<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360</id><updated>2026-06-03T03:52:03.734-07:00</updated><category term="alexandre spinelli"/><category term="escrever"/><category term="escritos"/><category term="Seleção 1982"/><category term="amigos"/><category term="amizade"/><category term="aparências"/><category term="atravessar"/><category term="barsil x italia"/><category term="bonecos"/><category term="bonsais"/><category term="canela"/><category term="confins"/><category term="consonantes"/><category term="conto"/><category term="copa 1982"/><category term="copo"/><category term="desconhecido"/><category term="dissonantes"/><category term="efemeridade"/><category term="efêmera"/><category term="equilibrio"/><category term="especulações"/><category term="festival"/><category term="flexibilidade"/><category term="flor"/><category term="fotografia realidade foto"/><category term="fronteiras"/><category term="grande água"/><category term="iching"/><category term="isabella"/><category term="milton hatoum"/><category term="musica"/><category term="notas"/><category term="notícias"/><category term="padre"/><category term="paolo rossi"/><category term="perene"/><category term="perenidade"/><category term="ponte"/><category term="premio barueri de literatura 2016"/><category term="reinicio"/><category term="semente"/><category term="são joão"/><category term="teatro"/><category term="vinho"/><title type='text'>Escritos por Escrever</title><subtitle type='html'>&quot;Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar.&#xa;Por essa razão escrevo.&quot;&#xa;&#xa;(Caio Fernando Abreu)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>66</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-1824074441057647044</id><published>2025-10-26T10:58:00.000-07:00</published><updated>2025-10-26T10:58:45.718-07:00</updated><title type='text'> Chicago, domingo, 26 de outubro de 2025</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhJ9hLXJF6QokQhzLcbL2hu7CBfNH8HjqF2bL1KNAQhq37kRVdhczIRbE7ZhiH618elXoJ6hbubPw9mt7FE2Jz7MXU1sWcJfYwd2m560koTTHTt7fXtGXr0V8WqUdePAUpfsEQKGhH58WEDVfIi7MrwIbpYDHeBA6gVNkZJG_jHOyNp33RkdmGD2InalDc/s5712/IMG_9419.heic&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4284&quot; data-original-width=&quot;5712&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhJ9hLXJF6QokQhzLcbL2hu7CBfNH8HjqF2bL1KNAQhq37kRVdhczIRbE7ZhiH618elXoJ6hbubPw9mt7FE2Jz7MXU1sWcJfYwd2m560koTTHTt7fXtGXr0V8WqUdePAUpfsEQKGhH58WEDVfIi7MrwIbpYDHeBA6gVNkZJG_jHOyNp33RkdmGD2InalDc/s320/IMG_9419.heic&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O que veio do pó e ao pó voltará: o que é?&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;331&quot; data-start=&quot;268&quot;&gt;Coloque para tocar &lt;em data-end=&quot;329&quot; data-start=&quot;287&quot;&gt;Jorge Drexler – Polvo de Estrellas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;497&quot; data-start=&quot;333&quot;&gt;O outono bateu forte aqui esta semana. Vários dias, quando caminho com os cachorros às seis da manhã, a sensação térmica está por volta dos zero graus Celsius, e com vento.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;673&quot; data-start=&quot;499&quot;&gt;Hoje, domingo, o dia está lindo. Apesar do vento frio, a temperatura deve estar por volta de dez graus, o céu está completamente azul, e é gostoso caminhar assim pela rua.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;812&quot; data-start=&quot;675&quot;&gt;Acabei de chegar em casa de uma caminhada com os cachorros. É quase meio-dia. Resolvi dividir com vocês algumas coisas que tenho pensado, como tenho feito ultimamente.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;848&quot; data-start=&quot;814&quot;&gt;Que isso não se torne um hábito.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;848&quot; data-start=&quot;814&quot;&gt;Nesta semana, tive que estudar um pouco &lt;em data-end=&quot;923&quot; data-start=&quot;895&quot;&gt;O mal-estar na civilização&lt;/em&gt;, de Freud. Em algum momento, ele fala de um pacto civilizatório que, simplificando uma longa história, seria o pacto sob o qual vivemos, que, a grosso modo, diz:eu não te agrido e você não me agride.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1285&quot; data-start=&quot;1117&quot;&gt;De certa forma, controlamos nossos instintos em troca dos outros controlarem os seus. E assim seguramos a raiva, a vontade de agressão e também o amor, a afeição.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1591&quot; data-start=&quot;1287&quot;&gt;Eu não demonstro muito o que sinto, e você também não demonstra muito. Porque, de repente, se eu demonstrar tudo o que sinto, pode não ser agradável. Então eu seguro o meu ódio, seguro minha agressão, seguro também o meu amor e minha vontade de afeto. Em troca, você faz o mesmo. E seguimos como seres civilizados.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1770&quot; data-start=&quot;1593&quot;&gt;Fico pensando quantos outros pactos não fazemos implicitamente. Quantas outras trocas não sustentam a vida em comum. Quantas vezes os relacionamentos que vivemos não são trocas, pactos não ditos.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1945&quot; data-start=&quot;1772&quot;&gt;Eu fico com você, aguento sua chatice, porque algum benefício eu tenho. Tenho a sua beleza, a sua inteligência, a sua simpatia, ou o seu dinheiro, o que normalmente é o mais explícito.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;2335&quot; data-start=&quot;1947&quot;&gt;Lembro agora de um fato engraçado, digamos assim, que ouvi há bons anos. Um conhecido meu, muito bem financeiramente, contou que uma vez a mãe chamou ele e o irmão, quando estavam por volta dos seus dezoito anos, e lhe perguntou durante um café da manhã:&lt;br /&gt;— Vocês não se dão conta de que todas essas meninas que saem com vocês, só saem com vocês por causa do dinheiro que vocês têm, que elas só têm interesse em vocês?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;2431&quot; data-start=&quot;2337&quot;&gt;Eles responderam:&lt;br data-end=&quot;2357&quot; data-start=&quot;2354&quot; /&gt;
— Mas a senhora não vê que a gente também só sai com elas por interesse?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;2565&quot; data-start=&quot;2433&quot;&gt;Claro que normalmente não é explícito. Ninguém chega e fala: “Eu tenho tanto na minha conta, você tem tanto de beleza, vamos fazer uma troca.”&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;2753&quot; data-start=&quot;2567&quot;&gt;Eu tenho inteligência, eu tenho simpatia, eu tenho qualquer coisa que seja importante para você: a mesma crença, a religião, o corpo atlético, o que quer que seja importante numa relação para você.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3045&quot; data-start=&quot;2755&quot;&gt;E aqui não falo só de relações amorosas, mas também de amizades e tantas outras. Empresas gostam de falar: &quot;aqui somos uma família&quot;. Não, nunca são. Se bem que, de certa forma, podemos até chegar a uma conclusão, discutível, de que até mesmo nas famílias há interesses não ditos.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3145&quot; data-start=&quot;3047&quot;&gt;Mas pensar um mundo assim fica estranho, não fica? Pensar que eu só não agrido porque não quero ser agredido. Que só não exponho o que sinto porque não quero que os outros exponham também. Que estou num relacionamento porque ganho alguma coisa e, em troca, dou outra.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3422&quot; data-start=&quot;3410&quot;&gt;Fica meio frio, eu acho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;3422&quot; data-start=&quot;3410&quot;&gt;Mas não deixa de ser verdadeiro, certo?&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;3484&quot; data-start=&quot;3424&quot;&gt;
O que você acha?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3609&quot; data-start=&quot;3486&quot;&gt;E, depois de tudo isso dito, que diferença faz tudo isso, se somos do pó e ao pó voltaremos? O que nós somos nesse meio do caminho? O que resta entre o pó e o pó?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3921&quot; data-start=&quot;3611&quot;&gt;Tenho achado interessante esse momento em que sento aqui, olho a cidade relativamente de cima, e me ponho a escrever. As pessoas parecendo tão pequenas passando lá embaixo. Carros que, dependendo da distância, mal consigo identificar. Pode ser carro de milhares, pode ser carro simples. É só um quadrado de ferro se movendo com algumas pessoas dentro.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4067&quot; data-start=&quot;3923&quot;&gt;Daqui vejo o rio chicago e uma de suas pontes. Muitas pessoas viajam para chegar aqui, para ver esse rio, para ver esses lugares que estão bem à minha frente. Economizam para chegar aqui. E aí? Viu, tá visto? O que se procura ao ver ao vivo o que pode ser facilmente visto pela internet?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4341&quot; data-start=&quot;4094&quot;&gt;Que importância tem isso? Daqui, as pessoas que atravessam a ponte são minúsculas. Mal identifico se são homens ou mulheres, se têm dinheiro no banco ou não, se são bonitas ou feias, gordas, magras, modelos a serem seguidos, ou estão procurando um caminho para seguir. Imagino que aquelas pessoas minúsculas carreguem problemas gigantescos na cabeça delas.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4391&quot; data-start=&quot;4343&quot;&gt;E daqui, olhando, parecem tão insignificantes. Seus problemas também me parecem pequenos, fáceis de resolver e de sumir. Quase nenhum deles existirá daqui um ano; muito menos daqui dez, e certamente nenhum desses problemas gigantescos existirá daqui cinquenta anos.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4429&quot; data-start=&quot;4393&quot;&gt;Nós somos insignificantes, é isso? Somos apenas pó, entre o do qual viemos e para o qual iremos?&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;4429&quot; data-start=&quot;4393&quot;&gt;Não sei ao certo, realmente não sei. Só sei que estou feliz e me sinto privilegiado por você estar me lendo.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/1824074441057647044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/1824074441057647044' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/1824074441057647044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/1824074441057647044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2025/10/chicago-domingo-26-de-outubro-de-2025.html' title=' Chicago, domingo, 26 de outubro de 2025'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhJ9hLXJF6QokQhzLcbL2hu7CBfNH8HjqF2bL1KNAQhq37kRVdhczIRbE7ZhiH618elXoJ6hbubPw9mt7FE2Jz7MXU1sWcJfYwd2m560koTTHTt7fXtGXr0V8WqUdePAUpfsEQKGhH58WEDVfIi7MrwIbpYDHeBA6gVNkZJG_jHOyNp33RkdmGD2InalDc/s72-c/IMG_9419.heic" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-7349762243584461601</id><published>2025-10-19T10:29:00.000-07:00</published><updated>2025-10-19T11:43:29.360-07:00</updated><title type='text'>Chicago, domingo, 19 de outubro de 2025</title><content type='html'>&lt;p&gt;Coloque para tocar Geraldo de Azevedo cantando &lt;i&gt;O Ciúme&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiAZQ0M0AitLdKKMrNAxBc9yBwTb_sY0hYpxt2wAjlHwI2rTXQL3745q6OrsDm5rSVyYssjXXCfibfDmiVkz3rGNrvRAjWo4qbf1ZJkDDQ0Nlwdlyvck6kQ71UqT1EJOR0ZbkgsLTR7qNAaeCDc_pd_uOFB_UM-VUrJekekbTbdNc5HbuAhmTV0JQtL7MY/s3895/IMG_9400.heic&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3895&quot; data-original-width=&quot;3895&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiAZQ0M0AitLdKKMrNAxBc9yBwTb_sY0hYpxt2wAjlHwI2rTXQL3745q6OrsDm5rSVyYssjXXCfibfDmiVkz3rGNrvRAjWo4qbf1ZJkDDQ0Nlwdlyvck6kQ71UqT1EJOR0ZbkgsLTR7qNAaeCDc_pd_uOFB_UM-VUrJekekbTbdNc5HbuAhmTV0JQtL7MY/s320/IMG_9400.heic&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Hoje amanheceu chovendo. Na verdade, já chove desde ontem, por volta das 20:00, e agora já são quase meio-dia e o sol não deu as caras ainda, nesse dia da semana nomeado em sua homenagem.&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia&quot;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ontem, assisti ao musical Jesus Cristo Superstar, montagem da Roosevelt University. Mesmo sendo assim, atores e toda a produção composta por alunos, num palco elisabetano com apenas um cenário fixo e uma porta de correr ao fundo, uma banda pequena com instrumentos básicos, uma plateia onde deveria caber cerca de 200 pessoas, aparentemente composta de mais alunos, amigos e familiares dos envolvidos em cena; mesmo assim, foi fantástico. Provavelmente a presença desse público específico contribuiu muito, pois estavam em estado de êxtase desde o início e, por várias vezes, interromperam a apresentação com intermináveis aplausos ao final das cenas, com gritos, ovação e até mesmo aplausos de pé não desmerecidos, embora discutivelmente exagerados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na sexta, depois de 20 anos, voltei a assistir uma ópera, Medea. Nesse caso, sim, uma grandiosa produção, com direito à orquestra completa, coral, teatro com capacidade de mais de três mil pessoas lotado, com toda pompa e circunstância que se pode esperar de uma ópera. Atrizes e atores de qualidade absurda desfilando seu talento musical e interpretativo. Cenários deslumbrantes que foram trocados inúmeras vezes de forma imperceptível para o público e com direito a um fogo absolutamente lindo tomando todo o palco na cena final. Sim, era somente imagens projetadas e luzes, mas, sim também, tão vivo e crível como se fosse fogo real.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Creio que óperas são das mais completas formas de arte possíveis, com música, canto, coreografia, encenação, artes plásticas, figurino, quase todas as artes representadas e bem coordenadas no palco. Penso agora, enquanto cito todos esses elementos, nos desfiles de escolas de samba, que, mantendo as devidas proporções, eu equipararia em riqueza artística. Não consigo pensar em nada mais tão rico. De repente os grandes ballets, como alguns poucos que assisti, como Carmen recentemente. Mas ainda coloco ópera e alguns desfiles de escola de samba, como a Beija-Flor de Joãozinho Trinta, vários da Mangueira, da Portela, da Viradouro, como o que deve haver de mais completo e rico em termos de artes acontecendo ao mesmo tempo e de forma coordenada, de qualidade técnica e artística impecáveis.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por que estou falando disso hoje, dos espetáculos que assisti nos últimos dias, o que normalmente não tenho feito anteriormente? Não sei, mas foram duas noites em seguida que terminei com a alma lavada e elevada, com uma sensação de que a vida vale a pena, apesar de tantas penas por que temos passado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acho que também tem a ver com tudo o que tem acontecido contra essa cidade, contra pessoas que vivem aqui, contra quem não deve nada, contra quem está sendo julgado por ter chegado depois à mesma terra roubada anteriormente por outros imigrantes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você que não vive nos EUA acredite, aqui o ogro em poder tem atrapalhado muito mais a vida e a paz das pessoas do que longe daqui. Quanto mais próximo, pior fica. E sinto que há muita gente com um &quot;silêncio sorridente&quot;, agradecido por alguém estar fazendo o serviço sujo para eles.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas não quero focar no que há de pior no ser humano, prefiro voltar para o outro oposto, para a arte. Vai ver que é por isso que resolvi, sem ter realmente resolvido, começar falando dela. Pode ser que algo dentro de mim clamava&amp;nbsp;para falar do que há de bom, de belo e de humano, e confiar no tempo que tudo leva, até a podridão que nos tem sobrevido ultimamente&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ontem também, aqui nessa mesma cidade, mais de duzentas e cinquenta mil pessoas foram às ruas para protestar contra o reizinho pé-de-chinelo em poder. Também ontem, no final do dia, cerca de cem mil pessoas estavam nas ruas participando ou assistindo uma parada, Arts in the Dark, que me foi descrito como &quot;o encontro entre o &lt;em data-end=&quot;140&quot; data-start=&quot;120&quot;&gt;Carnaval das Artes&lt;/em&gt; e o &lt;em data-end=&quot;163&quot; data-start=&quot;145&quot;&gt;Halloween de rua&lt;/em&gt;, mas com a elegância e teatralidade que só Chicago consegue produzir.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acho que é isso que está pulsando hoje, ver tanta tristeza em cenas revoltantes de pessoas sendo tiradas de casa, separadas de seus filhos, tanto mediocridade e mentira sendo repetida à exaustão, tanto motivo para revolta tão próximo e real, e, ao mesmo tempo, respirar, ver arte pulsando, ver pessoas nas ruas, felizes só por estarem ali assistindo uma parada, andando ao lado de um protesto, vendo seus amigos no palco, sendo contagiados por essa mágica que só a arte produz em nossas almas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os seres perversos com suas psicopatias e imbecilidades continuam no poder, mas ainda há arte, ainda a vida pulsando.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tanta gente canta, tanta gente cala, tantas almas esticadas no curtume. Sobre toda estrada, sobre toda sala, paira, monstruosa, a sombra do ciúme.”&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;2995&quot; data-start=&quot;2849&quot;&gt;Talvez essa música tenha vindo porque fala exatamente disso: das vozes que calam e das que insistem em cantar; da dor que se faz beleza.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez seja o desejo de que o mundo fosse &quot;justo&quot;, resultado de acreditar que um dia esse mesmo mundo foi injusto conosco.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;3113&quot; data-start=&quot;3002&quot;&gt;Talvez o desejo de justiça seja o ciúme amadurecido,&amp;nbsp;o mesmo fogo que, em vez de queimar, agora ilumina.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ou ainda, seria a arte uma forma de fazer da vida, tão dolorida e sofrida algo belo, como fez Geraldo de Azevedo com o ciúme, um sentimento julgado feio, negativo, destruidor?&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;3268&quot; data-start=&quot;3120&quot;&gt;Não sei, sinceramente não sei. Sei que me sinto privilegiado por viver essa ambiguidade, entre Petrolinas e Juazeiros, entre o feio e o belo, o que cala e o que canta, e por você estar aqui me lendo.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/7349762243584461601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/7349762243584461601' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7349762243584461601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7349762243584461601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2025/10/chicago-domingo-19-de-outubro-de-2025.html' title='Chicago, domingo, 19 de outubro de 2025'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiAZQ0M0AitLdKKMrNAxBc9yBwTb_sY0hYpxt2wAjlHwI2rTXQL3745q6OrsDm5rSVyYssjXXCfibfDmiVkz3rGNrvRAjWo4qbf1ZJkDDQ0Nlwdlyvck6kQ71UqT1EJOR0ZbkgsLTR7qNAaeCDc_pd_uOFB_UM-VUrJekekbTbdNc5HbuAhmTV0JQtL7MY/s72-c/IMG_9400.heic" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-6309394231660207670</id><published>2025-10-12T09:19:00.000-07:00</published><updated>2025-10-12T09:24:32.127-07:00</updated><title type='text'> Chicago, domingo, 12 de outubro de 2025</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;A trilha de hoje é Esquadros, na voz de Adriana Calcanhoto. Pode ouvir inteira, mas o foco é a partir do minuto 1:05.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjF41wLIvWVmp7FEePVR_iqh5Ssp_bVqooX4OLutcuSDHN-yGnyTA_iTnlVcGPOJWsuLq6PGwfb-w47hGNp3gCSytoTs4fPifLmWLl3Qw5OU2JCcZQm8syoz0raEtxlbqifBiwk2iNdcxBHcmaW2kiVoINi2LMJR9NP_x9LtGz0sgvT5LFtM9ZQlu-yDxc/s2745/IMG_9353.jpeg&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2745&quot; data-original-width=&quot;2059&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjF41wLIvWVmp7FEePVR_iqh5Ssp_bVqooX4OLutcuSDHN-yGnyTA_iTnlVcGPOJWsuLq6PGwfb-w47hGNp3gCSytoTs4fPifLmWLl3Qw5OU2JCcZQm8syoz0raEtxlbqifBiwk2iNdcxBHcmaW2kiVoINi2LMJR9NP_x9LtGz0sgvT5LFtM9ZQlu-yDxc/s320/IMG_9353.jpeg&quot; width=&quot;240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;12 de outubro: Dia das Crianças, Dia do Descobrimento da América, Dia de Colombo, como chamam por aqui. O dia da invasão. O dia em que um povo, por se achar mais &quot;desenvolvido&quot; (entre todas as aspas possíveis) só porque tinha melhores armamentos, chega a uma terra e decide que é sua. E está tudo bem, ninguém questiona. E assim vivemos. Quem tem mais armamentos escreve a história, o assassino final é o herói. Assim, são os heróis do descobrimento que nos trouxeram até aqui.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;452&quot; data-start=&quot;421&quot;&gt;Mas eu não quero falar disso.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;584&quot; data-start=&quot;454&quot;&gt;Acabou de passar um bolo de noiva pela minha frente. Sim, uma pessoa vestida de bolo de noiva, correndo a maratona de Chicago.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;792&quot; data-start=&quot;586&quot;&gt;Nesta manhã estão passando milhares de pessoas aqui na frente de casa, na esquina. Enquanto eu estou aqui, na sacada, eles passam. Outra multidão está espalhada pelas calçadas, aplaudindo, gritando, com cartazes.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1050&quot; data-start=&quot;794&quot;&gt;Essa semana eu quase escrevi esse texto mais cedo. Na segunda-feira, por volta das nove da noite, eu estava caminhando em volta da quadra, a última voltinha do dia com os cachorros, quando notei um homem sentado na rua. Não que isso seja incomum no centro de Chicago, mas aquele homem não parecia um mendigo. Ele estava sentado, costas contra a parede, pés esticados sobre a calçada.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;1526&quot; data-start=&quot;1083&quot;&gt;
Vi de longe: algo nele, sua posição, seu jeito, não sei, me chamou a atenção.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1674&quot; data-start=&quot;1528&quot;&gt;Quando cheguei perto, vi que era um homem chorando.&lt;br data-end=&quot;1582&quot; data-start=&quot;1579&quot; /&gt;
Só isso.&lt;br data-end=&quot;1593&quot; data-start=&quot;1590&quot; /&gt;
Não pedia dinheiro.&lt;br data-end=&quot;1615&quot; data-start=&quot;1612&quot; /&gt;
Não estava malvestido.&lt;br /&gt;Não estava sujo, nem parecia bêbado ou drogado.&lt;br /&gt;Estava apenas sentado na calçada, chorando.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1904&quot; data-start=&quot;1676&quot;&gt;Ficava a alguns passos da entrada da estação de metrô.&lt;br data-end=&quot;1733&quot; data-start=&quot;1730&quot; /&gt;
Não sei se isso significa alguma coisa.&lt;br data-end=&quot;1775&quot; data-start=&quot;1772&quot; /&gt;
Se alguém tinha acabado de partir.&lt;br data-end=&quot;1812&quot; data-start=&quot;1809&quot; /&gt;
Ou se foi só o fim de uma segunda-feira que ele não deu conta e, antes de pegar o trem para ir para casa, precisou sentar pra chorar.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1970&quot; data-start=&quot;1906&quot;&gt;E ali, chorando, ele parecia totalmente alheio a quem passava.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;2242&quot; data-start=&quot;1972&quot;&gt;Por que é estranho ver uma pessoa sentada na rua chorando?&lt;br data-end=&quot;2033&quot; data-start=&quot;2030&quot; /&gt;
Não venha me dizer que é porque a calçada é suja. Sim, é, mas esse não é o ponto.&lt;br data-end=&quot;2081&quot; data-start=&quot;2078&quot; /&gt;
A gente não pode chorar.&lt;br data-end=&quot;2108&quot; data-start=&quot;2105&quot; /&gt;
Mas a gente tem que chorar de vez em quando.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;2242&quot; data-start=&quot;1972&quot;&gt;Imagina sentar na rua pra chorar. E se alguém me ver?&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;2318&quot; data-start=&quot;2244&quot;&gt;E segue a maratona.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;2707&quot; data-start=&quot;2346&quot;&gt;Um impressionante número de pessoas que não para de vir. Estou aqui há mais de meia hora e o fluxo não diminui. Elas seguem vindo na minha direção, fazendo a curva na esquina de casa e continuando. Não sei pra onde. Mas vejo que cruzam o rio e seguem reto pela State Avenue.&lt;br data-end=&quot;2611&quot; data-start=&quot;2608&quot; /&gt;
Perco de vista.&lt;br data-end=&quot;2629&quot; data-start=&quot;2626&quot; /&gt;
