos incapacitantes. Mas o mais difícil para esse “benfeitor” é perceber como eles próprios acabam se tornando vítimas. É muito difícil para um Salvador ouvir que é vítima, mesmo quando é pego em flagrante reclamando sobre como são destratados!</p>
<h3>DOR TRIANGULAR</h3>
<p>Viver no Triângulo do Drama gera infelicidade de muitas maneiras. A principal semelhança é que nenhum dos participantes do triângulo deseja (ou sabe como) assumir responsabilidade. O preço pago é enorme para os três papéis e leva a uma dor emocional, mental e até física.</p>
<p>Escapar da responsabilidade e/ou tentar proteger a si mesmo ou a outras pessoas não funciona e, mesmo assim, é o objetivo principal de todos os que caem no triângulo. A verdade é que a maior dor é a angústia gerada quando se tenta evitá-la. Quando tentamos proteger as outras pessoas da verdade, nós subestimamos suas habilidades. Isso é incapacitante e leva a reações negativas de todas as partes. Todos os envolvidos acabam magoados e infelizes. Ninguém sai ganhando.</p>
<p>Enquanto envolvermos aos outros e a nós mesmos no Triângulo, nos relegaremos a viver como robôs, no automático. Em vez de levarmos vidas vibrantes de espontaneidade e escolhas, nós nos conformamos em simplesmente sobreviver. Experimentar uma vida completa exige a habilidade de interagirmos com liberdade. Isso é impossível enquanto estivermos envolvidos no Triângulo do Drama.</p>
<h3>SENTIMENTOS RENEGADOS</h3>
<p>Muitas vezes encontramos nossa entrada para o triângulo pela porta dos sentimentos renegados. Sempre que negamos os sentimentos das outras pessoas ou os nossos, nos colocamos inevitavelmente em algum dos papéis do triângulo. Nós salvamos as outras pessoas sempre que tentamos fazer com que não se sintam mal (“Eu não posso contar ao Jim o que penso porque isso irá machucá-lo”). E assim reprimimos nossas opiniões, sentimentos e pensamentos como sendo segredos, o que inevitavelmente cria distância.</p>
<p>Pais que cresceram sem permissão de conhecer ou expressar sentimentos geralmente negam às suas crianças o mesmo direito. Reprimidas, essas emoções negadas se tornam bolsões secretos de culpa, alienando-nos dos outros e nos sentenciando a uma vida no triângulo. Os sentimentos podem ser intangíveis, mas ainda assim são reais.</p>
<p>Sempre que negamos acesso à nossa experiência sentimental, nos colocamos na perspectiva da vítima. Não podemos assumir responsabilidade por sentimentos dos quais não tomamos conhecimento e, portanto, caímos no triângulo.</p>
<h3>CULPA E CRENÇAS ESSENCIAIS</h3>
<p>A interação triangular é a forma principal pela qual culpa é gerada. Cada papel se movimenta em volta do triângulo de maneira distinta. Isso ocorre porque cada posição inicial possui seu próprio conjunto de crenças essenciais que tende a posicioná-la em um determinado papel. São estas atitudes inconscientes que criam sentimentos de desvalorização, inadequação e deficiência. O triângulo é a maneira pela qual reforçamos e perpetuamos essas crenças produzidas pela culpa.</p>
<p>Os Salvadores, por exemplo, acreditam que suas necessidades são desimportantes e irrelevantes e, portanto, não merecem atenção. A única maneira pela qual conseguem se conectar de maneira genuína com outras pessoas (de forma a ter satisfeita sua necessidade de pertencer e sentir-se importante) é tomando conta de outras pessoas. Os Salvadores se enchem de culpa quando não conseguem cuidar das pessoas. Seu mito principal é: “Se eu cuidar dos outros bem o suficiente, por tempo o suficiente, um dia será a minha vez”. Infelizmente, no triângulo, os Salvadores cuidam de eternas Vítimas que não fazem ideia de como serem presentes para os outros. Isso reforça a crença essencial dos cuidadores (“minhas necessidades não contam”), o que, por sua vez, produz mais culpa por terem necessidades reais.</p>
<p>Culpa e vergonha são forças poderosas para a perpetuação do Triângulo. A culpa é usada com frequência pelas Vítimas, em um esforço para forçar seus Salvadores a cuidarem delas (“Se você não cuidar de mim, quem cuidará?”). A crença que gera culpa nas Vítimas é a de que elas não conseguirão tomar conta de suas vidas, e isso as faz sentirem-se incapazes e necessitadas.</p>
<p>Os Perseguidores, acreditando que o mundo é perigoso, usam a culpa como ferramenta principal para manter os outros em seu lugar. Seu objetivo principal é sentirem-se seguros, inferiorizando os outros. “Pegarei eles antes que me peguem!” é sua pauta principal. Que maneira melhor há para fazer isso do que julgar, moralizar ou denegrir suas vítimas?</p>
<h3>DESONESTIDADE</h3>
<p>Obviamente, quando aprendemos a negar a nossa realidade emocional, a honestidade torna-se impossível. Falar nossa verdade exige primeiro conhecê-la. Quando reagimos de acordo com nossos sentimentos renegados e nossa programação inconsciente, não conseguimos de maneira alguma conhecer nossa própria verdade. Isso significa que existirão objetivos ocultos e desonestidade. Essa é outra peculiaridade importante de todos os envolvidos no triângulo. Somente conhecendo a verdade podemos começar a nos comunicar de maneira sincera. E somente assim será possível sair do triângulo.</p>
<h3>FRACASSO NA INTIMIDADE</h3>
<p>Apesar de todos nós desejarmos intensamente nos conectar uns com os outros, muitas pessoas, lá no fundo, têm pavor da intimidade. Deixar alguém nos conhecer verdadeiramente pode ser uma experiência assustadora. A intimidade exige vulnerabilidade e abertura honesta. Acreditar que somos profundamente não-merecedores do amor, deficientes ou inferiores torna muito difícil nos revelarmos. Nós desejamos ser aceitos de maneira incondicional, mas quando não conseguimos aceitar a nós mesmos, é impossível acreditar que alguém realmente possa se envolver conosco. Pensar que precisamos esconder nossa falta de valor faz com que seja imperativo manter distância. Enquanto tivermos de manter segredos e negar nossa verdade, a intimidade será inatingível. A vitimização é uma maneira de garantir a alienação, não somente em relação a outras pessoas, mas também a nós mesmos.</p>
<h3>SAINDO DO TRIÂNGULO</h3>
<p>Para sair do Triângulo, precisamos primeiro decidir assumir a responsabilidade por nós mesmos. Em seguida, começamos a nos permitir conhecer e expressar nossos reais sentimentos, mesmo quando fazê-lo for desconfortável ou desagradável. Quando exploramos nossas posições iniciais e suas crenças essenciais, nos tornamos mais hábeis para reconhecer quando alguém está tentando nos empurrar para o triângulo e nos recusamos a permitir esse empurrão.</p>
