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 <title>Enteógenos</title>
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 <title>Trailer: Stepping Into The Fire</title>
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 <description>&lt;iframe src="http://player.vimeo.com/video/14610690?title=0&amp;amp;byline=0&amp;amp;portrait=0&amp;amp;color=990000" width="560" height="315" frameborder="0"&gt;&lt;/iframe&gt;

&lt;p&gt;Trailer de um documentário sobre ayahuasca que parece interessante. Destaque para o Sigur Rós na trilha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(via &lt;a href="http://www.bialabate.net/news/stepping-into-the-fire-trailer"&gt;Bia Labate&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/enteogenos/~4/vfVYyLJ39tE" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://enteogenos.org/categoria/ayahuasca">Ayahuasca</category>
 <category domain="http://enteogenos.org/tag/video">vídeo</category>
 <pubDate>Fri, 03 Sep 2010 02:27:06 +0000</pubDate>
 <dc:creator>EN Teo</dc:creator>
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 <title>Os Mistérios de Eleusis</title>
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 <description>&lt;p&gt;&lt;span class="inline inline-left"&gt;&lt;img class="image image-_original " src="http://enteogenos.org/sites/default/files/images/DEMETER.jpg" border="0" height="406" width="260"&gt;&lt;/span&gt;Trata-se de ritos iniciáticos que ocorriam na cidade de Elêusis ou Eleusínia, na Grécia Antiga. Suas efemérides eram anuais (Pequenos Mistérios) e quinquenais (Grandes Mistérios). Eram o ápice do culto a Deméter e Perséfone, revelando sua ligação com a produção agrícola, o alimento e a renovação da Natureza.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por isso, eram tidos na Antiguidade ocidental como os mistérios mais importantes, festejados até mesmo pelos filósofos mais notáveis como Platão. Acredita-se que nasceram ao redor de 1.500 a.C., por influência de cultos como o de Ísis e Osíris no Egito Antigo e antigos mitos sírios e persas. Os mistérios e ritos continham fortes laços com antigos cultos de Creta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sabe-se com certeza que um dos elementos mais importantes de tais ritos era a bebida sagrada chamada &lt;em&gt;Kykeon&lt;/em&gt;, "mistura" em grego antigo, denotando que se tratava de uma beberagem composta por vários ingredientes, hoje desconhecidos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma das primeiras referências escritas aos Mistérios de Elêusis se encontra nos Hinos Homéricos, escritos por volta de 650 a.C. e que aponta o poejo entre as plantas empregadas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era usada para quebrar um longo jejum de nove dias, proporcionando um estado de unidade com a humanidade, a vida e o universo, levando a profundas implicações intelectuais e espirituais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entre teorias de que o principal ingrediente era o esporão do centeio (fonte de LSA) ou cogumelos contendo psilocibina, o que é certo é que se tratava realmente de uma bebida enteógena. Isto porque chegou até mesmo a ser motivo de condenação do aristocrata ateniense Alcebíades, em 415 a.C., que fora flagrado servindo a poderosa poção para entretenimento de amigos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na &lt;em&gt;Ilíada&lt;/em&gt;, de Homero, relata-se que o Kykeon era composto por cevada, água, ervas e leite de cabra (XI, 624/638). Na &lt;em&gt;Odisséia&lt;/em&gt;, também atribuída a Homero, a semideusa Circe (tida por alguns como mera bruxa, o que é errôneo segundo a genealogia mitológica) adiciona mel ao kykeon, para disfarçar a poção mágica que transformava homens em animais e que ela também adicionara (X, 234).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na comédia &lt;em&gt;Paz,&lt;/em&gt; de Aristófanes, o deus Hermes recomenda Kykeon ao protagonista que havia comido em excesso, revelando propriedades digestivas que podem ser indicativas do uso de sementes de arruda-síria no preparo da bebida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há objeções que pudessem ser usados cogumelos, pois diz-se que eles não estariam disponíveis em larga escala, mas isso pode ser contornável por uma possível tecnologia egípcia de cultivo de cogumelos ou por colheitas constantes e secagem (notadamente a cultura grega sofreu forte influência das dinastias faraônicas). Num exemplo claro e independente, os próprios mayas e astekas realizavam ritos constantes, se bem que não tão massivos como teria sido em Eleusis. Inclusive há o relato espanhol do uso recreativo de uma bebida feita de cacau e cogumelos Psilocybe sp. na coroação de Montezuma II, o que demonstra a possibilidade de colheitas massivas deste cogumelo, mesmo em terras onde não seja tão profícuo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez o uso da arruda-síria com alguma espécie de Acácia possa ser uma receita viável. Quem sabe a cevada realmente apareça nos relatos escritos porque a ergotamina seria um dos ingredientes principais, cujos efeitos colaterais em doses psicodélicas seriam aliviados por outras ervas no composto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A certeza de que se tratava de algo muito importante está nos escritos encontrados nas escavações do santuário de Eleusis, no túmulo de um homem que dizia: "Embora sem olhos, ao celebrar em Eleusis [ao beber o Kykeon] pude ver como todos a Ressurreição de Perséfone". Seja qual for o mistério na receita do Kykeon, mais uma vez se verifica na raiz de uma mitologia, na aurora de uma civilização, a presença de um enteógeno...&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/enteogenos/~4/tBUPYLLEYus" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://enteogenos.org/categoria/geral">(geral)</category>
 <category domain="http://enteogenos.org/tag/antiguidade">antiguidade</category>
 <pubDate>Thu, 02 Sep 2010 02:19:58 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Rafael Roldan</dc:creator>
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 <title>A verdadeira psicodelia do Gênesis</title>
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    &lt;div class="field-items"&gt;
            &lt;div class="field-item odd"&gt;
                    &lt;img  class="imagefield imagefield-field_img" width="558" height="254" alt="" src="http://enteogenos.org/sites/default/files/adam-eve.jpg?1282977717" /&gt;
                      &lt;div class="caption caption-main-image"&gt;O fruto proibido é um psicodélico? Não, é algo que põe fim ao estado enteógeno em que se encontravam&lt;/div&gt;
          
        &lt;/div&gt;
        &lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Fazia algum tempo que queria escrever um post sobre a história do Éden bíblico, e a "origem do mundo". Na verdade, é mais uma divagação estilo "teoria de bar". É que várias coisas têm me levado a pensar nisso. Por exemplo:&lt;/p&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://enteogenos.org/blog/moksha/2010/08/flor-que-gera-samadhi#comment-1857"&gt;Esse post&lt;/a&gt;, que contém uma metáfora sobre a origem do mundo&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Li também (não acho mais onde foi que vi isso) um diálogo entre Aldous Huxley e Timothy Leary, sobre a teoria de que o mundo começa com uma lei antidrogas (a proibição sobre o fruto da árvore do Éden)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://vimeo.com/4738525"&gt;Esse trailer&lt;/a&gt; de documentário também faz o paralelo de que o fruto proibido seria uma droga psicodélica&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Essa instigante conferência na California, &lt;a href="http://www.scienceandnonduality.com/"&gt;Science &amp;amp; Nonduality&lt;/a&gt;, que também vai abordar enteógenos, tem tudo a ver com o tema&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;Mas o que tudo isso tem em comum e qual a relação com enteógenos?