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	<title>Ela nua e crua</title>
	
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	<description>Um convite à reflexão sobre relacionamentos e sexualidade feminina</description>
	<lastBuildDate>Sat, 24 Jul 2010 12:41:31 +0000</lastBuildDate>
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		<title>21.É pouco mas é seguro – o casamento e o emprego público.</title>
		<link>http://elanuaecrua.com.br/21-e-pouco-mas-e-seguro-o-casamento-e-o-concurso-publico.htm</link>
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		<pubDate>Fri, 14 May 2010 22:49:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofando sobre o romantismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta semana, lendo um livro do filósofo ítalo-argentino José Ingenieros, chamado O Homem Medíocre, ocorreram-me insights acerca de possíveis analogias entre o casamento e os concursos públicos para assunção de diversos cargos &#8211; certamente, alguns são bem interessantes e atrativos, assim como alguns casamentos também o devem ser. No entanto, de um modo geral, vamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta semana, lendo um livro do filósofo ítalo-argentino José Ingenieros, chamado O Homem Medíocre, ocorreram-me <em>insights</em> acerca de possíveis analogias entre o casamento e os concursos públicos para assunção de diversos cargos &#8211; certamente, alguns são bem interessantes e atrativos, assim como alguns casamentos também o devem ser. No entanto, de um modo geral, vamos ver se as similitudes que imaginei podem ser, de fato, constatadas.</p>
<p>Todo concurso público começa com um ato escrito oficial, chamado edital, onde a instituição que irá admitir novos funcionários deve manifestar todas as datas, exigências, regras e deveres dos aspirantes aos cargos, durante o processo de seleção.</p>
<p>Claro que, para os candidatos a um namoro “sério”, visando a um possível matrimônio, não existe um documento que estabeleça o perfil do candidato e as regras do processo de admissão ao casamento. No entanto, existem expectativas consuetudinárias &#8211; baseadas nos costumes &#8211; que nortearão a futura decisão de admissão ou não do pretendente ao casamento, quando ambos são mutuamente avaliados, durante a fase de experiência chamada namoro. A semelhança está no fato de que tanto o edital quanto o perfil do parceiro almejado são rígidos &#8211; neste caso, os valores inflexíveis são herdados e impostos pela moral vigente. Nos dois casos, respectivamente, o objetivo é que não haja margem para impetrações de recursos e para que o candidato se enquadre na normalidade desejada e seja aceito não apenas pelo futuro nubente, assim como por toda a sua família e amigos. Para tal, basta agir e parecer ser &#8211; não precisa ser, por mais que fuja à personalidade, de forma que passe a ideia de que será um(a) bom(a) e digno(a) marido, esposa, amante, pai, mãe, genro, nora, etc.</p>
<p>Apenas um parêntese. Atentemos para a realidade dos adotados conceitos de normal, anormal, moral e imoral. Eles são extremamente dinâmicos. Pergunta que me inquieta: se Deus é o mesmo desde o princípio de tudo, a Bíblia a mesma há séculos, e se os nossos costumes morais sempre foram balizados pela Igreja, por que tantas práticas que &#8220;levaram&#8221; tantas pessoas para o inferno no século XIX e início do XX, por exemplo, não surtem o mesmo efeito hoje? Deus tem acompanhado a modernidade e ficado bem mais flexível? Estaria Ele enviando circulares ao Vaticano determinando a revogação de leis anacrônicas? E o povo todo que foi torrado durante a Inquisição? E as milhares de mulheres que foram assassinadas em nome da honra dos maridos e milhões de mortos em nome de nosso senhor Jesus Cristo, ao longo dos séculos, com a aquiescência de Vossa Santidade, o Papa? Suas almas têm sido anistiadas e resgatadas para o céu, à medida que as leis se afrouxam? Cabe indenização? Não seria mais lúcido pensar que a Igreja, em conluio com os governos &#8211; não sei quem deve mais favores a quem, diante das factuais necessidades evolutivas e descolamento social da religião, tem adaptado a fé e os seus dogmas à modernidade, com o único intuito de não perder seus fiéis, mostrando às corporações e aos governantes que ainda mantém ascensão e domínio sobre o povo? Não tenho dúvida alguma de que o aborto, em breve, deixará de ser pecado. Por que, hoje, não se prega mais a castidade até o casamento? Flexibilidades de Deus?</p>
<p>Eu acredito em um ser superior e tenho buscado sentir a sua energia divina, mística, transcendental, perfeita, que, atualmente, rege todo esse cosmo com o mesmo humor e as mesmas leis de milhões de anos atrás. Para ele, nunca mudaram os conceitos de bondade, ética e amor. Ele ignora completamente essa moral que acompanha e varia com os miseráveis interesses dos homens. Será que o Deus cristão já tem IPhone 3G e Twiter? Fecha parêntese.</p>
<p>Retornando, faz-se interessante ressaltar que, em ambas as situações, todos os interessados buscam estabilidades. Em um caso, o vitalício salário garantido, e no outro, o casamento com sua “garantia” afetiva e também vitalícia, através da construção de uma família. Como muitos dizem, a certeza de que terão alguém que os assista em suas velhices. Neste último, questões financeiras também são bem consideradas e avaliadas. O íntimo de cada candidato, o que realmente agregará, a exata forma que pensa e o que anseia, as reais afinidades, nunca são transparentes e não passam de meros detalhes: são desnecessidades tácitas entre as partes; o que interessa é a classificação no processo seletivo para futuro preenchimento da vaga.</p>
<p>Consideremos que quem escolhe e decide entrar para a instituição seja o agente e esta – órgão público e casamento – o objeto. Então, em relação ao primeiro, teremos o candidato como agente e, no caso do matrimônio, o homem e a mulher com suas opções pela entrada na instituição casamento. Outra similaridade que podemos inferir é que, nos dois casos e na grande maioria das vezes, a garantia de futuro é o fator mais importante. Se há, de fato, amor pelas e reais afinidades com as pessoas, rotinas e tarefas que lhes esperam, é fator secundário e pouco importante. Apenas os considerados bônus merecem apreço. No caso do concurso, é irrelevante se é para monge, policial federal ou guerrilheiro; o salário garantido é o essencial. No do casamento, terem suas próprias casas e constituir uma família&#8230; e que seja o mais rápido possível. Ser funcionário público e casar é tudo.</p>
<p>Exigências atendidas e passada a fase de admissão, começa o trabalho. Inicialmente, a empolgação com a mudança de rotina, a atenção dedicada ao aprendizado das novas tarefas e a vaidade diante dos que os rodeiam inspiram orgulho e fazem com que tudo seja divertido. Tudo transcorre satisfatoriamente, mesmo com algumas iniciais e irrelevantes decepções aqui e acolá. A nova vida aprovada e comemorada por pais, parentes e amigos vai bem, obrigado(a). Os iniciantes agentes atendem muito bem às expectativas dos objetos, até que, depois de algum tempo, familiarizam-se com todos e tudo que diz respeito às suas obrigações e nada mais é novidade. Em um dado momento, os sublimados problemas iniciais começam a tomar maiores vultos psicológicos e, gradualmente, a enfastiá-los, ao mesmo tempo em que outros começam a aparecer.</p>
<p>Estabilizados e se sentindo seguros, as dedicações e os zelos nos atendimentos das obrigações, exigências e regras da fase inicial já não são mais os mesmos. Os lapsos começam a ocorrer e se tornam recorrentes. A obsequiosidade inicial, aos poucos, esvai-se. A irritabilidade começa a aparecer devido às discordâncias de algumas imposições arbitrariamente feitas, responsabilidades cobradas e às rotinas laborais. As promessas e compromissos, antes assumidos pelas instituições, deixam de ser cumpridos ou, em parte, alterados, em nome de outras necessidades importantes que não foram previstas, consideradas ou conversadas anteriormente – ou que, propositadamente, não foram inseridas nos “editais”. Aos poucos, observa-se descaso com a necessidade de um diálogo visando a um esclarecimento ou entendimento, o qual é sempre adiado. Então, a autoestima começa a ser minada, pois o antes empolgado calouro deixa de se perceber indivíduo e se sente apenas um ser com estrita função utilitária. O que começou a ser realizado com algum prazer passa a ser obrigação. Ninguém lhe pergunta se existe prazer no que faz. Como resultados, emergem os ônus da decepção e do tédio – normalmente silenciosos, no caso dos casamentos &#8211; apesar dos objetivados bônus obtidos com sucesso. As validades das opções pelas futuras seguranças começam a ser questionadas.</p>
<p>Internamente desmotivados, começam, literalmente, a se rebelar contra a instituição pública e casamento, colocando a culpa nas duas, quando, na verdade, não conseguem perceber que são os únicos responsáveis pelas suas escolhas. Foram voluntários. O fato de terem dado ouvido a terceiros e aos sofismas do senso comum não remirá suas culpas. Em ambos os casos, na ótica das instituições, livrar-se dos rebeldes que buscam mais prazeres nas realizações pessoais do que elas podem e querem lhes oferecer dará um enorme trabalho legal, burocrático, social, financeiro, familiar e, talvez, religioso. Melhor deixar como está e fazer vista grossa às inadequações.</p>
<p>No caso do concurso público, depois de alguns anos, os funcionários, mesmo detestando o que fazem, vêem-se sem escolhas por não quererem abdicar da estabilidade. Foram admitidos para executar “aquelas” atividades. Possivelmente, já se encontram casados, com filhos e com responsabilidades financeiras assumidas. Mudar de emprego, somente através de um novo concurso: <em>&#8220;Estou velho(a) para isso, não vale a pena arriscar&#8221;</em>. A grande maioria permanece: mergulhados em tarefas repetitivas, sem liberdades criadoras e desafios, esquivando-se dos programas de aperfeiçoamento &#8211; já que não ganharão nada mais com eles, tristes, entediados, deprimidos, reclamando da vida, trabalhando mal, como vasos de plantas sem graça espalhados pelas repartições. Contam os anos e meses para as aposentadorias e, quando chega a hora, não ficam nem mais um dia sequer. Anos e anos sem sentir qualquer tipo de amor pelo que faziam, sem terem conhecido o que é realização pessoal. Tomaram o atalho mais fácil e curto e pagaram o preço da estabilidade com metade de suas vidas torcendo para que as folhinhas do calendário acelerassem suas viradas.</p>
<p>Pior ainda para aqueles mais dinâmicos e com espíritos inovadores que pensavam em realmente agregar. Certamente, a emperrada e burocrática máquina pública não lhes permitiu agir criativamente, aniquilou suas energias e apagou qualquer chama de crescimento individual e proatividade. Então, perceberam que não lhes restava outra opção diferente da de se tornar mais um profissional medíocre, em nome da segurança.</p>
<p>Seguindo a minha missão de “destruidor de famílias”, como já fui nomeado por um leitor, creio que sinceras e sensatas conversas dos pais com os nossos aposentados funcionários públicos, quando ainda jovens, poderiam ter mudado os rumos de suas histórias: “Filho(a), você sabe que não tem vocação para esse trabalho, será infeliz. As instituições públicas apagarão o seu brilho, sua energia e não irão tratar-te como mereces. Não precisa ser mais um parasita de uma. Não se acomode e não busque essa segurança fácil, debaixo da qual você não poderá mostrar o quão talentoso é. Não terá liberdade para criar, desenvolver-se, escolher e mudar, pois os anos irão passar e se acomodará. Não tenha medo das incertezas e aprenda a conviver com as dúvidas Você é inteligente. Tenha personalidade. Aceite os desafios da vida, lute, erre, sinta dores, pois são indispensáveis à nossa evolução. Não busque o caminho mais fácil somente porque todos dizem que ter um emprego seguro é o caminho da felicidade profissional, pois isso é ilusão&#8221;. Possivelmente, devem ter-lhes aconselhado assim: “Vá sim, filho. É menos do que você é capaz, mas dá segurança.” Ou: “Você não gosta desse trabalho, mas o salário é ótimo e para sempre!”</p>
<p>Neste final em que apenas abordei o concurso público, deixarei as conclusões sobre outras possíveis semelhanças com o casamento ao encargo de cada um, de acordo com suas experiências.</p>
<p>O modelo de casamento romântico que conhecemos, que se resume à família nuclear e às suas regras, tem sido tácito patrimônio do Estado. Achamos que somos donos dos nossos casamentos da mesma forma que os nossos índios pensam que suas delimitadas terras lhes pertencem &#8211; possivelmente sejam menos inocentes do que imagino. Trata-se o casamento de valiosíssima ferramenta de domínio dos governos, como sempre o foi. Jamais foi uma escolha privada e independente, um livre-arbítrio consciente, não passando de uma induzida imitação cultural. Ao Estado os casais vêm servindo há séculos para que a ele proporcione crescimento, cuja manutenção é realizada através da dogmática educação dos filhos, fundamentais aos interesses da minoritária classe dominadora, possuidora de quase toda a riqueza da nação. Desvencilhar-se dessa arapuca, sem que se caia na marginalização social, demanda muita sabedoria, privilégio de bem poucos.</p>
<p><em>“Os espíritos medíocres orbitam em torno da rotina. Evitam sair dela e cruzar espaços novos; repetem que é preferível o mau conhecido do que o bom por conhecer. Ocupados em desfrutar o existente, cobram horror a toda inovação que perturbe sua tranqüilidade e lhes cause desassossego. As ciências, os heroísmos, as originalidades, os inventos, a virtude mesma, parecem-lhes instrumentos do mal&#8230;”</p>
<p>“A rotina, síntese de todas as renúncias, é o hábito de renunciar a pensar. Nos rotineiros, tudo é menor esforço. A debilidade enferruja suas inteligências. [...]Os rotineiros raciocinam com a lógica dos demais. Disciplinados pelo desejo alheio, encaixam-se em seu arquivo social e catalogam-se como recrutas nas filas de um regimento. São dóceis à pressão do conjunto, maleáveis sobre o peso da opinião pública que os achatam como um flexível laminador. Reduzidos a sombras vãs, vivem do juízo alheio; ignoram a si mesmos, limitando-se a crer como os demais crêem. Os homens excelentes, por outro lado, desdenham a opinião alheia na justa proporção com que respeitam as próprias, sempre mais severas, ou a de seus iguais.”</em></p>
<p><strong>José Ingenieros</strong></p>
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		<title>20.O amor dos pais em debate</title>
		<link>http://elanuaecrua.com.br/20-a-grande-responsabilidade-dos-pais.htm</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Apr 2010 16:32:49 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Filosofando sobre o romantismo]]></category>

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		<description><![CDATA[“O venerado amor de mãe é muito mais perigoso para a humanidade que todo o arsenal de armas atômicas.”
