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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/atom10full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" gd:etag="W/&quot;DUMDRHw-fyp7ImA9WhRQE0s.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4636144614179494086</id><updated>2011-12-08T15:04:35.257-03:00</updated><title>entretantasmarias</title><subtitle type="html" /><link rel="http://schemas.google.com/g/2005#feed" type="application/atom+xml" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/feeds/posts/default" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/" /><author><name>Gabriela Guerra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01050519254049723726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><generator version="7.00" uri="http://www.blogger.com">Blogger</generator><openSearch:totalResults>11</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/atom+xml" href="http://feeds.feedburner.com/entretantasmarias" /><feedburner:info xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" uri="entretantasmarias" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><entry gd:etag="W/&quot;CUEDSXo8eCp7ImA9WhdSGUs.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4636144614179494086.post-9167163302580344270</id><published>2011-07-29T01:41:00.010-03:00</published><updated>2011-07-29T15:21:18.470-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-07-29T15:21:18.470-03:00</app:edited><title>Cartografia</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembrei de um desses aniversários na casa dos meus avós. Os adultos se reuniam na sala para tratar de assuntos desimportantes que, de tão chatos, até hoje não criei paciência para acompanhar. Minha irmã e eu, na falta de primos ou de qualquer outra companhia mais apropriada, seguíamos para o gabinete de vovô — como é chamado o quartinho abarrotado de tranqueiras que faz as vezes de escritório —, brincar entre bússolas, revistas antigas, coleções de enciclopédias, transmissores de rádio amador, equipamentos de utilidade duvidosa e um mapa-múndi maior que nós duas pendurado na parede.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse dia, mal nossas expedições exploradoras começaram, meu avô deu duas batidinhas na porta, entrou no gabinete e sentou na poltrona, mais por hábito do que para demarcar espaço. Como de costume, vestia uma bermuda cáqui, uma camisa branca regata sob outra também branca, mas de botão, e calçava umas alpercatas de couro que eu sempre achei muito engraçadas. No rosto, estreava um Ray Ban aviador de grau que minha avó lhe comprara no último Natal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já esparramado na cadeira, meio inclinado para trás, tirou do bolso um maço de notas presas por um elástico. Verdinhas, lisinhas, novinhas. Se não custassem um real cada, qualquer um poderia jurar que ele tinha assaltado um banco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que o plano era distribuir a quantia total de notas à medida que eu e minha irmã fossemos encontrando no mapa-objeto-de-desejo as capitais dos países sugeridas por ele entre boas  risadas — coisa que nossos oito e sete anos não foram capazes de fazer com a mesma habilidade imaginada por aquele advogado que aos 70 me ensinava a usar o Windows e aos 80 me ajudava com lições de trigonometria para o vestibular.&amp;nbsp;Ainda assim, é com esse pedacinho de lembrança que eu tento retribuir um telefonema dele para minha mãe na semana passada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a conversa, meu avô gastou alguns minutos explicando a ela que sentia muito a minha falta&amp;nbsp;porque eu o alisava, apertava e enchia de beijos nas milhares de dobrinhas que as rugas trouxeram. Senti tanta vergonha da minha impaciência que fui procurar na memória uma recordação à altura. Fiquei satisfeita com essa. Poucas coisas devem ser mais bonitas que ensinar duas crianças a descobrir o mundo com os próprios olhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4636144614179494086-9167163302580344270?l=blog.gabrielaguerra.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2011/07/cartografia.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/9167163302580344270?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/9167163302580344270?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2011/07/cartografia.html" title="Cartografia" /><author><name>Gabriela Guerra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01050519254049723726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEQGR3c4fip7ImA9WhZbE08.