<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200</id><updated>2024-12-19T00:24:32.168-03:00</updated><category term="regular"/><category term="sonho"/><category term="trivial"/><category term="escrita"/><category term="internet"/><category term="lendo"/><category term="literatura"/><category term="música"/><category term="viagem"/><title type='text'>Domovique</title><subtitle type='html'>Este é um blog pessoal para registro de fatos cotidianos, descobertas internéticas, reflexões aleatórias, sonhos estranhos, memórias singelas e, com sorte, pequenos trabalhos de ficção. Não contém ironia.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>21</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-2218521368659407195</id><published>2018-01-12T18:05:00.004-02:00</published><updated>2021-02-20T09:44:25.722-03:00</updated><title type='text'>O mar</title><content type='html'>Tive o sonho mais estranho essa noite. Nele eu estava à beira-mar numa cidade que não é a minha cidade atual. Estava no calçadão ao lado de uma avenida movimentada.&amp;nbsp;As pessoas se locomoviam pelo mar. Elas usavam um meio de transporte que, se não me engano, se chamava dragão marinho. Era como um cavalo nadador, sem patas, em que se montava e se cavalgava por cima das ondas, margeando a avenida movimentada. De certo era mais rápido ou mais conveniente ou saudável ou elegante ou mesmo divertido do que os outros meios de transporte, porque muitas pessoas usavam os dragões marinhos, algumas de roupas social e outras de roupas esportivas e aproveitando a manhã porque estava nublado mas não chovia. Eu observava do calçadão com as mãos nos bolsos quando reparei que em um dos dragões marinhos vinha montado um assaltante. Armado. Ele estava cercado de outros bandidos que se moviam rápido pelo mar com outros dragões marinhos. Eram uma quadrilha de assaltantes sobre dragões marinhos que queriam roubar os dragões marinhos das outras pessoas. Por exemplo: num desses dragões marinhos do crime vinham dois jovens, como se um carregasse o outro no cano de uma bicicleta, que armavam um ataque contra um casal distraído que passeava em roupas esportivas. O primeiro assaltante, aquele com a arma na mão, se aproximava agora de um senhor japonês e dava voz de assalto. O senhor japonês parecia muito atrasado — em alta velocidade, o cabelo ao vento, ele vestido num terno cinza e levando na mão&amp;nbsp;uma pasta preta de couro — e não quis largar o dragão marinho. O assaltante então chegou bem perto do senhor japonês e lhe encostou na cabeça a arma. Era uma pistola preta. Isso tudo em movimento, as ondas batendo, a água respingando, a cena chamando agora a atenção dos transeuntes. Como o senhor japonês não queria largar o dragão marinho, o assaltante puxou o gatilho. A arma fez um estouro que se ouvia da avenida. O senhor japonês tombou de cara na água no mesmo instante, o sangue pintando o mar que até então estava meio cinza. O assaltante jogou uma corda no pescoço do dragão marinho para levá-lo consigo para longe. Na calçada ao meu lado eu ouvia as pessoas que tinham parado para olhar o assalto. Estavam também apreensivas e comentavam: &lt;i&gt;&quot;Meu Deus! É por isso que a gente nunca deve reagir a um assalto! Coitado do senhor japonês! Que mundo é esse em que a gente vive! Alguém chama a polícia sem falta!&lt;/i&gt;&quot;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/2218521368659407195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2018/01/o-mar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/2218521368659407195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/2218521368659407195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2018/01/o-mar.html' title='O mar'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-7206193608269181912</id><published>2017-09-16T17:48:00.000-03:00</published><updated>2017-10-19T14:16:54.987-02:00</updated><title type='text'>Em toda parte</title><content type='html'>A morte está em toda a parte: muitas das folhas que cobrem as florestas e as cidades estão mortas, assim como o estão os muitos insetos que encontramos em casa e fora dela; morto estará um artrópode que apareça na sala de uma família na hora da novela; a mesa do jantar, do almoço, às vezes do café da manhã; os pássaros caídos na rua; os cães atropelados nas rodovias; as placas de trânsito com instruções sobre velocidade máxima ou informações sobre a localização de sítios de inscrições rupestres; os rabos de lagartixas nos batentes de portas; as estrelas que vemos no céu noturno quando não está muito úmido, elas talvez estejam mortas; os deuses aos quais ocasionalmente rezamos; as pessoas com quem conversamos por livros, sonatas e canções: muitas delas estão mortas, e com todas essas coisas nós topamos no decorrer de um único dia, pois naturalmente tudo aquilo que está morto excede por uma necessidade mesmo matemática a totalidade do que está vivo.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/7206193608269181912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2017/09/em-toda-parte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/7206193608269181912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/7206193608269181912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2017/09/em-toda-parte.html' title='Em toda parte'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-5950826634484193449</id><published>2017-09-16T16:39:00.003-03:00</published><updated>2017-09-16T16:39:30.239-03:00</updated><title type='text'>Morte dos manjericões que não têm me servido de alimento</title><content type='html'>Já quase morreram os pés de manjericão. Dos quatro que vieram para o novo apartamento no começo do ano, três sobreviveram, depois de se conformarem com as novas condições. Pegam pouco sol porque na sacada quase não bate sol. O posicionamento do apartamento é todo errado, e mesmo as pessoas só podem pegar sol às beiras de algumas janelas em curtos intervalos das manhãs não nubladas. Uma pimenteira morreu em menos de um mês de endereço novo, mas os pés de manjericão persistem, e já estão aqui há seis meses. De uns tempos pra cá, parei de regá-los diariamente, às vezes passo três ou quatro dias sem regá-los, e talvez até mais tempo, e só faço a rega quando, sentado no sofá, geralmente lendo, com sono e bem alimentado, levanto meus olhos do texto e, ao olhar para a sacada, me comovo ao ver as folhinhas murchas penduradas dos galhinhos tortos e os muitos restos de vegetação espalhados pelo piso. O problema é que não tenho mais uma rotina de cuidado com eles. É muita coisa para cultivar ao mesmo tempo. E também porque tenho usado menos o ar condicionado da sala, cuja mangueira de drenagem alimentava um regador dos bem grandes que fica no canto da sacada, garantindo sempre uma água de fácil distribuição para as plantas, mas também propícia ao mosquito da dengue, enfim. Então agora uma parte relativamente grande da dificuldade é que, para regar as plantas, preciso primeiro pegar água na cozinha, e a distância da cozinha é a maior do que a distância entre a cozinha e a sacada do apartamento em que foram plantados os manjericões e toda a vizinhança leguminosa, e quando me ocorre de ver os manjericões e não estar sentado é porque estou fazendo alguma coisa que deveria ter sido feita há algumas horas e já atrasa outras tarefas que com determinação eu consigo fazer ainda no mesmo dia. O manjericão ao morrer vai perdendo as folhas, que murcham, amarelam e rareiam ao mesmo tempo em que, nas pontas dos galhos, surgem filas de flores e sementes protegidas por bulbos muito verdes e aveludados, que parecem sugar toda a vitalidade que resta da planta moribunda. E eu, o artífice do manjericão, dou-lhe de beber, corto as filas de sementes e flores e espero com isso dar-lhe sobrevida e talvez algum alívio. As sementes e flores eu uso de adubo aos pés da planta, e às vezes receio que haja neste gesto algo de canibal e especialmente sádico.