Roberto Freire e Fausto Brito em Utopia e Paixão – A Política do Cotidiano
Temos falado bastante acerca das grandes dificuldades que encontramos para entendê-lo e &#8211; por que não dizer? &#8211; da nossa impotência para que amemos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“O venerado amor de mãe é muito mais perigoso para a humanidade que todo o arsenal de armas atômicas.”</em><br />
<strong>Roberto Freire e Fausto Brito </strong>em Utopia e Paixão – A Política do Cotidiano</p>
<p>Temos falado bastante acerca das grandes dificuldades que encontramos para entendê-lo e &#8211; por que não dizer? &#8211; da nossa impotência para que amemos com o amor Eros – o amor natural, fonte e energia motriz da vida.</p>
<p>Nos artigos anteriores, algumas vezes teci breves comentários acerca das relações entre pais e filhos. Dessa vez, decidi oferecer-lhes um texto que trate somente desse assunto, onde me atribuí a tarefa de analisar que mensagens existem por trás da, em princípio, chocante frase do Roberto Freire, acima, que serviu de abertura para estes escritos.</p>
<p>Vou comentar algo e, depois os deixarei com um apanhado de trechos do livro O Casamento e a Moral, do Lord inglês Bertrand Russel, que nasceu em 1872 e faleceu em 1970. Escreveu várias obras versando sobre  Matemática, Lógica e Filosofia, tendo sido uma celebridade nesses campos, no século XX. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1950.</p>
<p>Não me estenderei, pois os trechos do livro tornaram o conteúdo longo e já são bem explicativos. Ater-me-ei a lançar questões e reflexões que poderão ser comentadas por aqueles que assim o desejarem.</p>
<p>No mundo animal irracional, que papel os pais assumem, diante dos filhotes, assim que estes nascem? Os papéis de alimentadores e protetores, até que eles tenham portes físicos e forças suficientes para serem considerados prontos para viver as próprias vidas. No caso dos pais da espécie humana, é senso comum que os papéis são exatamente os mesmos. No entanto, será que eles estão realmente cientes de como agir para terem êxito nessa tarefa?</p>
<p>Obviamente, o tempo que um outro filhote mamífero, por exemplo, precisa para ser declarado preparado para o mundo é bem menor do que o de um ser humano, pois neste caso, pelos menos nas grandes cidades, tem sido comum acompanhá-lo até a sua formação em uma faculdade ou, nas famílias menos privilegiadas, até que aprenda uma profissão de nível técnico. No caso de muitas filhas, aguarda-se que um macho apareça reivindicando a responsabilidade pelos seus &#8220;cuidados&#8221;. Uma das questões que desejo levantar é: fora os necessários valores éticos, que nos dão embasamento e orientação comportamental para bem vivermos em sociedade, e o nosso preparo para a “caça” nas selvas de pedras, através dos estudos, que valia maior tem, em termos práticos, o insistente, invasivo e ininterrupto jugo aos pais, até os nossos vinte e poucos anos? Em diversos casos, ele nunca finda. Sinceramente, tratando-se de preparo para a vida, em seu sentido mais amplo, não vejo ganho algum nisso. Ao, conscientemente, pesar na balança, vejo mais desvantagens do que benesses, pelo menos da forma que tenho observado a maiorias das relações familiares.</p>
<p>Considero que, em sua maior parte, as relações entre pais e filhos, tratando-se de amor puro e verdadeiro, são tão pobres e doentes quanto às dos namorados e casados, como temos abordado até agora. Entre pais e filhos, raramente consigo enxergar relações com amor verdadeiro, onde o mais importante é a felicidade do outro. Só consigo perceber dependências afetivo-emocionais, dominações, cobranças, obrigações e, muitas das vezes, humilhações e agressões em variados graus e tipos e ódios em diversas roupagens, principalmente por parte dos filhos, devido ao gradual entendimento – podendo este, também, ser inconsciente &#8211; da covardia pela forma dependente com que foram criados, por puras carências no casamento e vazios individuais dos pais, principalmente por parte das mães.</p>
<p>Mamães e papais, desculpem-me mas não posso furtar-me dizer que, no caso dos seus filhos, se eles: tornarem-se pessoas carentes, inseguras, indecisas, com sentimentos de culpas morais e de impotência diante da vida, tiverem dificuldades para amar suas esposas e maridos, encararem o sexo como um ato consumível como se sacia a vontade de comer uma barra de chocolate, aceitarem a infelicidade como algo normal em seus casamentos, tiverem sensações miseráveis no sexo, tornarem-se violentos, virem-se necessitando de tratamentos com psicoterapeutas, etc, provavelmente vocês terão grande parcela de culpa nisso. Caso isso ocorra ou esteja ocorrendo com eles, é forte evidência de que vocês perpetuaram nas suas criações os erros que foram cometidos pelos seus pais.</p>
<p>O quanto e o que cada casamento representa para os cônjuges e como ele é vivido, se existe ou não amor verdadeiro na relação, como se tratam, etc, não são assuntos que dizem respeito apenas aos pais, pois estes são os exemplos mais representativos que os filhos levarão de amor e relacionamento em suas vidas. Todos sabemos o quanto é comum filhos serem criados observando entre os pais a indiferença, frieza, falta de respeito e liberdade, semblantes que transmitem tédio e tristeza, desamor, agressões físicas e verbais, rotinas e atitudes condicionadas que só podem ser explicadas pela desesperança e apatia diante da vida. Por várias razões tais relações não são desfeitas assim que o amor de fato acaba, postergando-se a separação para quando os filhos estiverem crescidos para que não sofram e para que tenham exemplos &#8220;saudáveis&#8221; em uma família &#8220;estável&#8221;. Não há como eu não colocar aspas nestas palavras. O resultado será um humano adulto cheio de estabilidade moral &#8211; possivelmente religioso &#8211; mas com a alma despersonalizada, doente, vazia, medrosa e ao mesmo tempo sedenta de domínio e poder, agressivo, dependente mas incapaz de amar a quem quer que seja&#8230; mais um neurótico fabricado em série, resultado da ausência do sensato ato da separação, sendo aquela, muitas das vezes, movida por interesses egoístas dos pais, conscientemente ou não, que podem passear por questões financeiras, amarras a modelos sociais e escravidões afetivas. No entanto, tudo romanticamente camuflado pela sacrossanta moral e pelos venerados e inigualáveis amores maternos e paternos.</p>
<p>É fato que a Igreja, o Estado e a sociedade possuem todos os interesses em espoliar a identidade do indivíduo &#8211; todos visando ao maior consumo de bens e à manutenção do poder político e econômico. Citando Wilhelm Reich, em seu famoso livro &#8220;A Função do Orgasmo&#8221;: <em>&#8220;A formação das massas, no sentido de serem cegamente obedientes à autoridade, deve-se não ao amor parental, mas à autoridade da família. A supressão da sexualidade nas crianças pequenas e nos adolescentes é a principal maneira de se conseguir essa obediência.&#8221;</em></p>
<p>Enxergo a atribuída e propalada autoridade sagrada e incontestável aos pais como uma das principais causas da sociedade vazia e doente em que vivemos. A tendenciosa alteração do significado da palavra amor encontra-se no centro dessa neurose pandêmica. No entanto, a despeito disso, é inegável que esses mesmos pais, pelo menos em termos de oportunidade, têm a faca e o queijo na mão para atuarem como para-raios contra essa intenção puramente econômica a serviço do Estado e das minoritárias castas capitalistas dominantes. A grande dificuldade é a conscientização da gravidade dos erros que vêm cometendo.</p>
<p>Vamos ao trechos de <strong>Bertrand Russel</strong>:</p>
<p><em>“[...] os ensinamentos e a autoridade do cristianismo estimularam intensamente o interesse pelo sexo. [...] Só a liberdade pode impedir a obsessão pelo sexo. Mas nem mesmo ela terá esse efeito a não ser que se torne habitual e seja fruto de uma educação sexual sensata.”</p>
<p>“[...]Há outro serviço que o pai e a mãe sensatos podem prestar aos filhos, embora mal o fizessem, até bem recentemente. Refiro-me à apresentação dos fatos do sexo e da maternidade, da maneira mais inteligente. Se as crianças conhecessem o sexo como uma relação entre os seus pais, à qual devem a existência, o aprenderiam da sua melhor forma e em relação com a sua função biológica. No passado, era praticamente fatal que o conhecessem primeiro como assunto de piadas torpes e fonte de prazeres considerados vergonhosos. Esta primeira iniciação, por meio de conversa secreta e indecente, em geral deixava marca indelével, de maneira a tornar impossível, daí por diante, uma atitude decente em relação a qualquer assunto ligado ao sexo.”</p>
<p>“Principiemos pelo complexo de Édipo. A sexualidade infantil é, sem dúvida, mais forte do que se imaginava, antes de Freud. Creio mesmo que a heterossexualidade é mais forte na primeira infância do que se poderia inferir dos escritos de Freud. Não é difícil que a mãe imprudente concentre sobre si mesma, sem intenções, os sentimentos heterossexuais do filhinho, e é verdade que, se isto suceder, provavelmente sobrevirão as más conseqüências apontadas por Freud. Entretanto, é muito menos provável que isto ocorra se a mãe tiver vida sexual satisfatória, pois nesse caso não procurará na criança um gênero de satisfação emocional que só deveria obter de adultos. Na sua pureza, o impulso materno é cuidar da criança, não o impulso de lhe exigir afeto, e se a mulher for feliz na sua vida sexual ela se absterá espontaneamente de qualquer exigência imprópria de reação emocional do seu filho. Por esta razão, é provável que a mulher feliz seja melhor mãe que a infeliz. Contudo, mulher alguma pode ter certeza de estar sempre feliz, e nos momentos de infelicidade é necessária certa dose de autocontrole para impedir demasiada exigência dos filhos. Não é muito difícil adquirir este grau de autocontrole, porém, antigamente não se sabia da sua necessidade, acreditando-se que a mãe procedia corretamente quando inundava o filho de carícias contínuas. As emoções heterossexuais das crianças pequenas podem encontrar saída natural, limpa e inocente, em outras crianças; desta maneira, são parte do brinquedo e, como todo brinquedo, permitem preparativos de atividades adultas. Depois dos três ou quatro anos, a criança necessita, para seu desenvolvimento emocional, da companhia de outras crianças de ambos os sexos, não apenas irmãos e irmãs, que são necessariamente mais novos ou mais velhos: crianças da mesma idade.”</p>
<p>“Há outro serviço que o pai e a mãe sensatos podem prestar aos filhos, embora mal o fizessem, até bem recentemente. Refiro-me à apresentação dos fatos do sexo e da maternidade, da maneira mais inteligente. Se as crianças conhecessem o sexo como uma relação entre os seus pais, à qual devem a existência, o aprenderiam da sua melhor forma e em relação com a sua função biológica. No passado, era praticamente fatal que o conhecessem primeiro como assunto de piadas torpes e fonte de prazeres considerados vergonhosos. Esta primeira iniciação, por meio de conversa secreta e indecente, em geral deixava marca indelével, de maneira a tornar impossível, daí por diante, uma atitude decente em relação a qualquer assunto ligado ao sexo.”</p>
<p>“Se a mulher for continuamente infeliz no casamento &#8211; afinal isso não é tão incomum, sua infelicidade torna muito difícil possuir a conduta emocional própria para tratar dos filhos. Em tais casos, poderia, sem dúvida, ser melhor que a mãe se livrasse do marido. Somos forçados assim à conclusão perfeitamente acaciana de que os casamentos felizes são bons para os filhos, e que são maus os casamentos infelizes.”</p>
<p>“Os complexos adquiridos na infância, as aventuras dos homens com prostitutas e a atitude de aversão ao sexo instilada nas jovens, a fim de lhes preservar a honra, tudo milita contra a felicidade no matrimônio. Uma moça bem educada, se tiver impulsos sexuais fortes, não saberá distinguir, ao ser cortejada, entre simples atração sexual e uma séria afinidade de sentimentos. Pode facilmente desposar o primeiro homem que a desperta sexualmente para descobrir mais tarde, satisfeito o apetite sexual, que nada tem em comum com ele. Tudo se fez, na educação de ambos, para torná-la indevidamente tímida e a ele sobremaneira repentino nos seus avanços sexuais. Nenhum dos dois tem, do assunto, o conhecimento que deveria ter e, com freqüência, os fracassos iniciais, devido à ignorância dele, fazem com que o casamento seja, para sempre, sexualmente insatisfatório para ambos. Além disso, torna-se difícil o companheirismo mental, assim como o físico. A mulher não está acostumada a falar livremente de assuntos do sexo.O homem tampouco, exceto com outros homens e prostitutas. No setor mais íntimo e essencial da sua vida comum, o casal é tímido, desajeitado e completamente mudo. A esposa talvez fique insone, insatisfeita, indagando de si mesma o que será que deseja. O homem talvez tenha o pensamento, a princípio passageiro e instantaneamente banido, mas depois mais e mais insistente, de que até as prostitutas são mais generosas do que a sua mulher perante a lei. Ofende-o a sua frialdade, talvez no mesmo momento em que ela sofre porque ele não sabe como excitá-Ia. Todo esse sofrimento resulta da nossa orientação de silêncio e decência.”</p>
<p>“De todas estas maneiras, desde a infância até a adolescência e a juventude, e daí ao casamento, a velha moral envenenou o amor, encheu-o de melancolia, medo, desentendimento mútuo, remorso e até tensão nervosa, separando em duas regiões o impulso fisiológico do sexo e o impulso espiritual do amor ideal, tornando um bestial e o outro estéril. Não é assim que a vida deve ser vivida. A natureza animal e a espiritual não devem  se guerrear. Não há nada, em nenhuma das duas, que seja incompatível com a outra e nenhuma pode alcançar sua plena fruição, salvo quando unida com a outra.”</p>
<p>“Na sua melhor forma, o amor do homem e da mulher é livre e sem medo, composto em iguais proporções de corpo e mente; sem temor a idealizar porque há uma base física, e sem temor à base física, que poderia interferir com a idealização. O amor deve ser uma árvore cujas raízes se aprofundam na terra, mas cujos ramos se elevam aos céus. Mas o amor não pode crescer e florescer quando amuralhado entre tabus e terrores supersticiosos, palavras de censura e silêncios de horror. O amor do homem e da mulher, e o amor de pais e filhos, são os fatos centrais da nossa vida emocional. Enquanto degrada um, a moral convencional finge exaltar o outro, mas o fato é que o amor dos pais pelos filhos sofre por causa da degradação do amor dos pais, um pelo outro. As crianças que são fruto da alegria e da mútua satisfação podem ser amadas de maneira mais saudável e firme, mais de acordo com os modos da natureza, mais simples, direta e animal, e no entanto, menos interesseira e mais benéfica do que é possível a pais famintos, famélicos, ansiosos, que imploram aos filhos indefesos migalhas do que lhes foi negado no matrimônio e, assim procedendo, torcem a mente infantil e lançam os alicerces dos mesmos males na geração seguinte. Temer o amor é temer a vida, e aqueles que temem a vida já estão três quartas partes mortos.”</p>
<p>“O grau de necessidade do autocontrole na vida depende do tratamento inicial do instinto. Os instintos, como existem nas crianças, podem conduzir a atividades úteis ou prejudiciais, da mesma forma que o vapor duma locomotiva pode levá-Ia ao seu destino, ou a uma variante onde se destrói num acidente. A função da educação é guiar o instinto nas direções em que se possa tornar útil, não prejudicial. Se esta obra for bem realizada nos primeiros anos de vida, o cidadão, via de regra, conseguirá viver uma existência proveitosa sem precisar de severo autocontrole, exceto talvez em raras crises. Se, por outro lado, a educação infantil consistir de mera limitação do instinto, os atos que o instinto mais tarde provocará serão prejudiciais, e deverão portanto ser continuamente vedados pelo autocontrole.”</p>
<p>“A moral sexual tem de derivar-se de certos princípios gerais, em relação ao que existe talvez razoável dose de anuência, não obstante as profundas divergências quanto às suas conseqüências. A primeira coisa é que haja o máximo possível de amor profundo e sério entre homem e mulher, abrangendo toda a personalidade de ambos e levando a uma fusão que enriquece e dá eminência a um e outro. A segunda coisa importante é que haja tratamento adequado aos filhos, física e psicologicamente. Em si, nenhum desses princípios pode ser considerado chocante, e no entanto é em decorrência de ambos que eu advogaria certas modificações do código convencional.”</p>
<p>“No pé em que estão as coisas, homens e mulheres são incapazes de se amar no casamento com a sinceridade e a generosidade que poderiam se os seus anos mais verdes fossem menos atravancados de tabus. Ou lhes falta a necessária experiência, ou a adquiriram de modo furtivo e indesejável. Além disso, como o ciúme tem a sanção dos moralistas, julgam-se justificados de manter um ao outro numa prisão. Naturalmente, é ótimo que marido e mulher se amem tão completamente que nenhum se sinta tentado à infidelidade; entretanto, não é bom que a infidelidade, quando ocorre, seja tratada como terrível; tampouco é desejável que torne impossível qualquer amizade com pessoas do sexo oposto. Uma boa vida não pode fundar-se no medo, na proibição e na interferência com a liberdade mútua. É bom que a fidelidade seja conseguida sem nada disso, mas, quando o exige, talvez o preço seja elevado demais; seria melhor um pouco de tolerância mútua dos deslizes eventuais. Não há dúvida de que o ciúme mútuo, mesmo quando há fidelidade física, muitas vezes causa mais infelicidade num casamento do que haveria se existisse mais confiança.”</em></p>