<p>Aprender a conviver com sentimentos de culpa sem agir levado por eles é um grande passo para resistir ao jogo da Vítima. Sentir culpa não necessariamente implica em perdermos nossa integridade. Culpa é uma reação aprendida. Há vezes em que a culpa indica que quebramos as regras de uma família disfuncional. Crenças a nosso respeito e a respeito do mundo que impedem o nosso crescimento pessoal, influenciando-nos desde cedo, acabam por se tornar regras rígidas que precisam ser violadas. Ditados familiares como “Não fale sobre isso”, “Não divida seus sentimentos” ou “É egoísta preocupar-se consigo próprio” têm de ser superados se desejarmos crescer. Podemos esperar e até mesmo celebrar a culpa gerada quando desafiamos essas leis tácitas.</p>
<p>Ser honesto consigo próprio e com outras pessoas é a principal maneira de sair do triângulo. Dizer a nossa verdade é a maneira principal de assumir responsabilidade. Precisamos então estar dispostos a tomar as devidas providências para o que quer que seja que essa verdade revele.</p>
<p>Para que um Salvador seja honesto, por exemplo, ele tem que confessar seu esforço em manter outras pessoas dependentes dele. Isso significa reconhecer que ser um salvador satisfaz sua necessidade de sentir-se necessário. Dessa maneira, os Salvadores aprendem a reconhecer e abordar suas próprias necessidades.</p>
<p>Para alguém preso na posição de Perseguidor, pode parecer extremamente ameaçador ser absolutamente sincero consigo próprio. Fazer isso se assemelha a culpar a si próprio, o que somente intensifica sua condenação interna. Os Perseguidores precisam de uma situação ou pessoa a quem culpar para que possam manter-se raivosos. A raiva os alimenta como um combustível para sua psique que os faz seguir em frente. Essa pode ser a única maneira pela qual conseguem lidar com uma depressão contínua. Os Perseguidores precisam de explosões de ódio como algumas pessoas precisam de um rush de cafeína. É com esse tranco que começa seu dia.</p>
<p>Bem como nos outros papéis, para o Perseguidor, assumir as consequências de suas escolhas é a única maneira de sair do Triângulo. É necessário que exista algum tipo de ruptura para que passe a desejar assumir sua parte. Infelizmente, por conta de sua enorme relutância em fazê-lo, pode ser necessário que isso ocorra na forma de uma crise.</p>
<p>Ironicamente, a porta de saída do triângulo para todos os envolvidos é a posição de perseguidor. Isso ocorre porque, quando decidimos sair do triângulo, geralmente somos vistos como perseguidores por aqueles que ainda estão nele. Assim que decidimos assumir nossa responsabilidade e dizer a nossa verdade, aqueles que ainda estão no triângulo tendem a nos acusar de vitimizá-los. “Como você pode se recusar a cuidar de mim!”, pode reclamar uma vítima. Ou “O que você quer dizer com ‘não preciso da sua ajuda’?” diz um facilitador, quando sua vítima decide cuidar de si mesma. Em outras palavras, para escapar da vitimização precisamos perseverar ao sermos vistos como “pessoas más”. Isso não é verdade, mas precisamos estar preparados para lidar com o desconforto de sermos encarados dessa maneira.</p>
<p>Quando você está preparado para suas responsabilidades, começa a ordenar as causas e sentimentos reais em relação à situação presente. Você se dispões a experimentar seus próprios sentimentos desconfortáveis e deixar com que as outras pessoas façam o mesmo, sem sentir necessidade de resgatá-las. Se as pessoas que você ama e admira também estiverem dispostas a participar nesse processo de auto-realização, a quebra do triângulo será acelerada. Se você estiver pronto para a quebra e eles não, talvez seja necessário estabelecer limites rígidos ou até mesmo cortar relações. Novamente, isso apresenta o risco de ser visto como perseguidor.</p>
<p>Como pessoas cuja posição inicial é a de Vítima são identificadas como o problema de suas famílias, é natural que procurem ajuda profissional. No entanto, muitas vezes essas pessoas estão inconscientemente buscando por outro Salvador (algo que, por acaso, abunda no meio profissional de ajuda psicológica). Estas pessoas precisam desafiar a crença arraigada de que não  conseguirão seguir sozinhas. Se elas desejarem sair do triângulo, precisam começar a tomar conta de si mesmas em vez de procurar por um salvador externo a elas. Em vez de encararem a si próprias como incapazes, elas precisam reconhecer sua capacidade de resolução de problemas e também de seu potencial de liderança.</p>
<p>Podemos concluir que precisamos primeiro nos conscientizar da maneira pela qual atuamos no Triângulo do Drama. Onde quer que haja disfunção, o Triângulo do Drama estará lá. Tornarmo-nos conscientes da nossa posição inicial é o primeiro passo para nos livrarmos de nossos padrões destrutivos de comportamento. Quando damos início ao processo de libertação da nossa inércia ao assumir responsabilidade e dizer a verdade, transformamos nossa vida. Em outras palavras, nós atingimos o nosso Eu Superior e  trilhamos o caminho das possibilidades latentes em cada um de nós.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201012%2Fdo-triangulo-do-drama%2F&amp;title=do%20tri%C3%A2ngulo%20do%20drama." id="wpa2a_20"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>do tempo e espaço interiores.</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Dec 2010 16:20:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[citações]]></category>
		<category><![CDATA[antipsiquiatria]]></category>
		<category><![CDATA[interior]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[nise da silveira]]></category>
		<category><![CDATA[ronald d. laing]]></category>

