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	<title>ANTITEXTOS</title>
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		<title>ANTITEXTOS</title>
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		<title>o blogue Antitextos pára aqui</title>
		<link>http://fabriciokc.wordpress.com/2012/04/24/o-blogue-antitextos-para-aqui/</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 16:31:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabricio ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Este blogue pára aqui. O autor publicará doravante no arte__documento, espaço focado em temas ligados a cinema e audiovisual, propondo discussões sobre as instáveis relações sobre cinema, arte e documento &#8211; e acompanhando&#8230; <a class="read-more" href="http://fabriciokc.wordpress.com/2012/04/24/o-blogue-antitextos-para-aqui/">Read More <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=2022&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Este blogue pára aqui.</strong></p>
<p>O autor publicará doravante no <a href="http://artedocumento.wordpress.com">arte__documento</a>, espaço focado em temas ligados a cinema e audiovisual, propondo discussões sobre as instáveis relações sobre cinema, arte e documento &#8211; e acompanhando o cenário audiovisual independente baiano (de não-ficção e <em>experimental</em>). -</p>
<p>O conteúdo do Antitextos permenece online, sem mais atualizações.</p>
<p>Os interessados em discutir cinema e audiovisual problematizando aspectos documentais e <em>experimental</em>, acesse: <a title="arte__documento" href="http://artedocumento.wordpress.com/" rel="home">arte__documento</a> &#8211; Uma experiência que começa&#8230;</p>
<p><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/04/cabe-def.png"><img class="aligncenter  wp-image-2024" title="cabe def" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/04/cabe-def.png?w=959&#038;h=220" alt="" width="959" height="220" /></a></p>
<p>Cordialmente,</p>
<p>fabricio</p>
<hgroup></hgroup>
<br />Filed under: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/uncategorized/'>Uncategorized</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fabriciokc.wordpress.com/2022/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fabriciokc.wordpress.com/2022/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=2022&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Documentário &#8220;Tempo da Travessia&#8221; retrata uma aventura baiana pela América do Sul</title>
		<link>http://fabriciokc.wordpress.com/2012/04/23/2015/</link>
		<comments>http://fabriciokc.wordpress.com/2012/04/23/2015/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 02:14:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabricio ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[dicas de filmes]]></category>
		<category><![CDATA[placebo cultural]]></category>
		<category><![CDATA[América do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[documentário]]></category>
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		<category><![CDATA[UFBA]]></category>

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		<description><![CDATA[Tempo da Travessia revela as intensas vivências culturais, sociais e políticas de 17 estudantes da Universidade Federal da Bahia que participaram da Caravana da Integração, uma viagem de ônibus por nove países da América do Sul.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=2015&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Do <a href="http://www.bahiadoc.com.br/blog/20-blog/167-documentario-qtempo-da-travessiaq-retrata-uma-aventura-baiana-pela-america-do-sul.html">Bahiadoc &#8211; arte documento</a></p>
<p><strong>Tempo da Travessia<em> revela as intensas vivências culturais, sociais e políticas de 17 estudantes da Universidade Federal da Bahia que participaram da Caravana da Integração, uma viagem de ônibus por nove países da América do Sul.</em></strong></p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" style="border:0 none;" src="http://www.bahiadoc.com.br/images/stories/captura%20de%20tela%202012-04-23%20as%2021.57.56.png" alt="" width="641" height="316" border="0" /></p>
<p>O documentário <a href="http://www.tempodatravessia.com.br/index.htm"><em>Tempo da Travessia</em></a> (2012) compõe um diversificado painel que revela as intensas vivências culturais, sociais e políticas, e também experiências de relações institucionais, de 17 estudantes da Universidade Federal da Bahia que participaram da Caravana da Integração, uma viagem de ônibus por nove países da América do Sul.</p>
<p>Os estudantes universitários estiveram, durante mais de dois meses, em contato direto com as realidades de diversos povos da América do Sul, registrando cada instante, desde o deslumbre com as impactantes belezas naturais do continente até os momentos de tensão e expectativa, seja no encontro com movimentos sociais, seja nas discussões internas dentro do ônibus, ou na vivência de diferentes (e às vezes intrigantes) contextos culturais.</p>
<p><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/04/captura-de-tela-2012-04-23-acc80s-23-10-32.png"><img class="wp-image-2016 alignright" title="Captura de tela 2012-04-23 às 23.10.32" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/04/captura-de-tela-2012-04-23-acc80s-23-10-32.png?w=317&#038;h=230" alt="" width="317" height="230" /></a>O documentário, dirigido por Carlos Vin Lopes, junta às imagens <em>oficiais</em> (captadas com fins de compor o documentário) àquelas captadas pelos estudantes, espontâneas, e o doc apresenta tais estudantes segundo as impressões de cada um, escritas primeiro num diário de viagem e depois transpostas graficamente, pelo diretor, para a tela.</p>
<p>Tempo da Travessia tem duração de 106 minutos e foi realizado como parte do projeto da Caravana de Integração, ação articulada pela INULAT (Iniciativa UFBA Latina), que contou com o apoio especial da UFBA (Universidade Federal da Bahia); da UNILA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana) e do Centro Internacional Celso Furtado.</p>
<p><strong>UM CASUAL IMPACTO SIMBÓLICO: PRIMEIRO REGISTRO NO BRASIL DE MÚSICA EM GUARANI</strong></p>
<p>O documentário é inédito e está em fase de ajustes burocráticos finais, tratando, inclusive, da regularização do direito de uso de músicas para a trilha sonora, composta por músicas do CD Tery-Maraey, de 2002, do coral mbyá-guarani <em>Kuaray ouá</em>. O autor das músicas é Inácio da Silva, um jovem Karaí (pajé) guarani que vive na aldeia Marangatu do município de Imaruí (SC).</p>
<p>A produção do CD foi lançado com apoio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), mas a entidade não detinha os direitos de uso da obra. Para garantir o uso das músicas na trilha sonora do documentário, foi necessário registrá-las junto à Biblioteca Nacional, o que ocasionou um feito histórico de expressivo impacto simbólico, como explica Felippe Ramos, sociólogo e Coordenador da INULAT:</p>
<p>&#8220;O registro de obras em guarani era proibido devido a um decreto lei de 1755, parte da política do Marquês de Pombal, enviado pela Coroa Portuguesa ao Brasil cinco anos antes, inicia uma política de modernização do Estado e Sociedade, ainda Colônia. O objetivo era fortalecer a oficialidade da Língua Portuguesa, porque, até então, a língua mais falada no Brasil era a chamada Língua Geral, uma mistura de Tupi-Guarani com portugues, com predominância de traços indígenas.&#8221;</p>