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		<title>19.Repensando verdades</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 14:23:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofando sobre o romantismo]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>No último comentário que fiz, no artigo anterior, citei a falta de inspiração como a justificativa para o meu silêncio, por mais de um mês, devido a uma nova empreitada de estudante que se iniciou no dia 22 de fevereiro deste ano. O último artigo foi escrito, exatamente, uma semana antes, no dia 15. Confesso que esse intervalo estava incomodando-me bastante, apesar de saber que qualquer atividade criadora não depende apenas da simples vontade de fazer a obra nascer; ela não depende apenas do desejo consciente daquele que se presta a fazê-la surgir, por mais simples que seja, como a minha o é. É senso comum entre os artistas – não que eu seja um – que forçar a barra é provocar a morte de sua proposta perante seus apreciadores – para aqueles que já os têm – e a inviabilização de que novos admiradores surjam.</p>
<p>No entanto, durante esse período, estive me perguntando: “Será que é apenas falta de inspiração provocada pela obrigatória atenção que tenho dado às ciências exatas, em meus atuais estudos?” Sinceramente, ainda não tenho uma resposta definitiva. Porém, já possuo um esboço da mesma: não posso atribuir a culpa apenas à elevada carga horária discente na qual embarquei. Creio que novos ajustes e cursos de pensamentos aos quais minhas últimas experiências, leituras e reflexões têm me levado, gerando alguns tipos de incertezas que, por fim, têm me remetido a algumas novas indagações e a alguma insegurança, contribuíram para esse período sem produção. Cronologicamente, acredito que tenha ocorrido nada mais do que uma coincidência. Vou tentar explicar.</p>
<p>Lembro que, há pouco mais de um ano, quando comecei a escrever o meu livro, eu sabia que tinha muito o que viver, sentir e aprender. Porém, acreditava possuir uma boa ideia de como transcorreria, em minha vida, a gradual aplicação prática da filosofia existencial na qual estava mergulhando, sendo detentor de várias certezas e verdades. No entanto, atualmente, percebo que elas não passavam de parcas noções.</p>
<p>Apenas para ilustrar, eu estava certo de que, em um breve momento, eu iria escrever artigos mais voltados para o sexo em si, falando sobre possíveis curiosidades bissexuais que rondam muitas pessoas, <em>swing</em> e <em>ménage</em>, por exemplo, dentro ou não do modelo de relacionamento poliamor. Atualmente, tenho minhas dúvidas sobre a necessidade de abordá-los, pelo simples fato de que, amparados pela autoconsciência e tendo o amor, carinho e liberdade como linhas mestras, qualquer prática relacional deve ser isenta de julgamentos e de culpas. Ou seja, é muito pouco conversarmos sobre essas práticas levianamente condenadas se não conseguirmos nos sentir indivíduos munidos da capacidade de escolha, livres para se relacionar e amar a quem quer que seja, da forma que nos convier. Se essa viga psíquica não for muito bem construída, provavelmente a culpa nos pegará. Consequentemente, entregaremo-nos apenas parcialmente e a ressaca moral será certa.</p>
<p>Aqueles que me acompanham desde o início e/ou leram boa parte dos meus artigos e comentários, podem perceber que eu os iniciei focados no amor, na liberdade, nos relacionamentos e na sexualidade feminina que, como eu já expliquei, trata-se de assunto bem amplo e vai muito além do sexo em si, sendo este apenas uma das expressões daquela. Podemos notar que, aos poucos, a sexualidade e os relacionamentos foram deixando de ser o cerne das questões dos meus textos, dando lugar ao indivíduo, apesar de eu nunca ter deixado de citá-lo e valorizá-lo. Porém, creio que, no início, a ele tenha dado menos importância do que realmente possui isoladamente, ao como deve e merece ser refletido, cujas razões existenciais precisam ser pensadas e discutidas, em primeira mão, independentemente da forma que exerce sua sexualidade. Em suma, concluí que deveria ter começado com o indivíduo para depois conversarmos sobre as relações.</p>
<p>Não mudei de ideia acerca do determinismo do exercício da sexualidade sobre os variados graus de ansiedades, neuroses e possíveis psicoses que afligem as pessoas, principalmente nos tempos modernos – até porque vários psicanalistas, psicólogos e outros autores consagrados também defenderam e defendem tal linha, tais como Freud, Wilhelm Reich, Foucault, Marcuse, Rollo May, Roberto Freire, Erich Fromm, Arnaldo Jabor, dentre outros. No entanto, percebi que é quase inócuo discutirmos relacionamentos sem antes tecermos abordagens a respeito da essência do ser humano e suas questões existenciais: o self. Naturalmente, eu fui me voltando para ele – logo, também para MIM! – tanto em termos de reflexões baseadas em minhas experiências recentes, como de leituras diversas.</p>
<p>Para reforçar o que estou tentando lhes passar, cito um dos últimos parágrafos do livro do psicoterapeuta americano Rollo May, intitulado “O Homem a Procura de Si Mesmo”. Em minha opinião, trata-se de ótima leitura para nos levar a pensar de forma bem objetiva em nossa existência, o que fazermos de nossa breve caminhada neste mundo, no que realmente queremos para as nossas vidas, no por que agimos dessa ou daquela forma, na sociedade, religiões, na carga negativa da maioria dos pais em nossas escolhas ao longo de nossas vidas, etc. O autor dedicou o final do seu livro a uma abordagem sobre o amor e escreveu o seguinte:</p>
<p><em>“&#8230; o verdadeiro problema das pessoas de nossa época antecede o do próprio amor: é tornar-se capaz de amar. Ser capaz do intercâmbio responsável do amor é o critério mais seguro que possuímos para julgar a personalidade realizada. Mas por isso mesmo é uma meta conquistada somente na proporção em que se preencheu a condição anterior, que é tornar-se uma pessoa independente. De modo que todo o livro, e não apenas esta parte, poderia ser chamado de “prefácio ao amor”.”</em></p>
<p>Em resumo, nesse capítulo, Rollo afirma que o amor é um fenômeno raro em nossa sociedade e que é uma atitude néscia e, no mínimo, que denota total imaturidade, querermos verdadeiramente amar e nos fazer em condições de ser amados, sem um profundo e nada fácil autoconhecimento e independência afetivo-emocional. Por isso a banalização generalizada da atitude de amar. Durante todo o livro ele fala sobre questões existenciais do indivíduo, que o ser humano contemporâneo é pobre de espírito, ansioso, vazio e, somente no final, ele fala do amor, nesse capítulo que chamou de “Prefácio ao amor”. No mesmo capítulo, diz, ainda, o seguinte:</p>
<p><em>“&#8230; Na sociedade contemporânea existem todos os tipos de dependência fazendo-se passar por amor, uma vez que há tantas pessoas ansiosas, solitárias e vazias. Variam entre diferentes tipos de ajuda recíproca ou recíproca satisfação de desejos (que talvez sejam bastante sérios, caso recebam suas verdadeiras denominações), passando pelas várias formas “comerciais” de relação pessoal, até chegar ao nítido masoquismo parasítico. Não é nada raro encontrarmos duas pessoas que, sentindo-se solitárias e vazias, entram numa espécie de relacionamento, em um mútuo acordo para se protegerem da solidão&#8230;”</em></p>
<p>Durante essa longa fase em que tenho me voltado cada vez mais para o meu interior, tentando dialogar mais com meu EU, percebo que algumas “intenções de verdades” que eu tinha podem não corresponder exatamente ao que o meu self busca e deseja – mas isso ainda é uma suposição. Não acredito que eu tenha errado de direção. Apenas começo a supor que me encontrava apenas “mais ou menos” no sentido que me levaria a uma maior paz interior. Um exemplo: eu era um forte defensor do poliamor, achando que este modelo de relacionamento seria a mais legítima expressão da liberdade do ser humano e que, assim sendo, deveria ser buscado. Aos poucos, veio-me surgindo uma indagação: “será que não estou querendo, de fato, conhecer o sublime amor verdadeiro ou confluente, como o chama Anthony Giddens, ao mesmo tempo em que não quero abrir mão da antiga vaidade de macho predador e consumidor do sexo oposto? Qual o meu desejo prioritário? Aprender a amar alguém ou provar que somos capazes de amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo, sem conflitos?&#8221;</p>
<p>Estas questões começaram a brotar à medida que eu tentava responder às difíceis perguntas “o que eu quero e do que eu realmente preciso?”, ao mesmo tempo em que venho percebendo que o exercício da arte de amar a apenas uma pessoa já é algo muito difícil – pelo menos para um principiante como eu.</p>
<p>Gostaria que entendessem que não acho o relacionamento aberto ou o poliamor inviáveis e não há razão alguma para descartar nada do que escrevi até agora. Muito pelo contrário, acho-os ótimas expressões de liberdade e admito vivê-los. Como sempre, continuo empunhando a bandeira da liberdade e defendendo-a como única forma de conhecermos o amor verdadeiro. Apenas creio que errei, ao mal estar conseguindo me equilibrar em uma bicicleta com aquelas duas rodinhas de apoio, tolamente pedir emprestada a motocicleta de mil cilindradas do meu cunhado, namorado de minha irmã mais velha. Em suma, creio que seja mais sensato seguir uma linha mais focada no aprendizado do que é amar&#8230; depois, quando eu estiver relativamente proficiente nele e se acontecer, vou pensar em participar de MotoCross.</p>
<p>Em seu livro intitulado “Amor é Prosa, Sexo é Poesia”, Arnaldo Jabor faz menção a um conto de Carson McCullers, onde um homem conta que, <em>“antes de amar uma mulher, estou aprendendo a amar as pedras, as árvores, as nuvens&#8230;”</em> Então, tenho pensado que seria tolice tentar queimar etapas. Aproveito-me para refazer a frase, expressando-a em uma ordem de prioridade: preciso aprender a amar as pedras, árvores, nuvens, uma mulher, duas mulheres, etc.</p>
<p>Todas essas questões me travaram e exigiram um reordenamento de pensamentos. Mas apesar de um pouco angustiado com as dificuldades para escrever, encontrava-me feliz pelos novos “insights”. De forma alguma me vi frustrado por ter mais dúvidas e incertezas do que antes e por acreditar que me equivoquei em algumas prioridades. Mantenho todas as ideias já escritas. Apenas achei que era importante manter o 1 antes do 2, este antes do 3, e assim por diante. Posso vir a alterar algo novamente? Sim&#8230; não me importo.</p>
<p>Colocar os pensamentos em prática ou aplicar a filosofia deve ser isso mesmo: dinâmica sempre, com grandes possibilidades de, algumas vezes, concluirmos que nos equivocamos e que o mais sensato é voltar a algum ponto anterior, sentar e refletir.</p>
<p>Abraços a todos. Estou feliz por ter conseguido escrever.</p>
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		<title>18.Lidando com a impotência</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 12:59:48 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Filosofando sobre o romantismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Provavelmente, quando você leu o título, deve ter imaginado que eu falaria sobre a dificuldade masculina de conseguir a ereção. Assim como a frigidez feminina, vaginismo ou pouco prazer nos atos sexuais, tenho as minhas convicções acerca das causas desses problemas nas vidas de muitas pessoas. Mas não será dessa vez que tratarei desses assuntos.
Gostaria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Provavelmente, quando você leu o título, deve ter imaginado que eu falaria sobre a dificuldade masculina de conseguir a ereção. Assim como a frigidez feminina, vaginismo ou pouco prazer nos atos sexuais, tenho as minhas convicções acerca das causas desses problemas nas vidas de muitas pessoas. Mas não será dessa vez que tratarei desses assuntos.</p>
<p>Gostaria de falar sobre a impotência para lidar espontaneamente com o livre-arbítrio do parceiro. Ela nos impede de ter atitudes que demonstrariam, no mínimo, compreensão da individualidade daquele(a) com quem estamos nos relacionando e a quem declaramos amar. Diante da sensação de impotência, em casos mais extremos, ocorrem ameaças, violências e homicídios. Em inúmeras situações, por insegurança, queremos interferir nas decisões do outro, através de chantagens emocionais, por carência afetiva e com o único intuito de nos proteger, pouco nos importando se ele ficará feliz ou não com a própria decisão final, após as nossas opiniões e influências tendenciosas – que quase sempre visam a atender apenas ao nosso próprio alento interior.</p>
<p>Somos completamente despreparados para o jogo das relações. Quando começarmos a entender que o verdadeiro amor é excitante, lúdico e que é cheio de surpresas – boas ou não – estaremos nos iniciando como bons jogadores. Somos péssimos competidores: ninguém quer perder e aceita a derrota. Cada um tem suas armas, cartas na manga e agendas ocultas para tentar virar a mesa, caso perceba a iminência da perda – na maioria das vezes, os homens são os mais despreparados e os que mais reagem. Como em vários filmes que já assistimos, quando as apostas são altas e ele percebe que vai perder, vira a mesa, saca a arma e atinge o vencedor.</p>
<p>No jogo de cartas, por exemplo, sentimo-nos impotentes para fazer tudo transcorrer como gostaríamos&#8230; é ter sorte ou azar. Se não formos agraciados com as melhores cartas, fatalmente perderemos. Nos relacionamentos, a impotência advém da liberdade de escolha que todos deveríamos ter e entender que também é direito do outro. Precisamos aprender a lidar com ela, não a deixando corroer as nossas entranhas, como normalmente acontece.<br />
Apesar de o amor poder ser comparado a um jogo, pois podemos perder ou ganhar, bem diferentemente do que a maioria das pessoas pensa, o primeiro é uma arte, não dependendo em nada de sorte. O jogo só depende de sorte ou azar. Como escreve Erich Fromm, em seu livro “A Arte de Amar”, para exercermos bem uma arte, precisamos nos preparar para ela. No entanto, amar não deveria ser tratado como tal, pois essa sensação poderia perfeitamente emanar dos desejos naturais dos seres pensantes, conscientes de que gostamos e precisamos nos relacionar. Mas acaba passando a ser pois, para descobrirmos o que é o verdadeiro amor, precisamos nos desapegar de muitos valores morais que a sociedade machista e capitalista nos ensinou&#8230; isso exige muito esforço e psicomalabarismos no conceito aprendido acerca do amor. Então, vira uma arte, pois exige dedicação. Como diz Fromm, deixamos de ser indivíduos, pessoas, almas e passamos a ser produtos. “O que interessa é saber se o outro vai atender às MINHAS necessidades financeiras e emocionais, dentre outras, e se meus amigos gostarão de me ver usando e vestindo aquela pessoa. Mas se ela não funcionar como no manual que me deram, vou me aborrecer, jogar fora e comprar outra – possivelmente, não antes de complicar o máximo possível a sua vida”. Não são pessoas que se casam&#8230; são objetos funcionais.. Só falta possuirmos número de série, com o nome do fabricante acima: Hypocrisy Corporation Inc. – já que é uma prática de todo o ocidente, usemos a língua universal. No Brasil, seria Hipocrisia S.A., montados em uma zona que de franca nada tem.</p>
<p>Além de termos sido criados para ganhar sempre, passaram-nos a falsa idéia de que as pessoas e os relacionamentos são cartesianos e previsíveis. Mudanças comportamentais e das escolhas anteriormente feitas passaram a ser decepcionantes, pecado e uma demonstração de instabilidade emocional. Dessa forma, não somos nada preparados para lidar com as perdas e algumas frustrações. Consequentemente, respiramos o eterno e para sempre – a não ser que a vontade da quebra dessa regra seja “minha”&#8230; nesse caso, exijo compreensão. </p>
<p>Gente, é muito difícil amar. Os valores que nos ensinaram não nos levam ao amor. Eles nos orientam apenas em direção ao narcisismo, à necessidade de poder sobre os olhares, pensamentos e ações do outro, ao controle, às garantias e aos mimos pessoais. O exercício do aprendizado de amar é realmente doloroso, pois exige a desconstrução de uma gama de valores e posterior construção de outros. Uma simples reforma não adianta nada.</p>
<p>Queremos ter a sensação de onipotência, principalmente os homens, de sermos o centro da vida do outro. A possibilidade da liberdade de quem afirmamos amar nos remete à sensação de impotência sobre uma iminente perda&#8230; e, no início, é muito difícil lidar com ela. Por isso as relações viram um cárcere. Mas precisamos aprender. Perseverando, o prazer dessa libertação começa a despontar e a nos regozijar. Precisamos entender que, de fato, não temos poder algum sobre as ações do outro e, a cada década que passa, menos ainda sobre a mulher. Precisamos compreender que a nossa necessidade de poder gera angústia e tristeza profunda na pessoa que dizemos amar. Precisamos entender que assumir a impotência que temos sobre o destino do outro, como algo natural, e que também reflete na incerteza do destino do relacionamento, é essencial para uma relação saudável e duradouramente intensa. Somente aqueles que aprendem a lidar com a impotência e que vêem na decorrente incerteza algo excitante são capazes de ser realmente amados.</p>
<p>Desmistificar a necessidade de poder e de segurança em um relacionamento é uma das etapas do aprendizado do amor.</p>