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		<description><![CDATA[photo credit: alanlangdon Estamos socialmente condicionados a considerar a imersão total no espaço e no tempo exteriores como coisa normal e saudável. A imersão no espaço e no tempo interiores tende a ser considerada um afastamento antissocial, um desvio inválido, patológico per se e, de certo modo, desabonador. Respeitamos o viajante, o explorador, o alpinista, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="IMG_0076 copy.jpg" href="http://www.flickr.com/photos/81568771@N00/2511307148/" target="_blank"><img class="aligncenter" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2010/12/2511307148_8b845c0ae6_z.jpg" border="0" alt="IMG_0076 copy.jpg" /></a><span style="font-size: 11px;"><a title="Attribution-NonCommercial-NoDerivs License" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/" target="_blank"></a></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 11px;"><a title="Attribution-NonCommercial-NoDerivs License" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/" target="_blank"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/photo-dropper/images/cc.png" border="0" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">photo</a> credit: <a title="alanlangdon" href="http://www.flickr.com/photos/81568771@N00/2511307148/" target="_blank">alanlangdon</a></span></p>
<blockquote><p>Estamos socialmente condicionados a considerar a imersão total no espaço e no tempo exteriores como coisa normal e saudável. A imersão no espaço e no tempo interiores tende a ser considerada um afastamento antissocial, um desvio inválido, patológico <em>per se</em> e, de certo modo, desabonador.</p>
<p>Respeitamos o viajante, o explorador, o alpinista, o astronauta. Para mim, faz muito mais sentido como projeto &#8211; na verdade, projeto de urgência desesperada em nossa época &#8211; explorar o espaço e o tempo interiores da mente. Talvez isso seja uma das poucas coisas que ainda fazem sentido em nosso contexto histórico. Estamos tão desligados deste, que muita gente se pergunta a sério se ele existe.</p></blockquote>
<p><strong><a title="Ronald Laing na Wikipedia (em inglês)" href="http://en.wikipedia.org/wiki/R._D._Laing">Ronald David Laing</a></strong>, in <em>A política da experiência</em>.<br />
Encontrei no excelente <em>O mundo das imagens</em>, da <a title="Nise da Silveira na Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nise_da_Silveira">Nise da Silveira</a>.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201012%2Fdo-tempo-e-espaco-interiores%2F&amp;title=do%20tempo%20e%20espa%C3%A7o%20interiores." id="wpa2a_22"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>do mundo.</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Dec 2010 22:17:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[misc]]></category>
		<category><![CDATA[cartola]]></category>
		<category><![CDATA[filho]]></category>
		<category><![CDATA[mpb]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[pai]]></category>
		<category><![CDATA[sensibilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Diz-se que Agenor, o eterno Cartola, compôs O mundo é um moinho para sua filha, que passava por problemas graves em sua vida. No vídeo acima, canta a canção a pedido do seu pai, com quem passou 40 anos sem contato, depois de ter sido expulso por ele de casa. Para muito além da delicadeza [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/L8U1Y9PBfig?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/L8U1Y9PBfig?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Diz-se que Agenor, o eterno <a title="Biografia de Cartola" href="http://www.mpbnet.com.br/musicos/cartola/index.html">Cartola</a>, compôs <em>O mundo é um moinho</em> para sua filha, que passava por problemas graves em sua vida. No vídeo acima, canta a canção a pedido do seu pai, com quem passou 40 anos sem contato, depois de ter sido expulso por ele de casa.</p>
<p>Para muito além da delicadeza e da sensibilidade da letra genial criada por Cartola, ficam as relações de pais e filhos: abandono, carinho, reencontro, turbulência, tudo conjunto no moinho avassalador que é a vida.</p>
<blockquote><p>Ainda é cedo, amor<br />
Mal começaste a conhecer a vida<br />
Já anuncias a hora de partida<br />
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar</p>
<p>Preste atenção, querida<br />
Embora eu saiba que estás resolvida<br />
Em cada esquina cai um pouco a tua vida<br />
Em pouco tempo não serás mais o que és</p>
<p>Ouça-me bem, amor<br />
Preste atenção, o mundo é um moinho<br />
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho.<br />
Vai reduzir as ilusões a pó</p>
<p>Preste atenção, querida<br />
De cada amor tu herdarás só o cinismo<br />
Quando notares estás à beira do abismo<br />
Abismo que cavaste com os teus pés.</p></blockquote>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201012%2Fdo-mundo-2%2F&amp;title=do%20mundo." id="wpa2a_24"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>do novo mês.</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Dec 2010 17:41:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[mario faustino]]></category>
		<category><![CDATA[presente]]></category>

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		<description><![CDATA[Sinto que o mês presente me assassina, As aves atuais nasceram mudas E o tempo na verdade tem domínio sobre homens nus ao sul das luas curvas. Sinto que o mês presente me assassina, Corro despido atrás de um cristo preso, Cavalheiro gentil que me abomina E atrai-me ao despudor da luz esquerda Ao beco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Sinto que o mês presente me assassina,<br />
As aves atuais nasceram mudas<br />
E o tempo na verdade tem domínio<br />
sobre homens nus ao sul das luas curvas.<br />
Sinto que o mês presente me assassina,<br />
Corro despido atrás de um cristo preso,<br />
Cavalheiro gentil que me abomina<br />
E atrai-me ao despudor da luz esquerda<br />
Ao beco de agonia onde me espreita<br />
A morte espacial que me ilumina.<br />
Sinto que o mês presente me assassina<br />
E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas<br />
De apóstolos marujos que me arrastam<br />
Ao longo da corrente onde blasfemas<br />
Gaivotas provam peixes de milagre.<br />
Sinto que o mês presente me assassina,<br />
Há luto nas rosáceas desta aurora,<br />
Há sinos de ironia em cada hora<br />
(Na libra escorpiões pesam-me a sina)<br />
Há panos de imprimir a dura face<br />
À força de suor, de sangue e chaga.<br />
Sinto que o mês presente me assassina,<br />
Os derradeiros astros nascem tortos<br />
E o tempo na verdade tem domínio<br />
Sobre o morto que enterra os próprios mortos.<br />
O tempo na verdade tem domínio<br />
Amen, amen vos digo, tem domínio<br />
E ri do que desfere verbos, dardos<br />
De falso eterno que retornam para<br />
Assassinar-nos num mês assassino.</p></blockquote>