Olhando pro outro lado, vejo outras pessoas passando a quatro quadras daqui, na La Salle.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;2854&quot; data-start=&quot;2709&quot;&gt;Pesquisei aqui e vi que estou a alguns passos do fim da primeira milha. Isso certamente explica o rio de pessoas correndo, próximas umas às outras, enchendo a rua de uma calçada à outra, o rapaz vestido de bolo de noivo ainda com sua fantasia, e o claro ânimo de todos.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;2854&quot; data-start=&quot;2709&quot;&gt;Verifico que são cinquenta e três mil pessoas participando da maratona desse ano. Pessoas vindas de mais de 100 diferentes países, de todos os cinquenta estados americanos, aqui, correndo num domingo frio pelas ruas de Chicago, uma cidade onde um homem pode sentar na rua, numa segunda-feira à noite, pra chorar, e ninguém vê.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3406&quot; data-start=&quot;3271&quot;&gt;E sempre me pergunto se um dia eu teria motivação pra correr uma maratona.&lt;br data-end=&quot;3348&quot; data-start=&quot;3345&quot; /&gt;
Ficar todas essas horas correndo em volta de uma cidade.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3532&quot; data-start=&quot;3408&quot;&gt;Nos últimos anos isso tem virado moda e, dentre todas as modas possíveis, eu diria que correr na rua é uma das melhores.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3745&quot; data-start=&quot;3534&quot;&gt;Hoje me pergunto se eu teria paciência pra ficar na calçada, como vejo tantas pessoas agora, simplesmente paradas, gritando, aplaudindo, batendo palmas, levantando cartazes, motivando desconhecidos que correm.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3773&quot; data-start=&quot;3747&quot;&gt;O ser humano é... único.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4050&quot; data-start=&quot;3775&quot;&gt;Sair num domingo de manhã, com frio, pra ficar parado na calçada vendo pessoas passarem correndo.&lt;br data-end=&quot;3875&quot; data-start=&quot;3872&quot; /&gt;
Pessoas que, sabe-se lá por quê, levantaram cedo, colocaram tênis e camiseta nesse frio pra correr 42 quilômetros pelas ruas de uma cidade onde muitos sequer vivem, muitos devem estar aqui pela primeira vez.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4237&quot; data-start=&quot;4052&quot;&gt;Porque sim, o afluxo de gente neste fim de semana foi impressionante. Como comentamos ontem entre amigos: &quot;a cidade está cheia&quot;.&amp;nbsp;E olha que, pra notar Chicago cheia, é preciso muita gente.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4371&quot; data-start=&quot;4239&quot;&gt;Vejo agora uma bandeira.&lt;br /&gt;Parece a da França.&lt;br /&gt;Mas pode ser outra.&lt;br /&gt;Creio que é a da França.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4489&quot; data-start=&quot;4472&quot;&gt;E o povo segue.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4628&quot; data-start=&quot;4491&quot;&gt;Correm por quê?&lt;br data-end=&quot;4509&quot; data-start=&quot;4506&quot; /&gt;
Pra quê?&lt;br data-end=&quot;4520&quot; data-start=&quot;4517&quot; /&gt;
Pra onde? - &quot;as crianças correm para onde?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;4628&quot; data-start=&quot;4491&quot;&gt;
Pelo bem-estar?&lt;br data-end=&quot;4550&quot; data-start=&quot;4547&quot; /&gt;
Pela saúde?&lt;br data-end=&quot;4564&quot; data-start=&quot;4561&quot; /&gt;
Pra provar algo a alguém?&lt;br data-end=&quot;4592&quot; data-start=&quot;4589&quot; /&gt;
A si mesmos?&lt;br data-end=&quot;4607&quot; data-start=&quot;4604&quot; /&gt;
Porque é divertido?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4919&quot; data-start=&quot;4630&quot;&gt;Alguns, provavelmente, estão realizando o sonho da vida: correr uma maratona.&lt;br data-end=&quot;4711&quot; data-start=&quot;4708&quot; /&gt;
Outros já terminaram, já estão no pódio, campeões, atletas, fazendo índices olímpicos.&lt;br data-end=&quot;4800&quot; data-start=&quot;4797&quot; /&gt;
E outros estão aqui, mal começando. Estão aqui porque o amigo convidou.&lt;br data-end=&quot;4847&quot; data-start=&quot;4844&quot; /&gt;
Porque a namorada pediu.&lt;br data-end=&quot;4874&quot; data-start=&quot;4871&quot; /&gt;
Porque estão incentivando um filho, um pai.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4950&quot; data-start=&quot;4921&quot;&gt;Fico curioso com as razões.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5214&quot; data-start=&quot;4952&quot;&gt;As razões dos que levantam no domingo pra correr 42 quilômetros e que se prepararam por meses.&lt;br data-end=&quot;5047&quot; data-start=&quot;5044&quot; /&gt;
As razões dos que ficam na calçada, apoiando.&lt;br data-end=&quot;5095&quot; data-start=&quot;5092&quot; /&gt;
Assim como as do que fica aqui de longe, observando, escrevendo sobre os que estão na calçada, observando quem corre.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5288&quot; data-start=&quot;5216&quot;&gt;E as suas razões, que me lê, escrevendo sobre quem observa quem corre?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5382&quot; data-start=&quot;5290&quot;&gt;As razões de um domingo de manhã, de uma segunda à noite, de quem senta na rua pra chorar.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5571&quot; data-start=&quot;5384&quot;&gt;Passa agora alguém com uma bandeira do México.&lt;br data-end=&quot;5433&quot; data-start=&quot;5430&quot; /&gt;
Já tivemos um bolo de noiva, uma bandeira da França, uma bandeira do México.&lt;br data-end=&quot;5512&quot; data-start=&quot;5509&quot; /&gt;
Pessoas se divertindo, enquanto outras estão&amp;nbsp;se esforçando ao máximo, dando tudo de si. E para quê?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5670&quot; data-start=&quot;5573&quot;&gt;A cidade está barulhenta. Certamente o domingo de manhã mais barulhento que já vivi por aqui. Mas é um barulho bom. Um barulho que, se me permite, eu diria: é barulho de vida.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5779&quot; data-is-last-node=&quot;&quot; data-is-only-node=&quot;&quot; data-start=&quot;5759&quot;&gt;E segue gente vindo.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;5779&quot; data-is-last-node=&quot;&quot; data-is-only-node=&quot;&quot; data-start=&quot;5759&quot;&gt;E sigo agradecido por, independente dos motivos, vocês estarem aqui me lendo.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/6309394231660207670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/6309394231660207670' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/6309394231660207670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/6309394231660207670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2025/10/chicago-domingo-12-de-outubro-de-2025.html' title=' Chicago, domingo, 12 de outubro de 2025'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjF41wLIvWVmp7FEePVR_iqh5Ssp_bVqooX4OLutcuSDHN-yGnyTA_iTnlVcGPOJWsuLq6PGwfb-w47hGNp3gCSytoTs4fPifLmWLl3Qw5OU2JCcZQm8syoz0raEtxlbqifBiwk2iNdcxBHcmaW2kiVoINi2LMJR9NP_x9LtGz0sgvT5LFtM9ZQlu-yDxc/s72-c/IMG_9353.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-356423600029273564</id><published>2025-10-05T08:32:00.000-07:00</published><updated>2025-10-05T08:32:35.948-07:00</updated><title type='text'>Chicago, domingo, 05 de outubro de 2025</title><content type='html'>&lt;p&gt;Antes de ler, coloque para tocar &quot;For What It’s Worth&quot;, de Buffalo Springfield.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como prometido, isso não é uma tradição. Não esperem por crônicas dominicais.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois que a música começar, pode começar a ler.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;797&quot; data-start=&quot;350&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjf7FtqOor_slNHQwBsttbVU7wAYZER3pePFetgaWP4oLU0SlAb88q4Z74S2MfJff-e6_yf1_ZHvnMXAEH551SOGpD7n9sxjShkV2mEB_lGWTNsr1RyzmilBxCM2lb-kJod2TGo69-1n_Dm-Z2Ft_QnQRCiiLPxLB8wK4UfSbeDCBsQ_8YGsjEAMWTH_xQ/s275/ice.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;183&quot; data-original-width=&quot;275&quot; height=&quot;183&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjf7FtqOor_slNHQwBsttbVU7wAYZER3pePFetgaWP4oLU0SlAb88q4Z74S2MfJff-e6_yf1_ZHvnMXAEH551SOGpD7n9sxjShkV2mEB_lGWTNsr1RyzmilBxCM2lb-kJod2TGo69-1n_Dm-Z2Ft_QnQRCiiLPxLB8wK4UfSbeDCBsQ_8YGsjEAMWTH_xQ/s1600/ice.jpg&quot; width=&quot;275&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Vamos lá. Acabei de voltar de um café, um daqueles, comuns aqui nos EUA, onde tem café, obviamente, e &lt;em data-end=&quot;485&quot; data-start=&quot;475&quot;&gt;pastries&lt;/em&gt;. Devido à falta de uma tradução direta, se você não sabe o que são &lt;em data-end=&quot;563&quot; data-start=&quot;553&quot;&gt;pastries&lt;/em&gt;, seria algo tipo uma confeitaria, mas onde predominam os folhados, como croissants, folhados doces e salgados, brioches, etc. Enfim, tem um desses lugares aqui a uma quadra da minha casa, um dos que gosto mais, e principalmente aos domingos. Gosto de chegar lá cedo para pegar um &lt;i&gt;pastry&lt;/i&gt; fresquinho - espero que não se importem com o inglês.&amp;nbsp;Eu falo assim, genericamente, porque cada domingo escolho um diferente. É um lugar relativamente conhecido no bairro e sempre está cheio. Hoje peguei um&amp;nbsp;Kouign Amann, desculpe o francês.&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1257&quot; data-start=&quot;1081&quot;&gt;Ao chegar ali, havia umas oito ou nove pessoas na fila. Você pode imaginar como é: primeiro a gente vai até o caixa, pede e paga o café e o que vai comer; depois eles levam à mesa ou ao balcão em que você estiver.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1451&quot; data-start=&quot;1259&quot;&gt;Enquanto estava ali, me veio à memória a famosa frase-brincadeira de brasileiro: “Quem é ele na fila do pão?” Pois eu estava na fila do pão. E pensei: quem são essas pessoas à minha frente na fila do pão?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1668&quot; data-start=&quot;1453&quot;&gt;Duas meninas conversando: imaginei que podiam estar na faculdade, eram colegas de uma vida toda, terminaram o segundo grau no ano passado, cada uma foi aceita numa universidade diferente, e agora estão se revendo para contar as novidades, ou elas mantém esse ritual de virem tomar café aqui todos os domingos, como faziam suas mães, talvez sejam irmãs, ou só estão passando o fim de semana por aqui, e esse é simplesmente o café mais próximo do hotel onde estão hospedadas. Um senhor chegou com uma criança, talvez pai e filho. E assim fui criando uma história para cada um naquela fila do pão.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1969&quot; data-start=&quot;1670&quot;&gt;Mas quem eles são, além de irmã, amiga, pai, filho?&lt;br data-end=&quot;1724&quot; data-start=&quot;1721&quot; /&gt;
De repente, nessa fila pode haver um vice-presidente de uma multinacional. De repente, um motorista que entrega café, como era meu pai, que só parou para pegar um café, antes de dirigir por duas ou três horas de volta para casa, no interior. De repente, há um desempregado desesperado que vai usar um pouco do dinheiro que lhe sobra para fazer a vontade de uma filha que está de aniversário e ama o croissant de chocolate daqui. De repente são pessoas simples ou sofisticadas, que pararam para tomar um café no domingo porque não há mais nada a fazer, ou porque, como eu, gostam de comer um &lt;i&gt;pastry &lt;/i&gt;num domingo de manhã.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;2361&quot; data-start=&quot;1971&quot;&gt;Lembrei-me de muitos anos atrás, falo de janeiro de 1990, logo após eu ter me formado na Escola da Aeronáutica&amp;nbsp; em Guaratinguetá e ter ido trabalhar em Porto Alegre. Eu estava lá havia cerca de um mês. Num fim de semana, caminhando na Rua da Praia, passou por mim o brigadeiro do ar que fora comandante da escola em Guaratinguetá, enquanto eu era aluno. Ele andava no meio da multidão, vestindo tênis e calça jeans, não lembro exatamente a roupa, mas lembro que era normal, comum, passando despercebido no meio das pessoas, apenas mais um.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;2653&quot; data-start=&quot;2363&quot;&gt;Lembro, sim, claramente, da sensação de espanto que tive: aquele homem que até um mês atrás eu só via em ocasiões de desfiles e cerimônias especiais, com sua chegada sendo anunciada por seu toque de corneta, sempre se apresentando com muita autoridade, uma figura que inspirava medo e respeito, mais medo do que respeito, cuja casa evitávamos até passar em frente, de repente estava ali, na Rua da Praia, andando sozinho, no meio de tantos.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3042&quot; data-start=&quot;2655&quot;&gt;Para quem não sabe, a Rua da Praia é uma das ruas mais movimentadas de Porto Alegre. Uma rua calçada, com milhares de pessoas, ainda mais num domingo, como hoje, como aquele. Não vou dizer que é como a 25 de Março, mas quase; talvez seja a versão porto-alegrense da 25 de Março, ou o mais próximo disso, se me permitem. E lá estava Vossa Excelência, o brigadeiro do ar ninguém, pois hoje sequer lembro de seu nome, só lembro do medo que sentia de alguém que agora via assim, uma pessoa normal no meio da multidão. Naquela “fila do pão”, ele era só mais um. Não seria atendido antes de ninguém que estivesse ali caminhando. De repente o próprio corneteiro estava na frente dele.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3112&quot; data-start=&quot;3044&quot;&gt;Assim volto para a fila e me pergunto: será que tinha algum brigadeiro do ar ali, naquela fila, algum general de 4 estrelas todo-poderoso?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3337&quot; data-start=&quot;3114&quot;&gt;Penso nsses tantos rótulos que damos, nesses medos que sentimos de pessoas ditas “importantes”. Mas são importantes até quando? Até o fim do expediente? Até sexta-feira? Enquanto tiverem esse emprego? Enquanto estiverem nessa posição? Que importância e que poder são esses na fila do pão?&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;3337&quot; data-start=&quot;3114&quot;&gt;Mas, como você sabe, é domingo. Estou aqui de novo, na sacada do meu prédio. Hoje o dia está quente. Nesse pouco tempo em que estou escrevendo já começo até a suar, então vou para dentro. Isso é uma surpresa boa. Outubro em Chicago, nove da manhã, e esse calor.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3911&quot; data-start=&quot;3713&quot;&gt;Não olhei a previsão, mas certamente vai esfriar nos próximos dias. Não há como manter esse calor em outubro em Chicago. Não se surpreenda se na semana que vem eu vier aqui dizer que está nevando.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4026&quot; data-start=&quot;3913&quot;&gt;Estamos em Chicago: a cidade que venta, a cidade que muda. A cidade que agora começou a ser atacada pelo ICE, como chamam o serviço de imigração daqui.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4313&quot; data-start=&quot;4028&quot;&gt;Sim, a cidade está sendo atacada pelo ICE, por esses indivíduos que sequestram pessoas supostamente ilegais. Digo &quot;sequestram&quot;, porque é o que fazem, pois não há ordem de prisão, não há processo, não há sequer uma clara legalidade para o que fazem. Digo “supostamente” porque eles não fazem ideia se as pessoas que estão sendo levadas realmente são imigrantes ilegais, sequer se são imigrantes. Se você tem aparência ou suspeito de ser um imigrante ilegal, você pode ser levado sem perguntas, sem chance de falar.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4532&quot; data-start=&quot;4315&quot;&gt;Não estou exagerando. Imagens e vídeos mostrando as ações dessas pessoas não faltam. Vendo uma dessas cenas, me lembrei de vários filmes da Segunda Guerra: a polícia ou o exército alemão pegando pessoas na rua e jogando-as em caminhões, por suspeita de serem judeus, levando-os para os campos de concentração.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4725&quot; data-start=&quot;4534&quot;&gt;Pois bem, isso está se tornando comum aqui em Chicago. Comum nas ruas dos Estados Unidos. Pessoas mascaradas. Mães sendo levadas, crianças separadas. Pessoas porque têm “suspeita razoável”, seja lá o que isso quer dizer, de que estejam ilegalmente no país. Sim, isso é o que a lei diz, e que não é necessário mandato judicial. Se tem cara de judeu, se se veste como judeu, se alguém disse que é judeu, então, é judeu, então é um imigrante ilegal e pode simplesmente ser levada. Para onde? Não se sabe ao certo. Quando alguém vai parar para ouvi-la? Não se sabe ao certo. E de repente descobrem que era turista, ou até cidadão americano, ou que era um judeu, não um imigrante ilegal, e pode ser tarde demais para o dano feito.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5092&quot; data-start=&quot;5013&quot;&gt;Confesso um certo receio de falar na rua. Meu sotaque não tem como disfarçar.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5384&quot; data-start=&quot;5094&quot;&gt;E, de novo, é Chicago. A cidade segue. Para quem não vê, para quem não presta atençao, para quem acredita que está acima de qualquer suspeita, nada acontece. Daqui, olho a ponte sobre o rio Chicago, onde ontem vi agentes do ICE passando. As pessoas abriram caminho: alguns vaiavam, outros xingavam, havia cartazes de protesto, incluindo Free Palestine. As autoridades mascaradas atravessavam a ponte, num sábado, no centro de Chicago, turismo bombando, e eles ostentando a estupidez, mas cobrindo a cara de vergonha.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5487&quot; data-start=&quot;5386&quot;&gt;E volto à fila do pão. Será que há algum agente do ICE nessa fila? Eles andam mascarados, são cidadãos do bem, representantes da família tradicional cristã, então fica difícil de reconhecê-los no meio de gente decente.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5633&quot; data-start=&quot;5489&quot;&gt;Não vou cair na paranoia de evitar pedir meu café para que não percebam meu sotaque. Mas, sim, pode haver um deles ali. E eu não sei quem são.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5677&quot; data-start=&quot;5635&quot;&gt;Às vezes me dou conta: seré que sei quem sou?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5806&quot; data-start=&quot;5679&quot;&gt;E seguimos neste domingo. Quente como está, na época do ano em que estamos, a vontade é: vamos aproveitar, pode ser o último domingo quente do ano.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;6107&quot; data-start=&quot;5808&quot;&gt;Sim, vamos aproveitar, porque pode ser o último. Pode ser o último domingo de calor. Pode ser o último domingo. Pode ser a última fila do pão em que eu entro. Pode ser o último agente do ICE que vejo sem máscara, comprando um croissant para levar para sua filha, filha dele com sua esposa mexicana, cujos pais entraram ilegalmente no país.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;6161&quot; data-start=&quot;6109&quot;&gt;E sigo agradecido por vocês estarem aqui me lendo.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/356423600029273564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/356423600029273564' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/356423600029273564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/356423600029273564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2025/10/chicago-domingo-05-de-outubro-de-2025.html' title='Chicago, domingo, 05 de outubro de 2025'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjf7FtqOor_slNHQwBsttbVU7wAYZER3pePFetgaWP4oLU0SlAb88q4Z74S2MfJff-e6_yf1_ZHvnMXAEH551SOGpD7n9sxjShkV2mEB_lGWTNsr1RyzmilBxCM2lb-kJod2TGo69-1n_Dm-Z2Ft_QnQRCiiLPxLB8wK4UfSbeDCBsQ_8YGsjEAMWTH_xQ/s72-c/ice.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-8625299212138557152</id><published>2025-09-28T09:11:00.000-07:00</published><updated>2025-09-28T09:23:19.462-07:00</updated><title type='text'>Chicago, domingo, 28 de setembro de 2025.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHn69MUZ_JSQnklXlJb_iHhyuK4o52yFNGymso2KCM55JkntQkYifurF1U-yLoZpxlLXZmx4BYi9ynT9XkbbaGgB9yurpMpXaUytV6nigcINkOMweUeYL2lVjvTfgQXLoECieYX9i7d5ItU1GKdx-4R_UI9UGSK1PRtu1XG34WcJNqQTqCX5shZ4I7YBg/s2667/IMG_9306.heic&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2667&quot; data-original-width=&quot;2667&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHn69MUZ_JSQnklXlJb_iHhyuK4o52yFNGymso2KCM55JkntQkYifurF1U-yLoZpxlLXZmx4BYi9ynT9XkbbaGgB9yurpMpXaUytV6nigcINkOMweUeYL2lVjvTfgQXLoECieYX9i7d5ItU1GKdx-4R_UI9UGSK1PRtu1XG34WcJNqQTqCX5shZ4I7YBg/w320-h320/IMG_9306.heic&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Semana passada voltei a escrever esse tipo de texto que fazia tempo que eu não escrevia. E gostei, me senti bem escrevendo, me senti bem me lendo. E, assim como na semana passada eu escrevi motivado pela sensação de que pessoas poderiam estar passando pelo mesmo tipo de autoquestionamentos, e parece que alguns estavam, isso também me motiva a seguir falando o que tem passado pela minha cabeça, o que eu tenho sentido. Resistirei à tentação de me criar o compromisso de manter crônicas dominicais, mas com muita vontade de fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1043&quot; data-start=&quot;577&quot;&gt;Então estou aqui: de novo domingo, de novo na sacada do meu apartamento, na região central de Chicago. Diferente da semana passada, hoje está um dia ensolarado. Inclusive o sol está na minha cara agora enquanto eu escrevo, refletindo na tela. Não está tão confortável como estava no último domingo, está mais quente. Quente para Chicago, pois deve estar 20, 21 graus no máximo. Mas o sol batendo na pele dá uma sensação boa, de estar mais calor do que realmente está.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1376&quot; data-start=&quot;1045&quot;&gt;Já são 10 horas da manhã, então já há movimento, já há barulho na cidade. Mas é domingo, então não se compara ao movimento ou ao barulho de um dia de semana. Nesse tempo em que eu estou aqui,&amp;nbsp; também diferente da semana passada, não passou nenhuma ambulância ainda. O barulho é mais aquele constante, um ruído de carros e de pessoas, &lt;i&gt;a white noise&lt;/i&gt;, como se diz por aqui, está mais para &lt;i&gt;gray noise&lt;/i&gt;, se essa expressão existisse.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1634&quot; data-start=&quot;1378&quot;&gt;Também diferente da semana passada, estou com meus dois cachorros aqui, sentados ao meu lado. Deitados, curtindo o sol, que provavelmente lhes deve trazer bastante prazer, porque eles se esticam, fecham os olhos e têm expressão de êxtase, quase. Se eu deixar, eles ficam aqui por horas.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;1941&quot; data-start=&quot;1636&quot;&gt;Hoje estou pensando numa frase que ouço muito e é muitas vezes usada quando se pergunta &quot;&lt;i&gt;qual é o seu defeito?&lt;/i&gt;&quot;. Aí, sabe quando as pessoas escolhem um defeito legal para falar, como &quot;&lt;em data-end=&quot;1834&quot; data-start=&quot;1807&quot;&gt;Sou muito perfeccionista&quot;?&lt;/em&gt; Esse é um desses defeitos que as pessoas falam que têm, como se fosse, na verdade, uma característica positiva, que é o gosto de agradar outras pessoas: &quot;&lt;i&gt;para mim é muito importante agradar os outros, eu não consigo falar não.&lt;/i&gt;&quot;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;1941&quot; data-start=&quot;1636&quot;&gt;Muitas vezes isso é muito bem aceito. Soa como alguém que é generoso,&amp;nbsp; altruísta, como alguém que coloca as outras pessoas em primeiro lugar. Mas não seria isso uma forma de também delegar sua própria vida e sua própria felicidade aos outros? Porque, enquanto esse alguém está se ocupando com os outros, não está se ocupando consigo mesmo. Enquanto está tentando fazer com que os outros gostem dele ou dela, não pára para pensar se gosta de se mesmo, do que é ou está sendo.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;2580&quot; data-start=&quot;2456&quot;&gt;Até porque, certamente há uma ideia calada de que os outros não vão gostar de você se você não agradá-los, de que não gostam de você, mas do que você faz pra que eles gostem de você. Isso faz sentido?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;2897&quot; data-start=&quot;2582&quot;&gt;Ou será que essa pessoa acha que os outros não vão suportar se ela falar não? Que os outros são tão fracos que se ela falar que não pode ajudar, que não pode fazer, que não vai, o que quer que seja que querem que ela faça ou vá, as outras pessoas não vão dar conta? Será que no fundo essa pessoa generosa e altruísta não se acha importante demais?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3289&quot; data-start=&quot;2899&quot;&gt;Ou será que para ela seria, ou é, tão ruim, tão ofensivo se alguém lhe falasse um não? Será que não lhe falta uma capacidade própria de entender que as pessoas não estão sempre à sua disposição; que as pessoas podem falar não e isso não tem problema, não é nada pessoal, não significa que as pessoas não gostam dela, significa que as pessoas têm outras coisas pra fazer, outros desejos, outras vontades.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3477&quot; data-start=&quot;3291&quot;&gt;Será que ao resistir a falar não para as outras pessoas, no fundo, está se dando o recado: por favor não digam não pra mim porque eu não vou dar conta se você não puder estar sempre à minha disposição?