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4636144614179494086.post-3785283606887087456</id><published>2011-05-26T23:32:00.012-03:00</published><updated>2011-06-17T11:52:06.936-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-06-17T11:52:06.936-03:00</app:edited><title>Te olhar é o que me faz feliz</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Sabe quando a gente anda devagarzinho pela calçada, em direção ao trabalho, logo depois de estacionar o carro na última vaga da rua? Hoje decidi que esses são os três minutos mais tristes em vinte e quatro horas, cinco vezes por semana. De segunda a sexta, enquanto percorro o trajeto, me dedico a questionar o uso de pedras lisas em uma calçada movimentada e a tentar compreender o fato de as minhas amigas agora usarem esse batom rosa-neutrox na boca. Talvez seja realmente bonito e só eu não tenha percebido. Talvez, aliás, para tanta coisa. Talvez, em vez dessa calçada de pedras pretas — e lisas —, eu deveria mesmo era pisar em pedrinhas portuguesas e sulistas, geladas. E caminhar contra um vento cortante, não sob sol quente.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Foi mainha quem me ensinou que a gente perde muita coisa quando vai embora. O domínio sobre as receitas da família, os primeiros passinhos das suas sobrinhas, os abraços diários, o mau humor do café da manhã, o pertencimento à rotina das pessoas.&amp;nbsp;Sempre volto para casa com um abraço bem apertado, mas quantos outros já não deixaram de ser trocados? Mais ou menos como os dias em que eu não pude olhar para você. Posso passar uma vida inteira, deitada de lado, olhando nos teus olhos. Mas hoje, ontem e os últimos meses ficaram para trás. Assim que você foi embora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4636144614179494086-3785283606887087456?l=blog.gabrielaguerra.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2011/05/te-olhar-e-o-que-me-faz-feliz.html#comment-form" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/3785283606887087456?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/3785283606887087456?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2011/05/te-olhar-e-o-que-me-faz-feliz.html" title="Te olhar é o que me faz feliz" /><author><name>Gabriela Guerra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01050519254049723726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUENSHw-eyp7ImA9WhZVEU8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4636144614179494086.post-7151261528652303631</id><published>2011-05-23T01:42:00.011-03:00</published><updated>2011-05-23T02:14:59.253-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-05-23T02:14:59.253-03:00</app:edited><title>Versinho</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela cresceu lendo revistas femininas que pregavam a liberdade e a independência da mulher. Não cedeu de primeira, mas logo que pensou em casamento, decidiu que não combinava com uma mesa de docinhos enrolados em fita de cetim lilás. Achou que tinha mais a ver com uma cama de solteiro, horários cartesianos e um guarda-roupas voltado aos seus próprios desejos. Finalmente, concluiu que o amor não existia, que as pessoas são por demais problemáticas, meio surtadas, cheias desses dilemas do juízo e do coração que ela, satisfeita com as próprias determinações, definitivamente não tinha obrigação de dividir. Optou por um sem fim de planos que lhe pareciam extremamente atraentes, viagens de aventura e roteiros inteligentes. Para encerrar, reservou poucas doses de paciência aos homens. Não havia razão em aguentar, agora que entendia tudo. O humor, que já era pouco, não encontrava nos ouvidos um companheiro para as conversas sobre futebol, carros e filmes com explosões. Também não suportava essa mania masculina de fazer piada a toda hora. Talvez por isso ele a irritasse tanto no começo. Irritação que, dia a dia, dava lugar à impressão de que ele a fazia sorrir por inteiro, por dentro&amp;nbsp;e por fora. Sorria com os dentes e os olhos. Sorria com o guarda-roupa sempre que se arrumava para encontrá-lo. Sorria no meio dos beijos e abraços. Sorria com o sorriso que ele dizia ser o mais lindo do mundo.&amp;nbsp;Sorria ao acessar o portal de notícias para conferir o placar da rodada.&amp;nbsp;Sorria por perceber que talvez as revistas estivessem certas em alertar sobre príncipes encantados, amores eternos e comportamento masculino, mas sorria ainda mais, desses sorrisos largos, de orelha a orelha, por compreender que cabe a cada um aceitar a obrigação de compartilhar os problemas do outro. Coitada das adolescentes de hoje em dia, pensava ela. Bombardeadas por reportagens de autossuficiência enquanto tudo o que precisavam ler, nas seções de comportamento, era o versinho daquele poeta que diz assim:&amp;nbsp;liberdade na vida, meu amigo, é ter alguém pra se prender.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4636144614179494086-7151261528652303631?l=blog.gabrielaguerra.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2011/05/versinho.html#comment-form" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/7151261528652303631?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/7151261528652303631?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2011/05/versinho.html" title="Versinho" /><author><name>Gabriela Guerra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01050519254049723726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUIHR3k9eip7ImA9WhZXE00.