<p><em>Tempo de Travessia</em> está inscrito em diversos festivais e em breve será exibido em sessões especiais na UFBA e na UNILA. Acompanhe notícias sobre o doc no sítio oficial: <a href="http://www.tempodatravessia.com.br/index.htm">http://www.tempodatravessia.com.br/</a></p>
<p>&#8211;</p>
<p>Publicado originalmente no  <a href="http://www.bahiadoc.com.br/blog/20-blog/167-documentario-qtempo-da-travessiaq-retrata-uma-aventura-baiana-pela-america-do-sul.html">Bahiadoc &#8211; arte documento</a>.</p>
<br />Filed under: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/brasil/'>Brasil</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/dicas-de-filmes/'>dicas de filmes</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/placebo-cultural/'>placebo cultural</a> Tagged: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/america-do-sul/'>América do Sul</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/documentario/'>documentário</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/inulat/'>INULAT</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/ufba/'>UFBA</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fabriciokc.wordpress.com/2015/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fabriciokc.wordpress.com/2015/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=2015&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Alice&#8221; em 5min</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Apr 2012 23:28:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabricio ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[placebo cultural]]></category>
		<category><![CDATA[videos]]></category>
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		<description><![CDATA[Através da dança, Alice vivencia novas experiências de uma íntima e adormecida bailarina que renasce. Vídeo 5min.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=2009&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class='embed-vimeo' style='text-align:center;'><iframe src='http://player.vimeo.com/video/40137000' width='600' height='320' frameborder='0'></iframe></div>
<div>
<div>
<p>Através da dança, Alice vivencia novas experiências de uma íntima e adormecida bailarina que renasce.</p>
<p>5min l 2012 l HD</p>
<p>Salvador l Bahia l Brasil</p>
<p>PAIDEIA &#8211; arte movimento</p>
</div>
</div>
<p>&#8212;-</p>
<p>Comentário de Safira Lyra! diretora e roteirista do curta &#8220;Cidades Possíveis&#8221; (<a href="https://vimeo.com/12645498">disponível no vimeo</a>)</p>
<blockquote><p>Caros companheiros da Arte !!!!</p>
<p>Eu enviaria este vídeo/cutra para o Tom Zé.  O filme é muito bom:<br />
-o início com os olhos arregalhados , acordando de um adormecer, de uma bailarina engessada num sofá. Um despertar assustado : onde estava que não me percebia?<br />
-a trama da cadeira de palhinha (ídeia genial ) pois parece um cárcere : vivendo numa cela de buracos<br />
-a bailarina (lembra o quadro de Degas- As bailarinas (vejam). A Mel se desenha bailarina, além da beleza do corpo, a mulher, a bailarina é desenhada pela alma ainda contida, esboço de um impulso corporeo para desconstruir-se do clássico para o mundo da rua, da cidade, do céu. Mas precisou da bailarina, da estrutura que o clássico deu ( isto para mim é respeitar e acolher a tradição e re-inventá-la).</p>
<p>Segundo Tempo &#8211; a desconstrução :<br />
o elevador, a rua, a música , a musica que trás o humano dos afetos, dor e amor, grude e medo e a bailarina impessoal, clássica vai se humanizando, tornando-se uma paisagem com o coqueiro, com os carros , enfim com vida humana.<br />
E por fim amigos, a fotografia. Os planos, as sequencias, até os pulos de cena que dão um entorno onírico !Não é só a câmera e sim o olhar do fotográfo que a fez grande, potente ! Sombras e luzes, e depois o colorido, todos sutís e dando um entorno para a bailarina poder transformar-se em mulher, humana e bailarina !<br />
Parabéns cineastas ! Este vídeo pode ir para festivais !</p></blockquote>
<br />Filed under: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/placebo-cultural/'>placebo cultural</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/videos/'>videos</a> Tagged: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/5min/'>5min</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/curta/'>curta</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/danca/'>dança</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/video/'>video</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fabriciokc.wordpress.com/2009/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fabriciokc.wordpress.com/2009/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=2009&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>a internet é uma rede vulnerável</title>
		<link>http://fabriciokc.wordpress.com/2012/02/28/a-internet-e-uma-rede-extremamente-vulneravel/</link>
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		<pubDate>Tue, 28 Feb 2012 15:50:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabricio ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[cerebrando]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[ACTA]]></category>
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		<category><![CDATA[cultura digital]]></category>
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		<description><![CDATA[A infraestrutura física da rede determina os limites da internet: quem pode controlá-la - ou danificá-la - pode cercear a principal ferramenta de nossos dias para o pleno desenvolvimento do potencial de energia criativa inerente à humanidade.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=1966&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A infraestrutura física da rede determina os limites da internet: quem pode controlá-la &#8211; ou danificá-la &#8211; pode cercear a principal ferramenta de nossos dias para o pleno desenvolvimento do potencial de energia criativa inerente à humanidade.</strong></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/post-photographie-08.jpg"><img class="aligncenter" title="post-photographie-08" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/post-photographie-08.jpg?w=640&#038;h=416" alt="" width="640" height="416" /></a></p>
<p>Em janeiro de 2008, uma <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u368495.shtml">avaria nos cabos submarinos</a> no mediterrâneo deixou parte do Oriente Médio, da Índia e do Egito sem Internet. Há informações que os danos foram causados acidentalmente pela âncora de um navio, perto de Alexandria. O ocorrido evidencia a extrema fragilidade da rede mundial, que funciona a partir de um punhado de cabos submarinos (de predomínio privado-corporativo), relativamente vulneráveis, cujos eventuais danos geram conseqüências globais.</p>
<p>Não se pode ignorar a possibilidade de que os cabos submarinos se tornem, a qualquer momento, alvos de ações de sabotagem ou de terrorismo (de Estado, inclusive), afinal, são pontos estratégicos de fundamental importância. – Os cabos não são tão difíceis de atacar se são tão vulneráveis a acidentes.</p>