<p><em>Mário Faustino, chegou a mim pela Juliana Fausto.</em></p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201012%2Fdo-novo-mes%2F&amp;title=do%20novo%20m%C3%AAs." id="wpa2a_26"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>do não.</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Dec 2010 14:29:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[autoral]]></category>
		<category><![CDATA[não]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[photo credit: Dude Crush Não é sem um aperto pungente que constato: é chegada a hora dos nãos. Uma temporada de negações que, por natureza, deixaria em suspenso os sims, acompanhada da esperança de recuperá-los em outro momento. Não é o caso; as concordâncias, cessões e uniões em pausa não retomarão seu rumo mesmo quando findo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="3 o'clock" href="http://www.flickr.com/photos/48622270@N00/2727929492/" target="_blank"><img class="aligncenter" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2010/12/2727929492_16acddcbc0_z.jpg" border="0" alt="3 o'clock" /></a><small><a title="Attribution-NonCommercial-NoDerivs License" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/" target="_blank"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/photo-dropper/images/cc.png" border="0" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">photo</a> credit: <a title="Dude Crush" href="http://www.flickr.com/photos/48622270@N00/2727929492/" target="_blank">Dude Crush</a></small></p>
<p><small><a title="Dude Crush" href="http://www.flickr.com/photos/48622270@N00/2727929492/" target="_blank"></a></small>Não é sem um aperto pungente que constato: é chegada a hora dos <em>nãos</em>. Uma temporada de negações que, por natureza, deixaria em suspenso os <em>sims</em>, acompanhada da esperança de recuperá-los em outro momento.</p>
<p>Não é o caso; as concordâncias, cessões e uniões em pausa não retomarão seu rumo mesmo quando findo o tempo do abandono. As negativas que se projetam adentram esse tempo e cessam <em>tudo </em>- nada mais sobrará para ser recuperado.</p>
<p>Da minha boca cairão palavras gastas e pesadas. Do meu coração voarão desejos sujos e indesculpáveis. Das minhas mãos qualquer criação será nada mais que arremedo.</p>
<p>O momento se apresenta e, diante dele, qualquer força se torna incompetente. É chegada a hora.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201012%2Fdo-nao%2F&amp;title=do%20n%C3%A3o." id="wpa2a_28"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>da geração.</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Nov 2010 03:58:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[misc]]></category>

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		<description><![CDATA[foto: h.koppdelaney Tu n&#8217;es jamais seule Même si tu es seule Je suis toujours là Même quand je n&#8217;y suis pas. Ao fechar os olhos para o sono, é inevitável. Tornou-se quase um reflexo natural, como a confusão que vem leve e vai criando o turbilhão que finalmente cede à calmaria da inconsciência. Nesse momento, como em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="Old Couple" href="http://www.flickr.com/photos/16230215@N08/3101206010/" target="_blank"><img class="aligncenter" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2010/11/3101206010_23821f85ae.jpg" border="0" alt="Old Couple" /></a><span style="font-size: 9px;"><a title="Attribution-NoDerivs License" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nd/2.0/" target="_blank"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/photo-dropper/images/cc.png" border="0" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">foto</a>: <a title="h.koppdelaney" href="http://www.flickr.com/photos/16230215@N08/3101206010/" target="_blank">h.koppdelaney</a></span></p>
<blockquote><p><em>Tu n&#8217;es jamais seule<br />
Même si tu es seule<br />
Je suis toujours là<br />
Même quand je n&#8217;y suis pas.</em></p></blockquote>
<p>Ao fechar os olhos para o sono, é inevitável. Tornou-se quase um reflexo natural, como a confusão que vem leve e vai criando o turbilhão que finalmente cede à calmaria da inconsciência. Nesse momento, como em outros tantos que se acumulam em todo meu tempo, me vem a sensação da sua presença.</p>
<p>E então é  um aquecimento de abraço, que acolhe em si tudo que sou eu. A inversão que se segue, eu no seu colo embora quase sempre tenha sido o contrário, foge ao onírico, tange o real.</p>
<p>Assim são as noites, seguidas de dias que se assemelham no recair do meu pensamento sobre você. Se arrastam e se atropelam, mas você está neles, mesmo quando não está.</p>
<p>Se durmo ou se não durmo, é sempre com você, minha filha.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201011%2Fda-geracao%2F&amp;title=da%20gera%C3%A7%C3%A3o." id="wpa2a_30"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>dos sites de filmes.</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Oct 2010 15:24:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[links]]></category>
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		<category><![CDATA[blippr]]></category>
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		<category><![CDATA[qfilme]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.fimdamente.org/did/?p=1243</guid>
		<description><![CDATA[Não sou das pessoas mais organizadas do mundo, isso é um fato que não posso negar. O curioso é que, se me falta essa característica, me sobra outra, que entra em aparente contradição com esse fato: sou irritantemente metódica. Isso significa que, quando resolvo organizar algo, não canso enquanto não desenvolvo um método para fazê-lo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sou das pessoas mais organizadas do mundo, isso é um fato que não posso negar. O curioso é que, se me falta essa característica, me sobra outra, que entra em aparente contradição com esse fato: sou irritantemente metódica. Isso significa que, <strong><span style="font-weight: normal;"><em>quando</em></span> </strong>resolvo organizar algo, não canso enquanto não desenvolvo um método para fazê-lo. Em questões virtuais isso se amplia, e não me faltam inscrições em sites de todo tipo para prová-lo.</p>
