<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343</atom:id><lastBuildDate>Wed, 07 May 2025 13:39:00 +0000</lastBuildDate><category>reflexões</category><category>música</category><category>literatura</category><category>cidade</category><category>filosofia</category><category>religião</category><category>mercado editorial</category><category>mulheres</category><category>ugra press</category><category>amor</category><category>magia</category><category>relacionamentos difíceis</category><category>sexo</category><category>literatura norte-americana</category><category>poesia</category><category>política</category><category>romance</category><category>solidão</category><category>sonhos</category><category>tradução</category><category>vídeos</category><category>Deus</category><category>cinema</category><category>literatura brasileira</category><category>literatura latino-americana</category><category>mão esquerda</category><category>alexander dugin</category><category>cartas</category><category>dostoiévski</category><category>fixação</category><category>história</category><category>imagens</category><category>insônia</category><category>literatura portuguesa</category><category>literatura russa</category><category>línguas</category><category>metafísica</category><category>modernidade</category><category>são paulo</category><category>Alan Moore</category><category>Austin Osman Spare</category><category>Lúcifer</category><category>arcanjos</category><category>cristianismo</category><category>drogas</category><category>erotismo</category><category>fanzine</category><category>fotos</category><category>mitológicas</category><category>paganismo</category><category>satanismo</category><category>teatro</category><category>tradição</category><category>tudo o que é grande se constrói sobre mágoa</category><category>viagens</category><category>2012</category><category>Angeli</category><category>Bookchin</category><category>Corrente 218</category><category>Corrente 49</category><category>Crowley</category><category>Dino Buzatti</category><category>Frithjof Schuon</category><category>HQ</category><category>Joseph Cambell</category><category>Lovecraft</category><category>Michel Houellebec</category><category>agamben</category><category>anarquismo</category><category>anticósmico</category><category>arquitetura</category><category>artes plásticas</category><category>black metal</category><category>blood of the black owl</category><category>blue sabbath black cheer</category><category>cioran</category><category>conspiração</category><category>design</category><category>documentário</category><category>eduardo galeano</category><category>esquerda</category><category>etimologia</category><category>exposições</category><category>festa</category><category>ficção científica</category><category>gnose</category><category>hermann hesse</category><category>igreja do livro transformador</category><category>kali-yuga</category><category>latim</category><category>listas de ódio</category><category>literatura contemporânea</category><category>literatura francesa</category><category>literatura inglesa</category><category>livros das proibições destruídas</category><category>livros insignificantes</category><category>misticismo</category><category>mitologia</category><category>niilismo</category><category>noise</category><category>paixão</category><category>paul veyne</category><category>quimbanda</category><category>rotina</category><category>shazulla</category><category>tempo</category><category>thursatru</category><category>trabalho</category><category>umberto eco</category><category>visões</category><category>zines</category><title>Dissolve Coagula</title><description></description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Leandro)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>205</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-5732955760758493051</guid><pubDate>Tue, 22 Mar 2022 22:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2022-03-23T12:46:41.922+14:00</atom:updated><title>Coragem é um tipo de salvação</title><description>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;iframe allow=&quot;accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture&quot; allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/tcciFRZFDyY&quot; title=&quot;YouTube video player&quot; width=&quot;560&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez o YouTube retire isso em algum momento. Nada do que está online tem garantias de estar aqui para sempre, nem isso que aqui escrevo. Não há nenhuma garantia da permanência de nada em lugar algum, mas se há ainda que lê aqui, esse disco surge já como uma dos grandes nomes de 2022.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Projeto solo do Sakis do Rotting Christ. A ambiência grega elevada com paixão. O peso de mil fúrias com a melodia que os filhos de Aquiles conseguiram criar como uma marca inconfundível do black metal feito naquele lugar mágico que é a Hélade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O disco inicia com uma frase marcante: &quot;coragem é um tipo de salvação&quot;. Eu acho que Sakis está certo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2022/03/coragem-e-um-tipo-de-salvacao.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img.youtube.com/vi/tcciFRZFDyY/default.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-69257536367554457</guid><pubDate>Sun, 13 Mar 2022 00:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2022-03-14T05:39:14.862+14:00</atom:updated><title>Que você viva tempos interessantes</title><description>&lt;p&gt;&lt;i&gt;Ao som de&quot;Your Love Can&#39;t Hold This Wreath Of Sorrow&quot;, álbum de 2021 Of The Wand and Moon&amp;nbsp;(seguramente um dos melhores discos do Segundo Ano da Peste)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há um provérbio chinês assim: &quot;Que você viva em tempos interessantes&quot;. Sempre achei curioso esse provérbio. Ele é enigmático de um modo bastante estranho. O que significaria um tempo interessante, afinal? Esse provérbio é algo que desejamos favoravelmente, ou tem um certo tom de maldição? A magia do texto é essa: damos ao que lemos a entonação que quisermos. Ou que pudermos. Cada um faz a interpretação que é capaz de fazer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os tempos que vivemos são interessantes no sentido de serem extremos. Eles &lt;i&gt;exigem&lt;/i&gt;&amp;nbsp;de nós um esforço heróico. Eles maltratam. Chacoalham nossas certezas e atiçam os medos. Como se todo dia fosse uma nova provação. Um outro ordálio. O iniciar sempre renovado do rolar a pedra rumo ao pico de um nova montanha, que parece ser sempre maior do que a anterior.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A miséria inclemente desses nossos tempos interessantes faz com que qualquer andança, em qualquer centro urbano brasileiro, literalmente tropecemos em corpos famintos pelas calçadas. Sempre houve uma miséria absurda nesse país, fruto de abismos sociais que remontam às capitanias hereditárias. Mas pelo menos até onde minha memória de quatro décadas remonta, nunca chegamos a tanta visibilidade da miséria como agora. Ela se escancara como nunca. Voltando a ser um morador do ABC desde ano passado, comecei a passar novamente por lugares que sempre percorria, e em diversos deles amontoados de pobreza e degradação. Como uma espécie de mofo que se espalha lentamente, a miséria despontando no horizonte meio provinciano do ABC: um mendigo que começa a dormir abaixo de uma marquise, logo depois outro, e mais um, até que então o que era a fachada de um prédio se transforma numa espécie de casa para despossuídos sem futuro seguirem com suas existências invisíveis. Comerciantes detestam mendigos. Atrapalham os negócios. As mãos dos botas pretas se enchem de coxinhas ou outros agrados mais caros para &quot;serviços especiais&quot; serem feitos. Tudo em nome da lei e da ordem. Ainda melhor se banhadas em sangue. Ou talvez apenas um apavoro a base de bordoadas na calada da madrugada e pronto: o clima favorável novamente para os negócios se faz presente. Isso não elimina a miséria, apenas a tira de um lugar para que ela brote em outro. E junto com ela aquele conjunto básico de cobertores fedidos, papelões, certa algazarra e bebedeiras ocasionais. Muitos palermas criticam os mendigos beberrões. Deveriam comprar comida, diz o Enzo do Recursos Humanos que trabalha na Faria Lima. Na cabeça desse tipo de imbecil viver na rua é uma opção. Na verdade, acho que os mendigos bebem é pouco. Eu no lugar deles faria de tudo para esquecer a vida, louco de tudo que pudesse beber ou cheirar.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com certeza que os tempos que chamo de interessantes para os mendigos não são nem de longe isso. Alguns devem se lembrar, caso ainda tenham sanidade, de tempos antigos onde tudo era interessante. Conheci mendigos que eram assalariados como eu. Alguns tiveram empresas. Hoje deixam-se consumir a cada tragada num cachimbo de crack. Eu tomaria um soco bem dado na fuça se falasse para esses caras que eles vivem em tempos interessantes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que estão sendo testados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que devem resistir etc.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há aqueles que gostam de ajudar os mendigos. Quando eles chegam pedindo algo, ouvem suas histórias mirabolantes, alguns são péssimos mentirosos e sabemos que tudo que estão falando é para, ao final, pedir dinheiro. O Enzo da Faria Lima é um desses que ouve tais histórias com um mix de medo e nojo. Se o mendigo é insolente ele se caga todo. Eu gosto muito mais dos mendigos sujeira mesmo, aqueles que são debochados, que chegam apavorando, do que os mendigos calados e humildes. Dá mais gosto você falar com quem lida com o inimigo com sangue no olho. O mendigo insolente está em guerra contra o nosso mundo interessante, caro leitor, e ele vê eu e você como um alvo a ser extorquido, como alguém que lhe deve pois, afinal, que desgraça é essa de vocês terem tudo e eu aqui não ter nada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estava falando dos Enzos que gostam de ajudar os mendigos. Não é exatamente gostar, mas eles sempre ouvem as histórias de pesar que lhes são ditas pelos miseráveis, e deixam ao final uma ajudinha. Fazem isso mais por peso na consciência do que qualquer outra coisa. No fundo sentem culpa. Dar um dinheiro é uma forma de comprar um conforto. A satisfação de poder falar que ajudou. Que fez sua parte.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vômito.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu só penso em vomitar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os tempos interessantes atuais também agora nos presenteiam com a ameaça da extinção atômica. Quem foi criança nos anos 80 deve ter tido aquele tipo particular de medo que é o medo de um&amp;nbsp; holocausto nuclear. Pelo menos em algum momento teve. Me recordo do Fantástico mostrando os avanços do programa Guerra nas Estrelas, que era basicamente os Estados Unidos fazendo propaganda de como poderiam abater mísseis soviéticos em pleno ar. Devia ser tudo mentira para tranquilizar o eleitorado republicano e democrata, ambos com o cu na mão de virar poeira radioativa. Existiam muitos filmes que falavam sobre o assunto guerra atômica. Em um deles tocava uma sirene antimísseis minutos antes do ataque começar. Me recordo de um dia estar brincando e ouvir uma sirene tocar. Era bem no meio da tarde. Fazia um mês que eu tinha assistido a esse filme. Eu fiquei apavorado. Mas nada aconteceu. Nenhum ataque de mísseis. Até parece que o Brasil ia ter sirenes de alerta antimísseis. Logo o Brasil. A infância é a época onde você é a pessoa mais esperançosa que você jamais será de novo. A esperança infantil chega a ser tola. Nós adultos vemos as crianças sendo esperançosas e temos a missão moral de não esfregar na cara deles a realidade. Temos que alimentar sonhos pois dos sonhos é feita a matéria da vida. É eles que nos moldaram quando éramos apenas inconscientes dos tempos interessantes que nos rodeavam. Quando tomamos consciência do que nos cerca de fato, a inocência já se foi. O tempo interessante que nos resta é o que é escancarado no noticiário, na vida cinza que sempre tenta deixar tudo como está. Você seria um cuzão digno de tomar uma porrada na cara se fosse o tempo todo franco com uma criança. A mentira é uma proteção para elas. A fantasia também. Elas ajudam a construir bases para que elas possam ser sozinhas o que devem ser. Mas sempre fica aquele pensamento de se não é dever nosso também prepará-los para os tempos interessantes que elas viverão. Os tempos pós-fim-da-inocência. Tempos onde terão que arrastar suas próprias pedras para os picos de suas próprias montanhas. Não deveríamos prepará-las afinal para serem um pouquinhos mais cascas-grossas num mundo que, veja bem, está agora em 2022 com risco de uma hecatombe nuclear?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fé. Sempre a fé no amanhã. Por mais que não se queira, algo em nós sempre está ali nos puxando para o dia seguinte. Mesmo que Putin aperte o botão e nuvens de destruição radioativa comecem a vir da Europa para cá, não há como pensar que simplesmente todo mundo sentará esperando morrer. Haverá o caos. Mas também haverá a nossa sempre necessária dose de comodismo. Somos uma espécie cômoda. Quem tem fogo dentro de si acaba por ter sempre incêndios a provocar. Está sempre em busca de, frente a tempos chatos, torná-los interessantes mesmo que às custas da destruição de tudo ao seu redor.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Da destruição dos que estão ao seu redor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Da destruição de si mesmo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa que será sempre a mais bela de todas as formas de destruição.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A mais egoísta e a única que pode, após tanto sangue derramado, transformar o que nos restou em algo novo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nossos tempos interessantes puxaram muitos para a destruição de si mesmo. Eu mesmo esfacelei-me não sei quantas vezes, debati comigo mesmo um gazilhão de outras tantas. Morte após morte após morte, até descobrirmos &lt;i&gt;aquilo que realmente somos. &lt;/i&gt;Qual a nossa real missão nesses tempos interessantes nos quais nascemos. O Destino que colocaram diante de nós e que nos obrigaram a viver - mas que podemos sabotar, de várias maneiras, e não me parece existir nenhuma passaporte para a dignidade real que não passe por ser um&lt;i&gt; sabotador radical &lt;/i&gt;dos planos que fizeram para nós.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma quebra radical de coisas endurecidas e cristalizadas. Amarras poderosas que nos atam a tantas formas de pensar e agir que jamais serão nossas, sempre serão dos outros. Eu sempre tive um incômodo horrível de viver segundo os ditames dos outros. Era como uma traição. Era como me vender para uma felicidade que não me dizia respeito. Eu também jamais permitia que, quem quiser que estivesse ao meu lado, se sacrificasse por mim. Que mudasse por mim. Eu nunca gostei de esperar algo das pessoas. Toda espera é uma decepção. Que cada um forneça a nós de forma livre e espontânea o que tem a oferecer. A beleza da vida reside nisso: no desprendimento. Isso é uma verdade amarga que nossa espécie, cômoda por natureza, tem dificuldade de engolir. Comodismo tem a ver com rotina, planos e objetivos. Isso tudo nos conduz a um ritmo seguro de viver. Tempos interessantes nada tem a ver com comodismo e é por isso que os momentos de real atribulação, onde tudo chacoalha e as coisas caem no chão - inclusive nós mesmos - é que são os momentos onde a vida pulsa em toda a sua beleza caótica.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez o mais sensato fosse ser cômodo. A maioria vive assim e não há razão para duvidar da real satisfação que eles tem com isso. Mas alguém seria tolo de achar que poderia ensinar ao fogo para parar de queimar? Para que a água não molhasse?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aos condenados e condenadas que vivem sempre em busca do mais interessante dos tempos: eu os saúdo com meu cálice levantado. Que a vossa coragem de sempre ir adiante inspire a outros tantos que precisam. Que extingamos desse mundo a raça dos Enzos da Faria Lima que querem a tudo tornar mecânico, previsível e tedioso. Que tenhamos conosco a força de heróis como Sísifo, milenarmente empurrando sua rocha montanha acima; de Lúcifer, cuja força bestial ilumina esse mundo que todos acreditam pertencer a outro e não a Ele; de Raskolnikóv, que levantou a arma contra uma ideia e pode ver além da moral do homem comum. Tempos interessantes que se façam agora, mesmo que às custas do fim de tudo que pensamos ser.&lt;/p&gt;</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2022/03/que-voce-viva-tempos-interessantes.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-3404455028346458174</guid><pubDate>Sat, 17 Apr 2021 23:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-04-18T13:48:07.268+14:00</atom:updated><title>Botinhas (ou sobre quando um cavalo foi nomeado senador em Roma)</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgE9fE5F3saZtzPtndY9OH2HDdcTTkxFpv6HLsNdHvvBI-u6C3UeoIk5vogIkYAAKCQK7WX2dKzoUL-lFZ487nKgq0iebnanRHM1X11cSyAF_ZXVcXxFGyI_hy7CvOxtUThXikz/&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; data-original-height=&quot;288&quot; data-original-width=&quot;512&quot; height=&quot;336&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgE9fE5F3saZtzPtndY9OH2HDdcTTkxFpv6HLsNdHvvBI-u6C3UeoIk5vogIkYAAKCQK7WX2dKzoUL-lFZ487nKgq0iebnanRHM1X11cSyAF_ZXVcXxFGyI_hy7CvOxtUThXikz/w640-h360/image.png&quot; width=&quot;600&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Pela janela o Monte Palatino brilhando sob o luar que em
breve dará lugar ao Sol. A essa hora, quando Vésper começa a aparecer no céu,
as festas na Suburra estão ainda em agitação desenfreada onde eu, muitas vezes,
mergulhava para gozar de prazeres extremos sem ser notado como sou – um verdadeiro
deus. Hão de me cantar em poemas no futuro, tal como a Odisseu o fizeram. O imperador
divino que fazia orgia com a gente simples e com os patrícios,
indiferentemente. O imperador que colocou um fim ao reinado dos deuses. Júpiter,
Ceres, Febo, Latona, Vênus: todos eles já há séculos não prestam mais atenção nesse
mundo. Tem coisas mais importantes para fazer. É hora de dar um basta nisso. Dar
um fim a toda a imundície que impregna Roma. Que está em cada tijolo dessa
cidade. Em cada cidadão respeitável que acumula crimes silenciosos. Em suas
gentes vulgares que amam o circo mais que o pão. Animais todos eles. E sempre
assim eles serão.&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Eu vivi todos os dias da minha vida sendo eu mesmo.
Senadores castrados de seus desejos quiseram fazer com que eu descesse de
minhas sandálias, essas mesmas sandálias que me deram um nome, para lamber suas
bolas envelhecidas e corromper-me pelo bem da Coisa Pública. Acontece que eu
nunca entendi que bem é esse, nunca me senti parte de público nenhum - público
sempre me remeteu a algum tipo de multidão, e eu odeio a todas elas. Solitário
desde a infância, o pequeno Augustus Germanicus brincava sozinho com as sombras
de si mesmo. Mesmo agora, &lt;i&gt;pontifex maximus &lt;/i&gt;da &lt;i&gt;Roma Aeterna&lt;/i&gt;,
rodeado de tantos escravos que nunca acho que vi a todos, sempre prontos para
me servir como eu bem entender em todos os sentidos, mesmo agora sinto-me só. É
como sempre me senti. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Foi na selvática Germânia onde meu nome mudou. Naquelas
florestas frias e sombrias esmagamos cem nações selvagens com o peso das
Legiões. É incrível o ímpeto guerreiro dos bárbaros: são como cães raivosos,
não se rendem nunca, e mesmo acuados pelo medo são terrivelmente perigosos. Seu
valor está em nunca se entregar, mesmo contra todas as evidências da derrota.
Um deles, que eu julgava morto no campo de batalha, me puxou a perna enquanto
eu passava; no puxão eu caí, e uma das sandálias se desprendeu de meu pé,
fazendo com que o bárbaro a mordesse quase rosnando de ódio. Mais morto que
vivo, foi fácil me desvencilhar dele. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Os companheiros de batalha riram da situação - o filho do
imperador caindo diante de um bárbaro semimorto. Aquilo me envenenou com ódio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Gostou de minha sandália, bárbaro?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Os risos da soldadesca rasa continuavam, mais tímidos, agora
que eu me punha de pé.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Vamos fazer isso do jeito certo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Retirei minha outra sandália enquanto pisava na enorme
ferida no ombro esquerdo do bárbaro. A dor o fazia gritar. As tentativas débeis
de me golpear com a mão direita acabaram quando, com um golpe de meu gládio,
cortei metade de seu braço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Você não precisa mais dele, não é mesmo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Nenhum riso mais era ouvido. Apenas olhares curiosos me
acompanhavam enquanto eu segurava as duas sandálias juntas. Meu tio, o
imperador Tibério, a quem eu respeitava como um pai, de longe via a cena
montado em seu cavalo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Está gostando das sandálias, bárbaro?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Comecei a enfiá-las na sua boca, segurando sua cabeça entre
meus joelhos. Pressionei as sandálias com força, empurrando-as para baixo com o
peso de meu corpo. Com o gládio, um leve corte na boca abriu mais espaço para
enfiá-las ainda mais fundo. Ouvi seus maxilares darem um estalo. Nunca imaginei
que seria um som tão alto, reverberando nas florestas frias e sombrias seguidos
por gemidos. Lágrimas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Olhos do bárbaro pedindo socorro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Olhos dos soldados pedindo que eu parasse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Mais um pouco, não é mesmo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A garganta dele já estufada, como um sapo coaxando. Acho que
convulsionava. Os soldados tentavam não olhar. Mas não conseguiam. Eu ria para
eles. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Sandálias gostosas, não acha, bárbaro?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O gládio rasgou a garganta suavemente. O sangue como uma
cachoeira rubra. As sandálias saindo através da carne exposta. Puxei-as com violência
enquanto o corpo sem vida dava seus últimos espasmos. Vesti-as calmamente antes
de seguir o caminho rumo ao nosso acampamento. Foi assim que conquistei meu
apelido, que acabou por se transformar no meu próprio nome. Calígula. Os
soldados que antes riram: mirei os olhos de cada um enquanto me arrumava. Estavam
profundamente sérios. Quase envergonhados, eu diria. Metros a frente passei por
meu tio Tibério, que nada disse. Apenas me lançou um olhar satisfeito, como que
dizendo o que todo imperador deveria saber: para o vulgo, o imperador sempre
deve ser extraordinário. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Desse dia em diante foi como se algo em mim tivesse mudado.
Eu havia descoberto o poder da realização da nossa vontade mais íntima. Aqueles
pensamentos que nem mesmo os deuses ousavam ter quando ainda viviam nesse mundo.
Há tempos que não vemos milagres no mundo, mas apenas o crime. É o resultado de
um mundo sem deuses. Continuaram ofertando sacrifícios a eles. Tolos. Mas
mesmos sozinhos no mundo, os homens não fizeram nada de melhor. Eles são
covardes. Os deuses nunca foram covardes. Júpiter arriscava tudo em nome de seu
amor insaciável, até mesmo a amizade para com seus irmãos. Diana também: uma
deusa da caça, sozinha e tão bela nas matas infinitas, quase estuprada pelo
bruto Acteão, transformando-o em um cervo como forma de castigo. O medo de ser
estuprada parou a Diana? Jamais: ela continuou pelos campos, indômita e
selvagem, até que os deuses enfim deixaram este mundo para ir rumo a outros.
Sim, outros mundos. Que pequenez é essa de achar que para os deuses só
existiria esse?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Quando decidi me tornar um deus criei para mim um mundo onde
apenas os prazeres poderiam existir. E para isso eu me vali do extraordinário,
como meu tio Tibério, abençoado seja, me sinalizou como o caminho para o
Império Perfeito. Orgias onde escravos se adornavam com peles de hienas e
vinham rastejando e uivando até meu leito, para serem sodomizados tanto por mim
como pelas concubinas. Piscinas de vinho onde nos banhávamos até vomitar de
embriaguez, misturando o odor azedo do vinho com outros de natureza sexual. Eunucos
que divertiam as minhas garotas sicilianas, sempre as mais interessantes (o
Mediterrâneo tem algo em sua água que tempera os corpos com um sabor especial).
Egípcios de pele negra como o ébano que me faziam tremer em gozos que nem a
mais experiente princesa patrícia conseguiu fazer. Provei de todos os tipos de
corpos de todas as nações conhecidas; senti até mesmo aqueles prazeres raros
que cães, cavalos e serpentes podem conduzir um homem corajoso, levando-o ao
limite do que os normais consideravam como depravado. Pois eu não me sentia
mais um homem, mas igualmente não me sentia ainda como um deus, embora buscasse
incessantemente ser como um deles e realizar, em vida, coisas que apenas deuses
sabem fazer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Sei que tramam a minha morte, esses senadores que não aceitam
meu reinado. Tomaram com assombro quando Incitatus entrou no Senado conduzido
pelos meus pretorianos. Por que um cavalo não poderia ser senador? Ainda mais o
cavalo de um deus, que o acompanhou não apenas em batalhas na dura Germânia mas
também em festins de libido e excesso? Incitatus tem mais vigor que muitos desses
velhos senadores caducos, bem como entende mais de política do que metade daquele
covil de víboras. Senadores que nunca pisaram fora dos arredores de Roma, que
não sabem nem o quanto pesa um gládio... Não é a guerra uma forma de política
também? Incitatus guerreou por todas aquelas velhas víboras de toga. Ele merece
mais do que isso. Cônsul, talvez?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;









































&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Embora insatisfeitos com Incitatus, o que mais causou raiva
nos senadores foi eu ter decretado que suas esposas seriam prostitutas. Parecia-me
lógico que eles, como homens, serviam Roma discursando. Suas esposas também não
deveriam fazer o mesmo? Elas também servem a Roma através do sacro ofício da
prostituição. Deveriam me render glórias, esses senadores. Um deus
transformando suas mulheres em instrumentos do Amor. Um deus transformando Roma
em um império ainda maior, mais nobre, mais próximo do eterno. E eu quero mais.
Levarei o estandarte da Águia até onde nem Caio Júlio César ousou sonhar. Ele
vai ter inveja de mim, ele que hoje é apenas uma sombra do que foi. Caio morreu
como um homem. Eu, recrio-me como um deus. Não é meu título, afinal, o de &lt;i&gt;pontifex
maximus&lt;/i&gt;? Estou fazendo pontes entre mundos agora. Estou abrindo um caminho
rumo ao Inimaginável.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;nota: &quot;caligae&quot; era o nome das tradicionais botas romanas usadas pelos soldados. &quot;Caligulae&quot; é o diminutivo de &quot;caligae&quot;, ou seja, &quot;botinhas&quot;. O apelido foi dado ao jovem Calígula quando seu tio Tibério, então imperador, levou aos campos de batalha o franzino sobrinho, que usava roupas pequenas. O apelido desagradava muito a Calígula e o acompanhou por toda a vida. O episódio de Incitatus narrado no conto de fato aconteceu bem como a determinação de prostituição das esposas dos senadores.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2021/04/botinhas-ou-sobre-quando-um-cavalo-foi.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgE9fE5F3saZtzPtndY9OH2HDdcTTkxFpv6HLsNdHvvBI-u6C3UeoIk5vogIkYAAKCQK7WX2dKzoUL-lFZ487nKgq0iebnanRHM1X11cSyAF_ZXVcXxFGyI_hy7CvOxtUThXikz/s72-w640-h360-c/image.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-6108500555206175618</guid><pubDate>Mon, 01 Mar 2021 01:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-03-16T05:28:33.881+14:00</atom:updated><title>O que o Precâmbrico pode nos ensinar</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg8apywJGwn6J1qTUuy8VQHKLbOaOJtMF-xMs2FUXZEQwNYYuKLiTw2VSk7JhlfMzODJMUul7R_7X7sJhL-6ib1m4a3HnwpCCqGc7msFW8PFkxPX5s3xcZ1dZz4oKBzjg5U0Ce9/s580/voce-sabia-que-na-era-arqueozoica-surgiram-as-primeiras-formas-de-vida-2.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;376&quot; data-original-width=&quot;580&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg8apywJGwn6J1qTUuy8VQHKLbOaOJtMF-xMs2FUXZEQwNYYuKLiTw2VSk7JhlfMzODJMUul7R_7X7sJhL-6ib1m4a3HnwpCCqGc7msFW8PFkxPX5s3xcZ1dZz4oKBzjg5U0Ce9/s16000/voce-sabia-que-na-era-arqueozoica-surgiram-as-primeiras-formas-de-vida-2.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Precâmbrico é o período geológico que compreende desde a formação da Terra, há cerca de 4,6 bilhões de anos, até o início do Período Cambriano, 541 milhões de anos atrás. O Precâmbrico representa 88% de todo o tempo de existência do planeta. Como a parte inicial desse texto basicamente fala sobre o tempo, uma referência temporal mais adequada para nossa compreensão: os Neandertais, antepassados mais longínquos do ser humano de hoje, surgiram há 200.000 anos atrás - cerca de 0,0043% da idade da Terra. O contraste dá uma dimensão, mesmo que rasa, da enormidade do que estamos falando.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Os bilhões de anos do Precâmbrico são tão incompreensíveis para nossa limitada capacidade cerebral que a ciência usa o termo aeon para designar os vastos períodos de tempo geológico que o compõe. Aeons são durações de tempo de milhares de milhões de anos. Intensa atividade marca esse período formativo do planeta, no limite do cataclismo, onde os antepassados mais longínquos dos vulcões atuais ainda nem sonhavam existir. Aliás, pense que tudo que hoje temos de grandes rochas, montanhas, mares e oceanos, e que chegamos a considerar como coisas que sempre aqui estiveram, ainda nem haviam se formado: era um amálgama louco de gases, material rochoso, metais e outros elementos desconhecidos, em uma suruba frenética infinita por períodos, para nossa minúscula consciência geológica, que podemos considerar eternos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;É também no Precâmbrico que a Lua se forma: estudos mostram que uma massa planetária do tamanho de Marte colidiu com aquela Terra antiquíssima, e nesse encontro uma imensa quantidade de matéria foi expelida no impacto - tentemos imaginar a magnitude desse evento com nossa diminuta, ridícula consciência. A beleza lunar ali teve início, num fortuito encontro entre duas massas amorfas de gases e tantos outros parentes primitivos dos elementos da tabela periódica.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Para o leitor refletir comigo: quantos elementos foram extintos no Precâmbrico? Quantos ali nasceram e ali mesmo morreram, naquelas condições formativas extremas, vivendo uma eternidade de, sei lá, 100 milhões de anos? Pois olha como são as coisas: 100 milhões de anos, esse período em que uma vida humana média de 70 anos seria repetida mais de 1,4 milhões de vezes, mesmo essa eternidade sem fim representa apenas 2,5% do total do Precâmbrico. Os primos distantíssimos do mercúrio, do magnésio e do zinco de repente duraram até menos do que isso, e de seus destroços fagulhinhas foram dispersas e, cataclisma após cataclisma, se transformaram nos contemporâneos elementos Hg, Mg e Zn.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;As primeiras formas de vida surgem no segundo aeon do Precâmbrico, chamado de Arqueano, que durou do ano 4.000.000.000 até 2.500.000.000. Por vida, o leitor entenda organismos unicelulares extremamente simples, chamados de procariontes. Cientistas encontram resquícios fossilizados desses seres que quase antecedem o Ser. Mas é tudo tão frágil, e tudo tão remetido a hipóteses com comprovação bastante fragmentária, que podemos ser turrões e perguntar, da mesma forma que fizemos sobre os elementos, quantas outras formas de vida - primos desses procariontes - simplesmente nunca saberemos da existência. Pensemos nas glaciações pela qual o planeta passou nesse período (sim, foram diversas) e outros tantos períodos com intensas temperaturas que consumiriam as sociedades atuais em questão de horas: é improvável pensar que alguns seres tiveram seus traços para sempre apagados, impossibilitando que fossem descobertos pelos cientistas? A que nível de soberba chegamos para que nós - cuja participação nesse planeta, lembremos sempre, corresponde a cerca de 0,0043% de sua existência - afirmemos que procariontes foram as únicas formas de vida do Arqueano? Eu jamais sustentarei sofismas tipo &quot;devemos sempre desconfiar da ciência&quot; - quem em geral faz isso é gente burra que de ciência nunca estudou nada. Aqui estou apenas exercitando a imaginação com probabilidades feitas de pura licenciosidade poética. Rigor científico que se cobre de cientistas, não de diletantes &lt;i&gt;blasé &lt;/i&gt;como eu.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhTMXtphgDPrimJXwwBz7g-HKtS_LvEodK2cftV-IdJAHRhJhvmmHEF7QiTrFzvctxb7B0LG3ZNRzJjcFH6XZHR0KqZm2QgMC-tEr-dmvShkw4LJnRVaxfIRifuh053RPc3JOSN/s577/lua.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;396&quot; data-original-width=&quot;577&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhTMXtphgDPrimJXwwBz7g-HKtS_LvEodK2cftV-IdJAHRhJhvmmHEF7QiTrFzvctxb7B0LG3ZNRzJjcFH6XZHR0KqZm2QgMC-tEr-dmvShkw4LJnRVaxfIRifuh053RPc3JOSN/s16000/lua.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;o nascimento da Lua&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Precâmbrico é apaixonante por todo o mistério que provoca. Ele existe fora da História. A ciência dura que se faz sobre ele tem uma forma completamente hermética: nós, mortais comuns fora dos círculos científicos da Geologia, lemos os textos dos especialistas com prazer e assombro. Assombro pela nossa pequenez infinita diante da grandiosidade aeônica precambriana, impossível de ser apreendida pelo nosso cérebro humano, demasiado humano - apenas os deuses conseguirão entender esse tipo de dimensão temporal. Ler sobre o Precâmbrico me despertou a mesma avidez de quando percorri pela primeira vez trechos dos Vedas e Upanishads descrevendo as Yugas. São textos muitas vezes recheados de comentários de estudiosos ocidentais, que buscam socorrer o leitor para entender os conceitos complicadíssimos grafados em sânscrito e acomodar as datas ali presentes ao nosso calendário: ali descobri que estamos em Kali-yuga, a última das eras, onde todas as degenerações, crimes e pecados se multiplicam; e que a primeira das eras, chamada Satya-yuga, onde imperava a perfeição e os homens viviam imortais junto aos deuses, tinha acabado há milhões e milhões de anos. O retorno a ela, na cosmovisão cíclica hindu, ainda levaria centenas de milhares de anos. Aquilo alargou meu horizonte de expectativas para sempre, mostrando com certa beleza poética como somos diminutos na escala do tempo. A geologia cumpriu esse mesmo papel, mas em proporções diferentes e menos melancólicas do que imaginar a história como decadência.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Me explico.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Da perspectiva da Era Cenozóica, que é onde estamos agora e que começou há meros 65 milhões de anos (cerca de 1,4% da história geológica da Terra: calcule o leitor o quanto corresponde a presença humana de 200.000 anos nesse período que, infinito na nossa perspectiva, é um nada em termos geológicos) observar o vasto e solene Precâmbrico me parece um bom exercício não apenas para relativizar nossas dores mas, também, para mostrar que a nossa essência mais primitiva tem uma profunda dimensão de resistência. Nem mesmo uma grave pandemia como a atual, que ceifa vidas aos milhões, parece fazer sentido diante da imensidão precambriana. Ela anula, impiedosamente, qualquer pedido de socorro, qualquer explicação para as lágrimas, qualquer necessidade de consolo. O Precâmbrico olha para nós, bilhões de anos atrás, e diz friamente perante nossas queixas:&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- E daí?&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Sua fria indiferença não é fruto da crueldade. A crueldade criamos nós mesmos, categorizando em coordenadas humanas o que disso não tem nada - de todos os períodos geológicos, o Precâmbrico é o mais inumano. Ele então pode nos olhar de fora, para entendermos melhor o que acontece aqui dentro de nossos tortuosos mentais e nos calabouços de nossos corações. Sua inumanidade abrasiva, no final das contas, tem um efeito inesperado: torna evidente aquilo que carregamos de mais intensamente humano dentro de nosso ser, isto é, nossas falhas e limitações. Cristalinas elas se nos apresentam quando conseguimos sair um pouco de nós mesmos, e embora essa visão não nos agrade, parece que a única forma de evoluir na vida é ter essa consciência, se quisermos algo mais do que uma vida média qualquer.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Precâmbrico, porém, não pode - ou melhor, não deveria - ser usado como um pretexto para automutilação. Muitas vezes, a crítica de si mesmo nos leva a isso. Devo assumir aqui, leitor: sou o meu mais implacável crítico. E por anos, exerci essa autocrítica feroz nesses pesados moldes precambrianos. E ao invés de ajudar a criar uma forma de viver melhor, o resultado foi exatamente o inverso: o fim do processo estava em um tipo de degeneração da crítica, onde o alvo não era a falha mas eu mesmo. Ferir a si, não lapidar-se. Conduziu-me a processos de anulação interna e consequente deterioração de relações com os outros em uma escala bastante problemática. Hoje consigo ver bem mais nitidamente as brechas existentes, e de que modo aplicado eu criei cataclismos que nem precisavam existir, afastando pessoas e minando possibilidades incríveis.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Falei sobre como o Precâmbrico pode nos ensinar a relativizar nossas dores e falhas, vendo-as sob novas perspectivas. Isso, porém, não é o que ele tem de mais interessante para nos ensinar: é na força cataclísmica dos aeons precambrianos que vejo também uma nova inspiração para renovar os dias nesses tempos pandêmicos onde o caos, sempre onipresente, tomou de assalto os últimos resquícios de ordem.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjTwl99R1f3-gJVlPY3V_8TInC_BfMSfaN_XmO8_9dSiuZdYEPTmgAAmDYUu1R7NIFgPA0tjDqQYNDZHKGLW6ByNTBJqhAMeUIQzbQ6B3BM4SSqgnt7D6wz4RzagIMleyVdAk2-/s580/per%25C3%25ADodo-pre-cambriano.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;284&quot; data-original-width=&quot;580&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjTwl99R1f3-gJVlPY3V_8TInC_BfMSfaN_XmO8_9dSiuZdYEPTmgAAmDYUu1R7NIFgPA0tjDqQYNDZHKGLW6ByNTBJqhAMeUIQzbQ6B3BM4SSqgnt7D6wz4RzagIMleyVdAk2-/s16000/per%25C3%25ADodo-pre-cambriano.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;Choques contra massas planetárias em formação; erupções vulcânicas cuja potência seria o equivalente a 10 milhões de Krakatoas; rios de lava com larguras de países; nuvens de gases pesados que fariam o concreto das cidades contemporâneas instantaneamente em pó; tremores impossíveis de medir na escala Ricther - a lista dos eventos cotidianos do Precâmbrico poderia ser alongada consideravelmente. Pensemos por um momento em todos esses tumultuosos eventos, ainda que com nossa imaginação bastante limitada para dar conta até mesmo de 1% de tudo isso - o que eles nos dizem? O que esses eventos nos deixaram como herança?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um fato: a bela esfera azul que astronautas observam quando voam ao espaço é produto daqueles &quot;tempos difíceis&quot;. A Terra &quot;sofreu&quot; um bocado nisso tudo - e se manteve ali, impassível, resistindo. E se transformando nesse processo. Para quem resistiu ao impacto de uma massa planetária do tamanho de Marte, o que representa uma glaciação que cobriu 30% do planeta com camadas quilométricas de gelo maciço? O que representa um terremoto com força para separar continentes?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Essa força incomparável de resistência – impregnada em cada elemento constitutivo da Terra; em cada rocha multimilenar, erodidas por pequeninos fios das primeiras águas; erosão que levaria microscópicos pedacinhos de rocha a se espalharem com a formação dos antepassados dos primeiros rios; antepassados esses hoje já há milhares de milênios extintos, que desaguavam nos primitivos parentes de nossos oceanos; oceanos primevos que, quando ainda eram jovens, abrigaram formas de vida completamente maravilhosas, tão estranhas para nosso olhar moderno, primos vinte milhões de graus distantes do que seriam os antepassados do que chamamos hoje de peixes, no início do período Cambriano; proto-peixes que, primeiros dos primeiros do que seriam milhões de anos depois os vertebrados, mantém aquela mesma dureza precambriana ainda presente, repassada das rochas para as águas e assim em uma sucessão infinita de trocas, aquela insistência de continuar existindo mesmo que contra todas as condições e contra todas as probabilidades; e nesses seres ao mesmo tão frágeis quanto destemidos, neles podemos estabelecer o elo que geraria, milhões e milhões de anos depois, o que hoje chamamos de reino animal, e dentre eles a curiosa espécie humana - resumo aqui de forma absolutamente rasa essa incrível cadeia de transferências de uma essência primitiva presente em cada fagulha de matéria mineral desse planeta. Matéria com a qual não nos identificamos. Matéria que tendemos a ver como separada de nós mesmos, e que na verdade é o que temos de mais primitivo e ancestral em uma dimensão que tristemente negligenciamos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pois é isso: se nem mesmo erupções semelhantes a 10 milhões de Krakatoas extinguiram esse planeta, devemos tomar isso como inspiração. E recordar que a essência dessa força descomunal existe em nós. Mesmo que oculta sob mil véus. Véus que são colocados por meio de legiões de fatores - mercado de trabalho, relações familiares, valores morais, sistema educacional, tabus religiosos, etc. Elencar aqui a lista de “inimigos a vencer” seria apenas reproduzir coisas que o leitor que chegou até aqui já conhece. E não se trata de uma ridícula abordagem de autoajuda, que visa mediante uma metáfora mostrar a força interna que existe em nós. Aqui retomo o ensinamento da tradição dos Sete Reinos da Quimbanda, onde a Kalunga, isto é, o cemitério, que tem mais do que naturais relações com as energias ctônicas: não por acaso, a primeira iniciação de reino que um adepto deve realizar é no Reino da Kalunga, não apenas como forma de ser propriamente apresentado às energias da Morte, mas também como forma de reconhecer a Kalunga como início e fim de tudo e, também, como a base que o sustentará em sua jornada espiritual. É na terra, portanto, na sua essência mais natural como elemento, que encontramos as respostas e a força necessária para enfrentar dificuldades e fincar os alicerces.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Precâmbrico nos desafia a olhar para além de nós mesmos, não apenas para entendermos que ao final das contas nossas dores são transitoriamente pequeninas, mas também como inspiração para criarmos um novo tipo de ser com a essência titânica que ele nos deixou como herança. Fazer da vida uma grande aventura, tão gigantesca como as explosões primordiais; correr em busca de realizar projetos com a mesma ferocidade dos rios de lava de larguras quilométricas; ter a impetuosidade de amar com toda a força explosiva das grandes nuvens de gases pesados; renascer a cada dia com mais apetite por transformações, solidificando em rocha duríssima nossos caráter; e olhar as cicatrizes do passado como aprendizados para que, em novas configurações tectônicas, se formem as bases para voos mais altos e amplos dos nossos sonhos. Estranho usar a palavra &quot;sonho&quot; em um texto sobre o Precâmbrico, essa era geológica tempestuosamente selvagem, tão distante de nós em um período incompreensível em termos humanos, mas é como eu o enxergo daqui ao chegar no final desse texto: um período tão estranho e interessante que só pode se assemelhar a um tipo de sonho. Que os nossos sejam alimentados com essa essência onírica precambriana, reverberando em nosso cotidiano toda a sua potência mítica e criadora.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2021/03/o-que-o-precambrico-pode-nos-ensinar.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg8apywJGwn6J1qTUuy8VQHKLbOaOJtMF-xMs2FUXZEQwNYYuKLiTw2VSk7JhlfMzODJMUul7R_7X7sJhL-6ib1m4a3HnwpCCqGc7msFW8PFkxPX5s3xcZ1dZz4oKBzjg5U0Ce9/s72-c/voce-sabia-que-na-era-arqueozoica-surgiram-as-primeiras-formas-de-vida-2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-8358315472269094722</guid><pubDate>Mon, 21 Dec 2020 03:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-12-31T12:57:10.048+14:00</atom:updated><title>Gnose solar e mistérios lunares</title><description>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhe123nIwthS_6k2dNA2G25APDd-tTnSJ83agNOJK8hVXz_84KTzcR_rD3hH0y4AtCqfYMY4Z41Ozo-64bGddsSWOdPKZ2KbGv-RDud8yuJrBN0Imi3SEzmMLWGaWgwbeORfJut/s1104/sunrise-sun-morgenrot-skies-163255.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;678&quot; data-original-width=&quot;1104&quot; height=&quot;352&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhe123nIwthS_6k2dNA2G25APDd-tTnSJ83agNOJK8hVXz_84KTzcR_rD3hH0y4AtCqfYMY4Z41Ozo-64bGddsSWOdPKZ2KbGv-RDud8yuJrBN0Imi3SEzmMLWGaWgwbeORfJut/w572-h352/sunrise-sun-morgenrot-skies-163255.jpg&quot; width=&quot;572&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;, sans-serif&quot; style=&quot;font-size: 11pt;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;, sans-serif&quot; style=&quot;font-size: 11pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 11pt;&quot;&gt;No dia que o Sol alcança o ponto mais alto em sua trajetória anual, no Solstício de Verão, e onde nós aqui no Hemisfério Sul vivenciamos o dia mais
longo como um símbolo da explosão de calor e luminosidade que marca o início da
mais quente das estações, me pego em reflexões sobre como esses momentos de
transição solar foram absorvidos pelas mais diversas religiões no mundo, dando
a esse acontecimento atributos transcendentes – e de que forma podemos ter
neles símbolos positivos de mudança e pontos de conexão com energias
espirituais transformadoras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;Já é bastante sabido que o Natal, comemorado no 25 de dezembro,
apropriou-se das comemorações do solstício de inverno que
ocorriam no hemisfério norte. A data mais significativa do calendário cristão
nasce portanto trazendo consigo esse momento especial da roda das estações, onde
vários povos festejavam o início do inverno, estação de recolhimento onde os
homens procuravam o conforto do lar para enfrentar os rigores gélidos que
estavam apenas se iniciando. Comemorar o solstício de inverno, a mais longa das
noites que é a noite de Yule, onde o Sol alcança o ponto mais baixo de sua
trajetória no horizonte, é comemorar também o início da ascensão desse astro
que, ao longo dos meses vindouros, irá pouco a pouco subir novamente até
alcançar seu pico de calor e transformação. O nascimento de Cristo comemorado
nesse contexto se apropria dessa espécie de “promessa de retorno” do Sol ao seu
patamar de plena luminosidade, transformando-a na mensagem da Boa Nova
messiânica, com o Filho de Deus feito carne para salvar o mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;O mito de Jesus é apenas um entre tantos outros onde deuses nascem
de virgens. Mitra é um deles: amplamente cultuado pelas elites guerreiras
romanas, alguns historiadores sustentam que foi por apenas uma questão de fé pessoal
de Constantino que o Ocidente se tornou cristão, trocando o culto mitraico importado
da Pérsia por um outro não menos exótico, vindo também do sedutor Oriente... (escrevi
sobre esse assunto &lt;a href=&quot;https://dissolvecoagula.blogspot.com/2012/06/in-hoc-signo-vinces-paul-veyne-e-o.html&quot;&gt;nesse link aqui&lt;/a&gt;). Nem era preciso, entretanto, ir para a
Pérsia para ter um deus nascido em 25 de dezembro: em Roma já se cultuava nesse
dia o deus frígio Áttis, filho de Cibelle que, tal como Maria, concebeu a seu
primogênito intocada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;Cito esses exemplos não com a intenção de “desconstruir o Natal”, apontando-o
como uma festa originariamente “pagã” que o cristianismo deturpou. Um estudo
sério do cristianismo, especialmente do catolicismo medieval, mostra para quem
quiser ver o quanto de “paganismo” existe dentro da própria fé cristã, sendo o
Natal apenas um desses elementos. O que eu gostaria de demonstrar com esses
exemplos é que, se não é “correto” dizer que o Natal é cristão, da mesma forma
é incorreto dizer que a data é pagã: o paganismo nunca foi uma coisa única e
universal, antes é um adjetivo onde se enquadra tudo aquilo que não é cristão.
