<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="no"?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><rss xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" version="2.0"><channel><title>Vanessa Rocha </title><description>(PRE)TEXTOS - Site em atualização</description><managingEditor>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</managingEditor><pubDate>Thu, 19 Dec 2024 00:19:39 -0300</pubDate><generator>Blogger http://www.blogger.com</generator><openSearch:totalResults xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">245</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">25</openSearch:itemsPerPage><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/</link><language>en-us</language><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle>(PRE)TEXTOS - Site em atualização</itunes:subtitle><itunes:owner><itunes:email>noreply@blogger.com</itunes:email></itunes:owner><item><title>Depois da conversão da noite</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2020/03/depois-da-conversao-da-noite.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Thu, 26 Mar 2020 14:14:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-7584261823086132110</guid><description>Espreguicei no silêncio,&lt;br /&gt;
A alma repleta de sábado.&lt;br /&gt;
Respirava fundo,&lt;br /&gt;
Sentia o cheiro de luz.&lt;br /&gt;
A madrugada, úmida,&lt;br /&gt;
Tinha som de marolas&lt;br /&gt;
E de grilos preguiçosos.&lt;br /&gt;
Lá, extasiada, fui convertida&lt;br /&gt;
À igreja do corpo&lt;br /&gt;
E das memórias perdidas.&lt;br /&gt;
Acharam-se, elas, numa lua escondida&lt;br /&gt;
Num céu de nuvens-bálsamo&lt;br /&gt;
Encoberto pela escuridão.&lt;br /&gt;
Cresci um tanto de centímetros&lt;br /&gt;
Nos sonhos.&lt;br /&gt;
Hoje, eles alcançam&lt;br /&gt;
O longe das planícies.&lt;br /&gt;
Atravessam montanhas,&lt;br /&gt;
Correm junto aos rios,&lt;br /&gt;
E se metem a querer ser o oceano.&lt;br /&gt;
Tão largos, sagrados e santos!&lt;br /&gt;
Vez em quando fingem ser coqueiros&lt;br /&gt;
E deixam suas folhas serenas balançarem&lt;br /&gt;
Como se fossem os cabelos de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alonguei no horizonte.&lt;br /&gt;
Estava escuro.&lt;br /&gt;
Eu via tudo...&lt;br /&gt;
A alma repleta!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description></item><item><title>Olhos de poeta</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2020/02/olhos-de-poeta.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Sat, 22 Feb 2020 16:21:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-4180334830976063827</guid><description>Ainda que me conheçam provável&lt;br /&gt;
Isolada numa sala&lt;br /&gt;
Sábia ou desinformada&lt;br /&gt;
Tenho mesmo é olhos de poeta&lt;br /&gt;
Quando chego a um novo sítio&lt;br /&gt;
Ou percebo um sorriso que ainda&lt;br /&gt;
Não havia percebido&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tenho olhos de poeta se me percebo&lt;br /&gt;
A amar os portos e as ilhas tanto quanto&lt;br /&gt;
O caminho livre e apavorante do mar sem fim&lt;br /&gt;
E quando exploro montanhas íngremes&lt;br /&gt;
Em busca de nada mais que o silêncio em mim&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim também os tenho quando desejo uma casa&lt;br /&gt;
Com a mesma louca intensidade que as estradas&lt;br /&gt;
E se me deparo com o amor&lt;br /&gt;
Nascendo na entressafra&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando vejo o que nunca antes tinha visto&lt;br /&gt;
Minha poeta se torna criança&lt;br /&gt;
Ou, por ser criança, é que assim vê&lt;br /&gt;
Tenho olhos de poeta&lt;br /&gt;
Quando reparo, que de repente,&lt;br /&gt;
Acende em mim uma luz inesperada&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A todo instante acontece o improvável&lt;br /&gt;
Apenas os poetas de alma&lt;br /&gt;
- nem sempre os de palavra –&lt;br /&gt;
Veneram sua chegada e o recebem&lt;br /&gt;
Com flores e beijos na entrada&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem me conhece assim, tão calada&lt;br /&gt;
Ou falando demais inúteis coisas&lt;br /&gt;
É porque desconsidera a alma&lt;br /&gt;
Que maior que o próprio universo&lt;br /&gt;
Salta longas distâncias&lt;br /&gt;
E enxerga além do verbo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tenho olhos de poeta&lt;br /&gt;
E isso me basta&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description></item><item><title>Planeta Mar</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2020/01/planeta-mar.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Wed, 15 Jan 2020 11:57:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-7969049682589065247</guid><description>Quando me apresentaram a ti&lt;br /&gt;
Eu era uma criança&lt;br /&gt;
E tu já eras uma entidade:&lt;br /&gt;
Aquela que deveria nomear o planeta,&lt;br /&gt;
Planeta Mar.&lt;br /&gt;
Desde então,&lt;br /&gt;
Eu que nasci nas montanhas,&lt;br /&gt;
Te ouço chamar meu nome.&lt;br /&gt;
E tuas infinitas cores,&lt;br /&gt;
Conchas, ondas, corais,&lt;br /&gt;
E a vida marítima toda que se agita&lt;br /&gt;
Sobre ti e dentro, em tua musculatura azul,&lt;br /&gt;
São poesia que me levam a acreditar.&lt;br /&gt;
Basta que eu venha contigo falar&lt;br /&gt;
E luzes acendem, no centro de mim,&lt;br /&gt;
Aquele estranho sentimento desertoso:&lt;br /&gt;
Amar! Palavra que te contém,&lt;br /&gt;
Temor e céu,&lt;br /&gt;
Oceano meu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bahia&lt;br /&gt;
janeiro/2020&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description></item><item><title>Poema para renascer</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2019/12/poema-do-renascimento.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Wed, 18 Dec 2019 09:31:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-8476762946352027554</guid><description>Foi antes da madrugada da vida&lt;br /&gt;
Que ficou a minha luminosidade&lt;br /&gt;
E as borboletas se tornaram sombras&lt;br /&gt;
Por muito longo e tortuoso tempo&lt;br /&gt;
Voando ao redor dos segredos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas no agora o sol reluz&lt;br /&gt;
Como nasce atrás das montanhas&lt;br /&gt;
Na plenitude dos dias azuis&lt;br /&gt;
E se põe no mar aos olhos&lt;br /&gt;
Estupefatos dos adoradores do verão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só no agora, neste instante presente,&lt;br /&gt;
No qual o passado nada mais é&lt;br /&gt;
Que o que ficou rabiscado num livro solene&lt;br /&gt;
Para ser estudado quando convier,&lt;br /&gt;
E o futuro, apenas a promessa da luz,&lt;br /&gt;
É que vive a pulsação mais quente&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como guelra de peixe, ovo de lagarto,&lt;br /&gt;
Asas de pássaro e cio de fêmea.&lt;br /&gt;
O meu!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste instante: o presente.&lt;br /&gt;
Em que me jogo vendada nos braços da vida&lt;br /&gt;
Com coragem, veemência e sorte&lt;br /&gt;
Como quem se lança de uma pedra no meio do mar&lt;br /&gt;
Imitando as aves em seus voos certos,&lt;br /&gt;
A seguir um corpo pleno da paixão pela vida,&lt;br /&gt;
Apenas porque segui-lo é encontrar a mim mesma.&lt;br /&gt;
Renascida!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Revisitei a madrugada&lt;br /&gt;
E com ela conversei longamente.&lt;br /&gt;
Ao abrir o baú das estradas dolorosas&lt;br /&gt;
Lá eu encontrei a verdade:&lt;br /&gt;
Eu era a menina de sempre,&lt;br /&gt;
A que sonhava e remava longos mares.&lt;br /&gt;
A pus no colo e a embalei&lt;br /&gt;
E, assim, as sombras voltaram&lt;br /&gt;
A ser borboletas, como nos ciclos do planeta,&lt;br /&gt;
E meu coração se encheu de paz novamente,&lt;br /&gt;
Uma janela aberta para o sempre.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description></item><item><title>Revelação</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2019/10/revelacao.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Tue, 1 Oct 2019 22:14:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-3526246252804954691</guid><description>Escrevo poesia quando menos espero&lt;br /&gt;
No aguardo da poesia mesma&lt;br /&gt;
Ou flertando com aquela&lt;br /&gt;
Que brota do concreto&lt;br /&gt;
Todo o tempo ela assopra no meu ouvido:&lt;br /&gt;
vai, Vanessa, me revela!&lt;br /&gt;
E as palavras me saem&lt;br /&gt;
Como vazamento&lt;br /&gt;
No bueiro da calçada&lt;br /&gt;
Invadindo a arquitetura&lt;br /&gt;
E toda a forma muito bem estruturada&lt;br /&gt;
Suja, bela, inesperada&lt;br /&gt;
Palavra amorfa que se amolda&lt;br /&gt;
Ao que transborda&lt;br /&gt;
Nessa hora eu poderia ser qualquer coisa&lt;br /&gt;
Chão, parede, janela&lt;br /&gt;
Qualquer densidade com cheiro de musgo&lt;br /&gt;
Todas as vigas e varas do teto&lt;br /&gt;
Para saber como é ser permanente&lt;br /&gt;
E preparada com cimento para o acaso&lt;br /&gt;
Porque a poesia me ensinou&lt;br /&gt;
Que ser humano se prepara mesmo&lt;br /&gt;
É no despreparo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description></item><item><title>Diante do concreto</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2019/08/diante-do-concreto.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Fri, 2 Aug 2019 10:02:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-4880314076176684630</guid><description>Disponíveis antes que a força bruta&lt;br /&gt;
Desmantelasse os ossos de tempos sofridos&lt;br /&gt;
Estávamos, eu e tu, diante do concreto&lt;br /&gt;
O relógio marcava 23 horas&lt;br /&gt;
Chovia fino, havia silêncio, fazia calor&lt;br /&gt;
Teus olhos quase claros e gestos singulares&lt;br /&gt;
Não davam margem para dúvidas&lt;br /&gt;
E eu permanecia sentada observando,&lt;br /&gt;
Como se a qualquer momento o mundo&lt;br /&gt;
Fosse entrar em guerra&lt;br /&gt;
E seríamos os dois, em duvidosa moral,&lt;br /&gt;
carregados a um campo de extermínio ou trabalhos forçados&lt;br /&gt;
Numa Gulag imprevista de um mundo&lt;br /&gt;
Pós-democrático&lt;br /&gt;
Perseguidos pela Gestapo das almas perdidas&lt;br /&gt;
Antes fosse história, ópera, burlesco&lt;br /&gt;
E, na madrugada, pudéssemos apenas&lt;br /&gt;
Ouvir com deleite o silêncio e os grilos&lt;br /&gt;
Você, a fumar seu cigarro olhando pro nada&lt;br /&gt;
E eu, a escrever meu livro, mais umas páginas&lt;br /&gt;
Antes fosse apenas filosofia&lt;br /&gt;
E um muro não separasse as fomes&lt;br /&gt;
E um oceano não se transformasse em máquina de guerra&lt;br /&gt;
O que virá não sabemos&lt;br /&gt;
Sequer sabemos o que queremos&lt;br /&gt;
Você anda perdido de tão encontrado&lt;br /&gt;
Amante de tudo nas sacadas de todos&lt;br /&gt;
Peito aberto até pra um holocausto&lt;br /&gt;
E eu devorada por palavras a todo instante&lt;br /&gt;
Não sei o que incita a fome de sentido metafísico&lt;br /&gt;
Se leitura de Proust ou Cícero&lt;br /&gt;
O mundo é um lugar cheio de abismos&lt;br /&gt;
Saibamos o som e a fúria&lt;br /&gt;
De nosso pranto e riso&lt;br /&gt;
A fortuna virá nos revelar o caminho!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjDgb_VfAGMAWjIpn3MqkK-AUgS2KGPf4zolojft77UddZsdfS7mEu1WHDEoDH0jzhNcGXh0v5wOtb3Mm1UYsWE0WQF2FS4hrdlkIBmctmLEkSLkm3P1RuSUPB3okJat27pdPK0_Q/s1600/combray+igreja.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="600" data-original-width="800" height="300" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjDgb_VfAGMAWjIpn3MqkK-AUgS2KGPf4zolojft77UddZsdfS7mEu1WHDEoDH0jzhNcGXh0v5wOtb3Mm1UYsWE0WQF2FS4hrdlkIBmctmLEkSLkm3P1RuSUPB3okJat27pdPK0_Q/s400/combray+igreja.jpeg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjDgb_VfAGMAWjIpn3MqkK-AUgS2KGPf4zolojft77UddZsdfS7mEu1WHDEoDH0jzhNcGXh0v5wOtb3Mm1UYsWE0WQF2FS4hrdlkIBmctmLEkSLkm3P1RuSUPB3okJat27pdPK0_Q/s72-c/combray+igreja.jpeg" width="72"/></item><item><title>Nós, os egoístas</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2019/08/nos-os-egoistas.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Thu, 1 Aug 2019 18:00:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-2681221277310748691</guid><description>Ah! Como são tantos a falar&lt;br /&gt;
Dos geminianos sem coração&lt;br /&gt;
Que se importam, mas não tanto&lt;br /&gt;
Esses de alma torta&lt;br /&gt;
Que mudam de casa&lt;br /&gt;
Mais que de sapato&lt;br /&gt;
E começam e começam&lt;br /&gt;
A deixar os fins para os outros&lt;br /&gt;
Ou nas palavras rabiscadas em cadernos&lt;br /&gt;
- Porque não há fim&lt;br /&gt;
Tanto quanto só há fim -&lt;br /&gt;
Nós, os obscuros&lt;br /&gt;
Estudantes dos astros&lt;br /&gt;
Para quem a vida é uma teia de mistérios&lt;br /&gt;
Da qual só sabemos existir&lt;br /&gt;
Pela consciência e nada mais&lt;br /&gt;
Pois nada nos obriga&lt;br /&gt;
A ter teorias sobre as coisas&lt;br /&gt;
Nós, os de sangue insular&lt;br /&gt;
Que sentem apertar ao peito&lt;br /&gt;
Os maquinismos&lt;br /&gt;
Os paquetes&lt;br /&gt;
Os marinheiros&lt;br /&gt;
Os que constroem estradas&lt;br /&gt;
No mar sem fim visto das esplanadas&lt;br /&gt;
E nos telhados de Lisboa&lt;br /&gt;
Ou de uma terra estrangeira&lt;br /&gt;
A minha, mais que a tua&lt;br /&gt;
E no sentir tudo de todas as maneiras&lt;br /&gt;
Ao íntimo, o gelo do nosso coração&lt;br /&gt;
É uma casca fina&lt;br /&gt;
De quem sente fingindo&lt;br /&gt;
E finge que sente&lt;br /&gt;
Gostamos mesmo é do drama&lt;br /&gt;
Como o meu em derramar lágrimas&lt;br /&gt;
À tua cômoda&lt;br /&gt;
Que graça tem a realidade&lt;br /&gt;
Da gente que segue os protocolos&lt;br /&gt;
E dá à luz o esperado?&lt;br /&gt;