<p>Não foge à essa regra minha obsessão em organizar listas de todos os tipos. Assim, quando conheci o <a title="Flixster" href="http://www.flixster.com/">Flixster</a>, imaginei que meus problemas em listas filmes que havia assistido e que desejava assistir de maneira classificada e acessível teria acabado.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-1269  aligncenter" title="Flixster" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2010/10/flixster_450x246.jpg" alt="Flixster" width="450" height="246" /></p>
<p>O Flixster tem mesmo vários recursos interessantes. Para mim, o principal deles é a possibilidade de avaliar os filmes pelo conhecido método das cinco estrelas. Isso facilita bastante a busca, entre os filmes que já assisti, daqueles que mais gostei, mesmo que não tenham entrado nas listas de favoritos &#8211; outro recurso bacana que o site oferece, a criação de listas com critérios definidos pelo usuário. Afinal, por melhor que um filme seja, nem sempre ele vai se encaixar no meu critério pessoal de favorito. Talvez essa afirmação não faça sentido para muita gente, mas faz para a moça aqui, então o recurso cai como uma luva.</p>
<p>Além disso, as páginas com o perfil de cada filme oferecem uma quantidade interessante de informações, que vão desde os dados da produção &#8211; como ano, elenco, resumo, etc &#8211; a links para os perfis dos atores e diretores, exibição de quais amigos já assistiram ou adicionaram o filme a seus favoritos e o que considero mais útil: filmes similares. Resumindo: ao procurar por um filme no Flixster, não só é possível acessar um monte de informações sobre ele como também encontrar recomendações com base nessa pesquisa. Perfeito, não?</p>
<p>Aí é que está, não é perfeito, não. Nunca consegui compreender que critério o Flixster segue para exibir essas recomendações. A princípio me pareceu que era algo automático e os filmes eram escolhidos de acordo com os filmes classificados de maneira semelhante pelas pessoas que os estrelavam, incluíam em alguma lista ou coisa do tipo. Depois, percebendo alguns desatinos aqui e ali, me perdi de vez e me caiu a ficha de que o recurso, que poderia ser realmente fantástico, era bem meia-boca, isso sim.</p>
<p>Depois de empolgação inicial e de ter incluído algumas dezenas de filmes no meu perfil, classificado outros tantos e escolhido mais um bocado para a lista de filmes a assistir, o ânimo foi esfriando conforme fui deixando de conseguir encontrar recomendações que parecessem valer a pena no site. Recentemente, pensei em tentar encontrar outro site que oferecesse serviços semelhantes e até lancei a questão no <a title="minha conta no Twitter" href="http://twitter.com/sweethell">Twitter</a>, na esperança de ter novamente um local onde pudesse não somente alimentar minhas ganas de organização como também obter recomendações de novos filmes a assistir baseados nos filmes que gosto. Recebi algumas sugestões e achei por bem compartilhá-las por aqui.<br />
<span id="more-1243"></span></p>
<p>Aviso logo que, dos sites relacionados abaixo, conhecia somente um deles anteriormente e somente na fase beta. Isso significa que posso oferecer somente uma visão geral de cada um. Dito isso, vamos à lista:</p>
<p><strong>BLIPPR<img class="aligncenter size-full wp-image-1271" title="Blippr" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2010/10/blippr_450x224.jpg" alt="Blippr" width="450" height="224" /></strong></p>
<p>O <a title="Blippr" href="http://www.blippr.com/">Blippr</a> foi uma febre quando surgiu, ao menos entre os coleguinhas da minha timeline no Twitter. Não foi à toa: na época, o grande lance do site eram as resenhas em 140 caracteres (de filmes, livros, aplicativos, música e jogos também), que poderiam ser publicadas simultaneamente em ambos os sites. O fato da interface ser simples e acessível e de ser possível adicionar filmes a torto e a direito completaram a ideia e, durante um período razoável, bastante gente &#8211; eu inclusa &#8211; alimentou o site com suas opiniões a respeito de filmes de todo tipo.</p>
<p>No entanto, a graça acabou logo, pois o site não oferecia muito mais do que isso naquele começo. Sem mais ferramentas que dessem mais utilidade do que simplesmente oferecer ao mundo minha opinião, abandonei-o sem dó. Somente ontem voltei a visitá-lo, por sugestão do <a title="twitter do @saduh" href="http://twitter.com/saduh">@saduh</a> e do <a title="twitter do @ivan_lp" href="http://twitter.com/ivan_lp">@ivan_lp</a>, e encontrei um site esteticamente mais bonito do que o que conheci, mas ainda pobre em recursos. As únicas opções de classificação são primárias: <em>Love it, Like it, Dislike it</em> e <em>Hate it</em>.  Não há como criar listas e, apesar de existir uma área nas páginas de perfil de filmes com filmes semelhantes, o critério de exibição deve ser o mesmo do Flixster, ou seja, não me serve e não deve servir pra muita gente também.</p>
<p><strong>Resumo da ópera</strong><br />
<em> Prós:</em> design limpo, resenhas curtas,  integração com diversas redes sociais, oferece também livros, aplicativos, música e jogos, possibilidade de adição rápida de itens para resenhar, registro fácil<br />
<em>Contras:</em> possibilidades limitadas de classificação, recomendações pobres e com critérios desconhecidos, dados muito limitados<br />
<em>Idioma da interface</em>: Inglês<br />
<em>Meu perfil no site</em>: <a title="meu perfil no blippr" href="http://www.blippr.com/sweethell">http://www.blippr.com/sweethell</a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<p><strong>ICHECKMOVIES<img class="aligncenter size-full wp-image-1272" title="iCheckMovies" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2010/10/icheckmovies_450x246.jpg" alt="iCheckMovies" width="450" height="246" /></strong></p>
<p>Essa foi uma sugestão do <a title="twitter do @lifeonmarx" href="http://twitter.com/lifeonmarx">@lifeonmarx</a> em resposta à minha pergunta no Twitter, mas ele já havia falado insistentemente sobre o site em diversas ocasiões, o que não havia sido suficiente em despertar meu interesse. Resolvi dar uma chance ao <a title="iCheckMovies" href="http://www.icheckmovies.com/">iCheckMovies</a> por conta da sangria em encontrar um substituto para o Flixster e me registrei por lá.</p>
<p>De cara me conquistou o design que, além de ser bonitinho, é bem organizado e dá uma visão geral das opções com um leve passar de mouse sobre o menu ilustrado com desenhos fofos. As opções são mais ricas do que no Blippr, mas ainda deixam bastante a desejar. Não é possível, por exemplo, fazer uma busca por diretor; você precisa necessariamente pesquisar pelo título em inglês de um filme se quiser encontrá-lo, mesmo que o título original seja em outro idioma; a única maneira de acessar as informações de um filme é por meio de um link para a página do filme no <a title="Internet Movies Database" href="http://www.imdb.com">IMDB</a>, e por aí vai.</p>