Há miríades de deuses, credos e divindades sob a rubrica paganismo; e querer
atribuir a elas a primazia sobre uma data, como se um específico credo tivesse
direito de propriedade inalienável sobre ela, é não compreender a dinâmica impermanente
das sociedades humanas, como elas produzem e alteram significados e, também,
como diferentes símbolos, em diferentes lugares do tempo e espaço, conseguiram
trazer para as comunidades que os adotaram uma série de valores transcendentes
sobre morte e renascimento, símbolos estes que traduzem certas energias
presentes nos ciclos da natureza e nas infindáveis rondas do mundo acausal (ou espiritual, como queiram chamar).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;O caminho que pretendo seguir com esse texto é menos o da
contingência desses símbolos e suas incontáveis configurações e mais em buscar
o que existe &lt;i&gt;além&lt;/i&gt; deles, em uma perspectiva tradicional, onde as
divisões entre sagrado e profano, entre mundo material e espiritual, são
meramente nomenclaturas técnicas: na perspectiva da Tradição, todos os aspectos
da vida são Um.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;Se no hemisfério norte o Natal se comemora perto do solstício de
inverno, que ocorre em 21 de dezembro, aqui no lado sul do planeta nós temos o
início do verão, a estação da luminosidade e do calor, onde o Sol se mostra em
toda a sua exuberância. Astro fundamental em todas as mitologias conhecidas, na
esmagadora maioria considerado como símbolo da energia masculina e da ação
afirmativa, o Sol é conectado com a essência da própria vida: ao redor dele a
Terra gira (ou esta gira em torno daquele, como amiúde se acreditava) , assim como todas as atividades humanas giram em torno de sua ascensão
e declínio no horizonte. A natureza se agita e vibra com sua tórrida presença,
e se aquieta no sono quando ele se recolhe. Espiritualmente é o símbolo da
vontade e da realização; assim, podemos assumir que comungar dessa energia é
ter consigo o desejo de realizar da vida todas as suas potencialidades através da Ação. Não se trata, porém, de um agir descontrolado e irrefletido – isso é o
Caos, donde pode-se muito obter (falarei disso mais adiante), mas que
essencialmente é incapaz de criar qualquer coisa. A ação dotada de energia
solar é plena, calma e soberana – não é por acaso que chamam o Sol de o “Astro
Rei”. Os antigos das tradições extremo-orientais tinham para a ação tipicamente solar a expressão “ação sem agir”; com uma expressão de mesmo significado, Krishna disse a Arjuna no Bhagavad Gita que este deveria combater seus parentes na batalha de Kurukshetra sem se afeiçoar a sua ação em si, mas sim &quot;de modo desinteressado”, isto é, desenvolver a capacidade de atuar no mundo sem se deixar levar pelo resultado das próprias
ações, em se fazer &lt;i&gt;o que deve ser feito &lt;/i&gt;com um olhar de pura transcendência
e de obediência a desígnios mais elevados. Mola propulsora de uma série de
acontecimentos, mas sem se identificar totalmente com suas próprias ações –
ação que não é contaminada pela inconstância e tortuosidade do agir. A alegoria
de ser o eixo de uma roda em movimento, que é a responsável pelo movimento mas
se mantém no centro atuando e, visto de fora, como se estivesse parado, é também uma imagem da sabedoria védica, e que bem explica esse estado de pura ação que é visto como imobilismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;Estamos falando de um alto domínio de si mesmo, da capacidade de
atuar no mundo sendo como o Sol – exuberante, vivo, impulsionador da vida e fonte
de inspiração para quem o contempla. &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Alcançar
tal domínio não significa ter um excesso de energia solar consigo, mas sim tê-la
de modo equilibrado. Como sua contraparte energética, o Sol tem a Lua, astro
que surge no céu quando o primeiro inicia seu movimento de descida no
horizonte. Falemos agora, portanto, da misteriosa Lua, e de como ela é uma parte
fundamental para todos aqueles que buscam o avivamento das energias solares.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;A Lua tem uma natural conexão com energias femininas: suas fases,
cujo completude leva 28 dias, relaciona-se diretamente com os ciclos
menstruais. Nas mais diferentes mitologias, a Lua também foi considerada como a
depositária dos aspectos obscuros da espiritualidade, relacionando-se com as
energias dos submundos e das divindades agressivas e perigosas. Na árvore
cabalística relaciona-se com Yesod, sephira que rege o mundo astral, as imagens
do subconsciente e dos sonhos; sua contraparte qliphótica é Gamaliel, qlipha
onde residem os aspectos descontrolados e obsessivos da sexualidade e do desejo
em toda a sua selvageria primitiva. Como ilustração de sua natureza “maligna”,
cito Blavastky do Volume I de “A Doutrina Secreta”:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;margin-left: 18pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 10pt;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: courier;&quot;&gt;“A&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Lua é hoje o frio
resíduo, a sombra arrastada pelo corpo novo [nota: ela refere-se aqui à Terra] para
o qual se fez a transfusão de seus poderes e princípios de vida. Está agora
condenada a seguir a Terra durante longos aeons, atraindo-a e sendo por ela
atraída. Incessantemente &lt;i&gt;vampirizada &lt;/i&gt;por sua filha, vinga-se impregnando-a
com a influência nefasta, invisível e venenosa que emana do lado oculto de sua
natureza. Pois é um &lt;i&gt;corpo morto, &lt;/i&gt;e no entanto &lt;i&gt;vive. &lt;/i&gt;As partículas
de seu cadáver em decomposição estão cheias de vida ativa destruidora, embora o
corpo que elas anteriormente formavam esteja sem alma e sem vida. Em
consequência, suas emanações ao mesmo tempo são benéficas e maléficas – circunstância
que encontra seu paralelo na terra, no fato de que é nas sepulturas onde as
ervas e plantas medram e se desenvolvem com mais viço, sem embargo das
exalações morbígenas dos cadáveres nos cemitérios. Como os fantasmas e os vampiros,
e Lua é amiga dos feiticeiros e inimiga dos imprudentes. Desde as eras arcaicas
até os tempos mais próximos, conhecidas são a sua natureza e suas propriedades,
tanto pelas feiticeiras da Tessália e por alguns dos atuais praticantes do
tantrismo na Bengala, como por todos os ocultistas; mas para os físicos
permanecem um livro fechado.”&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;Conhecer as energias lunares através da experiência crua,
vivenciando seus aspectos profundos através do mergulho em nossa psique e do
contato com forças espirituais obscuras, nutre-nos com uma seiva potencialmente
transformadora. Tais energias tem elementos caóticos em suas essências,
advindos de sua conexão esotérica com a morte. São simultaneamente perigosas e
apaixonantes: desejos desenfreados, imundícies que escondemos dos demais, silenciamentos
dolorosos de coisas que nos envergonham e toda sorte de segredos que, se
viessem às claras perante o mundo, &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;nos faria
sofrer o peso da lei; também há nessas energias a vibrante dimensão erótico-thanática&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;que excita os sentidos, que envolve os que
nela buscam se aprofundar com recompensas sedutoras que, se não se tomar os
devidos cuidados, atam-nos em um sem número de correntes escravizantes. Chega-se
a esse contato com as energias lunares das mais diferentes formas: meditação,
cultos necromânticos, experiência psicodélicas (ayahuasca e jurema, não por
acaso, são bebidas que carregam nomes femininos: a Jiboia e a Rainha,
respectivamente) e outras práticas mágico-espirituais que se fundamentam em aspectos
obscuros. Mas não é a única via de acesso a essas dimensões profundas emanadas
da Lua: a psicologia, especialmente a linha junguiana, mostrou uma via a essas
energias de um modo que a sensibilidade moderna, essencialmente ateia e materialista,
conseguiu aceitar satisfeita já que é “científica” (a falsa dicotomia entre ciência
e religião/espiritualidade continua muito forte hoje em dia, acirrada ainda
mais durante a pandemia do Covid-19 sobre a questão das vacinas: o problema é
que as posturas mais beligerantes anti e pró ciência são feitas por pessoas que
grosso nada entendem de ciência, e apostam suas fichas na radicalização
lacradora que não podemos nem sequer chamar de debate; especificamente no campo
da psicologia, as pesquisas de Stanislav Grof, cuja abordagem da psique humana reúne
em uma síntese absolutamente original as perspectivas freudianas e junguianas,
o trauma do nascimento e as experiências espirituais dos povos às margens da
civilização, é o que de mais atual e rico temos nesse campo, onde método
científico e espiritualidade caminham conjuntamente na busca pelo conhecimento
de si e do mundo, e serve como inspiração para ver essa falsa dicotomia como ela
é de fato – armadilha discursiva que, sob o manto da autoridade do “especialista”,
aprisiona o olhar para um recorte materialista e profano do real). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjuVJooLvjy_pWQP6ewKYpXyKLY9P2gX_FtEjoHtjguCtIad9uL_aHsNZroYH36yqf7a3aOyrxHYBrSopdihWzgPyq1W_PBDK1fvPh05Nsf3MyMGs-SLG1zMAaGLNjjB8y_aVf/s1022/lua+foto.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;594&quot; data-original-width=&quot;1022&quot; height=&quot;327&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjuVJooLvjy_pWQP6ewKYpXyKLY9P2gX_FtEjoHtjguCtIad9uL_aHsNZroYH36yqf7a3aOyrxHYBrSopdihWzgPyq1W_PBDK1fvPh05Nsf3MyMGs-SLG1zMAaGLNjjB8y_aVf/w564-h327/lua+foto.jpg&quot; width=&quot;564&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;Seja qual for a via tomada para essa descida aos labirintos das
energias lunares, estamos diante de um teste de força: seja pelas energias
acausais agressivas com que estabelecemos contato, um mergulho profundo em nossos
traumas através da terapia psicanalítica ou em rituais com uso de enteógenos, o
que vivenciamos pode ser metaforicamente explicado como uma batalha. Sangramos
no processo, e muitas vezes sangramos em demasia, encontrando nessas
experiências os limites de nossas forças internas, que parecem desmoronar e
que, se formos adiante mais e mais, de fato se esfacelarão; o raio atinge a Torre,
fazendo-a cair em escombros, sangue e caos; a “terapia de choque” auto
infligida coloca nosso valor sob testes rigorosos; testemunhamos, na forja de
nossa Vontade, o esmorecimento do nosso Eu, até que nada mais sobre – é nesse
momento de crise profunda, de uma crise que pode levar muitos a uma falência
nos limites do irremediável, é nesse ponto que conseguimos nutrir nosso íntimo com potências
restauradoras, sólidas e vigorosas; alimento em formato de pensamentos,
imagens, sonhos, visões e todos os tipos de mensagens vindas do acausal, que
muitas vezes levamos tempo para devidamente interpretar racionalmente mas que
estão lá, suculentas e vivas, em seu mistério simbólico que nos deixa em estado
de maravilhamento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;Para os seres do sexo masculino, os alimentos gestados no contato
com a energia lunar são devidamente absorvidos quando recebemos os aspectos numinosos do Sol. É mediante a influência de suas energias naturalmente criadoras que a
seiva lunar se multiplica em vida e realidade para os homens. Diferente das mulheres,
que gestam a si mesmas nas energias lunares e que tem a dádiva – exclusiva das
fêmeas – de estarem diretamente conectadas com a Lua através do sangue menstrual,
os homens não conseguem estabelecer uma conexão com a energia lunar sem passar
pelo Sol. Para que não se tenha dúvidas: o Sol também nutre as mulheres assim
como a Lua, mas é com elas e apenas com elas que a energia lunar se mostra em
toda a sua obscura realeza, com as três faces da Deusa – mãe, puta e anciã –
unidas em pureza infinita de forma absolutamente natural. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;Aos homens isso é interdito, pelo menos nessa dimensão profunda
que as fêmeas conseguem experienciar quase que espontaneamente. Por isso que o
homem vive quase como se fosse uma prova iniciática o contato com as energias
lunares, tendo que ativamente ir buscá-las para receber suas influências vivificantes.
E aqui retomo o tema dos ciclos solares, central nesse texto, e de que forma
eles influenciam os homens e suas energias. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;As horas do dia próximas ao nascer do Sol determinam há centenas
de milhares de anos o início das atividades humanas. Seu ocaso no horizonte, o
cessar dessas atividades. À parte a insanidade moderna, onde o ritmo das atividades
é completamente influenciado pela lógica do capital, fazendo com que tenhamos
aberrações doentias como shoppings 24 horas e escalas de trabalho noturnas
tanto no setor de serviços como na indústria, à parte essas ocorrências meramente
circunstanciais (o capitalismo não é um destino, vale sempre lembrar-se disso)
o Sol marcava com clareza os limites do despertar e do recolhimento. Como em um
eterno ciclo, o Sol nascia e morria no horizonte, percorrendo o céu e nutrindo
o mundo com sua luz e calor. Não é por acaso que eclipses solares sempre foram
vistos como sinais de calamidades: a interrupção da luminosidade solar no
momento em que sua força estava no auge, alterando um ciclo ininterrupto
diário, só pode ser o aviso de que algo terrível acontecerá. Como ficar sem a
luz do Sol?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;Além do ciclo diário de morte e renascimento, há o ciclo anual das
quatro estações. Aqui voltamos aos momentos de mudança dos solstícios e
equinócios: marcando o movimento de translação da Terra, o ciclo perpétuo de primavera,
inverno, outono e verão tem nesses eventos um símbolo importante, que podemos ver
como marcos da vida e nos conectarmos para deles extrair todas as suas influências
transformadoras. Interessante notar a simbologia do número quatro, que tem os
atributos da estabilidade, da realização e da solidez com a Terra, o
mais firme dos elementos: o ciclo das quatro estações, do percurso completo ao
redor do Sol, como símbolo da plena Realização. E também aqui é interessante
apontar a etimologia de “sólido”, que vem do latim &lt;i&gt;solum, &lt;/i&gt;cujo
significado é firme e que, como é fácil concluir, tem sua origem na palavra “sol”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;Conectar-se plenamente com todas as estações é uma forma excelente
de vivenciar a energia solar em sua plenitude. Não apenas comemorar os
solstícios e equinócios como formas de conexão com as forças do Sol, refletindo
sobre o significado de cada estação e como elas tem atributos que tem muito a
dizer sobre nossa própria energia masculina, mas em comungar com tudo que cada
estação tem a oferecer – os dias longos do verão, o odor das flores primaveris,
a brisa gélida do inverno e a serenidade do outono. Comer os fruto e legumes das
estações também é uma forma de ter contato com as energias solares em sua essência
mais generosa, pois fazendo isso estamos literalmente construindo nossas reservas de energia
com Sol em forma densa. Essa aliás é uma dimensão perdida graças ao processo de
urbanização, que deslocou massas imensas de pessoas das regiões interioranas de
todo o planeta para arremessá-las no pesadelo das grandes cidades onde o abastecimento
de alimentos, garantidos pelos supermercados, não só se faz majoritariamente
por produtos industrializados, como também degenerou a própria forma de
produção agrícola a um ponto tal onde temos oferta de todas as frutas e legumes
o ano todo graças a legiões de agrotóxico, cujas extensão de uso não temos nem
como saber de fato. Restabelecer ciclos de consumo alinhados com as estações,
fugindo do veneno do agronegócio sempre que possível, é uma maneira
interessante de estarmos conectados com a energia solar. Como dito no início
desse texto, a minha perspectiva é radicalmente da Tradição, onde diferenciações
entre aspectos naturais e espirituais são meramente aparências – no final, tudo
está conectado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Malgun Gothic Semilight&amp;quot;,sans-serif&quot; style=&quot;color: black; font-size: 11pt;&quot;&gt;À parte tais sugestões práticas, tomar o recente Solstício de
Verão como símbolo de renovação é o que eu gostaria de celebrar como principal
presente de 2020. Primeiro ano da pandemia do Covid-19, ano que arremessou a
todos no isolamento forçado, destruindo planos e vidas aos milhões, tomo o
símbolo do Solstício como marco decisivo da renovação verdadeira, construída
após meses de isolamento, erros, sofrimento e contato intenso com as obscuras
energias lunares, que me puxaram para seus labirintos perigosos, onde quase me
perdi, onde faltou realmente muito pouco para me perder de forma quase
completa. Foi necessário sangrar muito, foi necessário ir fundo nas feridas
expostas, para que as seivas de energia lunar fossem finalmente recolhidas nas
taças construídas com os crânios dos meus Eus assassinados. Delas sorvi em companhia
daquilo que Jung chama de Sombra, e que tantos nomes teve ao longo da história
do mundo. E especificamente nesse processo de autoconhecimento, mergulhando nas
águas argênteas do caos lunar, conheci a minha polaridade feminina em toda a
sua eletrizante exuberância apenas para melhor viver a minha masculinidade, consciente
de suas limitações, mas também de suas qualidades; daquilo que é necessário
controlar, e do que é necessário compartilhar; daquilo que devemos tomar como
herança feliz do passado, e do que devemos observar com distanciamento para em
seguida esquecer. Como, em suma, encontrar o equilíbrio entre nossas
polaridades para realizar a nossa masculinidade em toda a sua exuberância solar
criadora e afirmativa; tornar cada dia um símbolo do mito de morte e
renascimento, e sugar deles o máximo que tem a oferecer; aprender com o Sol
como ser consistente, sereno e disciplinado; fazer planos e realizá-los
soberanamente, com a consciência em sintonia com os ciclos eternos que emolduram
nossa vida de formas tão gigantescas e que, atribulados por tantas e tão grandes
distrações no cotidiano, acabamos por esquecer; que 2021 seja um ano, enfim,
onde aprendamos a ser como o Sol, e façamos de nossos dias uma celebração das
infinitas energias solares e suas numinosas influências,&amp;nbsp; influências que fazem
explodir, em mil formas de Vida, as potencialidades que recebemos dos mistérios
lunares após tantas provações.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2020/12/gnose-solar-e-misterios-lunares.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhe123nIwthS_6k2dNA2G25APDd-tTnSJ83agNOJK8hVXz_84KTzcR_rD3hH0y4AtCqfYMY4Z41Ozo-64bGddsSWOdPKZ2KbGv-RDud8yuJrBN0Imi3SEzmMLWGaWgwbeORfJut/s72-w572-h352-c/sunrise-sun-morgenrot-skies-163255.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-8920362172937066284</guid><pubDate>Sun, 12 Jul 2020 19:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-07-13T09:04:07.991+14:00</atom:updated><title>Setenta mil mortos</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjp_PnUQAMQLRVtkdSPo4b0zPNpg3oNBq2TR-lwSOSUdka70o0s1cGv_tiinuFkGa5Kq5LIJnDfK5y6P4a1g5UDYcJwmKiFIOyU0amRP_Ct_0p2EN_pZ4rGmHCmXqmL9aR4y8-s/s1600/SETENTA.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;574&quot; data-original-width=&quot;596&quot; height=&quot;385&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjp_PnUQAMQLRVtkdSPo4b0zPNpg3oNBq2TR-lwSOSUdka70o0s1cGv_tiinuFkGa5Kq5LIJnDfK5y6P4a1g5UDYcJwmKiFIOyU0amRP_Ct_0p2EN_pZ4rGmHCmXqmL9aR4y8-s/s400/SETENTA.png&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Girar a chave. Abrir a porta. Ver a rua. Sentir o vento frio de julho batendo na face. Ou do que resta dela. Agora que todas são encobertas por máscaras. Não as conceituais, essas que vestíamos todos para não mostrar ao outro o horror íntimo que carregamos. O bom funcionário - mas que morria por dentro um pouco todo dia fazendo um trabalho que odiava. A boa namorada - mas que só continuava naquela relação porque sua autoestima destruída a fazia se sentir nojenta e indigna da felicidade. A boa mãe - mas que no fundo queria é mais que seus filhos nunca tivessem existido, grávida tão cedo de um homem que não ama mais e nem certeza tem se um dia amou. O bom pai - mas que bebia todo dia com vergonha de assumir para a família que gostava mesmo era de homem. Tantas máscaras a vida toda que chega uma hora que nem sabemos o que é rosto, o que é máscara. Mascosto. Rosáscara. Deve haver alguma palavra que, intermédia, seja uma e outra. É bem possível que alguém já a tenha inventado em alguma língua. Há tantas palavras no mundo, e é razoável pensar que morreremos sem dizer todas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pandemia é uma palavra que aparecia pouquíssimo nas falas cotidianas. Especialmente dos vermes urbanos, tão metidos a sabichões. Aquele tipo de imbecil que mede seus conhecimentos pela quantidade de notícias que lê. Que vê a si mesmo como &quot;uma pessoa bem informada&quot;. Como se uma andança pelas ruas, respirando a crueza da vida, não fosse informação. De uma outra natureza, mas informação também. O foda é que somos levados a crer que apenas lendo nos tornamos &quot;pessoas bem informadas&quot;. Aí tem aquele tipo de verme que só lê sobre a miséria, sobre o o crime, sobre a desgraça de viver no Brasil em meio a uma pandemia. Mas ele não anda nas ruas, não vê as letrinhas se transformarem em fatos de carne e osso à sua frente, na figura de... pessoas. Sabe, pessoas? Aquela entidade amorfa que surge como números em um gráfico? 70 mil mortes por Covid-19. Cada um dos pontinhos no gráfico, uma pessoa.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas eu estava saindo na rua quando comecei a escrever isso aqui. Não importa a quantidade de mortes. A curva que aponta para o céu e mostra a pandemia brasileira como uma tendência ao Infinito. Foda-se: a vida continua, você é um homem ou um fraco? Uma voz mental, uma espécie de versão mais turrona de mim, grita comigo. Tem que sair na rua, fazer o que precisa ser feito. Viver, enfim. Mesmo que agora todos estejamos mascarados e isso nem é mais uma figura de linguagem. Já tem quem esteja faturando com máscaras estilosas. De super-heróis, claro, são as mais procuradas. Tem também as cômicas, que vendem bem. Rir da desgraça e se acomodar a ela. Fazer da desgraça um negócio. O Brasil que deu certo. A ironia que esvazia a tudo, que nivela no mais raso dos patamares para esfregar na cara de todos que ninguém e nada tem importância.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ando em direção ao centro da cidade. Passo por vários comércios. Operando normalmente. A diferença são as máscaras. Todos usando. Ou pelo usando dentro das lojas: basta sair delas que pluft! o que estava no rosto vai para o queixo. Ou a testa. A mão que tocou produtos tocados por mãos outras e cada toque potencialmente um foco de infecção em escala logarítmica de repente toca a máscara que antes cobria o rosto e que provavelmente voltará ao rosto algumas lojas pra frente - a chance de dar certo é tão pequena que eu estou quase acreditando nos argumentos dos negacionistas, de que a máscara não serve pra porra nenhuma e tudo não passa de um plano chinês para dominar o mundo.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Plano chinês para dominar o mundo. Como eu amo esse tipo de maluco. Suas violências, sejam verbais ou físicas, têm sua origem nefasta num caldo cultural que reúne preconceito, autoestima deteriorada, fracasso amoroso e baixíssima inteligência. Quando nisso tudo você coloca uma dose de religião evangélica, a maluquice aumenta bastante de nível, e aí chega naquele estágio de acreditar em terra plana. Todos são irreversíveis, mas esse último é de longe o mais irremediável.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Está na hora de aceitar que nós perdemos para os malucos. Eles estão ditando as regras do jogo. Quem se opõe a eles com textos elaboradíssimos no máximo vai conquistar alguns crushes. Não vai esclarecer nada, nem ninguém. Os malucos entraram no parafuso de piração de si mesmos e estão espalhando sua loucura cada vez mais loucamente. Há inclusive uma pretensão iluminista gigantesca naqueles que acham que, se falarem com cuidado, de modo bastante argumentativo e leeeeeennnnntaaaaaameeente, conseguirão trazer o maluco para a luminosidade do conhecimento e da libertação. Se anos de escola não conseguiram mostrar a esses malucos que a Terra é redonda, não será um texto que pode ser lido em cinco minutos que mudará isso.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os bares são um capítulo a parte. Nem no período mais restritivo da nossa quarentena de mentirinha eles pararam de funcionar. Quarentena carnavalizada, com sabor de trópico e jeitinho especial. Afinal foda-se, você é um homem ou um fraco? Vai deixar que o Estado determine se você pode beber ou não? De repente todos se descobriram como exemplares anarco-individualistas, stirnereanos de carteirinha sempre prontos para defender com ardor sua autonomia - claro que aqui entendida como a licença para se entupir de álcool, a droga legalizada que todos aceitam e utilizam como uma carta de alforria para a humilhação do capital. Gostam tanto da sexta-feira que ela virou até um verbo. Uma operação linguística interessante: a sexta-feira, antes o nome de um dia símbolo da libertação do trabalhador, agora é uma ação. Sextava-se já no café da manhã do último dia da semana, onde podia-se dar ao luxo de algo mais gorduroso porque afinal é sexta; sextava-se no almoço do mesmo dia, indo a um restaurante novo com os colegas do escritório pois ninguém mereceu essa semana puxada com 400 reuniões; sextava-se inclusive antes mesmo de tudo isso, escolhendo uma roupa mais descolada para ir trabalhar e portanto adequada para a sexta propriamente dita pós-expediente num bar hipster do Largo da Batata pois afinal sexta à noite pertence aos Excessos.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Estou falando de um tempo que já foi. O verbo sextou tomou ares mais contidos, menos explosivos? Pelo menos isso eu achava até ver como está o centro: festas em apartamentos, em casas, meio às escondidas, com sabor de proibido. Aglomerações porque né, ninguém é de ferro. Você é um homem ou um fraco, caceta? Vamos todos brindar a vida nesses tempos de morte. Pandemia. Palavra nova. Agora tão vulgar. Palavra já tão usada. Palavra que não é mais nada.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mendigos amontoados debaixo do Minhocão. Não há máscaras. Mas há crack. Pedrada após pedrada a realidade do concreto frio vai embora. Pelo menos até a fome voltar com sua violência silenciosa. Aí a caridade vai fazer seu papel e ajudar manter esses caras vivos. Eles são necessários, mas não como humanos. São necessários nos planos de morte de manter sempre a postos algum cão de farda armado pelas redondezas. Ou um batalhão deles. Quadras para cima, em Higienópolis, pensa-se que o melhor seria passar a metralhadora em geral. O que o Covid não ceifar, que a paz armada faça. Não aprenderam nada com os antepassados mortos nas câmaras de gás? Se tivessem, teriam horror do nome de um bairro que nasceu como forma de manter os ricos livres da sujeira do centro. O cinturão da Santa Cecília e da Vila Buarque mantendo uma espécie de barreira para que as hordas de imundos não cheguem até a linda praça Vilaboim e adjacências. Muita gente diferenciada nessa desgraça de cidade. Nem uma pandemia para acabar com isso tudo. Eu aposto um rim que tem alguém em algum lar em Higienópolis que pensa assim. Não apenas lá. Deve ter alguém&amp;nbsp; onde você mora. Algum parente. Você mesmo. Bem escondidinho debaixo de sua máscara de cidadão. Vamos acabar com todas as farsas de uma vez. Setenta mil mortos, parceiro. Não temos mais tempo para ficar segurando falsidade que isso dá câncer. Abre seu coração, mesmo que seja para vomitar algo sujo e fedorento. Prefiro monstros na rua do que no armário, ardilosos, acumulando seus ódios covardes.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Encontro um amigo na andança pelo centro em tempos pandêmicos. Não sabemos como nos cumprimentar. Nós que antes sempre nos abraçávamos, agora dando cotoveladas desajeitadas. O carinho substituído por algo que nem é um cumprimento. A gente ri, mas é mais de nervoso. De tristeza. De ódio impotente contra algo que mata mas é invisível. E que se centuplica com o egoísmo. Afinal eu preciso sair. Eu preciso me exercitar na rua. Eu preciso ir ao shopping. Eu. Eu mesmo. Euzinho.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Meu amigo me pergunta como eu estou. Na hora que vou abrir boca não sai nada. Quantos meses em casa que nem sei mais como falar. Digo, falar de modo humano, não em &lt;i&gt;conference calls &lt;/i&gt;com clientes. Aquilo não é conversa, é trabalho. E um risco no chão deve separar um do outro, e de modo ainda mais forte em tempos onde o &lt;i&gt;office&lt;/i&gt; é a &lt;i&gt;home, &lt;/i&gt;para que este último não se transforme no primeiro de modo perpétuo. Já imaginou como seria horroroso ter que comer, cagar, dormir, trepar, chorar, ficar bêbado, rir, lavar roupa, surtar etc dentro do seu local de trabalho? Pois é, ultimamente tem sido assim. As belezas da fala fácil sobre assuntos gerais; a poesia dos encontros amorosos inusitados; o debate entre copos de cerveja sobre livros que estamos lendo curtindo um solzinho de fim de tarde em algum bar da Praça da Árvore; a saudade matada com um abraço apertado naquele café semi-escondido da Casa da Rosas - perdemos tudo isso. Ao encontrar alguém nessas situações, tudo fluía como se deve - com a leveza de que poderíamos falar sem a pressa de um relógio, sem a máscara de um sobrenome de empresa. E agora nem consigo falar mais quando encontro um amigo que amo na rua. Parecia que eu estava tendo um treco. Penso no pior: derrame. Convulsão. Alguma doença rara que impossibilita a pessoa de falar com amigos. Mas que a deixa toda prosa quando o assunto é trabalho. Não é doença. Mas efeito do isolamento. Março a julho. Quatro meses. O tempo voa. E mata. Ainda que aos poucos. Minha voz, defunta de sua naturalidade, não sai diante de um amigo.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Tá tudo bem, mano?&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nada sai. Me esforço. Deve ser assim que crianças aprendem a falar. Forçando as cordas vocais.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Errrrr... aaaaa...&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Que papelão. Não é derrame porra nenhuma. É desarticulação frente a situações inusitadas: as conversas, se não tiverem horário marcado para ocorrer como todas as demais nos últimos quatro meses, tornam-se impossíveis. Artigos de chatíssimos futurólogos dizem que a pandemia deixará como legado alterações profundas em nossos comportamentos: viagens mais curtas, mais tempo preparando a própria comida, exercícios físicos praticados em casa, etc. Uma dessas alterações seria a perda da capacidade de falar de modo espontâneo? Sinceramente espero que não. Penso como seria flertar se isso se tornasse crônico. A incapacidade de dizer algo além do oi-tudo-bem sem parecer um palerma. Já é bem palerma iniciar um flerte com um oi-tudo-bem, mas ruminar um errr ou aaaaa tornaria tudo ainda pior. Talvez seja importante insistir, tentar falar algo a mais, forçar as cordas vocais como fazem as crianças pequeninas - mas eu desisto antes de começar, gesticulo que tá tudo bem mandando um jóinha seguido de um Hang Loose e dou meu cotovelo pra bater, esse péssimo gesto que se tornou o cumprimento dos tempos pandêmicos, e sigo adiante a caminhada deixando o meu melhor amigo meio estupefato no meio da rua, sem entender por que diabos eu nada falei com ele e só gesticulava alegremente. Uma tentativa porca de esconder o meu desespero de não conseguir falar.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A tristeza de não conseguir mais nada dizer.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De abrir a boca e nada sair.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Juro que tentei, leitor. Foi uma tentativa sincera. Uma intenção genuína de me comunicar falando. Mas não. Não consegui. Quatro meses fechado em um apartamento. Trabalhando até nos finais de semana. A fala sendo mediada pelo capital. Isso tem consequências. Daí lembro daquela frase. Não importa o que fizeram de nós. O que importa é o que fazemos com o que fizeram de nós. Se ele pensasse que seria usado para fins de autoajuda... acho que teria se suicidado. Simone ficaria triste, mas ela era uma mulher fodona, iria chorar por uma semana e seguir com a vida e ser maravilhosa do mesmo jeito. Seja como for, faz sentido a frase. Ainda mais em tempos onde a pandemia esgota a vida alegre que tínhamos, aquela onde o sabor da espontaneidade ainda permeava a tudo e por isso não a valorizávamos. Só damos valor ao que se perde: isso define a essência humana. Agora tudo é (ainda mais) mediado pela tirania do relógio, pelo ato mecânico de sair de casa de máscara, de lavar as mãos com álcool em gel a cada coisa que se toca.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