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/5950826634484193449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2017/09/morte-dos-manjericoes-que-nao-tem-me.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5950826634484193449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5950826634484193449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2017/09/morte-dos-manjericoes-que-nao-tem-me.html' title='Morte dos manjericões que não têm me servido de alimento'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-5133470624274317487</id><published>2017-08-24T16:00:00.002-03:00</published><updated>2017-10-19T14:16:37.022-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="sonho"/><title type='text'>Exortação</title><content type='html'>Sonhei com a minha filha Irina: tinha nascido há poucos dias mas já era um bebê bem gordo e grande que engatinhava pela mesa da cozinha e tentava tocar a a cafeteira Moka, que felizmente já estava fria. Com poucos dias já balbuciava: tinha uma voz grave e, embora mal pudesse diferenciar os pares básicos de fonemas, formava frases, sempre em resposta a alguma coisa que eu tinha feito ou deixado de fazer. Por fim me olhava com a cabeça enorme e os olhos austeros e me exortava: &quot;Se você estivesse prestando atenção, agora já saberia&quot;.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/5133470624274317487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2017/08/linguagem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5133470624274317487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5133470624274317487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2017/08/linguagem.html' title='Exortação'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-9165563964174540552</id><published>2017-08-24T15:50:00.002-03:00</published><updated>2018-10-19T14:06:32.620-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="sonho"/><title type='text'>Dentes</title><content type='html'>Pouco depois de tirar o aparelho ortodôntico, uma jovem dormiu sem a contenção e acordou com a mordida desconjuntada: os dentes retorcidos como se por um abridor de lata. Era-lhe quase impossível falar. Tentou usar os dedos para recolocar os dentes no lugar, e eles, os dentes, pareciam voltar a uma posição mais isonômica. A jovem, contudo, fez força demais e acabou quebrando oito dos seus dentes, que se desprenderam de modo indolor da gengiva inferior e da gengiva superior. Os dentes caíram no chão do banheiro. A jovem os recolheu com uma vassourinha, os colocou no bolso da calça de moletom e saiu de casa, numa vila chuvosa de altos pinheiros, à procura de algum dentista que pudesse reimplantar-lhe os dentes. Mas era cedo ainda, umas seis da manhã, e por isso não encontrou pessoa alguma apta a efetuar o reparo dentário.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/9165563964174540552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2017/08/dentes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/9165563964174540552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/9165563964174540552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2017/08/dentes.html' title='Dentes'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-7994846038158827358</id><published>2017-06-27T09:08:00.002-03:00</published><updated>2018-10-24T15:42:34.570-03:00</updated><title type='text'>O Tigre</title><content type='html'>(“&lt;a href=&quot;https://en.wikisource.org/wiki/The_Tyger_(1794)&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;The Tyger&lt;/a&gt;”, de William Blake. 1794.)&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZc1Nw3_G4dH2NqLNlwOAZ_uJB6ZrRdSxp7RRltExVKxCqMjT7pCONtZoBLgM2RlLvJvNUahPKawH45oKg4asFqmbSC3VqvLjkHG4miV8kwZhdgrWUZmNJhQX4b7kAH5uafkW0IO_JHGv_/s1600/The_Tyger_BM_b_1794.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZc1Nw3_G4dH2NqLNlwOAZ_uJB6ZrRdSxp7RRltExVKxCqMjT7pCONtZoBLgM2RlLvJvNUahPKawH45oKg4asFqmbSC3VqvLjkHG4miV8kwZhdgrWUZmNJhQX4b7kAH5uafkW0IO_JHGv_/s1600/The_Tyger_BM_b_1794.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1342&quot; data-original-width=&quot;786&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZc1Nw3_G4dH2NqLNlwOAZ_uJB6ZrRdSxp7RRltExVKxCqMjT7pCONtZoBLgM2RlLvJvNUahPKawH45oKg4asFqmbSC3VqvLjkHG4miV8kwZhdgrWUZmNJhQX4b7kAH5uafkW0IO_JHGv_/s400/The_Tyger_BM_b_1794.jpg&quot; width=&quot;233&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Tigre tigre, que arde e brilha&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em noite funda, negra trilha&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que olho, eterna maestria&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fez tal terrível simetria?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que fosso ou limbo estelar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fundiu em chamas teu olhar?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E com que asas se lançava&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que audaz fogo tomava?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem com traço tão perfeito&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fez as fibras do teu peito?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E quando o sangue então correu&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que feros pés e mãos ferveu?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E que martelo, que correia,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que forno a mente incendeia?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em que bigorna tanto horror&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bate as medidas do terror?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o cosmo todo espanto&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O céu cobriu de lança e pranto&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sorriu ele, ao ver-te inteiro?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fez-te o mesmo do cordeiro?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tigre tigre, que arde e brilha&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em noite funda, negra trilha&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que olho ou eterna maestria&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ousou terrível simetria?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/7994846038158827358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2017/06/o-tigre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/7994846038158827358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/7994846038158827358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2017/06/o-tigre.html' title='O Tigre'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZc1Nw3_G4dH2NqLNlwOAZ_uJB6ZrRdSxp7RRltExVKxCqMjT7pCONtZoBLgM2RlLvJvNUahPKawH45oKg4asFqmbSC3VqvLjkHG4miV8kwZhdgrWUZmNJhQX4b7kAH5uafkW0IO_JHGv_/s72-c/The_Tyger_BM_b_1794.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-3194860878975390651</id><published>2017-06-26T23:33:00.001-03:00</published><updated>2017-06-27T08:47:41.782-03:00</updated><title type='text'>Todo animal é um esteta</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot;&gt;