&lt;/p&gt;&lt;h2&gt;Pecado original&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Primeiro a história do Éden. Não partilho da opinião de que o fruto proibido seria um enteógeno. Acho que é bem o contrário, esse fruto é um anti-enteógeno. Adão e Eva já se encontravam em um estado de completa unidade. O efeito do fruto da "árvore do conhecimento do bem e do mal" é que acaba com essa unidade.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Depois de comer, eles passam a ficar envergonhados da nudez. Por isso também Deus diz que "no momento em que comer o fruto, sua morte está marcada". Mas o efeito principal é a expulsão do paraíso.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Sempre achei misteriosa e meio absurda a noção de pecado original. Mas se examinarmos minuciosamente podemos ver que a história tem algum sentido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Um pecado, ou seja, um crime, um erro de proporções monumentais, estaria na origem da história humana, segundo a bíblia. E ele não só está em nossa origem como até hoje sofremos por isso! Que pecado seria esse? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sexo? Curiosidade? Rebeldia? Desobediência?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não, não, nada disso. O grande erro é cair na dualidade, penso. Sair do estado de unidade plena, união mística, e passar a fazer distinções mentais dualistas: bem e mal, vestido e nu, trabalho e descanso, Deus ali eu aqui...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://enteogenos.org/blog/1/2010/08/verdadeira-psicodelia-do-genesis" target="_blank"&gt;Continuar lendo&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/enteogenos/~4/QAumemovcOY" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://enteogenos.org/tag/budismo">budismo</category>
 <category domain="http://enteogenos.org/tag/religiao">religião</category>
 <pubDate>Sat, 28 Aug 2010 06:46:11 +0000</pubDate>
 <dc:creator>EN Teo</dc:creator>
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 <title>Bad trip com Argyreia nervosa</title>
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    &lt;div class="field-items"&gt;
            &lt;div class="field-item odd"&gt;
                    &lt;img  class="imagefield imagefield-field_img" width="298" height="381" alt="" src="http://enteogenos.org/sites/default/files/DespairAlexGrey.jpg?1282622396" /&gt;
                      &lt;div class="caption caption-main-image"&gt;"Despair", de Alex Grey&lt;/div&gt;
          
        &lt;/div&gt;
        &lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Fiz minha terceira experiência com sementes de Argyreia nervosa. As primeiras duas (há quase dois anos) foram extasiantes, sem nenhum traço negativo. Já esta foi uma peia clássica, em todos os sentidos — para quem não sabe, "peia" significa "surra"; é um termo usado entre ahuasqueiros para experiências extremamente desconfortáveis. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Minhas peias mais doloridas haviam sido com ayahuasca, mas essa que vou narrar talvez tenha superado todas.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Fazia tempo que queria escrever aqui sobre alguma "bad trip", para compensar outros relatos mais entusiasmados. Sempre tive receio de que esses textos sobre experiências positivas acabassem incentivando o uso e sendo indiretamente responsáveis por experiências muito ruins. Querendo ou não, a responsabilidade (kármica, não legal) cai sobre todos que influenciaram direta ou indiretamente. Tudo é interdependente, não há como fugir disso, acredito. Por isso, busco criar interdependência positiva.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Apesar de que há também a influência em relação a experiências positivas, não sei se elas compensam as negativas — provavelmente não.&lt;br&gt;&lt;br&gt;A mensagem desse texto é bem simples: consumir sementes de Argyreia nervosa pode ser uma experiência horrível, tanto física quanto psicologicamente (e até espiritualmente). Se está pensando em experimentar, muito cuidado. Pessoalmente, não recomendo e não pretendo consumir de novo.&lt;/p&gt;&lt;h2&gt;Sintomas&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Muitas pessoas passam por sintomas físicos desconfortáveis com essas sementes: náuseas, dores nos membros, sensação de envenenamento… Achava estranho não ter sentido nada disso nas outras duas vezes, só um leve enjôo no começo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Desta vez senti tudo. Já começa com o gosto horrível das sementes. Tem gente que faz diluições com água, mas como dilui os alcalóides também (efeito mais fraco), preferi não fazer isso.&lt;br&gt;&lt;br&gt;O fato de as sementes estarem guardadas há quase dois anos deve ter amargado-as. Não era tão ruim. Ao mascar a primeira já deu vontade de parar por aí. Ia comer oito, mas como o gosto estava muito difícil, comi só seis (ainda bem!) — a mesma quantidade das outras vezes, só que desta vez o efeito foi muito mais forte.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Em mim, o efeito começa com uma certa dormência geral, um entorpecimento corporal, cansaço. Desta vez, junto com isso veio uma sensação de envenenamento, como se tivesse comido algo estragado, o corpo começou a ficar estranho.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Fui ignorando essa sensação, pois concentrar nela só aumentava. Fiquei ouvindo músicas deitado. Ficava divertido até, se conseguia ficar um tempo sem lembrar do mal-estar. Mas era difícil não notar isso.&lt;/p&gt;&lt;h2&gt;Tormento&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Com duas horas, achei que estivesse no pico. Já estava completamente alterado — no sentido negativo: confuso, sem entender nada, meio louco. Então tirei os fones de ouvido para tentar meditar. Aí começou pra valer o tormento.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Estava num quarto com tatamis. Não conseguia ficar parado, então ficava alternando entre deitar-me nos tatamis, no colchão e ficar sentado. Comecei a rezar desesperadamente, pedindo para entender o porquê de tanta confusão e mal-estar.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Quando me deitava ficava me contorcendo, quase em convulsão. Apesar de tudo, por breves momentos, conseguia abstrair tudo e achar interessante a experiência, como se eu olhasse de um ponto de vista impessoal. Mas logo voltava ao sofrimento.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Geralmente, quando passo por experiências ruins consigo compreender o motivo: alguma culpa, algum comportamento errado recorrente, coisas assim. E logo que identifico, examino e me prontifico a me corrigir, a coisa vai passando até virar êxtase.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Essa peia foi meio desesperadora porque eu não conseguia entender o motivo. Antes da sessão, achei que seria uma experiência confortável. Estou vivendo uma fase ótima da minha vida, sem absolutamente nada do que me queixar, em todos os aspectos: material, espiritual, afetivo… (pelo menos que eu saiba conscientemente).&lt;br&gt;&lt;br&gt;Usei todo o leque de truques que conheço para tentar sair de peia (vários deles costumam ser bem eficazes):&lt;/p&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;rezas e invocações (de coração mesmo, não reza hipócrita). Por exemplo, a de assumir a responsabilidade ("eu mereço tudo que estou passando, não haveria possibilidade de acontecer isso se eu não merecesse. Por favor, que eu veja onde estou errando para me corrigir. E que ninguém tenha que passar por isso jamais, apenas eu")&lt;/li&gt;&lt;li&gt;mantras (diversos que conheço, não apenas de curiosidade mas de praticar formalmente, em longas repetições)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;cantos de socorro de uma tradição ahuasqueira (fazia anos que não precisava usar isso)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;música (não conseguia aproveitar, apesar de perceber a beleza)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;Isso tudo foi aliviando a coisa, mas foi uma alívio de, digamos, 10%.