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4636144614179494086.post-100661112034664194</id><published>2011-04-24T12:40:00.015-03:00</published><updated>2011-05-02T00:38:56.762-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-05-02T00:38:56.762-03:00</app:edited><title>Acho que vai chover</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mal dei as costas ao portão de embarque e meu coração disparou em direção ao carro. Acelerado, angustiado, com pressa de encontrar o celular no porta-luvas pra poder te ligar. Minha saudade é imediata. Não fosse uma vozinha aqui dentro, aquela que mostra o caminho quando a gente não tem condições de ou não quer raciocinar, eu não teria desligado o telefone por bem, girado a chave e dado a partida. Sair daquele estacionamento é mais&amp;nbsp;que voltar às ruas de uma cidade que já não faz sentido, é recomeçar a quarta contagem regressiva de uma lista que eu não sei direito até onde vai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passei pela cancela, acelerei e encarei o céu. A semana começou com a animação de uma frase de elevador, mas nenhum outro pensamento poderia ter sido tão pertinente.&amp;nbsp;Sem graça, clichê e cinza. Porque é exatamente assim que meus dias ficam sem você por perto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4636144614179494086-100661112034664194?l=blog.gabrielaguerra.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2011/04/acho-que-vai-chover.html#comment-form" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/100661112034664194?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/100661112034664194?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2011/04/acho-que-vai-chover.html" title="Acho que vai chover" /><author><name>Gabriela Guerra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01050519254049723726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUYGRXg7eCp7ImA9WhZQFkU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4636144614179494086.post-4042539752481195627</id><published>2011-03-25T23:53:00.005-03:00</published><updated>2011-04-24T19:12:04.600-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-04-24T19:12:04.600-03:00</app:edited><title>Amanhã é sábado</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Banho de chuva. E de piscina também. Passeio de bicicleta. Receita de sobremesa. Brigadeiro de panela. Sorvete no Parque da Jaqueira. Almoço na Noca.&amp;nbsp;Show de Faringes da Paixão, mesmo que no Eufrásio.&amp;nbsp;Aula de bateria. Aula de tênis. Duas garrafas de vinho na varanda.&amp;nbsp;Cerveja gelada em Olinda.&amp;nbsp;Shot de tequila em qualquer lugar. Fugir de blitz. Andar de moto. O Poderoso Chefão 3. DVD do Paul. &lt;span style="text-decoration: line-through;"&gt;Fotos com a máquina nova&lt;/span&gt;. Uno. Rummikub.&amp;nbsp;Winning Eleven.&amp;nbsp;Frescobol na praia.&amp;nbsp;Pôr do sol. Nascer do sol. A ponte do Paiva. Bonito. Japaratinga. Maragogi. Calçadão de Boa Viagem. Toalha na areia. Mar de madrugada. Meus filmes pirados na Fundação. Um filme de ação em 3D. É, só um.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amanhã é sábado, meu amor. E os sábados me enchem de saudade de tudo o que ainda não fiz contigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4636144614179494086-4042539752481195627?l=blog.gabrielaguerra.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2011/03/amanha-e-sabado.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/4042539752481195627?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/4042539752481195627?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2011/03/amanha-e-sabado.html" title="Amanhã é sábado" /><author><name>Gabriela Guerra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01050519254049723726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUcDRH88fSp7ImA9WhZXE00.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4636144614179494086.post-7727376943917902512</id><published>2011-01-05T14:34:00.005-03:00</published><updated>2011-05-02T00:31:15.175-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-05-02T00:31:15.175-03:00</app:edited><title>Eu não sei dizer que te amo</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira vez em que ouvi falar dele eu tinha dezesseis. Dezesseis anos, desconfortável num auditório de madeira escura, triste, assim como é tudo em Curitiba. O menino no palco, coitado, não tinha uma raivinha sequer na voz. Declamava o texto quase sem entender o que dizia. Devia ser mais um crente na Curitiba européia e na loucura do autor. Mas eu podia ouvir, por trás dele, alguém com muito ódio daquilo tudo, cuspindo palavras em cima da platéia curitiboca. Curitiba não é Londres, Curitiba não é européia. Curitiba só não sabe ser Brasil. Não há nada de brasileiro naquele teu subúrbio de plástico e nas tuas casas em tons pastéis. Não há nada de alegre