Nós, os ridículos e solitários&lt;br /&gt;
Escrevemos tantas cartas de amor&lt;br /&gt;
Só pelo gosto de escrevê-las&lt;br /&gt;
Foi tanto assim o nosso amor?&lt;br /&gt;
Ou foi o nosso nervo fingidor?&lt;br /&gt;
Basta! Nascemos poeta&lt;br /&gt;
Deve ter algum sentido nisto&lt;br /&gt;
Que seja termos que criar algum&lt;br /&gt;
Caso a providência não saiba&lt;br /&gt;
O que fazer com isso&lt;br /&gt;
De toda forma, a ti ficou o gênio&lt;br /&gt;
Quanto a mim, só o tempo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lisboa, 03 de fevereiro de 2018&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-hzTTS4l0qwaGU5gvotZvxL1w_Hj0OeHwSgO6oiiySVHm6kv0YVE1unk8wjQX8wHFqz_ebq-pk3TL2T6BkYHB_UpzkH1cUlz95JyNAw5ukLy1laHA4fV3-QoEE58V2mIl9roP3A/s1600/mapa+astral+Pessoa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1261" data-original-width="1600" height="315" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-hzTTS4l0qwaGU5gvotZvxL1w_Hj0OeHwSgO6oiiySVHm6kv0YVE1unk8wjQX8wHFqz_ebq-pk3TL2T6BkYHB_UpzkH1cUlz95JyNAw5ukLy1laHA4fV3-QoEE58V2mIl9roP3A/s400/mapa+astral+Pessoa.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-hzTTS4l0qwaGU5gvotZvxL1w_Hj0OeHwSgO6oiiySVHm6kv0YVE1unk8wjQX8wHFqz_ebq-pk3TL2T6BkYHB_UpzkH1cUlz95JyNAw5ukLy1laHA4fV3-QoEE58V2mIl9roP3A/s72-c/mapa+astral+Pessoa.jpg" width="72"/></item><item><title>Humanos</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2018/09/humanos.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Mon, 24 Sep 2018 21:02:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-7457558509974345286</guid><description>No insondável, habitamos&lt;br /&gt;
Sólidos, planetários&lt;br /&gt;
Trajamos corpos limítrofes&lt;br /&gt;
Com almas imortais&lt;br /&gt;
Já nos havíamos encontrado&lt;br /&gt;
Quando, onde, que importa&lt;br /&gt;
Quanto tempo tem uma vida?&lt;br /&gt;
Quantas vidas cabem na aorta?&lt;br /&gt;
Estamos no agora&lt;br /&gt;
E carregamos naves insanas&lt;br /&gt;
No meio do peito&lt;br /&gt;
Que polidas no viver&lt;br /&gt;
Invadem a massa cinzenta&lt;br /&gt;
De nossa arrogância&lt;br /&gt;
E observam, elas, a maravilhosa&lt;br /&gt;
Perfeição da impertinência&lt;br /&gt;
De sermos, tão somente, humanos&lt;br /&gt;
Carnes que se querem e apodrecem&lt;br /&gt;
Mas almas que vieram espelhar-se&lt;br /&gt;
Para fazer da vida uma obra de arte&lt;br /&gt;
Infinitos, até quando&lt;br /&gt;
Residimos nos abismos&lt;br /&gt;
Líquidos, como a água do rio&lt;br /&gt;
Que se funde no oceano divino&lt;br /&gt;
No silêncio, habitamos&lt;br /&gt;
Etéreos, terráqueos&lt;br /&gt;
E a cada morte&lt;br /&gt;
Renascemos extáticos&lt;br /&gt;
Um só campo, trágicos&lt;br /&gt;
Estrelas de uma constelação&lt;br /&gt;
Imperfeita, somos mágicos&lt;br /&gt;
No cosmos, amamos&lt;br /&gt;
E amar é desaprender&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLvAzaARMCtGWPrYSoSEapc2eDrudgWjktJFPj7ni2vr3gbcMWHGPhBDibxmKMhGdsn45efqs1Qouau1Rf_ap4hnA7dKxGI9MRypVGXGg66BjKb-ij3iTLyhMUyRVWnX4UxbRcYA/s1600/rupestre6.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="267" data-original-width="400" height="213" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLvAzaARMCtGWPrYSoSEapc2eDrudgWjktJFPj7ni2vr3gbcMWHGPhBDibxmKMhGdsn45efqs1Qouau1Rf_ap4hnA7dKxGI9MRypVGXGg66BjKb-ij3iTLyhMUyRVWnX4UxbRcYA/s320/rupestre6.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLvAzaARMCtGWPrYSoSEapc2eDrudgWjktJFPj7ni2vr3gbcMWHGPhBDibxmKMhGdsn45efqs1Qouau1Rf_ap4hnA7dKxGI9MRypVGXGg66BjKb-ij3iTLyhMUyRVWnX4UxbRcYA/s72-c/rupestre6.jpg" width="72"/></item><item><title>Depois das ruínas</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2018/07/depois-das-ruinas.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Sat, 14 Jul 2018 12:49:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-2964678293328109139</guid><description>Sobre adentrar recônditos escuros,&lt;br /&gt;
Espera-me, amor,&lt;br /&gt;
Que as ruínas são nossas&lt;br /&gt;
Para compartilharmos&lt;br /&gt;
Da sede da reconstrução.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um gosto amargo&lt;br /&gt;
Lançado ao chão?&lt;br /&gt;
Eu só vejo luminância&lt;br /&gt;
Neste castelo repleto&lt;br /&gt;
De teias de aranha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada pedaço de madeira&lt;br /&gt;
Que despenca na dormência&lt;br /&gt;
Dos nossos corações&lt;br /&gt;
É o fogo-fátuo que nos desperta&lt;br /&gt;
De uma sombria hipnose.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faz-se um clarão ao longe,&lt;br /&gt;
No subterrâneo,&lt;br /&gt;
E há sempre um corpo que jaz&lt;br /&gt;
Submerso aos pedaços de ferro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a luz observa à espreita.&lt;br /&gt;
As ruínas oferecem redenção.&lt;br /&gt;
Aprecio-as porque desbancam vaidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Espera-me, amor!&lt;br /&gt;
Vamos recriar a liberdade!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCwpZI5ik8HSa7DeFv-t_5eDSYQDU3IbzOLantFD3K1r6jgjjnrn6Xm9VX8D4V5LRdEtgQqr7l6vj51PX4hqT4myCuWKLoHNGcmGOFzP1BUtIuT3o5otFwIVLw1zscBwK4pwRwkg/s1600/DSC_0493.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1072" data-original-width="1600" height="214" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCwpZI5ik8HSa7DeFv-t_5eDSYQDU3IbzOLantFD3K1r6jgjjnrn6Xm9VX8D4V5LRdEtgQqr7l6vj51PX4hqT4myCuWKLoHNGcmGOFzP1BUtIuT3o5otFwIVLw1zscBwK4pwRwkg/s320/DSC_0493.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCwpZI5ik8HSa7DeFv-t_5eDSYQDU3IbzOLantFD3K1r6jgjjnrn6Xm9VX8D4V5LRdEtgQqr7l6vj51PX4hqT4myCuWKLoHNGcmGOFzP1BUtIuT3o5otFwIVLw1zscBwK4pwRwkg/s72-c/DSC_0493.JPG" width="72"/></item><item><title>Não analise, celebre!</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2018/04/nao-analise-celebre-um-papo-sobre-osho.html</link><category>Crônicas/Ensaios</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Mon, 23 Apr 2018 18:39:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-1795686442304801686</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Após o lançamento do documentário &lt;i&gt;Wild Wild Country&lt;/i&gt;, Osho virou um dos assuntos mais comentados entre os viciados em séries da Netflix. E também nas redes sociais. Quanto a ele, as questões que fazem com que agora, de uma hora pra outra, estejam pipocando críticos ferrenhos em grau máximo de ódio, são as mesmas que motivam as brigas políticas no país, com um querendo provar estar mais certo e mais correto que o outro, enquanto a vida passa e o sistema político permanece o mesmo. Se tem uma coisa que aprendi com tudo o que cresceu em torno de Osho foi sobre o poder do coletivo para além de toda e qualquer polaridade. E muito mais. Apesar de não o defender como guru iluminado, sem dúvida, aprendi muito quando conheci sua obra e até mesmo com a sua vida totalmente disparatada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Osho é um mito contemporâneo. Foi uma das figuras mais controversas do século XX, amado e odiado no mesmo grau. Considerado um falso guru por uns, verdadeiro e iluminado para outros, desde criança manifestava interesse pela verdade do Ser e até sua avó declarou-se discípula do jovem mestre que ele era na época. Formou-se em filosofia, foi professor, crítico dos dogmas religiosos, portador da bandeira da liberdade (e das responsabilidades que ela traz) e criador de um potente e profundo programa de meditação. E apesar de ter sido um capitalista, que soube muito bem usar, para disseminar sua criação, todo o recurso que os seus seguidores americanos e europeus doavam, o acesso à meditação dinâmica criada por Osho é gratuito. Você pode aprender e fazer sozinho em casa, através da Internet, se não quiser pagar para estar em uma vivência. E se tiver dinheiro para ir à Índia visitar o seu resort/comuna, verá que os preços são menores do que uma mensalidade de aula de yoga. Mesmo os preços de se hospedar no resort saem em conta em comparação aos hotéis. Está achando o nome &lt;i&gt;resort&lt;/i&gt; estranho para um local de espiritualidade? Pois esse é Osho, alguém que saiu dos padrões e desafia as categorizações. Foi um místico libertário, feminista, independente e autônomo em seu pensamento e ação, para além das tradições, capaz de unir Oriente e Ocidente como poucos. O primeiro mestre espiritual com visibilidade global a não negar o mundo material e a deixar o circo pegar fogo. Digo em escala global porque na Índia há muitos mestres e mestras assim, que não separam espírito e matéria, luz e sombras. Para ele, a liberdade era o ponto principal da jornada de evolução da consciência, junto com a vida prazerosa e alegre, sem negação do corpo e da matéria, tudo implicado, claro, em responsabilidade. Osho sempre foi transparente em seus discursos e só não ouviu quem não quis ou o tomou como muleta, como muitas pessoas que procuram um guru ou um mestre fazem: &lt;i&gt;Aceitar a sua responsabilidade irá transformá-lo e a sua transformação é o começo da transformação do mundo — porque você é o mundo. Seja lá o quão pequeno for, um mundo em miniatura, você carrega todas as sementes.&lt;/i&gt; Nada de novo no front. Todos os grandes mestres espirituais e muitos filósofos já disseram isso antes, e ele pertencia a essa mesma linhagem de mestres e filósofos. Seus livros, baseados em seus &lt;i&gt;Satsangs&lt;/i&gt; (sat = verdade e sanga = em companhia, uma espécie de palestra espiritual), estão entre os mais vendidos no mundo todo desde a década de 1970. A comuna de Osho, em Poona, na Índia, é o lugar mais visitado do país, atrás apenas do Taj Mahal. No entanto, o momento mais explorado pelo documentário é justamente o momento mais trágico de Osho, na época chamado Bhagwan Shree Rajneesh. Não é ruim para aqueles que estão em um caminho de busca espiritual, pois nos alerta a mantermos a atenção plena em nossas ações. Pois se até alguém considerado um mestre está sujeito a falhas, que dirá os simples mortais. Mas é uma pena que tenha sido excluída do filme toda a vida anterior à ida de Osho e seus seguidores para os EUA. Pela importância da mobilização planetária que a existência de um homem como ele provocou e ainda provoca, goste você ou não, Osho merecia um filme mais à altura de seu impacto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que &lt;i&gt;Wild Wild Country&lt;/i&gt; faz é explorar o momento mais conturbado de sua trajetória, que termina com uma condenação de Osho nos EUA por problemas com a imigração, e a condenação de sua secretária Sheela e do grupo dela por tentativa de homicídio e mais um monte de bizarrices, com as quais não se comprovou ligação direta de Osho. Tanto que ele não foi acusado de nenhum dos crimes de Sheela, mas por outros "menores", já que o governo de Oregon e dos EUA queria mesmo era expulsá-lo do país, vendo nele o atrator de todo tipo de gente e todo tipo de liberdades. Tudo isso, no país da liberdade... O que vemos quando assistimos ao filme é um desfile de preconceitos e julgamentos dos chamados &lt;i&gt;cidadãos de bem&lt;/i&gt;&amp;nbsp;dos EUA, algo muito parecido com o que estamos vivendo hoje no Brasil. Mas não acho que estão errados, embora não os defenda. Porém, não se trata de uma questão de certo e errado. O que é diferente assusta mesmo. Especialmente se isso afeta a propriedade privada e a família, que é a verdade daquela gente e de muito mais gente no mundo. A instalação de uma gigante comunidade autogestora (de mais ou menos cinco mil pessoas) no meio de uma pequena cidade conservadora dos EUA formada por fazendeiros, seria no mínimo algo provocador. Afeta toda a cultura local. Porém, devemos lembrar que a cultura de Oregon já foi autogestora, quando quem habitava aquelas terras eram os povos nativos, que foram dizimados pelos antepassados dos fazendeiros de hoje. Sua história é marcada por conflitos culturais. Mas se não defendo os fazendeiros de Oregon, também não defendo os seguidores de Osho que eram responsáveis mais diretamente pela política da comunidade. Muito menos Sheela, que ultrapassou os limites de qualquer convivência em sociedade. Não vou fazer muitos &lt;i&gt;spoilers&lt;/i&gt;, assistam ao filme. Mas em não defendendo, também prefiro não julgar. O tempo e a corte estadunidense já fizeram isso. A começar pelo fato de que estamos falando dos anos 1980, onde a realidade era outra. Depois, porque o ser humano, quando se sente ameaçado, age de maneiras que fogem à razão. Incluem-se nesse time eu, você, Sheela, Osho, Lula, Trump, Bolsonaro e todo o restante da humanidade. Gostemos ou não, em algum ponto da existência as nossas vidas sempre podem se espelhar. Fique um bom tempo sem se olhar no espelho da alma e veja o que terá se tornado. Figuras assustadoras como Hitler, por exemplo, estão sempre a espreita de nossos fascismos interiores. Por fim, recolho o julgamento porque Sheela, indiana formada na mais tradicional cultura de devoção da Índia, apenas fez o papel dela de proteger o seu guru, como todo e qualquer indiano devoto de um guru faz nos milhares de ashrams (comunidades espirituais) existentes no país. A questão é que os fins não justificam os meios. E é difícil defender os meios dela, como, por exemplo, ter armado a comunidade até os dentes, uma comunidade que antes de se sentir ameaçada, era pacífica. E isso sim, teve o aval de Osho. No entanto, defendo a existência da comunidade e a validade de toda a obra dele. A força dessa obra é algo que só aparece no filme nas falas emocionadas de alguns de seus amigos e seguidores, culminando num capítulo final muito