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Aí comecei a elencar uma lista de possíveis causas. A maioria com muito pouca probabilidade de causar a peia, como deslizes e mancadas menores e isoladas com outras pessoas. Na hora, batia uma culpa e um arrependimento incríveis, mas agora vejo que fiz como o louco que sai confessando crimes que não cometeu.&lt;br&gt;&lt;br&gt;As duas opções que sobraram com mais chance foram:&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;eu tinha que sentir isso, pois só tive experiências extasiantes com Argyreia, relatei isso em público (o que talvez tenha sido uma influência irresponsável), e agora terei uma experiência do tipo "o outro lado da moeda" para poder medir melhor as coisas&lt;/li&gt;&lt;li&gt;realmente foi um erro comer as sementes. Eu sabia das possibilidades de complicações físicas e ignorei-as plenamente&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;Não estou certo sobre isso, mas são as hipóteses com que estou trabalhando. E, obviamente que não descartei alguns de meus próprios atos, que não vêm ao caso, como desencadeadores. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Certa hora, quando fui no banheiro, não conseguia dobrar direito os joelhos, além de mal conseguir me equilibrar de pé. Aí lembrei de um conhecido que não quer nem ver Argyreia na frente devido a umas dores nos joelhos e juntas que sente com as sementes.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Obviamente, que a percepção estava completamente alterada e amplificada. Mas também não consegui aproveitar isso devido ao mal-estar, ao desespero.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Depois, estava me contorcendo tanto no tatami que comecei a soluçar, quase convulsivamente. Vinha junto um enjôo forte. Mas resisti e não vomitei — no entanto, sentia algo no estômago que parou ali e não iria embora por outra via ao não ser a golfada.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Um dos motivos para não vomitar é que estava numa casa "emprestada". Havia pessoas dormindo em outros quartos. E se eu vomitasse seria daquele vômito de virar do avesso, de sair as tripas, aquele que sai um urro gutural junto. Não ia conseguir vomitar baixinho (até ia, mas na hora achei que fosse impossível isso).&lt;br&gt;&lt;br&gt;Então segurei. Isso foi um erro. Assim como foi um grande erro também fazer a sessão assim na calada da noite nessa casa que não é minha (outro fator que contribuiu negativamente).&lt;br&gt;&lt;br&gt;O sinal definitivo de que estou levando uma surra é quando penso: "Por favor, que o efeito passe logo". Para mim, enquanto eu não desejar isso, não é peia. Então desejei não apenas que o efeito terminasse, mas prometi nunca mais consumir as sementes.&lt;br&gt;&lt;br&gt;A mágica aconteceu depois. Passou tudo: o soluço, o mal-estar, o enjôo, o desespero. Tudo! E veio o êxtase. Tive que me conter para não gritar gargalhando. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Coloquei de volta os fones de ouvido e as músicas estavam transfiguradas de uma maneira mais espetacular até do que o LSD faz. Não conseguia acreditar que aqueles sons divinos fossem possíveis de existir. Todos os timbres estavam com uma aura cristalina, sem que fossem alteradas as músicas, mas sim elevadas à perfeição.&lt;br&gt;&lt;br&gt;E durou um bom tempo isso. Mais de uma hora, acho. Na verdade, o pico foi esse, mais ou menos quatro horas depois da ingestão. Cheguei a pensar: "Valeu a pena passar por aquele sofrimento para chegar até aqui!". Cheguei a esquecer completamente a peia (erro!). &lt;/p&gt;&lt;h2&gt;De volta pro buraco&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Então decidi ouvir uma música específica, que procuro evitar pois ela me soa inexplicavelmente desconfortável apesar de muito bonita.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Foi aí que percebi um certo conflito espiritual que estou vivendo. Não tinha consciência de que a situação havia se elevado nesse patamar.&lt;br&gt;&lt;br&gt;A música, apesar de linda, me ativou memórias (que agora percebo como conflitantes) e fez com que eu voltasse a me contorcer. Então, o soluço convulsivo voltou e boa parte do mal-estar. Não acreditei nisso! Nunca tinha visto isso: sair completamente de uma peia e voltar.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Em mim, soluço é uma reação do organismo para desequilíbrios no corpo. Acontece quando como demais, quando bebia muito álcool (há vários anos), quando me exercito desequilibradamente (sem aquecimento, por exemplo) etc. Ou seja, parecia que estava havendo uma reação do meu corpo aos componentes da semente ou aos movimentos de contorção que o efeito me provocava.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Ele continuou por várias horas, e me concentrei tanto nele e no desejo de que passasse que isso virou um inferninho pessoal: o inferno do soluço!!&lt;br&gt;&lt;br&gt;Tomei um banho e me deitei de novo, já de manhã. Aí o soluço parou. Quase gritei de alegria de novo! O efeito ainda estava forte, mas o mal-estar já havia passado.&lt;/p&gt;&lt;h2&gt;No parque&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Então fui caminhar num parque bem bonito que tem lá perto. Havia muitas pessoas caminhando também. A visão do verde e dos pássaros era uma coisa paradisíaca — precisava me conter para não gargalhar de êxtase em público.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Só que não conseguia olhar para as pessoas. Entrei naquela "bad trip" de ver todos como autômatos, robôs condicionados… Ver isso era muito desconfortável. E quando algum olhar cruzava com o meu, parecia que eles sabiam da minha situação -- isso mostra como estava ainda forte tanto o efeito quanto a influência negativa/paranóica.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Então voltei e dormi por quase doze horas. Por vezes, acordava com os soluços que retornavam. Agora, 48 horas depois, o soluço ainda vai e vem -- mas por períodos bem curtos.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Obviamente que não estou no efeito. Mas as coisas ficaram meio diferentes. Às vezes bate um tédio que eu não sentia há anos -- desde a época que estava mergulhado em drogas. Uma certa falta de sentido.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Já vi gente reclamando desses sintomas posteriores, a ponto da coisa beirar o desequilíbrio mental. Certamente que isso pode acontecer em muitas pessoas. Considero-me uma pessoa hoje bem estruturada psicologicamente. Estou tranquilo, sei que não vou ficar depressivo ou confuso. Mas pessoas menos seguras certamente ficariam bem atrapalhadas. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Ainda estou examinando os desdobramentos e as possíveis causas. Obviamente que considero essa peia muito útil. As grandes reviravoltas desde o tempo que comecei a usar enteógenos espiritualmente só aconteceram por causa de peias. É assim que vem a correção.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Mas não desejo que ninguém passe pelo desespero que passei.&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/enteogenos/~4/DVcJYlcADkY" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://enteogenos.org/tag/argyreia-nervosa">Argyreia nervosa</category>
 <pubDate>Tue, 24 Aug 2010 04:02:01 +0000</pubDate>
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 <title>A flor que gera samadhi</title>