em tuas ruas simétricas, em teus prédios de uma arquitetura de mau-gosto. Curitiba tem uma churrascaria que de tanto querer ser mudérna é a mais feia que já vi. Um anjo do apocalipse, paredes vermelho-sangue e vidros espelhados. Curitiba é kitsch. Tuas meninas tinham tudo para serem bonitas, mas são americanas, burrinhas e fazem fila no McDonald’s do Shopping Crystal depois da aula. Tuas meninas realmente tinham tudo para serem bonitas, se não se escondessem atrás de tanto pó-de-arroz e blush vermelho. Não sabem elas que o teu vento gelado, Curitiba, deixa as bochechas coradas com mais graça que qualquer maquiagem cara. Curitiba não sabe ser loirinha, branquela. Porque no mais frio dos invernos, as polacas desfilam suas marquinhas de biquíni e reflexos dourados. Curitiba dos carros novinhos, dos táxis laranja, dos festivais de teatro que não esgotam as entradas. Dos colégios exemplares, objetivos, positivos. Das bandas de rock dos abobalhados piás curitibanos e dos Audis, dos meninos do interior. Ah, Curitiba e seus bonés Von Dutch, seus Nike Shox, suas Louis Vuittons originais&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 14px; line-height: 22px;"&gt;—&lt;/span&gt;&amp;nbsp;como haveria de ser numa cidade que não consegue ser nem um pouquinho Brasil&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 14px; line-height: 22px;"&gt;—,&lt;/span&gt;&amp;nbsp;seus alargadores e seus Converses quadriculados. As praças vazias, os parques abandonados, os museus desertos. Tão desertos que eu acho mesmo que é só &lt;i&gt;para inglês ver&lt;/i&gt;.&amp;nbsp;Curitiba das lojas chiques com árvores que jogam folhas na calçada. Escondem atrás das paredes brancas, senhoras cafonas e novos ricos cheios de botox. Das academias de ginástica em cada esquina, onde malham com piercings pendurados no umbigo as mulheres e as putas dos novos ricos. Do maior restaurante do mundo, que serve a pior comida do mundo também. Das debutantes que brigam para sair na Caras, com os nominhos espremidos entre jogadores de futebol e atrizes esquecidas. Do cheiro de churrasco aos domingos. Dos camelôs mudos da rua XV, onde se procura de tudo e não se acha de nada. Dos saltos altos, dos risos que nunca saem altos. Do melhor serviço de transporte público do país que, de tão inteligente, anda em linha reta. Desse sotaque duro, preso, fino. Não adianta o quão bonita seja uma história, ela há de ficar travada entre os dentes e línguas curitibanos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amor que tenho por ele é como se fosse um obrigado eterno pelas palavras de ódio, mais rancorosas que as minhas. E o ódio é por ele ter amado Curitiba a ponto de despertar em mim um tantinho de compaixão por aquelas calçadas tortas, com flores bonitas. &lt;i&gt;Curitiba sem pinheiro ou céu azul pelo que vosmecê é&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 14px; line-height: 22px;"&gt;—&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;província, cárcere, lar&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; font-size: 14px; line-height: 22px;"&gt;—&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;esta Curitiba, e não a outra para inglês ver, com amor eu viajo, viajo, viajo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4636144614179494086-7727376943917902512?l=blog.gabrielaguerra.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2010/03/eu-nao-sei-dizer-que-te-amo.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/7727376943917902512?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/7727376943917902512?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2010/03/eu-nao-sei-dizer-que-te-amo.html" title="Eu não sei dizer que te amo" /><author><name>Gabriela Guerra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01050519254049723726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0IBR3g8fyp7ImA9Wx9SFkg.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4636144614179494086.post-7771471250385727653</id><published>2010-10-28T13:27:00.002-03:00</published><updated>2010-12-06T13:05:56.677-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-12-06T13:05:56.677-03:00</app:edited><title>Somewhere in her smile</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu trabalho com doze homens e uma mulher casada. Não, esse texto não é uma crítica à predominância masculina no mercado publicitário. Eu até gosto, sabe? Ver muita mulher todo santo dia requer unha feita e chapinha impecável. E se nem do corretivo eu tô dando conta, quem dirá de um secador. Voltando ao assunto, o meu trabalho às vezes parece uma turma de quinta série —&amp;nbsp;com a diferença de que lá, a Tia Carminha também entra na onda e me deixa maluca. Nossa sala ainda tem um cheiro estranho que invade o pulmão de quem empurra a portinha de vidro do segundo andar.&amp;nbsp;Não é um cheiro ruim, mas diferente. Nem doce, nem parecido com aquele teu perfume. Como eu ia dizendo, tenho passado meus dias e fins de semana enfurnada ali, pensando. Em ideias na maior parte do tempo, em bobagens nos minutos que restam. Pra completar, escuto conversas masculinas sem filtro e o meu vocabulário de palavrões só faz aumentar. Meu pai reclama, avisa que ainda sou uma menina. E é aí que eu lembro de você. Porque o que lá se fala sobre beijos e abraços em nada se parece com as coisas que eu queria te dizer. Foi por isso escrevi esse texto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