bonito, que inclui perdão e redenção. Inclusive numa bela fala de Sheela ao ser presa, sobre não fugir às responsabilidades de suas escolhas feitas em liberdade, seguindo assim, os ensinamentos do mestre. Mas infelizmente essa não é a tônica mais explorada no restante dos capítulos, o que contribui para a disseminação do ódio a Osho por aqueles que não fazem ideia do que seja a cultura espiritual da Índia e a sua obra, e desconsidera que ainda hoje, exatos vinte e oito anos após a sua morte, ele é uma das figuras mais influentes no mundo, um guia espiritual globalizado que revirou os conceitos de espiritualidade, amor, capitalismo e anarquismo. Ou melhor, talvez esteja justamente em tudo isso a semente do ódio. Como o contrário também é verdade. Existe muito amor. Dá pra imaginar porque ele causa tanto rebuliço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas antes de continuar a falar sobre Osho e explorar o fato de que ele se perdeu em seu caminho (e os motivos disso), como muitos de seus discípulos concordam, quero escrever sobre questionamentos fundamentais que aproximam Osho de muitas pessoas. Inclusive, que me levaram a ele também, motivos que me apaixonaram a escrever este texto, além do fato de que, há dezessete anos, pratico e estudo yoga e a espiritualidade indiana em suas diversas vertentes. Aprendendo com ele, assim como com toda a vida ao meu redor, sigo no caminho tortuoso que é viver a busca por Deus dentro de mim, atenta para não me considerar melhor do que ninguém por conta disso nem invalidar as demais formas de busca ou mesmo quem não se importa com isso, pois também já fui ateia. Hoje, considero Deus a energia primordial que une consciência e criação, luz e escuridão, nem masculina nem feminina, mas os dois, que contém toda a pluralidade do mundo e a potência de sermos o que quisermos, de não nos limitarmos pela sociedade e pela cultura. Somos todos um, e ao mesmo tempo que isso é divino não significa nada, não pode significar nada em termos de ego, essa instância controladora da psique que acha que já sabe tudo. Somos tudo, mas nada é nosso, muito menos sabemos a verdade. Temos apenas intuições e uma mente que cria a realidade. Logo, podemos ser qualquer coisa, ainda que a cultura e a sociedade nos diga que não. E isso não é só elemento para enredo de ficção, como a história do personagem da Marvel, Doutor Estranho. É de uma força real enorme e de grande responsabilidade também. Começa por aí o poder simbólico de Osho, que talvez estivesse à frente de seu tempo, mas não soube lidar com isso. Perdeu-se, como Nietzsche ao fim de sua vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que mais move quem se aproxima das palavras de Osho e, acredito, a maior parte daqueles que viveram em suas comunas nos anos 1970 e 1980, e que vão à Poona hoje, é a liberdade de ser, de amar e o sentido de comunidade, tudo isso para além da propriedade, que é a grande questão do mundo em que vivemos. Embora Osho fosse capitalista, todo o dinheiro gerado pelo comércio de seus livros – a principal fonte de renda da comunidade – era utilizado em prol da própria comunidade e retroalimentava a divulgação de sua obra. Não vou aqui discorrer criticamente sobre sua coleção de Rolls-Royces. Osho era apaixonado por esse carro e ganhava vários de seus admiradores mais ricos. Cada um com as suas manias. O que importa é que a comunidade era e é totalmente sustentável. Todo o dinheiro era movimentado dentro daquele sistema anarquista. E, para quem não sabe, o anarquismo não é necessariamente socialista, pois existe a corrente anarcoliberalista. O anarquismo atravessa as duas correntes tanto quanto existe no meio, com várias nuances. Osho não falava em anarquismo, mas a essência de suas comunidades era anarquista. Ao menos, até Sheela implementar suas políticas de repressão. Mas a proposta ultrapassava a ideia de fronteira, de Estado-nação, e por isso também incomodou tanto a Índia quanto os EUA. Porque a força do coletivo tem um poder impressionante diante do poder centralizado. &lt;i&gt;Wild Wild Country&lt;/i&gt; mostra o que essa força, movida de forma autônoma, sem imposição, apenas pelo amor a uma causa, é capaz de produzir. O anarquismo sempre me apaixonou, desde os meus primeiros contatos com propostas anarquistas, quando eu ainda era muito nova, aos quinze anos, a exemplo da Somaterapia de Roberto Freire, que une Reich e o Anarquismo. O livro &lt;i&gt;Coiote&lt;/i&gt;, de Freire, é o romance que mais participou da minha formação política e emocional. Ele conta a história de um garoto que na lua cheia vira lobo e encanta quem o conhece, atuando como o Eros de nossa Pisque. Totalmente integrado à natureza, ama tudo e todos sem dedicar exclusivamente o seu amor a ninguém. A personificação do amor em estado maior, como um &lt;i&gt;verbo intransitivo&lt;/i&gt;. Coiote era ainda um cara para quem a casa era o mundo todo. Para ele não havia fronteira. Tudo era humano, tudo era possível, tudo era nosso, de maneira livre e sem propriedade. A utopia libertária em forma de gente. Aquilo me marcou profundamente, pois me identifiquei. Algo dentro de mim dizia que o amor era assim, gigante e despersonalizado, e que a vida em sociedade seria muito mais harmônica se não existissem fronteiras ou centralização de poder, se todos tivessem a mesma oportunidade de demonstrar sua força criativa, de trocar, de ir e vir. &lt;i&gt;Imagine there's no countries&lt;/i&gt;, eu cantava e sonhava com um mundo sem Estado. Meu inconsciente já dava pistas de que o Estado centralizador também estava em mim, na minha alma, e por isso eu o negava. Então, fui estudar o anarquismo, que segue comigo até hoje como um guia da minha alma, embora como sistema macropolítico eu entenda que seja um caminho mais difícil. Talvez não tenhamos evolução espiritual suficiente para isso. Mas algo que sempre defendi foram as comunidades alternativas autogestoras. E sempre acreditei no poder do coletivo. Esse foi o primeiro aspecto que me atraiu em Osho, como a muitas pessoas. Suas comunidades foram e são experimentos bastante interessantes nesse sentido. Vamos ler o que o próprio dizia sobre isso:&lt;br /&gt;
&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style="background-color: white; font-family: &amp;quot;times&amp;quot; , &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif;"&gt;&lt;i&gt;MINHA VISÃO de um novo mundo, o mundo das comunas, significa nenhuma nação, nada de grandes cidades, nenhuma família, mas milhões de pequenas comunas espalhadas por toda a terra em densas florestas, exuberantes florestas verdes, nas montanhas, nas ilhas. A menor comuna viável pode ser de cinco mil pessoas e a maior comuna pode ser de cinqüenta mil pessoas. De cinco mil a cinqüenta mil - mais que isso se torna inviável, assim surge novamente a questão da ordem e da lei, e da polícia, e da corte, e todos os velhos criminosos são trazidos de volta.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;Uma comuna é uma declaração de uma vida não ambiciosa, de igual oportunidade para todos. Mas lembrem-se de minhas diferenças com Karl Marx. Não sou a favor de impor igualdade sobre as pessoas porque essa é uma tarefa psicologicamente impossível - e quando você faz alguma coisa contra a natureza, isso se torna destrutivo e venenoso.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;Dois homens nunca são iguais.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;Mas posso ser facilmente mal entendido, então tente entender meu ponto de vista muito claramente. Não sou a favor da igualdade, mas também não sou a favor da desigualdade! Sou a favor de criar iguais oportunidades para cada um ser ele mesmo. Em outras palavras: na minha visão, cada indivíduo é igualmente único.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo aspecto derivado desse sentimento de liberdade, diz respeito às relações. Já vi muitas críticas de detratores de Osho afirmando que a sua filosofia em nada ajuda um buscador. Pois eu digo o contrário. É uma filosofia prática, que conforta aqueles que se sentem estranhos no ninho, os dá uma perspectiva de que é possível existir como se é. Lembrando mais uma vez que liberdade e responsabilidade caminham juntas. É aquela velha história: a nossa liberdade termina onde a do outro começa. Todo assunto relacionado ao amor na obra de Osho é ponto de polêmica, embora eu não consiga ver polêmica em nada. Mas porque, ao falar principalmente de relações íntimas para além da ideia de propriedade, ele toca no ponto mais espinhoso das relações: a fidelidade. Mas Osho vai além, e coloca o amor numa perspectiva espiritual. Basta ter disposição para olhar para a sua obra. Em relação à questão da propriedade do corpo, do desejo e do sentimento, Osho foi para mim e para muitos, libertador. Talvez esse seja um dos pontos pelos quais mais pessoas buscam suas palavras e as meditações dinâmicas, querendo sair dos padrões e das redes de cobranças que vivemos nas relações íntimas, que expressam o quanto somos uma sociedade neurótica e doente. Esse é também um ponto que sempre me movimentou. Hoje, aos trinta e oito anos, posso dizer que tenho claro para mim que há experiências que são só nossas, da nossa liberdade como indivíduo, e só pertencem ao nosso caminho de evolução. Ninguém deve (ou não deveria) legislar sobre isso, exceto quando a nossa liberdade passa a afetar a liberdade do outro. Mais uma vez, aqui está a responsabilidade. Nesse ponto, se não entra a ação correta do indivíduo, entra o coletivo. E nada disso fere a lealdade ou o amor, ou não deveria, pois são coisas diferentes. Desde que os relacionamentos se estabeleceram na relação de propriedade, o ser humano já sofreu muito. Especialmente as mulheres, que são as &lt;i&gt;galinhas&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;vadias&lt;/i&gt; da história, enquanto os homens são os &lt;i&gt;garanhões&lt;/i&gt; que não conseguem se segurar. &lt;i&gt;Coitados&lt;/i&gt;. Tipo de pensamento que mata mulheres diariamente pelo mundo e que gera doenças sérias na psique dos homens. Vivemos em uma cultura doente, que culpa e pune as pessoas pelo prazer, desde o mínimo prazer em viver. Diariamente a gente mata nossa potência por nos permitirmos manter essa rede complexa de culpabilização. Não nos relacionamos com honestidade, porque temos medo e somos carentes. No aspecto da maioria de nossas relações, estamos socialmente ainda na fase da criança birrenta. No máximo, do adolescente inconsequente. E isso se aplica não apenas às relações íntimas de casal, mas a todas elas, como as amizades, as de trabalho e as delicadas relações familiares. No caso dos casais, em muitos as singularidades sequer são colocadas em pauta. Isso no dito mundo democrático. Estou desconsiderando as sociedades mais conservadoras. Preferimos viver mentiras que, um dia, explodem das formas mais dolorosas. Porque somos todos &lt;i&gt;apaixonados pelo poder&lt;/i&gt;, para usar uma expressão maravilhosa de Michel Foucault sobre os nossos microfascismos, aqueles entranhados na alma. O Estado centralizador está mesmo dentro de nós. Adoramos exercer poder sobre o outro. E nessa conjuntura, é impossível o amor emergir em sua totalidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de Osho, a psicanálise trouxe o assunto à tona com Freud. Reich foi o primeiro a unir tal pensamento com a política. E depois, Michel Foucault, Simone de Beauvoir, Sartre, Deleuze, Anais Nin, Hilda Hilst no Brasil, grande pensadores e escritores trouxeram a questão de forma mais enfática, tanto para a filosofia e a poesia quanto para suas vidas. Até o mundo pop teve seus expoentes questionadores das neuroses das relações, como John Lennon e Yoko Ono, que estavam muito além da rasa expressão&amp;nbsp;&lt;i&gt;amor livre&lt;/i&gt;. A diferença de Osho é que ele era considerado um líder espiritual. E dentro do universo da espiritualidade, esse era um assunto desconhecido dos ocidentais. Embora Osho não fosse ligado a nenhuma linhagem tradicional indiana, seu pensamento se alinha ao Tantra, tanto que há inúmeros discursos dele sobre o Tantra, onde a união masculino e feminino é o almejado, é o próprio samadhi (iluminação espiritual). Como tudo na vida é sujeito à interpretação e diferentes usos, no Tantra não é diferente. Há a corrente para quem a união entre os opostos se dá num caminho individual, de meditação, yoga, canto de mantras, e há o caminho que diz que o samadhi só pode acontecer através da união real entre duas pessoas. E o sexo seria o principal veículo. É daí que vem a associação do Tantra com o sexo, que faz com que se confunda uma coisa com a outra. Osho parecia unir as duas correntes. Há quem diga que não. Mas posso dizer que conheço bastante os discursos de Osho sobre o amor. O samadhi pode até ser vislumbrado pelo sexo, pelo orgasmo, numa relação de entrega e confiança entre as partes, mas é uma experiência individual muito além dos sentidos. E que só ganha densidade e profundidade na experiência meditativa. Mas&amp;nbsp;&lt;i&gt;o povo gosta mesmo é de polemizar&lt;/i&gt;, como dizem por aí. E Osho, por falar das relações afetivas para além da propriedade e na perspectiva da liberdade, acabou ganhando da mídia, apoiada pelas camadas conservadoras da sociedade, um título honorário pejorativo: o de guru do sexo livre. Mas ele nunca se nomeou desta forma ou estimulou orgias (como gostam de afirmar) ou infidelidades. Basta ler os relatos de seus seguidores, mesmo dos que deixaram de