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 <description>&lt;p&gt;Para os que apreciam a conexão budismo/enteógenos, segue uma pérola do iogue indiano Padampa Sangye, que viveu e ensinou no Tibete no século XII. É uma resposta à pergunta de um discípulo.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="inline inline-left"&gt;&lt;img class="image image-_original " src="http://enteogenos.org/sites/default/files/images/padampa.jpg" alt="O mestre tântrico Padampa Sangye (Índia/Tibete, séc. 12)" title="O mestre tântrico Padampa Sangye (Índia/Tibete, séc. 12)" width="250" border="0" height="267"&gt;&lt;span class="caption" style="width: 250px;"&gt;O mestre tântrico Padampa Sangye (Índia/Tibete, séc. 12)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;"Dampa [Padampa] já esteve em todas as terras. Que grandes maravilhas você presenciou?"&lt;br&gt;&lt;br&gt;Dampa respondeu: "Já vi coisas maravilhosas!&amp;nbsp; Vi um iogue que praticou meditação dentro do corpo de um peixe. Vi um espetáculo observado à partir do fundo do oceano. Vi feriados aproveitados no pico de uma montanha. Vi um ser senciente com o corpo de um porco, a cabeça de um pássaro e o rabo de uma cobra, que botou seis ovos à partir do olho!&lt;br&gt;&lt;br&gt;Vi uma folha de árvore que, se pegá-la na mão, você voa pelo céu. Vi uma flor que, se você comê-la, ela gera samadhi em sua mente. Vi água que, se você beber uma cuia dela, a duração de sua vida fica igual ao do sol e da lua. Vi carne que, se comer uma bocada, você obtém o siddhi. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Vi um iogue ensinando o Dharma para uma pessoa petrificada que escutava através dos ouvidos de uma tartaruga — quando esse dharma foi praticado pela rainha, a realização chegou a um iogue meditando em isolamento!"&lt;br&gt;(&lt;em&gt;Lion of Siddhas - The Life and Teachings of Padampa Sangye&lt;/em&gt;)&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;(um parênteses meio infame aqui: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;não consegui evitar de lembrar "Are you experienced?", do Hendrix, na parte sobre o fundo do oceano: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;"We'll hold hands and then we'll watch the sunrise, from the bottom of the sea. But first, are you experienced?" rsrsrsrs )&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/enteogenos/~4/wBjpwegs68w" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://enteogenos.org/tag/budismo">budismo</category>
 <pubDate>Wed, 18 Aug 2010 16:09:50 +0000</pubDate>
 <dc:creator>EN Teo</dc:creator>
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 <title>Valeu Hempadão</title>
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 <description>&lt;p&gt;Valeu pela indicação galera do &lt;a href="http://hempadao.blogspot.com/2010/08/ed-76-onwave-enteogenosorg-informacao-e.html"&gt;Hempadão&lt;/a&gt;!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Achei bem engraçado o fato de alguém lá nos comentários dizer que nós "enteogenistas fanáticos" deveríamos ler mais sobre outras religiões (valeu aí pela defesa Fernando!). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sim, realmente devo ler mais sobre outras religiões. É um conselho que se todos seguissem, haveria menos intolerância.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por exemplo, sobre uma religião monoteísta cristã, que valoriza o estudo das escrituras, cujo sacramento é uma erva. Muita gente pega a parte da erva e descarta o restante da doutrina, que prega o amor, a paz, a convivência harmoniosa...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não sou dessa religião, mas admiro esses preceitos: não vou xingar ninguém não.&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/enteogenos/~4/OsDyPnSFQhM" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Wed, 11 Aug 2010 01:50:22 +0000</pubDate>
 <dc:creator>EN Teo</dc:creator>
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 <title>Índios Kaxinawá e a ayahuasca</title>
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 <description>&lt;p&gt;Seguem dois vídeos sobre os índios Kaxinawá e o uso da ayahuasca (no segundo, o chá aparece brevemente só). Obrigado pelos links Karla! &lt;br&gt;&lt;br&gt;

&lt;object width="560" height="420"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=10605218&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;show_title=0&amp;amp;show_byline=0&amp;amp;show_portrait=0&amp;amp;color=990000&amp;amp;fullscreen=1&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;loop=0"&gt;&lt;embed type="application/x-shockwave-flash" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=10605218&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;show_title=0&amp;amp;show_byline=0&amp;amp;show_portrait=0&amp;amp;color=990000&amp;amp;fullscreen=1&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;loop=0" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="560" height="420"&gt;&lt;/object&gt;

&lt;object width="560" height="420"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11869466&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;show_title=0&amp;amp;show_byline=0&amp;amp;show_portrait=0&amp;amp;color=990000&amp;amp;fullscreen=1&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;loop=0"&gt;&lt;embed type="application/x-shockwave-flash" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11869466&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;show_title=0&amp;amp;show_byline=0&amp;amp;show_portrait=0&amp;amp;color=990000&amp;amp;fullscreen=1&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;loop=0" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="560" height="420"&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/enteogenos/~4/Qm_tBXmeC_8" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://enteogenos.org/categoria/ayahuasca">Ayahuasca</category>
 <category domain="http://enteogenos.org/tag/video">vídeo</category>
 <category domain="http://enteogenos.org/tag/xamanismo">xamanismo</category>
 <pubDate>Wed, 11 Aug 2010 00:29:50 +0000</pubDate>
 <dc:creator>EN Teo</dc:creator>
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 <title>Dissolução do ego com LSD</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/enteogenos/~3/umQ0i93cyew/dissolucao-do-ego-com-lsd</link>
 <description>&lt;div class="field field-type-filefield field-field-img"&gt;
    &lt;div class="field-items"&gt;
            &lt;div class="field-item odd"&gt;
                    &lt;img  class="imagefield imagefield-field_img" width="558" height="368" alt="" src="http://enteogenos.org/sites/default/files/egypt-alien-ancient.jpg?1281291505" /&gt;
          
        &lt;/div&gt;
        &lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Portar LSD, mesmo para uso pessoal, é contra a lei brasileira. O objetivo deste site não é incentivar crimes -- pelo contrário, pedimos que não façam isso. O objetivo de textos que contenham referências a coisas ilegais estão aqui no sentido de compartilhamento de informações. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Dito isso, aqui vai um outro relato sobre LSD. Um amigo me relatou essa experiência, que reproduzo abaixo, em suas próprias palavras:&lt;/p&gt;&lt;hr&gt;&lt;p&gt;"Finalmente tive uma experiência psicodélica completa, total, com dissolução do ego estável, contato revelador e tudo mais! &lt;br&gt;&lt;br&gt;Tinha esse objetivo desde a primeira vez que li "A Experiência Psicodélica", há uns 15 anos. Apesar de todo esse tempo, ao todo devo ter tomado LSD umas 20 vezes apenas -- as últimas sete vezes tiveram objetivo puramente espiritual. Antes, tomava por diversão.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Tomei quatro gotas de LSD líquido. Cheguei a essa dosagem com base em outras experiências. Seria o equivalente a uma dose de 150 microgramas, imagino, suficiente para uma experiência transcendental em todas as dimensões.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Obviamente que só a quantidade não importa, mas no quesito set &amp;amp; setting estava tudo nos conformes também.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Por ter alguma experiência, incluindo a coordenação de sessões com ayahuasca, tomei sozinho, à noite.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Com esse LSD líquido, doses acima de duas gotas -- ou seja, doses altas -- me causam uma tensão durante a chegada dos efeitos. Chego a tremer batendo os dentes. Ondas de energia percorrem todo o corpo causando mais tremores e calafrios. Na primeira vez que tomei uma dose alta desse LSD, fiquei com bastante medo e passei por uma certa peia, que passou após uma longa repetição de orações e mantras.