Um leitor desavisado vai se decepcionar com At the Mountains of Madness. O transtorno não vem do que se encontra, mas das faltas. O leitor regular vai ficar o tempo todo se perguntando &quot;O que ele viu? O que aconteceu? Quem são esses bichão?&quot;. Algo está sempre para acontecer. O horror deve vir da percepção crescente de que a Terra talvez seja mais velha, fria, feia e perversa do que as paisagens conhecidas. A Terra tem recantos obscuros que assim permaneceram por milênios simplesmente porque ninguém estava olhando: basta prestar atenção a um objeto para que ele comece a se transformar. O mais grosseiro dos seres humanos ainda é, enquanto baba, peida e arrota, um delicado jardineiro. Todo animal é um esteta.&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/3194860878975390651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2017/06/todo-animal-e-um-esteta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/3194860878975390651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/3194860878975390651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2017/06/todo-animal-e-um-esteta.html' title='Todo animal é um esteta'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-8520215530135844719</id><published>2016-11-15T22:41:00.001-02:00</published><updated>2016-11-16T09:28:05.939-02:00</updated><title type='text'>Plantar é muito bom</title><content type='html'>Aliás, plantar é muito bom. Não sei no campo, mas em apartamento, assim na sombra e com água potável do lado é uma delícia. Botar mão na terra, encardir a unha que depois vai dar trabalho pra limpar, fazer bolinha de húmus com folha em decomposição, regar muda,&amp;nbsp;transplantar muda, salvar muda que caiu do berçário, ter delírio e devaneio de autossuficiência e de plantar num hectare todo. O único problema é que, depois, qualquer outro trabalho parece muito desinteressante.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/8520215530135844719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/11/plantar-e-muito-bom.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/8520215530135844719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/8520215530135844719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/11/plantar-e-muito-bom.html' title='Plantar é muito bom'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-8201799459077436682</id><published>2016-11-15T22:05:00.001-02:00</published><updated>2016-11-15T22:13:38.519-02:00</updated><title type='text'>Aprendizado hortelão</title><content type='html'>Umas perdas com aprendizados na horta da sacada. As beterrabas e as cenouras não foram pra frente. Provavelmente uma combinação de solo inadequado com falta de espaço e de sol. Era só um experimento pra ver se dava alguma coisa com pouco espaço e pouco sol. Não deu. Talvez com muita irrigação e adubação e sol pleno eu pudesse conseguir umas cenourinhas como as que vendem na feira de orgânicos. Os tomates Carolina também iam mal: tinham muito espaço mas pouco sol. Então os transplantei para a jardineira em que eu tentava cultivar minibeterrabas — pequena e estreita para caber no parapeito onde tenho algum sol pela manhã. Vou tentar cultivá-los como rasteiros, mesmo, sem suporte de bambu:&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhXj5hHVHtlcO8tUblR57WHS5gY_Plt4Q1d2B-3QyDnFKUHAGmJfrBwkkqO6inDgjQbKoLygkgQGDr8WRfrUCoduxxXqpuPn7BKMDtWa6xJ0kzzcLRFlP1mxIctpNfUApqjB6WqBfvrtKe0/s1600/IMG_20161115_210945.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhXj5hHVHtlcO8tUblR57WHS5gY_Plt4Q1d2B-3QyDnFKUHAGmJfrBwkkqO6inDgjQbKoLygkgQGDr8WRfrUCoduxxXqpuPn7BKMDtWa6xJ0kzzcLRFlP1mxIctpNfUApqjB6WqBfvrtKe0/s320/IMG_20161115_210945.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
E para uma outra jardineira eu transplantei dois pés de manjericão e, no meio, um pé de tomate. Já é quase uma pizza:&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipvZ24FitM9lH7Xr9rYz3MYuPP-UwBs1Yk0bsmrSQK61OOschLksOrsuHSivB25tX3Q9JfHlciXcm9RWZeWI2E63sgq9-a86fI4cZErgxrik5qeviGcyl25UWEFXnQUU0FOaiPQNVmvzx-/s1600/IMG_20161115_210126.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipvZ24FitM9lH7Xr9rYz3MYuPP-UwBs1Yk0bsmrSQK61OOschLksOrsuHSivB25tX3Q9JfHlciXcm9RWZeWI2E63sgq9-a86fI4cZErgxrik5qeviGcyl25UWEFXnQUU0FOaiPQNVmvzx-/s320/IMG_20161115_210126.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
No vaso à esquerda tem cebolinha, à direita tem outro manjericão, que pode ser Gennaro ou alfavaca (minha nomenclatura grosseira pra folha grande e folha pequena). Ainda não dá pra diferenciar pelas folhas nesse tamanho. No berçário eu tinha plantado duas alfavacas e dois Gennaro, mas só de uma das espécies vingaram duas sementes.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Não sei se nada disso vai funcionar. Não sei se é prudente botar um tomate no meio dos manjericão — provavelmente não, mesmo que eu pretenda botar ali um suporte de bambu para as primeiras fases. Eu poderia encontrar essas informações rapidamente numa busca na internet ou num livro especializado, mas estou medindo outras coisas ainda, como irrigação, adubação, quantidade de sol, espaço, etc. Não é um experimento comercial e nem dependo disso pra comer, então não tenho muito a perder além da paciência. Quero ver, por exemplo, se a muda do tomate chega a crescer um pouco mais recebendo um pouco mais de sol, estando no parapeito e não no chão. Tenho uma muda de controle num vaso no chão, que vou continuar irrigando pra depois poder comparar com a muda do parapeito.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Aprender essas coisas na experimentação e sem ler nada nem conversar com quase ninguém nem ter espaço nem muito tempo é trabalhar numa ignorância mais profunda que tentar reinventar a roda; é meio que tentar reinventar a agricultura (que já pode ter sido uma má ideia da primeira vez) com a mentalidade de uma criança de jardim da infância: &lt;i&gt;EU&lt;/i&gt; quero mexer na terra, &lt;i&gt;EU&lt;/i&gt; quero semear, &lt;i&gt;EU &lt;/i&gt;quero ver desse outro jeito, &lt;i&gt;EU EU EU&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
A vantagem é que você se sente um pouquinho, bem pouquinho, como um Homem Primitivo, totalmente intrigado por coisas bem simples da natureza, como solo, luz, água, vento, noite, insetos, fungos, calor. É lindo perceber a palpabilidade desse mundo orgânico do qual a minha carcaça faz parte. Mas também é depret perceber que, no intervalo de uma ou duas gerações, plantar um pé de tomate seja motivo de assombro ou fracasso. Árvores sintáticas podem ser úteis, mas também quero plantar tomate.&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/8201799459077436682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/11/aprendizado-hortelao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/8201799459077436682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/8201799459077436682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/11/aprendizado-hortelao.html' title='Aprendizado hortelão'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhXj5hHVHtlcO8tUblR57WHS5gY_Plt4Q1d2B-3QyDnFKUHAGmJfrBwkkqO6inDgjQbKoLygkgQGDr8WRfrUCoduxxXqpuPn7BKMDtWa6xJ0kzzcLRFlP1mxIctpNfUApqjB6WqBfvrtKe0/s72-c/IMG_20161115_210945.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-377808372996439974</id><published>2016-10-15T20:00:00.001-03:00</published><updated>2016-10-15T20:32:24.743-03:00</updated><title type='text'>Amigos Químicos</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;http://www.kemiallisetystavat.com/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Kemialliset Ystävät&lt;/a&gt; é o nome de um projeto musical do finlandês&amp;nbsp;Jan Anderzén, que, com colaboradores, compõe e grava experimentalismos desde 1995. Eu tinha algumas músicas perdidas numa pasta de música muy criativamente intitulada &quot;folk&quot; há aproximadamente 10 anos, mas nunca tinha parado pra ouvir. Botava pra tocar uma vez ou outra mas tirava porque a sonoridade provavelmente não correspondia ao estado emocional em que eu me encontrava ou que desejava provocar, como se tivesse um simulador de emoções de &lt;i&gt;Do Androids Dream of Electric Sheep&lt;/i&gt;? Mas últimas semanas eu passei ouvindo um disco mais recente deles, o&amp;nbsp;Alas Rattoisaa Virtaa, lançado em 2014, que tem esta belíssima capa e pode ser ouvido no Spotify ou no &lt;a href=&quot;https://dekorder.bandcamp.com/album/alas-rattoisaa-virtaa&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Bandcamp da gravadora&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHAZrl0RXr4_zWf1bJ_wbSMTaryHKG5K1vVVZ7_KcQ8EfX3Gm_6ie4JliDVR0LkAvFM7uLwRcqODsWYzPWrQskF187GTDkVpe5GFwoQr4I0vCsNKA_Km6XNN9jM8Ohqg9wjqatpV5cNB6y/s1600/alas.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;314&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHAZrl0RXr4_zWf1bJ_wbSMTaryHKG5K1vVVZ7_KcQ8EfX3Gm_6ie4JliDVR0LkAvFM7uLwRcqODsWYzPWrQskF187GTDkVpe5GFwoQr4I0vCsNKA_Km6XNN9jM8Ohqg9wjqatpV5cNB6y/s320/alas.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