segui-lo. Não que fosse um problema também se estimulasse, não estou aqui como defensora da moral. Se assim tivesse feito, haveria os seus seguidores tanto quanto os detratores. Embora, ao ser um defensor da liberdade, sua comunidade tenha se tornado alvo fácil tanto daqueles que queriam um lugar &lt;i&gt;pra pegar geral &lt;/i&gt;quanto dos que estavam interessados em atacar o que assusta. Sempre há os aproveitadores. E, além disso, sexualidade é tabu, ainda que o sexo esteja em toda parte. Porém, mais como mercadoria, difundindo preconceitos e machismos, e menos como algo natural. Por isso o tom pejorativo. Quem busca os ensinamentos de Osho de maneira livre de pré-conceitos e medos, verá que ele fala do amor e do sexo como algo espiritual. Esse para mim foi o pulo do gato: entender que o amor que a gente sente por alguém é a nossa grande chance de conhecer o amor maior de Deus. E que o sexo e o amor podem se encontrar, mas são coisas diferentes. É aí que caem por terra o ciúme, a posse, a carência. O entendimento de que, em suas próprias palavras, &lt;i&gt;o relacionamento é uma estrutura e o amor é um fenômeno não estruturado&lt;/i&gt; mudou a minha vida. E a de muita gente. Assim, tendo tentado a conexão com inúmeras religiões e não alcançado o sucesso, encontrei no amor a minha religião, como a linda guru Amma. E no Yoga, a canalização de todas as energias neuróticas, para transmutá-las. Caminho que várias pessoas fizeram e encontraram em Osho uma das fontes de sabedoria. Em outro momento escrevo um texto apenas sobre Yoga e Tantra. Por ora, volto à &lt;i&gt;Wild Wild Country&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma amiga de longa data, que leu Osho pela primeira vez no ano passado e disse ter sido impactante para ela como pessoa e como mãe (mais uma vez, aí está a filosofia prática), começou a fazer aulas de yoga há pouco tempo, com uma professora que tem muito mais experiência do que eu nesse caminho. Ao dizer para a professora que ela era iniciante, aquela respondeu como uma verdadeira mestra: somos todos iniciantes. Isso me tocou muito e me deixou muito feliz. Falei pra ela: "vai nessa aí". Porque a verdade é essa, estejamos em qualquer parte do caminho, estamos todos no início da jornada, pois as armadilhas do ego são tantas que podemos sempre voltar pra estaca zero. Inclusive os mestres mais evoluídos na espiritualidade. Pois o ponto mais próximo de outro ponto é o seu oposto. Enquanto estamos no meio, onde tudo é tudo e nada é nada, as coisas caminham num certo grau de equilíbrio. Mas encontre a luz e terá mais clareza do que são as trevas, como o contrário também é verdadeiro. Se o universo se dobra, ambos se encontram. Cada vez que um guru se torna midiático, ele passa a ter que conviver com essas armadilhas do ego mais do que se vivesse recluso numa caverna nos Himalaias ou num ashram desconhecido. Eu respeito muito a coragem daqueles que decidem viver no mundo real e não numa caverna, a expor assim também as suas sombras. Pensemos em um ser muito iluminado como Jesus. Mesmo ele teve os seus tormentos e os seus momentos de &lt;i&gt;sombritude&lt;/i&gt;. Não fosse assim, jamais teria entrado no templo arrasando com tudo. A ele não interessava se aquela era a cultura local ou o que mantinha o conforto das pessoas. Jesus, a personificação do amor e do perdão, entrou lá chutando o pau da barraca, literalmente, e afirmando, na base do grito,&amp;nbsp;algo totalmente novo que a maioria não entendeu. Não estou comparando Jesus e Osho, não é isso. Sob muitos aspectos, se distanciam. O que quero dizer aqui, é que somos complexos ao sermos humanos. Ainda que Jesus seja um ser de luz, estava vivendo na matéria. A própria palavra guru, designada na Índia para seres que chegam ao samadhi e se tornam guias espirituais, traz essa dualidade complexa. Ela une duas sílabas em sânscrito que significam trevas e luz. Guru é aquele que encara as trevas para encontrar a luz. É uma capacidade divina presente em todos nós. Podemos encontrá-la em outros seres que consideramos mais a frente no percurso do que nós. Mas será um erro para todo aquele que se tornar devoto de um guru criar a expectativa de que ele está acima do bem e do mal. Estamos todos no mesmo barco e prontos a aprender uns com os outros. A devoção é uma grande "arma" de aprendizagem sobre nós mesmos e o cosmo, mas tem limites. Inclusive, Osho não se dizia guru. Para muitos poderia ser, mas ele falava justamente em quebrar o jogo entre guru e discípulo. Ele pode sim ter se iluminado aos vinte e um anos, sozinho como foi, sem a mediação de um outro guru, contrariando a maioria da tradição indiana e o ligando a dos grandes mestres. E criou práticas fantásticas de liberação de estresses, medos e angústias, usando ainda muito bem a palavra, como profundo orador e conhecedor de filosofia que era e de todas as tradições místicas, para ajudar outras pessoas a encontrar a verdade dentro de si. Mas era um ser humano, doente desde muito novo, fraco por uma fibromialgia que o tornou viciado em Valium e óxido nítrico, além de ter se tornado um viciado em drogas alucinógenas depois que levou para o seu círculo alguns produtores de Hollywood. Se já somos suscetíveis aos erros quando saudáveis, quando doentes e sob efeito de drogas de maneira não ritualística os canais se abrem e se tornam frágeis. O que me parece ter acontecido com Osho foi que ele não soube sustentar a atenção plena depois que se iluminou. Ou talvez nem tenha se iluminado, mas foi um homem que chegou perto de entender a verdade suprema da qual os Vedas (textos antigos da Índia) nos falam, que vemos em seres como Jesus Cristo ou Buda Shakyamuni. Talvez precisasse de alguém que o orientasse, um guru. Talvez, por negar toda e qualquer tradição, ao negar ter ele mesmo um guru, um ponto de apoio qualquer que fosse, um terapeuta ou sei lá o quê, tenha ele se perdido nos emaranhados da mente traiçoeira. Algo que talvez também ele tenha percebido ao fim da vida, quando se tornou mais compassivo, mesmo que dopado. O que não nos cabe é julgá-lo a torto e a direito como se Osho estivesse tão distante que não fosse um espelho de nós mesmos. Só que fazemos isso o tempo todo, pois somos formados na cultura da justiça, de acharmos que somos o certo e o outro é o errado. Mas por mais que queiramos controlar as forças sociais, a vida se equilibra por ela mesma, pois sempre há aspectos que fogem da nossa visão, que é condicionada por inúmeros fatores. Não que não devamos denunciar o que achamos errado e viver pelo que achamos certo, pois nesse jogo é que nos descobrimos, mas entendo que o mais interessante é trabalharmos todos em prol do autoconhecimento, do amor e do perdão. Mesmo quem busca vibrar nessa energia diariamente, escorrega o tempo inteiro. Lembro-me de uma vez em que me peguei julgando com muito ódio o bispo Edir Macedo e, ao perceber a loucura em que eu estava entrando, me coloquei um bom tempo em silêncio e meditação, para assentar em mim que eu não me sentia feliz com aquele sentimento e que ele era caminho fácil para a ruína. É a mesma coisa que fazem com Osho e é o que fazemos o tempo todo com tudo o que é diferente de nós. Temos sim que ficar atentos a todos que nos prometem o Paraíso. Mas se tem uma coisa que aprendi com as palavras de Osho e, antes disso, com mestres de altíssima vibração, e também na filosofia e no yoga, é que toda resposta está dentro de nós. Por isso não me tornei seguidora dele, como de nenhum outro mestre. Sou devota de todos e de nenhum. Porque a fé deve ser cega, a crença jamais. A fé é em relação à vida e ao universo, trabalhada apenas no âmbito individual e em vibrações altas, nascida da meditação, do amor, do serviço, da compaixão. Já a crença se dá em leis criadas pelos seres humanos. São elas que nos limitam, que dificultam as respostas nos momentos mais difíceis, colaborando para a propagação de doenças psíquicas e emocionais que nos destroem. Nenhum buscador espiritual, praticante de yoga que seja, salvo raríssimas exceções, pode ser dizer um iluminado de fato, um yogi liberto dos condicionamentos do mundo e da mente. Quem acha que chegou a esse ponto tem que arcar com enormes responsabilidades, como Osho teve que arcar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos somos aprendizes, caminhantes no caminho. Até mesmo os gurus. Nossa experiência na Terra é para isso, para vivenciarmos toda a loucura que é a vida na matéria. Ela também é divina. Também é face de Deus, ou do Universo, ou de Paramatma, ou do nome que for. Por isso, acredito que mais do que propor revoluções sociais, temos que propô-las associadas à revolução que mais importa: a de dentro. Não se pode mudar o mundo sem mudar a si mesmo. Não se pode querer um mundo de mais luz sem olhar para as próprias sombras. Osho deu uma chacoalhada em nosso mundo de tantas faces fundamentalistas ao se colocar na vida com acertos e erros escancarados. Assim, ajudou a despertar a vontade de se autoconhecer em milhões de seres humanos em todo o mundo, direta ou indiretamente. Aprendamos com ele o que acontece quando somos levados pela sociedade sem atenção ao nosso interior, porque ele mesmo se deixou levar pelas seduções sociais que aprisionam.&amp;nbsp; Osho é o último nome que ele usou durante a vida, já próximo do seu falecimento. Trata-se de uma reverência em japonês, que significa algo como "consciência oceânica". Nada mal para quem foi tão capaz de fazer da própria vida uma obra de arte, ainda que caótica e contemporânea como uma pintura de Pollock. Mas que, mesmo assim, chega a produzir luz. É assim que é a vida, precisamos das sombras para enxergarmos a luz, mesmo que isso seja doloroso. É um mistério ao qual nos cabe reverenciar sem a pretensão de que o conhecemos. Saber demais é perigoso demais, nos impede de encontrar a verdadeira paz, que não está na cessão das guerras pura e simplesmente. Mas a cessão da guerra só virá quando encontrarmos a paz dentro de nós, quando aprendermos a celebrar a vida ao invés de querer destruí-la. Quando passarmos a trabalhar mais para o fluir do amor maior. Isso é o &lt;i&gt;amor fati&lt;/i&gt; do qual falava Nietzsche, amar tudo como é, apesar de. O pulo do gato para a humanidade. Como disse Osho certa vez, &lt;i&gt;esqueça essa história de querer entender tudo. Em vez disso, viva. Em vez disso, divirta-se. Não analise, celebre!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhsmrmOofpBWHduaZL5-CWDo48BaZd1yJ4-hTPTPgnWUBCrxiZFUvHAs8are8oK30couPbQbZJoqhce_DQoqpZACFfqbKz-7HhfOQn-mBcfcTeswWyQd8JUpMFoHucRItk1uxayJQ/s1600/Matisse1.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="998" data-original-width="1500" height="212" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhsmrmOofpBWHduaZL5-CWDo48BaZd1yJ4-hTPTPgnWUBCrxiZFUvHAs8are8oK30couPbQbZJoqhce_DQoqpZACFfqbKz-7HhfOQn-mBcfcTeswWyQd8JUpMFoHucRItk1uxayJQ/s320/Matisse1.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhsmrmOofpBWHduaZL5-CWDo48BaZd1yJ4-hTPTPgnWUBCrxiZFUvHAs8are8oK30couPbQbZJoqhce_DQoqpZACFfqbKz-7HhfOQn-mBcfcTeswWyQd8JUpMFoHucRItk1uxayJQ/s72-c/Matisse1.png" width="72"/></item><item><title>Se há cansaço</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2018/01/se-ha-cansaco.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Thu, 25 Jan 2018 17:12:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-5036392766862993479</guid><description>Se há cansaço&lt;br /&gt;
E uma vez vivo, haverá&lt;br /&gt;
Há também a casa&lt;br /&gt;
Pedaço imenso de conforto&lt;br /&gt;
Singular&lt;br /&gt;
Que descansa&lt;br /&gt;
O que a lida cansa&lt;br /&gt;
E nos convida a recuar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessas horas pesarosas&lt;br /&gt;
Pouca coisa importa&lt;br /&gt;
O essencial se porta&lt;br /&gt;
Horizonte em nobre cena&lt;br /&gt;
Sob as folhas que balançam&lt;br /&gt;
Plenas de sua fotossíntese&lt;br /&gt;
Ao céu estrelado&lt;br /&gt;
Fragmento do óbvio&lt;br /&gt;
Que atrai o homo sapiens&lt;br /&gt;
Desde o seu primeiro espasmo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o silêncio inquebrantável&lt;br /&gt;
Do abraço que se ama&lt;br /&gt;
Confortável&lt;br /&gt;
Ruídos de grilo&lt;br /&gt;
Ecoando na montanha&lt;br /&gt;
Café e cama&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um vinhedo antigo&lt;br /&gt;
Lembra que o tempo&lt;br /&gt;
É o rei soberano&lt;br /&gt;
Se há cansaço&lt;br /&gt;
E uma vez vivo, haverá&lt;br /&gt;
Há também um oceano&lt;br /&gt;
De calma e certeza&lt;br /&gt;
De onde é preciso estar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEizQ2Pff2NuUoNym5uMbu1qIKpwT7ntP1_huPuJFR5U95njT5xTejIMfZ_lD8fuzChYze1feN3_5wV7zpWUdBL6Vi7L-YJmfB2PSjaQ1gVoL2uPhQw_oEFVj8CVC7YRcWODMNFebg/s1600/_ANA4196bx.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="596" data-original-width="900" height="211" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEizQ2Pff2NuUoNym5uMbu1qIKpwT7ntP1_huPuJFR5U95njT5xTejIMfZ_lD8fuzChYze1feN3_5wV7zpWUdBL6Vi7L-YJmfB2PSjaQ1gVoL2uPhQw_oEFVj8CVC7YRcWODMNFebg/s320/_ANA4196bx.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEizQ2Pff2NuUoNym5uMbu1qIKpwT7ntP1_huPuJFR5U95njT5xTejIMfZ_lD8fuzChYze1feN3_5wV7zpWUdBL6Vi7L-YJmfB2PSjaQ1gVoL2uPhQw_oEFVj8CVC7YRcWODMNFebg/s72-c/_ANA4196bx.jpg" width="72"/></item><item><title>Babel</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2017/11/babel.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Tue, 7 Nov 2017 11:19:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-4676660931725674841</guid><description>Minha missão&lt;br /&gt;