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Desta vez, me lembrei de que esses sintomas físicos podem ser sinais de uma dissolução do ego se aproximando. "Ah, acho que agora vai rolar. Que venha! Estou pronto!". Batata! Tiro e queda!&lt;br&gt;&lt;br&gt;Quando o desconforto já tinha estabilizado, após uma hora e meia, estava vivendo um deleite incrível ouvindo músicas. Tenho um costume que funciona bem comigo: após duas horas cravadas no relógio, paro tudo: música, luzes, movimentos... Coloco um tapa-ouvidos (se houver ruídos externos incomodando) e sento em meditação, de olhos fechados.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Foi o que fiz. E foi a coisa mais linda! Visões estilo túneis no espaço sideral, paisagens alienígenas, sons harmônicos lindíssimos... Certa hora me surpreendi ao ver que havia tirado os fones de ouvido. Pois estava ouvindo uma música celestial. Ela estava bem dentro da minha cabeça.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Durou bastante tempo isso. De vez em quando, abria os olhos e me surpreendia de ainda estar lá sentado na sala, iluminada só com velas. "Caramba, essa é a viagem da minha vida!", pensava, então fechava os olhos e voltava praquela dimensão sideral maravilhosa. Havia uma presença estilo Deus-alien, mostrando muitas coisas, mas ele mesmo não se mostrava. No entanto, era óbvio que aquele show era orquestrado, não eram visões aleatórias. Aquilo era um mundo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Passou tempo suficiente para as costas começarem a doer. Deitei-me numa cama que já havia preparado ali mesmo, para esse fim. Foi muito confortável e isso abriu uma nova etapa na sessão.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Já não sentia mais o corpo, então fui. É aquela velha história: não há como descrever bem a dissolução do ego. A gente cai nos velhos clichês e não consegue comunicar 1% da sensação.&lt;br&gt;&lt;br&gt;O que posso acrescentar além daqueles conceitos de "sou um com tudo", "a identidade é uma ilusão", "êxtase big bang", "impossível afirmar quem eu era", é que consegui flagrar os exatos momentos em que a consciência universal se perde, caindo no ego, e vice-versa. Fiz esse vai-e-vem algumas vezes.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Era um insight tão poderoso que parecia que estava entendendo a origem da vida, da consciência, do universo, do karma, de como as coisas (ou seja, as ilusões) se formam.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Outra sensação inédita para mim foi sentir a "energia da vida", acho. Digo "acho" porque com "vida" estou me referindo a seres vivos, plantas, o planeta, mas não só isso. Ficou óbvio que essa energia não permeia apenas as coisas orgânicas, minerais ou visíveis. Está em tudo, mas notadamente bem no centro da consciência, aquela circunferência cujo centro está em todo lugar.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Cada micro-movimento do meu corpo era como se fosse uma dança, uma expressão dessa grande energia. Parecia que cada tremor durante um microssegundo do meu dedo mindinho continha todo o universo e muito mais.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Fiquei surpreso por estar lidando sistematicamente com enteógenos há vários anos -- inclusive, no meio da natureza -- e nunca ter sentido a vida assim tão completa.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Isso durou uma hora ou duas. Foi o ápice. &lt;/p&gt;&lt;h2&gt;Máscaras no chão&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Então o efeito começou a baixar e iniciei uma investigação mais cerebral e analítica da história.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Uma coisa que adoro no LSD é que ao fechar os olhos, sinto que uma pálpebra interna se levanta. É uma sensação muito nítida e consistente -- sei que o efeito definitivamente chegou por causa desse sinal. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Quando esse olho interior se arregala, bate uma sensação de vergonha. Pois tudo fica transparente, é impossível esconder qualquer coisa. É preciso ser muito honesto, peito aberto: a mente está completamente nua, sem disfarces e subterfúgios.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Gosto dessa sensação de olhar para mim de maneira clara, mesmo para as coisas mais desconfortáveis.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Costumo entrar num "jogo" depois do pico: me deixo levar por algumas sensações recorrentes, para ver onde vão dar e para ver se consigo entender de onde elas vêm, jamais esquecendo que é um jogo, um "faz de conta que estou seguindo isso".&lt;br&gt;&amp;nbsp;&lt;br&gt;No meio do processo, começo a perceber as "máscaras", os símbolos, os disfarces que a mente usa.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Alguns disfarces caem espontaneamente, só pela força do estado alterado. As "novidades" caem como bombas: "Nossa, não imaginava que estava recalcando isso e isso...".&lt;br&gt;&lt;br&gt;Outras máscaras são mais resistentes e não caem. Mas dão uma leve "tremida", revelando sua natureza de disfarce. Vinha percebendo isso em relação a um "disfarce" que carrego comigo desde a infância: o Deus-alienígena.&lt;br&gt;&lt;br&gt;É uma imagem que vejo em sonhos desde a adolescência. Quando cheirava cola de sapateiro, já via isso. Com ayahuasca vi mais claramente, cheguei a ficar assustado, cogitei a ideia de que talvez fosse real. Com outros enteógenos também era uma imagem recorrente.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Nas últimas sessões com LSD é que a "farsa" começou a se desnudar. Eu via um ser supremo, que na minha cabeça, só podia ser alienígena. Me curvava, reverenciava, até recebia uma ou outra mensagem telepática. Mas alguma coisa estava estranha, alguma peça não se encaixava, parecia que eu estava vivendo um filme, um enredo que não foi costurado muito bem.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Nessa dimensão da "honestidade psíquica" andei examinando qual é meu arquétipo de Deus. Por mais que eu faça um esforço para acreditar e me relacionar com o Absoluto sem forma (o Brahman dos hindus ou o Dharmakaya budista, que considero conceitos mais razoáveis de Deus), flagrei em mim um tipo de carência, um desejo premente de me relacionar com o superior de maneira mais pessoal. &lt;br&gt;&lt;br&gt;De todos os deuses e deidades das religiões que aprecio, a única forma que realmente me inspiraria respeito e temor, que para mim seria fácil de acreditar como algo supremo, seria um Deus-alien -- talvez por influência da cultura científica em que fui criado.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Então "brinquei" com isso. Comecei a conversar com a coisa, sem perder consciência da "farsa". E a máscara caiu. &lt;br&gt;&lt;br&gt;"Vamos colocar outra máscara? Que tal Krishna?". Sim era possível me relacionar assim também. "Buda?" Certamente. Mas quem estava por trás da máscara não mudava. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Esse "encontro", deduzido pela ausência de um "ator", para mim foi algo cuja resposta estive procurando por toda minha vida. Não só a resposta teórica (que tenho faz tempo), mas algo mais empírico também. Apesar de não haver uma imagem "real" (imagens havia muitas, mas todas projeções da minha mente), não havia como negar a presença, além da visão, dos sentidos, e até da consciência. Se falasse, estaria dizendo: "Sempre estive bem aqui, entende agora?". &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Frases místicas misteriosas como "Forma é vacuidade, vacuidade é forma, forma não é nada além de vacuidade, vacuidade não é nada além de forma" reluziram de verdade!