´Penso em quantos rituais amorosos se tornaram impossíveis. Ir a um bar hipster tomar vinho e ficar ambos enamorados já semi-ébrios em um primeiro encontro, descendo as escadas meio que se apoiando um no outro só pra ter aquele pretexto de contato físico, tipo uma dança do acasalamento de humanos; de ir tomar um sorvete e trocarem colherzinhas um na boca do outro; de sentarem pertinho em um banquinho pra ver o movimento na rua tão grudadinhos nas noites frias de julho; de irem ao cinema e mãos juntinhas comendo o mesmo saco de pipoca; de chuparem-se sem receios de contrair a morte na pele que sugam. A Aids é um nada perto de um vírus que se pega até com um aperto de mão.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para de exagero, afinal você é um homem ou um fraco? O que importa é o que você faz com o que fizeram de você. O meu lado turrão grita e eu acelero o passo. Já é noite nessa perambulação pelo centro que se iniciou no finalzinho da tarde. As ruas ficaram mais desertas durante a pandemia, mais do que o normal. A vida efervescente da boêmia paulistana onde nóias, puta, bichas, rolezeiros, punks, hipsters, playboys e perdidos em geral se misturavam em poucas quadras conflituosamente harmônicas: se nem tudo isso sumiu completamente, se tem alguns que ainda se aventuram com a irresponsabilidade da juventude, certamente aquela paixão vibrantemente viciosa que animava a noite dessas ruas do centro está ausente. Para não dizer morta. Há um silêncio fúnebre permeando cada pedacinho das antes boêmias ruas do centro. Todas as chances de sobreviver se esgotam cada vez mais neste país onde a palavra sofrer é usada demais. O verso da música se repete na minha cabeça como uma profecia vinda do passado. Agora que todos esperamos a pandemia passar, essa agonia prolongada já há quatro meses e sem perspectiva de final se repete, e se repete, e se repete -&amp;nbsp; um Ouroboros de expectativas sempre frustradas que nem o mais raivoso e niilista hino punk dos anos 80 conseguiu captar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Girar a chave. Abrir a porta. Desperdir-se da rua. Entrar no prédio controlando os movimentos. Não encostar em nada. Não tocar em nada. Besuntar-se de álcool em gel. Ficar nu já na entrada do apartamento. Colocar as roupas de molho na cândida. Agora borrifar álcool 70 nas mãos. Tomar um banho. Torcer para que o invisível Covid-19 não tenha ficado grudado em algum lugar. Ter entrado por algum poro. Setenta mil mortes em quatro meses. E contando.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2020/07/setenta-mil-mortos.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjp_PnUQAMQLRVtkdSPo4b0zPNpg3oNBq2TR-lwSOSUdka70o0s1cGv_tiinuFkGa5Kq5LIJnDfK5y6P4a1g5UDYcJwmKiFIOyU0amRP_Ct_0p2EN_pZ4rGmHCmXqmL9aR4y8-s/s72-c/SETENTA.png" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-2571874048342884529</guid><pubDate>Mon, 29 Jun 2020 02:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-06-29T16:25:04.521+14:00</atom:updated><title>O silêncio dos atabaques</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiwYk3S46cTH9dKo86m-w0v3d5m5x72tbYQiHSTTvGeSl-oU7n2UVTFYyGMgMna8GusUs2tQbuc0RrwroI0UpFZubr2ECroLiSE2_iZ_IT5WH2HnfsfY8LV49Fp0fDF6mp6yOrE/s1600/candle.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;578&quot; data-original-width=&quot;581&quot; height=&quot;318&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiwYk3S46cTH9dKo86m-w0v3d5m5x72tbYQiHSTTvGeSl-oU7n2UVTFYyGMgMna8GusUs2tQbuc0RrwroI0UpFZubr2ECroLiSE2_iZ_IT5WH2HnfsfY8LV49Fp0fDF6mp6yOrE/s320/candle.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Vocês vieram como mensageiros, trazendo em suas gargalhadas as mensagens que precisávamos receber. Nessas mensagens as doçuras sempre estavam presentes, adicionando ao cotidiano um sabor de alegria que havia sido retirado de nossas vidas, após tantos golpes sobre nossos corpos maltratados. Golpes de formas diversas: dos botas pretas nas esquinas escuras, ocultos, que nos esmurravam enquanto deixávamos ali as velas e alguidares, profanados com a violência mundana das fardas. Golpes que também eram a necessidade de esconder a fé que nos inundava não por vergonha, mas pela crueldade de um mundo cujos valores são forjados por uma crença que vê em tudo que pulsa Vida e Desejo como algo que deve ser destruído. Tínhamos então que nos esconder muitas vezes, e ir para lugares distantes das cidades a fim de encontrar a paz necessária para receber e festejar Vossas presenças primais.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas cada vez mais a violência da Cruz se espalhava, e as distâncias se tornaram menores. O som do atabaque teve que se silenciar. Nós choramos escondidos, acreditando que ao silenciar nossas músicas estaríamos desonrando Vossas essências, que estaríamos envergonhando a Tradição. E que ao fazer isso a vida, já tão dolorosa, perderia de vez a dádiva de Vossas mensagens, mensagens que nos traziam a doçura, aquele sabor único que amenizava a dor de tantos golpes e de tanta humilhação. Nesse choro não havia apenas tristeza, mas revolta também, e também um grande ódio. Pois os Senhores nos ensinaram que o ódio e a revolta são também parte de nós, e que ser manso jamais será digno dos que se dizem Seus filhos. Sugar da Vida tudo que ela tem a oferecer, seja &quot;bom&quot; ou &quot;mau&quot;, até os limites dos limites: é isso que os Senhores nos instigam sempre a fazer, para sermos os únicos donos de nós mesmos, os únicos comandantes de nossos Destinos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E foi tendo isso no coração (o maior presente que os Senhores nos deram foi esse: o de aprender a pensar com o coração) que descobrimos que no silenciar do atabaque um novo ordálio estava sendo colocado. Falamos das doçuras que Vossas mensagens traziam, mas havia também, e na maioria das vezes, também o amargor no que era dito - cobranças, gritos, severas repreensões. Todas essas mensagens raivosas eram necessárias, mesmo que em um primeiro momento pouco as compreendíamos. Rasgavam nossos olhos petrificados de tantas mentiras, chutavam nossa boca até os dentes caírem, ateavam fogo em nosso Eus limitados que caíam em agonia. De tudo na vida se pode tirar ensinamentos, mas é da dor que os homens tiram aqueles que os transformam para sempre - e assim, após os Senhores conduzirem os filhos pelas Sendas da Agonia, renascíamos ainda mais sedentos, mais comprometidos, querendo ver Sóis ainda mais brilhantes e caminhar em Noites ainda mais sinistras.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Graças ao silêncio que tivemos que mergulhar, cultuando os Senhores apenas sob a luz da vela negra e nada mais, estamos aprendemos um novo valor: o da simplicidade. Enquanto os Senhores estavam aqui, sofrendo como nós os pesos da condição material, as liberdades eram inexistentes. Que ilusão achar que os servos da Cruz permitiam o som do atabaque, ou qualquer outro som! Era uma questão de morte, e assim foi selado o Destino de muitos. O silêncio está na base da fé que nos anima. O ocultamento. O ir-para-dentro-de-si. O relacionar-se com Vossas forças tendo apenas a simplicidade de uma vela, de um copo de bebida, de um fumador. As grandes festas, as belas roupas e as ricas oferendas: os Senhores nos ensinaram os valores e propósitos delas, e sempre nos corações dos filhos terá o lugar para tudo que for grande pois assim são os Senhores - mas nossos olhos não tem mais a cegueira de pensar que apenas assim que nós os agradamos. Há tantas ilusões ainda não desvendadas, mas essa não nos enganará jamais.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Seguimos então confiantes no silêncio que os Senhores nos ensinaram a valorizar como um mestre. A olhar para a chama de uma vela e nela encontrar tudo o que precisamos para conectar-se com Vossas forças, silenciosamente, através do coração. Ter na quietude a força mais poderosa de nossa fé ressignifica os fundamentos, dá um novo sentido às firmações, faz renascer a nossa compreensão da magia, dos códigos e das mensagens. Não há no silêncio desonra, não há nele a quebra da Tradição: há no silêncio um poder que ainda estamos descobrindo, há nele uma dimensão na qual mergulhamos, selvagens e sempre sedentos, em busca da essência de Exu - a essência que queremos que seja a nossa.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2020/06/o-silencio-dos-atabaques.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiwYk3S46cTH9dKo86m-w0v3d5m5x72tbYQiHSTTvGeSl-oU7n2UVTFYyGMgMna8GusUs2tQbuc0RrwroI0UpFZubr2ECroLiSE2_iZ_IT5WH2HnfsfY8LV49Fp0fDF6mp6yOrE/s72-c/candle.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-4291339651322795587</guid><pubDate>Mon, 27 Apr 2020 03:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-06-14T16:03:50.692+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sexo</category><title>Além dos véus róseo-rubros</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvduSpL4OZM_HejhitEB_tVp4U7KB7Hm9vELnBfeUMuPAK0qXhyphenhyphenu0_XEsrWZbq2KBFxVgzM4kRNHsxReS1GaoBON1ZIfeGT9bvvhW3zeRELtWuuEeu7Pd0aGQ7p8zRv5vXEH3l/s1600/dissolve.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;588&quot; data-original-width=&quot;587&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvduSpL4OZM_HejhitEB_tVp4U7KB7Hm9vELnBfeUMuPAK0qXhyphenhyphenu0_XEsrWZbq2KBFxVgzM4kRNHsxReS1GaoBON1ZIfeGT9bvvhW3zeRELtWuuEeu7Pd0aGQ7p8zRv5vXEH3l/s400/dissolve.jpg&quot; width=&quot;398&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Houve um tempo que os lençóis tinham o teu cheiro, lençóis onde gozamos juntos e acordávamos com lembranças da noite anterior. Bastava virar para o lado para já te tocar e então começar de novo. As bocas então se encontravam, ávidas, quase se mordendo. O carinho que transcende a forma amena e se torna aquilo que deve ser - primitivo gesto de amor. Não do amor surrado na escritura dos poetas, que só vivem na ilusão de sofisticar aquilo que não precisa e assim parecerem mais espertos do que realmente são. Amor como ato voraz. Explosão. Tempestade. Estremecimento. Suas pernas enlaçadas em meu pescoço, bambeando. Reflexo físico que sugeria que minha língua dedicada estava no caminho certo. O labor devoto em frente ao seu altar úmido de vida. Pois é no elemento líquido que a vida se inicia. Minha devoção, fervente, então penetrava no altar, abrindo os véus róseo-rubros que o velavam. Como eram quentes as chamas que ali se ocultavam! Isso fazia minha devoção, ainda mais exaltada, transformar-se num desejo de pura conexão. E por isso eu buscava mais uma vez sua boca arfante, mas também seus olhos. O que de mais íntimo pode existir do que amantes que fodem com olhos fixos nos olhos do outro? As chamas do seu altar úmido subiam e através dos olhares cruzados uniam ainda mais os corpos já em conexão. Continuidade ígnea. Ouroboros feito apenas de desejo em exercício. Exercício ritmado em seu altar já inundado de êxtase, sua boca perto da minha, respiração que misturava ares inalados e exalados, dentro e fora, fora e dentro. Como que isso não pode ser amor? Mãos que seguravam sua cabecinha com ternura, mas também com malícia, enlaçando os dedos em seus cabelos para aumentar a sensação de controle. Gesto que eu fazia para dizer &quot;você é toda minha&quot;. Você percebia, como ninguém sabia me ler, e então sorria em resposta. Sorriso que era como gasolina sendo jogada em um incêndio. O sorriso acontecia de modo espontâneo ou calculado? Eis o mistério da Fé. Nenhum homem jamais saberá se o sorriso feminino na hora da foda vem de Deus ou do Diabo. O melhor é assumir que ambos são uma mesma coisa. E que a Mulher, a Beleza que está no topo do mais alto pilar da Criação, tem em si a dádiva de ser filha de ambos e de nenhum. Com aquele sorriso aumentava ainda mais minha ardente devoção. O altar úmido, já quase todo feito de líquidos cujo aroma transforma o homem em animal. E nessa inundação de sucos pecaminosos eu então começava a me preparar para contribuir com um novo tipo de libação, também ela quente e aromática, e que em outras vezes você havia sorvido, ávida e devotamente. Respirações ainda mais próximas, inalação e exalação, dentro e fora, fora e dentro, em ritmo crescente. Um olhar inocente poderia julgar que era um homem maltratando uma mulher com aqueles sacolejos quase violentos. Penso que esses mesmos inocentes ficariam confusos ao ver o seu sorriso enquanto me dizia baixinho &quot;goza, goza&quot;, sempre com aqueles olhos mágicos me encarando. Não me saem da mente especialmente seus olhos. Eram neles que fixava toda a minha atenção enquanto eu sentia o clímax se iniciar, e os gemidos se tornando mais altos até que a respiração, descontrolada, era esquecida. Luzes disformes. Nervos se contorcendo. Segundos que a percepção se alterava. Não é a toa que os franceses chamam isso de pequena morte. Jorros quentes disparados contra as paredes internas do altar úmido. Fêmea e macho unidos em êxtase único. O suor meu pingando sobre o seu. Grudados, melados, o mundo exterior poderia ser destruído, a civilização sucumbir, holocaustos se multiplicarem. Tudo isso havia perdido o sentido. Havia encontrado um novo tipo de divindade, e ela estava oculta sob os véus róseo-rubros do altar úmido que vivia selvagem entre suas pernas.&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2020/04/alem-dos-veus-roseo-rubros.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvduSpL4OZM_HejhitEB_tVp4U7KB7Hm9vELnBfeUMuPAK0qXhyphenhyphenu0_XEsrWZbq2KBFxVgzM4kRNHsxReS1GaoBON1ZIfeGT9bvvhW3zeRELtWuuEeu7Pd0aGQ7p8zRv5vXEH3l/s72-c/dissolve.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-6520233457828592097</guid><pubDate>Sat, 11 Apr 2020 05:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-11-27T13:59:20.737+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sonhos</category><title>Sonho-real, Real-sonho</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;img src=&quot;https://i.pinimg.com/474x/1c/23/9b/1c239bee2fc5d99ddb65c343aed21796.jpg&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Há certos rumores que o Covid-19 abriu estranhos portais, pois os sonhos de todos parecem estar inundados de imagens antes não comuns. Mesmo os meus sonhos têm sido lisérgicos a um extremo que antes não aconteciam, ou aconteciam raramente - de qualquer modo, as cores têm se tornado incrivelmente mais vibrantes, as situações mais complexas e inusitadas, o ambiente amplificadamente surreal.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Há um conto do Lovecraft que fala sobre um homem que tem sonhos onde voa por paisagens impossíveis. Ele acorda e fica recordando daquele mundo infinito com o coração apertado por um saudosismo que não tem fim. No conto os sonhos se repetem até ele enfim começar a viver apenas no sonho, e constata que aquilo que era mundo sonhado tem tanta substância e realidade quanto o &quot;mundo real&quot;. Aquele mundo dos sonhos, tão imenso, tão fantástico, é um nada perto da realidade prosaica, repetitiva, empobrecida de significado. Sufocante, a vida real não suportaria aquele tipo de singular beleza que existe no mundo dos sonhos. Nosso mundo é feio, extremamente feio. E nele temos muitas pessoas horríveis. Mesmo aqueles que são considerados bonitos têm em si uma feiura secreta. Um traço de personalidade que faz as belas formas tão somente o que são - o feliz acaso da Natureza em criar um corpo apetitoso ao Desejo, mas que o andar dos anos tratará de deteriorar e deteriorar até ser um amontoado de tecidos enrugados, de células que morrem, de carne putrefata. &quot;Nenhuma Beleza me vencerá&quot;, disse o Tempo no começo do mundo, e desde então a Beleza, quando surge, é só para nos fazer lembrar que todos no longo prazo seremos muito feios.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
No mundo dos sonhos, porém, é tudo ao contrário: a Beleza vence o Tempo a hora que ela quiser. Ela na verdade ri da cara do Tempo, que naquele mundo age de modo bastante confuso - às vezes ele corre muito rápido, às vezes parece que anda para trás, mas a maioria das vezes ele fica parecendo bêbado e agindo de modo inconsequente. Tanto é que parece que por lá acontecem muitas coisas juntas, e parece que estamos vivendo aquilo tudo por horas ou meros minutinhos, e de repente toca o despertador e acordamos um tanto quanto desorientados. Nem sempre os sonhos são bons, tem aqueles que tentamos acordar e nunca conseguimos, parece que por lá ficaremos presos eternamente, suspensos em uma situação amedrontadora, o Tempo caído de bêbado nos deixando esquecidos ali apavorados. Há certas temporadas na vida que todas as noites temos sonhos ruins, mas para nossa tranquilidade, na maioria das vezes, sonhos ruins são uma exceção.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nada parece racional no mundo dos sonhos. Tudo ali obedece a uma lógica que nos escapa. Nem sei se dá para utilizar a palavra lógica para explicar o que ali ocorre. Seria uma pretensão imensa querer atribuir significados para tudo que acontece por lá; e como somos uma raça de soberbos é claro que, desde a aurora dos tempos, o homem tem procurado entender aquele mundo, investigar seus segredos, captar sua essência rebelde e louca. O que seria da humanidade sem o mundo dos sonhos? Constantino não sonhou com a cruz e a frase &quot;In Hoc Signo Vinces&quot;, e após isso se fez cristão? Nesse signo vencerás: Constantino acreditou no seu sonho e mandou grafar nos escudos de seus exércitos a cruz. Logo após isso, em uma reviravolta um tanto quanto inesperada, venceu uma batalha decisiva contra Magêncio, seu rival na luta pelo poder, e tornou-se o primeiro imperador cristão a comandar o Império Romano. Se hoje o Ocidente é predominantemente cristão, temos nesse sonho de Constantino o gatilho que disparou uma série de eventos, que vão desde a fundação de Constantinopla até os bispos televisivos expulsando demônios em nome de Jesus.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas embora ali no mundo dos sonhos as coisas aconteçam de uma forma na maior parte das vezes absurda, a sensação de que tudo ali está vivo é marcante. Todos já tiveram sonhos tão reais quando essa tela onde você está lendo esse texto agora. Sonhos que eram tão incrivelmente intensos e vívidos que nem pareciam na verdade sonhos: era como se fosse um outro tipo de vida, um universo que obedecia a regras especiais, com seres estranhos, cores lindas, diálogos e situações que lembravam situações da vida real mas em configurações totalmente novas. Os mais deliciosos são obviamente os sonhos envolvendo sexo: já tive esse prazer inenarrável, em sonhar de estar fodendo com aquela pessoa que nunca você conseguiria se aproximar porque é tudo tão diferente no mundo real, as situações tão impossíveis de levarem àquilo, e no sonho é você ali transando na rua mesmo, em um cantinho qualquer logo após trocarem meia dúzia de palavras sem importância; as sensações prazerosas são tão fortes que já ouvi relatos de pessoas que realmente chegaram ao orgasmo durante o sonho. Uma intensidade tal que se parece com a realidade mesmo, vida exaltada e incrivelmente bela, livre e audaciosa.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Seria, tal como no conto de Lovecraft, o mundo dos sonhos um mundo tão verdadeiro quanto o nosso? As situações ali experimentadas, tão incrivelmente vívidas, tão marcantes, capazes de fazer nosso emocional rodopiar ao ponto de acordarmos seja em êxtase, seja em pavor... Seria um desperdício aquilo tudo ser apenas uma traquinagem de nossa mente, essa poderosa caixinha de armadilhas. Vibrante até mesmo quando nos assusta, pensemos no mundo dos sonhos como um mundo tão concreto quanto o nosso; que aquilo que sonhamos não seja um sonho, mas a vida de um outro alguém, a nós ligados, que leva sua existência em um mundo onde a Beleza é a Rainha de tudo e o Tempo fica caindo bêbado pelos cantos, tropeçando; esse mundo tem cores que nunca existirão no nosso, velocidades impossíveis de imaginar, cidades que parecem com as nossas cidades mas que mesclam todas em uma só - ora é como se fosse uma rua do centro de São Paulo, depois você sobe e é como se fosse a Recoleta, mais adiante parece a Vila Mariana e olhando ao redor já estamos em um parque de Amsterdã. E mesmo essas referências todas são apenas aproximações bastante inexatas, pois o que temos sempre nos sonhos é uma reprodução de dados captados pelo nosso aparato racional misturados em uma coqueteleira com bastante DMT e devaneios surrealistas, que fazem de repente a Avenida Paulista terminar em um deserto e colocar você e seu melhor amigo em cima de um camelo, vestidos como mercadores de Stygia acompanhando uma distante caravana e fazendo planos para um ataque de pura carnificina contra ela, e com tudo isso ao fundo rolando um som que parecia uma espécie de cumbia setentista - um mundo tão maravilhoso quanto esse, pensemos que ele sim existe de fato, que nada desses sonhos são fugazes construções do cérebro que um cientista chato um dia vai explicar que são reações químicas do lóbulo central e zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Ignoremos a ciência, ela só vai nos atrapalhar aqui. Vamos seguir nessa estranha estrada lovecraftiana que nos leva a concluir que o mundo dos sonhos é, na verdade, uma vida tão real quanto a nossa, vivida por um outro ser que é como se fossemos nós só que naquele &quot;lado de lá&quot;, esse não-lugar que é o Mundo Onírico onde tudo é possível, até mesmo transar depravadamente no meio da rua com aquela pessoa que você nem sabe como começar uma conversa a respeito de um simples jantar, quem dirá de uma foda bem feita.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas se quando dormimos o nosso sonho é a vida de um outro alguém, não é exagerada a hipótese de que a nossa vida aqui também é um sonho para quem está em outro lugar. Exatamente: isso que você está fazendo agora, lendo esse texto que escrevi; o meu próprio ato de aqui estar sentado, escrevendo esse texto, no coração da Vila Buarque no centro da cidade de São Paulo em plena madrugada do dia 11 de abril de 2020 durante a quarentena do Covid-19, tudo isso é o sonho de alguém que dorme no mundo que é onde vou quando eu estou dormindo. Aquele mundo para nós absurdo, onde passamos por situações típicas das obras de Dali, é a realidade de um outro Eu que agora dorme e me sonha aqui escrevendo sobre o mundo dele. Um parafuso de piração: essa é uma expressão bastante feliz para nomear esse vácuo no espaço-tempo onde a consciência de que não sou como imaginava, mas sou sonhado por alguém que sou enquanto sonho. Objeto ou sujeito deixam de ser conceitos válidos para se tornarem um conjunto de letrinhas em ordem, uma depois da outra, vazias daquilo que chamamos de significado.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Se isto que chamo de realidade é o sonho de um outro, e o que chamo de sonho é a realidade daquele que me sonha, seria para este desconhecido o seu sonho (a minha realidade) tão absurdo quanto o meu sonho (a realidade dele) é para mim? Da mesma forma como relembro com sensação de absurdo o sonho onde a avenida Paulista terminava em um enorme deserto onde eu e meu amigo perseguíamos uma caravana de camelos, esse que me sonha em algum lugar deve contar para seus amigos mais ou menos assim a minha vida aqui:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&quot;Nossa, hoje eu sonhei de novo aquele sonho que havia falado para vocês ontem, quando estávamos voltando da Bolha de Éter pela estrada de açúcar mascavo em cima dos flamingos verdes que tinham patas de mastim russo [nota do editor: aqui considere o leitor como um exemplo apenas de uma realidade possível para aqueles que nos sonham, e que são descritas com tanta naturalidade quanto nós falamos uns aos outros sobre engarrafamentos, contas a pagar, etc]. Eu morava em uma casa onde todos os cômodos ficavam sempre nos mesmos lugares: todos os dias eu acordava e o banheiro ficava no banheiro, a cozinha na cozinha, etc. Nem a privada mudava de lugar, ou de cor. Os objetos eram sempre os mesmos, e sempre nos mesmos lugares. É até difícil descrever isso, mas as roupas que ficavam no guarda-roupa também eram as mesmas, mesmo que você abrisse e fechasse as portas inúmeras vezes; e depois que você as usava, elas tinham que passar por um processo chamado &quot;lavar&quot;, que consistia em pegar água e um negócio que quando misturado com ela fazia espuma; você colocava as roupas usadas dentro de uma caixa grande e dura, com uma tampa, e lá dentro se enchia de água e do negócio que fazia espuma. Depois de um tempo, tirava a roupa de lá e deixava pendurada, em geral num lugar aberto onde o Sol podia iluminar. Ah, o Sol todo dia também aparecia do mesmo lado, e na mesma hora, e eles tinham no céu apenas uma Lua, que também sempre aparecia mais ou menos no mesmo horário todos os dias. E todos os dias também eu ia sempre pro mesmo lugar, no mesmo horário, fazer a&amp;nbsp; mesma coisa, e isso se chamava &quot;trabalhar&quot;: não deu tempo de entender muito bem o que era exatamente isso, mas pelo que pude entender era tipo uma troca, onde você dava um pouco de sua vida e recebia por isso uns papéis. Não só eu, mas todos faziam isso. Não parecia ser uma troca muito justa. Você via as pessoas ficando muito fracas nessa troca, perdendo a força, mas elas continuavam fazendo isso porque sem os papéis não tinha como fazer quase nada. Não me recordo muito bem, mas esses papéis serviam para trocar por outras coisas, até mesmo por comida - bizarramente, comer era algo que tinha que fazer todo dia. E ao invés de simplesmente comer o que se queria, comia-se o que se podia trocar pelos papéis que haviam sido trocados pela vida. E como o ato de comer era algo necessário para se ter vida, eles precisavam sempre trabalhar para trocar por papéis e com isso comprar mais comida; assim eles ficavam perpetuamente em um ciclo de trocar vida por papéis e papéis por comida para então ter vida e assim trocar por novos papéis, e sempre perdendo algo nisso tudo. Não fazia nenhum sentido, mas todo mundo fazia igual. Até mesmo transar era estranho, tipo por mais que todos tivessem a possibilidade de transar com quantas pessoas pudessem, eles faziam isso em 99% dos casos em duplas, e quase sempre dentro das casas imutáveis onde moravam, ou em outros lugares, mas sempre meio que escondidos, mas não entendi por que tinham que fazer longe dos olhos dos outros. E fica ainda mais esquisito: era sempre a mesma dupla. Tinha gente que estava há anos transando sempre com a mesma pessoa, alguns você via claramente que era sem nenhuma vontade, mas por algo que eles chamavam de compromisso, que é o que ligava as pessoas em duplas por tanto, tanto tempo. Imagina isso, transar só com pessoas conhecidas e apenas com uma única pessoa, por anos sem fim. Enfim, era tudo muito diferente, tudo muito sempre igual e padronizado; e mesmo assim, com a repetição tendendo ao infinito, tinha uma coisa que fazia com que essa padronização fosse suportada; e embora fosse algo muito, muito raro de acontecer, tinha um poder imenso, e causava um alvoroço tão grande por onde passava que até fazia aquele mundo cinza e pragmático, carregado de repetição, se tornar um lugar tão mágico quanto a nossa realidade;&amp;nbsp; não era ao ponto de fazer os cômodos das casas mudarem de disposição como na vida real [nota do editor: aqui o leitor tem que lembrar de levar em consideração que a perspectiva é a do indivíduo que do seu mundo nos sonha aqui, mundo esse onde o absurdo é a norma], mas era algo que mudava as pessoas, fazendo-as até ficarem mais bonitas e com vontade de usar coisas que as deixavam mais cheirosas - olha que louco, elas tinham que passar coisas nelas para ficarem cheirando bem! Quando esse algo as acometia, era mais ou menos como um tipo de doença: sentiam calafrios pelo corpo, que inclusive chegava a ficar mais quente, os pensamentos se tornavam aéreos, e um intenso desejo de transar o tempo todo com uma pessoa específica, de ver essa pessoa toda hora, de tocá-la, de sair com ela para comer e de várias outras coisas estranhas que faziam lá naquele sonho; essa reviravolta que direcionava toda a atenção de uma pessoa para outra tinha chances de não ser recíproco, isto é, nem sempre a atenção dedicada vinha de volta, o que causava naquele que direcionava a atenção algo chamado de tristeza. Alguns até passavam a vida toda tristes, decorrentes dessa falta de reciprocidade - esses em geral compensavam trabalhando mais e trocando a vida por mais papeis até que não sobrasse mais vida nenhuma. Mas quando essa atenção ia e voltava, eles experimentavam um negócio chamado felicidade, que os fazia sorrir quase o tempo todo. Alguns sorriam tanto que até choravam de tanto sorrir. E quando a coisa chegava nesse nível, isto é, quando a felicidade era tamanha a ponto de você chorar ou quando ela era tão grande que transbordava como um beijo louco acompanhando uma foda intensamente suada como se não houvesse o amanhã, então aí tínhamos algo que eles chamavam de amor em sua forma mais primeva e maravilhosa, que era o sentimento de ter a pessoa por perto, de admirá-la como uma espécie de divindade e, ao mesmo tempo, de ter vontade de fodê-la e gozar juntos até não poder mais. Isso era algo raríssimo de acontecer, e não consigo pensar em nada parecido no nosso mundo que se assemelhe àquilo.&quot;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Penso que seria assim que nos descreveria aquele que nos sonha enquanto estamos aqui, no nosso mundo real. Espantado diante de nossas repetições e trivialidades, sem entender a lógica racional que permeia nossos atos, as limitações da geometria euclidiana e as incontornáveis leis da física, elementos que não existem em seu mundo sempre aberto ao Fantástico. Talvez apenas os destemperados atos dos apaixonados, seus erros e acertos, suas lágrimas e gozos, despertariam neles alguma nível de atenção e, quem sabe, uma pontinha de inveja. É um lugar comum absolutamente banal chegar na conclusão desse texto, onde explorei essa ideia amalucada do sonho como real e do real como sonho, que o amor seria a única coisa digna em nosso cotidiano acinzentado. Há muitas outras coisas dignas no nosso mundo, e que merecem todo nosso apreço e atenção - mas parece que sem a experiência de ter e ser amado, e vivenciar essa experiência da forma mais extrema possível, envolto em explosões de afeto e cuidado e prazer, sem isso seríamos vistos por aqueles que nos sonham como seres desinteressantes, trocando nossas vidas por papéis e morando em casas cujos cômodos imutáveis reproduzem a monotonia que molda nosso Destino.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2020/04/sonho-real-real-sonho.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-6559794704193557228</guid><pubDate>Mon, 17 Sep 2018 01:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2018-09-17T15:53:25.639+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Corrente 218</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Corrente 49</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">quimbanda</category><title>Sobre desejo e conexões</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjJm5NlqlxIU41HjgZrjA0mIt_XKQ-gy4ho2qsBLX36V6z9Boo7AgHMD6G6UfAxCtWKgl-t-sGvOzxYh_5f5YZh0P-SBp1348NNIXyWyMnT8IRUDCB7_GZzZ_IQXVllr5SCxFzH/s1600/smallimage.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjJm5NlqlxIU41HjgZrjA0mIt_XKQ-gy4ho2qsBLX36V6z9Boo7AgHMD6G6UfAxCtWKgl-t-sGvOzxYh_5f5YZh0P-SBp1348NNIXyWyMnT8IRUDCB7_GZzZ_IQXVllr5SCxFzH/s1600/smallimage.jpg&quot; width=&quot;600&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;i&gt;Ao som de &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=LNfNkpoBRho&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Corona Barathri &amp;amp; Akhtya &quot;Summum Malum&quot;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
O que desejamos com paixão e intensidade, quando acompanhado de ações concretas, tende a realizar-se mais cedo ou mais tarde. O desejo atua como um combustível para o agir: nos impulsiona a ir além, cada vez mais ao extremo, cada vez mais na fronteira de nossos limites.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Quando lancei o primeiro número do Dissolve Coagula desejei que cada página, cada texto, cada imagem fosse um ato devocional às potências infernais. Elas seriam não apenas um amontado de tinta sobre papel dissertando sobre metal negro e magia obscura, mas verdadeiras ESPADAS DE MORTE que incentivariam a rebeldia, o ódio e a negação da Criação. Espadas que rasgariam pensamentos limitadores e cortariam amarras espirituais. Espadas que, cunhadas nas forjas de Lúcifer, promoveriam a matança dos egos e libertariam as Chamas Negras nos soldados da armada de Maiorial. Eu desejei isso com força, e rezei para que esse desejo infectasse cada exemplar do fanzine, espalhando confusão por onde passasse, como um vírus espiritual propagador de influências nefastas. Para os incautos representaria tão somente diversão, textos sorvidos com pouca (ou nenhuma) profundidade. Mas no solo fértil dos que já tinham em si tendências dissolutivas, eu ansiava plantar sementes que frutificariam em negros frutos de Sabedoria Oculta, possibilitando inclusive na criação de elos com indivíduos e egrégoras que buscassem os mesmos objetivos espirituais que eu buscava. Pois meu caminho até então foi feito de modo solitário, e eu era impelido a buscar conexões com outros para aprender, compartilhar e evoluir.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Devido a esses elos, intensifiquei minha participação junto à egrégora da Corrente LTJ49, no Templo de Quimbanda Maioral Beelzebuth e Exu Pantera Negra. Meu primeiro contato com eles foi através de uma entrevista para o site Rat Hole (essa entrevista aqui&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.chaosophie.net/?p=1589&quot;&gt;http://www.chaosophie.net/?p=1589&lt;/a&gt;) e desde o primeiro momento me identifiquei plenamente com a forma como eles pensavam a espiritualidade negra e a Quimbanda. Após alguns contatos por mensagens e a participação em algumas atividades abertas, fui conhecendo mais sobre a Corrente 49 e as pessoas que dela fazem parte. Nessa relação mais próxima com as práticas e alguns membros pude compreender melhor diversos aspectos da Quimbanda, o que me trouxe ainda mais identificação, além de entender também que tudo que se fala de negativo sobre o Templo - que são falsos, aproveitadores, pretensiosos angariadores de black metallers deslumbrados com Dissection, etc - não tem nenhuma base de realidade. Tenho zero interesse em intrigas: assim agi durante toda a minha vida em relação a assuntos mundanos. Quando se trata&amp;nbsp; de questões espirituais, esse desinteresse toma feições quase militantes. Pois bem: as críticas direcionadas ao TQMBEPN me parecem mais o resultado de uma querela egóica do que qualquer outra coisa. Justamente pela postura antidogmática e plural do sistema da 49, ele pode causar certo desconforto em pessoas e seguimentos mais tradicionalistas, e os ataques que vi à Corrente tem exatamente esse desconforto como base, muitas vezes sem um contato direto com seus membros.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
De longe considero meu contato com a LTJ49 o mais fecundo dos elos que o Dissolve Coagula me proporcionou. Foi ali, junto ao solo sagrado da Corrente, que tive meus primeiros contatos com Exu e Pombagira. Conversar com os espíritos de modo direto, partilhar de suas energias, intensificar-se nessa egrégora proporcionou-me gnoses que eu jamais havia experimentado. São conhecimentos que não se traduzem em palavras, ou dificilmente conseguimos através delas expressar. Saberes que falam, em um idioma selvagem, sobre aquelas feridas íntimas que desejamos esquecer, sobre aqueles medos inconfessos, sobre as limitações que nos envergonham. Pois é assim a experiência com Exu: no limite do trauma, nos empurrando para abismos cada vez mais profundos onde, em uma escuridão absoluta, encontramos a Luz Verdadeira que liberta. Humildemente reconheço que estou como um simples neófito na minha caminhada junto aos espíritos, mas o pouco que eles já me ofertaram funcionaram como pérolas e, em profunda gratidão, sigo buscando uma conexão mais profunda com eles.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Outro elo construído através do fanzine foi com indivíduos sérios ligados à Corrente 218. Apesar de nosso contato inicial ter tido como pano de fundo o metal negro, a amizade que se desenvolveu e o nível da discussão seguiu um direcionamento muito mais voltado para questões espirituais e magísticas do que puramente musical. Falamos muito sobre as entidades negras, que são energias bastante distintas daquelas que encontramos nas giras de Quimbanda, e as quais estudo e medito com reverência e atenção, mas sem (ainda) buscar uma conexão mais direta. Entendo que tudo deve ocorrer em seu devido tempo e o meu, nesse momento, tem como foco primordial a Quimbanda. Há certas proximidades entre as Correntes, mas por demais abstratas, e no específico da ritualística diferem de maneira bastante acentuada. Por esse motivo, e inclusive como forma de não misturar egrégoras de maneira irresponsável, tenho mantido minha prática e estudos direcionados, embora veja de maneira muito positiva a relação com essas pessoas. Uma maneira de encontrar aliados mais experientes do que eu, e que podem servir como referência e aconselhamento para desenvolvimentos futuros.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2018/09/sobre-desejo-e-conexoes.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjJm5NlqlxIU41HjgZrjA0mIt_XKQ-gy4ho2qsBLX36V6z9Boo7AgHMD6G6UfAxCtWKgl-t-sGvOzxYh_5f5YZh0P-SBp1348NNIXyWyMnT8IRUDCB7_GZzZ_IQXVllr5SCxFzH/s72-c/smallimage.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-4376938341745367130</guid><pubDate>Sat, 03 Feb 2018 02:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2018-02-03T16:32:08.164+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">black metal</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">fanzine</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">mão esquerda</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">satanismo</category><title>Dissolve Coagula fanzine - número 1 disponível</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiSHgh3smQ6sx7ArL_CssfEs3wfqLIYLmlHNmsO4aOI-yj2q_sQ3sW7GVMmCDKeeIDGTSsFmzas5jPlSb-J-oBPfjofwBJICIajtsHg3z5qvBL6J3q-zwIumQ0V4bi_2-vGcvjp/s1600/27707201_10155238384883302_260010252_o.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;864&quot; data-original-width=&quot;1440&quot; height=&quot;360&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiSHgh3smQ6sx7ArL_CssfEs3wfqLIYLmlHNmsO4aOI-yj2q_sQ3sW7GVMmCDKeeIDGTSsFmzas5jPlSb-J-oBPfjofwBJICIajtsHg3z5qvBL6J3q-zwIumQ0V4bi_2-vGcvjp/s640/27707201_10155238384883302_260010252_o.jpg&quot; width=&quot;600&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Oficialmente lanço hoje o primeiro número do fanzine Dissolve Coagula. Com 64 páginas, ele é resultado de um trabalho iniciado em outubro de 2017 e consolida um interesse antigo em voltar a produzir fanzines impressos, algo que eu não fazia desde o início dos anos 2000, quando publiquei o último número do Reflexões de um Anticristo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um breve resumo sobre essa primeira edição:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;VALORES&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