<p>A internet é poderosa e infinita, porém frágil.</p>
<p>No último fim de semana, mais uma vez: <a href="http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2012/02/cora-de-navio-danifica-conexao-de-banda-larga-no-leste-da-africa.html">âncora de navio, jogada em área restrita, cortou duas ligações de cabos óticos perto do porto de Mombaça, no Quênia</a>, danificando a conexão de banda larga no leste da África.</p>
<p>As continuadas ameaças (ACTA, SOPA) à superestrutura da rede, por assim dizer, refletem a  crescente &#8220;liquidação comercial da cultura&#8221;, que sacrifica direitos fundamentais de todos em favor de privilégios dos poucos que, sem visão e racionalidade, são viciados e até certo ponto controlam a excludente e malfadada lógica industrial da escassez.</p>
<p>Entretanto, &#8220;a liquidação comercial da cultura é somente um aspecto do vertiginoso processo de dissolução da experiência humana e da realidade&#8221;. A infraestrutura física da rede, por sua vez,  determina os limites da internet: quem pode  controlá-la &#8211; ou danificá-la &#8211; pode, em última instância, cercear a principal ferramenta de nossos dias para o pleno desenvolvimento do potencial de energia criativa inerente à humanidade, que brota nas bases, nos lastros, e  que atua transversalmente nas múltiplas realidades culturais em diversos níveis: locais, regionais e globais.</p>
<p>Num mundo de incertezas políticas e de crescente violência institucionalizada, bom que estejamos preparados para &#8220;surpresas&#8221;, porque a <em>internet</em> não está&#8230;</p>
<br />Filed under: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/cerebrando/'>cerebrando</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/internet/'>internet</a> Tagged: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/acta/'>ACTA</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/controle/'>controle</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/cultura-digital/'>cultura digital</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/internet/'>internet</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/liberdade/'>liberdade</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/sopa/'>SOPA</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fabriciokc.wordpress.com/1966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fabriciokc.wordpress.com/1966/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=1966&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>exibição especial do documentário &#8220;hera&#8221;, dia 9 de março, no ICBA</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Feb 2012 22:50:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabricio ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[placebo cultural]]></category>
		<category><![CDATA[videos]]></category>
		<category><![CDATA[Bahiadoc]]></category>
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		<category><![CDATA[documentário]]></category>
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		<category><![CDATA[revista hera]]></category>

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		<description><![CDATA[O Bahiadoc convida para a exibição especial do documentário com a presença dos poetas participantes - entrada franca, aberta ao público. Dia 9 de março, no ICBA (Goethe Institut), às 20 horas.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=1962&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Do <a href="http://www.bahiadoc.com.br/noquadro/14-noticias-no-quadro/159-exibicao-especial-do-documentario-qheraq.html">Bahiadoc &#8211; arte documento</a>:</p>
<p>O Bahiadoc convida para a exibição especial do documentário com a presença dos poetas participantes &#8211; entrada franca, aberta ao público. Dia 9 de março, no ICBA (Goethe Institut), às 20 horas.<strong><br />
</strong></p>
<p>EXIBIÇÃO ESPECIAL</p>
<p>No dia 9 de março de 2012 (sexta), às 20 horas, o vídeo documentário &#8220;hera&#8221; &#8211; realização independente do <strong>Bahiadoc </strong>- terá exibição especial, com a presença dos poetas participantes, no Instituto Cultural Brasil Alemanha – Goethe Institut (ICBA), localizado na Av. Sete de Setembro, 1809 (Corredor da Vitória), em Salvador, Ba. A exibição é aberta ao público, com entrada franca.</p>
<p>O DOCUMENTÁRIO</p>
<p><img src="http://www.bahiadoc.com.br/images/stories/captura%20de%20tela%202012-02-23%20as%2018.27.51.png" alt="" width="272" height="172" align="right" border="0" />O documentário hera (2012) compõe um exercício de aproximação com poetas da revista Hera, publicação criada no início da década de 70, que engendrou uma importante movimentação literário-cultural em Feira de Santana, com destacada reverberação na Bahia e importante repercussão nacional.</p>
<p>Resgatando este marcante capítulo da literatura baiana, o documentário traz a participação dos poetas, escritores e artistas visuais Antônio Brasileiro, Washington Queiroz, Roberval Pereyr, Juraci Dórea, Wilson Pereira de Jesus e Uaçaí Lopes.</p>
<p>Dirigido por Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz, o documentário se constrói a partir do registro dos encontros com os poetas, ocorridos em dezembro de 2011. Em lugar de uma reportagem ou um recorte informativo/estético, entretanto, o doc propõe uma imersão na atmosfera poética de cada momento, valorizando os próprios poetas como sujeitos do documentário, e as suas relações com a poesia e com o mundo como a substância mesma do projeto.</p>
<p>O documentário hera tem duração de 1 hora e 23 minutos, e foi realizado sem aporte de patrocínios. A produção contou com o apoio da DIMAS &#8211; Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que através do Núcleo de apoio à produção, o NAP, disponibilizou equipamento e a participação de dois técnicos cinegrafistas.</p>
<p>PRÉVIA DO DOCUMENTÁRIO</p>
<span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='560' height='315' src='http://www.youtube.com/embed/RvstWDNuFfc?version=3&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span>
<p><em>Leia mais sobre o documentário e sobre a revista Hera visitando a página de apresentação. <a href="http://www.bahiadoc.com.br/component/content/article/15-noticias/158-o-bahiadoc-apresenta-o-documentario-hera-que-retrata-um-importante-capitulo-da-literatura-baiana.html">Clique aqui.</a></em></p>
<p><a href="http://www.bahiadoc.com.br/media/pdf/hera_flyer_7.png"><img src="http://www.bahiadoc.com.br/images/stories/red-velvet-cinema-vintage-folder-icon.png" alt="" width="23" height="23" border="0" /></a><a href="http://www.bahiadoc.com.br/media/pdf/hera_flyer_7.png">Flyer virtual convidando para a exibição especial no ICBA.jpg </a></p>
<br />Filed under: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/placebo-cultural/'>placebo cultural</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/videos/'>videos</a> Tagged: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/bahiadoc/'>Bahiadoc</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/bahiadoc-arte-documento/'>Bahiadoc - arte documento</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/documentario/'>documentário</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/hera/'>Hera</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/revista-hera/'>revista hera</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fabriciokc.wordpress.com/1962/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fabriciokc.wordpress.com/1962/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=1962&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Fabricio Kc</media:title>
