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	<title>Estrategistas</title>
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	<description>Crescimento pessoal sem enrolação</description>
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	<title>Estrategistas</title>
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		<title>Ciclo OODA: Transformando Desorientação em Estratégia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2020 02:47:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Estratégia]]></category>
		<category><![CDATA[boyd]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Imagina alguém caminhando sobre as águas. Bem, temos uma história famosa, milenar, de alguém que já fez isso, mas não é algo que se vê no dia a dia. Voltando uns 2000 anos no tempo, um feito de impacto parecido foi alcançado por Aníbal. Guerreiro cártago que jurou destruir Roma, invadir na planície italiana com [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Imagina alguém caminhando sobre as águas. Bem, temos uma história famosa, milenar, de alguém que já fez isso, mas não é algo que se vê no dia a dia. </p>



<p>Voltando uns 2000 anos no tempo, um feito de impacto parecido foi alcançado por Aníbal. Guerreiro cártago que jurou destruir Roma, invadir na planície italiana com dezenas de milhares de soldados, cavalaria e elefantes. </p>



<p><strong>Ninguém fazia a menor ideia do <em>como</em></strong>, pois Roma controlava de perto os mares e tinha proibido frotas navais cártagas depois de vencer a Primeira Guerra Púnica.</p>



<p>Ao descobrirem como ele fez isso, as pessoas ficaram ainda mais chocadas. </p>



<p>Aníbal marchou dezenas de milhares de soldados, milhares de cavalos e dezenas de elefantes através das montanhas dos Alpes. Isto era algo considerado impossível, feito reservado apenas aos Deuses (Apenas Hércules tinha &#8220;feito isso&#8221; antes, em seu décimo trabalho mitológico).</p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="887" height="1024" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/Hannibals-Famous-Crossing-of-the-Alps-Heinrich-Leutemann-887x1024.jpg" alt="" class="wp-image-3506" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/Hannibals-Famous-Crossing-of-the-Alps-Heinrich-Leutemann-887x1024.jpg 887w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/Hannibals-Famous-Crossing-of-the-Alps-Heinrich-Leutemann-260x300.jpg 260w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/Hannibals-Famous-Crossing-of-the-Alps-Heinrich-Leutemann-768x886.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/Hannibals-Famous-Crossing-of-the-Alps-Heinrich-Leutemann-434x501.jpg 434w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/Hannibals-Famous-Crossing-of-the-Alps-Heinrich-Leutemann-868x1002.jpg 868w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/Hannibals-Famous-Crossing-of-the-Alps-Heinrich-Leutemann.jpg 1300w" sizes="auto, (max-width: 887px) 100vw, 887px" /><figcaption>Hannibal&#8217;s Famous Crossing of the Alps &#8211; Heinrich Leutemann</figcaption></figure>



<p>Ver alguém andando sobre as águas hoje ou enxergar Aníbal e seus elefantes na planície italiana teria um efeito parecido: &#8220;mas o que diabos está acontecendo?&#8221;</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>Bem, os momentos de grandes choques históricos são propositais &#8211; para nos trazer perpectiva.</p>



<p>Como estamos vivendo durante um período insano, parte do efeito já foi absorvido e podemos subestimar o caos em que estamos imersos.</p>



<p>Em 2020, levamos um susto ao ver gente andando sobre as águas e elefantes impossíveis:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Politizamos a maior crise dos últimos 50 anos, </li><li>O desemprego aumentou mas a Bolsa de Valores segue em alta (?)</li><li>Alguns estados não tem dinheiro para hospitais mas secretários de saúde e até prefeitos são afastados por fraude.</li><li>Instituições perdem o poder diante de nossos olhos, seja com mentiras da Mídia, o fiasco das máscaras da OMS ou Johns Hopkins apoiar aglomerações no meio da Pandemia (se for protesto não transmite vírus?)</li></ul>



<p><strong>E ainda estamos no meio do ano. </strong></p>



<p>Existe tanta coisa acontecendo no mundo exterior que a sensação de desorientação é grande. Questionamentos passam pela cabeça:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>O que isso significa?</li><li>Deveria estar preocupado?</li><li>O que eu deveria estar fazendo?</li><li>É hora de redobrar cuidado ou reabrir economia?</li></ul>



<p>Some-se a isso o isolamento social e a quebra da rotina, então temos uma receita perfeita para o caos. E nada melhor que o maior estrategista da história desde Sun Tzu para nos ajudar a ficar menos perdido. </p>



<p>Vamos conhecer John Boyd e discutir como aplicar sua obra-prima, o Ciclo OODA, para se manter no controle estratégico da vida (em meio ao caos).</p>



<h2 class="wp-block-heading">O Maior Estrategista desde Sun Tzu</h2>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="250" height="349" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/JohnBoyd_Pilot.jpg" alt="" class="wp-image-3501" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/JohnBoyd_Pilot.jpg 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/JohnBoyd_Pilot-215x300.jpg 215w" sizes="auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px" /></figure>



<p>John Boyd é meu tipo favorito de gênio. Piloto de aviões de combate da Força Área Americana no século passado, Boyd é <strong>uma das mentes estrategistas mais subestimadas da história</strong>. Era bom no que fazia, mas não tinha preocupação em formalizar seu trabalho para satisfazer às instituições (especialmente militar, onde estava imerso), focado em fazer acontecer. </p>



<p>Além disso, <strong>incomodava muita gente importante ao falar a verdade</strong>. Uma das passagens favoritas sobre a vida de Boyd que não tem a ver com estratégia é o discurso <strong>Ser ou Fazer</strong>:</p>



<pre class="wp-block-preformatted">"Tigre, um dia você chegará a uma encruzilhada na vida", ele disse. "E você vai ter que tomar uma decisão sobre qual direção você quer ir." Ele levantou a mão e apontou. "Se você for naquela direção, você poderá ser alguém. Você terá que se corromper, e você terá que virar as costas a seus amigos. Mas você será um membro do clube e você será promovido e você receberá boas missões." Então Boyd levantou a outra mão e apontou na outra direção. "Ou você pode ir naquele caminho e você fará algo - algo para seu país e para sua Força Área e para si mesmo. Se você decidir que você quer fazer algo, pode ser que você não seja promovido e você pode não receber boas missões e você certamente não será o favorito de seus superiores. Mas você não terá que se corromper. Você será verdadeiro para seus amigos e consigo. E seu trabalho pode fazer a diferença." Ele pausou e olhou dentro dos olhos e coração de Leopold. "Ser alguém ou fazer algo. Na vida, com frequência chegamos nesse impasse. Aí quando você terá que decidir. Ser ou fazer? Qual caminho você irá seguir?"

<a href="https://amzn.to/32elDnY">Boyd: The Fighter Pilot Who Changed the Art of War</a> </pre>



<p>Boyd escolheu fazer. </p>



<p><strong>Resultado</strong>: quase anonimato, com pouquíssimas pessoas conhecendo seu impacto no Ocidente. Afinal, a história é escrita pelo status quo. Felizmente, existe uma biografia brilhante, &#8220;Boyd: O piloto de combate que mudou a arte da guerra&#8221;, que dá acesso transparente à vida por trás do Ciclo OODA. Alguns destaques:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Um dos melhores de pilotos de caça, tanto contra o inimigo na linha de frente quanto em exercícios simulados contra companheiros</li><li>Destilou o que fazia no combate área em teorias de aviação, para comunicar e ensinar a outros</li><li>Usou as teorias de aviação para dar consultoria ao governo sobre como criar aviões de combate</li><li>Estudou outras grandes ideias da humanidade, como Godel, Heisenberg e Termodinâmica para transformar suas teorias sobre aviação em conceitos estratégicos mais amplos e aplicáveis em diferentes áreas → OODA Loop.</li></ul>



<p><strong>Boyd seguiu a jornada inteira de ponta a ponta</strong>: ser muito bom, ensinar, criar teorias, usar na prática, criar teorias ainda mais amplas e deixar um legado.</p>



<p>E é este legado, representado pelo Ciclo OODA, que vamos usar como ferramenta e modelo mental na batalha contra o Caos da Covid 19 e do ano 2020.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mergulhando de cabeça no ciclo OODA</h2>



<figure class="wp-block-image alignwide"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="680" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/F-16_Fighter_Pilot-1024x680.jpg" alt="" class="wp-image-3504" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/F-16_Fighter_Pilot-1024x680.jpg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/F-16_Fighter_Pilot-300x199.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/F-16_Fighter_Pilot-768x510.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/F-16_Fighter_Pilot-434x288.jpg 434w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/F-16_Fighter_Pilot-868x576.jpg 868w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/F-16_Fighter_Pilot-1736x1152.jpg 1736w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption>Playing the &#8220;enemy,&#8221; F-16 Fighting Falcon &#8220;Aggressors&#8221; fly over the Joint Pacific Alaskan Range looking for opposing forces July 28 during Red Flag-Alaska at Eielson Air Force Base. The exercise is a Pacific Air Forces-directed field training exercise poised at giving aircrews their first 10 flights in combat. The F-16s are assigned to the 18th Aggressor Squadron. (U.S. Air Force photo/Staff Sgt. Christopher Boitz)</figcaption></figure>



<p>Imagine chegar para um General condecorado e convencê-lo de que um projeto de 100 bilhões de dólares não faz o menor sentido. </p>



<p>Bem, este era o tipo de briga que Boyd comprava. </p>



<p>Suas ideias estão majoritariamente espalhadas em algumas dessas apresentações, que ele chamava de <em>briefings</em>.  Conforme Boyd fez várias dessas apresentações argumentativas em ambientes hostis ao longo dos anos, ele foi destilando as ideias e a apresentação, culminando em seus principais trabalhos, como <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.ausairpower.net/JRB/poc.pdf">Patterns of Conflict</a></span> e <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.ausairpower.net/JRB/strategy.pdf">Strategic Game of ? e ?</a></span>.</p>



<p>Para John Boyd, a criação de modelos e formulações veio como consequência de seu trabalho de vida; nunca teve treinamento em metodologia científica ou interesse em seguir carreira na Academia; talvez por isso nunca lhe ocorreu escrever um livro para consolidar seu legado (já falamos por aqui sobre pessoas <span style="text-decoration: underline;">boas em agir mas não em consolidar</span>).</p>



<p>Pois bem, você já deve ter encontrado algum desses frameworks de pensamento ao longo da vida, como Ciclo PDCA, Método Científico, Diamante duplo, etc. </p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://www.siteware.com.br/wp-content/uploads/2019/04/como-fazer-PDCA-passo-a-passo-1-1024x536.jpg" alt="" width="691" height="359"/></figure></div>



<p>Todos seguem uma lógica parecida: coletar informações, tomar alguma ação e observar os resultados, com algumas variações.</p>



<p>Para fins de comparação, este é o Ciclo OODA, extraído diretamente de um briefing de Boyd chamado <a href="http://pogoarchives.org/m/dni/john_boyd_compendium/essence_of_winning_losing.pdf">The Essence of Winning and Losing</a><span style="text-decoration: underline;">:</span></p>



<figure class="wp-block-image alignfull"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="419" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/OODA-Loop-1024x419.png" alt="" class="wp-image-3502" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/OODA-Loop-1024x419.png 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/OODA-Loop-300x123.png 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/OODA-Loop-768x314.png 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/OODA-Loop-434x178.png 434w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/OODA-Loop-868x355.png 868w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/OODA-Loop-1736x710.png 1736w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/OODA-Loop.png 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p><strong>O</strong>bservar → <strong>O</strong>rientar → <strong>D</strong>ecidir → <strong>A</strong>gir → <strong>O</strong>bservar …</p>



<p>Há muito detalhe aqui (e <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://amzn.to/303kuwL">livros inteiros</a></span> a respeito), então vamos fazer uma análise comparativa rápida e focar na fase de Orientação, pois é etapa mais importante segundo Boyd &#8211; as demais são auto explicativas. </p>



<p>Há 2 aspectos que vale discutirmos a fundo: Foco em Orientação + Manipulando a Realidade.</p>



<h3 class="wp-block-heading">1. Orientação: A Grande Inovação do Ciclo OODA</h3>



<p>Em outros frameworks, Orientação é uma fase ausente de modo explícito e não costuma ser o foco das discussões: no método científico e na ferramenta de Gestão PDCA, há ênfase, respectivamente, em Ação e Planejamento. Este foi <strong>um dos primeiros grandes insights de Boyd</strong>: duas pessoas podem estar observando a mesma informação mas &#8220;processando&#8221; realidades diferentes. </p>



<pre class="wp-block-preformatted">(Às vezes, a mesma pessoa pode enxergar a realidade de modo diferente mudando apenas o foco. Dúvida? <span style="text-decoration: underline;">Faça o teste simples nesse texto</span>)</pre>



<p>Inclusive, este conhecimento deve ter vindo diretamente de sua experiência com combate aéreo, quando dois pilotos tinha acesso às mesmas informações (posição e velocidade dos aviões), mas processavam de maneira diferente, fazendo com que as ações de um deles levasse à vitória. </p>



<p><strong>Como?</strong> </p>



<p>Em termos práticos, imagine uma disputa área &#8211; vence o piloto que consegui alcançar a posição &#8220;6 horas&#8221; em relação ao outro, ou seja, ficar diretamente atrás, com o alvo em mira. </p>



<p>Boyd usava seu conhecimento profundo sobre o funcionamento da aeronave (potência e capacidade de manobra) que ele já possuía de modo quase intuitivo para fazer <strong>mudanças de curso que pareciam impensáveis para o outro piloto</strong>. Em outras ocasiões, a manobra inicial não fazia sentido, porque a manobra seguinte, uma dessas &#8220;impossíveis&#8221;, iria colocar Boyd a seguir na posição perfeita para atirar.  </p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/fighter-pilot.gif" alt="" class="wp-image-3503" width="549" height="309"/></figure></div>



<p>Enquanto a maioria das pessoas imaginava que as batalhas se resolviam sendo o mais rápido, Boyd buscava <strong>confundir o oponente</strong> com manobras &#8220;impossíveis&#8221;.  Esta é a chave teórica que Boyd descobriu com disputas áreas que conecta com nossa realidade atual:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Ao deixar o oponente confuso, você interfere com a capacidade dele se orientar na nova realidade, quebrando a execução dos Ciclos OODA.</p></blockquote>



<p>Se o oponente não entende o que está acontecendo, fica preso na etapa de &#8220;Orientação&#8221;: Boyd chamava isso de <strong>entrar no ciclo OODA do adversário</strong>: significa executar mais ciclos OODA do que outro no mesmo espaço de tempo, ocasionando ações mais efetivas e por isso a vitória. </p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="954" height="259" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/Ciclo-OODA-no-Tempo.jpg" alt="" class="wp-image-3507" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/Ciclo-OODA-no-Tempo.jpg 954w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/Ciclo-OODA-no-Tempo-300x81.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/Ciclo-OODA-no-Tempo-768x209.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/Ciclo-OODA-no-Tempo-434x118.jpg 434w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2020/07/Ciclo-OODA-no-Tempo-868x236.jpg 868w" sizes="auto, (max-width: 954px) 100vw, 954px" /><figcaption>A Pessoa 2 executou dois Ciclos OODA na mesma janela de tempo em que o adversário apenas executou 1. </figcaption></figure>



<ul class="wp-block-list"><li>Quem gera mais ciclos vai efetivamente estar criando oportunidades de ação que a outra pessoa não conseguem nem &#8220;enxergar&#8221;</li><li><strong>Quem gera mais ciclos muda a realidade </strong>antes mesmo da outra pessoa entender o que está acontecendo, <strong>gerando confusão no adversário</strong>, enquanto se caminha para ações vitoriosas.</li></ul>



<p>Naturalmente, aqui a aplicação se trata de uma situação de combate, porém como vimos na biografia de Boyd, a ferramenta OODA se aplica a varios campos da vida. Em outros contextos, pode ser sua empresa vs um competidor, ou mesmo você batalhando na vida.</p>



<h3 class="wp-block-heading">2. Manipulando a Realidade: Como enxergar o que ninguém vê</h3>



<p>Dentro da seção de Orientação, há 5 fatores no esquema de estrela que influenciam nossa percepção da realidade: </p>



<ul class="wp-block-list"><li>Tradições Culturais</li><li>Experiências prévias</li><li>Novas informações</li><li>Herança genética</li><li>Análise e Síntese</li></ul>



<p><strong>Herança Genética</strong> e <strong>Tradições Culturais</strong> são fatores mais ou menos inalteráveis. <strong>Novas informações</strong> e <strong>Experiências Prévias</strong> são fatores táticos, ou seja, servem para atividades específicas (experiência como piloto, como lutador, etc) e não são úteis para a vida no geral.</p>



<p>O que nos resta: <strong>Análise e Síntese</strong>. O que exatamente significam?</p>



<p>Se o objetivo da Orientação é criar uma visão mais clara da realidade, você tem dois caminhos:</p>



<p><strong>Síntese</strong> (micro -&gt; macro)</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Começar de partes pequenas (princípios), juntando cada pedaço até formar o todo.</li><li>Pensamento <strong>indutivo</strong>, também famosamente conhecido como &#8220;pensar a partir de primeiros princípios&#8221;. </li><li>Ex: Antes de fundar a SpaceX, Elon Musk estava interessado em comprar um foguete. Viajou para Rússia, referência na área, mas ficou chocado com o preço: 8 M de dólares. No vôo de volta, com seu parceiro consultor da NASA, ele estimou que os metais de cada peça necessária para montar um foguete custariam menos de 1M de dólares (micro-&gt; macro). E então decidiu que era melhor descobrir como construir eles mesmos.</li></ul>



<p><strong>Análise </strong>(macro -&gt; micro)</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Começar do todo e quebrar em partes que você entenda / consiga manipular &#8211; aqui entra o uso dos famosos modelos mentais.</li><li>Pensamento dedutivo</li><li>Ex: Ao encontrar uma nova situação complicada, busco sempre dividir o contexto usando o princípio de Pareto: qual é o menor número de fatores que vai gerar o máximo de resultados? Pode ser resolver o problema dos clientes que mais reclamam no caso de um negócio ou aprender as palavras mais usadas primeiro na hora de estudar outra língua.</li></ul>



<p>Na hora de realizar <strong>Orientação</strong>, sem dúvida, se você usar as alavancas de análise e síntese chegará a um entendimento diferente da realidade comparado a quem não usa essas ferramentas. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A melhor parte disso tudo é que elas são universalmente úteis, ou seja, você aprende uma vez e usa várias vezes ao longo da vida, servindo em diversos contextos, desde profissionais até interpessoais.</p></blockquote>



<p>Você enxergará o que outras pessoas não veem quando apresentado com as mesmas informações, dando poder para tomar ações mais efetivas.</p>