O fanzine sai por R$ 25,00&amp;nbsp;+ frete. Para adquirir, você deve entrar em contato pela&amp;nbsp;&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.facebook.com/dissolvecoagula/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;página do Dissolve Coagula no Facebook&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;https://www.facebook.com/dissolvecoagula/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;ou pelo e-mail&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;mailto:archeo@riseup.net&quot; style=&quot;font-weight: bold;&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;archeo@riseup.net&lt;/a&gt;&amp;nbsp;para que eu te passe os dados de depósito.&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;Trocas e pedidos de distribuidores serão analisados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A prováveis imbecis que vão falar que estou ganhando dinheiro com o fanzine e sendo um &quot;sanguessuga da cena&quot;, já aviso: MORRAM.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;ENTREVISTAS&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Foram quatro entrevistados:&lt;b&gt; Lucifer Luciferax&lt;/b&gt;, publicação voltada para o Caminho da Mão Esquerda editada pelo camarada Pharzhuph, é seguramente uma das publicações mais interessantes sobre o tema aqui no Brasil e com certeza figura entre as principais inspirações para a produção do fanzine; &lt;b&gt;Vulturine&lt;/b&gt;, veteranos do black metal que estão prestes a lançar seu novo opus em março pela Drakkar Brasil, uma das bandas com mais personalidade na cena nacional; &lt;b&gt;Círculo Hermético Pvtridvs Vox&lt;/b&gt;, grupo de cunho necro-esotérico que congrega algumas hordas nacionais profundamente conectadas com os aspectos espirituais do metal negro, tem desenvolvido atividades bastante interessantes e compromissadas; &lt;b&gt;Vazio&lt;/b&gt;, horda paulistana com pouco mais de um ano de existência cujos integrantes, com raízes na cena punk, criaram um som que se conecta espiritualmente com a Corrente 218, fato que me chamou a atenção e motivou a entrevista.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;RESENHAS DE LIVROS&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Leituras são sempre importantes para todos aqueles interessados pelos caminhos opositores da Mão Esquerda. São quatro as obras resenhadas: &lt;b&gt;Cabala, Qliphoth e Magia Goética&lt;/b&gt;, de Thomas Karlsson; &lt;b&gt;O Renascer da Magia&lt;/b&gt;, de Kenneth Grant; &lt;b&gt;Thursakyngi&lt;/b&gt;, de Ekortu;&lt;b&gt;&amp;nbsp;A Arte dos Indomados,&lt;/b&gt; de Nicholaj de Mattos Frisvold; &lt;b&gt;O Despertar de Cthulhu em Quadrinhos&lt;/b&gt;, da editora Draco. Todas as resenhas são muito particulares, não tendo nenhum objetivo de servir como guia de leituras ou uma visão definitiva e &quot;correta&quot; sobre tais obras.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;RESENHAS DE DISCOS&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Música é algo que não passo sem ouvir um dia sequer. Meu gosto musical não se prende a apenas um estilo, mas para o fanzine eu procurei manter o material resenhado restrito a alguns estilos: black metal, power electronics, noise e dark ambient. Para o primeiro número as resenhas ficaram em sua esmagadora maioria em discos black metal, todavia isso irá mudar para os próximos números, onde os outros estilos citados terão incisivamente mais espaço. Por uma razão: são estilos onde vejo borbulhar o desejo de ir além da simples música (ou anti-música, no caso do noise), algo que aprecio fanaticamente. Também contarei com mais algumas pessoas escrevendo resenhas para os números futuros.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;MATÉRIA SOBRE A ORDEM DOS NOVE ÂNGULOS (ONA)&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Essa foi uma das primeiras ordens que conheci, na época onde os fóruns de discussão do Yahoo! bombavam e a Internet vivia sua infância, aquele tempo quase mítico onde nem o Orkut ainda existia. O extremismo físico de seus ordálios, sua aposta na clandestinidade e em um panteão formado por entidades longínquas e inomináveis conquistaram minha atenção, e eu li tudo o que pude a respeito da ONA ao longo dos anos. Essa matéria é uma espécie de acerto de contas com esse interesse, onde faço uma espécie de linha do tempo da Ordem dos Nove Ângulos, descrevo os tópicos de suas principais obras e a estrutura de seu sistema iniciático. As controvérsias envolvendo as ligações da Ordem com o neonazismo também são tratadas nesse texto, inclusive não se limitando a uma simples exposição de &quot;fatos&quot;, mas sim buscando uma visão crítica a respeito do tema.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;NOISE E AFINS&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Thiago Miazzo é um amigo que se dedica a produzir noise/harsh e outras (anti)musicalidades, e eu o convidei a escrever uma coluna sobre o tema, buscando abordar obras que tenham mais ou menos relação com temas mágicos/esotéricos. Nessa primeira coluna, que dá o tom de suas participações futuras, escreve um apanhado geral de diversas iniciativas, a maioria nacionais. Já tenho falado com o rapaz sobre como poderemos ampliar a discussão para os números vindouros, de modo mais amplo e radical.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;FICÇÃO&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
São três textos. Um deles, &quot;Nos braços de Nuit&quot;, compareceu primeiramente no fanzine &quot;A Primeira Vez&quot;, do amigo Márcio Sno, produção que compilou textos onde homens falavam (de modo literal ou inventado) sobre suas primeiras experiências sexuais. Eu gostei muito de escrever esse texto, e pedi ao Sno permissão para inclui-lo no Dissolve, pois via nele certas conexões com o tema geral do fanzine. Adianto a eventuais curiosos que jamais confirmarei se a narrativa corresponde de fato a experiências vividas ou inventadas (e no final das contas isso realmente importa?). Outro é uma carta que escrevi a uma pessoa que gostaria, muito, de ter em meu círculo de amigos, mas que por motivos de força maior jamais terei essa possibilidade. O outro é parte de um projeto mais amplo, que será lentamente desenvolvido nas páginas do Dissolve, projeto que apenas os que tiverem olhos para ver nas entrelinhas entenderão a motivação.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;CAPA E CONTRACAPA&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um dos pontos que coloquei como princípio para o Dissolve Coagula foi sempre ter artistas diferentes desenhando a arte das capas e contracapas. Mas não quero apenas contar com o talento artístico: para mim é importante que a pessoa tenha conexões verdadeiras com a espiritualidade canhota e um real interesse pela Força Opositora da Escuridão. Acredito que isso fortalecerá a egregóra que criei em torno dessa publicação. É por isso que pedi para a Paula Rueda fazer a capa dessa primeira edição. Já conhecia o trabalho dela como ilustradora e tatuadora, e eu não podia ter feito melhor escolha para essa edição inaugural do fanzine. Paula captou com perfeição o clima que eu queria dar e fez dois desenhos espetaculares, carregados de simbolismo e densidade. Sua participação também é um marco para dar a esse fanzine ainda muito masculino uma participação feminina de peso, algo que pretendo equilibrar na próxima edição com a participação de mais mulheres em suas páginas. Embora o Sinistro despreze as distinções entre os sexos como meros traços mundanos, vejo que há características energéticas e astrais típicas de cada um, e que pretendo congregar mais e mais nas páginas do Dissolve.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;ÚLTIMAS (E NECESSÁRIAS) PALAVRAS&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Todo o processo de montagem foi feito 100% na base de tesoura, régua e cola. Apenas o arquivo final foi fechado em Photoshop, e sem a ajuda do Douglas Utescher da Ugra Press, comparsa em tantas presepadas ao longo dos anos, eu estaria provavelmente a esta hora ainda tentando finalizar o arquivo para enviar à gráfica. Fiquei extremamente satisfeito com o resultado final, pois conseguiu alcançar o nível que eu tinha em mente. Para os próximos números, teremos algumas alterações no esquema da diagramação, mas o compromisso de ser 100% manual está mais do que mantido. É honesto com meus interesses e gostos, além de impregnar cada centímetro da obra com uma &quot;irreprodutibilidade técnica&quot; que gosto muito, uma espécie de aversão em nível simbólico da produção serializada de bugigangas do capitalismo. Ao mesmo tempo, não vejo e não quero fazer desse caráter artesanal algo que tenha estatuto artístico. Foda-se isso! Nada do que é feito no Dissolve Coagula tem intenção de ser meramente arte ou entretenimento. Ele é e sempre será, sem nenhuma modéstia, a cristalização do meu desejo de criar verdadeiras Espadas de Morte, de cujas páginas que escorrerão sangue; páginas que conduzirão mentes pelos territórios inóspitos do questionamento, da dúvida e da incerteza, essas bênçãos da Escuridão; páginas de onde emanações adversárias, transformadas em textos, agirão como venenos nas consciências escravizadas pela Falsa Luz Demiúrgica e instigarão nos portadores da Chama Negra ímpetos de rebelião e ódio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2018/02/dissolve-coagula-fanzine-numero-1.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiSHgh3smQ6sx7ArL_CssfEs3wfqLIYLmlHNmsO4aOI-yj2q_sQ3sW7GVMmCDKeeIDGTSsFmzas5jPlSb-J-oBPfjofwBJICIajtsHg3z5qvBL6J3q-zwIumQ0V4bi_2-vGcvjp/s72-c/27707201_10155238384883302_260010252_o.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-1250758924437245589</guid><pubDate>Mon, 22 Jan 2018 00:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2018-01-22T15:03:35.954+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">fanzine</category><title>Fanzine Dissolve Coagula: reta final</title><description>&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHLPgJXTP0WH8pNDY9prpRBW0cTHFh8DRKUTNurfGDnj06LNiTCpC5kXlSTZLQyet58PenPsT2h6bdBLBRf0CrI0a1zg0vYIqFMsz7Qi1oAgQwQCrcNMkUymQCkTtwhWiBYcK5/s1600/20180121_223654.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;961&quot; data-original-width=&quot;1600&quot; height=&quot;360&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHLPgJXTP0WH8pNDY9prpRBW0cTHFh8DRKUTNurfGDnj06LNiTCpC5kXlSTZLQyet58PenPsT2h6bdBLBRf0CrI0a1zg0vYIqFMsz7Qi1oAgQwQCrcNMkUymQCkTtwhWiBYcK5/s640/20180121_223654.jpg&quot; width=&quot;600&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Desde outubro de 2017 eu estava trabalhando em um fanzine impresso. Pois bem: hoje, 21 de janeiro de 2018, finalizei o arquivo digital para envio à gráfica, com o cuidadoso auxílio do mestre da diagramação, o ugro Douglas Utescher da Ugra Press, valoroso aliado há mais de 20 anos em uma série de projetos sempre marcados pelo extremismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O fanzine terá um total de 64 páginas em formato A4 e serão produzidas 150 cópias. Começo de fevereiro estará disponível. Valores e esquema de distribuição estão ainda a definir, mas a proposta é manter tudo de forma acessível, sem apelar para exclusivismos burgueses para elevar o preço artificialmente - o Dissolve Coagula antes de qualquer coisa é um fanzine que coloca suas fichas na velha tradição contracultural que acredita no poder subversivo e anti-comercial dos artefatos emanados dos subterrâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além da aposta na tradição contracultural, eu também faço do fanzine Dissolve Coagula um material com intenções claras de estabelecer elos com espíritos livres interessados pelos mesmos temas que neles serão abordados, a saber: magia, metal negro, literatura, noise, power electronics e outros assuntos mais ou menos relacionados com o Caminho da Mão Esquerda, o grande eixo temático da publicação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Especialmente nos últimos três anos tenho dedicado mais tempo ao desenvolvimento de minha espiritualidade, não somente através do estudo mas da prática. 2017 foi um ano marcado por revelações e experiências profundas nesse campo, em mais de um aspecto. O fanzine é uma forma de reverenciar e aprofundar essas experiências. Não seria correto dizer que ele é o meu &quot;grimório aberto&quot;, mas haverá ali, em suas páginas, muito da minha busca, uma espécie de &quot;diário de viagens&quot; pelos reinos selvagens da espiritualidade obscura que, desde muito cedo, me cativavam por suas belezas raras.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Aos que seguem o blog desde o seu nascimento em 2006, que naquele então tinha exclusivamente um foco em textos ficcionais de minha autoria, talvez esse direcionamento seja de pouco interesse. Entretanto, eu já tinha uma tendência de cada vez mais deixar a ficção de lado aqui no blog, e de uns quatro anos para cá o teor dos textos foi mudando de tom, indo mais para o ensaio/resenha do que especificamente literário. Entretanto não abandonei a ficção, e nesse número inaugural do fanzine há dois textos inéditos. Pretendo, inclusive, aumentar a quantidade de ficção no próximo número.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Volto aqui quando estiver disponível.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; class=&quot;YOUTUBE-iframe-video&quot; data-thumbnail-src=&quot;https://i.ytimg.com/vi/_2cV0slUnPY/0.jpg&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;266&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/_2cV0slUnPY?feature=player_embedded&quot; width=&quot;320&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2018/01/fanzine-dissolve-coagula-reta-final.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHLPgJXTP0WH8pNDY9prpRBW0cTHFh8DRKUTNurfGDnj06LNiTCpC5kXlSTZLQyet58PenPsT2h6bdBLBRf0CrI0a1zg0vYIqFMsz7Qi1oAgQwQCrcNMkUymQCkTtwhWiBYcK5/s72-c/20180121_223654.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-6992391424686496685</guid><pubDate>Mon, 03 Jul 2017 02:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-07-03T16:18:52.179+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Austin Osman Spare</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">magia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">visões</category><title>Dos latidos dos cães negros</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6AJyeIOmT-F-cmtJlTOq_yWfAcevtgsmSsXOqyNfq1FU8hTOB17wKlGi2VvXKIg7VhUy2JlrN8zxbAiDOFpIc9R58f7VyTaEdYodS2s4wa-VZtRA8CtR3M8487Pc6P85XtwNL/s1600/cao+ajustado.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;436&quot; data-original-width=&quot;478&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6AJyeIOmT-F-cmtJlTOq_yWfAcevtgsmSsXOqyNfq1FU8hTOB17wKlGi2VvXKIg7VhUy2JlrN8zxbAiDOFpIc9R58f7VyTaEdYodS2s4wa-VZtRA8CtR3M8487Pc6P85XtwNL/s1600/cao+ajustado.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Fazer emergir, do mais profundo dos desertos, a fonte primeva que apazigua a Sede Infinita que empurra nosso espírito fáustico rumo aos confins da Criação. Aeons futuros feitos de Gozo e Grandiosidade, nascidos sobre os ossos esmagados de gerações de humanos que cimentaram as pontes do Porvir. Aventura feita de escolhas indizíveis, de histórias secretas que não são mais ouvidas por ninguém. Ósculos trocados entre delícias e profanações, e de cada um nascerá uma nova revelação, uma nova gnose deixada aos pés do Mais Alto, daquilo que nos impele, a nós corações totalitários, que não cedemos nunca frente a todas as paixões feitas de ardor infinito, de incêndios sentimentais que transformam todos os amantes - mesmo os mais indecentes - em simples personagens de inofensivas historinhas eróticas para senhoras bem comportadas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ladram os cães negros da noite, como sempre trazendo novas mensagens vindas dos mundos mortos, onde até mesmo o Amor é infecundo; nós lemos nos latidos as cartas que vem destes mundos longínquos, cartas com cheiro de incenso e sangue grafadas com estranhas letras que enlouquecem os homens ponderados, os homens cuja vida é rotina e apequenamento. Nós entramos nas casas dos homens com a Boa Nova dos Aeons Futuros, sussurramos poesias pervertidas e os convidamos a participar em júbilo das orgias com suas mulheres e lindas filhas. Eles negam o prazer e nós rimos do medo que exala de suas palavras covardes; envergonhados, choram como bebês seus cornos frescos nascidos da devassidão que embala o cavalgar indecente de suas esposas no falo que levantamos ao ar como um culto a tudo que é feito em nome da Beleza e da Eternidade. E é isso que faz pulsar o nosso desejo: Beleza nas Formas! Eternidade na Indulgência! A tudo isso sorvemos um último gole nos lábios úmidos das sorridentes filhas dos homens covardes. E extasiados morremos em um vórtex escuro que reluz, e no seu brilho secreto que apenas poucos podem ver toda a escuridão é feita de ouro.&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;(experiência de escrita automática após imersão meditativa em &quot;The Book of Pleasure&quot;, de Austin Osman Spare)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2017/07/dos-latidos-dos-caes-negros.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6AJyeIOmT-F-cmtJlTOq_yWfAcevtgsmSsXOqyNfq1FU8hTOB17wKlGi2VvXKIg7VhUy2JlrN8zxbAiDOFpIc9R58f7VyTaEdYodS2s4wa-VZtRA8CtR3M8487Pc6P85XtwNL/s72-c/cao+ajustado.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-6480479402868679756</guid><pubDate>Sat, 08 Apr 2017 09:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-04-28T12:00:49.921+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cioran</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">niilismo</category><title>Carta a Cioran</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgw49PsxVbS57GniWGjSuhoKtOchKV_GwigRWiapytSRMltw5E7kd7FAkBO-A0ZlR3VbvRNXYnTr97Wy10NplcfgtrRA0V70N9os5urCLFFex_grTC5tTyXCNfMhg-XEqRZAymC/s1600/Emil-Cioran-472+EDITADO.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgw49PsxVbS57GniWGjSuhoKtOchKV_GwigRWiapytSRMltw5E7kd7FAkBO-A0ZlR3VbvRNXYnTr97Wy10NplcfgtrRA0V70N9os5urCLFFex_grTC5tTyXCNfMhg-XEqRZAymC/s1600/Emil-Cioran-472+EDITADO.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
São Paulo, 8 de abril de 2017&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Caro Cioran,&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É raro escrever cartas hoje em dia, e ainda mais para os que estão mortos. Mas hoje é uma data especial, a noite já morreu (sic) e a madrugada está no seu ápice demoníaco, com o relógio a marcar exatas três horas da manhã. Deveria ser por volta dessa hora que você fazia seus passeios em Sibiu, caminhando por ruas vazias, comungando do silêncio que traz consigo paz apenas para os covardes – seres como tu e eu não vemos nada no silêncio, a não ser um convite irrecusável para pensamentos delirantes e inconsequentes. E quero aproveitar o silêncio dessa madrugada onde o sono não vem para a ti confessar algumas coisas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Hoje seria o seu aniversário de 106 anos. Sinceramente, eu nunca sequer te imaginei com uma vida tão longa. Acho que você também não gostaria de estar aqui hoje, nesse mundo de polêmicas virtuais que precisam estar ferrenhamente circunscritas a regras e fronteiras. Oscilando entre o sangue e a tolerância, como você uma vez disse (não com essas palavras, perdoe minha memória falha), a história dos homens só parece mesmo avançar no calor que emana do Caos: é na lista dos crimes dos Césares que vemos o motor que anima o Tempo girar com força redobrada. “Safe spaces” (perdoe o anglicismo, mas isso é normal atualmente, os idiomas todos foram estuprados pela língua inglesa) e polêmicas que não podem exceder seus limites são exatamente o contrário do que esse mundo precisa. É como se a História fosse um ator ridiculamente tímido, que precisa ser empurrado para o palco, que não consegue ficar face a face com suas verdades - como você disse, “o homem prefere apodrecer no medo do que enfrentar a angústia de ser ele mesmo” (isso eu cito de cabeça de um de seus livros, e agora tenho certeza que citei corretamente). Hoje eu não sei dizer se vivemos na calmaria, na febre ou nos instantes que antecedem a passagem para a epilepsia, mas estou convicto que, se você resolvesse escrever as coisas que escreveu em uma fan page do Facebook, bastante provável que sua aventura virtual não duraria nem cinco minutos, seja por tédio (você sempre me pareceu um ranzinza), seja por legiões de pessoas que iriam te xingar de todas as formas possívei e pedir a algum poder qualquer (privado ou público, não importa: o que vale é deixar disponível aos insetos alguma forma de denunciar os outros nessa era onde todos são panópticos de todos) para tirar você e suas infantilidades do ar.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Enfim, você não teria nada o que fazer aqui.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não leve isso demasiado a sério: conheço muitos que gostam das coisas que você escreveu. Eu sei bem a opinião que você nutriu quando jovem sobre a avidez das pessoas em ler os “autores tristes”: as pessoas procuram esses textos pois estes as “poupam de sofrer ou lhes dão a ilusão do sofrimento” (e eu acho que muitos que o lêem o consideram um homem irremediavelmente triste, embora eu veja mais petulância do que tristeza, além de muitas doses de humor, nas suas obras: certamente alguns trechos foram escritos em meio a risadinhas de satisfação). Busca-se sangue e lágrimas nas palavras do outro para, medindo-o a partir de nossa própria mediocridade, encontrar um destino singular, que possa ser colocado em uma espécie de pedestal. “A admiração da plebe é plena de sadismo”, você disse, e eu não poderia concordar mais. Mesmo sabendo dessa sua opinião tão negativa sobre seus leitores, eu segui lendo tudo o que você escreveu, e isso foi ao mesmo tempo uma desgraça irremediável e uma fagulha fatal que deu início a uma crise libertadora que jamais cessou.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Digo desgraça pois – e você sabe disso, não negue – a inconsciência é sempre a mais virginal e benfazeja das dádivas que um homem pode ter. Seria outro eu vivendo agora se, naquele momento da primeira desilusão amorosa, aquela que você fala que precisa ser vivenciada na juventude para que possa se amar pela primeira e única vez na vida, se naquele momento eu não tivesse lido seus elogios ao isolamento e à insônia. Talvez eu tivesse me casado mais cedo, talvez eu tivesse acumulado menos livros, talvez até mesmo ficado rico? Questões todas absolutamente irrelevantes: o absurdo rege a vida e nela eu só posso me deliciar com as coisas que não sei. Enfim, com as leituras de seus livros eu fui mergulhando em um lodaçal de questionamentos e pensamentos horrorosos que foram experimentados no limite da exaustão física. Ao mesmo tempo fonte de admiração e de inspiração, seus textos passaram de faíscas para o elemento combustor que mantinha destruidoramente selvagens as chamas da transfiguração.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Imitando você, busquei refúgio na escrita. Derramava-se em textos sem fim como forma de fuga, mas também como um exercício de investigação dos meus estados internos, explorando todas as contradições em uma exasperante ebulição de ódio, desespero e caos. Foi inspirado em ti que neguei a todos os ideais, pisoteando-os como devem ser pisoteados. Minhas delícias estavam naqueles devaneios onde “ninguém mais necessitasse da ilusão dos ideais, em que toda satisfação imediata da vida e toda resignação ilusória se tornariam impossíveis, em que todos os limites da vida normal rebentariam definitivamente” – e olha aí, nisso até mesmo você tinha um sonho, um sonho! Tirânico e cheio de soberba, certamente, mas ainda sim um sonho de disseminar a desilusão dos ideais como uma praga por toda a humanidade. Não se tratava de agir como Prometeu (deus que você odiava e que me ensinaste também a odiar), levando aos ignorantes a Boa Nova da consciência – que, longe da felicidade, trouxe para os homens somente os horrores da História e as torturas do espírito – mas sim de restituí-los ao nosso estado primordial, ao que éramos antes de entrar na humilhação do Tempo. “Os homens &lt;i&gt;escutavam&lt;/i&gt;, que necessidade tinham de &lt;i&gt;compreender&lt;/i&gt;?”, você perguntou, e isso se esfrega na nossa cara até hoje, castigando sem piedade, e assim até o Fim dos Tempos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Foi na sua fonte também que alimentei meu ódio ao Cristianismo, essa religião feita da vingança e da inveja dos escravos e dos sofredores. Também abdiquei de tratar de minhas dores quando li seu relato sobre a velha que encontraste no hospital, queixando-se de suas enfermidades como se delas dependessem o Universo, como se a nossa existência tivesse alguma espécie de dignidade fundamental. E igualmente ambicionei, nos mais altos cumes do desespero, a sonhar com uma Elêusis de corações desiludidos, com um Mistério claro, sem deuses e sem as veemências da ilusão. Iniciados nos ritos secretos do Nada através de seus livros, os domingos todos se tornaram expressões circulares do arquetípico Domingo da Vida, o símbolo do tédio que sufoca os homens saudáveis, isto é, os animais. Não tenho hoje, assim como você, nenhum gosto em existir em tempos tão irremediavelmente medíocres. Só posso viver no início ou no fim do mundo. No caos primordial ou nos momentos finais do Apocalipse. Contemporâneo dos primeiros meteoros ou então vendo o espetáculo da Criação resfriar até tornar-se um astro frio e solenemente silencioso.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E dentre todos os aprendizados que tu me proporcionaste, o mais valioso foi transformar cada ideia em uma obsessão. Só quando o pensamento sangra, quando se debate como fera enlouquecida e deixa atrás de si um rastro de grandiosidade e devastação, só quando chega a esse nível começo a levar uma ideia a sério. O comedimento e o bom senso passaram a me causar ânsias de vômitos. Eu imagino que você, quando estava ali em Paris reescrevendo pela terceira vez o Breviário, também experimentou e muitas vezes esse mesmo nojo pelos parisienses arrumadinhos que encontrava em suas caminhadas. Chegou a maltratar algum deles? Isso jamais saberei. &amp;nbsp;Você morreu há quase 22 anos e certamente nem lerá essa carta. E hoje, 8 de abril, dia de seu nascimento, onde passei a madrugada em uma espécie de rito necromântico, confessando a ti minhas opiniões e experiências a respeito de sua obra, de longe uma das mais avassaladoras tempestades do pensamento que o século XX nos legou, hoje senti – com uma força antes não experimentada – a dor que você expressou nessas palavras:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“De que serve ser conhecido se outrora não nos conheceu tal sábio ou tal louco, um Marco Aurélio ou um Nero? Não teremos existido nunca para tantos de nossos ídolos, nosso nome não terá perturbado nenhum dos séculos anteriores; que importam os que vêm depois? Que importa o futuro, essa metade do tempo, para quem adora a Eternidade?”&amp;nbsp;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Respeitosamente,&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
L.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
--------------------------------------------------------------------&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Emil Cioran nasceu em 1911, na Romênia, formando-se em Filosofia pela Universidade de Bucareste. Em 1937, mudou-se para a França, onde escreveu seus principais livros. Morreu em 1995, em Paris. Sua perturbadora obra, cuja densidade é tão alta quanto os vôos poéticos que marcam seu estilo, é um convite para o universo do niilismo nas suas mais extremas contradições e limites. Mestre da concisão e do aforismo, esse trecho do Breviário de Decomposição - considerado seu magnus opus - sintetiza o coração de sua filosofia:&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;“Queria semear a Dúvida até nas entranhas do globo, impregnar com ela toda a matéria, fazê-la reinar onde o espírito jamais penetrou e, antes de alcançar a medula dos seres vivos, sacudir a quietude das pedras, introduzir nelas a insegurança e os defeitos do coração. Arquiteto, teria construído um templo à Ruína; predicador, revelado a farsa da oração; rei, hasteado a bandeira da rebelião. Eu teria estimulado em toda parte a infidelidade a si mesmo, impedindo multidões de corromperem-se no podredouro das certezas.&quot;&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2017/04/carta-cioran.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgw49PsxVbS57GniWGjSuhoKtOchKV_GwigRWiapytSRMltw5E7kd7FAkBO-A0ZlR3VbvRNXYnTr97Wy10NplcfgtrRA0V70N9os5urCLFFex_grTC5tTyXCNfMhg-XEqRZAymC/s72-c/Emil-Cioran-472+EDITADO.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-9057490889726491725</guid><pubDate>Mon, 03 Apr 2017 00:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T12:17:30.081+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">música</category><title>Vishudha Kali</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhb8FF5OqmNECrMyIuqstyBemzUQXMeUlRDHWkp85WdOY-jZ1_V5QOxXRQJktPNVWNd7FVnvvj0a4cSEIgpF8SsStAYQwtrp0LCJEeQO5FT2-dgNXYMA5z0J8cJxgOLRpHVtndD/s1600/maxresdefault.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhb8FF5OqmNECrMyIuqstyBemzUQXMeUlRDHWkp85WdOY-jZ1_V5QOxXRQJktPNVWNd7FVnvvj0a4cSEIgpF8SsStAYQwtrp0LCJEeQO5FT2-dgNXYMA5z0J8cJxgOLRpHVtndD/s640/maxresdefault.jpg&quot; width=&quot;560&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Vishudha Kali é um projeto russo de música industrial que utiliza como base de suas composições sons produzidos pela boca, além de muitas camadas de distorção e efeitos variados. As longas composições - muitas vezes ultrapassando os dez minutos - produzem atmosferas que levam o ouvinte atento a uma jornada por áridos desertos de introspecção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Encontrei o texto abaixo no site do projeto, onde seu idealizador, Andrei Komarov, fala um pouco mais sobre o conceito do Vishudha Kali. A revolta ao estilo &quot;vamos destruir toda a humanidade&quot; presente nas linhas abaixo pode soar demasiado colegial para muitos (para mim também, e muitas vezes), mas eu não consigo deixar de admirar as mentes obcecadas por inconsequentes sonhos de destruição. Mais de uma vez já escrevi aqui que, em um momento onde fazer arte (seja ela qual for) parece cada vez mais estar vinculado a atender as expectativas do público seguindo uma certa cartilha princípios não declarados, só me interessam os retardados, extremistas e solitários, que estão menos preocupados com reconhecimento (o &quot;valor de mercado&quot; intangível de suas obras) e mais com alargar a percepção que tem sobre si mesmos em um mundo que convulsiona no seu leito de morte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes da leitura, clique no play abaixo para ouvir o som &quot;Rituals from fire&quot;, do álbum de estreia &quot;Psenodakh=&quot; lançado em 2002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;iframe allowtransparency=&quot;true&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;42&quot; src=&quot;//bandcamp.com/EmbeddedPlayer/v=2/album=1726171088/size=small/bgcol=333333/linkcol=fe7eaf/&quot; style=&quot;display: block; height: 42px; position: relative; width: 100%;&quot; width=&quot;100%&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;

&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&quot;Vishuddha significa em sânscrito antigo o lugar, ou chakra, onde a energia de expressão e criação é concentrada. Está localizado na parte inferior da garganta e opera igualmente com respiração e a voz. Kali é a deusa da idade do ferro - este é o tempo de pensamentos escuros, guerras, muros &amp;amp; destruição, era de involução.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Vishudda Kali é um projeto musical baseado apenas em sons produzidos através da boca do homem. Todos os sons dos discos são sons vocais, produzidos de diferentes formas de controlar a respiração e modular a fala, e apesar de terem sido gravados com diferentes tipos de processos e bastante distorcidos, são ainda sons da voz somente. As composições não são música propriamente. O trabalho criativo de Vishuddha Kali é devotado ao total genocídio da sociedade humana e ao esforço da humanidade por auto-aniquilação e destruição.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Mas também Vishuddha Kali quer observar que nem todos vocês são humanos reais. Há três tipos de seres humanos: os primeiros têm o espírito, a alma e o corpo. Estes são reais humanos, um tipo raro - um a cada um milhão, provavelmente. Cerca de 1% de toda a população humana. O segundo tipo tem a alma e o corpo - estes estão procurando a evolução. A quantidade de tais seres é próxima de 10% de todos os humanos - um entre milhares. O terceiro tipo tem o corpo somente, e o espírito e a alma estão em grau embrionário. Eles não têm nenhum objetivo espiritual, apenas uma lista de programações sociais - nascer, comer, obter o dinheiro, obter coisas diferentes e finalmente morrer e ter uma tumba apropriada com suas flores. Eles ainda podem confiar em Deus, e fazem isso da mesma forma como limpam os dentes - automática e inconscientemente. São biomassa: nascem, trabalham, tem filhos, morrem; nascem de novo, trabalham, procriam e depois morrem mais uma vez. O universo precisa que eles continuem a humanidade como espécie animal - são a fonte para produzir o homo sapiens.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Também há alguns seres especiais com vetor anti-espiritual em seu ser. Organizam ideologias, religiões e movimentos políticos. Iniciam todas as guerras, promovem progresso científico e econômico; em outras palavras, ensinam as biomassas para deslocar a energia da vida não para o progresso interno, mas para atuar no vazio. Tais seres anti-espirituais manipulam os membros da biomassa e os utilizam como escravos. Estes escravos criam as possibilidades para as pessoas anti-espirituais tenham vidas esplendorosamente ricas. Anti-espirituais criam uma infinidade de coisas vazias, fetiches como religiões, jogos e um monte de produtos diferentes para fazer com que os membros da biomassa sejam dóceis e facilmente manipuláveis. Eles também criam guerras e crises às vezes, e conduzem a energia vital e atenção das biomassas cegas para elas. As pessoas de biomassa existem&amp;nbsp;somente para realizar todos os planos insanos dos anti-espirituais, tornando-se uma refeição para demônios e animais. Anti-espirituais controlam as estruturas do poder. Todos os sacerdotes, políticos, ídolos pop, etc são utilizados como fontes de energia para que consigam seus objetivos. Com isso, fazem com que os seres que têm a alma e o corpo vivam em uma atmosfera estranha, que tenham sua imaginação adoecida. Eles promovem a formação pensamentos idiota e estúpidos onde os indivíduos se imaginam muito importantes e únicos, como uma criação perfeita de Deus, como um rei de natureza, como se houvessem deuses ou anjos ou Satanás em algum lugar. Esse tipo de pessoa é o típico homem culto, ou funcionário do mundo das artes. Eles não são perigosos para um regime anti-espiritual porque eles estão escondidos dentro de sua mente interior. Sua esquizofrenia está progredindo através de diferentes eventos artísticos, naquele tipo de público interessado por colecionar coisas, fanclubs, ciência ou negócio.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Vishuddha Kali - esta &quot;Arte de Destruição&quot; - tem uma intenção muito séria de mostrar a todos os seres o seu real lugar nesta vida. Sendo criado somente dos sons de respiração, ativa alguns processos de consecução. Mostra a todos que a necessidade de progresso demanda um certo tipo de violência - violência contra todos os pensamentos falsos e os programas sociais, discursos religiosos e idéias falsas. Todos nós necessitamos de um processo através da violência para limpar nossas mentes. Vishuddha Kali ajuda a abrir os olhos, para realizar que agora é tempo de parar de enganar-se, que é tempo de olhar a si mesmo de forma honesta antes de continuar a viver, antes que a poluição informativa e as mais diversas influências em nossas mentes destrua nossas almas e espíritos.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Pare de obedecer aos comandos hipnóticos de sua consciência doente para produzir famílias, crianças, acumular coisas sem sentido, ler jornais e ver TV. Pare de ter medo de qualquer coisa, de orar por qualquer um. É demasiado fácil &amp;amp; difícil simultaneamente - simplesmente pare e comece a viver. Destrua o seu ego. Nós não somos princesas ou reis ou anjos ou demônios - nós nem sabemos qualquer coisa sobre o cosmos e a Terra, sobre químicas e física. Todos os nossos conhecimentos sobre essas coisas estão velhos, ultrapassados &amp;nbsp;- é somente um conglomerado de ilusões, parte de um processo de involução, como uma magia negra perpetrada pelos meios de comunicação. É hora de parar esta loucura. Nenhuma religião, nenhuma política, nenhuma ideologia. Isso é tudo.&quot;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Discografia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;b&gt;Álbuns&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