O fato é que tive vários momentos proustianos com esse disco: me peguei devaneando sobre a natureza da música, das notas, dos timbres, da relação entre eles. Fiquei pensando no quanto determinadas frases melódicas que ouvimos pela primeira vez interagem com nosso aparato sensorial de modos únicos e imprevisíveis, sendo capazes, essas frases específicas, de gerar no aparato sensorial algumas reações também específicas de prazer, defesa, curiosidade, nostalgia, mas principalmente o prazer da surpresa do primeiro contato de algo bastante efêmero no tempo, que se dissolve em poucos segundos, deixando nos neurônios uma sensação de que foram tocados por algo fluido, aerado, fugidio, como um vento que nos deixa no braço um arrepio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma propriedade que sempre me chamou a atenção nas poucas coisas que ouvi de música erudita foi que elas não se apoiavam tão diretamente em repetição, mas buscavam explorar uma diversidade de texturas e estados emocionais, geralmente com transições longas de um estado para outro, às vezes alcançando um retorno ou resolução de conflito, como numa narrativa, mas proporcionando alguns desses prazeres efêmeros de poucos segundos que se dissolvem e deixam na memória um retrogosto distinto. Raras vezes tive paciência pra sentar e ouvir música erudita, e lamento minha ignorância nesse universo, pois parece riquíssimo. Mas divago, não é disso que quero falar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos Ystävätt não há quase nada de clássico, erudito, tradicional — pelo menos não na superfície. Se levei 10 anos pra ouvir, agora naturalmente vou ter dificuldade pra descrever. Mas me dou a liberdade de definir a música como uma demência muito deliciosa. É uma colagem eletrônica de uma miríade de timbres e linhas melódicas e rítmicas que vão se insinuando de forma bem caótica nos poucos minutos que compõem cada faixa. Sendo um trabalho experimental, tem pouca fórmula aparente. Como estamos na internet, vou me dar a liberdade de botar aqui um vídeo (&quot;Arkistorotat&quot;) e tentar uma descrição ao mesmo tempo e pra imaginar que algumas dessas observações possam ser generalizadas como descrição do que fazem (ou do que podem fazer) os Amigos Químicos (segundo o Google Translate, essa é a tradução de &quot;Kemialliset Ystävät&quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; class=&quot;YOUTUBE-iframe-video&quot; data-thumbnail-src=&quot;https://i.ytimg.com/vi/dyHQSofzGBc/0.jpg&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;266&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/dyHQSofzGBc?feature=player_embedded&quot; width=&quot;320&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Começa a música e somos jogados numa sequência de frases rápidas que lembram melodias de videogame em loop, acompanhadas por um bumbo. Esses timbres que parecem videogames ou brinquedos eletrônicos em geral são muito frequentes no álbum, no projeto, no folk finlandês contemporâneo e no folk estranho em geral. Vários artistas inclusive gravam os sons dos próprios brinquedos de infância e usam esses sons nas composições, o que é um negócio bem bonito e cheio de potencial pra significados intimistas e um pouco de transtorno compartilhado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, em menos de quinze segundos, surgem na música palmas, um jogral de adolescentes, uma cuíca?, um chocalho, um flautim serpentinado, um theremin tagarela, um órgão, um baixo e outros elementos sintetizados que vão se pronunciando e se ocultando em intervalos pouco fixos mas que dão a sensação de uma ciranda com alguma regularidade em torno de um mastro imaginário (as crianças? o bumbo? outra coisa? ou nenhum centro, com cada um girando só?).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos 70 segundos (1:10 no vídeo), surgem umas cornetas desafinadas que parecem propor um tema meio épico para a peça; sintetizadores compram e repetem a ideia, e quem está no canto da sala até chega a preparar um campo harmônico pra esse tema. Mas logo o pessoal parece desistir e não concordar com a proposta épica talvez por julgá-la sisuda ou pomposa demais. Entra uma breve comitiva de marimbas, crianças brincando de lutinha e sanfonas com movimentos dissonantes, como se testando um movimento ou conferindo a afinação. Esse interlúdio informal dura 40 segundos e é seguido pela volta dos protoépicos e desafinados sintetizadores cornetoides, que por fim parecem convencer os convivas a executar brevemente o tema marchante numa conversa rápida com theremin e companhia. Tudo se abafa abruptamente e se encolhe às palmas e por fim acaba num um theremin mais grave, lúgubre, que no álbum deságua num tema bem mais geométrico e em tons menores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As outras peças são bem diferentes e seria torturante tentar descrever mais do que uma faixa. Mas está sempre lá o elemento de surpresa, de você não saber o que pode aparecer na esquina dos próximos dez segundos — e como, e por que, e de onde, e com quem, e que diabo significa aquilo e é claro que significa muita coisa mas também não significa nada e caramba tem um sapo coaxando aqui? Às vezes algumas frases se repetem e os elementos delas parecem concordar numa dança gramatical transitória, efêmera, que dura assim uns três ou quatro segundos e logo se dissolve no caos e segue o baile. É muita física quântica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ouve aí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; class=&quot;YOUTUBE-iframe-video&quot; data-thumbnail-src=&quot;https://i.ytimg.com/vi/0BWMZmgrn8Y/0.jpg&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;266&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/0BWMZmgrn8Y?feature=player_embedded&quot; width=&quot;320&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;img src=&quot;file:///D:/imagem/blog/alas.jpg&quot; style=&quot;-webkit-user-select: none;&quot; /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/377808372996439974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/10/amigos-quimicos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/377808372996439974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/377808372996439974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/10/amigos-quimicos.html' title='Amigos Químicos'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHAZrl0RXr4_zWf1bJ_wbSMTaryHKG5K1vVVZ7_KcQ8EfX3Gm_6ie4JliDVR0LkAvFM7uLwRcqODsWYzPWrQskF187GTDkVpe5GFwoQr4I0vCsNKA_Km6XNN9jM8Ohqg9wjqatpV5cNB6y/s72-c/alas.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-4726703194974632678</id><published>2016-01-27T07:35:00.000-02:00</published><updated>2016-02-08T13:32:16.471-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="regular"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="viagem"/><title type='text'>Notas sobre férias</title><content type='html'>Nesse verão eu decidi fazer algo de diferente. Decidi ficar&amp;nbsp;na minha casa, que não tem piscina, tomando meus bons cafés e aproveitando a&amp;nbsp;trégua da chuva para observar com atenção os diferentes tons de azul do céu&amp;nbsp;insular: a cor varia de acordo com a umidade e as finas camadas de nuvem que estão sempre por aqui. É um azul mais fraco e muito diferente do típico céu&amp;nbsp;continental, que ainda me dá saudades ocasionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;figure class=&quot;tmblr-full&quot; data-orig-height=&quot;1152&quot; data-orig-width=&quot;2048&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; data-orig-height=&quot;1152&quot; src=&quot;http://41.media.tumblr.com/296a18bebd540062ff4b506721d981cc/tumblr_inline_o1mg1jzjWo1smmq00_540.jpg&quot; data-orig-width=&quot;2048&quot; /&gt;&lt;/figure&gt;&lt;br /&gt;