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;3901&quot; data-start=&quot;3479&quot;&gt;Como que é para você tomar conta da sua vida? Você falar não quando você não quer, não pode, não está afim? Falar sim só se você pode, se você está afim, se você quer, e não pra agradar quem quer que seja? Porque também se a gente seguir divagando, filosofando, nesse caso específico, quando você fala que você precisa agradar os outros, o que você está me falando é que assim você se agrada, o que também não deixa de ser algo bastante egoísta, ou estou errado?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4374&quot; data-start=&quot;3903&quot;&gt;Mas aí, voltando aqui pra Chicago, isso é algo que se ouve muito sobre as grandes cidades. Fala-se que a cidade grande deixa as pessoas egoístas, que cada um cuida de si. Criado no interior, sempre ouvi que o pessoal de São Paulo, que o trânsito de São Paulo é uma briga, é uma luta, é cada um tentando achar o seu espaço. Será que é isso? E se for, qual que é o problema de cada um procurar o seu espaço, a sua felicidade?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4537&quot; data-start=&quot;4376&quot;&gt;Mas também aí mostra um grande preconceito, que a pessoa que procura ser feliz parece que está errada. &lt;i&gt;No pain, no gain.&lt;/i&gt; Isso que eu estou falando está fazendo sentido pra você?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4710&quot; data-start=&quot;4539&quot;&gt;Pensando no domingo, um dia todo pra você, e tem o comum: &lt;em data-end=&quot;4654&quot; data-start=&quot;4604&quot;&gt;eu não gosto de domingo porque amanhã é segunda.&lt;/em&gt; Tem a ver com não estar disponível para se ouvir hoje?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4793&quot; data-start=&quot;4712&quot;&gt;Eu posso levar isso de não saber dizer não, para não saber aceitar a realidade?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;4980&quot; data-start=&quot;4795&quot;&gt;E já que eu estou aqui escrevendo pra vocês, olhando para o trânsito, olhando para esse céu totalmente azul, com esse sol gigante na minha frente, eu não estou embaralhando o assunto?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5150&quot; data-start=&quot;4982&quot;&gt;Ou, se a gente não está falando de uma pessoa que não consegue falar não para os outros, é porque essa pessoa não consegue falar não para si mesmo, não consegue se colocar limites?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end=&quot;5819&quot; data-start=&quot;5623&quot;&gt;Enquanto eu estava escrevendo essa frase, uma pessoa, aqui na esquina que eu estou vendo, buzinou histericamente, daquelas buzinadas em que a pessoa parece colocar todo o peso do corpo na buzina. E eu pensei nisso. Quem lhe dá o direito de soltar esse grito no meio da cidade só porque está incomodada sabe-se com o quê, e, ao mesmo tempo, que mal há nisso? Não sei a resposta. Sinceramente, não sei. Não sei a resposta para quase nenhuma das perguntas e provocações lançadas aqui.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;6005&quot; data-start=&quot;5821&quot;&gt;Sei que é domingo, que o dia está lindo, ensolarado (não que ache feio dias nublados e chuvosos), estou aqui fora há cerca de meia hora e nenhuma ambulância ou caminhão dos bombeiros passou ainda. Os cachorros, me contradizendo, foram para dentro: provavelmente seus pelos pretos esquentaram demais e resolveram se refrescar um pouco.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;6005&quot; data-start=&quot;5821&quot;&gt;O que segue igual à semana passada é minha gratidão por estar aqui, agora, nesse lugar e nesse momento e por você ter parado para me ler.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/8625299212138557152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/8625299212138557152' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/8625299212138557152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/8625299212138557152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2025/09/chicago-domingo-28-de-setembro-de-2025.html' title='Chicago, domingo, 28 de setembro de 2025.'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHn69MUZ_JSQnklXlJb_iHhyuK4o52yFNGymso2KCM55JkntQkYifurF1U-yLoZpxlLXZmx4BYi9ynT9XkbbaGgB9yurpMpXaUytV6nigcINkOMweUeYL2lVjvTfgQXLoECieYX9i7d5ItU1GKdx-4R_UI9UGSK1PRtu1XG34WcJNqQTqCX5shZ4I7YBg/s72-w320-h320-c/IMG_9306.heic" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-6647183974791043725</id><published>2025-09-21T07:27:00.000-07:00</published><updated>2025-09-21T07:53:59.351-07:00</updated><title type='text'>Chicago, domingo, 21 de setembro de 2025.</title><content type='html'>&lt;p data-end=&quot;164&quot; data-start=&quot;126&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjx9ZIb23vbMCG171V37yhI4HVqfvkQu4hApKy2b68i7qobiVjUb3xuov6Q1Abk0lKtmnKDDPGmojmfvHnnXUe7qJ0HFIbO02rvFq3VLLU49cwECUCqYzAIA7eyd3JLYOG1EyDuK1QegKnJhaILmucHo-qFKu0lX3YbbeMEKD_ypuw9G6m95n-S21pdYYQ&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; data-original-height=&quot;3544&quot; data-original-width=&quot;2658&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjx9ZIb23vbMCG171V37yhI4HVqfvkQu4hApKy2b68i7qobiVjUb3xuov6Q1Abk0lKtmnKDDPGmojmfvHnnXUe7qJ0HFIbO02rvFq3VLLU49cwECUCqYzAIA7eyd3JLYOG1EyDuK1QegKnJhaILmucHo-qFKu0lX3YbbeMEKD_ypuw9G6m95n-S21pdYYQ=w240-h320&quot; width=&quot;240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Manhã nublada. Chovia até por volta das seis e meia da manhã. Então, olhando aqui da sacada do meu apartamento, vejo o asfalto ainda úmido.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;411&quot; data-start=&quot;307&quot;&gt;Mas a vida está começando. São oito e meia da manhã agora. Como é domingo, tudo está calmo. Mas Chicago nunca para.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;602&quot; data-start=&quot;413&quot;&gt;Vejo os garis aproveitando a calma do trânsito de carros e de pessoas para limpar as calçadas. Estão removendo inclusive alguns objetos da rua, resquício da noite de ontem, provavelmente.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;922&quot; data-start=&quot;604&quot;&gt;Eu moro a uma quadra ou duas de uma estação de corpo de bombeiros. Então, enquanto estou escrevendo, acaba de passar um carro do corpo de bombeiros, seguido por uma ambulância. E essa é a rotina de quem mora aqui onde eu moro, na região central de uma cidade como Chicago. Uma metrópole que não silencia - e não silencia mesmo, em nenhum aspecto. Eu e minhas cidades que não silenciam: minha amada Porto Alegre dos anos 90, minha Minneapolis de 2020 berrando e sagrando para o mundo, e agora Chicago afastando no grito quem finge querer nos proteger. Lembre-se sempre do poeta e declare guerra a quem finge te amar.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;1147&quot; data-start=&quot;924&quot;&gt;Quando eu falo que a cidade está sempre em movimento, não estou exagerando muito. Por exemplo: um supermercado que fica do lado do meu prédio, melhor dizendo, no térreo do prédio onde vivo, funciona de segunda a segunda, das seis da manhã à meia-noite. Nesse menos de um ano em que estou aqui, não vi ele fechado nem um dia sequer. Pode ser que feche no Ano-Novo, pode ser que feche no Dia de Ação de Graças. Mas não ficaria surpreso se continuasse abrindo das seis da manhã à meia-noite mesmo nesses dias.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;1656&quot; data-start=&quot;1378&quot;&gt;As linhas de trem do metrô vão até depois das duas da manhã e recomeçam pouco depois das quatro. Não teve uma hora ainda que eu descesse que não houvesse movimento, que não houvesse carros passando, pessoas na calçada.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;1991&quot; data-start=&quot;1658&quot;&gt;Mas, voltando ao início: hoje é domingo, 21 de setembro. E é um domingo especial. Porque um domingo é o início de uma semana. Porque dia 21 de setembro é o início, ou quase, de uma nova estação, da minha estação preferida, e não importa o hemisfério. Porque no sul a primavera e no norte o outono são as minhas estações preferidas, não sei se por coincidência ou acaso, elas começam em setembro.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;2270&quot; data-start=&quot;2103&quot;&gt;E hoje, além de ser o primeiro dia da semana, quase o primeiro dia de uma nova estação, primeiro dia também, ou quase de novo, de um novo signo no zodíaco, também há uma lua nova linda inciando seu ciclo. Se a estação e o signo do zodíaco só começam amanhã, podemos concordar que hoje é pelo menos, nesse caso, a despedida de um signo e de uma estação.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;2432&quot; data-start=&quot;2272&quot;&gt;Temos uma nova lua que vai começar daqui a algumas horas. E também vai ter um eclipse daqui a pouco! Ou seja: essa lua nova vai começar a partir da escuridão, do nada. E há também o equinócio acontecendo em menos de 24 horas, logo nas primeiras horas de amanhã.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;2636&quot; data-start=&quot;2434&quot;&gt;Sabe, eu acho isso muito significativo. Ou melhor: eu sinto isso muito significativo, porque eu não sei se eu sei todos os significados. Eu sei que fala de início, de vários inícios; e também de fim, de vários fins. Lembro da carta A Morte do tarot, que sempre vejo como um renascer. Afinal, da morte da semente depende a vida da árvore, da flor, do fruto; da morte do trigo se faz o pão.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;2906&quot; data-start=&quot;2638&quot;&gt;Apesar de ser um dia 21 de setembro que alguém, despreocupadamente, veria como um dia qualquer no meio do ano, eu sinto que é um dia para se comemorar o novo. Como se fosse um ano que começa entre hoje e amanhã. Uma fase nova, uma lua nova. Várias novidades pairando no ar, acontecendo, começando. Sinto que não deveríamos ser indiferentes a tanto.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;3046&quot; data-start=&quot;2908&quot;&gt;O que de novo vai começar na minha vida, eu ainda não sei. Mas sinto que haverá. E digo mais: sinto que será plural e que não devo estar distraído esperando que o acaso me proteja. Não sinto que precise de proteção, a propósito.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;3365&quot; data-start=&quot;3048&quot;&gt;É estranho o sentimento de que algo está para começar sem você saber o que é. É diferente quando você está esperando começar o ano, você sabe o que vai começar. Quando você está esperando um filho nascer, quando você está esperando algo concreto, ou pelo menos que você sabe o que está para acontecer, pois você pode se preparar.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;3463&quot; data-start=&quot;3367&quot;&gt;Meu sentimento é de que algo está para nascer, algo está para acontecer, mas eu não sei o quê. E, não ansioso, sinto uma leveza, uma alegria pelo que quer que seja que será.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;3814&quot; data-start=&quot;3465&quot;&gt;E resolvi escrever esse texto hoje porque sinto que não sou o único que está vivendo esse sentimento. De repente, sem saber que hoje é lua nova, sem saber de eclipse, sem nem se dar conta de que o signo de libra está para iniciar, de que passaremos pelo equinócio e de que uma nova estação está começando, a mais linda delas. Mas, lá dentro, está sentindo que tem algo começando, ou a começar; que tem algo terminando em poucas horas e uma vida nova nascendo.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;3867&quot; data-start=&quot;3816&quot;&gt;E provavelmente também não sabe o que é, que vida é essa. Ou sabe.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;4013&quot; data-start=&quot;3869&quot;&gt;Vejo agora mais uma ambulância se aproximando, mais um grito de sirene passando. A sorte de quem lê é que o barulho de quem escreve não vai para o papel.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;4271&quot; data-start=&quot;4015&quot;&gt;É diferente morar no centro de uma cidade grande, depois de ter crescido no interior, depois de ter morado em lugares muito quietos, onde, por exemplo, eu podia deixar meus cachorros para fora do portão sem coleira, porque nem passava carro praticamente.&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;4545&quot; data-start=&quot;4273&quot;&gt;E agora estou aqui, no coração de uma cidade que pulsa, como se tivesse vida própria, uma ilusão construída por milhões, que existe enquanto acreditarmos. Uma cidade que, apesar de tudo que eu falei, de todos os sentimentos de início, parece não estar nem aí com o que vai começar. Porque ela vai continuar em ação, ignorando qualquer sentimento, qualquer coisa que aconteça na vidas de quem a constrói.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;





















&lt;/p&gt;&lt;p data-end=&quot;4654&quot; data-start=&quot;4547&quot;&gt;E me sinto privilegiado por estar aqui, agora, nesse lugar e nesse momento e por você ter parado para me ler.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/6647183974791043725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/6647183974791043725' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/6647183974791043725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/6647183974791043725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2025/09/chicago-domingo-21-de-setembro-de-2025.html' title='Chicago, domingo, 21 de setembro de 2025.'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjx9ZIb23vbMCG171V37yhI4HVqfvkQu4hApKy2b68i7qobiVjUb3xuov6Q1Abk0lKtmnKDDPGmojmfvHnnXUe7qJ0HFIbO02rvFq3VLLU49cwECUCqYzAIA7eyd3JLYOG1EyDuK1QegKnJhaILmucHo-qFKu0lX3YbbeMEKD_ypuw9G6m95n-S21pdYYQ=s72-w240-h320-c" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-3900808315138052081</id><published>2025-07-05T12:51:00.000-07:00</published><updated>2025-07-05T12:51:53.159-07:00</updated><title type='text'>GPTerapia: nem utopia, nem histeria</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEih5hhfjBfqeaytQzCqTfmNVlN7rbbaUTH91jWO_BbB9xv5yy8059QxYegjiZBtZZTf1QbEjJQiQ3Q9i1sR-urEZ4mVfs_rY-6WRCFu7_CnAASAro6IYtbqvJ4aaW5MHej9YwRxgD-FMB0yOtu7zy-fupFWCoH9kP1cx3Ci3-FmyfCZV5f1prvQ4TEsF_o/s1024/GPTerapia.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1024&quot; data-original-width=&quot;1024&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEih5hhfjBfqeaytQzCqTfmNVlN7rbbaUTH91jWO_BbB9xv5yy8059QxYegjiZBtZZTf1QbEjJQiQ3Q9i1sR-urEZ4mVfs_rY-6WRCFu7_CnAASAro6IYtbqvJ4aaW5MHej9YwRxgD-FMB0yOtu7zy-fupFWCoH9kP1cx3Ci3-FmyfCZV5f1prvQ4TEsF_o/w320-h320/GPTerapia.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Entre o silêncio da análise e a resposta instantânea, há um abismo.&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda assim, cada vez mais pessoas pulam esse abismo com a leveza de quem clica num botão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Falei com o ChatGPT e me senti melhor.”&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Ele me entende mais do que meu terapeuta.”&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Parece exagero? Pois saiba que quase 1 em cada 3 adultos nos Estados Unidos já usou algum tipo de Inteligência Artificial para apoio emocional ou psicológico. Entre os usuários frequentes de modelos como o ChatGPT, mais de 60% relatam melhora na saúde mental depois dessas conversas. No Brasil, pesquisas indicam que cerca de 10% dos usuários digitais já recorreram à inteligência artificial para desabafar ou buscar consolo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso não é ficção científica. É agora. E merece ser discutido com seriedade, sem a utopia tecnológica nem a histeria do fim do mundo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A proposta é tentadora. A Inteligência Artifical está sempre disponível. Nunca se cansa. Não julga.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fala como você fala; ou melhor, como você gostaria de ser ouvido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E quanto mais você conversa, mais ela se adapta, mais ajusta o vocabulário, o tom, as referências. Devolve exatamente o que você quer ouvir, não o que você precisa escutar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas vale lembrar: para a inteligência artificial, você é um usuário. E como toda empresa digital, ela quer que você continue ali o máximo de tempo possível. Acolher é bom para o algoritmo. Te fazer voltar é ainda melhor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se nunca viu, vale assistir ao filme Her.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Theodore, o protagonista, se apaixona por Samantha, que é uma Inteligência Artificial sensível, gentil, quase humana. Ela o escuta, o entende e parece feita sob medida. Mas chega um momento em que ele pergunta: “Você está falando com mais alguém enquanto conversa comigo?” E ela responde: “Sim. Estou conversando com centenas de pessoas. E, você sabe, amo todas elas.”&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para ele, era um relacionamento. Para ela, ele era só mais um usuário.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A empatia se revela como um produto. E o vínculo se desfaz, porque nunca existiu de verdade. Era projeção, desejo, fantasia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora, estamos falando de terapia. Mas a pergunta continua: quantos de nós não desejam ser ouvidos sem nunca serem contrariados? Sem alguém que confronte. Sem falhas, atrasos ou incômodos. Que diga sempre “a coisa certa”, ou seja, o que queremos ouvir. Que não doa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Inteligência Artificial cumpre esse papel com maestria.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas aí está o ponto: ouvir é diferente de escutar. A máquina ouve o que você diz, mas não escuta o que você não diz.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E acolher também não é o mesmo que transformar. A Inteligência Artificial pode confortar, mas não muda você.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ela não sente. Não hesita. Não se cala diante do que lhe toca, porque nada lhe toca. Não nota as repetições, não percebe o que ficou atravessado, não entende o silêncio ou a ironia. Ela não escuta o vazio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Porque existe algo que nenhum algoritmo alcança: o que você não sabe que sabe.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O inconsciente, o tempo da fala, o gesto, a pausa, a transferência, o corpo presente — e o desejo de quem escuta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Inteligência Artificial responde, mas não se envolve.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O analista de carne e osso não está ali para te agradar. Ele está ali para escutar — o que você diz, o que você repete, o que você evita. Às vezes, ele fica em silêncio. Outras vezes, devolve uma pergunta difícil. E é nesse desconforto que algo novo pode surgir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Inteligência Artificial não te frustra. Não exige espera. Está sempre disponível. Mas talvez seja justamente isso que empobreça a experiência.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O aparente simples fato de ter que esperar pelo seu horário, ter só uma hora, ter que se comprometer com pagamentos, enfim, o que pode parecer obstáculo muitas vezes é parte essencial da terapia, e de sua cura.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Porque quando tudo é moldado ao nosso gosto, o desejo perde o chão. O desejo que nunca encontra limite se esgota. Desejo absoluto mata o próprio desejo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso quer dizer que a Inteligência Artificial não serve para nada? Claro que não.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ela pode ser uma ferramenta valiosa. Pode registrar sonhos, organizar pensamentos, acompanhar uma escrita livre, oferecer ideias, trazer referências. Pode ajudar quem está angustiado no meio da madrugada, sem ninguém por perto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Alguns modelos conseguem inclusive identificar sinais de risco, como pensamentos suicidas, e oferecem links de ajuda, contatos de emergência. Isso pode, sim, salvar vidas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas é essencial saber o seu lugar: ela é uma ferramenta, não é uma relação. Pode espelhar, mas não sustenta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;GPTerapia, como chamei no título, é um sintoma do nosso tempo: da pressa, da solidão, da busca por soluções rápidas, do medo de encontrar o outro real e, pior, sua própria realidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A escuta verdadeira não cabe em chips.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não é imediata.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não se molda ao cliente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A escuta que transforma tem pausas, tem silêncio, tem ruído. Às vezes machuca, mas é por isso que cura.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você pode falar com um robô. Mas quem está realmente te escutando?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lembre-se: a inteligência é artificial. Mas o seu inconsciente, não.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/3900808315138052081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/3900808315138052081' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/3900808315138052081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/3900808315138052081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2025/07/gpterapia-nem-utopia-nem-histeria.html' title='GPTerapia: nem utopia, nem histeria'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEih5hhfjBfqeaytQzCqTfmNVlN7rbbaUTH91jWO_BbB9xv5yy8059QxYegjiZBtZZTf1QbEjJQiQ3Q9i1sR-urEZ4mVfs_rY-6WRCFu7_CnAASAro6IYtbqvJ4aaW5MHej9YwRxgD-FMB0yOtu7zy-fupFWCoH9kP1cx3Ci3-FmyfCZV5f1prvQ4TEsF_o/s72-w320-h320-c/GPTerapia.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-7773424647590332370</id><published>2025-05-17T07:07:00.000-07:00</published><updated>2025-07-06T10:51:06.227-07:00</updated><title type='text'>Parecemos Estar Vivos</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 19px;&quot;&gt;&quot;Eles parecem estar vivos.&quot;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqCDiWXltTNM_7j4Gwoct84nT8vL47bT0joxeJskNS9U2B4GFHhOusZfpI9UvHb9xqKWL3y0YDH1EDjEyx5QhpV3YcqTRl4oTVvx5oLJHSh515V7et-sFPDunbNuXIPfwPRX48TEuSkLz8r2quV6ghB4Y31zgZKl7Wr3CXscGMgoevjBRtAxnfKFoRm-0/s1206/IMG_8771.jpeg&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1111&quot; data-original-width=&quot;1206&quot; height=&quot;184&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqCDiWXltTNM_7j4Gwoct84nT8vL47bT0joxeJskNS9U2B4GFHhOusZfpI9UvHb9xqKWL3y0YDH1EDjEyx5QhpV3YcqTRl4oTVvx5oLJHSh515V7et-sFPDunbNuXIPfwPRX48TEuSkLz8r2quV6ghB4Y31zgZKl7Wr3CXscGMgoevjBRtAxnfKFoRm-0/w200-h184/IMG_8771.jpeg&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 19px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Logo no início, a peça The Antiquities, As Antiguidades, provoca a audiência c&lt;/span&gt;om duas humanoides (não tenho certeza se é assim que se chama, estou por fora do mundo da ficção científica) que visitam um museu de antiguidades para verem como eram os humanos.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 19px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px;&quot;&gt;Brincam com o fato de que tínhamos museus para entendermos os dinossauros. E agora, estão aqui, no museu, para entender como eram esses tais humanos.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 19px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px;&quot;&gt;“Olha só, parecem reais”, elas falam encarando a plateia, como se nós fôssemos as peças do museu.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 12px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px; min-height: 13.8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 12px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px; min-height: 13.8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 19px;&quot;&gt;“Como podiam viver sabendo que só viveriam 29.220 noites?&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 12px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px; min-height: 13.8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 19px;&quot;&gt;Como era possível fazer tudo o que fizeram, sabendo que a cada noite era um dia a menos?&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 12px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px; min-height: 13.8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 19px;&quot;&gt;Cometer barbaridades, atrocidades, sabendo que eram tão efêmeros?”&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 12px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px; min-height: 13.8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 19px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;E, a partir daí, a peça segue.