<p>As classificações possíveis também não são muito variadas, pois a ideia do site é que o usuário marque (<em>check</em>) os filmes que assistiu, independente do quanto gostou dele. Por isso, há somente a opção de marcar, incluir na lista de filmes a assistir e adicioná-lo nos favoritos. Bastante limitado.</p>
<p>Claro que nem só de aspectos negativos vive o iCheckMovies, que conta atualmente com cerca de 30 mil usuários inscritos. Uma ideia curiosa são as listas pré-reunidas que ele oferece, que incluem não somente compilações de filmes por <a title="filmes na lista de documentários do iCheckMovies" href="http://www.icheckmovies.com/list/documentary/sweethell/">gênero</a> e <a title="filmes dos anos 2000 no iCheckMovies" href="http://www.icheckmovies.com/list/2000s/">década</a> (segundo classificação do IMDB), como também pela <a title="listas de filmes pela crítica" href="http://www.icheckmovies.com/list/overview/?category=critics">crítica</a>, <a title="lista de filmes por prêmios em festivais" href="http://www.icheckmovies.com/list/overview/?category=prizes">prêmios de festivais</a> (como Cannes, Sundance e, claro, o Oscar), <a title="lista de filmes por sites" href="http://www.icheckmovies.com/list/overview/?category=website">sites</a> (vale a pena conferir essas listas, tem de tudo um pouco), entre outras. Esse recurso, por si só, já vale o registro no site, por oferecer a possibilidade de conhecer novas obras de uma maneira alternativa.</p>
<p><strong>Resumo da ópera</strong><br />
<em> Prós:</em> design fofo, oferece listas pré-compiladas que são uma maneira alternativa de encontrar novos filmes para assistir<br />
<em>Contras:</em> possibilidades limitadas de classificação, não há recomendações na página de perfil dos filmes, dados muito limitados<br />
<em>Idioma da interface</em>: Inglês<br />
<em>Meu perfil no site</em>: <a title="meu perfil no iCheckMovies" href="http://www.icheckmovies.com/profile/sweethell/">http://www.icheckmovies.com/profile/sweethell/</a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<p><strong>QFILME</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1273" title="qFilme" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2010/10/qfilme_450x247.jpg" alt="qFilme" width="450" height="247" /></p>
<p>Resultado da iniciativa de <a title="site do Thadeu Morgado, criador do qFilme" href="http://www.thadeumorgado.com/">um só homem</a>, o <a title="qFilme" href="http://www.qfilme.com">qFilme</a> se propõe a ser um espaço de referência rápida de filmes, servindo como um histórico de filmes assistidos e também como uma maneira de encontrar filmes para assistir de maneira simplificada. Talvez por isso o registro no site seja tão enxuto &#8211; basta inserir nome, email e senha para abrir uma conta. Não há sequer um <a title="a definição de captcha na Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/CAPTCHA">captcha</a> para proteger o site de uso malicioso e não se recebe nenhum email confirmando a inscrição. Simples assim.</p>
<p>Simples também é o perfil dos usuários, que não contém nada além de nome e uma lista de filmes assistidos. Ao contrário de todos os outros sites neste post, o qFilme não oferece recursos de rede social: é impossível adicionar amigos, não existe como saber a compatibilidade de preferências cinematográficas em relação a outro usuário e não há como recomendar filmes. Considerando que, atualmente, tudo que é site apresenta ao menos uma ou outra ferramenta de interação social embutida, cabe a cada um decidir se a falta disso causa um suspiro de alívio ou uma sentida ausência.</p>
<p>Para testar o site, procurei por <a title="Dogville na Wikipedia. Em inglês, porque tem muito mais informações." href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dogville">Dogville</a> na caixa de pesquisa. Nenhum resultado. Tentei novamente buscando por <a title="Lua de Fel na Wikipedia. Em inglês, porque tem muito mais informações." href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bitter_Moon">Lua de Fel</a>. Novamente, nenhum resultado. Ainda sob o choque de não ter encontrado filmes de tal naipe já resenhados no site, procurei a opção de adicionar um novo filme, que segue o padrão simplista do site &#8211; é só inserir o nome do filme, indicar como você o assistiu (na TV, no cinema, em DVD ou por download), dar uma nota de um a cinco e redigir um comentário de até 999 caracteres. O resultado final é a exibição do seu comentário na página de perfil do filme, que conta com nada além de&#8230; comentários dos usuários sobre o filme. Nenhuma informação, nenhuma recomendação, nenhuma firula.</p>
<p>Para quem estiver buscando uma maneira objetiva e direta de listar os filmes que assistiu, tecer ligeiros comentários sobre ele e ler opiniões alheias sem maiores distrações, esse é o lugar. Como não é o meu caso, sigo a busca. Sugestão da simpaticíssima <a title="twitter da @cade_lili" href="http://twitter.com/cade_lili">@cade_lili</a>.</p>
<p><strong>Resumo da ópera</strong><br />
<em> Prós:</em> registro rápido, inserção simplificada de novos filmes, design atraente<br />
<em>Contras:</em> o excesso de simplificação limita a utilidade do site a quase nenhuma.<br />
<em>Idioma da interface</em>: Português do Brasil<br />
<em>Meu perfil no site</em>: <a title="meu perfil no qFilme" href="http://www.qfilme.com/perfil/Tatiana+Le%E3o">http://www.qfilme.com/perfil/Tatiana+Le%E3o</a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<p><strong>FILMOW</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1274" title="Filmow" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2010/10/filmow_450x247.jpg" alt="Filmow" width="450" height="247" /></p>
<p>Em primeira análise, o <a title="Filmow" href="http://filmow.com">Filmow</a>, sugestão do <a title="Facebook do Caliban" href="http://www.facebook.com/DanCaliban">Caliban</a>, me pareceu um forte candidato. Apesar do design pouco moderno e bastante semelhante ao do Flixster, não lhe faltam recursos e é difícil não se deixar envolver por eles.</p>