Tento ir à praia mas não dá certo: com a intenção de passar&amp;nbsp;quatro horas lendo, tenho muita dificuldade para cravar na areia um guarda-sol&amp;nbsp;e me sentar numa cadeira de plástico. Em poucos minutos aparece um casal&amp;nbsp;arrastando quilos de tralha de praia. Primeiro montam uma barraca e várias cadeiras; logo chegam crianças e outros adultos que vão despejando seus&amp;nbsp;pertences ao lado e embaixo do meu guarda-sol; montam outro guarda-sol e outras&amp;nbsp;cadeiras. Todos falam alto em espanhol e parecem ter uma noção de espaço&amp;nbsp;pessoal muito diferente daquela com a qual estou acostumado. Desmonto o meu&amp;nbsp;guarda-sol, afasto minha cadeira em um metro e eles tomam a área na qual eu me sentava. Agem com uma naturalidade invejável. A maré sobe e engole a faixa de&amp;nbsp;areia em poucos minutos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Poucos dias depois, N. e eu subimos a serra para acampar&amp;nbsp;durante um final de semana. Levo a barraca barata que comprara só para ver se&amp;nbsp;esse contato um pouco (mas não muito) mais íntimo com a natureza é desejável,&amp;nbsp;tolerável, viável. Logo percebo que esqueci em casa itens importantes como as lanternas de dínamo e outros cacarecos de acampamento, como talheres leves e&amp;nbsp;uma imitação de canivete suíço, e lamento. Em Urubici, trato de providenciar&amp;nbsp;uma lanterna para que naquela noite eu tenha por fim a chance de terminar de&amp;nbsp;ler A divina paródia. Durmo muito fácil e acordo com os pés congelando às três da manhã para buscar um cobertor que ficou no carro. De manhã, está uns doze graus Celsius.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;figure class=&quot;tmblr-full&quot; data-orig-height=&quot;1152&quot; data-orig-width=&quot;2048&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; data-orig-height=&quot;1152&quot; src=&quot;http://41.media.tumblr.com/bcbc868f6ef3a23942e7c175ff823f2f/tumblr_inline_o1mg3q0CnP1smmq00_540.jpg&quot; data-orig-width=&quot;2048&quot; /&gt;&lt;/figure&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Urubici pouco mudou nos últimos dois anos. Um produtor de mel abriu uma loja na rodovia, algumas ruas foram asfaltadas, uma sorveteria fechou, inauguraram um Sesc bonito com alguns livros bons à vista e comida barata para almoço e jantar. O resto parece igual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;figure class=&quot;tmblr-full&quot; data-orig-height=&quot;1836&quot; data-orig-width=&quot;3264&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; data-orig-height=&quot;1836&quot; src=&quot;http://41.media.tumblr.com/6c5b7538de3cd4a29133744fde3c2f13/tumblr_inline_o1mgl4hQzD1smmq00_540.jpg&quot; data-orig-width=&quot;3264&quot; /&gt;&lt;/figure&gt;&lt;br /&gt;
Urubici se anuncia num outdoor como “terra de belas paisagens” e isso é verdade. O município tem muitas cachoeiras, montanhas verdes, formações rochosas peculiares e ancestralíssimas, inscrições rupestres, cavernas, grutas etc. Fotografadas, essas paisagens dão ótimos cartões postais ou retratos para amigos e familiares. Vistas pessoalmente, se acoplam à rede neuronal do observador com uma adesividade que certamente só se afrouxará quando desgastada por processos biológicos mui corrosivos. Mas talvez por serem tão peculiares e distintas e memoráveis e observadas com tamanho deslumbre, não impressionam tanto na segunda visita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isso, o que eu mais queria fazer era uma caminhada de&amp;nbsp;nove quilômetros que começa e termina na SC-370 a aproximadamente dois&amp;nbsp;quilômetros da Esquina, na localidade conhecida como Invernadouro, Invernadeiro ou algo assim:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;figure class=&quot;tmblr-full&quot; data-orig-height=&quot;626&quot; data-orig-width=&quot;1058&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; data-orig-height=&quot;626&quot; src=&quot;http://41.media.tumblr.com/8211dbe6edeffaf68ddf4629242a4bb8/tumblr_inline_o1mg51vogT1smmq00_540.jpg&quot; data-orig-width=&quot;1058&quot; /&gt;&lt;/figure&gt;&lt;br /&gt;
Não é trilha, não há turistas nem comércios: é estrada de&amp;nbsp;chão batido com pequenas propriedades rurais, animais domesticados, igrejinhas,&amp;nbsp;vespas e duas pontes, uma para cada vez que se cruza o Rio Canoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;figure class=&quot;tmblr-full&quot; data-orig-height=&quot;1152&quot; data-orig-width=&quot;2048&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; data-orig-height=&quot;1152&quot; src=&quot;http://40.media.tumblr.com/473193647b7407731a441492b3e4d022/tumblr_inline_o1mgm492U21smmq00_540.jpg&quot; data-orig-width=&quot;2048&quot; /&gt;&lt;/figure&gt;&lt;br /&gt;
Caminha-se&amp;nbsp;esse trecho com tranquilidade em duas horas, incluindo tempo para parar, tomar&lt;br /&gt;
água e descansar na sombra e banhar-se no rio de água gelada mesmo nos dias&amp;nbsp;mais quentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;figure class=&quot;tmblr-full&quot; data-orig-height=&quot;1152&quot; data-orig-width=&quot;2048&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; data-orig-height=&quot;1152&quot; src=&quot;http://36.media.tumblr.com/19857a26d2b04e742a78c4e0ad58a47b/tumblr_inline_o1mgrpJJru1smmq00_540.jpg&quot; data-orig-width=&quot;2048&quot; /&gt;&lt;/figure&gt;&lt;br /&gt;
É uma área rural muito atrativa e quase chego a ter vontade de comprar um sítio (é barato), envelhecer e morrer por ali.&lt;br /&gt;
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&lt;figure class=&quot;tmblr-full&quot; data-orig-height=&quot;1152&quot; data-orig-width=&quot;2048&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; data-orig-height=&quot;1152&quot; src=&quot;http://40.media.tumblr.com/5329e175a1e90cf441eec252252b98a6/tumblr_inline_o1mg64TSO71smmq00_540.jpg&quot; data-orig-width=&quot;2048&quot; /&gt;&lt;/figure&gt;&lt;br /&gt;
Também é um local&amp;nbsp;onde se faz amizade com relativa facilidade. Este camarada, por exemplo, ficou muito contente&amp;nbsp;e à vontade com a visita que recebeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;figure class=&quot;tmblr-full&quot; data-orig-height=&quot;1920&quot; data-orig-width=&quot;2560&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; data-orig-height=&quot;1920&quot; src=&quot;http://41.media.tumblr.com/2b90e0f0d2e047395e841c6060289b99/tumblr_inline_o1mga3XTSR1smmq00_540.jpg&quot; data-orig-width=&quot;2560&quot; /&gt;&lt;/figure&gt;&lt;br /&gt;
Depois fui a São Paulo, onde visitei minha irmã que neste mês faz vinte anos, comprei 13 kg de livros na região central, vi uma cigana vestida com trapos cinzas fazendo um ritual com dois ramos de folhas verdes ao lado de um carro perto do Terminal Rodoviário do Tietê, comi num apertado restaurante japonês &lt;i&gt;japonês mesmo&lt;/i&gt;&amp;nbsp;da Liberdade que parecia cenário caótico do Takashi Miike, ganhei três ótimas e perigosíssimas facas dos meus sogros, jantei numa cantina italiana que parecia uma funilaria com camisetas de vários clubes de futebol penduradas no teto e uma foto do Sidney Magal na saída, cruzei a avenida Rebouças numa bicicleta do Itaú e por fim conheci o serviço do Uber no carro de uma senhora que, com muita habilidade e cortesia, dirigiu até o aeroporto de Guarulhos debaixo de uma tempestade tropical numa viagem muito mais confortável, rápida e barata do que uma viagem semelhante feita num táxi ou num ônibus.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/4726703194974632678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/01/notas-sobre-ferias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/4726703194974632678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/4726703194974632678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/01/notas-sobre-ferias.html' title='Notas sobre férias'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-5739241912794556387</id><published>2016-01-10T11:21:00.000-02:00</published><updated>2016-02-08T11:24:55.201-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="escrita"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="literatura"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="regular"/><title type='text'>Será se é romance?