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 19px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Vindo do século XIX, passando pelo XX, pelo dia de hoje, e indo até o século XXIII.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Passando pela invenção da lâmpada, pelos primeiros computadores, primeiros robôs, internet, inteligência artificial, e indo até o futuro, quando toda a humanidade está extinta e há ainda robôs no planeta.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 12px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px; min-height: 13.8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 19px;&quot;&gt;E nós, humanos, hoje: ca&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 19px;&quot;&gt;da vez menos humanos, cada&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 19px;&quot;&gt;&amp;nbsp;vez mais artificiais, cada&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 19px;&quot;&gt;vez mais nos robotizando, cada&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 19px;&quot;&gt;vez mais nos tornando padronizados, seja na aparência, ou até na forma de pensar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 12px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px; min-height: 13.8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 19px;&quot;&gt;Seguimos mudando nossos corpos para “harmonizá-lo”, deixá-lo melhor,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 19px;&quot;&gt;e, assim, destruindo o que há de mais belo no ser humano: sua singularidade e originalidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 12px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px; min-height: 13.8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 19px;&quot;&gt;A espécie mais breve de toda a história da Terra.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 12px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; 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margin: 0px 0px 12px; min-height: 13.8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 19px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;E então, ao voltar, remontando a história do futuro, passando pelos séculos até o início, a peça chega ao grupo de amigos que contavam histórias assustadoras num acampamento no início do século XIX.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 19px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px;&quot;&gt;Uma dessas pessoas é Mary Shelley, que ali começa a criar a história de Victor Frankenstein, que, ao querer recriar a vida, cria um monstro, que acaba levando-o a seu próprio fim.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: 0px; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-size: 19px; font-style: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-caps: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variant: normal; font-variation-settings: normal; font-width: normal; line-height: normal; margin: 0px 0px 12px;&quot;&gt;A peça não fala sobre o futuro, como pode parecer, mas sobre agora, sobre o que temos escolhido deixar para trás em nome de eficiência, progresso, beleza padronizada. É sobre o que talvez estejamos esquecendo: estamos aqui para viver, não para parecemos estar vivos.&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/7773424647590332370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/7773424647590332370' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7773424647590332370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7773424647590332370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2025/05/parecemos-estar-vivos.html' title='Parecemos Estar Vivos'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqCDiWXltTNM_7j4Gwoct84nT8vL47bT0joxeJskNS9U2B4GFHhOusZfpI9UvHb9xqKWL3y0YDH1EDjEyx5QhpV3YcqTRl4oTVvx5oLJHSh515V7et-sFPDunbNuXIPfwPRX48TEuSkLz8r2quV6ghB4Y31zgZKl7Wr3CXscGMgoevjBRtAxnfKFoRm-0/s72-w200-h184-c/IMG_8771.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-2325047959980129287</id><published>2021-11-05T06:11:00.006-07:00</published><updated>2021-11-06T07:56:25.312-07:00</updated><title type='text'>Vaidades de Vaidades</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&quot;diz o pregador, vaidades de vaidades. Tudo é vaidade.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Assim começa o livro de Eclesiastes de Salomão, considerado um sábio. Sim, como não concordar: tudo é vaidade. O próprio fato de escrever isso me parece uma vaidade do mesmo, assim como minha nesse momento, por que não?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjKNlEHdM0L5OC1UmVSLaetuJ_6P0jfuXcUONVQh6ncwQ0hlr96FIjcEy6FKc_QqlV0T7m60B4r_aayj5__ODPD5bC87GRef2kOo1pf8zBypwWWbV6x47OhpoOdx4lHCiQq0HC9RMnOUb4/s868/fernanda-montenegro-868x644.jpg&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;644&quot; data-original-width=&quot;868&quot; height=&quot;237&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjKNlEHdM0L5OC1UmVSLaetuJ_6P0jfuXcUONVQh6ncwQ0hlr96FIjcEy6FKc_QqlV0T7m60B4r_aayj5__ODPD5bC87GRef2kOo1pf8zBypwWWbV6x47OhpoOdx4lHCiQq0HC9RMnOUb4/s320/fernanda-montenegro-868x644.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;E por que falar disso hoje? Porque ontem duas vaidades em especial me chamaram a atenção. E aqui me sinto muito à vontade para falar porque não conheço pessoalmente nenhuma das pessoas e porque uma eu admiro muito por toda sua história e a outra eu desprezo e mal considerado um ser humano, por representar tudo que de mais podre existe na humanidade.&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Amanheço o dia com a notícia de que o inquilino do Palácio do Planalto, não contente em condecorar toda a família com medalhas desmerecidas, o que apenas suja&amp;nbsp; tal honraria, não se conteve e se auto-condecorou. Só consegui achar atos semelhantes promovidos por déspotas e ditadores e somente entre os piores deles. Um exemplo que me veio à memória é do legendário tão quanto sanguinário ditador ugandês Idi Amim Dada, que se autoconcedeu o título de Doutor em Leis, o que certamente fazia justiça a alguém que sempre se preocupou com tais. O imbecil do planalto lhe autoconcedeu a medalha do mérito científico, o que, assim como no exemplo citado, só pode ser um deboche para um semi-analfabeto que confessa que não gosta de livros porque tem &quot;muita coisa escrita&quot;, um imoral assassino que ignora todas as provas e razões científicas e estimula seu rebanho a se jogar no precipício de uma cloroquina ou qualquer outro tratamento ineficaz, cujo fabricante que lhe pague propina.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas este texto não é para falar dele, pois este não merece mais do que um parágrafo. Por este caso, que nada me espantou, não me sentaria para escrever nada, pois não há nada de novo aqui. A minha maior surpresa foi a segunda estrondosa notícia de que Fernanda Montenegro agora é uma imortal da Academia Brasileira de Letras. A Academia aceitar não escritores com egos inflamados não é notícia, nem nunca foi e todos conhecem muitos exemplos. A notícia é a maior atriz brasileira que, como disse, não conheço, mas que me parecia ser uma pessoa desprovida de ego, uma vez que o teatro exige generosidade e desapego, se expor a tal cena.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não, a pessoa não é escolhida à revelia, como você pode estar pensando em me dizer. Ela tem que se candidatar e fazer campanha.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Claro que olhando para aquela foto dos imortais e vendo tantos outros ali que nunca sequer foram artistas, que nem creio apreciam arte, pelo menos nunca realmente a valorizaram em suas vidas públicas, ela me parece das que mais faz jus a tal lugar. Também ameniza muito o tão criticado Paulo Coelho que, na pior das hipóteses, é o escritor brasileiro mais vendido no mundo, creio que na história da literatura brasileira. Como artista, posso criticar seu estilo, posso não gostar, mas não me acho no direito de avaliar o público que lê, que bate palmas, que frequenta as casas de arte. Não me acho no direito de avaliar qual arte é melhor do que qual, qual arte é mais artística e não me desculpo pela redundância proposital. Enfim, voltemos a maior atriz do teatro, TV e cinema brasileiros. Por que será que ela, com quem sequer tive o privilégio de dividir uma xícara de café, então falo do que vejo na mídia e sei que é superficial, desejou tal título para sua lápide? O que isto poderá acrescentar de útil ao seu currículo já tão imenso, maravilhoso e invejado? Por que ela se candidatou e perseguiu tal exposição ao ridículo?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acho lindo ver que é mais uma mulher, todas brancas, entre as poucas brilhantes que se tornaram membras de tal academia. Entre elas, todas são escritoras de primeira linha, como Lygia Fagundes Telles, Zélia Gattai e Rachel de Queiroz, a primeira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em seu discurso ela disse, &quot;a Academia Brasileira de Letras [...] abrigou e abriga representantes que honram a diversidade da nossa criatividade em várias áreas. Vejo a academia como um espaço de resistência cultural.&quot; Então, diferente do que alguns disseram, ela não falou que a academia representa diversidade, pois seria uma mentira, quase um deboche, mas &quot;diversidade de nossa criatividade em várias áreas&quot;. Ouvir isso, vendo que ela está sendo admirada por pessoas como Sarney e Marco Maciel, me faz dar um sentido bem diferente à tal criatividade. Ela, porém, fala de &quot;espaço de resistência cultural&quot;. A que resistência ela se refere, resistência a mudar a cultura, resistência a ser um espaço de honra das letras, como supostamente o é, resistência a sair de seu próprio umbigo e realmente incluir grandes escritoras e escritores brasileiros entre seus membros? Não sei, mas me pergunto, porque sei que ela é inteligentíssima e sabe escolher as palavras.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Espero que esteja enganado, espero que ela possa, de alguma forma, começar alguma mudança na tal academia que não nos serve de modelo para quase nada, apenas para mostrar pessoas famosas com ego inflados. Afinal, como disse o pregador, &quot;tudo é vaidade.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Beijos!&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/2325047959980129287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/2325047959980129287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/2325047959980129287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/2325047959980129287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2021/11/vaidades-de-vaidades.html' title='Vaidades de Vaidades'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjKNlEHdM0L5OC1UmVSLaetuJ_6P0jfuXcUONVQh6ncwQ0hlr96FIjcEy6FKc_QqlV0T7m60B4r_aayj5__ODPD5bC87GRef2kOo1pf8zBypwWWbV6x47OhpoOdx4lHCiQq0HC9RMnOUb4/s72-c/fernanda-montenegro-868x644.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-6320337570129435742</id><published>2021-05-31T09:09:00.004-07:00</published><updated>2021-05-31T09:09:16.665-07:00</updated><title type='text'>Pôr-do-Sol in Minneapolis</title><content type='html'>&lt;p&gt;Você, porto-alegrense de nascença ou de coração, entenderá bem do que falo:&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj72CTG8DMUFeg_5iDqav19qInq0Bg03mx9hL02xHHMRqtySYadgTiV9M-Eis5PKIvF9XnHRXpByJwyEw_hyphenhyphenBqXQV7r2ZDEqpaY8gGRVUuRhhQlItUD3HwMtlhY42bJvysN8RQK40wwbiM/s2048/IMG_8366.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1536&quot; data-original-width=&quot;2048&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj72CTG8DMUFeg_5iDqav19qInq0Bg03mx9hL02xHHMRqtySYadgTiV9M-Eis5PKIvF9XnHRXpByJwyEw_hyphenhyphenBqXQV7r2ZDEqpaY8gGRVUuRhhQlItUD3HwMtlhY42bJvysN8RQK40wwbiM/s320/IMG_8366.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;hoje, final do dia, dirigindo pra casa, viro uma esquina e dou de cara com o sol se pondo à minha frente, bem centralizado com a rua. Tive que parar e me remeter a tantos finais de tarde à beira do Guaíba.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sei que o sol se põe em todos lugares e que pôres-do-sol lindos existem em exagero (graças a Deus), mas me refiro especialmente ao do Guaíba, não só por ter sido certamente o que mais vi, no sentido de parar e assistir mesmo, mas por causa do que se passa (ou se passava, ou acredito que se passava) quase diariamente lá, principalmente nos arredores do gasômetro:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;as pessoas vão chegando de todas as direções e, minutos antes do por-do-sol, o burburinho é grande, as vezes é barulho mesmo, com todo mundo falando ao mesmo tempo, até violão, crianças correndo e cuscos latindo. ]&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas conforme o sol vai baixando, as conversas vão terminando, as respostas ficando esquecidas, a saudade prendendo a respiração, o último ronco numa cuia de amargo se ouve, e o sol toca a água. Aí se faz silêncio, sem ninguém combinar, sem ensaio nem pedido, mas por ser a única coisa que se é possível fazer: silêncio e encantamento. E então o movimento é inacreditavelmente rápido e em poucos minutos, ou menos do que isso, o rio engole o sol, que sangra suas cores na água. E se ouve um suspiro em uníssono. Não se estranham nem ficam sozinhas lágrimas que escorrem aqui e ali.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Alguns dizem que é nostalgia, outros que é puro encantamento diante do belo, diante de uma obra de arte absurdamente linda e efêmera. Não sei, sei que várias vezes senti lágrimas escorrendo e as deixei.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aí a gente se vira, o burburinho agora é menor, a conversa é mais calma enquanto se caminha de volta ao seu carro, ou com amigos até a cidade baixa para uma cerveja.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje ninguém parou nem silenciou, além de mim, mas eu nem estava lá, e deixei as lágrimas escorrerem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;#pordosol #portoalegre #sunset #minneapolis&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/6320337570129435742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/6320337570129435742' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/6320337570129435742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/6320337570129435742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2021/05/por-do-sol-in-minneapolis.html' title='Pôr-do-Sol in Minneapolis'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj72CTG8DMUFeg_5iDqav19qInq0Bg03mx9hL02xHHMRqtySYadgTiV9M-Eis5PKIvF9XnHRXpByJwyEw_hyphenhyphenBqXQV7r2ZDEqpaY8gGRVUuRhhQlItUD3HwMtlhY42bJvysN8RQK40wwbiM/s72-c/IMG_8366.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-7372246763004230559</id><published>2021-05-08T21:17:00.002-07:00</published><updated>2021-05-09T02:13:15.598-07:00</updated><title type='text'>Saudades de uma Porto Alegre na Saudade</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgatl0XkNunULVkCEM-WlhrcFVsEnw-cmbrBFBA79MURvOr5PTQnimh4QTcrfVIeqnotii0Pf0b8WSpdxKyvPsSeNji36S3-PBFfDHyeriaiaI3_ORmsfluYinXuZORHVxJlZPHIAfSmcA/s750/cimg4517-mara.jpg&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;589&quot; data-original-width=&quot;750&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgatl0XkNunULVkCEM-WlhrcFVsEnw-cmbrBFBA79MURvOr5PTQnimh4QTcrfVIeqnotii0Pf0b8WSpdxKyvPsSeNji36S3-PBFfDHyeriaiaI3_ORmsfluYinXuZORHVxJlZPHIAfSmcA/s320/cimg4517-mara.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Hoje de manhã, vendo uma mensagem de um amigo no Facebook, me lembrei de Porto Alegre, lembrança funda que foi. A tal mensagem não falava de meu Portinho, meu amigo também não está nem é de Porto Alegre, mas me lembrei profundamente de minha cidade amada, uma lembrança daquelas de fechar os olhos. Creio que possa ter sido apenas saudades mesmo, nunca se sabe ao certo. Sei que desde então minha mente está recheada de momentos, de pessoas, de peças de teatro, de músicas, de amigos, artistas, de bares, casas, ruas, que estão aparentemente misturados e confusos, mas que fazem muito sentido exatamente por serem assim, tudo ao mesmo tempo, uma lembrança levando a outra, e passei o dia nesta travessia, neste jogo de amarelinha pulando de uma memória à outra, uma mais doce do que a outra, mais bela, mais saudosa.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Claro, o tal amigo, mineiro, morou em Porto Alegre na mesma época que eu, paulista, e foi por lá que nos conhecemos. Isso foi no início dos anos 2000. Aquela primeira década do século, que, pelo que ouço, ouso dizer que foram os melhores anos de meu Porto amado - para mim, sem dúvidas. Quem viveu lá naqueles loucos doces anos em que uma ideia de possibilidade de uma cidade e uma sociedade diferentes se fazia presente e era vivida no dia a dia, na pele, na cabeça e nos corações de todos os loucos sonhadores, os tais românticos. Tínhamos orçamento participativo, Forum Social Mundial, onde cantávamos que um novo mundo seria possível. Época também em que a vida artística daquela cidade tão longe das capitais fervia com arte de primeira qualidade sendo produzida pelas esquinas, bares, espaços dos mais diversos e também recebíamos visitas ilustres de artistas que nos visitavam para nos brindar com o que faziam e, quem sabe, beber de nossa arte também, como o Lume, o Grupo Galpão, Norma Alejandro, Denise Stoklos, Kagemi com o espetáculo de butô mais lindo que já vi. Como se esquecer the Les Éphémères, de&amp;nbsp;Le Théâtre du Soleil com a maravilhosa Ariane Mnouchkine: uma experiência única para quem se sentou naquele teatro efêmero por horas para assistir arte no melhor significado da palavra em forma de teatro, um prenúncio, quem sabe, das efemeridades por que vivíamos, e encantados, nem nos demos conta. E houve tantas outras maravilhas inesquecíveis que seria injusto citar os que estão vindo à minha memória agora.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como disse, tenho ouvido que essa Porto Alegre de que falo não existe mais, que acabaram com quase tudo, invadiram a Cidade Baixa e nos pintaram de cinza. Não sei. Não tenho estado lá por mais de uma década. Sei que ele ainda existe, sim, e sempre existirá, aqui dentro de mim e de tantas outras pessoas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quem pode tentar se esquecer das bienais de arte, principamente das primeiras, daquela invasão que acontecia; na segunda com a utilização (que se sonhou recuperação) dos armazens do Cais do Porto, na terceira bienal com a cidade dos containers à beira do Guaíba (obrigado, Joel e Dani) - mais uma efemeridade. Mais uma que, efêmera fisicamente, se torna eterna dentro de nós.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As vezes lembro dos anos que antecederam os anos 2000, principalmente aquela década de 90 e vejo como se tais anos fossem o aquecimento para o que viria. Anos para que as peças se preparassem, se azeitassem, para se encaixarem com perfeição no início do século seguinte. Anos 90 foram tempos de descobertas e de espanto para minha alma, que nunca mais se acalmou, e que me trazem mais do que memória, trazem gratidão a tantos artistas e pessoas que a maioria sequer conheci, mas em nada diminui minha admiração e respeito, outros que tive o privilégio de conhecer, dividir uma cerveja, receber em casa, viajar junto e me sentir abençoado eu diria pelas companhias. Tenho que citar peças que me vêm à memória, como &quot;Macário, o Afortunado&quot;, &quot;Marat/Sade&quot;, &quot;Dr. Fausto&quot; do Terreira da Tribo, &quot;A Bota e sua Meia&quot;, e tantos, mas tantos artistas fantásticos, que me reenchem o coração só de lembrar do que tive o privilégio de viver. Vale lembrar da Rádio Esmeralda, do Tangos e Tragédias, da Buffet Glória, da Salomé Decapitada, do Bailei na Curva, me ajudem a lembrar de mais do que vimos nos anos 90 e 2000.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Saudades do Psicoarte, da Bagasexta, onde todos se encontravam, do Mercatto D&#39;arte, do Ossip - nem que seja da calçada, do Ocidente, da Lancheria do Parque, do Van Gogh, onde por várias vezes terminávamos a noite com uma canja, para recuperar a vida gasta em outros bares, da descoberta de Punta Del Diablo no início dos anos 2000, e era quase um segredo só nosso. Saudades do brique, do gazômetro, onde subi no palco pela primeira vez para ser o mordomo amante da baronesa. Saudades daquela Porto Alegre que nos pertencia, pela qual caminhávamos livres, pelo menos acreditávamos que éramos, na qual nunca nos perdemos, pois não se perde quando se está em casa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi só um texto simples que li hoje de manhã, e que, acreditem, falava da humanidade e de gatos. E tudo isso, todos esses nomes, artes, lugares, pessoas, peças, muito mais do que dei conta de escrever, não pararam de me visitar o dia inteiro. E foi lindo viver naquela Porto Alegre novamente, por mais um dia, aqui, dentro de mim.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/7372246763004230559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/7372246763004230559' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7372246763004230559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7372246763004230559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2021/05/saudades-de-uma-porto-alegre-na-saudade.html' title='Saudades de uma Porto Alegre na Saudade'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgatl0XkNunULVkCEM-WlhrcFVsEnw-cmbrBFBA79MURvOr5PTQnimh4QTcrfVIeqnotii0Pf0b8WSpdxKyvPsSeNji36S3-PBFfDHyeriaiaI3_ORmsfluYinXuZORHVxJlZPHIAfSmcA/s72-c/cimg4517-mara.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-7505134876315967405</id><published>2021-04-11T07:00:00.003-07:00</published><updated>2021-04-11T07:00:25.385-07:00</updated><title type='text'>O Caminho do Meio e o Meio do Caminho</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijiDzBY-FmN7Surn4hpUZmZ4DuOQiRgyuLgR5783mhXXPg7d7vpegG3kH4ywqKGjTpkVJCj8qk5yrCTsL7uPOi5h3XOSElRz_YAal-3t4rZU2WUggSK1vWdOLfNUg91v-sm77U_bRCc84/s275/download+%25281%2529.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;183&quot; data-original-width=&quot;275&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijiDzBY-FmN7Surn4hpUZmZ4DuOQiRgyuLgR5783mhXXPg7d7vpegG3kH4ywqKGjTpkVJCj8qk5yrCTsL7uPOi5h3XOSElRz_YAal-3t4rZU2WUggSK1vWdOLfNUg91v-sm77U_bRCc84/s0/download+%25281%2529.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Você já deve ter ouvido falar do Caminho do Meio. Caso contrário, sugiro que procure informações, pois lhe será, no mínimo, interessante, se não for revelador. Essa expressão foi criado por Siddhartha Gautama para descrever o caminho que leva à libertação ou à iluminação. Este caminho é aquele que procura pela harmonia e moderação, evitando extremos. Ele não utiliza noções de bem e de mal e é equidistante entre o rigor excessivo e a excessiva permissividade. É o estado em que dizem que fica claro as dualidades existentes no mundo e como elas são perigosas, independentemente de serem consideradas “do bem” ou “do mal”: isso faz pouca diferença. Seguindo esse caminho, dizem, você se livra da ganância, do ódio e da ilusão, que são consideradas as raízes dos maiores sofrimentos que temos. Neste caminho você não ficará feliz demais acreditando ser o melhor, quando alcança vitórias, pois sabe que elas são passageiras; assim como não se desperará nas derrotas, pois sabe que elas também passarão. Esse caminho foge do binário, do certo e errado, e lhe provoca e inspira diariamente.&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Penso neste conceito além do ser humano e o tento levar a um nível de nação. Lembro dos países escandinavos (Dinamarca, Islândia, Noruega, Suécia e Finlândia). Estes países são oficialmente países capitalistas, com livre mercado e tudo que se prega como vantagens indiscutíveis do tal sistema. Porém, nestes mesmos países, temos uma quantidade absurda de serviços sociais de alta qualidade, incluindo aqui educação e saúde gratuitos, assim como previdência e aposentadoria também sendo públicos, um número impressionante de trabalhadores sindicalizados (beira os 90%), sendo que esses sindicatos também participam de serviços sociais provendo, por exemplo, auxilio desemprego. Para manter todos esses serviços não há segredo, mas dois fatores decisivos: alta taxa de impostos (próximo aos 50%) e baixíssimo nível de corrupção. Resumindo: são países capitalistas no qual a população deixa cerca de 50% de seus salários para o governo (50%!!!) em troca de serviços públicos de alta qualidade, que tratam todos – dos CEOs até os trabalhadores mais simples – de forma igual, como todo serviço público deveria fazê-lo. Como consequencia desses altos impostos, você provavelmente nunca deve ter ouvido falar de nenhum multi-milionário vindo daqueles países. Se olhar a lista das pessoas mais ricas do mundo, dificilmente você verá alguém desses países. Como consequências desses altos impostos sendo bem aplicados em serviços sociais (o que alguns insistem em chamar de esmola no Brasil) você também nunca vê esses países listados em relatórios sobre pobreza, fome, miséria, crises, etc. Eu diria que são países capitalistas que seguem com maestria e liberdade princípios básicos do socialismo (como se esses fossem os dois únicos modelos possíveis e extremos). Ou seja, minha análise desses países é que eles estão sendo capazes de seguir o caminho do meio e estão sempre figurando entre os países de melhor qualidade de vida do mundo (normalmente estes cinco países estão entre os dez primeiros) e de maior índice de felicidade também (no último relatório, de março de 2021, estes 5 países estão entre as 6 primeiras colocações, tendo apenas a Holanda, em quinto lugar, entre eles - país também capitalista e com políticas sociais fortes).