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		<item>
		<title>olhares de um flâneur na cidade da Bahia</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Feb 2012 01:14:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabricio ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[cerebrando]]></category>
		<category><![CDATA[cronópios]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[flâneur]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[salvador]]></category>

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		<description><![CDATA[O flâneur, parece-me, mesmo sem nada saber de si e das coisas, sabe uma coisa a mais do mundo - e da cidade.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=1946&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;"><strong>O <em>flâneur</em>, parece-me, mesmo sem nada saber de si e das coisas, sabe uma coisa a mais do mundo &#8211; e da cidade.</strong></div>
<div id="attachment_1953" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-20-45.png"><img class="size-full wp-image-1953" title="Captura de tela 2012-02-20 às 21.20.45" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-20-45.png?w=620" alt="baiana em Ondina"   /></a><p class="wp-caption-text">baiana em Ondina (por fabricio kc)</p></div>
<p>Charles Baudelaire e Walter Benjamin viam no <em>flâneur</em> um emblema da modernidade: flanar era passear lentamente por ruas e galerias (de Paris&#8230;) cultivando a “gastronomia do olhar”, como definiu Balzac. Em Salvador, entretanto, flanar constitui um desafio maior: aqui flanar é quase enfrentar alegremente a cidade &#8211; e se “a arte que o <em>flâneur</em> domina é a de observar sem ser flagrado”, como ponderou o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, tal não se dá na terra de todos os santos, onde a interação com o outro, invasivamente ou não, é parte sagrada dos rituais de convívio.</p>
<div>
<div id="attachment_1947" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-20-17.png"><img class="size-full wp-image-1947" title="cafezinho em Ondina" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-20-17.png?w=620" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">cafezinho em Ondina (por fabricio kc)</p></div>
<p>Um flâneur inventa-se para nos reaproximar à vida. Dirige o olhar para o que é vizinho – agradecido a suas andanças – e que surpresas não encontra! Quem, como ele, compreende a cidade? Passeando por suas cores, seus sons, sua gente, seus traços históricos, seus riscos, sua selvageria, nada perde, nada despreza. Tem trânsito secreto para toda parte e seu olhar e o pensamento de seu olhar provocam, para seu desfrute, as pequenas, breves e sublimes felicidades que resplandecem aqui e ali em seu caminho.</p>
<div>
<div id="attachment_1948" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-19-36.png"><img class="size-full wp-image-1948" title="entardecer em Itapuã" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-19-36.png?w=620" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">entardecer em Itapuã (por fabricio kc)</p></div>
<p>Nós citadinos, contudo, perdemos a capacidade de olhar. Ou antes, somos tiranizados por olhos que se atêm a superfície de tudo o que se nos mostra diante de nós. Quanto mais urbanos nos tornamos, de menos tempo nós dispomos, subestimamos a vida contemplativa e, como falta tempo para pensar e tranquilidade no pensar, não compreendemos mais o enigma dos movimentos, as manchas de sol nas paredes, o sentir os ventos tépidos no rosto, e todas essas forças vivas da cidade são tão atenuadas, enfraquecidas por nossa usura de tempo, que se tornam quase invisíveis.</p>
<div>
<div id="attachment_1949" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-30-51.png"><img class="size-full wp-image-1949" title="ladeira da Palma" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-30-51.png?w=620" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">ladeira da Palma (por fabricio kc)</p></div>
<p>Somos vítimas da violência desses novos tempos. Na cidade, nunca estamos sozinhos, mas nunca estamos plenamente entre nós. Submetemo-nos a um ritmo de vida mecânico, com pouca ou nenhuma possibilidade para o inesperado, para aqueles momentos de êxtase sereno que nos fazem parar ante os súbitos horizontes de novas vicissitudes, as aventuras nas ruelas sem fim, as constelações nas lâmpadas orbitadas por mariposas azuis, a avidez de tudo, a curiosidade de todos. A sociedade industrial/cognitiva – que traz a constante aceleração da vida – nos roubou a nobreza do ócio e nos privou da capacidade de reflexão sobre nós mesmos e sobre o mundo que nos cerca. Mesmo se nos permitimos distrair, mantemos uma frieza; mesmo se nos preocupamos conosco, estamos plenos de preconceitos e obsessões que nos agridem de fora de nós.</p>
<div>
<div id="attachment_1950" class="wp-caption aligncenter" style="width: 503px"><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-31-08.png"><img class="size-full wp-image-1950" title="Captura de tela 2012-02-20 às 21.31.08" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-31-08.png?w=620" alt="ladeira da graça"   /></a><p class="wp-caption-text">ladeira da Graça (por fabricio kc)</p></div>
<p>Mas, caminhando e recolhendo o que lhe interessa, o flâneur nos propõe uma infinidade de caminhos, sugere desvios e caminhos errantes, porque não existe o caminho real. Cada um de nós deve ser nossa própria fonte de experiências através das ruas da cidade, captando suas nuances. Afinal, quem de nós nunca sentiu, de súbito, a ânsia de uma curiosidade ancestral por um mundo ávido de ser descoberto, cheio de paisagens, de novidades – e tais novidades não são mais do que tudo que sempre esteve ali tão perto de nós.</p>
<div>
<div id="attachment_1951" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-28-46.png"><img class="size-full wp-image-1951" title="Farol da Barra " src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-28-46.png?w=620" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Farol da Barra (por fabricio kc)</p></div>
<p>Mas o flâneur não quer revelar os segredos do caminho, estes devem ser descobertos, pressentidos. Cada caminhante leva consigo, em sua bagagem, seu próprio mundo desde o início, com suas memórias, seus medos, seus sonhos, suas paixões, suas esperanças, e assim, ao longo do caminho, outros mundos se revelam. Nesta excursão, exige-se apenas a superfluidade do tempo.</p>
<div>
<div id="attachment_1952" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-26-10.png"><img class="size-full wp-image-1952" title="Pedra Furada" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-26-10.png?w=620" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Pedra Furada (por fabricio kc)</p></div>