<p>Qual a diferença entre um relacionamento nesses moldes e, provavelmente, o seu? Verdades e mentiras&#8230; nada mais do que isso. O poder que você acha que tem sobre ele(a) é ilusório e serve apenas para acalmar a sua insegurança. Quando o seu parceiro ficar de saco cheio de brincar de deixar você achar que é o centro da vida dele, você vai tomar um surpreendente pé na bunda, sem aviso prévio. Não é assim que acontece?</p>
<p>O amor romântico exige a falsa sensação de poder traçar o destino e controlar as ações do outro, assim como de dependência deste. O amor verdadeiro se delicia e goza com as consciências mútuas de impotência e independência.</p>
<p><em>&#8220;Se você não confia no amor, ele deixa de existir.&#8221;</em><br />
Roberto Freire, em &#8220;Cleo e Daniel&#8221;</p>
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		<title>17.Roberto Freire em Ame e dê Vexame</title>
		<link>http://elanuaecrua.com.br/17-roberto-freire.htm</link>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 01:41:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofando sobre o romantismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Gostaria de compartilhar com vocês uma entrevista dada pelo fantástico pensador Roberto Freire – desculpem-me, mas não fiz questão alguma de me conter – à revista gaúcha Wonderful. Ela se encontra em seu livro intitulado Ame e Dê Vexame, Editora Guanabara, e tem tudo a ver com o que temos conversado sobre o amor, os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostaria de compartilhar com vocês uma entrevista dada pelo fantástico pensador Roberto Freire – desculpem-me, mas não fiz questão alguma de me conter – à revista gaúcha Wonderful. Ela se encontra em seu livro intitulado Ame e Dê Vexame, Editora Guanabara, e tem tudo a ver com o que temos conversado sobre o amor, os relacionamentos e a vida &#8211; esta que, em minha opinião, nada é que valha a pena sem os dois primeiros vividos com liberdade. Porém, as considerações do Roberto Freire &#8211; assim como as minhas &#8211; acerca desse sentimento que chamamos de amor em nada combinam com o que a massa consumidora das telenovelas o considera.<br />
Ele morreu em 2008, aos 81 anos, depois de vários trabalhos criados, ao longo de sua vida, versando sobre o amor, afirmando não saber e não fazer sentido algum querer defini-lo.</p>
<p>Um site com uma breve biografia de Roberto Freire, dentre vários existentes na Internet:</p>
<p><a href="http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&#038;cd_verbete=8927">http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&#038;cd_verbete=8927</a></p>
<p>O livro completo <strong>Ame e Dê Vexame </strong>pode ser baixado gratuitamente do site:</p>
<p><a href="http://www.scribd.com/doc/8003083/Roberto-Freire-Ame-e-DVexame-rev">http://www.scribd.com/doc/8003083/Roberto-Freire-Ame-e-DVexame-rev</a></p>
<p>Vamos à entrevista:</p>
<p><strong>W. — Quem é Roberto Freire, pessoa?</strong> </p>
<p><strong>RF</strong>. — Talvez essa seja a coisa mais difícil, saber quem a gente é. Na verdade, não tenho mais nenhum interesse em saber quem sou. A vida vem me fazendo viver de muitos jeitos, como se já tivesse sido várias pessoas. Eu me sinto múltiplo. Quando se vive muito tempo e muito intensamente, acabamos por descobrir em nós potenciais de vida ainda não usados, por medo e por ignorância de nós mesmos. E não é a mesma coisa do que usar máscaras ou viver personagens teatralmente, como defesa ou astúcia. Quando superamos o medo de ser o que a gente realmente é, surpreendemo-nos com o que ainda dispúnhamos para ser. Talvez o melhor de nós mesmos é o que nos fazem mais reprimir. Mas, entenda, claro que a gente é um só, o que foi produzido geneticamente, mas tem também a parte que a vida nos ensina a ser, esta última de que falei. A gente vai se revelando aos pedaços e se modificando de tal forma a nos fazer pensar, quando chega a velhice, que fomos muitos homens diferentes durante a vida. O que sou hoje é quase o oposto do que fui na juventude. Acho que sou mais este velho.</p>
<p><strong>W. — Mais ou menos como quando falas do amor multifacetado, mais nas mil maneiras de amar&#8230; </strong></p>
<p><strong>RF</strong>. — A gente é monogâmico só quando o amor está bom demais. Se ele fica bom, quer dizer, normal, a gente se torna logo poligâmico. Agora, quando está bom demais, não há como pensar em outras coisas, querer outras pessoas. Ficamos ali mergulhados naquela experiência, querendo aprofundá-la, vivê-la por inteiro. Isso deriva daquele negócio da gente, se quer a liberdade, não poder ser uma coisa só. Fritz Perls tem uma frase de que gosto muito: &#8220;Deus me livre das pessoas de caráter.&#8221; É que as pessoas de caráter são únicas, não mudam, não evoluem, têm obsessão pela coerência. E a vida não é assim. Na vida você tem de aparentar muita incoerência para poder viver todos os seus lados. Eu me sinto uma incoerência só, hoje em dia. E assim vivo muitas experiências, amo de mil maneiras mil pessoas, e sigo o que a Natureza me impõe. Sem entrar em um modelo, viver a moda, obedecer a padrões. Estou vivendo meus impulsos, minhas funções vitais que às vezes coincidem com as gerais e institucionalizadas, com as que foram classificadas; outras vezes, a maior parte das vezes, não, pareço maluco, dou vexames&#8230; </p>
<p><strong>W. — E isso inclui alguma paixão?</strong></p>
<p><strong>RF</strong>. — Tenho várias ao mesmo tempo, atualmente. Estou vivendo uma fase diferente, interessante, porque me sinto muito disponível. Estive muito tempo preso a uma grande e exclusiva paixão e, depois que acabou, tive uma sensação de renascimento. Agora estou tentando viver envolvimentos diferentes. Fico totalmente apaixonado pela pessoa que está a meu lado, na hora que estou com ela. E acontecem sempre coisas fortes e bonitas. E ficamos juntos o tempo que for bom para nós. Preciso de pessoas que não me cobrem fidelidade, nem continuidade, nem exclusividade. Gosto do namoro, do encontro, que propicia sexualidade original, lúdica, alegre, descartável. Assim, a gente vive em permanente estado de descoberta, surpresa e encantamento. </p>
<p><strong>W. — E como é tua relação com os amigos?</strong></p>
<p><strong>RF</strong>. — Eu sou muito apaixonado pelos meus amigos. A minha paixão por um amigo é quase igual à paixão por uma mulher. Eu os amo profundamente. Não tenho a menor dúvida de que a sensação de amor é a mesma. Eu acho que filho, amigo, irmão, amante é tudo a mesma coisa em termos de quantidade e qualidade de amor. Porque só existe mesmo um único amor, uma só forma de amar, uma única e só energia amorosa que nos faz amar de jeito diferente com cada pessoa, com o tipo de relacionamento que desejamos, livremente, ter com ela. A Natureza nos deu toda uma gama de possibilidades de exercer o amor que vai da genitalidade à espiritualidade. É muito bom poder viver toda essa gama de possibilidades amorosas com toda a gama de possibilidades de pessoas que vamos encontrando por aí&#8230; </p>
<p><strong>W. — Essa relação de sexo com liberdade é interessante&#8230;</strong></p>
<p><strong>RF</strong>. — Antes de nos preocuparmos com nossa vida sexual, nossa vida afetiva, a gente devia se conscientizar se estamos livres, livres para dizer sim ou não. As pessoas fazem sexo, fazem amor e se sentem envolvidas com pessoas a quem elas estão dizendo não intimamente, mas se sentem obrigadas a ficar com elas e fazer tudo o que elas pedem, inclusive em matéria de sexo. Então o mais importante a resolver é a gente procurar estar preparado para dizer sim ou não, quando sente, respectivamente, sim ou não. Quando você diz sim para alguém que deseja se relacionar sexualmente com você e está sentindo esse sim inteiro dentro de seu desejo, de seu sentimento, então a Natureza, o que mantém as coisas vivas e funcionando de modo harmonioso dentro de você, vai fazê-lo exercer sua sexualidade livre e prazerosamente, sem nenhum impedimento, dificuldade ou medo. Nessas condições, será impossível ocorrer frigidez sexual e vaginismo na mulher bem como impotência e ejaculação precoce no homem. A idéia em que me baseio, provada cientificamente, é que existe uma auto-regulação espontânea em nosso organismo, para que todas as funções vitais, incluindo a sexual, funcionem natural e espontaneamente. Quando o homem nasce, está pronto e apto para viver todas as suas funções vitais, como respirar, pensar, amar, fazer sexo, se alimentar. Não precisa-mos aprender a buscar nosso prazer com ninguém. Mas para a auto-regulação funcionar é preciso que não haja em você nenhuma trava emocional, psicológica e física. Acontece que a educação autoritária nos enche de travas. E a trava principal é quando a gente realmente gosta de alguém não poder sair correndo atrás dela dizendo eu te amo, te adoro, te desejo. Da mesma forma, quando a pessoa de que você não gosta está a fim de você, seria importante você pode dizer eu não quero, não gosto assim de você, não estou a fim. O problema é que não conseguimos nem dizer nem ouvir isso normalmente, sem nos parecer violência, ofensa, rejeição. </p>
<p><em>Claro, falando de sexo, não poderíamos evitar certas posturas absurdas e reacionárias da Igreja Católica. E o assunto entrou em pauta na entrevista, quando eu dizia o seguinte: </em></p>
<p><strong>RF</strong>. — A sexualidade acontece de modo natural, é espontânea e o amor nasce dessa necessidade de aproximação entre as pessoas, com duas finalidades: a procriativa e a do encantamento. </p>
<p><strong>W. — Para a Igreja só existe a necessidade procriativa&#8230;</strong></p>
<p><strong>RF</strong>. — E a vida permanece graças à procriação que deriva desse encantamento. Agora, o homem não sobrevive pela procriação, ele vive e sobrevive pelo encantamento. Mesmo entre os animais a procriação é importante, mas as espécies não permanecem porque procriam, mas porque têm prazer em permanecer. Se não têm prazer em permanecer, não adianta procriar. O que adianta é viver o encantamento derivado do prazer sexual. O ser procria em alguns minutos e, depois, como suportaria os outros milhões de minutos após a procriação? </p>
<p><em>Fatalmente cairíamos na questão da homossexualidade. Tenho me recusado ultimamente a responder a perguntas sobre esse assunto, porque sempre são acompanhadas de outras ligadas à AIDS, fazendo com que qualquer resposta se acabe tornando tão preconceituosa e reacionária quanto as perguntas, e eu acho que esse tipo de diálogo não ajuda a esclarecer nenhuma das duas questões. A meu ver, elas só devem ser tratadas em separado, porque a homossexualidade faz parte da condição humana e a AIDS é apenas um embuste, embora trágico, forjado por interesses políticos e financeiros no campo da saúde pública. Recentemente, esse embuste começou a ser denunciado e revelado. Sabe-se, com segurança, que AIDS não existe como uma doença isolada, não se comprovou ainda satisfatoriamente ser o vírus HTLV3 o seu causador. É bastante suspeito também o fato de receber<br />
royalties, em cada teste feito para a sua localização, o cientista que o isolou. Em verdade, as pessoas que estão morrendo e rotuladas como portadoras de AIDS possuem várias doenças debilitadoras do sistema imunológico do organismo como depressão psicológica, alcoolismo, desnutrição e dependência a drogas e, por interesses científicos e políticos inconfessáveis, pelo menos por enquanto,<br />
continuam sendo anticientífica e antieticamente classificadas de modo discriminador, visando sobretudo imobilizar a liberdade no sexo e no amor.</p>
<p>Antes de voltar à entrevista, quero relatar um episódio real sobre homossexualismo que, devido à inteligência brilhante de seu protagonista, ajuda a entender os aspectos políticos reacionários, tanto os relativos ao homossexualismo quanto à AIDS.<br />
Leonard Matlovich, membro da Força Aérea Norte-Americana, foi condecorado por sua atuação no Vietnã. Posteriormente foi expulso da corporação por homossexualismo, em 1975. Depois de cinco anos de batalhas nas cortes americanas, recebeu uma indenização de 160 mil dólares da Força Área. Leonard ficou famoso por esta frase, com a qual resumiu o episódio: </p>
<p>A Força Aérea me condecorou porque matei dois homens no Vietnã e me expulsou por amar um.<br />
Ele morreu de AIDS, em Los Angeles, aos 45 anos de idade. </em></p>
<p><strong>RF</strong>. — A noção comum sobre o homossexualismo tem de ser refeita. Pelos valores tradicionais, homossexualismo é um defeito na pessoa humana, uma doença, uma perversão, uma tara. Agora, como provar isso? A única coisa que se sabe com segurança é o fato de sempre ter existido um número de pessoas que prefere viver sua sexualidade dessa maneira, com as mesmas dificuldades no plano afetivo que os heterossexuais. De novo volta-se ao problema da liberdade, também quando se fala em homossexualismo: cada um tem o direito de usar o seu corpo da maneira que lhe der mais prazer e poder atender assim a seus impulsos naturais. Importa é que todos os atos humanos sejam de inteira responsabilidade de quem os pratica. Mesmo o suicídio deveria ser entendido dessa<br />
forma, como um ato livre e de exclusiva responsabilidade da pessoa que optou decidir sua vida dessa maneira. Eu não teria dúvida em afirmar hoje que prefiro o suicídio a qualquer restrição essencial à minha liberdade de ser e viver de acordo com a minha natureza original e única. Digo isso porque sei ser a neurose, a loucura e a mediocridade o resultado de qualquer conciliação nesse campo. </p>
<p>Quando a conversa voltou para a AIDS, em qualquer momento, afirmei enfaticamente: </p>
<p><strong>RF</strong>. — E lamentável que o ser humano seja agora assim atingido naquilo que ele mais precisa liberar, que é o amor e a sua sexualidade. Acho, sinceramente, que eu prefiro morrer de AIDS a viver em solidão. Prefiro morrer de qualquer excesso a morrer de qualquer contenção.<br />
Depois, para finalizar, a entrevista entrou num pingue-pongue, do qual ainda se podem selecionar algumas coisas, como estas: </p>
<p><strong>W. — E como você vê a educação sexual nas escolas?</strong></p>
<p><strong>RF</strong>. — É um absurdo ensinar sexo para as crianças, porque elas sabem, quer dizer, estão prontas para fazer sexo no momento em que realmente necessitem disso. O que é preciso é ensiná-las a ser elas mesmas, para conseguirem ter uma sexualidade livre. Os corpos das crianças sabem fazer sexo. O que não sabem é como, mais tarde, vão conseguir sobreviver economicamente numa sociedade autoritária, sem se vender, sem se prostituir, mesmo sexual e afetivamente. </p>
<p><strong>W. — Como você vê a liberação da mulher?</strong> </p>
<p><strong>RF</strong>. — A mulher não pode ser dependente, submissa ou diminuída em relação ao homem. Acho um absurdo se usar a anatomia para explicar o comportamento do homem e da mulher, usar a anatomia como justificativa para comportamento psico e sociológico. Só porque a mulher tem o sexo invaginado e o homem o tem penetrante, isso estaria indicando que é o homem quem produz o prazer na mulher. Isso não é, absolutamente, verdade científica. A mulher, quando se faz livre, só sente real prazer se ela também produz prazer no homem, não apenas por recebê-lo. A relação de privilégio, poder, dominação de origem fálica, tem de desaparecer. Todas as curas que fiz em mulheres anorgásticas foram obtidas após essa conscientização. Assumindo uma função ativa na relação sexual, elas conseguem seu orgasmo indo buscá-lo, elas próprias, no corpo do homem. </p>
<p><strong>W. — Enfim, qual é a melhor maneira de se fazer sexo? Como atingir a felicidade sexual?</strong> </p>
<p><strong>RF</strong>. — Simplesmente conseguindo ser você mesmo e identificando-se com o que você é em seu corpo todo, em seu soma, não dividido, sobretudo em cabeça, tronco, membros e sexo. E aprendendo a enfrentar todas as dificuldades que se apresentam contra isso. Ser livre é muito mais difícil do que alcançar o prazer sexual. Existe um certo tipo de prazer sadomasoquista que é fácil de alcançar. É o jeito como gozam os escravos, os neuróticos, os medíocres e os poderosos. A repressão sexual nas crianças e nos jovens não visa diminuir-lhes o prazer em si, mas, sobretudo, de modo indireto, o que se pretende é mesmo reduzir sua liberdade, para ser mais fácil dominá-los e conduzi-los. </p>
<p><strong>W. — Nisso tudo, onde fica o amor?</strong> </p>
<p><strong>RF</strong>. — A maioria das pessoas tem uma visão estreita e conformada sobre o amor. Pra se viver um amor inteiro, livre e nem um pouco sadomasoquista, sem nenhum sacrifício, é preciso ter a coragem do ridículo, de assumir coisas aparentemente absurdas e incomuns. Porque cada um tem uma forma original e pessoal de amar, se é realmente livre. Eu sou um romântico, não há nada a fazer, só sei ser assim. Mas ser romântico hoje é ser ridículo. Então, sou ridículo, assumo, proclamo, dou vexame e fico com a sensação de que a beleza e o amor são uma só coisa. Só nesse meu romantismo consigo perceber a beleza da vida, quando estou amando. </p>
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		<title>16.Amor, liberdade, sexo e promiscuidade</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 17:47:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofando sobre o romantismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes do artigo, gostaria de colocar o link para uma entrevista que dei para o jornalista Ruleandson do Carmo, de Belo Horizonte. Foi publicada ontem, dia 31/01. O título é &#8220;Machismo e Amor: um Homem em Defesa das Mulheres&#8221;, e se encontra na página principal.