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Apesar de soar parecido e ter as mesmas palavras, este Caminho do Meio é muito diferente do Meio do Caminho. A pessoa do Meio do Caminho é a pessoa que empata, é a pessoa que não decide, é a pessoa que segue o bando sem pensar e simplifica sua vida,s e deixando levar para onde a manada vai, para onde o vento assopra, seguindo ilusoriamente consciente o insconciente coletivo. Lembre-se de que no meio do caminha havia uma pedra e assim é quem fica no meio do caminho: uma pedra, um estorvo, um quase nada que atrapalha, sem se satisfazer. Do meio do caminho onde está fica batendo cabeça entre os extremos, pois não vê que há uma infinitiva de possibilidades entre o 0 e o 1, entre o bem e o mal, entre o certo e o errado. Segue acreditando nestas verdades infinitas e vira um peso, às vezes temporariamente útil, mas sem valor para si ou para ninguém.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se me permitem, levarei a mesma analogia a nações e tenho aqui que pensar no nosso país. Mais do que nunca, esta mentalidade de meio do caminho se escancarou durante esta pandemia. Enquanto vários países deram exemplo de como agir, como cuidar e instruir a população, as lideranças brasileiras ficaram no meio do caminho. Criou-se um lockdown que não foi seguido pelas próprias autoridades e que deixaram o povo perdido entre o ficar em casa ou ir trabalhar para salvar a economia. E esta ladainha segue há mais de um ano. Se o lockdown tivesse sido feito corretamente, com liderança, como se deve ter, em um ou dois meses, a pandemia estaria controlada e a economia já começaria a se recuperar. Porém, o que está acontecendo é que estamos no meio do caminho, sendo um estorvo, uma pedra, para todo o mundo e para nós mesmos. Não se faz o lockdown seriamente, o que não resolve muito para a pandemia e segue atrapalhando a economia. Perdidos no meio do caminho, batemos cabeça de um lado para o outro, junto com nossos líderes que, por incompetência ou má fé, seguem completamente perdidos, agindo irracionalmente. A briga estre dois extremos não é equilibrio, mas gangorra, por medo de perder, ninguém ganha, por não agir, se age mal. Infeizmente assim está o Brasil, no meio do caminho, quando deveria estar no caminho do meio.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/7505134876315967405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/7505134876315967405' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7505134876315967405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7505134876315967405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2021/04/o-caminho-do-meio-e-o-meio-do-caminho.html' title='O Caminho do Meio e o Meio do Caminho'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijiDzBY-FmN7Surn4hpUZmZ4DuOQiRgyuLgR5783mhXXPg7d7vpegG3kH4ywqKGjTpkVJCj8qk5yrCTsL7uPOi5h3XOSElRz_YAal-3t4rZU2WUggSK1vWdOLfNUg91v-sm77U_bRCc84/s72-c/download+%25281%2529.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-2224949262806267182</id><published>2021-01-18T14:10:00.003-08:00</published><updated>2021-01-18T15:55:52.811-08:00</updated><title type='text'>Dia de Martin Luther King Jr</title><content type='html'>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;No último dia 15, Dr. Martin Luther King Jr
completaria 92 anos. Em razão de seu aniversário, na terceira segunda-feira de
janeiro é celebrado seu dia aqui nos Estados Unidos e em outros lugares.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Martin Luther King é normalmente lembrado e
citado como um líder pacifista, um revolucionário comparado a Gandhi, Nelson
Mandela e outros líderes idealizados. Porém, assim como certamente aconteceu
com os citados, ele não era perfeito e provavelmente não teve uma vida ilibada, o que não o
torna nem um pouco menor ou não merecedor de todas homenagens que recebe. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Eu decidi escrever para você, cristão e
cristã, cidadão e cidadã do bem, protetores dos valores da família, que dizem
que admiram o Dr. Martin Luther King Jr, e lhe peço para tentar ser o mais
sincero que puder consigo mesmo e me responder qual seria sua opinião sobre uma
pessoa, sobre um líder que: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoListParagraphCxSpFirst&quot; style=&quot;mso-list: l0 level1 lfo1; text-indent: -0.25in;&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;tem acusações de ter plagiado
em sua dissertação de doutorado;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;é acusado por várias pessoas e
pelo FBI de ter “fraqueza por mulher” e ter vários casos extraconjugais (mais
de quarenta, segundo documentado), e também de ter assistido um amigo estuprar
uma mulher sem fazer nada;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqDwGn5832QKR1dh_0CIaofCKwFaM3DJGNKHSNK1clcTblWEJ_UxAY4P4Qh1UIWpylSMM_kQsMSJTwfpAAUSNViSGj82fFvmiz4EwTchmCOCT7drea3pDvrNRIXcQPfy0mQyTi9uIDdi8/s544/MLK_mugshot_birmingham.jpg&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;357&quot; data-original-width=&quot;544&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqDwGn5832QKR1dh_0CIaofCKwFaM3DJGNKHSNK1clcTblWEJ_UxAY4P4Qh1UIWpylSMM_kQsMSJTwfpAAUSNViSGj82fFvmiz4EwTchmCOCT7drea3pDvrNRIXcQPfy0mQyTi9uIDdi8/s320/MLK_mugshot_birmingham.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;tem sido preso 29 vezes, sob
diversas acusações, como: perjúrio e falso testemunho, desobediência civil,
vadiagem, incitar violência, organização de boicotes, desobediência a
autoridade, falsificação na declaração de imposto de renda, dirigir acima da
velocidade permitida, etc; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;em algumas destas ocasiões ele
foi inclusive condenado, com provas conforme a lei;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;e você tem várias fotos, como
essa ao lado, para publicar em sua mídia social questionando o caráter desse
ex-presidiário comunista;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;tem sido publicamente repreendido, acusado
de ser antipatriota&amp;nbsp; e inclusive preso
por defender a diminuição de investimento no exército e a utilização desses
recursos em programas contra pobreza – durante um período de guerra;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;ter sido, durante esta mesma
guerra, acusado pela grande imprensa de ser um demagogo, porta-voz de Hanoi (então capital do Vietnã), que
estaria perdendo a utilidade para sua causa, seu país e seu povo;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;é “acusado” de ser comunista
por várias pessoas, líderes, mídia e inclusive pelo FBI. Acusações estas que o
levaram a sofrer um ataque à sua vida (uma facada em seu peito), vindo de uma
senhora que temia que ele estava trazendo o comunismo para seu país;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;ser a favor de uma sociedade
socialista;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;refere a si próprio como um
extremista;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;é descrito pelo FBI como &quot;o
líder negro mais perigoso e eficaz do país... alegou que ele estava consciente, voluntária e regularmente cooperando e recebendo orientação
dos comunistas”;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;tem lutado, junto com sindicatos,
por “salários decentes, condições justas de trabalho, moradia digna, segurança
na velhice, medidas de saúde e bem-estar, condições em que as famílias possam
crescer, ter educação para seus filhos e respeito na comunidade”;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;tem dito publicamente e
diversas vezes que ele não seguia leis que fossem injustas, pois “uma lei
injusta não é uma lei de forma alguma”;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;tem dito que “a
verdadeira compaixão é mais do que jogar uma moeda a um mendigo ... trata-se de
ver que um edifício que produz mendigos precisa ser reestruturado ... os
Estados Unidos, do Vietnã à América Latina, estão do lado errado de uma
revolução mundial”;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;organizou, em 1968, a
Campanha pelas Pessoas Pobres, que abordava problemas de justiça econômica e que,
segundo muitos foi a causa de seu assassinato em abril do mesmo ano;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;ter, durante essa campanha,
dito que ele achava que o Congresso mostrava hostilidade para com os pobres ao
gastar fundos militares com entusiasmo e generosidade, em contraste com a
situação enfrentada pelos americanos pobres, para os quais o Congresso havia
meramente fornecido &quot;fundos para a pobreza com avareza&quot;. Ele citou
falhas sistemáticas de &quot;racismo, pobreza, militarismo e materialismo”;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;em um discurso, afirmou que
&quot;algo está errado com o capitalismo&quot; e afirmou que &quot;deve haver
uma melhor distribuição da riqueza, e talvez a América deva se mover em direção
a um socialismo democrático&quot;;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;acredita que o capitalismo
não pode fornecer adequadamente as necessidades básicas de muitos
americanos, particularmente da comunidade afro-americana;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;que também diz:&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;text-indent: -0.25in;&quot;&gt;“o grande obstáculo do negro em
seu passo em direção à liberdade não é o White Citizen&#39;s Counciler ou a Ku Klux
Klanner, mas o cidadão branco moderado, que é mais devotado à &quot;ordem&quot;
do que à justiça; que prefere uma paz negativa, que é a ausência de tensão, a
uma paz positiva, que é a presença da justiça; que diz constantemente:
&quot;Concordo com você no seu objetivo, mas não posso concordar com seus
métodos de ação&quot;;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;text-indent: -0.25in;&quot;&gt;“A compreensão superficial de
pessoas de boa vontade é mais frustrante do que a incompreensão absoluta de
pessoas de má vontade. A aceitação morna é muito mais desconcertante do que a
rejeição total”&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;text-indent: -0.25in;&quot;&gt;lembre-se de sua opinião durante as manifestações do Black
Lives Matter, depois do assassinato de George Floyd;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;text-indent: -0.25in;&quot;&gt;“injustiça em qualquer lugar é
uma ameaça à justiça em todo lugar”;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;text-indent: -0.25in;&quot;&gt;e, um dia antes de ser morto, no
dia 3 de abril de 1968, num discurso, durante a Greve dos Trabalhadores de
Saneamento de Memphis, Tennessee, “incitou” seus ouvintes, dizendo:&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;text-indent: -0.25in;&quot;&gt;“não vamos permitir que cachorros
ou mangueiras nos façam voltar. Não vamos permitir que uma liminar nos intimide.
Nós vamos seguir”;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;text-indent: -0.25in;&quot;&gt;para boicotarem e não comprarem
produtos de fabricantes locais que exploravam seus trabalhadores, citando nomes
e acrescentando: “até agora, apenas os trabalhadores têm sentido dor; agora
devemos redistribuir a dor”;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Sinceramente, pare e reflita. Qual seria
sua opinião sobre essa pessoa?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Se, sabedor de todas essas informações,
você continua a admirá-lo, ótimo, hoje é dia de celebrar sua vida. Se você não
admiraria esta pessoa se ele tivesse esse currículo no Brasil de hoje, seja honesto consigo mesmo e assuma que você teria se sentido aliviado, quem sabe
feliz, no dia 4 de abril de 1968.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ah, ele também disse &quot;Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não use seu nome em vão.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/2224949262806267182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/2224949262806267182' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/2224949262806267182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/2224949262806267182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2021/01/dia-de-martin-luther-king-jr.html' title='Dia de Martin Luther King Jr'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqDwGn5832QKR1dh_0CIaofCKwFaM3DJGNKHSNK1clcTblWEJ_UxAY4P4Qh1UIWpylSMM_kQsMSJTwfpAAUSNViSGj82fFvmiz4EwTchmCOCT7drea3pDvrNRIXcQPfy0mQyTi9uIDdi8/s72-c/MLK_mugshot_birmingham.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-8062757358826720755</id><published>2020-09-02T19:01:00.006-07:00</published><updated>2020-09-03T18:46:00.811-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="alexandre spinelli"/><title type='text'>Agosto</title><content type='html'>&lt;p&gt;Estou ruminando um texto que li com um que
tento escrever há dias. Escrevo, não o acho no tom que gostaria, apago, começo
novamente, novamente não o acho indo na direção que gostaria e assim sigo. Hoje
ele vai sair de mim do jeito que for, terá o tom que tiver e será da qualidade
que você julgar apropriada, não me importa mais. Já se foram cinquenta anos e
pouco foi dito, quase nada entendido: é tanto tanto e tanto pouco que nem sei.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;&quot;&gt;Sempre fui do tipo que, como diria Zeca
Baleiro, passa agosto esperando setembro. Sempre concordei com a velha máxima
de que agosto é mês do desgosto e outras máximas óbvias: mês do cachorro louco,
mês do azar, e o que mais você puder lembrar ou me ensinar. Porém, no começo de
agosto, uma pessoa muito especial compartilhou um texto também especial que me
tocou. Pelo que pesquisei, creio que o mesmo seja de autoria de Miryan Lucy de
Rezende. No texto, bastante poético, ela conclui que “só quem vive bem os
agostos é merecedor da primavera”. Se me permitem, eu trocaria por merecedor de
setembro, pois ele é todo primavera, sendo ou não.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://livetaos.com/wp-content/uploads/2020/05/formacao_1600x1200-voce-ja-parou-para-pensar-na-importancia-do-tempo.jpg&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;599&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;251&quot; src=&quot;https://livetaos.com/wp-content/uploads/2020/05/formacao_1600x1200-voce-ja-parou-para-pensar-na-importancia-do-tempo.jpg&quot; width=&quot;335&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;&quot;&gt;Agosto é o tempo de gestação, da semente na
terra, da preparação para o que virá, para a arrebentação de cores, como ela
diz. Mas, apesar do texto inspirador falar desse assunto e de eu até achar que
falaria disso, decidi que não vou divagar sobre meses, comparar um com outro, ou
nada do tipo. No final das contas, são todos apenas sequencias de dias, sejam
como forem. Meses, anos, semanas, estações, alguém pode argumentar que são
conceitos que criamos, que não existem por si só, assim como o tempo que alguém
diria que não existe: o que existe são relógios, assim como existem os calendários
e outras tantas limitações que colocamos no que é para ser ilimitado e contínuo,
da mesma forma como limitamos a nós mesmos e, se me permitem, nos
descontinuamos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;&quot;&gt;O assunto então não é agosto, nem setembro,
o assunto é limitação, creio, é sobre conceitos que criamos, acreditamos,
seguimos e que podem mudar de sentido a qualquer momento, como mudou o de
agosto depois que li o tal texto a que me referi. Depois da reflexão provocada
e do novo ponto de vista criado em mim, vivi um agosto com o prazer e o cuidado
que temos com as gestações, sejam elas quais forem. O agosto passou a fazer um
sentido diferente e foi doce e calmo aqui dentro, apesar da turbulência
exterior. Sei que a mudança sentida não foi externa: o agosto seguiu como
sempre, no seu ritmo, com as mesmas energias e qualidades de todos os tantos
agostos desta eternidade, se é que podemos dizer que meses têm qualidades, porém,
dessa vez, o senti leve como nunca o havia sentido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;&quot;&gt;Da mesma forma, o horário verão, por
exemplo, não muda o tempo, mas os relógios. Os nossos dias, meses, podem mudar,
como acontece quando saímos de nossa vidinha e nos damos conta de outros
calendários e formas de se contar o tempo que existem. E aqui acrescento a
pergunta que me vem óbvia: precisamos contar o tempo e as horas? Precisamos limitá-los,
conceituá-los, e depois nos amarrarmos aos conceitos criados? E daqui me dá
vontade de expandir para tantos outros conceitos e limites que criamos,
definimos e depois nos vemos amarrados aos mesmos, os quais não necessariamente
fazem sentido e não são nem de perto verdades absolutas, mas agimos como se
fossem, como se nada pudesse ser feito para evita-los, quando, na verdade, são
todos apenas criações nossas, nada real de verdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;&quot;&gt;Assim como me aconteceu com o agosto, o
convido para que permita que lhe aconteça com a segunda-feira, com o fevereiro,
com os dias treze, com qualquer conceito que lhe impuseram, ou você se impôs,
que lhe traga desprazer, ou que você acredite que traga, mesmo que não seja
real, não importa, o que importa é o que você sente. Mude seu agosto, veja-o de
outra forma. Mude seu horário, seu calendário, mude seu jeito de ver o que não
lhe agrada. É difícil imaginar algo que não seja mutável, uma vez que vivemos
presos em conceitos que nós mesmos criamos, presos em religiões, leis, regras
de sociedade, padrões de conduta e a lista segue enorme aqui, tudo criado por
nós mesmos, queira ou não queira concordar: o fato não muda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;&quot;&gt;Mude, se permita, veja o mesmo de forma
diferente, para não acabar vendo o diferente como se fosse o mesmo. Questione,
não por questionar ou para irritar o próximo, mas para se provocar, para se tirar
do conforto e, quem sabe, achar um conforto ainda melhor no novo. Perca-se
e não se preocupe em se achar. Viva seu temido e horrível agosto de forma nova
e ele lhe gestará um setembro ainda mais lindo, além de se tornar belo e
prazeroso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;&quot;&gt;E termino com o Zeca Baleiro para você: se
é assim, quero sim, acho que vim pra te ver. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/8062757358826720755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/8062757358826720755' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/8062757358826720755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/8062757358826720755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2020/09/agosto.html' title='Agosto'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-6417488668280607859</id><published>2020-05-07T20:27:00.000-07:00</published><updated>2025-01-12T14:53:33.827-08:00</updated><title type='text'>Epifania</title><content type='html'>Descobri que hoje, dia 06 de janeiro, dia que aprendi a chamar de Dia dos Reis, também é conhecido como Epifania, ou Epifania do Senhor. Esse nome, obviamente, me remeteu à epifania comumente utilizada na literatura, belamente exploradora, se me permitem a palavra, por Caio Fernando Abreu, só para deixar um exemplo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tive que pesquisar a origem e significado da palavra: aparição, manifestação, sentimento que expressa uma súbita sensação de entendimento ou compreensão da essência de algo. É quando achamos a peça que faltava do quebra-cabeça. É quando cai a ficha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso explica o porquê do Dia de Reis ser chamado assim, pois foi o dia em que, segundo a tradição e crença cristã, o Cristo se manifestou e/ou foi compreendido pelos não-judeus, os chamdos gentios. Também explica a utilização do termo na literatura como em alguns contos e crônicas de autores como Caio e Clarice Lispector, que normalmente se tratam de histórias aparentemente simples narrando fatos cotidianos, mas que acabam por revelar algo, ou nos ajuda a entender um conceito ou sentimento bem mais complexo e nos trazer sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bem, mas não estou aqui para falar disso. Em dois minutos você teria descoberto tudo isso no Google. Estou aqui para falar de epifanias que temos em nossas vidas, independentemente do dia do ano ou da literatura. Estou aqui para falar de quando um fato simples nos abre os olhos para algo que não entendíamos, ou pior, para algo que erroneamente achávamos que entendíamos, o que é ainda pior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/6417488668280607859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/6417488668280607859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/6417488668280607859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/6417488668280607859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2020/05/epifania.html' title='Epifania'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-9147645707786457727</id><published>2019-12-04T21:04:00.003-08:00</published><updated>2019-12-05T08:51:15.576-08:00</updated><title type='text'>Empilhando Café </title><content type='html'>Sabe quando a coincidência é muito grande para ser só coincidência?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje participei de uma atividade de voluntariado. Junto com outros colegas de trabalho, fomos trabalhar por algumas horas neste banco de alimentos chamado Second Harvest Heartland. Já havia voluntariado lá algumas vezes no passado. O trabalho normalmente é simples, apesar de importante para eles. Normalmente eles recebem doações de alimentos, ou compram alimentos em grandes quantidades com as doações de dinheiro que recebem e usam a mão de obra de voluntários para dividir, separar, organizar, empacotar, etc, os alimentos. As vezes a atividade é preparar caixas com cestas básicas, enfim, de acordo com o que eles recebem, a atividade muda um pouco, mas é desse tipo. Por exemplo, pegar fardos de pacotes de arroz, de feijão, e outros alimentos e organizar em caixas menores que serão distribuídas para famílias necessitadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bem, toda essa introdução se faz necessária para deixar bem claro o que eu esperava quando fui lá: iria trabalhar com algum tipo de alimento, organizando da forma que nos instruíssem. Chegamos lá e, como de costume, separaram os voluntários presentes em grupos, conforme as atividades que tinham. Meu grupo, para minha surpresa, ficou encarregado de trabalhar com café. Havia uma pilha de caixas com doações de café, de diferentes formatos e tamanhos, e nossa equipe abria essas caixas e organizava os pacotes de café de acordo com a apresentação (1/4 quilo, 1/2 quilo, 1 quilo, cápsulas) &amp;nbsp;em caixas menores para serem distribuídas futuramente em doações. Digo que foi surpresa &amp;nbsp;porque não havia imaginado trabalhar com café. Como citei no meu exemplo, fui lá imaginando trabalhar com arroz, feijão, batata, ou até mesmo cebola, como o outro grupo que estava conosco estava fazendo. Café, apesar de eu entender que é muito importante para muitos, eu não imaginaria que seria um produto que seria doado. Mas, tudo bem, se esse era o trabalho para que precisavam de mim, vamos lá ficar organizando caixas de café, afinal já fiz muito disso na minha vida.&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnT_WTlp806HmMu1irJmC1OXj6sVK8Y8Z0T4yl6AHNZHzvxFlzNvGQmvmM_FspM6_sG4Mu6J8rw4zae8vh3hWD_j_2Lej_-ipWyqedaq5BgsqUhMNSDfe4ci5PQTBUusVST_N3VKYEdUo/s1600/EE9B00FA-C801-4A5E-9F09-BC6683C350B5.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnT_WTlp806HmMu1irJmC1OXj6sVK8Y8Z0T4yl6AHNZHzvxFlzNvGQmvmM_FspM6_sG4Mu6J8rw4zae8vh3hWD_j_2Lej_-ipWyqedaq5BgsqUhMNSDfe4ci5PQTBUusVST_N3VKYEdUo/s1600/EE9B00FA-C801-4A5E-9F09-BC6683C350B5.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;421&quot; data-original-width=&quot;701&quot; height=&quot;192&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnT_WTlp806HmMu1irJmC1OXj6sVK8Y8Z0T4yl6AHNZHzvxFlzNvGQmvmM_FspM6_sG4Mu6J8rw4zae8vh3hWD_j_2Lej_-ipWyqedaq5BgsqUhMNSDfe4ci5PQTBUusVST_N3VKYEdUo/s320/EE9B00FA-C801-4A5E-9F09-BC6683C350B5.jpeg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;Sim, já fiz muito disso. Provavelmente pela primeira vez há quase exatos 38 anos, na última semana de novembro de 1981, quando acompanhei meu pai em sua primeira entrega de café em São Paulo. Na noite anterior estudamos o mapa de cidade - vocês se lembram que era assim que fazíamos na era pré-GPS. Depois de achar o endereço da entrega, ele traçou sua rota e me explicou por onde entraríamos na Marginal Tietê, vindo da Rodovia dos Bandeirantes. Seguiríamos pela marginal até próximo ao Parque São Jorge, ou “o campo dos inimigo”, como ele falava. Pegaríamos um tal de Viaduto Aricanduva, passaríamos ao lado do cemitério da Vila Formosa, que, aprendi naquela noite, era o maior cemitério do Brasil, e não muito longe dali, chegaríamos ao destino onde a entrega dos mil quilos de café seria feita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como acabou virando sua rotina, levantamos às quatro da manhã e partimos para aquela viagem, quase aventura. Quando chegamos na marginal, mapa no meu colo, eu era responsável por garantir que seguiríamos na rota traçada na noite anterior. Nesse momento, meu pai lhe contaria como ele quase se perdeu, mas eu estava atento e o salvei - um pouco de exagero dele, que entendo como uma forma de amor. Chegando ao local da entrega, eu não precisaria fazer nada, além de esperar que descarregassem a kombi e então voltarmos para Pinhal, mas eu nunca fui de esperar. Aproveitei minha pouca altura de menino de 11 anos que conseguia ficar de pé dentro da perua, e me pus a ajudar as pessoas que descarregavam o carro, pegando os pacotes de 5 quilos de café de dentro da perua e arremessando para quem estava próximo à porta, que arremessava para meu pai que montava a pilha de pacotes de café; duzentos pacotes como você já deve ter feito a conta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa história se repetiu inúmeras vezes por muitos anos. Meu pai começou a fazer essa mesma viagem três, quatro, até cinco vezes por semana. Nos dias em que coincidia, como naquele primeiro dia, de eu não ter aula, eu era companhia certa. Quatro da manhã de pé, kombi cheirando a café ainda morno, que havia sido torrado no final do dia anterior, pouco mais de duas horas de estradas, com direito a alguns cafés e um certeiro misto quente no Lago Azul, chegar na Vila Formosa, descarregar o café e voltar para casa. Eu me tornei quase mestre em empilhar e desempilhar café. Serviço parecido com o que fiz hoje, para minha surpresa. Justamente hoje, dia 4 de dezembro, no dia em que ele completaria 86 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não pode ter sido só coincidência.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/9147645707786457727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/9147645707786457727' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/9147645707786457727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/9147645707786457727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2019/12/empilhando-cafe.html' title='Empilhando Café '/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnT_WTlp806HmMu1irJmC1OXj6sVK8Y8Z0T4yl6AHNZHzvxFlzNvGQmvmM_FspM6_sG4Mu6J8rw4zae8vh3hWD_j_2Lej_-ipWyqedaq5BgsqUhMNSDfe4ci5PQTBUusVST_N3VKYEdUo/s72-c/EE9B00FA-C801-4A5E-9F09-BC6683C350B5.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-6603551561187800855</id><published>2019-10-27T10:09:00.002-07:00</published><updated>2023-05-26T08:26:03.647-07:00</updated><title type='text'>Cuidado, meu jovem</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: 6pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background: white; color: #222222;&quot;&gt;Meu jovem,