</title><content type='html'>&lt;p&gt;Nesse janeiro faz três anos que tive uma ideia prum romance. Anotei algumas epifanias e as guardei sem escrever nada. Nos últimos meses, topei com essa ideia mexendo em arquivos antigos enquanto testava o ótimo programa de escrita &lt;a href=&quot;http://writemonkey.com&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;WriteMonkey&lt;/a&gt;. Seria um romance que eu gostaria muito de ler — principalmente se alguém se desse ao trabalho de escrevê-lo por mim. Acho que é um bom presságio de que a pessoa não enfrentará a desagradável sensação de começar a escrever um troço, dedicar uns quarenta e oito dias de trabalho relativamente árduo e, numa manhã qualquer, ler a história toda e pensar &lt;i&gt;nossinhora que bagulho chato. &lt;/i&gt;Não que tenha acontecido comigo. Mais de uma vez? De jeito nenhum.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas desse romance eu gosto. Talvez por não ter escrito nada. A premissa me soa completa, o ambiente é Santa Catarina, os personagens parecem flexíveis o bastante pra acomodar as estripulias que eu gostaria que fizessem. Aliás, acho fascinante esse estágio ontológico dos personagens: revelam-se aos poucos, mostrando vícios de linguagem, habilidades manuais, interesses, qualidades, alguma psicose. Mas é tudo incipiente. Eu os vejo no curral, na casa, montados em tratores chegando à beira da estrada numa manhã úmida e nublada. Mas são como figuras 3D naquele momento do jogo em que os personagens esperam que você, o jogador, tome alguma ação que moverá a narrativa. Um algoritmo básico de animação mantém alguma vida no cenário — vento, ruídos de fundo, pequenos movimentos corporais dos personagens como trocar o peso de uma perna para a outra, suspirar, usar um objeto como uma vassoura ou um relógio só para matar o tempo. É assim que vejo os meus personagens na fazenda, à espera de uma série infinita de comandos que provavelmente levarei dez anos para executar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Às vezes também visualizo aquela cena de Esqueceram de Mim, em que o Kevin quer simular uma festa em casa: bota um display do Michael Jordan em cima dum trenzinho que fica circulando pela sala e arma uma engenhoca com manequins que se mexem em resposta ao comando de cordas. Os objetos aparecem como sombras numa cortina, dando a ilusão de pessoas que conversam, dançam e andam pela sala ao som de uma musiquinha feliz de natal. Vejo meus personagens jantando porco, como sombras numa cozinha sem cortina. Mas na minha cena não há musiquinha feliz: só sons de talheres com vidro em segundo plano; em primeiro plano, ouço grilos, cigarras e uma ocasional coruja. Curiosamente, não chove.&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/5739241912794556387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/01/sera-se-e-romance.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5739241912794556387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5739241912794556387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/01/sera-se-e-romance.html' title='Será se é romance?'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-3013286578575421341</id><published>2016-01-03T11:43:00.000-02:00</published><updated>2016-02-08T13:26:16.590-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="regular"/><title type='text'>Adeus, bici</title><content type='html'>Furtaram minha bici da garagem do prédio. Não era cara, mas tinha vários pequenos acessórios que me deram certo trabalho (e custaram dinheiro) para colocar. Mais um prejuízo causado por este&amp;nbsp;cagadíssimo condomínio em que nada funciona: foi pro ralo qualquer economia com taxa mensal baixa. Lamento nem tanto o ligeiro prejuízo, mas essa coceirinha, essa pulguinha atrás da orelha que, a cada vez que me dou mal aqui, engorda um pouquinho e me solta no ouvido um arroto que lembra muito o som de&amp;nbsp;&lt;i&gt;troooouuuu-xa&lt;/i&gt;.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/3013286578575421341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/01/adeus-bici.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/3013286578575421341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/3013286578575421341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/01/adeus-bici.html' title='Adeus, bici'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-5095152803216907861</id><published>2016-01-02T02:26:00.000-02:00</published><updated>2016-02-08T13:26:59.860-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="música"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="regular"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="sonho"/><title type='text'>Adeus, Joe</title><content type='html'>Sonhei que o guitarrista Joe Satriani estava de passagem pelo Brasil. Por algum motivo, ele acabava no meio de uma manifestação dizendo coisas que desagradavam aos manifestantes em geral. Quando disse algo muito desagradável, levou um chute na boca que o fez perder dentes, sangrar muito e desmaiar. A partir daí, os manifestantes passaram a desferir chutes e socos no Joe, que logo acabou despedaçado. Por fim, alguém segurou a cabeça dele pelas orelhas e a arremessou contra uma parede chapiscada. Isso me foi relatado por um sujeito que dizia ter testemunhado a agressão; ele me contava ainda que, em resposta, o Ministro da Justiça anunciara a proibição de algo chamado Deso do Dez. O sujeito foi embora e eu fiquei na calçada de casa balbuciando “Porra mas que barbaridade inacreditável quantas tardes passei aos treze anos ouvindo e tirando Love Thing, que descanse em paz pois jamais será esquecido” e chorava enquanto catava na sarjeta uma bituca recém-desprezada por um transeunte e começava a fumar o tabaquinho da morte.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/5095152803216907861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/01/adeus-joe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5095152803216907861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5095152803216907861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2016/01/adeus-joe.html' title='Adeus, Joe'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-1124471655256442030</id><published>2015-12-30T10:27:00.000-02:00</published><updated>2016-02-08T13:35:48.243-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="internet"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="regular"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="trivial"/><title type='text'>Vou te dar unfollow com carinho, é para o nosso bem</title><content type='html'>Mês passado comecei um experimento de ficar sem timelines e feeds de redes sociais. Deletar perfis nunca dá muito certo, então deixei de seguir todo mundo &lt;i&gt;dentro&lt;/i&gt; das redes. Acompanho o que dá por RSS. Guardei na barra de favoritos do navegador os links de pessoas/páginas que gosto de acompanhar. Faço ronda nesses links tipo uma vez por semana, vejo o que estão dizendo, distribuo estrelinhas com parcimônia e sigo em frente. Ótimos efeitos até aqui: estou retomando a concentração para ficar só e pensar por mais de dois minutos sem ser interrompido e bombardeado por informações minimamente interessantes. Do feed do site Faces peguei asco especial: sinto-me um adolescente de 16 anos gritando contra a Rede Globo. Até botei pra tocar um Type O Negative agora pra combinar com minha rebeldia de quarto. Tenho lido mais livros, descoberto coisas aleatórias na web e até meio que voltado a escrever, o que não é necessariamente bom. Também desgosto um pouco menos das pessoas e das ideias delas, já que não fico olhando para elas o dia todo. Essa melhora pode ser só empolgação com mudança, vai saber. Mas com a vida corrida de hoje a pessoa tem que definir bem as prioridades para o tempo livre: no meu caso, é importante ter longos períodos para fazer nada e olhar para objetos inanimados. Adoro olhar para objetos inanimados. Demais, mesmo. E plantas, adoro olhar para plantas. Plantas são objetos inanimados? Provavelmente sim, mas melhor pesquisar.