<p><strong>Análise + Síntese: Destruição Criativa</strong></p>



<figure class="wp-block-image alignwide"><img decoding="async" src="https://cdp.azureedge.net/products/USA/YA/2020/SNOWMOB/SNOWTRL/SIDEWINDER_SRX_LE/50/MIDNIGHT_BLACK_-_LIQUID_SILVER/2000000009.jpg" alt=""/></figure>



<p>O aspecto flexível da fase de orientação é o combo Análise e Síntese, que culminavam em conjunto no que Boyd chamava de Destruição Criativa. Ele nos deixou o seguinte experimento mental para exemplificar o tema. </p>



<p>Imagine 3 cenas: (1) um barco rebocando um esquiador, (2) um tanque no deserto  e (3) uma bicicleta na estrada. </p>



<p><strong>A fase de análise</strong> seria quebrar cada cena em pedaços funcionais (modelos mentais úteis), como carcaça, motor, skis (cena 1), motor, armas, corrente (cena 2), quadro, rodas (cena 3). </p>



<p>A <strong>fase de síntese</strong> seria montarmos um moto de neve, com motor do barco, skis do esquiador e corrente do tanque.</p>



<p>Quebrar o problema (análise -&gt; modelos mentais) e montar os componentes de um jeito útil (síntese -&gt; pensar por si mesmo para resolver o desafio em questão).</p>



<h2 class="wp-block-heading">Por que nos sentimos perdidos?</h2>



<p>Outro aspecto brilhante do trabalho do Boyd, ainda que não completamente inovador, é a ênfase na dimensão psicológica, não apenas f´ísicas, do combate. Boyd entendia profundamente que um inimigo confuso era uma presa fácil e agora temos um embasamento teórico para entender isso.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Incentivos e buraco negro de atenção</strong></h3>



<p>Não existe um inimigo no sentido militar lá fora querendo te pegar, mas a vida se tornou mais hostil em 2020. </p>



<p>Basta olhar para <strong>o melhor cenário possível</strong>: seu emprego transicionou para Home Office, você nem familiares foram infectados e você não trabalha na linha de frente. Ao olhar de modo &#8220;grosseiro&#8221; para o tempo dessa pessoa, poderia ser algo assim:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>10h de trabalho</li><li>2h de redes sociais</li><li>1h de consumo de notícias</li><li>2h para o dia a dia (compras, discussão, passeio com cachorro, etc)</li><li> 9h de sono + físico (banho, alimentação)</li></ul>



<p>Para um adulto mediano, 100% de seu tempo acordado foi impactado pela pandemia de 2020.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O trabalho foi impactado</strong> &#8211; a começar, no nosso exemplo, a pessoa está trabalhando de casa (o que, por si só, já muda a rotina).</li><li><strong>Redes sociais operam com base em engajamento</strong>, então o incentivo é apresentar o conteúdo mais chocante</li><li><strong>Notícias e Jornais também giram em torno de atenção </strong>&#8211; em especial, mostrar uma coisa chocante que você não vai ver fácil em outro lugar. Ex: a expansão do vírus em uma cidadezinha remota do Amapá.</li><li> <strong>Atividades do dia a dia foram proibidas</strong> ou são regidas por máscaras e álcool.</li></ul>



<p>Além da pandemia, ainda tem o Circo Político e todos seus desdobramentos. </p>



<p>Mesmo se você já não tinha o costume de acompanhar as notícias, a pandemia se tornou onipresente. No trabalho, no instagram, nos supermercados &#8211; tudo é Covid-19.</p>



<p>Todavia, <strong>aqui está o pulo do gato</strong>: com exceção das diretriz governamentais sobre como se portar (o que abre, quais são as regras), o que consumimos não nos ajuda em nada. É informação sem utilidade prática nunca ou pelo menos não no curto prazo. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>De que adianta você saber como está a taxa de ocupação de UTIs em um estado distante ou qual governador desviou da saúde? Como essas informações podem ajudar no seu dia a dia?</p></blockquote>



<h3 class="wp-block-heading">OO sem DA</h3>



<p><strong>1. </strong>Quando você não entende o que está acontecendo, ou seja, fica preso na fase &#8220;Orientação&#8221;, automaticamente assume uma posição passiva diante da realidade. Afinal de contas, as coisas estão acontecendo a sua volta, e você não conseguem nem formular ideias para agir.</p>



<p>Você segue <strong>O</strong>bservar -&gt; <strong>O</strong>rientar -&gt; <strong>O</strong>bservar -&gt; <strong>O</strong>rientar -&gt; &#8230; tentando absorver o que está acontecendo para montar um plano de ação mas sem nunca conseguir. Seu ciclo OODA não está lento, está <em>parado</em>.</p>



<p><strong>2. </strong>Ao não acreditar ser possível impactar a realidade (por não entender o que está acontecendo), nossa psicologia pode transicionar para um estado de <a href="http://estrategistas.com/mudar-de-vida-crescimento/">desamparo aprendido</a>.</p>



<pre class="wp-block-preformatted">O comum é acreditar que, se estamos em uma situação ruim, faremos o possível para sair dela. Mas, na realidade, se você não se sente no controle de seu destino, a tendência é desistir e aceitar qualquer situação em que você se encontra. Há inclusive alguns estudos bem elaborados a respeito.  </pre>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2014/11/desamparo-adquirido.gif" alt="" class="wp-image-2491" width="552" height="317"/><figcaption>Você pode <a href="http://estrategistas.com/mudar-de-vida-crescimento/">ler mais sobre aqui</a>.</figcaption></figure></div>



<pre class="wp-block-preformatted">Em um deles, colocaram um cachorro acostumado a estar em uma caixa cujo chão dava choques ocasionais em um ambiente diferente, no qual ele tinha uma janela por onde escapar quando o choque ocorresse. Mas ele nunca escapava, apenas se encolhia esperando o sofrimento. Já quando eles colocaram um cachorro que nunca tinha levado choque no mesmo ambiente, no primeiro sinal de sofrimento ele aproveitou para pular fora.</pre>



<p>Não importa o tamanho da sua vantagem ou o quão confortável você esteja, uma vez que a confusão chegue e a sensação de estar perdido apareça, a guerra estará perdida.</p>



<h2 class="wp-block-heading">OODA no dia a dia &#8211; navegando o caos</h2>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>De onde vem a desorientação?</strong></h4>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Período muito denso de novas informações</strong><ul><li>Vivemos uma das maiores mudanças de paradigma de nossas vidas</li><li>Estamos isolados, com rotina bagunçada, bombardeados de estímulos sem utilidade.</li></ul></li><li><strong> Ciclos OODAs incompletos.  </strong><ul><li>Investimos muita energia em entender o que está acontecendo</li><li>Orientar sem Decidir-Agir é receita para desastre, pois o Ciclo fica incompleto e você sem feedback da realidade.</li></ul></li></ul>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Como se sentir menos perdido?</strong></h4>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Reduzir o raio de influência</strong><ul><li> O que excesso de &#8220;informação&#8221; causou, desnecessariamente, em muita gente: ansiedade.</li><li>Não existe valor em &#8220;estar informado&#8221;: existe MUITO valor em saber apenas tudo que vai lhe ajudar a atingir seu novo objetivo.</li></ul></li><li><strong>Eliminar super-estímulos</strong><ul><li>Notícias são uma indústria movidas por atenção &#8211; sempre vai existir algo ruim para reportar. Sugestão: limitar-se às diretrizes oficiais da cidade.</li><li>Fazer curadoria das redes sociais é um bom caminho. As plataformas promovem conteúdos engajantes, ou seja, aqueles que apelam para o lado emotivo ou racional extremista.</li></ul></li><li><strong>Fazer as coisas por um motivo </strong><ul><li>Ser preciso é fundamental em períodos de crise: revisite todos os projetos em execução e conteúdos que consome: &#8220;Por que estou fazendo isso? Ainda faz sentido?&#8221;. Dois motivos:</li></ul><ul><li>1. É importante não estar atolado de atividades, pois crises irão acontecer e você precisa ter espaço livre para gerenciá-las.</li><li>2. O mundo mudou &#8211; pode ser que a razão que levou você a engajar em determinados projetos não faça mais sentido.</li></ul></li></ul>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Reassumindo o controle estratégico</strong></h4>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Reforçar a Orientação</strong><ul><li>Pensar por si mesmo: usar a alavanca de síntese para compor seu entendimento do mundo. Não existe tempo suficiente para examinarmos tudo na vida por conta própria, mas se um tema é muito essencial para você (nutrição, exercícios físicos, algum nicho profissional), mergulhe FUNDO e tire suas próprias conclusões.</li><li>Aprender (e aplicar) ideias universalmente úteis: Aqui entra a prática de estudar várias disciplinas, coletar e pôr em uso modelos mentais mais úteis.</li></ul></li><li><strong>Decisão + Ação</strong><ul><li>Completar menos ciclos (foco) mais específicos. </li></ul><ul><li>Auto-Provocação: O que aprendi nos últimos 15 dias?</li></ul><ul><li> Teste: estou agindo nos temas mais importantes para mim? </li></ul></li></ul>
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		<title>Disciplina não existe no vácuo (Ou: Como lido com o fantasma da preguiça)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jul 2019 21:41:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desenvolvimento Pessoal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ter disciplina é um fator importante para qualquer tipo de sucesso importante e um desafio para todos. Como ser mais disciplinado sem precisar estar "se forçando" a fazer as atividades? Quais são os fatores relacionados a disciplina que conseguimos influenciar para deixar a missão mais acessível?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Como se estimular a realizar tarefas dolorosas no curto prazo, mas que trarão frutos no longo prazo?</strong> Disciplina é basicamente isso. Quando decidimos fazer qualquer coisa na vida, seja entrar em forma, aprender outra língua ou poupar dinheiro, um dos primeiros obstáculos que as pessoas relatam é que “não têm disciplina para isso”. Em contrapartida, ao observar pessoas bem sucedidas, sempre surge uma admiração, seguida pela aspiração “gostaria de ter a mesma disciplina”.</p>
<p>Nas últimas semanas, tenho pensado bastante sobre disciplina e como fazer as coisas acontecerem, principalmente porque <strong>tenho lidado com preguiça</strong>. É, isso que você ouviu, eu também tenho preguiça de botar a roupa e ir para academia, ou acordar mais cedo para escrever. Não existe uma espécie diferente de seres humanos que criam as coisas que gostamos ou realiza feitos que admiramos: todos lidam com males parecidos (alguns buscam meios de contorná-los).</p>
<p>Eu me coloquei a analisar: o que havia de diferente nos períodos mais disciplinados da minha vida?</p>
<h2>Fator #1 Energia</h2>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-3487 alignnone" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/07/Diogene-por-Jules-Bastien-Lepage-1024x820.jpg" alt="" width="700" height="561" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/07/Diogene-por-Jules-Bastien-Lepage-1024x820.jpg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/07/Diogene-por-Jules-Bastien-Lepage-300x240.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/07/Diogene-por-Jules-Bastien-Lepage-768x615.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/07/Diogene-por-Jules-Bastien-Lepage-434x348.jpg 434w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/07/Diogene-por-Jules-Bastien-Lepage-868x695.jpg 868w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/07/Diogene-por-Jules-Bastien-Lepage-1736x1391.jpg 1736w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/07/Diogene-por-Jules-Bastien-Lepage.jpg 1800w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Ter disposição para de fato realizar as coisas é essencial para disciplina. Se você não tem energia para sair da cama, nenhuma força de vontade no mundo vai te ajudar. Para simplificar, você pode imaginar energia como a interseção de alimentação, exercícios físicos e saúde hormonal.</p>
<p><strong>1. Alimentação.</strong> Simplesmente leia Deep Nutrition<strong>. </strong>É o melhor livro que encontrei sobre o assunto; explica claramente os problemas com o senso comum atual sobre alimentação, com os milhares de “estudos” errados que só confundem a população e propõe uma forma sana de se alimentar (cujos benefícios comprovei na prática).</p>
<p><strong>2. Exercícios físicos.</strong> Não tem mistério: para quem está parado, praticamente qualquer tipo de movimentação com frequência (caminhar, correr, brincar com cachorro no parque, fazer polichinelo na sala de estar) vai melhorar seu bem-estar. Para quem já se movimenta um pouco, adicione atividades que promovem criação de músculos (academia, levantamento de peso, <em>crossfit</em>, etc), pois para além do interesse de “ratos de academia”, proporção de massa magra é um dos melhores indicadores de saúde, bem-estar e envelhecimento tranquilo.</p>
<p><strong>3. Equilíbrio hormonal.</strong> Um fator subestimado quando se pensa sobre saúde e bem-estar. Nos últimos anos, tem se descoberto cada vez mais papeis importantes realizados pelo sutil balanço hormonal, embora raramente profissionais de saúde consideram como fator de análise. Uma sugestão simples é, junto a seu médico, olhar o perfil de micronutrientes (vitaminas, sais, etc) no exame de sangue, para garantir que não haja nenhum desbalanço (que são facilmente corrigidos com suplementos vitamínicos específicos).</p>
<h2>Fator #2: Plano de Ação</h2>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-3397" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Valentin_de_Boulogne_-_Saint_Paul_Writing_His_Epistles_-_BF.1991.4_-_Museum_of_Fine_Arts-1024x753.jpg" alt="" width="700" height="515" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Valentin_de_Boulogne_-_Saint_Paul_Writing_His_Epistles_-_BF.1991.4_-_Museum_of_Fine_Arts.jpg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Valentin_de_Boulogne_-_Saint_Paul_Writing_His_Epistles_-_BF.1991.4_-_Museum_of_Fine_Arts-300x221.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Valentin_de_Boulogne_-_Saint_Paul_Writing_His_Epistles_-_BF.1991.4_-_Museum_of_Fine_Arts-768x565.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Valentin_de_Boulogne_-_Saint_Paul_Writing_His_Epistles_-_BF.1991.4_-_Museum_of_Fine_Arts-860x632.jpg 860w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Valentin_de_Boulogne_-_Saint_Paul_Writing_His_Epistles_-_BF.1991.4_-_Museum_of_Fine_Arts-680x500.jpg 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Valentin_de_Boulogne_-_Saint_Paul_Writing_His_Epistles_-_BF.1991.4_-_Museum_of_Fine_Arts-500x368.jpg 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Valentin_de_Boulogne_-_Saint_Paul_Writing_His_Epistles_-_BF.1991.4_-_Museum_of_Fine_Arts-400x294.jpg 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Valentin_de_Boulogne_-_Saint_Paul_Writing_His_Epistles_-_BF.1991.4_-_Museum_of_Fine_Arts-250x184.jpg 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Valentin_de_Boulogne_-_Saint_Paul_Writing_His_Epistles_-_BF.1991.4_-_Museum_of_Fine_Arts-200x147.jpg 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Valentin_de_Boulogne_-_Saint_Paul_Writing_His_Epistles_-_BF.1991.4_-_Museum_of_Fine_Arts-100x74.jpg 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Valentin_de_Boulogne_-_Saint_Paul_Writing_His_Epistles_-_BF.1991.4_-_Museum_of_Fine_Arts-76x56.jpg 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Valentin_de_Boulogne_-_Saint_Paul_Writing_His_Epistles_-_BF.1991.4_-_Museum_of_Fine_Arts-50x37.jpg 50w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Se você não acredita naquilo que está fazendo, não faz sentido se movimentar. E o melhor jeito de acreditar é ter evidência que suas atividades de hoje estão conectadas a um resultado futuro desejado – para tanto, um plano é essencial. Veja exercícios físicos, por exemplo. Se você não pesquisou uma metodologia decente e não tem contexto sobre o impacto daqueles movimentos, academia se resume a &#8220;ir num lugar fechado, levantar um monte de peso diferente e voltar para casa&#8221;.</p>
<p>Sem contexto de um plano que traga os resultados que você deseja, a atividade perde o sentido. Sem sentido, é ainda mais difícil se convencer a ir para academia depois de um dia exaustivo ou acordar 1h30 antes do normal para conseguir malhar.</p>
<p>Não me entenda mal; não é uma questão de que você precisa de um plano perfeito para começar. Longe disso, caso contrário você cai na armadilha do extremo oposto: perfeito na teoria mas sem sair do papel. O ponto aqui é que seu plano pode até ser simples, como &#8220;15 min esteira + 4 exercícios diferentes por treino, revezando os músculos, durante os primeiros 15 dias para se adaptar&#8221;. Todavia, é essencial ter um plano claro.</p>
<h2>Fator #3: Feedbacks</h2>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3488" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/07/Metamorphosis-I-por-Escher-1937.jpg" alt="" width="680" height="147" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/07/Metamorphosis-I-por-Escher-1937.jpg 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/07/Metamorphosis-I-por-Escher-1937-300x65.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/07/Metamorphosis-I-por-Escher-1937-434x94.jpg 434w" sizes="auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px" /></p>
<p>Olhando para trás, me questionei como eu mantive uma rotina de alimentação de alto nível, jejuns regulares, boxe 2x, jiu-jitsu e academia 3x por semana?</p>
<p>A realidade era a seguinte:</p>
<p>Comer bem -&gt; Me sentia bem -&gt; Tinha disposição para ir malhar -&gt; Consistência nos exercício moldava meu corpo do jeito que eu queria -&gt; me sentia bem -&gt; Tinha disposição para ir ao jiu-jitsu -&gt; Via progresso nos treinos -&gt; me sentia bem -&gt; tinha disposição para ir malhar&#8230;</p>
<p><strong>O resultado positivo de uma atividade me deixava estimulado a investir a disciplina para conseguir avançar em outras frentes</strong>. Mesmo olhando só para academia, é muito difícil manter o hábito recorrente sem ver algum tipo de resultado. O que motiva a continuar é observar como você se sente bem quando treina e como finalmente seu plano (Fator #2) está dando resultados – <strong>surge um ciclo virtuoso de crescimento</strong>.</p>
<p>Assim, sempre que quiser replicar resultados em uma atividade, a pergunta a se fazer é: qual é o ciclo mais curto de plano -&gt; esforço -&gt; resultado que consigo aplicar para começar movendo o sistema?</p>
<h2>Mão na massa</h2>
<p>Disciplina não se trata de se forçar a fazer uma atividade o tempo todo. Sem dúvida você irá lutar com a preguiça, mas ter energia, um bom plano e aproveitar os feedbacks positivos vai facilitar a vida com o ciclo de crescimento.</p>
<p>Em que atividade você tem &#8220;derrapado&#8221; e como vai fazer diferente de hoje em diante?</p>
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		<title>Fazendo Acontecer: A Diferença Entre o Mundo dos Livros e a Vida Real</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Jun 2019 21:20:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Outro dia eu saí de um grupo do WhatsApp - talvez o grupo com colegas mais antigos, que conheço há uns 10 anos, da época da faculdade. Por que me afastar de pessoas que conheço há tanto tempo? O novo livro de Nassim Taleb traz uma pista: é preciso arriscar a própria pele naquilo que você acredita.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia eu saí de um grupo do WhatsApp &#8211; talvez o grupo com colegas mais antigos, que conheço há uns 10 anos, da época da faculdade.</p>
<p>O conteúdo costumava entreter &#8211; sempre existia uma discussão interessante sobre um tema do momento &#8211; de reforma da previdência a política exterior. Este costumava ser o tipo de grupo que me mantinha entretido nas janelas de tédio ao longo do dia.</p>
<p>Por que me afastar de pessoas que conheço há tanto tempo? O que me tirou de lá, exatamente?</p>
<h2>Colocando o C* na reta</h2>
<p>Um fato curioso sobre humanos é que as pessoas raramente sabem o que querem. Se perguntamos o que elas gostariam, normalmente a resposta vem “poluída”, porque no mundo imaginário, ela também é uma pessoa imaginária, então as preferências serão um pouco diferentes do que a pessoa real.</p>
<p>Como se alguém te perguntasse se você gostaria de pagar alguém para ficar do teu lado te motivando e garantido que você siga um plano (de trabalho), praticamente ninguém iria querer pagar por isso. Mas observa o tamanho do mercado dos personal trainers.</p>
<p>Empreendedores já sabem disso. Raramente boas empresas saem do chão fazendo perguntas a potenciais clientes “se eles pagariam por X” &#8211; o melhor jeito de validar a resposta é colocando um formulário de pagamento e observando se as pessoas pagam.</p>
<p>Assim, <strong>as crenças que importam sobre o mundo só existem se forem tangibilizadas por algum mecanismo de investimento pessoal</strong> &#8211; no exemplo acima, “tirar dinheiro do bolso” foi o mecanismo. Outra forma de investimento pode ser o tempo dedicado a alguma iniciativa conectada a uma crença importante &#8211; é isso que o Taleb chama de ter <a href="https://amzn.to/2XBJegx">Pele no Jogo</a>.</p>
<p><a href="https://amzn.to/2XBJegx"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-3440 size-full" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Arriscando-a-Própria-Pele-Taleb.jpg" alt="" width="348" height="500" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Arriscando-a-Própria-Pele-Taleb.jpg 348w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Arriscando-a-Própria-Pele-Taleb-209x300.jpg 209w" sizes="auto, (max-width: 348px) 100vw, 348px" /></a></p>
<p>Quanto maior seu investimento pessoal (de tempo, dinheiro e recursos) em alguma crença, mais ela demonstra ser importante para você. No limite, o maior investimento que você pode fazer é arriscar sua vida por alguma coisa &#8211; como no exemplo de bombeiros que arriscam a vida para realizar resgates, por acreditar tanto na missão de salvar outras pessoas.</p>
<p>Taleb caracteriza as pessoas em alguns grupos*:</p>
<ul>
<li><strong>Quem se arrisca com a vida dos outros a fim de colher ganhos para si.</strong> Este é o pior tipo de ser humano que existe, o que mais causa mal para a sociedade independente de ter boas intenções ou não. Um exemplo: executivos de grandes bancos que receberam bonus milionários depois da crise de 2008 enquanto os bancos eram recuperados pelo Governo (usando dinheiro do contribuinte) por ter falido graças às más decisões de tais executivos.</li>
<li><strong>Quem corre riscos pessoais a fim de colher ganhos pessoais.</strong> Um exemplo desse grupo são os empreendedores &#8211; correm riscos, investem tempo/energia de vida para criar algo concreto que vai empregar pessoas e entregar valor para a sociedade.</li>
<li><strong>Quem corre riscos pessoais a fim de colher ganhos para o coletivo.</strong> Aqui é o que Taleb chama de ter “alma no jogo” &#8211; quem sacrifica a própria vida pelo bem do coletivo, como é o caso de bombeiros na linha de frente e bons policiais.</li>
</ul>
<p>Com essas lentes, fica claro que nem todas as crenças são iguais. Quanto mais você investe em algo que acredita, mais real é sua crença.</p>
<p>Ser virtuoso não está limitado aos empreendedores ou bombeiros, claro. No dia a dia, qualquer pequeno sacrifício que você faz por aquilo em que você acredita conta. Por exemplo, se recusar a fazer fila dupla no trânsito para sair mais rápido do engarrafamento, mesmo vendo outras pessoas fazendo aquilo e você sabendo que não seria pego pelo guarda de trânsito. Você está sacrificando o conforto pela sua crença de fazer o que é certo &#8211; seu conforto é o que faz sua crença real, e não o fato de ter alguém para punir.</p>
<p>Uma coisa é você debater uma questão complexa na internet e achar que a reforma da previdência deveria ser assim ou assado; legal, você gastou alguns minutos jogando fatos que colheu na internet para lá e para cá. Mas que valor seu achismo numa questão complexa, em que você tem zero influência, se compara com as pessoas que acreditam na missão dos bombeiros e arriscam a própria vida para salvar outras pessoas?</p>
<p>Para usar exemplos menos extremos, voltemos ao mecanismo apresentado por Taleb &#8211; as coisas (crenças, desejos, sonhos) só são reais concretas, se existe algum investimento pessoal naquilo. Uma coisa é você discutir na internet para provar que está certo sobre a importância do aspecto X para a reforma da previdência. Outra coisa é outra pessoa investir dezenas de horas, sacrificando os finais de semana por 2 meses, até conseguir colocar um site no ar que explique o aspecto X de um jeito ultra-didático, com infográficos, entrevistas, referências, etc. a fim de convencer o máximo de pessoas possível &#8211; afinal de contas, aquela questão é tão obviamente importante que vale a pena o sacrifício pessoal para convencer mais gente.</p>
<h2>Só damos valor quando suamos para conseguir</h2>
<p><figure id="attachment_3436" aria-describedby="caption-attachment-3436" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-3436 size-full" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Os-cenários-da-vida-Caspar-David_Friedrich-1834.jpg" alt="" width="2048" height="1585" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Os-cenários-da-vida-Caspar-David_Friedrich-1834.jpg 2048w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Os-cenários-da-vida-Caspar-David_Friedrich-1834-300x232.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Os-cenários-da-vida-Caspar-David_Friedrich-1834-768x594.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Os-cenários-da-vida-Caspar-David_Friedrich-1834-1024x793.jpg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Os-cenários-da-vida-Caspar-David_Friedrich-1834-434x336.jpg 434w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Os-cenários-da-vida-Caspar-David_Friedrich-1834-868x672.jpg 868w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Os-cenários-da-vida-Caspar-David_Friedrich-1834-1736x1344.jpg 1736w" sizes="auto, (max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /><figcaption id="caption-attachment-3436" class="wp-caption-text">Os cenários da vida &#8211; Caspar David_Friedrich (1834)</figcaption></figure></p>
<p>Todos nós já sabemos disso, Taleb não reinventou a roda. Afinal de contas, quantas vezes já não nos pegamos comentando como alguém é &#8220;filhinho de papai” que sempre ganhou tudo muito facilmente e por isso não valoriza o que tem?</p>
<p>Intuitivamente, já sabemos que as coisas são só reais quando estamos investidos pessoalmente para consegui-la. Nesse sentido, experiências em Realidade Virtual não irão substituir viver o momento. Pular de bungee jump só é algo excitante porque existe o risco, ainda que remoto, que algo dê errado e você morra &#8211; é o fato de você estar arriscando sua vida para viver a experiência que a torna real, vibrante… os riscos que você corre é o que torna a experiência… viva.</p>
<p>Viver, é, portanto, correr riscos.</p>
<h2>Porrada, prazer e &#8220;faça o que faço&#8221;</h2>
<p><figure id="attachment_3435" aria-describedby="caption-attachment-3435" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-3435 size-full" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Hércules-y-e-Cancerberopor-Zurbarán.jpg" alt="" width="2048" height="1780" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Hércules-y-e-Cancerberopor-Zurbarán.jpg 2048w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Hércules-y-e-Cancerberopor-Zurbarán-300x261.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Hércules-y-e-Cancerberopor-Zurbarán-768x668.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Hércules-y-e-Cancerberopor-Zurbarán-1024x890.jpg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Hércules-y-e-Cancerberopor-Zurbarán-434x377.jpg 434w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Hércules-y-e-Cancerberopor-Zurbarán-868x754.jpg 868w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/06/Hércules-y-e-Cancerberopor-Zurbarán-1736x1509.jpg 1736w" sizes="auto, (max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /><figcaption id="caption-attachment-3435" class="wp-caption-text">Hércules y e Cancerbero,por Zurbarán</figcaption></figure></p>
<p>Eu gostaria de dizer que saí do grupo de discussão no WhatsApp vindo de um viés de produtividade: “vou usar aquele tempo de modo mais adequado”.</p>
<p>Não foi bem assim. Basicamente eu saí porque estava frustrado como algumas pessoas conseguem argumentar ideias que são muito bonitas na teoria mas não funcionariam na prática de jeito algum. Estava ficando revoltado como pessoas aparentemente tão inteligentes não conseguiam entender.</p>
<p>Ao olhar para a vida dessas pessoas, notei que discutiam de um viés cartesiano, esperando a “resposta certa” na teoria; nunca tinham investido uma gota de sacrifício pessoal no que acreditavam. O prazer era discutir mesmo e se achar dono da resposta “certa”. O que me pôs numa autoanálise: em que áreas da vida eu estou me comportando assim? Estou investindo tempo/energia de modo proporcional àqueles temas que considero importantes?</p>
<p>O engajamento de discutir sobre temas atuais não era real. Por mais que parecesse real, que trocássemos links de estudos e referências, não real de verdade &#8211; ninguém estava investindo energia para criar aquele mundo. Estávamos (eu incluso) contente em discutir e ganhar a dopamina vinda do combate, de mostrar que o outro está errado.</p>
<p>O que decidi fazer?</p>
<ul>
<li>Saí do grupo. São pessoas que conheço há muito tempo e estar no grupo me fazia sentir mais próximo, mas se aquilo não tinha um saldo positivo para a vida, foi o sacrifício necessário.</li>
<li>Mergulhei de cabeça no jiu-jitsu, para receber a dopamina vinda de conflitos reais, onde corro riscos para buscar a vitória.</li>
<li>Revisei tudo o que achava mais importante e estou a dedicar energia real para tornar tais projetos realidade.</li>
</ul>
<p>Falar é fácil e qualquer um consegue.</p>
<p><strong>Se é tão importante, por que não agir e tornar realidade?</strong></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Filosofia Vivida: Condensando 500 Livros e 5 Mil Anos em 7 Mantras</title>
		<link>http://estrategistas.com/mantras-filosofia-vivida/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=mantras-filosofia-vivida</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 May 2019 23:28:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://estrategistas.com/?p=3393</guid>