&lt;br&gt;&lt;br&gt;Então entrei nessa consciência una e fiquei completamente absorvido. Entendi o significado de palavras como "bliss" (em inglês, que costuma ser traduzida&amp;nbsp; como "glória" ou "bem-aventurança", com conotação espiritual). &lt;br&gt;&lt;br&gt;Após alguns minutos, notei que talvez fosse um desperdício de êxtase ficar assim só desfrutando as delícias. "Melhor reservar isso para quando for necessário, ou para quem estiver precisando". Interrompi e voltei a algumas especulações. &lt;/p&gt;&lt;h2&gt;Perto do fim&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Andei pelo apartamento e me surpreendi em como ainda estava forte o efeito, mesmo após quatro ou cinco horas (esse LSD líquido costuma ter duração menor que blotter). Mal conseguia me equilibrar.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Ao me deitar de novo, começaram a vir "informações" sobre pessoas que conheço. Mensagens bem objetivas e inequívocas, como se fossem recados: "Fulano está com um problema aqui e aqui. Siclano ali...". Rejeitei isso, pensando: "Ah desculpe, nessa viagem não estou a fim de entrar não".&lt;br&gt;&lt;br&gt;Depois, caí num fluxo de pensamento tão intenso e neurótico que dessa vez me perdi mesmo. "Agora já era. Perdi realmente a transcendência. Bom, paciência...".&lt;br&gt;&lt;br&gt;Quando a sessão começa a degenerar, começo a conversar comigo mesmo, me divertindo muito. Estava num papo assim: &lt;br&gt;&lt;br&gt;-- Você é realmente muito estúpido né, quando é que vai aprender a soltar e ficar?&lt;br&gt;&lt;br&gt;-- É eu sou. Vou soltar agora, pode?&lt;br&gt;&lt;br&gt;Então, soltei e não é que funcionou?!! Cinco horas depois de ter ingerido o LSD, voltei para o pico, para o êxtase, para a energia onipresente. Não acreditei que fosse possível fazer isso. Mas aí comecei a gargalhar de alegria e me perdi de novo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Mas estava tudo ótimo. Eu não parava de pensar: "Caraca, acho que hoje rolou!!!" Assim estou pensando até agora.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Foi a coisa mais intensa que já me aconteceu em toda a vida. Ainda estou digerindo a história, refletindo sobre como ficam as coisas agora. Porque diante disso, tudo muda de figura..."&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/enteogenos/~4/umQ0i93cyew" height="1" width="1"/&gt;</description>
 <comments>http://enteogenos.org/experiencias/2010/08/dissolucao-do-ego-com-lsd#comments</comments>
 <category domain="http://enteogenos.org/categoria/lsd">LSD</category>
 <pubDate>Sun, 08 Aug 2010 18:20:05 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Nob</dc:creator>
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<item>
 <title>Três álbuns ótimos para sessões</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/enteogenos/~3/VeMY-8goGYY/tres-albuns-otimos-para-sessoes</link>
 <description>&lt;div class="field field-type-filefield field-field-img"&gt;
    &lt;div class="field-items"&gt;
            &lt;div class="field-item odd"&gt;
                    &lt;img  class="imagefield imagefield-field_img" width="558" height="180" alt="" src="http://enteogenos.org/sites/default/files/blueberry-kundum-baraka.jpg?1281072013" /&gt;
          
        &lt;/div&gt;
        &lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Seguem links de três albums ótimos que peguei recentemente. Os três são trilhas sonoras de filmes, com boas músicas para sessões:&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="http://rapidshare.com/files/88453648/blueberry-2004-ost.rar"&gt;Blueberry&lt;/a&gt; - Comentei sobre o filme &lt;a title="Faroeste enteógeno | Enteógenos" href="http://enteogenos.org/blog/moksha/2010/07/faroeste-enteogeno"&gt;neste post&lt;/a&gt;. Tem pelo menos quatro músicas ótimas, que já valem o disco. Como curiosidade, há também os cantos misteriosos que o xamã do filme usa&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://buddhisttorrents.blogspot.com/2009/03/kundun-philip-glass.html"&gt;Kundun&lt;/a&gt;
 - Philip Glass com música tibetana! Outro filme sensacional: a vida do 
Dalai Lama, dirigida por ninguém menos que Martin Scorcese. O download 
está no formato Flac, de qualidade superior, mas que não toca em 
qualquer programa ou player. Sugiro converter para MP3&lt;/li&gt;

&lt;li&gt;&lt;a href="http://ranciobaul.blogspot.com/2008/06/baraka-1992.html"&gt;Baraka&lt;/a&gt; - A trilha é inteira excelente, como o filme. Quem ainda não viu, veja! A sequência final, da consagração espiritual e das estrelas em movimento, é uma das coisas mais bonitas e emocionantes que já vi num DVD. Não vejo a hora de pegar a versão Bluray desse filme&lt;/li&gt;


&lt;/ul&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/enteogenos/~4/VeMY-8goGYY" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <category domain="http://enteogenos.org/tag/downloads">downloads</category>
 <category domain="http://enteogenos.org/tag/musica">música</category>
 <pubDate>Fri, 06 Aug 2010 05:13:43 +0000</pubDate>
 <dc:creator>EN Teo</dc:creator>
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 <title>Ciência psicodélica no século XXI</title>
 <link>http://feedproxy.google.com/~r/enteogenos/~3/LouVRR2MXF4/ciencia-psicodelica-no-seculo-xxi</link>
 <description>&lt;div class="obs"&gt;Artigo publicado originalmente no &lt;a href="http://blog.sbnec.org.br/2010/07/ciencia-psicodelica-no-seculo-xxi/"&gt;Blog da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Psicodélico – Termo cunhado pelo psiquiatra britânico Humphry Osmond, em carta ao escritor e amigo Aldous Huxley, unindo os termos gregos “ψυχή” (psyche, mind) e “δήλος” (delos, manifesting), resultando em “Que manifesta a mente”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="post-box"&gt;&lt;strong&gt;Eduardo Schenberg&lt;/strong&gt; é biomédico, mestre em psicofarmacologia e um quase-doutor em neurociências. É um dos fundadores do &lt;a href="http://plantandoconsciencia.wordpress.com/"&gt;plantandoconsciência&lt;/a&gt;, iniciativa dedicada à catalização de um futuro consciente e sustentável.&lt;/div&gt;&lt;p&gt;Eles estão de volta à bancada. Depois do uso disseminado pelas massas beatniks e hippies nos anos 60 nos EUA e da forte repressão que se seguiu em todo o mundo, os psicodélicos finalmente reencontraram seu rumo médico-científico, que sofreu muito mais com a proibição do que o uso ilegal por artistas, músicos, psiconautas, curandeiros, xamãs e aventureiros em geral. A escalada científica das substâncias encabeçadas pelo LSD, provavelmente a molécula mais famosa do mundo, fica evidente se examinarmos apenas alguns acontecimentos marcantes da primeira década do admirável século novo: os simpósios psicodélicos que rolaram em Basel, na Suíça; em 2006 comemorando o centenário de Albert Hofmann, pai do LSD e identificador da psilocina e psilocibina, e novamente em 2008, ano em que Hofmann faleceu aos 102 anos. Esta escalada conta também com a publicação de dois artigos surpreendentes pela equipe do pesquisador Roland Griffiths (Johns Hopkins) mostrando que a experiência controlada com psilocibina é capaz de evocar experiências místicas que mudam por completo a vida dos voluntários (Psychopharmacology, 2006 vol. 187 p. 268) e cujos efeitos puderam ser estatisticamente verificados em um estudo com os mesmos sujeitos 14 meses após a experiência com o princípio ativo dos cogumelos mágicos (Journal of Psychopharmacology, 2008 vol. 22 p. 621). Nada que os hippies, beatniks, curandeiros, xamãs e psiconautas não soubessem há décadas (em alguns casos até séculos). Este resultado também já havia sido demontrado em Harvard no início dos anos 60, na famosa tese de doutorado em religião defendida por Walther Pahnke, antes da polêmica expulsão de Tim Leary e Richard Alpert (Ram Dass), que viria a catapultá-los como pais da contracultura psicodélica nos anos seguintes. Ainda assim, re-evidenciar o fato (re-search) com os mais rigorosos e criteriosos métodos da chamada ciência hard-core moderna e publicá-los em revistas de alto impacto é pra chacoalhar mesmo os mais materialistas e reducionistas da área. Pra quem gosta de acompanhar assuntos quando estes chegam ao topo, os psicodélicos já estão lá: no fim de 2009 saiu, pela primeira vez em décadas, um artigo publicado na Science com a palavra “hallucinogen”: a identificação do receptor Sigma-1 como alvo do DMT (Science, 2009 vol. 323 p. 934), princípio ativo de diversas plantas xamânicas da amazônia, sendo a principal uma das duas que formam a combinação conhecida como ayahuasca, ou yagé.