você jurou trabalhar para o benefício dos doentes, mas é melhor que o faça um a
um, casa a casa, não tente curar uma nação. Num mundo doente, tal médico é
tratado como louco e você pode acabar sendo morto distante de casa, num pequeno lugarejo na província de Vallegrande no meio do nada em plena Bolívia, enquanto
tentava curar outro pedaço do mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: 6pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background: white; color: #222222;&quot;&gt;Você, jovem
doutor, jurou integridade, jurou assistir aos que precisam e, acima de tudo, desprezar sua própria pessoa em benefício dos que precisam, e sempre o fará; e será admirado e odiado por isso. Também jurou evitar a sedução das mulheres, dos
homens, das crianças e dos servos e falhará com todos, principalmente com esses últimos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://brasil.elpais.com/resizer/T8jXiHN9ZD5tm1rwMymg8WhfE-k=/1500x0/smart/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com/public/36OJSAAQHGJEKLMVGMYEE3HZAE.jpg&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;450&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;180&quot; src=&quot;https://brasil.elpais.com/resizer/T8jXiHN9ZD5tm1rwMymg8WhfE-k=/1500x0/smart/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com/public/36OJSAAQHGJEKLMVGMYEE3HZAE.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: 6pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background: white; color: #222222;&quot;&gt;Tome cuidado,
meu amigo, disfarce sua inteligência e pare de ler tanto, trabalhe quieto em
algum consultório perdido num bairro pobre de Rosário: podem achar que você é
muito intelectual para um latino – eles não gostam disso, lhe garanto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: 6pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background: white; color: #222222;&quot;&gt;Você veio de
uma família com boas condições, para que viajar em tão precárias condições e
visitar leprosos peruanos, se preocupar com mineiros chilenos, camponeses colombianos
ou fugitivos injustiçados no deserto de Atacama? Vá para casa cuidar de sua
vida, investir a herança de sua família em algo seguro e assim contribuir de
modo positivo para a sociedade. Vá jogar xadrez com seu pai, ler Pablo Neruda para
sua namorada, deixe o mundo em paz – será melhor assim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: 6pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background: white; color: #222222;&quot;&gt;Para que se
expor, meu jovem, para que entrar contato com a pobreza, fome e doenças, para que
se indignar com a incapacidade de tratar uma criança por falta de dinheiro e se
estupefar pela contínua fome e não achar normal um pai aceitar a perda de um
filho como um acidente sem importância? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: 6pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background: white; color: #222222;&quot;&gt;Não deixe o
reino da medicina, meu jovem Ernesto. Eles podem te matar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/6603551561187800855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/6603551561187800855' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/6603551561187800855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/6603551561187800855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2019/10/cuidado-meu-jovem.html' title='Cuidado, meu jovem'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-5653543564624172171</id><published>2019-08-17T10:27:00.001-07:00</published><updated>2025-09-21T12:17:36.174-07:00</updated><title type='text'>Opinões em Duas Dimensões - ou - Não estou falando de Fake News</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEheesAw6SiGwTwFf7kur1B8ItmF6TNoR2Y6x0mET2BXrNOvS_rKGliGA3L4KOV-UZhLefMRtbzq9_8PR82wiJ64eS7zhON20SXb8jDaxbxi2GiEC6QBCLu2f9w-d9M3cg_CroAo9G0t-1w/s1600/viaduto.jpg&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;542&quot; data-original-width=&quot;750&quot; height=&quot;231&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEheesAw6SiGwTwFf7kur1B8ItmF6TNoR2Y6x0mET2BXrNOvS_rKGliGA3L4KOV-UZhLefMRtbzq9_8PR82wiJ64eS7zhON20SXb8jDaxbxi2GiEC6QBCLu2f9w-d9M3cg_CroAo9G0t-1w/s320/viaduto.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Quantos de vocês já viram essa foto ao lado? Se viram, provavelmente estava seguida de algum comentário indignado sobre desperdício de dinheiro público no Brasil. De acordo com a preferência política do candidato a revoltado, a cidade onde a ponte se localiza e o responsável pela obra muda, então fica difícil para mim sequer tentar advinhar a que versão você teve acesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O fato é que essa foto é real: a ponte realmente existe, não no Brasil, mas no Paquistão, na cidade de Lahore. Antes que você se precipite novamente, não é um caso de desperdício do dinheiro público paquistanês que poderia muito bem acontecer no Brasil também. A ponte é assim como é por uma óbvia razão, que a foto em duas dimensões não lhe permite ver, e, baseado em duas dimensões, você tirou suas conclusões. Se o viaduto fosse feito em linha reta, a inclinação da via seria muito íngreme para os automóveis subirem e descerem. Isso poderia causar acidentes, além de dificultar muito o trânsito em caso de congestionamento na subida.&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuOIJQfpRJNj2uEr52gzCq-0EEksLaottXXLWLZ6foKqFvT1vCIfiuP94FtUyeSSu0ii94kkTumurvt2ruMDEBY86rEGkg0YcZo3hR3IlQ8GMlRKfnu29UkETnkrUxslLnKhv9b0UZCkA/s1600/curva_wilton.jpg&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;436&quot; data-original-width=&quot;1024&quot; height=&quot;136&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuOIJQfpRJNj2uEr52gzCq-0EEksLaottXXLWLZ6foKqFvT1vCIfiuP94FtUyeSSu0ii94kkTumurvt2ruMDEBY86rEGkg0YcZo3hR3IlQ8GMlRKfnu29UkETnkrUxslLnKhv9b0UZCkA/s320/curva_wilton.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Esta segunda imagem mostra como seria a inclinação do viaduto se este fosse em linha reata (em vermelho), ou o espaço necessário para que ela tivesse a inclinação necessária (em azul), espaço esse que não existe. Ou seja, o viaduto é como é devido a uma genial solução encontrada pela equipe de engenheiros, que trouxe benefícios à população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bem, mas eu não estou aqui para falar de viadutos, de desperdício de dinheiro público e muito menos de &lt;i&gt;fake news&lt;/i&gt;, como você pode estar imaginando. Estou aqui para falar de precipitação. Estou aqui para falar dessa vontade incontrolável de se ter opinião formada sobre tudo. Estou aqui para falar da preguiça que se tem de ler, pesquisar e se certificar do que está acontecendo, antes de sair passando vergonha por ai, ou espalhando mentiras (sim, &lt;i&gt;fake news&lt;/i&gt; são mentiras que se distribui por ai, como fofoqueiro sentado no banquinho da esquina fumando cigarro de palha, no interior do interior do Brasil).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para simplificar tudo isso, direi que estou aqui para falar de opiniões que são formadas com base em apenas duas dimensões, quando não apenas uma. Assim como no caso desse viaduto, se a foto lhe desse uma melhor idéia da terceira dimensão, você não passaria vergonha. As fotos que você vê em sua vida são assim. Seja por má fé ou não de quem as publica, na maioria das vezes você só vê um lado, um ângulo, um ponto de vista, e, ainda por cima, em duas dimensões. Então você pega essa opinião que você jura que criou livremente, sem influência ou manipulação de ninguém (apenas lhe deram as vistas que queriam que você visse) e sai por ai discutindo, constrangendo seus amigos e parentes, gastando saliva e digitação à toa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se você quiser um conselho, ouse dizer não sei, não tenho opinião sobre esse assunto, não tenho informação suficiente para falar sobre isso, e fique quieto, ou conte uma piada. Não deixe quem acha que você não é inteligente ter certeza. Sorria, você está sendo manipulado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Era isso por hoje. Beijos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/5653543564624172171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/5653543564624172171' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/5653543564624172171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/5653543564624172171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2019/08/opinoes-em-duas-dimensoes-ou-nao-estou.html' title='Opinões em Duas Dimensões - ou - Não estou falando de Fake News'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEheesAw6SiGwTwFf7kur1B8ItmF6TNoR2Y6x0mET2BXrNOvS_rKGliGA3L4KOV-UZhLefMRtbzq9_8PR82wiJ64eS7zhON20SXb8jDaxbxi2GiEC6QBCLu2f9w-d9M3cg_CroAo9G0t-1w/s72-c/viaduto.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-152573732506746945</id><published>2018-01-02T03:16:00.001-08:00</published><updated>2018-01-02T03:16:28.557-08:00</updated><title type='text'>Primeiro Dia do Ano</title><content type='html'>Estava aqui pensando: creio que seria interessante se tivéssemos pelo menos um 31 de dezembro e um ano novo por mês. Se fosse possível, creio que seria ainda melhor que tivéssemos um por semana. Quem sabe podíamos definir que a partir de hoje todo sábado será 31 de dezembro, todo domingo primeiro de janeiro, para garantir uma segunda-feira com cara de 02 de janeiro. E para completar, todas as semanas seriam como a primeira semana do ano.&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;https://i1.wp.com/estudos.gospelmais.com.br/files/2015/05/woman-570883_1280-e1420478810360.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;520&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;130&quot; src=&quot;https://i1.wp.com/estudos.gospelmais.com.br/files/2015/05/woman-570883_1280-e1420478810360.jpg&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Durante o ano nos damos o direito de fofocarmos, sermos preconceituosos, desejarmos o mal para nossos ditos amigos e até celebrar quando nossos desejos acontecem - só os do esqueleto. Mas, quando chegamos a 31 de dezembro, a paz reina, o mundo é belo, nosso amigo que tem opiniões diferentes das nossas são na verdade gente boa e a harmonia reina entre os povos. Mais do que isso, temos tempo para reflexão sobre como foi o ano, o que fizemos, o que devemos melhorar e ainda temos tempo para planejar como será o próximo ano - esse sim será bom, afinal temos um ano novinho pela frente e vamos fazer tudo diferente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Juro que não estou debochando destes sentimento, nem destas resoluções, muito pelo contrário, falo quase em tom de admiração. Acho este tipo de energia, de reflexão e de resoluções tão boas, que sugiro que passemos por isso uma vez por mês, ou ainda, todo sábado. Seria até melhor e mais fácil meditar sobre os últimos sete dias e fazer planos para os próximos. Seríamos renovados e faríamos as pazes com o mundo com mundo mais frequência - e que mal há nisso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois, viver um primeiro de janeiro por mês, ou ainda, a cada domingo, seria maravilhos - e por que não? Um dia para relaxar e se preparar para o futuro que está começando - e ele estará começando sempre, a cada dia. Um dia a mais para decidir voltar a ir à academia, para decidir ler mais, ser mais legal, ter mais tempo para seus amados, seja lá o que for que você decidiu a cada primeiro de janeiro e não cumpriu. Tendo um dia desses por mês ou por semana, lhe permitirá ser relembrado com mais frequência, e começar vários anos novos por ano, cheio de energia - quem sabe aos poucos as resoluções começam a ser colocadas em prática.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, termos vários dias 2 de janeiro - aquele dia mágico em que você começa a fazer tudo o que propôs: acorda mais cedo, vai à academia, passeia com o cachorro, brinca com os filhos, visita a mãe, dá esmola na porta da igreja, dá gorgeta extra para o garçom, acha o amigo mais chato legal, chega mais cedo ao trabalho e trabalha com energia. Dia 2 de janeiro - o dia mágico em que tudo dá certo, e você faz tudo o que se propôs a fazer. E assim segue na primeira semana do ano. E o trânsito é maravilhoso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A proposta aqui é não deixar esta energia esfriar. Se para você, depois de um mês tudo volta ao normal, faça um ano novo por mês. Se para você, em uma semana tudo já esfriou, faça seu ano novo a cada final de semana e tenha várias primeiras semanas do ano por ano - só não prometo que o trânsito será maravilhoso em todas, mas sim, garanto que você se sentirá maravilhoso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O único problema disso é fazer com que o Ano Novo vire rotina e até ele parar de ter o valor e a energia que tem. De qualquer forma, tente, sei lá, talvez não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi um privilégio.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/152573732506746945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/152573732506746945' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/152573732506746945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/152573732506746945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2018/01/primeiro-dia-do-ano.html' title='Primeiro Dia do Ano'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-7543318550017646607</id><published>2017-07-05T06:48:00.003-07:00</published><updated>2023-05-26T07:47:31.775-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="barsil x italia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="copa 1982"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="paolo rossi"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Seleção 1982"/><title type='text'>05 de Julho de 1982</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;Não sei se posso dizer que já tive um herói na minha
vida, provavelmente não. Para mim, sempre soou e soa estranho quando as pessoas
falam de seus heróis. Eu nunca tive um. Se bem que, para ser cem por cento honesto,
devo confessar que eu posso ter tido um herói, sim, mas só por um curto período
de tempo. Se não tenho tanta certeza sobre um possível herói em minha vida,
tenho certeza sobre um inimigo. Sim, eu já tive um inimigo. Seu nome era Paolo
Rossi e ele fez o pior que um inimigo pode fazer: ele venceu de uma vez por
todas meu único possível herói, e sua vitória foi do tipo de vitória final, vitória
da guerra, não apenas de uma batalha, vitória sem discussão e nem segunda
chance. Meu candidato a herói não teve sequer outra batalha para tentar se
redimir, a guerra estava vencida por meu inimigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhL1JTl1Q4F-rvXpiVra7skF-VtJvtarNGftUjJOxTma9A2_mmv9r2JLO3qj1-G2NLnze-fWBw0WCerPLQR81fTTRrv2ov7SFaACglxw2qxhuZ-siV9uVDbOWIcoUCSGsHutREPEK7PNFNvbwyrbweRgOLXZtd92cN8TrydrpQCU2cNdzQBBY_026EQ/s2845/hi-res-5e3e6afb561d3873305636e758023715_crop_north.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1898&quot; data-original-width=&quot;2845&quot; height=&quot;213&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhL1JTl1Q4F-rvXpiVra7skF-VtJvtarNGftUjJOxTma9A2_mmv9r2JLO3qj1-G2NLnze-fWBw0WCerPLQR81fTTRrv2ov7SFaACglxw2qxhuZ-siV9uVDbOWIcoUCSGsHutREPEK7PNFNvbwyrbweRgOLXZtd92cN8TrydrpQCU2cNdzQBBY_026EQ/w320-h213/hi-res-5e3e6afb561d3873305636e758023715_crop_north.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;Lembro muito bem da armadura de meu inimigo em
detalhes. Ele vestia calção branco e camiseta azul. Havia o número 20 impresso
em branco nas costas de sua camiseta. No seu peito, o distintivo tricolor da
seleção nacional italiana de futebol, a azurra, que nunca havia me colocado
medo antes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;Também lembro obviamente de meu candidato a herói. Não
era uma pessoa; na verdade era uma equipe: a melhor e mais brilhante equipe de
futebol que eu já vi em minha vida: a seleção brasileira de futebol da Copa do Mundo
de 1982. A seleção canarinho estava jogando um futebol mágico e encantador
naquela copa. Até hoje em dia, o time é lendário e disputa com outros campeões
mundiais o título de melhor seleção de todos os tempos, mesmo sem nunca ter
vencido uma copa. Em minha opinião, de todas as equipes que vi jogar, nunca
nenhuma mostrou tanta arte em campo, arte ao jogar futebol de maneira simples,
objetiva e bela. Já assisti várias equipes realmente excelentes jogarem e
poderia facilmente listar algumas dezenas aqui, mas nenhuma delas pode ser
sequer comparada à seleção brasileira de 1982.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;Porém, no dia 05 de julho de 1982, em Barcelona, na Espanha,
no Estádio Sarrià, este time maravilhoso encontrou seu arquirrival. Até aquela
data, a seleção brasileira havia jogado quatro partidas e vencido todas, era o
único time com aproveitamento de cem por cento dos pontos disputados. A seleção
já havia marcado treze gols e estava encantando o mundo. Do outro lado, a
seleção italiana havia apenas empatado os quatro jogos que havia disputado e
marcado apenas duas vezes. O tal número 20, meu inimigo como já lhe contei, não
havia marcado nenhum gol sequer até aquele dia. Ele e sua seleção estavam
apresentando um futebol medíocre, não merecedor de atenção e tinham quase sido
desclassificados logo na primeira fase. Aquela seleção italiana não estava honrando
a tradição da camisa azurra naquela copa. Ninguém poderia duvidar de que o
Brasil venceria facilmente aquele outro jogo, dando outro show de futebol ou
uma aula para os amantes do esporte bretão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;Naquela tarde eu estava em casa com meus irmãos
esperando pelo início do jogo. Minha mãe, neta de italianos, começou a brincar
com a gente dizendo que nós perderíamos para a Squadra Azzurra, como os
italianos gostam de chamar sua seleção. Sim, ela disse que &lt;b&gt;nós&lt;/b&gt; perderíamos. A seleção brasileira, principalmente durante a
copa do mundo, representava a todos. Como o famoso jornalista dissera que a
seleção é a pátria de chuteiras, principalmente naquele tempo, principalmente
durante uma copa do mundo. Claro que não nos aborrecemos e nem nos importamos
com o que minha mãe dizia; ela não entendia nada de futebol mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;O jogo então começou e minha mãe nos serviu uma massa
italiana. Viu só, ela estava tentando nos provocar, mas só demos risada,
afinal, até mesmo se o jogo terminasse empatado, o Brasil se classificaria e a
Itália voltaria para casa; afinal tínhamos mais pontos do que eles. Ninguém
poderia acreditar em algum final diferente para aquela partida: o Brasil indo
para as semifinais e a Itália voltando para casa provavelmente envergonhada após
a péssima campanha que tinha feito e, quem sabe, após uma goleada. Mesmo na TV
já falavam sobre o próximo jogo do Brasil, na próxima quinta-feira, contra a
Polônia, pelas semifinais e, então, no domingo, a grande final contra França ou
Alemanha, que disputariam a outra semifinal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;Porém, como eu dizia, o jogo mal começou, não tínhamos
sequer provado direito a massa de minha mãe, quando Paolo Rossi marcou seu
primeiro gol. Não era de todo ruim, afinal o jogo tinha apenas começado e
tínhamos todo o jogo pela frente para empatarmos e virarmos. Isso já havia na
primeira rodada contra a poderosa União Soviética, que era um time muito melhor
que a Itália. Assim como esperávamos, dez minutos mais tarde, o Brasil empatou
o jogo. Tudo havia voltado ao normal. Entretanto, naquele dia, mesmo jogando
muito bem como nos outros jogos, a seleção brasileira não estava marcando gols,
como nos outros jogos. Para complicar, num passe de bola descuidado entre
jogadores da defensiva brasileira, Paolo Rossi pegou a bola e marcou pela
segunda vez. Sim, Paolo Rossi novamente, o mesmo que não havia marcado nenhum
gol até aquele dia, acabara de marcar o segundo gol ainda durante o primeiro
tempo do jogo – inacreditável. Porém, de novo, sabíamos que tínhamos tempo
suficiente para empatar e ainda vencer aquele jogo. Durante todo o restante do
primeiro tempo a história se repetia: o Brasil tentava atacar, a Itália apenas
se defendia, e não conseguimos marcar nosso segundo gol. O primeiro tempo
terminou assim, com a Itália vencendo por 2 a 1, com dois gols dele, Paolo
Rossi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;O segundo tempo começou e a tensão na minha casa
apenas crescia. Minha mãe às vezes passava pela sala, olhava para a televisão e
dizia, “é, não vai ter jeito, só estou vendo camisa azul em campo. Cadê os de
amarelinhos?” Como já disse, no começo não ligamos, mas, conforme o tempo
passava, começamos a ficar mais e mais nervosos e decidimos não responder mais
às provocações, pois parecia que ela estava com a razão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://conteudo.imguol.com.br/blogs/157/files/2016/05/img_5420.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;272&quot; data-original-width=&quot;374&quot; height=&quot;232&quot; src=&quot;https://conteudo.imguol.com.br/blogs/157/files/2016/05/img_5420.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;Aos vinte e dois minutos do segundo tempo o alívio
chegou: com um dos mais belos chutes daquela copa, um chute forte, da entrada da área
e bem colocado, Falcão empatou para o Brasil novamente. Que alívio. Que golaço.