É “incorrer em tautologias”&lt;br /&gt;
Nasci errada&lt;br /&gt;
Uso mantras diariamente&lt;br /&gt;
Por necessidade e prazer&lt;br /&gt;
Não sei olhar no espelho&lt;br /&gt;
Que não seja para ver as rugas&lt;br /&gt;
Que escalam os fossos do cérebro&lt;br /&gt;
O azul me enerva&lt;br /&gt;
Posto que é cor que não se soube&lt;br /&gt;
Por muito tempo&lt;br /&gt;
Se uso óculos&lt;br /&gt;
Não é para melhorar a visão&lt;br /&gt;
Toda a gente já nasce enxergando&lt;br /&gt;
Mas esquece&lt;br /&gt;
Minhas mãos não me entregam verdades&lt;br /&gt;
Meu rosto menos ainda&lt;br /&gt;
Tudo o que sei&lt;br /&gt;
Coloco em palavras&lt;br /&gt;
E elas não são&lt;br /&gt;
Absolutamente nada&lt;br /&gt;
Para ver de fato&lt;br /&gt;
É preciso abandonar&lt;br /&gt;
A seriedade&lt;br /&gt;
Gosto de descascar as sombras...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinF86CBWO6WZhARJJF1S8SJZzzWc-XKsLGu3nndt7_42bSZSAckcCxBqwrYZq9Y6QAJYzBsInQwzJgKFE6H8T3t6yMrz03XwsRsMW3gRy_db5JdzYLHoz-BNTtzuaYPFkXgxdVrA/s1600/TorredeBabel.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="794" data-original-width="1024" height="248" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinF86CBWO6WZhARJJF1S8SJZzzWc-XKsLGu3nndt7_42bSZSAckcCxBqwrYZq9Y6QAJYzBsInQwzJgKFE6H8T3t6yMrz03XwsRsMW3gRy_db5JdzYLHoz-BNTtzuaYPFkXgxdVrA/s320/TorredeBabel.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinF86CBWO6WZhARJJF1S8SJZzzWc-XKsLGu3nndt7_42bSZSAckcCxBqwrYZq9Y6QAJYzBsInQwzJgKFE6H8T3t6yMrz03XwsRsMW3gRy_db5JdzYLHoz-BNTtzuaYPFkXgxdVrA/s72-c/TorredeBabel.jpg" width="72"/></item><item><title>Catedral</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2017/09/catedral.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Thu, 28 Sep 2017 22:14:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-6380567975857959874</guid><description>Há tempos atrás&lt;br /&gt;
Sonhei para nós dois&lt;br /&gt;
Uma gótica catedral&lt;br /&gt;
De pedras firmes&lt;br /&gt;
E torres bem altas&lt;br /&gt;
Para delirarmos&lt;br /&gt;
A ilusão da eternidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas ervas daninhas&lt;br /&gt;
Proliferaram&amp;nbsp; nas cabeças&lt;br /&gt;
Dos gárgulas&lt;br /&gt;
E no fim dos tempos&lt;br /&gt;
O que restou&lt;br /&gt;
Foi nada&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até nos esbarrarmos&lt;br /&gt;
Na velha cidade&lt;br /&gt;
Sob o leito&lt;br /&gt;
Da madrugada&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijiPyrdvuLphgeMuIPGXTtF6hb8xdSd30dxb92euJQu2ACw-BRVhvXP8hyphenhyphenFeFcckJyLkLDdpY5_dxP-dzKtdDKsZO9mMw0vZ56RriVDwhLlK5Kh-k_MKPyEJSZwI52IwkajhAtUQ/s1600/20190609_123144.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1600" data-original-width="1200" height="320" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijiPyrdvuLphgeMuIPGXTtF6hb8xdSd30dxb92euJQu2ACw-BRVhvXP8hyphenhyphenFeFcckJyLkLDdpY5_dxP-dzKtdDKsZO9mMw0vZ56RriVDwhLlK5Kh-k_MKPyEJSZwI52IwkajhAtUQ/s320/20190609_123144.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijiPyrdvuLphgeMuIPGXTtF6hb8xdSd30dxb92euJQu2ACw-BRVhvXP8hyphenhyphenFeFcckJyLkLDdpY5_dxP-dzKtdDKsZO9mMw0vZ56RriVDwhLlK5Kh-k_MKPyEJSZwI52IwkajhAtUQ/s72-c/20190609_123144.jpg" width="72"/></item><item><title>Apenas de poesia</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2017/09/se-eu-pudesse.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Fri, 22 Sep 2017 16:36:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-4372996993609523507</guid><description>Se eu pudesse&lt;br /&gt;
Viveria só de poesia&lt;br /&gt;
Encarnada na beleza&lt;br /&gt;
E na crueldade do sutil&lt;br /&gt;
Largaria os delírios errados&lt;br /&gt;
As planilhas sem vida&lt;br /&gt;
Os contratos que amarram&lt;br /&gt;
A burocracia construída&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois amanheci desejando mergulhar&lt;br /&gt;
No que revelam aqueles olhos&lt;br /&gt;
Foi por pouco que não te disse,&lt;br /&gt;
Não sei bem de que maneira,&lt;br /&gt;
Que devias ser meu, por que não&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amanheci querendo o brilho dos girassóis&lt;br /&gt;
Dos quadros de Van Gogh na minha janela&lt;br /&gt;
E quando eu olhasse a vida lá fora&lt;br /&gt;
Não veria apenas os carros que passam&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amanheci querendo mais a prosa de ontem&lt;br /&gt;
O riso amigo talhado em reencontros criativos&lt;br /&gt;
O prosecco providencial de uma noite sem fim&lt;br /&gt;
Poética dos tempos sem tempo da paixão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amanheci querendo diluir minha alma&lt;br /&gt;
No andantino da quarta de Tchaikovsky&lt;br /&gt;
Ainda que o russo não rime com o português&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas amanheci e já tocava o telefone&lt;br /&gt;
E me lembrei da moral&lt;br /&gt;
E já era tarde para o capital&lt;br /&gt;
Pois que lugar pode ter a poesia no tempo do trabalho&lt;br /&gt;
Pois que lugar pode ter a poesia no tempo das convenções&lt;br /&gt;
Pois que lugar pode ter a poesia no suco verde da manhã&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se eu pudesse&lt;br /&gt;
(e poderei!)&lt;br /&gt;
Viveria – e morreria a cada dia –&lt;br /&gt;
Apenas de poesia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhONL242AJKXtdKkP4huk1Qgfi_wo1zktXi2IenasvZmxs3dD3ChJEwt6AS1GAZwetRG1RGr0A0ln0sXlh1IrSaoY8xVlgK_oN8IocIk7mVL7jwWiY_T-Ob2FutNsGALBF8vOHmAA/s1600/vermeer-ladyseated.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="924" data-original-width="829" height="320" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhONL242AJKXtdKkP4huk1Qgfi_wo1zktXi2IenasvZmxs3dD3ChJEwt6AS1GAZwetRG1RGr0A0ln0sXlh1IrSaoY8xVlgK_oN8IocIk7mVL7jwWiY_T-Ob2FutNsGALBF8vOHmAA/s320/vermeer-ladyseated.jpg" width="287" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhONL242AJKXtdKkP4huk1Qgfi_wo1zktXi2IenasvZmxs3dD3ChJEwt6AS1GAZwetRG1RGr0A0ln0sXlh1IrSaoY8xVlgK_oN8IocIk7mVL7jwWiY_T-Ob2FutNsGALBF8vOHmAA/s72-c/vermeer-ladyseated.jpg" width="72"/></item><item><title>As quatro estações cariocas</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2017/06/as-quatro-estacoes-cariocas.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Sun, 25 Jun 2017 21:03:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-1538709023104148058</guid><description>&lt;div style="text-align: right;"&gt;
&lt;div style="text-align: left;"&gt;
&lt;b&gt;A Primavera&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Chegada é a Primavera&lt;br /&gt;
Se uirapuru ou sabiá que a saúda, que importa&lt;br /&gt;
Correntezas aninham-se aos ventos que celebram pássaros&lt;br /&gt;
E as águas correm aliviando o doce calor carioca&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma tempestade se anuncia no horizonte marítimo&lt;br /&gt;
Trovões levantam as ondas e alegram meninos&lt;br /&gt;
Ao seu fim, retornam as andorinhas ao Arpoador&lt;br /&gt;
E distribuem hipnóticos cantos sob o céu azul&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário de luz entre o mar e o bairro alto&lt;br /&gt;
Ao balançar das árvores e às buzinas de carro&lt;br /&gt;
Dorme o mendigo com um buquê de flores e o seu cão ao lado&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do pastoral subúrbio ao centro festejante&lt;br /&gt;
Dançaria Vivaldi um samba ao seu próprio furor e abrigo amado&lt;br /&gt;
Da primavera, cuja aparência de quase verão é brilhante e austera&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;b&gt;O verão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a dura estação pelo sol incendiada&lt;br /&gt;
Lânguidos homem e cachorro, arde o meio dia&lt;br /&gt;
Libertam as maritacas seu canto estridente&lt;br /&gt;
Cantores correm para os teatros à refrescar a poesia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um doce vento norte se vai, e uma disputa&lt;br /&gt;
É improvisada pelo sudoeste das viradas na praia&lt;br /&gt;
E lamenta o marujo, porque sabe&lt;br /&gt;
Teme a feroz tempestade e é seu destino enfrentá-la&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Toma dos pobres , após a lida, o repouso&lt;br /&gt;
O temor de alagamentos e trovões&lt;br /&gt;
E, de repente, inicia-se o tumulto furioso&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Temor este, verdadeiro, que fulmina um céu vermelho&lt;br /&gt;
E um vendaval, a controverso modo, expulsa o suor dos dourados corpos&lt;br /&gt;
Que ora chove e assusta, que ora é o sol a pino que expulsa&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;b&gt;O outono&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
Celebram os cariocas, com danças e cantos,&lt;br /&gt;
O grande prazer de um clima mais ameno&lt;br /&gt;
Entorpecidos ainda pela cerveja&lt;br /&gt;
Encerram as noites em bares sob a lua cheia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ao fim dos carnavais e do sol estendido&lt;br /&gt;
O clima de outono é aprazível&lt;br /&gt;
E a estação convida a todos&lt;br /&gt;
A gozar um sono auspicioso&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o trabalhador, na nova manhã, sai à lida&lt;br /&gt;
Com ferramentas, gravatas, corre ao metrô, que irrompe&lt;br /&gt;
E foge do calor, da navalha, fogem dele as suas madrugadas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Exausto e em busca de um grande amor&lt;br /&gt;
Por dias e noites de cansaço e ameaças&lt;br /&gt;
Seu corpo pede calma, seu coração, oprimido, pede alma&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;b&gt;O Inverno&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agitado tremor traz o dia cinza&lt;br /&gt;
Ao alegre sussurrar de tempos mais gélidos&lt;br /&gt;
Sacamos nossos casacos e echarpes&lt;br /&gt;
Batemos os dentes para lembrar que é inverno&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Subir a serra e acender lareira&lt;br /&gt;
Enquanto lá fora a chuva fina traz neblina&lt;br /&gt;
Caminhar sobre o asfalto molhado a passos lentos&lt;br /&gt;
Gozando cada momento de frio parco, com medo de deixá-lo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Imaginamos gelo, abrimos vinho, namoramos no edredom&lt;br /&gt;
Há melancolia também em nossos corações&lt;br /&gt;
Que buscam a poesia no cintilar do orvalho da manhã&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sentimos, ao abrir a porta, arrepiar os pêlos&lt;br /&gt;
Ventos invadem os desejos por todos os lados&lt;br /&gt;
Cariocas também gostam de dias nublados&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
&lt;br /&gt;
Uma releitura carioca dos sonetos de Antonio Vivaldi&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
Escritos no verão de 2016, no Rio de Janeiro, para interpretação com a orquestra Johann Sebastian Rio&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhqgTXP-85Ud8uM4PfIHCSCf5sbars79PyGPbM4fT-5fcGNKv5gCHp1-x4LkLiYCb1o4PccNvp-xlJxThxtmuuuPGUI7tkbmDWUkWh_USctRDGzxVIM99_lIBkarMKQctuH_esNSA/s1600/Imagem041.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1600" data-original-width="1200" height="320" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhqgTXP-85Ud8uM4PfIHCSCf5sbars79PyGPbM4fT-5fcGNKv5gCHp1-x4LkLiYCb1o4PccNvp-xlJxThxtmuuuPGUI7tkbmDWUkWh_USctRDGzxVIM99_lIBkarMKQctuH_esNSA/s320/Imagem041.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhqgTXP-85Ud8uM4PfIHCSCf5sbars79PyGPbM4fT-5fcGNKv5gCHp1-x4LkLiYCb1o4PccNvp-xlJxThxtmuuuPGUI7tkbmDWUkWh_USctRDGzxVIM99_lIBkarMKQctuH_esNSA/s72-c/Imagem041.jpg" width="72"/></item><item><title>O universo das coisas não publicadas</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2017/03/o-universo-das-coisas-nao-publicadas.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Tue, 7 Mar 2017 20:00:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-2041519212899335866</guid><description>Sento-me diante dela&lt;br /&gt;
A quem costumamos nomear vida&lt;br /&gt;
E à rosa subsiste seu nome&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deixo de lado cetro e vaidade&lt;br /&gt;
Acomodo-me em seu sítio forte&lt;br /&gt;
Onde trono é tronco de árvore&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela me solicita despir-me&lt;br /&gt;
Abandonar os livros e a razão&lt;br /&gt;
Para ouvir o que grita&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Recolho os meus sentidos e os vazios&lt;br /&gt;
Meus demônios dizem&lt;br /&gt;
Que talvez não valha a pena&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma nudez com pena da morte?&lt;br /&gt;
E a morte ri na minha cara&lt;br /&gt;
E diz que é vida ainda&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Retiro, então, a pele&lt;br /&gt;
Marcada mesmo&lt;br /&gt;
É por traços invisíveis&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E encaro os profundos olhos dela&lt;br /&gt;
Vida ou morte, tanto faz&lt;br /&gt;
São fêmeas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ambas dão a luz&lt;br /&gt;
E são a mesma face cálida&lt;br /&gt;
Mirando as nossas fragilidades&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para extrair delas&lt;br /&gt;
O óleo essencial de nossas almas&lt;br /&gt;
Verdades&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Busco em seus espelhos&lt;br /&gt;
Os porquês&lt;br /&gt;
Em vão, tolice&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Disparo sangue pelos meus&lt;br /&gt;
Com o coração chovendo espinhos&lt;br /&gt;
Despedaçado&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao lembrar a infância feliz&lt;br /&gt;