					<description><![CDATA[<p>Olhando para nossa jornada de buscar uma vida melhor, o esforço que fazemos é em vão se o conhecimento não nos serve no momento de crise. Está é uma tentativa de condensar o aprendizado de mais de 500 livros ao longo de 5000 anos em 7 mantras a serem lembrados na hora da crise.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Olhando para nossa jornada de buscar uma vida melhor, <strong>o esforço que fazemos é em vão se o conhecimento não nos serve no momento de crise</strong>. Não conseguimos fazê-los disponível quando mais precisamos, nossa filosofia nos falhou.</p>
<p>Já tratamos de <a href="http://estrategistas.com/como-enfrentar-dificuldades/">como lidar com as crises com um viés estratégico</a>, mais abstrato, assim como <a href="http://estrategistas.com/como-lidar-com-periodos-de-crise/">já discutimos meios táticos</a>, bem passo-a-passo, que nos ajudem a atravessar o inferno. Ao olhar de perto como eu lido com meus demônios, seja alguma situação que engatilha raiva, seja uma pontada de inveja que surge, notei que tenho feito uso cada vez mais frequente de mantras.</p>
<p>Alain de Botton, em <a href="https://papodehomem.com.br/4-coisas-que-os-ateus-podem-aprender-com-as-religioes/">um de seus famosos TED Talks</a>, discute como os ateus possuem muito a aprender com as religiões. Mais especificamente, sobre como a religião lida com o aprendizado e reforça seus princípios. Rituais recorrentes e elementos físicos (como tais terços e símbolos) são apenas alguns dos muitos artefatos que a humanidade tem usado, antes das religiões globais surgirem, para ajudar a manter em mente o que é importante, especialmente durante momentos difíceis.</p>
<p>Um elemento sempre presente, segundo De Botton, é a repetição. Somos seres limitados, cheios de impulsos e uma natureza difícil de controlar – <strong>sem constantes lembretes do que é importante, é fácil se entregar e se perder</strong>. Para além do efeito esotérico, vejo mantras como uma forma de tornar nossa filosofia de vida acessível para quando precisarmos.</p>
<p>Com isso em mente, sentei para buscar <strong>sintetizar tudo que já aprendi com livros (e com a vida) em mantras que possa usar quando precisar</strong>. Algumas surgiram naturalmente, só registrei o que já estava em uso; outras foram criadas. Sete são as passagens (e seus contextos) que busco quando preciso, condensando a jornada de crescimento pessoal até hoje.</p>
<p>Agora, ela também está a sua disposição. Talvez as mesmas frases não vão te servir, mas o que importa aqui é o exercício de ter seu aprendizado de modo acessível para o qual você possa recorrer quando precisar. <strong>Recomendo fortemente que você repita o exercício e registre suas próprias frases</strong> (se possível, compartilha conosco.)</p>
<h2>1. &#8220;Como você passa seus dias, é, claro, como você passa sua vida.&#8221; – Annie Dillard</h2>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-3396 size-full" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Ferenczy_Man_on_the_Bridge_1912.jpg" alt="" width="1024" height="1008" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Ferenczy_Man_on_the_Bridge_1912.jpg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Ferenczy_Man_on_the_Bridge_1912-300x295.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Ferenczy_Man_on_the_Bridge_1912-768x756.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Ferenczy_Man_on_the_Bridge_1912-860x847.jpg 860w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Ferenczy_Man_on_the_Bridge_1912-680x669.jpg 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Ferenczy_Man_on_the_Bridge_1912-500x492.jpg 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Ferenczy_Man_on_the_Bridge_1912-400x394.jpg 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Ferenczy_Man_on_the_Bridge_1912-250x246.jpg 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Ferenczy_Man_on_the_Bridge_1912-200x197.jpg 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Ferenczy_Man_on_the_Bridge_1912-100x98.jpg 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Ferenczy_Man_on_the_Bridge_1912-76x75.jpg 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Ferenczy_Man_on_the_Bridge_1912-50x49.jpg 50w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><br />
<em>Homem na ponte (1912), por Károly Ferencz</em></p>
<p><strong>Na ânsia de seguir construindo o futuro, é recorrente nos observarmos reféns dele</strong>; sacrificando toda a vida presente pelo que está por vir. Esta frase da Annie é ótimo lembrete que no leito de morte você não terá mais a promessa de futuro; você apenas olhará para trás e observará como gastou seus dias. Você estará satisfeito com a resposta?</p>
<p>Note que não é uma desculpa para evitar o sacrifício e o trabalho pesado, justificando a preguiça ou o hedonismo; apenas um lembrete para re-integrar a vivência do presente na sua vida. Minha personalidade é naturalmente inclinada a fazer sacrifícios presentes e buscar planos no futuro, por isto a passagem da Annie sempre vem como um equilíbrio.</p>
<p>O resultado do uso desse conhecimento é usado tanto macro quanto no micro.</p>
<p>Em termos de dia a dia, no micro, sempre que me encontro muito estressado com desafios que eu assumi voluntariamente, lembro-me de abrir um espaço na agenda, fazer algo com minha família ou um amigo que não vejo há tempo.</p>
<p>No macro, já tomei grandes decisões de vida com base nisso. Quando decidi vender minha última empresa, por exemplo, a jornada de 70 – 80h por semana ao longo de meses estava me mudando como pessoa. Eu alternava entre ansiedade quando estava sobrecarregado e tédio quando estava livre. <strong>Tinha perdido a capacidade de aproveitar o momento e refleti, como seria olhando para trás, se valeria a pena o sacrifício</strong>. Não gostei do que vi, por tanto decidi descontinuar.</p>
<p>Voltarei a empreender, em outros contextos. O problema não é a atividade ou o sacrifício, mas qual impacto está causando naquele momento de sua vida.</p>
<p>Para além de disciplina e do equilíbrio presente-futuro, é possível pensar também em termos de arranjar tempo de fazer o que você gosta. Muitas vezes caímos na armadilha de pensar que a vida precisa estar de certo jeito para que só então possamos começar aquele hobby ou perseguir um interesse latente que sempre nos trouxe fascínio. <strong>Encontre jeitos de integrar o que você sempre quis fazer ao seu dia a dia <em>hoje</em></strong>.</p>
<p>Sempre quis aprender um instrumento? Estudar uma nova língua? Que maneiras você pode começar isso hoje, com tão pouco quanto 20 min por dia? Todo mundo tem 20 min. Não importa o quão ocupado seja sua vida, é possível “cavar” 20 min. Permita-se começar hoje a viver um pouco do que você sonha.</p>
<h2>2. &#8220;Eu não adiciono problemas a meus problemas.” – Paconius Agrippinus, via Epíteto</h2>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-3399 size-full" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-US_Navy_050706-N-0000X-002_Medal_of_Honor_awarded_to_Rear_Admiral_James_B._Stockdale.jpg" alt="" width="1024" height="782" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-US_Navy_050706-N-0000X-002_Medal_of_Honor_awarded_to_Rear_Admiral_James_B._Stockdale.jpg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-US_Navy_050706-N-0000X-002_Medal_of_Honor_awarded_to_Rear_Admiral_James_B._Stockdale-300x229.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-US_Navy_050706-N-0000X-002_Medal_of_Honor_awarded_to_Rear_Admiral_James_B._Stockdale-768x587.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-US_Navy_050706-N-0000X-002_Medal_of_Honor_awarded_to_Rear_Admiral_James_B._Stockdale-860x657.jpg 860w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-US_Navy_050706-N-0000X-002_Medal_of_Honor_awarded_to_Rear_Admiral_James_B._Stockdale-680x519.jpg 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-US_Navy_050706-N-0000X-002_Medal_of_Honor_awarded_to_Rear_Admiral_James_B._Stockdale-500x382.jpg 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-US_Navy_050706-N-0000X-002_Medal_of_Honor_awarded_to_Rear_Admiral_James_B._Stockdale-400x305.jpg 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-US_Navy_050706-N-0000X-002_Medal_of_Honor_awarded_to_Rear_Admiral_James_B._Stockdale-250x191.jpg 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-US_Navy_050706-N-0000X-002_Medal_of_Honor_awarded_to_Rear_Admiral_James_B._Stockdale-200x153.jpg 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-US_Navy_050706-N-0000X-002_Medal_of_Honor_awarded_to_Rear_Admiral_James_B._Stockdale-100x76.jpg 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-US_Navy_050706-N-0000X-002_Medal_of_Honor_awarded_to_Rear_Admiral_James_B._Stockdale-76x58.jpg 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-US_Navy_050706-N-0000X-002_Medal_of_Honor_awarded_to_Rear_Admiral_James_B._Stockdale-50x38.jpg 50w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><br />
<em>James Stockdale, recebendo a Medalha de Honra do presidente americano Gerald Ford. Stockdale manteve sua sanidade durante o tempo como prisioneiro de guerra graças à filosofia de Epíteto.</em></p>
<p>Você vai ter algum tipo de problema ou estresse nos próximos dias. Pensa um pouco. Dado que você tenha um estresse, o que é a pior coisa que pode acontecer? Mais e mais problemas surgirem além do estresse original, certo?</p>
<p>Pois bem, durante a próxima crise, <strong>apenas focar em não piorar a situação já vai te ajudar muito a gerenciar o inferno</strong>. Sei que na hora é difícil lembrar disso, mas focar em não piorar as coisas tem um poder tremendo, pois tira você do modo passivo (algo aconteceu comigo) e te coloca no modo ativo (vou agir apesar disso, focando em não aumentar o problema). Essa sensação de empoderamento, de estar no controle de alguma maneira, ajuda bastante a navegar a crise.</p>
<blockquote><p>&#8220;Você não tem que fazer disso [o problema] algo importante. Não precisa te incomodar.” – Marco Aurélio</p></blockquote>
<p>Por outro lado, sempre que você puder ressignificar um problema para suas devidas proporções, é bom que o faça. Como sugere a passagem de Marco Aurélio, não temos que tornar cada incômodo do dia a dia em uma crise. Muitas vezes expandimos os problemas fora de proporção; coisas que, se ignorássemos e absorvêssemos um pouco o incômodo, aquilo iria desaparecer.</p>
<p>Por exemplo, digamos que você pegou um trânsito terrível para chegar ao trabalho, além do seu pneu ter furado. Isso de fato quebra a rotina, adiciona um desgaste desnecessário para uma sequencia de atividades que deveria ocorrer sem problemas. Você tem a escolha de chegar no trabalho p* da vida, de mau humor, e seria “justificado” pela simpatia das pessoas quando você contasse sua história; mas esse é o tipo de situação em que estamos criando uma crise onde não precisaria existir. Absorver o incomodo e tentar seguir com a rotina vai diminuir o impacto negativo que a situação teve em você.</p>
<p>Normalmente não absorvemos o impacto em silêncio, escolhendo falar aos quatro ventos sobre “como seu dia está azarado hoje&#8221; porque é bom poder ventilar e comiserar com as situações que acontece com você. Isso é contraprodutivo, porque nos deixa mal acostumado; <strong>quando uma crise gigante bater, não vamos ter estrutura para absorver, estaremos condicionados a reclamar e processar a situação de modos não-saudáveis</strong>.</p>
<p>Por trás das citações a ideia é a mesma: treinar você a lidar melhor com os problemas. Seja com a disciplina de manter o controle e não piorar as coisas quando a crise bate, seja com a prática de não inflar a importância dos problemas no dia a dia.</p>
<h2>3. Cultive o jardim que você pode tocar</h2>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3394" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/More-to-That-Tend-to-the-garden.png" alt="" width="800" height="586" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/More-to-That-Tend-to-the-garden.png 800w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/More-to-That-Tend-to-the-garden-300x220.png 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/More-to-That-Tend-to-the-garden-768x563.png 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/More-to-That-Tend-to-the-garden-680x498.png 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/More-to-That-Tend-to-the-garden-500x366.png 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/More-to-That-Tend-to-the-garden-400x293.png 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/More-to-That-Tend-to-the-garden-250x183.png 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/More-to-That-Tend-to-the-garden-200x147.png 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/More-to-That-Tend-to-the-garden-100x73.png 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/More-to-That-Tend-to-the-garden-76x56.png 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/More-to-That-Tend-to-the-garden-50x37.png 50w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p><em>Origem: Excelente blog &#8220;<a href="https://medium.com/s/more-to-that/tend-to-the-garden-you-can-touch-4589b9c8618a">More to That</a>&#8220;</em></p>
<p>Há alguns dias o Papo de Homem decidiu republicar um texto bastante lido aqui no Estrategistas &#8211; <a href="http://estrategistas.com/como-lidar-com-periodos-de-crise/">Como gerenciar o inferno</a>. O texto é um guia tático, de passo a passo, do que você pode fazer durante uma crise pessoal para garantir que você não enlouqueça e consiga passar pela tempestade de um jeito positivo.</p>
<p>Esse é um tema super-rico e prático, com um guia bem focado no dia a dia, tendo potencial de impactar a vida de quem lê no momento. <a href="https://papodehomem.com.br/como-gerenciar-o-inferno">Observando os comentários do texto</a>, sabe o que se vê? Discussão política de direita x esquerda.</p>
<p><strong>Vivemos em uma era de extrema polarização</strong> &#8211; os motivos pelos quais isso acontece são vastos e nem todos são bem entendidos, mas o efeito é real e sentido por todos. Caso você não preste atenção ativa no que está acontecendo, corre o risco de ser levado pela corrente e se perder no meio do turbilhão.</p>
<p>Como insular a vida dos efeitos negativos da polarização? Pode até ser que a causa (direita ou esquerda) seja algo nobre, com a qual você se importa bastante. Contudo, deixa eu te dar um recado: o mundo é um lugar muito grande e complexo. Muita coisa acontece, especialmente na política, sobre as quais não temos controle e nenhuma influência.</p>
<p>Pode parecer uma luta justa e importante, mas no final das contas, pode ser uma distração também. Quando a gente se preocupa com temas muito grandes e amplos, como quem é o presidente ou como acabar com a fome do mundo, esquecemos de temas pequenos, importantes e reais, sobre como ser mais gentil com seus pais ou estar mais presente na vida de seus amigos passando por dificuldades.</p>
<p><strong>Há um apelo da época em que vivemos para nos envolvermos em temas grandes demais, o que é uma distração gigante do que realmente importa &#8211; nossa vida, no dia a dia</strong>. O mais difícil é que precisamos nos voltar contra nossa natureza: gostamos de conflitos, gostamos de estar certos, de &#8220;destruir&#8221; o outro lado, é algo inato, biológico. Mas a que preço? O preço final não é a amizade que você vai queimar ou os sentimentos que você vai ferir com &#8220;a verdade&#8221;.</p>
<p><strong>O preço que se paga pela polarização é a sua vida</strong>. Toda a atenção, o cuidado, e o foco que poderia estar voltado a você, buscando caminhos de crescer como pessoa, como profissional, como esposo, como amigo&#8230; toda a energia potencial de transformação na sua vida está canalizada para debates super-atraentes, mas, no final do dia, sem sentido. Sua vida estagna, enquanto você sente um pouquinho de prazer a cada &#8220;vitória&#8221; em debates.</p>
<p>Outro risco sensível de ser consumido por tais ideias é que elas literalmente se tornam sua realidade. Tudo aquilo que entendemos como mundo é apenas uma versão filtrada, com base em nossas ideias e conceitos. Se mantemos uma ideia em nossa mente, iremos enxergá-la em todo lugar.</p>
<p>Duvida? Olha este vídeo chocante.</p>
<p>https://www.youtube.com/watch?v=Ahg6qcgoay4</p>
<p>Olha lá, eu espero.</p>
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<p>Como se vê, dependendo do que se foca a cada momento, percebemos realidades diferentes. Isso é algo natural &#8211; o mundo tem informação demais para seu cérebro processar tudo, por isso ele filtra. E o critério para filtrar é aquilo que você acredita que seja importante para você. Neste sentido, o &#8220;segredo&#8221; tem um quê de verdade &#8211; aquilo em que você acredita se torna realidade. Se você acredita que existem oportunidades em todo canto, você começará a enxergar oportunidades em todo canto; se você acredita que é preciso debater para mostrar o lado certo para as outras pessoas, começará enxergar oportunidade de debate em todo lugar.</p>
<p>Sempre que me pego ficando distraído por estas armadilhas, eu me lembro deste mantra:</p>
<p>&#8220;Cultive o jardim que você pode tocar&#8221;.</p>
<p><strong>Nada adianta querer mudar o mundo se o mundo a sua volta, sua vida, sua rotina, sua família, seus amigos&#8230; está tudo desmoronando</strong>. Por mais que parece heroico querer atacar problemas em escala global, o maior impacto sempre será feito à sua volta. Por isso, é essencial focar no jardim em que você pode tocar.</p>
<p>Note que a ideia não é abandonar qualquer aspiração de mudar o mundo. Se existe um problema gigante que você gostaria de atacar, comece com pequenos projetos, locais e concretos, que podem gerar impacto mais rapidamente. Quer curar a fome do mundo? Comece pensando na fome do seu quarteirão &#8211; que ONGs você pode ajudar ou iniciar para levar comida as pessoas de rua em seu bairro? Daí em diante.</p>
<h2>4. &#8220;A melhor vingança é não ser daquele jeito&#8221; &#8211; Meditações (6.6), Marco Aurélio.</h2>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-3400 size-large" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-1024x801.jpg" alt="" width="1024" height="801" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-1024x801.jpg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-300x235.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-768x601.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-1240x970.jpg 1240w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-860x673.jpg 860w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-680x532.jpg 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-500x391.jpg 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-400x313.jpg 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-250x196.jpg 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-200x156.jpg 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-100x78.jpg 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-76x59.jpg 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio-50x39.jpg 50w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/As-últimas-palavras-do-imperador-Marco-Aurélio.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><br />
<em>As últimas palavras do imperador Marco Aurélio, por Eugene Delacroix</em></p>
<p>Hoje elas não são tão populares, mas quem tem mais de 20 anos lembra das <strong>Game Station</strong>, uma rede de loja em shopping centers. Para se divertir lá, começávamos carregando créditos (com dinheiro) no cartão Game Station e partíamos em busca dos vários jogos disponíveis na loja, que custam diferente quantidades de créditos para jogar.</p>
<p>Imagine que você tenha encontrado um jogo muito ruim e está extremamente fulo da vida. Qual é a atitude mais extrema em relação ao jogo que você pode tomar? Qual seria o maior ato de rebeldia que alguém poderia fazer enquanto está na Game Station? Decidir não jogar. <strong>O maior ato de rebeldia é evitar gastar seus créditos em um jogo específico &#8211; ou seja, poupar o que lhe há de mais precioso</strong>.</p>
<p>Na vida, não é diferente. Se alguém nos trai, por exemplo, ficamos chateados com a injustiça da situação; queremos revidar, fazer a outra pessoa sofrer o gosto do próprio remédio.Será que esta postura faz sentido? Imagine que cada ação que você toma é uma escolha consciente de como gastar seus créditos restantes.</p>
<p>Pode parecer uma boa ideia, pode até te trazer satisfação momentânea fazer a &#8220;pessoa pagar pelo que ela fez&#8221; **&#8230; mas você estará gastando seus &#8220;créditos&#8221; envolvido com um jogo que você não valoriza. É como se, ao encontrar um jogo que não gostamos, nós decidíssemos ficar, jogar o tempo disponível da pior maneira possível como forma de &#8220;punir&#8221; quem fez um jogo de que não gostamos.</p>
<p>Exemplo concreto: novamente, quando comecei a dirigir, eu ficava lívido com quem cortava o trânsito lento fazendo fila dupla ou usando o acostamento para avançar no engarrafamento. &#8220;Quem eles acham que são, mais especiais que todo mundo, quebrando as regras para passar na frente?&#8221;. Ficava torcendo para passar fiscalização na hora e multar tais pessoas.</p>
<p>Hoje, já não me incomoda tanto. Decidi que a melhor forma de protestar contra este tipo de comportamento é não agindo dessa maneira – <strong>evitar manifestar as características que nós desaprovamos, ao invés de buscar uma &#8220;justiça&#8221; universal que dificilmente vem no curto prazo</strong> (é provável que as pessoas continuem se safando com este comportamento porque não existe fiscalização em todo lugar).</p>
<p>Assim, quando encontro algo que me incomoda, seja uma pessoa mesquinha demais, alguém que interrompe a fala de outras pessoas, não importa o quão pequeno – busco repetir &#8220;a melhor vingança é não ser como eles&#8221; e seguir com minha vida.</p>
<p>Um contraponto importante: em certos cenários, a vingança é necessária. Taleb diz:</p>
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true">
<p lang="en" dir="ltr">Revenge isn&#39;t just revenge. It&#39;s a deterrent.</p>
<p>&mdash; Nassim Nicholas Taleb (@nntaleb) <a href="https://twitter.com/nntaleb/status/863510651087577088?ref_src=twsrc%5Etfw">May 13, 2017</a></p></blockquote>
<p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>
<p>Vingança não é apenas vingança. É uma intimidação.</p>
<p>Retribuição ajuda a desencorajar futuras ações do mesmo tipo. Se alguém ataca minha família, uma vingança bem executada vai ser importante para desestimular outras pessoas de fazer o mesmo. Por isso, escolha suas batalhas com cuidado. Durante a vida, é provável que + 90% dos casos se encaixa no primeiro cenário &#8211; <strong>você irá se beneficiar simplesmente não se tornando o que odeia</strong>. Contudo, é bom manter em mente que retribuição enérgica pode ser útil.</p>
<p><em>** No mundo real, isto é muito raro. Encontramos com situações imperfeitas e temos que aprender a conviver com elas. O mais comum nesses cenários é viver de modo amargo por um tempo sendo consumido pela sua revolta e pela &#8220;injustiça&#8221;, até que com sorte você esquece e supera.)</em></p>
<h3>5. Nunca conte o dinheiro do próximo</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-3411" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Eduard_Bendemann_-_Jeremia_seated_in_the_ruins_of_Jerusalem-1024x552.jpg" alt="" width="1024" height="552" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Eduard_Bendemann_-_Jeremia_seated_in_the_ruins_of_Jerusalem.jpg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Eduard_Bendemann_-_Jeremia_seated_in_the_ruins_of_Jerusalem-300x162.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Eduard_Bendemann_-_Jeremia_seated_in_the_ruins_of_Jerusalem-768x414.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Eduard_Bendemann_-_Jeremia_seated_in_the_ruins_of_Jerusalem-860x464.jpg 860w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Eduard_Bendemann_-_Jeremia_seated_in_the_ruins_of_Jerusalem-680x367.jpg 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Eduard_Bendemann_-_Jeremia_seated_in_the_ruins_of_Jerusalem-500x270.jpg 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Eduard_Bendemann_-_Jeremia_seated_in_the_ruins_of_Jerusalem-400x216.jpg 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Eduard_Bendemann_-_Jeremia_seated_in_the_ruins_of_Jerusalem-250x135.jpg 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Eduard_Bendemann_-_Jeremia_seated_in_the_ruins_of_Jerusalem-200x108.jpg 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Eduard_Bendemann_-_Jeremia_seated_in_the_ruins_of_Jerusalem-100x54.jpg 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Eduard_Bendemann_-_Jeremia_seated_in_the_ruins_of_Jerusalem-76x41.jpg 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Eduard_Bendemann_-_Jeremia_seated_in_the_ruins_of_Jerusalem-50x27.jpg 50w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></p>
<p><em>Eduard Bendemann &#8211; Jeremia seated in the ruins of Jerusalem</em></p>
<p>Esta frase é tem significado em parte porque chegou na hora certa. Sinto que é algo que meu pai poderia ter me dito, com base no que já me ensinou, mas foi um texto aleatório que deixou esta lição.</p>
<p>O contexto foi o seguinte: um dos melhores jogadores da história do basquete (Stephen Curry) estava ganhando menos do que muitos na liga, sendo apenas o 82º em termos de remuneração. Basicamente, quando o contrato de 4 anos foi assinado, o futuro dele ainda era incerto, vindo de um histórico de contusões – não tinha chegado ao ápice da entrega de resultados. Enquanto que outros jogadores, até aqueles com carreira em declínio, por já terem negociado contratos maiores (sempre longos, 4-5 anos), estavam ganhando mais que o triplo que ele estava ganhando.</p>