Vishudha Kali - &quot;Psenodakh&quot; - 2002&lt;br /&gt;
Vishudha Kali - &quot;Prem Genocide&quot; - 2002&lt;br /&gt;
Vishudha Kali - &quot;Myths about Srontgorrth&quot; - 2003&lt;br /&gt;
Vishudha Kali - &quot;The White Stone&quot; -2004&lt;br /&gt;
Vishudha Kali &amp;amp; Chaos As Shelter - &quot;Mirror&quot; - 2004&lt;br /&gt;
Vishudha Kali - &quot;Unfinished Devastation Narrative&quot; -2005&lt;br /&gt;
Vishudha Kali &amp;amp; Velehentor &amp;amp; Closing The Eternity - &quot;Ishopanishad&quot; - 2008&lt;br /&gt;
Vishudha Kali &amp;amp; Moon Far Way - &quot;Vorotsa&quot; - 2011&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/guJJakiEO5U&quot; width=&quot;560&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/AkU0WX-aCB0&quot; width=&quot;560&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;

&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/4UnjiQJEXTo&quot; width=&quot;560&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;

&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/sr0mI3buOPc&quot; width=&quot;560&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;

&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/J0d63f8LqI0&quot; width=&quot;560&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;

</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2017/04/vishudha-kali.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhb8FF5OqmNECrMyIuqstyBemzUQXMeUlRDHWkp85WdOY-jZ1_V5QOxXRQJktPNVWNd7FVnvvj0a4cSEIgpF8SsStAYQwtrp0LCJEeQO5FT2-dgNXYMA5z0J8cJxgOLRpHVtndD/s72-c/maxresdefault.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-2644723740179073996</guid><pubDate>Wed, 01 Mar 2017 00:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-03-03T05:32:19.666+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">anticósmico</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">gnose</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">mão esquerda</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">thursatru</category><title>Thursatru: o lado sinistro da religiosidade nórdica</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgz0YGwyJLUXqg0V-h-10uTVoWlesicYke8xLuWx0A_IJ1RCan8b55oxlA1XrDvLqyJLQnfJsn6SbSqgGsvzuMAuM2C78L9AOTTlGX73Dltxgg24BS76IPHm9t48syc5T8ON3JN/s1600/ekortu+2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;374&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgz0YGwyJLUXqg0V-h-10uTVoWlesicYke8xLuWx0A_IJ1RCan8b55oxlA1XrDvLqyJLQnfJsn6SbSqgGsvzuMAuM2C78L9AOTTlGX73Dltxgg24BS76IPHm9t48syc5T8ON3JN/s400/ekortu+2.jpg&quot; width=&quot;500&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Thursatru pode ser definido como uma tradição mágico-religiosa moderna originada da antiga crença escandinava nos poderes de Ginnungagap (o Caos Primordial), poderes esses denominados Thurses (singular Thurs), geralmente traduzidos como “gigantes”. Essa crença ancestral é o substrato do Thursatru, que a desenvolve dentro de uma perspectiva do Caminho da Mão Esquerda e da Gnose Anticósmica. E embora não exista nenhuma evidência concreta de que os povos do norte da Europa adorassem essas forças, o estudo dos textos presentes nas Eddas evidencia que havia uma crença muito bem estabelecida na existência de Ginnungagap e que dele provinha uma série de forças obscuras e poderosas – forças essas que antecediam a criação dos homens e até mesmo a dos deuses.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A seguir, buscarei resumir os pontos principais dessa tradição, tendo como base o livro þursakyngi volume 1, segunda edição, lançado pela Ixaxaar em 2014. Seu autor, Ekortu, além do livro citado, lançou também o þursakyngi volume 2, que descreve de modo mais aprofundado a gnose de Loki, e também (assinando como Vexior, seu codinome anterior) as obras Panparadox e Gullveigarbók, além de artigos para a revista Clavicula Nox nas edições I, II e IV, todos pela editora Ixaxaar. Você pode acessar o site da editora &lt;a href=&quot;http://www.ixaxaar.com/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; e ver o (genial) site de Ekortu &lt;a href=&quot;http://www.ekortu.net/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;nesse link aqui.&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para iniciar esse texto, é importante desde já estabelecer uma distinção entre Asatru e Thursatru, pois a similaridade de nomes pode levar a uma falsa conclusão de que este último nada é mais que uma degeneração e versão “malvada” do primeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi_Sn0cNrNVCy_QKbvdL5QhjbeaISFoMdwaQq8X1ShIIvTSf6PyGPzpKug_OtWbJR4R-hKQGz1yfbuzl3UfD0YXltyO3EPMXLxYsAjqPCGQmdYpi3IfQNOtLaXY0eX7BnqhnEui/s1600/ekortu+6.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi_Sn0cNrNVCy_QKbvdL5QhjbeaISFoMdwaQq8X1ShIIvTSf6PyGPzpKug_OtWbJR4R-hKQGz1yfbuzl3UfD0YXltyO3EPMXLxYsAjqPCGQmdYpi3IfQNOtLaXY0eX7BnqhnEui/s1600/ekortu+6.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Detalhe da lombada do livro, com o apuro característico das edições da Ixaxaar&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O Asatru nasce na Islândia em 1972 com o intuito de reconstruir a antiga religiosidade nórdico-germânica, tendo como panteão os Ases (deuses da luz e criadores/protetores dos homens, como Odin e Thor) e os Vanires (deuses ligados à fertilidade, como Freya). &amp;nbsp;Rapidamente se disseminou para outras regiões, sendo reconhecido como religião no seu país de origem e também, alguns anos depois, na Dinamarca e na Noruega. &amp;nbsp;Ao longo dos anos espalhou-se pelo mundo, alcançando Portugal, Espanha e até mesmo Argentina e Brasil. Mas é nos Estados Unidos que obteve um avanço significativo, com centenas de entidades Asatru espalhadas por todo o território. Esse crescimento teve como impulso tanto o interesse por paganismo iniciado a partir da década de 70 como também, infelizmente, no entusiasmo com que adeptos da supremacia branca ingressaram no Asatru, buscando uma religiosidade que se originasse em suas imaginárias raízes ancestrais (na verdade, um pretexto para dar ao seu ódio certo ar de legitimidade).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O Thursatru não tem absolutamente nada a ver com isso: não busca reconstruir nenhuma religiosidade “autêntica”, mas sim, de modo consciente, criar uma fusão de tradições nórdicas com inovações modernas, acreditando que o sincretismo é não somente fonte de poder, mas também algo que opera em sintonia com o aspecto amórfico e anticósmico dos Thursa. Além disso, o Thursatru não distingue magia de religião (o Asatru é uma religião bastante exotérica) e volta-se radicalmente para a jornada interior do adepto e pela busca de um conhecimento supramundano. É uma tradição cuja perspectiva da existência tem muitas similaridades com a gnóstica, concepção onde os deuses criadores (seja Odin, Jeová, Zeus, Allah, etc) são tiranos responsáveis pelo aprisionamento da essência divina primordial do homem no seu corpo físico. Por isso, qualquer tipo de racismo ou nacionalismo nada tem a ver com Thursatru, posto que nessa tradição a única coisa que importa é o espírito. Embora nascendo com cores regionais, no seio da mitologia de um povo específico, transcendeu essa barreira meramente mundana e se coloca como uma tradição mágico-religiosa universal, aberta a qualquer um cuja devoção seja sincera.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É com base nessas premissas que se funda o objetivo principal do Thursatru: liberar o adepto das amarras cósmicas, entendidas como barreiras para sua evolução espiritual. Essa liberação é obtida através da criação de um nexo onde o adepto pode receber a thursastafir, ou gnose thursa, conhecimento acausal e desconhecido até mesmo pelos deuses Ases. Na criação de tal nexo, a principal dificuldade é vencer o que os textos gnósticos chamam de “intoxicação demiúrgica” (Ekortu faz uma recorrente aproximação entre Thursatru e gnoticismo). Ímpetos destrutivos, hedonismo e busca constante por distração e entretenimento são algumas das características dessa intoxicação, cujo poder aniquilador não conhece limites. O trabalho espiritual na via Thursatru visa opor-se a isso dissolvendo o hugr (ego) e liberando a Chama Negra das amarras demiúrgicas, posto que hugr coloca estreitos limites sobre como você identifica a si mesmo e aos demais (vaidades, desejos, preconceitos, etc – tudo entra aqui). “Consciente” de si mesmo, podemos acreditar que vivemos uma existência plena e livre quando, na verdade, apenas respondemos a estímulos pré-programados. É necessário morrer muitas vezes para vencer a morte e espiritualmente conectar-se com a Luz Thurs que emana dos domínios anticósmicos. Cito um trecho:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;
&lt;i&gt;&quot;Because of layers of cosmic powers which tie you down onto earth, you must search and find Thursian guidance and assistance; without their blessing, receiving and guidance you will always be a worthless tumor of flesh wandering the earth as a blind and weak slave, superficially loving yourself and your hugr.&quot;&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Importante destacar aqui que, quando falamos em estabelecer um nexo com os poderes thursa, trata-se de forças fora das determinações de moralidade que conhecemos. Mais do que isso: são forças que agem, de modo radical e odioso, &lt;i&gt;&lt;b&gt;contra&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;a criação - e &lt;b&gt;&lt;i&gt;nós&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; somos parte dela. O trabalho com elas é, portanto, feito de extremos: uma vontade sincera e profunda encontrará gnoses radicalmente transformadoras e liberadoras, enquanto outra que seja vacilante e viciosa obterá um acúmulo de desgraças destrutivas e implacáveis. Ao aprendiz é recomendado cautela, mas também perseverança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;b&gt;A criação do mundo: Ginnungagap&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nos escritos épicos, os Thurses são identificados com os gigantes primordiais que residem nas regiões limítrofes (e interditas aos deuses demiúrgicos) de Múspelheimr, ao sul, e Nieflheimr, ao norte de Midgard (Terra do Meio, que é o nosso plano causal).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em Múspelheimr há as chamas destruidoras da existência, relacionadas com as figuras de Sutr e Loki. O primeiro fica à porta desse reino incandescente, empunhando a espada que liberará as forças do Caos na batalha final de Ragnarök. Já Loki é o emissário do Caos no plano causal, a divindade-gigante que tem como objetivo trazer o distúrbio e a dissolução para o mundo manifestado. Seu papel nas narrativas mitológicas como um ardiloso maquinador de armadilhas para os deuses harmoniza-se com essa concepção.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nieflheimr é o território da escuridão e do frio implacável. Nele reina suprema Hel, conhecida como “A Negra” (In Svarta), o aspecto feminino e terrível dos Poderes Thursa. Sua ancestralidade está além de qualquer compreensão humana. Cito um trecho do livro:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;
&lt;i&gt;“The Nifl-powers or Rime-Thurses, Hrímthursar, are primordial powers even their alien world, and they are wise and powerful beyond cosmic comprehension. They are The Ones called ÚR, which is such an old conception that there is no synonym for it in modern English. ÚR could de explained to mean “the very uncontaminated origin of an essence”, and that is what they are: primordial antecedents, Fathers of great grandfathers and Mothers of great grandmothers”.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses dois mundos limítrofes são os portais para os elementos dissolutivos da criação que emanam de Ginnungagap – o abismo do Caos Primordial, onde reside o verdadeiro Deus Absconditus (outra concepção gnóstica que Ekortu aplica ao Thursatru). Quando teve início a criação de Asgard pelos Ases, o gigante Aurgelmir penetrou o cosmo através de Ginnungagap e enfrentou os deuses. Na batalha ele foi morto, os Ases despedaçaram o seu corpo e, com ele, fizeram o nosso mundo: seu sangue formou o oceano, os rios e todas as águas existentes; sua carne, o húmus e a terra; seus ossos, as montanhas; e com seus dentes, as rochas e as pedras. Disso é possível concluir que a criação demiúrgica tem um substrato acósmico que permite compreender o mundo de dois modos distintos: um mundano e outro sinistro. Por exemplo, a terra é tanto regida por Freya, deusa da fertilidade e da colheita, como também é, sinistramente, um atributo corporal de Aurgelmir, e pode ser tomada como veículo de comunicação com forças dissolutivas da vida. Nisso se explica também a relação especial que o Culto aos Thurses tem com rios e lagoas, considerados locais onde flui o sangue de Aurgelmir e portais poderosos para conexão com Hel e seus atributos necrosóficos. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O livro ainda contém indicações práticas de como realizar o culto aos Thursa: montagem do altar, consagração de armas mágicas, correspondência entre elementos para feitura de espaço ritual, etc. Por ser o primeiro grimório de uma (aparente) série de três livros, é uma introdução mais do que completa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A perspectiva de þursakyngi abriu meu olhar para elementos da mitologia nórdica geralmente negligenciados, estabelecendo paralelos entre os panteões da Europa Central e da Escandinávia que me escapavam. A interpretação de Ekortu, que estabelece uma ligação forte e genuína entre a gnose anticósmica e a crença em Ginnungagap, basilar em Thursatru, é instigante, especialmente a aposta de que no ecletismo e na correlação entre diferentes tradições o adepto encontrará fontes de poder. A todos os interessados pelo Caminho da Mão Esquerda, o Thursatru é uma tradição que vale a pena ser estudada.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXMVQfVG1OA_4DNOY-uifesKZofLVlMa0xnql_hfHNgpmQe1jcKw1gXVX7Mpx8hOVfZLXZGC6wmdrDcKYkd7d6agS3l-rep4LbWO5n0LBGCNLxj73DUqPBFRQoI0NBSETqLrsn/s1600/ekortu+5.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXMVQfVG1OA_4DNOY-uifesKZofLVlMa0xnql_hfHNgpmQe1jcKw1gXVX7Mpx8hOVfZLXZGC6wmdrDcKYkd7d6agS3l-rep4LbWO5n0LBGCNLxj73DUqPBFRQoI0NBSETqLrsn/s1600/ekortu+5.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2017/03/thursatru-o-lado-sinistro-da.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgz0YGwyJLUXqg0V-h-10uTVoWlesicYke8xLuWx0A_IJ1RCan8b55oxlA1XrDvLqyJLQnfJsn6SbSqgGsvzuMAuM2C78L9AOTTlGX73Dltxgg24BS76IPHm9t48syc5T8ON3JN/s72-c/ekortu+2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-9137154228583914949</guid><pubDate>Sun, 09 Oct 2016 17:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2016-10-10T07:24:27.699+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">livros das proibições destruídas</category><title>Sobre a pedra que um dia foi homem</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgX2cXJSruEqM1wn0CVdVsg5JIJY8fjPvfztbGppmHrK-nYLlC6Uf_VqiZMUvgqsgzqcKzFfJHAIYf9pvjCTc5YGF5KalM1nbaPIx_NxtBo9y0Punp-16gwuxhgftNf-3VsCN1Q/s1600/original.JPG&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;330&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgX2cXJSruEqM1wn0CVdVsg5JIJY8fjPvfztbGppmHrK-nYLlC6Uf_VqiZMUvgqsgzqcKzFfJHAIYf9pvjCTc5YGF5KalM1nbaPIx_NxtBo9y0Punp-16gwuxhgftNf-3VsCN1Q/s640/original.JPG&quot; width=&quot;590&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&quot;O vaivém de um mosquito parece-me uma empresa apocalíptica. É um pecado sair de si mesmo... O vento, loucura do ar! A música, loucura do silêncio! Capitulando ante a vida, este mundo desfaleceu no nada.... Demito-me do movimento e dos meus sonhos. Ausência! Tu serás minha única glória... Que o desejo seja riscado para sempre dos dicionários e das almas! Recuo ante a farsa vertiginosa das manhãs que se sucedem. E se guardo ainda algumas esperanças, perdi para sempre a faculdade de esperar&quot; ( Emile Cioran)&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Houve um homem que corria desde que tinha nascido nesse mundo. Não importava se era dia ou noite, se chovia ou não - dedicava-se à corrida como sua única tarefa, e isso todos os momentos de sua vida.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Correndo vastas distâncias, o suor que escorria de seu corpo molhava a terra, fecundando-a com as sementes de seu esforço sem fim. Dessas sementes nasciam frutos diversos, muitos dos quais o homem nem prestava atenção. Esses frutos, porém, tinham em seu íntimo não uma essência de vida, mas de escravidão - da escravidão sem nome que prendia aquele homem na sua tarefa infinita de correr e correr, sem descanso, sobre a vastidão do mundo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um dia o sol estava muito forte e o homem corria com audácia redobrada. No turbilhão de seus pensamentos desajeitados (pois eles eram tão caóticos quanto a sua corrida absurda) perguntou a si mesmo (e foi difícil ouvir a si mesmo naquele turbilhão, mas de algum modo isso aconteceu e ficou registrado nos Livros das Proibições Destruídas, que é de onde colhemos essa história): &quot;E se eu fosse mais devagar?&quot;. Ouvir a própria voz interior foi para ele de assombro terrível; não é possível determinar se foi algo refletido ou resultado do assombro que experimentou, mas passados alguns instantes ele, que até então só havia corrido, começou a andar. Seus olhos acompanhavam o movimento infinitamente mais lento com curiosidade. Sentia a terra sobre seus pés como nunca antes tinha sentido, como algo vivo e pulsante, e com a ponta dos dedos das mãos roçava a relva alta, e esse toque era como uma troca de carícias entre amantes silenciosos que se descobrem.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Após caminhar um pouco, resolveu aproximar-se de uma gigantesca e frondosa árvore que ficava no topo de uma colina, donde era possível perder a vista em imensidões de campos e montanhas, vastidões por onde aquele homem tinha corrido tantas e tantas vezes. Quando estava debaixo da imponente sombra da árvore, novamente aquele homem fez uma pergunta a si próprio: &quot;E se eu parasse de andar?&quot;. Era um pensamento aterrador, mas movido por uma coragem inspirada não saberemos nunca por quais forças, ele parou - e aquele foi a primeira vez, em toda a sua vida, que parou de fazer algum movimento. Observava curioso o mundo ao redor, inebriando-se com os aromas naturais (quando corria todos eles passavam muito brevemente por suas narinas cansadas) e experimentando a quietude física quase próximo do êxtase.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas ficar parado não lhe parecia o bastante, e então o homem resolveu sentar no chão. Sentia o suor secando com a brisa, o cansaço desaparecendo (ele não sabia que era possível viver sem cansaço), a respiração deixando de ser ofegante como sempre fora e tornando-se calma, tranquila, normal. Fechou os olhos, pousando as mão calmamente sobre os joelhos, e ficou deslumbrado com o mundo que ali descobriu, naquela escuridão tão calma e agradável - mundo feito de sons que nunca percebera, de aromas que jamais sentira.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Passados alguns momentos, o homem deitou-se no chão, estendendo bem os braços, deixando-se absorver totalmente pela sombra da árvore. Provou então um alívio infinito, e a experiência da corrida - a corrida que tinha sido toda a sua vida - foi relembrada não como vida, mas como um horrendo absurdo. Foi mergulhando mais naquele alívio; as sensações novas que sentira antes - o aroma do mato, a brisa suave na pele - foram se tornando mais e mais longínquas, dissipando-se suavemente, até desaparecerem. Da perspectiva do chão, aquele homem reconduziu-se a si mesmo, retirando-se do caos da borda da Roda de Samsara e alcançando o Centro, a quietude imóvel, e sentiu-se só, incrivelmente só; mas não havia nessa solidão nenhuma tristeza, e dela emergiu - titânica, deslumbrante - a consciência de que não havia para onde ir, que não havia movimento algum a ser feito, nem nada a esperar, mas também nada a temer: estava enfim livre do peso do Tempo (a maior de todas as ilusões), das debilidades do Amor, das arrogâncias do Ódio. Tinha se tornado algo a mais do que a ânsia absurda de corrida sem fim, deixando em ruínas os castelos das mentiras humanas &amp;nbsp;- e deitado ali, sob as sombras de uma árvore imemorial, deitado ali havia morrido, e essa morte o preparara para renascer não mais como homem, mas como uma pedra.&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2016/10/sobre-pedra-que-um-dia-foi-homem.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgX2cXJSruEqM1wn0CVdVsg5JIJY8fjPvfztbGppmHrK-nYLlC6Uf_VqiZMUvgqsgzqcKzFfJHAIYf9pvjCTc5YGF5KalM1nbaPIx_NxtBo9y0Punp-16gwuxhgftNf-3VsCN1Q/s72-c/original.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-1240508686494355398</guid><pubDate>Mon, 03 Oct 2016 00:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2016-10-04T12:47:50.665+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Joseph Cambell</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">mitologia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">mão esquerda</category><title>O Herói de Mil Faces: uma leitura pela ótica do Caminho da Mão Esquerda</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhUJq_5t_Q3YZllAiYkEqIRnorr6gjcvUXxSaenXQIfLa2S0YSsBT6mTI2ufGj2ePGbnKR0xwuxUUuH6FFqoUuJPyWdwOS8fQXhw6lJsw5q1Kh6SEZBQRPedpoZcyJUo6HOd59V/s1600/14572517_10153924822923302_1379646092_o.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;278&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhUJq_5t_Q3YZllAiYkEqIRnorr6gjcvUXxSaenXQIfLa2S0YSsBT6mTI2ufGj2ePGbnKR0xwuxUUuH6FFqoUuJPyWdwOS8fQXhw6lJsw5q1Kh6SEZBQRPedpoZcyJUo6HOd59V/s400/14572517_10153924822923302_1379646092_o.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&quot;O herói de mil faces&quot;, do americano Joseph Campbell, que serviu de inspiração para o texto a seguir. Lançado originalmente em 1949.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Falar sobre mitologia nos dias de hoje é falar, basicamente, sobre coisas mortas: as lendas dos deuses e heróis estão lá, no passado remotíssimo, enquanto nós estamos aqui, no palco das catástrofes pós-modernas, e demasiado ocupados para perder tempo com aquelas histórias cheias de poeira. Pelo menos nisso – que é algo que tem a ver com o passado – todas as diferentes definições de mitologia parecem concordar: um esforço desastrado e primitivo para interpretar a natureza, em &lt;a href=&quot;https://pt.wikipedia.org/wiki/James_Frazer&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Frazer&lt;/a&gt;; um conjunto de instruções alegóricas tradicionais para adaptar o indivíduo ao grupo, em &lt;a href=&quot;https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89mile_Durkheim&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Durkheim&lt;/a&gt;; um sonho grupal e arquetípico que registra as mais obscuras camadas da psique, em &lt;a href=&quot;https://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Gustav_Jung&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Jung&lt;/a&gt;; ou ainda um veículo para transmissão de verdades metafísicas, em &lt;a href=&quot;https://en.wikipedia.org/wiki/Ananda_Coomaraswamy&quot;&gt;Coomaraswamy.&lt;/a&gt; Durkheim e Frazer, embora com abordagens e objetivos completamente distintos, parecem concordar que o homem atual venceu o universo mitológico, considerado como parte do estágio infantil da humanidade e do qual hoje podemos prescindir – mas será que é isso mesmo? (a própria idéia por trás do desenvolvimento humano ocorrendo por etapas sucessivas, caminhando retilineamente em direção a um reino de esclarecimento infinito, já é bastante questionável). Esse texto, inspirado na leitura do livro “O herói de mil faces”, de&lt;a href=&quot;http://www.jcf-myth.org/about-joseph-campbell/&quot;&gt; Joseph Campbell&lt;/a&gt; (1904-1987), tem como proposta colocar alguns pontos sobre a importância das narrativas míticas para os homens de hoje, interpretando o texto de Campbell por uma ótica decisivamente influenciada pelo Caminho da Mão Esquerda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;[&lt;b&gt;IMPORTANTE&lt;/b&gt;: Antes de começar o texto, é importante deixar claro: Joseph Campbell era um acadêmico especializado em mitologia comparada, tendo praticado o catolicismo em toda a sua vida. Não tinha, portanto, ligações com nada relacionada à prática da magia, seja de Mão Esquerda ou Direita, A interpretação aqui fornecida não visa aproximar Campbell da Via Sinistra em nenhum momento, mas apenas apontar paralelos entre o caminho iniciático e a sua descrição do monomito heróico. Recebi mensagens alertando que isso não estava muito claro no texto original, e que parecia endossar um certo background de Via Esquerda nas reflexões de Campbell. Ele certamente negaria qualquer tipo de filiação a isso. Considerei apropriado deixar essa advertência para evitar qualquer tipo de confusão.]&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em primeiro lugar, para que exatamente serve a mitologia? Podemos afirmar, de modo bastante sintético, que a função primária da mitologia é fornecer símbolos que influenciem/reflitam experiências humanas. Essas mitologias, em praticamente todo o mundo, foram base para a criação de ritos os mais diversos possíveis; não havia sequer um aspecto da vivência diária dos povos antigos que não estivesse impregnado de mitos, e portanto de respectivos ritos, dos mais simples até os mais sofisticados – o universo do sagrado era TODO o universo. Além disso, os mitos forneciam base para rituais transformadores, isto é, um conjunto de experiências radicais (individuais ou coletivas) que promoviam mudanças qualitativas na vida da comunidade. Tomemos como exemplo um rito que se repete em praticamente todas as culturas: a passagem da infância para a vida adulta. Esse rito é sempre marcado por uma experiência de provação, seja com dor, habilidade, força, etc – não importa qual seja, é sempre algo que implica em uma espécie de experiência-limite que determine, tão claramente quanto possível, que antes existia uma criança e que, depois, haverá um adulto – um novo ser com deveres para com o grupo, que deve arcar com todo um conjunto de responsabilidades e, também, com o prestígio que ganha através delas. Em suma, valoriza-se esse novo status ontológico como superior ao de criança: liberto dos vínculos materno e paterno, tidos como limitadores, o novo adulto está pronto para seguir o seu próprio caminho.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ora, no mundo pós-moderno parece que vemos o exato oposto disso: o objetivo não é prescindir das figuras do Pai e da Mãe, mas sim permanecer eternamente uma criança. Não temos mais nenhum rito decisivo em nossa cultura (burguesa e citadina) que determine, claramente, que a infância teve seu fim e a vida adulta começou. É como se vivêssemos sem ter rompido com esse grilhão primevo que é o cordão umbilical, grilhão que todas as culturas pré-modernas intuitivamente aprenderam a destruir com seus rituais de passagem. Eles sabiam (e de que forma souberam será sempre o enigma...) que era preciso traçar uma linha clara entre homens e meninos se se quisesse estabelecer um padrão de vida saudável. Não é o que acontece conosco: ficamos virtualmente infantis mesmo com trinta e poucos anos, para sempre simbolicamente presos nos carinhos ciumentos da Mãe e sob a tutela violenta do Pai. Parece que vem daí a obsessão em parecer jovem, que era algo que, até muito recentemente, animava os lucros da indústria dos cosméticos apenas com dinheiro de mulheres: hoje os próprios homens gastam fortunas com tratamentos de pele, cabelo, etc. E não é apenas aparência: é preciso ter também um “espírito jovem”, e aí vemos pessoas de terceira idade adotando estilos de vida “descolados”, em uma ridícula e desesperada ânsia de inverter o sentido do tempo. Envelhecer é visto como uma derrota, uma vergonha, como algo que pode ser evitado através da vontade. Mantemo-nos presos ao que Campbell chamou de “imagens não-exorcizadas de nossa juventude” e, nessa nostalgia infinita, tornamo-nos incapazes de dar o salto qualitativo necessário para vivenciar a experiência completa de ser adulto.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não acho que seja possível restabelecer alguma mitologia/rito compensatório que forneça as bases para que os homens e mulheres modernos se tornem adultos em tempo integral. Nessa altura de Kali-Yuga, a materialização da vida alcançou um nível tal de densidade que a experiência profunda que o mito proporciona só está acessível a alguns poucos, enquanto a massa de escravos apenas cresce &lt;i&gt;ad infinitum&lt;/i&gt;. Sobre isso, Campbell diz:&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;“Não se trata apenas da inexistência de locais nos quais os deuses possam se ocultar do telescópio e do microscópio perscrutantes; já não há sociedades do tipo a que os deuses um dia serviram de suporte. A unidade social não é um portador de conteúdo religioso, mas uma organização econômico-política. Seus ideais não são os da pantomima hierática – que torna visíveis, na terra, as formas do céu &lt;/i&gt;[ou do inferno, eu acrescento :-)]&lt;i&gt; – mas sim os ideais do Estado secular, numa dura e incansável competição por supremacia material e por recursos. Já não existem, exceto em áreas ainda não exploradas, sociedades isoladas, limitadas em termos oníricos no âmbito de m horizonte mitologicamente carregado.”&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A tarefa de realizar essa experiência profunda que o mito proporciona será, na situação atual, sempre uma aventura pessoal, que guarda muitas similaridades com o que Campbell denominou como “jornada do herói” – jornada essa que tem incríveis similaridades com a iniciação dentro do Caminho da Mão Esquerda. Mais uma vez, Campbell tem a algo a dizer:&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;“Naqueles períodos [o das sociedades impregnadas de mitos] todo o sentido residia no grupo, nas grandes formas anônimas, e não havia nenhum sentido no indivíduo com a capacidade de se expressar; hoje, não há nenhum sentido no grupo – nenhum sentido no mundo: tudo está no indivíduo”.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgdEBEcV1_BgZNgKdgsvkoyMOiCpvf8XAwjFVY7Agtx50PfsjaO-P7CJhb75G7HlPF_ZIArEq1bn7hjrFGAZn3XPokssm8Naas9hXOITViRjyqnp33RmFC0VMMFDTzVSTUTMkZU/s1600/joseph_campbell.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;284&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgdEBEcV1_BgZNgKdgsvkoyMOiCpvf8XAwjFVY7Agtx50PfsjaO-P7CJhb75G7HlPF_ZIArEq1bn7hjrFGAZn3XPokssm8Naas9hXOITViRjyqnp33RmFC0VMMFDTzVSTUTMkZU/s320/joseph_campbell.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Joseph Campbell&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Estudando milhares de narrativas heroicas das mais diferentes culturas em todo o globo, Campbell conseguiu identificar elementos que se repetiam sempre, como peças de um quebra-cabeça, formando um percurso que, apesar das particularidades de cada cultura específica, mostrou-se incrivelmente uniforme. De modo extremamente sintético, esse percurso cumpre três grandes etapas: &lt;b&gt;separação&lt;/b&gt; do mundo cotidiano, &lt;b&gt;iniciação&lt;/b&gt; em um mundo prodigioso de mistérios e perigos, &lt;b&gt;retorno&lt;/b&gt; ao mundo cotidiano (com o herói renovado pela experiência no mundo prodigioso). Cada uma dessas mega-etapas tem seus estágios, descritos a seguir. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;h3&gt;
&lt;b&gt;Separação – o início da jornada&lt;/b&gt;&lt;/h3&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quatro diferentes estágios marcam essa primeira etapa:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;1) o chamado para a aventura:&lt;/b&gt; em sua vida cotidiana e de modo inesperado, o herói é convocado para liderar uma aventura em território desconhecido/perigoso. Traçando um paralelo com o Caminho da Mão Esquerda, é quando o futuro iniciado tem a sua primeira inspiração a seguir a Senda Obscura: as primeiras leituras que despertam o seu interesse pelo mundo mágicko, sonhos recorrentes e inexplicáveis, situações onde nada parece fazer sentido, etc. Como em tudo nesse caminho, aqui é apenas um lampejar que, no turbilhão do mundo cotidiano, surge como algo impactante e inesperado;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;2) a negação do chamado:&lt;/b&gt; o herói se recusa a aceitar o chamado; sente medo e angústia frente aos desafios que se colocam a sua frente; não se considera preparado para o que está por vir. É o temor de dar o primeiro passo rumo ao desconhecido que é inerente ao gênero humano – e responsável por incontáveis histórias de sofrimento e covardia;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;3) o auxílio sobrenatural:&lt;/b&gt; uma entidade/deus/espírito protetor aparece para o herói, para encorajá-lo a seguir adiante. Aqui já entramos no terreno da experiência, ou melhor, da pré-experiência com o Sobrenatural, que irá se aprofundar nas próximas etapas;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;4) o cruzamento do limiar: &lt;/b&gt;o herói cruza o limite entre o mundo cotidiano e o mundo sobrenatural, mundo pleno de perigos e leis desconhecidas. É o primeiro passo no terreno da iniciação: isolando-se das relações triviais do universo mundano, ele adentra um mundo onde as massas temem ir. Esse mundo, repleto de perigos desconhecidos, é também um mundo pleno de poder e conhecimento – em geral mais antigos e potentes que os do mundo cotidiano.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;h3&gt;