www.eusoqueriaumcafe.com
“&#8230;A maioria das pessoas vê o problema do amor, antes de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes do artigo, gostaria de colocar o link para uma entrevista que dei para o jornalista Ruleandson do Carmo, de Belo Horizonte. Foi publicada ontem, dia 31/01. O título é &#8220;Machismo e Amor: um Homem em Defesa das Mulheres&#8221;, e se encontra na página principal.<br />
<a href="http://www.eusoqueriaumcafe.com">www.eusoqueriaumcafe.com</a></p>
<p><em>“&#8230;A maioria das pessoas vê o problema do amor, antes de tudo, como o de ser amado, em lugar do de amar, da capacidade de alguém para amar. Assim, para essas pessoas o problema é como serem amadas, como serem amáveis. Na busca desse alvo, seguem diversos caminhos. Um deles, especialmente utilizado pelos homens, é ter sucesso, ter todo o poder e riqueza que a sua  posição social permitir. Outro, especialmente utilizado pelas mulheres, é tornarem-se atraentes, pelo cuidado com o corpo, o vestuário, etc. Outros modos de se fazer alguém atraente, usados tanto por homens como por mulheres, são o desenvolvimento de maneiras agradáveis, conversação interessante, a prestatividade, a modéstia, a inofensividade. Muitas das maneiras de uma pessoa se tornar amável são as mesmas empregadas para obter sucesso, “para conquistar amigos e influenciar os outros”. Na realidade, o que a maioria dos de nossa cultura considera ser amável é, essencialmente, uma mistura de ser popular e possuir atração sexual.”</em></p>
<p>Trecho extraído do livro A Arte de Amar, de Erich Fromm.</p>
<p>Segunda-feira. Dois amigos solteiros almoçam juntos.<br />
- E então, como foi a festa de sábado?<br />
- Foi demais! Tinha mulher saindo pelo ralo. Peguei três e comi uma em meu apartamento. Ontem, domingo, saí com outra delas e que também já é certo que vou comer.<br />
- Ué, sua namorada não foi?<br />
- Não. Dei um perdido nela. Falei que estava cansado e que não queria sair. Eu tinha que ir sozinho nessa festa. Sabia que ia bombar.<br />
- Que legal!! Você é foda!<br />
Acabou o relato sobre a festa.</p>
<p>Durante muitos anos, tenho lido e ouvido que o mundo orbita em torno do sexo. Claro que sempre concordei com essa afirmação, pois sentia a sua verdade na minha pele e nos comportamentos das pessoas, principalmente dos homens. Aqueles menos providos de beleza física e/ou mais dotados de timidez eram, simplesmente, “menos” do que os outros cujas coleções de novas conquistas cresciam vertiginosamente e que sempre tinham um novo troféu de saia para exibir em suas galerias de títulos de garanhões da temporada.</p>
<p> O homem, principalmente – mas claro que não apenas ele, quando se veste, exercita seu corpo para ganhar músculos, compra um apartamento bem localizado, um carro ou uma roupa, estuda, atualiza-se a respeito do que está ocorrendo no mundo, tornando-se “o esclarecido”, consegue um bom emprego, melhora de salário, etc, no fundo, pensa em maiores facilidades para conseguir o que? Sexo.</p>
<p>Eu, por pura ingenuidade estúpida – mais estúpida do que ingênua, achava essa postura natural do ser humano macho. Natural não no sentido de comportamento normal – porque realmente o é; eu achava que fazia parte de nossa essência de macho mesmo. Atualmente, menos idiota, percebo que até certo ponto, sim, mas tenho conseguido enxergar um grande espaço para inserir um sensato não.</p>
<p>Gostaria de deixar bem claro que possuo um conceito bem diferente da moralidade sobre a promiscuidade. Ela, para mim, não está associada à intensidade da variação de parceiros sexuais. Associo a promiscuidade à qualidade dos encontros, às razões que levaram a pessoa a escolher o parceiro e com ele aceitar fazer sexo e com que frequência o sexo pelo sexo ocorre no cotidiano de determinado homem ou mulher, deixando a conhecida sensação de vazio.</p>
<p>Li, durante essas férias, duas vezes, o livro do sociólogo americano Anthony Giddens, da Universidade de Cambridge, chamado A Transformação da Intimidade. Essa leitura solidificou muitas conclusões que tenho tirado de experiências com as minhas liberdades interior e relacional, as quais tenho me proposto a aumentar cada vez mais.</p>
<p>Segue o relato de um homem, extraído do livro, feito durante uma reunião de um grupo de autoajuda para pessoas viciadas em sexo. Para quem não sabia, esses grupos existem, inclusive no Brasil, semelhantemente aos Alcoólicos Anônimos.</p>
<p><em>“Compreendi que as medidas que sempre havia assumido para afastar a dor tornaram-se imensuravelmente dolorosas: levar uma mulher para a cama não funcionava mais para mim. Perdi muita coisa na busca do meu vício, e a minha sensação de vazio pessoal agora me atingia minutos depois de minha última conquista. O sexo não me  proporcionava nada além da liberação da minha ejaculação; muito frequentemente, sequer, eu conseguia atingir o orgasmo. As mulheres não eram mais objetos de amor ou de desejo. Eu havia atingido o ponto em que sentia repugnância por minhas parceiras, mesmo quando as penetrava, e a causa da minha aversão era, principalmente, o fato de eu saber o quanto eu precisava delas.[...] Nenhum de nós jamais sente aquela satisfação no abraço mais íntimo, que o instinto e a razão me dizem que deveria ocorrer.”</em></p>
<p>Independentemente do gênero, todos nós que temos ou tivemos, em algum período, vidas sexuais ativas, sabemos muito bem o que é essa sensação de nada, após o sexo ou no dia seguinte. O máximo que conseguimos é gozar – quando ocorre. Minutos depois, dá vontade de virar fumaça e sair pela janela, sem direito à despedida. Não houve o que chamo de &#8220;comunicação&#8221; ou troca de boas energias durante o sexo.</p>
<p>A mulher, em geral, não se permite novas tentativas sucessivas, freqüentes e em pouco espaço de tempo, em busca de outro encontro que talvez vá alimentar de verdade as carências de sua alma. Com isso, sua última experiência frustrante e vazia permanece por um bom tempo em sua mente, até tomar coragem para uma nova experiência. Muitas das vezes &#8211; mas nem sempre &#8211; ela tende a se reclusar sexualmente, por um período. O homem, se surgir uma nova oportunidade no dia seguinte, não a deixará passar. Ou seja, nele, existe sempre a esperança de que “amanhã será melhor”, permitindo-se experimentar, devido à &#8220;quase&#8221; ausência da culpa. Então, acumula uma sucessão de trepadas com as mesmas sensações: de nada. O que muda é se elas eram feias ou bonitas, extrovertidas ou tímidas, românticas ou resolvidas, ricas ou pobres, inteligentes ou limitadas, bundas e peitos grandes ou pequenos. Quanto às sensações, tudo igual. Depois ele se diz &#8220;experiente&#8221;.</p>
<p>Atualmente, tenho o prazer de estar descobrindo que esse sexocentrismo – podendo ser vício ou compulsão &#8211; e a desenfreada busca do ato sexual, com seu conseqüente vazio interior, são decorrentes, de uma forma bem simplista, da ausência de verdades nos relacionamentos, assim como do conhecimento e da liberdade das nossas sexualidades. Se não tenho intimidade com a minha essência, se não converso com o meu eu, jamais conseguirei saber o que a minha alma verdadeiramente deseja, do que ela precisa para ficar em paz, dando-me a sensação de bem-estar. Então, viro uma marionete da sociedade, que dita tudo que eu preciso. Tudo tem me levado a concluir que as verdades &#8211; em um sentido muito amplo &#8211; são o ponto de partida para o nosso desenvolvimento como seres humanos. A partir delas surgirá a libertação interior e exterior e, consequentemente, da ditadura do sexo.</p>
<p>Estamos falando de que? De amor. Que tipo de amor? Amor pela verdade, amor pelo outro exatamente como ele é, independentemente de nossos interesses, necessidades e temores.</p>
<p>Erich Fromm, em seu livro A Arte de Amar, diz que <em>“&#8230; a principal condição para realização do amor é a superação do narcisismo. A orientação narcisista é aquela em que só se experimenta como real o que existe dentro da pessoa, ao passo que os fenômenos do mundo exterior não têm realidade em si mesmos, mas são experimentados somente do ponto de vista de serem úteis ou perigosos. O pólo oposto ao narcisismo é a objetividade; é a faculdade de ver pessoas e coisas tais como são, objetivamente, e a capacidade de separar esta imagem objetiva de uma imagem formada pelos desejos e temores que se tenham. Todas as formas de psicose mostram a incapacidade de ser objetivo, em extremo grau. Para a pessoa insana, a única realidade que existe está dentro dela, é a de seus temores e desejos”.</em></p>
<p>A nossa sociedade narcisista, romântica e patriarcal inventou um mundo irreal para que nele vivêssemos e o aceitamos sem nada questionar. Inconformado, resolvi afrontar esse mundo imposto, e a reboque, sua sociedade, o romantismo, o patriarcado e tudo mais que castrava o meu livre-arbítrio, na tentativa de descobrir do que eu realmente preciso para viver em paz. Curiosamente, descobri que, inicialmente, em sequência lógica, só preciso do seguinte:</p>
<p>1)	Conseguir ficar sozinho – só toma conhecimento do que é o amor puro e verdadeiro aquele que exercita a solidão e consegue conviver bem com ela, Poucos conseguem enxergar nela a poderosa e única aliada para o autoconhecimento, logo, poucos têm contato com esse tipo de amor;<br />
2)	Exercer e estimular, cada vez mais, sem medo do desconhecido ou vergonha de ser diferente, a expressão da verdade sobre minha sexualidade, assim como a de quem estiver comigo, mesmo que as duas passem como um rolo compressor sobre todos os proibitivos preceitos morais vigentes – sem dúvida, passarão;<br />
3)	Exercitar o pensamento, a expressão e a ação da minha liberdade e permitir que as pessoas com quem me relaciono façam o mesmo. Quanto mais a pratico, mais descubro quanto tempo eu perdi e o quanto fui enganado pela masculinidade que me ensinaram a exercer; e<br />
4)	Ter coragem para ousar práticas de relacionamentos nada usuais e condenados pela sociedade, quando acredito serem factíveis e superiores aos convencionais, sintéticos e nada naturais, baseado somente em minha consciência e intuição, após várias conversas comigo mesmo – que ocorrem diariamente.</p>
<p>Durante algum tempo praticando o acima descrito, estou tendo uma grata surpresa, ao perceber o meu narcisismo desaparecendo, aos poucos. Finalizei o processo? De forma alguma. Ele está apenas no começo, mas já tem me rendido excelentes frutos. O principal deles foi passar a dar menos importância ao sexo, tirando-o da condição de protagonista das minhas relações e colocando-o em seu devido lugar: o de uma agradável e inevitável conseqüência. Aqui entra a objetividade comentada por Erich Fromm. É bastante óbvio e racional que eu só posso amar e desejar de verdade aquele que eu conheço de verdade &#8211; e isso se estende às relações entre amigos e entre pais e filhos. A palavra desejo sempre nos remete ao sexo. Porém, falo de desejo pelo ente humano que com ele carrega suas idéias, comportamentos, idiossincrasias e filosofia de vida&#8230; mais uma vez, apesar dos nossos interesses, necessidades e temores.</p>
<p>Somente agora, no finalzinho do artigo, entro na questão central do post. Atualmente, vivo em total liberdade e em intenso regime de verdades, tendo apresentado a todas as mulheres que conheço, parceiras ou apenas amigas, quem realmente sou, além de, avidamente, demonstrar querer saber quem elas também são, o que pensam, estimulando-as, sinceramente, a assumir e exercer suas sexualidades. Deixo claro que somente eu tomo as decisões sobre minha vida e faço minhas escolhas – e vice-versa. Isso tem sido compreendido e tenho conseguido, com sucesso, manter relacionamentos intensos de amizade e cumplicidade, com amigas ou parceiras sexuais &#8211; que também nunca deixam de ser verdadeiras amigas.</p>
<p>O interessante é que, apesar da liberdade, encontro-me, atualmente, em um regime praticamente de monoamor – ou de monogamia sexual, como é mais conhecido, sem controles e cobranças. Pura opção mesmo, apesar de eu não estar fechado a nada. Por quanto tempo mais pode durar essa escolha? Não sei e não me preocupo com isso. Posso passear entre momentos de mono e polirrelações, contanto que eu esteja bem comigo mesmo e que as verdades nunca sejam deixadas de lado. Pergunto: essa tranquilidade e paz é, estranhamente, apesar da liberdade ou é decorrência dela? Tenho certeza de que é consequência.</p>
<p>Assim sendo, será que a liberdade é tão perniciosa aos relacionamentos quanto os românticos defendem estereotipadamente e sem pensar? Ou será que não passa de uma postura covarde decorrente de inseguranças narcisistas? A grande maioria dos homens &#8211; praticamente todos &#8211; não faz idéia do quanto essa masculinidade imposta, com o mito do corno, da posse, dominação, honra, virilidade, infalibilidade sexual, etc, elimina qualquer possibilidade de um relacionamento puro e verdadeiro. Não fazemos idéia do quanto esses mitos nos tornam pequenos, mesquinhos, egoístas e incapazes de amar, no sentido mais sublime da palavra.</p>
<p>Em meio à transformação social que se encontra em curso há algumas décadas, há tempo entramos na fase da busca dos relacionamentos especiais, que vai muito além da busca da pessoa especial &#8211; boazinha, companheira, cuidadosa, fiel, que abdica de suas vontades para satisfazer o outro, etc. Basta olharmos em volta e veremos inúmeros casamentos entre &#8220;pessoas especiais&#8221; sendo desfeitos, por iniciativas femininas, por serem relacionamentos insatisfatórios. Infelizmente, poucos homens conseguem se sensibilizar a esse respeito&#8230; estão ficando para trás e mesmo assim não conseguem enxergar conscientemente a poeira que as mulheres estão deixando. Resumindo, estão perdidos.</p>
<p>Se os fanáticos românticos conseguissem entender que <strong>a liberdade e as verdades </strong>proporcionam uma paz interior capaz de minimizar bastante o ímpeto masculino de ser “promíscuo”, de trepar, tornando as pessoas muito mais seletivas, ensinando-lhes o que é sentir verdadeiro afeto em um abraço e a amar em um sentido bem amplo e desfocado do sexo&#8230; se soubessem como é maravilhoso não ter medo das verdades do parceiro, vivendo e também proporcionando a liberdade, deixando o par muito mais seguro &#8211; já que a segurança é o que mais buscam, cinicamente nomeando-a de amor – deixariam de lado as mentiras e migrariam “voando” para o regime de liberdade. Aqueles vazios no café da manhã do dia seguinte dificilmente voltarão a tomá-los.</p>
<p>A hipocrisia dos casamentos institucionais tidos como moralmente corretos, além de limitar os relacionamentos à superficialidade, ainda tem a característica de lançar cônjuges e namorados &#8211; sem o(a) parceiro(a) &#8211; em direção ao proibido, que são os &#8220;episódicos encontros Miojo&#8221;, quando o sexo e a novidade assumem imensa importância. Então, vivemos repetindo que o proibido é extremamente excitante &#8211; e não o deixa de ser. No entanto, devido às mentiras, acabamos nos contentando com esses romances furtivos e deixamos de conhecer outros encontros muito mais excitantes e cheios de sensações cúmplices, quando duas pessoas resolvem conhecer juntas o que existe por trás das disseminadas imoralidades proibidas. Porém, agora em um ambiente desprovido de mentiras, culpas e, consequentemente, favorável às novas descobertas, que vão muito além do sexo: sobre a própria vida. Dessa forma, troca-se o Miojo por um banquete real, quando se descobre que a liberdade torna os relacionamentos muito mais nobres e é bem mais excitante do que o proibido.</p>
<p>Muito do que escrevi sobree os homens adequa-se perfeitamente aos atuais comportamentos de muitas mulheres. Porém, existem várias nuanças e diferenças que esclarecerei durante os comentários, a fim de que o artigo não se torne enorme &#8211; já não ficou?</p>
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		<title>15.A herança da culpa</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 17:41:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofando sobre o romantismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Pessoal, encontrei este texto durante minhas pesquisas em comunidades do Orkut. Foi traduzido por um cara chamado Renato Alcântara, que não consegui descobrir de onde é.
Não tenho dúvida de que as nossas quase completas ignorâncias a respeito das nossas sexualidades e não aceitação das mesmas, principalmente a feminina, são consequências das orientações e exigências passadas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pessoal, encontrei este texto durante minhas pesquisas em comunidades do Orkut. Foi traduzido por um cara chamado Renato Alcântara, que não consegui descobrir de onde é.</p>
<p>Não tenho dúvida de que as nossas quase completas ignorâncias a respeito das nossas sexualidades e não aceitação das mesmas, principalmente a feminina, são consequências das orientações e exigências passadas aos casais, durante séculos, em nome de Deus, com o único intuito de subjugar e manipular a sociedade &#8211; o que é interessante a qualquer Estado. Tudo me leva a crer que os governantes, juntamente com a Igreja, já sabiam (e sabem) que o verdadeiro autoconhecimento da sexualidade nos liberta, transformando completamente o nosso conceito de felicidade e a forma que enxergamos a vida.</p>
<p>Possivelmente, as tataravós e bisavós de muitos de vocês receberam esses ensinamentos que, mesmo que menos rígidos com o passar do tempo, de alguma forma foram repassados para suas avós, e assim por diante, variando bastante de um localização geográfica para outra. </p>
<p>Este texto deixa bem claro de onde vêm os medos´e as culpas das mulheres &#8211; mas não apenas delas, a vergonha de conversar sobre sexo, de se masturbar ou se entregar completamente às possíveis sensações em uma relação sexual, as dificuldades para muitas atingirem o orgasmo, a ninfomania e satiríase daqueles que nunca encontram satisfação no sexo. Ele explica por que existem tantas mulheres inorgásticas. Em suma, deixa claro por que nada nos conhecemos &#8211; e temos medo de fazê-lo &#8211; e mentimos tanto. É apenas a herança de um longo período negro e nojento da sociedade machista, orquestrado pelo conluio Igreja-Estado. Porém, sou muito otimista, ao observar que, aos poucos, isso está mudando, alavancado pelas mulheres mais corajosas.</p>
<p><strong>Instrução e aconselhamento para a jovem noiva</strong><br />
Tradução de Renato Alcântara</p>
<p><em>Sobre a conduta e comportamento nas relações intimas e pessoais do santo estado do matrimônio para a maior santidade deste abençoado sacramento e para a Glória do Senhor , por Ruth Smythers, amada esposa do Reverendo L.D. Smythers, Pastor da Igreja Metodista Árcade da conferência regional Oeste.<br />