<p>Basta buscar por um filme para visualizar a riqueza de informações disponíveis sobre ele, não só quanto aos dados do filme como também trailers em vídeo, quando disponíveis. Aliás, não são somente os filmes que são pesquisáveis: atores, diretores e até usuários podem ser facilmente encontrados usando a caixa de pesquisa, o que proporciona uma flexibilidade importante na hora de procurar por um filme cujo título seja em outro idioma ou descobrir o nome do filme do qual só se lembra do elenco ou de quem o dirigiu.</p>
<p>Nos perfis dos filmes, as opções de classificação estão em destaque, logo abaixo do título. Novamente, são poucas: <em>Quero ver, Não quero ver </em>e <em>Já vi</em>. No último caso, vale ressaltar que há mais uma escolha, a de quantas vezes você já viu o filme que está marcando. Bacana, mas nada decisivo. Logo ao lado, há a opção de adicionar o filme aos favoritos.</p>
<p>Todas essas escolhas formam uma reunião de usuários apresentada na coluna abaixo do cartaz do filme, na parte esquerda do site, que dividem da mesma opinião, tornando fácil encontrar pessoas que possam ter um gosto em cinema em comum. Clicando no avatar de um usuário, você tem acesso ao seu grau de compatibilidade com ele, caso já tenha classificado um número razoável de filmes. Mas é só: o site não apresenta nenhum outro sistema de recomendações, o que significa que o usuário depende de uma trabalhosa pesquisa e de um tanto de sorte para encontrar novos filmes para assistir com base em seus filmes favoritos.</p>
<p><strong>Resumo da ópera</strong><br />
<em> Prós:</em> recursos de rede social, informações abrangentes, possibilidade de pesquisar também por elenco e diretores<br />
<em>Contras:</em> design sem graça, nenhum recurso de recomendação de filmes<br />
<em>Idioma da interface</em>: Português<br />
<em>Meu perfil no site</em>: <a title="meu perfil no Filmow" href="http://filmow.com/usuario/sweethell/">http://filmow.com/usuario/sweethell/</a></p>
<hr />Como é possível perceber, nenhum dos sites acima tem o que eu quero. Alguma outra sugestão?</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201010%2Fdos-sites-de-filmes%2F&amp;title=dos%20sites%20de%20filmes." id="wpa2a_32"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>das roupas e do social</title>
		<link>http://www.fimdamente.org/did/201010/das-roupas-e-do-social/</link>
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		<pubDate>Thu, 07 Oct 2010 14:26:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[atitude]]></category>

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		<description><![CDATA[Já há algum tempo que o Laerte, para mim um dos melhores quadrinistas do país junto ao Lourenço Mutarelli, declarou que estava curtindo um crossdressing, ou seja, portar indumentária feminina. Imagino que, mesmo sendo o artista genial que é, mesmo entre seu próprio quadro de admiradores não tenha escapado de sofrer preconceito por conta disso. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já há algum tempo que o <a title="blod do laerte, atualizado frequentemente." href="http://verbeatblogs.org/manualdominotauro/">Laerte</a>, para mim um dos melhores quadrinistas do país junto ao <a title="blog do Lourenço Mutarelli, aparentemente desativado" href="http://blogdolourencomutarelli.blogspot.com/">Lourenço Mutarelli</a>, <a title="a declaração na Folha de São Paulo" href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/792980-cartunista-laerte-posa-vestido-de-mulher-e-diz-que-esta-se-montando.shtml">declarou</a> que estava curtindo um <a title="a definição decepcionantemente rasa na Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Crossdressing">crossdressing</a>, ou seja, portar indumentária feminina. Imagino que, mesmo sendo o artista genial que é, mesmo entre seu próprio quadro de admiradores não tenha escapado de sofrer preconceito por conta disso. Daqui do meu lado, tenho a sorte de não poder afirmar isso com certeza pois, afora uma ou outra piadinha inevitável, nas minhas redes sociais virtuais e reais não me deparei com demonstrações abertas de repúdio. Ainda bem.</p>
<p>Hoje, pelo <a title="minha verborragia em 140 caracteres" href="http://www.twitter.com/sweethell/">Twitter</a>, me chegou um vídeo do dito cujo no lançamento de seu livro <a title="sobre o livro no site da Companhia das Letras" href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=65020">Muchacha</a> na FNAC de São Paulo. Até aí, morreria Neves, não fosse o fato de Laerte ter comparecido ao lançamento vestido de mulher. No vídeo, a repórter Graziele Marronato elabora, visivelmente sem-graça, algumas perguntas também sobre essa questão. As respostas e o vídeo como um todo são um show, um alívio para qualquer pessoa que, ao olhar ao redor, lamenta a posição de boa parte da humanidade em pregar a padronização como pré-requisito para a estruturação social.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="640" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/VfKNzdBillQ?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="385" src="http://www.youtube.com/v/VfKNzdBillQ?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><em>&#8220;Minha convicção é a de que todas as pessoas gostariam de experimentar muito mais do que aquilo que os códigos sociais permitem, recomendam e limitam.&#8221;</em> Pois é, rapaz, felizmente há os transgressores, nem sempre tão agressivos quanto se faz acreditar e muitas vezes bastante mais interessantes do que a média.</p>
<p><span style="font-size: small;">via <a title="@hectorlima" href="http://twitter.com/hectorlima">@hectorlima</a>, <a title="@livbrandao" href="http://twitter.com/livbrandao">@livbrandao</a> e <a title="@jampa" href="http://twitter.com/jampa">@jampa</a>.</span></p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201010%2Fdas-roupas-e-do-social%2F&amp;title=das%20roupas%20e%20do%20social" id="wpa2a_34"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>das expressões.</title>
		<link>http://www.fimdamente.org/did/201009/das-expressoes/</link>
		<comments>http://www.fimdamente.org/did/201009/das-expressoes/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 29 Sep 2010 01:23:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[pessoal]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.fimdamente.org/did/?p=1226</guid>