Pra você ficar sabendo que você pode me empurrar ladeira de Olinda abaixo. Eu não ligo. Pra te avisar que&amp;nbsp;eu posso até quebrar a cara. Não me importo. Você me devolveu a alegria de sorrir em frente ao computador enquanto um bando de homens pensa "deixa de ser besta e vai trabalhar, Gabriela". E isso nem você, nem ninguém pode levar embora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;You're asking me will my love grow&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;I don't know, I don't know&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4636144614179494086-7771471250385727653?l=blog.gabrielaguerra.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2010/10/somewhere-in-her-smile.html#comment-form" title="4 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/7771471250385727653?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/7771471250385727653?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2010/10/somewhere-in-her-smile.html" title="Somewhere in her smile" /><author><name>Gabriela Guerra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01050519254049723726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEQGSHg8cCp7ImA9WhZXEko.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4636144614179494086.post-3971580607786476916</id><published>2009-09-19T00:56:00.000-03:00</published><updated>2011-05-01T14:52:09.678-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-05-01T14:52:09.678-03:00</app:edited><title>Andar aí</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já era fim do terceiro dia. Eu não aguentava mais aquele ficar só, aquele isolamento todo, aquela vontade de abraçar alguém, espremer alguém até estourar cada gominho da laranja. Era tarde, eu deveria estar descansando pra aguentar um quarto dia de novas ladeiras e sol quente, mas estava sentada de pijama num banquinho na cozinha da casa de D. Raquel, &amp;nbsp;junto com uns desconhecidos e com os donos da casa, esquentando as mãos no fogão à lenha. Faltava criar coragem de levantar e enfrentar o frio do corredor pra chegar até o quarto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;D. Raquel tomava conta dos pães no forno, Ana ensaboava a louça do jantar e João fazia a contabilidade num caderno Verão doze matérias bem gasto. O único barulho destoante daquela cena era o meu gemido baixinho de dor física porque eu acho que nunca na minha vida tinha desejado tanto alguma coisa como eu desejei um Dorflex aquela noite. De resto, tudo era silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí, passou pela porta um carioca de outro grupo de turistas que também iria pernoitar ali&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial, sans-serif; line-height: 15px;"&gt;—&lt;/span&gt;&amp;nbsp;no Vale do Paty é assim: não tem telefone, você chega na casa das pessoas e fica por lá, se não tiver vaga, eu não sei o que acontece. Então, esse carioca entrou na cozinha pedindo alto, muito alto, pra tirar uma foto de D. Raquel ao lado das panelas dela, do fogão à lenha dela, dos filhos dela, da parede de barro da casa dela, dos recados que os turistas deixaram pra ela, que era pra ele mostrar no Rio de Janeiro. Puxou assunto alto, conversou alto e elogiou, alto, o jantar, o que achei bem compreensível nas duas primeiras vezes. Na décima, eu comecei a ficar triste porque não sabia se me sentia &amp;nbsp;testemunha de um &amp;nbsp;zoológico humano, ou se sentia compaixão pela preocupação sincera dele em agradecer &amp;nbsp;tanta hospitalidade no meio do nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial, sans-serif; font-size: small; line-height: 15px;"&gt;—&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Ana, dá um sorriso pra foto, vai...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E Ana ria, mas nada de mostrar os dentes pra o carioca. Depois eu descobri que ela tem uma mancha podre bem no meio dos dois dentes da frente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial, sans-serif; font-size: small; line-height: 15px;"&gt;—&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Vai, Ana, quando eu voltar aqui, te trago uma cópia da foto pra você pendurar no mural lá de fora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não adiantava. E em vez de mandar o rapaz de sandália Raider pra puta que o pariu, eu me levantei, sem me importar com o frio. Fui sentar na soleira da casa, ao lado de Jarbinhas. Jarbinhas era o ajudante do nosso guia e carregava as coisas pesadas da minha mochila quando eu