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/1124471655256442030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2015/12/vou-te-dar-unfollow-com-carinho-e-para.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/1124471655256442030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/1124471655256442030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2015/12/vou-te-dar-unfollow-com-carinho-e-para.html' title='Vou te dar unfollow com carinho, é para o nosso bem'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-5070133933681909961</id><published>2015-12-22T03:27:00.000-02:00</published><updated>2016-02-08T11:24:55.278-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="regular"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="trivial"/><title type='text'>Trabalhar em pé</title><content type='html'>&lt;p&gt;Andava com dores nas costas e uma dorzinha aguda no cóccix que aparece quando estou mais sedentário, trabalhando muito ou perdendo tempo na internet. Voltei a sentir como se minha bunda estivesse — aos poucos, em ritmo imperceptível a um observador externo, ao longo de semanas — se fundindo ao assento em que repousa todos os dias. Perambular com uma cadeira de escritório acoplada ao traseiro não é a minha fantasia de fusão homem-máquina.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aí fiz de novo uma mesa para trabalhar de pé. Dessa vez, usei três nichos: dois para as mãos e para o monitor. Também comprei uns tapetes de EVA para amenizar a tensão sobre os joelhos, o que me permite ficar o dobro do tempo em pé sem sentir dores. Alternar entre as posições é prático, toma no máximo 40 segundos e me dá a chance de usar os braços como algo além de um eixo entre o tronco e os dedos (esse último, inclusive, é um bom motivo pra continuar usando dicionários pesados em papel).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ficou assim:&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;&lt;figure class=&quot;tmblr-full&quot; data-orig-height=&quot;1152&quot; data-orig-width=&quot;2048&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://41.media.tumblr.com/10b75c4ce0e55af0f957660c34dd1d01/tumblr_inline_nzrh94mOqY1smmq00_540.jpg&quot; data-orig-height=&quot;1152&quot; data-orig-width=&quot;2048&quot; alt=&quot;&quot;/&gt;&lt;/figure&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/5070133933681909961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2015/12/trabalhar-em-pe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5070133933681909961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5070133933681909961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2015/12/trabalhar-em-pe.html' title='Trabalhar em pé'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-6808329496615457622</id><published>2015-12-03T03:51:00.000-02:00</published><updated>2016-02-08T11:24:55.341-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="lendo"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="regular"/><title type='text'>Lendo: Stoner, de John Williams</title><content type='html'>&lt;p&gt;“&lt;i&gt;You, too, are cut out for failure; not that you’d fight the world. You’d let it chew you up and spit you out, and you’d lie there wondering what was wrong. Because you’d always expect the world to be something it wasn’t, something it had no wish to be. The weevil in the cotton, the worm in the beanstalk, the borer in the corn. You couldn&amp;rsquo;t face them, and you couldn&amp;rsquo;t fight them; because you’re too weak, and you’re too strong. And you have no place to go in the world&lt;/i&gt;.”&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Jovem de família pobre do interior que vai pra universidade e acaba estudando Letras. Dizer que: &lt;i&gt;entendo&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/6808329496615457622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2015/12/lendo-stoner-de-john-williams.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/6808329496615457622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/6808329496615457622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2015/12/lendo-stoner-de-john-williams.html' title='Lendo: Stoner, de John Williams'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-5392900417574970231</id><published>2014-08-29T03:22:00.000-03:00</published><updated>2016-02-08T13:28:16.601-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="regular"/><title type='text'>Culpa nos filmes de terror</title><content type='html'>Faz pouco tempo que me interessei por filmes de terror. Assisti a poucos filmes americanos antigos, alguns contemporâneos, poucos europeus e vários orientais — um saco de generalização onde boto filmes principalmente japoneses, com alguns coreanos, chineses, indonésios, etc.&lt;br /&gt;
Tenho uma tese que explica por que os orientais são melhores. É bem simples e aqui só quero registrar sem delongas nem forma acadêmica. (Todavia: sinta-se livre pra copiar isso). Mas a tese: o que diferencia as duas formas de fazer terror é como os dois centros de produção abordam a culpa na tragédia pessoal.&lt;br /&gt;
No terror japonês, a tragédia essencialmente acontece com você, aparece no seu caminho. Você recebe e repassa a tragédia. Ela é parte de um fluxo, e nas histórias é difícil pensar num conceito de culpa pessoal. Ninguém tem culpa, ou todos têm culpa, em algum nível.&lt;br /&gt;
Toda história é uma variação ou releitura de: uma pessoa (geralmente mulher, às vezes criança, mas sempre uma pessoa com ação ou volição limitada) passa por um lance muito errado e morre errado, perturbada e ressentida. A bad vibe se apega a lugares, objetos ou situações (mais recentemente em tecnologia, como vídeos ou computadores). A boa e velha assombração. Tempos depois, alguém tropeça nisso (acha o objeto, muda pruma casa, visita um local abandonado) e recebe a maldição: pira, sofre, causa estrago e morre, também ressentida, também causando ressentimento. E o ciclo recomeça.&lt;br /&gt;
&lt;img alt=&quot;&quot; src=&quot;http://38.media.tumblr.com/bf98a4e88501f196e703c368a4990c9c/tumblr_inline_nb2l0oyILA1smmq00.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas histórias tentam (de leve) mostrar o começo do ciclo maldito, como um estupro ocorrido há décadas ou séculos, mas fica difícil saber onde aquilo começou e se teve começo. Por exemplo: o estuprador era perturbado? Tava amaldiçoado, também? Nessas teias de causalidade, fica difícil pensar em culpa pessoal. Se formos ocidentalizar a explicação e buscar uma culpa (um pecado), essa culpa é da comunidade, do mundo, do caos, da vida, das vontades, dos relacionamentos humanos, d’aquilo que existe, enfim.&lt;br /&gt;
Pouco sei sobre o Japão pra comentar as raízes culturais disso.&lt;br /&gt;
Já nos terrores americanos contemporâneos, a culpa da tragédia terror é “ter pensado e feito a coisa burra”. Isso é dar um passo à frente da noção ocidental de que a tragédia acontece quando se faz a coisa errada (o pecado, a falha moral). Não basta nem precisa ser errado. Toda história é uma variação ou releitura de: “o cara se deu mal porque é burro, quem mandou ser tontão, eu acho é pouco”. É o outro lado do fetiche americano que diz “o cara se deu bem porque foi esperto, palmas pra ele”.&lt;br /&gt;
Enredo lorem ipsum: grupo de jovens cheios de ação e volição resolve explorar algo fora da norma, soturno ou não. Um lugar abandonado, uma viagem não autorizada, mas quase sempre distanciamento físico da sociedade. Chegar ao perigo já é uma baita dificuldade, porque tá longe e porque no caminho os jovens ouvem avisos, alertas, sinais de que não deveriam estar fazendo aquilo. (O público se sente massageado ao identificar esses sinais. É quase como se o filme estivesse lhes dando um tapinha nas costas, parabenizando-os pela perspicácia e esperteza.)&lt;br /&gt;