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Mas não é só isso. A neurociência que se prepare. Os tempos de abrir a cabeça estão apenas começando. A escalada psicodélica nos laboratórios, básicos e clínicos, consagrou-se no mês de Abril de 2010 na Califórnia, berço do movimento contra-cultura dos anos 60. Foi entre os dias 15 e 18 que a MAPS, Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos, conseguiu reunir em San José, próximo de São Francisco, cerca de mil interessados no ramo, de várias partes do mundo. A chegada no congresso já deixava claro que se tratava de um evento ímpar. Hippies de roupas bizarras e cabelos coloridos, dreads e tatuagens dividiam espaço nos auditórios e nos ambientes a céu aberto com pesquisadores engravatados, estudantes, repórteres, médicos e muita gente descontraída. A conferência foi co-organizada pelas instituições parceiras da MAPS: o Conselho sobre Práticas Espirituais (CSP), o Heffter Research Institute e a Beckeley Foundation.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="inline inline-none"&gt;&lt;img class="image image-_original " src="http://enteogenos.org/sites/default/files/images/MAPS-2010-coquetel-1024x682_0.jpg" alt="Coquetel de abertura da conferência &amp;amp;amp;quot;Ciência psicodélica no século XXI&amp;amp;amp;quot;" title="Coquetel de abertura da conferência &amp;amp;amp;quot;Ciência psicodélica no século XXI&amp;amp;amp;quot;" width="558" border="0" height="372"&gt;&lt;span class="caption" style="width: 556px;"&gt;Coquetel de abertura da conferência "Ciência psicodélica no século XXI"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O congresso contou com mais de 90 palestrantes apresentando toda sorte de experimentos e propostas em três salas simultaneamente. Dentre as atrações principais pode-se destacar a presença de Charles Grob (UCLA), pioneiro no estudo do uso de psicodélicos para aliviar o sofrimento de pacientes que se aproximam, de fato, da morte; o trabalho de Michael Mithoefer com MDMA (o princípio ativo do ecstasy), que já se encontra em fase clínica II com autorização da FDA americana; a presença do bioquímico David Nichols (Purdue University, Heffter Research Institute), uma das principais figuras da pesquisa psicodélica em todos os tempos; o médico criador e propagador da medicina integrativa Andrew Weil (University of Arizona) e o encerramento feito pelo psiquiatra tcheco Stanislav Grof (California Institute of Integral Studies – CIIS), chamado de o poderoso-chefão da psicodelia por ninguém menos que o próprio Hofmann. Também chamaram atenção os pioneiros da área que estiveram presentes: Ralph Metzner, James Fadiman e Ram Dass (por problemas de saúde, apenas em vídeo-conferência que lotou duas salas e o jardim); o casal de rogue-chemists Alexander “Sasha” Shulgin e sua esposa Ann Shulgin (autores de PIHKAL e TIHKAL) bem como os expositores do Erowid e o artista transcendental Alex Grey, que estreiou um quadro em jantar beneficente em homenagem aos Shulgins.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="inline inline-none"&gt;&lt;img class="image image-preview " src="http://enteogenos.org/sites/default/files/images/alex_ann_sasha.preview.jpg" alt="&amp;amp;amp;quot;The Shulgin&amp;amp;amp;#039;s and Their Alchemical Angels&amp;amp;amp;quot;, de Alex Grey" title="&amp;amp;amp;quot;The Shulgin&amp;amp;amp;#039;s and Their Alchemical Angels&amp;amp;amp;quot;, de Alex Grey" width="558" border="0" height="694"&gt;&lt;span class="caption" style="width: 513px;"&gt;"The Shulgin's and Their Alchemical Angels", de Alex Grey&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As novidades apresentadas foram várias, e vale destacar o trabalho brasileiro na chamada Ayahuasca Track, que dominou uma das três salas do evento. Coordenada pela antropóloga brasileira Beatriz Labate, a aya track ganhou muita atenção e contou com palestra de dois brasileiros: Luís Fernando Tófoli (Universidade Federal do Ceará, União do Vegetal) e Paulo Cesar Ribeiro Barbosa (Universidade Estadual de Santa Cruz), bem como do colaborador americano Brian Anderson (Stanford University) e vários estrangeiros interessados no assunto. Foram abordados os aspectos psicológicos, fenomenológicos, simbólicos e até experimentos recentes com EEG e planos de experimentos com fMRI, a acontecerem em breve. Tomados coletivamente, os resultados mostram de forma inequívoca que a ayahuasca é segura, mesmo quando consumida de maneira regular por muitos e muitos anos, não causando danos a saúde e melhorando indicadores de saúde psicológica individual, coletiva e de relações sociais e familiares, na grande maioria dos casos. A excessão fica aos casos de antecedentes psicóticos e propensão a distúrbios mentais, nos quais o chá pode desencadear surtos psiquiátricos latentes.&lt;br&gt;&lt;br&gt;O evento deixou claro, assim como os últimos artigos publicados e a dúzia (pelo menos) que está no prelo, que a ciência psicodélica está aí para ficar. Longe da abordagem inconsequente do uso maciço e indiscriminado de tempos passados, a idéia agora está mais consciente e madura. De acordo com Rick Doblin, presidente e fundador da MAPS: “Hoje a cultura é mais aberta e a contracultura mais paciente”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As principais linhas de pesquisa que já contam com inflorecências são:&lt;/p&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;O uso de MDMA na prática clínica, associado a psicoterapia e acompanhamento psicológico para o tratamento de Transtorno do Estresse Pós-Traumático e Transtorno Obsessivo Compulsivo (PTSD e OCD, nas siglas em inglês). O primeiro artigo foi publicado dia 19 de julho, demonstrando que 80% dos sujeitos com PTSD por uma média de 19 anos tratados com MDMA melhoraram, contra apenas 25% no grupo placebo (J. Psychopharmacol DOI: 10.1177/0269881110378371). O próximo passo será tratar veteranos do Iraque, Afeganistão e Vietnam;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;O uso de psilocibina em doses adequadas e ambientes controlados para aliviar o sofrimento de pacientes com câncer terminal;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;O uso de psilocibina para a indução de estados místicos, espirituais e transcendentais (Psychopharmacology, 2006 vol. 187 p. 268, Journal of Psychopharmacology, 2008 vol. 22 p. 621);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;A descoberta de que doses diminutas (menores do que a dose psicoativa) de DOI, análogo sintético do LSD, podem interferir com o sistema imune e a resposta inflamatória, abrindo avenidas inéditas para tratamento de desordens alérgicas e doenças autoimunes, como há muito tempo é relatado na comunidade psicodélica e outrora desacreditado (J. Pharmacol. Expt. Therapeutics vol. 327 p. 316);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;O uso de LSD para as mesmas finalidades já testadas com a psilocibina, pesquisa que atualmente encontra-se em fase inicial com o trabalho de Peter Gasser, MD, na Suíça;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;A abordagem adotada até o momento é de evitar as áreas e substâncias mais polêmicas, como é o caso do LSD e os estudos sobre psicodélicos e consciência. Evita-se assim atiçar os setores mais conservadores da sociedade, que poderiam propor novas ofensivas proibicionistas. Esta estratégia permite evitar também confrontos diretos com a poderosa malha articulada da indústria farmacêutica. O motivo é simples: a MAPS é uma fundação sem fins lucrativos (assim como as instituições co-organizadoras) e as drogas psicodélicas são off-patent. Ou seja, nenhuma empresa possui nem pode requerer patente destas substâncias. Assim sendo, tratamentos eficazes com estas moléculas ou plantas/cogumelos poderiam representar