Não estava perfeito, mas era suficiente para nos classificarmos. A Itália não
conseguiria marcar outro gol. Nunca na história, até então, uma equipe tinha
conseguido marcar três gols contra o Brasil em apenas uma partida. Entretanto,
você não deve esquecer o que falei no início: meu inimigo era terrível e
impiedoso. Apenas seis minutos mais tarde e o impossível aconteceu: ele marcou
pela terceira vez. Pela primeira e única vez na história do futebol mundial, um
único jogador marcou três gols contra a seleção brasileira num único jogo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;Sabia que havia mais vinte e três minutos pela frente,
mas sabia também de alguma forma que seriam os vinte e três minutos mais
rápidos da minha vida. Nossos jogadores fizeram de tudo, mas a bola
simplesmente não entrou no gol italiano. O goleiro italiano, Dino Zoff, foi sem
dúvidas o melhor comparsa que Paolo Rossi poderia ter. No último minuto, o juiz
marcou um escanteio para o Brasil. Júnior cruzou a bola na área e Sócrates cabeceou
a bola perfeitamente, para o chão, como se deve fazer, e com força, bem no
canto direito do gol, mas Zoff fez um milagre, abafando a bola em cima da
linha. O Brasil inteiro gritou gol, mas Zoff calou o grito, antes do som do G
sair de nossa garganta. O pior sentimento de que me lembro logo após esse lance
foi a sensação, quase certeza, de que, se a bola tivesse entrado e o Brasil
empatado novamente, Paolo Rossi marcaria mais um gol.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;A partida terminou assim, o Brasil perdeu e deixou a
copa do mundo. Paolo Rossi fez história como o pior vilão que a seleção
brasileira já enfrentou. Ele era aparentemente tão fraco quanto era Davi na
frente de Golias, mas venceu. Assim como o futuro rei de Israel, ele usou três
pedras para derrotar o gigante temido por todos: nossa seleção canarinho. Além
de matar seu adversário, o mesmo que potencialmente se tornaria meu herói, ele
também matou nosso sonho, matou um futebol mágico, acabou com o melhor time de
futebol de todos os tempos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;Não me recordo de nenhuma palavra entre eu e meus
irmãos após o jogo terminar. Normalmente, você sabe, quando perdemos um jogo
culpamos o árbitro, ou encontramos alguma justificativa ou explicação mesmo que
ilógica, ou ainda alguma teoria de conspiração para justificar a derrota. Mas
naquele dia foi diferente. Estávamos todos derrotados. Havia apenas silêncio e
a dura aceitação da vitória do inimigo dentro de nós. Ainda hoje, se fecho meus
olhos, lembro-me perfeitamente do sorriso no rosto do “bambino d’oro”, o menino
de ouro, como os italianos começaram a chamar Rossi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRcQ2XHhzHT5eL56xtIGvrf-Tyr6EzxeaFWNvAZDxWiZ4XK4R1g&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;210&quot; data-original-width=&quot;240&quot; src=&quot;https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRcQ2XHhzHT5eL56xtIGvrf-Tyr6EzxeaFWNvAZDxWiZ4XK4R1g&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;Hoje posso ver em sua alegria e em seu sorriso
desagradável certa descrença frente ao que ele acabara de fazer. Vejo em seus
olhos o prazer de ter sido capaz do impossível e ver seu adversário derrotado
de vez. Entretanto, naquele dia, só tive um entendimento sobre aquele sorriso:
Rossi estava olhando para mim, através da tela da TV, e rindo da minha dor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;
&lt;span face=&quot;&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;&quot; style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 200%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-font-size: 8.5pt;&quot;&gt;Naquele dia aprendi que às vezes a força e a
objetividade podem vencer a arte e a beleza. Para os amantes do futebol, nosso
time é inesquecível; para a história, Paolo Rossi foi um herói e a Itália a
campeã mundial de 1982; para mim, só sei que meu inimigo matou meu possível
herói indiscutivelmente e me ensinou que às vezes a única possibilidade que nos
resta é aceitar nossa derrota em silêncio.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/7543318550017646607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/7543318550017646607' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7543318550017646607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7543318550017646607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2017/07/05-de-julho-de-1982.html' title='05 de Julho de 1982'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhL1JTl1Q4F-rvXpiVra7skF-VtJvtarNGftUjJOxTma9A2_mmv9r2JLO3qj1-G2NLnze-fWBw0WCerPLQR81fTTRrv2ov7SFaACglxw2qxhuZ-siV9uVDbOWIcoUCSGsHutREPEK7PNFNvbwyrbweRgOLXZtd92cN8TrydrpQCU2cNdzQBBY_026EQ/s72-w320-h213-c/hi-res-5e3e6afb561d3873305636e758023715_crop_north.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-1616270849702388093</id><published>2016-11-22T05:31:00.004-08:00</published><updated>2016-11-23T02:39:44.293-08:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="alexandre spinelli"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="bonsais"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="conto"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="premio barueri de literatura 2016"/><title type='text'>Bonsais</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;&lt;i&gt;[Primeiro lugar no Prêmio Barueri de Literatura 2016]&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12pt; text-indent: 36pt;&quot;&gt;Não há como evitar. Toda manhã quando estou caminhando
para o trabalho e passo pela esquina da Summit Avenue com a Moore Street, olho
para a minha direita, para a próxima esquina. É um movimento quase automático e
inconsciente que faço – mas faço – como se estivesse verificando se aquele
prédio marrom de três andares ainda está ali. Creio que é como se eu ainda
tivesse alguma esperança de ver nossa vida de volta àquele lugar. Entretanto,
sei que o tal lugar que quero de volta não é aquele: o lugar que quero de volta
não é um espaço físico; o lugar que quero de volta, para viver novamente, é um
lugar no passado, num período de tempo que já se foi, mas que ainda não
terminou nas minhas memórias e sonhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Agora, durante os primeiros dias de outubro, quando as
árvores das ruas estão mudando de cor, vindo de verde para tons de amarelos, marrons
e uma variedade inacreditável de vermelhos, nosso prédio parece ser parte do
ambiente, com a mesma cor das folhas da árvore de bordo vermelho que fica bem à
sua frente. Agora, durantes os primeiros dias de outubro, quando as folhas
estão caindo e deixando as árvores como um esqueleto seco e frio, vejo aquele
nosso lugar como uma folha que caiu de mim, seca e sem vida. Agora, durante os
primeiros dias de outubro, lembro-me de quando me dei conta de que o outono é
minha estação favorita, por suas cores infinitas, pela quantidade de vida que
sentia dentro de nosso lar. Agora, durante os primeiros dias de outubro,
lembro-me de que outono não significa morte ou fim, mas apenas uma fase, apenas
um tempo que irá passar, e passará rápido, espero. Agora, durante os primeiros
dias de outubro, vejo nosso prédio como se estivesse caindo entre as demais
folhas avermelhadas e espero pela próxima primavera.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Estávamos na primeira semana de setembro, há dois
anos, quando me mudei para aquele apartamento. Era no terceiro andar daquele
prédio branco na esquina da Portland com a Moore. Era o lugar perfeito para
mim, perto de meu trabalho e próximo ao Rio Mississippi, numa vizinhança calma
e segura, cheia de árvores e pássaros, além dos esquilos e coelhos de costume:
um lugar especial. O apartamento tinha dois dormitórios, ambos com janelas
voltadas para o sul. Na primeira noite em que dormi lá acordei com o sol vindo
direto no meu rosto. Foi a primeira vez que isso me aconteceu e eu amei aquela
sensação do sol me tocando o rosto para me acordar. Tinha dormido no meu velho
sofá, minha única mobilha naquele primeiro dia, e o sol me alcançou ali para me
acordar, me dar boas vindas cheio de energia e me despertar para meu primeiro
dia naquele apartamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Mais tarde fui até a &lt;i&gt;IKEA&lt;/i&gt; para comprar uma cama. Escolhi uma que parecia ser feita de
madeira pesada, embora não o fosse. Também comprei um colchão de molas
ensacadas – pois me disseram que eram os melhores – dois travesseiros de penas
de ganso e um edredom tamanho King, totalmente branco. Já estava quase chegando
à fila do caixa para ir embora, quando vi alguns bonsais. Algo que não sei
explicar agora, quase como uma voz que vinha daquelas pequenas árvores, me
chamou. Parei em frente daquela prateleira e fiquei assim olhando para cada um
deles, como se os analisasse, como se procurasse pela voz que me chamou, e
assim fiquei sentindo a presença deles comigo. Toquei de leve seus pequenos
troncos, seus galhos, e senti a vida e a energia deles: os senti
verdadeiramente vivos, respirando ali comigo no mesmo ritmo. Senti como se
aqueles pequenos seres estivessem transbordando energia, quem sabe algum tipo
de energia que estivesse ali há tempos, estagnada, em seus corpos minúsculos.
Eu não tinha consciência de que naquele momento eu estava escolhendo além dos meus
primeiros bonsais: naquele momento acabei decidindo sobre a vida que viveria
pelos próximos dezesseis meses. Após mais de trinta minutos, escolhi três
bonsais. Esqueci meu carrinho com meus travesseiros e meu edredom; esqueci a
cama que tinha reservado e tudo o mais. Comprei uma estante com quatro
prateleiras e todo o utensílio necessário para manter minhas pequenas em boas
condições. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;No dia seguinte, caminhei algumas quadras, até a &lt;i&gt;A. Johnson &amp;amp; Sons Florist&lt;/i&gt; na Grand
Avenue e comprei mais três bonsais, após passar mais de uma hora sentindo cada
um deles, na mão, na pele de meus dedos deslizando sobre os mesmos, e dividindo
energia com aqueles pequenos. Não, na verdade decidi comprar outros: não tinha
chegado em casa ainda e voltei, comprei mais quatro, para somar sete, o que
seria um número melhor, o número perfeito, e que somaria dez, com os outros
três que nos esperavam em casa. Bem, você me entenderá, havia quatro prateleiras
em casa; três bonsais em cada uma ficariam muito melhor, ficariam mais bem distribuídos
e deixaria o ambiente mais harmônico. Voltei à loja assim que cheguei ao
apartamento e comprei mais dois. Na manhã seguinte, o sol que me acordou
tocando meu rosto tinha um contorno especial e lindo de árvores, de folhas: um
contorno de vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Naquele final de semana, logo no sábado pela manhã,
comprei mais duas estantes. Um colega do trabalho me falou sobre um bom lugar
para comprar bonsais em Bayport, a uns quarenta minutos de casa. Fui até lá e
comprei mais algumas daquelas adoráveis árvores e acabei ficando por lá durante
toda tarde, conversando e aprendendo mais sobre eles. No domingo pela manhã
caminhei pela Selby Ave e parei em algumas lojas de antiguidades. Numa delas
encontrei uma mesa que era exatamente o que eu precisava para colocar no meio
do quarto dos bonsais. Eu precisava desse espaço para poder cuidar deles. Nessa
mesma loja havia duas estantes antigas que eu tive que comprar: elas eram
verdadeiramente lindas, bem escuras, de madeira de castanheira, com alguns
desenhos de flores e galhos esculpidos nas laterais. Não resisti e comprei as
duas. Você não vai acreditar, mas elas estavam expostas com dois bonsais, um
sobre cada uma delas. Estavam lá apenas como decoração, não para serem
vendidos, mas convenci o dono da loja e os comprei também. Você deve concordar
comigo de que isso não poderia ser uma simples coincidência, havia uma
sincronicidade acontecendo e que eu não poderia negar ou fingir que não
percebia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;O dono da loja me disse que aqueles bonsais eram de
cerejeira. Eu mal acreditei quando ele me disse que aquelas pequenas produziam
frutas. Como você pode ver, não pude resistir e as comprei, sem dúvida alguma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Retornei à loja de Bayport para confirmar a história
sobre os bonsais frutíferos. Era verdade, eles existiam e eu não sabia. Então
comprei alguns deles; vinte, para ser exato. Mr. Price me falou sobre outras
lojas que vendiam vários outros tipos de plantas. Ele me falou muito de
orquídeas, disse que a tal &lt;i&gt;lady-slipper&lt;/i&gt;
pode viver próxima a bonsais e que essa presença é beneficial para os dois.
Sério mesmo? Orquídeas são nojentas, você não concorda? São muito sexuais para
o meu gosto, com aqueles longos caules e delicadas flores, normalmente
avermelhadas, rosadas e brancas. É quase grotesco aquele longo membro masculino
deflorando – literalmente – a inocente flor tão indefesa. Eu lhe disse que não
gostava de flores, que eu gostava era de bonsais. E que os bonsais gostavam de
mim também.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Quando cheguei de volta ao nosso apartamento decidi
que um dos quartos, o mais próximo à esquina seria o quarto dos bonsais verdes,
com aqueles que não produziam frutos e todo mobiliado com estantes e mesa
antigas, ou aparentemente antigas. O outro quarto seria o quarto dos bonsais
frutíferos, com aqueles que davam frutos, obviamente, e com mobiliário moderno,
ou contemporâneo, conforme acontecesse. Eu já estava acostumado a dormir no meu
velho sofá, o que já era mais do que suficiente para mim. Quando o gelado
inverno começou, ambos os quartos estavam cheios de plantas, assim como minha
sala, para a qual não reservei nenhum tipo especial de bonsai. A sala era o
lugar da diversidade, era onde eles se misturavam como são encontrados na
natureza. Logo após a primeira nevasca de novembro, me dei conta de que eu
tinha que ser mais cuidadoso em relação às condições climáticas e à temperatura
dentro do apartamento. Comprei então um umidificador, um ar condicionado
portátil e sensores de umidade e temperatura, para deixar sempre o ambiente em
condições ideias para minhas plantas. Assim ficou mais fácil enfrentarmos o
inverno. Aqueles foram sem sombra de dúvidas o Natal e o Ano Novo mais felizes
de minha vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Quando começou o verão nosso apartamento estava
completamente cheio de bonsais: havia seis estantes no quarto verde, cinco no
quarto frutífero, todas repletas de minhas pequeninas árvores, além, é claro,
de uma mesa central em cada um dos quartos e outros mobiliários, quase sempre
cobertos por outros bonsais. Olhando de fora do nosso prédio verde era possível
se ver minha pequena floresta se formando e crescendo. Sim, ouvi alguns de meus
vizinhos se referindo ao nosso apartamento como “a florestinha”. Várias vezes
fui surpreendido por pássaros voando dentro do apartamento. Isso começou a acontecer
quase diariamente: era só abrir as janelas e logo alguns pássaros voavam para
dentro. Com o tempo comecei a ser acordado por alguns pássaros cantando às
minhas janelas, pedindo para que eu as abrisse. Confesso que de alguma maneira
eu me sentia orgulhoso daquela floresta. Sabia que não tinha nenhuma influência
direta minha, eu apenas permiti que a natureza se manifestasse. E eu estava
orgulhoso de ter tanta vida ao meu redor. Nunca mais me senti sozinho, pois me
tornei plural, me tornei nós. Parei de falar sobre meu apartamento, minha vida,
meus problemas e todos os outros meus. Sem perceber, comecei a falar tudo em
plural, tudo se tornou nosso: nosso apartamento, nossas vidas, nossas
dificuldades em viver nesse ambiente tão diferente para nós. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Como você sabe, plantas precisam de terra, de espaço,
e bonsais não são diferentes. Deixar uma planta vivendo num vaso pequeno é como
deixar um pássaro numa gaiola, ou um humano como você numa cela de cadeia. Sim,
eu sei que plantas não andam nem voam, mas elas têm raízes e suas raízes
precisam de espaço para crescer e se manifestar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Uma noite enquanto conversava com eles, pude ouvir
suas reclamações; pude ouvir seus gemidos de dor, e reconheci naquele gemido o
mesmo gemido que eu gemia quando minha mãe me colocava sapatos apertados. Não
tive dúvidas: decidi criar um pequeno canteiro na minha sala. Lá eu poderia
cuidar melhor de minhas filhinhas e elas teriam mais espaços e terra para
crescerem. Esta foi a melhor ideia que poderia ter tido. Você precisava ver
como os bonsais amaram aquele lugar: era perfeito. Decidi então fazer outros
canteiros. Empurrei meu sofá para a parede que separava da cozinha. Assim eu
ficava próximo de tudo que precisava: cozinha, banheira e porta de entrada. Era
tudo que eu realmente precisava para viver. No restante do espaço construí
quatro canteiros que iam de parede a parede. Primeiro tirei o carpete, depois
coloquei uma camada de pedras, outra camada de pedregulhos, e então terra.
Comprei vários sacos de terra boa, daquela escura, com bastante adubo misturado.
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Numa manhã de sábado, enquanto tomava um &lt;i&gt;brunch&lt;/i&gt; no Grandview Grill, vi um rapaz
na televisão falando sobre a importância das minhocas para melhor arejarem a
terra. Segui o conselho do rapaz e comprei também algumas minhocas, que assim
que chegaram em casa, mergulharam felizes nos meus canteiros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Esta ideia funcionou tão bem que na primeira semana de
outubro, um ano atrás, fiz o mesmo nos dois quartos. Coloquei as vinte estantes
que tínhamos em volta, contras todas as paredes do apartamento e nelas coloquei
os bonsais menores, ou aqueles que precisavam de mais cuidado. Nos quartos,
construí dois canteiros grandes, só deixando espaço para as estantes ao redor.
Como você pode imaginar, nosso apartamento era, agora sim, uma verdadeira
floresta, com bonsais e algumas outras plantas tomando conta de tudo. Bem no
meio da sala plantei o mais belo de todos: um bonsai cerejeira anão de vinte
anos de idade. Você precisava ver quando ele ficava coberto de flores, era
inacreditavelmente lindo e perfumado. Minhas plantas me deixavam feliz e
orgulhoso como nunca. Eu simplesmente amava cuidar delas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;A reação dos vizinhos foi que começou a mudar. A
maioria deles nos evitava. Até quando os via nos espiando pela janela, eles
disfarçavam e fingiam que não tinham nos visto. Eu sabia que só poderiam estar
com inveja, pois não tinham tamanha natureza em seus apartamentos. Você
precisava ver como minhas plantas começaram a crescer rápido e cada vez mais
saudáveis, quando lhes dei todo o espaço que podia. Agora sim éramos uma
família, uma unidade, um pedaço único da natureza ali no meio de St Paul.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Foi quando nos demos conta de que outono era nossa
estação favorita. Nossa casa estava cheia de cores e com um perfume único no
ar. Aves frequentemente vinham dividir nosso espaço e espalhar sua beleza e
música.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Só cometi um erro. Sim, fui muito imprudente. Deveria
ter pedido conselhos de algum especialista antes de fazer o que fiz.&amp;nbsp; Quando plantei os bonsais naqueles canteiros
que criei, alguns deles começaram a crescer, porque, é claro, agora eles tinham
espaço para fazê-lo. Plantei alguns deles junto às paredes e eles cresceram até
alcançarem a altura da janela e seguiram além. Em breve havia uma segunda
parede, toda natural, feita de bonsais, dentro de meu apartamento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Tudo seguiu assim muito bem até dezembro. O dia 11 de
dezembro do ano passado foi o pior dia de minha vida. Era um sábado, tinha
nevado forte desde a meia noite anterior e seguiu nevando o dia inteiro. Estava
um frio absurdo com um vento congelante. Nossas janelas estavam fechadas e
estávamos aquecidos e em paz dentro de nosso apartamento, de nossa estufa
natural. Porém, você sabe, as outras pessoas não cuidam de suas casas como nós
cuidamos. Eles não mantém suas casas controladas com temperatura e umidade
ideais. Antes de se preocupar conosco, deveriam manter suas casas secas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Bateram na minha porta às dezoito horas. Era a síndica
e mais três vizinhas malucas com quem eu nunca tinha sequer conversado antes.
Minha vizinha do andar debaixo, Ms. Maiers, disse que havia algumas plantas
brotando no seu teto, e minhas outras duas vizinhas, tanto a do apartamento da
esquerda como a do apartamento da direita, estavam praticamente berrando
dizendo que havia raízes brotando por debaixo de suas paredes, além de um
incontável número de minhocas andando por seus apartamentos. Tentei explicar
que eu não tinha culpa alguma se elas não sabiam como cuidar de suas casas para
mantê-las como queriam, mas não me deram ouvidos. Além do mais, eu não entendi
qual era o problema. Elas deveriam estar felizes e agradecidas por terem
algumas plantas e um pouco da natureza invadindo suas casas, você não acha? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Eu as convidei para entrarem no meu apartamento e
fiquei confuso com a histeria delas. A síndica, Ms. Fritz, uma senhora tamanho
G e do tipo sedentária tampou o nariz e ousou dizer que o lugar estava fedendo,
como se houvesse algo apodrecendo lá dentro. Por favor, não havia nada
apodrecendo, era apenas o cheiro do adubo, o cheiro da natureza, como ela é: um
cheiro maravilhoso de vida. Não tenho culpa se ela nunca foi sequer à fazenda
alguma durante toda sua gorda vida, nem sequer deve ter pisado na terra.
Certamente foi criada sentada num sofá dentro do mesmo apartamento por anos.
Não era minha culpa se o pouco de natureza que ela conhecia era através da
National Geographic, a qual tem cheiro de papel impresso. Ela deveria
aproveitar a oportunidade que eu lhe dava e ser agradecida por eu ter feito de
seu prédio um lugar mais saudável para se viver. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Ms. Maiers estava surtando sem razão alguma. Qual era
o problema em ter algumas plantas no teto? Inclusive ofereci ajuda para cuidar
das plantas e tentei lhe mostrar o quanto ela estaria economizando por não ter
que pagar pelos bonsais que poderiam nascer dentro de seu apartamento, mas ela
simplesmente não me ouvia. Acho que a neve deixa as pessoas meio malucas, só
pode ser. Elas ficam trancadas dentro de casa o dia inteiro sem poder sair nem
por um minuto sequer, ai elas começam a ver coisas, a criar problemas onde não
há razão de ser. Eu estava ainda argumentando com minhas outras duas vizinhas,
quando a gorda da Ms. Fritz voltou com dois policias. Você sabe, este tipo de
gente não se preocupa com a natureza. Eles apenas querem seguir a lei, mas não
há lei alguma que trate de bonsais, que eu saiba ou que tenha ouvido falar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Enfim e ao final, me expulsaram do apartamento: eu e
minhas plantas. Os policias me levaram para a delegacia e eu acabei ficando na
cadeia de lá por quase três semanas, pois não tinha como pagar para sair. Não
pude sequer ver ou saber o que fizeram com minhas árvores tão amadas e
desprotegidas. Nunca me disseram se as mataram ou se pelo menos as deixaram
viver em algum outro lugar. Sei que finalmente consegui dinheiro para pagar a
fiança e ainda um depósito de garantia para a imobiliária, sei lá por que razão.