O perigo é basicamente o mal e variações (psicopata, besta, possessão, seita soturna) e sua extrapolação pro sofrimento físico e material. Chegando ao perigo, acontece o conflito e a ilusão de que os jovens ainda teriam uma chance de se salvar com qualquer pitada de inteligência. A salvação entra em promoção: ter um mínimo de bom senso já evitaria essa situação deselegante. Mas sendo estúpidos, eles sofrem e morrem. O público dificilmente sente uma empatia real. A burrice justifica a tragédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;img alt=&quot;&quot; src=&quot;http://38.media.tumblr.com/882a00419d2bbecf657dd4502fec8479/tumblr_inline_nb2l1enUW01smmq00.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E justificar a tragédia é importante. Um naco considerável do DNA cultural americano (puritanismo, livre iniciativa, justiça, destino manifesto) não aceita que tragédias simplesmente aconteçam só porque alguém existe. A justiça é imprescindível porque o mundo é criado governado por um deus justo, no fim o bem triunfará, etc. O público quer a emoção, quer ver o sangue pingar, desde que não sangre o Cidadão de Bem®, e se sangrar, tem de ser vingado. Porque o contrário seria grotesco, puro mau gosto, as pessoas sairiam da sala no meio do filme, falariam mal dele e lá se vai a arrecadação do filme.&lt;br /&gt;
Então é um movimento de mão dupla. Os filmes tanto refletem um fetiche americano quanto respondem às demandas culturais e comerciais dele, e nisso ajudam a cimentar e amarrar aquela visão de mundo estereotipada dos “americanos”: você tem que ser esperto, ter iniciativa, porém ouvir os bons membros da comunidade, não contrariar o senso comum, arrepender-se rapidamente caso erre, ficar perto do bem e ficar longe do mal. Se não faz isso tá pedindo pra morrer.&lt;br /&gt;
Nenhuma novidade nisso, exceto que são filmes de terror, um bom espaço pra contracultura, subversão e experimentalismo. Mas por Z motivos isso geralmente não acontece e o resultado é um monte de filme de tia. Eu às vezes assisto pra ver se tem algo novo, porque tá fácil no Netflix, mas por fim entro no clima e acabo pensando “afe que bosta de filme tu é muito burro por estar perdendo duas horas pra assistir esse lixo, tem que se foder mesmo, eu acho é pouco”.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/5392900417574970231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2014/08/culpa-nos-filmes-de-terror.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5392900417574970231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5392900417574970231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2014/08/culpa-nos-filmes-de-terror.html' title='Culpa nos filmes de terror'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-5620233341072083397</id><published>2014-08-27T13:40:00.000-03:00</published><updated>2016-02-08T11:24:55.373-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="regular"/><title type='text'>ponte</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;img alt=&quot;image&quot; src=&quot;http://33.media.tumblr.com/a0c686c224ce4e573ea9471346d6e3d1/tumblr_inline_nazoezrfvg1smmq00.jpg&quot; alt=&quot;&quot;/&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;Isto não é um fotolog e esta não é uma foto de paisagem. Dia desses percebi que desde que mudei só fotografei praia, mar, poente, horizonte, etc. Aí passei debaixo da ponte e vi esse cenário meio The Wire, nas cenas em que o irlandês e o Bunk ficam bebendo e conversando do lado da linha do trem no fim da noite. Resolvi que vou fotografar lugares esquisitos da cidade pra contrapor os cenários de paraíso tropical que todo mundo conhece. Como em qualquer lugar, principalmente capital e cidade grande, os trechos mais sombrios ficam perto de vias expressas, pontes, viadutos, elevados, túneis: esses não lugares onde geralmente só passa carro, ônibus, caminhão, moto, mendigo, viciado e aquele ocasional ciclista que chegou na cidade há pouco tempo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/5620233341072083397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2014/08/ponte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5620233341072083397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/5620233341072083397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2014/08/ponte.html' title='ponte'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-7522436233933882445</id><published>2014-08-02T21:22:00.000-03:00</published><updated>2014-08-02T21:22:01.017-03:00</updated><title type='text'>persistência</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;object width=&quot;320&quot; height=&quot;266&quot; class=&quot;BLOGGER-youtube-video&quot; classid=&quot;clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000&quot; codebase=&quot;http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0&quot; data-thumbnail-src=&quot;https://ytimg.googleusercontent.com/vi/826HMLoiE_o/0.jpg&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;https://youtube.googleapis.com/v/826HMLoiE_o&amp;source=uds&quot; /&gt;&lt;param name=&quot;bgcolor&quot; value=&quot;#FFFFFF&quot; /&gt;&lt;param name=&quot;allowFullScreen&quot; value=&quot;true&quot; /&gt;&lt;embed width=&quot;320&quot; height=&quot;266&quot;  src=&quot;https://youtube.googleapis.com/v/826HMLoiE_o&amp;source=uds&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; allowfullscreen=&quot;true&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;
&quot;Este é o povo San, do deserto do Kalahari. A última tribo do planeta a usar o que alguns acreditam ser a mais antiga das técnicas de caça: a caça de persistência (...). O caçador presta sua homenagem à coragem e força da presa, com gestos cerimoniais que conduzem o espírito do animal às areias do deserto de onde ele veio.&quot;&lt;/blockquote&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/7522436233933882445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2014/08/persistencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/7522436233933882445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/7522436233933882445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2014/08/persistencia.html' title='persistência'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6551058679684072200.post-9161025884080392574</id><published>2014-08-02T20:18:00.004-03:00</published><updated>2021-02-20T09:45:56.779-03:00</updated><title type='text'>Man-eater</title><content type='html'>Duas hipóteses evolucionistas sobre corrida e esforço físico na natureza selvagem. Um: precisar correr 15 quilômetros e sair vivo deve ser motivo de muita alegria. Mas antes disso, dois: certo que, em algum nível, é evolutivamente vantajoso ser o tipo de pessoa que se diverte correndo 15 quilômetros a esmo uma vez a cada uns três dias, mesmo sem ter um &lt;a href=&quot;http://en.wikipedia.org/wiki/Man-eater&quot;&gt;antropófago&lt;/a&gt;&amp;nbsp;logo atrás, e mesmo que as outras pessoas da tribo estejam ali olhando entediadas e um pouco constrangidas enquanto coçam o sovaco e espantam mosquitos; certo que aumenta as chances de, entre outras coisas, a dita pessoa experimentar a hipótese número um.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domovique.blogspot.com/feeds/9161025884080392574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2014/08/man-eater.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/9161025884080392574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6551058679684072200/posts/default/9161025884080392574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domovique.blogspot.com/2014/08/man-eater.html' title='Man-eater'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>