		<description><![CDATA[photo credit: mark78_xp Desde o início do ano que não passo por aqui e, mesmo antes disso, havia um intervalo de meses para o post anterior. É tentador mapear os acontecimentos, qual fato se acumulou a outros para que o espaço que tenho aqui ficasse tão constantemente desocupado; no entanto, esse exercício não me passa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a title="Blank Sheet of Paper" href="http://www.flickr.com/photos/83575091@N00/1463574952/" target="_blank"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2010/09/1463574952_dd400430e5_z.jpg" border="0" alt="Blank Sheet of Paper" /></a><br />
<small><a title="Attribution-NonCommercial-NoDerivs License" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/" target="_blank"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/photo-dropper/images/cc.png" border="0" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">photo</a> credit: <a title="mark78_xp" href="http://www.flickr.com/photos/83575091@N00/1463574952/" target="_blank">mark78_xp</a></small></p>
<p>Desde o início do ano que não passo por aqui e, mesmo antes disso, havia um intervalo de meses para o post anterior. É tentador mapear os acontecimentos, qual fato se acumulou a outros para que o espaço que tenho aqui ficasse tão constantemente desocupado; no entanto, esse exercício não me passa pelas mãos. O que passa é o de continuidade, é o de retomar alguma rédea desconhecida na qual ainda possa encontrar alguma ilusão de controle. Ela está aqui, nesse post, nessa vontade.</p>
<p>Ao longo dos últimos anos tenho abandonado expressões por aí. Aos poucos fui deixando de escrever, depois de fotografar, até que mesmo o impulso de coletar fascínios foi me abandonando. Isso começou a me incomodar e, em prol de eliminar ao menos um tanto desse incômodo, volto aqui, digito esses significados, busco mais uma renovação.</p>
<p>Que essa busca, enfim, seja finalmente incansável.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.fimdamente.org%2Fdid%2F201009%2Fdas-expressoes%2F&amp;title=das%20express%C3%B5es." id="wpa2a_36"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_120_16.gif" width="120" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.fimdamente.org/did/201009/das-expressoes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>do pulso.</title>
		<link>http://www.fimdamente.org/did/201001/do-pulso/</link>
		<comments>http://www.fimdamente.org/did/201001/do-pulso/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 10:05:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[autoral]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.fimdamente.org/did/?p=858</guid>
		<description><![CDATA[foto credit: Patrick ??? ??? O pulso que se revela trágica e dolorosamente fechado me descreve tudo o que sei e não posso compreender. A realidade é pálida e não tenho mais sustos nem reconheço nada deslizo indiferente com mãos abertas e olhos anestesiados. E por vezes parece que a verdade se esconde por trás [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flickr.com/photos/86891674@N00/2596489422/" target="_blank"><img class="aligncenter" src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2010/01/2596489422_62f9063296.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
<small><a title="Attribution-NonCommercial-ShareAlike License" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/" target="_blank"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/photo-dropper/images/cc.png" border="0" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">foto</a> credit: <a title="Patrick ??? ???" href="http://www.flickr.com/photos/86891674@N00/2596489422/" target="_blank">Patrick ??? ???</a></small></p>
<p><small><a title="Patrick ??? ???" href="http://www.flickr.com/photos/86891674@N00/2596489422/" target="_blank"></a></small>O pulso que se revela<br />
trágica e dolorosamente<br />
fechado</p>
<p>me descreve tudo<br />
o que sei e não posso<br />
compreender.</p>
<p>A realidade é pálida<br />
e não tenho mais sustos<br />
nem reconheço nada</p>
<p>deslizo indiferente<br />
com mãos abertas<br />
e olhos anestesiados.</p>
<p>E por vezes parece<br />
que a verdade se esconde<br />
por trás da dor</p>
<p>mas ainda há o hábito<br />
que tira das minhas mãos<br />
esse veneno.</p>
<p>Talvez em algum momento<br />
menos efêmero, em breve,<br />
tudo se torne simples</p>
<p>e então seja fácil<br />
recostar minha cabeça<br />
neste infinito.</p>
<p style="text-align: right;"><em>12 de março de 1999.</em></p>
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		<title>das barcas.</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 13:42:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Leão</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[autoral]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>

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		<description><![CDATA[foto: Ana Pinta Sob influência destas barcas, Te escrevo um poema. Estes ruídos rangentes Que navegam por sobre os olhos, Assim, escritos e guardados, Serão teus, como eu. Olhando os passos frenéticos, Esta pressa indulgente, Paranóia tão comum, Teus lábios brancos sobrevoam Úmidos como os pés Das garças pobres. Mais adiante, o verde Obtuso e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/uploads/2008/05/174143957_4baf509baa.jpg" border="0" alt="" /><br />
<small><a title="Attribution-NonCommercial License" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/" target="_blank"><img src="http://www.fimdamente.org/sweethellwp/wp-content/plugins/photo_dropper/images/cc.png" border="0" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">foto</a>: <a title="Ana Pinta" href="http://www.flickr.com/photos/32787634@N00/174143957/" target="_blank">Ana Pinta</a></small></p>
<p>Sob influência destas barcas,<br />
Te escrevo um poema.<br />
Estes ruídos rangentes<br />
Que navegam por sobre os olhos,<br />
Assim, escritos e guardados,<br />
Serão teus, como eu.</p>
<p>Olhando os passos frenéticos,<br />
Esta pressa indulgente,<br />
Paranóia tão comum,<br />
Teus lábios brancos sobrevoam<br />
Úmidos como os pés<br />
Das garças pobres.</p>
<p>Mais adiante, o verde<br />
Obtuso e raro como o sorriso<br />
Desta gente ondulátória,<br />
Forma uma agonia tão imensa,<br />
Tão pungente, que a água<br />
Perde o rumo, como eu.</p>
<p style="text-align: right;"><em>28 de outubro de 1998</em></p>
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