Com cheiro de mato&lt;br /&gt;
Totem de um tempo já perdido&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que importa é fluído&lt;br /&gt;
A vida é círculo&lt;br /&gt;
E de tudo resiste sempre uma flor&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De cada vida na nossa, pólen&lt;br /&gt;
Flor até mesmo quando feia&lt;br /&gt;
Como o poeta confrontou à náusea&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Espiral de muitas camadas&lt;br /&gt;
Tudo o que está fora dos compêndios&lt;br /&gt;
Incerta e exata&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Universo paradoxal&lt;br /&gt;
Das coisas não publicadas&lt;br /&gt;
De tão singulares&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A vida&lt;br /&gt;
Tão frágil&lt;br /&gt;
E ainda assim uma estrela iluminada&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pote de ouro&lt;br /&gt;
Círculo mágico&lt;br /&gt;
Lótus em comunhão com o infinito&lt;br /&gt;
Composta de notas raras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E bela, até mesmo no fim&lt;br /&gt;
E todo fim é também início&lt;br /&gt;
Óbvia conclusão&lt;br /&gt;
Pra um interstício&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh7G80UqmWAYRy_ZloqszhMkWzR3vsbyRweT-thsC6d8R8ke_rdn2L_M53Zl5EQ_D6H_ypMnEPRAOpIvVjVKj7-MukKhvDH1aT5Dq0uD_ogIC25Lyfwf5NudNnWAK5dJwHziGlvuA/s1600/TATTOO+MANDALA.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1272" data-original-width="1280" height="318" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh7G80UqmWAYRy_ZloqszhMkWzR3vsbyRweT-thsC6d8R8ke_rdn2L_M53Zl5EQ_D6H_ypMnEPRAOpIvVjVKj7-MukKhvDH1aT5Dq0uD_ogIC25Lyfwf5NudNnWAK5dJwHziGlvuA/s320/TATTOO+MANDALA.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh7G80UqmWAYRy_ZloqszhMkWzR3vsbyRweT-thsC6d8R8ke_rdn2L_M53Zl5EQ_D6H_ypMnEPRAOpIvVjVKj7-MukKhvDH1aT5Dq0uD_ogIC25Lyfwf5NudNnWAK5dJwHziGlvuA/s72-c/TATTOO+MANDALA.jpg" width="72"/></item><item><title>Tema clássico</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2016/11/tema-classico.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Mon, 14 Nov 2016 14:10:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-88440087818228834</guid><description>Escorre meu coração&lt;br /&gt;
Através de um adagio&lt;br /&gt;
A chuva rememora&lt;br /&gt;
O frio da infância&lt;br /&gt;
Era um naufrágio de névoa&lt;br /&gt;
Cobrindo as montanhas&lt;br /&gt;
E cheiro de avó na cozinha&lt;br /&gt;
Preparando a refeição&lt;br /&gt;
Escorre e aperta&lt;br /&gt;
Respira e se eleva&lt;br /&gt;
Ao solo terroso&lt;br /&gt;
Ao que espera&lt;br /&gt;
De um desejo novo&lt;br /&gt;
Atravessa a partitura&lt;br /&gt;
E cria, o coração,&lt;br /&gt;
Literatura&lt;br /&gt;
A chuva insiste&lt;br /&gt;
Mas acalenta quentura&lt;br /&gt;
Da companhia&lt;br /&gt;
Dos poetas na estante&lt;br /&gt;
Estou repleta&lt;br /&gt;
Completa de mim mesma&lt;br /&gt;
O frio traz saudade&lt;br /&gt;
O calor que tenho dentro,&lt;br /&gt;
Liberdade&lt;br /&gt;
Escorre meu coração&lt;br /&gt;
Ora grave&lt;br /&gt;
Ora vivace&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEisg0JrIGCsyeZ1kL8uGPZY7YKM7UKu2DfWw1LT-GD1RtZgEP0cla2fOeRKsbU0RsrwX5u8y5cvDp-xnXwyQigpQEL_HF9lbB7JJ1PEG8_wkJCkQcGd5A1OGsSlLvVPCF7MDkZr5g/s1600/mozart+partitura+1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="433" data-original-width="522" height="265" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEisg0JrIGCsyeZ1kL8uGPZY7YKM7UKu2DfWw1LT-GD1RtZgEP0cla2fOeRKsbU0RsrwX5u8y5cvDp-xnXwyQigpQEL_HF9lbB7JJ1PEG8_wkJCkQcGd5A1OGsSlLvVPCF7MDkZr5g/s320/mozart+partitura+1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEisg0JrIGCsyeZ1kL8uGPZY7YKM7UKu2DfWw1LT-GD1RtZgEP0cla2fOeRKsbU0RsrwX5u8y5cvDp-xnXwyQigpQEL_HF9lbB7JJ1PEG8_wkJCkQcGd5A1OGsSlLvVPCF7MDkZr5g/s72-c/mozart+partitura+1.jpg" width="72"/></item><item><title>País tropical</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2016/11/pais-tropical.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Sun, 6 Nov 2016 16:47:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-6468325780703101269</guid><description>Moro num país tropical&lt;br /&gt;
Abençoado e maltratado&lt;br /&gt;
Há no parlamento&lt;br /&gt;
Asquerosos mal dotados&lt;br /&gt;
De intelecto e amor&lt;br /&gt;
Ladrões por toda parte&lt;br /&gt;
E boa parte da gente&lt;br /&gt;
Dá jeitinho em tudo&lt;br /&gt;
Pura arte?&lt;br /&gt;
Corrompem-se por bem pouco&lt;br /&gt;
E suas fraquezas esfaqueiam&lt;br /&gt;
As potências do outro&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizem que todo mundo&lt;br /&gt;
Tem seu preço&lt;br /&gt;
Já me ofereçam tudo:&lt;br /&gt;
Cargo, dinheiro&lt;br /&gt;
No dia a dia&lt;br /&gt;
Tentam me comprar&lt;br /&gt;
Com vaidade, desejo&lt;br /&gt;
Mas eu prefiro as árvores&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moro num país tropical&lt;br /&gt;
E há nele um homem prepotente&lt;br /&gt;
Que se intitula presidente&lt;br /&gt;
E se eu quisesse continuar a rima&lt;br /&gt;
Diria que impotente&lt;br /&gt;
E por aí vai&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas minha terra tem palmeiras&lt;br /&gt;
Onde canta o sabiá&lt;br /&gt;
E ela é um deleite para poetas&lt;br /&gt;
Pena que não se compreende mais nela&lt;br /&gt;
A força dos estetas, dos livros e das festas&lt;br /&gt;
Mancham de sangue os coretos&lt;br /&gt;
Rotulam jovens estudantes de baderneiros&lt;br /&gt;
Estrangulam as liberdades&lt;br /&gt;
Como estupram moças a cada esquina&lt;br /&gt;
E depois as culpam pela saia pequenina&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas dizem que a história é cíclica&lt;br /&gt;
- Deveríamos respirar? -&lt;br /&gt;
E se isto nos desespera&lt;br /&gt;
Também nos alerta&lt;br /&gt;
Para lembrarmos que um dia tudo irá mudar&lt;br /&gt;
Mas é claro que não do seu sofá&lt;br /&gt;
Há que se levantar e criar!&lt;br /&gt;
Este é o lema&lt;br /&gt;
Busquemos palavras de ordem&lt;br /&gt;
Que sejam mais que emblemas&lt;br /&gt;
A forma cada um que busque a sua&lt;br /&gt;
Há inúmeras&lt;br /&gt;
E nenhuma é pequena&lt;br /&gt;
Pequena é a alma dos que nos acham supérfluos&lt;br /&gt;
A minha poesia, a sua arte, o nosso mistério&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Patológicos do poder&lt;br /&gt;
E do rebanho&lt;br /&gt;
Grito alto a vossas mediocridades:&lt;br /&gt;
A vida bate! Mesmo que tentem matar a nossa arte.&lt;br /&gt;
“Subterraneamente, a vida bate”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rio de Janeiro&lt;br /&gt;
Novembro/2016&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhk6ZrDFxRNsqq2ruVhhvfQgEmGWO-u6FHk7yAR8EU61XgdhMk7lULjZWMAk6RdQ_DcQdVuLejbFF1ggRYFpOD0PLIGv-VWkRQ3rjiGmdUf3xTcH8kBCtcuDgIR5O29paKwdM4c-A/s1600/Bahia+136.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1200" data-original-width="1600" height="240" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhk6ZrDFxRNsqq2ruVhhvfQgEmGWO-u6FHk7yAR8EU61XgdhMk7lULjZWMAk6RdQ_DcQdVuLejbFF1ggRYFpOD0PLIGv-VWkRQ3rjiGmdUf3xTcH8kBCtcuDgIR5O29paKwdM4c-A/s320/Bahia+136.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhk6ZrDFxRNsqq2ruVhhvfQgEmGWO-u6FHk7yAR8EU61XgdhMk7lULjZWMAk6RdQ_DcQdVuLejbFF1ggRYFpOD0PLIGv-VWkRQ3rjiGmdUf3xTcH8kBCtcuDgIR5O29paKwdM4c-A/s72-c/Bahia+136.jpg" width="72"/></item><item><title>Phoenix, um poema</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2016/08/phoenix-um-poema.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Fri, 19 Aug 2016 11:11:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-3552708492089867342</guid><description>&lt;div style="text-align: right;"&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
Para Sergio Roberto de Oliveira&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
De tudo renascemos – Anunciou-se!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Do pó viemos ao pó retornaremos&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Para dele, reerguermos sonhos – não muros,&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
No ciclo eterno de vida renovada&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Teu corpo é de cada humano – Alvorada!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Tua dor quem sente é o mundo&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Pelos fios da linguagem universal&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Emoção-sal&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
De corpo água-forte&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Respirar não é mais&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Que impermanência e sorte&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E, de repente, a morte&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E o primeiro reviver&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Simultâneos intervalos&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Quando nasce a morte&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Morre o passado&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ambos um só, sem hiato&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E eis que ela, a vida,&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Brilha no choro agudo&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Da criança recém-nascida&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Morre o jovem, nasce o pai!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Eis o que se consuma!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E celebra-se a bruma!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Segue-se a jornada&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Em seu curso, amarrada,&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A criança crescendo, o pulso, a estrada,&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Dias e noites cumprindo o seu destino insano&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E, então, de novo ela, dilacerando,&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A morte na forma do fim do amor&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Para renascer, em exato instante,&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O novo amor que se torna errante&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Qual relógio que passa de pai para filho&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Mas em novo pulso, resignifica&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Morre o marido, nasce o eterno amigo!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Eis o que se consuma!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E, então, inteiro homem!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Até que num pedido de socorro do corpo&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Toda lógica perde o sentido&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Tonalidade, rima, ritmo&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Tudo é abismo&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O que se consuma é paraíso?&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O que pode um câncer?&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Corpo mesmo que se dobra&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E se retorce&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Cada célula alimentando à si mesma&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A morte&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Tentando ela entender, a contraforte,&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A nota distorcida,&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A vibração de desejos que não mais&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Compõem-se com os beijos&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E definha, renega,&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E, como se não bastasse tal sorte,&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É renegado&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Vela rasgada&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