<p>Ao ser indagado como sentia em relação a isso, ele respodeu:</p>
<blockquote><p>“Uma coisa que meu pai sempre disse é que você nunca conta o dinheiro do próximo. <strong>[O que importa] É o que você tem e como você toma conta daquilo</strong>. Se eu estiver a reclamar de 44 milhões de dólares ao longo de 4 anos, então eu tenho outros problemas na vida [além do dinheiro].</p>
<p>Eu lembro de sentar no hotel […] e assinar aquele contrato… Minha perspectiva foi, ‘Bicho, eu vou ser capaz de tomar conta da minha família com isto. Me sinto abençoado de saber que estarei jogando na NBA por pelo menos 4 anos e ver de onde as coisas se desenvolvem”</p></blockquote>
<p>Uma passagem simples mas causou muito impacto &#8211; até me lembrou de Marco Aurélio: Stephen no topo do mundo e praticando humildade. Sempre que eu sinto inveja, eu trago esse pensamento À mente e busco mudar o foco comparativo para um foco de gratidão. Naturalmente, isso vai além do basquete ou mesmo da carreira profissional. Pensa na vida: o quão maravilhoso é termos a chance de estar aqui, participando desse grande teatro. <strong>Esse é o tipo de mentalidade que te deixa mais forte, mais grato e melhora sua experiência existencial.</strong></p>
<p>Por outro lado, não se trata de abrir mão da ambição; é impossível dizer que Stephen Curry é o tipo de pessoa sem vontade de construir grandes feitos ou subir de patamar financeiramente. A grande sacada é usar a gratidão como proteção contra a armadilha de focar demais no que os outros tem, de sentir que o universo “te deve” alguma coisa. Existem momentos em que você vai trabalhar pesado e o resultado não vai vir – não podemos ignorar o papel do acaso em nossas vidas. Para não se entregar ao amargor da inveja, busco focar na oportunidade de participar.</p>
<h2>6. &#8220;Seja excessivamente exigente com as poucas coisas que realmente importam e ignore o resto&#8221; &#8211; Oliver Emberton</h2>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-3412" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Charles_Reade_by_Charles_Mercier-1024x797.jpg" alt="" width="1024" height="797" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Charles_Reade_by_Charles_Mercier.jpg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Charles_Reade_by_Charles_Mercier-300x233.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Charles_Reade_by_Charles_Mercier-768x598.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Charles_Reade_by_Charles_Mercier-860x669.jpg 860w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Charles_Reade_by_Charles_Mercier-680x529.jpg 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Charles_Reade_by_Charles_Mercier-500x389.jpg 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Charles_Reade_by_Charles_Mercier-400x311.jpg 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Charles_Reade_by_Charles_Mercier-250x195.jpg 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Charles_Reade_by_Charles_Mercier-200x156.jpg 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Charles_Reade_by_Charles_Mercier-100x78.jpg 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Charles_Reade_by_Charles_Mercier-76x59.jpg 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/1024px-Charles_Reade_by_Charles_Mercier-50x39.jpg 50w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></p>
<p><em>Charles Reade by Charles Mercier</em></p>
<p><strong>Um dos maiores ajustes mentais que você pode fazer é sair do Mediocristão para o Extremistão</strong> &#8211; falo isso de experiência em 1ª pessoa, para nós dois aqui no Estrategistas e muita gente bem sucedida que conheço de perto. Você pode entender isso a fundo no corpo de trabalho do Nassim Taleb, especialmente nos livros Cisne Negro e Antifrágil. <a href="http://estrategistas.com/sucesso-com-habitos/">Já discutimos mais a fundo esta ideia por aqui</a>, mas o princípio é o seguinte: nossa intuição está condicionada a pensar em termos de equilíbrio. Toda nossa cultura também é construída em torno disso. Pense em dois exemplos completamente diferentes: seu desenvolvimento de carreira e sua nutrição.</p>
<p>Em termos de carreira, os conselhos comuns são entender seus pontos fortes e fracos, focando em melhorar suas deficiências para que você seja um profissional completo. Por outro lado, quando se trata de nutrição, a sugestão é você ingerir o máximo de diversidade alimentar possível, com refeições moderadas, mas constantes, comendo de 3 em 3 horas.<br />
Minha experiência (e de muita gente com resultados extraordinários) sugere o oposto nos dois cenários. Ao invés de correr atrás e corrigir os pontos fracos, duplicar o esforço nas suas fortalezas é que vai te vai mais longe.</p>
<p>Por outro lado, não sou nutricionista, mas tem muita gente inteligente (e uso na prática) fazer o mínimo possível de refeições possível (regimes de jejum intermitente) e com pouca diversidade (dietas Keto, carnívora,etc.). Os dois tópicos são bem polêmicos e não estou sugerindo que a resposta certa seja fazer o oposto do que a sociedade sugere (embora seja o que tem dado muito resultado para mim), mas quero focar nossa obsessão cultural com equilíbrio, com “distribuir” os esforços de maneira “balanceada” entre iniciativas.</p>
<p>O que Taleb vem trazer é que para os sistemas com os quais nos relacionamos no dia a dia, <strong>existem apenas alguns pequenos fatores que importam e são responsáveis pela maioria esmagadora dos resultados</strong>. Basta lembrar do Princípio de Pareto (ou 80/20), mas manter em mente que quase tudo na vida é assim &#8211; Pareto, Extremistão… como você preferir chamar.</p>
<p>Digamos, num relacionamento, na hora de tomar grandes decisões sobre a casa. A expectativa da sociedade é que todas as decisões fossem balanceadas entre ambas as partes: que a decoração de cada ambiente fosse uma “média” dos gostos do casal. O que o Oliver Emberton reforça na passagem inicial é que, no mundo real, as pessoas não se importam igualmente sobre cada ambiente ou mesmo sobre decoração.</p>
<p>Na minha vida o que aconteceu foi que eu me importava quase nada com a decoração, enquanto minha esposa gosta de moldar o ambiente. Contudo, eu me importava sobre ter um escritório na casa e não abria disso. Assim, se você entrar na minha casa, 100% da decoração é responsabilidade da minha esposa, dos adereços aos móveis &#8211; mas temos um escritório, o único fator relevante para mim (ela queria priorizar um quarto de hóspedes). O arranjo da minha casa não é equilibrado, ele é extremo.</p>
<p>Não só é importante descobrir o que importa para você para focar naquilo, como também não abrir mão daquilo de jeito nenhum &#8211; daí é que vem a primeira parte da citação “demande de maneira irrazoável”. Um bom exemplo disso é o movimento do veganismo: veganos consideram importante levar em conta o sofrimento animal para nutrição e não abrem mão disso de jeito algum. As pessoas conseguem respeitar princípios e se algo é relevante, costumam se acomodar em torno daquilo.</p>
<p>Outro exemplo pessoal: a decisão de vir para São Paulo foi otimizada para o que importava para mim, crescimento, em detrimento ao que é importante culturalmente (estabilidade, comprar casa, etc). Novamente, vá para os extremos. Sempre que estou tomando uma grande decisão na vida, eu me pergunto: o que é importante para mim aqui? Reviso os fatores que seriam importante para a sociedade (normalmente usamos eles para decidir sem nem perceber) e vejo se a lista bate com o que é importante para mim; se não for, reviso toda a decisão sob meu prisma.</p>
<h2>7. &#8220;Um corpo em forma, a mente calma e uma casa cheia de amor. Essas coisas não podem ser compradas – elas devem ser merecidas.” &#8211; Naval Ravikant</h2>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-3413" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Slot_Moller_Picnic-1024x665.jpg" alt="" width="1024" height="665" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Slot_Moller_Picnic.jpg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Slot_Moller_Picnic-300x195.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Slot_Moller_Picnic-768x499.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Slot_Moller_Picnic-860x558.jpg 860w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Slot_Moller_Picnic-680x442.jpg 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Slot_Moller_Picnic-500x325.jpg 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Slot_Moller_Picnic-400x260.jpg 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Slot_Moller_Picnic-250x162.jpg 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Slot_Moller_Picnic-200x130.jpg 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Slot_Moller_Picnic-100x65.jpg 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Slot_Moller_Picnic-76x49.jpg 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2019/05/Slot_Moller_Picnic-50x32.jpg 50w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></p>
<p>Você já viveu uma situação ou período da vida em que parecia estar “tudo certo”, mas ainda assim você não estava feliz? Pode ter sido uma promoção no trabalho, uma viagem dos sonhos, ou uma compra significativa (casa, carro, telefone novo), etc. Você tinha tudo para estar contente com aquela conquista, mas não parecia bom.</p>
<p>Eu já passei por isso. Sabe o que notei que tais situações tinham em comum? <strong>Eu tinha alcançado algo significativo (para nossa cultura), mas algum dos 3 pontos acima estava fora de ordem</strong>. Por outro lado, já passei por desafios pessoais, mas com aqueles três pilares em ordem, tinha leveza para rir e ser contente sem motivo especial. Esta é a magia da passagem do Naval: encapsula o que tem sido recorrentemente importante na minha vida, a diferença entre a leveza genuína e a sensação de incompletude.</p>
<p><strong>Faça este experimento</strong>: revisite momentos de desajuste, nos quais você supostamente deveria estar se sentindo bem, mas não estava. Registre o que estava faltando.</p>
<p>A segunda parte, então, começa: fazer por onde merecer tais conquistas.</p>
<ul>
<li>Não é fácil acordar mais cedo ou ir dormir mais tarde por causa da academia, mas é importante fazer por onde.</li>
<li>Relacionamentos não são fáceis, requerem dedicação e que você cresça como pessoa, mas é importante se dedicar.</li>
<li>Ter uma mente em paz requer mais dedicação do que as pessoas imaginam: ter bons hábitos, evitar dependência de mídias sociais, meditar, processar seus desafios psicológicos e emocionais… mas é um trabalho que vai valer a pena.</li>
</ul>
<p>Em todas as esferas, para alcançar paz consigo mesmo, na minha experiência (isso é bem pessoal), não precisar ter todos os aspectos do trecho perfeito – basta estar dedicando energia para cultivá-los.</p>
<h2>Quais são seus mantras?</h2>
<p>Se você já fez o exercício, posta abaixo os resultado do jeito que você ficar mais confortável. Mantras são a melhor expressão consolidada de várias facetas da vida: suas aspirações regadas por seu conhecimento, vindo de estudos e erros. São capazes de descrever sua vida como se tivéssemos vivido em seus sapatos, de maneira mais precisa do que listando as conquistas tradicionais (empregos, carreiras, etc).</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Pilar da Maior Dinastia Japonesa e a Máquina de Insights</title>
		<link>http://estrategistas.com/paciencia-insights/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=paciencia-insights</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Oct 2018 22:59:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desenvolvimento Pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[Era Sengoku]]></category>
		<category><![CDATA[Insights]]></category>
		<category><![CDATA[Paciência]]></category>
		<category><![CDATA[Sacadas]]></category>
		<category><![CDATA[Tokugawa Ieyasu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quero trazer 2 conceitos para você, que se aplicam a nossas vidas. Foram aprendizados que levaram os últimos 3 anos para maturar, mas talvez você já consiga enxergar algum paralelo. Vamos falar de: paciência como fonte de eficiência e insights com pé no chão.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quero trazer 2 conceitos para você, que se aplicam a nossas vidas. Foram aprendizados que levaram os últimos 3 anos para maturar, mas talvez você já consiga enxergar algum paralelo.</p>
<p>Vamos falar de: paciência como fonte de eficiência e insights com pé no chão. No fim, também respondemos a pergunta: por onde andam os Estrategistas?</p>
<h2>Maior dinastia japonesa, paciência e eficiência</h2>
<p>Além de escola e trabalho, existe alguma atividade que você tem feito com recorrência ao longo de muitos anos?</p>
<p>É naturalmente difícil porque <strong>a vida é bem caótica</strong>: você muda, as pessoas mudam, o contexto muda, tudo muda. É similar a tentar manter o navio em curso durante uma tempestade forte: requer dedicação e às vezes é impossível. Você pode continuar investindo energia para ficar na trilha ou simplesmente soltar e deixar a tempestade passar para retomar.</p>
<p><strong>Se você é jovem e ousado</strong>, provavelmente nem quer pensar na segunda opção; soltar o curso do navio durante a tempestade seria o equivalente a desistir. E, impetuoso como você se vê, tal palavra nem faz parte de seu vocabulário.</p>
<p>Contudo, existe um fundo de verdade no clichê que diz “ser impossível vencer todas as batalhas”; não existe campeão sem muitas derrotas. Quando olhamos alguém vencer um campeonato impressionante, mesmo com um “track record” profissional de vitórias (como Khabib, no UFC), só enxergamos a glória.</p>
<p>Mas… e o preço que ele pagou? <strong>As milhares de derrotas acumuladas durante anos</strong> nos tatames e academias para que em suas aparições públicas ele tivesse um histórico vitorioso?</p>
<p>Impossível vencer sem perder. Impossível avançar controlando todos os aspectos indefinidamente. <strong>Uma hora ou outra, você vai precisar soltar e deixar a tempestade passar</strong>. É um pensamento aterrorizador, navegar águas sem o controle do navio, mas é uma habilidade necessária para colher os frutos de qualquer iniciativa de longo prazo.</p>
<blockquote><p>Conselhos como “nunca desista” são bonitos para tirar você do lugar, mas não te ajudam a discernir situações em que você deveria desistir da batalha para ganhar a guerra.</p></blockquote>
<p>É o conselho unidimensional que serve como uma faca de dois gumes, que mais cedo ou mais tarde vem a te ferir. Enquanto tento internalizar essas lições e incorporá-las no dia a dia, meus pensamentos sempre se voltam a Tokugawa Ieyasu.</p>
<p><a href="http://estrategistas.com/dinastias-viver-para-sempre/">Já contamos a história dele por aqui, é fascinante</a>. O guerreiro que estabeleceu o último grande Shogunato no Japão, criando <strong>uma dinastia que durou quase 300 anos</strong>. Tokugawa derrotou Hideyoshi Toyotomi na famosa batalha de Sekigahara.</p>
<p>Recomendo <a href="http://estrategistas.com/lealdade-torii-mototada/">olhar os detalhes</a> e mergulhar nesse período fascinante da história japonesa, mas o que importa é o seguinte: Hideyoshi é uma das pessoas mais fascinantes que já viveu; saiu <strong>de carregador de sandálias até o posto de unificador de todo o Japão</strong>.</p>
<blockquote><p>&#8220;Construiu um Estado forte a sua imagem, entrou para os livros de história em lugares reservados a grandes conquistadores, como Alexandre o Grande. Porém, o problema dele foi a super-expansão; não contente em unificar o Japão, ele quis ir além, declarando guerra à Coréia e China, o que eventualmente levou a sua morte.”</p></blockquote>
<p>Tokugawa, por sua vez, possuía as habilidades necessárias para consolidar os ganhas como imperador. Soube criar sistemas, desenvolver costumes sociais e processos de governo que criaram uma estrutura duradoura, permitindo seus descendentes reinar por séculos.</p>
<p>É impossível não contrastar as duas grandes figuras: <strong>os arquétipos do Imperador Ousado</strong> expandindo os domínios e do <strong>Rei Parcimonioso</strong> construindo um legado.</p>
<p>Em última instância, é uma questão de personalidade: se você perguntasse a Toyotomi (ou Alexandre o Grande ou Julio Cesar), em seu leito de morte, se havia algum arrependimento, provavelmente a resposta seria não.</p>
<p>Por outro lado, o estilo consolidador do Tokugawa não deve ser confundido com um covarde: afinal de contas, ele <em>de fato</em> derrotou Toyotomi para só então estabelecer seu Shogunato, então possuía bastante habilidade marcial também.</p>
<p><strong>O que Tokugawa possuía era a sabedoria de não ficar preso a um estilo de vida e se adaptar a realidade quando necessário</strong>. Isso talvez faltou em Toyotomi e outros grandes conquistadores. Na hora de ser guerreiro e vencer batalhas, Tokugawa foi um dos mais bravos e competentes. Na hora de criar um clima de paz, montar um governo e estabelecer um reino próspero, ele fez o que foi necessário.</p>
<p>A grande lição para nós: não ficar preso a um modo de viver, estar pronto para responder ao momento da maneira adequada. Esse é um lembrete particularmente útil para mim, que alcancei bastante sucesso no começo da vida adulta sendo o jovem superexpansivo e encarregado.</p>
<p>A história atesta, e não por coincidência, que uma das passagens mais memoráveis de Tokugawa é:</p>
<blockquote><p>“Os fortes na vida são aqueles que entender o significado da palavra paciência. Paciência surge ao restringir nossas inclinações. Existem 7 emoções: alegria, raiva, ansiedade, amor, pesar, medo e ódio, e se um homem não se entrega a nenhuma delas ele pode ser chamado de paciente. Eu não sou tão forte como eu poderia ser, mas eu conheço há muito e tenho praticado paciência. E seu meus descendentes desejam ser como eu sou, eles deve estudar paciência.”</p>
<p>– Tokugawa Ieyasu</p></blockquote>
<h2>Filtros da vida real e a máquina de insights</h2>
<p>O que é um insight, no contexto do <a href="http://estrategistas.com/mudar-de-vida-crescimento/">crescimento pessoal</a>?</p>
<p>Talvez uma iluminação repentina, uma ideia, algo completamente novo, que tem muito potencial de te ajudar a superar uma trava ou problema que você tem enfrentado. Minha experiência anedotal é que o insight te traz um pico de prazer e um certo senso de realização: “agora sim, descobri como resolver o problema X”.</p>
<p><strong>O insight te traz o equivalente ao passo a passo de “como lidar” com a situação-problema.</strong> Isto é ótimo. Mas há uma diferença enorme entre saber como lidar com a situação e de fato resolvê-la. Existe esforço, dedicação envolvidos, que é difícil de fazer (como qualquer sacrifício).</p>
<p>Assim, um problema do meio de <a href="http://estrategistas.com/o-que-e-desenvolvimento-pessoal/">desenvolvimento pessoal</a> é a busca constante por “insights”, por novas “sacadas”, que vão ajudar a lidar com os desafios. Quando, na realidade, tal busca é infrutífera. Tais insights se apresentam estéreis, por não passarem de ideias, soluções conceituais, que não agregam valor nenhum ao dia a dia do indivíduo por não serem acompanhados por ação no mundo real.</p>
<p><strong>Insight, sem dedicação, não gera mudança; te deixa preso numa bolha de autoimportância, pois você “já sabe” como fazer.</strong> Esse padrão de comportamento dá luz a uma personalidade bem distinta. Afinal, quem não conhece esse tipo de pessoa: Aquela que parece saber de tudo, como lidar com todo tipo de problema ou desafio, mas não tem nenhum resultado concreto para mostrar na própria vida?</p>
<ul>
<li>Sabe a melhor dieta e a ciência da nutrirµao, mas está acima do peso;</li>
<li>Conhece as melhores técnicas de defesa pessoal, mas não dura 20s numa sessão de sparring;</li>
<li>Sabe os princípios dos negócios bem sucedidos, mas nunca começou projeto algum;</li>
<li>Etc.</li>
</ul>
<p>Ou melhor, quem já não agiu (ou age) assim em um momento ou outro da vida? Eu com certeza já fui culpado desse crime. E o que separa essas pessoas das outras que não fingem saber mas estão ralando com as respostas imperfeitas que possuem é o pé no chão. O contato com a realidade (<em>skin in the game</em>, nos termos de Taleb).</p>
<p>Hoje, posso não ser o melhor lutador nem ser capaz de identificar os erros numa luta de nível olímpico, mas voce pode apostar com minha bunda está toda semana no tatame, aprendendo um pouquinho a cada dia.</p>
<p>Posso não ser o melhor marido do mundo, mas faço meu melhor, observo feedback e continuo melhorando. Daí em diante. O caminho para sair da bolha de ilusão de autoimportância é <a href="http://estrategistas.com/fazer/">colocando a mão na massa</a>. É se envolvendo com projetos reais, por mais imperfeitos que seja.</p>
<h2>Como os Estrategistas podem te ajudar?</h2>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/Blsot5ahT1O/" data-instgrm-version="12" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/Blsot5ahT1O/" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
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</div>
<p></a> </p>
<p style=" margin:8px 0 0 0; padding:0 4px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/Blsot5ahT1O/" style=" color:#000; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none; word-wrap:break-word;" target="_blank">Retiro Estrategistas 2018 na #ilhadamagia #floripa #tbt</a></p>
<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;">A post shared by <a href="https://www.instagram.com/pauloribeir/" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px;" target="_blank"> Paulo Ribeiro</a> (@pauloribeir) on <time style=" font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px;" datetime="2018-07-26T14:00:12+00:00">Jul 26, 2018 at 7:00am PDT</time></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></p>
<p><em>Nosso retiro anual em Florianópolis.</em></p>
<p>O grande comentário (e elogio) que recebemos ao longo dos anos é sobre <strong>como o conteúdo do Estrategistas é algo único na internet</strong>, especialmente na esfera brasileira. Simplesmente não há outro portal que cria conteúdo como criamos.</p>
<p>Não somos os melhores, somos únicos. E grande parte dessa unicidade pode ser atribuída à nossa rejeição da ideia de se tornar uma “máquina de insights”.</p>
<p>Nosso objetivo não é trazer ideias toda semana, empacotadas de maneiras diferentes, para causar um impacto emocional em você e te fazer sentir “bem” pela nova sacada que você aprendeu. Não. O Estrategistas, desde o início, existe mais como um “relato de campo”, em que <strong>compartilhamos o que temos aprendido e descoberto</strong>, também através de insights vindos de leituras, cursos e mentores, mas sobretudo através de ação.</p>
<p>Conteúdo assim:</p>
<ul>
<li>é impossível de copiar, já que é impossível de copiar nossas vidas;</li>
<li>possui altas chances de trazer algo novo, já que está em contato com a realidade, ao invés de requentar as mesmas ideias que vagueiam o desenvolvimento pessoal.</li>
<li>não é fácil de criar, pois vem primariamente de primeira pessoa.</li>
</ul>
<p>Temos uma vida além do Estrategistas.</p>
<p>Tenho uma carreira ascendente com marketing e estratégia em startups, tenho uma empresa de consultoria e uma família. <strong>Eu me sinto mais honesto vivendo minha vida e compartilhando aprendizados aqui do que fazendo do Estrategistas minha vida.</strong></p>
<p>Isto não significa que você verá pouco conteúdo novo aqui ou que grandes projetos sumiram do Estrategistas. De jeito algum, ainda há muita coisa grande que queremos fazer.</p>
<p>O ponto aqui é não ser possível esperar o conteúdo no estilo  Estrategistas, com a qualidade que criamos, no mesmo volume e frequência de outros portais, com outras guias editoriais. A forma como buscamos ajudar não é com conteúdo, mas com seleção. Não buscamos ter um texto detalhado explicando como lidar com cada problema da vida.</p>
<p>Buscamos:</p>
<ul>
<li>garantir que vivenciamos aquilo sobre o que escrevemos e que o conteúdo criado seja o mais honesto possível, do jeito que expliquei acima.</li>
<li>escrever sobre temas muito importantes que merecem ser revisitados sempre que necessário.</li>
</ul>
<p>Ter nosso melhor destilado nosso livro (O Mindset Estrategista), que está em fases finais, faz parte dessa proposta. Criar conteúdo valioso, bem editado e organizado claramente, que possa ser revisitado sempre que necessário (inclusive por nós mesmos). E este é o grande motivo pelo qual você não vê hoje “um texto novo a cada dia, com vídeos no youtube, postagens novas e dezenas de histórias por dia no Instagram”.</p>
<p>Posso não ser o melhor escritor do mundo, mas faço questão de dedicar minha energia a criar algo de valor que possa impactar a vida das pessoas.</p>
<p>A quem se perguntou: <strong>“Por onde anda os Estrategistas?”</strong></p>
<p>Bem, aqui está sua resposta.</p>
<p>A todos os demais, ficam as lições com as quais tenho lidado recentemente: a prática da <strong>paciência</strong> de Tokugawa e a <strong>ação pé-no-chão</strong> para criar valor na vida.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>26 Lições Coletadas Até o Aniversário de 26 anos</title>
		<link>http://estrategistas.com/licoes-aniversario-26-anos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=licoes-aniversario-26-anos</link>
					<comments>http://estrategistas.com/licoes-aniversario-26-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jun 2018 01:43:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desenvolvimento Pessoal]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://estrategistas.com/?p=3359</guid>