&lt;b&gt;Iniciação – a imersão em um mundo de perigos desconhecidos&lt;/b&gt;&lt;/h3&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O herói superou as limitações de seu cotidiano mundo e adentra um universo desconhecido. Contando apenas com sua coragem e (por vezes) auxílio de seu protetor mágico (auxílio que pode ser uma arma, um mapa, um feitiço, etc), é a etapa mais longa da jornada do herói e compreende oito estágios:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;1) a barriga da baleia:&lt;/b&gt; referência ao episódio bíblico do profeta Jonas, que é engolido e permanece três dias e três noite no ventre de um “grande peixe” (a tradição considera que se trata de uma baleia), sendo vomitado três dias depois com vida. &amp;nbsp;É o processo de reclusão que, após romper com o mundo profano, o neófito precisa passar para amadurecer sua vontade de transformar-se em um novo ser após a iniciação. No Caminho da Mão Esquerda, pode-se considerar como o período de estudo preliminares que todos devem empreender antes de iniciar as práticas mágickas propriamente ditas;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;2) provas:&lt;/b&gt; são os desafios que o herói precisa superar para alcançar o êxito em sua jornada. Em uma perspectiva de Mão Esquerda, são as diferentes habilidades mágickas que devem ser dominadas – desde as mais simples (concentração, meditação, invocação, evocação, etc) até as mais complexas;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;3) o encontro com a Deusa:&lt;/b&gt; o herói encontra um amor transcendente com um ser sobrenatural, amor que consegue se mostrar como total, experiência que o aproxima do encontro com a Mãe Primordial. No caminho da Mão Esquerda, o papel do divino feminino é fundamental, exaltada como a Mãe Negra nas figuras de Lilith e Kali, consideradas como “a fonte para o qual o magista obscuro regressa a fim de renascer como seu próprio filho e sua própria criação” (Thomas Karlsson em “Cabala, Qliphot e Magia Goética”, editora Coph Nia, 2015 - acesse o site da editora &lt;a href=&quot;http://www.cophnia.com.br/cqmg.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;);&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;4) tentação:&lt;/b&gt; um chamado tentador do mundo profano procura, nesse estágio, desviar o herói de sua aventura e fazê-lo voltar ao seu cotidiano prosaico. Tomando a forma de prazeres sensuais, riqueza, tranquilidade, etc, essa tentação busca potencializar as dúvidas presentes no coração do herói. Para o adepto da Mão Esquerda, são as provações que se colocam em seu caminho, seja sob a forma da incompreensão de familiares, cônjuges, amigos, etc (nisso podemos considerar a atuação de forças demiúrgicas, que atuam como focos de dispersão para o adepto com a intenção de retirá-lo da Senda Obscura – não é preciso comentar a respeito do poder dessas forças), seja por resultado de suas operações com as forças obscuras, forças que o colocam à prova para testar sua determinação;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;5) confronto com o Pai: &lt;/b&gt;é o ponto central da jornada da iniciação. Aqui o herói entra em confronto de morte contra o ser que detém o poder sobre sua vida. Em muitas mitologias trata-se ou do próprio pai do herói, ou de uma figura com nítidos traços paternos. Segundo Campbell:&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;“O problema do herói que vai ao encontro do pai consiste em abrir sua alma além do temor, num grau que o torne pronto a compreender de que forma as repugnantes e insanas tragédias desse vasto e implacável cosmo são completamente validadas na majestade do ser”.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Essa compreensão profunda, no Caminho da Mão Direita, leva em seu ápice no alcance de Kether, o topo da Árvore da Vida na Cabala Sephirótica, ou seja, o tornar-se uno com Deus. No Caminho da Mão Esquerda, porém, essa compreensão leva não a integração com o divino, mas a uma rebelião contra ele, cujo propósito é despertar as potencialidades divinas adormecidas do indivíduo para, assim, liberar-se do jugo demiúrgico.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;6) apostasis:&lt;/b&gt; termo grego que significa literalmente “estar longe de”, originou o termo “apostasia”, cuja acepção é o afastamento definitivo e deliberado da fé anteriormente professada. Aqui, o herói experimenta uma espécie de morte ritual que o libera do mundo condicional e o coloca em contato com potências sobre-humanas. Cito mais uma vez, e integralmente, Campbell:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;
&lt;i&gt;“A agonia da ultrapassagem das limitações pessoais é a agonia do crescimento espiritual. A arte, a literatura, o mito, o culto, a filosofia e as disciplinas ascéticas são instrumentos destinados a auxiliar o indivíduo a ultrapassar os horizontes que o limitam e a alcançar esferas de percepção em permanente crescimento. Enquanto ele cruza limiar após limiar, e conquista dragão após dragão, aumenta a estatura da divindade que ele convoca, em seu desejo mais exaltado, até subsumir todo o cosmo. Por fim, a mente quebra a esfera limitadora do cosmo e alcança uma percepção que transcende todas as experiências da forma – todos os simbolismos, todas as divindades: a percepção do vazio inelutável”.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os mitos transportam nossas mentes e espíritos não para acima deles, como a Mão Direita, ao que parece, acredita: os mitos nos transportam &lt;i&gt;através&lt;/i&gt; deles para o imenso Vazio. Todos os deuses existem e não existem ao mesmo tempo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvqphraLcH90Zb5dxV1dvKzXeqeTfB8Cdpe_A43144JoLelt7lbllez_M0mCVbAZk7EPVbuN3lqw-9HQgG55vmz8OJA8h_9m8RfDKDnk-bCA8_A9x3e7581g3GeO77Vn8EKLtz/s1600/a98746_sateria.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvqphraLcH90Zb5dxV1dvKzXeqeTfB8Cdpe_A43144JoLelt7lbllez_M0mCVbAZk7EPVbuN3lqw-9HQgG55vmz8OJA8h_9m8RfDKDnk-bCA8_A9x3e7581g3GeO77Vn8EKLtz/s1600/a98746_sateria.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;ritual de iniciação de Santeria&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;strike&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strike&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O estudo multicultural permite identificar que os mitos adotaram diferentes configurações de acordo com o sabor local, como forma de adaptação ao contexto sócio-histórico, mas a substância que os anima é, essencialmente, a mesma (ou pelo menos da mesma fonte primeva). Transformada em símbolo, essa substância torna-se mais inteligível e, portanto, acessível de modo mais amplo. Isso tem um motivo: nem todos estão preparados para suportar o aspecto terrífico da divindade. Se não houvesse o filtro do símbolo, era como se a todos os homens fosse permitido o contato com a divindade que fazemos via iniciação sem a preparação preliminar que o neófito percorreu. Asenath Manson, prolífica autora e fundadora do&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.ascendingflame.com/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Temple of Ascending Flame,&lt;/a&gt; conseguiu expressar em poucas palavrar o “peso” que se abate sobre o iniciado:&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&quot;True initiation involves changes significant enough to turn the whole world upside down. The world around is shattered, all beliefs and values are questioned and lose their meaning, and the initiate feels like the whole life is falling apart, while he can only watch helplessly, without being able to stop this. In this process the initiate often goes through a breakdown, a dark night of the soul, when the ego is temporarily dissolved and consciousness is being rebuilt in order to enter the further stage of spiritual ascent.&quot;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não é preciso refletir muito para saber que poucos suportariam tal peso. O Caminho da Mão Esquerda é uma jornada interior, e requer do adepto uma força de vontade descomunal para mergulhar nos mais obscuros aspectos de si mesmo e dos mundos astrais;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;7) o benefício final:&lt;/b&gt; aqui o herói alcança o objetivo de sua jornada (a obtenção de uma arma mágica, de um poder sobrenatural, etc). Toda a jornada tem aqui seu ápice vitorioso. Para o iniciado, é o final da “noite escura da alma” e o encontro dos primeiros ordálios;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;8) recusa do retorno:&lt;/b&gt; após encontrar essa fonte de poder no Outro Mundo, em algumas sagas o herói se nega a voltar ao mundo cotidiano. &amp;nbsp;Enamorado pelo poder alcançado, deseja permanecer nesse mundo além para usufruir das benesses de seu novo estágio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;h3&gt;
&lt;b&gt;Retorno – um novo ser volta ao mundo cotidiano&lt;/b&gt;&lt;/h3&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O herói que saiu do mundo cotidiano no início da jornada não é o mesmo que agora retorna. A experiência no além operou nele uma transformação – radical e profunda. Essa última etapa tem cinco estágios:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;1) o&amp;nbsp;vôo mágico:&lt;/b&gt; o herói precisa escapar do mundo prodigioso tendo consigo a fonte do poder adquirido (arma, livro, pedra preciosa, etc). Essa escapada é tão perigosa quanto o início da trajetória;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;2) salvamento vindo de fora:&lt;/b&gt; muitas vezes ocorre que, para empreender essa fuga, o herói precisa contar com a ajuda de alguém/algum poder para conseguir se safar dos perigos vindouros;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;3) cruzando o limite do retorno:&lt;/b&gt; é a volta para o mundo cotidiano. Renovado pelas prévias experiências, o herói pode oferecer agora o conhecimento/poder obtido em sua jornada para a comunidade;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;4) domínio dos dois mundos:&lt;/b&gt; o poder obtido pelo herói o coloca em situação onde seu conhecimento lhe possibilita uma visão equilibrada entre os mundos cotidiano e prodigioso (material e espiritual, externo e interno). Do ponto de vista do Caminho da Mão Esquerda, é o domínio sobre as práticas mágickas, a evolução em um sentido amplo e abrangente para além das condicionantes materiais;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;5) liberdade:&lt;/b&gt; o domínio obtido sobre os mundos externo e interno possibilita ao herói uma sensação de liberdade total. Ele não teme mais a morte e, portanto, pode viver em plenitude. Sob a ótica do Caminho da Mão Direita e da Mão Esquerda, aqui é quando o iniciado alcança o nível de Kether, ou seja, a suprema integração com o divino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É nesse ponto de nossa trajetória que ficam muito claras as diferenças de objetivo entre a Via Destra e a Via Sinistra: se a primeira, como foi dito anteriormente, busca a integração com o divino, a segunda tem como meta &lt;i&gt;tornar-se &lt;/i&gt;um deus. Por isso, o magista obscuro que alcança o ponto máximo de seu desenvolvimento ao chegar em Thaumiel, qliphoth que é o Olho do Dragão e o Trono de Lúcifer (e que equilave a Kether na Árvore da Vida), tem diante de si uma decisão: ele pode inverter o sentido da qliphoth e unir-se ao aspecto divino luminoso, entrando em nirvana; pode voltar aos níveis inferiores da Árvore da Morte (um futuro post falará sobre esse assunto com detalhes) e neles encontrar novas fontes de poder e conhecimento; pode também fazer o que Thomas Karlsson chamou de “dar o passo final para fora do universo”, isto é, ir além do condicionamento causal da existência e ir para o plano caótico pré-existencial, de onde provem a mais negra escuridão. Os frutos combinados das árvores da Vida e da Morte em um único diamante negro e indestrutível, que guarda em si a possibilidade de criar novos mundos a partir dele mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Seja qual for o caminho adotado, o adepto da Via Sinistra está em condições de ir além dos limites traçados pelo Plano Demiúrgico e desenvolver, em plenitude, a centelha divina presente no interior do ser humano. Sua jornada de iniciação – caminho cravejado de desafios e perigos – jamais será algo para o vulgo, assim como as aventuras dos heróis também não eram feitas para o comum dos mortais. A iniciação é, sempre, um caminho para poucos. Exige disciplina, coragem, audácia; uma vontade férrea, que não se curve à preguiça; um olhar impiedoso, mas também pleno de amor; um desejo ígneo que faça a chama negra presente no coração do adepto se transformar em um incêndio de proporções apocalípticas e, em labaredas cada vez mais altas, desintegrar o Cosmos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2016/10/o-heroi-de-mil-faces-uma-leitura-pela.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhUJq_5t_Q3YZllAiYkEqIRnorr6gjcvUXxSaenXQIfLa2S0YSsBT6mTI2ufGj2ePGbnKR0xwuxUUuH6FFqoUuJPyWdwOS8fQXhw6lJsw5q1Kh6SEZBQRPedpoZcyJUo6HOd59V/s72-c/14572517_10153924822923302_1379646092_o.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-2424900785373573068</guid><pubDate>Sun, 04 Sep 2016 03:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2016-09-04T17:40:38.070+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">magia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">mão esquerda</category><title>Introdução à Filosofia do Caminho da Mão Esquerda</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://dragondreaming.files.wordpress.com/2013/06/toaf.jpg?w=640&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://dragondreaming.files.wordpress.com/2013/06/toaf.jpg?w=640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Encontrei o texto desse post no &lt;a href=&quot;https://sabedoriasubversiva.wordpress.com/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Sabedoria Subersiva&lt;/a&gt;, excelente blog dedicado ao Caminho da Mão Esquerda em suas mais diferentes manifestações. A autora é a polonesa Asenath Manson, fundadora do &lt;a href=&quot;http://ascendingflame.com/index.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Temple of Ascendig Flame&lt;/a&gt;, quem tem como objetivo ser &quot;a gate to the Draconian Current, arising from inspiration received from Lucifer and Draconian Gods, and in response to inquiries and expectations of those who wished to walk the Path of the Dragon&quot;. &amp;nbsp;O texto, intitulado &quot;Introdução à Filosofia do Caminho da Mão Esquerda&quot;, é um resumo conciso do significado da Via Sinistra, demonstrando o que a diferencia do Caminho da Mão Direita. Além desse aspecto educacional, é também um texto inspirador que pode inflamar os corações dos adeptos a trilharem essa Senda.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Introdução à Filosofia do Caminho da Mão Esquerda&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O Caminho da Mão Esquerda é muitas vezes definido como “o caminho interno”, a jornada espiritual de introversão para encontrar o poder e o conhecimento no interior humano. É também uma viagem para a escuridão, o desejo de contato com as forças das trevas que, de acordo com as tradições do Caminho da Mão Esquerda, estão intimamente ligadas com os antigos cultos à natureza, e também conhecidas como correntes lunares.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas o que é a “auto-deificação”? É a maior conquista do Caminho da Mão Esquerda.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O desejo de contato com as forças criativas e primordiais do universo foi preservado durante séculos por algumas religiões e tradições mágickas. Nas tradições ocultistas ocidentais, o Caminho da Mão Esquerda é conhecido como satanismo, mas na verdade seu alcance é muito mais amplo. O Caminho da Mão Esquerda, ou a Via Sinistra, é um fluxo que estende as suas raízes em antigos cultos dos deuses das trevas e da natureza, como Dionísio. Acima de tudo, refere-se a cultos femininos, como Hécate, a divindade de noite, da lua e da magia.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O termo Caminho da Mão Esquerda não existe só no ocultismo ocidental, mas também no tantrismo hindu, onde o vama-chara ou Vama Marg (“Caminho da Mão Esquerda”), que é um caminho direto para a divindade muito mais poderoso do que dakashina-chara (“Caminho da mão Direita”). Julius Evola escreve sobre isso em seu livro “The Yoga of Power”:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;“Há uma diferença significativa entre os dois caminhos tântricos dos graus superiores, entre o da Mão Direita e da Mão Esquerda (onde ambos estão sob a égide de Shiva - shaivachara), indicada pelo fato de que enquanto na suprema realização, siddhi, própria do primeiro caso, o adepto sempre experimenta “algo acima dele”, na siddhi do caminho da Mão Esquerda ele “torna-se o próprio soberano” (chakravarti, que significa “o que governa o mundo”)”.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A filosofia do Caminho da Mão Esquerda existe em outras tradições. Na Cabala, é o caminho das Qliphoth – que está ligada com os princípios da Árvore da Morte, a meia noite da Árvore da Vida. Na tradição nórdica é o Seid , a arte mágicka de transe para a libertação da alma. Também nos elementos da tradição do vodu o Caminho da Mão Esquerda tem sobrevivido, especialmente nos ritos Petro ou seitas também chamadas de vermelho (thomazos cabrit), baseado em um sistema semelhante ao qliphótico. É semelhante o caso do hinduísmo, onde tais grupos são conhecidos como Aghori. Todas estas tradições contém um processo de iniciação que leva à imortalidade e à divindade através da reafirmação das energias primordiais relacionados com a ideia de escuridão, as correntes lunares femininas e a recriação consciente em harmonia com o universo. Ao mesmo tempo, é o desenvolvimento de uma consciência única e poderosa que existe acima e além da consciência de todos os seres vivos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;O processo de iniciação no Caminho da Mão Esquerda e da Direita.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O caminho da iniciação assumido pelo Caminho da Mão Direita é chamado de Via Sacra. Seu objetivo é a aniquilação dos aspectos do homem (microcosmo) e do Universo (macrocosmo) que são considerados “sombrios”, ruins e indesejáveis, e que separam o homem de Deus. O Caminho da Mão Esquerda, Via sinistra, não evita esses problemas: ao contrário, incentiva a enfrentá-los e a usar o seu poder para a recriação do seu próprio universo. O Caminho da Mão Direita é o caminho da “fuga” para a luz, para longe da escuridão. É um caminho que se concentra apenas em um aspecto: a negação do fato de que a luz não pode existir sem a escuridão. O caos primordial, a partir do qual o universo surgiu, era um amálgama de todos os opostos,: de luz e escuridão, fogo e água, terra, ar e outros elementos que foram determinados e divididos pelo “ato da criação” para se tornar realidade que temos à nossa volta. Isto ocorre por meio da polarização dos opostos e está baseado na dualidade cósmica, que precisa reunir todos esses elementos para refazer a divindade. Para o Caminho da Mão Direita isso não é possível, uma vez que visa aniquilar o indesejado macro / microcosmo ao invés de buscar um equilíbrio entre estes aspectos. É diferente no caso do Caminho da Mão Esquerda, caminho iniciático com base na fórmula de alquimia “solve et coagula” (“dissolver e preservar”) e o confronto inclusive com aqueles aspectos que são reconhecidos como “negativos” pelo Caminho da Mão Direita. Em termos cabalísticos, os seguidores do Caminho da Mão Direita escolhem caminhar em uma “escala” para os mais altos níveis da Árvore da Vida (em cujo cimo está Kether). O mago do Caminho da Mão Esquerda escolhe o caminho das qliphoth da Árvore da Noite. Enquanto os adeptos do Caminho da Mão Direita trabalham só com um lado simbólico da Árvore da Vida, os praticantes do Caminho da Mão Esquerda trabalham com ambos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando o mago do Caminho da Mão Esquerda atinge o nível de Kether, ele também alcança Thaumiel, a qliphoth gêmea representando os altos níveis de desenvolvimento alquímico (divindade), ao mesmo tempo. O Caminho da Mão Esquerda é o caminho do equilíbrio entre forças opostas de existência, do claro e escuro, extáticos e dinâmicos, forças destrutivas e criativas, entendidas como complementares e não podendo existir sem a outra. O equilíbrio entre elas é fonte de sabedoria e poder. A luz representa nascimento e criação, enquanto a escuridão representa morte, destruição e retorno à matriz da criação. Juntas, essas forças são a fonte de todas as formas de vida e de todo o tipo de energia que precisa de duas forças opostas para existir. A negação de uma é a negação da própria vida:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;“O mago pretende tornar-se o centro da criação e destruição, uma manifestação viva das forças do caos no reino da dualidade, um microcosmo completo, um deus.”&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É por isso que um dos principais símbolos do Caminho da Mão Esquerda é o Dragão ou Serpente, que representa a unidade de todos os opostos como Ouroboros, a serpente que morde a própria cauda. E contem os elementos tanto do sexo feminino e masculino, ativos e passivos, criando e dando vida e devorando a si mesmo. Ouroboros representa o famoso princípio hermético “Assim como acima, assim está abaixo”. Esta regra refere-se à relação entre o homem e o mundo que nos rodeia. À medida que o mundo contém muitos princípios diferentes, o homem não é uma unidade. Peter J. Carroll escreveu que o ego do homem não é homogêneo, mas uma parte composta de inúmeras partes da consciência de outros seres. A psique não tem um centro; não algo único, mas sim uma mistura de variados elementos. Alguns deles tendem a ficar juntos, criando um senso de ego. Muitas outras tradições mágicas vêem o homem de uma forma similar. A síntese das partes, a criação de um ser humano, a principal conquista do processo alquímico conhecido como Opus Magnum.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Antinomianismo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Antinomianismo é uma atitude de oposição às normas e valores comumente aceitos e é um importante elemento do Caminho da Mão Esquerda.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Antinomianismo é a única maneira de rejeitar os valores da massa que cresceu no mundo em que vivemos. O Caminho da Mão Esquerda refere-se ao antinomianismo do caminho espiritual, é a oposição a/os deus/deuses dominantes dos sistemas religiosos e a busca da divindade individual. Para magos do Caminho da Mão Esquerda, os deuses são principalmente seres arquetípicos, relacionados com diferentes aspectos do universo e da consciência humana. Um praticante pode sair do paradigma aceito que reconhece essas forças como superiores. É essencial sair do quadro estreito estabelecido pelas religiões de massa que são o obstáculo para o progresso espiritual individual. A aceitação passiva da ordem imposta leva à estagnação. O Caminho da Mão Direita busca a integração com este fim, e é caracterizada pela extroversão (exposição ao mundo exterior). No entendimento religioso e místico, significa união com o Deus transcendente que está acima de todos os seguidores. Neste caso, a pessoa tem que ter como aspiração individual se tornar um escravo completo de forças superiores. É completamente diferente para o Caminho da Mão Esquerda, uma vez que é caracterizada por uma profunda introversão (uma viagem iniciática pela psique em busca da divindade).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;A auto-deificação&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Uma das questões mais duvidosas ainda deve ser respondida: o que faz o homem se tornar um Deus? “Divindade” pode ser entendida de formas diferentes. Deve ser lembrado que a realidade que nos cerca é uma questão de como se percebe as forças existentes no universo. O mundo está fora de controle para o homem, seu inconsciente e seus poderes ocultos. O processo alquímico de iniciação que o adepto do Caminho da Mão Esquerda é submetido libera gradualmente estes poderes. O confronto com os aspectos individuais da consciência dá uma visão em profundidade da personalidade e fornece conhecimento sobre nós mesmos e o mundo ao nosso redor. Conhecimento e compreensão das forças que são partes de nós e do universo que nos permite viver a vida de acordo com a nossa vontade. Para isso, é essencial que passe por um processo difícil de transmutação alquímica interminável que começa no interior humano.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um mago do Caminho da Mão Esquerda deve reconhecer e explorar o &amp;nbsp;interior obscuro para iluminá-lo com a luz do conhecimento e da compreensão. Sabedoria no Caminho da Mão Direita é em uma só via, ou seja, incompleta. De acordo com as religiões monoteístas, “ver Deus” significa experimentar a cognição de uma parte do paradigma da consciência humana. Mas a experiência completa também significa “ver o diabo”. “A união final com Deus”, a última conquista do Caminho da Mão Direita, significa a união da consciência individual com a consciência coletiva. Aquele que está apto a preservar a sua integridade e unidade, deve resistir ao poder da consciência coletiva. Como Peter Carroll disse, na morte a força da vida individual é reabsorvida pela “força da vida deste mundo que se faz conhecida por nós como Baphomet”. Para as religiões monoteístas esta experiência é a união com Deus. Para o mágicko é “ser comido pelo Diabo em sua busca deliberada de liberdade”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De acordo com a filosofia do Caminho da Direita, não se pode opor-se a Deus/poder superior. Os seguidores do Caminho da Mão Esquerda não partilham desta opinião.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O exílio simbólico do homem do Jardim do Éden, como no mito da queda de Lúcifer, representa a busca da divindade individual, e a escuridão se torna uma metáfora que transcende além das limitações impostas por Deus. Na escuridão o homem brilha com sua própria luz, criando seu próprio mundo. A viagem através da escuridão também é a evolução espiritual do homem. O Jardim do Éden é uma fase da infância, o tempo em que o homem se sente seguro e dependente de forças superiores. Sair do Jardim do Éden é um passo em direção à maturidade, independência e liberdade, mas também um passo na direção da responsabilidade, quando o homem começa a decidir sobre sua própria vida. Por isso, entrar no Caminho da Mão Esquerda e andar por ele significa abandonar a segurança da luz e ver o desconhecido – e assim descer no abismo da escuridão e lá encontrar a liberdade e a divindade.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Asenath Mason. Lodge Magan.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Traduzido
por .’. Henri Calado .’.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Postado originalmente em&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;https://sabedoriasubversiva.wordpress.com/2014/11/04/introducao-a-filosofia-do-caminho-da-mao-esquerda/&quot;&gt;https://sabedoriasubversiva.wordpress.com/2014/11/04/introducao-a-filosofia-do-caminho-da-mao-esquerda/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2016/09/introducao-filosofia-do-caminho-da-mao.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-700310491059008548</guid><pubDate>Sun, 21 Aug 2016 19:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2016-08-22T09:17:12.318+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Alan Moore</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">documentário</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">magia</category><title>Documentário &quot;The Mindscape of Alan Moore&quot;</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/9/91/The_Mindscape_of_Alan_Moore_VideoCover.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/9/91/The_Mindscape_of_Alan_Moore_VideoCover.jpeg&quot; width=&quot;222&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Acabei de assistir ao documentário &quot;The mindscape of Alan Moore&quot;, de 2003, onde o mago de Northampton fala sobre sua origens proletárias, sua paixão pelos quadrinhos - nascida da necessidade de ir além do seu cotidiano de precárias possibilidades - e, claro, sobre magia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Retomando uma das denominações mais antigas para designar as práticas ocultas - o sintético &quot;A Arte&quot; - Moore demonstra que o parentesco entre magia, quadrinhos e literatura é muito maior do que se imagina. Para ele, magia é a arte de promover alterações na consciência das pessoas através de certas fórmulas. Os grimórios dos antigos feiticeiros são, nesse contexto, nada mais do que gramáticas exuberantes, que manipulam linguisticamente códigos verbais &amp;nbsp;(&quot;nomes bárbaros de invocação&quot;, para retomar uma expressão de Kenneth Grant). A linguagem é portanto dotada de uma grande potência transformadora das consciências humanas - disso o sabiam os xamãs e bardos de todas as culturas do passado. Na modernidade, esse poder ou é esquecido (e aí temos a literatura dos best sellers, entendidos como simples entretenimento) ou utilizado para fins comerciais (a publicidade é magia na sua forma mais tosca e vulgar, capaz de fazer multidões agirem &amp;amp; pensarem da mesma forma).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pensando em todos os livros que li, vejo que muitos deles de fato conseguiram promover alterações na forma que eu percebia certas coisas na vida. Podemos simplesmente ver isso como um processo normal de qualquer leitura ou então assumir que se trata, como Moore propõe, magia. A segunda opção me parece muito mais divertida.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/4Uh2jaFPM-E&quot; width=&quot;560&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2016/08/documentario-mindscape-of-alan-moore.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img.youtube.com/vi/4Uh2jaFPM-E/default.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-1804412341312690231</guid><pubDate>Wed, 10 Aug 2016 01:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2016-08-12T06:22:53.549+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Austin Osman Spare</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crowley</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">magia</category><title>O Renascer da Magia, de Kenneth Grant</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijC2O86mFyiLiYWahyphenhyphenuzt9Q4gP75zSlbDTipnqQljSMbtQpUrKHiPrKvNNpF5Z1qDJkRkLwgM3cLMWJS0VqHbbOKfiD5aq6VPtgVicGH5LYxHT9nC9C6iklVNPgC4ImyPJ5kXX/s1600/renascer.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;396&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijC2O86mFyiLiYWahyphenhyphenuzt9Q4gP75zSlbDTipnqQljSMbtQpUrKHiPrKvNNpF5Z1qDJkRkLwgM3cLMWJS0VqHbbOKfiD5aq6VPtgVicGH5LYxHT9nC9C6iklVNPgC4ImyPJ5kXX/s400/renascer.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O texto a seguir nasceu de apontamentos da leitura de &quot;O renascer da magia&quot;, de Kenneth Grant, obra que inicia as Trilogias Tifonianas e apresenta de modo sintético as idéias que serão desenvolvidas, com pormenores, nas demais obras da série. Originalmente publicado em 1972, a minha edição é a lançada pela Penumbra Livros em 2015 - que por sinal é uma edição muito boa de capa dura e, cuidadosas notas adicionais que jogam luz em passagens que, se literalmente traduzidas, perderiam o sentido original do texto em inglês (Kenneth Grant usa e abusa de aliterações e jogos de palavras em todo o livro) e 16 lâminas coloridas com fotos e ilustrações de Aleister Crowley e Austin Osman Spare, figuras centrais do livro. Não sei dizer se essas lâminas estão presentes na edição original, mas com certeza fazem deste lançamento da Penumbra algo bastante especial. As indicações de páginas presentes nesse post referem-se a essa edição.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De modo extremamente resumido, pode-se dizer que &quot;O renascer da magia&quot; pretende, através de uma espécie de história das idéias mágicas, estabelecer o vínculo existente entre o sistema crowleyneano e o culto a Shaitan, cuja origem se perde nos aeons passados e remonta a períodos incrivelmente longínquos, anteriores mesmo aos acádios e sumérios. Esse culto antiquíssimo originou, milênios mais tarde, o culto egípcio a Set, onde a invocação preliminar da Goétia do Rei Salomão tem sua origem e, através desta, a Goétia medieval. Crowley e Thelema representam, portanto, o renascimento de uma corrente mágica tão (ou mais) antiga que a própria humanidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Esse renascimento ocorreu, segundo Crowley, em 1904, na assim chamada Operação do Cairo. Durante os dias 8 a 10 de abril daquele ano, entre o meio-dia e uma hora da tarde, o Sacerdote e Escriba dos Príncipes Ankh-af-na-Khonsu (o Sagrado Anjo Guardião de Crowley) recebeu da entidade praeter-humana Aiwass os três capítulos que resumem o Liber Al Vel Legis, iniciando assim uma corrente oculta de magnitude cósmica que seguiu ao equinócio dos deuses e o fim da castradora Era de Peixes. A operação do Cairo é o marco do advento da Era de Aquário e o resgate da liberdade e da sexualidade mágicas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os símbolos das divindades empregados por Crowley ao se referir a esse renascimento são praticamente todos do panteão egípcio. O sistema thelêmico tem como essência a ação recíproca e equilibrada entre &quot;o puxão demoníaco para baixo e ascensão espiritual&quot;, utilizando majoritariamente métodos de Mão Esquerda e, talvez por isso mesmo, promoveu a subversão de todos os sistemas mágickos, preparando o terreno para o sucumbir de todas as verdades cristalizadas. Por tal razão, embora os termos egípcios prevaleçam, o uso dessas formas-deus tem relação direta com a filiação draco-tifoniana que se pretendia dar a Thelema, mesmo sabendo que essas forças ancestrais tenham assumido muitos e diferentes nomes ao longo dos aeons e culturas. Dentre os nomes recorrentes em todo o livro estão:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Nuit:&lt;/b&gt; a consciência e subjetividade absolutas. A imensidão do cosmo, infinito, noite sem fim, nada absoluto, ausência de pensamento;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Hadit:&lt;/b&gt; é a manifestação da consciência, a objetividade concreta, o impulso criador. Seus símbolos são o falo e a Besta;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Ra-Hoor-Khuit:&lt;/b&gt; o reflexo de Hadit na forma do universo objetivo. Filho de Hadit e Nuit;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Babalon&lt;/b&gt;: Lua, Mulher Escarlate, a escuridão da matéria, o mênstruo lunar, fertilidade;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Hoor-paar-kraat&lt;/b&gt; (Hipócrates ou Harpócrates): Aiwazz, Set;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Aeon:&lt;/b&gt; palavras com diversos sentidos em todo o livro. Significa ciclo de tempo (sempre muito longo) e também é nome do deus fálico-solar dos illuminati. É empregado intercambiavelmente com Abrasax, divindade com corpo de serpente e cabeça de leão dos gnósticos, e também com Harpócrates. De Abrasax se desenvolveu a palavra ABRAHADABRA, que resume todos esses conceitos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Esses nomes simbolizam forças e tendências que no aeon atual – o Aeon de Hórus – atuarão como pólos restauradores das antigas tradições sumérias. Desses nomes, o principal é Set:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;“No aeon anterior (de Osíris), Set ou Satã era considerado maligno, pois a natureza do Desejo era mal compreendida; ele era identificado com o diabo e o mal moral. No entanto, este diabo, Satã, é a verdadeira fórmula da iniciação. Chamado de maligno para esconder sua santidade, é o desejo que incita o homem a conhecer a si próprio – através de outrem (ou seja, através de seu próprio duplo ou “diable”). Quando a necessidade é voltada para dentro ao invés de para fora, como normalmente ocorre, o ego morre e o universo objetivo se dissolve. À luz dessa iluminação, a realidade, a gnose, é tudo o que resta”&lt;/i&gt; (página 26)&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;float: left; margin-right: 1em; text-align: left;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_c2fc5LxriLzHxjZZZ2EpdRev19w6jEzK6xO7l8p-QgBT-eAWUTcUqHTYUjNu3S1aEe082kaEUYM_sDtwOaYSBI8jV0Q7dEpeP-57TT-m1CrlXXmH5Hau6MP5wm-xcM2LNOEF/s1600/kenneth+grant.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;298&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_c2fc5LxriLzHxjZZZ2EpdRev19w6jEzK6xO7l8p-QgBT-eAWUTcUqHTYUjNu3S1aEe082kaEUYM_sDtwOaYSBI8jV0Q7dEpeP-57TT-m1CrlXXmH5Hau6MP5wm-xcM2LNOEF/s320/kenneth+grant.