Publicado no ano de nosso Senhor de 1894, Spiritual Guidance Press, New York City.</p>
<p>Para a jovem sensível que possui os benefícios de uma formação adequada, o dia do casamento é, ironicamente, tanto o dia mais feliz, quanto o mais apavorante de sua vida. No lado positivo, está o casamento em si, no qual a noiva é a atração central, numa linda e inspiradora cerimônia, simbolizando seu triunfo em conquistar um homem para provê-la de todas as suas necessidades para o resto de sua vida. No aspecto negativo, está a noite de núpcias, na qual a noiva deve pagar, por assim dizer, seu tributo, encarando pela primeira vez a hedionda experiência do sexo.</p>
<p>A esta altura, minha prezada leitora, permita-me expor-lhe um fato chocante. Algumas jovens conscientemente anseiam por sua noite de núpcias com curiosidade e prazer! Atentem para os males de tal atitude! Um marido egoísta e libidinoso pode se aproveitar facilmente de tal esposa.<br />
Uma regra fundamental do casamento jamais deve ser esquecida: ENTREGUE-SE POUCO, ENTREGUE-SE RELUTANTEMENTE E , ACIMA DE TUDO, ENTREGUE-SE SOB PROTESTO. De outra forma, o que poderia ter sido um casamento integro, pode se transformar numa orgia de lascívia sexual.</p>
<p>No entanto, o pânico da noiva não precisa ser extremado. Apesar do sexo ser, na melhor das hipóteses, repugnante e, no pior dos casos, bastante doloroso, ele deve ser tolerado e tem sido tolerado pelas mulheres desde a aurora dos tempos, sendo é compensado através do lar monógamo e pelas crianças geradas através dele.</p>
<p>É inútil, na maioria dos casos, que a noiva conte com o varão para a preparação para a iniciação sexual. Embora o marido ideal fosse aquele que abordasse a sua noiva apenas a seu pedido e unicamente para o propósito de gerar herdeiros, tal nobreza e desapego não devem ser esperados do homem padrão.<br />
Os homens, se não forem devidamente rejeitados, iriam exigir o intercurso carnal quase que diariamente. A noiva sábia deverá permitir um máximo de duas breves relações sexuais semanais durante os primeiros meses. Com o passar do tempo ela não deverá medir esforços para reduzir esta freqüência. Simular mal-estar, sonolência, e dores de cabeça figuram entre os melhores amigos da esposa nesse sentido. Discussões, críticas, provocações e teimosias também se mostram bastante eficazes, se usados às altas horas da noite cerca de uma hora antes do momento em que o marido habitualmente inicia suas tentativas de sedução.<br />
Esposas astutas devem estar sempre atentas a novas maneiras de negar e desencorajar as investidas amorosas de seus cônjuges. Uma boa esposa deve esperar reduzir os contatos sexuais a um por semana ao fim do primeiro ano de casadas e a um por mês ao termino do quinto ano de casamento. Por volta de seu décimo aniversário de casamento, muitas esposas completaram a educação de seus filhos e atingiram o objetivo supremo de eliminar por completo os contatos sexuais com seu marido. A essa altura elas podem confiar em seu amor pelas crianças e nas pressões sociais para manter seu marido em casa.</p>
<p>Da mesma forma que elas devem ficar alertas para manter a quantidade da prática sexual a menor possível , a noiva astuta deverá também dispensar atenção ao grau de contato sexual. A maioria dos homens é naturalmente pervertida e, se dada a oportunidade, lançar-se-iam a toda forma de práticas revoltantes. Essas práticas abrangem entre outras coisas realizar o ato em posições anormais; tocar o corpo feminino com a boca; e oferecer seus vis corpos para serem levados à boca.</p>
<p>Nudez, falar sobre sexo, ler histórias sobre sexo, ver fotografias ou desenhos representando ou sugerindo a prática sexual são hábitos abjetos à que os os homens são afeitos a adquirir, caso lhes seja permitido.<br />
Uma noiva astuta tornará seu objetivo jamais permitir que seu consorte vislumbre seu corpo desnudo, e jamais permitir que este lhe apresente o seu próprio corpo desnudo. Sexo,quando não puder ser evitado, deverá ser praticado em trevas absolutas. Muitas mulheres encontraram serventia em fazer uso de espessas e longas camisolas de algodão e pijamas para seus maridos. Estes devem ser vestidos em quartos separados. Eles não deverão ser removidos durante o intercurso carnal. Desta forma o mínimo de pele será exposta.<br />
Uma vez q a noiva tenha vestido sua camisola e apagado as luzes, ela deverá deitar-se silenciosamente na cama e aguardar seu varão. Quando ele chegar ansioso ao quarto ela não deverá emitir som algum que possa guiá-lo a ela, pois ele poderá interpretar isto como um sinal de encorajamento. Ela deverá deixá-lo sondando na escuridão. Sempre existe a possibilidade de que ele tropece e sofra algum leve machucado que ela possa usar como pretexto para recusar o ato sexual.</p>
<p>Quando ele por fim encontrá-la, a noiva deverá permanecer tão imóvel quanto possível. Movimentos corpóreos podem ser interpretados como excitação sexual por maridos otimistas. Caso ele tente beijar-lhe os lábios ela deverá virar sua cabeça lateralmente para que este beijo repouse inofensivamente em suas maçãs do rosto. Caso ele tente beijar-lhe a mão, que ela forme um punho. Caso ele tente elevar sua camisola e beijar-lhe em qualquer outro lugar ela deverá rapidamente baixá-la , pular da cama e anunciar que a natureza a chama ao lavabo. Isso irá, na maioria dos casos, desestimulá-lo a lhe beijar nos territórios proibidos.<br />
Caso o marido tente seduzi-la com palavras cheias de lascívia, a noiva astuta deverá lembrar-se de súbito de banalidades não-sexuais para inquiri-lo. Uma vez que ele as responda ela deverá continuar com a conversa, não importa o quão tola ela pareça no momento . Eventualmente, o marido irá compreender que, caso ele insista em ter contato sexual, ele deverá obtê-lo sem a atmosfera amorosa. A esposa sábia não permitirá a ele levantar sua camisola mais que a altura de sua cintura, e permitir-lhe que apenas abra a frente de seus pijamas para fins de conecção. Ela deverá ficar no mais completo silêncio ou resmungar sobre seus afazeres domésticos enquanto ele bufar e rosnar. Acima de tudo, ela deverá ficar quieta e nunca sob nenhuma circunstância gemer ou arfar enquanto o ato estiver em andamento. Tão cedo quanto seu marido tenha completado seu ato, a esposa inteligente deverá iniciar uma conversa sobre várias tarefas menores que ela deseja que ele realize na manhã seguinte. A maioria dos homens obtém a maior parte da sua satisfação sexual da exaustão pacífica obtida logo após o ato. Assim, a esposa deve se assegurar que ele não obtenha paz neste período. De outra forma, ele poderia se sentir disposto a repetir o ato.</p>
<p>Um ponto animador, do qual a esposa deve se sentir agradecida, é o fato de que o lar, a escola, a Igreja e o ambiente social, conspiraram ao longo de toda a vida do seu marido para lhe inspirar um profundo senso de culpa dos seus anseios sexuais, donde ele chegar ao leito conjugal, de uma forma envergonhada e cheia de vergonha, meio assustado e um tanto submisso. A esposa sábia deverá se aproveitar desta oportunidade para inicialmente limitar e posteriormente aniquilar completamente os desejos de seu esposo por expressão sexual.</em></p>
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		<title>14.Entendendo os Homens e as Mulheres</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 00:04:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofando sobre o romantismo]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Pela quarta ou quinta vez, ontem, via e-mail, recebi um texto cuja autoria é atribuída ao Arnaldo Jabor, chamado Entendendo os Homens, onde o jornalista oferece nove dicas às mulheres sobre como, definitivamente, compreendê-los. Apesar de bem machista, acho-o interessante e não tão longe da verdade. Porém, em minha opinião, faltou uma promessa, no finalzinho; algo parecido com “Aguardem a versão feminina, dirigida aos homens”. Sem esse comentário, acabei concluindo que o autor imagina que somente as mulheres investem nelas e alimentam, em seus relacionamentos, expectativas irreais, insistindo em não aceitar as verdades sobre os desorientados “falos buscabundas”, apenas um neologismo semelhante ao buscapé &#8211; eu já tive um desse, quando era muito mais bobão do que sou hoje – sabe que adorei essa expressão? Por fim, será que as nossas fichas &#8211; dos homens &#8211; também não precisam cair? Então, decidi tentar preencher o vácuo deixado.</p>
<p>Meu objetivo não é criticar o jornalista. Apenas usei a oportunidade para escrever minha forma de pensar. Seguem suas dicas, como há tempo circulam pela Internet. Em seguida, darei a minha visão sobre o outro lado da moeda, em forma de também nove colocações, através da réplica chamada “Entendendo as Mulheres”. Se você já conhece o texto do Arnaldo, vá direto para o meu.</p>
<p><strong>ENTENDENDO OS HOMENS</strong></p>
<p><strong>1)Não existe homem fiel.</strong><br />
Vc já pode ter ouvido isso algumas vezes, mas afirmo com propriedade. Não é desabafo. É palavra de homem que conhece muitos homens e que conhecem, por sua vez, muitos outros homens. Nenhum homem é fiel, mas pode estar fiel (ou porque está apaixonado, algo que não dura muito tempo – no máximo alguns meses – nem se iluda) ou porque está cercado por todos os lados (veremos adiante que não adianta cercá-lo. (Isso vai se voltar contra vc). A única exceção é o crente extremamente convicto. Se vc quer um homem que seja fiel, procure um crente daqueles bitolados, mas agüente as outras conseqüências.</p>
<p><strong>2)Não desanime.</strong><br />
O homem é capaz de te trair e de te amar ao mesmo tempo. A traição do homem é hormonal, efêmera, para satisfazer a lascívia. Não é como a da mulher. Mulher tem que admirar para trair; ter algum envolvimento. O homem só precisa de uma bunda. A mulher precisa de um motivo para trair, o homem precisa de uma mulher.</p>
<p><strong>3)Não fique desencantada com a vida por isso.</strong><br />
A traição tem seu lado positivo. Até digo, é um mal necessário. O cara que fica cercado, sem trair é infeliz no casamento, seu desempenho sexual diminui (isso mesmo, o desempenho com a esposa diminui), ele fica mal da cabeça. Entenda de uma vez por todas: homens e mulheres são diferentes. Se quiser alguém que pense como vc, vire lésbica (várias já fizeram isso e deu certo), ou case com um viado enrustido que precisa de uma mulher para se enquadrar no modelo social. Todo ser humano busca a felicidade, a realização. E a realização nada mais é do que a sensação de prazer (isso é química, tá tudo no cérebro). A mulher se realiza satisfazendo o desejo maternal, com a segurança de ter uma família estruturada e saudável,com um bom homem ao lado que a proteja e lhe dê carinho. O homem é mais voltado para a profissão e para a realização pessoal e a realização pessoal dele vêm de diversas formas: pode vir com o sentimento de paternidade, com uma família estruturada,etc. mas nunca vai vir se não puder acesso a outras fêmeas e se não puder ter relativo sucesso na profissão. Se vc cercar seu homem (tipo, mulher que é sócia do marido na empresa. O cara não dá um passo no dia-a-dia (sem ela) vc vai sufocá-lo de tal forma que ele pode até não ter espaço para lhe trair, mas ou seu casamento vai durar pouco, ele vai ser gordo (vai buscar a fuga na comida) e vai ser pobre (por que não vai ter a cabeça tranqüila para se desenvolver profissionalmente. (Vai ser um cara sem ambição e sem futuro).</p>
<p><strong>4)Não tente mudar para seu homem ser fiel. Não adianta.</strong><br />
Silicone, curso de dança sensual, se vestir de enfermeira, etc… nada disso vai adiantar. É lógico que quanto mais largada vc for, menor a vontade do homem de ficar com vc e maior as chances do divórcio. Se ser perfeita adiantasse, Julia Roberts não tinha casado três vezes. Até Gisele Bunchen foi largada por Di Caprio, não é vc que vai ser diferente (mas é bom não desanimar e sempre dar aquela malhadinha). O segredo é dar espaço para o homem viajar nos seus desejos (na maioria das vezes, quando ele não está sufocado pela mulher ele nem chega a trair, fica só nas paqueras, troca de olhares). Finja que não sabe que ele dá umas pegadas por fora. Isso é o segredo para um bom casamento. Deixe ele se distrair, todos precisam de lazer.</p>
<p><strong>5)Se vc busca o homem perfeito, pode continuar vendo novela das seis.</strong><br />
Eles não existem nesse conceito que vc imagina. Os homens perfeitos de hoje são aqueles bem desenvolvidos profissionalmente que traem esporadicamente (uma vez a cada dois meses, por exemplo), mas que respeitam a mulher, ou seja, não gastam o dinheiro da família com amantes, não constituem outra família não traem muitas vezes, não mantêm relações várias vezes com a mesma mulher (para não criar vínculos) e, sobretudo, são muuuuuito discretos: não deixam a esposa (e nem ninguém da sua relação,como amigas, familiares, etc saberem). Só, e somente só, um amigo ou outro DELE deve saber, faz parte do prazerdo homem contar vantagem sexual. Pegar e não falar para os amigos é pior do que não pegar. As traições do homem perfeito geralmente são numa escapolida numa boite, ou com uma garota de programa (usando camisinha e sem fazer sexo oral nela), ou mesmo com uma mulher casada de passagem por sua cidade. O homem perfeito nunca trai com mulheres solteiras. Elas são causadoras de problemas.<br />
Isso remete ao próximo tópico. </p>
<p><strong>6)ESSE TÓPICO NÃO É PARA AS ESPOSAS É PARA AS SOLTEIRAS OU AMANTES</strong><strong>.</strong><br />
Esqueçam de uma vez por todas esse negócio de homem não gosta de mulher fácil. Homem adora mulher fácil. Se ‘der’ de prima então, é o máximo. Todo homem sabe que não existe mulher santa. Se ela está se fazendo de difícil ele parte para outra.<br />
A demanda é muito maior do que a procura. O mercado ta cheio de mulher gostosa. O que homem não gosta é de mulher que liga no dia seguinte. Isso não é ser fácil, é ser problemática (mulher problema). Ou, como se diz na gíria, é pepino puro.<br />
O fato de vc não ligar para o homem e ele gostar de vc, não quer dizer que foi por vc se fazer de difícil, mas sim por vc não representar ameaça para ele. Ele vai ficar com tanta simpatia por vc que vc pode até conseguir fisgá-lo e roubá-lo da mulher. Ele vai começar a se envolver sem perceber. Vai começar ELE a te procurar. Se ele não te procurar era porque ele só queria aquilo mesmo.<br />
Parta para outro e deixe esse de stand by. Não vá se vingar, vc só piora a situação e não lucra nada com isso. Não se sinta usada, vc também fez uso do corpo dele – faz parte do jogo; guarde como um momento bom de sua vida.</p>
<p><strong>7)90% dos homens não querem nada sério.</strong><br />
Os 10% restantes estão momentaneamente cansados da vida de balada ou estão ficando com má fama por não estarem casados ou enamorados; por isso procuram casamento. Portanto, são máximas as chances do homem mentir em quase tudo que te fala no primeiro encontro (ele só quer te comer, sempre). Não seja idiota, aproveite o momento, finja que acredita que ele está apaixonado, dê logo para ele (e corra o risco de fisgá-lo) ou então nem saia com ele. Fazer doce só agrava a situação, estamos em 2007 e não em 1957.<br />
Esqueça os conselhos da sua avó, os tempos são outros.</p>
<p><strong>8)Para ser uma boa esposa e para ter um casamento pelo resto da vida faça o seguinte:</strong><br />
Tente achar o homem perfeito do 5º item, dê espaço para ele. Não o sufoque. Ele precisa de um tempo para sua satisfação. Seja uma boa esposa, mantenha-se bonita, malhe, tenha uma profissão (não seja dona de casa), seja independente e mantenha o clima legal em casa. Nada de sufocos, de ‘conversar sobre a relação’, de ficar mexendo no celular dele, de ficar apertando o cerco, etc. Vc pode até criar ‘muros’ para ele, mas crie muros invisíveis e não muito altos. Se ele perceber ou ficar sem saída, vai se sentir ameaçado e o casamento vai começar a ruir. A última dica: </p>
<p><strong>9)Se vc está revoltada por este e-mail, aqui vai um conselho: vá tomar uma água e volte para ler com o espírito desarmado.</strong><br />
Se revoltar quanto ao que está escrito não vai resolver nada em sua vida.<br />
Acreditar que o que está aqui é mentira ou exagero pode ser uma boa técnica (iludir-se faz parte da vida, se vc é dessas, boa sorte!).<br />
Mas tudo é a pura verdade.<br />
Seu marido/noivo/namorado te ama, tenha certeza,senão não estaria com vc, mas trair é como um remédio;um lubrificante para o motor do carro. Isso é científico.<br />
O homem que vc deve buscar para ser feliz é o homem perfeito do item 5º.<br />
Diferente disso ou é crente, ou viado ou tem algum trauma (e na maioria dos casos vão ser pobres).<br />
O que vc procura pode ser impossível de achar, então, procure algo que vc pode achar e seja feliz ao invés de passar a vida inteira procurando algo indefectível que você nunca vai encontrar.<br />
Espero ter ajudado em alguma coisa.<br />
Agora, depois de tudo isso dito, cadê a coragem de mandar este e-mail para minha mulher??<br />
(Arnaldo Jabor)</p>
<p><strong>ENTENDENDO AS MULHERES</strong></p>
<p><strong>1)Não existe mulher convicta e essencialmente fiel. Existe a personagem mulher perdidamente apaixonada (sentimento cujo prazo de validade é curtíssimo), a cheia de culpas e a cagada de medo&#8230; ou todas em uma.</strong><br />
Existe mulher psicologica e inconscientemente reprimida pela sociedade machista-cristã e pelos seus próprios julgamentos ou, simplesmente, conscientemente se cagando de medo das conseqüências de uma possível descoberta da infidelidade. Os teimosos machistas insistem em acreditar na fábula que diz que somente as rotuladas mulheres levianas se sentem impulsionadas a ter relações extraconjugais. Tolos! Não é uma ameaça. Trata-se apenas de uma realidade. Afirmo isso porque estudo e escrevo sobre e converso com mulheres que possuem amigas mulheres, que também as possuem, e assim por diante.<br />
A maioria dos homens com os quais converso ignora o significado da palavra culpa, no universo feminino, que possui origem cultural. Sendo mais preciso, no momento, não me lembro de nenhum amigo que tenha a consciência da existência dela nas decisões, atos e, inclusive e simplesmente, nos pensamentos eróticos de muitas mulheres. A forma usada por muitas para amenizar a culpa é ficando atentas a qualquer sinal de infidelidade do homem, a fim de ter como justificar para si mesmas o passo inicial para a prática dos seus “desejos mais escusos”.<br />
Alguns poderiam afirmar que a única possível exceção seria a crente convicta, possuidora de dogmas acerca de punições celestiais que a atirarão no inferno, caso não resista às tentações. No entanto, posso afirmar que nem a religiosidade lhes dará tanta garantia de fidelidade.<br />