					<description><![CDATA[<p>Hoje é meu aniversário. É um período do ano em que fico mais reflexivo que o comum. Tenho a vantagem de ocorrer no meio do ano, de modo posso fazer um “ponto de checagem” para o andamento das iniciativas na vida. No meu aniversário de 24 anos, fiz uma coletânea das 24 lições mais importantes que coletei no caminho. Ao invés de tirar um “novo raio X” e escrever um texto com 26 lições, resolvi apenas complementar com mais duas.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje é meu aniversário.</p>
<p>É um período do ano em que fico mais reflexivo que o comum. Tenho a vantagem de ocorrer no meio do ano, de modo posso fazer um “ponto de checagem” para o andamento das iniciativas na vida.</p>
<p>No meu aniversário de 24 anos, fiz uma coletânea das <a href="http://estrategistas.com/conselhos-aniversario-de-24-anos/">24 lições mais importantes</a> que coletei no caminho. Ao invés de tirar um “novo raio X” e escrever um texto com 26 lições, resolvi apenas complementar com mais duas.</p>
<p>Afinal de contas, ainda penso de forma muito parecida.</p>
<p><span id="more-3359"></span></p>
<h2>Lição #25 Soberania individual</h2>
<p>Uma das 24 lições foi parar de entrar em “competições” sem sentido, como briga de status (ter o melhor carro, roupa de marca, etc.). <strong>Um dos lemas dos Estrategistas sempre foi fazer as coisas por um motivo</strong>, então, para viver deliberadamente, você tem que escolher suas batalhas.</p>
<p>A verdade é que ninguém acorda e diz explicitamente “vou querer comprar um carro melhor que o vizinho”, mas termina escolhendo indiretamente, ao ceder à pressão para “pegar o carro novo” ou “começar uma pós para não ficar para trás”. Você pode até listar algumas racionalizações, desculpas que dará para si mesmo para se convencer de que é uma boa ideia, mas no fundo sabe que aquilo não é a melhor escolha para você.</p>
<p>Parte disso é a programação cultural que permeia os rituais e o conteúdo que consumimos na sociedade, influenciando nossas escolhas. Não se trata de uma conspiração em que poucos querem controlar o mundo, mas simplesmente o jeito como as coisas são.</p>
<p>É essencial ressaltar que <strong>ser bem sucedido não é viajar para longe nas férias ou ter carro novo, mas viver a vida nos seus termos</strong>. E isso não significa ter dinheiro e não depender de ninguém. Afinal, de que adianta conseguir se bancar se seus desejos são ditados pelo meio em que você está imerso?</p>
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550">
<p lang="pt" dir="ltr">Quero bastante:</p>
<p>&#8211; fazer a próxima tattoo<br />&#8211; levantar peso<br />&#8211; escrever<br />&#8211; ler<br />&#8211; passar mais tempo em casa<br />&#8211; beber vinho<br />&#8211; mais tempo com minha esposa</p>
<p>&#8212;<br />Não quero:</p>
<p>&#8211; social<br />&#8211; ficar cercado de homem &quot;zueira/menes&quot;<br />&#8211; eventos sociais por obrigação<br />&#8211; ficar bêbado</p>
<p>&mdash; Paulo Ribeiro (@paulorrj) <a href="https://twitter.com/paulorrj/status/932743921704292352?ref_src=twsrc%5Etfw">November 20, 2017</a></p></blockquote>
<p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>
<p>Tudo começa, então, por <a href="http://estrategistas.com/o-efeito-da-rainha-vermelha-e-como-realmente-sair-do-lugar/">sair dessas corridas que te fazem correr e correr sem sair do lugar</a>. Vale também você prestar atenção ao que te interessa e o que você deseja fazer, ir fazer aquilo. Não importa que tempo do ano é, qual é o dia da semana ou que time está jogando na TV. Por exemplo, apesar de gostar bastante de dançar e de forró, esse ano passei o São João inteiro sem dar play em uma música do gênero porque não tava afim. Parece bobo, mas a<strong> vida é uma soma de pequenas coisas</strong>; se quer viver a vida no seus termos, faça o que te agrada.</p>
<p>Como vivemos nossos dias é, claro, como vivemos nossas vidas (Annie Dillard), como diz uma das minhas favoritas passagens.</p>
<p>Note que não estou advogando que você seja um idiota com o próximo ou faça apenas o que te dar prazer. <strong>Isto é o jeito pueril de pensar sobre soberania pessoal</strong>. É preciso lembrar que <a href="https://papodehomem.com.br/vencer-na-vida-nao-existe/">a vida é um jogo infinito</a>, em que interagimos repetidas vezes com as mesmas pessoas, que precisamos ter nossos objetivos, contribuições e obrigações.</p>
<blockquote><p>Faça menos por convenções sociais abstratas ou demarcações coletivas da passagem do tempo (feriados, períodos festivos, etc) e mais o que fizer sentido para você (incluindo obrigações pessoais concretas).</p></blockquote>
<p>Outro exemplo: apesar de não estar no clima junino, fui a uma comemoração junina com a família da minha esposa. Era um evento especial para eles, celebrando um parente falecido, então era importante que eu estivesse presente. Cumpri uma “obrigação” (e fiquei feliz de tê-lo feito), mas no geral, segui fazendo o que queria (não entrar no clima regional forçado).</p>
<h2>Lição #26 Seja violento quando necessário, mas bondoso sempre que possível</h2>
<p>Antes de tudo, vamos falar de violência. Existe gente com más intenções no mundo e é crucial que você seja capaz de se proteger e proteger aquilo em que acredita.</p>
<p>Nossa sociedade é construída e gerenciada sob a ameaça de violência, a diferença é que os cidadãos delegam essa responsabilidade para o Estado. Não se engane: <strong>não existe ordem sem a ameaça de violência</strong>. E, em algumas situações prováveis de acontecer com qualquer um, <strong>pode ser que a responsabilidade recaia sobre você.</strong></p>
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550">
<p lang="pt" dir="ltr">Toda vez que fico com preguiça de treinar jiu-jitsu,</p>
<p>Eu imagino um cara chegando do nada e dando um murro na minha esposa&#8230;</p>
<p>&#8230; e eu sendo incapaz de tornar a vida dele UM INFERNO.</p>
<p>Num instante a motivação aparece do nada.</p>
<p>&mdash; Paulo Ribeiro (@paulorrj) <a href="https://twitter.com/paulorrj/status/1008827442734206976?ref_src=twsrc%5Etfw">June 18, 2018</a></p></blockquote>
<p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>
<p>Partindo para o lado metafísico, existe até um argumento mais elaborado falando que <a href="https://www.youtube.com/watch?v=bWYrAU5mmXE">a pessoa fraca não pode ser considerada virtuosa</a>. Alguém se proclamar uma pessoa de paz não faz dela virtuosa por evitar a violência, simplesmente incompetente por não saber usá-la. <strong>Só as pessoas que sabem usar a violência, mas escolhem fazê-lo judiciosamente, são verdadeiras referências de virtude. </strong>É o equivalente moral de dizer que não adianta se orgulhar de nunca ter traído seu cônjuge se você nunca teve oportunidade para tanto; só quem teve que fazer a escolha “não irei seguir” diante da situação pode clamar virtude sobre ela.</p>
<p>Outra questão interessante é que ser capaz de violência pode ser o suficiente para não precisar usá-la. Outro dia eu li o seguinte relato:</p>
<blockquote><p>“O cara veio me assaltar e me disse &#8216;bro, você precisa ficar grande&#8217; com a faca nas minhas costas. Vão para academia, senhores”</p></blockquote>
<p>Se você é grande o suficiente e em forma, intimida apenas com a presença. Se você sabe se defender, vai abordar a situação de um ponto de vista de gerência (&#8220;como fazer com que se resolva da melhor maneira possível&#8221;), ao invés de viver a situação com puro medo.</p>
<p>Assim, a primeira parte da lição que absorvi foi: integrar melhor violência na minha vida e encarar como obrigação pessoal ser capaz e estar pronto para defender minha família e o que acredito quando necessário.</p>
<p>Do lado oposto, mas não excludente, está a bondade. A verdade é que <a href="https://papodehomem.com.br/como-evitar-errar-o-que-voce-ja-sabe">vivi talvez meu maior pesadelo</a> no final de 2017. Sabe o que aprendi depois de absorver a experiência? <strong>A necessidade de ser bondoso</strong>.</p>
<p>Viver é um negócio extremamente complicado por si só. Pessoas possuem formações, rotinas e relacionamentos diferentes; é como se cada um de nós estivéssemos vivendo em um mundo próprio, só que lado a lado.  Além disso, se comunicar abertamente com outra pessoa é muito difícil. Tenho sentido isso em primeira mão: é um dos motivos pelo qual o casamento tem me ensinado tanto. Aqui estou eu, de lado de uma pessoa que escolhi como parceira para vida, e ainda encontro diariamente emoções, sensações e pensamentos que são difíceis de comunicar.</p>
<p>Imagine no relacionamento com outras pessoas além do cônjuge, nos quais não temos tanto contexto compartilhado? E na interação entre estranhos? Não fazemos ideia do que se passa na vida de outra pessoa e, talvez por isso, o melhor é ser bondoso por padrão.</p>
<p><strong>Note que falei ser bondoso, não &#8220;bonzinho&#8221;</strong>. Ser &#8220;bonzinho&#8221; é ser aquela pessoa legal que está com um sorriso forçado para todo mundo, sempre concorda com  o que os outros falam e não agrega nada de novo onde vai com medo de causar incomodo.</p>
<p>É difícil descrever o que é ser bondoso; talvez seja <strong>viver com o coração aberto</strong>. Você sabe que pode vir coisas lindas dali, mas sabe também o quão frágil ele é, sabe do peso que você carrega diante de suas obrigações na vida e consegue enxergar o mesmo no outro.</p>
<p>Dois livros que me ajudaram demais com esse aspecto foram, <a href="https://amzn.to/2KvBnHm">Pequenas Delicadezas, da Cheryl Strayed</a>, e o <a href="https://amzn.to/2KrxYNa">Shambhala: a Trilha Sagrada do Guerreiro</a>.</p>
<p>A metáfora que gosto de usar sobre a diferença entre bonzinho e bondoso é imaginar-se vivendo em uma tribo. O bonzinho é aquele jovem buscando a validação de todo mundo, que quer sempre parecer a pessoa prestativa e legal (note como ser bonzinho estar relacionado com “atuar”, com “não ser verdadeiro consigo mesmo”). Já o bondoso seria uma dos guerreiros da tribo, que embora bruto e capaz de violência (lição anterior), brinca com as crianças no pátio da tribo ou ajuda os anciãos com os afazeres do dia.</p>
<hr />
<p>Aí estão, os 24 + 2 lições mais importantes que absorvi nestes 26 anos de vida.</p>
<p>Vejo você ano que vem (se nós dois formos sortudos o suficiente para chegar lá).</p>
<p>Se quiser, pode visitar as lições aprendidas dos anos anteriores:</p>
<ul>
<li><a href="http://estrategistas.com/conselhos-aniversario-de-24-anos/">24 conselhos para vida que coletei até meu aniversário de 24 anos</a></li>
<li><a href="http://estrategistas.com/20-coisas-a-saber/">20 coisas que queria ter sabido antes dos 20</a></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Como Gerenciar o Inferno</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Mar 2018 11:32:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[crises]]></category>
		<category><![CDATA[Jordan Peterson]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As demandas do dia a dia não param só porque você vai atingido por uma catástrofe. É preciso descobrir como gerenciar o inferno e seguir vivendo no meio da crise.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Jordan Peterson é um dos pensadores mais relevantes da atualidade, alguém bem qualificado para falar de crise. Você pode ter ouvido falar dele em torno de alguma grande controvérsia em que ele se envolveu: desde a questão dos pronomes na lei canadense ou na entrevista com Cathy Newman.</p>
<p>Eu o acompanho há alguns meses e, neste meio tempo, já consumi +100h de conteúdo que ele criou. É um daqueles pensadores profundos que sempre tem base para o que fala e toca em metafísica (como viver a vida) de modo mais ou menos objetivo. Não tem como fazer jus ao seu corpo de trabalho em um parágrafo, mas espere mais sobre ele por aqui nos meses seguintes.</p>
<p>Por enquanto, quero discutir o que ele sugere sobre como lidar com crises. Em seu novo livro, 12 Rules for Life, uma seção específica me chamou atenção: como seguir nossa rotina quando acontece algo ruim? Especificamente, este trecho:</p>
<blockquote><p>&#8220;As demandas do dia a dia da vida não param só porque você vai atingido por uma catástrofe. Tudo que você sempre fez ainda precisará ser feito.&#8221;</p></blockquote>
<p>Embora seja professor de psicologia e tenha praticado no consultório por décadas, a experiência contada no livro tem um cunho bem pessoal. A filha de Jordan foi diagnosticada com uma doença autoimune que enfraquecia os ossos, atrapalhando a locomoção e até requerendo cirurgia para substituir os ossos do quadril e do tornozelo.</p>
<p>Este é exatamente o tipo de crise que precisamos enfrentar no dia a dia &#8211; porque não é algo que vai romper com sua vida por completo, mas vai gerar sofrimento na família inteira por anos. Todo o esforço de visitar diferentes médicos, investigar a origem dos problemas, a batalha diária com a dor e a dificuldade de locomoção.</p>
<p>Enquanto isso, a vida tinha que seguir. Jordan ainda tinha aulas para dar, alunos para orientar, provas para corrigir e pacientes para atender.</p>
<h2>Antes do Inferno, Vamos Falar Sobre Gentileza</h2>
<p>Em novembro, passei por uma grave crise familiar. Agora no começo de fevereiro, outro estresse significativo. Durante a crise, eu vivia como se estivesse mergulhado em um sonho.</p>
<p>&#8220;Não é possível que isto está acontecendo. Aconteceu mesmo?&#8221;.</p>
<p>Talvez você tivesse amigos com quem conversar, felizmente eu tive, mas conversar não vai curar a sensação. Você, por causa da crise, foi imerso em um mundo paralelo, surreal, sobre o qual você nem sabe comunicar para as outras pessoas.</p>
<p>E lá fora? A vida segue.</p>
<p>Durante o ápice do estresse, algo que notei foi uma certa falta de paciência, irritação, com coisas mundanas. Se alguém reclamava do meu lado sobre como um seriado estava demorando para liberar novos episódios ou como a carne estava malpassada e estragando o almoço, eu ficava irritado.</p>
<p>Pensava comigo mesmo &#8220;aqui estou eu, tendo que lidar com [crise x] e ele do meu lado reclamando de droga de séries&#8221;.</p>
<p><strong>Parte deste sentimento era válido</strong> &#8211; eu estava com minha energia envolvida em um problema maior.</p>
<p><strong>Parte do sentimento era injusto</strong> &#8211; não por causa da comparação, mas porque eu estava usando um critério <em>meu</em> para julgar contexto da vida de outra pessoa.</p>
<p><strong>Parte do sentimento era raiva,</strong> &#8220;revolta com a vida&#8221;, porque existiam pessoas naquele momento cujo maior problema era o seriado ou o almoço.</p>
<p>Essa é uma reflexão profunda (talvez confusa?), mas extraí algo importante daí que vale compartilhar:</p>
<p>Imagina quantas pessoas você se relaciona no dia a dia devem estar passando por uma crise enorme neste determinado momento?</p>
<p>Do mesmo jeito que eu não tinha uma placa em cima da minha cabeça &#8220;passando por crise&#8221;, imagino que não é óbvio para nós, a maior parte do tempo, o que as pessoas a nossa volta estão enfrentando. Talvez um ente querido com câncer no hospital, talvez um cônjuge com depressão&#8230; a vida é algo profundo.</p>
<p>Essa experiência deu contexto a uma passagem que gosto bastante:</p>
<blockquote><p>&#8220;Seja bondoso, porque todo mundo que você encontra está lutando uma batalha difícil&#8221;</p>
<p>– Ian Maclaren</p></blockquote>
<p>Talvez não todo mundo, mas adotar esta postura na vida vai garantir que você será gentil quando deve ser.</p>
<h2>Como Gerenciar o Inferno, por Jordan Peterson</h2>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-3334" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-1024x480.jpg" alt="" width="1024" height="480" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-1024x480.jpg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-300x141.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-768x360.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson.jpg 1920w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-1680x788.jpg 1680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-1240x581.jpg 1240w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-860x403.jpg 860w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-680x319.jpg 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-500x234.jpg 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-400x188.jpg 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-250x117.jpg 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-200x94.jpg 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-100x47.jpg 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-76x36.jpg 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/03/Jordan-Peterson-50x23.jpg 50w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></p>
<p>O guia a seguir está bem conciso e é tático, para você sair daqui e já colocar em prática. Não expandi de propósito &#8211; no meio do inferno, o que mais nos ajuda é ação rápida e precisa.</p>
<p>Se quiser uma visão estratégica sobre crises e como entender melhor seu contexto, recomendo a leitura do guia sobre <a href="http://estrategistas.com/como-enfrentar-dificuldades/">como enfrentar dificuldades</a>.</p>
<h3><strong>1. Separe tempo para falar e pensar sobre a crise</strong></h3>
<ul>
<li>Não fale a respeito fora daquela janela reservada</li>
<li>Se você não limitar os efeitos da crise, ficará exausto e tudo vai espiralar fora de controle</li>
<li>Você está numa guerra, com muitas batalhas; você tem que permanecer funcional em todas elas</li>
<li>Se a preocupação surgir, lembre a si mesmo que você terá tempo para pensar a respeito na janela que reservou. A ansiedade será gerenciável quando seu cérebro souber que um plano existe, mesmo que não saiba os detalhes ainda</li>
<li>Não faça isso à noite &#8211; o estresse vai bagunçar seu sono.</li>
</ul>
<h3><strong>2. Mude a unidade de tempo que você usa para enxergar sua vida</strong></h3>
<ul>
<li>Tudo se torna sobre hoje ou esta semana. Olhar para o futuro distante vai exacerbar sua ansiedade de passar pelo inferno.</li>
<li>&#8220;Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.&#8221; (Mateus 6:34).</li>
<li>A passagem bíblica é mal interpretada com lentes hedonistas, de &#8220;vamos viver a vida sem se preocupar com o futuro&#8221;.</li>
<li>Quando analisada no contexto (do sermão na montanha), significa que é preciso acreditar que ,se você fizer o que está sob seu controle, as coisas vão se resolver de algum modo &#8211; que o foco da ação tem que ser o presente momento, os males do dia.</li>
<li>Mire alto, &#8220;alinhado com o céu&#8221;, aja de modo adequado, concentre-se no dia.</li>
</ul>
<h3><strong>3. Coloque as coisas que você consegue controlar em ordem</strong></h3>
<ul>
<li>Seja cuidadoso e metódico no que você consegue controlar</li>
<li>Não deixe os hábitos desandarem ou ações pequenas, como arrumar o quarto, deixarem de ser feitas.</li>
<li>O Caos penetra na Ordem que você construiu na sua vida aos poucos &#8211; a crise não é desculpa para jogar o que foi construído pela janela. Se está sob seu controle, faça bem feito.</li>