ameaçava chorar. Ele tem dezesseis anos, é quilombola e de tão preto, às vezes eu só enxergava uma bermuda amarela caminhando no escuro. Falava pouco, ria todas as vezes que eu xingava &amp;nbsp;a vida, as pedras e as subidas, mas no último dia me disse que queria ir junto nas trilhas que meu pai programou para o ano que vem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessa noite, eu fiquei ali, ao lado dele e calada, com medo de que qualquer palavra minha pudesse soar como uma tentativa retardada, igual à do carioca, de resolver todas as diferenças sociais do mundo com simpatia. Se é que havia alguma coisa pra ser resolvida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial, sans-serif; font-size: small; line-height: 15px;"&gt;—&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Eu acho... que se o céu fosse a face de um dado, e as estrelas fossem os pontinhos pretos, o céu de Andaraí seria o número 6. Ou assim, como uma zebra que a gente não sabe se é preto no branco, ou branco no preto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4636144614179494086-3971580607786476916?l=blog.gabrielaguerra.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2009/08/ja-era-fim-do-terceiro-dia.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/3971580607786476916?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/3971580607786476916?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2009/08/ja-era-fim-do-terceiro-dia.html" title="Andar aí" /><author><name>Gabriela Guerra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01050519254049723726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEQBRH8zeCp7ImA9WhZXEko.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4636144614179494086.post-6694616063600839014</id><published>2009-07-08T14:19:00.000-03:00</published><updated>2011-05-01T14:52:35.180-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-05-01T14:52:35.180-03:00</app:edited><title>Cleílson com C</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seu Cleílson vende batata Ruffles vencida em um posto de gasolina da BR 116, sertão da Bahia. Na verdade, eu nem sei se o nome dele é seu Cleílson mesmo, se se escreve com k, y ou m no final&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;&lt;strong&gt;–&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;só ouvi uma atendente gritar: seu Creílson, acabou o presunto na cozinha, precisa buscar! Imaginei que fosse Cleílson, assim com C.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A loja de conveniência de seu Cleílson recebe centenas de caminhoneiros que tomam três dedinhos de café em copo americano, no balcão. Recebe excursão de colégio, com adolescentes de Ipod nos ouvidos, histéricas na fila do banheiro. E recebe uns viajantes quase perdidos que param pra abastecer, esticar as pernas e comprar alguma porcaria alimentícia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto espera, impaciente, que os clientes escolham entre as coloridas, e desconhecidas, opções de biscoitos recheados e pacotinhos de bombom, seu Cleílson fiscaliza com um olho a entrada da loja e com o outro, se a dose de pinga servida por um garçom a um bêbado - saído, meu deus do céu, não sei de onde! - não está farta demais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;&lt;strong&gt;–&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Duas Ruffles (que esse biscoito Maricota de mousse de chocolate me mata antes de eu chegar).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;&lt;strong&gt;–&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Quatro e vinte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Luciana, a mulher do caixa, não ficou muito feliz em parar de lixar as unhas pra registrar meu pedido, não. E só me deu o troco depois que a encarei por uns segundos. Seu Cleílson me entregou uma sacola de plástico verde e virou-se para a cozinha, provavelmente pra resolver o problema da falta de presunto. Não desejou boa viagem, nem mesmo soltou um obrigado e volte sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já era Itaberaba quando meu pai lembrou das compras e pediu pra abrir um pacotinho. Eu acho frustração com comida coisa das piores. Como é que eu não olho a data da validade? Calma, fora do supermercado, ninguém repara nisso. Como é que eu não comprei um biscoito Maricota de mousse de chocolate? Eles pareciam tão mais confiáveis que aquelas Ruffles meio empoeiradas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Puto, seu Cleílson, o senhor é um puto! Um matuto desgraçado, mal amado e infeliz.  Agora eu entendia o porquê daquela chatice emburrada. Fiquei achando que o seu Cleílson nunca tinha passeado de mãos dadas, que quando era menor não ouviu histórias para dormir, que não sabia o que era passar um domingo inteiro na cama beijando cada centímentro do corpo do amor da vida dele.  