<p>As cores, as belezas&#8230; a verdadeira cidade da Bahia é como o verdadeiro e esquecido carnaval: extrai da escassez a alegria. Salvador vibra no interior de sua gente. Em Pedra Furada, o pescador traz o siri, o polvo, o peixe. Vende-os frescos para o dono do bar e este os repassa prontos para o consumo do <em>burguês</em>, doutor fulano ou doutor sicrano. Jamais o pescador se levantará contra o seu privilegiado cliente. Jamais o burguês saberá que o pescador, em meio a escassez, tem vida mais rica do que aquela do dinheiro. &#8211; Nada, entretanto, justifica a desigualdade: o burguês há de ser um dia libertado&#8230;</p>
<div id="attachment_1954" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-27-01.png"><img class="size-full wp-image-1954" title="Pedra Furada" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-27-01.png?w=620" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Pedra Furada (por fabricio kc)</p></div>
<div id="attachment_1955" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-22-23.png"><img class="size-full wp-image-1955" title="pesca na pedra da Barra" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-22-23.png?w=620" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">pesca na pedra da Barra (por fabricio kc)</p></div>
<p>Descobrir, enfim, que há um mundo a conhecer, uma vida para levar, homens e mulheres com quem firmar milhares de relações. Tudo está ali como um grande mar encapelado, onde é preciso saltar, mergulhar, sentir a brisa e peitar as ondas. O mundo acena, sorri e chama… o <em>flâneur</em>, parece-me, mesmo sem nada saber de si e das coisas, sabe uma coisa a mais do mundo &#8211; e da cidade.</p>
<p>por fabricio kc</p>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
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		<media:content url="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-19-36.png" medium="image">
			<media:title type="html">entardecer em Itapuã</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-20-acc80s-21-30-51.png" medium="image">
			<media:title type="html">ladeira da Palma</media:title>
		</media:content>

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			<media:title type="html">Captura de tela 2012-02-20 às 21.31.08</media:title>
		</media:content>

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			<media:title type="html">Farol da Barra </media:title>
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			<media:title type="html">Pedra Furada</media:title>
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			<media:title type="html">Pedra Furada</media:title>
		</media:content>

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			<media:title type="html">pesca na pedra da Barra</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>O Bahiadoc apresenta o documentário “hera”, que retrata um importante capítulo da poesia baiana</title>
		<link>http://fabriciokc.wordpress.com/2012/02/17/o-bahiadoc-apresenta-o-documentario-hera-que-retrata-um-importante-capitulo-da-poesia-baiana/</link>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2012 13:11:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabricio ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[placebo cultural]]></category>
		<category><![CDATA[videos]]></category>
		<category><![CDATA[Bahiadoc]]></category>
		<category><![CDATA[Bahiadoc - arte documento]]></category>
		<category><![CDATA[documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Hera]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[revista hera]]></category>

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		<description><![CDATA[O documentário “hera” (2012) - que terá exibição especial no dia 9 de março, com a presença dos poetas participantes e aberta ao público - propõe uma imersão na atmosfera poética de cada momento, de cada diálogo, de cada silêncio.

<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=1927&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Do <a href="http://www.bahiadoc.com.br/component/content/article/15-noticias/158-o-bahiadoc-apresenta-o-documentario-hera-que-retrata-um-importante-capitulo-da-literatura-baiana.html">Bahiadoc &#8211; arte documento</a>:</p>
</div>
<div>
<div>
<p><img class="aligncenter" style="border:0 none;" src="http://www.bahiadoc.com.br/images/stories/captura%20de%20tela%202012-02-17%20as%2000.10.14.png" alt="" width="242" height="193" border="0" /></p>
</div>
<p><strong>A REVISTA</strong></p>
</div>
<p>A revista Hera, criada no início da década de 70, engendrou uma importante movimentação literário-cultural em Feira de Santana, com destacada reverberação na Bahia e importante repercussão nacional. A revista surgiu a partir do incentivo do professor, escritor e poeta Antônio Brasileiro, que editou escritos de cinco estudantes do ensino médio do Colégio Estadual de Feira de Santana. O primeiro número, lançado em dezembro de 1972 (com data de janeiro de 1973), reuniu contos de Antonio Carlos Vilas Boas, Roque Portela, Roberval A. Pereira, Washington Queiroz e Wilson Pereira, co-fundadores de “Hera”.</p>
<p>Nos dois números seguintes (abril-1973 e outubro-1973), permanece o gênero conto. Do número quatro (junho-1974) ao número vinte (abril-2005) a revista Hera encontra a identidade pela qual é reconhecida, uma revista de poesia, com mais de 900 poemas publicados, de 100 autores. Em 2011, através da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS Editora) e da Fundação Pedro Calmon, foi publicada a edição fac-similar que reúne, em um único volume, as vinte edições da revista, que saíram entre 1972 e 2005.</p>
<p><strong>O PROCESSO DO DOCUMENTÁRIO</strong></p>
<p>Nós, editores do Bahiadoc, fomos convidados por um dos poetas do grupo Hera para registrar o lançamento da edição fac-similar da revista, que viria a ser em 6 de dezembro de 2011, no Palácio da Aclamação, em Salvador. Depois de breves conversas com o poeta, sentimo-nos atraídos pelo instigante universo poético e cultural que a história do grupo trazia intimamente em si: um grupo de amigos, um grupo de poetas, um grupo de conflitos. Decidimos conhecer mais proximamente a poesia que se manifestou através do grupo, e mais além, saber das pessoas por trás dos poetas.</p>
<p><img class="alignright" style="border:0 none;" src="http://www.bahiadoc.com.br/images/stories/captura%20de%20tela%202012-02-16%20as%2014.25.12.png" alt="" width="367" height="249" border="0" /></p>
<p>O documentário “hera”, entretanto, não ousa desvendá-las, mas se constitui como um exercício de aproximação, através da linguagem audiovisual. O caráter autoral quase sempre caracteriza a obra audiovisual documental, mas neste caso, os sujeitos do documentário – isto é, os próprios poetas e as suas relações com a poesia e com o mundo – conformam a substância do documentário. Aos autores, coube a difícil tarefa de organizar as breves mas ricas vivências registradas em vídeo, e sobretudo a grata missão de transmitir, da forma que nos foi possível, a dimensão da experiência.</p>
<p><img class="alignleft" style="border:0 none;" src="http://www.bahiadoc.com.br/images/stories/captura%20de%20tela%202012-02-16%20as%2014.27.20.png" alt="" width="411" height="243" border="0" /></p>