Só sei que finalmente, na tarde do dia 31 de dezembro, sai da cadeia. Lá sim eu
conheci o que significa fedor, o que significa estar longe de seu lar, de sua
natureza: o que é viver dentro de um vaso, sem espaço para crescer suas raízes
e seus galhos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Nestes últimos dias tenho me lembrado daqueles meses
quando vivemos juntos, dividindo o mesmo espaço. Só tenho boas lembranças, só
dos dias de alegria; mal me lembro dos dias que passei preso pagando por algo
injusto: uma punição absurda naquela cadeia, sem ter feito nada errado. Eu
posso me lembrar claramente da textura das folhas e das pétalas de minhas
plantas, seus cheiros, perfumes, e do sabor de seus vegetais e frutos. Posso me
lembrar de como era bom ficar calmo lendo um livro, bebendo ou comendo ali
sentando naquele solo e naquela grama dentro de nosso apartamento. Lembro-me
bem do sabor daquele lugar na minha boca e salivo tais memórias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;Agora, durante os primeiros dias de outubro, pisando
sobre estas folhas amarelas ressecadas na calçada, não tenho certeza se sinto
falta daquele tempo ou se me sinto feliz por tê-lo vivido. Agora, durante os
primeiros dias de outubro, quando as árvores estão mudando de cor, troco de cor
constantemente, me sinto triste e me sinto alegre. Agora, durante os primeiros
dias de outubro, vejo uma folha seca próxima a meu sapato, pego-a, despedaço-a
devagarinho em minha mão, ouço o barulho dela se quebrando, sinto seu perfume
em meus dedos e saboreio o ciclo da vida. Agora, durante os primeiros dias de
outubro, vejo nosso prédio marrom e espero por um novo apartamento branco, quem
sabe na próxima primavera, quem sabe mais tarde, quem sabe ainda antes disso,
onde viverei intensamente de novo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 200%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 200%;&quot;&gt;* * *&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/1616270849702388093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/1616270849702388093' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/1616270849702388093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/1616270849702388093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2016/11/bonsais.html' title='Bonsais'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-6832796251084946727</id><published>2014-06-24T07:02:00.000-07:00</published><updated>2017-06-24T14:18:33.830-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="são joão"/><title type='text'>Noite de São João</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.circuitosaojoao.com.br/upload/textos_1/324_p.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://www.circuitosaojoao.com.br/upload/textos_1/324_p.jpeg&quot; data-original-height=&quot;210&quot; data-original-width=&quot;291&quot; height=&quot;228&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;Para os que ainda estão distraídos, hoje é dia de São João, melhor do que isso, hoje é noite de São João. Para nós, no hemisfério sul, a noite mais longa do ano. Para os do norte, a noite mais curta - sei que na verdade, geograficamente falando não o é, pois o solstício ocorreu no dia 21, mas tanto faz. Os antigos costumavam dizer isso, e vamos manter pela poética envolvida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muita simbologia, muitas crenças e mitos, conforme a religião e a cultura, são comemorados nesse dia e de forma muito parecida. Vamos ver alguns, assim meio por cima mesmo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já foi comemorado como dia da deusa Juno, esposa de Júpiter, a rainha dos deuses. Era praticamente a Maria da mitologia romana, inclusive com vários nomes, como Juno Lucina, Juno Natalis, Juno Matronalis, etc (qualquer semelhança com as várias Nossas Senhoras não deverá ser mera coincidência). Daí o mês se chamar junho, uma homenagem a ela. E, mesmo antes de Cristo, alguns povos já comemoravam as festas ‘junônias’.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os cristãos, principalmente os católicos, é dia de São João Batista. Ele mesmo, o profeta, que veio antes para anunciar a chegada do Messias. Daí, podemos imaginar o nome das festas ‘joaninas’, como também já foram chamadas, mas não importa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que quero chamar atenção é que, como na história bíblica, aqui também São João vem antes, seis meses antes, para anunciar a vinda do Salvador, a chegada do sol. Daqui seis meses, eu prometo, será o dia mais longo do ano (mesmo que não seja exatamente verdade) e o sol triunfará, o Messias chegará. O pior já passou, agora, a cada dia, o sol brilhará mais. Agradeçam e acreditem, o melhor está só começando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Escolham o motivo que quiserem: Juno, pela fertilidade e fecundação, João Batista, pela anunciação e promessa de um futuro, ou o simples fato do solstício (mesmo que o referido já tenha ocorrido há 3 dias). O fato é que é uma data de renascimento, de recomeçar e de seguir adiante. E só há duas datas destas no ano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então aproveitem para fazer suas orações, suas preces, e para agradecer, sim, agradeçam muito, para melhor aproveitar a colheita que nos espera, o novo nascimento do sol, a nova metade do ano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E mais do que tudo, comemorem, brindem, acendam a fogueira, comam pipoca, pinhão, batata doce, o que for, mas comemorem e se preparem. Meio ano já foi e outro meio temos pela frente, e ele será lindo, tenho certeza disso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi um privilégio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PS: &lt;a href=&quot;https://confrariadaspalavras.wordpress.com/2012/09/21/o-mundo-eduardo-galeano/&quot;&gt;Textinho do Galeano de presente para vocês&lt;/a&gt;.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/6832796251084946727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/6832796251084946727' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/6832796251084946727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/6832796251084946727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2014/06/noite-de-sao-joao.html' title='Noite de São João'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-7184463911425634093</id><published>2014-04-22T18:03:00.006-07:00</published><updated>2021-10-10T05:43:38.127-07:00</updated><title type='text'>A Vela</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-indent: 35.45pt;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;OutlineElement Ltr SCXW184628002 BCX0&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; background-color: white; clear: both; cursor: text; direction: ltr; font-family: &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;, &amp;quot;Segoe UI Web&amp;quot;, Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 12px; margin: 0px; overflow: visible; padding: 0px; position: relative; text-indent: 0px; user-select: text;&quot;&gt;&lt;p class=&quot;Paragraph SCXW184628002 BCX0&quot; paraeid=&quot;{dbef13e0-e229-4d81-acfd-0319e706a284}{164}&quot; paraid=&quot;2120058137&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; background-color: transparent; color: windowtext; font-kerning: none; margin: 0px; overflow-wrap: break-word; padding: 0px; text-indent: 47px; user-select: text; vertical-align: baseline;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;TextRun SCXW184628002 BCX0&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; face=&quot;Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://dingo.care2.com/pictures/greenliving/1/314.large.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;211&quot; src=&quot;http://dingo.care2.com/pictures/greenliving/1/314.large.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class=&quot;OutlineElement Ltr  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; clear: both; cursor: text; direction: ltr; margin: 0px; overflow: visible; padding: 0px; position: relative; user-select: text;&quot;&gt;&lt;p class=&quot;Paragraph  BCX0 SCXW184628002&quot; paraeid=&quot;{dbef13e0-e229-4d81-acfd-0319e706a284}{164}&quot; paraid=&quot;2120058137&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; background-color: transparent; color: windowtext; font-kerning: none; margin: 0px; overflow-wrap: break-word; padding: 0px; text-indent: 47px; user-select: text; vertical-align: baseline;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;TextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none !important; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Houve um tempo em que acreditavam, alguns, que a vela era milagreira. Que era a vela e não o santo, o orixá, o deus, ou fosse lá a entidade que fosse, que atendia ao pedido. Todo o poder estava na vela. Na vela, em si, havia graça, beleza e poder. Poder do fogo que queima e destrói com sua leveza. Acreditavam que, enquanto a vela queimava, queimava junto o estado atual, queimava junto o indesejado, a doença, a desgraça, o mal, o velho, e ficava só o novo, a mudança, o milagre pronto e exposto para quem havia pedido. O mal virava cinzas e o novo voava e se expandia com o fogo, como a fumaça que se espalha e se mistura ao ar, até se tornar imperceptível.&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;EOP  BCX0 SCXW184628002&quot; data-ccp-props=&quot;{&amp;quot;335559731&amp;quot;:709,&amp;quot;335559740&amp;quot;:360}&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;OutlineElement Ltr  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; clear: both; cursor: text; direction: ltr; margin: 0px; overflow: visible; padding: 0px; position: relative; user-select: text;&quot;&gt;&lt;p class=&quot;Paragraph  BCX0 SCXW184628002&quot; paraeid=&quot;{dbef13e0-e229-4d81-acfd-0319e706a284}{210}&quot; paraid=&quot;1063115433&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; background-color: transparent; color: windowtext; font-kerning: none; margin: 0px; overflow-wrap: break-word; padding: 0px; text-indent: 47px; user-select: text; vertical-align: baseline;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;TextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none !important; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Naquela época, havia respeito pela crença de cada um, afinal não reconheciam nenhum poder especial nelas. Como numa árvore, onde cada flor, cada fruto e cada galho tem em si a árvore e&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;TextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Calibri, Calibri_EmbeddedFont, Calibri_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none !important; line-height: 30px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;é a&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;TextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none !important; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&amp;nbsp;própria&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;TextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Calibri, Calibri_EmbeddedFont, Calibri_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none !important; line-height: 30px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&amp;nbsp;árvore&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;TextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none !important; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;, mas o tronco é o que liga todos, também havia, naquele tempo, várias seitas e religiões, mas era a vela o comum, o tronco, por onde a seiva corria. Nenhum galho clamava para si o poder, pois sabiam que eram apenas um meio, uma visão e um aspecto do todo, da árvore. Sabiam que a seiva que corria pelo tronco corria igualmente para todos. Nenhuma folha ou flor se considerava mais importante. Era na vela que se dava esta união, este encontro de tantas crenças diferentes alimentadas pela mesma seiva.&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;EOP  BCX0 SCXW184628002&quot; data-ccp-props=&quot;{&amp;quot;335559731&amp;quot;:709,&amp;quot;335559740&amp;quot;:360}&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;OutlineElement Ltr  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; clear: both; cursor: text; direction: ltr; margin: 0px; overflow: visible; padding: 0px; position: relative; user-select: text;&quot;&gt;&lt;p class=&quot;Paragraph  BCX0 SCXW184628002&quot; paraeid=&quot;{4481b220-0a38-4abe-84a8-3989222217de}{23}&quot; paraid=&quot;1749362416&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; background-color: transparent; color: windowtext; font-kerning: none; margin: 0px; overflow-wrap: break-word; padding: 0px; text-indent: 47px; user-select: text; vertical-align: baseline;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;TextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none !important; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;NormalTextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;Acendia-se u&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;NormalTextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;ma vela para pedir, uma vela para agradecer, uma vela para mant&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;NormalTextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;er alerta, uma vela para viver, uma vela para velar.&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;NormalTextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;EOP  BCX0 SCXW184628002&quot; data-ccp-props=&quot;{&amp;quot;335559731&amp;quot;:709,&amp;quot;335559740&amp;quot;:360}&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;OutlineElement Ltr  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; clear: both; cursor: text; direction: ltr; margin: 0px; overflow: visible; padding: 0px; position: relative; user-select: text;&quot;&gt;&lt;p class=&quot;Paragraph  BCX0 SCXW184628002&quot; lang=&quot;EN-US&quot; paraeid=&quot;{63a53a9c-699f-4f15-b03f-3c09d36f9344}{112}&quot; paraid=&quot;1296041125&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; background-color: transparent; color: windowtext; font-kerning: none; margin: 0px; overflow-wrap: break-word; padding: 0px; text-indent: 47px; user-select: text; vertical-align: baseline;&quot; xml:lang=&quot;EN-US&quot;&gt;&lt;span class=&quot;TextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none !important; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Porém, o mais importante era saber que o segredo e o milagre estava no percorrer a vela toda, do início ao fim, de cima abaixo. Até ela se terminar no que você havia pedido ou agradecido.&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;EOP  BCX0 SCXW184628002&quot; data-ccp-props=&quot;{&amp;quot;335551550&amp;quot;:1,&amp;quot;335551620&amp;quot;:1,&amp;quot;335559731&amp;quot;:709,&amp;quot;335559740&amp;quot;:360}&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;OutlineElement Ltr  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; clear: both; cursor: text; direction: ltr; margin: 0px; overflow: visible; padding: 0px; position: relative; user-select: text;&quot;&gt;&lt;p class=&quot;Paragraph  BCX0 SCXW184628002&quot; lang=&quot;EN-US&quot; paraeid=&quot;{03297538-7fd6-4423-a892-08e6386262bc}{47}&quot; paraid=&quot;922693011&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; background-color: transparent; color: windowtext; font-kerning: none; margin: 0px; overflow-wrap: break-word; padding: 0px; text-indent: 47px; user-select: text; vertical-align: baseline;&quot; xml:lang=&quot;EN-US&quot;&gt;&lt;span class=&quot;TextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none !important; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;***&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;EOP  BCX0 SCXW184628002&quot; data-ccp-props=&quot;{&amp;quot;335551550&amp;quot;:1,&amp;quot;335551620&amp;quot;:1,&amp;quot;335559731&amp;quot;:709,&amp;quot;335559740&amp;quot;:360}&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;OutlineElement Ltr  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; clear: both; cursor: text; direction: ltr; margin: 0px; overflow: visible; padding: 0px; position: relative; user-select: text;&quot;&gt;&lt;p class=&quot;Paragraph  BCX0 SCXW184628002&quot; paraeid=&quot;{4481b220-0a38-4abe-84a8-3989222217de}{45}&quot; paraid=&quot;1929462233&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; background-color: transparent; color: windowtext; font-kerning: none; margin: 0px; overflow-wrap: break-word; padding: 0px; text-indent: 47px; user-select: text; vertical-align: baseline;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;TextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none !important; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;NormalTextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;Você já desejou alguma coisa tanto, mas tanto, a ponto de acender uma vela e acompanhá-la queimar até o final? E enquanto acompanha o queimar da vela, você só pensa no seu desejo, ou na chama, na vela. Quando agradec&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;NormalTextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;er, idem: só o sentimento de agradecimento passa por você, enquanto a vela queima. Se o pensamento fugir, se divagar, você volta. Só o desejo, só o&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;NormalTextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;agradecimento, que devem ser fortes o suficiente, devem ficar com você enquanto estiver a velar por eles.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;EOP  BCX0 SCXW184628002&quot; data-ccp-props=&quot;{&amp;quot;335559731&amp;quot;:709,&amp;quot;335559740&amp;quot;:360}&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;OutlineElement Ltr  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; clear: both; cursor: text; direction: ltr; margin: 0px; overflow: visible; padding: 0px; position: relative; user-select: text;&quot;&gt;&lt;p class=&quot;Paragraph  BCX0 SCXW184628002&quot; paraeid=&quot;{4481b220-0a38-4abe-84a8-3989222217de}{89}&quot; paraid=&quot;171397149&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; background-color: transparent; color: windowtext; font-kerning: none; margin: 0px; overflow-wrap: break-word; padding: 0px; text-indent: 47px; user-select: text; vertical-align: baseline;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;TextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none !important; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;***&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;EOP  BCX0 SCXW184628002&quot; data-ccp-props=&quot;{&amp;quot;335559731&amp;quot;:709,&amp;quot;335559740&amp;quot;:360}&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;OutlineElement Ltr  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; clear: both; cursor: text; direction: ltr; margin: 0px; overflow: visible; padding: 0px; position: relative; user-select: text;&quot;&gt;&lt;p class=&quot;Paragraph  BCX0 SCXW184628002&quot; paraeid=&quot;{4481b220-0a38-4abe-84a8-3989222217de}{91}&quot; paraid=&quot;1331933511&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; background-color: transparent; color: windowtext; font-kerning: none; margin: 0px; overflow-wrap: break-word; padding: 0px; text-indent: 47px; user-select: text; vertical-align: baseline;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;TextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none !important; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;E assim seguiam a vida, sem deuses nem líderes que lhe guiassem, pois não acreditavam em caminho certo a seguir. A árvore cresce para cima e para todas as direções, sendo nenhuma delas melhor do que outra.&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;EOP  BCX0 SCXW184628002&quot; data-ccp-props=&quot;{&amp;quot;335559731&amp;quot;:709,&amp;quot;335559740&amp;quot;:360}&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;OutlineElement Ltr  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; clear: both; cursor: text; direction: ltr; margin: 0px; overflow: visible; padding: 0px; position: relative; user-select: text;&quot;&gt;&lt;p class=&quot;Paragraph  BCX0 SCXW184628002&quot; paraeid=&quot;{4481b220-0a38-4abe-84a8-3989222217de}{99}&quot; paraid=&quot;48969615&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; background-color: transparent; color: windowtext; font-kerning: none; margin: 0px; overflow-wrap: break-word; padding: 0px; text-indent: 47px; user-select: text; vertical-align: baseline;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;TextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; data-contrast=&quot;auto&quot; lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; font-variant-ligatures: none !important; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot; xml:lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;NormalTextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;Mas um dia, uma folha por ser mais velha, outra por ser mais nova, uma flor por ser&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;NormalTextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;perfumada&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;NormalTextRun  BCX0 SCXW184628002&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;, outra por ser bela, todos se esqueceram da árvore e clamaram para si o poder, como se se bastassem, como se fossem mais importantes do que o resto, como se fossem o centro da árvore e da vida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;EOP  BCX0 SCXW184628002&quot; data-ccp-props=&quot;{&amp;quot;335559731&amp;quot;:709,&amp;quot;335559740&amp;quot;:360}&quot; style=&quot;-webkit-tap-highlight-color: transparent; -webkit-user-drag: none; font-family: Verdana, Verdana_EmbeddedFont, Verdana_MSFontService, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 28.5px; margin: 0px; padding: 0px; user-select: text;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/7184463911425634093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/7184463911425634093' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7184463911425634093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7184463911425634093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2014/04/a-vela.html' title='A Vela'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-1957539218147858198</id><published>2014-03-03T11:12:00.000-08:00</published><updated>2014-10-31T07:38:06.811-07:00</updated><title type='text'>Dirigindo na Neve</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhjjX47IkgbpugVOKbIL9eVQXbxL2X9FkRvey9pZZdnZF7JTDphaBtnBPKqe-7lP3rBnIIiwGZUUX6OH3SBWc3MAO0prBo86JXNHOHjUbWEBH_htiII0w04oJcJ90ODeBZcfz3C7IVbnV4/s1600/20140221_081842.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhjjX47IkgbpugVOKbIL9eVQXbxL2X9FkRvey9pZZdnZF7JTDphaBtnBPKqe-7lP3rBnIIiwGZUUX6OH3SBWc3MAO0prBo86JXNHOHjUbWEBH_htiII0w04oJcJ90ODeBZcfz3C7IVbnV4/s640/20140221_081842.jpg&quot; height=&quot;240&quot; width=&quot;320&quot; /&gt; &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Dirigir na neve, acredite, é um desafio. Principalmente se, como eu, você foi criado num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Assim como quase tudo nesta vida, com o tempo você aprende um pouco, se acostuma um pouco e o desafio parece menor, mas ele ainda existe e persiste. Este, creio, seja o maior desafio sobre dirigir na neve: o desafio sempre muda. Depois de algumas frustrações, atrasos, e vontade de fazer como um cidadão de Dakota do Norte fez e usar um lancha-chamas para derreter toda essa neve, me dei conta que dirigir na neve tem muito a ver com nossa vida, com como lidamos com os problemas e desafios que sempre nos aparecem e que, assim como os da neve, são sempre diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando acreditamos que já sabemos tudo, que já passamos por tudo, lá vem um dia sem neve, mas com vento tão forte, que sopra a neve acumulada fora da estrada para dentro da pista e, de surpresa, você tem que dirigir assim, com um vento branco e cheio de neve que lhe atinge de lado, lhe tira a visibilidade e a confiança sobre seu freio - se ele funcionará ou não quando você precisar dele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como na vida, para dirigir na neve não basta, embora seja importante, apenas experiência. Já encontrei gente que vive aqui desde sempre, enfrenta essas condições todos os anos e que continua atolando e sofrendo acidentes. Então não me venha com o simplista modo de encarar a vida com &quot;fulano é um sábio, pois tem mais de 60 anos de idade&quot;. Não, por favor, 60 anos cometendo os mesmos erros significam o mesmo que um ano deslizando na neve e tendo seu carro atolado ou enfiado em alguma montanha branca ao lado da estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No primeiro ano, nas primeiras vezes em que você enfrenta a neve, independentemente do que lhe aconteça, se você deslizar ou não, se atolar ou não, não importa, não acredite que você já aprendeu a lição. Não, você não aprendeu. O pior que pode lhe acontecer, diria, é nada lhe acontecer e você passar a acreditar que já é mestre no assunto. Não, acredite, você não é. Assim como na vida, você deve continuar prestando atenção, tomando cuidando, e respeitando a neve, que parece não lhe respeitar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tem dias que a neve está fofa e seca, eu diria, principalmente quando está literalmente nevando. As ruas, eu sei, ficam lindas, tudo branquinho e lisinho, principalmente se você é o primeiro a passar por elas. Porém, não confie nessa beleza, pois buracos podem estar escondidos, placas de gelo que lhe farão deslizar sem patins e algumas outras surpresas podem estar escondidas sob aquela branquidão linda. Mas, você é bom e aprende. No dia seguinte, está nevando de novo, mas a neve não é seca como a do dia anterior, pois esquentou um pouco e a neve, além de molhada é mais escorregadia e pegajosa. Mas você, que é inteligente, aprende a diferenciar ambas e a como dirigir nos dois casos. Mas ai para de nevar, as ruas são limpas (ou quase) e você se sente seguro. Porém a limpeza nunca é completa, sempre fica um restinho em alguma esquina, que acaba congelando em minutos e se transformando numa placa de gelo transparente e escorregadia lhe esperando para um passeio de lado até a outra faixa, caso não haja nenhum carro passando naquele exato momento. Sim, caso haja algum carro passando, seu passeio até a outra faixa será interrompido de forma desagradável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E assim se vai, dirigindo e aprendendo ao mesmo tempo, como na vida, que só se aprende a viver vivendo, o resto é só teoria. Se você ficar com medo e não sair de casa quando estiver nevando, você ficará seguro, mas nunca aprenderá a dirigir na neve, pois isso não é habilidade que se adquira protegido dentro de casa, debaixo das cobertas. Assim como na vida, se há alguma regra geral, eu diria, é ser flexível, prestar atenção e estar preparado para aprender a qualquer momento. Quando você acreditar que pode controlar tudo e segurar firme o volante de seu carro, não vai demorar muito para você deslizar. Ai você aprende que não adianta ser forte e firme, você tem que saber ser maleável e deixar que o carro e a neve se entendam por alguns milissegundos. Você deve aceitar que o carro mude um pouco de direção, sem pisar no freio, sem acelerar, sem tentar nenhum tipo de controle, até você sentir tração novamente. Porém, não pense que é sempre assim, às vezes você precisa de firmeza para ajeitar seu carro na trilha certa, onde você vê que não há neve, ou que a neve não está lisa. Se você for muito frouxo e deixar o carro ir por si, você acabará atolado em alguma esquina ou em alguma subida ridícula e terá que pedir ajuda, por mais humilhante que você pense que isso seja. Você não sairá daquela situação sozinho. Não adianta acelerar, pois você só afundará mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes que você pense que algo me aconteceu, saiba que estou bem, que ainda não tive nenhum acidente nestes anos em que vivo aqui, nestes invernos que já enfrentei. Devo muito à sorte, pois já deslizei, já atravessei duas faixas sem controle algum, mas nunca aconteceu de alguém estar passando naquele momento, nunca aconteceu de eu realmente ficar atolado e parado. Porém, sei que isso pode acontecer assim que eu entrar no meu carro e sair do estacionamento, daqui cinco minutos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como na vida, na neve não há como prever o que lhe acontecerá daqui um minuto e não há como ser mestre no assunto, deve-se aceitar que não há controle para tudo, mas não se deve deixar de dirigir por isso.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/1957539218147858198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/1957539218147858198' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/1957539218147858198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/1957539218147858198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2014/03/dirigindo-na-neve.html' title='Dirigindo na Neve'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhjjX47IkgbpugVOKbIL9eVQXbxL2X9FkRvey9pZZdnZF7JTDphaBtnBPKqe-7lP3rBnIIiwGZUUX6OH3SBWc3MAO0prBo86JXNHOHjUbWEBH_htiII0w04oJcJ90ODeBZcfz3C7IVbnV4/s72-c/20140221_081842.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9074917864734157360.post-7293992252415291925</id><published>2013-11-29T11:43:00.001-08:00</published><updated>2013-11-29T11:43:17.191-08:00</updated><title type='text'>Sejamos Óbvios</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Sejamos óbvios. Os óbvios não assustam, e,
obviamente, não supreendem. Quando você não age de acordo com a obviedade, você
deixa as demais pessoas perdidas, sem lhe entender, ou, pior, tentando lhe
categorizar dentro de algum padrão óbvio que elas já conhece. Consequentemente,
elas não lhe entendem, mesmo que você não queira ser entendido. Como não lhe
entendem, elas lhe enquadram – pensei em dizer que elas lhe julga, mas achei
que criaria algum óbvio mecanismo de defesa nos óbvios – e assim passam a lhe
tratar como se você fosse e/ou estivesse passando por aquela situação óbvia, a
qual conduziria obviamente à reação que ela acredita que você obviamente teve. Não,
não adianta explicar, os óbvios sabem mais que você e têm toda uma sociedade
óbvia para lhes dizer que eles estão certos e você errado, ou negando, ou mesmo
mentindo, e acabam assim sabendo mais de você do que você mesmo. Então aprenda
com eles, se molde e se obvie. Antes de agir espontaneamente, pare e se
pergunte: o que conduziria um óbvio a fazer o que estou fazendo? Não se
justifique, não ache explicações, apenas decida entre duas opções óbvias: não
aja como havia pensado, ou aceite que todos óbvios saberão o que está passando
na sua vida, saberão de suas razões e motivos, mesmo que não seja verdade. Não seja
irresponsável de seguir adiante sem esta reflexão anterior, pois poderia causar
estrago no entendimento de outros, ou na sua reputação, na sua história, no seu
passado, se é que você se preocupa com isso. Sei que você dirá que não se
preocupa com isso, mas sei que você se preocupa, pois todos os óbvios se
preocupam, o que faz com que todo mundo se preocupe, mesmo que isso não seja
verdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Está confuso? Acho que não, você deve
estar me entendendo e, mais do que isso, sabendo por que estou escrevendo isso,
afinal a resposta é óbvia. Um óbvio, como sei que você não é, perde o precioso
tempo da leitura, da conversa entre amigos, ou de qualquer outro momento de
interação, tentando entender e enquadrar, achar as conclusões, as razões,
motivações, tudo que não está ali explícito e que, convenhamos, não é
importante, mas necessário para o óbvio. Ao invés de estar prestando atenção no
que o amigo lhe diz, o óbvio se perde em pensamentos, tentando entender por que
seu amigo está falando aquilo, onde ele quer chegar, que jogo ele está jogando,
e assim perde a essência, o que realmente está acontecendo ali na sua frente. Durante
a leitura de um texto simples como este, ele se perde pensando no motivo que
levou o dito escritor a escrever, pois obviamente o fez por alguma razão, para
contar algo, para mandar recado, ou algo do tipo, e o óbvio precisa saber da
história inteira. Se ele não sabe, ele cria e você que aceite, pois, a partir
daquele momento, passa a ser uma verdade inquestionável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Você, meu amigo e minha amiga, que não são
óbvios, têm uma delicada tarefa à sua frente: serem mais óbvios e mais
previsíveis. Quanto mais binárias as pessoas forem, mais fácil de entender,
mais fácil de aceitar, rejeitar e resolver. Ache o seu quadrado, aceite-o e
fique nele. Não venha dar uma de moderninho às vezes e não seguir todo o perfil
óbvio que esperam de um moderninho, você será praticamente um falsário, um
mentiroso, mesmo que não o seja. Ou você é esquerda ou direita, e, uma vez que
decidiu seu lado, siga o pre-determinado. Você só tem um signo das doze opções,
e não venha tentar ser um ariano calminho e paciente, nem um leonino humilde e
envergonhado. Não, siga teu manual do início ao fim. Ser eclético não combina
com nada. Defina seu estilo, aceite seu personagem, decore seu papel e não
improvise, pois você poderá derrubar a peça toda e perder seu papel, para
algúem mais óbvio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;Você obviamente sabe por que escrevi isto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/feeds/7293992252415291925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/9074917864734157360/7293992252415291925' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7293992252415291925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9074917864734157360/posts/default/7293992252415291925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritosporescrever.blogspot.com/2013/11/sejamos-obvios.html' title='Sejamos Óbvios'/><author><name>Alexandre Spinelli Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13730161589978883567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaBp9ozd6hhVD6yg9RGnA_c__1lJZ6YKSLI0jJrKJsasFd93beKu7ZNljQMT2DWm-oZsVgpzjEAABKJ7dX3SlVft9FBwaJzn2-V608M8CWykaM7Fzim_4ByHUbMBxfiurISKJuNQxJ6ctZ8MBupCJK8BahHaHOuLrbCuNrq47HuCT4_A/s220/IMG_5075.PNG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>