De barco abandonado&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Que chora&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Chora rios&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Hipérboles, sim, fazem sentido!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E de tal coisa abissal que é o abandono&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Brota a morte de tudo ao redor&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Estepe estranha da alma&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Lama arremessada na calma&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Cheiro de enxofre&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Maremoto na noite&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Intransponíveis montanhas&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Era melhor que fosse mesmo lama&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Infinito sem rumo do corpo nu&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Era melhor que não fosses tu, mulher...&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Poderia dizer&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Poderia nunca mais querer viver&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Mas amor...&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Amor é para os fortes&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É atravessar desertos sem garrafas d’água&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E sobreviver!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A alma de quem ama&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É suspiro em meio ao drama&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Jamais adormece ou se apequena&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ou faz contas por obrigação&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Silêncio em meio ao não&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E festa quando tudo é trama&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E a tristeza,&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ainda que o poeta diga não ter fim,&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Consome-se em riste para renascer.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Verso triste este meu&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Que chega a ti para dizer&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Imperativo: sorria!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Que o que não tem mesmo fim&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É a vida&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ainda que as células&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Digam que sim&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Mas tu crias!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Grades férreas&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E doces de sonora poesia&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Para nós a vida é eterna&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Do tempo, terna senhora!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Eis o que se consuma!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E revem a aurora!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Pois, anima-te, amigo!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Veja que o horizonte faz abrigo&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Uma luz de lua nasce sem sentido&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Embriagada a fome nossa&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Dos que criam livros&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
De palavras, notas&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E receitas claroneadas&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A natureza é sábia&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E tudo ensina&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Alumiando pós dias cinzas&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Renasce alegria&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Arrumação!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Eis o que se consuma!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Morre uma vida, nasce uma!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
De tudo renascemos&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Do pó viemos, ao pó retornaremos.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Anunciou-se – E fez-se som!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
Vanessa Rocha&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
Rio de Janeiro, junho de 2016&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
Inspirado na história de Sergio e em sua música autobiográfica&lt;br /&gt;
Phoenix, para clarineta e orquestra sinfônica&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4sRHJr5g2MApHbg1_6OEf7k-guYSpZ92ogRxs5Kwx-gfxdrrUDbdRUCkaBNEk4_XwSYZM3u25o4y0iscPdzCMYVId6sml4iGU-OiPiW0ZW38e38IR_umvW8AWXiFCabjxoRwllg/s1600/maua+153.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1200" data-original-width="1600" height="240" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4sRHJr5g2MApHbg1_6OEf7k-guYSpZ92ogRxs5Kwx-gfxdrrUDbdRUCkaBNEk4_XwSYZM3u25o4y0iscPdzCMYVId6sml4iGU-OiPiW0ZW38e38IR_umvW8AWXiFCabjxoRwllg/s320/maua+153.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4sRHJr5g2MApHbg1_6OEf7k-guYSpZ92ogRxs5Kwx-gfxdrrUDbdRUCkaBNEk4_XwSYZM3u25o4y0iscPdzCMYVId6sml4iGU-OiPiW0ZW38e38IR_umvW8AWXiFCabjxoRwllg/s72-c/maua+153.JPG" width="72"/></item><item><title>Derradeiro</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2016/06/derradeiro.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Tue, 14 Jun 2016 01:07:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-7294959657812413829</guid><description>Ante o imponderável&lt;br /&gt;
Paro e sinto&lt;br /&gt;
Que mistérios ligam&lt;br /&gt;
Os meus sentidos&lt;br /&gt;
Ao infinito&lt;br /&gt;
Pensar alturas não é só para poetas&lt;br /&gt;
A vida tem asas e abismos&lt;br /&gt;
Pairando no tempo o espaço aberto&lt;br /&gt;
Rasga um coração&lt;br /&gt;
Derramamentos&lt;br /&gt;
Fosse meu corpo um cetro&lt;br /&gt;
Eu o traria agora para mim&lt;br /&gt;
Dono de si-realeza-interna&lt;br /&gt;
Cavalheiro de cor marfim&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ante o impossível&lt;br /&gt;
Paro e observo&lt;br /&gt;
O antes improvável&lt;br /&gt;
Torna-se certo&lt;br /&gt;
Que de noite seja dia&lt;br /&gt;
Porque não&lt;br /&gt;
Que o dia seja raro&lt;br /&gt;
O beijo desejado&lt;br /&gt;
Acontecido&lt;br /&gt;
O fosso das almas perdidas&lt;br /&gt;
Encontrado&lt;br /&gt;
Fosse minha mente uma jangada&lt;br /&gt;
Eu faria deste planeta um só mar&lt;br /&gt;
Inteiro sem fronteiras e sem leis&lt;br /&gt;
Cozido no amor com sabor de manacá&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ante o inconsciente&lt;br /&gt;
Paro e respiro&lt;br /&gt;
Que palavras se parecem&lt;br /&gt;
Com o que digo&lt;br /&gt;
Que as estrelas sejam olhos&lt;br /&gt;
Que os olhos sejam fome&lt;br /&gt;
Talhado na pedra o charque&lt;br /&gt;
Fervido na brasa o molho&lt;br /&gt;
Arado o solo-chão para o sexo&lt;br /&gt;
Fosse o meu mundo &lt;i&gt;terroir&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
Eu distribuiria música com Dionísio&lt;br /&gt;
Beberíamos todos em sol maior&lt;br /&gt;
Aniquilados pela sorte do vinho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ante o imponderável&lt;br /&gt;
Arde sempre o impossível&lt;br /&gt;
Inconsciente sensitivo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ante tudo isso&lt;br /&gt;
Existe nada mais&lt;br /&gt;
Que os nossos frios e sismos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abalos humanos desmedidos&lt;br /&gt;
Estejam preparados os nossos pêlos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo tem origem&lt;br /&gt;
Num ínfimo instante&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Derradeiro&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description></item><item><title>Um cisne em voo solo - carta para Stefania</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2016/06/um-cisne-em-voo-solo-carta-para-stefania.html</link><category>Cartas</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Fri, 10 Jun 2016 16:12:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-518244953768879687</guid><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Querida Stefania,&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
espero que esteja tudo bem por aí. Por aqui teremos que aprender a conviver com a sua partida. Porque a vida segue em todos nós. Em você também, porque acredito que tudo é uma coisa só, vivemos em espirais do tempo e do espaço. Neste momento, estamos apenas em dimensões diferentes da existência. Logo, teremos que aprender a conviver com a sua partida desta dimensão aqui.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Queria te dizer muitas coisas bonitas, mas as palavras são limitadas. Podem ser muito belas, é verdade, e eu vivo buscando beleza através delas. E, junto a elas, explicações e narrativas para o que vivo. Como faço agora nesta carta para ti. Mas acredito que é para além das palavras que a beleza se manifesta mais plenamente. Por exemplo, na natureza, que você tanto amava. E na música, que você dançava. Na noite em que eu soube da sua partida, quando eu já estava sozinha, passei um tempo mergulhada nas palavras. Escrevi para mim, escrevi para o outro, racionalizei para tentar achar sentido. Então, já cansada, recorri a uma meditação para me conectar com a natureza dentro de nós. E, depois, fui à música, como sempre. Ouvi, em sua homenagem, o Réquiem de Mozart.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ontem foi o dia mais triste. Muito embora você fosse sinônimo de alegria. Mas foi difícil evitar a tristeza. E sei que você vai entender. Quando recebi a notícia, fiquei em choque. Eu tenho uma casca bem dura, mas no fundo sou muito sensível. E fico em choque até o tempo me ajudar a processar as coisas. Talvez por isso você me achava uma referência, porque as nossas almas conversavam. E eu te digo: que honra! Você também foi para mim! Que honra ter trocado tanto contigo nesta vida. Após a notícia, eu desliguei o celular e sentei num banco sem saber por que sentava, mas a minha vontade era sair correndo daquele lugar meio escuro e meio frio em que eu estava e ir para um lugar iluminado como você. E foi o que eu fiz. Eu saí correndo. Desci seis andares de escadas, transtornada. E cheguei a um lugar claro, segurei o braço de uma pessoa querida e pedi um chá. E a vida colocou também, neste mesmo lugar claro, uma outra pessoa para me ajudar, tão sensível quanto você, tão artista quanto você, e que segurou a minha mão e me contou histórias que eu achava nem estar processando, tamanho o estado de choque em que eu estava, que nem um choro descente me vinha aos olhos. Mas que foram as palavras que eu deveria ter ouvido naquele momento para, quem sabe, reforçar a minha fé inabalável (espero que sempre inabalável) na beleza (e nos mistérios) da vida. Era alguém que estava ouvindo falar sobre você pela primeira vez, mas que eu soube que te entenderia. Talvez não estivesse mesmo ali por acaso. Tive sorte! Depois falei com os amigos que estavam por perto, todos artistas também como você, e liguei para a minha mãe e para o meu pai e, então, liguei para uma amiga que passou por dor semelhante há pouco tempo e que tem uma sensibilidade como a nossa, desse jeito de se sentir inadequado no mundo, em busca sempre de criar o mundo à sua maneira. Ela também te entenderia. E fui compreendendo o aparentemente incompreensível. Mas ontem... ontem eu chorei muito. Imagine o que foi falar com o seu irmão sobre isso!? Com a sua mãe... Sua mãe, hoje, quando nos despedimos do seu corpo, me disse para sempre me lembrar de você com amor. E eu disse a ela que não havia outra forma de pensar em você. Afinal, eu te conheci tão menina por conta do amor. E só o que vi em ti nesse tempo todo foi amor transbordando. Seu pai me falou que serei sempre da família e, com aquele jeito brincalhão, disse que para ele, eu e Pedro seremos sempre uma coisa só. E nós conseguimos rir alguns segundos com essa frase no meio da tristeza. Imagino a gente sentada com ele, Pedro e a sua mãe na mureta da Urca, bebendo um suco, e você rindo horrores disso. Eu e Pedro uma coisa só é uma imagem engraçada. Sua tia, seu tio, sua avó, seu avô, a Maria, estavam todos lá para me dizer que eu serei sempre da família e que você me amava muito. Eu também te amava muito. Ainda que estivéssemos nos vendo tão pouco ultimamente. A Analu, que foi comigo, nos conectava também. Assim como o seu irmão. Lembra como você ficou triste quando a gente se separou? Mas, muito inteligente que era, entendeu muito bem que amor não acaba, só mudam as formas. E como você entendia de amor. Era amor em estado bruto, com uma potência tão grande que só seria capaz de implodir. E tenho profundo amor por essa família que também me constitui. Serei sempre da família sim! E sou grata por tê-los no meu coração. É bom ter várias famílias. É bom ter você como irmã, mais uma! Quanto tempo se passou, não é? Já são quase 18 anos. Você cresceu, “virou mulher”, como dizem por aí, atriz, bailarina, cisne! E cá estamos, agora, vendo esse cisne voar. E ainda dizem que cisnes não voam...&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ontem, nesse dia mais triste, eu também recorri à música. E à dança. Minha mente resistiu um pouco. Eu estava no Theatro Municipal e acontecia o ensaio geral do Lago dos Cisnes. Claro, como não pensar em você, bailarina! Resisti, mas resolvi dedicar a você aquela libertação do cisne. Chorei em silêncio e essa foi a minha oração num templo das artes para a artista iluminada que você foi, e que encheu a vida de todos que te conheceram de uma doçura, uma profundidade e uma delicadeza fora do comum. Tchaikovsky também seria capaz de te entender profundamente... Muitos seriam. O mundo está cheio de pessoas com essa sensibilidade rara como a sua. Mas infelizmente a gente, como corpo social, ainda é muito frágil. Ainda cria para o medo, oprime, sufoca as manifestações de afeto e a espontaneidade em prol do simulacro, da imagem, do ego, das personagens falsas das redes sociais e de uma falsa ideia de segurança. Temos muito medo. Coisa que você não tinha. Pessoas comprometidas com a potência da vida, que sentem a vida como um calafrio na pele o tempo todo, têm que cavar seus espaços com muito esforço no meio dessa cegueira social toda. E nós somos muitos. Alguns resistem e criam, outros decidem não continuar. Não é fácil, não é? Mas é muito bom quando a se gente se encontra e se reconhece.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Sei, Stefania, que a vida é cheia de mistérios. Hoje, depois da despedida derradeira, te vejo como um anjo. O cisne que foi dançar em outra dimensão e que, como anjo que é, vai continuar operando milagres na vida de todos nós. Quem vai saber. Quem é que sabe dos mistérios. Se vivemos em espirais, perdas e ganhos fazem parte do mesmo processo, do mesmo movimento. Tudo é uma coisa só. Movimentos do mesmo universo. Quem sabe o que se está por ganhar diante das perdas, mesmo as mais dolorosas? A vida é uma fita de impermanência, de incertezas, de fins e começos. É assim mesmo. Temos que desenvolver serenidade para aceitar o que não somos capazes de entender. E aceitar inclusive quando algo já acabou, já “deu o que tinha que dar”. Não deixa de ser também uma generosidade. Aceitar o fim é aceitar também a potência da vida. Ela só é potente porque existe esse movimento do ir e vir. Não existe vida sem finais. Ela é tão somente movimento e dele depende! Só existe uma coisa que é permanente e que conecta esse movimento do ir e vir. É o que acredito, pelo menos. Essa força é o amor. E ela está tanto nos começos quanto nos finais, diferente do que nosso medo quer nos fazer acreditar. Você sabia disso. E partiu nos deixando um legado: é preciso apostar no amor. O resto é consequência! Descanse em paz. Voe hoje como voava ainda tão nova (olha você aí embaixo, ainda pequenina). Voe, grande e belo cisne! Cisnes sabem sim voar! E daqui há um tempo, veremos o que o seu voo terá nos trazido!&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Com amor,&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Vanessa&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