<p>Várias razões, além da importância cultural do grupo Hera e de sua vibrante dimensão poética, justificam o nosso esforço de realizar o registro simbólico que ora apresentamos. Mas é lícito que reforcemos, afinal, que a essência da poesia – como manifestação humana do sentimento traduzido em imagem através da linguagem – compõe fundamental substância para a criação estética audiovisual, mote e razão da relação que nós do <strong>Bahiadoc – arte documento</strong> queremos construir com nosso público potencial e com os novos agentes criativos do cenário baiano independente de audiovisual, ajudando a difundir e potencializar realizações que contemplem olhares autorais sobre as nossas realidades e que valorizem e se aproximem da rica história cultural baiana.</p>
<p><img class="alignright" style="border:0 none;" src="http://www.bahiadoc.com.br/images/stories/captura%20de%20tela%202012-02-16%20as%2014.26.33.png" alt="" width="409" height="254" border="0" /></p>
<p>O documentário “hera”, portanto, não busca reportar a história do grupo: em lugar de uma reportagem ou um recorte informativo/estético, o doc propõe uma imersão na atmosfera poética de cada momento, de cada diálogo, de cada silêncio.</p>
<p>Por fim, realizamos o documentário sem o aporte de patrocínios. Contamos com o apoio da DIMAS &#8211; Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que através do Núcleo de apoio à produção, o NAP, disponibilizou equipamento de filmagem e a participação de dois técnicos. O Goethe Institut (ICBA), por sua vez, cedeu o espaço para a exibição do documentário, em caráter especial, com a presença dos poetas participantes. A exibição, aberta ao público e com entrada franca, será no dia 9 de março (sexta-feira), às 20 horas.</p>
<p><img class="alignleft" style="border:0 none;" src="http://www.bahiadoc.com.br/images/stories/captura%20de%20tela%202012-02-16%20as%2014.27.57.png" alt="" width="385" height="234" border="0" /></p>
<p>Se realizamos o documentário “hera” sem patrocínio, o esforço se deu pelo encanto que o tema despertou em nós e, sobretudo, pela relevância cultural e histórica que a revista Hera alcançou no cenário cultural baiano – as memórias passam e não podem esperar. Entretanto, defendemos enfaticamente a importância das políticas públicas culturais que estimulem produções que resgatem e promovam as diversas dimensões de nossa história cultural e artística. Não nos sentimos confortáveis em esperar por tais políticas, mas nos sentimos no dever de nos manifestar sobre a urgência e necessidade delas, o que nos possibilitaria – e também a outros – realizar um trabalho sob melhores condições estruturais. Cremos que o doc “hera”, mesmo assim, alcança algum êxito ao trazer à público, para livre acesso, um recorte de um belo momento da poesia.</p>
<p>Assista a prévia do doc:</p>
<span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='700' height='400' src='http://www.youtube.com/embed/RvstWDNuFfc?version=3&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span>
<p><strong>FICHA TÉCNICA:</strong></p>
<p><strong>direção</strong>  /  fabricio ramos e camele lyra queiroz</p>
<p><strong>produção</strong> /  fabricio ramos e camele lyra queiroz</p>
<p><strong>câmera</strong> /  ivanildo santos silva e danilo umbelino</p>
<p><strong>assistente de câmera </strong>/  danilo umbelino</p>
<p><strong>edição e montagem</strong> /  camele lyra queiroz e fabricio ramos</p>
<p>cor  /  1h23min  /  2012  /  HD</p>
<p><img src="http://www.bahiadoc.com.br/images/stories/red-velvet-cinema-vintage-folder-icon.png" alt="" width="17" height="17" border="0" /><a href="http://www.bahiadoc.com.br/media/pdf/Release%20doc%20Hera.doc"> Release do documentário <em>hera</em>.doc</a></p>
<p><img src="http://www.bahiadoc.com.br/images/stories/red-velvet-cinema-vintage-folder-icon.png" alt="" width="17" height="17" border="0" /><a href="http://www.bahiadoc.com.br/media/pdf/hera_flyer_7.png">convite para a exibição especial .jpg </a></p>
<br />Filed under: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/placebo-cultural/'>placebo cultural</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/videos/'>videos</a> Tagged: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/bahiadoc/'>Bahiadoc</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/bahiadoc-arte-documento/'>Bahiadoc - arte documento</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/documentario/'>documentário</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/hera/'>Hera</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/poesia/'>poesia</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/revista-hera/'>revista hera</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fabriciokc.wordpress.com/1927/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fabriciokc.wordpress.com/1927/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=1927&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Captura de tela 2012-03-13 às 11.22.05</media:title>
		</media:content>

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			<media:title type="html">Fabricio Kc</media:title>
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		<title>viagem ao fim de um livro</title>
		<link>http://fabriciokc.wordpress.com/2012/02/13/viagem-ao-fim-de-um-livro/</link>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 22:11:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabricio ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[placebo cultural]]></category>
		<category><![CDATA[Céline]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem ao fim da noite]]></category>

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		<description><![CDATA[A boa leitura é mesmo aquela que não termina quando acaba e que suscita em nós gratidão, uma profunda gratidão, mesmo – ou sobretudo – pelas coisas mais perigosas que nela nos ameaçam.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=1817&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A boa leitura é mesmo aquela que não termina quando acaba e que suscita em nós gratidão, uma profunda gratidão, mesmo – ou sobretudo – pelas coisas mais perigosas que nela nos ameaçam.<br />
</strong></p>
<p><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-01-13-acc80s-05-11-11.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-1819" title="Captura de tela 2012-01-13 às 05.11.11" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-01-13-acc80s-05-11-11.png?w=620" alt=""   /></a></p>
<p>Toda leitura, supondo que cada uma se dá sempre em circunstâncias próprias, traz em si o seu modo único de nos atingir. Invade-nos primordialmente pelas portas que deixamos escancaradas em nós, para depois buscar aquelas entreabertas, e depois as frestas esquecidas. Nos leitores mais sutis, o processo e desmembramento da leitura é fluido, e seus elementos escorrem para dentro infiltrando todos os espaços possíveis do espírito – o verbo desconsidera os espaços, assimila-se às energias que nos constituem e preenche plenamente os lugares já ocupados por cada fragmento de átomo.</p>
<p>“Viagem ao fim da noite”, de Louis-Ferdinand Céline, foi se infiltrando em mim exatamente assim, até o fim. O livro foi publicado em outubro de 1932 e logo reverenciado pelos mais diversos – e diversamente ilustres – admiradores: Henry Miller confessou ter reescrito <em>Trópico de Câncer</em> depois de lê-lo, Joseph Stálin o elegeu como livro de cabeceira, e Lev Trotski o chamou de “panorama do absurdo da vida”. Céline, com sua obra e seus “maus modos”, chegara para injuriar a torpeza de seu tempo.</p>