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Kenneth Grant&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Set, Shaitan, Satã: nomes diferentes, mesmo significado ancestral. Sua raiz etimológica remonta ao simbolismo – antiquíssimo, perdido nas umbras da pré-história e do mito – do número 7. Os cálculos mais antigos do tempo não eram baseados no tempo solar, mas sim na movimentação das estrelas e especialmente a revolução da serpente (Draco ou Nuit) em torno da Canícula (Hadit). Set, a estrela de Sothis, é o &lt;i&gt;nome&lt;/i&gt; do número sete, número de Sevekh ou Vênus, que muito mais tarde se transformou no correspondente planetário dos conceitos estelares originais. A estrela de sete raios de Babalon se filia a essa mesma simbologia, assim como a Besta de Sete Cabeças (as setes estrelas da Ursa Maior). Nota-se que essas luzes não eram nem o Sol nem a Lua, mas conceitos estelares anteriores. Set e Hórus, antes considerados como poderes iguais brigando pela supremacia das águas do espaço, começaram a se tornar cada vez mais dissociados entre si, conforme ocorria a migração dos homens rumo ao norte africano. Antes cíclico, o poder entre os deuses pendeu para Hórus, como supremo e ressurgente Sol/Filho da Mãe (Nuit) enquanto Set ficou abaixo da linha do horizonte como senhor dos Infernos. Os deuses gêmeos se atomizaram em aspectos excludentes, com a “vitória” de Hórus. Set, considerado no Sul o deus do Verão, com a migração dos povos ao norte associa-se ao inverno e transforma-se em sinônimo de escuridão e morte. Passa-se de uma concepção de tempo estelar para uma solar-lunar que, posteriormente, com a descoberta de que o brilho da Lua provinha na verdade do Sol, foi aniquilada, com a preponderância desse último. Assim, a Lua foi degradada e ignorada como as estrelas anteriormente, e anatemizada como um repositório de forças malignas e incontroláveis. No Livro dos Mortos, Set é descrito como tendo um rosto avermelhado; tal característica o fila ao sangue menstrual e lunar como fonte de criação. Nuit diz que a cor de Set “é negra para o cego, mas azul e ouro são vistos pelo vidente” (azul é a cor de Júpiter, ouro se relaciona com o Sol). Os cultos solares – neles incluídos o cristianismo – atribuem ao lado negro das forças espirituais uma coleção infinita de simbologias negativas, como forma de instigar o medo e impedir que os homens tenham acesso ao saber que dali emana. Mais de uma cultura já retratou isso em suas mitologias: que um conhecimento vasto, antigo e superior se encontra interdito aos homens comuns, protegido pelos mais mortíferos perigos. Esses perigos advém de fontes distintas, sendo que uma delas é a pesada carga simbólica que os cultos dos deuses ressuscitados, alimentada por milênios de culpa e preces motivadas por pensamentos amedrontados, reuniu ao redor de si: um amontoado de forças malignas e seres de baixa frequência que arrastam os homens aos seus labirintos de agonia. O pentagrama invertido de Set-Shaitan, cuja ponta para baixo indica o Sul – sua morada ancestral no solstício de inverno – é o símbolo do Grande Iniciador, daquele que promove o acesso ao conhecimento oculto que, vencidos os perigos que o circundam, permite ao homens realizar sua&amp;nbsp;essência divina.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A realização da centelha divina passa, portanto, pela iniciação, experiência transfiguradora que desperta as potencialidades silenciadas no homem. J. W. Parsons, citado por Grant, é brilhante na explicação de seu significado:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;“Para ir fundo é necessário rejeitar cada fenômeno, cada iluminação, cada êxtase, indo sempre para baixo, até chegar aos últimos avatares dos símbolos que também são os arquétipos raciais: neste sacrifício aos deuses abismais está a apoteose que os transmuta em beleza e no poder que é a sua eternidade, e na redenção da espécie humana. Neurose e iniciação são a mesma coisa, exceto que a neurose não prossegue além da apoteose, e as forças tremendas que moldam toda a vida estão conquistadas – curto-circuitadas e feitas venenosas. A psicanálise transforma os falsos símbolos do ego e os exterioriza em falsos símbolos sociais; é uma confusão de conformidade e cura em termos de comportamento de grupo. Mas a iniciação deve prosseguir até que a barreira seja ultrapassada, até que os nebulosos bastiões dos infantis Trawenfells se tornem as rochas e penhascos da eternidade” &lt;/i&gt;(52)&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Iniciação como experiência radical para além de toda segurança emocional/social/pessoal. Experiência limite, apaga as fronteiras entre o eu e o outro, não para nos arremessar em uma amorfa comunhão hippie com o cosmo, mas para evidenciar que não somos nem Isso nem Aquilo mas um elemento antigo e novo ao mesmo tempo, imutável e também em constante transformação. Dos destroços da Personalidade Tirânica criada pela demência demiúrgica brota, através da iniciação, a Vontade Única que eleva os iniciado a um patamar onde começa a caminhada para o além-do-humano. Dentro da esfera de influência das religiões dos deuses ressuscitados (Osíris, Jesus, Odin, etc) não há formas de se alcançar tal nível de evolução espiritual. As religiões do Livro são as piores nesse sentido: castradoras em sua essência, condenam a sexualidade e maculam a mulher como um poço de desejos irracionais e animalescos, colocando uma interdição fundamental ao maior dos portais para a prática mágica e realização do divino – o sexo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgmSOupqPROMRA-c0O3JZNztxFBMGFZXXgndkb_4h6DTF6WDik_B33oIJmXgCfn4zm3CTK-0zFTKI56m-60mlsVqVSjxg4vyy3x0WrBp4TnI1oYkykuexuJnHKqEeCbQt_E2R5S/s1600/renascer+2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;317&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgmSOupqPROMRA-c0O3JZNztxFBMGFZXXgndkb_4h6DTF6WDik_B33oIJmXgCfn4zm3CTK-0zFTKI56m-60mlsVqVSjxg4vyy3x0WrBp4TnI1oYkykuexuJnHKqEeCbQt_E2R5S/s320/renascer+2.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;detalhe de uma das lâminas do livro, na edição da Penumbra&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Convém agora falarmos um pouco sobre a figura feminina e seu papel no sistema mágicko de Crowley. Como dito anteriormente, a Era de Aquário representa a restauração da liberdade e da sexualidade mágickas, perdida aeons atrás, e objeto de interdição pelas religiões dos deuses ressuscitados. Nesse contexto, a mulher tem um especial valor, como repositória da voluptuosidade potencialmente mágicka. O símbolo da Mulher Escarlate é marcante nesse contexto. Segundo Crowley, determinadas características indicam na mulher a aptidão para a prática mágicka, tanto físicas (formas avantajadas, olhos brilhantes, cabelos volumosos) como morais (comportamento libertino e independente). Nas palavras de Crowley:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;“Como a Mulher Escarlate, cavalgando a Besta, está indo, bebendo o sangue vital dos santos; adúltera; senhora da mudança, da energia, da vida; enquanto a “mulher modesta”, “Maria inviolada”, é fechada, estagnante; impotência e morte (...) Assim a mulher modesta, a mãe, é para mim um símbolo da derrota e da morte; a mulher escarlate que cavalga a grande besta selvagem, que drena o sangue dos santos em sua taça, que é adúltera, que exige a mudança, é a vitória e a vida”&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A mulher liberada e dona do próprio prazer aproxima-se do conceito da prostituta, entendida aqui como veículo da lascívia que, canalizada magickamente, proporciona transformações na consciência e gnose espiritual. Entretanto, tal conceito também tem uma outra acepção, que vincula a prostituta com a magia negra e a feitiçaria envolvendo entidades como Equidna, Melusina, Lâmia e certos aspectos destrutivos e viciosos de Kali e Kundry. Nessa rubrica, a prostituta se configura como portal para um tipo de lascívia exclusivamente carnal e estéril. O sexo, portanto, é uma via de acesso poderosa, mas também perigosa, onde o magista deve aprender a canalizar sua vontade para além do Desejo, sublimando-o (o Caminho da Mão Esquerda é sempre assim: iluminação poderosa, mas que se conquista através de provações extremas). É essa sublimação que Austin Osman Spare alude ao dizer: &lt;i&gt;“Ao desvincular-se de concepção a crença e o sêmen, estes se tornam simples e cósmicos”&lt;/i&gt;. Somente quando se torna cósmico o êxtase, que caracteriza Kia, é capaz de despertar a consciência individual; nesse ponto não se trata mais de consciência personalizada (e por isso limitada) mas sim cósmica e livre para desfrutar-se eternamente. O desejo deve abraçar tudo, até esquecer a si mesmo e tornar-se nada.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É por isso que na busca spareana de “insaciedade de desejo, autoindulgência valente e sexualismo primevo”, a figura da bruxa é colocada de modo bastante, digamos, interessante: para Spare a bruxa precisa necessariamente ser “mundana e libidinosamente entendida” mas também “tão sexualmente atraente quanto um cadáver”. Justamente por suas características abomináveis, ela se torna o veículo completo da consumação, destruindo toda e qualquer cultura estética pessoal, tornando a mente e o desejo amorais, liberando o sexo do desejo mundo e o ego de suas prisões demiúrgicas. Nesse sentido, Spare se distancia de Crowley na forma de sublimação do desejo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Compre o livro na loja da Penumbra:&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://loja.penumbralivros.com.br/pd-2e1a66-o-renascer-da-magia.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;http://loja.penumbralivros.com.br/pd-2e1a66-o-renascer-da-magia.html&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2016/08/o-renascer-da-magia-de-kenneth-grant.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijC2O86mFyiLiYWahyphenhyphenuzt9Q4gP75zSlbDTipnqQljSMbtQpUrKHiPrKvNNpF5Z1qDJkRkLwgM3cLMWJS0VqHbbOKfiD5aq6VPtgVicGH5LYxHT9nC9C6iklVNPgC4ImyPJ5kXX/s72-c/renascer.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-3428721350661997775</guid><pubDate>Sat, 09 Apr 2016 00:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2016-04-09T14:34:21.399+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">magia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">satanismo</category><title>Nexion 913 - Vendendo o Sinistro</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXXFH3K7cqdHKf2xXr8QB1zsVCkbcBrwkPBffXFhRCPzn4niX7HLXjQ4EBOegD9vQix3CU7YrJqosxo_3BEElrNzX6iuAXWAA-g6PKVtPlFKzPeTWp5Yhg7kYeYTYclBXNKJwz/s1600/nexion.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXXFH3K7cqdHKf2xXr8QB1zsVCkbcBrwkPBffXFhRCPzn4niX7HLXjQ4EBOegD9vQix3CU7YrJqosxo_3BEElrNzX6iuAXWAA-g6PKVtPlFKzPeTWp5Yhg7kYeYTYclBXNKJwz/s1600/nexion.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Estou acostumado a ver a Magia e, especialmente, as tradições ligadas ao Caminho da Mão Esquerda como uma cultura onde noções como superioridade, elitismo, misantropia e auto-superação estão sempre presentes. É uma senda &quot;para os fortes&quot;, para os que ousam sair dos caminhos da Luz Demiúrgica - claridade que cega o espírito e o mantém em uma imbecilizante passividade vampírica - e adentrar o campo aberto das Trevas - onde, alquimicamente, nasce o Sol mais brilhante do que todos os sóis.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Justamente por ser um caminho &quot;para os fortes&quot;, será um caminho para poucos. Somos uma espécie que preza pelo comodismo em todos os aspectos, não é difícil concluir e aceitar, sem grandes dramas, que as coisas são e serão assim para a maioria. Soma-se a isso que os materiais de estudo de tais tradições sinistras são ou difíceis (alguns, mesmo impossíveis) de serem encontrados ou, quando os encontramos, tem preços inacreditáveis. Os melhores exemplos são os livros da editora finlandesa&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.ixaxaar.com/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Ixaxaar&lt;/a&gt;, cujas edições básicas ficam na faixa dos 50 euros (sem frete), o que já é bem caro mesmo para os padrões de consumo europeus; e como as edições da Ixaxaar são sempre limitadíssimas, alguns de seus títulos esgotados são vendidos a pequenas fortunas no eBay. Para se ter uma idéia, o livro de Sitra Achra (veja uma &lt;a href=&quot;https://heathenharvest.org/2013/07/08/literary-ixaxaar-the-book-of-sitra-achra-a-grimoire-of-the-dragons-of-the-other-side/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;resenha dele&lt;/a&gt;) está sendo oferecido hoje, enquanto escrevo esse post, por R$ 31.745,33 nesse &lt;a href=&quot;http://www.ebay.com/itm/Book-of-Sitra-Achra-Dlx-Talismanic-Python-Ed1-61-Qliphoth-Grimoire-Ixaxaar-TOTBL-/162006541981?hash=item25b857a69d:g:kt4AAOxy2CZTbHBJ&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;link aqui&lt;/a&gt;. &amp;nbsp;Nem é preciso dizer que isso, fatalmente, impede o acesso dessa literatura a muitos.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Foi com o propósito de corroer o comercialismo que domina o mercado editorial de magia de Mão Esquerda que surgiu a &amp;nbsp;Nexion 213&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;https://nexion913.wordpress.com/&quot;&gt;https://nexion913.wordpress.com&lt;/a&gt;. Colocando dezenas de materiais para donwload gratuito (lista &lt;a href=&quot;https://nexion913.wordpress.com/temple-of-the-black-light/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;), o site tem sido alvo de críticas avassaladoras em fóruns e redes sociais nos últimos dias. &amp;nbsp;Resolvi traduzir - de modo livre e bastante irregular, já alerto - o texto &quot;Vendendo o Sinistro&quot;, que é onde a visão crítica do fundador da Nexion 213 sobre o comercialismo &amp;nbsp;fica mais clara. Eu não sei até que ponto concordo com exatamente 100% dos pontos de vista que ele defende, especialmente quando ele coloca, taxativo, que qualquer Ordem que venda seus materiais e não os publique gratuitamente deve ser combatida. Isso me parece bastante excessivo, pois escrever, editar, contatar gráficas, editoras, etc não se faz sem o emprego de uma boa parcela de tempo e energia, e muitas pessoas vivem, exclusivamente, de seu esforço como escritor. Não deveriam ser recompensados por isso?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Apesar dos excessos, a visão dele sobre o Sinistro faz uma interessante cópula com um sentimento anti-capitalista cheio de fúria, levando o leitor a refletir se discurso sobre elitismo e força, próprios do caminho da Mão Esquerda, contaminou-se com o comercialismo barato que infecta cada partícula da vida em Kali-Yuga, &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Vamos ao texto.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
-------------------------------------------------&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;b&gt;Vendendo o Sinistro&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Ao longo
dos últimos dias tem havido algo em minha mente que pertence a fenômenos para
os quais eu cunhei a frase &quot;Vender o Sinistro&quot;. Ter instigado algumas
pequenas discussões nas redes sociais, várias vozes têm surgido que apoiaram
minhas opiniões e outras que os atacaram, e alguns outros poucos tentando
distorcer as minhas opiniões. As respostas que minhas declarações iniciais
receberam são diversificadas o suficiente para que eu sinta ser necessária uma
declaração oficial, antes que a conversa recaia caia em um diz-que-me-disse que
é típico das redes sociais. Em última análise, independentemente de como os
outros no Kollectivo pensam sobre esta questão, a posição 913 deve postada
aqui, se não por outra razão, a não ser para estabelecer e documentar a minha
linha original de pensamento em um ambiente livre de fraudes que só querem
publicidade, na tentativa de distorcer a minha posição filosófica real. Vamos
deixar a Posição 913 ser exposta de maneira absolutamente clara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&quot;Tradições
satânicas, esotéricas e ocultistas de todos os tipos devem permanecer
Open-Source e wetware, ou seja, livre de encargos, limitações próprias,
limitações de produção e de distribuição, e disponível para serem livremente
alteradas para usos específicos, únicos e diversos, além dos limites de
quaisquer sistemas legais de qualquer Estado-nação, além de quaisquer sistemas
monetários, além de quaisquer direitos autorais e corporações e, certamente,
para além de quaisquer pessoas egoístas que desejam fazer com que qualquer
tradição esotérica seja não-livre, mantida sob direitos autorais e marcas
patenteadas, monopolizando o Sinistro a fim de satisfazer o seu ego, ou para
seu próprio lucro monetário pessoal.&quot;- Nexion 913&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Como já
afirmei em outro lugar, colocarei a minha dignidade pessoal de lado por
enquanto, não por causa de vergonha, mas no contexto de que vou me isolar e
revelar-me como um exemplo, e direi abertamente que sou pobre, inicialmente
devido à minha origem e circunstância e, na idade adulta, por uma opção de recusar
em entrar no esquema da escravidão Magian e da infraestrutura econômica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;É realmente
uma merda querer estudar ou desfrutar de um novo livro ou álbum lançado pelo Kollectivo,
mas a única maneira de obtê-lo é através de mendigar, aço, corte, ou com parte do
dinheiro das contas, da gasolina ou das compras do mês. Eu adoraria possuir as
obras impressas completas da Ordem dos Nove Ângulos (ONA), a biblioteca do
Temple of the Black Light (TOTBL), mas isso custaria milhares de dólares, que
eu não tenho e nem mesmo quero ter em nenhum momento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Muitas
vezes, aqueles que afirmam ser anti-sistema estão emulando diretamente e apoiando
o complexo econômico-industrial com os seus &quot;trabalhos sinistros”,
colocando suas obras no esquema do sistema monetário, o que limita seus trabalhos
para aqueles que estão dispostos e capazes de pagar em dinheiro para a honra de
ver ou ouvi-los...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Nexion 913 toma
como preceito liberar nossas publicações em formatos PDF e impressos, o que
significa que tudo que nós vendemos também é totalmente gratuito em formato
digital. Por que isso não pode ser um padrão do Kollectivo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Se todos
são ricos o suficiente para pagar 20, 30 ou 50 dólares em cada livro ou um
álbum que deseja, bom para quem pode. Muitos de nós não somos. Pare de fazer da
ONA, THEM,TOTBL e outros a porra de uma livraria, e concentre-se na luta contra
ordem e abstração magian e demiúrgica. Deixe o seu material disponível em
formatos digitais gratuitos. Se o seu nexion não deixará, você deixou mais do
que claro qual é o seu verdadeiro propósito...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Eu sou um
escravo da indústria americana, nascido no mais branco dos trailers park
rednecks. Eu cresci com um bando de crianças em situações semelhantes, e fazia
&quot;o que tinha de ser feito&quot; a fim de obter as coisas que precisava ou
queria. Era comum e esperado, e posso lhe dizer que gangues de rua e prisões
são maiores educadores do que qualquer faculdade de prestígio. Estas
experiências formadoras, que eu, sem dúvida, compartilho com outras pessoas
aqui, serviram para iniciar e desenvolver minha compreensão sobre as abstrações
chamadas Estado-nação e religião, através dos quais os adeptos do Magian
realizam seu ataque implacável e bem sucedido em nossa liberdade espiritual e
intelectual, com todos os tipos de perversão para tentar escravizar todo e
qualquer ser humano com débitos e escravidão assalariada, conduzindo-os como gado
para um estado de entorpecimento mental e espiritual, para pastar estupidamente
sobre os ditames da moda e de um status social artificial. É a ISSO que nós nos
opomos quando dizemos Sinistro, é ISSO que nós rejeitamos quando dizemos honra,
e é ISSO que nós destruímos quando nos recusamos as abstrações Magian, e optar
pelo caminho Open-Source wetware mimético como a ONA, TOTBL e as suas muitas
variações .&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;No núcleo
de cada tática Magian está a escravidão monetária. Dinheiro controla todos os
recursos que você precisa, porque você não pode mais obter muitos recursos em
seu próprio país, incluindo sua comida, a sua mobilidade, e suas comunicações.
Quase todos os habitantes do primeiro mundo já não podem plantar, criar ou
cozinhar as suas próprias refeições, ou eles são muito gordos e preguiçosos
para andar a pé ou de bicicleta, e suas comunicações e informações são
limitados ao que eles podem comprar com créditos de escravos. O sistema
monetário é um meio de controlar o seu conhecimento e ditar o seu tempo.
Dívida, custos e impostos são as armas através do qual os adeptos Magian
escravizaram nossas respectivas populações, roubando nossas terras e recursos,
destruindo e dividindo nossas culturas e criando mercadorias de nossos sistemas
espirituais. Na verdade, estas são as armas com as quais todas as nações
não-ocidentais estão atualmente sob ataque e sendo forçadas a se adaptar com a
lei abstrata e impessoal que se autodenomina Nações Unidas. Ele estupra a
própria essência da humanidade com o mercantilismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Se o Sinistro
é verdadeiramente perturbador, subversivo e evolutivo, então certamente ele deve
perturbar este sistema monetário, e subverter esse sistema que negocia nossas expressões
e paixões humanas por um punhado de dólares, cujo valor é mais precioso para
eles do que a paixão ou a própria expressão. Se alguma vez evoluímos,
individualmente ou coletivamente, é quando nos tornamos livres dos entraves do
sistema das dívidas, dos custos e dos impostos. Desse modo, que tipo de luz
pode brilhar daqueles que fazem marketing de si mesmos como Sinistros, mas
estão aderindo aos sistemas jurídicos e monetários? O que pensamos daqueles que
fazem copyright dos livros que escrevem contra o uso do copyright? O que
devemos fazer com aqueles que escrevem livros sobre o quão destrutivo é o
sistema monetário para a evolução humana, só para em seguida dizer que você não
pode ler seu livro até que lhe pague 10 ou 20 dólares? Este tipo de padrão
duplo e hipocrisia não podem ser tolerados, porque faz com que todos nós
pareçamos tolos e hipócritas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;b&gt;Código
aberto&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Open-source software ((OSS) or free and
open-source software (FOSS) ) is computer software with its source code made
available with a license in which the copyright holder provides the rights to
study, change, and distribute the software to anyone and for any purpose.
Open-source software may be developed in a collaborative public manner.
Open-source software is the most prominent example of open-source development.
The open-source model, or collaborative competition development from multiple
independent sources, generates an increasingly more diverse scope of design
perspective than any one company is capable of developing and sustaining long
term. A report by the Standish Group (from 2008) states that adoption of
open-source software models has resulted in savings of about $60 billion per
year to consumers. – Wikipedia&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Como você
pode ver a partir da citação acima, liberando o desenvolvimento de tal software
da ganância monetária e uso exclusivo, não só permite uma maior evolução do
software, ele também permite para qualquer pessoa possuí-lo com facilidade e
usá-lo como entender, e isso está em oposição completa com o sistema de Magian.
Um executivo da Microsoft afirmou publicamente em 2001 que &quot;Open source é
um destruidor de propriedade intelectual. Eu não posso imaginar algo que
poderia ser pior do que isso para o negócio de software e os negócios de
propriedade intelectual”. Bem, foda-se a Microsoft!. Esta analogia se adapta à
ONA e TOTBL pelas mesmas razões. As pessoas, em posse de uma boa compreensão da
natureza da consciência, o código-fonte humano por assim dizer, com uma licença
para estudar, modificar e distribuir a nós mesmos e as nossas ideias em
qualquer lugar e para qualquer finalidade, desenvolvido de forma colaborativa,
pública e competitiva, a partir de vários ângulos independentes, gerando um
âmbito cada vez mais diversificado de evolução e perspectiva do que qualquer
nexion, cultura ou política é capaz de desenvolver e sustentar em longo prazo.
Claro, a evolução pessoal, Kollectiva e nexional dos nossos sistemas e ideias,
bem como software proprietário, só podem se desenvolver verdadeiramente uma vez
libertados do sistema monetário, do contrário eles continuam a ser a
&quot;propriedade&quot; de um indivíduo, que controla os limites individuais e o
desenvolvimento daqueles que empregam disse ideias ou tradições.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;b&gt;Closed-Source Non-Free – Proprietary&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Proprietary software, non-free software (in the sense of missing freedoms), or closed-source software is software that fails to meet the criteria for free or open-source software. Although definitions vary in scope, any software which places restrictions on use, analysis, modification, or distribution (unchanged or modified) can be termed proprietary. A related, but distinct categorization in the software industry is commercial software, which refers to software produced for sale, but without necessarily meaning it is closed-source. Most software is covered by copyright which, along with contract law, patents, and trade secrets, provides legal basis for its owner to establish exclusive rights. A software vendor delineates the specific terms of use in an end-user license agreement (EULA). The user may agree to this contract in writing, interactively, called clickwrap licensing, or by opening the box containing the software, called shrink wrap licensing. License agreements are usually not negotiable. Software patents grant exclusive rights to algorithms, software features, or other patentable subject matter. Laws on software patents vary by jurisdiction and are a matter of ongoing debate. Vendors sometimes grant patent rights to the user in the license agreement. Proprietary software vendors usually regard source code as a trade secret. Free software licenses and open-source licenses use the same legal basis as proprietary software. Free software companies and projects are also joining into patent pools like the Patent Commons and the Open Invention Network. – Wikipedia&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Se alguém em
nosso Kollectivo satânico e oculto realmente acredita no conteúdo do material
que está produzindo (como faz Nexion 913) ele deveria disponibilizá-lo gratuitamente
(como faz a Nexion 913). Aqueles que afirmam ser o mais sinistro da ONA são as
mesmas pessoas que tentam fazer da ONA uma maldita livraria. Eles poderiam
facilmente produzir uma versão gratuita em PDF das suas publicações (fazer da
sua nexion um open source), e vender uma versão impressa como uma opção
(fazendo da sua nexion comercial também), porém muitos nexion recusam-se a
fornecer uma versão digital gratuita (fazendo sua nexion um closed-sourced proprietário),
deixando claro que é mais importante que a nexion obtenha lucro monetário do
que espalhar a informação, avançar a dialética ou a evoluir a nossa recusa
Kollectiva da infraestrutura Magian, a qual a sua nexion closed-source proprietária,
agindo assim, na verdade apoia. Pergunte a si mesmo a seguinte pergunta:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Quanto do
que você aceitar como ONA tem elementos de propriedade?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;1. A sua
&quot;marca&quot; da ONA têm características maliciosas ou restrições?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;2. Há um
pagamento exigido?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;3. A sua
conta bancária ou do Paypal é exibida?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;4. o seu
endereço de IP ou endereço de correio é exibido?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;5. A transação
é informada ao seu governo e/ou provedor de Internet quanto ao que você está
vendo, podendo assim adicioná-lo à lista de observação?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Tradições
esotéricas genuínas são Open-Source wetware miméticas que usam código que é
livremente distribuído e disponível para qualquer um usar livremente. Aplicação
Sinistra genuína é sempre open source, o que significa que se você tem a
habilidade e tempo, você tem uma excelente vista em cada aspecto de como a
aplicação de um sistema funciona, e você está disposto a compartilhá-lo com aqueles
com uma capacidade de empregá-lo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;A fraude do
&quot;Vender o Sinistro&quot; é feita por microempresas closed-source que
vendem produtos marqueteiramente assustadores para consumidores crédulos, e que
mantêm suas produções em segredo para impedir a sua utilização por outros
nexion, porque ao invés de evolução da tradição esotérica, seu objetivo é gerar
lucro financeiro. A maior desvantagem disso é que esta “livraria da ONA&quot;
de código fechado força todos a pagar $$$ para ter acesso aos conhecimentos e determinar
a sua opinião sobre ele. O indivíduo precisa assim aceitar a palavra do nexion
em questão, que na verdade é o próprio vendedor do produto, a respeito da
qualidade do material vendido. Claro, alguém precisa apenas tirar uma foto do
livro ou produto em questão, e postá-lo no Facebook. Em seguida, todos vão
pensar que você é &quot;sinistro&quot; (o que eles provam com o uso de um botão
Like) e o comprador não precisa nem ler muito menos entender produto qualquer
porque, como para tantos outros mundanos no Shopping Home da Internet , o
importante é gerar estupidamente publicidade gratuita para a sua microempresa
Onaísta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Junte-se a
913 na era digital e acabe com a moda e monetização do satanismo. Estas
livrarias sinistras não têm espaço para zombar de Anton LaVey ou as COS quando
os seus métodos e propósitos são os mesmos. A próxima coisa que você sabe:
sites da ONA serão do tipo &quot;pague para ver&quot; com cartões de sócio
caros. Digital é gratuito. Foda-se livros e pagamentos de merda. Se um Nexion
não partilhar o seu trabalho livremente, recuse suas obras. PDF e OogV são os
meios intelectualmente honestos e filosoficamente consistentes de produção
Sinistra.&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2016/04/nexion-913-vendendo-o-sinistro.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXXFH3K7cqdHKf2xXr8QB1zsVCkbcBrwkPBffXFhRCPzn4niX7HLXjQ4EBOegD9vQix3CU7YrJqosxo_3BEElrNzX6iuAXWAA-g6PKVtPlFKzPeTWp5Yhg7kYeYTYclBXNKJwz/s72-c/nexion.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-5737381029156797579</guid><pubDate>Tue, 09 Feb 2016 20:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2018-11-17T16:44:23.366+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">anarquismo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Bookchin</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">esquerda</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">política</category><title>&quot;Anarquismo, crítica e autocrítica&quot;, de Murray Bookchin - um resumo</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJJQvItb-JKHuf6yyINU5okvcJjIp7DhukAdqBLXXi29zMphUYlKOCTlYcwwPGjXIlCjiIOGz7s3eIQgTkUK6YRSaMgo904goULhUOJ6f5HunW6B-0kjZiEe4a9iBp6U3PPmAl/s1600/20160209_172628.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;354&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJJQvItb-JKHuf6yyINU5okvcJjIp7DhukAdqBLXXi29zMphUYlKOCTlYcwwPGjXIlCjiIOGz7s3eIQgTkUK6YRSaMgo904goULhUOJ6f5HunW6B-0kjZiEe4a9iBp6U3PPmAl/s640/20160209_172628.jpg&quot; width=&quot;590&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Publicam-se muitos livros, mas poucos são aqueles que realmente são relevantes. Contam-se nos dedos aqueles que captam, ainda que
migalhas, as misérias nossas contemporâneas, oferecendo-nos uma nova e
instigante visão das coisas. Se essa nova visão é instigante e capaz
de produzir debates e efervescentes polêmicas, estamos diante de uma obra desse
tipo. Agora se essa obra não gera apenas debates, mas desavenças e convulsões;
se coloca em cheque certezas solidificadas e as torres de marfim intocáveis de
certos intelectuais; se
essa obra não apenas enfia a faca no corpo de seu oponente (escrever também
pode ser uma declaração de guerra) mas a gira diversas vezes, com a intenção de
ir mais profundamente na lógica dos argumentos, então estamos diante de um
livro não apenas relevante, mas de um &lt;b&gt;livro necessário&lt;/b&gt;, cuja leitura é
premente para compreender e se posicionar no mundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&quot;Anarquismo: crítica e autocrítica&quot;, lançado pela Hedra em
2011, é um desses livros. Reunindo dois textos do norte-americano Murray
Bookchin (1921-2006), traz ao leitor brasileiro uma série de questionamentos
sobre a relevância das táticas que a esquerda (no geral) e o anarquismo (no
particular) utilizam para enfrentar o capitalismo, em seu estágio de hegemonia
global praticamente absoluta. Os&amp;nbsp;&lt;/span&gt;textos - &quot;A esquerda que se foi&quot; e &quot;Anarquismo social ou anarquismo estilo de vida: um abismo intransponível&quot; - foram publicados há mais de 20 anos (1991 e 1995, respectivamente) e geraram uma enorme onda de ataques contra Bookchin, vindos sobretudo de anarquistas, que chegaram a dizer que ele estava louco e sofria de complexo de superioridade. Quando as críticas a um autor começam a se resumir a evocações de patologia, em geral vale a pena ver o que ele tem a dizer, mesmo que seja para ler absurdos. Não é o caso de Bookchin: chamá-lo de mentalmente perturbado foi uma atitude infeliz e que colocou em certa obscuridade um autor que tem muitas coisas interessantes para dizer.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Apesar dos textos presentes no livro terem mais de duas
décadas de existência, conseguem ser violentamente atuais, especialmente para
nós aqui no Brasil, onde o debate político tem cada vez mais acirrado as
posições ideológicas e a direita, com uma esperteza fenomenal, tem conseguido
arregimentar mais e mais seguidores. Pior que isso: palavras como
&quot;revolta&quot;, &quot;rebelião&quot; e &quot;dissidência&quot;, antes
comumente associadas àqueles que estavam à esquerda do espectro político, estão
hoje no vocabulário padrão dos defensores de intervenção militar e do slogan
&quot;Deus-Pátria-Família&quot;. Ser revoltado hoje no Brasil não é lutar
contra o Estado, a polícia, o racismo e a propriedade privada: o
&quot;contestador&quot;, o sujeito &quot;que mete a real&quot;, o que &quot;critica
o sistema&quot; é aquele que defende a pena de morte, é a favor das
privatizações e acredita que estamos em pleno regime comunista. É sintomático
que o maior movimento pró-impeachment tenha o nome de Revoltados Online, algo
impensável para um grupo de direita nos anos 80 e 90. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Socialmente, a primazia da revolta - vamos deixar de covardia e afirmar
de vez - não está mais na esfera das forças da esquerda, mas sim com os
Almeidinhas e Constantinos da vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Vou comentar brevemente alguns pontos que considero como os mais relevantes
nos dois ensaios do livro. Lê-lo me ajudou muitíssimo a avaliar a atuação da
&quot;esquerda&quot; em nosso país, que muitas vezes oscila do bom mocismo
hippie inofensivo à inconsequência niilista espetaculosa de quebrar qualquer
coisa à sua frente sob pretensas alegações revolucionárias, passando por um
governismo vergonhoso que, com muitíssima boa vontade, pode-se caracterizar
como centro. É uma leitura para todos os desgarrados que não abraçam os
slogans fáceis da despolitização que considera todas as facções políticas como
rigorosamente iguais (um caminho perigoso e mesquinho) nem
muito menos os coxinhas da &quot;nova direita&quot; (e não nos deixemos enganar
nem por um segundo: ela não tem NADA de novo, é a mesma e velha Casa Grande só
que agora com iPhone na mão e trabalhando em agências de publicidade), e tampouco conseguem se imaginar ao lado de
delirantes militantes do PCO ou de apalermados de centro estudantil. É
necessária uma mudança, uma &lt;i&gt;radical&lt;/i&gt;
mudança, e as cartas que estão na mesa agora não são todas as
que existem no baralho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Falemos do autor e do livro, então.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Bookchin começou sua trajetória intelectual nos centros trotskistas e,
portanto, sua formação tem muito do pensamento marxiano. Sua migração gradativa
para o anarquismo proporcionou-lhe refletir sobre quem desempenha, no atual
estágio de desenvolvimento do capitalismo, o papel de sujeito revolucionário.