</ul>
<h3><strong>4. Não perca vista do bondade do ser humano nem da beleza da vida</strong></h3>
<ul>
<li>É possível sim superar esta crise: pessoas são duronas, mais duronas do que imaginamos. Somos capazes de lidar com muita dor e perda</li>
<li>Nunca perca sua estrela norte &#8211; quando você perde, aí sim tudo desandou de verdade</li>
<li>Por pior que seja o contexto, (1) esteja grato por estar vivo, (2) lembre-se que tudo que você faz, por menor que seja a ação, importa e (3) revisite experiências que te deixem comovidos com a grandeza da vida.</li>
</ul>
<hr />
<p>Addendum: O que me faz lembrar da grandeza da vida?</p>
<p>Em uma nota bem particular, nos dias em que estou me sentindo mal e preciso lembrar do que há bonito no mundo, sempre assisto o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4izcJIXmDck&amp;t=1148s">episódio 9</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=N0SxosvHgNc">o episódio 11</a> (links em pt) da série Cosmos, 1a versão.</p>
<p>O episódio 9, A Vida das Estrelas, trata dos tipos diferentes de estrela que existem, assim como seus ciclos de vida (uma paixão minha). Realmente coloca em perspectiva a vida humana diante a história de todo o universo.</p>
<p>O episódio 11, A Persistência da Memória, trata da transmissão de conhecimento e a grande maravilha que foi a invenção da escrita para a humanidade. Foi assistindo este episódio que tive o insight para escrever este texto.</p>
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		<item>
		<title>Como Ter Mais Sucesso com Hábitos: Apostas, Extremos e Falta de Respeito</title>
		<link>http://estrategistas.com/sucesso-com-habitos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=sucesso-com-habitos</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Feb 2018 11:34:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Produtividade]]></category>
		<category><![CDATA[Antifragilidade]]></category>
		<category><![CDATA[como ser produtivo]]></category>
		<category><![CDATA[estratégia]]></category>
		<category><![CDATA[estratégia dos halteres]]></category>
		<category><![CDATA[Nassim Taleb]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Técnicas para construir hábitos são comuns, mas você está construindo o hábito certo? Sucesso com hábitos vem mais de estratégia do que de táticas.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há alguns meses, estava assistindo uma palestra de Sebastian Marshall em seu novo projeto, <a href="https://www.ultraworking.com/pursuit/">Ultraworking</a>.</p>
<p>Basicamente, Sebastian pegou todo seu conhecimento com anos de autoexperimentação e produtividade para focar na “pedagogia” de como ensinar esta habilidades para outras pessoas. Lá no Ultraworking, eles têm experimentado com várias frentes, desde criar softwares simples (como o <a href="https://chrome.google.com/webstore/detail/ambition-life-calendar/ebijidmcbgegeollecfmniimekemhlmk">Ambition abaixo</a>), passando por planilhas de organização, palestras e eventos maiores.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-3311" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas-1024x566.png" alt="" width="1024" height="566" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas-1024x566.png 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas-300x166.png 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas-768x424.png 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas-860x475.png 860w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas-680x376.png 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas-500x276.png 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas-400x221.png 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas-250x138.png 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas-200x110.png 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas-100x55.png 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas-76x42.png 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas-50x28.png 50w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Ambition-Ultraworking-Estrategistas.png 1137w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></p>
<p>Ao discutir o processo de revisão mensal que ele usa, algo me marcou. Parafraseando, ele disse algo nestas linhas:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>“Eu tento pegar um hábitos novos todo mês &#8211; imagino com frequência 3 ou 4 coisas pequenas que seriam interessantes eu fazer e tento implementar. Bem simples mesmo, como contabilizar copos de água no dia ou escrever em um diário antes de dormir. Ao longo do ano, fiz 40~50 pequenos testes. Todo mês, uns 80-90% deles falham &#8211; ou seja, não “grudam” ou se mantém. Tudo bem. No final do ano, tenho 4~5 hábitos sólidos que me servem bem e resistiram ao teste do tempo</em>”</p>
<p>Esta perspectiva de volume me deixou reflexivo e conectou com outros pontos.</p>
<h2>O Único Jeito de Perder no Mundo dos Hábitos</h2>
<p><figure id="attachment_3312" aria-describedby="caption-attachment-3312" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-3312" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Taekwondo-Estrategistas-1024x853.jpg" alt="" width="1024" height="853" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Taekwondo-Estrategistas.jpg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Taekwondo-Estrategistas-300x250.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Taekwondo-Estrategistas-768x640.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Taekwondo-Estrategistas-860x716.jpg 860w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Taekwondo-Estrategistas-680x566.jpg 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Taekwondo-Estrategistas-500x417.jpg 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Taekwondo-Estrategistas-400x333.jpg 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Taekwondo-Estrategistas-250x208.jpg 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Taekwondo-Estrategistas-200x167.jpg 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Taekwondo-Estrategistas-100x83.jpg 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Taekwondo-Estrategistas-76x63.jpg 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Taekwondo-Estrategistas-50x42.jpg 50w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption id="caption-attachment-3312" class="wp-caption-text">Photo by Tim Hipps, FMWRC Public Affairs</figcaption></figure></p>
<p>Há quase 10 anos, eu praticava Taekwondo.</p>
<p>Era fascinado e gostava bastante da arte. A progressão podia ser bem rápida, o que te deixava viciado. Se você fosse bom, treinando 2x- 3x por semana, estaria capacitado a fazer testes para mudar de faixa a cada 6 meses.</p>
<p>Outras frentes da minha vida estavam desandando, por isso investia toda minha energia livre no treino. Ia à academia 6x por semana, chegando a treinar mesmo 2x no mesmo dia. Progredi bem rápido.</p>
<p>Por outro lado, entrou uma pessoa da categoria “sênior” para praticar. Devia ter ~40 anos, ia 2x por semana. Eu não esperava muito dele, para ser sincero &#8211; imaginei ser curiosidade momentânea e que largaria em alguns meses de porrada.</p>
<p>Ao ver os alunos ir e vir da academia, uns deixando de treinar, outros retornando, o mestre repetia: “O único jeito de perder aqui é parar de treinar. Não importa ter um movimento ruim, ser derrotado no campeonato ou sair com a canela inchada. Só perde mesmo quem deixa de treinar”.</p>
<p>Outro dia estava no facebook e este colega de academia sênior estava com uma foto de kimono, com a faixa preta na cintura.</p>
<p>E eu aqui, estagnei na verde, há muitos anos sem treinar.</p>
<h2>Os 2 Países de Taleb e Por Que Você Deve Imigrar</h2>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3313" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cisne-Negro-Estrategistas.jpg" alt="" width="900" height="507" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cisne-Negro-Estrategistas.jpg 900w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cisne-Negro-Estrategistas-300x169.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cisne-Negro-Estrategistas-768x433.jpg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cisne-Negro-Estrategistas-860x484.jpg 860w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cisne-Negro-Estrategistas-680x383.jpg 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cisne-Negro-Estrategistas-500x282.jpg 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cisne-Negro-Estrategistas-400x225.jpg 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cisne-Negro-Estrategistas-250x141.jpg 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cisne-Negro-Estrategistas-200x113.jpg 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cisne-Negro-Estrategistas-100x56.jpg 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cisne-Negro-Estrategistas-76x43.jpg 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cisne-Negro-Estrategistas-50x28.jpg 50w" sizes="auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px" /></p>
<p>Muita gente manda email perguntando como criar ou manter hábitos. As pessoas querem comer melhor, ou estudar depois de acordar, ou fazer um diário. Todos estes são hábitos válidos, mas a forma como pensamos sobre eles podem melhorar.</p>
<p>Taleb discute no Antifrágil duas formas como podemos enxergar situações, usando a metáfora dos países Mediocristan e Extremistan.</p>
<p>A maioria das pessoas pensa como no país Mediocristan, onde as coisas acontecem de acordo com a distribuição normal &#8211; de modo simples, existem por exemplo poucas pessoas muito baixas, poucas muito altas e a maioria em torno da média. Mesma coisa com o peso &#8211; poucas nos extremos (leves e pesadas) e a maioria no meio.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3315" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Distribuição-Normal.jpg" alt="" width="500" height="306" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Distribuição-Normal.jpg 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Distribuição-Normal-300x184.jpg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Distribuição-Normal-400x245.jpg 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Distribuição-Normal-250x153.jpg 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Distribuição-Normal-200x122.jpg 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Distribuição-Normal-100x61.jpg 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Distribuição-Normal-76x47.jpg 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Distribuição-Normal-50x31.jpg 50w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></p>
<p>Quando queremos implantar alguns hábitos para viver melhor, estamos enxergando o mundo por esta lente. Vemos vários hábitos de certa relevância para nós e queremos implementá-los; acompanhamos de perto, e ficamos frustados quando as coisas desandam. Até aí tudo bem.</p>
<p>Contudo, existe o país chamado Extremistan. E muitas áreas da nossa vida seguem a lógica dos habitantes deste país, mas quase ninguém sabe disso. No Extremistan, as coisas acontecem de acordo com distribuições de cauda longa.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-3316" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa-1024x532.png" alt="" width="1024" height="532" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa-1024x532.png 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa-300x156.png 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa-768x399.png 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa-860x447.png 860w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa-680x354.png 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa-500x260.png 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa-400x208.png 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa-250x130.png 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa-200x104.png 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa-100x52.png 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa-76x40.png 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa-50x26.png 50w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/02/Cauda-Longa.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></p>
<p>Um bom exemplo disso é a riqueza da população: existe muita gente com quase nada, pouca gente na classe média e um grupo minúsculo que concentra a maior parte da riqueza do mundo.</p>
<p>Qual é o impacto real da vivência destes países ou, para sair da metáfora, destes modos de pensar?</p>
<p>Para ser sincero, ainda conheço pouco da matemática por trás &#8211; um dos motivos por trás do <a href="https://medium.com/data-noob/chegou-a-hora-de-aprender-ci%C3%AAncia-dos-dados-32441ab8de58">Data Noob</a> é ficar mais fluente em estatística &#8211; mas o pouco que extraí de Antifrágil já causou bastante impacto.</p>
<p>O segredo? A situação “típica” perde o sentido porque os extremos podem ser tão extremos que eles fazem a média se tornar um valor artificial.</p>
<p>É mais fácil ver isso com números.</p>
<p>Se você tem 1000 pessoas numa sala, a média do peso vai ser, digamos, 70kg. O peso total da sala é 70.000 kg. Se eu trocar alguém normal (70kg) e colocar a pessoa mais pesada do mundo lá (digamos, 500 kg), a média não vai mudar muito.</p>
<p>70.000 &#8211; 70 + 500 = 70430/1000 → média 70,43kg.</p>
<p>Contudo, se olharmos para a riqueza, o jogo muda por completo. Se temos 1000 pessoas, digamos que a riqueza gerada em um ano seja 200.000 reais (sendo generoso aqui), o montante total será 200 milhões. Se você tira alguém normal (200k) e coloca a pessoa mais rica do mundo lá (digamos 10bi no ano), a média da população vai perder o sentido.</p>
<p>200.000.000 &#8211; 200.000 + 10.000.000.000 = 10.199.800.000 → média ~ 10,2 Milhões</p>
<p>Por que perde o sentido? Os 10,2M estão longe da realidade de 99,9% da população (que gira em torno de 200k).</p>
<p>Uma observação pode ser tão extrema que bagunça nosso conceito e intuição de média.</p>
<h2>Com Hábitos, Vá para os Extremos</h2>
<p>A consequência do extremistan/mediocristan é direta para nossos hábitos.</p>
<p>Escolhemos vários hábitos de certa importância e nos dedicamos a fazer todos eles funcionarem. Quando não funcionam, ficamos frustrados, imaginamos que tem algo errado com nossa metodologia e buscamos outro guru lá fora.</p>
<p>Por trás deste pensamento, está a suposição implícita de que vamos sair ganhando na vida quando tivermos vários hábitos importantes ativos. Mas o valor gerado por hábitos segue o país Extremistan. Um hábito apenas pode gerar tanto valor na sua vida que faz os demais hábitos se tornarem irrelevantes.</p>
<p>Neste contexto Extremistan, a forma ideal de se posicionar é ir para os extremos: hábitos-chave e hábitos-aposta.</p>
<h3>1. Identifique um Hábito que Você Manterá a Qualquer Custo</h3>
<p>Quando você isola e foca todo sua energia neste hábito-chave é capaz de fazer funcionar nem que seja de modo rudimentar.</p>
<p>Por exemplo, observando o James Clear, um dos escritores referência na internet sobre criação de hábitos e psicologia de performance &#8211; ele mantém <a href="https://jamesclear.com/workout-journal">um diário dos treinos</a> com papel e caneta, em um pequeno caderno. No final de cada exercício, ele marca quantas repetições fez e com qual peso. Exercício é algo crucial para James, por isso, arranjou um jeito de fazer acontecer, por mais que fosse “velha guarda” ou pouco tecnológico.</p>
<p>No meu caso, os hábitos são leitura e escrita. Tento ler e escrever todo dia, não importa o quê e nem quanto eu falhe, sigo tentando porque é algo que já identifiquei que vou levar para o resto da vida &#8211; traz muito valor e me faz sentir realizado.</p>
<h3>2. Experimente com Dezenas de Hábitos, Sabendo que Apenas Alguns Sobreviverão.</h3>
<p>É difícil as pessoas conseguirem seguir essa abordagem de Sebastian porque se apegam demais ao hábito precioso que estão criando. O Venkatesh Rao, outro pensador moderno, tem uma metáfora parecida quando discute a diferença entre as pessoas que leem muito e quem lê pouco:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Por exemplo, pessoas que lêem alguns livros/ou não costumam ler não conseguem apreciar como uma ideia pode aparecer em diferentes formas em muitos lugares, frequentemente sem não-relacionados. Elas assume que a primeira versão da ideia que elas encontram é a definitiva, canônica, e desenvolvem uma fixação funcional em torno daquele encontro. (&#8230;) Ou outra questão, elas não têm ideia de como quebrar um livro em pedaços criticamente (não fisicamente) e identificar as partes originais.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Pessoas que leem talvez um livro a cada 4/5 meses (novamente, assumindo que não seja ficção ou o atual bestseller) possuem a tendência de ter reverência demais por livros para fazer esta desconstrução de modo efetivo. Elas dão a livros uma autoridade que os leitores assíduos não dão. Para quem lê muito, livros são meramente processamento de conteúdo. Ênfase no processamento ao invés de conteúdo.</em></p>
<p>De modo similar, quem tenta alguns hábitos por ano se apegam demais aos hábitos para investigar o que funcionou, empacotar em outro hábito ou jogar tudo pela janela e tentar novamente.</p>
<h2>Integrando Hábitos na sua Vida para o (Muito) Longo Prazo</h2>
<p>Pensa assim: se você está lendo este texto, provavelmente já tem uma mentalidade de crescimento desenvolvida. Você não vai parar de buscar se melhorar nos próximos 10, 20 ou 50 anos.</p>
<p>Quando pensar sobre hábitos, pense no (muito) longo prazo</p>
<p>Há bastante conhecimento operacional como melhorar seus hábito &#8211; desde ler o livro poder do hábito até o mais recente da psicologia cognitiva e performance, mas estas discussões não agregam tanto valor se você estiver pensando no “país errado” quando se trata de hábitos.</p>
<p>Investigue: <strong>o que é extremamente importante, crucial para você?</strong></p>
<p>Pode ser acordar cedo, desligar internet antes de trabalhar, conseguir colocar roupa para ir à academia… encontre seu pilar e encontre um jeito de fazer ele acontecer. O único jeito de você perder com ele é se desistir, como eu perdi com o Taekwondo.</p>
<p>No mais, experimente livremente e esteja confortável com uma taxa de falhas altas. Ou com hábitos funcionando apenas durante certos períodos da vida. Não respeite demais os hábitos “apostas”.</p>
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		<title>Como Manter os Pés no Chão e Definir Bons Objetivos de Vida</title>
		<link>http://estrategistas.com/manter-pes-no-chao/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=manter-pes-no-chao</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jan 2018 09:23:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[escolher objetivos]]></category>
		<category><![CDATA[grande estrategia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://estrategistas.com/?p=3296</guid>