No entanto, com ou sem culpa, muitas estão indo à luta – talvez algo próximo de 60%, cansadas da obrigada exclusividade unilateral. Porém, “o que os olhos não vêem, o coração não sente”. Baseado nisso, acho melhor vocês ignorarem tudo que acabei de dizer. Afinal, dará muito trabalho encarar a realidade e mudar a forma com que enxergam as sexualidades de suas namoradas e esposas. Afinal, conviver com a possibilidade de se sentir corno não deve ser nada agradável. Eu, pelo menos, livrei-me dessa responsabilidade e possibilidade. Em outra oportunidade, digo-lhes como.<br />
Continuar ignorando o factual, não conversar de peito aberto sobre sexo e sexualidade e insistir na crença de que mulher é muito diferente do homem são as melhores formas de continuarem se sentindo seguros, já que isso é tão importante para vocês. Porém, lembro-lhes de que elas estão mudando e se distanciando cada vez mais das realidades e convicções medievais dos machos. Não foi desabafo&#8230; apenas um alerta.</p>
<p><strong>2)Não desanime</strong><br />
A mulher pode sair com outro(s) e continuar te amando do mesmo jeito. A intensidade da vontade de variar de parceiro também é instintiva e igual a do homem; a quantidade de vezes no mês ou ano que esse desejo sacode a mulher é que, naturalmente, é menor do que nele. Mas quando aparece&#8230;<br />
Da mesma forma que ocorre com o homem, para ela também é válida a afirmação de que sexo ou qualquer envolvimento fora do casamento nada tem a ver com falta de amor. Um grande ponto positivo é que, provavelmente, vocês homens sempre trairão bem mais do que as mulheres, já que suas instintivas naturezas promíscuas os lançam muito mais facilmente entre duas pernas femininas. A história de que a mulher busca amor, antes de trair, é conversa fiada romântica. Como toda fêmea no mundo animal, ela apenas possui natureza seletiva e busca um parceiro que considere valer a pena e, no caso humano, que lhe passe confiança em torno da garantia de sigilo. Logo, o macho quase sempre estará na frente no “score”. O lado de algumas pode até estar zerado e assim pode permanecer até o final da relação, mas que sempre estiveram loucas de vontade de fazer um ou vários gols, isso é fato.<br />
O homem só precisa de uma mulher – com ou sem bunda, com ou sem cérebro &#8211; para trair; a oportunidade ele, rapidamente, cria. Fora a real questão do sentimento feminino de culpa, a mulher precisa se sentir segura e de alguma sensação da garantia de que valerá a pena estar com aquele homem.</p>
<p><strong>3)Não fique desencantado com a vida por, a partir de agora, saber que, no mínimo, nos pensamentos dela, você é um corno</strong><br />
Vou lhe dar uma injeção de ânimo através de duas afirmações. 1) Mesmo diante da possibilidade de sua esposa o estar traindo, provavelmente, você é bem mais feliz do que ela. 2) Se isso te consola, sua esposa é bem mais chifruda do que você.<br />
- Você é bem mais feliz do que ela por ter sua mente, pensamentos e ações bem mais livres do que os dela. A sociedade machista lhe deu isso de presente. Ela se encontra, o tempo todo, preocupada com a necessidade de parecer ser a mulher virtuosa que você e a sociedade querem que ela seja. Representar o tempo todo é cansativo e triste demais. Com isso, seus pensamentos são solitários, não os abrindo nem para as melhores amigas, assim como suas ações restritas e meticulosamente calculadas.<br />
Se, para o homem, a traição apimenta a relação, isso ocorre porque ele não sente culpa, pois lhe ensinaram que mentir e driblar as privações do casamento para ter casos extraconjugais fazem parte do papel do macho. Com a mulher, é diferente. Ela foi ensinada a ser fiel e passa a contrariar essa herança cultural quando a paixão se vai e os instintos começam a falar mais alto do que a culpa. Porém, em maior ou menos intensidade, ela sempre existirá e doerá. No caso dele, pode funcionar como um elixir para o casamento. No dela, isso está longe de ser uma regra, pois esta é o orgasmo com culpa.<br />
- Ela é bem mais chifruda do que você devido a dois fatores: à quantidade de mulheres com quem você já saiu, comparada com a de homens com quem ela se relacionou, e à quantidade de amigos de vocês dois que sabe com quem você saiu e tem saído, pois é bem possível que nem a melhor amiga dela tenha conhecimento de suas íntimas aventuras. No caso do homem, a única intimidade que ele jamais divide e lhe tira o sono é a broxada.</p>
<p><strong>4)Você pode mudar para que a(s) mulher(es) com quem vive ou se relaciona o admire e deseje muito mais.</strong><br />
É fato que 70 a 80 % das separações modernas são iniciativas femininas, decorrentes de tristezas e das diversas frustrações românticas. Logo, não encontro dificuldade para concluir que as maiores preocupações com mudança de postura diante dos relacionamentos deveriam recair sobre os homens. Enquanto continuarem com os mesmos pensamentos machistas de décadas atrás, continuarão sendo chamados de idiotas em rodas de conversas femininas.<br />
Diante de uma mulher, o homem possui duas grandes preocupações: afirmar a sua virilidade e não ser corno. Ambas se voltam apenas para o seu próprio umbigo, ignorando as realidades, em termos da sexualidade e, intrinsecamente, da liberdade de pensamento, expressão e ação da parceira.<br />
Enquanto o macho continuar achando que, do lado dele, prover todas as necessidades da casa, falar mais alto (viril, em casa, normalmente, ele não é), não ser corno e, do lado dela, ser uma boa mãe, com filhos lindos, manter-se esposa virtuosa – note que não entrou em consideração a necessidade de ela não ser corna, bastam para existir o casamento perfeito, ele permanecerá sendo chamado de idiota em todas as rodas femininas de chá, chope, cerveja, vinho, cachaça, maconha, buraco, oração, descarrego, samba, etc.</p>
<p><strong>5)Dentro do modelo de casamento ainda reinante, existem mulheres “perfeitas”. Porém, se é que isso faz diferença para você, macho, duvide das satisfações delas.</strong><br />
A sociedade fabricou o modelo de esposa perfeita: fiel, amorosa, materna, dedicada e desprovida do próprio eu. Depois de algum tempo de casamento, começa a aparecer o cansaço de toda essa abdicação imposta e, aos poucos, ela passa, silenciosamente, a se voltar para si mesma. Ela sofre com esse gradual movimento egoísta convergente para as suas vontades, pois surgem conflitos internos em torno das falhas no cumprimento dos seus papéis.<br />
Tanto a sociedade quanto a grande maioria de vocês estão pouco se lixando para a felicidade da mulher. O que importa é não ser corno, a manutenção da ordem moral vigente e a sensação – mesmo sendo falsa &#8211; dos seus poderes sobre elas – assim como o marketing pessoal sobre estes em seus círculos masculinos de amizade.</p>
<p><strong>6)Sobre o assunto sexo, tenha a certeza de que você conhece as necessidades femininas bem menos do que imagina. Pior que isso, possivelmente as suas reais necessidades sejam desconhecidas para si próprio.</strong><br />
No campo sexual, o homem é arrogante por natureza. Os babacas ensinamentos dos “mais experientes” o privam da opção de ser humilde, conversar, fazer perguntas e admitir algum desconhecimento sobre determinada faceta do sexo. Ele é obrigado a “saber tudo”, a fim de afirmar a suas virilidade e masculinidade, sem imaginar o mico que paga. Acredita que, por ter comido quinhentas mulheres, dentre as pagas ou não, tem tudo a ensinar aos mais novos, mal sabendo o quanto o seu filme está queimado entre as suas ex-conquistas. Gente, no sexo heterossexual, os homens pecam em coisas tão básicas! Experiência é fruto da constante criação, através das permissões, e repetições com qualidade, não da quantidade.<br />
Não é o meu propósito elencar o que as mulheres apreciam ou não no campo sexual. Vou deixar você com uma pulga atrás da orelha, apenas afirmando que o seu conceito de bom de cama, muito provavelmente, é bem diferente do das mulheres. O sofrimento nos faz crescer. Elas são mais evoluídas do que você. Acredite nisso.<br />
Se o saltitar da pulga o está incomodando, seja humilde, escolha uma mulher madura e com inteligência de vida para o seu próximo sexo &#8211; se conseguir uma. Não adiantará ter 5 bacharelados, mestrado, doutorado, etc; falo de amadurecimento diante da vida, o que uma analfabeta pode, tranquilamente, ter. Antes da cama, converse e pergunte bastante, tire todas as suas dúvidas, pois sei que você as tem. Se a escolher bem, talvez ela lhe diga que homem ou mulher bons de cama são mitos, mas que inesquecíveis trocas de energias em um simples papai e mamãe podem ser reais.<br />
Repense a importância que você tem dado ao atletismo e malabarismos sexuais.<br />
Não resisti a não deixar uma dica. Aceite como regra, mas com abertura às exceções: a mulher gosta muito menos da penetração do que você imagina.</p>
<p><strong>7)Este é bem curtinho. Sobre fantasias sexuais, acha que só você as tem?</strong><br />
Acredite em uma coisa: possivelmente, a melhor amiga – ou talvez melhor amigo – de sua namorada ou esposa sabe de desejos dela que você nem imagina. Ou talvez o amante que conheceu no mês passado já saiba. Sabe a razão? Porque ela não confia em você a ponto de abrir o seu coração, despir a sua alma, assumindo a MULHER que ainda gostaria de se sentir.<br />
Muito triste essa realidade, não? Mas não a culpe. O culpado é esse amor burguês, focado na dependência afetiva e em coisas materiais, que vocês dois vivem.</p>
<p><strong>8)Se vc está revoltado com este e-mail, aqui vai um conselho: vá tomar uma água, desarme seu espírito e retorne para o reler.</strong><br />
Revoltar-se quanto ao que escrevi não vai minimizar nenhum problema abordado.<br />
Acreditar que o que está aqui é mentira ou exagero será uma repetição de sua corriqueira prática, na posição de macho humano &#8211; iludir-se faz parte da vida. Mas, incomode-o ou não, tudo é verdade.<br />
Pode até ser que sua esposa/noiva/namorada te ame verdadeiramente e seja feliz. Mas, apenas para tirar a dúvida, olhe profundamente em seus olhos. Eles lhe dirão. Você não é burro. Perceba e assuma que se ela não tem estado nada bem – há dias, meses ou anos &#8211; e se você nada tem feito, foi por opção sua. Se essa foi a sua decisão, acho que você não a ama coisa alguma. Sua omissão não passa de egoísmo, comodismo, covardia e medo de enfrentar a realidade. O aviso foi dado.<br />
Espero ter ajudado em alguma coisa.<br />
Agora, depois de você ter lido tudo isso, encontra coragem para repassar este texto para os seus amigos? Esqueça. Sugiro que não envie para eles. Mande para sua esposa e, depois que ela o ler, chegue à sua casa, abra um bom vinho, cerveja, cachaça, o que for, e discutam sobre ele. Acredito que será a conversa mais interessante que já tiveram desde que se conheceram. Faz idéia do quanto ela anseia por esse momento?</p>
<p><strong>9)Do fundo do meu coração, de minhas vísceras e de todos os miúdos que podem ser usados em um angu a baiana – já que estou de férias na suposta terra do suposto descobrimento de nosso país, acredito que as superpolêmicas bombas escritas no texto do Arnaldo Jabor e no meu seriam completamente bobas e dispensáveis se não fosse por apenas uma razão: as verdades e mentiras não assumidas entre os casais.</strong><br />
“Eu te amo, minha linda – ou meu lindo!!!” Dias depois, boooooooooom!!! Surpresa!! Esta pode ser a mais variada possível! Então, pronuncia-se uma famosa frase, exatamente, como a ouvi ontem, em uma mesa de restaurante, em meio a uma conversa entre duas mulheres que estavam ao meu lado. Tenho certeza de que todo dia ela é repetida por inúmeras pessoas, só variando o numeral: “Fui casada durante 21 anos com aquele filho da puta e não o conhecia”.<br />
Porém, de pessimista nada tenho. Acredito que apenas fazemos parte de um longo processo que levará, mesmo que a bem longo prazo, os casais a conversar, de peitos abertos, sobre um sentimento que o romantismo tanto proclama, no entanto, sem nos dar condições de vivê-lo: um tal de amor verdadeiro, fruto de uma relação sem mentiras.</p>
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		<title>13.Poliamor</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 20:07:02 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Filosofando sobre o romantismo]]></category>

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		<description><![CDATA[credito que estejamos prontos para entrar em um assunto polêmico e carregado de medos, dúvidas, incertezas e &#8211; por que não? &#8211; hipocrisias: o poliamor. Mesmo que muitas de vocês ainda não o conheçam com esse nome, provavelmente já se fizeram essa pergunta: “Será que é possível gostar de duas, três ou mais pessoas ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div id="attachment_821" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><img src="http://elanuaecrua.com.br/wp-content/uploads/2010/01/021-150x150.png" alt="Por que não?" title="02" width="150" height="150" class="size-thumbnail wp-image-821" /><p class="wp-caption-text">Por que não?</p></div>Acredito que estejamos prontos para entrar em um assunto polêmico e carregado de medos, dúvidas, incertezas e &#8211; por que não? &#8211; hipocrisias: o poliamor. Mesmo que muitas de vocês ainda não o conheçam com esse nome, provavelmente já se fizeram essa pergunta: “Será que é possível gostar de duas, três ou mais pessoas ao mesmo tempo? Isso é legítimo e factual ou estou em meio a um devaneio promíscuo e sem sentido?”</p>
<p>Porém, antes de começar a discorrer sobre o assunto, gostaria de fazer um comentário sobre o meu processo criativo. Quando me proponho a escrever sobre determinado tema comportamental que aborde a sexualidade, não costumo fazer compêndio de ideias de outros autores. Normalmente, o processo é assim:</p>
<p>1) a vontade brota de minhas curiosidades e da sede de liberdade. Olho para dentro de mim e “me ouço”;<br />
2) crio as oportunidades para viver a experiência desejada. Não espero o acaso;<br />
3) No “durante”, situo-me dentro e fora do que está ocorrendo, sendo agente e observador, ao mesmo tempo. Tento avaliar, no momento, o que estou sentindo, assim como o que se passa com o(s) outro(s);<br />
4) Depois, penso em tudo que aconteceu, converso muito com a mulher e tiro minhas próprias conclusões, baseado em minhas sensações e nas dela, por ela descritas; e<br />
5) Dependendo do assunto, a partir de então, faço pesquisas na internet ou busco livros que falem sobre o mesmo assunto, a fim de reforçar e/ou enriquecer o que irei escrever.</p>
<p>Resumindo, tenho por hábito não permitir que idéias ou experiências de outros influenciem ou induzam as minhas sensações e conclusões. Assim sendo, com o artigo Poliamor não foi diferente. Não são teorias, são práticas. No entanto, é fato que me falta uma experiência: um casamento baseado no legítimo poliamor, com os dois dividindo o mesmo teto. Apenas tive e tenho relações baseadas no poliamor com ambos morando em casas distintas.</p>
<p>Não me aterei a definições detalhadas sobre o que é o poliamor e algumas sutis nuanças &#8211; até porque o que menos importa é rotular subcategorias, em função de existirem vários artigos e entrevistas fazendo-o, na Internet. Também não repetirei vários conceitos e depoimentos que se encontram na <em>web</em>, pois a eles vocês poderão ter acesso através dos <em>links</em> sugeridos no final do artigo &#8211; um deles encontra-se abaixo. Focarei mais as minhas próprias experiências e sensações.</p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Poliamor">http://pt.wikipedia.org/wiki/Poliamor</a></p>
<p>Por hora, basta-nos entender que poliamor é a admissão da possibilidade, assim como a sua prática, de uma pessoa possuir real desejo sexual e relacional por mais de uma pessoa, delas gostar, amá-las, etc, ao mesmo tempo.  Ele nega a monogamia e exclusividade romântico-afetivas como únicas e autossuficientes formas do casal e cada indivíduo que o compõe serem felizes. As pessoas possuem características muito diferentes. Vamos imaginar um homem pensador/filósofo e um outro engraçado/piadista. Ora a companhia de um pode lhes interessar, ora a do outro.</p>
<p>O poliamor é diferente da relação aberta e da poligamia.</p>
<p><strong>Poliamor</strong>: a pessoa possui afeto real e desejo sexual por mais de um parceiro. A questão central do poliamor não está na liberdade sexual, apesar de ela existir, e sim na liberdade de amar;<br />
<strong>Relação aberta</strong>: os parceiros podem se relacionar sexualmente com outros. No entanto, o envolvimento afetivo não é aceito. Ex: swing, prática na qual se evitam demonstrações de carinho, sendo bem comum haver ciúme, caso o parceiro se desfoque do objetivo: o sexo alternativo. Percebam que este pode ser uma prática da relação aberta, porém, nem todos que possuem relações abertas praticam o swing. A questão central da relação aberta está na liberdade sexual e na grande possibilidade de existirem fortes ciúmes afetivos;<br />
<strong>Poligamia</strong>: é a assunção de relacionamentos estáveis com mais de uma pessoa, ao mesmo tempo. Está relacionado ao casamento poligâmico, como no mundo árabe. É proibido nos países cristãos. Divide-se em poliginia (o homem com várias esposas) e poliandria (a mulher com vários maridos).</p>
<p>Podemos perceber que viver o poliamor não deixa de ser abrir a relação, mas o contrário não é verdadeiro.</p>
<p>Obviamente, qualquer prática que fuja dos preceitos cristãos do casamento tradicional será combatida pelos conservadores. Costumo dizer que a sociedade ocidental e cristã está “pouco se lixando” para a liberdade e felicidade do indivíduo, assim como para sua paz interior. Para ela, o importante é a manutenção das instituições, dentre elas a tradicional família patriarcal, através da disseminação da moral e bons costumes, com seus conceitos de certo e errado, puro e pecaminoso, digno e indigno.</p>
<p>Exceto pela fome e pelas doenças, nada nos tem feito sofrer mais do que as questões que envolvem os relacionamentos romântico-convencionais e o sexo. Por quê? Porque o que exigem de nós agride a nossa natureza pura e livre. Então, somos obrigados a nos comportar e a nos relacionar de uma forma contrária ao que a nossa essência clama: sem liberdade alguma. A única liberdade que temos é de fazer o que esperam que façamos. O simples desejar transgredir já nos faz – principalmente nas mulheres – sofrer e sentir culpa.</p>
<p>Eu não tenho dúvida alguma de que uma grande parte das pessoas, se conseguisse se imaginar desprovida dos sentimentos de posse e ciúme, gostaria de viver uma relação de poliamor. Afinal, isso já é feito por muitos às escondidas. A grande questão é a permissão.</p>