<p>Mas não escrevo para falar do livro, mas sim da minha experiência de lê-lo. Aliás, eu nem sequer conhecia <em>Viagem</em>, cuja referência me chegou por acaso, nem o seu autor, um escritor controverso. Foi médico, passou pela prisão, polêmico até hoje – não à toa, certamente. Céline escandalizou seus admiradores e todo um mundo literário quando publicou, a partir de 1937, o primeiro dos três famosos panfletos antissemitas e passou a defender posições nazistas. Henry Miller, seu amigo, chegou mesmo a expressar o lamento de que “o mundo podia muito bem fechar os olhos para os &#8216;erros&#8217; de certos homens eminentes que tanto contribuíram para nossa cultura”. O inegável talento de Céline, entretanto, não o absolveu: morreu em julho de 1961 aos 67 anos, e menos de trinta pessoas acompanharam o seu enterro. Em 1992, a casa onde o autor viveu seus últimos anos foi tombada pelo Ministério da Cultura da França e, semanas depois, <em>destombada</em> pelas autoridades municipais de Meudon, na periferia de Paris.</p>
<p>Quando iniciei a leitura de <em>Viagem ao fim da noite</em>, sem saber nada do homem que escrevera aquele livro, as suas imagens, a sua oralidade, a ironia e o cinismo foram me capturando em suas teias. Considerado semi-autobiográfico, o relato tem a voz do anti-herói Ferdinand Bardamu, que começa enfrentando as batalhas da Primeira Guerra Mundial, viaja à África colonial, passa pelos Estados Unidos em franco processo de industrialização, e por fim retorna ao subúrbio de Paris, onde se restabelece como médico. Pode-se inferir que a viagem de Bardamu, até o fim da noite, ultrapassou o próprio coração das trevas.</p>
<p>Se o livro me capturou por seu estilo e por sua linguagem, o fez também pelas ideias – não exatamente por aquelas representadas pelo espírito do autor ou do personagem – mas sim pelas ideias que nasciam e pululavam em mim a cada instante, a cada imagem, a cada cinismo. Impossível, pelo menos para quem mora em Salvador – cidade quase sem salvação mas abençoada por todos os santos – não sentir-se em casa ao ler o seguinte trecho:</p>
<blockquote><p>Dei com minha mãe uma grande volta pelas ruas próximas do hospital, numa tarde, batendo pernas pelos esboços de ruas que há por ali, ruas com lampiões ainda não pintados, entre as longas fachadas gotejantes, com janelas coloridas por centenas de trapinhos pendurados, as camisas dos pobres, ouvindo o barulhinho de fritura que crepita ao meio-dia, tempestade de gorduras nocivas. No grande abandono indolente que cerca a cidade, ali onde a mentira de seu luxo vem supurar e findar em podridão, a cidade mostra, a quem quer vê-lo, seu grande traseiro, em latas de lixo. Há fábricas que evitamos ao passear, que cheiram a todos os odores, alguns inacreditáveis, e onde o ar ao redor se recusa a feder mais. Bem pertinho, mofa o pequeno parque de diversões, entre duas altas chaminés desiguais, seus cavalos de pau desbotados são caros demais para os que os desejam, frequentemente durante semanas inteiras, fedelhinhos raquíticos, atraídos, rechaçados e subjugados ao mesmo tempo, com todos os dedos no nariz, por seu abandono, pela pobreza e pela música.</p></blockquote>
<p>Quando Bardamu, sofrendo as agressões da futilidade insalubre do cotidiano de uma Nova York dos anos 1930 ou de qualquer lugar <em>comercial</em>, disse que “filosofar é apenas uma outra maneira de ter medo e só leva aos covardes simulacros”, eu, enfim, o imaginei! &#8211; como se espreitasse as minhas reações lá de dentro do livro, como um verdadeiro e verbal demônio que sorri.</p>
<p>Mas, que fique claro, o que mais me agradava durante os dias em que estive a ler <em>Viagem</em> era o humor, não há literatura sem humor. Durante toda a fase em que eu lia o livro, havia a sempre presente ameaça de, repentinamente em qualquer lugar – mesmo na fila do pão, deixar escapar uma daquelas gargalhadas irreprimíveis, por me lembrar de uma passagem ou outra do livro. A gargalhada mais marcante, creio, me sobreveio numa tarde de sábado, num movimentado ponto de ônibus em Salvador. As pessoas, um tanto desacostumadas do riso e do ridículo nessas circuntâncias de rotinas citadinas, quase me recriminavam por sorrir! (ou meu próprio <em>descostume</em> assim me fazia julgar). E bem durante a gargalhada, passou um Doblô cinza cujo som altíssimo anunciara o carro ainda há alguns bons metros, vinha na faixa mais próxima da calçada, ressoando de seu interior uma música alegre, viva, e ao passar pelo ponto de ônibus pelo menos eu notei que quem o dirigia era uma freira solitária, vestida, claro, de hábito dos bem tradicionais, relativamente jovem, vinha mexendo os braços, deu para ver que se sacudia, e não obstante a velocidade com que passara por mim e pelo ponto de ônibus, relativamente baixa mas ainda assim era um carro afinal e numa via de alto fluxo de veículos, ela me olhou e percebeu que eu estava a rir! &#8211; houve ali uma comunicação de alegrias, uma empatia cósmica urbana, uma sensação de boa insanidade mútua e cumplicidade relâmpago que não durou mais do que um segundo, eu diria, se fosse possível ali perceber o tempo. Aquela freira viera em meu socorro simbólico, ou talvez para completar a minha ruína perante as demais pessoas do ponto de ônibus – seus olhares se tornaram temerosos diante da intensificação maligna de minha gargalhada. Creio até que as outras pessoas também viram a freira, certamente ouviram o som do carro que ela dirigia – mas ninguém mais riu&#8230;</p>
<p>Enfim, como eu disse no início, cada leitura nos invade ou nos convida a seu modo, nos impõe ou tenta nos conduzir, e por fim, quando já nos é íntima, nos solicita um certo tipo de estado de espírito, uma companhia que transcende o tempo da leitura e os limites que tentamos a ela infundir. A relação é de respeito, logo, de conflito e invasão. Tudo a seu tempo morre, mas nossos átomos &#8211; impregnados das vivências &#8211; levam consigo cada qual seu fragmento de nós, do <em>algo</em> que julgamos ter sido. Louis-Ferdinand Céline morreu, mas ainda hoje oferece sua cínica, controversa e talentosa companhia às solidões do mundo, sugerindo infiltrar-se pelos telhados da cuca dos curiosos que lhe tomam à mão.</p>
<p>A leitura de <em>Viagem ao fim da noite</em>, portanto, transcorreu como uma viagem mesmo, que durou vários dias, várias noites, e alguma eternidade feita de memórias impunes. E que não tem ponto de chegada, não tem realmente um fim, sendo a últma palavra apenas a última seta, a última encruzilhada, o abandono da companhia. A boa leitura é mesmo aquela que não termina quando acaba e que suscita em nós gratidão, uma profunda gratidão, mesmo – ou sobretudo – pelas coisas mais perigosas que nela nos ameaçam.</p>
<br />Filed under: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/placebo-cultural/'>placebo cultural</a> Tagged: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/celine/'>Céline</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/literatura/'>literatura</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/viagem-ao-fim-da-noite/'>Viagem ao fim da noite</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fabriciokc.wordpress.com/1817/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fabriciokc.wordpress.com/1817/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=1817&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Captura de tela 2012-01-13 às 05.11.11</media:title>