Fiquei achando que ele nunca ganhou um abraço apertado, que nunca viu um riso bonito que o deixasse com vontade de vender batatinhas fresquinhas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Coitado do seu Cleílson, atrás de um balcão acaju com ornamentos dourados, perdido na BR 116, no sertão da Bahia, vendendo batata Ruffles vencida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4636144614179494086-6694616063600839014?l=blog.gabrielaguerra.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2010/08/cleilson-com-c.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/6694616063600839014?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/6694616063600839014?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2010/08/cleilson-com-c.html" title="Cleílson com C" /><author><name>Gabriela Guerra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01050519254049723726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUYFRHs6fip7ImA9WhZXEkU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4636144614179494086.post-6393726736763843986</id><published>2009-05-01T15:03:00.006-03:00</published><updated>2011-05-01T18:58:35.516-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-05-01T18:58:35.516-03:00</app:edited><title>Conversas entre partidas</title><content type="html">– Pai?&lt;br /&gt;
– Oi, minha galega.&lt;br /&gt;
– Tás onde?&lt;br /&gt;
– No aeroporto do Rio.&lt;br /&gt;
– Fazendo?&lt;br /&gt;
– Esperando a conexão.&lt;br /&gt;
– Pra?&lt;br /&gt;
– Belo Horizonte.&lt;br /&gt;
– Vai fazer o quê lá?&lt;br /&gt;
– Tem uma feira.&lt;br /&gt;
– Ah. Encontrasse Andréa?&lt;br /&gt;
– Sábado, naquele lugar... Leslie?&lt;br /&gt;
– Lellis.&lt;br /&gt;
– É.&lt;br /&gt;
– Que horas são?&lt;br /&gt;
– Três.&lt;br /&gt;
– Tem alguém batendo na porta, pai.&lt;br /&gt;
– De novo?&lt;br /&gt;
– Dessa vez é a da área de serviço. Dá pra saber pelo barulho do trinco.&lt;br /&gt;
– Você tem aula amanhã?&lt;br /&gt;
– Tenho, mas não vou não.&lt;br /&gt;
– Por que?&lt;br /&gt;
– Tem alguém batendo na porta e não consigo dormir.&lt;br /&gt;
– A do corredor tá trancada?&lt;br /&gt;
– Tá.&lt;br /&gt;
– E a do seu quarto?&lt;br /&gt;
– Também.&lt;br /&gt;
– E como é que você escuta alguém batendo na porta lá atrás?&lt;br /&gt;
– Não sei, mas acabaram de bater de novo.&lt;br /&gt;
– Acho que não tem ninguém, Gabi.&lt;br /&gt;
– Tem certeza?&lt;br /&gt;
– Tenho.&lt;br /&gt;
– Então eu vou dormir.&lt;br /&gt;
– Deixei a autorização do plano em cima da minha mesa.&lt;br /&gt;
– Boa viagem, pai.&lt;br /&gt;
– Boa noite, meu amor.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4636144614179494086-6393726736763843986?l=blog.gabrielaguerra.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2009/05/conversas-entre-partidas.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/6393726736763843986?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/6393726736763843986?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2009/05/conversas-entre-partidas.html" title="Conversas entre partidas" /><author><name>Gabriela Guerra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01050519254049723726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;DEECSHwzfyp7ImA9WhZXE00.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4636144614179494086.post-4137541558020216102</id><published>2008-12-28T01:08:00.006-03:00</published><updated>2011-05-02T00:24:29.287-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-05-02T00:24:29.287-03:00</app:edited><title>Às oito</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hora de novela não é hora de pôr a mesa e chamar todo mundo para jantar. Sempre tem alguém que quer contar uma história bem naquela cena que você esperou a semana inteira. Sempre tem alguém que só assistiu ao primeiro capítulo e acha que as tramas ainda tem lógica. Novela não tem lógica. Duzentos capítulos depois são duzentas tentativas diferentes e fracassadas de sentido. Esse menino ainda tá com essa menina? Sempre tem alguém que lê o resumo da semana no jornal e tenta explicar: eles brigaram, aí voltaram, aí brigaram de novo, aí voltaram de novo, aí brigaram e agora estão juntos. Quase duzentas separações e duzentas reconciliações. E essa mulher ganhou tanto dinheiro como? Matou o marido, foi? Não sei. Como foi mesmo, Gabriela?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4636144614179494086-4137541558020216102?l=blog.gabrielaguerra.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2008/12/as-oito.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/4137541558020216102?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4636144614179494086/posts/default/4137541558020216102?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.gabrielaguerra.com.br/2008/12/as-oito.html" title="Às oito" /><author><name>Gabriela Guerra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01050519254049723726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="16" height="16" src="http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif" /></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>