<p>Antes de escrever este artigo, li vários outros na Internet, assim como alguns blogs com comentários. É impressionante a disparidade de opiniões entre homens e mulheres: estas, sempre bem mais flexíveis, e eles com suas escopetas machistas, hipocritamente apelando para a religião.</p>
<p>Baseado em que, afirma-se que o amor é exclusivo e que só conseguimos amar uma pessoa de cada vez? Claro que é perfeitamente possível desejarmos, muito mais do que sexualmente, duas ou mais pessoas ao mesmo tempo. Muitos de nós já passamos por isso, ao viver o rompimento de um relacionamento e, em seguida, iniciar outro. Muitos encontros escondidos foram mantidos com o(a) ex. Os dois (as duas) ficavam em nossas mentes, sentíamos saudade, etc. Nesses casos, os religiosos se ajoelham e rezam muito, pedindo para que Deus os livre desse pecado carnal.</p>
<p>Nas matérias que tenho lido sobre esse assunto, existem vários depoimentos de mulheres que sofriam e sofrem demais com esses sentimentos de culpa, por desejarem ou admitirem gostar de “outro”.</p>
<p>Poliamor não é nenhuma novidade ou modismo, assim como também não o são o homossexualismo. São tão antigos quanto a humanidade. A novidade real que temos é a permissão, pois nos encontramos em um processo de mudança social em que as pessoas estão cada vez menos preocupadas com repercussões ou críticas sociais. Em um processo bem lento, estamos, cada vez mais, mergulhando em nossos EU’s. Estamos passando, silenciosamente, por uma proativa transformação egoísta – com todo o bom sentido da palavra, cada vez mais dispostos a desvendar nossas essências e mais atentos aos clamores de liberdade de nossas almas.</p>
<p>Como fica o possessivo sentimento de ciúme? Já ouvi demais muitas pessoas proferirem que o ciúme e a mentira fazem parte da natureza humana. Muito antes de ser uma afirmação completamente equivocada, ela denota ignorância, covardia e total desconhecimento do que possa significar a palavra amor ou qualquer sentimento incondicional similar. Nossas essências, em seus estados primitivos, são totalmente desprovidas do ciúme e da mentira.</p>
<p>O primeiro passo para experimentar o poliamor seria o autoconhecimento e conseqüente entendimento de que desejamos, de fato, ser livres. A aceitação pelo(s) outro(s) é até desejável, porém, não deve ser determinante ou limitadora para que concluamos e expressemos que queremos ser livres, dentro das limitações éticas&#8230; danem-se as morais.</p>
<p>Existindo a consciência de que nascemos para ser o mais livres “possível” &#8211; já que vivemos aglomerados em sociedade, basta nos colocarmos no lugar do outro e perceberemos que ele, assim como nós, também possui os mesmos desejos e as mesmas necessidades. Então, ambos param para conversar e “vomitam” tudo o que estava atravessado nas gargantas: cartas e verdades na mesa. Dessa forma, estaremos caminhando em direção a algo similar ao que se chama amor incondicional. “Quero você, eu escolhi você, exatamente, da forma e pelo jeito que você é”. A partir de então, entra em processo a morte natural do ciúme, pois a admissão mútua das verdades e os seus respeitos começam a asfixiá-lo. Ele pode até não morrer mas, com paciência e muita conversa, ele desce a um nível perfeitamente controlável e interessante, prazeroso. Entra, então, a sensação de ameaça que age positivamente no relacionamento, sobre a qual já muito conversamos.</p>
<p>E qual o resultado disso? Muito sexo? De forma alguma e, normalmente, muito pelo contrário. Quando precisamos mentir, fazer escondidos, aquelas que se permitem se agarram a qualquer situação que julguem “valer a pena” para experimentar um sexo diferente. Quando as mentiras saem de cena, o proibido perde o sentido e deixa de existir a traição. Se, de certa forma, podemos escolher quando, onde e com quem fazer, temos o livre-arbítrio para planejar melhor, esperar a melhor oportunidade e ser bem mais seletivos. Aquele “valer a pena” muda completamente de sentido. Adoro uma frase que criei e que vocês já a têm lido: eu, cada vez mais adepto do poliamor, estou aprendendo a &#8220;fazer amor&#8221;&#8230; e os românticos continuam fazendo o que mais defendem não desejar fazer: trepar. </p>
<p>E sobre o risco da perda? Meninas, sejam sensatas! Que diferença faz? Além das mentiras, mesmices e consecutivos sofrimentos, que outras garantias as relações românticas têm nos oferecido? Uma coisa lhes garanto: é indescritível a leveza e a paz interior que o “não mentir” tem me proporcionado.</p>
<p>Ciúme? Sinto um pouco sim, porém, é como descrevi acima: muito bem controlado. Mas tenho a consciência de que é uma peleja entre minha essência pura e a cultura. Mal ou bem, esse &#8220;bicho ruim&#8221; já está bem exorcizado.</p>
<p>Gostaria que entendessem que não sou radicalmente contra a monogamia. Sou contra a sua existência imposta, que é exatamente o que vivemos. A única forma de saberem se a vivem por opção ou obrigação é mergulhando profundamente em seus EU&#8217;s e, &#8220;daí de dentro&#8221;, tentar avaliá-la a partir da ótica do verdadeiro livre-arbítrio, da liberdade. Mesmo assim, sou levado a crer que, se isentos do piano cultural que tanto nos pesa, poucos optariam por ter apenas um parceiro. Mesmo assim, acredito ser possível, oscilando de acordo com os diversos momentos em que nos encontramos, ao longo de nossa vida. Eu mesmo, atualmente, estou vivendo um momento praticamente monogâmico, mesmo me vendo, em termos de sobra de tempo e, conscientemente, completamente livre para fazer o que quero. Isso é liberdade.</p>
<p>Apenas um detalhe acerca de minha última frase: a opção por um momento calmo e &#8220;quase&#8221; monogâmico é minha, independentemente do que &#8220;ela(s)&#8221; esteja(m) fazendo neste momento. Não existem cobranças e nada tem a ver com paixão. A minha paz precisa ser o mais descolada possível das escolhas e atitudes dos que me rodeiam. Até porque estou sozinho, neste exato, momento por pura opção. Poderia não ter escolhido isso, hoje. Acho que estou no caminho.</p>
<p>Pararei por aqui, pois ainda teremos muito o que explorar e trocar, ao longo dos comentários, sobre este assunto. Sei que alguns pontos não foram bem esclarecidos e já aguardo perguntas. Porém, se fosse tentar abordar todas as variáveis, o artigo se tornaria muito extenso.</p>
<p><strong>Comunidades no ORKUT:</strong></p>
<p>- O Mito do Amor Romântico<br />
- Poliamor Brasil<br />
- O Mito da Monogamia<br />
- Amor Livre<br />
- Feminismo e Libertação<br />
- &#8230; e muitas outras</p>
<p><strong>Links relacionados:</strong></p>
<p><a href="http://mulher.terra.com.br/interna/0,,OI1916843-EI4788,00.html">http://mulher.terra.com.br/interna/0,,OI1916843-EI4788,00.html</a></p>
<p><a href="http://www.samila.com.br/kelly/bitch/folheto_poliamor.html">http://www.samila.com.br/kelly/bitch/folheto_poliamor.html</a></p>
<p><a href="http://www.eusoqueriaumcafe.com/2009/08/entrevista-poliamor-o-fim-do-amor.html">http://www.eusoqueriaumcafe.com/2009/08/entrevista-poliamor-o-fim-do-amor.html<br />
</a></p>
<p><a href="http://swasthya.marcocarvalho.com/o-que-e-um-relacionamento-aberto/">http://swasthya.marcocarvalho.com/o-que-e-um-relacionamento-aberto/</a></p>
<p><a href="http://stoa.usp.br/naomitchan/weblog/13403.html">http://stoa.usp.br/naomitchan/weblog/13403.html</a></p>
<p><a href="http://www.overmundo.com.br/banco/e-esse-tal-poliamor">http://www.overmundo.com.br/banco/e-esse-tal-poliamor</a></p>
<p><a href="http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/tag/poliamor/">http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/tag/poliamor/</a></p>
<p><a href="http://nao2nao1.com.br/entrevista-com-marco-carvalho-serie-%E2%80%9Chomens-sem-segredos%E2%80%9D-4/">http://nao2nao1.com.br/entrevista-com-marco-carvalho-serie-%E2%80%9Chomens-sem-segredos%E2%80%9D-4/</a></p>
<p><a href="http://www.melhoramiga.com.br/2009/11/poliamor/">http://www.melhoramiga.com.br/2009/11/poliamor/</a></p>
<p><a href="http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/?title=a_solucao_e_o_poli_amor&#038;more=1&#038;c=1&#038;tb=1&#038;pb=1">http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/?title=a_solucao_e_o_poli_amor&#038;more=1&#038;c=1&#038;tb=1&#038;pb=1<br />
</a></p>
<p><a href="http://www.polyamorysociety.org/">http://www.polyamorysociety.org/</a></p>
<p><a href="http://www.imagick.org.br/pagmag/pardal/mitotris.html">http://www.imagick.org.br/pagmag/pardal/mitotris.html</a></p>
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		<title>12.Separação Verdadeira X Separação Romântica</title>
		<link>http://elanuaecrua.com.br/separacao-verdadeira-x-separacao-romantica.htm</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 14:56:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofando sobre o romantismo]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia vinte e quatro de Dezembro de 2009, quando saí do meu apartamento para passar a noite de Natal com minha ex-esposa, de quem estou separado há cerca de seis meses, parte de nossas famílias e vários amigos, na mesma casa em que morávamos, eu não imaginava que essa noite fosse gerar um artigo.
Estive [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No dia vinte e quatro de Dezembro de 2009, quando saí do meu apartamento para passar a noite de Natal com minha ex-esposa, de quem estou separado há cerca de seis meses, parte de nossas famílias e vários amigos, na mesma casa em que morávamos, eu não imaginava que essa noite fosse gerar um artigo.</p>
<p>Estive com essa maravilhosa mulher por cerca de oito anos. Dois namorando e seis casados. Com cerca de dois anos após o casamento, começamos a criar aberturas para falar sobre assuntos normalmente não abordados entre os casais, a respeito de liberdade e das sexualidades de cada um, dando início, gradualmente, a uma deliciosa fase em que fomos nos tornando, aos poucos, mais autênticos e amigos. Conversávamos muito e começamos a ser cada vez mais íntimos e cúmplices. Porém, mesmo antes dessa fase, já éramos um casal diferente, com muitos respeitos mútuos às individualidades de cada um. Dentro das restrições impostas por um casamento tradicional, o nosso não era nada sufocante.</p>
<p>Nessa nova fase, à medida que íamos conversando e nos permitindo experimentar novas experiências juntos, eu comecei a observar com maior atenção o meu casamento e os de todos os meus amigos. Entrei na fase da filosofia, do repensar modelos.</p>
<p>Há cerca de um ano, decidi escrever um livro sobre tudo o que eu estava sentindo, observando, aprendendo e concluindo sobre os relacionamentos, liberdade e a sexualidade em geral, com foco na feminina. Tudo que eu escrevia era oferecido para que minha então esposa lesse, a fim de que pudéssemos conversar sobre polêmicas questões. Nada era escondido dela. Foi e continua sendo nessa fase de pensador desses assuntos que eu mais me conheci, assim como à outra, e cresci. O salto foi monumental. Porém, eu percebia que as minhas reflexões sobre a liberdade, assim como meus questionamentos e críticas acerca das mentiras românticas que os casais são “obrigados” a viver estavam deixando-a apreensiva. Mesmo assim, tudo era compartilhado com ela.</p>
<p>Logo no início, eu enviava trechos do livro para que algumas amigas minhas os lessem, a fim de que eu tivesse um retorno sobre a legitimidade do que escrevia a respeito dos relacionamentos e da mulher. Duas dessas amigas foram a mãe e uma tia de minha esposa. Mulheres inteligentes e lúcidas, para minha alegria, ambas “aplaudiram” as idéias contidas nos escritos. Lembro-me de algumas vezes que elas me abraçaram, emocionadas, agradecendo por estar proporcionando tanta alegria, como marido, à filha e sobrinha. Sempre fui muito franco com as duas, não as tratando com o conhecido e formal respeito pelas senhoras. Tratava-as como mulheres e elas adoravam. Quando os quatro juntos, conversávamos e brincávamos sobre tudo, abertamente e sem pudores.</p>
<p>Nessa história, não posso deixar de citar o meu cunhado, seu irmão. Sempre que podíamos, conversávamos muito sobre sexo e relacionamentos, quando eu não deixava de expor minhas verdadeiras opiniões.</p>
<p>À medida que eu refletia e escrevia, o processo de extirpação das mentiras em meu casamento foi se acelerando e se tornando mais intenso. Cada vez mais eu desejava ser livre e somente viver relacionamentos baseados em verdades. Depois de alguns meses, resolvi pedir a separação. Sem dúvida, já havíamos avançado muito, em direção aos respeitos mútuos. Porém, existia uma barrreira que parecia intransponível: a antiga relação romântica.</p>
<p>Conversei muito com ela, deixando bem claro que ela não tinha culpa alguma pela minha escolha, assim como o porquê de eu estar fazendo aquilo: eu apenas queria ser livre e não havia nenhuma outra mulher envolvida na minha decisão. Sem dúvida alguma, as reflexões e conclusões que eu lançava no livro foram a principal causa de minha separação, afinal, buscar respostas, filosofar e concluir criticamente, se seguidos de coragem, mudam comportamentos e nos tornam outras pessoas.</p>
<p>Porém, nosso casamento era, sem dúvida alguma, invejado, sendo a sua postura como esposa sempre elogiada por, sem exagero, todos os meus amigos. Não era nada incomum eu ouvir algo parecido com &#8220;quem dera eu ter uma esposa como a sua&#8221;.</p>
<p>Apesar de que muito menos para ela, não foi nada fácil para mim vê-la sofrer com a minha escolha. No entanto, ela vinha acompanhando toda transformação que estava ocorrendo comigo e sabia exatamente o que e por quais razões aquilo estava ocorrendo.  Para ela, a surpresa não foi tão grande, pois percebia o crescimento da minha inquietação. Nossa separação foi à base de conversas, não havendo qualquer tipo de discussão. Saí de casa e fui morar sozinho. Mantive, durante esses meses, contato com ela. Conversávamos normalmente. Porém, desde então, não fiz contato algum com sua mãe, tia e com o irmão.</p>
<p>Vamos, agora, à noite de Natal. Ela, algumas semanas antes, perguntou-me se eu passaria o Natal em sua companhia, com nossos familiares e amigos, pois iria, como nos anos anteriores, organizar a mesma festa em nossa casa. Prontamente, eu disse sim.</p>
<p>Cheguei bem mais cedo para ajudá-la em alguns detalhes. Eu estava um pouco apreensivo para saber como eu seria tratado pelos três já citados. Ficava o tempo todo lembrando dos agradecimentos da mãe e da tia por eu “estar fazendo a minha esposa tão feliz”. E naquela noite? O que eu ouviria?</p>
<p>Amigos e parentes foram chegando. Os três chegaram. A mãe, quando me viu, enquanto me dava um apertado e demorado abraço, falou ao meu ouvido, visivelmente emocionada: “Te amo muito”. A tia, logo depois, como se tivessem combinado, disse: “Você não faz ideia do quanto eu te amo e te admiro”. É impossível descrever o que senti naquele momento. O irmão, ainda de longe, repetiu, gritando, o costumeiro cumprimento: “Fala, corno! Tudo bem?”. Então, também me deu um abraço. A noite transcorreu como todas as outras. Havia muita alegria. Obviamente, sei que, da parte dela, algo estava faltando. No entanto, fui normalmente tratado, como se nada tivesse acontecido.</p>
<p>Dormi lá mesmo. No dia 25, acordei, preparei as quentinhas &#8211; muito bem-vindas a um homem que mora sozinho &#8211; com as sobras da comilança. Ela, ao lado, ajudando-me. Depois de um forte e, sem dúvida alguma, sincero abraço, em frente à casa, despedi-me e fui embora.</p>
<p>Não há como eu não ser levado a comparar a minha separação com aquelas que tenho observado, existindo em quase todas violências, ameaças, agressões psíquicas e, no mínimo, muito rancor e dor. O ódio e/ou a total indiferença são sentimentos muito comuns nas separações românticas.</p>
<p>Poderia citar vários casos, mas citarei apenas o mais recente de que tive conhecimento. Uma amiga, que chamarei de Andréa, há cerca de três anos, me disse que tinha muita vontade de se separar, mas não tinha coragem de declarar isso ao marido por ele dizer e “demonstrar” que a amava muito. Ele era muito ciumento e fazia tudo por ela. Por isso, ficava com pena e não queria fazê-lo sofrer. No mês de Novembro do corrente ano, não suportou mais e pediu a separação. Brigas homéricas e ameaças começaram a ocorrer, até que ele resolveu sair de casa. Poucos dias depois, durante a noite, vizinhos viram homens armados pulando o muro da casa em que estava morando sozinha. Para sua sorte, ela não estava dormindo em casa. Foi obrigada a largar o emprego e sair de sua cidade. Até agora não pôde retornar, pois não estão conseguindo localizar o ex-marido, que tanta declaração de amor lhe fez.</p>
<p>Qual a diferença entre a minha separação e a da Andréa? As verdades &#8211; ou, pelo menos, as suas buscas a dois.</p>
<p>A grande maioria das separações românticas é covarde e mentirosa. Um dos cônjuges percebe sua insatisfação e articula, aos poucos e em silêncio, a separação. Prepara-se psicológica, emocional e financeiramente para tal e, quando pronto, comunica ao parceiro, pegando-o de surpresa e não deixando bem claros os verdadeiros porquês da decisão. O resultado é o descontrole emocional, pois a outra “metade da laranja” está abruptamente sendo arrancada do cônjuge deixado.</p>
<p>No meu caso, durante muito tempo, passei à minha ex-esposa a idéia de que não existem duas metades de uma mesma laranja, assim como de que a instituição casamento não me satisfazia. Em nossas conversas, eu lhe dizia que éramos duas laranjas inteiras e independentes, porém, cada um com uma metade obscura e desconhecida por si mesmo e pelo outro, pois o casamento tradicional baseado no amor romântico não permite verdadeiros conhecimentos mútuos e nem os autoconhecimentos. De forma alguma eu poderia tirar o mérito de sua capacidade de compreensão, pois nos entendíamos sobre o que estávamos tratando. Assim sendo, agíamos como dois indivíduos independentes que estavam juntos porque assim realmente desejavam e não por obrigação contratual e romântica. Essa consciência baseada no respeito nos prepara para uma sempre e mais do que possível separação, não permitindo os normalmente observados violentos descontroles psicológicos. A separação baseada em verdades não joga o parceiro deixado em um pântano emocional, não havendo espaço para mágoa, rancor, ódio, etc. Apenas fica o carinho e amizade, apesar da tristeza causada exclusivamente pela saudade consciente.</p>
<p>O que seria a saudade consciente? Ela ocorre quando sabemos exatamente com quais verdadeiras características do outro deixamos de conviver, quando conhecemos de fato o parceiro que deixou o nosso convívio. Nos casamentos tradicionais e nas separações românticas não há espaço para esse tipo de conhecimento e cumplicidade. Estes são recheados de surpresas, normalmente ruins, durante e depois. Antes, tudo &#8220;promete&#8221; &#8211; assim queremos enxergar &#8211;  ser a realização de um sonho.</p>
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