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		<title>acabou a greve! &#8211; a violência não.</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Feb 2012 00:54:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabricio ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cerebrando]]></category>
		<category><![CDATA[greve da PM]]></category>
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		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Afinal, acabou a greve, mas infelizmente não a crescente violência – nem a violência armada que mata, nem tampouco a violência simbólica que arma... Nem a nossa própria violência, que ignora.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=1719&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Afinal, acabou a greve, mas infelizmente não a crescente violência – nem a violência armada que mata, nem tampouco a violência simbólica que arma&#8230;</strong></p>
<p><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-11-acc80s-22-50-46.png"><img class="aligncenter  wp-image-1721" title="Captura de tela 2012-02-11 às 22.50.46" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-11-acc80s-22-50-46.png?w=523&#038;h=365" alt="" width="523" height="365" /></a></p>
<p>Mais um reflexo de gravíssimo problema social foi empurrado mais para a frente, pelo governo, claro, através de articulações diversas e tão deploráveis quanto as &#8220;manchetes alarmistas, imprensa golpista e esquerdismo oportunista&#8221;, como acusaram algumas opiniões (dentre as que considero dignas de atenção) sobre a ressonância da greve da PM nas esferas política e midiática.</p>
<p>Penso que muitas críticas refletem um vício: o de transferir para o próprio &#8220;problema&#8221; a exigência da solução. Exigir de uma greve corporativa (militarizada, armada, ilegal &#8211; que seja &#8211; e que mexe diretamente com controle social) a disposição e o &#8220;pensamento&#8221; que devem compor, isso sim, a discussão sobre políticas públicas profundas, que deveriam compor as diretrizes de governos, as preocupações de amplos setores da sociedade civil organizada, as reflexões da academia – enfim, exigir da PM que reivindique a solução do grave problema que ela mesma é e do problema mais amplo que ela participa (muitas vezes matando e oprimindo a serviço do Poder e do estado), é extraviar-se das causas, e condenar os sintomas – estes que são consensualmente lamentados e/ou rechaçados até pelos mais desavisados falastrões.</p>
<p>Aliás, não é função principal de qualquer sindicato de categoria – muito menos de categorias armadas – reivindicar o fim das mazelas sociais históricas ou promover o pensamento político de transformação do sistema político/econômico hegemônico (por mais que essas pautas se façam presentes – direta ou indiretamente – nas lutas sindicais).</p>
<p>Muitos críticos, sobretudo políticos partidários, deputados e senadores, diante do problemático ensejo da greve da PM, criticaram – acertadamente &#8211; a instituição da Polícia Militar, que deve ser extinta em favor de uma polícia com estrutura diversa, mais afeita às demandas públicas civis contemporâneas, considerando complacentemente que vivemos sob a égide de um estado democrático de direito. Esperamos que essa discussão se mantenha viva em outros contextos, especialmente abordando a cotidiana violência das periferias baianas (e não só nelas) e o uso da força policial militar para reprimir manifestações populares de protesto.</p>
<p>Afinal, acabou a greve, mas infelizmente não a crescente violência – nem a violência armada que mata, nem tampouco a violência simbólica que arma&#8230;</p>
<p>Nem a nossa própria violência, que ignora.</p>
<br />Filed under: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/brasil/'>Brasil</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/cerebrando/'>cerebrando</a> Tagged: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/greve-da-pm/'>greve da PM</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/sociedade/'>sociedade</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/violencia/'>violência</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fabriciokc.wordpress.com/1719/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fabriciokc.wordpress.com/1719/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=1719&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>greve! &#8230; e os professores?</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 02:29:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabricio ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cerebrando]]></category>
		<category><![CDATA[greve PM]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[E a Política, tantas vezes vilipendiada pelos oportunismos tirânicos, no meio disso tudo. No meio disso todo a sociedade, os negócios, o carnaval, os assassinatos, as lutas...<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=1715&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-10-acc80s-00-19-22.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-1716" title="Captura de tela 2012-02-10 às 00.19.22" src="http://fabriciokc.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-10-acc80s-00-19-22.png?w=620" alt=""   /></a></p>
<p>Se o PIB do país cresce, então começam as exigências de distribuição do bolo. Cadê? &#8211; Ora, as categorias de trabalhadores com maior poder de barganha imediato são os primeiros a exigir maior fatia do bolo &#8211; e infelizmente, no Brasil, o poder de barganha reside no revólver, no fuzil e no controle social dos outros explorados, dos excluídos, dos subalternos.</p>
<p>Professor, quando faz greve, ninguém nota &#8211; é massacrado e ninguém vê, nem ouve, nem teme. &#8211; Só o futuro, claro, que se desespera, mas ninguém liga&#8230;</p>
<p>As Polícias Militares, armadas, despreparadas, entraves autoritários na esfera civil, sem prática politica reivindicatória &#8211; já que não podem se sindicalizar &#8211; radicalizam.</p>
<p>E a Política, tantas vezes vilipendiada pelos oportunismos tirânicos, no meio disso tudo. No meio disso tudo a sociedade, os negócios, o carnaval, os assassinatos, as lutas&#8230;</p>
<br />Filed under: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/brasil/'>Brasil</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/category/cerebrando/'>cerebrando</a> Tagged: <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/brasil/'>Brasil</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/greve-pm/'>greve PM</a>, <a href='http://fabriciokc.wordpress.com/tag/politica/'>política</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fabriciokc.wordpress.com/1715/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fabriciokc.wordpress.com/1715/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fabriciokc.wordpress.com&#038;blog=2116125&#038;post=1715&#038;subd=fabriciokc&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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