10/06/2016&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjkWNsNZsvd6Zut6XE3WmJdx-SIvggy6HTcfI4kz1E2RYhv2fc6Oe6tfnBWQZfuHRxFZkgSQEWkHm9JQ4Xe5caeooEDs-nT8oBhFQzOgAcM-wKjLTH_ZT90uLkoVknFmAKDnT1quQ/s1600/1175139_567441186637150_578281185_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjkWNsNZsvd6Zut6XE3WmJdx-SIvggy6HTcfI4kz1E2RYhv2fc6Oe6tfnBWQZfuHRxFZkgSQEWkHm9JQ4Xe5caeooEDs-nT8oBhFQzOgAcM-wKjLTH_ZT90uLkoVknFmAKDnT1quQ/s320/1175139_567441186637150_578281185_n.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjkWNsNZsvd6Zut6XE3WmJdx-SIvggy6HTcfI4kz1E2RYhv2fc6Oe6tfnBWQZfuHRxFZkgSQEWkHm9JQ4Xe5caeooEDs-nT8oBhFQzOgAcM-wKjLTH_ZT90uLkoVknFmAKDnT1quQ/s72-c/1175139_567441186637150_578281185_n.jpg" width="72"/></item><item><title>Imoral e física</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2016/03/imoral-e-fisica.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Wed, 23 Mar 2016 09:59:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-7691200276760927982</guid><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
Sou fagulha de sol&lt;br /&gt;
Na direção do improvável&lt;br /&gt;
Tudo o que imagino&lt;br /&gt;
Realizo&lt;br /&gt;
E minha aura radiante paiol&lt;br /&gt;
Veste túnicas de cetim sanguíneo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há que se considerar que,&lt;br /&gt;
Afoita,&lt;br /&gt;
Jamais manseio&lt;br /&gt;
E que, carregada de arpejos,&lt;br /&gt;
Não me entrego a qualquer fato&lt;br /&gt;
Hoje, avalio ontem&lt;br /&gt;
Repenso&lt;br /&gt;
Estratégia me faz&lt;br /&gt;
O tempo me ensinou a ser selvagem&lt;br /&gt;
E a catarse dos momentos&lt;br /&gt;
A manter foco em arte&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sou arma de forte na entrada no mar&lt;br /&gt;
E pirata que toma os navios da realeza&lt;br /&gt;
Não concebo&lt;br /&gt;
Moral&lt;br /&gt;
Que a alma não aprove&lt;br /&gt;
E me debruço à falta dela&lt;br /&gt;
Porque me sirvo&lt;br /&gt;
Desejo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há quem se alimente de restos&lt;br /&gt;
E se contente com palavras belas&lt;br /&gt;
Ou sou diversidade&lt;br /&gt;
Aquarela&lt;br /&gt;
Ou me recuso a ser esteta&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Prefiro a imoralidade da traição&lt;br /&gt;
À sensação &lt;i&gt;castrati &lt;/i&gt;de viver obrigada&lt;br /&gt;
De que adianta alcançar as notas&lt;br /&gt;
Sem que o corpo conheça&lt;br /&gt;
A dança apaixonada&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há quem pense em agudos&lt;br /&gt;
E, só depois, em graves&lt;br /&gt;
Eu deslizo por toda a grade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sou fagulha de nada&lt;br /&gt;
Que sabe ser tudo&lt;br /&gt;
Não me culpo a arrogância&lt;br /&gt;
De me sentir um Deus&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem ditados&lt;br /&gt;
Que dão lições de sentido&lt;br /&gt;
Ouço apenas os que traem&lt;br /&gt;
Nosso cotidiano cinismo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há quem se aprofunde nos rasos&lt;br /&gt;
Eu, encaro os abismos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description></item><item><title>Carta a quem interessar</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2016/03/carta-quem-interessar.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Sun, 13 Mar 2016 13:20:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-2710507092542701751</guid><description>Não me importam as tuas narrativas&lt;br /&gt;
Mas o que dizem as entrelinhas&lt;br /&gt;
As fotos que publicas&lt;br /&gt;
Os poemas que recordas&lt;br /&gt;
As músicas que gostas&lt;br /&gt;
Não me dizem nada&lt;br /&gt;
Não sou fã das aparências&lt;br /&gt;
Procuro o que escapa no teu gesto&lt;br /&gt;
A significância do que mostras&lt;br /&gt;
E o desejo por trás de tuas apostas&lt;br /&gt;
Não me interessam&lt;br /&gt;
A voz bandida ou de anjo&lt;br /&gt;
Se tu te achas do bem&lt;br /&gt;
Ou se te achas do mal&lt;br /&gt;
Eu me divirto com adjetivos&lt;br /&gt;
São apenas possibilidades da linguagem&lt;br /&gt;
Julgamentos morais não me atraem&lt;br /&gt;
Pois o que realmente te faz&lt;br /&gt;
Fica guardado no teu plano mais secreto&lt;br /&gt;
Se tu gostas de mim ou não&lt;br /&gt;
De nada me interessa&lt;br /&gt;
Tua opinião é só mais uma entre sete bilhões&lt;br /&gt;
Quero saber o que isso me diz sobre ti&lt;br /&gt;
E o que te faria largar o teu ego&lt;br /&gt;
O que expressas numa mesa de bar&lt;br /&gt;
Interessa à sociologia e ao teu analista&lt;br /&gt;
(Como o que expresso, ao meu)&lt;br /&gt;
A mim interessa o que existe&lt;br /&gt;
Quando estás só e em silêncio&lt;br /&gt;
Quando toda a luz já se apagou&lt;br /&gt;
E toda a cultura dorme&lt;br /&gt;
Quando mostrar-se já não é necessário&lt;br /&gt;
E os medos e as dores&lt;br /&gt;
Já não podem ser deixados de lado&lt;br /&gt;
Quando sofres, me interessa!&lt;br /&gt;
O que te alegras a alma sem alarde, me interessa!&lt;br /&gt;
O que desejas quando ninguém está por perto,&lt;br /&gt;
O que te moves e te feres no peito,&lt;br /&gt;
E te fazes todo dia manter-te no caminho...&lt;br /&gt;
Isso é o que me interessa de ti!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description></item><item><title>Oração</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2016/03/oracao.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Sun, 13 Mar 2016 13:19:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-4373570384921912568</guid><description>&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Que a poesia me livre&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Das suas prisões&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E das minhas e das de todos nós&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E me permita, ela,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Sempre a liberdade&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Ainda que subjugada&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Sob a bandeira da necessidade&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Ou a sentimentos presos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Em gargantas ilhadas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E que minhas verdadeiras intenções&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Não sejam reveladas&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;A quem não merece conhecê-las&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E meus desejos mais secretos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Sejam apenas meus e daqueles que escolho&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Que o tesão se faça todo dia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Nas brechas dos momentos burocráticos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E através deles&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E a ironia sorria para os que mentem a si mesmos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E fingem ser o que não é&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;De tal forma que se tornam caricaturas ao espelho&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E que venham sonhos e nos libertem, todos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E sejam eles os meus guias&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Nessa estrada de vidas que se querem poucas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Que minha face mais verdadeira&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Seja dada aos momentos de fato sinceros&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E as máscaras certas sejam usadas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Nas horas em que só cabe sobrevivermos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Que eu não tenha medo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E ele também não&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E ela também não&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E nem eles, nem nós,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Nem irmãos ou inimigos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E sejamos todos capazes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;De ver que nada somos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Para além do nosso umbigo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Para que a poesia de ser nada&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Se instaure nas raízes do coração selvagem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;E faça brotar uma vida mais leve&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #141823; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-size: 14px;"&gt;Filha da mais profunda viagem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description></item><item><title>O primeiro dia</title><link>http://vanessaevanessa.blogspot.com/2015/12/o-primeiro-dia.html</link><category>Poesia</category><author>noreply@blogger.com (vanessa rocha)</author><pubDate>Tue, 1 Dec 2015 10:14:00 -0200</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-35349952.post-1958153468876813580</guid><description>&lt;br /&gt;
Todo dia é sempre&lt;br /&gt;
O primeiro dia&lt;br /&gt;
Do resto de nossas vidas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dia de dizer palavras duras&lt;br /&gt;
Que já não podiam não ser ditas&lt;br /&gt;
E ouvi-las, algumas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De descobrir que o amor se fortalece&lt;br /&gt;
Mesmo quando a gente esquece&lt;br /&gt;
- Quando se deve esquecer -&lt;br /&gt;
E nos dias cinzentos dos afastamentos&lt;br /&gt;
Que carregam a esperança&lt;br /&gt;
Dos novos e futuros felizes momentos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo dia é dia de saber&lt;br /&gt;
Que existe amor no sim&lt;br /&gt;
Mas também no não&lt;br /&gt;
E que não e sim&lt;br /&gt;
São como luz e escuridão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo dia é dia de jogar coisas fora&lt;br /&gt;
Aquelas cartas de anos atrás&lt;br /&gt;
Que estavam empilhadas em pastas&lt;br /&gt;
Por sua vez empilhadas em armários&lt;br /&gt;
Por sua vez empilhados – pesados –&lt;br /&gt;
Num excesso de memória&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dia de descobrir que elas&lt;br /&gt;
Não servem mais a nada&lt;br /&gt;
Que não à história&lt;br /&gt;
E é só no coração o seu lugar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que guardar tanto objeto&lt;br /&gt;
Em um mundo já repleto?&lt;br /&gt;
E porque represar energia&lt;br /&gt;
Quando deve o novo chegar?&lt;br /&gt;
Se o se que passou só existe&lt;br /&gt;
Como lembrança e aprendizado&lt;br /&gt;
- às vezes como o inventado -&lt;br /&gt;
E nem existe ainda o que virá&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sejamos poetas do agora!&lt;br /&gt;
Porque todo dia amanhece&lt;br /&gt;
Anoitece e retorna a aurora&lt;br /&gt;
Sempre na promessa do novo&lt;br /&gt;
Sempre na função de um espia&lt;br /&gt;
Olhando em direção ao horizonte do mar&lt;br /&gt;
Com olhos de quem busca a infinita alegria&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porque todo dia é de basta&lt;br /&gt;
Todo dia é de festa&lt;br /&gt;
Todo dia é de não dá mais&lt;br /&gt;
Todo dia é de promessa&lt;br /&gt;
Todo dia é do fim delas&lt;br /&gt;
Todo dia é de um santo&lt;br /&gt;
Todo dia é de engano&lt;br /&gt;
Todo dia é dia de dizer eu te amo!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E de aceitar&lt;br /&gt;
O que não se controla&lt;br /&gt;
O que não se isola&lt;br /&gt;
E deixar voar os pássaros&lt;br /&gt;
Que precisam sair das gaiolas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo dia é dia de enfrentar&lt;br /&gt;
O medo do suspiro derradeiro&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E seja ele banhado de paz ou de dor&lt;br /&gt;
É sempre o primeiro&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;VanessaeVanessa&lt;/div&gt;</description></item></channel></rss>