Ora, sabemos que no marxismo clássico esse sujeito é o proletariado, o
trabalhador assalariado das fábricas. Seria através desse sujeito revoltado
contra o capital, que lhe impunha uma existência repleta das mais horrendas
privações, que se iniciaria a revolução; tomariam o poder e os meios de
produção, implantando o socialismo e preparando assim o futuro para uma
sociedade sem classes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;table cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;float: left; text-align: left;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjxQOsVHAoNL8d_4AzOjZl76pNWVxskhV4kEY2UfgrdL0aZtGvcH-5HBian1YID5BN5LiJNXWIDiDzqkBl_KoXAZ_HzLbfztXGuInQMDbb4a4Dejw_TeIhuZIfptd0-bPY21NH0/s1600/Bookchin+maior.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;261&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjxQOsVHAoNL8d_4AzOjZl76pNWVxskhV4kEY2UfgrdL0aZtGvcH-5HBian1YID5BN5LiJNXWIDiDzqkBl_KoXAZ_HzLbfztXGuInQMDbb4a4Dejw_TeIhuZIfptd0-bPY21NH0/s320/Bookchin+maior.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Bookchin, tiozinho simpático&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Bookchin - veja, já nos anos 1950! - via essa tese como superada. Não
que acreditasse que a revolução tinha se tornado impossível ou que uma
sociedade sem classes fosse mera utopia. Pelo contrário: ao invés de
circunscrever o papel de sujeito revolucionário somente ao proletariado, ele &lt;b&gt;amplia&lt;/b&gt;
seu espectro por um prisma ecológico, colocando o capitalismo como um sistema
insustentável em si mesmo que, com sua sede faustiana de lucro infinito, não condena
apenas os trabalhadores a uma situação existencial deplorável mas &lt;b&gt;compromete a própria existência do planeta&lt;/b&gt;.
A exploração capitalista dos recursos naturais com o objetivo de alcançar
lucros cada vez maiores termina por esgotar esses recursos, causando
desequilíbrios ambientais sem precedentes, afetando diretamente todos os seres,
humanos e não-humanos. Assim, o local de trabalho perde sua validade como palco
principal da opressão capitalista, espraiando-se pela vida como um todo, o que
é incrivelmente mais nefasto. Tal conjuntura pede então uma atualização do
sujeito revolucionário, que para Bookchin deixa de ser o
&quot;proletariado&quot; para se tornar a &quot;comunidade&quot;, as
&quot;pessoas&quot;. A releitura faz sentido: a mecanização do trabalho que
diminuiu bruscamente a necessidade de mão-de-obra humana, o onipresente uso das
tecnologias da informação, a diversificação das &quot;profissões
criativas&quot; (designers, estilistas, redatores, etc) e o crescimento
exponencial do setor de serviços transformou uma antes mais ou menos homogênea
&quot;classe trabalhadora&quot; em uma miríade de subgrupos - todos, sem
exceção, com a bota da opressão capitalista esmagando suas faces, agora
mistificada por sutilezas como participações em lucros e resultados (meramente
simbólicos perto dos ganhos dos acionistas), horários flexíveis (que em geral
os fazem trabalhar mais) e infantilidades fúteis como doces grátis e mesa de
ping-pong no escritório para criar um &quot;clima descontraído&quot;. Somemos a isso aqueles atores do grande circo das
opressões que estão à margem do trabalho, como moradores de rua, nóias, traficantes, travestis, prostitutas,
etc - enfim, o velho lúmpen, agora hipertrofiado pela abundância dos grandes
centros, nas beiradas da sociedade de consumo e servindo como bucha de canhão
para o endurecimento dos sistemas repressivos e, ocasionalmente, realizando as
piores e mais degradantes tarefas. Os capachos necessários para a polícia exercer a brutalidade que faz regozijar o morador dos bairros de elite, os corpos para as orgias festivas onde empresários de terceira idade comemoram seus acordos milionários, os fornecedores de aditivos químicos para playboys virarem a noite em boates cheia de gente branca e cafona.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Dentro dessa visão de que o sujeito revolucionário deixa de ser &quot;o
trabalhador&quot; para ser &quot;a comunidade&quot;, Bookchin defendeu que o
sindicalismo é um modelo que deve ser superado. Para ele, as comunidades
deveriam se organizar e - aí começa a sua grande polêmica com os anarquistas -
participar das estruturas de poder municipais, inclusive entrando em eleições
com uma plataforma que reivindicasse a democracia direta por meio de
assembléias populares, de modo que as decisões dos municípios fossem tomadas em
primeira mão por aqueles que diretamente vivenciam seus problemas. Segundo ele,
a administração municipal é, assim como a polícia, a cara mais imediata do
Estado na vida das pessoas. Muitas decisões importantíssimas que afetam nosso
cotidiano passam pelas decisões da prefeitura – por exemplo educação infantil pública,
uma responsabilidade municipal, que decide como e quando aplicar os recursos
recebidos do poder estadual. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Obviamente a tese de Bookchin foi recebida pelo movimento anarquista
tradicional com severas críticas. Como um anarquista se propõe a entrar no jogo
partidário, participar de eleições e aceitar as instituições políticas
burguesas, ainda que municipais? Cito&amp;nbsp;&lt;/span&gt;integralmente o trecho onde Bookchin faz uma defesa de
seu municipalismo libertário:&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;“[o município] constitui a base para as
relações sociais diretas, democracia frontal e a intervenção pessoal do
indivíduo, para que as freguesias, comunidades e cooperativas convirjam na
formação de uma nova esfera pública. (...) A partir do momento em que os
municípios se federem para formar uma nova rede social; que interpretem o
controle local com o significado de assembléias populares livres; que a
autoconfiança signifique a coletivização dos recursos; e que, finalmente, a
coordenação administrativa dos seus interesses comuns seja feita por delegados –
não por “representantes” – que são livremente escolhidos e mandatados por suas
assembléias, sujeitos a rotação, revogáveis, e as suas atividades severamente
limitadas à administração das políticas sempre decididas em assembléias
populares – a partir deste momento os municípios deixam de ser instituições
políticas ou estatais em qualquer sentido do termo. A confederação destes
municípios – uma comuna das comunas – é o único movimento social anarquista de
ampla base que pode ser vislumbrado hoje, aquele que poderá lançar um movimento
verdadeiramente popular que produzirá a abolição do Estado. É o único movimento
que pode responder às crescentes exigências de todos os setores dominados da
sociedade para dar poder e propor pragmaticamente a reconstrução de uma
sociedade comunista libertária nos termos viscerais da nossa problemática
social atual – a recuperação de uma personalidade poderosa, de uma esfera
pública autêntica e de um conceito ativo e participatório de cidadania.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;table cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;float: left; text-align: left;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEja0QxFCTqUwbD2wvjJGtSrMSPkM6bQehrSeeDjv-cwbsPBCjE3Ul7IK7fJsb3Ztn6Um-k-7wILytjrnqh_pUKcH2H_aKoH4ALEczTqn-7YW56Yh0Si7suei3WKQQvb8n94Dm_c/s1600/na+bad.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;243&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEja0QxFCTqUwbD2wvjJGtSrMSPkM6bQehrSeeDjv-cwbsPBCjE3Ul7IK7fJsb3Ztn6Um-k-7wILytjrnqh_pUKcH2H_aKoH4ALEczTqn-7YW56Yh0Si7suei3WKQQvb8n94Dm_c/s320/na+bad.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Bookchin curtindo uma bad vibe sinistra&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Bookchin também criticou, e em termos muito duros, o que chamou de “anarquismo
estilo de vida”, ou simplesmente anarco-individualismo. Seu precursor, Max
Stirner (1806 – 1856), escreveu um verdadeiro programa dessa tendência em “O
único e sua propriedade”. Para Stirner, a liberdade individual é um absoluto; qualquer
tipo de constrangimento ao seu exercício, uma tirania. Exerceu uma influência
praticamente nula no combativo movimento operário de sua época, granjeando
adeptos nos meios boêmios urbanos de Londres, Paris e Berlim, com
reivindicações de liberdade sexual, inovações na arte e questionamentos sobre
comportamentos e opressões morais. Seus seguidores são os precursores de toda a
contracultura originada com os beatniks nos anos 50, e que alcançaria seus auge
magnífico no Maio de 68 para depois, de decadência em decadência, ser cooptada pelos
tentáculos do capitalismo até se transformar em uma bem diversificada seção no
mercado das rebeldias juvenis, cada uma com seu próprio uniforme (góticos e
suas roupas pretas, punks e seus moicanos, hippies e suas saias, etc), sua
coleção particular de ídolos e seu jeito “único” de ser. É sintomático,
inclusive, que a ênfase na liberdade individual nas contraculturas pós-68 se
manifeste justamente no momento em que os movimentos de esquerda deixam pouco a
pouco as bandeiras de radical transformação social em segundo plano, quando não
totalmente esquecidas. O ativismo cultural, assumindo por vezes uma tonalidade
hedonista e espetaculosa, torna-se uma atividade em si mesma, não raro uma
pregação para convertidos que não representa risco algum para a ordem capitalista:
as demandas tornam-se &lt;i&gt;exclusivamente&lt;/i&gt;
por &lt;i&gt;direitos dentro da ordem&lt;/i&gt;, uma
acomodação de “minorias” na legalidade e no universo do consumo. As próprias
táticas de luta desse tipo de ativismo inclui, muitas vezes, a prática do
boicote, isto é, não consumir certos produtos/serviços sob alegação de que o
seu produtor participa/colabora com atitudes que o ativismo combate (casos como
&lt;a href=&quot;http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/brasil/2015/05/12/interna_brasil,576106/grife-zara-nao-cumpre-acordo-para-acabar-com-trabalho-escravo-e-e-autuada.shtml&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Zara e trabalho escravo&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://economia.estadao.com.br/blogs/radar-economico/gays-propoem-boicote-as-massas-barilla-apos-declaracoes-homofobicas/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Barila e homofobia&lt;/a&gt;, etc) – ou seja, é uma ação que se
dá exclusivamente pela relação consumidor-empresa. Sua validade é altamente
questionável: os departamentos de marketing dessas empresas seguem o mantra “o
consumidor é rei”, que esse personagem abstrato é quem determina que tipos de
produtos e comunicação devem ser empregados. O Mc Donalds já tem lanches
veganos faz anos em seu cardápio, e se o consumo de carne for paulatinamente
decaindo, não há dúvidas que o cardápio vegano será ampliado. A Zara, após os
incidentes, fez um pedido de desculpas e criou uma linha telefônica para
denúncias de trabalho escravo – atitude que mais parece um tosco veja-fizemos-a-nossa-parte
para todos voltarem, com a consciência tranquila, a comprar suas caríssimas
roupas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Outra tendência contemporânea do anarquismo que recebeu golpes
duríssimos de Bookchin foi o primitivismo. Essa tendência, que tem em John
Zerzan um de seus mais conhecidos expoentes, tem como tese fundamental que “a
civilização” é um mal em si mesmo e que deve ser superada. Assim, todas as
conquistas da civilização – agricultura, linguagem, ciência, tecnologia, artes,
etc – devem ser destruídas para que o homem novamente viva em seu estado
primordial de caçador-coletor, sem hierarquias e não exercendo poder sobre
outras criaturas humanas ou não-humanas. Os primitivistas defendem que o
estágio civilizatório atual é um desvio na história da raça humana, um
brevíssimo período para uma espécie que já existe há mais de 2 milhões de anos
e que, nessa trajetória, viveu a maior parte do tempo em “harmonia” com “a Natureza”.
Superar a civilização não é apenas desejável, mas também necessário: o estilo
de vida por ela inaugurado – com produção agrícola, domesticação de animais, especialização
do trabalho e crescimento tecnológico – terminará por fatalmente destruir todo
o planeta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;table cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;float: left; margin-right: 1em; text-align: left;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEie452SAH9XFX1Mx7YYNdYFDZaRqWlW1gtjw0KmxsayxmhHHg7_se1fSiS66ADFJOHYHpZvZiWTc_cfxN4zVq8oVJwTgzmjZjJFLi7Ay3GqVktkzpJOYAxMZsWRjolCm-8Fd92h/s1600/jogando.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;257&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEie452SAH9XFX1Mx7YYNdYFDZaRqWlW1gtjw0KmxsayxmhHHg7_se1fSiS66ADFJOHYHpZvZiWTc_cfxN4zVq8oVJwTgzmjZjJFLi7Ay3GqVktkzpJOYAxMZsWRjolCm-8Fd92h/s320/jogando.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Bookchin jogando um Counter Strike entre uma crítica e outra&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Bookchin ridiculariza esse ponto de vista como sofrendo de uma nostalgia
edênica que não pode ser levado a sério. Zerzan, a revista Fifth State e outros
atores do pensamento anticivilização interpretam as estruturas opressivas das
sociedades humanas contemporâneas como intrínsecas à civilização, obscurecendo
a natureza específica dessas estruturas, que são capitalistas. Uma vez
obscurecidas, não são devidamente confrontadas e, pior que isso, quase naturalizadas.
Tecnologia, agricultura, linguagem, etc, enfim, todas as criações da civilização
não são naturalmente opressivas, como reza o credo primitivista, mas é &lt;b&gt;o uso que delas se faz, socialmente
determinado, que as torna opressivas&lt;/b&gt;. E especificamente sob o capitalismo,
a exploração do homem sobre o homem ganha cores mais fortes e uma escala e
padrões globais. Tecnicamente mais avançados do que em qualquer outro período,
e com um nível de consciência ecológica igualmente inédito na História, sob o
capitalismo criou-se condições concretas de propiciar uma vida superior para a
imensa maioria das pessoas – e é sob novas relações sociais organizando o uso
da tecnologia, da agricultura, etc que isso se dará, e não com a destruição
desses avanços.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Cito Bookchin:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;i&gt;“Crucial é que a regressão do primitivismo dos anarquistas de estilo de
vida nega o mais destacado atributo da humanidade enquanto espécie e os
aspectos potencialmente emancipatórios da civilização euro-americana. Humanos são
muito diferentes de outros animais, na medida em que fazem mais do que meramente
adaptar-se ao mundo à sua volta; &lt;b&gt;humanos
inovam e criam um mundo novo&lt;/b&gt;, não só
para descobrir seu próprio poder como seres humanos , mas para fazer o mundo ao
seu redor mais adequado ao seu próprio desenvolvimento, tanto em termos de
indivíduo, quanto de espécie. Ainda que a capacidade de transformar o mundo
esteja distorcida na sociedade irracional de hoje, ela é um dom natural e um
produto da evolução biológica humana – não só um produto da tecnologia, da
racionalidade e da civilização. O fato de pessoas que se dizem anarquistas
defenderem um primitivismo que beira o animalesco, com sua mal-disfarçada
mensagem de adaptação e de passividade, é uma vergonha diante de séculos de
pensamento, práticas e ideais revolucionários; isso difama as memoráveis
tentativas da humanidade de se libertar do provincianismo, do misticismo, da
superstição, visando transformar o mundo.”&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;A proposta primitivista é cativante. Força-nos a pensar, de modo
radical, a nossa relação com a Natureza. Ela direciona um olhar desconfiado
perante todas as comodidades do dia-a-dia que nós, especialmente os moradores
de grandes cidades, estamos acostumados a ter em tal nível que nem conseguimos
imaginar como seria a vida antes de sua existência. Jamais negarei o valor de
questionamentos desse tipo e sou um entusiasta ilimitado de todo e qualquer
pensamento crítico em relação ao desastre da era moderna. Os que buscam modos
de vida à margem do consumo e em comunidades mais ou menos isoladas, vejo-os
como indivíduos de coragem exemplar, que venceram os encantos da Hidra
Neoliberal e seus milhões de confortos e prazeres. A eles brindo,&amp;nbsp; hoje e sempre. Mas o supremo “não!” que eles
dizem tem embutido também um certo sabor da derrota de todos os sonhos e
esperanças coletivas: se a revolução se resume agora a deixar de trabalhar e
viver do lixo dos outros, a negar “a civilização” mas continuar usando
computadores e todas as suas facilidades, e os que não embarcam nesse jogo hedonista são vistos como parte
do problema, então não falemos mais de solidariedade ou justiça, mas
simplesmente de méritos e conquistas – o que tornaria os adeptos do pensamento anticivilização mais
próximos do discurso empresarial do que do revolucionário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;Outras tendência que mereceu críticas ferozes de Bookchin foram os
pacifistas. As atuais demandas sobre controle de armas para civis como forma de
“promover a paz”, defendidas inclusive por muitos setores da esquerda, soariam
como abomináveis para os anarquistas e revolucionários do século XIX. Naquele
então, &lt;b&gt;era mais do que claro que armar o povo, treiná-lo e capacitá-lo para
atuar como milícia era vital&lt;/b&gt;. Isso se justificava de modo intransingente: &lt;b&gt;o
monopólio da violência não deveria pertencer ao Estado&lt;/b&gt;. O sentimento
antimilitar era fortíssimo, mas jamais veríamos imagens de rifles quebrados ou
posicionamentos favoráveis ao desarmamento da população. Hoje, quando surge
alguma personalidade defendendo o direito de portar armas, a esquerda em geral cai
matando em cima com as alegações de “fascista”, “mais amor por favor” ou algum
meme engraçadinho para “lacrar” a discussão. A defesa do uso de arma é vista,
sempre, como violenta em si mesma e como tendência ao militarismo, o que são – sempre
foram, segundo Bookchin – coisas completamente distintas. Enquanto o berreiro
antiarmas segue forte, o “outro lado” procura se armar... &lt;span style=&quot;background-color: #eeeeee;&quot;&gt;[ATUALIZAÇÃO de 2018: escrito há quase três anos, na época de sua concepção Bolsonaro era ainda um palerma qualquer. Sua candidatura recente deveu-se, em muito, à defesa do porte de arma, sob uma ótica completamente fascista].&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: yellow;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;table cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;float: left; text-align: left;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRawCti17ljM6lCPz-L1KnxUvaDl_k775Mcyh4K5dyFCUtiixlCp859Y6Kk81Pb5-E7x8tdJEGaVdncFZX_aPKBVYSNAmL6BuA8RhckYYuUbGirlOYpvJFlvgpKMe3Y1s3km6V/s1600/Bookchin.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRawCti17ljM6lCPz-L1KnxUvaDl_k775Mcyh4K5dyFCUtiixlCp859Y6Kk81Pb5-E7x8tdJEGaVdncFZX_aPKBVYSNAmL6BuA8RhckYYuUbGirlOYpvJFlvgpKMe3Y1s3km6V/s1600/Bookchin.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Bookchin, mocosado&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;O livro fecha com a questão do reformismo versus revolução. Hoje em dia,
a defesa de direitos trabalhistas tem muito de governismo (quando este não
corta direitos, claro) ou participação de partidos que desejam abocanhar uma
parcela de poder e somente isso. Era diferente com os revolucionários do século
XIX, que entravam na luta por reformas como uma forma de mostrar o &lt;b&gt;fracasso do sistema atual,&lt;/b&gt; além de
garantir condições menos humilhantes para os trabalhadores de então – tudo isso
sem jamais tirar do horizonte a superação do sistema capitalista. A reforma era
demandada, portanto, como uma tática para um objetivo mais amplo. Faz sentido:
ao invés de esperar uma revolução que tornará todos iguais (e que ocorrerá em
um futuro incerto e via de regra distante) garantia-se uma situação melhor &lt;i&gt;aqui e agora&lt;/i&gt;, especialmente para quem
estava em piores condições. Entretanto a demanda por reformas, que deveria ser o
preparo da corda que futuramente estrangularia o capitalismo, terminou por
enroscar-se no pescoço da própria esquerda, levando-a a adotar de modo
irrestrito a prática do mal menor e conduzindo-a “a um pântano liberal de
humilhações e concessões infindáveis” – a imagem do Paulinho da Força Sindical é o que
me veio imediatamente à cabeça quando li isso pela primeira vez. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;pt&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;As perspectivas para as lutas sociais em 2016 seguem sombrias. Sob
pretextos de superar a crise, novos assaltos aos direitos das pessoas serão
realizados. A Hidra Neoliberal, mais do que nunca, vai apertar de todos os
lados. A leitura de Bookchin ajuda a refletir sobre a atuação da esquerda nesse
contexto, e especialmente para nós, aturdidos por tantos batedores de panelas fãs
de policiais, é um convite para repensar as táticas e estratégias. Não há
respostas fáceis, mas claro está enquanto o poder de convencimento de um
Bolsonaro for superior ao de um &lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/05/1450519-filosofo-lider-dos-sem-teto-saiu-de-casa-para-ser-militante.shtml&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Guilherme Boulos&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;, estaremos fodidos.&lt;/span&gt;</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2016/02/anarquismo-critica-e-autocritica-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJJQvItb-JKHuf6yyINU5okvcJjIp7DhukAdqBLXXi29zMphUYlKOCTlYcwwPGjXIlCjiIOGz7s3eIQgTkUK6YRSaMgo904goULhUOJ6f5HunW6B-0kjZiEe4a9iBp6U3PPmAl/s72-c/20160209_172628.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-5013284584569182344</guid><pubDate>Sat, 26 Dec 2015 01:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-12-28T09:27:37.926+14:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cristianismo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">paganismo</category><title>Catolicismo pagão, paganismo católico: a origem do Natal</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoxC25TlphIDnl05VVCc8X6ZfymyQBqb5Bo1_Ah_Uv7RRVfzcthS5qTSZfXWJMFAoC2GKuGNEO1wV5sENAr_9cIQBgGYRYYMgjc2XkNoe1nvTaumV70vw8g4DFERlyFt7734kr/s1600/jesus.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoxC25TlphIDnl05VVCc8X6ZfymyQBqb5Bo1_Ah_Uv7RRVfzcthS5qTSZfXWJMFAoC2GKuGNEO1wV5sENAr_9cIQBgGYRYYMgjc2XkNoe1nvTaumV70vw8g4DFERlyFt7734kr/s320/jesus.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span face=&quot;helvetica, arial, sans-serif&quot; style=&quot;background-color: white; color: #141823; font-size: 12px; line-height: 16.08px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Encontrei o texto abaixo em uma &lt;a href=&quot;https://www.facebook.com/photo.php?fbid=807898355915281&amp;amp;set=a.435466853158435.96363.100000853735391&amp;amp;type=3&amp;amp;theater&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;postagem do Facebook&lt;/a&gt;. É um texto muito bom, mesmo que demasiado superficial e incorreto em algumas partes (Mitra não era largamente cultuado em Roma, e nem a conversão de Constantino foi algo maquiavélico como fica sugerido: essa tese foi destruída por Paul Veyne em livro que já escrevi sobre &lt;a href=&quot;http://dissolvecoagula.blogspot.com.br/2012/06/in-hoc-signo-vinces-paul-veyne-e-o.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;), cumpre maravilhosamente a função de mostrar que o cristianismo - o catolicismo em especial - tem muito mais &quot;paganismo&quot; do que inicialmente aparenta.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Seria um pecado perder esse texto para a espiral de lixo que é o Facebook, então colocá-lo aqui é uma forma de deixá-lo mais facilmente acessível no futuro.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sem mais delongas, eis o texto:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Antes de fazer qualquer julgamento sobre esta imagem&lt;/i&gt;&lt;u&gt; [NOTA: a imagem referida é a que está no topo desse post]&lt;/u&gt;&lt;i&gt;, conheça a história e descobrirá que a divindade celebrada no dia 25 de dezembro não se resume ao homem Jesus, mas à fusão e incorporação de vários Deuses solares muito anteriores ao Cristo que hoje é conhecido.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Se voltássemos 2 mil anos no tempo, Roma estaria festa. Eram os preparativos para os festejos do Deus solar Mithra, o filho do grande Deus Ahura Mazda que simbolicamente vencia o Touro. Seu aniversário era celebrado nos dias 25 de dezembro, ou seja, 3 dias depois do solstício de inverno do Hemisfério Norte. Em diversas mitologias pagãs ancestrais, o solstício de inverno representava o nascimento do Deus-Sol. Afinal, é neste momento que o sol encontra-se no ponto mais distante com relação à latitude da Terra e por isto ocorre o fenômeno da noite mais longa e escura do ano. À medida que o sol vai aproximando-se de seu ponto mais alto visto a partir da Terra, ocorre o fenômeno oposto: o dia começa a ficar mais longo até que no solstício de verão ele chega ao apogeu da iluminação no dia mais longo do ano. E assim, neste ciclo infinito, os antigos comemoravam os ciclos solares com os mais variados festejos, temperados pelos elementos culturais e geográficos de cada povo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Roma sempre fora um império que promovia a tolerância e a liberdade religiosa, mas isto se tornou um problema para os planos de dominação patrícia, pois as revoltas regionais baseavam-se nas identidades oriundas das religiões provinciais. O imperador Constantino pediu que seus correlegionários pesquisassem qual seria a melhor maneira de criar uma ideologia suficientemente forte para manter as províncias romanas coesas e eles chegaram à conclusão de que o cristianismo seria uma religião adequada a tais fins, desde que devidamente adaptada.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Constantino formulou uma lenda em torno de sua conversão ao cristianismo e no ano de 325, realizou um concílio com os bispos aliados do projeto imperial. Estes bispos modificaram completamente o cristianismo, embutindo à figura de Jesus diversos elementos pagãos. Foram escolhidos 4 evangelhos para dizer a &quot;verdade incontestável&quot; da nova religião e todos os outros seriam considerados &quot;apócrifos&quot; e, portanto, proibidos, queimados e banidos sob pena de morte para os que os preservassem. Jesus, que fora um judeu reformista do século I, deveria ser completamente modificado de sua originalidade e os livros que o descreviam passaram a ser adulterados para coadná-los ao projeto romano. Nos evangelhos reinventados, foram incluídas passagens que exaltassem Roma tais como &quot;dai a César o que é de César&quot;, a lavagem de mãos de Pilatos e elementos de outros profetas ou divindades foram atribuídos a Jesus. Por exemplo, Apolônio de Tyana, o mensageiro do Deus Apolo, era conhecido por multiplicar os peixes, transformar vinho em água e ressuscitar mortos.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;O calendário oficial também começaria a ser modificado. As festas associadas aos Deuses pagãos começaram a ser cristianizadas, num processo que durou quase 2 milênios. Ao mesmo tempo em que se destruía a memória pagã, embutia seus símbolos e significados no cristianismo, a religião oficial do império, criada para atender aos interesses da elite escravocrata romana. Um banho de sangue varreu a Europa, norte da África e Oriente Médio para a imposição do cristianismo e com o édito do imperador Teodósio, todos os cultos pagãos foram proibidos, passando a ser considerado &quot;bruxaria&quot; e, portanto, passível de pena de morte.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Mas não se consegue destruir facilmente algo que está profundamente enraizado, mesmo por aqueles que tenham o monopólio das armas e da violência. Assim, era preciso desconstruir os cultos antigos e criar algo que fosse abjeto e assustador, um personagem que seria a base para a destruição dos cultos pagãos: o diabo. Este ser deveria incluir nele características dos Deuses pagãos e a referência seria o Deus greco-romano Pã, com chifre, casco e cavanhaque de bode. Pã, que era o Deus da alegria, da natureza e dos prazeres da vida, foi convertido no oposto ao Cristo inventado, que era descrito como sério, assexuado e símbolo da dominação da cidade sobre o campo. A nova entidade maléfica incorporaria também o tridente de Posseidon, o popular Deus dos mares. Pelos quatro ventos a igreja espalho que Pã morrera e que em seu lugar assumira o demônio que não tinha a beleza e a alegria do Deus-bode, mas a maldade de um ser que representava tudo que deveria ser evitado.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Com a queda do império romano, a igreja católica manteve as estruturas políticas e militares do Estado sob seu controle. Agora ela passaria a desenhar a Europa medieval à sua imagem e semelhança, implantando o feudalismo à medida que convertia reis e nobres, forçadamente ou baseada na troca de interesses. A idade das trevas estava instalada e, com as grandes navegações, chegaram ao continente americano e assim o cristianismo foi implantado para colonizar o território e submeter os índios à vontade do conquistador.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Esta imagem, portanto, resgata o &quot;Cristo&quot; verdadeiro: uma combinação de Jesus com Mithra e outras divindades solares como o Deus grego Apolo e o Deus egípcio Rá. Também reconcilia duas divindades associadas ao amor, Jesus e Pã, sendo o segundo detentor de chifres que representam a força animal, o poder natural. Esta é, portanto, a mais completa e lúcida imagem para representar o Deus Sol que morre durante o outono e renasce no solstício de inverno. É o Deus imolado, sacrificado, mas que triunfa sobre as trevas. É o Deus que ao longo do ano percorre as 12 constelações do zodíaco (a eclíptica), que pode ser chamada de 12 apóstolos. É a divindade que oferece o sangue e a carne, como fazia o Deus Dionísio. É o Deus que tem uma esposa, uma Deusa que é a Mãe-Natureza, que foi proibida de ser cultuada, pois na nova religião o que vale são as leis do patriarcado.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Mas ainda há um problema que permaneceu nisto tudo. O calendário cristão gregoriano foi criado para o hemisfério norte e enquanto lá eles celebram o inverno, aqui vivemos em pleno verão. O natal aqui deveria acontecer em torno de 24 de junho, quando se festeja o dia de São João. Para completar, o capitalismo inventou o consumismo como signo desta data e, portanto, pouco restou a originalidade desta festa.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Aos que tiverem a compreensão da natureza como sagrada e das divindades solares como representação da força criadora da vida, esta imagem é a mais bela representação do Deus que todo ano nasce, morre e ressuscita no terceiro dia após o solstício de inverno.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Créditos da imagem: Caroline Jamhour.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Algumas indicações de leitura: Do ponto de vista do mito, Mircea Eliade, Joseph Campbell e a enciclopédia chamada &quot;Mitologia: mitos e lendas de todo o mundo&quot;. Sobre o paganismo, Gerard Gardiner, Janet e Stewart Farrar, Claudiney Pietro. Historiadores romanos antigos tem o Flavius Josephus, Tito Livio e Plutarco, além do próprio Julio César. Dos contemporâneos, Paul Veyne, Jean Pierre Vernant e Moses Finley. Sobre a Europa medieval tem o Le Goff e o Perry Anderson. Filosofia: Nietzsche, Feuerbach, Russell e Marx. Há algumas publicações sobre a história das religiões e da bíblia que servem como introdutórias e também alguns compêndios da história da igreja. O volume sobre o Império Romano da História da Vida Privada possui boas referências. Um pequeno livro que vale a pena citar: &quot;O diabo no imaginário cristão&quot; de Carlos Nogueira. Por fim, &quot;O Livro Negro do Cristianismo&quot;.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Indicações de documentários:&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Os Rivais de Jesus (NatGeo); Zeitgeist (há vários erros, mas alerta para informações importantes); Augustus (sobre o Império Romano); Roma (ascenção e queda).&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2015/12/catolicismo-pagao-paganismo-catolico.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoxC25TlphIDnl05VVCc8X6ZfymyQBqb5Bo1_Ah_Uv7RRVfzcthS5qTSZfXWJMFAoC2GKuGNEO1wV5sENAr_9cIQBgGYRYYMgjc2XkNoe1nvTaumV70vw8g4DFERlyFt7734kr/s72-c/jesus.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-5301070915725518660</guid><pubDate>Tue, 30 Jun 2015 01:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2015-06-30T15:15:05.369+14:00</atom:updated><title>A inveja dos deuses</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj99-cCxJfoznss-tmzJnHDiI1T0Rw8VmzwWE_rS3yMr4Y6Fp0QUcHXlAemrmIKuBCBKKUiIgCJpyWjbcqh0Ux_yEmSjFee-jBUwa3FTu-0HeVnEJGna_wkAkdpKHPwglicGNpg/s1600/20150629_215251.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;300&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj99-cCxJfoznss-tmzJnHDiI1T0Rw8VmzwWE_rS3yMr4Y6Fp0QUcHXlAemrmIKuBCBKKUiIgCJpyWjbcqh0Ux_yEmSjFee-jBUwa3FTu-0HeVnEJGna_wkAkdpKHPwglicGNpg/s400/20150629_215251.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Abrir-se demais ao outro é visto, por muitos, como um sinal de fraqueza. Parece que é preciso guardar no mais secreto de nossos esconderijos sentimentais quais são as nossas fragilidades, quais as nossas vontades indizíveis. É assim desde a Queda: foi a inveja de Caim, guardada no zelo de seu coração amargurado, que marcou a História com o primeiro fratricídio. Caim poderia ter se aberto com o irmão, ou então com Eva ou seu pai, compartilhando suas dores invejosas – e talvez seu coração tivesse se tornado menos duro, mais tranquilo, e assim nenhum crime seria cometido. Mas também assim não teríamos o mito Caim, nem o seu oposto adocicado que é a figura de Abel.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A força de Caim vem do seu silêncio. Não diz nada, não comunga com ninguém: deixa o Athanor do ódio esquentando, lentamente, até que a temperatura se eleve ao máximo que um coração possa suportar e termine por enfim transformar-se na fúria do crime. Força como silêncio, silêncio como prova de valor.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ficar calado e nada dizer sobre as dores e temores, enfrentando-os orgulhosamente – isto parece ser o caminho óbvio da superação. E é, em vários sentidos. Do mesmo modo que os praticantes sérios de musculação não buscam aplausos a cada nova anilha colocada no supino [por “sérios” automaticamente excluo marombeiros que mais treinam a língua que os músculos, quem frequenta academias sabe do que estou falando], a força parece ser o resultado do esforço calado, sereno, sem comemorações efusivas a cada nova cicatriz que se fecha. É você contra você mesmo e nenhuma biblioteca de livros de autoajuda irá ajudar. É possível sempre partilhar mapas, ver como outros se aventuraram pelos labirintos da solidão e da dor, até mesmo pegar emprestado uma bússola – mas chega uma hora que os mapas se perdem, as paredes do labirinto mudam de lugar e o ponteiro que apontava para o Norte gira tão rápido que nem sabemos onde estamos mais. Mais uma vez, então, estamos sozinhos e apenas por nós mesmos, tendo como trilha sonora somente o som das batidas do coração.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Entendo o poder do silêncio e considero um dos maiores males do mundo de hoje justamente o vozerio incessante. Verborragia deveria ser tipificada como crime, aqueles que gritam ao invés de falar deveriam ter suas amígdalas arrancadas. Entretanto, irromper em gritos e deixar o líquido oculto do Athanor íntimo jorrar como uma explosão de verdades caladas pode não apenas ser libertador mas, também, um modo de criar laços profundos com aquele que nos ouve. Baixar a guarda, nesse caso, não nos deixa vulneráveis, prontos para sermos devastados por um direto no queixo, mas leva a uma aproximação sentimental de rara beleza. Se é horrível o choro lamuriento dos fracos, que ficam a lamentar-se o tempo todo de tudo, igualmente é desprezível o manter-se sempre calado como uma estátua – que agora passo a ver também como uma espécie de covardia, isto é, como um medo de arriscar-se a parecer ridículo, medo de não mais ser visto como uma montanha de força que a tudo vencerá, que esmagará até mesmo legiões de demônios com a sua frieza implacável. Mesmo Caim, após cometer seu abominável crime, derramou suas lágrimas, tornou-se tão pequeno e frágil quanto o angelical Abel. Talvez o ideal seja termos em nós o estoicismo capaz de suportar friamente até o limite de nossos extremos (mais 5 kg de cada lado no supino, um quilômetro a mais sem nenhum mapa) mas sempre alertas para, frente a uma alma digna, de onde recebemos um real e verdadeiro amor, sermos corajosos o suficiente para desabarmos em franco e puro desespero, liberando catarticamente as forças da amargura que preenchem os cantos obscuros de nossos segredos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E choraremos tanto, e choraremos com tanta força, que os deuses terão mais uma vez inveja de nós, humanos: nós que não sabemos o que é o tédio de ser eterno, nós que podemos nos dar ao luxo da Fragilidade.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://dissolvecoagula.blogspot.com/2015/06/a-inveja-dos-deuses.html</link><author>noreply@blogger.com (Leandro)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj99-cCxJfoznss-tmzJnHDiI1T0Rw8VmzwWE_rS3yMr4Y6Fp0QUcHXlAemrmIKuBCBKKUiIgCJpyWjbcqh0Ux_yEmSjFee-jBUwa3FTu-0HeVnEJGna_wkAkdpKHPwglicGNpg/s72-c/20150629_215251.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>