					<description><![CDATA[<p>Não podemos ter tudo que queremos na vida, mas podemos ter bastante coisa. Como saber se o objetivo que escolhemos é saudável e possível?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Muito e discute sobre a importância de ter uma visão, <strong>uma grande estratégia para a vida</strong>. Ao olhar de perto a <a href="http://estrategistas.com/diferenca-entre-tatica-estrategia/">diferença entre estratégia e tática</a>, fica claro como somos pouco efetivos em alcançar objetivos se estamos preso no inferno tático. É essencial que consigamos dar um zoom “para fora” e enxergar onde estamos em perspectiva.</p>
<p>Claro, <strong>você não precisa revisar sua direção de vida toda semana</strong>. Quanto mais abstrato o nível de consideração, menos frequente deve ser feita. Caso contrário, passaríamos o tempo todo refletindo e duvidando dos nossos planos, o que seria péssimo para colocar as coisas em prática (e aprender com experiência).</p>
<p>Mas sim, você precisa revisar seu norte pelo menos anualmente. Não só para planejar melhor, mas também <strong>para tomar decisões mais facilmente</strong>. De modo similar aos seus valores, sua visão de vida (ou norte, ou grande estratégia) ajuda a filtrar opções óbvias no processo decisório. Como <a href="http://www.youtube.com/watch?v=SNRgtrKwPHg#t=431">Vicente Falconi</a> colocou bem:</p>
<p style="padding-left: 60px;"><em>“As decisões, na verdade, são fáceis, desde que a decisão que você tome esteja em linha com seus valores, não tem dificuldade, nenhuma dificuldade. As situações se apresentam e você naturalmente vai escoar para aquilo que tem algo mais alinhado com seus valores e o resto você rejeita naturalmente. Por isso é que os valores são tão importantes. […] Porque se você tem os valores certos, as decisões são muito fáceis. Não tem decisão difícil. Decisão difícil é aquela que você toma contra seus valores, aí é que fica dureza. […] Tem gente que só toma decisões erradas na vida é porque os valores estão errados.”</em></p>
<p>Na primeira metade da década, por exemplo, meu norte estava dominado pelo arroubo do jovem que se acha especial: queria ser milionário antes dos 25 &#8211; por questões arbitrárias e vaidade. Essa visão de futuro me levou a ser menos efetivo no dia a dia e me sabotar em vários momentos.</p>
<p>É possível argumentar que esse processo faz parte da autorrealização como adulto e, desse modo, estamos todos fadados a repetir os mesmos erros e lições. Talvez. Mas isso é caminhar bem perto da estrada que diz que não vale aprender proativamente, já que tudo vem de experiência pessoal mesmo. E não seguimos por aquele caminho. Todo aprendizado tem alguma validade. Ainda que você caia de todo jeito, pelo menos pode ajudar aliviar a queda. Para meu eu jovem, do jeito que vejo, faltava conhecimento da importância de como manter os pés no chão.</p>
<h2>Sua visão do que é uma vida perfeita</h2>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-3302" src="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-1024x683.jpeg" alt="" width="1024" height="683" srcset="http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-1024x683.jpeg 1024w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-300x200.jpeg 300w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-768x512.jpeg 768w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas.jpeg 1920w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-1680x1120.jpeg 1680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-1240x827.jpeg 1240w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-860x573.jpeg 860w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-680x453.jpeg 680w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-500x333.jpeg 500w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-400x267.jpeg 400w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-250x167.jpeg 250w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-200x133.jpeg 200w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-100x67.jpeg 100w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-76x51.jpeg 76w, http://estrategistas.com/wp-content/uploads/2018/01/Visao-da-vida-perfeita-Estrategistas-50x33.jpeg 50w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></p>
<p>A forma como seus grandes objetivos se manifestam está mais próxima da visão de um negócio do que de resoluções de ano novo, por exemplo. Sua visão não será “poupar mais dinheiro”, ou “ficar em forma”, ou “focar no meu negócio para contratar mais x pessoas”.</p>
<p>Para torná-la palpável, aprendi com Taylor Pearson o exercício de <strong>descrever como será um dia ideal para você daqui a 25 anos</strong>. Que horas você vai acordar, com quem, onde vive, o que vai fazer durante o dia…</p>
<p>Daí, conforme você muda como pessoa, sua visão macro muda, mas ela não precisa ser revisada toda semana &#8211; gosto de olhar para a minha anualmente. A mais recente que criei foi há quase 2 anos e já sinto que hoje não descreve meu futuro ideal &#8211; preciso sentar para atualizá-la.</p>
<p>Uma vez que sua visão esteja configurada, respeitando as limitações saudáveis, fica mais fácil tomar as decisões do dia a dia porque seu futuro desejado serve como norte. Ao invés de se debater infinitamente entre as milhares de opções a sua frente, a pergunta se torna “qual opção me deixa mais próximo da minha visão?”.</p>
<p>Muito estresse da vida é reduzido por conta desse direcionamento. O que nos traz ao seguinte ponto: <strong>como saber se sua visão de vida é saudável?</strong></p>
<p>Afinal de contas, nem todo mundo pode jogar no Barcelona, por exemplo. <strong>No mundo real, existem restrições sobre aquilo que podemos escolher.</strong> Se eu tivesse algum direcionamento, lá atrás, não teria me perdido andando em círculos tentando ser milionário antes dos 25.</p>
<p>O que considerar na hora de refletir sobre sua grande estratégia de vida?</p>
<h2>Limitação 1: Tamanho</h2>
<p>Se você escolher algo grande demais, vai ser intimidador, não estimulante. Reduza o escopo até que seja tolerável. Você não precisa consertar tudo de uma vez, comece pelas coisas que você consegue consertar.</p>
<p>Aliás, não precisa nem se martirizar &#8211; conserte apenas o que você <em>quer</em> consertar. Só em fazer o que você gostaria e que sabe que precisa ser feito sua vida (e a vida das pessoas a sua volta) já ficará perceptivamente melhor. Jordan Peterson resume bem: não precisa sair por aí querendo mudar o mundo &#8211; comece arrumando seu quarto.</p>
<p>Depois que você expandir sua zona de competência, naturalmente sua visão vai crescendo e você será capaz de alcançar feitos maiores &#8211; mas nunca saindo do zero para 100. Por isso, revise o tamanho.</p>
<h2>Limitação 2: Abstração</h2>
<p><strong>Temos a tendência de nos desviar e fazer idiotices uma vez que estamos agindo em um nível abstrato demais</strong>, como “mudar o mundo”. Nassim Taleb discute isso em seu novo livro, <em>Skin in the Game</em>. Sem ter o pé no chão e uma relação concreta com seu trabalho-com sua missão, você não vai aprender com a experiência e vai terminar causando mais dano do que benefício.</p>
<p style="padding-left: 60px;"><em>“&#8230; você não pode separar nada do contato com o chão. E o contato com o mundo real é feito via pele no jogo &#8211; tenha uma exposição ao mundo real e pague o preço pelas suas consequências, boas ou ruins”</em></p>
<p>Caso contrário, nós nos tornamos pessoas…</p>
<p style="padding-left: 60px;"><em>“que são delirantes, literalmente mentalmente perturbadas, simplesmente porque eles nunca tiveram que pagar pelas consequências de seus atos, repetindo slogans modernistas sem nenhuma profundidade. Em geral, quando você ouve alguém invocando noções modernistas abstratas, você pode presumir que eles têm alguma educação (mas não o suficiente ou na disciplina errada) e pouca prestação de contas”</em></p>
<p>Um exemplo concreto: os analistas de guerra que foram para a mídia sugerir a invasão do Estados Unidos ao Iraque. Ou à Síria. Esses “pensadores” podem achar que estão mudando o mundo, mas claramente não entendem as dinâmicas complexas do dia a dia dos dois países (alguns nunca viveram lá). Recomendam soluções que parecem boa no papel, o governo ouve uma população movida pela mídia, mas o esforço de intervenção repetidas vezes não funciona.</p>
<p>E nossos analistas de guerra? Voltam aos jornais recomendar o mesmo padrão de intervenção, porque eles não sofrem pela consequência dos próprios erros (como, digamos, tendo filhos mortes em combate).</p>
<p>Por isso, ao escolher nosso norte de vida, é essencial pegarmos algo pés no chão e fugir de planos abstratos. Para tanto, <strong>podemos agir localmente e correr riscos pessoais pelo que acreditamos</strong>.</p>
<p>No caso de reduzir o escopo, escolher missões de vida com esfera local de influência faz diferença. Por exemplo, ao invés de levantar fundos para “uma organização que reune pensadores para resolver o problema da fome”, melhor trabalhar como voluntário em um abrigo local, de preferência no seu bairro. Ou ainda, focar em criar uma família saudável e feliz é um objetivo louvável, ainda que seja algo “fora de moda” para a geração atual.</p>
<p>Outra forma de evitar a abstração é correr riscos por aquilo que você faz. Idealmente, investir seu dinheiro e suor no que você acredita. Mesmo investir sua reputação já é suficiente para tornar a experiência mais real e te ajudar a aprender com os erros.</p>
<h2>Limitação 3: Continuidade</h2>
<p>A vida é um jogo infinito, conforme discutido no livro Jogos Finitos e Infinitos, do James P Carse. A ideia é simples e ajuda a direcionar qual estratégia você vai aplicar dependendo do contexto em que esteja.</p>
<p><strong>Jogos finitos são aqueles com regras claras de engajamento e nos quais pode se observar um ganhador ou perdedor</strong>. Esta categoria é bem importante, já que competição ajuda a gerar inovação e avanço na sociedade, então ter vencedores e perdedores em alguns contextos faz parte.</p>
<p>Jogos infinitos, por sua vez, são o contrário. Não existem regras claras, o &#8220;tempo” da partida do jogo nunca acaba e é impossível apontar vencedores e perdedores. O objetivo no jogo infinito é continuar jogando, só perde quem para.</p>
<p>Um dos grandes erros em nossa cultura é imaginar que a vida é um jogo finito, ou seja, <a href="https://papodehomem.com.br/vencer-na-vida-nao-existe/">que podemos “vencer na vida”</a>, como discute o Alberto Brandão.</p>
<p style="padding-left: 60px;"><em>&#8220;Fomos criados por nossos pais com a crença de que precisamos vencer na vida. Se não passar de ano, é um perdedor. Mas se for aprovado em medicina, certamente é um vencedor. Raramente te lembram que, se acontecer algum problema no caminho e dessa vez não der certo, ano que vem está aí. Pode até representar um pequeno atraso, mas ninguém vai morrer por conta disso, a bola continua em campo.</em></p>
<p style="padding-left: 60px;"><em>Ter uma figura definitiva, seja o vencedor ou o perdedor, implica que o jogo termina naquele ponto, e como demoramos para descobrir, não é assim que a vida funciona. Depois de entrar na faculdade, uma nova rodada começa, novos problemas surgem. Um emprego ruim não significa ser um perdedor, além do mais, pode ser a porta de entrada para outras oportunidades melhores. Assumir que alguém se deu bem ou mal baseando-se num pequeno evento, num curto espaço de tempo, é simplificar demais algo muito mais complexo.&#8221;</em></p>
<p>Dado este contexto, escolher um objetivo de vida também envolve escolher algo infinito, que permita que você continue jogando o jogo. <strong>Por isso a ideia de “viva como se fosse morrer amanhã” é tão ruim: todos estaríamos em pânico sem considerar a continuidade do jogo</strong>. Você não pode acordar amanhã e estar 100% endividado porque fez tudo que queria ontem. Ou como Ed Latimore colocou de modo mais eloquente: “A vida é curta demais para apenas ir atrás de coisas materiais, mas longa demais para viver apenas por experiências”.</p>
<p>Seu objetivo…</p>
<blockquote><p>“deve ser bom para você, bom de um modo que facilita seu progresso, talvez bom para você de um jeito que também seja bom para família e para a comunidade, deve cobrir o domínio da vida como um todo”.</p>
<p>– Jordan Peterson</p></blockquote>
<h2>E, para quem continua perdido, um lembrete</h2>
<p>É ok não saber qual é seu grande direcionamento estratégico.</p>
<p>Você não vai acordar <a href="http://estrategistas.com/e-se-eu-nao-sei-o-que-quero-da-vida/">sabendo o que quer da vida</a>, especialmente se não faz o tipo naturalmente reflexivo. Siga construindo a si mesmo como pessoa melhor e buscando recursos &#8211; uma vez que descobrir sua visão, agradecerá seu eu do passado.</p>
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		<title>Pergunta de Leitor: Como Saber Se é Tarde Demais?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jan 2018 15:54:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreira]]></category>
		<category><![CDATA[atraso de carreira]]></category>
		<category><![CDATA[tarde demais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://estrategistas.com/?p=3283</guid>