uma ameaça ao lucro das farmacêuticas, caso venha a ser demonstrado, por exemplo, que umas poucas doses de determinado psicodélico durante algumas semanas trate a depressão, uma das doenças que mais gera lucros nos tempos atuais e cujo tratamento é extremamente prolongado. Se por um lado a promessa é de tratamentos baratos e disponíveis a todos, por outro o desinteresse da indústria causa dificuldades de arrecadar fundos, sendo doações a estas instituições sempre bem vindas. Mantendo foco em doenças raras ou sem tratamento corrente, foi encontrado, com ajuda crucial de ativismo por parte dos próprios pacientes, que os cogumelos psiclocibe são extremamente eficazes no tratamento das cluster-headaches, uma condição que mais se assemelha a convulsões do que a dores de cabeça como a maioria de nós conhece. A doença não tem outro tratamento conhecido, sendo que alguns pacientes chegam a cometer suicídio para encerrar o tormento…&lt;br&gt;Além de novas (e melhores) terapias&lt;br&gt;&lt;br&gt;Se já não bastasse estar sendo comprovado que os psicodélicos possuem de fato diversos potenciais clínico-terapêuticos e baixo risco e toxicidade quando usados de maneira apropriada, as pesquisas começam a trazer a tona àquilo que os hippies enxergaram há décadas. Os resultados de fato prometem uma revolução, tanto conceitual nas neurociências como na prática clínica e na sociedade em geral.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Os estudos farmacológicos com psicodélicos têm como principal entrave não mais o proibicionismo, como pode-se observar pelo crescente número de laboratórios e pesquisadores que obtiveram licensas governamentais em variados países (EUA, Suíça, Israel, Alemanha…), mas sim os paradigmas kuhnianos vigentes na farmacologia e na clínica médica. Os psicodélicos, de acordo com David Nichols, representam um problema para a farmacologia atual. Em primeiro lugar, porque são substâncias de diversas estruturas químicas, nem sempre semelhantes. As duas principais categorias são as triptaminas (DMT, psilocibina, LSD, etc) e as fenetilaminas (Mescalina etc), substâncias com a menor toxicidade conhecida, estando muito abaixo da maioria das drogas atualmente prescritas na prática clínica (para excelente revisão ver Pharmacology and Therapeutics, 2004 vol. 101 p. 131). Mas existem excessões controversas, como a salvinorina A, princípio ativo da poderosa erva xamânica Salvia divinorum, um ligante opióide. Em segundo lugar, a ação dos psicodélicos, em especial no uso das plantas in natura, desafia a idéia de princípio ativo e de seletividade/afinidade droga-receptor, conceitos importantes e enraizados no pensamento farmacológico corrente. A ayahuasca, por exemplo, combina um inibidor da MAO presente no cipó Banisteriopsis caapi com o DMT presente nas folhas de outra planta, a Psychotria viridis, para ser ativa por via oral. Entretanto, mas também possuem propriedades importantes as harminas e harmalinas presentes no chá. O exemplo de diversidade de ação farmacológica mais extremo provavelmente é o LSD, substância que é psicoativa em diminutas doses, que cabem na ponta dum alfinete (na ordem de microgramas, enquanto a maioria dos agentes conhecidos é efetivo apenas em doses centenas de vezes maiores, de miligramas em diante). O LSD possui seletividade muito baixa, sendo ativo em pelo menos 13 receptores diferentes, incluindo uma grande variedade de serotonérgicos e dopaminérgicos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="inline inline-none"&gt;&lt;img class="image image-_original " src="http://enteogenos.org/sites/default/files/images/dave-nichols.jpg" alt="David Nichols fala sobre a variedade de receptores aos quais se ligam os psicodélicos" title="David Nichols fala sobre a variedade de receptores aos quais se ligam os psicodélicos" width="558" border="0" height="255"&gt;&lt;span class="caption" style="width: 556px;"&gt;David Nichols fala sobre a variedade de receptores aos quais se ligam os psicodélicos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por fim, já entrando no terreno da prática clínica, os experimentos e terapias psicodélicas desafiam o modelo médico atual do paciente-médico-comprimido-casa. O efeito não se encontra somente na ação farmacológica, mas também no ambiente, nas espectativas, intenções, medos, receios. O que a tempos denomina-se set and setting na cultura psicodélica e que a milênios é praticado seriamente por curandeiros e xamãs, da Sibéria ao Peru. De acordo com Andrew Weil: “Drogas não têm potencial espiritual. Pessoas têm”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Alguns exemplos talvez ilustrem melhor esta situação: no caso das pesquisas com pacientes próximos da morte, a abordagem com psilocibina não visava o tratamento da doença em si, mas da ansiedade e da perda de qualidade de vida associadas ao processo. Isto vai na contramão da medicina atualmente praticada, que perdeu o foco na saúde e qualidade de vida e desviou-se para o prolongamento da vida a todo custo, por vezes causando mais danos do que oferecendo soluções, como na recusa da sociedade em diversos países em permitir a eutanásia. Isso está tão entranhado em nossa cultura que os pesquisadores tiveram de ser muito delicados e agir cuidadosamente para deixar claro aos pacientes voluntários de que não se tratava de curar o câncer, mas de oferecer uma nova perspectiva perante ao fato e à proximidade da morte.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Na pesquisa básica, os experimentos com os receptores serotonérgicos onde atuam os psicodélicos (principalmente o 5HT2A) revelaram que existe um mecanismo de ação farmacológica hoje conhecido como seletividade funcional (“functional selectivity”), no qual diferentes substâncias, ao se ligarem a um mesmo sítio de um mesmo receptor, podem ativar vias intracelulares distintas. Isto contraria um dos princípios chave da farmacologia moderna, que diz que “um receptor desencadeia uma resposta celular”. De acordo com Dave Nichols, este fato é, por si só, motivo para que se reescrevam todos os livros didáticos de farmacologia.&lt;br&gt;&lt;br&gt;No que diz respeito às neurociências, os psicodélicos estão disponíveis como ferramentas inigualáveis para o estudo da consciência, permitindo alterá-la de maneira reproduzível e controlada em ambientes de laboratório. Combinado com modernas técnicas de neuroimagem e eletrofisiologia, o ramo promete mudar nossa compreensão do cérebro e, por que não, de nós mesmos?&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;strong&gt;Para saber mais:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2010/07/27/o-futuro-das-pesquisas-com-psicodelicos-e-maconha/"&gt;Andrew Weil @ MAPS 2010&lt;/a&gt; – O futuro das pesquisas com psicodélicos e maconha (disponível com legendas em en e pt_br)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2010/05/28/a-experiencia-cosmica-de-stanislav-grof/"&gt;A experiência cósmica de Stan Grof&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;James Fadiman – &lt;a href="http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2010/03/13/possibilidas-positivas-para-os-psicodelicos/"&gt;Possibilidades positivas para os psicodélicos&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2009/11/20/a-terapia-de-annie-com-psilocibina/"&gt;A Terapia de Annie com Psilocibina&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2009/09/30/novos-horizontes/"&gt;Novos Horizontes&lt;/a&gt; – conferência em NY, setembro 2009&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Stan Grof - &lt;a href="http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2009/07/05/pesquisas-psicodelicas/"&gt;Pesquisas Psicodélicas: Passado, presente e futuro&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/enteogenos/~4/LouVRR2MXF4" height="1" width="1"/&gt;</description>
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 <pubDate>Fri, 06 Aug 2010 04:46:00 +0000</pubDate>
 <dc:creator>Eduardo Schenberg</dc:creator>
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