					<description><![CDATA[<p>O mundo sugere que comecemos nosso projetos, seja de mudar de carreira ou um novo hobby. Mas será que existe uma hora em que é tarde demais para mudar?</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há alguns dias, um leitor enviou a seguinte pergunta.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em><strong>Título</strong>: Dedicação tira defasagem?</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>No campo das ações é onde tenho mais defasagem. Comecei a Universidade pública com 23 anos e terminei com 30 (motivo: reprovas, conflitos internos). Ou seja, apesar da boa intenção em desejar progredir na vida, meu desempenho foi ineficiente. Com isso, minha carreira como um todo é atrasada.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Então gostaria de saber a opinião de vocês sobre o título deste email e as questões de atraso/defasagem, principalmente na carreira e estudos formais. Vale a pena correr atrás?</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>No fundo, gostaria de sentir de novo aquela sensação de alta potência de agir (do Prof. Clóvis de Barros Filho); ser mais competitiva nos ambientes em que passo, seja profissionalmente ou socialmente. Será possível?</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Hoje com 31 quero (planejo) ser uma pessoa de sucesso aos 40 anos &#8211; leia sucesso: maturidade, clareza de pensamentos, alto intelecto, contribuição real para a sociedade, independência financeira, família e amigos.</em></p>
<p>A resposta segue abaixo, editada levemente para ficar mais clara.</p>
<h2>Re: Dedicação tira defasagem (Ou: será que é tarde demais?)</h2>
<p>Oi, tudo bem?</p>
<p>Algumas coisas me veem à cabeça ao ler teu email. Vou abordar alguns pontos, siga com o que fizer mais sentido para você.</p>
<p><strong>Sobre o tempo necessário para mudar de carreira.</strong> Você pode chegar a um bom emprego, com salário atraente, na maioria das áreas com 3~5 anos de trabalho focado (e inteligente). Talvez você não consiga no campo atual &#8211; seja porque é um mercado decadente (ex: radio/TV) ou altamente regulamentado (advocacia/medicina). Mas, para a maioria das áreas, 5 anos é uma timeline razoável.</p>
<p><strong>Não tente prever 100% o futuro &#8211; a cada década você pode se reinventar</strong>. Você pode pensar como carreira engajamentos de 5 a 10 anos em uma área diferente e construção de habilidades profissionais lá. A maior parte das pessoas sabe que ninguém precisa ficar em um mesmo emprego para o resto da vida, mas poucas pessoas pensam na implicação prática disso. No seu caso, por exemplo, isso significa que você pode engajar em pelo menos 3 carreiras diferentes antes de desacelerar aos 60. No macro, sua vida acabou de começar, então respira fundo.</p>
<p><strong>Sobre comparações de vida</strong>. Sua vida teve várias razões que te levou a entrar na Universidade com 23 anos. Depois, muitas razões que levaram a terminar com 30. Depois que passamos dos 15 anos, faz pouco sentido comparar nossa vida a das outras pessoas (que não passaram pelo mesmo que você). Eu sei, fácil falar, difícil fazer, mas quanto menos a gente faz essa comparação em texto, fala ou pensamento, menos vamos sentir a frustração. Cada vida adulta é peculiar de seu modo, por isso uma expectativa padronizada não é saudável para seu desenvolvimento.</p>
<p><strong>Por outro lado, se apresse.</strong> Seu email comunica alguém bastante perspicaz. Você não precisa que te diga que sim, dedicação tira defasagem. Contudo, imagino que você tenha se perguntado: “eu me dediquei nos últimos 10 anos e não andei rápido do jeito que esperava &#8211; será que se eu me dedicar mais 10 anos vou ficar na mesma?”</p>
<p>A resposta para essa pergunta é ao mesmo tempo assustadora e libertadora. Sim, se você seguir o mesmo script, vai obter os mesmos resultados. Para você alcançar o que deseja, vai precisar tomar ações radicalmente diferentes. Pode ser preciso abandonar a carreira atual, se for um beco sem saída. Ou ter que mudar de cidade. Ou começar um segundo emprego. Você vai ter que sacrificar bastante coisa para chegar lá. Vai ser difícil, mas vai valer a pena. É assim que funciona com a vida no geral. Tem bastante conhecimento tático pelo site, se tiver alguma dúvida específica, pode contar comigo.</p>
<p><strong>Pressão para estabelecer família está na equação?</strong> Uma questão relevante (e não sei quão consciente) é a janela onde as mulheres normalmente pensam em família. Como está o progresso nessa frente? É característica do desenvolvimento humano que as mulheres precisam ter os grandes blocos da vida no lugar mais rápido que os homens e isso causa bastante pressão em torno dessa idade. Só um lembrete de algo a não ignorar e tratar/reorganizar consigo de modo consciente.</p>
<p><strong>Potência de agir.</strong> Este conceito do Clóvis de Barros Filho é ótimo. Existe um texto meu saindo no Papo de Homem nos próximos dias sobre o tema, vale você checar lá. Basicamente, o que descobri nos últimos anos que essa sensação surge quando estamos descobrindo mais sobre nós mesmos e sendo útil de alguma forma concreta.</p>
<p>Por exemplo, na minha vida, embora tenha formação de engenharia química, comecei me sentindo útil quando estava ajudando uma ONG conseguir mais participantes, usando marketing para isso. Não por ser trabalho voluntário, necessariamente, mas por ser trabalho útil e concreto. Isso levou a me envolver com outro projeto voluntário, depois montei uma empresa, depois entrei em um emprego tradicional com marketing&#8230; e daí se desenrolou foi.  A potência veio mais de investigar maneiras de ser útil do que de um planejamento de longo prazo em que eu sabia exatamente minha profissão com 20 anos de antecedência.</p>
<p>No geral, é isso. Algo mais em que posso te ajudar para colocar a mão na massa?</p>
<p>Abraços</p>
<hr />
<p>Tem dúvidas, gostaria de fazer comentários ou apenas trocar uma idea? Manda email para contato arroba&#8230;</p>
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